Sem mas espero que seja de seu agrado, não sou muito boa escrevendo mas desejo fazê-lo, e estou tratando de melhorar com o apoio e criticas construtivas de algumas de vocês obrigado. Escrevam para [email protected]

 

O ABISMO 

Por Aly

Tradução de Fernanda

[email protected]

 

Faz frio, mas ainda assim não me aborrece, olho em seus olhos e vejo o amor que sente por mim, sempre repete o quanto que me ama, para ti é mais fácil expressar, saem com tanta naturalidade de seus lábios, enchendo meu coração de alegria, ama-me com meus defeitos, minhas virtudes , ama-me apesar de meus erros e minhas quedas.

É essa luz que me guia em meu escuro caminho, seus olhos são os que me reconfortam, cálidos, risonhos, vivos cheios de alegria, não como os meus, cheios de rancor , ira e ódio, o qual teu faz sossegado com tuas carícias, tuas palavras, teu belos gestos.

Teu sorriso que ilumina  qualquer mortal, esse sorriso que me faz sentir vulnerável a seus encantos, esses beijos e abraços que me brindas curam cada vez a ferida.

Recordo as palavras de um velho sábio, “nunca havia visto um animal, sentir autocompaixão”, um animal isso me considerava, vil, sem coração, sem arrependimento, mas depois minha escuridão começou afogar-me e foi onde aparecestes tu, minha esperança, minha alma gêmea.

Essas noites de pesadelos , cheias de recordação de meu passado, tu estavas alí sempre, cuidando de meu moustro interior, com tuas histórias acalmavas meus fantasmas e afugentavas a dor.

Acaricio com meu polegar tua mão que segura à minha, sorri-me delicadamente, e me dizes que tudo ficarás bem, , sei que tudo estará bem, suspiro ante a espera, mas sei como é as coisas, ainda assim te sigo olhando em seus olhos, dói-me fazer-te sofrer, vejo a tristeza que cruza teu rosto.

A ti é  quem menos desejo fazer sofrer, não  mereces esse sentimento a teu nobre coração.

Seguras minha mão, e  segues falando, recordando-me cada aventura que tivemos, quando naquela enorme cidade eu te perdi e quase fiz que a força armada te procurasse.

Ou quando numa noite eu peguei um resfriado e cuidastes de mim, e quando eu melhorei caístes enferma também por que te contagie e cuidei de ti com o mesmo cuidado.

Ou a vez em que pegaste um cachorro abandonado, cuidou dele até descobrir que era de uma menininha que te agradeceu por cuidar dele.

Que belo fica teu rosto à luz da lua, que te acaricia com tanta familiaridade, num movimento casual, afastas mechas de seus cabelos dourados que cobre teu rosto.

Tua mão emana tanto calor, tanta ternura que me enche a alma, mas o frio começa a calar meus ossos, amo-te tanto, que me dói o coração por que não é tão grande para guardá-lo, amo-te tanto que jamais permitiria que perdesse tua vida por mim.

 

Segues-me falando, mas já não posso escutar tuas palavras, seus lábios se movem mas não escuto seus susurros, o sol começa sair vigoroso entre as montanhas, e seu brilho alumina teu rosto como fez a lua, tuas lagrimas parecem diamantes ao cair e vão lavando a terra de meu rosto, misturando-se com as minhas, sorri com todo meu ser e com todo meu amor, e em vez de tranqüilizar-te, assustas-te mas, compreendes minha suplica silenciosa.

Começo a soltar tua mão, mas moves a outra e a sustentas com ambas, segues soluçando e por teu rosto vermelho sei que estas gritando, não é necessário que escute para saber o que me dizes, olho embaixo de meus pés, o enorme barranco que esta querendo levar minha vida, deve ter levados as de muitos.

Volto a olhar-te, não posso falar meus lábios não se movem e a minha voz não surge , e sei que tenho que utilizar meu ultimo recurso, meus olhos janelas que para outros estavam fechadas e para ti foi um livro aberto.

Talvez nunca me perdoes por fazer isto, mas é minha decisão, não permitiria que morresse comigo, por que tens muito para viver e muitas pessoas precisam de ti, para ser salvas como fizestes comigo. Minhas mãos começam a escorregar pelo barranco, tuas mãos tenta segurar com força uma das minhas.

Apesar de tudo nunca desiste, aproximo meus lábios e beijos tua mão como ultimo gesto de amor de minha parte, e começo a soltar de tuas mãos, gritas com todas tuas forças que todo o bosque estremeçe.

Só desejei poder escutar tua melodiosa voz, pois meus sentidos os sigo perdendo pouco a pouco, fecho meus olhos por uns instantes, fazendo uma pequena prece, não para mim, mas para esse anjo que me deu outra oportunidade, esse anjo és tu, te vejo querendo descer , coisas que não permito, suplicas-me que não faça tolices, sei pelo movimento de seus lábios.

Sem querer jogo o anel que nos une nesta vida , quem sabe em outra vida, em outro tempo me encontres antes que eu vire o moustro que fui, e quem sabe possa voltar a ver esses olhos verdes, verde esperança , e saber que esse sorriso é para mim.

O tempo se esgota, e a superfície que te sustenta começa a desmoronar, não séria justo que morresse comigo, ainda tens muito o que viver, eu só sou uma pedra no seu caminho e este amor que te tenho, guardarei em meu frio e escuro coração.

“Sinto muito” pude sussurrar por fim, ao mesmo tempo que solto tua mão, gritas meu nome, ergo minha mão numa tentativa inútil de tocar teu rosto, sorri-te pela ultima vez até que te perco lentamente na escuridão deste abismo.

Fin.

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