CORAÇÃO DE PEDRA 

Gatafield

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2007

 

 

Um coração de pedra pode ser capaz de amar?

  

 

  

 

Capítulo Um: Silvia

 

Silvia acabava de fazer uma ligação telefônica pelo seu celular. Falava com sua secretária, pois teria uma importantíssima reunião daqui a três horas. Era dona de uma grande empresa do setor frigorífico. Exercia o cargo de presidente. Tinha 43 anos e nunca se casara. Não acreditava no amor. Era mulher prática e não se deixava levar pelo romantismo, julgava ser característica que “enfraquecia” as pessoas. Tivera inúmeros relacionamentos, mas todos foram de curta duração, quando sentia que a mulher estava de quatro por ela, caía fora. Sentia-se bem desta forma e gostava de estar sempre no comando da situação. Podia-se dizer que nunca sofrera por amor, já que nunca se apaixonara. Acreditava ser imune a isso.

 

Seus belos olhos verdes passearam pelo corpo adormecido de sua bela amante sob os lençóis. Carmem era seu caso atual, uma jovem mulher de 25 anos, extremamente fogosa, que conhecera em uma das festas que costumava freqüentar. Geralmente sempre saía das festas com alguma mulher. Sentiu novamente o desejo se aflorando. Tivera uma ótima noite de puro prazer. Estavam em um motel. Nunca levava suas amantes para sua casa, justamente para não dar a elas a sensação de intimidade. Não permitia que nenhuma mulher “invadisse” a sua vida. Aproximou-se da mulher, passando suas mãos pelo corpo dela, tirando o lençol e começando a beijar seu corpo, acordando-a. Carmem deu um sorriso e puxou Silvia, que estava nua, em cima dela. Beijam-se com extremo desejo e novamente começam a se amar.

 

Duas horas depois, Silvia está em sua casa, pronta para ir ao seu trabalho. Está vestida com um dos seus típicos terninhos e seu cabelo está preso. Seu cabelo é liso, castanho claro e na altura dos ombros. Seu motorista, Jaime, que trabalha para ela já há quinze anos, a estava esperando para irem à empresa. Embora Silvia soubesse dirigir, ela odiava, preferia pagar para alguém fazer isso por ela. Para todos os lugares que ia, com exceção dos motéis, sempre saía com seu motorista. Por isso, deveria ser alguém extremamente confiável e discreto, já que conhecia a sua rotina diária. Constantemente precisava viajar para visitar suas fazendas de criação de gado, e sempre seu motorista a levava. Chegou até ele, que abriu-lhe a porta do carro.

 

- Bom dia, Jaime.

 

- Bom dia D. Silvia.

 

- Vamos direto para a empresa.

 

- Sim, senhora.

 

Entrou no carro e seguiram em direção à empresa. Chegando lá, conversou com sua secretária Luísa e acertaram os últimos detalhes para a reunião que começaria em alguns minutos. Todos os diretores estavam presentes, aguardando ao seu sinal.

 

 

 

Capítulo Dois: Ana

 

Ana estava em sua casa. Estava preocupada, pois estava desempregada há dois meses e as contas estavam batendo na porta.  Tinha uma reserva com a qual agüentaria mais seis meses, mas não estava tranqüila. Precisava arrumar outro emprego logo. Distribuíra seu currículo para diversas empresas de recrutamento e também o colocara em sites especializados e agora estava naquele vácuo, esperando alguma coisa surgir.

 

Seu último emprego tinha sido como motorista particular. Nada convencional, admitia, mas nunca fora empecilho o fato de ser mulher. Trabalhou seis anos para o Sr. Antonio, um empresário, mas viera a falecer e a família não teve mais interesse em seu serviço e por isso fora dispensada. Mas tinha ótimas referências e esperava que com elas não ficasse muito tempo desempregada.

 

Tinha 34 anos e fez faculdade de ciências contábeis, mas nunca conseguiu trabalhar na área. Até procurou, mas nunca encontrou. Mas sentia-se realizada com o trabalho que escolhera. Até hoje era o que melhor remunerava-lhe. Morava com sua mãe, D. Josefa. Eram só as duas. Nunca conheceu seu pai. Sua mãe engravidara quando tinha 24 anos e o cara deu no pé. Nunca apareceu, nem para conhecê-la. Tivera uma vida muito regrada, sem luxos. Sua mãe a criou com muita dificuldade, mas nunca deixara-lhe faltar nada. Agora estava aposentada.

 

- Pensando na vida, minha filha? Sua mãe perguntou ao vê-la olhando para o nada.

 

- É, mãe. Tô preocupada. Preciso arrumar logo um trabalho. Respondeu, olhando para sua mãe.

 

- Porque você não faz outra coisa. Esse seu trabalho não é pra mulher, não. Sua mãe comenta.

 

- Mãe! Poxa, você devia me apoiar e não falar assim. Ana falou indignada.

 

- Desculpe, minha filha. Mas é tão raro ver uma mulher como motorista particular.

 

- Eu sei mãe, mas tenho fé que vou arrumar um emprego e logo.

 

- Que Deus te ajude, minha filha. Disse e saiu para a cozinha.

 

Ana continuou perdida em seus pensamentos. Terminara recentemente seu relacionamento com Cássia. Não foi fácil. Cássia não aceitava o rompimento e a vivia perseguindo, tentando reatar o relacionamento. Mas Ana o sentira desgastado e não dava para continuar assim, por isso pusera um ponto final. Era extremamente romântica. Quando se apaixonava se entregava de corpo e alma e por ser assim quebrou a cara algumas vezes. Mas sabia que ainda encontraria a mulher dos seus sonhos, que a faria suspirar de amor. Riu deste pensamento.

 

 

 

 

 

Capítulo Três: Motorista Particular.... Procura-se

 

Silvia estava no escritório em sua casa analisando alguns relatórios. Às vezes trabalhava em casa mesmo, quando não havia a necessidade de sua presença na empresa. Ouviu leves batidas na porta. Tirou seus olhos dos papéis e autorizou a entrada. Era sua governanta, Célia.

 

- D. Silva, desculpe-me interrompê-la, mas preciso falar com a senhora.

 

- Sim. Sobre o que é, Célia?

 

- É sobre o Jaime. Ele me comunicou hoje que irá dar entrada em sua aposentadoria.

 

- O quê!? Meu motorista vai se aposentar? Silvia perguntou espantada.

 

- Isso mesmo, e disse que não pretende continuar trabalhando.

 

- Uma pena. Já estava acostumada com o serviço dele. Lamentou Silvia.

 

- Disse que trabalhará até que a senhora contrate outro.

 

- Bom, Célia, então providencie isso o quanto antes. Não quero atrapalhar a aposentadoria dele.

 

- Farei isto.

 

- Célia, de todos os currículos que você analisar, selecione os três melhores para eu fazer a entrevista com eles. Ligue para Luísa depois e veja minha agenda. Farei a entrevista na empresa mesmo.

 

- Sim, senhora. Disse e se retirou.

 

Silvia ficou pensando na notícia que acabara de receber. Sabia que um dia ele se aposentaria, mas não que fosse logo. Confiava no serviço do Jaime, sempre fora um excelente empregado. Pagava muitíssimo bem ao seu motorista, bem acima do mercado, pois poderia utilizar seu serviço até sete dias por semana, dependendo da época. E agora essa! Teria que começar tudo de novo. Da estaca zero. Como era seu empregado direto e que conviveria com ela boa parte do tempo, ela mesma faria a escolha do candidato à vaga. Os outros empregados, a governanta mesmo os selecionava. Não perdia tempo com isso, pois tinha decisões mais importantes para tomar. Voltou sua atenção para os relatórios.

 

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Alguns dias depois, Célia após analisar vários currículos acabou escolhendo os três melhores como D. Silvia pedira. Tinha o currículo de uma mulher, estranhou, pois não era uma função comum às mulheres, mas ela tinha ótimas referências, e somente por isso escolheu. Mas ainda estava na dúvida. Melhor ligar para D. Silvia e perguntar o que achava. Pensou e assim o fez.

 

- D. Silvia, desculpe-me por interrompê-la. Estou analisando os currículos dos motoristas como a senhora pediu, mas gostaria de perguntar-lhe algo.

 

- E o que é, Célia?

 

- Tenho aqui um currículo excelente e com ótimas referências...

 

- Então chame-o. Silvia determinou.

 

- Mas é o seguinte... é uma mulher.

 

- Uma mulher?! Perguntou Silvia espantada.

 

- Sim, por isto estou ligando. Não sei o que você acha.

 

- Hummm... o currículo é excelente e tem ótimas referências, não vejo porque não chamá-la. Se for competente, por que não?

 

- Então a chamarei.

 

- Célia, nunca vi mulher sendo motorista particular, mas sempre tem uma primeira vez. Disse e sorriu. – Vamos dar uma chance a ela.

 

- Claro. Então ela fará a entrevista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Quatro: Alegria de ser chamada

 

- Mãe, mãe.... Ana estava eufórica e chamando a sua mãe.

 

- Que foi Ana. Que desespero é esse? Perguntou sua mãe.

 

- Mãe, tão me chamando pra fazer uma entrevista. Ana pulava de alegria.

 

- Sério, minha filha? Que coisa mais boa. Sua mãe disse e levantou as mãos para o céu.

 

- Boa não, é ótima.

 

- E pra quem você vai trabalhar? Sua mãe quis saber.

 

- Ainda não tenho certeza. Mas mãe, é só a entrevista por enquanto, isso não significa que consegui a vaga.

 

- Ô menina de pouca fé. Acredite que a vaga será sua.

 

- Ah, mãe. Disse abraçando sua mãe. – Só você pra me deixar assim, confiante.

 

- E quando é essa tal entrevista?

 

- Será amanhã, às nove horas. Vai ser naquele frigorífico grande que temos aqui na cidade, o Frigorífico Azevedo.

 

- Oh, minha filha, que bom. E você vai ser motorista do dono?

 

- Ô mãe, já disse que não consegui a vaga ainda e se conseguir não sei pra quem é.

 

- Você vai conseguir, menina. Acredite!

 

E Ana passou o dia todo eufórica e ansiosa para o dia de amanhã. Quase não conseguiu dormir de tão ansiosa que estava.

 

No dia seguinte, Ana saiu cedo de casa para não perder o horário da entrevista. Vestiu um terninho, botou um perfume leve, pegou sua bolsa e foi confiante para a mesma. Ao chegar na empresa foi encaminhada para a sala da presidência. Estava impressionada com a suntuosidade da sala. A secretária estava em sua mesa trabalhando. Apresentou-se a ela. Ela pediu que aguardasse. Viu que tinha mais dois homens aguardando para fazer a entrevista também. Sentiu um certo desconforto. E se o dono não a aceitasse por ser mulher? Pensou, ficando aflita. Era óbvio que a vaga era para ser motorista particular dele. Estava ficando muito nervosa. Suas mãos suavam. Detestava quando ficava assim.

 

A secretária atendeu o telefone e pediu que um dos homens entrasse na sala do presidente. O homem entrou e ficou lá por uns quarenta minutos. Saiu de lá com uma cara aliviada e feliz. Logo depois a secretária atendeu o telefone e pediu que o outro homem entrasse na sala. Ana estava quase tendo um troço de tão nervosa que estava. Por que ficara por último? Perguntava-se. Não se lembrava de ter ficado tão agoniada com uma entrevista de emprego. Estava nervosa demais, pois precisava desesperadamente do emprego, aliás todos os três precisavam. Depois de aproximadamente quarenta minutos o homem saiu da sala também com cara aliviada e feliz. E ela agoniada. Caraca, não vou resistir a esta entrevista. Pensava. A secretária atendeu de novo o telefone e pediu que ela entrasse na sala. Suas pernas pareciam chumbo. Entrou na sala e não acreditava no que via. Uma mulher linda, com magníficos olhos verdes, estava sorrindo para ela. Retribuiu o sorriso, mas estava muito nervosa. A mulher pediu que ela se sentasse.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Cinco: A entrevista

 

Ana sentou na cadeira e ficou de frente para a presidente. Meu deus, esta mulher é linda demais. Pensou Ana. A mulher deu uma rápida olhada em sua ficha e falou:

 

- Bom dia, Ana.

 

- Bom dia, Sra.

 

- Meu nome é Silvia e vejo que você tem ótimas referências para o emprego. Deu um sorriso e continuou. – Mas tenho uma curiosidade. Por que decidiu ser motorista particular?

 

- Bom, eu gosto do trabalho e sempre adorei dirigir. Dirigir pra mim é um prazer. Ana disse nervosa e tremendo por dentro. Era só por curiosidade dela que estava aqui? Pensou.

 

- Não é comum ver uma mulher fazendo este tipo de trabalho. Silvia comentou olhando intensamente Ana nos olhos.

 

- Sei que não é comum, mas pode ter certeza que faço-o muito bem, independente de ser mulher. Ana estava hipnotizada naquele olhar.

 

- Acredito nisto. Disse e presenteou Ana com mais um sorriso lindo. – Por que saiu do seu último emprego? Silvia quis saber.

 

- Eu trabalhava para o Sr. Antonio já há seis anos e ele veio a falecer, e como somente ele utilizava meu serviço, fui dispensada.

 

- Humm.. Entendo.

 

Silvia estava encantada com a beleza da mulher a sua frente. Era alta, tinha cabelos loiros e curtos, seus olhos eram castanhos. Era educada e estava nervosa, natural para a situação. Fez mais algumas perguntas que julgou necessárias e estava a ponto de concluir a entrevista.

 

- Ana, você colocou no seu currículo a sua pretensão salarial.

 

- Sim, coloquei.

 

- É o seguinte, eu exijo total dedicação ao serviço, ou seja, terão dias que você trabalhará quinze horas ou mais, terão outros que nem vai trabalhar, e você terá um dia de folga na semana, que poderá ser em qualquer dia, não necessariamente no final de semana. Em outras ocasiões terão viagens para minhas fazendas e eu vou com o motorista. Também exijo total discrição sobre minha vida. Por estes motivos eu remunero muito bem quem estiver trabalhando para mim. O salário que eu pagarei é oitenta por cento maior que a sua pretensão.

 

Silvia disse observando a reação de Ana, que sem querer acaba arregalando os olhos de surpresa. Silvia acha graça da reação de Ana e sorri intimamente e diz: - Então o que você me diz?

 

- Entendi perfeitamente, D. Silvia. É justo.

 

- Aceitaria trabalhar pra mim, nestes termos?

 

- Sim, aceitaria.

 

- Ok. Vou analisar os três candidatos e decidirei até amanhã qual irá ocupar a vaga. Caso seja a escolhida, receberá uma ligação amanhã avisando-a.

 

- Ok. Estarei aguardando.

 

- Obrigada por vir. Silvia disse estendendo a mão para Ana que retribui o cumprimento. Ana sente um arrepio percorrer seu corpo, a mão da mulher é macia e quente. Desfaz o contato e sai da sala ainda nervosa, mas seu nervosismo não era mais por causa da entrevista e sim pela intensidade do olhar da mulher. Agora entendia porque os outros dois homens saíram com cara de feliz, o salário era maravilhoso e a mulher belíssima.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Seis: Agonia da espera

 

No dia seguinte, Ana estava em sua casa praticamente fazendo plantão ao lado do telefone. Não conseguira dormir à noite. Estava ansiosa pela possibilidade de conseguir o emprego. Estava ansiosa pelo fato de poder trabalhar para aquela bela mulher. Sabia que se conseguisse a vaga trabalharia muito, mas em compensação seria muito bem remunerada. Poderia dizer que para ela era o emprego dos sonhos. Já não tinha mais unhas para roer. Nunca foi de fazer isso, mas estava muito nervosa. Já eram quase onze horas da manhã e nada do telefone tocar. Já estava se desesperando pela espera. Sua mãe chegou na sala e viu a agonia de Ana.

 

- Minha filha, vai ficar plantada aí o dia todo? Perguntou sua mãe preocupada.

 

- Ai, mãe. Já tô ficando desesperada. Falou Ana aflita.

 

- Calma, Ana. Ela falou que ia ligar de manhã? Sua mãe perguntou.

 

- Não, mãe. Disse apenas que ia ligar hoje.

 

- Então relaxa, ainda tem tempo.

 

- Poxa, mãe. Preciso tanto desse emprego. Ana disse com os olhos marejados.

 

- Eu sei, minha filha. Tô torcendo por você. Você vai conseguir. Fé em Deus, menina!

 

- Eu sei, mãe. Tô rezando pra isso acontecer.

 

Ana acabou deitando no sofá e seu cansaço era tanto que acabou adormecendo ao lado do telefone. Sua mãe nem a chamou para almoçar, deixou Ana dormindo.

 

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Silvia estava analisando os três currículos dos candidatos à vaga de motorista. Todos eram excelentes profissionais. Estava propensa a contratar a mulher. Nunca imaginara uma mulher fazendo este trabalho, mas na realidade não existia nada que impedisse. Estava lembrando de como Ana era bela e um arrepio gostoso percorreu seu corpo. Estranhou a sensação. O que é isso agora, Silvia? Pensou. Estava precisando dos carinhos de sua amante Carmem, por isso sentia-se assim. Sairia hoje à noite com ela. Carmem sabia muito bem como satisfazê-la na cama. Mas antes precisaria resolver sobre a contratação do motorista. Pegou o telefone e ligou para sua governanta.

 

- Célia, decidi qual candidato vai ocupar a vaga.

 

- Ótimo. E quem será?

 

- Será a mulher.

 

- Ok. D. Silvia, ligarei para ela.

 

- Peça para ela providenciar tudo e que em uma semana ela comece a trabalhar para mim.

 

- Sim, pedirei a ela para providenciar a papelada e os exames necessários.

 

- Obrigada, Célia.

 

- Disponha, D. Silvia.

 

Silvia desligou o telefone e ficou pensando na sua futura motorista. Acho que vou gostar de ter uma mulher dirigindo para mim. Sorriu com o pensamento. E se caso não se agradasse do serviço dela, chamaria outro motorista. Pegou novamente o telefone e ligou para sua amante, sairiam hoje à noite. Estava com um belo sorriso nos lábios. A noite prometia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Sete: Pulando de alegria

 

Ana ainda dormia no sofá, eram duas horas da tarde e o telefone tocou. Deu um pulo, assustada e o atendeu com o coração aos pulos.

 

- Alô.

 

- Boa tarde, eu gostaria de falar com a Ana.

 

- Sou eu. Ana falou tremendo.

 

- Ana, aqui é Célia, estou ligando sobre a vaga de motorista particular. Você foi a escolhida.

 

- Que maravilha! Ana não cabia em si de tanta felicidade. Seu coração batia descompassadamente dentro do peito.

 

- Parabéns, Ana.

 

- Obrigada, Célia.

 

- Ana, quero que você venha amanhã cedo no endereço que vou te passar, para providenciarmos todos os documentos e exames necessários a sua contratação. E em uma semana a D. Silvia a quer trabalhando com ela.

 

- Sim, Célia. Estarei aí amanhã.

 

Célia passou o endereço da casa de Silvia para ela comparecer no dia seguinte. Ana estava eufórica, pulava de tanta alegria. Parecia uma criança que acabara de receber o brinquedo que tanto queria. Saiu da sala chamando sua mãe, parecia uma louca. Sua mãe estava no quintal.

 

- Mãe, mãe...

 

- O que foi, Ana?

 

- Me chamaram. A vaga é minha. Ana pulava de alegria.

 

- Oh, minha filha, que notícia maravilhosa. Sua mãe a abraçou.

 

- Sim, mãe, é maravilhosa. E amanhã vou lá para providenciar tudo para a contratação.

 

- E quando você começa a trabalhar?

 

- Daqui uma semana.

 

- Parabéns, Ana. Você merece a vaga e merece ser feliz. Sapecou um beijo na bochecha de Ana.

 

- Obrigada, mãe. E sapecou um beijo em sua mãe também.

 

Na manhã seguinte, Ana estava na casa de Silvia, no horário combinado com Célia. A casa era uma mansão belíssima, com um jardim muito bem cuidado. Seus muros eram cobertos com hera. Era situada num terreno extenso. Ana ficou impressionada com a imponência do lugar. Célia a levou até sua sala e entregou a Ana a relação de todos os documentos a serem apresentados juntamente com as requisições dos exames médicos a serem realizados no laboratório do setor de recursos humanos do frigorífico.

 

Célia explicou que ela passaria a morar na casa e que teria uma folga por semana. E que quando viesse na quarta-feira da semana seguinte que trouxesse uma mala com roupas e pertences pessoais. Ana saiu da casa flutuando de felicidade. Tinha conseguido um emprego e ganharia muitíssimo bem. Não cabia em si, tamanha felicidade que sentia. Lembrou de D. Silvia e sentiu um estremecimento pelo seu corpo. Sentiu a boca seca ao pensar que ia trabalhar para esta bela mulher.

 

 

 

 

 

 

Capítulo Oito: Se apresentando ao trabalho

 

No dia marcado, às sete horas da manhã, Ana apresentou-se para começar a trabalhar e Célia a estava apresentando aos demais empregados. Levou-a até o quarto onde ia passar a morar a partir de agora. Era composto de uma cama de solteiro, um armário e uma cômoda. Simples, sem luxo algum, o que para ela estava ótimo. Recebeu seu novo uniforme e o vestiu.

 

Jaime, o motorista, estava passando algumas instruções do serviço para ela. Este seria o seu último dia de trabalho. Ele iria dirigir o carro e Ana iria ao lado apenas para observá-lo. Já estavam a postos esperando D. Silvia para ir à empresa. Ela apareceu e o coração de Ana queria saltar do peito. Sentiu a garganta seca. Somente a vira sentada e agora estava tendo a visão de seu corpo todo. Estava usando uma blusa branca e uma saia que deixava à mostra suas belas pernas. Ana não conseguia desviar o olhar da bela mulher de olhos verdes. Estava hipnotizada. Silvia parou e olhou-a de cima a baixo, fixando o olhar nos olhos de Ana, que tremeu toda.

 

- Bom dia Jaime, Bom dia Ana. Silvia cumprimentou-os sorrindo.

 

- Bom dia, D. Silvia. Ambos responderam ao mesmo tempo.

 

- Então Ana, está começando hoje. Seja bem vinda. Silvia disse, olhando-a nos olhos.

 

- Obrigada, D. Silvia. Respondeu Ana, tremendo por dentro com a intensidade do olhar da outra. Caraca, seria sempre assim? Tremeria a cada vez que ela me olhasse? Ana se perguntou.

 

- Vamos direto à empresa. Silvia disse e Jaime abriu a porta para que ela entrasse no carro. Após isso, Ana entrou e sentou no banco ao lado de Jaime. Estava nervosa. Ficar perto de D. Silvia mexia com ela. Precisava controlar isso. Não estava gostando de como seu corpo reagia à proximidade dela.

 

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Silvia quando desceu para ir até o carro e viu Ana de uniforme sentiu um arrepio no corpo inteiro. E olhou-a de cima a baixo. Ela ficava extremamente sexy de uniforme. Encarou Ana. Meu deus, era só o que faltava eu me interessar pela motorista. Pensou Silvia, se recriminando. Jamais se envolvia com empregados, sabia que se isso acontecesse era dor de cabeça na certa. Então não permitia nunca se envolver com seus subordinados.

 

Ana estava no banco da frente e Silvia estava olhando para ela. Não conseguia evitar de olhar para sua nuca, desceu o olhar para seu pescoço, subiu-o para seus cabelos. Teve vontade de passar a mão neles. Sentiu a umidade brotar entre suas pernas. Meu deus, estava sentindo tesão pela sua motorista. Pensou Silvia assustada com a reação de seu corpo. Teria que controlar isso. Se fosse qualquer outra mulher exerceria seu charme e a levaria para a cama. Mas sendo ela sua empregada, não seria prudente.

 

Chegaram na empresa e Silvia se dirigiu a sua sala. Jaime e Ana entraram em uma sala onde tinha uma mesa, cadeiras, sofá, uma televisão e um pequeno balcão.

 

- Bom, Ana, é aqui que eu fico, enquanto meu serviço não é solicitado.

 

- Humm... Legal.

 

- Geralmente eu fico assistindo televisão, mas se você gostar de ler é só trazer um livro. Tem dias que só saio daqui na hora do almoço quando D. Silvia tem almoço de negócios e no fim do expediente. Eu almoço aqui mesmo, no refeitório. E outras vezes quando ela sai mais cedo, vou embora mais cedo, ou ela sai mais tarde, vou embora mais tarde, ou seja, o horário dela é o meu horário.

 

- Entendo.

 

Conversaram por mais algum tempo, até que Ana, não agüentando a sua curiosidade, resolveu perguntar:

 

- A D. Silvia tem marido?

 

- D. Silvia casada? Não, menina, ela costuma dizer que nunca vai se casar.

 

- É mesmo? Pergunta Ana curiosíssima.

 

- Sim, já ouvi ela dizer que não acredita no amor.

 

- Poxa, uma mulher tão linda e não quer saber de se casar e nem acredita no amor, que triste! Ana comentou.

 

-  Pois é. Ah... Preciso te avisar de uma coisa.

 

- Sim.

 

- D. Silvia preza muito pela discrição de sua vida pessoal, mas vou te alertar para uma coisa. Ela se envolve somente com mulheres...

 

- Com mulheres?! Pergunta Ana espantada.

 

- Sim, somente com mulheres, e ela costuma sempre sair com alguém nas festas que costuma ir. Tô te avisando apenas para você não se assustar.

 

- Ta bom, Jaime. Obrigada.

 

Conversaram o dia todo, Jaime contou sobre muitas coisas que D. Silvia gostava e de que maneira fossem feitas. Contou como eram as viagens para as fazendas. O dia passou rápido. E retornaram para a casa e novamente Ana sentiu aquele estremecimento pelo corpo ao ver D. Silvia.

 

 

 

Capítulo Nove: Ciúmes

 

Ana estava no seu novo quarto, já estava deitada na cama e estava pensando na informação que obtivera hoje. D. Silvia só se envolvia com mulheres. Jamais poderia imaginar, mas saber disso a deixou profundamente mexida. E ela não acreditava no amor. Poxa, o que será que aconteceu para ela pensar dessa forma tão fria? Ana pensava e não conseguia imaginar uma resposta, já que para si o amor era algo sublime, essencial ao ser humano. E D. Silvia, pelo que Jaime dissera, constantemente estava com uma mulher diferente. Nossa, se apaixonar por uma mulher assim era sofrimento na certa, pois jamais seria correspondida. Pelo jeito se envolvia com as mulheres, usava-as e depois quando enjoava delas, descartava-as. Caraca, que mulher fria! Pensou Ana.

 

Já estava trabalhando há duas semanas e como Jaime tinha lhe dito, algumas noites D. Silvia saía sozinha, dispensava seu serviço. Onde será que ela ia? Eita curiosidade! D. Ana, você não tem nada a ver com isso. Repreendeu-se. D. Silvia a avisara de que iriam à praia neste fim de semana. E a praia que ela queria ir ficava a cem quilômetros de Curitiba. Ainda não fora até as fazendas, mas fora informada de que ela ia em cada uma, e eram três, pelo menos uma vez por mês.

 

Silvia resolveu ir à praia na sexta-feira à noite mesmo. Carmem iria com ela. Precisava se divertir um pouco longe da cidade. Estava precisando se desligar da sua rotina de trabalho. Adorava o mar. Estar perto dele dava-lhe uma imensa sensação de paz. Quando entrou no carro avisou Ana de que iriam passar na casa de uma amiga que ia também, e deu-lhe o endereço.

 

Quando chegaram à casa de Carmem, Ana abriu a porta para que ela entrasse e na seqüência, Carmem deu um beijo na boca de Silvia. Ana viu e sentiu como se tivesse sofrido uma punhalada no coração. Meu deus, essa mulher é a namorada dela! E por que esta dor no meu peito, eu não tenho nada a ver com isto. Pensou aflita. Entrou no carro e pegou a estrada em direção à praia.

 

Pelo retrovisor, que evitava ao máximo olhar, percebia a troca de carinhos entre as duas, falavam baixinho, mas Ana conseguiu entender muita coisa. Por mais que tenha sido avisada, por mais que imaginou que um dia a veria com alguma mulher. Nada, nada preparou-lhe para a dor que sentia em seu peito. Dor esta que não conseguia compreender porque sentia. E essa sensação a estava deixando agoniada.

 

Chegaram à casa de praia e Ana descarregou as malas. O caseiro, seu Pedro, veio receber D. Silvia e sua convidada. Elas entraram na casa principal e Ana levou as malas para o quarto que Silvia indicara-lhe. Saiu da casa e foi para a casa do caseiro. Era ali que iria ficar pelo tempo que D. Silvia estivesse na praia. Dissera que estava dispensada do serviço e que aproveitasse a praia, pois somente precisaria de seu serviço para o retorno.

 

 

 

 

 

 

Capítulo Dez: Proximidade

 

Era sábado de manhã. Já que estou na chuva, é para me molhar. Pensou Ana, então resolveu que ia curtir a praia. Pôs seu biquíni e saiu, pelo menos ia tentar pegar uma corzinha.... riu, pois isso era difícil de conseguir. Ficou um tempinho deitada na toalha e resolveu que ia dar uma volta pela praia. Levantou-se, pegou suas coisas e saiu para caminhar.

 

Silvia que não estava distante de onde Ana estava, a viu. Ficou admirada com a visão que teve. Se achou Ana sexy de uniforme, sem ele então estava um arraso de mulher. Um tesão. Seu corpo reagia àquela visão. Sentia-se atraída por Ana. Estava ciente disso. Quando estava no carro, sua vontade era passar a mão, beijar a nuca de Ana. Desejava Ana. Olhou para sua amante deitada, pegando sol, e percebeu como ela ainda era imatura. Era uma ótima amante, mas não passava disso. Já estavam juntas há cinco meses, e sentia estar perdendo o interesse nela. É, talvez chegasse o momento de por fim em mais este relacionamento. Pensou e voltou a olhar para Ana, que ia longe. Diacho, por que essa mulher mexe tanto comigo?

 

Domingo. Início da tarde. Silvia escorrega com o tapete e torce fortemente o pé. Dá um grito de dor e Carmem aparece para ver o que aconteceu. Silvia está sentada no chão.

 

- Meu amor, o que aconteceu? Perguntou Carmem toda preocupada, agachando-se ao seu lado.

 

- Torci o pé. Está doendo muito.

 

- Vamos para o hospital. Vou chamar a motorista.

 

- Faça isso, por favor. Disse Silvia com o rosto contraindo de dor.

 

Logo em seguida Ana aparece, vestida com camiseta e shorts.

 

- D. Silvia, o que aconteceu? Perguntou, também preocupada.

 

- Eu escorreguei e torci o pé. Me leve ao hospital.

 

- Claro. Vamos, eu te ajudo.

 

E ajudou Silvia a se levantar, passou o braço dela pelo seu pescoço e a abraçou de lado. Foram caminhando lentamente, pois Silvia não conseguia nem encostar o pé torcido no chão. Ana ajudou-a a entrar no carro e se não fosse a dor que estava sentindo, Silvia a teria agarrado e beijado ela, tamanha vontade que sentiu.  Já sentira desejo por muitas mulheres, mas Ana conseguia mexer com ela de uma forma diferente, intensa. Carmem entrou no carro também.

 

Ao chegar no hospital, Ana providenciou uma cadeira de rodas e ajudou Silvia a se sentar nela. Foi atendida logo em seguida.

 

 

 

 

 

Capítulo Onze: Resoluções

 

Estavam de volta à Curitiba. Ana tirou a segunda-feira de folga, já que Silvia ia trabalhar em casa mesmo. Por pelo menos duas semanas, teria que andar de muletas. Fato que Silvia odiou. Resolveu que iria terminar o seu relacionamento com Carmem, e sabia que ela choraria e imploraria para que ela não a deixasse. Era sempre assim, nenhuma mulher aceitava que ela não queria mais levar adiante o relacionamento. A intenção delas era sempre a mesma: casamento. Agora, sua fixação era Ana. Precisava tê-la em sua cama nem que fosse por apenas uma vez. Sentiu-se totalmente excitada com este pensamento. Precisava seduzi-la. Ainda não sabia como fazer, mas logo teria alguma idéia. Sentia que Ana não era indiferente a ela. Já a flagrara algumas vezes a “comendo” com os olhos. Então não seria nada difícil. E que fosse para o espaço sua decisão de nunca se envolver com empregados. Seu tesão por Ana era muito maior que a sua prudência em nunca se relacionar com subordinados.

 

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Ana estava em sua casa, sentia muito em ficar longe de sua mãe, mas precisava do emprego. Quase todos os dias ligava para sua mãe para saber como ela estava. Estava satisfeita com seu trabalho, alguns dias eram cansativos, mas em outros era bem tranqüilo. Lembrou-se de Silvia, do episódio do pé. Sentiu o corpo arrepiar ao lembrar que abraçara ela. Tivera uma vontade enorme de beijar aquela boca maravilhosa, de descobrir os segredos daquele corpo. Caraca, estava se apaixonando pela sua patroa. Não! Isso não pode acontecer. Ela não ama ninguém, só se diverte com as mulheres. Não posso permitir isso acontecer. Não posso! É sofrimento na certa.

 

- Ana... Ana... ANA! Sua mãe a esta chamando.

 

- Hããnn... O quê?

 

- Poxa menina, tá no mundo da lua, é?

 

- Não, mãe. Estava aqui pensando. Respondeu com um sorriso.

 

- Eu vou lá na casa da minha irmã. Você quer ir? Perguntou.

 

- Ah, mãe, não quero não. Diga a ela que mandei um beijo.

 

- Tá, eu falo. Então tchau.

 

- Tchau.

 

Ana voltou aos seus pensamentos. É... teria que sufocar o que estava sentindo, controlar-se ao máximo. Não poderia dar bandeira. Riu. Imagine se D. Silvia vai se interessar por uma pé rapado igual a mim. É ruim, hein. Ela só escolhe mulheres lindas pelo que pude notar. Mesmo que eu quisesse, jamais teria alguma chance com ela. Jamais. Pensou.

 

 

 

 

 

Capítulo Doze: Reconhecendo o terreno

 

Silvia foi até o quarto de Ana e entrou, ela dormia. Se despiu e se aproximou dela. Sentou sobre Ana e começou a beijá-la. Ana acordou e ficou olhando para Silvia, que se apoderou da boca de Ana num beijo quente. Ana a abraçou e começou a percorrer com as mãos o corpo nu de Silvia. Ana virou-se, invertendo as posições e ficou por cima de Silvia. Tirou suas roupas, olhando fixamente para os olhos verdes, dando um sorriso safado. Silvia enlouqueceu ao vê-la nua, sentia-se totalmente molhada, seu corpo queria sentir o prazer que ela poderia lhe dar. Ana desce sua boca até os seios dela, acaricia-os com a língua e suga-os com vontade, arrancando fortes gemidos de Silvia. Volta a beijá-la na boca, desce sua boca para o pescoço, beija-o, mordisca-o e desce sua mão até o sexo molhado de Silvia, acaricia-o e massageia seu clitóris, Silvia se contorce gemendo alucinadamente. Ana penetra-a com dois dedos, movimentando-os.... Silvia está enlouquecida, seu corpo queima de tanto prazer.... bi bi bi bi bi.....

 

- Mas que merda é essa? Silvia acorda e desliga o rádio relógio e percebe que tudo não passou de um sonho. Estava molhada, cheia de tesão e sente-se frustrada. Queria que tivesse sido real. Meu deus, estou enlouquecida por esta mulher. Isto já está afetando minhas idéias. Pensou. Teve uma idéia, mas precisava estar sem muletas, enquanto isso, iria jogar seu charme em cima dela.

 

Na primeira semana, Ana praticamente não trabalhou e nem a viu, pois Silvia não saiu de casa. Na semana seguinte, Silvia resolveu que ia para a empresa de muletas mesmo. Cancelou sua ida às fazendas, pois iria para lá somente quando estivesse recuperada. E ainda tinha que romper seu relacionamento com Carmem. A moça ligava sempre querendo saber como ela estava e já estava se irritando. Tinha que por um ponto final nessa história e logo. Pensou.

 

No início da segunda semana. Silvia ia para a empresa e resolveu que colocaria em prática parte de seu plano para seduzir Ana. Já estava maluca por esta mulher. Mas deveria ir com calma, precisava sentir o terreno que estava pisando. Chamou Ana para ajudá-la com suas coisas, pois ainda estava de muletas.

 

- Bom dia, Ana. Falou sorrindo e olhando diretamente para os olhos castanhos de Ana.

 

- Bom dia, D. Silvia. Ana tremeu com a intensidade daquele olhar, que parecia querer seqüestrá-la.

 

- Por favor, leve a minha bolsa e aquelas pastas para mim. Esta semana vou abusar mais de você. Disse e deu um sorriso “derrete iceberg”.

 

- Sim, senhora. Ana estava com o corpo arrepiado. Meu deus, esta mulher está querendo me enlouquecer sorrindo desta forma. Pensou.

 

Ana carregava sua bolsa e as pastas e estava do lado de Silvia e iam em direção ao carro. Ana colocou as coisas no carro e abriu a porta para que Silvia entrasse. Silvia pediu que a ajudasse. Ana a segurou e Silvia a enlaçou pelo pescoço. Ana, nervosa, colocou suas muletas ao lado e ajudou a entrar no carro. Silvia segurou sua nuca e antes de soltá-la fez um suave carinho, encarando-a intensamente. Ana olhou-a direto nos olhos verdes e quase perdeu a compostura e a beijou. Seu corpo reagira instantaneamente ao carinho. Fechou a porta e colocou as muletas do outro lado. Estava com o coração batendo acelerado. Engoliu em seco. Ligou o carro e foi em direção à empresa, totalmente nervosa e excitada.

 

Silvia estava exultante, sentiu que Ana não lhe era indiferente. Quando ela a olhou nos olhos quase a puxara para um beijo, mas com Ana agiria com calma. Estava se divertindo com isso. Saborearia seu prêmio com imenso prazer.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Treze: Frieza que impressiona

 

A semana foi torturante para Ana. Ficou mais perto de Silvia, que sempre que ia se locomover, solicitava sua presença para ajudá-la com as coisas dela. E toda vez que ia entrar no carro passava a mão em sua nuca ou em seu rosto e a olhava com um olhar intenso. Ana controlava-se como podia, sentia seu corpo queimar de desejo, mas jamais poderia ceder a isso, pois sofreria muito. Sabia que qualquer coisa que Silvia quisesse nessa parte seria apenas diversão. E não desejava ser apenas mais uma na vida dessa mulher. Não mesmo. Jamais permitiria que algo acontecesse entre elas.

 

Na sexta-feira, Silvia abandonou as muletas. Ainda mancava um pouco, mas se sentia bem melhor. Marcou um jantar com Carmem, iria por fim ao relacionamento. Não se interessava mais por ela. Enquanto estava com o pé imobilizado não saíra nenhuma noite com ela. Nossa, nunca fiquei tanto tempo sem transar. Pensou preocupada.

 

Ana a estava esperando para levá-la ao restaurante. Quando viu Silvia, ficou quase sem ar. Ela estava divina em um vestido que evidenciava suas formas perfeitas. Silvia deu-lhe um sorriso que fez Ana quase desmaiar. Droga, preciso me controlar. Pensou Ana. E Silvia deliciava-se ao ver que conseguia mexer com Ana, deixando-a nervosa.

 

Chegaram ao restaurante e Ana ficou no carro, aguardando a hora de ir embora. Silvia entrou e Carmem que já a estava esperando, sorriu ao vê-la, levantou-se e a cumprimentou com beijinhos no rosto. Estava toda feliz, pois ficou duas semanas sem ver o seu amor. Silvia ficou séria durante todo o jantar e Carmem pressentiu algo. Não estava gostando do jeito frio de Silvia, não estava nem um pouco carinhosa. Enfim, Silvia resolve por um ponto final nisso.

 

- Carmem, eu nunca quis dar-lhe falsas esperanças com nosso relacionamento. O que eu quero dizer é que eu paro por aqui. Falou olhando para Carmem.

 

- Quê? Carmem disse assustada, com lágrimas começando a rolar pelo seu belo rosto. – Você está me dispensando? Pergunta aflita.

 

- Se você quer por nestes termos, sim... eu a estou dispensando. Silvia falou séria.

 

- Mas, eu te amo Silvia...

 

- Amor. Isso é balela. Falou Silvia meio brava.

 

- Me disseram que você era um coração de pedra, mas não quis acreditar. Carmem estava chorando.

 

- Olha, o meu interesse por você acabou, apenas isso. Justificou Silvia.

 

- Apenas isso... Era só sexo, né?

 

- Sim, era. E quando acaba o interesse não vejo razão em continuar.

 

- Um dia você vai ficar de quatro por alguém, e que essa pessoa te despreze. Falou Carmem com raiva.

 

- Humm... me rogando praga, é? Passe bem, Carmem. Adeus.

 

Silvia saiu da mesa, acertou a conta e foi para o carro como se nada tivesse acontecido. Seu alvo agora era Ana. Aliás, um belo alvo. Pensou totalmente excitada.

 

 

  

 

 

 

 

Capítulo Quatorze: A investida

 

Sábado. Silvia dera folga a todos os seus empregados, exceto Ana. Sabia que Ana sempre cuidava dos carros geralmente nesse dia. Resolveu que chegara a hora de agir.

 

Ana estava lavando um dos carros, passava uma esponja ensaboada por ele. Silvia aproximou-se e ficou admirando as pernas de Ana. Eram lindas. Seu corpo todo era lindo. Estava louca para sentir seu corpo e, claro, todo nu. Ana não viu Silvia se aproximando e pegar a mangueira. De repente Silvia abre a mangueira e joga água em Ana, que dá um berro, xingando e se vira brava, mas quando vê Silvia, fica sem ação.

 

- Ana, me desculpe. Eu... Eu só queria ajudar. Silvia fala, mas sorrindo por dentro.

 

- Tudo bem, D. Silvia. Está mesmo calor. Ana disse surpresa e com sua roupa totalmente molhada.

 

- Poxa, eu acabei te molhando toda. Sinceramente, me desculpe. Silvia falou encarando Ana que sentia o corpo queimar ante aquele olhar intenso. – Eu me atrapalhei com esta mangueira.

 

- Tudo bem, D. Silvia, não se preocupe.

 

Ana estava de camiseta e short, agora molhados e agarrados, evidenciando o seu corpo. Silvia não desgrudava os olhos, devorando Ana. A encarava. Precisava sentir esta mulher. Silvia estava de regata e short. Ana também não conseguia desviar o seu olhar, nunca a vira assim, tão à vontade em casa. Somente na praia a vira vestida desse jeito e tinha adorado vê-la tão “exposta”. Deliciosamente exposta.

 

- Posso te ajudar? Silvia pergunta sorrindo, quebrando o transe do momento.

 

- Me ajudar? Ana pergunta incrédula.

 

- Sim. Silvia diz encarando Ana, num olhar firme.

 

-Não precisa, D. Silvia. Sempre fiz isto sozinha, não precisa se incomodar. Ana responde sentindo-se presa com o olhar da outra.

 

Silvia se aproxima de Ana e tira a esponja de sua mão, sem desviar o olhar. Ana está hipnotizada. Silvia joga a esponja no chão e sobe a outra mão na nuca de Ana, que fica paralisada com a ação dela. Silvia se aproxima mais ainda e enlaça a cintura de Ana com a outra mão. No mesmo instante a puxa para si colando sua boca na dela, dando um beijo carregado de paixão, tentando invadir com sua língua a boca de Ana. E Ana sem acreditar no que está acontecendo, e não resistindo ao desejo, cede ao beijo e abraça Silvia, ficando com seus corpos coladinhos. O beijo flui cheio de paixão.

 

- Vamos tirar esta camiseta molhada. Silvia diz, com voz rouca, puxando a camiseta de Ana para cima e retirando-a. Joga-a no chão. Tira o sutiã dela e também sua própria camiseta. Silvia beija o pescoço de Ana, mordisca a sua orelha, beija novamente sua boca. Ana não oferece resistência, está entregue ao momento delicioso. Silvia desce sua boca até o seio de Ana e o suga com paixão. Ana geme e deixa Silvia mais enlouquecida. Volta a beijar a boca deliciosa de Ana, beija seu pescoço, acaricia seus seios. Ana sente seu corpo pegar fogo, tamanha vontade que tem de amar esta mulher. Está enlouquecida. Silvia desce sua mão em direção ao sexo de Ana, tenta enfiar a mão por dentro do short, mas Ana a impede. Recobra a razão.

 

- Não, D. Silvia... Isto não está certo. Ana diz sentindo o coração doer.

 

- Ana... sussurra Silvia com a voz extremamente rouca, olhando-a nos olhos. – Eu quero você, todinha só pra mim.

 

Ana fecha os olhos, sentindo o corpo inflamar, mas não pode ceder a essa vontade. Silvia só quer se divertir com ela. Num impulso, desfaz o contato e olhando Silvia nos olhos, diz:

 

- Eu não posso, D. Silvia. Sinto muito. Se abaixa, pega sua camiseta e o sutiã e sai em direção ao seu quarto, deixando Silvia atônita, não acreditando que fora rejeitada por sua empregada.

 

Silvia sente seu sexo doer, tamanha vontade que tem por sentir o toque, o carinho de Ana. Mas não desistiria, a queria ainda, mais que antes, pois agora sabia o gosto do beijo de Ana e não sossegaria enquanto não a tivesse em seus braços, em sua cama. Estava decidida, queria Ana a todo custo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Quinze: A vida segue

 

Ana chegou em seu quarto, pegou uma roupa limpa e seca e foi direto ao banheiro. Precisava de um banho bem frio. Tinha que acabar com essa vontade imensa, com esse desejo. Não conseguia acreditar no que tinha acontecido. Silvia simplesmente a atacara. E queria transar comigo, uma simples empregada! Não entendia essa mulher, pois ela poderia ter quem ela quisesse e foi se engraçar justamente comigo. Mas não cederia, nunca! Não seria mais uma conquista dela. Ia ser muito difícil resistir, pois a queria muito, quase cedera. Mas tinha que se preservar, senão iria sofrer muito. Tinha que ter seu amor próprio.

 

Deixou passar um tempo e retornou para terminar de lavar os carros. Silvia não estava mais por perto.

 

Silvia, logo após Ana sair, foi para seu quarto também. Andava em círculos. Estava incrédula com a rejeição. Sentiu que Ana a queria também, mas não entendia porque ela a rejeitara. Nunca uma mulher a rejeitara. Nunca! Sempre conseguiu o que queria. Estava sem saber como agir. Sentia seu coração apertado. Não entendia esta sensação. Sentiu um prazer indescritível ao beijar Ana. Quase tivera um orgasmo com apenas um beijo. A pele de Ana em contato com a sua a queimava, a alucinava. Tinha que admitir, nunca desejara tanto uma mulher como estava desejando Ana. A teria em sua cama ou não se chamaria Silvia.

 

Era quase madrugada e Ana não estava conseguindo dormir. Sentiu fome e resolveu ir até a cozinha comer alguma coisa. Sabia que não tinha nenhum empregado na casa, somente a D. Silvia, que devia ter saído. Resolveu ir do jeito que estava mesmo, só de babydoll. Chegando na cozinha, fez um sanduíche e estava comendo-o. Silvia aparece sem fazer barulho, Ana não a vê, está em pé, de costas para ela. Silvia se delicia com a visão que está tendo. Ana está extremamente sexy. Ah, Ana, você vai ser minha. Silvia pensa totalmente excitada.

 

- Boa noite, Ana. Silvia fala com a voz rouca, demonstrando sua excitação.

 

- Hããnn... Ana se vira rapidamente e vê Silvia vestida com uma camisola curta de seda. Fica sem ação por alguns segundos. – Bo... Boa noite. Ana não esperava vê-la mais até terça-feira.

 

Silvia vai até a geladeira e pega uma tigelinha cheia de morangos suculentos. Volta-se e olha Ana intensamente. Leva um morango até a boca, passa a língua suavemente nele e o abocanha.. continua encarando Ana, que se sente hipnotizada. Aproxima-se de Ana, que dá automaticamente um passo para trás.

 

- Aceita um morango, Ana?

 

- Não... obr...obrigada, D. Silvia. Vou dormir. Boa noite. E sai em disparada para o seu quarto.

 

Silvia diverte-se com o nervosismo de Ana. Na próxima você não me escapa, Ana. Pensa levando outro morango até a boca e se delicia com ele pensando em como se deliciará com o corpo de Ana.

 

Não se viram mais no final de semana, e segunda-feira foi folga de Ana que tratou de ir para casa matar as saudades de sua mãe.

 

Na terça-feira, Ana estava de prontidão ao lado do carro aguardando Silvia. Ana estava receosa, pois não sabia como ela iria reagir. Esperava que ela não a demitisse, pois precisava muito do emprego. Silvia aparece e Ana sente o corpo arrepiar, ela está linda. Silvia a olha nos olhos e Ana se perde na imensidão verde e ela dá-lhe um sorriso daqueles de desarmar qualquer pessoa e diz:

 

- Bom dia, Ana.

 

- Bom dia, D. Silvia. Ana está com o corpo tremendo e abre a porta do carro para ela entrar.

 

- Vamos direto à empresa. Fala olhando nos olhos de Ana. – Ah, amanhã iremos para uma das fazendas. Deixe o carro preparado... e mais uma coisa, não precisa ir de uniforme.

 

- Sim, senhora.

 

O carro usado para ir às fazendas era um utilitário com tração nas quatro rodas, já que a estrada nem sempre estava em ótimas condições.

 

Ana sente-se aliviada, pois Silvia parece reagir como se nada tivesse acontecido. É, se tivesse cedido, agora seria apenas mais uma lembrança. Pensou Ana amargurada, com o coração pequenininho dentro do peito.

 

Chegam na empresa e Ana volta à rotina anterior que tinha antes de Silvia torcer o pé. Agradece por não precisar ficar tanto tempo ao lado dessa mulher. Ela era tentação demais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Dezesseis: Na fazenda

 

Quarta-feira de manhãzinha. Ana já carregara as malas no carro e aguardava Silvia para irem à fazenda. A fazenda que iriam ficava a quase duzentos quilômetros de distância. Ana vestiu uma calça jeans, uma camisa branca e botas. Já que iam para uma fazenda resolveu vestir-se assim.

 

Silvia apareceu também vestida de jeans, botas e uma camisa preta. Ao vê-la Ana sentiu um desejo imenso de beijá-la, de fazê-la sua. Ai, que droga, preciso me controlar. Repreendeu-se.


Silvia aprova o que vê. Ana estava extremamente sexy vestida desta forma. Ah, Ana, hoje você não me escapa. Pensa Silvia, sorrindo sedutora para Ana.

 

- Tudo pronto, Ana?

 

- Sim, D. Silvia.

 

- Então vamos. Sei que é a primeira vez que você vai, vou te dizendo o caminho.

 

Ana abre a porta e Silvia a fecha.

 

- Não Ana, vou na frente.

 

- Ok. D. Silvia. E abre a porta da frente para ela entrar.

 

Silvia encara Ana por alguns segundos, dá um sorriso e resolve entrar no carro, Ana sente seu perfume. Sempre ficava inebriada com ele. Não seria nada fácil dirigir com ela ao seu lado.

 

A viagem foi tranqüila quanto à estrada, o caminho era fácil, mas Ana ficou o tempo todo tensa com Silvia ao seu lado. Chegaram bem antes do almoço. Ana descarregou as malas e as colocou nos respectivos quartos. Silvia pediu que Ana carregasse para ela algumas pastas onde tinham os relatórios que ela queria discutir com o administrador da fazenda, o Sr. Fernando.

 

Estavam conversando sobre os métodos de inseminação artificial e foram até o local onde isso era feito. Ana os seguia. Não conseguia desviar o olhar da bunda de Silvia, parece que ela rebolava de propósito, só para provocá-la.  Por duas vezes, Silvia flagrara Ana com o olhar fixo em sua bunda. Ana ficava toda sem graça. Silvia estava adorando a situação, adorava provocar e faria isso até Ana ceder. Sabia que ela não era indiferente às provocações.

 

- Sr. Fernando, estou pensando em aumentar a área da fazenda. Fui informada que o nosso vizinho, o Jerônimo, está querendo vender suas terras.

 

- Sim, é verdade, D. Silvia.

 

- Ótimo, então converse com ele sobre a possibilidade de fecharmos negócio. Estou querendo aumentar a produção do frigorífico e o aumento da capacidade de criação será fundamental para isso.

 

- Conversarei e depois informarei os detalhes da compra.

 

- Obrigada.

 

Conversaram sobre um monte de coisas relacionadas à criação de gado. Silvia também conversou com o veterinário sobre a prevenção de doenças no rebanho. Ana ia sempre atrás dela, deliciando-se com a visão de seu corpo e, ao mesmo tempo, repreendendo-se por fazer isso. Acabou conhecendo boa parte das instalações da fazenda e tendo de controlar a vontade de agarrar Silvia.

 

No final do dia Ana estava cansada, não via a hora de tomar um banho quente e se deitar. Silvia a dispensou e Ana foi jantar e logo em seguida tomou um banho e se recolheu em seu quarto.

 

Estava deitada, pensando em como foi o seu dia, quando ouviu leves batidas na porta. Quem será? Pensou, abriu a porta e levou um susto, seu coração acelerou. Era Silvia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Dezessete: Impossível resistir

 

Meu deus, o que essa mulher quer comigo? Pensou Ana totalmente paralisada com a presença de Silvia.

 

- Oi, posso entrar? Silvia perguntou dando um sorriso cativante.

 

- Hããnn.. claro, D. Silvia, pode sim. Afastou-se e deixou ela entrar e após fechou a porta. – Precisa de alguma coisa? Ana perguntou, ainda surpresa com a visita de Silvia.

 

Silvia encarou Ana, que se sentiu aprisionada naquele olhar carregado de desejo.

 

- Preciso sim... Preciso de... você, Ana. Falou com a voz rouca e foi aproximando-se de Ana, que foi se afastando até sentir a parede atrás de si.

 

- D. Silvia.... Ana sussurrou. – Acho que não devemos...

 

Silvia alcançou seu rosto com a mão e o acariciou, passou seus dedos pelos lábios de Ana, contornou seu rosto. Ana fechou os olhos.

 

- Ana, vou ser direta contigo. Eu quero você... só por esta noite.

 

Ana sentiu seu coração doer ao ouvir ela falar “só por esta noite”. Você poderia me ter pelo resta da vida, mas me quer só por uma noite. Pensou Ana. Resolveu que a teria por uma noite também, estava louca de desejo por Silvia. Saciaria seu desejo por ela. Ana a tomou nos braços e olhou em seus olhos, dizendo:

 

- Que assim seja, Silvia. Essa noite será apenas nossa. E deu um beijo urgente, faminto nela.

 

Silvia sentiu o corpo vibrar ao ouvir o que Ana dissera. Ao ser beijada por ela sentia-se no céu. Ana tinha o poder de fazê-la sentir sensações indescritíveis. Entregou-se completamente aos carinhos de Ana. Estranhou seu comportamento, geralmente sempre ficava no comando, mas com Ana seu desejo era ser comandada, era ser guiada em busca do prazer.

 

Tinham urgência. Suas roupas ficaram no chão. Ana levou Silvia até a pequena cama e se deitaram, ficou por cima de Silvia. Beijavam-se com paixão. Suas mãos percorriam o corpo da outra. Ana olha para Silvia e se perde no verde daqueles olhos. Leva sua mão até o rosto dela e passa seus dedos por ele, contornando-o. Leva seus dedos até a boca e contorna seus lábios. Descobre que ama Silvia e a amará nesta noite como nunca amara ninguém antes. Beija-a com todo o amor que sente, desce para o seu pescoço e o beija. Aspira seu perfume e se embriaga com ele. Desce sua boca para os seus seios perfeitos e suga um mamilo, com a outra mão acaricia o outro. Silvia delira com o carinho e geme, sussurra para Ana:

 

- Sou toda sua, Ana, toda sua... faça-me... gemer... de prazer....

 

- Sim, farei e você é todinha minha...

 

Ana volta e beija novamente a boca apetitosa de Silvia, beija seu rosto, seu pescoço,  sua mão percorre toda a barriga, descendo devagar em direção ao sexo de sua amada e o sente molhado. Ambas gemem. Sente o corpo pegar fogo, precisa sentir o gosto de Silvia. Tem necessidade disso como se fosse vital para sua sobrevivência. Desce lentamente em direção ao sexo dela, deixando um rastro de beijos. Silvia abre as pernas, pedindo enlouquecida pela boca de Ana, que prontamente abocanha seu sexo, lambe-o, suga-o, acaricia com a língua seu clitóris inchado de tanto tesão, arrancando intensos gemidos de Silvia, fica um tempinho saboreando sua amada. Desce até sua cavidade e a penetra com a língua, Silvia enlouquece e começa a rebolar seus quadris pedindo mais e mais. Ana penetra sua cavidade macia e molhada com dois dedos, dando leves estocadas, sua língua acaricia o clitóris de Silvia, e fica nesse movimento delicioso até sentir o corpo de Silvia se arquear e explodir num gozo intenso. Ana a abraça logo em seguida, dá um beijo nela e a aconchega em seu peito.

 

Silvia ainda está tremendo. Nunca sentira nada tão intenso, tão sublime, tão delicioso. Que poder é esse que Ana tem? Pensa. Seu corpo explodiu em mil fragmentos num orgasmo tão intenso que não acreditava que existisse. Depois de um tempinho, já refeita e completamente feliz, fica por cima de Ana, a beija com extremo desejo e sussurra em seu ouvido com a voz rouca:

 

- Agora é a minha vez de te dar prazer.

 

Ana sorri e Silvia torna a beijá-la e começa a explorar o corpo de Ana como sempre sentira vontade, arrancando dela gemidos intensos, levando-a à loucura. Silvia também faz Ana sentir prazer intenso ao ser amada por ela. Amaram-se madrugada adentro até seus corpos saciarem-se, e caírem num sono reparador.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Dezoito: Se conformando

 

Silvia acorda e se aninha nos braços de Ana. Está tão gostoso ficar ali. Sente-se protegida com este aconchego. Ana provocara nela sensações intensas, que nenhuma mulher conseguira fazê-la sentir. Levanta-se e senta-se na cama. Observa Ana dormindo. Conseguiu o que queria. Conseguiu sua noite com Ana, mas por que este aperto no coração? Sente vontade de voltar aos seus braços, mas precisa voltar ao seu quarto. Veste suas roupas sem fazer barulho e vai até a porta. Volta a olhar Ana dormindo. Engole em seco. Por que sente o coração dilacerar? Por que esta dor? Pergunta-se. Droga, por que isso? Sente uma lágrima rolar pelo seu rosto e prontamente a enxuga com a mão. Abre a porta e sai em silêncio.

 

Meia hora depois, Ana acorda e percebe que está sozinha. Seu peito se aperta e sem querer, chora. Tivera seu grande amor por apenas uma noite. Ia guardar esta lembrança com muito carinho, para sempre. Pelo menos Silvia fora sincera, não lhe prometera amor eterno. Sabia dos riscos ao topar a idéia. Nunca fora adepta de transar somente por transar. Agora era levar sua vida adiante, acostumar-se a nunca mais tê-la em seus braços e resistir caso ela tentasse outra vez. Sim, resistir, porque senão se machucaria ainda mais. Deveria estar feliz, radiante, mas não estava. Sentia uma imensa tristeza ao constatar que fora apenas mais uma rápida aventura na vida de Silvia. Uma página virada na vida dela. Como trabalhar com ela a partir de agora? Como vê-la todos os dias sabendo que nunca teria seu coração? Como, meu deus, sobreviverei a isso?

 

Levanta-se, toma um banho e veste suas roupas. Vai à cozinha para tomar seu café da manhã. Retornariam para casa antes do almoço, após Silvia acertar alguns detalhes com o administrador. Ainda não a vira. Resolveu sentar na varanda e esperá-la.

 

Avistou-a ao longe. Estava com o Sr. Fernando. Ficou observando-a, ela era linda. Seu corpo reagia só ao vê-la. Como faria para esquecer esta mulher? Como esquecer seus beijos? Como esquecer o calor de seu corpo? Como? Ana perguntava-se com o coração extremamente triste.

 

Eles se aproximam, ainda conversando. Silvia a vê, e sente um arrepio gostoso percorrer seu corpo. Sentiu-se molhada. Só em ver Ana ficava assim. Encerrou sua conversa com o administrador e aproximou-se de Ana.

 

- Bom dia, Ana. Cumprimenta-a perdendo-se naquele olhar castanho.

 

- Bom dia, D. Silvia. Ana mantém o olhar. Como doía-lhe olhar para ela e saber que fora apenas mais uma diversão. E ainda agia como se nada tivesse acontecido.

 

- Ana, prepare o carro. Vamos retornar. Silvia diz.

 

- Sim, senhora. Ana levanta-se para buscar as malas e as coloca no carro. Fica aguardando Silvia.

 

Silvia se despede de algumas pessoas e entra no carro.

 

A viagem foi no mais completo silêncio. Silvia fazia de conta que analisava alguns papéis e na maioria das vezes apenas contemplava a paisagem. Não entendia porque estava triste. Sempre ficava alegre quando conseguia levar para a cama a mulher que queria. Droga, o que está acontecendo comigo? Por que essa tristeza que invade meu coração? Não se cansava de perguntar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Dezenove: Rejeição

 

Mais uma semana se passou e Silvia sentia aflorar cada vez mais forte a vontade de estar novamente com Ana. Achou que estar com ela apenas uma vez bastaria para saciar o seu desejo. Mas não. A desejava mais que antes. Estava ficando atormentada com isso. Olhava para Ana e percebia que para ela estava superada aquela noite. Precisava estar com ela de novo e faria isso hoje à noite. Iria ao quarto dela. Sentiu-se feliz com essa idéia e passou o dia assim, alegre, ante à expectativa de passar mais uma noite com Ana.

 

Ana tentava a todo custo controlar seus sentimentos. Procurava agir como se nada tivesse acontecido, mas só Deus sabia o quanto isso a estava machucando. Todas as noites acabava chorando, pois não conseguia evitar a tristeza que invadia seu coração, sua alma. Se não precisasse tanto do emprego já teria pedido demissão, pois era uma tortura estar perto de Silvia e não tê-la em seus braços. Por que tinha que se apaixonar por uma mulher com coração de pedra? Por quê? Por que tinha que sofrer desta forma?

 

Era noite e Ana já estava no seu quarto. Estava deitada, tentava em vão ler um livro. Ouve batidas suaves na porta e seu corpo estremece. Ficou com receio de abrir. E se fosse Silvia? O que faria? Levanta-se e vai até a porta, abre e seu coração quase sai pela boca. Era ela.

 

- Oi, Ana. Posso entrar? Silvia pede com um sorriso encantador.

 

- Oi, D. Silvia. Entre, por favor. Silvia entra e Ana fecha a porta e sente seu corpo trêmulo. Olha para Silvia e fica esperando ela falar.

 

Silvia vai se aproximando de Ana, que vai recuando até sentir a parede em suas costas. Silvia cola nela e dá um beijo delicioso na boca de Ana. Ana pega de surpresa, corresponde ao beijo, mas não abraça Silvia. Interrompe o beijo e desfaz o contato saindo do lugar.

 

- Por que isso, Silvia? Pergunta aflita.

 

- Oras, porque eu quero você. Silvia diz tentando novamente se aproximar de Ana, que se afasta.

 

- Era apenas uma noite, lembra? Ana diz isto sentindo seu coração se espatifar. O que mais queria era estar com ela de novo, mas não assim, por diversão.

 

- Sim, eu me lembro, mas quero você mais vezes. E mais uma vez tenta se aproximar de Ana.

 

- Eu não quero mais. Ana diz secamente olhando Silvia nos olhos. Como foi dolorido dizer isto.

 

- O quê? Está me rejeitando? Silvia pergunta não acreditando no que está ouvindo.

 

- Não quero me envolver com você. Apenas isso. Não acho correto. Disse justificando-se.

 

Silvia a encara, incrédula. Fora rejeitada pela segunda vez e pela mesma mulher. E isto estava doendo-lhe na alma. Sente uma vontade enorme de chorar, mas não faria isto na frente de Ana. Nunca! Virou-se e saiu do quarto batendo a porta. Não conseguiu conter o pranto e foi em direção ao seu quarto. Sentiu-se despedaçada, sua vontade era de morrer. Chorou muito. Tomou uma decisão. Estava tomada pela raiva, pela dor da rejeição. Se Ana não a queria, ia mostrar a ela que sempre tinha quem a queria.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte: Se distraindo...

 

Ana não conseguira dormir esta noite. Sentiu-se péssima por ter rejeitado Silvia. Seu coração doeu ao ter que rejeitá-la. Mas sabia ter sido a melhor atitude a ser tomada. Como a queria. Como amava esta mulher. Tinha certeza que agora iria ser demitida. Sentiu-se atormentada com isso. Precisava distribuir novamente seu currículo. Não ia ficar esperando nem mais um minuto. Amanhã seria seu dia de folga e faria isto. Precisava sair de perto desta mulher.

 

Ana estava esperando Silvia para levá-la à empresa, isso se não fosse demitida. Era o que estava esperando acontecer. Silvia aparece linda como sempre.

 

- Bom dia, Ana. Diz séria e como se nada tivesse acontecido.

 

- Bom dia, D. Silvia. Ana diz, abrindo a porta do carro e se espantando com a frieza dela.

 

- Antes de ir à empresa, quero passar no escritório do Dr. Guilherme. Diz olhando nos olhos de Ana, que vê um olhar frio.

 

- Sim, senhora. Responde Ana, sentindo seu corpo gelar. Agora era apenas uma questão de tempo ela me demitir. Pensou.

 

Dia seguinte, de folga. Ana já tinha ido em algumas agências de emprego e deixado seu currículo. Também o deixara em sites especializados na Internet. Achava que seria sumariamente demitida. Mas, com exceção do olhar frio de Silvia, tudo foi igual. Sentia-se mal por não ter cedido, mas sabia ser a mais sábia decisão. Precisava se preservar. Tinha o seu amor próprio. Não era brinquedo para a diversão de ninguém. E logo Silvia estaria com outras mulheres. Este pensamento sangrava seu coração. Não sabia como reagiria ao vê-la com outra mulher. Seu telefone toca. Atende.

 

- Alô.

 

- Ana? É Cássia.

 

- Oi, Cássia. Tudo bom? Diz. Era sua ex.

 

- Tudo. Tá sumida, hein.

 

- Muito trabalho e só tenho um dia de folga na semana.

 

- É, sua mãe me falou e disse que seria hoje.

 

- Sim, isso mesmo. Mas o que você quer, Cássia? Foi direta. O que sua ex queria com ela? Perguntou-se.

 

- Eu tô ligando pra te convidar para um cineminha hoje. O que acha?

 

- Hummm... Hoje? Não tinha pensado em sair.

 

- Ah, vamos. Deixe de ser caseira, mulher. Vai ser divertido.

 

- É... Acho que tô precisando de diversão. Vou sim. Que horas? Perguntou e pensou que não teria mal algum em sair com ela, aliás, até lhe faria bem, pois precisava distrair-se, e a companhia de Cássia era divertida.

 

- Que tal a sessão das dezoito horas? E depois poderíamos sair para comermos alguma coisa.

 

- Humm... Perfeito. Em qual cinema?

 

- Que tal no de sempre? Cássia diz e solta uma gargalhada.

 

- Tá bom. Ana ri também. - Combinado então, nos encontramos lá.

 

- Beleza, tchau. Um beijo.

 

- Tchau, outro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo vinte e Um: Coração dilacerado

 

Mais três dias se passaram e tudo continuava normal. Ana retorna de mais um dia de trabalho. Desce do carro e abre a porta para Silvia sair.

 

- Ana, precisarei de seu serviço esta noite, pois terei uma festa para ir. Esteja aqui às 22 horas. Diz e dá mais um daqueles olhares frios.

 

- Sim, senhora. Responde Ana, sentindo falta dos olhares quentes e sorrisos cativantes. Depois do episódio da visita em seu quarto, Silvia nunca mais lhe dera um sorriso. Nenhum! Por que não a demitia logo, assim acabava com essa situação. Pensava Ana.

 

Ana vai em direção ao seu quarto, cabisbaixa e mais uma vez chora. Esta situação estava insuportável. Não agüentava mais. Cada olhar frio que recebia de Silvia era como se arrancasse um pedacinho do seu coração. Resolve tomar um banho e comer alguma coisa. Levaria Silvia para uma festa e sabe-se lá que horas voltaria para cá.

 

Silvia está em seu quarto, está deitada. Estava fazendo um esforço tremendo para mostrar a Ana que não se importara com a rejeição. Mas estava sofrendo. A vontade que tinha quando a via, era de abraçá-la. Sentia falta daquela boca, daquelas mãos em seu corpo. Sonhava constantemente com ela, sonhava que estavam fazendo amor. Esta noite sairia com uma mulher. Precisava mostrar a ela que tinha quem a queria. Seria sua pequena vingança.

 

No horário combinado, Ana já a estava esperando. Silvia estava belíssima num vestido longo, uma fenda deixava uma de suas pernas à mostra. Ana engoliu em seco ao vê-la. Sentiu seu corpo arder de desejo e recriminou-se por isto. Abriu a porta para ela entrar e então seguiram para a tal festa.

 

Por volta de uma hora da manhã, Silvia agarrada com outra mulher, aparece para entrar no carro. Ana ao ver sente um soco no estômago, e seu corpo gelar. Abre a porta para elas. Silvia pede para levá-las ao motel. Diz qual é e fica aos beijos e abraços com a mulher. Ana queria sumir dali. Sente vontade de chorar. Por várias vezes sua visão é embaçada pelas lágrimas que teimam em querer sair. Seu coração estava dilacerado.

 

Chegam ao motel e Silvia pede para Ana esperar por ela. Sente um prazer imenso ao fazer isso. Ana se desespera. Isso não pode estar acontecendo, Silvia nunca fizera isso. Pensou Ana. Sabia que quando ela ia a motéis, ela mesma dirigia seu carro. Compreendeu o que ela queria. Mostrar que podia ter a mulher que quisesse e estava esfregando isso na sua cara. Caiu num choro sentido. Por que fora se apaixonar por ela? Droga... Não merecia isso. O tempo passava e Ana, extremamente cansada, caiu no sono sentada no banco do motorista.

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Dois: Caindo em si

 

Silvia e a outra mulher, Bianca, transavam loucamente. Silvia, em alguns momentos não se sente à vontade com ela e pensa em Ana. Fantasia estar com ela ali. Ficam um longo tempo se explorando mutuamente, até se cansarem.

 

- Quem é Ana? Pergunta Bianca.

 

- O quê? Silvia pergunta assustada.

 

- Ana, quem é? Insiste Bianca.

 

- Ninguém. Silvia responde não gostando da pergunta.

 

- Humm... Ninguém. Uau... queria ser esse ninguém. Você me chamou várias vezes de Ana, Silvia. Confesso que não é nem um pouco agradável ser “usada” desta forma, mas como meu tesão por você era grande, deixei fluir.

 

- Desculpe-me , eu... eu... nem percebi.

 

- Ok. Sem problemas. Sou uma mulher sem grilos. Agora vou te dar um conselho.

 

- Conselho?! Por quê? Silvia se espanta.

 

- Tá na cara que você está apaixonada por essa mulher.

 

- Apaixonada? Eu?

 

- Sim, Silvia. Você está apaixonada. Meu conselho é que resolva-se com essa mulher e vá viver o amor.

 

- Mas eu não estou apaixonada. Silvia diz tentando se convencer.

 

- Hahahahaha... Me engana que eu gosto. Silvia, Silvia, acorda pra vida mulher. O cupido te flechou de vez.

 

- Não. Isso é impossível.

 

- Bom, o pior cego é aquele que não quer ver. Bianca dá um beijo na boca da Silvia e se veste. – Vou embora e nem se preocupe, pegarei um táxi. Dá outro beijo. – Foi maravilhoso. Tchau.

 

- Tchau.

 

Silvia fica ali, parada, sentada na cama, pensando no que Bianca dissera. Eu, apaixonada? Não, isso era impossível. Era imune a isso. Sim, claro, a chamara de Ana porque fantasiara estar transando com Ana. Só por isso. Bianca estava errada. Completamente errada. Levanta-se e se veste. Acerta a conta e sai.

 

Silvia vê Ana no carro dormindo, sente um aperto no peito. Nunca fizera isso de vir ao motel com motorista. Descobriu ter feito uma bobagem. Novamente olhou para Ana, sentiu uma vontade imensa de dar um beijo nela, sentir de novo o gosto da sua boca, o calor de seu corpo. Precisava se controlar, não estava apaixonada. Deu leves batidas no vidro. Ana acorda e sai rapidamente do carro e abre a porta para Silvia. Sente um certo alívio ao ver que a outra não está mais junto. Silvia entra no carro e então vão em direção à casa. Chegando lá, Silvia diz:

 

- Ana, só vou precisar do seu serviço de novo à tarde. Silvia olha os olhos dela com o olhar triste.

 

- Sim, senhora. Ana percebe a tristeza no olhar de Silvia e sente vontade de abraçá-la. E recrimina-se por ter esta vontade. Ela não merecia o seu amor. Não mesmo!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Três: Ciúmes

 

Silvia, na semana seguinte, sai novamente com outra mulher. Ela própria dirigiu o carro desta vez. A noite foi um fiasco. Não conseguiu se sentir à vontade com a mulher e não quis fantasiar que estava com Ana. Nunca, em toda sua vida, se recusara a transar. O que estava acontecendo com ela? Isso não era normal. Sua única vontade, seu único pensamento era estar com Ana.

 

Era dia de folga de Ana e novamente saía com Cássia. Foram ao cinema de novo. Cássia dava indiretas de que queria retomar o relacionamento, mas Ana sempre saía pela tangente. Não queria. Chega de problemas. Tinham visto o filme e estavam na praça de alimentação. Cássia fazia um carinho na mão de Ana. Ana deixava, com isso não se importava. Estavam conversando sobre várias coisas. E riam descontraídas.

 

Silvia, nesse dia, resolve passear. Vai ao shopping para ver vitrines e comer uma bobagem. Está sozinha. Sente um vazio imenso no coração. Nunca se sentiu assim. Escolhe uma mesa e assim que se senta vê Ana. Seu coração se acelera. Ela está com outra mulher e parecem estar se divertindo, pois riem muito. Silvia vê que a outra faz carinhos na mão de Ana. Sente um golpe no peito. Sente-se sem ar. Percebe que nada sabe da vida de Ana fora do trabalho. Devia ser a namorada dela. Sente uma tristeza imensa invadir-lhe o peito. Imediatamente se levanta e vai embora. Chegando em casa, vai para seu quarto, deita em sua cama e chora muito. Acaba adormecendo.

 

Na manhã seguinte, Ana está esperando-a, como sempre. Silvia se aproxima do carro, cumprimenta-a e entra. Seu olhar está triste e não passa despercebido por Ana, que fica preocupada.

 

Silvia está em sua sala e Célia liga, informando-lhe que numa consulta a sites especializados encontrou por acaso o currículo de Ana. E era atual. Silvia imediatamente chama Ana, que entra em sua sala.

 

- Mandou-me chamar?

 

- Sim, Ana. Sente-se, por favor. Ana senta-se.

 

- Você está satisfeita com o seu emprego? Silvia pergunta direta.

 

- Sim, estou. Ana responde, não entendendo o porquê da pergunta.

 

- Tem algum problema que eu não saiba?

 

- Não, nenhum problema. Ana responde e pensa: “Exceto pelo fato de eu estar apaixonada por você.”

 

- Então por que você está procurando outro emprego, Ana? Pergunta olhando para aquele olhar castanho que tanto adorava.

 

- Bom... eu... eu realmente cheguei a pensar em sair do emprego. Ana responde sentindo-se desconfortável.

 

- Ana, você é uma excelente funcionária. Não tenho nenhuma queixa quanto ao seu serviço. Não quero que você saia. Disse encarando Ana, só a idéia de ficar longe de Ana a deixava desesperada. – Aumentarei o seu salário em cinqüenta por cento. Não saia, por favor.

 

Ana fica sem ação ao ouvir isso. Ela não queria que saísse e ainda aumentaria o seu salário. Ficou boquiaberta.

 

- D. Silvia... eu... nem sei o que dizer.

 

- Apenas que você fica.

 

- Sim, ficarei. Não sairei.

 

- Obrigada, Ana. Pode ir.

 

Ana se levanta e sai da sala. Não consegue acreditar no que aconteceu. D. Silvia não queria que ela saísse. Nossa, chegara a imaginar sendo demitida algumas vezes. E essa história de aumentar o salário. Caraca, já ganhava bem, e agora então, mais ainda.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Quatro: Quero amor...

 

Silvia não consegue dormir, já são quase três horas da manhã. Não consegue parar de pensar em Ana. Só de imaginá-la longe da sua vida ficava aflita. Quando ficou sabendo que ela estava procurando outro emprego ficou desesperada. Resolveu chamá-la imediatamente e ter uma conversa com ela. Ela não podia sair... da sua vida. Sentia uma necessidade imensa dela. Queria sentir o calor de seu corpo. Num ato de desespero, levanta-se e vai em direção ao quarto de Ana.

 

Para em frente à porta, seu corpo treme inteiro. Está com febre. Antes de bater, resolve ver se a porta está trancada e a porta se abre. Entra em silêncio. Se aproxima da cama e com a pouca claridade, consegue ver Ana dormindo. Sente uma enorme vontade de chorar. Senta-se na cama bem devagar. Sente as lágrimas escorrerem à vontade pelo seu rosto. Começa a soluçar. Ana acorda e leva alguns segundos para entender o que está acontecendo.

 

- D. Silvia, o que aconteceu? Pergunta abraçando-a. Silvia não responde e continua a chorar descontroladamente. Ana a aconchega em seus braços.

 

- Deixe eu ficar aqui com você. Silvia pede entre soluços.

 

- Sim, eu deixo. Ana diz e percebe que ela estava com febre. Estaria doente? Pensa.

 

Ana deita e traz Silvia junto a si. Silvia fica por cima, abraçada ao corpo de Ana. Aos poucos se acalma e em seguida dorme.

 

Ana fica preocupadíssima. O que aconteceu com Silvia para ela agir assim? Parecia uma criança chorando. De manhã descobriria o motivo. Abraçou-a mais forte. Deu um suave beijo em seu rosto. E estava adorando estar com ela em seus braços. Custou para pegar no sono.

 

Quando Ana acordou de manhã, percebeu que Silvia já estava acordada. Resolveu perguntar o que aconteceu.

 

- Silvia, o que aconteceu? Quer me contar?

 

Silvia levanta seu rosto e olha para Ana, dá um leve sorriso e pergunta:

 

- Por que você não quer ficar comigo? Pergunta direta.

 

- Ficar com você? Como assim? Ana questiona não entendo a pergunta de Silvia.

 

- Por que me rejeitou? Silvia pergunta encarando Ana.

 

- Silvia, você pediu apenas uma noite. Foi o que eu pude te dar. Desculpe-me, mas sou extremamente romântica, tem que rolar sentimento. Não costumo transar por transar. Entende?

 

- Não, não entendo.

 

- Eu vou ser sincera com você. Vou abrir meu coração. Você quer apenas se divertir, eu não. Eu desejo construir uma história, viver o amor. Me apaixonei por você, mas não permito que queira se divertir comigo. Consegue entender?

 

- Eu não te prometi amor. Silvia diz encarando Ana.

 

- Eu sei, por isso me afasto.

 

- Eu te desejo tanto. Silvia fala tentando beijar Ana, mas Ana não permite.

 

- Você só me deseja. Eu não quero isso.

 

- Eu não sei amar.

 

- Sinto muito, Silvia. Sinto mesmo.

 

Silvia se levanta, vai até a porta, abre e sai. Ana fica no quarto, sente seu coração triste. Queria tanto que Silvia a amasse, mas era um sonho impossível.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Cinco: Entendendo o amor

 

Silvia decide ir à praia pelos próximos quatro dias. Precisava refletir sua vida. Pediu que Ana a levasse e que a buscasse no quarto dia. Deu folga a ela nos demais.

 

Silvia andava pela areia, sentindo a água molhar seus pés. Refletia sobre sua vida. Envolvera-se com muitas mulheres, mas nenhuma a deixou neste estado. Somente Ana. Sentia febre. Sentia seu corpo queimar de desejo por ela. Isso era estar apaixonada? Essa sensação que te desnorteia e só faz querer ficar perto da pessoa desejada? Não conseguia pensar em ficar com outra mulher e depois do fiasco da última tentativa, desistira. Olhava para algumas mulheres na praia. Antes cobiçaria as que lhe chamassem a atenção, e agora vê e só pensa em Ana. Ana. Ana. Ana. Só queria Ana. Só desejava Ana. Só amava Ana. Amava? Estava amando? Meu deus, sim! Agora sabia. Entendia perfeitamente o que sentia por ela. Era amor. E pensava que era imune a ele.

 

Sentiu um calor gostoso no corpo ao lembrar que Ana dissera que estava apaixonada por ela. Sim, ia viver esse amor, como Ana queria. Ia se permitir ser feliz. Compreendeu que até agora sua vida fora vazia. Mas a partir de agora seria repleta de amor. Sentia-se aquecida com estes pensamentos. E assim passou os dias de reflexão.

 

Chegou o dia da volta. Estava ansiosa para rever Ana, contava os segundos. Suas malas já estavam prontas. Sentia-se como uma adolescente que se apaixona pela primeira vez. Riu. Bom, não era adolescente, mas essa era a primeira vez que se apaixonava por alguém, pelo menos nunca ninguém a tinha deixado neste estado. Droga, por que ela estava demorando tanto. Já estava preocupada. Já tinham se passado duas horas do combinado e nada de Ana aparecer. Ligou para o celular dela e deu fora da área de serviço. Devia estar na estrada. Seu celular toca e vê no visor que era Célia. Atende.

 

- D. Silvia?

 

- Sim, Célia. O que foi?

 

- Acont... aconteceu um... acidente. Gagueja Célia.

 

- Acidente? Como assim. Silvia pergunta pressentindo o pior. Seu coração está batendo desesperado dentro do peito.

 

- Um carro saiu da pista contrária e bateu no carro que Ana estava.

 

- O quê? Silvia se desespera. – Como ela está?

 

- Ela está no hospital aqui em Curitiba. Está na UTI.

 

- Estou indo já pra aí. Vou pegar um táxi.

 

Silvia chama um táxi e vai direto para o hospital. Foi a pior viagem que já fez, nunca chegava e a distância era longa. Contava os segundos. Estava agoniada ante a possibilidade de perder seu único e grande amor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Seis: Desespero

 

Silvia chega desesperada ao hospital. Célia está no hospital esperando por mais informações acerca do estado de Ana.

 

- Célia, como ela está? Silvia está quase desabando de tanto medo de perder Ana.

 

- Ainda não sei detalhes, D. Silvia, mas parece que ela está correndo risco de vida.

 

- Não. Isso não pode estar acontecendo. Silvia fala e desaba num choro desesperado.

 

Célia, sem entender a reação de Silvia, a ampara em seus braços. Silvia pensava que não poderia perder seu amor. Não podia perdê-la.

 

Depois de algum tempo e já estando mais calma, o médico aparece e vem falar com elas. Silvia queria saber detalhes de como Ana estava.

 

- Como ela está doutor? Silvia perguntou preocupada.

 

- Posso dizer que foi um milagre ela ter sobrevivido. Ela teve fratura exposta em uma das pernas e teve uma batida muito forte na cabeça. Tivemos que induzi-la ao coma, pois sua cabeça está com uma pressão muito alta. Ela teve sorte de não atingir nenhum órgão vital.

 

- Ela está em coma? Silvia perguntou ainda mais desesperada.

 

- Sim, teremos que mantê-la assim até a pressão da cabeça diminuir, mas isso poderá levar alguns dias.

 

- Posso vê-la?

 

- Não seria conveniente vê-la agora, pois ela está na UTI.

 

- Por favor, doutor. Só uma olhada. Silvia suplica-lhe.

 

- Ok, vou com você, mas deverá ser uma visita rápida. Um minuto no máximo.

 

- Ok.

 

O médico levou Silvia até a sala, vestiu uma roupa especial e foi ver Ana. Ao vê-la sentiu uma dor imensa no peito. Não queria que seu amor estivesse naquele estado. Queria vê-la sorrindo novamente.

 

Célia avisou a mãe de Ana, que veio correndo ao hospital. Estava desesperada com o que aconteceu com sua filha. Conheceu Silvia e na dor, ambas ficaram amigas.

 

Silvia não arredou pé do hospital um único dia. Célia tentou argumentar que não seria necessário ficar ali, já que Ana estava na UTI e estava sendo bem assistida. Mas Silvia era teimosa. Ficou num hotel próximo ao hospital, mas só ia quando o cansaço era insuportável. Já era o oitavo dia. Silvia emagreceu, estava com olheiras. Não perdia as esperanças da melhora de Ana. O médico dera-lhe ótimas notícias e provavelmente em dois dias Ana sairia do coma induzido. Ela estava se recuperando bem e quando acordasse seria transferida para um quarto no dia seguinte.

 

Finalmente acabara o coma induzido, agora era esperar Ana acordar e a cada instante Silvia rezava pedindo pela sua melhora. Enfim, Ana acordou. Mas logo voltou a dormir. Silvia estava felicíssima. Depois de quatro horas, Ana acordou novamente e dessa vez ficou um bom tempo acordada. Foi permitida a entrada de Silvia. Chegou perto da cama e olhou Ana com todo o amor que sentia. Ana tentou esboçar um sorriso e Silvia sentiu seu coração se aquecer.

 

- Quer nos matar de susto D. Ana? Falou sorrindo.

 

- Ô...

 

- Estamos torcendo por sua melhora. Sua mãe pediu que lhe desse um beijo quando acordasse. Se aproximou e deu um suave beijo na bochecha de Ana.

 

- Co... como... e... ela está?

 

- Ela está bem. Só preocupada contigo. Não fale, tá. Fique quietinha. Silvia faz um carinho no rosto de Ana. Seu desejo era dar um beijo na boca de Ana, mas teria tempo para fazer isso.

 

Ana a olha com um amor imenso. Ela está com a aparência cansada, com olheiras. Ana se lembra do acidente. Achou que fosse morrer. Tudo aconteceu muito rápido. Tentou desviar o carro, mas não conseguiu. Uma lágrima escorre pelo seu rosto.

 

- Shhhh... meu amor, não chore. Está tudo bem. Silvia fala carinhosamente.

 

Ana olha para Silvia, perde-se no verde do seu olhar e não consegue acreditar no que ouviu. Silvia a chamou de “meu amor”. Como queria que isso fosse verdade, mas mesmo assim sentiu seu coração aquecido. Voltou a dormir novamente. Silvia após vários dias, enfim, consegue dormir uma noite inteira. Dorme por doze horas seguidas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Sete: Recuperação

 

Quando Silvia acordou, levou um susto. Dormiu muito. Precisava voltar ao hospital. Chegando ao hospital, foi informada de que Ana já estava instalada num quarto. Ficou feliz e foi até lá.

 

Entrou no quarto e viu que Ana dormia serenamente. Ficou observando-a dormir. Como amava esta mulher. Sentia seu coração quente com essa constatação. Não a deixaria jamais sair da sua vida. Custara a entender o que lhe acontecia, mas descobrira e o que mais queria era viver este sentimento. Tivera um medo imenso ante a possibilidade de perdê-la. Fez um leve carinho no rosto de Ana e deu um suave beijo em seus lábios. Ana continuava dormindo. Silvia resolveu tomar algumas decisões práticas. Saiu do quarto e ligou para Célia.

 

- Célia, sou eu, Silvia.

 

- Sim, D. Silvia.

 

- Eu preciso que você contrate outro motorista para mim.

 

- E Ana? Perguntou Célia assustada.

 

- Tenho outros planos para Ana. Ela não será mais minha motorista.

 

- Ok. Vou providenciar isto.

 

- Célia, verifique se um daqueles dois motoristas ainda está disponível. Se estiver contrate-o.

 

- Verificarei.

 

- Tenho urgência nisso.

 

- Certo.

 

Silvia desliga o telefone e vê a mãe de Ana se aproximando.

 

- Bom dia, D. Josefa. Silvia a cumprimenta dando-lhe um abraço e dois beijinhos no rosto.

 

- Bom dia, D. Silvia. Como está minha pequena?

 

- Já está no quarto. Está melhor, e se recuperando bem.

 

- D. Silvia. Josefa pega nas mãos de Silvia e a olha com os olhos marejados. – Quero agradecer-lhe por tudo que tem feito pela minha menina. Ela é a única pessoa que eu tenho neste mundo.

 

Silvia dá-lhe um abraço e diz:

 

- D. Josefa, tivemos um grande susto e o pior já passou. Eu faria o impossível para ver Ana bem.

 

- Eu sei. O que você fez por minha filha, a gente não faz por qualquer pessoa, eu digo, essa dedicação integral. Eu... vejo... amor em seus olhos. Você ama minha filha, não é? Josefa deixa Silvia sem ação com a pergunta. – Desculpe-me por perguntar, assim, direto.

 

- Bom... eu... sim, eu amo sua filha. Declara Silvia, assustada e ao mesmo tempo encantada com a perspicácia daquela senhora.

 

- Só te peço uma coisa. Faça minha Ana feliz. Ela merece.

 

- Sim, D. Josefa, eu farei isso.

 

- Bom. Deu um sorriso. – Vou entrar e ver minha menina.

 

- Sim, deixarei vocês sozinhas. Diga a ela que eu estou aqui, por favor.

 

- Direi sim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Oito: Descobertas

 

D. Josefa entra no quarto e Ana tinha acabado de acordar. Dá um imenso sorriso ao ver sua mãe. Estava com saudades dela.

 

- Mãe. Que bom que você veio.

 

- Oi, minha filha. Como você está? D. Josefa diz dando um abraço e beijando sua filha no rosto.

 

- Estou bem melhor, mãe. Só a perna que dói e isso me incomoda um pouco.

 

- Mas logo você estará sem dor. Minha filha, tive tanto medo de te perder. D. Josefa fala com os olhos marejados.

 

- Ô, mãe. Eu tô aqui, e estou bem. Diz sorrindo, querendo apagar aquele olhar triste de sua mãe.

 

- Eu sei, Ana. Fala passando a mão no rosto de Ana. – Ah, a D. Silvia está aí fora.

 

- Está? Ana pergunta assustada.

 

- Sim, ela nunca arredou o pé do hospital, mesmo com você na UTI.

 

- Sério? Ana pergunta incrédula.

 

- Sim, e ela te ama, minha filha. D. Josefa diz sorrindo.

 

- Não, mãe. Ela não me ama. Ana diz, triste, querendo que realmente fosse verdade que Silvia a amasse.

 

- Minha filha, ela te ama e muito. Acredite em mim e ela confessou isso para mim.

 

- Mãe, eu não consigo acreditar nisso. Ana disse olhando para os olhos de sua querida mãe.

 

- Mas é verdade, Ana. Acredite. Só quem ama se dedica tanto assim.

 

- Não consigo imaginar ela me amando, mãe.

 

- Você ama muito ela, não é?

 

- Ah, mãe, sim. Demais, como nunca amei ninguém, mas ela só quer diversão. Ana diz com um olhar triste, sentindo uma vontade de chorar.

 

- Minha filha, acredite, ela te ama.

 

- Queria acreditar nisso, mãe. Mesmo. Ana estava com os olhos marejados.

 

- O tempo mostrará isso a você, Ana.

 

Conversaram sobre vários assuntos. Riram um monte. Ana sentia-se muito bem. Gostaria de acreditar no amor de Silvia. Mas não conseguia. Para alguém que sempre se relacionou por diversão e agora dizer que estava apaixonada era difícil de acreditar, mas passaria a observá-la mais atentamente.

 

- Minha filha, já vou. Ah, a Cássia quer vir te ver.

 

- Tá, peça a ela para vir.

 

- Direi a ela.

 

D. Josefa dá um beijo e um abraço na filha e sai. Sua menina está bem. E no que dependesse dela, ela e D. Silvia ficariam juntas. Pensou sorrindo.

 

Assim que D. Josefa sai, ela e Silvia conversam um pouco e logo depois Silvia entra no quarto. Ana dá-lhe um sorriso encantador. Silvia se derrete toda. Aproxima-se de Ana e dá-lhe um leve beijo nos lábios. Ana fica sem ação, pois não esperava um beijo nos lábios, mesmo sendo um selinho.

 

- Oi, Ana. Tudo bem? Silvia pergunta sorrindo encantadoramente.

 

- Oi, D. Silvia, tudo bem. Só a perna que dói muito.

 

- Bom, acho que isso é normal. E dá um sorriso cativante. – Falei com o médico. Ele disse que provavelmente em uma semana você estará recebendo alta.

 

- Que bom. Não gosto de hospitais. Ana disse fazendo uma careta.

 

- Acho que ninguém gosta. Silvia ri dela. - Conversei com sua mãe e você ficará em minha casa. Silvia determina.

 

- Mas, D. Silvia...

 

- Nada de mas, Ana. Está decidido. E depois que a sua perna sarar, você ainda terá as sessões de fisioterapia.

 

- Mas eu não quero dar trabalho... Ana tenta argumentar.

 

- Ana, está decidido e não será trabalho algum. Dá um sorriso e leva a mão ao rosto de Ana e faz um carinho.

 

Ana se espanta com o gesto e fica observando a mulher a sua frente. Será que sua mãe estava certa? Pensou. Bom, se fosse verdade esperaria Silvia lhe dizer. Não precipitaria nada, até porque não queria criar falsas esperanças.

 

- Ana, eu... eu fiquei com tanto medo de te perder. Silvia diz com seu rosto levemente avermelhado.

 

Ana amou vê-la assim, sem graça, parecendo estar com vergonha do que estava dizendo.

 

- Ficou com medo de perder a sua motorista preferida? Ana perguntou rindo.

 

- Não. Silvia estava séria, encarando Ana. – Fiquei com medo de perder a mulher que amo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Vinte e Nove: Se declarando...

 

Ana ficou boquiaberta diante da declaração de Silvia. Não esperava ouvir isso. Não assim, direto. Seu coração se acelera, seu corpo reage instantaneamente à declaração de Silvia. Silvia a olha com carinho e pega em sua mão.

 

- Eu... eu... Ana não sabe o que dizer.

 

- Eu te amo, Ana. Descobri isso quando estava na praia ainda. Estava tão feliz esperando você me buscar e quando... quando recebi a notícia do acidente... eu achei que fosse morrer de tanto desespero. Desespero pela possibilidade de te perder. Silvia falou olhando aqueles olhos castanhos que tanto amava.

 

Ana continua muda, sem saber o que dizer. Estava sentindo uma felicidade imensa. Seu sonho era real. Silvia a amava. Deveria acreditar? Deveria se entregar assim, fácil? Pensava.

 

- Ana, sei que é difícil para você acreditar, mas é verdade. Descobri que te amo, e te peço, dê-nos uma chance de viver este amor, por favor? Silvia suplica-lhe com as lágrimas escorrendo livremente pelo seu rosto.

 

Ana fica observando a mulher a sua frente. Jamais esperava ver e ouvir isso, mas precisava pensar sobre isso.

 

- Silvia, eu... eu preciso pensar. Não sei o que dizer. Ana diz quase chorando também. Seria tão fácil dizer “sim”, mas e o medo de ser apenas mais uma diversão dela, de que ela esteja confundindo as coisas.

 

- Entendo. Deixarei você pensando. Silvia diz triste e entende que não será tão fácil como pensou que seria.

 

Silvia faz um carinho no rosto de Ana, a olha com carinho, dá um pequeno sorriso, se vira e sai do quarto com a tristeza pesando-lhe na alma. O que você esperava? Que ela pulasse em seu pescoço e dissesse que a amava também? Silvia se perguntava. Sentou num banco no corredor e ficou ali, chorando. Não conseguia mais se imaginar viver sem Ana. Ela tornou-se a razão do seu viver. E se ela não lhe quisesse, o que faria? Como sobreviveria a isso? O que eu faço da minha vida sem você, Ana? O que eu faço?

 

Não retornou mais ao quarto de Ana nesse dia. Foi para o hotel. Não conseguiu dormir nada a noite. A possibilidade de ficar sem Ana a desesperava. Jamais imaginou que pudesse ficar assim, de quatro, por alguém, mas estava e descobriu que amar podia ser sofrimento. Muito sofrimento. Não queria sofrer, mas quantas mulheres fizera sofrer assim. Lembrou-se do que Carmem dissera. É, estava apaixonadíssima e corria o risco de não viver esse amor. Precisava ver Ana. Precisava estar perto dela. Era vital.

 

De manhã voltou para o hospital. Ao chegar na porta do quarto de Ana, seu coração bate acelerado. Não queria pressioná-la, só queria vê-la. Ana dormia serenamente. Sentou na poltrona e ficou observando-a dormir. Novamente viu-se perdida em seus pensamentos. Era um looping. Como viver sem Ana? Como viver sem o sorriso, sem a alegria dela? Como viver sem o amor dela? Como?

 

Ana acorda. Abre os olhos lentamente e vê Silvia. Seu coração fica feliz. Não a viu mais ontem. Ainda não se decidira, o medo persistia. Como acreditar em alguém que não acreditava no amor? Não estaria confundindo as coisas? Tinha medo de se entregar e descobrir depois que não era amor, mas apenas obsessão por parte dela. Mas ao se imaginar ficar longe dela ficava angustiada. Precisava se decidir logo. Silvia a vê acordada.

 

- Bom dia, Ana. Diz sorrindo e morrendo de vontade de beijá-la.

 

- Bom dia. D. Silvia.

 

- Você está bem?

 

- Estou sim, mas a perna continua incomodando. Ana diz fazendo carinha de dor.

 

- Logo você estará nova em folha. Silvia diz sorrindo.

 

- Espero que sim.

 

Pela primeira vez Silvia não sabe o que dizer. Queria abraçar e beijar Ana. Mas não podia. Olha para seus amados olhos castanhos e sorri. Ana lhe sorri de volta. Nesse instante alguém chega na porta, que está aberta, e dá leves batidas, se anunciando.

 

- Olá, bom dia pra vocês duas.

 

- Cássia. Que bom te ver. Ana diz sorrindo ao ver a amiga.

 

- Estava te devendo a visita. Como você está? Pergunta e chega até Ana dando beijos em suas bochechas.

 

Silvia a reconhece como sendo a mulher que estava no shopping com Ana. Sente um ciúme louco e resolve sair do quarto sem dizer nada. Ana percebe a reação de Silvia e fica intrigada. Depois pensaria sobre isso. Primeiro curtiria a visita de Cássia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Trinta: Acerto final

 

Silvia saiu apressada do quarto. Não suportou ver Ana sorrindo para aquela mulher. Ficou se corroendo de ciúmes. Resolveu que era melhor sair a ficar presenciando a cena. Droga, nunca tivera ciúmes antes, por ninguém!

 

Não conseguiu conversar direito com Ana. Precisava saber o que Ana pensava sobre o seu amor. Estava cansada, resolveu que iria para casa. Estivera no hospital e no hotel por todo este tempo. Não tinha dormido nada a noite anterior e agora o cansaço estava aparecendo. Foi para casa e tomou dois comprimidos para dormir. Capotou por vinte horas seguidas. Quando acordou estava desnorteada. Dormiu quase um dia inteiro. Decidiu que não iria ver Ana hoje. Talvez amanhã. Tentou voltar ao trabalho, mas não conseguia se concentrar. Ana não saia dos seus pensamentos.

 

Amanhã chegou e não foi visitá-la de novo. Resolveu “ir” de outra forma. Novamente seu dia foi chato, vazio. Como Ana fazia-lhe falta. Como ela preenchia o seu dia. Decidiu que amanhã iria vê-la e conversaria com ela. Tinha que resolver isso, pois não agüentava viver assim, nessa indefinição.

 

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Ana estava sentindo falta de Silvia. Já fazia três dias que não a via. Estava desesperada querendo vê-la. No dia anterior tinha recebido um enorme buquê de rosas vermelhas de Silvia. Ficou hiper feliz, mas ela não apareceu. Será que ela não viria mais? Droga, porque simplesmente não dizia a ela que a amava também. Agora ficava nessa agonia. Não conseguia mais viver sem Silvia. Dane-se o medo! Eu a amo. Preciso dela!

 

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Silvia foi ao hospital ver Ana. Quando Ana a viu, quase explodiu de felicidade. Silvia estava meio séria. Cumprimentou Ana.

 

- Como você está, Ana?

 

- Agora estou bem melhor. Por que você sumiu? Ana perguntou encarando Silvia.

 

- Porque não queria impor minha presença a você.

 

- Eu amo a sua companhia, tá.

 

- Ama só a minha companhia? Silvia pergunta encarando Ana com seu olhar triste.

 

- Não. Ana responde sorrindo.

 

- Não?!

 

- Eu amo você também Silvia. Ana se declara sorrindo.

 

Silvia sente uma felicidade imensa ao ouvir Ana dizer que a amava também. Lágrimas de felicidade rolam pelo seu rosto.

 

- Silvia, vem cá.... Ana diz e se abraçam fortemente.

 

- Podemos... namorar? Silvia pergunta timidamente, depois de um tempo.

 

- Humm.. Está me pedindo em namoro? Ana diz sorrindo.

 

- Sim, você aceita?

 

- Aceito, mas com uma condição.

 

- Qual? Pergunta Silvia curiosa.

 

- Sou muito ciumenta, e se eu ver você com rabo de olho para outra mulher, ficarei muito brava. Ana disse fingindo brabeza.

 

- Sua boba. Só tenho olhos para você.

 

- Acho bom.

 

E se beijam apaixonadamente. Ficam um bom tempo trocando carícias. Ambas sentem-se nas nuvens.

 

No dia seguinte, Cássia aparece de novo para visitar Ana. Quando ela chegou, Silvia ficou se roendo de ciúmes, mas mesmo assim saiu do quarto. Ana não lhe dissera nada sobre ela. Também não se lembrara de perguntar. Droga, sobre o que estariam falando? Pensava agoniada. Sua vontade era entrar no quarto e ficar possessivamente ao lado de Ana. Tinha descoberto que era extremamente ciumenta.

 

Quando Cássia saiu, entrou no quarto logo em seguida. Estava séria e encarou Ana, que se assustou e perguntou:

 

- O que aconteceu, Silvia?

 

- Quem é essa mulher?

 

- É a Cássia, minha amiga e minha ex-namorada. Está com ciúmes? Ana perguntou entendendo a reação de Silvia.

 

- Estou sim, tá. Responde brava.

 

- Uau, minha mulher é ciumenta. Ana diz rindo. – Vem cá, meu amor, vem. Diz e abre os braços. Silvia se aconchega nela. – Olha Silvia, só tenho olhos para você também, tá. Só existe uma mulher que quero amar e essa mulher é você. Certo?  Diz e dá um beijo apaixonado em Silvia, ambas sentem seus corpos se inflamarem de desejo. Silvia, tomada pelo desejo, diz:

 

- Quero você, agora.

 

- Meu amor, eu não posso. E alguém pode aparecer, tem sempre enfermeira entrando. É arriscado demais.

 

- Fecho a porta, elas não entram sem bater e será rápido. Dá um sorriso sacana e faz isso.

 

- Uma rapidinha! Você é uma maluca. Ana diz rindo.

 

- Sim, sou maluca sim, maluca por você.

 

Silvia volta para Ana e a beija com paixão, beija seu pescoço, seu rosto. Sente o seu cheiro. Acaricia o corpo de Ana com carinho e cuidado, suspende a camisola sem-vergonha modelito padrão e suga os seios de sua amada. Ana geme ao sentir a boca de Silvia em seus seios. Está sedenta de amor, completamente molhada e enlouquecida. Não agüentando a vontade, pede que Silvia a penetre logo, pois está ansiosa pelos seus carinhos e por sentir prazer. Silvia desce sua mão até o sexo de Ana, que facilita a exploração abrindo a perna boa e Silvia a penetra, com carinho, intensifica os movimentos levando Ana para a explosão de seu corpo num orgasmo intenso, delicioso. Ficam olhando-se apaixonadamente. Beijam-se novamente. Silvia a ajuda a vestir novamente a camisola. Nisso batem na porta e logo em seguida a enfermeira entra. Foi por pouco. Ambas se encaram e riem.

 

- Pelo visto perdi a piada. A enfermeira diz sorrindo.

 

- É, acabou de perder. Silvia diz rindo.

 

A enfermeira aplica algumas injeções em Ana e logo em seguida se retira.

 

- Sua maluca, ela quase pega a gente pecando. Ana diz rindo.

 

- Uau, vou querer pecar sempre. Silvia diz caindo numa gargalhada.

 

Ficam conversando até Ana voltar a dormir, pois acabou ficando cansada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo Trinta e Um: Fim? Não, apenas o começo

 

Ana recebe alta e sai do hospital em uma cadeira de rodas, mas feliz da vida. Ana vê o carro com um homem ao lado. Olha para Silvia, ri e pergunta:

 

- Perdi a vaga?

 

- Sim, você foi promovida. E dá um suave beijo nos lábios de Ana.

 

Ana é colocada no banco da frente, é mais confortável e vão para casa.

 

Ana é instalada no quarto de Silvia. É a primeira vez que entra nele. É imenso e tem uma daquelas camas enormes, tamanho king. Descobre que no banheiro tem uma banheira de hidromassagem para duas pessoas. Humm.. tive umas idéias. Mas antes preciso ficar boa da perna. Ana pensa sorrindo. Está feliz como nunca foi. Sente-se no céu. E vê Silvia igualmente feliz.

 

Célia estranhou Ana ser instalada no quarto de Silvia, e entendeu o que estava acontecendo. Ficou feliz pelas duas. Até que enfim D. Silvia criou juízo. Pensou.

 

Ana está deitada e Silvia entra no quarto. Vai até ela e senta-se ao seu lado. Dá-lhe um beijo apaixonado.

 

- Tudo bem contigo, meu amor? Silvia pergunta fazendo um carinho no rosto de Ana.

 

- Sim, estou ótima. Uau, esta cama é imensa. Ana diz rindo.

 

- É mesmo, sempre me senti perdida nela.

 

- Ah, você tá brincando.

 

- Sério. Você é a primeira mulher que entra no meu quarto, na minha cama e no meu coração. Diz olhando apaixonadamente para Ana.

 

- Uau, que privilégio. Diz rindo, olha para Silvia e diz: - Eu te amo, Silvia.

 

- Eu também te amo, meu amor.

 

Se abraçam e se beijam, o desejo é despertado e se querem com paixão. Silvia tira suas roupas e a de Ana, beijando cada parte que vai desnudando, deixando Ana cada vez mais enlouquecida. Silvia se deita ao lado dela, tomando cuidado com a perna machucada, e ambas se exploram com volúpia, arrancando gemidos uma da outra. Ficam horas se amando. Sentem-se realizadas e plenamente satisfeitas. Acabam adormecendo.

 

Finalmente os ferros da perna de Ana são retirados, mas ainda andará de muletas por um tempo. Não vê a hora de poder andar livremente. Começam as sessões de fisioterapia, que são extremamente doloridas. Duram quase dois meses e, enfim, recebe alta. Está livre.

 

Ana diz a Silvia que quer trabalhar, não agüenta ficar sem fazer nada. Precisa se ocupar. Silvia tem uma idéia. O Cardoso, chefe do departamento de contabilidade, se aposentará dentro de três meses e decide colocar Ana trabalhando com ele, para que ela aprenda o serviço e depois assuma o seu lugar. Ana vibra com a idéia. Era a oportunidade de trabalhar naquilo que tinha estudado. E assim é feito.

 

Ana sempre acompanha Silvia nas visitas às fazendas. Fazem tudo juntas.

 

Depois de mais um dia de trabalho, Ana chega no quarto e não vê Silvia, vai até o banheiro e a vê imersa na banheira cheia de espuma. Se aproxima, dá um sorriso safado e se despe e entra na água. Silvia sorri e sente seu corpo estremecer todo. Ana adorava fazer amor na banheira. Ana senta e a puxa para si, ficam de frente com Silvia sentada em seu colo. Suas peles molhadas em contato provocam sensações deliciosas. Ana percorre com seus dedos o rosto de sua amada. Cheira a sua pele, dá beijinhos em seu pescoço e ambas não resistindo trocam beijos apaixonados, as mãos deslizam pelos corpos molhados. Ana beija, mordisca, lambe o pescoço de Silvia, desce sua boca para os seios e os suga, Silvia geme alucinada, sentindo seu corpo inteiro se arrepiar de prazer. Ana faz Silvia sentar na borda da banheira e abre suas pernas. Se delicia com a visão que tem. Olha para o rosto de Silvia, para seus magníficos olhos verdes e dá um sorriso lindo e não se contendo, abocanha o sexo de sua amada, ambas gemem de prazer, Ana explora-o com avidez, percorre com sua língua todo o sexo de Silvia. Silvia implora por mais, então Ana penetra-a com os dedos e com a língua faz carinhos no clitóris intumescido. Silvia se alucina de tanto prazer. Ana sobe e a beija na boca, continuando a penetrá-la, movimentando-se mais rapidamente até Silvia de contorcer de prazer e sentir o orgasmo tomar conta de seu corpo. Relaxa. Ana a traz para si, colocando-a de costas, encaixando-a em seu corpo. Ana suavemente começa a passar a esponja pelo seu corpo, dando-lhe banho ao mesmo tempo que a enche de beijos e sussurra palavras de carinho. Na seqüência, Silvia se vira e dá um banho em Ana também, repleto de beijos e mais carinhos. Saem da banheira, se enxugam e vão para a cama. Continuam a se amar. O que aconteceu na banheira foi apenas o aquecimento do que aquela noite prometia. E entre gemidos e juras de amor, mais uma vez saciaram seus corpos. Terminam dormindo abraçadinhas.

 

Amanhã seria um novo dia, mas tinham a certeza de se amarem e isso bastava para seus corações seguirem felizes.

 

FIM.

  

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