A GAROTA DA MOTO
PARTE 9
O ru�do do telefone tocando acordou Kim Still.
Ela estendeu a m�o, pegando o aparelho sobre a mesinha de cabeceira e
o levou ao ouvido, falando com voz rouca pelo sono:
-Kim Still.
-Kim, bom dia, � Kurt. Tenho not�cias da
dupla.
Kim se sentou na cama, completamente desperta.
-Fale.
-O casal chegou a New Orleans h� duas horas, se
hospedaram no hotel Holiday Inn Express e est�o
agora comendo o desjejum.
-Voc�s as est�o vigiando dentro ou fora
do hotel? N�o quero que elas percebam que est�o sendo observadas!
-N�o se preocupe, somente eu e um colega estamos
hospedados no hotel. E estamos tendo muito cuidado para elas n�o desconfiarem
de n�s.
-Esse hotel � em que rua?
-Fica � um bloco da Bourbon Street e French Quarter,
na Carondelet Street 221. � um hotel numa esquina, de f�cil localiza��o.
-Okay, estou indo para a� dentro de meia hora.
Quando eu chegar, fa�a contato comigo. Sabe como sou?
-N�o tive esse prazer ainda, Kim.
-Bem, estarei vestindo um conjunto de casaco e cal�a
azul escuro. Tenho cabelos negros, olhos azuis, e sou alta.
-Uau!... deve ser uma beldade, Kim.
-At� breve � Cortou Kim, desligando. Era comum
para ela ser �cantada� pelos seus colegas de trabalho numa miss�o e isso
a aborrecia muito. Nunca misturava trabalho com prazer. Foi para o banheiro
e tomou uma ducha r�pida, vestiu-se com a roupa indicada ao seu colega
e saiu. Pegou um t�xi e foi para o encontro combinado.
O t�xi parou diante do hotel no outro lado da
rua e Kim saltou depois de pagar, olhando em torno . N�o demorou muito
e um tipo alto e magro, vestido em um terno escuro, se aproximou dela e sussurrou:
-Siga-me, Kim.
Ela o seguiu at� um Mitsubish estacionado a uns
cinquenta metros no meio-fio. Ele abriu a porta para ela entrar. Kim entrou
e ele fechou a porta e deu a volta. Quando sentou diante do volante e voltou-se
para ela, deparou com uma arma apontando para ele.
-Com os diabos, voc� n�o � Kim Still?
� Ele perguntou com p�nico na voz.
Ela sorriu friamente.
-Sou, mas quero ter certeza que voc� � meu
colega nessa miss�o. Mostre suas credenciais. J� me informei com
meu chefe sobre os nomes dos agentes que eu chefiarei. Meta a m�o no
bolso bem devagar, sem truques.
Ele a fitou com indigna��o.
-Maldi��o, mulher! Que desconfian�a
tola!
-Essa desconfian�a tola j� salvou minha
vida muitas vezes.
Resmungando, ele pegou a credencial e estendeu para ela.
Kim encostou o cano da arma nas costelas dele e olhou a credencial. O nome e
foto conferiam.
-Tudo certo � Disse, guardando a arma no coldre sob o
casaco, embaixo do bra�o � Elas ainda est�o no hotel?
Kurt a olhou aliviado.
-Sim. Meu colega Ribb est� l� dentro, no
quarto ao lado do delas. Ele est� monitorando qualquer ru�do e
palavra. Se elas forem sair, ele me avisa e eu as sigo.
-Diga a ele para encerrar a conta e sair do hotel. �
partir de agora, quem vai vigiar o casal ser� eu. E vou tentar fazer
contato com elas. Vou tentar convencer Morgan Lafayette a voltar para a casa
do av� sem viol�ncia.
Kurt a fitou com desaprova��o.
-Elas ser�o alertadas e ir�o fugir. �
melhor agirmos juntos, pegar elas logo e...
-Quem manda na opera��o sou eu, Kurt. E
quero agir ao meu modo. Eu me responsabilizo pelos acontecimentos � Cortou ela,
com voz dura e fria � E voc� simplesmente obedece minhas ordens, at�
nossos superiores decidirem em contr�rio.
Ele a fitou de cara amarrada.
-Muito bem, ent�o, o que devemos fazer?
-Aguardem novas ordens minhas. Eu telefonarei no m�ximo
em dois dias, com uma decis�o. Por ora, fiquem afastados. Se tiver necessidade
de comunicar-se comigo, sabe o n�mero de meu telefone celular. Se hospedem
em outro hotel e aguardem ordens.
-Bem, iremos ent�o fazer turismo como qualquer
pessoa que chega � cidade. Assim, ningu�m suspeitar� de
n�s.
-Boa id�ia. Esse carro � seu?
-Sim. Por que?
-Vou precisar dele at� amanh�, n�o
tive tempo de alugar um. Eu o devolverei amanh� � tarde, ok? Eu
o deixarei no estacionamento de meu hotel e as chaves na recep��o,
com ordem de entreg�-las � voc�.
Kurt n�o pareceu muito satisfeito com a requisi��o
de seu carro, mas entregou as chaves a Diane e despediu-se, indo embora. Ele
entrou no hotel e vinte minutos depois saiu com um homem e duas pequenas malas.
Eles tomaram um t�xi e se foram. Diane respirou fundo. Agora, era uma
quest�o de paci�ncia. Esperar as duas amantes sa�rem do
hotel para fazer contato.
**********************
Diane j� estava impaciente. Anoitecia e continuava
ali vigiando a sa�da do hotel. Havia apenas se ausentado poucos minutos
para comprar um sandu�che e um litro de suco de laranja numa lanchonete.
Mas sua paci�ncia foi gratificada quando viu Morgan Lafayette sair do
hotel acompanhada com uma morena.
Ela reconheceu Morgan Lafayette instant�neamente.
Olhou-a com frieza profissional. Era mesmo bonita e cheia de classe, mesmo em
trajes simples.Vestia cal�a jeans e blusa de croch� branca. A classe
dela podia ser sentida no porte orgulhoso, nos gestos graciosos. Ela voltou-se
para a morena que a seguia e estendeu a m�o, sorrindo.
Diane olhou para a morena que pegou a m�o de Morgan.
Mesmo de longe, podia notar que era bel�ssima. Bem mais alta que Morgan,
bastos cabelos negros esvoa�ando ao vento, o corpo felino e escultural
vestido por blusa colante de malha preta e cal�a de couro negro, grudada
nas n�degas perfeitas e pernas compridas. Um cintur�o de couro
tachonado de prata, pr�prio de motoqueiros, cingia a fina cintura. Tinha
um corpo sensacional e uma postura imponente. O jeito de andar a fazia parecer
flutuar, mexendo os quadris sensualmente.
Diane a fitou sentindo
um arrepio percorrer seu corpo. A morena era uma dessas mulheres que transmitem
forte personalidade, uma presen�a marcante que atra�a os olhares.
Morgan era linda, mas perto de Shane MacPherson, quase se eclipsava.
Diane respirou fundo e as viu se afastando pela Bourbon
Street. Ela pensou r�pido em suas op��es e resolveu seguir
as duas � p�. Saltou do carro rapidamente e fechou a porta, come�ando
a seguir as mo�as. Ent�o, notou que Shane levava um estojo que
parecia conter um instrumento musical.
A Bourbon Street era uma rua famosa de New Orleans por
seu cont�nuo movimento de pessoas � procura de divers�o
ou uma aut�ntica comida creole. Ali se ouvia jazz sendo tocado por instrumentistas
e bandas nos bares e cal�adas, formando um clima bem peculiar da cidade.
Os bares e restaurantes s� fechavam quando o sol nascia e a rua parecia
ser palco de uma festa, cheia de gente e m�sica .
Diane seguiu as duas mulheres sem dificuldade, disfar�ada
no meio da multid�o. Elas entraram em um bar de arquitetura francesa,
com uma varanda no segundo andar, onde haviam v�rias mesas com gente
bebendo, comendo e conversando. Diane esperou um pouco e entrou atr�s
delas.
O andar t�rreo era somente restaurante. Diane
olhou em volta, sentindo o aroma da deliciosa culin�ria creole e viu
Morgan e Shane subindo uma escada que ia para o segundo andar. Esperou um pouco
e as seguiu.
***********************
Shane chegou ao segundo pavimento e olhou em volta. A
lota��o do bar ainda era m�dia, mas ela sabia que depois
de dez horas da noite todas as mesas estariam ocupadas. O sal�o possu�a
portas francesas que davam para a varanda, deixando entrar uma agrad�vel
brisa, mesas forradas com toalhas vermelhas e um vasto balc�o onde o
batender preparava as bebidas. Uma mulher de cabelo curto e negro saiu detr�s
da caixa registradora e veio ao encontro de Shane, risonha.
-Shane! Nem acredito, voc� novamente em New Orleans!
Shane sorriu abertamente, retribuindo o abra�o
da mulher.
-Danny! Como vai, minha amiga?
A mulher afastou-se, encarando-a sorrindo.
-Tudo bem, n�o posso me queixar. E voc�?
Vejo que est� bem acompanhada � Disse, fitando Morgan que as olhava ao
lado.
-Danny, apresento a voc� a mulher da minha vida:
Morgan! � Disse Shane, passando o bra�o pelos ombros de Morgan.
Danny estendeu a m�o para Morgan, sorridente.
-Parab�ns, garota! � a primeira vez que
Shane se refere � uma namorada com esse termo!
-E espero que eu seja a �ltima mulher que ela
se refere assim- Sorriu Morgan.
Shane a fitou apaixonadamente.
-� o que desejo tamb�m, Morgan.
-Uau! Shane, voc� finalmente se apaixonou! � Comentou
Danny, surpresa � Agora eu acredito em milagres!
Shane riu e explicou � Morgan:
-Eu conhe�o Danny desde que estud�vamos
na escola secund�ria. Ela era minha melhor amiga, sempre contei �
ela todos meus segredos. S� nos afastamos quando ela veio para New Orleans,
quando recebeu esse restaurante como heran�a.
-Hei! � Protestou Danny � Ainda sou sua melhor amiga!
E por isso, quero que voc� toque um pouco seu saxofone, para alegrar meu
bar! Em troca, vai ter jantar e bebida gr�tis, como nos velhos tempos,
lembra?
-Hum, com prazer, Danny. Ali�s, estou pensando
em residir aqui por uns tempos e a grana vai ficar curta, porque minha irm�
n�o enviar� minha mesada, para for�ar-me a voltar para
casa. Ser� que teria uma chance de trabalhar aqui, tocando meu sax?
-Vamos ver, Shane. Primeiro, quero ver se ainda toca
bem as minhas m�sicas preferidas. Espere Louis acabar sua apresenta��o
e vou anunciar voc�.
Morgan olhou para o pequeno palco onde um homem negro
tocava piano e cantava � plenos pulm�es, imitando Ray Charles:
Georgia... Georgia...
The wole day through
Just an old sweet song
Keeps Georgia on my mind�
-Ok, ent�o vou
logo para os bastidores para preparar-me para entrar � Disse Shane, olhando
para Morgan � Voc�, sente-se numa mesa e espere eu terminar minha apresenta��o
para juntar-me � voc� para jantar.
Morgan sorriu docemente para ela.
-Vou adorar ver voc� tocar, meu amor.
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Diane escolheu uma mesa em um canto discreto, n�o
querendo ser notada. Viu Shane MacPherson falando com a mulher que parecia ser
a dona do bar e admirou o rosto dela. Shane tinha um rosto lindo e um sorriso
luminoso. E os olhos azuis eram magn�ticos.
Ela desviou o olhar, tentando dominar a atra��o
que sentiu pela morena. A frequ�ncia do bar era mais de turistas, que
pelo riso e conversa alta demostravam que j� estavam bebendo h�
muito tempo.
Uma gar�onete veio atend�-la e ela pediu
um martini, sem deixar de prestar aten��o � sua volta.
Viu Morgan sentar numa mesa perto do palco e Shane entrar por uma porta lateral
ao palco, com seu estojo de instrumento musical. Ser� que ela ia se apresentar
no bar, tocando? Interessante...
Notou que Morgan pediu um refrigerante e o tomava com
os olhos pregados no palco. Ela devia estar aguardando Shane entrar.
E dez minutos depois, o cantor acabou sua apresenta��o
e um apresentador surgiu no palco e falou ao microfone:
-E agora vamos
apresentar um novo talento, vindo diretamente do Texas para deliciar nossos
ouvidos. Com voc�s, a bela Shane e seu sax!
As luzes diminu�ram e Shane entrou no palco, sob
um foco de luz azul do spot. O p�blico, desinteressado em ouvir uma desconhecida,
nem aplaudiu ou olhou para o palco, com exce��o de Morgan, que
aplaudiu entusiasmada. Shane parou diante do microfone, ajeitando-o para sua
altura e sorriu para Morgan. E sem anunciar a m�sica, come�ou
a executar Summertime.
O ru�do de vozes e risadas foram parando aos poucos.
Os frequentadores do bar olharam para a bela mulher que tocava com raro talento
e sensibilidade a t�o conhecida m�sica de Gershwin. De olhos fechados,
movimentando os quadris ao som da m�sica suave e envolvente, Shane era
um espet�culo gostoso de olhar e ouvir. Sua sensualidade natural parecia
se mesclar divinamente com as notas precisas de seu sax, encantando a plat�ia.
Diane olhou para Morgan. O olhar dela era de pura fascina��o.
Diane tornou a olhar para Shane e entendeu o encantamento de Morgan. Shane dominava
a todos, com sua presen�a marcante e sua execu��o perfeita.
Agora podia olh�-la atentamente, sem despertar
suspeitas. E admirou aquele rosto bel�ssimo, o corpo perfeito delineado
pela roupa colante. Nunca tinha visto uma mulher t�o bela e atraente.Ela
era fascinante!
Diane sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Estava im�vel,
os olhos pregados em Shane, seu cora��o acelerado, sentindo tal
fasc�nio que surpreendeu-se consigo mesma.
O que estava acontecendo com ela? Estava esquecida do
motivo que a havia levado ali, esquecida do seu trabalho. E nunca algu�m
conseguira distra�-la de seu trabalho, mas Shane havia conseguido sem
esfor�o. Agora, estava como uma idiota acompanhando com os olhos encantados
todos os menores movimentos daquele corpo e rosto, como se fosse a coisa mais
importante de tudo. E aqueles quadris se movendo no ritmo da m�sica a
estava excitando!
A execu��o da m�sica terminou e
os aplausos foram un�nimes.Diane pegou-se tamb�m aplaudindo freneticamente
e parou, enrubescendo de embara�o. Se seus colegas a vissem! A fria e
controlada Diane, uma das agentes mais perigosas, agindo como uma adolescente!
Shane inclinou-se agradecendo os aplausos e depois falou
ao microfone:
-Obrigada, s�o muito gentis... agora, vou executar
uma m�sica � qual tenho predile��o, Woderland By
Night.
A voz parecia veludo � Pensou Diane � N�o era
poss�vel... al�m de tudo, ela tinha uma bela voz!
Shane come�ou a m�sica. Linda, envolvente.
Diane j� apreciava essa m�sica, tinha um cd de Fausto Papetti
que a executava com perfei��o, mas Shane n�o ficava nada
a dever, com sua execu��o preciosa. Seu olhar caiu sobre Morgan,
para ver a rea��o dela. E viu que ela sorria para Shane, com um
olhar c�mplice. Aquele olhar n�o deixava d�vidas que Morgan
estava apaixonada por aquela diab�lica beleza do Texas, Shane MacPherson.
Shane fixou o olhar em Morgan e Diane sentiu uma desagrad�vel
sensa��o de despeito, desejando que aquele olhar fosse dirigido
� ela.
Surpreendeu-se com o que sentia. Estava louca! Nem conhecia
Shane MacPherson, para sentir-se assim! E al�m disso, ela era uma mulher!
Reconheceu que n�o se conhecia t�o bem
como achava. Uma parte at� ent�o adormecida de sua personalidade
agora se revelava inesperadamente, como uma resposta � sua frieza emocional
nas rela��es com os homens.
Tentou reagir, desviar o olhar de Shane, mas n�o
conseguiu. Seus olhos desobedientes continuaram presos em Shane, seus ouvidos
agu�ados para ouv�-la, presa naquele fasc�nio. N�o
era mais a agente fria e objetiva, era o ser humano fascinado pela presen�a
m�gica de Shane.
Tomou um longo gole de martini, sentindo sua garganta
seca. Suas m�os tremiam, o cora��o dava saltos no peito.
Pensou que aquilo tudo ia passar. Era a artista que a estava emocionando com
a m�sica, n�o a mulher. Fora do palco, Shane perderia aquela aura
de fasc�nio. Sim, era isso!
Reconfortada com esse pensamento, olhou para Morgan.
E viu um homem aproximar-se dela e se debru�ar falando cambaleante. Era
alto e corpulento, estando evidentemente b�bado. Morgan o fitou com receio,
meneando a cabe�a negativamente.
Diane olhou para Shane. Ela n�o estava vendo a
cena, tocando de olhos fechados. Diane levantou-se. J� sabia o que ia
acontecer. J� havia passado por situa��es semelhantes,
quando estava em um bar sozinha.
O homem segurou Morgan pelo bra�o, dizendo com
voz arrastada:
-Ora, gostosa, n�o seja t�mida! Vamos dan�ar,
voc� est� sozinha como eu!
Diane aproximou-se rapidamente e bateu no ombro do homem.
Ele voltou-se surpreso. Morgan aproveitou para desvencilhar-se dele com um arranco,
fitando-o furiosa.
-Maldi��o, quem a chamou? � Rosnou o homem
para Diane, fitando-a amea�adoramente. Diane colocou as m�os na
cintura e o fitou friamente.
-Sugiro que d� o fora! Est� incomodando
a mo�a! � Disse ela.
Ele riu, olhando-a de cima � baixo.
-Quem pensa que �, para falar isso para mim? Voc�
quem deve dar o fora, ou vai se arrepender de ter se metido comigo!
Diane sorriu friamente.
-� mesmo? Quero ver isso!
-Ah, quer ver? Pois vai ver agora, dona! � Disse ele,
atacando com o punho fechado em dire��o ao est�mago de Diane.
Mas o punho s� encontrou o espa�o vazio, porque Diane desviou-se
com agilidade e pegou o bra�o pelo pulso, puxando-o para a frente e girando
o corpo, colocando-se de costas para ele. O homem voou sobre seu ombro e caiu
sobre uma mesa com estardalha�o.
Shane parou de tocar, olhando para a mulher que olhava
para o homem ca�do no ch�o, com as pernas afastadas, alerta.Havia
presenciado a cena desde que ela havia batido no ombro dele e estava admirada
pela a��o da mulher.
O homem ergueu-se furioso e avan�ou para Diane
mais uma vez.
-Voc� vai ver agora, sua cadela!
Ela desviou-se facilmente e dessa vez aplicou um golpe
de carat� no pesco�o do homem. Ele desabou no ch�o desmaiado.
O seguran�a do bar aproximou-se e pegou o homem
pelos bra�os, olhando para Diane com admira��o.
-Eu cuido dele, dona. Eu ia intervir, mas voc�
foi mais r�pida. Parab�ns, foi um golpe perfeito � Disse ele,
arrastando o homem para fora do bar.
Diane olhou para Shane. Ela a fitava com admira��o.
Recome�ou a tocar, dessa vez Blue Moon.
-Senhorita, quero agradecer a sua interven��o.
Diane voltou-se. Morgan sorria para ela, de p�.
Retribuiu o sorriso.
-N�o foi nada. Apenas exercitei meus m�sculos
� Declarou, modestamente.
Morgan a fitou surpresa, erguendo as sombracelhas.
-N�o foi nada?! Pois eu nunca vi uma mulher dominar
uma luta com um homem com tanta facilidade! � uma lutadora profissional,
ou algo parecido?
-Bem, apenas pratico lutas marciais numa academia � Mentiu
Diane, estendendo a m�o � Sou Kim Still, muito prazer.
Morgan apertou a m�o dela sorrindo com simpatia.
-E eu sou Morgan Lafayette. Meus parab�ns, senhorita
Still. � uma excelente lutadora. Quer sentar em minha mesa, ou est�
acompanhada?
-Estou sozinha. E aceito o convite, obrigada. � Concordou
Diane, vendo a oportunidade perfeita para se aproximar das duas mulheres. Agora
que havia feito contato, poderia tentar convenc�-la a voltar para casa
sem a interfer�ncia de outros agentes.
-Ent�o, sente-se, senhorita Still � Disse Morgan,
indicando a cadeira.
-Por favor, trate-me por Kim, simplesmente � Disse Diane,
sentando-se.
-Ent�o, trate-me por Morgan- Respondeu Morgan,
sentando-se tamb�m e olhando para Diane com franca curiosidade - � frequentadora habitual desse bar?
-N�o, � a primeira vez que venho aqui.
Ia passando e resolvi entrar para um drinque. Na verdade, n�o sou daqui,
estou de passagem.
-Oh, percebi que n�o � daqui... seu sotaque
� diferente de uma sulista de New Orleans.
-Bem, eu nasci em Montana, mas vivo em Washington D.C.
h� muitos anos. Devo ter o sotaque de l�.
-Washington? Meu av� viaja muito para l�!
Ele � um pol�tico! � Morgan disse impulsivamente, sem pensar.
-� mesmo? Que cargo ele ocupa?
Morgan percebeu seu deslize. Agora, Kim ia saber de quem
era neta! Maldi��o! Fitou Kim indecisa.
-Bem, ele... ele �...hum...
Diane sorriu, percebendo a indecis�o de Morgan.
Resolveu jogar, divertindo-se com o evidente embara�o dela:
-Espere, n�o precisa dizer! J� sei quem
� ele! O senador Lafayette, que tem o mesmo sobrenome seu! Ele �
muito conhecido!
Morgan a fitou com tanto medo que Diane teve pena dela.
A garota estava apavorada por ter revelado seu parentesco com o senador.
-Kim... por favor, n�o comente com ningu�m
que sou neta do senador Lafayette! � Ela pediu, com voz tr�mula � Por
favor! Posso confiar em sua discri��o? Voc� n�o �
uma rep�rter, �?
-N�o, n�o sou uma rep�rter, nem
tenho qualquer v�nculo com a m�dia. Por que voc� est�
com tanto medo, Morgan? Voc� n�o fez algo errado, fez?
Morgan olhou para Shane nervosamente e tornou a fitar
Diane.
-Se Shane souber que falei que sou neta do senador Lafayette,
ela vai ficar furiosa comigo! Eu... n�o fiz nada conden�vel. Pelo
menos, nada ilegal.
-N�o? E por que Shane ficaria furiosa por voc�
ter revelado que � neta do senador Lafayette? � Perguntou Diane, aproveitando
a brecha de Morgan com mais uma revela��o. Se Morgan fosse uma
criminosa, ela confessaria o crime em menos de meia hora de interrogat�rio.
Ela era t�o ing�nua, que a cada palavra, revelava mais seus segredos
.
Morgan gemeu baixinho, pousando o queixo na palma da
m�o, fitando Diane.
-Oh, Deus! Sou um fracasso para guardar segredos! Kim,
posso contar com sua discri��o, se eu contar a verdadeira situa��o?
-Claro, Morgan! Tenho suficiente psicologia para perceber
que voc� � uma garota incapaz de fazer algo criminoso! E se est�
aqui em New Orleans por causa de algum problema pessoal, tem minha simpatia!
Prometo que n�o direi nada � algu�m, pode confiar em minha
discri��o!
Morgan respirou fundo, aliviada.
-Oh, muito obrigada, Kim! Posso fazer uma pergunta pessoal
� voc�?
-Pode. N�o garanto que irei responder, se for
algo muito pessoal.
-Gostaria de saber se � uma pessoa preconceituosa.
Diane sorriu com esfor�o.
-N�o tenho nenhum preconceito de ra�a,
n�vel social ou sexo, Morgan.
-Verdade? Ent�o... o que acha do amor entre duas
mulheres?
-Bem... n�o sou gay, mas acho que o amor
entre os seres humanos sempre � bem melhor que o �dio, em qualquer
forma que se manifeste. O amor nunca poderia ser censurado, como muitas pessoas
intolerantes com as diferen�as individuais fazem.
Morgan sorriu brilhantemente.
-Penso da mesma forma, Kim! Eu era uma garota preconceituosa,
at� que apaixonei-me de verdade! E mudei meu modo de pensar, com esse
amor.
-O que aconteceu, que a fez mudar seu modo de pensar?
Morgan a encarou com olhar desafiante.
-Apaixonei-me por uma mulher. A mulher mais linda que
meus olhos j� viram.
-Vejo isso em seus olhos, Morgan.
-V�? V� o qu�?
-A paix�o, o amor, quando voc� olha para
Shane. Eu estava observando voc�s. Ela olhava para voc� enquanto
tocava e voc� para ela. Era uma troca de olhares apaixonados que qualquer
pessoa um pouco observadora perceberia.
Morgan enrubesceu intensamente, fitando-a embara�ada.
-N�o pensei que n�s est�vamos sendo
t�o transparentes.
-Mas est�o. E n�o se envergonhe
disso, o amor � um sentimento lindo � Disse Diane, sinceramente.
-Tem raz�o � Disse Morgan, sorrindo � Bem, acho
que posso confiar em sua discri��o, n�o?
-Claro... nada do que est� dizendo-me eu contarei
a algu�m � Diane prometeu, verdadeiramente. A sua miss�o era levar
Morgan de volta para casa, n�o contar a motiva��o de sua
fuga. O que ela estava revelando naquela mesa, n�o sairia dali.
-� t�o bom poder conversar meu problema
com algu�m que n�o me critique... imagine minha situa��o:
eu era noiva, conheci Shane e apaixonei-me. Brigamos e resolvi casar para ela
ir resgatar-me e fazer as pazes. Mas ela chegou depois do casamento. E resolvemos
fugir. Fugi durante a recep��o do casamento e viemos para New
Orleans. Agora, estou com medo da rea��o de meu av�. Eu
sei que ele n�o vai conformar-se sem fazer nada.
-Oh... � mesmo uma situa��o preocupante...
n�o se arrepende em ter fugido com Shane?
Morgan a encarou com determina��o.
-Jamais me arrependerei! Eu amo Shane, n�o poderia
ficar sem ela!
-Mesmo sabendo que v�o passar dificuldades, sem
o apoio de suas fam�lias? Voc� parece ser uma garota que sempre
teve tudo que deseja, Morgan. J� pensou nisso?
Morgan sorriu.
-Sou herdeira �nica de meus pais. E no testamento
existe uma cl�usula que ap�s eu completar vinte e um anos e casar-me,
receberei vinte milh�es de d�lares, aplicados em v�rios
investimentos e resgat�veis em parcelas anuais, al�m de v�rios
im�veis espalhados pelo estado do Texas.
Diane a fitou pensativa. Estava percebendo que n�o
conseguiria convencer Morgan a voltar para casa. Ela estava muito apaixonada
e confiante em sua vida com Shane. Contava com a possibilidade de Morgan estar
arrependida, mas se enganara. E agora? Devia seguir a ordem de entregar a a��o
aos outros agentes, para agirem pela for�a?
Seus sentidos alertas viram Shane parar de tocar, agradecer
e sair do palco. Morgan tamb�m notou a sa�da de Shane e sorriu
para Diane.
-Vou apresent�-la � Shane. Aceita jantar
conosco?
-Hum, vou pensar... � Respondeu Diane nervosamente, vendo
Shane sair pela porta lateral do palco e se aproximar da mesa com seu sax j�
guardado no estojo.
Shane parou ao lado de Morgan, fitando Diane com curiosidade.
Morgan fez as apresenta��es:
-Shane, essa � Kim Still. Voc� viu como
ela livrou-me daquele homem?
Shane puxou a cadeira ao lado de Morgan e sentou, sorrindo
para Kim.
-Claro que vi. Ela deu um show de defesa pessoal. Muito
prazer, Kim.
Diane sorriu tamb�m, impressionada. Shane de perto
era ainda mais fascinante. O belo rosto tinha uma pele de beb�, a c�tis
clara contrastando com os negros e sedosos cabelos, os tra�os perfeitos,
a boca sensual com dentes branqu�ssimos e perfeitos e aqueles olhos de
um azul de cristal, transl�citos, brilhantes e magnetizantes. Aquele
olhar excitava, prendia, Diane quase n�o conseguia disfar�ar o
que sentia.
Felizmente, Morgan tomou a palavra, ou elas perceberiam
que Diane estava incapaz de dizer alguma coisa na presen�a de Shane:
-Shane, convidei Kim para jantar conosco. � o
m�nimo que posso fazer para demonstrar minha gratid�o por ter
livrado-me daquele homem rid�culo.
Shane olhou para Morgan, erguendo uma sombracelha perfeita.
Encolheu os ombros e sorriu ligeiramente para Kim. N�o parecia entusiasmada
com o convite de Morgan, mas disse educadamente:
-Ser� um prazer t�-la em nossa companhia,
Kim.
Diane encontrou finalmente sua voz:
-Obrigada, Shane.Podem esperar um pouco? Vou ao banheiro.
-Claro, v� em frente. Esperaremos aqui � Respondeu
Shane.
Diane levantou e se afastou. Precisava acalmar-se e tamb�m
falar com seu chefe com urg�ncia. Estava sentindo-se uma perfeita idiota,
admirando todos os gestos e express�es de Shane. Estava sendo dominada
por uma paix�o fulminante, como uma adolescente! E Shane j� era
apaixonada por Morgan, o que complicava ainda mais sua cabe�a. Ela, que
sempre escolhia os homens que a interessavam e os tinha nas m�os com
o seu charme irresist�vel, agora se sentia insegura e frustrada por sua
paix�o. N�o tinha a menor chance de ter Shane para si.
Na mesa, Morgan olhou para Shane com mal�cia.
-O que achou de Kim, Shane? Ela � linda, n�o
acha?
Shane a encarou s�ria.
-Realmente, � uma mulher linda e corajosa. Mas
acha mesmo uma boa id�ia ter convidado ela para jantar conosco? Ela pode
reconhecer voc� e comentar com algu�m que talvez n�o seja
discreto e logo seremos localizadas pela imprensa. O esc�ndalo de sua
fuga deve ter estourado e somos not�cia para a m�dia.
-N�o, Shane. Ela j� sabe quem sou e que
nos amamos. Ela prometeu ser discreta
e n�o nos censurou, ela n�o tem preconceitos sexuais como a maioria
das pessoas.
Shane a fitou at�nita.
-O que???!!! Ela sabe de n�s?!
-Shhh... fale baixo, Shane! � Advertiu Morgan olhando
em volta.
Felizmente, o cantor cantava alto e o grito de Shane
passou despercebido.
Shane baixou a voz, encarando Morgan como se ela fosse
louca.
-Morgan, voc� est� me dizendo que contou
toda nossa situa��o para uma completa estranha?
-Eu... s� disse que era neta de um pol�tico...
ela fez a liga��o dos nomes... e eu pedi para ela ser discreta
e n�o falar com ningu�m que estou aqui nessa cidade com voc�...ela
prometeu. Eu desabafei com ela sobre nossa situa��o e...
-... e ela agora sabe tudo sobre n�s, n�o
�? � Completou Shane, vermelha de raiva � Morgan, como p�de fazer
isso? Voc� deu com a l�ngua nos dentes para uma estranha, e agora
ela sabe tudo sobre n�s!
-Shane, que tem isso demais? N�o somos criminosas,
que precisamos esconder nosso amor! Ela � uma pessoa inteligente e agrad�vel,
n�s estamos muito isoladas nessa cidade, precisamos fazer amizades! �
Defendeu-se Morgan, irritada com a desaprova��o de Shane.
Shane a encarou com tristeza.
-A minha companhia n�o basta � voc�.
Por isso quer fazer amizade com estranhos.
-N�o � nada disso, Shane!Eu a amo, mas
sabe que � uma coisa completamente diferente ter amigas para trocar id�ias!
A n�o ser que esteja com ci�mes. � isso?
Shane fitou Morgan em sil�ncio. Deus, Morgan era
t�o ing�nua! Sua experi�ncia com as mulheres a fizera perceber
que Kim Still estava atra�da por ela. O modo com que ela a fitara era
inequ�voco. E era uma bela mulher, charmosa e muito atraente. Mas amava
Morgan e queria ser fiel � ela. Por isso queria evitar ter uma tenta��o
por perto. Preferia n�o fazer amizade com Kim, para evitar qualquer problema,
mas n�o podia dizer isso � Morgan. Ciumenta como era, iria fazer
um drama.
-N�o, n�o estou com ci�mes. Tudo
bem, Morgan, voc� escolheu seguir sua cabe�a. Se Kim Still trair
sua confian�a, a culpa � sua. Lavo minhas m�os.
****************************
Felizmente o banheiro feminino estava vazio e Diane p�de
fazer sua liga��o para falar com seu chefe sem problema. Ela digitou
os n�meros de c�digo do FBI e momentos depois seu chefe respondeu:
-Elliot.
-Elliot, � Diane.
-Ol�, Diane! Como est� indo as coisas?
-Bem, A mo�a n�o est� propensa a
voltar, Elliot. Pelo menos, numa conversa que tivemos, sem ela saber quem sou.Preciso
de mais tempo para tentar convenc�-la a voltar.
-Negativo, Diane. Estou sendo muito pressionado e o senador
quer sua neta de volta at� amanh� � noite. Ele sabe que
ela j� foi localizada e est� se queixando de nossa demora em agir.
-Elliot, esse maldito senador n�o est�
nem um pouco preocupado com o trauma que a neta dele vai ter! Voc� sabe
bem o que os agentes v�o fazer, resgatando-a � for�a! V�o
drog�-la e a enfiar em um helic�ptero de volta para Dallas, sem
se importarem com o trauma que a brutalidade da a��o
vai causar na garota pelo resto da vida! Esse velho safado s� est�
preocupado com sua imagem p�blica!
-Diane, sinto muito, mas isso n�o nos diz respeito.
Vou fazer o que ele quer. E se voc� n�o concorda com a a��o,
vou afast�-la do caso e delegar poderes de a��o �
Kurt e Ribb.
-Maldi��o, Elliot! � Protestou Diane, furiosa
� Pelo menos, d�-me o prazo para agir at� as dez horas de amanh�!
Se at� essa hora eu n�o tiver a concord�ncia dela para voltar,
eu abandonarei a miss�o e deixarei os meus colegas agirem!
-Est� bem, Diane. Mas nem um minuto a mais. Dez
horas da manh� ligue-me com as not�cias.
Ele desligou, cortando a liga��o. Diane
fechou o telefone com um golpe seco, furiosa. Os malditos bastardos! Ia ter
que agir o quanto antes. E Morgan teria que fazer sua escolha: voltar para casa
amigavelmente, ou sequestrada. Maldi��o! Em um momento como esse
� que odiava ser uma agente do FBI. Pressionar uma garota inocente a
fazer uma escolha que poderia destruir sua felicidade e a de Shane.
Armou uma express�o neutra e voltou � mesa.
Shane e Morgan a esperavam em sil�ncio.Pareciam haver discutido, sentiu
a tens�o entre elas.
-Escutem, vamos jantar em meu hotel? � perto daqui
e bem mais tranquilo � Prop�s.
Shane a fitou.
-Qual � o hotel?
-The Queen&Crescent, perto daqui.
-J� ouvi falar. � um excelente hotel �
Concordou Shane.
Diane chamou a gar�onete para pagar a conta, mas
Danny veio at� a mesa e disse que a pequena despesa era gr�tis.
Combinou com Shane para ela ir tocar na noite seguinte e elas se despediram
e sa�ram do bar.
Diane as fitou caminhando ao lado. A hora da decis�o
estava chegando.
continua na parte 10
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