A   Sensual   Virna

 

Parte 11- conclusão

 

 

Capítulo  17

 

 

Quando Alex recobrou a consciência, estava deitada em uma cama de hospital. Alex olhou em volta, ainda sem se situar. Uma enfermeira lhe sorriu, entrando no quarto.

 

-Olá, signorina Alexandra, que bom que acordou! Está tudo bem, agora.

 

Alex tentou sentar na cama e sentiu dor no braço esquerdo. Olhou-o e viu que estava todo enfaixado. A enfermeira a fez deitar-se novamente, empurrando-a com cuidado para trás.

 

-Não deve levantar-se. Perdeu muito sangue e está ainda fraca, se recuperando. Você foi operada para extraírem a bala no braço.

 

Alex a fitou ansiosamente, lembrando os acontecimentos que provocaram seu estado atual.

 

-Virna! Onde está Virna? – Perguntou, angustiada.

 

-Calma, signorina. Ela está na polícia, prestando depoimento. Logo será liberada.

 

-E Paola? Ela está bem?

 

-A signorina Paola também foi operada. O estado dela é satisfatório, está na UTI se recuperando.

 

Alex tentou novamente se sentar, agitada. A enfermeira a segurou, impedindo-a de prosseguir.

 

-Não pode se levantar!

 

-Eu preciso sair daqui! Eu preciso ir ver Virna! – Gritou Alex.

 

A enfermeira  desistiu de segurá-la e foi correndo pedir  ajuda. Alex deslizou para o chão e suas pernas não a sustentaram. Caiu sentada. Foi assim que os dois enfermeiros e o médico a encontraram. Eles a colocaram de novo na cama e o médico mandou o enfermeiro aplicar um calmante. Em poucos minutos, Alex caiu em um sono profundo.

 

No dia seguinte, ela despertou e quando olhou em volta, viu Virna em pé ao lado da janela do quarto, olhando para fora pensativamente. Sentiu o coração se inundar de alívio e emoção, ao ver a mulher amada.

 

-Virna!... – Chamou.

 

Virna voltou-se e a fitou surpresa e sorridente. Estava linda, em um terninho de cor escura e blusa branca. Ela se aproximou e se debruçou para Alex, fitando-a com carinho.

 

-Como está se sentindo, meu amor? Graças à Deus não houve nada de grave com você! Alex, eu pensei que você e eu  não conseguiríamos sair com vida daquele quarto!

 

-Você está bem, Virna? Elas a machucaram muito? – Perguntou Alex, preocupada.

 

-Bem, tive mais sorte que você e Paola. Minhas coxas esfoladas por um golpe de cinto, escoriações em meus pulsos, pela força que fazia para libertar-me, e mais nada. Você teve um corte no ombro, um no peito e um tiro no braço.

 

-E Paola, Virna? – Perguntou, fitando-a nos olhos. Apesar de tudo, estava com pena de Paola. Ela no fundo era apenas uma jovem desorientada, sem o amor de uma família que a apoiasse e orientasse.

 

Virna olhou para a janela, evitando seu olhar.

 

-Ela teve sorte. O tiro de Karina atingiu apenas o ombro dela, sem atingir algum ponto vital. O estado dela era delicado porque perdeu muito sangue e teve uma parada cardíaca na mesa de operação.Mas hoje já está fora de perigo. Ainda está hospitalizada, se recuperando.

 

-Graças a Deus, Virna! Paola errou muito, mas tenho certeza que ela foi induzida a agir daquele modo por Karina, que se aproveitou do estado emocional dela. Paola estava drogada, Virna.Nem devia saber direito o que estava fazendo. E Karina, Virna? Ela morreu, como achei, ou sobreviveu?

 

-Ela morreu, Alex. O tiro foi mortal.

 

Alex a fitou abalada.

 

-Eu vou ser presa, então? Sou uma assassina?

 

-Não, Alex! Você agiu em legítima defesa! Em meu depoimento à polícia, eu falei como foi. Vocês lutaram pela posse da arma. E a arma disparou na mão dela. Eu contei  à polícia que  elas invadiram seu apartamento.Fiz exame de corpo delito.As contusões em meus pulsos e tornozelos, a marca da cintada que levei, as marcas das bofetadas... tudo comprova as agressões que sofri. E os peritos encontraram vestígios de pólvora na mão dela, além das impressões digitais, provando que Karina quem disparou a arma contra Paola e você. O  depoimento  de Paola e o seu confirmarão o meu. E a arma é de Karina, está registrada em nome dela.

 

-Virna, eu vou assumir os meus atos. Mas a polícia sabe o que motivou a vingança delas?

 

Virna a encarou gravemente.

 

-Tive de contar tudo, Alex.E o escândalo estourou. Os jornais não falam de outra coisa. Sou uma pessoa de projeção social e você também é de uma família conhecida. Todos sabem o que motivou a ida de Karina e Paola ao seu apartamento e as circunstâncias em que o crime foi praticado. Mas nós duas somos as vítimas. Meus advogados estão cuidando de nossa defesa. Fomos vítimas de uma mulher psicótica e tarada, que invadiu sua casa ajudada por uma menor drogada, que Karina induziu ao crime. A ironia disso tudo é que você  ficou famosa . A exposição vendeu todos os seus quadros e há uma procura febril por mais obras suas. Todos querem possuir um quadro da mulher que conquistou a  conhecida condessa Virna Del Fosco e sua filha, e  foi o pivô de um crime.

 

Alex a fitou consternada.

 

-Oh, Virna! A que preço fiquei famosa! Destruí sua reputação ! Meu Deus, eu sinto tanto, ser o pivô do escândalo que a atingiu!

 

Virna sentou na beira da cama e pegou sua mão direita, beijando-a e a fitando com carinho.

 

-Você não tem culpa, Alex. Eu quem sou a culpada de tudo. Fui eu quem a procurou para seduzir, quem a ameaçou para ter sexo comigo. Assumo minha culpa.

 

-Oh, Virna! Você não entendeu que se eu não estivesse muito atraída por você, nada teria acontecido? Eu quis ter você! E não pensei nas consequências! Virna... diga-me, vai continuar comigo? Mesmo agora, depois que o escândalo estourou? – Perguntou, receosa que Virna agora achasse melhor terminar aquela relação ilícita aos olhos do público.

 

Virna sentiu o medo de Alex e sorriu, acariciando o seu rosto.

 

-Ninguém irá nos separar, amore mio. Vou enfrentar tudo para ficar com você. Se quiser, iremos embora daqui. Poderemos viver em Londres, em Genève ou na Grécia, quando tudo isso acabar.

 

-Você quem decide, Virna. Só sei que a amo muito e quero tê-la sempre comigo, em qualquer lugar – Disse Alex, fitando-a nos olhos apaixonadamente.

 

Virna apertou a mão de Alex, dizendo emocionada, com os olhos brilhando:

 

-Oh, Alex!... Eu a amo tanto! Tenha paciência, amore...esse pesadelo está perto de acabar. E então iremos viver nossa vida em paz.

 

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Dois dias depois, Alex teve alta hospitalar e Virna veio buscá-la. Saíram pelos fundos da clínica , porque a entrada estava tomada pela mídia, com fotógrafos e cinegrafistas. Virna a conduziu direto para sua casa, pois Alex não queria ir para seu apartamento, ainda traumatizada pelo que havia acontecido lá. Com a morte de Karina em seu quarto, Alex não pretendia morar mais no apartamento. Iria colocá-lo à venda e enquanto não decidia onde morar, ficaria na casa de Virna.

 

Alex estava com o braço enfaixado em uma tipóia, e tomando comprimidos contra dor. Então, sexo era algo fora de questão. Virna a instalou numa confortável poltrona-cama no terraço e Giovana serviu um lanche com frutas, queijo e leite.  Virna sentou numa poltrona diante dela e contou para Alex que Paola ainda estava internada na clínica, sob custódia judicial, e quando recebesse alta, seria encaminhada para uma clínica de tratamento para drogados. Virna já havia acionado seus advogados para darem assistência jurídica à Paola e para a orientarem no depoimento que daria, dizendo que Karina quem a havia procurado, para propor a invasão do apartamento de Alex.

 

Alex olhou para Virna, duvidando dessa versão.

 

-Como Karina encontrou Paola? E como soube que nós havíamos terminado?

 

Virna suspirou, encarando-a com seus belos olhos.

 

-Benne... a verdade é que foi Paola quem procurou Karina, contando sobre nós e pedindo que Karina a ajudasse a vingar-se. Mas meus advogados acharam melhor para Paola a versão de que Karina é quem a procurou propondo vingança. Ela está morta e não tem mais nada a perder. E esse detalhe caracteriza que Paola foi induzida a agir da forma que fez.

 

Alex sorriu com ironia.

 

-Os mortos não falam, não é? Tudo bem... Karina não merecia consideração mesmo...o que mais os advogados mandaram ela falar?

 

-Paola aceitou o trato que propuz. Ela ajuda  você no depoimento dela, dizendo que não foi você quem a seduziu, e sim ela, além de já ser uma garota experiente em sexo e drogas, quando você a conheceu, o que é verdade.Isso a livra da acusação de sedução de menor, porque Paola já não era mais virgem e ingênua.    Em troca, eu não conto à polícia que a idéia de vingança partiu dela. Então, ela será vista apenas como uma jovem que quis se vingar  da ex-amante, induzida por Karina, que lhe ofereceu droga para ela ter coragem. Karina havia prometido apenas mostrar-me que você não prestava, que  usava as mulheres e descartava, como fez com ela e Paola. Mas que os acontecimentos fugiram de controle  porque ela estava drogada e Karina passou a comandar todas as ações.

 

-Percebi. E eu não serei acusada de ter corrompido Paola, menor de vinte e um anos, o que me acarretaria ser processada. Mas, e você, Virna? O que sente, depois do que aconteceu?Você  tem ódio de Paola?

 

Virna a fitou, franzindo a testa, um raio de sol batendo em seu rosto, tornando seus olhos mais azuis ainda, sua pele imaculada e boca vermelha sem pintura mostrando sua beleza irretocável.

 

-Sabe, Alex... nesses dias, após o que aconteceu, andei pensando muito em minha vida, em meu relacionamento com Paola, nos motivos que levaram ela a  promover essa vingança torpe. E fiz um exame de consciência. E não gostei do resultado, Alex. Eu tenho uma grande parcela de culpa pelo que Paola fez.

 

-Virna, você não pode se culpar... – Começou Alex, mas foi interrompida por um gesto de Virna, que ergueu a mão.

 

-Alex, eu tenho culpa por Paola ter feito essa loucura. Desde o início, quando ela nasceu. Eu era muito jovem e não tive discernimento em separar os meus sentimentos de mágoa de meu marido e o  que deveria sentir por ela. Meu marido foi um canalha, me traindo e impingindo-me sua filha, fruto dessa traição. Mas em minha revolta, eu nunca percebi que Paola era tão vítima quanto eu. Ela era apenas uma criança sem o carinho de uma mãe. E eu a rejeitei. Eu, em minha revolta, a comparei com o pai, não dei o amor que ela tão desesperadamente precisava. E o resultado foi esse, uma garota revoltada, com ódio por ter sido rejeitada. E tudo piorou quando eu tirei você dela.

 

-Virna, discordo! Você não me tirou dela, porque eu não pertencia à Paola! E eu já estava cheia dos ciúmes e paranóias dela, mesmo se não a tivesse conhecido, Virna, já teria acabado com ela!

 

 Virna suspirou, entrelaçando seus dedos, o olhar perdido.

 

-Mas eu tenho culpa, Alex. Se eu tivesse sido mais compreensiva, menos rancorosa, mais paciente, teria dado uma chance à Paola. Teria procurado amá-la, e não a rejeitar, como fiz. Ela cresceu sem saber o que era amor, e me odiando, em consequência de como a tratei, com indiferença. E não posso culpá-la de agora odiar-me.

 

Alex a fitou cheia de medo. Seu coração se contraiu dolorosamente de angústia.

 

-Virna, por Deus! O que está querendo dizer com isso? Está arrependida de ter se apaixonado por mim? Quer... terminar tudo entre nós? Por pena de Paola?

 

Virna a fitou surpresa e estendeu a mão, apertando a sua confortadoramente.

 

-Oh, Alex! Estou dando essa impressão? Não, amore mio... eu jamais terei essa idéia de deixá-la! Sabe por que? Porque eu não conseguiria ficar sem você. Eu a amo, Alex.Contra tudo e contra todos. Você é o amor de minha vida, eu preciso de você para ser feliz. Estou arrependida de como tratei Paola, mas afastar-me de você está fora de questão.

 

Alex respirou aliviada.

 

-O que estou pretendendo é dar à Paola apoio para que ela refaça sua vida. Ajudá-la a se livrar desse problema todo, ir viver como quer.Pode dizer que é remorso por ter errado com ela, mas seja o que for, quero tentar consertar o que fiz.

 

-Tudo bem, Virna. Eu também, apesar de tudo, ainda tenho pena de Paola. Mas não ao ponto de achar que ela é apenas uma vítima. Paola quem escolheu enveredar para a droga, se aliar à uma louca como Karina, para nos torturar física e psicologicamente. Ela está sofrendo as consequências de suas escolhas.Mas se você quer ajudá-la, não vou me opor.

 

-Obrigada, Alex. Pensei que você iria ser contra minha decisão. Eu me sinto responsável por Paola, e vou tentar corrigir minha falta com ela.

 

Virna continuou falando sobre os planos de defesa dos advogados. Alex sorriu com ironia, pensando como a justiça era manipulada para ser à favor dos poderosos. Virna e Paola faziam parte da elite social e como tal, tinha dinheiro e prestígio para fazer Paola parecer uma mocinha indefesa nas mãos de uma psicopata.

 

 

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Os dias se passaram. Alex se recuperou do ferimento no braço e colocou seu apartamento à venda. Agora apenas esperava o desfecho do processo da morte de Karina para viajar com Virna para um lugar onde não fossem seguidas pelos paparazzi, que queriam registrar qualquer passo dela com Virna. Estavam evitando sair devido ao assédio da imprensa, e o que mantinha seu equilíbrio emocional era o amor que Virna lhe dedicava. Se entregavam uma à outra com renovada paixão.

 

E a justiça deu a sua sentença, um mês depois do crime :

 

Paola deveria ficar internada em uma clínica para tratamento psicológico durante três meses. Com alta de seu psicólogo, dizendo que estava curada de seus desajustes, seria liberada.

 

Alex e Virna foram declaradas inocentes da morte de Karina. Todos os exames da perícia policial comprovaram a veracidade de seus depoimentos. Karina havia disparado a própria arma contra ela, em sua luta com Alex, que defendia sua vida. 

Aliviadas pela sentença, Alex  e Virna comemoravam, tomando champanhe no terraço da residência, quando o celular de Virna tocou. Ela atendeu e Alex viu o belo rosto empalidecer.

 

-Quando aconteceu isso? – Perguntou Virna, com voz tensa.

 

Ela ouviu a resposta e respondeu:

 

-Obrigada por ter me chamado. Estou indo para aí agora.

 

Ela desligou e fitou Alex, que a olhava preocupada.

 

-Paola tentou suicidar-se, cortando os pulsos – Comunicou, com voz cheia de tensão.

 

-Meu Deus! – Disse Alex, perplexa – Como ela pôde fazer isso?

 

-Não sei. Estou tão surpresa quanto você. Vou agora à clínica.Dio! Quando teremos paz?

 

-Vou com você, Virna.

 

-Não acho uma boa idéia. A imprensa pode estar lá, vão criar um circo.

 

-Virna, estamos nisso juntas, e se você vai enfrentá-los, eu também vou – Disse Alex, decidida.

 

-Tutto bene, amore. Então, vamos indo.

 

Chegaram à clínica em tempo recorde, com Alex dirigindo sua Ferrari. Havia alguns paparazzi que as seguiram e eles começaram a bater fotos delas. Virna empurrou um deles e conseguiu entrar na clínica, puxando Alex pela mão.

 

Um médico veio ao encontro de Virna, assim que ela chegou à recepção.

 

-Condessa Virna Del Fosco? – Perguntou ele, olhando-a de cima à baixo, com um olhar apreciativo.

 

Ela o fitou com um olhar preocupado.

 

-Sim, pode dar-me notícia de minha filha Paola?

 

Ele estendeu a mão, com olhar de conquistador. Alex percebeu o que ele estava pensando: Que uma mulher tão bela como Virna não devia ser de outra mulher. Que ele poderia mostrar à Virna como um verdadeiro macho a faria esquecer da amante.

 

-Sou o dr. Marcello Franquetti, muito prazer, Virna. Sua filha já está fora de perigo.

 

Virna o fitou com olhar gelado.

 

-Signora Del Fosco, signore Franquetti – Corrigiu Virna, com voz também fria – Como pôde acontecer isso?Como ela conseguiu um objeto cortante para cortar os pulsos?

 

Ele sorriu amarelo,  percebendo a frieza de Virna com o seu avanço.

 

-Bene, foi um erro da enfermeira. Ela estava passando pelo corredor com material para curativo. A senhorita Paola a chamou para colocar   sua cama em uma inclinação  mais alta e a enfermeira a atendeu. Ela deixou a bandeja de curativo sobre uma poltrona para fazer a tarefa  e a signorina Paola aproveitou para pegar um vidro pequeno com desinfetante. A enfermeira saiu sem perceber o furto e Paola trancou-se no banheiro. Quebrou o vidro e cortou os pulsos com os cacos do vidro.

 

-Per la Madonna! Que displicência! – Criticou Virna, aborrecida – Podemos vê-la agora?

 

-Ela está na UTI em observação.  Ela já estava debilitada pela perda de sangue do tiro que recebeu, e agora perdeu mais sangue. Mas ela é jovem e vai superar isso. Ela agora está adormecida, se recuperando. Poderão vê-la através de um vidro, mas não poderão entrar na UTI.

 

-Quero vê-la assim mesmo.

 

-Tudo bem. Mas sua amiga não poderá vê-la, não é parente, pelo que sei.

 

Alex olhou para o médico com ganas de esbofeteá-lo.Ia retrucar, mas Virna foi mais rápida:

 

-E pelo que sei, eu sou a mãe de Paola e minha amiga vai também vê-la, porque assim eu quero! – Disse ela, encarando o médico com um olhar desafiador. O médico engoliu em seco e assentiu.

 

Elas olharam para Paola através do vidro que isolava o UTI do corredor. Ela estava ligada à um monitor cardíaco e entubada com soro, mas respirando sem ajuda de aparelhos. De olhos fechados, somente sua respiração mostrava que estava viva.

 

Alex olhou para Virna e viu seu olhar preocupado e tenso. Ela voltou-se sem uma palavra e saiu dali.

 

De volta para casa,Virna suspirou, com ar triste.

 

-Sabe, Alex... eu posso parecer falsa, mas não estou mentindo ao dizer que torço para que Paola a esqueça e encontre logo alguém que a faça feliz. Ela deve estar sofrendo muito, para ter atentado contra sua própria vida.

 

Alex a fitou com compreensão.

 

-Eu acredito em você, Virna. Porque sinto a mesma coisa. Estou morrendo de pena dela. Eu estava pensando se você concordaria que eu a fosse visitar quando ela sair da UTI. Acredito que é importante para ela saber que não a odeio e desejo o bem dela. O que acha?

 

Virna cruzou os braços, olhando pela janela, evitando seu olhar, mas Alex percebeu um furtivo ciúme.

 

-Se você tem essa vontade, não sou eu quem vai falar contra. Faça o que o seu coração está mandando – Disse, com voz contida.

 

Naquela noite, não houve sexo entre elas. Virna parecia triste, contida, ouvindo sua ópera predileta, Traviata. A voz da soprano Kiri te Kanawa, considerada a melhor soprano viva, soava na sala de música, onde Virna estava isolada.

 

Sozinha no quarto, Alex sabia que Virna estava lutando contra o ciúme e desejo de pedir que não fosse ver Paola. Mas precisava ir. Devia isso à Paola. Ela havia cometido uma loucura em querer vingar-se dela e agora, loucura maior, tentar matar-se. Ela mostrava que estava totalmente desorientada, infeliz, desesperada. Ela precisava de alguém que lhe falasse palavras animadoras, para tirá-la daquele estado de desespero.

 

 Finalmente  Virna veio dormir. Deitou e abraçou Alex em silêncio.

 

-Eu a amo, Virna – Disse Alex, beijando-a no rosto.

 

Virna não respondeu. Não disse nada até adormecer.

 

Quando Alex acordou, viu que Virna já havia levantado. Tomou uma ducha, vestiu-se e desceu para procurar Virna . Não a encontrou em lugar nenhum. Perguntou à Giovana e ela informou que Virna havia saído em seu carro. Alex a fitou surpresa.

 

-Saiu?! Disse onde iria?

 

-Ela mandou avisar à signorina que ia visitar a sua empresa. Sabia que a signora Del Fosco é proprietária de várias indústrias? Ela é dona de uma fábrica de azeite, de uma vinícola, de dois frigoríficos e de uma construtora! Fora as terras na Toscana, com  videiras e oliveiras! – Disse Giovana, com orgulho.

 

Alex sorriu, sentando à mesa para seu café da manhã. Tomou o desjejum e saiu.

 

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Ao chegar à clínica onde Paola estava internada, disseram que ela não podia ver a paciente porque não era parente. Alex Alex exigiu falar com o médico  que tratava de Paola, e depois de muita confusão, ela conseguiu ser recebida pela psicóloga que tratava de Paola. A doutora a olhou com curiosidade, mas sem reprovação, como o médico do outro dia. Era uma mulher de seus quarenta anos, de cabelos louros e olhos azuis, com um sorriso  simpático.

 

-A signorina  então deseja falar com a minha paciente Paola Del Fosco, não?

 

-Oh... pensei que o médico dela fosse o doutor Marcello Franquetti. Sou Alexandra Birtrich Hurt, amiga de Paola – Disse, estendendo a mão.

 

A doutora apertou sua mão, sorrindo divertida.

 

-Eu sei quem você é. Sua foto esteve em todos os jornais.Sou a doutora Santtoro e esclareço que o doutor Marcello apenas tratou de Paola  na emergência que apresentou risco de vida para ela. Ele trabalha na emergência e eu trato da parte psicológica dela. Por que deseja ver minha paciente, signorina?

 

-Eu sei que ela está precisando de uma palavra amiga, de saber que alguém quer bem à ela. Ela está passando por uma fase muito difícil.

 

A doutora Santtoro a fitou gravemente.

 

-Bem, por tudo que sei, você foi e ainda é muito importante para Paola. Ela ainda não superou sua perda e está arrasada achando que você a odeia, como sua mãe. Se está querendo confortá-la e mostrar afeto por ela, sua visita será muito benéfica à ela. Mas se veio recriminá-la ou iludí-la com palavras de um amor que não sente, então é melhor não a ver.

 

-Eu jamais faria isso, doutora! Eu entendi que ela fez tudo isso por estar desorientada e fragilizada. E Karina se aproveitou disso para incitá-la a se vingar. Eu acho que Paola é apenas uma garota carente, perdida, à procura de quem a ame.

 

-Tutto bene. Vou confiar no que me diz. Se está sendo sincera, sua visita fará muito bem à Paola. Venha, vou conduzí-la até o quarto dela.

 

Alex seguiu a doutora pelo longo corredor . Ela abriu a porta e fez um gesto para Alex entrar. Alex passou por ela e deparou com Paola deitada numa cama, de olhos fechados. Como estava abatida! Os olhos com olheiras, o rosto pálido, emagrecida... parecia a sombra da garota que era. Alex sentiu a compaixão inundar seu peito, junto com um  incômodo sentimento de culpa.

 

A doutora Santtoro bateu levemente no braço de Paola, falando suavemente:

 

-Ei...acorde... veja quem veio visitá-la...

 

Paola abriu os olhos e fitou a doutora . Depois olhou para Alex e seus olhos se encheram de lágrimas.

 

-Alex? É você mesmo? Não estou delirando? – Perguntou, com voz trêmula.

 

Alex sorriu, estendendo a mão e segurando a mão gelada de Paola. A doutora Santoro se afastou discretamente para a janela, para deixá-las mais à vontade.

 

-Sou eu, Paola. Vim visitá-la. Está se sentindo melhor? – Disse, suavemente.

 

Paola se sentou, abraçando-a impetuosamente. Alex ficou quieta, deixando-a extravazar sua emoção.

 

-Alex! Se soubesse como esperei por isso! Ver você me olhar sem ódio! Oh, Alex! Se soubesse como estou arrependida do que fiz! Estou sofrendo muito, perdoe-me!

 

Alex a afastou suavemente e a fitou nos olhos.

 

-Paola, eu vim aqui para dizer que eu não a odeio, nem Virna a odeia. Eu quero que você saia daqui em breve e seja feliz com alguém.

 

Paola o fitou e baixou os olhos, envergonhada, dizendo:

 

-Alex, ouça...eu estava com muito ódio de Virna e telefonei para Karina, pedindo ajuda para vingar-me! E ela armou o plano, quando soube que eu tinha uma cópia da chave de seu apartamento! Mas eu tinha em mente apenas humilhar Virna, mostrar à ela que você também me desejava! Mas... Karina ofereceu-me cocaína. Eu cheirei e perdi a cabeça.

 

-Eu notei que você estava drogada, Paola.E eu tenho certeza que em seu estado normal você não faria metade do que fez e falou. E Virna também a perdoou, ela esteve aqui ontem, quando soube que você havia atentado contra sua vida. Paola, não faça mais isso! Você é tão jovem, tudo isso vai passar, você vai encontrar quem a ame, e será feliz!

 

-Eu sei que ela esteve aqui, a doutora Santtoro contou-me – Disse Paola, sem encará-la – E isso me faz sentir-me tão envergonhada! Eu nunca pensei que Virna, depois do que fiz, fosse mover um dedo para ajudar-me. Nem minha mãe ela é.

 

-Mas Virna se importa com você, Paola. Ela disse-me que está arrependida por ter rejeitado você quando era pequena. E ela pagou os melhores advogados para defender você e fará o que estiver ao seu alcance para ajudá-la a superar tudo isso. Assim que você for liberada daqui, poderá ir estudar em Paris e recomeçar sua vida.

 

Paola a fitou com tristeza.

 

-Não estou me importando mais com o futuro. Não tenho esperança de ser feliz.

 

-Paola, não diga isso! Você vai me esquecer, vai se apaixonar de novo!

 

-Não sei, Alex. Não quero amar mais ninguém.

 

-O tempo é o melhor remédio, Paola. Você verá que estou certa.

 

Ela deu um sorriso triste.

 

-Levará muito tempo para isso. Eu... ainda a amo, Alex.

 

-Lamento, Paola... – Disse Alex, sem saber o que mais dizer para confortá-la. O que Paola queria dela, era impossível. Amava Virna e jamais a trairia.

 

Paola a fitou com ar decidido.

 

-Vá, Alex. Vá viver a sua vida com quem escolheu para amar. Se um dia eu a esquecer, vou deixar você saber.  E diga à Virna que eu não a odeio mais.

 

Alex pousou a mão no ombro dela, fitando-a nos olhos. Paola tremia.

 

-Até um dia, Paola. Quando você sair daqui, eu e Virna viremos buscá-la.

 

Paola deitou e cobriu os olhos com o braço.

 

-Vá, Alex.

 

Sem falar mais nada, Alex se retirou.

 

 

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Quando chegou na casa de Virna, perguntou por ela e Giovana disse que ela ainda não havia chegado. Alex preocupou-se, pensando que talvez Virna estivesse evitando-a porque havia ido visitar Paola. Ficou nervosa e se sentou numa poltrona, tentando ler uma revista. Não funcionou. Tentou ver tv. Também não funcionou.

 

 Às cinco da tarde, quando finalmente Virna chegou, Alex estava uma pilha de nervos. Ela viu pela janela do quarto Virna chegar no Mercedes dirigido pelo seu chofer e descer diante da escadaria da porta principal. Ela estada vestida com blazer e saia, com sapatos de saltos altos, o que era sua roupa habitual quando ia às suas empresas. Mais tranquilizada com esse detalhe, Alex sentou em uma poltrona fingindo ler.

 

Virna entrou no quarto momentos depois e a olhou com um olhar impenetrável, dirigindo-se para o closet e perguntando:

 

-Olá Alex, foi tudo bem em sua visita à Paola? Como está ela?

 

Alex odiou o tom impessoal dela e jogou o livro para o lado, seguindo-a até o closet.

 

-Eu acho que merecia um pouco mais de consideração sua! Você saiu sem me dizer nada, nem sequer me ligou depois! E só chegou agora!

 

Virna ergueu as sobrancelhas, tirando o blazer e o colocando em um cabide.

 

-Apenas aproveitei que você saiu para visitar Paola e fui tratar de meus negócios. Não quis acordá-la para avisar onde ia, mas deixei recado com Giovana.

 

 Alex respirou fundo, para acalmar-se. Reconheceu que estava agindo como uma mulher ciumenta, insegura  e possessiva. Mudou seu comportamento. Abraçou Virna pela cintura, beijando-a na nuca.

 

-Eu sei. Desculpe minha cobrança, Virna. É que senti muito sua falta.

 

Virna inicialmente ficou imóvel e tensa, mas depois relaxou  e se voltou de frente para Alex, fitando-a nos olhos. E o que viu neles a fez suspirar e a abraçar apertadamente.

 

-Desculpe-me, Alex, eu estava mais uma vez sentindo-me insegura e magoada. Sou mesmo uma idiota, pode xingar-me.

 

Alex pousou uma mão carinhosamente no rosto de Virna, acariciando-o .

 

-Não há nada a desculpar. Eu também estava me sentindo da mesma forma, momentos atrás. Eu achei que você estava com raiva de mim e estava vingando-se, sumindo sem se comunicar comigo.

 

Virna a fitou gravemente.

 

-Alex, temos que ser mais abertas uma com a outra e externar nossas dúvidas quando elas ocorrerem e não ficar se martirizando com hipóteses. Temos que ter confiança uma na outra. E nada irá abalar nosso amor. Isso que nos falta, Alex. Confiança no amor da outra. Eu estava sofrendo   pensando que você queria ver Paola por  sentir falta dela, porque não estava segura do seu amor.

 

-Você tem toda razão, Virna. E eu estava agustiada esperando-a, porque pensei que você estivesse com raiva de mim e estava se vingando...

 

Virna sorriu, aquele sorriso que derretia o coração de Alex.

 

-Somos duas bobas, Alex. Sofrendo por ninharias.

 

-É porque eu a amo muito, Virna, e tenho medo de perdê-la. Mas você tem razão. Precisamos confiar mais no amor que nos une.

 

  -Então, vamos desfrutar desse amor, Alex... – Disse Virna, com voz sensual, em seu ouvido, as mãos deslisando pelo corpo de Alex.

 

Alex voltou o rosto e a beijou apaixonadamente, sugando avidamente os lábios macios de Virna, sentindo as mãos dela apertando suas nádegas, fazendo seus corpos se apertarem. As mãos de Alex também subiram e apertaram os seios de Virna, que gemeu e mordeu suavemente seu lábio inferior, enquanto movimentava o corpo sinuosamente.

 

Alex sentiu o desejo crescer e desabotoou dois botões da blusa de Virna, para pegar no seio quente e macio que a tentava. Virna se afastou dela e sorriu maliciosamente.

 

-Ah, ah! Nada disso, minha querida, nada de fazer sexo nesse closet ! Eu hoje quero uma noite muito especial, com champanhe e banho de espuma! Vá pedir à Giovana que traga champanhe, enquanto eu tiro a roupa e encho a banheira!

 

Alex sorriu, afastando-se para a porta do quarto.

 

-Você quer me torturar, adiando ser minha...mas, tudo bem, eu espero.

 

Alex pediu à giovana no interfone a bebida e enquanto esperava, tirou sua roupa e colocou um roupão de banho azul escuro. Giovana chegou com uma bandeja com o champanhe no balde de prata e duas flutes. Ela colocou sobre um aparador de mármore e se retirou discretamente. Alex pegou a bandeja e foi para o banheiro.

 

Virna já estava nua, pronta para entrar na banheira, quando entrou. Ela lhe sorriu, mostrando sua nudez com naturalidade, fazendo Alex engolir em seco vendo aquele corpo perfeito.

 

-Coloque a bandeja perto da banheira e venha se juntar à mim, Alex... – Disse ela, com voz sexy, com as mãos na cintura.

 

Alex colocou a bandeja onde Virna indicou e se voltou para ela, tirando o roupão e o jogando sobre a bancada, lentamente. O olhar de  Virna percorreu seu corpo, apreciativamente, e ela estendeu as mãos, puxando-a contra o seu corpo em um abraço. Seus corpos se moldaram um no outro, enquanto suas bocas se buscaram ávidas.

 

A mão direita de Virna desceu pelo corpo de Alex, alizando, apertando, até o sexo, tocando-o com a ponta dos dedos, sentindo como Alex já estava molhada. Ela separou a boca da de Alex para percorrer o pescoço em beijos e lambidas até os seios duros de Alex, que já estavam com os bicos endurecidos. Ela passou a ponta da língua, mordiscou cariciosamente e os sugou, fazendo Alex gemer alto, apertando sua cabeça contra o peito.

 

Virna se afastou e a fitou nos olhos, pegando-a pela mão.

 

-Entre comigo na banheira.

 

-Virna... você está me provocando... e depois recua. Quer enlouquecer-me?

 

Virna sorriu apenas. Elas entraram na imensa banheira e foram envolvidas pela água deliciosamente quente, com espuma. Sentadas uma ao lado da outra, Virna pegou a garrafa de champanhe e encheu as duas flutes com o espumante líquido. Entregou uma à Alex e ergueu a sua, tomando um longo gole.

 

-Humm, adoro champanhe... – Disse Virna, fitando-a – É minha bebida favorita. E imagino que deve ser melhor ainda tomá-la em seu corpo...

 

Alex riu e tomou um gole da sua flute.

 

-Podemos fazer isso, se quiser.

 

Virna sorriu, tomando outro gole e pousando a flute no chão, ao lado da banheira.

 

-Mais tarde... agora quero você aqui na banheira, com espuma nesse corpo delicioso... – Disse, rodeando sua cintura com o braço e a puxando sobre o corpo, fazendo Alex sentar sobre as coxas dela. Acariciou os seios de Alex, falando baixinho:

 

-Seus seios são lindos, Alex... parecem duas maçãs maduras...prontos para  serem devorados...

 

Alex os pegou nas mãos, oferecendo à Virna.

 

-São seus, meu amor... use-os...

 

Virna pousou as mãos na cintura de Alex e a puxou para perto dela, até poder inclinar a cabeça e os beijar, mordiscar e sugar. Alex gemeu e começou a mover os quadris, excitada. Colocou-se sobre uma coxa de Virna, enfiando um joelho entre as pernas dela, e esfregou seu clitóris já endurecido na coxa firme de Virna, ao mesmo tempo que comprimia seu joelho no sexo dela.

 

Virna deu um gemido profundo, as mãos se apertaram em seus quadris. Ela ergueu o rosto, olhando o corpo de Alex se movendo, o sexo esfregando em sua coxa, e sentiu um arrepio de volúpia.

 

-Que delícia, Alex... isso... mexa mais... estou ficando louca...oh, sim...vendo esse sexo esfregando em minha coxa... – Disse ela, com voz rouca pela paixão.

 

-Virna... - gemeu Alex, movimentando mais rápido o corpo – Estou quase gozando...oohhh... ãããhhhhhhhh!!!

 

E o corpo de Alex de contraiu em um orgasmo poderoso, fazendo-a agarrar Virna pelos ombros com força, seu sexo pulsando contra a coxa de Virna, que a abraçou pela cintura, apertando-a contra seu corpo. Ficaram assim uns momentos, Alex com o rosto no ombro de Virna, recuperando-se.

 

Quando sua respiração normalizou, Virna a afastou suavemente, sorrindo.

 

-Vamos acabar isso na cama, amore mio. Vamos tomar uma ducha para tirar essa espuma do corpo e ir para a cama. Essa água logo ficará fria.

 

Alex afastou-se e se ergueu. Virna observou aquele corpo de curvas provocantes, o belo traseiro, e não resistiu. Levantou-se e saiu da banheira com ela, pegou-a pela cintura e a empurrou contra a parede, espremendo-se contra ela, esfregando nas nádegas firmes o seu clitóris pulsando de desejo.

 

Alex gemeu, as mãos apoiadas na parede, empurrando-se para trás, contra o sexo de Virna. Elas estavam com a espuma do banho isso fazia o atrito dos corpos ser deliciosamente escorregadio. Virna passou a mão direita para a frente do corpo de Alex, bolinando seu sexo, provocando-a, enquanto se  esfregava nela com alucinação. E elas atingiram o êxtase juntas, gritando de prazer, o sexo de Virna apertando-se com força na nádega firme de Alex, molhando-a agora com o seu prazer.

 

Mas a fome que elas estavam uma da outra não acabou. Se possuíram a noite toda, insaciáveis.    

 

 

EPÍLOGO

 

 

O dia da saída de Paola do hospital chegou. Segundo a junta médica que a liberou, ela estava curada de seu vício em drogas e seu estado psicológico estava normal, pronto para fazê-la levar uma vida normal.

 

Virna havia conseguido matriculá-la na Sorbone, em Paris, para onde seguiria direto da clínica. Iria dividir um apartamento com uma amiga que já vivia lá, também estudando. Virna havia aceitado o conselho da psicóloga de Paola que seria melhor ela morar com uma pessoa amiga, que em um apartamento sozinha. Pelo menos, até se adaptar à nova vida.

 

Alex convenceu Virna a ir buscá-la na clínica, ao invés de enviar um advogado. Ela precisava mostrar à Paola que não a odiava, apesar de tudo.Afinal, Virna era ainda a mãe oficial de Paola, pois não havia revelado a ninguém mais a verdade. Somente Alex e a psicóloga de Paola sabia que Virna não era a mãe dela, e a ética impedia a psicóloga de comentar a revelação de uma paciente.

 

Virna foi recebida pelo diretor da clínica, que a fez assinar alguns papéis e depois mandou buscar Paola.

 

Ela chegou escoltada por uma enfermeira. Estava ainda magra, mas sua aparência estava bem mais saudável, sem olheiras roxas e o rosto pálido. Com um blusão de malha e calças jeans, parecia bem mais jovem que os seus quase dezenove anos.

 

Ela fitou Virna e parou, com evidente embaraço.

 

Virna adiantou-se e falou com voz trêmula:

 

-Paola...não me odeie...por favor... porque eu não a odeio.

 

Paola hesitou. Olhou para Virna nos olhos. Viu neles um sentimento que nunca esperara ver em Virna: o perdão.

 

Ficaram se fitando imóveis por alguns momentos. Alex olhava, ansiosa.Será que finalmente elas acabariam aquele ódio entre elas, que quase  havia trazido a desgraça para elas? Paola finalmente aceitaria Virna?

 

Virna estendeu os braços. Paola deu alguns passos hesitantes, Virna também, e se abraçaram. Ambas chorando, naquele encontro que era um ato de perdão, uma esperança em uma relação sem ódio entre elas.

 

Virna se afastou, com os olhos cheios de lágrimas, pousando a mão no rosto de Paola.

 

-Paola, espero que hoje seja o dia de uma nova relação entre nós. Eu quero que seja feliz e perdoe meus erros, como perdoei os seus. Uma nova vida a espera em Paris. Esqueça o passado.

 

Paola sorriu timidamente.

 

-Vou tentar, Virna. Obrigada por ter vindo aqui receber-me.

 

 Elas se separaram e Paola de despediu do diretor. Ele se voltou para Virna, sorrindo  dizendo, apertando sua mão:

 

-Paola está livre e com nova disposição para para a vida. Dê apoio à ela e tudo ficará bem, signora Del Fosco.

 

-Farei isso. Grazie, doutor.  Vamos, Paola.

 

Paola apanhou uma das duas malas do chão. Alex aproximou-se e pegou a outra, sorrindo para ela. Saíram da clínica e entraram no Mercedes dirigido pelo motorista de Virna. Alex sentou na frente, deixando as duas sentarem atrás. O carro partiu para o aeroporto.

 

-Paola... – Disse Virna, fitando Paola – Sei que tem motivos para não me suportar. Eu errei muito com você, reconheço. Mas estou tentando consertar isso de alguma forma. Será que daria para você me encarar ao menos como uma pessoa que não é sua inimiga? Você poderia um dia ter amizade por mim?

Paola a fitou nos olhos com tristeza.

 

-Não a odeio mais, mas amizade, só o tempo dirá, Virna...Ainda há muita mágoa entre nós. Eu sei que também errei muito. E reconheço que você fez tudo que podia para ajudar-me depois que eu as ataquei com Karina. Você podia ter me ignorado depois disso, mas procurou ajudar-me. E isso nunca irei esquecer. Eu sinto que você está mais humana e sensível aos problemas das outras pessoas. Quem sabe? Com o tempo, poderemos ser amigas.

 

Virna sorriu com sinceridade.

 

-É um bom começo você começar a pensar assim. Espero que logo encontre quem a faça feliz.

 

Paola a encarou séria, com determinação.

 

-Eu sei que vou encontrar.

 

Chegaram ao aeroporto. Virna entregou o passaporte, o o bilhete da passagem e um talão de cheques de viagem a Paola. Elas se despediram no portão de embarque.

 

-Seja feliz, Paola – Disse Virna – Torço por isso. Escreva quando quiser, dando notícias.

 

-Obrigada, Virna – Disse Paola, apertando a mão de Virna – Vou dar notícias.

 

Ela voltou-se para Alex e beijou-a rapidamente no rosto, dizendo:

 

-Obrigada por não odiar-me pelo que fiz, Alex. Seja feliz. Adeus.

 

-Adeus, Paola.

 

Ela se dirigiu para o embarque sem olhar para trás. Sumiu no túnel que levava ao avião.

 

 

)))(((

 

 

Cinco meses se passaram. Alex e Virna haviam ido morar em Roma, em um suntuoso apartamento que Alex comprara. Ali, na grande cidade, ninguém as reconhecia para vigiar seus passos ou tecer comentários de suas vidas, como em Firenze. Viviam uma vida prazerosa, com Alex pintando, Virna sendo sua marchand e viajando para exposições em várias cidades. Estavam combinando uma viagem à Grécia, quando elas receberam um cartão de Paola, que dizia com simplicidade:

 

 

 

 

Virna e Alex

 

Conheci um rapaz maravilhoso na faculdade.

Ele me faz rir, me fez redescobrir a alegria de viver.

Nós  nos amamos e estamos felizes.

 

Abraços da amiga Paola.

 

Paola havia finalmente reencontrado a felicidade perdida.

 

)))(((

 

Em um dia de verão, Alex e Virna embarcaram para  a Grécia, onde iriam passar um mês percorrendo as belas ilhas gregas. Quando o avião levantou vôo, Alex apertou a mão de Virna, fitando-a apaixonadamente.

 

-Você é feliz comigo, Virna?

 

Ela sorriu docemente, os olhos luzindo.

 

-Tem dúvida disso, Alex?

 

-É que às vezes penso por estar comigo, quase teve sua vida destruída: o ataque de Karina, o escândalo que a fez deixar Firenze, o abalo à sua reputação, manchando o nome que você tanto preza...

 

Ela a fitou séria e compenetrada.

 

-O que é um nome, diante do que sinto? Você mostrou-me que eu estava errada. Eu dava muita importância a coisas  materiais,   tradição, nome, etiqueta...e agora sei que o importante é o amor, amar e ser feliz. A minha felicidade é você, Alex. Com você aprendi a viver, porque aprendi a amar. A coisa mais certa em minha vida é esse amor que sinto por você.

 

Alex riu, achando graça.

 

-A coisa mais certa?!  Sua vida virou de cabeça para baixo comigo, eu acho que sou o seu maior erro!

 

-Engana-se, Alex. Agora sou mais humana, mais sensível. E os sentimentos é que valem, numa pessoa.

 

Alex a fitou emocionada.

 

-Você diz coisas tão verdadeiras, Virna. Você tem todas as qualidades que admiro em uma mulher.

 

Virna sorriu com malícia.

 

-E defeitos, não se esqueça. E tenho um que descobri com você: sou ciumenta. E não quero que olhe muito para a aeromoça, que é bonita.

 

-Nem a percebi. Só tenho olhos para você, Virna.

 

Elas se fitaram, sentindo o amor guiá-las numa mesma direção, num mesmo destino.

 

 

FIM

 

25/06/2006

12:52 pm

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