Medo de Amar
Maria Eduarda
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Capitulo 1: Solid�o
Fazia um frio terr�vel naquela manh� de sexta-feira. O vento batia forte nas janelas e portas como se quisesse arrast�-las para longe. As nuvens cada vez mais escuras amea�ando a se desfazerem a qualquer momento em forma de chuva.
Nikkie, encolhida na cama, envolta por suas
mantas e seu edredon, olhava para o teto, em busca de coragem para se levantar
e ir trabalhar naquela manh� t�o fria.
Do teto, seu olhar se arrastava pela sua cama. Sentiu um aperto forte em seu
peito. Sentia-se um pontinho insignificante naquele espa�o enorme que
sobrava em sua cama e ningu�m em cima dela para lhe fazer compania.
Tinha �dio do inverno por causa disso. Era uma esta��o melanc�lica para ela. Onde a solid�o batia com mais intensidade, esta��o onde perdeu o seu amor, que a trocou por uma outra mulher, n�o tendo coragem de dizer isso, olhando-lhe nos olhos, deixou sua fuga registrada em um peda�o de papel de p�o em cima da mesa do caf�.
Nikkie sofreu, chorou muito, sua vida perdera sentido desde que fora deixada por Peter. Jurou para si mesma que jamais se envolveria com algu�m novamente, que se dedicaria apenas a ela e ao seu trabalho. Este pelo menos sempre lhe dera muitas recompensas.Era uma fot�grafa famosa e bastante requisitada. Sua ag�ncia era uma das mais procuradas. Ela amava o que fazia e sempre repetia que n�o poderia ter escolhido profiss�o melhor e mais gratificante.
Levantou-se da cama rapidamente. Dirigiu-se ao banheiro e tomou uma ducha bem quente. Ela deixava que a �gua escorresse abundante pelo seu corpo nu, sua pele macia e aveludada, tirando dela toda tens�o e o resto de sono que ainda permanecia em si. Tamb�m n�o gostava de levantar cedo, mas o dever a chamava.
Foi tomar seu caf� da manh� na padaria que ficava perto de sua agencia. Adorava o lugar, pois era sossegado, muito bem decorado, tinha a boa compania de seu Manoel, o dono da padaria que habituou-se em esper�-la para tomarem juntos seu caf�. Ele adorava ouvi-la falar sobre suas aventuras em busca de �ngulos perfeitos, e ela gostava muito das hist�rias que ele contava sobre sua inf�ncia, sua vida sofrida em Portugal, entre outros assuntos que tinham em comum e que gostavam de discutir.
Capitulo2: Kiki
Ao chegar, sua secret�ria adiantou-lhe que seu dia seria cheio. Haviam muitos modelos para serem fotografados, eventos para os finais de semana... Entrou em seu est�dio, preparou suas c�meras, fotografou durante horas, ininterruptamente.
No fim da tarde, quando finalmente conseguiu parar e resolveu respirar um pouco, sua secret�ria lhe interfona, informando-lhe de que havia algu�m querendo falar-lhe.
Irritou-se, pois o �nico momento que teria para relaxar naquele dia, afinal teria que ficar at� tarde da noite fotografando para uma campanha de uma nova cole��o de roupas de uma loja famosa, seria interrompido por algum chato, julgava ela. Respondeu que receberia a pessoa em sua sala.
Ouviu algu�m bater a porta e pediu que este entrasse e se sentasse, pois j� iria lhe atender, estava apenas salvando algo no computador. Quando virou-se, se deparou com uma garota que n�o deveria ter mais que vinte anos, usando aparelhos nos dentes, um rosto bem comum de adolescente, usando �culos de aros redondos.Sentiu uma certa vontade de rir da garota, pois achava que esta queria ser modelo, e pensaria no como o faria para dizer que esta n�o teria chances.
- Ol�, guria, em que posso ajuda-la!
Estendeu sua m�o direita para cumpriment�-la.
- Oi! - a voz da mo�a era tr�mula-, meuu nome � Nath�llya,
mas pode me chamar de Kiki, todos me chamam assim!
- Prazer em conhece-la Kiki, mas tu ainnda n�o me respondeste no que posso
te ajudar!
- Sou conhecedora de seu trabalho, o accompanho h� muito tempo, e n�o
quero ser puxa-saco, mas sou sua f�. Tenho muita vontade de estagiar
com voc�.
Nikki sentiu-se lisongeada com cada palavra que sa�a da boca da menina, que foi se soltando aos poucos e demonstrou ser muito inteligente e que tinha o mesmo amor que ela por fotografias.
- Seu curriculum � muito bom, guria!
Cada �ngulo interessante que tens registrado aqui! -, dizia admirada,
olhando para as fotos tiradas pela menina.
- Muito obrigada! Confesso estar at� emmocionada em ouvir tais elogios,
ainda mais vindo de voc�, que eu tanto admiro e tenho como �dolo.
- E quando � que tu gostarias de come�aar a estagiar aqui comigo?
- Quando voc� quiser! Estou � sua dispoosi��o.
- Se importaria de come�ar daqui a 15 mminutos? Assim eu iria conhecendo
um pouco mais de seu trabalho, e como voc� se sairia num dia longo como
o que vamos ter ainda esta noite.
- Por mim est� �timo! Poderia apenas ussar o telefone para avisar
minha av� que estou aqui?
- Claro que sim! E depois v� at� aquelaa padaria que tem aqui na
esquina, pois estarei l� lhe esperando para tomar um ch� comigo.
Cap�tulo 3: A Viagem
- Nem acredito que este final de semana eu
vou poder aproveitar sossegada. Estou com saudades de meus av�s, acho
que vou visit�-los este fim de semana, vibrou timidamente.
- Nikkie, eu n�o quero ser uma desmanchha prazeres, mas amanh�
voc� tem uma viagem marcada pra S�o Paulo. Lembra-se do desfile
da cole��o de Inverno-Masculina e Feminina!, disse Laura, sua
secret�ria, um tanto chateada em acabar com sua empolga��o.
- N�o creio! Como pude me esquecer de ttal compromisso, meu Deus! Lars,
Gutto, voc�s me acompanhar�o?
- Sentimos muito, minha cara, por n�o ppodermos acompanh�-la, mas
temos outros compromissos, lembra-se? Foi voc� mesma quem disse que t�nhamos
de ir para Gramado e que iria sozinha para S�o Paulo.
Nikkie ficara desalentada por ter de viajar sozinha, at� que Kiki t�midamente oferece para ir com ela, que acaba aceitando sua companhia. Lucas, o motorista da agencia as levou para suas casas, para que estas pudessem fazer suas malas e se trocarem. Partiram quando o sol estava despontando t�mido no horizonte. Dormiram durante todo o trajeto. Estavam cansadas demais para dialogar, e teriam de descansar para o evento daquela noite.
Cap�tulo 4: Pe�a do Destino
No hotel, as duas s�o informadas que havia apenas um quarto de casal dispon�vel. Elas n�o poderiam procurar outro hotel, pois este era o mais pr�ximo do local do desfile. Tiveram de aceitar tal situa��o, mas havia um certo constrangimento da parte de Nikkie, por terem de dividir o mesmo quarto, a mesma cama.
O desfile estava marcado para as dez da noite, e elas teriam algumas horas para se divertir e dormir. Visitaram o MASP. Era a primeira vez que Kiki visitava o lugar. Ficara encantad�ssima com as coisas que via. Parecia uma crian�a dentro de uma f�brica de brinquedos, e num reflexo infantil e um tanto malicioso, tomou Nikkie pelas m�os e permaneceram de m�os dadas durante todo o passeio dentro do museu.
Quando percebeu que estava de m�os dadas com Kiki, Nikkie sentiu um medo misturado com seguran�a, uma sensa��o de bem-estar. N�o conseguia soltar da m�o da menina, apesar de seu espanto. Seu corpo fora tomado por uma esp�cie de vertigem, o qual ela quis esconder, mas esfor�os n�o seriam precisos, pois Kiki estava distra�da demais com cada quadro, cada escultura..
No restaurante, Nikkie surpreendeu-se mais uma vez ao perceber que Kiki a fitava incessantemente. Ficara um pouco incomodada com aquilo. Sabia que havia algo mais no olhar dela, que n�o conseguia entender, ou talvez n�o o quisesse. Tamanho foi o seu espanto em sentir as m�os quentes de Kiki sob as suas, frias. Sentia sua temperatura oscilar fluentemente, suor vertia de sua fronte apesar do clima frio que fazia em S�o Paulo.
- O que voc� tem Nikkie? Parece estar
assustada com alguma coisa! - insinuou, segurando mais forte suas m�os.
- Assustada, eu? Imagina guria! � apenaas impress�o tua. E afastou-se
dela alegando querer ir ao banheiro.
Olhava-se no espelho. Estava confusa. Repetia in�meras vezes dentro de sua cabe�a que aquilo tudo n�o passava de uma grande loucura, que n�o poderia estar sentindo aquilo. Nunca em sua vida havia se apaixonado por uma mulher. N�o estava preparada para tal, e tamb�m n�o estava nem um pouco disposta a quebrar o juramento que fizera para si mesma.
J� tinha algum tempo que Kiki alimentava uma paix�o por Nikkie, e n�o estava disposta deixar de lutar pela mulher que tanto desejava, ainda mais depois de ter conseguido dar um grande passo, estagiar na ag�ncia de sua �dolo, estar ao lado dela todos os dias..
De repente, Nikkie fora surpreendia por m�os macias que deslizavam em sua cintura. Queria fugir, mas nenhum m�sculo de suas pernas atendiam os seus comandos. Com esfor�o, pediu a Kiki que voltassem ao hotel.
Deitou em sua cama. Queria chorar e n�o
se permitia. Seus pensamentos pareciam espectros, que vieram assombr�-la.
Encolhera-se num canto da cama e adormeceu.
Cap�tulo 5: Ci�mes
O sal�o do evento estava lotado, um tum�lto enorme de jornalistas, fot�grafos, curiosos...As duas tiveram de se esfor�ar para conseguir bons �ngulos para suas fotografias.
Ap�s o desfile, todos se dirigiram
para a pista de dan�a.
-Vamos dan�ar, Nikkie! Anime-se! Notei que desde o restaurante voc�
est� tensa, preocupada com alguma coisa.
-Mas bha, guria! Tu ficar�s me observanndo por mais quanto tempo!; esbravejou
- Eu n�o sei dan�ar e t�o pouco estou aafim.
Kiki afastou-se dela, um tanto chateada com
sua rea��o. Foi dan�ar sozinha, at� que foi surpreendida
por um amigo que n�o via h� anos.
-Que surpresa te encontrar aqui Nathalllya! Estava morrendo de saudades. Voc�
est� linda!
-Eu quem estou feliz por te encontrar aaqui, Marcello. Voc� sumiu, n�o
tive mais noticias suas.
Kiki foi apresentar o amigo para Nikkie, que demonstrou n�o ter prazer nenhum em conhec�-lo. Ficara enciumada com a intimidade dos dois que logo voltaram para pista dan�ar. Ela apenas observava os dois. Queria poder voltar atr�s em sua decis�o e ter aquela guria em seus bra�os naquele momento, mas n�o dava o bra�o a torcer.
Algum apaixonado an�nimo que estava no local pediu para tocar Billie Holliday. Marcelo e Kiki dan�aram de rostos colados. Nikkie fica ainda mais enciumada. Seu cora��o aperta-se dentro do peito, sua express�o fica ainda mais s�ria, seus sentimentos mais indisfar��veis, e Kiki percebendo, aproxima seu corpo ainda mais ao de Marcelo e fala-lhe coisas, bem ao p� de seu ouvido, fazendo-o tremer, e arrancando de Nikkie uma rea��o inesperada.
Ela aproxima-se do casal e puxa a garota
pelo bra�o. Marcello ficou paralisado, perplexo com o que acontecia diante
de seus olhos.
-Eu quero ir embora agora deste lugar! N�o ag�ento mais ficar aqui
com esse barulho todo. Por favor, Nath�llya, vamos!
A garota sentiu-se vitoriosa por dentro. Seria uma quest�o de tempo estar
nos bra�os da mulher que tanto desejava.
Cap�tulo 6: O Beijo
Dentro do t�xi n�o havia di�logo
algum entre elas. Nikkie n�o conseguia nem olhar para Kiki. Sua vontade
era apenas de sumir para um lugar bem longe e s� voltar quanto conseguisse
tirar de vez aquela garota de sua cabe�a.
Sa�ra apressada de dentro do t�xi e dirigiu-se ao banheiro. Tomou
um demorado banho, como sempre fazia todas as vezes que se sentia nervosa. A
�gua acalma-lhe um pouco.
Ao sair do banho Nikkie depara-se com uma das cenas mais lindas de sua vida.
Kiki, apesar do frio dormindo nua, linda, sexy...seus cachos negros espalhados
sobre o travesseiro, seus seios fartos � mostra, sua barriga escultural,
as mais belas formas, parecia uma perfeita escultura, sua pele negra contrastava
com os len��is de seda brancos. Seus pelos doirados, eri�ados
pelo frio.
Andou em sua dire��o como se estivesse hipnotizada, foi cobri-la
para que n�o pegasse um resfriado, at� que um estrondoso trov�o
acaba assustando as duas e fez com que Kiki despertasse e se atirasse nos bra�os
de Nikkie.
Abra�adas, totalmente envolvidas por aquele clima de paix�o e
sedu��o, eis que surge o primeiro beijo.
Um simples beijo, um leve tocar de l�bios, o suficiente para eletrizar
as duas e aterrorizar Nikkie ainda mais.
Afastou-se, enrolou-se nas cobertas, deitando-se no ch�o, longe daquela
tenta��o que estava diante de seus olhos.
Cap�tulo 7: A Revela��o
Quando voltaram, todos perceberam que Nikkie estava diferente, seu humor estava p�ssimo. Pouco conversava com os amigos, era sempre a primeira a chegar na ag�ncia e a �ltima a sair.
Kiki, por sua vez, de todas as maneiras tentava seduz�-la. Estava a cada dia mais provocante e sexy, despertando desejo at� em seus amigos de trabalho, Larz e Gutto. Deixara de lado seus �culos e trocou-os por lentes de contato, os cachos sempre soltos, ao vento, roupas que real�avam sua beleza natural, j� n�o tinha mais aquele ar de menininha e sim de uma mulher madura, felina, decidida a lutar por aquilo que quer.
� noite, Nikkie se preparando para
sair, ouve o som ininterrupto da campainha.
Era Kiki, mas desej�vel e deliciosa do que nunca.
-N�o vai me convidar para entrar, Nikkiie?, perguntou com um ar de provoca��o.
-Claro! Entra, Nath�llya. Sinta-se a voontade.
-Por que de um tempo para c� voc� insisste em me chamar de Nath�llya.
N�o sei para que tanta formalidade comigo Nickoly!
-Guria, de uma vez por todas, diga-me oo que desejas de mim? Por que me persegues
tanto, olha-me diferente?, esbravejou.
-Ser� que voc� � t�o ing�nua a ponto dee n�o
saber?, ironizou.
-Sou apaixonada por voc�, Nikkie, te ammo de um jeito que nunca amei ningu�m!
-Tu est�s maluca por certo! Apaixonada por mim? Certamente est�s
confundindo as coisas, guria!
-N�o sejas rid�cula! Eu n�o estou confuundindo nada e voc�
sabe disso t�o bem quanto eu. Sei que o que sinto por ti � rec�proco,
se n�o fosse, n�o fugirias tanto de mim como vens fazendo ultimamente.
A medida em que falava, Kiki aproximava-se cada vez mais de Nikkie, empurrando-a verbalmente em dire��o � parede. Esta por sua vez s� parou ao sentir o impacto forte em suas costas. Agora j� n�o tinha mais como escapar. Aproveitando de sua fragilidade, Kiki tomou-a em seus bra�os e beijou-a apaixonadamente, do jeito que sempre desejou fazer...-Por favor Kiki, p�ra! Eu n�o te...eu te amo...sim, eu te amo guria...
Dois corpos caem ao ch�o . Pareciam duas panteras no cio se atracando no carpete felpudo da sala. Roupas foram arrancadas com voracidade, jogadas ao longe. Nikkie, prendendo as m�os de Kiki no ch�o, beija desesperadamente sua boca, deslizando com ela, por sua nuca, pesco�o, colo...suga cada um de seus seios gostosa e demoradamente, arrancando-lhe suspiros intensos.
Penetrou-lhe as entranhas com sua l�ngua felina. Absorvia o sexo da garota, ardendo em chamas, todas suas energias. Kiki parecia uma serpente embriagada, de sua boca s� saiam palavras desconexas...
Com as pernas entrela�adas, seus sexos se tocam. Aquele atrito que h� entre eles, deixam-nas ainda mais excitadas. Num impulso felino, Kiki senta-se em cima do ventre de Nikkie, esfregando seu sexo sobre ela, tomando-lhe as m�os colocando-as em seus seios. Seu gozo vem forte. Nikkie excita-se ao sentir os l�quidos flu�rem de sua amada sobre seu ventre. Julgava que esta ficava ainda mais linda gozando...
Fizeram amor de todas os modos, descobrindo
novas formas de como dar prazer uma a outra. Cansadas, se abra�aram,
trocaram confidencias. Nikkie declarara com l�grimas todo o seu amor.
Capitulo 8: Complexo de Culpa
Ao acordar, Nikkie percebe que Kiki j� n�o esta mais em seus bra�os. Medo e desespero a dominam descomunalmente. Num ato insano, atirou a cuia de chimarr�o contra parede, chorando descontroladamente. Sai a sua procura pela casa toda e n�o a encontrei. Ligou na casa da av� de Kiki, perguntando sobre seu paradeiro, mas ningu�m atendera o telefone.
Foi at� a praia, caminhar nas areia gelada, buscando solu��o para seu conflito interior. Sentiu-se culpada. Culpava-se por n�o ter evitado o que aconteceu na noite anterior, que jamais deveria ter aberto o seu cora��o daquela maneira. N�o acreditava que havia quebrado seu juramento, de n�o mais se entregar a algu�m.
Ao voltar da praia Kiki estava a sua espera.
Ela foi ternamente aninhar-se em seus bra�os, mas afastara-se com o ato
de rejei��o de Nikkie.
-Por que tu estas t�o fria comigo? O quue fiz para ti, meu amor?, quis
saber, preocupada...
-O que aconteceu conosco ontem a noite foi um grande erro. N�o era para
ter acontecido., dizia com uma frieza que jamais imaginara que tivesse.
-O que? Eu n�o estou entendo a onde vocc� quer chegar!
-� exatamente isso que voc� ouviu! O quue aconteceu jamais ir�
se repetir novamente, Nath�llya. Eu n�o te amo e t�o pouco
gosto de mulheres, negava para si mesmo, tentando acreditar em sua pr�pria
mentira.
-Tu n�o podes estar falando s�rio! Dissse que me amava chorando.
Senti uma sinceridade enorme em suas palavras ontem. Percebi o quanto tu gostate
de nossa transa, que gozaste v�rias vezes comigo...
-Tu me seduziste, guria! Disse-te aquillo tudo por impulso. N�o amo ningu�m
e quero ficar sozinha.
-Tu �s a pessoa mais desprez�vel que euu conhe�o, Nickoly
Casta�edas! Como pode fazer aquilo comigo? Brincar com tanta crueldade
com meus sentimentos? �s uma covarde que tem medo de amar! Vais morrer
seca e sozinha!
Assim que a porta se fechou em sua cara, percebera o grande erro que cometeu. Saiu desesperada atr�s de Kiki, que entrou no carro, sem dar-lhe ouvidos.
Na segunda-feira recebeu a not�cia de que ela havia ido embora para S�o Paulo, morar na casa de um amigo. Certamente o amigo era Marcello, o qual Nikkie n�o tivera prazer nenhum em conhecer. Mais que depressa tratou de conseguir o endere�o com a av� da menina e foi atr�s dela em S�o Paulo. Decidira de uma vez por todas quebrar seu juramento idiota e cruel. N�o estava disposta a ser infeliz e sozinha para o resto de sua vida. Resolveu lutar por seu grande amor e vive-lo enquanto este durasse.
Chegou em S�o Paulo no in�cio da noite. Marcello notou que a amiga estava muito triste com o que acontecera. N�o sorria, comia e conversava muito pouco, n�o dormia direito. Todas as vezes que se lembrava das palavras cru�is de Nikkie, uma dor em seu peito a atingia, deixando-a tonta... Sentia uma ponta de mentira nas palavras de sua amada. O clima frio e chuvoso a deprimia ainda mais. A chuva estava forte e incessante. Os trov�es cada vez mais estrondosos e medonhos... O vento cantava forte...
Kiki apressou-se para chegar em casa. Havia
recebido uma mensagem em seu celular de que algu�m a esperava... A grande
surpresa. Completamente molhada, tremendo de frio, Nikkie estava encostada num
poste a sua espera.
-Kiki eu preciso muito falar contigo, gguria! Por favor me ou�a. Eu...eu...foi
interrompida por seu desmaio, caindo ao ch�o feito um pacote fl�cido.
Gritos de socorro ecoam desesperados. �
quase atropelada ao tentar parar um t�xi. No corredor do hospital, a
ang�stia por n�o saber o que esta acontecendo com Nikkie. Aproxima-se
do pequeno altar que vira no final do corredor, e ajoelha-se diante dele, pedindo
a S�o Benedito, seu santo de devo��o para que nenhum mal
aconte�a a sua amada.
-Por favor, a senhorita � parente da Niickoly?
-N�o, doutor, eu sou...sou amiga dela, respondeu titubeando.
-Ela est� com pneumonia! Seu caso n�o �� t�o grave,
mas ter� de ficar uns dois dias aqui conosco em observa��o,
tendo os cuidados m�dicos necess�rios. Ah! A prop�sito,
quem � Kiki?
-Sou meu! Na verdade meu nome � Nath�lllya, mas todos me chamam
de Kiki, por qu�?
-Ela certamente gosta muito de voc�!, ddisse, segurando-lhe as m�os
ela n�o parou de chamar por voc� um s� minuto. Estava agitada
demais, que tivemos da dar-lhe um sedativo.
Ligara para Marcello, contando o que aconteceu,
e que ficaria com Nikkie no hospital. Ficara com ela em seu quarto o tempo todo.
No meio da madrugada Nikkie novamente chamava por Kiki, que acordou e foi atend�-la.
-Estou aqui, Nikkie! Fica quietinha. N��o deverias te esfor�ar
tanto. Tu ainda est�s fraca. Durma, amanh� conversaremos.
-N�o, por favor Kiki, tens de me ouvir,, guria! Pelo amor de Deus n�o
acredite em nada do que te disse naquele dia em que te fiz sumir de minha casa.
Menti quando disse que n�o te amava. Eu te amo, guria, te amo muito mesmo.
-Ent�o por que foi t�o cruel comigo? Mee magoando daquela maneira?
-Por medo! Medo de amar! N�o tens id�iaa do desespero que senti
ao acordar e ver que n�o estavas em meus bra�os. Procurei-te como
uma louca por toda casa e n�o a encontrei. Imaginei, devido ao meu espanto,
que havia me abandonado. N�o suportaria ser abandonada novamente.
-N�o abandonei voc�, Nikkie! Jamais farria isso contigo. Fui para
casa por causa de minha av�, e voc� dormia t�o pesado que
n�o quis te acordar. Achei que ia peg�-la ainda dormindo.
-Agora eu sei disso, mas o medo que sennti...desde que Peter foi embora, jurei
a mim mesma que jamais amaria algu�m novamente. De repente, tu apareces
em minha vida e me vejo perdidamente apaixonada por outra pessoa, ainda por
cima uma mulher. Nunca, at� ent�o senti algo por mulher nenhuma.
Por favor, Kiki, me perdoa, fica comigo! Fica! Eu te amo guria...te amo...
-N�o precisa dizer mais nada! Eu tamb�mm te amo...
Fim