Capítulo 1
Ainda estava muito escuro quando ela acordou de repente. A lua brilhava e iluminava
sua cabine através da janela ao lado da sua cama. Ela se sentiu muito
enjoada e correu para alcançar um balde e vomitar pela primeira vez em
anos. Ela amaldiçoou as ondas que movimentavam o barco, limpou a boca
e se levantou se apoiando na mesa. Pegou seu casaco e espiou através
da janela da porta antes de sair para o convés sentindo a brisa do mar
no seu cabelo longo e negro. Caminhou até a frente do navio e olhou para
frente, para o mar longo e negro que eles iriam atravessar, olhou para baixo
e sentiu algumas gotas salpicarem no seu rosto.
“Eu vou pular? Eu tenho coragem
para pular, assim como eu faço no sonho?” - ela pensou olhando para baixo
olhando a popa do navio cortar caminho pelas ondas.
-Não consegue dormir
de novo?- perguntou uma voz atrás dela. Ela não conteve o sorriso
e se virou para ver Annabell dando um laço na corda do roupão.
-Uma capitã deve estar
sempre disposta a prezar pelo bem estar de sua tripulação, dia
e noite.- ela sorriu.
-Simitry, você teve aquele
sonho novamente?- perguntou Annabell se aproximando de Simitry.
Simitry respirou fundo e olhou
para o infinito mar na frente do seu navio. Annabell ficou ao seu lado olhando
para ela pelo canto do olho.
-Você deveria tentar olhar
para as estrelas.
-Eu faço isso às
vezes, elas que podem nos dizer pra onde estamos indo e onde estamos.
-Não é olhar por
obrigação, não com um olhar crítico. Apenas...-
Annabell fez uma breve pausa como quem escolhe bem as palavras que vai utilizar
- Olhar sabe? Faz você pensar sobre tuddo e ao mesmo tempo sobre nada.
Você admira a beleza delas e sua cabeça vai esvaziando.
-Esvaziar a cabeça?-
perguntou Simitry olhando para ela com um olhar ao mesmo tempo curioso e irônico.
-É. Esvaziar tudo...
Todos os pensamentos ruins ou qualquer outra coisa que possa estar te perturbando.-
respondeu Annabell olhando para baixo.
-Obrigada...Por estar aqui comigo.
Annabell abraçou Simitry e elas olharam para as estrelas por um tempo.
-Vamos.- falou Annabell abraçando
a cintura de Simitry e a conduzindo pelo convés de volta a cabine.
-Você vai me por na cama?-perguntou
Simitry sorrindo.
-Você é como uma
criancinha, e eu sou como... Sou como a adulta disso tudo.
Simitry sorriu enquanto Annabell a fazia deitar na cama.
-Não vou sair até
que você esteja roncando.- falou Annabell acariciando o cabelo de Simitry.
-Hei - falou Simitry sem abrir
seus olhos direito - Eu não ronco.
-É claro que não.
Simitry tentou falar, mas sentiu
que seus olhos estavam muito pesados e as ondas do mar estavam confortavelmente
ninando ela.
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Simitry acordou com um sorriso que devagar foi morrendo quando ela não
mais sentiu seu cabelo sendo acariciado e não viu Annabell perto de sua
cama. Ela se levantou, lavou seu rosto e saiu da cabine. Era uma manhã
muito ensolarada, tão ensolarada que Simitry desejou não ter limpado
tão bem as velas do navio, o sol refletia nelas e quase cegava quem as
olhasse. Ela bateu na porta da cabine de Annabell, mas não obteve resposta.
-Onde esta Annabell?- perguntou
Simitry a um homem negro forte que estava amarrando algumas cordas.
-Ah bom dia capitã!-sorriu
o homem.
-Bom dia Broctus.
-Annabell esta lá na
cozinha com Plumbs discutindo sobre alguma coisa. O café da manhã
eu acho.- falou Broctus agarrando um par de cordas particularmente grossas.
-Obrigada Broctus, quanto tempo
até chegarmos a terra?
-Não vai demorar muito
eu acho. Nós navegamos muito enquanto você dormia a noite.
-Então quer dizer que
vocês navegaram um pouco durante a noite?
-Sim capitã.
-Então eu acho que vocês
fizeram uma pequena pausa então.
-Bem...
-Por que quando eu acordei no
meio da noite eu não vi nenhum marujo.- sorriu Simitry enquanto as cordas
que Broctus segurava escorregaram de sua mão e qual fez uma das velas
cair em cima de outro pirata.
-Desculpa Tamp! Essas cordas
são bem escorregadias às vezes. - falou Broctus ao pirata - Bom
como eu disse capitão, navegamos um pouco enquanto você dormia
como uma pedra.
Simitry riu e deu umas tapinhas nas costas de Broctus.
-Broctus você é
forte como um touro, sábio como uma coruja. É provavelmente um
dos melhores piratas que eu tenho a bordo. Você sabe que eu confiaria
minha vida a você. - falou Simitry a um sorridente Broctus - Mas você
não consegue mentir, nunca conseguiu. Então se vocês não
navegaram durante a noite, é melhor você ter certeza que vocês
naveguem muito agora pra que cheguemos à terra a tempo. Tudo isso é
claro torcendo para que o vento esteja a nosso favor como estava ontem á
noite.
-Sim capitã!- falou Broctus
dando nó em outra corda.
Simitry caminhou para longe dele sorrindo. Broctus era um homem bom, ela o havia
salvo de um Conde nas terras ao norte onde ele era mantido como escravo. Quando
a tripulação de Simitry atacou o castelo do Conde eles acharam
Broctus dentro de um porão quase a beira da morte após ser espancado
pelo seu velho mestre (por ter derramado água em seus tapetes indianos,
depois ficou-se sabendo). Quando os homens de Simitry chegaram perto, ele atacou
com tanta fúria e força que impressionaram Simitry e ela sabia
que precisaria daquele homem na sua tripulação. Ela conversou
com ele até que se acalmasse e o trouxe para dentro do navio onde suas
feridas tiveram cuidados. Desde aquele dia ele e Simitry tinham uma ligação
especial e Broctus era provavelmente o pirata mais forte que ela tinha. Ele
era um bom homem com um enorme coração. Simitry tomou as escadas
que levavam a cozinha, onde encontrou Annabell e Plumbs discutindo sobre o café
da manha como sempre.
-Annabell?- chamou Simitry.
-Estou aqui!- falou Annabell
com uma voz irritada.
-Bom dia Plumbs. - falou Simitry
esfregando a barriga - Estou com tanta fome...
-O café da manhã
vai sair em um minuto capitã!- falou Plumbs dando um olhar para Annabell
que estava prestes a falar alguma coisa quando Simitry a interrompeu:
-Annabell eu preciso falar com
você lá fora por um momento.
Annabell deu um olhar muito feio para Plumbs enquanto ela foi para fora atrás
de Simitry.
-Eu juro que ás vezes
eu podia...- falou Annabell fazendo um movimento com as mãos como se
ela tivesse esganando uma garganta imaginaria.
-Ah esqueça o Plumbs
e o café da manhã por agora.
-Mas eu achei que você
estava com fome.
-Foi apenas uma desculpa pra
botar Plumbs para trabalhar e tirar você da cozinha.
-Ah... O que você queria
então?
-Tanta coisa...- suspirou Simitry
- Mas por agora eu me contento se você me fizer um favor.
-Claro! Qualquer coisa.- sorriu
Annabell.
-Eu preciso que você vá
no primeiro barco falar com o Conde por mim
-Mas porque? Não é
Kay quem faz isso sempre?
-Bom...- Simitry indicou sua
cabine para Annabell. As duas entraram e a pirata fechou a porta.
-Acontece o seguinte: segundo
informações que recebi, nesta ilha pra qual estamos indo se encontra
uma bússola. -explicou Simitry olhando séria para Annabell - Mas
não uma qualquer, mas a chamada Bússola Maldita. De acordo com
a lenda ela mostra o caminho para uma ilha maldita, onde habitam...
-Deixa eu adivinhar, seres malditos,
coisas malditas, tudo maldito...- continuou Annabell.
-Exato! Então você
está familiar com a lenda?- perguntou Simitry surpresa.
-Não, é só...
Ahn... Continue.
-Bom, então. Na ilha
tem um tesouro, e quando eu falo tesouro eu quero dizer muito, muito ouro, rubi,
prata, diamantes, enfim... Imagine o que faríamos com tanto tesouro assim!
-Nossa, eu não posso
nem imaginar.- falou Annabell abafando seu riso com a excitação
de Simitry - Mas e o tesouro? Também não é maldito?
-Incrivelmente não. A
única coisa na Ilha que não é maldito é o tesouro,
não é mesmo uma sorte?- perguntou Simitry com um sorriso enorme
no rosto.
-Se é! Mas o que você
quer que eu faça?
-Ah é bem simples, você
vai pra ilha, conversa com o tal conde e tenta convencer ele a me emprestar
a bússola.
-Assim... Fácil?- perguntou
Annabell desconfiada.
-Não deve ser muito difícil
depois que você citar que esta representando Simitry, a Rainha dos Piratas.
Geralmente eles fazem nas calças ao escutar meu nome.- sorriu Simitry
pomposa.
-Nossa, você causa cada
reação nas pessoas.- riu Annabell.
-Ei, é um trunfo ok?
Mas eu acredito na sua habilidade como diplomata.
-E o Kay? Não é
ele geralmente que faz isso?
-Sim, normalmente eu mandaria
Kay para fazer isso, mas dessa vez eu preciso que você faça isso
por mim.
-Bom, claro Simitry. Mas por
que?
-Bem...- começou Simitry
olhando pela janela de sua cabine - Considere isso como uma promoção.
Você agora tem novas responsabilidades e direitos no navio.
-Entendo... Obrigada Simitry.-
sorriu Annabell a abraçando.
-Ah de nada querida e não
se preocupe, eu terei Broctus indo com você.- falou Simitry beijando o
topo da cabeça da loirinha.
-Broctus?-
-Sim, pra te ajudar com o que
você possa precisar.- falou Simitry consultando o mapa em sua escrivaninha.
-Claro... Se você acha
prudente...
-Olha Annabell, eu realmente
quero tomar todas as precauções possíveis para essa missão
ter sucesso. Eu não iria apenas te jogar lá sem instruções
ou nada.
-Mas Simitry se você quer
tanto que essa missão seja um sucesso por que você não manda
Kay? Quero dizer é assim que você normalmente faz, e ele tem experiência
no assunto...
-Porque eu acho que você
é a mulher para essa missão.- sorriu Simitry olhando para ela.
- E eu confio em você e eu sei que vocêê não vai me decepcionar.
Annabell sorriu e deixou a cabine.
-Oi Annabell.- falou Broctus
indo na direção dela.
-Oi Broctus- falou Annabell
sorrindo.
-Tava falando com a capitã?
-É eu tava, por que?
-Eu só queria dizer a
capitã que a gente vai chegar em terra em uma ou duas horas, os ventos
ajudaram e...
-Pe... Pe.. Pera um minuto!
Mas eu achava que a gente só ia chegar em terra a noite e só iríamos
descer pela manhã.
-Bom a capitã mandou
a gente navegar a noite, ela quer chegar lá o mais rápido possível.
Eu pensava que você sabia...
-E eu achando que tinha recebido
a grande notícia...
Broctus olhou para ela confuso
-Bom - Annabell pensou antes
de continuar - eu não acho que vai fazer mal nenhum te contar isso, já
que Simitry confia tanto em você...
Broctus abriu bem seus olhos como se precisasse deles para ouvir melhor o que
Annabell estava prestes a lhe contar.
-Simitry me pediu para ser a
representante no barco que sai primeiro a terra.- falou Annabell mantendo a
voz baixa.
-Mas eu achava...- começou
Broctus, mas Annabell fez um gesto com a mão para ele abaixar a voz-
Eu achava que Kay fazia isso. - terminou Broctus com a voz baixa.
-É, eu também,
mas ela quer que eu vá no lugar dele.
-Mas...- Broctus pensou sobre
o que ia dizer.
-“Por que?”- falou Annabell
percebendo que ele estava hesitando.
-Bom... É. - ele falou
perturbado.
-Eu perguntei a ela, mas...
Ela não quis me dizer.
-E o que ela falou pra você?
-Pra encarar como uma promoção.
-Bom... Talvez ela realmente
queira te promover Annabell. Quero dizer, ser representante da capitã
é bem melhor que ser um marinheiro comum, existem alguns privilégios
eu acho.
-É... Eu acho. De qualquer
forma eu vou indo me aprontar, o que uma representante de capitã deve
vestir afinal?
Annabell saiu andando e falando com ela mesma sobre o que ela deveria vestir,
estava tão concentrada
no assunto que já havia caminhado metade do deck antes de se dar conta
de que sua cabine ficava ao lado da de Simitry. Ela correu até sua cabine
e começou a procurar por suas roupas algo que seria próprio para
ocasião.
Broctus bateu na porta de Simitry.
-Entre Broctus.- falou Simitry.
-Como você sabia que era
eu? - perguntou Broctus entrando.
-Bom, eu ouvi você e Annabell
conversando lá fora.
-Ah...
-Alguma novidade para mim?
-Ay! Logo chegaremos em terra!
Uma ou duas horas no máximo. - falou Broctus orgulhoso.
Simitry sorriu.
-Muito bem! Eu suponho que Annabell
já sabe sobre isso?
-Sim, ela sabe.
-Onde ela está Broc?
-Ela está em sua cabine
se aprontando para desembarcar.
-Obrigada Broctus.- falou Simitry
enquanto Broctus pegava sua deixa para sair da cabine. Simitry observou ele
sair de sua cabine e então trancou a porta. Ela então abriu a
passagem secreta para a cabine de Annabell e sorrateiramente foi entrando. Ela
observou Annabell tirar sua roupa e colocar um vestido. Annabell se olhou no
espelho e não pareceu gostar de sua aparência.
-Eu gostava mais da primeira
roupa.- falou Simitry saindo de trás da pintura pendurada na parede.
Annabell se assustou antes de se dar conta que era Simitry que estava em sua
cabine.
-Você devia parar de fazer
isso. - falou Annabell com a mão no peito.
-Desculpa, eu não queria
te assustar. - falou Simitry se aproximando de Annabell.
-Tudo bem. - falou Annabell
olhando para sua imagem no espelho -Eu lembro da primeira vez que usei esse
vestido. Eu estava triste e entediada, prestes a me casar com um homem que eu
não amava, para uma vida que eu não queria para mim.
Annabell olhou para Simitry antes de continuar.
-Quando um navio pirata chegou
no porto e mudou minha vida.- ela sorriu e Simitry também. Annabell começou
a tirar o vestido.
-O que você ta fazendo?-
perguntou Simitry.
-Tirando o vestido.
-Mas por que?
-Porque você não
gostou dele.- sorriu Annabell. -Eu acho que você está certa - ela
falou olhando para Simitry através do espelho - Essa cor nem me favorece.
Mas dava pra você me ajudar com os botões atrás?
Simitry ficou em pé atrás de Annabell e começou a desabotoar
vagarosamente os botões.
-Você realmente acha que
fico bonita nessa roupa de pirata Simitry?- perguntou Annabell olhando para
seus reflexos no espelho.
-Sim eu acho Annabell. - respondeu
Simitry abrindo os botões.
-Bonita o bastante para alguém
me desejar?- perguntou Annabell olhando para seus reflexos.
-Bonita o bastante para qualquer
um te desejar.- respondeu Simitry segurando a cintura de Annabell para ajudar
a abrir os botões.
Annabell tentou olhar nos olhos de Simitry, mas ela pareceu muito concentrada
nos malditos botões. Elas ouviram uma batida na porta.
-Annabell você esta pronta?
- perguntou Broctus - O barco e já tá ppronto. Então vai
partir assim que você estiver pronta.
-Quase lá. - falou Annabell.
-Então... Nervosa?- perguntou
Simitry enquanto Annabell se vestia rapidamente.
-Porque estaria? Porque eu vou
para uma terra estranha, falar com um Conde estranho, representando ninguém
alem da maior pirata que já viveu? Nem, eu acho que não.- falou
Annabell num tom sarcástico.
Simitry sorriu.
-Além do que, eu estou
bonita o bastante para qualquer um me desejar.- Annabell sorriu enquanto ela
caminhava até a porta e Simitry para a passagem secreta atrás
do quadro. Simitry observou Annabell sair pela porta e falou para si mesma:
-Talvez bonita demais...
Ela olhou para a cabine de Annabell por um tempo e deixou sua mente viajar antes
de correr pela passagem até sua própria cabine em tempo de ouvir
Broctus batendo em sua porta.
-Entre.- falou Simitry.
-Cap, Annabell está pronta.-
falou Broctus abrindo a porta e entrando. Quando Simitry virou para olhar bem
a tempo de ver Annabell surgir por trás de Broctus.
-Você está maravilhosa,
maravilhosa... - falou Simitry com um olhar perdido em Annabell.
-Oras, obrigada. Alguns poderiam
até dizer que estou bonita o bastante para qualquer um me desejar.- falou
Annabell com sarcasmo.
Simitry sorriu e deu um olhar para Broctus que concordou com Annabell e estava
balançando a cabeça com um olhar muito bobo.
-Ahn... Devo avisar aos homens
que devemos chegar logo em terra capitã?- perguntou Broctus atrapalhado.
-Por favor Broctus, eu tenho
certeza que você e Annabell estão loucos para ver como se saem
nesse primeiro dia como representantes da capitã.- falou Simitry - Annabell
vem cá pra eu te dar uns últimos avisos.
Broctus saiu e Annabell chegou mais perto de Simitry.
-Annabell eu... Bom sem pressão
ok? Só quero que você vá lá e faça o que faz
de melhor: falar. Tenta convencer o conde que é melhor ele entrar em
acordo comigo. Você não precisa convencê-lo de primeira,
apenas abrir passagem para mim... Claro que nada impede você de convencê-lo
sozinha... Mas você não precisa... Quero dizer...- Simitry olhou
no fundo dos olhos de Annabell - Boa sorte Annabell, eu sei que você pode
fazer isso.
Simitry deu um beijo na face de Annabell.
-Não se preocupa Simitry-
sorriu Annabell- Eu estou bonita o bastante pra qualquer um me desejar.
Annabell e Simitry sorriam e com um ultimo olhar a loirinha saiu da cabine.
-Broctus!- chamou Simitry.
-Sim cap.- respondeu Broctus
entrando na cabine.
-Broctus eu preciso que você
vá com Annabell nessa missão...
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-Oi Broctus!- sorriu Annabell - Veio se juntar a nós?
-Sim eu vou.- sorriu Broctus
- Desliza pra lá.
-Hum... Demorou... Ela falou
por que queria você aqui?
-Bom... Ela não me disse...
- falou Broctus coçando o queixo.
-E o que ela te disse afinal?-
perguntou Annabell enquanto o barco era abaixado até o mar.
-Bom ela me disse pra encarar
isso como uma promoção...
-Isso é estranho...
-É eu achei também.
O barco finalmente estava no mar e longe do Sea Phoenix, em poucos instantes
finalmente chegou a terra. Enquanto alguns homens ajudavam Annabell a sair para
terra seca Broctus olhou em volta para o velho porto.
-Eu acho que já estive
aqui antes...
-O que você disse Broctus?
- perguntou Annabell.
-Nada.- falou Broctus ainda
abismado.
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-Vou anunciar sua presença.-
falou um criado fardado deixando Annabell e Broc a sós na ante-sala bem
decorada.
Apesar de saber que sua fama
era amplamente conhecida, Annabell não pôde deixar de achar surpreendente
como usar o nome de Simitry realmente parecia causar um efeito nas pessoas.
Bom ou ruim, era, contudo, um efeito. Por temor ou admiração as
pessoas sempre eram afetadas pelo nome da pirata, e ela própria sabia
disso ao falar para Annabell se identificar como representante de Simitry a
Rainha dos Piratas. Claro que havia o perigo de algum espião Guarda Marinha
Oficial (Oficial Marine Guard, também conhecida como OMG) estar por perto,
mas até mesmo eles temiam o poder da pirata, que também tinha
diversos espiões e simpatizantes espalhados por cada porto. Enquanto
a Guarda tinha a antipatia e desprezo do povo, oprimido e que tinha que pagar
altos impostos, Simitry por sua vez era, tida por muitos como uma heroína
que junto com os outros piratas se opunham ao poder quase ditatorial da Guarda.
E ela sabia usar de sua fama, respeito e poder muito bem. Ao menos até
agora tudo parecia estar indo bem para Annabell e Broc sob a proteção
de seu nome.
-Você será atendida.-
falou o criado que havia voltado de dentro da sala, abrindo a porta para Annabel
-Você fica.- ele falou olhando para Brooc que fez menção
de acompanhá-la.
-Tudo bem. Qualquer coisa eu
grito.- falou Annabell alto o bastante para apenas Broc escutar.
Ele concordou com a cabeça, mesmo estando com o semblante irritado e
Annabell seguiu para dentro da sala, cuja porta foi fechada pelo criado antes
que Broc pudesse ter a chance de espiar seu interior.
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2º Capítulo
- Seja muito bem-vinda. – falou uma voz
feminina no fundo da sala.
Annabell se aproximou lentamente da figura, sem acreditar que era realmente uma mulher que governava a ilha. Ainda mais uma mulher como aquela. Nenhum retrato poderia ser realmente fiel à beleza exótica dela. Suas feições eram tão belas e exóticas que Annabell se perguntou quantas descendências diferentes aquela mulher teria para nascer com tal beleza. Sua pele tinha um bronze natural, seu rosto, feições que lembravam os índios selvagens das ilhas mais novas, mas eram suaves como de uma mulher branca em certas partes. Seus cabelos negros como os de Simitry lhe caiam na cintura e seus olhos, apesar de serem de um tom negro, pareciam brilhar como diamantes. Ela vestia um vestido longo de um tom púrpura muito belo que Annabell teve certeza que era raro e caro de se encontrar.
- Você é o conde... Condessa dessas províncias? – perguntou Annabell visivelmente surpresa.
-Sou sim, não deixe transparecer a surpresa em seu tom de voz, não condiz com sua realidade de pirata, mulher. – sorriu a condessa mostrando uma das cadeiras em frente à sua mesa, onde Annabell se sentaram. – Diga-me...
- Annabell.
- Diga-me Annabel, que tipo de negócios você tem a tratar comigo?
- Venho em nome de Simitry, a Rainha dos Piratas, que pede permissão para atracar em seu porto e descer em suas terras para negociar.
- Hum... Uma pirata com representante polida e educada, que não manda, pede. Métodos de piratas interessantes estes de hoje em dia. Pois bem, mandarei meu criado mandar Bro.. O grandalhão que veio com você avisar sua Capitã que ela pode atracar em meu porto.
A condessa agitou um sino e logo entrou o mesmo criado fardado, a quem ela deu a ordem e saiu rapidamente.
-Diga-me querida, sua Capitão se aproveita sempre de sua beleza?
-Como?
- Oras, uma bela mulher como você é uma arma.
- Hum... Obrigada, mas nem sempre venho como representante dela.
-Você tem belos olhos.
- Ahn...
- Verdes... Me lembram os campos de oliva do norte.
- Oliva?
- É, eu gosto. Você não?
- Não tenho nada contra.
O criado entra na sala.
- A Capitã Simitry está chegando – falou o criando antes de ser dispensado pela condessa.
As duas ficaram em silêncio por um instante em que Kathryn parecia analisar cada aspecto de Annabell e vice-versa. Após um tempo o silêncio foi quebrado pela condessa:
- Diga-me Annabell, você não parece que nasceu assim, pirata. Seu jeito, sua maneira de se portar, uma dama. Uma dama a procura de aventuras?
-Alguns nascem cavalheiros e damas, a procura de aventuras. Outros nascem aventureiros, em busca de cavalheirismo e status de dama.
-Ah! Touché! Vê o retrato atrás da mesa? É de meu ex-marido, herdei o titulo dele após sua morte, realmente uma perda trágica para seu povo, que agora chamo de meu.
-Horas, saia logo da nossa frente seu almofadinha azedo!- falou a voz de Simitry do outro lado da porta antes da mesma ser aberta por um criado, que parecia ter levado um belo solavanco da pirata, e Broc, que adentraram a sala mesmo sob os protestos quase que silenciosos do criado.
-Simitry, Rainha dos Piratas.- sorriu Kathryn observando Simitry entrar na sala.
-Kathryn, a Maldita.- sorriu Simitry se virando para encarar a mulher.
-Faz muito tempo que não a vejo, Rainha - falou Kathryn sorrindo maliciosa.
-É, muito tempo mesmo, Maldita - sorriu Simitry.
-O bastante para sentir falta?- perguntou Kathryn oferecendo sua mão para que a pirata a beija-se.
-Eu diria que sim.- respondeu Simitry beijando a mão estendida de Kathryn.
-HUNF!- resmungou Kathryn ao mesmo tempo em que sua mão livre estapeava o rosto de Simitry e o barulho ecoava pela sala.
-Ah eu sabia que estava reconhecendo isso aqui! Kathryn!- sorriu Broc.
-Olá grandão. Faz muito tempo, não é?- sorriu Kathryn antes de se virar furiosa para Simitry - Você não parecia que iria sentir minha falta quando me abandonou para morrer.
-Para morrer? Te deixei numa ilha habitada e ainda com todas as suas armas!- exclamou Simitry enquanto massageava o lado estapeado do seu rosto.
-Desculpa, mas vocês se conhecem?- perguntou Annabell confusa.
-Conhecemos sim, a Kathryn, ahn... Fazia parte da tripulação. Mas faz muito tempo que não nos falamos.- falou Simitry.
-Se não me falha a memória, a última vez foi... Ah! Quando você partiu e me quebrou o coração não é mesmo?- perguntou Kathryn irritada.
-O que eu posso dizer? "Simitry, a Rainha dos Piratas Malditos", simplesmente é um nome muito longo e sombrio até mesmo para uma pirata.- respondeu Simitry.
-E ainda assim eu gostaria de virar a Maldita Rainha dos Piratas.- suspirou Kathryn olhando de relance para Annabell- Mas você me deixou para morrer.
-Deixa de ser exagerada! Eu te deixei com todos os recursos para viver.- resmungou Simitry.
-E viver sem o meu grande amor?- perguntou Kathryn dramática.
-O mar? –perguntou Annabell confusa.
- Gosto de você loirinha. Sua pureza é notável, nunca perca isso.- sorriu Kathryn.
-Kathryn, você sabe que eu adoraria ficar aqui e discutir questões antigas do coração, mas temo que vim a negócios.- cortou Simitry.
-É claro que veio, e mandou a loirinha na frente para me amansar, não é mesmo? Parece que esqueceu que meu fraco é por morenas.- riu Kathryn.
-Na verdade mandei Annabell falar com o Conde. Qual foi minha surpresa quando descubro que ele faleceu, em circunstâncias suspeitas, e que sua esposa é ninguém menos que... Você!- falou Simitry com um sorriso sarcástico.
-Não sei o que tem de suspeito nas circunstancias da morte do meu EX-marido, mas, se é assim que você quer colocar, fique a vontade.- sorriu Kathryn.
-Eu poderia ficar horas debatendo todas as causas que fazem das circunstancias da morte dele suspeitas, mas como falei, vim a negócios.- falou Simitry.
-Tá então fale.-pediu Kathryn.
-Vou direto ao ponto.- falou Simitry sentando-se na cadeira.
-Hum.- gemeu Kathryn fazendo um gesto impaciente com a mão para ela continuar.
-Pois bem eu quero sua bússola emprestada.- falou Simitry.
-Aaah.- suspirou Kathryn- Não.
-Não? –perguntou Simitry se levantando de sua cadeira.
-Hum... É... Não.- respondeu Kathryn indiferente.
-Ok, vamos tentar de novo.- falou Simitry respirando fundo.
-Quero a bússola.- falou Simitry.
-Nossa que direta ao ponto.- riu Kathryn.
-Você nunca reclamou disso antes, não achei que iria começar agora.- falou Simitry com um sorriso nos lábios.
-Os tempos mudam Rainha.- resmungou Kathryn olhando feio para a pirata – Agora posso saber para que você gostaria da minha bússola?
-Para que mais seria? Quero o tesouro.- respondeu Simitry.
-O tesouro... Chego a pensar que não existe nada na ilha além de desgraça e morte.- suspirou Kathryn.
-O que você pensa ou deixa de pensar pouco me importa. Quero a bússola Kathryn, quero achar a ilha e pegar o tesouro para mim.- resmungou Simitry.
-Tsc tsc... Que pirata sem modos, quer saber? Sua loirinha estava me convencendo bem melhor do que você.- falou Kathryn sorrindo para Annabell.
-Ora sua...- resmungou Simitry puxando lentamente a sua espada.
-Ok já chega!- bradou Annabell- Assim não se pode negociar civilizadamente!
-Civilizadamente?- perguntou Simitry com certo sarcasmo na voz.
-É, rainha dos piratas. Como estava sendo no começo, entre eu e a Condessa. Foi para isso que você me mandou aqui, lembra?- perguntou Annabell impaciente.
-A loirinha tem razão, sabe?- concordou Kathryn.
-Agora peço que a Rainha dos Piratas me dê permissão para continuar as negociações com a Condessa... sem interrupções.- pediu Annabell.
Simitry olhou fixamente para a loirinha por algum tempo, antes de concordar com a cabeça, descansar sua espada e dar um olhar significativo para Broc que já tinha 3/4 da espada para fora da bainha.
-Sabe, o que ela quis dizer de um modo bem gentil? É que é pra vocês dois, brutamontes, se retirarem para que nós, civilizadas, possamos negociar.- falou Kathryn num tom arrastado e entediado, completado por um sorriso pomposo.
Naquele momento Annabell pôde sentir o autocontrole de Simitry chegar em seu visível limite. Os olhos da pirata pareciam perfurar Kathryn como duas adagas azuis afiadas, sua respiração demonstrava o quão árdua estava sua batalha interna entre os dois lados que se digladiavam por atirar em Kathryn e depois cortar-lhe a cabeça com a espada e o lado que queria primeiro cortar-lhe a cabeça e depois atirar nela. Tudo isso causava um comichão na mão da pirata, que segurava e soltava a espada e revólver compulsivamente.
-Simi...- pediu Annabell segurando firme na mão da pirata, que entrelaçou seus dedos nos dela.
As duas se olharam nos olhos pelo que pareceu uma eternidade. Suas expressões, indecifráveis, suas mentes numa conexão incompreensível para os que nunca acharam sua alma gêmea.
-Muito bem.- falou Simitry após um tempo, soltando com pesar a mão da loirinha.
A pirata deu um olhar para Broc, que guardou sua espada e a acompanhou para fora da sala.
-Vamos mesmo sair?- perguntou Broc num sussurro que só a pirata podia ouvir.
-Elas têm 5 minutos até minha paciência esgotar, eu pilhar o castelo, atacar a cidade e mandar tudo para os ares.- resmungou Simitry tentando manter a cara mais neutra possível, enquanto Broc se perdia em seu olhar sonhador, imaginando o fogo consumindo tudo, os cidadãos gritando...
Foi com um ultimo olhar para Annabell que Simitry fechou a porta.
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Simitry andava de um lado para o outro em frente a porta. O tempo parecia se arrastar enquanto ela esperava ansiosa pelas duas mulheres. O que estaria acontecendo lá dentro? Estaria Annabell bem? O que será que Kathryn pretendia com tudo aquilo? Teria ela matado mesmo o velho Conde? Ah isso era o de menos! Antes ele do que ela, disso Simitry tinha certeza! Mas que diabo de demora! A espera estava deixando Simitry mais angustiada a cada segundo que se passava.
-Não agüento mais!- resmungou se virando para a porta, prestes a meter o pé nela, quando a mesma foi aberta por Annabell.
-Chegamos a um acordo.- sorriu a loirinha.
Capítulo 3
-Ah chegaram a um acordo? Já estava na hora. Me passe a bússola.- falou Simitry estendendo a mão para Kathryn que vinha logo atrás de Annabell.
-Simitry... – suspirou Annabell.
-Sabe pirata, você deveria aprender a ouvir mais o que as pessoas têm a dizer antes de falar. Principalmente as mulheres a sua volta, você não sabe o que pode estar perdendo por não ouvir.- falou Kathryn olhando nos olhos da pirata.
Simitry olhou para ela e se encararam por um instante antes de Annabell quebrar o silêncio.
-Fizemos um acordo sobre a bússola.
-Ótimo Annabell, agora, que acordo foi esse?- perguntou Simitry entre os dentes ainda olhando para Kathryn.
-Kathryn vai nos ceder o uso da bússola por um tempo indeterminado até a ilha e o tesouro serem localizados.- falou Annabell.
-Ótimo!- sorriu Simitry.
-Mas...- suspirou Annabell lhe olhando feio.
-Mas o que? O que?- perguntou Simitry confusa.
-Eu vou acompanhar vocês nessa viagem.- sorriu Kathryn.
-Como é?- perguntou Simitry olhando para Kathryn e depois para Annabell.
-Você ouviu, eu vou junto.- repetiu Kathryn segurando os ombros da loirinha – Ah e você é ótima negociadora.
Simitry não sabia ao certo o que mais a irritava, o fato de Kathryn ir na viagem ou a piscadinha que deu para Annabell, mas a pirata não estava gostando nada daquilo tudo.
-Kathryn você só sobe no meu navio quando chover rum!- resmungou Simitry irritada.
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-TODOS A BORDO!!!- gritava Broc ao lado da ponte improvisada que unia a Sea Phoenix com a terra firme.
Era com uma cara feia que Simitry observava do leme Kathryn embarcar no seu navio.
-Muda essa cara pirata. Você conseguiu a bússola.- sorriu Annabell se aproximando dela.
-E ela veio junto.- resmungou Simitry com um bico enorme.
-Foi parte do acordo. Você não queria a bússola?- perguntou Annabell.
-Annabell entenda: eu não queria esta... Maldita no meu navio!- falou Simitry irritada.
-Simitry, ela não nos daria a bússola e nós ficaríamos sem ela.- explicou Annabell.
-Nem! Tomaríamos á força! Batalha! Pilhagem! Queimando a cidade! Mulher e rum para todo mundo! Arr!- falou Simitry com os olhos brilhando e um olhar sonhador, sonho que se desmoronou quando ela percebeu a cara feia que Annabell fez.
-Quando você me mandou a negócios com ela, disse para conseguir o que queríamos fazendo o que sei de melhor: falar, negociar. Se não confia nas minhas habilidades como diplomata, não sei porque se deu ao trabalho.- falou Annabell sentida.
-Ana... Annabell, não é isso!- falou Simitry segurando as mãos da loirinha- Eu sou uma pirata, a rainha dos piratas. Pra conseguir este posto eu usei de métodos nada diplomáticos ou ortodóxicos. Não é da minha natureza aceitar ser contrariada ou ceder.
Annabell deu um longo suspiro olhando docemente para a pirata.
-Eu sei Simi. Acho que nós duas temos que aprender muito uma com a outra para convivermos melhor.
-Ah loirinha, loirinha.- suspirou Simitry sorrindo.
-Ou até você cansar dela e jogar numa ilha qualquer para morrer.- falou Kathryn subindo as escadas.
-Bem vinda a bordo Condessa.- sorriu Annabell.
-Obrigada querida. Me chame de Kathryn.- sorriu Kathryn.
-A maldita.- completou Simitry entre os dentes.
-Não sei quem te falou que isso era um charme, mas gemer entre os dentes é muito feio Rainha dos Piratas.- falou Kathryn sarcástica.
-Vá a bosta Maldita.- resmungou Simitry.
-Prefiro ir a ilha achar o tesouro com vocês.- sorriu Kathryn parecendo muito satisfeita ao ver a cara de espanto de Annabell- Agora onde acho baldes?
-Baldes? –perguntaram Annabell e Simitry ao mesmo tempo.
-É, pelo visto, vai chover rum e eu não desperdiçaria um bom rum por nada.- riu Kathryn.
-Ora sua...- resmungou Simitry.
-Simitry.- sussurrou Annabell repreendendo-a.
-Onde são meus aposentos? - perguntou Kathryn ignorando a pirata - Ainda aqueles velhos?
Simitry lhe deu um olhar que era puro gelo.
-Você dorme com os outros piratas pelo que me importa.- falou Simitry.
-Não, ela é convidada. Você pode dormir na minha cabine, é ao lado da de Simitry.- falou Annabell.
-Ah que gentileza sua loirinha.- sorriu Kathryn.
-Ah e você onde vai dormir?- perguntou Simitry.
-Bom... Huum... Eu pensei que você... Ia me deixar dormir com vo... Ahn... Eu posso dormir com os... – gaguejou Annabell ficando completamente vermelha.
-Ah! Uh! Cof... Ahn... É.- gaguejou Simitry também ficando num tom avermelhado.
-Então... Tá né?- falou Annabell olhando para o chão.
-É né.- falou Simitry olhando fixo para o leme.
-Que tocante... – suspirou Kathryn olhando para as duas – Pois bem vou me retirar para minha cabine.
-Espera ai! Você que tá com a bússola! Pra que lado eu vou!- perguntou Simitry segurando Kathryn pelo braço.
-Sul.- falou Kathryn observando a mão de Simitry ao redor do seu braço.
-E depois?- perguntou Simitry.
-Depois eu aviso.- falou Kathryn se soltando da pirata e indo para a cabine.
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Já era noite quando Simitry se recolheu para cabine junto com Annabell.
-Do que você tá sorrindo? –perguntou Simitry observando o rosto risonho da loirinha sentada na sua cama.
-Ah, tava me lembrando da primeira vez em que entrei aqui.- respondeu Annabell.
-Entrou uma intrusa, saiu uma pirata.- sorriu Simitry beijando-lhe o topo da cabeça.
-Sai uma cozinheira isso sim.- riu Annabell.
-Ah qual é, você se ofereceu pra cozinhar e todos estávamos loucos para ter umas boas férias da comida do Plumbs né?- sorriu Simitry descansando sua espada e revolver ao lado da cama.
-Nossa ele faz horrores na cozinha! E olha que é porque eu ensinei ele uma coisa ou outra, naquela época era impossível! Nem imagino o que vocês tiveram que comer com ele de chef!- falou Annabell horrorizada.
-Pois é, daí vem uma loirinha e diz que sabe cozinhar... Ainda com esta carinha de anjo, não dava pra resistir.- brincou Simitry fazendo cócegas na loira.
-Sabe... Ainda bem que você me levou a sério.- falou Annabell quando finalmente parou de rir.
-Como assim? –perguntou Simitry se sentando ao lado dela.
-Ué... Como pirata, como amiga, como mulher...- sussurrou Annabell se aproximando da pirata.
-Mas você é uma bela pirata, amiga, mulher...- sussurrou Simitry aproximando seu rosto do de Annabell.
-Você acha?- perguntou Annabell num fio de voz enquanto se perdia nos olhos de Simitry.
-Unhum.- concordou Simitry chegando cada vez mais perto.
-LESTE!- bradou Kathryn saindo da passagem.
Num só pulo as duas mulheres se afastaram assustadas.
-Você tá doida porra?- perguntou Simitry irritada.
-Doida nada! Maldita! E eu digo que é pra ir pro Leste! Agora!- falou Kathryn.
-Leste? Agora é pra ir pro Leste?- perguntou Annabell.
-É! Agora!- falou Kathryn.
-Tá, vou dar ordens pra ir Leste, agora volta pro seu quarto e não se atreva a usar essa passagem secreta de novo!- bradou Simitry irritada.
-E como você espera que eu diga quando é pra mudar o rumo? –perguntou Kathryn.
-Você... Sai da cabine e avisa pro pirata que cuida do leme.- respondeu Simitry.
-E eu vou sair assim? Toda vez que a bússola indicar mudança de direção?- perguntou Kathryn apontando para o traje que vestia: um roupão transparente que deixava muito do seu corpo a vista.
-Você troca de roupa e vai!
-Mas não quero ficar trocando de roupa toda vez! É mais pratico eu vir aqui e falar pra você, que é a capitã e tem o DEVER de estar sempre pronta pra ajudar seus piratas! Além do que... Daqui que eu vista a roupa... Já perdemos a deixa pra mudar de direção e...
Simitry olhou para ela irritada e resmungou uma porção de coisas incompreensíveis enquanto saia da cabine para dar as ordens no leme.
-Que mau humor...- falou Kathryn observando a pirata sair.
-Boa noite Kathryn.- falou Annabell com a mão no peito do susto.
-Boa Annabell.- sorriu Kathryn voltando para cabine pela passagem.
“Maluca...” pensou Annabell observando a mulher sumir dentro da passagem.
-Isso é um absurdo!- exclamou Simitry voltando a cabine – Ela agora via ficar indo e vindo pela passagem quando quiser?
-Ela tem um bom ponto Simi, ela tem que ficar dizendo pra onde vamos ou nos perderíamos.- falou Annabell se deitando na cama.
-Ah, mas ela vai ficar indo e vindo assim? E o que acontece com a nossa privacidade?- perguntou Simitry levando as mãos a cintura.
-Nossa... Ahn... Privacidade?- perguntou Annabell olhando para a pirata.
-É... Bom... Você sabe.- gaguejou Simitry.
-Da nossa privacidade? –perguntou Annabell.
-É, se vestir e... Ahn...- gaguejou Simitry olhando para todos os lados da cabine.
-Ah! Sim claro.- concordou Annabell virando para o outro lado.
A pirata a observou por um tempo antes de pegar um dos travesseiros, um lençol e ir se deitar no chão.
-Por que você tá no chão?- perguntou Annabell.
-Bom, você dorme na cama e eu no chão.- explicou Simitry.
-Por que?- perguntou Annabell.
-Bom porque... Eu...Sei lá porque...- falou Simitry.
As duas ficaram em silêncio por um tempo.
-Quer que eu volte pra cama? –perguntou Simitry.
-Quero.- respondeu Annabell sem olhar para ela.
-Tá bem.- concordou Simitry se levantando e deitando na cama.
-Annabell?
-Hum?
-Lembra quando aquele nojento do Fausto te jogou no mar, e eu mergulhei pra te salvar?-
-Lembro sim.
-Do que exatamente você lembra?
-Lembro... Dele me empurrar. De uma queda longa... Depois azul do mar... Azul... Eu me lembro vagamente de mãos... E lábios... E aquele azul maravilhoso.
-Azul?
-É, como o mar, o céu... Como... Os seus olhos...
-NORTE!- bradou Kathryn saindo da passagem.
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-Bom dia flor do dia!- falou Plumbs sorridente.
-Só se for pra você.- resmungou Annabell mal humorada.
-Nossa! Mas que mau humor heim? Pra quem dormiu até tarde você deveria tá com um humor melhor, ou pelo menos um pouco menos de olheiras.- falou Plumbs observando a cara abatida da loirinha.
-Dormiu até tarde? Eu nem dormi!-resmungou Annabell.
-Como não? A capitã te deu muito trabalho?- perguntou Plumbs com um sorriso irônico que a loirinha nem notou.
-A Simitry é um amor, ótima companheira de quarto.- falou Annabell se dando ao luxo de dar um pequeno sorriso.
-Imagino.- sorriu Plumbs malicioso.
-Mas aquela...- começou Annabell fazendo um gesto como se procurasse a palavra certa para dizer.
-MALUCA!- resmungou Simitry entrando na cozinha parecendo mais abatida e mal humorada que Annabell.
-Isso! Ficava entrando na cabine de 10 em 10 minutos berrando “NORTE!”, “SUL!”, “LESTE!”. Ela nos deixou acordadas a noite toda!- resmungou Annabell.
-Aquela mulher é uma louca! Eu juro que...- falou Simitry fazendo um gesto rápido com as mãos e se deixando jogar num banquinho.
-Nossa... Não me lembrava da Kathryn causar tanto mau humor em ninguém, principalmente em você capitã.- sorriu Plumbs ironicamente.
-Plumbs... Não me testa, eu estou de péssimo humor e morrendo de sono! Te faço andar na prancha mais rápido do que você possa dizer “Rum”.- falou Simitry entre os dentes.
-Não tá mais aqui quem falou capitã.- falou Plumbs se encolhendo de medo- Eu vou preparar algo pra vocês duas comerem.
Annabell se aproximou de onde Simitry estava sentada e a ficou observando por um tempo.
-Que?- perguntou Simitry ao notar os olhares da loirinha.
-Nada não.- respondeu Annabell num suspiro antes de salpicar um beijo na bochecha de Simitry.
-Pelo que foi isso?- perguntou Simitry lutando para não ficar vermelha com a surpresa.
-Por você ainda não ter jogado na minha cara um “tudo culpa sua! Sua loira desmiolada! Falei pra não trazer ela junto!”, principalmente depois da noite que passamos.- falou Annabell.
-Eu nunca faria isso. Eu... Sei que você teve as melhores intenções e além do que a gente nem vai mais lembrar disso quando estivermos com o tesouro nas mãos.- falou Simitry abrindo um largo sorriso.
-Sabe, você tá horrível, tá com olheira, cara abatida, cabelo louco...- falou Annabell sorrindo.
-Nossa... Obrigada Annabell.- falou Simitry fazendo bico.
-E ainda assim, mesmo sem sorrir, você fica linda. Como você faz isso?- perguntou Annabell puxando um caixote pra se sentar perto da pirata que havia adquirido um tom particularmente exótico de vermelho.
-Ahn... Acho que é... O... Sol, deve fazer bem pra...- gaguejou Simitry.
Annabell sorriu e com um suspirou encostou sua cabeça no ombro da pirata, que beijou o topo da cabeça da loirinha. Quando Plumbs finalmente terminou de cozinhar as duas dormiam encostadas uma na outra.
-Aff...- suspirou Plumbs observando a cena.
Capítulo 4
Quando Annabell acordou o sol já não estava mais no céu. Ela percebeu que estava deitada na cama da cabine de Simitry.
-Simitry. - suspirou Annabell olhando em volta, mmas sem sinal da pirata.
Preguiçosamente a loirinha se levantou da cama, vestiu suas botas e já estava prestes a sair da cabine quando ouviu vozes alteradas vindas da cabine ao lado, pela passagem semi-aberta.
- Você sempre leva tudo pelo lado pessoal, não muda nunca? – resmungou Simitry irritada.
- Certas coisas não possuem outros lados para serem levados, Simitry – retrucou Kathryn.
- Não acredito que você está discutindo isto comigo.
- E eu que você se nega a discutir.
- Kathryn, eu lhe expulsei do meu navio uma vez, posso fazer isto de novo e, acredite, desta vez não serei tão boazinha.
- Ah, mas eu acredito. Você não foi boazinha da primeira vez, nem me atrevo uma segunda.
- Eu te deixei numa ilha habi...
- À MERDA você e sua ilha habitada! Simitry você tem idéia do quanto você me machucou? Você acabou comigo, me matou por dentro de uma forma que talvez nunca entenda. Eu cheguei à ruína como pessoa e mulher, que já nem mais sou. E você ainda tem a cara de pau de falar que a maldita ilha é habitada?
Seguiu-se um silêncio, cortado por Simitry, de voz trêmula, mas em tom decidido.
- Existe um motivo pelo qual você está aqui de volta no meu navio. Espero que entenda isso e cumpra sua parte ou me arrependerei da minha decisão...
- Decisão da loirinha, não sua. Incrivelmente ela tem sim autonomia nas decisões que toma, até com relação a assuntos do Sea Phoenix. Autonomia que nunca tive.
- Boa noite Kathryn – suspirou Simitry, se dirigindo para a passagem. Resmungando do outro lado, a tempo de ouvir a porta da cabine bater quando viu um vulto louro, voou para fora. Simitry a seguiu para fora da cabine a encontrando no deck. A pirata se aproximou lentamente, ouvindo os suspiros que a loirinha dava.
- Posso saber por que a mocinha suspira tanto? – perguntou Simitry se aproximando da loirinha.
- Só estava pensando – respondeu Annabell sem olhar para a pirata.
- No que? Posso saber?
- Em nada.
- Nada? Você quer mesmo que eu acredite que você está apenas admirando as estrelas, sem nenhum propósito?
- Não, eu é que venho tentando te convencer a fazer isto, mas você não me escuta.
- Ah, Annabell! Eu...
-Deixa pra lá, ok? Eu estou sendo irracional. Nós duas estamos cansadas da noite mal dormida e...
- Annabell... – falou Simitry segurando a mão da loirinha que se virou para ela.
- Olha as estrelas Simitry, o que você está vendo?
- Annabell agora não é hora de...
- Apenas olha e me diz o que você vê!
Simitry olhou para a loirinha por uns instantes antes de se virar para o céu com um grande suspiro.
- Estou vendo o céu estrelado.
- Não tem nada de estranho neste céu estrelado?
- Não que eu esteja notando...
- Então está tudo bem parecido com o céu estrelado de sempre?
- É...
A pirata olhou para a loirinha que lhe retribuiu o olhar.
- Nós estamos andando em círculos! Pelo amor! Com o vento que andamos pegando, já deviam ter mudado pelo menos alguma maldita estrela! E o tempo em que estamos! E com tantos nortes, sul, lestes e oestes...
Simitry não podia acreditar naquilo. Ela olhou para todas as estrelas de direção que ela conhecia, olhou para todas as outras e tudo parecia indicar a mesma coisa.
- Eu. Vou. MATAR AQUELA MALDITA –falou Simitry pausadamente, entre dentes.
Antes que ela pudesse dar um passou ou que Annabell pudesse tentar impedi-la, o grito ecoou pela noite, vindo do ponto mais alto do navio.
- TERRA À VISTA!
-Isto é impossível! – falou Simitry, tomando a luneta de um pirata que observava a terra ao longe.
- Talvez tenhamos voltado à mesma ilha em que a pegamos – sugeriu Annabell.
- Não me parece a mesma, quero dizer... Dá uma olhada nisso... – falou Simitry oferecendo à Annabell a luneta.
-Nossa... Parece uma enorme mancha negra!
-Parece mesmo! Agora onde está aquela...
-Vejo que chegamos ao nosso destino.- falou Kathryn praticamente deslizando pelo deck.
-É chegamos.- confirmou Annabell um pouco envergonhada por ter duvidado dela.
-Ótimo e quando desceremos a ilha?- perguntou Kathryn olhando para a loirinha.
-Amanhã pela manhã, ou você acha que colocaria meus homens num risco desnecessário indo à noite?- perguntou Simitry sarcástica.
-Não achei que você iria querer por em risco nem seus homens, nem suas mulheres.- respondeu Kathryn sorrindo de ponta a ponta.
-Que mulheres?- perguntou Simitry confusa antes de olhar para Annabell e Kathryn- Ah!
-Caça ao tesouro sempre foi minha parte favorita de ser pirata! E a sua Annabell?- perguntou Kathryn.
-A Annabell não...
-Eu acho...
-O que? Se decidam quem vai falar primeiro. Aliás... Nem com você estou falando Simitry, perguntei pra loirinha. Não sei pra que você se meteu.
-É que...
-A Annabell nunca foi numa caça ao tesouro. Mas amanhã vai ser a primeira e tenho certeza de que ela se sairá muito bem.
-Ah... Entendo... Bom, já que é assim vou me retirar para meus aposentos! Tanto para aprontar e tão pouco tempo!- falou Kathryn parecendo muito satisfeita enquanto voltava para a cabine.
-Eu vou com vocês amanhã?- perguntou Annabell parecendo surpresa e feliz.
-Claro que vai, ou você preferia ficar?
-Eu... Achei que você ia me fazer ficar, já que não domino muito bem, as armas e...
-Você aprende com a prática. E eu sei o quanto você quer aprender tudo tão rápido. Nada como uma caça ao tesouro.
-Obrigada Simmy!- exclamou Annabell salpicando um beijo na bochecha da pirata.
-De nada. Agora anda, temos que recrutar os homens para amanhã, você vem comigo pra ver como é.
-Sim senhora!
-Menos sorriso... Mais cara de pirata brava!
-Tá! Arr!
-Essa é minha loirinha.
-É, é, é. – concordou Annabell enquanto as duas desciam para o porão.
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Já fazia um bom tempo que Annabell estava acordada, velando o sono de Simitry. Aliás, "acordada" era apelido, a verdade é que ela não havia conseguido dormir tamanha sua excitação pelo dia seguinte. Só conseguiu dar curtos cochilos, acordando de supetão (e até acordando uma assustada Simitry por tabela, algumas vezes) achando que estava atrasada. Depois de um tempo ela se decidiu por ficar acordada, esperando o dia amanhecer e velando o sono da pirata. Algo que estava ficando muito interessante, era tão bom ver como a pirata parecia tão serena quando dormia, seu rosto com uma expressão tão pacifica, seu cabelo negro espalhado pelo travesseiro, sua respiração que fazia seu peito subir e descer sob a fina camiseta branca que ela vestia. Aquele movimento parecia hipnotizar a loirinha que não tirava o olho dos seios da pirata, enquanto cedia ao formigamento de suas mãos por tocar as curvas dela. Gentilmente Annabell seguia o contorno da cintura até a lateral dos seios da pirata, passou a ponta do seu dedo indicador desde o meio do ventre até o meio dos seios da não tão adormecida Simitry, que havia acordado completamente arrepiada com os toques da loirinha.
-Bom dia.- sussurrou Annabell ao notar os olhos azuis abertos.
-Booom...- respondeu Simitry com a voz rouca.
Annabell sorriu enquanto subia seu dedo até o pescoço da pirata para depois deslizá-lo lentamente até um pouco acima de seu umbigo.
-Você é tão bonita!-suspirou Annabell mirando aqueles olhos azuis.
-E você é tão atrevida!- sorriu Simitry se arrepiando com o dedo da loirinha que subia lentamente até o meio dos seus seios.
-Você acha?- perguntou a loirinha agora hipnotizada pela boca da pirata.
-Certeza.- respondeu Simitry num sussurro, segurando o rosto da loirinha próximo ao seu.
-Sempre tão certa.- sussurrou Annabell com seus lábios roçando os da pirata.
-SIMITRY!- chamou Kathryn.
-CAPITÃ!- chamou Broc batendo na porta.
-Que o pariu...- resmungou Annabell.
-Ah puta.- resmungou Simitry observando a loira enfurecida sair da cabine em passos pesados.
-Qual o problema de vocês?- perguntou Annabell olhando feio para os piratas- Vocês têm espiado a cabine e escolhido os PIORES momentos para atrapalhar ou o que? Não conseguem fazer nada sozinhos? O que é tão importante que tem que chamar a capitã?
-Bom é que... –gaguejou um pirata próximo a loirinha.
-É o que? Eu sou uma loira prestes a ter um ataque de nervos devido ao acúmulo de TE... NSÃO! Fala logo o que é!!
-Os... Homens estão prontos, nós... Estamos esperando a capitã dá as ordens.- respondeu Broc todo encolhido.
-Ah... Claro... Eu chamo ela tá? Nem percebi que tava tarde... Eu...-gaguejou Annabell.
-Tudo bem, eu entendo que vocês deviam estar... Se preparando lá dentro. Vai lá chamar ela Annabell.- sorriu Kathryn.
-É... Eu vou mesmo.- concordou Annabell completamente envergonhada se enfiando de volta na cabine.
-E então? –perguntou Simitry curiosa com as reações da loirinha, primeiro sai furiosa e volta completamente envergonhada.
-Ah eles tão esperando as ordens.
-Ótimo! Já estou quase pronta e você?
-Vou me aprontar, pode ir na frente pra dar as ordens.
-Tem certeza? Eu posso te esperar.
-Oras, você é a capitã. Anda, daqui a pouco eu saio.
-Tá bem.- concordou Simitry dando um beijo na testa da loirinha e saindo da cabine suspirando.
Já do lado de fora, a pirata procurou com os olhos por alguém em especial.
- Tamp – chamou Simitry
- Sim, capitã? – respondeu o pirata.
- Você se lembra da Kathryn, não?
- Lembro. Ela tá de volta pra usar a bússola.
- Sabe o que faria sua capitã muito feliz?
- O quê?
- Que você colasse nela assim que chegasse na ilha, eu não acho que tenha como ela fugir, ou algo assim, mas prefiro não arriscar.
- Sim, senhora. – concordou Tamp se afastando.
- Broctus? – chamou Simitry procurando por ele. - Tudo certo para a ida?
- Tudo, já sei que piratas vão ficar no navio, e os outros estão prontos para partir.
- Ótimo, obrigada Broc.
- Minha primeira caça ao tesouro! Ah, que emoção! – exclamou Annabell, pulando tão perto da pirata que quase a assustou.
- Calma ai loirinha. Pega mal estes pulinhos serelepes – sorriu Simitry.
- Ah, é mesmo! Cara de pirata! Arr!- Falou Annabell fazendo uma espécie de careta.
-Arr. Mesmo. Anna presta atenção, quando chegarmos na ilha eu quero que você fique bem próxima de mim, não saia de perto por nada, ok?
- Está bem, está bem.
- Você está com sua espada?
- Anham
- E o revolver?
- Também
- Você lembra como...
- Simitry eu sei o que fazer com eles! E para que tanta preocupação? Eu nem vou sair do seu lado, nada vai me acontecer.
- Oras, não custa nada se prevenir, sua loirinha ingrata resmungona.
- Desculpa, estou nervosa.- falou Annabell voltando a dar pulinhos.
- Tudo bem. Mas sem pulinhos – riu Simitry, segurando a loirinha pelo braço.
- Ok! Vou para o barco.
- Espera, vem cá.
- Ah não Simitry, mais recomendações e...
Antes que Annabel pudesse falar "perguntas", ela foi abraçada por Simitry que a envolveu apertado em seus braços pelo que pareceu uma eternidade. O seu rosto deliciosamente perto dos seios da pirata acompanhando a subida e descida de sua respiração.
- Boa sorte. - suspirou Simitry em seu ouvido.
-P... Pra você também. – gaguejou Annabell abobada. Simitry percorreu o deck em direção ao leme, subiu as escadas, se voltou para os piratas e com um olhar os calou.
- Mais uma caça ao tesouro. É com orgulho que sou capitã deste navio. Rainha dos Piratas, sua capitã e rainha, mas não sou tola. Todos nós sabemos que não faço tudo sozinha, são vocês piratas que fazem da Sea Phoenix e do nome Simitry, lendas. Que me faça andar na prancha quem aqui nunca viu um homem maduro molhar as calças ao ouvir que vocês são piratas do Sea Phoenix da Capitã Simitry. Nossa fama é mundial, somos respeitados e temidos e existe um bom motivo: somos os melhores quando se fala de pirataria, os mais perigosos, os mais destemidos e os mais ferozes. Não é, com uma exceção, nossa primeira caça ao tesouro e espero que não seja a última. Vocês sabem o que fazer: "Yer, scurry dogs! Bring us the booty so we’ll have rum and wenches. Arr!".
- Arr! – gritaram os piratas indo para os barcos.
- Ótimo discurso – falou Kathryn se aproximando da pirata.
- Uma das minhas muitas habilidades
- É, e você tem M-U-I-T-A-S
- Você está preparada, não é? Não está esquecendo a bússola?
- Não sou a exceção da primeira caça ao tesouro. Eu sei o que estou fazendo e sem dar pulinhos – respondeu Kathryn olhando para Annabell que dava pulinhos ao lado de um barco.
- Você vem comigo – resmungou Simitry puxando Kathryn pelo braço – E você também, lebre loira – completou ela puxando também a loirinha para o barco, onde Tamp já se encontrava.
Aos poucos os barcos foram descidos até o mar para uma curta e silenciosa viagem até a ilha.
- Mantenham o booty, rum e wenches fora das suas mentes agora. Todos sabemos que a ilha é amaldiçoada, mas ninguém sabe com o quê. Olhos atentos. – falou Simitry com sua espada em punho. – Kathryn, que direção?
Capítulo 5
- Mantenham o booty, rum e wenches
fora das suas mentes agora. Todos sabemos que a ilha é amaldiçoada,
mas ninguém sabe com o quê. Olhos atentos. – falou Simitry com
sua espada em punho. – Kathryn, que direção?
- Não sei –respondeu Kathryn indiferentte.
- Como não sabe? – perguntou Simitry riispidamente.
- A bússola só mostra a direção para a ilha – explicou
Kathryn.
- Faz sentido. -falou Annabell – A bússsola é maldita, pertence
a, com todo respeito, a Maldita e mostra o caminho para uma ilha maldita. Segundo
a lenda, o tesouro é a única coisa nisto tudo que não é
maldito.
Houve um murmúrio de concordância de todos os piratas que se reuniam
ao redor das mulheres.
- Talvez com um mapa... – indagou Annabbell
- A lenda não fala de mapa, só de ilha e bússola – falou
Kathryn.
- Ótimo – resmungou Simitry – Bom, a illha não parece muito grande,
já chegamos até aqui, vamos explorá-la e ver o que achamos.
Todos de acordo?
- Ay, ay, capitã! – concordaram todos.<
- Ótimo. Todo mundo junto, sistema de ggrupos de 4, cada um toma conta
de seu grupo com cuidado extra e se mantenham todos juntos, só os céus
sabem o que diabos amaldiçoa esta ilha - falou Simitry para o grupo de
piratas que faziam suas subdivisões em grupos de quatro. – Você
vem no meu grupo – falou ela, puxando Kathryn pelo braço.
- Eu não imaginei que seria diferente –– sorriu Kathryn, maliciosa.
- Andando – ordenou Simitry, dando olhaares significativos para Annabell e Tamp,
enquanto caminhava na direção da densa floresta que encobria a
ilha.
- E sem pulinhos – sussurrou Simitry noo ouvido da loirinha.
-Tá... O que você acha que é a maldiçãoo dessa
ilha?- perguntou Annabell enquanto cortava galhos que estavam bloqueando sua
passagem.
-Sinceramente não faço idéia Annabell, a lenda nunca fala
muito sobre a maldição. Só sobre o maravilhoso tesouro.
-Tesouro, tesouro! Sempre o tesouro.
-Que você tem contra tesouros?
-Nada. Só acho meio irracional essa... Caça louca a todos os tesouros.
-Faz parte da alma pirata, Annabell. Caaçar tesouros, beber rum e se divertir
com as “wenches”.
-Eu sei, mas isso é meio irracional nãoo acha? Se arriscar apenas
por um tesouro, quando você já tem tantos.
-Bom, foi me arriscando por um tesouro,, aliás, por jóias da família
que eu adentrei o quarto de uma noiva infeliz...
-Tá bem... Você me convenceu! Faz partee da alma pirata! Arr!
-Essa é a minha aprendiz de pirata!
>
As duas avançaram pela floresta sorrindo cúmplices. Atentas ao
seu redor e aos piratas que também tentavam abrir caminho pela mata fechada.
- Você ta ouvindo isto? – perguntou Tammp a Kathryn.
- Não... O que é? – perguntou Kathryn ttentando ouvir.
- Você não escuta?
- Não. Não escuto... Nada.
- Exatamente.
- Nenhum pássaro, nenhuma folha de árvoore se movendo, nem mesmo
o mar pode ser ouvido desde que a gente entrou nesta floresta. – falou Simitry
olhando em volta desconfiada.
- Capitã! – chamou um dos piratas mais à frente.
- Fale – pediu Simitry se aproximando –– O que você achou?
- Olhe mais adiante – falou o pirata appontando para um ponto à frente
na floresta. – Parece uma cidade.
- Ou o que restou de uma – ponderou Simmitry.
- O que você acha?
- Vamos continuar com cuidado, não sabeemos o que nos espera lá.
Agora Annabell... Annabell? Cadê Annabell?
- Oi? Oi! – sorriu Annabell se aproximaando pulando.
Simitry lhe deu um olhar fulminante. Uma mistura de “eu disse pra você
não sair de perto de mim” com “nada de pulinhos lebre loira” e “vou bater
nesta bunda loira até que crie um mapa do tesouro”.
- Ela tava comigo – falou Kathryn notanndo os olhares da pirata – eu a chamei
pra perguntar uma coisa.
- Vamos – falou Simitry dando olhares ffeios para as duas.
Devagar os piratas foram adentrando as ruínas da cidade. A “cidade”,
ou o que sobrou dela, não passava de alguns prédios em ruína
ao redor de uma construção maior no centro da cidade. Alguns,
cujas estruturas não resistiram ao tempo, haviam desabado. Outros ainda
estavam em pé e, ainda assim, todos estavam decadentes. A floresta já
avançava por boa parte da cidade, plantas encobriam parte das estruturas
mais baixas e avançavam para o alto.
- Parece desabitado – falou um dos piraatas.
- Parece desabitado há MUITO tempo – reeforçou Kathryn analisando
o que parecia ter sido uma casa em algum tempo remoto.
- Nenhum sinal de vida, capitã.- reporttou Tamp.
- É o que parece... – concordou Simitryy, analisando os prédios
ao redor – Assim como tudo que brilha parece ouro, e o mar parece que tem fim
e vamos cair dele. Portanto é melhor termos certeza antes de baixar a
guarda.
Houve um murmúrio de concordância entre os piratas ao redor.
- O lugar é maldito, afinal. – comentouu Tamp.
- Vamos descansar um pouco. Estamos anddando há horas para aquela floresta.
Vamos fazer uma pausa antes de seguirmos com nossa busca. Aliás, esta
cidade merece uma boa explorada. – falou Simitry para o grupo de piratas – Mas
se mantenham juntos.
- Sim, capitã – concordaram todos.
>
- Annabell vem cá – chamou Simitry adenntrando um dos prédios que
ainda estavam em pé.
Annabell seguiu a pirata para dentro do prédio mau iluminado.
- Simitry? – chamou Annabell tentando aachar a pirata em volta na penumbra –
Simitry? Não posso ver...
A frase da loirinha foi interrompida quando ela foi jogada contra a parede por
braços fortes.
- Cinco segundos. – falou uma voz no ouuvido da loirinha – Eu fiquei fora do
seu campo de visão por 5 porra de segundos e olha o que pode acontecer!
Annabell tentou afastar seu rosto aa parede do prédio, mas não
conseguiu.
- Está me machucando.
Ela foi virada rapidamente e ficou cara a cara com quem lhe segurava.
- Em 5 segundos você se perdeu e ficou vulnerável a ataques. Quando
eu disse para você não sair de perto de mim é pra evitar
isso, ou pior! Porra Annabell! Por que você não me escuta? – perguntou
Simitry.
- Ela me chamou, ok? Tinha vários pirattas em volta e você não
estava tão longe, não achei que seria problema.
- Eu falei pra você não sair! Porra Annnabell, você viu o
que pode acontecer em 5 segundos? E se não fosse eu? E se fosse...
Simitry não teve coragem de terminar a frase, ainda mais com as lágrimas
que caíram dos olhos da loirinha. A pirata a abraçou.
- Eu sinto muito... Eu nem pensei, eu.... – soluçou Annabell com o rosto
enterrado no peito da pirata.
- Shh! Calma, calma. Eu exagerei. Não ddeveria ter dado esses susto em
você. – falou Simitry, levantando o rosto da loirinha – Mas, você
faz idéia do medo que eu tenho de que algo te aconteça? Que alguém
te leve para longe de mim? Eu... Te machuquei?
- Não. Foi só o susto. – falou Annabelll esfregando o rosto.
- Deixa eu ver isso... Desculpa. Eu exaagerei mesmo...
Annabell a olhou profundamente antes de abrir um gigante sorriso e dar um pulo
para beliscar a ponta do nariz de Simitry.
- Também amo você, bobinha.
- Ah, sua lebre loira atrevida.
- Ah, mas você adora este atrevimento.<
- Se adoro... Mas me diz, o que a Kathrryn queria com você?
- Ah, nada demais, ela...
- Capitã! – chamou uma voz de fora.
>
As das se entreolharam antes de correrem para fora do prédio. Uma vez
lá fora a pirata se admirou com o número de pessoas que viu ao
redor da cidade.
- O que diabo? De onde eles vieram? – pperguntou Simitry a um pirata que estava
próximo.
- Da floresta, eles chegaram devagar, mmais parece que surgem do nada. – respondeu
a pirata levando a mão à sua espada.
- Sou Simitry, Rainha dos Piratas, capiitã da legendária Sea Phoenix.
– falou Simitry alto o bastante para que sua voz ecoasse pela cidade.
- Já tentamos contato, eles parecem nãoo entender, não ouvir.
– falou Tamp se aproximando.
- Estão nos cercando... – falou Simitryy levando a mão à
sua espada – Respondam ou atacaremos.
- É inútil capitã. Eles não querem falaar. Não
parecem falar nossa língua – falou Tamp.
- Talvez falem a língua da espada. Arr!! – bradou um dos piratas, indo
na direção de um grupo de pessoas que se aproximava mancando.
Com um só golpe sua espada atravessou a barriga saindo do outro lado.
Houve uma exclamação de surpresa de todos os piratas.
Capítulo 6
- Quê? Nunca viram alguém
ser atravessado por uma espada? – perguntou o pirata se virando para olhar suas
caras abobadas com um sorriso debochado. Não houve resposta, todos os
piratas olhavam perplexos para algum ponto à frente deles. Seu sorriso
foi murchando enquanto ele se virava lentamente para encarar sua espada e constatar
que seu golpe havia sim atravessado o homem, mas ele continuava em pé,
andando, fazendo a espada entrar ainda mais em seu corpo e, por conseqüência,
o espaço entre eles diminuir. O pirata observou estarrecido, enquanto
o espaço entre ele e o homem ia diminuindo, enquanto os outros também
avançavam, até que ele foi engolido pelo grupo e seu grito trouxe
os piratas de volta do transe em que se encontravam.
- Em círculo! Armas em punho! – gritou
Simitry também sacando sua espada.
Um a um, os piratas de Simitry foram caindo, ou melhor, sendo engolidos pelas
massas de pessoas que se aproximavam aos poucos, mancando. Parecia que nada
iria pará-los. Nem mesmo a falta de alguns membros do corpo.
- Merda, merda, merda! – resmungava Simmitry, enquanto recuava cada vez mais,
até seus pés baterem em algo. A pirata se virou para contemplar
o mais alto prédio da cidade.
- Subam! Vamos lá para cima, vamos tenttar pará-los nas escadas.
Simitry subiu rapidamente, puxando Annabell, quando se virou para ver quem a
seguia, presenciou um dos seus piratas perder o equilíbrio e, com um
grito horrível, desaparecer na multidão abaixo.
- Simitry! – chamou Kathryn já no topo da pirâmide.
- Quantos somos? – perguntou Simitry ollhando em volta.
- Quatro – respondeu Tamp.
- Cada um pega uma escada. Rápido, antees que eles cheguem! – falou Simitry
– Pra onde você vai?
- Defender uma das escadas – respondeu Annabell.
- São 3 escadas. Você fica aqui no meioo e se proteja.
- Mas...
- Sem, mas, Annabell! Se algo der erraddo...
- Aah! – gemeu Tamp.
- TAMP! – gritaram as duas correndo parra a escada que ele defendia.
Tamp estava visivelmente machucado, se arrastando para cima da escada, enquanto
uma mulher lhe puxava pelo pé. Simitry e Annabell dispararam escada abaixo
para acudir o pirata. Simitry puxou Tamp pelos braços, tentando trazê-lo
para o topo, estava tão concentrada que não notou quando uma figura
lenta mancou para perto de suas costas e estava prestes a empurrá-la.
- Simitry!
Ela estava puxando Tamp escada acima, mas ela não era ela mesma. Era
como se observasse de um outro ângulo, como se fosse outra pessoa, uma
mera espectadora. E tudo rodava em câmera lenta. Annabell descendo as
escadas na direção dela e Tamp. Os longos cabelos loiros atrás
dela. Ficou tão entretida analisando a loirinha que quase cometeu o mesmo
erro novamente e, por pouco, não notou a figura que se aproximava dela
por trás. Seu olhar era indecifrável, mas suas intenções
eram claras: empurrar a pirata na multidão abaixo. Ela tentou avisar
a si mesma, tentou gritar, sinalizar, qualquer coisa, mas como mera espectadora,
tudo que podia fazer era assistir. Assistir quando as mãos estavam prestes
a lhe empurrar as costas. De repente, sumiram enquanto a voz de Annabell ecoava
“Simitry” pela cidade e, com um golpe certeiro a lâmina de sua espada
atravessou a figura que desapareceu, virando pó. E a medida que o pó
era levado pelo vento, o primeiro que soprava desde que haviam chegado na ilha,
tudo começou a ficar mais rápido, mais rápido, mais rápido,
enquanto ela era arrastada para seu corpo.
- Simitry! Você está bem? – perguntou AAnnabell se aproximando.
- Estou... Meu Deus, o coração é a saídda! Annabell,
ajude o Tamp a subir, avise Kathryn e... Tome conta da outra escada.
- Sério? Digo... Ay, ay Cap!
A loirinha disparou escada acima, arrastando Tamp, que gemia a cada degrau.
- Ai! Eu...Ai! Estou...
- Oras, seja homem! Kathryn! Coração! AAtinja o coração
deles!
- Quê? – berrou Kathryn da sua escada.<
- Atinja o coração e eles morrem! - berrrou Annabell ajeitando
Tamp no chão, encostado na parede.
- No coração?
- É! Assim! – falou Annabell disparandoo escada abaixo e enfiando sua
espada no peito de uma das figuras.
- Loirinha, você é um gênio! – exclamouu Kathryn enfiando
sua espada em outra figura.
- É o que dizem... – sorriu Annabell diisparando escada acima. – Tudo
bem ai, Tamp?
- Tudo, vai para sua escada logo! Estouu ouvindo eles chegarem!
- Ah! É mesmo! – exclamou Annabell pulaando.
- Loira doida... – murmurou Tamp se enccostando na parede.
Sua perna direita estava muito machucada e ensangüentada.
- Maldição... – ele sussurrou, olhando em volta.
O lugar parecia ser algum tipo de altar ao Sol. Havia algumas figuras de Sol
espalhadas pela parede e no topo de cada arco da entrada. Tamp teve a impressão
de que o Sol acima do arco à sua frente, havia brilhado. Ele tentou se
levantar, mas ele escorregou na parede úmida e caiu sentado no chão.
-Ar! - ele gemeu.
Enquanto tentava se ajeitar, notou que havia uma figura parecida na parede onde
estava encostado, logo abaixo de uma inscrição.
- Capitã! – chamou Tamp, se arrastando no topo da escada.
- O quê? – perguntou Simitry, enquanto enfiava a espada no coração
de uma figura.
- Tem algo escrito aqui no templo!
- Que templo?
- Este lugar aqui, tem Sol por todo cannto, parece um templo, um altar pro Sol,
ou algo do tipo.
- Arr! E daí?
- Tem algo escrito na parede, parece seer importante.
- E o que diz?
- Eu não sei ler!
- Você não...
- Que houve? – perguntou Kathryn da suaa escada.
- Tem algo escrito na parede que parecee ser importante – respondeu Simitry.
- Manda ele ler! – berrou Kathryn
- Ele não sabe!
- É, eu não sei!
- Eu posso te ensinar – falou Annabell da sua escada.
- Agora não tem tempo! Alguém tem que ller? – falou Simitry.
- Mas quem vai conter estas... Coisas? – perguntou Tamp.
- Se correr, ler e voltar, dá tempo – rrespondeu annabell.
- Ok. Quem vai? – perguntou Simitry.
- O que? Fale Alto! – pediu Kathryn.
- Ela perguntou quem vai. – explicou Annnabell.
- Tem que ser você. Você está de frentee – falou Kathryn.
- Não estamos votando! – resmungou Simiitry irritada.
- Ela tem um bom ponto. – concordou Tammp.
- Tem mesmo. – concordou Annabell.
- Maldita... – resmungou Simitry enfianndo sua espada com gosto no coração
de quem estava mais próximo.
- Cuidado Annabell. – falou Kathryn ignnorando o mau humor da pirata.
- Vou ter. – respondeu Annabell
- Quando estiver pronta. – Simitry tenttando ao máximo esconder a preocupação
em sua voz.
- Ok... 3,2,1 – contou Annabell.
Simitry contou cada passo de Annabell como se fossem batidas de seu coração.
Parecia que estava levando uma eternidade para a loirinha chegar ao topo da
escada e voltar.
- Annabell? – chamou Simitry
- Ela já desceu – respondeu Tamp.
- Cadê ela? – perguntou Kathryn.
- ANNABELL – chamou Simitry.
- Solis Vigilatus. – respondeu a voz dee Annabell.
- Quê? – perguntaram os três juntos.
- Solis Vigilatus. É isto o que diz alii. - respondeu Annabell
- Que diabo isto quer dizer? – perguntoou Tamp.
- Traduzindo rusticamente, algo como “OO Sol acorda” – explicou Annabell.
- O Sol acorda? Que desenho tem embaixoo? – perguntou Simitry.
- Um Sol. Igual ao que tem nos desenhoss embaixo dos arcos da entrada, só
que...
- Só que o que, Tamp? – perguntou Simittry.
- Só que eu poderia jurar que vi um delles brilhar. Foi por uns segundos,
mas poderia jurar. – falou Tamp.
- Brilhando como ouro? – perguntou Kathhryn.
- Ganância é a desculpa do egoísta.- reesmungou Simitry.
- Ignorância nos afasta da luz do conheecimento – retrucou Kathryn.
- Espera se eu matar eles, você vai verr qual vai ser o próximo
coração que eu...
- O Sol! Simitry, olha o Sol! – interroompeu Annabell.
O Sol estava alinhado.
- É claro... “O Sol acorda!”. Quando o Sol bater no sol da parede, alguma
coisa vai acontecer – falou Simitry.
- O que? – perguntou Kathryn.
- Suponho que ... Acordar o tal sol do templo.
- E isso é bom? – perguntou Annabell.
- Já que eu estou aqui, melhor que sejaa. – falou Tamp, apoiado no ombro
da pirata.
- Qualquer momento agora... – sussurrouu Simitry e todos prenderam a respiração.
O Sol foi mudando sua posição, lentamente, antes de finalmente
atingir a figura do sol na parede do templo. Uma luz forte se projetou, como
em uma explosão.
Capítulo 7
- Eles estão retrocedendo! – exclamou Kathryn
observando as figuras descerem as escadas e voltarem para a floresta.
- A luz está apontando para algum pontoo à frente! Vamos! – falou
Simitry.
- Você está louca? Se enfiar no meio daa floresta com aquelas coisas?
E quando o Sol mudar de posição e a luz terminar? O que vamos
fazer? – perguntou Kathryn puxando a pirata pelo braço.
- Você prefere esperar por isto aqui, ssentada? – perguntou Simitry entre
os dentes. – Vamos!
Annabell e Simitry ajudaram Tamp a se levantar para descerem as escadas o mais
rápido possível.
- Fiquem perto da luz – falou Simitry, apoiando Tamp no seu ombro.
- Eu não deveria me apoiar no ombro da maldita? Afinal eu deveria estar
vigiando ela. – perguntou Tamp à pirata.
- Você não está em condições de vigiar ninguém,
pirata. Acredite, você está mais seguro comigo. – respondeu Simitry
sorrindo.
- E Annabell?
Simitry observou a loirinha que ia mais à frente, junto com Kathryn,
abrindo o caminho pela densa floresta.
- Acho que ela provou que é mais que meerecedora do título de pirata.
- Ay, ay!
- Ay, ay...
- Então, gostando da sua primeira caça ao tesouro? – perguntou
Kathryn.
- Emocionante. – respondeu Annabell, tiirando o suor da testa.
- É, às vezes são assim. Faz muito temppo que você
faz parte da tripulação?
- Um tempinho. Muito tempo que você saiiu?
- Tempão.
- Ah...
- Na verdade, acho que fui expulsa.
- Roubou do ouro?
- Não.
- Ofendeu ou desobedeceu a capitã?
- Nem! Acho que não mais a agradava.
- O que você fez para desagrada-la?
>
-Ah... Não sei. Uma noite, estou eu dorrmindo na cabine da capitã.
No dia seguinte estou em uma ilha desconhecida com uma tatuagem da sola do sapato
da capitã no meu traseiro.
- As comadres poderiam falar menos e anndar mais? – perguntou Simitry.
- Me lembro que alguém estava muito preeocupada com o tempo. – resmungou
Tamp.
Kathryn e Annabell deram olhares fulminantes para os dois piratas atrás
e continuavam seu caminho.
- Má influência... – resmungou Tamp, appontando para Kathryn.
- É uma maldita mesmo... – suspirou Simmitry – Como está esta perna?
- Mal... Mas nada que eu não agüente. <
- Ótimo, espero que não falte muito...<
- Simitry – chamou Kathryn.
A pirata foi se aproximando das duas mulheres e olhou para o que eles contemplavam.
- Só pode ser brincadeira – resmungou SSimitry fazendo um movimento tão
rápido que quase derrubou Tamp.
- Outro templo do Sol! – exclamou Annabbell.
- Mas que maravilha... – suspirou Kathrryn.
- Sol? O Sol! Está mudando de posição!
Templo do Sol ou não é para lá que a gente vai! – falou
Simitry indo na direção do edifício o mais rápido
que ela e Tamp conseguiram.
- Espera um pouco... Tinha uns desenhoss destes nas escadas do outro templo.
- Annabell não é hora de...
- Mas olha Simitry, parece que está conntando uma história. Olha
estas pessoinhas, adorando os templos, fazendo oferendas. Olha as folhinhas
e cestinhas na cabeça. Agora isso parece um navio e um marinheiro. Ele
está mostrando uma bússola para as pessoinhas que estavam fazendo
oferendas.
- Bússola? – perguntou Simitry.
- Parece com uma. Ele está mostrando toodo triunfante! As pessoinhas estão
olhando admiradas para ele. Agora, olha como elas estão carregando estas...
Pedrinhas na cabeça como loucas. E os templos atrás vão
ruindo com o passar do tempo.
- Como você sabe que o tempo está passaando? – perguntou Kathryn.
- Estou supondo que a história está segguindo uma regra temporal,
segundo as escadas. – respondeu Annabell- Agora olha, pessoinhas têm a
bússola, mas eles não parecem nada felizes, olha! Os templos estão
praticamente arruinados e o Sol já não está mais no céu!
- E o que seria isso? – perguntou Kathrryn, apontando para o próximo desenho.
- Escuridão... – respondeu Annabell.
- Como você sabe? – perguntou Tamp, currioso.
- Não sei. Estou interpretando o desenhho – falou Annabell.
- Eles estão levando aquelas pedrinhas pros templos. – falou Simitry.
- E, mas os deuses não parecem nada fellizes, olha o relâmpago e
as nuvens sobre os templos. E agora sobre as cabeças deles... UAI! –
Annabell estava tão concentrada em ler os desenhos que não notou
que havia chego no topo da escada, pisou em falso e só não caiu
no chão porque Simitry a segurou.
- Ótima pegada, capitã. – resmungou Tammp, que com o movimento
rápido da pirata, havia sido jogado no chão.
- Oras... Seja homem. – falou Simitry, ajudando o pirata a se levantar.
- Ei, este templo parece o anterior. Ollha a inscrição na parede.
– falou Annabell se soltando dos braços de Simitry. – “Solis Dormitus”...
- O que isso quer dizer? – perguntou Siimitry.
- O Sol dorme... – respondeu Kathryn caabisbaixa.
Capítulo 8
- Como você sabe? – perguntou
Simitry?
- O povo desta ilha vivia aqui numa vidda pacata. Construíram os templos
para adorar o Deus Sol, que iluminava o dia e lhes abençoava. Um dia
chegou um pirata na praia e os mostrou as bugigangas do homem branco, que eram
desconhecidos para eles. Mudou seus conceitos, eles não mais faziam oferendas
aos seus deuses, só pensavam no metal dourado que parecia tão
precioso para o recém-chegado e no que ele poderia trazer, todas aquelas
coisas novas e maravilhosas. Por muito tempo, tudo o que o povo fazia era trocar
seu ouro por chapéus, lunetas, espelhos e uma bússola. Isso enfureceu
seus deuses, principalmente o Deus Sol que cuidava do povo. Quando o pirata
foi embora de vez, levando consigo boa parte do ouro com ele, o povo percebeu
que as bugigangas do pirata não lhes traziam felicidade, seus tempos
estavam em ruínas e o deus sol, irritado. Na tentativa de se redimirem
com seu deus, o povo passou a lhe oferecer o metal deixado, mas isto só
irritou ainda mais. O sol se retirou do céu por um longo tempo, este
tempo ficou conhecido como “a grande escuridão”. Quando o Sol voltou
ao céu, ele resolveu punir o povo, pois eles deixaram corromper seus
corações pelos valores fúteis do pirata, esquecendo de
seus próprios valores e obrigações, principalmente com
relação aos seus templos e deuses. Com seus corações
corrompidos, o povo, que antes adorava o Sol, estava fadado a temê-lo
e a viver uma vida sem propósito ou emoção. Vagando por
sua terra e defendendo seus templos de todos aqueles que têm a ganância
do outro no coração. – explicou Kathryn.
- Como você sabe de tudo isto? – pergunntou Annabell surpresa.
- Porque ela é um deles, Kathryn, a Malldita. É “maldita” porque
uma maldição caiu sobre ela. – explicou Simitry.
- Mas... Como? – indagou Annabell.
>
- O pirata... Meu pai, não levou somentte ouro daqui, Junto ele levou
minha mãe, sua filha e a bússola quebrada que o trouxe aqui por
acidente – explicou Kathryn mostrando a bússola que começara aquilo
tudo.
- Mas... Se você é um deles, porque nãoo age assim? Você
é normal. – perguntou Annabell.
- Metade de mim é branca, Annabell. Apeesar da minha mãe ser parte
desse povo, também sou filha do meu pai, metade branca. Suponho que por
isto não sou atingida pela maldição – explicou Kathryn.
- Então seu pai, um pirata decadente, aapareceu nesta ilha graças
a uma bússola quebrada, levou todo o outro desse povo, e os deixou amaldiçoados?
Você vem mesmo de uma linhagem de malditos – falou Simitry, rindo da ironia.
-Simitry eles estão chegando perto.- faalou Annabell olhando horrorisada
para a multidão que subia lentamente as escadas.
-Espera um pouco, se o pai dela levou ttodo ouro... Isso quer dizer que não
tem mais ouro aqui?- perguntou Tamp aflito.
-Ouro vocês só pensam em ouro?- pergunttou Annabell irritada.
-O ouro... – murmurou Kathryn descendo as escadas.
-Ah você também?- resmungou Annabell obbservando a maldita.
Kathryn não olhou para elas, apenas descia as escadas, alheia a tudo
a sua volta.
-Kathryn? O que você tá fazendo?- perguuntou Simitry.
-Kathryn volta aqui!!- chamou Annabell..
-Ei você tá louca? Volta!- gritou Tamp..
Por mais que os piratas gritassem, Kathryn parecia não ouvir uma só
palavra. Como se estivesse numa espécie de transe. Foi lentamente descendo
as escadas. Chegando cada vez mais próxima da multidão que se
aproximava do alto.
- Mas o que diabo...? – indagou Simitryy, quando a Maldita se aproximou da multidão.
Kathryn se aproximou da multidão, que lentamente foi se abrindo para
lhe dar passagem. Ela entrou na densa floresta e voltou instantes depois, sob
o olhar atento de todos, trazendo consigo uma espécie de fruta tropical,
que ela colocou no começo da escada antes de cair de joelhos no chão,
em sinal de respeito e adoração ao templo. A multidão foi
se dispersando um a um, desaparecendo na densa floresta, até sobrarem
apenas Annabel, Simitry, Tamp e Kathryn, ainda ajoelhada. Simitry desceu as
escadas lentamente, se aproximando de Kathryn e se inclinou para lhe tocar o
ombro.
- Eles já foram – falou a pirata no tomm mais suave que conseguiu.
Kathryn levantou sua cabeça e olhou para a pirata com os olhos cheios
de lágrimas antes de cair no choro.
- Ei, psiu... Tudo bem, está tudo bem.... – falou Simitry sentada na escada,
abraçada com Kathryn – Você foi muito bem, Kath. Shh, não
chore, eu sinto muito.
Do alto da escada Tamp, e Annabell observavam as duas lá embaixo.
- Minha perna está me matando, vou me ssentar um pouco – falou Tamp, indo
se encostar na parede.
- Hum... – concordou Annabell vagamentee ainda observando Kathryn soluçar
nos braços de Simitry com um pouco de pena e apenas uma pontada de algo
que ela não sabia definir o que era, mas a incomodava bastante.
O Sol já havia se posto quando Simitry chegou ao topo da escada, carregando
Kathryn em seus braços.
- Ela adormeceu – falou a pirata num toom baixo, enquanto ajeitava Kathryn no
chão.
- Essa Maldita é louca mesmo – comentouu Tamp.
- É, mas a loucura dela salvou nossas ppeles – retrucou Simitry – vou
descer para catar lenha, uma fogueira viria a calhar.
- Deixa que eu vou. – falou Annabell e antes que a pirata pudesse falar alguma
coisa, a loirinha já havia começado a descer as escadas.
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A fogueira queimava lentamente no topo do templo, em volta dela, os piratas
descansavam pensativos.
- Você quer que eu fique de guarda, casso eles voltem, capitã? –
perguntou Tamp.
- De jeito nenhum, você está machucado,, precisa descansar. Eu não
acho que eles vão voltar, ainda assim, vou ficar atenta – respondeu Simitry.
- Ay, ay – bocejou Tamp, se encostando na parede para dormir.
Um silêncio constrangedor tomou conta do templo, sendo quebrado apenas
pelo estômago de Annabell que roncou faminto.
-Menino feio.- resmungou Annabell baixiinho dando um tapinha na barriga.
- Eu também estou morrendo de fome – faalou Simitry se controlando para
não rir.
- É... A gente não come nada desde o caafé – concordou Annabell.
- Pois é, tantos anos reclamando da commida do Plumbs e agora eu daria
tudo para comer um pouco daquela gororoba.
- Tem aquela fruta que a Kathryn pôs noo começo da escada...
- Eu não tiraria aquela fruta do lugar nem que fosse a última
fruta tropical estranha do mundo! Quanto mais comer aquela coisa.
As duas deram sorrisos cúmplices, uma para a outra, se aproximando mais.
- Está meio frio, não é? Você acha que ela vai ficar
bem?
- Não sei... Você pode ir lá abraçá-la para
que ela fique bem aquecidinha.
Simitry suspirou antes de abrir um sorriso e agarrar Annabell em um abraço
apertado.
- Prefiro abraçar você, lebre loira.
- Oras, mas eu já ia abraçar o Tamp parra o coitadinho não
ficar com frio...
- Ah, é? Então vai! – falou Simitry, sooltando a loirinha.
- Vou nada... Ah, me abraça, deixa de sser chata – sorriu Annabell, agarrado-se
ao pescoço da pirata.
- Está bem, mas só porque eu estou com frio e minhas mãos
estão geladas – concordou Simitry, abraçando a loirinha.
- Nem estão! Isso é só uma desculpa parra me abraçar!
– riu Annabell.
- Ah, você acha que estou mentindo, é? Então sente! – riu
Simitry, enfiando a mão por dentro da blusa da loirinha e lhe tocando
a barriga.
Annabell ficou tensa, um pouco pela frieza da mão da pirata, um pouco
pela surpresa e um pouco pelo prazer de ter a pirata lhe tocando.
- É... Está um pouco fria. – concordou Annabell.
- Eu te disse. – falou Simitry, fazendoo menção de tirar a sua
mão da barriga da loirinha.
- Eu esquento para você – falou Annabelll trazendo rapidamente a mão
da pirata para o lugar confortável entre seus seios, por cima da blusa.
- Hum... – gemeu Simitry fechando os ollhos e encostando seu rosto na cabeça
da loirinha. – Você cheira tão gostoso...
- Obrigada, você também não cheira nadaa mal – murmurou Annabell,
entrelaçando seus dedos nos da pirata.
- Ah, então você anda me cheirando? – pperguntou Simitry no ouvido
da loirinha.
- Você nem imagina... – suspirou Annabeell, dando beijinhos na mão
da pirata.
- Hum... Então me ajude a imaginar. – ssussurrou Simitry, dando beijinhos
na nuca e pescoço da loirinha.
A resposta de Annabell foi um gemido de prazer enquanto apertava a mão
da pirata contra o peito e se arrepiava com seus beijos no pescoço.
-Aliás, me ajude a ver como é.- sussurrrou Simitry beijando os
ombros da loirinha enquanto sua mão livre alisava sua coxa.
- Maldita perna! – resmungou Tamp, se vvirando para um lado na parede, quase
causando um ataque cardíaco nas duas mulheres.
Capítulo 9
- Barco à vista! Pelas barbas
de Netuno! Mais que na hora, capitã! – chamou Broc, indo na direção
da pequena embarcação. – Anda, tragam para cima! Capitã,
que bom ver vocês! Já ia mandar um grupo de busca! Annabell, Tamp,
Maldita!
- Broc, o Tamp está com a perna ferida.... – falou Simitry olhando para
o pirata.
- Ay... vamos lá companheiro, temos quee olhar estar perna. – sorriu Broc
levando Tamp nos braços, para o porão.
- Quero que alguns homens vão até a ilhha buscar os barcos que
estão na praia. O resto do grupo não sobreviveu. – falou Simitry
para um pirata que estava próximo.
- Capitã! Seja bem-vinda! – sorriu Plummbs, se aproximando.
- Obrigada Plumbs, tem comida? Estamos famintos e o Tamp, também.
- Tem sim!- falou Plumbs com seus olhoss brilhando- Vou agora mesmo por os pratos!
- Kathryn, essa sua bússola ainda funciiona?
- Bom... continua quebrada, mas eu duviido que nos mostre o caminho de volta.
- Ótimo...
- Mas se me permite uma sugestão, Rainhha, eu sugiro que vamos na direção
do Sol, até a ilha ficar fora de vista.
- Pois bem. Vai nos acompanhar na refeiição?
- Vou sim.
- Senhorita Maldita. – sorriu Simitry, oferecendo seu braço à
Kathryn.
- Rainha dos piratas – sorriu Kathryn, segurando o braço da pirata –
talvez não seja prudente com a loirinha tão perto.
- A Annabell?
- Sim, ela tem muito ciúme de você, e vvice-versa.
- Não é bem assim. Nosso relacionamentoo é somente...
- Somente o quê?
- Ahn... A gente nunca... Enfim...
- Qual é! Você está perdendo o jeito, éé?
- Não coloque palavras na minha boca. <
- Mas Simitry... Está na cara, vocês duuas!
- Está nada na cara! Deixa de se metidaa.
- Ah, por favor! Eu vi como vocês dormiiram juntinhas e acordaram felizes
e serelepes. Não tente negar.
- Não estou negando nada! Eu... Oras! NNão existe nada entre eu
e Annabell!
- Chamou? – perguntou Annabell, surginddo das escadas do porão.
- Ah! Annabell! – exclamou Simitry, solltando o braço de Kathryn do seu
– Estava onde?
- Ajudando o Plumbs... Por quê? Minha nnova posição não
permite que eu cozinhe?
- Não! Você fez o que... – gaguejou Simmitry.
- Estou morrendo de fome. Vocês podem ddeixar esta conversa pra depois,
não? – perguntou Kathryn.
Simitry se limitou a suspirar e indicar a escada da cozinha para as duas mulheres
a seguirem.
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Annabell observava o movimento no porto pela luneta, enquanto alguns dos homens
se preparavam para subir a bordo do navio. Já chegara a hora de dar adeus
a Kathryn e por mais que ela tivesse se acostumado com sua presença,
parte dela estava extremamente aliviada de ver a Condessa Maldita sair do navio.
Alguma coisa dentro dela ainda incomodava quando se lembrava da cena do templo,
Kathryn nos braços de Simitry, a pirata a abraçando e sendo completamente
gentil com ela e... Argh! Que coisa egoísta! Afinal Simitry e Kathryn
já se conheciam antes dela própria entrar na vida da pirata. Se
ao menos ela pudesse entender o que sentia...
- Sabe Kathryn, tenho que admitir que tter você de volta no meu navio foi
um prazer.- sorriu Simitry.
- Ah, eu aposto que foi!- riu Kathryn.<
- Não força, ta! Estou tentado ser simppática e...
- Dizer que sem você, nós todos teríamoos morrido naquela
ilha, então foi bom ter colocado as diferenças de lado, sejam
elas quais forem, e ter trabalhado em grupo – interrompeu Annabell sorrindo.
Kathryn não pôde evitar abrir um largo sorriso para a loirinha,
antes de puxá-la para um abraço.
-Ah vem cá você também pirata.- riu Katthryn puxando Simitry
para o abraço.
- Ei... Tem gente olhando. – falou Simiitry, assim que se soltou do abraço.
- Claro, não pega bem para uma pirata –– concordou Kathryn.
- Então, a gente se vê por ai? – falou Simitry, estendendo a mão
para Kathryn.
- É, eu contaria com isto. Te vejo por ai, Rainha dos Piratas. Até,
Annabell.
- Até, Kathryn.
- Até, garotas. Agora tenho que me acosstumar com o fato de não
ser mais maldita. – sorriu Kathryn, balançando sua bússola.
- Ei, fique orgulhosa! Afinal, você queebrou a maldição.
Se bem que “A Maldita” era um bom nome de pirata. – sorriu Simitry.
- Hum... Suponho que posso manter o apeelido quando pirata. Agora sou Condessa.
– falou Kathryn, um pouco triste.
- De pirata à condessa é um grande passso. – sorriu Annabell.
- Realmente e, só nunca me decidi se é um para frente, ou para
trás. Obrigada por tudo Annabell, você ainda vai ser uma grande
pirata, um dia. Maior do que já é. – sorriu Kathryn, subindo no
barco que a levaria a terra - Simitry!
- Kathryn... – sorriu Simitry.
- Próxima vez, talvez, nós teremos sortte das nuvens de rum passarem
por cima do navio – riu Kathryn enquanto o barco era descido até o mar.
- Ah, é mesmo uma maldita – sorriu Simiitry.
- Ah, ela é legal. Eu gostei dela, só éé um pouco piradinha...
Não entendo porque vocês duas têm tanto rancor por algo que
aconteceu a tanto tempo. – falou Annabell encostada na borda do navio.
- Bom, suponho que nós duas tivemos nosssos motivos para agir como agimos
no passado e agora. – suspirou Simitry, abraçando a loirinha por trás.
- Que motivos?
- Ah... razões do coração.
- Que razões do coração? – perguntou Annnabell, se virando
para encarar a pirata.
- Ah... O .. o coração tem lá suas razõões Annabell
.
- Mas que razões são estas, Simitry?
- Nossa, como você é curiosa! – riu Simmitry se dirigindo às
escadas do leme.
- Não tem nada de errado em ser curiosaa – falou Annabell, seguindo a
pirata até o leme.
- Ah, é? E o que a Kathryn falou de tãoo importante para você,
lá na floresta?
- Ei! Você está tentando mudar o rumo dda conversa.
- Estou nada! Só estou curiosa. E não ttem nada de errado em ser
curiosa.
- Ei! Não vale usar minhas palavras conntra mim mesma. Além do
que, eu perguntei primeiro.
- Vale sim! Você pode ter perguntado prrimeiro agora, mas estou querendo
saber disto desde lá na floresta, minha curiosidade é maior, anda!
- E daí se é maior? O critério é quem pperguntou
primeiro.
- Quem disse? Eu sou a capitã e não fallei que era assim.
- Oh! Isto é abuso de poder!
- Oras, está achando ruim? Você quer caausar um motim no meu navio?
Olha que eu te faço andar na prancha!
-Ah, você não teria coragem.- falou Annnabell tomando cuidado de
se afastar um pouco da pirata.
-Ah você quer apostar?- perguntou Simittry com a sobrancelha levantada.
-Apostar com você? Só quando chover rumm.- respondeu Annabell com
um sorrisinho nos lábios.
Capítulo 10
A névoa densa envolvia as
duas embarcações que estavam paradas a poucos metros uma da outra.
Um barco solitário abria caminho por entre as ondas com seu único
tripulante, que remava com certa dificuldade, talvez pela falta de hábito.
As cordas foram jogadas assim que ele encostou no navio. Tão logo as
cordas foram amarradas, seu barco foi içado.
- Mais lendo e você seria levado pelas ondas – Simitry sorria enquanto
se aproximava do barco, com uma lâmpada em uma das mãos e estendendo
a outra ao tripulante.
- Você sabe que não gosta de trabalhos brutos – retrucou Kay, descendo
do barco. – Deixo isto para os fortes, machos e...
- Homens em geral! Qual é, o mar nem esstá com ondas, você
tem uma pose de pirata a manter!
- É, é, é... Pirata durão. Arr!
- Anda, vamos para minha cabine.
Kay seguiu Simitry através do deck e para dentro da cabine da capitão,
fechando a porta atrás de si.
- Como foi lá na ilha? – perguntou Kay,, puxando uma cadeira para sentar-se
ao lado da pirata.
- Você não acreditaria... – suspirou Siimitry.
- Tenta.
- A Kathryn acabou se saindo como uma hheroína e a Annabell uma bela pirata.
- Que ela é ela, nós já sabíamos. Mas mme conte mais.
- Aparentemente a Kathryn é MESMO uma mmaldita. Ela era, ao menos, quebrou
a maldição e salvou o dia.
- E a loirinha?
- Ela foi maravilhosa, corajosa, linda,, precisava ver como ela empunhou a espada,
foi algo tão maravilhoso e...
-Uau... Estou realmente interessado em como os raios solares refletem nos fios
loiros da cabeça dela, formando quase que um arco-íris de tons
de ouro.- brincou Kay
-Salvou nossas vidas, também.- resmungoou a pirata.
- Alguma perca?
- Putz... várias... Perdemos oito homenns só no primeiro ataque.
Se não fosse a Annabell... Eu nem estaria aqui contando isto. E depois,
ela foi um gênio interpretando uns desenhos e a Kathryn salvou o resto
do dia.
- Salva pela Maldita! Grande desfecho ppara o final trágico do romance
de vocês. Algo que você nunca pensou, heim!
- É... A vida nos prega surpresas, o muundo da voltas e todos os outros
clichês que você possa imaginar.
- Sou obrigado a concordar. Mas e o ourro? O quanto vocês trouxeram?
-Da ilha? Nada, não havia mais nada lá..
-Quê? Como assim o ouro não estava maiss lá?
- Todo ouro foi levado anos atrás pelo pai da maldita. Lá só
sobraram o povo que vive naquela ilha e acredite, você não iria
querer que eu os trouxesse.
- Então isto tudo foi para nada? Nós nãão temos o ouro?
-Ah, mas valeu sim. Eu tinha uma dívidaa silenciosa e moral com a Kathryn.
E pelo visto, foi paga.
- Dívida paga? Mas e o ouro? Não ficamoos com nada do ouro da ilha?
- Ficamos sim, meu caro companheiro pirrata. Nós estamos sim com posse
do ouro da ilha. E ele está bem seguro...
- Simitry, do que...?
- Você se lembra quando conheceu a Kathhryn?
Kay tentou puxar na memória o dia em que haviam conhecido Kathryn, alguns
anos atrás, durante um show decadentes de mulheres do velho pub, quando
aquela bela e exótica jovem se aproximou de Simitry e sussurrou algo
em seu ouvido. Ele teria desviado seu olhar, não fossem os seus adornos
de ouro tão, oh, tão brilhantes e suas feições tão
exóticas. Do sussurro á uma conversa, de lá para uma espécie
de caça sensual ao tesouro (da qual ele fez questão de ficar fora)
até a cama de Simitry. Transições fáceis que fizeram
de Kathryn se tornar membro da tripulação, gozando de todos os
privilégios de “protegé” da capitã.
-O tesouro que vocês desenterraram...
-Apenas parte do que o pai dela levou dda ilha. Ainda havia uma parte com ele
e um pouco permaneceu na ilha em forma de algum tipo de... Espelho de ouro que
refletiam o sol de um lugar para o outro. E nem que Poseidom ameaçasse
secar os 7 mares eu não levaria para meu navio!
-Há então o tesouro era aquele ouro quee a Kathryn lhe ofereceu
junto com seu corpo sexy e um lugar na sua cama.
-Oras, ela não passava de um projeto dee pirata decadente, assim como
o pai dela foi. Eu apenas topei ser sua mentora.
-E quando você viu aquela bússola quebrrada que ela levava pra todo
lado, e que ela jurou de PÉ JUNTO ser amaldiçoada, você
a fez andar na prancha.
-Qual é? Mulher no navio já dá azar, immagina uma mulher
maldita a bordo! Azar em dobro! Além do que ela já estava me fazendo
perder a paciência, argh! E as suas lições havia chegado
ao fim, já tava mais que apta a ser pirata.
-É claro. Hohoho!
-Sabe Kay, não tem... Desculpa pelo quee eu fiz com a Kathryn. Eu quebrei
o coração de uma menina apaixonada e a joguei numa ilha onde qualquer
coisa podia acontecer com ela. Eu fui cruel e egoísta .
-Simmy ela sabia que você a havia aceittado por puro interesse. Ela comprou
seu posto no navio e o resto do pagamento foi parcelado em sexo. Kathryn se
apaixonou por mais que você desse TODOS os sinais de que não passava
de sexo e interesse. Você tava querendo chuta-la e o fato dela ser “maldita”
foi só a desculpa que você usou pra por um fim naquilo tudo. E
você não a jogou numa ilha qualquer ok? Foi uma habitada e tomou
todo cuidado pra que ela tivesse com as armas, não importa o que digam,
você foi bem digna ainda mais pra uma pirata. Não se pode exigir
muita dignidade de nós, piratas. Todos nós temos os nossos fantasmas.
Simitry deu um longo suspiro, se encostando na cadeira.
- Kay, todos nós temos nossos fantasmass, somos piratas e fazemos coisas
horríveis que eventualmente voltam para nos assombrar. Mas sabe... às
vezes acho que os fantasmas são os mais terríveis de todos.
- Simitry, sai desta, ok? Ao menos vocêês saíram vivos e...
- O Tamp está com uma perna de pau.
- Sério! Que tuuudo! Agora só falta um tampão!
- Ás vezes você me mata de vergonha, aiinda bem que isso aqui é
conversa privada. Eu morrendo de preocupação e vocês brincando
né? Ele tava todo empolgado contando pra todo mundo o quanto foi uma
batalha terrível e como ele foi corajoso. Mas como foi lá?
- Tranqüilo, tirando os acessos da Annee Marie.
- Sabia que ela ter acessos... Mas, tirrando isto, tudo bem.
- Ótimo. Algo a menos para me preocuparr.
- E quanto à Annabell?
- Está bem. Uma heroína!
- Não que não me importe com o bem estaar dela, mas minha pergunta
tinha outra conotação.
- Esqueça isto. Minha cabeça não está bboa para falar
sobre este assunto, ok.
- Ok, ok, capitã! Melhor eu ir embora, antes que sintam minha falta lá.
- Ou sua presença aqui.
- É, ou isto. – sorriu Kay, se levantanndo da cadeira.
Fizeram o caminho até o deck em silêncio, onde Kay entrou no barco
e Simitry começou a descer o barco lentamente.
- Kay você acha que vai demorar muito ppra resolver tudo? – perguntou Simitry
quando o barco de Kay já estava na metade do caminho.
- Não sei. Acho que não, por quê? – perrguntou Kay olhando
para cima.
- É só que... Eu... sinto sua falta. – murmurou Simitry.
- Aaaw! A pirata sente falta do miguxo,, é? – riu Kay, com sua voz debochada.
Simitry lhe deu O olhar e, com um sorriso maldoso, soltou a corda de uma vez,
deixando o barco de Kay cair violentamente no mar, enquanto ecoava um sonoro
grito:
- SAPATÃOOOOO!
- Bicha! – resmungou Simitry, entrando na sua cabine e se deixando cair na cadeira,
antes ocupada por Kay.
A pirata olhou em volta para sua cabine vazia e ela própria sentiu um
enorme vazio dentro do peito, enquanto se despia para se deitar na sua cama,
onde Annabell havia dormido com ela, mas que agora estava vazia. A pirata se
revirou na cama uma porção de vezes, estava prestes a soltar um
sonoro palavrão quando sentiu alguém se enfiar nos meios dos lençóis.
- Annabell?
- Não consigo dormir... Acho que me acoostumei com você na cama.
– respondeu a voz cansada da loirinha.
- Ah...
- Mas se você quiser, eu saio para deixxar você dormir be...
- Não. Fica! – pediu a pirata segurandoo o braço da loirinha.
Annabell olhou para a mão de Simitry segurando seu braço e foi
subindo seu olhar até encontrar com o de Simitry. As duas se encaravam,
a mão da pirata acariciando o braço da loirinha, que, por sua
vez, alisava o rosto da pirata. As duas se inclinaram na direção
uma da outra, olhos fechados, o balanço do mar...
- Ninguém gritando por nós, nem entranddo no quarto de supetão?
– indagou Simitry
abrindo um dos olhos para espiar ao redor.
- Estranho, não é? Geralmente algo já tteria acontecido.
Acho que meu chilique surtiu efeito. – concordou Annabel, também com
um olho aberto.
- Que chilique? – perguntou Simitry curriosa, abrindo seu outro olho para olhar
a loirinha.
- Ahn? Nenhum! Do que a gente estava beeijando mesmo?
- Beijando?
- Falando! É o sono! Uuh! Estou exaustaa, não sei você.
- Ah, claro – concordou Simitry deitanddo-se ao lado da loirinha.
Simitry se virou para a esquerda. Annabell para a direita e ficaram neste vira-vira
até, finalmente, se permitirem dormir de conchinha.
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Fim
AGRADECIMENTOS:
Primeiro tenho que agradecer a minha indiazinha/noiva/musa Ju, que não
só me desempacou, como também me inspirou pra escrever essa “temporada”.
Se vocês tão lendo mais de Piratas é tudo culpa da Ju! Obrigada
também as minhas roBErTAS, Carla e Sem Toba pelos elogios, digitações,
críticas e sugestões. Obrigada a Gustavo, pela crítica
que eu mais precisava ouvir. Obrigada a Inês my ULTIMATE XUXU! Soto, OMG!
Paty, a minha “alfa”. Thais que sempre fala que amou! Todo mundo que me deu
força: Cecília, Bel (ai que cheiros bons no meu cangote...), Ingrind,
Lê, Artemiza... Toda a galera que freqüenta o meu blog (os que comentam,
ou não). Obrigada aos meus professores pelo tédio inspirador de
cada aula. Obrigada ao meu anjo da guarda pelas sumas inspirações
divinas. Obrigada aos fãs, declarados, não declarados, voyers,
stalkers e aos demais do lado negro da força. Aaaaah! Rachel e Welma...
Brigadu viu?