Disclamers: Os personagens
de Xena, Gabrielle e os demais que aparecem nessa história, são
marcas registradas da MCA/Universal e Renaissance. Eles são usados sem a intenção
de lucro ou de infringir as leis de copyright.
Ciúme
Paula
Após terem recuperado a urna de Apolo. Xena, Gabrielle e Tara a devolveram
ao templo. Elas tinham acabado de sair do templo e estavam caminhando por uma
estrada larga em campo aberto. Xena estava calada pensativa, se lembrando
das palavras do sacerdote. “De hoje em diante todos os teus pecados estão
perdoados” Como se isto fosse possível! Gabrielle segurava Argo pelas
rédeas. Tara parou, segurou Xena pelo braço e lhe perguntou.
-
Xena, você se importaria se ficasse com vocês por mais alguns dias?
Xena
pensou que aquela garota tão jovem precisava de uma chance (chance que
ela na idade de Tara não teve) para seguir um caminho melhor. Ela já
tinha dado o primeiro passo não entregando a urna aos ladrões
e querendo devolvê-la ao templo.
-
Tudo bem, Tara. Pode ficar conosco por mais alguns dias, mas por favor não
crie briga com Gabrielle.
Gabrielle não gostou muito da idéia
de Tara ficar com elas por mais alguns dias e deu uma olhada repreensiva para
Xena, que fingiu não entender.
-
Eu prometo que não brigarei mais com ela, além do mais já
percebi que ela sabe se defender muito bem.- Falou isto se lembrando da surra
que Gabrielle tinha lhe dado dias atrás.
Voltaram
a caminhar. O sol estava começando a se pôr. Elas foram para o
mesmo acampamento da noite anterior, jantaram e depois ficaram conversando e
jogando um jogo de adivinhação até irem dormir.
Tara,
como na noite anterior, se deitou ao lado de Xena.
Gabrielle com uma
pitada de ciúme deitou-se um pouco mais distante. Após estarem
todas deitadas e em silêncio, os olhos de Xena e Gabrielle se encontraram.
Elas ficaram se olhando no mais puro e completo silêncio ouvindo os sons
da noite. Cada uma com seus pensamentos.
--
Xena pensava em como amava aquela mulher que estava ali deitada a sua frente,
olhando em seus olhos. Sabia que ela estava chateada por Tara ainda estar com
elas, mas não podia deixar de ajudar aquela garota que estava dormindo
ao seu lado, que se sentia só, perdida no mundo. Ela precisava de uma
chance para se tornar uma pessoa melhor. Tara era uma jovem com sonhos de heroína.
E precisava de alguém para se espelhar. Xena tinha sido a escolhida,
não podia decepcionar aquela garota.
--
Gabrielle
pensava que queria tanto estar ali, deitada ao lado de Xena sentindo seu corpo
próximo ao dela. Mas tudo bem, ela iria dar uma chance àquela
garota também.
Afinal, todos precisam de uma chance na vida
para mostrar de que são realmente capazes. Mas não era preciso
ela dormir ao lado de Xena. Afinal de contas, a única pessoa que dormia
ao lado dela era ela, e mais ninguém.
Seus olhos se fecharam
e elas adormeceram.
Tara
acordou primeiro, estava fazendo carinho
na cabeça de Argo. Xena acordou, olhou Gabrielle que ainda dormia, avistou
Tara com o Argo e pensou “realmente ela se parece um pouco comigo quando eu
era mais jovem”. Ela tinha seus cabelos negros soltos com várias tranças
entre eles, seus olhos eram negros e não azuis como os de Xena, tinha
a altura de Gabrielle. Vestia-se de preto, usava uma braçadeira em seu
braço direito que ia de um pouco abaixo de seu cotovelo, cobria as costas
de sua mão e se prendia em um de seus dedos. uma blusa com mangas curtas
e buracos nos ombros. Uma calça colada no corpo por dentro de suas botas.
Xena se levantou.
- Bom dia!
- Bom dia! - largou Argo e se
aproximou
Gabrielle ouvindo as vozes acordou também.
-
Bom dia! - Se esticou e se levantou, foi lavar seu rosto ao lado de Xena que
estava lavando o seu. Acabando, Xena piscou para Gabrielle e disse:
-
Meninas! Vamos procurar algo para comermos? - E aponta para onde cada uma deve
ir - E vamos ver quem chega primeiro!
Gabrielle
sem entender nada espera Tara sumir no meio do mato e pergunta a Xena:
-
Porque você fez isso? Nós temos o que comer.
-
Eu sei! E que ela tem que aprender a se virar sozinha, vamos ver o que ela vai
trazer -sorriu e continuou - e você também! - E saiu na direção
oposta à de Tara. Algum tempo depois elas retornam. Primeiro Xena com
frutas, depois Gabrielle com alguns ovos, Tara volta com as mãos vazias.
-
Não encontrei nada - olhou o que as outra duas trouxeram
e perguntou - como vocês conseguiram?
-
Em alguns ninhos! - respondeu Gabrielle com um sorriso cínico.
-
Em algumas árvores! - disse Xena com o mesmo cinismo - É só
procurar nos lugares certos. E como você não trouxe nada agora
o almoço é por sua conta.
Elas
comeram, arrumaram as coisas e levantaram acampamento em direção
a uma pequena aldeia. O povo de lá era na maioria idosos, e estavam sendo
ameaçados por dois homens que não eram daquela região.
Durante toda a manhã Tara se comportou bem. Sempre querendo saber coisas,
e Xena respondia com paciência.(ela tinha prometido a si mesma ajudar
aquela garota).
Deram
uma parada para comerem algo. Xena falou para Tara:
-
É a sua vez de trazer a comida. E não se esqueça, procure
nos lugares certo.
-
Está bem, trarei um belo almoço. - dizendo isto Tara sumiu no
meio do mato.
Xena
e Gabrielle ficaram a sós. Xena se sentou, encostou suas costas em uma
pedra, esticou e cruzou suas pernas, colocou os braços atrás da
cabeça, fechou os olhos e disse:
-
Vamos ver o que ela vai trazer!
-
Se ela trazer! - Gabrielle sentou-se e cruzou os braços e as pernas como
Xena, que por sinal estava adorando aquela brincadeira. Mas Gabrielle não.
-
Vai sim! Ela não vai querer me decepcionar.
-
Veremos!
Já
tinha se passado algum tempo e Tara não tinha voltado ainda. Gabrielle
impaciente se levantou. Xena continuou na mesma posição.
-
Estou com fome! - reclamou a barda.
-
Calma, Gabrielle. Ela já deve esta voltando.
Dito
isto, Tara apareceu com um pequeno animal morto que mais parecia um coelho em
sua mão.
-
Trouxe o almoço. - Tara disse com um sorriso mostrando o animal.
-
Muito bem, eu sabia que você conseguiria.- Xena levantou-se, pegou o animal
e continuou - Eu limpo e você faz o fogo, Gabrielle.
Elas
comeram rapidamente e seguiram para a aldeia. Gabrielle ficou observando Tara
sempre perto de Xena conversando, contando historias, e ela sempre sorrindo
para Tara. Chegaram na aldeia. Xena nunca tinha visto aqueles homens antes,
e nem eles a ela, o que facilitou bastante as coisas. Eles eram grandes e metidos
a valentões. Aqueles tipos de valentões que temos aos montes hoje
em dia também. Que se aproveitam de seu tamanho e força física, para fazer maldades com os mais fracos.
Não
foi preciso Gabrielle, nem Tara darem uma força. Em alguns minutos Xena
eliminou os dois com sua espada. Tara ficou encantada vendo Xena em ação
lutando contra homens tão fortes. Gabrielle percebeu e não gostou.
-
Nossa! Ela é o máximo!
-
Eu sei. - disse Gabrielle olhando Xena com carinho.
Resolvido
o problema, os aldeões em agradecimento queriam dar para elas comida
e bebida. Xena porem só aceitou o vinho. Do alimento, eles precisavam
mais que elas.
Foi
mais uma lição que Tara aprendeu: “nunca tirar o alimento da boca
daquele que precise mais que você.” O Sol estava se pondo. Gabrielle falou:
-
Xena, vamos acampar perto do lago? Quero tomar um banho, e você pode pescar
amanhã. - a intenção de Gabrielle era ficar mais perto
de Xena, coisa que nestes últimos dias fora impossível, com a
presença de Tara o tempo todo entre as duas. A presença de Tara
a incomodava de uma maneira que nenhuma outra pessoa a incomodara antes. Ela
estava simplesmente louca de ciúme.
Elas
chegaram ao lago. Tara adorou o lugar.
-
É lindo! - virou-se para Xena e perguntou - você me ensina a pescar?
-
Claro! Mas amanhã. Agora vou tomar um banho. Você pode procurar
madeira para acendermos o fogo?
Gabrielle
ficou ali parada triste vendo as duas conversarem como se ela não existisse.
Mas Xena virou-se para ela sorriu e falou:
-
Vamos, Gabrielle! A água deve está ótima.
-
Vamos! - ela sorriu e pensou “ela não se esqueceu de mim”
Elas
começaram a tirar suas roupas. Tara ficou olhando aquelas duas mulheres
completamente nuas. Uma alta, corpo atlético, pele queimada de sol, com
uma vasta cabeleira negra sobre seus ombros. A outra não tão alta,
mais com um corpo bem definido, pele clara e cabelos loiros brilhando a luz
da lua. E sentiu um arrepio por todo o corpo. Era uma visão interessante
que ela ainda iria se lembrar por muitas vezes em sua vida. Parou de olhá-las
e começou a acender o fogo.
Xena
e Gabrielle entraram na água, que realmente estava muito gostosa.
Elas
estavam uma de frente para a outra seus olhos se encontraram. Estava uma noite
linda, a lua prateada brilhava no céu junto com milhões de estrelas.
Xena perguntou com voz suave:
-
O que você tem? Está tão calada!
-
Eu não estou vendo nenhum motivo para estar alegre e sorridente!
-
Você está assim por causa de Tara? - e pensou “será que
ela está com ciúmes de mim, será que ela me ama da mesma
maneira que eu a amo?”
-
Porque eu estaria assim por causa de Tara? Só porque ela se meteu entre
nós duas e você está toda sorridente para ela!
Xena
arregalou os olhos e perguntou sorrindo:
-
Você está com ciúmes de mim? - Se aproximou, segurou o rosto
dela com suas mãos e como Gabrielle não respondeu, ela perguntou
novamente - Me responda! Você está com ciúmes de mim?
Gabrielle
ficou olhando aqueles olhos lindos, azuis brilhantes como as estrelas estavam
naquele momento. Olhou aquela boca linda macia e teve uma vontade louca como
nunca tivera antes de beijá-la. Xena também olhava aquela boca
a sua frente com desejo. Elas foram se aproximando como se tivesse algo as puxando
uma para a outra. Quando suas bocas estavam quase se tocando, Tara as chamou.
-
Xena! Gabrielle! Venham, já acendi o fogo.
Elas
saíram do transe em que estavam e se distanciaram. Tara as observava
saírem da água, e se pegou apreciando o corpo de Xena. “Que mulher
bonita! E que corpo ela tem!” Gabrielle leu nos olhos de Tara o que ela estava
pensando e não gostou.
-
Você vai tomar banho ou não é chegada a
água? - falou áspera.
Tara
não gostou da maneira como Gabrielle falou com ela, mas tinha prometido
à Xena que não ia brigar com ela. Então se limitou
a responder:
-
Claro que gosto de banho! - Foi para a beira do lago e começou a retirar
suas roupas. Xena que estava sacudindo seus cabelos para retirar o excesso de
água, ficou olhando o corpo nu de Tara entrar na água. Seus olhos
estavam lá, mas sua mente estava em outro lugar. Estava em Gabrielle,
pensando em como quase beijou aquela boca, aqueles lábios, que a
tanto tempo tinha vontade de beijar, sentir seu corpo nu colado ao seu. Às
vezes chegava a sonhar.
Acordava
no meio da noite e a ficava admirando dormindo ao seu lado serenamente. Gabrielle
era tudo para Xena, ela não queria correr o risco de declarar seu amor
para ela e perdê-la. Mas hoje havia tido a nítida sensação
que Gabrielle também a amava, Elas sempre diziam uma para a outra que
se amavam. Mas era um amor diferente o que ela viu nos olhos de Gabrielle. Ela
viu desejo em seus olhos. Ou foi tudo fantasia de sua cabeça?
Gabrielle
seguiu os olhos de Xena e sentiu-se magoada, pensando em como elas quase se
beijaram a alguns instantes atrás e agora ela não tirava
os olhos do corpo nu da outra. Ela virou-se e foi para a fogueira e sentou-se.
Xena sentou-se a sua frente e a repreendeu por ter falado daquela maneira com
Tara.
-
Gabrielle, você não precisava ter falado com ela daquela maneira!
Ela só esta querendo mudar, ser uma pessoa melhor. E nós duas
vamos lhe dar esta chance. Onde está aquela Gabrielle boa, compreensiva e gentil que eu conheço?
-
Me perdoe, Xena! Eu não sei o que houve comigo, você tem toda razão!
- ficaram se olhando em silêncio. Tara rretornou do banho.
Elas
jantaram, conversaram um pouco. Gabrielle colocou seu ciúme de lado e
tratou Tara com simpatia. Elas fizeram suas camas. Tara colocou a sua ao lado
de Xena, Gabriele a sua um pouco distante, mas de maneira que se uma esticasse
o braço tocaria a outra. Elas se deram “Boa Noite” e dormiram.
Gabrielle
acordou no meio da noite sentido um leve toque em seu rosto. Ela estava deitada
de lado, quando abriu seus olhos viu que era a mão de Xena acariciando
seu rosto. Que toque suave e gostoso aquela mão tão forte tinha!
O toque daqueles dedos quentes em seu rosto, tocando seus lábios a fez
estremecer. Xena retirou sua mão e falou num sussurro como a brisa que
passava:
-
Eu te amo - fechou seus olhos e adormeceu. Gabrielle também fechou os seus
e dormiu novamente.
Gabrielle
acordou primeiro e a cena que viu feriu seu coração. O braço
de Tara sobre o corpo de Xena. As duas dormindo. Sentiu uma dor dentro do peito,
Era a primeira vez em todo esse tempo que ela via alguém dormindo assim
ao lado de Xena, tão próximo. Sabia que Xena não era nenhuma
santa, que ela já teve seus amores. Mas aquilo era diferente, ela amava
loucamente aquela mulher. Não tinha mais como negar seus sentimentos.
E vê-la ali tão tranqüila, tão à vontade com
aquele braço sobre seu corpo doía muito. Aquela mão que
ela sentiu tocar seu rosto no meio da noite, aqueles olhos azuis olhando para
ela, aquela voz suave dizendo que a amava, será que tudo não passou
de um sonho?
Talvez
Xena estivesse preferindo a presença de Tara a sua, e com lágrimas
em seus olhos ela se virou e foi caminhar um pouco, precisava pensar no que
fazer.
--
Xena
acordou e sentiu um peso sobre sua barriga, era o braço de Tara, ela
o retirou e olhou para o lugar onde Gabrielle deveria esta. Estava vazio. Olhou
ao redor e não a avistou. Ela se levantou rapidamente. Tara acordou com
o movimento de Xena e vendo sua cara de preocupada perguntou.
-
O que foi?
-
Gabrielle não está aqui! - Xena respondeu com voz preocupada.
-
Ela deve estar por aí e já volta.
-
Ela não é de sumir assim quando eu ainda estou dormindo.
Tara
colocou a mão em seu braço e disse com carinho:
-
Calma, Xena! Daqui a pouco ela aparece. Você gosta muito dela, não
é?
-
Você nem imagina o quanto! - Xena disse olhando para Tara. Neste momento
Gabrielle apareceu e viu a mão de Tara sobre o braço de Xena,
que percebe seu olhar e retirou o braço perguntando.
-
Onde você estava? Deixou-me preocupada.
-
Fui dar uma volta. Vamos comer. Estou com fome.
Elas
tomaram o café da manhã. Xena notou que Gabrielle não estava
mais implicando com Tara e se sentiu melhor. Desfizeram suas camas, Tara perguntou
a Xena:
-
Xena, você vai me ensinar a pescar agora?
-
Vou sim! Vamos procurar alguns insetos para usarmos como isca - olhou para Gabrielle
e perguntou - você vem conosco?
-
Não! Vou ficar aqui e escrever um pouco - e falando isto pegou sua bolsa
com seus pergaminhos.
Quando
Xena e Tara voltaram encontraram Gabriele perdida em seus pensamentos. Tara
disse:
-
Ela escreve estórias muito bonitas. Eu já ouvir algumas.
-
Ela tem a poesia na alma.- disse Xena olhando com amor para Gabriele e pensando
que ela era capaz de ficar assim o
dia todo, sentada, perdida em seus pensamentos,
e quando colocava em seus pergaminhos só saia coisas lindas. - Vamos
pescar?
Quando
Gabriele voltou à realidade. Xena e Tara estavam rindo na beira do lago
com alguns peixes ao lado delas. Ficou ali observando aquela cena e se lembrou
do que Tara havia falado quando encontrou Xena pela primeira vez “Vim substituir
a loirinha”. Talvez ela tivesse conseguido. Tara lutava bem, e tinha quase a
mesma idade que ela, poderia muito bem ficar em seu lugar. Xena tinha falado
que Tara a lembrava quando mais jovem. Então talvez fosse melhor ela
ir embora. Voltar para Patedeia, rever sua família e seus amigos. Esquecer
aquela mulher linda, de corpo atlético, cabelos negros como a noite e
olhos azuis como o céu em dias de sol. Essa mulher tinha mexido com ela
nos últimos dias de uma maneira que ela nem pensava ser possível.
A presença de Tara despertou algo que estava dentro dela, que ela não
sabia existir. Era o amor, a paixão, o desejo que sentia por Xena.
Elas
acabaram a pescaria e foram para onde Gabrielle estava.
-
O almoço e o jantar estão garantidos - Tara sorriu para Gabriele.
-
Que bom! Pode deixar que eu limpo os peixes.- retribuiu o sorriso, guardou suas
coisas e foi para a beira do lago.
-
Quer ajuda? - perguntou Xena
-
Quero!
-
Tara, você poderia dar um pouco de água e uma maçã
ao Argo? Por favor.
-
Claro! Agora mesmo - respondeu Tara indo
em direção à Argo.
Gabrielle
estava abaixada limpando os peixes e Xena ao seu lado lavando-os na água.
Sem olhar para ela Gabrielle falou:
-
Xena, estava pensando, vou visitar minha família. Já tem algum
tempo que não os vejo.
-
Tudo bem, podemos
ir amanhã.
-
Eu prefiro ir sozinha.
Xena
parou o que estava fazendo, olhou para ela e perguntou:
-
Por que você quer ir sozinha? Fiz alguma coisa? A magoei de alguma maneira?
Gabrielle
ficou calada e ela insistiu:
-
Me responda?
-
Não! Claro que você não me fez nada! - pensou “só
roubou meu coração” - estou sentido vontade de ficar um pouco
sozinha.
-
Por favor, Gabrielle não vá. Não me deixe só - suplicou
Xena.
-
Você não estará só!
-
É o que você quer? - Xena se sentia magoada.
-
É!
-
Tudo bem pode. ir amanhã. Eu não a impedirei! - falando isto se
levantou e foi caminhar em direção contrária a Tara. Precisava
ficar só, pensar um pouco.
A
pessoa que ela mais amava nesta vida iria embora, iria deixá-la. Será
que era por causa de Tara? Se fosse este o problema ela a mandaria embora. O
que ela não podia era ficar sem o amor de sua vida. Começou a
caminhar de volta.
--
Gabrielle
e Tara estavam assando os peixes.
-
Vou embora amanhã.
-
Para onde?
-
Vou visitar minha família!
-
Volta quando?
-
Não sei! Em alguns dias.
-
Pode deixar que eu tomo conta de Xena! - Tara disse isto sentindo uma alegria por
dentro, finalmente ela iria ficar com Xena.
Xena
retornou e Tara disse para ela:
-
Vem! Vamos almoçar, os peixes estão prontos.
Xena
procurou os olhos de Gabrielle, mas não os encontrou. Sentou-se e beliscou
um pouco de peixe. Estava sem fome. Gabrielle também não comeu
quase nada.
Tara
parecia saber que Xena queria conversar com Gabriele. Ficou o dia todo grudado
nela. Gabrielle passou a tarde toda com suas escrituras. Quando o sol foi embora
Tara, sem saída, teve que visitar os arbustos. Xena aproveitou e foi
falar com Gabrielle.
-
Gabrielle, vamos conversar? - estava com um olhar triste.
-
Eu já me decidi! É
só por alguns dias, eu voltarei!
- respondeu com voz triste./font>
-
E se você não voltar?
-
Então se você quiser minha companhia novamente pode ir me buscar.
-
Como posso não querer sua companhia se você é tudo para
mim.
Gabrielle
viu Tara se aproximando.
-
Tem certeza? - dizendo isto se afastou
Elas
conversam um pouco, Tara perguntando a Gabrielle como e onde ela morava. Ela
contando como Xena salvou ela e as mulheres de Potedeia. Fizeram suas higienes
e foram se deitar nos mesmos lugares da noite anterior. Gabrielle se deitou
de costas para Xena, para que ela não visse uma lágrima que escorria
de seus olhos.
Xena
ficou olhando aqueles cabelos loiros, até que seus olhos se cansaram
e se fecharam. Quando ela abriu seus olhos novamente o sol já tinha nascido.
E Gabrielle não estava mais lá. Ela olhou à sua volta e
não a encontrou, se levantou. Tara continuava dormindo. Distanciou-se
um pouco, encostou-se em uma árvore e chorou. Estava sentindo um vazio
tão profundo que era desesperador. Não conseguiria viver sem aquela
mulher ao seu lado, ela era a razão de seu viver. Sem ela a vida de nada
valia. Ela precisava de sua Gabrielle como do ar que ela respirava. Secou as
lágrimas e voltou para o acampamento. Tara estava se levantando e perguntou:
-
Gabrielle já foi? Ela me disse que iria visitar a família por
alguns dias.
-
Olha, Tara, eu vou ter que ir também!
-
Você vai atrás dela, não é? Você não
acha que ela precisa ficar um pouco só? Se ela foi, algum motivo ela
teve. Dê um tempo para ela. Ela não disse que voltaria em alguns
dias?
Xena
pensou que talvez ela tivesse razão. Iria tentar agüentar, afinal
ela falou que voltaria em alguns dias. Iria esperar.
-
É, talvez você tenha razão! - falou com tristeza na voz
e um brilho de esperança nos olhos.
--
Os
dias e as noites se arrastaram para Xena. Nada para ela tinha graça.
Tara percebeu que o brilho daqueles olhos azuis tinha sumido, e junto com ele
à vontade de viver de Xena. Ela ficava ali olhando o lago, esperando
a volta de Gabrielle. Não queria ir a lugar algum. Tara sempre a chamava
para dar uma volta mas ela dizia:
-
Não! Gabrielle pode voltar e não me encontrar. Se você quiser
pode ir.
Tara
se perguntava como uma pessoa podia ter tanto poder sobre outra (ela ainda não
conhecia o verdadeiro amor). Percebeu que ninguém mais além de
Gabrielle alegrava aquela mulher, que por mais que ela fizesse o coração
de Xena nunca seria de outra pessoa além de Gabriele. Aproximou-se de
Xena que estava sentada olhando o lago, se lembrando de Gabriele nua tomando
banho.
-
Xena, você a ama, não é? Não é um amor de
amiga, é algo mais profundo. Quando ela foi embora você deixou
de existir, e eu sei que nada que eu fizer vai mudar isto.
-
Sim! Eu a amo mais que a mim mesma. Ela me ensinou tudo de bom que sei nesta
vida. Eu vivia na escuridão quando ela me encontrou. Ela é a luz
da minha vida. Sem ela eu me sinto na escuridão novamente.
-
E se ela não sentir a mesma coisa por você?
-
Não me importo. Prefiro acordar todas as manhãs e olhar aquele
rosto lindo ao meu lado mesmo sem tocá-lo, que não tê-lo
ao meu lado.
-
Então vá procurá-la. Acho que a minha lição
já acabou. E acredite, eu aprendi mais do que eu imaginava - deu um abraço
em Xena e concluiu - Adeus Xena. Prometo a você que darei o melhor de
mim para ajudar as pessoas que realmente precisarem.
-
Adeus, Tara, eu acredito em você! - sua missão com Tara estava
cumprida.
Tara
foi embora. Xena arrumou suas coisas, montou em Argo e foi à procura
de sua amada e porque não dizer, da luz da sua vida.
--
Gabrielle
estava triste. Ela sempre via Xena montada em Argo entrando no vilarejo para
buscá-la, mas era apenas uma ilusão. Ela deveria estar muito
bem na companhia de Tara. E ela tinha que seguir sua vida. Tinha vontade de
morrer mas a vida era muito preciosa para ser desperdiçada. Quando chegou,
sua família a recebeu com alegria e perguntaram:
-
Onde esta Xena?
-
Não pôde vim - limitou-se a responder.
Sua
irmã, vendo que algo não estava bem, não insistiu e mudou
o assunto. Gabrielle passava seus dias pelos arredores com seus pergaminhos
escrevendo sobre as aventuras que teve ao lado de Xena. Sua irmã Lila
estava ajudando nos preparativos para a festa das flores. Seus pais foram visitar
uns parentes em um vilarejo próximo. Eles disseram para ela e sua irmã
que estavam muito velhos para agüentarem três dias de festa. Elas
sim eram jovens. Quando a festa acabasse, eles voltariam.
Assim
ela ia levando a vida. Morrendo por dentro mas firme por fora. Sentia uma falta
louca daquela mulher. Se
segurava todos os dias para não
pegar suas coisas e sair correndo atrás dela. Mas ela também se
lembrava de ter falado para “se realmente quiser minha companhia, vá
me buscar”. Se isto não aconteceu devia ser porque Tara estava fazendo
Xena feliz.
--
No
caminho para Potedeia, Xena encontrou alguns ladrões pelo caminho. Mas
deu cabo deles rápido, afinal ela não tinha tempo a perder. Chegou
a Potedeia e se admirou com o lugar que estava bonito, as ruas cheia de flores.
Colocou Argo em um estábulo e foi caminhando até a casa dos pais
de Gabrielle. Chegando lá encontrou Lila.
-
Xena! Veio para a festa? - perguntou ela com um sorriso.
-
Ola Lila, tudo bem? Vim para a festa sim - Xena nem lembrava da festa mas resolveu
confirmar - E Gabrielle, onde esta?
-
Todos os dias ela pega suas coisas e vai para os arredores escrever seus pergaminhos.
O sol está se pondo. Já deve estar voltando. Ela anda um pouco
triste, você sabe o motivo?
-
Não, ela só me falou que viria visitá-los, que estava com
saudades.
Lila
entendeu que tinha algo no ar e preferiu não insistir com esta também.
-
Quer um pouco de vinho?
-
Quero sim, obrigada! - ela realmente estava precisando beber algo forte. - e
seus pais, onde estão? - perguntou procurando por eles com os olhos.
-
Eles foram para a casa de uns parentes nossos por alguns dias. Disseram que
estão muito velhos para agüentarem três dias de festa - falou
com um sorriso.
Xena
estava escorada em uma viga tomando seu vinho e conversando com Lila sobre a
festa quando a porta se abriu e Gabrielle entrou. Lila se aproximou dela e disse:
-
Gabrielle, Xena veio para a festa - ela viu que as duas se olhavam sem dizer
nada e continuou - Bom...Vou até lá fora ver como estão
os preparativos para a festa e já volto!
Falando
isto ela passou por Gabrielle que estava hipnotizada olhando para Xena e saiu.
Gabrille
colocou suas coisas sobre um móvel ao lado da porta e se aproximou de
Xena. “Ela estava ali a sua frente, linda”. Xena olhando para ela pensava a
mesma coisa. Olhou para o copo em suas mãos e perguntou:
-
Tá bebendo o quê?
-
Vinho! Quer um pouco? - ela fez que sim com a cabeça.
Xena
colocou um pouco para ela e entregou a caneca em suas mãos. Seus dedos
se tocaram, parecia que elas tinham tomado um choque. Gabrielle sentia suas
pernas tremerem, apontou para a mesa e falou:
-
Vamos nos sentar um pouco, estava caminhando há um tempão.
Sentaram-se
uma de frente para a outra e ficaram algum tempo se olhando em silêncio.
Foi Gabrielle quem falou primeiro:
-
Onde está Tara? - ela apertava a caneca em suas mãos para não
segurar as mãos de Xena.
-
Ela foi embora!
-
Porque? Vocês pareciam se dar tão bem! - Ela não conteve
um certo cinismo na voz.
Xena
olhou para Gabrielle, olhou o mais fundo que podia naqueles olhos verdes, como
se quisesse entrar dentro deles e perguntou:
-
Você veio para cá porque estava com ciúmes de Tara comigo?
Gabrielle
baixou os olhos e continuou calada.
-
Me responda por favor, Gabriele - insistiu Xena.
-
Sim - ergueu seus olhos e continuou - Eu vim embora porque não agüentava
mais ver você e Tara juntas, sorrindo, se derretendo uma com a outra como
se eu não existisse. Isto me doía o coração. Me desculpe.
Sei que não tinha o direito de sentir isto mas foi mais forte que eu.
Quando eu acordei de manhã, ela estava deitada ao seu lado com os braços
sobre seu corpo. Eu quis morrer. Achei melhor ir embora, você parecia
tão feliz.
-
Como você pode pensar isto de mim? A Tara, para mim, é como uma
irmã mais nova. Você sabe que meu coração só
tem lugar para uma pessoa, e essa pessoa é você - com seus olhos
grudados aos de Gabriele ela continuou - Eu te amo!
-
Eu também te amo! - respondeu Gabrielle com carinho.
Xena
soltou sua caneca tirou a outra das mãos de Gabrielle. Segurando as mãos
dela entre as suas disse suavemente:
-
Eu te amo, te desejo, te quero só para mim. Quero sentir seu corpo nu
colado ao meu, sua boca em minha boca. Mas se você não me quiser,
eu me contentarei em tê-la apenas como amiga - deu uma pausa e continuou
quase chorando - Mas por favor, Gabrielle, não me abandone. Não
me deixe só na escuridão novamente.
Gabrielle
pensou em como foi idiota deixando aquela mulher que estava ali a sua frente,
colocando a sua vida e o seu amor em suas mãos. Se tinha uma coisa
nesta vida que ela queria era jamais largar esta mulher novamente. Que assim
como ela estava se dando toda para ela, ela também se daria toda para
a sua Princesa Guerreira, de corpo alma e coração. Mas retirou
suas mãos e perguntou.
-
Você se contentaria em me ter só como amiga?
-
Sim! Se assim você quiser. Eu lhe juro que jamais farei algo que a magoe
ou que a ofenda.
Gabrielle
levantou-se, foi até onde Xena estava, colocou as mãos em seus
ombros, rodou seu corpo na cadeira colocando-o de frente para ela, pegou as
mãos de Xena e as colocou em sua cintura, enfiou uma de suas pernas entre
as dela. Com suas mãos segurou o rosto dela, aproximou seus rostos e
perguntou com uma voz bem suave:
-
Você conseguiria realmente me ter assim tão perto de seu corpo
e não me tocar?
Xena
tremia dos pés à cabeça. Aquela perna quente entre as suas.
Aqueles lábios tão perto dos seus, suas mãos naquela pele
quente. Era uma tortura! Mas ela faria qualquer coisa para não perder
Gabrielle.
-
Sim, eu prometo que não tocarei em você
-
Só que tem um problema - falando isto ela se afastou de Xena.
-
Qual? - perguntou Xena levantando-se da cadeira e indo de encontro a ela - Por
favor, me diga. Qual é? Eu tentarei resolver - implorou desesperada com
medo de perdê-la - Por você eu faço qualquer coisa
Gabrielle
se aproximou de Xena. Seu corpo queimava de desejo por aquela mulher a sua frente.
Ela segurou o rosto de Xena entre suas mãos, aproximou-o do seu, olhou
aquela boca a sua frente e falou baixinho:
-
É que eu não conseguirei me contentar em ter você ao meu
lado e não tocá-la. Porque eu te Amo, te Desejo, e você
não imagina o quanto. - falando isto encostou seus lábios nos
dela. Xena quase desmaiou quando sentiu os lábios de Gabrielle tocarem
os seus. Ela não resistiu mais e envolveu o corpo de Gabrielle com seus
braços devolvendo o beijou.
Gabrielle
sentiu um gosto salgado entre seus lábios. Era uma lágrima que
descia dos olhos de sua Princesa Guerreira. Uma lágrima de felicidade,
de amor. Xena sentia sua língua explorando cada centímetro da
boca de seu amor.Ela não acreditava que aquilo estava acontecendo. Finalmente
ela tinha Gabrielle em seus braços. Xena foi beijando seu rosto até
sua boca ficar próxima ao ouvido de Gabrielle e num sussurro ela falou:
-
Te amo. Nunca me deixe, meu amor, minha vida. Se você me deixar novamente
eu morrerei.
Gabrielle,
que também estava com a boca próxima de seu ouvido, falou:
-
Eu prefiro morrer a te deixar novamente.
Suas
bocas se encontraram. Agora era ela que descobria os segredos da boca de sua
Princesa. Elas se abraçavam, se apertavam como se quisessem fazer
daqueles dois corpos um só. Seus corpos ansiavam por algo mais, porém
Gabrielle de repente se lembrou de onde elas estavam. Se afastou e foi em
direção a mesa.
-
Venha, vamos tomar nosso vinho. Lila pode voltar a qualquer momento! - elas
acabaram de se sentar e a porta se abril. Lila entrou, elas se entreolharam,
e sorriram uma para a outra. “Ufa! Foi por pouco”.
-
Vamos jantar para irmos a festa?
-
Vamos, estou morrendo de fome! - respondeu Gabrielle com um sorriso no rosto.
Lila
então percebeu que com a presença de Xena a tristeza de sua irmã
tinha desaparecido. Elas jantaram uma
comida gostosa, feita com carne e alguns
legumes, beberam vinho, arrumaram tudo e saíram. A festa tava animada,
o povo estava feliz.
Lila
foi dançar com um grupo de jovens e logo em seguida voltou, pegou sua
irmã pela mão e falou sorrindo:
-
Vem, Gabrille, vamos dançar!
Gabrielle
não tinha mais motivo para estar triste, pois sua Princesa, seu amor,
estava ali ao seu lado novamente. Sorriu para Xena e se juntou ao grupo. Se aproximou
de um rapaz, falou algo em seu ouvido e apontou para Xena que ficou onde estava,
recostada em uma carroça observando Gabrielle. O rapaz veio até
ela colocou uma caneca em suas mãos, sorriu e voltou a dançar.
-
Obrigado! - Xena sorriu para o rapaz e olhando para a bebida pensou “Gabrielle
não tem jeito, sempre pensando em mim.”
Xena
ficou bebendo seu vinho e olhando-a dançar, seus olhos não se
desgrudavam uma da outra. Lila percebeu e entendeu o motivo da tristeza de sua
irmã, e a mudança após a chegada de Xena. Agora ela estava
ali, alegre e sorridente. Se a presença de Xena deixava sua irmã
tão feliz, ela então deveria se sentir feliz também. Xena
olhando Gabrielle dançar pensava que precisava ter aquela mulher que
estava dançando linda, sorridente, em seus braços novamente, senti-la
por inteira, beijar aquela boca.
Gabrielle
parecia ler seus pensamentos. Se
aproximou de sua irmã e disse:
-
Lila, eu vou descansar um pouco. Xena e eu partiremos amanhã cedo.
-
Tudo bem! Eu vou ficar mais um pouco. Dê o quarto maior para Xena dormir.
Só temos nos três mesmo! - falando isto voltou a dançar.
Gabrielle se aproximou de Xena.
-
Vamos embora? - começaram a caminhar - Tara ficou bem?
-
Sim, ficou bem. Ela é uma boa garota. Nesses dias que se passaram ela
aprendeu bastante o valor da vida. Agora só depende dela, eu acredito
que ela vá conseguir.
-
Tomara que ela consiga!
-
A partir do momento que você consegue distingui o que é fazer o
bem, e o que é fazer o mal, só depende de você escolher
o lado certo a seguir. E ela escolheu o lado do bem. Gabrielle estava ouvindo
o que Xena falava mas ao mesmo tempo pensando em como foi idiota em ter deixado
Xena, o quanto a fez sofrer e o quanto ela mesma também sofreu por não
tê-la ao seu lado. Quando elas entraram Xena encostou-se na porta e puxou
Gabrille pela mão de encontro a ela. Se abraçaram,
Xena falou com doçura na voz:
-
Te amo. Você é a minha razão de viver. Sem você eu
nada sou. Você é a luz da minha vida, nunca se esqueça disto.
Gabrielle,
que estava com os braços em volta de sua cintura, falou com ternura:
-
Também te amo. Me
perdoe por tê-la deixado. Sofri
muito pela minha atitude impensada. Sofri tanto que meu único refúgio
era ficar escrevendo sobre você, me lembrando de nossas aventuras.
Ela
parou de falar e ficou olhando aquela boca linda a sua frente. Falou baixinho:
-
Xena!
-
Que foi?
-
Me beija - pediu fechando seus olhos e entregando seus lábios.
Xena
a abraçou mais forte a beijou. Sentiu aqueles lábios macios em
sua boca e os mordeu, os sugou com carinho. Foi indo para seu pescoço
sentindo seu cheiro, percorreu com a língua os contornos de sua orelha,
cheirando seus cabelos. Xena estava toda arrepiada. Gabrielle gemia em seus
braços e isto a estava enlouquecendo. Murmurou para si mesma entre suspiros:
-
Ah! Meu amor,como eu te quero, te desejo e te amo.
Gabrielle
ouviu tudo. Estas palavras fizeram seu corpo todo estremecer e achou melhor
parar, antes que elas perdessem o controle. Ali não era o lugar certo,
sua irmã poderia entrar a qualquer momento. Teve que fazer um esforço
enorme para se afastar de Xena e falar com voz ofegante.
-
Quer tomar um banho?
-
Quero sim - Xena foi para o banheiro e Gabrielle ficou esperando por ela na
cozinha.
Quando
ela saiu do banho, apenas com suas roupas intimas, Gabrielle respirou fundo
dizendo:
-
Vou tomar banho também.
-
Eu te espero.
Quando
Gabrielle saiu do banho só de camisola, ambas ficaram se olhando em silêncio.
Foi Gabrielle quem quebrou o silêncio.
-
É melhor irmos dormir antes que Lila volte. Ela falou que você
pode dormir no quarto grande. Só temos nos três na casa, venha.
Pegou
sua mão e a levou ate lá. Acendeu algumas lamparinas, o que iluminou
bastante o local. Tinha uma cama grande com alguns travesseiros, um armário,
um baú e uma mesinha. Fez um carinho em seu rosto e falou.
-
Boa noite, meu amor - saiu e encostou a porta.
Xena
ficou sozinha, louca de desejo mais compreendendo a atitude de Gabrielle. Deitou-se
pensando “estou um pouco cansada” e adormeceu com a imagem de Gabrielle dançando
na festa em sua mente.
Gabrielle
não conseguiu dormir, seu corpo queria, ansiava pelo corpo de Xena. Estava
sentada à mesa bebendo um pouco de vinho perdida em seus pensamentos
quando sua irmã chegou.
-
Gabrielle, ainda não foi dormir? E Xena? - sentou-se à sua frente.
-
Ela esta dormindo!
-
Aconteceu alguma coisa?
-
Não! Só estou sem sono, mais já vou me deitar - ia levantar-se
mais Lilá segurou sua mão.
-
Você a ama, não é? E não e só como amiga,
estou certa?
-
Sim, eu a amo, Lila. É forte demais para eu lutar contra, e não
quero lutar contra o que sinto.
-
Então não lute, minha irmã! - Lila apertou mais forte as mãos de sua irmã e continuou - olhando para as duas dá para perceber
que existe um elo muito forte entre vocês. Você estava triste pelos
cantos, como se estivesse faltando algo de essencial em sua. Xena, quando chegou
aqui, também estava assim. E quando vocês se encontraram a tristeza
das duas sumiu, como se finalmente estivessem
encontrado o que faltava. O que eu quero
é vê-la feliz, minha irmã. No coração ninguém
manda - levantou-se e deu um beijo na testa de Gabrielle - Vá dormir
com quem você tanto ama. Boa noite.
-
Obrigado, minha irmã - levantou-se e sorriu - Eu também
te amo.
Chegando
no quarto, entrou, fechou a porta e ficou ali encostada na porta, olhando aquela
mulher linda dormindo com os cabelos negros brilhando sobre a luz das lamparinas.
Xena tinha esquecido de apagá-las. Seu corpo estava descoberto da cintura
para cima. Gabriele ficou olhando aqueles seios, aquele corpo. Por Zeus, como
ela era linda. Sentou-se na cama, colocou sua mão no rosto de Xena, sentiu
sua pele, passou os dedos por seus lábios e foi descendo por seu pescoço,
seus ombros, “Que pele quente gostosa” Xena abriu seus olhos, e pensou estar
sonhando com aquele toque em sua pele. Mas viu que era real. Perguntou com carinho.
-
Estou sonhando?
Gariele colocou seus lábios próximos aos dela e respondeu:
-
Não, meu amor, não está sonhando - e beijou-a. Xena, sentindo
que ela era real, sentou-se. Seu corpo estava nu da cintura para cima. Gabriele
o olhava com desejo, seus olhos brilhavam. Colocou suas mãos sobre os
ombros de Xena e foi descendo, Xena perguntou com um fio de voz pois aquelas
mãos estavam queimando sua pele:
-
E sua irmã?
-
Ela mandou eu dormir com quem eu tanto amava - as mãos agora estava em
seus seios. Xena se derretia toda com aquele toque. Elas desceram e apertaram
sua cintura. Xena colocou suas mãos entre os cabelos de sua loira, trouxe
seu rosto de encontro ao seu e com suas bocas quase coladas uma a outra perguntou
com a voz rouca de paixão:
-
Tem certeza que você me quer por inteiro, meu amor?
-
O que mais desejo nesta vida é te ter e me dar por inteira para você.
Suas
bocas se uniram em um beijo cheio de amor, desejo, paixão. Xena retirou
a camisola de Gabrielle. Ela ansiava por sentir aqueles seios em suas mãos,
em sua boca. Parou de beijá-la e olhou aquele par de seios. Passou suas
mãos por eles e desceu ate a cintura. Deitou-a ao seu lado e retirou
com carinho sua calcinha, a última peça que impedia sua visão
do paraíso. Seu paraíso era coberto por pêlos cacheados
e loiros. Ela apoiou seus joelhos na cama e colocou as pernas de Gabrielle entre
as suas.
Gabrielle
admirava aquele corpo nu a sua frente. Já tinha visto Xena nua varias
vezes, mas neste momento era diferente. Ela nunca imaginou que seria tão
gostoso ter aquela criatura ali nua, se entregando por completo para ela. Estava
sentido sensações
que não imaginava existir.
Xena
se maravilhava com aquela visão: Gabriele nua deitada sobre os lençóis
a espera de seu corpo sobre o dela. Colocou suas mãos
nas pernas de Gabrielle e foi acariciando sentindo o calor daquela pele. Seus
olhos foram seguindo os movimentos de suas mãos, que estavam na cintura
de Gabrielle. Acariciou cada parte de seu abdômen, desceu passando pelos
seus pêlos, os polegares
sentido sua umidade. Gabrielle, de olhos
fechados, gemeu com aquele toque.
Suas
mãos subiram novamente e pararam nos seios. Seus pêlos negros se
encontraram com os pêlos loiros. Elas sentiram o calor e a umidade uma
da outra. Xena inclinou seu corpo para sentir os seios de Gabriele em sua boca.
Ela os beijou, sentiu aquela parte rosada firme em seus lábios. Sua língua
explorava cada centímetro. Gabrielle estava louca de vontade de sentir
aquele corpo por inteiro sobre o seu. Colocou suas mãos entre aquelas
madeixas negras que estavam espalhadas por sobre os ombros de Xena segurando
seu rosto, olhando em seus olhos e falando com a voz rouca
-
Venha aqui, meu amor. Me
deixe sentir seu corpo sobre o meu senão
vou ficar louca.
Xena
deslizou e se aconchegou. Envolveu-a em seus braços e colocou seu rosto
colado ao dela.
Gabrielle
geme ao sentir aquele corpo quente com músculos firmes. Sua respiração
quente em seu ouvido. Acariciou as costas de Xena com certa pressão Queria
sentir aquela pele entre seus dedos. Xena se arrepiava toda. Gabrielle estava
sedenta de desejo e iria
satisfazer todos eles. Xena começou
a beijar seu pescoço deslizando a língua em sua orelha. Gabrielle
gemia e apertava suas costas mais ainda. Xena comprimia seu quadril contra o
de Gabrielle. Elas estavam sentindo pela umidade uma da outra o quanto elas
se desejavam. Xena a abraçou mais forte, apoiou a cabeça dela
entre suas mãos e murmurou mais para si mesma do que para Gabrielle ouvir:
-
Nada nem ninguém nesta ou em outra vida me afastará de você.
Enquanto você me quiser, nunca me cansarei de dizer que te amo.
Gabrielle
ouvi tudo. Era
inacreditável a dimensão do amor que aquela guerreira sentia por
ela. Mas isto não a assustava pois seu amor por Xena também era
imenso e ela mostraria isto à sua Princesa Guerreira, sua vida. Gabrielle
girou seu corpo colocando-o sobre o de Xena, procurou seus olhos. Xena estava
com seus lindos cabelos espalhados nos travesseiros, seus braços continuavam
em volta do corpo de Gabrielle, abraçando-a fortemente mas sem machucá-la,
como se estivesse com receio que ela fugisse dali.
Gabrielle
subiu seu corpo um pouco de maneira que Xena estavisse sentindo
seus pêlos úmidos em seu abdômen. Deixou seu rosto a mesma
altura que o de Xena, olhou aqueles olhos azuis brilhantes. Deu um beijo em
cada um. Foi beijando cada parte de seu rosto e falando com amor na voz:
-
Eu não sei o que fiz para merecer um amor tão grande e lindo como
o seu - Xena ia falar algo mas Gabrielle beijou seus lábios e continuou
- mas de uma coisa você pode ter certezaa, meu amor por você é
tão grande quanto o seu por mim. Você me fez viver, me salvou da
escravidão, me mostrou e me ensinou tantas coisas! Uma delas foi conhecer
o mais puro completo e verdadeiro amor, o que sinto por você. Nada nem
ninguém nesta ou em outra vida irá nos separar porque eu nunca
vou deixar de te querer. Você é a minha essência, minha vida.
Ao
acabar de dizer estas palavras uma lágrima rolou dos olhos de Gabrielle.
Eram lágrimas de felicidade por ter finalmente dito àquela mulher
o quanto a amava.
Xena,
ouvindo aquelas palavras e vendo lágrimas nos olhos de seu amor, não
resistiu. Abraçou-a mais forte e não só com seu corpo mas
com sua alma também. Lágrimas caíram de seus olhos. Suas
bocas se encontraram, não era mas preciso dizer palavras. Beijaram-se.
Um beijo doce suave,
cheio de ternura.
Gabriele
foi descendo, deslizando seus lábios pelo queixo, pescoço, ombros,
entre os seios de Xena, que colocou suas mãos entre os cabelos de Gabrielle
e guiou sua boca para um de seus seios. Ela ansiava por senti-los em sua boca.
Gabrielle o absorveu por completo em sua boca, um por vez, acariciando o outro
com a mão. Deslizou sua boca para o abdômen, sentiu os músculos
firmes em sua língua. Seus lábios foram descendo e ela encontrou
os pêlos negros de sua Princesa, sentiu seu cheiro, deslizou sua língua
entre aqueles pêlos sentindo em sua boca um gosto que nunca sentiu antes
mas que achou simplesmente delicioso. Ali ela ficou com sua língua explorando
cada parte, sua boca sugando cada gota. Xena gemia e murmurava palavras indecifráveis.
Gabrielle estava deixando-a louca de prazer e nem experiência tinha! Seu
corpo estava no mais puro e total clímax. Xena, não resistindo
mais, contraiu seu corpo, colocou as mãos entre os cabelos de Gabrielle
e apertou sua cabeça contra seus pêlos soltando um gemido longo
e profundo. Seu corpo estava em êxtase puro e total.
Gabrielle
deslizou seu corpo sobre o de Xena e descansou o rosto em seu ombro. Xena a
envolveu em seus braços e a apertou contra seu corpo. Rolou seus corpos
e ficou sobre Gabrielle, apoiando a cabeça dela em suas mãos.
Sentiu seu cheiro e beijou sua
boca sentido seu próprio gosto.
Mordeu e sugou aqueles lábios macios. Foi para seu pescoço e respirou
fundo sentindo o cheiro de sua amada, um cheiro tão gostoso que a fez
se arrepiar toda. Mordeu com carinho sua orelha fazendo seus contornos com a
ponta da língua. Desceu para os ombros sem retirar os lábios de
sua pele.
Xena
queria sentir todo o corpo de Gabrielle em sua boca. Chegou em seus seios, segurou
um com cada uma de suas mãos, os sugou, mordiscou, massageou-os com sua
língua. Desceu para o abdômen deslizando suas mãos. Colocou
as pernas de Gabrielle sobre seus ombros e se entregou aquele momento de puro
prazer que ela há tanto tempo ansiava. Deslizou sua língua por
entre aqueles lábios quentes e úmidos, sugou sua carne quente
e macia, introduziu sua língua dentro de Gabrielle fazendo-a gemer de
prazer. Suas mãos massageavam com certa pressão as coxas de Gabrielle
que delirava de prazer sentido a língua de sua princesa entrando e saindo
de dentro dela. Nunca em sua vida tinha sentido ou experimentado algo igual
ao que estava sentido naquele momento.
Ela
amava aquela mulher que estava ali entre suas pernas a levando a loucura, saboreando
todo o seu corpo, introduzindo sua língua dentro dela com um desejo louco,
sugando seu líquido como se fosse o mas puro elixir. Xena escorregou
uma de suas mãos por entre as pernas de Gabrielle, deslizou seus dedos
entre os pêlos, encontrou sua cavidade e introduziu um de seus dedos.
Sentiu o corpo de sua amada estremecer. Xena a olhou: estava com os olhos fechados, suas mãos agarradas
aos lençóis tão fortemente
que se estivesse em sua pele arrancaria um pedaço, em seu rosto via-se
a mas pura expressão de desejo. Xena colocou sua língua entre
os pêlos loiros de sua rainha. Gabrielle, ao sentir a língua e
o dedo de sua princesa em seu corpo, não resistiu mais, mordeu seus lábios
para abafar um grito de prazer impossível de descrever com palavras.
Relaxou
seu corpo sobre os lençóis. Abriu os olhos e olhou para Xena que
a observava com seus olhos azuis brilhando. O amor e desejo que sentia
por ela era tanto que ao sentir a excitação e o desejo de sua
amada em sua boca alcançou mais uma vez o prazer.
-
Vem aqui, meu amor? - Gabrielle a chamou com carinho.
Xena
subiu seu corpo e se deitou ao seu lado colocando a cabeça dela em seu
ombro, abraçando-a. Gabrielle virou seu corpo de lado, colocou uma de
suas pernas entre as de Xena, repousou sua mão entre seus seios, colocou
seu rosto entre os cabelos de Xena, relaxou o corpo e murmurou baixinho.
-
Minha princesa, te
amo. - e adormeceu.
Xena
ficou ali deliciando-se com aquele momento único: Gabrielle dormindo em seus
braços após uma noite de amor. Puxou os lençóis
cobrindo seus corpos já saciados e adormeceu.
Xena
acordou com Gabrielle ainda em seus braços. Abraçou-a mais forte
para ter certeza que ela era real. Gabrielle acordou, olhou para ela, deu um
lindo sorriso e falou com carinho:
-
Bom dia, meu amor!
-
Bom dia! Por um momento pensei estar sonhando.
Elas
se beijaram e seus corpos começaram a se acender novamente mas Gabriele
falou:
-
É melhor levantarmos. Lila já deve estar acordada nos esperando
para tomar café.
Vestiram-se
e foram ao encontro de Lila que estava na cozinha e as recebeu com um sorriso.
-
Bom dia! Vamos tomar café?
-
Vamos! Estou morrendo de fome! Mas primeiro vamos lavar nossos rostos. Ainda
não acordei direito. - disse Gabrielle colocando a mão em frente
a boca e bocejando.
Lila
viu o rosto de felicidade da irmã e entendeu que não precisava
perguntar nada. Tomaram o café da manha e se despediram de Lila. Gabrielle
abraçou a irmã e falou:
-
Adeus, minha irmã - olhou em seus olhos - Obrigada por me compreender.
-
Sua felicidade também é a minha - Lila falou com carinho e foi
abraçar Xena.
-
Obrigada, Lila. Prometo a você que protegerei sua irmã com minha
própria vida - Xena falou séria para Lila.
-
Eu sei. Adeus.
Elas foram ao estábulo, pegaram Argo e saíram
caminhando do vilarejo. Quando estavam
um pouco distante, as duas montaram em
Argo.
Gabrielle abraçou Xena pela cintura e falou:
-
Tomara que a noite não demore a chegar. Como será fazer amor sobre
as estrelas?
Xena
sorriu e falou:
-
Logo mais você descobrirá!
Fim
*****
O
fim de alguma coisa é também sempre o começo de outra.
Deixo o resto por conta da imaginação de vocês.