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Ao Amor

 

Por: Kenia T.

 

A aurora parecia anunciar um dia calmo, fresco e acima de tudo igual aos outros, e isso seria muito satisfat�rio caso Gabrielle n�o se sentisse t�o diferente naquela manh� pois tudo o que ela sempre quis eram dias para lutar e seguir sua melhor amiga, era perfeito, tinha seu caminho e sua paix�o. Mas, acima de tudo a manh� estava linda... a maioria das pessoas, as rom�nticas pelo menos gostavam da primavera, mas Gabrielle adorava o outono que cobria os campos com aquelas cores em tons de conforto, abrigo, al�m de tornar o ch�o em que dormia realmente mais confort�vel; e � claro, a fartura para a comilona se empanturrar. Mas a Rainha das Amazonas nem percebia que seu cen�rio favorito constru�a-se � sua frente com a chegada da luz do dia. Sentada em seu cobertor, com as pernas cruzadas, os cotovelos apoiados em seus pr�prios joelhos e o queixo sustentado na face de suas m�os, sentia um misto de confus�o, amor e preocupa��o enquanto contemplava o corpo nu da Guerreira que dormia � sua frente com  o cobertor puxado at� a cintura. Ela n�o percorria tudo com os olhos, parecia olhar para um �nico ponto no rosto de Xena mas apenas ela sabia o que estava vendo, e ela estava vendo tudo, e tudo estava muito confuso. O caso � que Gabrielle j� sabia de cor todos os contornos do corpo daquela hero�na, sentia vertigens quando pensava o quanto era linda e apesar de saber o quanto aquela Guerreira mexia com todos os seus sentidos, jamais a havia tocado, n�o da forma que, naquele momento achava que queria. E foi pensando nisso que se deu conta de que havia tentado engolir aquelas sensa��es durante todos esses anos achando que estaria confundindo seus sentimentos de pura devo��o � sua Guerreira com o amor que, para ela, s� existia entre homens e mulheres. Sua intimidade com aquele corpo, ser e alma era tamanha que achava que estar ali seria sempre o suficiente, que aquele amor espiritual e rec�proco capaz de faz�-la dar sua pr�pria vida pela felicidade da outra era o �nico sentimento que lhes cabia. Estava enganada, aconteceu algo que mudou suas certezas e tudo aquilo que havia engolido queria sair agora,  e ela precisava ordenar tudo isso.

 

A Guerreira se mexeu, esticou os bra�os e abriu os olhos. Enxergou o c�u num azul um pouco escuro ainda, e como fazia todas as manh�s virou-se para ver sua Gabrielle. Seus olhos lhe lembravam o mar. Mas aquele mar estava confuso �quela manh�, n�o sabia se apenas profundo ou de ressaca... e por falar em ressaca, que dor de cabe�a ela sentia, levou sua m�o � testa fechando os olhos, voltou-se para Gabrielle novamente e percebeu que algo realmente n�o estava bem, sua amada Gabrielle parecia estar com ela mas longe dali.

 

_ O que houve Gabrielle? Voc� est� bem?

 

Gabrielle voltou de algum lugar distante e parecia nem ter percebido que Xena j� havia acordado.

 

_ N�o Xena... precisamos conversar. Disse, ap�s um longo suspiro.

 

_ Ah que �timo Gabrielle... n�o deve ser t�o urgente que n�o possa esperar essa dor de cabe�a miser�vel passar!!! Perguntou Xena tentando adiar a conversa.

 

A barda apenas se levantou e caminhou em dire��o ao rio que passava ali perto sentando-se na margem  sem responder nada. Nos dias anteriores havia sentido um medo que jamais havia sentido antes, nem mesmo quando perdera Perdigas. Depois de ajudarem H�rcules e Iolaus a derrotar uma das exterminadoras enviadas por Era, percebera a tens�o que havia entre Xena e o semideus e sentiu uma dor descomunal quando a Guerreira sugeriu que se juntassem aos dois. A barda respondeu que iria onde a Guerreira fosse mas que n�o seria capaz de se juntar a ela e H�rcules e muito menos (disse isso ironicamente) de se "passar pela filhinha do casal". Apesar de ter ganho a "queda de bra�o" com o filho de Zeus, sentiu uma dor profunda enquanto testemunhava o porre fenomenal que Xena tomara depois de se separarem dos her�is. O que acontecera com a Guerreira, nunca a havia visto b�bada antes, ser� que ela se sentia sozinha, ser� que H�rcules era t�o importante assim? E a maior pergunta de todas: porque isso a incomodava tanto, pois apesar de H�rcules, ela ainda estaria ao lado da Guerreira, e se isso n�o era suficiente o que seria ent�o?

 

J� vestida, Xena sentou-se ao lado dela � beira do rio.

 

_ Muito bem Gabrielle, diga...

 

_ Eu vou embora...

 

Xena sentiu o metal gelado de uma espada entrando em seu est�mago.

 

_ Como assim vai embora? do que est� falando?

 

_ Preciso ficar longe de voc�...

 

_ Ah�! e eu posso saber por qu�? A Guerreira mal conseguia respirar tal o pavor que a tomava.

 

_ Por que n�o importa, n�o me fa�a muitas perguntas, por favor...

 

_ Como n�o lhe fazer muitas perguntas Gabrielle, depois de passarmos todo esse tempo juntas, um belo dia eu acordo numa ressaca miser�vel e voc� me diz que vai embora... ou eu lhe fiz alguma coisa enquanto estava b�bada ou lhe caiu um coco na cabe�a enquanto dormia... deixe de bobagens e vamos procurar algo para comer.

 

Xena se levantou e quando viu que a barda n�o havia se mexido, respirou fundo e voltou a sentar-se a seu lado.

 

_ O que est� acontecendo Gabrielle, converse comigo... por qu� quer ir embora?

 

_ Porque eu a amo Xena...

 

_ Eu tamb�m te amo Gabrielle e ...

 

_ N�o Xena, n�o � desse amor que falo, estou falando de um sentimento que n�o me deixa dividi-la com ningu�m, posso n�o permitir que meus pensamentos se formem mas sei que quero voc� de uma forma... bem diferente.... eu acho.

 

Ah, aquele sentimento, ent�o Gabrielle o sentia tamb�m... tinha tanto medo que ela percebesse o que sentia a tanto tempo que j� havia se conformado em escond�-lo para sempre, mas sua atitude com H�rcules havia sido um tanto quanto estranha e precisava esquecer, por isso o porre. Sabia o que era amar outra mulher, mas com Gabrielle era diferente, sentia um amor t�o profundo por aquela crian�a que a possibilidade de perd�-la era insuport�vel. Quantas vezes ficara acordada tentando controlar o desejo que sentia por sua Gaby... t�o desejada... que repousava ao seu lado e que �s vezes a abra�ava � noite, mas nada podia fazer a n�o ser esquecer pois seria ainda mais insuport�vel n�o t�-la por perto e n�o podia arriscar. Seu cora��o parecia querer sair por sua boca, ele nunca havia se manifestado de maneira t�o imponente, nem � beira da morte, nem � beira do amor.

 

_ Gabrielle, eu tamb�m...

 

_ N�o Xena, n�o fale mais nada, eu n�o quero ouvir... n�o entendo e n�o posso conviver com isso e por isso preciso ir embora e farei isso agora...

 

Dizendo isso Gabrielle se levantou e come�ou a juntar algumas coisas. Xena se encaminhou em dire��o � ela e num misto de desconcerto e desespero contido come�ou a falar.

 

_ Escute Gabrielle, tenha calma, isso � mais comum do que imagina, algumas Amazonas por exemplo...

 

_ Ah! Por favor Xena, n�o � comum para mim est� bem...? Disse sem parar de juntar suas coisas.

 

_ Pelos Deuses Gabrielle, voc� � a Rainha das Amazonas e n�o sabe de seus costumes? Xena sentiu um profundo arrependimento por falar t�o pouco e deixar de esclarecer certas coisas � Gabrielle.

 

_ Me deixe ir est� bem? apenas me deixe ir Xena... Disse-lhe olhando em seus olhos de maneira muito firme.

 

Ela n�o podia fazer mais nada a n�o ser assistir quem ela mais amava no mundo sumir entre os arbustos sem olhar para tr�s. Pensou em segui-la preocupada com sua seguran�a mas n�o podia desrespeitar sua decis�o daquela maneira. Ficou ali parada pensando, preocupada com Gabrielle sozinha naquele tempo t�o selvagem e s� muito depois pensou em chorar por sua aus�ncia, sentiu um vazio t�o grande que sua determina��o de Guerreira se tornara irreconhec�vel... ent�o chorou como uma crian�a inconformada e adormeceu de cansa�o, n�o sabia que a l�grima e a dor pudessem lev�-la t�o r�pido � exaust�o.

 

Xena acordou num salto com o barulho de espadas, pegou seu chakram e sua espada e virou-se para chamar Gabrielle... quase perdeu as for�as quando se lembrou que sua barda n�o estava mais ali. Mas seu instinto de Guerreira a fez dar um salto e correr em dire��o � luta que se travava. Haviam dois homens lutando contra oito que identificara como sendo do ex�rcito de Julio Cesar. Os dois homens lutavam bem mas n�o iriam suportar por muito tempo. Xena se juntou a eles e a luta se tornou realmente desleal, Xena brigava com habilidade e for�a de 100 homens, mas n�o havia paix�o em seus olhos, como se n�o houvessem mais motivos para lutar, como se estivesse apenas fazendo o seu trabalho, cumprindo o seu dever. Em alguns minutos n�o havia mais um s� homem do ex�rcito de p�. Um dos homens que a Guerreira havia ajudado virou-se para ela e disse:

 

_ Obrigado, voc� deve ser Xena... a Princesa Guerreira.

 

_ �, acho que sim. Respondeu a Guerreira tomada por uma profunda tristeza nos olhos e na voz _ mas o que houve aqui?

 

Ela n�o se importava realmente, perguntou talvez por for�a do h�bito, por isso nem ouviu o homem se apresentar e come�ar a contar sua hist�ria. Xena virou-se para se retirar pensando no quanto era importante a presen�a da barda, talvez soubesse que seria muito dif�cil, mas senti-lo se aproximava cada vez mais do insuport�vel. Havia deixado o homem falando sozinho...

 

_ Mas... o que h� com ela? Perguntou o homem interrompendo sua hist�ria.

 

Os dias que se seguiram foram todos iguais, algu�m para matar, algu�m para salvar, apenas escolhia um lado ou uma causa e come�ava. N�o havia hora, dia ou noite, dormia quando n�o aguentava mais, bebia e comia o suficiente para n�o morrer e lutava por n�o ter mais nada que soubesse fazer. N�o suportava mais sua pr�pria in�rcia, n�o podia se entregar daquela forma, n�o ela, a Guerreira, a que tivera for�as para voltar do reino de Hades, derrotar Ares, Callisto, Era, a si mesma e a tantos outros. Mas tudo isso lembrava Gabrielle, ela sempre esteve por perto em todos esses momentos, na verdade, lutara por elas, por si e por Gabrielle, para que pudessem estar juntas, para que pudessem comemorar a gl�ria e chorar a derrota juntas, e ver o mundo mudar juntas. Precisava fazer alguma coisa, procurar algo que a animasse, que resgatasse sua vontade...

 

_ H�rcules...

 

Sim, talvez ele pudesse anim�-la, sempre se sentiu bem perto dele e sempre sentiu algo mais tamb�m, n�o era t�o forte e incondicional como o que sentia por Gabrielle mas era alguma coisa, um sentimento forte, tinha que tentar, precisava se reerguer, ter prop�sitos e caminhos...

 

Partiu � sua procura e n�o foi dif�cil ach�-lo, onde quer que H�rcules passasse, fosse a "trabalho ou a passeio" era percebido por todos. Quando o viu, estava um pouco distante, conversava e ria com Iolaus. Parecia uma muralha de ternura e bondade se movimentando, imponente e suave, um homem como poucos, t�o interessante quanto as mulheres guerreiras daquele tempo... mas, mesmo sem se aproximar, Xena percebeu que n�o era o que precisava, n�o iria adiantar se enganar, precisava de Gabrielle, sua barda, sua Rainha, sua crian�a. Sentou-se ao lado de Argo e chorou, como um adulto, conformada diante de sua impot�ncia em mudar as coisas.

 

Era Argo quem guiava seu caminho agora, n�o importava onde pudesse ir ou por quem lutar, apenas seguia seu instinto de justi�a, sobre o qual aprendera muito com Gabrielle, mas n�o havia paix�o ou vontade, lembrava apenas um animal seguindo seus impulsos; e em cada vilarejo ou acampamento que passava perguntava por Gabrielle apenas para tentar saber se estava bem, e em muitos lugares recebia not�cias de que passara por ali mas n�o falara com ningu�m, nem para onde ia, nem de onde vinha. At� que um dia, numa aldeia pr�xima a Poteidaia, ao perguntar por ela algu�m lhe disse que havia algu�m assim em uma taverna em frente. O cora��o da Guerreira parecia ter voltado a bater naquele instante, e quando, ainda em cima de Argo a viu sair, quase caiu de seu cavalo ao sentir seu sangue voltar a circular pelas veias, do�a at�, como se essas estivessem secas. Gabrielle foi parando devagar, como se n�o acreditasse ser real a vis�o de Xena � sua frente. A barda parecia um pouco mais magra, e com certeza n�o estava feliz.

 

Gabrielle engoliu seco, era t�o bom v�-la, a vis�o do para�so seria uma pechincha diante disso, seu cora��o do�a, mas n�o podia, n�o conseguiria viver algo que n�o entendesse, n�o tinha suas respostas ainda e n�o sabia se as teria um dia. Determinada, virou-se e seguiu a trilha que se abria no meio da mata.

 

Se ainda n�o estivesse de p�, poderia dizer que estava morta, derrotada, ali em cima de Argo, e por isso, por estar morta, nem mesmo chorou. Argo come�ou a lev�-la para o mesmo caminho que Gabrielle seguira. Quando Xena se deu conta, segurou as r�deas e disse:

 

_ Voc� a tem seguido garoto? Se o estiver fazendo pare, ela n�o nos quer por perto...

 

O cavalo relinchou, bateu com a pata duas vezes no ch�o e depois virou-se e come�ou a andar para o lado contr�rio.

 

Xena estava com fome, n�o sabia a quanto tempo n�o comia, n�o sabia nem quantos dias se passaram desde que... na verdade nem sabia a ordem das coisas que lhe haviam acontecido. Argo, que parecia estar mais humano do que nunca no sentido da compreens�o, parou em frente a um rio. Xena desceu, tirou as roupas e mergulhou para pescar e aproveitou para tomar um banho, que tamb�m n�o sabia quando tomara o �ltimo. Fez uma fogueira e come�ou a comer quando se deu conta de que conhecia aquele lugar, sim, tinha sido ali aquele dia horr�vel, o �ltimo dia em que realmente se sentira viva, foi naquele lugar que Gabrielle a havia deixado. N�o conseguiu engolir nem mais um peda�o de seu peixe. Deitou e adormeceu... n�o sonhava mais, nem bons sonhos nem pesadelos... Morpheus, Deus do Sonho, pai de Orpheus e um dos irm�os da morte, era impotente diante da dor que a Princesa Guerreira sentia. Um pouco al�m da metade do dia acordou com um barulho nos arbustos, sabia que algu�m se aproximava e se apoiou em seu cotovelo para ver, instintivamente, sem ao menos se prevenir... n�o tinha mais esperan�a, e algu�m sem esperan�a � algu�m sem medo... n�o pegou nem seu chakram  nem sua espada, apenas observou sua rival Callisto sair de tr�s de seu esconderijo. O qu�, pelos Deuses aquela mulher fazia ali, n�o estava presa em Tartarus ou Zeus sabe onde? Isso provocou uma profunda irrita��o em Xena.

 

_ Ah, Callisto, mas que perturba��o... me deixe em paz vai... E voltou a deitar-se escondendo o rosto com um de seus bra�os.

 

A vil� n�o entendeu a atitude da hero�na e ficou desconfiada, seria um truque? Onde estava Gabrielle?

 

_ Onde est� Gabrielle Xena?

 

_ N�o sei...

 

_ Eu n�o vou cair em sua armadilha Xena, acho melhor...

 

_ O que voc� quer Callisto, me matar?! Disse a Guerreira dando um salto de seu cobertor at� a loura e colocando a espada de sua inimiga em seu pr�prio pesco�o _ vamos, fa�a!

 

_ O que est� havendo com voc�, esta louca?... Eu n�o quero te matar, quero te humilhar, te ferir, te machucar, vencer voc�, mas isso...

 

_ Ent�o v� embora Callisto, n�o h� mais nada em mim que voc� queira ou possa atingir, voc� perdeu a vez, algu�m chegou primeiro e fez o seu trabalho. V� procurar outra pessoa para querer e odiar ao mesmo tempo sua doida.

 

Callisto, do alto de sua insensibilidade e ignor�ncia, ficou ali parada com uma profunda tristeza estampada em seus olhos escuros, como se tivesse perdido um ente querido e nada pudesse fazer para resgat�-lo, enquanto Xena voltava para onde estava e dava-lhe as costas.

 

_ Voc�  ainda est� a� Callisto, me deixe em paz vai... E deitou-se novamente sem saber em que momento a vil� se afastou; foi quando sentiu um perfume, o perfume dos Deuses, o cheiro de Gabrielle, deu um salto do ch�o e ficou de p�, apurando os ouvidos para ouvir.

 

_ Gabrielle?

 

Ouviu passos em sua dire��o e a viu surgir, linda, era ela a dona de sua alma, a �nica que poderia tir�-la daquele lugar horr�vel em que se encontrava seu esp�rito. Os olhos se encontraram e queimaram tudo por dentro, uma na outra, como se o olhar de uma entrasse pelo corpo da outra e vasculhasse tudo estremecendo todos os �rg�os apenas para dizer "eu estou aqui".

 

_ Voc� est� bem? Disse Gabrielle.

 

_ Acho que sim, agora...

 

_ Ouvi dizer que Callisto estava livre e que estava lhe procurando, fiquei preocupada e vim para ver se estava tudo bem. Sua voz parecia se prevenir de algo que estava dentro dela mesma.

 

_ Ela j� foi...

 

_ Como assim?

 

_ J� veio e j� foi embora... s� isso. Disse Xena com a voz doce.

 

_ Ent�o... eu j� vou... dizendo isso se virou e come�ou a sumir entre os arbustos.

 

_ Gabrielle espere!

 

Ela n�o obedeceu e come�ou a correr, sentia pavor mas n�o sabia onde se esconder j� que o que a seguia estava dentro de si mesma. Precisava correr mais e mais at� que, numa enorme clareira ela sentiu uma m�o forte faz�-la parar.

 

_ Gabrielle, por favor escute...

 

A barda olhou para aquele azul infinito e percebeu que havia uma nuvem naqueles olhos que tanto amava, uma tristeza que do�a em si mais que a sua pr�pria, n�o tinha op��o a n�o ser ouvir o que sua hero�na tinha a lhe dizer...

 

A guerreira a olhava se recuperando da corrida que inesperadamente a deixara um pouco ofegante. Gabrielle estava triste e com medo, via-se em seu olhar, mas ficara para ouvi-la; ent�o Xena come�ou a falar com a voz mais doce que Gabrielle j� ouvira:

 

_ Gabrielle � voc� quem salva todos os meus dias, sem voc� cada um deles s�o apenas bons dias para se viver ou morrer numa batalha, para se andar para lugar algum, para matar e esperar ser morta por algu�m que me pegue de surpresa ou que seja melhor que eu. A comida, boa ou ruim s� faz sentido com voc�, vencer e estar viva no final de uma briga s� faz sentido se estiver comigo, voc� me ensinou o prazer de fazer bem a algu�m, de  perdoar, de amar, e sem voc�, seu sorriso e seu olhar de admira��o estas coisas n�o s�o mais as mesmas. Quantos dias Gabrielle, quantos dias se passaram desde que foi embora? Para mim nenhum pois desde ent�o nenhum dia realmente nasceu.

 

Seus olhos estavam vermelhos pela press�o da l�grima que a Guerreira impedia que se libertasse enquanto percebia a profunda tristeza e dor estampadas no olhar de sua barda. Mas continuou, talvez fosse sua �ltima chance, tinha que dizer tudo:

 

_ O que � isso Gabrielle, vamos diga, o que � isso que sinto por voc�? Se isso � uma aberra��o ou n�o pode porque me faz t�o bem? Porque apenas esse sentimento que voc� est� tentando negar e apenas ele, salva minha alma, me torna uma hero�na e n�o uma louca perdida sem saber distinguir tirania e justi�a? Voc� � minha outra parte e sem ela n�o h� nada que me complemente, que me d� paz. Estou como no in�cio, a diferen�a agora � que sei o que me falta...

 

A Guerreira fez uma pausa para ter coragem de dizer o que provavelmente seriam suas �ltimas palavras para Gabrielle, queria ter mais a dizer, e tinha, muito mais, mas sabia que diria apenas para prend�-la ao alcance de seus olhos mais pouco. Soltou o bra�o da barda, acariciou seu rosto e cambaleou quando sentiu que ao seu toque Gabrielle fechara os olhos numa demonstra��o de puro prazer e paz.

 

_ Eu precisava lhe dizer tudo isso meu amor, para que junto com seus devaneios esteja tamb�m o meu apelo, agora voc� pode fugir para qualquer lugar que queira, eu vou pegar minha espada e enfrentar o que me espera pois nisso eu sou boa, com ou sem voc�.

 

Dizendo isso Xena se afastou devagar, segurou as r�deas de Argo que a havia seguido, e n�o olhou para traz. Gabrielle sentou encostando-se numa pedra e chorou durante muito tempo, o choro das crian�as e dos adultos, e nem se deu conta de que come�ara outro dia.

 

As palavras de Xena ecoavam como num sonho, seu amor pela Guerreira agora a a�oitava mais do que em todo esse tempo pois mais do que sua pr�pria dor, n�o suportava a dor que vira nos olhos de sua Guerreira, que jamais falara tanto de si mesma, jamais estivera t�o vulner�vel, e isso por si s� j� seria demais para sua Melhor Amiga. A falta que Xena fazia era vencida por suas perguntas... mas que perguntas? A �nica coisa que fizera fora fugir de si mesma, e n�o correr atr�s de respostas. N�o havia pergunta pois a resposta estivera sempre ali, dentro dela, a resposta era o que sentia, o amor que sentia e era correspondido! que pergunta havia para responder sobre esse assunto? pelos Deuses! Perguntar o qu� se ela n�o tinha perguntas nem sede de respostas longe de sua Guerreira? N�o tinha vontade para nada, a n�o ser a vontade de correr e se juntar � ela, ficar ao seu lado, o �nico lugar que queria estar, que poderia estar, que teria paz e que era seu. E foi o que come�ou a fazer sem mesmo se dar conta, correu para o acampamento para encontr�-la e dizer tudo o que sentia, pedir desculpas, am�-la, apenas fazer o que n�o havia possibilidade de ser diferente, n�o via a hora de se encolher naquele abra�o que a fazia ficar nas pontas dos p�s para alcan�ar e abra�ar o pesco�o de sua B�rbara; era o lugar mais seguro e confort�vel do mundo, queria receber aquele sorriso que n�o era mostrado a mais ningu�m, era seu, e como era bom pensar que era seu e de mais ningu�m, como se sentia lisonjeada por ter o amor daquela Guerreira, e um sorriso largo foi-se abrindo em seu rosto no meio da correria... mas s� encontrou as cinzas da fogueira, ela havia ido embora, e o sorriso se desfez.

 

Gabrielle precisava encontr�-la, a dor era f�sica, como se estivesse faltando uma parte sua e precisava coloc�-la no lugar. Chegou na aldeia mais pr�xima, e na outra, e na outra, e assim passou luas percorrendo todas as aldeias, seguindo as informa��es que lhe davam sobre uma "Guerreira de Alma Derrotada" que passara por ali, guiada por seu animal. At� que, num vilarejo pr�ximo a Styrmon Pass, ouviu algu�m dizer seu nome dentro de uma taverna e entrou. Haviam muitos homens rindo e bebendo, pareciam comemorar algo... foi ent�o que viu aquela cena horr�vel, seu est�mago vazio parecia querer expulsar o ar que havia dentro dele, suas pernas n�o sustentariam seu pr�prio corpo por muito tempo e sentou-se, caiu numa cadeira que estava perto; � sua frente, sobre uma mesa, banhada em sangue, com uma espada ainda encravada em seu abd�men estava a maior das Guerreiras, a mais temida, a melhor de todas, a Princesa Guerreira, sua Melhor Amiga e seu Maior Amor, Xena. Tudo come�ou a rodar, a voz dos homens na taverna que davam vivas e diziam o nome "Xena" se contorcia, estava desmaiando. Formava-se um eclipse em seus olhos, tudo estava escurecendo � sua volta quando... tomada por uma ira irreconhec�vel em Gabrielle, levantou-se e partiu para cima dos homens. Talvez, nem mesmo Xena teria dado cabo deles com tanta rapidez, a gentil e doce Gabrielle era pura f�ria, apenas seu olhar era capaz de derrubar um homem. Usou seu bast�o, garrafas, cadeiras, mesas e at�, quem diria, uma adaga. Quando tudo terminou s� havia Gabrielle de p�, era dif�cil saber se a barda havia derrubado apenas os culpados. A Rainha das Amazonas se voltou para a mesa onde estava Xena, e apesar de toda a demonstra��o de for�a que acabara de dar, mal tinha coragem para olhar. Um choro estrangulado parecia sair de dentro da barda mas n�o havia l�grimas, ela estava morta por dentro e por isso n�o chorava... chegou mais perto e acariciou a testa da Guerreira afastando seus cabelos, inclinou-se e beijou sua boca gelada.

 

_ Gab...

 

Gabrielle deu um grito que seria imposs�vel descrever, ela ainda estava viva...

 

_ Xena, fale comigo, Xena, Xena sou eu, eu te amo, fale comigo por favor. Como num sopro de vida a barda renasceu naquele instante e come�ou a chorar, espernear como uma crian�a que n�o se conforma_ anda! Fale comigo meu amor, vamos! abra os olhos e... e fale comigo...

 

N�o teve mais nenhuma resposta e como a crian�a inconformada que acabara de se tornar reuniu todas as for�as de sua alma e retirou a espada da barriga da Guerreira. Tentou carreg�-la at� Argo mas n�o suportava seu peso mesmo que estivesse bem alimentada, a n�o ser que a adrenalina/f�ria a tomasse novamente, mas n�o era esse o caso... saiu pela porta e gritou por socorro ao primeiro que passava. O homem n�o acreditou na devasta��o humana que havia l� dentro e concluiu que a Guerreira que repousava sobre a mesa teria feito aquele estrago e que havia se ferido no combate.

 

Com Xena pendurada no cavalo, Gabrielle guiou Argo (ou vice versa) at� Nel�bia, um curandeiro que vivia perto de onde estavam. L� chegando o homem magro e pequeno j� as esperava... em outra situa��o a barda teria se perguntado se o homem era curandeiro ou mago, mas nem se deu conta do fato. Tiveram muito trabalho os dois para arrastar Xena at� o abrigo e acomod�-la num colch�o de folhas e palha. O homem pediu a Gabrielle que esperasse do lado de fora e assim ela o fez, relutante, mas conformada.

 

A barda sentou-se ao lado de Argo e esperou... nada pensava, apenas esperava com a paci�ncia de um Deus. N�o rezava, n�o pedia nem especulava, apenas esperava, e assim ficou durante dois longos dias, sem se mover, sem dormir ou acordar, lembrava um monge tibetano, parecia estar em transe... nem fazia id�ia de quanto tempo havia se passado quando o curandeiro p�s a m�o em seu ombro e ela o olhou com calma, como se tivessem passado alguns minutos. O olhar daquele homem dizia tudo o que n�o queria ver ou ouvir e sem que ele dissesse uma s� palavra Gabrielle respondeu:

 

_ Continue tentando.

 

_ Ela n�o quer viver minha jovem, eu n�o posso fazer mais nada, seu corpo n�o precisa morrer pois apesar do ferimento ter sido grave n�o h� veneno e isso facilita as coisas, mas seu esp�rito assim o quer, nunca vi uma Guerreira como essa t�o vulner�vel, jamais imaginei que pudessem chegar a tanto, e n�o duvido que j� tenha voltado do reino de Hades mais de uma vez. Mas � ela quem n�o quer e pelo que sei, s� o amor pode derrubar um gigante como esse, apenas ele � t�o poderoso... ele pode ser uma d�diva ou uma maldi��o...

 

Gabrielle se levantou e entrou no abrigo. O curandeiro permaneceu do lado de fora pois realmente n�o tinha mais nada a fazer.

 

Gabrielle deitou-se ao lado da Guerreira que parecia sem sangue, gelada, branca, encostou a face em seu peito e agarrou a gola de sua roupa de baixo, sentindo seu cora��o que quase n�o batia, t�o fracas e esparsas eram as pulsa��es; mas ela n�o podia se desesperar agora, encostou sua testa no colo de sua Princesa como se orasse e come�ou a falar em tom, de s�plica, pois essa poderia ser sua �ltima chance.

 

_ Xena preste aten��o, onde quer que esteja ou�a o que eu tenho a lhe dizer. �s vezes sou uma fedelha infantil e cheia de d�vidas que precisa de um tempo para pensar e organizar as coisas... mas uma coisa sempre foi clara para mim, eu amo voc�... mais do que j� amei qualquer um e muito mais do que poderia amar algum dia, pois nada pode ser maior que isso que sinto... sou sua irm�, sua m�e, sua filha, sua melhor amiga e onde quer que v�, viva ou n�o, eu irei atr�s de voc�, seja no reino de Hades, Tartarus ou na Terra dos Mortos das Amazonas, eu irei atr�s de voc�... mesmo que eu tenha que deixar meu corpo da maneira mais dolorosa poss�vel pois n�o sei abandon�-lo como voc� faz, eu irei atr�s de voc� e n�o duvide disso.

 

A l�grima quente descia por seu rosto e molhava a pele gelada de sua amada. Gabrielle aproximou sua boca do ouvido da Guerreira deitando a cabe�a em seu ombro... abra�ou o corpo frio com sua perna, come�ou a acariciar seus cabelos e rosto puxando-a para perto e, choramingando e solu�ando voltou a falar:

 

_ Mas eu queria ficar aqui... com voc�; queria ver seu olhos se abrindo todas as manh�s e se fechando todas as noites, quero segui-la, gui�-la... e quero... quero beij�-la Xena... quero sentir seu corpo quente ao meu lado ou junto ao meu... quero sentir sua intimidade me invadir a cada dia... eu.... eu quero saber como faz amor, como se entrega, que palavras diz, o que mais gosta... quero t�-la... e quero que me tenha... quero ouvi-la gemendo... quero aprender a satisfaz�-la e quero me mostrar... agora eu quero ser tamb�m sua amante... e n�o tenho mais vergonha desses sentimentos... eu quero me sentir livre para sentar e admirar cada parte do seu corpo em a��o enquanto tenta mudar o mundo, e quero poder dizer que tudo isso � meu...

 

_ Eu tento mudar o mundo por voc� Gabrielle... Sussurrou Xena.

 

A barda levantou a cabe�a num salto e viu aqueles olhos lindos, sua vis�o do para�so, seu col�rio... e soltou um grito de alegria beijando cada pedacinho do rosto de seu amor mais ou menos desperto, enquanto chorava o choro dos que amam, o choro da felicidade, o choro que � libertado pela press�o sobre as gl�ndulas pois o sorriso n�o cabe no rosto.

 

_ Eu te amo, eu te amo, eu te amo, pelos Deuses, como eu te amo...

 

A Guerreira sorriu, muito fraca, e abra�ou Gabrielle que se excedia.

 

_ Gabrielle, cuidado, est� doendo... ai...

 

_ Desculpa, mas eu te amo muito, voc� sabia disso? voc� sabia do meu amor?

 

_ Ai!... Sabia, mas pensei que nunca mais fosse senti-lo.

 

N�o seria poss�vel descrever a felicidade dessas duas, a n�o ser pelo fato de que a Guerreira era mais cautelosa em demonstr�-la e a barda poderia acordar todos os reinos apenas para falar da sua.

 

Depois de recuperar suas for�as e se divertir com a comilan�a inumana de seu amor, a Princesa Guerreira se despediu do curandeiro e montou em Argo com sua Rainha agarrada em sua cintura rezando para que ela nunca mais sa�sse dali enquanto vivesse.

 

N�o era mais outono mas as paisagens pareciam as mais lindas de todas as esta��es de todos os anos. Quando passavam por um rio, Gabrielle disse a palavra m�gica:

 

_ Estou com fome.

 

_ Pelos Deuses Gabrielle, quanto tempo ficou sem comer?

 

_ Depende... voc� quer dizer comida, comida mesmo?

 

Xena agradeceu por seu rosto n�o estar � vista de Gabrielle pois ruborizara, como podia aquela fedelha arrancar as mais inusitadas rea��es na Guerreira? Desceram do cavalo e encaminharam-se para o rio. A Guerreira come�ou a tirar a roupa quando a barda perguntou com um ar desconcertante:

 

_ Quer que eu ajude?

 

_ N�o! Gabrielle, est� me deixando nervosa...

 

_ Est� bem Princesa Guerreira, tire sua roupa ent�o, eu n�o vou olhar. Disse a barda se afastando.

 

Xena estava surpresa com a mudan�a em sua Gabrielle, e que mudan�a maravilhosa, mas estava se sentido uma virgem deslocada, como se tivesse perdido uma parte da hist�ria. Tirou a roupa desconfiada, sentindo que estava sendo vigiada e tratou de entrar logo na �gua e come�ar a pescaria. Quando voltava de seu primeiro mergulho com um peixe na m�o deu de cara com Gabrielle com o olhar mais lindo que j� havia lhe lan�ado a menos de meio metro de dist�ncia. O peixe era um grande sortudo pois no susto Xena o soltou. Seus olhos se encontraram e a sensa��o de complemento era tanta que se comparava � beleza da linha do horizonte, o mar e o c�u, o verde de Gabrielle e o azul de Xena eram apenas um detalhe, um capricho da natureza. A Rainha das Amazonas ergueu a m�o e tocou a face de sua Princesa Guerreira, que fechou os olhos para sentir; segurou as costas de seu pesco�o carinhosamente e puxou-a para dar-lhe um beijo.

 

Xena sentiu o mais doce dos beijos, os l�bios de sua companheira eram t�o macios que parecia estar beijando sua alma; sua l�ngua se encaixava em sua boca como algo que jamais deveria sair dali; seu beijo ocupava todos os cantos de seu corpo estremecendo-o, provocando rea��es em cada ponto. Gabrielle que tamb�m estava nua, se aproximava e se encostava; a Guerreira sentiu que estava mais do que molhada pelas �guas do rio, se invadiu de desejo, e esquecendo-se da parte da hist�ria que perdera, puxou seu amor num abra�o, apertando seu corpo contra o dela como quem quisesse entrar, e ela queria, como queria. Gabrielle passou os bra�os pelo pesco�o de sua enorme Guerreira e cruzou as pernas por suas costas como quem quisesse alcan�ar sua altura. O beijo se desfez e a barda olhou sua amante que refletia a luz do sol nas gotas de �gua que lhe cobriam o corpo. Ela estava deliciosa, dourada, a Rainha queria enxugar a mulher que amava com sua boca.

 

_ Eu te amo Xena, e quero voc� agora e todos os dias da minha vida, entende isso?

 

_ Sim Gabrielle, eu entendo isso, muito al�m do que possa imaginar ou do que eu mesma pudesse esperar...

 

A Princesa Guerreira percebeu que seria imposs�vel se controlar a partir dali, beijou Gabrielle com a f�ria de uma leoa, selvagem, como quem quer devorar sua ca�a, que por sua vez respondeu com um delicioso e prolongado gemido, as pernas da barda estavam moles a ponto de n�o conseguir sustent�-las nas costas da Guerreira que as segurou tomando sua amante no colo e, sem interromper o beijo que ia da fome � mais profunda devo��o, dirigiu-se at� Argo para pegar um cobertor e forrar o ch�o, onde deitou-a com carinho... Beijou seu pesco�o, mordendo-a com os l�bios, enxugando-a, explorando cada peda�o em seu percurso at� chegar em seus seios, t�o desejados, t�o esperados que suspirou olhando-os, antes de passar a l�ngua nos mamilos rijos de pura tens�o, mordendo-o, chupando-o, arrancando um gemido mais alto de sua amante. Pensou que fosse morrer ao ouvir isso, morrer do mais completo e faminto desejo.

 

Gabrielle sentia os cabelos molhados e a boca quente e suave de sua Guerreira por todo o seu corpo, suspirando, perdendo o f�lego, passeando de um seio ao outro, explorando seu abd�men, arrancando sensa��es que nem sabia que podia sentir. Tinha  vontade de gritar, sentia-se encharcar entre suas coxas a cada toque de Xena. Viu estrelas quando sentiu sua boca chegando em seu sexo, passando a l�ngua pelas bordas, provocando... e soltou um grito abafado que parecia um apelo.

 

A Princesa Guerreira gemeu alto quando sentiu o gosto molhado de sua Rainha invadir sua boca, queria sugar, engolir, se lambuzar daquele n�ctar dos Deuses, nada era mais saboroso que o gosto de Gabrielle. Ela afastava aquelas pernas deliciosas com o pr�prio rosto e suas m�os pareciam n�o querer perder de vista um s� pedacinho do corpo de sua barda. O gemido de Gabrielle se tornava cada vez mais alto e prolongado enquanto subia e descia o quadril num movimento r�tmico, aquilo era m�sica e dan�a; e Xena gozou apenas com a vis�o de seu amor estremecendo, atingindo o cl�max e soltando o que parecia ser um uivo de prazer. N�o poderia ser mais perfeito. Gabrielle arqueou o corpo puxando sua Guerreira pelos cabelos e deu-lhe um beijo mais que selvagem, chupando, comendo sua boca como se fosse uma fruta. Xena sentou-a em suas pernas, que estavam dobradas e sentiu aquele peda�o encharcado delicioso de sua amada encostando em seu abd�men, curando-o; levou uma das m�os at� ele e com dois de seus dedos sentiu o canal quente; estava dentro de Gabrielle que se movimentava de forma alucinada em seu colo e mordia seu pesco�o, sua boca, suas orelhas. Como era bom t�-la, inteira, em suas m�os...

 

_ Eu sou sua Xena, tudo em mim � seu, fa�a o que quiser. Dizendo isso soltou outro gemido alto e se jogou em cima da Guerreira, apertando-a com todas as for�as, ofegante, saciada por enquanto.

 

As duas amantes deitaram-se, uma ao lado da outra, a Guerreira apoiava a cabe�a em seu cotovelo, virada de lado, contemplando e acariciando o corpo que tanto amava; sua alma, t�o endurecida e ferida entendia naquele instante o que era ser feliz, encontrando um par de olhos verdes totalmente apaixonados olhando-a. A jovem encontrava-se com um sorriso bobo no rosto, enquanto a mulher mais velha perdia-se em seu pr�prio encantamento, aparentemente contido, � claro.

 

_ Pensa que vai fugir de mim? Disse a jovem com um sorriso maroto.

 

_ At� onde eu sei quem andava fugindo de mim era voc�...

 

_ Nem me lembre disso... mas voc� tinha raz�o...

 

_ De novo? no que eu tinha raz�o dessa vez? Disse a guerreira sorrindo o sorriso que pertencia � Gabrielle.

 

_ Arrogante... linda! Disse roubando um beijo da Guerreira _ tinha raz�o quando disse que devia ter ca�do um coco em minha cabe�a, eu devia estar louca quando quis fugir de voc�, e agora que recobrei minha sanidade quero tudo o que tem para me dar.

 

_ N�o h� nada em mim que n�o seja seu Gabrielle. Nada poderia ser comparado com a for�a e suavidade dessa voz.

 

_ Ah, � mesmo? nada? Perguntou com mais um sorriso maroto no rosto.

 

_ Nada.

 

_ Ent�o...

 

Dizendo isso a barda mordeu os l�bios e a Princesa Guerreira fechou os olhos ao sentir sua Rainha sobre seu corpo.

 

_ Acha que sabe como fazer? Perguntou desnecessariamente, por puro nervosismo.

 

_ Ah, sei sim, voc� � uma �tima professora.

 

_ Ainda n�o viu nada.

 

_ Nem voc�...

 

Ent�o a jovem tomou sua Guerreira como ningu�m jamais a tomara antes, tornando-a vulner�vel, domando-a, sendo sua escrava e dona. Viu a leoa virar um gatinho se entregando ao seu toque, desfalecendo-se de prazer em suas m�os. Aprendeu seus gemidos, seu gosto e o exato momento em que libertava seu corpo liberando aquilo que se tornara desde a primeira vez a bebida preferida de Gabrielle. E por isso foi feliz, ao lado daquela mulher que era a sua metade.

 

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