A GAROTA DA MOTO
PARTE 2
Uma semana se passou. E naqueles dias, Morgan fez uma
avalia��o de sua vida e chegou � conclus�o que as
palavras que havia ouvido Shane falar sobre ela tinham muita verdade. Tinha
uma grande amizade por Jonnathan, mas n�o o amava. Ia realmente se casar
com ele mais para contentar seus av�s , que � ela mesma. Estava
anulando suas vontades para agradar seus av�s, devido � falta
de coragem de se revoltar contra o dom�nio deles e proclamar sua independ�ncia.
Estava revoltada, irritada e deprimida.
Era mesmo uma idiota! J� era uma adulta, tinha vinte e tr�s anos,
para ainda ser comandada pelos seus av�s. Precisava libertar-se dessa
depend�ncia, para ser verdadeiramente feliz.
E al�m de tudo isso, a imagem
de Shane n�o sa�a de sua cabe�a. Lembrava dos momentos
que havia passado com ela. Do olhar de Shane, do sorriso, da voz rouca e aveludada,
do perfume que ela usava, do beijo que ela havia roubado, e estremecia de desejo.
Sentia uma saudade louca dela, uma intensa necessidade de v�-la novamente,
e se xingava por ter sido t�o dura com ela, t�o cheia de preven��o.
Agora reconhecia que tudo era medo do que sentia, medo de admitir que estava
irresistivelmente
atra�da por Shane.
Como poderia v�-la novamente?
N�o sabia nada sobre ela al�m do primeiro nome, n�o tinha
o endere�o ou telefone! S� se a procurasse naquela danceteria
de l�sbicas... mas, onde era aquele lugar? N�o sabia o nome da
rua, o bairro... s� lembrava do nome. Halles. Tinha que consultar na
Internet.
A pesquisa deu frutos quando digitou
locais gays. Se impressionou com a grande lista de locais. Restaurantes, clubes,
saunas, danceteria... f, g, h... l� estava! Halles! E o endere�o!
Seu entusiasmo diminuiu quando viu
que era em um bairro distante e mal afamado, na periferia da cidade. Como saberia
ir l�? De t�xi n�o podia, porque depois n�o acharia
nenhum para voltar.
No auge da impaci�ncia, pegou
o Mercedes que havia ganhado do av� pela sua formatura e saiu sem destino.
Circulou pelas ruas de Dallas procurando ver a moto de Shane, mas n�o
viu a Harley negra em nenhum lugar. Decepcionada, estava voltando para casa
quando em sentido contr�rio, viu surgir a moto negra. O cora��o
de Megan deu um salto, quando reconheceu a figura de negro que pilotava a moto,
com os cabelos esvoa�ando ao vento, sem capacete.
-Shane! - Gritou, ansiosa, come�ando
a buzinar desesperadamente, vendo a moto avan�ar. Ela cruzou com seu
carro, olhando curiosa para a motorista que buzinava feito uma louca. Morgan
freou o carro rangendo os pneus no asfalto e fez uma convers�o brusca
para voltar. Quase bateu em um carro que vinha em sentido contr�rio.
O motorista freou ruidosamente, xingando-a.
Morgan acelerou e foi atr�s
da moto, que estava parada no acostamento mais adiante. Morgan
diminuiu e parou no acostamento, descendo do carro. Olhou para Shane ansiosamente,
que a fitava com um olhar divertido. �
luz do dia, Shane era ainda mais linda. A pele aveludada e dourada, os olhos
incrivelmente azuis,os cabelos negros e sedosos, a boca sensualmente vermelha sem nenhuma pintura, os malares altos como os de uma
modelo, o queixo com uma covinha, o corpo perfeito. Morgan olhou tudo com admira��o
e uma ineg�vel atra��o.
-Ora, ora! - Disse Shane, em tom jocoso
- Se n�o � a grande Morgan Lafayette! MMas claro que s�
podia ser voc�, fechou o carro que vinha, quase provocando um acidente!
E buzinando como uma louca!
Morgan se aproximou e parou diante
dela, franzindo o cenho. N�o era assim que havia imaginado reencontr�-la.
Shane rindo dela.
-Voc� tamb�m est�
errada, dirigindo sem o capacete! - Se defendeu.
Shane sorriu, cruzando os bra�os
e apoiando um p� no ch�o.
-O dia est� lindo e quis sentir
o vento em meu rosto, baby. Por que voc� businava tanto?
-Shane... eu buzinei para chamar a
sua aten��o! Tenho procurado voc� por a�, mas n�o
sabia como encontr�-la! - Confessou, sentindo uma forte emo��o
ao olhar aqueles olhos azul-beb�.
Shane ergueu uma sombracelha, surpresa.
-Verdade? Para qu� voc�
me procurava? N�o me lembro de ter ficado com nada que pertence a voc�!
-Oh Shane, n�o seja sarc�stica!
- Disse Morgan suavemente, fitando-a noos olhos - Eu queria v�-la para
desculpar-me das palavras duras que falei, conhec�-la melhor.
Shane ergueu as sombracelhas
perfeitas, muito surpresa.
-Est� falando s�rio?
-Sim Shane... - Disse Morgan, pousando
a m�o no bra�o dela, que estremeceu ao contato - Cheguei
� conclus�o que voc� est� certa. Eu tenho
vivido uma vida falsa e reprimida, com medo de desagradar aos meus av�s.
Mas quero mudar isso agora.
Uma express�o preocupada tomou conta do rosto
de Shane.
-Garota, tem certeza que quer mudar
sua vida?Olhe, n�o leve em conta minhas impress�es, n�o
sou a dona da verdade. Voc� quem deve saber o que � bom para voc�.
-Shane, eu tenho pensado muito em
voc�...estava louca para voltar a v�-la. E agora que a encontrei,
quero ter a chance de conhec�-la melhor.
Shane sorriu com mal�cia, fitando-a
nos olhos. Era um sorriso luminoso que fez Morgan engolir em s�co, admirando-o.
-Morgan, cuidado... o que posso querer
de voc�, talvez n�o queira. J� mostrei como sou. E quer
conhecer-me melhor, sabendo o que desejo? Voc� � muito atraente
para ser apenas minha amiga.
Morgan baixou os olhos, enrubescendo
intensamente.
-Quero, Shane...eu... a desejo tamb�m
- sussurrou.
Shane colocou os dedos �ndice
e polegar no queixo de Morgan, erguendo seu rosto delicadamente at� poder
fit�-la nos olhos. Trocaram um olhar intenso.
-Muito bem - disse Shane, com a voz
enrouquecida por uma desconhecida emo��o - Estou indo para Port
Worth,onde tenho uma casa. Quer vir comigo?
-Eu tenho que voltar hoje mesmo -
avisou Morgan, insegura - Meus av�s...
-Sei, seus av�s n�o
aprovariam - Completou Shane, revirando os olhos - Vamos, Morgan, n�o
� longe, eu a trarei hoje mesmo. Deixe seu carro em um estacionamento,
vamos na minha moto.
-Ok, siga-me ent�o - concordou
Morgan.
Morgan levou o Mercedes at�
um estacionamento em um shopping perto dali e logo depois estava na garupa da
moto de Shane, enla�ando a cintura do corpo flex�vel e colando-se
nele.
Morgan fechou os olhos, aspirando
o delicioso cheiro de Shane. Como era bom sentir o corpo dela t�o junto
ao seu!
Como a vida era bela, gostosa de ser
vivida, ao lado dela!
***************
Em menos de quarenta minutos chegaram
em Port Worth. Shane abandonou a estada principal e penetrou numa alameda em
meio � �rvores, parando diante de uma casa constru�da com
pedras e madeiras r�sticas, isolada entre a vegeta��o.
Ela estacionou a moto diante da casa e voltou-se para Morgan, sorridente.
-Chegamos. Pode descer da moto.
Morgan obedeceu, sentindo a perda
do calor do corpo de Shane. Olhou para a casa, curiosa.
-Voc� mora aqui?
Shane desceu da moto e tirou um cart�o
do bolso do macac�o de couro negro .
-N�o. Moro em Dallas, mas venho
aqui frequentemente, quando quero ficar sozinha para compor minhas m�sicas
e tocar meus instrumentos. Voc� � a primeira pessoa que trago aqui.
Morgan a fitou surpresa.
-Voc� � uma compositora
de m�sica?
Shane sorriu levemente.
-Compositora amadora. Componho apenas
para liberar meu lado criativo. N�o vivo disso. Vamos entrar.
Shane inseriu o cart�o na porta
e digitou um c�digo no pequeno painel. A porta da casa abriu e elas entraram.
Morgan olhou em volta, curiosa.
Shane afastou as cortinas, deixando
a luz do sol entrar pelas vidra�as. Estavam numa imensa sala, decorada
com m�veis r�sticos de couro cru e madeira . O ch�o de
madeira corrida tinha no centro um grande tapete de pele de vaca. Pe�as
de arte mexicana contribu�am para a decora��o de bom g�sto.
Uma parede toda de pedra ostentava uma lareira que devia aquecer a sala em noites
frias.
-� um lugar relaxante e acolhedor
- Disse Morgan, voltando-se para Shane.. Ela a fitava s�ria e Morgan se
surpreendeu com aquele lado de Shane. Parecia at� t�mida, o ar
malicioso ausente, um olhar gentil.
-Quer uma bebida? H� Coca Cola
na geladeira e cerveja.
-Aceito uma Coca, obrigada.
-Venha.
Morgan seguiu Shane at� uma
modern�ssima cozinha e parou olhando-a tirar da geladeira uma lata de
Coca e gelo. Ela estendeu a lata de refrigerante para Morgan e apanhou alguns
cubos de gelo, colocando em um recipiente pr�prio.
-Vamos para o living room - Disse
ela, saindo da cozinha.
Morgan a seguiu e sentou em um dos
sof�s de couro, observando Shane apanhar uma garrafa de u�sque e um copo no bar que tomava uma parede inteira . Ela
colocou tudo sobre uma mesinha e colocou dois cubos de gelo no copo, servindo-se
de uma generosa dose de u�sque. Ela se sentou ao lado de Morgan, esticando
as longas pernas e cruzando os tornozelos, tomando um gole de u�sque.
Encarou Morgan com gravidade.
-� engra�ado...- Disse,
pausadamente - Sabe, tenho levado uma vida muito louca. Cada noite, levo uma
mulher diferente para a cama. Mulheres que conhe�o naquela danceteria.
Eu as possuo, mas nem sei direito quem s�o. E nem procuro saber. Mas
voc�... sei que � diferente delas. E quero
que saiba quem sou, antes de qualquer coisa acontecer entre n�s.
-Voc� pratica sexo seguro? -
Perguntou Morgan, preocupada.
Shane a fitou, sorrindo.
-Oh, sim... nos dias de hoje, �
importante...e voc�?
-Eu at� hoje s� tive
sexo com meu noivo e mesmo assim, usamos sempre camisinha - Disse Morgan, quase
ofendida.
Shane sorriu, sem mal�cia.
-� uma garota prevenida, Morgan.
Mas, como eu dizia, voc� � a primeira mulher que faz-me desejar
mostrar quem sou.
Ela tomou um longo gole de bebida
e declarou, como em um desabafo:
-Meu nome completo � Shane
Louise MacPherson. Sou filha de Arthur MacPherson.
Os olhos de Morgan se dilataram. Arthur
MacPherson! Esse nome era uma lenda naquela regi�o. Arthur MacPherson
era conhecid�ssimo, um dos maiores
criadores de gado do Estado do Texas. Ele havia passado por uma trag�dia
anos atr�s e agora vivia recluso em sua fazenda. Diziam que estava tetrapl�gico,
devido a um tiro desferido pelo amante da mulher dele.
Shane a encarou com um sorriso triste.
-Sei o que est� pensando. Meu
pai � muito conhecido e o esc�ndalo foi muito grande, quando aconteceu
a trag�dia, muitos anos atr�s.
Morgan n�o sabia o que dizer.
Ficou olhando-a em sil�ncio. Ela continuou, olhando para um ponto com
olhar perdido e a voz sem emo��o:
-Tudo aconteceu quando eu tinha quatro
anos de idade. Meu pai chegou de uma das muitas viagens que ele fazia para fechar
neg�cios. Ele entrou no quarto e encontrou minha m�e na cama com
o jardineiro. Atracou-se com o homem em uma luta, mas o amante de minha m�e
estava prevenido. Ele pegou a sua arma sobre a mesinha de cabeceira e come�ou
a disparar. Um tiro perdido atingiu minha m�e no peito. Os outros atingiram
meu pai no ombro, na coxa, no bra�o esquerdo e na coluna cervical. Minha
m�e morreu instant�neamente e meu pai ficou em estado grav�ssimo,
enquanto o assassino fugia. Mas ele foi preso dois dias depois, escondido no
mato. Foi condenado � cadeira el�trica e executado cinco anos
depois. Meu pai ficou tetrapl�gico e mal consegue balbuciar umas palavras.
Seus m�dicos dizem que ele sofreu um trauma psicol�gico que o
faz recusar voltar � realidade.Eu e minha irm� fomos criadas pela
nossa av�, que morreu quando eu tinha vinte e dois anos.
Morgan ent�o entendeu Shane
melhor. Ela havia sido criada em um lar marcado pela trag�dia, sem o
amor dos pais. E convivendo com um homem inv�lido e amargurado. Tendo
a m�e como modelo, n�o devia confiar em ningu�m. Por causa
disso, era c�nica em suas rela��es amorosas e inconseq�ente.
-Eu tamb�m sou �rf�
- Declarou, com voz contida - Meus paiss morreram em um acidente de avi�o
quando eu tinha apenas seis anos. Fui criada pelos meus av�s com muita
rigidez, mas sei que eles me amam muito.
Shane a fitou sombriamente.
-Para mim, � como que meu pai tivesse morrido. Ele vive numa cadeira de rodas, s�
pode movimentar a cabe�a. Articula palavras sem sentido, com um olhar
perdido. Isso n�o � vida! Por isso eu quero viver intensamente,
aproveitar cada dia o que a vida pode oferecer-me. N�o sei o que vir�
depois. E n�o prender-me a ningu�m.
-Eu acho que voc� est�
sendo...
-Chega de trag�dia! - Cortou
Shane, erguendo-se e pousando o copo na mesinha perto do sof�, olhando-a
sorrindo - Quer conhecer o resto da casa?
Morgan assentiu, sabendo que a conversa
mais pessoal havia encerrado. Shane parecia agora querer afastar aquelas recorda��es
tristes.
-Ent�o, venha.
Shane mostrou a sala de jantar, o
sal�o de jogos, a biblioteca e subiram para o segundo pavimento. Ali
havia a suite de Shane e duas para h�spedes. E por �ltimo, uma
sala de m�sica, com um piano de cauda, um sax tenor, um banjo, uma guitarra
e uma bateria. Ela olhou para Shane, admirada.
-Voc� toca todos esses instrumentos?
Shane sorriu.
-Com exce��o da bateria,
que ainda estou aprendendo, sim.
Morgan sorriu excitadamente
-Eu adoro m�sica! Aprendi a
tocar piano por insist�ncia de minha av�, mas sei que n�o
tenho talento para tocar qualquer instrumento, infelizmente.
Shane riu, pegando o sax.
-Eu adoro Blues e o sax � meu
instrumento preferido. O que importa, n�o ter talento para tocar? O importante
� voc� ter o prazer de tocar o instrumento, mesmo que seja s�
para voc�! Vamos tocar uma m�sica juntas? Eu no sax e voc�
no piano.
Morgan a fitou indecisa.
-Hum... que m�sica quer tocar?
-Conhece Summertime, de Gershwin?
-Claro... bem, posso tentar.
-Ent�o, sente-se ao piano.
Morgan nivelou o banco do piano para
sua altura, sentou-se e o abriu. Dedilhou algumas notas, testando a afina��o.
Olhou ent�o para Shane e come�aram.
Shane soprou as notas com perfei��o,
dando a introdu��o exata que a m�sica pedia. Morgan fazia
o poss�vel para acompanh�-la � altura. Shane tocava como
uma profissional, e das melhores!
Shane fechou os olhos, entregando-se
� m�sica, movendo o corpo escultural no ritmo lento da melodia,
o rosto adquirindo um ar de encantamento. A m�sica dominou o ambiente,
enlevando-as. Morgan tocava olhando-a encantada, sabendo que aquele momento
era m�gico e seria inesquec�vel. A m�sica unindo suas sensibilidades
numa mesma emo��o.
Shane deu os �ltimos acordes
de olhos abertos, fitando Morgan e um
sorriso de genu�na alegria brotou em seus l�bios, um sorriso que
Morgan nunca tinha visto no rosto dela antes. Bateu palmas, entusiasmada.
-Shane, voc� tem talento! Tocou
divinamente! Foi um privil�gio acompanh�-la!
Shane inclinou-se agradecendo como
se estivesse em um palco. Voltou � sua posi��o ereta sorrindo.
-Voc� tamb�m tocou muito
bem, Morgan.
-Mas n�o chego aos seus p�s.
Voc� toca como uma profissional.
Shane colocou o sax no estojo.
-J� toquei em alguns bares.
Depois, parei.
-� mesmo? Logo vi que tinha
muita pr�tica! E por que parou?
Shane aproximou-se e debru�ou
no piano, fitando-a sorrindo.
-Eu tocava em bares quando fui para
New Orleans com uma mulher casada. Eu era uma adolescente e fugi com ela para
l�. O dinheiro que levei acabou em um m�s e comecei a tocar sax
em casas noturnas para nosso sustento. O marido dela nos encontrou e falou com
minha irm�. Ela foi buscar-me e a mulher voltou para o marido, que a
perdoou.
Morgan a fitou admirada.
-Uau, que aventura! Voc� devia
estar apaixonada, para fazer essa loucura, n�o?
Shane riu.
-Nem tanto...fugi com ela mais para
provar para mim mesma que teria coragem para isso. Mas que a mulher valia �
pena, valia! Ela era bonita e �tima numa cama, ensinou-me tudo que sei.
Morgan a fitou s�ria.
-Voc� nunca amou, Shane? S�
usa as mulheres para ter prazer f�sico?
Shane ergueu as sombracelhas, com
ar divertido.
-Eu, amar?! Oh, n�o! N�o
quero machucar-me, Morgan. J� vi o que aconteceu com meu pai, por causa
de amor. E se eu uso as mulheres, elas tamb�m me usam. O prazer n�o
� somente meu.
-� um modo c�nico de
encarar uma rela��o - Disse Morgan, decepcionada, erguendo-se
do banco.
Shane a pegou pelos ombros, fitando-a
nos olhos. Agora estava s�ria.
-Eu quero voc�, Morgan. Desde
que a vi, a desejei.Mas eu n�o quero engan�-la, dizendo que a
amo, ou coisa parecida. Sinto uma grande atra��o por voc�,
desejo-a, mas � tudo. Vai negar-se a deixar eu t�-la, por saber
o que penso?
Morgan a fitou em sil�ncio. Aquelas palavras machucaram
seu orgulho, seus sentimentos. Ela s� a desejava. Para ela, seria apenas
mais uma em sua lista de conquistas. O mais sensato era fit�-la com desd�m
e se retirar, n�o a procurando mais. Esquecer aquela mulher sem sentimentos.
Mas percebeu que era tarde para isso. J� havia
ca�do sobre o fasc�nio daqueles olhos azuis, queria Shane desesperadamente,
mesmo sabendo o que pensava. O que sentia era t�o forte, para poder recus�-la!
E assustada reconheceu que aceitaria qualquer condi��o de Shane
para t�-la ao menos uma vez.
Fitou-a com os olhos cheios de paix�o. E esquecendo
quem era, despindo-se de seu orgulho, de seus conceitos, ela entregou-se por
completo ao poderoso sentimento que prevalecia sobre qualquer outro:
-Eu a quero de qualquer jeito, Shane - Declarou, com
voz tr�mula de emo��o.
continua na parte 3
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