Aquela vez na Grécia

 

Parte 4

 

Los Angeles – 1998 -cinco anos depois

 

         Alexis Palamidis olhou para a pequena Electra e sorriu quando ela chegou correndo e se jogou nos  seus braços, acompanhada pela babá. Aos quatro anos de idade, estava cada vez mais parecida com a mãe. Os mesmos olhos verdes, os mesmos cabelos louros, o rostinho angelical que escondia um temperamento voluntarioso como a mãe.

 

         Alexis não se iludia. Sabia que Elizabeth havia se casado com ele porque ficara grávida e queria que seu filho tivesse um pai. Ela nunca havia dito à ele que o amava, apenas dizia gostar dele, ser grata por ele ter dado à ela apoio emocional para que conseguisse superar sua desilusão com Dafne. Uma única vez que ela não se preocupara em usar preservativo por estar pouco se importando com algo, em seu sofrimento, tivera uma conseqüência: a gravidez.

 

Ela havia confessado à ele, nos primeiros dias de seu relacionamento, que havia se apaixonado por Dafne, e estava sofrendo muito com a desilusão. Por isso, havia recusado o pedido de casamento dele e se fôra da Grécia. Mas havia voltado dois meses depois quando descobrira que estava grávida. Não queria ter um filho sem pai.

 

         Alexis havia se casado com Elizabeth por ela ser uma milionária, com o bônus extra de ser linda, mas ela era para ele uma decepção na cama. Acostumado com mulheres que não tinham nenhum limite numa cama, as limitações que Elizabeth impunha o desagradavam imensamente: nada de sexo oral ou anal, nada de sexo sem preservativo. Já haviam brigado por isso, mas não adiantara. Elizabeth simplesmente havia dito que se ele estava insatisfeito, era fácil ele arranjar mulheres que gostassem do que ele queria dela. E entraram em um acordo tácito: uma relação aberta. Ele podia ter as amantes que quisesse, desde que fosse discreto, e ela também. A única coisa que realmente segurava o casamento deles era o fato de Electra ser louca pelo pai, que satisfazia todos seus desejos. Elizabeth sabia que se eles se divorciassem, Electra iria sofrer muito com a ausência do pai, e ele ter a guarda da sua filha era fora de cogitação. Elizabeth adorava a filha. E então, prosseguiam na falsa imagem do casamento perfeito, que a mídia reforçava.

 

Mas ainda vezes, percebia Elizabeth com os olhos fitando um ponto ignoto com uma expressão de tristeza, que o enfurecia. Imaginava que ela estava pensando em Dafne, aquela grega dos infernos. Sabia que ela não tinha nenhum amante, mesmo com o acordo que tinham. Sabia que ela fizera amizade com uma promoter de eventos,  Dany, que era uma lésbica conhecida. E sabia que nas festas promovidas por Dany, Elizabeth acabava a noite com uma mulher em um dos quartos da mansão da amiga. Mas a sua informante lhe assegurava que Elizabeth jamais repetia a noite com a mesma mulher. Isso o tranquilizava. Enquanto Elizabeth não se ligasse a alguém afetivamente, só matando seu desejo de sexo, seu casamento iria estar protegido. E ele teria aquela boa vida que seus negócios não tinham capacidade de proporcionar: viver em alto estilo.

 

Ele havia vendido todos seus bens na Grécia e com o dinheiro, havia investido na compra de um cassino em Las Vegas, em sociedade Elizabeth. O cassino estava dando um bom lucro e era um lugar que adorava estar: ficava rodeado de belas mulheres, bebida à vontade, jogo e divertimento. Uma vez por semana viajava para Las Vegas, com o pretexto de tratar dos negócios do cassino. Se Elizabeth duvidava de seus motivos, nunca disse nada, ela apenas se despedia com um sorriso e lhe desejava boa viagem.

 

-Papai vai viajar? – Perguntou Eletra, olhando para o notebook   que ele colocara sobre a mesa onde tomava o café da manhã.

 

-Vou, princesa. Papai tem que viajar para ganhar dinheiro.

 

Electra o fitou com ar orgulhoso, do mesmo jeito que às vezes Elizabeth o fitava.

 

-Você não precisa trabalhar. Mamãe falou que somos muito ricos!

 

Alexis riu e a colocou em seu colo.

 

-Sua mãe é que é muito rica. Mas o papai precisa trabalhar.

 

-Não gosto de ver você ir trabalhar. Por que você não fica em casa? Mamãe dá dinheiro à você.

 

Ele a beijou no rosto e a encarou sorrindo.

 

-Por que não gosta de me ver ir trabalhar?

 

-Você fica longe. Eu gosto de ficar perto de você e de mamãe.

 

-Eu só vou demorar uns três dias, princesa.

 

-Vai trazer um presente para mim?

 

-Vou. O que vai querer, dessa vez? Outro bichinho de pelúcia?

 

-Não. Eu quero um golfinho de verdade.

 

-Um golfinho? Não posso trazer isso, princesa. Aqui não tem um mar para ele nadar.

 

Ela o encarou com teimosia.

 

-Tem, sim. Ele pode ficar na piscina. E eu vou nadar com ele, como no filme que vi.

 

-Hummm...vou ver...mas, não serve outro cachorrinho? Um branquinho e fofo?

 

Electra fez um ar indeciso, com o dedinho na boca. Mas assentiu.

 

- bom. Mas no natal  eu vou querer um golfinho.

 

Elizabeth entrou na sala de refeições e sorriu para eles, sentando numa cadeira diante do marido. Elizabeth estava elegante como sempre, em um vestido de Saint Laurent azul. Deixara crescer os cabelos e hoje os trazia presos para trás, numa trança. O rosto adquirira uma expressão mais madura que lhe conferia classe. O corpo continuava o mesmo, mesmo depois da maternidade. Era uma linda mulher e tinha classe, dois elementos irresistíveis.

 

-Alexis, como pode atender a todos os desejos dessa moleca? Ela já possui cinco cães, breve nossa casa vai virar um canil! – Disse, rindo e se servindo de um copo de suco de laranja.

 

Electra a fitou com os enormes olhos verdes e riu. Alexis a colocou no chão e ela correu para a mãe, que a abraçou e beijou no rosto repetidas vezes e depois a fitou acariciando os louros cabelos.

 

-Meu anjo, agora sente na cadeira e acompanhe mamãe em um suco, ok? E você, Alexis, já vai para sua viagem semanal?

 

Ele olhou para o relógio de pulso.

 

-Sim, dentro de meia hora tenho de estar no aeroporto, nosso jatinho já deve estar pronto para a viagem. Só estava esperando você acordar para despedir-me.

 

-Os negócios estão indo bem?

 

-Sim. O lucro está muito bom. Quer que eu lhe mostre a planilha do faturamento mensal?

 

-Não. Alexis. Sabe que me tornei sócia sua neste investimento só para ajudá-lo, esse negócio é uma gota no oceano de meus bens. Meus maiores investimentos são em terras, indústrias, tecnologia de ponta e shoppings. Esse cassino é seu, o seu sonho antigo, como contou-me. Se quiser, passo minha parte para você sem ter que dar-me nada em troca.

 

Alexis sorriu.

 

-Faria isso, querida? Você é mesmo generosa, mas não aceito. Afinal, seu nome ligado ao investimento dá credibilidade e status ao cassino.

 

Liz sorriu com ironia.

 

-Sempre pensando nas vantagens de um negócio, não, Alexis?

 

-Acha errado eu ser talentoso para os negócios?

 

-Não falei isso. Admiro sua visão para bons negócios. Boa viagem, Alexis.

 

Ele acabou sua xícara de café e se ergueu, pegando seu notebook e se inclinado para ela, dando um beijo rápido nos lábios dela.

 

-Até segunda, querida.

 

Ele beijou a filha, que o abraçou e pediu:

 

-Daddy, posso ir até o carro com você?

 

-Claro, princesa! Venha – Disse, pegando-a no colo, dando o notebook para a babá carregar.

 

Eles saíram e Liz respirou fundo. Tratar dos negócios! Sabia que Alexis usava o cassino como capa para se divertir com mulheres, bebida e jogo. Mas isso pouco a importava. Desde que ele a deixasse viver sua vida. O casamento estava ótimo assim. Raramente ele a procurava para relações sexuais. E ela tinha seus  raros encontros sexuais com as mulheres que conhecia no clube de Dany , apenas quando seu impulso sexual era muito forte, mas uma só vez. Nunca repetia a mesma parceira, porque não queria envolver-se sentimentalmente com ninguém.

 

Havia compreendido finalmente que  era uma lésbica, depois de fazer psicanálise durante mais de um ano. Por isso criava tantas restrições com os homens numa cama. Por isso não se apaixonara por nenhum deles. Dafne havia sido o marco de sua descoberta interior. A mulher que a marcara com paixão e dor.

 

Suspirou e  pegou os jornais. Era uma nova mania querer estar informada sobre tudo. Antes, só lia revistas de moda e cinema, mas há quase uma ano resolvera ser uma mulher bem informada, depois de ficar muda numa reunião com executivas, que faziam uma pausa em uma convenção. Elas falavam sobre política, sobre pessoas de destaque no cenário mundial, sobre inovações tecnológicas que iam ser lançadas, como telefone celular, e ela havia ficado envergonhada de não poder comentar nada, porque não conhecia nada sobre o que falavam.

  

Leu a parte política com o cenho franzido. O presidente Clinton estava envolvido em um escândalo sexual, acusado de manter relações sexuais com a estagiária Mônica Lewinsky. Que pais puritano em que vivia! Pobre Clinton, devia estar passando o diabo com a mulher Hillary.

 

 Passou para a parte de negócios. As ações de suas empresas estavam em alta. Ótimo. Era uma boa ocasião para investir em outras, que estavam em baixa.

 

Chegou à seção de entretenimentos culturais. Uma foto caiu sobre seu olhar e empalideceu. Foi como um soco no estômago. Ficou imóvel, olhando, o coração disparado.

 

Dafne Kortakis sorria, ao lado de um quadro surrealista.

 

Mais bela que nunca, o rosto sem ter sofrido nenhuma modificação do tempo, apenas os cabelos estavam mais longos, soltos sob a boina. Parecia um pouco mais magra, naquela roupa escura de blusa e calça comprida. Ela apoiava uma mão na parede ao lado do quadro  e a outra na cintura, numa pose descontraída. Mas seu sorriso parecia forçado, sem alegria.

 

-Dafne... –murmurou – Quantas mulheres magoou, depois de mim?

 

Leu a legenda abaixo da foto, sofregamente.

 

“A famosa  pintora Dafne Kortakis vai  inaugurar uma exposição  de seus trabalhos na Galeria Renascence no próximo dia 20, às nove horas da noite. Os colecionadores de arte, críticos e amigos   vão prestigiar em peso o evento, pois sua arte está cada vez mais valorizada  e seus trabalhos significam um ótimo investimento.”

 

Dafne  era uma pintora famosa?! E estaria ali, em Los Angeles? Deus, como sabia pouco sobre ela! Dafne, uma pintora! Por isso usava aquela boina vermelha, como muitos pintores usavam antigamente! E era famosa! Que gafe havia cometido quando a conhecera, nem sabia da profissão dela! Será que havia sido por isso  que Dafne não quisera nada com ela além de uma noite de sexo? Não queria se ligar numa mulher alienada que nem a conhecia?

         Ergueu-se, nervosa. Precisava conhecer mais sobre Dafne!

 

 

LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

 

 

 

         Dafne acordou e olhou para a mulher ao seu lado, dormindo nua.Era linda, uma morena de olhos verdes, um corpo perfeito, fogosa na cama, disposta a tudo para dar e ter prazer. Por que não estava apaixonada por ela?

 

         A resposta veio mais uma vez à sua mente, enchendo-a de raiva e frustração: porque não esquecia Karen, aquela mulher arrogante e fria, traidora, volúvel, que a havia trocado por um homem, depois de uma ardente noite de amor. Maldição! Já havia se passado cinco anos e a lembrança daquela mulher continuava impedindo-a de ser feliz!

 

         Por que não a esquecia? Por que não conseguia tirá-la de sua mente, uma mulher que lhe fizera mal, uma mulher que se sentia o centro do mundo, que a usara apenas para satisfazer uma noite de desejo?

 

         Fez uma expressão de desgosto, irritada consigo mesma.A culpa era sua, que teimava em lembrar aquele rosto cheio de paixão, aquela voz sussurrante naqueles momentos loucos em que a tivera em seus braços, aquele corpo lindo movendo-se alucinado...

 

         Sentiu uma mistura de ódio e mágoa borbulhando em seu íntimo. Como gostaria de ter Karen rastejando aos seus pés, implorando seu amor! Então, a desprezaria, vingando-se do sofrimento que sentia ainda, por ter sido trocada por Alexis. Mas isso era um sonho impossível. Nunca mais a veria. Karen não deixara rastros, era apenas uma turista em férias na Grécia, como milhares de outras.

 

         A mulher acordou, cortando seus pensamentos.

 

         -Já está acordada? É tão cedo, e dormimos tarde.

 

         Dafne sentou na cama, completamente nua. Sorriu para a mulher.

 

         -Cedo? São mais de nove horas! Tenho mil coisas para resolver, Diane!

 

         Diane acariciou seu braço, fitando seus seios eretos com admiração.

 

         -Eu vou ajudá-la em tudo, já disse. Já contratei o bufet para o coquetel da inauguração, os convites já foram enviados, e os quadros já estão  na galeria para serem expostos. Vou cuidar disso também, fique tranquila.

 

         -Não, a disposição dos quadros fica comigo, eu mesma vou orientar o pessoal da galeria. Você pode ser uma marchand, mas eu sou a autora das obras. Tenho a sequência das telas em minha mente, essa sequência é importante.

 

         Diane riu, abraçando-a.

 

         -Oh, eu sei... a grande Dafne Kortakis é uma artista exigente e metódica! Gosta que tudo saia do jeito que quer ! Mas agora, relaxe um pouco...fazer amor pela manhã é a melhor forma de começar o dia. Vamos relaxar...

 

         Dafne riu e pulou da cama.

 

         -Chega, sua ninfomaníaca! Já praticamos sexo a noite toda, você ainda quer exaurir o resto de minha energia? Não, definitivamente não!

 

         Diane pulou da cama e a abraçou, encostando o corpo nu no seu.

 

         -Só um pouco...menos de dez minutos...

 

         -Dez minutos? E o que faremos em dez minutos? – Riu Dafne.

 

         -Veja...

 

         E a mulher se ajoelhou diante dela, pegando-a pelas coxas . Separou-as e grudou a boca em seu sexo, começando a sugá-lo avidamente.

 

         Dafne segurou a mulher pelos cabelos, afastando a boca do seu sexo e a fitou , dizendo em tom autoritário:

 

-Mais  suave, Diane! Assim, você está me machucando!

 

A mulher a fitou cheia de desejo, passando a língua pelos lábios. Gostava quando Dafne a tratava de modo rude, isso a excitava.

 

-Está bem... vou ser agora bem suave...

 

Dafne empurrou a cabeça de Diane contra seu sexo e gemeu de prazer quando ela sugou seu clitóris, passando a língua cariciosamente. Fechou os olhos, abrindo mais as coxas, apertando a cabeça dela contra seu sexo.

 

-Assim, cachorra...

 

Diane prosseguiu, entusiasmada.Dafne começou a mover os quadris contra a boca que a sugava e momentos depois atingiu o orgasmo, estremecendo e gemendo. Puxou a mulher pelos cabelos, forçando-a a erguer-se. Ela a fitou excitada.

 

-Dê-me prazer também, Dafne... estou louca de tesão...

 

Dafne a fitou sorrindo.

 

-Com ou sem o dildo?

 

-Com. Você sabe que eu adoro quando me possui com ele...

 

-Pegue-o.

 

Diane abriu a gaveta da mesinha de cabeceira e pegou o falo de silicone. Se aproximou de Dafne e colocou o artefato nela, ajustando as correias ansiosamente. Feito o ajuste, ela olhou para Dafne com desejo, tirando a calcinha. Dafne a fez deitar de bruços na cama, transversalmente, e se posicionou atrás dela, pegando o dildo e dirigindo para a abertura da vagina já encharcada. Diane ergueu mais os quadris, para facilitar a penetração. Dafne a penetrou numa estocada profunda .  

 

 -Aaaahhhhhhhhhhhhh!!!!!! – Gritou Diane, mas se empurrando para trás ao encontro do falo de silicone.

 

Dafne a possuiu de modo rude, como ela gostava, apertando os seios com as mãos, mordiscando a nuca e falando coisas no ouvido dela, que a deixava louca, sem parar de empurrar-se contra ela com força. Em menos de cinco minutos ela gozou, entre gritos, empurrando-se contra o dildo que a penetrava.

 

Dafne deitou ao lado dela, ofegando. Fitou-a admirada.

 

-Você é insaciável, Diane...

 

Diane sorriu, respirando fundo.

 

-Uufff ! Cansei, com essa! É, mas foi com você que nasceu em mim esse desejo de ser possuída assim. Você é tão dominadora! Pega-me do jeito que eu gosto.

 

-O seu marido não a possui assim?

 

-Phillip?! Ora, ele é um cavalheiro! Ele acredita em romantismo, só falta pedir licença para introduzir o pau em mim!

 

Riram juntas. Dafne ergueu-se da cama.

 

-Agora, chega. Seu querido maridinho vai chegar hoje de Londres e você tem que estar bem disposta para matar a saudade dele.

 

Diane a fitou atentamente.

 

-Não sente ciúmes, Dafne?

 

Dafne a fitou surpresa.

 

-Ciúmes de você com seu marido?! Por que sentiria?

 

-Bem...estamos nos encontrando há mais de um mês...pensei que estivesse apaixonada por mim...

 

Dafne sorriu com desdém. Como Diane era tola! Então, haviam ido para a cama algumas vezes e ela já achava que a havia conquistado?!

 

-Diane, eu nunca disse que estou apaixonada por você. Nunca a enganei com falsas declarações de amor. Sabe muito bem que o que há entre nós é apenas uma paixão passageira. Você é casada e entre nós não pode haver nada sério.

 

-E se eu me separasse dele? Ficaria comigo?

 

-Não. Ponha a cabeça no lugar, Diane. Seu marido é bom para você, é rico...você faria um péssimo negócio em separar-se dele. Eu, por outro lado, não quero prender-me a ninguém.

 

Diane disfarçou sua decepção com um sorriso forçado. Seu orgulho a fez retrucar:

 

-Sossegue, fiz a pergunta para ver sua reação!Não tenho nenhuma intenção de largar meu marido por uma mulher, ainda mais uma Casanova de saias, como você.

 

-Ainda bem que continua inteligente, Diane. E não sofrerá por amor. Bem, vou tomar um banho. 

 

 

LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

 

Alexis chegou em Las Vegas e olhou com orgulho para o seu cassino  Tropican, que se destacava na paisagem com sua arquitetura  arrojada  e  um  imenso  painel  mostrando uma mulher de biquini toda feita em neon vermelho.  Ele desceu da limousine e com seus dois guarda-costas subiu para o último andar da construção, onde se localizava seu escritório.

 

 Quando chegou ao seu andar, deixou os seguranças na entrada de sua porta e sozinho em sua sala, ligou para a copa e pediu que trouxessem uma garrafa de champanhe. Sentou em uma poltrona e olhou para o relógio, sorrindo. Logo sua amante estaria ali e iria descontar o tempo que ficaram sem se ver. A loura era uma das dançarinas do show  e o único defeito que tinha era ter um marido ciumento. Mas ela valia o risco. Era uma pantera insaciável na cama e com um corpo escultural, que o deixava louco.

 

Bateram na porta. Ele foi abrir com um sorriso no rosto, que morreu ao ver Joe Massimo diante dele. O marido de Maggie.

 

-Joe!

 

-Olá,  Alexis. Preciso falar com você.

 

Pálido, Alexis não se moveu e Joe o empurrou com a mão, passando por ele e fechou a porta, sorrindo .

 

-O que há, Alexis? É assim que recebe um velho amigo?

 

-Eu... onde estão meus guarda-costas? Eles deviam estar aqui na porta, fazendo minha segurança! 

 

-Seus seguranças? Oh, eles foram dar uma volta...eles sabem que não precisam se preocupar com um amigo seu, não concorda?

 

Alexis olhou para o homem de quase dois metros de puro músculo, e começou a suar. Aquela fala macia dele não o enganava. Sabia que Joe era conhecido por sua crueldade e manejo de sua navalha.

 

-O... o que deseja, Joe? Eu estou esperando visita...

 

-É mesmo? Não se preocupe... meu assunto com você é rápido – Disse ele, tirando a navalha do bolso – Você sabe o que acontece com homens que traem os amigos, não, Alexis?

 

 

LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

 

 

Elizabet estava em seu escritório quando recebeu o telefonema . O inspetor de polícia foi objetivo, já devia estar acostumado ao que fazia:

 

-Senhora Elizabeth Singles?

 

-Sim, quem está falando?

 

-Inspetor Jim Storm, da polícia de Las Vegas. Tenho uma notícia a dar, e infelizmente não é boa.

 

Elizabeth pressentiu o que era. Com o coração apertado, falou:

 

-É sobre meu marido, Alexis Palamidis?

 

-Exato, senhora. Seu marido foi encontrado em seu escritório há meia hora atrás.

 

-Oh, meu Deus! – Disse Elizabeth, empalidecendo – O que aconteceu?

 

-Ele foi assassinado por uma navalha, cortaram sua garganta. O criminoso fugiu, mas estamos procurando por ele.

 

Elizabeth sentiu sua vista escurecer e desmaiou.

 

 

 

 

PARTE 5

 

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