COPYRIGHT NOTICE: Xena: Warrior Princess, Xena, Gabrielle, Argo, Callisto, and all other characters who have appeared in the series, together with the names, titles and backstory are the sole copyright property of MCA/Universal and Renaissance Pictures. No infringement of copyrights or trademarks is intended in the writing of this fan fiction.

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Lembranças do Passado

por Ferdi

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CAP I

Ao abrir seus olhos, Gabrielle sorriu. Aquela manhã tinha um brilho especial. O céu se encontrava limpo, livre de qualquer nuvem indesejada e o tempo estava perfeito para um refrescante banho no lago.

- Xena? Está acordada? - perguntava a barda enquanto virava a cabeça lentamente, encontrando nada mais do que um cobertor vazio. - Ela deve ter ido buscar o café da manhã... - pensava enquanto espreguiçava-se, pronta para se levantar.

Mas antes que pudesse fazê-lo, Gabrielle sente suas pernas cambalearem. Em questão de segundos, ela estava de volta ao seu cobertor, sua visão, completamente escurecida...

CAP II

Antes de abrir os olhos, Gabrielle tentou relembrar o que havia acontecido. Sua cabeça latejava e seu corpo encontrava-se totalmente dolorido.

- Xena...

Ao se lembrar da amiga, Gabrielle abre os olhos e só então, percebe que já era noite. Ela havia ficado inconsciente por mais tempo do que havia imaginado. Embora estivesse escuro, a barda sabia que seus punhos e pernas estavam fortementes amarrados no tronco de uma árvore. E ficar sozinha naquele lugar, incapaz de fazer qualquer coisa, só servia para deixá-la mais apreensiva.

- Xena? - Gabrielle chamou mais uma vez, esperançosa por ouvir a voz da amiga.

- Cale a boca! - ameaçou uma voz que vinha próximo à fogueira.

- Xena? Xena, é você? - perguntou a barda ao reconhecer a voz da guerreira.

No lugar de uma resposta Gabrielle observou o vulto, que acreditava ser de Xena, se aproximar.

- O que quer?

- Huh? Xena, como assim o que eu quero? Me desamarra...

Por um instante, a guerreira encara Gabrielle seriamente, como se procurasse entender a razão que a levara a dizer aquilo.

- Claro... vou desamarrar você sim... - dizia Xena enquanto tirava uma pequena adaga de sua bota e a aproximava das cordas que mantinham Gabrielle presa.

- Por um momento pensei que não era você... - disse a barda que olhava fixamente ppara a amiga.

- Oh, mas por que achou isso? - pergunta Xena enquanto retornava o olhar para Gabrielle que esperava ansiosamente que a guerreira a soltasse.

Mas ao contrário do que esperava, não foi exatamente isso que aconteceu. A adaga, que em um minuto estava prestes a cortar as cordas, no instante seguinte estava encostada contra o pescoço de Gabrielle que engoliu seco ao sentir a fria lâmina tocar sua pele.

- Xena? O que está fazendo?

- Quem é você?

Confusa com aquela pergunta, Gabrielle encara Xena. - O que? Xena, sou eu, Gabrielle.

- E por acaso eu deveria saber quem é?

- Xena, para com isso... você está me assustando... - dizia Gabrielle que tinha um olhar dde preocupação no rosto.

Por um instante a guerreira permaneceu parada, olhando dentro dos olhos da bard.

- Xena? Sou eu...

Mas a tentativa de fazer com que Xena a reconhecesse foi em vão. Em questão de segundos, a pesada mão da guerreira calava Gabrielle. - Se não calar a boca agora, as coisas vão ficar piores.

Enquanto sentia um fio de sangue escorrer pelo canto de sua boca, Gabrielle se perguntava o que havia acontecido com sua melhor amiga. O brilho em seus olhos indicava claramente que ela havia retornado ao seu passado negro. No entanto, ela sabia que aquele não era o momento certo para conversar com Xena. Ela já havia presenciado a guerreira agir de acordo com seu passado e a última coisa que queria, era ver aquilo acontecendo novamente.

CAP III

Aquela noita havia sido sem sombra de dúvida, a mais longa da vida de Gabrielle. Xena estava deitada de costas para a barda, que tentava inultimente se soltar das cordas que prendiam seus pulsos. Ela precisava se afastar de Xena e pensar em um meio de ajudá-la. Era inútil tentar conversar com a guerreira no estado em que ela se encontrava.

Em pouco tempo, Gabrielle, que havia aprendido com Xena como se livrar dos mais fortes nós de uma corda, estava de pé. Tentando não acordar a guerreira, a jovem passa despercebida pela mesma. Seu cajado estava estendido no chão próximo à fogueira e segurá-lo, certamente a deixou mais segura.

A barda estava pronta para deixar o local quando uma voz, bastante familiar, a repreendeu.

- Onde pensa que vai?

Ao olhar para trás, Gabrielle vê ninguém mais do que sua melhor amiga. Ela tinha um sorriso enigmático nos lábios, o tipo de sorriso que dizia o que estava prestes a acontecer. - Xena, me escuta...

No entanto, a guerreira não parecia se importar com o que Gabrielle dizia. Ela apenas se aproximava da jovem que dava curtos passos para trás. - Xena, sou eu lembra?

- O que fez foi a coisa mais idiota do mundo. - continuava Xena que tinha sua espada à mão.

- Até na morte Gabrielle, eu nunca deixarei você... - dizia Gabrielle que tentava de tudo para fazer a guerreira se lembrar.

Ao escutar aquelas palavras, Xena para de avançar contra sua pequena presa. Ela parecia recordar da amiga, mas segundos depois, o brilho estranho estava de volta nos olhos da guerreira.

- Quem é você?

- Meu nome é Gabrielle. Sou sua amiga, lembra? - dizia Gabrielle que se encontrava alliviada por ter conseguido a atenção da guerreira. - Xena, alguma coisa aconteceu com você... não se lembra de mim, não é?

Sem responder àquela pergunta, Xena olha para os lados, perdida em seu pensamento. Mas tudo indicava que ela tentava se lembrar de algo.

- A única coisa de que me lembro é de uma garota irritante que está tentando me passar para trás.

- Xena, não!!! Eu não estou fazendo isso! Por favor... você precisa confiar em mim...

- Eu juro que se estiver me enganando, vai se arrepender pelo resto da vida. - dizia a guerreira que continuava segurando sua espada de um modo ameaçador.

- Xena, eu nunca mentiria pra você. Você é minha melhor amiga, tem que acreditar em mim.

Por um instante, a guerreira olha fixamente nos olhos de Gabrielle, como se tentasse descobrir se o que ela dizia era realmente verdade.

- A quanto tempo somos amigas? - perguntou Xena que parecia interessada na conversa.

- Quatro anos... que foram e ainda são os melhores da minha vida. Nos conhecemos em Potédia, lembra? Você salvou minha vida de Draco e seus guerreiros.

Enquanto falava, Xena olhava para a fogueira, como se visse os anos anteriores passarem pelos seus olhos.

- Você não lembra, não é? - concluiu Gabrielle que se mostrava ligeiramente desapontada por não ter conseguido fazer Xena se lembrar.

- Não. - respondeu a guerreira friamente. - Agora, vá embora.

- Embora? - repetiu Gabrielle que pressentia que sua vida seria poupada pela guerreira.

- Escute aqui garota, você devia me agradecer por te deixar viva. Agora, vá embora antes que eu mude de idéia.

- Eu não vou a lugar nenhum sem você. - diz a jovem com decisão.

Ao contrário do que a guerreira achava, a barda se mantinha inflexível, parada no mesmo lugar com o cajado em uma das mãos. - Não. Você vai se lembrar e eu vou te ajudar. Com certeza esse é mais um dos planos de Ares... você não pode deixar que ele vença Xena... você é mais forte que isso.

Com um rápido e preciso movimento, Xena deixa sua espada a um palmo do rosto de Gabrielle. - Não vou falar de novo.

- E eu não vou a lugar nenhum. - dizia Gabrielle enquanto soltava seu cajado e olhava fixamente dentro dos olhos da guerreira. - Se quer se livrar de mim, vai ter quue me matar.

Enquanto falava, a jovem podia sentir os batimentos de seu coração acelerarem e lágrimas se formarem em seus olhos. Ela não estava com medo de morrer. O seu medo era o de perder sua melhor amiga.

- Qual é o seu problema??? Vai embora!!!

Sem responder Xena, Gabrielle permanece parada no mesmo lugar.

Percebendo que a garota não iria embora, a guerreira decide assustá-la um pouco. Utilizando sua espada, ela faz um pequeno corte no ombro de Gabrielle, que se afasta no mesmo instante que sente a lâmina cortar-lhe a pele. Só que ao contrário do que Xena esperava, a jovem nem mesmo se esquivou do golpe.

O nervosismo de Xena, por incrível que pudesse parecer, fez com que um brilho de esperança surgisse nos olhos de Gabrielle.

- Xena, me deixe ficar com você... eu posso te ajudar a se lembrar... - dizia enquanto se aproximava da amiga e gentilmente segurava-lhe o braço. - Xena, por favor... - implora Gabrielle.

- O que a faz querer ficar comigo?

- A sua amizade... só por ser quem você é.

- Uma assassina? - perguntou Xena que não conseguia ententer como uma garota que parecia tão pura e inocente insistia em permanecer ao seu lado.

- A Xena que eu conhecia não tinha um lado escuro. Ela lutava pelo bem das pessoas...

- Bom, desculpe desapontá-la, mas não sou essa pessoa.

- Você não pode mudar quem é. A Xena que eu conheço está em algum lugar aí dentro. Mas cabe a você querer encontrá-la.

- Por que está fazendo isso? - perguntou a guerreira que parecia cada vez mais confusa.

- Porque você é minha melhor amiga e eu prefiro morrer a viver longe de você.

Ao ouvir isso, Xena se surpreende. Ela nunca poderia imaginar que alguém pudesse dar tanto por uma vida ao seu lado.

- Gabrielle???

Os olhos da barda, que antes se mantinham fixos no chão, encontram com os de Xena quando esta toca seu queixo com uma das mãos, levantando-o logo em seguida.

- Me desculpe...

Percebendo a mudança de voz da amiga, Gabrielle sorri.

- Xena? É você?

Sem esperar pela resposta daquela pergunta, Gabrielle se joga nos braços da amiga. - Graças aos Deuses é você!

- Não, graças à você. - corrigiu Xena com um sorriso. - como está o seu ombro? - perguntou enquanto examinava o ferimento causado pela lâmina da sua espada.

- Eu estou bem, não é nada...

Mesmo jurando à Xena que estava bem, Gabrielle não pode deixar de notar o olhar de arrependimento no rosto da guerreira.

- Xena, eu estou bem! Sério! - dizia a barda que segurava a mão da amiga fortemente.

- Gabrielle, eu podia ter te matado...

- Mas não o fez. Graças a Zeus isso não aconteceu! - brincava Gabrielle que sabia onde a amiga estava querendo chegar.

- Por que você insiste em ficar ao meu lado, huh? - perguntou entre um suspiro.

- Porque como eu disse, você é minha melhor amiga e prefiro morrer a passar minha vida longe de você. - dizia Gabrielle com um sorriso nos lábios. - Eu te amo Xena. - finalizou.

A guerreira de poucas palavras sorri juntamente com a amiga. Ainda abraçadas, Xena susurra no ouvido de sua melhor amiga:

- Eu também te amo Gabrielle.

 

FIM

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