FEITIÇO GREGO
A.L. Benner
Parte IX (Final)
A morena montou a égua e ajudou Mariana a subir na garupa. Não seria confortável para ela ir ali, mas Kristin foi conduzindo o animal devagar.
Mariana viu que ela contornou a propriedade de sua tia e depois seguiu pela estrada que o Sr. Petrakis usava quando iam de jipe.
"Pode se segurar em mim... se quiser." � Kristin disse, sentindo o nervosismo da lourinha atrás de si.
Demorou alguns segundos até sentir os braços indecisos circundarem-na. Estavam tímidos de início, para depois de algum tempo apertarem-na devagar até que ela sentiu o pequeno corpo encostar-se deliciosamente ao seu.
Elas cavalgaram devagar até a sede da fazenda. Mariana sentia-se envolta de novo por aquela magia, ali abraçada à mulher que amava. Sorriu deliciada ao sentir a mão livre de Kristin segurar seus braços e lhe acariciar.
Quando já estavam chegando perto dos estábulos, ela de repente lembrou-se de Eleftheria e soltou rapidamente de Kristin.
"O que foi?" � Kristin parou a égua e virou-se para trás.
"N-nada. Só lembrei de..."
"Não se preocupe. Ela não está mais aqui." � a morena respondeu.
Elas chegaram ao estábulo e desmontaram.
"Vou tirar a sela de Tami. Pode me esperar?" � Kristin perguntou.
"Claro." � Mariana respondeu com um sorriso.
Ela ficou ali, olhando o céu muito claro daquela manhã inesperada. Pela porta do estábulo, viu Kristin levar a égua para dentro e começar a tirar a sela. Viu os movimentos precisos dela, as mãos de dedos longos e os braços fortes de quem está acostumada a fazer aquilo. A blusa justa apertava-lhe as costas e deixava que Mariana visse os músculos torneados que se contraíam conforme ela se movimentava.
Mariana sentiu a garganta ficar seca e instintivamente caminhou até onde a morena estava. Foi andando devagar e Kristin soube que havia chegado o momento da união. Voltou-se, pois sua magia, sua intuição, lhe disse que Mariana estava a centímetros de si. Aquela boca e aquele corpo que tanto desejava estavam prontos para receber todo o amor que tinha para oferecer.
E o encanto formou-se naquele instante: tudo aconteceu conforme estava escrito. Partiu de Mariana o primeiro ato de união: ela não se segurou e beijou Kristin. Beijou-a com sofreguidão e amor; com saudade e urgência. Não pensou no que poderia acontecer; que Kristin poderia rejeitá-la e qualquer possibilidade futura terminar ali mesmo. Não pensou em nada.
Kristin enlaçou-a e trouxe a pequena loura para junto de si. Deixou que a boca dela explorasse a sua e entregou-se àquele beijo que tinha desejado tanto. Sentiu a língua macia procurar a sua; sentiu os lábios urgentes a lhe oferecer todo o amor de uma vida, toda a ternura que um beijo é capaz de representar.
Ficaram abraçadas enquanto o sol nascente se espremia entre as tábuas do estábulo, jogando raios de luz sobre as duas.
"Mariana... eu quis tanto isso!" � Kristin balbuciou ofegante, beijando todo o rosto dela, abraçando-a forte para ter certeza de que a tinha nos braços de verdade.
"Eu também, mas... tive tanto medo!" Agora sei o que significou o oráculo da Sra. Chalandri. De alguma forma eu sei! Cheguei a achar que estava enlouquecendo, por que nunca me senti atraída por uma mulher, mas estou destinada a você e você a mim! É isso, não é?" � Mariana falava, incrédula com a força das próprias palavras.
"Sim, meu amor! É isso! Nossa união é eterna e esta é apenas uma etapa a mais que estamos vivendo."
A respiração delas estava alterada ainda. Dessa vez o beijou ficou mais urgente, mais ávido. Queriam-se, precisavam-se. Suas bocas se procuravam como que para recuperar o tempo de alguma forma perdido. Os olhos de Mariana estavam escuros de desejo. Entre suas pernas, ela percebeu finalmente que nunca fora fria, pois agora sabia quem era capaz de deixá-la excitada, de fazê-la sentir-se mulher.
"Venha!" � Kristin pegou-a pela mão, saindo do estábulo e indo em direção à sede.
Entraram na casa e Kristin conduziu-a para um quarto diferente do seu.
"Esse quarto não é o seu." � Mariana observou.
"Agora é. Eu mudei de quarto há três semanas. Mandei reformar dois dos quartos de hóspedes que ficavam lado a lado e fiz um apenas, maior e mais confortável. Mudei toda a mobília também."
Mariana parou no corredor, olhando para ela.
"E por quê fez isso?"
"Porque, se você me quisesse, eu jamais a levaria para a mesma cama que compartilhei com Eleftheria." � Kristin respondeu, entrelaçando seus dedos nos dela e chegando mais perto.
"Compartilhei"? Vocês...?"� Mariana sentiu seu coração disparar de novo.
"Sim, nós terminamos. Eu não poderia mais ficar com ela sentindo o que sinto por você, Mariana. Não seria honesto da minha parte. Mesmo que você não me quisesse. Ela se foi. Está morando com uma irmã em Galatsi ." (região norte de Atenas)
Mariana atirou-se nos braços dela e beijou-a como se disso dependesse sua vida. Ela se entregou naquele beijou; quis sentir Kristin de todas a formas.
"Eu cheguei a sonhar com isso." � a morena disse, levando-a para o quarto.
*******
Enfim a união se completou. As mãos de Kristin deslizaram pelas costas de Mariana e desabotoaram o sutiã. Caminharam devagar sob o tecido macio e encontraram os bicos rijos dos seios dela. Mariana sentia o desejo pulsar entre suas pernas. Fechou os olhos. Em sua primeira vez com Kristin, apenas deixou-se levar por ela. Estava nas mãos daquela mulher, pertencia a ela e era ali que queria passar toda sua vida.
"Eu a quero, Mariana!" � Kristin murmurou, já não se contendo.
"É tão bom ouvir isso." � ela respondeu.
Mariana sentiu que era despida e percebeu os seios de Kristin deslizarem sobre os seus. O toque dos bicos enrijecidos fez todos os pêlos de seu corpo se eriçarem em resposta. Os mamilos duros pareciam duas brasas a queimar-lhe a pele. Virou-se e encarou aqueles olhos magnéticos que agora estavam semicerrados de desejo. Ficaria ali por toda sua vida, tinha certeza agora.
A morena desceu seus lábios devagar e beijou-a com sofreguidão. Seu único desejo era ficar ali, naqueles braços quentes que a envolviam e buscavam com vontade. Queria deixar sua marca naquela pele e foi fazendo isso devagar, beijando com carinho cada pedacinho de pele clara que ia aparecendo sob a roupa. Amaria Mariana de uma forma única e definitiva, para que ela soubesse o que era o seu amor; o que ele representava e o quanto era dela.
Já estavam nuas sobre a cama desfeita e a simples menção de se afastar uma da outra fazia seus corpos reclamarem mais intimidade. De olhos fechados, deixavam que o toque guiasse as mãos, as bocas, o desejo árduo e intenso que as conduzia. Kristin quis tocar sua amada com delicadeza, com devoção; para dar a ela a certeza do seu desejo. Queria que Mariana sentisse a força com que a amava e a queria como sua; como desejava e queria lhe oferecer todo o prazer possível.
As mãos hábeis desceram pelo abdômen reto da lourinha e chegaram aos pêlos macios. Sentindo Mariana ofegar, Kristin desceu os dedos devagar, contornando os lábios molhados. Tocou por fora, dando voltas sem pressa, para depois entrar na carne macia. A pele úmida e convidativa cercou seus dedos e ela sentiu Mariana se oferecer por inteiro. Percebeu a umidade latejante impregnar sua mão e entrou mais. Moveu-se para dentro e para fora e os gemidos da lourinha em seus ouvidos a enlouqueceram. Viu nos olhos verdes que Mariana queria mais, queria muito. A primeira vez dela com uma mulher era uma entrega total e absoluta. Não se conteve e tocou-a fundo e com mais pressa.
Os gemidos de Mariana ecoavam pelo grande quarto e ela se deixava penetrar e pedia mais. Sentir Kristin "realmente" dentro dela a fazia enlouquecer. Sentia o movimento de sua mulher entre suas pernas e se entregava. Perdeu o fôlego por alguns instantes quando Kristin desceu os lábios até seu ventre e beijou com voracidade os pêlos alourados antes de tomá-la com força em sua boca. Foi como se um choque a atingisse. Kristin não tirou os dedos e não parou os movimentos. Foi mais rápido, passou a língua, mordeu, explorou e sentiu na boca a pele suave, docemente feminina. Sentiu o cheiro de Mariana e se deliciou quando ela levantou os quadris para ir de encontro à sua boca. Ficou nela por minutos infinitos, tornando-a mulher; sua mulher.
Estava tão excitada que sabia, mesmo sem estar sendo tocada, acompanharia Mariana em seu prazer quando esse chegasse para ela. E ele chegou. Mariana percebeu algo acontecendo, vindo, se agigantando dentro dela. A boca e os dedos de Kristin já não a acariciavam devagar. Agora eles a engoliam, devoravam, tinham o ritmo frenético da busca incansável, da agonia deliciosa que se apossava daquele pequeno corpo se entregando e vibrando com o prazer que se aproximava. Entravam e saiam dela na mesma velocidade em que sua respiração ficava mais curta, buscando pelo ar que lhe faltava. Quando Kristin pegou-a de novo com os lábios, com força, simplesmente se deixou ficar. Em seu sexo, no ponto em que a boca de Kristin a aprisionava de forma tão precisa, uma centelha se acendeu subitamente, sem aviso. Sem controle sobre seu corpo, Mariana se agarrou aos cabelos de sua mulher e explodiu. Por um instante foi alçada a um outro lugar, desconhecido até então. Tremeu e se contraiu toda naquela boca; queria prolongar cada infinito milésimo de tempo em que se tornava mulher. Agora de verdade. Na noite fria das colinas gregas, gritaram de prazer o nome uma da outra.
Fim
A todas que apreciam minhas histórias, meu muito obrigada! Se quiserem comentar, criticar, sugerir, fiquem a vontade e me escrevam: [email protected]
Ana Luísa Benner
17/12/2006