DISCLAIMER:
 
A est�ria a seguir cont�m temas adultos expondo rela��es sexuais expl�citas entre duas mulheres adultas. Se voc� for menor de 18 anos ou onde mora � proibido ler esse tipo de material, por favor, n�o continue. A escritora e a pessoa que mant�m o website onde esse trabalho aparece n�o aceita responsabilidade legal pelo n�o cumprimento desse alerta.
 
Os personagens de Xena e Gabrielle s�o marca registrada da MCA/Universal e Renaissance. Elas s�o usadas aqui sem inten��o de lucro ou de infringir as leis de copyright. O resto da hist�ria � de Nayara S�via e nenhum aspecto original desta poder� ser utilizado em outro lugar sem pr�vio consentimento, por escrito, da autora. Essa hist�ria n�o poder� ser alterada e esta informa��o sobre direitos autorais deve sempre aparecer com a mesma.
 
 
INSENSATEZ
Nayara
 
 
�P�lida � luz da l�mpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinadas,
Como a lua por noites embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
 
Era a virgem do mar! Na escuma fria
Pela mar� das �guas embalada!
Era uma anjo entre nuvens d� alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia
 
(...)
 
N�o te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!
 
Uma parte de mim
� todo o mundo:
outra parte � ningu�m:
fundo sem fundo.
 
Uma parte de mim
� multid�o:
a outra parte estranheza
e solid�o.
 
Outra parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
Delira.
(...)
(Ferreira Gullar)
 
 
Mais uma noite em que a Guerreira n�o conseguia dormir, ficava apenas observando toda a perfei��o de sua amada. Observava cada detalhe de seu corpo, cada contorno de sua face e  cada fio de seu cabelo dourado. Quanto mais observava mais crescia seu desejo de t�-la, possui-la, declarar seu amor que a muito escondia at� mesmo de si. Seu cora��o palpitava t�o forte em seu peito que j� n�o podia segur�-lo em seu corpo. Pensava em todo o amor que sentia e que n�o podia express�-lo por mais que desejasse. Somente a id�ia de perder sua amada a enlouquecia, pois ela se tornou n�o apenas uma amiga, mas sua vida, sua alma e todo o seu ser, sem Gaby ela n�o poderia viver. Esses pensamentos lhe traziam ang�stia, desespero, e tomada por seu medo abra�ou sua barda, que dormia ao seu lado, e adormeceu ao doce  perfume do corpo de sua amada.
 
O sol apontava seus primeiros raios pela linha do horizonte quando a barda sentiu o corpo ofegante da Guerreira junto ao seu. Ao olhar o rosto de sua companheira viu a mais terna express�o facial, de completa paz, ternura e amor. Sentia algo estranho, algo que jamais sentiu por qualquer outra pessoa, um sentimento forte que lhe apertava o peito e a fazia querer apenas continuar ali ao lado de Xena, naquele aconchego de seus bra�os que a envolvia com a
suavidade da mais macia das plumas. N�o compreendia ao certo o que sentia quando se encontrava naquele estado. Poderia ser amor? Mas como poderia deseja-la daquela forma, pela qual nunca havia desejado qualquer outra pessoa? Era algo que n�o poderia entender, apenas sentia. Aquela confus�o em seus pensamentos a fizeram levantar, saindo de seu estado
pleno e entrando em um estado conturbado de muitas d�vidas, precisava refletir, despiu-se e caminhou em dire��o ao mar que se encontrava � sua frente.
 
Ao acordar, a guerreira n�o encontrou mais o corpo de sua barda junto ao seu. Levantou-se rapidamente, com receio de que algo poderia ter acontecido � sua Gaby, e deparou-se com a mais perfeita das vis�es humanas, aquela que tanto amava, encontrava-se deitada sobre uma grande pedra � beira mar refletindo um brilho dourado que chegava a lhe ofuscar a vista. O corpo nu da barda provocava uma estranha sensa��o de desejo e medo na Princesa Guerreira.
 
Ainda atordoada com a imagem, Xena caminhou ao encontro de Gabrielle. Sentou-se ao lado da barda e notou a tens�o contida no corpo de sua companheira.
 
- Gabrielle!? - perguntou Xena receosa.
 
-  Bom dia Xena! - respondeu com a mais doce das vozes e o mais belo dos sorrisos.
 
- Est� tudo bem Gaby?
 
- N�o, Xena. H� algo perturbando minha alma. Algo que preciso que voc� me d� a resposta. - disse olhando nos olhos da guerreira.
 
- O que aconteceu? O que lhe perturba?
 
- Xena, preciso que voc� me diga a verdade.
 
- Pelos deuses Gabrielle, o que aconteceu?
 
-  Preciso que me diga o que h� de errado entre n�s.
 
- Errado? Eu n�o entendo, o que h� de errado entre n�s?
 
- N�o sei, hoje quando acordei e senti seu corpo junto ao meu notei que algo entre n�s havia mudado.
 
- Desculpe-me Gaby, eu prometo que isso nunca mais ir� acontecer.
- N�o!! - disse interrompendo Xena - Eu me senti protegida, amada, confortada, algo que jamais havia sentido. Xena, voc� me ama?
 
- Gabrielle, acho melhor n�s n�o tocarmos nesse assunto. - disse levantando-se e andando em dire��o � areia.
 
Gabrielle levantou-se rapidamente vestindo sua roupa e andando atr�s de Xena.
 
- Xena, preciso que me responda. Voc� me ama? - perguntou novamente a barda puxando a princesa pelo bra�o.
 
- Voc� quer mesmo saber?
 
- Quero.
 
Xena parou em frente Gabrielle, e a segurando pelos bra�os come�ou a falar tudo o que havia guardado em seu peito por tanto tempo.
 
- Gaby, eu a amo mais que tudo, mais que a mim mesma.
 
- Ah, Xena! - sussurrava a barda espantada.
 
- � verdade. Gabrielle, voc� � o centro do meu mundo consciente, todos os meus pensamentos giram ao seu redor. Voc� me faz sentir eterna. Tomada de amor, eu me distraio perdida em seu sorriso, o qual vejo em todos os lugares. Tenho que me conter constantemente para n�o ficar perdida em minha imagina��o pensando em voc� eternamente. Pois voc� me faz sentir como ningu�m fez (ou far�). E agora que te amo � dif�cil tirar este doce sorriso de meu cora��o e inevitavelmente voc�...
 
Tomada pela emo��o do momento, a barda silenciou a voz extremosa da guerreira com um terno e apaixonado beijo.
 
- Xena, n�o precisa falar mais nada, pois eu tamb�m te amo mais que tudo. Eu te quero junto a mim por todos os meus dias. - respondeu a barda puxando o corpo da guerreira e selando aquele momento com um beijo suave e carinhoso.
 
Tomada pelo desejo de possuir sua barda, Xena tomou Gabrielle em seus bra�os, apertando-lhe contra seu corpo beijando-a intensamente com o desejo dos amantes. Sem interromper o beijo, deitou-a  sobre o cobertor ainda estendido na areia da praia despindo-a lentamente, aproveitando cada momento com maestria.
 
Xena despia Gaby com paci�ncia, preparando sua amada para tom�-la definitivamente. O desejo tomava o corpo das amantes que se entregavam uma � outra com suavidade, ternura e paix�o.
 
Xena dominava sua barda com cuidado, explorando lentamente cada parte de seu corpo, at� ent�o intocado por ela. Sua boca passeava lentamente em cada curva do corpo bem torneado da barda, que tomada de desejo se entregava totalmente � sua guerreira.
 
Gaby sentia-se encharcar de desejo enquanto Xena explorava lentamente seus seios, fazendo-a dar gritos suaves de puro prazer. Sentia a l�ngua de Xena descer at� sua intimidade domando-a pacientemente, sugando-a com prazer e apreciando cada gota do seu gosto, que poderia ser considerado o pr�prio n�ctar dos deuses, fazendo com que a pequena barda entrasse em �xtase com os carinhos de Xena, que por sua vez tamb�m se encontrava em um estado pleno de amor e prazer.
 
Os corpos se uniam, transformando-se em um s�, uma s� alma, uma s� carne, um amor em comum. Duas guerreiras se amando loucamente, domadas pela paix�o que queimava em seus corpos e as faziam eternas durante aquele momento inesquec�vel.
 
As duas guerreiras repousavam em um sono profundo, digno dos amantes, os dois corpos  encontravam-se entrela�ados em um abra�o suave ap�s a conturba��o deliciosa do amor. O sol come�ava a ser tomado pela noite, quando a princesa despertou com um suave e apaixonado beijo de sua barda que a olhava e acariciava seu rosto, que repousava no colo da barda,  a fazendo ouvir a pulsa��o, agora tranquila, do cora��o de Gabrielle.
 
Xena sentia-se completa, como se a outra metade de sua alma finalmente houvesse retornado para seu corpo, n�o pensava em nada, apenas entregava-se nos bra�o de sua amada t�o crian�a. Olhando a barda com ternura ouviu seu suave tom de voz.
 
- Dormiu bem, meu amor? - falava em tom doce.
 
- Como nunca, n�o acredito que j� anoiteceu?!
 
- Quando se ama n�o se v� o tempo passar. N�o sei como demorei tanto tempo para perceber isto. Como pude demorar tanto para ver que voc� me amava tanto, e que tamb�m te amava? E o quanto � bom te amar. - falava a barda com a mais carinhosa e apaixonada das vozes.
 
- Mas agora que tenho voc� ao meu lado no amor, n�o te deixarei por nada nesta vida, nem a morte poder� nos separar agora, pois mesmo que nossos corpos se separem nossas almas continuar�o sempre ligadas, eternamente. - disse beijando novamente a barda.
 
- Nem mesmo a morte, pois nossas almas s�o apenas uma, ligadas eternamente. Eu te amarei por toda minha eternidade. - retrucava a barda.
 
- Quanto tempo n�s perdemos meu amor. - a princesa n�o se perdoava pelo tempo perdido.
 
- � por isso que temos que aproveitar cada instante de paz de agora em diante. Voc� n�o vai quer perder mais tempo n�o �? - provocava a barda beijando intensamente a guerreira.
 
- Gabrieeelle!!! - murmurava a b�rbara.
 
- Xena, como � mesmo que voc� faz aquilo com a l�ngua? - perguntava uma curiosa barda j� saboreando todo o gosto de sua guerreira.
 
- Venha aqui novamente que te mostro. - respondeu Xena puxando sua barda de volta para si.
 
- Ah! Como voc� faz isso?
 
- Olhe e aprenda pequena barda.
 
- Com voc� como professora serei a mais aplicada das alunas, para fazer certinho todos os meus deveres. - sussurrava uma agitada barda.
 
- Pode deixar que eu te ensino direitinho - disse Xena tomando a barda por completo, sentindo novamente o gosto de sua amada tomar-lhe boca e satisfazer sua alma.
 
As duas amantes se amaram por um longo tempo, tendo como testemunha apenas o luar que estava magn�fico como nunca, as estrelas e a lua pareciam refletir em si todo o brilho que contia o amor das duas querreiras. As ondas batiam nas pedras enquanto Xena e Gaby as olhavam sentadas a beira mar envolvidas por um abra�o aconchegante enquanto ouviam toda a m�sica deliciosa da natureza e trocavam carinhos e beijos.
 
Xena perdida nos bra�os de sua crian�a, agora sua mulher, percebeu que haviam ficado ali por todo o dia, apenas se amando e que haviam se esquecido at� mesmo de comer, e sua barda j� haveria de estar faminta.
 
- Gaby, voc� est� com fome? Passamos todo o dia sem comer. - perguntou Xena interrompendo um beijo.
 
- N�o, hoje o �nico alimento de que preciso � voc�, minha guerreira. - respondeu puxando novamente os l�bios de Xena para junto dos seus, mordendo-os suavemente.
 
- � s�rio Gaby, voc� quer comer alguma coisa? Eu vou pescar algo para n�s comermos. - respondeu Xena levantando-se e andando em dire��o ao mar.
 
- Tudo bem, mas volte logo, e n�o fuja de mim.
 
- Pode deixar que eu volto.
 
A lua refletia seu brilho no corpo da b�rbara dando um tom prateado em contraste aos seus cabelos negros. A barda observava cada movimento de sua amada enquanto ela pescava seu alimento e retornava ao seu encontro com o corpo molhado pela �gua do mar.
 
Xena preparou o alimento entregando cada peda�o do peixe na boca de Gabrielle, que aproveitava para sentir o gosto das m�os de Xena, salgadas pela �gua do mar.
 
Ap�s o delicioso jantar Gaby tomou Xena pela m�o levando-a em dire��o ao cobertor onde se sentaram e voltaram a observar o mar envolvidas por um abra�o, ficando ali at� adormecerem envolvidas em seus pr�prios corpos,  e se deliciando com aquele t�o esperado momento de pura intimidade.
 
O raiar do sol fez com que Xena acordasse, sentindo o peso do corpo da sua barda sobre o seu, beijou-a levantando-se para vestir sua roupa de couro.
 
Preparou um delicioso banquete para sua barda com frutas, queijo, p�o e peixe. Andou em dire��o � barda que dormia tranquilamente despertando-a com um delicioso beijo.
 
- Gaby!? - chamou a princesa.
- Hum... - murmurou
 
- Acorde minha bardazinha, o sol j� est� alto no c�u. - sussurrou beijando-a novamente.
 
- Bom dia meu amor! - falou abrindo os olhos deparando-se com a imensid�o azul do olhar de sua guerreira.
 
- Venha, preparei o caf� para voc�. - disse levantando-se e puxando a barda pelas m�os. Gabrielle se enrolou no cobertor e sentou-se ao lado da guerreira.
 
- Quanta fartura Princesa Guerreira, tudo para mim? Quanta honra . - indagou Gaby.
 
- Isso n�o � nada perto do que eu faria por voc�.
 
- O qu�? O que voc� faria por mim?
 
- Tudo. Moveria montanhas.
 
- Nunca pensei que fosse t�o importante para voc�.
 
-  Voc� � minha vida. - disse tomando a barda em seus bra�os e beijando-a. Xena mais uma vez entregava seu cora��o para Gaby e a cada beijo sentia-se ainda mais amada por sua pequena barda.
 
- Gaby, estive pensando que n�s poder�amos deixar a Gr�cia por algum tempo e irmos para um lugar onde pud�ssemos  ficar s� n�s duas, sem nos preocupar com o resto do mundo. Quero te conhecer.
 
- Como me conhecer?
 
- Quero te conhecer como voc� � agora, minha amiga, minha amante e minha amada.
 
- E que lugar seria este?
 
- Estava pensando em Rodes, dizem que � uma bel�ssima ilha. O �nico problema � o seu enj�o de barco.
 
- N�o, por mim est� tudo bem, o que eu quero � ficar com voc�.
 
- Ent�o partiremos ainda hoje para pegar um barco no porto mais pr�ximo. N�o quero perder um segundo sequer. - tomou a barda em seus bra�os retirando o cobertor de seu corpo e possuindo-a novamente sobre a areia da praia, onde a teve pela primeira vez.
 
Xena estava deitada ao lado do corpo nu de Gabrielle quando sentiu uma estranha sensa��o, de que algu�m as observava. Levantou-se rapidamente ao ver o deus da guerra � sua frente.
 
- Ares!! - disse assustada.
 
- Ora, ora, ora. N�o � que a princesa guerreira se acertou mesmo com sua �amiginha� morta de fome!
- O que voc� quer?
 
- Nada, por enquanto, apenas presenciar este lindo momento. N�o entendo voc�. Porque prefere esta garotinha enquanto pode ter o deus da guerra em suas m�os?
 
- Porque ela me deu algo que voc� nunca poder� me dar, ela me deu a luz da minha alma.
 
- Mas a luz poder� se transformar em trevas.
 
- Isso � algo que nunca ir� acontecer.
 
- Veremos minha cara, veremos. A prop�sito, voc� est� magn�fica como nunca. - disse olhando para o corpo nu de Xena enquanto desaparecia na praia.
 
- Gaby!! Acorde, vista-se que temos que partir. - falou enquanto vestia-se.
 
- O que houve Xena? Porque est� nervosa?
 
- Ares esteve aqui enquanto dormia.
 
- E?
 
- Nos viu juntas.
 
- N�o entendi, qual o problema?
 
- N�o sei, mas algo me diz que ele est� aprontando alguma. Ande, vamos partir imediatamente.
 
As guerreiras cavalgavam pela orla marinha sentindo toda a brisa do mar e o calor delicioso de seus corpos unidos. Gaby sentia os bra�os de sua guerreira puxando o seu corpo e a envolvendo em seu bra�os enquanto sua boca lhe beijava o pesco�o a provocando at� a barda n�o mais aguentar e puxar o rosto da guerreira para um beijo.
 
Andavam de m�os dadas quando viram um homem correr em suas dire��es, parecia assustado, como se estivesse fugindo de algo ou algu�m, parando ao encontrar Xena.
 
- Voc� � Xena? - perguntou o pobre homem aflito.
 
- Sou, porque? - respondeu assustada soltando a m�o da barda.
 
- � a Callisto, ela voltou, est� atacando uma aldeia atr�s daquelas colinas, est� matando todos, homens, mulheres e crian�as. H�rcules est� tentando det�-la mas ela voltou com um ex�rcito duas vezes maior do que antes. Ent�o soubemos que voc� foi vista por estas �reas e H�rcules pediu para que viesse pedir ajuda.
 
- Quanto tempo a cavalo estamos da aldeia?
 
- Duas, uma hora, se for r�pida.
 
- Gaby, preciso ir deter a Callisto, v� para Ne�polis e me espere l�. Procure uma hospedaria para passar a noite, amanh� bem cedo eu te encontro l�.
 
- Xena, tome cuidado.
 
- Pode deixar, eu tomarei. - disse beijando a barda.
 
- Eu te amo Xena.
 
- Tamb�m te amo Gabrielle. - falou ao montar Argo.
 
A guerreira saiu a todo galope em dire��o � aldeia enquanto a Barda se dirigia para Ne�polis.
 
Ao chegar na aldeia Xena encontrou toda a popula��o em cruzes, H�rcules lutava contra dez guerreiros ao mesmo tempo e j� estava cansado. Ao ver Xena, Callisto correu imediatamente ao seu encontro.
 
- Ora, ora, ora, se n�o � a nossa Princesa Guerreira. Estava com saudades de voc� Xena, ent�o resolvi tirar umas f�rias do Inferno para vir te visitar.
 
- � uma honra saber que veio s� para me ver. - falou ao descer de Argo com tom ir�nico.
 
- Ah, Xena voc� est� magn�fica, � uma pene que meu senhor me deu apenas um dia para me divertir aqui em cima, mas isso ser� o bastante agora que te encontrei.
 
- Pare de falar Callisto, venha fazer seu trabalho, lute.
 
Xena sacou a espada e correu em dire��o a Callisto que sacava sua espada e contragolpeava Xena. A Princesa Guerreira lutava com paix�o, sede de vit�ria mas n�o conseguia ferir Callisto, que j� havia se tornado imortal.
 
- N�o adianta Xena, voc� n�o pode matar os mortos. Eu n�o existo mais, estou apenas em uma miss�o passageira.
 
- Que miss�o? - perguntou aplicando outro golpe.
 
- A miss�o de acabar com sua alma. Matar todo o seu ser.
 
- Voc� nunca ir� conseguir isto, por mais que tente.
 
- Est� enganada minha cara, completamente enganada, poucas horas foram necess�rias para articular todo o plano para acabar com voc�.
 
- Voc� est� delirando.
 
- Desculpa desponta-la mas seu destino j� est� tra�ado e n�o tem como mudar. Eu venci.
 
A luta se desfez quando Callisto come�ou a desaparecer lentamente.
 
- Voc� est� errada, eu continuarei, mas voc� j� acabou. Ainda vivo.
- N�o se deixe levar pelo cora��o Xena.
 
Callisto desapareceu entre as cruzes deixando Xena confusa. Porque ela haveria de aparecer e desaparecer t�o r�pido?
 
A luta contra os homens de Callisto durou mais algumas horas at� Xena e H�rcules os derrotarem definitivamente.
 
- Como vai H�rcules? - perguntou exausta ap�s a luta.
 
- Tudo bem, e voc�? Por onde tem andado?
 
- Na mesma vida de sempre, andando por a�, lutando com alguns guerreiros. Onde est� Iolaus?
 
- Estava a caminho daqui mas n�o sei o que houve, e ele n�o apareceu. Estranho. E a Gabrielle?
 
- Pedi que me esperasse em Ne�polis, n�o queria que visse a Callisto. Por falar nisso, tenho que correr para encontr�-la, prometi que a encontraria pela manh� mas quero fazer uma surpresa a ela.
 
- Voc�s se acertaram?
 
- Como!?
 
- Voc�s se entenderam?
 
- H�?! Completamente.
 
- � bom saber disso.
 
- � bom viver isso.
 
- Fico feliz.
 
- Obrigado. H�rcules, tenho que ir agora ou n�o chegarei mais cedo � Ne�polis. At� mais.
 
- At�, Xena. -  despediu-se quando a guerreira saia ao encontro de sua Gaby.
 
A noite j� estava alta quando Gaby chegou � hospedaria onde para sua surpresa encontrou com Iolaus sentado em umas das mesas. Pediu um quarto e foi ao encontro de Iolaus.
 
- Iolaus?! O que faz aqui? Voc� deveria estar lutando contra Callisto, ajudando Xena e H�rcules.
 
- Como vai Gabrielle? Sente-se e tome vinho comigo.
 
- Porque n�o est� com H�rcules? - insistiu a barda.
 
- Tivemos uma pequena discuss�o. H�rcules n�o aceita estar errado.
 
- Entendo.
 
- Voc� vai esperar por Xena aqui?
 
- Vou, ela vir� me pegar pela manh�. Estou em um quarto aqui na hospedaria.
 
- Eu tamb�m estou aqui.
 
- Ent�o nos vemos amanh�. Vou para meu quarto pois estou cansada e tenho que acordar cedo.
 
- At�. Durma bem.
 
Gabrielle subiu em dire��o a seu quarto deitando-se na grande cama, que havia pedido caso Xena quisesse descansar antes de partir, dormindo profundamente.
 
A Guerreira havia viajado horas para ir ao encontro de sua amada, chegando � altas horas da noite em Ne�polis. Ao encontrar a hospedaria, perguntou sobre Gabrielle obtendo o n�mero do quarto da barda. Subiu as escadas rapidamente, n�o via a hora de encontrar sua barda e t�-la em seus bra�os, mas aquele pequeno corredor que a separava de sua amada parecia n�o ter fim.
 
Chegando finalmente ao quarto de sua barda, abriu a porta lentamente para n�o acorda-la e deparou-se com a mais cruel das cenas que seus olhos poderiam lhe revelar. Sentiu seu cora��o ser dilacerado com o mais vil golpe fazendo com que derramasse l�grimas de dor, raiva, pois aquela que tanto amava se encontrava nua, envolvida pelo corpo completamente nu de Iolaus. A dor que corro�a seu cora��o e dilacerava sua alma, a fizeram gritar de dor fazendo com que acordasse os amantes.
 
- Xena!? O que houve? - assustou-se Gabrielle com a vis�o da guerreira totalmente descontrolada a sua frente.
 
- O que houve?! Eu que deveria lhe fazer esta pergunta. - falava ironicamente tentando conter as l�grimas.
 
A barda olhou ao seu redor vendo Iolaus ao seu lado completamente nu assim como ela mesma. N�o entendia o que Iolaus estava fazendo ali deitado nu ao seu lado, mas isso j� n�o interessava, tinha agora de achar uma sa�da para se explicar com a Guerreira.
 
- Iolaus!? - surpreendeu-se a barda.
 
-  Gabrielle!? Xena!? - acordou assustado com a cena em que se encontrava.
 
- Xena, eu n�o sei o que aconteceu aqui, mas n�o houve nada entre Iolaus e eu. - tentou explicar-se a barda cobrindo seu corpo.
 
- Como n�o sabe? Se quiser eu posso lhe explicar o que houve. - ironizou Xena.
 
- Xena, n�o houve nada, eu lhe garanto. - afirmou Iolaus vestindo rapidamente suas roupas.
 
- Voc� saia daqui.
 
- Xena...
 
- SAIA! AGORA! - irritou-se Xena.
 
Iolaus saiu rapidamente sem entender o que estava acontecendo naquele lugar, deixando Gabrielle e Xena sozinhas.
 
- Agora h� apenas n�s duas, meu �amorzinho�. - falava com um ar ir�nico segurando a barda pelos bra�os.
 
- Xena escute o que vou falar, n�o sei como Iolaus apareceu nesta cama. Quando cheguei o encontrei sentado em uma mesa bebendo, nos falamos rapidamente e subi para o quarto pois estava cansada e acordei com tudo isso aqui.
 
- Ent�o voc� nem mesmo tem consci�ncia de seus atos? - largou o bra�o da barda e p�s-se a chorar sentada � beira da cama.
 
- Xena, meu amor, acredite em mim pois falo a verdade. Eu te amo, voc� n�o sabe? - falou ajoelhando-se em frente a guerreira.
 
- Voc� n�o tem no��o do que acaba de fazer comigo. Voc� acabou de me matar. Eu lhe entreguei n�o somente meu corpo, mas meu cora��o e toda minha alma e voc� a destruiu sem qualquer piedade. - disse olhando nos olhos da barda que come�ou a chorar.
 
- Pelos deuses Xena, matando voc� eu estarei me matando pois somos uma s�, n�o posso matar minha pr�pria alma. - desesperou-se Gabrielle com o sofrimento de Xena.
 
- N�o podemos continuar desta forma, preciso me distanciar de voc�. Tenho que refletir sobre tudo o que aconteceu.
 
- Voc� vai embora?
 
- Vou continuar sozinha, vou para Rodes.
 
- N�o, voc� n�o pode me deixar, n�o desta forma. Eu preciso de voc�. - disse desesperada acariciando o rosto de Xena, molhado pelas l�grimas.
 
- Adeus Gabrielle. - despediu-se de seu amor lutando contra seu pr�prio cora��o.
 
A guerreira saiu sem olhar para tr�s para n�o testemunhar o sofrimento de seu amor, deixado naquele quarto. Cruzava novamente aquele pequeno corredor sem fim quando ouviu o choro desesperado de sua crian�a inconsolada. Sentiu novamente sua alma lhe cortar o peito fazendo-a sair desesperadamente pelo mundo a fora, tomando os caminhos da solid�o.
 
A barda permaneceu naquele quarto durante dias, apenas com a dor da perda de sua guerreira. As palavras de Xena ecoavam em sua cabe�a fazendo sua dor aumentar ainda mais, fazendo com que derramasse um choro incontrol�vel que nascia em seu cora��o e lhe rasgava a alma sem piedade evadindo a vida de seu corpo, o qual n�o mais sentia.
 
Dias se passaram at� que Gabrielle retomasse seu estado consciente fazendo com que deixasse imediatamente aquele lugar que para ela se tornara t�o horr�vel. Sem dire��o e com o cora��o em peda�os, saiu pelos caminhos tantas vezes trilhados com a guerreira, em dire��o a Poteidaia.
 
Em Rodes, a princesa guerreira era apenas o corpo, sua alma por�m, n�o a acompanhara durante aquela viagem, a qual deveria ser para amar sua Gaby. Lembrava-se de todos os momentos ao lado de sua Rainha Amazona do seu amor, do prazer de t�-la, possui-la em seus bra�os e ama-la com paix�o, contudo n�o esquecia a dor da separa��o. Sentia um vazio o qual jamais havia sentido antes, como se todo o seu ser houvesse se destru�do, ao se olhar via apenas a carne. N�o podia viver daquela forma, fugindo de si mesma para n�o ter que enfrentar de frente seu problema. Precisava voltar para a Gr�cia, esclarecer de vez todo o acontecido, precisava falar com Iolaus, pois agora que a raiva e o ci�me haviam se amenizado dentro de seu cora��o, percebeu que tudo era muito confuso, a rea��o de Gabrielle, Iolaus, n�o compreendia. Precisava retornar e se for preciso at� mesmo esquecer o acontecido, precisava de sua barda, sua amiga, sua amante, sua alma.
 
O para�so que passou despercebido para Xena havia ficado para tr�s, via agora apenas suas trilhas entre as matas gregas que tantas vezes havia cruzado com sua Gaby. Sentia-se mais pr�xima de sua amada, sentia seu perfume na mata, quanta saudade.
 
Procurou Iolaus durante muitos dias at� encontr�-lo com H�rcules em uma pequena vila. Ao v�-lo Xena teve que se controlar para n�o ser invadida pelo �dio e o acertar com seu chakram.
 
- Iolaus? - chamou a guerreira controlando-se.
 
- Xena!? - assustou-se levantando-se rapidamente do tronco em que estava sentado.
 
- Preciso falar com voc� sobre o que aconteceu naquela noite na hospedaria em Ne�polis.
 
- Que noite? - perguntou H�rcules
 
- Ent�o seu �amiguinho� n�o lhe contou o que ouve?
 
- N�o, o que aconteceu?
 
- Conte a ele Iolaus.
 
- N�o sei o que houve, mas Xena me encontrou nu, dormindo ao lado de Gabrielle.
 
- E voc� ainda diz que n�o sabe... - ironizou Xena.
 
- N�o, e n�o entendo a sua rea��o, pois mesmo que eu e Gabrielle tiv�ssemos algo, s� caberia a n�s. Voc� n�o deveria se entrometer.
 
- Como n�o tenho nada com isso? Eu amo Gabrielle e n�s j� hav�amos nos entendido muito bem at� voc� aparecer.
- Ent�o voc� e Gabrielle s�o amantes?!
 
- �ramos at� ela me trair.
 
- Pelos deuses Xena, n�o houve nada entre n�s. Nem mesmo sei como fui parar naquele lugar.
 
- Ent�o o que aconteceu, Iolaus? - perguntava H�rcules desentendido.
 
- N�o sei. Eu estava indo para aquela aldeia para te ajudar, quando algu�m me acertou por tr�s. Eu desmaiei, acordando naquela cama com toda aquela cena.
 
- �, verdade Xena, Iolaus ficou de me encontrar na aldeia mas n�o apareceu.
 
- Agora entendo tudo. - disse sentindo um al�vio no cora��o.
 
- O que?
 
- Ares. Ele armou toda aquela confus�o. Desculpe, Iolaus.
 
A princesa nem chegou a terminar sua conclus�o, montou em Argo e saiu como uma louca em dire��o ao templo de Ares.
 
Ao chegar no templo, entrou furiosamente gritando pelo nome do deus da guerra, que apareceu com seu sorriso ir�nico.
 
- Vejam s� se n�o � a famosa Xena, a Princesa Guerreira tra�da por sua amada Gabrielle.
 
- Ent�o eu estou certa, foi tudo uma grande arma��o sua. Mas porque?
 
- Porque eu n�o aceito ter perdido voc� para aquela pirralha...
 
-  Fazendo com que eu pensasse que ela tivesse me tra�do?
 
- N�o funcionou? Foi muito f�cil minha cara. Enquanto Iolaus ia em dire��o a aldeia eu o golpeei, fazendo com que ele desmaiasse e tomando sua forma...
 
- O que fez com que Gabrielle o visse na mesa da hospedaria.
 
- E enquanto sua barda dormia eu o coloquei ao seu lado despindo os dois. O resto voc� j� sabe.
 
- Eu cheguei e vi os dois na cama. Por isso a apari��o de Callisto. Como fui tola.
 
- Que distra��o melhor para voc� do que Callisto?
 
- Eu preciso encontrar Gabrielle e pedir perd�o a ela. - disse aflita.
 
- N�o se iluda Xena, muita coisa mudou enquanto esteve fora.
 
- O que quer dizer com isso Ares?
- Uma grande amiga de voc�s reapareceu enquanto esteve fora, e est� a procura de Gabrielle.
 
- Quem? De quem se trata?
 
- Uma guerreira chamada Najara. - revelou o deus da guerra desaparecendo diante dos olhos de Xena.
 
Xena saiu mundo a fora atr�s de sua amada, como havia sido tola em n�o acreditar em Gabrielle quando ela lhe revelou que a amava. Precisava encontrar sua barda antes que Najara.
 
(...)
 
 
Ao passar por uma cidade pr�xima a Poteidaia, a barda parou em um hospital, pois ap�s a partida de Xena  n�o mais conseguia comer ficando extremamente fraca. Ao entrar no hospital deparou-se com Najara, aparentemente curada de sua loucura, cuidando de pessoas feridas � beira da morte.
 
- Najara!? - assustou-se a fraca barda j� n�o suportando o peso do seu corpo.
 
- Gabrielle!? O que houve com voc�? Onde est� Xena?
 
- � uma longa hist�ria que prefiro contar depois. Voc� n�o deveria estar internada?
 
- Agora estou livre, estou curada. - disse ajudando a barda a deitar-se em uma cama.
 
- J� ouvi esta hist�ria muitas vezes, e voc� acaba pior do que estava.
 
- Mas agora � diferente, at� mesmo aquelas vozes n�o ou�o mais.
 
- Que bom. - sussurrou a barda caindo em um sono profundo.
 
A guerreira passou por cada vilarejo da Gr�cia � procura de sua Gaby, at� receber a not�cia que Najara havia fundado um hospital pr�ximo a Poteidaia o que fez com que a guerreira corresse para o hospital a procura de Gabrielle.
 
Ao acordar, Gaby deparou-se com os olhos de Najara fixados em seu corpo, aquela nova Najara a fazia bem, a fazia sorrir e como era bom sorrir ap�s tanto tempo vagando pela curva de um caminho sem fim.
 
- E ent�o Gabrielle, sente-se melhor? - perguntou Najara.
 
- Estou como nova, me alimentei bem e esqueci por um instante minha dor.
 
- Me conte o que aconteceu.
 
- Conto, mas n�o aqui. Vamos olhar os p�ssaros?
 
- Vamos.
A brisa do campo batia levemente enquanto Gabrielle e Najara andavam �s margens de um belo lago, sentindo toda suavidade do momento quando Gabrielle come�ou a falar:
 
- Aconteceu muita coisa entre Xena e eu nestes �ltimos tempos. N�s passamos de meras amigas para apaixonadas amantes. Est�vamos a caminho de uma viagem para ficarmos sozinhas por um tempo, apenas nos amando quando tudo aconteceu.
 
- O que?
 
- Xena recebeu um chamado de H�rcules para que o ajudasse a deter Callisto, que havia voltado, ent�o fui esperar por ela em Ne�polis, onde encontrei Iolaus sentado em uma das mesas da hospedaria. Nos falamos rapidamente e subi para meu quarto dormindo profundamente at� ouvir um grito de dor, um grito da Xena. N�o entendi o que estava acontecendo, pois estava nua juntamente com Iolaus deitado ao meu lado.
 
- O que fez com que Xena a deixasse! Entendo.
 
- Eu n�o, ela nem mesmo parou para me ouvir.
 
- Voc� n�o pode se culpar pelas atitudes de Xena. Esque�a.
 
Diante do estado vulner�vel da barda, Najara aproximou-se lentamente envolvendo-a em um abra�o, tocando seu rosto e trazendo a  boca da barda para unir-se com a sua.
 
Gabrielle beijava aquela mulher lembrando-se dos beijos de Xena, de toda a suavidade que sentia nos bra�os de sua Princesa Guerreira e quanto a amava e sentia sua falta, lembrava-se de tudo quando sentiu o perfume do corpo de Xena bem perto ao seu.
 
O beijo se desfez rapidamente diante daquele perfume. Ao olhar para tr�s, a barda encontrou os olhos acabrunhados de sua guerreira diante de tal cena, fazendo-os derramar uma s� l�grima de dor e desespero.
 
A guerreira olhou profundamente os olhos da barda at� virar-se para montar em seu cavalo e sair correndo com seu cora��o em peda�os.
 
- XENAAAAAA!!!!! - desesperou-se a barda tentando correr atr�s da guerreira.
 
- Gabrielle! - chamou Najara.
 
- Eu preciso dela, n�o posso mais viver sem a Xena. Eu a amo. - disse lamentando-se.
 
- V�! Siga seu caminho. Ela precisa de voc�.
 
- Obrigado. - disse a barda beijando-a na face e indo em dire��o ao caminho tomado pela Princesa Guerreira.
 
Longos dias se passaram enquanto Gabrielle procurava por sua amada. Xena n�o mais foi vista desde o dia em que encontrou Gabrielle com Najara � beira daquele lago. O  cora��o da barda a matava aos poucos por dentro, o medo de perder sua guerreira para sempre a fazia morrer aos poucos. A imagem de desespero no rosto de sua amada repetia continuamente em sua mem�ria. Lembrou-se ent�o dos momentos de felicidade na praia, onde se amaram loucamente pela �nica vez, e sentiu seu cora��o pulsar de emo��o ao saber que era o �nico lugar onde sua guerreira poderia estar, o lugar em que se tornaram uma s�, unindo os dois corpos e as duas almas, transformando-as em um s� ser.
 
A guerreira sentia-se definitivamente morta, havia perdido sua alma por inteiro. � margem daquela praia revivia em sua mente cada momento de felicidade ao lado de sua amada. Encontrava-se em um pleno estado de aliena��o quando viu sua barda a chamando ao seu encontro nas �guas do mar, que havia se tornado testemunha ocular de seu sofrimento.
 
Levantou-se e correu em busca de sua amada, se banhando e se perdendo na imensid�o das ondas, elevando seu corpo ao grau mais transcendental de liberta��o, desprendendo-se da carne.
 
O Sol j� havia dado lugar � Lua quando Gabrielle presenciou a vis�o do corpo levemente prateado da guerreira ca�do pr�ximo ao mar, fazendo com que o cora��o da barda ressurgisse para a vida novamente.
 
Correu desesperadamente ao encontro de sua princesa, que n�o mais se encontrava em seu corpo mortal. Tomou o corpo frio de sua guerreira em seus bra�os n�o entendendo o que havia acontecido. Beijou a boca gelada da guerreira e suplicou pela volta de seu amor:
 
- Xena, fala comigo. Voc� n�o pode me deixar dessa maneira, voc� � minha vida, todo o meu ser gira ao seu redor, eu n�o posso mais viver sem voc�. Eu a amo mais que tudo, mais que a mim mesma. Eu preciso de voc�.
 
A barda chorava um choro incessante, que silenciava todo o som da natureza.
 
A princesa morta em seus bra�os parecia ser algo irreal. Cegada por sua dor, Gabrielle encontrou a adaga de peito entre os seios da guerreira e em seu desespero o cravou em seu cora��o, fazendo com que sua alma se desprendesse de seu corpo para ir em busca de sua reden��o definitiva.
 
A dor n�o mais lhe sucumbia o peito, sentia agora apenas um vazio, uma paz que a tomava por toda a alma em busca de sua totalidade.
 
Ao chegar na Terra dos Mortos, a barda deparou-se com a vis�o de sua guerreira deslumbrante, linda encostada em uma pedra, sentiu toda sua alma sorrir e correu ao seu encontro.
 
Gabrielle abra�ou a guerreira, que n�o entendia como sua barda poderia estar ali, e sem ao menos deixar a guerreira falar, a beijou apaixonadamente, um beijo n�o carnal, mas de esp�rito, algo que jamais poderia ser descrito com meras palavras. Xena se sentia leve, sua agonia estava cessada, havia finalmente encontrado sua totalidade.
 
- Gaby!? O que faz aqui. - perguntou interrompendo o beijo.
 
- Quando cheguei naquela praia que a encontrei morta, percebi que tamb�m havia morrido, n�o restava mais nada a fazer naquele mundo.
 
- Foi loucura.
 
- O amor possui apenas sua pr�pria raz�o. Eu te amo. At� mesmo na morte, eu nunca deixarei voc�. Caminharemos juntas at� a Eternidade. - disse beijando novamente a guerreira.
 
- Nosso amor � verdadeiro Gabrielle, ele transcende a morte. Estamos destinadas a permanecer juntas por todas a nossas vidas futuras. Este � o nosso Karma, este � o nosso caminho, o caminho do amor. O amor que sentimos uma pela outra. Eu te amo.
 
�Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
N�o tenho logo o que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada
 
Se nela est� minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo alcan�ar,
Pois consigo tal alma est� liada.
 
Mas esta linda e pura semid�ia
Que como o ocidente em seu sujeito,
Assim com a alma minha se conforma,
 
Est� no pensamento como id�ia;
[E] o vivo amor de que sou feito,
Como a mat�ria simples busca a forma.�
                                                             (Lu�s de Cam�es)
 
 
A princesa beijou intensamente sua barda e a guiou para a Eternidade, unindo definitivamente suas almas, finalmente completando sua totalidade.
 
 
Fim.

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