Anjo das Sombras

Angelia

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                                   (Cap�tulo 3)

 

Os dias tornaram-se longos desde aquele �ltimo contato entre as duas. Bia por seu lado,tentava entender todos aqueles novos sentimentos,sensa��es que agora lhe tomavam com tamanha intensidade.Sabia n�o se tratar de uma paix�o a como outras ou mesmo simples encantamento.N�o desta vez... Era algo bem mais forte, inexplic�vel. Soubera que assim seria,desde que ainda adolescente,viu uma jovem de olhos profundos e l�mpidos como as �guas do Egeu,os cabelos de �bano como s� Iris poderia saber definir,o porte elegante,os passos firmes.Era apenas uma menina que caminhava de volta das aulas de Filosofia, quando o sol caminhava para seu descanso deixando o c�u alaranjado,quando avistou aquela figura a sua frente.Seu corpo paralisou, o cora��o batia mais forte,um arrepio lhe passou pela espinha.Poucos segundos que parecia horas longos minutos naquela tarde marcaram Beatriz para sempre.Ela abrira seus olhos,percebendo estar em seu quarto enquanto o dia iniciava-se.Assim haviam tornado-se suas noites...suspensas pelo desejo e pelo amor..Mal sabia n�o ser a �nica que assim se encontrava.Raquel,sua irm�, sabia que algo havia mudado na irm� mais nova,mas respeitava seu sil�ncio,esperando que ela a procurasse,confiando no bom senso da irm�.

- Se estiveres bem, isso � o que importa. � pensava a ruiva caminhando at� o jardim da casa.

No antigo castelo, Christine permanecia inquieta desde que se despedira de Bia naquele dia. Sabia ter sido um passo importante ,por�m tamb�m como uma vampira j� mais s�bia tinha pleno conhecimento das conseq��ncias daquele relacionamento.

�nada vai ser f�cil assim...� a mente lhe lembrava

Uma presen�a conhecida, por�m se fez presente naquela hora... A lua tornado-se mais brilhante que o normal, as negras nuvens em volta dela anunciavam seu visitante. Alguns segundos mais, e logo sua sala foi invadida pelo brilho do guardi�o Michael.N�o gostava de o ver mas sabia para que para ele aparecer a �quela hora algo estava terrivelmente errado.

- N�o poderia ser menos intrometido n�o � arcanjo?

- Por que n�o me surpreendo com tua hostilidade...

- E porque deveria ser diferente?Tu e n�s vampiros nos odiamos h� s�culos.

- Sim muito talvez por..

N�o pode terminar antes que Christine se prostrasse a cent�metros do rosto do anjo:

- Nem venha falar que � culpa nossa teu prepotente.. isso � natural teu mesmo.

Como sempre o clima era tenso entre ambos, desde que ela nascera, menos quando a m�e da vampira ainda vivia. Por ela,Chris se continha quanto ao guardi�o,chegando a ser at� gentil.Ap�s o falecimento dela, como Adrian queria,a morena se tornara avessa a humanos,guardi�es bem como aos seus pr�prios.O tempo havia lhe sido cruel fator no desenvolvimento.

Quando sentou-se na cadeira de couro vermelho no centro da biblioteca, Michael logo come�ou seu discurso:

- Lembra-se de Victor, filho de Adrian minha menina?

Um estrondo se fez na mesa em frente � alta figura.

- Acha que esque�o por um segundo sequer daquele miser�vel?Ele � uma vergonha para o nome dos vampiros, Baco sabe disso!!

Era um ponto que nunca se deveria tocar em vampiros: o orgulho!Uma vez ferido, era senten�a de morte ao que o fizera. Era de conhecimento de todos o �dio crescente entre o filho de Adrian e sua afilhada.a Disputa de poder entre eles se dera a muito at� que Victor fora derrubado e pro ela quase exterminado.

- Bem.. Independente do que sentes por ele,vais me escutar.

- E porque eu deveria?N�o passas de um guardi�o tolo.. o qual j� deveria a muito ter sido eliminado..

- Eu entendo o que sentes mas..

- Mas nada Michael!A muito deveria ter usado esse anel pra algo melhor � a voz da morena mudara para um tom sombrio,

- Sabe bem os riscos.. N�o serias t�o...

- O que? Ousada de fazer o poder dele arma minha? Eu j� ag�entei voc�s demais!

Aos poucos a aura da vampira se tornara de um escarlate,bem como seus olhos,os quais agora lembrava o pior dos dem�nios, as asas negras como lua nova, o s caninos alvos e afiados agora davam-lhe a apar�ncia de um ser desalmado, surgido dos portais do Tart�rus. Como dizia Leriton em seu poema A lua escarlate:

�v�m de manso os animais selvagens,
os olhos de escarlate sangue,
�s pressas agora a mostra,

Alados de asas queimadas,

Pontiagudas garras,

Dissimulados n�o mais,

Feras do fim do mundo,
reis do presente perturbado,
desalmados do futuro condenado,

Surge o �bano da Gaia,

Surge a realidade desastrosa,

Filhos da noite ergam-se,

Come�a o reinado da guerra,

Fujam humanos com pressa,

Seu fim se d� agora.�

 

Iniciado um combate, sabia bem o arcanjo que n�o poderia vencer jamais, dado a diferen�a de energia de ambos, seria ele esmagado. Ap�s longos minutos de combate viu-se encurralado contra a parede.As m�os fortes da morena logo agarraram o anjo pelo pesco�o,aos poucos apertando-o com um sorriso cruel no rosto.

- E ent�o seu idiota, o que tem a dizer agora?Quais tuas ultimas palavras?

Mal respirava o pobre arcanjo, mas sabia que s� um milagre poderia salvar sua pele naquele momento. Felizmente esse milagre tinha nome.Por�m no estado em que a vampira se encontrava, duvidava que pudesse recorrer a mem�ria de Beatriz na mente sombria de Christine.

- Se... acha..que vale..a pena.. A.. perder por isso...acabe logo com tudo...

A m�o da vampira se afrouxou um pouco, mas logo apertou o pesco�o do alvo arcanjo, jogando-o contra um pesado m�vel, do qual pesados e antigos pergaminhos e livros ca�ram sobre ele. A morena por�m caiu de joelhos com as m�os no rosto,de onde grossas l�grimas corriam a face.Estilha�os de um espelho refletiam a imagem do monstruoso ser que se tornara naquele momento.O local estava completamente devastado,peda�os de vidro,pap�is,moveis quebrados,cortinas no ch�o.O sangue de Michael havia chegado a um antigo porta-retrato onde a m�e das imortais estava.Marie logo ao ouvir o primeiro estrondo correra pela casa a procura da irm�.Sabia j� o que ocorri, e que talvez o pior tivesse ocorrido com ambos.procurara por toda a casa at� restar somente a biblioteca,Onde sabia,A irm� guardava certos pergaminhos do mundo humano bem como alguns livros dos vampiros os quais ningu�m al�m dela tocava.Michael com dificuldade levantou-se,ainda com sua m�o no pesco�o tentando respirar melhor enquanto caminhava at� Chris.Faziam s�culos que n�o a via daquele modo t�o indefeso,sem saber o que fazer.

- Ent�o � isso que me tornei no fim de tudo? � questionou

- N�o.. te tornaste por algum tempo o que mais odeias...avisei-te que o pre�o � alto..alto at� pra ti.

 Agora sim vi o que queria dizer.. o pre�o �...

 Sim.. ela.. E ent�o estas disposta a arriscar tudo por esse poder?

- Sabe que nada me vale mais nessa maldita p�s-vida que o amor dela.

 -Ent�o entenda.. eu posso te ajudar mas at� certo ponto s�.

 Que seja... eu preciso ficar s� agora...

- Tudo bem.. s� saibas que Victor est� pra voltar...precisaremos de ti..queiras ou n�o.

 Depois nos falamos agora deixa-me em paz Michael.

Este n�o deu resposta e mesmo com as asas manchadas de escarlate, feridas, retirou-se fazendo a noite voltar ao normal. Segundos ap�s o ocorrido,Marie abriu as portas da biblioteca .Vendo aquela devasta��o, o sangue no ch�o pensou logo no pior, mas resolveu que precisava ver por si mesma.A qualquer humano seria complicado achar algu�m naquela confus�o, mas a imortal, utilizando-se de s�s sentidos mais apurados,logo encontrou a irm� perto da mesa daquela sala.Ajudou-a a sentar-se mas com os olhos marejados,mostrou o porta-retrato manchado a irm�.Christine abriu os bra�os para abra�ar a pequena que logo se aconchegou no colo da irm�.

� N�o te preocupes... � dele n�o meu, mas ele est� vivo...�

�Sei o que aconteceu... tens certeza que estas bem?�

�S� um pouco de dor, mas nada demais.. me recupero logo ver�s�

�Bem... acho que precisas de descanso...�

�antes mocinha.. temos que conversar...�

Marie sabia o que a irm� queria dizer, sabia que aquela conversa um dia teria de ocorrer. N�o imaginava por�m t�o cedo,sabia que n�o tinha como evitar.Era mais do que justo.

�Desde quando sabes disso aqui?�- apontava ela para um anel de prata com um rubi escarlate no meio.

�desde a Era Edo... quando falei com ela... e Michael veio me procurar�

�Por isso foi ver aquela l�.. sabes que n�o confio nos Licantropos apesar de Sakura parecer uma diferente deles.�

�Sabias???� � surpreendeu-se a menina.

�Mas � claro que sim.. �s minha irm� n�o �? Tenho de saber as coisas que lhe envolvem�

�Entendo....�

�Mas n�o te preocupes.. n�o vou deixar que a promessa de Michael se cumpra... estarei bem por ti e por ela.. s�o voc�s minhas raz�es para estar bem.�

�Fico feliz de ouvir isso� � Um sorriso se fez na face da menina bem como na de Christine. Marie levantou-se e foi ajudar a irm� a levantar, pois sabia o quanto aquele conflito a enfraquecera. Quando iam saindo sentiu a espinha arrepiar..sabia que Victor mesmo fraco estivera por perto momentos antes.Na casa de Beatriz, um mal estar lhe tocou fundo,sabia que precisava ver a morena para que cessasse aquilo mas n�o lhe era a coragem uma aliada naquele momento.Sabia que poderias contar com Antonie,seu amigo mais querido.Sempre esteve a seu lado como um verdadeiro irm�o.Com esse pensamento se direcionou para a casa dele,apesar do tardar da hora,Sabia que precisaria dele naquele momento,que o mesmo n�o lhe recusaria ajuda em momento algum.A lua cheia reinava naquela noite, e seus pensamentos juntos a Dama celeste eram somente perguntas sobre a amada.Minutos ap�s estava em frente a uma casa de madeira r�stica com imenso jardim de rosas,que pareciam a ela nesta noite mais belas que o normal.quando bateu a porta,logo um rapaz alto de cabelos ruivos e olhos verdes abriu, com um largo sorriso ao ver de quem se tratava.

 Finalmente veio me visitar.. faz tanto tempo..achei que tinha me esquecido.

 At� parece que poderia querido!

Abra�aram-se e logo estavam sentados na sala de Antonie.

- Se vieste tarde aqui.. � problema s�rio..que acontece?

 Bem � por causa de algu�m...

- Isso eu sei bobinha.. mas qual o nome dela?

- C-como assim dela.. eu n�o disse que ,,,

- N�o negou tamb�m.. E at� parece que n�o te conhe�o...

Beatriz logo se acalmou percebendo que estava conversando com algu�m em quem confiava tanto. Sabia que n�o tinha segredos com o amigo e n�o iria come�ar agora.Mesmo que n�o falasse nada ele saberia.

- Bem.. faz um tempo j� que n�o nos falamos,acho que ela n�o gosta de mim da mesma forma...

- Porque n�o a procura?

- Falta de coragem talvez... mas est� na hora mesmo..

- Bem me conte mais sobre isso... quando a conheceu?

- Fazem alguns anos, mas n�o t�o bem como nos conhecemos por estes dois dias atr�s....

- Ent�o � amor mesmo...

Acha isso mesmo?

- Pra que em digas as coisas sobre ele assim..

Mas n�o te disse tudo...

- Nem precisa.. posso crer que vais dizer que ela � linda,inteligente, que mexe contigo..etc...conhe�o-te pro amor..

- Verdade.. ainda n�o sei o que ela fez comigo..nunca me apaixonei f�cil assim

- Eu sei bem disso..

- Sim.. conhece-me mais que eu mesma.

- Bem ser� uma longa noite.. acho que vou preparar um ch� pra n�s..

- Quer alguma ajuda?

- N�o precisa n�o... eu j� volto..

Quando o amigo saiu, Bia passou a pensar como estava tudo ocorrendo de modo t�o inesperado. Primeiro seu cora��o disparou ao ver a morena na festa da irm�, logo depois aquela tarde acabando com o beijo que tanto a deixar� apaixonada. Apesar do pouco tempo, tinha certeza de que aquilo n�o seria jamais uma paix�o tempor�ria. Tinha algo de mais em todos aqueles eventos, como se j� tivessem ocorrido antes, fossem parte de um passado repetindo-se no presente. Buscava muitas respostas,mas sabia que tudo era revelado no tempo certo,n�o no tempo em que os humanos queriam que fosse.Cronos nisso era soberano.O Vento uivava naquela noite t�o bela,como se a noite convidasse a descobrir seus encantos e mist�rios.Antonie ao voltar,encontrou uma distra�da Beatriz,como se estivesse e ao mesmo tempo n�o.O olhar t�o belo parecia vago,buscando algo...ou algu�m.N�o percebeu nem mesmo quando este sentou-se a seu lado,somente o fazendo quando o amigo tocou-lhe o ombro.

 - Desculpe Antonie, eu estava longe...

 - Percebi querida... Faz tanto que n�o te vejo perdida assim..

 - Faz tempo que meu cora��o n�o se perde assim...

 - Bom, mas me digas... Como anda essa rela��o de voc�s e nem digas que n�o � nada certo ainda..

 - Bem... -  respirara fundo � pode-se dizer que � meio caminho andado j�...

 - Ent�o porque est� t�o perdida?O amor � uma luz t�o clara querida.

 - Sei que tem raz�o, mas ainda...

 - Ainda tem medo n�o �?

 - Um pouco...

 - � normal isso, n�o se preocupe.. passa.

 - Espero que sim.

 - Confie em mim, sei do que falo.

Beatriz fechou os olhos, respirou fundo e abrindo-os, sorriu. Algo parecia diferente ap�s aquela conversa.Mas sabia que ainda passariam longo tempo conversando.Sentiu o brilho em seus olhos novamente naquela noite,mas uma coragem inesperada surgira-lhe no peito.Sabia j� qual seu destino certo na manh� seguinte ,por�m em dado momento sentiu o cora��o disparar somente ao ter um pensamento de Christine que lhe invadiu a mente.

� Eu a quero ver � � pensou com a m�o direita sobre o cora��o

� ver�s me logo...� � uma voz respondeu ao longe

Bia olhou em volta estranhando ter ouvido aquilo, mas logo pensou ter sido conta de sua imagina��o. Mal sabia que olhos de um profundo azul a observavam de perto.Podia sentir a presen�a mas n�o a podia detectar o que fazia com que pensasse ser somente seu sentimento de saudade lhe batendo forte no peito.Quase ao amanhecer,Bia resolveu voltar pra casa mas ao afastar-se da casa de Antonie,mudou seu caminho.N�o sabia porque o fazia ,mas algo lhe dizia que essa atitude era necess�ria no momento.Correu mais um pouco, parando perto de algumas arvores floridas.Colocando a m�o direita sobre o peito,tentava recuperar o f�lego.Olhava em volta mas nada via.Pensava ter sido uma intui��o errada quando ouviu passos.Firmando seu olhar em um jardim a frente viu um vulto se aproximar, mas n�o precisou de muito pra saber quem era.Pouco era o tempo que se conheciam mas n�o importava a situa��o,sempre bia sabia quando era sua amada que  se aproximava,mesmo que n�o a visse.O barulho de passos se intensificou, e logo uma figura esguia, de longos cabelos negros apareceu a sua frente.Quando Christine abriu os olhos, seu olhar denotava firmeza,fazendo bia paralisar no lugar,o cora��o aos saltos e o rosto ligeiramente rosado.As palavras ficaram presas na garganta pois a voz havia fugido naquele momento.Um sorriso se fez no rosto da morena, que agora se aproximava aos poucos da loirinha.Estando a poucos passos ,percebia o nervoso que bia sentia-se em sua presen�a bem como mudava.Quando estava a alguns cent�metros do rosto de bia, resolveu afagar-lhe o rosto,n�o tendo nenhuma rea��o contr�ria dela.

 - N�o acha perigoso estar sozinha h� essa hora?A cidade vazia, as ruas desertas assim menina...
Via o rosto de Beatriz avermelhar-se com sua proximidade, os olhos  fecharem um pouco quanto mais pr�ximas ficavam.

 - Eu s�... Precisava pensar.. um pouco...

 - Entendo... mas � bom te rever assim..

 -  Assim..?

 -  Sim... No sil�ncio desta manh�...onde posso apreciar mais tua beleza...sem ningu�m pra incomodar-me.

 - Chris... � chamara a morena com um fio de voz que lhe restara. Tudo parecia sumir diante aquela pessoa.Quando deu por si,estava  abra�ada a  alta mulher que lhe envolvia a cintura com uma das m�os,segurando sua outra.

 - Tenho sentido tua falta...Faz tempo desde a �ltima vez que vislumbrei-te...

 -  Sumiste tamb�m...pensei que...estivesses...muito ocupada...

 -  Sempre tenho tempo pra quem me �...T�o importante bia.
O brilho no olhar de ambas descrevia melhor que mil palavras o que se passava ali.O sol amea�ava sair,mas a jovem vampira parecia n�o se importar com aquilo,n�o naquele momento.Trazendo a loirinha para mais perto,beijou-lhe os l�bios com a certeza que era o caminho que seguiria,tivesse este as conseq��ncias que tivesse,n�o teria remorso dos passos dados.Podia ouvir o cora��o de sua pequena amante bater em sincronia com o seu que naquele momento,parecia vivo como nunca.Sabia nos �ltimos tempos que precisava disso,algo que a fizesse sentir-se viva,algo pelo que lutar e viver.Quando separou seus l�bios de bia,vira uma express�o de cumplicidade naquele olhar dirigido a ela e somente ela.

 - N�o somes mais assim Chris...

 -  Prometo que n�o o fa�o mais... � prometia a vampira,sentindo a efeito do sol em seu corpo.Para sua surpresa por�m este n�o a queimava,apesar de permanecer abra�ada a bia de costas ao sol.Foi quando olhou mais adiante,vendo o sorriso em um olhar conhecido.

� Fizeste por merecer isso vampira..n�o te acostumes por�m.�

� De qualquer forma...Michael...obrigada..� � Fechara os olhos em um sinal raro de gratid�o dada a condi��o de rivalidade de ambos.Sabia por�m que Michael reconhecia seus esfor�os, bem como era ela obrigada a reconhecer os do rival.Afastando-se um pouco do abra�o t�o desejado,volto a observar aqueles olhos de t�o profundo esmeralda que tanto amava.

 - Bem..j� que estamos por aqui...que achas de darmos uma volta..s� n�s duas?

 - Faz tempo que almejo isso! � dizia com os olhos brilhando.

 - Bem ent�o vamos querida.
De m�os dadas com Christine, Bia guiava a morena pelos lugares que tinha em mente ela gostaria, bem como onde poderiam conversar sem que ningu�m as incomodasse aquela hora. Hora m�gica aquela.Dizia-se que Cronos considerava as manh�s de Apollo como a hora de aben�oar o cora��o dos enamorados para uma melhor compreens�o m�tua.Caminharam at� um pequeno campo de onde se podia ver a cidade por completo,bem como onde era grandioso ver o sol da manha.Sabia Christine que precisava ser mais aberta com bia,mas ainda n�o era tempo de contar toda a verdade,mas alguma coisa.Ap�s sentarem-se juntas,bia suspirou.

 - Alguma coisa que queiras perguntar minha linda?
Bia havia sido pega de surpresa. N�o se acostumara com o jeito direto de Christine ser,mas sabia que era assim que descobriria mais sobre aquele anjo de olhos azuis.Tomada de s�bita coragem resolveu ver onde aquilo daria.

 - Bem Chris. � tanta coisa...tu me apreces t�o cheia de segredos.

 - E n�o somos todos assim? � Suspirou.

 - Bem sim mas...alguns n�o tem esse...charme teu..

 - Nem esse encanto teu menina... mas queria mesmo conversar contigo por esses dias.

 - Algo aconteceu?Pareces s�ria...

N�o n�o... S� queria contar mais sobre mim a ti, tendo em vista que conhece muito de ti e tu nada de mim. parece injusto n�o?
Bia riu, logo abrindo um sorriso:

 - Concordo.

 - Bem por onde come�o?

 - Sei que n�o �s daqui e que vieste morar aqui fazem 10 anos, mas nunca soube mais anda, al�m disso.

 - Bem.. Morava em Atenas junto de mam�e e por l� ficar�amos se n�o quisesse ela vir pra c�.. Sempre disse que esse pa�s � um lugar m�stico e que queria vir para c�. Concordamos que se viesse ela,tamb�m n�s vir�amos,pois em hip�tese alguma deixar�amos ela sozinha.Mudamos tamb�m por conta de alguns problemas por l�, que depois lhe contarei.Viemos pra c� e resolvemos ficar na casa da fam�lia,onde era melhor pra Marie crescer.Nunca sa�mos muito nos �ltimos 4 anos pois depois do falecimento de minha m�e,a casa ficou muito vazia...- disse ao abaixar a cabe�a �Pensei que nunca mais fosse sorrir at� o dia que te vi ...desde ent�o muita coisa mudou.- confessou a morena.Bia percebia que ao tocar o nome da m�e,Christine adquiria um tom muito triste,mas compreens�vel dada  a lembran�a de algo t�o recente e profundo.Olhando-a melhor pode perceber uma emo��o que n�o desconhecia na morena ate ent�o: fragilidade.Colocando sua m�o sobre a dela,segurou-a em um gesto de carinho,logo vendo aquele lindo olhar azul voltar-se a ao seu.Como a muito n�o fazia,Christine deitou-se na grama, deixando-se fechar os olhos e esquecer por algum tempo os problemas que aquela vida dupla lhe causava.

� devo tudo a ele hoje... n�o pode ficar melhor... ou quem sabe...�
Bia que olhava-a admirada, aproximou-se de seu rosto, afagando-o de leve, mesmo sentindo o rubor tomar conta de seu rosto e as m�os ficarem tr�mulas um pouco.

 - N�o sabia que podias ficar mais bela Chris...

 - S�o teus olhos minha menina...
Quando abriu os olhos pode ver o mesmo brilho que possu�a nos seus. Sabia ter o controle da situa��o mas n�o poderia deixar tudo correr daquela forma,sabia como acabaria.

 - Bem bia, estava pensando se n�o.. Gostaria de sair essa noite..

 - Sair?Tem algo em mente...?

 - Bem, conhe�o um lugar que creio gostarias.. o ambiente � muito bonito e as m�sicas excelentes.queria muito que fosses comigo.

 - Aceito o convite sim.

 - Bem... - levantou-se � ent�o creio que ser� a melhor noite que j� tive hoje..

 -  A melhor noite?

 - � sim... tendo uma companhia t�o linda n�o duvido que a noite seja maravilhosa � piscou a morena .

 - S-sim... A noite promete n�o Chris?

 - Muito.  � riu de leve ao ver a face rosada de sua pequena amante.
Passado algum tempo, a conversa prolongava-se sobre Christine a qual contava a Bia sobre sua fam�lia, os compromissos que tinha, sobre sua vida. A tarde anunciava sua chegada, mas nenhuma das duas parecia se dar muito conta das horas, enquanto permaneciam juntas. Horas depois o p�r-do-sol trazia a despedida do dia enquanto as duas caminhavam ate a casa de bia.Muitos olhavam as duas de m�os dadas mas ningu�m ousava comentar nada,mesmo porque faziam um par admir�vel,um grande contraste de duas belezas diferentes.

�tome cuidado com tuas atitudes Christine... ajudei-lhe hoje porque parecestes diferente... n�o fa�a-me voltar atr�s nos tempos futuros�

� N�o te preocupes tanto guardi�o... n�o por agora...�

 - Acho que ficas por aqui n�o �?

 - Sim.. por enquanto sim..

 - Por enquanto?

 - Pretendo estar essa noite mais contigo.. Conhecer-te melhor...

 - Ter�s essa oportunidade n�o te preocupes bia... posso vir te buscar as 8?

 - Claro vou estar te esperando. - responder� com um largo sorriso.

 - Ent�o at� mais minha bela. - beijou-lhe a m�o ao despedir-se
virando de costas para bia, a jovem vampira resolveu voltar naquela tarde caminhando para casa, pensando em como fazia tempo n�o tinha um tempo alegre assim. Em sua casa, por�m, uma visita nada agrad�vel permanecia. Um homem de m�dia estatura, cabelos prateados, e olhos  de um violeta escuro permanecia sentado na biblioteca, observado de perto por Filipe e Marie, ambos tendo consci�ncia de quem era. Ainda restava na mem�ria da pequena vampira os anos que Christine passara a ca�ar Victor pelas ruas de T�quio durante as noites sem fim,bem como nos dias nublados.Na �poca,se assustava coma ferocidade que essa possu�a,tendo levado anos para voltar a seu normal com o desaparecimento do rival.Adrian por�m nunca deixava que esta esquecesse de Victor,sempre os comparando,celebrando por vezes a vitoria dela,bem como em outras a esperteza do mesmo em fugir.

  -Vai ficar me olhando por quanto tempo menina?
O tom daquele vampiro se mostrava r�spido como da maioria, mas algo nele despertava a desconfian�a tanto de humanos como bem de muitos vampiros, pois sabia-se que este nunca jurara lealdade a ningu�m, somente a si mesmo sendo capaz ate de trair o pr�prio pai, como o fizera anos ao tentar aliar-se a Christine, que recusou a oferta por ser muito ligada a sua amada.

 - Sumiste por anos.. porque voltou agora? � arriscou a pequena.

 - Vejo que Christine n�o lhe ensinou bons modos.. curiosidade demais � defeito.
Um barulho de porta sendo arrombada assustou a todos mas Victor j� sabia de que se tratava.Como previa,sua chegada a casa da morena a deixara mais furiosa do que lembrava ele.

 - Vejo que ainda � muito estressa...
Antes que continuasse Christine agarrou-o pelo pesco�o, levantando-o do ch�o. Era clara a express�o de pavor nos olhos de todos, mas o vampiro n�o parecia n�o ligar pra o que lhe acontecia,parecia por outro lado apreciar a ver naquele estado de f�ria descontrolada, continuando a sorrir com gosto.

 - Nunca foste bem vindo aqui covarde... Como ousa se aproximar de minha fam�lia???

 - �.. assim..que recebe..um..velho amigo...querida?

 - Que buscas aqui.. n�o h� nada teu pra que apare�as aqui!Porque n�o procura o idiota de teu pai?

 - Voc�s parecem ter muito em comum...
Apertando-o at� sangrar soltou ao ch�o. N�o gostava de admitir, mas sabia que ainda tinha muito parecido com Adrian.

 - Digas afinal que queres!

 - Bem.. parece que tens algo que me pertence...

 - N�o mais h� muito tempo...

 - Veremos... quando eu estiver melhor discutiremos isso...por agora deixarei que pense o que quiser..

 - veremos mesmo Victor.. se sobreviver at� uma pr�xima vez..

 - Conte com isso...
Com aquelas palavras se fez sumir atrav�s da n�voa daquele local a noite.

 - Mestra a senhora sente-se bem?- perguntou vacilante Felipe.
Ap�s respirar fundo, viu que esta se voltara a ele com a express�o calam que ele tanto conhecia:

 - N�o te preocupes comigo Fil.eu vou ficar.

 - Tem certeza Chris?

 - N�o te preocupes minha pequenina. Eu s� preciso relaxar.mas venha comigo preciso conversar contigo

 - Que ocorre..?

 - N�o � nada demais..queria te contar que vou sair com bia hoje.

 - Finalmente! � disse com os olhos brilhando.

 - Bem como eu dizia � sorriu � hoje tive longa conversa com ela..comecei a contar sobre mime  nossa fam�lia a ela..

 - Entendo. Bem mas aonde v�o?

 - Resolvi levar ela naquela boate onde Theo trabalha.

 - N�o poderia ter feito escolha melhor!
Conversavam enquanto caminhavam para o quarto de Christine para acertar a roupa que a morena iria vestir entre outras coisas.Na varanda da casa, Filipe conversava com Michael.

 - Vieste mais cedo do que pensei.

 - Victor estando presente,n�o posso deixar de estar perto velho amigo.

 -  Entendo seu lado mas agrade�o a considera��o com que tem Christine..ela � como uma filha pra mim nestes quase 300 anos que estou com ela.

 - Sei disso..por isso resolvi ajudar.

 -Isso � bom Michael mas acredite,ela tem conseguido se guiar nestes s�culos por um lado bom.

 - Tenho visto meu velho,por isso ainda confio nela.

 - que seja o que os deuses quiserem.

 -  Sim.
permaneceram os dois olhando a lua,esperando para ver como tudo seguiria.enquanto isso,Christine seguia terminando de vestir-se.

 

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Parte 4

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