Tarde Demais para Esquecer
PARTE 7 - Conclusão
Devlin acordou aos
poucos. Primeiro, apenas ouviu vozes confusas, que foram aos poucos se tornando nítidas aos seus
ouvidos:
-Porque ela não acordou ainda, doutor?
-Calma
senhorita, ela vai voltar a si a qualquer momento!
-Mas já faz mais de meia hora que ela
está inconsciente!
-O senhor já a medicou e ela não acordou ainda!
-Mami, eu quero minha tia ! Por que ela
não acorda?
Devlin gemeu e se moveu, levando a mão à cabeça. Ouviu uma mistura de vozes excitadas:
-Ela está acordando!
-Devlin! Graças a Deus!
-Mami, tia Devlin está gemendo! Está
com dor!
-Por favor, senhoras, não gritem!
Devlin abriu os olhos e viu quatro
rostos a fitando ansiosos. À despeito da dor, ela quase riu das expressões de
Elise, Victoria e Marla, que a fitavam como se estivessem vendo uma pessoa
ressucitar da morte. O médico, seu velho conhecido dr. Witton, a fitava
visivelmente aliviado.
-Devlin, que bom que voltou a si! –
Disse ele, sorrindo – Suas amigas já estavam começando a se desesperar!
Ela o fitou confusa.
-Onde estou?
-Na minha clínica. Já tirei uma
radiografia de seu crâneo e felizmente não há nenhum traumatismo craneano, você apenas teve uma
contusão. Agora já foi medicada e vai
ficar em observação essa noite.
-Ficar em observação? Então ainda corre
perigo? – Perguntou Marla, ansiosa.
-Meu Deus! E é tudo minha culpa! –
Gemeu Elise, quase chorando.
-Tia Devlin, fique boa logo! –
Choramingou Vicky.
-Calma, todas! – Disse o dr. Witton,
com energia – A senhorita Devlin não está correndo perigo, isso é um
procedimento de praxe! Agora, despeçam-se, que ela precisa descansar!
Marla se aproximou e beijou Devlin na
testa, dizendo:
-Até amanhã, Devlin, virei buscá-la
assim que a liberarem.
-Ok, Marla.
Vicky se esticou para dar um beijo no
rosto da tia.
-Até amanhã, tia Devlin, eu a amo e
desejo você boa logo.
Devlin sorriu fracamente, comovida.
-Eu também a amo, Vicky. Até amanhã.
Elise pegou sua mão e a apertou entre
as suas.
-Boa noite, Devlin. E...desculpe o
acidente, está assim por minha causa.
-Tudo bem, Elise...
Devlin estremeceu de emoção à aquele contato. As mãos de Elise eram
quentes e macias, como havia sentido falta do toque delas! Se fitaram nos olhos
por um instante e depois Elise desviou o olhar e soltou sua mão, se afastando.
)))))))(((((((
Elise se conservou calada durante todo trajeto. Elas haviam usado o BMW do pai de Devlin, para ir à clínica, seguindo a ambulância que viera pegar Devlin. E agora também voltavam juntas, o carro sendo dirigido por Marla, que era a mais calma.
Marla parou diante da porta principal e Elise e Vicky desceram. Marla prosseguiu até a garagem e depois voltou, entrando na casa. Suspirou e olhou para seu relógio de pulso. Quase uma da madrugada. Mas estava sem sono. Iria até a sala de estar preparar um martini e relaxar.
Foi até a sala e se surpreendeu em ver
Elise se servindo de um uísque com soda. Ela a viu chegar e sorriu amargamente,
erguendo o copo.
-Me
acompanha em um uísque?
Marla
sorriu, se aproximando.
-Sempre
prefiro um martini à uísque.
-Então,
sirva-se – Disse Elise, indicando as garrafas de bebidas variadas.
Marla preparou seu martini rapidamente, colocando gelo, a bebida e uma cereja. Sentou em uma confortável poltrona de couro, imitando Elise. A loura parecia deprimida olhando para o copo e Marla sentiu uma súbita simpatia por ela. Não queria estar no lugar de Elise, ela devia estar cheia de culpa pelo acontecido.
-E
Vicky? Ela já está mais calma?
Elise suspirou.
-Ela se jogou na cama e adormeceu, ela
já estava cochilando na clínica. Vicky não é acostumada a dormir tarde da noite.
Já eu... penso que será difícil dormir...
-Você está se sentindo culpada do
acidente, Elise? Não seja. Acidentes são fatos que não controlamos – Disse
Marla, com a voz cheia de compaixão.
Elise
tomou um longo gole de uísque e a encarou com os olhos se enchendo de lágrimas.
-Eu quase a matei, Marla... – disse,
quase sem voz – a pessoa que eu mais amei no mundo, podia ter sido morta por
minha estupidez... eu tremo só em pensar...
-Mais
amou, ou ainda ama, Elise?
Elise a encarou. Bebeu mais um longo gole e baixou a cabeça, fugindo ao seu olhar.
-Não sei mais... eu amei Devlin
loucamente, completamente, ela era tudo que eu queria. Para mim, ela era
perfeita, o sonho de minha vida. E ela traiu-me! E meu mundo se desmoronou. Meu
ídolo tinha os pés de barro. Ela foi covarde, egoísta, fraca. Desprezou o meu
amor para não desafiar a ira de seu pai, para agir de acordo com o que ele
achava certo! Aquele homem de coração de pedra, que nunca a amou, ela preferiu
contentar os desejos dele! Eu nunca vou perdoá-la por isso!
-Elise...seja razoável. Devlin era
apenas uma adolescente, uma mocinha faminta pelo amor e aprovação do pai. Ela
queria desesperadamente ser amada por ele, faria tudo para ter o mesmo amor que
ele demonstrava pelo meio irmão dela. E ele soube manipular esse desejo de
Devlin, para fazê-la agir como queria.
Elise ergueu os olhos chamejantes de ira e dor.
-Mas
eu também era uma adolescente! E eu ia renunciar à tudo, para ficar com ela! O
meu amor era verdadeiro, o dela, não! Agora é tarde demais! Eu sou outra
mulher! Mais esperta, mais realista!
-Elise...eu acho que vocês precisam
conversar. Colocar as mágoas de lado e conversarem como adultas que agora são,
se explicarem, sem prevenções e raiva. Aposto que vocês iriam acabar com esse rancor ridículo e
iriam se reconciliar, serem felizes. Por que não tenta, Elise?
Elise
se pôs de pé. Olhou para Marla com suspeita.
-Por
que está me dizendo tudo isso? Você, que
é a nova conquista de Devlin? Qual é o jogo, Marla? Fazer um mènage a trois?
Devlin agora gosta disso?
Marla
a encarou séria e se ergueu.
-Acho
que tem razão. É tarde demais para vocês se entenderem. Boa noite.
E
ela se retirou com seu andar de modelo.
Elise respirou fundo, para
acalmar-se. Qual seria o jogo de Marla?
Será que havia combinado com Devlin aquela conversa, para tentar
reconciliá-las? Como, se Marla era amante dela? Por que Marla iria se arriscar
a perder Devlin, promovendo o entendimento entre elas? Ali havia algo mais que
não entendia...ou... algo menos.
Marla foi
pegar Devlin na clínica bem cedo. Mas ela só pôde ser liberada quando o doutor
Witton chegou e a liberou depois de um rápido exame. Devlin já estava bem,
apenas com um pequeno corte na cabeça como recordação do acidente. Ela
vestiu as roupas que Marla levou, pois as que vestia na noite anterior estavam
estragadas pelas manchas de sangue.
-Ahhhhh,
Marla... – Disse Devlin, sentando-se no banco do carro – Que bom estar bem, e
sair dessa clínica! Para mim, a pior coisa do mundo é estar internada em um hospital !
Marla a fitou,
ligando o carro.
-A pior coisa
do mundo é estar em um velório, sendo o motivo do próprio! Não reclame de sua
sorte, Devlin!
Devlin riu,
colocando o cinto de segurança.
-Sou obrigada
a concordar com você!
Marla deu
partida, engatando a marcha.
-Elise ficou
muito abalada com o que aconteceu – Revelou.
Devlin a fitou
alerta.
-Por que diz
isso? Ela falou alguma coisa?
Marla contou à
Devlin a conversa que tivera com Elise, suas reações e expressões. Devlin a
ouviu séria, emocionada, se enchendo de esperanças.
-Então, ela
ainda me ama, Marla! Por que quem odeia, não se sente assim abalada com um acontecimento assim!
-Eu concordo.
Ela tem é muita mágoa de sua escolha, você tem que convencê-la que mesmo tendo
escolhido acatar o desejo de seu pai, você a amava. Por Deus, Devlin, vocês já
perderam tanto tempo! Acabem com essa separação idiota e se amem!
-Eu vou agir,
Marla! Também acho que já perdemos muito tempo de nossas vidas. Mas se eu
estiver enganada, não sei se poderei sobreviver!
-Vá à luta,
Devlin! E não tenha medo de saber a verdade, o que realmente Elise sente por
você! Se eu puder ajudar em algo, conte comigo.
-Eu vou pensar
o que devo fazer, Marla.
-Não demore
muito!
-Não vou
demorar. Vai ser hoje mesmo!
Elas chegaram na mansão e Vicky veio correndo ao encontro de Devlin, abraçando-a pela cintura, sorridente.
-Tia Devlin! Que bom que voltou para casa! Já está boa?
Devlin se inclinou para ela, sorrindo.
-Já estou ótima, Vicky.
Vicky pousou o dedo delicadamente no curativo acima da sobrancelha de Devlin.
-Ainda doi muito?
-Não, Vichy, mas o local está dolorido ainda.
-Victoria, não coloque a mão no curativo de sua tia, isso causa dor !
Devlin ergueu os olhos e viu Elise as observando com os braços cruzados, muito elegante em um conjunto de saia e casaco de lã azul da prussia. Ela a fitava com os olhos com sombras escuras sob eles. Olheiras por insônia, ou preocupação?
-Devlin... – ela falou, hesitante – quero pedir desculpas por tê-la ferido com meu gesto infantil de jogar coisas à esmo, por estar aborrecida. Isso não ocorrerá mais. E quero também comunicar que hoje à tarde vou deixar sua casa com Vicky. Acho que é tempo de sair daqui.
Devlin sentiu a notícia a abalar. Se Elise fosse embora dali, tinha certeza que nunca mais a veria.
-Vai embora daqui? Para onde?
-Vou para um hotel com Vicky e depois viajaremos para Baton Rouge, onde, como sabe, Vicky herdou a casa da rua Washington, perto do Golf Course City Park. Ali poderemos viver confortavelmente, sem problemas.
Devlin a fitou com mágoa.
-Sem problemas como eu, não é? Elise, se quer se ver livre de minha presença, não vai ter que mudar daqui. Eu vou embora em breve, não tenho nenhum motivo de ficar aqui. Logo que eu resolver alguns probleminhas pendentes, vou voltar para New York. A casa ficará só para você e Vicky, jamais a mandarei sair daqui.
Elise a fitou com uma expressão inelegível.
-Eu agradeço a oferta, mas acho melhor sair daqui o quanto antes. Não quero incomodar você e Marla. Sei que minha presença é demais aqui.
E dizendo isso, ela se afastou com passos apressados.
))))))((((((
Elise se refugiou em seu quarto. Estava sentindo-se profundamente triste, com sua decisão. A mansão em Baton Rouge era linda, confortável e luxuosa, em uma das mais lindas ruas da cidade, mas ali ela não teria mais nenhum contato ou notícia sobre Devlin. Antes da morte do velho Pearson, ela sempre estava informada sobre a vida de Devlin, pois o velho sempre recebia notícias da filha por um amigo comum dele e de Devlin. Agora, com a morte do pai de Devlin, essa fonte de notícia se extinguira. E nem poderia mais visitar secretamente o quarto de Devlin, cheio de tantas lembranças delas, de quando ela e Devlin vinham passar as férias de verão ali. Quantas vezes, quando a saudade de Devlin apertava, ela ia ao antigo quarto dela altas horas da madrugada e deitava na cama de Devlin, pegava uma a roupa ou objeto dela e apertava contra seu rosto, tentando sentir ainda o cheiro dela, para aplacar sua saudade inconfessável!
Mas agora iria se desligar do último vínculo material que a mantinha ligada à Devlin.
Lágrimas vieram aos seus olhos e ela olhou para suas malas feitas, com profunda tristeza.Por que o destino era tão cruel? Por que estava condenada a amar uma mulher que nunca mais seria sua? Por que tinha de estar compromissada com um homem a quem não sentia nada mais que uma amizade, se era Devlin que amava? Um homem a quem se entregava apenas quando era inevitável, e tinha que fantasiar estar com Devlin para poder se excitar? Sua vida era uma mentira! Mentia para Dennis dizendo que o amava, mentia para sua filha dizendo que não gostava de Devlin, mentia para si própria, se dizendo que podia reconstruir sua felicidade perdida esquecendo Devlin com outra pessoa.
Bateram na porta. Ela estava sentada na cama e voltou o rosto indecisa se atendia ou não. Uma chuva forte começou a se abater sobre a casa e ela ouviu trovões ao longe. A batida na porta insistiu. Ela suspirou e foi atender. Abriu a porta e se deparou com Devlin vestida com um pulôver de lã verde escuro sobre blusa de algodão branca, calça de couro negro, colante, e botas. Ela a fitou com um ar de decisão que nunca vira no rosto dela.
-Elise, preciso muito falar com você.
Elise a fitou procurando demonstrar um ar impessoal. Não queria que ela notasse o quanto estava triste e falou palavras totalmente em desacordo com o que sentia:
-Não sei se tenho tempo para conversar. Eu e Vicky precisamos ir embora.
-Não antes de ouvir-me, Elise.
-Ouvir você? O que quer comigo?
Devlin fez um gesto de impaciência. Deu um passo para a frente . Elise recuou.
-Meu Deus, Elise! Deixe eu entrar para falar com você!
-Nós...não temos nada a dizer uma à outra. Você tem muito a falar é com sua amante!
-Maldição, Elise! Deixe-me falar com você, precisamos exclarecer muitas coisas que estão pendentes entre nós!
-Não temos nada pendente, Devlin Pearson!
Os olhos de Devlin lampejaram perigosamente.
-Muito bem, se é assim que quer, que seja!
Devlin pegou Elise pelos ombros e a empurrou para trás, entrando no quarto. Sem soltá-la, fechou a porta com o pé e olhou para Elise, que a fitava trêmula, com ar assustado.
-É agora ou nunca, Elise!
Elise percebeu que Devlin estava com uma determinação que não seria demovida com nenhuma ação ou palavra sua. Sentiu-se trêmula e insegura, fitando aquele olhar resoluto.
-O... que quer... comigo? – Perguntou, tentando dar um passo atrás.
Devlin não a deixou afastar-se. Ao contrário, passou os braços pelas costas e cintura de Elise, apertando-a contra o corpo e em um átimo seus lábios esmagaram os outros que tremiam de emoção.
Elise tentou empurrar Devlin e se contorceu nos braços dela, tentando se libertar. Mas não conseguiu. Devlin, mesmo tendo passado uma noite na clínica, parecia já em plena força de seus músculos e a foi empurrando de costas, até que as pernas de Elise tocaram a cama. Devlin então inclinou o corpo para a frente, fazendo Elise cair na cama transversalmente, com ela por cima.
Devlin não afastou a boca um segundo. Pelo contrário, beijou-a mais apaixonadamente ainda, sugando sua língua, o corpo se apertando contra o seu de um jeito que a excitou tremendamente. E então, veio o súbito pensamento:
Por que estava lutando? Estava nos braços de Devlin, a única pessoa por quem havia se apaixonado e amado verdadeiramente! A mulher que conseguira fazê-la vibrar com toda sua alma por seus beijos e carícias! Por que agora resistia, se sonhara com isso por anos, mesmo com toda sua mágoa? Por que não deixava sua mágoa de lado e se entregava à aquele beijo maravilhoso, simplesmente gozando a sensação daqueles lábios macios e quentes?
A emoção a abrumou e Elise começou a chorar. As lágrimas deslizavam por suas faces, os soluços a sacudiam.
Devlin afastou os lábios dos de Elise e a fitou surpresa e arrependida do seu ato.
-Elise! Eu a machuquei? Oh, perdoe-me, perdoe-me... eu não queria magoá-la...é que perdi a cabeça em ver você tão linda, tão desejável, perto de mim... eu a desejo muito, Elise... desejo e amo, nunca deixei de te amar... mas vejo que eu a amedrontei com meu ardor... perdoe-me...
Decepcionada com a reação de Elise, ela rolou para o lado e colocou o braço sobre o rosto. O que havia feito? Beijara Elise contra a vontade dela, deixando a emoção tomar conta de suas ações, e agora estava ali humilhada, se sentindo rejeitada, uma mulher sem valor, por quem Elise agora só devia sentir desprezo! Ah, que vontade de sumir, de sair dali correndo, para esconder a sua decepção!
Ela à custo conteve um soluço.
E então, sentiu aquela mão pousar em sua coxa. Uma mão trêmula, quente, inquisitiva, apertando sua coxa, depois apertando seu sexo, subindo pelo seu corpo alisando, apertando, até chegar ao seu seio e o apertar na mão.
-Elise! – Gemeu Devlin, suspresa e emocionada.
O rosto de Elise se debruçou sobre o seu e seus olhos verdes soltavam fagulhas de desejo e amor. Ela a fitou nos olhos, pegando seu rosto entre as mãos, dizendo com a respiração entrecortada, a voz cheia de emoção:
-Devlin, meu único amor...eu não posso mais lutar contra o que sinto, é forte demais, é maior que minha mágoa, minha decepção, meu sofrimento! Eu tentei negar à mim mesma que ainda a amava, tentei matar esse amor que sinto em outros braços, mas foi tudo inútil! Não posso mais resistir à esse amor que sinto e me transtorna, me enleva e faz-me reconhecer que você foi e sempre será o amor de minha vida! Eu a amo, Devlin, mesmo com todos os seus defeitos e fraquezas, eu a amo muito e a quero loucamente!
Devlin a fitou atontada, não mais esperava que Elise sentisse por ela qualquer sentimento além de desprezo e raiva, e eis que ela estava lhe dizendo aquelas palavras cheias de emoção, de um amor tempestuoso que lia naqueles olhos translúcitos.
Fascinada, viu ela pular para o chão atapetado e começar a se despir, jogando as roupas à esmo, sem deixar de fitá-la. E na penumbra cortada apenas pelo abajur sobre a mesinha de cabeceira, Devlin viu aquele corpo magnífico nu, fazendo seu coração disparar. O corpo de adolescente havia se tornado um voluptuoso corpo de mulher.
Ela lhe estendeu a mão, sussurrando:
-Venha para mim, amor...
Devlin ergueu-se sem deixar de fitá-la. Com gestos deliberados, começou a tirar sua própia roupa, mas Elise se aproximou dela e disse, dando um beijo em seu queixo:
-Deixe eu fazer isso...
Devlin se imobilizou, deixando Elise ter o prazer de despí-la. Ela tirou seu pulôver e o arremessou no chão junto às suas roupas, e começou a desabotoar sua blusa, dando beijinhos em seu pescoço. Devlin sentiu sua excitação crescer, mas controlou-se. Era delicioosamente erótico Elise a despir.
Logo a blusa se juntou ao monte de roupas no chão e Elise suspirou ao ver que Devlin estava sem sutian, os seios cheios e firmes com auréolas pequenas rosa escuro apontando para a frente provocadores.
Elise se inclinou e beijou cada um reverentemente e suas mãos baixaram para o zíper da calça de couro. Ele deslizou suavemente para baixo e Elise pôde baixar a calça, colocando os polegares na bainha da cintura. Ela se ajoelhou e acabou de baixar a calça até os tornozelos. Só restava agora a tanga de lycra preta, e essa ela puxou com os dentes, fazendo Devlin rir sensualmente, com sua risada gutural, as mãos se apoiando em seus ombros, para acabar de se livrar das calças, dando um passo para a frente.
Com isso, seu sexo ficou quase encostado no rosto de Elise. Ela sentiu o cheiro erótico de sua excitação e mordiscou o púbis de cabelos cuidadosamente aparados.
-Você me deixa louca, Elise... – Sussurrou Devlin, estremecendo.
Elise ergueu-se e a fitou com os olhos transbordantes de amor e paixão.
-Eu sonhei tanto com isso, Devlin...anos seguidos...
Devlin pousou as mãos no rosto de Elise, fitando-a apaixonadamente.
-Não mais que eu, Elise.
-Você não pensava mais em mim... teve inúmeras mulheres, nesses anos...
-Sim, tive muitas, porque procurava em todas o que via em você, mas não encontrava. Você é única, Elise... – Disse, acariciando o rosto amado, fitando-a fascinada.
Elise a abraçou pela cintura e apertou o corpo contra o magnífico corpo que a atraía. Pele contra pele, elas estremeceram juntas de emoção. Parecia que seus corpos naquele reencontro as uniam em um laço mais forte que nunca, que ninguém mais poderia romper.
Dessa vez, foi Elise quem a puxou para a cama, deitando-se e a puxando pela mão, ansiosa.
-Venha, meu amor... já esperei demais nesses anos todos... – Sussurrou.
Devlin se deitou sobre ela, apoiando-se nos cotovelos. Elise abriu as pernas para ter seu contato mais intimamente, erguendo-as e as cruzando em sua cintura, tremendo de amor e paixão.
-Devlin... amor...toma-me toda...eu quero ser sua como nunca fui de ninguém...
Devlin a beijou ardentemente. E tudo pareceu sumir à sua volta. Depois de longos anos, o amor e a paixão crepitavam como uma poderosa fogueira, ardendo seus corpos que se buscavam com loucura. Beijos, palavras ardentes, carícias loucas, gemidos, a dança dos corpos, tudo transportando-as a um frenesi de paixão que explodia arrasadoramente em êxtases poderosos. Sussurros de prazer, de declarações encheram o aposento.
-Elise... dê-se toda, amor...mais uma vez...
-Sou sua...toda sua... pode possuir-me como quiser... –Disse, entre beijos ardentes.
-Minha Elise...tão linda...eu a amo, Elise! Amo!
-Ãããhhhhhhhh!!! Devlin!!!!!! Oh, meu amor!
-Elise, amor... está sentindo? Está sentindo como estou?
-Sim, amor... faça mais...aperte-me mais... assim...assim...
Frases loucas, frases sem sentido para quem não está participando, mas que bem traduziam a loucura de fazer amor com toda a emoção.
Elise tendo um orgasmo! Que coisa mais linda, mais sensual! Devlin se encantou, vendo a mulher amada com o rosto jogado para trás, cavalgando sua coxa, se imobilizar no orgasmo intenso, as paredes da vagina se contraindo em volta dos seus dedos, ela empurrando-se neles até o limite, gemendo alto. Ela caiu para a frente e Devlin a abraçou apertadamente. E então, Elise chorou em seus braços. Devlin a beijou muito, perguntando entre beijos:
-Por que está chorando, Elise?
Ela ergueu o rosto molhado de lágrimas, fitando Devlin com um amor tão intenso que fez a morena perder a voz.
-Estou chorando de felicidade. Porque os meus anos de angústia, pensando com quem você poderia estar, fazendo e dizendo coisas que só deveriam ser feitas e ditas para mim, terminaram. Eu não vou mais fantasiar estar com você na cama, para conseguir ter prazer. Beijar uma boca pensando na sua, comparar o cheiro de um homem com o seu, a delicadeza da pele, o toque de suas mãos, a sua voz sexy em meus ouvidos, o fascínio de seu olhar... eu agora reencontrei a única pessoa capaz de me fazer feliz.
-Oh, Elise... meu amor... eu sinto o mesmo... somente você pode fazer-me sentir completa, feliz... eu a amo tanto, tanto...
-Quero amar você mais uma vez...beije-me por favor, meu amor...
Elas só pararam horas depois, esgotadas, mas ainda querendo se amar, se acariciando, se fitando com amor, uma nos braços da outra.
Finalmente o cansaço as venceu e elas adormeceram abraçadas.
))))))((((((
Subitamente, a realidade chegou. Batidas na porta as acordaram. Elise e Devlin se entreolharam, com seus corpos entrelaçados e Elise falou baixinho, apreensiva:
-Será Vicky? Meu Deus, se ela nos surpreender assim, vai ser embaraçoso!
Devlin sorriu, fitando o relógio de cabeceira.
-Não creio. Eu mandei Marla levar Vicky para assistir o novo filme de Sherek e depois fazerem uma tour nos shoppings. Isso vai levar bastante tempo.
-Então, quem será? – Disse Elise, se desvencilhando do abraço e saltando da cama no esplendor de sua nudez. Ela pegou um robe sobre uma poltrona e o vestiu. Foi até a porta e perguntou, sem abrir:
-Quem é?
-Bertha, senhora. O senhor Dennis Campbell está na sala de estar a esperando.
-Ok, diga a ele que logo estarei lá. Acabei de sair do banho e vou vestir-me. – Disse Elise, fazendo uma cara de desagrado. Ela fitou Devlin, catando suas roupas do chão.
-Vou tomar um banho rápido e vestir-me. Estou rescendendo a sexo.
Devlin se sentou na cama e olhou para Elise. O olhar de Elise a percorreu com evidente
desejo e admiração.
-Elise...que vai fazer? Vai contar a Dennis Campbell o que nós reatamos? Ou...
Deixou o resto da frase no ar, temerosa de prosseguir: ou aqueles momentos não significavam nada e ela iria continuar com o noivo?
Elise entendeu a frase incompleta. Ela se sentou na beira da cama e se inclinou para Devlin, acariciando o belo rosto e a fitando nos olhos.
-Eu a amo muito, Devlin... tanto, que vou dar mais uma chance a você, ao nosso amor. Eu vou arriscar novamente minha paz de espírito voltando a ter um relacionamento com você. Mas para isso, precisamos conversar. De antemão, eu já digo que não vou aceitar dividir você com ninguém. Você vai ter que terminar imediatamente seu casinho com essa ruiva. Se quer que eu seja sua, essa é a condição principal. Fidelidade absoluta.
Devlin sorriu, beijando a mão de Elise.
-Condição aceita, amor. Mas eu preciso dizer que...
Elise levantou apressada.
-Depois, amor. Agora, tenho que tomar um banho e ir atender Dennis.
E dizendo isso, ela foi apressada para o banheiro.
Devlin se ergueu e catou suas roupas no chão e se vestiu. Se Dennis Campbell resolvesse vir verificar porque Elise estava demorando, não a encontraria ali nua. O melhor era ir para seu quarto. Saiu silenciosamente e foi para seu quarto. Olhou para o tempo lá fora, através da vidraça. Estava chuvoso e frio, mas era primavera em seu coração. Estava sentindo-se radiantemente feliz. Elise ainda a amava, iria ser somente dela! Não fosse a presença incômoda do detestável Dennis Campbell, elas ainda estariam juntas.
Um pensamento a assaltou, deixando-a intranquila: E se Elise fosse terminar o noivado com Dennis quando o encontrasse no living? E se ele ficasse furioso com a atitude dela e a agredisse? Tudo era possível e não iria arriscar. Assim, desceu as escadas e foi para o living, onde encontrou Dennis se servindo de uma dose de uísque. Ele a fitou com um sorriso irônico nos lábios finos.
-Oh...a grande Devlin Pearson...o que houve com sua testa? Levou um soco de algum marido traído?
Ela o fitou erguendo as sobrancelhas, com um olhar de desprezo.
-Dennis Campbell, será que preciso lembrar que você está em MINHA casa, se servindo de MINHA bebida?
-É, sei disso. Você é uma mulher sorte, Devlin. Está com uma bela ruiva, herdou essa casa... mas eu tenho mais sorte. Elise é minha. Essa você perdeu para sempre.
Devlin engoliu as palavras que vieram à sua boca e apenas pensou: “Não por muito tempo, Dennis...suas horas com Elise estão contadas.” Falou com voz controlada:
-Tudo na vida pode mudar, Dennis Campbell. Um dia você está com Elise, outro dia pode não estar.
-Enquanto eu quiser, ela vai estar comigo, Devlin! Sabe por quê? Porque eu sou muito bom de cama, eu me garanto com uma mulher! Já você, não sei se pode se garantir nessa parte... porque falta uma coisa essencial à você, que eu tenho – Disse ele, sorrindo com deboche – Sabe que desde que a vi desejei lhe dizer isso? E hoje eu posso porque Elise vai sair dessa casa e não vou mais colocar os pés aqui.
Devlin sorriu, cruzando os braços e o fitando com desdém.
-Não sei como Elise pôde ter se envolvido com um homem sem classe como você! Para seu conhecimento, não preciso de mais quinze centímetros de carne para dar prazer à uma mulher!
Ele riu.
-Ah, mas eu tenho mais que quinze centímetros de carne, Devlin! Você devia ver como Elise adora! Ela adora pegar...
Devlin se aproximou rápida de Dennis e o segurou pelas lapelas do paletó, encarando-o bem de perto, com uma expressão que fez o homem empalidecer.
-Ouça, seu canalha, ou você fecha essa boca suja, ou vai ser posto daqui para fora à pontapés!
Ele segurou em seus pulsos, tentando afastar as mãos dela, e descobriu surpreso que ela tinha mais força que ele. Não conseguiu retirar as mãos dela de sua roupa. Ela o empurrou para trás e ele caiu sobre o sofá, o seu copo de uísque derramando a bebida em seu terno.
-Sapatão maldita! – Rosnou ele, olhando seu terno de cor creme com uma grande mancha no peito.
-Dennis!
Eles se voltaram e viram Elise chegar, fitando Dennis com reprovação. Ela estava com os cabelos ainda úmidos, vestida com calças compridas e blusa de lã negra.
-O que está havendo aqui? – Perguntou ela, fitando o noivo.
-O que está havendo é que seu noivo estava falando coisas íntimas de vocês para provocar a minha ira, Elise – Disse Devlin, indicando o homem.
Elise olhou para o noivo, que sorriu amarelo.
-Não falei nada demais... só coisinhas bobas, que fez essa mulher se achar no direito de agredir-me. Olha o que ela fez no meu terno!
-Dennis, coisinhas bobas ou coisas graves, tanto faz, você não deveria ter dito nada de nossa intimidade! Vamos até a biblioteca, preciso falar com você à sós – Disse Elise, com voz irritada.
-Calma baby, não há motivo para se aborrecer! Não prefere sair dessa casa logo? Você ligou-me dizendo que as malas já estavam prontas.
-Não, acho melhor conversarmos primeiro. Venha.
Ele a seguiu, depois de olhar para Devlin com ódio.
Devlin achou melhor ficar por perto. Não sabia o que Elise iria dizer ao noivo, mas se fosse o que pensava, ela iria precisar de ajuda.
Ela foi para perto da porta da biblioteca e ficou ali de guarda, esperando. E não havia se passado dez minutos quando ouviu a voz alterada de Dennis e um grito abafado de Elise. Devlin não esperou mais, girou a maçaneta e empurrou a porta. E a cena a encheu de raiva: Elise estava caída no chão com a mão no rosto e Dennis Campbell com uma pose agressiva, debruçado para ela segurando o seu pulso e gritando:
-Mulher nenhuma me dá o fora! Ainda mais por causa de outra mulher!
Devlin avançou sobre ele furiosa e acertou um soco no queixo dele. Dennis recuou para trás cambaleando, segurando o queixo, fitando-a furioso. Ele avançou para ela e tentou esmurrá-la, mas Devlin desviou-se com facilidade e deu um pontapé no traseiro dele, arremessando-o no chão. Sem dar tempo dele reagir, pegou-o por trás, imobilizando o braço direito dele atrás das costas e o erguendo do chão. Olhou para Elise, que fitava a cena boquiaberta.
-Ainda tem algo a dizer à esse cafajeste, antes de eu o colocar para fora?
-Sim... – Disse Elise, saindo de sua surpresa – Dennis Campbell, não me procure mais. Nunca mais quero vê-lo. O que disse para mim e a agressão que me fez não torna possível nem amizade entre nós.
-Fuck you! – Gritou ele, furioso – Nem eu quero ver você mais na minha frente! Fique com sua sapatão! Eu posso arranjar mulheres mil vezes melhor que você, sua cadela!
Devlin deu um empurrão nele e foi conduzindo-o para a porta, com o braço imobilizado para trás. Bertha viu a cena e correu para abrir a porta. Devlin o empurrou e ele saiu tropeçando e por milagre não caiu no chão. Devlin fechou a porta e olhou para Bertha, que a fitava impressionada.
-Acabei de colocar o lixo para fora, Bertha. Hoje fiz uma faxina na casa.
Elise, que os havia seguido, a fitou com um sorriso de admiração.
-Não sabia que você era tão forte, Devlin, e que sabia dominar um homem com facilidade. Onde aprendeu isso?
Devlin a abraçou, acariciando o rosto com a marca da mão de Dennis, da bofetada que ele dera em Elise.
-Pratico artes marciais, meu anjo, há anos. Sou faixa preta de judô e pratico kickboxing.
Elise sorriu, abraçando sua cintura também.
-Minha heroína! É bom saber que tenho uma boa protetora. Vai sempre proteger-me, Devlin?
-Pode contar com isso, minha querida – Disse Devlin, fitando-a com amor.
EPÍLOGO
Esclarecida a verdadeira relação entre Devlin e Marla, Elise e a ruiva se tornaram grandes amigas. É comum marcarem jantares e fins de semana com elas três juntas e Vicky, que encara a relação da mãe com Devlin com naturalidade, desde que as surpreendeu se beijando.
Elise foi morar com Devlin em New York e a casa de New Orleans só é frequentada nas festas de quatro de julho, Natal e férias no verão.
Fim
Feedback pode ser em:
Minha comunidade -
XENA – UBER DE LETH CROSS
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=44505604
ou e-mail para
[email protected]