Sofia

Kaoru

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Capitulo 3

 

Sofia n�o sabia quanto tempo tinha passado desde que a mulher tinha entrado no quarto, mas parecia que tinha sido muito tempo. Ela ficava olhando para as paredes pensando em tudo que tinha acontecido, j� havia parado de chorar, mas seus olhos estavam muito vermelhos e seu corpo todo do�a.

Como ser� que o seu pai tinha recebido a noticia? Sofia n�o fazia id�ia. Seu relacionamento com seu pai n�o era dos melhores, mas ela em nenhum momento duvidava que seu pai n�o pagaria o regate, ou pelo menos assim ela esperava. Pensou em Marina, estava com medo de uma reca�da e querer acabar com tudo da pior maneira poss�vel. N�o sabia se ag�entaria, n�o tinha for�ar para ag�entar algo t�o traum�tico que estava vivendo mas tentaria segurar a barra o m�ximo de tempo poss�vel.

Foi tirada dos seus pensamentos quando a porta se abriu novamente. A mulher entrou segurando em uma das m�os algumas pe�as de roupa, e na outra um celular, mas ela n�o estava sozinha, logo atr�s entrou um homem alto e muito forte acompanhado de outro homem, esse muito mais baixo e muito mais fraco. Todos estavam com capuz dando para ver somente os olhos e a boca deles, pararam de frente para Sofia, a mulher jogou as pe�as de roupa em cima do colch�o, pegou o celular e come�ou a discar, esperou alguns minutos encarando Sofia, depois esticou o bra�o e passou o telefone para ela.

Sofia esticou o bra�o para alcan�ar o celular, no momento em que foi peg�-lo das m�os da mulher que estava parada a sua frente seus dedos tocaram nos dedos dela.

--Fala com seu pai.--Sofia percebeu que a mulher na sua frente tinha perdido o tom ir�nico, parecia que algo estava a incomodando, olhou diretamente nos olhos de Sofia, mas desviou o olhar rapidamente se afastando.

Sofia olhou para o celular e viu o numero de sua casa no visor, levou o aparelho at� a orelha:

--Al�?!--Sua voz saiu fraca e muito baixa, mas a pessoa que estava no outro lado da linha conseguiu escutar.

--Al� filha? � voc�?

--Sou eu pai....me tira daqui!!!--Sofia n�o conseguiu segurar as lagrimas.

--Filha eu vou tirar...--O pai de sofia tamb�m chorava. Ficou desesperado quando recebeu a noticia que tinham seq�estrado, tinha medo n�o s� pelo que os seq�estradores poderiam fazer com ela, mas pela fragilidade em que Sofia se encontrava.--Me diz onde voc� esta filha???

Um dos seq�estradores tirou o celular da m�o de Sofia antes mesmo dela pensar em responder, passou o telefone para a mulher.

--Boa noite senhor Paulo Machado Lins! � um prazer enorme falar com um dos maiores empres�rios do ramo hoteleiro do pa�s!--O seu tom ir�nico tinha voltado, mas a forma que a mulher falava com muito desprezo.

--Quem esta falando??? O que voc�s fizeram com a minha filha?

--Quem faz perguntas sou eu...--Fez uma pausa.�N�s n�o vamos fazer nada com ela, desde que o senhor colabore e pague a pequena quantia que n�s estamos pedindo para o senhor. Presta aten��o porque eu vou falar s� uma vez: N�o quero saber de policia envolvida, eu sei todos os passos que o senhor d�, sei de toda a sua rotina, se eu souber que voc� pensou em procurar alguma ajuda eu mato ela. N�s queremos 500 milh�es de d�lares em nota de 50, n�o aceitamos menos do que isso, te daremos um tempo para que voc� consiga o dinheiro mas enquanto isso n�s ficamos com a sua filha. Ligaremos para acertar o dia do pagamento. Mas uma vez, n�o quero a policia no meio, se souber que voc� passou na cal�ada de uma delegacia eu mato ela e voc� nunca vai achar o corpo. Isso � tudo!!! Passar bem!

A mulher desligou o celular, olhou para Sofia, a olhou nos olhos. Pode ver o medo que sentia, e era exatamente assim que ela queria que Sofia se sentisse, pois assim ela n�o tentaria nada. A olhou por alguns segundo tentando desvendar seus pensamentos, sempre quis saber o que as pessoas que passavam por essa situa��o pensavam, achou os olhos de Sofia diferentes, apesar do medo estampados neles ela podia ver algo mais que n�o soube explicar. Mas se repreendeu, n�o poderia demonstrar nenhum tipo de sentimento, muito menos para aquela menina, desviou o olhar e saiu.

Sofia se sentiu aliviada quando a mulher desviou o olhar, estava muito apavorada depois do que escutou, ela poderia morrer mas n�o porque queria e sim porque n�o tinha escolha, foi tomada por um sentimento de desespero, queria muito sair daquele lugar. Percebeu que o seq�estrador mas forte a observava, sentiu nojo da forma que ele a olhava, parecia que queria algo, ficou olhando todo o seu corpo parando nos seios, a rea��o de Sofia abra�ar os joelhos para se proteger do olhar que parecia querer tirar toda a sua roupa. O homem riu da rea��o de Sofia e logo em seguida saiu do quarto junto com os outros dois, deixando ela sozinha mais uma vez.


A seq�estradora


Manuela saiu do quarto seguida pelos dois homens, estava satisfeita, pelo menos at� agora tudo estava indo como ela imaginava. Mas n�o poderia se levar pela confian�a que o momento trazia, tinha que se preocupar com tudo, principalmente com Marco. Ela percebeu a forma que ele ficou olhando para Sofia, e desde do ultimo trabalho que fizeram juntos Manuela tinha ficado com o p� atr�s, sabia que nele n�o poderia confiar.

Antes de subir para um dos quartos que ficavam no andar de cima do sobrado mandou Julio ficar vigiando a porta, e Marco foi comprar algumas coisas que estavam em falta. Teve o cuidado de mandar-lo o mais longe poss�vel, para n�o levantar nenhuma suspeita e para mante-lo longe de Sofia tamb�m. Entrou no quarto, jogou o capuz que cobria o seu rosto em cima da mesinha onde ficava o notebook, sentou-se na cadeira de frente para tela do computador. Acessou sua caixa de email para verificar os �ltimos acontecimentos na casa dos Machados Lins. Tinha dois informantes entre os empregados da casa, uma mulher e um homem, e atrav�s deles sabia cada passo que Sofia dava, era informada diariamente sobre tudo, que horas ela acordava, que horas comia, que horas ia dormir, sabia de tudo. Ficou apreensiva quando soube da tentativa de suic�dio de Sofia, n�o por se preocupar com ela, mas por receio de seu plano n�o dar certo. Mas a tentativa de suic�dio foi mais uma oportunidade de finalmente colocar seu plano em pr�tica, pois agora a fam�lia estaria mais fragilizada, para Manuela era o momento exato.

Terminou de ler seus emails, desligou o not, olhou para a cama, parecia que ela estava recebendo um convite para deitar-se um pouco. E foi o que fez, tirou os sapatos e deitou. Dormiu pouco depois.

Continua...

Parte 4

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