A Filha  de  Meu  Patrão

 Leth  Cross

  

      Lá está ela. Belíssima como sempre. Atraente, elegante, maravilhosa. O meu tipo de mulher. Eu a vejo todos os dias da semana, ouço sua voz aveludada, sinto seu perfume. O que é uma tortura, para quem está apaixonada sem esperanças, como eu.

 

 Não sou de jogar fora. Sou loura, olhos verdes, um corpo bem delineado pela malhação da academia, vinte e cinco anos. Mas sinto-me insignificante diante dela. Frances Nikodimou é tão linda e atraente, que pode ter quem quiser. E infelizmente para mim, ela não é gay. Tem um noivo que eu detesto e invejo, Alan Befford. Ele é insuportavelmente bonito e charmoso, mais parece um modelo de revista que um advogado. Então, que chances tenho, com ela sendo tão linda, hetero e  noiva de um homem como Alan? Nenhuma, lógico!

 

 Eu apenas posso olhar disfarçadamente para ela, quando está distraída, procurando não mostrar em meus olhos a minha paixão. Dependo do meu emprego para viver. E ela sendo a filha do meu patrão, é como se tivesse uma tarja no peito, anunciando em letras garrafais:

     

FRUTO  PROIBIDO! CUIDADO, NÃO SE ATREVA!

 

O interfone tocou, interrompendo meus pensamentos. Eu o atendo com minha voz profissional:

 

-Nikodimou Corporation, boa tarde.

 

-Senhorita Letterman? Estou ligando para Frances, mas seu telefone toca e ninguém atende. Posso deixar um recado para minha noiva? Aqui é Alan Bedford.

 

Eu contenho a minha irritação ao ouvir ele dizer �minha noiva� e respondo com polidez:

 

-A senhorita Nikodimou está em uma reunião com clientes, na sala de reunião. Ela deve ter deixado seu celular em sua sala, por isso o telefone não responde. Pode deixar o recado  que eu darei, senhor  Bedford.

 

-Ok. Apenas diga que eu vou buscá-la aí no trabalho, para ela esperar-me, dentro de uma hora.

 

-Seu recado será dado, senhor Bedford.

 

-Obrigado � Disse ele, desligando.

 

Eu coloquei o fone no receptor e respirei fundo. Hoje eu iria ver ele sair com ela. Como sempre, abraçando-a possessivamente pelos ombros, ela com a mão na cintura dele. Como eu odiava essa visão! Eu sabia que não tinha o menor direito de sentir ciúmes, mas a paixão não conhece a razão. Eu morria de ciúmes ao vê-los assim. Se pudesse, os separaria com um safanão e colocaria o galã para fora com chutes no seu traseiro. Ah, se eu pudesse fazer isso!

 

Meia hora depois a reunião acabou e ela chamou-me até sua sala. Eu abri a porta e entrei, procurando fitá-la profissionalmente.

 

Ela estava olhando vários documentos e ao ver-me entrar, ergueu os belos olhos azuis. O rosto de deusa parecia cansado.

 

-Senhorita Letterman, quero que envie esses documentos por fax para nossa filial em Dallas. É o contrato que acabei de assinar com o grupo de japoneses.

 

Aproximei-me para pegar os documentos, avisando:

 

-O sr. Alan Bedford ligou. Ele deixou o recado que virá buscá-la no trabalho às dezessete horas, para aguardá-lo.

 

Frances ergueu uma sobrancelha, entregando-me os documentos.

 

-Ah, sim... obrigada, senhorita Letterman. E meu pai? Ele não ligou?

 

-Não, senhorita Nicodimou. Ele ainda não voltou de Toronto. Acredito que o mau tempo o reteve na cidade.

 

-Sim, deve ser isso... pode ir, senhorita. Esse contrato tem que ser remetido logo.

 

-Ok, vou fazer isso agora.

 

Saí do gabinete, fechando a porta atrás de mim. Fui cumprir a ordem, afinal sou uma secretária eficiente. Trabalho para a empresa há dois anos. Entrei para substituir a velha secretária do pai de Frances, que havia falecido de enfarte. O velho Cícero Nikodimou  é um homem taciturno e de temperamento forte, mas o meu serviço parece agradá-lo, porque nunca se queixou de meu trabalho.E procuro manter ele e sua filha satisfeitos, porque secretario os dois.

 

 

llllllllllllllllllll

 

Faltando cinco minutos para as dezessete horas, o noivo de Frances chega. Ele me dá um cortês boa tarde e passa direto, sem pedir para eu o anunciar. Eu fico imaginando o que podem estar fazendo dentro do gabinete, com meus ciúmes corroendo meu cérebro. Quando eles saem minutos depois, estão conversando e rindo, ambos de excelente humor, ao contrário de mim. Frances me dá um distraído �até amanhã  � e se vai com o noivo. Eu os olho através do vidro fumê da sala, enquanto aguardam o elevador. Eles conversam e riem. Frances linda, em seu conjunto de blazer e saia justa azul escuro com blusa de seda branca. Ela está de meias negras de nylon e sapatos de saltos altíssimos, apesar de já ser bem alta. Ela parece um modelo. Eu a observo encantada, até ela entrar no elevador com o noivo.

 

Então, eu desligo o computador, cubro-o com a capa, recolho minha bolsa e vou ao banheiro. Lavo as mãos,  retoco o baton e saio. Pego meu carro Miata  no estacionamento do prédio e vou para casa.

 

Moro relativamente perto do trabalho, em um condomínio de casas. Em meia hora já estou estacionando na minha garagem e Buffly, meu labrador, me saúda com sua calda e latidos alegres.

 

-Alô, Buffly! � Digo, acariciando sua cabeça � Cheguei e logo vamos sair, espere apenas eu trocar de roupa.

 

Ele já sabe minha rotina e espera pacientemente. Eu troco meu conjunto de slack por calça e blusa de malha, o sapato de salto alto por tênis e saio com Buffly para nosso cooper. Quando volto estou suada e louca por um banho, mas primeiro dou a comida de Buffly e então vou para a ducha.

 

Tomo banho deprimida, pensando em minha vida. Tive dois relacionamentos em minha vida. O primeiro, com minha colega de colégio, quando tinha dezesseis anos, quando descobri que era gay. O caso findou quando ela se apaixonou pelo capitão do time de futebol. O segundo foi com minha colega de faculdade. Ficamos juntas três anos, até ela trair-me com uma garota mais experiente, mais bonita e com mais dinheiro. E agora, sozinha há dois anos, fui me apaixonar pela filha do meu patrão! Uma mulher noiva, que nunca me olharia com interesse! Eu era mesmo uma idiota, eu era uma maldita masoquista!

 

O que Frances estaria fazendo agora? � Pensei, revoltada com minha sorte � Naturalmente, devia estar jantando com o noivo em um romântico restaurante, fitando-o de uma forma que nunca me fitaria! Ou pior, em um quarto de hotel, se entregando à ele com paixão! Oh, maldição! Eu era uma idiota! Eu tinha que reagir, tentar encontrar alguém que me fizesse esquecer Frances! Eu não havia mais frequentado nenhum ambiente gay desde quando havia terminado com Dayse. Mas agora, eu iria voltar a frequentar, porque eu tinha que livrar-me daquela paixão sem esperança! E iria começar hoje mesmo!

 

Acabei meu banho, enxuguei-me e fui para o quarto. Olhei o relógio de cabeceira. Dezenove e trinta. Era cedo, podia arrumar-me sem pressa e chegar cedo ao bar. Peguei o telefone e liguei para minha amiga Rachel. Ela respondeu-me na quarta chamada.

 

-Alô!

 

-Rach, vamos a um bar?

 

-Sandy! Puxa, estava pensando em você!

 

-Hummm... por quê?

 

-Eu sei que você não frequenta mais ambientes de gays, mas você podia fazer uma concessão à sua amiga fiel! Afinal, eu vou sempre com você à bares caretas sem reclamar!

 

-Hum, hum, o que quer que eu faça?

 

-Bem... conheci uma garota espetacular, ela é um estouro! Combinamos sair hoje, mas sua amiga está arrasada porque levou um chute da namorada, então eu quero pedir à você para sair conosco. Para fazer companhia para a garota.

 

-Rach! � Eu disse, indignada � Quer que eu sirva de babá da garota?! Nem pense nisso! Não sou consoladora de corações partidos!

 

-Não, Sandy! Apenas nos acompanhe! Eu juro que você pode fazer o que quiser, no bar! Só precisa conversar com ela um pouco, quando eu e Dana formos dançar! Sandy, por favor!

 

-Está bem, está bem! � Concordei, afinal Rachel sempre foi uma boa amiga, dando-me assistência quando  Dayse traiu-me � Como sou sua amiga, vou aturar essa mulher ! Mas não me comprometo a ficar fazendo companhia à ela a noite toda. Se conhecer alguém, ela que arranje outra companhia!

 

-Sandy! Oh, você é mesmo uma amiga! Muito obrigada, salvou minha noite!

 

-Humph! Espero que não me arrependa... nove horas eu passo em sua casa, para pegá-las.

 

-Ok, estaremos esperando!

 

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      Quando toquei a campainha, Rach veio logo abrir a porta, com seu sorriso alvar. Rach era uma garota de minha altura, cabelos ruivos encaracolados, olhos castanhos. Muito simpática e agradável, uma ex colega de faculdade.

 

-Sandy! Entre! � Disse, animada.

 

Entrei e fui apresentada à Dana e Samantha. Dana era alta, de cabelos e olhos castanhos, bem magra. Ela era masculinizada, mas perto de Samantha, ou melhor, Sam, parecia uma lady. Sam vestia-se como um dançarino de rap e podia ser facilmente confundida com um homem, se não fossem os seios grandes. Rach sempre gostava de mulheres bem �butch� (têrmo inglês equivalente à sapatão na nossa língua. Nota da autora). Eu prefiro mulheres com aparência menos andrógina, mais femininas. Como Frances, por exemplo. Oh, droga! Lá vou eu! Frances nem é gay, para eu compará-la com uma!

 

Saímos logo depois. É claro que Rach sentou atrás com sua namorada, e  Sam ao meu lado. Dei partida sob o olhar encantado de Sam, que parecia completamente esquecida da mulher que partiu seu coração.

 

-Puxa! Não sabia que Rachel tinha uma amiga tão bonita! _ Disse Sam, com admiração � Você tem alguém, ou é livre?

 

Eu a fitei com vontade de rir. Sam tinha uma expressão tão idiota no rosto!

 

-Sou livre.

 

Ela sorriu de orelha à orelha, com a resposta.

 

-Oh, realmente? É difícil de acreditar, com a aparência que tem.

 

-Eu não estou interessada em arranjar alguém, Sam.

 

-Não acredito! Você é jovem, para ficar sozinha! O que houve, alguém a feriu e ficou com medo de envolver-se novamente?

 

Até que Sam era esperta... mas neguei. Ela foi o trajeto todo falando sobre a garota que havia perdido para um homem. Senti pena dela. Eu já havia passado por isso e sabia como doía. Quanto à Rach e Dana, suas bocas pareciam coladas por um poderoso adesivo.

 

Chegamos ao bar. Estacionei o carro e entramos. O Bad Girls era um bar-danceteria gay, mas era só frequentado por mulheres.  Era aconchegante, bem decorado com posteres de cantoras com molduras de neon azul sobre a parede negra, dando um belo efeito. A luz negra tornava as mesas com toalhas brancas com um tom luminoso.

 

Era cedo e ainda haviam várias mesas livres. Ocupamos uma e Rach foi  buscar quatro cervejas no balcão.Ela voltou logo depois e bebemos as cervejas observando as dançarinas na pista de dança. Sam convidou-me para dançar e fui para a pista com ela, tentando não mostrar meu desagrado por sua mão possessivamente no meu ombro, dirigindo-me . Se alguém se interessasse por mim, iria desistir, pensando que ela era minha namorada! Felizmente a música era uma salsa cantada por Glória Stefan e não dava para dançar juntas.O máximo que Sam podia fazer era girar-me. Mas a próxima era uma música lenta. Eu me dirigi para fora da pista, mas alguém pegou-me pelo braço. Voltei-me e vi uma mulher alta e loura, de olhos castanhos bem claros, vestida de negro, sorrindo-me. Ela tinha cabelos compridos e seu olhar caiu sobre mim atrevidamente.

 

-Vamos dançar? � Perguntou se inclinando e falando no meu ouvido.

 

Eu a olhei com mais atenção. Os cabelos eram longos, caindo pelos ombros em mechas rebeldes. Trajava calça de couro colante e uma camiseta sem mangas, mostrando os braços esbeltos. Ela era bem feminina, apesar da atitude atrevida. E bem atraente. Sorri para ela.

 

-Vamos! � Respondi, olhando para Sam, que olhou-nos de cara feia, mas não disse nada. Ela simplesmente nos deu as costas e voltou para a mesa. Ótimo.

 

A loura  pegou-me pela mão e levou-me para o centro da pista, tomando-me em seus braços, conservando uma distância discreta. Ela era uma excelente dançarina.

 

-Aquela mulher que estava dançando com você é sua namorada? � Perguntou ela, sorrindo.

 

Eu ri, achando a idéia absurda.

 

-Quem, Sam? Absolutamente não, ela não é meu tipo.

 

-Oh... folgo em saber...

 

Eu a encarei curiosa.

 

-Por quê?

 

Ela tornou a sorrir.

 

-Por que quero fazer um convite à você.

 

-Um convite? Mas eu nem a conheço! É algo mais que outra dança?

 

-Bem... confesso que sim. E nós não nos conhecemos, mas podemos dar um jeito nisso. Sou Brenda Malory, advogada, trinta e dois anos e completamente livre.

 

-Oh!... E eu sou Sandra Letterman, secretária, vinte e cinco anos, livre também. Mas que convite deseja fazer-me, Brenda?

 

-Vamos até minha mesa? Lá conversaremos mais à vontade.

 

-Ok.

 

-Venha � Disse ela, pegando minha mão. Ela levou-me até uma mesa no canto e fez um gesto para eu sentar no sofá acolchoado. Sentei e ela sentou ao meu lado, fitando-me com um sorriso.

 

-É uma moça bem atraente, Sandra.

 

-Obrigada. Agora, diga que convite quer fazer-me. Estou curiosa.

 

-Muito bem, gostaria que me acompanhasse à uma festa.

 

-Uma festa? Onde?

 

-Em um apartamento.Fica na Michigan Avenue, 1500. É um triplex de uma amiga, um lugar seguro, não precisa ter medo.

 

Eu sabia que aquele endereço era de gente com muita grana, um dos mais exclusivos da cidade. Mas tinha meus receios. Eu acabara de conhecer Brenda. E se ela estivesse mentindo para mim?

 

Ela viu minha hesitação e respirou fundo, tirando uma carteira do bolso da calça e me estendendo.

 

-Aqui estão meus documentos, provando que não estou mentindo. Minha carteira de advogada, minha licença para dirigir e seguro social. Isso pode ficar com você, como garantia.Pode verificar tudo.

 

Sem cerimônia, eu olhei todos os documentos. Tudo conferia suas informações. E ainda dois cartões profissionais, com o endereço e telefone dela. Eu devolvi a carteira à ela, tranquilizada. Mas ainda perguntei:

 

-Por que quer que eu vá com você? Mal me conhece.

 

-Não vai se aborrecer em saber a verdade?

 

-Não. A honestidade é sempre bem-vinda.

 

-Pois bem. O caso é que eu tinha um relacionamento de cinco anos e ela traiu-me. Terminamos e agora sei que ela vai à essa festa, a dona do apartamento é nossa amiga. E eu não gostaria de chegar sozinha, pois já soube que ela vai acompanhada. Por issso vim aqui, ver se conseguia uma companhia. Se eu chegar lá com você, estarei confiante e orgulhosa. Pode ajudar-me?

 

-Oh... entendo como se sente... mas, por que tem que ir à festa? Não seria melhor evitar ver sua ex?

 

-Eu tenho que enfrentar isso, Sandra. Eu não vou abrir mão de comparecer ao aniversário de minha amiga por causa de minha ex. É uma grande amiga que tenho e não vou deixar de parabenizá-la. Por favor, venha comigo. Você vai gostar, as festas de minha amiga sempre são muito divertidas. E conhecerá muita gente interessante.

 

-Hummm... está bem. Vou confiar em você. Deixe-me antes avisar minhas amigas. Você está com carro?

 

-Sim, está estacionado na frente do bar.

 

-Você me levaria para casa, no final da festa? Porque pretendo deixar meu carro com minha amiga, ela veio comigo e não tem condução.

 

-Claro, sem problema.

 

Eu fui até Rach e expliquei a situação. Ela olhou para Brenda preocupada. Chamou-me em um canto e censurou-me por acreditar na estranha. Eu contei que havia visto os documentos dela. Brenda aproximou-se e estendeu a carteira para Rach.

 

-Sei que está desconfiada de mim. Não sou nenhuma louca, tarada ou assassina. Pode ficar com meus documentos até Sandra voltar. Eu pego com ela depois.

 

Rach pegou a carteira, olhou tudo, mas   devolveu à Brenda  os documentos.  

 

-Ok, já vi que não é uma pessoa de vida irregular, fico mais tranquila � Disse Rach.

 

-Rach, estou com meu telefone celular � Lembrei à minha amiga � Qualquer problema, eu ligo para você. E você pode ligar-me também.

 

Depois de fazer-me mil recomendações, Rach abraçou-me, se despedindo.

 

-Até amanhã, Sandy. Vou esperá-la em sua casa.

 

-Ok, Rach, obrigada � Respondi, comovida com sua preocupação.

 

E saí com Brenda para a aventura.

 

llllllllllllllllllllllllllllll

 

      O Honda Civic vermelho de Brenda parou diante de um dos cinco   prédios do condomínio fechado onde a amiga dela morava. Eu olhei impressionada para o prédio de cinco andares. Brenda explicou que os prédios tinham um apartamento por andar.

 

Desci do carro e Brenda fitou-me sorrindo, fechando o carro.

 

-Vamos.

 

Eu a acompanhei excitada. Essa festa, como Brenda me havia informado no trajeto, era para sua amiga Joan. Ela era uma fotógrafa de moda e a festa estaria cheia de gente do ramo. Ainda bem que eu havia colocado uma das minhas melhores roupas, um vestido preto curto, que mostrava minhas pernas com meias e minhas costas com um decote sensual, mas não vulgar.

 

Brenda apertou o interfone e identificou-se. A porta abriu e entramos no hall luxuoso. Pegamos o elevador e em minutos descemos no terceiro andar. Uma ruiva alta já esperava com a porta aberta, sorridente.

 

-Brenda! Que bom que veio!

 

Brenda aproximou-se e beijou a ruiva na face, abraçando-a.

 

-Feliz aniversário, Joan! Eu não podia faltar à sua festa!

 

Brenda afastou-se e entregou à Joan um pequeno pacote de presente. A ruiva o pegou, dando um beijo no rosto dela.

 

-Obrigada, querida. O que é?

 

-Abra para ver.

 

Joan olhou para mim, que as observava com um sorriso.

 

-Depois. Primeiro, apresente-me à sua companhia.

 

-Oh, perdão, essa é Sandra Letterman. Sandra, apresento-lhe Joan Ascot.

 

Joan estendeu a mão e eu a apertei, dizendo com um sorriso:

 

-Muito prazer, Joan. E parabéns pelo aniversário.

 

Joan sacudiu minha mão e sorriu . Parecia bem simpática.

 

-Oi, Sandra...Brenda também está de parabéns. Veio muito bem acompanhada. Venham, vamos entrar.

 

Nós a seguimos e entramos no apartamento. O hall de entrada dava para uma sala de estar espetacular, toda decorada em estilo moderno, com cores  em tom  pastel e quadros abstratos com cores vibrantes. Os convidados se espalhavam pela sala dançando, conversando, bebendo, comendo  ou simplesmente namorando.

 

Observei que os homens eram apenas cinco, com a predominância de mulheres. Todos bem vestidos, os homens de smooking e as mulheres com vestidos ou terninhos , mas tudo dentro do bom gosto e elegância. Uma �butch� como Sam ficaria totalmente deslocada ali.

 

Meu olhar caiu sobre um homem que eu nunca esperaria ver ali. Congelei de espanto.

 

Ele ria, dançando com outro homem mais ou menos de sua idade, que sussurrava algo em seu ouvido. Ele afastou-se um pouco e olhou para o parceiro com um olhar inequivocamente apaixonado. Não era possível... ele não era Alan Befford! Devia ser alguém muito parecido com ele!

 

-Sandra, ouviu-me?

 

Fitei Brenda atontada, ainda imersa em meu espanto.

 

-O que disse?

 

-Perguntei o que quer beber.

 

-Oh! Um martini ou vinho, seria ótimo!

 

-Não prefere uma taça de champanhe?

 

-Tudo bem...

 

-Fique aqui, vou apanhar no bufet.

 

Ela se afastou e Joan tomou-me pelo braço.

 

-Venha, vou apresentá-la às pessoas, para que se sinta à vontade.

 

Eu segui Joan sem protestar. Eu ainda estava em estado de choque por ter visto aqueles homens dançando. Seria mesmo Alan Befford, o noivo de Frances? Como era possível ele ser gay e ela não saber?

 

Joan apresentou-me à várias mulheres, mas não gravei o nome de nenhuma, chocada como eu estava. E então, Joan puxou-me até um canto da sala, que tinha três ambientes.

 

-Ah! Vocês estão aí! Sandra, quero apresentar à você o casal mais bonito da festa!

 

Olhei para as duas mulheres que estavam grudadas em um beijo. E minha cabeça pareceu girar, quando vi quem era uma delas.

 

As mulheres riram e se voltaram para nós. E o olhar dela caiu sobre meu rosto. Foi recíproco. O sorriso congelou e logo foi substituído por uma expressão incrédula. Ela empalideceu visivelmente, fitando-me como não acreditasse no que via.

 

-Frances, o que houve? � Perguntou Joan, preocupada � Está com uma cara como se tivesse visto um fantasma!

 

Frances Nikodimou, a filha de meu patrão, a noiva de Alan Belford, tentou sorrir, com fraco resultado. Seu olhar se desviou de mim para Joan e ela falou com voz trêmula:

 

-Não tenho nada, Joan... só uma tonteira, que passou...

 

-Está se sentindo mal? � Perguntou Joan, preocupada.

 

-Não!... Já estou bem...

 

A loura ao lado dela riu, passando a mão no rosto de Frances.

 

-Deve ter sido o efeito do meu beijo � Comentou, brincando � Frances deve ter se sentido indo para a lua!

 

-Bem, se está tudo bem, quero apresentar à vocês Sandra Letterman. Ela veio com Brenda. Sandra, apresento-lhe Frances e Goldie.

 

Frances apenas fez um gesto com a cabeça e a loura sorriu afetadamente.

 

-Oi, Sandra... não deixe Brenda sozinha por muito tempo, aqui está cheio de mulheres solteiras...

 

Eu ia replicar que era apenas uma amiga de Brenda, quando a vi chegar com duas taças nas mãos.

 

-Oh, aí está você... tome uma taça, Sandy...olá, Frances! Olá, Goldie!

 

Frances olhou para Brenda friamente.

 

-Olá, Brenda- Disse, levantando-se. Olhou para Joan, desculpando-se � Bem, tenho que ir embora. Amanhã tenho uma reunião bem cedo com clientes.

 

Joan a fitou surpresa.

 

-Realmente? Por que não disse isso antes, já teria cortado o bolo!

 

Frances sorriu, aquele sorriso que derretia gelo. Pena que era para Joan.

 

-Não se preocupe, guarde um pedaço para mim, que virei amanhã à noite comê-lo, se não tem algum compromisso.

 

-Você sabe que é sempre bem-vinda em minha casa, Frances � Disse Joan � Venha mesmo, estarei esperando-a.

 

Frances fitou-me polidamente, já recuperada da surpresa.

 

-Foi um prazer conhecê-la, Sandra. Boa noite.

 

Fiz o jogo dela, fingindo que não a conhecia:

 

-Igualmente, Frances. Boa noite.

 

E ela afastou-se com Goldie e Joan, que foi levá-la até a porta. Brenda tomou-me pelo braço possessivamente, fazendo-me desviar a atenção delas.

 

-Vamos sentar e conversar.

 

Eu não gostei muito de sua atitude, mas a segui até o sofá que Frances estava momentos antes. Sentamos e Brenda fitou-me com um olhar cheio de ira.

 

-Você viu? Aquela vadia nem falou direito comigo!

 

Eu a fitei confusa.

 

-Quem?

 

-Frances, quem mais? Cadela! Ela e Goldie estão boas uma para a outra!

 

Eu a fitei surpresa. Mais uma que eu não esperava! Frances e Brenda?!

 

-Frances é a mulher que você disse que era sua ex?! � Perguntei, não podendo evitar o tom de incredulidade. Elas eram tão diferentes!

 

-Sim, por que esse tom de dúvida? Ela enganou-me, dizendo que me amava!- Gritou Brenda, com ódio no olhar.

 

-Brenda, controle-se!

 

Brenda fitou-me com desejo brilhando em seu olhar. Parecia fora de si.

 

-Eu estou controlada! Vamos esquecer de Frances e aproveitar a noite � Disse, sorrindo diabolicamente e abraçando-me. Ela tentou beijar-me, mas eu a empurrei colocando a mão em seu ombro.

 

-Alto lá, Brenda! Não pretendo ser uma válvula de escape de sua frustração! Lembre-se que vim aqui como sua amiga!

 

Ela tentou agarrar-me outra vez, mas eu levantei-me e a empurrei mais uma vez, dizendo com desprezo:

 

-Chega, Brenda, está passando dos limites!

 

Brenda fitou-me com raiva e falou com tom rude:

 

-Está me rejeitando? Quem pensa que é, uma princesa? Saiba que tive mulheres bem mais bonitas e de classe que você! � Gritou.E esbofeteou-me!

 

Cambaleei com o golpe e olhei em volta, vendo que nós agora éramos o centro das atenções. Joan aproximou-se e olhou para Brenda com reprovação.

 

-Brenda, não admito que você trate uma pessoa que está em minha casa dessa forma! Eu já perdoei muitas faltas suas, mas tudo tem um limite! Quero que se retire imediatamente, já que não sabe respeitar as regras de boa convivência numa festa!

 

Brenda a fitou empalidecendo.

 

-Está me expulsando?!

 

-Sim. Retire-se agora!

 

Brenda fitou Joan com raiva, mas não perdeu a pose. Empinou o nariz e disse, com ar superior:

 

-Eu já ia embora mesmo! Sua casa já foi bem frequentada, mas agora está cheia de gente sem classe! E você se contaminou! Boa noite!

 

E se afastou sem olhar para ninguém. Uma das convidadas abriu a porta para ela sair e a fechou depois que ela saiu.

 

Joan fitou-me com olhar preocupado. Meu rosto ardia pela bofetada, mas felizmente o golpe não havia quebrado algum dente nem partido meus lábios.

 

-Venha, vamos colocar uma compressa de gelo em seu rosto. Sinto muito por esse procedimento de Brenda, você a conhece há quanto tempo?

 

Eu inclinei a cabeça, envergonhada.

 

-Eu a conheci hoje, numa boate. Ela pediu-me que a acompanhasse como amiga.

 

Joan levou-me até a cozinha e deu-me uma toalha de rosto com uma pedra de gelo dentro, que apertei no rosto. Sentamos e em poucas palavras contei à Joan tudo que Brenda havia me falado. Joan sacudiu a cabeça com desgosto, fitando-me.

 

-Ela é uma mentirosa e paranóica, Sandra. Eu tento ser amiga dela porque a conheço desde minha adolescência, mas está ficando difícil manter essa amizade. Ela tem fixcação por Frances e a persegue com propostas. Frances nunca deu qualquer esperança à ela, mas Brenda inventa para todos que Frances foi amante dela. Estou dizendo tudo isso à você porque acho que não deve perder seu tempo com ela. Você parece ser uma pessoa sensata. Outra, em seu lugar, teria reagido com violência à bofetada que levou.

 

Fitei-a com surpresa, ouvindo aquelas revelações.

 

-Não pretendo falar mais com Brenda, obrigada pelo aviso.Já havia decidido isso depois da agressão que tive, e mais ainda agora que sei que ela mentiu-me, dizendo que sua ex de cinco anos, que a havia traído, vinha à festa acompanhada e ela precisava de uma companhia para vir. E foi uma mentira, pelo que vejo � Falei, com convicção.

 

Retirei-me minutos depois, apesar de Joan insistir para que eu ficasse. Ela chamou um táxi à meu pedido e voltei para casa pensando em tudo que havia acontecido. O que mais me chocara era ter descoberto que Frances e o noivo eram gays! Era inacreditável! Se eu não tivesse visto com meus próprios olhos, não acreditaria! Por que eles eram noivos, se ambos eram homossexuais? Era um disfarce para suas famílias? Tudo levava a crer nisso. Conhecia o pai de Frances e sabia que ele era o protótipo do machão de mente estreita, que achava que a mulher era um ser inferior que só servia para procriar. Infelizmente para ele, só tinha filhas mulheres e Frances era a mais velha das três. Não tinha um filho para ajudá-lo a gerir os negócios, tinha que ser Frances.

 

 Rach estava dormindo quando cheguei e fiz tudo para não acordá-la. Não estava com vontade de conversar e estava cansada. Despi-me e caí na cama, adormecendo em pouco tempo.

 

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Um som irritante penetrou nos  meus ouvidos, atingindo meu cérebro meio adormecido, acordando-me com sua insistência. Abri um olho e estendi a mão para o telefone na mesinha de cabeceira e o trouxe ao meu ouvido, perguntando com voz irritada:

 

-Alô! Quem está ligando-me seis horas da manhã? � Perguntei, com voz rouca  de sono, olhando para o relógio digital.

 

-Sandra, aqui é Martha! Acorde e veja a CNN!

 

Martha é a minha amiga e colega de trabalho, eu a conheço há anos, e sei que não é hábito dela acordar-me  para trabalhar. E sua voz está cheia de excitação.

 

-Martha, o que está na CNN, que a fez acordar-me tão cedo?

 

-Estão noticiando a queda de um avião! Ele vinha de Toronto para Chicago e caiu logo depois de decolar, ontem à tarde! Cícero Nikodimou fazia parte da lista de passageiros!

 

Eu pulei da cama e falei apressada:

 

-Vou ligar a tv! Depois falo com você, Martha, e obrigada por avisar-me!

 

Liguei a tv. Estavam mostrando o local da queda do avião. Só se viam destroços carbonizados do avião. Numa tela menor sobreposta, desfilava os nomes dos passageiros e suas fotos. E lá estava Cícero Nikodimou.

 

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 O funeral do pai de Frances foi uma cerimônia simples e restrita à família e amigos. Eu sendo secretária dele, compareci e dei meus pêsames à família, composta de Frances e duas irmãs,  sua mãe, duas tias e cinco primos. Frances estava como sempre linda, mesmo com aquele rosto sério, impenetrável. O curioso é que nem ela, nem sua mãe, verteram uma lágrima sequer. Achei estranho, sendo uma morte trágica, mas confesso que não pensei nisso muito. Vendo Frances toda de negro, elegantíssima no �tailleur� Armani, com chapéu de abas largas e óculos escuros, não deixava margem para outros pensamentos. E lá estava o insuportável Alan Befford, com o braço sobre os ombros de Frances.

 

Agora que eu sabia que aquele noivado era uma farsa, olhei para ele com vontade de rir. Eles representavam bem o papel de noivos apaixonados. Mas eu sabia que apenas encenavam um amor que não havia. Por que faziam isso? Para a família não desconfiar de suas verdadeiras sexualidades? Bem, era uma hipótese.

 

No dia seguinte, Frances veio trabalhar. Meus colegas sussurravam críticas, notando que ela nem estava vestindo luto, com um conjunto de slacks verde escuro.

 

Ela cumprimentou-me com o bom dia  de sempre, mas dessa vez acrescentando um sorriso. Respondi ao cumprimento atontada, com um sorriso idiota. Meu Deus, que sorriso lindo! Um sorriso como aquele tornava um dia nublado em um dia de sol de verão!

 

Ela chamou-me à sua sala minutos depois e eu fui atender ao chamado com o coração nas mãos. Será que ela ia despedir-me, por ter descoberto a farsa do noivado ela? Esse pensamento atingiu-me como um balde de água fria.

 

Entrei e ela ergueu o rosto, fitando-me com um olhar enigmático.

 

-Senhorita Letterman... sente-se. Precisamos conversar � Ela disse-me, muito séria.

 

Eu assenti e sentei na poltrona diante da mesa. Ela cruzou os dedos das mãos, apoiando os cotovelos na mesa e fitou-me com certa insegurança que surpreendeu-me. Ali não parecia ser uma mulher pronta para despedir-me ou ameaçar-me, mas alguém sem saber como começar a falar. Eu sorri, querendo que ela se descontraísse.

 

 -Eu vou ter que fazer à você uma pergunta de ordem pessoal, para começar. Espero que não se aborreça � Frances declarou, com voz hesitante, fitando-me com receio.

 

-Pode perguntar, senhorita Nikodimou � eu disse, nervosamente.

 

-Bem... soube que você chegou na festa de Joan em companhia de Brenda e que a conheceu em um bar. Posso saber que bar era esse?

 

-O bar Bad Girl � Respondi sem hesitar.

 

Ela ergueu as sobrancelhas.

 

-Um bar gay. Presumo que você é gay, ou estou errada?

 

-Por que quer saber, senhorita Nikodimou? Minha opção sexual é importante para o meu trabalho?

 

Ela passou uma mão nervosamente entre os cabelos. Encarou-me.

 

-Não, mas você viu-me beijando uma mulher. Viu meu noivo dançando com seu amante, viu uma parte oculta de minha personalidade que minha família não conhece. Acho que tenho o direito de saber isso sobre você, para igualar nossas descobertas, não acha? 

 

Eu sorri, entendendo seu receio.

 

-Eu também sou gay, Frances. Não se preocupe, não vou comentar o que descobri sobre você com qualquer pessoa.

 

Ela deu um suspiro de alívio e sorriu. Aquele sorriso brilhante, que derretia gelo, e dessa vez era para mim!

 

-Eu acredito em sua palavra, Sandra. Sempre me pareceu uma pessoa decente. E agora que sabemos o segredo uma da outra, podemos até nos tornarmos amigas, além de nosso relacionamento profissional, não acha?

 

Eu a fitei com um sorriso idiota, emocionada.

 

-Sem dúvida, senhorita Frances.

 

Ela inclinou-se e deu-me um ligeiro aperto em minha mão.

 

-Quando estivermos à sós, pode chamar-me apenas por Frances, ok?

 

-Ok, Frances - Respondi, sorrindo meio divertida com sua encantadora timidez. Eu a encarei e ela enrubesceu, desviando o olhar - Bem, se não tem mais nada a recomendar, posso retirar-me?

 

Ela fitou-me com um sorriso meio malicioso, assentindo. Eu retirei-me sentindo seu olhar em minhas costas, sabendo que à partir daquele dia, nossa relação de chefe- empregada havia mudado para algo muito mais pessoal.

 

 

))))))((((((

 

 

      As sombras da madrugada se projetam em seu rosto adormecido. Ela é belíssima em qualquer circunstância: dormindo, tomando banho, fazendo amor, trabalhando, rindo ou chorando. Eu a fito enlevada, mal acreditando que aquela mulher tão linda é minha. Que me ama profundamente. Sou incrivelmente sortuda.

 

Há quase um ano estamos juntas. E a cada dia que passa, convenço-me que encontrei a minha alma gêmea. O amor   que nos une é forte, ardente, maravilhoso.

 

Eu sorrio, lembrando como tudo começou.

 

Depois daquela conversa no escritório, Frances dias depois convidou-me para sair com ela. Fomos jantar em um romântico restaurante grego e eu senti-me como em um sonho. Uma comida deliciosa, uma companhia deslumbrante, uma conversa interessantíssima. Frances contou-me que seu falecido pai era um tirano, ele traía sua mãe com várias mulheres e dizia que isso era um direito do homem, que as mulheres deviam agradecer de ter um homem para tomar conta delas. Frances não havia abandonado a casa dos pais porque tinha que proteger sua mãe da ira de seu pai, quando bebia e começava a insultá-la e querer agredí-la.

 

Ele fazia pressão para Frances casar-se, dizendo que toda mulher devia ter um homem para cuidar dela. Frances descobriu a solução perfeita para livrar-se da pressão do pai: o noivado com seu amigo Alan, que também era gay e precisava disfarçar sua opção sexual no trabalho. Eles fingiam estarem apaixonados para preservar suas vidas profissionais e familiares. Eram cuidadosos e só se descontraíam nas festas dos amigos.

 

No final da noite, ela levou-me em casa. E na despedida nos beijamos pela primeira vez, depois de nos fitarmos por uns momentos. Que beijo! Os lábios macios e quentes de Frances contra os meus, sugando, a língua acariciando, os suspiros, os corpos se espremendo, era a realização de um sonho meu muito acalentado.

 

Ela separou-se, sorriu e se foi. E no dia seguinte, quando ela  chegou, deu-me um sorriso que parecia me derreter. Ela chamou-me em seu gabinete momentos depois e ela envolveu-me em seus braços, beijando-me arrebatadoramente, declarando que não havia deixado de pensar em mim até o momento. E confessou-me que desde que me conhecera, se sentia atraída por mim, mas não se atrevia a demonstrar o que sentia. Não sabia que eu era gay e tinha medo de seu pai descobrir e a expulsar de casa. Havia então se dedicado a ter aventuras com outras mulheres, como a que vi com ela na festa, mas sem apaixonar-se.

 

Eu a convidei para ir à meu apartamento jantar e nessa mesma noite, após um jantar romântico à luz de velas, eu coloquei um cd com músicas suaves e a chamei para dançar. Quando nossos corpos se encontraram, senti um arrepio percorrer minha espinha dorsal. E no momento seguinte, após uma troca de olhares, estávamos nos beijando com paixão. Dali para a cama foi questão de minutos, porque nosso desejo era muito intenso. E eu me perdi naquele corpo maravilhoso, naqueles olhos magnéticos, naquela boca deliciosa. Nos entregamos loucamente, entre febris frases de amor e gemidos de prazer. Frances era uma mulher ardente e muito experiente na arte de dar prazer e isso me fez enlouquecer. Nos amamos a noite inteira, até o cansaço nos vencer.

   

E agora estou aqui, dormindo nos braços dela, depois de mais uma noite de amor ardente! Ela é o máximo na cama, deixa-me esgotada, com sua fome insaciável de sexo, possuindo-me e sendo possuída com loucura, sem deixar nada para depois. Oh, como tenho sorte! Nunca esperava um dia  ser tão amada pela filha de meu patrão! Mas a vida é cheia de surpresas... e ela é a mais deliciosa surpresa de minha vida.

 

fim

 

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