Nunca Ame Uma
ASSASSINA
PARTE 7
Jessie
vestiu uma calça de montaria, blusa de algodão branca e botas de cano longo,
tudo presente de Dale. Completou com um chapéu de cowboy branco. Olhou-se no
espelho do quarto e gostou de sua aparência. Saiu do quarto, indo se encontrar
com Dale. Haviam combinado se encontrarem no living.Estavam em quartos
separados e Jessie recusara-se a ir até o quarto de Dale. Sabia como ela era, e
fazer sexo naquela casa não estava em seus planos, pois era perigoso.Benson
poderia estar vigiando-as.
Desceu até o living e caminhou até o imenso bar. Olhou as
bebidas finas, mas não se atreveu em
servir-se de alguma. Olhou pela vidraça do living. Lá fora, o sol estava
causticante. Ali dentro, o ar condicionado tornava a temperatura agradável.
Dale desceu, também em trajes de montaria. Estava linda e
Jessie reconheceu isso. Queria tanto só amar e pensar em Dale! Mas estava
confusa com o que sentia. Gostava de Dale, mas desejava Lana cada vez mais,
contra sua vontade.
Dale lhe sorriu, pegando sua mão.
-Vamos até ao estábulo. Você poderá escolher um bom cavalo
para passear.
Jessie a acompanhou. O estábulo ficava nos fundos da casa.
Era pintado de branco com inúmeras janelas azuis. Entraram e Jessie viu com
prazer que havia mais de seis cavalos puro sangue em colcheiras, escovados e
reluzentes.
Acariciou um deles, um dos mais belos, negro. O cavalo baixou
a cabeça docilmente.
-Este é Phillip, Jessie. É muito dócil. Quer montá-lo? –
Perguntou Dale, acariciando o focinho do bicho.
-Sim,
gostei dele.
-Vou
montar em Shannon, aquela égua marron escuro. Ela é muito ligeira. Sabe selar
os cavalos, ou chamo o tratador?
-Dale,
sou filha de fazendeiros, não esqueça.
-Ok,
não vou pôr sua habilidade em dúvida! – Riu Dale, abrindo a porta do box.
Jessie,
orientada por Dale, apanhou as selas e arreios e selou os dois cavalos com
habilidade. Retiraram eles do estábulo e
os montaram.
Dale
saiu em galope ligeiro e Jessie a seguiu. Atravessaram o gramado e seguiram
para uma colina. Jessie emocionou-se em cavalgar novamente. Desde adolescente
não havia mais montado, e era algo delicioso, comandar o animal e sentir o
vento e o sol em seu corpo, naquele galope ligeiro.
No
topo da colina, Dale parou o cavalo e esperou-a. Estava sorridente, as faces
coradas pela cavalgada.
-Não é uma delícia? – Disse ela, entusiasmada – Vamos até
aquele bosque lá na frente? Ali há um lago muito bom para nadar.
-Não
viemos com trajes de banho – Ponderou Jessie, freando o cavalo ao lado de Dale.
Dale
riu, olhando-a com malícia.
-E
quem precisa disso? Vamos lá!
Ela
esporeou o cavalo e disparou na frente. Jessie também esporeou o seu, sorrindo
da animação de Dale. Sim, por que não? O dia estava quente. Um banho no lago
seria ótimo.
Dale
alcançou o bosque e penetrou entre as árvores.
Jessie
chegou logo depois e seguiu a mesma trilha. Viu Dale esperando-a .
Aproximou-se, abaixando-se para os galhos das árvores não baterem em sua cabeça.
-O
lago está próximo daqui – disse Dale – mas é melhor desmontarmos e seguirmos à
pé, há muitas ramagens baixas das árvores.
-Ok,
Dale.
Estava
desmontando quando ouviu o grito de Dale. Olhou-a alarmada. Dale caíra no chão,
com uma expressão de dor no rosto. Jessie correu até ela e a amparou nos
braços, olhando-a nervosa.
-O
que houve, Dale?
-Meu
pé... quando desmontei pisei em uma pedra e meu pé torceu... – disse, com os
dentes trincados – Ai, que dor!
-Seu
pé? Qual deles?
-O
direito – choramingou Dale, com lágrimas nos olhos – Está doendo muito...
-Vamos
ver isso...
Jessie
abriu o fecho da bota de Dale e tirou-a, com Dale gemendo de dor. O tornozelo
dela estava inchando rapidamente. Tocou-o levemente e Dale gritou.
-Você
luxou o tornozelo, Dale. Temos que voltar e chamar um médico.
Ela
a fitou com dor nos olhos.
-Como
poderei montar assim?
-Vamos
tentar. Se não conseguir, irei buscar ajuda.
-Por
favor, vamos devagar. Está doendo muito.
-Tudo
bem. Firme-se em meu pescoço. Tente erguer-se com o pé esquerdo.
Jessie
passou o braço pela cintura de Dale e ela rodeou seu pescoço com os braços.
Dale ergueu-se ajudada por Jessie e ficou com o pé machucado no ar.
-Agora
vá pulando até o cavalo. Eu a ajudo.
Dale
apoiou-se em seu corpo e foram aos poucos até o cavalo. Jessie segurou as
rédeas com uma mão e olhou para Dale, que contraía os lábios de dor.
-Tente
subir no cavalo. Apoie a mão em meu ombro.
Dale
fez um esforço. Não conseguiu. Jessie então a pegou pela cintura e ergueu-a do
chão, com força. Dale conseguiu encaixar o pé esquerdo no estribo e deu impulso
ao corpo. Montou e respirou fundo, olhando-a.
-Obrigado,
Jessie. Não sei o que faria sem você.
Jessie
montou rapidamente e olhou-a .
-Vamos agora. Sem correr.
Quando chegaram,
Benson e Lana estavam na piscina. Olharam surpresos Jessie ajudar Dale a
desmontar diante da porta da casa e se aproximaram rapidamente. Benson estava
apenas de calção e Lana com um biquini.
Benson olhou para Dale, que sustentava o corpo no de Jessie,
com a perna encolhida.
-Dale, o que houve? – Perguntou, tenso.
-Torci o pé... – gemeu Dale – Está doendo muito.
Benson aproximou-se e levantou Dale nos braços, segurando-a
por trás das costas e pernas. Dale rodeou o pescoço dele com os braços.
-Minha pobre menina... vou levá-la a um médico. Conheço um
perto daqui. Lana, traga o carro até aqui.
Lana afastou-se apressada. Dale olhou para Jesie, que a
fitava com preocupação.
-Venha comigo, Jessie...
-Não! – Cortou Benson, friamente – Isso é assunto de família.
Lana irá conosco.
-Não quero ir com Lana! – Contestou Dale, com os olhos cheio
de dor – Prefiro Jessie!
-Então, iremos nós dois! Lana fara companhia à Jessie!
Dale olhou para Jessie com ciúmes.
-Eu quero que Jessie vá!
-Não, já disse! Obedeça-me, Dale! – Disse Benson, ríspido.
Lana trouxe o carro de Benson e ele colocou Dale no banco.
Entrou e falou para Lana, ligando o motor:
-Fique aí com Jessie! Não demoraremos muito!
E partiu, velozmente.
Lana olhou para Jessie. Ela a fitou com indiferença.
-Bem, vou tomar um drinque – disse Jessie, afastando-se para
o interior da casa.
Entrou e dirigiu-se para o bar. Apanhou uma garrafa de uísque
e serviu-se de uma dose com gelo. Estava tomando o primeiro gole quando Lana chegou.
-Também vou tomar uma dose – Anunciou, pegando a garrafa.
Jessie encolheu os ombros e sentou-se no sofá de couro,
cruzando as pernas esticadas.
Lana acercou-se com o copo na mão. Parou diante de Jessie,
que ergueu os olhos e encontrou nos lábios de Lana um sorriso provocante.
-Outra vez sozinhas... – comentou, com voz insinuante – Sua
querida Dale deixou-a aqui comigo e deve estar cheia de medo.
Jessie a encarou especulativamente.
-Medo de quê?
-Medo de você atacar-me, não resistindo ao meu charme –
disse, com ironia.
-Um medo infundado. Perdi o interesse por você, Lana – Jogou
Jessie, com voz fria.
Os olhos de Lana expressaram descrença.
-Mesmo? Duvido disso. Você me deseja, Jessie.
Jessie a mediu com os olhos, com forçada indiferença. Estava
mentindo. Lana a atraía, ainda mais com aquele maiô revelador, decotado e
cavado nas coxas perfeitas. Ela era linda e sabia provocar. Mas pensou em Dale
e pensou que ela não merecia uma traição.
-Está enganada – disse, friamente – Descobri que amo Dale e
nunca a trairia com você.
Lana ficou vermelha de raiva.
-Eu quem não a quero! Você é ridícula, pensando que eu
trocaria Benson por você! Você não significa nada para mim! Saiba que uma boneca
inflável me atrairia muito mais que você, sua pretenciosa!
Jessie fitou-a desconcertada. Percebeu, pelas palavras dela,
que Lana a ouvira comentar sobre ela com Dale. Sorriu, tentando disfarçar seu
embaraço.
-Oh, é do tipo que ouve conversas alheias atrás das portas!
Não esperava que uma mulher que se acha tão fina fizesse isso, Lana Kincayd!
-Eu não esperava que você fosse tão dissimulada e pobre de
espírito! – Rebateu ela, com ar ofendido – Mas, o que eu poderia esperar de uma
mulherzinha de sua laia?
Jessie ficou vermelha. Seus olhos lampejaram.Ergueu-se e a
fitou à um passo, com raiva.
-Sua cadela arrogante! Pensa que é melhor que eu porque tem
dinheiro! Pois vou lhe mostrar de uma vez por todas que é igual ou pior que eu!
Lana recuou um passo, olhando-a nos olhos com certo temor.
-Você não se atreveria!
-Não? Por que não? Não acha que sou uma mulherzinha baixa,
sem escrúpulos? Uma ex-presidiária, uma assassina? Tenho todos os antecedentes
que mostram do que sou capaz!
Deu um passo para ela, tentando agarrá-la. Lana voltou-se
agilmente e correu. Jessie, incentivada pela reação dela, correu atrás,
perseguindo-a através da casa.Ela saiu para o jardim e continuou a correr.
Jessie a seguiu, gritando:
-Lana! Pare!
Ela alcançou um dos cavalos que pastava no gramado e o
montou, saindo em disparada. Jessie pegou o outro cavalo, montando-o e a
seguindo, gritando:
-Lana! Volte!
Ela não parou. Jessie esporeou seu cavalo, resmungando
preocupada:
-Que mulher louca!
Ela poderia acidentar-se, o cavalo parecia descontrolado. Se
chegasse até as árvores, um galho poderia atingí-la.
Alcançou-a quando chegou ao bosque. Emparelhou o seu cavalo
no outro e debruçou-se, tomando as rédeas da outra montaria, puxando-a . O
cavalo relinchou e empinou. Lana escorregou e caiu na grama. Jessie saltou do
cavalo e correu até ela, que estava imóvel. Debruçou-se para ela, nervosa e
ofegante.
-Lana! Machucou-se?
Ela estava de olhos fechados. Jessie passou o braço sob os
ombros dela, soerguendo-a .
-Lana! Fale comigo!
Ela abriu os olhos e olhou-a com um olhar que a surpreendeu.
Um olhar cheio de sensualidade.
-Jessie... não quero e não posso resistir mais...
-Lana!... Está bem? Não tenha medo de mim. Não vou forçá-la a
nada, estava mentindo.
Lana sorriu sensualmente e passou os braços no seu pescoço,
rodeando-o.
-Sua idiota... eu quero que me ataque... que me possua... –
Sussurrou, com voz rouca.
Jessie a fitou surpresa demais para ter alguma reação. Lana,
oferecendo-se à ela?
Foi Lana quem puxou sua cabeça para o encontro das bocas e
beijou-a com uma avidez que Jessie não esperava.
Sentindo aquela boca faminta de beijos sugando a sua, Jessie
sentiu o desejo sacudir seu corpo. Lana a queria! Desejava-a! O corpo
apertava-se contra o seu, esfregando-se sensualmente!
Desgrudou a boca, olhando-a empolgada.
-Lana... você me quer...
Ela a olhou puxando-a contra o corpo que tremia, a boca
entreaberta exalando suspiros. O corpo macio e quente se movia sensualmente,
sob o seu.
-Sim, Jessie... sim! Possua-me... agora... depressa...
Jessie desceu o rosto, indo colher a promessa que aqueles
olhos emitiam. Seus lábios se tocaram, se apertaram, a língua de Lana procurou
a sua frenética,sugando-a com sede voraz.
Jessie estremeceu de desejo. A paixão que sentia finalmente
estava sendo aplacada pelos beijos de Lana, pelo toque das mãos dela em seu
corpo, numa concretização que a inebriava.
Rolaram pela grama com arrepios fortes sacudindo os corpos
unidos, as bocas se sugando em delírio, num beijo interminável e enlouquecedor.
Jessie não queria pensar em nada mais senão em possuir aquela mulher que
vibrava em seus braços, transmitindo uma paixão louca.
Lana desgrudou a boca para olhá-la com um olhar transtornado
pelo desejo.
-Jessie, Jessie... Possua-me logo!Não posso esperar mais!
-Lana! Você me deixa louca !
Despiram-se apressadas, querendo logo a concretização do ato.
Olharam-se nuas admirando-se, antes de unirem os corpos em um abraço apertado,
as bocas se sugando incansavelmente.
Lana pegou os próprios seios em concha com as mãos,
oferecendo-os à boca de Jessie.
-Venha, sugue-os... quero ser toda sugada por você... – Disse
Lana, ajoelhada na grama.
Jessie desceu o rosto, empolgada. Sugou e beijou cada seio
dela com sofreguidão, ouvindo-a gemer de prazer e dizer coisas que a excitavam
ainda mais:
-Morda... quero que me machuque... deixe sua marca em meu
corpo... quero ter sua marca em mim...
Jessie mordiscou os biquinhos, sem coragem para machucá-la
como pedia. Mas Lana não teve esse medo. Mordeu-a no ombro, gemendo de volúpia.
Jessie deu um grito de dor e afastou-se, olhando-a assustada.
-Está louca? Veja o que fez! – Disse, mostrando o ombro
ferido, com marcas dos dentes dela.
Lana a agarrou pelos cabelos, mordiscando seus lábios com
avidez. Ela parecia querer devorá-la.
-É a marca do meu desejo por você, Jessie. Vai olhá-la e
lembrar desses momentos. Mesmo quando estiver com Dale. Faça uma em mim também... eu deixo.
-Você é louca, Lana!
Lana puxou-a contra o corpo, deitando na grama. Abriu as
pernas, mostrando-se sem pudor.
-Venha... me pegue...
faça tudo que sabe para dar prazer à uma
mulher... – ofegou.
Jessie atacou-a sem mais nenhum receio. Fez naquele corpo
loucuras, com Lana entregando-se totalmente. Lana também fazia mil carícias,
esfregando-se enfebrecida, gemendo e dando gritos abafados pela boca de Jessie.
Lana atingiu o êxtase sendo sugada por Jessie, que também a
penetrava com os dedos com ímpeto, dando um grito. Prendeu-a com as coxas e
depois a soltou, gemendo de prazer, o corpo estremecendo nas últimas contrações
de prazer.
Jessie subiu pelo corpo dela, dando chupões. Nivelou o rosto
com o dela e olhou-a . Ela a olhou com olhos mortiços pelo desejo satisfeito.
-Agora quero você... beber seu prazer como fez comigo...
Jessie acariciou-a no rosto, fitando-a nos olhos.
-Você está cansada...
-Não. Deixe, eu quero. Venha...
Deslizou sob o corpo de Jessie e grudou a boca faminta em seu
sexo, sugando-o avidamente. Jessie deixou-a fazer o ato, sentindo um prazer
incontrolável, que em pouco tempo a lançou em um orgasmo intenso. Trincou os
dentes, sentindo-a sugá-la até a última gota, gemendo seu prazer.Quando sua
respiração se normalizou, afastou-se e deitou ao lado dela .
Ficaram em silêncio um bom tempo. Foi Lana quem fez o
primeiro movimento, sentando-se. Olhou-a com rosto tenso.
-Vamos embora. Benson e Dale devem estar chegando.
Jessie sentou também, fitando-a expectante.
-Lana... está arrependida do que fez?
Ela ficou de pé. Pegou o maiô no chão e o vestiu, olhando-a .
-Não.
-E o que pretende fazer agora?
-Nada. Você tem Dale, eu tenho Benson.
Jessie a fitou decepcionada. Agora que havia satisfeito o
desejo, ela voltava a ser a fria Lana.
-É isso que tem a dizer? Tudo bem. Vou esquecer o que
acabamos de fazer.
Ela a olhou com rosto tenso.
-Jessie, eu quero você. Mas não será possível ficarmos
juntas. Dale, se souber, tentará prejudicá-la. Ela é muito perigosa.
Jessie a fitou incrédula.
-Dale, perigosa?! Por que acha que ela é assim?
Lana a encarou indecisa.
-Esqueça o que eu disse.
-Não, não vou esquecer! Parece que sabe algo sobre Dale que
não quer dizer-me, Lana.
-Eu não sei de nada.
-Não foi isso que deixou transparecer.
-Jessie, vista-se. Temos de voltar.
Jessie ergueu-se e se vestiu rapidamente, olhando para Lana.
Ela parecia tensa.
-O que quis dizer, falando que Dale tentará prejudicar-me? –
Insistiu – Por que acha que ela é tão vingativa assim?
Ela abraçou-a subitamente e a beijou profundamente.
Afastou-se e a olhou com receio.
-Oh, Jessie! Por que fui gostar de você? Isso só me trará
complicações! Dale e Benson ficarão furiosos!
Jessie a fitou intrigada.
-Por que tem tanto medo deles?
Ela mordeu os lábios.
-Chega, já falei demais. Vamos embora.
-Está bem.
Repararam então que um dos cavalos havia ido embora. Só um
estava ali, pastando.
Jessie o pegou pelas rédeas, montando-o .
-Vamos ter de voltar nele – Disse, estendendo a mão para Lana
– Venha, suba atrás.
Lana sorriu, pegando sua mão e apoiando o pé no estribo.
-Prefiro ir na frente, em seus braços.
Montou na frente de Jessie, que enlaçou-a pela cintura com
uma das mãos. Esporeou o cavalo, que saiu em galope ligeiro.
Lana encostou-se no seu corpo, falando docemente:
-Como é bom o contato do seu corpo... eu a quero muito,
Jessie... pensei que quando me possuísse, o desejo acabaria. Mas aconteceu o
contrário... quero mais, muito mais! Você enlouqueceu-me.
-Mas vai continuar com Benson.
-E você com Dale!
-Mas, não foi você mesma quem aconselhou-me a ficar com ela?
– Rebateu, com ironia.
-Provisóriamente. Depois, eu vou querer você só para mim – Disse, olhando-a com ar
apaixonado.
-Lana, tenho tenho que pensar sobre isso. Estou confusa com
todos esses acontecimentos. Dale não merecia essa traição.
O rosto de Lana endureceu, olhando-a .
-Não tenha pena dela, Jessie! Olhe, eu tenho muita coisa para
contar sobre ela, mas agora não dá tempo. Encontre-se comigo amanhã bem cedo,
às cinco da manhã, no lago. Benson estará dormindo e Dale provavelmente ficará
acamada.
-Vai dormir com Benson? – Perguntou Jessie, sentindo ciúmes –
Agora vai completar o que não fez
comigo, não é?
Lana baixou o rosto, com ar constrangido.
-Não posso evitar isso. Sempre dormimos juntos, quando
ficamos aqui. Tente entender, Jessie. Não posso mudar de atitude sem mais nem
menos, sem despertar suspeitas. Temos que agir com naturalidade.
-Está bem. Lana. Tem razão.
Chegaram perto da casa e Lana desmontou atrás de umas sebes e
separou-se dela. Jessie prosseguiu até o estábulo e foi recebida pelo tratador.
-Oh, esse voltou acompanhado! O outro chegou sem a amazona,
fiquei preocupado! – Ele disse sorrindo, segurando as rédeas para Jessie
desmontar.
-Não houve nada demais. O cavalo deixou-nos quando estávamos
descansando na grama – mentiu Jessie, com remorso.
-Ainda bem...
Jessie saiu e regressou para a casa. Entrou e encontrou Dale
no quarto, sentada no sofá com o pé enfaixado e Benson sentado ao lado dela.
Dale a olhou com suspeita e Benson com indiferença.
Ao vê-la, ali tão desprotegida, Jessie sentiu-se uma canalha.
Dale a amava tanto, e a havia traído num momento em que ela estava sofrendo!
Sua paixão por Lana a fizera praticar um ato contrário aos seus princípios.
-Jessie! Onde estava? – Perguntou Dale, em tom de acusação –
Pensei que fosse aguardar-me chegar!
Jessie aproximou-se, forçando um sorriso. Parou diante dela e
olhou-a com amistosidade, ignorando o frio olhar de Benson.
-Como está, Dale? O que achou o médico? Vai ficar boa em
quanto tempo?
Dale fitou-a nos olhos, cheia de desânimo.
-Tive uma luxação. Tenho que manter-me imobilizada por três
dias, no mínimo. Meu fim de semana parece que vai resumir-se a eu ficar sentada numa cadeira, ou na cama.
-Oh!, que pena, Dale! Veio para cá e não vai poder aproveitar
o lugar! Lamento muito tudo isso, Dale – Disse, com sinceridade. Realmente,
estava triste com o acidente de Dale. Ela era uma boa garota . Como havia sido capaz de traí-la?
Era mesmo uma fraca, uma traidora! O remorso a dominou.
-Estou arrasada... – Disse Dale com tristeza, fitando-a.
Benson ergueu-se. Sorriu para Dale.
-Minha garota já está medicada e sem dor, não é? Vou deixá-la
com Jessie e procurar Lana.
Olhou para Jessie e falou com autoridade:
-Cuide dela, Jessie. Quis contratar uma enfermeira para isso,
mas Dale recusou, é muito teimosa. Ajude-a no que for preciso.
-Pode deixar comigo, sr. Benson.
Benson saiu e fechou a porta atrás de si.Dale a olhou
acusadoramente.
-Onde estava, Jessie? Não a vi quando cheguei. Nem Lana.
Jessie sentou ao lado dela na cama, fingindo uma
tranquilidade que não sentia.Estava na verdade se sentindo uma canalha.
-Fui atrás de Shannon, que saiu daqui em disparada.
Procurei-o por todo canto, até no lago. Não o achei e voltei. O tratador
disse-me que ele havia regressado.
-Não viu Lana?
Jessie ergueu as sombrancelhas, fitando-a surpresa.
-Não. Quando vocês saíram, ela disse-me que ia dar um
mergulho na piscina. Não a vi mais.
-Hum! Vou fingir que acredito... para não discutir.
Jessie gelou. Mas com esforço, sorriu. Pegou-a pela mão e
apertou-a.
-Não pense bobagens, Dale... eu nem queria vir aqui,
lembra-se?
Ela olhou-a nos olhos, ansiosa.
-Não está me mentindo? Não ficou com Lana?
-Não, Dale... estava com saudades de você e preocupada –
Negou, cheia de remorso. Como estava sendo fingida! Começou a arrepender-se de
ter cedido ao seu desejo por Lana.
Dale sentou-se na cama e a pegou pelos ombros.
-Eu tenho ciúmes de você, Jessie... porque a amo .
-Eu sei... nota-se ! – Disse, sorrindo.
-Beije-me...prove-me que me quer também...
-Dale... seu pé...
-Ao diabo meu pé... é só deixá-lo em paz...
-Benson pode entrar...
-Não, ele foi ver Lana... beije-me, Jessie...
Dale puxou-a contra si, Jessie beijou-a, procurando não
deixar transparecer seu cansaço. Lana a esgotara. Só queria agora um bom banho
e comer algo. Mas Dale excitou-se. Correu as mãos pelo seu corpo, ofegando.
Afastou a boca para dizer, entre suspiros:
-Faça-me sentir prazer, Jessie... não recuse... estou louca
por isso... desde que chegamos...
Jessie pensou em Lana com Benson. Ela também estava em outros
braços. E não podia negar isso à Dale.
Possuiu Dale e sentiu o desejo dominá-la mais uma vez. Deu
prazer à Dale até ela não agüentar mais,
ficar completamente esgotada. Cobriu o corpo de chupões, apertou-a, penetrou-a,
fazendo-a gozar delirantemente. Era gostoso sentir Dale assim, tremendo e
gemendo de louco desejo.
Afastou-se suada, as roupas amarrotadas, olhando para o rosto
de Dale. Ela lhe sorriu fracamente.
-Amor... estou morta...
-Durma, Dale... vou tomar um banho e trocar de roupa. Já
almoçou?
-Não... mas não se preocupe, a criada trará aqui no quarto...
-Vou vestí-la. Será estranho ela encontrá-la nua.
Jessie vestiu a calcinha e a camisola em Dale. Ela adormeceu
logo, cansada, e Jessie retirou-se.
Em seu quarto, despiu-se e tomou um bom banho. Vestiu roupas
limpas, perfumou-se e desceu para o salão. Estava faminta. Gastara muita
energia .
Encontrou Lana e Benson tomando drinks, sentados em um sofá.
Lana havia vestido uma saia curta justa e uma blusa decotada, mostrando as
pernas sensacionais e o colo macio. Ela a olhou com um brilho nos olhos azuis,
a sombra de um sorriso nos lábios sensuais. Benson a olhou com uma cordialidade
forçada.
-Olá, Jessie! Como está Dale? – Perguntou ele, erguendo-se.
Jessie sentou em um sofá diante de Lana.
-Ela adormeceu. Deve ser o efeito do remédio.
-Ah, sim, ela tomou um forte anestésico. Quer um drink? Pode
servir-se no bar.
-Aceito, obrigada.
Jessie foi até o bar e serviu-se de uísque com soda. Voltou e
sentou-se, olhando-os. Benson parecia pouco à vontade em sua presença.
Sentou-se ao lado de Lana, que a olhava disfarçadamente.
Um silêncio pesado caiu entre eles.
Jessie não se importou. Continuou a bebericar sua bebida,
olhando-os. Lana sorriu, fitando-a nos olhos. Piscou-lhe.
Benson ergueu-se.
-O almoço está demorando – resmungou – Estou faminto.
Lana o olhou com um sorriso irônico.
-Benson, devia fazer uma dieta. Está com uma barriguinha um
pouco pronunciada. É isso. Come tudo que vê.
Ele a olhou embaraçado e vermelho.
-Estou, Lana? Por que não me disse antes?
-Falta de ocasião, meu caro... e só reparei nisso hoje, lá na
piscina.
-Oh... vou... comer menos...
Lana riu com leve deboche.
-Vamos ver... mas duvido. Você é um glutão.
A criada apareceu, anunciando que o almoço estava servido.
Lana se ergueu e olhou para Jessie, rindo.
-Vamos logo, Jessie... Benson pode morrer de inanição.
Foram todos para o vasto salão de jantar. A mesa redonda de
mogno comportaria vinte pessoas com folga.
Benson serviu-se de um filé com purê de batatas e começou a
comer com apetite. Jessie serviu-se de salada de legumes variados. Já Lana, de
frango grelhado com ervilhas e tomates.
-Jessie, gosta de literatura?
Jessie olhou para Benson, que sorria com arrogância.
Naturalmente, ele pensava que era uma idiota e queria humilhá-la com sua falta
de conhecimento.
Sem deixar de comer, olhou-o séria.
-Sim. Gosto muito.
Ele sorriu com descrença. Lana o fitou com reprovação, o
garfo em suspenso.
-É mesmo? Quais os livros que leu?
Jessie pousou o garfo no prato. Entrelaçou os dedos das mãos,
encarando-o com naturalidade.
- Tostoi era meu preferido. Li Os irmãos Karamazov, Guerra e
Paz, Ana Karenina e outros.
-Hum... só esses escritores?
-
-
Já li também vários outros. Na prisão
havia uma boa biblioteca.
-
-
-Quais os outros? Cite alguns...
-Hernest Hemingway, Hermann Hesse, Balzac, Bacon, Charles
Dickens, Shakespeare... entre outros.
Benson olhou-a incrédulo e decepcionado. Lana, expressando
uma viva admiração. Ela sorriu, olhando para ele.
-Parece que Jessie gosta mais de literatura que você,
Benson...
Ele rosnou e continuou a comer.
Jessie voltou a comer, impertubável. Serviu-se de um filé e o
cortou, levando-o à boca. Delicioso.
-Como consegue manter o corpo tão esguio, comendo assim,
Jessie – Perguntou Benson, provocando-a .
Ela olhou para Lana, respondendo calmamente:
-Gastando energia, Benson. E hoje gastei muita.
Lana enrubesceu. Baixou os olhos, fingindo interesse pela
comida.
-Gastou muita energia ? Em quê? – Continuou Benson.
-Cavalgando. Adoro cavalgar. Hoje matei um desejo muito
acalentado, de montar.
Lana sorriu, entendendo. Olhou-a rapidamente, os olhos
brilhando de excitação.
O almoço terminou e Jessie levantou da mesa, olhando para
Benson com um sorriso. O corno!Se ele soubesse!
-Queiram me dar licença, vou descansar um pouco.
-À vontade, Jessie – Disse Lana, sorrindo-lhe.
Jessie retirou-se e foi para seu quarto. Despiu-se e caiu na
cama, cansada e sonolenta. Adormeceu em pouco tempo.
xxxxxxxxxxxxxxxx
Quando acordou, já era noite. Olhou para o relógio de pulso,
um presente de Dale. Eram mais de oito horas.
Ergueu-se e acendeu a luz. Seus olhos piscaram, ofuscados.
Apanhou suas roupas e vestiu-as. Tinha que ir ver Dale.
Abriu a porta e saiu. Olhou para as várias portas do
corredor. Qual seria a porta do quarto de Benson? Lana estaria com ele?
Aproximou-se do quarto de Dale. Ia abrir a porta, quando ouviu a voz de Benson.
Parou indecisa e surpresa. A voz dele estava alterada. O que estavam
discutindo?Lembrou que os quartos davam para uma imensa varanda. De lá, poderia
ouvir a conversa, se a janela do quarto de Dale estivesse aberta.
Tornou a voltar ao seu quarto e saiu silenciosamente para o
terraço. Aproximou-se da janela do quarto de Dale e parou ao lado. Ouviu Benson
nitidamente:
-...anos todos pensei que você tinha ficado livre desse
problema, Dale! Como me enganei! O outro crime ainda pude disfarçar. Todos
pensaram que foi o pai de Lana quem matou a mulher e se suicidou. Mas esse
agora... e se alguém a viu?
-Não sei, papai! Eu saí de lá em pânico! Mas a pistola estava
com silenciador – disse Dale, com voz trêmula.
-Filha... não sei o que vai ser, se descobrirem! Você está
louca! Como pôde fazer isso novamente? Não chegou um crime que fez, tinha que
fazer outro! Quando vai parar com isso?
-Eu... não fui lá com intenção de matá-la... – choramingou
Dale – Só queria assustá-la com a arma, se me agredisse! Mas a mulher fez-me
perder a cabeça. Insultou-me, disse que ia me
dar uma surra, esbofeteou-me! E... eu atirei.
-Não tinha intenção! Foi o que disse, quando matou a mãe de
Lana e o pai! – disse Benson, com amargura.
A voz de Dale soou quase histérica:
-Matei-os por sua causa! Aquela mulher o seduziu, você ia
ficar com ela! E o marido já estava desconfiado. Ele ia fazer um escândalo. Seu
nome ia ser enlameado! Eu os matei para
protegê-lo!
-Acho que você gosta de matar! E essa mulher? Que motivo a
levou a procurá-la?
-Já falei! Ela estava ameaçando Jessie! Fazendo chantagem,
disse que ia procurá-la e dizer a todos que ela era uma assassina e ladra! Fui
oferecer dinheiro para ela sair da cidade!
-Dale, está mentindo! Como ela iria chantagear Jessie, se ela
não tem dinheiro e eu já sabia do passado dela? Porque Jessie falou isso
para você? Por que você mesma foi resolver isso, e sozinha?
Dale começou a chorar histericamente.
-Você não acredita em mim! – Soluçou – Não quer ajudar-me!
-Calma, calma ! A polícia ainda deve estar investigando e se
não a viram, ninguém a ligará à esse crime!
-Mas Jessie conhece a vítima! A polícia suspeitará dela!
Ainda mais que é uma ex-presidiária! Ah, papai! Não quero que nada aconteça a
Jessie! Ela é inocente é minha amiga!
-Calma, Dale! Vamos aguardar os acontecimentos! Talvez a
polícia não suspeite de Jessie, se ela tiver um álibi! Calma, ou Jessie vai
perceber tudo! Dê-me tempo para pensar em uma solução. Agora, procure dormir.
Aja com naturalidade. Vou para meu quarto pensar. Jantarei lá, vou avisar a
Lana. Fique calma, filha.
-Tentarei, papai...
Paralizada, pálida, quase em estado de choque, Jessie ouviu
Benson sair e fechar a porta.
Sua cabeça dava voltas, com o que ouvira. Dale, uma
assassina! Assassinara os pais de Lana! Assassinara uma outra mulher! Que
mulher era essa, que conhecia? Judy? Jocelin? Não fazia sentido...
O nome veio à sua mente como um clarão: Mary! Oh, Deus! Ela
havia matado Mary! Lembrou da raiva e ciúme de Dale, quando lhe contara seu
caso com Mary. E ela fora procurá-la
para mandá-la sair da cidade! E mentira
para Benson, dizendo que Mary a ameaçara com chantagem. O que a levara a
procurá-la fôra o ciúme doentio, era uma neurótica, uma assassina dissimulada
em um rosto angelical! E agora chorava, para o pai livrá-la de mais esse crime!
E a culpa acabaria sendo sua, pelos seus antecedentes! Não! Pagar por um crime
que não havia praticado, outra vez, não!
Afastou-se silenciosamente e voltou ao seu quarto. Sentou na
cama, pensando no que fazer.
Lana tinha que saber de tudo. Saber que Benson fôra amante de
sua mãe e pivô do crime que Dale praticara. Que o pai dela não havia
assassinado a mulher e se suicidado.
Mas... Lana sabia algo sobre Dale. Ela lhe dissera que Dale
era vingativa, parecia temê-la. Será que já sabia que Dale assassinara seus
pais? Não... absurdo... ela não iria ligar-se ao ex-amante da mãe e ficar
calada, sabendo que Dale era a assassina dos pais. Ela sabia de outras coisas.
E o assassinato de Mary? Ela seria a suspeita número um, por
seus antecedentes. Quando a polícia investigasse, iriam chegar até ela. Tinha
que pensar em proteger-se com um álibi convincente. Mas como, se nem sabia
quando Mary fôra assassinada?
A arma do crime! Devia estar com Dale. Tinha que achá-la e
apresentar à policia, contando tudo. E ver se conseguiria alguma prova da culpa
de Dale sobre o crime dos pais de Lana.
Se achasse alguma carta, provando a relação de Benson com a mãe de Lana, seu
relato para a polícia teria crédito. E tinha que começar logo, aproveitar que
Benson estava recolhido no quarto. Começaria pela biblioteca, um lugar propício
para guardar objetos como cartas e armas. E depois, o quarto de Dale.
Pensou nela com amargura. Como ela enganara a todos, com
aquele rosto meigo e ingênuo! Era dissimulada, uma neurótica perigosa. Talvez
ela realmente a amasse, mas era um amor doentio e possessivo ao extremo, que a
levara a matar uma mulher que não lhe fizera nada. Pobre Mary!
Saiu do quarto silenciosamente. Desceu para o andar térreo.
As luzes estavam acesas, mas não viu ninguém. Foi abrindo as portas que
encontrava, olhando, procurando a biblioteca. Achou-a na terceira porta. Entrou
e fechou a porta, acendeu a luz e olhou em volta.
Havia uma mesa grande, com seis cadeiras estofadas, quatro
sofás de couro vermelho e as paredes cobertas por estantes com livros
luxuosamente encadernados.
Começou pela mesa, que tinha gavetas em toda sua extensão. Todas
estavam vazias. Voltou-se para a estante. Tinha que olhar entre os livros e
isso seria um trabalho de paciência. Começou a retirar alguns, procurando algo
atrás.
Estava já há meia hora vasculhando, e nada encontrou.
Então, seu olhar caiu sobre uma estátua de bronze de um deus grego, sobre uma parte da estante.
Era impressão, ou a cabeça dele estava rachada?
Aproximou-se e olhou atenta.Tentou pegar a estátua na mão,
mas ela era colada à estante. Havia um corte transversal na cabeça. Tentou separar a parte cortada. Ela
levantou, como a tampa de uma caixa. Era
presa ao resto da estátua por uma dobradiça embutida. Ao ser levantada,colocou
à mostra um botão preto, que o tampo da cabeça encobria. Apertou-o curiosa.Uma
parte da estante se projetou para a frente, com os livros.
Surpresa, Jessie viu que os livros eram colados na prateleira
projetada para a frente, que escondia um cofre embutido na parede.
Excitada, olhou para o segredo do cofre. Poderia abrí-lo, se
ouvisse o mecanismo dos números da combinação.Tinha que colar o ouvido no cofre
e tentar ouvir o mecanismo.
Afastou o painel para o lado e começou a tarefa. Girou o
botão lentamente, com o ouvido colado ao cofre.Quase imperceptivelmente, ouviu
o primeiro click. Olhou o número e o anotou com uma caneta que ficava com
outras em um pote na estante. Continuou a girar.
-Jessie! Que está fazendo?
Jessie voltou-se com rapidez, assustada com a voz.
Lana a olhava surpresa, o rosto tenso.
Jessie suspirou e a encarou seriamente.
-Estou tentando abrir o cofre de Benson.
-Para quê? Você não estava tentando roubar alguma coisa aí,
não é?
Jessie a olhou o ofendida.
-Está pensando que sou uma ladra?
-Estou vendo que está tentando abrir o cofre de Benson.
A voz de Lana era acusadora.
Jessie aproximou-se e pegou-a pela mão.
-Venha, tenho que lhe contar coisas muito graves que ouvi.
Você vai entender então porque quero abrir o cofre.
Lana a olhou cheia de dúvidas, mas sentou ao lado dela no
sofá.
-Não tenho muito tempo. Mas vou contar. Há uma hora atrás,
fui para o quarto de Dale, mas não entrei. Ouvi a voz de Benson discutindo com
ela e parei. Fiquei curiosa com o motivo da discussão e fui ouvir da varanda,
perto da janela do quarto dela. E ouvi coisas que me horrorizaram.
Jessie tomou fôlego, olhando-a nos olhos. Lana a ouvia atenta
e tensa.
-Ouvi Benson recriminando Dale por um crime que ela havia
cometido.
Lana olhou-a gravemente.
-Eu sei. Isso que pretendia dizer a você.
Jessie a olhou estupefata.
-Você sabe?!
-Sim, há muitos anos. Dale matou com uma facada uma amiga,
porque ela a pegou flertando com seu pai. Dale tinha quatorze anos e tinha já
um ciúme doentio de tudo que lhe pertencia. Principalmente do pai. O caso foi
abafado porque Benson soltou muito dinheiro para a polícia e os pais da garota.
Ele deu sorte porque os pais da menina pouco ligavam para ela, eram dois
viciados em drogas. Dale a conheceu no colégio, a garota estudava lá com uma
bolsa de estudos arranjada por uma instituição de caridade.
Jessie olhou-a transtornada.
-Esse então foi outro crime, Lana! O crime que Benson se
referia foi o assassinato de seus pais!
Lana a olhou boquiaberta, empalidecendo.
-Meus pais?! Como assim?
-Lana, Dale matou sua mãe e seu pai! Sua mãe era amante de
Benson e Dale soube que o seu pai já estava desconfiado e ia fazer um
escândalo! Ela falou para Benson que os matou para protegê-lo!
Os lábios de Lana começaram a tremer. Ficou olhando-a chocada,
imóvel.
-Deus... meu Deus... – balbuciou.
-E ela cometeu outro crime agora, Lana. Ela matou Mary, uma
mulher com quem tive um caso antes dela!
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