PRIMA DONNA
Parte 11 - CONCLUSÃO
O maestro Petrovsky esperava Petrouska em seu apartamento, na Avenue Foch. Petrouska foi recebida por uma governanta uniformizada que a conduziu até um salão luxuoso, com móveis antigos e escuros.
Numa poltrona, o maestro Petrovsky conversava com uma mulher diante dele. Eles se voltaram quando entrou e Petrouska à custo controlou a expressão de surpresa. A mulher era nada mais, nada menos, que Melissa!
Ela a olhou com os belos
olhos arregalados, empalidecendo visivelmente. Ficou olhando-a imóvel, com uma
expressão de incredulidade.
O maestro
sorriu, erguendo-se.
-Ah, eis a jovem de quem falei! –Disse o maestro, fazendo um gesto com a mão – Aproxime-se, mademoiselle...
Petrouska
avançou automaticamente, com a cabeça em tumulto. Melissa, ali! Seria amiga do
maestro? Nunca pensara
que pudesse encontrá-la novamente, e logo ali!
O mestro estendeu a mão para ela.
-Muito prazer,
mocinha. Como se chama mesmo?
-Petrouska...Petrousca Vonsky – Disse , recuperando-se
de sua surpresa, apertando a mão do maestro.
-Ah, Petrouska! Isso mesmo! Havia-me esquecido, sabia que era um nome de um balé. Petrouska, apresentou-lhe Melissa Evans. Ela é produtora musical e agente de vários cantores famosos.
Petrouska
estendeu a mão para Melissa. Ela apertou a sua mão e Petrouska sentiu que ela
tremia.
-Muito prazer,
mademoiselle.
Ela respondeu
em um francês perfeito:
-O prazer é
todo meu, Petrouska.
Ela
falava o idioma francês! Então, estava fingindo no clube, demonstrando que não
o falava! Petrouska a olhou, mas ela desviou os olhos para o maestro,
ruborizada.
-Sente-se, mademoiselle... –disse o maestro –Vamos conversar.
Petrouska
sentou diante do maestro. Melissa sentou ao lado dele, olhando-a com ar de
culpa. Petrouska procurou parecer calma e impessoal. Aquela audição era muito
importante e não devia deixar sua vida pessoal interferir.
-Li o seu currículo e fiquei interessado. É filha do maestro Vonsky, tocou na orquestra dele por cinco anos... por que deixou a orquestra?
-Problemas pessoais.Não queria ficar trabalhando com meu pai, por uma questão de independência.
-Ah, entendo... e tem
disponibilidade para viajar, mademoiselle?Estou com a agenda programada para
dois concertos, um em Londres e outro em Florença.
-Sou livre, maestro. Posso viajar sem problemas.
Ele sorriu,
erguendo-se.
-Ótimo! Mas
vamos então executar uma música, para conhecer sua performance.
Petrouska
ergueu-se também, tirando seu violino do estojo. Aproximou-se do piano, onde o
maestro se sentara.
-O que quer que eu toque?
-Hora
Staccato, de Dinicu-Heifetz – Respondeu, pegando a
partitura musical e entregando a Petrouska. Ela abriu-a e a colocou em um
pedestal. Colocou o violino no ombro, segurando o arco em expectativa. O
maestro deu um sinal com o dedo e Petrouska iniciou.
Seu olhar pousou em Melissa. Ela a olhava deslumbrada,com os lábios semi-abertos. Petrouska deixou de olhá-la, concentrando-se na execução da música. Quando acabou, o maestro entregou-lhe outra partitura.
Eine Kleine Nachmusik,
primeiro movimento, de Mozart. Um dos que Petrouska mais gostava. Começou a
execução, acompanhada pelo maestro. Seus dedos deslizavam agilmente pelas
cordas e o arco movimentava-se com precisão, numa execução firme e vibrante.
Quando
terminou, olhou para o maestro. Ele ergueu-se do piano e estendeu-lhe a mão,
sorridente.
-Parabéns!
Está contratada! É uma excelente violonista, Petrouska Vonsky!
Melissa
ergueu-se também, olhando para Petrouska com visível admiração.
-Faço minhas as palavras do maestro. Você poderia até ser “spalla” de uma orquestra.
-Ela vai fazer parte dos primeiros violinos. Tem gabarito para isso – Declarou o maestro.
Petrouska
sorriu, feliz. Ela, nos primeiros violinos!
Isso era uma destinção
rara, para quem entrava em uma
orquestra. Na orquestra de seu pai, ela pertencia aos segundos violinos.
-Obrigada, maestro. Estou me sentindo honrada. Não esperava
tanto.
-Você merece isso. Que tal um brinde com um bom vinho?
-Seria ótimo.
O
maestro chamou a governanta e pediu uma garrafa de vinho tinto. Sentou-se numa
poltrona, convidando Petrouska a sentar-se também.
-Fiz uma boa aquisição,
não acha, madame Evans? – Perguntou o maestro à Melissa.
Ela sorriu,
sentando-se ao lado dele.
-Sem dúvida, Petrovisky. Ela é ótima.
O
vinho foi servido e o maestro brindou à Petrouska,
desejando uma longa permanência dela na orquestra. Conversaram sobre música e
Petrouska ficou sabendo
que Melissa estava produzindo o concerto que o maestro iria
apresentar em Londres. Então, a veria mais vezes. Que coincidência do destino!
Haviam se separado sem a idéia de se verem novamente, e o destino tornara a reuní-las!
Passado o espanto inicial, Melissa agora estava calma e descontraída com a presença de Petrouska. Falava com ela naturalmente, sem demonstrar nenhum traço de emoção, como se a tivesse conhecido naquele dia. Petrouska agia da mesma forma.
Foi Melissa
quem ergueu-se, uma hora depois.
-Agora preciso
ir, maestro. Tenho um compromisso com um cliente.
O maestro
ergueu-se , sorrindo.
-Entendo, está
sempre com a agenda lotada, não é?
-Realmente...
Ela olhou para
Petrouska.
-Quer uma
carona, Petrouska? Vou para Saint -Germain de Près. Para onde vai?
-Para a Rive Gouache.
-Venha comigo.
Eu a deixo lá.
Petrouska
hesitou. Mas pensou que não havia motivo para evitá-la. Iam
mesmo se ver, devido ao trabalho. Era melhor tratá-la com cortesia, sem
tocar no que havia acontecido. Levantou-se, assentindo.
Despediram-se
do maestro e saíram. Ele marcara com Petrouska um encontro no dia seguinte no
escritório dele, para a assinatura do contrato.
Melissa a
olhou com naturalidade, quando saíram do edifício.
-Você mora na Rive Gouache?
-Sim.
-Tem pressa de
chegar em casa?
Petrouska a
encarou, séria.
-Não. Por quê?
Ela sorriu.
-Então, pode
conversar um pouco comigo.
-Tudo bem.
Foram até o carro dela e entraram. Melissa a olhou.
-Vamos até um
bistrô que conheço.
Petrouska não disse nada. Se ela queria tocar no acontecimento do outro dia, que tomasse a iniciativa. Naturalmente, queria pedir para Petrouska esquecer o que acontecera, já que iam trabalhar praticamente no mesmo local.
Melissa
manteve-se em silêncio até chegarem em um bistrô na margem do rio Sena.
Sentaram-se e ela a encarou, cruzando as mãos.
-Que deseja
beber?
-Um chocolate
quente. Está frio.
Melissa pediu ao garçom dois chocolates quentes e a olhou de frente, os olhos demonstrando insegurança.
-Petrouska...
nem sei como começar... mas
quero esclarecer coisas que ficaram pendentes entre nós, para que você me
entenda.
Petrouska a encarou séria, um olhar impenetrável.
-Não
precisa esclarecer nada. Sei o que vai dizer.Quer que eu esqueça o que houve,
não é? Pois já esqueci. Não vamos mais tocar nesse assunto. Façamos de conta
que nos conhecemos na casa do maestro. E tudo ficará bem.
Ela a olhou surpresa.
-Não,
não ia dizer isso! Petrouska... não esqueci o que
houve entre nós, nem quero esquecer!
Foi a vez de
Petrouska a olhar surpresa.
-Não
entendo...
O olhar de Melissa se tingiu de paixão.
-Sei
que não está entendendo. Eu fui extremamente fria com você, desinteressada em
saber algo sobre você. Comportei-me como uma cretina, Petrouska. Sabe por quê?
Porque estava com medo. Eu criei em minha mente a idéia que todas aquelas
mulheres que freqüentavam o clube gay eram pessoas sem nenhum escrúpulo, de vida irregular, vadias e viciadas. Um
preconceito idiota reconheço agora. Fui lá apenas por curiosidade. Vi
você e sentí-me imediatamente atraída. Pensei então
em ter uma aventura, por uma noite. Ir para a cama com você, mas sem nenhum
envolvimento maior. Então, não falei nada de mim, nem perguntei nada sobre
você. Para não haver um comprometimento maior ou ter a fraqueza de procurá-la.
-E
agora, você viu-me outra vez. E está aí se desculpando, com medo que eu comente
nossa experiência com alguém. Fique tranqüila. Não farei isso. Tenho escrúpulos
e discrição, não sou uma pessoa inconseqüente – Disse Petrouska, secamente.
-Petrouska,
você ainda não entendeu! –Suspirou Melissa, fitando-a nos olhos – Ontem, quando
foi embora, eu fiquei com raiva, inicialmente. Achei que você havia me usado e
depois de saciar-se, tinha ido embora sem nenhum sentimento. Mas depois percebi
que você tinha agido assim porque eu provoquei essa reação, com minha frieza
após o ato sexual. E fiquei com raiva de mim mesma, Petrouska. Porque percebi
também que queria vê-la outra vez, que você marcou-me profundamente com seus
beijos e carinhos. E não sabia o que fazer para vê-la novamente.
Petrouska ficou olhando-a, muda. Melissa falava com tanta paixão na voz, que não tinha o que dizer. Estava muda de surpresa e deixava-a falar.
-Eu
não deixei de pensar em você desde ontem, Petrouska. E quando a vi chegar no
apartamento do maestro, achei que estava sonhando ou tendo alucinação. E quando
você começou a tocar, reconheci que estava apaixonada. Você, uma artista, uma
musicista! Que surpresa maravilhosa! Eu devia ter imaginado. Você não era uma
qualquer.
Petrouska saiu
do seu silêncio:
-Você
mudou o seu julgamento sobre mim quando me viu no apartamento de Petrovsky. Viu que eu tinha uma profissão, que sou filha de
um homem conhecido. Até então, pensava coisas horríveis sobre mim!
A voz saiu em
tom acusatório. Melissa a encarou suplicante.
-Não, algo dentro de mim, ontem, dizia que você era uma pessoa de classe! Cheguei a dizer isso à você! Suas maneiras não eram de uma pessoa vulgar, por isso fui para a cama com você, levei-a em minha casa!
Petrouska a fitou pensativa.
-Não
acha melhor esquecermos o que houve? Eu não estou apaixonada por você, Melissa.
Na verdade , não quero tão cedo envolver-me seriamente
com alguém. Estou recuperando-me de um caso que tive, e ainda não esqueci.
-Petrouska... eu sou casada e tenho um filho de dez anos de idade. Também não queria envolver-me com ninguém. Mas conheci você. E apaixonei-me. Vamos viver essa paixão sem compromisso. Se não está apaixonada, melhor para você. Quando nos separamos, não ficará sofrendo.
Petrouska
olhou-a, ainda indecisa. Melissa era linda, gostosa numa cama
, e estava lhe oferecendo momentos de paixão sem exigências. Ora, porque
não? Por que ficar sozinha, sofrendo, enquanto Gina estava com Donna?
Pousou a mão
sobre a de Melissa.
-Muito bem, Melissa. Vamos prosseguir o que interrompemos.
Mas sem compromisso sério. Você não me deverá nenhuma satisfação, nem eu a
você.
Ela sorriu,
aliviada.
-Mas com uma condição – disse, alisando sua mão.
-Qual? –
Perguntou Petrouska, olhando-a séria.
-Que
respeitemos a presença uma da outra. Nada de flertes quando uma estiver com a
outra.
Petrouska sorriu.
-Isso
será fácil respeitar. Quando estou com alguém que interessa-me,
não olho para mais ninguém.
-Petrouska!
– Exclamou, semicerrando os olhos – Você me deixa louca... se
pudesse, seria sua agora... Pode encontrar-se comigo à noite, em minha casa?
-Sim. Dê-me o endereço.
Melissa
deu-lhe um cartão. Olhou para o relógio de pulso, franzindo o cenho.
-Tenho que ir. Tenho um encontro com um cliente dentro de meia hora. Vou levá-la em casa e ir.
-Não,
não precisa fazer isso. Não tenho pressa para chegar em casa. Vá direto para
seu encontro.
Ela a fitou
indecisa.
-Você não se
importa mesmo? Estou um pouco atrasada.
-Não, pode ir.
Despediram-se
e Melissa se foi, apressada.
À
noite, Petrouska foi à casa dela. Logo que entrou,
Melissa a arrastou para o quarto, com um olhar de desejo. Despiu-a entre beijos
loucos, excitando Petrouska com sua exaltação amorosa. Entregou-se gemendo
desvairada, até o esgotamento abater as duas em um sono profundo.
Nos
dias seguintes, encontraram-se todas as noites. Petrouska, após ensaiar com a
orquestra do maestro Petrovsky, ia para casa, tomava
banho, trocava de roupa e ia para a casa de Melissa, onde se entregavam
aos mais variados jogos sexuais. Agora Melissa explorava o corpo de Petrouska
com a boca, sem nenhum receio. Adorava olhar o rosto de Petrouska
transformar-se pelo êxtase. Ficava olhando-a enlevada.
Petrouska deixava-se levar nessa paixão. Era como um anestésico para sua dor por ter perdido Gina. Mas não a esquecia. E isso a deprimia. Até quando sofreria por um amor que acabara? Melissa era linda, fogosa, carinhosa, mas não a amava. Ela era casada, tinha um filho. Só por esse motivo já seria loucura apaixonar-se por ela. Ainda mais que ela breve voltaria para o Canadá, onde tinha residência fixa. Sim, era ótimo não ter se apaixonado por ela.
Naquela
noite, iriam fugir da rotina. O maestro Petrovsky
estava completando sessenta anos e ia oferecer um jantar para cinquenta
pessoas. Melissa e Petrouska haviam sido convidadas, assim como outras pessoas
ilustres. Petrouska sentia-se honrada com o convite, porque só ela e o spalla da orquestra iriam ao jantar.
Melissa
a apanhou em casa. Estava linda com um vestido longo negro e Petrouska a
elogiou, quando entrou no carro.
Ela a olhou sorridente.
-Você também
está muito bem com esse “tailleur” cinza. Ficou muito elegante.
Foram
conversando durante o trajeto, Melissa explicou que seu marido iria chegar
dentro de dois dias. Ele era um político e estava regressando de uma viagem à
Itália, onde fôra realizar uma conferência.
-Por
que não se divorcia, Melissa? Você já disse que não o ama mais. Que vivem
muito tempo separados.
Ela a olhou.
-Lembre-se que
tenho um filho com ele. Jason adora o pai. E meu
marido também é louco pelo filho. Se nos divorciarmos, Jason
ficará com ele e perderei meu filho.
Petrouska calou-se. Não queria envolver-se em assunto de família alheia. Não tinha planos de viver com Melissa, então não deveria dar palpite.
-Quando
ele chegar, teremos que nos ver menos. Não quero que Gaston
desconfie de nada.
-Tudo bem. Você quem sabe como proceder.
Chegaram
ao apartamento do maestro. A governanta abriu a porta e já no hall Petrouska
ouviu ruídos de música e vozes.
Melissa adiantou-se com Petrouska. Entraram no salão e foram recebidas pelo maestro, que veio ao encontro delas sorridente.
-Melissa!
Petrouska! Que prazer, vê-las aqui!
Melissa
beijou-o nas faces e estendeu um pequeno embrulho que tinha nas mãos.
-Parabéns,
maestro! Aqui está uma pequena lembrança, espero que goste.
Ele pegou o embrulho e olhou para Petrouska, que avançou e o abraçou, olhando-o sorrindo. Entregou também um pequeno embrulho. Um cd da ópera de La Traviata, com Gina Verlaine, que o maestro dissera que ia comprar.
-Felicidades,
maestro.
-Muito
obrigado... – disse ele, começando a abrir os presentes.
Petrouska olhou em volta. Havia já umas vinte pessoas no salão. Os homens de smoking e as mulheres de vestido longo, muito elegantes. Uma se destacava... Gina! Gina Verlaine!
O
olhar de Petrouska arregalou-se, e ela empalideceu. Começou a tremer. Seu
olhar prendeu-se à ela, esquecendo onde estava, com quem
estava. Gina! Gina, ali!
Ela
a fitava também imóvel, pálida. Lindíssima, com um vestido branco com pedrarias
prateadas longo e decotado, os cabelos presos para trás. Com uma taça na mão,
olhava-a com uma expressão chocada.
O maestro
virou-se para ela.
-Gina, venha
ver o que ganhei!
Ela aproximou-se com seu andar majestoso. Olhou para Petrouska nos olhos, olhou para Melissa e depois para o maestro.
Ele
mostrou-lhe o cd, sorrindo.
-Veja. Sua
gravação de La Traviata.
Petrouska a olhava ainda paralisada, pelo choque do reencontro. Sentia o coração disparar na antiga emoção, o sangue correndo acelerado nas veias. Amava-a! Não agüentava vê-la sem ter vontade de beijá-la, de tomá-la nos braços, ela era a mulher que a deixava em um estado de encantamento que nenhuma outra conseguia.
-Espero que
goste da minha performance, Petrovsky.
A voz de Gina soou
insegura.
-Claro que
irei gostar, Gina. Ah, quero apresentar-lhe Melissa
Evans e Petrouska Vonsky.
Ela sorriu
para Melissa, apertando a mão dela.
-Muito prazer,
Melissa.
Melissa sorriu
também.
-O prazer é
meu. Sempre quis conhecê-la. Sou uma fã sua.
-Obrigada.
Olhou para
Petrouska.
-Petrouska eu
já conheço. Como vai , Petrouska?
Petrouska
recuperou a voz.
-Bem, Gina, e
você?
-Vou bem,
obrigada.
Melissa olhou
para Petrouska.
-Não sabia que
conhecia Gina Verlaine.
Gina
respondeu, encarando Petrouska com um olhar expressivo, parecendo triste:
-Trabalhei
com o pai dela na apresentação da ópera La Traviata. Nos conhecemos nos ensaios.
O
maestro abriu o embrulho do presente de Melissa. Era um belíssimo relógio de
ouro, um Rolex legítimo. Agradeceu a Melissa,
encantado.
Gina olhava para Petrouska nos olhos. Um olhar que Petrouska conhecia bem. Leu neles o ciúme e isso a fez ficar emocionada. Será que Gina ainda a queria? Deus, se isso fosse verdade, como ficaria feliz!
O maestro
tomou Melissa pelo braço.
-Já que elas
se conhecem, deixe-as aí conversando e venha comigo. Vou apresentar-lhe
alguns convidados.
Melissa afastou-se, não sem olhar para Petrouska com um olhar ciumento de advertência.
Ficaram as
duas frente a frente. Gina suspirou e perguntou, olhando para Petrouska com seu
olhar enigmático, que escondia suas emoções:
-Está feliz, Petrouska? Está com Melissa Evans?
Petrouska
respondeu sem sinceridade, querendo feri-la por saber que ela a havia substituído
por outra:
-Estou, e
muito feliz. Ela me ama muito e vivemos um grande amor.
Uma contração passou pelo rosto de Gina. Seus olhos ficaram sombrios, mas falou com voz contida:
-Desejo que
seja muito feliz, Petrouska. Que encontre a felicidade que não teve comigo.
Petrouska
sorriu com ironia, tentando mostrar-se indiferente:
-E você com Donna Gardner? Vi uma foto de
vocês duas nos jornais e imagino que estão juntas,não?
Gina baixou os olhos , fugindo dos de Petrouska.
-Sim, estamos
juntas.
-Que ótimo, Gina! –Disse, maldosamente, querendo disfarçar o ciúme que a assaltou –E imagino que o conde deve ver muitas cenas de sexo explícito de vocês! Donna deve aceitar isso, não?
Gina
a encarou com um olhar tão magoado que Petrouska arrependeu-se do seu maldoso
comentário.
-Cortei
relações com o conde. Não o vejo há muito tempo – Respondeu, com voz trêmula.
-Oh... Donna conseguiu o que eu não consegui, afastá-la do odioso conde! Ela merece parabéns!
-Petrouska,
por que está querendo magoar-me, com esses comentários sarcásticos? – Perguntou
Gina, com os olhos mostrando finalmente sofrimento – Quer tripudiar sobre meus sentimentos?
Nesse instante, Melissa parou ao lado de Petrouska. Olhou para Gina com um olhar visivelmente ciumento.
-Posso
participar da conversa, ou é particular?
Gina se
recompôs e a fitou com seu olhar impenetrável.
-Não estamos
conversando nada de mais. Apenas relembrando o tempo que trabalhamos juntas na
apresentação de La Traviata,
sob a regência do pai dela. Com licença...
Afastou-se,
voltando para a roda de amigos.
Melissa olhou
para Petrouska, que seguira Gina com um olhar atento.
-O que estavam
conversando?
Petrouska a
fitou com um olhar meio aéreo.
-Ela disse. Sobre nossos trabalhos.
-Duvido!
Estavam com expressões muito reveladoras, Gina a ouvia com ar muito tenso! Ouça
Petrouska, não vou admitir que me traia!
Petrouska a
encarou friamente.
-E se eu tivesse interessada nela? Nunca lhe prometi nada! Você é casada e seu marido vai chegar dentro de dois dias. Com que direito quer cobrar-me fidelidade?
Melissa a fitou com raiva.
-Então,
confesse que está interessada em Gina Verlaine! Essa
galinha que dorme com homens e mulheres, sem escolher os parceiros.
Petrouska a
fitou com os olhos cheios de desprezo.
-Como
você é vulgar! Tenho certeza que Gina Verlaine não
faria esse tipo de comentário sobre uma possível rival! Você está cega pelo
despeito!
Melissa
mordiscou o lábio inferior, procurando conter-se.
-Desculpe-me, Petrouska... o ciúme descontrolou-me.
-Pois se
controle. Odeio insinuações maldosas, desprovidas de fundamento.
-Está bem,
querida... vamos tomar um drinque e falar sobre coisas
amenas, ok?
Sentaram num sofá, bebendo o champanhe servida por um garçom. Disfarçadamente, Petrouska olhava para Gina. Ela conversava com um grupo, sem olhá-la nenhum instante.
Petrouska sentia o amor agitar seu coração e um doloroso ciúme, em sabê-la com outra mulher. Era inútil enganar a si própria. Ainda a amava com intensidade e ao tê-la diante dos olhos, sentia uma imensa vontade de aproximar-se daquele grupo e arrebatá-la dali, levá-la para um lugar para que fosse somente sua.
Ah, Gina! Será que sentia o mesmo? Ela a olhara com mágoa, pelos comentários idiotas. Se não sentisse mais nada por ela, não se magoaria. Apenas seria fria e distante. Oh, seu ciúme estragara aquele reencontro!
O
jantar foi servido em outro salão, com lugares marcados na mesa. Gina ficou do
lado direito do maestro e Petrouska um pouco distante dela.Gina não a olhava
uma vez sequer, com sua atenção requisitada pelo maestro e outros convidados.
Ela, com seu fascínio, era o centro das atenções.
Brindaram à felicidade do maestro. Trouxeram um bolo com velas e ele as apagou com o coro de parabéns cantado por todos. Então, levantaram-se e passaram para a sala de música. O maestro sentou-se ao piano e pediu a Gina para cantar. Ela recusou inicialmente, dizendo que o brilho da noite era exclusivo do maestro. Mas diante de vários pedidos insistentes, finalmente concordou. Colocou-se ao lado do maestro e seu olhar parou um momento sobre Petrouska, que estava num canto do salão. E falou, com voz clara:
-Vou
cantar uma ária da ópera Il
Barbiere di Siviglia, Una voce poco fa. Como sabem, é uma ária
que mostra o temperamento impetuoso da personagem Rosina,
que tanto pode ser uma mulher doce quanto uma víbora, para conquistar o seu
amor. Esse temperamento antagônico que uma mulher apaixonada pode mostrar,
muitas vezes não é entendido pela pessoa amada, que idealiza um ser perfeito, e
isso pode levar à uma separação.
Petrouska sentiu que aquelas palavras eram para ela. Olhou-a emocionada. Gina estava lhe mandando um recado através daquela música.
Oh,
Gina, como realmente fui tola! – Pensou, com tristeza – Não perdoei suas
fraquezas, achei que tinha de ser uma mulher perfeita, não confiei em seu amor!
Estraguei tudo!
Ela
começou a cantar, com sua voz privilegiada. Muitas vezes o olhar caía sobre
Petrouska, que a fitava fascinada, sentindo cada palavra:
“Uma voce poco fa
Qui nei cor mi risuonò
Il mio cor ferito è già
E Lidoro fu che il piagò.
Si, Lidoro mio sará,
Io giurai, la vincerò(...)
Io sono un docile,
son rispettosa
sono obbediente, dolce, amorosa
mi lascio reggere mi fo guidar.
Ma se mi toccano,
Dove il mio debole,
Sarò uma vipera, sarò...”
Ela deu um agudo final e os presentes aplaudiram entusiasmados. Petrouska aplaudiu também, olhando fascinada para Gina. Oh, ela era uma artista brilhante, com que paixão cantara aquela ária esplêndida! Que magia tinha na voz, no rosto, nela toda!
Olhou
para Melissa. Ela aplaudia fracamente, com evidente má vontade. Petrouska
entendeu. Ela agora via Gina como uma rival. Não se convencera que Petrouska
não estava interessada em Gina.
Gina
inclinou a cabeça agradecendo e saiu da roda que se formara para ouví-la. Um outro convidado tomou o lugar dela, cantando La Donna é Mobile,
com sua voz de
tenor.
-Bem, se eu tinha alguma dúvida de algo entre vocês, agora não tenho mais – Disse Melissa, olhando para Petrouska com ciúmes – Você está interessada nela, é evidente demais. Você a comia com os olhos! E lembrei que quando a conheci, você disse-me que tinha terminado uma relação recente e ainda amava a mulher. Nunca lhe perguntei quem era, mas agora acho que sei. É Gina, não é, Petrouska?
Petrouska
a encarou. Estava cansada de esconder o que sentia, fingir que havia esquecido
Gina. E Melissa merecia saber a verdade.
-É ela,
Melissa – Confirmou, com voz firme – E vendo-a agora, percebo que ainda não a
esqueci.
Melissa sorriu, um sorriso de derrota. E para surpresa de Petrouska, não a recriminou. Pelo contrário, suas palavras foram cheias de dignidade:
-Obrigada
por não mentir, Petrouska. A pior coisa do mundo é a ilusão. Não tenha receio,
sei reconhecer a derrota. Se a ama realmente, vá em
busca da sua felicidade. Lute por ela.
-Gina não me
ama mais, Melissa. Ela agora está com outra.
-Como
é ingênua! Eu percebi os olhares significativos dela para você. E o recado
através da música. Se a ama, não se entregue. Não tenha orgulho de pedir
perdão, para ser feliz.
Petrouska a
fitou emocionada e com gratidão.
-Melissa, você
é maravilhosa. Confesso que não esperava que fosse tão compreensiva.
-Sou vivida, Petrouska. Sei reconhecer quando algo não é para mim. Em todo tempo que estivemos juntas, você nunca olhou-me como olhou para Gina. E não quero ficar com uma pessoa que está apaixonada por outra. Não sou masoquista.
-Melissa... eu tenho boas lembranças dos momentos que passamos juntas. Não vou esquecê-los nunca. Mas percebi hoje que não posso lutar mais para arrancar de dentro de mim o amor que sinto por Gina. Eu a amo demais.
Os olhos de
Melissa a fitaram com tristeza.
-Então, hoje
está terminado o nosso caso de amor.
-Agora, não. Preciso de tempo para esquecê-la. Um dia, quem sabe? O tempo é um atenuante dos desenganos.
-Melissa... nem sei o que dizer...
-Então, não
diga nada. Adeus, Petrouska.
E ela
afastou-se sem olhar para trás deixando Petrouska a olhando com tristeza.
Por que tinha de ser assim? Fazer alguém infeliz, por uma escolha? Ou estava sendo sentimental demais? Vencer e perder fazia parte da vida. Era um jogo que a vida ensinava a todos. Tinha de preparar-se para esse jogo, porque nem sempre seria a ganhadora. Será que conseguiria reconquistar o amor de Gina? Ela estava com Donna Gardner, uma rival temível.
Olhou
em volta , à procura de Gina. Não a viu. Procurou-a
por todo o salão, foi ao terraço, no lavabo, mas não a encontrou.
Ansiosa, chegou perto do maestro e o abordou com voz baixa e tímida:
-Gina Verlaine
já foi embora?
Ele lhe
sorriu, tomando uma taça de champanhe.
-Sim, ela teve
de sair cedo da festa. Amanhã
irá gravar um cd com Carreras.
-Oh... obrigada pela informação, maestro – Disse, decepcionada – Sabe onde posso encontrá-la?
-Ela está
hospedada no Ritz. É só ir até lá ou telefonar.
-Sim... obrigada, maestro...
Afastou-se decepcionada. Não podia ir procurá-la no hotel. Ela podia estar acompanhada por Donna Gardner e sua chegada provocar uma briga entre elas. E quem lhe garantia que seria bem recebida, depois das palavras idiotas que dissera à Gina? Ela estava naturalmente magoada e temperamental como era, poderia recusar-se a vê-la.
Meia
hora depois, despediu-se do maestro e foi embora, pensando como poderia falar
com Gina.
Gina
Verlaine acordou com a cabeça explodindo de dor.
Abriu os olhos, fechou-os piscando e tornou a abrí-los,
acostumando-se à claridade.
Havia
chegado no hotel na noite anterior e pedira uma garrafa de uísque à copa,
bebendo até adormecer de porre. O encontro com Petrouska a havia abalado e
queria esquecê-la, nem que fosse através da bebida. Oh, como sofrera, ao vê-la
com outra mulher! Melissa Evans. Uma mulher bonita,
inteligente, culta e casada com um político famoso. Na festa, se
informara bem sobre ela.
Petrouska,
que condenara sua ligação com um conde, agora aceitava o amor de uma mulher
casada! Isso era bem pior que sua situação, pois ela não era mulher do conde e
não tinha obrigações conjugais com ele e nem tinha sexo mais, ao contrário de
Melissa Evans. Então, Petrouska amava Melissa muito mais do que a amara, para
aceitar isso. Ou então, mudara muito seu modo de ver as coisas.
A
primeira hipótese a enchia de ira e angústia. Deus, Petrouska a havia esquecido?
Amava agora Melissa Evans?
Seu
olhar teve um fulgor desesperado. Olhou em volta, sentindo-se deprimida. Estava
sentindo-se tão só, naquele apartamento enorme! O que adiantava ser famosa, ter dinheiro? Não era feliz, não tinha quem amava
com desespero!
Mentira
para Petrouska, dizendo que ainda estava com Donna Gardner. Haviam terminado o “affaire” há mais de dez dias. Donna era temperamental e exigia atenção constante. E ela
tinha muito que fazer, para ficar à disposição de uma estrela mimada. Brigaram
quando dissera que ia passar uma temporada em Paris gravando e recusara a
companhia dela, alegando que não teria tempo para ela. Na verdade, não a amava
e estava cansada de Donna. Saíra de Nova Iorque
aliviada por ter se livrado dela.
O
rosto de Petrouska tomou sua mente. Oh, como ela estava mais bela, um olhar
mais adulto, mais mulher! Mas também, mais sabedora em magoar as pessoas.
Petrouska!
Deus, como ainda a amava! Como sentira o ciúme corroê-la, quando a vira chegar
com Melissa Evans! Oh, seria tão maravilhoso se ela
tivesse dito que ainda a amava e que a queria novamente!
Ilusão!
Esperança vã! Ela a havia esquecido! Estava agora apaixonada por Melissa!
Lembrou
de seu compromisso. Tinha de estar no estúdio dentro de uma hora!
Pulou
da cama afobada e correu para o banheiro. Tomou um banho rápido, vestiu-se
nervosamente e saiu apressada.
Chegou alguns minutos atrasada e desculpou-se. Todos foram
gentis, aceitando suas desculpas com sorrisos. Afinal, ela era Gina Verlaine.
A
gravação começou, com a introdução da orquestra. Gina posicionou-se diante do
microfone, esperando sua vez de cantar. Ao sinal do maestro, começou a ária Gualtier Maldè, Caro Nome, da
ópera Rigoletto:
Gualtier Maldè...
nome di lui
si amato
tiscolpisci nel
core innamorato!
Caro
nome che il
mio cor...
Sua
voz falhou, enrouquecendo. A orquestra parou e o maestro a
fitou surpreso.
-Algum
problema, senhorita Verlaine? – Perguntou ele,surpreso.
Gina
o fitou nervosa.
-Não
sei o que aconteceu... vamos recomeçar.
Pigarreou,
pensando o que acontecera. Isso nunca havia acontecido antes, com ela. Deus, o
que era aquilo?
A
orquestra recomeçou. Gina esperou sua vez de entrar, nervosa. O maestro a olhou,
fazendo o sinal com a mão.
Dessa
vez, a voz falhou logo
na primeira frase. Gina olhou para o maestro apavorada.
-Não
sei o que está havendo... –Disse, num fio de voz.
Ele
a fitou com constrangimento.
-Está
gripada, senhorita?
-Não...
-Aconteceu
algo que a deixou nervosa?
-Oh!
Não! –Gritou, tirando o headfone e o jogando para o
lado, saindo correndo.
Abandonou,
o estúdio chorando, não querendo fazer mais nenhuma tentativa para cantar,
mesmo com todos que a rodeavam insistindo para isso.
Voltou
para o hotel e não quis receber ninguém e nem atender aos telefonemas. Estava
arrasada com a perda de sua voz. Ligou para um famoso otorrinolaringologista e
marcou uma consulta.
O
doutor Herbert examinou sua garganta minuciosamente com um aparelho, ligado a
um computador que filmava as imagens. Depois sentou diante dela, olhando-a de
cenho franzido.
-Não
há nada de anormal com sua garganta, senhora Verlaine.
As cordas vocais estão ótimas, a laringe, a faringe... não
há nenhuma irritação ou abscesso.!
Gina
o fitou impaciente.
-Então,
por que perdi a voz para cantar?
-Sugiro
que procure um fonoaudiólogo. Ele estará mais abalizado para um teste de suas cordas vocais.
Se não encontrar nada, um psicólogo pode ajudar. Desconfio que sua deficiência
seja de fundo emocional. Porque a parte física está bem.
Gina
saiu dali deprimida e irritada. Não ia procurar nenhum fonoaudiólogo ou
psicólogo! Se estava bem fisicamente, então seu problema
era mesmo emocional! E sabia a causa: Petrouska! Tê-la visto com Melissa Evans
a abalara à ponto de perder a voz!
E
como resolver isso, se ela estava com outra e não a queria mais? Maldição! Oh,
porque não a esquecia também? Petrouska só a fazia sofrer! E agora,interferia
até em sua vida profissional! Deus, sua carreira estava acabada!
Chegou
ao hotel e enfurnou-se no quarto, chorando desesperadamente.
A
notícia vazou para imprensa. E os jornais deram destaque, noticiando que a
famosa soprano Gina Verlaine havia perdido a voz e
cancelara vários contratos de apresentações e seu contrato com a gravadora Emi-Odeon estava em suspenso.
Petrouska
leu a notícia, petrificada. Gina perdera a voz! Sua Gina querida, a mulher que amava , estava passando momentos terríveis!
Não
pensou duas vezes. Saiu angustiada, indo à procura dela. Orgulho, mágoa, medo
de ser rejeitada, tudo isso foi abandonado pela imperiosa vontade de estar ao
lado dela, de confortá-la. Se Donna Gardner estivesse com Gina, que se danasse! Iria vê-la
assim mesmo!
Chegou
ao Ritz com passos decididos e anunciou-se na
recepção. O recepcionista a fitou desconfiado.
-Não
é uma jornalista, não? Já vieram vários aqui, tentando entrevistar a senhorita Verlaine. Ela não está recebendo a imprensa, nem
conhecidos.
-Sou
amiga dela! –Disse, impaciente- Por favor, diga que
Petrouska quer vê-la!
-Bem,
vou tentar... um momento.
Gina
olhou para o telefone, apática. Mais um importuno querendo invadir sua
privacidade. Oh, porque não a deixavam em paz?
O
telefone insistiu, irritando-a . Pegou-o e falou
impaciente:
-Alô!
Quem quer falar comigo agora?
-Desculpe,
senhorita Verlaine... mas
uma moça que diz ser sua amiga insistiu que a anunciasse.
-Amiga?
Quem?
-Petrouska.
Gina
ficou sem voz. Petrouska! O que a trazia ali? O remorso, ou a satisfação de
vê-la destruída?
-Senhorita,
vai recebê-la?
-Tudo
bem... – disse, com voz trêmula – mande-a subir.
Desligou
e olhou para os lados, nervosíssima. O quarto estava às escuras. Correu para o
closet e trocou a camisola por um pijama de seda negro. Passou uma escova nos
cabelos rapidamente e olhou-se no espelho. Droga! Estava um lixo, com aquele ar
de desespero!
Armou
um olhar impenetrável e foi para a sala de estar. Acendeu as luzes e colocou
uma revista perto do sofá, para fingir que estava lendo.
A
campainha tocou. Gina respiro fundo para acalmar seu coração em tumulto e foi
abrir, procurando parecer calma e indiferente.
Petrouska
surgiu diante de seus olhos, com uma expressão ansiosa. Como estava linda!
-Gina!
Gina
sorriu com certa ironia.
-Olá,
Petrouska! Entre!
Petrouska
passou por ela, entrando. Gina fechou a porta e voltou-se, fitando-a com seu
olhar impenetrável. Mas por dentro, tremia.
-Sente-se,
Petrouska – Disse, fazendo um gesto com a mão – Aceita um drink?
Petrouska
contemplou-a longamente, com olhar decepcionado.
-Por
que está sendo tão formal comigo, Gina? Eu vim logo que li a notícia de sua
voz, tão angustiada e ansiosa, e sou recebida com essa frieza!
Gina
cruzou os braços, erguendo o queixo arrogantemente.
-Veio
presenciar minha queda? Oferecer-me a sua piedade, fazer o papel de boa
samaritana? Não quero sua piedade, nem a de ninguém! –Disse, com voz fria.
Petrouska
a fitou magoada.
-Acha
que eu vim presenciar sua queda? Ou por piedade? Como pode pensar isso de mim,
Gina? Você conhece-me bem, para achar isso!
-As
pessoas mudam, Petrouska. Acaso você é a mesma Petrouska que conheci? Não. Você
mudou. Agora tem uma nova vida, um novo amor! E por que veio ver-me, então?
Petrouska
sentou-se, fitando-a nos olhos.
-Não
sei... só sei que senti que precisava de alguém por
perto para apoiá-la, ajudá-la a passar uma fase difícil.
-Oh, estou sensibilizada! –Disse, com ironia –Pois dispenso
sua solidariedade! Vá para perto de sua querida Melissa! Ela não vai gostar de
saber que você veio ver-me, vá embora!
Petrouska
ergueu-se, olhando para aqueles olhos chamejantes, vendo o ciúme brilhar neles.
Gina ainda a queria! Estava com ciúmes!
Sorriu , feliz. Gina a fitou irada.
-Está
rindo de mim?
-Não,
Gina! Estou apenas achando graça de nossa situação!
Gina
a fitou ainda irada.
-Que
situação? Você vendo minha derrota, e feliz com sua nova amante?
-Não,
sua tola! –Disse, aproximando-se –De nós! Eu a amo e você me
ama também! E ficamos mentindo uma à outra, fingindo que estamos felizes
separadas!
Gina
a fitou confusa.
-Pare
de brincar comigo! Você quer tripudiar sobre meus sentimentos, mas não vou deixar!
Petrouska
parou diante dela, fitando-a emocionada.
-Não,
Gina! Nunca faria isso com você, porque a amo! Amo demais, ninguém nesse tempo
todo conseguiu que eu a esquecesse, querida!
Gina
a fitou com um brilho no olhar, trêmula e cheia de esperança.
-Petrouska!
É verdade? Não esta brincando?
Petrouska
a puxou num abraço, olhando-a fascinada. Gina estremeceu, quando seus corpos se
tocaram.
-Não,
meu amor... amo-a tanto! Eu menti para você, dizendo
que estava feliz com Melissa, mas foi apenas despeito, ciúme, por saber que
você estava com Donna Gardner.
Terminei com ela naquela noite mesmo que eu a encontrei na festa do maestro. Eu
queria procurá-la, mas tinha medo de ser rejeitada. Mas quando li a notícia de
seu problema, vim disposta a tudo para vê-la!
-Petrouska!
Oh, Petrouska! –Disse Gina, abraçando-a fortemente, olhando-a
com uma felicidade tão grande, que Petrouska emocionou-se às lágrimas – Meu
amor! Então, voltou para mim? Não vai deixar-me mais?
-Não,
querida... mesmo que me mande embora, não vou
deixá-la... porque sei que só posso ser feliz ao seu
lado...
-Oh,
amor, amor...
Seus
lábios trêmulos de emoção se esmagaram num beijo profundo, louco
, cheio de saudade e paixão. Suas bocas se sugavam incansáveis, tentando
aplacar a sede de amor que as dominava. A ardente sede de amor.
Quase
perdendo o fôlego, separaram as bocas, se fitando apaixonadamente. Começaram a
chorar, acariciando-se nos rostos, com uma felicidade intensa dominando-as.
-Petrouska!
Como a amo!
-E
eu a adoro, minha querida! Como fui idiota! Eu a perdi por não confiar em seu
amor, não procurar entender os seus erros, querer que fosse perfeita!
Perdoe-me, Gina... perdoe minha inexperiência da vida,
eu agora saberei entendê-la! Pode ser amiga de Salieri,
que agora não vou ligar, porque aprendi a confiar em quem amo!
Gina
a fitou sorridente, entre lágrimas.
-Amor, afastei-me definitivamente de Salieri.
Ele arranjou outra amante. Vendi aquele apartamento e pretendo comprar uma casa
nos arredores de Paris. E já terminei com Donna há
mais de quinze dias. Agora só vou viver para nosso amor.
Petrouska
sorriu, apertando-a mais contra si.
-Quero
viver com você. Tê-la sempre perto de mim. E nada de ficar em quartos
separados!
-Será
como quiser, meu amor.
-Gina...
quero-a agora...
já esperei tanto tempo...
Gina
sorriu, pegando-a pela mão. Conduziu-a até o quarto e parou ao lado da cama,
olhando-a com aqueles olhos maravilhosos cheios de paixão.
-Agora,
toma-me – Disse, com voz rouca pela emoção – Use meu corpo para seu prazer. Ele
é todo seu.
Petrouska
pousou as mãos no primeiro botão do pijama de Gina, desabotoando-o, fitando-a
nos olhos. Desabotoou o segundo, o terceiro, o último, afastando a blusa, descobrindo
os seios rijos de bicos rosados, duas frutas prontas para serem saboreadas.
Pegou-os
nas mãos, acariciando-os. Gina ofegou, as narinas frementes. Estremeceu e
pegou-a pelo rosto, beijando-a ardentemente, a língua sequiosa buscando a sua
acariciante e exigente, o corpo apertando-se contra o seu, os seios
esfregando-se, ansiosos.
Petrouska
enlouqueceu. Arrancou o resto da roupa dela, entre beijos. Olhou para o corpo belo
à sua espera e não se conteve. Abraçou-a e caíram na cama, entre beijos
ardentes, seus corpos unidos se apertando em busca do prazer.
Gina
gemeu, sentando-se na cama
recostando na cabeceira, segurando as barras de metal e com as
pernas abertas, oferecendo-se à Petrouska, implorando:
-Venha,
amor... me possua... eu a
desejo tanto...
Petrouska
se despiu apressada, louca para ter Gina entre seus braços. Completamente nua,
se ajoelhou diante de Gina na cama e desceu o rosto, abraçando as coxas dela, abrindo-as
ao máximo e enterrando o rosto entre elas.
Gina gemeu alto e moveu os quadris,
arqueando-o para cima, apertando o sexo contra a boca de
Petrouska, já totalmente molhada.
-Amor!
Oh, sua boca é quente, deliciosa! Sugue-me toda, amor! Quero sentir meu gozo ser todo sugado por
essa boca linda! – Sussurrou ela, lascivamente.
Petrouska
apertou suas
coxas, fora de si. Ela a excitava ao limite máximo, dizendo aquelas coisas com
sua voz sensual, movendo-se com uma provocação de mulher experiente em dar
prazer, em enlouquecer.
-Os
dedos, Petrouska... –Continuou ela,acariciando seus
cabelos –Penetre-me com eles...
Petrouska
penetrou-a com força, empolgada por aquele pedido que soava como uma ordem.
Gina começou a estremecer violentamente e deu um gemido alto e profundo,
atingindo o orgasmo. Ficou imóvel, com os olhos fechados, respirando entrecortadamente.
Quando
Petrouska deitou sobre ela, Gina rodeou sua cintura e girou o corpo,
colocando-a por baixo do seu corpo. Espremeu-se contra Petrouska, olhando-a nos
olhos e agarrando-a pelos pulsos, forçando seus braços para cima. Sorriu do
olhar surpreso de Petrouska, dizendo com voz cheia de desejo:
-Agora
você vai ser minha! Toda!
Petrouska
excitou-se com aquelas palavras. Leu nos olhos de Gina sua loucura e ficou
quieta, adivinhando que ela a queria assim, totalmente passiva, submissa aos
desejos dela.
E
Gina começou a possuí-la como nunca tinha feito, enlouquecendo-a . Apertava-a contra a cama, sugando seus seios, dando
chupões pelo seu corpo, penetrando-a com os dedos firmes, forçando-a a abrir as
pernas ao máximo, para olhar seu sexo sendo penetrado. Voltou-a de costas,
esfregando-se em suas nádegas freneticamente, passando a mão sob seu corpo,
masturbando-a com perícia. Quando Petrouska estava quase gozando, ela
afastou-se e a puxou para fora da cama, sentando numa cadeira diante do espelho
que decorava a parede e colocando Petrouska sentada de costas nas coxas dela,
penetrando-a com os dedos, olhando para elas refletidas no espelho.
-Abra
bem as pernas... –Ofegou Gina, burilando o seu clitóris com maestria –Quero ver
seu sexo... ele aberto para mim...
Petrouska
abriu as pernas, gemendo de prazer. No espelho, via a mão de Gina movendo-se,
os dedos longos e brancos masturbando-a no clitóris, penetrando-a, o rosto dela
transformado uma máscara de desejo.
Moveu
os quadris, encostando-se em Gina, voltando o rosto para trás, deixando-a
sorver sua boca. O gozo se aproximava e Petrouska enlouqueceu. Ergueu-se, voltou
de frente para ela, montando numa das coxas, esfregando-se louca pelo auge do
prazer, as mãos firmando-se nos ombros dela.
Gina
começou a manipular o seu clitóris, fitando-a nos olhos com uma expressão de
puro prazer.
-Isso,
amor... goze... molhe-me toda
com seu gozo...
Petrouska
não agüentou mais. Apertou as coxas de Gina com as suas mãos, estremecendo no
orgasmo, gritando o motivo de sua loucura, da sua vida:
-Gina!
Amor! Amor!
Abraçou-a,
rodeando seu pescoço, com o corpo ainda nos tremores finais do orgasmo. Gina a
abraçou também fortemente, sentindo seu coração em tumulto contra o dela.
Ficaram
assim por longos instantes, Gina com a cabeça apoiada nos seus seios, Petrouska
com a cabeça apoiada na dela, beijando os cabelos macios.
Finalmente
Petrouska ergueu-se e cambaleante, jogou-se na cama. Gina deitou ao seu lado,
fitando-a nos olhos.
-Quer
mais, querida? Posso ficar o dia inteiro possuindo-a .
Desejo-a tanto!
Petrouska
sorriu fracamente, fitando-a com os olhos mortiços pelo êxtase.
-Agora,
não... esgotou-me! Como sabe deixar uma mulher louca e
saciada!
Gina
sorriu, acariciando seus seios.
-Quero
ser a melhor amante que já teve. Quero fazer tudo que uma mulher possa fazer
para dar prazer à outra, para que não fique com vontades insatisfeitas.
Petrouska
sorriu ternamente.
-Meu
amor, você é a melhor mulher, porque a amo!
-Você
vai morar mesmo comigo, Petrouska?
-Sim...
é o meu sonho, querida.
-Oh, dessa vez seremos felizes, minha Petrouska...não há mais ninguém
entre nós. Minha carreira está acabada mesmo... só vou
viver para você.
Petrouska
a fitou séria, com ar grave.
-Gina,
não posso acreditar que uma voz como a sua tenha se extinguido sem mais nem
menos, de uma hora para outra! Já consultou um médico?
-Sim,
um otorrinolaringologista. Ele fez um exame e não encontrou nada de anormal,
fisicamente. Sugeriu-me ir à um psicólogo e um
fonoaudiólogo, pois acha que meu problema é de fundo emocional.
-E
por que não seguiu a orientação?
-Petrouka, sabia que meu problema era você, para quê
procurar uma pessoa para dizer o que já sei? Eu perdi a voz depois que a
encontrei na festa do maestro Petrovsky. Fiquei muito
abalada por saber que você havia me esquecido com Melissa.
Fui gravar muito tensa e infeliz.
-Oh,
querida! Perdoe-me o mal que lhe fiz! Mas se o problema era por minha causa, você
vai superá-lo ! Vai poder cantar novamente!
-Acha ? Talvez... mas não estou
ligando para encerrar minha carreira.
Tenho dinheiro bastante para viver folgadamente o resto de minha vida, e tenho você.
-Gina,
quer encerrar sua carreira por baixo? Quer ser lembrada como uma soprano que
perdeu a voz privilegiada que tinha? Duvido que queira isso. Tente uma vez,
Gina! Abandone a carreira se quiser, mas no auge, mostrando que ainda é a
melhor! Gina, sei que ama sua carreira! Ama
apresentar-se para seu público, não se entregue assim!
Gina a fitou com ar
pensativo.
-Tem
razão. Não quero ser lembrada como uma soprano decadente. Vou tentar,
Petrouska. Mas não durante uma gravação ou apresentação num palco. Vou treinar
em casa, ajudada por você. Poderá acompanhar-me em seu violino?
-Claro,
querida! Será uma honra para mim, tocar para acompanhar a maior soprano viva!
Gina
riu, abraçando-a.
-Bajuladora!
Mas adoro sua bajulação! Principalmente,
dizendo que me ama, que não sabe viver sem mim!
Petrouska
a fitou enlevada.
-Não
é bajulação, é a verdade. Você é uma soprano maravilhosa e uma
mulher fascinante, que eu adoro!
-Adora,
mesmo? Então, prove!
Petrouska
sorriu, debruçando-se para ela.
-Que
prova deseja, querida?
-Todas!
Principalmente, um beijo bem quente!
-Isso
é fácil demais, amor...
Suas
bocas se uniram num beijo profundo e ardente. E Petrouska sentiu a felicidade
palpitando em seu coração, tomado pelo amor à aquela
mulher fascinante.
O Metropolitan Ópera House estava repleto. Os aplausos e gritos de bravo soavam por suas paredes, numa ovação que há muito tempo não se via naquela casa de espetáculo. O recital de Gina Verlaine batera recordes de público, com os fãs da soprano disputando à tapas os ingressos, esgotados em dois dias.
No
palco, Gina Verlaine agradecia, belíssima em um vestido branco, que caía até os pés, realçando o corpo
alto e esguio, numa pose de rainha. Ela sorria, com uma corbeille
de rosas vermelhas nas mãos, inclinando-se graciosamente agradecendo os
aplausos frenéticos.
Petrouska
olhava, fascinada. Ela era mesmo maior soprano viva, e seu nome jamais
seria esquecido na galeria da música erudita, como um monstro sagrado do bel
canto. E orgulhava-se de ter dado sua contribuição, como “spala”
da orquestra de Petrovsky.
O
olhar de Gina pousou no seu, fazendo um gesto indicando a orquestra para os
aplausos. Um olhar cheio de amor, que Petrouska correspondeu
enlevada. Gina era sua deusa. E a amava com um amor tão grande , que só em fitá-la, sentia o peito encher-se de
emoção.
Depois
de voltar ao palco três vezes para agradecer os aplausos, Gina correu para seu camarim, dibrando
inúmeras pessoas que queriam felicitá-la, olhá-la de perto ou simplesmente
tocá-la. Entrou e fechou a porta, suspirando.
Minutos
depois, bateram na porta. Abriu-a um pouco,olhando.
Era Petrouska, acompanhada por Melissa Evans e uma loura.
Gina
abriu a porta, deixando-as entrar. Fechou-a rapidamente, antes que as outras
pessoas invadissem o local, gritando seu nome.
Petrouska
beijou-a no rosto, olhando-a com evidente orgulho.
-Estava
fascinante, querida. E o público sentiu o seu fascínio.
Gina
sorriu e olhou para Melissa, que a fitava sorridente.
-E
nossa produtora? Gostou do recital?
Melissa
alargou o sorriso, pegando a loura pela mão.
-Claro, Gina! Nunca duvidei que sua performance seria
perfeita! Conheço meu metier! E Mina também adorou
ter contribuído para seu sucesso.
Mina
sorriu, timidamente. Era a harpista da orquestra do maestro Petrovsky.
Melissa era a produtora
do recital e nos ensaios havia conquistado a bela harpista. Estavam juntas há
um mês.
Gina
olhou para Mina com
ar malicioso.
-Melissa
tem queda por harpistas e violinistas. Ainda bem que a conheceu, Mina. Senão,
eu iria ficar preocupada com minha Petrouska.
Petrouska
a fitou enrubescida.
-Gina!
Que comentário bobo! Sabe que a amo e Melissa agora é
uma boa amiga!
Melissa
sorriu com ironia, fitando Gina.
-Não
está segura do amor de Petrouska, querida? Mas fique sossegada. Eu estou
apaixonadíssima por Mina. Petrouska é coisa do passado. Somos apenas boas
amigas.
Gina
sorriu, começando a tirar a maquiagem.
-Eu
sei, Melissa. E sei que posso confiar no amor de Petrouska. Só quis provocar
Mina, ela nunca fala nada, é tão tímida!
Mina
sorriu, fitando-a Melissa com ar submisso. Melissa a abraçou, olhando-a com um
sorriso de posse.
-Mina
é calada, mas age muito! Essa garota ainda vai acabar comigo! Por Deus! Ela é
um sorvedouro de prazer, Gina!
Todas
riram. Petrouska olhou para Gina, enlevada.
-Apresse-se,
querida. A recepção em sua homenagem vai começar dentro de uma hora.
Gina
a fitou com um sorriso.
-Então,
venha ajudar-me a trocar de roupa.
Foram
para trás de um biombo e Petrouska a ajudou a tirar a roupa do recital, entre
beijos. Gina foi para o banheiro anexo e tomou um banho, observada por
Petrouska.
-Na
verdade, preferia ir logo para casa, em vez dessa recepção –Disse, fitando-a
com malícia – Vê-la tocando na orquestra deu-me um tesão incrível, minha
Petrouska.
Petrouska
riu, olhando-a enxugar-se.
-Isso
tem remédio. Ainda tem um tempinho extra, não?
Gina
a fitou nos olhos, com ar maroto, vendo-a ajoelhar-se diante dela.
-Petrouska!
O que vai fazer? – Segredou.
Petrouska
encostou-a na parede do banheiro, abrindo suas pernas com as mãos.
Gina
estava em êxtase quando Melissa bateu na porta do banheiro, chamando-as.
Gina
sorriu para Petrouska, refazendo-se do orgasmo.
-Agora
ajude-me a vestir-me, minha taradinha... mal posso ficar em pé!
-Fiz
o que queria... mas mais tarde, não vai fugir de mim. Ficou
devendo-me o troco.
-Vou
pagá-lo com juros, amor... vai ver!
E
depois elas se foram, junto com Melissa e Mina. Era uma amizade especial,
nascida de entendimento e confiança. Melissa e Mina eram iguais à elas e podiam ser abertas e francas, num mundo que
condenava aquele tipo de amor. Mas haviam construído um mundo somente delas, em
que se respeitavam e dividiam suas alegrias e anseios, na busca da felicidade.
No
dia seguinte, a consagração de Gina foi confirmada pela imprensa:
“GINA VERLAINE DEU
A VOLTA POR
CIMA
E
NOS PROVOU QUE
AINDA É A
MELHOR,
SOBERBA EM
SUA NOITE NO
METROPOLITAN”
“UMA SOPRANO COM
UMA VOZ DE RARA BELEZA
E POTÊNCIA,
UMA FIGURA FASCINANTE
E ARREBATADORA, QUE
NOS BRINDA
COM
INTERPRETAÇÕES
FULGURANTES, FAZENDO-NOS PENSAR
TER
VISLUMBRADO UMA
DEUSA CANTANDO AOS
MEROS MORTAIS”
New York
Times
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