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- -Disclamers: Os personagens deste
relato "uber" podem parecer-se fisicamente aos personagens de
propriedade de Renaissance Pictures. O parecido termina aí. Para
bem ou para mau, estas garotas são minhas e vou fazer com elas o
que queira com elas.
- Aviso de violência: Há
um pouco de violência ao princípio desta história, mas
nada muito gráfico.
- Aviso de subtexto: Considerai-vos
advertidos de que esta história contém sexo explícito
e gráfico entre duas mulheres adultas com consentimento mútuo.
Se é menor de 18 anos... deveríeis terminar a coleção
completa dos mistérios de Nancy Drew e Trixie Beldon antes de ler
está história.
- Aviso de primeira vez: Vale, sim,
há um pouco disso, mas ao que me refiro é a que esta é
a primeira história que escrevi em minha vida. Ainda que agora já
tenho outras publicadas na rede.
- Se quiserem me escrever. Estou em:
[email protected]
- Título original: Danté's
Island.
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- 1.
- Era como se os deuses tivessem feito
que o dia fosse perfeito especialmente para nós. Ia ser o primeiro
dia de uma travessia pelo oceano que nos levaria da Europa a América.
O céu não poderia estar mais azul mesmo que eu o
tivesse pintado . Eu estava emocionadísima, minha irmã pequena
Lilly não podia parar quieta e minha mãe não deixava
de dar ar de nervosa com o leque. Meu Pai parecia falar mais alto do normal.
Os demais passageiros pareciam estar reagindo também à eletricidade
que tinha no ar.
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- Chamo-me Gabrielle, esta
ia ser minha primeira viagem ao estrangeiro. Era o ano 1929. O barco era
o Statendam III.
-
- -Gabby, fecha a boca, menina, e
vêem aqui gritou a minha mãe quando fiquei contemplando
boquiabierta o imenso barco.
-
- Fechei a boca rapidamente e corri
para me juntar ao resto de minha família. Mamãe sempre
estava dizendo que eu fechasse a boca. Não sei por que,
mas creio que respiro melhor com a boca aberta. Mamãe dizia se continuasse
assim, ia-me levar ao médico. Dizia que parecia vulgar com
a boca sempre aberta e que continuasse com isso, nenhum jovem ia querer
cortejar-me. Se achava que isso me preocupava, estava muito enganada.
-
- Mamãe e papai nos conduziram
pela passarela até o barco. Uma vez a bordo, os passageiros eram
divididos em grupos segundo seus sobrenomes. Nosso sobrenome é Archer,
de maneira que fomos um dos primeiros a ser guiados até nossos camarotes.
Lilly e eu dividimos o mesmo quarto..
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- -Que cama prefere, Gabby? -perguntou
Lilly, dando pulos numa das camas.
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- -Evidentemente, essa daqui, pois
vc já pulou em cima da outra.
-
- Lilly começou a rir
e pulou com mais força.
-
- -Gabby, vc acha que a mãe
e o pai nos deixarão nadar na piscina? -perguntou Lilly pela quinta
vez naquele dia.
-
- -Não sei, Lilly, mas
venha aqui e me ajude a desfazer a bagagem se quer sair para
saudar as pessoas quando barco zarpar.
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- Com um último pulo, Lilly
se aproximou para ajudar-me a tirar nossas coisas das malas. Enquanto
desfaziamos a bagagem, deixei que minha mente repassasse tudo o que deixamos
na Inglaterra. Minha melhor amiga, Elizabeth, era o que mais ocupava meus
pensamentos. Recordei como tinha chorado com Elizabeth quando
nos despedimos.
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- -Me promete que me escreverás,
Gabby? -disse chorando.
-
- -Eu prometo, Lizbeth. Vou escrever
em meu caderno todos os dias e quando estiver cheio te enviarei. Será
como se estivesses ali comigo, Lizbeth.
-
- -Já está tudo pronto,
Gabby, podemos ir ? -exclamou Lilly com seu habitual entusiasmo.
-
- -Por que não vai ao quarto
ao lado para ver se a mãe e o pai já estão prontos?
-
- Lilly saiu voando pela porta, deixando-a
aberta ao correr para o camarote de nossos pais. Soou um forte apito. Segundo
as poucas instruções que recebemos ao subir a bordo, o apito
era para comunicar a todos que faltavam quinze minutos para que zarpasse
o barco. Fechei a porta e terminei bem rapido de desfazer minha bagagem.
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- Quando terminei de arrumar minha
roupa, abri as gavetas de Lilly e arrumei as dela. Ao levantar-me do chão,
vi-me no espelho. Olhei-me com espírito crítico. Disseram-me
que tenho os olhos bonitos... são verde escuro e turvo, como os de
minha mãe. Tenho o cabelo loiro herdados de meu pai, mas o seu
é liso, enquanto o meu é ondulado e me custa mantê-lo
penteado. Tenho a pele muito branca e me queimo ao mínimo indício
de sol. Olhei com mais atenção. Creio que tenho o nariz bonito,
ainda que mamãe diz que os buracos são pequenos. Suspirei
ao afastar me do espelho. Quase todo mundo acreditava que eu tinha
doze anos, quando na realidade tinha dezesseis. Era humilhante ser
tão baixa. Nem minha mãe nem meu pai eram muito
altos, assim que não era provável que eu fosse crescer mais.
-
- Abri a porta de nosso camarote a
tempo de ver passar minha irmã de seis anos vestida com
um vestido branco.
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- -Gabby, vamos -gritou Lilly
enquanto corria pelo corredor para a proa.
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- -Lilly -gritou mamãe-. Faz
o favor de não correr -Lilly voltou correndo até mãe.
-
- -Oh, mãe, por favor, depressa,
quero dizer adeus para todo mundo.
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- Segui atrás de minha família.
Creio que era a única que não estava tão contente com
nossa viagem. Perguntava-me que estaria fazendo agora Lizbeth. Quando caminhava,
rara vez me fixava por onde ia. Por falta de atenção e,
isto me tinha causado vários tropeções e quedas.
Plaf! Ai, por Deus, não pensei enquanto caía no chão,
como já vinha sendo habitual.
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- Sacudi a cabeça para despertar,
dei-me conta de que tinha me chocado com uma pessoa e não com
um objeto inanimado.
-
- -Está bem? -perguntou uma
voz com um forte sotaque estrangeiro acima de mim.
-
- Ergui devagar a cabeça
, tratando de olhar à pessoa da qual acabava de fazer o ridículo
de trombar. Seguí arqueando a cabeça cada vez mais para
atrás até do que por fim cheguei a um par de olhos azuis muito
sério mas cheios de diversão.
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- -Perguntei se está
bem.
-
- -Estooo... sim. estou bem
-respondi enfim, dando-me conta de que estava sendo grosseira.
-
- Depois de um esforço para
me por em pé, apresentei-me.
-
- -Sou Gabrielle Archer.
-
- Fiquei ali como uma idiota, olhando-a.
Era a mulher mais alta que tinha visto em minha vida, claramente mais alta
do que meu pai, de longo cabelo escuro e os olhos mais azuis que nunca havia
visto na minha vida. Era, numa palavra, bela. Não soube que dizer
a seguir. Notei que minha boca traidora se tinha aberto enquanto a olhava
e a fechei inesperadamente com um estalo bem audível.
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- -Danté -soltou ela.
-
- -Eh? -disse como uma idiota.
-
- -Meu nome... é Danté
Courtier.
-
- -Ah... mmm, encantada de conhecer-te,
Danté.
-
- -Não deverias ir? -me perguntou,
ladeando ligeiramente a cabeça-. Sua familia vai ficar preocupada
com vci?
-
- -Aaah, sim, vai-. Tu não
vai la em cima para despedir-te?
-
- -Não -declarou-. não
há ninguém de quem deva despedir-me, minha mãe e meus
irmãos estão a bordo, assim que não vejo a necessidade
de estar ali. Estava regressando a meu camarote quando trombaste comigo.
-
- Indignei-me.
-
- -Que eu... trombei em vc? Mais foi
vc que trombou em mim...
-
- -Tu era a que não olhava
por onde ia. Estava olhando os sapatos antes de que nos chocássemos.
O que foi? comprou sapatos novos para a viagem? -perguntou com sarcasmo.
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- -Que? Não -menti-. Olha,
vamos esquecer. Se acredita que foi culpa minha, me desculparei.
-
- Danté sorriu zombando.
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- -Bem, e por que não faz?
-
- -Por que não faço
que?
-
- -Por que não te desculpas?
-
- -Como... mas se acabo...
-
- -Não, não fez. Disse
que se desculparias, mas ainda não o fez.
-
- Danté sorria agora amplamente
e eu me irritando com seu jeito.
-
- -Muito bem, senhorita Courtier,
se empenha numa desculpa mais formal, -soltei indignada-. Senhorita
Courtier, me agradaria desculpar-me formalmente por chocar-me com você
-agora já estava furiosa, o qual pareceu causar-lhe ainda mais diversão.
-
- -Aceito suas desculpas -disse com
altivez, como se imitasse meu tom-. Mas... - se inclinou para mim e me deu
umas palmadinhas na cabeça, como se fosse uma menina pequena-. Tenha
cuidado para que não volte a trombar em ninguem -com um sorriso
e malicioso, deu a volta e se afastou.
-
- Fiquei olhando-a, com a boca aberta
pela segunda vez em outros tantos minutos. Voltei a fechá-la inesperadamente.
-
- -Mas como... - dei a volta furiosa
ao ouvir à multidão que se despedia a gritos-. Oh, bom
-suspirei e segui até a proa para procurar a minha família.
-
- Dadas as massas de gente, foi pura
sorte que pudesse encontrar sequer a minha família.
-
- -Aqui, Gabby -gritou Lilly, que
estava em cima dos ombros de meu pai para poder ver de cima toda a gente.
Apertei o passo até minha família enquanto o barco se
afastava devagar do porto. Tínhamos zarpado.
-
- -Onde estavas, Gabby? Estávamos
começando a preocupar com vc -perguntou mãe.
-
- -Desculpa, mãe. Voltei ao
meu quarto para procurar meu binóculo e não pude encontrá-los.
Por isso demorei.
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- Não sabia por que tinha mentido;
não costumava mentir a meus pais e menos a minha mãe, que
geralmente percebia uma mentira de longe.
-
- -Espero que não estavas
em algum lado fantasiando? -perguntou minha mãe.
-
- Era uma discussão habitual
e eu não estava disposta a tê-la neste momento.
-
- -Não, mãe, não
estava fantasiando...
-
- Minha família e eu decidimos
dar um passeio pelo grande barco antes de tomar o chá. O barco era
verdadeiramente uma magnífica obra de engenharia, segundo meu pai.
Deixei que a palestra de minha família se perdesse como ruído
de fundo enquanto pensava em meu encontro com Danté Courtier. Perguntei-me
por que tinha deixado provocar até pôr-me tão
furiosa. Normalmente sou calma. Tem que me encher muito para eu me irritar..
bom, normalmente é assim. Esta garota tinha algo que me irritava.
-
- -Gabby chamou minha mãe -.
Ouviu uma só palavra do que eu disse?
-
- -Não, mãe, perdoa-me,
não te ouvi. O Que disse?
-
- A Mãe mexeu a cabeça
e disse:
-
- -Filha, um destes dias essa imaginação
que tens vai causar-te muitos problemas, ouça o que te digo.
-
- Sorri e concordei como costumava
fazê-lo quando mamãe soltava esta conhecida afirmação.
-
- -Sim, mãe.
-
- Sorri a minha mãe com impertinencia,
como sempre, e ela me devolveu o sorriso, como sempre. Minha avó
me disse a muito tempoatras que eu era igual a minha mãe aos dezesseis
anos e que quando tinha minha idade, tinha pegado ela muitas vezes fantasiando.
-
- -Perguntei se quer tomar o chá
ou não. Há um salão onde vão-no servir dentro
de uns minutos.
-
- -Sim, mãe, eu quero tomar
o chá.
-
- Seguí a minha família
até ao interior do salão e me dei conta, não pela primeira
vez, dos pomposos grupos de jovens, em sua maioria da Inglaterra, como minha
família e eu. Sentia curiosidade pelo sotaque de Danté, estava
claro que tinha um pouco de francês. Mmm, de onde será?
-
- Permiti-me fantasiar sobre Danté,
inventando histórias românticas sobre ela e um lindo príncipe...
afinal de contas, era um personagem claramente interessante e bem podia
ser uma princesa ou uma rica herdeira. Os garçons colocaram na mesa
bandejas douradas cheias de pequenos biscoitos, além do chá.
Ouvi rugir a meu estômago, o qual me recordou o quanto faminta que
estava. Toda a conversa cessou enquanto minha família devorava a
singela mas elegante comida. Enquanto comia, senti um arrepio na nuca. Virei
a tempo de ver a Danté, com uma mulher de mais idade e a dois jovens
entrando no salão. A mulher mais velha tinha o mesmo aspecto que
Danté. Decidi que tinha que ser sua mãe. Perguntei-me quem
são esses garotos. Sei que disse que tinha irmãos, mas me
pergunto se um deles a está cortejando. É tão linda
que certamente ela não teria problemas para encontrar marido, pensei.
Por algum motivo, sentia-me decepcionada e não sabia por que.
-
- Virei-me de novo para minha família
quando Danté e sua mãe e as garotos encaminharam-se
até a mesa que estava justo ao lado da nossa. Danté me sussurrou
ao ouvido ao se sentar justo atrás de mim.
-
- -Não te disseram que olhar
para as pessoas é má educação, garotinha?
-
- Tomei ar e me virei para fulminá-la
com meu olhar, mas ela já se tinha se virado para sua família
e dizer alguma coisa chamaria atenção para mim mesma. De maneira
que decisti ainda furiosa.
-
- -Quem é tua amiga, filha?
-perguntou meu pai com os olhos curiosos..
-
- Senti meu rosto pegar fogo e disse,
e respondi um pouco mais alto :
-
- -Se chama Danté Courtier
e não é... minha amiga -soltei.
-
- Ouvi a Danté rir e foi evidente
que tinha escutado. Meu Pai sorriu e voltou a conversar com mamãe.
Virei ligeiramente para poder ver a mesa de Danté. Percebi que a
mãe de Danté batia um papo animadamente com os garotos, mas
que Danté não participava realmente da conversa. Aproveitei
a oportunidade para inclinar-me para atrás e dizer baixinho:
-
- -Nunca te disseram que escutar as
conversas alheias é má educação?
-
- Danté se jogou para atrás
em sua cadeira e disse:
-
- -Não estava escutando, é
que falas tão alto que não pude evitar ouvir-te disse em tom
de gozação.
-
- -Eu... Tu... -Voltei a ficar nervosa
e Danté parecia desfrutar de cada momento.
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- -Te passa algo, meu amor? -perguntou
meu pai.
-
- -Não, pai -disse a duras
penas-. Creio que algo não está me fazendo bem.
-
- Ouvi a Danté sufocar outro
riso ao ouvir isto jurei que de algum modo iria vingar-me.
-
- Seguí a minha família
ao sair do salão, com muito cuidado para não dirigir uma olhada
sequer a Danté. Regressamos a nossos camarotes para tirar uma sesta
muito necessária. Enquanto tirava o vestido e ajudava a Lilly a tirar-se
o seu, dei-me conta de que estava esgotada. Ao deitar, meu último
pensamento foram uns maliciosos olhos azuis e minha incapacidade de pensar
claramente quando os olhava.
-
- Quase duas horas mais tarde, chamaram
à porta.
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- -Quem é? -gritei.
-
- -Seu pai, e sua mãe vamos
dar um passeio , querem ir?
-
- -SIm! Esperai-me, pai -exclamou
Lilly, saltando da cama e pondo o vestido de qualquer jeito. Eu também
me vesti, mas devagar.
-
- Abri a porta a nosso pai quando
estivemos vestidas.
-
- -Vou ficar aqui e escrever em meu
caderno, pai.
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- -Muito bem, Gabby, voltaremos para
o jantar dentro de umas horas.
-
- -Está bem, pai.
-
- Observei a minha irmã sair
correndo do quarto para pegar a mão do meu pai e, falando a cem por
hora. Sentei-me ante o pequena mesa que tinha em nosso quarto e peguei meus
cadernos. Por mais que tentasse, não conseguia pôr sobre o
papel o que sentia sobre esta viagem. Em princípio, não estava
muito contente com o traslado a América. Mas depois da sesta, comecei
a sentir uma sensação de apreensão e emoção.
Sinto-me como se estivesse a ponto de descobrir algo que fará que
meu mundo mude. Por fim renunciei a tentar colocar meus sentimentos em palavras
e me limitei a escrever sobre o barco e os passageiros. A propósito,
omiti mencionar Danté em minha carta porque sabia se eu falasse a
Lizbeth de Danté, ia querer saber mais. Depois de terminar a breve
carta, devolvi o caderno a meu baú. Dentro do baú encontrei
meu lápis e minha caixa de lápis de cores, além de
cinco cadernos a mais do que meu pai me tinha me dado como presente antes
de partir de Inglaterra.
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- Decidi subir a cobertura com meus
cadernos e meus lápis para desenhar um pouco. Deixei um bilhete
no camarote de meus pais se voltavam antes que eu. Dirigi-me à cobertura.
Consegui encontrar um pilar e me encostei para começar a desenhar.
Olhei a meu arredor a procura de um bom candidato para meu desenho. Ao não
encontrar nenhum entre os pretenciosos passageiros, decidi fazer um pouco
de memória. Devagar me pus a traçar as linhas que começaram
a formar uma rosto. Quando fiquei satisfeita com a forma do rosto, peguei
na bolsinha que usava para levar meus lápis de cor e peguei o azul
mar. Depois de desenhar os olhos até ficar satisfeita, recheei os
olhos com a cor. Pelo geral, esperava ter terminado o retrato antes de colorir
. Mas por alguma razão me parecia que era importante fazer bem os
olhos.
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- -Posso ver o que está desenhando?
-perguntou um jovem com um acento que me resultava familiar.
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- -Desculpe? -perguntei como uma estúpida.
-
- - perguntei se me permite
ver seu desenho -voltou a dizer com suavidade.
-
- Em seu rosto se desenhou um agradável
sorriso. Pela primeira vez olhei para seus formosos olhos. São exatamente
iguais os de meu desenho... exatamente iguais os de Danté, pensei
.
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- -Mmm, normalmente não mostro
meus desenhos até que estejam prontos.
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- Ele sorriu de novo.
-
- -Pois me agradaria vê-lo quando
tiver acabado... isto é, se você não se importar em
me mostrar.
-
- -Não, não me importa.
Eu te mostro quando tiver terminado.
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- -Bem. Escute, vai ir ao baile esta
noite?
-
- -Não sabia que iria ter um
baile.
-
- -Pois terá . Esta noite há
uma festa e me perguntava se você poderia reservar-me algumas danças.
-
- -Ah, pois sim, me agradaria dançar
com você esta noite, senhor... Perdoe, nem sei como se chama .
-
- -Courtier, Edward Courtier. Estupendo,
então vai comigo. A verei lá então.
-
- Edward se levantou rapidamente e
se retirou a toda pressa, como se tivesse medo de que eu fosse mudar de
idéia. Olhei-o com curiosidade: sua irmã e ele compartilhavam
algumas características físicas, mas isso era tudo. Edward
parece uma pessoa encantadora. Não como Danté, que parece
gostar muito de me atormentar.
-
- Olhei o desenho que tinha estado
desenhando e as costas de Edward que se afastava. Tinha desenhado a Danté,
por isso não queria que ele o visse. Não queria que ela tivesse
mais motivos para zombar de mim.
-
- -Pelos Deuses por que não
paro de pensar nela -resmunguei enquanto regressava ao camarote para aguardar
a minha família.
-
- Lilly entrou com tudo correndo e
anunciou que nossos pais tinham dito que podia ir nadar se eu estivesse
disposta a levá-la. Imaginei que meus pais queriam passar alguns
momento a sós, de maneira que concordei e a ajudei a pôr-se
seu traje de banho. Disse-lhe que pegasse sua bóia e saimos e fomos
até à sala de jogos infantis, onde se encontrava a piscina
coberta.
-
- Observei a Lilly nadar e brincar
com os demais meninos e alguns adultos que também tinham decidido
usar a formosa piscina coberta. Esta tinha uma grande estátua de
uma sereia no centro. Lilly desfrutou muito gritando do outro lado da piscina
que a sereia estava nua. A verdade é que se via muito pouca coisa.
E o que olhei foi. Aparte do estômago muito plano, qualquer coisa
de interesse estava tampada pelo cabelo da sereia de pedra.
-
- -Lilly, por que gritas tanto? -xinguei
suavemente a minha irmãzinha Não lembro de ter sido tão
precoce-. Bom, Lilly, tá na hora do jantar, saia já.
-
- -Oooh, vamos, só mais um
pouquinho? -além de falar a gritos, Lilly tinha aperfeiçoado
a arte do choramingo.
-
- -Não, Lilly, venha não
devemos chegar tarde ao jantar.
-
- Lilly resmungou meio baixo, ao que
eu respondi:
-
- -Desculpa, disseste algo, Lilly?
-
- -Não -resmungou de novo e
cruzou os bracinhos malhumorada enquanto se encaminhava ao camarote.
-
- Ao final de uma hora estávamos
sentados no refeitório esperando o jantar. O capitão tinha
feito um discurso de boas vindas e agora falava monotonamente sobre as atividades
de lazer que oferecia o barco. Deixei de escutá-lo quando explicava
a forma de apostar no hipódromo eletrônico. Por fim soou um
sino e começaram a servir o jantar. Desta vez me esforcei para não
olhar pelo refeitório a procura de Danté e sua família.
Negava-me a procurá-la. Mas durante a comida, em diferentes ocasiões,
senti o familiar arrepio na nuca.
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- -Pai, mãe, esta noite haverá
uma festa de boas vindas para os jovens. Me agradaria ir, se vocês
deixarem.