Salva-me
Título Original - Salvame
Valeria XG
Tradução de Fernanda
Segunda Parte
"Suas
doces mãos me envolve.
a sanidade me vigia.
Seus olhos claros, é o único remédio
para minha dor.
Só o seu amor poderá me Salvar
Salva-me..."
"Nunca
achei que o destino seria tão duro comigo, não posso acreditar
que à dois meses, este quarto se transformou em minha casa, não
posso crer que à dois meses que os enfermeiros, e médicos
se transformaram nas únicas pessoas que conheço. Pergunto-me por
que o Senhor, única testemunha de meu sofrimento me abandonou.
Olho-me e não me reconheço, meu corpo mudou, minha pele já
não é a de antes e minha palidez e olheiras me fazem lembrar a
cada momento a minha tortura.
J� tem algumas semanas que sou obrigada a usar um lenço horroroso em minha
cabeça, porque meu longo e loiro cabelo também me abandonou. Sei
que é por causa dos medicamentos, mas..."
- Andy?- a
voz de seu pai tirou-a de seus pensamentos que nesse momento eram escrito em um
di�rio.
- Pai... - um sorriso brotou em seu rossto triste e p�lido. - Venha aqui..
O homem foi até sua pequena filha, não sem antes colocar uma m�scara
sobre a boca, era uma regra de segurança e higiene, para lhe dar um "beijo"
através da tela que cobria a metade de seu rosto. Andy esticou um braço
e envolveu o pescoço dele trazendo mais perto de seu corpo. O pai fez o mesmo,
a cabeça dela agora coberta com um lenço com pequenos ossinhos,
encostou no peito de seu pai.
- Está bem?- perguntou quando seeus olhos verdes se encontraram.
- Sim - sorriu um pouco - é que estranhei.
- Eu te amo, filha.
- Eu mais papi- Andy se sentou na cama e balançou a perna de um lado
para outro. Uma careta de dor cruzou seu rosto quando a agulha do soro fincou
sua mão e saiu do lugar - Raios... como odeio isto.
- Calma... - disse seu pai.- Luciana veeio?
- Sim, passou a noite aqui, mas a obrigguei que fosse para casa descansar.
- Deve já ter chegado. - Reflexiionou.
- Pai, a avó ligou?- Andrea olhoou para a janela.
- Sim, ontem à noite... vem semaana que vem.
- É sério?- um sorriso afflorou no rosto da jovem. E ficou maior
quando a porta abriu e uma mulher de 1,80 olhos azuis entrou por ela. - Mas
o que está fazendo aqui?
- Vim cuidar de você disse e sorrriu - não consegui ficar em casa
- admitiu.
- Mas deve estar cansada. - Luciana &nbbsp;foi até Juan e estendeu a mão
para saudá-lo.- bom dia Juan.
- Bom dia Luciana.
- Andy me de a sua mão- Andrea eestendeu as duas mãos mas Luciana
pegou a que tinha a agulha conectada e desprendeu cuidadosamente a fita que
prendia e a olhou quando esta suspirou.
- Tem que tirar? - disse queixosa - &eaacute; que dói quando tens que
conectar uma nova. - explicou quando uma sobrancelha escura olhou para seu cabelo
úmido e o aroma de canela e cítricos inundou seus sentidos,
tinha tomado banho e vestido um jaleco cor de rosa de enfermeira.
- Tenho que tirar, Andy- sussurrou.
>
- Aiiii - queixou-se quando tirou a aguulha de sua mão. Ela pegou um gaze
e o umedeceu em uma solução marrom e limpou o lugar com cuidado,
escorreu um pouco de sangue, que ela estancou e em seguida colocou
um novo gaze, o dobrou com cuidado e pôs sobre o local e depois
prendeu com a fita branca.- mas...
- No receituário diz que devo tiirar todas as agulhas, exceto essa e
assinalou a que tinha no antebraço esquerdo era por ali que lhe
aplicavam a quimioterapia.
- Mas por que? - perguntou Juan sentadoo no sofá. A morena seguiu tirando
as outras que restava no antebraço direito. E se virou para o homem e
sorriu.
- Parece que sua menina respondeu bem aao tratamento e poderá ir para
casa em uma semana.
- É sério? - Andy olhou-aa incrédula por um momento mas
no segundo um sorriso apareceu em seu rosto e seus olhos encheram-se de lágrimas,
mas desta vez eram lágrimas de felicidade.- Isso quer dizer que estou
curada?
- Não Andy... isso quer dizer quue esta respondendo bem ao tratamento,
mas...
- Devo seguir com as sessões de quimio, não é?
- Sim... mas quero que falem com o m&eaacute;dico, ele vai explicar com todos
os detalhes.
- Está certo - disse Juan enquannto se aproximava para abraçar
a sua pequena. Te amo, filha.
- Eu mais, paizinho.- a loirinha abra&cccedil;ou seu pai.
O médico abriu a porta do quarto e quando saiu deixou três pessoas com um sorriso no rosto.
Os enxames tinham indicado que a doença estava em claro retrocesso e
como Luciana tinha antecipado teria que continuar com a quimio até completar
as dez sessões programadas. Só que em vez de ser uma a cada semana
seriam cada duas semanas. Só lhe faltavam duas e isso seria mais um mês
de tratamento.
Andrea estava parada olhando o céu azul e desfrutando do sol que lhe
tocava o rosto.
Juan consultou seu relógio e viu que era tarde, pegou sua carteira e
foi até sua filha, passou um braço por seu ombro e a abraçou.
- Filha ... preciso ir... - Andrea sorrriu e devolveu o abraço.
- Pelo menos vai com uma boa notíe;cia. Liga para a vovó e à
tia.
- Quando chegar em casa vai ser a primeeira coisa que farei. Deu-lhe um beijo
na cabeça e se despediu de Luciana e se foi.
- Até amanhã Juan.>
Andrea se aproximou de um pequeno armário e pegou uma camisola verde, e suas pantufas brancas. E o sabonete.
- Estou
precisando tanto de um banho - confessou.
- Vou abrir a água enquanto termmina isso. - a morena foi para o banheiro
e encheu a banheira, verificou a temperatura da água e levantou-se. Encontrou-se
com Andrea parada na porta, observando-a com os olhos brilhantes. - está
tudo pronto madame. - Brincou.
- Obrigada, está morna. - tirou a roupa e entrou na banheira. A água
cobriu sua nudez e aqueceu o corpo cansado. Encostou sua cabeça na
beirada da banheira e fechou os olhos.
- Andy... tenho umas coisas pra fazer ddaqui uns minutos eu volto.
- Não tem problema, ficarei aquii até que volte.- abriu os olhos
e os fixou nos azuis de Luciana e notou um brilho especial neles, mas
não deu muita importância.
Luciana saiu do quarto e pegou seu celular. Depois de alguns toques e uma voz masculina atendeu.
- Franco?
- Luciana sentou-se em um dos bancos quue tinha no corredor e com sua mão
livre passou em seu rosto.
- Olá Lucy... - ouviu uma porta se fechar e a morena franziu o cenho.
- Onde esta? - perguntou intrigada.
>
- Em meu quarto, porque tem uma daquelaas amigas convencidas da mamãe
aqui em casa. - um riso suave soou do outro lado do telefone. - elas falam demais.
- Fran eu sei... agora me diga o que esstá se passando?.
- É Marina, é ela Lucianaa.
- Não sei o que fazer, essa mulhher me vai deixar louca...
- Lucy, vai ter que falar seriamente coom ela... tem que a parar.
- Tenho que fazer antes de que o pai deescubra. Não suspeitam de nada?
- Não, que eu saiba.
- Amanhã mesmo vou falar com elaa. Tenho que ir Franco, tenho que voltar
para Andrea.
- Como esta ela?.
- Bem, foi surpreendente sua evolu&cceddil;ão, se tudo sair bem é
provável que semana que vem volte pra casa
- Me alegro muito com essa noticia, lhee manda um beijo e forças de minha
parte, tá bom?.
- Vou dizer ... - a morena se levantou e dirigiu-se de novo para o quarto.-
E já sabe Fran.
- Sei Lucy, não se preocupe. Beiijos.
- Outros.
Luciana entrou no quarto e ouviu soluços vindo do banheiro. Lentamente
se aproximou e olhou pela porta que estava entreaberta. Todos os dias era o
mesmo, encontrou com Andrea sentada com suas mãos cheias de cabelos e
seu rosto banhado de lágrimas. E todos os dias ela estava ali para a
consolar.
Pegou uma toalha e entrou, Andrea tentou cobrir sua nudez, mas umas mãos
fortes e suaves impediram-lhe.
- Calma... deixa-me te ajudar.
- Não, não quero que me vveja assim - deu um empurrão afastando
à morena que ficou gelada pela força que possuía sua "pequena".
Estou farta tudo isto... por que não morri!!! - gritou com toda a fúria
que trazia dentro de si.
Andrea
se levantou e puxou o pouco de cabelo que ainda tinha, Luciana reagiu e pegou
suas mãos, Andy pedia aos gritos que a soltasse. Várias
enfermeiras foram ao quarto e contemplaram o incidente.
- Andy... calma. - Luciana tinha consegguido segur�-la para que não se
machucasse mais. Sara, uma enfermeira de uns cinquenta anos atreveu-se a perguntar
se precisavam de ajuda e Luciana respondeu que não era necessário,
que já tinha tudo sobre controle. - Podem retirar-se, deixem-nos sozinhas.-
pediu.
- Por que Luciana... por que eu? ;Já não ag�ento mais.
- Tem que ser forte Andrea... falta pouuco... só duas sessões e
tudo acabará.
- Ajuda-me Lu... - os olhos verdes al&cccedil;aram-se para olhar os azuis de
Luciana. - ajuda-me.
- Farei o que quiser Andy.
Já
era noite, Andrea está sentada e olha seu reflexo no espelho. Atrás
dela uma mulher morena e de olhos claros a observa. Suspira e seus olhos encontram-se
no espelho.
- Tem certeza Andy?
- Não, mas não importa.. Faça.
A mulher
consente e pega uma tesoura. Um mecha de cabelo cai no chão acompanhado
por outras que vai caindo. Assim um a um foi cortado. Depois Luciana pegou uma
máquina de cortar cabelo e a passa pela cabeça de Andrea.
Andrea estava com os olhos vermelhos de chorar. Olha-se e não acredita
no que fez. Mas assim é melhor. Não terá que sofrer todas
as vezes que vai tomar banho ou quando não queira usar lenços.
Levanta uma mão tr�mula e passa por sua cabeça. Uns dedos
longos e finos unem-se aos dela e a acaricia. Andrea fecha seus olhos e deixa
cair suas lágrimas. Sente um par de braços que a rodeiam e um
corpo quente em suas costas. Se vira e agarra com força ao abraço
que a espera. Chorou... não sabe porquanto tempo... mas sabia que a segurança
que aquele abraço lhe proporcionava, nunca a abandonou.
A voz suave a fez voltar à realidade. Se da conta que não está na cama, algo a sustenta firmemente. Podia ouvir as batida em seu ouvido direito. Uns braços rodeiam-na e uma voz harmoniosa levam-na para a glória... não quer acordar. Quer desfrutar plenamente desse momento. Seus olhos verdes abrem-se lentamente e sua mão acaricia o antebraço de Luciana. A batida acelera-se em seu ouvido. O seu também.
Levanta
o olhar para encontrar-se com o rosto mais belo que o Senhor criou. Luciana
a olha e um pequeno sorriso assoma de seus lábios.
- Está mais calma?- Andrea tentaa incorporar-se, mas o abraço intensifica-se.
- Não... fica assim.
- Não quero te aborrecer.
- Não está- Andy se acomooda no peito de Luciana e suspira. - melhor?
- sim - Andy volta a olhar para aa janela e observa a lua, está brilhante
e parece sorrir-lhe. - Lucy sinto muito, não quis te tratar mal...
- Andy, olha-me. Esquece isso... estou aqui para ajudar-te.
- Só por isso? - sussurra inconssciente a paciente.
- Não - olhos verdes a observam atentos.- E porque somos amigas e porque
disse que nunca te deixaria sozinha. Lembra?.
- Sim.
- Quero que sempre se lembre.- a pequenna sorri e concorda. O ruído que
seu estômago produz a faz corar - Está com fome? - pergunta a morena.
- Muita, mas já é tarde.<
- Verei que posso fazer. - Luciana levaanta-se da cadeira que estava junto à
janela e com ela Andrea, e a leva para a cama e a deita. Olha-a por um segundo
e sorri. - Está bonita.
- Não caçoes devo estar hhorrível - Andy leva suas mãos
para a cabeça e acaricia.
- Não, é sério. Fiicou lindo. - um sorriso cruza o rosto
da pequena e suas esmeraldas brilham.- O quer para o jantar?.
- Surpreende-me.
Deu um beijo na testa e fez uma caricia na bochecha e a morena sai do quarto
rumo à cozinha.
*****
- Marina...
- Lucy?... Oi meu amor... - uma loira aalta, de olhos castanhos claros espera
que a morena vá até onde ela está parada. Luciana chega.
E quer falar com esta mulher sobre o assunto que a envolve. - Quanto tempo que
não nos vemos... Auuuch, Solta-me está louca?- Luciana pegou no
braço dela e a levou quase arrastada. Um quarto vazio servirá
para seu propósito.
- Só quero te dizer uma coisa Maarina.- a loira olha-a com desejo e passa
a língua pelos lábios, está tão perto... - Quero
que me deixe em paz, entendeu?Para de mandar fotos para minha família,
porque se descobrirem eu que te mato.- ameaçou
A veia do pescoço de Luciana estava a ponto de estourar e seu olhar gélido
fulminava o da outra. Que não parecia intimidada. Marina esperou que
Luciana terminasse de falar, e se lançou sobre a morena. Capturou seus
lábios num beijo demolidor e com rapidez introduziu sua língua
na boca de sua ex. Arrancando todo rastro de sensatez da cabeça morena.
- Que foi isso?- Luciana conseguiu se aafastar de Marina e foi para perto da
janela.
- Tentativa de fazer você voltar a razão, meu amor. - Marina a
puxou pela cintura à e colou seu corpo nas costas de Luciana. - Eu te
amo , Lucy- sussurrou em seu ouvido. - e você continua me amando?. - Suas
mãos acariciavam o estômago da petrificada mulher enquanto sentia
o desejo correr por suas veias outra vez.
Marina aproveitou o estado de Luciana e a encostou contra a parede. Lentamente
deu-a volta até ficarem frente a frente e voltou a buscar sua boca. Desta
vez não teve resistência. A loira sorriu por sua vitória,
mas concentrou-se no esbelto corpo que voltava para ela.
Foram se
livrando da roupa que impedia sentir pele com pele e começaram a "se
amar". Luciana não conseguia pensar. Seu corpo estava à traindo
vilmente, só conseguia sentir o prazer que a outra mulher lhe proporcionava.
Tinha a procurado para parar com essa história e agora estava de novo
nela, e em seus braços.
Luciana não pensava só sentia a boca de Marina devorar seus seios
e uma das mãos aplicar pressão em seu sexo. Não podia negar,
a desejava. Nunca tinha deixado de desejar.
Quando estava chegando ao �xtase com as caricias que lhe proporcionava Marina
uma imagem veio a sua mente. O doce rosto de Andrea apareceu em sua mente e
a ira e o arrependimento tomou posse de seu corpo. Com um empurrão livrou-se
do corpo que tinha em cima dela e a mão que estava enterrada em seu sexo
a abandonou, mas esse movimento desencadeou ondas de pequenos orgasmos que tentou
frear.
- Que foi
amorzinho?... não gosta mais de minhas caricias? a mulher tentou seduzi-la
novamente levando sua mão molhada com o mel de seu amor a sua boca. E
lambeu um a um de seus seus dedos e o sabor inundou os sentidos da mulher que
delícia... como sempre.
- Está louca...?- Luciana estavaa colocando sua roupa e encarou à
mulher. - Quero que desapareça de minha vida, para sempre. Entendeu?
- Humm, isso vai ser impossível,, meu carinho... é minha se não
se lembra?.
- Eu não pertenço a ninguuém, Marina. Entendeu. A ninguém!!!.
- Tá certo? - Marina ajeitou seuu cabelo e pegou um envelope, pegou uma
foto e entregou a Luciana.- Eu diria que ela tem algo a ver en tudo isso.
Luciana observou a fotografia de duas noite atrás, quando estavam no sofá, depois da crise de Andrea... mas como conseguiu tirar?... isso era algo perigoso para sua carreira e para sua amizade com Andrea.
- Como
conseguiu isto?- perguntou duramente enquanto pegava fortemente no braço
de Marina.
- Calma princesa... não vai querrer que sua garotinha se inteire disto
verdade?... parece que se importa muito com ela.
- Me deixa em paz, Marina... nãoo se meta com ela, por que senão...
- Senão o que?... Vai matar-me?....
- Juro por minha vida se aproximar-se ddela ou a incomode de alguma maneira,
sim... eu te mato... - Luciana encarou-a e olhou fixamente. - Não sabe
com quem acaba de se meter Marina.
A morena deu meia volta e saiu pela porta, deixando a loira sozinha... era o que achava.
- Minha
querida Luciana, quem não sabe com quem acaba de se meter
foi você.
Disse em voz alta. Virou para a direita onde tinha um pequeno banheiro e sorriu:
gravou tudo?- perguntou.
- Claro minha querida... - disse um hommem alto e moreno vestido com calça
e jaqueta de couro....
*****
Na casa do zelador estava tudo pronto para receber Andrea, os moradores do edif�cio tinham decidido reformar a casa, pintando e arrumando alguns trincos nas paredes. Luciana quis remobiliar o quarto de Andy. Já que seu aniversário estava próximo, tinha decidido presentear-lhe com móveis novos, que constaria de uma cama maior, uma estante, e um novo computador. Os últimos retoques fariam no fim de semana. Já que na quinta-feira ou sexta-feira da semana que vem Andy poderia receber alta da clínica, ainda que deveria voltar a cada quinze dias para últimas duas sessões de quimio.
Luciana
despediu-se de Juan, tinha ido a uma loja. Comprar o computador pra Andy.
Pegou o elevador e chegou em sua casa. Argo esperava-a atrás da porta
e começou a saltar ao ver a sua dona. Que grande estava, se assustou
a morena. Só tinha alguns meses, mas seu corpo tinha crescido. Pegou
a coleira e deu-lhe a ordem para sair.
Argo corria pelo corredor e nesse momento Juan entrava da rua, com algo que
parecia comida.
- Olá
Argoooo - disse contente e acariciou à cachorro. - vai sair para passear?
- Olá Juan.
- Luciana, como ela cresceu... se Andreea a visse não iria reconhecê-la.
- Logo ela irá ver , quando volttar para casa vou traz�-la para
que a veja. Sei que a adora.
- Ela adora a todos os animais. Em espeecial os golfinhos e os cães Boxer.
- Sei. Ela gosta mesmo eu já perrcebi.
- Sim, desde que era menina. Deixo-a, aamanhã tenho que ir cedo à
clínica.
- A que horas tem que ir? - perguntou eenquanto abria a porta da rua.
- Às nove, amanhã tenho qque falar com os médicos, para
ver quando posso trazer a Andrea para casa.
- Pelo que me disse o Dr. Farias, no fiim de semana que vem, mas quer ver a evolução
nestes dias.
- Foi o mesmo que me disseram. Tomara qque seja assim.
- Deus queira, Juan.- a morena presenteeou-lhe com um sorriso e saiu pela porta
puxada por Argo que queria fazer suas necessidades.
O sol mal
aparecia no céu, ainda era de madrugada. Andrea está sentada no
sofá onde dias atrás Luciana amenizou seus temores. Eleva suas
mãos e toca a cabeça, agora está menos doloroso. Seus olhos
estão escuros e suas pupilas dilatadas, a pouca luz do lustre produz
tal efeito. Suspira e volta a olhar para o seu diário. Que começou
a escrever no primeiro dia em que foi capaz de sustentar firmemente uma caneta.
Ali escreveu absolutamente tudo, seus tratamentos, seus temores, e seus sentimentos
por aquela mulher maravilhosa que vela por sua saúde. Pergunta-se que
horas é, ainda é verão e amanhece mais cedo, deve ser umas
cinco da manhã. E não conseguiu dormir até aquela hora.
Sabe que em algumas horas virão pegá-la pra fazer mais enxames,
aqueles que possivelmente lhe darão a liberdade.
A única coisa que deseja é passar seu aniversário em casa,
faltam uns dias. Mas quero tanto estar em casa...
Andrea se ajeita no sofá e cobre-se com uma manta. Uma careta de dor
cruza seu rosto, estica o braço onde ainda tem conectado o cateter
para a quimio e suspira. Fica vendo o dia nascendo e acaba dormindo.
Hoje é o grande dia.
Luciana desliga o motor de seu carro e pega a mochila. Entra pela porta
de vidro e dirige-se para o elevador. Caminha pelo longo corredor e abre a porta
do quarto.
Entra e encontra sua pequena dormindo no sofá. Voltou a fazer, Andy ficou
acordada a noite toda e quando começou amanhecer escreveu um pouco mais
em seu diário e dormiu. A primeira vez que a encontrou assim foi uma
semana atrás. Quando entrou e a viu levou um susto tremendo, pensou que
tinha passado mal, mas dormia tranquilamente e quando acordou lhe deu a entender
que foi algo que a mulher desejava fazer. Talvez a cama já não
estivesse tão cômoda, já que a dois meses estava deitada
nela. Outra coisa que descobriu foi que ao a acordar seus olhos verdes sorriram
ao reconhec�-la. Andy se levantou um pouco e pediu-lhe que se sentasse a seu
lado. A morena assim o fez e em segundos Andy se acomodou em seus braços.
E assim ficaram um bom tempo. Desfrutando das sensações que o
corpo uma da outra lhe brindavam. Mas nenhuma disse nada para que a outra soubesse.
Como nesta manhã, Luciana entrou e deixou sua mochila na cama, se ajoelhou em frente ao sofá e com uma suave caricia acordou Andy. Lentamente seus olhos abriram e perderam-se nos de Luciana, como todas as manhãs. Andy meio que se sentou para que a morena sentasse. Abriu os braços e deixou que a paciente se acomodasse.
- Oi -
Andrea ergueu a cabeça do peito da morena e sorriu-lhe, Luciana não
resistiu o impulso e lhe deu um beijo na testa. Uma pequena ruga formou-se na
ponta do nariz, coisa que Luciana adorava de ver.
- Oi para você também- Lucciana sorriu e olhou para a janela.
- Parece que vai fazer um lindo dia, n&ão acha?
- Sim... está calor?.
- Um pouco... - Luciana olhou-a por um momento e depois sorriu. - quer comprovar
por si mesma? - a cara de Andrea mudou, não sabia se tinha escutado bem
ou o destino tinha posto palavras em sua cabeça.
- Quer dizer?- perguntou enquanto sentaava-se nas pernas da mulher.
- Disse se quero comprovar se faz ou n&ão, calor. - umas lágrimas
formaram-se em seus olhos verdes e abraçou-se ao pescoço de Luciana.
- Isso quer dizer que posso ir pra casaa?.
- Sim, meu anjo. - Luciana abraç;ou o corpo de Andrea e a embalou lentamente.-
seu pai está te liberando, e vim te contar.
- Não estou acreditando.<
Depois de carregar as coisas dela para o carro, Luciana voltou a entrar na clínica. Juan estava assinando a saída de Andrea e esta o esperava sentada numa cadeira de rodas. Luciana tinha ajudado a vestir-se, escolheu uma calça de moletom preta, camiseta branca e tênis .
- Pronta?-
perguntou quando chegou a seu lado.
- Sim. - Luciana procurou em sua mochilla um pacote e entregou a Andrea. - O
que é isto?
- É para ti. Acho que vai gostarr.
Andrea rasgou o papel e encontrou um boné de basebol preto com a
imagem de um Boxer na frente. E dentro tinha um cartão escrito por Luciana.
- É
lindo... obrigada. - Luciana sorriu-lhe e depois e pegou o boné e pôs
na cabeça de Andrea.
- Ficou linda, Andy.- Andrea esticou suua mão e pegou a da morena, e se
levantou e a abraçou.
- Eu te quero muito Lu... obrigada por ser minha amiga.- depois dessas palavras
em seu ouvido. Deu-lhe um beijo no rosto.
- Também te quero Andy- Luciana tirou uma máscara e entregou a
Andrea - tem que pôr isto.
- Tá.
Levaram
meia hora para chegar, Andrea estava sentada atrás de Luciana e seus
olhos encontravam-se a cada segundo, a máscara que cobria a metade de
sua cara não lhe impedia de apreciar o sorriso que se desenhava no rosto
dela.
- Está bem Andy? - a voz de seu pai a tirou de seus pensamentos.
- Sim, só quero chegar em casa.<
- Já estamos chegando.- Luciana pegou uma Avenida conhecida e parou no
semáforo. - Sabe que Argo vai ficar contente de te ver?
- É sério?- a alegria invvadiu seu corpo ao pensar.- deve estar
enorme.
- Logo a verás.
A porta
da casa foi aberta por Juan que entrou com a bolsa e algumas sacolas com medicamentos
e os pedidos de exames.
Luciana ajudou Andrea que ficou encantada com sua casa. Seus olhos brilharam
quando olhou para seu quarto.
- Wow...
Mas que aconteceu aqui?.
- Luciana o decorou.- explicou Juan.
- O Que é? - perguntou intrigadaa.
- Abre, senão perde a graçl;a Andy, seu eu contar.
Andrea
sentou-se na cadeira e rascou o papel que envolvia o pesado presente. Dentro
da caixa estava uma nova CPU de seu computador.
- Não acredito.. mas quem... - oolhou para seu pai e depois pra Luciana
- Você. - disse sorrindo. - Por qque?... Deve ter sido caro.
- Porque sei que gosta de computador e sei já estava velhinho... mas
o monitor é bom e as outras coisas servem, só precisava mudar
a CPU.
- Obrigada.. não estou acreditanndo.- Andrea levantou-se e abraçou
o esbelto corpo de Luciana. Esta não perdeu a oportunidade e também
a abraçou.
- De nada.
Juan fez
questão de que Luciana ficasse para jantar com eles, mas ela não
quis, alegando que tinha que levantar cedo. Pois tinha que ir a aula.
Assim que acomodou as coisas de Andrea e lhe falar sobre os medicamentos e o
cuidado com cateter que ainda tinha no braço esquerdo, e foi para
seu apartamento.
Depois
do banho vestiu uma roupa confortável, e preparou um sandu�che e uma
xícara de leite e foi comer em sua cama. Na tv estava passando um programa
de animais, zapeou por diversos canais até que deixou no de música.
Argo entrou correndo no quarto e subiu na cama. Lambeu a mão e depois
deitou ao lado dela. Os olhos da morena lutavam para mantê-los abertos.
Mas por fim deu-se por vencida, apagou a tv e dormiu. Deitou ao lado da cachorra
que já dormia e se rendeu aos braços do deus do sonho.
O som do despertador a despertou. Esticou a mão e desligou. Lentamente abriu os olhos e fecharam-se com força quando um raio de luz entrou pela janela. Com uma careta de desgosto por acordá-la de vez se levantou. Foi até a mesa e selecionou os remédios que tinha que tomar aquela hora. Encheu um copo com água fresca e engoliu-os. Preparou um café com leite. Umas torradas ainda quentes esperava-a que comeria com geléia de frutas.
Seu pai entrou na cozinha e sentou-se ao lado de sua filha. Pegou uma xícara
com café e uma torrada. Andrea estava calada. Seu pai deu-se conta
rapidamente que algo estava acontecendo com sua preciosa filha.
- Andy...
- Andrea levantou o olhar e encontrou-sse com o rosto preocupado de seu pai.
Que foi?
- Nada, papai... é que estava peensando.
- Sabe que pode confiar em mim, filha.<
- Sei ... é que estava pensando em tudo o que se passou nestes meses...
e ainda não acredito que estou em casa.
- Alegro-me de que esteja aqui... - os olhos de seu pai escureceram-se e encheram-se
de lágrimas. - Assustou-me Andy...
- Pai... eu... - ela levantou da cadeirra e se sentou no colo de seu pai. Ele
olhou para o rosto de sua filha, que ainda apresentava algumas olheiras e ainda
continuava com uma cor amarelada. Acariciou a sua bochecha e a beijou na testa.
Andrea não usava seu lenço e sua cabeça reluzia à
luz do sol. E seus olhos verdes brilhavam mais.
- Tive medo de te perder, Andrea... n&aatilde;o sabe o quanto me senti sozinho
estes meses.
- Sinto... - Andrea abraçou com força seu pai. Ficou sentindo
um bom tempo a calidez do corpo de Juan e lembrança de sua amiga voltaram
a sua mente.
Andrea
vestiu um moletom verde e uma camiseta branca. E calçou suas
havaianas
pretas e colocou um lenço preto também. Limpou o seu catéter
e o cobriu com um gaze.
Pegou suas chaves, a máscara e saiu. Entrou no elevador e apertou o número
cinco. Em segundos estava parada na porta e tocou a campainha. Ouviu a voz de
um homem por trás da porta e foi este quem abriu.
A pequena mulher sorriu ao reconhecê-lo. Franco dedicou-lhe outro sorriso
.
- Andrea...
que bom te ver. - o rapaz inclinou-se e deu-lhe um suave beijo em sua bochecha.
- Franco... como tem passado?... - Andrrea entrou no apartamento de Luciana e
procurou-a com os olhos, mas não tinha rastro dela.
- Bem, estou feliz que esteja bem Andy,, posso te chamar de Andy?
- Claro... e Luciana?. - perguntou enquuanto sentava-se no sofá.
- Foi com Argo até a padaria da esquina, já deve estar chegando.
Quer beber alguma coisa?...pode beber . - disse apontando para a máscara
que cobria a sua boca.
- Sim... não é necess&aaccute;rio que use aqui, mas é o
costume - sorriu e tirou e guardou no bolso.
- Esta bem, melhor prevenir. - o alto rrapaz entrou na cozinha e em minutos e trouxe
um copo de suco de laranja.
A porta abriu e em seguida uma agitada cachorra entrou e lançou-se sobre Andy.
- Hei!
Como está?- Andrea acariciou à cadela e virou-se para ver Luciana
entrando carregada de sacola. - Oi, eu te ajudo?
- Oi.. não precisa. - foi at&eaccute; a cozinha e deixou tudo encima da
pia. Voltou à sala e deu-lhe um beijo no rosto da sua amiga. - Oi de
novo.
- Lu... eu vou aproveitar e vou indo, vvou passar pra ver a Sabrina, chegou de
suas férias.
- Mas não vai ficar pra comer?- perguntou enquanto examinava o braço
da garota.
- Não, combinei com ela ontem &aagrave; noite.
- Ok, então fica para a pr&oacutte;xima - deixou o braço e sorriu-lhe
- esta bem cuidado.
- Ufff
- suspirou... era doloroso quando tinhaa que mudar o catéter.
- Andy, alegro-me que esteja bem.
- Foi um prazer falar contigo.
- Vou descer contigo - se virou para Anndrea e sorriu-lhe. - pode me esperar
um pouquinho?
- "Toda minha vida"- pensou AAndrea - sim claro. - disse por fim.
Os irmãos desceram pelo elevador e chegaram na porta.
- Franco
já sabe... me mantenha informada.
- Sim Lu... mas deve se cuidar. Aquela mulher está louca... já
te falei, quase Damián descobriu, ainda bem que eu cheguei.
- Acha que vai falar com o pai?- a moreena de olhos azuis olhou-o seriamente.
- Eu acho que está com muita raiiva, Lu, e vai fazer tudo para que as
pessoas que gosta fiquem sabendo de tudo.
- Andrea... - murmurou.
- Sim. - disse o rapaz.
- Então vou ter que ter cuidado.. - disse sorrindo.
- É fatal, Luciana, sabe disso? - abraçou a sua irmã e
despediu-se.
Andrea
tinha posto um CD no som e percorreu a casa com os olhos, entrou na cozinha
e deu uma olhada dentro das sacolas, tirou o que devia ir na geladeira e guardou.
Sentia-se bem na casa da morena, Argo a observava da porta e movia seu rabo
cada vez que Andy lhe dirigia um olhar e um sorriso.
Escutou Luciana abrindo a porta e em dois segundos depois estava lá.
Ficou olhando à pequena mulher guardando as garrafas de água na
geladeira.
- Mas,
o que está fazendo?- foi até a garota e pegou as coisas de
suas mãos.
- Só estava guardando as coisas que vão na geladeira. - Andrea
apoiou-se na mesa e baixou o olhar .- desculpa por mexer em suas coisas.
- Desculpa Andy, não quis ser brruta e se aproximou dela e levantou com
um dedo o seu queixo- é que você é convidada... não
quis ser rude.
- É que estava aqui sozinha e mee senti inútil.
- Tá, vamos terminarr de guardar isto e faremos a comida,
quer? - um sorriso apareceu em seu rosto e foi até Andy dar-lhe um novo
beijo na testa.
- Está bem. - disse Andrea enquaanto guardava as coisas que restavam nas
sacolas e tentava acalmar seu coração.
Uma hora
mais tarde estavam comendo o que juntas tinham preparado.
Andrea pegou um pouco de arroz e levou-o devagar a sua boca. Os medicamentos
e a quimio tinham debilitado seu corpo e nos últimos dias suas mãos
começaram a tremer. Luciana observou-a e depois atreveu-se a perguntar.
- Está
bem? - Luciana olhou o pálido rosto.
- Sim, é alguns dias comecei a ttremer, e liguei para o Dr. Farías
e disse-me que era normal. Seria em alguns momentos... não se preocupe
- disse olhando-a.
- Se está dizendo - Luciana &nbssp;lembrou de algo e sorriu - fiquei
sabendo que em algumas semanas será seu aniversário.
- Sim no dia 15 de fevereiro...
- Vai fazer algo?- perguntou de supet�oo.
- Não sei, talvez minha av&oacutte; e meus tios venham. Faremos uma reuniãozinha
com os mais chegados, não temos muita grana pra gastar com festa... está
convidada, e seu irmão também.
- Direi a ele. - Luciana levantou-se e recolheu os pratos. Deixou-os na pia
e voltou com um pote de sorvete - seu pai disse-me que gosta com cobertura de
chocolate.
- Eu amo sorvete- seus olhos brilharam com força. Levou-se uma colherada
à boca e sorriu-lhe.
Andrea voltou para casa só a tarde, seu pai estava limpando uns objetos decorativos do edif�cio quando ela desceu do elevador. Um sorriso iluminou o seu rosto ao vê-la. Mesmo o lenço e a máscara ofuscando sua beleza, para ele sua pequena era única. Andrea foi até onde estava seu pai e falou com ele. Vários dos proprietários alegraram-se ao vê-la, e recebeu alguns sorrisos e abraços. Já estava em casa uma semana e meia, e ainda recebia muito carinho das pessoas. Andy quase não tinha saído da casa, com medo de pegar alguma doença, coisa que não seria bom, porque estava com a imunidade baixa.
Depois do banho e de jantar, o pequeno corpo acomodou-se em sua cama e lentamente dormiu.
Cinco andares
acima, uma morena de penetrantes olhos azuis, revisava seu e-mail e tinha uma
nova mensagem de Marina.
Sempre era igual, diversas fotos delas e mensagens dizendo que ela era sua.
Que iludida!!, só uma pessoa, baixa e com ar de anjo é capaz dessas
coisas...
Luciana não podia acreditar como chegou a amar aquela mulher.
Como tinha caído em seus braços.
Luciana sorriu para si, era uma adolescente... uma estúpida e ingênua
adolescente.
Quando Luciana conheceu Marina mal tinha entrado na faculdade, quanto tempo
faz isso...alguns anos.
O patético foi que Luciana namorava Roberto... seu primeiro amor... estava
apaixonada por ele. Mas chegou Marina e a encheu de elogios e palavras bonitas
e mexeu com sua estrutura. Questionou seriamente sua sexualidade até
que chegou à conclusão de que Marina lhe atraía muito,
inclusive mais que seu namorado. Por isso quando Marina a convidou para jantar
não duvidou em aceitar. Horas mais tarde, dois corpos suados, encontravam
juntos rendidos a paixão em uma cama de hotel.
Marina
lhe ensinou muitas coisas. Caricias suaves, beijos em lugares especiais e uma
forma de fazer amor que com seu namorado nunca tinha experimentado.
Pegava muito no seu pé, Marina não lhe deixava sozinha sempre
do seu lado, tinha ficado muito possessiva e fazia muitas cenas de ciúmes.
Coisa que para uma mulher independente era demais. Uma manhã decidiu
que não podia seguir com aquilo... foi nessa mesma manhã que se
mudou e conheceu a Andrea... E no momento em que lhe dirigiu seu primeiro sorriso
e um tímido "Oi", e depois se apresentou. Sentiu algo muito
forte pela garota.
Uma semana
depois Marina saía de seu apartamento furiosa. Não gostou do fora
que levou de Luciana. "Não quero mais você", foi o que
disse.
Foi impossível não nos encontrar na faculdade, mas não
voltamos a nos falar.
Mas agora...
- Devo fazer ela parar com isso, Marina e vou fazer.
*****
Andrea
acordou vomitando muito, a sessão de quimioterapia do dia anterior tinha
acabado com seu estômago e suas forças.
Estava deitada na cama da clínica, sempre tinha que fazer ficava um dia
internada, por sorte já era hora de ir. Só voltaria ali daqui
a 15 dias e seria a última aplicação de quimio que iria
fazer.
O Dr. Farías entrou no quarto e encontrou Andrea olhando pela janela, seus olhos estavam fixos em uma nuvem que passava.
- Olá
- o médico foi ao lado de Andreaa e sentou-se na cadeira que estava ao
lado da cama, viu uma mochila apoiada na cadeira e perguntou.- É
da Luciana?.
- Sim, foi na lanchonete .. - explicou com a voz rouca.
- Ok, Andrea tenho boas notíciass para ti. - a mulher sentou-se na cama
e como de costume agora olhou para o braço com o soro.
-É sério?.
- Sim, a doença reduziu-se em nooventa e cinco por cento... acho que com
a última aplicação em quinze dias, teremos tido sucesso.-
o médico lhe deu os resultados de seus enxames seus glóbulos vermelhos
e plaquetas estão-se normalizando, isso quer dizer que está quase
curada... mas isso não quer dizer que não precise mais vir me
ver todos os meses... terá que fazer enxames mensais. E com o tempo vamos
aumentando o tempo dos enxames.Está entendendo?
- Sim, mas quando terminar tudo, podereei voltar a minha vida normal?
- Não se preocupe Andy... voltarrá a ser a mesma em alguns meses.
- é o que mais desejo... sabe dooutor... - Andrea olhou para a janela
e depois focou seus olhos nos do médico que a olhavam atentos- gostaria
de viajar para o campo por uns dias... você me libera.
- Andy, eu acho melhor esperar at&eacutte; a última aplicação...
faltam umas semanas, sei que está cansada de ficar trancada em casa.
- Sim doutor... vou ter paciênciaa. - Andrea sorriu e um suspiro saiu de
sua boca. Seus olhos dirigiram-se para a porta do quarto. Luciana entrou e olhou
para o médico com uma sobrancelha arqueada.
- Aconteceu alguma coisa?- perguntou
- Obrigada.
O médico
retirou-se e deixou-as sozinhas. Luciana pegou a mão onde tinha o catéter
e o examinou, e Andy sorriu.
Andrea levantou sua mão e apoiou-a suavemente na bochecha de Luciana.
- Oi -
Luciana pegou a mão dela e entrelaçou com a sua.
- Como está? - Andrea suspirou ee acomodou-se na cama e cruzou as pernas.
- Bem, só meu estômago quee está ruim. - Andy sorriu e se
olharam quando uma enfermeira trouxe a bandeja de comida.
- Acha que consegue comer?. - Uma caretta de desgosto cruzou o rosto da jovem.
Consentiu.
- Tentarei.
A comida
da clínica, fica melhor se estiver acompanhada.
Andrea se sentou no sofá e Luciana a seu lado, e a bandeja com a comida
estava entre elas.
- Sabe,
quando eu era menina...
- Mas ainda?... - brincou a morena.
>
- Lucy - Andy voltou a olhar pelaa janela e depois para sua amiga.- Quando
era mais pequena que agora... minha mãe e meu pai sempre �amos para o
campo nas férias... - Luciana retirou a bandeja e colocou em cima da
cadeira, Andrea sentou-se mas para trás e apoiou as costas no peito da
morena, aquilo já tinha virado um costume entre elas. Um estremecimento
correu por seus corpos ao sentir o contato com a outra.
- Está bem?- perguntou enquanto envolvia em seus braços a sua
pequena.
- Sim - disse de supet�o ao se ver abraaçada - quando terminar
isso tudo gostaria de ir para o campo.
Luciana virou Andrea e olhou-a nos olhos, o brilho que sempre tinha visto neles e que tinha apagado, começou a surgir novamente. A força dessa menina assombrava-a, provavelmente ela teria se rendido, mas sua pequena como a chamava em segredo, não... a menina era muito forte.
- Andy...
olha... quando tudo isto terminar faremos essa viagem. - sua mão livre
acariciou-lhe a bochecha. Andrea cedeu a seus sentimentos e à caricia.
Fechou seus olhos e um sorriso assomou em sua boca que estava seca por causa
dos medicamentos. Um turbilh�o de emoções correu pelo seu
corpo.
- Abraça-me... por favor. - Seu corpo em segundos foi rodeado por uns
braços longos e fortes.- Preciso que me abrace...
Um momento depois, Andrea separou-se do corpo de sua amiga, se aproximou lentamente e olhando-a nos olhos, deu-lhe um beijo suave e terno nos lábios.
- Obrigada - sussurrou. Depois levantou-se e correeu para o banheiro.
Luciana não entendeu o que tinha acontecido ali... ela ficou paralisada
no momento em que Andy foi se aproximando e sentiu os lábios dela
sobre os seus.
Andrea
encostou na porta do banheiro, seu coração batia a mil por
hora, não tinha planejado fazer aquilo, mas cedeu a seus desejos...
Tinha sido maravilhoso, oh meu Deus... - Andrea tampou sua cara com as
mãos e e um pequeno grito saiu de sua garganta.
Em segundos a porta foi aberta e Luciana entrou, em seu rosto podia se ver preocupação,
mas também um brilho em seus olhos.
- Esta
bem Andy?- Como ela é linda !!! - Andrea?
- Sim, claro.- um rubor instalou-se em suas bochechas. - Sim, estou muito bem.-
Andy sob o olhar , e depois sorri.
- Em sua resposta pode ver um toque de humor. - Vou tomar banho. E depois podemos
ir embora.
Luciana fechou a porta do banheiro e um sorriso instalou em seu rosto. Estava
apaixonada por aquela menina. Seu sorriso aumentou ao recordar que daqui uma
semana era o seu aniversário.
Lucy... essa será a sua oportunidade, aproveite.
Vestiu um jeans escuro e camiseta rosa, colocou o boné com a aba para trás. Passou um pouco de maquiagem em seu pálido rosto. E calçou os sapatos.
- Acho
que já estou uma gata - e uma careta surgiu em seu rosto quando o catéter
doeu um pouco - na próxima semana estou livre de você, brincou.
- Andy, minha filha o que foi? - a voz de seu pai a tirou de seus pensamentos.
Abriu a porta e sorriu.
- Já, estou pronta?.
Andrea
e seu pai chegaram no restaurante. O zelador levou-a para uma mesa e pediu
que se sentasse.
Andrea advertiu que a mesa era para quatro, mas eles eram só dois.
Uma mão posou em seu ombro, e uma voz cálida e musical sussurrou
em seu ouvido.
- Feliz
Aniversário - e um beijo em sua bochecha, a levou ao céu.
- Obrigada- Luciana sentou-se a seu laddo e sorriu-lhe.- Mas??
- Foi convite dela - disse seu pai meioo. Andrea ficou vermelha e baixou o olhar.
- Obrigada Lu... - Andrea olhou-a nos oolhos e viu o brilho neles. O mesmo que
tinha apreciado nos seus.
O jantar foi maravilhoso, e agora estavam na sobremesa. Andrea e Luciana tomaram sorvete e seu pai um café.
- Senhoritas
terão que me desculpar, mas eu já volto - Juan levantou-se e foi
rumo ao banheiro.
- Seria estranho se não voltassee.- disse Andrea. Comeu mais uma colherada
de seu sorvete. Luciana olhou-a e sentiu uma onda de calor ao vê-la lamber
a colher.
- Lu?? - a morena saiu de seu mundo e ccorou.
- O que? - Andrea começou a rir,, coisa que contagiou Luciana. Era encantador
vê-la rir. Enchia sua alma. - Tem sorvete no rosto.
- Tem?... onde?- Luciana passou um dedoo pela comissura da boca de Andrea. A pequena,
fechou os olhos e desfrutou da caricia. Lentamente abriu-os e encontrou-se com
os olhos de Luciana. Um sorriso aflorou em seus lábios que foi acariciado
pelos suaves dedos.
- Já tirei - disse Luciana e sorrriu em seguida - Está se sentindo
bem?
- Estou ótima Lu... obrigada - AAndrea olhou e viu seu pai retornando
a mesa e lhe sorriu.
- Bom meninas eu tenho que ir, amanh&attilde; tenho que levantar cedo.
- Não se preocupe já vamoos, só vou pagar a conta.
- Não, eu pago Luciana.
- Juan, isto foi um presente para sua ffilha. Por favor
- Então tá, obrigado.- diisse o pai.- O que vão fazer?
- Não sei talvez passear um poucco... quer?.
- Sim, a noite esta muito linda.>
Luciana pagou a conta e saíram do restaurante, Juan entrou no carro depois de se despedir delas, e foi pra casa.
Caminhavam,
e Luciana olhava Andrea a seu lado. Chegaram até onde tinha estacionado
o carro e a convidou para entrar.
Foram para o centro passaram pelo Obelisco, emblema cultural da cidade, passearam
pela zona dos teatros e cinemas. Sábado à noite a cidade ficava
mágica. Luciana pegou uma avenida que levaria até a praia e estacionou
em frente ao mar.
Caminhavam descalças deixando que a água tocasse seus pés.
A lua estava alta e brilhante, e uma suave brisa tocava em seus rostos.
- Está
mesmo uma noite linda - soltou Andrea rompendo o silêncio.
- Linda mesmo... - Luciana parou e pegoou em seu braço. - Andy?
- Luciana.- Andrea se aproximou do corppo mais alto e encarou seu olhar.
- Luciana pegou sua mão e apertoou-a suavemente. Andrea subiu a mão
e colocou em seu rosto.
- Lu... - Luciana sorriu e se aproximouu devagar. Roçou seus lábios
nos da jovem e sentiu que ela colou em seu corpo. Separou-se por um segundo
e olhou-a nos olhos. - E voltou a tocar os lábios de Andy.
- Andrea abraçou o seu pesco&cceedil;o e atraiu-a para sua boca novamente.
Luciana queria devorar à pequena, seu coração estava acelerado,
a pegou pela cintura e apertou-a contra o seu corpo.
A língua de Andrea encontrou-se com a outra com a mesma curiosidade,
uma corrente lhe atravessou os sentidos quando se tocaram.
Luciana terminou o beijo chupando o lábio inferior de Andy.
- Pelos
Deuses - exclamou Andrea.
- Está bem? - Luciana preocupou--se.
- Sim foi... foi... - Luciana come&cceddil;ou a rir e Andrea olhou-a . E Luciana
voltou a beijá-la. Quando por fim cederam às exigências
pulmonares, Andy rio e a abraçou.
- Foi muito bom.
Seguiram caminhado pela praia, mas a cada segundo paravam para se beijar.
Estavam sentadas na areia, e a morena tinha entre seus braços aquele
pequeno corpo. Sua cabeça no ombro e suas mãos entrelaçadas.
- Sabe
que no dia que me beijou na clínica, me deixou paralisada - confessou
Lucy.
- Foi? eu pensei que não tinha ggostado...
- E quando voltei ao normal já eestava no banheiro - Lucy a abraçou
mais forte - e então te ouvi gritando.
- Foi de alegria... e surpresa, achei qque nunca faria aquilo Lu, mas te olhei
e não pude resistir.
- Pois alegro-me que não ttenha resistido. - Andrea se virou e olhou-a.
Lentamente voltaram a se beijar.
Quando voltaram para o edifício, Luciana e Andrea se despediram na porta do elevador com um beijo longo e excitante.
- Andy?
- Andrea se virou - Feliz Anivers&aacutte;rio.
- Obrigada. - um sorriso apareceu em seeu rosto.
- Espero que goste de meu presente.- e a porta do elevador se fechou deixando
a Andy intrigada.
Andrea
entrou em silêncio e foi para o banheiro, tirou aquela roupa e colocou
seu pijama e foi para o quarto, acendeu a luz e quase desmaiou quando viu em
cima de sua cama um cachorrinho Boxer, com um laço rosa amarrado a seu
pescoço, e sobre sua mesa um cartão.
Cercou-se lentamente e o pegou, o pequeno cachorro acordou e bocejou mostrando
seus pequenos dentes e uma rosada língua. Ficou curiosa e se deu conta
que era uma cachorrinha.
Pegou o cartão e abriu.
Sua caligrafia enfeitava o cartão suavemente perfumado.
"
Feliz Aniversário, meu anjo.
Espero que tenha gostado de tudo, eu adorei.
Que achou de meu presente?... viu como é linda.
Espero que tenha gostado dela.
Quero-te.
Lucy"
Andrea,
encostou na cama e colocou à cachorra sobre suas pernas e, um sorriso
apareceu em seu rosto e acariciou os lábios. Recordando os beijos que
tinha dado em Luciana.
- Brisa... acho que estou apaixonada.... o que acha?- Deitou-se e colocou Brisa
do seu lado . - Sabe que você é lindinha?
Fechou
os olhos e viu Luciana.
E assim com essa imagem dormiu.
Continua...