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Havia acabado. Sim! A minha paciência se esvaiu completamente depois dos
últimos acontecimentos. Eu precisava traçar um perfil mais firme diante de
Pamela. Não dá pra ser capacho a vida inteira. Amar alguém não significa
anular-se inteiramente em benefício daquela pessoa. Se eu precisasse me matar
de trabalhar, eu o faria. Era questão de honra dar uma guinada na minha
história. Um giro de trezentos e sessenta graus se fazia necessário naquele
momento, sabe?
Pamela saiu da sala bufando, parecia um dragão cuspindo fogo. Eu? Estava
arrasada por dentro, mas exibindo uma casca digna de aplausos pela pessoa
fria, calculista e desumana que era aquela mulher. Eu estava só, essa foi a
constatação depois que Pamela bateu a porta atrás de si. Debrucei na mesa e
deixei que as lágrimas escorressem dos meus olhos. Arlete bateu na porta e
entrou na sala com sua agenda nas mãos.
- Senhora Allison – disse, ao perceber o meu estado de tristeza, com o tom de
voz calma, quase doce – Tem um instante pra mim?
Levantei a cabeça imediatamente. Enxuguei as lágrimas e pedi que ela se
sentasse na cadeira à minha frente.
- Bom... Desculpe estar incomodando, sei que a sua manhã, depois desse
encontro com a dona Pamela não deve estar das melhores, mas eu gostaria muito
de lhe agradecer.
- Que isso, Arlete! - segurei nas mãos dela que estavam sobre a mesa – Fico
feliz por ter podido ajudar a sua filha.
- Eu já não sabia mais como fazer para custear o tratamento dela. – estava
emocionada – Foi Deus quem colocou a senhora na presidência da revista. Há
alguns meses, eu havia comentado com a dona Pamela que precisava de um
adiantamento para o tratamento da minha filha e ela não ouviu uma palavra
sequer. Me ignorou completamente.
- Ao menos isso me faz acreditar que não foi uma péssima idéia assumir a
presidência da Gente Chique.
- Se me permite...
- Hei! Sem formalidade, viu?
- Desculpe, é que ultimamente a senhora está tão mais... Madura aqui
dentro... Pensei que...
- Continuo sendo a mesma Allison – sorri pra ela – Só adotei uma postura mais
séria diante de vocês porque percebi que as pessoas estavam confundindo
amizade com liberdade. A Pamela pode ser tudo, mas ela sabe exatamente que
dentro de uma empresa como essa, não podemos dar tanta liberdade aos
funcionários. Esse não é o seu caso, Arlete. Você sempre foi um exemplo de
profissional. – ela baixou a cabeça, provavelmente encabulada com o elogio –
A dona Pamela sabe o que diz. Custei a admitir.
- Bom... Eu já vou indo... Só vim mesmo agradecê-la – levantou-se – Não se
esqueça que sua aula extra está marcada para hoje a noite.
- É mesmo! Que cabeça a minha, já havia esquecido, sabia? – fiz um gesto de
cabeça e ela saiu da sala.
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Apaguei... Não sei como, mas quando me dei conta eu estava debruçada na minha
mesa e babando. Arg! Que nojo! Meu
corpo estava completamente dolorido, nem me lembro qual foi a última vez que
dormi mais de quatro horas por noite. O trabalho só crescia e a minha única
solução era ficar até mais tarde na revista, e ainda levar trabalho pra casa,
conclusão: passava as madrugadas mergulhada nos contratos, gráficos,
atualizações... da revista. Burocracias que exigiam a minha maior atenção, e
eu era a única que podia naquele momento despachar toda a burocracia da Gente
Chique, já que Pamela acumulava na sua mesa trabalhos incompletos
propositalmente para puxar o meu tapete. Acordei tensa... Procurei as pilhas
de papéis que estavam na minha mesa e não encontrei. Olhei para a mesa de
Pam... Vazia. Claro! A poderosa precisava dormir até o meio dia para não
estragar a sua beleza. Interfonei para Arlete.
- Pois não senhora Allison.
- Arlete, onde estão os papéis que estavam há alguns minutos na minha mesa e
que eu tinha que despachar ainda hoje?
- A dona Pamela me entregou todos há algumas horas. – uma breve pausa – Já
foram devidamente encaminhados às áreas destinadas.
- A Pa...mela? – perguntei quase anestesiada pela notícia. Aqueles papéis
eram todo o trabalho que ela não havia feito desde que eu assumi a
presidência. Estavam acumulados porque eu não compreendia a maioria das
pautas em questão. Precisava fazer uma pesquisa detalhada para depois
despachar. Coisa que Pamela sabia fazer de olhos fechados.
- Desculpe dona Allison, pensei que você tivesse conferido.
- Você conferiu, Arlete? – perguntei com um leve tom de desconfiança, afinal
de contas, por que Pamela faria isso?
- Estava tudo correto, dona Allison. – disse firme, suspirei aliviada com a
informação.
- Então... Está bem. Quando o Senhor Álvaro chegar, peça para que me encontre
na sala de reuniões.
- Farei isso... E, senhora... – disse insegura antes de desligar.
- Sim.
- Precisava falar sobre um assunto muito importante.
- Aconteceu alguma coisa com a pequenininha?
- Não! Ela está ótima, graças a Deus... – a voz ficou mais pausada – Questões
do trabalho.
- Pode ser depois da reunião, Arlete?
- Sim... Claro!
- Então, depois nos falamos.
Desliguei o telefone completamente absorvida nas palavras de Arlete. Por que
Pamela fez o meu trabalho? Todo esse tempo ela havia deixado bem claro que
faria qualquer coisa para me prejudicar. Estranho... Sorri pelo cantinho da
boca. Será que a poderosa estava ficando mais maleável? Não! Depois da briga
que tivemos devido à contratação de Leandra, isso estava me cheirando a
golpe!
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Encontrei com o Sr. Álvaro na sala de reuniões. Ele estava orgulhoso lendo
uma nota que havia saído no jornal falando a respeito da nova estrutura da
Gente Chique. Dizia a crítica:
“ Novo conceito de
moda: preocupar-se com situações nada fúteis também é chique. Na edição dessa
semana da revista Gente Chique, estava em destaque um alerta sobre o Brasil
que o próprio Brasil desconhece. Em meio as preocupações com os penteados da
moda e as tendências do verão, encontramos um depoimento numa página solta
destinada ao público chique-intelectual que decidirá se perde tempo com o
cabelo, ou se depois de ler a reportagem irá desmarcar ao menos um dia o
horário no cabeleireiro para discutir, no mínimo, a respeito do seguinte:
PRÓXIMA GUERRA
Segue abaixo o relato de uma pessoa conhecida e séria, que passou
recentemente em um concurso público federal e foi trabalhar em Roraima.
Trata- se de um Brasil que a gente não conhece.
As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil um
pouco diferente, mas chegando a Boa Vista (RR) não pude resistir a fazer um
relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui.
Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até pessoas
com um mínimo de instrução.
Para começar o mais difícil de encontrar por aqui é roraimense, pra falar a
verdade, acho que a proporção é de um roraimense para cada dez pessoas é bem
razoável, tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense, piauiense, maranhense e
por aí vai. Portanto, falta uma identidade com a terra. Aqui não existe
muitos meios de sobrevivência, ou a pessoa é funcionária pública, e aqui
quase todo mundo é, pois em Boa Vista se concentram todos os órgãos federais
e estaduais de Roraima, além da prefeitura é claro. Se não for funcionário
público, a pessoa trabalha no comércio local ou recebe ajuda de programas do
Governo.
Não existe indústria de qualquer tipo. Pouco mais de 70% do Território
roraimense é demarcado como reserva indígena, portanto restam apenas 30%,
descontando- se os rios e as terras improdutivas que são muitas, para se
cultivar a terra ou para a localização das próprias cidades.
Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus,
cerca de 800 km ) existe um trecho de aproximadamente 200 km reserva indígena
Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00 da manhã e 6:00 da tarde,
nas outras 12 horas a rodovia é fechada pelos índios (com autorização da
FUNAI e dos americanos) para que os mesmos não sejam incomodados.
Detalhe: Você não passa se for brasileiro, o acesso é livre aos americanos,
europeus e japoneses. Desses 70% de território indígena, diria que em 90%
dele ninguém entra sem uma grande burocracia e autorização da FUNAI.
Detalhe: Americanos entram na hora que quiserem, se você não tem uma autorização
da FUNAI mas tem dos americanos então você pode entrar. A maioria dos índios
fala a língua nativa além do inglês ou francês, mas a maioria não sabe falar
português. Dizem que é comum na entrada de algumas reservas encontrarem- se
hasteadas bandeiras americanas ou inglesas. É comum se encontrar por aqui
americano tipo nerds com cara de quem não quer nada, que veio caçar borboleta
e joaninha e catalogá-las, mas no final das contas pasme, se você quiser
montar uma empresa para exportar plantas e frutas típicas como cupuaçu, açaí
camu-camu
etc., medicinais, ou componentes naturais para fabricação de remédios, pode
se preparar para pagar 'royalties' para empresas japonesas e americanas que
já patentearam a maioria dos produtos típicos da Amazônia...
Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: E os
americanos vão acabar tomando a Amazônia e em todas elas ouvi a mesma
resposta em palavras diferentes. Vou reproduzir a resposta de uma senhora
simples que vendia suco e água na rodovia próximo de Mucajaí:
'Irão não minha filha, tu não sabe, mas tudo aqui já é deles, eles comandam
tudo, você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam. Quando acabar
essa guerra aí eles virão pra cá, e vão fazer o que fizeram no Iraque quando
determinaram uma faixa para os curdos onde iraquiano não entra, aqui vai ser
a mesma coisa'.
A dona é bem informada não? O pior é que segundo a ONU o conceito de nação é
um conceito de soberania e as áreas demarcadas têm o nome de nação indígena.
O que pode levar os americanos a alegarem que estarão libertando os povos
indígenas.
Fiquei sabendo que os americanos já estão construindo uma grande base
militarna Colômbia, bem próximo da fronteira com o Brasil numa parceria com o
governocolombiano com o pseudo-objetivo de combater o narcotráfico. Por falar
em narcotráfico, aqui é rota de distribuição, pois essa mãe chamada Brasil
mantém suas fronteiras abertas e aqui tem estrada para as Guianas e
Venezuela. Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada, principalmente se
for americano, europeu ou japonês, (isso pode causar um incidente
diplomático). .. Dizem que tem muito
colombiano traficante virando venezuelano, pois na Venezuela é muito fácil
comprar a cidadania venezuelana por cerca de 200 dólares.
Pergunto inocentemente às pessoas: por que os americanos querem tanto
proteger os índios? A resposta é absolutamente a mesma, porque as terras
indígenas além das riquezas animais e vegetais, da abundância de água, são
extremamente ricas em ouro (encontram-se pepitas que chegam a ser pesadas em
quilos), diamantes, outras pedras preciosas, minério e nas reservas norte de
Roraima e Amazonas, ricas em petróleo.
Parece que as pessoas contam essas coisas como que num grito de socorro a
alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente ou a alguma
autoridade do sul que vá fazer alguma coisa. É pessoal, saio daqui com a
quase certeza de que em breve o Brasil irá diminuir de tamanho.
Um grande abraço a todos. Será que podemos fazer alguma coisa?
Acho que sim. “
- Ótima essa idéia de colocar um pouco de conteúdo dentro da revista, Ali!
- Foi um investimento barato, Sr Álvaro. O intuito é atrair um público novo
de leitores. Imagina que as mulheres compram as revistas de moda para saberem
das tendências mundiais. – sentei-me na cadeira – Nosso público alvo são as
mulheres, e não vai deixar de ser, mas seguindo o raciocínio de que algumas
mulheres não se preocupam apenas com a beleza estética e tem o fator “marido”
também, com esse novo contexto, iremos atingir uma nova classe de leitores.
Aqueles que buscam agregar conhecimento com moda. Manteremos os leitores
atuais, e os próprios críticos dos jornais, os mesmos que nos chamavam de
fúteis, irão trazer até nós um novo leque de leitores. Como esse daí que já
sentou o pau várias vezes na revista.
Nós rimos...
- Genial. – fechou o jornal - As matérias pararam de ser usurpadas, não é?
- Estranho, Sr. Álvaro. – fitei-o pensativa - Desde que eu assumi nunca mais
tivemos as nossas idéias roubadas. Não dá pra entender.
- É simples, Ali. Quem quer que fosse... Estava sabotando a Pamela, não você!
Fiquei pensativa... Ele tinha razão. O usurpador, ou usurpadora queria puxar
o tapete da poderosa, não o meu. Agora seria ainda mais difícil descobrir
quem era o traidor.
- Ela está melhor.
- O quê? – disse saindo do meu torpor.
- Minha filha tem exibido no olhar algo que ainda não sei o que é. – disse
otimista.
- Ela trabalhou hoje, sabia?
- Estamos evoluindo, Ali.
- Acho que sim... – pensei por uns instantes, depois balancei a cabeça
negativamente - Só não quero que ela perca aquela pose aristocrática. É a
graça dessa mulher!
Voltamos a sorrir juntos... Altas gargalhadas na sala de reuniões.
- Não se preocupe com isso Allison. Ela é como a mãe. Terá sempre a pose de
uma rainha da Inglaterra!
****
Os dias foram passando.... Pamela e eu nos falávamos pouco. Na verdade,
apenas o necessário. Ela não passava tantas horas ao telefone, pra ser
sincera, acho que a poderosa e o Bambi haviam rompido de vez. A mulher só
pensava em trabalhar. Ficava verificando os relatórios comigo até tarde. O
telefone não mais tocava e nem o baitolinha vinha buscá-la depois do
expediente ou para o almoço. Pelo que soube, Léo o via com mais freqüência do
que ela. Eles estavam mesmo tendo um caso, meu amigo confirmou esses dias.
Leandra também andava se encontrando às escondidas com Penélope. Nós fazíamos
vista grossa para isso. Não sei se Pamela ainda achava que nós duas éramos
namoradas, mas também, como nossos diálogos eram restritos às coisas da
revista, ficava difícil desfazer aquele mal entendido. Não é?
A revista estava no topo máximo. O dinheiro não parava de entrar, engordando
as contas da Gente Chique. Nossas edições estavam mais extensas, a moda
dividia espaço com os acontecimentos que envolviam o país e o mundo. Eu havia
conseguido de alguma forma ganhar a confiança de Pamela. Ela me pedia
opiniões sobre tudo, na verdade, era uma troca. Eu não assinava nada sem a
presença e a aprovação dela, e ela sempre me consultava antes de pôr em pauta
qualquer divulgação. Descartávamos juntas tudo o que, na nossa concepção, não
ajudaria no progresso do novo produto que tínhamos nas mãos.
O trabalho e o estudo constante estavam ocupando boa parte do meu tempo, pra
ser sincera, se eu pudesse passaria 24h dentro da revista, porque o melhor e
mais prazeroso do meu dia era estar perto de Pamela. Sentindo o cheiro dela,
ouvindo-a falar sobre os projetos. Olhá-la descaradamente enquanto a mulher
estava concentrava na mesa ao lado, pondo em dia e com tremenda eficiência
tudo o que lhe era solicitado. À noite, quando eu chegava em casa, tudo era
sinônimo de tristeza, eu dormia rápido para acordar logo, sabe? Assim eu
chegaria à empresa e daria de cara com a poderosa com as mãos na massa. Ah!
Pamela voltou a cumprir também o seu horário.
Arlete interrompeu os meus pensamentos...
- Desculpe entrar sem bater dona Allison.
- Imagina, Arlete! – tentei sorrir, mas eu estava impregnada de saudades de
Pamela, que havia saído para resolver questões burocráticas e ainda não havia
voltado – Foi bom ter me desligado dos pensamentos. Tenho muitos papéis para
assinar, e quando penso em Pam... – calei-me.
- Entendo... – estava constrangida – Dona Allison... Lembra daquela conversa
que há semanas atrás eu disse que queria ter contigo?
- Sim... Os dias ficaram corridos e nós nem entramos em detalhes a respeito,
não é?
- Bom... Podemos tê-la agora? Não agüento mais guardar isso comigo.
Olhei o relógio...
- Claro que podemos – fixei o olhar preocupada – Aconteceu alguma coisa?
- Sim... – disse já com lágrimas nos olhos – Eu fiz uma coisa horrível!
- Como assim... O quê... o quê você fez?
- Não agüento mais conviver com essa culpa... – chorou mais... Sai da minha
cadeira e amparei-a nos meus braços.
- O que está acontecendo, Arlete?
- Fui eu... Eu quem vendi as capas para a concorrência! – disse sem rodeios.
- Hum? – fitei-a como se eu não tivesse ouvido direito. A ficha foi caindo
aos poucos, sabe? Soltei-a. Dei a volta na mesa indo de volta a minha
cadeira... Como assim, ela vendeu? Arlete era uma funcionária acima de
qualquer suspeita. Nós confiávamos nela... Como foi decepcionante ouvir dos
lábios daquela mulher que eu tanto estimava a confissão da traição.
Lembrei-me imediatamente de Pamela. Do momento que ela foi comunicada sobre a
troca de cargos. Deixei meu corpo cair lentamente sobre a minha cadeira...
Coloquei a mão na face como se não acreditasse no que tinha ouvido...
Balancei a cabeça numa negação dolorida tentando olhar para frente e encarar
alguém que nos apunhalou pelas costas.
- Por quê? – fixei o olhar. Arlete sentou-se na cadeira de frente pra minha.
Apesar da dificuldade que era compreender uma atitude como aquela, a todo o
momento meu lado racional me dizia que eu precisava ouvir as razões daquela
mulher. Pamela não deu ouvido às minhas razões e a nossa guerra fria se
estendeu por todos esses meses fazendo o nosso coração sangrar pela angústia
de um amor que não podíamos viver.
- Quando eu entrei nessa sala e ... E falei para dona Pamela sobre o problema
da minha filha... – uma breve pausa para enxugar as lágrimas – Ela sequer
desligou o telefone Allison! Sequer olhou para a minha cara... Eu estava
desesperada... Minha filha estava morrendo... Eu... Eu... Não tive saída...
Juntou o desespero e a raiva que eu sentia daquela mulher cruel e fria que
jamais se importou com qualquer um de nós... – entreguei a ela um lenço de
papel – Obrigada. Bom... – Arlete tomou fôlego – Movida pela raiva eu
procurei a diretora de redação da revista concorrente. A mulher era
inescrupulosa e aceitou a proposta na hora. Pagou uma bela quantia pelas
cópias das capas... Eu consegui pagar parte do tratamento com o que recebi, e
fiquei de levar outras capas, mas...
- Mas... – ao percebê-la hesitante, fiz um gesto para que ela continuasse o
relato.
- Você assumiu a presidência Allison... E... Eu não consegui mais ser
desonesta com a revista. Estou muito arrependida, acredita em mim... Você foi
um anjo me dando o restante que faltava para o pagamento do tratamento da
minha filha.
- Olha, Arlete... O que você fez... É crime! – passei a mão na face...
Esfreguei os olhos... - Tenho que falar sobre isso com a Pamela.
- Não, Allison! – disse quase num grito. Sua face aterrorizada me dava pena –
Ela vai me despedir! Preciso do emprego... Tenho uma criança para criar!
- Não... Não... Sei o que dizer... Acredito no seu arrependimento, mas...
Arrependimento não basta, entende? Você nos apunhalou pelas costas, Arlete!
Como poderemos confiar em você novamente, me diz? – parei de falar por uns
segundos... Ela baixou os olhos. Eu estava sentindo exatamente o mesmo que
Pamela quando roubei o seu cargo. É um misto de desconfiança, frustração e
mágoa. Toda a admiração que eu nutria por Arlete fora comprometida naquele
instante. – Preciso ficar sozinha.
- Não conte para a dona Pamela, por favor... – levantou-se ainda chorosa –
Preciso do emprego, Allison... Estou arrependida, e é um arrependimento
sincero... Se eu pudesse voltar atrás... Jamais faria o que fiz novamente.
Consegue me entender? – disse quase desesperada.
- Eu sei como se sente. – disse também com lágrimas nos olhos.
Tava difícil de digerir aquela confissão, viu? Saí da sala por alguns
minutos... Quando retornei, Pamela estava sentada na cadeira dela, ao lado da
minha mesa. Linda! Ela usava óculos de grau para ajudar na leitura das letras
miúdas dos documentos. Pamela ficava um charme com aqueles óculos. Deixava-a
com um ar de intelectual que despertava comichões pelo meu corpo. Estranho
isso, não é? Mas imaginem aquela mulher linda com aquele ar de superioridade,
te olhando por baixo dos óculos como se você não fosse nada mais, nada menos
do que um reles mortal! Hum... Isso me enlouquece! Ela estava completamente
absorvida no seu trabalho. Meu coração dava pulos ao vê-la. Olhando-a naquele
momento, eu sentia florescer dentro de mim as mais belas recordações de
saudade que um ser humano pode verter por outro. Chegava a doer na minha
alma.
- Vamos almoçar? – disse num impulso, encorajada pela certeza de que eu
precisava daquela mulher assim como preciso do ar para respirar.
- Vou assim que terminar. – disse sem desviar os olhos dos papéis que estava
lendo. Quanta competência, ninguém chega aonde Pamela chegou sem ela, só
porque é filhinha do dono da revista. Pamela fazia por merecer cada destaque
atribuído ao nome dela dentro da empresa.
- Acho que você não entendeu, Pam. Estou te convidando para almoçar.- sorri
ao final da frase. Ela desviou a atenção do que estava fazendo... Me olhou
por baixo dos óculos como se eu não fosse nada mais, nada menos do que um reles
mortal! Hum... Isso me enlouquece! Acho que já disse isso. Desconsiderem por
favor.
- Com você? – disse surpresa. Quase beijei os lábios dela naquele momento.
Esse pensamento malicioso me fez sorrir.
- Claro – disse encarando-a, praticamente suplicando para que ela dissesse
sim.
- Por que não? – disse sensual, levantando-se e apanhando a bolsa que estava
pendurada no encosto da sua cadeira. Retirou os óculos da face e deixou-os
sobre a mesa, então, aproximou-se de mim, e eu quase perdi o controle de vez
da situação. Pamela não hesitou ao aceitar o meu convite. Se vocês pudessem
me ver naquele instante, com certeza leriam na minha testa: sou a bobinha da
corte dela. - Para onde vamos? – perguntou com aquele tom de voz sedutor que
só ela, exclusivamente Pamela possuía. Encarei-a profundamente, quase
suplicando por apenas um roçar de lábios. Já me daria por satisfeita se ela
ao menos encostasse aqueles lindos lábios rosadinhos e apetitosos nos meus.
- Sei que você adora lugares sofisticados, mas... Queria te mostrar como é
bom comer comida caseira, sabe? – sorri da cara de surpresa que ela fez e
completei: - Não é o que você está pensando. Calma. Vou te levar na casa dos
meus pais. – já conheço a pecinha! – Aceita?
Pamela topou enfrentar a aventura de cortar a cidade, encarando uma hora e
dez dentro do carro para almoçar na casa dos meus pais. Foi divertido ouvi-la
dizer enquanto olhava a paisagem:
- Esse lugar não chega nunca?
- Calma, apressadinha! – sorri enquanto dobrava a esquina – Acho que você
nunca colocou os pés em Campo Grande, não é?
- Tem no mapa?
- Tá brincando? É um dos maiores bairros da zona oeste!
- Zona oeste, Allison? – disse com descaso.
- Sim, senhora frescura absoluta! – soltei uma gargalhada – Você topou
almoçar comigo, e eu disse que era na casa dos meus pais. São pessoas
simples, tá legal? Vê se não dá mancada!
- Como assim dar mancada? – inclinou o corpo para fitar-me de frente.
Desviei o olhar da estrada por alguns instantes....
- Você é linda, sabia? – não resisti... Percebi que ao final da minha frase
Pamela emudeceu. Fomos o resto do trajeto em silêncio. Fiquei me perguntando
se ela havia ficado aborrecida com o meu elogio. De hora em hora olhei de
rabo de olho pra Pamela, mas ela olhava através da janela sem expressar
nenhuma reação. Não dava pra saber se a poderosa estava descontente ou não
com a minha companhia. Isso me deixou insegura. Será que ela já havia se
arrependido por ter aceitado o convite? Antes que eu pudesse questioná-la...
Paramos de frente para uma casa simples de dois andares. Um grande portão de
madeira na frente. Muros altos. Num bairro com aparência de cidadezinha de
interior que tinha uma praça bem arborizada, com brinquedos de madeira onde
as crianças ficavam à vontade.
- Se não quiser entrar eu entenderei – disse notando que ela reparava em cada
detalhe do local.
- Não... Está tudo bem. – tirou os óculos escuros da face. Abriu a porta do
carro e desceu. Fiz o mesmo. Toquei a campainha de casa ao mesmo tempo em que
uma bola fugitiva do campinho de futebol bateu no portão. Sorri para o
garotinho que veio correndo buscá-la. Chutei para ele.
- Valeu, tia! – disse o moleque.
Pamela olhou pra minha cara...
- Crianças... – dei de ombros no mesmo instante em que o portão se abriu e a
minha mãezinha arregalou os olhos e exibiu aquele sorriso cheio de alegria
que era sua marca registrada. As mães não têm jeito. Sempre nos fazendo
passar vergonha.
- Alizinha, minha filha! – abraçou-me demoradamente – Que saudade querida!
- Vim almoçar! – apertei-a um pouco mais – Não me chame de Alizinha –
sussurrei no ouvido dela.
- Que felicidade te ver minha menininha! – apertou minhas bochechas para me
matar de vergonha. Pior do que ser chamada por aqueles apelidinhos de criança
é ser apertada nas bochechas. Concordam? Quem nunca passou por isso, não é
mesmo?
- Trouxe uma amiga, mãe! Pamela, essa é a dona Regina, minha mãe... – disse
tímida. Mamãe caminhou em direção a Pamela e a abraçou demoradamente.
Distribuiu beijos e apertões que me fizeram rir, devido ao constrangimento
notório da poderosa. Acho que a poderosa não está acostumada com calor
humano.
- É um prazer conhecê-la minha querida! Vamos! Entrem... Acabei de fazer o
almoço, vocês chegaram na hora certa! Seu pai está na sala vendo tevê,
Alizinha. Hoje mesmo ele falou em você, no quanto só pensa em trabalhar e
esqueceu os nossos almoços de domingo. – dona Regina foi falando...
Falando... Enquanto puxava-nos pelas mãos para dentro de casa.
Logo que entramos na sala. Assim que meu pai me viu, ele deu um salto do sofá
e veio correndo abraçar-me.
- Filha, quanto tempo! – apertei o Sr. José até quase ficarmos sem ar.
- Que saudade pai!
- Quem é essa loira exuberante, hein? – disse notando rapidamente a presença
de Pamela atrás de mim. Papai sempre me matando de vergonha...
- Pamela, esse é o meu pai... Pai, essa é minha...
- Colega de trabalho – disse ela e estendeu a mão. Ele segurou a mão que Pam
havia estendido, mas logo a puxou para um abraço desconcertante. Mais uma vez
tive que controlar a minha vontade de rir.
- Mas que moça bonita e cheirosa, filha! – deu beijos no rosto de Pamela. –
Essa moça parece que saiu de uma capa de revista!
- Menos pai! – cutuquei-o.
- Vieram almoçar, não é? – abriu uma portinha de vidro na estante – Tenho um
vinho delicioso aqui. Guardado a sete chaves para uma ocasião especial. Acho
que hoje é uma ocasião especial. Minha filhotinha de volta a sua casa, e em
tão bela companhia – disse animado.
Olhei o vinho referido. Deus do céu! Pamela vai comer o meu fígado. Era
simplesmente uma daquelas garrafas promocionais que a gente compra no
supermercado. Aposto que não custou mais do que cinco reais.
- Ela prefere refrigerante. – disse evitando o constrangimento de Pamela.
- Mas que pena! O vinho é tão bom! – concluiu decepcionado. - Vou inspecionar
o almoço meninas. Fiquem a vontade – disse e foi de encontro a minha mãe que
já havia se bandeado para a cozinha.
- Seu pai... Seu pai...
- É negro! – completei a frase dela. – Sim!
- Mas... Você é... Branca... – fitou-me assustada.
- Esse homem é mais que um pai pra mim, Pam. – disse séria, e decepcionada
com a surpresa dela - O meu “pai”... Branco – desdenhei ao falar da cor do
homem que me pôs no mundo – Me abandonou quando eu ainda era um bebê... Minha
mãe me criou sozinha por longos anos, sabia? Mas o meu pai “negro” felizmente
apareceu na vida dela, e além de fazer a minha mãe muito feliz, foi ele quem
acordou de madrugada para me levar ao médico... Que segurava a minha mão até
que eu dormisse porque sabia o quanto eu temia o escuro... Era pra ele que eu
fazia os trabalhinhos na escola pra entregar no dia dos pais. Esse homem
“negro”, esteve presente em todas as minhas reuniões escolares... Me deu o
anel de formatura. Chorou quando eu me formei... Me abençoou quando eu decidi
sair de casa e morar sozinha... – ela ficou quieta me ouvindo – Ele é muito
mais meu pai do que qualquer outro. Eu teria orgulho de ter a cor e o sangue
dele correndo pelas minhas veias, mas infelizmente não podemos escolher os
nossos pais biológicos. Ainda bem que o amor não está ligado a padrões de
estética, classe social... – fitei-a ao falar a última frase – Pra amar,
basta querer ser feliz.
- Meninas! O almoço está na mesa! – gritou meu pai da porta da cozinha.
Movimentei a cabeça informamos que estávamos indo.
- Ainda tá em tempo de desistir, Pam – fitei-a nos olhos – Senão quiser se
sentar a mesa com um negro... Entenderei – firmei o olhar.
- O cheiro da comida está muito bom. – disse encarando-me com aqueles olhos
azuis que me faziam perder a alma pra ela. Fiz um gesto pedindo que ela
passasse na frente. Pamela passou. Sorri pelas costas dela. Quando que essa
mulher me acompanharia até a casa dos meus pais, se sentaria à mesa com eles,
e ainda elogiaria o cheiro da comida da minha mãe?
Sorri assim que nos sentamos à mesa. Minha mãe havia tentado, coitada,
colocar os talheres nas posições corretas, mas infelizmente, lá em casa não
seguíamos etiqueta alguma, e mais uma vez, eu fiquei tentando adivinhar qual
seria a reação de Pamela. Foi engraçado vê-la tentando se adequar a simplicidade
dos talheres, da comida... Eu fiquei perdida quando ela me levou naqueles
restaurantes chiques, não é? Acho que ela também se sentiu daquela forma
assim que sentou conosco, mas diferente de mim, Pamela tirou de letra a árdua
tarefa de destrinchar um pedaço de frango frito com os talheres. Meu pai
disse três vezes:
- Pode usar as mãos, filha. Assim você não consegue comer.
- Ah... – sorriu completamente sem graça.
Desta vez eu ri, e ela viu, tanto que ergueu uma das sobrancelhas e me fitou
furiosa. Em todo esse tempo de convivência, percebi que Pamela detesta que
riam dela. Mas isso não quer dizer que eu deixaria de rir, não é?
- Não quer refrigerante, querida? – perguntou minha mãe a ela.
- Não, obrigada – respondeu – Dá celulite.
- Mas você está em forma, menina! – sorriu meu pai – Há muito tempo que eu
não via umas pernas tão bonitas!
- Menos pai!
O almoço transcorreu animado. Meu pai não se cansava em elogiar a beleza e o
cheirinho de perfume francês de Pamela. Ela até sorriu em determinados
momentos. Já estava ficando tarde...
- Por que vocês não dormem aqui? – disparou minha mãe – O seu quartinho
continua no mesmo lugar, Alizinha! – não adiantava mesmo pedir para minha mãe
não me chamar daquele jeito. Parecia criança teimosa que a gente fala, entra
num ouvido e sai pelo outro.
Olhei pra Pamela... Depois fitei a janela. A noite já havia caído. Olhei o
relógio.
- As horas voaram... – disse ansiando para que ela quisesse ficar, embora
soubesse que essa possibilidade seria totalmente infundada – Tá a fim de
encarar a estrada? – perguntei insegura. Se voltássemos para casa, certamente
não dormiríamos juntas. E eu queria tanto provar os beijos dela essa noite.
- Estou morrendo de sono – disse encarando-me com aqueles olhos azuis que me
tiravam o chão.
- Você... Você... Quer...
- Claro que ela quer, filha! – se antecipou meu pai – Vou lavar a louça para
sua mãe e ela vai apanhar toalhas limpas pra vocês e acomodá-las direitinho
no seu quarto.
Não dissemos mais nenhuma palavra. Aqueles dois pareciam que tinham lido na
minha testa que tudo o que eu queria era passar a noite com Pamela.
Na casa só havia um banheiro... Esperei Pamela tomar o banho dela. No meu
armário antigo havia algumas roupas que eu deixava ali, caso fosse
visitá-los. Emprestei um shortinho e uma blusinha de malha para Pamela
vestir. Ficou curtíssimo nela. Não sei como consegui me controlar diante
daquela visão dos deuses. Caminhei de costas para a porta, sem desgrudar os
meus olhos de onde ela estava. Seus cabelos molhados... Sua pele fresca com
cheiro de sabonete. Suas pernas lisinhas e bem torneadas à mostra. O bico dos
seus seios fazendo volume na blusa fina de malha. Bati às costas na porta.
Ela riu
maliciosamente, depois sentou-se na pequena cama de solteiro que havia no
quarto. Minha mãe havia forrado um colchonete ao lado da cama para que eu me
deitasse. Que ingenuidade da minha mãe, não é?
Deixei a água do chuveiro cair pela minha pele enquanto minha cabeça
mergulhava nos meus pensamentos que se misturavam entre o desejo e a vontade
de que não fosse apenas mais uma transa. Eu sabia que seria impossível dormir
ao lado de Pamela e não acontecer nada entre nós. Ela gostava de sexo tanto
quanto eu, e mesmo que Pamela ainda nutrisse sentimentos de mágoa por mim,
era inegável o desejo que transbordava da nossa pele.
Entrei no quarto silenciosamente. Estava calor. As janelas estavam abertas, o
ventilador ligado girando para os dois lados e Pamela deitada de bruços na
cama me fez tremer da cabeça aos pés. Ela era sedutoramente linda. Parei ao
lado da cama. Pisoteei o colchão que estava no caminho. Ela havia dispensado
o lençol e seu corpo estava completamente despido. Meus olhos deslizaram pela
sua pele enquanto minhas mãos ameaçavam tocar naquele corpo que se oferecia
para mim. Ela estava nitidamente me provocando... Seus olhos fechados, sua
perna direita levemente erguida deixando as suas nádegas semi-abertas. Não
resisti... Toquei o seu ombro com a ponta dos dedos...
Pamela abriu os olhos e me sorriu com o olhar... Engoli em
seco... A mulher inclinou o corpo de lado... Seus cabelos dourados caíram
pelos seus ombros... Seus seios à mostra... Rijos... Salientes me chamavam
para degustá-los.
- Faz calor aqui – sussurrou antes de sentar-se na cama com as coxas
afastadas deixando visível o seu sexo. Enlouqueci ao vê-la naquela posição.
Não disse nada... As palavras eram tão desnecessárias diante da nítida
certeza de queríamos uma a outra. Inclinei meu corpo em busca dos lábios
dela.
Pamela ergueu a
cabeça e segurou meu pescoço com as mãos... Arranhou a minha pele... Passou
os dedos na minha nuca... O seu carinho me acendeu. Acariciei seus lábios com
os meus, depois sorvi a sua boca como quem volta do deserto e sente sede...
Muita sede... Pamela levantou-se escorregando o seu corpo no meu... Nossas
peles queimavam uma na outra. Senti suas mãos deslizando por baixo da minha
blusa... Ela tocou os meus seios... Apertou os bicos... Gemi
involuntariamente com aquele contato.
- Tira – sussurrou com os seus lábios presos nos meus. Logo que ergui os
braços ela suspendeu minha camiseta deixando os meus seios também à mostra em
um atrito suave, sensual e delicioso com os dela. Gememos uma pra outra...
Meu short foi arrancado em seguida e ela deitou-se na cama... Deitei-me sobre
ela. Meu corpo pesando sobre o seu numa entrega sempre perfeita e única, pois
nenhuma outra mulher me teve como Pamela me tem. Ela abriu as pernas
acomodando-me no meio delas. Nossos sexos úmidos de excitação se
encontraram... Senti suas mãos apertarem as minhas nádegas, implorando por um
contato maior enquanto a mulher movimentava-se deliciosamente embaixo de mim.
O quarto dos meus pais ficava ao lado, foi ela quem me pediu silêncio quando
eu gemi mais alto ao sentir o seu sexo roçar no meu daquele jeito único que
ela fazia.
O calor aumentou...
Nossa pele molhada de suor denunciava o esforço em busca do prazer.
Interrompíamos os beijos para que nossos olhos se encontrassem, nos
encarávamos... Medindo as expressões enlouquecidas do prazer uma da outra.
Era mágico o desejo que se projetava nos nossos olhos vermelhos de tesão...
Desejo... Aumentei o ritmo sobre ela... Senti através dos seus sussurros
emitidos e do seu olhar frenético que ela estava prestes a derramar o seu
líquido. Fui escorregando para baixo enquanto ela se debatia reclamando por
eu ter parado o contato. Suas unhas descontroladas arranhavam as minhas
costas enquanto eu descia em direção ao seu sexo. Estávamos ofegantes...
Afastei as pernas trêmulas de Pamela. Senti a sua excitação com a ponta dos
dedos... Gemi ao deslizá-los por um sexo que pulsava e encharcava-os.
- Me come, Ali – disse ofegante. Engalfinhando os dedos pelos meus cabelos e
tentando impulsionar a minha cabeça para o meio das suas pernas – Me chupa
inteira.
As palavras sussurradas e trêmulas entravam nos meus ouvidos como um
afrodisíaco... Afastei suas coxas e mergulhei dentro dela com a minha língua
faminta pelo prazer que o gosto dela me proporcionava. Sorvi o seu líquido
enquanto meus dedos a invadiram da forma como ela pediu... Aumentei o contato
conforme Pamela gemia... Sussurrava e ordenava... Senti o seu corpo
tensionado... Suas mãos desesperadas puxavam os meus cabelos cada vez mais
forte... Ela gozou... Gritou, um grito abafado pelo receio de sermos ouvidas
pelos meus pais...
Continuei
sugando-a... Matando a sede que eu sentia do gosto dela... Pamela me puxou
pelos ombros... Escalei seu corpo de volta... Fixei meus olhos nos seus...
Ela entrelaçou a minha cintura com as duas pernas e me puxou pelo pescoço,
grudando os nossos lábios... Roçando os nossos seios um no outro. No minuto
seguinte me empurrou para o chão... Cai de costas no colchão macio que estava
ao lado da cama... A mulher sentou-se na altura do meu sexo e enquanto mexia
nos seus cabelos, jogando-os para trás e me excitando com a visão dos seus
seios que se movimentavam à medida que ela rebolava em cima de mim... Gemi...
Virei os olhos... Meu sexo pedia cada vez mais... Ela sorria do meu
desespero... Movimentava o quadril mais rápido...
- Pede, Allison – dizia como se meu nome fosse um pedaço de chocolate
derretendo na sua boca.
- Pára de me torturar Pamela... Me faz gozar pra você...
- Ainda não ouvi... – sussurrou com um sorriso maroto nos lábios.
- Me fode logo, porra!
- Assim tá muito melhor.... – disse e desceu lentamente pelo meu corpo...
Tentei fazê-la ir mais rápido de encontro ao meu sexo, mas a mulher queria me
maltratar... Beijava a minha coxa... Mordia... Passava a língua depressa pelo
meu sexo... Me instigava... Colocava os dedos rapidamente dentro de mim, depois
tirava e os lambia na minha frente... Degustando sem pressa o meu líquido...
Fiquei impaciente... Dei um salto sobre ela... Pamela ficou assustada com a
forma rápida e intensa que meu corpo grudou no dela. Sentei-me... Agarrei-a
pela cintura e a fiz sentar-se no meu colo... Suas pernas laçadas na minha
cintura. Comecei a morder o seu pescoço... Subi a boca para os seus lábios...
Nossas trocas iam além de carícias, trocávamos também sussurros... Gemidos...
Suor... Nossos líquidos se misturavam na medida em que intensificávamos o
contato dos nossos sexos. Passei a língua pelos seios dela... Pamela inclinou
a cabeça para trás... Aprovando o percurso dos meus lábios... Chupei os bicos
rosados... Lambi em movimentos circulares...
- Você me enlouquece, Ali... – sussurrou antes de explodir num gozo profundo,
com um desejo tão intenso que fazia cada pedacinho de nós duas tremer numa
entrega fantástica e deliciosa... Gozamos juntas... Intensamente...
Demoradamente.... A respiração entrecortada... A pele escorregando uma na
outra... Um minuto de silêncio para nos recompor foi interrompido quando a
mulher ensandecida me empurrou... Bati com as costas no colchão e senti o meu
sexo ser tomado inteiro pelos lábios, língua e dedos dela...
- Ainda te quero inteira, Allison – sussurrou antes de me penetrar mais
fundo... Senti o mundo girar como se eu estivesse numa roda gigante... Gozei
pra ela... Intensamente... Nos amamos por mais algumas horas até a exaustão
nos fazer ficarmos abraçadas... Ela estava sentada no meu colo, de frente pra
mim, com as pernas laçadas na minha cintura... A escuridão da noite era
amenizada pelo feixe de luz que vinha do poste da rua, dando assim para ver
aqueles lindos olhos azuis me encarando enquanto nossas bocas bailavam uma na
outra. Nossos beijos eram demorados... O cheiro de sexo que estava impregnado
nos nossos corpos... Lençóis e travesseiros nos incitava ao amor... Assim que
o beijo terminou... Segurei delicadamente a face de Pamela com as duas
mãos... Suspirei, percebi que ela também suspirou. Minhas palavras foram
saindo quase num sussurro... Administradas pelo carinho que aquele momento
nos arremetia.
- Eu te amo, Pam – disse sem conseguir desviar meus olhos dos dela. Ela
encarava os meus... Não era frieza, nem amor... Não sei o que os olhos dela
me diziam... Só sei que aquele, era, de fato o meu momento. Eu precisava
dizer a ela tudo o que meu coração me impulsionava. Não era momentos de
mentiras... Nem omissão... - Sempre te amei... Desde o primeiro dia em que te
vi com as mãos presas nas grades daquela boate, chorando por um cara que não
merecia o seu amor... Nem o seu respeito.
Pensei que ela negaria que estivesse chorando, mas não... Pamela não emitiu
nenhum som. Continuou ouvindo as minhas palavras...
- Você nunca saiu da minha cabeça... Sempre te procurei nos meus sonhos...
Morri de prazer nos seus braços quando você me quis pela primeira vez e morro
até hoje... Porque não existe nenhuma outra mulher que me dê o prazer que
você me proporciona. É por você que o meu coração bate... E é por te amar
demasiadamente que eu te trouxe aqui, para a simplicidade do meu mundo...
Você tem o melhor de mim, Pam... – fiz uma pausa para esperar as lágrimas
escorrerem dos meus olhos – Você me conhece como nunca ninguém conheceu.
Jamais duvide disso. Seu coração sabe que é verdade, embora os meus atos
tenham feito você duvidar disso um dia – ela continuou quieta...
Inexpressiva, e por mais que essa falta de expressão me deixasse triste, eu
não consegui parar de falar
–
Sei que você quer apenas sexo comigo, mas eu, pelo
menos queria poder fazer parte da sua vida... Não tenho nada pra te oferecer,
mas consegui vencer os meus medos e te mostrar quem eu sou... Como eu sou, e
por mais que você me ache uma interesseira... Usurpadora... Como você mesma diz,
eu sei que não sou nada disso, e tudo o que eu fiz, foi movida pela esperança
de te fazer pensar um pouco mais nas pessoas... Em mim... Porque só assim, eu
conseguiria te trazer para o meu mundo. Como agora... – olhei ao nosso redor
– Senhora Pamela, em outros tempos você jamais estaria aqui comigo. – segurei
seu rosto novamente com as minhas mãos... – Eu nunca tive outra mulher depois
de você... – ela entreabriu a boca para pronunciar algo, mas impedi que ela
falasse e completei – A Leandra nunca foi minha namorada. Eu queria te
colocar ciúmes, só isso... – disse e ela continuou calada. A abracei bem
forte... Chorei sozinha, sufocada pela dor do silêncio dela.
–
Na manhã seguinte... Acordamos cedo... Recusamos o café da manhã oferecido pelos
meus pais, na verdade, queríamos ir pra casa o mais rápido possível. Desde o
monólogo na noite anterior, eu sentia Pamela distante, como se não quisesse
dizer nada para não me dar esperanças falsas. Entendo o lado dela, mas sei
que foi necessário dizer a ela, com verdade, tudo o que eu sentia.
Estacionei de frente para o prédio de Pamela. Ficamos alguns minutos nos
olhando em silêncio... Até que ela quebrou o mesmo.
- Tenho que descer, Ali.
- Tudo bem – disse fitando-a como um cão sem dono.
- Tchau – suspirou.
- Hei! – segurei seu braço antes que ela descesse. Pamela recuou. Fixei meus
olhos nos lábios dela, a mulher entendeu perfeitamente o que eu queria.
Fechou os olhos e depositou um beijo suave e demorado nos meus... Mas fomos
interrompidas bruscamente pelo barulho de alguém caindo ou se jogando na
frente do carro. Quando olhamos na direção do sujeito, vimos um cara com uma
câmera fotográfica nas mãos tirando várias fotografias.
- Mas que merde! – disse Pamela furiosa – Esse desgraçado nos fotografou!
Balancei a cabeça negativamente enquanto o homem corria em direção à rua da
praia de Copacabana.
- Lamento... – sussurrei decepcionada com o pavor que vi nos olhos dela.
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