Essa fanfic � alt., ent�o, se voc� n�o
gosta nem da palavra subtexto, n�o gaste seu tempo lendo isso aqui.
. Xena, Gabrielle e
Ares pertencem a Robert Tapert, Sam Raimi, Universal Studios e
bl�bl�bl�...
Para entender o texto: as musas s�o nove, cada uma, com um
ramo de influ�ncia na literatura, na ci�ncia ou nas artes. Elas s�o: Cal�ope
(poesia �pica), Clio (hist�ria), Euterpe (poesia l�rica), Melp�mene (trag�dia),
Ters�cope (dan�a e canto), �rato (poesia er�tica), Pol�nia (poesia sacra),
Ur�nia (astronomia) e Talia (com�dia).
-Sabe o que me irrita? A voz de Gabrielle
anunciava que algo n�o estava bem. -O que? -N�o conseguir escrever! As
palavras simplesmente somem na hora que pego um pergaminho... Xena sorriu
para Gabrielle. -N�o cobre tanto de si mesma... Sua cabe�a est� cheia de
preocupa��es... � normal que as coisas n�o funcionem bem de vez em
quando. -Mas, Xena, isso n�o � normal! Uma barda que n�o consegue
escrever? -Calma, Gabrielle! Tenha certeza: � s� uma fase ruim. Isso
passa.
O dia seguinte come�ou ensolarado. Gabrielle
acordou de mau humor. A noite fora mal dormida, tudo por causa da sua
incapacidade tempor�ria de escrever. Ela olhou em volta. Estava
sozinha. -Xena? Xena? XENA? Ela se levantou, procurando por algo que
indicasse onde Xena podia estar. Nada! -Xena, isso � uma brincadeira? Um
teste? A gente j� n�o tinha combinado que voc� n�o ia mais me testar? Xena...
p�ra com isso; hoje eu n�o estou para brincadeiras! Xena? Xena? Um barulho
fez Gabrielle girar nos calcanhares. -Xen...? ARES!? O que voc�
quer? -Ora, Gabrielle, � assim que voc� recebe um velho amigo? Cad� o bom
dia? O abra�o de boas vindas? -Ares, hoje eu n�o estou para brincadeiras...
Estou procurando por Xena! Os olhos de Gabrielle se iluminaram de uma raiva
instant�nea. -Foi voc�, n�o foi? Onde est� Xena? -Sabia que chegar�amos a
esse ponto... Bom, digamos que Xena nesse momento n�o pode te atender.
-Ares, o que voc� fez com Xena? -Fiz uma proposta, e ela aceitou.
-Est� mentindo! -N�o, de jeito nenhum. Vamos colocar as coisas assim:
voc� foi convocada pelas musas para participar de um desafio. Algu�m andou
falando que voc� escreve melhor que Cal�ope, Euterpe, Melp�mene, �rato, Pol�nia
e Talia. Essas seis musas, mais suas irm�s Clio, Ters�cope e Ur�nia, est�o muito
furiosas com voc�, e decidiram que �Gabrielle, a Barda de Pot�dia� s� ser�
absolvida da acusa��o de blasf�mia se vencer esse desafio liter�rio. �Nem
suspeito quem foi que disse isso, e suspeito menos ainda qual era a sua inten��o
quando disse isso...� -E suponho que Xena seja o �incentivo� para que eu
participe dessa competi��o, certo? -Bom, se voc� vencer, Xena vai ser
libertada e voc�, absolvida da blasf�mia que seus textos provocaram. Se voc�
perder, Xena passa a ser propriedade do organizador do desafio. -Que, eu
suponho, � um tal �deus da guerra�... -Exatamente... Ent�o, preparada para o
desafio? Gabrielle fez uma careta, e quis dar a Ares uma resposta malcriada.
Respirou fundo. -Ares... Voc�... �... Um... Cretino! Aposto que viu que n�o
estou conseguindo escrever, e por isso est� me jogando numa prova dessas! O
deus da guerra deu um sorriso maldoso, e apenas disse: -Est�
pronta? -Estou!
Gabrielle piscou, e assim que abriu os olhos n�o
estava mais no lugar em que dormira. Era um sal�o amplo e bem iluminado, cheio
de esculturas, telas, instrumentos musicais e outros itens art�sticos. Nove
mulheres estavam paradas diante de um palco. -Ares, vejo que trouxe a
atrevida... Ela est� ciente do desafio? -Completamente, Talia. E ela est�
pronta para come�ar agora. -Eu estou o que? -Muito bom. Cal�ope, diga a
ela qual � a prova pela qual ela deve passar. Uma outra musa se adiantou,
pegou um pergaminho em uma redoma de vidro e leu: -�Aquela que dizem
superar o talento Das musas, por um desafio
passar� Se venc�-lo, algu�m ela
libertar� Por�m f�cil n�o ser� seu mais novo
intento.
Em �nico texto, este � dela o
desafio, Ela dever� as nove musas
demonstrar Enigma esse que deve r�pido
decifrar; Ou�a, para seu bem: que use de sangue
frio!
O tempo corre, olha a boa e velha
clepsidra Uma hora para escrever �
suficiente. Tarefa mais complicada que a fera
hidra.
Escreve tu teu melhor, essa � a
obriga��o Prepara-te! Teu desafio �
iminente! Vence, ou ent�o, tu perdes teu pobre
cora��o!�
Assim que Cal�ope terminou de ler, um pergaminho surgiu na
frente de Gabrielle. O que a musa havia lido ficou pregado na parede, e ao seu
lado, um estranho rel�gio d��gua. -Que comece o desafio! O rel�gio come�ou
a se movimentar. Gabrielle estava em choque. Era t�o repentino assim? Uma hora?
UMA HORA? Havia dias que ela n�o conseguia escrever mais de dois versos... E
agora, a sua vida e a vida de Xena dependiam das suas habilidades de
barda. -Gabrielle!, disse Talia � Seu tempo j� est� correndo. N�o
prorrogaremos o tempo da tarefa! As palavras da musa da com�dia n�o tinham
nada de engra�ado. Gabrielle pegou o pergaminho e fechou os olhos, tentando
pensar no texto que tinha de escrever. �Em �nico texto, este � dela o
desafio, Ela dever� as nove musas
demonstrar...� �O que querem dizer com isso? O �bvio seria escrever um
texto exaltando as Musas, mas me parece que n�o � isso que elas querem. Ser� que
devo contar uma hist�ria na qual as Musas apare�am sob forma de met�foras? �,
deve ser isso...� Ela se preparou para come�ar o texto:
Os
humanos, que a vida vivem Sob as leis do
Olimpo...
�N�o, isso n�o est� bom...� Tentou v�rias vezes
escrever, o texto nunca lhe parecia promissor. Nunca vinha aquele sentimento de
que o texto seria bom. O tempo ia passando e o pergaminho continha apenas
frases soltas, sem nexo. Gabrielle se irritava com a situa��o. Gabrielle
fechou os olhos, mais uma vez. Precisava encontrar em si um tema para o
texto. �Que tema eu uso?...� Um rosto surgiu em sua mente. Os olhos azuis de
Xena pareciam estar presentes na sala do desafio. �Xena...� Uma l�grima de
esperan�a rolou dos olhos de Gabrielle. Ela havia encontrado o tema para seu
texto.
-Acabou o tempo, pequena Gabrielle! Est� preparada
para enfrentar a ira das Musas? Gabrielle n�o respondeu � provoca��o de
Ares. -Certo, ent�o, vamos come�ar com isso. Clio...? A musa chamada
assentiu com a cabe�a. -Gabrielle, se passou o tempo do desafio. Voc� deve
ler seu texto, que deve conter a solu��o do nosso enigma. Gabrielle inspirou,
fechando os olhos, e pensou em Xena. Come�ou a ler seu texto:
�Xena, o que eu poderia
dizer? As palavras fugiram de
mim... Todo texto que eu come�o
Sempre falta um peda�o E o peda�o que
falta � a mesma falta Que voc�
faz para mim
Mas ent�o, fecho os
olhos E de olhos fechados eu sempre
vejo Os olhos que me guiam O
rosto que eu amo � sempre assim.
As lutas que vivemos As
pessoas que ajudamos Os senhores das
guerras E entre eles, o caminho
Caminho do bem Que aprendo na
vida O que motiva o her�i a seguir em
frente � o mesmo que me motiva a buscar o
bem Mas esse caminho s� tem
valor Com voc� do meu lado.
Tr�ia, Roma, Brit�nia,
China, Egito... Todos ter�o em seu
passado A sua presen�a Porque,
Xena, seu nome Fez toda a diferen�a.
Que os deuses e seus
devotos Reconhe�am a honra N�o
dos que na guerra vencem pela for�a, Mas os que a for�a
vencem pelo amor Que os templos se
iluminem Que as estrelas e planetas
aceitem A verdade das verdades
Que � o amor que trago em mim.
Se meus escritos ser�o
cantados... Se meus escritos ser�o
esquecidos... Se voc� estiver
comigo Nada disso vai importar
Porque � com voc� que eu choro E �s vezes, rio tanto que
choro E choro tanto que rio Mas
voc� est� do meu lado Se rio Se
choro.
Xena, o que eu poderia
dizer? Sou uma barda sem
palavras Mas, com voc�, n�o me importo com
isso � s� saber que juntas
cantaremos E dan�aremos juntas E
outras oportunidades para escrever Um texto que agora eu
n�o consigo Vou ter outras oportunidades.
Sou Gabrielle, sem
palavras Palavras sem palavras
As Musas me observam, E ent�o, eu encontro as
palavras. Termino meu texto.�
Gabrielle terminou de ler, com a garganta apertada.
�P�ssimo texto, p�ssimo texto... Que? Elas est�o aplaudindo?� Gabrielle olhou
para as Musas e Ares. As nove Musas aplaudiam com entusiasmo, enquanto Ares
olhava com uma express�o de incredulidade. -Parab�ns! Que texto inovador, que
coragem de usar versos sem m�trica, sem rimas, sem nexo de vez em
quando...Realmente, Gabrielle, voc� tem um dom inigual�vel! � disse uma
musa. -Moderno! � isso que �! Esse texto � moderno! -Que... quer dizer que
eu venci o desafio? -O desafio era escrever um texto que exaltasse a n�s, as
Musas. � Disse Cal�ope- Voc� n�o fez isso. �Droga... era �bvio
demais!� -Contudo, Gabrielle, voc� provou que possui uma genialidade incr�vel
para os textos. Pena que esse tipo de texto s� vai ser bem aceito daqui a muitos
anos no futuro, onde existir�o coisas com as quais os mortais nem sonham hoje.
Essa �poca vai ficar conhecida como Modernismo, e muitas inova��es liter�rias
surgir�o. At� l�, eu sugiro, continue usando versos metrificados e que rimem.
Por�m, por sua genialidade, voc� est� absolvida do crime de blasf�mia. Ares �a
Musa se dirigiu ao deus da guerra � liberte Xena! Ares desapareceu, e uma das
Musas perguntou: -Gabrielle, como se chama esse texto? -O dia que a barda
n�o escreveu. -Por que? Voc� escreveu o texto. -Sim, eu escrevi. Mas n�o
foi a Gabrielle barda que escreveu. -Ent�o, qual Gabrielle � a
autora? Gabrielle apenas sorriu.
-XENA! Quer dizer que voc� sabia que eu seria capaz
de vencer o desafio? -Claro, Gabrielle. Como eu disse, era uma fase ruim. E
as fases sempre passam. Quando Ares veio me propor que eu aceitasse ser a
garantia do desafio, eu sabia que ele tinha conhecimento que voc� n�o estava
conseguindo escrever. Mas eu confiei em voc�, e na sua capacidade, que seria
recuperada assim que voc� realmente precisasse us�-la. Foi exatamente o que
aconteceu. Eu sabia que ia ser assim, porque eu confio em voc�. Gabrielle
ficou pensativa. Xena lia o pergaminho do desafio. -Se n�o foi a barda que
escreveu, quem escreveu? -A Gabrielle que confia em voc�.
FIM
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