DISCLAIMER:
A est�ria
a seguir cont�m temas adultos expondo rela��es sexuais
expl�citas entre duas mulheres adultas. Se voc� for menor de 18
anos ou onde mora � proibido ler esse tipo de material, por favor, n�o
continue. A escritora e a pessoa que mant�m o website onde esse trabalho
aparece n�o aceita responsabilidade legal pelo n�o cumprimento
desse alerta.
Os personagens de
Xena e Gabrielle s�o marca registrada da MCA/Universal e Renaissance.
Elas s�o usadas aqui sem inten��o de lucro ou de infringir
as leis de copyright. O resto da est�ria � de Kenia T. e nenhum
aspecto original desta poder� ser utilizado em outro lugar sem pr�vio
consentimento, por escrito, da autora. Essa est�ria n�o poder�
ser alterada e esta informa��o sobre direitos autorais deve sempre
aparecer com a mesma.
A
aurora parecia anunciar um dia calmo, fresco e acima de tudo igual aos outros,
e isso seria muito satisfat�rio caso Gabrielle n�o se sentisse
t�o diferente naquela manh� pois tudo o que ela sempre quis eram
dias para lutar e seguir sua melhor amiga, era perfeito, tinha seu caminho e
sua paix�o. Mas, acima de tudo a manh� estava linda... a maioria
das pessoas, as rom�nticas pelo menos gostavam da primavera, mas Gabrielle
adorava o outono que cobria os campos com aquelas cores em tons de conforto,
abrigo, al�m de tornar o ch�o em que dormia realmente mais confort�vel;
e � claro, a fartura para a comilona se empanturrar. Mas a Rainha das
Amazonas nem percebia que seu cen�rio favorito constru�a-se �
sua frente com a chegada da luz do dia. Sentada em seu cobertor, com as pernas
cruzadas, os cotovelos apoiados em seus pr�prios joelhos e o queixo sustentado
na face de suas m�os, sentia um misto de confus�o, amor e preocupa��o
enquanto contemplava o corpo nu da Guerreira que dormia � sua frente
com
o cobertor puxado
at� a cintura. Ela n�o percorria tudo com os olhos, parecia olhar
para um �nico ponto no rosto de Xena mas apenas ela sabia o que estava
vendo, e ela estava vendo tudo, e tudo estava muito confuso. O caso �
que Gabrielle j� sabia de cor todos os contornos do corpo daquela hero�na,
sentia vertigens quando pensava o quanto era linda e apesar de saber o quanto
aquela Guerreira mexia com todos os seus sentidos, jamais a havia tocado, n�o
da forma que, naquele momento achava que queria. E foi pensando nisso que se
deu conta de que havia tentado engolir aquelas sensa��es durante
todos esses anos achando que estaria confundindo seus sentimentos de pura devo��o
� sua Guerreira com o amor que, para ela, s� existia entre homens
e mulheres. Sua intimidade com aquele corpo, ser e alma era tamanha que achava
que estar ali seria sempre o suficiente, que aquele amor espiritual e rec�proco
capaz de faz�-la dar sua pr�pria vida pela felicidade da outra
era o �nico sentimento que lhes cabia. Estava enganada, aconteceu algo
que mudou suas certezas e tudo aquilo que havia engolido queria sair agora, e ela precisava ordenar tudo isso.
A
Guerreira se mexeu, esticou os bra�os e abriu os olhos. Enxergou o c�u
num azul um pouco escuro ainda, e como fazia todas as manh�s virou-se
para ver sua Gabrielle. Seus olhos lhe lembravam o mar. Mas aquele mar estava
confuso �quela manh�, n�o sabia se apenas profundo ou de
ressaca... e por falar em ressaca, que dor de cabe�a ela sentia, levou
sua m�o � testa fechando os olhos, voltou-se para Gabrielle novamente
e percebeu que algo realmente n�o estava bem, sua amada Gabrielle parecia
estar com ela mas longe dali.
_
O que houve Gabrielle? Voc� est� bem?
Gabrielle
voltou de algum lugar distante e parecia nem ter percebido que Xena j�
havia acordado.
_
N�o Xena... precisamos conversar. Disse, ap�s um longo suspiro.
_
Ah que �timo Gabrielle... n�o deve ser t�o urgente que
n�o possa esperar essa dor de cabe�a miser�vel passar!!!
Perguntou Xena tentando adiar a conversa.
A
barda apenas se levantou e caminhou em dire��o ao rio que passava
ali perto sentando-se na margem sem responder nada. Nos dias anteriores havia sentido um medo
que jamais havia sentido antes, nem mesmo quando perdera Perdigas. Depois de
ajudarem H�rcules e Iolaus a derrotar uma das exterminadoras enviadas
por Era, percebera a tens�o que havia entre Xena e o semideus e sentiu
uma dor descomunal quando a Guerreira sugeriu que se juntassem aos dois. A barda
respondeu que iria onde a Guerreira fosse mas que n�o seria capaz de
se juntar a ela e H�rcules e muito menos (disse isso ironicamente) de
se "passar pela filhinha do casal". Apesar de ter ganho a "queda
de bra�o" com o filho de Zeus, sentiu uma dor profunda enquanto
testemunhava o porre fenomenal que Xena tomara depois de se separarem dos her�is.
O que acontecera com a Guerreira, nunca a havia visto b�bada antes, ser�
que ela se sentia sozinha, ser� que H�rcules era t�o importante
assim? E a maior pergunta de todas: porque isso a incomodava tanto, pois apesar
de H�rcules, ela ainda estaria ao lado da Guerreira, e se isso n�o
era suficiente o que seria ent�o?
J�
vestida, Xena sentou-se ao lado dela � beira do rio.
_
Muito bem Gabrielle, diga...
_
Eu vou embora...
Xena
sentiu o metal gelado de uma espada entrando em seu est�mago.
_
Como assim vai embora? do que est� falando?
_
Preciso ficar longe de voc�...
_
Ah�! e eu posso saber por qu�? A Guerreira mal conseguia respirar
tal o pavor que a tomava.
_
Por que n�o importa, n�o me fa�a muitas perguntas, por
favor...
_
Como n�o lhe fazer muitas perguntas Gabrielle, depois de passarmos todo
esse tempo juntas, um belo dia eu acordo numa ressaca miser�vel e voc�
me diz que vai embora... ou eu lhe fiz alguma coisa enquanto estava b�bada
ou lhe caiu um coco na cabe�a enquanto dormia... deixe de bobagens e
vamos procurar algo para comer.
Xena
se levantou e quando viu que a barda n�o havia se mexido, respirou fundo
e voltou a sentar-se a seu lado.
_
O que est� acontecendo Gabrielle, converse comigo... por qu� quer
ir embora?
_
Porque eu a amo Xena...
_
Eu tamb�m te amo Gabrielle e ...
_
N�o Xena, n�o � desse amor que falo, estou falando de um
sentimento que n�o me deixa dividi-la com ningu�m, posso n�o
permitir que meus pensamentos se formem mas sei que quero voc� de uma
forma... bem diferente.... eu acho.
Ah,
aquele sentimento, ent�o Gabrielle o sentia tamb�m... tinha tanto
medo que ela percebesse o que sentia a tanto tempo que j� havia se conformado
em escond�-lo para sempre, mas sua atitude com H�rcules havia sido
um tanto quanto estranha e precisava esquecer, por isso o porre. Sabia o que
era amar outra mulher, mas com Gabrielle era diferente, sentia um amor t�o
profundo por aquela crian�a que a possibilidade de perd�-la era
insuport�vel. Quantas vezes ficara acordada tentando controlar o desejo
que sentia por sua Gaby... t�o desejada... que repousava ao seu lado
e que �s vezes a abra�ava � noite, mas nada podia fazer
a n�o ser esquecer pois seria ainda mais insuport�vel n�o
t�-la por perto e n�o podia arriscar. Seu cora��o
parecia querer sair por sua boca, ele nunca havia se manifestado de maneira
t�o imponente, nem � beira da morte, nem � beira do amor.
_
Gabrielle, eu tamb�m...
_
N�o Xena, n�o fale mais nada, eu n�o quero ouvir... n�o
entendo e n�o posso conviver com isso e por isso preciso ir embora e
farei isso agora...
Dizendo
isso Gabrielle se levantou e come�ou a juntar algumas coisas. Xena se
encaminhou em dire��o � ela e num misto de desconcerto
e desespero contido come�ou a falar.
_
Escute Gabrielle, tenha calma, isso � mais comum do que imagina, algumas
Amazonas por exemplo...
_
Ah! Por favor Xena, n�o � comum para mim est� bem...? Disse
sem parar de juntar suas coisas.
_
Pelos Deuses Gabrielle, voc� � a Rainha das Amazonas e n�o
sabe de seus costumes? Xena sentiu um profundo arrependimento por falar t�o
pouco e deixar de esclarecer certas coisas � Gabrielle.
_
Me deixe ir est� bem? apenas me deixe ir Xena... Disse-lhe olhando em
seus olhos de maneira muito firme.
Ela
n�o podia fazer mais nada a n�o ser assistir quem ela mais amava
no mundo sumir entre os arbustos sem olhar para tr�s. Pensou em segui-la
preocupada com sua seguran�a mas n�o podia desrespeitar sua decis�o
daquela maneira. Ficou ali parada pensando, preocupada com Gabrielle sozinha
naquele tempo t�o selvagem e s� muito depois pensou em chorar
por sua aus�ncia, sentiu um vazio t�o grande que sua determina��o
de Guerreira se tornara irreconhec�vel... ent�o chorou como uma
crian�a inconformada e adormeceu de cansa�o, n�o sabia
que a l�grima e a dor pudessem lev�-la t�o r�pido
� exaust�o.
Xena
acordou num salto com o barulho de espadas, pegou seu chakram e sua espada e
virou-se para chamar Gabrielle... quase perdeu as for�as quando se lembrou
que sua barda n�o estava mais ali. Mas seu instinto de Guerreira a fez
dar um salto e correr em dire��o � luta que se travava.
Haviam dois homens lutando contra oito que identificara como sendo do ex�rcito
de Julio Cesar. Os dois homens lutavam bem mas n�o iriam suportar por
muito tempo. Xena se juntou a eles e a luta se tornou realmente desleal, Xena
brigava com habilidade e for�a de 100 homens, mas n�o havia paix�o
em seus olhos, como se n�o houvessem mais motivos para lutar, como se
estivesse apenas fazendo o seu trabalho, cumprindo o seu dever. Em alguns minutos
n�o havia mais um s� homem do ex�rcito de p�. Um
dos homens que a Guerreira havia ajudado virou-se para ela e disse:
_
Obrigado, voc� deve ser Xena... a Princesa Guerreira.
_
�, acho que sim. Respondeu a Guerreira tomada por uma profunda tristeza
nos olhos e na voz _ mas o que houve aqui?
Ela
n�o se importava realmente, perguntou talvez por for�a do h�bito,
por isso nem ouviu o homem se apresentar e come�ar a contar sua hist�ria.
Xena virou-se para se retirar pensando no quanto era importante a presen�a
da barda, talvez soubesse que seria muito dif�cil, mas senti-lo se aproximava
cada vez mais do insuport�vel. Havia deixado o homem falando sozinho...
_
Mas... o que h� com ela? Perguntou o homem interrompendo sua hist�ria.
Os
dias que se seguiram foram todos iguais, algu�m para matar, algu�m
para salvar, apenas escolhia um lado ou uma causa e come�ava. N�o
havia hora, dia ou noite, dormia quando n�o aguentava mais, bebia e comia
o suficiente para n�o morrer e lutava por n�o ter mais nada que
soubesse fazer. N�o suportava mais sua pr�pria in�rcia,
n�o podia se entregar daquela forma, n�o ela, a Guerreira, a que
tivera for�as para voltar do reino de Hades, derrotar Ares, Callisto,
Era, a si mesma e a tantos outros. Mas tudo isso lembrava Gabrielle, ela sempre
esteve por perto em todos esses momentos, na verdade, lutara por elas, por si
e por Gabrielle, para que pudessem estar juntas, para que pudessem comemorar
a gl�ria e chorar a derrota juntas, e ver o mundo mudar juntas. Precisava
fazer alguma coisa, procurar algo que a animasse, que resgatasse sua vontade...
_
H�rcules...
Sim,
talvez ele pudesse anim�-la, sempre se sentiu bem perto dele e sempre
sentiu algo mais tamb�m, n�o era t�o forte e incondicional
como o que sentia por Gabrielle mas era alguma coisa, um sentimento forte, tinha
que tentar, precisava se reerguer, ter prop�sitos e caminhos...
Partiu
� sua procura e n�o foi dif�cil ach�-lo, onde quer
que H�rcules passasse, fosse a "trabalho ou a passeio" era
percebido por todos. Quando o viu, estava um pouco distante, conversava e ria
com Iolaus. Parecia uma muralha de ternura e bondade se movimentando, imponente
e suave, um homem como poucos, t�o interessante quanto as mulheres guerreiras
daquele tempo... mas, mesmo sem se aproximar, Xena percebeu que n�o era
o que precisava, n�o iria adiantar se enganar, precisava de Gabrielle,
sua barda, sua Rainha, sua crian�a. Sentou-se ao lado de Argo e chorou,
como um adulto, conformada diante de sua impot�ncia em mudar as coisas.
Era
Argo quem guiava seu caminho agora, n�o importava onde pudesse ir ou
por quem lutar, apenas seguia seu instinto de justi�a, sobre o qual aprendera
muito com Gabrielle, mas n�o havia paix�o ou vontade, lembrava
apenas um animal seguindo seus impulsos; e em cada vilarejo ou acampamento que
passava perguntava por Gabrielle apenas para tentar saber se estava bem, e em
muitos lugares recebia not�cias de que passara por ali mas n�o
falara com ningu�m, nem para onde ia, nem de onde vinha. At� que
um dia, numa aldeia pr�xima a Poteidaia, ao perguntar por ela algu�m
lhe disse que havia algu�m assim em uma taverna em frente. O cora��o
da Guerreira parecia ter voltado a bater naquele instante, e quando, ainda em
cima de Argo a viu sair, quase caiu de seu cavalo ao sentir seu sangue voltar
a circular pelas veias, do�a at�, como se essas estivessem secas.
Gabrielle foi parando devagar, como se n�o acreditasse ser real a vis�o
de Xena � sua frente. A barda parecia um pouco mais magra, e com certeza
n�o estava feliz.
Gabrielle
engoliu seco, era t�o bom v�-la, a vis�o do para�so
seria uma pechincha diante disso, seu cora��o do�a, mas
n�o podia, n�o conseguiria viver algo que n�o entendesse,
n�o tinha suas respostas ainda e n�o sabia se as teria um dia.
Determinada, virou-se e seguiu a trilha que se abria no meio da mata.
Se
ainda n�o estivesse de p�, poderia dizer que estava morta, derrotada,
ali em cima de Argo, e por isso, por estar morta, nem mesmo chorou. Argo come�ou
a lev�-la para o mesmo caminho que Gabrielle seguira. Quando Xena se
deu conta, segurou as r�deas e disse:
_
Voc� a tem seguido garoto? Se o estiver fazendo pare, ela n�o nos
quer por perto...
O
cavalo relinchou, bateu com a pata duas vezes no ch�o e depois virou-se
e come�ou a andar para o lado contr�rio.
Xena
estava com fome, n�o sabia a quanto tempo n�o comia, n�o
sabia nem quantos dias se passaram desde que... na verdade nem sabia a ordem
das coisas que lhe haviam acontecido. Argo, que parecia estar mais humano do
que nunca no sentido da compreens�o, parou em frente a um rio. Xena desceu,
tirou as roupas e mergulhou para pescar e aproveitou para tomar um banho, que
tamb�m n�o sabia quando tomara o �ltimo. Fez uma fogueira
e come�ou a comer quando se deu conta de que conhecia aquele lugar, sim,
tinha sido ali aquele dia horr�vel, o �ltimo dia em que realmente
se sentira viva, foi naquele lugar que Gabrielle a havia deixado. N�o
conseguiu engolir nem mais um peda�o de seu peixe. Deitou e adormeceu...
n�o sonhava mais, nem bons sonhos nem pesadelos... Morpheus, Deus do
Sonho, pai de Orpheus e um dos irm�os da morte, era impotente diante
da dor que a Princesa Guerreira sentia. Um pouco al�m da metade do dia
acordou com um barulho nos arbustos, sabia que algu�m se aproximava e
se apoiou em seu cotovelo para ver, instintivamente, sem ao menos se prevenir...
n�o tinha mais esperan�a, e algu�m sem esperan�a
� algu�m sem medo... n�o pegou nem seu chakram nem sua espada, apenas observou sua rival
Callisto sair de tr�s de seu esconderijo. O qu�, pelos Deuses aquela
mulher fazia ali, n�o estava presa em Tartarus ou Zeus sabe onde? Isso
provocou uma profunda irrita��o em Xena.
_
Ah, Callisto, mas que perturba��o... me deixe em paz vai... E
voltou a deitar-se escondendo o rosto com um de seus bra�os.
A
vil� n�o entendeu a atitude da hero�na e ficou desconfiada,
seria um truque? Onde estava Gabrielle?
_
Onde est� Gabrielle Xena?
_
N�o sei...
_
Eu n�o vou cair em sua armadilha Xena, acho melhor...
_
O que voc� quer Callisto, me matar?! Disse a Guerreira dando um salto
de seu cobertor at� a loura e colocando a espada de sua inimiga em seu
pr�prio pesco�o _ vamos, fa�a!
_
O que est� havendo com voc�, esta louca?... Eu n�o quero
te matar, quero te humilhar, te ferir, te machucar, vencer voc�, mas isso...
_
Ent�o v� embora Callisto, n�o h� mais nada em mim
que voc� queira ou possa atingir, voc� perdeu a vez, algu�m
chegou primeiro e fez o seu trabalho. V� procurar outra pessoa para querer
e odiar ao mesmo tempo sua doida.
Callisto,
do alto de sua insensibilidade e ignor�ncia, ficou ali parada com uma
profunda tristeza estampada em seus olhos escuros, como se tivesse perdido um
ente querido e nada pudesse fazer para resgat�-lo, enquanto Xena voltava
para onde estava e dava-lhe as costas.
_
Voc� ainda
est� a� Callisto, me deixe em paz vai... E deitou-se novamente
sem saber em que momento a vil� se afastou; foi quando sentiu um perfume,
o perfume dos Deuses, o cheiro de Gabrielle, deu um salto do ch�o e ficou
de p�, apurando os ouvidos para ouvir.
_
Gabrielle?
Ouviu
passos em sua dire��o e a viu surgir, linda, era ela a dona de
sua alma, a �nica que poderia tir�-la daquele lugar horr�vel
em que se encontrava seu esp�rito. Os olhos se encontraram e queimaram
tudo por dentro, uma na outra, como se o olhar de uma entrasse pelo corpo da
outra e vasculhasse tudo estremecendo todos os �rg�os apenas para
dizer "eu estou aqui".
_
Voc� est� bem? Disse Gabrielle.
_
Acho que sim, agora...
_
Ouvi dizer que Callisto estava livre e que estava lhe procurando, fiquei preocupada
e vim para ver se estava tudo bem. Sua voz parecia se prevenir de algo que estava
dentro dela mesma.
_
Ela j� foi...
_
Como assim?
_
J� veio e j� foi embora... s� isso. Disse Xena com a voz
doce.
_
Ent�o... eu j� vou... dizendo isso se virou e come�ou a
sumir entre os arbustos.
_
Gabrielle espere!
Ela
n�o obedeceu e come�ou a correr, sentia pavor mas n�o sabia
onde se esconder j� que o que a seguia estava dentro de si mesma. Precisava
correr mais e mais at� que, numa enorme clareira ela sentiu uma m�o
forte faz�-la parar.
_
Gabrielle, por favor escute...
A
barda olhou para aquele azul infinito e percebeu que havia uma nuvem naqueles
olhos que tanto amava, uma tristeza que do�a em si mais que a sua pr�pria,
n�o tinha op��o a n�o ser ouvir o que sua hero�na
tinha a lhe dizer...
A
guerreira a olhava se recuperando da corrida que inesperadamente a deixara um
pouco ofegante. Gabrielle estava triste e com medo, via-se em seu olhar, mas
ficara para ouvi-la; ent�o Xena come�ou a falar com a voz mais
doce que Gabrielle j� ouvira:
_
Gabrielle � voc� quem salva todos os meus dias, sem voc�
cada um deles s�o apenas bons dias para se viver ou morrer numa batalha,
para se andar para lugar algum, para matar e esperar ser morta por algu�m
que me pegue de surpresa ou que seja melhor que eu. A comida, boa ou ruim s�
faz sentido com voc�, vencer e estar viva no final de uma briga s�
faz sentido se estiver comigo, voc� me ensinou o prazer de fazer bem a
algu�m, de perdoar,
de amar, e sem voc�, seu sorriso e seu olhar de admira��o
estas coisas n�o s�o mais as mesmas. Quantos dias Gabrielle, quantos
dias se passaram desde que foi embora? Para mim nenhum pois desde ent�o
nenhum dia realmente nasceu.
Seus
olhos estavam vermelhos pela press�o da l�grima que a Guerreira
impedia que se libertasse enquanto percebia a profunda tristeza e dor estampadas
no olhar de sua barda. Mas continuou, talvez fosse sua �ltima chance,
tinha que dizer tudo:
_
O que � isso Gabrielle, vamos diga, o que � isso que sinto por
voc�? Se isso � uma aberra��o ou n�o pode
porque me faz t�o bem? Porque apenas esse sentimento que voc� est�
tentando negar e apenas ele, salva minha alma, me torna uma hero�na e
n�o uma louca perdida sem saber distinguir tirania e justi�a?
Voc� � minha outra parte e sem ela n�o h� nada que
me complemente, que me d� paz. Estou como no in�cio, a diferen�a
agora � que sei o que me falta...
A
Guerreira fez uma pausa para ter coragem de dizer o que provavelmente seriam
suas �ltimas palavras para Gabrielle, queria ter mais a dizer, e tinha,
muito mais, mas sabia que diria apenas para prend�-la ao alcance de seus
olhos mais pouco. Soltou o bra�o da barda, acariciou seu rosto e cambaleou
quando sentiu que ao seu toque Gabrielle fechara os olhos numa demonstra��o
de puro prazer e paz.
_
Eu precisava lhe dizer tudo isso meu amor, para que junto com seus devaneios
esteja tamb�m o meu apelo, agora voc� pode fugir para qualquer
lugar que queira, eu vou pegar minha espada e enfrentar o que me espera pois
nisso eu sou boa, com ou sem voc�.
Dizendo
isso Xena se afastou devagar, segurou as r�deas de Argo que a havia seguido,
e n�o olhou para traz. Gabrielle sentou encostando-se numa pedra e chorou
durante muito tempo, o choro das crian�as e dos adultos, e nem se deu
conta de que come�ara outro dia.
As
palavras de Xena ecoavam como num sonho, seu amor pela Guerreira agora a a�oitava
mais do que em todo esse tempo pois mais do que sua pr�pria dor, n�o
suportava a dor que vira nos olhos de sua Guerreira, que jamais falara tanto
de si mesma, jamais estivera t�o vulner�vel, e isso por si s�
j� seria demais para sua Melhor Amiga. A falta que Xena fazia era vencida
por suas perguntas... mas que perguntas? A �nica coisa que fizera fora
fugir de si mesma, e n�o correr atr�s de respostas. N�o
havia pergunta pois a resposta estivera sempre ali, dentro dela, a resposta
era o que sentia, o amor que sentia e era correspondido! que pergunta havia
para responder sobre esse assunto? pelos Deuses! Perguntar o qu� se ela
n�o tinha perguntas nem sede de respostas longe de sua Guerreira? N�o
tinha vontade para nada, a n�o ser a vontade de correr e se juntar �
ela, ficar ao seu lado, o �nico lugar que queria estar, que poderia estar,
que teria paz e que era seu. E foi o que come�ou a fazer sem mesmo se
dar conta, correu para o acampamento para encontr�-la e dizer tudo o
que sentia, pedir desculpas, am�-la, apenas fazer o que n�o havia
possibilidade de ser diferente, n�o via a hora de se encolher naquele
abra�o que a fazia ficar nas pontas dos p�s para alcan�ar
e abra�ar o pesco�o de sua B�rbara; era o lugar mais seguro
e confort�vel do mundo, queria receber aquele sorriso que n�o
era mostrado a mais ningu�m, era seu, e como era bom pensar que era seu
e de mais ningu�m, como se sentia lisonjeada por ter o amor daquela Guerreira,
e um sorriso largo foi-se abrindo em seu rosto no meio da correria... mas s�
encontrou as cinzas da fogueira, ela havia ido embora, e o sorriso se desfez.
Gabrielle
precisava encontr�-la, a dor era f�sica, como se estivesse faltando
uma parte sua e precisava coloc�-la no lugar. Chegou na aldeia mais pr�xima,
e na outra, e na outra, e assim passou luas percorrendo todas as aldeias, seguindo
as informa��es que lhe davam sobre uma "Guerreira de Alma
Derrotada" que passara por ali, guiada por seu animal. At� que,
num vilarejo pr�ximo a Styrmon Pass, ouviu algu�m dizer seu nome
dentro de uma taverna e entrou. Haviam muitos homens rindo e bebendo, pareciam
comemorar algo... foi ent�o que viu aquela cena horr�vel, seu
est�mago vazio parecia querer expulsar o ar que havia dentro dele, suas
pernas n�o sustentariam seu pr�prio corpo por muito tempo e sentou-se,
caiu numa cadeira que estava perto; � sua frente, sobre uma mesa, banhada
em sangue, com uma espada ainda encravada em seu abd�men estava a maior
das Guerreiras, a mais temida, a melhor de todas, a Princesa Guerreira, sua
Melhor Amiga e seu Maior Amor, Xena. Tudo come�ou a rodar, a voz dos
homens na taverna que davam vivas e diziam o nome "Xena" se contorcia,
estava desmaiando. Formava-se um eclipse em seus olhos, tudo estava escurecendo
� sua volta quando... tomada por uma ira irreconhec�vel em Gabrielle,
levantou-se e partiu para cima dos homens. Talvez, nem mesmo Xena teria dado
cabo deles com tanta rapidez, a gentil e doce Gabrielle era pura f�ria,
apenas seu olhar era capaz de derrubar um homem. Usou seu bast�o, garrafas,
cadeiras, mesas e at�, quem diria, uma adaga. Quando tudo terminou s�
havia Gabrielle de p�, era dif�cil saber se a barda havia derrubado
apenas os culpados. A Rainha das Amazonas se voltou para a mesa onde estava
Xena, e apesar de toda a demonstra��o de for�a que acabara
de dar, mal tinha coragem para olhar. Um choro estrangulado parecia sair de
dentro da barda mas n�o havia l�grimas, ela estava morta por dentro
e por isso n�o chorava... chegou mais perto e acariciou a testa da Guerreira
afastando seus cabelos, inclinou-se e beijou sua boca gelada.
_
Gab...
Gabrielle
deu um grito que seria imposs�vel descrever, ela ainda estava viva...
_
Xena, fale comigo, Xena, Xena sou eu, eu te amo, fale comigo por favor. Como
num sopro de vida a barda renasceu naquele instante e come�ou a chorar,
espernear como uma crian�a que n�o se conforma_ anda! Fale comigo
meu amor, vamos! abra os olhos e... e fale comigo...
N�o
teve mais nenhuma resposta e como a crian�a inconformada que acabara
de se tornar reuniu todas as for�as de sua alma e retirou a espada da
barriga da Guerreira. Tentou carreg�-la at� Argo mas n�o
suportava seu peso mesmo que estivesse bem alimentada, a n�o ser que
a adrenalina/f�ria a tomasse novamente, mas n�o era esse o caso...
saiu pela porta e gritou por socorro ao primeiro que passava. O homem n�o
acreditou na devasta��o humana que havia l� dentro e concluiu
que a Guerreira que repousava sobre a mesa teria feito aquele estrago e que
havia se ferido no combate.
Com
Xena pendurada no cavalo, Gabrielle guiou Argo (ou vice versa) at� Nel�bia,
um curandeiro que vivia perto de onde estavam. L� chegando o homem magro
e pequeno j� as esperava... em outra situa��o a barda teria
se perguntado se o homem era curandeiro ou mago, mas nem se deu conta do fato.
Tiveram muito trabalho os dois para arrastar Xena at� o abrigo e acomod�-la
num colch�o de folhas e palha. O homem pediu a Gabrielle que esperasse
do lado de fora e assim ela o fez, relutante, mas conformada.
A
barda sentou-se ao lado de Argo e esperou... nada pensava, apenas esperava com
a paci�ncia de um Deus. N�o rezava, n�o pedia nem especulava,
apenas esperava, e assim ficou durante dois longos dias, sem se mover, sem dormir
ou acordar, lembrava um monge tibetano, parecia estar em transe... nem fazia
id�ia de quanto tempo havia se passado quando o curandeiro p�s
a m�o em seu ombro e ela o olhou com calma, como se tivessem passado
alguns minutos. O olhar daquele homem dizia tudo o que n�o queria ver
ou ouvir e sem que ele dissesse uma s� palavra Gabrielle respondeu:
_
Continue tentando.
_
Ela n�o quer viver minha jovem, eu n�o posso fazer mais nada,
seu corpo n�o precisa morrer pois apesar do ferimento ter sido grave
n�o h� veneno e isso facilita as coisas, mas seu esp�rito
assim o quer, nunca vi uma Guerreira como essa t�o vulner�vel,
jamais imaginei que pudessem chegar a tanto, e n�o duvido que j�
tenha voltado do reino de Hades mais de uma vez. Mas � ela quem n�o
quer e pelo que sei, s� o amor pode derrubar um gigante como esse, apenas
ele � t�o poderoso... ele pode ser uma d�diva ou uma maldi��o...
Gabrielle
se levantou e entrou no abrigo. O curandeiro permaneceu do lado de fora pois
realmente n�o tinha mais nada a fazer.
Gabrielle
deitou-se ao lado da Guerreira que parecia sem sangue, gelada, branca, encostou
a face em seu peito e agarrou a gola de sua roupa de baixo, sentindo seu cora��o
que quase n�o batia, t�o fracas e esparsas eram as pulsa��es;
mas ela n�o podia se desesperar agora, encostou sua testa no colo de
sua Princesa como se orasse e come�ou a falar em tom, de s�plica,
pois essa poderia ser sua �ltima chance.
_
Xena preste aten��o, onde quer que esteja ou�a o que eu
tenho a lhe dizer. �s vezes sou uma fedelha infantil e cheia de d�vidas
que precisa de um tempo para pensar e organizar as coisas... mas uma coisa sempre
foi clara para mim, eu amo voc�... mais do que j� amei qualquer
um e muito mais do que poderia amar algum dia, pois nada pode ser maior que
isso que sinto... sou sua irm�, sua m�e, sua filha, sua melhor
amiga e onde quer que v�, viva ou n�o, eu irei atr�s de
voc�, seja no reino de Hades, Tartarus ou na Terra dos Mortos das Amazonas,
eu irei atr�s de voc�... mesmo que eu tenha que deixar meu corpo
da maneira mais dolorosa poss�vel pois n�o sei abandon�-lo
como voc� faz, eu irei atr�s de voc� e n�o duvide
disso.
A
l�grima quente descia por seu rosto e molhava a pele gelada de sua amada.
Gabrielle aproximou sua boca do ouvido da Guerreira deitando a cabe�a
em seu ombro... abra�ou o corpo frio com sua perna, come�ou a
acariciar seus cabelos e rosto puxando-a para perto e, choramingando e solu�ando
voltou a falar:
_
Mas eu queria ficar aqui... com voc�; queria ver seu olhos se abrindo
todas as manh�s e se fechando todas as noites, quero segui-la, gui�-la...
e quero... quero beij�-la Xena... quero sentir seu corpo quente ao meu
lado ou junto ao meu... quero sentir sua intimidade me invadir a cada dia...
eu.... eu quero saber como faz amor, como se entrega, que palavras diz, o que
mais gosta... quero t�-la... e quero que me tenha... quero ouvi-la gemendo...
quero aprender a satisfaz�-la e quero me mostrar... agora eu quero ser
tamb�m sua amante... e n�o tenho mais vergonha desses sentimentos...
eu quero me sentir livre para sentar e admirar cada parte do seu corpo em a��o
enquanto tenta mudar o mundo, e quero poder dizer que tudo isso � meu...
_
Eu tento mudar o mundo por voc� Gabrielle... Sussurrou Xena.
A
barda levantou a cabe�a num salto e viu aqueles olhos lindos, sua vis�o
do para�so, seu col�rio... e soltou um grito de alegria beijando
cada pedacinho do rosto de seu amor mais ou menos desperto, enquanto chorava
o choro dos que amam, o choro da felicidade, o choro que � libertado
pela press�o sobre as gl�ndulas pois o sorriso n�o cabe
no rosto.
_
Eu te amo, eu te amo, eu te amo, pelos Deuses, como eu te amo...
A
Guerreira sorriu, muito fraca, e abra�ou Gabrielle que se excedia.
_
Gabrielle, cuidado, est� doendo... ai...
_
Desculpa, mas eu te amo muito, voc� sabia disso? voc� sabia do meu
amor?
_
Ai!... Sabia, mas pensei que nunca mais fosse senti-lo.
N�o
seria poss�vel descrever a felicidade dessas duas, a n�o ser pelo
fato de que a Guerreira era mais cautelosa em demonstr�-la e a barda
poderia acordar todos os reinos apenas para falar da sua.
Depois
de recuperar suas for�as e se divertir com a comilan�a inumana
de seu amor, a Princesa Guerreira se despediu do curandeiro e montou em Argo
com sua Rainha agarrada em sua cintura rezando para que ela nunca mais sa�sse
dali enquanto vivesse.
N�o
era mais outono mas as paisagens pareciam as mais lindas de todas as esta��es
de todos os anos. Quando passavam por um rio, Gabrielle disse a palavra m�gica:
_
Estou com fome.
_
Pelos Deuses Gabrielle, quanto tempo ficou sem comer?
_
Depende... voc� quer dizer comida, comida mesmo?
Xena
agradeceu por seu rosto n�o estar � vista de Gabrielle pois ruborizara,
como podia aquela fedelha arrancar as mais inusitadas rea��es
na Guerreira? Desceram do cavalo e encaminharam-se para o rio. A Guerreira come�ou
a tirar a roupa quando a barda perguntou com um ar desconcertante:
_
Quer que eu ajude?
_
N�o! Gabrielle, est� me deixando nervosa...
_
Est� bem Princesa Guerreira, tire sua roupa ent�o, eu n�o
vou olhar. Disse a barda se afastando.
Xena
estava surpresa com a mudan�a em sua Gabrielle, e que mudan�a
maravilhosa, mas estava se sentido uma virgem deslocada, como se tivesse perdido
uma parte da hist�ria. Tirou a roupa desconfiada, sentindo que estava
sendo vigiada e tratou de entrar logo na �gua e come�ar a pescaria.
Quando voltava de seu primeiro mergulho com um peixe na m�o deu de cara
com Gabrielle com o olhar mais lindo que j� havia lhe lan�ado
a menos de meio metro de dist�ncia. O peixe era um grande sortudo pois
no susto Xena o soltou. Seus olhos se encontraram e a sensa��o
de complemento era tanta que se comparava � beleza da linha do horizonte,
o mar e o c�u, o verde de Gabrielle e o azul de Xena eram apenas um detalhe,
um capricho da natureza. A Rainha das Amazonas ergueu a m�o e tocou a
face de sua Princesa Guerreira, que fechou os olhos para sentir; segurou as
costas de seu pesco�o carinhosamente e puxou-a para dar-lhe um beijo.
Xena
sentiu o mais doce dos beijos, os l�bios de sua companheira eram t�o
macios que parecia estar beijando sua alma; sua l�ngua se encaixava em
sua boca como algo que jamais deveria sair dali; seu beijo ocupava todos os
cantos de seu corpo estremecendo-o, provocando rea��es em cada
ponto. Gabrielle que tamb�m estava nua, se aproximava e se encostava;
a Guerreira sentiu que estava mais do que molhada pelas �guas do rio,
se invadiu de desejo, e esquecendo-se da parte da hist�ria que perdera,
puxou seu amor num abra�o, apertando seu corpo contra o dela como quem
quisesse entrar, e ela queria, como queria. Gabrielle passou os bra�os
pelo pesco�o de sua enorme Guerreira e cruzou as pernas por suas costas
como quem quisesse alcan�ar sua altura. O beijo se desfez e a barda olhou
sua amante que refletia a luz do sol nas gotas de �gua que lhe cobriam
o corpo. Ela estava deliciosa, dourada, a Rainha queria enxugar a mulher que
amava com sua boca.
_
Eu te amo Xena, e quero voc� agora e todos os dias da minha vida, entende
isso?
_
Sim Gabrielle, eu entendo isso, muito al�m do que possa imaginar ou do
que eu mesma pudesse esperar...
A
Princesa Guerreira percebeu que seria imposs�vel se controlar a partir
dali, beijou Gabrielle com a f�ria de uma leoa, selvagem, como quem quer
devorar sua ca�a, que por sua vez respondeu com um delicioso e prolongado
gemido, as pernas da barda estavam moles a ponto de n�o conseguir sustent�-las
nas costas da Guerreira que as segurou tomando sua amante no colo e, sem interromper
o beijo que ia da fome � mais profunda devo��o, dirigiu-se
at� Argo para pegar um cobertor e forrar o ch�o, onde deitou-a
com carinho... Beijou seu pesco�o, mordendo-a com os l�bios, enxugando-a,
explorando cada peda�o em seu percurso at� chegar em seus seios,
t�o desejados, t�o esperados que suspirou olhando-os, antes de
passar a l�ngua nos mamilos rijos de pura tens�o, mordendo-o,
chupando-o, arrancando um gemido mais alto de sua amante. Pensou que fosse morrer
ao ouvir isso, morrer do mais completo e faminto desejo.
Gabrielle
sentia os cabelos molhados e a boca quente e suave de sua Guerreira por todo
o seu corpo, suspirando, perdendo o f�lego, passeando de um seio ao outro,
explorando seu abd�men, arrancando sensa��es que nem sabia
que podia sentir. Tinha vontade de gritar, sentia-se encharcar entre suas coxas a
cada toque de Xena. Viu estrelas quando sentiu sua boca chegando em seu sexo,
passando a l�ngua pelas bordas, provocando... e soltou um grito abafado
que parecia um apelo.
A
Princesa Guerreira gemeu alto quando sentiu o gosto molhado de sua Rainha invadir
sua boca, queria sugar, engolir, se lambuzar daquele n�ctar dos Deuses,
nada era mais saboroso que o gosto de Gabrielle. Ela afastava aquelas pernas
deliciosas com o pr�prio rosto e suas m�os pareciam n�o
querer perder de vista um s� pedacinho do corpo de sua barda. O gemido
de Gabrielle se tornava cada vez mais alto e prolongado enquanto subia e descia
o quadril num movimento r�tmico, aquilo era m�sica e dan�a;
e Xena gozou apenas com a vis�o de seu amor estremecendo, atingindo o
cl�max e soltando o que parecia ser um uivo de prazer. N�o poderia
ser mais perfeito. Gabrielle arqueou o corpo puxando sua Guerreira pelos cabelos
e deu-lhe um beijo mais que selvagem, chupando, comendo sua boca como se fosse
uma fruta. Xena sentou-a em suas pernas, que estavam dobradas e sentiu aquele
peda�o encharcado delicioso de sua amada encostando em seu abd�men,
curando-o; levou uma das m�os at� ele e com dois de seus dedos
sentiu o canal quente; estava dentro de Gabrielle que se movimentava de forma
alucinada em seu colo e mordia seu pesco�o, sua boca, suas orelhas. Como
era bom t�-la, inteira, em suas m�os...
_
Eu sou sua Xena, tudo em mim � seu, fa�a o que quiser. Dizendo
isso soltou outro gemido alto e se jogou em cima da Guerreira, apertando-a com
todas as for�as, ofegante, saciada por enquanto.
As
duas amantes deitaram-se, uma ao lado da outra, a Guerreira apoiava a cabe�a
em seu cotovelo, virada de lado, contemplando e acariciando o corpo que tanto
amava; sua alma, t�o endurecida e ferida entendia naquele instante o
que era ser feliz, encontrando um par de olhos verdes totalmente apaixonados
olhando-a. A jovem encontrava-se com um sorriso bobo no rosto, enquanto a mulher
mais velha perdia-se em seu pr�prio encantamento, aparentemente contido,
� claro.
_
Pensa que vai fugir de mim? Disse a jovem com um sorriso maroto.
_
At� onde eu sei quem andava fugindo de mim era voc�...
_
Nem me lembre disso... mas voc� tinha raz�o...
_
De novo? no que eu tinha raz�o dessa vez? Disse a guerreira sorrindo
o sorriso que pertencia � Gabrielle.
_
Arrogante... linda! Disse roubando um beijo da Guerreira _ tinha raz�o
quando disse que devia ter ca�do um coco em minha cabe�a, eu devia
estar louca quando quis fugir de voc�, e agora que recobrei minha sanidade
quero tudo o que tem para me dar.
_
N�o h� nada em mim que n�o seja seu Gabrielle. Nada poderia
ser comparado com a for�a e suavidade dessa voz.
_
Ah, � mesmo? nada? Perguntou com mais um sorriso maroto no rosto.
_
Nada.
_
Ent�o...
Dizendo
isso a barda mordeu os l�bios e a Princesa Guerreira fechou os olhos
ao sentir sua Rainha sobre seu corpo.
_
Acha que sabe como fazer? Perguntou desnecessariamente, por puro nervosismo.
_
Ah, sei sim, voc� � uma �tima professora.
_
Ainda n�o viu nada.
_
Nem voc�...
Ent�o
a jovem tomou sua Guerreira como ningu�m jamais a tomara antes, tornando-a
vulner�vel, domando-a, sendo sua escrava e dona. Viu a leoa virar um
gatinho se entregando ao seu toque, desfalecendo-se de prazer em suas m�os.
Aprendeu seus gemidos, seu gosto e o exato momento em que libertava seu corpo
liberando aquilo que se tornara desde a primeira vez a bebida preferida de Gabrielle.
E por isso foi feliz, ao lado daquela mulher que era a sua metade.