Strani Amori
Cat Woman
Parte 7
Com a passar dos anos e a idade chegando percebemos que nem tudo na vida � definitivo assim como um dia pensamos. Reconhecer mudan�as e aceit�-las torna-se tarefa �rdua.
Inverno de 1.993.
_Mam�e...mam�e...
Com os p�s descal�os a garotinha percorre todos os c�modos da casa. N�o foi dif�cil perceber que n�o havia ningu�m. Seus olhinhos tristes temem o que est� por vir. � tarde quando o pai chega da rua. Preocupado pergunta pela esposa. Escondida atr�s da parede a garotinha ouve a irm� dizer:
_Ela foi embora...
_Que disparate � esse menina?
A garotinha cerrou os punhos em v�o tentando conter as l�grimas que come�avam a cair.
_� mentira a mam�e nunca deixaria a gente nunca..._sua inoc�ncia n�o permitia ver a verdade dos fatos.
Correu at� o quarto onde ela e os irm�os dormiam em colch�es finos espalhados pelo ch�o. Pegou uma blusa de l� velhinha e passou pela sala sem nada dizer. Subiu no muro que dava de frente para a rua e l� ficou a vigiar os in�meros �nibus que passavam de meia em meia hora. Vez ou outra olhava para o c�u numa prece silenciosa.
_Quando ela descer no ponto vou correndo encontr�-la!
De onde estava podia ouvir as crises de tosse de seu pai. Sempre ausente e distante n�o contentou-se em ser um mal exemplo teve tamb�m que destruir o amor, o respeito que os filhos nutriam pela m�e. Rafaela mergulhou numa profunda melancolia. Uma sensa��o de vazio, afli��o fez com que naquele momento nada no mundo tivesse mais sentido.
N�o houve um dia se quer que parentes e at� mesmo desconhecidos n�o falassem mal de sua m�e. No in�cio Rafaela a defendia mas com o passar dos meses sem not�cia tornou-se indiferente. Sua vida que antes n�o era f�cil tornou-se pior. Os irm�os j� mocinhos saiam com os amigos. O pai sabe-se l� por onde andava. Rafaela muitas noites sentava em frente a janela e ficava chorando baixinho sem tirar o olho do quintal � espera de que algu�m chegasse. A pobrezinha ficava branca de medo com qualquer barulho ou ranger de t�buas. Nessas horas recorria a Virgem Maria :
_M�ezinha do c�u eu n�o sei rezar...sou crian�a ainda por isso "perdoa eu"...cuida de mim...(cruzava as m�os no peito e depois fazia o sinal da cruz).
Rafaela passou as m�os pelos cabelos em desalinho. N�o gostava de lembrar do passado. Vasculhava as gavetas nervosa a procura de velas. Tinha pavor de ficar no escuro. Ainda mais se al�m de escuro estivesse chovendo. Parecia que estava num filme de terror.
_S� falta o telefone tocar agora.
Nas primeiras semanas que foi morar sozinha n�o pregava o olho e deixava a televis�o ligada. Fora todas as luzes acesas. Apesar de seus vinte e tr�s anos
aparentava bem menos. Dona de uma personalidade forte e humor variante estava sempre pronta a ajudar os outros. Gostava de seu trabalho e embora n�o ganhasse muito divertia-se bastante. Solteira por op��o como dizia suas amigas prezava a liberdade. Vez ou outra tinha seus casinhos � verdade mas namorar isso nunca. Para ela relacionamentos significam pris�o e tudo que quer � ser livre.
_Encontrei._deu um soquinho no ar de alegria.
Pegou a vela e antes que tivesse tempo de acender a energia voltou.
_Isso s� acontece comigo.
A campainha tocou. Foi atender.
_Quem ser� essas horas?
As garotas entraram desfilando para a sala fazendo a maior algazarra. Todas falavam ao mesmo tempo.
_Hei...hei...da pra falar uma de cada vez?_reclamou.
Um tempo depois:
_N�o mesmo...hoje � meu dia de folga e voc�s querem ir na Orla...capaz...sem falar que est� chovendo...
_Rafa..por favor...
_N�o!
_Voc� prometeu...
Suspirou desanimada.
_Est� bem. Vou tomar banho e colocar outra roupa.
_Yes!
Sempre buscando a satisfa��o musical de todos a Orla promove uma vez por m�s sets que variam de estilo com os principais djs da cena eletr�nica. Com a casa lotada o DJ entrou na cabine e levou o p�blico � loucura com um set extremamente techno.
Vestindo cal�a preta e desbotada, jaqueta de couro acompanhada por um su�ter branco e sand�lias plataforma, Rafaela estava encostada no bar acompanhada de uma amiga observando o o show do barman. Distra�damente seus olhos percorreram a pista de dan�a e cruzaram com outros brilhantes. Carolina sentiu um calafrio, coisa de adolescente. Ficou na d�vida se deveria ou n�o ia falar com Rafaela. Sem que percebesse caminhou at� ela, colocou sobre a mesa a carta de bebidas, seus l�bios se curvaram em um meio sorriso.
_Oi._disse Carol, assim um pouco sem gra�a, sem saber se deveria dizer mais alguma coisa mas fazer o que n� ?
_Oi.
_N�o imaginei te ver aqui hoje. Espero n�o tenha sido uma surpresa desagrad�vel.
_N�o se preocupe eu aguento._brincou.
_Sei...n�o sabe como fico mais tranq�ila em saber disso._franziu a testa.
Carolina fez um gesto para que Aninha se aproximasse. Pediu uma bebida.
_Que feio bebendo em hor�rio de trabalho.
_Ser chefe tem l� seus privil�gios._sorriu.
Carolina bebeu um gole da champagne e depois lambeu os l�bios sensualmente. Foi sem querer, sem pensar que Rafaela tentando refrear o impulso acompanhou o gesto at� sua boca. Inconscientemente seu cora��o disparou. Deu um pulo da cadeira e quase foi parar nos bra�os de Carol. Seus rostos estavam t�o pr�ximos que era poss�vel sentir a respira��o uma da outra.
_Que diabos est� acontecendo?_vociferou Carolina interiormente.
Rafaela dando-se conta da situa��o moveu-se rapidamente para o outro lado.
_Preciso ir._murmurou sentindo suas bochechas corarem.
Carolina n�o teve de dizer nada, est�tica e com os olhos arregalados viu a garota sumir entre a multid�o.
Para apimentar a noite e a imagina��o do p�blico a Orla trouxe ao palco um show de strip-tease. Com direito a m�sica de supense a casa parou para olhar a morena que dan�ava sobre as mesas de forma sensual. Se a inten��o do strip-tease � ati�ar o desejo de homens e mulheres, de conseguir seduzir e excitar, Ra�ssa concluiu com �xito sua apresenta��o pra l� de ousada.
_Noite ruim?
_Talvez.
_H� algo que posso eu fazer para torn�-la mais interessante?_perguntou provocante.
_Ra�ssa...linda...
_Nunca teve curiosidade de saber como � transar com uma mulher Carolina?
A loira olhou-a firmemente e de forma curiosa.
_Por que quer saber ?
_Simples u�...quando acontecer quero estar por perto._piscou.
_Voc� n�o existe sabia!
_Eu sei...
Eram quatro e meia da manh� quando decidiu ir embora. No caminho do estacionamento ia pensando em como a presen�a de Rafaela a perturbar�. Atribuiu ao efeito da bebida tais pensamentos desordenados. Antes que entrasse no carr�o importado sentiu uma m�o tocar seu ombro. Era Felipe um moreno alto e gostoso com quem j� havia mantido rela��es. Todas as suas preocupa��es se dissiparam. Carolina � definitivamente uma ninfoman�aca. Insaci�vel. Para ela n�o existe hora e nem lugar para uma boa transa.