DESENCONTROS

PARTE 2

 

Leth Cross

 

 

 

Laysa acordou cedo, tomou banho, escovou os cabelos, perfumou-se, e vestiu uma de suas melhores roupas.Pela primeira vez, ia para o trabalho entusiasmada. Não seria mais "cantada" por aquele homem asqueroso, iria trabalhar para Gladys Demerson, aquela mulher linda, atraente, sexy!Seria uma delícia estar em contato com ela. Aquele colírio para os olhos, seria maravilhoso!


Quando chegou no trabalho, Eunice já estava lá e sorriu com simpatia.


-Bom dia! Animada para começar na nova função?


-Animadíssima, Dona Eunice! O que tenhoo de fazer?


-Calma, minha querida!Primeiro, vamos ttomar um café e conversar. Ainda faltam vinte minutos para o expediente começar.


-Tudo bem.


Eunice pegou a garrafa térmica de café fresco e serviu duas xícaras.Laysa sentou na cadeira diante da mesa e Eunice falou, entre pequenos goles de café:


-A doutora Demerson é uma ótima pessoa..Você vai gostar de lidar com ela.Mas também é muito exigente. O trabalho tem que ser feito rápido e sem erros. Ela encarregou-me de lhe ensinar o serviço, que será feito por nós duas. Assim, quando eu sair de férias, você poderá substituir-me.


-Farei tudo que puder, Eunice. Ela dissse-me que é desquitada. Ela separou-se há muito tempo?


Eunice riu.Era uma mulher de seus cinquenta anos, magra,cabelos grisalhos e simpática . usava óculos de aros grossos e lentes .


-Está curiosa, não?Aviso que uma qualiddade importante de uma secretária é discrição. Nada que acontecer aqui deve ser comentado lá fora com qualquer pessoa.

 

-Desculpe-me...não farei mais perguntas sobre ela. - Disse Laysa, corando.


-Não fique envergonhada. É natural sua curiosidade. E já que ela comentou que é divorciada, posso falar : ela casou nos Estados Unidos com um colega de universidade . Um ano depois, divorciou-se e voltou para o Brasil. Isso já tem dez anos. Eu a conheço desde que era uma garota, eu trabalhava para o pai dela. Ela sempre foi uma menina ajuizada, formou-se em Administração nos Estados Unidos e quando o pai morreu, assumiu o lugar dele com eficiência.


-Ela é filha única?


-Não.Tem uma irmã mais nova. Jane é o ooposto da irmã. Uma louquinha, que só aparece aqui na empresa para pegar dinheiro para gastar. Eu tenho muita pena da doutora Demerson. É tão só, depois do divórcio não se ligou a mais nenhum homem , é cheia de responsabilidades e ainda tem que cuidar da irmã rebelde.


Acabaram o café e começaram a trabalhar.Eunice estava mostrando as tabelas feitas no programa Excel quando Gladys chegou. Elegantíssima, com saia justa negra e blazer branco, escarpins de salto agulha e meias dando um toque nas pernas esculturais. Ela passou dizendo bom dia e se trancou em seu gabinete.


Eunice lhe estendeu duas cartas que havia imprimido na impressora.


-Leve para a doutora assinar. Vou mandaar o garçon trazer água e café para ela.


Laysa pegou as cartas com o coração aos saltos e abriu a porta do gabinete e entrou. Gladys estava sentada na sua cadeira, abrindo uma pasta, e a olhou entrar sorrindo polidamente.


-Cartas para eu assinar? - Perguntou. <

 

-Sim, senhorita Gladys - Confirmou, aproximando-se.>


-Dê-me.


Laysa estendeu as cartas para ela.Gladys as pegou e começou a assinar, atenta aos documentos.Laysa se postou ao lado dela, fingindo olhar o ato, mas inclinando-se um pouco para sentir o perfume que emanava dela. Gladys ergueu o rosto e a fitou séria.


-Pronto, estão todas assinadas.


Laysa deu o seu melhor sorriso, pegando as cartas que ela lhe estendeu.Gladys sorriu polidamente e disse em tom formal:


-É só isso? Então, pode ir, senhorita LLaysa.


O sorriso de Laysa morreu. Ela assentiu e saiu com a incômoda sensação que Gladys não queria prolongar sua presença com ela. Havia sido tão formal e fria! Também, o que esperava? Que ela fosse "cantá-la" como o odioso senhor Carvalho?Suspirou, decepcionada. Provavelmente ela nem suspeitava de sua preferência sexual.Era uma idiota, tecendo sonhos impossíveis à respeito de Gladys. Uma mulher daquelas não devia ser só.Devia ter vários admiradores. E ela, pobre idiota, cheia de ilusões! O melhor era procurar ver Gladys Demerson apenas como sua chefe, nada mais.


E com o passar dos dias, Laysa sentiu-se cada vez mais desiludida. Gladys era uma chefe gentil, pedia as coisas com educação impecável, mas não demonstrava em nada ser sensível aos seus olhares e sorrisos.Laysa vivia irritada consigo mesma, esperando ver naqueles olhos um interesse além do profissional, contrariando sua decisão de ver nela apenas sua chefe. O que adiantara decidir isso, seu coração teimoso estava cada vez mais apaixonado pela linda mulher!

 

Naquela sexta-feira estava mais triste que nunca.Não trabalharia sábado e domingo, e por conseguinte, não veria Gladys nesses dois dias. Era um suplício ficar perto de Gladys e não poder tocá-la, ter que disfarçar seu olhar apaixonado, mas pior era não vê-la, imaginando-a sendo beijada por um homem.


Eunice havia saído cedo para ir ao dentista e ela estava sozinha na sala, digitando no computador.


Uma moça entrou na sala com andar displicente e a olhou surpresa.Laysa a fitou também surpresa. Ela era alta e magra, um piercing perto da sobrancelha, uma blusa negra com uma estampa da cantora Evanescence, cabelos ruivos bem curtos, espetados para cima, uma calça cargo também preta até os joelhos, tênis roxo e vermelho. O que um tipo daqueles fazia ali? E o modo como ela a olhou, seu gaydar logo a classificou como gay.


-Oi! - Sorriu a garota, se aproximando da mesa de Laysa com os polegares nos bolsos da calça  -Cadê dona Eunice?


-Ela saiu cedo - Respondeu Laysa, fitanndo-a nos olhos.Os olhos eram dourados, parecidos com os de Gladys. Devia ser a irmã dela!


A garota se inclinou, apoiando as mãos no tampo da mesa, fitando seu rosto, os seios, sem disfarce, sorrindo.


-Puxa! Você é um tesão! Que secretária boa minha irmã arranjou! -Disse ela.


Laysa enrubesceu violentamente. A franqueza daquela garota a desconcertou e chocou.


Ela deu uma risada.


-Ficou encabulada? Nunca ninguém disse como é gostosa?

 

Laysa recuperou-se.Sorriu polidamente.


-Como se chama e com quem deseja falar,, senhorita?


-Desejo falar com Gladys, minha excelenntíssima irmã- Sorriu a garota- Sou Jane Demerson, às suas ordens, beleza.


Olhou para as mãos de Laysa e o sorriso ampliou.


-Ah, que maravilha! Nao é noiva, nem caasada!


-Jane! Venha cá imediatamente!


Laysa e Jane se voltaram para a porta do gabinete, de onde viera a ordem imperativa.Gladys olhava para a irmã com uma expressão de cólera contida. Os olhos faiscavam, o rosto estava vermelho.


Jane se afastou da mesa, erguendo as mãos e fazendo um gesto apaziguador.


-Calma! Só estava tentando conhecer a ggata que agora está enfeitando essa sala...


Voltou-se para Laysa, que as olhava embaraçada.


-Até logo, gata...


Caminhou para a porta do gabinete e entrou, passando por Gladys, que fechou a porta com estrépito.


Laysa teve vontade de rir.Nunca conhecera uma pessoa assim como aquela garota, com uma franqueza desconcertante! Ela lhe fizera galanteios como um homem, com uma naturalidade espantosa! Era mesmo louquinha, como lhe dissera Eunice.E Gladys? Será que ouvira tudo que a garota dissera? Nunca a vira com aquela expressão!Continuou a digitar, mas louca de curiosidade pelo que estava sendo dito na outra sala.

 

Meia hora depois elas saíram do gabinete.Gladys séria, ainda com ar aborrecido, Jane com ar divertido, dizendo em tom de brincadeira:


-Cuidado, minha irmã está uma fera! Cusstei a arrancar uma grana dela, com o humor que está!


-Jane! - advertiu Gladys, em tom severoo.


A garota sorriu cinicamente, olhando para a irmã.


-Tá bom, eu não devo falar com a gata ddesse jeito...mas apenas vou perguntar o nome dela..e despedir-me.Não fique com ciúmes!


Gladys corou, olhando para Laysa, vexada. Laysa continuou olhando para a garota com um sorriso polido, sem saber como agir.Jane se aproximou e novamente apoiou as mãos na mesa e se inclinou, fitando os olhos de Laysa com admiração.


-Como é o seu nome, gata?


-Laysa...


-Muito lindo, como a dona.Até outro diaa, Laysa...


Jane se afastou e se dirigiu para a porta. Saiu sem olhar para trás.


-Senhorita Laysa, venha ao meu gabinetee - Disse Gladys.


Laysa se ergueu, aproximando-se e Gladys recuou para ela passar e fechou a porta. Fez um gesto para ela se sentar, indicando a poltrona e caminhando e sentando em sua cadeira atrás da mesa.


Laysa sentou na poltrona diante da mesa e notou o nervosismo de Gladys, tamborilando os dedos na mesa.


-É um assunto chato, senhorita Laysa, mmas tenho que lhe falar- suspirou ela - Não me leve à mal.

 

-Pode falar, senhorita Gladys... - Disse Laysa, advinhando o assunto.


-Bem. Como pode ter notado, minha irmã é uma garota inconsequente.Ela gosta de brincar com as pessoas, confundí-las e chocá-las.É muito mimada e reconheço que contribuí para que ela ficasse assim. E sei que a senhorita ficou chocada com as atitudes dela.


-De modo algum, senhorita Gladys...


-Senhorita Laysa, quero pedir-lhe uma ccoisa e espero que não leve à mal. - Disse, fitando-a com ar decidido- Eu apreciaria muito se você tratasse a minha irmã com certo...distanciamento. Seria melhor para todas nós.Jane é uma garota muito problemática e tenho certeza que você iria acabar se aborrecendo com ela.


-Tudo bem, fique tranquila, senhorita GGladys.Eu não tenho a menor intenção de aprofundar conhecimento com sua irmã - Declarou Laysa, mortificada.Será que Gladys estava tentando impedir que ficasse amiga de Jane por não querer a irmã envolvida com empregados?A achava indigna de fazer amizade com a irmã?


Gladys passou a mão pelo rosto pensativamente, falando para si mesma:

 

 -O pior é que ela pretende o contrário...

 

-Como assim, senhorita Gladys?


-Oh, nada...bem, é só o que quero, senhhorita Laysa...não me leve à mal...apenas quero evitar-lhe aborrecimentos futuros.


Laysa ergueu-se e a encarou séria.


-Tudo bem. Posso retirar-me?>


-Sim. Pode ir.


-Com licença.

 

 Laysa voltou a trabalhar pensativa. A advertência de Gladys lhe dera o que pensar. Qual seria o motivo real que a levara a praticamente a proibir de estreitar conhecimento com Jane Demerson?Ciúmes dela? Impossível, Gladys não mostrara nenhum interesse por ela.Talvez, sendo Jane uma gay, Gladys não a queria envolvida com uma funcionária sua.Era o mais provável.E isso apenas para preservar a irma, pouco estava se importando com ela.


Sentiu raiva, uma grande raiva de Gladys.Estava magoada. Gladys fazia tudo para preservar o bom nome da família, mesmo fazendo uma proibição que só teria sentido se ela fosse uma pessoa considerada inferior para a querida irmã se envolver! Gladys era uma pessoa preconceituosa e orgulhosa, achando que ela não pertencia à sua classe social, para poder ser amiga de Jane!


Seis horas. Gladys saiu, dando à ela um cumprimento seco.Ainda com raiva, Laysa pegou sua bolsa e também saiu.O que iria fazer naquele fim de semana, para tirar Gladys da cabeça?

 

Na rua, uma mão pousou em seu braço. Voltou-se surpresa e deparou com Jane Demerson.
 
-Ei, fiquei esperando-a sair -Disse Janne.


-Esperando-me? Para quê? -Perguntou Layysa, sem sorrir.


-Ora, estou de carro e vim lhe oferecerr uma carona!


Laysa sorriu, achando graça da naturalidade da garota.


-Quem lhe deu essa idéia?


-E precisa alguém me dar uma idéia? Bassta olhar para você, para se ter a idéia de levá-la para casa...ou qualquer outro lugar.


Laysa riu.Jane era divertida.Uma moça vivaz, cheia de vida, comunicativa. Simpatizou com ela, era simples, tão diferente de Gladys, tão orgulhosa e imponente.

 

Olhou em volta. Vários empregados saíam do prédio e olhavam para Jane, coxixando. Era melhor sair dali o quanto antes, para não virarem o tema geral dos comentários.


-Vamos sair daqui. Onde está seu carro??


-No edifício -garagem da rua Menezes Côôrtes. Não quero que Gladys o veja.


-Por que?


Ela ficou séria, caminhando ao seu lado.


-Gladys não quer que eu faça amizade coom você. Ela proibiu-me de falar com você além do necessário.


Laysa fez uma expressão de desgosto.


-Ela pediu-me também para evitar aprofuundar conhecimento com você. Não gostei disso, fiquei pensando um monte de coisa.


-É mesmo?! Já entendi a jogada dela!


-Que jogada, Jane?


-Deixa pra lá...o que importa é que eu quero conhecer você melhor, e acho que você também quer conhecer-me melhor, não?


-Bem...por que não? - Sorriu Laysa.


Pegaram o elevador do edifício-garagem e desceram no terceiro andar, o andar para carros com atendimento Vip. Jane deu o canhoto à recepcionista, pagou e elas esperaram numa sala o manobrista trazer o carro, que veio em poucos minutos.Laysa olhou o Porsche vermelho com os olhos arregalados. Jane tinha um carro de alto luxo!

 

Jane entrou no carro e abriu a porta para ela. Laysa deslizou para o banco de couro negro e ela deu partida, descendo a rampa.


-Onde mora? -Perguntou Jane.>


-Em Copacabana, na Rua Sta. Clara.>


-É caminho de minha casa. Escute, quer ir jantar em algum lugar?-Convidou Jane, fitando-a de soslaio.


Laysa a fitou indecisa. Se Gladys soubesse que estava desobedecendo seu pedido de afastar-se de Jane, estaria na rua. Mas a raiva que sentiu por achar que Gladys não a considerava digna de fazer amizade com sua irmã a fez responder :


-Talvez. Primeiro, me responda: por quee o convite?


Jane parou na saída do edifício, esperando o sinal abrir para pegar a rua Graça Aranha. Ela a fitou com um olhar caloroso.


-Porque você é linda...me amarrei em voocê assim que a vi.Quero conhecer você melhor.


-Você é tão direta...isso é desconcertaante, para mim.


Jane encolheu os ombros.


-Por que deveia ser dissimulada e cheiaa de complexos, ocultando o que sou? Não devo nada a ninguém, minha irmã sabe de mim, levo minha vida do jeito que quero. Nem Gladys pode mandar em mim. Gosto de mulheres bonitas, e sei identificar as que são iguais à mim. E notei que você é.


Laysa a fitou assustada.


-Notou que sou igual à você?! Como assiim??

 

Jane riu, fitando-a .


-Que susto, hein?Sossegue,só a identifiiquei pelo seu modo de me olhar! Só uma mulher gay olha para outra como você me fitou. O meu gaydar funciona, querida!


Laysa riu também.


-E quem não a olharia como olhei? Você não esconde o que é!


-Eu sei, sou uma butch da cabeça aos péés! Mas vê como é vantajoso ser como eu? Não se perde tempo!


-Butch? Que é isso?


-O equivalente à sapatão em inglês...nãão lê fic de Xena em inglês?


Laysa tornou a rir.


-Estou precisando me atualizar! Butch, fic de Xena... isso é novidade, para mim!


O sinal abriu. Jane deu partida, se dirigindo em direção ao Aterro do Flamengo.


-Você é livre, ou tem alguém? - Pergunttou Jane.


-Mas que pergunta indiscreta! Não vou rresponder! - Riu Laysa.


-Não me deixe em suspense...fale!<


Laysa a fitou pensativa. Jane estava claramente interessada nela. E o que a estava levando a aceitar o interesse dela era justamente porque Gladys a proibira disso. Estava magoada com Gladys e pensou: Por que não? Gladys não a queria mesmo. E não era ela quem estava iniciando nada, Jane quem estava querendo estreitar conhecimento, e não era nenhuma garotinha ingênua.


-Sou livre. Satisfeita? - Respondeu, fiinalmente.

 

Chegaram em Copacabana em tempo recorde. Laysa ficou receosa com o modo de Jane dirigir. Ela no Aterro do Flamengo colocou o carro a 100 km por hora, fazendo ultrapassagens perigosas, na Rua Barata Ribeiro fechava carros, costurava nas pistas e avançava sinais.Foi um milagre para Laysa elas chegarem até à rua Sta. Clara sem incidentes.

 

Jane estacionou em cima da calçada, sem se importar em levar uma multa, quando Laysa indicou o prédio.


-Posso subir com você, ou tem problema?? - Perguntou Jane, descendo do carro.


-Nenhum problema, eu moro sozinha. Minhha família mora em Petrópolis.

 

-Legal. Você toma banho, troca de roupa e vamos jantar fora, está bom assim?


-Não sei ainda, vou resolver lá em cimaa.


 Pegaram o elevador e desceram no andar de Laysa. Ela abriu a porta do apartamento e entraram.


Jane olhou em volta, curiosa. Era uma apartamento sala e quarto, pequeno mas decorado com bom gosto, com cores vivas e alegres,  em tons entre  laranja e marrom.


Laysa fechou a porta e indicou o sofá.


-Esteja à vontade. Quer tomar alguma cooisa?


-Uma coca-cola cairia bem - Respondeu JJane, sentando no sofá e abraçando uma almofada.


-Vou apanhar a bebida - Disse laysa, inndo para a cozinha.Pegou uma lata de coca-cola e um copo e voltou à sala.Jane remexia em seus cds e a fitou como uma criança pêga em falta.


-Desculpe, estava vendo seu gosto musiccal.


-À vontade.Quer ouvir um cd, enquanto ttomo banho?-Perguntou, entregando a bebida.


-Sim...ponha esse de Shakira.

 

Laysa colocou o cd para tocar e o som de The Hips don't Lie encheu o ar.


-Adoro Shakira! - Disse Jane - Ela tem um corpão e dança horrores!


-É verdade...bem, vou tomar meu banho. Com licença...


Laysa se retirou. No quarto, tomou a decisão. Estava cansada, era melhor pedir uma pizza e ficar em casa mesmo. Escolheu um short de algodão branco e um top de lycra verde-água. Tomou um banho de chuveiro, enxugou-se e se vestiu. Passou um pouco de perfume, e com os cabelos úmidos, voltou à sala. Jane sorriu, olhando para suas belas coxas agora expostas.


-Valeu à pena a espera. Está linda, Layysa...


-Jane, decidi não jantar fora, estou umm pouco cansada...vou pedir uma pizza e ficar aqui mesmo conversando, está bem assim?


-Com você, Laysa, qualquer lugar é legaal! Até ficar em fila de ônibus!


Laysa riu. Jane era divertida e era agradável ouvir uma mulher dizendo aquelas coisas para ela. Notou que as mãos de Jane estavam trêmulas e teve vontade de provocá-la, para ver a reação dela.


-É mesmo? - Perguntou, sentando ao ladoo dela, cruzando as pernas - Por que?


-Porque você é linda... - disse Jane, ccom voz trêmula - E é um prazer estar na companhia de uma mulher tão linda como você.


-Só estar na companhia, ou algo mais? -- Brincou Laysa, fitando-a com malícia.Era gostoso fazer o jogo de sedução com uma mulher.


Os olhos de Jane se fixaram nos seus, inseguros e medrosos.


-Laysa...por favor, não brinque comigo....você é uma tentação para os olhos. Depois, não reclame...


-Reclame de quê?

>


-De eu... beijar você.

 

Laysa sorriu, fitando-a com um olhar sedutor. Sentia um prazer sádico vendo o esforço que a garota fazia para controlar-se e não agarrá-la.Jane a fitava com fome no olhar.


-Não me olhe assim, Laysa...>


-Por que?


-Está me provocando...


-Não estou fazendo nada! - Disse Laysa,, sorrindo provocadoramente. Jane se inclinou para ela,  avançando com o rosto, fitando-a nos olhos. Laysa ficou imóvel, vendo a boca da garota se aproximar e a beijar primeiro timidamente, depois aprofundar o beijo quando Laysa retribuiu.

 

 Jane estremeceu da cabeça aos pés, as mãos trêmulas segurando os ombros de Laysa,apertando-os.Laysa sentiu um arrepio de desejo e abriu os lábios, permitindo a entrada da língua de Jane, que também sugando, acariciando, roçando os lábios movimentando a cabeça, sua mão acariciando o rosto em brasa da garota.


Jane tentou introduzir a mão dentro de seu top, mas Laysa segurou a mão dela e a empurrou, desgrudando a boca, sorrindo.


-Calma aí, Jane!

>


Ela a fitou arquejando, vermelha, os olhos brilhando de desejo.


-Por que não? Estamos a sós, nada nos iimpede...


-Porque não quero! Jane, acabei de conhhecer você!


Ela suspirou e cruzou os braços, olhando para o teto e dizendo:


-Vejamos: tenho 19 anos, 55 quilos, 1,770 de altura, sou vacinada, gay e estou apaixonada por você, paixão fulminante! Não basta?

 

 

Laysa riu, achando graça no modo dela falar.


-Você canta todas as funcionárias de suua irmã?


-Eu? Não! Você é a primeira! Sabe, desdde que a vi, pensei: que mulher linda! Não vou sossegar enquanto não a beijar.


-Então agora pode sossegar, que já consseguiu o que queria.


-Consegui?! Meu anjo, não consegui nem a metade do que pretendo!


Laysa tornou a rir. Jane a fitou com olhar triste.


-Laysa, por favor, me leve à sério. Esttou mesmo apaixonada por você. E você está apenas se divertindo comigo.


-Desculpe, Jane, não quero magoá-la, maas você é muito nova para mim. Eu tenho 22 anos, não acha que deve envolver-se com uma garota de sua idade?


-Meu Deus, você tem apenas 3 anos mais que eu!


-Três anos mudam muito a cabeça de uma mulher, Jane.Você acaso já teve sexo com uma mulher? É disso mesmo que gosta?


-Eu já tive sexo com várias garotas, Laaysa. Nas baladas é fácil arranjar uma.Mas nada sério. Você é a única que me faz sentir coisas que nunca senti por nenhuma delas.


-Verdade? Quantas mulheres já teve?


-Umas dez. Mas todas muito bobinhas, maais novas que eu.


-Dez?! Tudo isso?!


Jane sorriu orgulhosamente.


-Sou experiente, Laysa! Tem uma boate nna Barra que é cheia de mulheres gays.É fácil arranjar uma.

 

É mesmo? Estou mesmo desatualizada! Não sabia disso!


-Se quiser, posso levá-la lá.Poderemos dançar e namorar sem problemas.Abre na quarta, sexta, sábado e domigo, às onze da noite. Quer ir lá hoje?


-Quero. Estou curiosa para ver como é.


-Então,vamos mudar os planos para a noiite. Vamos jantar em um restaurante que conheço no Leblon e depois iremos para lá.


-Está bem. Vou trocar de roupa.Não vou para uma buate de short. Volto logo.


-Ok.


Laysa foi para o quarto e trocou de roupa. Escolheu um vestido preto com decote nas costas e curto, mostrando suas pernas fortes e bem feitas.Colocou sandálias de salto alto e maquiou-se discretamente. Secou os cabelos escovando-os no secador e voltou à sala. Jane a fitou encantada.


-Meu Deus! Você está linda!<


Laysa sorriu.


-Obrigada, vamos indo?


-Vamos...


Desceram para a rua. Jane abriu a porta do carro e entraram. Ela se dirigiu para o restaurante no Leblon. Colocou um cd para tocar e a música encheu o espaço. Laysa ficou pensativa. Estava fazendo a coisa certa, saindo com a irmã de Gladys?


Chegaram ao restaurante e Jane entregou o carro ao manobrista. Entraram e escolheram uma mesa em um canto. Felizmente ainda era cedo e havia poucas pessoas no restaurante.

 

O restaurante era de comida japonesa e Laysa escolheu rolinhos primavera como entrada, (uma espécie de pastel com recheio de legumes ao molho de cereja),Yakymesh de presunto(arroz com presunto, ovos picados e ervilha)e Yakysoba( frango em cubos com legumes e macarrão japonês ao molho de soja). Jane elogiou sua escolha e pediu cerveja para acompanhar.


-Normalmente escolho sakê, mas hoje esttá muito quente para tomar essa bebida - disse Jane.


-Boa escolha, Jane.


A japonesa se afastou para providenciar os pedidos e Laysa fitou Jane com curiosidade.


-Jane, como você é numa cama? Ativa? Paassiva?Ou ambas as coisas?


Jane riu.


-Está curiosa, hein?Isso é bom. Não vouu falar. Se quiser saber, vai ter que provar.


-Chantagista...estou curiosa, pois essee lado da sexualidade é novo para mim.


-Se esconder o jogo vai ajudar-me a terr você, vou esconder.


-Você é sozinha, Jane? Não tem ninguém??


Jane hesitou. Mas acabou dizendo:


-Eu tenho uma garota, mas não sou apaixxonada por ela.Já terminei várias vezes, mas ela sempre vem atrás me implorando para voltar.Eu a trato mal, mas não adianta, ela é "vidrada" por mim.Parece que eu a tratando mal a prende mais ainda.


-Ah, sua conquistadora! E se ela estiveer na buate?


-Simplesmente eu a ignorarei.Ela não see atreverá a fazer nada. Isso já aconteceu muitas vezes. Ela sabe que se reagir, eu nunca mais vou querer saber dela.

 

Laysa a fitou decepcionada.


-Oh, você é tão fria assim com a mulherr que gosta de você?


-É que eu não estou apaixonada por ela..E Julia é muito ciumenta, é chata com sua cara de vítima, vive atrás de mim como uma cadelinha no cio.


Laysa fitou a garota com reprovação, mas não comentou nada. O que adiantaria? Resolveu mudar de assunto:


-Gladys sabe que você é gay?>


Jane a fitou com um sorriso cínico.


-Sabe, sim.


-E o que ela acha disso?


-Tem que aceitar. Afinal, sou assim porr culpa dela.


Laysa a fitou boquiaberta. Por essa não esperava!


-Por culpa dela?! Como assim?!


Jane a fitou subitamente séria.


-Não sei se devo falar. Você é empregadda dela. Se der com a língua nos dentes, todos os empregados vão comentar e Gladys ficará desmoralizada.


Laysa a fitou ofendida.


-Você pensa que vou fazer essa baixariaa? Você não me conhece.! Admiro muito sua irmã, para fazer algo para prejudicá-la.E mesmo que não a suportasse, jamais faria essa baixaria!


-Está bem, desculpe...promete então nãoo contar a ninguém? Nem a dona Eunice?


-Claro que prometo! Já disse que não faaria uma baixaria dessa!


-Está bem, vou confiar em você. Gladys é culpada por eu ser gay, porque segui os passos dela!

 

Laysa arregalou os olhos.Ficou muda, olhando para Jane.Ela sorriu, fitando-a divertida.


-Ficou surpresa?É isso mesmo, Gladys é tão gay quanto eu.Só que ainda não saiu do armário, é uma enrustida.


Laysa recuperou a voz:


-Que revelação, Jane! Mas se ela não saaiu do armário, como sabe que ela é gay?


-Vou contar tudo.Eu tinha quatorze anoss. Desde que meu pai morreu de um enfarte, Gladys tomou a frente dos negócios e das rédeas de minha educação.Eu já esperava por isso, porque Gladys sempre foi muito dinâmica e mandona. E ela, desde o divórcio do americano, nunca mais se envolveu com homem algum e isso me intrigava.Mas nunca perguntei nada, porque Gladys era muito fechada comigo.Sempre me tratava mais como filha que irmã.


-Sei, prossiga! -Disse Laysa, empolgadaa.


-Uma noite eu cheguei em casa vinda de uma excursão que fiz com minha classe do colégio.Nós tínhamos ido para Saquarema, mas fiquei entediada e voltei mais cedo. Era noite de sábado. Estava quente, um calor insuportável.Cheguei, procurei por Gladys. Percebi que ela havia dispensado os empregados, não havia nenhum em casa.Achei que ela estava ausente e coloquei um bikini e fui para a piscina.Mas quando me aproximei do deck, ouvi risadas de mulheres. Fiquei curiosa. Gladys estava com amigas ali? Nem sabia que ela possuía amigas! Aproximei-me devagar e me escondi atrás de umas plantas tropicais e olhei. E fiquei boquiaberta.

 

 

Parte 3

 

 

 

Feedback para: [email protected]

 

 

 

    Leth    

 

Hosted by www.Geocities.ws

1