Digão
voltou para a sorveteria e eu fiquei encostada no carro observando
a cidade. Era um lugar pequeno e tranqüilo com uma praça
grande no centro e vários pontos comerciais ao seu redor.
Havia uma rodoviária e um posto de gasolina no canto esquerdo
e um supermercado e uma escola no canto direito. Algumas lojas ainda
estavam abertas e pessoas transitavam pelo lugar. Olhei para a sorveteria
e Fernanda saia de mãos dadas com o namorado. Estava sem
o horrendo uniforme, então pude contemplar seus cabelos ruivos
e longos que caiam majestosamente sobre seu ombro e ia bater na
cinturinha que parecia mais fina ainda. Vinham em minha direção,
fiquei tímida na hora (algo que nunca me acontecera) e baixei
a cabeça. Passaram por mim e foram na direção
do mercado: os segui com o olhar até que os perdi de vista.
Aquela noite passou tranqüila. Tinha um motel na cidade e foi
pra lá que fomos além de Priscila chamei outra garota
do grupo para passar momentos memoráveis (se é que
me entede), Priscila como uma boa vagaba sempre gostei de putaria,
eu por minha vez, nunca dispensei, mas naquela noite só consegui
imaginar Fernanda em minha cama. Quando acordei, isso aproximadamente
meio dia, voltei para a sorveteria para um café da manhã.
Digão e metade do pessoal já estavam lá. Procurei
Fernanda com os olhos , mas não encontrei. O resto da tarde
passou sem incidentes, depois de algum tempo para a praça
cheirar e depois para uma cidade vizinha bagunçar um pouco.
Chegamos de volta lá pelas 22,00 da noite, pois naquele maldito
pedaço de mundo tudo fecha cedo aos domingos. A sorveteria
ainda estava aberta e com bastante movimento: havia musica de um
karaokê e muita gente na praça. Parei o carro na entrada
e me encostei nele com Priscila a minha frente enquanto a mulecada
ia pedir bebidas. Usava uma calça jeans preta folgada e regata
da mesma cor com um boné. Puxei Priscila para um longo e
gostoso beijo e ficamos assim até que uma voz linda começou
a cantar uma musica triste. Afastei Priscila e entrei no lugar procurando
a doce voz até que dei de cara com o anjo que cantava. Fernanda.
Linda num vestido simples de algodão florido de alças.
Ela pareceu sentir minha presença, pois se virou pra mim
fazendo um delicioso movimento com o cabelo. Ficamos nos olhando
e o tempo pareceu parar e ela cantava só pra mim. Não
havia mais ninguém naquele lugar só nos duas e a musica
de amores perdidos. Queria que aquele instante de magia não
terminasse nunca, mas Priscila me enlaçou por trás
me lembrando qual era meu mundo. Saí da sorveteria deixando
Priscila pra traz e entrei no carro e sai em disparada.
Capítulo : UM POUCO DE FERNANDA |
Fernanda era uma garota de dezoitos anos doce
e gentil. Todos na cidade gostavam dela. Sempre prestativa
e presente. Não tinha noção da
sua beleza e isso e a tornava mais atraente. Tinha dois
irmãos mais novos: Fabrício de 15 e Fabiano
de 13 anos. Seu pai saíra de casa quando ela
tinha 14 anos e desde então sua mãe entrara
em profunda depressão desenvolvendo uma doença
letal. Fernanda passou a trabalhar fora e a sustentar
a casa. Trabalhava na sorveteria de D. Cida há
um ano e dava aulas de dança na academia da cidade
três vezes por semana, espaço que a proprietária
havia cedido a ela devido a sua situação.
Namorava com Diego há três anos: gostava
dele se sentia segura com ele, mas não o amava.
Não se permitiria passar pelo que a mãe
passou. Quando Fernanda achou que a vida ia começar
a melhorar sua mãe teve outra crise e Diego fora
avisá-la na sorveteria. D. Cida tinha dispensado
e ela foi para casa cuidar da mãe. Saiu de mãos
dadas com Diego e seguiram no sentido da praça.
Fernanda viu jenny encostada no carro olhando em sua
direção sentiu uma coisa estranha no estomago
e gelou na mesma hora. Não entendia porque ficava
assim perto dela. Respirou fundo e procurou disfarçar
para Diego não perceber. Passaram por ela e seguiram
para a farmácia. No domingo passou o dia em casa
pensando em como ia conseguir dinheiro para o tratamento
e equipamentos hospitalar. Lembrou de Jenny, parecia
não ter preocupações, dirigia carro
importado e tinha uma vida sossegada Sentiu uma pontinha
de inveja. Naquela noite sua sogra foi ficar com sua
mãe para ela poder espairecer um pouco, foram
para a praça e Cida liberou o karaokê.
Adorava cantar. Era um modo de esquecer suas dores.
Enquanto cantava sentiu um olhar penetrante em suas
costas, se virou e viu Jenny. Naquele instante perdeu
a noção de espaço e lugar. Não
conseguia desviar o olhar era como se fosse um imã.
O rosto sem a maquiagem preta revelava ainda mais suas
belas feições. Só se deu conta
de Priscila quando esta abraçou que Jenny que
saiu logo em seguida. O momento de magia terminara.
A musica acabou e ela voltou para os braços de
Diego. |
Eu não conseguia pensar direito. Aquela
garota me tirava o fôlego, como se todas as barreira
que eu levei anos para construir ao meu redor não
existissem perto dela. Eu ainda podia ouvir o som de
sua voz em minha cabeça: Doce e suave assim como
ela. Estava me odiando por me permitir sentir algo,
mas era mais forte do que eu. Andei sem rumo até
encontrar uma clareira no alto de um morro. Parei o
carro e desliguei os faróis. A visão era
espetacular. Não havia nada a não ser
o som da mata e uma lua perfeita. Elegi aquele lugar
como meu recanto secreto. Baixei a capota e dormi olhando
para o céu procurando uma estrela tão
bela quanto Fernanda. Acordei pela manha com o sol
batendo em meu rosto. Liguei o carro e fui direto para
a sorveteria. Digão me esperava sentado num banco
da praça. Estava irreconhecível com calça
e camisa social, todos os seus brincos e pirciengs Haviam
sumido. - Por onde andou sua louca? – Perguntou
vindo em minha direção. - Bom da pra
você também. – Respondi – Andei por ai.
- A Priscila ta botando um ovo pelo seu sumiço.
- Ela é muito dramática. Vamos ate a sorveteria?
Preciso tomar café. - Não só
um café, mas um banho também. Sua cara
está horrível. Parece que dormiu no carro.
- E dormi. - Catou alguma garota da cidade?
- Por que pra você tudo tem que ter mulher?
- Porque você não vive sem um bom rabo
de saia. É pior do que eu que sou homem.
- Você é que é fraquinho. – Respondi
zombando da sua cara. Entramos na sorveteria e sentamos
no balcão. D. Cida saiu da cozinha secando a
mão em um avental. - Bom dia. O que vocês
vão querer? – Perguntou seria. - Cadê
a Fernanda? – Me escapuliu a pergunta. - Por que
quer saber? – Perguntou a velha desconfiada. - Não
posso saber? – Rebati a pergunta. - Ela não
vem trabalhar hoje. A mãe foi internada.
- O que ela tem? – Perguntei com genuína curiosidade.
- Ela sofreu um derrame a alguns anos. Por conta disto
desenvolveu outras complicações. -
Caramba! - E o que vai querer? - Onde ela está?
– Ignorei sua pergunta. - Por que quer saber dela?
- Eu tenho coração D. Cida. – Disse com
sarcasmo – Me importo com as pessoas. - Principalmente
se for novinha e bonitinha. Não consegui
conter o riso. Aquela velha era muito espertinha.
- É serio. Não precisa vir com quatro
pedras nas mãos. Onde ela está? -
Você consegue ser simpática? Não
acredito! - A senhora está me enrolando!
- Ela está no hospital de Assis. - Obrigado
– Respondi me levantando – Vamos Digão. -
Não vão querer nada? – Perguntou D. Cida
sem entender nada. - Ah é. Café da
manha completo. Por favor. Depois do café,
passei no motel para trocar de roupa e acalmar Priscila.
Segui para Assis com Digão para ver o banco que
ele havia dito anteriormente. Quando saímos de
lá, ficamos dando voltas pela cidade. Minha vontade
era de ir ao hospital, mas com Digão ao meu lado
não me senti a vontade. Nunca escondi nada dele,
mas com Fernanda era diferente. Ela não era qualquer
vagabunda que eu pegava na rua. Ela era especial.
O banco que íamos “fazer” era realmente fácil.
Não tinha um bom sistema de segurança.
Por sorte eu tinha conta nele então fiquei conversando
com o gerente enquanto Digão observava o lugar.
Resolvemos que seria dali a dez dias, quando Digão
voltasse de S. Paulo com armamento e pessoal. Isso me
dava mais tempo para desejar Fernanda. Naquela noite
Digão voltou para S. Paulo com o resto do pessoal
que viera junto. Despachei Priscila junto com ele. Ela
não quis ir, chorou, gritou mas dei um jeito
de convence-la. Queria passar esse tempo em outra companhia.
Depois que todos foram embora, fui para o
meu recanto, fiquei ali até tarde sem pensar
em nada. Voltei para o motel quase amanhecendo. Quando
acordei já era a parte da tarde e fui para a
praça tomar um pouco de sol. Deitei em uma das
mesinhas de cimento que havia ali, depois de algum tempo
ouvi um burburio vindo da sorveteria; Vi Fernanda sentada
numa mureta chorando no ombro de Diego. Aquilo não
era da minha conta voltei a deitar tentando esquecer,
mas a visão de Fernanda chorando me perturbava
mais que o normal. Levantei-me e fui ate lá.
Passei por eles e fui ter com D. Cida que estava sentada
em uma mesa com a cabeça apoiada nas mãos.
Havia mais duas garotas com ela. - Olá D.
Cida – Disse baixinho me aproximando. - Oi. Meninas
vêem pra jenny o que ela quiser. - Na verdade
eu quero falar com a senhora – Respondi com cautela
– Em particular. Me sentei na cadeira que fora desocupada
por uma delas. Peguei em uma de suas mãos. Era
evidente que havia chorado. - O que aconteceu D.
Cida? - Célia entrou em coma. - A mãe
da Fernanda? - Perguntei sabendo a resposta. - É.
O Diego estava lá. Veio avisar. - O que os
médicos disseram? - Eu na verdade não
sei direito. O Diego é que sabe. Eu só
sei que eu acho que desta vez ela não escapa.
È a sua pior crise e nunca tinha estado em coma
antes. E o pior é que agora ela precisa ser removida
para um hospital maior e Fernanda não tem dinheiro
pra isso. - Eu lamento – Disse me levantando.
Eu na era muito boa com as palavras numa situação
delicada como esta. Não conseguia expressar meus
sentimentos, há muito havia bloqueado essas emoções
da minha vida. Andei até o lugar onde Fernanda
estava. Não chorava mais. Havia sido convulsionada
pelo próprio choro. - Ola Fernanda – Disse
tímida – Oi Diego. - O que você quer?
– Perguntou ríspido. - Conversar com você.
- Agora não dá. Não está
vendo a situação. - Eu posso falar
na frente da Fernanda, mas acho vai ser pior. -
Vamos até ali – Disse apontando para a rua –
Já volto amor. - O que você quer?
- Quero saber do estado da D. Célia. - Isso
não é da sua conta. Foi você mesma
que disse isso. - Disse, mas mudei de idéia.
A situação é mais curiosa... Mas
enfim, talvez eu possa ajudar. - Ajudar com o quê?
As drogas de que ela precisa não é cocaína
ou maconha. - Escuta aqui moleque! – Estava perdendo
a paciência - - Não me importa o que você
pensa de mim, mas vai ser uma tremenda estupidez sua
recusar minha ajuda! Não é dinheiro que
ela precisa? Eu tenho dinheiro mis do que suficiente
para pagar as despesas. É só me dizer
do que precisa. - Não precisamos de nada
seu! Ouviu?! Nada! - Ele me respondeu alterado batendo
em retirada. Diego pegou Fernanda e os dois entraram
na sorveteria. Fiquei observando os dois sumirem, peguei
o carro e fui para Assis. O hospital não
era difícil de encontrar: havia apenas um publico
na cidade. O difícil foi conseguir falar com
o médico de D. Célia. Primeiro eu não
sabia o nome dela completo e segundo não era
da família. Consegui me reunir com ele depois
de uma espera de duas horas. O Dr. Santiago disse que
eram necessários uma remoção e
um tratamento especifico que ficaria caríssimo
ao bolso de Fernanda. Pedi para vê-la e ele me
acompanhou até a ante sala da UTI. Fiquei olhando-a
através do vidro, estava tão frágil
e magra. Peguei o telefone do Dr. e fui embora.
Cheguei em S. Joaquim já
estava anoitecendo, fui falar com D. Cida
para encontrar um lugar descente para ficar.
Recebi a indicação da pensão
do S. Manuel, um simpático senhor
de 65 anos. Depois de instalada minha prioridade
eram roupas e acessórios pessoais.
Vi Fernanda de longe, mas não me
aproximei, pois ela estava rodeada de amigos.
No outro dia levantei e fiquei dando voltas
pela cidade a pé pra conhecer melhor
o lugar. Depois de algum tempo vi Fernanda
sentada na varanda de uma casa chorando
sem parar. Não me contive e fui até
ela. - Posso? – Perguntei apontando
o lugar ao seu lado. Ela apenas balançou
a cabeça consentido. - Eu lamento
pela sua mãe. - Obrigado.
- A D. Cida me contou tudo o que aconteceu.
Não há nada que possa ser
feito? - Não mais. Mas já
estou me conformando esperando o pior.
Fernanda recomeçou a chorar copiosamente
a única reação que
tive foi abraçá-la, queria
protegê-la de toda a dor. Seria maravilhoso
te-la em meus braços se não
fosse a circunstancia. Fiquei sentindo seu
perfume por um longo tempo até que
Diego a arrancou de mim de uma maneira grosseira.
Voltei para a praça e fiquei sem
saber o que fazer. Não queria que
Fernanda sofresse, eu podia arrumar o dinheiro
que ela tanto precisava, mas isso significaria
um envolvimento e isso não queria
de maneira alguma, afinal só ficaria
ali por mais dez dias. Me sentei perdida
em meus pensamentos não percebi que
lágrimas rolavam no meu rosto até
que senti uma mão em meu ombro.
- Está tudo bem? – Perguntou D. Cida
se sentando também. - Acho que
sim – Respondi secando os olhos com as mãos.
- Certeza? - Não. - É
a Fernanda? - Por que a pergunta?
- Eu sei que você se importa, mesmo
que você minta pra si mesma. -
Eu queria ajudar, mas não sei como.
Acho que me tornei fria demais para ter
sentimentos. - Isso não é
uma demonstração de frieza.
Você quer ajudá-la. Só
não sabe como. -D. Cida eu me
sinto muito a vontade para falar com a senhora.
Eu tenho condições de ajudá-la
com o que ela precisar, mas eu não
quero me envolver, minha vida é outra,
meu mundo é outro. Não sei
o que acontece comigo, esse lugar está
me fazendo ter emoções que
a muito eu havia excluído da minha
vida. Eu não sei se consigo ter amor
próprio, como vou amar outra pessoa?
- A Fernanda mexe com você não
é? - Eu tenho a Priscila.
- Não foi isso que perguntei.
- A Fernanda é um equivoco momentâneo
que vai passar. È só eu encontrar
uma outra mulher mais bonitinha. - Eu
moro nessa cidade faz mais de 40 anos. Vim
pra cá quando ainda era uma criança,
apesar da minha idade ou deste lugar. Eu
sou, como vocês dizem “antenada” com
o mundo moderno, se você nutre algum
sentimento por Fernanda lute por ele, mas
sem faze-la sofrer ela não é
um brinquedo. - Esse é o problema
D. Cida, todos que se aproximam de mim sofrem.
É como se eu fosse um imã
de problemas. Eu não quero fazê-la
sofrer e é justamente por isto que
não quero me envolver. - você
já parou para pensar que já
está envolvida? - E é
por isso que estou me odiando. - Faça
o que seu coração mandar.
Mas não se esqueça que só
você pode mudar a pessoa em que o
mundo te transformou. D. Cida se afastou
enquanto eu a observava ela havia se mostrado
uma pessoa maravilhosa me dizendo coisas
legais e se importando comigo e com os meus
sentimentos. Não me lembro de alguém
ter se preocupado dessa maneira e isso despertava
outro sentimento que não estava disposta
a alimentar. Fiquei ainda um longo tempo
pensando até que me surgiu uma idéia
de que todos me odiariam e eu teria Fernanda.
Me senti mais leve e fui colocar meu plano
em ação. Encontrei Fernanda
na sorveteria com Diego e mais alguns amigos.
- Fernanda eu quero falar com você
– Disse me aproximando. - Ela não
tem nada pra falar com você – Se intrometeu
Diego. - Eu não to falando com
você seu imbecil! – Respondi com uma
calma perigosa. Voltei a Fernanda – Se quiser
sua mamãe viva e estiver disposta
a tudo por isso aparece na pensão.
Vou te esperar. Sai da mesa sem esperar
uma resposta. D. Cida que olhava de longe
veio falar comigo. - O que você
está fazendo? - Seguindo seu
conselho – Respondi saindo para a rua. Segui
direto para a pensão entrei no chuveiro
para um longo banho. Depois de algum tempo
ouvi bater na porta. Mesmo sem atender já
sabia quem era. Me enrolei na toalha e fui
abrir a porta. - Olá Fernanda.
Cadê seu cão de guarda? – Perguntei
me referindo a Diego. Fernanda ficou
parada na porta sem ter nenhuma iniciativa.
Jennifer estava linda enrolada numa toalha
com os cabelos molhados e rebeldes. A visão
que tinha era maravilhosa! - Vai ficar
parada me olhando ou vai entrar. Estou com
frio. – Eu falei arrancando-a de seus pensamentos.
- Desculpe – Respondeu Fernanda entrando
– Como pode me ajudar? Eu faço qualquer
coisa pela minha mãe. - Qualquer
coisa mesmo? - Qualquer coisa. -
Ok. Falei com o Dr. Santiago e ele me passou
todos os procedimentos que tem que ser feito
com sua mãe. Me passou também
os valores – Fiz uma pausa acendendo um
cigarro. – Faremos então um acordo:
Eu te dou o dinheiro e absolutamente tudo
que ela precisar e você sai comigo
durante todo o tratamento dela. O que me
diz? - Sair com você? – Perguntou
Fernanda desconfiada. - Isso significa
se livrar de Diego e ir comigo para onde
eu quiser e, claro , fazer tudo o que eu
quiser. - Eu vou ser... ah... Como sua
amante? - Isso mesmo. Minha amante.
- Eu não posso me livrar de Diego.
Eu gosto dele. - Você gosta, não
o ama. Acredito que ame mais sua mãe.
- Com certeza, mas o que você está
me pedindo é um absurdo! - A
vida é um absurdo minha florzinha.
Você só tem que se adaptar
a ela. - Isso é chantagem emocional!
- É minha proposta. Pegar ou
largar. Fernanda desabou em uma poltrona
pensativa. Era a vida de sua mãe
em jogo Diego teria que entender. Era uma
oportunidade única em sua vida de
salvar sua mãe. E talvez não
fosse tão ruim ir para a cama com
uma mulher, ainda mais sendo essa mulher
a Jennifer. Fiquei sentada na cama observando
as reações de Fernanda, estava
com uma expressão de desafio. Nos
olhamos por um longo tempo e ela se levantou
e veio em minha direção soltando
o cabelo, sentou em meu colo, isso me arrepiou
o corpo todo. - Começo o meu
pagamento agora? – Perguntou mordendo minha
orelha. Não respondi apenas a
puxei para a cama rolando por cima dela
e nossas bocas famintas deram inicio a nossa
historia de amor.
Capítulo
: O COMEÇO DE TUDO
|
Fernanda
experimentava uma sensação
nova em sua vida. Nova e maravilhosa.
Nunca havia beijado uma mulher
antes e sentir a língua
de Jenny explorando cada milímetro
da sua boca era delicioso, despertava
outras sensações
em seu corpo, coisa que nunca
acontecera com Diego. Sentiu
a mão de Jenny dentro
da sua blusa se apossando dos
seus seios. Cada centímetro
do seu corpo dizia sim, mas
tinha de recobrar a consciência.
Fernanda era uma delicia!
Deleitei-me com seus lábios
carnudos que correspondiam aos
meus beijos com uma voracidade
que me surpreendeu. Achei que
teria uma maior resistência.
Passei a mão por todo
o seu corpo invadindo sua blusa,
a pele macia estava toda arrepiada,
o bico dos seus seios redondos
e perfeitos estavam durinhos.
Abandonei a boca e desci pelo
seu pescoço, abri os
botões da sua blusa e
abocanhei cada seio como se
fosse um presente dos deuses.
Alternava de um para o outro
com carinho, com fúria.
Fernanda gemia de prazer. Me
livrei da toalha e comecei a
tirar sua calça.
- Para... Nós temos que
parar... – Ela murmurou tentando
me deter. - Não gata.
Agora não – Respondi
enquanto me livrava das suas
mãos – Eu quero você
inteirinha... - Não...
Por favor,... - Fala que
não esta gostando...Diga
que não me quer...
- Eu...Eu...Eu não posso...
Por favor,... Se fosse outra
ocasião, com uma outra
pessoa não iria parar.
Nunca saia de um quarto sem
ter o que eu queria, mesmo que
isso significasse apelar para
a violência, mas, jamais
teria coragem de levantar a
mão Fernanda. Ela era
( e ainda é ) muito especial
pra mim. - Ok. Você
venceu – Disse rolando pro lado.
- E se quando você tiver
o que quer, não cumprir
com sua palavra – Disse Fernanda
colocando as roupas que consegui
tirar. - Minha palavra é
uma só. Mas tudo bem.
Quanto mais você complicar,
pior vai ser pra você.
- Mas... Jenny eu vou fazer
tudo o que você quiser,
mas eu tenho que ter segurança.
- Então vai ter que confiar
em mim. - Amanhã
depois que eu sair da Cida,
venho pra cá. - E
quem disse que vai trabalhar
na Cida mais? - A sorveteria
é meu ganha pão.
Como vou me alimentar e dar
de comer aos meus irmãos?
Eu não posso parar de
trabalhar! - Pode e vai.
Eu quero você a minha
inteira disposição.
Não quero ter horários
para te ver. Agora, você
vai ter de tudo, mas seus irmãos
não são um problema
meu. - Mas eles são
responsabilidade minha. Eu não
posso ficar sem trabalho! Eles
dependem de mim! - Gata
vamos resolver isso depois se
você quiser, agora eu
vou me vestir e vamos na Cida.
- Isso vai se tornar publico?
- Algum problema? - É
claro! Ninguém iria entender,
muito menos aceitar! O que eu
estou fazendo é prostituição.
Eu estou me vendendo a você.
Por favor! Eu farei de tudo,
mas não deixe ninguém
saber. Eu te imploro! – Fernanda
estava à beira do desespero.
- Ok, ok. Tudo bem – Disse abraçando-a
– Calma... Vamos com calma!
Agora vamos comunicar a Cida
que você não vai
trabalhar lá mais, depois
vamos para o hospital conversar
com o medico e fazer a visita
da noite tudo bem? Fernanda
apenas assentiu com a cabeça.
Fiquei comovida, mas não
iria demonstrar meus sentimentos.
Chegamos na sorveteria e havia
bastante pessoas no lugar que
ficaram olhando e cochichando
quando viram Fernanda descer
do carro. Diego veio em nossa
direção. -
O que você queria com
ela? Nanda você está
bem? Ela te fez alguma coisa?
- Garoto você acha que
sou uma gangster maluca que
sai por ai ameaçado e
batendo nas pessoas? Se liga
moleque - Falei irritada – Te
espero lá dentro Fê.
Fernanda ficou olhando
Jenny entrar na sorveteria e
cumprimentar D. Cida enquanto
Diego falava como uma matraca.
Os próximos minutos mudariam
sua vida pra sempre ela sabia
disso, mas não estava
triste nem melancólica.
Já não sentia
a mesma empolgação
por ele como no inicio do namoro.
Haviam terminado algumas vezes,
mas sempre tinham voltado e
a sua nova chance era dada pela
pessoa que ironicamente iria
aprisioná-la. -
Diego... – Começou procurado
as palavras certas – Você
sabe que eu faço tudo
pela minha mãe. Ela é
a pessoa mais importante pra
mim... - Eu sei disso, mas
o que... - Deixa eu falar
é muito dificil pra mim.
Bom... Eu não posso te
explicar com todos os detalhes
agora, mas tudo o que eu estou
fazendo e vou fazer é
pelo bem dela. - Então...
- Diego, por favor! - Desculpe.
- Eu preciso de um tempo durante
o período de recuperação
dela. - Recuperação...
Tempo... Do que você esta
falando? - Eu não
posso te explicar agora, a única
coisa que eu te peço
é um tempo. Se você
sente algo de verdade por mim,
me dá esse tempo sem
fazer perguntas, por favor.
- O que a jennyfer tem haver
com isso? - Sem perguntas.
Eu prometo que te explico tudo
depois, mas agora é só
um tempo. - Eu não
acredito em tempo e você
sabe disso. Você quer
terminar tudo não é?
- Eu preciso que você
confie em mim. - Como posso
confiar se você não
me diz o que é. -
Porque eu não posso!
- Então não me
peça isso – Finalizou
se afastando. Estava
bebericando uma coca – cola
quando vi Diego se afastando;
Deu para perceber pelas fisionomias
triste que haviam terminado.
Fernanda e entrou na sorveteria
e veio direto pra mim. -Cadê
a Cida? – Perguntou se aproximando.
- Ela está servindo alguma
mesa. Quer alguma coisa?Algum
lanche, suco, sorvete, eu...
- Eu já falei com o Diego
– Ela me respondeu ignorando
a brincadeira – Eu já
comecei a fazer minha parte.
- E ele? - Reagiu muito
mal. Talvez quando estiver com
a cabeça mais fria me
procure. - E você?
- Fiquei triste. Eu gosto dele
e não queria que fosse
dessa maneira. - Uma outra
coisa que eu não te disse
é que se rolar alguma
recaída entre vocês
vai ser como se nós duas
terminássemos e isso
significa rompimento total.
Certo? - Não vai
acontecer nada disso. -
Fico mais tranqüila. Não
tolero ser enganada. A Cida
está vindo. Fala Cidoca!
– Falei me levantando – Senta
aqui que a Fernanda tem algo
para te contar. - O que
foi Fernanda? Algum problema?
- Não Cida. Eu consegui
o tratamento da minha mãe,
então eu vou precisar
de todo o tempo pra ela, para
acompanhar sua recuperação.
- Jennyfer, você...
- D. Cida meu coração
não e tão bom.
Depois a Fernanda te explicar
melhor nosso acordo. Agora temos
que ir. - Vão ao
hospital? - Sim e estamos
com pressa – Falei pegando a
mão de Fernanda e puxando-a
pra fora. A viagem até
Assis seguiu tranqüila.
Fernanda foi calada o trajeto
inteiro. Respeitei seu momento
de silencio. Tenho certeza que
naquele momento estava passando
um turbilhão em sua cabeça.
Assim que chegamos Fernanda
foi ver a mãe e eu fui
atrás do médico.
Encontrei ele em sua sala.
- Dr Santiago... Com licença.
- Pode entrar. - Não
sei se lembra de mim. Meu nome
é jennyfer e estive aqui
ontem falando sobre o caso da
D. Célia... - Claro.
Sente-se. - Eu vim para
conversarmos sobre os procedimentos
a serem tomados para dar inicio
ao tratamento. - A família
conseguiu o recurso necessário?
- Isso é uma questão
particular, mas a filha dela
está aqui e logo vem
autorizar. - Claro. Vou
preparar a papelada de transferência.
Começa da seguinte maneira...
Passamos os minutos seguintes
discutindo sobre os procedimentos
e formas de pagamento. Fernanda
chegou 20 minutos depois e assinou
alguns formulários. Liguei
do proprio hospital para o banco
pedindo algumas transferências.
Saímos de lá já
era noite, voltamos para S.
Joaquim e levei Fernanda direto
para casa. Ela estava muito
mais tranqüila e isso se
refletia em seu rosto. Estava
com um sorriso lindo. -
Jenny... Obrigado. - Você
fica linda sorrindo – Falei
acariciando seus lábios
– Devia sorrir mais. -
Eu não tinha muitos motivos
para sorrir. Obrigado por me
dar um. Fiquei olhando aqueles
olhos negros brilhantes que
me analisavam, levantei a capota
do carro e a puxei para os meus
braços envolvendo-a num
longo beijo.
|
Capítulo
: O COMEÇO DA DOR
|
Acordei
já era mais de meio dia,
depois que deixei Fernanda em
casa fui para o meu cantinho
favorito e por ali fiquei até
tarde. Minha cabeça não
parava de pensar maluquices
do tipo comprar uma casa ali
e ter uma vida tranqüila
com Nanda, mas ao mesmo tempo
a realidade me fazia lembrar
do que eu estava fazendo, que
Fernanda estava comigo literalmente
pelo dinheiro e que eu mesma
havia imposto isso. Pela primeira
vez essa certeza do pleno interesse
me incomodou, tinha que fazer
o impossível para não
alimentar falsas esperanças,
afinal eu conhecia a garota
a menos de uma semana e já
estava envolvida até
o pescoço com ela. Um
sentimento agora só iria
piorar a situação.
Procurei Fernanda na casa dela
e uma vizinha informou que tinha
visto ela indo para a sorveteria,
disse também que Diego
estava com ela. Aquilo me incomodou
mais do que eu pensava. Segui
andando e encontrei-a na praça
com Cida e Diego. - Boa
tarde – Cumprimentei irônica
me sentando no banco ao lado.
- A Fernanda estava contando
do que você está
fazendo por ela – Começou
Cida – Legal ela trabalhar pra
você. - Trabalhar
pra mim? - É. Ela
não é como uma
secretária pra você?
- Uma secretaria? É isso
que você esta falando
Fê? - Jenny...
- Não é isso Fernanda?
– Perguntou Diego desconfiado
– Por que você não
falou antes? - É
mesmo porquê? Se você
é apenas minha secretaria
poderia ter contado a ele.
- Jenny... – Fernanda me olhava
preocupada – Eu... - Já
sei. É porque eu pedi
a ela que não se tornasse
publico afinal não se
paga tanto para uma simples
secretária, sem contar
também nas viagens que
vamos fazer... - Viagens?
Não falou de viagens
antes – Observou D. Cida.
- É que não é
certo ainda. Não é
Jenny? - É. Poucas
coisas são certas hoje
em dia. - O que quer dizer
com isso? – Perguntou Diego.
- Nada. Vamos minha secretária
– Falei rindo – Temos que fazer
compras, afinal secretaria que
se preze tem que estar sempre
linda. Tchauzinho. Deixamos
Cida e Diego sem entender muita
coisa e fomos para a pensão.
Fernanda ia vermelha ao meu
lado. Parecia brava. - O
que foi minha secretaria? Parece
brava. - E estou. Minha
desculpa era perfeita e você
estragou tudo. - Nós
só vamos ficar aqui por
mais uma semana. To pouco me
importando para o que as pessoas
vão falar. Se você
quer assim tudo bem, mas não
me inclua nas suas mentiras.
- Como assim? Vamos ficar
só mais uma semana?
- Vai rolar um lance em Assis
daqui a oito dias e depois disso
vou embora daqui e como o tratamento
da sua mãe não
vai terminar até lá,
você vai comigo. -
E meus irmãos? -
Boa pergunta. Cadê eles?
Eu estou na cidade há
cinco dias e ainda não
os vi. - Eles estão
na casa da minha tia em Ribeirão
Preto. Vão chegar no
próximo sábado.
- Eles não podem continuar
lá? - Ela não
tem condições
de mantê-los. É
muita despesa pra ela. Eles
estão lá só
passando um tempo por causa
da minha mãe. - Quando
eles chegarem vamos discutir
isso. Terminamos o trajeto
em silencio e quando chegamos
na pensão, S. Manuel
estava conversando com a mulher
que me dera a informação
do paradeiro de Fernanda. Eles
não perceberam nossa
presença. - Eu estou
realmente preocupada com a Fernanda!
Imagina se ela vira uma dessas
pessoas! – A mulher falava como
se houvesse tido uma tragédia.
- Nem me fala D. rosa! Mas a
Nanda é uma menina boa...
Fiz sinal de silencio para Fernanda
e nos escondemos para que eles
não nos vissem.
- Mas o dinheiro mexe com a
cabeça das pessoas, principalmente
se você precisa dele.
- Mas a Fernanda não
é desse tipo. Pelo menos
eu acho. - Então
porquê ela chegou com
aquela outra de carro e ainda
ficou um tempão com ela
lá dentro pra ninguém
ver. Quando saiu estava toda
feliz? - A Cida falou que
a Jennyfer vai pagar o tratamento
da mãe dela. Não
era pra ela estar feliz?
- E porque ela terminou com
o Diego? - Não sei.
Também não quero
saber. A vida é da Nanda.
È ela quem decide.
- Já imaginou se a Fernanda
se torna uma sapa... Entrei
na sala derrepente para que
ela não terminasse a
frase. Fernanda veio atrás
de mim. - Ola tudo bem?
– Perguntei enquanto os dois
me olhavam atônitos –
Algum problema? - Não
– Apressou-se em responder S.
Manuel – Faz tempo que vocês
estão ai? - Era pra
ter? - Não.
- Que bom. Vamos subir. Se alguém
perguntar por nós, você
diga que não sabe.
- Ta certo. Fernanda começou
a subir as escadas na minha
frente. Parei no meio e me virei
para onde eles estavam.
- Ah! D. Rosa, já ia
me esquecendo. Vai procurar
alguma coisa pra fazer melhor
do que ficar falando da vida
dos outros. Terminei de
subir e encontrei Fernanda parada
na porta do quarto com as mãos
na cintura. Aquela carinha de
menina nervosa me tirava do
serio. - O que eu te disse?
Já começaram a
falar. Daqui a pouco minha vida
vai se tornar publica e todo
mundo vai saber o que estou
fazendo... Fernanda falava
sem parar enquanto eu abria
a porta do quanto e entrava
ela veio logo depois de mim
ainda falando com as paredes.
-... E quando a minha mãe
ficar boa, ela vai falar um
monte de besteiras... Assim
que Fernanda entrou fechei a
porta atrás dela e a
joguei contra a parede prensando-a
com minhas pernas e rasgando
sua blusa enquanto beijava seu
pescoço. - Jenny...
- Agora para de falar... Vamos
dar um motivo concreto para
eles falarem. Eu quero você
tanto que chega a doer... –
Murmurei enquanto sugava seus
seios e enfiava as mãos
por baixo da sua saia. -
Jenny eu estou menstruada...
– Falou enquanto agarrava meus
cabelos e descia suas mãos
pelo meu corpo. Subi as
mãos até a virilha
e encontrei um maldito absorvente
(Se Eva não estivesse
morta eu a mataria com minhas
próprias mãos).
Abandonei com resignação
seus glúteos e me concentrei
em sua boca carnuda que tinha
um gosto maravilhoso. Depois
de muitos amassos, me afastei
enquanto respirava fundo para
manter o controle das minhas
emoções. Fernanda
procurava se recompor. -
Quando começou essa menstruação?
Ontem você não
estava. - Desceu essa noite.
- Ok. Vamos ter bastante
tempo pra isso. Tenho bastante
paciência. Vamos fazer
compras? - Comprar o quê?
- O que você quiser.
- Eu não quero nada.
- Então eu quero que
você tenha. - Você
rasgou minha blusinha toda.
Eu gostava tanto dela. -
Te compro outra igual. Agora
veste essa minha e vamos – Disse
estendendo meu tomara que caia
de couro. - Agora é
que vão falar mesmo!
Sair vestida igual a você.
- Você se incomoda
muito com que as pessoas falam.
Você tem que viver a sua
vida sem se importar com isso.
Os outros não vão
fazer nada para ajudar.
Saímos da pensão
e fomos para as lojas que ficavam
ali por perto, mas não
encontramos nada do meu agrado.
Peguei o carro e fomos para
Assis. Fernanda parecia uma
criança, no começo
ela não queria nada e
não deixava que eu comprasse,
mas depois de uma hora tentando
ela começou a escolher
as coisas do seu jeito e mais
relaxada começou até
mesmo a pedir uma coisa e outra.
Estávamos numa loja de
bolsas quando dei por mim que
estava totalmente nas mãos
dela: Fernanda era uma pintura
clássica que tinha o
sorriso mais lindo do mundo
enquanto perguntava se eu gostava
da carteira que tinha escolhido,
me limitei a olhar e assentir.
Naquele momento tive certeza
que tinha encontrado a mulher
com quem eu queria viver o resto
da minha vida.
|
Voltamos
das compras já era quase
noite. Deixei Fernanda e um
mundo de sacolas na sua casa
e fui para a pensão.
Combinamos de nos encontrar
na Cida as sete da noite, pois
ela ia dar aula de dança
as oito numa academia ali perto.
Fernanda havia me dito que dava
aulas de dança lá,
eu não fui contra, pois
sempre gostei de dança
e das mulheres que dançam.
Cheguei adiantada e fiquei esperando
sentada numa mesa um pouco escondida
fumando e bebendo. Duas garotas
entraram, mas não me
viram. Foram direto para o balcão.
- Tenho que te contar a
maior! A Nanda estava em Assis
fazendo compras com aquela Jennyfer
– Disse uma morena que identifiquei
depois como Juliana. - Comprando
o quê? – Perguntou a outra
morena. - Um monte de coisas!
Elas entraram numa loja de sapatos
e saíram de lá
com cinco sacolas, sem contar
que já carregavam muitas
outras. Eu fui falar com a vendedora
que é minha amiga e ela
me disse que a Jennyfer pagou
quase o dobro do salário
dela a vista! Acho que a Nanda
se deu bem! - Será
que a Nanda ta ficando com ela?
Bom, isso explica por que ela
terminou com o Diego. -
Será que a ela virou
a casaca? - Não sei,
mas a Jenny tem dinheiro suficiente
para virar até a minha
casaca. - Que horror amiga!
Você ficaria com ela?
- Por todo o dinheiro que ela
está gastando com a Nanda?
Com certeza! Já parou
para calcular? Sá no
hospital foi... Fiquei ouvindo
aquilo sem acreditar! Eram as
mesmas meninas que eu já
tinha visto junto com a Fernanda
dias antes. Como podiam ser
tão falsas? Me levantei
para falar com elas mas Nanda
tinha acabado de chegar. O movimento
que fiz chamou a atenção
delas que ficaram brancas quando
me viram. Nanda se juntou a
nós. - Oi Jenny.
Me atrasei? - Não.
Eu é que cheguei adiantada,
mas fiquei sentada ali naquela
mesa te esperando – Falei olhando
para as meninas. - Oi jú,
oi Débora. Não
foram no curso hoje? - Hoje
não. E... A professora
dispensou. - Que chato!
- Chato nada! Que brinco lindo!
É aquele lá da
loja de Assis não é?
- É sim. Lindo mesmo
não? Eu comprei hoje
com a Jenny. - Investindo
alto, hein Jenny?! – Comentou
maldosamente Juliana. -
Eu vou fingir que não
escutei essa besteira que você
falou – Respondi com ignorância
– Vamos Fê? - Que
maldade Ju! Que veneno é
esse? – Perguntou Fernanda.
- Não é veneno
nenhum, amiguinha... – Respondeu
a outra com ironia. Fernanda
se limitou a olhar e dar as
costas me acompanhando. Fomos
quietas ate a academia, quando
chegamos Nanda foi trocar de
roupa e eu escolhi um lugar
num canto sentada para esperar
e assistir a aula. Ela voltou
minutos depois com um conjunto
de Short e top de lycra que
me deixou atordoada: Não
consegui tirar os olhos dela
em nenhum momento de toda a
aula. Ela dançava como
ninguém, se mexia e remexia
requebrando os quadris de maneira
tão provocante e sensual
que me deixou boquiaberta. Ela
ensinava passos de uma musica
black e imaginei cada movimento
só pra mim entre quatro
paredes. Comecei a imaginar
loucuras, então procurei
uma janela para fumar e relaxar
um pouco. Depois de uma
hora e meia de aula fomos embora.
Levei-a para casa e quando fiz
menção de me despedir,
Fernanda me chamou par entrar
e comer algo, já que
ainda não havíamos
jantado. - Olha que eu posso
me acostumar! – Brinquei – Vou
provar seu tempero hoje?
- É claro. Faço
algo bem rápido.
- Está bem. Entramos
na casa e Fernanda pediu um
tempo para tomar banho. Fiquei
esperando-a na sala vendo algumas
fotos que estavam ali. Em uma
delas Fernanda estava abraçada
com a mãe e um outro
garoto que julguei ser seu irmão.
Tinha outra em que ela estava
com Diego entre sorrisos. Havia
várias outras que eternizavam
momentos de felicidade. Fernanda
chegou momentos depois envolvida
num roupão com uma toalha
na cabeça. Fomos para
a cozinha e Nanda começou
a conversar sobre um monte de
coisas e eu concordando sem
nem saber o que era, pois prestava
atenção somente
nos movimentos de seus lábios
carnudos que me convidavam para
um beijo. Me levantei e tirei
uma travessa de sua mão,
a sentei na mesa e começamos
a nos beijar com loucura e paixão.
Fernanda tirou minha regata
enquanto me livrava do seu roupão
desci para seus seios enquanto
ela me arranhava as costas com
suas unhas. Subi para seu pescoço
e ajudei-a a tirar meu sutiã
enquanto a toalha de seus cabelos
caia sobre a mesa. Fernanda
gemia e sussurrava em meu ouvido
que queria sentir o contado
de nossa pele. Deitei-a na mesa
explorando cada centímetro
do seu corpo. Estávamos
tão concentradas no “beijo”
que não sentimos o cheiro
do queimado e não ouvimos
alguém entrar.
D. Cida ficou parada na porta
da cozinha olhando a cena que
se desenvolvia na mesa. Não
sabia o que pensar. Não
era contra o homossexualismo,
mas isso explicava o porquê
da Jenny estar gastando tanto
dinheiro com Nanda, alias o
motivo pela qual fora ali naquela
noite. Os comentários
de algumas pessoas estavam extremamente
maldosos, mas aquela cena já
dizia tudo. Ela torcia apenas
para que ninguém sofresse
quando isso viesse à
tona. Quando deu meia volta
para ir embora esbarrou num
vaso em cima de um móvel
da sala fazendo um imenso barulho.
Fernanda se levantou
derrepente caçando o
roupão enquanto D. Cida
ficava toda sem graça.
Eu dei as costas procurando
minhas roupas. - D Cida!
– Exclamou Fernanda – Eu...
Eu... - Desculpe invadir
sua casa assim, mas como eu
chamei e ninguém ouviu
e a porta estava aberta eu...
- Fala Cidoca! – Falei terminando
de vestir a blusa – Que flagra
hein?! - Cida não
é o que você esta
pensando... – Começou
Fernanda – A Jenny e eu...
- Nanda sua vida é sua
vida. Não tenho nada
haver com isso, mas confesso
que estou curiosa: Vocês
estão namorando?
- Temos um acordo comercial
– Falei – A nanda precisa de
dinheiro e eu a queria, então
fizemos uma troca. - Jenny!
- Qual é Fernanda é
a verdade. Não estou
contando mentiras. - Mas
isso é quase prostituição!
Nanda como pode fazer isso?
- D. Cida é a vida da
minha mãe que está
em jogo! Foi a única
oportunidade de salvar a vida
dela. Eu não podia recusar!
- E o Diego? - Ele
não sabe, Alias ninguém
sabe e eu queria que continuasse
assim. - Você me ofende
falando uma coisa dessas! Até
parece que sou fofoqueira! Eu
só vim te alertar sobre
o boato que está correndo
lá na sorveteria. As
meninas estão falando
que... Fiquei encostada
na pia ouvindo parte da conversa,
mas aquilo foi me perturbando,
afinal eu já sabia o
que as meninas estavam falando.
Me despedi delas com um rápido
tchau e fui para a pensão,
me joguei na cama ainda com
roupas e fiquei pensando nas
coisas que estavam acontecendo
comigo naquela cidade. Cada
vez que eu estava com Fernanda
era sempre um momento de magia,
de beleza. Adorava beijá-la
e tocar seu corpo, mas tinha
que me concentrar no fato que
ela não me amava e que
eu não podia amá-la.
|
Capítulo
: MAIS SENTIMENTOS
|
Fernanda
ficou olhando D. Cida de afastar
quase atônita pelo que
soubera. Suas amigas já
a tratavam como uma lésbica
por suas costas, pessoas em
quem ela confiava, mas não
tinha escolha, era a sua mãe
a pessoa mais importante para
ela. Jenny estava se mostrando
uma pessoa extremamente gentil
e generosa com ela, se preocupava
realmente com sua mãe.
Ficava ligando a toda hora no
hospital. Mesmo que às
vezes tentasse não demonstrar
interesse, mas ela sabia que
se importava ou pelo menos queria
acreditar nisso. Estava cada
vez mais envolvida com ela.
Queria estar com Jenny o tempo
todo, mas não queria
confundir gratidão com
amor, então se firmava
na idéia de gratidão,
mas nunca faria resistência
a nada do que ela quisesse,
pois gostava do jeito como ela
pegava, do modo como ela tocava
seu corpo e fazia despertar
o tesão guardado em si.
Nenhum homem havia conseguido
fazê-la sentir-se desejada.
Sexo pra ela sempre foi uma
coisa mecânica, quase
uma obrigação,
mas com Jenny não. Fernanda
desejava ir para a cama com
ela, sentir ser tocada por ela.
Nas ultimas noites imaginava
cada sensação
que Jenny poderia despertar
em seu corpo com sua boca e
por vezes teve que apelar para
um alivio momentâneo e
enquanto se masturbava pensava
que estava ficando louca, mas
no fundo sabia que estava começando
a se apaixonar.
|
Capítulo
: A DOR DA INDIFERENÇA
|
A
sexta amanheceu sem nenhum atrativo
especial. Não durmi nada
durante a noite só pensando
em Fernanda e imaginando se
ela iria agüentar a pressão,
depois fui para a sorveteria
para o desjejum e voltei para
a praça para tomar um
pouco de sol. Não havia
marcado nada com Fernanda e
não queria ir na casa
dela. Tinha que manter o controle
de não me entregar totalmente
a ela, mas a minha vontade era
de sair correndo para os braços
dela. Depois de um tempo voltei
para a sorveteria e fiquei conversado
com D. Cida. Ela se manteve
discreta e não fez nenhum
comentário da cena da
noite passada. Ficamos conversando
um longo tempo ate que ouvi
o som familiar de carros e motos
que tocavam rock´n roll.
Eu ia matar o Digão!
Ele havia me dito que só
voltaria para S. Joaquim no
domingo. Fiquei em pé
na porta olhando as pessoas
que desciam, todos amigos em
comum. Vi Priscila descendo
de uma moto e correndo em minha
direção. Não
vi Fernanda que vinha do outro
lado da praça. -
Oi meu amor que saudade! – Exclamou
pulando no meu colo me beijando
– Senti tanto a sua falta.
- Que exagero Priscila! – Falei
– Vocês não viriam
só no domingo? -
O Digão resolveu vir
antes. Não esta contente?
- To contente sim sua tonta
– Menti colocando-a no chão
e beijando-a. Naquele momento
eu não soube definir
meus sentimentos, quando vi
Priscila percebi que senti muita
falta do seu corpo, afinal tinha
passado quase uma semana sem
sexo e para uma pessoa como
eu isso é uma eternidade.
Ela usava um vestidinho tomara
que caia com um imenso decote
na frente que me fez esquecer
de muita coisa, inclusive de
prestar atenção
em Fernanda que acabava de entrar
na sorveteria. - Oi Jenny
– Ela me disse indo para o balcão
onde estava D. Cida. Ver
Fernanda ali com Priscila grudada
em meu pescoço fez fugir
o sangue do meu rosto, mas minutos
depois cheguei à conclusão
de que isso seria bom, pois
Fernanda queria que ninguém
soubesse e eu tinha que dar
uma de “durona”. Sentei numa
mesa com Priscila em meu colo
e o restante do pessoal e ficamos
conversando sobre o que aconteceu
naqueles dias. Depois de meia
hora arrastei Priscila e outra
garota para a pensão.
Digão não contente,
teve que me zoar em alto e bom
tom dizendo que eu ia tirar
os atrazados. Mandei ele para
o inferno enquanto me abraçava
com as duas garotas e olhava
sorrateira para Fernanda que
continuava conversando com Cida.
Percebi que ela me olhava através
do espelho que tinha atrás
do balcão. Fingi indiferença
e sai com as meninas. Voltei
quando já era noite alta.
A sorveteria já estava
fechada e a molecada estava
na praça com som alto
e algazarra. Voltei as minhas
origens e badernei com eles
até o outro dia.
Fernanda estava inquieta
em casa. Já era mais
de quatro da tarde e Jenny ainda
não tinha ido lá.
Resolveu aparecer na sorveteria
e quando chegou na praça
viu que os amigos dela tinham
chegado de S. Paulo. Viu também
que a namorada dela estava lhe
dando um ardoroso beijo. Ficou
parada sem saber se ia até
lá ou se voltava pra
casa. Não queria criar
uma cena, mas teve que admitir
para si mesma que ficou enciumada
vendo aquela loira com um vestido
curtíssimo pendurada
no pescoço de Jenny.
Resolveu ir até lá
apenas para provocar Jenny,
mas parece que não surtiu
nenhum efeito, pois ela fingiu
que nem a conhecia. Nem ao menos
respondeu seu cumprimento. Ficou
conversando com Cida que começou
a dar conselhos, mas Fernanda
não escutava nada do
que ela dizia, olhava apenas
para jenny que saia com duas
garotas. Ouviu Digão
zoando com ela e quase teve
um ataque de raiva. Respirou
fundo e manteve o controle chegando
a conclusão de que Jenny
só queria se divertir
com ela. Que ela era apenas
mais um dos seus luxos que só
o dinheiro pode comprar. Depois
de um tempo se despediu de Cida
e foi embora se trancando em
casa chorando por ter se permitido
ser tão tola.
No sábado apareci na
praça era quase cinco
horas da tarde. Havia passado
na casa de Fernanda, mas ela
não estava lá.
Digão e o resto do pessoal
iam para Assis e eu queria que
Fernanda fosse junto. Tive que
apelar para a D. Cida. -
D. Cida você viu a Fernanda?
- Ela foi buscar os irmãos
em Assis e depois iam para o
hospital ver a mãe. Ela
pediu para te avisar caso você
a procurasse. - Obrigado.
Voltei para o resto do pessoal
sem saber o que fazer. Não
sabia a que horas Fernanda ia
voltar e eu queria muito que
ela fosse conosco. Tinha passado
quase dois dias sem ela e a
saudade era imensa. Fui com
o pessoal para Assis e deixei
outro recado com D. Cida informando-a
que viria buscá-la as
22:00. Cheguei na sorveteria
já era 22:15 e Fernanda
estava com seus irmãos
e alguns amigos. Eu usava uma
calça de couro com botas
de salto bem alto, um top e
algumas correntes. Usava o cabelo
preso com madeixas roxas e maquiagem
escura, isso, claro chamou a
atenção.
- Oi Nanda – Cumprimentei.
- Oi Jenny. Esses são
meus irmãos: Fabrício
e Fabiano – Falou apontando
para os dois meninos. -
Ola meninos tudo bem? – Cumprimentei
dando beijinhos neles – A viagem
foi boa? - Foi sim, obrigado
– Respondeu o que parecia ser
mais velho. - Você
é que está ajudando
a nossa mãe? – Perguntou
o outro. - É. Digamos
que sim, mas a Nanda esta trabalhando
para mim. Ela contou? -
Falou sim. Eu pensei que você
fosse velha. - Velha? Porque
velha? - Não sei,
mas eu pensei. - Você
está pronta? – Perguntei
a Nanda. - A D. Cida e contou
que você viria e buscar,
mas como eu não sabia
para o que era eu coloquei essa
roupa simples. - Tudo bem.
A gente passa na sua casa e
você troca de roupa.
-Tudo bem – Respondeu ela se
levantando – Meninos eu tenho
que sair agora e... - Você
vai sair uma hora dessas? –
Perguntou o mais velho.
- Eventos sociais de grande
porte são feitos uma
hora dessas – Respondi – Vocês
vão para casa agora?
- Vamos sim. Tchau pessoal –
Se despediram. Saímos
da sorveteria os quatro e fomos
para o carro estacionado ali
perto. -Nossa que carrão!
– Exclamou Fabrício –
ele é seu? - É
sim. Você sabe dirigir?
- Não. Ainda não.
Fernanda ia conversando com
os meninos e eu ia quieta dirigindo
apenas ouvindo a conversa. Chegamos
na casa e enquanto Nanda ia
trocar de roupa, fiquei na sala
conversando com os meninos que
se revelaram extremamente simpáticos.
Depois de meia hora Fernanda
apareceu na sala. Estava linda
com um vestido tamanho mini
com as costas nuas e a frente
vazada do umbigo até
o meio dos seios (se eu tinha
duvidas do que eu sentia, acabou
ali). Ela se despediu dos irmãos
e saímos. - E a sua
namorada? - Perguntou Fernanda
enquanto entrava no carro.
- A Priscila? O que tem ela?
- Ela não vai ficar com
ciúmes de mim? -
Eu sei como lidar com ela. Não
se preocupe. - Mas é
claro que eu vou me preocupar!
Não sei qual vai ser
a reação dela.
- Ela vai falar um monte de
coisas, vai infernizar a sua
vida e depois vai sossegar.
- Você acha pouco?
- To brincando. Ela não
vai fazer nada que me desagrade.
Ela valoriza muito a vida que
eu dou pra ela para fazer alguma
besteira. - Assim espero.
Continuamos conversando sobre
um monte de coisas até
chegarmos na balada. Entrei
de mãos dadas com Fernanda
e encontrei o pessoal reunido
em uma mesa num canto. Alguns
estavam ali e outros espalhados
pela casa. - Pessoal! Essa
é a Fernanda! – Gritei
devido o barulho – Tratem ela
bem, senão vão
se ver comigo. - Essa é
gostosa hein, Jenny! É
a garçonete de S. Joaquim,
não é? – Perguntou
um dos caras que sempre viajava
comigo. - É sim.
Que dizer, agora é minha
secretária. - Deus
sabe o tipo de secretária...
- Cala a boca seu puto! Presta
atenção na sua
mulher e deixa a dos outros
em paz! – Respondi rindo.
Sentamos e logo apareceram duas
latas de cerveja. Fernanda recusou
delicadamente e eu acendi um
cigarro. Não demorou
para Priscila aparecer sentando
em meu colo. - Nossa como
você demorou! Que garota
é essa? – Perguntou apontando
para Nanda. - É a
garçonete de S. Joaquim,
não se lembra? Agora
é minha nova secretária.
- E desde quando você
precisa de secretária?
- Desde quando eu resolvi ter
uma. - Oi – disse para
Fernanda – Amor vem dançar
– Finalizou me puxando para
a pista. - Já volto
– Falei jogando a lata na mesa.
Fui para a pista de dança
com Priscila, mas sem tirar
os olhos de Fernanda. Ela parecia
acanhada no meio daquele pessoal
doido. Priscila se agarrava
em mim e tentava me beija de
todas as maneira, mas eu sempre
me desviava. Fernanda olhava
pra gente e depois disfarçava
para não dar bandeira,
mas eu como boa observadora
percebia. Depois de algumas
musicas voltei para a mesa.
- Ta tudo bem? – Perguntei
no ouvido de Fernanda. -
Eu estou meio perdida aqui.
- Vem comigo então.
Fomos para o bar e Nanda escolheu
um drink do seu agrado. Depois
de um tempo fomos para a pista.
Fernanda dançava como
ninguém e eu fiquei mais
admirando do que acompanhando.
Também percebi que Priscila
a fuzilava com os olhos. Quando
fizemos menção
de sair, começou a tocar
uma musica que sou apaixonada
até hoje, puxei-a de
volta para a pista e o beijo
que seguiu depois foi inevitável
|
Priscila
nasceu em uma família
desajustada: Sua mãe
prostituta por profissão
e seu pai mais um dos inúmeros
clientes. Foi jogada na rua
desde criança, pois sua
mãe não tinha
tempo para ela entre uma transa
e um copo de conhaque. Com treze
anos começou a se prostituir
também para ganhar dinheiro.
Não havia freqüentado
a escola regular e sabia ler
e escrever graças a bondade
alheia. Com Dezesseis anos conheceu
as drogas e Digão numa
balada de rock e desde então
passou a andar com ele e com
os amigos dele. Passou a se
manter de pequenos furtos que
depois viraram grandes assaltos
com a ajuda de Digão.
Passou uma curta temporada na
prisão, onde começou
a se relacionar com mulheres
e depois de um tempo conheceu
Jenny que lhe deu tudo o que
ela queria, menos amor. Quando
começaram a sair juntas,
Jenny foi bem clara ao dizer
que o que mais chamava a atenção
nela alem de seus cachinhos
dourados, era seu corpo malhado.
Disse por varias vezes que não
a amava e que ela não
poderia cobrar nada, pois não
haveria futuro entre as duas.
Isso fora a dois anos atrás
e desde então suportou
muita coisa para ficar com Jenny:
Tolerou outras mulheres, fingiu
que se interessava apenas pelo
seu dinheiro, fez papel de omissa
e, como dizia jenny, caprichava
ao Maximo na única matéria
que tinha doutorado: Sexo. Fazia
muita coisa mais para agradá-la
do que pelo próprio prazer.
Tinha plena consciência
que a amava, um amor doentio,
mas a amava com todas as sua
forças. Quando viu Jenny
entrando na boate com aquela
ruiva, pensou que se tratava
de mais um passatempo, mas as
suas atitudes durante a noite
em relação e ruiva
estavam totalmente do convencional:
Ficou mais tempo com a ruiva
do que com ela, não quis
beijá-la na frente da
outra e pior de tudo, tinha
um brilho especial nos olhos
quando olhava pra ela. Tinha
passado por muita coisa para
perder jenny para uma caipira.
Faria de tudo para que elas
não ficassem juntas. |
Saímos
da casa noturna eram quase sete
da manhã do domingo e
fomos tomar café da manha
numa padaria ali perto. Fernanda
estava bem descontraída
depois de vários drinks
e já tinha se enturmado
com quase todos, menos com Priscila
que se mantinha a distancia
com Camila. Priscila tinha ficado
estranha à noite inteira.
Conclui que estava com ciúmes.
Deixei Fernanda em casa e fui
para a pensão dormir
um pouco. Despachei Priscila
para o motel onde estavam hospedados.
Queria realmente ficar sozinha.
Levantei era por volta das 2
da tarde, varada de fome. Fui
para a sorveteria e lá
encontrei os irmãos de
Nanda. Ficamos conversando por
um longo tempo e depois fui
acordar Fernanda. Cheguei na
casa dela e ela estava saindo.
Ela me disse que ia atrás
dos irmãos, pois tinha
acabado de acordar e não
tinha encontrado eles. Falei
do paradeiro deles e ficamos
conversando sobre a noite anterior
um longo tempo e depois fomos
para a praça e lá
ficamos mais um tempo com Digão
e parte das pessoas que já
tinham acordado. Quando a tarde
começou a cair, chamei
Fernanda para uma volta de carro.
- Aonde vamos? – Perguntou
ela. - Um lugar lindo que
eu acho que você não
conhece. - Onde fica?
- Como você é curiosa,
não?! - Talvez eu
já tenha ido. Conheço
bastante lugares por aqui.
- Se você já conhecer,
vou te mostrar pelo meu ponto
de vista. Começamos
a subir pela encosta do morro
que era avistado de longe. Fernanda
ia admirando as flores e a paisagem
me dizendo que nunca tinha ido
para aqueles lados. Depois de
dez minutos, chegamos no meu
recanto favorito. Desliguei
o carro e desci ficando parada
na frente dele. Fernanda veio
se juntar a mim em silencio.
A visão daquele lugar
era magnífica. Dava para
ver a cidade inteira e um imenso
lago à distancia. De
outro lado dava para ver uma
parte de Assis bem ao longe.
As arvores e vegetações
ao redor eram maravilhosas.
Ficamos em silencio por uns
quinze minutos até que
Nanda falou. - Nossa! Que
paz esse lugar transmite. É
lindo mesmo. Eu morando aqui
nunca tinha vindo. Como descobriu?
- Eu encontrei na semana
passada, quando te vi cantando.
- Eu lembro. Você saiu
tão afoita de lá.
Achei que tinha acontecido alguma
coisa. - E aconteceu, só
que não visível
aos olhos. - Você
adora um mistério não?
- Você não?
- Eu gosto de decifrá-los
– Me respondeu se postando na
minha frente. - Isso quer
dizer que vai me desvendar?
- Quer dizer que eu vou pagar
pra ver. Dito isto Fernanda
tirou as alças do vestido
deixando ele cair no chão.
Por um momento fiquei sem atitude
alguma. Primeiro que eu não
esperava uma reação
deste nível com Fernanda
e depois ela conseguia usar
uma calcinha menor do que as
de Priscila. Fiquei olhando
aquele corpaço na minha
frente enquanto ela avançava
me dando um beijo e me tirando
do estado de choque em que me
encontrava. Virei-a de encontro
ao carro enquanto abria suas
pernas e a sentava no capô
do carro e me debruçava
por cima dela buscando seus
seios. Fernanda se entregava
sem nenhum pudor arrancando
minha blusa e soltando o meu
cabelo me dizendo para fazer
o que quiser com ela. Questionei
sobre sua menstruação
e ela me disse que havia mentido,
pois não queria que nada
acontecesse antes, mas que agora
tinha mudado de idéia.
Dito isto, rasguei o único
minúsculo pedaço
de pano que me separava do prazer
absoluto que desejava há
tanto tempo. Comecei a chupá-la
e Fernanda gemia e se contorcia
como uma gata no cio empurrando
os quadris pra minha boca. Depois
de alguns espasmos ela gozou
e eu suguei todo o seu melzinho.
Fernanda puxou minha cabeça
e dizendo que queria sentir
seu gosto na minha boca. Nos
beijamos com paixão e
desejo ainda não saciados.
Fernanda desceu do capô
e me deu as costas se esfregando
em mim e inclinado sobre o carro
deixando claras suas perversas
intenções. Deixei
minha língua passear
por toda a sua bunda e segurei
seus cabelos enrolando-os em
uma mão enquanto a outra
penetrava na sua bocetinha.
O movimento dos meus dedos dentro
dela, a visão da sua
cinturinha fazendo contraste
com aquela enorme bunda seus
gemidos e pedidos de mais e
mais estavam me deixando alucinada.
Fernanda gozou novamente molhando
toda a minha mão deixando-se
cair no carro respirando fundo
cansada. - Porque você
não me disse que era
tão bom? – Perguntou
ajeitando o cabelo. - Eu
tentei te mostrar – Respondi
acendendo um cigarro – Você
é que se fez de rogada.
- A culpa é minha?
- Com certeza. Por mim já
tinha te mostrado isso há
tempos. - O por do sol é
lindo aqui. - Lindo é
você gemendo e rebolando.
Santinha do pau oco... -
Olha como você fala comigo!
– Disse pegando seu vestido
do chão. - Pra que
esse vestido? - Você
não quer que eu vá
embora nua, não é?
- Eu não quero ir embora.
Vem cá – Puxei ela dando-lhe
um beijo – A noite ta só
começando. - Ninguém
sabe onde estamos. - Isso
é ótimo. Ninguém
vai atrapalhar. - Jenny...
Seus amigos viram que você
saiu comigo. Vão falar
para a Priscila. - Esquece
ela. - Não dá.
Ela é sua namorada. Não
quero causar uma discórdia
entre vocês. - Você
não vai causar nada...
– Falei beijando seu pescoço
e levando-a para dentro do carro.
Começamos a nos amar
novamente desta vez com mais
carinho e calma. Fernanda se
mostrava insaciável e
eu adorava satisfazê-la.
Fernanda retribuiu meus carinhos
de maneira mais tímida
e depois de algumas horas fomos
embora. Deixei-a em casa e fui
para a pensão. Passei
na praça e vi que o pessoal
estava na sorveteria. Depois
de um banho e uma boa refeição
me juntei a eles. Priscila estava
toda queixosa por eu ter “sumido”
e por não dar detalhes
do meu paradeiro. A verdade
é que eu não suportava
dar explicações
da minha vida e com certa grosseria
disse isso pra ela que foi embora
segurando as lágrimas
pela minha indiferença.
Tinha que terminar com ela o
que eu nem considerava um relacionamento.
Marquei com Digão todos
os detalhes do assalto que seria
no dia seguinte e fui dormir
pois o dia que me esperava seria
cheio.
|
O
dia que definiria minha vida
pra sempre amanheceu igual a
todos os outros. Um sol forte
logo de manha, típico
do clima quente do interior
e crianças faziam algazarra
indo para a escola, somente
meu estado de espírito
agitado denotava minha adrenalina
comum antes dos assaltos que
fazíamos. Eu não
ficava com o dinheiro recolhido
nesses atos, repassava todo
a Digão que tomava a
decisão mais acertada,
não queria complicações
com a justiça e eu tinha
dinheiro para me manter e manter
meus gastos sem precisar me
sujar ou lavar dinheiro. Eu
gostava era de sentir a emoção
do perigo, a sensação
do proibido. Era isso que me
embriagava e não foi
isso que me salvou. Chegamos
em Assis e ficamos observando
o banco até a hora combinada.
Ficamos vendo as maneiras dos
guardas e suas posições.
Depois de uma longa espera entramos
em ação. Entrei
como uma executiva seguida de
“assistente” e depois de render
o primeiro guarda e liberar
a entrada dos outros anunciamos
o assalto, na mesma hora em
que meu celular tocou.
Fernanda estava desesperada
do outro lado da linha chorando
dizendo que havia acontecido
algo terrível. Não
conseguia entender uma palavra
do que dizia. Pedi que ficasse
calma e me explicasse e a única
coisa que entendi era que ela
estava no hospital de Assis.
Desliguei e joguei a arma para
Digão dizendo para comandar
sozinho. Sai correndo me livrando
das roupas e da peruca que usava.
Assim que entrei no carro e
dei a partida, pude ouvir atrás
de mim o som de sirenes que
se aproximavam do banco, Controlei
a velocidade do carro e vi pelo
retrovisor os policiais que
desciam dos carros e cercavam
o banco. Cheguei no Hospital
e perguntei por Fernanda. Fui
informada que ela estava na
enfermaria acompanhada de seus
irmãos. Fui conduzida
até lá e assim
que avistei Nanda pude ver a
triste cena: Ela estava toda
machucada com um olho inchado
e um braço enfaixado.
Fabrício sentado ao lado
dela chorava baixinho enquanto
Fabiano Acariciava seus cabelos.
- O que aconteceu? – Perguntei
me postando ao seu lado pegando
sua mão. - Nada.
- Como nada? Olha seu estado!
Quem fez isto? - Fernanda
se você não contar
eu conto – Falou Fabiano
- Isso não é assunto
seu Fabiano – Ela disse começado
a chorar novamente. - Por
favor! Me conte! – Implorei
- A Priscila... - A Priscila
fez isso? – Perguntei incrédula.
- Fabiano! - Vocês
que são maiores ficam
ai morrendo de medo! Eu
não tenho medo dela!
Fabrício – Pediu o menino
– Me Ajuda! - O Fabiano
tem razão. A Priscila
fez isso! Ela ficou gritando
como uma louca na praça
dizendo que você era dela
e que ninguém ia tirá-la
dela, que faria de tudo para
que isso não acontecesse
e que se não fosse dela
não seria da Nanda e
quando a Fê foi falar
com ela, ela começou
a bater nela. Deu um maior trabalho
tirar ela de cima da Nanda!
O que vocês não
contaram pra gente? - Eu
não acredito que a Priscila
fez isso! Ela sabe que jamais
vou perdoá-la. -
Só que ela falou que
você jamais saberia de
onde estava. Onde você
estava? - Foi isso então!
Ela denunciou para a policia!
- Policia? - Nada...
Esquece... – Me abaixei do lado
da cama – Nanda, meu anjo, me
perdoa... Eu devia ter previsto
isso, afinal eu acho que conheço
a Priscila. - Deixa pra
lá. Já aconteceu.
- Eu vou matar a Priscila, mas
antes eu preciso te transferir
daqui. Eu vou falar com o medico
e... - Jenny... Eu não
quero... Eu tenho medo de onde
estou me envolvendo... -
Meu anjo se você ficar
aqui pode ser perigoso. Ela
logo vai imaginar onde você
está e não quero
nem pensar nessa possibilidade.
E eu que pensei que ela só
tivesse uma bela... Bom, deixa
pra lá, acho melhor te
transferir. Você pode
ir para o mesmo hospital onde
sua mãe está.
- A Jenny tem razão
Nanda – Disse Fabrício
– aceita vai. - Ta... Já
estou envolvida não é?
E os meninos? - Não
se preocupe com a gente, nós
vamos ficar bem. - Podemos
alugar um apartamento em Campinas
e vocês ficarão
perto de sua mama. - A gente
pode ir também? – Perguntou
Fabiano todo animadinho.
- Pode. Agora vou falar com
os médicos e depois vamos
para casa fazer as malas.
- Está bem. - Meninos
esperem lá fora – Pediu
Fernanda. Os meninos saíram
fazendo planos alegres. Fernanda
me chamou para sentar na beirada
da cama. - Obrigada por
não deixar meus irmãos
de lado. - Não quero
te ver triste. E eles são
muito simpáticos. Pode
ter certeza que me conquistaram.
- Parece mentira, mas faz menos
de 15 dias que nos conhecemos.
- Minha vida é bem corrida.
- Não quero que
você faça nada
contra a Priscila. - Isso
eu não posso te prometer!
Aquela vadia vai me pagar!
- Já parou pra pensar
que ela te ama? - Ela não
me ama. Ela ama a vida que dou
pra ela e... - Você
acha que as pessoas só
ficam com você pelo dinheiro?
Não acredita realmente
que ela possa te amar pela pessoa
que você é?
- Não acredito nisso.
Não da parte dela.
- Você já amou
alguma vez? - Não
sei se era amor, mas eu tive
uma namorada que gostava muito,
mas é passado. -
Você tem medo do amor.
Não se entrega a ninguém?
- Não é isso é
que... - Tudo bem... Mas
eu acredito sinceramente que
ela tenha um amor doentio por
você. Que te ame realmente.
Eu... ela me disse que você
nunca poderia amar ninguém
e que você ia me usar
como usou ela e tantas outras
e depois me jogar fora...
- Nanda... Você é
diferente... eu não poderia...
- Ela me disse que você
diria isso também. Tudo
bem... pode ir... Levantei
da cama e dei um beijo de leve
em seus lábios que estavam
machucados e sai do hospital
depois de falar com os médicos
que já providenciaram
sua remoção. Cheguei
em S. Joaquim e deixei os meninos
em casa que começaram
a arrumar suas coisas, fui para
a sorveteria em busca de mais
informações sobre
Priscila. Fui informada que
ela havia deixado a cidade com
Camila e que o resto do pessoal
estavam no Motel. Encontrei
todos cabisbaixos e quietos.
Me disseram que Digão
e algumas pessoas estavam presos
e que dois haviam sido baleados.
Interrogaram sobre o meu paradeiro
e eu expliquei o que sabia sobre
a Priscila e o que ela tinha
feito. Falei que ia para Campinas
e aconselhei a todos deixarem
a cidade. Depois fui para a
pensão arrumar minhas
coisas e segui para a casa de
Fernanda. Passei a noite com
os meninos que demoraram a dormir
por causa acontecimentos e no
outro dia de manhã nos
despedimos do pessoal da cidade
e começamos nossa viagem
rumo a um mundo novo e desconhecido.
Era uma sensação
estranha: Em menos de um mês
eu tinha dois adolescentes para
cuidar uma sogra e a mulher
que escolhi para ser minha companheira.
Parecia que enfim a vida ia
tomar seu rumo. O único
problema era que apenas parecia.
|
A
vida em Campinas recomeçou
sem nenhum contratempo. Fernanda
saiu do hospital no dia seguinte
e ficamos hospedados em um hotel
enquanto procurávamos
por apartamento, mobília,
escola para os meninos e varias
outras coisas que eu jamais
dispensaria minha atenção
em outros tempos. Parecia que
já havia passado uma
eternidade e não dias.
Enviei um advogado para ver
o que era possível ser
feito já que o pessoal
além do assalto tentou
manter reféns o que apenas
contribuiu para complicar a
situação. O advogado
não me prometeu muita
coisa e assim Digão e
o resto do pessoal passaram
alguns anos na cadeia. Priscila
havia fugido de S. Joaquim e
contatos que eu ainda mantinha
em S. Paulo havia me dito que
ela tinha saído do estado.
Eu ainda iria encontrá-la
e quando isso acontecesse faria
muito pior do que ela tinha
feito a Nanda, mas agora minha
atenção estava
voltada para outro assunto:
Fernanda. Ela falou para os
irmãos que nós
estávamos juntas. Eles
acharam legal e não disseram
nada contra. Nanda e eu tínhamos
um carinho mutuo e nos entendíamos
muito bem tanto na cama e fora
dela. Nanda era uma companhia
agradável, inteligente,
divertida. Mantínhamos
longas conversas sobre o que
fosse desde futilidades ate
política econômica
nacional. Me mudei para o seu
quarto três semanas depois
e desde então nossa vida
amorosa seguiu o curso normal
de um casamento as avessas.
O amor que ela me demonstrava
não deixava duvidas de
que me amava pelo que eu era
e não pelo que eu tinha.
Eu também a amava e disse
isso a ela numa tarde de domingo
enquanto os meninos estavam
com a mãe e nos duas
explorando cada cômodo
da casa. Fernanda era uma ninfomaníaca
reprimida, me dava (e me da
ate hoje) um trabalho danado.
Ela não se satisfaz facilmente
e ama o sexo tanto quanto eu.
Freqüentávamos sex-shops
e ela escolheu uma variedade
de vibradores. Adorava vê-la
de lingerie. Ela desfilava cada
peça nova que comprava
com uma preparação
de ambiente que só ela
consegue fazer. Eu enfim havia
conhecido o amor. Tivemos
uma vida pacata por seis meses.
D. Célia havia se recuperado
de maneira satisfatória.
Já andava e falava quase
normal. Nos tornamos grandes
amigas e sempre a levava para
um passeio sob supervisão
medica. Ela foi se reintegrando
aos poucos a nossa rotina diária
e depois de algum tempo ela
voltou para casa.
Depois
de um volta pela
casa D. Célia
veio se juntar a
nos no sofá
da sala, ainda com
a ajuda de um andador
tinha dificuldades
de locomoção
e se cansava facilmente,
mas estava radiante.
- Que lugar ótimo!
Pena que é
longe de S. Joaquim.
- Por enquanto é
sua nova casa mãe
– disse Nanda ainda
agarrada com a mãe.
- Pode ser de vocês
o tempo que quiserem
– Falei enquanto
acendia um cigarro
– Como esta se sentindo
D. Célia?
- Bem com um pouco
de dor nas costas,
mas muito bem.
- Vamos descansar
um pouco então
mãe, a Maria
já arrumou
seu quarto.
- Quem é
Maria? - A mulher
que trabalha aqui
e faz com que seus
filhos não
morram de fome.
- Eu vi três
quartos. Eu vou
dormir no seu?
- Não mãe.
Vamos conversar
sobre isso lá
dentro. Fernanda
entrou para os quartos
com a mãe
e eu fui dar uma
volta pelo bairro.
Sabia que elas tinham
muito que conversar
uma com a outra
e eu não
queria atrapalhar,
minha presença
certamente iria
ser um inconveniente
para que D Célia
manifestasse sua
opinião,
mas se eu soubesse
o que ia acontecer
não teria
deixado Fernanda
sozinha um momento
sequer. Voltei
pra casa já
era quase noite,
passei num restaurante
ali perto e levei
nosso jantar. Achei
que a noite tinha
tudo para ser agradável.
Cheguei em casa
e encontrei os meninos
assistindo tv. Nanda
ainda estava com
a mãe. Bati
na porta do quarto
e ela apareceu com
uma cara inchada.
Obvio que havia
chorado. -
O que houve Nanda?
Sua mãe está
bem? - Está.
Eu vou dormir aqui
hoje. - Por
que? - Eu vou
fazer companhia
pra ela. - Nosso
quarto é
aqui do lado. É
so ela chamar se
precisar de alguma
coisa. - Eu
quero ficar com
ela. - OK. –
Respondi muito contrariada
– Eu trouxe o jantar.
- Estou sem fome.
- Vai me dizer o
que está
acontecendo?
- Vamos falar sobre
isso amanha.
Me limitei a olhar
pra ela e dar as
costas. Entrei no
nosso quarto e me
joguei na cama imaginando
varias asneiras
para explicar seu
comportamento sem
explicação,
mas não puder
imaginar como o
ser humano é
ingrato.
|
O chão
fugia aos meus pés.
Um soco na boca
do estomago não
teria doido tanto
quanto as palavras
de Fernanda. Ela
tinha se comportado
de maneira muito
estranha, mas eu
não podia
imaginar que o motivo
da sua frieza comigo
era o fim do meu
conto de fadas.
Depois do café
Nanda me chamou
para uma conversa
e sem preâmbulo
algum disse:
- O nosso acordo
está chegando
ao fim. Minha mãe
esta bem agora e
nos vamos voltar
para casa. -
Isso é algum
tipo de brincadeira?
– Perguntei – Aqui
é sua casa.
- Minha casa é
junto das pessoas
que amo: minha família,
meus amigos...
- Fernanda para!
Você não
ta falando coisa
com coisa. O que
deu em você?
- Quando você
se propôs
a nos ajudar sua
proposta foi: eu
ficaria sendo sua
amante ate o dia
em que minha mãe
ficasse boa. Ela
esta ótima
e agora é
o fim do trato.
Nos vamos voltar
para S. Joaquim
e você continua
sua vida. -
Eu não posso
acreditar no que
estou ouvindo. Você
não está
bem. Eu te dou o
tempo que for necessário
pra assimilar as
coisas e vamos esquecer
essa conversa.
- Jennyfer eu não
quero esquecer eu
quero terminar.
O acordo foi comprido
e eu... - Para
de falar nesse acordo!
– Gritei sem pensar
– Há muito
tempo eu esqueci
dessa merda! Eu...
Eu... Eu quero ficar
com você.
Foi nisso que eu
pensei quando falei
aquilo e é
nisso que eu penso
agora e sempre...
Droga! O que há
de errado nisso?...
Por que?...
- Não há
nada de errado,
mas o que você
sente não
é o que eu
sinto... - Mentira.
Mentira sua. Eu
não acredito
em você. –
As lágrimas
me saltavam aos
olhos – sua mãe
te pediu isso?
- Minha mãe
não tem nada
haver com isso.
– Me respondeu saindo
da sala. – nos vamos
embora amanha cedo.
- Não precisam
sair com pressa.
A única
pergunta que martelava
na minha cabeça
era porque? Sai
de casa e fiquei
perambulando pelas
ruas. Não
via as pessoas que
passavam ao meu
lado não
via as lagrimas
que molhavam meu
rosto... Por que
eu não podia
amar e ser amada?
O que tinha de errado
comigo? Esse era
meu pagamento por
ter me permitido
amar? Fernanda não
me amava do jeito
que eu a amava essa
era a verdade. Ela
não lutou
por nos em nenhum
momento. Foi só
mamãezinha
chegar que ela já
mudou de idéia,
como eu pude ser
tão tola...
tão ingênua?
Me entregar totalmente
a uma pessoa esperando
que ela fizesse
o mesmo por mim...
“Parabéns
sua tonta! Mais
uma vez você
esta na merda com
tudo e sem nada”.
Entrei Num barzinho
e afoguei minhas
lagrimas e mágoa
pelo resto do dia.
|
Fernanda
entrou no quarto
e se encostou atrás
da porta. Havia
acabado de negar
sua própria
felicidade novamente.
Sentia seu coração
em pedaços
como se tivessem
arrancado ele dela.
E de fato tinham.
Sua mente voltou
ao dia anterior.
- O que você
esta dizendo Fernanda?
– Perguntou a mãe
horrorizada – Você
dorme com aquela
menina? - Mãe
eu sou namorada
dela, e eu gosto
dela... - Para
de me falar essas
besteiras! Você
nem sabe o que é
isso e... -
Mãe eu já
tenho quase dezenove
anos e... -
E não sabe
nada da vida ainda!
Meu Deus! Como pode?
Aquela sem vergonha
te usou e...
- Mãe para!
Ela não me
usou! Tudo o que
aconteceu com nos
foi por que eu quis!
Ela não fez
nada sem o meu consentimento.
A Jenny tem sido
maravilhosa e...
- Eu não
quero mais ouvir
falar o nome dela!
Ela se aproveitou
do seu momento frágil
para tirar vantagem
de você e...
- Mãe ela
queria te salvar
e... - Pois
preferia estar morta
agora a receber
uma noticia como
essa! Eu criei uma
filha com tanto
amor e dedicação
para ter uma vida
correta de acordo
com que todo mundo
vê e você...
- Mãe eu
não quero
ter a vida de todo
o mundo. Eu quero
ter a minha vida
e ela só
vai acontecer ao
lado da mulher que
eu amo... -
Amor? Você
não sabe
o que é amor!
Você está
deslumbrada com
ela e quando ela
se cansar de você
vai te descartar
e ai você
vai lembrar do que
eu estou te falando
e... - Não
faz isso mãe!
Por favor!
-... e quando isso
acontecer pode esquecer
que você tem
uma família!
- O que você
que dizer com isso?
- Que eu e os meninos
vamos embora amanha
e você decide
se vai seguir a
sua família
ou uma estranha.
- Mão você
não pode
ir embora! O tratamento
ainda não
acabou e os meninos
estão num
bom colégio.
Você não
tem o direito de
fazer isso com eles!
- Não tenho
o direito... Eu
tenho o direito
que eu quiser! Eles
são meus
filhos e vão
fazer o que eu mandar!
Não quero
ficar nem mais um
dia sob o mesmo
teto que aquela
vadia e... -
Se não fosse
por ela a senhora
estaria morta! E
você já
parou pra pensar
em como estariam
seus filhos?
- Eu não
pedi ajuda pra ela
e torno a repetir...
Eu prefiro estar
morta do que te
ver junto com outra
mulher! - Mãe
já parou
pra pensar no tamanho
do seu egoísmo?
- Eu sou egoísta
Fernanda? Dediquei
minha vida a vocês
e eu sou egoísta?
Sabe, enquanto eu
passei todos esses
anos doente a única
coisa que eu pedia
a deus pra ele me
permitir te ver
vestida de noiva
casando na igreja
e agora você
me fala uma coisa
nojenta dessas...
Mas você decide.
Você escolhe
quem você
vai deixar ver pelo
resto da sua vida...
se é a sua
família ou
aquela vagabunda
que você chama
de namorada... A
escolha é
sua... D Célia
se levantou da cama
com dificuldade
e saiu andando apoiada
no andador deixando
Fernanda pra trás
com seu mundo desabando
sobre ela. Nunca
havia passado pela
sua cabeça
que sua mãe
fosse tão
preconceituosa e
preferisse a morte
do vê-la feliz.
Fernanda se encolheu
no sofá do
quarto da mãe
e se perdeu entre
seus pensamentos
e suas lagrimas.
Só saiu do
transe quando ouviu
Jenny batendo na
porta, mas já
havia tomado a sua
decisão.
Isso fora no
dia anterior e agora
só restava
fazer o que sua
mãe pedia:
Arrumar as malas
para ir para casa.
Um lugar que havia
perdido o encanto
sem Jenny. Seus
irmãos fizeram
perguntas que ela
não soube
responder e depois
de algumas horas
arrumando as malas,
foram de volta para
S. Joaquim.
|
Cheguei
no apartamento já
era tarde do dia
seguinte. Depois
do barzinho fui
para um hotel para
assimilar meus pensamentos
chegando a conclusão
de que Fernanda
em nenhum momento
lutou por nos, talvez
ela mesma tenha
tomado essa decisão
e apenas juntou
o útil ao
agradável:
o tratamento da
mãe e diversão
garantida comigo.
Mas não adiantava
ficar pensando no
que aconteceu. Eu
não queria
respostas. Eu queria
me recuperar do
tombo que levei
e dar um rumo na
minha vida longe
dela e de tudo que
me lembrasse que
um dia eu disse
eu te amo pra alguém.
Na casa não
tinha ninguém.
Peguei minhas coisas
e encontrei uma
carta de Fernanda
sob o criado mudo.
Não me dei
o trabalho de ler,
já sabia
o que estava escrito
ali. Sai de lá
com a vontade de
correr para S. Joaquim
e segurando as lagrimas
que teimavam em
aparecer. Deixei
as chaves na imobiliária
e segui para S.
Paulo. Depois
desse dia minha
vida passou em câmera
lenta: Fiquei dois
meses na cidade
tentando me envolver
num mundo de drogas
e confusão
que eu havia deixado
pra trás,
mas não tive
sucesso: Nada tinha
graça. Nada
chamava minha atenção.
Eu ficava com o
maior números
de garotas que eu
conseguia, fazia
orgias ensandecidas,
mas a cada vez me
sentia mais sozinha
ainda. Mudei de
país. Passei
quase seis meses
na Holanda tentando
me adaptar a outro
povo, mas eu sempre
ouvia a voz de Fernanda
na minha cabeça
toda manhã.
Comecei a fazer
todo o tipo de curso
que eu era capaz
para não
ter tempo de pensar,
mas quanto mais
eu fugia mais a
figura dela aparecia
na minha frente,
nos rostos de outras
pessoas. Cheguei
a beira da loucura.
Emagreci tudo o
que eu podia e surtei
numa manhã
de domingo quebrando
o apartamento onde
estava morando.
Tomei uma dose excessiva
de comprimidos e
uísque, fui
parar no hospital
e somente lá
tive certeza que
eu não sobreviveria
sem Fernanda ao
meu lado.
|
Fernanda
estava sentada na
varanda da casa
enquanto a mente
viajava no passado,
um passado que nunca
mais voltaria a
acontecer e que
só restava
a lembrança
de um amor interrompido
pelas armadilhas
do destino. No dia
que saíra
de Campinas havia
deixado uma carta
para Jenny explicando
a atitude mesquinha
de sua mãe,
mas ela não
se dera nem o trabalho
de responder, nem
um telefonema. Será
que ela tinha caído
em si e visto o
tamanho da “bobagem”
que estava fazendo
sem seus amigos
e as garotas que
a rodeavam? Não
sabia explicar.
Também não
tinha porque ter
explicações.
Jenny havia sumido
e não sabia
onde procurar. Talvez
se tivesse enfrentado
a mãe e lutado
um pouco mais pelo
que sentia talvez
estivessem juntas
agora, se não
tivesse ficado com
medo... mas já
faziam mais de oito
meses e especulações
não iria
mudar nada. Quem
sabe ela já
não tivesse
outra namorada,
e nem se lembrasse
mais dela... Fernanda
havia mudado muito.
As pessoas que a
cercavam notaram
a mudança
de imediato. Não
andava mais com
as meninas da cidade,
trabalhava em uma
loja em Assis e
só aparecia
na sorveteria para
comprar alguma e
ia embora. Não
conversava direito
com a mãe.
Era fria e seca
com ela assim como
outrora ela fora
com os seus sentimentos.
Sua mãe achou
no inicio que iria
passar mas a cada
dia e semana que
passava a situação
ficava pior... Fernanda
havia se trancado
num mundo só
seu e nem seus irmãos
tinham acesso a
ele. E era justamente
neste mundo que
ela estava quando
Diego e mais algumas
pessoas vieram buscá-la
para levá-la
a uma comemoração
de aniversário
na sorveteria.
- Obrigado pessoal,
mas eu não
vou. Não
estou bem. -
Faz muito tempo
que você não
esta bem. E eu não
aceito um não
como resposta. Vamos.
D. Célia
Observou a filha
saindo com os amigos
e rezou para que
tudo voltasse ao
que era antes. Não
queria uma filha
amarga com a vida
e toda noite orava
a Deus para ter
uma chance de corrigir
seu erro.
|
Capítulo
: TODOS TEM UMA
SEGUNDA CHANCE |
Cheguei
em São Paulo
num vôo de
madrugada. Segui
para um hotel para
criar coragem para
fazer o que havia
decidido em Amsterdã,
mas com um oceano
de distancia parece
ser tão fácil
virei uma covarde
nesse tempo. Passei
seis semanas pensando
se deveria ir ou
não. Por
duas vezes peguei
o carro e fui ate
a entrada de s.
Joaquim e voltei.
Não ia suportar
vê-la namorando
Diego ou qualquer
outro garoto. Resolvi
me hospedar em Assis
assim ficaria mais
perto da minha amada.
Depois de cinco
dias estava passeando
pelas ruas quando
algo chamou minha
atenção:
um cabelo ruivo
que estava de costas
para a rua, mas
a pessoa que a abraçou
depois era um velho
conhecido: Diego.
Encostei num poste
do outro lado da
rua e fiquei vendo
aquela cena que
eu tanto temia eles
estavam juntos novamente.
Fernanda estava
um pouco diferente,
mais magra e os
cabelos um pouco
mais curtos, mas
ainda era a minha
Fernanda. Linda
como sempre. As
lagrimas que subiram
aos meus olhos foram
inevitáveis.
Ver o sorriso que
ela estava no rosto
enquanto puxava
a mão de
Diego pra fora e
sumiam na esquina.
Eu ainda me agarrava
na esperança
de ficar com ela
novamente, mas não
queria fazer nenhuma
intervenção
na sua vida. Voltei
para o hotel peguei
minhas coisas fiquei
um tempo pensando
atrás do
volante e dei a
partida. As lagrimas
turvavam minha visão
deixava o carro
ir sozinho. Senti
uma batida no carro
de leve e um monte
de gente gritando
ao redor, num sobressalto
pensei ter atropelado
uma criança.
Desci e corri pra
frente enquanto
uma senhora se levantava
do chão apoiada
por outro senhor.
- A senhora se machucou?
– Perguntei segurando
o braço da
mulher. - Estou
bem foi só
o susto – Dizia
se virando pra mim.
Não podia
acreditar no rosto
que via. D. Célia
me encarava como
se tivesse visto
um fantasma. Com
tantas pessoas no
mundo eu tinha que
atropelar a mãe
da Fernanda. - Eu...
Eu... Eh... – Eu
não sabia
o que falar. Tinha
sido descoberta.
- O que você
esta fazendo em
Assis? – Perguntou
D. Célia
se recompondo.
- Não sei...
Quer dizer... Eu
sei é que...
- Se não
quiser me falar
não precisa.
Mas foi bom você
aparecer. Acho que
minhas preces foram
atendidas. Preciso
muito falar com
você.
- Eu vou tirar o
carro da rua e podemos
ir ali naquele Café.
- Te espero
lá. – Falou
me dando as costas
e andando para o
lugar marcado.
Fiquei olhando D.
Célia se
afastar apoiada
na bengala. Já
estava andando muito
bem e segura. Estacionei
numa rua paralela
e me juntei a ela
na mesa. - D.
Célia eu
estou muito desconfortável
pelo que aconteceu
– comecei sem graça
- e eu queria que
ninguém soubesse
que estou aqui.
- Você quer
dizer a Fernanda?
- Também.
- Eu não
posso fazer o que
está me pedindo.
Ela tem que saber.
- Não tem
porque ela saber.
Também estou
só de passagem.
Vim visitar alguns
amigos que estão
presos numa penitenciaria
aqui perto e...
- A penitenciaria
mais perto daqui
fica a mais de 100k
e dentro desse espaço
tem mais duas cidades.
Ta querendo enganar
quem? - Acho
que eu mesma. Ta.
Eu to aqui pela
Fernanda, mas...
Eu acredito que
ela tenha te contado
o que aconteceu
no passado e...
- Ela me contou
sim. Falou que vocês
se amam. - Amava.
– Corrigi – Mudou
muita coisa dentro
desses meses.
- Quase um ano.
Por que voltou?
- Precisava vê-la
de novo. Mas já
estou indo embora.
- E você a
viu? - Vi. Ela
estava numa loja
com o namorado.
- Que namorado?
- O de sempre. Diego.
- Eles não
são namorados.
- Eu vi eles
abraçados
e saindo de mãos
dadas e... -
Sabe que dia é
hoje? - Não.
- Meu aniversario.
Diego me trouxe
para almoçar
junto com Nanda.
Acho que ela ficou
feliz. Estava só
agradecendo. Eles
se tornaram grandes
amigos. - Eu
não sei não
e... - Tem razão.
Você não
sabe de muita coisa,
Mas eu sei e é
por isso que eu
quero falar com
você. Depois
de uns seis, sete
meses pra cá
todo dia eu peço
a Deus pra ele me
ajudar a consertar
um grave erro e
agora eu tenho a
chance. - O
que aconteceu foi
que... D. Célia
delicadamente pediu
para eu calar a
boca e começou
a me contar tudo
o que aconteceu
desde o primeiro
dia em que ela saiu
do hospital, sua
chantagem com Nanda
a deprê em
que ela entrou meu
sumiço, a
forma como ela caiu
em si da besteira
que tinha feito...
Aquilo tudo foi
me limpando a alma
como se eu houvesse
carregado um fardo
imenso durante anos
e agora isso tudo...
Minha mente trabalhava
em turbilhão
para associar tanta
coisa nova. Eu por
minha vez falei
de todo o que aconteceu
comigo dos surtos
que eu tive, do
tempo que passei
fora do país...
Ficamos conversando
por horas que pareceram
minutos. - Vamos
à loja onde
ela trabalha e quero
vê-la e...
- Ela já
foi embora. Ela
trabalha até
as cinco. Vamos
pra S. Joaquim?
- Vamos claro.
- Você não
está com
raiva de mim.
- Depois eu penso
nisso. – Disse rindo
– Agora não
dá.
Ajudei D. Célia
a subir no carro
já que eu
estava com uma pick-up
e saímos
em disparada rumo
ao meu tão
sonhado destino.
|
Cheguei
em S. Joaquim como
uma louca. D. Célia
quase teve um ataque
de medo pela forma
que eu dirigia,
passamos na casa
dela, mas Nanda
não estava
lá. Deixei
D. Célia
em casa e corri
para a praça
saber se alguém
tinha visto Fernanda.
Não foi difícil
de achá-la:
estava no mesmo
lugar onde há
mais de um ano eu
a tinha visto pela
primeira vez.
A sorveteria estava
um pouco cheia da
molecada que ia
para o colégio
ali perto e de outros
que chegavam do
trabalho. Fernanda
estava no meio de
um grupinho de amigos
conversando animada
enquanto dava um
abraço em
D. Cida. Fiquei
um tempo ainda dentro
do carro criando
coragem para sair
enquanto isso via
olhares sorrateiros
para o carro, mas
o vidro fume me
dava segurança.
Depois de 10 minutos
decidindo ir ou
não ir, desci
do carro com o cu
na mão e
cabeça erguida
indo em direção
a sorveteria.
- É a Jennyfer!
– Ouvi D. Cida falar.
Fernanda saiu
pra fora rápida
ao ouvir o que Cida
havia falado, não
acreditava que depois
de tanto tempo voltaria
a vê-la, mas
era verdade ela
estava ali vindo
em sua direção
olhando fixamente
para seus olhos,
como quem quer hipnotizar,
usando as mesmas
calças e
blusinhas de couro
que ela tanto se
acostumara a ver,
sua Jennyfer.
Cheguei perto
de Nanda e ela ainda
não havia
se movido do lugar.
Eu já tinha
montado toda uma
resposta na minha
mente para qualquer
coisa que ela dissesse
sobre eu estar ali,
mas nada disso foi
preciso porque Fabrício
se adiantou:
- Jennyfer! Que
legal você
voltou! _ Falou
me abraçando
– Veio pra ficar
ou ta so de passeio?
- Já falo
com você queridão.
Meu negocio agora
é com sua
irmã. - Falei
passando por ele.
– Ola – Disse lhe
dando um abraço
- Quanto tempo...
– Disse Nanda baixinho.
- Eu sei. Tenho
um recado pra te
dar: Atropelei a
sua mãe.
- O que? Você
ta falando serio?
Ela esta bem?
- Calma ela ta bem.
Nem precisou ir
no medico.
- É serio?
- É
serio. Conversei
a tarde toda com
ela e quero muito
conversar com você
agora. - Ta.
Vamos ali. -
Não. Vem
comigo. Peguei
a sua mão
e a guiei para o
nosso recanto secreto,
no caminho fui falando
pra ela tudo o que
eu soube da mãe
dela e tudo o que
eu fiz. Fernanda
escutava em silencio
enquanto lagrimas
caiam dos seus olhos.
Deixei que ela digerisse
tudo enquanto me
deliciava com aquele
lugar fantástico:
O lugar onde havíamos
feito amor pela
primeira vez. Ficamos
abraçadas
por um longo tempo,
busquei aqueles
lábios de
mel que embriagavam
há muito
tempo e Fernanda
correspondia com
um entusiasmo que
há muito
eu sonhava. Nos
amamos novamente
naquele lugar com
as estrelas testemunhando
nosso amor e a relva
por baixo de nossos
corpos ardentes
de paixão,
cada parte de Nanda
estava marcada com
o nosso amor.
- Eu te amo – Me
disse baixinho enquanto
respirava fundo
– Te amo demais
e nunca mais suma
assim da minha vida.
-Eu também
te amo, minha ruivinha...
Nunca deixe que
ninguém atrapalhe
o nosso amor...
Depois
daquele dia tudo
se encaixou perfeitamente
em nossas vidas.
Nanda se mudou comigo
pra S. Paulo e D.
Célia e os
meninos continuaram
em S. Joaquim. Ela
ainda fez objeções,
mas Nanda foi firme
com sua decisão.
Viajamos muito em
uma eterna lua de
mel, e foi numa
passagem pelo nordeste
brasileiro que ela
se apaixonou por
uma menina órfã
de pai e mãe
num orfanato na
capital piauiense,
depois disso a adoção
não foi tão
complicado. Amanda
é uma criança
feliz e sadia, com
suas próprias
opiniões.
Compramos a casa
em S. Paulo e Nanda
se formou no ano
passado em psicologia.
Foi no ano passado
também que
eu recebi a visita
mais inesperada
da minha vida: meus
pais. Eles nem sequer
ligaram para falar
que estavam indo,
simplesmente apareceram
em casa e eu não
tive reação
alguma. Meses depois
descobri que foi
Fernanda que foi
atrás deles,
contando tudo o
que tinha acontecido.
Foram muitos anos
de separação
e estamos tentando
reconstruir uma
família novamente.
Minha mãe
adora Amanda e ela
se diverte com os
presentes que ganha
semanalmente da
avó.
“E essa
é minha historia
de amor, minha historia
de vida. Espero
que tenham gostado.
Bem, garotas tenho
que sair da frente
desse computador
agora, Fernanda
está gritando
que nem uma louca
lá embaixo
para eu descer pra
conhecer a nova
babá da Amandinha.
Nos vamos passar
uma temporada na
Europa e tivemos
que arrumar alguém
pra viajar conosco,
mas eu já
até sei como
vai ser esta babá:
Igualzinho a outra
que estava antes.
Uma senhora com
seus quarenta e
poucos anos, solteirona,
do jeito que a Fernanda
gosta. Fazer o que?
Não mando
na casa mesmo.
Com amor Jennyfer”
Desci as escadas
correndo, pois achei
que Nanda ia ter
um ataque enquanto
chamava Amanda para
dentro, quase no
fim dos degraus
tropeço em
uma boneca e caio
no tapete embaixo,
olho para a boneca
que esta com a perna
quebrada devido
ao meu pisão,
apanho a boneca
sabendo que vou
ter que repor o
estragado. Vou em
direção
a sala entretida
com a boneca, tentado
arrumar a perninha
enquanto sou apresentada
a mulher que vai
tomar conta da minha
filha... - Jennyfer!
– Me repreende Fernanda
– Larga essa boneca
e presta atenção.
Olho pra ela surpresa
pela sua bronca
e olho para a nova
babá por
curiosidade, mas
a curiosidade me
deu uma bela surpresa
(alias que BELA).
Ela é lindíssima,
com cabelos ruivos
cacheados caindo
sobre os ombros
um belo par de olhos
verdes, pernas longas
e definidas, um
lindo sorriso e
o melhor de tudo:
essa beldade vai
viajar com a gente.
Desculpa, mas agora
vou conhecer melhor
minha babá,
até mais......
Bjokassssssss
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