PARTE 9 (conclusão)
A Pantera Negra decidiu voltar para o palácio o quanto
antes e convocar uma reunião de emergência para comunicar que o general Thor
havia se tornado um inimigo e estava fora do comando no ataque à cidade de
Pólux. Marla a convenceu que não devia expedir uma ordem de prisão através do
comunicador da nave, que poderia ser captado pelo general. Essa prisão deveria
ser discreta, pois a traição do general poderia abalar a moral das tropas e
gerar desconfiança na operação, prejudicando seu êxito. Estavam em um momento
delicado para essa notícia ser divulgada.
A Pantera Negra chegou ao
palácio e mandou um homem de sua confiança, o coronel Batto, levar pessoalmente
a mensagem da convocação aos oficiais mais graduados.
Enquanto esperavam, Marla
e Jade tomaram um banho e trocaram suas roupas. Depois fizeram uma leve
refeição com frutas e pães. Soogh foi deixado no comando provisório da nave
Titã, com a ordem de não deixar o general entrar na nave.
Uma hora depois, os
oficiais começaram a chegar. A Pantera Negra os aguardava na sala de reunião e
chamou o seu amigo, o general Clio, à parte.
-O general Thor devia ter
vindo com você, ele não estava supervisionando a esquadrilha de naves?
-É verdade, mas ele
parecia tão estranho. Quando soube da convocação de emergência, tentou se
comunicar com alguém pelo comunicador de pulso. Quando não obteve retorno, ele
pareceu transtornado e tomou uma nave e alçou vôo - Respondeu o general Clio.
A Pantera Negra gemeu,
olhando para Marla.
-Ele fugiu, Marla! Com uma
nave de ataque!
-O que está havendo? -
Perguntou o espantado general Clio - Ele não tem mais acesso geral às nossas
naves?
A Pantera o fitou
desanimada.
-Vou explicar tudo agora,
general Clio.
A Pantera foi para o pódio
e tomou a palavra, explicando que o general Thor havia cometido traição,
tentando substituí-la pela geneticista Noelle e aprisionando ela, a capitã
Marla Flash e o piloto Soogh na nave Titã.
A consternação foi geral,
com a notícia. As perguntas choveram de todos os lados e a Pantera foi
respondendo com sinceridade. Ela resumiu a resposta:
-Eu sabia que o general
Thor era muito ambicioso, mas usei a
ambição dele em nosso proveito, conseguindo sua ajuda para nossa causa. Vocês
sabem que eu havia prometido o governo da cidade de Pólux ao general, mas que
não pretendia realmente cumprir esse trato, porque ele usaria esse cargo como
trampolim para mais poder. Nós tínhamos noção do perigo dessa aliança e
debatemos isso. Foi uma decisão de todos. Bem, conseguimos as armas, a nave e a
tropa de cyborghs. Nosso plano era descartar o general depois de nossa vitória,
por ser um homem perigoso e não digno de ocupar qualquer cargo em nosso
governo. O meu erro fora de cálculo, e eu assumo toda a culpa, foi ter me tornado pouco prudente por estar
apaixonada pela capitã Marla Flash. Eu não refreei meu desejo e o general ouviu
e viu nosso ato de amor por uma câmara escondida nos aposentos da capitã. E
outra imprudência minha foi falar com a capitã sobre meus verdadeiros planos
sem pensar que poderia estar sendo espionada. Assumo a culpa do general ter
descoberto nosso plano. E se desejarem, eu renuncio ao comando da batalha e ao
governo de Castor.
A Pantera Negra havia
falado com os olhos cheios de lágrimas, sua voz cheia de emoção. Nunca um líder
havia aberto sua vida íntima com tanta sinceridade, e assumido a responsabilidade
de seus atos com tanta dignidade.
Depois de um silêncio
pesado, o general Clio assumiu a palavra:
-Sugiro que votemos sobre
um voto de confiança à nossa governante. Mas
antes, quero lembrar que nossa
líder sempre foi honesta com todos e é quem nos motivou a perseguir nossos
objetivos para um país independente e mais justo. O amor é um poderoso
sentimento e nos faz mais humanos. Se ela errou por amor, tem um belo motivo
pelo seu erro de colocar em perigo nossa vitória .
A Pantera sentou ao lado
de Marla, que segurou sua mão em um gesto de apoio. Marla sabia que Jade estava
arrasada por ter deixado o general saber de seus planos, comprometendo a
segurança de seu país. E também
sentia-se mal em ter sido a causa dessa imprudência.
A votação foi rápida, por
um painel eletrônico. A Pantera obteve o voto de confiança por unanimidade. Ela
apoiou a cabeça no ombro de Marla e chorou de emoção e alívio. Os oficiais a
aplaudiram calorosamente. Ela ergueu-se, falando com voz quebrada de emoção:
-Eu mal tenho palavras
para agradecer essa confiança que ainda depositam em mim. O que posso prometer
é fazer tudo que estiver ao meu alcance para a nossa vitória e para que as
cidades de Castor e Pólux sejam unidas em um governo de paz e prosperidade para
nosso povo. Vamos à vitória!
-Vamos à vitória! -
Gritaram os oficiais, erguendo os punhos.
***********************
Marla beijou Jade
ardentemente na porta dos aposentos dela. Depois afastou-se e a fitou com
carinho, sentindo seu amor crescer em seu coração pela admirável mulher.
-Tem certeza que prefere
dormir sozinha?
A Pantera sorriu
maliciosamente, alisando o rosto de Marla.
-Não é que prefiro, mas é
o melhor a fazer, Marla. Amanhã será o grande dia e precisaremos estar nas
naves quando o dia surgir.E se você for "dormir" comigo, não
descansaremos o suficiente e isso não seria bom, ir para uma batalha cansada. Precisamos estar
alertas e com energia.
-Eu prometo não tocar em
você com segundas intenções, apenas desejo dormir com você.O general está solto
por aí e me preocupo com sua segurança.
-Meu amor, todo o sistema
espacial está em alerta máximo. Se qualquer nave se aproximar do palácio, será
derrubada. O general não é tão tolo, nem suicida. Noelle está presa numa cela
de segurança máxima, desmontamos as câmaras ocultas e a cyborgh que as instalou
já foi reprogramada. Estamos seguras no palácio. E se você for deitar comigo,
eu quem vou atacá-la. Eu a amo e só encostando em você, fico em fogo.
Marla sorriu, derrotada
pelos argumentos da Pantera.
-Está bem. Boa noite,
então.
A Pantera a puxou contra o
corpo e a beijou ardentemente, espremendo-se contra Marla. Suas línguas trocaram carícias e Marla
sentiu o desejo tomar seu corpo. Suas mãos deslisaram pelo corpo da mulher que
amava, arrancando um gemido sensual da boca que sugava a sua. Mas a Pantera se
separou dela, empurrando-a pelos ombros. Ela arfava, mas disse com um sorriso
sensual:
-Agora, vá... precisamos
descansar.
-Você é muito má,
Pantera... -Disse Marla, respirando pesadamente.
-Depois da batalha,
descontaremos essa noite sozinhas.
A Pantera entrou em seus
aposentos e fechou a porta. Marla respirou fundo e foi para seus aposentos
dormir.
*************
O dia amanhecia. E a
esquadrilha de naves já estava preparada para decolar rumo à cidade de Pólux. A
Pantera Negra chegou à nave Titã com Marla e
foram recebidas por Soogh. Se instalaram nas poltronas e Marla mandou
Soogh abrir as portas para a entrada das tropas. Dois mil soldados embarcaram
rapidamente pelas quatro portas da imensa nave, dividindo espaço com os mil e
quinhentos cyborghs-soldados.
A Pantera falou pelo seu
comunicador de pulso com o capitão das tropas. Todos já haviam embarcado e
estavam aguardando a decolagem. A Pantera olhou para Marla.
-Todos estão prontos para
a decolagem.Pode iniciar os procedimentos.
-Ligar os reatores -
Ordenou Marla à Soogh.
Soogh ligou os reatores.
Um zumbido encheu o espaço com o movimento das turbinas de propulsão.
-Pressurizar a nave.
Soogh ligou o sistema de
pressurização.
-Iniciar contagem
regressiva para decolagem - Disse Marla ao computador de operações da nave -
Plano de vôo para a cidade de Pólux, código ZZX783, partindo da cidade de
Castor.
Na tela do painel central
da nave os milésimos de segundos começaram a correr velozmente, enquanto o
plano de vôo calculava a distância a ser percorrida e a velocidade apropriada
na densa atmosfera marciana. Latitude, longitude, altitude, temperatura e
velocidade dos ventos, tudo foi calculado e mostrado no painel.
Minutos depois, a Titã
elevou-se no ar e saiu pela comporta da cúpula da cidade , impulsada pelos
poderosos motores de propulsão.A esquadrilha das naves de combate a seguiram
rapidamente, formando no espaço vários grupos em formato de V . A nave Titã, a
maior, ia no meio da esquadrilha.
A Pantera falou pelo
comunicador com todas as naves.
-Aqui é a Pantera Negra.
Chegaremos a cidade de Pólux em vinte minutos. A nave Titã terá que pousar para
desembarcar as tropas, as naves de combate do grupo 1 devem dar cobertura à
Titã, até todos desembarcarem. Desejo sucesso a todos que estão indo arriscar
suas vidas pelo bem de nosso povo.Vamos rumo à vitória!
Estavam no meio do caminho
quando surgiram várias naves inimigas. Marla olhou para a Pantera surpresa.
-Parece que eles estavam
nos aguardando. Os radares ainda não podem nos captar, nessa altitude.
A Pantera a fitou
preocupada.
-Isso significa que alguém
avisou os inimigos. E deve ter sido o general Thor! Ele se aliou ao governador
Kan!
-Com certeza! Pantera,
temos que agir rápido!
-Iniciar o ataque! -
Gritou a Pantera no comunicador.
As naves inimigas
começaram a atirar e as naves da Pantera responderam ao fogo. A batalha se
iniciou, com os mortais raios de laser explodindo naves de ambos os lados.
Marla fitou a Pantera com
preocupação.
-A nave Titã é um alvo
fácil, pelo seu tamanho e mobilidade mais lenta. Temos que mergulhar para fugir
da mira das naves inimigas.
A Pantera a fitou
apreensiva.
-Mas a Titã não é uma nave
adequada para esse tipo de manobra. Poderá descontrolar-se e se espatifar no
solo.
-Será um risco necessário,
Pantera. Apertem os cintos de segurança!
Marla embicou a nave e
aumentou a velocidade em cinquenta por
cento. A imensa nave mergulhou como um bólido, assustando as naves inimigas que
fizeram uma curva fechada para ela passar. À dois mil metros do solo, Marla
ligou os frenadores e levantou o bico
da nave, fazendo-a voltar à posição horizontal. A Titã se sacuciu como um pássaro ferido, mas resistiu ao tranco e
estabilizou-se. Marla a dirigiu manualmente rumo à cidade de Pólux e olhou na tela a topografia local. Mais
acima, as naves batalhavam, provocando explosões ensurdecedoras.
-Vamos pousar naquela
planície, Pantera - Disse Marla, apontando a tela que mostrava o relevo do solo
- Soogh, comece a despressurizar a nave.. Logo que a nave pousar, vou abrir as
portas para as tropas desembarcarem.
-Procure pousar perto
daquele monte, Marla. Ali existe uma comporta que dá entrada à cidade. As
tropas vão penetrar na cidade por ela.
-Como vai fazer isso? A
comporta deve estar fechada.
A Pantera sorriu com
confiança.
-O guardião da comporta é
nosso aliado.E isso o general Thor não sabe.
Marla a fitou sorrindo.
-O velho pulo do gato, não
é? No seu caso, o pulo da Pantera.
-Meu amor, todo ditador
tem inimigos. E o governador Kan tem muitos. E também uma líder inteligente
deve ter sempre uma carta na manga - Respondeu a Pantera, sorrindo.
A Titã pousou, já com a
despressurização completada, e abriu as portas. A tropa começou a sair correndo
sob o fogo das naves inimigas que davam vôos rasantes. Os batedores
anti-mísseis, com modernas armas nos ombros, responderam ao fogo, derrubando
várias naves. Pedaços de suas fuzelagens caíam por todos os lados, num fragor
infernal.
Marla saiu com a Pantera, enquanto
a nave pilotada por Soogh novamente decolou. A Pantera se juntou às tropas e as
liderou, avançando em direção à comporta que os levaria ao interior da cidade.
Quando chegaram diante da
imensa comporta, a Pantera digitou em um painel ao lado o código secreto que o
guardião lhe havia dado. A comporta abriu e as tropas penetraram na cidade.
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A Pantera passou o braço
pelo seu rosto suado. A batalha havia sido dura. A fumaça das naves abatidas impregnava
o espaço, o solo estava cheio de homens mortos . Era um cenário desolador. Mas
a vitória já estava em suas mãos. Havia conseguido invadir o palácio do governo
e a resistência havia sido pouca, a guarda do palácio havia se entregado apavorada com os
cyborghs-soldados, que continuavam a lutar mesmo sem um braço ou uma perna. E a
arma com o raio da morte os havia convencido que a luta era desigual. Uma arma
temível, que não deixava feridos, mas somente mortos.
Marla aproximou-se
rapidamente dela e a Pantera a fitou com orgulho. Marla provara seu valor,
lutando corpo a corpo com vários homens. Ela era uma excelente lutadora, dona
de uma coragem fora do comum. Seu uniforme estava rasgado e tinha manchas de
fuligem e sangue, mas mesmo assim parecia magnífica.
-Os soldados estão
dominando focos de resistência na
cidade- Disse Marla - Mas aqui no palácio todos os inimigos já se entregaram.
Menos o governador Kan, ele está trancado em seu gabinete. Que vai fazer?
A Pantera a encarou,
suspirando.
-Vamos arrombar a porta. É
melhor que os cyborghs façam isso. O governador pode estar nos preparando uma
cilada. Vamos lá.
Marla convocou três
cyborghs e foram até onde se localizava o gabinete do governador.Pararam diante
da porta e a Pantera ordenou:
-Arrombem a porta!
Os cyborghs avançaram e
meteram os pés na porta, que afundou e se abriu com estrépido.
Marla e a Pantera olharam
cuidadosamente. O governador Kan estava sentado diante de uma imensa mesa e as
olhou com uma expressão apavorada. Seu rosto gordo suava e ele tremia no seu
uniforme verde de galões dourados, que parecia apertado em seu corpo volumoso.
A Pantera avançou, seguida
por Marla. Sorriu com desprezo, parando diante do homem.
-Aí está ele, o grande
governador corrupto! Sua boa vida acabou, irá ser julgado por traição ao seu
povo. Sei de todos os seus crimes, das centenas de pessoas que mandou matar,
porque discordavam de seu governo! E a morte de meu irmão e de Ryda pesa sobre
sua cabeça!
O olhar do homem se encheu
de ódio.
-Você venceu a batalha,
Pantera, mas não vai ter a vitória final.
Ela o fitou com ironia.
-Acha mesmo isso? O seu
exército foi derrotado, os sobreviventes se renderam. E agora você é meu
prisioneiro! Levante-se dessa mesa! Seu poder acabou!
Marla observava a cena, ao
lado dos cyborghs que tinham as armas apontadas para o governador. Subitamente,
sentiu algo duro encostar em suas costas. Quis voltar-se, mas um braço a
imobilizou rodeando seu pescoço. E a voz inconfundível do general Thor soou em
seu ouvido:
-A luta ainda não acabou,
Pantera! Largem as armas! Todos! Ou ela morre!
A Pantera voltou-se, vendo
Marla dominada pelo general Thor.
-General Thor! - Exclamou
a Pantera, lívida - Traidor e covarde! Refugiou-se aqui como um rato!
Ele a encarou com uma
expressão enlouquecida.
-Rendam-se, ou vou matar
essa maldita capitã! Vou contar até
três! Um...
A Pantera jogou a arma no
chão e ordenou aos cyborghs que fizessem o mesmo. Os cyborghs obedeceram sem
expressão. Só eram máquinas comandadas.
O general Thor empurrou
Marla para o lado brutalmente e avançou para a Pantera com a arma apontando
para ela. Chutou as armas para o canto
da sala e riu.
-Agora vou ter minha
vingança, sua cadela! Você destruiu meus planos, mas não vai viver para se
vangloriar disso! Eu vou voltar para Worldsea e direi que a capitã traiu a
missão. Ninguém poderá desmentir-me, porque vou matar toda a tripulação
restante. Os que foram para a estação orbital já estão mortos, porque coloquei
uma bomba na nave que os transportou.
A Pantera e Marla o
fitaram com revolta .
-Você assassinou pessoas
inocentes, seu monstro! - Disse a Pantera, enojada.
O governador Kan parou ao
lado do general, com um sorriso satisfeito.
-O plano deu certo,
general. Eu as distraí, arriscando minha vida. Agora, vai levar-me para
Worldsea como refugiado político, com todos os direitos.
O general Thor olhou para
o homem com desprezo.
-Você é um perdedor, Kan.
Tem a aparência de um suíno e raciocina como um. Não gosto de aliados fracos. Você
não possui nada que me interesse.
O governador Kan começou a
tremer.
-Você prometeu! Deu sua
palavra!
o general deu uma gargalhada, mirou o governador e atirou. O homem
estremeceu e caiu morto, pelo raio da morte. O general chutou o corpo com
desprezo.
-Outro idiota fraco!
Detesto fraqueza! Bem, apesar de tudo, ele teve uma morte rápida. Bem diferente
da que eu reservo para vocês!
-Você é um louco perigoso! - Disse a Pantera, com
desprezo - Pode matarnos, mas será preso e condenado à morte! Seu fim chegou,
general! Não conseguirá sair daqui vivo!
Marla ouvia tudo atenta, esperando um descuido do
general. Tinha que reverter aquela situação, mesmo que pagasse com sua vida.
Não podia deixar o general matar a mulher que amava, que havia lutado tanto
pelo seu povo. O que devia fazer?
O código de sinais! Os cyborghs haviam sido
programados para isso, quando precisassem receber ordens em uma situação que a
ordem não pudesse ser ouvida! Mas como fazer para chamar a atenção deles?
-General! - Gritou, dando um passo à frente. Os
cyborghs olharam para ela.
O general a fitou com impaciência.
-O que quer? Sua hora vai chegar, não se preocupe!
-Você está cheio de confiança, mas seu plano tem
uma falha.
Ela apontou para ele e bateu no peito com o punho
fechado. O general a fitou confuso. Quando ele lembrou do código, os cérebros
computadorizados dos cyborghs já haviam codificado a mensagem que seus olhos
transmitiram e já avançavam para ele.
-Maldita! - Gritou o general, tentando disparar a
arma em Marla, mas tarde demais. Um dos cyborghs se achava entre ele e a
capitã, impedido-o de acertá-la. Ele voltou-se para atirar na Pantera, mas um
dos cyborghs o pegou pelo punho e esmagou seus ossos, fazendo-o gritar de dor.
Outro cyborgh o pegou pelo pescoço e o ergueu no ar, sacudindo-o como um
boneco. Todos ouviram o ruído sêco do pescoço do general se partindo.
O cyborgh jogou o general no chão e voltou
calmamente para junto dos demais. Tinham cumprido a ordem.
A Pantera
aproximou-se de Marla, trêmula e pálida.
-Marla! Esses cyborghs são apavorantes! O que
houve com eles?
Marla a abraçou. O espetáculo havia sido macabro.
O general jazia no chão com a cabeça retorcida, a língua de fora e os olhos
arregalados. Parecia um fantoche descojuntado.
-Eu ordenei que eles atacassem o general com um
código de sinais. Eles são apenas máquinas, Pantera, programados para matar.
A Pantera a fitou trêmula.
-Eles nos salvaram, mas quer saber de uma coisa?
Nunca quero nenhum deles em meu exército. São piores que pessoas, não têm senso
de lealdade. Para mim, cyborghs só servem para trabalhos domésticos.
Marla sorriu, acariciando o rosto dela.
-Será tudo como quiser, Pantera. Agora você manda nesse planeta.
-O que acho mais importante é mandar em seu
coração, Marla.
Marla riu.
-Oh, isso também é um velho clichê!
********************************
EPÍLOGO
Reunidos
em frente ao palácio do governo, o povo aguardava ansiosamente a aparição da
Pantera Negra. E quando ela surgiu na sacada,
com suas vestes negras, com máscara e capacete, a multidão vibrou, dando gritos
de júbilo.
-Viva a Pantera Negra!
-Viva nossa heroína!
Ladeada por seu ministério e oficiais, ela acenou
para a multidão com um luminoso sorriso. Marla se postava atrás de todos, não
se sentindo confortável naquela comemoração. Era ainda uma cidadã de Worldsea.
Mas queria presenciar o triunfo da mulher que amava.
A Pantera ergueu os braços, pedindo silêncio. Aos
poucos, a massa humana foi silenciando para ouví-la. Então ela falou, com voz
clara através dos amplificadores de som e sua imagem holográfica ampliada dez
vezes diante acima da sacada:
-Marcianos! Estou aqui para dizer a mensagem que
sempre sonhei que um dia pudesse ser transmitida: o nosso planeta finalmente é independente do
governo de Worldsea! As cidades de Pólux e Castor são agora livres e possuem
dois governadores que respondem ao nosso governo central, e não à uma potência
externa! O governo de Worldsea finalmente reconheceu a nossa independência e
está disposto a negociar uma paz justa. Seus embaixadores já se encontram à
caminho do nosso planeta.
A gritaria foi geral. O povo vibrou, aplaudindo e
gritando frases que expressavam sua alegria. A Pantera estendeu a mão, pedindo
silêncio. Quando eles atenderam, ela continuou:
-Lutamos muito para essa vitória. Enfrentamos
perigos e traições, mas também tivemos a ajuda fundamental da capitã Marla Flash e de sua tripulação da nave Titã,
que combateu ao nosso lado e nos forneceu armas modernas, sem as quais nosso objetivo
não teria sido alcançado. Então, quero apresentar à vocês a capitã Marla Flash,
com nosso reconhecimento por sua bravura e ajuda!
Ela voltou-se e estendeu a mão para Marla. Marla
hesitou, mas foi gentilmente empurrada pelo general Clio, que sussurrou em seu
ouvido:
-Vá, capitã, o povo quer conhecê-la!
Marla aproximou-se e a Pantera a tomou pela mão e
a ergueu, dizendo:
-Aqui está Marla Flash!
O povo a aplaudiu, mostrando com isso que aceitava
Marla, mesmo sendo uma cidadã de Worldsea. Marla sorriu embaraçada e comovida .
A Pantera continuou, baixando o braço de Marla:
-Desde que meu irmão morreu, eu adotei o codinome
de Pantera Negra, para minha segurança pessoal, bem como essa máscara e roupas.
Agora, isso não é mais necessário. Posso ter a tranquilidade de identificar-me
para todos com minha verdadeira identidade.
Ela retirou o capacete e a máscara, diante da
multidão silenciosa. Então, ela falou com voz firme:
-Eu sou Jade Vincix, a governante de vocês. Todos
pensavam que Jade Vincix e a Pantera Negra eram duas pessoas, mas agora vocês
conhecem a verdade. À partir de hoje, a Pantera Negra não mais existirá.
Atenderei somente pelo meu nome verdadeiro e não mais usarei disfarce.Agora
nosso planeta inicia uma nova fase de justiça e liberdade.
O povo irrompeu em aplauso. Jade Vincix ergueu o
punho fechado e gritou:
-Viva a liberdade! Viva Castor e Pólux, finalmente
unidas!
O povo gritou entusiasmado. Ela acenou para todos
e se retirou da sacada.
Jade pegou Marla pela mão e a olhou com amor.
-Agora vou reunir-me com meu ministério. Espere-me
nos meus aposentos, que não demorarei. Nós temos que conversar algo i,portante,
Marla.
-Está bem. Eu a esperarei.
Jade se foi e Marla se
dirigiu para os aposentos de Jade. Finalmente, iria ficar à sós com ela. Desde o
dia da batalha, só conseguia ver Jade cercada por outras pessoas. Ela havia se
esgotado em reuniões para resolver os diversos problemas do novo governo na
cidade de Pólux. A reconstrução da cidade, do exército, a escolha de um novo
ministério composto por cidadãos das duas cidades, tudo era motivo para
reuniões infindáveis. Quando Jade finalmente ia dormir, Marla já estava
adormecida.
Marla tomou um banho e
vestiu um roupão azul. Escovou os cabelos negros e se recostou no confortável sofá,
ouvindo música, esperando ansiosamente pela mulher que amava.
*******************
Jade chegou duas horas
depois. Encontrou Marla adormecida no sofá. Fitou-a com amor e paixão, pensando
como Marla havia sido paciente esses dias todos, sem reclamar, vendo-a somente
poucas horas, sempre encontrando-a acompanhada por seu "staff".
Evitando acordá-la, despiu-se e foi tomar um banho. Estava na piscina de águas
revitalizantes quando Marla entrou na câmara, olhando-a sorrindo.
-Ah, está aí... acordei e
vi suas roupas no chão - Disse Marla, cruzando os braços e a fitando com
desejo.
Jade sorriu sensualmente.
-Não quer juntar-se comigo
no banho?
Marla colocou os dedos no
queixo, fingindo pensar na proposta.
-Hummm, não sei... já
banhei-me há menos de três horas. Mas se o convite inclui algo mais que o
banho, posso aceitar.
Jade riu, uma risada que
soou deliciosamente nos ouvidos de Marla.
-De minha parte, haverá
muito mais que um simples banho.
-Ah, então é um convite
irrecusável - Disse Marla, despindo o roupão. Jade engoliu em sêco, olhando o
corpo escultural de Marla. Um arrepio a percorreu, nascido entre suas pernas.
-Marla, você é tão linda!
Venha...
Marla entrou na piscina de
águas cristalinas e se aproximou de Jade. Com sua altura, a água chegava apenas
pouco acima de sua cintura, deixando os seios perfeitos à vista do olhar
faminto de Jade.
-Você é uma deusa,
Marla... -Sussurrou Jade, abraçando-a.
Marla moldou o corpo no de
Jade. As duas estremeceram ao contato das peles desnudas. Marla fitou Jade com
desejo nos olhos azuis.
-Há quanto tempo desejo
isso... eu a amo, Jade...
-E eu a adoro... você é a
minha alegria, a minha paz...beije-me... estou louca para sentir seus lábios
nos meus...
Suas bocas se fundiram em
um beijo cheio de paixão. Suas línguas se acariciaram, se sugaram, cada uma
tentando tirar a máxima emoção do beijo.
Jade rodeou a cintura de
Marla com as pernas, seu sexo se espremendo no abdomem musculoso de Marla. Ela
ofegou quando Marla a pegou pelas nádegas, fazendo-a mover-se roçando o sexo
contra seu corpo. Jade mordiscou os lábios macios de Marla, querendo mais.
Marla retirou uma das mãos das nádegas de Jade e a deslisou entre as coxas,
acariciando o sexo que não estava apenas molhado pela água da piscina. Jade
afastou o rosto e a fitou sensualmente, ofegando.
-Vamos sair da água,
Marla... aqui não posso fazer o que desejo...
Marla a fitou nos olhos,
sorrindo.
-E o que você quer fazer,
Jade?
-Devorar você...
-Hum, então você pode
alegrar-se, porque tem uma vítima muito disposta...
Marla subiu as escadas da
piscina com Jade grudada em seu corpo. Ela a levou até a câmara de dormir e a
depositou sobre a cama. Jade a puxou
contra si e Marla deitou sobre ela, apoiando-se nos cotovelos.Suas bocas se
buscaram em um beijo ardente.
Jade girou na cama,
colocando-se sobre Marla. Sua boca distribuiu beijos no rosto de Mala, no
queixo, mordiscou o lóbulo da orelha, e desceu para o pescoço. Marla gemeu,
abraçando-a pela cintura. Jade tomou seus seios nas mãos e começou a lamber,
beijar e mordiscar os bicos rosados, que ficaram eretos. Burilou-os com os
dedos, fazendo Marla gemer de prazer. As cadeiras de Marla começaram a mexer,
sensualmente.
-Jade... toque-me... estou
quase gozando...
Jade não esperou outro
pedido. Ela deslizou pelo corpo de Marla, que abriu as pernas convidativamente.
Quando Jade pousou a boca ávida em seu sexo, Marla estremeceu, gemendo alto. E
quando Jade a penetrou, ela apertou seus ombros, rilhando os dentes para não
gritar de prazer. Ela começou a mover-se no ritmo dos dedos de Jade, sentindo o
prazer intensificar-se até que explodiu em um orgasmo intenso, gritando o nome
de Jade.
Jade veio para cima,
olhando embevecida para o belo rosto de Marla com a expressão do êxtase. Marla
entreabriu os olhos, fitando-a apaixonadamente.
-Oh, Jade... amo-a
tanto...
Jade beijou-a e Marla
adorou sentir-se em sua boca. Teve vontade de sentir o sabor dela também. Girou
na cama, deitando-se sobre ela. Beijou-a no pescoço, desceu para os seios e os tomou
entre os lábios, alternadamente. As mãos desceram pelo corpo de Jade em
carícias.
Jade gemeu, apertando-a
nos braços. Marla desceu mais, entre lambidas, chupões e mordidas suaves.
Beijou as coxas que se separaram, lambeu-as, com Jade gemendo de prazer. E
finalmente, tomou o sexo, fazendo Jade gritar. Jade colocou as pernas em seus
ombros e movimentou o corpo freneticamente, soltando gemidos. Marla a
penetrou sem parar de sugá-la,
embriagada com o cheiro erótico da mulher que amava.
-Marla! - Gritou Jade -
Sou sua! Toma-me toda!
Entre gemidos e frases
ardentes, Jade alcançou o êxtase, estremecendo convulsivamente. Marla deitou ao
lado dela abraçando-a, sentindo uma intensa felicidade.
-Eu a amo, Jade... -
Disse, emocionada.
-Eu a amo também, Marla...
- Disse Jade, com a respiração ofegante - Tanto que chego a apavorar-me...
-Apavorar-se? - Repetiu
Marla, surpreendida - Por que?
Jade abriu os olhos,
encarando-a com medo.
-De perder você. De que
você volte para Worldsea. Eu não sobreviveria à isso.
-Meu amor, eu a amo! Não
acredita em mim? Jamais a deixarei!
Jade a fitou com um
sorriso incerto.
-Você não pretende voltar
para sua terra? Ainda não falamos sobre isso.
-Não, meu amor. Ficarei
aqui, até quando você quiser.
Jade a abraçou feliz, o
medo sumindo de seu olhar.
-Então, você ficará para
sempre, porque eu a quero para toda a vida! Pretendo nomeá-la minha ministra do
sistema espacial. Já conversei com meus ministros e eles aprovaram.
-Ministra? Não, não desejo
esse cargo. Prefiro continuar na minha função. Adoro voar.
-Então será comandante da
nova nave que estamos construindo. Será como a Titã, dotada da mais moderna
tecnologia. A cidade de Pólux possuía vários engenheiros capazes de fabricar
naves modernas, mas o governador Kan não valorizava o trabalho deles e então os
engenheiros não apresentavam seus projetos. Agora isso mudou.
Marla sorriu.
-Comandante, heim? Gosto
disso. E Soogh será meu piloto. Ele quer ficar aqui e a mulher dele já está se
preparando para vir para cá. Sabia que ela é marciana?
-Não. Ele é um bom amigo
seu, Marla. Gosto dele.
-Chega de falar de
negócios. Agora, falemos só sobre nós.
Jade sorriu sensualmente e
a abraçou.
-Falaremos depois, amor.
Agora, vamos fazer outra coisa.
E a noite marciana se
encheu de gemidos de prazer.
FIM
Dezembro de 2001
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