O POR DO SOL NO EGITO
SARAH ISHTAR
DISCLAIMER
Os personagens de Xena, Gabrielle e os demais que aparecem
nessa estória, são marcas registradas da MCA/Universal e Renaissance.
Eles são usados sem a intenção de lucro ou de infringir
as leis de copyright. O resto da estória foi elaborado por Sarah Ishtar
(JS) e, nenhum aspecto original deste fan fiction poderá ser utilizado
em outro lugar sem prévio consentimento, por escrito, da autora. Esse
texto não poderá ser alterado e esta informação
sobre direitos autorais deve sempre aparecer com o mesmo. A estória a
seguir contém temas adultos, insinuando relações entre
duas mulheres adultas. Se você for menor de 18 anos, ou onde mora é
proibido ler esse tipo de material, por favor, não continue. A escritora
e a pessoa que mantém o website onde esse trabalho aparece não
aceitam a responsabilidade legal pelo não cumprimento desse alerta.
NOTA DA AUTORA
Esse texto foi redigido em 2001 e passou por uma revisão
antes de ser publicado nesse site.
Após a leitura do texto �Um Lugar Especial�,
sendo Ferdi a autora, comecei a questionar QUANDO Gabrielle e Xena se tornaram
mais que amigas. Acredito que o relacionamento entre as duas possui um envolvimento
sexual e amoroso. Baseando-me nesse tema, comecei a fazer algumas reflexões
e análises dos episódios. Há várias possibilidades,
aqui nesse fan fiction está uma que achei plausível, respeitando
a seqüência do seriado.
Outro ponto de esclarecimento diz respeito ao tempo
cronológico do seriado. Fundamentei-me principalmente na primeira e segunda
temporada para mostrar quando o relacionamento entre as protagonistas começou.
Contudo, utilizei também a quinta temporada na elaboração
desse texto, baseando-me no episódio �Antony & Cleópatra�, como ponto de partida para tratar do tema em questão.
No final do fan fiction há duas seções
chamadas �Agradecimentos e Declaração de Morte�. Foi uma maneira
que encontrei para agradecer e satirizar as pessoas ou situações
que atrapalharam ou me ajudaram na elaboração do meu texto.
OBS: Qualquer dúvida, comentário, crítica
construtiva e sugestão, mande um e-mail para a autora: [email protected]
Espero que vocês gostem dessa estória e
desejo uma boa leitura.
Um grande abraço, paz e felicidade.
SARAH ISHTAR
CAPÍTULO 1
Xena
se encontra deitada de lado, na enorme cama cheia de almofadas em um dos
aposentos do palácio de Cleópatra. Ela usa uma veste egípcia,
por ser mais confortável, ao invés da sua tradicional roupa.
O quarto é imenso, com vários móveis e esculturas de
deuses egípcios, além de ser bem arejado e muito confortável.
Nesse aposento, a guerreira olha fixamente para a parede que contém
diversos desenhos contando a história daquele império. Contudo,
Xena não possui nenhum interesse nos traçados e nos seus significados,
porque seus pensamentos estão em sua doce e amada poetiza.
A princesa precisa entender seus próprios anseios,
pior, tentar explicar para Gabrielle o que ela não consegue explicar
para si mesma. Por causa disso, decidiu permanecer mais um dia no Egito;
para refletir; mesmo morrendo de saudades de sua filhinha, que deixou em
Alexandria com sua mãe.
A guerreira tenta imaginar onde a Gabrielle está,
porque desde que se despediu de Otávio pela manhã não
encontrou mais com sua barda. Gabrielle é uma pessoa muito sensível
e está sofrendo com essa situação, e Xena sabe disso,
por isso a princesa também sofre, uma vez que magoou a pessoa que
mais ama nesse mundo. Mas, conhecendo-a do jeito que conhecia, Xena prevê
que mais cedo ou mais tarde Gabrielle aparecerá para conversarem,
querendo respostas, e esse era seu medo, já que como explicará
para sua amada aquilo que não tem explicação?
Como essa expectativa aflige Xena! Mas não é
só isso, os últimos acontecimentos transtornaram por demais
a princesa guerreira. A perseguição dos deuses, a morte de
sua amiga Cleópatra, a batalha naval provocada por ela na voz do
Nilo. Porém, apesar de tudo, o que realmente a perturba são
os seus sentimentos confusos. O problema é que Xena teme que a Gabrielle
não entenda os conflitos pelo qual está passando: ama sua
poetiza, mas sentiu desejos por outros... Pelo deus da guerra... Pelo romano...
Enfim, a rainha amazonas deixou passar
em branco o joguinho com Ares em Amphipolis. Tentou até esconder
seu despeito, mas Xena conhece Gabrielle, sabe que esse sentimento está
corroendo-a por dentro. A princesa também possui o conhecimento que
desta vez Gabrielle não irá ignorar seus ciúmes e,
que mais cedo ou mais tarde, ela aparecerá para perguntar sobre o
que realmente aconteceu entre Xena e Marco Antônio, e disso, a guerreira
não tinha como escapar ou negar. Logo, esse é o motivo das
duas estarem separadas, visto que, precisam cada uma pensar como enfrentarão
esses dilemas: como Gabrielle controlará seus ciúmes? E como
Xena controlará seus desejos? E se fosse o inverso?
Tantas são as questões que afligem a alma da
princesa guerreira e tamanha é sua angustia, que por fim, a impaciência
a fez levantar da cama. Dirige-se para a janela, para tentar suportar sua
dor e clarear suas idéias. Respira fundo ao olhar o pôr do
sol. Lembra das palavras de Marco Antônio: �Você conquistou
minha confiança... Meu amor... E depois me traiu... Eu te amava�.
Depois surgem as palavras de Gabrielle: �Cuidado! Ele é seu tipo!�
Por conseguinte, Xena se interroga. �Como pude sentir algo pelo romano?...
A Gabrielle me avisou, mesmo assim desejei esse homem... Por que esse sentimento
me abalou?... A idéia de ver um homem tão poderoso apaixonado
pela minha pessoa me comoveu tanto assim? Por quê?... A quem estou
enganando... Ele não me amava; amava Cleópatra... Minha amiga,
morta por causa da ganância de terceiros... COMO PUDE ME ENVOLVER
TANTO... COMO PUDE MAGOAR A GABBY...�. Xena dirige novamente seu olhar para
o pôr do sol, talvez lá encontrasse suas respostas. Entretanto,
ela ainda não havia parado para reparar como é magnífico
aquele alaranjado, quase vermelho que está escondendo-se atrás
das pirâmides, como se fosse o próprio olho de Ísis,
olhando seus domínios antes do cair da noite... Xena sussurra: Gabrielle,
onde você está?... Por favor, me perdoe... Como eu queria que
você estivesse aqui comigo!
Várias recordações e reflexões
inundam a mente de Xena...
�Como o tempo passa rápido. Parece que foi ontem...
Aquela loirinha parada na minha frente, implorando para me acompanhar...�.
Um sorriso aparece nos lábios da princesa... �Querendo aventuras,
conhecer lugares, ajudar as pessoas... Ser minha amiga...�.
Gabrielle: �Tem que me levar com você e me ensinar
tudo que sabe!... Não pode me deixar aqui...�.Relembra Xena�
�No início, senti uma grande admiração
por aquela criança. Sua meiguice, sua companhia, sua inocência...
Sua pureza... Sua cumplicidade... Seu amor... Uma vez ou outra, era um pouco
infantil... Mas ninguém é perfeito... Entretanto, Gabrielle
me mostrou que o verdadeiro poder provém do amor... Já com
relação à infantilidade... Gabby passou dessa fase.
Tornou-se uma mulher madura, mas sem perder sua meiguice e senso de humor,
apesar de todo sofrimento que passamos juntas... Pelos deuses eu morreria
por ela...�.
A
amizade da princesa guerreira foi se transformando em amor através
da convivência. No início, ela lutou contra esse sentimento,
pois não sabia como Gabrielle reagiria se soubesse, por causa da
sua inocência e inexperiência, portanto, Xena preferiu sofrer
por um amor platônico, ao invés de se declarar para a poetiza,
assim não correria o risco de perde-la.
�Como
sofri... Quantas vezes eu lutei contra o impulso de poder acariciar aquele
rosto... Beijar aqueles lábios... Tocar aquele corpo...�.
Quando
a guerreira bateu na barda em um ataque de raiva, provocado por Ares, Gabrielle
a perdoou. Aqui foi o início se um sentimento puro que a princesa
nutriria pela poetiza por toda sua vida. Contudo, Xena era emotiva, não
conseguindo esconder seus ciúmes se alguém se aproximasse
de sua amada. Aconteceu isso quando Xena se deparou com uma cena que a marcou
por muito tempo. Ela encontrou sua barda deitada com um jovem chamado Philius,
em uma aventura na qual lutou contra os titãs libertados por Gabrielle.
A idéia de vê-la nos braços de outro fervia seu sangue.
Tentou fugir de seus anseios nos braços de Hércules, achando
que voltando para um amor antigo pudesse esquecer esse amor que estava florando
em sua alma, mas foi impossível, visto que sua amada ficou nos braços
de Iolaus.
�Que
tolice... Tentar esquecer minha alma gêmea nos braços de outro...
Não é somente a Gabrielle que sente ciúmes por aqui.
Quantas vezes já não senti vontade de acabar com algumas pessoas
que chegavam perto dela. Até com o meu ex-noivo Petracles. É
verdade que ele era um mentiroso, mas no fundo era uma boa pessoa. O que
teria acontecido se eu tivesse me casado com ele?... Bom é melhor
nem pensar nisso�.
O
tempo passava e Xena se apaixonava cada vez mais. Sofreu ao ver a forte
atração que Gabrielle sentiu pelo jovem Talus. No entanto,
quando salvou Celesta do rei Sisyphus, Gabrielle descobriu que Talus estava
muito doente, ficando desesperada. A guerreira se entristeceu ao ver a amiga
perder alguém querido. Mesmo a amando, preferiria ver sua barda nos
braços de outro e feliz, ao invés de presenciar seu sofrimento.
Porém, no momento que o jovem foi levado pela morte, a poetiza procurou
consolo abraçando Xena que ficou um pouco sem jeito e surpresa. Mas
por fim, considerou aquela atitude de Gabrielle como um presente dos deuses,
por poder toca-la e protege-la, mesmo naquela situação.
�Que
sensação maravilhosa... Fiquei totalmente desconcertada...
Eu sei que Gabby estava sofrendo... Preferiria morrer a presenciar isso...
Mas foi impossível evitar minhas emoções e meus pensamentos...
Tentei controla-los, pelo menos para que Gabrielle não percebesse...
Foi quase impossível...�.
Como
Gabrielle estava profundamente amargurada pela morte de Talus, Xena aceitou
o convite da rainha Merope de passar aquela noite no castelo do falecido
rei Sisyphus, pois a rainha, mesmo com a morte de seu bom rei, entendeu
que a hora de Sisyphus havia chegado e que ele agiu mal ao prender Celesta.
Por isso, queria mostrar seu arrependimento, por ter ajudado seu marido
nessa insana atitude de ter aprisionado a morte, e já que a guerreira
não aceitava recompensa, o mínimo que Merope podia fazer era
oferecer uma confortável cama, para que a jovem poetiza pudesse descansar
e aceitar a morte de Talus.
�Passar
a noite nos castelo de Sisyphus foi a melhor coisa naquela situação.
Foi a primeira vez que vi minha amada tão abatida. Gabrielle que
era e sempre será minha luz, precisava de consolo�.
Naquela
noite Gabrielle se encontrava no quarto, desolada em cima da cama. Vestia
sua tradicional roupa: saia e blusa marrom com detalhes azuis. Xena não
se achava no local, saiu momentaneamente, indo buscar algo para a amiga
comer. Ao voltar, percebeu que a barda não havia se mexido, continuando
no mesmo alinhamento, ou seja, deitada na posição fetal. O
coração da princesa se comprimiu dentro do peito ao ver a
enorme tristeza de sua amada, nunca a viu dessa maneira. A guerreira se
aproximou, em seguida sentou na beirada da cama e comentou:
Xena:
Trousse algumas frutas, pão, queixo, vinho e alguns docinhos. Ao
falar, apontou para a bandeja que deixou em cima da mesa.
Gabrielle
nem sequer olhou para Xena ou para a bandeja. Continuou deitada de lado
na beirada da cama, olhando para o nada.
Xena
passou sua mão pelos cabelos de Gabrielle e comentou de uma maneira
suave.
Xena:
Vamos Gabrielle, come alguma coisa... Vai, por favor... Você não
come nada há horas.
Gabrielle
entristecida: Não tenho apetite. A barda enxugou algumas lágrimas
que caíram de seus olhos.
Xena
afetuosa: Certo, se é assim que você quer, deixarei a comida,
caso tenha fome mais tarde. Tudo bem?
Gabrielle
apenas balançou a cabeça.
Xena
suspirou, não podia fazer mais nada, porém tinha esperança
que pela manhã a poetiza estivesse melhor, talvez comesse alguma
coisa.
Xena:
Agora vou para o meu quarto, para você poder descansar. Mas quando
a princesa começou a se levantar Gabrielle a impediu segurando seu
antebraço.
Gabrielle:
Não... Por favor, fique aqui comigo... Não quero ficar sozinha.
Disse angustiada.
Xena
se deparou com aqueles olhos verdes e tristes. Acariciou o rosto da barda
e em seguida beijou sua testa.
Xena:
Você quer que eu fique até você adormecer?
Gabrielle:
Não... Por que não quero acordar à noite e perceber
que você não está aqui... Eu gostaria que você...
Dormisse comigo... Por favor.
Xena
sorriu docemente e respondeu: Claro! Nunca deixarei você!
Mas
antes de se deitar, para dormir mais confortável, Xena tirou sua
roupa, ficando somente com a de couro usada por baixo do traje de guerreira.
Gabrielle apenas a observou. Ao terminar, a princesa deitou no espaço
concedido pela poetiza. Esta por sua vez, apoiou sua cabeça em cima
do ombro da amiga, colocando seu braço por cima do abdômen
da mesma.
Naquela
noite ocorreu uma coisa que nunca ocorrera antes, era a primeira vez que
Xena tinha Gabrielle em seus braços. Pensando nisso, começou
a acariciar os cabelos sedosos da poetiza. Xena nunca se mostrou tão
carinhosa, mas também Gabrielle nunca se mostrou tão vulnerável.
Xena sentiu o perfume dos cabelos da jovem. Gabrielle dormiu rapidamente,
mas a princesa não. Ela quis sentir a barda em seus braços
o máximo de tempo possível, desejando que Cronos, o deus do
tempo, estivesse ali para que esse momento durasse para sempre, mas o cansaço
pesou e, algum tempo depois, Xena adormeceu.
Amanheceu
e Xena despertou. Notou que mudou de posição. Estavam as duas
deitadas de lado, Gabrielle na frente e Xena atrás. A princesa estava
com o braço por cima do corpo de sua amada. Ao perceber isso, se
aproximou mais, para sentir toda a suavidade de Gabrielle, contudo, notou
que tal atitude foi um erro. A poetiza acabou se mexendo, mudando de lado,
ficando com o rosto a poucos centímetros da face de Xena. Por pouco
a princesa não roubou um beijo da barda e, se isso acontecesse, talvez
perdesse Gabby para sempre. Xena se levantou de tal maneira, tão
bruscamente, que acabou acordando Gabrielle.
Gabrielle
sonolenta: Já amanheceu... Ah, mas eu me recuso a levantar.
Xena
que estava de costas para a cama, pegando suas roupas, transtornada por
quase não ter conseguido controlar seus impulsos, sorriu quando ouviu
a voz da poetiza, alegrando-se com o tom de brincadeira de Gabrielle.
Xena
virou seu corpo em direção a cama. Seus olhos azuis se encontraram
com os olhos verdes de Gabrielle. Por um momento contemplou sua barda, que
estava retribuindo o sorriso da guerreira.
Xena
sentou na beirada da cama e disse afetuosamente: Me desculpe, não
queria ter acordado você. Como está se sentindo?
Gabrielle
elevou seu tronco e sentou na cama: Estou me sentindo bem melhor hoje. A
poetiza mentiu, estava triste e angustiada, mas não quis preocupar
Xena. As duas tinham que continuar a viagem e Xena não faria isso
até que a jovem estivesse melhor.
Xena: Tem certeza?
Podemos ficar mais um dia se você quiser.
Gabrielle: Vai
demorar um pouco para aceitar o fato de um homem tão bom e jovem
ter sua vida interrompida.
Xena: Não
havia escolha, ele estava muito doente, sentindo muitas dores, sabia que
o melhor era ir com Celesta. Ele está melhor agora.
Gabrielle: Talvez...
Eu vou superar isso, só preciso de um pouco de tempo. Ficando aqui
não vai adiantar em nada... Temos que continuar com nossas vidas
Xena.
Xena acariciou
o rosto da Gabrielle, aliviada com suas palavras, em seguida perguntou:
Está com fome?
Gabrielle que
estava com a barriga roncando respondeu: Estou faminta.
Xena levantou
para buscar a bandeja com comida que deixou em cima da mesa, feliz ao ver
que o apetite de sua amiga havia retornado: Não é para menos,
você não comeu nada ontem.
Gabrielle em tom
de brincadeira: Sabe Xena, apesar de tudo que aconteceu, até que
está sendo bom ser paparicada por você.
Xena retornando
com a comida respondeu de uma maneira bem amorosa: Só paparico quem
merece.
�Não era
somente o ciúme que me incomodava... A idéia de perder Gabrielle
é aterrorizante... Lembro de quando ela decidiu partir, voltar para
Potedaia, depois de ter ficado em choque em uma situação de
perigo, aonde uma carroça veio em nossa direção e ela
ficou sem reação... Ou quando decidi pegar o caminho mais
curto para Atenas e, por causa disso, Gabrielle e eu ficamos no meio da
guerra entre Thessalians e Mitoans, onde Gabrielle quase morreu... Ou quando
Gabby casou com Perdicus... Ou quando Gabrielle caiu com Esperança
na lava... CHEGA...�. Xena não consegue mais pensar nas situações
que quase perdeu a poetiza. Olha mais uma vez para o pôr do sol. �Em certas coisas
é melhor nem pensar... Porque só de imaginar que eu poderia
ter ficado sem aquela pequena... Sem sua alegria... Sem sua luz... Sinto
um arrepio na espinha... Por isso, ao pensar em Gabrielle, é melhor
pensar só nos bons momentos... É... SÓ OS BONS MOMENTOS...�.
�Lembro de uma
vez, quando ela me pediu para ensinar-lhe a pescar... Que inocência!...
Gabrielle implorando para parar, porque estava com fome... Que novidade!...
Achamos um lago... Estava quente... A loirinha foi tirando a roupa e se
jogando nas águas...�.
Gabrielle: Xena!
Eu estou com fome! Foi a oitava vez que Gabrielle havia falado isso. A guerreira
já estava ficando impaciente.
Xena um pouco
nervosa: Já sei Gabrielle! Tem um lago por aqui. Você pode
esperar, por favor.
Gabrielle resolveu
provocar a guerreira: Xena, eu não estou apenas com fome. ESTOU FAMINTA!
Xena que estava
em cima de Argo parou o cavalo e olhou para trás e encontrou Gabrielle
com a mão na cintura encarando a guerreira.
Gabrielle provocativa:
O quê? Será que ficar com fome agora é crime!
Xena que nesse
dia se encontrava de bom humor respondeu: Não, mas logo será,
pois estou quase cometendo um assassinado.
Gabrielle argumentou
e se defendeu: Você não teria coragem... Quem que iria escrever
sobre você, cozinhar, limpar, fazer companhia, contar estórias...
Xena: Certo, já
entendi. A guerreira voltou a cavalgar.
Gabrielle que
naquele momento caminhava ao lado de Xena e de Argo comentou: Viu... Comigo
não tem argumento. Então... Falta muito para esse tal lago...
É porquê...
Xena: Ok... Já
sei... Você está com fome.
Gabrielle brincou:
Agora você deu para ler pensamentos?
Xena se segurou
para não ri: Sabe de uma coisa Gabrielle... Estou com uma ligeira
impressão que você está repedindo essa frase, só
para me irritar... Porque, se eu a ouvir novamente só vou parar na
próxima cidade.
Gabrielle malcriada:
Então eu repetirei �Eu estou com fome� até chegar na próxima
cidade.
Xena se rendeu:
Está certo. Sobe no Argo que acharemos esse lago mais rápido.
Gabrielle sorriu
vitoriosa.
�É
impressionante, contra Gabrielle não há como contestar�. Pensa Xena, que
não se cansa de contemplar o pôr do sol e de lembrar da poetiza.
Elas finalmente
acharam o lago. Gabrielle foi logo descendo do Argo. Começou a tirar
sua roupa e a pendurar em uma árvore próxima. Xena ficou paralisada.
Gabrielle se virou e a chamou:
Gabrielle: Vem
Xena. A água parece estar ótima.
Xena: O que...
Ah... Já estou indo.
Gabrielle completamente
nua correu até as águas, um pouco fria, mais muito refrescante.
Xena entrou em
um estado de puro êxtase. Não era a primeira vez que Gabrielle
nadava completamente nua, mas toda vez que isso acontecia se tornava cada
vez mais difícil para a guerreira suportar.
Gabrielle: Vamos
Xena...
Xena descendo
do Argo: Calma, vou tirar as minhas roupas.
Xena começou
a tirar sua roupa de guerreira, Gabrielle dentro do lago a observava. A
princesa notou isso e ficou corada. Gabby começou a rir.
Gabrielle irônica:
Qual é seu problema? Está com vergonha de mim? Justamente
você! Flagelo de nações!
Xena que ainda
estava com sua roupa de couro, colocou sua mão na nuca, era um sinal
de embaraço. Em seguida respondeu: Eu não estou com vergonha
de você.
Gabrielle: Então
por que você ficou toda vermelha?
Xena tirando a
roupa de couro: Deixa se ser boba Gabrielle... Você vai querer o peixe
ou não... Não era você que estava me atormentando por
estar com fome?
Gabrielle: Por
que você sempre faz isso?
Xena: Faz o quê?
Gabrielle: Foge
de um assunto com outro.
Xena: Não
estou fugindo de assunto nenhum.
Gabrielle: Então
por que você ficou com vergonha de mim? Anda, responde!
Xena ficou com
receio de responder: É... Porquê...Porquê...
Gabrielle: Porqueeeê...
O quê?
Xena encabulada:
Você estava me olhando.
Gabrielle riu:
Só por causa disso! Eu sempre olhei para você... Te acho bonita!
Xena ficou mais
vermelha: Tá bom... Quer comer ou não... Se não, coloco
minhas roupas de volta.
Gabrielle preferiu
não continuar com o assunto, apesar de achar estranho e, ao mesmo
tempo, engraçado a reação da guerreira.
Gabrielle: Sabe Xena... Você
poderia me ensinar a pescar com as mãos.
Xena entrando
no lago: Isso vai demorar muito.
Gabrielle: Vai
Xena, por favor. O dia está lindo, vamos aproveitar.
Xena se rendeu
para aquele sorriso: Está bem.
�Essa Gabrielle!...
Somente ela e capaz de me desnortear... Anos de treinamento para controlar
minhas emoções e reações... Vai tudo por água
abaixo com um simples sorrido dela... São esses pequenos momentos
da vida, junto com a Gabby, que foram os mais felizes... Agora com mais
um membro na família... Minha Eva... Não poderia ser melhor...
Claro! Se os deuses parassem se perseguir-la, melhoraria muito... Mas não
se pode ter tudo...�.
�E nossa primeira
noite... Nossa!... Eu fiquei tão nervosa... Eu poderia lutar com
gigantes, exércitos e até contra os deuses, que eu conseguiria
manter a calma... Mas ao ver a luxuria... Desejo nos olhos de Gabrielle...
Eu fiquei sem ar... Lembro que...� De repente, Xena ouve alguém chamando por
seu nome...
CAPÍTULO 2
Shiana
entra no quarto para avisar que todos os preparativos da partida de suas
amigas já foram providenciados, entretanto, encontra Xena mergulhada
em pensamentos olhando o pôr do sol da janela. Shiana pára
um pouco e a observa, receosa em atrapalhar suas reflexões, mas por
fim decide chamá-la:
Shiana:
Xena!
Xena
vira-se para a porta e encontra Shiana com um sorriso nos lábios.
Xena retribui o sorriso e diz: De todas as terras que já estive,
nunca vi um pôr do sol como esse.
Shiana:
Eu costumava admira-lo com a minha amada.
Ao
dizer isso caminha até a janela para contemplar junto com a Xena
esse maravilhoso espetáculo.
Xena:
Você a amava muito, não é? Ao perguntar, Xena vira a
cabeça para olhar nos olhos de Shiana.
Shiana
também olha diretamente nos olhos azuis de Xena e responde: De todo
o meu coração. Cleópatra não me tratava como
uma simples dama de companhia, mas como uma amiga, confidente e amante.
Era a pessoa mais doce e amável, ao mesmo tempo em que era a mais
forte e implacável. Dedicava-se de corpo e alma para o bem de seu
povo. Não poderia ter existido melhor governante. Tratava bem quem
merecia e punia severamente aqueles que tentavam tirar aproveito da sua
confiança.
Xena:
Ela era mesmo uma pessoa muito especial. Não se corrompeu com o poder.
Xena volta a admirar o pôr do sol.
Shiana:
Xena, Cleópatra te estimava muito, deste o dia em que você
evitou o seu assassinado, quando ela esteve na Grécia.
Xena
em tom de lamento: Eu gostaria de ter chegado ao Egito antes, talvez pudesse
ter evitado sua morte... Já estava a caminho. Acabei encontrando
o seu mensageiro no meio da viagem, senão demoraria muito mais tempo
para ter chegado.
Xena
pára e respira: Talvez não conseguisse evitar a guerra civil
em Roma... Parecia que eu estava adivinhando.
Shiana
fica furiosa, dá um passo para ficar na frente da guerreira, não
podia permitir que Xena se culpasse, ela havia feito muito pelo Egito e
pela memória de Cleópatra, por isso começa falando
de uma maneira áspera, mais do que esperava, mas em seguida suaviza
sua voz.
Shiana:
Não havia nada que você poderia ter feito. Brutus foi muito
cuidadoso e inteligente ao colocar aquela cobra dentro da mensagem. O que
você poderia ter feito já fez... Ajudou a forjar uma união
pacífica entre Roma e Egito, colocou uma pessoa de bom caráter
no comando de Roma, além de evitar uma grande guerra civil, onde
milhares de romanos inocentes poderiam ter morrido, por causa da ganância
de pessoas inescrupulosas como Brutus e Marco Antônio.
Xena: Marco Antônio!
Ao
dizer isso com um sorriso forçado; com um tom de voz triste e baixo,
Xena pára de contemplar o pôr de sol, e caminha até
a cama.
Shiana:
Você apaixonou-se por ele?
Xena
vira-se e responde agressivamente:
Xena:
Não!!!
Shiana
caminha até Xena.
Shiana
fala calmamente: Então por que ele te perturba tanto?
Xena
transtornada: Eu senti atração por ele. Em seguida debochando:
Tenho uma pequena queda por cafajestes!
Shiana:
Ah! Eu entendo! Não é o fato de você tê-lo traído
que te incomoda, mas o fato de tal atração ter magoado a Gabrielle.
Nesse
instante entra alguns serviçais pedindo permissão para acenderem
algumas tochas. Entram também algumas mulheres trazendo frutas e
vinho. Shiana acena a cabeça como aprovação, em seguida,
chama um dos serviçais e lhe diz alguma coisa. Rapidamente eles fazem
suas obrigações e se retiram.
Xena senta na
cama. Shiana havia lido sua alma naquele momento. A princesa sabe que Gabrielle
está em algum lugar daquele palácio, achando que seu amor
por ela estava acabando. Grande engano. Xena nunca havia encontrado pessoa
tão doce, companheira e dedicada como Gabrielle. Ela ama de corpo
e alma sua barda.
Shiana
senta-se ao lado de Xena. Sente que essa grande guerreira está deprimida.
Ela sabia o que era perder alguém querido, por isso compreendia o
medo da Xena de perder a Gabrielle. Ela também possuía essa
angústia, esse sentimento de vazio, desde o assassinato de Cleópatra,
contudo sentia-se melhor porque havia cumprido sua promessa: viu punidos
os assassinos de sua amada, apesar de Marco Antônio não ser
o mandante do crime, Shiana o considerava tão culpado quanto Brutus.
Xena
vira o rosto para o lado da amiga. Estava muito fragilizada, mas apesar
disso, sente-se à-vontade para conversar com Shiana.
Xena:
Nunca conversei com ninguém sobre meu relacionamento com Gabrielle.
Por acaso você conversou alguma coisa com a Gabby? Pergunta serenamente.