GAROTA  DE  PROGRAMA

 

Leth Cross

 

 

Parte 7

 

 

Lori estava conversando com uma amiga, quando ouviu gritos e vozes excitadas vindo da praia. Ela estava no deck da piscina e foi até a mureta que se debruçava para a praia olhar o que estava acontecendo. Ela viu uma pequena multidão que gritava excitada, fazendo uma roda em volta de duas pessoas que estavam fazendo algo. O que estariam fazendo, dançando? Na areia?

 

 Karen, uma de suas amigas, entrou correndo no deck e veio até Lori, afobada.


-Lori! Sua filha e Geri estão lutando lá na praia! Venha!


Lori a fitou boquiaberta. Geri e Jill, lutando?! Acaso haviam enlouquecido?


-Karen... tem certeza que são elas? Euu sei que elas não se entendem bem, mas estarem lutando?!

 

-Sim, e acho melhor você ir desapatar a briga, antes que se machuquem sério! As mulheres estão incentivando a luta, apostando nas duas!


-Oh, meu deus! Que loucura! - Gemeu Loori, e saiu correndo para a praia.


Ela chegou lá rapidamente e foi afastando com empurrões as pessoas que rodeavam as lutadoras, gritando palavras de incentivo.


-Dá nela, Geri! Eu apostei em você!


-Jill, reaja! Ataque! Ataque!


-Isso, Geri! Muito bem! Dá outro!>


Lori conseguiu passar pelas expectadoras e parou, assustada com o que via. Jill e Geri se embolavam no chão, trocando socos. Geri montou sobre Jill e com uma mão a pegou pelos cabelos, imobilizando o rosto dela, e com a outra mão, deu três bofetadas no rosto de Jill, que gritou esperneando.

 

Jill encheu a mão de areia e jogou no rosto de Geri. Ela soltou Jill, colocando as mãos no rosto e Jill aproveitou, empurrando-a para trás com as mãos e girando o corpo, fazendo Geri cair de lado, libertando-a. Jill se ergueu rapidamente e deu um violento chute em Geri, atingindo-a nas costelas. Geri gritou de dor e rolou para longe, fora do alcance dos chutes de Jill. Mas a loura a seguiu, e quando deu outro chute, dessa vez Geri pegou seu pé com as mãos e o torceu. Ela deu um berro de dor e caiu no chão.


Lori saiu do seu estupor e correu, se postando entre as duas, gritando:


-Parem! Parem com isso! Enlouqueceram?? Parecem duas selvagens!


Jill tentou se levantar, mas gritou de dor quando tentou se firmar no pé, com a dor aguda que sentiu no tornozelo. Ela caiu sentada na areia, falando com raiva impotente:


-Essa cadela quebrou meu tornozelo!Nãoo posso me levantar! Ela aleijou-me!


-Cale a boca,Jill! Pare de drama e me explique a razão dessa cena deprimente! - Disse Lori, furiosa.


-Foi ela quem começou! - Disse Jill, aapontando para Geri, que se levantava lentamente, fazendo uma expressão de dor, com as mão nas costelas esquerdas.


Lori se voltou para Geri, que estava agora sem a máscara da mulher-gato, que havia sido arrancada por Jill, e a fantasia rasgada na gola, que abrira um rasgão no decote que mostrava grande parte do colo de pele perfeita.


-Ela está mentindo, Lori - Disse Geri,, com expressão de dor - Ela quem começou, me agredindo covardemente por trás.

 

-Como foi isso? - perguntou Lori, sabendo que Geri não fantasiaria a verdade, como Jill.


-Eu... estava conversando com Jade aquui e Jill chegou. Começamos a discutir e Jade foi embora. Jill começou a ofender-me, mas quando notou que eu não lhe dei atenção e já me havia voltado de costas para retirar-me, ela me deu um chute nas costas, fazendo eu cair no chão. Então ela montou sobre mim e começou a atacar-me.


-Essa cadela está mentindo! - Gritou JJill, com voz esganiçada - ela estava aqui tentando seduzir minha mulher! Ela mereceu o chute que dei!


-Jade não é propriedade sua! - Geri diisse, entredentes.

 

Lori as interrompeu, batendo palmas para chamar a atenção das pessoas que assistiam curiosas a troca de acusações das duas mulheres.


-Pessoal, vamos sair daqui! A festa é lá em cima, no deck da piscina e no salão! Chega de confusão!


As pessoas começaram a se retirar, fazendo comentários entre elas. Lori esperou o local se esvaziar e olhou para as duas mulheres. Ambas estavam com as fantasias rasgadas, sujas de sangue e machucadas.


-Bem, vou chamar um médico para atendeer vocês - Disse Lori - Discretamente, é claro. Já chega o espetáculo que deram. Eu apelo para o bom senso de vocês, para acabarem com essa briga ridícula.


-Mande-a embora, Mãe! - Pediu Jill, appontando para Geri com olhar cheio de ódio.


-Cale a boca, Jill! -Disse Lori, perdeendo a paciência - Já fez besteira demais hoje, para ainda querer ser atendida em suas vontades!

 

Lori chamou dois empregados, que carregaram Jill para dentro da casa, pois ela não podia andar. O tornozelo havia inchado e ela nem podia encostar o pé no chão. Geri foi andando amparada por Lori. As suas costas e as costelas doíam a cada movimento mínimo, quase a fazendo gemer pela dor aguda e forte que sentia. Estava desconfiada que havia quebrado alguma costela com o chute que recebera de Jill.


O médico chegou meia hora depois e após um rápido exame nas duas, deu o veredito:


-Vão precisar ir na clínica bater chappas de raio X. Não posso afirmar se quebraram algum osso ou não, sem as radiografias dos ossos do tornozelo da senhorita Jill e das costelas da senhorita Geri.

 

Elas foram levadas para a clínica na ambulância que trouxe o médico. Geri foi atendida primeiro, pois o quadro dela era mais complicado. Ela teve a ajuda de uma enfermeira para despir a fantasia, e a enfermeira olhou para o corpo perfeito de Geri, só na tanga de cetim negro, com evidente admiração. os seios de tamanho médio, alvos, com os bicos rosados eretos, os ombros largos se afinando na cintura, o abdômen com a musculatura definida, as coxas fortes e as pernas longas. As únicas máculas naquele corpo belo eram as marcas roxas nas costelas e nas costas, dos chutes de Jill.

 

-Que corpo lindo... meus parabéns - Disse a técnica que tirou as chapas.


Geri sorriu forçadamente. Mal podia respirar com a dor e o elogio não a alegrou em nada.

 

Geri tirou as radiografias e ficou esperando o resultado em uma sala, deitada numa cama. O médico veio minutos depois e deu o diagnóstico:


-Felizmente você não quebrou nenhum ossso.


-Mas doutor, e essa dor insuportável? Mal posso respirar!


-O golpe que recebeu atingiu nervos e músculos, que estão lesionados. Essa dor vai passar quando o hematoma desinchar. Isso vai levar uns dias. Durante esse período, deve evitar se movimentar muito, deve repousar. Vou passar um anti-inflamatório para diminuir a dor e acelerar o processo de recuperação dos tecidos.


-Não vai engessar meu tronco?


-Não, é uma área que não pode ser ingeessada devido ao movimento da respiração. Mas você pode usar um colete ortopédico para ajudar a proteger a área.


-Ah, não, doutor! Colete não! Eu vou tter cuidado, vou repousar, mas não me faça usar colete!


Ele riu, achando graça da expressão de pânico de Geri.


-Tudo bem, se prefere assim. Então vouu mandar a enfermeira pelo menos enfaixar o local, para proteger sua ida para casa. Eu vou ver agora o resultado das radiografias da outra moça. Com licença.

 

O médico saiu e veio a enfermeira, com um pacote com a bandagem elástica e larga, para para ser colocada em seu tórax. Ela a fitou sorrindo.


-Vamos lá, senhorita Gleese. Pronta paara ser envelopada? -brincou a mulher.


Geri suspirou. Pronta ou não, tinha que aceitar a bandagem. Maldita Jill!

 

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Jade estava já deitada, tentando dormir. Mas não conseguia. Seu pensamento estava tomado por Geri. Maldição! - Pensou, se voltando na cama - Por que não parava de pensar nela? Geri a enfeitiçara, só podia ser! Também, quem não ficaria enfeitiçada, vendo aquele mulherão vestida de mulher-gato? Aqueles olhos azuis realçados pela máscara negra, aquela boca sensual, aquele queixo forte, que dava vontade de mordiscar...aquele corpo provocante, que o pvc colante da fantasia moldava...

 

Estava ficando excitada só em pensar nesses detalhes da anatomia de Geri. E aquele beijo? Quase havia desmaiado de emoção!Ah, que beijo! O melhor beijo que recebera na vida! Aquela boca deliciosa sugando a sua...


O telefone celular sobre a mesinha de cabeceira tocoualto, quase fazendo ela dar um pulo pelo susto. Olhou para o despertador digital. Quem era a pessoa que ligava para ela à uma da madrugada?!

 

Pegou o telefone, o abriu e viu o número, reconhecendo de quem era. Jill! Aquela maluca! Pensou em não atender, mas a curiosidade falou mais alto.


-Alô, Jill! Isso é hora de telefonar?!! - Reclamou.


-Eu preciso falar com você, Jade! Acabbei de chegar de uma clínica, estou com o pé quebrado e toda machucada! - Disse Jill, com voz lamentosa - E você sabe bem quem fez isso em mim!

 

-Eu?! Nem imagino! - Disse Jade, revirando os olhos, irritada.


-Não se faça de inocente! Você sabe muuito bem que foi Geri quem fez isso! Aquela louca, marginal! Ela atacou-me e me agrediu covardemente!

 

Jade ouviu uma voz ao fundo pedindo o telefone a Jill, a moça berrando que não, e instantes depois, a voz ofegante de Lori falou, nítida:

 

-Oi, Jade! Dê um desconto no que Jill falou! Em primeiro lugar, ela não está com o pé quebrado, apenas seu pé foi torcido e está com o tornozelo com os ligamentos luxados! E isso porque deu um chute em Geri e ela se defendeu pegando o pé dela e torcendo. Jill é minha filha, mas sou justa e gosto da verdade. Jill quem começou tudo.


Jade sentou na cama, espantada e com o coração aos saltos.

 

-O quê?! Como foi isso?!


-Jade, quando você saiu, as duas se peegaram na praia! Pelo que me contaram, Jill deu um chute nas costas de Geri, jogando-a no chão. E então se embolaram numa luta feroz. Foram me chamar e as encontrei emboladas no chão como cães raivosos! Fiz com que parassem, mas as duas já haviam se machucado bastante. Tiveram que ir para uma clínica fazer exames.


-Como Geri está, Lori?


Jade não pôde disfarçar a preocupação em sua voz.

 

-Bem, ela levou um chute de Jill nas costelas e mal pode se movimentar, de tanta dor. Jill a atingiu nas costas e nas costelas abaixo do seio esquerdo. Ela vai ter que ficar em repouso pelo menos dez dias.


-Oh! Isso tudo aconteceu por minha cauusa, Lori! Sinto muito! - Disse Jade, arrasada.
-Não se desculpe pela loucura alheia, Jade! Jill e Geri é que deviam ter pensado antes de se comportarem como animais lutando pela posse da fêmea!

 

-Mas eu fui o motivo disso, Lori. Estou sentindo-me mal com o que aconteceu.


-Não se culpe e vá dormir, Jade. Eu voou tomar um drinque e cair na cama. A festa acabou e o melhor é não pensar mais nisso. Jade, desde o começo falei que iria ser neutra na relação de você e Jill. E mantenho o que disse. Eu sei muito bem como Jill é difícil de ser aturada, com esse egocentrismo dela. E a culpa é minha, que a mimei além da conta. Abri os olhos tarde demais.

 

-Bem, Lori, vou tentar dormir. Boa noite.


-Boa noite, Jade.

 

Jade desligou e ficou pensativa, fitando um ponto ignoto. Geri estava machucada. Por causa dela. Sentia -se culpada, mesmo depois das palavras de Lori.


Ela só conseguiu dormir quando o dia começava a amanhecer. Passara horas pensando no que havia acontecido, sem abandonar a sensação que era sua culpa. Não devia ter saído daquela forma, deixando-as irritadas. Se tivesse sido mais diplomata, levando Jill para dentro de casa, a briga não teria acontecido. E Geri não estaria agora com dor, machucada numa cama.

 

Pensou então que por nenhum instante havia pensado em como Jill estaria. Isso era uma indicação que não podia ignorar. Ela apenas se preocupava com Geri, porque ainda estava apaixonada por ela. Jill não significara em sua vida nada mais que uma táboa de salvação, uma tentativa de esquecer Geri. Uma tentativa que não dera certo.

 

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Deitada no sofá da sala, Geri estava de péssimo humor. Havia passado uma noite de cão, cada vez que se movia apenas para tocar de posição na cama, sentia uma dor lancinante nas costelas. O médico havia explicado que a dor era dos músculos lesionados, que se moviam com a respiração. Estava tomando anti-inflamatório para a inchação e dor, mas ainda assim doía bastante.


Geri pensou que aquilo era castigo por ter pensado em trair a memória de Chelsea. E o modo de Jade, depois que a beijara, a havia decepcionado. Ela achava que iria usá-la, que estava apenas disputando-a com Jill para ter o prazer de a vencer! Não acreditava em suas intenções!


Mas caiu em si, dando razão à Jade. Quais eram suas intenções com Jade? Nem ela sabia! Havia agido pelo impulso, pelo ciúme que havia sentido de pensar em Jade se entregando para Jill.


-Sua idiota- Murmurou - Encare a realiidade! Você está com ciúmes de Jade! Você a deseja para você! Não se engane mais, querendo arranjar uma desculpa para o que sente!Você apenas está tentando manter sua promessa a Chelsea que nunca colocaria alguém no lugar dela. Só isso.

 

Chiquita entrou na sala, interrompendo seus pensamentos.


-Senhorita Gleese, a senhorita Jade Noorton está aí e quer falar com você. Posso mandá-la entrar?


Geri sentiu seu coração dar um salto. Jade, ali!

 

-Faça ela entrar, Chiquita - Disse, com voz contida.


Chiquita saiu para atender sua ordem e Geri se sentou lentamente, fazendo uma careta de dor. Será que estava apresentável? Não havia penteado os cabelos, estava apenas de pijama leve, blusa e short de algodão azul.


Jade entrou, olhando-a hesitante. Estava linda! Cabelos curtos bem cuidados, vestida com discreta elegância com calça branca, blusa preta sem mangas e sandálias.


-Olá, Geri - disse ela, com voz receossa - Estou incomodando?


Geri recostou na almofada, colocando os pés sobre um puf de couro marron.


-Olá, Jade, sente-se - Disse, indicanddo a poltrona em frente - E não está incomodando.


Jade se aproximou, não podendo deixar de reparar nas coxas fortes de Geri e nas pernas compridas. Maldição, Jade! - Pensou - Controle sua libido!Mas essa mulher é uma tentação! Que pernas!


Ela sentou e estendeu um pacote de papel celofane prateado.

 

-Trouxe bombons para você - Disse - Gosta? São de chocolate suiço, recheados com amêndoas.

 

Geri sorriu, sentindo seu mal humor se esvair. Pegou o pacote e colocou sobre a mesinha ao lado.


-Adoro chocolate, mas não precisava see incomodar. Quando a minha empregada a anunciou, eu pensei que tinha vindo brigar comigo porque bati na sua mulher.


Jade enrubesceu vivavente e retrucou:


-Geri! Como pensa mal de mim! Então, aachou que eu vim tripudiar sobre uma pessoa que está machucada e indefesa?

 

-Bem... o que eu deveria ter pensado? Que você veio aqui porque está solidária comigo, contra sua mulher?


-Geri, Jill não é minha mulher!Nunca ffoi! E ontem, minha paciência com ela acabou. Você viu o que eu disse à ela. E não vou voltar atrás.


-Acabou mesmo? Então, você já fez uma boa coisa. Porque Jill não serve para ninguém que tenha um pouco de amor próprio e bom senso.


Jade a fitou nos olhos e suspirou.


-Eu sei... logo que a conheci percebi que era uma garota mimada e se achando o centro do universo, mas não achei que fosse tão egocêntrica e agressiva. Lamento o que houve, Geri. Sinto-me culpada por você estar aí machucada. Eu não devia ter saído e deixado vocês duas sozinhas. Mas eu estava magoada e com raiva de você. Perdoe-me, Geri.


Geri sentiu seu coração derreter, com as palavras de Jade.


-Hei... não há nada a perdoar... você tinha toda razão de pensar que eu estava disputando você com Jill só para vencê-la. Eu já ofendi você tantas vezes... como poderia ainda acreditar em mim?

 

-Eu queria tanto saber o que pensa, Geri... eu vim aqui para isso. Quero dizer, para ver como está e para saber por que fez aquela cena comigo, escondendo quem era, me cantando... qual era seu objetivo, Geri? Eu gostaria de saber o que  queria comigo.

                                                              

Geri a encarou nos olhos. Jade viu sinceridade neles e angústia.


-Jade...eu gostaria de ser objetiva coom você e poder respoder suas perguntas sem hesitação, dando à você uma idéia clara do que sinto e pretendo com você. Mas não sei essas respostas. Tudo que sei é que senti ciúmes de você com Jill. Fiquei arrasada quando vi sua foto no tablóide com ela. Eu não sei o que se passa comigo. O que posso dizer é que amei muito Chelsea, e no leito de morte dela, ela me fez prometer que ninguém ocuparia o lugar dela no meu coração. Eu passei anos cumprindo essa promessa. Mas desde que eu conheci você, eu tenho fraquejado. Eu pensava muito em você e fiquei com medo do que sentia. E por isso a afastei de minha vida.

 

-Oh, Geri! Não faça isso com você mesma, se dê a chance de ser novamente feliz! - disse Jade, comovida - Se você me quiser, eu farei tudo que puder para você ser feliz!


Geri desviou o olhar.


-Não é tão simples assim, Jade.


-Por que não? Você se sente atraída poor mim, eu por você, por que não tentamos?


Geri falou sem fitá-la:


-Jade...você até dois meses atrás era uma garota de programa. Eu... não posso arriscar-me a ter sexo com uma pessoa de risco.


Jade sentiu como se tivesse levado uma bofetada. Se ergueu, olhando para Geri, que não a encarava, de olhos baixos.


-Você tem nojo de mim, não é, Geri? Deesculpe ter vindo aqui, sujar seu ambiente tão puro. Acho melhor você jogar esses bombons fora, podem estar contaminados. Adeus.


-Jade! Espere! - Gritou Geri.


Ela não respondeu. Saiu em passadas apressadas, quase correndo.

 

Jade chegou em casa e se jogou na cama, chorando copiosamente. Sentia-se humilhada, rebaixada, indigna de poder ter alguém que a amasse. A mulher por quem era apaixonada, a havia considerado uma pessoa de risco para a saúde! Como se fosse um lixo, uma barata!Isso era por causa que ela era uma idiota, sempre desculpando Geri de suas grosserias! mas ela iria ter o troco!

 

Subitamente sorriu com a idéia que teve.

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No dia seguinte, Jade ligou para o seu genicologista e marcou uma consulta. Foi trabalhar normalmente e Lori a procurou no estúdio, onde tirava fotos para a campanha da marca de roupa. Ela havia terminhado uma sequência de fotos, quando Lori chegou, trazendo um copo de café, sorrindo para ela.

 

-E aí, garota? Você e Geri se entenderam? - Perguntou baixinho, sentando ao lado dela numa cadeira de lona.


Jade a fitou pegando o copo e tomando um gole.

 

-Obrigada, Lori. Adivinhou, eu estava louca para um café. E respondendo sua pergunta, não quero nem ouvir falar nela! Geri foi muito grosseira comigo, e fez-me ver que eu tenho que esquecer que ela existe!


-Oh! Sinto muito, Jade. Pensei que voccês iriam finalmente se entender, depois que ficou livre de Jill.

                                 

-Eu, entender-me com Geri? Nunca mais, Lori! E Jill, como está? Melhor?


-Reclamando como o diabo, por estar coom metade da perna e pé imobilizado, andando com muleta. Mas ela vai ficar boa dentro de 15 dias. Geri que deve estar pior, com as costelas luxadas. Eu liguei para ela hoje e ela disse-me que você esteve ontem na casa dela. E Jade... ela disse que estava muito triste por ter ofendido você sem querer.

 

Jade sentiu o sangue esquentar seu rosto, de raiva.


-Isso já virou uma mania em Geri: ofennder e depois se desculpar. Geri é como um morcego, morde e assopra! Lori, eu agradeceria muito à você se não tocasse mais comigo no nome dela! Eu quero riscar Geri de minha vida! E se você falou com ela hoje, por que me perguntou se eu havia me entendido com ela?! Estava me sondando, para ela?


-Não, Jade!... desculpe-me... eu... - Disse Lori, enrubescendo.


-Deixa para lá - Disse Jade, respiranddo fundo - Vocês são amigas, e sei que nessas situações, as amigas ajudam a outra a se acalmar, pescando notícias. E você é mãe de uma delas.


-Volto a dizer que estou neutra nisso,, Jade. Nossa amizade continua, você ficando ou não com Jill.


-Obrigada, Lori. Você é uma pessoa inccrível.


-Chega de fofocar e vamos ao trabalho - disse o diretor sorrindo.

 

-Lori, só uma pergunta: pode indicar-me um bom genicologista? Quero fazer um exame preventido de mama.

 

-Ah, eu tenho uma excelente genicologista. Vou lhe dar o telefone, para marcar uma consulta.


-Ela terá uma vaga para hoje?


-Não sei, ela tem muitas clientes. Mass tente, às vezes acontece uma cliente adiar a consulta.


-Vou tentar.

 

Lori a fitou preocupada.


-Está sentindo alguma coisa?


-Umas pontadas, quero ver se está tudoo bem - Mentiu.

 

-Deve ser os hormônios. Já senti isso e não era nada.


-Espero que sim, mas vou fazer o examee, tem mais de um ano que não faço.


Lori deu o número do telefone e Jade ligou. Deu sorte, uma cliente havia desistido da consulta e ela foi encaixada no lugar.


Ela saiu mais cedo do trabalho, foi em casa, tomou um banho e se vestiu. Dez minutos antes das três da tarde chegou ao consultório luxuoso e a recepcionista fez sua ficha no computador. Ela se sentou na sala de espera e pegou uma revista para se distrair.


Pouco depois a assistente da médica veio chamá-la.


-Senhorita Jade, pode entrar.


Jade entrou na sala e a médica se ergueu, olhando-a sorrindo. Era uma mulher alta e magra, com belos expressivos negros e cabelos curtos castanhos.


-Olá, senhorita Norton, sente-se - Dissse ela indicando a cadeira.

 

Jade se sentou na cadeira, sorrindo para a mulher. Ela era uma morena atraente, e se seu gaydar estava correto, ela devia ser gay.


-Obrigada, doutora Davies.<


-O que está errado, senhorita Norton?<


-Doutora, eu quero fazer um exame prevventivo e um exame de aids.


A doutora a fitou surpresa.

 

-Um exame de Aids? Por que, teve sexo sem proteção com alguém de grupo de risco? Ou usa drogas injetáveis partilhando a seringa?


-Não, doutora... mas era uma garota dee programa alguns meses atrás, e quero ter certeza que estou saudável.


-Oh...tudo bem... quero que tire a rouupa e coloque um roupão. Pode se despir ali atrás daquele biombo. Minha assistente a ajudará a se colocar depois na mesa genicológica.


A doutora saiu da sala e Jade foi se despir atrás do biombo. Vestiu o roupão e quando saiu detrás do biombo, a assistente já a esperava. Ela pediu a Jade que deitasse na cama e a instruiu como se posicionar.


Jade subiu na cama e deitou, chegando seus quadris para a borda e colocou os pés nos estribos frios de metal. Ela odiava fazer exame genicológico. A pessoa ficava numa posição vulnerável e suas partes íntimas completamente expostas para uma pessoa estranha, além da expectativa ruim de ser invadida por um objeto.

 

Mas a doutora veio e foi de uma delicadeza exemplar. Ela se sentiu aliviada, a doutora a examinou rapidamente, e colheu o material com um tanta delicadeza, que Jade quase não sentiu nada. Ela fez exame em seus seios, apalpando-os todos, e Jade a fitou curiosa. Os olhos da doutora encontraram os seus e ela enrubesceu e sorriu, descendo a mão pela sua barriga até o baixo ventre, apertando.


-Doi aqui? - Perguntou ela.>


-Não - Respondeu Jade, achando o olharr da doutora meio perturbado. Interessante...


-E aqui? - Perguntou ela, apertando o outro lado.


-Não.


Ela recuou, tirando as mãos.


-Acabei o exame, pode sair da cama e iir vestir-se, senhorita Norton. Mary, retire sangue dela para exame de aids.

 

Depois de vestir-se e ter seu sangue retirado, Jade voltou à sala. A doutora a olhou sorrindo, fazendo anotações em sua ficha.


-Sente-se, senhorita Norton.


-Jade. Trate-me por Jade- Disse ela, ssentando e cruzando as pernas. O olhar da doutora caiu sobre suas pernas por um instante e ela enrubesceu.


-Ok, Jade. Pelos exames que fiz, não pparece ter nada errado. Mas vamos esperar o resultado dos exames para ter certeza. Vou marcar sua consulta para vir saber dos resultados para dentro de cinco dias, quando os exames devem estar prontos, ok?


-Tudo bem, doutora Davies.<


-Ellen .

 

-Huh? - Fez Jade, sem entender.


-Trate-me por Ellen. Se vou tratá-la ppor Jade, o tratamento tem que ser recíproco, não acha?

 

Jade sorriu, enrubescendo. Era engraçado flertar com uma mulher que já havia conhecido ela totalmente, no físico, em suas partes mais íntimas.


-Tudo bem, Ellen. Então, dentro de cinnco dias, já posso ter os resultados? Eu trabalho para Lori, foi ela quem me indicou você. Ela certamente me liberará para vir.


-Trabalha para Lori? - Perguntou a méddica, surpresa.


-Sim, e também sou amiga dela.


-Ela é uma boa amiga minha. Bem, Jade,, eu a espero aqui dentro de cinco dias.


Ellen sorriu, estendendo a mão.


-Até lá, Jade.

 

O aperto de mão foi suave e Jade gostou do toque daquela mão quente e macia. Ergueu-se e se despediu:


-Até lá, doutora.


Jade saiu e foi para casa.


A doutora Ellen pegou seu celular e ligou para Lori. Ela atendeu na terceira chamada.
-Ellen! Há quanto tempo, hein? Nem veiio à minha festa de Halloween!


-Estava em um congresso, Lori.


-O que conta de novo?


- Lori, que belo pedaço de mulher vocêê mandou consultar comigo! Quase tive um ataque do coração, quando vi aquela mulher linda entrar em minha sala!


Lori riu.


-Está interessada? É contra a ética prrofissional, ter um romance com paciente.


-Eu sei, mas essa mulher faz qualquer um sair do sério! Ela é livre?


-Completamente, my dear!- Riu Lori.

 

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Cinco dias depois, Jade voltou ao consultório da doutora Ellen e a recepcionista a informou:

 

-A doutora vai falar à senhorita os resultados dos exames. Aguarde um pouco, ela vai atendê-la após terminar a consulta com a paciente.


Jade sentou, aguardando. Dez minutos depois uma mulher saiu da sala da doutora e sorriu para a recepcionista.

 

-Até a próxima vez, senhorita Julia.- Ela disse.

 

-Até lá, senhora Haggar.


A mulher saiu e a recepcionista levantou e abriu a porta para Jade.


-Entre, senhorita.


Jade entrou e viu a doutora Ellen anotando algo numa ficha. Ela ergueu os olhos e sorriu radiosamente.


--Senhorita Norton! Queira sentar-se, por favor. Julia, pegue os resultados dos exames da senhorita Norton, por favor.

 

A recepcionista saiu para atender o pedido e Jade sentou diante da doutora, que a fitou sorridente, tirando o o´culos que usava e guardando no bolso do jaleco.

 

-E então, Jade? Tudo bem?


Jade sorriu.


-Isso quem vai confirmar é você, doutoora.


-Vamos ver isso agora. Mas pelo que euu percebi, você parece ótima.


Jade enrubesceu.

 

A recepcionista voltou, com três envelopes na mão. Estendeu para a doutora.


-Aqui está, doutora Ellen.<


-Obrigada. pode sair, Julia - disse a doutora, pegando os envelopes.


A moça saiu e fechou a porta. A doutora olhou para Jade.


-Você prefere que eu leia os resultadoos para você, ou você mesma os vê e apenas me pede esclarecimentos sobre o que não entendeu?


-O que você normalmente faz, doutora EEllen?


-O que a paciente escolher. Muita gentte prefere ler elas mesmas, outras preferem que eu fale. Mas depois, eu sempre entre go o resultado à paciente.


-Pode ler, doutora. Estou tranquila quue estou bem.


-Bem, vejamos... - disse ela,colocandoo o óculos e abrindo um envelope. Leu em silêncio e pegou o outro, sem mudança de expressão. Leu o segundo atentamente, depois o colocou de lado e pegou o terceiro. Leu o resultado e o colocou junto com os dois, olhando para Jade e sorrindo abertamente.


-Está tudo bem, Jade. Os exames de Aidds e de doenças sexualmente transmissíveis deram negativos, e o de hemograma também deu tudo normal, parabéns.


Jade sorriu feliz.


-Uuuffa, que bom! Eu tinha quase certeeza que estava tudo bem, mas é bom esse "quase" ser completamente certa!


-É uma ótimo resultado para mim tambémm, Jade . Porque se você tivesse algum problema, seria errado eu dizer que não posso ser mais sua médica. Mas com tudo bem, eu a dispenso como minha paciente.


-Dispensa? Por que? - Perguntou Jade, erguendo as sobrancelhas surpresa.


-Por que não sendo minha paciente, eu a posso convidar para jantar.

 

Jade riu, achando engraçado o modo com que a doutora fez o convite.


-Hummmm doutora, está mesmo convidandoo-me para jantar?


-Exatamente, e eu não sendo sua médicaa, não estou infringindo a ética que me proíbe me relacionar com meus pacientes. Aceita o convite?


-Aceito com muito prazer, doutora...


-Desde esse momento, para você sou apeenas Ellen, e você para mim apenas Jade, uma mulher encantadora e linda.


Jade riu.


-Tudo bem, Ellen... acho que vou gostaar muito desse jantar. Quando quer que aconteça?


-Hoje seria possível? Não quero esperaar muito. sou muito ansiosa.


-Hoje? Tudo bem...onde?


-Dê-me seu endereço e eu a irei buscarr às oito da noite.


-Você tem meu endereço na minha ficha..


-Os endereços dos clientes ficam no coomputador de minha secretária. Não quero pedir à ela.


-Ok. Meu endereço é Melrose Place, 1.5551.


-Estarei lá às oito em ponto - Disse aa doutora, anotando em um papel. Ela a fitou com um grande sorriso.


Jade se ergueu, sorrindo.


-Tenho que ir. Preciso ainda tratar dee um negócio ainda hoje.


A doutora deu à ela os envelopes com os resultados dos exames e sorriu, abrindo a porta para ela.

 

Jade saiu dali e foi direto para um serviço de entregas rápidas.

 

Oito horas em ponto uma Mercedes prateada parou diante da casa de Jade e a doutora Ellen desceu, dirigindo-se para a porta da casa e apertando a campainha.


Jade veio abrir e sorriu ao ver a médica elegante em um terninho cinza, com um buquet de rosas vermelhas para ela.


-Olá, Ellen! Entre um pouco. Essas rossas são para mim? Que lindas! - Disse, verdadeiramente deliciada com o gesto delicado.


-Rosas para uma flor.


Jade pegou as rosas e se afastou para ela entrar. Ellen passou por ela e entrou na sala, olhando em volta. Era uma sala não muito grande, mas decorada com bom gosto e acolhedora. As paredes em tom pastel e os móveis marrons escuro davam um toque de classe.


-Aceita beber algo? - Perguntou Jade, indicando o pequeno bar no canto da sala.


-Não, Jade. Eu reservei mesa e não poddemos demorar muito.


-Estou bem para onde vamos? - Perguntoou Jade, insegura.

 

Ellen olhou a vestido preto simples, mas elegante, e assentiu, sorrindo.


-Está linda, Jade, e muito elegante. <

 

-Então, vamos, Ellen. Você também está muito bem.

 

Saíram e Ellen abriu a porta do carro para ela, como um homem com sua namorada. Jade adorou ser objeto de tanta delicadeza, isso era inédito para ela.

 

PARTE 8                                                       

 

 

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