Minha Doce Protegida

Gatafield

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2007

 

 

 

Sempre procuramos proteger a quem amamos.

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Um: Erica

 

O inverno fazia-se presente mesmo dentro da sala aquecida pelo condicionador de ar. Estava muito frio. O inverno estava sendo rigoroso este ano. Erica estava em sua sala, analisando um caso que estava sob sua responsabilidade. Era investigadora policial, cargo que exercia por puro prazer, pois costumava brincar que jamais ficaria rica com ele. Erica gostava de fazer as coisas por prazer. E gostava do desafio de desvendar os mistérios de um crime, descobrir sua motivação. Isso a excitava, a estimulava, mas a sua excitação suprema era estar sob os lençóis com uma bela mulher.

 

Já tinha sido guarda-costas, exerceu esta atividade por seis anos. Protegeu em sua carreira quatro pessoas e quase morrera no seu último serviço. Sorte sua estar com um colete à prova de balas, senão até essa hora estaria prestando contas dos seus pecados. Riu desse pensamento. Mas não foi por isso que desistira, na realidade a atividade não a desafiava mais. Foi treinada para ser guarda-costas, especializara-se nisso. Chegara a ficar seis meses nos Estados Unidos aprendendo novas técnicas. Mas a arte investigativa parecia, para ela, ser mais instigante, mais desafiante. Era movida a desafios. Claro que estaria muito melhor financeiramente se continuasse como guarda-costas, pois era extremamente bem remunerado. Não era pessoa de luxos, vivia bem, mas sem tê-lo. Dizia que pouco lhe bastava para viver. Estava como investigadora cinco anos e ainda tinha suas economias da época de outrora.

 

Não era adepta de usar roupas de marca. Aliás, tinha aversão, dizia que teriam que lhe pagar para fazer propaganda para os outros, pois não era nenhum outdoor ambulante. Trajava-se com calças jeans justas que evidenciavam seu belo corpo, gostava de camisetas e botas. Suas camisetas eram somente de algodão e lisas, sem estampas, e não suportava tecidos sintéticos, usava de todas as cores e coladas ao corpo, o que mostrava sua musculatura bem trabalhada. No inverno adorava usar casacos de couro. Tinha vários deles e eram o seu único luxo. Estava usando neste momento um casaco marrom comprido quase até o joelho. Este era o seu estilo, já que não ligava para moda.

 

Seu porte era atlético, com um corpo bem torneado em virtude de anos da prática da arte marcial do Karatê. O Karatê-Do, que quer dizer “caminho das mãos vazias”, era sua paixão desde os 16 anos, e tornou-se faixa preta aos 23 anos. Praticava-o constantemente, pois sabia ser excelente exercício para o corpo e mente. Em virtude disso nunca foi para uma academia de ginástica. Não suportava esses ambientes. Morava em Curitiba, cidade que aprendera a amar 12 anos, adorava fazer caminhadas pelos parques, mas em virtude do tempo no inverno estar sempre chuvoso, tinha sua esteira, onde andava por quase uma hora, quase que diariamente. Assim, mantinha seu corpo saudável aliado a uma alimentação balanceada.

 

Seu ponto fraco eram as mulheres, loiras, morenas, ruivas, não tinha uma preferência definida, bastava ser bonita, um corpo atraente e claro, inteligência e pronto, caía em cima. Não gostava de mulheres burras ou mimadas. Achava-as insuportáveis. Tinha 33 anos, tivera vários relacionamentos, sempre com mulheres, mas nunca chegara a compartilhar sua vida com uma mulher. Somente as namorava e quando perdia o interesse, partia pra outra. Não se agarrava a nenhum relacionamento. Mas não se considerava volúvel, pois em todo relacionamento sempre fora fiel, achava apenas que se acabasse o interesse pela mulher, devia acabar e partir pra outra. No momento estava sozinha. Seu último relacionamento acabara há dois meses.

 

Seus olhos castanhos escuros percorreram a última evidencia colhida para a elucidação do caso de assassinato que investigava. Estava a um passo de pegar o assassino. Tinha dois suspeitos, mas estes tinham um álibi que lhes tirava do local do crime. Se não fosse isso já estariam presos.

 

Tornou-se investigadora quando fez um concurso público. O certame foi concorrido e tinha estudado muito. O que lhe ajudara foi ter feito a faculdade de direito. Nunca exerceu a profissão de advogada, aliás não se via como uma. Tornou a olhar a evidência, este caso lhe intrigava. Era o assassinato de um homem, dono de uma loja de móveis, como se fosse um latrocínio. Os principais suspeitos eram sua própria mulher e seu amante, que era também seu álibi. Acreditava ser a mulher a mandante do assassinato.

 

Resolveu levantar e tomar um café. Ia dar um giro pela delegacia para espairecer um pouco. Foi até a cozinha e serviu-se de uma xícara de café. Nisso entra seu colega de trabalho e grande amigo Roberto, também investigador. Este já trabalhava a mais tempo no cargo. Fora ele quem a ajudara no início. Tinham se tornado excelentes amigos. Roberto sabia de sua homossexualidade, na realidade ela não a escondia de ninguém, apenas não andava com isso estampado na testa. No início Roberto deu em cima dela, era uma cantada atrás da outra, até que um dia teve de dizer que tinham algo em comum, além do cargo: mulheres. Ele ficou chocado, mas acabou aceitando o fato e as cantadas cessaram como que por encanto.

 

- E aí, Erica, já resolveu seu caso? Perguntou Roberto.

 

- Quase. Só falta eu derrubar o álibi.

 

-  Eu tô com meu caso enrolado. Acho que vai ser mais um daqueles sem solução. Odeio quando isso acontece. Parece que sou incompetente. Disse e suspirou. Serviu-se de um café também.

 

- Fazer o quê, amigo. Temos poucos recursos, e o pouco que temos às vezes não ajuda muito.

 

- Hummm... é verdade. Você vai ao aniversário do delegado? É hoje à noite. Perguntou mudando de assunto.

 

- Devo ir. Respondeu Erica.

 

- Eu também. Ainda bem que ele é camarada. Se fosse chato acho que não iria. Roberto disse rindo.

 

- Ah, Roberto, você sempre implica com o chefe. Deixe disso homem. Falou Erica.

 

- Você diz isso porque é a queridinha dele, pensa que eu não sei que se você o deixasse te carregava no colo. Falou provocando ela. – Ele arrasta as duas asas por você. Disse e riu.

 

Erica riu do comentário dele. Realmente era verdade. O delegado, o Dr. Pereira, sempre dava um jeitinho de mostrar que estava interessado nela. Era um safado, pois vivia traindo a mulher. Mas cortava o barato dele sempre. Erica Costumava dizer que se fizesse assim com o dedo ele viria igual um cachorrinho, Eu, hein, tô fora. Gosto disso não. Pensou Erica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Dois: Caso novo

 

Fim de semana. Erica estava em seu apartamento. Ligou o aquecedor de ambiente, pois estava muito frio. Estava embaixo de um cobertor, deitada no sofá da sala, tinha acabado de ver um filme. Seu gênero preferido? Sem sombra de dúvida era o suspense. Gostava muito dos policiais. Suspirou. Estava sentindo falta de um corpo quente colado ao seu. Queria uma boca apetitosa para beijar. Ô carência. Isso ainda me mata. Pensou e riu sozinha.

 

Decidiu sair à noite, precisava dar uns amassos e uns beijos. Morava sozinha, mas não gostava de trazer as mulheres para seu apartamento. Era o seu refúgio. Sempre ia para motéis ou até mesmo na casa delas. Preferia assim.

 

Segunda-feira. Sempre ia para o trabalho de ônibus, pois com o excelente sistema de transporte público da cidade, não via necessidade de ir com seu carro. Chegou a sua sala e pegou o jornal. Viu a manchete: “Mega empresário morre em acidente de carro.” Dizia a matéria que o dono de um império sofrera um acidente de carro. Ele estava no volante e em uma curva perdera o controle do carro. Seu feeling dizia ter coisa nessa história. Isso sempre dá caso de polícia, mas ficaria sabendo se fosse o caso.

 

Resolvera intimar novamente a mulher e o tal amante do caso que tinha em mãos para prestarem novos depoimentos. Alterou algumas perguntas e se houvessem contradições, o caso poderia, enfim, ser solucionado.

 

Na quarta-feira de manhã, apareceu a mulher para prestar novamente seu depoimento. Mantivera as mesmas respostas. Só restava a Erica que o amante se contradissesse. À tarde ele compareceu, feitas as devidas perguntas, houve alteração de um fato. Não estava batendo com a declaração da mulher. Quebrava o álibi de estarem juntos. Erica sentiu o homem muito nervoso. Resolveu pressioná-lo e este acabou abrindo o verbo. Fora ele quem matara o comerciante a mando da mulher. Só que estava arrependido, pois a consciência estava lhe pesando. E quando foi chamado pela segunda vez, ficou muito nervoso.

 

O plano feito por eles parecia bom. Queriam ficar com a grana do homem. Planejaram um roubo seguido de morte dentro da casa do mesmo. A mulher abriu a porta para que o amante entrasse. Roubo sem arrombamento e desligando o alarme. Foi o primeiro erro e primário. Mataram o comerciante com dois tiros, um no peito e outro na cabeça e limparam o cofre, mas antes o obrigaram a abri-lo, pois somente ele sabia da combinação. O cara já não devia confiar muito na mulher que tinha. Erica suspirou. Caso encerrado. O amante já ficou preso e a mulher tinha acabado de ser presa também. Estava terminando o seu relatório e após o caso seria com a justiça. Resolveu tomar um café.

 

Mais duas semanas se passaram sem grandes novidades, Erica recebeu mais alguns casos novos, que eram mais simples de serem resolvidos. Estava analisando um dos casos quando seu telefone toca. Era o delegado.

 

- Erica, preciso que você venha urgente a minha sala.

 

- Ok. Já estou indo. Disse, levantou-se e dirigiu-se a sala do Dr. Pereira.

 

O que seria dessa vez, perguntava-se Erica, pois não gostava quando ele lhe chamava para ir até sua sala. Lá vem bomba. Pensou.

 

- Olá, Pereira. Cumprimentou.

 

- Oi, Erica, temos uma bomba na mão.

 

Não disse que era uma bomba. Erica Pensou.

 

- Lembra do acidente de carro daquele empresário, o Marco Aurélio Sant’Anna de Macedo? Perguntou ele.

 

- Lembro sim. Não foi acidente? Perguntou Erica.

 

- Não, foi sabotagem. A perícia concluiu o relatório e os freios foram cortados. Temos um caso importante para solucionar.

 

- Sabotagem!? Mas que coisa! Erica comentou não muito surpresa.

 

- Quero você liderando este caso, trabalhando em conjunto com o Roberto.

 

- Ok. Vou falar com o Roberto.

 

- Tome, aqui está o processo, com o relatório da perícia. Quero que me mantenha informado do andamento deste caso. Quero ficar a par. Esse Marco Aurélio era muito amigo do Secretário de Segurança, então já sabe da importância de solucionar este caso.

 

- Tá bom. Erica disse resignada. Detestava essa prioridade por causa de determinadas amizades. Como se a vítima fosse mais importante do que outra. Crime é crime e como tal deve ser punido.

 

Erica saiu da sala do delegado e foi para a sala do Roberto. Chegou na porta  e não fez barulho, ele estava sentado atrás de sua mesa e folheava uma revista. Pelo interesse em cada página, percebeu ser um exemplar da Playboy. Como homens se contentam com fotos. Prefiro ao vivo e a cores. Pensou e sorriu. Bateu na porta e ele deu um pulo da cadeira e rapidamente guardou a revista dentro de uma gaveta.

 

- A-há... Peguei você no flagra. Safado!

 

- Epa, Erica, que é isso, só estava me mantendo atualizado. Disse Roberto, momentaneamente assustado.

 

- Se mantendo atualizado. Sei... tava vendo a mulher “do momento” como ela veio ao mundo. Erica não resistiu e soltou uma gargalhada.

 

- Sua boba. Quer vê-la? Roberto provocou Erica. Ele gostava de fazer isso.

 

- Não, meu amigo, obrigada. Mulheres eu prefiro em carne e osso aqui.. ó... na minha mão. Erica falou mostrando sua mão a ele. – Mas vamos ao que interessa. Disse ela.

 

- Diga, sou todo ouvidos. Roberto disse sorrindo.

 

- Temos peixe grande na rede. Erica falou e Roberto fez uma careta.

 

- Humm... quem é a vítima dessa vez? Perguntou levando ambas as mãos à cabeça.

 

- O tal empresário Sant’Anna de Macedo.

 

- O do acidente de carro? Perguntou Roberto.

 

- Esse mesmo.

 

- Não foi acidente então?

 

- Não, Beto. Foi sabotagem.

 

- Uau! Exclamou Roberto.

 

- Cortaram os freios do carro. Quem fez isso não contava com a perícia da polícia. Comentou Erica.

 

- Caraca... E você assumiu o caso? Perguntou Roberto.

 

- Eu e você.

 

- Eu também???

 

- Sim, querem que seja solucionado logo.

 

- Bem, então mãos à obra, amiga. Disse sorrindo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Três: Deborah

 

Deborah estava estarrecida com a notícia que acabava de receber. Seu pai fora assassinado. Não conseguia acreditar numa coisa dessa. Quem poderia querer matá-lo? Ainda sofria com a sua partida precoce, sentia-se perdida. Ele era seu porto seguro. Sentia-se abandonada. Descobrir que foi assassinato era muito duro de acreditar. Por quê? Por quê? Fazia a si mesma esta pergunta inúmeras vezes e não chegava a nenhuma resposta. Seria por dinheiro? Por poder? Por vingança? Quais seriam os motivos de tal ato? Mais perguntas sem respostas.

 

Deborah está deitada em sua cama, pensando em sua vida. Sua mãe morrera quando ainda era uma criança. Só tinha seu pai e seu irmão. Agora era só ela e o irmão. Seu irmão, Afonso, ficara muito abalado com a morte de nosso pai. Aliás, todos nós ficamos. Papai tinha 63 anos, era um poço de vitalidade, dizia que iria trabalhar até os 80 anos, tamanha vontade e dedicação que ele tinha com as empresas. Ele herdou, aos 28 anos, uma pequena fábrica de confecções de seu pai e conseguiu criar um império, um imenso conglomerado de empresas, atuando em vários setores da economia.

 

Deborah tem 30 anos, fez administração de empresas e fez especializações no exterior e há um ano começou a trabalhar na holding do grupo. Afonso já trabalha na holding há dez anos, ele é mais velho, tem 43 anos, casado com Margareth e tem um filho, Eduardo, com 19 anos, ultimamente um rapaz problema. É uma dor de cabeça atrás da outra, se envolve com gente da pesada. Afonso já o ameaçou de deserção, mas mesmo assim ele não toma jeito.

 

Com a morte de seu pai, Deborah e Afonso herdaram tudo. Deborah antes nunca havia se preocupado com isso, pois via seu pai vivendo pelo menos até os 90 anos. Era solteira e nunca quis se envolver seriamente com ninguém, pois acostumou-se a ter pessoas a sua volta que se interessavam apenas pelo seu dinheiro. Podia dizer que tinha uma única amiga, daquelas amizades eternas, a Estela. Eram amigas desde a adolescência. Mas agora Estela morava na Europa, e se viam poucas vezes. Namorou alguns homens, até descobrir sua preferência por mulheres. Seu primeiro beijo numa mulher foi aos 21 anos, com uma colega da faculdade e namoraram alguns meses. Envolveu-se com algumas mulheres, mas percebia todas interessadas na sua fortuna. Chato isso! Seu sonho era encontrar alguém que a amasse pelo que era e não pelo que ela tinha. Sim, Deborah era uma romântica incorrigível. Tinha esperanças de um dia encontrar uma mulher decidida, forte, que a ame e a proteja e não apenas veja o seu dinheiro. Que a olhe e veja como ser humano que ela é. Ainda iria encontrá-la, um dia.

 

Levantou-se e foi ao banheiro, abriu a água para encher a banheira e olhou-se no espelho. Via uma mulher bonita, olhos azuis, cabelos pretos curtos e arrepiados. Gostava do seu estilo meio rebelde, mas no trabalho usava roupas adequadas à função que exercia, mas quando estava fora dele, vestia-se despojadamente. Tomou seu delicioso e relaxante banho de espuma. Ah, isso me renova. Pensou. Sentia-se outra depois dessa delícia. Terminado seu banho, vestiu uma calça jeans, uma blusa de lã e um casaco por cima e botas. Resolveu dar uma saída. Precisava espairecer. Foi dar uma caminhada sentindo o vento gelado batendo em seu rosto. Gostava dessa sensação. Adorava o inverno, e estávamos no início da estação.

 

Capítulo Quatro: Depoimentos

 

Erica estava na sala de depoimentos. A escrevente estava digitando o que ela perguntava e o que o intimado respondia. Estava com Afonso, filho da vítima. Ele estava visivelmente nervoso e agitado.

 

- Onde seu pai estava antes de sofrer o acidente? Erica perguntou.

 

- Ele... ele estava na chácara que temos no interior de Pinhais. Respondeu Afonso.

 

- O que ele foi fazer lá?

 

- Era hábito dele ir sempre aos finais de semana para lá. Ele amava aquele lugar.

 

- Seu pai tem algum inimigo declarado? Quis saber Erica.

 

- Que eu saiba não tem.

 

- Gostaria que pensasse nessa pergunta com carinho e caso lembrar-se de alguém ou algo, quero de me comunique.

 

- Sim, se lembrar-me de alguma coisa comunicarei.

 

- A revisão do carro era feita com que periodicidade?

 

- Quem cuida dessas coisas é o nosso empregado, o Carlos.

 

- Ok. Como era o seu relacionamento com seu pai? Erica perguntou olhando diretamente nos olhos de Afonso.

 

- É... Bom... Sempre foi o melhor possível. Não tínhamos nenhum problema se é isso que quer saber.

 

- Na empresa, quem passou a ocupar o lugar dele?

 

- Eu... Eu passei a ocupar a presidência.

 

- Sempre quis ser presidente? Erica pergunta continuando a olhar diretamente nos olhos.

 

- Eu não vejo em que essa perg....

 

- Basta responder sim ou não. Erica interrompe Afonso.

 

- Sim, seria um passo natural.

 

- E a sua irmã, ela também tem interesse no cargo?

 

- Não, acho que não, ela está há pouco tempo na empresa.

 

Erica fez mais algumas perguntas que julgava conveniente e concluiu para si que Afonso era o maior beneficiário com a morte da vítima. Agora teria que esperar o resultado dos demais depoimentos para colocá-lo como suspeito.

 

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Deborah estava nervosa com o fato de estar numa delegacia para prestar seu depoimento. Estava acompanhada de seu advogado. Não que fosse necessário, mas ele deixava-lhe mais tranqüila estando ao seu lado.

 

- Bom, Srta. Sant’Anna de Macedo, vou fazer-lhe algumas perguntas e peço sua colaboração para ajudar-nos a elucidar este caso.

 

- Ok. Pode perguntar Sr. Investigador.

 

- Roberto, meu nome é Roberto.

 

- Pois não Sr. Roberto, pode começar a perguntar. Disse Deborah nervosa.

 

- Onde seu pai estava antes do acidente?

 

- Ele estava na chácara que temos em Pinhais.

 

- Ele ia muito pra lá? Roberto pergunta encarando Deborah. Ele estava encantado com a beleza da mulher a sua frente.

 

- Sim, praticamente todo final de semana ele ia pra lá.

 

- Quem sabia deste hábito dele?

 

- Várias pessoas. Família, amigos e empregados próximos.

 

- Seu pai mencionou alguma vez ter algum desafeto, um inimigo declarado?

 

- Nunca soube de ninguém.

 

- Caso lembre, preciso que me avise. Ok?

 

- Ok. Sr. Roberto.

 

- Quem cuidava do carro? Roberto pergunta e não se cansa de admirar a beleza de Deborah.

 

- Carlos, um de nossos empregados.

 

- Nessa chácara, quantas pessoas trabalham lá?

 

- Três pessoas, o caseiro, sua mulher e mais um empregado.

 

- Seus nomes, por favor.

 

- O caseiro é o Pedro, sua mulher é a Teresa e o outro empregado é o Anderson.

 

- Seu pai foi sozinho para lá ou teve mais gente?

 

- Teve um churrasco nesse dia. Tinha umas quinze pessoas, eu acho.

 

- Depois quero que providencie uma relação com os nomes de todas.

 

- Ok. Farei a relação.

 

- Com a morte de seu pai, somente você e seu irmão são os herdeiros, ou teve mais alguém?

 

- Não, somente nós dois. Deborah respondeu nervosa. Será que o investigador estava achando que ela ou Afonso matou seu pai. Pensou.

 

Mais perguntas foram feitas e todas devidamente respondidas. Deborah saiu da delegacia abalada, cansada. Era como se tudo o que ela queria esquecer tivesse voltado com força total. Só queria ir para sua casa descansar e se possível esquecer isso.

 

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Erica e Roberto colheram vários depoimentos, da mulher do Afonso, de amigos, de empregados da holding, da mansão e da chácara. Estavam trabalhando com afinco neste caso. Nem viam o tempo passar. Foram duas semanas de muita atividade. A cada depoimento, novos fatos eram agregados ao caso. As pessoas vinham depor apavoradas, e algumas vinham acompanhadas com seus advogados. O primeiro depoimento que Erica colheu foi do filho da vítima, Afonso. Roberto colheu da irmã dele, Deborah. Erica não a viu, mas Roberto dissera a ela que estava apaixonado, que a mulher era linda. Esse Roberto, não pode ver um rabo de saia que já se apaixona. Desde que estou aqui deve ter se apaixonado umas mil vezes. Pensou Erica sorrindo.

 

Decidiram levar em conta o fato de que os dois maiores beneficiários da morte do empresário foram seus dois filhos. Não eram suspeitos ainda, mas dependendo do andamento da investigação poderiam ser classificados como tal.

 

 Erica tinha acabado de colher o depoimento do neto da vítima. Não gostou do jeito do garoto, e pelo seu feeling, sacou que deveria se envolver com pessoal barra pesada e pelo jeito curtia drogas. Mas eram apenas suposições. O rapaz declarou ter problemas de relacionamento com o pai. Falou que o pai ameaçou deserdá-lo várias vezes. É... poderia entrar na lista dos prováveis suspeitos, mas Erica não via benefício para ele com a morte do avô. Agora se fosse a morte do pai, veria.

 

 

 

 

 

Capítulo Cinco: Tentativa de homicídio

 

Em algum lugar.

 

- Aqui está a foto da mulher, a rotina dela e a metade do dinheiro. A outra metade você receberá assim que o serviço for concluído. Falou a pessoa interessada na morte da mulher.

 

- Perfeito. Mulher linda, dá até pena de matá a pobrezinha. Comentou o assassino de aluguel.

 

- Não me importa como você vai fazer, mas deve parecer como um acidente. Uma fatalidade.

 

- Pode dexá comigo. Ela tem guarda-costas?

 

- Não. Não tem.

 

- Facim, facim. Esse serviço vai ser moleza. Já tá no papo. E deu uma gargalhada.

 

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Deborah planejou ir ao shopping, pois queria comprar um casaco novo. Resolveu ir sozinha, sem o motorista. Ela mesmo gostava de dirigir o carro. Shopping lotado. Conseguiu achar uma vaga depois de algum tempo rodando. Não gostava de garagem de shopping, dava-lhe arrepios de medo. Foi em direção às lojas, fez um lanche na praça de alimentação, ficou um tempo olhando o movimento e duas horas depois estava trazendo a sacola com sua nova aquisição. Foi em direção ao estacionamento. A garagem era subterrânea e saber disso a deixava nervosa. Ô pavor que tenho desses estacionamentos. Pensou. Estava chegando perto de seu carro quando ouve passos atrás de si, mas antes mesmo de se virar e olhar, foi agarrada e taparam-lhe a boca para não gritar, com uma mão áspera e asquerosa. Pavor. Imenso pavor estava sentindo. Sentiu o cano de um revólver na sua têmpora e uma voz nojenta lhe dizendo:

 

- Caladinha, dona moça. Nem um pio.

 

Deborah estava aterrorizada. Começou a chorar. Queria gritar mas a mão em sua boca a impedia.

 

- É dona gostosinha, compraro a sua passage só de ida pro céu. E deu uma risada horrorosa. - Mas antes vou tirá o meu atraso com esse seu corpinho gostosinho. Deu mais uma risada nojenta. – Vai ser a sua última aventura e vai levá de recordação pro além.

 

O bandido virou Déborah e deu-lhe um soco no rosto. Caiu quase desfalecida. Conseguiu dar um grito. Recebeu um chute na barriga. Dor. Muita dor. Ele a puxou pelo casaco deixando-a em pé e deu-lhe outro soco. Novamente dor intensa. Sentiu gosto de sangue na boca. Quando ia dar outro... não veio, uma mão impediu o movimento. Ele a soltou e Deborah caiu no chão, estava muito machucada. O bandido estava levando uma série de chutes e socos na cara, nas costelas e no peito e caiu no chão. Deborah viu que era uma mulher, que estava lhe salvando de um desfecho horroroso. Eu ia morrer. Pensou. A mulher chutou a arma para longe e a olhou, nisso o cara levantou e saiu correndo, ela fez menção de ir atrás dele, mas desistiu e veio até Deborah, se abaixou e a abraçou. Nunca Deborah se sentiu tão segura como nesse momento. Sua salvadora, minha protetora. Pensou.

 

- Consegue se levantar? A mulher perguntou à Deborah, com uma voz doce e ao mesmo tempo preocupada.

 

- A...Acho que... que sim. Deborah gaguejou.

 

A mulher levantou-a devagar. Deborah sentia muitas dores. Gemeu. Estava abraçada a ela, que era mais alta. Abraçou o corpo da mulher com força. Não queria mais sair dali. A mulher passou a mão por seu cabelo e disse:

 

- Vou te levar ao hospital e depois você tem que fazer um boletim de ocorrência.

 

- Eu.. eu tive tanto medo. Deborah disse e desabou num choro copioso. A mulher lhe abraçou com tanto carinho. Sentiu-se protegida. Ficaram um tempo ali até que Deborah conseguiu conter o choro. Um abraço tão quente, gostoso. Não queria sair dali. A mulher olhou nos olhos de Deborah. Castanhos. Lindos. Cabelo na altura do ombro, ondulados. Deborah olhou para sua boca, carnuda, apetitosa, teve vontade de beijá-la naquele momento. Voltou a olhar seus olhos. A mulher suavemente a soltou.

 

- Você consegue ficar em pé? Perguntou para Deborah.

 

- Acho que sim.

 

- Preciso fazer uma coisa antes. Disse e foi até a arma, tirou um lenço do bolso e a envolveu e colocou a arma no bolso do casaco.

 

Voltou até Deborah e passou os braços sobre seu ombro e lhe guiou até o carro dela. Abriu a porta, Deborah tentou sentar, gemeu de dor, se sentia dilacerada por dentro. Conseguiu sentar com sacrifício. A mulher puxou o cinto de segurança e prendeu-o, ficou bem próxima de Deborah, que teve vontade de agarrá-la. Sorriu intimamente com este pensamento. Tô louca, a mulher tá me ajudando, salvou minha vida e eu pensando em coisas não tão santas. Pensou. A mulher deu a volta no carro e entrou.

 

- Vou te levar ao hospital, tá. Para ver os danos que foram feitos no seu corpo.

 

- Uh-hum. Deborah concordou. Quem era essa mulher? Pensou. Lembrou-se que não tinham se apresentado. – Qual o seu nome?

 

- Erica.

 

- Lindo nome. Disse e sorriu. – Eu me chamo Deby.

 

Engraçado, Deborah não sabia porque dera seu apelido de infância. Somente seu pai a chamava assim.

 

- Prazer em conhecê-la Deby. Embora a situação não seja tão prazerosa. Falou e me presenteou com um sorriso lindo.

 

Erica ligou o carro e foram em direção ao hospital. Deborah sentia muitas dores pelo corpo, se sentia moída. Mas se sentia feliz com a mulher ao seu lado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Seis: Sentimento novo

 

Deby estava sendo submetida a vários exames para saber a extensão dos danos ocasionados pela agressão sofrida. Erica estava aguardando. Lembrou-se do ocorrido. Tinha ido ao shopping. Estacionou o carro, mas não saiu. Ficou dentro dele pensando na sua vida, ouvindo música bem baixinho, quando ouve um grito desesperado. Saiu no mesmo instante do carro, andando silenciosamente, sem denunciar sua presença. Ficou estarrecida com o que viu. Um homem massacrando uma mulher. Ele tinha uma arma nas mãos. Precisava agir com cautela. Aproximou-se e quando ele foi dar outro soco nela segurou com força sua mão e na seqüência deu-lhe um golpe na mão que estava armada. A arma foi ao chão. E deu alguns chutes e socos no bandido até que ele caiu no chão. Chutou a arma longe e virou-se para ver a mulher, nisso o cara levanta e sai correndo, ia atrás dele, mas lembrou-se que ela estava muito machucada. Descobriria quem era o bandido, tinha a arma e ele não usava luvas. Tinha suas digitais.

 

Foi até a mulher e a abraçou. Sentiu necessidade de protegê-la. Levantou-a e ficou com ela em seus braços. Ela estava tão frágil. Queria tirar a dor de seu corpo. Passou a mão em seus cabelos curtos. Cabelos curtos. Seu ponto fraco. Amava ver a nuca de uma mulher. Pedia para ser beijada. A mulher desabou num choro sentido. Abraçou-a mais forte. Precisava protegê-la. Precisava trazê-la urgente para o hospital, pois poderia ter danificado algum órgão. Chegaram e Deby foi rapidamente atendida. Agora estava esperando uma posição do estado dela. Estava muito preocupada.

 

Depois de quase duas horas, que mais pareceram uma eternidade, o médico responsável veio falar com Erica. Cumprimenta-a e pergunta:

 

- A moça é sua parente?

 

- Não, apenas a ajudei e a trouxe para cá. Não a conheço.

 

- Bom, acredito que você queira saber qual o estado dela.

 

- Sim, quero sim. Erica falou extremamente ansiosa.

 

- Fizemos todos os exames necessários para verificar se houve algum dano interno e também em sua cabeça, mas graças a Deus, não houve nada sério.

 

Erica suspirou aliviada. O médico continuou:

 

- Mas, devido ao estado em que ela se encontra deverá permanecer hospitalizada por no máximo dois dias.

 

- Tudo bem. Posso vê-la? Erica pergunta ansiosa.

 

- Pode, mas ela está sedada. Você também poderá vê-la amanhã.

 

O médico indicou o caminho para Erica e ela foi até o quarto em que Deby estava. Ela dormia serenamente. Olhou para ela com uma necessidade de querer sempre protegê-la. Olhou para sua mão e suavemente a pegou, colocou-a entre as suas. Sua mão estava quente. Observou seu rosto. Era lindo. Mas em virtude dos socos que recebera logo ficaria arroxeado. Quem é essa mulher que desperta em mim esses sentimentos? Erica se perguntou. A vontade que sentiu era de tomá-la em seus braços e jamais deixá-la. Amanhã voltaria para vê-la. Aproximou-se de seu rosto e depositou um suave beijo em sua bochecha. Voltou à recepção e terminou de providenciar toda a papelada de sua internação. Na confusão a bolsa de Deby acabou ficando lá. Voltaria ao estacionamento para pegá-la se ainda estivesse lá. Teria muita sorte se a encontrasse. Voltou e não a encontrou, alguém a levou.

 

Ao chegar em casa, o corpo de Erica estava estressado em virtude dos acontecimentos. Precisava relaxar, extravasar a tensão. E não conhecia nada melhor do que uma sessão de treinamento do karatê. Vestiu seu kimono, amarrou sua faixa na cintura, fez a saudação inicial, aqueceu seu corpo e se alongou. Resolveu fazer alguns katas, que é uma seqüência combinada de golpes e defesas como se estivesse em uma luta. Após, foi ao saco de areia e deu vários chutes e socos até sentir-se extenuada. Tomou um banho e foi dormir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Sete: Envolvimento

 

Na manhã seguinte, Erica resolveu ir ao hospital ver Deborah antes de ir trabalhar. Precisava vê-la. Chegou ao hospital e foi ao seu quarto. Ela estava acordada. Deborah deu um sorriso lindo ao ver Erica. Infelizmente seu rosto já estava começando a arroxear, mas isso não tirava em nada sua beleza. Seus olhos azuis seqüestravam Erica e levavam-na ao céu. Paraíso. Aproximou-se dela e deu um beijo suave em seu rosto e disse:

 

- Bom dia, Deby. Está se sentindo melhor?

 

- Bom dia, Erica. Estava agorinha me perguntando se eu a veria novamente. Disse sorrindo.

 

- Então já descobriu a resposta. Erica estava com um sorriso permanente no rosto.

 

- Sim e estou bem melhor, sinto dores horríveis pelo corpo, mas vou ficar boa. Ainda bem que não quebrei nada.

 

- Sim, ainda bem que eu estava por perto. Lugar certo na hora certa.

 

- Ele disse que ia me matar. Déborah disse e Erica viu medo em seu olhar.

 

- Te matar?

 

- Sim, disse-me isso claramente. Disse e continuava com medo no olhar.

 

- Esse pesadelo passou. Erica disse e se aproxima dela e dá um abraço. Sentia necessidade de tê-la em seus braços. Deborah correspondeu ao abraço. Ficaram uns bons segundos abraçadas. Erica interrompe o abraço.

 

- O médico me disse que você deve sair amanhã.

 

- Que bom, detesto hospitais. Disse e deu um sorriso.

 

- Temos que avisar sua família.

 

- Já avisei meu irmão. Ele virá aqui mais tarde.

 

- Que bom. Eu voltei ontem ao estacionamento para pegar sua bolsa com seus documentos, mas alguém a pegou antes.

 

- Meu deus, e agora? Deborah perguntou perplexa.

 

- Bom, saindo daqui você deve comunicar à polícia a ocorrência da agressão e também o furto de sua bolsa.

 

- Farei isso sim. E o meu carro ficou lá também. Vou pedir pro meu irmão pegá-lo.

 

- Faça isso. Vou entregar a arma à polícia para descobrirem quem é o bandido que te atacou. Não se preocupe ele será pego.

 

- Ficarei aliviada quando isso acontecer. Estou morrendo de medo. Deborah disse com aquele medo no olhar de novo.

 

- Procure não sair sozinha. Preciso ir. Tenho que trabalhar. Deixarei meu telefone com você. Caso precise de alguma coisa não hesite em me ligar. Ok?

 

- Tá bom, mas não quero te incomodar, você já fez demais por mim.

 

- Shhhh.... Se precisar, me ligue, tá. Erica deu um beijo no rosto de Deborah e saiu do quarto.

 

Erica queria passar o dia ao lado dela, mas não podia, tinha seu trabalho. Outra delegacia assumiria este caso. Foi até lá e contou o ocorrido e deixou a arma com o perito. Iria botar nas grades esse bandido.

 

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Deborah estava tão feliz por Erica ter ido vê-la. Iluminou seu dia. Erica estava linda, com um jeans justo que evidenciava suas curvas, uma blusa de lã verde e um casaco de couro comprido. Linda. Acho que encontrei a mulher dos meus sonhos. Acho não, tenho certeza. Humm... será que ela gosta de mulheres? Caraca, acho que me apaixonei. Deborah pensava. Teve vontade de beijá-la. Adorou quando ela a abraçou e a beijou, quase virou o rosto para o beijo acertar na boca. Sorriu.

 

Seu irmão veio visitá-la, estava todo preocupado. Narrou a ele o que aconteceu. Disse que ela devia tomar mais cuidado. Ficaram um tempo conversando e ele voltaria amanhã para levá-la para casa.

 

No dia seguinte, Afonso viera buscá-la como combinado. Erica não apareceu, ficou muito triste. Queria vê-la de novo. Sentia necessidade de vê-la, de estar perto dela. Foram direto para a delegacia e Deborah fez o boletim de ocorrência da agressão e do furto da sua bolsa. Depois foi para casa. Estava cansada e muito, mas muito dolorida ainda.

 

Passaram-se mais três dias, Deborah já estava bem melhor, somente seu rosto estava arroxeado, estava horrível. Nem saía de casa. Estava sentido uma saudade imensa de Erica. Lembrou-se de que não dera o seu telefone para ela, mas tinha o dela. Resolveu ligar, queria ouvir sua voz de novo. Queria vê-la novamente. Ligou.

 

- Alô. Disse uma voz.

 

- Erica?

 

- Sim, sou eu. Quem fala?

 

- Sou eu, a Deby. Sua voz tremia de emoção.

 

- Oi, menina, tava com saudades de você. E como você está?

 

- Bem melhor. Lembrei que você não tem meu telefone e que talvez quisesse saber como estou.

 

- Sem dúvida. Estava mesmo querendo saber de você.

 

- Estou quase sem dor, mas estou horrível, cheia de hematomas.

 

- É... mas some logo. Daqui uma semana nem vai aparecer mais.

 

- É.... é.... Deborah gaguejou nervosa.

 

- Fale.

 

- Eu... Eu gostaria de te ver de novo. Pronto falou, e nem sabe o que Erica vai pensar disso.

 

- Com certeza, também quero te ver.

 

- Hoje é sexta-feira e gostaria de saber se poderíamos sair amanhã para conversarmos mais, isso se você estiver a fim da companhia de alguém maquiado para a festa das bruxas. Deborah falou rindo.

 

- Hummm... está me convidando para um encontro, senhorita bruxinha. Erica disse rindo.

 

- É. Você aceita? Deborah perguntou com medo de que ela não aceitasse.

 

- Mas é claro. Meu ponto fraco é sair com bruxinhas, ainda mais maquiadas. Erica falou e riu.

 

- Boba! Que tal um jantar?

 

- Oba! Aceito.

 

- Amanhã às oito horas da noite no restaurante Don Pierre, é uma cantina italiana. Pode ser? Sabe onde é? Deborah perguntou.

 

- Sei sim. Combinado.

 

- Até amanhã e beijos.

 

- Até e beijos também.

 

Deborah desligou o telefone e seu coração pulava de alegria. Iria vê-la de novo. Estava tão ansiosa que o dia se arrastou. Mas estava muito feliz.

 

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Em algum lugar.

 

- Você falhou! A mulher ainda está viva. Falava a pessoa que encomendou sua morte, com muita raiva.

 

- Tive problemas. Apareceu um homem imenso e me impediu de matá a dona. Disse o assassino e jamais diria que apanhou de uma mulher, nunca admitiria isso.

 

- Pois trate de não falhar da próxima vez. Preciso dela morta. Ordenou a pessoa interessada.

 

- Não vou errar na próxima.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Oito: O jantar

 

Erica e Roberto estavam num beco sem saída. A investigação chegou num ponto que não se desenvolvia, andava a passos de tartaruga. Ficavam em cima da provas, estudando-as para ver se viam algum indício que não fora percebido antes. Até o momento trabalhavam com a hipótese de assassinato motivado pela herança. Nesse caso, os pretensos suspeitos eram os dois filhos. Erica tirou os olhos dos papéis, já estava cansada de andar em círculos nesse caso. Precisava descobrir algum fato novo urgente.

 

Erica lembrou-se que amanhã teria um jantar com Deby. Sorriu de felicidade. Estava com saudades dela. Esquecera de pegar o telefone dela e quando retornou ao hospital no dia seguinte ela já tinha recebido alta. Passou três dias em pura agonia, rezando para que ela a ligasse. Até que recebeu a ligação. Viu no visor um número desconhecido e rezou para que fosse ela. E era. Quando descobriu que era ela, seu coração queria sair pela boca, tamanha emoção e felicidade. Que poder tem essa mulher sobre mim. Ela me fascina. Pensou Erica. Ficou extremamente surpresa e, claro, feliz com o convite para jantar. Agora era ter paciência e esperar a hora chegar. Em extrema ansiedade.

 

Sábado à noite. Erica estava esperando por Deby na cantina. Escolheu uma mesa num cantinho aconchegante. Até que a viu entrar. Ela estava deslumbrante. Linda. Seu corpo era perfeito. Seu andar era gracioso. Percebeu que a desejava com paixão. Queria amar essa mulher e levá-la ao paraíso. Nenhuma mulher antes teve esse poder com ela. Ela veio até onde Erica estava e se cumprimentaram com beijinhos no rosto. Que perfume inebriante. Amo seu cheiro. Pensou Erica. Deborah sentou-se e a olhou com aquelas duas safiras, e perguntou:

 

- Está me esperando há muito tempo?

 

- Não, cheguei agorinha. Erica respondeu com um sorriso encarando seu belo olhar.

 

- O que achou do meu novo look? Deborah perguntou rindo.

 

- Coloca qualquer bruxinha no chinelo. Erica respondeu rindo também.

 

- Tô me sentindo horrível. Feia. E você tirando uma da minha cara. Deborah fingiu que estava brava.

 

- Você é linda. E esses hematomas logo vão sumir. O importante é que você esteja bem. Ainda sente dores? Erica perguntou preocupada.

 

- Só quando faço algum esforço.

 

- Então nada de fazer esforço.

 

- Estou curiosa. Onde você aprendeu a lutar daquele jeito? Deborah perguntou olhando para os olhos castanhos de Erica.

 

- Ah.. sou faixa preta no karatê.

 

- Sério!? Que legal. Faz tempo que você sabe fazer isso?

 

- Uh-hum... desde meus 16 anos. É uma de minhas paixões.

 

- Ninguém te bate então....

 

- Não... Não é bem assim. Posso apanhar também, depende com quem eu esteja lutando.

 

- Poxa, achei que você fosse invencível, tá...

 

Erica cai numa gargalhada e diz:

 

- Eu? Invencível... quem dera!

 

- E qual é a sua outra paixão? Posso saber?

 

- Sim, é o meu trabalho. Sou funcionária pública. Erica respondeu sem dar maiores detalhes, pois não gostava de dizer, assim de cara, que era policial. – E você o que faz da vida, Deby? Perguntou curiosa.

 

- Trabalho no grupo De Macedo. Deby respondeu sem dar maiores detalhes também.

 

- Como é que seu namorado deixa você sair num sábado à noite sem ele? Erica perguntou louca para saber se ela era comprometida.

 

- Não tenho ninguém. E você Erica, tem?

 

- Também não. Erica respondeu e encarou aquelas safiras que tanto a encantavam. Sentia-se hipnotizada com aquele olhar. Precisava se controlar para não dar bandeira. Nem sabia se ela gostava de mulheres.

 

- Estou sozinha alguns meses. Procuro minha alma gêmea. Deborah disse sorrindo.

 

- Humm... tomara que a encontre. Erica disse, querendo ser sua alma gêmea.

 

Fizeram os pedidos, jantaram e conversaram muito, uma querendo saber tudo da outra. Existia uma energia vibrando entre elas. Trocavam olhares carregados de interesse, de desejo. Mas como tudo que começa, uma hora acaba, despediram-se com um abraço apertado e beijinhos na bochecha. Combinaram de se ver mais vezes. E foram para suas casas felizes da vida.

 

 

 

 

 

 

Capítulo Nove: A decisão

 

Deborah estava se sentindo muito insegura em sair sozinha nas ruas. Ficou com muito medo do que lhe acontecera. Não tinha coragem de dirigir o carro sozinha. Para onde ia, o motorista a levava. Mas não se sentia segura. Resolveu conversar com seu advogado, Dr. Caetano, sobre o que fazer.

 

- Dr. Caetano, quero um conselho seu.

 

- Pois não, Srta. Deborah.

 

- Quando me aconteceu a agressão, o bandido falou-me claramente que alguém tinha comprado a minha passagem só de ida para o céu. Estou preocupadíssima com isso. Creio que não foi por acaso o que me aconteceu e acho que alguém me mandou matar.

 

- Mas isso é muito preocupante...

 

- Sim, é. Eu tenho medo de sair sozinha. Acho que quem assassinou meu pai está querendo me matar também.

 

- Você contou isso à polícia? Pergunta o advogado preocupado.

 

- Sim, contei. Dei todos os detalhes. Foi horrível relembrar de tudo.

 

- Compreendo. Srta Deborah, acredito que você precise de proteção extra. Sugeriu o advogado.

 

- Proteção extra? Nem tinha pensado nisso.

 

- Sim, guarda-costas.

 

- Vou ter que ficar com aqueles brutamontes atrás de mim. A idéia não me agrada.

 

- Sim, mas se você está ameaçada de morte, é necessário se proteger. E você pode pedir que quem ficar mais próximo de você seja mulher. Sugeriu o advogado.

 

- Humm.. ótima idéia. Você sabe como contratá-los? Perguntou Deborah interessada.

 

- Sim. Providenciarei isso.

 

- Ótimo.

 

Dr. Caetano ligou para uma empresa especializada em segurança pessoal e conversou com o responsável, Sr. Rodolfo. Este disse que gostaria de conversar pessoalmente com a Srta Deborah, para acertarem detalhes do serviço.

 

O Sr. Rodolfo foi ao encontro de Deborah. Ela está na empresa e o atende em sua sala. Estavam conversando.

 

- Então a senhorita foi ameaçada de morte?

 

- Não diretamente. Mas era para estar morta agora. Deborah sentiu um arrepio de medo percorrer seu corpo. – Minha sorte foi alguém ter aparecido e me salvado. Acredito que quem mandou matar papai, queira me matar também.

 

- Realmente sua vida está em risco e torna-se necessário protegê-la. Temos vários esquemas de trabalho. Disse Rodolfo.

 

- Qual seria melhor para mim? Deborah pergunta curiosa.

 

- Acredito que cinco agentes cobririam a sua proteção satisfatoriamente.

 

- Hummm... cinco? Ótimo, mas quero que o agente que ficar bem próximo a mim seja uma mulher. E quero a melhor e pago o que for preciso para isto.

 

- Entendo. Estamos sem agente feminino disponível no momento, e a melhor guarda-costas que eu conheci até hoje, infelizmente não está mais conosco. Sinto lhe dizer.

 

- Ela morreu?? Perguntou Deborah preocupada.

 

- Não, está viva. É a agente Santoro. Posso conversar com ela para saber se tem interesse nesse caso.

 

- Isso é possível? Quero dizer, dela aceitar o trabalho.

 

- Vou tentar persuadi-la.

 

- Pago o dobro do contrato para tê-la como minha guarda-costas. Disse Deborah interessada nos serviços da agente Santoro.

 

- Farei o impossível para isto Srta Deborah. Rodolfo disse sorrindo.

 

- Então estamos conversados.

 

Se despediram e o Sr. Rodolfo tratou de resolver isto logo. O caso era urgente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Dez: A contratação

 

Erica está em sua sala analisando as provas colhidas. Novos fatos surgiram. A filha do empresário assassinado tinha sofrido uma tentativa de homicídio. Outra delegacia recebeu o caso, e como eram conexos, seria transferido para ela no máximo até amanhã. Tinham as digitais do bandido. E o bandido era um famoso assassino de aluguel, que a polícia estava atrás dele há um bom tempo. Esse bandido era perito em se disfarçar, por isso a dificuldade da polícia em pegá-lo. Erica sabia que quem contratara esse assassino tinha dinheiro, pois era do conhecimento que ele não cobrava nada barato por seus serviços. Erica tão centrada em elucidar o caso, não atentou para o detalhe de que a delegacia que iria transferir o caso a ela era a mesma que Deby tinha ido. Nisso seu telefone toca e ela atende.

 

- Erica. Ela diz.

 

- Agente Santoro. Prazer em ouvir a sua voz. Tudo bem contigo?

 

- Rodolfo. Como você está, meu amigo. Erica falou sorrindo.

 

- Estou bem. Poxa, não veio mais visitar os amigos.

 

- Ah... muito trabalho por aqui.

 

- Imagino. Bom, te liguei pelo seguinte. Tenho uma proposta para você.

 

- Você e suas propostas. Quer que eu volte à ativa Rodolfo? Perguntou Erica rindo.

 

- Isso mesmo. Mas é por um tempo apenas. Um caso especial e delicado.

 

- Todos os casos são delicados. Rodolfo, você sabe que eu nunca mais voltei, por que isso agora?

 

- Sabe do caso do empresário Sant’Anna de Macedo, não é?

 

- Sim, está em minhas mãos.

 

- Hummm... interessante. É o seguinte, sua filha quase foi assassinada também.

 

- Estou sabendo disso Rodolfo, vou receber mais este caso.

 

- E ela está com medo e quer proteção, e quer que a sombra seja uma mulher.

 

- E o que eu tenho a ver com isso, Rodolfo?

 

- Pensei em você. O que acha?

 

- Eu? Mas eu tô fora disso rapaz, há muito tempo. Erica falou não acreditando na idéia do amigo.

 

- Você é a melhor que eu conheci até hoje Santoro. Infelizmente não estou com nenhum agente feminino disponível. Pensei em você. Ela paga o dobro do preço pelo serviço para que seja você. Ela quer você! Rodolfo falou tentando convencer a agente Santoro.

 

- Rodolfo, parece que você não me conhece. Se eu quisesse dinheiro estava aí até hoje.

 

- Eu sei. Então aceita?

 

- Não.

 

- Como não Santoro? Já imaginou que perto dela, da rotina dela, você pode investigar este caso de perto. Argumentou Rodolfo, pois era sua última cartada.

 

- É, não tinha pensado nisso.

 

- E então?

 

- Rodolfo, eu estou trabalhando e tenho um caso importantíssimo em minhas mãos. Não posso sair assim desse jeito.

 

- Isso significa que você aceita? Perguntou Rodolfo todo esperançoso.

 

- Aceitaria se não estivesse trabalhando neste caso.

 

- Dou um jeito, Baby. Nos falamos depois.

 

- Espere... Falou Erica, mas ele já tinha desligado o telefone.

 

Erica ficou pensando, mais essa agora. A proposta era tentadora, ficando perto poderia analisar as coisas por outro ângulo. Teria acesso à rotina que como investigadora não teria, mas para isso teria que trabalhar extra-oficialmente, e isso era ilegal e antiético. Rodolfo era um louco e o delegado jamais permitiria que se desvinculasse desse caso.

 

Duas horas depois seu telefone toca e era o delegado chamando-a em sua sala. Não gostava quando era chamada na sala dele, eram sempre pepinos para resolver. O que seria dessa vez? Pensou Erica. Já na sala do delegado este lhe dizia.

 

- Erica, o seu amigo Rodolfo me ligou.

 

- O quê? Não acredito!

 

- Conversamos um monte e depois conversei com o Secretário de Segurança. Ele está preocupado com o rumo que este caso está tomando. Ele quer que você faça a segurança pessoal da Srta. Deborah. O delegado falou encarando Erica.

 

Erica não acreditava no que estava ouvindo. Era demais. Sentia-se uma marionete.

 

- Mas, Dr. Pereira...

 

- Nada de mas, Erica. Sua licença de afastamento está sendo providenciada. O caso será assumido pelo Roberto. Decretou o delegado.

 

- E a minha vontade não conta? Erica estava indignada e se levantou da cadeira.

 

- Calma Erica. Sente-se, por favor. Ela atende ao pedido dele e senta-se novamente. – Acontece o seguinte, você está oficialmente saindo do caso, mas extra-oficialmente estará no caso, você observará a rotina dessas pessoas de perto.

 

- Mas isso não é legal, Dr. Pereira. Isso é antiético. Erica argumenta.

 

- Sei disso, mas temos o aval do Secretário. Lembre-se que ele é amigo da família.

 

- Grande coisa. Sabe que odeio ser manipulada, Dr. Pereira. Não concordo com isso.

 

- Eu sei, Erica. Você é uma profissional ilibada, ética. Mas precisamos resolver este caso e vamos lançar mão dessa oportunidade que apareceu. Por favor, colabore. Você estará de licença até este caso se resolver. Nada fora da lei.

 

Erica suspirou resignada.

 

- Ok, Dr. Pereira, não me resta outra alternativa. Vou falar com o Rodolfo.

 

- Sábia decisão Erica.

 

Erica quase pulou no pescoço dele ao ouvir isso. Sábia decisão, não tinha decidido nada, decidiram por ela. Estava fervendo de raiva. Quem essa Deborah achava que era para fazer isso? Pensou. Não conhecia a mulher, mas descobriu que não gostava dela. Tinha dinheiro e achava que podia comprar todo mundo. Devia ser muito mimada, pois rica já era. Odiava gente assim. Odiava.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Onze: A guarda-costas

 

 Erica estava conversando com seu amigo Roberto na sala dele.

 

- Roberto, meu amigo, mudança de planos. Erica disse com uma cara nada contente.

 

- O que aconteceu Erica? Perguntou Roberto.

 

- Vou sair do caso.

 

- O quê? Por quê? Roberto perguntou estupefato.

 

- Ordem do Secretário. Acredita nisso? Erica disse séria.

 

- Como assim? Ordem do Secretário.

 

- A filha da vítima sofreu uma tentativa de homicídio. Quer proteção.

 

- Mas o que isso tem a ver com sua saída do caso? Roberto perguntou não entendendo nada.

 

- Ela quer proteção e exige que seja eu. Daí o Secretário gostou da idéia e tcharamm... estou fora do caso.

 

- Não dá pra acreditar nisso. Roberto disse balançando a cabeça.

 

- Não mesmo. Vou ser guarda-costas dessa mulher mimada por livre e espontânea pressão. E tem mais, querem que eu acompanhe o caso extra-oficialmente.

 

- Mas isso não é correto.

 

- Falei isso para o delegado, mas como a família da vítima e o Secretário são amiguinhos, sobrou pra mim.

 

- É... manda quem pode e obedece quem tem juízo. Não é assim o ditado?

 

- É, e já que eu tenho juízo...

 

- Uau... não queria estar na sua pele amiga. Bom, boa sorte pra você.

 

- Manteremos contato. Você não vai se livrar de mim tão fácil. Erica disse e riu.

 

- Eu sei que você me ama. Disse Roberto rindo.

 

Erica retorna a sua sala e liga para Rodolfo. Já que decidiram por ela, precisava acertar os detalhes. Rodolfo atende o telefone.

 

- Rodolfo, é a Santoro.

 

- E aí amiga, resolvido?

 

- Você me paga, seu cretino. Erica falou brava com ele.

 

- Calma Erica, eu apenas expus os fatos. A decisão de envolver o Secretário foi somente do delegado. Apenas liguei pra ele para conversar sobre a possibilidade de você sair. Só isso.

 

- Sei. Sabe o que mais me irrita nesta história toda?

 

- Não. O quê? Perguntou Rodolfo curioso.

 

- Decidirem por mim. Não gosto das coisas feitas desta forma. Sinto-me uma marionete. Falou Erica totalmente resignada.

 

- Desculpe, não imaginei que fosse ter essa proporção. Não era minha intenção.

 

- Tudo bem. Não posso fazer nada por ora.

 

- Erica, agora precisamos acertar o esquema de proteção. Você pode vir ainda hoje?

 

- Posso. Já passei o caso ao Roberto. E minha licença já foi assinada. Então, estou livre.

 

- Ok. Estou te aguardando então.

 

Erica vai à empresa de segurança e conversa com Rodolfo sobre os detalhes de como será a proteção prestada à Srta Deborah. Definido o esquema, Erica resolve comprar algumas roupas para usar no caso. Sempre gostou de se vestir totalmente com roupas pretas e não seria diferente desta vez. Se apresentaria na manhã do dia seguinte à contratante do serviço.

 

Já em casa, Erica treina seu karatê, é o que consegue acalmá-la, pois está irritada como as coisas foram resolvidas. Tinha raiva de quem se prevalecia do cargo, posição ou dinheiro para conseguir algo em benefício próprio. Tomou um banho e foi dormir. Lembrou-se de Deby, mas ficou triste porque agora não teria tempo para vê-la de novo enquanto estivesse envolvida neste trabalho. Lamentou, pois sentia algo forte por esta mulher. E gostaria de vê-la novamente, mas não tinha mais tempo.

 

Na manhã seguinte, o grupo de agentes, juntamente com Rodolfo, segue em direção à mansão da contratante do serviço. Chegam à mansão, que é imponente e são recebidos pela governanta. São levados a um escritório imenso com uma biblioteca e ficam aguardando a Srta Deborah atendê-los.

 

Alguns minutos depois a Srta Deborah entra no escritório. Erica sente o corpo gelar ao perceber que a Srta Deborah e a sua querida Deby são a mesma pessoa.

 

 

 

 

 

Capítulo Doze: Profissionalismo

 

Deborah olha para Erica sem entender o que ela está fazendo ali. Seu coração acelera e fica sem ação por alguns segundos. Olha para Rodolfo e o cumprimenta.

 

- Bom dia, Sr. Rodolfo.

 

- Bom dia, Srta Deborah. Esta é a equipe que ficará a sua disposição. Deixe-me apresentá-los. Estes são os agentes: Antunes, Barbosa, Cardoso e Silva, e esta será a sua sombra, a agente Santoro.

 

Erica dá um leve cumprimento com a cabeça a Deborah, que retribui. As duas se encaram sem acreditar no que está acontecendo. Rodolfo explica rapidamente a Deborah o esquema adotado. Sempre terá três agentes com ela. Os outros dois cobrirão os outros. Mas a sombra estará sempre com ela. Só dorme quando ela dormir. Os agentes são acomodados nos quartos e fazem uma completa varredura do local.

 

Deborah se aproxima de Erica e pergunta:

 

- Por que não me disse, Erica?

 

- Dizer o quê... Srta Deborah.

 

- Que você era guarda-costas.

 

- Eu sou policial licenciada. Já fui guarda-costas por alguns anos e estou prestando um serviço temporário por exigência sua. Erica disse olhando-a nos olhos.

 

- Exigência minha?

 

- Sim, você não queria a agente Santoro? Pois sou eu.

 

- Jamais imaginei que fosse você. Deborah disse olhando Erica em seus olhos. Estava sentindo falta dos costumeiros abraços.

 

- Posso dizer a mesma coisa em relação a você.

 

- Bom, mas fico feliz que seja você. Deborah disse dando um sorriso lindo.

 

Erica não responde e ficou preocupada, pois sabe que não seria fácil ficar colada àquela mulher que tanto mexia com ela. Sua ética profissional não permitia que se envolvesse com seus protegidos. Teria que agir profissionalmente, sem dar brechas a nenhuma intimidade. Mas como resistir a este encanto de mulher? Pensou Erica preocupada.

 

Deborah ficou radiante de felicidade ao saber que Erica seria sua sombra. Nem percebera que Erica fora extremamente profissional com ela. Em seguida saiu para ir à empresa. Erica foi com ela no carro com o motorista e os outros dois agentes seguiam logo atrás em outro carro. Deborah tentou conversar com Erica e esta lhe disse:

 

- Srta Deborah, eu fui contratada para zelar por sua segurança. Preciso estar cem por cento atenta ao que acontece ao seu redor. Desculpe-me, mas não poderei ficar conversando com você. Erica disse sentindo um aperto no peito.

 

- Você não vai conversar comigo? Deborah pergunta sem encarar Erica, com os olhos marejados.

 

- Tente entender, Srta Deborah, não estou aqui para conversar com você. Apenas te proteger. Erica sentia uma tristeza imensa ao dizer isso.

 

- Pensei que você fosse minha amiga. Deborah disse olhando para Erica com os olhos refletindo toda a tristeza que sentia naquele momento.

 

- Não vamos misturar as coisas, Srta Deborah. Eu estou aqui a trabalho. Erica disse suavemente, mas sentindo o peito rasgando de tristeza ao ver aquele olhar triste.

 

- Que assim seja, agente Santoro. Deborah disse secamente, virando o rosto para o lado.

 

Ficaram ambas em silêncio, perdidas em seus pensamentos, em suas dores. Chegando à empresa, Deborah seguiu direto para sua sala e entrou. Erica permaneceu do lado de fora, ao lado da porta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Treze: Aceitando os fatos

 

Deborah senta-se em sua mesa e não acredita no que aconteceu. Uma lágrima rola pelo seu rosto. Ficara surpresa e ao mesmo tempo tão feliz ao saber que Erica seria sua guarda-costas, mas ela tratara-lhe tão friamente. Magoou-se com a atitude de Erica. Não esperava ser tratada assim. Erica fora tão gentil e atenciosa antes, mostrou ser um amor de pessoa. Tinham se tornado amigas. Gostava muito dela, disso não tinha dúvidas. Por mais que lhe doesse, tentaria agir friamente com ela. Entendia perfeitamente a situação dela quanto a não se distrair no trabalho. Não queria atrapalhar. Se era assim que ela queria, assim agiria. Não seria fácil, mas a ignoraria, por mais que seu corpo reagisse à constante presença dela.

 

Erica está parada ao lado da porta observando atentamente o movimento. Estão na ala da diretoria. Estava chateada com a situação. Tinha um carinho especial por Deby e jamais poderia imaginar que ela fosse a milionária Deborah Sant’Anna de Macedo que tanto detestara pela exigência dos seus serviços. No curto espaço de tempo que pode estar com ela, percebeu que Deby era uma pessoa simples e não metida e mimada como achou que seria a imaginada Srta. Deborah. Droga! Tudo poderia ser diferente. Poderia estar no seu trabalho e continuar curtindo sua amizade com Deby. Droga, por que isso foi acontecer. Estava tudo tão perfeito. Mas por outro lado, estava contente por estar protegendo-a efetivamente. Lembrou-se do episódio da agressão e sentiu um arrepio de medo gelar seu corpo ao imaginar que se não tivesse aparecido a tempo o pior poderia ter acontecido. Estivera cara a cara com o assassino. Ele estava disfarçado, por isso não o reconhecera. E uma pergunta não deixava sua mente em paz: Quem é o mandante?

 

O irmão dela veio em direção à sala de Deborah, falou com a secretária dizendo que ia entrar. Olhou Erica de cima abaixo e parece não ter gostado do que viu, e entrou na sala.

 

- Deborah, tudo bem contigo? Disse e foi até a irmã de deu-lhe um beijo no rosto.

 

- Oi, Afonso, tudo bem sim.

 

- Quem é aquela figura toda de preto plantada ao lado da porta? Não é a investigadora? Perguntou Afonso.

 

- É sim, mas agora ela está como minha guarda-costas.

 

- Guarda-costas??

 

- Sim, senti necessidade de ter maior proteção. Fiquei com medo do que me aconteceu.

 

- Poxa, nem me falou nada.

 

- Afonso! Desde quando preciso falar contigo para tomar decisões sobre minha vida particular. Falou rindo.

 

- É, tem razão, exagero meu.

 

- Cadê o Eduardo? Não o vejo há dias. Ele nunca está em casa. Deborah perguntou.

 

- Faz três dias que não via ele, e só o vi hoje de manhã.

 

- O quê? E onde estava esse rapaz? Deborah perguntou preocupada.

 

- Não sei por onde ele andou Deborah. A Margareth está sem saber o que fazer com ele.

 

- Vou conversar com ele hoje à noite. Não sairei.

 

- Acho que seria bom, ele sempre te escutou. Deborah... temo que ele esteja envolvido com drogas.

 

- Meu Deus!! Deborah falou estarrecida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Quatorze: O sobrinho Eduardo

 

Deborah retornou a sua casa após mais um dia de trabalho. Estava no carro e olhava de soslaio para Erica. Como queria dar um abraço nela. Queria conversar com ela como antes. Mas prometera a si mesmo respeitar o que ela queria. Não iria atrapalhar, mas essa situação inusitada não lhe agradava nem um pouco.

 

Entrou em casa e parou no hall de entrada. Erica estava atrás dela. Deborah olhou nos olhos dela e viu que estavam tristes. Ela não era indiferente à situação. De repente se animou, tivera uma idéia, mas mais tarde a faria, pois antes precisava falar com Eduardo. Perguntou a Erica:

 

- Aqui dentro de casa você vai ficar atrás de mim?

 

- Tanto dentro de sua casa como dentro de sua empresa, só ficarei ao seu lado se você quiser, se você sentir necessidade. Eu devo respeitar a sua privacidade.

 

- Não, acho que não precisa. Não sairei mais hoje. Pode descansar, acho que você está cansada. Deborah falou encarando Erica.

 

- Com licença, Srta Deborah. E saiu em direção ao quarto que estava hospedada.

 

Deborah ficou olhando Erica se retirar. Ela tinha um porte altivo, um andar seguro. Ela estava linda. Um sorriso brotou em seus lábios. Queria aquela mulher, percebeu que a desejava. Iria trazer a sua Erica de volta. Custe o que custar. Pensou. E começaria ainda hoje. Foi ao seu quarto, tomou um banho e no horário desceu para jantar. Ficou feliz ao ver seu sobrinho em casa. Teria a conversa com ele ainda hoje.

 

Terminado o jantar, Deborah falou para Eduardo ir à biblioteca com ela, pois queria conversar com ele.

 

- Eduardo, eu gostaria de ter uma conversa séria com você.

 

- Olha tia, não gosto desse papo de conversa séria não. Disse Eduardo desconfiado.

 

- Estamos preocupados com você, só isso.

 

- Eu tô bem, sem grilo.

 

- Seu pai me falou que você não apareceu aqui em casa por três dias seguidos. Deborah comentou.

 

- Tava numa parada aí, com uns amigos. Tava numa boa.

 

- Numa parada? Com amigos? Que parada é essa Eduardo? Quis saber Deborah.

 

- Nós fomos pra praia curtir a vida, só isso tia e resolvemos ficar por lá.

 

- Eduardo você não pode sumir assim, tem que nos avisar. Estamos preocupados com o que está acontecendo com a nossa família. Primeiro seu avô, e agora quase fui eu. Não nos dê susto sumindo assim.

 

- Desculpe, tia.

 

- Vem cá, e me dá um abraço, menino.

 

Eduardo foi até ela e a abraçou.

 

- Eduardo, me preocupo muito com você. Falou ainda abraçada a ele.

 

- Sem neura, eu tô legal.

 

- Você está envolvido com drogas? Deborah perguntou sem rodeios.

 

- Que é isso tia, tô limpo. Eduardo respondeu meio bravo.

 

- Mesmo? Insistiu Deborah.

 

- Sim.

 

- Por favor, fique longe disso. Isso é furada, tá.

 

- Tá.

 

Terminado o papo com Eduardo, Deborah resolveu colocar sua idéia em prática. Não conseguiria dormir sem fazer isso. Seguiu em direção ao quarto em que Erica estava. Iria falar com ela. Precisava falar com ela.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Quinze: Entendimento

 

Erica estava deitada em sua cama, pensando no dia de hoje. Em como seria complicado manter o profissionalismo com Deborah. Ver essa mulher andando a sua frente o tempo todo mexia com a sua libido. Não podia deixar isso tirar-lhe a atenção, pois tinha que estar atenta ao que acontecia ao redor o tempo todo. Não poderia se distrair, pois poderia ser fatal. E jamais se perdoaria se alguma coisa acontecesse a sua Deby. Estava muito cansada, fazia tempo que não se submetia a essa rotina. Tinha que controlar fome, dor, vontade de ir ao banheiro, tudo. Tinha que estar centrada apenas na proteção da sua protegida. Estava sentindo falta de seu treinamento. Pediria à Deborah se teria um local na mansão onde poderia se exercitar. Era a sua terapia, senão enlouqueceria em breve. Batidas suaves na porta fizeram que saísse dos seus pensamentos. Quem poderia ser? Pensou. Levantou e foi abrir. Levou um susto, era Deborah.

 

- Oi, posso entrar? Perguntou Deborah, com um sorriso lindo.

 

- Hã... Oi, claro! Responde Erica totalmente sem ação.

 

- Posso conversar com você agora? Deborah pergunta encarando aqueles olhos castanhos.

 

- Sim, pode Srta Deborah.

 

Sentaram na beirada da cama. O quarto era pequeno, continha apenas a cama de solteiro, um armário, uma cômoda e uma poltrona. Era um quarto da ala dos empregados.

 

- Bom, em primeiro lugar, quando você não estiver em serviço, quero que me chame apenas de Deby. Fui clara? Falou Deborah sorrindo.

 

- Mas... Srta...

 

- Deby. Pode ser?

 

- Ok, Deby. Disse e sorriu.

 

- Agora melhorou. Olha, eu entendo que você tem que estar atenta a tudo que acontece ao meu redor. Não conversarei com a agente Santoro enquanto estiver em serviço. Mas você não pode me impedir de querer conversar com a minha amiga Erica, fora do expediente de trabalho. Falou sorrindo, desarmando Erica.

 

- Deby... Eu peço desculpas pela maneira como falei....

 

- Shhhhh.... Eu entendi o porquê. Fiquei chateada na hora, mas depois fui entender claramente. E então, podemos conversar Erica? Deu um sorriso olhando nos olhos da outra.

 

- Podemos sim.

 

- Estou com saudades da minha amiga. Quero um abraço. Pediu Deborah olhando carinhosamente para Erica. Esta não esperava tal pedido.

 

Se levantaram e se abraçaram. Um abraço quente, gostoso. Como ambas estavam sentindo falta deste contato. Erica descobriu-se apaixonada por Deby. Estava perdida.

 

Deborah percebeu que ali era o seu porto seguro. Erica era sua proteção. Confiava plenamente nela. Não queria desfazer este abraço. Queria ficar ali, queria dormir com ela. Queria amar e ser amada por essa mulher. Descobriu, também, que estava apaixonada.

 

Deborah levantou o rosto para fitar a outra. Levantou a mão e fez um suave carinho no rosto de Erica, que fechou os olhos. Deborah sentiu uma vontade incontrolável de beijá-la. Levantou o outro braço e passou ambos pelo pescoço de Erica. O coração de ambas batia apressado. Erica abriu os olhos e fitou aqueles olhos azuis que a enfeitiçava. Olhou para a boca carnuda de Deborah. Engoliu em seco. Queria beijá-la. A razão foi pro espaço. Aproximou sua boca dos lábios de Deborah e deu um suave beijo. Deborah aprofundou o beijo trazendo a cabeça de Erica mais próximo. O beijo era delicioso, quente. Suas línguas se enroscavam. Seus corpos estavam fervendo de desejo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Dezesseis: O amor rola solto

 

Erica num esforço sobre-humano interrompeu o beijo. Olhou para Deborah e sorriu, e passou a mão em seu rosto. Desejava com toda força do seu ser esta mulher, mas não poderia ceder, não enquanto estivesse protegendo-a.

 

- Deby... Acho que não devemos...

 

- Erica, somos adultas e eu quero você. Deborah falou categórica.

 

Erica apertou o abraço, encostou a cabeça de Deborah em seu ombro, deu um beijo na têmpora dela, suspirou e disse:

 

- Eu também te quero, mas acho que não devemos.

 

- Por que não, se somos adultas e desimpedidas. Deborah não se conformava com a relutância de Erica.

 

- É complicado para mim. Ter que proteger alguém que eu tenha algum tipo de afeto. Quero que entenda, por favor.

 

- Entender, eu entendo, mas você tem algum afeto por mim, então como é que fica? Deborah perguntou rindo.

 

- Você complicou o meu lado, sabia. Erica riu também.

 

- Não era a intenção, Erica. Juro!

 

- Eu sei.

 

- Olha, eu costumo ser direta. Você me atrai e muito. Deborah falou olhando para os olhos castanhos de Erica.

 

- Você também me atrai, mas vamos com calma?  Erica disse, mas seu corpo dizia o contrário, queria amar Deborah agora, já!

 

- Ok. Quero dormir com você esta noite. Deborah disse provocando e olhando nos olhos de sua amada.

 

- Assim você não me ajuda em nada sabia?

 

- Só dormir. Inocentemente. Deborah disse, mordendo levemente o lábio inferior.

 

- Isso vai ser complicado. Acho que é melhor não. Erica falou, não sabendo como estava conseguindo se controlar tanto. Estava totalmente excitada.

 

- Deixa, vai. Implorou Deborah.

 

- Ok. Mas só dormir, tá. E tem um detalhe a cama é pequena.

 

- Melhor, muito melhor. Deborah diz com um sorriso safado no rosto.

 

Elas se deitam e ficam abraçadas. Deborah está com a metade do corpo em cima de Erica. A tensão sexual é palpável. Deborah olha para sua amada e dá-lhe um beijo quente, molhado, sensual. Erica acaricia as costas da outra.

 

- Você mentiu. Disse Erica sorrindo.

 

- Sim, fiz de propósito. Eu quero você, inteira, nua, não me negue isto, por favor. Implora Deborah que se sente encharcada de desejo. Ávida pelo contato mais íntimo com o corpo de Erica. Levanta-se e abraça o corpo de Erica com as pernas. Fica sobre ela. Retira sua blusa e Erica fica hipnotizada ao ver os seios de sua amada ainda sob o sutiã. Seu corpo antecipa as sensações que quer sentir, estende sua mão até um seio e o acaricia, Deby geme, levanta-se e abraça-a, dá-lhe um beijo urgente e quente, sem pressa, leva suas mãos até a cabeça e afaga os cabelos curtos de Deby. Tem delírios por cabelo curto. Desce sua mão para as costas e retira o sutiã, olha com desejo a beleza dos seios de sua amada. Leva a mão até um deles e faz pequenos círculos ao redor do mamilo duro de tesão. Deby solta um gemido baixinho. Erica muda de posição ficando por cima de Deby, retira sua camiseta, olha nos olhos de sua amada e sorri. Desce sua boca em direção à barriga de Deby, beijando-a, fazendo um rastro de beijos em direção aos seios, chega em um deles e suga com vontade, Deby geme loucamente. A mão de Erica desce em direção à calça dela, para o que está fazendo, desabotoa e tira-a, deixando-a somente de calcinha e retira o restante de sua próprias roupas, ficando totalmente nua. Volta a deitar-se sobre Deby, beijando-a com paixão na boca, no pescoço, no rosto. Seus corpos estão enlouquecidos de prazer. Erica percorre sua mão pelo corpo de sua amada que geme a cada carícia, desce sua mão em direção ao sexo e acaricia-o sob a calcinha. Deby enlouquece e diz:

 

- Não... me torture... tanto.... por favor...

 

Erica desce beijando os seios, sugando-os e vai em direção ao sexo de sua amada, beija-o sob a calcinha, morde-o e vai tirando a calcinha com os dentes, até desnudá-la por completo. Seu corpo sente arrepios intensos de prazer. Deseja Deby como nunca desejou ninguém. Deby abre suas pernas, implorando o carinho da boca de Erica, que prontamente abocanha seu sexo, totalmente molhado, lambendo-o, sugando-o explorando com sua língua, arrancando gemidos fortes de Deby. Penetra-a com sua língua, movimentando-a com intensidade, levando Deby ao clímax, sentindo o corpo dela dar fortes tremores, gemendo intensamente. Vai buscar um beijo de sua amada fazendo-a provar de seu próprio gosto. Abraça-a com carinho e espera sua amada se refazer. Ficam se olhando em silêncio, palavras são desnecessárias. Erica volta a beijá-la e recomeça a exploração, suas mãos voltam a percorrer o corpo de Deby, que sente sensações inimagináveis, ficando totalmente entregue ao domínio de Erica. Esta desce a sua mão até o sexo intumescido e quente de Deby, acaricia-o, enlouquecendo-a e penetra-lhe com dois dedos, sente sua cavidade macia e quente, quase delira, desliza seus dedos num suave movimento de vai e vem aumentando a intensidade, arrancando gemidos alucinados de Deby, que explode num gozo intenso, tremendo todo seu corpo. Erica beija suavemente seu rosto, pescoço, sua boca num beijo terno e cálido. Abraça-a. Seus corpos cansados repousam, refazendo-se.

 

Mais tarde, completamente refeitas, Deby fica por cima de Erica, e diz olhando em seus olhos:

 

- Agora é a minha vez de dar-lhe prazer.

 

- Meu corpo é todinho seu. Erica responde sorrindo.

 

Deby começa a beijá-la e a percorrer com as mãos o corpo sarado de Erica, arrancando gemidos dela. Recomeçam a dança do amor, entrando madrugada adentro, deixando esgotadas as duas mulheres, mas completamente felizes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Dezessete: Nova tentativa de homicídio

 

O dia amanhece frio, mas dentro da mansão está quentinho em virtude da calefação. E os corpos quentes e abraçados das duas mulheres repousam tranquilamente após uma noite intensa de amor, de exploração mútua.

 

Erica abre os olhos e vê a hora. Oito horas. Deby está atrasada para ir ao seu trabalho e os outros dois agentes devem estar estranhando que ainda não aparecera pra tomar o café da manhã. Deposita um cálido beijo na testa de Deby e a acorda.

 

- Deby... Deby... Acorda, meu anjo.

 

- Hããnn...

 

- Acorda, estamos atrasadas para você ir trabalhar.

 

- Estamos nada. Disse se aconchegando mais ainda ao corpo de Erica. – Posso chegar a hora que eu quiser.

 

- Você sim, mas eu não. Meus colegas devem estar estranhando eu ainda não ter aparecido. Disse e soltou um gemido, Deby percorre seu corpo com as mãos.

 

- Você dá uma desculpa depois, diz que eu te chamei... qualquer coisa... E beija novamente a boca de Erica que sente o corpo responder instantaneamente.

 

Recomeçam a dança sensual dos corpos, que ainda estão sedentos de amor. Naquele quartinho, a luz do sol que entra pela janela é a única testemunha do que ocorre ali.

 

Quase duas horas depois, Deborah foi ao seu quarto, tomou um banho, se vestiu e desceu para tomar o desjejum. Estava com um sorriso de orelha a orelha. Seus olhos brilhavam intensamente. Duas safiras brilhantes. Erica também tomou seu banho, tomou seu café e estava pronta, aguardando o comando de Deborah para saírem. Seus colegas nada perguntaram, ainda bem. Não que devesse satisfações. Pensou Erica.

 

Dentro do carro, no caminho do trabalho, Deborah pega discretamente a mão de Erica e olha apaixonadamente para ela. Erica lhe sorri. Em seguida volta a sua atenção ao redor. O telefone de Deborah toca e ela atende.

 

- Alô.

 

- Alô. Srta Deborah, desculpe te ligar, mas preciso avisar que hoje você tem aquele almoço com o representante da empresa Magnus.

 

- Obrigada, Ana Lúcia. Deixe os relatórios para eu dar uma analisada na minha mesa. Já estou chegando aí.

 

- Providenciarei.

 

- Ok. Tchau. E desliga. Aperta a mão de Erica que também segura mais forte. Descobriu que amava esta mulher, como nunca amou ninguém.

 

Comportaram-se como se nada tivesse acontecido. Erica ficou na porta da sala de Deborah, do lado de fora. Caso ela quisesse que entrasse, bastava acionar o dispositivo que avisaria Erica para ir até ela.

 

Durante todo o almoço Erica, que escolheu uma mesa mais protegida, esteve estrategicamente posicionada atrás de Deborah. E parecia um estátua, mas observava atentamente tudo e todos. Não perdia um único detalhe. Seus outros dois colegas ficaram na entrada do restaurante.

 

De vez em quando Erica olhava para Deborah e lembrava-se da intensidade com que se amaram. Sentia arrepios de prazer pelo corpo todo. E toda vez que fazia isso se repreendia, pois precisava estar totalmente atenta. Tentou resistir à investida de Deby, mas não conseguiu. Teria que administrar isso agora. E não seria nada fácil, pois ver a mulher desejada e amada andando a sua frente, rebolando e vendo sua nuca exposta era tarefa torturante.

 

Retornaram à empresa e receberam a notícia estarrecedora de que Afonso sofrera uma tentativa de homicídio. Estava no carro, parado no semáforo, quando parou uma moto e deu três tiros. Graças a Deus, nenhum tiro o acertara gravemente, mas dois tiros o acertara de raspão. Tivera muita sorte. O bandido acelerou a moto e sumiu. Afonso estava muito assustado e tremendo de medo, fora levado para o hospital, mas fora medicado e já estava em casa . Deborah assustada com o ocorrido, saiu da empresa e foi direto para casa ver o irmão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Dezoito: Novos rumos na investigação

 

Estão no carro indo em direção à mansão, Deborah está em prantos e Erica delicadamente a abraça, trazendo-a para perto de si. Afaga seus cabelos tentando acalmá-la. Débora, aos poucos, consegue conter o pranto, mas continua abraçada à Erica e pensa em como ela se tornou seu porto seguro, sua proteção. Não pode mais viver sem ter esta bela mulher ao seu lado. Lembra do irmão, está aterrorizada com o acontecido. Quem queria matá-los? Por quê? Perguntava-se constantemente. Seria vingança contra a sua família? Mas quem poderia ser? Primeiro matam seu pai, depois tentam matá-la também e agora seu irmão. Por quê? Por quê? É a pergunta constante em sua mente.

 

Erica está com a cabeça a mil por hora, sua mente investigativa está ávida por detalhes do ocorrido. Precisava falar urgentemente com Roberto. A tentativa de homicídio ao irmão de Deborah mudava totalmente os rumos da investigação, pois antes era o possível suspeito. Agora tudo mudou. Tudo.

 

Chegam à mansão e Deborah vai direto falar com seu irmão, que está deitado em seu quarto. Afonso tinha tomado remédios para acalmar-se. Deborah, ao vê-lo, não consegue conter as lágrimas e enxuga-as com a mão. Quase perdeu seu irmão. Essa possibilidade quase a enlouquecia. Amava-o muito.

 

- Afonso?

 

- Deborah.

 

- Meu irmão, o que aconteceu?

 

- Foi horrível, achei que fosse morrer. Tiros. Vidro estilhaçando. Tive um pavor imenso. Dois tiros me acertaram de raspão, um no braço e outro no ombro. Afonso fala quase chorando.

 

- Como você está?

 

- Estou bem agora. Estou medicado e me deram calmante. Nunca tive tanto medo.

 

- Ainda bem que você está aqui agora. Deborah dá-lhe um sorriso terno.

 

- Sim, posso dizer que o pior já passou.

 

- Já foi à delegacia?

 

- Sim, fui. Contei o que aconteceu e retiveram o carro para fazer a tal perícia.

 

- Afonso, acho que a partir de agora você deveria andar com seguranças como eu faço.

 

- Nem pensar. Disse categórico

 

- Mas você está correndo perigo assim como eu. Tenta argumentar Deborah.

 

- Não me agrada a idéia.

 

- Nem a mim. Mas é necessário. Promete que vai pensar?

 

- Tá. Penso sim.

 

Deborah dá um beijo no rosto do irmão e se retira do quarto. Vai em direção ao seu quarto. Está se sentindo muito abalada.

 

Enquanto Deborah falava com seu irmão, Erica ligou para falar com Roberto.

 

- Roberto, sou eu Erica.

 

- Oi, minha linda... com saudades de ti.

 

- O caso deu uma reviravolta. Erica foi direto ao assunto.

 

- Como assim? Roberto perguntou espantado.

 

- Ainda não soube? Da tentativa de homicídio do Sr. Afonso, irmão de Deborah.

 

- O quê? Quando aconteceu isso?

 

- Acho que tem umas três ou quatro horas.

 

- Ainda não fui comunicado, mas devo receber este novo caso até amanhã. Mais um pra coleção. Riu da própria piada.

 

- Pois é, isso muda o rumo da investigação. Ele sai de provável suspeito.

 

- É verdade. Quem teria interesse na morte do pai e dos dois filhos?

 

- Boa pergunta. Erica sorriu. – É essa a resposta que eu quero.

 

- Meu deus, vou ter que re-estudar o caso todo.

 

- Mãos à obra. Acho que você deveria colher novos depoimentos da mulher do Afonso e de seu filho. Seriam beneficiários diretos com a morte dele.

 

- É, vou intimá-los para isso.

 

- Mantenha-me informada. Tchau.

 

- Certo, Madame. Tchau.

 

 

 

 

 

 

Capítulo Dezenove: Aconchego

                                                                                                  

Deborah está em seu quarto e anda de um lado para o outro. Está nervosa, agitada, nem consegue descansar. Tentou deitar um pouco, mas não conseguiu ficar na cama. Queria respostas. Sua vida dera uma reviravolta. Lembrou-se de seu pai, começou a chorar, sentia tanta falta dele. Mais que um pai, era um conselheiro. Sentou na cama e caiu num choro desesperado. Precisava do seu porto seguro.

 

Acionou o dispositivo que tinha no pulso, como uma pulseira. Em um minuto Erica já estava ao seu lado. Sentou ao seu lado, colocou-a no colo e a abraçou, como se abraça uma criança. Deborah sentiu algo duro junto ao corpo de Erica, mas não deu bola. Aconchego. Esta era a sensação que Deborah estava tendo com Erica abraçando-lhe tão ternamente. Estava precisando de colo. Todos viam-lhe como uma mulher forte, poderosa, que não precisava de nada, mas como as aparências enganam. Sentia-se tão frágil, tão indefesa. Erica aparecera em sua vida num momento crucial. De vida ou morte. Não só em relação à ocasião que quase perdera a vida, mas num momento em que precisava achar alguém confiável, que se importasse com ela independente de quem era. E Erica era essa pessoa. Era espontânea, atenciosa, sincera e preenchia um vazio em sua vida que ninguém antes conseguira preencher. Não estava interessada em seu dinheiro. E sabia ser amada por ela. Via isso em seus olhos castanhos, que transmitiam-lhe tanta paz, tanta proteção.

 

- Erica.

 

- O quê, meu anjo?

 

- Quero deitar-me com você.

 

- Uh-hum... bom.

 

Erica levantou e trouxe Deborah junto. Tirou o casaco de Deby, desabotoou a blusa com todo cuidado, retirou-a e desabotoou-lhe a saia, que caiu no chão. Deitou-a com todo carinho na cama e a cobriu com o edredom. Tirou seu próprio casaco, o coldre, foi então que Deborah percebeu que ela estava armada, por isso sentiu algo duro junto a ela. Retirou a blusa de lã, o colete a prova de balas, a camiseta, suas calças, o coldre de tornozelo. Tinha o hábito de andar sempre com duas armas. Ficou somente de calcinha e sutiã e deitou-se ao lado de sua Deby. Trouxe-a para si e a aconchegou em seus braços. Acariciava os cabelos de Deby e dava suaves beijos em seu rosto. Nada era dito. Ficaram assim, sentindo seus corpos, por muito tempo, até que Deby se acalmou e caiu num sono tranqüilo.

 

Enquanto Deby dormia tranquilamente, Erica estava imersa em seus pensamentos. O caso tomava um rumo inesperado. Estava temporariamente sem um possível suspeito. Voltara à estaca zero. Quem poderia se beneficiar com a morte dos três? Nenhum empregado se beneficiaria, a não ser que fosse uma vingança. Será que o motivo era vingança? Se fosse herança ainda restava a mulher do Afonso e seu filho, o tal Eduardo, não inspirava-lhe confiança, mas daí classificá-lo como suspeito era um grande passo. Poderia ter sido a esposa? Vira Margareth duas vezes, mas pelo que pode avaliar era fútil. Em uma das ocasiões a vira discutindo com Afonso porque queria um carro novo e pelo que entendi não fazia nem um ano que estava com o atual. Mas será que teria coragem de eliminar a família do marido? Bom, por dinheiro tem gente que venderia a alma ao diabo. Concluiu. Fechou os olhos e logo depois dormiu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte: Desejo

 

Erica acordou com uma sensação deliciosa. Deby sugava-lhe o bico de seu seio. Seu corpo reagiu imediatamente ao carinho. Sentiu que estava molhada. Levou a mão até o rosto de Deby e a trouxe para cima. Olhou aquelas safiras que tanto amava. Capturou sua boca num beijo exigente, quente. Sua língua explorava com volúpia a boca de sua mulher, suas mãos percorriam suas costas. Deby emitia pequenos gemidos. As pequenas peças de roupas foram parar no chão. Deby está em cima de Erica e esta abraça-a com sua pernas, estimulando o contado de seus sexos molhados de tesão. Encaixadinhas, olhando-se nos olhos, começam a esfregar seus clitóris durinhos de tanto prazer. Ficam nessa dança deliciosa até chegarem ao clímax, seus corpos explodindo num gozo intenso. Deby dá um beijo em Erica. Beija seu pescoço, seu rosto. Erica diz sorrindo:

 

- Tenho fome.

 

- Você tá com fome, é? Deby fala se esfregando em Erica.

 

- Anjo, é sério, eu não almocei.

 

- Quê?

 

- É, com toda essa correria eu to até agora só com o café da manhã e agora são... Olha o relógio. – Oito horas da noite. Se você quiser um novo round eu tenho que me alimentar. Quer correr o risco? Pergunta rindo.

 

- Nunquinha. Vamos comer já.

 

Levantam, Erica veste novamente suas roupas e Deby veste um conjunto de agasalho na cor verde água. Descem as escadas em direção à cozinha, que não tem ninguém naquele momento. Pegam na geladeira, pão, queijo, presunto, geléia, leite e fazem um lanche. Erica está faminta. Deborah come um sanduíche e observa feliz da vida a mulher que está ao seu lado. Tivera muita sorte em encontrá-la. Satisfeita, Erica pergunta à Deby:

 

- Eu preciso de uma coisa.

 

- O que você quiser. Deby diz sorrindo maliciosamente.

 

- Boba. Eu preciso de um espaço livre, um local de 10 ou 12 metros quadrados para poder treinar meu karatê. Você tem por aqui?

 

- Na academia de ginástica tem este espaço.

 

- Academia? Nossa tem de tudo aqui. Erica diz rindo.

 

- Sim... o que você quiser. Diz rindo também. – Vem, vou te levar até lá.

 

Pega na mão de Erica e vão em direção a tal academia de ginástica. Chegando lá Erica solta um assovio de espanto. É toda equipada com vários aparelhos de ginástica, esteira, bicicleta ergométrica. Vê o espaço que queria e próximo a um canto tem um saco de areia. Achou seu segundo paraíso. Sim, segundo porque o primeiro era onde estava a sua Deby. Sorriu de felicidade.

 

- Então gostou? Deby pergunta.

 

- A-d-o-r-e-i. Fantástica. Responde rindo igual a uma criança. Puxa Deby ao seu encontro e dá-lhe um beijo cheio de desejo. Sente o seu corpo esquentar. Quer esta mulher, agora!

 

- Quero você. Agora! Sussura no ouvido de Deby.

 

- Aqui? E se alguém aparecer.

 

- Não vai aparecer ninguém... ninguém...

 

Suas mãos percorrem o corpo de Deby, enfia sua mão por baixo do blusão e acaricia os seios, arrancando gemidos dela. Sua boca percorre o pescoço, o rosto, captura sua boca num beijo molhado, quente, com sua língua percorre o contorno dos lábios de Deby, deixando-a maluca. Sua mão desce em direção ao sexo, entra por dentro da calça e passa um dedo com carinho por ele, totalmente molhado. Solta um gemido de satisfação. Torna a beijar a sua amada, que se agarra a ela com força. Seus dedos acariciam o ponto de prazer de Deby, que se alucina gemendo sem parar, e diz ofegante:

 

- Não me torture... meu amor....

 

- Você gosta assim? E continua acariciando seu clitóris.

 

- Sim... gosto....

 

Erica olha com carinho para a mulher em seus braços e suavemente penetra dois dedos, movimentando-os no início suavemente e intensificando à medida que Deby vai gemendo cada vez mais. Sente seu corpo dar espasmos de prazer e a agarra firmemente impedindo-a de ir ao chão.

 

Erica segurando firmemente Deby em seus braços, dá um sorriso sacana e diz:

 

- Humm... Acho que a academia tá aprovada.

 

- Que bom que você aprova ela.

 

Dão mais um beijo apaixonado. Seus corpos ainda querem mais, muito mais.

 

- Vamos voltar pro quarto. Deby fala beijando o pescoço de Erica.

 

- Uh-hum... Vamos sim, meu anjo.

 

Ao chegar no quarto suas roupas vão ficando pelo caminho. Resolvem tomar um banho e novamente se amam sem pressa, sentindo cada sensação que uma provoca na outra. Saem do banheiro e vão em direção à cama, não se desgrudam e se amam até o cansaço vencer seus corpos sedentos de tanto prazer. Dormem agarradinhas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Um: Destempero de Eduardo

 

Em algum lugar.

 

- Você é um incompetente. Tô pagando uma grana alta e você não consegue fazer nada. Falava com voz irada.

 

- Tô sempre atrás, analisando. Assim que surgir a oportunidade, o serviço será feito. Nunca deixei nenhum cliente insatisfeito. Tem a minha garantia. Falou o assassino de aluguel.

 

- É bom mesmo. Isto já está demorando demais.

 

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Mais uma semana se passou sem novas pistas para a investigação. A perícia do carro de Afonso não foi concluída e Erica estava agoniada com este caso. Em cinco anos atuando como investigadora, este se tornou o mais misterioso. E o que mais a irritava era estar fora dele. Oficialmente. O que lhe acalentava o espírito era estar protegendo Deby. Ficaria muito mal se alguma coisa ruim acontecesse com ela. Ela era o seu tesouro, transformou-se em sua alegria de viver. Dormiam juntas todas as noites, se bem que não era só dormir que ficavam fazendo. Deu um sorriso ao lembrar de como sua Deby era fogosa. Ficava excitada só em se lembrar delas se amando. É... fora flechada certeira. Amava Deby.

 

Estava ao lado da porta do escritório de Deborah. Era quase fim de expediente e lembrou-se de que na hora do almoço, ao entrar no restaurante, notou alguém seguindo elas. Talvez fosse apenas impressão, mas seu feeling alertava-lhe para perigo iminente. Na saída notou que a pessoa estava do outro lado da rua. Quem queria matar Deby, não desistira. E sabia ser apenas uma questão de tempo até tentar de novo. Alertou seus companheiros. Tinham que estar totalmente preparados caso houvesse nova tentativa. Lembrou-se de que Afonso acabou aceitando a idéia de proteção. Agora andava com guarda-costas também. Erica esperava que não acontecesse nenhuma nova tentativa, senão Deborah desabaria. Ela estava tão frágil com os últimos acontecimentos. E isto é totalmente compreensível. Quem não ficaria?

 

Deborah saiu de sua sala para ir embora. Estava com a aparência cansada. Já no carro, se aconchegou em Erica, passou a fazer isso sempre. Mas em momento algum Erica saía de sua concentração, observava tudo e todos.

 

Chegaram na mansão em segurança, Erica foi dispensada e foi para o seu quarto. Se alimentou, vestiu um top e o seu kimono e foi para a academia se exercitar. Seu corpo pedia pelo esforço físico. Ficou quase duas horas se exercitando, até que sentiu-se extenuada. Quando estava retornando, ouviu berros que vinham provavelmente da sala de estar. Foi rapidamente até lá.

 

Eduardo estava totalmente transtornado, jogava as coisas, gritava, estava alucinado. Erica sacou na hora que o rapaz estava sob efeito de drogas. Afonso, Margareth e Deborah tentavam contê-lo, mas ele respondia a todos com violência. Dizia a todos para se danarem e que queria que o pai dele tivesse morrido, que não ia fazer falta alguma. Todo mundo chorando. Até que num rompante, ele sobe as escadas e vai em direção ao quarto dele.

 

Deborah vê Erica e vai até ela. Saem dali e vão para o quarto de Erica. Deborah desaba em prantos e Erica a consola.

 

- O que foi aquilo, meu anjo? Erica pergunta.

 

- Eu... Eu nunca vi o Eduardo agir assim. Nunca. Deborah diz chorando.

 

- Mas o que aconteceu?

 

- Afonso repreendeu ele e ele reagiu daquela forma. Daí começou a jogar as coisas no chão, na parede, a berrar feito um louco.

 

- Olha Deby, pelo pouco que eu percebi, Eduardo estava sob efeito de drogas.

 

- O quê? Não! Eu perguntei pra ele e ele disse que tava fora disso.

 

- Deby, eu tenho experiência em ver pessoas drogadas e acredite, ele estava.

 

Deby chora mais ainda. Não acreditava que seu sobrinho estivesse nessa, mas ele dissera-lhe que não estava nessa furada. Por que mentiu?

 

- Meu anjo, preciso tomar um banho, depois vamos para o seu quarto. Deborah olha para ela com aqueles olhos azuis refletindo toda a tristeza que está sentindo. – Você precisa descansar.

 

- Tá, eu vou para o meu quarto, te espero lá.

 

- Daqui a pouco eu estou lá também.

 

Se beijam e Deborah segue em direção ao quarto. Estava com o coração despedaçado ao ver seu sobrinho agir daquela forma. Só queria o aconchego de Erica esta noite. Só isso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Dois: Novas suspeitas

 

Erica acorda de manhã com Deborah abraçadinha. Adora esta sensação de estar coladinha com ela. Olha a hora, sete horas. Hora de levantar. Dá um suspiro e chama Deby, que acorda dengosa.

 

- Vamos, meu anjo, acorde.

 

- Não quero. Quero dormir. Deborah diz toda dengosa.

 

- Ei... Acorde já. Você tem compromissos.

 

- Poxa, queria ficar aqui, diz olhando para Erica, que ri e se levanta. Estava nua, aliás dormir com roupas pra que? Deborah “come” Erica com os olhos. Seu corpo responde com intensidade ao que está vendo. Levanta-se também e diz:

 

- Vamos tomar banho juntas?

 

- Humm... Só banho?

 

- Talvez. E dá um sorrisinho sacana e vão em direção ao banheiro de mãos dadas. Entram no box, ligam o chuveiro e se agarram com vontade. Suas mãos percorrem avidamente o corpo de ambas. Trocam beijos intensos. Erica vira Deborah de costas para si e a abraça, percorre sua mão pela barriga de Deby, pelos seus seios, massageando-os, arrancando gemidos incontroláveis dela. Beija, mordisca sua nuca, seu pescoço, seus ombros. Tem loucura por esta mulher. Deborah sente o sexo molhado de Erica pressionando suas nádegas, vai a loucura com isso. Seu corpo estremece de prazer a cada movimento. Erica desce sua mão ao sexo de Deby, acaricia-o, ele está totalmente molhado, passa um dedo em seu clitóris e faz pequenos movimentos circulares, levando Deby a emitir gemidos intensos. Desce seus dedos para a cavidade molhada de sua amada e a penetra, enlouquecendo-a. Deby movimenta seus quadris, ora sente o sexo de Erica em suas nádegas, ora sente os dedos dela penetrando-lhe profundamente, movimenta-se cada vez mais rápido até não agüentar mais e ambas explodem num gozo maravilhoso, espasmos de prazer percorrem o corpo das duas mulheres. Ficam abraçadas esperando seus corpos se acalmarem e então tomam seu banho.

 

Erica retornou ao seu quarto para colocar outras roupas e ligou para seu amigo Roberto, que atende ao telefone.

 

- Roberto, sou eu, Erica. Tudo bom?

 

- Oi Erica. Tudo corrido, você quer dizer.

 

- Humm.. saiu a perícia do carro?

 

- Ainda não, mas assim que sair te comunico.

 

- Certo. Estou precisando de um favor seu.

 

- Humm... O que é?

 

- Quero o telefone daquele seu amigo que é detetive particular.

 

- O Almeida?

 

- Esse mesmo.

 

- Nossa e posso saber por que você precisa dele?

 

- Deixa de ser curioso, homem. Mas pode sim. É que o sobrinho de Deborah está envolvido com lance de drogas e eu quero saber até que ponto ele enfiou o pé na jaca.

 

- Nossa, e por que toda essa preocupação?

 

- Não acredito que ele tenha cometido o assassinato do avô e nem as duas tentativas. Precisaria de muita grana pra isso. Mas ele odeia o pai. Não posso eliminá-lo assim, sem saber. Depois daquele caso da moça rica que junto com o namorado matou os pais dormindo, eu não me assusto com mais nada.

 

- É, concordo contigo. Não prefere que eu coloque um policial?

 

- Não, não quero. Porque dependendo do resultado da investigação comunicarei à tia do garoto.

 

- Entendi. Então anota aí....

 

De posse do número do telefone, Erica entra em contato com o detetive, explica-lhe o caso e o serviço é contratado. Erica retorna à sala. Espera o comando de Deborah e sai para mais um dia de trabalho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Três: Quase acontece o pior

 

Deborah está em sua sala analisando alguns relatórios. Tira seus olhos dos papéis e pensa em seu sobrinho. Eduardo evolvido com drogas? Não pode ser, ele garantira-lhe que estava longe disso. Mas por outro lado, Erica era experiente em perceber isso. É, teria que ter outra conversa com o rapaz, só que desta vez bem mais séria. Se ele realmente estivesse nesse lance, teria que convencê-lo a sair dessa e ir para uma clínica de desintoxicação. Não aceitava que seu sobrinho estivesse metido com isso.

 

Voltou a olhar os papéis, teria logo mais, um almoço de negócios. Suspirou. Lembrou-se de seu pai. Do seu querido pai e amigo. Ele sempre dissera que a queria à frente dos negócios daqui a alguns anos, mas não era o que ambicionava. Não era o seu objetivo. Sabia que Afonso, como mais velho, tinha anseios de comandar o grupo, o que achava perfeitamente natural. Só não esperava que fosse acontecer tão rápido.

 

Deborah estava no restaurante para o tal almoço. Erica sempre arranjava-lhe uma mesa que fosse “segura”. Concluído o almoço, a pessoa com quem fizera negócios se despediu e foi embora e Deborah ficou aguardando o “ok” de Erica. Tudo certo saíram do restaurante, estava para entrar no carro quando acontece tudo muito rápido. O assassino disfarçado de mendigo, saca uma arma e dispara na direção de Deborah. Tudo rápido. Deborah achou que fosse morrer nesse momento, só que Erica foi mais rápida e se colocou na frente. Foram três disparos. Todos acertaram Erica nas costas. O assassino saiu correndo e os dois agentes saem atrás dele, dão um tiro que acerta sua perna. O assassino ainda assim tenta fugir, mas os dois agentes o alcançam e o imobilizam. A polícia é chamada. Erica ainda continua abraçada a Deborah e a olha nos olhos.

 

- Você está bem, meu anjo? Erica perguntou.

 

- Eu estou, quero saber de você. Deborah falou já chorando.

 

- Calma, estou bem. Os tiros acertaram minhas costas, mas só senti o impacto. Estou de colete.

 

- Ainda bem. Déborah falou ainda chorando. Estava extremamente assustada com o que aconteceu. Quase morreu. Erica, seu amor, quase morreu. Chorava sem parar.

 

Erica ainda estava abraçada à Deborah quando a polícia chegou, prenderam o assassino de aluguel e o levaram à delegacia. Entraram no carro e foram também à delegacia para fazer o boletim de ocorrência. Deborah estava péssima, se sentindo com o coração em frangalhos. Estava com muito medo. Apavorada.

 

Retornaram à mansão e Erica acompanhou Deborah até seu quarto. Deborah não parava de chorar. Retirou as roupas de Deborah e as suas e se deitaram. Abraçou Deborah com todo carinho e afagou seus cabelos até sentir, muito tempo depois, que Deby adormeceu.

 

Erica estava com a cabeça à mil. Já tinha visto aquele mendigo rondando por ali de outras vezes que estiveram naquele restaurante. A não ser... é claro! O assassino percebeu no mendigo uma possibilidade de se aproximar, se disfarçou como ele e tirou o verdadeiro mendigo do caminho. O bandido era expert em disfarces, só podia ter sido isso. Ainda bem que agira rapidamente, nem pensou, apenas ficou de frente para Deborah e a abraçou segurando seus braços para trás. Se demorasse um segundo para agir sua Deborah estaria morta agora. Este pensamento causou-lhe uma dor imensa no peito. Jamais se perdoaria se tivesse acontecido algo a ela. Jamais. Esse era o risco de se envolver com os protegidos.

 

Suas costas doíam pelo impacto das balas, era como se tivesse levado três socos em seqüência. Mas isso passaria. O importante era que o bandido tinha sido capturado. Agora o passo seguinte seria interrogá-lo, e isso já poderia estar acontecendo. Mais tarde ligaria para Roberto para saber os detalhes. Não conseguia relaxar. Deby estava adormecida em seus braços, dormindo serenamente. Ela tomara um calmante. Por duas vezes Deby conseguira escapar da morte. Agora esperava que esse pesadelo acabasse. Mas sabia que isso só terminaria quando pegassem o mandante dos crimes. Quem seria?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Quatro: Descoberta estarrecedora

 

No dia seguinte, Erica, após tomar seu café da manhã, recebe a ligação de Roberto.

 

- Erica, preciso que venha aqui urgente.

 

- Nossa, Roberto. O que foi?

 

- A perícia chegou, quero que você veja isso. Preciso de uma opinião técnica sua.

 

- Certo.

 

- E tem mais, o assassino vai ser interrogado agora, quero que você esteja aqui pra ver.

 

- Perfeito. Deixe eu acertar umas coisas aqui e estou indo aí.

 

- Ok.

 

Erica vai até Deborah, que ainda está na cama, não quis se levantar. Erica se aproxima dela e deposita um beijos nos lábios. Dá um sorriso e diz:

 

- Deby, preciso ir até a delegacia. Você não pode sair da mansão, por favor. Você não estará protegida sem mim.

 

- Não me deixe. Diz quase chorando e abraça o pescoço de Erica. – Estou com medo.

 

- Eu sei, meu anjo. É coisa rápida, em uma ou no máximo duas horas estarei de volta.

 

- Promete? Pergunta chorosa.

 

- Prometo. Erica fita a mulher de olhos azuis que tomou posse do seu coração, da sua vida, e declara: - Eu te amo, meu anjo.

 

Deby a abraça forte e diz: - Eu também te amo tanto, não me deixe.

 

- Jamais te deixarei. É uma saída rápida. Logo mais estou de volta. Levante e tome o café da manhã, você se sentirá melhor.

 

- Tá, vou tomar um banho e desço. Não demora, tá! Diz com um sorriso lindo.

 

- Não, não demoro.

 

Se beijam apaixonadamente e Erica vai para a delegacia. Antes de sair da mansão vê que Afonso está tomando o café da manhã.

 

Erica está na sala de Roberto e estão analisando o resultado da perícia do carro do irmão de Deborah.

 

- O que você acha?  Roberto pergunta. – Você está pensando o mesmo que eu?

 

- Uh-hum. Muito estranho. Acho melhor colher um novo depoimento. Erica sugere.

 

- É, vou fazer isto.

 

- E como está o interrogatório? Erica pergunta.

 

- Tá correndo. O delegado quis ele mesmo interrogar.

 

- Humm.. Interesse do Secretário também? Erica diz e ri.

 

- Acho que sim. Roberto também ri. – Vamos pra lá assistir.

 

- Sim, vamos.

 

Os dois seguem para uma sala anexa a sala do interrogatório e observam por um vidro, que é espelhado pelo lado de dentro da sala de interrogatório e que não podem ser vistos. Ficam assistindo até que o assassino, depois de muitas perguntas, confessa quem é o mandante. Erica sente uma punhalada no peito. Meu Deus, deixei Deby sozinha. Pensa em agonia e sai correndo em disparada, pega o carro e segue dirigindo feito louca até a mansão. Liga para seus dois colegas que estão lá e os avisa. Precisa chegar logo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Cinco: Não... Ele não!

 

Enquanto isso na mansão, Débora está sentada num sofá na sala folheando uma revista, sem prestar atenção em nada. Está sentindo falta de Erica. Todo este tempo, desde que contratou o serviço de segurança pessoal, estiveram juntas, sem se separar. Vê Afonso se aproximar e apontar-lhe uma arma, uma pistola automática. Deby se levanta por reflexo. Deixa a revista cair no chão. Está petrificada.

 

- Se gritar te mato, sua vadia. Afonso fala se aproximando dela.

 

- Af.. Afonso... pra... pra que isso? Pergunta totalmente assustada.

 

- Pra quê? Pra quê? Pra te tirar do meu caminho. Desde que você nasceu, você atrapalha a minha vida. Eu tinha treze anos e era o reizinho da casa. A atenção do papai e da mamãe eram toda minha, depois você apareceu e virou a princesinha. E eu, hein? Eu fui jogado pra escanteio. Tudo era pra você. Tudo! Afonso falou demonstrando todo o ódio que sentia da irmã.

 

- Não, Afonso...

 

- CALA A BOCA, VADIA. EU TE ODEIO.

 

Deborah começa a chorar, não acreditando no que está acontecendo. Meu irmão quer me matar! Pensa aterrorizada.

 

- Você mandou matar papai! Constata Deborah.

 

- Sim, tirei aquele velho do caminho, pois sempre dei meu sangue pelas empresas e nunca fui reconhecido e depois fiquei sabendo que ele queria que você o sucedesse nos negócios. E eu, hein? Mais uma vez seria jogado pra escanteio. Seria ignorado. Chega! Cansei de vocês.

 

Nisso entram os dois seguranças com as armas em punho e aponta para Afonso que, num golpe rápido, agarra Deborah e coloca a arma na sua cabeça.

 

- Larguem as armas no chão ou eu mato ela. Ordena Afonso totalmente alterado.

 

Os dois agentes jogam as armas no chão e levantam os braços.

 

- Meu irmão, não faça isso. Suplica Deborah.

 

- Hahahaha... é o que eu mais quero fazer, já que aquele incompetente não conseguiu, eu faço!

 

Erica entra porta adentro com a arma em punho, mas Afonso é mais rápido e dá quatro tiros em Erica, que cai no chão desfalecida. Deborah consegue se desvincular dele e se afasta gritando. Um dos agentes saca a outra arma que traz consigo e atira em Afonso. Tiro certeiro, bem no coração. Afonso cai morto.

 

Deborah vê Erica no chão e tem sangue nela. Se desespera e corre até ela. Grita desesperada por seu amor. Se agacha ao lado dela, chamando-a. Erica abre os olhos, sua face está contraída, sentindo muita dor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Seis: Esperança

 

Roberto quando viu Erica sair desesperada entendeu o perigo e acionou duas viaturas para irem até a mansão. Chegaram alguns minutos depois de Erica. Os policiais encontraram Afonso morto e Erica caída no chão agonizando. A ambulância já havia sido chamada por um dos agentes e chegou logo em seguida, levando Erica para o hospital. Os agentes seguiram para a delegacia para prestarem seus depoimentos.

 

Deborah foi para o hospital. Andava de um lado para o outro sem notícias. Estava desesperada. Seu amor não podia morrer. Seu coração doía muito. Estava despedaçado. Sentia-se perdida. Não conseguia ainda acreditar que seu irmão fora capaz de mandar matar seu pai e de mandar matá-la também. Meu deus, era loucura demais. Afonso estava morto. Erica estava sendo operada, foi a única coisa que ficou sabendo. Estava agoniada. Logo depois Roberto chegou.

 

- Olá, Srta Deborah. Disse Roberto.

 

- Oi, investigador.

 

- Como está Erica? Perguntou preocupado.

 

- Está sendo operada.

 

- Você sabe onde os tiros acertaram?

 

- Só lembro que vi o braço e a perna dela ensangüentados. Lembro que foram quatro tiros. Falou Deborah quase chorando de novo.

 

- Acho que não deve ter acertado nenhum órgão vital. Ela sempre usa o colete. Diz Roberto querendo tranqüiliza-la.

 

- Ela estava com muita dor. Deborah diz e cai num choro copioso.

 

Roberto chega até ela e a abraça e Deborah chora muito. Após algum tempo ela se separa e senta numa cadeira. Ele faz o mesmo. Conversam mais um pouco e aparece um homem todo de branco. O médico. Se levantam e perguntam juntos:

 

- Como ela está?

 

- Calma. Fiquem tranqüilos. Ela está fora de perigo.

 

Os dois suspiram aliviados.

 

- Sorte que a amiga de vocês estava com colete a prova de balas, pois ela recebeu dois tiros no peito. E recebeu um no braço e outro na coxa. Retiramos as balas e agora ela está na sala de recuperação. Daqui a pouco vocês vão poder vê-la. Disse isso e voltou de onde veio.

 

Esperaram aproximadamente mais uma hora até que veio uma enfermeira e os levou até o quarto em que Erica estava.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Sete: Recuperação

 

Entram no quarto e Erica está deitada, de olhos fechados. Deborah se aproxima dela e passa carinhosamente a mão pelo seu rosto e diz:

 

- Erica, meu amor...

 

Roberto ao ouvir isto, arregala os olhos, pois não imaginava, mas não deixa de sorrir ao ver que a amiga não perdeu tempo.

 

Deborah a chama novamente. Então Erica abre lentamente os olhos e fita seu grande amor. Dá um leve sorriso. Tenta falar mas a voz não sai. Deborah coloca um dedo em sua boca e pede para ela ficar quietinha. Dá-lhe um sorriso lindo e Erica pensa em como é feliz em ter esta linda mulher ao se lado. E fica aliviada ao ver que está tudo bem com sua Deby.

 

Roberto chega perto e dá um beijo em Erica. Vai dizendo que vaso ruim não quebra. Todos riem. Fica mais um pouco e vai embora. Deborah fica no hospital e não arreda o pé nem um milímetro, fica ao lado de sua amada o tempo todo. Só saiu quando precisou ir ao enterro de seu irmão. Fora muito triste este momento. Lamentou tudo o que aconteceu, mas nada podia fazer. Restava-lhe seguir sua vida ao lado de sua amada.

 

Erica fica internada por dois dias. Recebe alta no início da manhã e vão para a mansão. Está de muletas, pois não consegue firmar a perna totalmente no chão, ainda dói. Foi ferida no braço direito e na perna esquerda. Sobe as escadas com certa dificuldade e vai para o quarto de sua amada. Tira suas roupas, coloca uma camiseta e se deita, pois está muito cansada e dorme logo em seguida.

 

Erica é acordada para o almoço, recebe a refeição na cama mesmo. Come tudinho, pois está com uma fome de leão. Deborah almoça com ela também. Deborah se deita ao lado de Erica. Deborah está encucada com uma coisa e pergunta a Erica.

 

- Erica, me mate uma curiosidade.

 

- Sim, meu anjo. O que é?

 

- Se meu irmão foi o mandante dos crimes, por que ele foi atacado também?

 

- Na realidade ele simulou um ataque.

 

- Simulou!?

 

- Sim, o tal bandido estacionou a moto ao lado do carro de seu irmão no semáforo e disparou os tiros, mas foi feito para não matá-lo, o bandido teria que ser muito ruim para não matá-lo naquela distância mínima.

 

- Caraca...

 

- Isso foi constatado na perícia. Tivemos a prova de que o local onde os tiros acertaram não iriam acertá-lo nunca.

 

- Mas por que ele fez isso?

 

- Para que a polícia o tirasse de principal suspeito, o que de fato aconteceu. Mas só até chegar o resultado da perícia.

 

- Meu deus, estou estarrecida!

 

- Imagino. Ele queria que tudo acontecesse como se fossem acidentes, a morte de seu pai, a tentativa de te matar. Mas ele não contava com a perícia da polícia e nem com sua decisão de contratar guarda-costas. E quando pegamos o bandido, ele viu que não tinha mais saída... daí me viu saindo e viu que aquela era a oportunidade de te matar.

 

- Meu amor, ainda bem que você apareceu na minha vida na hora certa. Deborah falou e deu um beijo em Erica.

 

- Sim, foi muita sorte. Erica pega a mão de Deby e ficam se olhando.

 

Ambas tem a certeza de que se amam e nada mais vai separá-las. Ficam lado a lado e Erica dorme novamente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Oito: Envolvimento com drogas

 

Passou-se uma semana, Erica estava bem recuperada e já não precisava mais de muletas, mas não podia fazer exercícios físicos, o que a deixava um pouco de mau humor, pois não podia treinar seu karatê.

 

O detetive Almeida liga para ela e diz que já tem o resultado da investigação de Eduardo e adianta-lhe alguma coisa. Erica pede que ele venha até a mansão no início da noite, pois quer que Deby esteja junto. Erica contou há alguns dias que tinha feito isto e Deborah achou ótimo, pois assim teria a certeza e poderia ter a tal conversa com Eduardo. Ele não teria como fugir disso.

 

Erica e Deborah acham por bem continuar com o esquema de segurança pessoal, mas Erica parou de prestar o serviço e espera somente se reestabelecer para voltar à ativa em seu emprego de investigadora policial. Mas combinam que a sombra seria um homem. Nada de mulheres. Preferiam assim.

 

Margareth, esposa de Afonso, decidiu que passaria uma temporada grande na França. Tinha ficado extremamente abalada quando soube de tudo que aconteceu e não quis ficar por aqui. Pediu a Deborah que cuidasse de Eduardo e a mantivesse a par do que acontecia com ele. E assim foi feito.

 

Deborah já está em casa quando o detetive chega. Vão para a biblioteca e ele mostra às duas todo o material colhido na investigação. Realmente Eduardo está envolvido com drogas. Está consumindo cocaína. Deborah fica abalada com a notícia. Mas decide ter a conversa com Eduardo ainda hoje, isto se ele aparecer em casa. O detetive se despede, Erica paga-lhe pelo serviço e ele vai embora. Erica abraça Deborah.

 

- Preciso conversar com ele. Deborah diz.

 

- Sim, você precisa ser forte, porque ele pode reagir violentamente ao saber que você descobriu.

 

- Fica comigo enquanto falo com ele?

 

- Meu anjo, acho que se eu ficar junto vou mais atrapalhar que ajudar. Ficarei do outro lado da porta, se ouvir que a conversa estiver ficando pesada, daí eu entro. Pode ser?

 

- Pode, você tem razão. Faremos assim então.

 

- Uh-hum.

 

Eduardo chega depois de uma hora. Desde a morte do pai anda mais calado, mais quieto. Ele está na sala e Deborah chega perto dele. Se olham e ela vê tristeza nos olhos dele. Abre os braços e se abraçam. Eduardo começa a chorar. Deborah o consola e diz que precisam conversar. Ele concorda.

 

- Eduardo, meu querido. Agora somos nós dois. E... eu quero te ajudar.

 

- Ai, tia.... eu ando tão... perdido. E chora.

 

- Eu sei, meu querido. Eu sei.

 

- Me ajuda, tia?

 

- Sim, me diz o que te aflige tanto que eu te ajudo.

 

- Eu... eu... eu menti pra você.

 

- Eu sei. Deborah diz olhando nos olhos dele.

 

- Sabe? Como?

 

- Sei, mas não fique bravo comigo. Eu mandei investigar você.

 

- Poxa, tia! Falou bravo.

 

- Calma, Eduardo. Eu precisava saber o que você estava fazendo. Sei que você está envolvido com esse lance de drogas.

 

- Você está chateada comigo por eu ter mentido, né?

 

- Estou sim. Mas o que importa agora é que eu quero te ajudar. E para isto preciso que você queira também.

 

- Quero sim, tentei sair, mas não consegui. Esse papo de que eu saio a hora que eu quiser é furado.

 

- Ótimo, então vamos ver o que podemos fazer.

 

Conversaram muito e Eduardo decidiu ir para uma clínica de desintoxicação e ficar internado por um tempo até sair de lá com o organismo limpo das drogas.

 

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Erica está na cama, recostada nos travesseiros, lendo um livro. Deborah entra no quarto e olha Erica com carinho. Sorriem. Deborah sobe na cama e chega perto de Erica e tira-lhe a calcinha sem cerimônia. Exibe-a como um troféu e dá um sorriso pra lá de safado. Erica larga o livro e pensa em como sua mulher anda muito safada ultimamente. Todas as noites fizeram amor, mas como os ferimentos ainda estavam cicatrizando, acabava ficando à mercê dos desejos de sua amada. Ainda morreria disso. Riu. Deborah já totalmente nua, retira a camiseta de Erica e senta sobre ela. Ficam de frente e dão beijos apaixonados. Ficam inflamadas de desejo, se acariciam, se beijam, se mordiscam, arrancando suspiros e gemidos uma da outra. Deborah vai descendo pelo corpo de Erica, delicia-se em seus seios, segue descendo e abre-lhe as pernas expondo seu centro de prazer, vai até ele e suga-o, lambe-o e penetra seus dedos deixando Erica enlouquecida, que logo explode em prazer. Seus corpos continuam pegando fogo de tanto desejo. E esse é apenas o início de mais uma noite de supremo amor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Nove: E viva o amor!

 

Um ano depois...

 

Deborah está em sua sala na empresa, lembrando-se dos acontecimentos passados. Lembra com muita tristeza o seu irmão, por incrível que pareça não conseguiu odiá-lo pela sua loucura. Nunca imaginou que ele a odiasse tanto, pois nunca demonstrara antes. De tudo o que aconteceu lamenta apenas a morte de seu pai, seu velho querido. Sente sua falta, falta de seu abraço, da sua risada, das conversas, da atenção que ele sempre teve por ela. Acabou assumindo a presidência do grupo como era o desejo dele. Mas não queria que tivesse sido assim, a esse preço. Gostaria que ele estivesse junto dela, mas sabia ser isto impossível.

 

Eduardo, assim que saiu da clínica, resolveu que queria trabalhar na empresa também. Disse que precisava ocupar seu tempo com coisas úteis. Deborah achou esta idéia maravilhosa. Ele estava se saindo muito bem. Transformou-se em outro rapaz.

 

Erica continuava trabalhando como investigadora policial. Era sua paixão, como ela dizia. Deborah suspira. Como amava esta mulher. Enfim encontrou uma mulher forte, decidida e que não se interessava em nada pelo seu dinheiro. Encontrou o seu amor verdadeiro. Não deixou Erica voltar para o seu apartamento. Ela falou apenas uma vez e conseguiu convencê-la de que o lugar dela era a seu lado. Erica o alugou. No mês que vem iriam viajar, conhecer todo o litoral nordestino, pois era um sonho antigo de Erica e iriam fazê-lo viajando de carro. Iria ser maravilhoso!

 

Hoje o dia foi cheio. Já era passado das vinte horas e Deborah estava ansiosa para chegar em casa. Sorriu. Era sempre assim, bastava ficar algumas horas longe de Erica para sentir uma saudade imensa.

 

Ao chegar na mansão, procura por Erica e a encontra na academia de ginástica. Ela está treinando o karatê. Está apenas com a calça do kimono e um top que mostra a musculatura definida da sua barriga e de todo seu tronco. Era perfeita! Sente um desejo instantâneo de fazer amor com ela. Era sempre assim, bastava vê-la para querer ir ao paraíso com ela. Ficou um tempo observando até que ela encerrou seu treinamento. Erica a viu.

 

- Oi, meu anjo. Não vi você aí. Erica disse sorrindo.

 

- Oi, estava te observando. Deborah disse e foi chegando perto. Se abraçam e Deborah empurra Erica contra a parede e a beija com loucura, quer Erica ali e agora. Sua vontade é urgente.

 

- Estou toda suada, meu anjo. Erica diz.

 

- Não me importo... gosto assim...

 

Retira seu top e suga seus seios com volúpia. Erica geme a cada investida de Deborah. Volta a beijar a boca de Erica, beija seu pescoço, morde seu ombro, está enlouquecida.

 

- Quero você. Agora! Déborah sussura.

 

- Sim... sou toda sua...

 

Deborah enfia sua mão por dentro da calça de Erica e alcança-lhe o sexo, totalmente molhado, as duas gemem. Penetra Erica com seus dedos e movimenta-os deixando Erica enlouquecida, dizendo para não parar. Até que sente o corpo de Erica tremer e sentir que ela explodiu num gozo maravilhoso. Se abraçam, Erica está com as pernas mole e vai lentamente descendo até o chão até sentar, traz Deborah junto.

 

- Uau... Você adora rapidinhas, hein? Erica fala e ri.

 

- Uh-hum... rapidinhas e também as demoradinhas... e por falar nas demoradinhas, vamos tomar um banho e fazer uma festinha particular lá no nosso quarto? Que tal? Deborah sugere com um sorriso pra lá de safado.

 

- Maravilhoso, mas meu insaciável anjo, vamos comer um pouquinho antes tá. Não comi nada, estava esperando você chegar.

 

- Meu deus, você só pensa em comida. Deborah solta uma gargalhada.

 

- Bom... depende da refeição.... e Erica dá um sorriso sacana.

 

Se levantam e vão comer alguma coisa, seguem para o quarto e se amam e entram a madrugada trocando carícias e juras de amor. Felizes da vida.

 

FIM.

 

 

 

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