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AMOR
ACIDENTAL
Capítulo 13 “Dois por
cento de crescimento não é o que esperava quando o empreguei para este
posto”, Ronnie disse, seus olhos se lançando do relatório ao seu
nervoso gerente. O agudo som do
telefone tirou um fulgor dela. É melhor que isto seja malditamente
importante, para arruinar uma mastigação perfeitamente boa . “Com
licença”. Ela alcançou para
o telefone antes que o aborrecido som pudesse ser ouvido outra vez. “Quem?
Verônica Cartwright... bem, onde está Rose? Por que você está atendendo meu
telefone? Bem... coloque ela na linha”. Olhou o homem
sentando a sua frente. “Isto é
tudo por agora. É melhor que eu veja números mais altos no próximo
quadrimestre”. Voltou sua atenção de novo ao telefone. “Maria? O
que aconteceu?”. Susan caminhava
pelo corredor até a sala de Ronnie em busca de sua secretária quando viu sua
irmã sair a toda velocidade pelo corredor e se dirigir às escadas.
“Ronnie, o que está acontecendo?”. “Não posso
falar agora. Tenho que ir”. A porta se abriu e ela desapareceu, os
passos golpeando o metal das escadas. A ruiva entrou no escritório de sua
irmã. “Margaret,
o que aconteceu aqui?”. “Não sei,
Sra. Cartwright. Rose me ligou para que viesse cobri-la por alguns minutos
enquanto ela ia entregar algo na contabilidade, mas quando cheguei aqui já
havia saído. Assumi que ela talvez não
pôde esperar, mas não a vi desde então. A coisa mais estranha é que Wendy
ligou há alguns minutos procurando-a”. “Quer dizer
que Rose não apareceu na contabilidade?”. “Não. Eu ia
procurá-la, mas a governanta da Srta. Cartwright ligou e parecia
verdadeiramente transtornada. A transferi
para a sala de conferencias. Depois a Srta. Cartwright veio correndo
aqui, pegou sua bolsa e saiu. Não me disse uma palavra. A senhora quer que eu
continue aqui?”. “Não, tudo
bem. Pode voltar a sua mesa agora. Fecharei tudo aqui. Não acho que elas
voltem hoje”. Uma vez que sua
secretária saiu da sala, Susan olhou através dos papéis na mesa de Rose.
Vendo uma pasta do Porshe, a abriu. O recibo na parte superior ainda tinha
marcas onde pelo visto haviam caído lágrimas. Estranho, não me lembro dela me
dizendo nada sobre estar num... “Oh, meu
Deus”, sussurrou. “Não”. Sentando-se na
cadeira, virou o computador e entrou digitando sua identificação. Abriu o
arquivo do pessoal e comprovou as datas do recibo. “Oh
Ronnie”. As peças se encaixavam nos lugares e estava certa que Rose o
havia calculado facilmente também. Pensou em ligar para a casa de Ronnie, mas
decidiu ao invés disso ir até lá. Se o que estava pensando era o que havia
acontecido, sua irmã estava necessitando dela. xxxxxxxxx
“Que você significa, com não saber aonde a deixou? Quantas
mulheres com gatos vocês levam diariamente?... Bem, pode pelo menos me dizer
se era um hotel ou um terminal de ônibus? Você pensa que era um hotel? Alguma
idéia de qual? Você foi de muita ajuda, obrigada”, disse
sarcasticamente, quando desligou bruscamente o telefone. “Não sabem ou
não querem dizer. Malditas e inúteis companhias de
táxis”! Levantou o olhar para ver sua irmã parada ali. “O que
está fazendo aqui?”. “Pensei que
poderia precisar de ajuda”. Ela puxou a cadeira adjacente e assentiu
com um movimento da cabeça quando
Maria se dirigiu para a cafeteira. “Vi os papéis do Porshe na mesa de
Rose. Ronnie, tenho que lhe perguntar. O acidente...”. “Era
eu”, Ronnie respondeu tristemente. “E você
nunca lhe contou”. “Não”. “Então
agora ela descobriu sozinha e decidiu lhe deixar”. “É o que
parece”, Ronnie suspirou, olhando fixamente o telefone. “Ela veio
aqui, empacotou algumas roupas, pegou Tabitha e foi embora”. “Talvez ela
só precise de um pouco de tempo para pensar sobre isso”. “Eu diria que
ela já está pensando sobre isso”. Passou seus dedos através de seu
cabelo. “Ela se foi, Susan. Ela... ela me deixou”. “Ronnie,
ela voltará. Vocês duas se amam”. “Ela pensa
que menti para ela”. “Você
mentiu”, a Cartwright mais jovem disse. “Ronnie, você tem que ver
que ela está transtornada sobre isto. Você a atropelou e mentiu sobre isso.
Não posso acreditar que guardou esse segredo. Como pensou que ela reagiria
quando descobrisse? Especialmente depois que vocês duas... você sabe...
tornaram-se amantes”. “Não posso
ficar sem ela, Susan”. Seus olhos caíram na cadeira vazia que
somente umas horas atrás estava
ocupada por Rose comendo seu desjejum. “Necessito dela”. Olhou o
telefone outra vez. “Quantos hotéis pode haver em Albany? Maria
traga-me a lista telefônica”. “Eu vou
ajudar. Onde está a outra linha telefônica?” Disse Susan. “No
escritório. Pergunte primeiro se recebem animais domésticos. Isso deve
eliminar a maioria deles”. Quarenta e cinco
minutos após ligar para hotéis, nenhum sinal apareceu de sua querida Rose.
Ronnie estava muito transtornada e frustrada, quando Susan saiu com um pedaço
de papel em sua mão e um sorriso triunfante em seu rosto. “Tentei
pensar como ela. Sabe que ela se preocupa sobre dinheiro. Comecei ligando
para os motéis mais baratos e u-la-lá, a encontrei”. Ronnie pegou o
pedaço de papel e olhou. “O Barcade? Esse motel cheio de baratas no
centro?”. “Deve ser o
motel mais barato de Albany que permite animais”, Susan disse. “Tenho que
ir vê-la”. “Ronnie,
espere”. Susan colocou sua mão no ombro de sua irmã. “Talvez
devesse ligar e falar com ela por telefone primeiro. Você está transtornada,
ela está transtornada. Talvez uma confrontação cara a cara não seja tão boa
idéia. E se chegar ali e ela não desejar falar com você?”. “Falará comigo”,
Ronnie disse. “Por que não o faria? Rose é uma mulher razoável. Tenho
certeza que uma vez que lhe explique o que aconteceu, ela me perdoará e
voltará para casa, onde ela
pertence”. “Espero que
seja assim”, Susan respondeu, não completamente convencida que sua irmã
tivesse razão. xxxxxxx Ronnie lançou seu
carro no estacionamento cheio de buracos. Do assento de motorista, viu a
envelhecida e decrépita construção. A suja pintura cor creme estava levantada
em vários lugares e a metade do nível superior faltava o corrimão. As mofadas
portas e janelas quebradas
acrescentavam o sabor de motel barato. Ronnie estava certa que poderia
conseguir que Rose fosse para casa com ela. Estava a ponto de entrar na
recepção, quando viu uma familiar gata alaranjada saltar dentro de uma das
janelas do nível superior. Rose saltou com a
barata que viu sair fugindo do
banheiro. Ela ligaria amanhã e encontraria outro lugar para ficar. Toc toc. “Rose?” A voz de Ronnie a
assustou. Não esperava enfrentar sua amante tão rápido. Pegando sua bengala
caminhou através do manchado tapete e parou atrás da porta, pressionando sua
testa contra o frio metal. “Vá embora,
Ronnie”, disse suavemente. “Rose, por
favor, me deixe entrar. Precisamos conversar”. “Por favor,
vá para casa. Estou muito bem”. “Você não
está bem. Se estivesse bem, estaria comigo em casa”. A maçaneta da
porta se moveu de um lado a outro, mostrando a frustração da executiva por
falar através da porta de aço. “Amor, por favor, me deixe entrar para que possamos
conversar”. “Não há
nada o que dizer, Ronnie. Vá para casa. Você
não tem que se preocupar. Não vou lhe processar ou fazer qualquer
outra coisa”. “Processar?”
A maçaneta da porta se moveu outra vez. “Rose, me deixe entrar. Não
estou preocupada sobre se você vai me processar. Vamos, doçura. Precisamos
conversar”. “Então
fale. Posso lhe ouvir”. Rose sabia que não podia abrir a porta. Ela
estava à ponto de chorar com tudo isso e ver Ronnie seria mais que suficiente
para lhe empurrar sobre a beira. “O que você deseja dizer-me?”. Um longo
silêncio. “Desejo dizer que a
amo. Que quisera que você viesse para casa comigo e que conversemos
sobre isto. Por favor, Rose, sinto muito por ter lhe mentido”. “Lamenta
por ter me mentido ou lamenta por eu ter descoberto?”. Fechou os olhos.
“Por favor,... Apenas vá para
casa, Ronnie”. “Não posso
ir sem você”. Rose deu uma
palmada contra a porta. “Você...
você era meu cavalheiro em armadura
brilhante, você sabia. Realmente pensei que você havia vindo me resgatar para
a vida, como uma verdadeira
Cinderela”. Ela não se incomodou em limpar as lágrimas que
corriam por seu rosto. “E todo esse tempo você estava só tentando se proteger. Que boba
eu fui”. “Não...
Rose, você não entende”. “O que eu
não entendo? Você me atropelar, mentir sobre isso, me fazer pensar que tudo o
que você fazia era bondade de seu coração, então você deixou que eu me
apaixonasse por você”. Rose bateu seu punho contra a porta. “Maldita
você, Ronnie! Maldição! Por que deixou
que eu me apaixonasse por você?”. Os soluços se negaram a ser retido, e
ela se derrubou no chão. “Por favor, vá embora Ronnie. Não há nada o
que dizer”.Ela abraçou seus
joelhos contra seu peito e chorou. “Rose, por
favor”! A jovem mulher se negou a responder,
inclusive quando a petição foi repetida várias vezes. Finalmente Ronnie se
foi, seus passos ressoando contra a madeira, trazendo ainda mais dor ao
coração da jovem mulher. Rose se lançou nas mantas desgastadas da cama e chorou, em um sono agitado.
“Não saiu
de sua sala em todo o dia”, Margaret respondeu. “Você está
ainda recebendo todas suas ligações?”. “Exceto...”. “Eu
sei”, Susan agitou sua mão descartando. “Maria ou Rose,
correto?” Balançou sua cabeça e se dirigiu para a sala de Ronnie. Margaret saltou imediatamente. “Sra.
Cartwright, não acho que ela queira ver ninguém”. “Oh não,
Margaret. Ela quer ver alguém. Só que não sou eu”. Com isso, alcançou a
maçaneta da porta. “Eu
não...”. Ronnie começou, parando quando viu quem era. “Susan, eu
estou muito ocupada”. “Ocupada
fazendo o que? Escondida em sua sala e trabalhando até o
esgotamento?”Ela fechou a porta
e parou diante da mesa de sua irmã. “Ronnie, não pode continuar
assim”. “Não comece
a brincar de mamãe galinha comigo. Não estou com humor para isso”. “E o que
planeja fazer? Ficar nessa depressão? Já se olhou no espelho
ultimamente?”. A tensão havia
tomado seu lugar em Ronnie. Os
círculos escuros debaixo de seus olhos eram uma testemunha da falta de sono.
Seu rosto estava sem cor, o seu cabelo dado somente o mais distraído cuidado.
A mal-humorada mulher havia começado a passar a noite em seu escritório,
achando sua casa vazia demais para suportar. Susan reconheceu a roupa de sua
irmã como uma que mantinha no closet do escritório para as emergências. “Venha à
minha casa hoje e jante conosco, Ronnie”, ela pediu. “Sabe que
Jack e os meninos amariam lhe ver”. “Não. Tenho
coisas a atender aqui”. “Ainda
nenhuma palavra de Rose?”. “Ela deixou
o Barcade há uma semana e se registrou no Maverick. Trocando uma merda por
outra”. Ronnie esfregou seu rosto com as mãos. “Deve ter deixado
instruções com o encarregado da recepção
para não passar nenhuma ligação. Eles sempre anotam os recados,
mas ela não retorna minhas
ligações”. Susan assentiu,
tendo já conhecimento desse fato graças às freqüentes ligações telefônicas a
Maria. “Terminou
de tentar falar com ela outra vez?”. “Qual
adianta?” Ronnie suspirou. “Fiz isso duas vezes e ela inclusive não me abriu a porta”.
Enterrou sua cabeça em suas mãos. “Só se mantém me dizendo que vá
embora”. “Irmã,
odeio dizer isto, mas talvez você
devesse considerar partir para outra.” Ronnie levantou a
cabeça e deu a sua irmã uma olhada de total desespero. “Não posso Susan. Não entende que ela
é tudo para mim?” Uma lágrima rolou
por seu rosto. “A
necessito como preciso do ar ou da água. Sinto-me tão vazia sem ela”. Desviou sua
cabeça de maneira irada limpando as lágrimas que pareciam se formar tão
facilmente durante a última semana. “De que vale tudo isto?”. “Humm?”
Susan não entendia a pergunta. “De que
vale tudo isto?” Gesticulou nos relatórios e papéis sobre sua mesa.
“Que vale os lucros, benefícios
, as relações, se não há ninguém que vala a pena para dividir isto? De que
serve a reputação e o status precioso dos Cartwright, se a única mulher que necessito na minha
vida nem fala comigo?”. “Ronnie,
você está falando como uma louca agora. Sabe tão bem como eu que este negócio
tem que sobreviver e fazer dinheiro”. “Para que?
Para que possamos alguns mais zeros em
nossas contas bancárias?” Ela levantou e olhou pela janela. “Isto
não significa qualquer coisa sem ela”. “Verônica?”. Ronnie limpou seu rosto com sua mão antes de
se virar para ver Beatrice parada na porta. “Estava no centro fazendo algumas
compras e espero que vocês meninas me acompanhem para almoçar”. Entrou
e fechou a porta. “O que aconteceu com sua amiga? Pensei que ela havia
substituído Laura”. “Foi
embora”, Ronnie disse sem dar detalhes. “Estou muito ocupada para
almoçar hoje, mamãe, talvez Susan possa
ir com você”. “Bem, não é
nada importante, eu suponho”. Sentou-se no sofá. “Então a mulher
que você tentou ajudar foi embora? Eu havia
podido dizer-lhe que ela não
trabalharia”. Olhou sua filha mais jovem. “Essa gente não entende
que trabalhar duro é tudo. Apenas querem se sentar e recolher o cheque.
Suponho que a registraram para o desemprego, para que tire mais do bolso de
sua irmã”. “Rose não é
assim, mamãe”, Susan a defendeu. “Ela não saiu daqui porque não
gosta de trabalhar. Há outras
razões”. “Não há
desculpas para deixar um trabalho bem pago, exceto pura malandrajem. Está em
seu sangue”. “No sangue
de quem, mamãe?” Ronnie saltou. “No pobre lixo branco do qual
você ama falar?”. Suas mãos agarraram o respaldo de sua
cadeira, os nós dos dedos ficaram brancos pela tensão . “Estou certa de que há gente assim,
mas Rose não é uma delas. Ela é boa e
honesta e daria sua última moeda de dez centavos para ajudar outra
pessoa”. “Verônica...”
O tom de Beatrice era baixo, a advertindo. “Não. Já
tive o suficiente. Você fala mal de todo mundo que não é um sangue azul como
nós. Rose nunca, jamais fez algo para ganhar sua aversão, no entanto a trata
como uma bastarda nas reuniões familiares”. A ponto de explodir de cólera, Ronnie deixou
soltas as palavras que se negavam a ser escondidas mais tempo. “Não me
importa o que você pensa, mamãe, eu amo Rose e não permitirei que fale mal
dela, me entendeu?”. Susan deu um
passo atrás, certa de que sua mãe e irmã estavam a ponto de ter uma batalha
real de palavras. Nunca nenhuma delas havia resultado enfrentar sua mãe e
agora Ronnie acabava de anunciar seu desafio a um dos temas de maior tabu.
Beatrice ficou tensa e franziu os lábios. “Pensei que
este assunto havia sido resolvido há vários anos atrás ou você se esqueceu da
promessa que fez a seu pobre pai?” A matriarca estava agora parada diante
da mesa de Ronnie, suas mãos apoiadas sobre a superfície de mogno.
“Você jurou a ele que havia terminado com essas idéias
pervertidas”. A tensão de
perder Rose esgotou com qualquer tato ou moderação que Ronnie pudesse haver
tido. “Você
pensou que me dizendo para não amar a
mulheres faria desaparecer em mim esses sentimentos? Não é assim.
Vocês dois me forçaram a prometer isso não se importando como eu me sentia. O
que está tão mal em amar outra mulher?”. “Verônica,
pense sobre sua posição por um minuto”. “Foda-se minha posição!” Ronnie empurrou sua
cadeira e deu um passo adiante, observando que Susan rapidamente se colocou
entre elas. “Enfrente isso, mãe. Sua filha mais velha é uma lésbica!.
Você não pode mudar isso, assim é melhor aceitar. Rose é minha amante e
deixarei tudo o que tenho para ficar com ela”. Baixou sua voz, o sério
tom mortal. “Incluindo minha família”. “Talvez
este não seja o melhor momento para se falar sobre isto”, Susan disse,
tentando dirigir sua irmã mais velha para longe de sua mãe. “Não,
Susan”, Beatrice se erissou. “É óbvio que sua irmã decidiu jogar
fora tudo o que seu pai e eu trabalhamos por todos estes anos”. “Por que é
tão difícil para você aceitar?” Ronnie gritou. “É minha
vida”! “Mamãe, não
há razão para que ela não possa continuar fazendo um bom trabalho dirigindo a
companhia e ser assim” .Disse Susan. “De que
lado você está?”. A matriarca se virou para sua filha mais jovem.
“Não me diga que aceita isto, que Jack aceita isso”. “Não
podemos decidir a quem Ronnie ama, mamãe”. Susan respirou profundamente
e olhou para sua irmã mais velha. “E sim, Jack e eu aceitamos
Rose”, ela acrescentou. “Não posso
acreditar nisto”. Aproximou-se do sofá e pegou sua bolsa. “Pensei
que depois da morte do pobre Tommy você tivesse percebido o que pode
acontecer quando escolhe sair com a
pessoa incorreta. E o que você pensa que os acionistas sentirão sobre
isto?”. “Não é
assunto dos malditos acionistas com quem estou dormindo”, Ronnie falou
de maneira firme. “Eles não podem me expulsar do escritório”. “Você não
controla sozinha os interesses, Verônica. Não se esqueça disso”. “Na
realidade, mamãe”, Susan interveio. “Com as ações de Tommy
distribuídas entre nós, temos cinqüenta por cento das ações. Tudo o que
precisamos é que Frank, Michael, ou John vote conosco e teremos o controle
dos interesses”. “Então é
assim?” Os lábios de Beatrice estavam franzidos, sua frustração era
obvia. “Bem. Se Verônica deseja estragar sua
vida e você está disposta a lhe ajudar, que seja assim. Chamarei um táxi do andar
de baixo”. Saiu furiosamente do escritório, deixando as irmãs sozinhas
outra vez. “Isso foi
produtivo”, Ronnie suspirou quando se afundou em sua poltrona.
“Finalmente a enfrentei e isso nada importa, porque Rose foi embora de
qualquer maneira”. “Sabe que
isso não é o final de tudo, não sabe?”, disse Susan. “Garanto que
vou encontrar uma mensagem em minha máquina quando chegar em casa”. “Eu sei,
irmã. Sinto que tivesse que ficar no meio disto”. Pegou sua caneta, o
presente que fazia com que seu coração doesse ainda mais por sua querida
Rose. “Ronnie...
quer que eu tente falar com Rose?”. “Acha que
poderia fazer alguma diferença? Não quer falar comigo”. “Não acho
que possa fazer nenhum mal”. Susan disse. “Faria um
trato com o diabo se pensasse que poderia fazê-la falar comigo outra
vez”. Levantou o olhar a sua irmã. “Por favor. Se você pensa que
há algo que possa fazer ou dizer, para fazê-la entender como me sinto,
faça-o”. “Em
que motel ela está?”. “O Maverick
no centro. Cerca de oito milhas à
oeste do Arcádia”. “Aquele que
está quase na linha da cidade de Schenectady, não? O que coloca todos esses
chamativos enfeites de Natal cada ano?”. “Esse é o
lugar”. “Irei falar
com ela, mas precisa me contar o que realmente aconteceu aquela noite.
Ela merece saber a verdade completa,
não só o que esses papéis que encontrou lhe disseram”. Ronnie hesitou,
mas depois assentiu em acordo. “Eu havia saído do
Sam’s...”.
“Aqui está,
doçura”, Rose disse quando colocou o prato de comida enlatada embaixo
para Tabitha. Depositou a lata vazia no lixo, justo quando ouviu umas batidas
na porta. “Quem é?”. “Susan
Cartwright”. “Humm...”
Rose olhou pelo olho mágico, verificando se a ruiva estava sozinha.
“Não estou realmente de humor para companhia neste momento”,
disse suavemente. “Rose, é
falta de educação deixar alguém parado do lado de fora da porta”. “Mas...”
Contra a vontade tirou a corrente e a tranca. Abriu a porta. “Susan, se
isto é sobre Ronnie...”. “Claro que
é sobre Ronnie”, a ruiva disse quando entrou no quarto. “Minha
irmã está aflita e você nem sequer lhe dá a oportunidade de se explicar. Olá,
Tabitha”. “Mrrow”. “Não há
nada realmente que dizer, não é?”. “Diga-me
você”. Susan sentou-se numa cama e indicou para que a jovem se sentasse
na outra. “Ela mentiu
para mim”. “Sim,
ela fez isso... sobre o acidente. Não
sobre o que sente por você. Há uma diferença”. “Como pode
qualquer coisa que se constrói sobre
uma mentira ser verdadeira?”. Rose levantou-se e mancando se aproximou
do minúsculo refrigerador para pegar uma garrafa de água. “Uma vez
mais, ela mentiu sobre o acidente.
Todo o resto é verdade, Rose. Seus sentimentos por você são verdadeiros e
você tem que saber disso”. “Sei que
sente algo”, a jovem mulher respondeu depois que voltou a seu assento. “Se você
pudesse vê-la, saberia que sente mais que algo”. Estendeu sua mão e
pegou a mão de Rose. “Escute-me, estamos falando sobre minha irmã aqui.
Eu a conheço. Ela não é do tipo de gente que brinca com os sentimentos das
pessoas, e especialmente com os seus próprios”. Susan a soltou e baixou
o olhar. “Rose, isto a está matando. Não come, não dorme, nada lhe
importa agora”. “Isto não
está sendo um piquenique para mim também”, ela confessou. “Então, por
que não ir e não falar com ela? Vamos, Rose. Pense nisto por um minuto. Se
tudo o que ela queria fazer era cobrir
suas pegadas, então por ela ficou
visitando-a no hospital? Por que ela apenas não a deixou lá e sumiu, deixando
que apenas eles se preocupassem em cuidar de você?”. “Não sei...
talvez ela se sentisse culpada”. “Diga-me
Rose, quando vocês duas... você sabe... ela demonstrava que sentia
alguma culpa?”. “Não, claro
que não”. “Então, por
que você assume que tudo o que ela
fazia vinha da culpa?” Susan sorriu por dentro com o
confuso olhar na cara de Rose. “Se fosse só culpa, não teria aberto sua
casa para você. Não teria ido tão longe no que fez para cuidar de você. Olha,
eu sei que você está muito magoada, mas tem que olhar o quadro inteiro.
Ronnie a ama”. “Como acha
que posso perdoá-la?” A jovem mulher perguntou, sua voz quebrada pela
emoção. “Já se foram seis meses, e ainda não posso caminhar sem dor.
Tenho cicatrizes”. “Vê
isto?” Susan enrolou sua manga até revelar uma pequena cicatriz branca
próxima de seu cotovelo. “Ronnie e eu estávamos correndo em nossas
bicicletas e ela tocou a minha, me fazendo cair. Fraturei meu cotovelo e tive
que passar o verão com um gesso. Ainda não posso esticar este braço
completamente e cada vez que vai chover dói. Você acha que eu não deveria
tê-la perdoado por isso?”. “Claro que
não. Foi um acidente”, Rose disse. “Exatamente.
Foi um acidente quando provocou que eu caísse de minha bicicleta e foi um
acidente quando lhe atropelou com seu carro”. “Não é a
mesma coisa, Susan”. “Não é?
Diga-me, Rose. Acha que ela tentou a atropelar com seu carro de
propósito?”. “Não”. “Então, foi
um acidente, correto? Inclusive se era sua culpa, continua sendo um
acidente”. Moveu-se na cama, tentando encontrar um lugar onde as molas
não tentassem se empurrar através da delgada manta. “O que você lembra sobre aquela noite?”. “Não
muito”, Rose admitiu. “Tentava chegar em casa e alguns homens
começaram a me perseguir. Lembro de correr através do parque e depois
sobre a Madison. A seguinte coisa que
me lembro é de acordar no hospital”. Susan assentiu,
os acontecimentos se encaixavam com a descrição de sua irmã. “Você saiu
correndo pela esquina ou no meio da rua?”. “Acho que
foi pelo meio, nevava, não sei”. “Ronnie
disse que ia na Madison quando você precipitadamente
saiu por dentre alguns veículos estacionados. Disse que não houve maneira de
parar a tempo”. “Então por
que inventou a história de resgatar-me
depois do acidente?”. “Ela tomou
um pouco de vinho no jantar e se preocupou que a prendessem por dirigir
alcoolizada. Sim, ela mentiu para se
proteger, mas assegurou-se de que cuidariam de você. Tentou fazer as coisas
responsavelmente, Rose. Tem que lhe dar crédito por isso”. “Foi um
acidente”, a jovem mulher sussurrou. “Se não tivesse
bebido...”. “De
qualquer maneira ela não poderia ter
evitado. Se estiver procurando um culpado, culpe os homens que lhe estavam
perseguindo”. “Mas por
que ela não me disse a verdade depois?”. “O que
aconteceu quando você descobriu a verdade, Rose?”. A mulher jovem olhou
para seu colo. “Eu a deixei”. “Não lhe
deu a oportunidade de se explicar, deu?”. Aproximou-se da mulher que
considerava sua cunhada. “Rose, o acidente não foi culpa dela. Ela pode
ser culpada de ter se calado , mas não de algo mais. Você ama Ronnie?”.
“Você pensa
que ela lhe machucaria de
propósito?”. “Não”. “Então, por
que a está castigando por algo que ela não tinha controle? Deixe-me lhe levar
para casa, Rose”.
Ronnie estava no
sofá, o pingente que havia dado a Rose no Natal estava em sua mão. Não havia
recebido notícias de Susan e a executiva temeu que a intervenção de sua irmã
não tivesse tido efeito em Rose. As lágrimas caíam livremente, molhando suas
mãos com as salgadas gotas. O som da porta de correr abrindo-se atraiu sua
atenção até a cozinha. Quando viu Susan entrar na sala sozinha, o coração de
Ronnie se oprimiu. Abriu sua boca para falar, mas não havia nada a dizer. Ela
fôra procurar Rose e ela não voltara. “Ronnie?”. “Tudo bem,
Susan. Sei que você fez o possível”. Olhou fixamente o pingente.
“Ela... disse qualquer coisa?”. “Ela disse
muitas coisas, mas talvez seja melhor se você mesmo perguntar à ela”.
Foi então que a porta de correr se fechou, alertando Ronnie que Susan não
estava sozinha. “Ela está
aqui?” Levantou-se e rapidamente limpou as marcas das lágrimas em seu
rosto. “Ela está aqui?” Ela à
toda velocidade passou por sua irmã e entrou na cozinha, sem esperar uma
resposta. Rose só teve
tempo de deixar Tabitha no chão, antes que se encontrasse presa nos fortes braços de Ronnie. A bengala caiu
barulhentamente no chão, quando a alta mulher a fez girar dando voltas, e a
abraçando de maneira apertada. “Você está... me esmagando”. “Oh,
desculpe”. Ronnie rapidamente deixou sua amante no chão e recuperou sua
bengala. “Èstá... bem...apenas”. “Tudo
bem”, Rose disse, esticando seu braço para pegar a mão maior. Estava
surpresa de ver uma expressão tão extenuada no rosto de Ronnie. Ela percebeu
que a separação havia sido tão dura para sua amante quanto havia sido para
ela. “Também senti sua falta”. “Por favor,
não vá embora outra vez”, Ronnie rogou. Ela não havia tentado soar tão
desesperada, mas o pensamento de não ter a mulher loura em sua vida era
demasiado para suportar. “Farei qualquer coisa... só não vá
embora”. “Não posso
prometer isso”, Rose disse tristemente, afastando-se e apoiando a mão
contra o balcão. “Tenho perguntas, Ronnie. Precisamos conversar”. “Acho que
isso é o sinal para eu me ir”, Susan dirigiu-se dentro de sua posição
no arco entre a cozinha e a sala de estar. “Irmã, tire a mala de Rose
do meu carro”. Os olhos de
Ronnie não deixaram de olhar sua amante. “Com certeza... volto em
seguida, OK?”. “Estarei aqui”,
a jovem mulher respondeu suavemente, dando um tênue sorriso. A executiva
contra vontade abriu a porta de correr e saiu. Susan se aproximou e colocou
sua mão no ombro de Rose. “Vai ficar bem?”. “Sim”,
assentiu, dando uma volta para ficar de frente para a ruiva.
“Obrigada”. “Rose, sei
que ela lhe magoou, mas não se esqueça como você pode facilmente a magoar também. Seja suave com minha irmã.
Ela a ama muito”. Quando Ronnie voltou, Susan se despediu e saiu. Quando ficaram
sozinhas, um incômodo silêncio caiu sobre as amantes. Estavam na cozinha
perdidas em seus próprios pensamentos e medos. Tabitha se meteu na cozinha e
distinguiu facilmente a negra calça de Ronnie. “Mrrow?”
Esfregou-se contra sua alta dona e começou a ronronear. “Hei”.
Agachou-se e pegou a feliz gata. “Como você está? Esteve cuidando bem
da mamãe?”. “Sabe que
ela sentiu sua falta?”, Rose disse, movendo-se um par de passos mais
para perto. “Ela miava e ficava olhando a porta”. Baixou o olhar
ao chão. “Também chorei”, acrescentou somente. Ronnie desceu
Tabitha ao chão e fechou o resto da
distância entre elas, justo quando os lábios de Rose começaram a tremer.
“Eu me sentia como em um
horrível pesadelo, do qual não conseguia acordar”. Os braços de Ronnie
a rodearam justo quando a mulher jovem se derramou em lágrimas. “Tudo bem,
amor, estou com você”. Sustentou Rose fortemente, temendo que se a
soltasse ela desapareceria.
“Quer sentar no sofá e conversar?”. “Claro”,
a jovem mulher enxugou o nariz. “Se você quiser”. “O que você
quiser fazer, Rose. Se preferir se sentar na mesa...”. “Não, no
sofá seria agradável”. O quarto de motel não tinha um sofá... Bem,
tinha um, não que tivesse se sentido
segura de sentar-se sobre ele. As mãos apoiadas nas costas uma da outra, o
casal entrou na sala de estar. Rose pegou sua costumeira almofada no extremo
enquanto Ronnie vacilou, então se sentou no extremo oposto, ao invés do meio.
Para sua surpresa, a jovem mulher deslizou para ocupar a almofada vazia.
Ronnie tomou isto como um bom sinal e colocou a mão no joelho de Rose. “Eu a amo,
Rose”. “Eu
sei”. Respirou profundamente e olhou dentro dos olhos azuis que
freqüentavam seus sonhos. “E eu também a amo. Não teria voltado se não
a amasse”. “Desculpe
por ter mentido para você. Gostaria que tivesse alguma maneira que eu pudesse
reverter isso.” “Faria algo
agora?”. “Qualquer
coisa”. “Diga-me o
que realmente aconteceu”. “Rose, isto
está no passado. Porque não pode...”. Foi silenciada pelo dedo de Rose
sobre seus lábios. “Porque
preciso saber o que aconteceu”, interrompeu. “Por favor, Ronnie.
Você me deve a verdade”. A executiva
assentiu e engoliu em seco. “Aconteceu muito rápido”.
Sacudiu sua cabeça, as escuras mechas se agitaram com o movimento. “Foi
tão rápido”. Olhando dentro dos
suaves olhos verdes, continuou: “Não havia
lhe visto, Rose, estava dirigindo, pensando que acabava de desperdiçar a
noite com um idiota, e de repente ali estava você. Pisei nos freios, mas com
a neve no chão...”. Seus olhos se fecharam brevemente na lembrança do
total silêncio que precedeu o ruído surdo do horroroso golpe. “Não
tinha nada mais que se pudesse fazer”. Apertou os olhos
outra vez, enfocando-se no relógio do avô. “Havia tanto sangue, Rose. Pensei que
havia lhe matado. Quando me dei conta
que não, lhe coloquei em meu carro e lhe levei ao hospital tão rápido quanto
pude”. “Por que
permaneceu lá?” Ronnie sentiu
uma pequena, mas insistente mão em seu queixo, forçando-a a encontrar o olhar
de Rose. “Fez seu trabalho, me levou ao hospital. Poderia ter ido
embora e ninguém jamais teria sabido de nada. Por que não foi embora?”. “Precisava
ter certeza de que estava bem. Quando eles viram que você não tinha seguro,
queriam lhe enviar ao Memorial. Queria ter certeza que você teria o melhor
atendimento e esse estava no Albany Med, assim menti sobre o seguro”. “E você
quis se proteger depois disso? “Não.
Talvez eu até fiz isso até que você assinasse os papéis”, Ronnie
admitiu. “Mas não depois disso”. “Então, por
que se mantinha voltando?”. Ronnie deu a
única resposta que poderia, a honesta. “Desejei vê-la. Para a conhecer
melhor”. “Sabe o que
me lembro sobre esses primeiros dias?”. Rose olhou para o teto.
“Isto é somente algumas apagadas visões aqui e ali, só pedacinhos
realmente. Devem ter estado me dando alguma droga forte”. “Estavam”,
Ronnie concordou. “Lembro de
despertar e lhe ver”. Sorriu calorosamente e olhou sua amante.
“Ali estava você, essa maravilhosa mulher me dizendo que tudo ficaria
bem”. “Você me
perguntou se eu era um anjo”, a mulher morena acrescentou, sorrindo
para si mesma ao lembrar. “Você era
um anjo para mim, você sabe? Era meu próprio anjo da guarda particular,
cuidando de mim a cada passo de progressão do caminho. Era meu cavalheiro em
armadura brilhante, meu herói”. Ela levantou o braço de Ronnie e
encostou sua cabeça contra o peito da mulher mais velha. “Não sabia por
que tinha tanto interesse em mim, mas estava agradecida”. Sua voz ficou
triste. “Agora sei”. “Não”.
Ronnie apoiou sua palma contra a bochecha de Rose. “Aquela noite eu agi
por instinto de sobrevivência e medo, mas não pense jamais que fingi
preocupação depois disso”. Os olhos azuis procuraram os verdes, lhe
rogando que lhe entendessem. “Não posso explicar, mas havia algo sobre
você, Rose Grayson. Não podia deixar de pensar em você, e as únicas vezes que
era feliz era quando estava com você. Acho que me apaixonei por você desde
esse primeiro dia que você acordou no hospital”. “O que
aconteceu com o Porsche?”. “O
consertei e depois o vendi. Não poderia dirigi-lo outra vez”. Desceu a
mão e começou a acariciar o cabelo dourado caindo em cascata sobre os ombros
de Rose. “Ronnie?”. “Humm?”. “Quando
percebeu que eu estava apaixonada por você, por que não me contou
então?”. Ronnie puxou a
jovem mulher para mais próximo, a mantendo segura em seus braços. “No
momento em que percebi que você estava apaixonada por mim, eu já estava
apaixonada por você... muito”. Correndo o risco,
inclinou-se e deu um carinhoso beijo sobre a cabeça dourada, contente quando
percebeu que Rose a apertava mais. Girou sua cabeça para que sua bochecha
descansasse onde acabavam de estar seus lábios, Ronnie continuou: “Tentei fingir que não estava
acontecendo, mas cada dia me apaixonava mais e mais. Estava assustada que se
lhe dissesse a verdade, você me deixaria. Não
a podia perder, Rose, eu apenas
não podia”. Sua voz se quebrou e teve que parar e
respirar profundamente. Um suave aperto a animou. “Quando
você foi embora... quando Maria me ligou...”. As palavras falhavam para
a executiva e então a segurou com mais força. “Não sabia
o que fazer, o que pensar” Rose disse. “Doía tanto”. Seus
dedos acariciavam lentamente o longo e escuro cabelo de sua amante.
“Mas tanto como isto doía, era pior estar sem você”. “Eu a amo,
Rose”. Pegou o queixo da jovem mulher e seus olhos se encontraram.
“Não posso mudar o que aconteceu no passado, mas posso lhe dar minha
palavra que nunca mais mentirei para você”. Seu polegar tocava o lábio
inferior de Rose. “Sei que
talvez você nunca poderá me perdoar por ter mentido, mas eu a amo e sei que você me
ama”. “Eu a amo”, a jovem mulher disse
seriamente. “Nunca amei ninguém da maneira como a amo”. “Você não
sabe o quanto desejei que nunca tivesse acontecido o acidente, que nunca
tivesse sofrido com toda essa dor”. “Somente,
Ronnie...”. Beijou o polegar apoiado contra seu lábio. “Se nunca
tivesse acontecido... então nós não teríamos nos conhecido. Às vezes as
coisas acontecem por uma razão”. “Então,
podemos continuar nossas vidas à
partir daqui?”. “Eu
gostaria disso”. Apoiou sua cabeça contra o peito de Ronnie.
“Amor?”. A mulher morena sorriu com as palavras carinhosas e
recompensou Rose com um rápido beijo na testa. “Sim?”. “Poderíamos
apenas permanecer assim para
sempre?”. Ronnie sorriu
amplamente e apertou sua amante contra ela. “Com certeza”.
“O que está
fazendo aí dentro, garota aniversariante?”. Ronnie chamou do outro lado
da porta. “Estou
quase acabando”. Ela abotoou o
top e olhou seu reflexo no espelho. “Amor, não acha que este biquíni é
um pouco... revelador?”. “Ele deve
ser dessa maneira”. “Você é uma
pervertida, Verônica Cartwright, sabia disso?”. “Somente
com você, minha querida”. Cansada de esperar, Ronnie abriu a porta do
banheiro e foi um prazer para sua vista, Rose que estava parada ali só com a
parte inferior do biquíni colocada. “Muito
lindo”, disse arrastando a voz. “Lindo para
você, talvez”, a jovem mulher respondeu, puxando a parte inferior
amarela. As douradas mechas de pelos se assomaram pelos lados. “Que
beleza”. Ela o tirou outra vez e
se dirigiu aos artigos da penteadeira. “Por que não vai na frente, meu
amor? Tenho que cuidar disso primeiro”. “Tem
certeza que não quer nenhuma ajuda? Ficaria feliz em a ajudar”. Pegando a máquina
de depilar, Rose sorriu a sua amante. “Se me ‘ajudar’, não
vamos a nenhum lugar próximo da piscina hoje”. Afastou-se só para
sentir os braços de Ronnie se envolvendo ao redor dela. “E isso
seria algo ruim?”. “Você é
incorrigível”. Virou-se para ver as escuras sobrancelhas mexendo-se de
maneira luxuriosa. “Tenho certeza que este biquíni é mais um presente
para você do que para mim”. “Você me
conhece tão bem”. “Uh,
uh”. Rose baixou a mão e interceptou as vagueadoras mãos. “Nada
disso agora”. “Mas hoje é
seu aniversario. Tem certeza que não há algo que gostaria de fazer além de
passar o tempo ao redor da piscina?” Ronnie tentou retomar as
brincalhonas carícias, mas foi parada uma vez mais. “Nesse
momento, não”, Rose disse. “E você já fez isto esta manhã”.
Olhava para seu pelo púbico que estava exposto, para a máquina de depilar e
novamente para este. “Não tenho certeza se preciso de um barbeador ou
de uma máquina de cortar grama”. “Sim?
Pois tente ter pelos negros”-
Ronnie respondeu -“Aparecem mal começam a nascer.” Sua mão
começou a fazer círculos no abdômem de Rose, se dirigindo constantemente ao
sul. “Tem certeza que não deseja ajuda?”. Perguntou enquanto
esfregava seu nariz no ouvido da mulher menor. “Não foi
por isso que não conseguimos nadar ontem?”. Saiu do abraço de Ronnie.
“Você vá e leve o chá gelado para fora e em alguns minutos eu estarei
lá .”. Quando ficou
sozinha, Rose desceu a parte inferior do biquine e se sentou no vaso
sanitário, separando as pernas para cortar os selvagens pelos louros. Sua
mente vagou sobre os acontecimentos do ano passado. Há um ano estava
trabalhando em Money Slasher e não dariam uma moeda de dez centavos por seu nome, muito menos
outra coisa. Agora, olhe para mim... Vivendo em uma mansão, me preparando
para usar um traje de banho e me distrair na piscina. Moveu sua cabeça
incrédula. Baixando o olhar as suas pernas nuas, achou quase difícil de
acreditar que faziam só seis meses que deixara de usar gesso. E não tinha
certeza se poderia caminhar outra vez. E agora, fazia cerca de um mês que
havia deixado a bengala para trás e só quando exagerava muito que sentia
alguma dor em suas pernas ou no tornozelo. A fina cicatriz no seu rosto onde
os pontos uma vez haviam estado, se transformou em uma tênue linha pouco
visível. Mas Rose sabia que era o lugar mais beijado em seu rosto, com
exceção de seus lábios, é claro. Me pergunto se
ela inclusive percebe que faz isso, sussurrou. Era um dos pequenos
hábitos que Ronnie tinha que achava tão carinhoso. Minha Ronnie... a amo
tanto. Repentinamente se sentiu sozinha sem sua querida, e Rose rapidamente
terminou de depilar o pelo púbico que estava exposto e puxou a parte inferior
do biquíni. Uma rápida escovada através de seu cabelo e saiu à procura de
Ronnie.
Rose chegou justo
a tempo de ver sua amante caminhando até o trampolim. O biquíni preto que
Ronnie usava não escondia quase nada,
muito para a alegria da jovem mulher. Seu próprio biquini amarelo vivo era um
pouco mais reservado... mas não muito. Ao invés de ser uma tanga como o de Ronnie, Rose tinha apenas um pequeno tecido que cobria a seu
sexo e a metade de cada nádega. A parte superior mal cobria os mamilos, e ela
estava certa que ele havia sido comprado com um número a menos, para que o
decote se mostrasse mais. Um presente para mim, humm? Acho que é um presente
mais para ela. Entrando
pela parte rasa, Rose observou quando
Ronnie saltou do trampolim outra vez e mergulhou na água com apenas um
salpicar. Logo Ronnie se juntou a ela
e as duas mergulharam e brincaram durante um tempo, antes de saírem da
água e se recostarem nas acolchoadas chaises longues. Ronnie usou um
guardanapo para enxugar o suor externo do copo, antes de lhe dar o chá
gelado. “Obrigada,
doçura”, Rose disse, tomando a metade da bebida fria antes de deixar o
copo na mesa lateral. “Não posso crer como está quente aqui fora
hoje”. “A umidade
está subindo”, Ronnie respondeu, tirando o excesso de água de seu
cabelo. “Cinco minutos e lhe garanto que nós desejaremos ir novamente
para dentro da água”. Ela enxugou sua testa. “Acho que já estou
suando”. Ela pegou seu copo e se deitou na chaise longue, agradecida
que a sombrinha lhes proporcionasse sombra contra o ardente sol ardente. Não
viu Rose tirar um cubo de gelo da jarra e ofegou em surpresa quando este
aterrissou em seu peito. “Ôooo, isso está frio!”. Ela se queixou
. “Eu pensei
que você disse que estava com calor?” A jovem sorriu. A mirada
predadora nos olhos de sua amante a informou rapidamente que havia cometido
um erro. “Uh oh, doçura. hum... Ronnie? Você sabe que a amo, correto?
Não está pensando em vingança, certo?”. “Eu?”
A alta mulher fingiu inocência, seus dedos pegando os cubos de seu copo. Rose
se encontrou presa na chaise longue antes que pudesse se mover e vários cubos
foram empurrados na parte superior do biquíni amarelo e sua pele. “Oooh,
tire-os daí! Oh, está frio”! Ela
subiu o top, livrando-se do gelo, que deslizou de maneira inofensiva
no chão. “Isso valeu
o esforço”, Ronnie fez um gesto, sua boca apertada a centímetros dos
mamilos descobertos, rígidos por causa do gelo. “Vai querer minha ajuda
para se esquentar, aniversariante?”. “Mas
estamos do lado de fora”. Rose olhou ao redor, embora soubesse que
ninguém estava próximo. “Então é
melhor eu garantir que esteja coberta”, Ronnie disse. Rose gemeu quando
uma mão cobriu seu seio esquerdo e suaves lábios reclamaram o outro.
“Oh, Ronnie... hum, o que pensa que está fazendo?”. “Humm, lhe
amando”, veio a amortecida resposta. Rose se encontrou pressionada para
trás contra a almofada da chaise longue e as sensações começaram a se
acumular dentro dela. Por que estou
lutando assim? A jovem mulher pensou para si mesma. Colocando a mão entre
seus corpos, seus dedos encontraram o que eles estavam buscando. Logo Ronnie
estava respirando tão dificilmente como ela e Rose estava certa que iam fazer
amor justamente ali na chaise longue, quando o som de um carro subindo pelo
caminho de entrada chegou a seu ouvido. “Maldição”,
Ronnie murmurou quando se afastou. “Tem alguém aí”. Agarrou uma
toalha e a envolveu ao redor de sua cintura enquanto que Rose arrumava seu
top. Os filhos de
Susan, Timmy e John chegaram correndo por um lado da casa. “Tia Ronnie,
tia Rose!” O garoto mais jovem gritou. “Mamãe disse que
poderíamos vir aqui hoje e nadar, isso não é maravilhoso?” Ricky tinha seus braços ocupados com o
Playstation e obviamente estava planejando assumir o controle da televisão
por algumas horas com o grande número de jogos que havia trazido. John saltou
sobre o colo de Rose e envolveu seus braços ao redor de seu pescoço. “Tia Rose,
você pode nadar comigo?”. “Claro
querido, mas só na parte rasa”. “OK”.
Seu pequeno rosto sorriu de orelha a orelha. “Tabitha pode nadar com a gente
também?”. Rose riu da
idéia. “Não John. Tabitha é um gato. Gatos não gostam de água”. “Falando no
diabo”, Ronnie disse, movendo sua cabeça na direção da casa. A porta de
correr havia sido deixada aberta e a curiosa felina vagava do lado de fora em
busca de novos mundos para conquistar. Olhou os garotos. “Por que vocês
dois não vão se trocar? Há toalhas na casa da piscina”. Virou para
Rose. “Acha que pode dirigir as coisas aqui fora?”. “Claro”.
Desceu o garoto de seu colo. “John, acho que há uma bola na casa da
piscina com a qual podemos jogar. Vá ver se a encontra, OK?”. “OK, Tia Rose”. Seguiu seu irmão se
afastando da piscina. Ronnie os viu
irem. “Parece que nós vamos ter companhia por um tempo”. “É o que
parece”, a jovem concordou, quando se levantou. “Por que eles não
estão usando sua própria piscina?”. “Susan
disse algo sobre uma bomba quebrada. Desculpe, amor”, disse se
desculpando. “Sei que é seu aniversario e tudo mais, mas...”. “Não, está
tudo bem eles estarem aqui”, Rose disse. “Só gostaria de estar
mais vestida. Sinto-me realmente nua nisto”. Puxou a escassa tira do
top do biquíni. “Vou lhe
trazer uma camisa”. “Sobreviverei
com uma das suas, e traga um short para você também”. Cobrindo-se com a
toalha, Rose cumprimentou Susan e Jack quando eles se aproximaram. Ronnie voltou
poucos minutos depois levando uma de suas camisas. Havia trocado seu biquíni
de duas peças por um maiô mais apropriado, que cobria a maior parte de seu
traseiro e com um decote proporcional. “Essa é sua
roupa para reuniões familiares?” Rose perguntou, quando sua amante
chegou a seu lado. “Acha que
desejo ser o assunto das fantasias de meus sobrinhos?” Perguntou,
enquanto lhe entregava a camisa. “Oi Susan”. Virou e cumprimentou
seu cunhado. “Como está, Jack?”. “Bem,
Ronnie, e você?”. “Perfeita”,
disse, cintilando um sorriso em Rose. “Já que estão aqui, por que não
fazemos um churrasco? Não vai tomar tempo esquentar a grelha e estou certa
que temos algo que não está congelado”. “Me parece
ótimo”, Susan disse, dando uma piscada para sua irmã quando Rose não
estava olhando. “É justo um dia preguiçoso e vocês duas não estavam
planejando fazer algo, ou estavam?”. “Não”
Ronnie respondeu. “Vou procurar e ver o que temos para assar na
grelha”. Uma hora depois,
Jack estava ocupado cuidando da grelha enquanto as mulheres e os garotos
brincavam na água. Timmy e Ronnie apostaram corrida através da piscina
enquanto que Rose e John mergulhavam na parte rasa, brincando ocasionalmente
com a colorida bola de praia. Quando a jovem mulher
perguntou a Ronnie onde estava Susan, recebeu uma vaga resposta sobre a ruiva
não ser uma nadadora. A clara pele de John mostrou sinais rapidamente de se
tornar rosa e quando Rose ofereceu para levá-lo para dentro, Ronnie subiu e
disse que tinha que procurar por algo e então ela se ocuparia disso. Logo
depois Jack se aproximou da piscina e sussurrou algo no ouvido de Timmy,
fazendo com que o garoto saísse da piscina e fosse para dentro, deixando
somente Rose na água. Sentindo-se
incômoda, saiu da água e se envolveu em uma toalha, pensando que Ronnie
estava demorando muito. Estava se dirigindo para casa quando Jack a deteve.
“Rose, dê uma olhada nestes filés e me diga o que você acha”. “Claro”.
Aproximou-se da grelha e olhou os vários pedaços de carne crepitando sobre o
fogo. “Espero que todo o mundo esteja faminto. Você fez bastante, e
estão quase bons. Talvez em alguns
minutos mais, fiquem prontos”. “Pode
vigiá-los para mim? Tenho que ir até o banheiro”. Deu-lhe o garfo para
virá-los e se afastou. Dez minutos mais
tarde os filés estavam feitos e não havia sinal de Ronnie ou de alguém mais.
Rose cuidadosamente empilhou a comida num prato e desligou a grelha.
“Onde estão todos? Pensei que teríamos uma comida ao ar livre”,
falou sozinha. Dentro na sala de
estar, Susan estava supervisionando o pendurar dos últimos enfeites. “Um pouco
para cima”, disse a ruiva. “Não, é muito alto. Desça um
pouco”. Ronnie estava parada em um dos degraus superiores da escada,
pensando que sua irmã era um pé no traseiro quando se tratava de enfeitar. A
faixa estava perfeita onde estava antes, mas Susan insistiu que seria melhor
se estivesse à uns centímetros acima. John, Ricky e Timmy estavam ocupados
colocando rolos multicoloridos de serpentinas ao redor da sala de estar. “Temos que
andar logo, antes que ela venha”, a executiva resmungou. Deu uma olhada
em seu relógio. “Onde está Maria? Pensei que estaria aqui com o bolo há
meia hora atrás”. “Ela
chegará e se você nivelasse isto, já teríamos terminado”, Susan disse.
Eles viraram com o som da porta de correr se abrindo. Ronnie empurrou a ponta
da faixa e a colou na parede, saltando da escada justo quando Rose passava
através do arco. “Feliz
Aniversario, Rose!”. Gritaram, repetindo as palavras impressas na
faixa. A jovem mulher parou sem fala, seus olhos de par em par com a surpresa. Enquanto pensava que era
estranho que todos, exceto Ronnie, tivessem lhe desejado um feliz
aniversário, atribuiu isso ao fato de eles não sabiam. Nunca imaginou que
Ronnie lhe daria uma festa. John puxou sua
camisa úmida. “Tia Rose, isto quer dizer que posso lhe dar seu presente
agora?”. “Daqui a
pouco, John”, Susan disse, afastando seu filho. “Temos que comer
primeiro”. “Hum...
humm... oh...” Rose se virou com uma expressão inquisitiva em sua
amante. “Você planejou tudo isto?”. “Maria está
à caminho com seu bolo e acho que Frank e Agnes virão mais tarde”,
Ronnie respondeu, cruzando a sala de estar e parando diante da constrangida
mulher. “Feliz aniversário, meu amor”. “Já passou
muito tempo desde que alguém me deu uma festa de aniversário”, Rose
sussurrou. “Não posso acreditar nisso”. “Acredite.
Pode apostar que isto será um acontecimento anual, de agora em diante”.
Olhou os garotos. “Vocês, indivíduos, vão ajudar seu pai a trazer os
pratos”. Logo que eles saíram da sala, voltou sua
atenção a Rose. “Eu a amo. Não pensava que eu ia deixar que seu
aniversário passasse sem que eu lhe fizesse uma festa, pensava?”. “Você não
disse nada, exceto sobre o biquíni, assim
eu pensei...”. Moveu sua cabeça e sorriu. “Deveria ter
sabido. Os Cartwrights amam festas”. “Bem, isso
pode ser verdade, mas esta Cartwright em particular tinha mais uma razão para
lhe fazer uma festa, e não só de aniversário”. Com o olhar de
espanto de Rose, Ronnie simplesmente
lhe deu um malicioso sorriso. “Você vai ver mais tarde. Vamos, venha
colocar uma roupa seca para que
possamos comer antes que esfrie”. Maria chegou um
tempo mais tarde, o assento traseiro de seu carro vinha com um bolo
grande com glacê. Rick e Timmy
conseguiram encher seus dedos de glacê antes que Ronnie pudesse colocá-lo
fora de seu alcance. John insistiu em se sentar no colo de Rose durante a
comida e a visão fez com que Ronnie sorrisse. As pessoas que significavam
muito para ela estavam ali para ajudá-la a celebrar o aniversário da pessoa
que significava tudo para ela. Nem uma palavra foi dita quando Maria os
acompanhou na comida e a atmosfera foi tranqüila e confortável. Pequenas
conversas tinham lugar ao redor dela, mas a executiva não lhes prestou
nenhuma atenção. Sua atenção estava na beleza de olhos verdes e o pensamento
do presente escondido no escritório. Frank e Agnes
chegaram quando a comida havia terminado. Rose havia achado graça, da visão
do homem grande e corpulento levando uma vara de pescar embrulhada em um
delicado papel de seda. “Caramba
Frank, não tenho nem idéia do que seja”, Ronnie disse com um sorriso. “Sabe que
as varas de pescar não são coisas muito fáceis de se embrulhar”-
respondeu. “Agnes levou muito tempo para conseguir fazê-lo”. Aproximou-se
de Rose e lhe deu um beijo na bochecha quando lhe deu o presente.
“Feliz aniversário, lourinha”. “Creio que
agora é a hora de abrir os presentes”, Ronnie anunciou. “Este aqui,
abre o meu primeiro”, disse Frank. “É
linda”, Rose disse, quando tirou finalmente o papel de embrulho. “Essa não é
só uma vara de pescar igual as que tem por aí, lourinha”, disse.
“É o último modelo da linha Power Pole com ultra-sensível ponta e
carretel canhoto. Talvez da próxima vez que formos pescar, você não lance os
peixes de volta”. “Oh,
provavelmente farei isso”- admitiu Rose - “Mas com certeza será
divertido pescá-los”. “Não queria
admitir. Peguei mais pneus que peixes nesta temporada”, resmungou ele,
maneira brincalhona. “Tia Rose,
agora vai abrir o meu presente?” John perguntou, segurando o presente
em suas mãos. “Claro,
querido”- disse, pegando o presente dele. O papel de embrulho foi
tirado para revelar um frasco de seu perfume preferido. “Obrigada,
John. É muito bonito”. Deu-lhe um pequeno beijo na bochecha. Olhando
para Susan, agradeceu silenciosamente com seu olhar. Timmy e Ricky lhe deram
presentes também, seguido por um presente de Susan e Jack enquanto que Maria
lhe deu um broche, que era sem dúvida impressionante. Depois de ver os
presentes que os outros Cartwrights haviam dado, Rose sabia que o biquíni não
era o único presente que sua amante tinha guardado para ela. Suas suspeitas
foram confirmadas um minuto mais tarde quando Ronnie e Frank desapareceram
dentro do escritório. Juntos tiraram
uma grande e volumosa caixa coberta com um papel verde. Jack e Ricky tiraram
tudo da mesa de café para dar espaço. Rose se levantou e sorriu. “Obrigada”- disse -
“Pergunto-me o que pode ser. Parece um pouco grande”. A caixa era
tão grande quanto seus braços estendidos e a metade de alto. “As
aparências enganam”, Ronnie respondeu, compartindo um sorriso cúmplice
com sua irmã, enquanto Rose começou a desembrulhar a caixa. A caixa se parecia com uma caixa de uma
televisão colorida de vinte e sete polegadas, mas seu peso dizia o contrário.
Além disso, já havia meia dúzia de televisões ao redor da casa, para que esta
fosse mais uma. Com certeza Ronnie não havia se incomodado em comprar outra.
Sua curiosidade a estava matando, quando abriu a caixa para revelar outra
caixa dentro e esta estava envolvida em um papel vermelho brilhante. “Não tinha mais papel de aniversário
aqui, então resolvi usar o papel do Natal. Espero que você não se
importe”. “Ronnie,
poderia ter enrolado isto em um jornal que não teria me importado”,
Rose assegurou, tirando a caixa menor. Ricky tirou a primeira caixa. A caixa
vermelha foi desenrolada e aberta para se descobrir outra caixa dentro. “Oh, papel
azul desta vez”. “Não queria
que ficasse aborrecida com o mesmo papel velho”. Ronnie brincou. Duas caixas mais com diferentes cores de
papel fizeram com que os garotos tivessem um ataque de riso e os adultos
rissem suavemente. “Não posso
olhar para isto”, disse Frank com um sorriso enorme em seu rosto.
Tabitha estava tendo um magnífico momento brincando com o papel, quando este
caiu no chão. “Quantas
caixas você enrolou?” Rose perguntou, depois da sexta caixa que foi
aberta para encontrar somente outra lhe esperando dentro. “Oh,
algumas a mais”. O diabólico sorriso e o mexer das
sobrancelhas provocaram risos nos filhos de Susan. Finalmente, uma caixa
envolvida em um papel prateado com fitas douradas foi revelada. “Tem que
ser essa”, disse Frank. Jack e Susan assentiram de acordo. Com toda a atenção
de uma criança, Rose abriu a caixa para revelar uma jaqueta de esqui verde
com preto. “Oh, é linda”, disse, tirando-a da caixa e
levantando-a para que todos vissem. “É bonita,
mas é um pouco cedo para neve”,
Susan disse. Rose já estava levantada provando-a.
“Ficou perfeita”. “Exata”,
Ricky disse. John acrescentou um
pedido para uma nas mesmas cores. Ronnie
simplesmente ficou atrás e sorriu com a imagem diante dela. “Pode ser
cedo para neve aqui, mas não em outras partes”. No canto de seu lábio
se levantou um sorriso. “Rose, o que há neste bolso interior?”. “No
interior...”. Abriu o fecho da jaqueta e tirou um monte de papéis. Os
brilhantes riscos no exterior do papel não deixaram dúvida quanto a seu
conteúdo. “Ouvi dizer
que os Alpes são maravilhosos nesta época do ano”, Ronnie disse com voz
lenta. “Acho que ambas temos algumas férias vencidas”. “Oh, meu
Deus... passagens para a Suíça?!” Os dedos de Rose tremeram quando tirou não
dois, senão dez bilhetes. “Ronnie...”. Sua voz se calou quando os
nomes de vários países distantes apareceram diante de seus olhos. “Acho que
Alemanha, Áustria e França também são boas, não é?” A executiva brincou
antes que uma contentíssima Rose voasse para dentro de seus braços. “Ronnie,
você é outra pessoa”, disse sua irmã. “Não posso
acreditar”. Rose sussurrou na cálida pele do pescoço de sua amante.
“Isto é muito”. “Nada é
muito para você, meu amor”, sussurrou. “Levaremos um laptop e o
incluiremos como gastos de negócios”. Isso fez com que a mulher em seus
braços risse levemente. “Sério, amo percorrer a Europa, e esta é a
época perfeita do ano para ir”. “Eu a
amo”. “Também a
amo. Não vai chorar sobre mim outra vez, não é?” Ronnie a afastou para
olhar afetivamente o seu amor, que estava chorando de alegria. Susan veio para
junto delas e silenciosamente estendeu um lenço. “Obrigada”.
Rose levou alguns segundos para se recompor, antes de virar-se para os outros
convidados. Maria veio lhe
dar um abraço. “É um lindo presente”- a governanta disse. “É
maravilhoso”- Agnes disse, lançando um olhar ao seu marido -
“Parece que algumas pessoas preferem passar o tempo com os que amam, ao
invés de fugir para algum lago no meio de nenhum lugar por duas
semanas”. “Humm...”.
Frank olhou para sua prima para apoio e não encontrou nenhum, pois ela estava
muito ocupada sorrindo de orelha a orelha com a felicidade no rosto de Rose.
“Oh demônios, Agnes. Acho que duas semanas no Havaí não seriam tão
más”. “Sabia que
você era um grande felizardo - Ronnie brincou. “Sim, igual
a você, Ronnie”, respondeu calmamente. Olhando seu amor, a executiva podia somente
assentir em acordo.
Depois que o
último de seus convidados se foi, o feliz casal foi até a sala de estar. “Não posso
acreditar que fez isto”, Rose disse suavemente, olhando os bilhetes que
estavam sobre a mesa de café. “Por que
não?”. Ronnie encolheu os ombros. “Agora que não precisa de uma
bengala e a terapia física terminou, é um tempo perfeito para que nós tomemos
umas longas e agradáveis férias”. Embora já estivesse estado em muitos países,
sabia que as lembranças ficariam pálidas diante das novas que seriam criadas
com Rose ao seu lado. Olhando a jaqueta, Ronnie sorriu maliciosamente para si
mesma. Nem todos os presentes haviam sido abertos ainda. Rose deu um ponta-pé
em seus sapatos, tirando-os, e meteu seus pés por debaixo de suas pernas.
“Como fez para conseguir planejar as férias sem que eu
soubesse?”. “Fácil. Meu
agente de viagens fez o trabalho. Tudo o que fiz foi lhe dizer que países queria
visitar. Uma chamada telefônica, um par de e-mails e estava feito”. “Você é
assombrosa”. Rose reclinou sua cabeça contra o peito de seu amor.
“Sonhei tanto em ir a lugares
assim”, disse com nostalgia. “Bem, agora
seus sonhos logo serão uma realidade”- Ronnie respondeu. Inclinou-se
para um rápido beijo. “Estou alegre que você tenha gostado dos
presentes”. “Amei a
todos e amo você” - respondeu
-“Não tinha que fazer isto”. “Sinto-me
feliz quando faço você feliz, sabia disso?”. O telefone tocou, fazendo
com que Ronnie reclamasse e alcançasse o receptor. “Residência
Cartwright”. “Ronnie?”. “Mamãe?”
Virando o rosto para Rose, levantou suas sobrancelhas para indicar sua
surpresa. Havia sido quase dois meses desde que haviam se falado. “Hum...
como você está? Realmente?... Como foi?... o que sobre isso?... Sim, ela
esteve aqui desde cedo... É o aniversário de Rose”. Os olhos de Ronnie
se arregalaram. “Hum, sim, foi agradável... hum, hum... não, nenhum
problema em absoluto, mamãe... O que?... hum... sim, O que sobre isso?...
Humm... sim, estou certa que tudo está bem... de acordo... Okay, mamãe,
adeus”. Desligou o telefone. “Ela acaba
de ligar para cumprimentar”. “De
verdade?” Rose esticou seu braço e colocou sua mão no ombro de Ronnie.
“Está tudo bem?”. “Sim”,
assentiu. “Acaba de dizer que devemos ir jantar com ela esta sexta”. “Nós?”. “Sim,
nós”. Ronnie disse. “Não entendo isto”. “Talvez
essa seja a maneira de sua mãe fazer um sinal de paz”. “Mas depois
de tudo o que aconteceu?”. “Depois de
tudo o que aconteceu, continua sendo sua filha mais velha”, Rose disse.
“Ela realmente disse nós duas?”. “Sim”.
Ronnie moveu a cabeça e puxou sua amante aproximando-a. “Não acredito
nisto, mas não vou lutar contra isso. Talvez tudo se resolverá entre
nós”. “Você é
maravilhosa”. “Acha isso, humm?” O coração começou a bater
mais rapidamente. “Pode ser que não tenhamos começado da melhor
maneira, mas não posso imaginar minha vida sem você”. “Sinto a
mesma coisa”. “Fico feliz
de ouvir você dizer isso”. Seu rosto ficou sério. “Acho que
deixei passar por alto algo em seu bolso da jaqueta”. “O quê?
Depois de tudo isto?” Rose estendeu suas mãos para indicar o monte
de presentes e as passagens de avião. Pegou a jaqueta e a colocou sobre seu
colo. Quando sua mão caiu sobre o bolso, ela
sentiu um duro objeto dentro dele. “Ronnie?” Seus dedos
viajaram sobre este, seus olhos se dilataram. “É isso o
que penso que é?”. “Não
sei”, a executiva respondeu de maneira nervosa. “Talvez você deva abrir e descobrir”.
Enquanto o fecho era aberto, acrescentou: “Espero que você
goste”. A mão de Rose
tremia quando tirou a pequena caixa de veludo. As lágrimas começaram já a
emanar de seus olhos. “Oh, meu...”. Suas mãos tremiam ainda mais
e Ronnie teve que estabilizá-las com as suas próprias. “Abra,
Rose”. A caixa de jóia
se abriu para revelar um anel de ouro enfeitado com uma tríplice fileira de diamantes através da parte superior.
“Oh...”. Os dedos igualmente trêmulos de Ronnie tiraram o anel da
caixa, girando-o para que ela visse a inscrição: À minha Rose,
amo-a para sempre, Ronnie. “Rose
Grayson...” Sua voz se quebrou, forçando-a a engolir em seco e começar
outra vez: “Você...será minha... para sempre?” A jovem mulher não podia encontrar sua voz e
teve que dar um cabeceo instável, com
lágrimas de felicidade fluindo
abaixo em seu rosto. “Eu a amo”, disseram ao mesmo tempo.
Segurando o anel entre seus dedos, Ronnie pegou a mão menor com a sua. As
lágrimas caíram de seus próprios olhos enquanto o anel de ouro deslizou sobre
o dedo anular de Rose. Quando este passou sobre o último nó de seus
dedos, seus dedos se entrelaçaram e ambas tentaram trazer as mãos unidas até seus lábios. Ronnie usou sua força
para pressionar suavemente as costas de sua amante abaixo nas almofadas,
enquanto seus dedos se separavam. As mãos de Rose foram até a ponta da camisa
de Ronnie e deslizaram-se por debaixo. “Eu a amo,
Rose”. “E eu a amo, Ronnie”, ela respondeu,
antes que seus lábios se encontrassem. Pousada no chão,
Tabitha olhou para cima os seus
amores. Com um bom espreguiçamento e um bocejo, a gata levantou e se dirigiu
até as escadas. Ela teria a cama só para ela essa noite.
Tradução
terminada em 06/01/ 2009 Por Kaka
Gonçalves |