PRIMA DONNA
PARTE 8
Petrouska levou um choque. A confirmação de sua
suspeita, que no fundo achava pouco provável, pela idade do homem, a fez achar
uma coisa monstruosa. Imaginou Gina nos braços daquele homem bem mais velho que
ela, aquele homem a beijando
e acariciando seu corpo perfeito, e isso fez Petrouska ter vontade de vomitar. Ela
cambaleou até a poltrona diante de Gina e a fitou com os olhos cheios de
lágrimas. Estava muda, sem palavras para expressar sua decepção.
Gina
ergueu o rosto e a fitou.
-Este
apartamento foi um presente dele para mim. Pertenceu à família dele há mais de
três gerações.
Petrouska
a fitou, ainda mortificada. Estava sem palavras.
-Para
você entender tudo, preciso contar à você os
acontecimentos desde o início.Sei que está chocada com minha revelação. Eu
sabia que seria assim, quando soubesse.Por isso, quis adiar essa revelação até
você conhecer-me melhor, mas você pressionou-me, não me deu chance.
Petrouska
queria protestar, mas estava sem reação, seu pensamento parecia haver congelado
com aquela revelação. Gina prosseguiu, com voz baixa, sem fitá-la:
-Devo
ao conde o que sou.Ele quem fez de mim uma mulher famosa. Quando ele
conheceu-me, eu não passava de uma adolescente que levava uma vida miserável,
trabalhando como faxineira, para sobreviver.Meu pai morreu tuberculoso, era um
modesto carpinteiro, quando eu tinha treze anos. Minha mãe casou-se novamente
com um açougueiro, um beberrão que a espancava e um dia tentou estuprar-me. Eu o feri com uma
faca e fugi de casa, com medo de ser presa. Arranjei um emprego em Roma numa
floricultura. Fui despedida dois meses depois, quando souberam que eu havia
mentido sobre minha idade. Trabalhei em vários lugares, até que conheci um
casal bondoso, que trabalhava
para o conde e me indicaram para ele como faxineira, para sua
casa de campo em Pesaro.
O
ciúme fez Petrouska encontrar sua voz:
-Já
imagino o resto!
Gina a
encarou ofendida.
-Não,
não pode imaginar. Eu não me entreguei à ele, se é isso
que pensa. Eu trabalhei duro durante
oito meses, limpando uma villa de dez quartos, mas eu
tinha paz. E no verão o conde levou a mulher para passar uma temporada na villa e ele ouviu-me cantar, enquanto eu varria o terraço.Ele perguntou se
eu estudava canto lírico. Eu respondi que nem sabia o que era isso, muito
intimidada. Ele então propôs levar-me para Roma e custear meus estudos de
canto, pois eu tinha uma bela voz e um bom potencial de me tornar uma
cantora lírica. Aceitei, é claro.
-E
vendeu-se para ele! – Disse Petrouska, com amargor.
-Não,
não me vendi! Eu fui para Roma e continuei trabalhando na casa dele, só que em
uma função mais leve como copeira. A mulher dele vivia numa cadeira de rodas,
sofria de esclerose múltipla. Um ano depois, ela faleceu. E ele continuou muito
correto, pagou meus estudos sem cobrar-me nada.
Só quando completei dezoito anos, dois anos depois, ele confessou-me que
estava apaixonado por mim. E ele nessa época era ainda um homem atraente. Mas
eu encantei-me principalmente com suas maneiras finas, sua profunda cultura e
inteligência, sua atenção, me ensinando coisas que eu não conhecia, como um Pigmalião. Ele ensinou-me muita coisa, Petrouska. Foi ele
quem me abriu as portas do saber e da cultura, fazendo-me aprender inglês e
francês, ler bons livros de arte, como me vestir e conversar... nunca alguém me deu tanta atenção e cuidados. E eu tornei-me
amante dele mais por gratidão, que por me sentir atraída por ele. E eu tinha
pena dele. Ele era um solitário, sem filhos. Ele queria casar-se comigo, mas eu
não aceitei.
Ela
prosseguiu, fitando um ponto ignoto:
-Então,
conheci Graziella, uma cantora lírica amiga do conde. Ela era dez anos mais velha que eu, mas belíssima. Foi uma paixão
recíproca à primeira vista. E ela passou a freqüentar a casa do conde na
ausência dele, e nos refugiávamos no meu quarto, onde nos entregávamos à paixão
por horas. E um dia o conde nos
surpreendeu em pleno ato sexual. Graziella fugiu envergonhada, e eu morri de
medo da reação dele. Mas o conde foi muito delicado. O conde conversou comigo
delicadamente, perguntando se era disso que eu gostava realmente. Eu confessei
que estava apaixonada por Graziella. Ele não criou objeção. Disse que eu tinha
liberdade para continuar com ela, desde que continuasse com ele também.
-Que
cafajeste! – Comentou Petroska, enojada.
Gina
ignorou o comentário e prosseguiu:
-Mas
Graziella intimidou-se e foi embora para Milano, sem sequer se despedir de mim.
Fiquei desesperada, como toda jovem que perde o primeiro amor. O conde foi
muito paciente comigo.Comprou uma villa para eu
instalar-me e
cercou-me de toda atenção. E eu dirigi toda minha energia para o canto. Jurei
tornar-me famosa, para Graziella ouvir falar de mim e ver que eu tinha valor. O
conde, quando sentiu-me preparada, apresentou-me à um
famoso empresário, que levou-me para uma audiência com o maestro Pelisari. O maestro ficou entusiasmado depois de ouvir-me
cantar a ária de Rigoletto, “Maldier
Gualdi, Caro Nome”, e fui contratada para estrear a
ópera Norma. Aí começou o início de minha carreira.
-E
como ficou a sua vida sentimental? – Perguntou Petrouska, fitando-a com ar
decepcionado. Procurava conter-se para não a acusar de interesseira e
oportunista, palavras que martelavam sua cabeça.
Gina a
fitou com um olhar triste.
-Refere-se
à eu e o conde? Continuamos amantes, mas nosso
relacionamento mudou. Ele começou a apresentar-me mulheres atraentes que
queriam uma aventura lésbica e não se importavam do conde presenciar o nosso
ato. Eu ficava envergonhada no princípio, mas depois me acostumei a ter o conde
nos observando e se masturbando sentado em uma poltrona no quarto. As minhas
parceiras até achavam isso mais excitante, ele nos vendo fazer amor.
-Fazendo amor! Que expressão
romântica para uma baixaria! – Gritou Petrouska revoltada – Você fazendo sexo
com uma mulher que o conde devia comprar e ele vendo tudo, se masturbando! Isso
é asqueroso, imoral!
Gina
baixou a cabeça às palavras revoltadas de Petrouska, mas logo a ergueu e a
fitou nos olhos, desafiante.
-Não
vou desculpar-me, nem dizer que estou arrependida de tudo que fiz. Eu apenas
quis abrir-me com você, não esconder nada de meu passado. Quero que entenda que
sou um ser humano comum, que erra, que tem defeitos. Se entender-me,
ficarei feliz.
-Não,
você não quis abrir-se para mim – Contestou Petrouska, com amargor – Você
contou-me tudo isso porque eu a pressionei. Quer desculpar e minimizar uma
situação que já existia e eu desconhecia. E você ainda é amante do
conde, pelo que entendi disso tudo. E quer que eu aceite isso! Mas não aceito,
Gina! Posso até desculpar seu passado, porque não tenho nada com o que fez
antes de iniciar uma relação comigo. Mas agora você está comigo, e não aceito
sua ligação com esse velho asqueroso, não admito isso! Ou ele, ou eu!
Gina a
fitou angustiada.
-Mas
desde que a conheci, nunca mais tive nada com ele! E pretendo continuar assim!
-Claro
que não teve, estava em outro país, longe dele! Mas agora ele está próximo,
veio visitá-la! Tenho certeza que ele veio aqui para matar as saudades, ter uma
seção de sexo com você! E eu entrei e atrapalhei tudo! Você o recebeu sem
dizer-me nada! Você ia entregar-se à ele! – gritou
Petrouska, descontrolada.
Gina a
fitou com indignação e raiva no olhar.
-Você
está enganada! Eu o chamei aqui para explicar que estou com você e não quero
mais ter nenhum tipo de relação com ele além de amizade! E você faz esse
julgamento de mim!
Petrouska
a fitou com os olhos cheios de lágrimas.
-Gina,
para continuar com você, não vou admitir que você continue tendo contato com o
conde.Então, o que decide? Ou
ele, ou eu! Quero uma resposta agora!
Gina a
fitou alguns instantes em silêncio. Depois, falou com voz baixa, mas firme:
-Petrouska,
o que me pede é impossível. Não posso deixar de falar com o conde depois de
tudo que ele fez por mim, Salieri é mais que um
amante, é um amigo que sempre quis o melhor para mim,
a quem devo tudo que sou! Eu seria muito ingrata e fria em cortar relações
completas com ele! Pense! Seja menos radical! Eu prometo que serei fiel à você, que ele nunca mais será para mim mais que um amigo.
Confie em mim!
Petrouska
baixou a cabeça, desiludida.
-Você
se importa mais com ele que comigo! Se você me amasse, escolheria sem hesitar!
-Petrouska,
eu posso amar você, mas por esse sentimento eu não posso abdicar de tudo, jogar
para o alto quinze anos de amizade com uma pessoa que sempre ajudou-me,
porque você não confia em mim. E uma relação sem confiança não pode ir muito
longe. Hoje é o conde, amanhã será uma amiga, outro amigo. Não posso viver ao
sabor de seus caprichos.
Petrouska
empalideceu, começando a tremer. Fitou Gina, que a olhava dom tristeza, mas
também com determinação.
-Você...
você está terminando comigo? – Sussurrou, mal
conseguindo falar.
-Estou
apenas dizendo que não posso atender o que me pede. A escolha é sua.
As
lágrimas começaram a descer dos olhos de Petrouska, incontroláveis.
-Oh!
Você...você não me ama! Eu vou embora agora! – Gritou,
saindo correndo da biblioteca.
Gina
ficou parada um momento, pensando no que fazer. Depois, seus olhos brilharam e
ela seguiu para o quarto de Petrouska com passadas furiosas.
Abriu
a porta e entrou. Achou Petrouska no closet chorando, retirando roupas
das gavetas e jogando dentro de sua mala. Petrouska a viu chegar, mas continuou
sua tarefa.
Gina
colocou as mãos na cintura, fitando-a com desafio.
-Onde
pensa que vai? – Perguntou, com voz autoritária.
-Embora
daqui – respondeu Petrouska, sem fitá-la.
-Deixe
de ser criança, Petrouska! Você acha que
vou deixá-la sair por aí, uma garota ingênua como você, que sempre viveu nas
calças do pai?
-Eu
sei tomar conta de mim, não se preocupe! Você vai ficar bem à vontade com o seu
querido conde!
-Petrouska,
não venha de sarcasmo comigo!
Petrouska
parou sua tarefa e a fitou com rancor.
-Eu
falo o que quiser! Você não é minha mãe, para querer mandar no que digo!
-Não
sou sua mãe, graças a Deus, mas sou a mulher que a ama e quer o seu bem!
-Ama
nada! Você ama mesmo é aquele velho nojento! Deve fazer tudo que ele pede, como
uma cachorrinha adestrada!
Gina
sentiu seu temperamento esquentar, com aquela provocação.
-Petrouska!
Veja o que fala! Não sou nenhuma cachorrinha adestrada! Não vou tolerar ser
insultada por você!
-Dane-se
você! Tenho pena de você! Você fez sua
escolha, agora vou embora e nunca mais vai me ver! Vá trepar com aquele velho,
vá beijar aquela boca ! Deve mesmo gostar é disso!
Gina
perdeu a paciência. Pegou Petrouska pelos punhos e os colocou atrás do corpo da
garota, empurrando-a para o quarto e a jogando na cama, caindo por cima dela,
apertando-a contra a cama com o peso do seu corpo. Petrouska tentou se livrar,
esperneando e gritando:
-Largue-me,
sua enganadora, eu a odeio! Vá se roçar naquele velho!
Gina,
que estava forçando-a contra a cama apenas para dominá-la, sorriu com a frase
de Petrouska e apertou o sexo contra as macias nádegas da jovem, movendo-se
sensualmente. Uma onda de prazer sacudiu seu corpo.
-Ah,
você me deu uma ótima sugestão... – sussurrou no ouvido dela, sem deixar de se
mover ritmicamente – Só que prefiro roçar em sua bunda deliciosa...assim...
E mordiscou
o lóbulo da orelha dela, enfiou a língua cariciosamente,
desceu a boca e mordiscou o pescoço alvo, cheio de penugens douradas.
Petrouska
sentiu um intenso arrepio de prazer percorrer seu corpo e morrer no seu sexo,
que já estava completamente molhado pelas ações de Gina. Sem poder se conter,
ergueu mais o traseiro, buscando mais contato.
Gina deu uma baixa risada gutural,
continuando a se mover contra ela.
-Ah,
está gostando, não é? Mas tem muita roupa entre nós, Pet...que tal fazermos isso sem nada entre nossas peles? Fale.. ou eu vou parar...
Petrouska
se envergonhou em ter demonstrado sua submissão ao desejo de Gina, mas reconheceu que amava
aquela mulher alucinadamente e ela tinha o poder de comandar o seu desejo, não
tinha forças para repudiá-la. Estava escrava daquele amor, era inútil negar.
Assim, moveu seus quadris sensualmente, provocando-a, e falou com voz cheia de
desejo:
-Será
maravilhoso...depressa... estou
louca para você possuir-me, Gina...
-Então,
obedeça tudo que eu disser... senão, eu paro... entendeu? – Disse Gina, com voz sexy.
-Sim...eu obedeço...
-Então,
eu vou levantar para tirar a minha e a sua roupa... e
você vai ficar imóvel... não se mexa, fique como
está...
-Está
bem... – Concordou Petrouska, o coração disparado.
Gina
ergueu-se e tirou a roupa rapidamente. Nua, inclinou-se sobre Petrouska e
ordenou:
-Vire
um pouco de lado, para eu abrir sua calça...
Petrouska
virou. Gina abriu o fecho de sua calça e a fez voltar à posição anterior. Puxou
a calça para baixo, enfiando os polegares dos lados, descendo também a calcinha de renda negra de
Petrouska até os joelhos. Gina pegou as
mãos de Petrouska e as colocou dos lados de sua cabeça, montando sobre ela, o
sexo quente e úmido em contato com suas nádegas. Ela começou a se mover
lentamente, para a frente e para trás, as mãos
pousadas em sua cintura, para firmar-se.
-Está sentindo eu molhando
você, Pet? – Disse Gina, com voz rouca de desejo.
-Sim...oh, sim! – Gemeu Petrouska, erguendo os quadris para
aumentar o contato.
-Sua
safada... você gosta, não é? – Disse Gina, aumentando
um pouco sua velocidade.
-Sim,
Gina... aperte mais...quero
sentir mais o seu sexo...
-Você
quer que eu a molhe bem? Fale... – Disse Gina, aumentando a pressão.
-Sim...
me molhe toda... aperte... –
Respondeu, movendo os quadris.
Gina
se deitou completamente sobre ela, falando em seu ouvido
entre suspiros, a respiração entrecortada, o corpo se movendo com força,
seu sexo molhando o traseiro delicioso de Petrouska.
-Não
se mexa – comandou, com voz autoritária – Você tem que ficar bem submissa,
apenas deixando eu usar você...dar-me prazer... assim...isso... imóvel...
Petrouska
a atendeu com extrema dificuldade. Gina estava incendiando-a com suas palavras,
e tinha vontade de voltar-se e agarrar aquela mulher deliciosa e cobri-la de
beijos e chupões, mas sabia que tinha que Gina estava tendo um grande prazer
com sua submissão e controlou-se.
Gina
colocou as mãos sob o corpo de Petrouska,, uma
apertando um seio , a outra no sexo em
fogo dela, manipulando o clitóris e aumentando a velocidade de seus
próprios movimentos com os quadris.
Petrouska sentia suas nádegas completamente molhadas, suavizando o atrito do sexo de
Gina em sua pele. E quando Gina começou
a estremecer, se aproximando do orgasmo, ela sentiu sua excitação crescer
também e gemeu alto, erguendo os quadris, sentindo o gozo tomar conta do seu
corpo:
-Gina!
Aperte, aperte mais! Me toma toda! – Gritou.
-Pet! – Gritou Gina, nas contrações do êxtase – Pet! Minha! Só minha!
Gina
caiu sobre ela, as duas respirando entrecortadamente, suadas, o cheiro de sexo
e perfume permeando o ar. E Petrouska soube que não tinha coragem de separar-se
de Gina. Estava escrava daquela mulher sensual, linda, fascinante.
Assim terminou a primeira briga entre
Petrouska e Gina.
Continuará na parte 9
Não esqueçam o feedback, ele me motiva a continuar a
escrever!