Meu Mundo
Patr�cia
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Era meu primeiro dia de aula. Era obvio que estava nervosa: tudo novo, amigos novos, col�gio novo, enfim. Um dia chato e sem gra�a. Esperava por tudo voltar pra casa, e pensar como levaria o outro dia.
Eu estava na oitava s�rie, e na minha classe havia apenas 45 alunos. Mas eu n�o me interessava muito pelos alunos da minha sala, muito menos tinha amigos nela, apenas uma, que eu considerava mais inimiga que uma amiga.
Quando deu o meu primeiro intervalo, senti um impulso de visitar a sala do meu irm�o. Ele era um ano mais novo por�m uma s�rie a frente. Quando entrei na sala dele vi, como primeira cara nova, uma garota linda que me chamou muito a aten��o. O sorriso dela era a coisa mais linda que j� vi, seus olhos eram surpreendentes, tinha a cor mais normal, castanho, mas com sua pele clara, dava um toque muito especial.
Nunca havia olhado para uma garota daquela maneira.
Isso me assustou, mas n�o consegui olhar para mais ningu�m. S�
depois de alguns minutos, vi a besteira que fiz. Ela havia percebido meus olhares,
e para isso pegou uma amizade com meu irm�o.
Em casa, eu desejava que o pr�ximo dia de aula chegasse, apenas para
sair e ver aquela garota. Passaram-se duas semanas e eu dizia a mim mesma "vou
falar com ela", mas a coragem saia com um leve olhar dela. Pensei em chegar
perto dela de outras formas, peguei uma amizade com sua amiga, que se chamava
Dayane. Assim, soube que as duas faziam v�lei, eu era do time, mas nunca
as vi l�. O �bvio veio na minha cabe�a, elas eram muito
t�midas, gostavam de cal�as e n�o de um short curto como
o do time.
Veio o dia t�o esperado: o jogo contra o time
de outro col�gio. Eu estava muito nervosa, ent�o algu�m
entrou no vesti�rio quando eu estava para sair, j� que eu estava
sozinha. Mas quando me virei para a porta, a garota estava de cabe�a
baixa mas olhando pra mim, as m�os estavam a suas costas, e os p�s
juntos. Ent�o, tomei coragem e falei.
-Oi.
-Oi; ela disse com uma voz baixa, mas ssuave.
-Vai fazer v�lei? Vi seu nome na lista,, mas n�o vi voc� no
jogo; perguntei fingindo n�o estar intimidada.
-�, achei que seria constrangedor uma iiniciante entre o time do col�gio;
ela disse levantando a cabe�a.
- Que isso, todas come�aram como um zerro a esquerda. Mas o que voc�
est� procurando? Precisa de alguma coisa?
-N�...quero dizer, sim.
-Posso ajudar?
-Pode. Eu queria falar com voc�, mas accho que voc� precisa ir ao
jogo.
Me dei conta do tempo: o jogo j� ia come�ar.
Disse que falaria com ela mais tarde, e fui para a quadra, lamentando n�o
ter mais tempo. Quando me posicionei, olhei para a galera que ia torcer pela
gente, e vi escondida a garota, junto a sua amiga Dayane, que sorriu pra mim.
A primeira bola veio, me dei bem, a segunda, peguei
bem, a terceira...da� foi, me dando bem a cada bola que vinha em minha
dire��o at� que a garota do outro time caiu de repente
e resolveu culpar a nossa jogadora. Rolou uma confus�o, eu, gritando
feito louca, e o treinador de boca com o outro. Senti m�os pegarem no
meu bra�o e me puxarem para fora daquela gritaria. Dayane me puxou e
me p�s de frente para a outra.
- Essa � Vanessa, Vanessa essa � Patr�ccia; disse Dayane.
- Oi; disse Vanessa.
Eu olhei para as duas na d�vida. Ningu�m apresenta algu�m
durante uma confus�o daquela. Olhei de uma pra outra at� que Dayane
resolveu falar.
-Bem, � o seguinte, beija ela logo.
>
-Qu�? O que voc� disse?
Mas nem deu tempo de ouvir a explica��o, Vanessa me puxou e me
beijou com muito carinho e tanta graciosidade que eu nem me dei conta da sensa��o
maravilhosa que estava sentindo naquele momento. Aquilo era tudo o que eu queria,
e l� estava eu, nos bra�os da garota mais linda que conheci.
Quando desgrudamos, eu me liguei que Dayane estava
assistindo tudo. Ent�o, eu me virei para ela e apertei sua m�o.
Mas Dayane sorriu e abra�ou Vanessa.
- Sabe, ela estava louca pra te conheceer; disse Dayane a Vanessa.
- E como sabiam? perguntei intimidada
A partir daquele dia, eu e Vanessa come�amos a namorar. �ramos t�o unidas que at� em trabalhos escolares que envolviam todo o col�gio un�amos eu, ela e Dayane. Dayane era t�o legal que nem fic�vamos preocupadas se isso se espalhasse. Mas estava ficando mais dif�cil esconder o nosso sentimento, alguns j� estavam desconfiados, e outros perguntavam.
Vanessa passou a ir no v�lei, e sempre que um andar do col�gio estava vazio, nos abra��vamos e nos beij�vamos. At� que um dia, Vanessa resolveu dizer a todos o que sentia por mim, mas eu discordei, n�o sabia aonde aquilo ia dar. No v�lei, eu s� era amiga de uma garota Graziela, para qual contei tudo, e Dayane, a qual me disse tudo. O resto, n�o sabiam de nada.
Vanessa n�o quis esperar; decidiu que no pr�ximo jogo iria mostrar a todos o que sentia por mim. E foi nisso. O jogo t�o esperado, os maiores rivais do col�gio se uniram em um time e resolveram jogar com o nosso col�gio. O gin�sio estava lotado, todos do col�gio haviam vindo, e todos os nossos amigos resolveram assistir ao jogo. Eu sabia que seria ali que eu devia me preocupar com o que os outros iriam pensar se Vanessa fizesse o que queria ali. O jogo estava muito dif�cil, 13X12 11X13, ent�o acabamos ganhando 8X13. Quando meu time foi comemorar, na frente de todo mundo, Vanessa me puxou e me beijou.
N�o sei o que se passou na cabe�a das pessoas, mas s� sei que todos pararam para nos observar. E isso foi at� legal, alguns garotos nos chamavam de sexy porque achavam aquela cena demais. As garotas ficaram de bocas abertas, e empinavam o nariz. Graziela e Dayane sorriam abertamente. Naquele momento, Vanessa disse alto e claro que me amava, e ouviu sair de minha boca, um "te amo" com l�grimas.
Fim