Paixão na Relva

Drikka Silva

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2007

 

Ola meu nome é Jeniffer, tenho 32 anos e uma vida perfeita. Tenho duas mulheres que amo de paixão: Minha filha Amanda e minha mulher, amiga, amante e companheira Fernanda. Moramos numa bela casa e temos três cachorros que só dão trabalho e alegria. Tenho cabelos negros e compridos e olhos cinzas profundos. Mesmo com minha idade, mantenho o corpo de 10 anos atrás época em que minha vida era um caos. Vou contar minha história a vocês.

Nasci em berço de ouro meu pai é um respeitado investidor financeiro que trabalha para o governo e minha mãe uma perua desvairada que nasceu na família certa. Muitos dizem que meu pai se casou com o dinheiro dela e não com ela. Meus avôs maternos morreram num acidente de carro e minha mãe com dezoito anos herdou uma das maiores fortunas do país. Sempre tive tudo o que quis, bastava falar com algum assessor ou secretária que eu tinha dinheiro ou qualquer coisa que fosse, não me lembro de ter recebido um beijo de boa noite do meu pai durante toda a minha infância, minhas únicas lembranças são as de minha mãe tentando me vestir como uma bonequinha para apresentar as suas amigas tão fúteis quanto ela. Quando completei 12 anos meus pais julgaram que minha educação não era condizente com o nível social deles e me mandaram para um colégio interno na Europa para aprender como descer de um carro e como me sentar à mesa ( Eu sei que foi a maneira deles se livrarem de mim) achei bom no começo, pelo menos ia ficar longe deles, mas depois aquilo foi me entediando e depois do tédio nasceu a raiva, nasceu o ódio que alimentei com todas as minhas forças: como meus próprios pais podiam fazer isso comigo? Não pedi pra nascer naquela família, não iria me importar se não tivesse dinheiro, carro do ano nem motorista se eu tivesse atenção, se eu tivesse o carinho deles. Comecei a passar esse sentimento que me nutria para outras pessoas, como no colégio só tinha garotas, passei a desobedecer a regras internas e saia dos muros daquela prisão luxuosa para as ruas de madrugada onde me tornei uma pessoa perigosa, articuladora e vingativa. Aprendi tudo sobre lutas e armas, como preparar as drogas que me doparam por vários anos, até que fui transferida para outro colégio dentro da Europa, este somente para adolescentes problemáticos. A educação nesta nova escola era muito mais rígida do que o outro o que me limitou um pouco, mas não o suficiente para que em pouco tempo já tivesse um grupo fiel a mim e as minhas maldades.
Foi numa tarde de Outono que conheci a paixão. Ela era linda. Tinha cabelos ruivos compridos ( meu mal até hoje ) altura mediana e olhos verdes fascinante, seu nome era Guilliana uma italiana de sotaque doce e voz suave. Era também minha nova companheira de quarto, pois a anterior eu dei um jeito dela não me perturbar mais com suas basbaquices, ( Tadinha ela ficou com medo de mim ) enfim ela acabou deixando o colégio. No princípio ignorei sua existência, mas seu perfume sempre me lembrava de que estava ali. Eu sempre havia saído com garotos, mas aquela menina perturbava minha cabeça de uma maneira que resolvi ceder a uma conversa. Ao contrário do que esperava ela era inteligente e versátil com as palavras, então passamos a ter uma forte ligação que ia alem da amizade.
- O que você aprontou pra estar aqui? – Perguntei um dia
- Meu pai me pegou na cama com minha namorada. Ele me julgou anormal.
- Não sabia que gosta de mulher. – Falei sendo pega de surpresa
- É um assunto de que não gosto de falar muito.
- Sente saudades dela?
- Sentia. - Me respondeu olhando nos meus olhos – Agora não mais.
A deixa foi um aviso de beije-me agora, e foi exatamente o que eu fiz. Beijamos-nos com todo o sentimento guardado durante semanas e o que começou com um beijo, se tornou uma erupção de prazer na cama. Guilliana era habilidosa e me levou ao clímax do prazer várias vezes, eu ainda meio desajeitada retribui toda a magia daquele momento. A partir daí nos tornamos amantes insaciáveis, queria estar com ela e tocar seu corpo o tempo todo, mas as pessoas que me tinham como líder se revoltaram contra nós e contaram para a diretoria. Armaram um flagra e acabaram com o nosso conto de fadas, falei que a amava, esbravejei, gritei, chorei, mas não teve acordo e cada uma voltou pra casa, para o seu país, então um oceano passou a separar nossas vidas.
Voltei pra casa, mas nunca mais fui a mesma. Meu pai havia me separado da única pessoa que amava. Não conversava mais com ele e com 18 anos saí de casa e passei a morar sozinha. Ainda contava com parte do dinheiro que receberia até os 21 anos, quando poderia pedir parte da herança que me pertencia, mas até lá fazia meu dinheiro render com negócios escusos. Aprendi me virar nas ruas de São Paulo, a ser conhecida e respeitada, mais pelo medo do que eu era capaz de fazer, do que pelo meu sobrenome. Tinha um grande grupo de “amigos” e duas ou três garotas das quais não amava, apenas tinha prazer sem cobranças de amanhã, elas sabiam disso, ficavam comigo pelo dinheiro e pelo poder que eu tinha sobre as pessoas, também nunca tive ilusões sobre isso.
Minha vida mudou cinco anos depois, um tio de um amigo importante no grupo morreu, então fomos para seu enterro numa cidadezinha no interior de São Paulo.

 

Capítulo : O ENCONTRO


- Puta que o Pariu! – Rosnei descendo do carro – Que lugar é esse? Parece uma cidade... Pacata? – Foi a única palavra que encontrei
- Bem vinda a S. Joaquim! – Me respondeu Ricardo rindo da minha cara – Essa é minha cidade natal.
Ricardo ou Digão como era conhecido era um paria de sua família. Abandonara os pais pequeno, mas ainda mantinha contato com esse seu tio que acabara de falecer. Mesmo indo a um funeral ele parecia que estava prestes a chegar a uma de nossas baladas.
- Cara que porra! – Gritou correndo para uma sorveteria ali perto – Esse lugar continua a mesma merda de sempre!
- Digão ta dopadaço! – Disse Priscila, minha atual namorada me abraçando.
- O moleque não se corrige nem no dia do enterro do tio. – Falei me juntando ao resto do grupo
Estávamos em aproximadamente 15 pessoas, todas trajando as roupas mais estranhas que aquela cidade já tinha visto. Estavam vestido couros e sobretudo, apesar do calor, eu usava um macacão de couro decotado e justo ( mais justo só Deus ) e botas de salto alto, tinha o cabelo preso num rabo de cavalo e maquiagem preta. Priscila vestia uma saia curtíssima com um top, ambos pretos e botas, o resto do grupo não fugia à regra.
Ao entrarmos na sorveteria Digão já estava pendurado no pescoço de uma senhora, juntamos várias mesas e sentamos. Como era dia de sábado o lugar estava razoavelmente cheio e, claro, fomos o centro de vários olhares. Sentei Priscila em meu colo e comecei a beijá-la apenas pela provocação, não senti os olhos negros que me espionavam por detrás do balcão.
- Hei vocês duas – Chamou Digão – Parem com isso e prestem atenção.
- Não me torra Digão. – Reclamei sem tirar a boca do contato com Priscila.
- É sério. – Insistiu ele – Esta é D. Cida Amiga do meu tio. Ela cuidou de mim quando era pequeno.
- E pelo visto não fez um bom trabalho – Respondi analisando a mulher em frente a mesa – Olha no que você se tornou.
- Sempre com um comentário maldoso.
- Olá D. Cida – Cumprimentei.
- Quando se é criança até tento dar uma boa educação – Falou D. Cida sustentando o olhar - Mas quando cresce e começa a andar em más companhias perdemos o controle. Fernanda! – Gritou ela – Venha atendê-los.
Sorri com a audácia da velha. Ela era valente ia gostar de atormentá-la. Voltei minha atenção para Priscila, adorava aquela garota, uma das melhores que já tinha encontrado. Era gostosa na cama e muito sensual fora dela (de boca fechada é claro), e o melhor era que não me cobrava nada. Ouvi uma voz perguntando o que íamos querer, o perfume de Priscila me embriagava, meti o nariz no meio dos seus cachinhos dourados e subi a mão pela sua perna.
- Jenny – Disse com sua voz melodiosa – Não me provoca assim... Sabe que não resisto.
- Relaxa delicia... – Dei uma mordidinha em sua orelha – Não to te provocando. Estou apenas te curtindo.
- A mocinha quer saber o que vamos comer...
- Você...
Com a insistência de Priscila peguei o cardápio à contra gosto e escolhi o nosso lanche (Priscila nunca se decidia sozinha), quando olhei pra “mocinha” dei de cara com uma linda mulher, mal vestido, mas linda. Seu cabelo estava escondido numa touca horrível, mas dava pra ver que eram ruivos (Lembram? Meu mal), e usava um avental que escondia um corpo perfeito. Fiquei olhando pra ela e não tive reação alguma, não sei se alguém percebeu, mas senti que me faltou o ar. Depois de alguns instantes recuperei o bom senso e retomei minha forma fria de ser.
- Dois especial e Coca-cola – Disse jogando o cardápio na mesa em sua direção – E sem demora.
- Há bastante pedidos – Me respondeu com a voz doce – Pode ser que demore um pouco.
- Eu não quero saber. Eu não quero que demore.
- Tudo bem senhora.
Olhei aquela menina se afastar. A visão de costas me deu a exata dimensão de seu corpo: um jeans colado delineava um belíssimo par de pernas e sua cintura fina estava à mostra com uma frente única. Perfeita. Pensei, perfeita.





Capítulo : QUE MULHER É ESSA?


Fernanda se afastou da mesa com os pensamentos longe. Que pessoas estranhas, os trajes estranhos, os gestos estranhos. Ela tinha visto quando eles chegaram. A morena que a tratara com grosseria parecia ser a “toda poderosa” deles. Ela era linda. Nunca tinha visto uma mulher tão fisicamente perfeita. Não era de admirar mulheres, mas ela além de linda, era sensual: tinha um quê de mistério. Fernanda ficou perdida em seus pensamentos até que D. Cida chamou sua atenção para os afazeres.
Depois que Fernanda saiu de nossa mesa, consegui vê-la poucas vezes: ora estava atendendo outra mesa, ora estava no balcão. Vi que ela me olhava sorrateira, conclui que era curiosidade, pois Priscila começou a me fazer caricias tentadoras. Esqueci aquela menina por alguns instantes, mas como o lanche estava demorando, e demora sempre me tirou do serio, fui atrás de D. Cida encontrei as duas paradas perto da porta do banheiro conversando com um garoto de aproximadamente 20 anos. Ao me aproximar ouvi trechos da conversa.
- Meu amor – Dizia o rapaz passando a mão no rosto de Fernanda – Ela vai ficar boa. É só ter paciência.
- Eu quero acreditar nisso – Ela respondeu – Mas a cada dia ela piora ainda mais.
- Desculpe interromper esse momento tão comovente – Disse me aproximando – Mas estou com fome. Meu pedido vai demorar?
- Já está saindo – Respondeu Fernanda enxugando uma lágrima e se afastando.
- Você é sempre tão inconveniente assim? – Perguntou D. Cida se virando.
- Só quando tenho fome – Respondi olhando-a nos olhos.
- A mãe dela esta muito doente – Falou o namorado da Fernanda – Ela está de cama e a Nanda...
- Pode parar por aí – Interrompi – Não me importa o que esta acontecendo com a vida de vocês. Eu só quero comer e ir num maldito funeral e sair dessa cidadezinha medíocre.
- Funeral de quem? – Perguntou D. Cida
- Acho que é um tio do Digão.
- Mas o seu Alfredo foi enterrado ontem em Assis.
- Você esta brincando comigo, né?
- Não tenho tanto tempo quanto você – Me respondeu a velha saindo.
- Digão seu Filho da Puta! Gritei indo em sua direção – Você sabia que o desgraçado do seu tio já foi enterrado em outra cidade?
- Sabia – Me respondeu serio – A Cidoca me contou. Passaram-me o recado errado.
- Que porra! Vamos embora desse fim de mundo!
- Fica fria gata. Não vamos perder a viagem.
- No quê você esta pensando – Perguntei séria. Digão nunca dava ponto sem nó, alias um dos motivos de sua importância.
- Vamos ir lá fora para conversarmos. Sai da sorveteria com Digão e caminhamos até meu carro. Debrucei sobre ele caçando um cigarro de maconha.
- Fala o que você tem em mente. – Disse acendo e puxando um trago.
- Seguinte gata: Abriu um banco novo em Assis, o mesmo do seu, e a segurança ele é falha.
- Como sabe disso? – Perguntei passando o cigarro a ele.
- Um camarada aqui da cidade trampa lá. Ele é meu primo e vai ajudar com uma comissão de 10% do roubo.
- É muito dinheiro, isto é, se o banco tiver bastante dinheiro no cofre.
- É só uma conversa informal. Ele vai aceitar qualquer coisa.
- Tenho que ver o banco antes. – Disse puxando um ultimo trago do cigarro.
- Podemos ir na segunda – feira, se quiser. A Pri ta vindo.
Olhei na direção da sorveteria, Priscila vinha em nossa direção com outra garota do grupo.
- Amor você não vai voltar? – Ela me perguntou – Sinto sua falta...
- Depois eu vou. O que você quer Camila? – Perguntei a outra garota.
- Um cigarro de maconha.
- Não.
- Por favor! Dá um pra gente! – Pediu Priscila.
- Eu não to a fim de ouvir suas basbaquices então sumam da minha frente! – Falei perdendo a paciência.
Assim que se afastaram Digão começou a rir da minha cara.
- Cala a boca seu puto! – Disse rindo também – A Priscila é foda cara!
- Ela á uma vadia gostosa, isso sim!
- Sem duvida a mulher é boa de cama, mas é muito retardada também. Estou quase largando dela. Voltando ao banco, vamos lá na segunda-feira.
- Fechado.





Capítulo : SENTIMENTOS...


Digão voltou para a sorveteria e eu fiquei encostada no carro observando a cidade. Era um lugar pequeno e tranqüilo com uma praça grande no centro e vários pontos comerciais ao seu redor. Havia uma rodoviária e um posto de gasolina no canto esquerdo e um supermercado e uma escola no canto direito. Algumas lojas ainda estavam abertas e pessoas transitavam pelo lugar. Olhei para a sorveteria e Fernanda saia de mãos dadas com o namorado. Estava sem o horrendo uniforme, então pude contemplar seus cabelos ruivos e longos que caiam majestosamente sobre seu ombro e ia bater na cinturinha que parecia mais fina ainda. Vinham em minha direção, fiquei tímida na hora (algo que nunca me acontecera) e baixei a cabeça. Passaram por mim e foram na direção do mercado: os segui com o olhar até que os perdi de vista.
Aquela noite passou tranqüila. Tinha um motel na cidade e foi pra lá que fomos além de Priscila chamei outra garota do grupo para passar momentos memoráveis (se é que me entede), Priscila como uma boa vagaba sempre gostei de putaria, eu por minha vez, nunca dispensei, mas naquela noite só consegui imaginar Fernanda em minha cama.
Quando acordei, isso aproximadamente meio dia, voltei para a sorveteria para um café da manhã. Digão e metade do pessoal já estavam lá. Procurei Fernanda com os olhos , mas não encontrei. O resto da tarde passou sem incidentes, depois de algum tempo para a praça cheirar e depois para uma cidade vizinha bagunçar um pouco. Chegamos de volta lá pelas 22,00 da noite, pois naquele maldito pedaço de mundo tudo fecha cedo aos domingos. A sorveteria ainda estava aberta e com bastante movimento: havia musica de um karaokê e muita gente na praça. Parei o carro na entrada e me encostei nele com Priscila a minha frente enquanto a mulecada ia pedir bebidas. Usava uma calça jeans preta folgada e regata da mesma cor com um boné. Puxei Priscila para um longo e gostoso beijo e ficamos assim até que uma voz linda começou a cantar uma musica triste. Afastei Priscila e entrei no lugar procurando a doce voz até que dei de cara com o anjo que cantava. Fernanda. Linda num vestido simples de algodão florido de alças. Ela pareceu sentir minha presença, pois se virou pra mim fazendo um delicioso movimento com o cabelo. Ficamos nos olhando e o tempo pareceu parar e ela cantava só pra mim. Não havia mais ninguém naquele lugar só nos duas e a musica de amores perdidos. Queria que aquele instante de magia não terminasse nunca, mas Priscila me enlaçou por trás me lembrando qual era meu mundo. Saí da sorveteria deixando Priscila pra traz e entrei no carro e sai em disparada.

 

Capítulo : UM POUCO DE FERNANDA


Fernanda era uma garota de dezoitos anos doce e gentil. Todos na cidade gostavam dela. Sempre prestativa e presente. Não tinha noção da sua beleza e isso e a tornava mais atraente. Tinha dois irmãos mais novos: Fabrício de 15 e Fabiano de 13 anos. Seu pai saíra de casa quando ela tinha 14 anos e desde então sua mãe entrara em profunda depressão desenvolvendo uma doença letal. Fernanda passou a trabalhar fora e a sustentar a casa. Trabalhava na sorveteria de D. Cida há um ano e dava aulas de dança na academia da cidade três vezes por semana, espaço que a proprietária havia cedido a ela devido a sua situação. Namorava com Diego há três anos: gostava dele se sentia segura com ele, mas não o amava. Não se permitiria passar pelo que a mãe passou. Quando Fernanda achou que a vida ia começar a melhorar sua mãe teve outra crise e Diego fora avisá-la na sorveteria. D. Cida tinha dispensado e ela foi para casa cuidar da mãe. Saiu de mãos dadas com Diego e seguiram no sentido da praça. Fernanda viu jenny encostada no carro olhando em sua direção sentiu uma coisa estranha no estomago e gelou na mesma hora. Não entendia porque ficava assim perto dela. Respirou fundo e procurou disfarçar para Diego não perceber. Passaram por ela e seguiram para a farmácia. No domingo passou o dia em casa pensando em como ia conseguir dinheiro para o tratamento e equipamentos hospitalar. Lembrou de Jenny, parecia não ter preocupações, dirigia carro importado e tinha uma vida sossegada Sentiu uma pontinha de inveja. Naquela noite sua sogra foi ficar com sua mãe para ela poder espairecer um pouco, foram para a praça e Cida liberou o karaokê. Adorava cantar. Era um modo de esquecer suas dores. Enquanto cantava sentiu um olhar penetrante em suas costas, se virou e viu Jenny. Naquele instante perdeu a noção de espaço e lugar. Não conseguia desviar o olhar era como se fosse um imã. O rosto sem a maquiagem preta revelava ainda mais suas belas feições. Só se deu conta de Priscila quando esta abraçou que Jenny que saiu logo em seguida. O momento de magia terminara. A musica acabou e ela voltou para os braços de Diego.





Capítulo : A DOENÇA


Eu não conseguia pensar direito. Aquela garota me tirava o fôlego, como se todas as barreira que eu levei anos para construir ao meu redor não existissem perto dela. Eu ainda podia ouvir o som de sua voz em minha cabeça: Doce e suave assim como ela. Estava me odiando por me permitir sentir algo, mas era mais forte do que eu. Andei sem rumo até encontrar uma clareira no alto de um morro. Parei o carro e desliguei os faróis. A visão era espetacular. Não havia nada a não ser o som da mata e uma lua perfeita. Elegi aquele lugar como meu recanto secreto. Baixei a capota e dormi olhando para o céu procurando uma estrela tão bela quanto Fernanda.
Acordei pela manha com o sol batendo em meu rosto. Liguei o carro e fui direto para a sorveteria. Digão me esperava sentado num banco da praça. Estava irreconhecível com calça e camisa social, todos os seus brincos e pirciengs Haviam sumido.
- Por onde andou sua louca? – Perguntou vindo em minha direção.
- Bom da pra você também. – Respondi – Andei por ai.
- A Priscila ta botando um ovo pelo seu sumiço.
- Ela é muito dramática. Vamos ate a sorveteria? Preciso tomar café.
- Não só um café, mas um banho também. Sua cara está horrível. Parece que dormiu no carro.
- E dormi.
- Catou alguma garota da cidade?
- Por que pra você tudo tem que ter mulher?
- Porque você não vive sem um bom rabo de saia. É pior do que eu que sou homem.
- Você é que é fraquinho. – Respondi zombando da sua cara.
Entramos na sorveteria e sentamos no balcão. D. Cida saiu da cozinha secando a mão em um avental.
- Bom dia. O que vocês vão querer? – Perguntou seria.
- Cadê a Fernanda? – Me escapuliu a pergunta.
- Por que quer saber? – Perguntou a velha desconfiada.
- Não posso saber? – Rebati a pergunta.
- Ela não vem trabalhar hoje. A mãe foi internada.
- O que ela tem? – Perguntei com genuína curiosidade.
- Ela sofreu um derrame a alguns anos. Por conta disto desenvolveu outras complicações.
- Caramba!
- E o que vai querer?
- Onde ela está? – Ignorei sua pergunta.
- Por que quer saber dela?
- Eu tenho coração D. Cida. – Disse com sarcasmo – Me importo com as pessoas.
- Principalmente se for novinha e bonitinha.
Não consegui conter o riso. Aquela velha era muito espertinha.
- É serio. Não precisa vir com quatro pedras nas mãos. Onde ela está?
- Você consegue ser simpática? Não acredito!
- A senhora está me enrolando!
- Ela está no hospital de Assis.
- Obrigado – Respondi me levantando – Vamos Digão.
- Não vão querer nada? – Perguntou D. Cida sem entender nada.
- Ah é. Café da manha completo. Por favor.
Depois do café, passei no motel para trocar de roupa e acalmar Priscila. Segui para Assis com Digão para ver o banco que ele havia dito anteriormente. Quando saímos de lá, ficamos dando voltas pela cidade. Minha vontade era de ir ao hospital, mas com Digão ao meu lado não me senti a vontade. Nunca escondi nada dele, mas com Fernanda era diferente. Ela não era qualquer vagabunda que eu pegava na rua. Ela era especial.
O banco que íamos “fazer” era realmente fácil. Não tinha um bom sistema de segurança. Por sorte eu tinha conta nele então fiquei conversando com o gerente enquanto Digão observava o lugar. Resolvemos que seria dali a dez dias, quando Digão voltasse de S. Paulo com armamento e pessoal. Isso me dava mais tempo para desejar Fernanda.
Naquela noite Digão voltou para S. Paulo com o resto do pessoal que viera junto. Despachei Priscila junto com ele. Ela não quis ir, chorou, gritou mas dei um jeito de convence-la. Queria passar esse tempo em outra companhia.

 Depois que todos foram embora, fui para o meu recanto, fiquei ali até tarde sem pensar em nada. Voltei para o motel quase amanhecendo. Quando acordei já era a parte da tarde e fui para a praça tomar um pouco de sol. Deitei em uma das mesinhas de cimento que havia ali, depois de algum tempo ouvi um burburio vindo da sorveteria; Vi Fernanda sentada numa mureta chorando no ombro de Diego. Aquilo não era da minha conta voltei a deitar tentando esquecer, mas a visão de Fernanda chorando me perturbava mais que o normal. Levantei-me e fui ate lá. Passei por eles e fui ter com D. Cida que estava sentada em uma mesa com a cabeça apoiada nas mãos. Havia mais duas garotas com ela.
- Olá D. Cida – Disse baixinho me aproximando.
- Oi. Meninas vêem pra jenny o que ela quiser.
- Na verdade eu quero falar com a senhora – Respondi com cautela – Em particular.
Me sentei na cadeira que fora desocupada por uma delas. Peguei em uma de suas mãos. Era evidente que havia chorado.
- O que aconteceu D. Cida?
- Célia entrou em coma.
- A mãe da Fernanda? - Perguntei sabendo a resposta.
- É. O Diego estava lá. Veio avisar.
- O que os médicos disseram?
- Eu na verdade não sei direito. O Diego é que sabe. Eu só sei que eu acho que desta vez ela não escapa. È a sua pior crise e nunca tinha estado em coma antes. E o pior é que agora ela precisa ser removida para um hospital maior e Fernanda não tem dinheiro pra isso.
- Eu lamento – Disse me levantando.
Eu na era muito boa com as palavras numa situação delicada como esta. Não conseguia expressar meus sentimentos, há muito havia bloqueado essas emoções da minha vida. Andei até o lugar onde Fernanda estava. Não chorava mais. Havia sido convulsionada pelo próprio choro.
- Ola Fernanda – Disse tímida – Oi Diego.
- O que você quer? – Perguntou ríspido.
- Conversar com você.
- Agora não dá. Não está vendo a situação.
- Eu posso falar na frente da Fernanda, mas acho vai ser pior.
- Vamos até ali – Disse apontando para a rua – Já volto amor.
- O que você quer?
- Quero saber do estado da D. Célia.
- Isso não é da sua conta. Foi você mesma que disse isso.
- Disse, mas mudei de idéia. A situação é mais curiosa... Mas enfim, talvez eu possa ajudar.
- Ajudar com o quê? As drogas de que ela precisa não é cocaína ou maconha.
- Escuta aqui moleque! – Estava perdendo a paciência - - Não me importa o que você pensa de mim, mas vai ser uma tremenda estupidez sua recusar minha ajuda! Não é dinheiro que ela precisa? Eu tenho dinheiro mis do que suficiente para pagar as despesas. É só me dizer do que precisa.
- Não precisamos de nada seu! Ouviu?! Nada! - Ele me respondeu alterado batendo em retirada.
Diego pegou Fernanda e os dois entraram na sorveteria. Fiquei observando os dois sumirem, peguei o carro e fui para Assis.
O hospital não era difícil de encontrar: havia apenas um publico na cidade. O difícil foi conseguir falar com o médico de D. Célia. Primeiro eu não sabia o nome dela completo e segundo não era da família. Consegui me reunir com ele depois de uma espera de duas horas. O Dr. Santiago disse que eram necessários uma remoção e um tratamento especifico que ficaria caríssimo ao bolso de Fernanda. Pedi para vê-la e ele me acompanhou até a ante sala da UTI. Fiquei olhando-a através do vidro, estava tão frágil e magra. Peguei o telefone do Dr. e fui embora.

 

Capítulo : A PROPOSTA


Cheguei em S. Joaquim já estava anoitecendo, fui falar com D. Cida para encontrar um lugar descente para ficar. Recebi a indicação da pensão do S. Manuel, um simpático senhor de 65 anos. Depois de instalada minha prioridade eram roupas e acessórios pessoais. Vi Fernanda de longe, mas não me aproximei, pois ela estava rodeada de amigos. No outro dia levantei e fiquei dando voltas pela cidade a pé pra conhecer melhor o lugar. Depois de algum tempo vi Fernanda sentada na varanda de uma casa chorando sem parar. Não me contive e fui até ela.
- Posso? – Perguntei apontando o lugar ao seu lado.
Ela apenas balançou a cabeça consentido.
- Eu lamento pela sua mãe.
- Obrigado.
- A D. Cida me contou tudo o que aconteceu. Não há nada que possa ser feito?
- Não mais. Mas já estou me conformando esperando o pior.
Fernanda recomeçou a chorar copiosamente a única reação que tive foi abraçá-la, queria protegê-la de toda a dor. Seria maravilhoso te-la em meus braços se não fosse a circunstancia. Fiquei sentindo seu perfume por um longo tempo até que Diego a arrancou de mim de uma maneira grosseira. Voltei para a praça e fiquei sem saber o que fazer. Não queria que Fernanda sofresse, eu podia arrumar o dinheiro que ela tanto precisava, mas isso significaria um envolvimento e isso não queria de maneira alguma, afinal só ficaria ali por mais dez dias. Me sentei perdida em meus pensamentos não percebi que lágrimas rolavam no meu rosto até que senti uma mão em meu ombro.
- Está tudo bem? – Perguntou D. Cida se sentando também.
- Acho que sim – Respondi secando os olhos com as mãos.
- Certeza?
- Não.
- É a Fernanda?
- Por que a pergunta?
- Eu sei que você se importa, mesmo que você minta pra si mesma.
- Eu queria ajudar, mas não sei como. Acho que me tornei fria demais para ter sentimentos.
- Isso não é uma demonstração de frieza. Você quer ajudá-la. Só não sabe como.
-D. Cida eu me sinto muito a vontade para falar com a senhora. Eu tenho condições de ajudá-la com o que ela precisar, mas eu não quero me envolver, minha vida é outra, meu mundo é outro. Não sei o que acontece comigo, esse lugar está me fazendo ter emoções que a muito eu havia excluído da minha vida. Eu não sei se consigo ter amor próprio, como vou amar outra pessoa?
- A Fernanda mexe com você não é?
- Eu tenho a Priscila.
- Não foi isso que perguntei.
- A Fernanda é um equivoco momentâneo que vai passar. È só eu encontrar uma outra mulher mais bonitinha.
- Eu moro nessa cidade faz mais de 40 anos. Vim pra cá quando ainda era uma criança, apesar da minha idade ou deste lugar. Eu sou, como vocês dizem “antenada” com o mundo moderno, se você nutre algum sentimento por Fernanda lute por ele, mas sem faze-la sofrer ela não é um brinquedo.
- Esse é o problema D. Cida, todos que se aproximam de mim sofrem. É como se eu fosse um imã de problemas. Eu não quero fazê-la sofrer e é justamente por isto que não quero me envolver.
- você já parou para pensar que já está envolvida?
- E é por isso que estou me odiando.
- Faça o que seu coração mandar. Mas não se esqueça que só você pode mudar a pessoa em que o mundo te transformou.
D. Cida se afastou enquanto eu a observava ela havia se mostrado uma pessoa maravilhosa me dizendo coisas legais e se importando comigo e com os meus sentimentos. Não me lembro de alguém ter se preocupado dessa maneira e isso despertava outro sentimento que não estava disposta a alimentar. Fiquei ainda um longo tempo pensando até que me surgiu uma idéia de que todos me odiariam e eu teria Fernanda. Me senti mais leve e fui colocar meu plano em ação. Encontrei Fernanda na sorveteria com Diego e mais alguns amigos.
- Fernanda eu quero falar com você – Disse me aproximando.
- Ela não tem nada pra falar com você – Se intrometeu Diego.
- Eu não to falando com você seu imbecil! – Respondi com uma calma perigosa. Voltei a Fernanda – Se quiser sua mamãe viva e estiver disposta a tudo por isso aparece na pensão. Vou te esperar.
Sai da mesa sem esperar uma resposta. D. Cida que olhava de longe veio falar comigo.
- O que você está fazendo?
- Seguindo seu conselho – Respondi saindo para a rua. Segui direto para a pensão entrei no chuveiro para um longo banho. Depois de algum tempo ouvi bater na porta. Mesmo sem atender já sabia quem era. Me enrolei na toalha e fui abrir a porta.
- Olá Fernanda. Cadê seu cão de guarda? – Perguntei me referindo a Diego.
Fernanda ficou parada na porta sem ter nenhuma iniciativa. Jennifer estava linda enrolada numa toalha com os cabelos molhados e rebeldes. A visão que tinha era maravilhosa!
- Vai ficar parada me olhando ou vai entrar. Estou com frio. – Eu falei arrancando-a de seus pensamentos.
- Desculpe – Respondeu Fernanda entrando – Como pode me ajudar? Eu faço qualquer coisa pela minha mãe.
- Qualquer coisa mesmo?
- Qualquer coisa.
- Ok. Falei com o Dr. Santiago e ele me passou todos os procedimentos que tem que ser feito com sua mãe. Me passou também os valores – Fiz uma pausa acendendo um cigarro. – Faremos então um acordo: Eu te dou o dinheiro e absolutamente tudo que ela precisar e você sai comigo durante todo o tratamento dela. O que me diz?
- Sair com você? – Perguntou Fernanda desconfiada.
- Isso significa se livrar de Diego e ir comigo para onde eu quiser e, claro , fazer tudo o que eu quiser.
- Eu vou ser... ah... Como sua amante?
- Isso mesmo. Minha amante.
- Eu não posso me livrar de Diego. Eu gosto dele.
- Você gosta, não o ama. Acredito que ame mais sua mãe.
- Com certeza, mas o que você está me pedindo é um absurdo!
- A vida é um absurdo minha florzinha. Você só tem que se adaptar a ela.
- Isso é chantagem emocional!
- É minha proposta. Pegar ou largar.
Fernanda desabou em uma poltrona pensativa. Era a vida de sua mãe em jogo Diego teria que entender. Era uma oportunidade única em sua vida de salvar sua mãe. E talvez não fosse tão ruim ir para a cama com uma mulher, ainda mais sendo essa mulher a Jennifer.
Fiquei sentada na cama observando as reações de Fernanda, estava com uma expressão de desafio. Nos olhamos por um longo tempo e ela se levantou e veio em minha direção soltando o cabelo, sentou em meu colo, isso me arrepiou o corpo todo.
- Começo o meu pagamento agora? – Perguntou mordendo minha orelha.
Não respondi apenas a puxei para a cama rolando por cima dela e nossas bocas famintas deram inicio a nossa historia de amor.

 

Capítulo : O COMEÇO DE TUDO


Fernanda experimentava uma sensação nova em sua vida. Nova e maravilhosa. Nunca havia beijado uma mulher antes e sentir a língua de Jenny explorando cada milímetro da sua boca era delicioso, despertava outras sensações em seu corpo, coisa que nunca acontecera com Diego. Sentiu a mão de Jenny dentro da sua blusa se apossando dos seus seios. Cada centímetro do seu corpo dizia sim, mas tinha de recobrar a consciência.

Fernanda era uma delicia! Deleitei-me com seus lábios carnudos que correspondiam aos meus beijos com uma voracidade que me surpreendeu. Achei que teria uma maior resistência. Passei a mão por todo o seu corpo invadindo sua blusa, a pele macia estava toda arrepiada, o bico dos seus seios redondos e perfeitos estavam durinhos. Abandonei a boca e desci pelo seu pescoço, abri os botões da sua blusa e abocanhei cada seio como se fosse um presente dos deuses. Alternava de um para o outro com carinho, com fúria. Fernanda gemia de prazer. Me livrei da toalha e comecei a tirar sua calça.
- Para... Nós temos que parar... – Ela murmurou tentando me deter.
- Não gata. Agora não – Respondi enquanto me livrava das suas mãos – Eu quero você inteirinha...
- Não... Por favor,...
- Fala que não esta gostando...Diga que não me quer...
- Eu...Eu...Eu não posso... Por favor,...
Se fosse outra ocasião, com uma outra pessoa não iria parar. Nunca saia de um quarto sem ter o que eu queria, mesmo que isso significasse apelar para a violência, mas, jamais teria coragem de levantar a mão Fernanda. Ela era ( e ainda é ) muito especial pra mim.
- Ok. Você venceu – Disse rolando pro lado.
- E se quando você tiver o que quer, não cumprir com sua palavra – Disse Fernanda colocando as roupas que consegui tirar.
- Minha palavra é uma só. Mas tudo bem. Quanto mais você complicar, pior vai ser pra você.
- Mas... Jenny eu vou fazer tudo o que você quiser, mas eu tenho que ter segurança.
- Então vai ter que confiar em mim.
- Amanhã depois que eu sair da Cida, venho pra cá.
- E quem disse que vai trabalhar na Cida mais?
- A sorveteria é meu ganha pão. Como vou me alimentar e dar de comer aos meus irmãos? Eu não posso parar de trabalhar!
- Pode e vai. Eu quero você a minha inteira disposição. Não quero ter horários para te ver. Agora, você vai ter de tudo, mas seus irmãos não são um problema meu.
- Mas eles são responsabilidade minha. Eu não posso ficar sem trabalho! Eles dependem de mim!
- Gata vamos resolver isso depois se você quiser, agora eu vou me vestir e vamos na Cida.
- Isso vai se tornar publico?
- Algum problema?
- É claro! Ninguém iria entender, muito menos aceitar! O que eu estou fazendo é prostituição. Eu estou me vendendo a você. Por favor! Eu farei de tudo, mas não deixe ninguém saber. Eu te imploro! – Fernanda estava à beira do desespero.
- Ok, ok. Tudo bem – Disse abraçando-a – Calma... Vamos com calma! Agora vamos comunicar a Cida que você não vai trabalhar lá mais, depois vamos para o hospital conversar com o medico e fazer a visita da noite tudo bem?
Fernanda apenas assentiu com a cabeça. Fiquei comovida, mas não iria demonstrar meus sentimentos. Chegamos na sorveteria e havia bastante pessoas no lugar que ficaram olhando e cochichando quando viram Fernanda descer do carro. Diego veio em nossa direção.
- O que você queria com ela? Nanda você está bem? Ela te fez alguma coisa?
- Garoto você acha que sou uma gangster maluca que sai por ai ameaçado e batendo nas pessoas? Se liga moleque - Falei irritada – Te espero lá dentro Fê.
Fernanda ficou olhando Jenny entrar na sorveteria e cumprimentar D. Cida enquanto Diego falava como uma matraca. Os próximos minutos mudariam sua vida pra sempre ela sabia disso, mas não estava triste nem melancólica. Já não sentia a mesma empolgação por ele como no inicio do namoro. Haviam terminado algumas vezes, mas sempre tinham voltado e a sua nova chance era dada pela pessoa que ironicamente iria aprisioná-la.
- Diego... – Começou procurado as palavras certas – Você sabe que eu faço tudo pela minha mãe. Ela é a pessoa mais importante pra mim...
- Eu sei disso, mas o que...
- Deixa eu falar é muito dificil pra mim. Bom... Eu não posso te explicar com todos os detalhes agora, mas tudo o que eu estou fazendo e vou fazer é pelo bem dela.
- Então...
- Diego, por favor!
- Desculpe.
- Eu preciso de um tempo durante o período de recuperação dela.
- Recuperação... Tempo... Do que você esta falando?
- Eu não posso te explicar agora, a única coisa que eu te peço é um tempo. Se você sente algo de verdade por mim, me dá esse tempo sem fazer perguntas, por favor.
- O que a jennyfer tem haver com isso?
- Sem perguntas. Eu prometo que te explico tudo depois, mas agora é só um tempo.
- Eu não acredito em tempo e você sabe disso. Você quer terminar tudo não é?
- Eu preciso que você confie em mim.
- Como posso confiar se você não me diz o que é.
- Porque eu não posso!
- Então não me peça isso – Finalizou se afastando.

Estava bebericando uma coca – cola quando vi Diego se afastando; Deu para perceber pelas fisionomias triste que haviam terminado. Fernanda e entrou na sorveteria e veio direto pra mim.
-Cadê a Cida? – Perguntou se aproximando.
- Ela está servindo alguma mesa. Quer alguma coisa?Algum lanche, suco, sorvete, eu...
- Eu já falei com o Diego – Ela me respondeu ignorando a brincadeira – Eu já comecei a fazer minha parte.
- E ele?
- Reagiu muito mal. Talvez quando estiver com a cabeça mais fria me procure.
- E você?
- Fiquei triste. Eu gosto dele e não queria que fosse dessa maneira.
- Uma outra coisa que eu não te disse é que se rolar alguma recaída entre vocês vai ser como se nós duas terminássemos e isso significa rompimento total. Certo?
- Não vai acontecer nada disso.
- Fico mais tranqüila. Não tolero ser enganada. A Cida está vindo. Fala Cidoca! – Falei me levantando – Senta aqui que a Fernanda tem algo para te contar.
- O que foi Fernanda? Algum problema?
- Não Cida. Eu consegui o tratamento da minha mãe, então eu vou precisar de todo o tempo pra ela, para acompanhar sua recuperação.
- Jennyfer, você...
- D. Cida meu coração não e tão bom. Depois a Fernanda te explicar melhor nosso acordo. Agora temos que ir.
- Vão ao hospital?
- Sim e estamos com pressa – Falei pegando a mão de Fernanda e puxando-a pra fora.
A viagem até Assis seguiu tranqüila. Fernanda foi calada o trajeto inteiro. Respeitei seu momento de silencio. Tenho certeza que naquele momento estava passando um turbilhão em sua cabeça. Assim que chegamos Fernanda foi ver a mãe e eu fui atrás do médico. Encontrei ele em sua sala.
- Dr Santiago... Com licença.
- Pode entrar.
- Não sei se lembra de mim. Meu nome é jennyfer e estive aqui ontem falando sobre o caso da D. Célia...
- Claro. Sente-se.
- Eu vim para conversarmos sobre os procedimentos a serem tomados para dar inicio ao tratamento.
- A família conseguiu o recurso necessário?
- Isso é uma questão particular, mas a filha dela está aqui e logo vem autorizar.
- Claro. Vou preparar a papelada de transferência. Começa da seguinte maneira...
Passamos os minutos seguintes discutindo sobre os procedimentos e formas de pagamento. Fernanda chegou 20 minutos depois e assinou alguns formulários. Liguei do proprio hospital para o banco pedindo algumas transferências. Saímos de lá já era noite, voltamos para S. Joaquim e levei Fernanda direto para casa. Ela estava muito mais tranqüila e isso se refletia em seu rosto. Estava com um sorriso lindo.
- Jenny... Obrigado.
- Você fica linda sorrindo – Falei acariciando seus lábios – Devia sorrir mais.
- Eu não tinha muitos motivos para sorrir. Obrigado por me dar um.
Fiquei olhando aqueles olhos negros brilhantes que me analisavam, levantei a capota do carro e a puxei para os meus braços envolvendo-a num longo beijo.





Capítulo : O COMEÇO DA DOR


Acordei já era mais de meio dia, depois que deixei Fernanda em casa fui para o meu cantinho favorito e por ali fiquei até tarde. Minha cabeça não parava de pensar maluquices do tipo comprar uma casa ali e ter uma vida tranqüila com Nanda, mas ao mesmo tempo a realidade me fazia lembrar do que eu estava fazendo, que Fernanda estava comigo literalmente pelo dinheiro e que eu mesma havia imposto isso. Pela primeira vez essa certeza do pleno interesse me incomodou, tinha que fazer o impossível para não alimentar falsas esperanças, afinal eu conhecia a garota a menos de uma semana e já estava envolvida até o pescoço com ela. Um sentimento agora só iria piorar a situação.
Procurei Fernanda na casa dela e uma vizinha informou que tinha visto ela indo para a sorveteria, disse também que Diego estava com ela. Aquilo me incomodou mais do que eu pensava. Segui andando e encontrei-a na praça com Cida e Diego.
- Boa tarde – Cumprimentei irônica me sentando no banco ao lado.
- A Fernanda estava contando do que você está fazendo por ela – Começou Cida – Legal ela trabalhar pra você.
- Trabalhar pra mim?
- É. Ela não é como uma secretária pra você?
- Uma secretaria? É isso que você esta falando Fê?
- Jenny...
- Não é isso Fernanda? – Perguntou Diego desconfiado – Por que você não falou antes?
- É mesmo porquê? Se você é apenas minha secretaria poderia ter contado a ele.
- Jenny... – Fernanda me olhava preocupada – Eu...
- Já sei. É porque eu pedi a ela que não se tornasse publico afinal não se paga tanto para uma simples secretária, sem contar também nas viagens que vamos fazer...
- Viagens? Não falou de viagens antes – Observou D. Cida.
- É que não é certo ainda. Não é Jenny?
- É. Poucas coisas são certas hoje em dia.
- O que quer dizer com isso? – Perguntou Diego.
- Nada. Vamos minha secretária – Falei rindo – Temos que fazer compras, afinal secretaria que se preze tem que estar sempre linda. Tchauzinho.
Deixamos Cida e Diego sem entender muita coisa e fomos para a pensão. Fernanda ia vermelha ao meu lado. Parecia brava.
- O que foi minha secretaria? Parece brava.
- E estou. Minha desculpa era perfeita e você estragou tudo.
- Nós só vamos ficar aqui por mais uma semana. To pouco me importando para o que as pessoas vão falar. Se você quer assim tudo bem, mas não me inclua nas suas mentiras.
- Como assim? Vamos ficar só mais uma semana?
- Vai rolar um lance em Assis daqui a oito dias e depois disso vou embora daqui e como o tratamento da sua mãe não vai terminar até lá, você vai comigo.
- E meus irmãos?
- Boa pergunta. Cadê eles? Eu estou na cidade há cinco dias e ainda não os vi.
- Eles estão na casa da minha tia em Ribeirão Preto. Vão chegar no próximo sábado.
- Eles não podem continuar lá?
- Ela não tem condições de mantê-los. É muita despesa pra ela. Eles estão lá só passando um tempo por causa da minha mãe.
- Quando eles chegarem vamos discutir isso.
Terminamos o trajeto em silencio e quando chegamos na pensão, S. Manuel estava conversando com a mulher que me dera a informação do paradeiro de Fernanda. Eles não perceberam nossa presença.
- Eu estou realmente preocupada com a Fernanda! Imagina se ela vira uma dessas pessoas! – A mulher falava como se houvesse tido uma tragédia.
- Nem me fala D. rosa! Mas a Nanda é uma menina boa...
Fiz sinal de silencio para Fernanda e nos escondemos para que eles não nos vissem.
- Mas o dinheiro mexe com a cabeça das pessoas, principalmente se você precisa dele.
- Mas a Fernanda não é desse tipo. Pelo menos eu acho.
- Então porquê ela chegou com aquela outra de carro e ainda ficou um tempão com ela lá dentro pra ninguém ver. Quando saiu estava toda feliz?
- A Cida falou que a Jennyfer vai pagar o tratamento da mãe dela. Não era pra ela estar feliz?
- E porque ela terminou com o Diego?
- Não sei. Também não quero saber. A vida é da Nanda. È ela quem decide.
- Já imaginou se a Fernanda se torna uma sapa...
Entrei na sala derrepente para que ela não terminasse a frase. Fernanda veio atrás de mim.
- Ola tudo bem? – Perguntei enquanto os dois me olhavam atônitos – Algum problema?
- Não – Apressou-se em responder S. Manuel – Faz tempo que vocês estão ai?
- Era pra ter?
- Não.
- Que bom. Vamos subir. Se alguém perguntar por nós, você diga que não sabe.
- Ta certo.
Fernanda começou a subir as escadas na minha frente. Parei no meio e me virei para onde eles estavam.
- Ah! D. Rosa, já ia me esquecendo. Vai procurar alguma coisa pra fazer melhor do que ficar falando da vida dos outros.
Terminei de subir e encontrei Fernanda parada na porta do quarto com as mãos na cintura. Aquela carinha de menina nervosa me tirava do serio.
- O que eu te disse? Já começaram a falar. Daqui a pouco minha vida vai se tornar publica e todo mundo vai saber o que estou fazendo...
Fernanda falava sem parar enquanto eu abria a porta do quanto e entrava ela veio logo depois de mim ainda falando com as paredes.
-... E quando a minha mãe ficar boa, ela vai falar um monte de besteiras...
Assim que Fernanda entrou fechei a porta atrás dela e a joguei contra a parede prensando-a com minhas pernas e rasgando sua blusa enquanto beijava seu pescoço.
- Jenny...
- Agora para de falar... Vamos dar um motivo concreto para eles falarem. Eu quero você tanto que chega a doer... – Murmurei enquanto sugava seus seios e enfiava as mãos por baixo da sua saia.
- Jenny eu estou menstruada... – Falou enquanto agarrava meus cabelos e descia suas mãos pelo meu corpo.
Subi as mãos até a virilha e encontrei um maldito absorvente (Se Eva não estivesse morta eu a mataria com minhas próprias mãos). Abandonei com resignação seus glúteos e me concentrei em sua boca carnuda que tinha um gosto maravilhoso. Depois de muitos amassos, me afastei enquanto respirava fundo para manter o controle das minhas emoções. Fernanda procurava se recompor.
- Quando começou essa menstruação? Ontem você não estava.
- Desceu essa noite.
- Ok. Vamos ter bastante tempo pra isso. Tenho bastante paciência. Vamos fazer compras?
- Comprar o quê?
- O que você quiser.
- Eu não quero nada.
- Então eu quero que você tenha.
- Você rasgou minha blusinha toda. Eu gostava tanto dela.
- Te compro outra igual. Agora veste essa minha e vamos – Disse estendendo meu tomara que caia de couro.
- Agora é que vão falar mesmo! Sair vestida igual a você.
- Você se incomoda muito com que as pessoas falam. Você tem que viver a sua vida sem se importar com isso. Os outros não vão fazer nada para ajudar.
Saímos da pensão e fomos para as lojas que ficavam ali por perto, mas não encontramos nada do meu agrado. Peguei o carro e fomos para Assis. Fernanda parecia uma criança, no começo ela não queria nada e não deixava que eu comprasse, mas depois de uma hora tentando ela começou a escolher as coisas do seu jeito e mais relaxada começou até mesmo a pedir uma coisa e outra. Estávamos numa loja de bolsas quando dei por mim que estava totalmente nas mãos dela: Fernanda era uma pintura clássica que tinha o sorriso mais lindo do mundo enquanto perguntava se eu gostava da carteira que tinha escolhido, me limitei a olhar e assentir. Naquele momento tive certeza que tinha encontrado a mulher com quem eu queria viver o resto da minha vida.





Capítulo : CONSEQUENCIAS


Voltamos das compras já era quase noite. Deixei Fernanda e um mundo de sacolas na sua casa e fui para a pensão. Combinamos de nos encontrar na Cida as sete da noite, pois ela ia dar aula de dança as oito numa academia ali perto. Fernanda havia me dito que dava aulas de dança lá, eu não fui contra, pois sempre gostei de dança e das mulheres que dançam. Cheguei adiantada e fiquei esperando sentada numa mesa um pouco escondida fumando e bebendo. Duas garotas entraram, mas não me viram. Foram direto para o balcão.
- Tenho que te contar a maior! A Nanda estava em Assis fazendo compras com aquela Jennyfer – Disse uma morena que identifiquei depois como Juliana.
- Comprando o quê? – Perguntou a outra morena.
- Um monte de coisas! Elas entraram numa loja de sapatos e saíram de lá com cinco sacolas, sem contar que já carregavam muitas outras. Eu fui falar com a vendedora que é minha amiga e ela me disse que a Jennyfer pagou quase o dobro do salário dela a vista! Acho que a Nanda se deu bem!
- Será que a Nanda ta ficando com ela? Bom, isso explica por que ela terminou com o Diego.
- Será que a ela virou a casaca?
- Não sei, mas a Jenny tem dinheiro suficiente para virar até a minha casaca.
- Que horror amiga! Você ficaria com ela?
- Por todo o dinheiro que ela está gastando com a Nanda? Com certeza! Já parou para calcular? Sá no hospital foi...
Fiquei ouvindo aquilo sem acreditar! Eram as mesmas meninas que eu já tinha visto junto com a Fernanda dias antes. Como podiam ser tão falsas? Me levantei para falar com elas mas Nanda tinha acabado de chegar. O movimento que fiz chamou a atenção delas que ficaram brancas quando me viram. Nanda se juntou a nós.
- Oi Jenny. Me atrasei?
- Não. Eu é que cheguei adiantada, mas fiquei sentada ali naquela mesa te esperando – Falei olhando para as meninas.
- Oi jú, oi Débora. Não foram no curso hoje?
- Hoje não. E... A professora dispensou.
- Que chato!
- Chato nada! Que brinco lindo! É aquele lá da loja de Assis não é?
- É sim. Lindo mesmo não? Eu comprei hoje com a Jenny.
- Investindo alto, hein Jenny?! – Comentou maldosamente Juliana.
- Eu vou fingir que não escutei essa besteira que você falou – Respondi com ignorância – Vamos Fê?
- Que maldade Ju! Que veneno é esse? – Perguntou Fernanda.
- Não é veneno nenhum, amiguinha... – Respondeu a outra com ironia.
Fernanda se limitou a olhar e dar as costas me acompanhando. Fomos quietas ate a academia, quando chegamos Nanda foi trocar de roupa e eu escolhi um lugar num canto sentada para esperar e assistir a aula. Ela voltou minutos depois com um conjunto de Short e top de lycra que me deixou atordoada: Não consegui tirar os olhos dela em nenhum momento de toda a aula. Ela dançava como ninguém, se mexia e remexia requebrando os quadris de maneira tão provocante e sensual que me deixou boquiaberta. Ela ensinava passos de uma musica black e imaginei cada movimento só pra mim entre quatro paredes. Comecei a imaginar loucuras, então procurei uma janela para fumar e relaxar um pouco.
Depois de uma hora e meia de aula fomos embora. Levei-a para casa e quando fiz menção de me despedir, Fernanda me chamou par entrar e comer algo, já que ainda não havíamos jantado.
- Olha que eu posso me acostumar! – Brinquei – Vou provar seu tempero hoje?
- É claro. Faço algo bem rápido.
- Está bem.
Entramos na casa e Fernanda pediu um tempo para tomar banho. Fiquei esperando-a na sala vendo algumas fotos que estavam ali. Em uma delas Fernanda estava abraçada com a mãe e um outro garoto que julguei ser seu irmão. Tinha outra em que ela estava com Diego entre sorrisos. Havia várias outras que eternizavam momentos de felicidade. Fernanda chegou momentos depois envolvida num roupão com uma toalha na cabeça. Fomos para a cozinha e Nanda começou a conversar sobre um monte de coisas e eu concordando sem nem saber o que era, pois prestava atenção somente nos movimentos de seus lábios carnudos que me convidavam para um beijo. Me levantei e tirei uma travessa de sua mão, a sentei na mesa e começamos a nos beijar com loucura e paixão. Fernanda tirou minha regata enquanto me livrava do seu roupão desci para seus seios enquanto ela me arranhava as costas com suas unhas. Subi para seu pescoço e ajudei-a a tirar meu sutiã enquanto a toalha de seus cabelos caia sobre a mesa. Fernanda gemia e sussurrava em meu ouvido que queria sentir o contado de nossa pele. Deitei-a na mesa explorando cada centímetro do seu corpo. Estávamos tão concentradas no “beijo” que não sentimos o cheiro do queimado e não ouvimos alguém entrar.

D. Cida ficou parada na porta da cozinha olhando a cena que se desenvolvia na mesa. Não sabia o que pensar. Não era contra o homossexualismo, mas isso explicava o porquê da Jenny estar gastando tanto dinheiro com Nanda, alias o motivo pela qual fora ali naquela noite. Os comentários de algumas pessoas estavam extremamente maldosos, mas aquela cena já dizia tudo. Ela torcia apenas para que ninguém sofresse quando isso viesse à tona. Quando deu meia volta para ir embora esbarrou num vaso em cima de um móvel da sala fazendo um imenso barulho.

Fernanda se levantou derrepente caçando o roupão enquanto D. Cida ficava toda sem graça. Eu dei as costas procurando minhas roupas.
- D Cida! – Exclamou Fernanda – Eu... Eu...
- Desculpe invadir sua casa assim, mas como eu chamei e ninguém ouviu e a porta estava aberta eu...
- Fala Cidoca! – Falei terminando de vestir a blusa – Que flagra hein?!
- Cida não é o que você esta pensando... – Começou Fernanda – A Jenny e eu...
- Nanda sua vida é sua vida. Não tenho nada haver com isso, mas confesso que estou curiosa: Vocês estão namorando?
- Temos um acordo comercial – Falei – A nanda precisa de dinheiro e eu a queria, então fizemos uma troca.
- Jenny!
- Qual é Fernanda é a verdade. Não estou contando mentiras.
- Mas isso é quase prostituição! Nanda como pode fazer isso?
- D. Cida é a vida da minha mãe que está em jogo! Foi a única oportunidade de salvar a vida dela. Eu não podia recusar!
- E o Diego?
- Ele não sabe, Alias ninguém sabe e eu queria que continuasse assim.
- Você me ofende falando uma coisa dessas! Até parece que sou fofoqueira! Eu só vim te alertar sobre o boato que está correndo lá na sorveteria. As meninas estão falando que...
Fiquei encostada na pia ouvindo parte da conversa, mas aquilo foi me perturbando, afinal eu já sabia o que as meninas estavam falando. Me despedi delas com um rápido tchau e fui para a pensão, me joguei na cama ainda com roupas e fiquei pensando nas coisas que estavam acontecendo comigo naquela cidade. Cada vez que eu estava com Fernanda era sempre um momento de magia, de beleza. Adorava beijá-la e tocar seu corpo, mas tinha que me concentrar no fato que ela não me amava e que eu não podia amá-la.





Capítulo : MAIS SENTIMENTOS


Fernanda ficou olhando D. Cida de afastar quase atônita pelo que soubera. Suas amigas já a tratavam como uma lésbica por suas costas, pessoas em quem ela confiava, mas não tinha escolha, era a sua mãe a pessoa mais importante para ela.
Jenny estava se mostrando uma pessoa extremamente gentil e generosa com ela, se preocupava realmente com sua mãe. Ficava ligando a toda hora no hospital. Mesmo que às vezes tentasse não demonstrar interesse, mas ela sabia que se importava ou pelo menos queria acreditar nisso. Estava cada vez mais envolvida com ela. Queria estar com Jenny o tempo todo, mas não queria confundir gratidão com amor, então se firmava na idéia de gratidão, mas nunca faria resistência a nada do que ela quisesse, pois gostava do jeito como ela pegava, do modo como ela tocava seu corpo e fazia despertar o tesão guardado em si. Nenhum homem havia conseguido fazê-la sentir-se desejada. Sexo pra ela sempre foi uma coisa mecânica, quase uma obrigação, mas com Jenny não. Fernanda desejava ir para a cama com ela, sentir ser tocada por ela. Nas ultimas noites imaginava cada sensação que Jenny poderia despertar em seu corpo com sua boca e por vezes teve que apelar para um alivio momentâneo e enquanto se masturbava pensava que estava ficando louca, mas no fundo sabia que estava começando a se apaixonar.





Capítulo : A DOR DA INDIFERENÇA


A sexta amanheceu sem nenhum atrativo especial. Não durmi nada durante a noite só pensando em Fernanda e imaginando se ela iria agüentar a pressão, depois fui para a sorveteria para o desjejum e voltei para a praça para tomar um pouco de sol. Não havia marcado nada com Fernanda e não queria ir na casa dela. Tinha que manter o controle de não me entregar totalmente a ela, mas a minha vontade era de sair correndo para os braços dela. Depois de um tempo voltei para a sorveteria e fiquei conversado com D. Cida. Ela se manteve discreta e não fez nenhum comentário da cena da noite passada. Ficamos conversando um longo tempo ate que ouvi o som familiar de carros e motos que tocavam rock´n roll. Eu ia matar o Digão! Ele havia me dito que só voltaria para S. Joaquim no domingo. Fiquei em pé na porta olhando as pessoas que desciam, todos amigos em comum. Vi Priscila descendo de uma moto e correndo em minha direção. Não vi Fernanda que vinha do outro lado da praça.
- Oi meu amor que saudade! – Exclamou pulando no meu colo me beijando – Senti tanto a sua falta.
- Que exagero Priscila! – Falei – Vocês não viriam só no domingo?
- O Digão resolveu vir antes. Não esta contente?
- To contente sim sua tonta – Menti colocando-a no chão e beijando-a.
Naquele momento eu não soube definir meus sentimentos, quando vi Priscila percebi que senti muita falta do seu corpo, afinal tinha passado quase uma semana sem sexo e para uma pessoa como eu isso é uma eternidade. Ela usava um vestidinho tomara que caia com um imenso decote na frente que me fez esquecer de muita coisa, inclusive de prestar atenção em Fernanda que acabava de entrar na sorveteria.
- Oi Jenny – Ela me disse indo para o balcão onde estava D. Cida.
Ver Fernanda ali com Priscila grudada em meu pescoço fez fugir o sangue do meu rosto, mas minutos depois cheguei à conclusão de que isso seria bom, pois Fernanda queria que ninguém soubesse e eu tinha que dar uma de “durona”. Sentei numa mesa com Priscila em meu colo e o restante do pessoal e ficamos conversando sobre o que aconteceu naqueles dias. Depois de meia hora arrastei Priscila e outra garota para a pensão. Digão não contente, teve que me zoar em alto e bom tom dizendo que eu ia tirar os atrazados. Mandei ele para o inferno enquanto me abraçava com as duas garotas e olhava sorrateira para Fernanda que continuava conversando com Cida. Percebi que ela me olhava através do espelho que tinha atrás do balcão. Fingi indiferença e sai com as meninas. Voltei quando já era noite alta. A sorveteria já estava fechada e a molecada estava na praça com som alto e algazarra. Voltei as minhas origens e badernei com eles até o outro dia.

Fernanda estava inquieta em casa. Já era mais de quatro da tarde e Jenny ainda não tinha ido lá. Resolveu aparecer na sorveteria e quando chegou na praça viu que os amigos dela tinham chegado de S. Paulo. Viu também que a namorada dela estava lhe dando um ardoroso beijo. Ficou parada sem saber se ia até lá ou se voltava pra casa. Não queria criar uma cena, mas teve que admitir para si mesma que ficou enciumada vendo aquela loira com um vestido curtíssimo pendurada no pescoço de Jenny. Resolveu ir até lá apenas para provocar Jenny, mas parece que não surtiu nenhum efeito, pois ela fingiu que nem a conhecia. Nem ao menos respondeu seu cumprimento. Ficou conversando com Cida que começou a dar conselhos, mas Fernanda não escutava nada do que ela dizia, olhava apenas para jenny que saia com duas garotas. Ouviu Digão zoando com ela e quase teve um ataque de raiva. Respirou fundo e manteve o controle chegando a conclusão de que Jenny só queria se divertir com ela. Que ela era apenas mais um dos seus luxos que só o dinheiro pode comprar. Depois de um tempo se despediu de Cida e foi embora se trancando em casa chorando por ter se permitido ser tão tola.

No sábado apareci na praça era quase cinco horas da tarde. Havia passado na casa de Fernanda, mas ela não estava lá. Digão e o resto do pessoal iam para Assis e eu queria que Fernanda fosse junto. Tive que apelar para a D. Cida.
- D. Cida você viu a Fernanda?
- Ela foi buscar os irmãos em Assis e depois iam para o hospital ver a mãe. Ela pediu para te avisar caso você a procurasse.
- Obrigado.
Voltei para o resto do pessoal sem saber o que fazer. Não sabia a que horas Fernanda ia voltar e eu queria muito que ela fosse conosco. Tinha passado quase dois dias sem ela e a saudade era imensa. Fui com o pessoal para Assis e deixei outro recado com D. Cida informando-a que viria buscá-la as 22:00. Cheguei na sorveteria já era 22:15 e Fernanda estava com seus irmãos e alguns amigos. Eu usava uma calça de couro com botas de salto bem alto, um top e algumas correntes. Usava o cabelo preso com madeixas roxas e maquiagem escura, isso, claro chamou a atenção.
- Oi Nanda – Cumprimentei.
- Oi Jenny. Esses são meus irmãos: Fabrício e Fabiano – Falou apontando para os dois meninos.
- Ola meninos tudo bem? – Cumprimentei dando beijinhos neles – A viagem foi boa?
- Foi sim, obrigado – Respondeu o que parecia ser mais velho.
- Você é que está ajudando a nossa mãe? – Perguntou o outro.
- É. Digamos que sim, mas a Nanda esta trabalhando para mim. Ela contou?
- Falou sim. Eu pensei que você fosse velha.
- Velha? Porque velha?
- Não sei, mas eu pensei.
- Você está pronta? – Perguntei a Nanda.
- A D. Cida e contou que você viria e buscar, mas como eu não sabia para o que era eu coloquei essa roupa simples.
- Tudo bem. A gente passa na sua casa e você troca de roupa.
-Tudo bem – Respondeu ela se levantando – Meninos eu tenho que sair agora e...
- Você vai sair uma hora dessas? – Perguntou o mais velho.
- Eventos sociais de grande porte são feitos uma hora dessas – Respondi – Vocês vão para casa agora?
- Vamos sim. Tchau pessoal – Se despediram.
Saímos da sorveteria os quatro e fomos para o carro estacionado ali perto.
-Nossa que carrão! – Exclamou Fabrício – ele é seu?
- É sim. Você sabe dirigir?
- Não. Ainda não.
Fernanda ia conversando com os meninos e eu ia quieta dirigindo apenas ouvindo a conversa. Chegamos na casa e enquanto Nanda ia trocar de roupa, fiquei na sala conversando com os meninos que se revelaram extremamente simpáticos. Depois de meia hora Fernanda apareceu na sala. Estava linda com um vestido tamanho mini com as costas nuas e a frente vazada do umbigo até o meio dos seios (se eu tinha duvidas do que eu sentia, acabou ali). Ela se despediu dos irmãos e saímos.
- E a sua namorada? - Perguntou Fernanda enquanto entrava no carro.
- A Priscila? O que tem ela?
- Ela não vai ficar com ciúmes de mim?
- Eu sei como lidar com ela. Não se preocupe.
- Mas é claro que eu vou me preocupar! Não sei qual vai ser a reação dela.
- Ela vai falar um monte de coisas, vai infernizar a sua vida e depois vai sossegar.
- Você acha pouco?
- To brincando. Ela não vai fazer nada que me desagrade. Ela valoriza muito a vida que eu dou pra ela para fazer alguma besteira.
- Assim espero.
Continuamos conversando sobre um monte de coisas até chegarmos na balada. Entrei de mãos dadas com Fernanda e encontrei o pessoal reunido em uma mesa num canto. Alguns estavam ali e outros espalhados pela casa.
- Pessoal! Essa é a Fernanda! – Gritei devido o barulho – Tratem ela bem, senão vão se ver comigo.
- Essa é gostosa hein, Jenny! É a garçonete de S. Joaquim, não é? – Perguntou um dos caras que sempre viajava comigo.
- É sim. Que dizer, agora é minha secretária.
- Deus sabe o tipo de secretária...
- Cala a boca seu puto! Presta atenção na sua mulher e deixa a dos outros em paz! – Respondi rindo.
Sentamos e logo apareceram duas latas de cerveja. Fernanda recusou delicadamente e eu acendi um cigarro. Não demorou para Priscila aparecer sentando em meu colo.
- Nossa como você demorou! Que garota é essa? – Perguntou apontando para Nanda.
- É a garçonete de S. Joaquim, não se lembra? Agora é minha nova secretária.
- E desde quando você precisa de secretária?
- Desde quando eu resolvi ter uma.
- Oi – disse para Fernanda – Amor vem dançar – Finalizou me puxando para a pista.
- Já volto – Falei jogando a lata na mesa.
Fui para a pista de dança com Priscila, mas sem tirar os olhos de Fernanda. Ela parecia acanhada no meio daquele pessoal doido. Priscila se agarrava em mim e tentava me beija de todas as maneira, mas eu sempre me desviava. Fernanda olhava pra gente e depois disfarçava para não dar bandeira, mas eu como boa observadora percebia. Depois de algumas musicas voltei para a mesa.
- Ta tudo bem? – Perguntei no ouvido de Fernanda.
- Eu estou meio perdida aqui.
- Vem comigo então.
Fomos para o bar e Nanda escolheu um drink do seu agrado. Depois de um tempo fomos para a pista. Fernanda dançava como ninguém e eu fiquei mais admirando do que acompanhando. Também percebi que Priscila a fuzilava com os olhos. Quando fizemos menção de sair, começou a tocar uma musica que sou apaixonada até hoje, puxei-a de volta para a pista e o beijo que seguiu depois foi inevitável





Capítulo : PRISCILA


Priscila nasceu em uma família desajustada: Sua mãe prostituta por profissão e seu pai mais um dos inúmeros clientes. Foi jogada na rua desde criança, pois sua mãe não tinha tempo para ela entre uma transa e um copo de conhaque. Com treze anos começou a se prostituir também para ganhar dinheiro. Não havia freqüentado a escola regular e sabia ler e escrever graças a bondade alheia. Com Dezesseis anos conheceu as drogas e Digão numa balada de rock e desde então passou a andar com ele e com os amigos dele. Passou a se manter de pequenos furtos que depois viraram grandes assaltos com a ajuda de Digão. Passou uma curta temporada na prisão, onde começou a se relacionar com mulheres e depois de um tempo conheceu Jenny que lhe deu tudo o que ela queria, menos amor. Quando começaram a sair juntas, Jenny foi bem clara ao dizer que o que mais chamava a atenção nela alem de seus cachinhos dourados, era seu corpo malhado. Disse por varias vezes que não a amava e que ela não poderia cobrar nada, pois não haveria futuro entre as duas. Isso fora a dois anos atrás e desde então suportou muita coisa para ficar com Jenny: Tolerou outras mulheres, fingiu que se interessava apenas pelo seu dinheiro, fez papel de omissa e, como dizia jenny, caprichava ao Maximo na única matéria que tinha doutorado: Sexo. Fazia muita coisa mais para agradá-la do que pelo próprio prazer. Tinha plena consciência que a amava, um amor doentio, mas a amava com todas as sua forças. Quando viu Jenny entrando na boate com aquela ruiva, pensou que se tratava de mais um passatempo, mas as suas atitudes durante a noite em relação e ruiva estavam totalmente do convencional: Ficou mais tempo com a ruiva do que com ela, não quis beijá-la na frente da outra e pior de tudo, tinha um brilho especial nos olhos quando olhava pra ela. Tinha passado por muita coisa para perder jenny para uma caipira. Faria de tudo para que elas não ficassem juntas.





Capítulo : A ENTREGA


Saímos da casa noturna eram quase sete da manhã do domingo e fomos tomar café da manha numa padaria ali perto. Fernanda estava bem descontraída depois de vários drinks e já tinha se enturmado com quase todos, menos com Priscila que se mantinha a distancia com Camila. Priscila tinha ficado estranha à noite inteira. Conclui que estava com ciúmes. Deixei Fernanda em casa e fui para a pensão dormir um pouco. Despachei Priscila para o motel onde estavam hospedados. Queria realmente ficar sozinha.
Levantei era por volta das 2 da tarde, varada de fome. Fui para a sorveteria e lá encontrei os irmãos de Nanda. Ficamos conversando por um longo tempo e depois fui acordar Fernanda. Cheguei na casa dela e ela estava saindo. Ela me disse que ia atrás dos irmãos, pois tinha acabado de acordar e não tinha encontrado eles. Falei do paradeiro deles e ficamos conversando sobre a noite anterior um longo tempo e depois fomos para a praça e lá ficamos mais um tempo com Digão e parte das pessoas que já tinham acordado. Quando a tarde começou a cair, chamei Fernanda para uma volta de carro.
- Aonde vamos? – Perguntou ela.
- Um lugar lindo que eu acho que você não conhece.
- Onde fica?
- Como você é curiosa, não?!
- Talvez eu já tenha ido. Conheço bastante lugares por aqui.
- Se você já conhecer, vou te mostrar pelo meu ponto de vista.
Começamos a subir pela encosta do morro que era avistado de longe. Fernanda ia admirando as flores e a paisagem me dizendo que nunca tinha ido para aqueles lados. Depois de dez minutos, chegamos no meu recanto favorito. Desliguei o carro e desci ficando parada na frente dele. Fernanda veio se juntar a mim em silencio. A visão daquele lugar era magnífica. Dava para ver a cidade inteira e um imenso lago à distancia. De outro lado dava para ver uma parte de Assis bem ao longe. As arvores e vegetações ao redor eram maravilhosas. Ficamos em silencio por uns quinze minutos até que Nanda falou.
- Nossa! Que paz esse lugar transmite. É lindo mesmo. Eu morando aqui nunca tinha vindo. Como descobriu?
- Eu encontrei na semana passada, quando te vi cantando.
- Eu lembro. Você saiu tão afoita de lá. Achei que tinha acontecido alguma coisa.
- E aconteceu, só que não visível aos olhos.
- Você adora um mistério não?
- Você não?
- Eu gosto de decifrá-los – Me respondeu se postando na minha frente.
- Isso quer dizer que vai me desvendar?
- Quer dizer que eu vou pagar pra ver.
Dito isto Fernanda tirou as alças do vestido deixando ele cair no chão. Por um momento fiquei sem atitude alguma. Primeiro que eu não esperava uma reação deste nível com Fernanda e depois ela conseguia usar uma calcinha menor do que as de Priscila. Fiquei olhando aquele corpaço na minha frente enquanto ela avançava me dando um beijo e me tirando do estado de choque em que me encontrava. Virei-a de encontro ao carro enquanto abria suas pernas e a sentava no capô do carro e me debruçava por cima dela buscando seus seios. Fernanda se entregava sem nenhum pudor arrancando minha blusa e soltando o meu cabelo me dizendo para fazer o que quiser com ela. Questionei sobre sua menstruação e ela me disse que havia mentido, pois não queria que nada acontecesse antes, mas que agora tinha mudado de idéia. Dito isto, rasguei o único minúsculo pedaço de pano que me separava do prazer absoluto que desejava há tanto tempo. Comecei a chupá-la e Fernanda gemia e se contorcia como uma gata no cio empurrando os quadris pra minha boca. Depois de alguns espasmos ela gozou e eu suguei todo o seu melzinho. Fernanda puxou minha cabeça e dizendo que queria sentir seu gosto na minha boca. Nos beijamos com paixão e desejo ainda não saciados. Fernanda desceu do capô e me deu as costas se esfregando em mim e inclinado sobre o carro deixando claras suas perversas intenções. Deixei minha língua passear por toda a sua bunda e segurei seus cabelos enrolando-os em uma mão enquanto a outra penetrava na sua bocetinha. O movimento dos meus dedos dentro dela, a visão da sua cinturinha fazendo contraste com aquela enorme bunda seus gemidos e pedidos de mais e mais estavam me deixando alucinada. Fernanda gozou novamente molhando toda a minha mão deixando-se cair no carro respirando fundo cansada.
- Porque você não me disse que era tão bom? – Perguntou ajeitando o cabelo.
- Eu tentei te mostrar – Respondi acendendo um cigarro – Você é que se fez de rogada.
- A culpa é minha?
- Com certeza. Por mim já tinha te mostrado isso há tempos.
- O por do sol é lindo aqui.
- Lindo é você gemendo e rebolando. Santinha do pau oco...
- Olha como você fala comigo! – Disse pegando seu vestido do chão.
- Pra que esse vestido?
- Você não quer que eu vá embora nua, não é?
- Eu não quero ir embora. Vem cá – Puxei ela dando-lhe um beijo – A noite ta só começando.
- Ninguém sabe onde estamos.
- Isso é ótimo. Ninguém vai atrapalhar.
- Jenny... Seus amigos viram que você saiu comigo. Vão falar para a Priscila.
- Esquece ela.
- Não dá. Ela é sua namorada. Não quero causar uma discórdia entre vocês.
- Você não vai causar nada... – Falei beijando seu pescoço e levando-a para dentro do carro.
Começamos a nos amar novamente desta vez com mais carinho e calma. Fernanda se mostrava insaciável e eu adorava satisfazê-la. Fernanda retribuiu meus carinhos de maneira mais tímida e depois de algumas horas fomos embora. Deixei-a em casa e fui para a pensão. Passei na praça e vi que o pessoal estava na sorveteria. Depois de um banho e uma boa refeição me juntei a eles. Priscila estava toda queixosa por eu ter “sumido” e por não dar detalhes do meu paradeiro. A verdade é que eu não suportava dar explicações da minha vida e com certa grosseria disse isso pra ela que foi embora segurando as lágrimas pela minha indiferença. Tinha que terminar com ela o que eu nem considerava um relacionamento. Marquei com Digão todos os detalhes do assalto que seria no dia seguinte e fui dormir pois o dia que me esperava seria cheio.





Capítulo: O ASSALTO


O dia que definiria minha vida pra sempre amanheceu igual a todos os outros. Um sol forte logo de manha, típico do clima quente do interior e crianças faziam algazarra indo para a escola, somente meu estado de espírito agitado denotava minha adrenalina comum antes dos assaltos que fazíamos. Eu não ficava com o dinheiro recolhido nesses atos, repassava todo a Digão que tomava a decisão mais acertada, não queria complicações com a justiça e eu tinha dinheiro para me manter e manter meus gastos sem precisar me sujar ou lavar dinheiro. Eu gostava era de sentir a emoção do perigo, a sensação do proibido. Era isso que me embriagava e não foi isso que me salvou.
Chegamos em Assis e ficamos observando o banco até a hora combinada. Ficamos vendo as maneiras dos guardas e suas posições. Depois de uma longa espera entramos em ação. Entrei como uma executiva seguida de “assistente” e depois de render o primeiro guarda e liberar a entrada dos outros anunciamos o assalto, na mesma hora em que meu celular tocou.
Fernanda estava desesperada do outro lado da linha chorando dizendo que havia acontecido algo terrível. Não conseguia entender uma palavra do que dizia. Pedi que ficasse calma e me explicasse e a única coisa que entendi era que ela estava no hospital de Assis. Desliguei e joguei a arma para Digão dizendo para comandar sozinho. Sai correndo me livrando das roupas e da peruca que usava. Assim que entrei no carro e dei a partida, pude ouvir atrás de mim o som de sirenes que se aproximavam do banco, Controlei a velocidade do carro e vi pelo retrovisor os policiais que desciam dos carros e cercavam o banco.
Cheguei no Hospital e perguntei por Fernanda. Fui informada que ela estava na enfermaria acompanhada de seus irmãos. Fui conduzida até lá e assim que avistei Nanda pude ver a triste cena: Ela estava toda machucada com um olho inchado e um braço enfaixado. Fabrício sentado ao lado dela chorava baixinho enquanto Fabiano Acariciava seus cabelos.
- O que aconteceu? – Perguntei me postando ao seu lado pegando sua mão.
- Nada.
- Como nada? Olha seu estado! Quem fez isto?
- Fernanda se você não contar eu conto – Falou Fabiano
- Isso não é assunto seu Fabiano – Ela disse começado a chorar novamente.
- Por favor! Me conte! – Implorei
- A Priscila...
- A Priscila fez isso? – Perguntei incrédula.
- Fabiano!
- Vocês que são maiores ficam ai morrendo de medo!
Eu não tenho medo dela! Fabrício – Pediu o menino – Me Ajuda!
- O Fabiano tem razão. A Priscila fez isso! Ela ficou gritando como uma louca na praça dizendo que você era dela e que ninguém ia tirá-la dela, que faria de tudo para que isso não acontecesse e que se não fosse dela não seria da Nanda e quando a Fê foi falar com ela, ela começou a bater nela. Deu um maior trabalho tirar ela de cima da Nanda! O que vocês não contaram pra gente?
- Eu não acredito que a Priscila fez isso! Ela sabe que jamais vou perdoá-la.
- Só que ela falou que você jamais saberia de onde estava. Onde você estava?
- Foi isso então! Ela denunciou para a policia!
- Policia?
- Nada... Esquece... – Me abaixei do lado da cama – Nanda, meu anjo, me perdoa... Eu devia ter previsto isso, afinal eu acho que conheço a Priscila.
- Deixa pra lá. Já aconteceu.
- Eu vou matar a Priscila, mas antes eu preciso te transferir daqui. Eu vou falar com o medico e...
- Jenny... Eu não quero... Eu tenho medo de onde estou me envolvendo...
- Meu anjo se você ficar aqui pode ser perigoso. Ela logo vai imaginar onde você está e não quero nem pensar nessa possibilidade. E eu que pensei que ela só tivesse uma bela... Bom, deixa pra lá, acho melhor te transferir. Você pode ir para o mesmo hospital onde sua mãe está.
- A Jenny tem razão Nanda – Disse Fabrício – aceita vai.
- Ta... Já estou envolvida não é? E os meninos?
- Não se preocupe com a gente, nós vamos ficar bem.
- Podemos alugar um apartamento em Campinas e vocês ficarão perto de sua mama.
- A gente pode ir também? – Perguntou Fabiano todo animadinho.
- Pode. Agora vou falar com os médicos e depois vamos para casa fazer as malas.
- Está bem.
- Meninos esperem lá fora – Pediu Fernanda.
Os meninos saíram fazendo planos alegres. Fernanda me chamou para sentar na beirada da cama.
- Obrigada por não deixar meus irmãos de lado.
- Não quero te ver triste. E eles são muito simpáticos. Pode ter certeza que me conquistaram.
- Parece mentira, mas faz menos de 15 dias que nos conhecemos.
- Minha vida é bem corrida.
- Não quero que você faça nada contra a Priscila.
- Isso eu não posso te prometer! Aquela vadia vai me pagar!
- Já parou pra pensar que ela te ama?
- Ela não me ama. Ela ama a vida que dou pra ela e...
- Você acha que as pessoas só ficam com você pelo dinheiro? Não acredita realmente que ela possa te amar pela pessoa que você é?
- Não acredito nisso. Não da parte dela.
- Você já amou alguma vez?
- Não sei se era amor, mas eu tive uma namorada que gostava muito, mas é passado.
- Você tem medo do amor. Não se entrega a ninguém?
- Não é isso é que...
- Tudo bem... Mas eu acredito sinceramente que ela tenha um amor doentio por você. Que te ame realmente. Eu... ela me disse que você nunca poderia amar ninguém e que você ia me usar como usou ela e tantas outras e depois me jogar fora...
- Nanda... Você é diferente... eu não poderia...
- Ela me disse que você diria isso também. Tudo bem... pode ir...
Levantei da cama e dei um beijo de leve em seus lábios que estavam machucados e sai do hospital depois de falar com os médicos que já providenciaram sua remoção. Cheguei em S. Joaquim e deixei os meninos em casa que começaram a arrumar suas coisas, fui para a sorveteria em busca de mais informações sobre Priscila. Fui informada que ela havia deixado a cidade com Camila e que o resto do pessoal estavam no Motel. Encontrei todos cabisbaixos e quietos. Me disseram que Digão e algumas pessoas estavam presos e que dois haviam sido baleados. Interrogaram sobre o meu paradeiro e eu expliquei o que sabia sobre a Priscila e o que ela tinha feito. Falei que ia para Campinas e aconselhei a todos deixarem a cidade. Depois fui para a pensão arrumar minhas coisas e segui para a casa de Fernanda. Passei a noite com os meninos que demoraram a dormir por causa acontecimentos e no outro dia de manhã nos despedimos do pessoal da cidade e começamos nossa viagem rumo a um mundo novo e desconhecido. Era uma sensação estranha: Em menos de um mês eu tinha dois adolescentes para cuidar uma sogra e a mulher que escolhi para ser minha companheira. Parecia que enfim a vida ia tomar seu rumo. O único problema era que apenas parecia.





Capítulo: O RECOMEÇO


A vida em Campinas recomeçou sem nenhum contratempo. Fernanda saiu do hospital no dia seguinte e ficamos hospedados em um hotel enquanto procurávamos por apartamento, mobília, escola para os meninos e varias outras coisas que eu jamais dispensaria minha atenção em outros tempos. Parecia que já havia passado uma eternidade e não dias. Enviei um advogado para ver o que era possível ser feito já que o pessoal além do assalto tentou manter reféns o que apenas contribuiu para complicar a situação. O advogado não me prometeu muita coisa e assim Digão e o resto do pessoal passaram alguns anos na cadeia. Priscila havia fugido de S. Joaquim e contatos que eu ainda mantinha em S. Paulo havia me dito que ela tinha saído do estado. Eu ainda iria encontrá-la e quando isso acontecesse faria muito pior do que ela tinha feito a Nanda, mas agora minha atenção estava voltada para outro assunto: Fernanda. Ela falou para os irmãos que nós estávamos juntas. Eles acharam legal e não disseram nada contra. Nanda e eu tínhamos um carinho mutuo e nos entendíamos muito bem tanto na cama e fora dela. Nanda era uma companhia agradável, inteligente, divertida. Mantínhamos longas conversas sobre o que fosse desde futilidades ate política econômica nacional. Me mudei para o seu quarto três semanas depois e desde então nossa vida amorosa seguiu o curso normal de um casamento as avessas. O amor que ela me demonstrava não deixava duvidas de que me amava pelo que eu era e não pelo que eu tinha. Eu também a amava e disse isso a ela numa tarde de domingo enquanto os meninos estavam com a mãe e nos duas explorando cada cômodo da casa. Fernanda era uma ninfomaníaca reprimida, me dava (e me da ate hoje) um trabalho danado. Ela não se satisfaz facilmente e ama o sexo tanto quanto eu. Freqüentávamos sex-shops e ela escolheu uma variedade de vibradores. Adorava vê-la de lingerie. Ela desfilava cada peça nova que comprava com uma preparação de ambiente que só ela consegue fazer. Eu enfim havia conhecido o amor.
Tivemos uma vida pacata por seis meses. D. Célia havia se recuperado de maneira satisfatória. Já andava e falava quase normal. Nos tornamos grandes amigas e sempre a levava para um passeio sob supervisão medica. Ela foi se reintegrando aos poucos a nossa rotina diária e depois de algum tempo ela voltou para casa.

 

Capítulo : INCERTEZA



Depois de um volta pela casa D. Célia veio se juntar a nos no sofá da sala, ainda com a ajuda de um andador tinha dificuldades de locomoção e se cansava facilmente, mas estava radiante.
- Que lugar ótimo! Pena que é longe de S. Joaquim.
- Por enquanto é sua nova casa mãe – disse Nanda ainda agarrada com a mãe.
- Pode ser de vocês o tempo que quiserem – Falei enquanto acendia um cigarro – Como esta se sentindo D. Célia?
- Bem com um pouco de dor nas costas, mas muito bem.
- Vamos descansar um pouco então mãe, a Maria já arrumou seu quarto.
- Quem é Maria?
- A mulher que trabalha aqui e faz com que seus filhos não morram de fome.
- Eu vi três quartos. Eu vou dormir no seu?
- Não mãe. Vamos conversar sobre isso lá dentro.
Fernanda entrou para os quartos com a mãe e eu fui dar uma volta pelo bairro. Sabia que elas tinham muito que conversar uma com a outra e eu não queria atrapalhar, minha presença certamente iria ser um inconveniente para que D Célia manifestasse sua opinião, mas se eu soubesse o que ia acontecer não teria deixado Fernanda sozinha um momento sequer.
Voltei pra casa já era quase noite, passei num restaurante ali perto e levei nosso jantar. Achei que a noite tinha tudo para ser agradável. Cheguei em casa e encontrei os meninos assistindo tv. Nanda ainda estava com a mãe. Bati na porta do quarto e ela apareceu com uma cara inchada. Obvio que havia chorado.
- O que houve Nanda? Sua mãe está bem?
- Está. Eu vou dormir aqui hoje.
- Por que?
- Eu vou fazer companhia pra ela.
- Nosso quarto é aqui do lado. É so ela chamar se precisar de alguma coisa.
- Eu quero ficar com ela.
- OK. – Respondi muito contrariada – Eu trouxe o jantar.
- Estou sem fome.
- Vai me dizer o que está acontecendo?
- Vamos falar sobre isso amanha.
Me limitei a olhar pra ela e dar as costas. Entrei no nosso quarto e me joguei na cama imaginando varias asneiras para explicar seu comportamento sem explicação, mas não puder imaginar como o ser humano é ingrato.





Capítulo : A DECEPÇÃO


O chão fugia aos meus pés. Um soco na boca do estomago não teria doido tanto quanto as palavras de Fernanda. Ela tinha se comportado de maneira muito estranha, mas eu não podia imaginar que o motivo da sua frieza comigo era o fim do meu conto de fadas. Depois do café Nanda me chamou para uma conversa e sem preâmbulo algum disse:
- O nosso acordo está chegando ao fim. Minha mãe esta bem agora e nos vamos voltar para casa.
- Isso é algum tipo de brincadeira? – Perguntei – Aqui é sua casa.
- Minha casa é junto das pessoas que amo: minha família, meus amigos...
- Fernanda para! Você não ta falando coisa com coisa. O que deu em você?
- Quando você se propôs a nos ajudar sua proposta foi: eu ficaria sendo sua amante ate o dia em que minha mãe ficasse boa. Ela esta ótima e agora é o fim do trato. Nos vamos voltar para S. Joaquim e você continua sua vida.
- Eu não posso acreditar no que estou ouvindo. Você não está bem. Eu te dou o tempo que for necessário pra assimilar as coisas e vamos esquecer essa conversa.
- Jennyfer eu não quero esquecer eu quero terminar. O acordo foi comprido e eu...
- Para de falar nesse acordo! – Gritei sem pensar – Há muito tempo eu esqueci dessa merda! Eu... Eu... Eu quero ficar com você. Foi nisso que eu pensei quando falei aquilo e é nisso que eu penso agora e sempre... Droga! O que há de errado nisso?... Por que?...
- Não há nada de errado, mas o que você sente não é o que eu sinto...
- Mentira. Mentira sua. Eu não acredito em você. – As lágrimas me saltavam aos olhos – sua mãe te pediu isso?
- Minha mãe não tem nada haver com isso. – Me respondeu saindo da sala. – nos vamos embora amanha cedo.
- Não precisam sair com pressa.
A única pergunta que martelava na minha cabeça era porque? Sai de casa e fiquei perambulando pelas ruas. Não via as pessoas que passavam ao meu lado não via as lagrimas que molhavam meu rosto... Por que eu não podia amar e ser amada? O que tinha de errado comigo? Esse era meu pagamento por ter me permitido amar? Fernanda não me amava do jeito que eu a amava essa era a verdade. Ela não lutou por nos em nenhum momento. Foi só mamãezinha chegar que ela já mudou de idéia, como eu pude ser tão tola... tão ingênua? Me entregar totalmente a uma pessoa esperando que ela fizesse o mesmo por mim... “Parabéns sua tonta! Mais uma vez você esta na merda com tudo e sem nada”. Entrei Num barzinho e afoguei minhas lagrimas e mágoa pelo resto do dia.





Capítulo : A ESCOLHA


Fernanda entrou no quarto e se encostou atrás da porta. Havia acabado de negar sua própria felicidade novamente. Sentia seu coração em pedaços como se tivessem arrancado ele dela. E de fato tinham. Sua mente voltou ao dia anterior.
- O que você esta dizendo Fernanda? – Perguntou a mãe horrorizada – Você dorme com aquela menina?
- Mãe eu sou namorada dela, e eu gosto dela...
- Para de me falar essas besteiras! Você nem sabe o que é isso e...
- Mãe eu já tenho quase dezenove anos e...
- E não sabe nada da vida ainda! Meu Deus! Como pode? Aquela sem vergonha te usou e...
- Mãe para! Ela não me usou! Tudo o que aconteceu com nos foi por que eu quis! Ela não fez nada sem o meu consentimento. A Jenny tem sido maravilhosa e...
- Eu não quero mais ouvir falar o nome dela! Ela se aproveitou do seu momento frágil para tirar vantagem de você e...
- Mãe ela queria te salvar e...
- Pois preferia estar morta agora a receber uma noticia como essa! Eu criei uma filha com tanto amor e dedicação para ter uma vida correta de acordo com que todo mundo vê e você...
- Mãe eu não quero ter a vida de todo o mundo. Eu quero ter a minha vida e ela só vai acontecer ao lado da mulher que eu amo...
- Amor? Você não sabe o que é amor! Você está deslumbrada com ela e quando ela se cansar de você vai te descartar e ai você vai lembrar do que eu estou te falando e...
- Não faz isso mãe! Por favor!
-... e quando isso acontecer pode esquecer que você tem uma família!
- O que você que dizer com isso?
- Que eu e os meninos vamos embora amanha e você decide se vai seguir a sua família ou uma estranha.
- Mão você não pode ir embora! O tratamento ainda não acabou e os meninos estão num bom colégio. Você não tem o direito de fazer isso com eles!
- Não tenho o direito... Eu tenho o direito que eu quiser! Eles são meus filhos e vão fazer o que eu mandar! Não quero ficar nem mais um dia sob o mesmo teto que aquela vadia e...
- Se não fosse por ela a senhora estaria morta! E você já parou pra pensar em como estariam seus filhos?
- Eu não pedi ajuda pra ela e torno a repetir... Eu prefiro estar morta do que te ver junto com outra mulher!
- Mãe já parou pra pensar no tamanho do seu egoísmo?
- Eu sou egoísta Fernanda? Dediquei minha vida a vocês e eu sou egoísta? Sabe, enquanto eu passei todos esses anos doente a única coisa que eu pedia a deus pra ele me permitir te ver vestida de noiva casando na igreja e agora você me fala uma coisa nojenta dessas... Mas você decide. Você escolhe quem você vai deixar ver pelo resto da sua vida... se é a sua família ou aquela vagabunda que você chama de namorada... A escolha é sua...
D Célia se levantou da cama com dificuldade e saiu andando apoiada no andador deixando Fernanda pra trás com seu mundo desabando sobre ela. Nunca havia passado pela sua cabeça que sua mãe fosse tão preconceituosa e preferisse a morte do vê-la feliz. Fernanda se encolheu no sofá do quarto da mãe e se perdeu entre seus pensamentos e suas lagrimas. Só saiu do transe quando ouviu Jenny batendo na porta, mas já havia tomado a sua decisão.
Isso fora no dia anterior e agora só restava fazer o que sua mãe pedia: Arrumar as malas para ir para casa. Um lugar que havia perdido o encanto sem Jenny. Seus irmãos fizeram perguntas que ela não soube responder e depois de algumas horas arrumando as malas, foram de volta para S. Joaquim.





Capítulo: TRISTEZAS


Cheguei no apartamento já era tarde do dia seguinte. Depois do barzinho fui para um hotel para assimilar meus pensamentos chegando a conclusão de que Fernanda em nenhum momento lutou por nos, talvez ela mesma tenha tomado essa decisão e apenas juntou o útil ao agradável: o tratamento da mãe e diversão garantida comigo. Mas não adiantava ficar pensando no que aconteceu. Eu não queria respostas. Eu queria me recuperar do tombo que levei e dar um rumo na minha vida longe dela e de tudo que me lembrasse que um dia eu disse eu te amo pra alguém.
Na casa não tinha ninguém. Peguei minhas coisas e encontrei uma carta de Fernanda sob o criado mudo. Não me dei o trabalho de ler, já sabia o que estava escrito ali. Sai de lá com a vontade de correr para S. Joaquim e segurando as lagrimas que teimavam em aparecer. Deixei as chaves na imobiliária e segui para S. Paulo.
Depois desse dia minha vida passou em câmera lenta: Fiquei dois meses na cidade tentando me envolver num mundo de drogas e confusão que eu havia deixado pra trás, mas não tive sucesso: Nada tinha graça. Nada chamava minha atenção. Eu ficava com o maior números de garotas que eu conseguia, fazia orgias ensandecidas, mas a cada vez me sentia mais sozinha ainda. Mudei de país. Passei quase seis meses na Holanda tentando me adaptar a outro povo, mas eu sempre ouvia a voz de Fernanda na minha cabeça toda manhã. Comecei a fazer todo o tipo de curso que eu era capaz para não ter tempo de pensar, mas quanto mais eu fugia mais a figura dela aparecia na minha frente, nos rostos de outras pessoas. Cheguei a beira da loucura. Emagreci tudo o que eu podia e surtei numa manhã de domingo quebrando o apartamento onde estava morando. Tomei uma dose excessiva de comprimidos e uísque, fui parar no hospital e somente lá tive certeza que eu não sobreviveria sem Fernanda ao meu lado.





Capítulo : A DOR


Fernanda estava sentada na varanda da casa enquanto a mente viajava no passado, um passado que nunca mais voltaria a acontecer e que só restava a lembrança de um amor interrompido pelas armadilhas do destino. No dia que saíra de Campinas havia deixado uma carta para Jenny explicando a atitude mesquinha de sua mãe, mas ela não se dera nem o trabalho de responder, nem um telefonema. Será que ela tinha caído em si e visto o tamanho da “bobagem” que estava fazendo sem seus amigos e as garotas que a rodeavam? Não sabia explicar. Também não tinha porque ter explicações. Jenny havia sumido e não sabia onde procurar. Talvez se tivesse enfrentado a mãe e lutado um pouco mais pelo que sentia talvez estivessem juntas agora, se não tivesse ficado com medo... mas já faziam mais de oito meses e especulações não iria mudar nada. Quem sabe ela já não tivesse outra namorada, e nem se lembrasse mais dela... Fernanda havia mudado muito. As pessoas que a cercavam notaram a mudança de imediato. Não andava mais com as meninas da cidade, trabalhava em uma loja em Assis e só aparecia na sorveteria para comprar alguma e ia embora. Não conversava direito com a mãe. Era fria e seca com ela assim como outrora ela fora com os seus sentimentos. Sua mãe achou no inicio que iria passar mas a cada dia e semana que passava a situação ficava pior... Fernanda havia se trancado num mundo só seu e nem seus irmãos tinham acesso a ele. E era justamente neste mundo que ela estava quando Diego e mais algumas pessoas vieram buscá-la para levá-la a uma comemoração de aniversário na sorveteria.
- Obrigado pessoal, mas eu não vou. Não estou bem.
- Faz muito tempo que você não esta bem. E eu não aceito um não como resposta. Vamos.
D. Célia Observou a filha saindo com os amigos e rezou para que tudo voltasse ao que era antes. Não queria uma filha amarga com a vida e toda noite orava a Deus para ter uma chance de corrigir seu erro.





Capítulo : TODOS TEM UMA SEGUNDA CHANCE


Cheguei em São Paulo num vôo de madrugada. Segui para um hotel para criar coragem para fazer o que havia decidido em Amsterdã, mas com um oceano de distancia parece ser tão fácil virei uma covarde nesse tempo. Passei seis semanas pensando se deveria ir ou não. Por duas vezes peguei o carro e fui ate a entrada de s. Joaquim e voltei. Não ia suportar vê-la namorando Diego ou qualquer outro garoto. Resolvi me hospedar em Assis assim ficaria mais perto da minha amada.
Depois de cinco dias estava passeando pelas ruas quando algo chamou minha atenção: um cabelo ruivo que estava de costas para a rua, mas a pessoa que a abraçou depois era um velho conhecido: Diego. Encostei num poste do outro lado da rua e fiquei vendo aquela cena que eu tanto temia eles estavam juntos novamente. Fernanda estava um pouco diferente, mais magra e os cabelos um pouco mais curtos, mas ainda era a minha Fernanda. Linda como sempre. As lagrimas que subiram aos meus olhos foram inevitáveis. Ver o sorriso que ela estava no rosto enquanto puxava a mão de Diego pra fora e sumiam na esquina. Eu ainda me agarrava na esperança de ficar com ela novamente, mas não queria fazer nenhuma intervenção na sua vida. Voltei para o hotel peguei minhas coisas fiquei um tempo pensando atrás do volante e dei a partida. As lagrimas turvavam minha visão deixava o carro ir sozinho. Senti uma batida no carro de leve e um monte de gente gritando ao redor, num sobressalto pensei ter atropelado uma criança. Desci e corri pra frente enquanto uma senhora se levantava do chão apoiada por outro senhor.
- A senhora se machucou? – Perguntei segurando o braço da mulher.
- Estou bem foi só o susto – Dizia se virando pra mim. Não podia acreditar no rosto que via. D. Célia me encarava como se tivesse visto um fantasma. Com tantas pessoas no mundo eu tinha que atropelar a mãe da Fernanda. - Eu... Eu... Eh... – Eu não sabia o que falar. Tinha sido descoberta.
- O que você esta fazendo em Assis? – Perguntou D. Célia se recompondo.
- Não sei... Quer dizer... Eu sei é que...
- Se não quiser me falar não precisa. Mas foi bom você aparecer. Acho que minhas preces foram atendidas. Preciso muito falar com você.
- Eu vou tirar o carro da rua e podemos ir ali naquele Café.
- Te espero lá. – Falou me dando as costas e andando para o lugar marcado.
Fiquei olhando D. Célia se afastar apoiada na bengala. Já estava andando muito bem e segura. Estacionei numa rua paralela e me juntei a ela na mesa.
- D. Célia eu estou muito desconfortável pelo que aconteceu – comecei sem graça - e eu queria que ninguém soubesse que estou aqui.
- Você quer dizer a Fernanda?
- Também.
- Eu não posso fazer o que está me pedindo. Ela tem que saber.
- Não tem porque ela saber. Também estou só de passagem. Vim visitar alguns amigos que estão presos numa penitenciaria aqui perto e...
- A penitenciaria mais perto daqui fica a mais de 100k e dentro desse espaço tem mais duas cidades. Ta querendo enganar quem?
- Acho que eu mesma. Ta. Eu to aqui pela Fernanda, mas... Eu acredito que ela tenha te contado o que aconteceu no passado e...
- Ela me contou sim. Falou que vocês se amam.
- Amava. – Corrigi – Mudou muita coisa dentro desses meses.
- Quase um ano. Por que voltou?
- Precisava vê-la de novo. Mas já estou indo embora.
- E você a viu?
- Vi. Ela estava numa loja com o namorado.
- Que namorado?
- O de sempre. Diego.
- Eles não são namorados.
- Eu vi eles abraçados e saindo de mãos dadas e...
- Sabe que dia é hoje?
- Não.
- Meu aniversario. Diego me trouxe para almoçar junto com Nanda. Acho que ela ficou feliz. Estava só agradecendo. Eles se tornaram grandes amigos.
- Eu não sei não e...
- Tem razão. Você não sabe de muita coisa, Mas eu sei e é por isso que eu quero falar com você. Depois de uns seis, sete meses pra cá todo dia eu peço a Deus pra ele me ajudar a consertar um grave erro e agora eu tenho a chance.
- O que aconteceu foi que...
D. Célia delicadamente pediu para eu calar a boca e começou a me contar tudo o que aconteceu desde o primeiro dia em que ela saiu do hospital, sua chantagem com Nanda a deprê em que ela entrou meu sumiço, a forma como ela caiu em si da besteira que tinha feito... Aquilo tudo foi me limpando a alma como se eu houvesse carregado um fardo imenso durante anos e agora isso tudo... Minha mente trabalhava em turbilhão para associar tanta coisa nova. Eu por minha vez falei de todo o que aconteceu comigo dos surtos que eu tive, do tempo que passei fora do país... Ficamos conversando por horas que pareceram minutos.
- Vamos à loja onde ela trabalha e quero vê-la e...
- Ela já foi embora. Ela trabalha até as cinco. Vamos pra S. Joaquim?
- Vamos claro.
- Você não está com raiva de mim.
- Depois eu penso nisso. – Disse rindo – Agora não dá.
Ajudei D. Célia a subir no carro já que eu estava com uma pick-up e saímos em disparada rumo ao meu tão sonhado destino.





Capítulo : ENFIM, O FIM


Cheguei em S. Joaquim como uma louca. D. Célia quase teve um ataque de medo pela forma que eu dirigia, passamos na casa dela, mas Nanda não estava lá. Deixei D. Célia em casa e corri para a praça saber se alguém tinha visto Fernanda. Não foi difícil de achá-la: estava no mesmo lugar onde há mais de um ano eu a tinha visto pela primeira vez.
A sorveteria estava um pouco cheia da molecada que ia para o colégio ali perto e de outros que chegavam do trabalho. Fernanda estava no meio de um grupinho de amigos conversando animada enquanto dava um abraço em D. Cida. Fiquei um tempo ainda dentro do carro criando coragem para sair enquanto isso via olhares sorrateiros para o carro, mas o vidro fume me dava segurança. Depois de 10 minutos decidindo ir ou não ir, desci do carro com o cu na mão e cabeça erguida indo em direção a sorveteria.
- É a Jennyfer! – Ouvi D. Cida falar.

Fernanda saiu pra fora rápida ao ouvir o que Cida havia falado, não acreditava que depois de tanto tempo voltaria a vê-la, mas era verdade ela estava ali vindo em sua direção olhando fixamente para seus olhos, como quem quer hipnotizar, usando as mesmas calças e blusinhas de couro que ela tanto se acostumara a ver, sua Jennyfer.

Cheguei perto de Nanda e ela ainda não havia se movido do lugar. Eu já tinha montado toda uma resposta na minha mente para qualquer coisa que ela dissesse sobre eu estar ali, mas nada disso foi preciso porque Fabrício se adiantou:
- Jennyfer! Que legal você voltou! _ Falou me abraçando – Veio pra ficar ou ta so de passeio?
- Já falo com você queridão. Meu negocio agora é com sua irmã. - Falei passando por ele. – Ola – Disse lhe dando um abraço
- Quanto tempo... – Disse Nanda baixinho.
- Eu sei. Tenho um recado pra te dar: Atropelei a sua mãe.
- O que? Você ta falando serio? Ela esta bem?
- Calma ela ta bem. Nem precisou ir no medico.
- É serio?
- É serio. Conversei a tarde toda com ela e quero muito conversar com você agora.
- Ta. Vamos ali.
- Não. Vem comigo.
Peguei a sua mão e a guiei para o nosso recanto secreto, no caminho fui falando pra ela tudo o que eu soube da mãe dela e tudo o que eu fiz. Fernanda escutava em silencio enquanto lagrimas caiam dos seus olhos. Deixei que ela digerisse tudo enquanto me deliciava com aquele lugar fantástico: O lugar onde havíamos feito amor pela primeira vez. Ficamos abraçadas por um longo tempo, busquei aqueles lábios de mel que embriagavam há muito tempo e Fernanda correspondia com um entusiasmo que há muito eu sonhava. Nos amamos novamente naquele lugar com as estrelas testemunhando nosso amor e a relva por baixo de nossos corpos ardentes de paixão, cada parte de Nanda estava marcada com o nosso amor.
- Eu te amo – Me disse baixinho enquanto respirava fundo – Te amo demais e nunca mais suma assim da minha vida.
-Eu também te amo, minha ruivinha... Nunca deixe que ninguém atrapalhe o nosso amor...


Depois daquele dia tudo se encaixou perfeitamente em nossas vidas. Nanda se mudou comigo pra S. Paulo e D. Célia e os meninos continuaram em S. Joaquim. Ela ainda fez objeções, mas Nanda foi firme com sua decisão. Viajamos muito em uma eterna lua de mel, e foi numa passagem pelo nordeste brasileiro que ela se apaixonou por uma menina órfã de pai e mãe num orfanato na capital piauiense, depois disso a adoção não foi tão complicado. Amanda é uma criança feliz e sadia, com suas próprias opiniões. Compramos a casa em S. Paulo e Nanda se formou no ano passado em psicologia. Foi no ano passado também que eu recebi a visita mais inesperada da minha vida: meus pais. Eles nem sequer ligaram para falar que estavam indo, simplesmente apareceram em casa e eu não tive reação alguma. Meses depois descobri que foi Fernanda que foi atrás deles, contando tudo o que tinha acontecido. Foram muitos anos de separação e estamos tentando reconstruir uma família novamente. Minha mãe adora Amanda e ela se diverte com os presentes que ganha semanalmente da avó.


“E essa é minha historia de amor, minha historia de vida. Espero que tenham gostado. Bem, garotas tenho que sair da frente desse computador agora, Fernanda está gritando que nem uma louca lá embaixo para eu descer pra conhecer a nova babá da Amandinha. Nos vamos passar uma temporada na Europa e tivemos que arrumar alguém pra viajar conosco, mas eu já até sei como vai ser esta babá: Igualzinho a outra que estava antes. Uma senhora com seus quarenta e poucos anos, solteirona, do jeito que a Fernanda gosta. Fazer o que? Não mando na casa mesmo.

Com amor Jennyfer”

Desci as escadas correndo, pois achei que Nanda ia ter um ataque enquanto chamava Amanda para dentro, quase no fim dos degraus tropeço em uma boneca e caio no tapete embaixo, olho para a boneca que esta com a perna quebrada devido ao meu pisão, apanho a boneca sabendo que vou ter que repor o estragado. Vou em direção a sala entretida com a boneca, tentado arrumar a perninha enquanto sou apresentada a mulher que vai tomar conta da minha filha...
- Jennyfer! – Me repreende Fernanda – Larga essa boneca e presta atenção.
Olho pra ela surpresa pela sua bronca e olho para a nova babá por curiosidade, mas a curiosidade me deu uma bela surpresa (alias que BELA). Ela é lindíssima, com cabelos ruivos cacheados caindo sobre os ombros um belo par de olhos verdes, pernas longas e definidas, um lindo sorriso e o melhor de tudo: essa beldade vai viajar com a gente. Desculpa, mas agora vou conhecer melhor minha babá, até mais......
Bjokassssssss


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