Minha Doce Protegida
Gatafield
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http://minha-doce-protegida.blogspot.com
2007
Sempre
procuramos proteger a quem amamos.
Capítulo Um: Erica
O inverno fazia-se presente mesmo dentro da sala aquecida
pelo condicionador de ar. Estava muito frio. O inverno estava sendo rigoroso
este ano. Erica estava em sua sala, analisando um caso que estava sob sua responsabilidade.
Era investigadora policial, cargo que exercia por puro prazer, pois costumava
brincar que jamais ficaria rica com ele. Erica gostava de fazer as coisas por
prazer. E gostava do desafio de desvendar os mistérios de um crime, descobrir
sua motivação. Isso a excitava, a estimulava, mas a sua excitação
suprema era estar sob os lençóis com uma bela mulher.
Já tinha sido guarda-costas, exerceu esta atividade
por seis anos. Protegeu em sua carreira quatro pessoas e quase morrera no seu
último serviço. Sorte sua estar com um colete à prova de
balas, senão até essa hora estaria prestando contas dos seus pecados.
Riu desse pensamento. Mas não foi por isso que desistira, na realidade
a atividade não a desafiava mais. Foi treinada para ser guarda-costas,
especializara-se nisso. Chegara a ficar seis meses nos Estados Unidos aprendendo
novas técnicas. Mas a arte investigativa parecia, para ela, ser mais
instigante, mais desafiante. Era movida a desafios. Claro que estaria muito
melhor financeiramente se continuasse como guarda-costas, pois era extremamente
bem remunerado. Não era pessoa de luxos, vivia bem, mas sem tê-lo.
Dizia que pouco lhe bastava para viver. Estava como investigadora há cinco anos e ainda tinha suas economias da época de outrora.
Não era adepta de usar roupas de marca. Aliás,
tinha aversão, dizia que teriam que lhe pagar para fazer propaganda para
os outros, pois não era nenhum outdoor ambulante. Trajava-se com calças
jeans justas que evidenciavam seu belo corpo, gostava de camisetas e botas.
Suas camisetas eram somente de algodão e lisas, sem estampas, e não
suportava tecidos sintéticos, usava de todas as cores e coladas ao corpo,
o que mostrava sua musculatura bem trabalhada. No inverno adorava usar casacos
de couro. Tinha vários deles e eram o seu único luxo. Estava usando neste momento um casaco marrom comprido quase até
o joelho. Este era o seu estilo, já que não ligava para moda.
Seu porte era atlético, com um corpo bem torneado
em virtude de anos da prática da arte marcial do Karatê. O Karatê-Do, que quer dizer “caminho das mãos vazias”, era sua paixão
desde os 16 anos, e tornou-se faixa preta aos 23 anos. Praticava-o constantemente,
pois sabia ser excelente exercício para o corpo e mente. Em virtude disso
nunca foi para uma academia de ginástica. Não suportava esses
ambientes. Morava em Curitiba, cidade que aprendera a amar há
12 anos, adorava fazer caminhadas pelos parques, mas em virtude do tempo no
inverno estar sempre chuvoso, tinha sua esteira, onde andava por quase uma hora,
quase que diariamente. Assim, mantinha seu corpo saudável aliado a uma
alimentação balanceada.
Seu ponto fraco eram as mulheres, loiras, morenas, ruivas,
não tinha uma preferência definida, bastava ser bonita, um corpo
atraente e claro, inteligência e pronto, caía
Seus olhos castanhos escuros percorreram a última
evidencia colhida para a elucidação do caso de assassinato que
investigava. Estava a um passo de pegar o assassino. Tinha dois suspeitos, mas
estes tinham um álibi que lhes tirava do local do crime. Se não
fosse isso já estariam presos.
Tornou-se investigadora quando fez um concurso público.
O certame foi concorrido e tinha estudado muito. O que lhe ajudara foi ter feito
a faculdade de direito. Nunca exerceu a profissão de advogada, aliás não se via como uma. Tornou a olhar a evidência, este
caso lhe intrigava. Era o assassinato de um homem, dono de uma loja de móveis,
como se fosse um latrocínio. Os principais suspeitos eram sua própria
mulher e seu amante, que era também seu álibi. Acreditava ser
a mulher a mandante do assassinato.
Resolveu levantar e tomar um café. Ia dar um
giro pela delegacia para espairecer um pouco. Foi até a cozinha e serviu-se
de uma xícara de café. Nisso entra seu colega de trabalho e grande
amigo Roberto, também investigador. Este já trabalhava a mais tempo no cargo. Fora ele quem a ajudara no início. Tinham
se tornado excelentes amigos. Roberto sabia de sua homossexualidade, na realidade
ela não a escondia de ninguém, apenas não andava com isso
estampado na testa. No início Roberto deu em cima dela, era uma cantada
atrás da outra, até que um dia teve de dizer que tinham algo em
comum, além do cargo: mulheres. Ele ficou chocado, mas acabou aceitando
o fato e as cantadas cessaram como que por encanto.
- E aí, Erica, já resolveu seu caso? Perguntou
Roberto.
- Quase. Só falta eu
derrubar o álibi.
- Eu tô com
meu caso enrolado. Acho que vai ser mais um daqueles sem solução.
Odeio quando isso acontece. Parece que sou incompetente. Disse e suspirou. Serviu-se
de um café também.
- Fazer o quê, amigo. Temos poucos recursos, e
o pouco que temos às vezes não ajuda muito.
- Hummm... é verdade. Você
vai ao aniversário do delegado? É hoje à noite. Perguntou
mudando de assunto.
- Devo ir. Respondeu Erica.
- Eu também. Ainda bem que ele é camarada.
Se fosse chato acho que não iria. Roberto disse rindo.
- Ah, Roberto, você sempre implica com o chefe.
Deixe disso homem. Falou Erica.
- Você diz isso porque é a queridinha dele,
pensa que eu não sei que se você o deixasse te carregava no colo.
Falou provocando ela. – Ele arrasta as duas asas por você. Disse e riu.
Erica riu do comentário dele. Realmente era verdade.
O delegado, o Dr. Pereira, sempre dava um jeitinho de mostrar que estava
interessado nela. Era um safado, pois vivia traindo a mulher. Mas cortava o
barato dele sempre. Erica Costumava dizer que se fizesse assim com o dedo ele
viria igual um cachorrinho, Eu, hein, tô fora. Gosto disso não.
Pensou Erica.
Fim de semana. Erica estava em seu apartamento. Ligou
o aquecedor de ambiente, pois estava muito frio. Estava embaixo de um cobertor,
deitada no sofá da sala, tinha acabado de ver um filme. Seu gênero
preferido? Sem sombra de dúvida era o suspense. Gostava muito dos policiais.
Suspirou. Estava sentindo falta de um corpo quente colado ao seu. Queria uma
boca apetitosa para beijar. Ô carência. Isso ainda me mata. Pensou
e riu sozinha.
Decidiu sair à noite, precisava dar uns amassos
e uns beijos. Morava sozinha, mas não gostava de trazer as mulheres para
seu apartamento. Era o seu refúgio. Sempre ia para motéis ou até
mesmo na casa delas. Preferia assim.
Segunda-feira. Sempre ia para o trabalho de ônibus,
pois com o excelente sistema de transporte público da cidade, não
via necessidade de ir com seu carro. Chegou a sua sala e pegou o jornal. Viu
a manchete: “Mega empresário morre em acidente de carro.” Dizia a matéria que o dono de um império sofrera um
acidente de carro. Ele estava no volante e em uma curva perdera o controle do
carro. Seu feeling dizia ter coisa nessa história. Isso sempre dá
caso de polícia, mas ficaria sabendo se fosse o caso.
Resolvera intimar novamente a mulher e o tal amante
do caso que tinha em mãos para prestarem novos depoimentos. Alterou algumas
perguntas e se houvessem contradições, o caso poderia, enfim,
ser solucionado.
Na quarta-feira de manhã, apareceu a mulher para
prestar novamente seu depoimento. Mantivera as mesmas respostas. Só restava
a Erica que o amante se contradissesse. À tarde ele compareceu, feitas
as devidas perguntas, houve alteração de um fato. Não estava
batendo com a declaração da mulher. Quebrava o álibi de
estarem juntos. Erica sentiu o homem muito nervoso. Resolveu pressioná-lo
e este acabou abrindo o verbo. Fora ele quem matara o comerciante a mando da
mulher. Só que estava arrependido, pois a consciência estava lhe
pesando. E quando foi chamado pela segunda vez, ficou muito nervoso.
O plano feito por eles parecia bom. Queriam ficar com
a grana do homem. Planejaram um roubo seguido de morte dentro da casa do mesmo.
A mulher abriu a porta para que o amante entrasse. Roubo sem arrombamento e
desligando o alarme. Foi o primeiro erro e primário. Mataram o comerciante
com dois tiros, um no peito e outro na cabeça e limparam o cofre, mas
antes o obrigaram a abri-lo, pois somente ele sabia da combinação.
O cara já não devia confiar muito na mulher que tinha. Erica suspirou.
Caso encerrado. O amante já ficou preso e a mulher tinha acabado de ser
presa também. Estava terminando o seu relatório e após
o caso seria com a justiça. Resolveu tomar um café.
Mais duas semanas se passaram sem grandes novidades, Erica recebeu mais alguns casos
novos, que eram mais simples de serem resolvidos. Estava analisando um dos casos
quando seu telefone toca. Era o delegado.
- Erica, preciso que você
venha urgente a minha sala.
- Ok. Já estou indo. Disse, levantou-se e dirigiu-se
a sala do Dr. Pereira.
O que seria dessa vez, perguntava-se Erica, pois não
gostava quando ele lhe chamava para ir até sua sala. Lá vem bomba.
Pensou.
- Olá, Pereira. Cumprimentou.
- Oi, Erica, temos uma bomba na mão.
Não disse que era uma bomba. Erica Pensou.
- Lembra do acidente de carro daquele empresário,
o Marco Aurélio Sant’Anna de Macedo? Perguntou ele.
- Lembro sim. Não foi acidente? Perguntou Erica.
- Não, foi sabotagem. A perícia concluiu
o relatório e os freios foram cortados. Temos um caso importante para
solucionar.
- Sabotagem!? Mas que coisa! Erica
comentou não muito surpresa.
- Quero você liderando este caso, trabalhando
em conjunto com o Roberto.
- Ok. Vou falar com o Roberto.
- Tome, aqui está o processo, com o relatório
da perícia. Quero que me mantenha informado do andamento deste caso.
Quero ficar a par. Esse Marco Aurélio era muito amigo do Secretário
de Segurança, então já sabe da importância de solucionar
este caso.
- Tá bom. Erica disse resignada. Detestava essa
prioridade por causa de determinadas amizades. Como se a vítima fosse
mais importante do que outra. Crime é crime e como tal deve ser punido.
Erica saiu da sala do delegado e foi para a sala do
Roberto. Chegou na porta e não fez
barulho, ele estava sentado atrás de sua mesa e folheava uma revista.
Pelo interesse em cada página, percebeu ser um exemplar da Playboy.
Como homens se contentam só com fotos. Prefiro ao vivo e a cores. Pensou e sorriu.
Bateu na porta e ele deu um pulo da cadeira e rapidamente guardou a revista
dentro de uma gaveta.
- A-há... Peguei você no flagra. Safado!
- Epa, Erica, que é isso, só estava me
mantendo atualizado. Disse Roberto, momentaneamente assustado.
- Se mantendo atualizado. Sei... tava vendo a mulher “do momento” como ela veio ao mundo. Erica não
resistiu e soltou uma gargalhada.
- Sua boba. Quer vê-la? Roberto provocou Erica.
Ele gostava de fazer isso.
- Não, meu amigo, obrigada. Mulheres eu prefiro em carne e osso aqui.. ó... na minha mão. Erica falou mostrando sua mão
a ele. – Mas vamos ao que interessa. Disse ela.
- Diga, sou todo ouvidos. Roberto disse
sorrindo.
- Temos peixe grande na rede. Erica falou e Roberto
fez uma careta.
- Humm... quem é a vítima
dessa vez? Perguntou levando ambas as mãos à cabeça.
- O tal empresário Sant’Anna de Macedo.
- O do acidente de carro? Perguntou Roberto.
- Esse mesmo.
- Não foi acidente então?
- Não, Beto. Foi sabotagem.
- Uau! Exclamou Roberto.
- Cortaram os freios do carro. Quem fez isso não
contava com a perícia da polícia. Comentou Erica.
- Caraca... E você assumiu o caso? Perguntou Roberto.
- Eu e você.
- Eu também???
- Sim, querem que seja solucionado logo.
- Bem, então mãos à obra, amiga.
Disse sorrindo.
Capítulo Três: Deborah
Deborah estava estarrecida com a notícia que
acabava de receber. Seu pai fora assassinado. Não conseguia acreditar
numa coisa dessa. Quem poderia querer matá-lo? Ainda sofria com
a sua partida precoce, sentia-se perdida. Ele era seu porto seguro. Sentia-se
abandonada. Descobrir que foi assassinato era muito duro de acreditar. Por quê?
Por quê? Fazia a si mesma esta pergunta inúmeras vezes e não
chegava a nenhuma resposta. Seria por dinheiro? Por poder? Por vingança?
Quais seriam os motivos de tal ato? Mais perguntas sem respostas.
Deborah está deitada em sua cama, pensando em
sua vida. Sua mãe morrera quando ainda era uma criança. Só
tinha seu pai e seu irmão. Agora era só ela e o irmão. Seu irmão, Afonso, ficara muito abalado com a morte de nosso
pai. Aliás, todos nós ficamos. Papai tinha 63 anos, era um poço
de vitalidade, dizia que iria trabalhar até os 80 anos, tamanha vontade
e dedicação que ele tinha com as empresas. Ele herdou, aos 28
anos, uma pequena fábrica de confecções de seu pai e conseguiu
criar um império, um imenso conglomerado de empresas, atuando em vários
setores da economia.
Deborah tem 30 anos, fez administração
de empresas e fez especializações no exterior e há um ano
começou a trabalhar na holding do grupo. Afonso
já trabalha na
holding há dez anos, ele é
mais velho, tem 43 anos, casado com Margareth e tem um filho, Eduardo, com 19
anos, ultimamente um rapaz problema. É uma dor de cabeça atrás
da outra, se envolve com gente da pesada. Afonso já o ameaçou
de deserção, mas mesmo assim ele não toma jeito.
Com a morte de seu pai, Deborah e Afonso herdaram tudo.
Deborah antes nunca havia se preocupado com isso, pois via seu pai vivendo pelo
menos até os 90 anos. Era solteira e nunca quis se envolver seriamente
com ninguém, pois acostumou-se a ter pessoas
a sua volta que se interessavam apenas pelo seu dinheiro. Podia dizer que tinha
uma única amiga, daquelas amizades eternas, a Estela. Eram amigas desde
a adolescência. Mas agora Estela morava na Europa, e se viam poucas vezes.
Namorou alguns homens, até descobrir sua preferência por mulheres.
Seu primeiro beijo numa mulher foi aos 21 anos, com uma colega da faculdade
e namoraram alguns meses. Envolveu-se com algumas mulheres, mas percebia todas
interessadas na sua fortuna. Chato isso! Seu sonho era encontrar alguém
que a amasse pelo que era e não pelo que ela tinha. Sim, Deborah era
uma romântica incorrigível. Tinha esperanças de um dia encontrar
uma mulher decidida,
forte, que a ame e a proteja e não
apenas veja o seu dinheiro. Que a olhe e veja como ser humano que ela é.
Ainda iria encontrá-la, um dia.
Levantou-se e foi ao banheiro, abriu a água para
encher a banheira e olhou-se no espelho. Via uma mulher bonita, olhos azuis,
cabelos pretos curtos e arrepiados. Gostava do seu estilo meio rebelde, mas
no trabalho usava roupas adequadas à função que exercia,
mas quando estava fora dele, vestia-se despojadamente. Tomou seu delicioso e
relaxante banho de espuma. Ah, isso me renova. Pensou. Sentia-se outra depois
dessa delícia. Terminado seu banho, vestiu uma calça jeans, uma
blusa de lã e um casaco por cima e botas. Resolveu dar uma saída.
Precisava espairecer. Foi dar uma caminhada sentindo o vento gelado batendo
em seu rosto. Gostava dessa sensação. Adorava o inverno, e estávamos
no início da estação.
Capítulo Quatro: Depoimentos
Erica estava na sala de depoimentos. A escrevente estava
digitando o que ela perguntava e o que o intimado respondia. Estava com Afonso,
filho da vítima. Ele estava visivelmente nervoso e agitado.
- Onde seu pai estava antes de sofrer o acidente? Erica
perguntou.
- Ele... ele estava na chácara
que temos no interior de Pinhais. Respondeu Afonso.
- O que ele foi fazer lá?
- Era hábito dele ir sempre aos finais de semana
para lá. Ele amava aquele lugar.
- Seu pai tem algum inimigo declarado? Quis saber Erica.
- Que eu saiba não tem.
- Gostaria que pensasse nessa pergunta com carinho e
caso lembrar-se de alguém ou algo, quero de me comunique.
- Sim, se lembrar-me de alguma coisa
comunicarei.
- A revisão do carro era feita com que periodicidade?
- Quem cuida dessas coisas é o nosso empregado,
o Carlos.
- Ok. Como era o seu relacionamento com seu pai? Erica
perguntou olhando diretamente nos olhos de Afonso.
- É... Bom... Sempre foi o melhor possível.
Não tínhamos nenhum problema se é isso que quer saber.
- Na empresa, quem passou a ocupar o lugar dele?
- Eu... Eu passei a ocupar a presidência.
- Sempre quis ser presidente? Erica pergunta continuando
a olhar diretamente nos olhos.
- Eu não vejo em que essa perg....
- Basta responder sim ou não. Erica interrompe
Afonso.
- Sim, seria um passo natural.
- E a sua irmã, ela também tem interesse
no cargo?
- Não, acho que não, ela está há
pouco tempo na empresa.
Erica fez mais algumas perguntas que julgava conveniente
e concluiu para si que Afonso era o maior beneficiário com a morte da
vítima. Agora teria que esperar o resultado dos demais depoimentos para
colocá-lo como suspeito.
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Deborah estava nervosa com o fato de estar numa delegacia
para prestar seu depoimento. Estava acompanhada de seu advogado. Não
que fosse necessário, mas ele deixava-lhe mais tranqüila estando
ao seu lado.
- Bom, Srta. Sant’Anna de
Macedo, vou fazer-lhe algumas perguntas e peço sua colaboração
para ajudar-nos a elucidar este caso.
- Ok. Pode perguntar Sr. Investigador.
- Roberto, meu nome é Roberto.
- Pois não Sr. Roberto, pode começar a
perguntar. Disse Deborah nervosa.
- Onde seu pai estava antes do acidente?
- Ele estava na chácara que temos em Pinhais.
- Ele ia muito pra lá? Roberto pergunta encarando
Deborah. Ele estava encantado com a beleza da mulher a sua frente.
- Sim, praticamente todo final de semana ele ia pra
lá.
- Quem sabia deste hábito dele?
- Várias pessoas. Família, amigos e empregados
próximos.
- Seu pai mencionou alguma vez ter algum desafeto, um
inimigo declarado?
- Nunca soube de ninguém.
- Caso lembre, preciso que me avise. Ok?
- Ok. Sr. Roberto.
- Quem cuidava do carro? Roberto pergunta e não
se cansa de admirar a beleza de Deborah.
- Carlos, um de nossos empregados.
- Nessa chácara, quantas pessoas trabalham lá?
- Três pessoas, o caseiro, sua mulher e mais um
empregado.
- Seus nomes, por favor.
- O caseiro é o Pedro, sua mulher é a
Teresa e o outro empregado é o Anderson.
- Seu pai foi sozinho para lá ou teve mais gente?
- Teve um churrasco nesse dia. Tinha umas quinze pessoas,
eu acho.
- Depois quero que providencie uma relação
com os nomes de todas.
- Ok. Farei a relação.
- Com a morte de seu pai, somente você e seu irmão
são os herdeiros, ou teve mais alguém?
- Não, somente nós dois. Deborah respondeu
nervosa. Será que o investigador estava achando que ela ou Afonso matou
seu pai. Pensou.
Mais perguntas foram feitas e todas devidamente respondidas.
Deborah saiu da delegacia abalada, cansada. Era como se tudo o que ela queria
esquecer tivesse voltado com força total. Só queria ir para sua
casa descansar e se possível esquecer isso.
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Erica e Roberto colheram vários depoimentos,
da mulher do Afonso, de amigos, de empregados da holding,
da mansão e da chácara. Estavam trabalhando com afinco neste caso.
Nem viam o tempo passar. Foram duas semanas de muita atividade. A cada depoimento,
novos fatos eram agregados ao caso. As pessoas vinham depor apavoradas, e algumas
vinham acompanhadas com seus advogados. O primeiro depoimento que Erica colheu
foi do filho da vítima, Afonso. Roberto colheu da irmã dele, Deborah.
Erica não a viu, mas Roberto dissera a ela que estava apaixonado, que
a mulher era linda. Esse Roberto, não pode ver um rabo de saia que já
se apaixona. Desde que estou aqui deve ter se apaixonado umas mil vezes. Pensou
Erica sorrindo.
Decidiram levar em conta o fato de que os dois maiores
beneficiários da morte do empresário foram seus dois filhos. Não
eram suspeitos ainda, mas dependendo do andamento da investigação
poderiam ser
classificados como tal.
Erica
tinha acabado de colher o depoimento do neto da vítima. Não gostou
do jeito do garoto, e pelo seu feeling, sacou que deveria se envolver com pessoal
barra pesada e pelo jeito curtia drogas. Mas eram apenas suposições.
O rapaz declarou ter problemas de relacionamento com o pai. Falou que o pai
ameaçou deserdá-lo várias vezes. É... poderia entrar na lista dos prováveis suspeitos, mas Erica não
via benefício para ele com a morte do avô. Agora se fosse a morte
do pai, veria.
Capítulo Cinco: Tentativa de homicídio
Em algum lugar.
- Aqui está a foto da mulher, a rotina dela e
a metade do dinheiro. A outra metade você receberá assim que o
serviço for concluído. Falou a pessoa interessada na morte da
mulher.
- Perfeito. Mulher linda, dá
até pena de matá a pobrezinha. Comentou o assassino de aluguel.
- Não me importa como você vai fazer, mas
deve parecer como um acidente. Uma fatalidade.
- Pode dexá comigo. Ela
tem guarda-costas?
- Não. Não tem.
- Facim, facim. Esse serviço vai ser moleza.
Já tá no papo. E deu uma gargalhada.
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Deborah planejou ir ao shopping, pois queria comprar
um casaco novo. Resolveu ir sozinha, sem o motorista. Ela mesmo
gostava de dirigir o carro. Shopping lotado. Conseguiu achar uma vaga depois
de algum tempo rodando. Não gostava de garagem de shopping, dava-lhe arrepios de medo. Foi em direção às lojas, fez
um lanche na praça de alimentação, ficou um tempo olhando
o movimento e duas horas depois estava trazendo a sacola com sua nova aquisição.
Foi em direção ao estacionamento. A garagem era subterrânea
e saber disso a deixava nervosa. Ô pavor que tenho desses estacionamentos.
Pensou. Estava chegando
perto de seu carro quando ouve passos
atrás de si, mas antes mesmo de se virar e olhar, foi agarrada e taparam-lhe
a boca para não gritar, com uma mão áspera e asquerosa.
Pavor. Imenso pavor estava sentindo. Sentiu o cano de um revólver na
sua têmpora e uma voz nojenta lhe dizendo:
- Caladinha, dona moça. Nem um pio.
Deborah estava aterrorizada. Começou a chorar.
Queria gritar
mas a mão em sua boca a impedia.
- É dona gostosinha, compraro
a sua passage só de ida pro céu. E deu uma risada horrorosa. -
Mas antes vou tirá o meu atraso com esse seu corpinho gostosinho. Deu
mais uma risada nojenta. – Vai ser a sua última aventura e vai levá de recordação pro além.
O bandido virou Déborah e deu-lhe um soco no
rosto. Caiu quase desfalecida. Conseguiu dar um grito. Recebeu um chute na barriga.
Dor. Muita dor. Ele a puxou pelo casaco deixando-a em pé e deu-lhe outro
soco. Novamente dor intensa. Sentiu gosto de sangue na boca. Quando ia dar outro...
não veio, uma mão impediu o movimento. Ele a soltou
e Deborah caiu no chão, estava muito machucada. O bandido estava levando
uma série de chutes e socos na cara, nas costelas e no peito e caiu no
chão. Deborah viu que era uma mulher, que estava lhe salvando de um desfecho
horroroso. Eu ia morrer. Pensou. A mulher chutou a arma para longe e a olhou,
nisso o cara levantou e saiu correndo, ela fez menção de ir atrás
dele, mas desistiu e veio até Deborah, se abaixou e a abraçou.
Nunca Deborah se sentiu tão segura como nesse momento. Sua salvadora,
minha protetora. Pensou.
- Consegue se levantar? A mulher perguntou à Deborah, com uma voz doce e ao mesmo tempo preocupada.
- A...Acho que... que sim.
Deborah gaguejou.
A mulher levantou-a devagar. Deborah sentia muitas dores.
Gemeu. Estava abraçada a ela, que era mais alta. Abraçou o corpo
da mulher com força. Não queria mais sair dali. A mulher passou
a mão por seu cabelo e disse:
- Vou te levar ao hospital e depois você tem que
fazer um boletim de ocorrência.
- Eu.. eu tive tanto
medo. Deborah disse e desabou num choro copioso. A mulher lhe abraçou
com tanto carinho. Sentiu-se protegida. Ficaram um tempo ali até
que Deborah conseguiu conter o choro. Um abraço tão quente, gostoso. Não queria sair dali. A mulher olhou nos olhos de Deborah.
Castanhos. Lindos. Cabelo na altura do ombro, ondulados. Deborah olhou para
sua boca, carnuda, apetitosa, teve vontade de beijá-la naquele momento.
Voltou a olhar seus olhos. A mulher suavemente a soltou.
- Você consegue ficar em pé? Perguntou
para Deborah.
- Acho que sim.
- Preciso fazer uma coisa antes. Disse e foi até
a arma, tirou um lenço do bolso e a envolveu e colocou a arma no bolso
do casaco.
Voltou até Deborah e passou os braços
sobre seu ombro e lhe guiou até o carro dela. Abriu a porta, Deborah
tentou sentar, gemeu de dor, se sentia dilacerada por dentro. Conseguiu sentar
com sacrifício. A mulher puxou o cinto de segurança e prendeu-o,
ficou bem próxima de Deborah, que teve vontade de agarrá-la. Sorriu
intimamente com este pensamento. Tô louca, a mulher tá me ajudando,
salvou minha vida e eu pensando em coisas não tão santas. Pensou.
A mulher deu a volta no carro e entrou.
- Vou te levar ao hospital, tá. Para ver os danos
que foram feitos no seu corpo.
- Uh-hum. Deborah concordou. Quem era essa mulher? Pensou.
Lembrou-se que não tinham se apresentado. – Qual o seu nome?
- Erica.
- Lindo nome. Disse e sorriu. – Eu me chamo Deby.
Engraçado, Deborah não sabia porque dera
seu apelido de infância. Somente seu pai a chamava assim.
- Prazer
Erica ligou o carro e foram em direção
ao hospital. Deborah sentia muitas dores pelo corpo, se sentia moída.
Mas se sentia feliz com a mulher ao seu lado.
Capítulo Seis: Sentimento novo
Deby estava sendo submetida a vários exames para
saber a extensão dos danos ocasionados pela agressão sofrida.
Erica estava aguardando. Lembrou-se do ocorrido. Tinha ido ao shopping. Estacionou
o carro, mas não saiu. Ficou dentro dele pensando na sua vida, ouvindo
música
bem baixinho, quando ouve um grito
desesperado. Saiu no mesmo instante do carro, andando silenciosamente, sem denunciar
sua presença. Ficou estarrecida com o que viu. Um homem massacrando uma
mulher. Ele tinha uma arma nas mãos. Precisava agir com cautela. Aproximou-se
e quando ele foi dar outro soco nela segurou com força sua mão
e na seqüência deu-lhe um golpe na mão que estava armada.
A arma foi ao chão. E deu alguns chutes e socos no bandido até
que ele caiu no chão. Chutou a arma longe e virou-se para ver a mulher,
nisso o cara levanta e sai correndo, ia atrás dele, mas lembrou-se que
ela estava muito machucada. Descobriria quem era o bandido, tinha a arma e ele
não usava luvas. Tinha suas digitais.
Foi até a mulher e a abraçou. Sentiu necessidade
de protegê-la. Levantou-a e ficou com ela em seus braços. Ela estava
tão frágil. Queria tirar a dor de seu corpo. Passou a mão
em seus cabelos curtos. Cabelos curtos. Seu ponto fraco. Amava ver a nuca de
uma mulher. Pedia para ser beijada. A mulher desabou num choro sentido. Abraçou-a
mais forte. Precisava protegê-la. Precisava trazê-la urgente para
o hospital, pois poderia ter danificado algum órgão. Chegaram
e Deby foi rapidamente atendida. Agora estava esperando uma posição
do estado dela. Estava muito preocupada.
Depois de quase duas horas, que mais pareceram uma eternidade,
o médico responsável veio falar com Erica. Cumprimenta-a e pergunta:
- A moça é sua parente?
- Não, apenas a ajudei e a trouxe para cá.
Não a conheço.
- Bom, acredito que você queira saber qual o estado
dela.
- Sim, quero sim. Erica falou extremamente ansiosa.
- Fizemos todos os exames necessários para verificar
se houve algum dano interno e também em sua cabeça, mas graças
a Deus, não houve nada sério.
Erica suspirou aliviada. O médico continuou:
- Mas, devido ao estado em que ela se encontra deverá
permanecer hospitalizada por no máximo dois dias.
- Tudo bem. Posso vê-la? Erica pergunta ansiosa.
- Pode, mas ela está sedada. Você também
poderá vê-la amanhã.
O médico indicou o caminho para Erica e ela foi
até o quarto
Ao chegar em casa, o corpo de Erica estava estressado
em virtude dos acontecimentos. Precisava relaxar, extravasar a tensão.
E não conhecia nada melhor do que uma sessão de treinamento do
karatê. Vestiu seu kimono, amarrou sua faixa na cintura, fez a saudação
inicial, aqueceu seu corpo e se alongou. Resolveu fazer alguns katas, que é
uma seqüência combinada de golpes e defesas como se estivesse em
uma luta. Após, foi ao saco de areia e deu vários chutes e socos
até sentir-se extenuada. Tomou um banho e foi dormir.
Capítulo Sete: Envolvimento
Na manhã seguinte, Erica resolveu ir ao hospital
ver Deborah antes de ir trabalhar. Precisava vê-la. Chegou ao hospital
e foi ao seu quarto. Ela estava acordada. Deborah deu um sorriso lindo ao ver
Erica. Infelizmente seu rosto já estava começando a arroxear,
mas isso não tirava em nada sua beleza. Seus olhos azuis seqüestravam
Erica e levavam-na ao céu. Paraíso. Aproximou-se dela e deu um
beijo suave em seu rosto e disse:
- Bom dia, Deby. Está se sentindo melhor?
- Bom dia, Erica. Estava agorinha me perguntando se
eu a veria novamente. Disse sorrindo.
- Então já descobriu a resposta. Erica
estava com um sorriso permanente no rosto.
- Sim e estou bem melhor, sinto dores horríveis
pelo corpo, mas vou ficar boa. Ainda bem que não quebrei nada.
- Sim, ainda bem que eu estava por perto. Lugar certo
na hora certa.
- Ele disse que ia me matar. Déborah disse e
Erica viu medo em seu olhar.
- Te matar?
- Sim, disse-me isso claramente. Disse e continuava
com medo no olhar.
- Esse pesadelo passou. Erica disse e se aproxima dela
e dá um abraço. Sentia necessidade de tê-la em seus braços.
Deborah correspondeu ao abraço. Ficaram uns bons segundos abraçadas. Erica interrompe o abraço.
- O médico me disse que você deve sair
amanhã.
- Que bom, detesto hospitais. Disse e deu um sorriso.
- Temos que avisar sua família.
- Já avisei meu irmão. Ele virá
aqui mais tarde.
- Que bom. Eu voltei ontem ao estacionamento para pegar
sua bolsa com seus documentos, mas alguém a pegou antes.
- Meu deus, e agora? Deborah perguntou perplexa.
- Bom, saindo daqui você deve comunicar à
polícia a ocorrência da agressão e também o furto
de sua bolsa.
- Farei isso sim. E o meu carro ficou lá também.
Vou pedir pro meu irmão pegá-lo.
- Faça isso. Vou entregar a arma à polícia
para descobrirem quem é o bandido que te atacou. Não se preocupe
ele será pego.
- Ficarei aliviada quando isso acontecer. Estou morrendo
de medo. Deborah disse com aquele medo no olhar de novo.
- Procure não sair sozinha. Preciso ir. Tenho
que trabalhar. Deixarei meu telefone com você. Caso precise de alguma
coisa não hesite em me ligar. Ok?
- Tá bom, mas não quero te incomodar,
você já fez demais por mim.
- Shhhh.... Se precisar, me ligue,
tá. Erica deu um beijo no rosto de Deborah e saiu do quarto.
Erica queria passar o dia ao lado dela, mas não
podia, tinha seu trabalho. Outra delegacia assumiria este caso. Foi até
lá e contou o ocorrido e deixou a arma com o perito. Iria botar nas grades
esse bandido.
----------------------------------
Deborah estava tão feliz por Erica ter ido vê-la.
Iluminou seu dia. Erica estava linda, com um jeans justo que evidenciava suas
curvas, uma blusa de lã verde e um casaco de couro comprido. Linda. Acho
que encontrei a mulher dos meus sonhos. Acho não, tenho certeza. Humm...
será que ela gosta de mulheres? Caraca, acho que
me apaixonei. Deborah pensava. Teve vontade de beijá-la. Adorou quando
ela a abraçou e a beijou, quase virou o rosto para o beijo acertar na
boca. Sorriu.
Seu irmão veio visitá-la, estava todo
preocupado. Narrou a ele o que aconteceu. Disse que ela devia tomar mais cuidado. Ficaram
um tempo conversando e ele voltaria
amanhã para levá-la para casa.
No dia seguinte, Afonso viera buscá-la como combinado.
Erica não apareceu, ficou muito triste. Queria vê-la de novo. Sentia
necessidade de vê-la, de estar perto dela. Foram direto para a delegacia
e Deborah fez o boletim de ocorrência da agressão e do furto da
sua bolsa. Depois foi para casa. Estava cansada e muito, mas muito dolorida
ainda.
Passaram-se mais três dias, Deborah já
estava bem melhor, somente seu rosto estava arroxeado, estava horrível.
Nem saía de casa. Estava sentido uma saudade imensa de Erica. Lembrou-se de que não dera o seu telefone para ela, mas tinha
o dela. Resolveu ligar, queria ouvir sua voz de novo. Queria vê-la novamente.
Ligou.
- Alô. Disse uma voz.
- Erica?
- Sim, sou eu. Quem fala?
- Sou eu, a Deby. Sua voz tremia de emoção.
- Oi, menina, tava com saudades de você. E como
você está?
- Bem melhor. Lembrei que você não tem
meu telefone e que talvez quisesse saber como estou.
- Sem dúvida. Estava mesmo querendo saber de
você.
- Estou quase sem dor, mas estou horrível, cheia
de hematomas.
- É... mas some
logo. Daqui uma semana nem vai aparecer mais.
- É.... é....
Deborah gaguejou nervosa.
- Fale.
- Eu... Eu gostaria de te ver de novo. Pronto falou,
e nem sabe o que Erica vai pensar disso.
- Com certeza, também quero te ver.
- Hoje é sexta-feira e gostaria de saber se poderíamos
sair amanhã para conversarmos mais, isso se você estiver a fim
da companhia de alguém maquiado para a festa das bruxas. Deborah falou
rindo.
- Hummm... está me convidando
para um encontro, senhorita bruxinha. Erica disse rindo.
- É. Você aceita? Deborah perguntou com
medo de que ela não aceitasse.
- Mas é claro. Meu ponto fraco é sair com bruxinhas, ainda mais
maquiadas. Erica falou e riu.
- Boba! Que tal um jantar?
- Oba! Aceito.
- Amanhã às oito horas da noite no restaurante
Don Pierre, é uma cantina italiana. Pode ser? Sabe onde é? Deborah
perguntou.
- Sei sim. Combinado.
- Até amanhã e beijos.
- Até e beijos também.
Deborah desligou o telefone e seu coração
pulava de alegria. Iria vê-la de novo. Estava tão ansiosa que o
dia se arrastou. Mas estava muito feliz.
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Em algum lugar.
- Você falhou! A mulher ainda está viva.
Falava a pessoa que encomendou sua morte, com muita raiva.
- Tive problemas. Apareceu um homem imenso e me impediu
de matá a dona. Disse o assassino e jamais diria que apanhou
de uma mulher, nunca admitiria isso.
- Pois trate de não falhar da próxima
vez. Preciso dela morta. Ordenou a pessoa interessada.
- Não vou errar na próxima.
Capítulo Oito: O jantar
Erica e Roberto estavam num beco sem saída. A
investigação chegou num ponto que não se desenvolvia, andava
a passos de tartaruga. Ficavam em cima da provas, estudando-as para ver se viam
algum indício que não fora percebido antes. Até o momento
trabalhavam com a hipótese de assassinato motivado pela herança.
Nesse caso, os pretensos suspeitos eram os dois filhos. Erica tirou os olhos
dos papéis, já estava cansada de andar em círculos nesse
caso. Precisava descobrir algum fato novo urgente.
Erica lembrou-se que amanhã teria um jantar com
Deby. Sorriu de felicidade. Estava com saudades dela. Esquecera de pegar o telefone
dela e quando retornou ao hospital no dia seguinte ela já tinha recebido
alta. Passou três dias em pura agonia, rezando para que ela a ligasse.
Até que recebeu a ligação. Viu no visor um número
desconhecido e rezou para que fosse ela. E era. Quando descobriu que era ela,
seu coração queria sair pela boca, tamanha emoção
e felicidade. Que poder tem essa mulher sobre mim. Ela me fascina. Pensou Erica.
Ficou extremamente surpresa e, claro, feliz com o convite para jantar. Agora
era ter paciência e esperar a hora chegar. Em extrema ansiedade.
Sábado à noite. Erica estava esperando
por Deby na cantina. Escolheu uma mesa num cantinho aconchegante. Até
que a viu entrar. Ela estava deslumbrante. Linda. Seu corpo era perfeito. Seu
andar era gracioso. Percebeu que a desejava com paixão. Queria amar essa
mulher e levá-la ao paraíso. Nenhuma mulher antes teve esse poder
com ela. Ela veio até onde Erica estava e se cumprimentaram com beijinhos
no rosto. Que perfume inebriante. Amo seu cheiro. Pensou Erica. Deborah sentou-se
e a olhou com aquelas duas safiras, e perguntou:
- Está me esperando há muito tempo?
- Não, cheguei agorinha. Erica respondeu com
um sorriso encarando seu belo olhar.
- O que achou do meu novo look? Deborah perguntou rindo.
- Coloca qualquer bruxinha no chinelo. Erica respondeu
rindo também.
- Tô me sentindo horrível. Feia. E você
tirando uma da minha cara. Deborah fingiu que estava brava.
- Você é linda. E esses hematomas logo
vão sumir. O importante é que você esteja bem. Ainda sente
dores? Erica perguntou preocupada.
- Só quando faço algum esforço.
- Então nada de fazer esforço.
- Estou curiosa. Onde você aprendeu a lutar daquele
jeito? Deborah perguntou olhando para os olhos castanhos de Erica.
- Ah.. sou faixa
preta no karatê.
- Sério!? Que legal.
Faz tempo que você sabe fazer isso?
- Uh-hum... desde meus 16 anos. É
uma de minhas paixões.
- Ninguém te bate então....
- Não... Não é bem assim. Posso
apanhar também, depende com quem eu esteja
lutando.
- Poxa, achei que você
fosse invencível, tá...
Erica cai numa gargalhada e diz:
- Eu? Invencível... quem dera!
- E qual é a sua outra paixão? Posso saber?
- Sim, é o meu trabalho. Sou funcionária
pública. Erica respondeu sem dar maiores detalhes, pois não gostava
de dizer, assim de cara, que era policial. – E você o que faz da vida,
Deby? Perguntou curiosa.
- Trabalho no grupo De Macedo. Deby respondeu sem dar
maiores detalhes também.
- Como é que seu namorado deixa você sair
num sábado à noite sem ele? Erica perguntou louca para saber se
ela era comprometida.
- Não tenho ninguém. E você Erica,
tem?
- Também não. Erica respondeu e encarou
aquelas safiras que tanto a encantavam. Sentia-se hipnotizada com aquele olhar.
Precisava se controlar para não dar bandeira. Nem sabia se ela gostava
de mulheres.
- Estou sozinha há
alguns meses. Procuro minha alma gêmea. Deborah disse sorrindo.
- Humm... tomara que a encontre.
Erica disse, querendo ser sua alma gêmea.
Fizeram os pedidos, jantaram e conversaram muito, uma
querendo saber tudo da outra. Existia uma energia vibrando entre elas. Trocavam
olhares carregados de interesse, de desejo. Mas como tudo que começa,
uma hora acaba, despediram-se com um abraço apertado e beijinhos na bochecha.
Combinaram de se ver mais vezes. E foram para suas casas felizes da vida.
Capítulo Nove: A decisão
Deborah estava se sentindo muito insegura em sair sozinha
nas ruas. Ficou com muito medo do que lhe acontecera. Não tinha coragem
de dirigir o
carro sozinha. Para onde ia, o motorista
a levava. Mas não se sentia segura. Resolveu conversar com seu advogado,
Dr. Caetano, sobre o que fazer.
- Dr. Caetano, quero um conselho seu.
- Pois não, Srta. Deborah.
- Quando me aconteceu a agressão,
o bandido falou-me claramente que alguém tinha comprado a minha passagem
só de ida para o céu. Estou preocupadíssima com isso. Creio
que não foi por acaso o que me aconteceu e acho que alguém me
mandou matar.
- Mas isso é muito preocupante...
- Sim, é. Eu tenho medo de sair sozinha. Acho
que quem assassinou meu pai está querendo me matar também.
- Você contou isso à polícia? Pergunta
o advogado preocupado.
- Sim, contei. Dei todos os detalhes. Foi horrível
relembrar de tudo.
- Compreendo. Srta Deborah, acredito que você
precise de proteção extra. Sugeriu o advogado.
- Proteção extra? Nem tinha pensado nisso.
- Sim, guarda-costas.
- Vou ter que ficar com aqueles brutamontes atrás
de mim. A idéia não me agrada.
- Sim, mas se você está ameaçada
de morte, é necessário se proteger. E você pode pedir que
quem ficar mais próximo de você seja mulher. Sugeriu
o advogado.
- Humm.. ótima
idéia. Você sabe como contratá-los? Perguntou Deborah interessada.
- Sim. Providenciarei isso.
- Ótimo.
Dr. Caetano ligou para uma empresa especializada em
segurança pessoal e conversou com o responsável, Sr. Rodolfo.
Este disse que gostaria de conversar pessoalmente com a Srta Deborah, para acertarem
detalhes do serviço.
O Sr. Rodolfo foi ao encontro de Deborah. Ela está
na empresa e o atende em sua sala. Estavam conversando.
- Então a senhorita foi ameaçada de morte?
- Não diretamente. Mas era para estar morta agora.
Deborah sentiu um arrepio de medo percorrer seu corpo. – Minha sorte foi alguém
ter aparecido e me salvado. Acredito que quem mandou matar papai, queira me
matar também.
- Realmente sua vida está em risco e torna-se
necessário protegê-la. Temos vários esquemas de trabalho.
Disse Rodolfo.
- Qual seria melhor para mim? Deborah pergunta curiosa.
- Acredito que cinco agentes cobririam a sua proteção
satisfatoriamente.
- Hummm... cinco? Ótimo, mas
quero que o agente que ficar bem próximo a mim seja uma mulher. E quero
a melhor e pago o que for preciso para isto.
- Entendo. Estamos sem agente feminino disponível
no momento, e a
melhor guarda-costas que eu conheci
até hoje, infelizmente não está mais conosco. Sinto lhe
dizer.
- Ela morreu?? Perguntou Deborah preocupada.
- Não, está viva. É a agente Santoro.
Posso conversar com ela para saber se tem interesse nesse caso.
- Isso é possível? Quero dizer, dela aceitar
o trabalho.
- Vou tentar persuadi-la.
- Pago o dobro do contrato para tê-la como minha guarda-costas. Disse Deborah interessada nos serviços da agente
Santoro.
- Farei o impossível para isto Srta Deborah.
Rodolfo disse sorrindo.
- Então estamos conversados.
Se despediram e o Sr. Rodolfo tratou de resolver isto logo. O caso
era urgente.
Capítulo Dez: A contratação
Erica está em sua sala analisando as provas colhidas.
Novos fatos surgiram. A filha do empresário assassinado tinha sofrido
uma tentativa de homicídio. Outra delegacia recebeu o caso, e como eram
conexos, seria transferido para ela no máximo até amanhã.
Tinham as digitais do bandido. E o bandido era um famoso assassino de aluguel, que a polícia
estava atrás dele há
um bom tempo. Esse bandido era perito em se disfarçar, por isso a dificuldade
da polícia
- Erica. Ela diz.
- Agente Santoro. Prazer em ouvir a sua voz. Tudo bem
contigo?
- Rodolfo. Como você está, meu amigo. Erica
falou sorrindo.
- Estou bem. Poxa, não veio mais visitar os amigos.
- Ah... muito trabalho por aqui.
- Imagino. Bom, te liguei pelo seguinte. Tenho uma proposta
para você.
- Você e suas propostas. Quer que eu volte à
ativa Rodolfo? Perguntou Erica rindo.
- Isso mesmo. Mas é por um tempo apenas. Um caso
especial e delicado.
- Todos os casos são delicados. Rodolfo, você
sabe que eu nunca mais voltei, por que isso agora?
- Sabe do caso do empresário Sant’Anna de Macedo,
não é?
- Sim, está em minhas mãos.
- Hummm... interessante. É
o seguinte, sua filha quase foi assassinada também.
- Estou sabendo disso Rodolfo, vou receber mais este caso.
- E ela está com medo e quer proteção,
e quer que a sombra seja uma mulher.
- E o que eu tenho a ver com isso, Rodolfo?
- Pensei
- Eu? Mas eu tô fora disso rapaz, há muito
tempo. Erica falou não acreditando na idéia do amigo.
- Você é a melhor que eu conheci até
hoje Santoro. Infelizmente não estou com nenhum agente feminino disponível.
Pensei
- Rodolfo, parece que você não me conhece.
Se eu quisesse dinheiro estava aí até hoje.
- Eu sei. Então aceita?
- Não.
- Como não Santoro? Já imaginou que perto
dela, da rotina dela, você pode investigar este caso de perto. Argumentou
Rodolfo, pois era sua última cartada.
- É, não tinha pensado nisso.
- E então?
- Rodolfo, eu estou trabalhando e tenho um caso importantíssimo
em minhas mãos. Não posso sair assim desse jeito.
- Isso significa que você aceita? Perguntou Rodolfo
todo esperançoso.
- Aceitaria se não estivesse trabalhando neste
caso.
- Dou um jeito, Baby. Nos falamos depois.
- Espere... Falou Erica, mas ele já tinha desligado
o telefone.
Erica ficou pensando, mais essa agora. A proposta era
tentadora, ficando perto poderia analisar as coisas por outro ângulo.
Teria acesso à rotina que como investigadora não teria, mas para
isso teria que trabalhar
extra-oficialmente, e isso era ilegal
e antiético. Rodolfo era um louco e o delegado jamais permitiria que
se desvinculasse desse caso.
Duas horas depois seu telefone toca e era o delegado
chamando-a em sua sala. Não gostava quando era chamada na sala dele,
eram sempre pepinos para resolver. O que seria dessa vez? Pensou Erica. Já
na sala do delegado este lhe dizia.
- Erica, o seu amigo Rodolfo me ligou.
- O quê? Não acredito!
- Conversamos um monte e depois conversei com o Secretário
de Segurança. Ele está preocupado com o rumo que este caso está
tomando. Ele quer que você faça a segurança pessoal da Srta.
Deborah. O delegado falou encarando Erica.
Erica não acreditava no que estava ouvindo. Era
demais. Sentia-se uma marionete.
- Mas, Dr. Pereira...
- Nada de mas, Erica. Sua licença
de afastamento está sendo providenciada. O caso será assumido
pelo Roberto. Decretou o delegado.
- E a minha vontade não conta? Erica estava indignada
e se levantou da cadeira.
- Calma Erica. Sente-se, por favor. Ela atende ao pedido
dele e senta-se novamente. – Acontece o seguinte, você está oficialmente
saindo do caso, mas extra-oficialmente estará no caso, você observará
a rotina dessas pessoas de perto.
- Mas isso não é legal, Dr. Pereira. Isso é antiético. Erica argumenta.
- Sei disso, mas temos o aval do Secretário.
Lembre-se que ele é amigo da família.
- Grande coisa. Sabe que odeio ser manipulada, Dr. Pereira. Não concordo com isso.
- Eu sei, Erica. Você é uma profissional ilibada, ética. Mas precisamos resolver este caso e vamos lançar
mão dessa oportunidade que apareceu. Por favor, colabore. Você
estará de licença até este caso se resolver. Nada fora
da lei.
Erica suspirou resignada.
- Ok, Dr. Pereira, não
me resta outra alternativa. Vou falar com o Rodolfo.
- Sábia decisão Erica.
Erica quase pulou no pescoço dele ao ouvir isso.
Sábia decisão, não tinha decidido nada, decidiram por ela.
Estava fervendo de raiva. Quem essa Deborah achava que era para fazer isso?
Pensou. Não conhecia a mulher, mas descobriu que não gostava dela.
Tinha dinheiro e achava que podia comprar todo mundo. Devia ser muito mimada,
pois rica já era. Odiava gente assim. Odiava.
Capítulo Onze: A guarda-costas
Erica
estava conversando com seu amigo Roberto na sala dele.
- Roberto, meu amigo, mudança de planos. Erica
disse com uma cara nada contente.
- O que aconteceu Erica? Perguntou Roberto.
- Vou sair do caso.
- O quê? Por quê? Roberto perguntou estupefato.
- Ordem do Secretário. Acredita nisso? Erica
disse séria.
- Como assim? Ordem do Secretário.
- A filha da vítima sofreu uma tentativa de homicídio.
Quer proteção.
- Mas o que isso tem a ver com sua saída do caso?
Roberto perguntou não entendendo nada.
- Ela quer proteção e exige que seja eu.
Daí o Secretário gostou da idéia e tcharamm... estou fora do caso.
- Não dá pra acreditar nisso. Roberto
disse balançando a cabeça.
- Não mesmo. Vou ser guarda-costas dessa mulher
mimada por livre e espontânea pressão. E tem mais, querem que eu
acompanhe o caso extra-oficialmente.
- Mas isso não é correto.
- Falei isso para o delegado, mas como a família da vítima
e o Secretário são amiguinhos, sobrou pra mim.
- É... manda quem
pode e obedece quem tem juízo. Não é assim o ditado?
- É, e já que eu tenho juízo...
- Uau... não queria estar
na sua pele amiga. Bom, boa sorte pra você.
- Manteremos contato. Você não vai se livrar
de mim tão fácil. Erica disse e riu.
- Eu sei que você me ama. Disse Roberto rindo.
Erica retorna a sua sala e liga para Rodolfo. Já
que decidiram por ela, precisava acertar os detalhes. Rodolfo atende o telefone.
- Rodolfo, é a Santoro.
- E aí amiga, resolvido?
- Você me paga, seu cretino. Erica falou brava
com ele.
- Calma Erica, eu apenas expus os fatos. A decisão
de envolver o Secretário foi somente do delegado. Apenas liguei pra ele
para conversar sobre a possibilidade de você sair. Só isso.
- Sei. Sabe o que mais me irrita nesta história
toda?
- Não. O quê? Perguntou Rodolfo curioso.
- Decidirem por mim. Não gosto das coisas feitas
desta forma. Sinto-me uma marionete. Falou Erica totalmente resignada.
- Desculpe, não imaginei que fosse ter essa proporção.
Não era minha intenção.
- Tudo bem. Não posso fazer nada por ora.
- Erica, agora precisamos acertar o esquema de proteção.
Você pode vir ainda hoje?
- Posso. Já passei o caso ao Roberto. E minha
licença já foi assinada. Então, estou livre.
- Ok. Estou te aguardando então.
Erica vai à empresa de segurança e conversa
com Rodolfo sobre os detalhes de como será a proteção prestada
à Srta Deborah. Definido o esquema, Erica resolve comprar
algumas roupas para usar no caso. Sempre gostou de se vestir totalmente com
roupas pretas e não seria diferente desta vez. Se apresentaria
na manhã do dia seguinte à contratante do serviço.
Já em casa, Erica treina seu karatê, é
o que consegue acalmá-la, pois está irritada como as coisas foram
resolvidas. Tinha raiva de quem se prevalecia do cargo, posição
ou dinheiro para conseguir algo em benefício próprio. Tomou um
banho e foi dormir. Lembrou-se de Deby, mas ficou triste porque agora não
teria tempo para vê-la de novo enquanto estivesse envolvida neste trabalho.
Lamentou, pois sentia algo forte por esta mulher. E gostaria de vê-la
novamente, mas não tinha mais tempo.
Na manhã seguinte, o grupo de agentes, juntamente com Rodolfo, segue em direção à mansão da
contratante do serviço. Chegam à mansão, que é imponente
e são recebidos pela governanta. São levados a um escritório
imenso com uma biblioteca e ficam aguardando a Srta Deborah atendê-los.
Alguns minutos depois a Srta Deborah entra no escritório.
Erica sente o corpo gelar ao perceber que a Srta Deborah e a sua querida Deby
são a mesma pessoa.
Capítulo Doze: Profissionalismo
Deborah olha para Erica sem entender o que ela está
fazendo ali. Seu coração acelera e fica sem ação
por alguns segundos. Olha para Rodolfo e o cumprimenta.
- Bom dia, Sr. Rodolfo.
- Bom dia, Srta Deborah. Esta é a equipe que
ficará a sua disposição. Deixe-me apresentá-los.
Estes são os agentes: Antunes, Barbosa, Cardoso e Silva, e esta será
a sua sombra, a agente Santoro.
Erica dá um leve cumprimento com a cabeça
a Deborah, que retribui. As duas se encaram sem acreditar no que está
acontecendo. Rodolfo explica rapidamente a Deborah o esquema adotado. Sempre
terá três agentes com ela. Os outros dois cobrirão os outros.
Mas a sombra estará sempre com ela. Só dorme quando ela dormir.
Os agentes são acomodados nos quartos e fazem uma completa varredura
do local.
Deborah se aproxima de Erica e pergunta:
- Por que não me disse, Erica?
- Dizer o quê... Srta Deborah.
- Que você era guarda-costas.
- Eu sou policial licenciada. Já fui guarda-costas
por alguns anos e estou prestando um serviço temporário por exigência
sua. Erica disse olhando-a nos olhos.
- Exigência minha?
- Sim, você não queria a agente Santoro?
Pois sou eu.
- Jamais imaginei que fosse você. Deborah disse
olhando Erica em seus olhos. Estava sentindo falta dos costumeiros abraços.
- Posso dizer a mesma coisa em relação
a você.
- Bom, mas fico feliz que seja você. Deborah disse
dando um sorriso lindo.
Erica não responde e ficou preocupada, pois sabe
que não seria fácil ficar colada àquela mulher que tanto
mexia com ela. Sua ética profissional não permitia que se envolvesse
com seus protegidos. Teria que agir profissionalmente, sem dar brechas a nenhuma
intimidade. Mas como resistir a este encanto de mulher? Pensou Erica preocupada.
Deborah ficou radiante de felicidade ao saber que Erica
seria sua sombra. Nem percebera que Erica fora extremamente profissional com
ela. Em seguida saiu para ir à empresa. Erica foi com ela no carro com
o motorista e os outros dois agentes seguiam logo atrás em outro carro.
Deborah tentou conversar com Erica e esta lhe disse:
- Srta Deborah, eu fui contratada para zelar por sua
segurança. Preciso estar cem por cento atenta
ao que acontece ao seu redor. Desculpe-me, mas não poderei ficar conversando
com você. Erica disse sentindo um aperto no peito.
- Você não vai conversar comigo? Deborah
pergunta sem encarar Erica, com os olhos marejados.
- Tente entender, Srta Deborah, não estou aqui
para conversar com você. Apenas te proteger. Erica sentia uma tristeza
imensa ao dizer isso.
- Pensei que você fosse minha amiga. Deborah disse
olhando para Erica com os olhos refletindo toda a tristeza que sentia naquele
momento.
- Não vamos misturar as coisas, Srta Deborah.
Eu estou aqui a trabalho. Erica disse suavemente, mas sentindo o peito rasgando
de tristeza ao ver aquele olhar triste.
- Que assim seja, agente Santoro. Deborah disse secamente,
virando o rosto para o lado.
Ficaram ambas em silêncio, perdidas em seus pensamentos,
em suas dores. Chegando à empresa, Deborah seguiu direto para sua sala
e entrou. Erica permaneceu do lado de fora, ao lado da porta.
Capítulo Treze: Aceitando os fatos
Deborah senta-se em sua mesa e não acredita no
que aconteceu. Uma lágrima rola pelo seu rosto. Ficara surpresa e ao
mesmo tempo tão feliz ao saber que Erica seria sua guarda-costas,
mas ela tratara-lhe tão friamente. Magoou-se com a atitude de Erica.
Não esperava ser tratada assim. Erica fora tão gentil e atenciosa
antes, mostrou ser um amor de pessoa. Tinham se tornado amigas. Gostava muito
dela, disso não tinha dúvidas. Por mais que lhe doesse, tentaria
agir friamente com ela. Entendia perfeitamente a situação dela
quanto a não se distrair no trabalho. Não queria atrapalhar. Se era assim que ela queria, assim agiria. Não seria fácil,
mas a ignoraria, por mais que seu corpo reagisse à constante presença
dela.
Erica está parada ao lado da porta observando
atentamente o movimento. Estão na ala da diretoria. Estava chateada com
a situação. Tinha um carinho especial por Deby e jamais poderia
imaginar que ela fosse a milionária Deborah Sant’Anna de Macedo que tanto
detestara pela exigência dos seus serviços. No curto espaço
de tempo que pode estar com ela, percebeu que Deby era uma pessoa simples e
não metida e mimada como achou que seria a imaginada Srta. Deborah. Droga!
Tudo poderia ser diferente. Poderia estar no seu trabalho e continuar curtindo
sua amizade com Deby. Droga, por que isso foi acontecer. Estava tudo tão
perfeito. Mas por outro lado, estava contente por estar protegendo-a efetivamente.
Lembrou-se do episódio da agressão e sentiu um arrepio de medo
gelar seu corpo ao imaginar que se não tivesse aparecido a tempo o pior
poderia ter acontecido. Estivera cara a cara com o assassino. Ele estava disfarçado,
por isso não o reconhecera. E uma pergunta não deixava sua mente
em paz: Quem é o mandante?
O irmão dela veio em direção à
sala de Deborah, falou com a secretária dizendo que ia entrar. Olhou
Erica de cima abaixo e parece não ter gostado do que viu, e entrou na
sala.
- Deborah, tudo bem contigo? Disse e foi até
a irmã de deu-lhe um beijo no rosto.
- Oi, Afonso, tudo bem sim.
- Quem é aquela figura toda de preto plantada
ao lado da porta? Não é a investigadora? Perguntou Afonso.
- É sim, mas agora ela está como minha guarda-costas.
- Guarda-costas??
- Sim, senti necessidade de ter maior proteção.
Fiquei com medo do que me aconteceu.
- Poxa, nem me falou nada.
- Afonso! Desde quando preciso falar contigo para tomar
decisões sobre minha vida particular. Falou rindo.
- É, tem razão, exagero meu.
- Cadê o Eduardo? Não o vejo há
dias. Ele nunca está
- Faz três dias que não via ele, e só
o vi hoje de manhã.
- O quê? E onde estava esse rapaz? Deborah perguntou
preocupada.
- Não sei por onde ele andou Deborah. A Margareth
está sem saber o que fazer com ele.
- Vou conversar com ele hoje à noite. Não
sairei.
- Acho que seria bom, ele sempre te escutou. Deborah...
temo que ele esteja envolvido com drogas.
- Meu Deus!! Deborah falou estarrecida.
Capítulo Quatorze: O sobrinho Eduardo
Deborah retornou a sua casa após mais um dia
de trabalho. Estava no carro e olhava de soslaio para Erica. Como queria dar
um abraço nela. Queria conversar com ela como antes. Mas prometera a
si mesmo respeitar o que ela queria. Não iria atrapalhar, mas essa situação
inusitada não lhe agradava nem um pouco.
Entrou em casa e parou no hall de entrada. Erica estava
atrás dela. Deborah olhou nos olhos dela e viu que estavam tristes. Ela
não era indiferente à situação. De repente se animou,
tivera uma idéia, mas mais tarde a faria, pois antes precisava falar
com Eduardo. Perguntou a Erica:
- Aqui dentro de casa você vai ficar atrás
de mim?
- Tanto dentro de sua casa como dentro de sua empresa,
só ficarei ao seu lado se você quiser, se você sentir necessidade.
Eu devo respeitar a sua privacidade.
- Não, acho que não precisa. Não
sairei mais hoje. Pode descansar, acho que você está cansada. Deborah
falou encarando Erica.
- Com licença, Srta Deborah. E saiu em direção
ao quarto que estava hospedada.
Deborah ficou olhando Erica se retirar. Ela tinha um
porte altivo, um andar seguro. Ela estava linda. Um sorriso brotou em seus lábios.
Queria aquela mulher, percebeu que a desejava. Iria trazer a sua Erica de volta.
Custe o que custar. Pensou. E começaria ainda hoje. Foi ao seu quarto,
tomou um banho e no horário desceu para jantar. Ficou feliz ao ver seu
sobrinho
Terminado o jantar, Deborah falou para Eduardo ir à
biblioteca com ela, pois queria conversar com ele.
- Eduardo, eu gostaria de ter uma conversa séria
com você.
- Olha tia, não gosto desse papo de conversa
séria não. Disse Eduardo desconfiado.
- Estamos preocupados com você, só isso.
- Eu tô bem, sem grilo.
- Seu pai me falou que você não apareceu
aqui em casa por três dias seguidos. Deborah comentou.
- Tava numa parada aí, com uns amigos. Tava numa
boa.
- Numa parada? Com amigos? Que parada é essa
Eduardo? Quis saber Deborah.
- Nós fomos pra praia curtir a vida, só
isso tia e resolvemos ficar por lá.
- Eduardo você não pode sumir assim, tem
que nos avisar. Estamos preocupados com o que está acontecendo com a
nossa família. Primeiro seu avô, e agora quase fui eu. Não
nos dê susto sumindo assim.
- Desculpe, tia.
- Vem cá, e me dá um abraço, menino.
Eduardo foi até ela e a abraçou.
- Eduardo, me preocupo muito
com você. Falou ainda abraçada a ele.
- Sem neura, eu tô legal.
- Você está envolvido com drogas? Deborah
perguntou sem rodeios.
- Que é isso tia, tô limpo. Eduardo respondeu
meio bravo.
- Mesmo? Insistiu Deborah.
- Sim.
- Por favor, fique longe disso. Isso é furada,
tá.
- Tá.
Terminado o papo com Eduardo, Deborah resolveu colocar
sua idéia
Capítulo Quinze: Entendimento
Erica estava deitada em sua cama, pensando no dia de
hoje. Em como seria complicado manter o profissionalismo com Deborah. Ver essa
mulher andando a sua frente o tempo todo mexia com a sua libido. Não
podia deixar isso tirar-lhe a atenção, pois tinha que estar atenta
ao que acontecia ao redor o tempo todo. Não poderia se distrair, pois
poderia ser fatal. E jamais se perdoaria se alguma coisa acontecesse a sua Deby.
Estava muito cansada, fazia tempo que não se submetia a essa rotina.
Tinha que controlar fome, dor, vontade de ir ao banheiro, tudo. Tinha que estar
centrada apenas na proteção da sua protegida. Estava sentindo
falta de seu treinamento. Pediria à Deborah se teria
um local na mansão onde poderia se exercitar. Era a sua terapia, senão
enlouqueceria
- Oi, posso entrar? Perguntou
Deborah, com um sorriso lindo.
- Hã... Oi, claro! Responde Erica totalmente
sem ação.
- Posso conversar com você agora? Deborah pergunta
encarando aqueles olhos castanhos.
- Sim, pode Srta Deborah.
Sentaram na beirada da cama. O quarto era pequeno, continha
apenas a cama de solteiro, um armário, uma cômoda
e uma poltrona. Era um quarto da ala dos empregados.
- Bom, em primeiro lugar, quando você não
estiver em serviço, quero que me chame apenas de Deby. Fui clara? Falou
Deborah sorrindo.
- Mas... Srta...
- Deby. Pode ser?
- Ok, Deby. Disse e sorriu.
- Agora melhorou. Olha, eu
entendo que você tem que estar atenta a tudo que acontece ao meu redor.
Não conversarei com a agente Santoro enquanto estiver
- Deby... Eu peço desculpas pela maneira como
falei....
- Shhhhh.... Eu entendi o porquê.
Fiquei chateada na hora, mas depois fui entender claramente. E então,
podemos conversar Erica? Deu um sorriso olhando nos olhos da outra.
- Podemos sim.
- Estou com saudades da minha amiga. Quero um abraço.
Pediu Deborah olhando carinhosamente para Erica. Esta não esperava tal
pedido.
Se levantaram e se abraçaram. Um abraço quente, gostoso. Como ambas estavam sentindo falta deste contato. Erica descobriu-se
apaixonada por Deby. Estava perdida.
Deborah percebeu que ali era o seu porto seguro. Erica
era sua proteção. Confiava plenamente nela. Não queria
desfazer este abraço. Queria ficar ali, queria dormir com ela. Queria
amar e ser amada por essa mulher. Descobriu, também, que estava apaixonada.
Deborah levantou o rosto para fitar a outra. Levantou
a mão e fez um suave carinho no rosto de Erica, que fechou os olhos.
Deborah sentiu uma vontade incontrolável de beijá-la. Levantou
o outro braço e passou ambos pelo pescoço de Erica. O coração
de ambas batia apressado. Erica abriu os olhos e fitou aqueles olhos azuis que
a enfeitiçava. Olhou para a boca carnuda de Deborah. Engoliu
Capítulo Dezesseis: O amor rola solto
Erica num esforço sobre-humano interrompeu o
beijo. Olhou para Deborah e sorriu, e passou a mão em seu rosto. Desejava
com toda força do seu ser esta mulher, mas não poderia ceder,
não enquanto estivesse protegendo-a.
- Deby... Acho que não devemos...
- Erica, somos adultas e
eu quero você. Deborah falou categórica.
Erica apertou o abraço, encostou a cabeça
de Deborah em seu ombro, deu um beijo na têmpora dela, suspirou e disse:
- Eu também te quero, mas acho que não
devemos.
- Por que não, se somos adultas e desimpedidas.
Deborah não se conformava com a relutância de Erica.
- É complicado para mim. Ter que proteger alguém
que eu tenha algum tipo de afeto. Quero que entenda, por favor.
- Entender, eu entendo, mas você tem algum afeto
por mim, então como é que fica? Deborah perguntou rindo.
- Você complicou o meu lado, sabia. Erica riu
também.
- Não era a intenção, Erica. Juro!
- Eu sei.
- Olha, eu costumo ser direta.
Você me atrai e muito. Deborah falou olhando para os olhos castanhos de
Erica.
- Você também me atrai, mas vamos com calma? Erica disse, mas seu corpo dizia o contrário,
queria amar Deborah agora, já!
- Ok. Quero dormir com você esta noite. Deborah
disse provocando e olhando nos olhos de sua amada.
- Assim você não me ajuda em nada sabia?
- Só dormir. Inocentemente. Deborah disse, mordendo
levemente o lábio inferior.
- Isso vai ser complicado. Acho que é melhor
não. Erica falou, não sabendo como estava conseguindo se controlar
tanto. Estava totalmente excitada.
- Deixa, vai. Implorou Deborah.
- Ok. Mas só dormir, tá. E tem um detalhe
a cama é pequena.
- Melhor, muito melhor. Deborah diz com um sorriso safado
no rosto.
Elas se deitam e ficam abraçadas. Deborah está
com a metade do corpo em cima de Erica. A tensão sexual é palpável.
Deborah olha para sua amada e dá-lhe um beijo quente, molhado, sensual. Erica acaricia as costas da outra.
- Você mentiu. Disse Erica sorrindo.
- Sim, fiz de propósito. Eu quero você, inteira, nua, não me negue isto, por favor. Implora Deborah que se sente
encharcada de desejo. Ávida pelo contato mais íntimo com o corpo
de Erica. Levanta-se e abraça o corpo de Erica com as pernas. Fica sobre
ela. Retira sua blusa e Erica fica hipnotizada ao ver os seios de sua amada
ainda sob o sutiã. Seu corpo antecipa as sensações que
quer sentir, estende sua mão até um seio e o acaricia, Deby geme,
levanta-se e abraça-a, dá-lhe um beijo urgente e quente, sem pressa,
leva suas mãos até a cabeça e afaga os cabelos curtos de
Deby. Tem delírios por cabelo curto. Desce sua mão para as costas
e retira o sutiã, olha com desejo a beleza dos seios de sua amada. Leva
a mão até um deles e faz pequenos círculos ao redor do
mamilo duro de tesão. Deby solta um gemido baixinho. Erica muda de posição
ficando por cima de Deby, retira sua camiseta, olha nos olhos de sua amada e
sorri. Desce sua boca em direção à barriga de Deby, beijando-a,
fazendo um rastro de beijos em direção aos seios, chega em um
deles e suga com vontade, Deby geme loucamente. A mão de Erica desce
em direção à calça dela, para o que está
fazendo, desabotoa e tira-a, deixando-a somente de calcinha e retira o restante
de sua próprias roupas, ficando totalmente nua. Volta a deitar-se sobre
Deby, beijando-a com paixão na boca, no pescoço, no rosto. Seus
corpos estão enlouquecidos de prazer. Erica percorre sua mão pelo
corpo de sua amada que geme a cada carícia, desce sua mão em direção
ao sexo e acaricia-o sob a calcinha. Deby enlouquece e diz:
- Não... me torture...
tanto.... por favor...
Erica desce beijando os seios, sugando-os e vai em direção ao sexo de sua amada, beija-o sob a calcinha,
morde-o e vai tirando a calcinha com os dentes, até desnudá-la
por completo. Seu corpo sente arrepios intensos de prazer. Deseja Deby como
nunca desejou ninguém. Deby abre suas pernas, implorando o carinho da
boca de Erica, que prontamente abocanha seu sexo, totalmente molhado, lambendo-o,
sugando-o explorando com sua língua, arrancando gemidos fortes de Deby.
Penetra-a com sua língua, movimentando-a com intensidade, levando Deby
ao clímax, sentindo o corpo dela dar fortes tremores, gemendo intensamente.
Vai buscar um beijo de sua amada fazendo-a provar de seu próprio gosto.
Abraça-a com carinho e espera sua amada se refazer. Ficam se olhando
em silêncio, palavras são desnecessárias. Erica volta a
beijá-la e recomeça a exploração, suas mãos
voltam a percorrer o corpo de Deby, que sente sensações inimagináveis,
ficando totalmente entregue ao domínio de Erica. Esta desce a sua mão
até o sexo intumescido e quente de Deby, acaricia-o, enlouquecendo-a
e penetra-lhe com dois dedos, sente sua cavidade macia e quente, quase delira,
desliza seus dedos num suave movimento de vai e vem aumentando a intensidade,
arrancando gemidos alucinados de Deby, que explode num gozo intenso, tremendo
todo seu corpo. Erica beija suavemente seu rosto, pescoço, sua boca num
beijo terno e cálido. Abraça-a. Seus corpos cansados repousam,
refazendo-se.
Mais tarde, completamente refeitas, Deby fica por cima
de Erica, e diz olhando em seus olhos:
- Agora é a minha vez de dar-lhe prazer.
- Meu corpo é todinho seu. Erica responde sorrindo.
Deby começa a beijá-la e a percorrer com
as mãos o corpo sarado de Erica, arrancando gemidos dela. Recomeçam
a dança do amor, entrando madrugada adentro, deixando esgotadas as duas
mulheres, mas completamente felizes.
Capítulo Dezessete: Nova tentativa de homicídio
O dia amanhece frio, mas dentro da mansão está
quentinho em virtude da calefação. E os corpos quentes e abraçados
das duas mulheres repousam tranquilamente após uma noite intensa de amor,
de exploração mútua.
Erica abre os olhos e vê a hora. Oito horas. Deby
está atrasada para ir ao seu trabalho e os outros dois agentes devem
estar estranhando que ainda não aparecera pra tomar o café da
manhã. Deposita um cálido beijo na testa de Deby e a acorda.
- Deby... Deby... Acorda, meu anjo.
- Hããnn...
- Acorda, estamos atrasadas para você ir trabalhar.
- Estamos nada. Disse se aconchegando mais ainda ao
corpo de Erica. – Posso chegar a hora que eu quiser.
- Você sim, mas eu não. Meus colegas devem
estar estranhando eu ainda não ter aparecido. Disse e soltou um gemido,
Deby percorre seu corpo com as mãos.
- Você dá uma desculpa depois, diz que
eu te chamei... qualquer coisa... E beija novamente a boca de Erica que sente
o corpo responder instantaneamente.
Recomeçam a dança sensual dos corpos,
que ainda estão sedentos de amor. Naquele quartinho, a luz do sol que entra pela janela
é a única testemunha do que ocorre ali.
Quase duas horas depois, Deborah foi ao seu quarto,
tomou um banho, se vestiu e desceu para tomar o desjejum. Estava com um sorriso
de orelha a orelha. Seus olhos brilhavam intensamente. Duas safiras brilhantes.
Erica também tomou seu banho, tomou seu café e estava pronta,
aguardando o comando de Deborah para saírem. Seus colegas nada perguntaram,
ainda bem. Não que devesse satisfações. Pensou Erica.
Dentro do carro, no caminho do trabalho, Deborah pega
discretamente a mão de Erica e olha apaixonadamente para ela. Erica lhe
sorri. Em seguida volta a sua atenção ao redor. O telefone de
Deborah toca e ela atende.
- Alô.
- Alô. Srta Deborah, desculpe te ligar, mas preciso
avisar que hoje você tem aquele almoço com o representante da empresa
Magnus.
- Obrigada, Ana Lúcia.
Deixe os relatórios para eu dar uma analisada na minha mesa. Já
estou chegando aí.
- Providenciarei.
- Ok. Tchau. E desliga. Aperta a mão de Erica
que também segura mais forte. Descobriu que amava esta mulher, como nunca
amou ninguém.
Comportaram-se como se nada tivesse acontecido. Erica ficou na
porta da sala de Deborah, do lado de fora. Caso ela quisesse que entrasse, bastava
acionar o dispositivo que avisaria Erica para ir até ela.
Durante todo o almoço Erica, que escolheu uma
mesa mais protegida, esteve estrategicamente posicionada atrás de Deborah.
E parecia um
estátua, mas observava atentamente
tudo e todos. Não perdia um único detalhe. Seus outros dois colegas
ficaram na entrada do restaurante.
De vez
Retornaram à empresa e receberam a notícia
estarrecedora de que Afonso sofrera uma tentativa de homicídio. Estava
no carro, parado no semáforo, quando parou uma moto e deu três
tiros. Graças a Deus, nenhum tiro o acertara gravemente, mas dois tiros o acertara de raspão. Tivera muita sorte. O bandido acelerou
a moto e sumiu. Afonso estava muito assustado e tremendo de medo, fora levado
para o hospital, mas fora medicado e já estava em casa . Deborah assustada com o ocorrido, saiu da empresa e foi
direto para casa ver o irmão.
Capítulo Dezoito: Novos rumos na investigação
Estão no carro indo em direção
à mansão, Deborah está em prantos e Erica delicadamente
a abraça, trazendo-a para perto de si. Afaga seus cabelos tentando acalmá-la.
Débora, aos poucos, consegue conter o pranto, mas continua abraçada
à Erica e pensa em como ela se tornou seu porto seguro,
sua proteção. Não pode mais viver sem ter esta bela mulher
ao seu lado. Lembra do irmão, está aterrorizada com o acontecido.
Quem queria matá-los? Por quê? Perguntava-se constantemente. Seria
vingança contra a sua família? Mas quem poderia ser? Primeiro
matam seu pai, depois tentam matá-la também e agora seu irmão.
Por quê? Por quê? É a pergunta constante em sua mente.
Erica está com a cabeça a mil por hora, sua mente investigativa está ávida por detalhes
do ocorrido. Precisava falar urgentemente com Roberto. A tentativa de homicídio
ao irmão de Deborah mudava totalmente os rumos da investigação,
pois antes era o possível suspeito. Agora tudo mudou. Tudo.
Chegam à mansão e Deborah vai direto falar
com seu irmão, que está deitado em seu quarto. Afonso tinha tomado
remédios para acalmar-se. Deborah, ao vê-lo, não consegue
conter as lágrimas e enxuga-as com a mão. Quase perdeu seu irmão.
Essa possibilidade quase a enlouquecia. Amava-o muito.
- Afonso?
- Deborah.
- Meu irmão, o que aconteceu?
- Foi horrível, achei que fosse morrer. Tiros.
Vidro estilhaçando. Tive um pavor imenso. Dois tiros me acertaram de
raspão, um no braço e outro no ombro. Afonso fala quase chorando.
- Como você está?
- Estou bem agora. Estou medicado e me deram calmante.
Nunca tive tanto medo.
- Ainda bem que você está aqui agora. Deborah
dá-lhe um sorriso terno.
- Sim, posso dizer que o pior já passou.
- Já foi à delegacia?
- Sim, fui. Contei o que aconteceu e retiveram o carro
para fazer a tal perícia.
- Afonso, acho que a partir
de agora você deveria andar com seguranças como eu faço.
- Nem pensar. Disse categórico
- Mas você está correndo perigo assim como
eu. Tenta argumentar Deborah.
- Não me agrada a idéia.
- Nem a mim. Mas é necessário. Promete
que vai pensar?
- Tá. Penso sim.
Deborah dá um beijo no rosto do irmão
e se retira do quarto. Vai em direção
ao seu quarto. Está se sentindo muito abalada.
Enquanto Deborah falava com seu irmão, Erica
ligou para falar com Roberto.
- Roberto, sou eu Erica.
- Oi, minha linda... tô
com saudades de ti.
- O caso deu uma reviravolta. Erica foi direto ao assunto.
- Como assim? Roberto perguntou espantado.
- Ainda não soube? Da tentativa de homicídio
do Sr. Afonso, irmão de Deborah.
- O quê? Quando aconteceu isso?
- Acho que tem umas três ou quatro horas.
- Ainda não fui comunicado, mas devo receber
este novo caso até amanhã. Mais um pra coleção.
Riu da própria piada.
- Pois é, isso muda o rumo da investigação.
Ele sai de provável suspeito.
- É verdade. Quem teria interesse na morte do
pai e dos dois filhos?
- Boa pergunta. Erica sorriu. – É essa a resposta
que eu quero.
- Meu deus, vou ter que re-estudar
o caso todo.
- Mãos à obra. Acho que você deveria colher novos depoimentos da mulher do Afonso e de seu filho. Seriam
beneficiários diretos com a morte dele.
- É, vou intimá-los para isso.
- Mantenha-me informada. Tchau.
- Certo, Madame. Tchau.
Capítulo Dezenove: Aconchego
Deborah está em seu quarto e anda de um lado
para o outro. Está nervosa, agitada, nem consegue descansar. Tentou deitar
um pouco, mas não conseguiu ficar na cama. Queria respostas. Sua vida
dera uma reviravolta. Lembrou-se de seu pai, começou a chorar, sentia
tanta falta dele. Mais que um pai, era um conselheiro. Sentou na cama e caiu
num choro desesperado. Precisava do seu porto seguro.
Acionou o dispositivo que tinha no pulso, como uma pulseira.
Em um minuto Erica já estava ao seu lado. Sentou ao seu lado, colocou-a
no colo e a abraçou, como se abraça uma criança. Deborah
sentiu algo duro junto ao corpo de Erica, mas não deu bola. Aconchego.
Esta era a sensação que Deborah estava tendo com Erica abraçando-lhe
tão ternamente. Estava precisando de colo. Todos viam-lhe
como uma mulher forte, poderosa, que não precisava de nada, mas como
as aparências enganam. Sentia-se tão frágil, tão
indefesa. Erica aparecera em sua vida num momento crucial. De vida ou morte.
Não só em relação à ocasião que quase
perdera a vida, mas num momento em que precisava achar alguém confiável,
que se importasse com ela independente de quem era. E Erica era essa pessoa.
Era espontânea,
atenciosa, sincera e preenchia um
vazio em sua vida que ninguém antes conseguira preencher. Não
estava interessada em seu dinheiro. E sabia ser amada por ela. Via isso em seus
olhos castanhos, que transmitiam-lhe tanta paz, tanta proteção.
- Erica.
- O quê, meu anjo?
- Quero deitar-me com você.
- Uh-hum... tá bom.
Erica levantou e trouxe Deborah junto. Tirou o casaco
de Deby, desabotoou a blusa com todo cuidado, retirou-a e desabotoou-lhe a saia,
que caiu no chão. Deitou-a com todo carinho na cama e a cobriu com o
edredom. Tirou seu próprio casaco, o coldre, foi então que Deborah
percebeu que ela estava armada, por isso sentiu algo duro junto a ela. Retirou
a blusa de lã, o colete a prova de balas, a camiseta, suas calças,
o coldre de tornozelo. Tinha o hábito de andar sempre com duas armas.
Ficou somente de calcinha e sutiã e deitou-se ao lado de sua Deby. Trouxe-a
para si e a aconchegou em seus braços. Acariciava os cabelos de Deby
e dava suaves beijos em seu rosto. Nada era dito. Ficaram assim, sentindo seus
corpos, por muito tempo, até que Deby se acalmou e caiu num sono tranqüilo.
Enquanto Deby dormia tranquilamente, Erica estava imersa
em seus pensamentos. O caso tomava um rumo inesperado. Estava temporariamente
sem um possível suspeito. Voltara à estaca zero. Quem poderia
se beneficiar com a morte dos três? Nenhum empregado se beneficiaria,
a não ser que fosse uma vingança. Será que o motivo era
vingança? Se fosse herança ainda restava a mulher do Afonso e
seu filho, o tal Eduardo, não inspirava-lhe
confiança, mas daí classificá-lo como suspeito era um grande
passo. Poderia ter sido a esposa? Vira Margareth duas vezes, mas pelo que pode
avaliar era fútil. Em uma das ocasiões a vira discutindo com Afonso
porque queria um carro novo e pelo que entendi não fazia nem um ano que
estava com o atual. Mas será que teria coragem de eliminar a família
do marido? Bom, por dinheiro tem gente que venderia a alma ao diabo. Concluiu.
Fechou os olhos e logo depois dormiu.
Capítulo Vinte: Desejo
Erica acordou com uma sensação deliciosa.
Deby sugava-lhe o bico de seu seio. Seu corpo reagiu imediatamente ao carinho.
Sentiu que estava molhada. Levou a mão até o rosto de Deby e a
trouxe para cima. Olhou aquelas safiras que tanto amava. Capturou sua boca num
beijo exigente, quente. Sua língua explorava com volúpia a boca
de sua mulher, suas mãos percorriam suas costas. Deby emitia pequenos
gemidos. As pequenas peças de roupas foram parar no chão. Deby
está em cima de Erica e esta abraça-a com sua
pernas, estimulando o contado de seus sexos molhados de tesão. Encaixadinhas,
olhando-se nos olhos, começam a esfregar seus clitóris durinhos
de tanto prazer. Ficam nessa dança deliciosa até chegarem ao clímax,
seus corpos explodindo num gozo intenso. Deby dá um beijo
- Tenho fome.
- Você tá com fome, é? Deby fala
se esfregando em Erica.
- Anjo, é sério, eu não almocei.
- Quê?
- É, com toda essa correria eu to até
agora só com o café da manhã e agora são... Olha
o relógio. – Oito horas da noite. Se você quiser um novo round
eu tenho que me alimentar. Quer correr o risco? Pergunta rindo.
- Nunquinha. Vamos comer já.
Levantam, Erica veste novamente suas roupas e Deby veste
um conjunto de agasalho na cor verde água. Descem as escadas em direção
à cozinha, que não tem ninguém naquele momento. Pegam na
geladeira, pão, queijo, presunto, geléia, leite e fazem um lanche.
Erica está faminta. Deborah come um sanduíche e observa feliz
da vida a mulher que está ao seu lado. Tivera muita sorte
- Eu preciso de uma coisa.
- O que você quiser. Deby diz sorrindo maliciosamente.
- Boba. Eu preciso de um espaço livre, um local
de 10 ou
- Na academia de ginástica tem este espaço.
- Academia? Nossa tem de tudo aqui. Erica diz rindo.
- Sim... o que você quiser.
Diz rindo também. – Vem, vou te levar até lá.
Pega na mão de Erica e vão em
direção a tal academia de ginástica. Chegando lá
Erica solta um assovio de espanto. É toda equipada com vários
aparelhos de ginástica, esteira, bicicleta ergométrica. Vê
o espaço que queria e próximo a um canto tem um saco de areia.
Achou seu segundo paraíso. Sim, segundo porque o primeiro era onde estava
a sua Deby. Sorriu de felicidade.
- Então gostou? Deby pergunta.
- A-d-o-r-e-i. Fantástica. Responde rindo igual
a uma criança. Puxa Deby ao seu encontro e dá-lhe um beijo cheio
de desejo. Sente o seu corpo esquentar. Quer esta mulher, agora!
- Quero você. Agora! Sussura no ouvido de Deby.
- Aqui? E se alguém aparecer.
- Não vai aparecer ninguém... ninguém...
Suas mãos percorrem o corpo de Deby, enfia sua
mão por baixo do blusão e acaricia os seios, arrancando gemidos
dela. Sua boca percorre o pescoço, o rosto, captura sua boca num beijo
molhado, quente, com sua língua percorre o contorno dos lábios
de Deby, deixando-a maluca. Sua mão desce em direção ao
sexo, entra por dentro da calça e passa um dedo com carinho por ele,
totalmente molhado. Solta um gemido de satisfação. Torna a beijar
a sua amada, que se agarra a ela com força. Seus dedos acariciam o ponto
de prazer de Deby, que se alucina gemendo sem parar, e diz ofegante:
- Não me torture... meu amor....
- Você gosta assim? E continua acariciando seu
clitóris.
- Sim... gosto....
Erica olha com carinho para a mulher em seus braços
e suavemente penetra dois dedos, movimentando-os no início suavemente
e intensificando à medida que Deby vai gemendo cada vez mais. Sente seu
corpo dar espasmos de prazer e a agarra firmemente impedindo-a de ir ao chão.
Erica segurando firmemente Deby em seus braços, dá um sorriso sacana e diz:
- Humm... Acho que a academia tá aprovada.
- Que bom que você aprova ela.
Dão mais um beijo apaixonado. Seus corpos ainda
querem mais, muito mais.
- Vamos voltar pro quarto. Deby fala beijando o pescoço
de Erica.
- Uh-hum... Vamos sim, meu anjo.
Ao chegar no quarto suas roupas vão ficando pelo
caminho. Resolvem tomar um banho e novamente se amam sem pressa, sentindo cada
sensação que uma provoca na outra. Saem do banheiro e vão em direção à cama, não se
desgrudam e se amam até o cansaço vencer seus corpos sedentos
de tanto prazer. Dormem agarradinhas.
Capítulo Vinte e Um: Destempero de Eduardo
Em algum lugar.
- Você é um incompetente. Tô pagando
uma grana alta e você não consegue fazer nada. Falava com voz irada.
- Tô sempre atrás, analisando. Assim que
surgir a oportunidade, o serviço será feito. Nunca deixei nenhum
cliente insatisfeito. Tem a minha garantia. Falou o assassino de aluguel.
- É bom mesmo. Isto já está demorando
demais.
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Mais uma semana se passou sem novas pistas para a investigação.
A perícia do carro de Afonso não foi concluída e Erica
estava agoniada com este caso. Em cinco anos atuando como investigadora, este se tornou o mais misterioso. E o que mais a irritava
era estar fora dele. Oficialmente. O que lhe acalentava o espírito era
estar protegendo Deby. Ficaria muito mal se alguma coisa ruim acontecesse com
ela. Ela era o seu tesouro, transformou-se em sua alegria de viver. Dormiam
juntas todas as noites, se bem que não era só dormir que ficavam
fazendo. Deu um sorriso ao lembrar de como sua Deby era fogosa. Ficava excitada
só em se lembrar delas se amando. É... fora flechada
certeira. Amava Deby.
Estava ao lado da porta do escritório de Deborah.
Era quase fim de expediente e lembrou-se de que na hora do almoço, ao
entrar no restaurante, notou alguém seguindo elas. Talvez fosse apenas
impressão, mas seu feeling alertava-lhe para perigo iminente. Na saída
notou que a pessoa estava do outro lado da rua. Quem queria matar Deby, não
desistira. E sabia ser apenas uma questão de tempo até tentar
de novo. Alertou seus companheiros. Tinham que estar totalmente preparados caso
houvesse nova tentativa. Lembrou-se de que Afonso acabou aceitando a idéia
de proteção. Agora andava com guarda-costas também. Erica esperava que não acontecesse nenhuma nova tentativa, senão
Deborah desabaria. Ela estava tão frágil com os últimos
acontecimentos. E isto é totalmente compreensível. Quem não
ficaria?
Deborah saiu de sua sala para ir embora. Estava com
a aparência cansada. Já no carro, se aconchegou em Erica, passou
a fazer isso sempre. Mas em momento algum Erica saía de sua concentração,
observava tudo e todos.
Chegaram na mansão em segurança, Erica
foi dispensada e foi para o seu quarto. Se alimentou,
vestiu um top e o seu kimono e foi para a academia se exercitar. Seu corpo pedia
pelo esforço físico. Ficou quase duas horas se exercitando, até
que sentiu-se extenuada. Quando estava retornando, ouviu berros que
vinham provavelmente da sala de estar. Foi rapidamente até lá.
Eduardo estava totalmente transtornado, jogava as coisas,
gritava, estava alucinado. Erica sacou na hora que o rapaz estava sob efeito
de drogas. Afonso, Margareth e Deborah tentavam contê-lo, mas ele respondia
a todos com violência. Dizia a todos para se danarem e que queria que
o pai dele tivesse morrido, que não ia fazer falta alguma. Todo mundo
chorando. Até que num rompante, ele sobe as escadas e vai em direção ao quarto dele.
Deborah vê Erica e vai até ela. Saem dali
e vão para o quarto de Erica. Deborah desaba em prantos e Erica a consola.
- O que foi aquilo, meu anjo? Erica pergunta.
- Eu... Eu nunca vi o Eduardo agir assim. Nunca. Deborah
diz chorando.
- Mas o que aconteceu?
- Afonso repreendeu ele e ele reagiu
daquela forma. Daí começou a jogar as coisas no chão, na
parede, a berrar feito um louco.
- Olha Deby, pelo pouco que eu percebi, Eduardo estava
sob efeito de drogas.
- O quê? Não! Eu perguntei pra ele e ele
disse que tava fora disso.
- Deby, eu tenho experiência em ver pessoas drogadas
e acredite, ele estava.
Deby chora mais ainda. Não acreditava que seu
sobrinho estivesse nessa, mas ele dissera-lhe que não estava nessa furada.
Por que mentiu?
- Meu anjo, preciso tomar
um banho, depois vamos para o seu quarto. Deborah olha para ela com aqueles
olhos azuis refletindo toda a tristeza que está sentindo. – Você
precisa descansar.
- Tá, eu vou para o meu quarto, te espero lá.
- Daqui a pouco eu estou lá também.
Se beijam e Deborah segue em direção ao quarto.
Estava com o coração despedaçado ao ver seu sobrinho agir
daquela forma. Só queria o aconchego de Erica esta noite. Só isso.
Capítulo Vinte e Dois: Novas suspeitas
Erica acorda de manhã com Deborah abraçadinha.
Adora esta sensação de estar coladinha com ela. Olha a hora, sete
horas. Hora de levantar. Dá um suspiro e chama Deby, que acorda dengosa.
- Vamos, meu anjo, acorde.
- Não quero. Quero dormir. Deborah diz toda dengosa.
- Ei... Acorde já. Você tem compromissos.
- Poxa, queria ficar aqui, diz olhando para Erica, que
ri e se levanta. Estava nua, aliás dormir com
roupas pra que? Deborah “come” Erica com os olhos. Seu corpo responde com intensidade
ao que está vendo. Levanta-se também e diz:
- Vamos tomar banho juntas?
- Humm... Só banho?
- Talvez. E dá um sorrisinho sacana e vão em direção ao banheiro de mãos dadas.
Entram no box, ligam o chuveiro e se agarram com vontade. Suas mãos
percorrem avidamente o corpo de ambas. Trocam beijos intensos. Erica vira Deborah
de costas para si e a abraça, percorre sua mão pela barriga de
Deby, pelos seus seios, massageando-os, arrancando gemidos incontroláveis
dela. Beija, mordisca sua nuca, seu pescoço, seus ombros. Tem loucura
por esta mulher. Deborah sente o sexo molhado de Erica pressionando suas nádegas,
vai a loucura com isso. Seu corpo estremece de prazer a cada movimento. Erica
desce sua mão ao sexo de Deby, acaricia-o, ele está totalmente
molhado, passa um dedo em seu clitóris e faz pequenos movimentos circulares,
levando Deby a emitir gemidos intensos. Desce seus dedos para a cavidade molhada
de sua amada e a penetra, enlouquecendo-a. Deby movimenta seus quadris, ora
sente o sexo de Erica em suas nádegas, ora sente os dedos dela penetrando-lhe
profundamente, movimenta-se cada vez mais rápido até não
agüentar mais e ambas explodem num gozo maravilhoso, espasmos de prazer
percorrem o corpo das duas mulheres. Ficam abraçadas esperando seus corpos se acalmarem e então tomam seu banho.
Erica retornou ao seu quarto para colocar outras roupas
e ligou para seu amigo Roberto, que atende ao telefone.
- Roberto, sou eu, Erica. Tudo bom?
- Oi Erica. Tudo corrido, você quer dizer.
- Humm.. já
saiu a perícia do carro?
- Ainda não, mas assim que sair te comunico.
- Certo. Estou precisando de um favor seu.
- Humm... O que é?
- Quero o telefone daquele seu amigo que é detetive
particular.
- O Almeida?
- Esse mesmo.
- Nossa e posso saber por que você precisa dele?
- Deixa de ser curioso, homem. Mas pode sim. É
que o sobrinho de Deborah está envolvido com lance de drogas e eu quero
saber até que ponto ele enfiou o pé na jaca.
- Nossa, e por que toda essa preocupação?
- Não acredito que ele tenha cometido o assassinato
do avô e nem as duas tentativas. Precisaria de muita grana pra isso. Mas
ele odeia o pai. Não posso eliminá-lo assim, sem saber. Depois
daquele caso da moça rica que junto com o namorado matou os pais dormindo,
eu não me assusto com mais nada.
- É, concordo contigo. Não prefere que
eu coloque um policial?
- Não, não quero. Porque dependendo do
resultado da investigação comunicarei à tia do garoto.
- Entendi. Então anota aí....
De posse do número do telefone, Erica entra em
contato com o detetive, explica-lhe o caso e o serviço é contratado.
Erica retorna à sala. Espera o comando de Deborah e sai para mais um
dia de trabalho.
Capítulo Vinte e Três: Quase acontece
o pior
Deborah está em sua sala analisando alguns relatórios.
Tira seus olhos dos papéis e pensa em seu sobrinho. Eduardo evolvido
com drogas? Não pode ser, ele garantira-lhe que estava longe disso. Mas
por outro lado, Erica era experiente em perceber isso. É, teria que ter
outra conversa com o rapaz, só que desta vez bem mais séria. Se
ele realmente estivesse nesse lance, teria que convencê-lo a sair dessa
e ir para uma clínica de desintoxicação. Não aceitava
que seu sobrinho estivesse metido com isso.
Voltou a olhar os papéis, teria logo mais, um
almoço de negócios. Suspirou. Lembrou-se de seu pai. Do seu querido
pai e amigo. Ele sempre dissera que a queria à frente dos negócios
daqui a alguns anos, mas não era o que ambicionava. Não era o
seu objetivo. Sabia que Afonso, como mais velho, tinha anseios de comandar o
grupo, o que achava perfeitamente natural. Só não esperava que
fosse acontecer tão rápido.
Deborah estava no restaurante para o tal almoço.
Erica sempre arranjava-lhe uma mesa que fosse “segura”. Concluído o almoço,
a pessoa com quem fizera negócios se despediu e foi embora e Deborah
ficou aguardando o “ok” de Erica. Tudo certo saíram do restaurante, estava
para entrar no carro quando acontece tudo muito rápido. O assassino disfarçado
de mendigo, saca uma arma e dispara na direção de Deborah.
Tudo rápido. Deborah achou que fosse morrer nesse momento, só
que Erica foi mais rápida e se colocou na frente. Foram três disparos.
Todos acertaram Erica nas costas. O assassino saiu correndo e os dois agentes
saem atrás dele, dão um tiro que acerta sua perna. O assassino
ainda assim tenta fugir, mas os dois agentes o alcançam e o imobilizam.
A polícia é chamada. Erica ainda continua abraçada a Deborah
e a olha nos olhos.
- Você está bem, meu anjo? Erica perguntou.
- Eu estou, quero saber de você. Deborah falou
já chorando.
- Calma, estou bem. Os tiros acertaram minhas costas,
mas só senti o impacto. Estou de colete.
- Ainda bem. Déborah falou ainda chorando. Estava
extremamente assustada com o que aconteceu. Quase morreu. Erica, seu amor, quase
morreu. Chorava sem parar.
Erica ainda estava abraçada à Deborah quando a polícia chegou, prenderam o assassino de
aluguel e o levaram à delegacia. Entraram no carro e foram também
à delegacia para fazer o boletim de ocorrência. Deborah estava
péssima, se sentindo com o coração
Retornaram à mansão e Erica acompanhou
Deborah até seu quarto. Deborah não parava de chorar. Retirou
as roupas de Deborah e as suas e se deitaram. Abraçou Deborah com todo
carinho e afagou seus cabelos até sentir, muito tempo depois, que Deby
adormeceu.
Erica estava com a cabeça à mil. Já tinha visto aquele mendigo rondando por ali de outras
vezes que estiveram naquele restaurante. A não ser... é
claro! O assassino percebeu no mendigo uma possibilidade de se aproximar, se
disfarçou como ele e tirou o verdadeiro mendigo do caminho. O bandido
era expert em disfarces, só podia ter sido isso. Ainda bem que agira
rapidamente, nem pensou, apenas ficou de frente para Deborah e a abraçou
segurando seus braços para trás. Se demorasse um segundo para
agir sua Deborah estaria morta agora. Este pensamento causou-lhe uma dor imensa
no peito. Jamais se perdoaria se tivesse acontecido algo a ela. Jamais. Esse
era o risco de se envolver com os protegidos.
Suas costas doíam pelo impacto das balas, era
como se tivesse levado três socos
Capítulo Vinte e Quatro: Descoberta estarrecedora
No dia seguinte, Erica, após tomar seu café
da manhã, recebe a ligação de Roberto.
- Erica, preciso que venha
aqui urgente.
- Nossa, Roberto. O que foi?
- A perícia chegou, quero que você veja
isso. Preciso de uma opinião técnica sua.
- Certo.
- E tem mais, o assassino vai ser interrogado agora,
quero que você esteja aqui pra ver.
- Perfeito. Deixe eu acertar umas coisas
aqui e estou indo aí.
- Ok.
Erica vai até Deborah, que ainda está
na cama, não quis se levantar. Erica se aproxima dela e deposita um beijos nos lábios. Dá um sorriso e diz:
- Deby, preciso ir até
a delegacia. Você não pode sair da mansão, por favor. Você
não estará protegida sem mim.
- Não me deixe. Diz quase chorando e abraça
o pescoço de Erica. – Estou com medo.
- Eu sei, meu anjo. É coisa rápida, em
uma ou no máximo duas horas estarei de volta.
- Promete? Pergunta chorosa.
- Prometo. Erica fita a mulher de olhos azuis que tomou
posse do seu coração, da sua vida, e declara: - Eu te amo, meu
anjo.
Deby a abraça forte e diz: - Eu também
te amo tanto, não me deixe.
- Jamais te deixarei. É uma saída rápida.
Logo mais estou de volta. Levante e tome o café da manhã, você
se sentirá melhor.
- Tá, vou tomar um
banho e desço. Não demora, tá! Diz com um sorriso lindo.
- Não, não demoro.
Se beijam apaixonadamente e Erica vai para a delegacia. Antes
de sair da mansão vê que Afonso está tomando o café
da manhã.
Erica está na sala de Roberto e estão
analisando o resultado da perícia do carro do irmão de Deborah.
- O que você acha? Roberto
pergunta. – Você está pensando o mesmo que eu?
- Uh-hum. Muito estranho. Acho melhor colher um novo
depoimento. Erica sugere.
- É, vou fazer isto.
- E como está o interrogatório? Erica
pergunta.
- Tá correndo. O delegado quis ele mesmo interrogar.
- Humm.. Interesse do Secretário
também? Erica diz e ri.
- Acho que sim. Roberto também ri. – Vamos pra
lá assistir.
- Sim, vamos.
Os dois seguem para uma sala anexa a sala do interrogatório
e observam por um vidro, que é espelhado pelo lado de dentro da sala
de interrogatório e que não podem ser vistos. Ficam assistindo
até que o assassino, depois de muitas perguntas, confessa quem é
o mandante. Erica sente uma punhalada no peito. Meu Deus, deixei
Deby sozinha. Pensa em agonia e sai correndo em disparada, pega o carro e segue
dirigindo feito louca
até a mansão. Liga
para seus dois colegas que estão lá e os avisa. Precisa chegar
logo.
Capítulo Vinte e Cinco: Não... Ele
não!
Enquanto isso na mansão, Débora está
sentada num sofá na sala folheando uma revista, sem prestar atenção
- Se gritar te mato, sua
vadia. Afonso fala se aproximando dela.
- Af.. Afonso... pra... pra que isso? Pergunta totalmente assustada.
- Pra quê? Pra quê? Pra te tirar do meu
caminho. Desde que você nasceu, você atrapalha a minha vida. Eu
tinha treze anos e era o reizinho da casa. A atenção do papai
e da mamãe eram toda minha, depois você apareceu e virou a princesinha.
E eu, hein? Eu fui jogado pra escanteio. Tudo era pra você. Tudo! Afonso
falou demonstrando todo o ódio que sentia da irmã.
- Não, Afonso...
- CALA A BOCA, VADIA. EU TE ODEIO.
Deborah começa a chorar, não acreditando
no que está acontecendo. Meu irmão quer me matar! Pensa aterrorizada.
- Você mandou matar papai! Constata Deborah.
- Sim, tirei aquele velho do caminho, pois sempre dei
meu sangue pelas empresas e nunca fui reconhecido e depois fiquei sabendo que
ele queria que você o sucedesse nos negócios. E eu, hein? Mais
uma vez seria jogado pra escanteio. Seria ignorado. Chega! Cansei de vocês.
Nisso entram os dois seguranças com as armas
em punho e aponta para Afonso que, num golpe rápido, agarra Deborah e
coloca a arma na sua cabeça.
- Larguem as armas no chão ou eu mato ela. Ordena Afonso totalmente alterado.
Os dois agentes jogam as armas no chão e levantam
os braços.
- Meu irmão, não faça isso. Suplica
Deborah.
- Hahahaha... é
o que eu mais quero fazer, já que aquele incompetente não conseguiu,
eu faço!
Erica entra porta adentro com a arma em punho, mas Afonso
é mais rápido e dá quatro tiros em Erica, que cai no chão
desfalecida. Deborah consegue se desvincular dele e se afasta gritando. Um dos
agentes saca a outra arma que traz consigo e atira
Deborah vê Erica no chão e tem sangue nela.
Se desespera e corre até ela. Grita desesperada por seu amor.
Se agacha ao lado dela, chamando-a. Erica abre os olhos, sua face está
contraída, sentindo muita dor.
Capítulo Vinte e Seis: Esperança
Roberto quando viu Erica sair desesperada entendeu o
perigo e acionou duas viaturas para irem até a mansão. Chegaram
alguns minutos depois de Erica. Os policiais encontraram Afonso morto e Erica
caída no chão agonizando. A ambulância já havia sido
chamada por um dos agentes e chegou logo em seguida, levando Erica para o hospital.
Os agentes seguiram para a delegacia para prestarem seus depoimentos.
Deborah foi para o hospital. Andava de um lado para
o outro sem notícias. Estava desesperada. Seu amor não podia morrer.
Seu coração doía muito. Estava despedaçado. Sentia-se
perdida. Não conseguia ainda acreditar que seu irmão fora capaz
de mandar matar seu pai e de mandar matá-la também. Meu deus, era loucura demais. Afonso estava morto. Erica estava sendo operada,
foi a única coisa que ficou sabendo. Estava agoniada.
Logo depois Roberto chegou.
- Olá, Srta Deborah. Disse Roberto.
- Oi, investigador.
- Como está Erica? Perguntou preocupado.
- Está sendo operada.
- Você sabe onde os tiros acertaram?
- Só lembro que vi o braço e a perna dela
ensangüentados. Lembro que foram quatro tiros. Falou Deborah quase chorando
de novo.
- Acho que não deve ter acertado nenhum órgão
vital. Ela sempre usa o colete. Diz Roberto querendo tranqüiliza-la.
- Ela estava com muita dor. Deborah diz e cai num choro
copioso.
Roberto chega até ela e a abraça e Deborah
chora muito. Após algum tempo ela se separa e senta numa cadeira. Ele
faz o mesmo. Conversam mais um pouco e aparece um homem todo de branco. O médico.
Se levantam e perguntam juntos:
- Como ela está?
- Calma. Fiquem tranqüilos. Ela está fora
de perigo.
Os dois suspiram aliviados.
- Sorte que a amiga de vocês estava com colete
a prova de balas, pois ela recebeu dois tiros no peito.
E recebeu um no braço e outro na coxa. Retiramos as balas e agora ela
está na sala de recuperação. Daqui a pouco vocês
vão poder vê-la. Disse isso e voltou de onde veio.
Esperaram aproximadamente mais uma hora até que
veio uma enfermeira e os levou até o quarto
Capítulo Vinte e Sete: Recuperação
Entram no quarto e Erica está deitada, de olhos
fechados. Deborah se aproxima dela e passa carinhosamente a mão pelo
seu rosto e diz:
- Erica, meu amor...
Roberto ao ouvir isto, arregala os olhos, pois não
imaginava, mas não deixa de sorrir ao ver que a amiga não perdeu
tempo.
Deborah a chama novamente. Então Erica abre lentamente
os olhos e fita seu grande amor. Dá um leve sorriso. Tenta falar mas a voz não sai. Deborah coloca um dedo em sua boca e pede para
ela ficar quietinha. Dá-lhe um sorriso lindo e Erica pensa em como é
feliz em ter esta linda mulher ao se lado. E fica aliviada ao ver que está
tudo bem com sua Deby.
Roberto chega perto e dá um beijo
Erica fica internada por dois dias. Recebe alta no início
da manhã e vão para a mansão. Está de muletas, pois
não consegue firmar a perna totalmente no chão, ainda dói.
Foi ferida no braço direito e na perna esquerda. Sobe as escadas com
certa dificuldade e vai para o quarto de sua amada. Tira suas roupas, coloca
uma camiseta e se deita, pois está muito cansada e dorme logo em seguida.
Erica é acordada para o almoço, recebe
a refeição na cama mesmo. Come tudinho, pois está com uma
fome de leão. Deborah almoça com ela também. Deborah se
deita ao lado de Erica. Deborah está encucada com uma coisa e pergunta
a Erica.
- Erica, me mate uma curiosidade.
- Sim, meu anjo. O que é?
- Se meu irmão foi o mandante dos crimes, por
que ele foi atacado também?
- Na realidade ele simulou um ataque.
- Simulou!?
- Sim, o tal bandido estacionou a moto ao lado do carro
de seu irmão no semáforo e disparou os tiros, mas foi feito para
não matá-lo, o bandido teria que ser muito ruim para não
matá-lo naquela distância mínima.
- Caraca...
- Isso foi constatado na perícia. Tivemos a prova
de que o local
onde os tiros acertaram não iriam acertá-lo nunca.
- Mas por que ele fez isso?
- Para que a polícia o tirasse de principal suspeito,
o que de fato aconteceu. Mas só até chegar o resultado da perícia.
- Meu deus, estou estarrecida!
- Imagino. Ele queria que tudo acontecesse como se fossem acidentes, a morte de seu
pai, a tentativa de te matar. Mas
ele não contava com a perícia da polícia e nem com sua
decisão de contratar guarda-costas. E quando pegamos o bandido, ele viu
que não tinha mais saída... daí me viu saindo
e viu que aquela era a oportunidade de te matar.
- Meu amor, ainda bem que você apareceu na minha
vida na hora certa. Deborah falou e deu um beijo em Erica.
- Sim, foi muita sorte. Erica pega a mão de Deby
e ficam se olhando.
Ambas tem a certeza de que se amam e nada mais vai separá-las.
Ficam lado a lado e Erica dorme novamente.
Capítulo Vinte e Oito: Envolvimento com drogas
Passou-se uma semana, Erica estava bem recuperada e
já não precisava mais de muletas, mas não podia fazer exercícios
físicos, o que a deixava um pouco de mau humor, pois não podia
treinar seu karatê.
O detetive Almeida liga para ela e diz que já
tem o resultado da investigação de Eduardo e adianta-lhe alguma
coisa. Erica pede que ele venha até a mansão no início
da noite, pois quer que Deby esteja junto. Erica contou há alguns dias
que tinha feito isto e Deborah achou ótimo, pois assim teria a certeza
e poderia ter a tal conversa com Eduardo. Ele não teria como fugir disso.
Erica e Deborah acham por bem continuar com o esquema
de segurança pessoal, mas Erica parou de prestar o serviço e espera
somente se reestabelecer para voltar à ativa em seu emprego de investigadora
policial. Mas combinam que a sombra seria um homem. Nada de mulheres. Preferiam
assim.
Margareth, esposa de Afonso, decidiu que passaria uma
temporada grande na França. Tinha ficado extremamente abalada quando
soube de tudo que aconteceu e não quis ficar por aqui. Pediu a Deborah
que cuidasse de Eduardo e a mantivesse a par do que acontecia com ele. E assim
foi feito.
Deborah já está em casa quando o detetive
chega. Vão para a biblioteca e ele mostra às
duas todo o material colhido na investigação. Realmente Eduardo
está envolvido com drogas. Está consumindo cocaína. Deborah
fica abalada com a notícia. Mas decide ter a conversa com Eduardo ainda
hoje, isto se ele aparecer
- Preciso conversar com ele. Deborah diz.
- Sim, você precisa ser forte, porque ele pode
reagir violentamente ao saber que você descobriu.
- Fica comigo enquanto falo com ele?
- Meu anjo, acho que se eu
ficar junto vou mais atrapalhar que ajudar. Ficarei do outro lado da porta,
se ouvir que a conversa estiver ficando pesada, daí eu entro. Pode ser?
- Pode, você tem razão. Faremos assim então.
- Uh-hum.
Eduardo chega depois de uma hora. Desde a morte do pai
anda mais calado, mais quieto. Ele está na sala e Deborah chega perto
dele. Se olham e ela vê tristeza nos olhos dele. Abre os braços
e se abraçam. Eduardo começa a chorar. Deborah o consola e diz
que precisam conversar. Ele concorda.
- Eduardo, meu querido. Agora somos só nós dois. E... eu quero te ajudar.
- Ai, tia.... eu ando tão...
perdido. E chora.
- Eu sei, meu querido. Eu sei.
- Me ajuda, tia?
- Sim, me diz o que te aflige tanto que eu te ajudo.
- Eu... eu... eu menti
pra você.
- Eu sei. Deborah diz olhando nos olhos dele.
- Sabe? Como?
- Sei, mas não fique bravo comigo. Eu mandei
investigar você.
- Poxa, tia! Falou bravo.
- Calma, Eduardo. Eu precisava
saber o que você estava fazendo. Sei que você está envolvido
com esse lance de drogas.
- Você está chateada comigo por eu ter
mentido, né?
- Estou sim. Mas o que importa agora é que eu
quero te ajudar. E para isto preciso que você queira também.
- Quero sim, tentei sair, mas não consegui. Esse
papo de que eu saio a hora que eu quiser é furado.
- Ótimo, então vamos ver o que podemos
fazer.
Conversaram muito e Eduardo decidiu ir para uma clínica
de desintoxicação e ficar internado por um tempo até sair
de lá com o organismo limpo das drogas.
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Erica está na cama, recostada nos travesseiros,
lendo um livro. Deborah entra no quarto e olha Erica com carinho. Sorriem. Deborah
sobe na cama e chega perto de Erica e tira-lhe a calcinha sem cerimônia.
Exibe-a como um troféu e dá um sorriso pra lá de safado.
Erica larga o livro e pensa em como sua mulher anda muito safada ultimamente.
Todas as noites fizeram amor, mas como os ferimentos ainda estavam cicatrizando,
acabava ficando à mercê dos desejos de sua amada. Ainda morreria
disso. Riu. Deborah já totalmente nua, retira
a camiseta de Erica e senta sobre ela. Ficam de frente e dão beijos apaixonados.
Ficam inflamadas de desejo, se acariciam, se beijam, se mordiscam, arrancando
suspiros e gemidos uma da outra. Deborah vai descendo pelo corpo de Erica, delicia-se
em seus seios, segue descendo e abre-lhe as pernas expondo seu centro de prazer, vai até ele e suga-o, lambe-o e penetra seus
dedos deixando Erica enlouquecida, que logo explode
Capítulo Vinte e Nove: E viva o amor!
Um ano depois...
Deborah está em sua sala na empresa, lembrando-se
dos acontecimentos passados. Lembra com muita tristeza o seu irmão, por
incrível que pareça não conseguiu odiá-lo pela sua
loucura. Nunca imaginou que ele a odiasse tanto, pois nunca demonstrara antes.
De tudo o que aconteceu lamenta apenas a morte de seu pai, seu velho querido.
Sente sua falta, falta de seu abraço, da sua risada, das conversas, da
atenção que ele sempre teve por ela. Acabou assumindo a presidência
do grupo como era o desejo dele. Mas não queria que tivesse sido assim,
a esse preço. Gostaria que ele estivesse junto dela, mas sabia ser isto
impossível.
Eduardo, assim que saiu da clínica, resolveu
que queria trabalhar na empresa também. Disse que precisava ocupar seu
tempo com coisas úteis. Deborah achou esta idéia maravilhosa.
Ele estava se saindo muito bem. Transformou-se em outro rapaz.
Erica continuava trabalhando como investigadora policial.
Era sua paixão, como ela dizia. Deborah suspira. Como amava esta mulher.
Enfim encontrou uma
mulher forte, decidida e que não
se interessava em nada pelo seu dinheiro. Encontrou o seu amor verdadeiro. Não
deixou Erica voltar para o seu apartamento. Ela falou apenas uma vez e conseguiu
convencê-la de que o lugar dela era a seu lado. Erica o alugou. No mês
que vem iriam viajar, conhecer todo o litoral nordestino, pois era um sonho
antigo de Erica e iriam fazê-lo viajando de carro. Iria ser maravilhoso!
Hoje o dia foi cheio. Já era passado das vinte
horas e Deborah estava ansiosa para chegar
Ao chegar na mansão, procura por Erica e a encontra
na academia de ginástica. Ela está treinando o karatê. Está
apenas com a calça do kimono e um top que mostra a musculatura definida
da sua barriga e de todo seu tronco. Era perfeita! Sente um desejo instantâneo
de fazer amor com ela. Era sempre assim, bastava vê-la para querer ir
ao paraíso com ela. Ficou um tempo observando até que ela encerrou
seu treinamento. Erica a viu.
- Oi, meu anjo. Não vi você aí.
Erica disse sorrindo.
- Oi, estava te observando. Deborah disse e foi chegando
perto. Se abraçam e Deborah empurra Erica contra a parede e a beija com
loucura, quer Erica ali e agora. Sua vontade é urgente.
- Estou toda suada, meu anjo. Erica diz.
- Não me importo... gosto assim...
Retira seu top e suga seus seios com volúpia.
Erica geme a cada investida de Deborah. Volta a beijar a boca de Erica, beija
seu pescoço, morde seu ombro, está enlouquecida.
- Quero você. Agora! Déborah sussura.
- Sim... sou toda sua...
Deborah enfia sua mão por dentro da calça
de Erica e alcança-lhe o sexo, totalmente molhado, as duas gemem. Penetra
Erica com seus dedos e movimenta-os deixando Erica enlouquecida, dizendo para
não parar. Até que sente o corpo de Erica tremer e sentir que
ela explodiu num gozo maravilhoso. Se abraçam, Erica
está com as pernas mole e vai lentamente descendo até o chão
até sentar, traz Deborah junto.
- Uau... Você adora rapidinhas, hein? Erica fala
e ri.
- Uh-hum... rapidinhas e também
as demoradinhas... e por falar nas demoradinhas, vamos tomar um banho e
fazer uma festinha particular lá no nosso quarto? Que tal? Deborah sugere
com um sorriso pra lá de safado.
- Maravilhoso, mas meu insaciável anjo, vamos comer um pouquinho antes tá. Não comi nada,
estava esperando você chegar.
- Meu deus, você só pensa
- Bom... depende da refeição....
e Erica dá um sorriso sacana.
Se levantam e vão comer alguma coisa, seguem para o quarto
e se amam e entram a madrugada trocando carícias e juras de amor. Felizes
da vida.
FIM.