Laysa acordou cedo, tomou banho, escovou os cabelos,
perfumou-se, e vestiu uma de suas melhores roupas.Pela primeira vez, ia para o
trabalho entusiasmada. Não seria mais "cantada" por aquele homem
asqueroso, iria trabalhar para Gladys Demerson, aquela mulher linda, atraente,
sexy!Seria uma delícia estar em contato com ela. Aquele colírio para os olhos,
seria maravilhoso!
Quando chegou no trabalho, Eunice já estava lá e sorriu com simpatia.
-Bom dia! Animada para começar na nova função?
-Animadíssima, Dona Eunice! O que tenhoo de fazer?
-Calma, minha querida!Primeiro, vamos ttomar um café e conversar. Ainda faltam
vinte minutos para o expediente começar.
-Tudo bem.
Eunice pegou a garrafa térmica de café fresco e serviu duas xícaras.Laysa
sentou na cadeira diante da mesa e Eunice falou, entre pequenos goles de café:
-A doutora Demerson é uma ótima pessoa..Você vai gostar de lidar com ela.Mas
também é muito exigente. O trabalho tem que ser feito rápido e sem erros. Ela
encarregou-me de lhe ensinar o serviço, que será feito por nós duas. Assim,
quando eu sair de férias, você poderá substituir-me.
-Farei tudo que puder, Eunice. Ela dissse-me que é desquitada. Ela separou-se há
muito tempo?
Eunice riu.Era uma mulher de seus cinquenta anos, magra,cabelos grisalhos e
simpática . usava óculos de aros grossos e lentes .
-Está curiosa, não?Aviso que uma qualiddade importante de uma secretária é
discrição. Nada que acontecer aqui deve ser comentado lá fora com qualquer
pessoa.
-Desculpe-me...não
farei mais perguntas sobre ela. - Disse Laysa, corando.
-Não fique envergonhada. É natural sua curiosidade. E já que ela comentou que é
divorciada, posso falar : ela casou nos Estados Unidos com um colega de
universidade . Um ano depois, divorciou-se e voltou para o Brasil. Isso já tem
dez anos. Eu a conheço desde que era uma garota, eu trabalhava para o pai dela.
Ela sempre foi uma menina ajuizada, formou-se em Administração nos Estados
Unidos e quando o pai morreu, assumiu o lugar dele com eficiência.
-Ela é filha única?
-Não.Tem uma irmã mais nova. Jane é o ooposto da irmã. Uma louquinha, que só
aparece aqui na empresa para pegar dinheiro para gastar. Eu tenho muita pena da
doutora Demerson. É tão só, depois do divórcio não se ligou a mais nenhum homem
, é cheia de responsabilidades e ainda tem que cuidar da irmã rebelde.
Acabaram o café e começaram a trabalhar.Eunice estava mostrando as tabelas
feitas no programa Excel quando Gladys chegou. Elegantíssima, com saia justa
negra e blazer branco, escarpins de salto agulha e meias dando um toque nas
pernas esculturais. Ela passou dizendo bom dia e se trancou em seu gabinete.
Eunice lhe estendeu duas cartas que havia imprimido na impressora.
-Leve para a doutora assinar. Vou mandaar o garçon trazer água e café para ela.
Laysa pegou as cartas com o coração aos saltos e abriu a porta do gabinete e
entrou. Gladys estava sentada na sua cadeira, abrindo uma pasta, e a olhou
entrar sorrindo polidamente.
-Cartas para eu assinar? - Perguntou. <
-Sim, senhorita Gladys
- Confirmou, aproximando-se.
-Dê-me.
Laysa estendeu as cartas para ela.Gladys as pegou e começou a assinar, atenta
aos documentos.Laysa se postou ao lado dela, fingindo olhar o ato, mas
inclinando-se um pouco para sentir o perfume que emanava dela. Gladys ergueu o
rosto e a fitou séria.
-Pronto, estão todas assinadas.
Laysa deu o seu melhor sorriso, pegando as cartas que ela lhe estendeu.Gladys
sorriu polidamente e disse em tom formal:
-É só isso? Então, pode ir, senhorita LLaysa.
O sorriso de Laysa morreu. Ela assentiu e saiu com a incômoda sensação que
Gladys não queria prolongar sua presença com ela. Havia sido tão formal e fria!
Também, o que esperava? Que ela fosse "cantá-la" como o odioso senhor
Carvalho?Suspirou, decepcionada. Provavelmente ela nem suspeitava de sua
preferência sexual.Era uma idiota, tecendo sonhos impossíveis à respeito de
Gladys. Uma mulher daquelas não devia ser só.Devia ter vários admiradores. E
ela, pobre idiota, cheia de ilusões! O melhor era procurar ver Gladys Demerson
apenas como sua chefe, nada mais.
E com o passar dos dias, Laysa sentiu-se cada vez mais desiludida. Gladys era
uma chefe gentil, pedia as coisas com educação impecável, mas não demonstrava
em nada ser sensível aos seus olhares e sorrisos.Laysa vivia irritada consigo
mesma, esperando ver naqueles olhos um interesse além do profissional,
contrariando sua decisão de ver nela apenas sua chefe. O que adiantara decidir
isso, seu coração teimoso estava cada vez mais apaixonado pela linda mulher!
Naquela
sexta-feira estava mais triste que nunca.Não trabalharia sábado e domingo, e
por conseguinte, não veria Gladys nesses dois dias. Era um suplício ficar perto
de Gladys e não poder tocá-la, ter que disfarçar seu olhar apaixonado, mas pior
era não vê-la, imaginando-a sendo beijada por um homem.
Eunice havia saído cedo para ir ao dentista e ela estava sozinha na sala,
digitando no computador.
Uma moça entrou na sala com andar displicente e a olhou surpresa.Laysa a fitou
também surpresa. Ela era alta e magra, um piercing perto da sobrancelha, uma
blusa negra com uma estampa da cantora Evanescence, cabelos ruivos bem curtos,
espetados para cima, uma calça cargo também preta até os joelhos, tênis roxo e
vermelho. O que um tipo daqueles fazia ali? E o modo como ela a olhou, seu
gaydar logo a classificou como gay.
-Oi! - Sorriu a garota, se aproximando da mesa de Laysa com os polegares nos
bolsos da calça -Cadê dona Eunice?
-Ela saiu cedo - Respondeu Laysa, fitanndo-a nos olhos.Os olhos eram dourados,
parecidos com os de Gladys. Devia ser a irmã dela!
A garota se inclinou, apoiando as mãos no tampo da mesa, fitando seu rosto, os
seios, sem disfarce, sorrindo.
-Puxa! Você é um tesão! Que secretária boa minha irmã arranjou! -Disse ela.
Laysa enrubesceu violentamente. A franqueza daquela garota a desconcertou e
chocou.
Ela deu uma risada.
-Ficou encabulada? Nunca ninguém disse como é gostosa?
Laysa
recuperou-se.Sorriu polidamente.
-Como se chama e com quem deseja falar,, senhorita?
-Desejo falar com Gladys, minha excelenntíssima irmã- Sorriu a garota- Sou Jane
Demerson, às suas ordens, beleza.
Olhou para as mãos de Laysa e o sorriso ampliou.
-Ah, que maravilha! Nao é noiva, nem caasada!
-Jane! Venha cá imediatamente!
Laysa e Jane se voltaram para a porta do gabinete, de onde viera a ordem
imperativa.Gladys olhava para a irmã com uma expressão de cólera contida. Os
olhos faiscavam, o rosto estava vermelho.
Jane se afastou da mesa, erguendo as mãos e fazendo um gesto apaziguador.
-Calma! Só estava tentando conhecer a ggata que agora está enfeitando essa
sala...
Voltou-se para Laysa, que as olhava embaraçada.
-Até logo, gata...
Caminhou para a porta do gabinete e entrou, passando por Gladys, que fechou a
porta com estrépito.
Laysa teve vontade de rir.Nunca conhecera uma pessoa assim como aquela garota,
com uma franqueza desconcertante! Ela lhe fizera galanteios como um homem, com
uma naturalidade espantosa! Era mesmo louquinha, como lhe dissera Eunice.E
Gladys? Será que ouvira tudo que a garota dissera? Nunca a vira com aquela
expressão!Continuou a digitar, mas louca de curiosidade pelo que estava sendo
dito na outra sala.
Meia
hora depois elas saíram do gabinete.Gladys séria, ainda com ar aborrecido, Jane
com ar divertido, dizendo em tom de brincadeira:
-Cuidado, minha irmã está uma fera! Cusstei a arrancar uma grana dela, com o
humor que está!
-Jane! - advertiu Gladys, em tom severoo.
A garota sorriu cinicamente, olhando para a irmã.
-Tá bom, eu não devo falar com a gata ddesse jeito...mas apenas vou perguntar o
nome dela..e despedir-me.Não fique com ciúmes!
Gladys corou, olhando para Laysa, vexada. Laysa continuou olhando para a garota
com um sorriso polido, sem saber como agir.Jane se aproximou e novamente apoiou
as mãos na mesa e se inclinou, fitando os olhos de Laysa com admiração.
-Como é o seu nome, gata?
-Laysa...
-Muito lindo, como a dona.Até outro diaa, Laysa...
Jane se afastou e se dirigiu para a porta. Saiu sem olhar para trás.
-Senhorita Laysa, venha ao meu gabinetee - Disse Gladys.
Laysa se ergueu, aproximando-se e Gladys recuou para ela passar e fechou a
porta. Fez um gesto para ela se sentar, indicando a poltrona e caminhando e
sentando em sua cadeira atrás da mesa.
Laysa sentou na poltrona diante da mesa e notou o nervosismo de Gladys,
tamborilando os dedos na mesa.
-É um assunto chato, senhorita Laysa, mmas tenho que lhe falar- suspirou ela -
Não me leve à mal.
-Pode falar, senhorita
Gladys... - Disse Laysa, advinhando o assunto.
-Bem. Como pode ter notado, minha irmã é uma garota inconsequente.Ela gosta de
brincar com as pessoas, confundí-las e chocá-las.É muito mimada e reconheço que
contribuí para que ela ficasse assim. E sei que a senhorita ficou chocada com
as atitudes dela.
-De modo algum, senhorita Gladys...
-Senhorita Laysa, quero pedir-lhe uma ccoisa e espero que não leve à mal. -
Disse, fitando-a com ar decidido- Eu apreciaria muito se você tratasse a minha
irmã com certo...distanciamento. Seria melhor para todas nós.Jane é uma garota
muito problemática e tenho certeza que você iria acabar se aborrecendo com ela.
-Tudo bem, fique tranquila, senhorita GGladys.Eu não tenho a menor intenção de
aprofundar conhecimento com sua irmã - Declarou Laysa, mortificada.Será que
Gladys estava tentando impedir que ficasse amiga de Jane por não querer a irmã
envolvida com empregados?A achava indigna de fazer amizade com a irmã?
Gladys passou a mão pelo rosto pensativamente, falando para si mesma:
-O pior é que ela pretende o contrário...
-Como assim, senhorita
Gladys?
-Oh, nada...bem, é só o que quero, senhhorita Laysa...não me leve à mal...apenas
quero evitar-lhe aborrecimentos futuros.
Laysa ergueu-se e a encarou séria.
-Tudo bem. Posso retirar-me?
-Sim. Pode ir.
-Com licença.
Olhou em volta. Vários empregados saíam do prédio e
olhavam para Jane, coxixando. Era melhor sair dali o quanto antes, para não
virarem o tema geral dos comentários.
-Vamos sair daqui. Onde está seu carro??
-No edifício -garagem da rua Menezes Côôrtes. Não quero que Gladys o veja.
-Por que?
Ela ficou séria, caminhando ao seu lado.
-Gladys não quer que eu faça amizade coom você. Ela proibiu-me de falar com você
além do necessário.
Laysa fez uma expressão de desgosto.
-Ela pediu-me também para evitar aprofuundar conhecimento com você. Não gostei
disso, fiquei pensando um monte de coisa.
-É mesmo?! Já entendi a jogada dela!
-Que jogada, Jane?
-Deixa pra lá...o que importa é que eu quero conhecer você melhor, e acho que
você também quer conhecer-me melhor, não?
-Bem...por que não? - Sorriu Laysa.
Pegaram o elevador do edifício-garagem e desceram no terceiro andar, o andar
para carros com atendimento Vip. Jane deu o canhoto à recepcionista, pagou e
elas esperaram numa sala o manobrista trazer o carro, que veio em poucos
minutos.Laysa olhou o Porsche vermelho com os olhos arregalados. Jane tinha um
carro de alto luxo!
Jane entrou no carro e abriu a porta para ela. Laysa
deslizou para o banco de couro negro e ela deu partida, descendo a rampa.
-Onde mora? -Perguntou Jane.
-Em Copacabana, na Rua Sta. Clara.
-É caminho de minha casa. Escute, quer ir jantar em algum lugar?-Convidou Jane,
fitando-a de soslaio.
Laysa a fitou indecisa. Se Gladys soubesse que estava desobedecendo seu pedido
de afastar-se de Jane, estaria na rua. Mas a raiva que sentiu por achar que
Gladys não a considerava digna de fazer amizade com sua irmã a fez responder :
-Talvez. Primeiro, me responda: por quee o convite?
Jane parou na saída do edifício, esperando o sinal abrir para pegar a rua Graça
Aranha. Ela a fitou com um olhar caloroso.
-Porque você é linda...me amarrei em voocê assim que a vi.Quero conhecer você
melhor.
-Você é tão direta...isso é desconcertaante, para mim.
Jane encolheu os ombros.
-Por que deveia ser dissimulada e cheiaa de complexos, ocultando o que sou? Não
devo nada a ninguém, minha irmã sabe de mim, levo minha vida do jeito que
quero. Nem Gladys pode mandar em mim. Gosto de mulheres bonitas, e sei
identificar as que são iguais à mim. E notei que você é.
Laysa a fitou assustada.
-Notou que sou igual à você?! Como assiim??
Jane riu,
fitando-a .
-Que susto, hein?Sossegue,só a identifiiquei pelo seu modo de me olhar! Só uma
mulher gay olha para outra como você me fitou. O meu gaydar funciona, querida!
Laysa riu também.
-E quem não a olharia como olhei? Você não esconde o que é!
-Eu sei, sou uma butch da cabeça aos péés! Mas vê como é vantajoso ser como eu?
Não se perde tempo!
-Butch? Que é isso?
-O equivalente à sapatão em inglês...nãão lê fic de Xena em inglês?
Laysa tornou a rir.
-Estou precisando me atualizar! Butch, fic de Xena... isso é novidade, para
mim!
O sinal abriu. Jane deu partida, se dirigindo em direção ao Aterro do Flamengo.
-Você é livre, ou tem alguém? - Pergunttou Jane.
-Mas que pergunta indiscreta! Não vou rresponder! - Riu Laysa.
-Não me deixe em suspense...fale!
Laysa a fitou pensativa. Jane estava claramente interessada nela. E o que a
estava levando a aceitar o interesse dela era justamente porque Gladys a
proibira disso. Estava magoada com Gladys e pensou: Por que não? Gladys não a
queria mesmo. E não era ela quem estava iniciando nada, Jane quem estava
querendo estreitar conhecimento, e não era nenhuma garotinha ingênua.
-Sou livre. Satisfeita? - Respondeu, fiinalmente.
Chegaram
em Copacabana em tempo recorde. Laysa ficou receosa com o modo de Jane dirigir.
Ela no Aterro do Flamengo colocou o carro a 100 km por hora, fazendo
ultrapassagens perigosas, na Rua Barata Ribeiro fechava carros, costurava nas
pistas e avançava sinais.Foi um milagre para Laysa elas chegarem até à rua Sta.
Clara sem incidentes.
Jane estacionou em cima
da calçada, sem se importar em levar uma multa, quando Laysa indicou o prédio.
-Posso subir com você, ou tem problema?? - Perguntou Jane, descendo do carro.
-Nenhum problema, eu moro sozinha. Minhha família mora em Petrópolis.
-Legal. Você toma
banho, troca de roupa e vamos jantar fora, está bom assim?
-Não sei ainda, vou resolver lá em cimaa.
Pegaram o elevador e desceram no andar
de Laysa. Ela abriu a porta do apartamento e entraram.
Jane olhou em volta, curiosa. Era uma apartamento sala e quarto, pequeno mas
decorado com bom gosto, com cores vivas e alegres, em tons entre
laranja e marrom.
Laysa fechou a porta e indicou o sofá.
-Esteja à vontade. Quer tomar alguma cooisa?
-Uma coca-cola cairia bem - Respondeu JJane, sentando no sofá e abraçando uma
almofada.
-Vou apanhar a bebida - Disse laysa, inndo para a cozinha.Pegou uma lata de
coca-cola e um copo e voltou à sala.Jane remexia em seus cds e a fitou como uma
criança pêga em falta.
-Desculpe, estava vendo seu gosto musiccal.
-À vontade.Quer ouvir um cd, enquanto ttomo banho?-Perguntou, entregando a
bebida.
-Sim...ponha esse de Shakira.
Laysa
colocou o cd para tocar e o som de The Hips don't Lie encheu o ar.
-Adoro Shakira! - Disse Jane - Ela tem um corpão e dança horrores!
-É verdade...bem, vou tomar meu banho. Com licença...
Laysa se retirou. No quarto, tomou a decisão. Estava cansada, era melhor pedir
uma pizza e ficar em casa mesmo. Escolheu um short de algodão branco e um top
de lycra verde-água. Tomou um banho de chuveiro, enxugou-se e se vestiu. Passou
um pouco de perfume, e com os cabelos úmidos, voltou à sala. Jane sorriu,
olhando para suas belas coxas agora expostas.
-Valeu à pena a espera. Está linda, Layysa...
-Jane, decidi não jantar fora, estou umm pouco cansada...vou pedir uma pizza e
ficar aqui mesmo conversando, está bem assim?
-Com você, Laysa, qualquer lugar é legaal! Até ficar em fila de ônibus!
Laysa riu. Jane era divertida e era agradável ouvir uma mulher dizendo aquelas
coisas para ela. Notou que as mãos de Jane estavam trêmulas e teve vontade de
provocá-la, para ver a reação dela.
-É mesmo? - Perguntou, sentando ao ladoo dela, cruzando as pernas - Por que?
-Porque você é linda... - disse Jane, ccom voz trêmula - E é um prazer estar na
companhia de uma mulher tão linda como você.
-Só estar na companhia, ou algo mais? -- Brincou Laysa, fitando-a com
malícia.Era gostoso fazer o jogo de sedução com uma mulher.
Os olhos de Jane se fixaram nos seus, inseguros e medrosos.
-Laysa...por favor, não brinque comigo....você é uma tentação para os olhos.
Depois, não reclame...
-Reclame de quê?
-De eu... beijar você.
Laysa
sorriu, fitando-a com um olhar sedutor. Sentia um prazer sádico vendo o esforço
que a garota fazia para controlar-se e não agarrá-la.Jane a fitava com fome no
olhar.
-Não me olhe assim, Laysa...
-Por que?
-Está me provocando...
-Não estou fazendo nada! - Disse Laysa,, sorrindo provocadoramente. Jane se
inclinou para ela, avançando com o
rosto, fitando-a nos olhos. Laysa ficou imóvel, vendo a boca da garota se
aproximar e a beijar primeiro timidamente, depois aprofundar o beijo quando
Laysa retribuiu.
Jane
estremeceu da cabeça aos pés, as mãos trêmulas segurando os ombros de
Laysa,apertando-os.Laysa sentiu um arrepio de desejo e abriu os lábios,
permitindo a entrada da língua de Jane, que também sugando, acariciando,
roçando os lábios movimentando a cabeça, sua mão acariciando o rosto em brasa
da garota.
Jane tentou introduzir a mão dentro de seu top, mas Laysa segurou a mão dela e
a empurrou, desgrudando a boca, sorrindo.
-Calma aí, Jane!
Ela a fitou arquejando, vermelha, os olhos brilhando de desejo.
-Por que não? Estamos a sós, nada nos iimpede...
-Porque não quero! Jane, acabei de conhhecer você!
Ela suspirou e cruzou os braços, olhando para o teto e dizendo:
-Vejamos: tenho 19 anos, 55 quilos, 1,770 de altura, sou vacinada, gay e estou
apaixonada por você, paixão fulminante! Não basta?
Laysa
riu, achando graça no modo dela falar.
-Você canta todas as funcionárias de suua irmã?
-Eu? Não! Você é a primeira! Sabe, desdde que a vi, pensei: que mulher linda!
Não vou sossegar enquanto não a beijar.
-Então agora pode sossegar, que já consseguiu o que queria.
-Consegui?! Meu anjo, não consegui nem a metade do que pretendo!
Laysa tornou a rir. Jane a fitou com olhar triste.
-Laysa, por favor, me leve à sério. Esttou mesmo apaixonada por você. E você está
apenas se divertindo comigo.
-Desculpe, Jane, não quero magoá-la, maas você é muito nova para mim. Eu tenho
22 anos, não acha que deve envolver-se com uma garota de sua idade?
-Meu Deus, você tem apenas 3 anos mais que eu!
-Três anos mudam muito a cabeça de uma mulher, Jane.Você acaso já teve sexo com
uma mulher? É disso mesmo que gosta?
-Eu já tive sexo com várias garotas, Laaysa. Nas baladas é fácil arranjar
uma.Mas nada sério. Você é a única que me faz sentir coisas que nunca senti por
nenhuma delas.
-Verdade? Quantas mulheres já teve?
-Umas dez. Mas todas muito bobinhas, maais novas que eu.
-Dez?! Tudo isso?!
Jane sorriu orgulhosamente.
-Sou experiente, Laysa! Tem uma boate nna Barra que é cheia de mulheres gays.É
fácil arranjar uma.
É mesmo? Estou mesmo
desatualizada! Não sabia disso!
-Se quiser, posso levá-la lá.Poderemos dançar e namorar sem problemas.Abre na
quarta, sexta, sábado e domigo, às onze da noite. Quer ir lá hoje?
-Quero. Estou curiosa para ver como é.
-Então,vamos mudar os planos para a noiite. Vamos jantar em um restaurante que
conheço no Leblon e depois iremos para lá.
-Está bem. Vou trocar de roupa.Não vou para uma buate de short. Volto logo.
-Ok.
Laysa foi para o quarto e trocou de roupa. Escolheu um vestido preto com decote
nas costas e curto, mostrando suas pernas fortes e bem feitas.Colocou sandálias
de salto alto e maquiou-se discretamente. Secou os cabelos escovando-os no
secador e voltou à sala. Jane a fitou encantada.
-Meu Deus! Você está linda!
Laysa sorriu.
-Obrigada, vamos indo?
-Vamos...
Desceram para a rua. Jane abriu a porta do carro e entraram. Ela se dirigiu
para o restaurante no Leblon. Colocou um cd para tocar e a música encheu o
espaço. Laysa ficou pensativa. Estava fazendo a coisa certa, saindo com a irmã
de Gladys?
Chegaram ao restaurante e Jane entregou o carro ao manobrista. Entraram e
escolheram uma mesa em um canto. Felizmente ainda era cedo e havia poucas
pessoas no restaurante.
O
restaurante era de comida japonesa e Laysa escolheu rolinhos primavera como
entrada, (uma espécie de pastel com recheio de legumes ao molho de
cereja),Yakymesh de presunto(arroz com presunto, ovos picados e ervilha)e
Yakysoba( frango em cubos com legumes e macarrão japonês ao molho de soja).
Jane elogiou sua escolha e pediu cerveja para acompanhar.
-Normalmente escolho sakê, mas hoje esttá muito quente para tomar essa bebida -
disse Jane.
-Boa escolha, Jane.
A japonesa se afastou para providenciar os pedidos e Laysa fitou Jane com
curiosidade.
-Jane, como você é numa cama? Ativa? Paassiva?Ou ambas as coisas?
Jane riu.
-Está curiosa, hein?Isso é bom. Não vouu falar. Se quiser saber, vai ter que
provar.
-Chantagista...estou curiosa, pois essee lado da sexualidade é novo para mim.
-Se esconder o jogo vai ajudar-me a terr você, vou esconder.
-Você é sozinha, Jane? Não tem ninguém??
Jane hesitou. Mas acabou dizendo:
-Eu tenho uma garota, mas não sou apaixxonada por ela.Já terminei várias vezes,
mas ela sempre vem atrás me implorando para voltar.Eu a trato mal, mas não
adianta, ela é "vidrada" por mim.Parece que eu a tratando mal a
prende mais ainda.
-Ah, sua conquistadora! E se ela estiveer na buate?
-Simplesmente eu a ignorarei.Ela não see atreverá a fazer nada. Isso já
aconteceu muitas vezes. Ela sabe que se reagir, eu nunca mais vou querer saber
dela.
Laysa
a fitou decepcionada.
-Oh, você é tão fria assim com a mulherr que gosta de você?
-É que eu não estou apaixonada por ela..E Julia é muito ciumenta, é chata com
sua cara de vítima, vive atrás de mim como uma cadelinha no cio.
Laysa fitou a garota com reprovação, mas não comentou nada. O que adiantaria?
Resolveu mudar de assunto:
-Gladys sabe que você é gay?
Jane a fitou com um sorriso cínico.
-Sabe, sim.
-E o que ela acha disso?
-Tem que aceitar. Afinal, sou assim porr culpa dela.
Laysa a fitou boquiaberta. Por essa não esperava!
-Por culpa dela?! Como assim?!
Jane a fitou subitamente séria.
-Não sei se devo falar. Você é empregadda dela. Se der com a língua nos dentes,
todos os empregados vão comentar e Gladys ficará desmoralizada.
Laysa a fitou ofendida.
-Você pensa que vou fazer essa baixariaa? Você não me conhece.! Admiro muito sua
irmã, para fazer algo para prejudicá-la.E mesmo que não a suportasse, jamais
faria essa baixaria!
-Está bem, desculpe...promete então nãoo contar a ninguém? Nem a dona Eunice?
-Claro que prometo! Já disse que não faaria uma baixaria dessa!
-Está bem, vou confiar em você. Gladys é culpada por eu ser gay, porque segui
os passos dela!
Laysa arregalou os
olhos.Ficou muda, olhando para Jane.Ela sorriu, fitando-a divertida.
-Ficou surpresa?É isso mesmo, Gladys é tão gay quanto eu.Só que ainda não saiu
do armário, é uma enrustida.
Laysa recuperou a voz:
-Que revelação, Jane! Mas se ela não saaiu do armário, como sabe que ela é gay?
-Vou contar tudo.Eu tinha quatorze anoss. Desde que meu pai morreu de um
enfarte, Gladys tomou a frente dos negócios e das rédeas de minha educação.Eu
já esperava por isso, porque Gladys sempre foi muito dinâmica e mandona. E ela,
desde o divórcio do americano, nunca mais se envolveu com homem algum e isso me
intrigava.Mas nunca perguntei nada, porque Gladys era muito fechada
comigo.Sempre me tratava mais como filha que irmã.
-Sei, prossiga! -Disse Laysa, empolgadaa.
-Uma noite eu cheguei em casa vinda de uma excursão que fiz com minha classe do
colégio.Nós tínhamos ido para Saquarema, mas fiquei entediada e voltei mais
cedo. Era noite de sábado. Estava quente, um calor insuportável.Cheguei,
procurei por Gladys. Percebi que ela havia dispensado os empregados, não havia
nenhum em casa.Achei que ela estava ausente e coloquei um bikini e fui para a
piscina.Mas quando me aproximei do deck, ouvi risadas de mulheres. Fiquei
curiosa. Gladys estava com amigas ali? Nem sabia que ela possuía amigas!
Aproximei-me devagar e me escondi atrás de umas plantas tropicais e olhei. E
fiquei boquiaberta.
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