- Era
noite, o in�cio do dia para aquelas duas guerreiras que andavam lado
a lado pela mata, admirando os detalhes da escurid�o que lhes passaram
despercebidos por todos esses anos. A guerreira mais alta, com passos muito
firmes admirava a seguran�a que o sil�ncio da noite proporcionava,
aliado aos seus novos poderes auditivos e visuais esse fato era ainda mais
relevante. A pequena guerreira, n�o menos corajosa, n�o admirava
o sil�ncio mas o suave barulho dos pequeninos seres noturnos, uma
verdadeira sinfonia. Ela respirava fundo
e se sentia em paz, apaixonada por tudo � sua volta... fielmente
e incondicionalmente entregue �quele momento... e feliz por isso,
por estar ali com ela. Pensou que momentos como aquele eram raros... quase
fechava os olhos para senti-lo totalmente e quase toc�-lo. Queria
ouvir sua voz.
-
- _ Precisamos
buscar Argo.
- _ N�o
� o que estamos fazendo? Retrucou Xena.
-
- A barda
franziu a testa.
-
- _ Como
sabe onde ele est�? Sentiu orgulho de sua companheira pois mesmo
podendo voar ainda preocupava-se com seu cavalo.
- _ Sei
l�... �s vezes sei sobre algumas coisas...
- _ Ser�
que l� pensamentos como Lestat?
- _ Isso
n�o acontece sempre Gabrielle... Co�ou o queixo _mas pode
ser.
- _ Huummm...
- _ O
que foi? Disse com a m�o sobre o chakram.
- _ Preciso
tomar cuidado com o que penso. Xena relaxou novamente apertando a boca e
sacudindo a cabe�a levemente.
- _ Por
qu�... tem algo para me esconder? Disse sem olhar para a barda.
- _ Sempre
temos pensamentos �ntimos, voc� n�o tem?
- _ N�o,
eu falo o que penso.
- _ �
uma piada n�o �? Se fosse assim estar�amos completando
anos de... casadas?!?... �... casadas. Xena suspendeu uma das sobrancelhas
e olhou para sua companheira.
- _ O
que disse???
- _ Escuta
aqui... Gabrielle se colocou � frente da Guerreira com dedo em riste
em seu t�rax. _Quero que saiba que acho uma grande falta de respeito
ter algu�m lendo meus pensamentos, eu a pro�bo.
- _ �-h�... Xena empurrou-a
seguindo seu caminho.
- _ A-h�... n�o sei por que
n�o estou menos preocupada.
- _ Precisamos
trocar estas roupas tamb�m... Xena olhou para suas roupas admirando
sua sujeira... vestia uma cal�a de linho caqui, uma blusa de seda
bege e sapatos e cinto marrons. Todo o conjunto havia sido presente de Gabrielle,
ela havia gostado tanto de seu "estilo do s�culo XX" que
n�o queria que mudasse enquanto estivessem por l�.
- _ AAAHHHH!!!...
voc� fez de novo, n�o fez?
- _ N�o
li seus pensamentos Gabrielle... isso � �bvio! Ter�
que fazer isso por n�s, pois tem que ser durante o dia.
- _ Humph! Sei... sei... que horas acha que
durmo Princesa Guerreira, j� que estou sempre aqui com voc�?
- _ Bem...
a n�o ser que queira ficar... vi�va?!?... �... vi�va, acho melhor dormir mais
tarde esta manh�.
- _ Como
�? repete!? A barda abriu um sorriso de um canto ao outro da orelha.
- _ Vamos
Gabrielle... a noite � uma crian�a...
- _ Ah...
pelos Deuses, agora ela j� est� pensando em filhos... escuta
aqui, sou pequena, fr�gil e se acha que dei trabalho
gr�vida por um dia espere at� estar gr�vida
de verdade! se algu�m aqui ter� filhos � melhor que
seja voc�, olha que quadris enormes voc� tem... e olha que...
- _ Quer
parar de delirar e andar logo?
- _ Foi
uma piada... cad� seu senso de humor? Credo, eu heim...
-
- Haviam
chegado do futuro na noite anterior. Gabrielle, sempre adaptada ao hor�rio
noturno de sua amiga, estava pronta para acompanh�-la e ajudar a
encontrar a "cura" para aquele mal, e n�o poderia ser diferente,
n�o importava quando, onde ou por que, apenas n�o poderia
ser diferente.
-
- Algumas
horas depois chegaram a uma vila pequena e calma e pararam em frente a um
celeiro.
-
- _ Gabrielle,
deixou meu cavalo num celeiro???
- _ Claro
Xena, aqui ele est� mais seguro... e al�m do mais os...
- _ Nunca
mais me pergunte: "por qu� ele me odeia tanto?" Disse Xena
imitando-a.
- _ Mal
agradecidos, isso � o que voc�s s�o... os dois!!! Esqueceu-se
de como ele ficou quando deixou-o
por muito tempo sozinho? Quase que ele n�o volta...
- _ Ah,
que �timo! Imagine como ele deve estar agora... nem uma macieira
inteira ir� acam�-lo! Me espere
aqui, eu vou busc�-lo.
-
- Xena
demorou alguns minutos para sair e Gabrielle resolveu entrar. Quando estava
pronta para abrir a porta do celeiro Xena o fez primeiro empurrando-a para
tr�s.
-
- _ Ent�o,
tudo bem? Perguntou.
- _ Tudo...
Respondeu Xena. Gabrielle percebeu que Argo estava um doce com sua dona,
estava at� co�ando a testa em suas costas demonstrando suas
saudades. Ela n�o entendeu como aquilo poderia estar acontecendo,
afinal, se ela conhecia "algu�m" temperamental esse "algu�m"
era Argo.
- _ O
que fez?
- _ Nada
de mais... apenas esclareci algumas coisas para ele...
-
- Ent�o
Gabrielle aproximou-se e estendeu a m�o para acarici�-lo,
mas a rea��o do cavalo n�o foi nada d�cil.
-
- _ Mas
acho melhor voc� n�o ficar muito perto dele por uns tempos...
ah! e aproveite para procurar uma macieira. Completou Xena.
-
- (...)
-
- A Princesa
Guerreira puxava Argo pelas r�deas ao lado de sua companheira quando
sentiu a presen�a do Deus.
-
- _ Cronos...
- _ h�?
- _ Shhhhh... ele est� aqui.
- _ Ora,
ora... ent�o n�o � s� com Ares que acontece...
Disse o Deus surgindo � sua frente _Cuidado, ele vai ficar com ci�mes.
- _ Estou
cada vez melhor no que diz respeito a voc�s... ent�o, veio
cobrar minha d�vida?
- _ �
bom que seja direta... como sempre. Sim, o ex�rcito grego est�
preste a invadir Tr�ia e n�o quero que nada aconte�a
� Mariel
nem ao meu filho, e n�o posso interferir pois n�o quero chamar
a aten��o de Zeus.
- _ Mas
Tr�ia n�o estava vencendo essa guerra? Gabrielle ficou entre
os dois.
- _ Sim
Xena... claro... Khayman me contou
sobre um plano de invas�o � Tr�ia que se chama "O
Cavalo de Tr�ia". Gabrielle come�ou a andar em c�rculos,
com a m�o no queixo, narrando a hist�ria: "Epeu
construiu um cavalo de madeira, dentro do qual se esconderam Ulisses (um
astuto comandante Grego) com os seus mais valorosos guerreiros. Os gregos
o deixaram �s portas de Tr�ia enquanto seu ex�rcito
fingira abandonar a luta escondendo-se em Tenedos,
esperando que um espi�o, T�rian, fosse capturado propositadamente
convencendo-os a levar o cavalo para dentro dizendo ser uma promessa feita
para pagar o roubo do Pal�dio e que seria prejudicial aos troianos
se o ofendessem e ben�fico se o recebessem dentro de seus muros.
Os troianos ca�ram na armadilha. Na noite seguinte, a frota grega
avisada por meio de uma fogueira acesa por T�rian ou, segundo outras
lendas, por Helena, voltou silenciosamente ao litoral de Tr�ia e
dirigiu-se � cidade. Enquanto isso sa�ram do interior do cavalo
os trinta guerreiros e abriram os port�es, assim o ex�rcito
grego penetrou em Tr�ia e come�ou um terr�vel exterm�nio
e saque." Terminou Gabrielle.
- _ Exatamente...
neste momento o ex�rcito grego est� se retirando e ficaram
apenas T�rian e alguns soldados para levar a constru��o
�s portas de Tr�ia.
- _ Sabe
que se pudesse escolher estaria do lado oposto da batalha.
- _ Sinto
muito.
- _ Onde
est� o comandante Ulisses?
- _ No
interior do cavalo.
- _ Quando
eles levar�o o cavalo? Perguntou.
- _ Daqui
� duas horas.
- _ Isso
n�o me d� muito tempo para chegar � Tr�ia...
- _ �
por isso que conto com suas novas... habilidades.
-
- Dizendo
isso o Deus desapareceu.
-
- _ Nossa,
ele foi r�pido n�o?
- _ Ele
j� sabia da invas�o quando atendeu ao meu pedido Gabrielle.
- _ Mudaremos
a hist�ria quando impedirmos que o plano de Ulisses d� certo.
- _ N�o
ser� preciso mudar a hist�ria... vamos, monte em Argo.
- _ O
qu�?! Ah n�o Xena... nem pensar!!!
- _ Gabrielle,
n�o temos tempo para isso!
- _ Ah e a culpa � minha, n�o
fui eu quem "esclareceu algumas coisas para ele"...outra coisa,
como vamos chegar � Tr�ia a tempo num cavalo?
-
- Xena
segurou sua amiga pelas pernas e pendurou-a em Argo, "_ Aiii!!!".
Segurou o cavalo pela barriga e come�ou a subir, levando os dois
nos bra�os... "�, isso sim � incr�vel..."
pensou Gabrielle.
-
- Chegando
� Tr�ia, Xena colocou-os no ch�o e disse:
-
- _ Gabrielle,
v� at� a cidade e procure por Mariel
e leve-a para um lugar seguro enquanto retardo os soldados que est�o
no acampamento e me espere l�... vai!
-
- Gabrielle
dirigiu-se � cidade e convenceu um dos soldados dos port�es
a entrar dizendo estar gr�vida e
prestes a dar � luz. Procurou por Mariel
e deu o recado do Deus Cronos, pedindo-lhe que sa�sse imediatamente
da cidade.
-
- Depois
de lev�-la � um lugar
seguro, desobedeceu �s ordens da amiga e voltou ao acampamento dos
soldados. L� chegando a barda
foi reduzindo a velocidade de seus passos vagarosamente sem conseguir acreditar
no que via � sua frente... era um verdadeiro genoc�dio...
os soldados haviam sido brutalmente assassinados e estavam cobertos de sangue...
a maioria apresentava furos no pesco�o... constru�a-se um
len�ol de corpos e morte por todo o ch�o do lugar. Gabrielle
come�ou a andar entre os corpos em dire��o a uma das
tendas, incr�dula em seus pr�prios olhos... entrou na tenda
pouco iluminada e seu cora��o parou por um segundo... deparou-se
com Xena segurado um homem... dando-lhe o "abra�o da morte"...
sua vida esvaia-se rapidamente � medida que a Princesa Guerreira
sugava-lhe o sangue... ela tinha sangue por todo o rosto e ao redor da boca
quando notou a presen�a de Gabrielle... seu olhar, antes selvagem,
agora era de susto e vergonha.
-
- _ Xena...
Uma l�grima caiu pelo rosto da barda.
-
- Xena
soltou o soldado e abriu um buraco na lona para correr e sumir entre as
�rvores... Gabrielle abaixou-se e constatou que o homem estava morto...
ouviu um gemido num canto da cabana e, preparando seu cajado se dirigiu
� ele. Escondido, estava um
soldado em p�nico.
-
- _ Quem
era ele? Perguntou apontando o homem morto.
- _ T
- T�rian...
- _ Qual
� o seu nome?
- _ Sinone...
- _ Onde
est� seu comandante?
- _ No
cavalo...
- _ V�
avis�-lo...
-
- O dia
estava chegando e seria in�til procurar por Xena agora... Gabrielle
voltou ao lugar onde estava Mariel
e disse-lhe que fosse ao Deus Cronos para que este a orientasse sobre o
que fazer ou aonde ir... quando Ele apareceu.
-
- _ Obrigado...
eu cuido dela agora. O Deus reparou na express�o abatida da barda.
_N�o fique t�o perturbada Gabrielle, Xena tem instintos que
n�o pode compreender.
- _ Xena
sempre teve instintos que n�o pude compreender Cronos... estes
n�o sei se posso aceitar.
-
- (...)
-
- Gabrielle
novamente esperava o sol se p�r. Sentada sobre uma das pedras que
cortavam o rio pensava em Xena e em como estaria... aquela imagem horr�vel
n�o sa�a de sua cabe�a mas nem mesmo ela a fazia ver
em Xena uma estranha. Olhava a �gua
dourado escura e tinha uma express�o triste nos olhos... tinha
medo de perd�-la ou de perder-se dela ou at� de si mesma...
ela sabia que na verdade n�o tinha escolha, seu amor por ela n�o
impunha condi��o, impunha sim sua pr�pria f�...
sua pr�pria fidelidade... se a deixasse se perderia de tudo novamente:
dela e de si mesma.
-
- _ Onde
voc� est� Xena? Sussurrou.
-
- Distra�da,
n�o se deu conta de que j� havia escurecido.
-
- _ Boa
noite Gabrielle...
-
- A barda
olhou-a e sorriu colocando os dedos sobre a boca.
-
- _ O
que foi? Perguntou Xena.
- _ Voc�
est� parecendo um gafanhoto, cheia de folhas secas pelos cabelos...
Xena sorriu de volta... aliviada.
- _ Blusa
nova? Perguntou.
- _ �,
pois �... tirei alguns excessos da original... acho que vou ficar
com a cal�a, gosta?
-
- A guerreira
respondeu que sim com um movimento de cabe�a, reparando em seu abd�men
musculoso... como ela havia mudado... a Princesa Guerreira abra�ara
tanto o mundo, preocupava-se tanto com seguran�a, justi�a
e verdade que detalhes t�o importantes como o crescimento de um dos
maiores motivos de tanta dedica��o �s vezes lhe passava
despercebido. Muitas vezes n�o tinha tempo de fazer coisas que lhe
davam tanto prazer como olhar para ela e ouvir seus del�rios... pensando
nisso ganhou uma express�o triste nos olhos... agora ent�o
que havia se tornado uma criatura ainda mais instintiva e selvagem, n�o
iria descansar at� encontrar a "cura". Seu cora��o
do�a ao ver sua Gabrielle ali, firme e incondicional ao seu lado...
imaginava a que custo, para ela, isso era poss�vel.
-
- _ Vou
tomar um banho. Disse Xena enquanto come�ava a tirar a roupa.
- _ N�o
disse que n�o precisava?
- _ E
disse tamb�m que tomava mesmo assim.
- _ Mas
Xena, essa �gua deve estar muito fria...
- _ Eu
n�o sinto frio Gabrielle, sabe disso! Respondeu rispidamente, mudando
de express�o.
-
- A barda
franziu a testa e assistiu sua companheira tirar a roupa suja de terra "_
Ela se enterrou para dormir...", pensou. N�o havia lua e a noite
estava escura mas a pele da Guerreira era t�o branca que o contraste
chegava a ser inc�modo, como se seu corpo fosse a pr�pria lua
ferindo a noite... Gabrielle teve vontade de toc�-la mas Xena mergulhou
desaparecendo nas �guas escuras do rio... demorou muito para emergir
e por um segundo Gabrielle se preocupou mas lembrou-se do quem ela era agora
e pegou suas roupas para lavar... sentou-se novamente e viu seu rosto ressurgir...
Xena escalou a pedra e sentou-se ao seu lado abra�ando suas pr�prias
pernas e descansando o queixo sobre os joelhos. Gabrielle olhou-a com ternura
e levou seus dedos at� o rosto da guerreira acariciando-o, fazendo-a
fechar os olhos... puxou seu queixo e beijou-a... sua boca estava molhada
e fria.
-
- _ O
que posso lhe dizer Gabrielle? Disse Xena abrindo os olhos e olhando com
tristeza.
- _ Sente
quando lhe beijo? Perguntou Gabrielle com a voz muito doce.
- _ Sim
Gabrielle, eu sinto... voc� me conforta, me faz sentir
viva. A barda sorriu olhando sua guerreira e acomodando seu cabelo
atr�s da orelha.
- _ Eu
te amo Xena...
- _ Eu
tamb�m, mas n�o lhe fa�o bem, menos ainda agora...
- _ E
eu, como acha que me sinto? O que posso fazer por voc� agora que n�o
precisa mais da minha ajuda? Me tornei
um peso ainda maior depois que se tornou t�o... invenc�vel.
- _ T�o...
assassina.
- _ Vamos
mudar isso... juntas, eu sei... n�o sei como faremos isso mas estarei
aqui de qualquer maneira.
- _ Voc�
n�o precisa fazer nada... saia do meu lado Gabrielle, e eu morro
mesmo.
- _ J�
disse que amo voc�? Disse num sorriso impag�vel.
- _ A um minuto. A guerreira sorriu tamb�m.
- _ Ah...
ent�o t�... por onde come�amos mesmo?
- _ Come�amos
por enxugar essa roupa e arrumar outra, n�o posso ficar andando por
a� assim.
- _ Hummm, eu gosto...
- _ Voc�
gosta de qualquer coisa...
- _ Humf... olha a�, � s�
dar confian�a e pronto, ela
volta � sua arrog�ncia costumeira... eu e minha boca grande!
Xena apenas sorriu.
-
- A Princesa
Guerreira segurou as roupas do s�culo XX e come�ou a rod�-las
numa velocidade incr�vel e depois vestiu-as.
-
- _ Poder�amos
falar com a Deusa Artemis... Disse.
- _ Por
que Artemis?
- _ N�o
� a deusa que protege os animais selvagens?
- _ Xena,
voc� n�o � um animal selvagem... olha, vamos at�
Prometheus...
- _ Prometheus � o Deus da cura dos
mortais Gabrielle... eu n�o sou mais mortal...
- _ Est�
bem... ent�o... que tal Apolo? Dizem que os romanos o adoram como
o Deus da cura tamb�m... assim fica tudo em fam�lia j�
que queria procurar por Artemis...
- _ Apolo...
humph! tudo bem, n�o tenho
nada a perder mesmo.
- _ Escuta...
d� pra irmos andando dessa vez?
-
- (...)
-
- Na noite
seguinte as duas guerreiras andavam lado a lado novamente, a noite estava
mais clara e �mida. Xena levava Argo pelas r�deas, j�
com roupas novas, e Gabrielle tentava inutilmente fazer as pazes com o cavalo
dando-lhe uma ma��, estavam indo para o templo do Deus Apolo
quando ouviram o grito de uma mulher vindo do fundo da floresta.
-
- _ Aaaaahh!!!
-
- A mulher
surgiu de repente na escurid�o de traz dos arbustos e Xena agarrou-a.
-
- _ Calma!
o que foi, o que est� acontecendo???
- _ Por
Zeus ele vai mat�-lo, precisa ajud�-lo, por favor fa�a
alguma coisa!!! Disse a mulher chorando.
-
- Gabrielle
seguiu em dire��o aos arbustos abrindo-o para ver.
-
- _ Escute,
tenha calma... me diga o que est�
acontecendo, quem vai matar quem? Disse Xena.
- _ H�rcules,
ele vai matar H�rcules, o filho de Zeus... precisa ajud�-lo,
r�pido!!!
- _ H�rcules???
Mas o que...
- _ Xena!!!
Berrou Gabrielle.
-
- Xena
correu para onde Gabrielle estava e viu uma nuvem de poeira erguendo-se
no meio da clareira. A terra abria um caminho que ia de encontro �s
duas, partindo o solo ao meio.
-
- _ Gabrielle,
para tr�s!!!
- _ N�o!!!
(...) Xena, a mulher sumiu!
- _ Gabrielle,
Gabrielle! n�o discuta comigo, corre!!!
- _ N�o!!!
eu n�o vou te deixar de novo!
-
- Xena
segurou Gabrielle pela cintura jogando-a para longe no instante em que a
terra se abriu debaixo de seus p�s engolindo-a. No minuto seguinte
tudo voltou ao normal e a barda correu at� a beira do abismo. Estava
muito escuro e ela n�o podia ver nada.
-
- Xena
ca�a por um buraco escuro e apertado,
batendo nas pedras e barrancos at� que ele terminou e deu
lugar a um vazio ainda mais escuro, onde continuava a cair e cair at�
mergulhar nas �guas negras e pantanosas da lagoa do Reino de Hades.
Quando nadou at� a superf�cie encontrou Caronte,
o barqueiro feio que estendia sua m�o para ajud�-la a subir
no velho barco.
-
- _ Ol�
Xena, a quanto tempo... sempre chega
de um modo bem peculiar n�o � mesmo? Quando vai aparecer como
todo mundo. Por falar nisso, est� morta desta vez?
- _ Mais
ou menos Caronte, e espero que nunca
venha do modo normal.
- _ Venha,
eu lhe ajudo, essas �guas n�o fazem muito bem a um mortal.
- _ Ent�o
devem ser rem�dio para mim, mas obrigada.
-
- Ao tentar
subir no barco, virou-o com seu peso jogando o barqueiro na �gua.
-
- _ Mas
o que tem comido afinal?!? Xingou Caronte
furioso.
- _ Ferro,
ferro de mais... vamos, eu o ajudo.
-
- Xena
virou o barco e ajudou o barqueiro a subir quando ouviu um uivo, olhou para
a margem e viu o monstro com H�rcules na boca, sacudindo-o. Era um
c�o enorme e monstruoso... tinha tr�s cabe�as, corpo
de le�o e rabo de serpente... ele era o bichinho de estima��o
de Hades, o guardi�o do submundo. Xena deu um salto de onde estava
at� aterrizar no focinho da criatura... for�ou sua boca com
os p�s, obrigando-o a soltar H�rcules. O monstro, furioso,
tentava se livrar da Princesa Guerreira sacudindo-se alucinadamente mas
era in�til... Xena agarrou-se a um de um de seus dentes e com um
soco e dois chutes aplicou-lhe o
golpe dos pontos de press�o e voltou para sua boca em seguida, numa
velocidade alucinante.
-
- _ H�rcules,
me ajude!!!
- _ Xena!!!
Berrou H�rcules meio atordoado, esfor�ando-se para levantar-se.
_ Eu estou indo!
-
- O filho
de Zeus levantou-se e puxou o monstro pelas pernas fazendo-o cair. Pegou
uma corrente e prendeu-o pelas patas, deixando-o im�vel. A Princesa
Guerreira soltou-se da boca do bicho e disfar�adamente, com um chute
de calcanhar, devolveu sua circula��o sangu�nea.
-
- _ Voc�
e seus pequenos trabalhos... filho de Zeus.
- _ Ol�
Xena... vida dif�cil, sabe como �...
- _ Vamos,
termine. E entregou sua espada a H�rcules.
- _ N�o
Xena... obrigado, mas esse eu quero vivo (...) voc� est� bem?
tem alguma coisa diferente em voc�... o que �?
-
- _ Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhh!!!
-
- Eles
ouviram o grito e logo depois viram algo,
ou algu�m cair em cima do barco feito de palha e cip�.
-
- _ Ah,
mas que maravilha, hoje deve ser meu dia de sorte!!! Reclamou o servo de
Hades novamente na �gua.
- _ Desculpe...
("nossa! Que bicho feio!" pensou.) pode me ajudar a chegar at�
a margem senhor? Disse Gabrielle.
-
- Xena
observava furiosa enquanto H�rcules sorria, divertindo-se com a cena.
-
- _ Aiiii, como � teimosa!!! Resmungou
entre os dentes.
- _ Tenha
calma Xena, ela s� se preocupa com voc�... se
preocupa at� de mais (...) o que � louv�vel
pois sabe que se voc� n�o pudesse se virar sozinha, ela pouco
poderia fazer.
- _ Ela
salva minha vida todos os dias H�rcules. Disse Xena olhando-o nos
olhos de forma muito profunda e fraterna.
- _ Oi
H�rcules. Disse Gabrielle acabando de chegar.
- _ Ol�
Gabrielle... respondeu o semideus sorrindo.
- _ Oi
Xena... eh, tudo bem? Disse, co�ando
o queixo com um sorriso amarelo. N�o obteve resposta, apenas um olhar
repreensivo.
-
- H�rcules
se despediu e seguiu para o port�o do reino de Hades arrasando o
c�o enquanto Xena preferiu sair pelo buraco de onde veio para voltar
ao ponto em que estava. Quando o Semideus j� estava fora de vista
segurou Gabrielle pela cintura e voou at� o buraco no "teto"
do submundo, come�ando a escalar pelas rochas e barrancos.
-
- _ Xena,
por que n�o voou l� em cima quando a terra estava se abrindo?
- _ Esqueci.
- _ O
qu�? Esqueceu? �timo, maravilha, voc� esqueceu e por
causa disso tomei um empurr�o, eu poderia ter me machucado, sabia?
(...) Xena, Xena volta...
- _ O
qu�?
- _ Volta,
� o sol, ele j� nasceu, estou vendo a luz... teremos que esperar
aqui.
- _ Essa
n�o, s� me faltava essa, agora vou ficar presa no buraco de
Hades, tudo por causa do maldito sol.
- _ O
maldito sol pode ser a sua t�o almejada cura. Disse uma voz vindo
da dire��o da luz.
- _ Zeus...
Sussurrou Xena.
- _ Obrigado
por ajudar meu filho.
- _ Ent�o
foi voc� quem me trouxe aqui.
- _ E
vou retribuir o favor.
- _ Pode
faz�-la voltar ao normal? Perguntou Gabrielle.
- _ Sim,
mas ter� que morrer primeiro. Ver� a luz do sol e nascer�
de novo, fa�a isso e deixe o resto comigo. Dito isso a
luz desapareceu.
-
- As duas
ficaram em sil�ncio, olhando-se por alguns minutos.
-