União Forçada
Mariah Galveia
Atenção: Essa história contém sexo entre mulheres, não sendo recomendada a leitura para menores de 18 anos.
Escrevi esse conto especialmente como uber sobre duas heroínas do tempo dos deuses antigos.
Trata-se de uma história de ficção científica que se passa em 4047, tendo como tema central o romance entre duas mulheres.
Peço que me deixem saber o que estão achando desse conto. Enviem-me e-mail com criticas ou sugestões.
Essa história será contada em 14 capítulos que serão postadas duas vezes por semana, segundas e quintas.
Posso garantir que não deixarei as leitoras curiosas e irritadas com um conto sem um último capítulo, pois a história já está pronta.
Espero que gostem!
Para Juliana, com amor
Prólogo
Ninguém se metia com Lucelle Francis Roussel. Só Arthur, seu mordomo idoso ousava desafia-la:
--- Não acredito que tenha se apaixonado por ela! Essa garota está morta!
--- Sim, está. Por enquanto...
--- Se olhe no espelho senhora Lucelle! Nunca vi uma mulher mais bonita! Alta, morena, com esses cabelos negros que lhe caem lisos até a cintura e essa franja que te deixa com ar sexy, esse seu corpo perfeito e por último, mas não menos importante: Esses estonteantes olhos azuis!
--- Arthur! Se você não fosse gay, começaria a me preocupar agora! --- disse a morena dando risadas
--- Não quero que você sofra mais, Senhora. Desculpe a franqueza, mas você já tem trinta e dois anos, e já faz seis que se separou daquele seu marido ordinário. Quero vê-la feliz, e de preferência com alguém que esteja respirando!
Lucelle atirou uma almofada nele e deu risadas:
--- Ela voltará a respirar. Dr Fannesi é muito competente. E assim que ela voltar a viver voltarei a Terra para desposá-la e depois a trarei aqui pra Vênus para que você veja como ela é linda. Um anjo! --- disse suspirando
--- Tudo bem, tudo bem... Mas você sabe que está em missão. E não poderá voltar a Terra a menos que acabe o trabalho para o governo.
--- Não me importo, prefiro morar aqui mesmo. Depois de nos unirmos em matrimônio, trarei Mariana para morar aqui conosco, nessa casa!
--- Mariana... Então esse é o nome do seu anjo? Que nome estranho! Também para alguém com mais de dois mil anos! --- divertiu-se Arthur --- Agora conte-me, Senhora, como foi que tudo isso começou?
Tudo havia começado num dia de muita chuva. Chuva ácida. A cidade de cima estava totalmente parada e as pessoas eram obrigadas a andar pelo subsolo para se protegerem. Era uma época muito propícia para todos os habitantes do planeta Terra. Os sobreviventes de todos os desastres causados, tanto pela natureza, quanto pelo homem, eram poucos; portanto a renda era igualmente dividida e ainda sobrava para que fosse esbanjada. Era uma época de homens e mulheres ricos.
Lucelle Francis Roussel conseguia ser ainda mais rica e poderosa, trabalhava como espiã para o governo e era amiga pessoal do governador universal. Ninguém se metia com ela.
Lucelle estava em reunião com o Dr. Fannise no Centro de Criogenia Sampaio. Discutiam sobre os novos projetos para pessoas que estavam morrendo de uma doença perigosa, conhecida em Vênus.
--- Como vê Senhora Lucelle, temo que nossa medicina nada possa fazer contra essa doença. Os testes que fiz com cadáveres vindos de lá em nada deram. Ficam vivos por dois ou três dias e depois morrem de novo.
--- Gostaria de ver os corpos, Dr. Fannesi, se não se importa.
--- Não me importo, queira acompanhar-me até a sala de congelamento.
Lucelle o seguiu até uma sala enorme no 135° andar, toda transparente que abrigava inúmeras cúpulas de vidro. Passaram por inúmeras. Pelo vidro Lucellle podia ver o rosto das pessoas mortas que ali se encontravam.
--- Sabe que o governo pediu o descongelamento e o enterro desses corpos, não sabe Dr. Fannesi?
--- Sim eu sei, e já estamos começando a fazê-lo. Temos mais 10 dias de prazo para acabarmos logo com isso. Mas sinto pena dessas pessoas, afinal pagaram pelo serviço, portanto não é justo que venham a ser enterradas. Ficaram congelados todos esses anos na esperança de um dia voltarem à vida. Todos os corpos de todas as clínicas de criogenia do mundo que faliram com o tempo ou que tenha acontecido outro problema qualquer foram trazidos pra cá. Esses três, por exemplo --- disse apontando para a ala direita da sala --- Tem mais de dois mil anos que estão congelados. Amanhã essas pessoas estarão sendo enterradas.
--- Imagino que esses corpos são de pessoas que morreram em acidentes graves. E por isso ainda não puderam passar pelo processo de recuperação do corpo e consequentemente trazidas de volta à vida.
---Isso mesmo, Senhora Lucelle.
Caminhando por entre as três cúpulas, uma em especial chamou a atenção de Lucelle. Parou de frente pra ela. Sentia uma emoção forte que fazia seu peito apertar-se e doer.
--- Algum problema, senhora Lucelle? --- quis saber o Dr. Fannise parando próximo a ela
--- Essa menina... --- disse com a voz emotiva ---Quem é?
O Dr Fannesi apertou alguns botões numa tela ao lado da cúpula e fez aparecer dados completos sobre a menina. Por não saber o quanto da memória seria preservada, os clientes que desejavam se submeter ao processo de congelamento após sua morte, deveriam responder um extenso questionário com coisas tais como sobremesa favorita, nome do animal de estimação, entre outras.
--- Mariana Carreth Braga. Loira, 1, 63m de altura, olhos verdes. --- leu na tela em voz alta ---Nascida em 1987. Morta em 31 de março do ano de 2006. Causa da morte: Acidente automotivo.
--- Ah! --- exclamou Lucelle
--- Bonita, não é mesmo? --- comentou Dr Fannise --- O acidente não prejudicou em nada esse rostinho lindo. É pena que tenhamos que descongela-la e enterra-la...
--- Não! Não pode fazer isso com ela! É apenas uma menina!
--- Não posso fazer nada Senhora Lucelle. Ordens do governo.
--- Mas eu posso! --- disse decidida --- Quero que a descongele e faça o tratamento padrão para reanimar o corpo dela.
--- Mas Senhora Lucelle, só tenho autorização para ressuscitar pessoas que morreram ainda neste século. E essa menina morreu faz dois mil anos!
--- Eu autorizo. Hoje mesmo mandarei que lhe tragam toda a documentação. Irei me responsabilizar totalmente por ela. E sei que outros já fizeram isso. Sei como escravos são comprados, Dr. Fannesi...
--- A quer como escrava, Senhora Lucelle?
--- Não. Unir-me-ei em matrimônio a ela.
--- Sabe que pode levar quase um ano para que ela acorde?
--- Sim, sei. Mas não tem problema. Pretendo voltar essa semana para Vênus a trabalho. Mas antes tenho coisas a resolver. Preciso achar uma família para Mariana, para que não se sinta tão perdida quando acordar.
Agora a olhando de novo, Lucelle acariciou o vidro e beijou em cima de onde ficava a boca de Mariana.
Capítulo 1
--- Abra os olhos!
Mariana ouvia uma voz longe, que repetia sempre a mesma coisa:
--- Abra os olhos!
E então ela abriu. Olhou ao redor confusa, tentando entender o que havia acontecido e onde estava. Tudo em volta era muito claro e podia identificar um forte cheiro de limpeza. Claro! O acidente que havia sofrido. Só podia se lembrar do ônibus descendo a ladeira, indo direção à água. Naquele momento teve a certeza de que morreria. Não tinha como escapar, a água entrando, escura, barrenta, os gritos das pessoas.
Ao ver a expressão de confusão no rosto da jovem a enfermeira Juns se prontificou a explicar-lhe:
--- Calma menina! Vai ficar tudo bem. Confie em mim. Sei que não será fácil, mas devo dizer que a senhorita é uma mocinha de muita, muita sorte mesmo! Se a senhora Lucelle Francis não tivesse se...
--- Enfermeira Juns! --- interrompeu num tom de irritação o Dr. Fannise --- A menina deve estar cansada e deve descansar. Durma senhorita Mariana--- agora docemente --- amanhã sua família virá vê-la. Em poucos dias voltará para casa. Enfermeira Juns, por favor, aplique a medicação na senhorita para que venha a ter sonhos tranqüilos.
Pouco tempo depois Mariana adormecia cheia de questões na cabeça, mas no momento sentia-se cansada e fraca demais para poder lutar contra o sono. Sentia-se esquisita, mas nada importava mais. Estava num lindo campo cheio de flores.
Em Vênus um dispositivo de pulso soava um toque estridente. Uma voz feminina, forte e sensual atendeu:
--- Alô?
--- Bom dia senhora Lucelle Francis! É do Centro de Criogenia Sampaio. Dr Fannise falando, tenho ótimas notícias!
--- Ela... Ela...
---Sim! Ela acordou!
--- Que maravilha! Não posso me conter de tanta felicidade! Preciso... Vou... Mas como aconteceu tão rápido?
--- Parece que sua menina tem mais sorte que os outros!
---Dr. Fennesi, você sabe que estou em uma missão em Vênus. Não poderei voltar em pelo menos dois meses, mais alguns dias para que eu chegue até a Terra. Receba a família Carreth em seu Centro. Já está advertido que essa família ficará responsável pelo cuidado e educação de Mariana até que eu possa voltar para a Terra.
--- Sim senhora, já estamos sabendo. Mas eu não quis notificar a família sem ligar pra senhora antes.
--- Fez bem Doutor, mas permita que eu mesma ligue e as dê a notícia.
Na Terra outro som estridente soava, vinha de uma sala ampla, uma imagem apareceu, era a senhora Lucelle Francis que pedia atenção para ser atendida.
--- Alô, Lucelle! Que prazer!
--- Oi Roseis! Tenho uma surpresa! Mariana acordou!
--- Oh! Não acredito! Minha filha acordou!
--- Hahahahaha --- Lucelle ria com gosto --- Filha? Não me faça rir Roseis! Hahahahaha... Mariana poderia ter sido sua... tatatatataravó! Hahahahaha...
--- Sim, poderia, mas não foi! Coitadinha, nem ao menos teve tempo para isso. Morrer de uma forma tão trágica aos 19 anos é muito triste. E é minha única ancestral viva! Já sabe que a mimarei como as minhas filhas!
--- Sim eu sei, e é exatamente por isso que confio a você a custódia dela... Até a minha volta.
--- Pode confiar. Será como combinado. Cuidarei, porém vigiarei, não deixarei que ela se envolva com ninguém. Ela será tão virgem daqui a dois meses como a ficha dela disse que é agora!
--- Assim espero. Escute Roseis, preciso que vá ficar com ela agora.
--- Mas nem precisava falar. As meninas estavam mesmo ansiosas para poder enfim conversar com alguém vinda de dois mil anos atrás!
No dia seguinte ao acordar, Mariana olha ao redor e estuda mais atentamente a decoração do quarto do suposto hospital em que ocupa. Tudo de repente lhe parece um tanto quanto diferente de tudo que já tinha visto antes. Que estranho! Parece mais um cenário de filme futurista.
--- Oi! Posso entrar? --- Mariana olha em direção a voz, era uma mulher com seus 45 anos, muito bonita, alta com olhos e cabelos castanhos que está toda sorridente em pé perto da porta
--- Pode. Quem procura, Senhora?
--- Já a encontrei! Como está se sentindo Mariana? --- disse a mulher entregando-lhe um embrulho colorido --- Tomei a liberdade de lhe trazer um presente. Espero que goste!
--- Desculpe senhora, mas lhe conheço? É alguma repórter querendo informações do acidente?
--- Ah... É... Não! Não é nada disso minha filha. Oh, nunca pensei que seria tão difícil. Mas vamos lá: Vou apresentar-me. Meu nome é Roseis, sou sua parenta, de certa forma. E vim aqui para cuidar de você.
--- Mas e a minha mãe?
--- Ah... Mariana --- disse sentando-se na cama perto da jovem --- Tem uma coisa que preciso te contar, é algo extremante difícil de entender e você precisará ser forte.
--- Que conversa é essa?
--- Você sofreu um acidente no ano de 2006, e estamos agora no ano de 4047.
--- Hein?
--- Infelizmente o seu corpo não suportou os ferimentos que sofreu com a queda do ônibus. Além de seus pulmões terem enchido de água. E você veio a falecer.
Naquele momento não se podia dizer ao certo se Mariana ouvia, ou se estava assimilando as palavras da senhora Roseis. Mas algo na expressão da aquela mulher lhe dizia que cada palavra era verdadeira.
--- Morte? Estou morta? Ah meu deus! Morta? Se estou morta por que.. Criogenia! Oh por favor, me diga que é isso!
--- Sim, é isso mesmo. Você deve lembrar-se que sua família te inscreveu num centro de criogenia, na esperança de que algum dia, após sua morte, você pudesse ser trazida de volta à vida. E esse dia chegou.
--- Isso explica muita coisa. Esse lugar... Como me sinto e... Suas roupas...
---Hahahahaha... Sabe menina, acho que vamos nos dar muito bem!
--- E... Como será agora?
--- Será da seguinte forma: você vai ser a minha filha mais velha. Hoje mesmo conhecerá suas novas irmãs Jilly e Kessy. Jilly tem 17 anos e Kessy tem 15. Tenho certeza que se darão muito bem.
--- E porque faz isso por mim? Sei que meus pais deixaram um fundo de investimento aplicado em ações e terras em meu nome. E com todo esse tempo rendendo devo estar multimilionária agora.
--- Sim, e como combinado esse dinheiro foi transformado em diner, nossa moeda corrente. Está e continuará numa conta em seu nome. Mas não se preocupe, não precisará usá-lo. Terá tudo em nossa residência, que agora também é sua. A menos, é claro, que queira.
--- Sim, mas ainda não me disse por que faz isso por mim.
--- Porque você poderia ter sido minha... Tatatatatataravó! Hahahahaha...
---Poderia?
--- Sim, poderia, mas infelizmente... Já sabe. Então, me sinto responsável por recebê-la e tratar de introduzir-te nesse novo mundo para você. E acredite, precisara de toda a ajuda possível! Está muito diferente do que era há dois mil anos!
Capítulo 2
Dois dias depois foram de carro até o prédio onde morava a família Carreth. Mariana havia visto tudo àquilo pela TV, mas ao vivo era bem mais interessante. E confuso.
Havia carros no asfalto verde, como o que estavam, e no céu aladinhos. Aprendeu com Kessy que eram carros que voavam, embora ninguém os pudesse guiar, eram todos monitorados via satélite.
--- Para que não ocorram acidentes! --- Kessy lhe explicara ainda no hospital --- Sabe Mari, nunca acontecem acidentes aqui. Nunca. E todos os aladinhos são idênticos, são fornecidos pelo governo. Assim ninguém teria inveja do outro. Ninguém os compra, mas todos os possuem.
Agora ao estacionar em frente ao prédio, Mariana nota uma chuva forte, não quer descer do carro por não suportar chuva e não ter um guarda-chuva. Vê espantada quando vê Kessy correr para a chuva com alegria e dançar na calçada do prédio. O engraçado é que outras pessoas também estavam na chuva. Adultos, crianças. Todos felizes.
--- Olha que sorte Mariana ---disse a senhora Roseis --- está chovendo!
--- Porque tanto alvoroço? Aqui não chove nunca?
--- Sim chove. Olhe pra cima, vê aqueles objetos como discos mais acima dos aladinhos?
--- Oh sim, agora noto. O que tem? O que são?
--- Esses objetos se chamam Milacres. São destiladores de água. Uma equipe trabalha para que fique no céu funcionando. As vezes chove do Milacres, água pura e limpa. As pessoas ficam felizes e saem pra brincar. A chuva que temos é puro ácido. Por isso as solas de todos os calçados são preparadas para proteger os pés.
--- Ácido?
--- Sim, chuva de ácido. É um liquido viscoso e vermelho. Ocorrem com freqüência, umas quatro vezes por semana, às vezes por dias seguidos.
--- Oh meu deus! E o que fazem?
--- Temos alto falantes. Onde há vida há mensagem. Casas, carros, ruas. E também há os noticiários da TV. Informam dia, hora e duração. Então a chuva dos Milacres purifica o ar e limpa as ruas.
--- Por isso tanta felicidade com chuva.
---Vem Mari! Vamos brincar! --- chamava Kessy a essa altura toda molhada
E Mariana experimentou. Curtiu o banho na chuva como se fosse a primeira chuva que via.
O prédio era todo de um novo tipo de metal que Mariana depois descobriu que era para proteger do ácido. Embora houvesse muitos vidros, também tipos de vidro muito mais resistentes. Dentro do apartamento era tudo muito diferente, mas dava pra sentir certo aconchego. Poltronas brancas, diferentes, mas confortáveis. Estavam no 178° andar. Mariana tinha medo de altura, porém a vista a fascinava. Prédios tão altos quanto e aladinhos voavam alinhados cortando o céu em três níveis diferentes de altura. Eram como ruas.
A descrição do que viria a ser sua nova casa podia se definir em uma só palavra: Exótica! Mariana sabia, no entanto, que era bem mais que isso, muito mais complexo e sua mentalidade geração anos 80 não estava processando muita informação no momento.
Alguns dias depois Jilly a convidou para ir a uma festa.
--- Vamos Mari! Você vai se divertir! Tem uns carinhas lindos! Um tesão!
--- É! Acho que vou sim! Afinal, não estou morta! Hahahaha...
--- Não acho que seja uma boa idéia. --- Interveio Roseis
--- Mãe! Deixa de ser chata! Não deixarei Mariana sozinha na festa. E prometo apresenta-la a rapazes bonitos e atraentes... Quem sabe não termina a noite com sexo quente?! Hum?! Hahahaha...
--- Mariana é virgem Jilly! E assim deve permanecer!
--- Não se preocupe Senh... Mãe. Não sou assim, na minha época as pessoas não entendiam sexo como diversão apenas. Era mais... Sério. Não pretendo perder minha virgindade hoje.
--- Tudo bem então. --- disse Roseis contrariada --- Podem ir. Mas... Mariana, minha filha, não se envolva com ninguém. Precisamos conversar sobre isso. Talvez amanhã.
Estava chovendo ácido há dois dias. Mariana, com ajuda de suas novas irmãs, tinha comprado peças para seu closet e agora a caminho da festa se via num conjunto de saia e blusa cinza com branco e meias-pretas, com botas e acessórios cor-de-rosa. Não estava se achando exatamente bem vestida nessas roupas, mas as meninas lhe haviam garantido que era a última moda e lhe dava um ar de diferente. Estava até gostando. Lógico que ainda estava em fase de adaptação, mas não podia negar que estava gostando.
O elevador passou pelo hall principal e desceu mais até a entrada principal da cidade de baixo. Parece a visão que temos do metrô, mas era mesmo uma cidade. As pessoas transitavam por ali quando chovia ácido. Era um elo de ligação para todos os prédios, casas, escolas, shoppings, enfim, tudo o que havia na cidade possuía duas entradas: A da rua de cima e a da rua de baixo. O único meio de transporte ali era o que se chamava de trem, embora fosse um trem muito mais moderno e confortável.
A cidade de baixo era dividida em ruas e tinha estabelecimentos como bares, pubs, restaurantes. E tudo com a mesma sofisticação que a parte acima do solo.
Jilly e Mariana pegaram o trem que parou duas estações depois. Ao chegarem à entrada do prédio onde estava acontecendo a festa se identificaram e tiveram permissão para entrar. Era um aniversário no 23° de um rapaz da escola de Jilly. Muito bonito e gentil, logo veio cumprimentá-las.
--- Olá meninas! Como está Jilly? Você deve ser a senhorita Mariana. Prazer, sou Clarks, como tem passado?
--- Bem senhor Clarks! --- respondeu Mariana entre risos --- Hahahaha...
--- Ah... Sei que estou falando demais como uma mega-tiradeira 550, mas fico nervoso perto de garotas bonitas como vocês.
--- Não é isso, já deve saber o que sou. É que acho vocês sempre tão... Tão...
--- Educados! --- completou Jilly --- Agora me dêem licença que tem um carinha lindo me olhando ali...
--- É que vocês se expressam de maneira diferente a que estava habituada, só isso. --- explicou Mariana.
--- Por favor, não me chame de senhor!
--- Então não me chame de senhorita!
E ali começaram uma conversa agradável que terminou duas horas depois em beijos na boca.
Clarks era um rapaz gentil e agradável, tinha uma aparência muito boa, loiro e alto, possuía porte atlético.
No final da festa despediram-se com promessas de se verem novamente. Trocaram os números de seus dispositivos de pulso.
--- Mari! Sei que estava falando agora a pouco pelo seu dispositivo de pulso. Aposto que era com o lindíssimo e gostosíssimo do Clarks! --- disparou Jilly eufórica na manhã seguinte
--- Que-Quem? --- perguntou Roseis entre engasgos
--- O novo namorado dela mãe! E ele é um gostoso!
--- Você não pode namorar! --- disse uma nervosa Roseis quase aos gritos
--- Não posso? --- ouviu-se a voz questionadora de uma confusa Mariana
--- Não pode? Mãe! Ficou maluca? --- Indagou Jilly com cara de desdém
--- Não, você não pode Mariana! Você é noiva!
--- Noiva? --- duas vozes em uníssono. A de Jilly e de Kessy que ouvia a conversa, mas mantinha-se calada até então
--- Mariana lembra-se que ontem antes que saíssem pedi que não se envolvesse com ninguém? Muito menos que perdesse a virgindade! Você não...
--- Não! Não fui pra cama com ninguém se é o que quer saber, apenas dei uns beijinhos no rapaz. --- disse Mariana na defensiva --- E como posso ser noiva se em menos de um mês estava morta?
--- Minha filha, precisamos realmente conversar. Sente-se.
Sentaram-se as quatro.
--- Sua noiva é uma mulher muito rica e poderosa.
--- Rica? Pensei que não havia pobreza em 4047!
--- De fato não há. Porém há os que têm muito e os que têm ainda mais e ela se encaixa na segunda categoria. Lucelle Francis tra...
--- Lucelle Francis? A enfermeira responsável por mim no Centro de Criogenia Sampaio disse algo sobre ela, mas foi interrompida pelo Dr. Fannesi.
--- Lucelle Francis Roussels, sua noiva, trabalha como espiã do governo e está no momento em uma missão em Vênus. Ela me procurou para que ficasse com você enquanto ela estivesse fora do planeta, descobriu que somos suas únicas parentas.
--- Não posso ter uma noiva! Não gosto de mulher! Não sou lésbica! Sei que estamos numa época em que pra mim as coisas são muito diferentes, sei que é normal nos dias de hoje, mas não posso fazer nada se gosto de homem!
--- Eu temia que isso viesse a acontecer Mariana --- disse calmamente a senhora Roseis --- mas infelizmente sei que o caso não tem solução e nem mesmo eu posso fazer nada quanto a isso. Preciso mantê-la casta para que sua noiva e somente ela a possua.
--- O que? Mas isso é surreal!
--- Mariana --- continuou a senhora Roseis --- Como eu disse Lucelle é uma mulher extremamente poderosa, e ela se apaixonou por você no instante em que a viu.
--- Mas o que essa mulher é? Uma necrófila?
--- Mariana escute! Se não fosse por ela hoje você não estaria aqui. O governo decidiu que apenas pessoas que morreram entre os anos 4000 até os anos de hoje com idade entre 0 a 50 anos podem ser ressuscitadas. O seu corpo seria descongelado e enterrado se não fosse pela intervenção direta de Lucelle. Ela pediu seu descongelamento e esperávamos que acordasse, mas normalmente leva quase um ano para que o corpo esteja pronto para voltar à ativa, mas com você levou apenas quatro meses. Espero que entenda que ela tem documentos que provam que seu corpo com ou sem vida pertence a ela.
--- Isso não pode ser verdade! Minha família pagou muito caro por esse serviço! Tudo bem que foi há mais de dois mil anos, mas não poderiam simplesmente me descongelar e enterrar como seu eu fosse um animal! E eu pertenço a mim e a mais ninguém!
--- Temo ter que lhe dizer que você realmente pertence à Lucelle. Inclusive a conta em seu nome no banco foi transferida para o nome dela. Eu queria poupá-la enquanto você não se adaptasse ao nosso estilo de vida, mas percebo que deveria ter te contado desde o início. Você precisa saber a verdade pra entender sua real situação. Qualquer coisa que você queira fazer até mesmo usar esse dinheiro guardado no banco terá que pedir permissão a sua noiva.
--- Não pode ser...
--- Lamento minha filha --- disse Roseis abraçando a menina que chorava e bufava de raiva --- Sugiro que se comporte, sua noiva não gostará de saber do acontecido de ontem. Evite brigas desnecessárias com ela. Lembre-se que quando ela chegar a tomará em união matrimonial, já lhe disse que nada posso fazer para impedi-la, portanto, trate-a bem para que o mesmo aconteça contigo.
Capítulo 3
Mariana passou o dia entre a raiva e a confusão. Jilly e Kessy lhe explicaram mais tarde que o governo tinha medo de uma superlotação de pessoas gastando as poucas reservas naturais que tinha no planeta e que a exploração desses mesmos nos planetas vizinhos não era barata. Portanto era por direito somente das pessoas que morreram neste mesmo século pudessem voltar à vida.
--- Eu sabia que Lucelle tinha interferido --- disse Jilly --- Certa vez a vi aqui em casa de conversa com mamãe, mas jamais imaginei o porquê. Juro que não sabia Mari!
--- Tudo bem, Jilly, sei que nenhuma de vocês duas sabia --- respondeu Mariana apreensiva
--- Mari, fala sério! --- disse Kessy --- Não acredito que você possa rejeitar a idéia de unir-se em matrimônio com Lucelle Francis Roussels! Ela é o máximo! E é tão...
--- Oh minha irmãzinha linda gosta de mulher!
--- Gosta? --- quis saber Mariana apavorada
--- É eu gosto! Não tem nada melhor!
--- Tem sim! Homem! Hahahaha --- respondeu Jilly dando risadas
--- Meninas! --- Mariana falava --- Não tem nada realmente que eu possa fazer pra me livrar desse casamento?
--- União matrimonial --- respondeu Kessy --- E não. Não há nada que você ou qualquer pessoa possa fazer. Se a senhora Lucelle comprou seu corpo, realmente nada poderá ser feito. Você ouviu a mamãe, ela tem documentos que comprovam. E quer saber? Você tem muita sorte. Outras pessoas que estavam em situação igual, as que não foram enterradas, foram compradas e mantidas como escravas sexuais.
--- É verdade, Mari, a Kessy tem razão. Pessoas mortas há mais de dois mil anos não tem muitos direitos por aqui, há menos que sejam protegidas como você. Sei que será difícil unir-se a uma mulher, mas poderia ser bem pior. Ao menos a Senhora Lucelle quer dar a você o nome dela.
--- Ah... Tenho nojo só de pensar em algo assim!
--- Mas ela é linda! --- disse Kessy
--- Quantos anos ela tem? --- Mariana perguntou
--- Não sei exatamente, mais de trinta.
--- Ah meu Deus! Ainda por cima é velha! --- Irritou-se Mariana --- Lésbica papa-anjo! O que essa mulher quer com uma menina de 19 anos?
--- Sei que não gosta de mulheres Mari, mas não seja preconceituosa. Hoje é tudo muito natural, é a essência da pessoa, já foi provado há muito tempo que as pessoas nascem assim. Portanto não deixe que ninguém a ouça xingando. Poderia ser presa.
Dias depois, à mesa de jantar, Mariana sentia-se mais calma e conformada. Sabia que nada poderia fazer pra mudar a situação em que se encontrava. Sabia também que essa tal Lucelle tinha poder sobre a vida e a morte dela, controle até mesmo sobre suas finanças e se quisesse continuar viva, melhor casar-se com aquela mulher odiosa.
Poderia acessar do seu dispositivo de pulso qualquer informação que queira sobre Lucelle Francis Roussels. Poderia ver a foto, saber a biografia, sua formação, local onde e em que se formara. A net de hoje é muito mais avançada que a de 2006. Mas Mariana não tinha vontade. E toda vez que se pegava curiosa tratava de pensar em outra coisa. Quanto menos se lembrasse da existência dessa mulher, melhor seria sua vida.
--- Mariana, após o jantar preciso entregar-lhe sua aliança --- disse a senhora Roseis --- Você deverá usá-la sempre. São ordens de sua noiva, que, aliás, já esta sabendo do incidente do outro dia com o tal rapaz Clarks. Essa aliança é de compromisso, portanto afastará pessoas que queiram alguma intimidade além de sua amizade.
--- Ah não! Isso agora... --- exasperou-se Mariana
--- Não fique assim, minha filha --- disse a senhora Roseis --- É uma aliança muito bonita. Com certeza foi caríssimo. Muitas pessoas dariam o pescoço pra estar no seu lugar. E se não a usar não poderei dar permissão para que saia mais de casa. São ordens de Lucelle.
Mas Mariana não queria saber das outras pessoas. Pensou em Clarks, como ele beijava bem. Era muito bonito e... Ah... De que adianta isso agora? Essa mulher consegue me dar ordens mesmo estando em outro planeta!
Agora, sozinha em seu quarto, sentada numa poltrona cor-de-rosa perto da janela, olhava a aliança, realmente era uma peça muito bonita e valiosa. Era grossa, trançada de ouro branco, vermelho e amarelo, com um diamante enorme incrustado, jóia de família, a senhora Roseis havia dito.
Uma idéia surgiu em sua cabeça e seus lábios se alinharam num meio sorriso. E se eu fizer com que ela não me queira mais? Ela me viu morta, mas não sabe como é minha personalidade! Isso Mariana! Isso!
Algumas semanas depois Mariana foi com a família Carreth a uma espécie de restaurante-danceteria. Embora a maioria das músicas fosse lenta, parecia que os jovens estavam curtindo muito. Fora proibida de sair sem a companhia da senhora Roseis. Na verdade fazia alguns dias que não saia pra nada, distraia-se muito vendo a TV de holograma, que na verdade era um aparelhinho do tamanho de uma caixa de fósforos que jogava luz na parede branca e vazia. Tudo parecia estar acontecendo bem a sua frente. Ligava o aparelhinho e sentia-se na platéia, ou melhor, parecia que o cantor em questão estava na sala de TV fazendo um show especial só pra ela. Filmes e séries então, sem comentários. Atores andando pela casa interagindo com os expectadores. Alta tecnologia, coisa dos anos 4047.
Certa vez consultou o cardápio de programações no seu dispositivo de pulso e optou por assistir a um documentário. Apertou os botões certos e num repente surge em sua frente o holograma de um apresentador de jornal sentado numa poltrona azul, como um fantasma. Contava a Mariana o programa como se fosse um amigo ou convidado da família. Descobriu que a Terra que tinha conhecido há muito já não era a mesma. Parte das calotas polares derreteu, o que acabou culminando no desaparecimento de grande parte do mapa mundial. Tsunames, terremotos, maremotos, e até mesmo queda de asteróides contribuíram para que pouco restasse do que é conhecido como solo, chão, terra firme. Hoje o que restava era um pouco do que era conhecido como México, parte da Argentina e toda a ilha antes conhecida como Austrália. Consequentemente a maioria morreu. O novo governo teve seu inicio em 3008. O planeta Terra se resume a uma grande e unificada nação, tendo adotado o inglês e espanhol como línguas oficias, sendo todos os cidadãos fluentes nas duas linguagens. A moeda mudou para diner. Os salários são altos e com variações de apenas 10% entre um e outro, sendo médico ou pedreiro. O que tornou rico a todos os cidadãos terráqueos.
Nunca mais havia tido chance de ver Clarks, não que ele importasse tanto assim, era só um garoto bonito com quem tinha ficado, mas mantinha contato com ele pelo dispositivo de pulso de propósito. E agora já sentada em seu lugar à mesa do restaurante girava sua visão por todo o ambiente a procura do rapaz. Marcaram de encontrar-se ali, ele sabia que ela era noiva, mas não sabia de quem e nem em quais circunstancias, só que a noiva estava fora do planeta e não voltaria em menos de três semanas e isso era suficiente para fazer com que ele se sentisse seguro para marcar um encontro às escondidas com a atraente Mariana.
Tendo avistado o rapaz numa espécie de varanda, um lugar meio escondido e afastado de onde estavam, Mariana piscou para Jilly, a quem havia contado tudo e pedido segredo e levantou-se dizendo que iria ao toilet.
Ao se encontrarem caminharam de mãos dadas até um lugar mais recluso ainda, era um jardim.
--- Mariana, como senti falta de mergulhar no verde mar de seus olhos. --- disse o rapaz beijando-lhe a mão
--- Também senti saudades Clarks. ---respondeu Mariana serenamente
--- Senti mais falta ainda de sua boca macia...
Mariana fechou os olhos para sentir o beijo do rapaz, mas com a demora ela os abriu e se deparou com uma cena idílica. Uma mulher muito alta e bem vestida num tubinho vermelho que lhe cais até os pés com uma abertura na coxa esquerda segurava o rapaz pela gola da camisa.
--- Se encostar em mais um fio de cabelo de Mariana a falta que você sentira será de ar nos seus pulmões!
Os dois assustados olharam para a mulher morena que estava parada diante deles com uma expressão de fúria, um par de olhos tão azuis e expressivos que chegava a ser opressivo. A mulher era ainda mais alta que Clarks.
--- Agora suma daqui seu moleque imundo! Antes que eu me arrependa e o esmurre até a morte!
O rapaz correu assustado. Deixando uma Mariana tão assustada que era incapaz de mover qualquer músculo para fazer o mesmo. Como o jardim era um tanto quanto afastado, a cena não chamou atenção de ninguém.
--- Agora Senhorita Mariana, somos nós duas. --- disse a mulher
--- Quem é você? E o que quer comigo?
--- Sou sua dona e o que quero com você é te levar pra uma cama e te possuir até cansar-me. --- disse isso a olhando de cima a baixo e de baixo a cima com desejo --- Meu nome é Lucelle Francis Roussels. Agora diga-me, que parte você não entendeu de: Você é minha, irá unir-se a mim em matrimônio e, não se envolva com ninguém?
--- E você senhorita Lucelle, que parte você não entende de: Direitos humanos? ---disse Mariana com as mãos na cintura, dobrando a cabeça pra trás para olhá-la nos olhos pela diferença de altura, fingindo uma coragem que não sentia --- O que te faz pensar que te pertenço? Que pode ir chegando assim e me tomando como sua esposa?
--- Caso não tenha sido informada Senhorita Mariana, seus direitos se acabaram há mais de dois mil anos no fundo de um rio. Se está viva é porque eu quis que estivesse e isso me dá o direito de desposa-la ou coisa pior. Você escolhe. União ou escravidão! --- agora num tom mais duro ainda --- E pelo que sei, moças noivas não andam por aí esfregando-se em qualquer um que apareça!
--- Eu não estava me esfregando! Respeite-me Senhora Lucelle! Por quem me tomas?
--- Se você fizesse um esforço pra dar-se ao respeito, talvez eu a tomasse por uma boa moça de família, e não uma piranha que na primeira oportunidade, na primeira noite que sai, acaba de agarramento com um total desconhecido!
--- Pois não é mais desconhecido. Eu já o conheci bem!
Em reação ao que Mariana disse Lucelle lhe deu uma tapa no rosto.
--- Ai!
--- Sei quem é esse moleque imundo --- continuou Lucelle --- O nome dele é Clarks Amorim, filho de Saemiel e Mirei. Ambos advogados.
--- Como você pode saber disso?
--- Eu sei de tudo. Se eu o pegar de novo há menos de 500 km de você eu cuidarei dele pessoalmente!
--- Não quero me casar com você! Não sou lésbica! --- proferiu Mariana irritada
--- Adivinha? Eu sou! E é o que importa!
--- Grossa!
--- Gostosa!
Dizendo isso Lucelle agarrou Mariana e a beijou, no início com fúria pelo ódio que sentia e depois com paixão, quase com doçura. Que beijo delicioso tinha essa garota! Espetacular!
Mariana estava perdida e entregue totalmente nos braços de Lucelle. Sentia um odor agradável, um calor entre as pernas, estava molhada.
Lucelle a girou ainda entre os braços e a encostou contra a mureta do jardim e posicionou sua perna esquerda entre as pernas de Mariana, passou a esfregar sua coxa no sexo de Mariana que se sentia queimar de tesão.
Num ímpeto de lucidez, Mariana fez força para afastar-se, desvencilhar-se do abraço e parar o beijo, mas a língua de Lucelle muito exigente não permitia, lhe lambia, sugava sua língua com tanta força que chegava a doer e seus braços a apertavam cada vez com mais força. Então Mariana a mordeu com força.
--- Ai! --- gritou Lucelle a soltando --- Você me mordeu!
A boca de Lucelle tinha um leve sangramento no lado direito.
--- Pra você ver que tenho nojo dessa sua...dessa sua conduta!
--- A mim não pareceu ser nojo. Admita Mariana, você gostou!
--- Nunca admitirei uma coisa que não senti!
Disse isso e saiu quase correndo, nervosa aos tropeços. Avistou a mesa que estava a família Carreth e sentou-se.
--- Nossa Mariana que demora foi essa? --- quis saber a Senhora Roseis
--- Estava meio que... Passando mal. Por isso me atrasei. Perdoe-me.
---Não acredito! Olha só quem está vindo em nossa direção Mariana! --- disse a Senhora Roseis se levantando --- Lucelle, querida!
--- Oi Roseis! Como tem passado?
--- Muito bem, mas... O que está fazendo aqui? Você não disse que só voltaria em três semanas?
--- Vim tomar conta do que é meu. --- disse olhando diretamente para Mariana, que não agüentou aquele olhar cheio de intenções e baixou os olhos
--- Ah sim... Então me deixe apresenta-la a minhas filhas. --- disse apontando uma por uma --- Jilly, Kessy e claro, Mariana.
Lucelle cumprimentou cada uma com um beijo na bochecha, e Mariana com um pequeno beijo nos lábios.
--- Lucelle, sua boca está machucada. O que houve? --- perguntou a senhora Roseis, quando já sentadas a mesa.
--- Nada demais. Uma fera atacou-me.
--- Em Vênus?
--- Não. No paraíso. --- disse mais uma vez olhando pra Mariana, que corou violentamente
O jantar ocorreu tranquilamente, Lucelle contando suas aventuras pelo planeta Vênus e respondendo pacientemente as perguntas de Jilly e Kessy.
Terminado o jantar, Lucelle pede licença e se levanta, caminha até a orquestra e fala algo com o maestro.
Mariana pouco olhou pra ela durante o jantar. Estava confusa, sentindo tesão cada vez que Lucelle a olhava com aquele jeito intenso. Agora a vendo caminhar, notou como tinha um corpo magnífico. Caminhava de um jeito sensual, um jeito de andar que só as mulheres que sabem que são gostosas têm. Vendo a voltar olhou seu rosto disfarçadamente, como era bonita! Era provavelmente a mulher mais bonita que já tinha vista enquanto viva! Mas que droga Mariana! O que é isso agora! Você não é...
--- Mariana? --- Lucelle estava agora de pé ao lado dela lhe estendendo a mão --- Dê-me o prazer desta dança.
Aquilo não era um pedido, era uma ordem, ainda que polida. Mariana sabia que não deveria negar. Mas não resistiu a vontade de provocar aquela mulher que lhe fazia ter sentimentos tão contraditórios. E dançar com essa mulher seria... Estar outra vez em seus braços. Sentiu algo escorrendo em meio a suas pernas. Bufou.
--- Desculpe Senhora Lucelle, mas não sei dançar.
--- Melhor. Ensino-te do meu jeito.
--- Se não tenho opção mesmo. --- respondeu secamente e levantou-se
Caminharam de mãos dadas até o centro da pista de dança. A música que tocava era lenta e muito bonita, sensual, desses tipos de música que tocam em motéis para os casais fazerem amor. Fora Lucelle que pediu para que a tocassem.
Lucelle enlaçou a cintura de Mariana e a puxou até que seus corpos ficassem colados um no outro. Começaram a dançar.
--- Mariana, peço que me desculpe pelo tapa que te dei. Eu estava fervendo de ciúmes. Podemos começar de novo?
Como não obteve resposta Lucelle continuou.
--- Como você é bonita. Seu corpo é perfeito. Sua boca é deliciosa, menina. Que feitiço é esse que você pôs em mim?
--- Mortos não enfeitiçam ninguém.
Lucelle passeava as mãos pelo corpo de Mariana com possessividade e desejo.
--- Você me deixa louca de tesão. --- disse Lucelle com voz rouca.
--- E você me enoja!
--- Pois vamos ver se é isso mesmo.
E com mais do que pressa alcançou os lábios de Mariana num beijo louco e ardente. Mariana tentou resistir.
--- Quanto mais você resiste, mais excitada eu fico. Beije-me. --- ordenou Lucelle
E Mariana obedeceu, não por se sentir obrigada, mas por não poder mais conter o que estava sentindo. Estava louca de tesão, e nunca havia se sentindo assim. Com nenhum rapaz que namorou. Nunca.
--- Vamos sair daqui Mariana. Preciso te possuir ou irei enlouquecer.
--- Não! Não quero! Você não pode me obrigar a me entregar pra você! Sou virgem!
--- Ah... Minha doce e gostosa menina, eu sei... E isso torna tudo ainda mais delicioso.
--- Não, por favor! Senh...
--- Me chame de Lucelle.
--- Que seja! Lucelle, por favor, amanhã. Prometo que amanhã farei o que quiser, mas hoje estou cansada e nervosa, seria um desastre.
--- Tudo bem Mariana, concordo, será amanhã então. Mas vamos embora então antes que eu não possa mais conter-me.
Mariana se viu sendo puxada pela mão até a mesa da família Carreth onde "decidiram" pelo "conselho" de Lucelle que já era tarde e deveriam ir embora.
A família tinha vindo ao restaurante de carro convencional mesmo, pois o tempo estava bom, nada de chuva ácida pelos próximos dois dias, mas Lucelle que também estava no seu conversível negro fez questão de ela mesma levar Mariana.
--- Eu a levo Roseis, vá com suas filhas. Quero despedir-me de minha noiva como se deve.
Chegando em frente ao prédio de Mariana, Lucelle estacionou o carro e deu ordens para o computador desligar o motor.
---Aqui está Mariana, sã, salva e ainda virgem em casa, como te prometi.
--- Obrigada pela carona Lucelle, ainda que não precisasse, minha família estava vindo para o mesmo lugar. Agora preciso ir, tenho sono.
--- Antes o meu beijo de boa-noite.
Era outra ordem polida que dessa vez Mariana obedeceu sem fazer gracinhas.
O beijo foi quente, sensual e cheio de promessas.
--- Amanhã, Mariana, te pego aqui às oito horas para jantarmos, avise a Roseis que você não voltará para dormir. E... Use saia. Essa sua coxa grossa é uma perdição.
--- Usarei. Boa noite.
Capítulo 4
Na manhã seguinte as três esperavam ansiosas por Mariana na mesa do café.
--- E então? Como foi ontem? --- quis saber uma eufórica Kessy
--- Nada, ela apenas me trouxe em casa. E aqui estou.
--- E te deu outro daqueles beijos devastadores, igual ao da pista de dança ontem? --- continuava Kessy
Mariana corou e respondeu envergonhada:
--- Não. E não foi nada devastador!
--- Foi sim, nós vimos! Foi lindo! Ah... Você tem sorte Mari, como ela te deseja! Quero uma mulher linda como essa louca pra levar-me pra cama!
--- Você já foi pra cama com garotas bonitas Kessy! --- falou Jilly
--- Sim, garotas, mas não mulheres. Quero uma mulher de verdade --- respondeu Kessy --- Ei! Você sentirá dor.
--- Quando será o grande momento? --- perguntou a senhora Roseis
--- Hoje à noite. --- disse Mariana num tom inidentificável --- Não voltarei pra dormir em casa.
Disse e saiu ainda ouvindo urros de alegria de Kessy com sua revelação. Trancou-se em seu quarto.
Quanto mais nervosa ficava, mais o tempo passava depressa. Já eram quase oito da noite, Mariana estava sentada na sala, pronta, e esperando Lucelle vir buscá-la com um misto de desejo e medo. Trajava uma blusa branca de renda e uma saia curta estampada.
Um som estridente chamou a atenção de todas na sala, era o holograma de Lucelle avisando que ela estava à porta. A senhora Roseis foi atendê-la, e a convidou para que entrasse. Uma vez dentro da casa, Lucelle atravessou a distancia que a separava de Mariana, tomou sua mão e a beijou dizendo:
--- Você conseguiu estar ainda mais linda esta noite. Que o universo tenha piedade de mim!
Mariana apenas sussurrou um tímido "obrigada" sem olhá-la.
--- Aonde irá levá-la? --- ouviu-se a voz de uma curiosa Kessy
--- Iremos jantar fora. ---respondeu à menina. Agora se virando para Roseis --- Mariana vai passar a noite comigo Roseis.
--- Sim eu já sei, ela já havia me contado.
--- Ótimo! Agora vamos Mariana, pegaremos o helicóptero no hangar deste mesmo prédio.
O helicóptero de parecido com o que temos hoje em dia só tem o nome. Era mais uma espécie de jatinho, extremamente confortável com capacidade para 10 pessoas. Voava muito mais alto e fora da rota dos aladinhos e ao contrário destes o governo não os provia para todas as pessoas. Só os que podiam e tinham real necessidade os compravam.
Pousaram numa pista dentro de um barco muito moderno e luxuoso que parecia um hiate, mas era maior. Mariana sabia que muitas pessoas moravam em embarcações destas devido à escassez de terra firme.
Esse era o hiate particular de Lucelle e ela só o usava para o lazer.
Dentro de uma sala bem ampla no 3° andar tinha uma mesa para dois, muito bem arrumada.
--- Quer beber algo?
--- Não, quero estar ciente de tudo o que vier a acontecer aqui esta noite.
--- Como quiser anjo --- respondeu Lucelle com um ar divertido e fez sinal para um rapaz que estava uniformizado como garçom ---Sirva-me de vinho.
--- Quer jantar agora ou...
--- Ou quero ir pra cama com você de uma vez? Ao contrário do que pensa posso ser civilizada. Posso esperar até o término do jantar.
--- Não era o que eu iria dizer. --- disse Mariana desviando o olhar, envergonhada
--- Vamos jantar.
Sentara-se a mesa e os empregados começaram a servi-las com iguarias que Mariana nunca tinha visto. Não quis perguntar o que era com medo de perder a coragem de comer, afinal a comida de dois mil anos atrás era muito diferente dessa. E os gostos também.
--- Tenho certeza de que apreciará a comida.
--- Não estou com muito apetite.
--- Já eu estou faminta --- disse isso com aquele olhar de desejo tão intenso que Mariana já conhecia
Dessa vez Mariana não baixou o olhar.
Jantaram se olhando, como que se comendo com os olhos, o desejo era tanto que Lucelle sentia seu sexo latejar e doer. Precisava tê-la com urgência. As palavras eram desnecessárias.
Num ímpeto Lucelle levantou-se da mesa, puxou Mariana a agarrando com força, beijou seus lábios com a boca aberta.
Mariana se sentia fraca para lutar contra isso. Sabia o que aconteceria a seguir e também sabia que nada poderia fazer para impedir. Talvez nem quisesse. Foi surpreendida quando Lucelle a ergueu no colo e a levou até um quarto ricamente decorado, tendo em seu centro uma enorme cama de casal, tamanho King.
Lucelle pôs Mariana no meio da cama e deitou-se sobre ela. Arrancou-lhe as roupas e beijou seus seios, barriga, quadril, umbigo, desceu para as coxas, joelho, pés...
--- Oh menina, como você é linda! Você vai acabar me matando!
--- Tenho medo.
Mas Lucelle já não ouvia devido tamanho desejo que consumia seu corpo. Arrancou suas próprias roupas e se posicionou entre as pernas de Marina
--- Por favor, pare! --- gritou a menina assustada com a voracidade da excitação da mulher mais velha --- Por favor, não faça! Não faça!
--- Já lhe disse uma vez menina, quanto mais você reagir, mais excitada eu fico.
--- Tenho medo. Vai doer?
--- Vai sim --- respondeu a morena com a voz rouca e baixa totalmente embargada pelo desejo --- Mas depois da dor fica gostoso, te prometo. Agora abra as pernas Mariana.
Essa nova ordem fez com que Mariana sentisse um tesão mais violento que todos os que já havia sentido antes. Soltou um gemido sem querer. Isso fez com que Lucelle ficasse ainda mais excitada, se é que isso era possível, então ela pôs a mão no local desejado e enfiou três dedos de vez, forçando a entrada. Olhou pra Mariana, ela tinha os olhos fechados e lhe arranhava as costas com força, pela expressão dela sentia dor. Lucelle começou aquele ritmo de vai e vem se deleitando com as expressões de sua lourinha. Era uma delicia vê-la assim tão entregue a suas carícias.
Ao ver que Mariana não poderia suportar por muito mais tempo Lucelle pôs a cabeça entre as pernas da menina e começou a sugá-la suave e forte ao mesmo tempo, ainda com os dedos dentro dela. Não demorou muito e Mariana começou a tremer, teve espasmos e gemia enlouquecidamente. Gozou.
Lucelle a esta altura escorrendo de tão molhada. Subiu pelo corpo de Mariana e lhe beijou a boca insandessidamente, fazendo com que ela provasse do próprio gosto. Encostou seu sexo na coxa esquerda da lourinha e ficou a se esfregar, fazendo ali o que tinha vontade no ritmo desejado.
Mariana estava mais excitada ainda com aquela melação em sua coxa. Lucelle estava fazendo força em cima dela e gemia gostoso. Ambas estavam delirando de prazer.
Lucelle ao sentir que chegaria ao fim passou a se esfregar ainda mais rápido. Gozou.
A madrugada já era alta quando as duas por fim adormeceram, exaustas de tanto fazer amor.
No dia seguinte Mariana acordou sonolenta, quase não tinha dormido a noite, olhou para o lado e viu Lucelle nua, de bruços, dormindo pesadamente, olhou pra si e se descobriu também nua. Estava surpresa pelo que sentiu nos braços dessa mulher, mas isso era inaceitável! Ia contra todos os seus princípios! Sentia-se humilhada. Estava na cama de uma mulher porque ela lhe havia comprado, como se ela fosse uma mercadoria e agora por isso deveria ceder a todos os caprichos dela? Nunca! Preferia morrer! Talvez não, morte é uma palavra muito forte e já experimentara a experiência por tempo demais. Mas o que explica isso? É claro! Era virgem, então o que sentiu foi puro fruto da carência que tinha. Nunca fora tocada daquele jeito por ninguém e antes de Lucelle aparecer em sua vida gostava de homem. Era isso! Precisava ir pra cama com um homem!
Com essa idéia na cabeça e um sorriso nos lábios Mariana se levantou sorrateiramente para não acordar Lucelle.
Capítulo 5
O sol já estava alto no céu quando Lucelle acordou, ainda de olhos fechados sorriu e tateou com a mão pela cama na tentativa de encontrar aquele corpo gostoso e cheiroso de Mariana que agora era todo seu. Em vão, Lucelle nada encontrou, abriu os olhos. Nada. Levantou-se num salto, andou pela embarcação e nada. No convés encontrou um homem da tripulação e perguntou sobre sua loirinha:
--- Ei, você! Sabe onde está a minha noiva?
--- Sua noiva saiu bem cedo, Senhora. A Senhorita não se lembra? Ela veio aqui e disse que tinha um compromisso urgente na cidade e que precisava que a levassem embora.
--- Ela o que? --- irritou-se Lucelle já partindo com os punhos fechados pra cima do homem que se apressou em defender-se:
--- Ela disse que era uma ordem sua que a levassem Senhora!
Transtornada, Lucelle esmurrou o homem mesmo assim. Pegou seu dispositivo de pulso e checou a localização do dispositivo de Mariana. Desligado. Correu então para o quarto, pegou sua bolsa de mão e com ajuda de um pequeno aparelhinho descobriu onde Mariana se encontrava nesse exato momento, graças ao chip que mandara por nela quando ainda estava em coma. O visor do aparelhinho piscava em verde um mapa e em vermelho primeiro o nome do bairro, depois rua, depois prédio, andar, apartamento e por último o nome do proprietário. Lucelle estava atônita, não podia acreditar.
A porta do apartamento foi aberta:
--- Mariana! Que bela surpresa. Sua noiva não está aqui com você, não é? --- indagou Clarks olhando para os dois lados do corredor
--- Claro que não! Não vai me convidar pra entrar?
--- Cla-claro! --- gaguejou o rapaz --- Então, o que faz aqui?
--- Uma vez você me disse que seus pais trabalhavam muito, não te davam à atenção necessária, portanto conclui que você deveria estar sozinho nesse apartamento.
--- Sim, concluiu certo. Sua noiva sabe que está aqui?
--- Não. --- respondeu calmamente
--- Seu dispositivo de pulso...
--- Desligado.
--- Então presumo que...
--- Presumiu certo. --- dizendo isso Mariana o agarrou e começou a beijá-lo com fúria --- Quero que você me tenha Clarks! Quero seu pênis dentro de mim...
O rapaz não perdeu tempo, levou Mariana até seu quarto e se despiu, seu membro já se encontrava ereto, quando a olhou Mariana já se encontrava nua, deitada na cama. Ele não resistiu àquela visão. Começou a beijá-la, desceu para os seios e se pôs dentro dela com um gemido alto. Mariana não acreditava no que acontecia, além de não estar sentindo prazer, sentia dor. Ele a beijava, sugava seus seios e os apertava como se fosse uma buzina. Pouco tempo depois ele grunhiu mais alto ainda e caiu de lado com a respiração difícil.
O sexo de Mariana estava ardendo, doendo, sentia arranhado. Ao menos não precisaria se preocupar com uma possível gravidez, pois já sabia que no ano de 4047 não era assim que nasciam os bebês. Os homens já nasciam estéreis por manipulação genética e quem queria engravidar deveria ir até uma clínica especializada, onde gratuitamente o óvulo era fecundado com o espermatozóide já tratado e curado do homem que seria o pai. Para casais homossexuais o mesmo. Embora o espermatozóide fosse de alguém desconhecido em casos de lésbicas serem as mães, além da maravilhosa possibilidade de combinar dois tipos de espermatozóides em um óvulo e um tipo de espermatozóide em dois óvulos, assim o bebê seria parecido com os dois, sendo um casal de homens ou de mulheres.
O que realmente preocupava a cabeça de Mariana era o ato que acabara de fazer. Sexo apenas, puro e simples. Acabou de pertencer a um homem e nada tinha sentindo além de dor. E agora? Como explicar isso? Será que estava sugestionada por Lucelle?
--- Ah... Isso foi realmente bom! --- disse o rapaz --- Não achou Mariana?
--- Si... Sim! Foi bom... --- disse levantando-se
--- Aonde você vai?
--- Pra casa.
--- Fica um pouco mais. Podemos fazer de novo... Vai ser bom!
--- Não Clarks, não da! --- Mariana arrependeu-se da resposta apressada e impensada --- Digo, tenho coisas a fazer agora. Outro dia, quem sabe a gente volta a... Se encontrar.
Mariana foi pra casa pela cidade de cima, pegou uma condução que mais parecia um bonde ultra-veloz, que era gratuito, assim como os trens da cidade de baixo. Ao chegar teve uma surpresa.
--- Oi anjo. --- disse Lucelle ironicamente sentada no sofá da sala
A cena seria trágica se não fosse cômica, embora vontade de rir não fosse exatamente o que Mariana sentia naquele momento, mas sim medo, pois algo na expressão de Lucelle a fazia sentir-se gelar por dentro. Agora sabia que iria pagar pelo deslize que cometera.
--- Lucelle. --- conseguiu dizer por fim, olhando ao redor procurando por alguém que a acudisse
--- Que coisa, não é? Não tem ninguém em casa! Pedi para que se retirassem. Precisava conversar com minha... Noiva.
--- Olha Luce...
--- Agora garotinha --- interrompeu Lucelle se levantando e indo em direção a loira--- Quem fala sou eu! Vai ser da seguinte maneira: Não mais unir-nos-emos em matrimônio. Mas você virá comigo para Vênus como minha escrava!
Mariana não conseguia acreditar que aquilo estava realmente acontecendo. O olhar de Lucelle a estava matando. Baixou o olhar e começou a chorar.
--- Espero, sua piranha --- continuou Lucelle --- que tenha se divertido na cama com aquele moleque imundo, porque foi a última vez!
Dessa vez Mariana temia pela vida de Clarks e também pela dela. Sabia que Lucelle era poderosa e tinha autonomia do governo para realizar tal ato apenas por vingança. Será que ele estava bem? E ela, será que ficaria bem?
--- Tem um carro nos esperando lá embaixo. Vamos!
--- Mas...
Lucelle então pegou Mariana pelo braço com muita força e a saiu arrastando consigo até onde o carro estava estacionado. Mantiveram-se caladas por todo o percurso, Mariana já não chorava. Salvaria o último vestígio de dignidade que lhe restava.
Foram direto para uma estação de naves interplanetárias. Mariana já as tinha visto pela TV, mas ao vivo eram muito mais espetaculares. Lucelle a levou até uma das naves e a prendeu numa das poltronas disponíveis. O dispositivo de pulso dela tocou.
--- Sim general, Lucelle falando... Estou retornando a Vênus nesse exato momento... Sei que a missão precisa de mim... Não... Sim... Correto, entendi. --- e desligou
Lucelle sentou-se numa poltrona ao lado de Mariana e deu ordens pelo comunicador que ambas estavam prontas para a decolagem.
Momentos depois houve um leve tremor e um barulho muito alto de motor se fez ouvir. A nave estava decolando. Pela janela Mariana estava olhando embasbacada quando estavam fora da atmosfera terrestre. Viu o planeta ficar bem pequeno, todo azul, sumindo aos poucos. Olhou para o lado, Lucelle estava ouvindo música pelo seu dispositivo com fones de ouvido, sinal mais do que claro de que não queria conversa.
Quando a nave já estava num plano seguro, Lucelle soltou as amarras da poltrona de Mariana.
--- Levante-se. --- disse com um tom autoritário --- Quero mostrar-te onde você irá ficar. Levaremos uns cinco dias ainda para chegarmos, portanto não quero uma escrava em ambientes para pessoas de bem.
Mariana se levantou com a cabeça erguida. Seguiu Lucelle até um compartimento pequeno, onde tinha uma cama estreita, um pequeno banheiro e uma mesa com duas cadeiras.
--- Escravas não usam isso --- disse Lucelle apontando para o dispositivo de pulso dela --- Poderia ser presa por furto! --- e arrancou o adereço do pulso da loira --- E isso é jóia de família --- disse puxando do dedo anular de Mariana a aliança de noivado --- Uma piranha como você não é digna de usa-lo!
Lucelle se foi e deixou Mariana trancada ali no quartinho minúsculo.
Mariana ficou presa ali o dia todo, no fim do dia um robô veio trazer comida para ela, passando a bandeja por uma pequena abertura que havia na porta na altura da cintura.
No dia seguinte Mariana foi chamada por uma senhora velha com cara de poucos amigos:
--- Venha garota! Ta na hora de fazer a comida da Senhora Lucelle. E ela deu ordens expressas pra que você a fizesse.
Mariana a seguiu até a cozinha da nave. Passou o dia entre cozinhar e limpar. Não viu Lucelle.
No dia seguinte Mariana também trabalhava na cozinha, Lucelle surgiu como uma aparição, uma deusa, estava ainda mais bonita numa túnica vermelho-sangue transparente e os longos cabelos negros presos numa trança com fitas douradas combinando com as da túnica.
--- Vem comigo. --- disse Lucelle num tom que não deixava espaço para desobediência
Chegaram a uma sala enorme, Lucelle parou em frente a ela e disse:
--- Você irá servir o meu almoço.
--- Se é o que quer.
Lucelle reagiu a essas palavras estalando um tapa no rosto de Mariana.
--- Tenha respeito por sua dona, insolente! Quando eu lhe der uma ordem diga apenas: sim, Senhora --- disse segurando o braço de Mariana com força --- Entendeu escrava?! Ou quer apanhar mais?
--- Entendi Senhora.
--- Agora me sirva! --- disse sentando-se a mesa --- Quero um pouco de vinho.
Mariana abriu a garrafa e despejou um pouco do líquido na taça de sua dona.
--- Quero batatas recheadas com salsichas, um pouco de arroz com agrião e também um pedaço de carne de girafa.
Mariana serviu Lucelle com o que ela pediu. Ficou em pé do outro lado da mesa, de frente pra ela esperando que ela terminasse a refeição. Sentia fome também, não havia tomado café da manhã. Mas não tinha coragem pra pedir pra comer.
--- Agora venha comigo.
A seguindo, Mariana se viu numa ampla suíte, que mais parecia feita para um castelo e não para uma nave espacial.
--- Prepare o meu banho.
--- Sim, Senhora.
Mariana fez tudo mecanicamente, não conseguia concentrar-se em nada além da presença daquela mulher no mesmo cômodo que ela e a proximidade dela nas suas costas. E o cheiro... Aquele cheiro que entranha nas narinas cada vez que ela está por perto...
--- Está pronto, Senhora.
--- Agora vá para os seus aposentos escrava! Alguém levara algo para que você coma lá mesmo.
Tarde da noite, deitada em sua estreita cama, sem conseguir dormir, Mariana se pôs a chorar. Sentia saudades de seu pai e sua mãe, nunca mais os veria. Pensava na dor que eles deviam ter sentindo quando ela morreu repentinamente e tão jovem... Pagaram pelo serviço do Centro de Criogenia para que tivesse uma segunda chance. E olha só como estava ela agora. Se tivesse ouvido a senhora Roseis... Como será que está a senhora Roseis? Jilly, Kessy... Será que sabiam o que Lucelle estava fazendo com ela? Claro que sabiam. E com certeza nada puderam fazer pra impedir.
Por outro lado Mariana não se sentia mais confusa em relação aos seus sentimentos por Lucelle, sabia e aceitava que a desejava e que queria ser possuída por ela de novo. Mas agora é tarde para qualquer arrependimento. Já tinha se entregado para os braços de um homem poucas horas depois de ter passado a noite fazendo amor com sua noiva. E uma traição dessas Lucelle jamais perdoaria. Agora era a escrava pessoal dela, só a morte a tiraria dessa situação, mas isso estava fora de questão.
Os dias que se seguiram não foram muito diferentes a não ser pelo fato de que não viu mais Lucelle. Mariana trabalhava duro durante o dia e ficava trancada em seu quarto a noite.
Porém na última noite que passariam naquela nave, aconteceu uma festa de confraternização entre todos os tripulantes, sendo todos eles agentes que trabalhavam para o governo, colegas de profissão de Lucelle.
Mariana nunca os tinha visto, pois não era permitido que ela andasse pela nave. Mas sabia que a nave contava com 57 passageiros, pois ouvira uma outra escrava dizer a alguém. E como era escrava pessoal de Lucelle só servia a ela e ninguém mais. Ficou sabendo depois que a sala de refeições onde a tinha servido outro dia era privativa dela. Cada dia que passava tomava mais consciência do quão importante e poderosa era a estonteante morena dona de um par de olhos azuis magníficos... E dona dela também.
Mariana estava trajada com uma vestimenta típica dos escravos. Era um vestido azul, que embora simples lhe realçava o corpo.
Lucelle mais uma vez estava como uma deusa. Finamente vestida em roupas de pura seda com rosas douradas bordadas a fios de ouro.
Caminhavam entre os convidados, Lucelle sempre um passo a frente de Mariana.
---Senhora Lucelle Francis! Como está bonita! --- veio cumprimentar um senhor com seus 60 anos trazendo a tira-colo uma moça jovem. --- Quero apresentar-lhe a minha filha Esmirna.
Esmirna era uma moça muito bonita e atraente, morena, cabelos e olhos castanhos, que olhava para Lucelle com evidente interesse.
--- Prazer senhorita. --- disse Lucelle estendendo-lhe a mão e sorrindo
Mariana não gostou do jeito de Esmirna olhar para sua dona.
--- O prazer é todo meu Senhora Lucelle. --- disse a jovem gracejando
Agora Mariana gostava menos ainda.
--- Não sabia que tínhamos a companhia de uma mocinha tão bela em nossa tripulação. --- disse Lucelle
--- É que minha filha é uma moça muito tímida Senhora Lucelle.
--- Tímida! É uma oferecida, isso sim! --- Mariana disse baixinho pra si mesma e ninguém parece ter notado
--- Esmirna é uma jovem muito talentosa senhora Lucelle --- disse o velho homem --- Toca três instrumentos, conhece línguas mortas como português e japonês, além de ter uma bela voz e ser muito bonita. E está solteira. A espera de alguém que faça o coração dela bater mais rápido.
--- Velho interesseiro e casamenteiro dos diabos! --- resmungou Mariana
--- Disse alguma coisa escrava? --- perguntou Lucelle a olhando penetrantemente nos olhos
--- Não! Senhora. --- respondeu nervosa
--- Ainda bem, porque escrava minha não fala a menos que eu ordene. --- e virando-se para Esmirna perguntou:
---Quer dançar?
--- Oh! Claro que quero senhora Lucelle!
--- Oh! Claro que quero senhora Lucelle! --- Mariana remedou Esmirna baixinho fazendo uma voz engraçada
Levou um susto quando Lucelle chegou bem perto dela, de frente, abaixou a cabeça até seus ouvidos e disse:
--- Só não corto sua língua fora porque pretendo fazer uso dela mais tarde.
E saiu em direção a pista de dança de braços dados com Esmirna.
O coração de Mariana deu um salto. O que será que ela quis dizer com isso? Será que... Bah! Como poderia saber sendo Lucelle tão imprevisível?!
Olhando para a pista de dança viu Esmirna rindo de algo que Lucelle estava dizendo a ela ao pé do ouvido. Sentiu um ódio tão grande pela cena. Como Lucelle era falsa! Que amor é esse que dizia sentir por ela se no primeiro e único erro que cometera foi logo se vingando e a fazendo escrava? Tudo bem que foi uma traição e todas as traições são graves. Mas estava claro que Lucelle só a queria na cama e nada mais. Talvez a intenção dessa diaba de olhos azuis o tempo todo era fazê-la sua escrava e o casamento era só um pretexto para possuí-la ainda mais rápido.
Pois daria uma lição nela! Se ela tentasse a ter outra vez, como sugeriu há pouco baixinho em seu ouvido, a rejeitaria! A humilharia como ela a estava humilhando esse tempo todo!
Capítulo 6
Assim que a música acabou, Lucelle deu um leve beijo na boca de Esmirna e disse:
--- Temo ter que despedir-me de tão bela jovem.
--- Ah, mas tão rápido? --- Esmirna dizia fazendo beicinho --- A noite é só uma criança... --- emendou com um olhar cheio de promessas
--- Sinto muito Esmirna, mas preciso dormir cedo hoje, amanhã chegaremos muito cedo a Vênus. Lembre-se que não estou aqui para o prazer e sim para o trabalho.
--- Tudo bem então. --- disse uma triste Esmirna --- Mas vamos nos ver de novo ainda em Vênus?
--- Pode ser que sim, Esmirna. --- disse olhando em volta, ao encontrar um par de olhos verdes voltou seu olhar para Esmirna --- Agora preciso ir. Boa noite.
Saiu deixando uma Esmirna decepcionada e triste. Caminhou até Mariana.
--- Vamos escrava!
Mariana a seguiu calada, não por medo dessa vez, mas pelo ódio que estava sentindo.
Ao chegarem ao quarto Lucelle trancou a porta, puxou Mariana para seus braços sem lhe dar tempo de esboçar nenhuma reação. Rasgou o vestido azul que a loira vestia, beijou-lhe a boca, a virou de costas e a jogou na cama, subindo em cima dela. Beijava e acariciava o corpo dela inteiro, começou a mordiscar a orelha, o pescoço, costas...
Mariana estava em êxtase, mas o pouco de juízo que lhe restava a fez pensar na cena que tinha visto na pista de dança. Lucelle dançando com aquela tal Esmirna, e ainda a beijou no fim da música!
Com algum esforço conseguiu se soltar e correu para a porta, tentou abri-la em vão. Não tinha as chaves!
Lucelle meio sentada na cama com os braços apoiados para trás olhando a cena ria sarcasticamente:
--- Hahahaha... Não me faça rir Mariana! Que escrava petulante essa que tenho! --- parou de rir e disse com a voz rouca e baixa num misto de tesão e irritação --- Vem aqui Mariana!
--- Nossa! A Senhora Lucelle se lembrou que tenho nome? --- provocou com ironia
--- Pare de brincar comigo sua insolente! Venha aqui agora!
Mariana ergueu a cabeça, empinou o nariz e disse com toda a dignidade que pode reunir.
--- Não vou não! Não tem nada nesse mundo inteiro que me faça querer ser sua de novo!
Lucelle caminhou lentamente cercando a lourinha como uma onça que caminha até sua presa para atacá-la. Olhando o seu corpo nu de cima abaixo e de baixo a cima. Parou em frente a ela, e a cercou com os dois braços em volta dela encostados na parede. Disse baixinho olhando no verde daqueles olhos:
--- Sou mais forte que você. E... Quanto mais você reagir... Mais excitada... Eu fico. --- disse com a respiração difícil, tentando controlar o tesão que a assaltava mais forte com a proximidade de Mariana, sua boca feita pra beijar, seu corpo nu pressionado pelo dela, sua pele...
--- Agora, você é quem sabe, Mariana. Será por bem ou por mal. E... Lhe garanto que será gostoso dos dois jeitos.
Dizendo isso capturou a boca de Mariana num beijo violento e exigente.
Mariana ainda com raiva pensou que não deixaria que o fogo que consumia seu corpo pusesse tudo a perder. Tentou manter-se fria. Parou de corresponder ao beijo. Por certo que Lucelle não iria querer fazer amor com uma estátua de gelo.
Ao perceber que Mariana parou de corresponder ao beijo, Lucelle enfiou mais ainda a língua na boca dela, chupando-a, mordiscando-a, provocando-a.
--- Enfie sua língua em minha boca Mariana! --- ordenou Lucelle com a voz embargada pelo desejo
Mariana não obedeceu. E levou um tapa no rosto.
--- Escrava minha faz o que eu mando! Será que vou ter que te tratar na base da chibata para que você faça o que quero?!
Ainda irritada, Lucelle pega Mariana no colo e a leva até a cama. Tirou as próprias roupas e se ajeitou em cima dela.
--- Beije-me direito! Não me faça te bater, não quero ter que judiar desse seu rostinho lindo.
Com medo, Mariana fez o que ela pediu.
Lucelle preparou Mariana para ser penetrada com beijos, chupões, lambidas e quando a sentiu molhada o suficiente pôs três dedos dentro dela.
Mariana estava irritada consigo mesma por não poder reagir, por ter medo dela e ainda por cima de estar gostando. Ao sentir os dedos de Lucelle dentro dela não conseguiu conter um gemido. Como era delicioso estar fazendo amor com essa mulher! Era tão bom senti-la dentro de si. Não conseguiu pensar mais em nada, só no que estava sentindo e no corpo macio e cheiroso daquela deusa de olhos azuis em cima dela.
Mariana se sentia desfalecer de tantos orgasmos múltiplos que tivera. Estava cansada de tanto gozar. Mas nada fazia Lucelle parar. Ela a tinha amado de todas as formas e posições possíveis. Talvez fosse entendida e adepta do Kama-sutra. Quando finalmente parou de dar prazer a Mariana a morena lhe deu outra ordem:
--- Quero que você me beije entre minhas pernas.
Mariana logo se pôs entre as pernas da morena e a beijou onde ela a tinha ordenado.
--- Agora enfie a língua. --- gemeu --- Ah... Isso... Mais forte... Ah...
Algumas horas depois de fazerem, refazerem e fazerem de novo, Lucelle levantou-se, caminhou até o seu guarda-roupa, pegou uma roupa sua e a estendeu para Mariana:
--- Vista isso. Rasguei suas roupas e não quero que ande nua por aí. Você é muito bonita de se olhar, mas é um privilégio apenas para os meus olhos.
Mariana levantou-se da cama também, pegou a roupa e vestiu. Era um vestido rosa-chá que lhe caia cumprido demais, devido à diferença de altura entre as duas.
--- Agora vá para o seu quarto.
Na manhã seguinte, Mariana ouviu batidas insistentes a porta de seu quartinho minúsculo. Levantou-se e abriu a porta. Lucelle a tinha dado a chave na noite anterior, não por confiança, mas por saber que não haveria modo de ela escapar, e também era o último dia na nave.
Abriu a porta e deu de cara com aquela senhora velha e sempre mal humorada que ficava com ela na cozinha preparando a comida de Lucelle.
--- Ande logo! Temos muito trabalho a fazer antes de pousarmos em Venúzia.
Na cozinha, picando batatas, Mariana percebe que a velha senhora escrava a estava olhando muito com cara de deboche.
--- O que foi? É novidade pra você uma escrava picando batatas? --- perguntou Mariana num tom que demonstrava deboche e irritação
--- Não, já vi muitas escravas picando batatas. --- riu ironicamente e completou --- E também já vi muitas escravas entregando o corpo para seus donos em troca de alguma coisa qualquer... Um vestido, por exemplo...
Agora é que Mariana se dava conta que ainda trajava o vestido que Lucelle a dera na noite passada. Mas faria o que? Lucelle não a deixara trazer nenhuma das roupas que tinha quando morava com a senhora Roseis, aliás, nem roupas e nenhum outro tipo de pertence.
--- Queria você ser nova e bonita como eu pra poder fazer o mesmo! --- respondeu Mariana irritada
Algumas horas depois toda a tripulação foi avisada que deveria se direcionar até o compartimento onde havia as poltronas que estiveram quando a nave decolou.
Lucelle veio atrás de Mariana para certificar-se que ela estava indo também. Sentaram-se uma ao lado da outra. A nave tremeu. Momentos depois finalmente aterrisavam em Vênus, atravessando a cúpula que protegia que o oxigênio necessário para que pudessem respirar na cidade saísse.
Lucelle e Mariana desceram da nave e entraram num carro que já as esperava.
Venúzia era a capital de Vênus, toda a cidade era muito parecida com as da Terra, pois fora os terráqueos que a construíram. Toda cultura e trabalho ali eram obra de pessoas vindas da Terra. Embora os venezianos andassem se rebelando, querendo ser um planeta independente. Mas isso era uma utopia, ao menos no momento. Tanto Vênus quanto Marte queriam a liberdade, mas se o governo terrestre permitisse que isso acontecesse teria que mudar mais da metade de sua população para os dois planetas explorados. E o orgulho de ser terráqueo era muito forte.
O carro entrou na estrada que levaria até uma mansão de quatro andares. Estacionou bem em frente a porta de entrada. Mariana estava encantada com a beleza do lugar.
--- Senhora Lucelle! --- um senhor uniformizado como mordomo veio recebê-las --- Essa casa não é a mesma sem a senhora. --- disse sinceramente
--- Também senti sua falta Arthur! --- disse abraçando o velho homem
--- Vejo que trouxe sua esposa! --- disse indo em direção a Mariana e a abraçando --- Como você é bonita, bebê! A senhora Lucelle já me havia dito isso antes, mas agora vejo que não é exagero!
--- Ela não é minha esposa. --- disse Lucelle secamente --- É minha escrava.
Disse e saiu caminhando deixando pra trás um Arthur totalmente embasbacado e uma Mariana sem-graça.
--- Mas você não é a senhorita Mariana? --- perguntou ele totalmente confuso pra Mariana
--- Em carne e osso.
--- Mas então... O que aconteceu?
--- Venha escrava! --- Lucelle tinha voltado quando percebeu que Mariana não a seguiu ---Não a quero de conversa com ninguém. Não é para isso que você está aqui.
--- Senhora Lucelle... --- O mordomo Arthur correu até sua patroa --- O que está acontecendo?
--- Depois Arthur. Depois.
Mariana ficou espantada com a confiança que o mordomo tratava Lucelle. Por muito menos ela lhe havia esbofeteado. Quem ele se achava para pedir satisfação da vida pessoal e íntima da patroa? E porque ela não o repreendeu? Lucelle tinha muitas facetas. Cada dia entendia menos aquela mulher.
Passaram por um hall muito grande que levava a uma sala de estar ainda gigantesca. Nela se encontrava uma escadaria que possuía dois lados que se encontravam lá em cima no segundo andar. Nesse andar a cima havia outra escadaria. A suíte máster de Lucelle se encontrava no quarto andar, tinha um hall só seu que dava para uma escada particular. Entraram no quarto. Tinha uma ante-sala com poltronas, estantes, aparelhos eletrônicos e uma imensa porta que dava para o banheiro. Atravessaram essa sala e seguiram para a sala de dormir, que era tão grande quanto. No centro do local havia uma cama extremamente grande com dossel.
--- Ah Arthur, estou muito cansada --- disse Lucelle --- meu fuso-horário está totalmente trocado, a viagem foi extremamente cansativa e essa noite quase não dormi. --- disse olhando para Mariana, que corou e abaixou a cabeça
--- Pedirei que Tamy venha preparar seu banho e sua cama, senhora.
--- Não! Mariana fará isso.
--- Mas a menina deve estar cansada também, senhora!
--- Sim, é verdade. Depois de preparar-me um banho arrumar minha cama ela descansará. Ah... Quero sais, muitos sais de banho e lençóis de seda.
E assim foi. Mariana preparou o banho.
--- Senhora, o banho está pronto.
Lucelle caminhou até o banheiro. Ao ver que Mariana saia do cômodo perguntou:
--- Onde você pensa que vai?
--- Preparar sua cama, senhora.
--- Depois. Agora quero que me ajude com o banho. E tire a roupa.
Ao ouvir isso Mariana sentiu um arrepio na espinha. O que será que aquele demônio de olhos azuis pretendia?
Despiu-se e aguardou mais ordens.
--- Entre aqui e esfregue minhas costas.
Mariana o fez. Esfregava as costas de Lucelle com a ajuda de uma bucha.
--- Não menina! Faça com as mãos.
Ai é que entra o perigo. A loirinha lhe esfregava as costas com a mão em uma espécie de massagem, estava tão excitada que nem percebia que a estava acariciando.
Um leve sorriso camuflado brincava nos lábios de Lucelle. Estava com tesão pela maneira que sua loirinha a estava acariciando e sabia que a menina a estava desejando também. Chamara-lhe ali de propósito. Virou-se de frente pra ela e a puxou num beijo enlouquecido. Suas mãos passeavam por aquele corpo dourado. Fizeram amor dentro da banheira.
Quando acabaram Lucelle mandou que Mariana arrumasse a cama para que pudesse descansar, embora não fosse bem isso o que tinha em mente e Mariana já desconfiava das verdadeiras intenções de sua dona. Fizeram loucuras na cama e por fim adormeceram abraçadas.
Acordaram com o soar de uma espécie de comunicador que as chamava para o jantar.
--- Bem na hora --- disse Lucelle --- Estou faminta!
A barriga de Mariana se manifestou em concordância, mas ela nada disse.
Desceram e foram para a sala de jantar.
--- Olá senhora Lucelle! --- disse uma oriental muito bonita e toda insinuante.
--- Como vai, Tamy?
--- Com saudades da Senhora...
--- Também senti sua falta Tamy --- mentiu Lucelle
O sangue de Mariana estava fervendo.
--- Fiquei contente em saber que não se casou...
--- Tamy! --- repreendeu Arthur --- Deixe de ser insolente! Recolha-se ao seu lugar de escrava!
--- Sei que a Senhora Lucelle me perdoará --- respondeu atrevida --- Servirei seu jantar Senhora Lucelle.
--- Não Tamy --- disse sentando-se a mesa --- Mariana servirá.
Tamy olhou para Mariana com uma fúria contida. Seus olhos chispavam.
Após a refeição Lucelle levantou-se da mesa e disse:
--- Arthur, quero que leve Mariana até seus novos aposentos. Mas antes, dê a ela o que comer.
--- E onde a quer colocar Senhora?
--- Onde mais? Junto com Tamy, na ala dos escravos.
--- Tem certeza senhora?
--- Mas é claro que tenho.
Arthur levou Mariana até a ala da casa destinada a serviçais. Dividiria o local com Tamy, que era uma escrava como ela e com Tinahy, que era uma empregada comum.
Teria seu próprio quarto, não era luxuoso, mas também não era pobre. Tinha uma cama de solteiro, uma cômoda, um criado mudo e um pequeno guarda-roupa. O banheiro era do lado de fora e teria que dividi-lo com as outras duas meninas.
A única coisa que Mariana queria era dormir. Estava exausta. Já estava deitada em sua cama quando ouviu a porta se abrir. Olhou pra ver a fisionomia que conhecia tão bem, mas teve uma surpresa e até certa decepção quando viu que não era Lucelle. Era Tamy.
--- Olha aqui loirinha --- atacou a oriental --- Vim aqui pra deixar as coisas bem claras entre você, eu e a Senhora Lucelle. Vi como a olhou agora há pouco tempo no jantar. Pois saiba que eu sou a preferida.
--- Então você freqüenta a cama de Lucelle?
--- Tecnicamente não, mas está muito próximo de eu conseguir e nem você e nem ninguém irá impedir-me!
--- Pois não se preocupe. Não tenho intenção de ficar. --- respondeu Mariana torcendo o nariz para a oriental e acrescentou --- Pode ficar com aquele demônio todo pra você!
--- Se pensa em fugir loirinha, saiba que muito me faz contente, mas devo adverti-la que uma escrava, que ficou anos e anos congelada e sem documentos, não tem vez! Morrerá de fome ou... --- Sorriu com deboche --- Terá de saciar os caprichos de alguém que a sustente! Hahahahaha!
E saiu rindo fechando a porta com força. Mariana não havia se lembrado dos seus documentos. A senhora Roseis disse que tudo estava às mãos de Lucelle e que ela lhe daria, mas com tudo o que aconteceu... Como faria na cidade, em outro planeta sem documentos? Tamy estava certa, era só uma escrava. Mas não desistiria! Preferia virar uma morta de fome a ter que se entregar a luxúria de Lucelle para logo depois ser chutada. Não! Fugiria na primeira oportunidade.
Uma vez livre tentaria voltar a Terra para buscar ajuda da senhora Roseis.
Capítulo 7
A oportunidade que Mariana esperava não tardou a chegar. No dia seguinte, logo pela manhã Lucelle havia saído para resolver algo com o governo. Talvez estivesse trabalhando. Não sabia exatamente, o certo é que iria com certeza demorar a voltar.
Subiu até o quarto de Lucelle e procurou até encontrar dinheiro o suficiente para se manter por semanas, talvez até pagar a passagem de volta ao planeta azul.
Desceu para o jardim principal e ficou a fingir que regava as plantas enquanto vigiava disfarçadamente o caminho que dava para o portão da saída.
Ao ver que a passagem estava liberada correu até o portão.
--- Trancado! Ótimo! --- resmungou
Olhou pra cima. O muro além de ser muito alto também era eletrificado. Por Vênus ser um planeta ainda em fase de exploração, seus habitantes eram em sua maioria pobres. E pobreza gera criminalidade. Ou seja, uma mansão como essa precisava de toda proteção possível.
E agora? O que fazer?
Aquela mansão mais parecia um presídio. Só havia uma maneira de sair de lá: pedindo que o porteiro abrisse. Mas ele não deixaria uma escrava sair, deixaria? Um sorriso de repente iluminou o rosto de Mariana.
--- Isso deve funcionar! --- disse a loura caminhando até a instalação do porteiro
--- Oi... --- disse uma voz melosa e sedutora
Stuar estava trabalhando há horas sem parar para descansar. Era um homem baixinho e gordo com cara de bobo. Trabalhava como porteiro há mais de ano na mansão da poderosa Lucelle Francis. Sempre a achara bonita demais, mas a desgraçada nunca nem lhe olhara na cara, sempre o tratando como lixo. Tinha certeza e que se ela o visse na rua não o reconheceria. E como era gostosa... Nunca, jamais teria a chance de ter uma mulher assim... Agora, olhando para a dona da voz sedutora que o cumprimentava se encontrava perplexo. Todo esse pensamento durou cerca de um milésimo de segundo. Respondeu ao cumprimento mais que rapidamente:
--- Oi! Que-quem é você? --- gaguejou
--- Sou nova aqui, você não deve me conhecer.
--- Agora estou lembrado! Abri o portão para vocês ontem. Você veio com a senhora Lucelle. Deve ser a esposa dela.
--- Ah? Ah sim! Sou! --- Mariana agradeceu silenciosamente pela confusão do porteiro --- Mas sabe, Senhor ... --- chegou bem perto, parou de frente pra ele, o segurou pela gravata e leu o nome no crachá --- Stuar... Estou um pouco cansada dessa vida que levo... Quero... --- disse o olhando nos olhos --- Emoções diferentes! Se é que me enttende.
Se ele entendia? Claro que entendia! Não aceitava nunca que duas mulheres tão bonitas estivessem juntas sem sentir falta de um macho! Sabia que tinha algo errado nesses relacionamentos e a prova estava parada de pé em frente a ele: Uma mulher sedenta por sexo com um macho!
--- Entendo perfeitamente o que você quer. --- disse ele com um olhar de quem vai pular em cima dela a qualquer momento
--- Mas sabe, Senhor Stuar, creio que um cavalheiro como você merece coisa melhor do que um simples sexo aqui, nesse lugar sem conforto... Sabe como é... Precisamos de um lugar melhor para nos divertirmos.
Ao ouvir isso, Stuar sentiu-se importante, nunca na vida o trataram com tamanha consideração.
--- E o que sugere, boneca?
--- Abra o portão para que eu possa ir a um lugar que conheço para reservar uma hora pra nós dois...
Ele ficou todo animadinho:
--- Mas não demore, boneca! --- disse apertando o botão para que o portão se abrisse
--- Não me demoro, gostosão!
Uma vez na rua, Mariana entrou em uma condução que, ao contrário da Terra não era de graça. Pagou. Quando pensou estar longe o suficiente da mansão de Lucelle desceu. Entrou numa loja que vendia aparelhos eletrônicos. Achou que o melhor que deveria fazer era comprar um dispositivo de pulso, pois Lucelle confiscara o seu. E depois se tivesse um dispositivo poderia falar com a Senhora Roseis.
--- Olá. Em que posso ser útil? --- perguntou a vendedora da loja se aproximando.
--- Oi. Gostaria de comprar um dispositivo de pulso, por favor.
--- Quer ver os modelos? Tem preferência por alguma cor em especial?
--- Não, tanto faz. Esse aqui mesmo está bom. --- disse Mariana apontando para a vitrine
--- Vai pagar...
--- Com dinheiro. --- apressou-se em responder
--- Documentos, por favor.
--- Documentos? Mas eu já disse que pagarei com dinheiro.
--- Desculpe senhorita, mas não posso lhe vender um aparelho desses sem que se registre antes. Preciso de documentos.
Droga! Não pensara nisso! O que tinha foi a Senhora Roseis que a havia presenteado ainda no Centro de Criogenia. Com certeza devia estar registrado no nome dela.
--- Bom, então fica pra outra hora. Esqueci meus documentos em casa.
--- Estarei às ordens quando voltar, senhorita. Tenha um bom dia e volte sempre.
Mariana saiu da loja irritada. Deveria procurar um lugar pra passar a noite. Um hotel, ou algo assim, mas que fosse barato, E principalmente que a aceitasse sem que precisasse mostrar documentos. Deveria poupar o dinheiro para voltar a planeta Terra e livrar-se de uma vez por todas daquele demônio de olhos azuis!
Não tardou a encontrar um lugar para ficar. Era uma espelunca barata, mas dava pra passar a noite e ainda teria direito ao jantar.
Entrou no quarto que iria ocupar, olhou em volta. Talvez o quarto destinado a serviçais que havia dormido na mansão de Lucelle fosse mais agradável que ali. Mas ao menos não teria que ouvir as besteiras e ameaças disparadas por Tamy e nem agüentar as repetidas humilhações que Lucelle a fazia passar.
Resolveu tomar um banho, estava suada. Ótimo, o chuveiro era frio. Como odiava água fria! Lavou-se, vestiu-se e saiu do banheiro.
--- Divertiu-se muito brincando de fuga, Mariana?
Mariana quase desmaiou quando a viu sentada na cama com as pernas cruzadas com um olhar sarcástico.
--- Lucelle! --- foi a única coisa que conseguiu dizer
--- E então, quer ser castigada aqui mesmo ou quer esperar até chegar a casa?
Como não houve resposta, Lucelle continuou a falar:
--- Vem até aqui Mariana.
E ela foi. Lucelle pegou Mariana e a fez deitar em suas pernas com o bumbum pra cima. Puxou a roupa da loura pra baixo de forma que as nádegas alvas ficassem nuas. Ergueu as mãos espalmadas e bateu por diversas vezes até que ficasse vermelho.
--- Aiiiiii! Aiiiiii! Pare! Está doendo! --- pedia Mariana
--- Se você quer se comportar como criança, pois será como criança que será tratada!
Dizendo isso parou de bater. Mariana se levantou num pulo e ajeitou novamente as roupas.
--- Como criança ou como escrava? --- gritou Mariana
--- Como o que eu quiser que você seja. Você pertence a mim! E vou lhe avisando Mariana, não ouse fugir outra vez, ou conhecerá um lado meu mais negro a qual você nunca sonhou!
--- Hahahahahaha --- Mariana ria irônica --- Está me dizendo que você consegue sser mais malvada? Hahahahahahaha...
--- Vamos embora desse lugar imundo. Meu carro está lá fora.
Lucelle dirigia o carro muda. Mariana estava sentada na poltrona ao lado de Lucelle.
--- Como você sabia? --- indagou Mariana a morena
--- Como eu sabia o que? --- perguntou Lucelle inocente
--- Como você sabia onde eu estava?
--- Simples, você tem um chip dentro de você.
--- O que?
--- Pedi que o Dr. Fannesi o colocasse. Portanto, meu bem, sei exatamente o local onde você se encontra sempre.
--- Eu não acredito que além de tudo você ainda tenha feito isso! Eu seria sua esposa!
--- Não foi com essa intenção Mariana. Você sabe que tenho um trabalho perigoso, portanto é sensato que minha esposa tenha um chip pra que eu possa sempre saber se está bem e segura.
--- Sua escrava.
--- O que?
--- Você disse sua esposa. Sou sua escrava.
--- Sim, minha escrava. --- a voz de Lucelle soou triste
--- O que irá fazer comigo, senhora?
--- Vou te domar.
Nada mais disseram durante o percurso. Ao chegarem Arthur veio recebê-las:
--- Ah senhorita Mariana! Que bom que está bem! Quer alguma coisa? Talvez um refrigerante? Uma sopa?
--- Sim, Arthur, dê uma sopa a Mariana. --- disse Lucelle --- Aposto que ela está faminta.
Entraram, Lucelle subiu ao seu quarto e Mariana se encaminhou com Arthur para a cozinha. Enquanto a loura saboreava a sopa os dois conversavam:
--- Menina, fez mal em fugir. --- disse Arthur em tom de preocupação --- Poderia ter te acontecido algo de feio!
--- Agradeço a sua preocupação Arthur ---respondeu Mariana sinceramente --- Mas nada me aconteceu e no mais o que de pior poderia ter me acontecido do que estar aqui, presa por uma mulher que me odeia?
--- Não diga isso Mariana... A Senhora Lucelle não a odeia! Pelo contrário!
--- Pois se não me odiasse não estaria me tratando assim.
--- Reconheço que ela está agindo com você de uma forma dura, mas sei também que toda ação provoca uma reação.
--- Por acaso insinua que a culpa de tudo isso que está acontecendo é minha, Arthur? Por acaso acha que eu estou gostando de ter acordado num mundo completamente diferente do qual estava acostumada e ser obrigada a me casar com uma mulher sem ao menos conhecê-la e simplesmente por discordar da opinião da Senhora Poderosa Lucelle ainda ser feita de escrava?
--- Não foi isso que eu disse, menina. --- defendeu-se o velho mordomo --- Apenas disse que você não deveria tê-la traído. Se isso não tivesse acontecido, tudo hoje estaria bem.
--- Mas eu estava confusa! Eu nunca me senti atraída por mulheres. E quando soube que seria obrigada a passar o resto da vida como esposa de uma, pirei! Ainda mais uma mulher mais velha sendo que sou uma pós-adolescente...
Lucelle que estava chegando ao local ouviu sem intenção as duas últimas frases pronunciadas por Mariana. Desistiu de ir até a cozinha. Resolveu sair para ver se a irritação passava.
Mas os dois que nem imaginavam o que tinha acabado de acontecer continuavam a conversa:
--- Sei que estava confusa menina... Mas isso foi antes, não é mesmo?
--- Onde você pretende chegar Arthur?
--- Só Lucelle parece não notar a forma que você a olha.
--- Não sei o que anda a me acontecer...
--- Pois eu sei! Chama-se: Paixão. Está apaixonada por sua dona, Senhorita Mariana.
As palavras de Arthur penetraram em sua alma como um punhal. Sabia o tempo todo dessa verdade, mas não queria, não podia admitir! Começou a chorar.
--- Não chore menina, não foi minha intenção.
--- O que adianta admitir meus sentimentos agora Arthur? É tarde demais...
--- Sua pouca idade a cega para o que está diante de ti.
--- O que você quer dizer com isso?
--- Porque não tenta reconquistá-la? --- respondeu Arthur espertamente com outra pergunta
--- E como eu faria isso?
--- A Senhorita deve saber melhor do que eu...
Mariana corou. Baixou o olhar. Teve seus pensamentos interrompidos pelo toque estridente do dispositivo de pulso de Arthur, que o atendeu com rapidez:
--- Alô? ... Sim, senhora Lucelle... Tudo será preparado à seu gosto. Tchau.
Desligou o aparelho e disse para Mariana:
--- Parece que teremos uma festa esta noite.
Capítulo 8
O que aconteceu a seguir foi uma verdadeira superprodução. Arthur havia contratado uma equipe especializada em decoração, buffet, som, e todo o resto que se precisa para que uma festa seja um sucesso.
Em pouco mais de cinco horas tudo estava na mais perfeita ordem. A festa seria a beira da piscina com motivos tropicais. Havia uma mesa gigante com frutas de todos os tipos picadas e decoradas em variadas formas de flores. Outra mesa com todas as especiarias da culinária da antiga civilização havaiana. Dentro da enorme piscina tinham vários e pequenos recipientes especiais com fogo ardendo em chamas. Um conjunto musical tocava músicas havaianas antigas e animadas e os primeiros convidados estavam começando a chegar usando roupas de banho.
Mariana trajava uma fantasia idêntica a de Tamy e de Tinahy: Saiote de palha, e um top feito com côco, ornamentado com flores tropicais e multicoloridas, de modo a servirem as mesas. Era exatamente o que estava fazendo quando viu Lucelle chegar deslumbrante com o corpo perfeito à mostra num biquíni azul claro da cor dos olhos dela e por cima uma mini-saia floral que pouco tinha a esconder. Seus olhos se encontraram. Lucelle veio em sua direção a fitando nos olhos. Seu coração disparou. Como ela está linda! Mas Lucelle passou direto por ela, seguindo em frente.
Quando Mariana virou-se para ver onde Lucelle estava indo ficou vermelha de ódio. A viu cumprimentar Esmirna com um beijo leve nos lábios, igual ao que dera naquela última noite na pista de dança da nave que as trouxera a Vênus.
--- Filha de uma...
--- Você não está aqui pra vigiar a Senhora Lucelle, lourinha! ---falava Tamy --- Desça dessa nnuvem sua idiota! Ela não é pra você.
--- E por acaso ela é pra você? --- perguntou Mariana alterando a voz
--- Não sou uma sonhadora como você, sei que jamais passarei da cama dela. --- e disse apontando em direção a Lucelle e Esmirna --- Vê aquela morena que está com ela? É com moças assim que ela se unirá em matrimônio.
--- Cale a boca sua venenosa! Você tem inveja porque Lucelle me deseja e me quer, enquanto você se arrasta aos pés dela e em troca só recebe ordens para que limpe ou lave algo para ela!
As palavras de Mariana parecem ter surtido o efeito desejado em Tamy, pois ela afastou-se imediatamente sem nada dizer.
Mariana olhou novamente para a direção onde estavam Lucelle e Esmirna, que se danem as duas!
Tratou de voltar a servir mesas, assim poderia tirar aquele demônio de olhos azuis da cabeça. Por possuir uma beleza exótica, e olhos num tom de verde muito brilhantes,muitos homens e mulheres a tratavam com uma excessiva gentileza. A cantavam, faziam convites. Obviamente supunham que a loura fosse uma empregada comum e não uma escrava.
Lucelle dançava com Esmirna de um jeito sensual. A provocava numa tentativa de punir Mariana pelas palavras que a ouviu dizer para Arthur à tarde na cozinha.
Esmirna era toda sorrisos, estava realmente muito bonita num biquíni verde e short da mesma cor que realçava a beleza natural de seu corpo. Mas Lucelle só tinha olhos para Mariana. Não a perdia de vista nem um só segundo. Quando via que a loura a olhava, dava um jeito de tocar de uma forma insinuante em Esmirna.
Toda vez que Mariana olhava para Lucelle ela estava com as mãos em cima de Esmirna. Pois provaria que era mais interessante do que essa filhinha de papai! Mesmo sendo uma escrava!
Começou a receber elogios e cantadas de seus admiradores com sorrisos. Sorria o tempo todo. Mas sua atenção estava voltada para Lucelle... E a tonta da Esmirna pendurada nela.
Lucelle viu que Mariana estava flertando descaradamente com seus convidados.
--- Piranha! --- resmungou
--- O que disse? --- perguntou Esmirna assustada
--- Aranha! --- respondeu Lucelle as pressas --- Tem uma aranha ali no chão.<
--- Onde? --- Esmirna olhou na direção indicada por Lucelle a procura
--- Foi embora. --- mentiu --- Deve ter se assustado com toda essa gente...
Lucelle olhou de volta para Mariana, ela estava com uma bandeja na mão servindo dois rapazes e ria animadamente de algo que um deles dizia. Lucelle então pegou Esmirna nos braços e a beijou. Foi um beijo mecânico e sem emoção.
Mariana deixou a bandeja cair quando viu Lucelle aos beijos com Esmirna. Milhões de coisas passaram pela cabeça dela em uma fração de segundos, mas a única reação que teve foi puxar o rapaz a sua frente e beijá-lo também.
O rapaz surpreso, porém satisfeito por beijar uma moça tão bonita, apertou Mariana num abraço.
--- Sua piranhazinha barata! --- disse Lucelle que ao ver a cena foi até onde estava o casal, que aos beijos não a viram se aproximar
Esmirna confusa correu atrás de Lucelle para ver onde ela estava indo com tanta fúria.
Lucelle agarrou Mariana pelo braço com força, a puxou e lhe deu um tapa no rosto. Mais um pra coleção.
--- Me solta! --- gritou Mariana fazendo força para soltar seu braço da mão de Lucelle que apertava com força
--- Não solto! O que pensa que está fazendo, sua vadia?!
--- O que penso que estou fazendo? --- disse rindo com sarcasmo --- Será que não deu pra perceber? Pois estou me divertindo. Igualzinho a você!
--- Pois vai divertir-se muito mais agora!
Dizendo isso Lucelle a puxou com força e esmagou os lábios de Mariana com tanta força que chegou a doer. Mordeu o lábio inferior de Mariana até sangrar. Era mais que um beijo de paixão, era um beijo de castigo, violento, sensual.
Quando se soltaram ambas estavam ofegantes. Lucelle fez um esforço para se recompor e disse:
--- Pra te provar que faço muito melhor que qualquer homem. Mariana sentiu seu rosto arder de ódio com essas palavras. As bofetadas que sempre recebia doíam menos. Foi um insulto. Ultrajante. Humilhante. Fora usada uma vez mais, apenas por puro capricho daquela mulher. Lucelle apenas quis vingar-se da traição e provar que era melhor que qualquer homem, como ela mesma havia dito.
--- Eu odeio você! Odeio você! --- Foi a resposta que Mariana deu
A loura ficara tão chocada com o ato de Lucelle que mais nada conseguia dizer, o ar e as palavras lhe faltavam, só sabia que precisava sair dali, da presença daquela mulher a qualquer custo. Saiu correndo sem esperar resposta da morena ao que acabara de dizer-lhe.
Os dois rapazes que ali estavam antes com Mariana, inclusive o que a estava beijando decidiram em mudo acordo que o melhor era sair sem nenhuma palavra. Irritada como estava, a anfitriã da festa, poderia fazer-lhes algum mal. Conheciam bem a fama e o poder dela.
Esmirna ficou estagnada. Perplexa. Não entendia e não tentava entender.
Tamy que estava por perto e viu quando Lucelle agarrou Mariana, se pôs a chorar de ódio e inveja.
O barraco só não atingiu maiores proporções porque a música que o conjunto tocava estava muito alta.
A única coisa que Lucelle queria fazer era ir atrás de Mariana. Não sabia se a bateria mais ou se a abraçaria com força. Só sabia que nenhuma das atitudes seria apropriada, resolveu então conter seu impulso. Até mesmo porque precisava dar algum tipo de explicação para Esmirna. Não era justo para com a moça tudo o que havia presenciado, mas também não poderia ficar enganando-a só para usá-la para mostrar a Mariana que não precisava dela. O que era uma mentira deslavada.
--- Esmirna... --- começou Lucelle a falar como meio de amenizar as coisas
--- Não, Lucelle. Não quero saber de nada. --- disse Esmirna cortando a frase que Lucelle estava pronta pra dizer --- Saiba que te perdôo por qualquer coisa que esteja acontecendo e que se unir-se a mim em matrimônio terá tempo livre para suas escapadas com as serviçais. Serei uma esposa compreensiva.
Lucelle ouviu aquele pequeno discurso totalmente chocada. Nunca havia visto alguém tão disposto a unir-se a ela a qualquer custo! Inacreditável!
--- Esmirna, dê-me licença por um momento. Preciso respirar um pouco. --- adivinhando que Esmirna se ofereceria para ir junto acrescentou: --- Sozinha!
Lucelle rodeou o jardim que saía da área da piscina, entrou na mansão pela entrada lateral, estava indo em direção a seu escritório. Lá teria um pouco da paz que precisava. As paredes tinham isolamento acústico, portanto o som da festa não penetraria. Já dentro do escritório sentou-se em um sofá amplo e bege.
Lembrou-se de sua primeira união matrimonial. Na época ambos tinham vinte e dois anos e o fervor da juventude os fizera acreditar que o que sentiam era amor. Nos primeiros meses podia se dizer que eram felizes, de um jeito diferente, mas ainda assim felizes. Porém o tempo trouxe o desentendimento. Rufeu se tornara extremamente egoísta, além de ter diversas amantes. Lucelle por sua vez se mantinha passiva, as traições do marido não a afetavam, o trabalho a completava. Entrara aquele ano para o governo. Fazia parte de uma nova linha de espiões altamente treinados e Lucelle vinha se destacando, o que a fazia passar meses inteiros fora de casa, fora até mesmo do planeta. A união durou quatro anos inteiros. Rufeu não entendia porque uma mulher tão bonita precisava trabalhar, mas a verdade é que o trabalho além de ser excitante, coisa que não tinha em casa, a mantinha fora da presença do marido.
Nos últimos anos, solteira, Lucelle vinha tendo relações de curto prazo. Não se envolvia. Não era uma ação planejada, o fato é que nesse tempo todo nenhum homem ou mulher a havia tocado dessa forma. Como Mariana fez...
O que sentia por Mariana era algo diferente. Muito mais que simples desejo, muito mais que amor. Sentia-se ligada a ela de uma forma que não poderia explicar. Se acreditasse em vidas passadas teria certeza de que viveram juntas. Mas tudo o que planejara para elas deu errado. Mariana não a queria. Estava muito mais interessada em rapazes do que nela. Não perdia a oportunidade de flertar com eles. Só a lembrança do beijo que presenciara dava vontade de quebrar a cara do indivíduo. Pensar em Mariana na cama com aquele moleque imundo então, era algo inadmissível.
Bateu o punho fechado com força na mesa a sua frente. O ciúme que sentia da loura a faziam tratá-la com frieza e maldade calculadas. Mas de uma coisa tinha certeza: Não abriria mão dela de jeito nenhum! E se ela não quis ser esposa, paciência, a teria como escrava então... Mas sempre por perto... Como poderia viver sem aqueles olhos verdes tão perfeitos? Sem o perfume dos cabelos louros cor de trigo? Sem aquele corpo perfeito junto ao seu? Sem aqueles beijos deliciosos? Sem aquela teimosia tão habitual de quando erguia o rosto, empinava o nariz e punha a mão na cintura cheia de autoridade? Não podia revelar, mas se encantava cada vez que Mariana a ousava desafiar, pois todos tinham medo dela, mas a menina era corajosa, e isso era de se admirar.
Momentos depois Lucelle recomposta, levantou-se:
--- Há uma festa a minha espera! E por essa noite, Mariana, irei esquecer-te!
Capítulo 9
Mariana estava trancada em seu quarto. Não chorava,
pois a raiva que sentia era tão forte que não permitia. Sua cabeça
estava a mil... Sentia falta de seus pais, dos amigos, e até de Mimi,
sua gatinha de estimação. A vida era estranha. Todos os que a
amavam a perderam pelas mãos da morte. E agora quem experimentava esse
sofrimento pela mesma perda era ela... Todos que amava estavam mortos há
muito tempo. Estava sozinha...
Tudo poderia ter sido diferente se aquele acidente não
tivesse acontecido...
Foi num dia de muita chuva. Eram oito horas da manhã,
estava saindo para a faculdade. Cursava o segundo período de Filosofia,
mas seu sonho sempre foi tornar-se uma escritora famosa. Até tinha alguns
rabiscos que permitia que alguns amigos e professores os lessem.
Mariana tinha o hábito de ir para a faculdade dirigindo
seu próprio carro, mas naquele dia como a chuva era intensa, seu pai
pediu-lhe que fosse de táxi. Já na calçada do casarão
que morava, pois vinha de uma família abastada de dinheiro, não
pôde encontrar algum táxi que a levasse a tempo de chegar para
a segunda aula, pois a primeira já tinha perdido, perdeu a hora, por
não dormir mais que duas horas a noite. Ficou acordada estudando para
uma prova que teria na última aula.
Entrou no primeiro ônibus que passou com destino próximo
a sua faculdade. Passou pela roleta e sentou-se num assento na parte da frente,
à esquerda.
Alguns minutos depois seu celular tocou, era uma amiga lhe
chamando para ir a uma festa:
--- Vamos Mariana! --- disse a tal amigga pelo celular --- Você tem que
ir! O Roberto vai estar lá!
--- Hum amiga... Essa parte você não mee falou! --- completou empolgada
--- Se ele vai estar lá... Faz o seguinnte: Tenho prova na última
aula, então quando eu acabar te ligo e você vai comigo ao shopping!
Essa ocasião merece um vestido novo!
Despediram-se. E Mariana ficou a pensar na festa que iria,
no vestido que compraria e no Roberto...
Foi tirada de seus pensamentos por um barulho alto, o ônibus
estava esquisito, tremia... Tremia muito! Olhou pra frente e o motorista estava
em pé, tentando manter a direção a qualquer custo. Gritos!
Muitos gritos!
--- Ah meu Deus! Vamos bater!
Mariana viu quando o ônibus bateu na mureta de proteção
do lado direito da ponte e capotou para o lado esquerdo. As pessoas que estavam
do lado direito foram jogadas em cima dela, sentiu dor, depois foi a vez de
ela ser jogada para o outro lado do ônibus, num giro, tudo muito rápido.
Sentiu quando o ônibus bateu na mureta de proteção do lado
direito a rompendo. O ônibus estava caindo, até que bateu
na água e afundava. Mariana estava muito machucada. Não podia
fazer muitos movimentos. A água estava entrando, escura, barrenta...
Sabia que ia morrer. Pensou em como era jovem... E o quanto era injusto... E
em seus pais...
Então algo veio em sua direção. Duro.
Apagou.
A próxima coisa que viu foi a enfermeira Juns sorrindo
para ela, pedindo que abrisse os olhos, no Centro de Criogenia Sampaio.
Perdida em devaneios e saudade adormeceu.
Enquanto Mariana dormia profundamente, Lucelle dançava
freneticamente. A festa estava no auge. Todos pareciam estar felizes, felizes
demais até, sinal de que o álcool já estava fazendo efeito.
A morena não era exceção, muito pelo contrário.
Queria beber e beber mais ainda do que sempre. Tomar um porre pra lavar a alma
e esquecer que certa garotinha petulante de cabelos dourados existia.
A única pessoa que parecia não encaixar-se no
tumulto alegre dos dançarinos bêbados era Esmirna. Estava achando
tudo muito chato, nunca fora de beber e muito menos de dançar. Não
que pertencesse à categoria das certinhas, passava longe até.
Sua grande paixão era a vida boa que levava. Tinha um pai influente que
conhecia a poderosa Lucelle Francis Roussels. Sempre a quisera conhecer, sempre
a admirava, não só pela beleza exuberante, mas também pelo
fato de Lucelle ser uma mulher poderosa. Era mais que rica e poderia proporcionar-lhe
uma vida ainda melhor do que a que tinha ao lado do pai. Ou seja: Beleza mais
poder igual a perfeição! E era isso o que Lucelle representava
pra ela. Perfeição. Além do que seria invejada pelas amigas
desfilando por aí com alguém tão famosa e poderosa quanto
Lucelle.
Esmirna não se importava com os casos que a morena
estivesse tendo ou viesse a ter, desde que se unisse a ela. Mas desejava também
ser levada para a cama daquela deusa de olhos azuis.
Agora a vendo ali, dançando sem nem sequer importar-se
com ela, a enchia de raiva e sono. Resolveu chegar perto pra ver no que dava:
--- Lucelle querida, não conheço o seu quarto. Quer mostrar-me?
--- Agora? --- perguntou sem nem ao mennos parar de dançar --- Mas estou
dançando!
--- Você poderá continuar a dançar, asssim que voltarmos.
--- Está bem, vamos.
Seguiram rumo ao quarto de Lucelle. Dentro do quarto Esmirna
abraçou Lucelle e a beijou.
--- Vamos para a cama Lucelle! Faça-me sua! Possua-me!
Lucelle correspondeu ao beijo e deixou-se ser puxada e jogada
na cama. Esmirna deitou-se por cima dela, arrancou-lhe a saia com cuidado para
que não rasgasse, era uma saia muito bonita e seria uma pena, pensou.
O melhor seria levantar-se e retirar a própria roupa com cuidado também.
E assim o fez. Retirou o short e o biquíni.
Teve uma surpresa desagradável ao olhar para Lucelle
deitada na cama, nua e dormindo como um bebê.
--- Que maravilha! ---ironizou
--- Posso deitar-me na cama e levar a ffama...
Pensando nisso também dormiu.
Naquele mesmo momento no planeta vizinha eram quatro horas
da tarde.
--- Mãe, ainda não entendo porque a Sennhora Lucelle não
nos deixa falar com a Mariana! O dispositivo de pulso dela sempre se encontra
desligado... O que anda a acontecer com essas duas?
--- Nada de mais Jilly! --- respondeu aa Senhora Roseis --- Apenas estão
dando um tempo longe para se entenderem.
--- Mas você tem falado com alguma das duas ao menos? Tem algo que não
quer contar a mim e a Kessy?
--- Menina, quantas perguntas! Não sei mais que vocês! Lucelle
é dona de Mariana e tem o direito de fazer com ela o que bem entender.
Nada posso fazer para ajudar. Vocês sabem o que Mariana aprontou! Se ela
tivesse seguido meus conselhos...
--- Mas mãe!
--- Chega Jilly! E não adianta tentar ffalar com Mariana. Lucelle
não acha que você seja a companhia mais indicada para ela, a culpa
foi sua dela ter conhecido esse rapaz, o Clarks.
--- Má companhia, eu? --- indignou-se JJilly --- Pois essa Senhora Lucelle
sabe muito bem que qualquer garota de nossa idade age de forma semelhante! Bem...
Talvez não saiba, sendo ela uma velha!
--- Jilly! Onde está a educação que lhee dei? E Lucelle
não é nenhuma velha, tem apenas trinta e dois anos.
--- Posso garantir mãe, que Mariana farria da mesma forma se acontecesse
de novo! Não tive a oportunidade de conversar com ela a respeito do acontecido,
mas sinto que ela estava apenas confusa e tentava se descobrir. É natural!
--- Paremos de falar sobre isso, por favor!
A Senhora Roseis não queria mais tocar no assunto,
mas não conseguia parar de pensar em Mariana, sua querida filha postiça.
Será que estava bem? Claro que estava! Lucelle é completamente
apaixonada pela menina e há de está-la tratando bem... Mesmo que
esteja profundamente magoada. Lucelle a dissera que daria uma lição
em Mariana pra que a loura aprendesse a dar valor a vida que a morena queria
dar-lhe.
Não podia dizer que concordava integralmente com isso,
mas se esse era o caminho para que se entendessem. O que poderia fazer?
Sentia muita falta da menina e queria poder conversar com
ela, mas Lucelle sempre negava o pedido. Pois bem, respeitaria a decisão
da dona de Mariana.
Mariana acordou, tomou banho e vestiu-se. Encaminhou-se para
a cozinha a fim de tomar o desjejum.
--- Bom dia Senhorita Mariana! Como dorrmiu? --- perguntou Arthur sorridente
--- Muito mal, só pra variar...
--- Espero que esteja melhor agora.
>
--- Não muito. --- sorriu sem graça ---- Desculpe Arthur, sei que
tenho sido desagradável. Sei que quer o meu bem e...
--- E?
--- E o bem da Senhora Lucelle. Mas inffelizmente a visão que você
tem de nós duas é romântica demais. É uma visão
distorcida. Nós duas não nos damos bem, não conseguimos
nem ao menos trocar duas palavras sem nos ofendermos, em suma: O quão
mais longe ficarmos uma da outra melhor.
--- O que aconteceu ontem na festa Senhhorita Mariana?
--- Beijei um rapaz.
--- Você o que?
--- Mas ela beijou a tal da Esmirna priimeiro!
--- Então suponho que tenha beijado o rrapaz por vingança...
--- Que seja! O fato é que ela agarrou--me, agrediu-me e beijou-me na
frente de meia festa e como se não bastasse disse-me que foi para provar
que ela beija melhor que qualquer homem!
--- E depois?
--- Depois corri para o meu quarto e trranquei-me. Chorei até dormir e
agora estou aqui de pé, conversando com você.
--- E Lucelle?
--- Não sei dela. Deve ter aproveitado melhor a festa em minha ausência,
sem ter que vigiar-me pra ver se beijo ou não rapazes.
--- Pois as duas estão com ciúmes!
--- Não é ciúme!
--- Sim, sim. Depois conversaremos a reespeito, agora, tome o seu café
e venha ajudar-me com a programação de distribuição
de tarefas para os serviçais, por favor.
Por volta de uma hora da tarde, Lucelle ainda não havia
descido. A mesa de almoço já estava posta.
--- Mariana? --- chamou Arthur --- Façaa-me um favor?
--- Sim, claro Arthur. O que devo fazerr?
--- Vá chamar a Senhora Lucelle para o almoço. Tenho ordens expressas
para que não a deixe perder o almoço, mesmo que tenha que acorda-la.
É um costume, mas acontece que o comunicador está com defeito
e alguém terá de ir até lá em cima. Você é
mais nova... Suas pernas não doem como as minhas... E são quatro
andares que separam a sala de almoço do quarto dela...
--- Arthur! Na minha época isso era connhecido como chantagem emocional!
--- Não morrerá só de ir acordá-la!
>
--- Não quero olhar pra cara daquela muulher nunca mais!
--- Sabe que é impossível. E leve um coopo de água, pois
ela irá acordar sedenta por causa do álcool que deve ter ingerido
ontem na festa.
--- Tudo bem. Eu vou, mas por você!
>
E Mariana foi. Levando consigo um copo de água na mão
e incertezas no coração. Deixando pra trás Arthur com um
disfarçado sorrisinho bem humorado, sem saber que seu plano levaria Mariana
a ver Lucelle em circunstâncias não esperadas.
Mariana subiu os lances de escada
devagar, quase que parando, seu coração queria saltar de dentro
do peito. As mãos estavam frias e suando.
Parou em frente a porta que levaria ao hall particular do quarto de dormir de
Lucelle. Bateu duas vezes, como não obteve resposta resolveu entrar.
Caminhou com passos tímidos até a entrada da ampla ante-sala.
--- Senhora Lucelle?
Nenhuma resposta. Insistiu:
--- Senhora Lucelle? Arthur pediu que vviesse chamá-la para o almoço.
Está acordada?
Ao andar um pouco mais, Mariana viu algo que a fez sufocar. O ar não
entrava, não saía... Queria morrer de novo! Lucelle se encontrava
dormindo na cama com Esmira. Ambas estavam nuas!
Sem poder conter sua fúria chegou perto da cama e arremessou toda a água
que continha no copo em suas mãos em cima das duas, que acordaram assustadas.
--- Bom dia, Senhora Lucelle! Espero quue tenha dormido bem! --- gritou com ironia
frisando o “dormindo”
Lucelle sem entender bem o que tinha acontecido perguntou:
--- Mas o que está acontecendo aqui?
--- Que escravazinha mais petulante esssa sua, Lucelle! --- disse Esmirna sonolenta,
mas atenta
Lucelle levantou-se da cama completamente nua e parou de frente para Mariana,
que teve que levantar a cabeça para olhá-la, tamanha diferença
de altura entre as duas e respondeu:
--- Quero sim, quero uma loira baixinhaa com um corpo fenomenal que tenha uns
olhos verdes brilhantes com calda de chantili em cima.
--- Pois está em falta! --- esbravejou Mariana
--- Oh! Mesmo? --- ironizou --- Mas tennho certeza de que pra mim terá
uma exceção.
--- Engana-se!
--- Ei! --- chamou Esmirna --- Estou aqqui! Não acho que seja corre...
--- Cale a boca! --- Lucelle e Mariana a interromperam ao mesmo tempo
--- Pois não fico aqui nem mais um minuuto! --- disse Esmirna pegando
suas vestimentas e se retirando do quarto, furiosa
--- Pois eu também não ficarei! --- dissse Mariana girando os calcanhares,
pronta para retirar-se
Lucelle, no entanto, foi mais rápida e valendo-se de sua força
a puxou para trás pelos braços e a girou de volta até que
ficasse na posição anterior, uma de frente pra outra.
Mariana estava desconcertada com a nudez de Lucelle, agora sem a presença
de Esmira, tudo parecia mais perigoso. Juntou toda a coragem que tinha e a olhou
nos olhos, desafiadoramente e proferiu uma frase educada, porém num tom
audaciosamente irônico.
--- Nada mais tenho a fazer aqui, se nãão se importa, Senhora, vou retirar-me!
--- Pois me importo. --- respondeu calmmamente --- Você molhou-me escrava.
--- Apenas a acordei como Arthur pediu--me que fizesse.
--- Arthur não a pediu que jogasse águaa em mim!
--- Sinto muito. Nada posso fazer agoraa.
--- Oh sim... Você pode! --- disse a moorena com um sorrisinho malicioso
pairando em sua face
--- Não farei na...
--- Cale-se, escrava! Fará o que eu quiiser que faça. Molhou-me
e receberá o troco.
--- Não entendo aonde quer chegar...
Dito isso, Lucelle pegou Mariana pelo braço a puxando de encontro ao
banheiro. Lá dentro abriu o chuveiro ainda a segurando e a pôs
embaixo da água que caía fria e abundante.
--- Aaaa --- gritava Mariana --- Eu odeeio água fria!
Tentou sair, mas Lucelle a segurava pelos braços não permitindo
que desse sequer um passo.
--- Talvez a água fria abrande esse seuu temperamento.
Mariana parou de debater-se, Lucelle a soltou. A morena a olhava com um meio
sorriso.
--- O que foi? Será que já não se diverrtiu o suficiente
às minhas custas? --- perguntou Mariana irritada --- Porque está
me olhando assim?
--- Porque você fica ainda mais linda aassim toda molhada e... Irritada.
A vestimenta de Mariana feita de um tecido fino e branco encontrava-se totalmente
transparente. Lucelle agora a fitava de um jeito mais intenso, era um olhar
cheio de cobiça, que fez com que Mariana sentisse algo queimar-lhe entre
as pernas.
A morena soltou um gemido de tesão e entrou no box, agarrou Mariana arrancando-lhe
as roupas. A prendeu com os braços e disse:
--- Você tem a beleza de um anjo e o jeeito de um diabo!
--- E você tem a beleza de uma deusa e o jeito do rei de todos os demônios!
--- Vou fazer-te minha Marina.
Lucelle a beijou com paixão e a loira retribuiu apertando-a nos braços
como se estivesse perdida no oceano e a morena fosse a tábua da salvação.
Sentiu-se ser pega nos braços de sua forte dona e deixou-se ser carregada
até a cama. Sabia o que aconteceria e ansiava por isso. A queria como
nunca quis ninguém, a desejava como nunca ousou pensar ser possível.
Lucelle a pôs na cama com cuidado e deitou-se em cima dela.
--- Você é linda, menina... Você é só mminha
Mariana... Diga que é só minha... Quero ouvir. Diga!
--- Sou só sua... Só sua...
Lucelle a beijou no pescoço, nos ombros, desceu para os seios. Mariana
gemia enlouquecidamente, arranhando as costas da morena, que notou que ela estava
preparada para recebê-la e a penetrou com três dedos. Mariana gemeu
mais alto ainda.
--- Diga meu nome... --- ordenava Lucellle enquanto levava Mariana ao céu
--- Diga!
--- Ah... Lucelle... Ah...Lucelle...
--- Sim... Ah... Ah...
--- Diga!
--- Sim... Está... Delicioso... Ah...
Mas Lucelle a queria mais uma vez.
--- Fique de quatro!
--- O que? --- perguntou Mariana sem enntender
--- Fique de quatro! Agora!
Mariana ajoelhou-se na cama e virou para que ficasse na posição
indicada.
Uma vez nessa posição, Lucelle a cercou por trás, encostando
seu sexo nas ancas de Mariana, que gemeu a esse contato. A morena começou
a acariciá-la por trás com as mãos. Mariana mesmo estando
excitada ficou tensa.
--- O que vai fazer? --- perguntou afliita
--- Quero tê-la de todas as formas posssíveis...
--- Não! Por favor, não!
Lucelle enfiou o dedo no próprio sexo para que ficasse umedecido.
--- Sinta como estou molhada...
E pôs o dedo médio na entrada do ânus da loura. Forçou
a entrada, devagar. Mariana gemeu.
--- Ah! Lucelle, pára! Está doendo!
>
--- Mais um pouco...
E continuou a penetração até que Mariana acostumou-se com
o intruso em lugar tão íntimo.
--- Mexa Mariana! Mexa! --- ordenava Luucelle
--- Não consigo...
--- Mexa... Vai... Deliciosa...
Mariana começou a mexer os quadris devagar, depois com mais força,
mais rápido, cada vez mais rápido. Gemia com loucura fazendo Lucelle
quase desfalecer de tanto tesão.
Um tempo depois Mariana gemeu mais alto e tremeu o corpo. Lucelle soube nesse
instante que sua loura havia atingido o ponto mais alto do prazer.
Mariana caiu no colchão sentindo-se mole. Sua respiração
era ofegante.
Uma mancha de sangue destacava-se sobre o lençol imaculadamente branco.
--- Você está bem, anjo? --- perguntou Lucelle preocupada, deitando-se
sobre ela
--- Sim... --- respondeu a menina respiirando com dificuldade
Uma palavra. Resposta mais que suficiente para que Lucelle a virasse de frente
para que pudessem voltar a fazer amor.
Deitada sobre ela, Lucelle subiu sobre sua coxa esquerda e ficou a se esfregar
até gozar. Mariana começou a mexer a perna para ajudá-la.
A morena teve orgasmos múltiplos e caiu deitada sobre a menina.
--- Senhora? --- Mariana a chamou
--- Hum? --- respondeu ainda deitada soobre ela, com a cabeça enterrada
em seus cabelos
--- Seu almoço esfriou.
Em resposta Lucelle riu com gosto.
--- Então terei que comer outra coisa.... --- disse erguendo a cabeça
e a olhando daquele modo que ela já conhecia bem
--- Sirva-se, Senhora.
Duas horas se passaram até que a fome vencesse a vontade que tinham de
ficar ali, recebendo e se dando prazer.
--- Ah! Eu deveria ter estocado mantimeentos aqui no quarto! --- bufou Lucelle
--- Precisamos descer pra repor as enerrgias.
Levantaram-se, vestiram-se e desceram sem nada dizer. Quando chegaram ao primeiro
pavimento Mariana precipitou-se para a cozinha. Lucelle a seguiu.
Na cozinha estavam Arthur e Tamy, que olhava para Lucelle com desejo e para
Mariana com ciúme e inveja.
--- Sente-se a mesa na sala de almoço qque já irei servi-la, Senhora.
--- disse Mariana movimentando-se para pegar a comida e coloca-la para esquentar.
--- Não. Tamy fará isso.
Mariana ficou petrificada com a ordem e Tamy mostrou-se exultante.
--- Farei o que quiser, Senhora! --- diisse Tamy insinuante ---Qualquer coisa
que queira...
Vendo o que provocara sem intenção, Lucelle apressou-se em dizer
o que pretendia:
--- Sim, Tamy, quero que esquente a commida e sirva na sala de almoço.
E você Mariana, me fará companhia.
--- Ela o que? --- perguntou uma incréddula Tamy
--- Isso mesmo. Mariana almoçará comigoo.
--- Mas ela é uma escrava! --- desesperrou-se Tamy --- E escravas não
almoçam
a mesa com seus donos!
--- Cale-se insolente! Não lhe devo sattisfações. --- e
virando-se para Mariana disse: --- Venha comigo, deve estar tão faminta
quanto eu.
Capítulo 11
Lucelle sentou-se a cabeceira da mesa, tendo direcionado antes Mariana para
que se sentasse a seu lado direito.
Tamy começou a servi-las com um olhar triste e resignado.
--- Esse vinho é uma iguaria, Mariana. Prove um pouco, tenho certeza
de que gostará.
--- Não bebo, Senhora.
--- Só desta vez... --- pediu docementee ---E não me chame mais
de Senhora.
--- Então devo chamá-la de que? De demôônio? Ou de rainha
dos demônios?
--- Hahahahaha --- Lucelle deliciou-se com a espontaneidade de sua loirinha.
Estava com o melhor dos humores --- Pode começar chamando-me de Lucelle...
--- Já me disse isso uma vez... Lucellee.
--- Sim, mas agora será diferente.
--- E por quê?
--- Pressentimento, talvez.
--- Não sabia que era dada a esse tipo de crendice...
--- E não sou, mas acontece que você faaz-me fazer e dizer coisas
estranhas... Anjo... Diabo... Mas conte-me, o que você fazia em 2006?
Sei que cursava o segundo período de Filosofia.
--- E como sabe?
--- Eu sei de tudo. --- disse fingindo um tom sério, arqueando a sobrancelha
esquerda
--- Hum... Aposto que leu toda a minha ficha no Centro de Criogenia.
--- Culpada! --- disse Lucelle rindo
Após o almoço Lucelle recebeu uma chamada do governo saiu apressada.
Mariana passou o resto do dia ajudando Arthur a organizar a agenda de afazeres
dos serviçais como lhe havia prometido mais cedo.
O relógio apontava três horas da manhã quando Lucelle retornou
a mansão e Mariana já estava em seu quarto dormindo profundamente.
Lucelle dirigiu-se para o seu próprio quarto, tomou banho e deitou-se
em sua cama numa vã tentativa de dormir.
Resolveu levantar-se e por fim no problema que não lhe deixava pegar
no sono: A ausência do corpo de Mariana junto ao seu!
Foi até o quarto da menina e bateu na porta:
--- Mariana! Abra a porta!
Mariana acordou sobressaltada com as batidas insistentes em sua porta. Ouviu
a voz de Lucelle e levantou-se num pulo e abriu a porta:
--- Lucelle?
--- Oi... Posso entrar?
--- A casa é sua...
--- Não perguntei de quem é a casa, perrguntei se posso entrar.
Posso entrar?
--- Sim, pode.
Lucelle entrou. Olhou ao redor.
--- Aqui é tão pequeno... E sua cama é muito estreita...
Venha! Vamos para minha cama.
--- Pelo amor de Deus, mulher! Passam ddas três da manhã!
--- Não, tudo bem... Pode vir tranqüilaa, só preciso de você
ao meu lado para que eu possa dormir...
--- Hahahahaha...
--- O que foi? Porque está rindo, Mariaana?
--- A poderosa Lucelle Francis Rousselss passou a ter medo de ficar sozinha no
escuro?
--- Não. A poderosa Lucelle Francis Rouussels passou a ter medo de ficar
sozinha sem você. Venha, não seja desobediente, Mariana, vamos!
Mariana fez menção de pegar seu travesseiro.
--- Não, Mariana, deixe-o aí. Tenho inúúmeros travesseiros
lá em cima. Escolherá um à seu gosto.
No quarto, Lucelle deitou-se de costas e puxou Mariana para o seu colo. Esta
ficou parcialmente em cima da mulher mais velha. O travesseiro que escolheu
foi o tórax de Lucelle.
Na manhã seguinte Mariana acordou espreguiçando-se, abriu os olhos
e não a encontrou em nenhum lugar a vista. Resolveu chamar:
--- Lucelle? Lucelle?
Sem resposta. Olhou para o relógio no criado mudo. Dez e meia! Já
deveria estar ajudando Arthur na cozinha há horas! Levantou-se apressada.
Estava a se vestir quando ouviu um barulho esquisito, que mais parecia um filhote
de passarinho. Será que havia algum ali no quarto? Que estranho! Já
vestida começou a procurar. Encontrou perto da cama uma caixa cor-de-rosa
cheia de furos com um envelope também cor-de-rosa com seu nome escrito
nela. Abriu, viu que algo pequenino e branco se movia ali dentro.
--- Um gatinho! --- sorriu com satisfaçção e alegria --- Como você
é lindo!
Olhando com mais cuidado descobriu que era fêmea. Dentro da caixa continha
outro papel com a seguinte escritura: “ Meu nome é Mimi II ”
--- Ah! Que doce você é Mimi II! Meu noome é Mariana, serei
sua mãezinha. Prometo amar e cuidar de você!
Lembrando-se que tinha afazeres, Mariana correu em direção a cozinha
levando sua mais nova amiguinha consigo.
Descendo a escadaria com pressa e distraída com a gatinha, Mariana trombou
com Lucelle que estava subindo, que a segurou para que não caísse.
--- Calma menina! Não há ninguém na forrca para ser retirado!
--- disse sorrindo
--- Lucelle! Isso é obra sua? --- dissee erguendo a gatinha
--- Sim.
Lucelle achou que fosse cair pra trás. Recebeu o mais lindo dos sorrisos,
era todo especial, do tipo que fazia Mariana franzir o nariz. Linda! Nunca a
tinha visto sorrir assim... Era a visão de um anjo perfeito.
Recuperando-se do efeito devastador que um simples sorriso de Mariana causara
nela, comentou:
--- Estava passando em frente a um pet--shop e por acaso vi esse bichano e pensei
que ele gostaria de fazer-lhe companhia...
--- Mentira!
--- O que?
--- Mentira sua Lucelle! Não foi por accaso. Está escrito em minha
ficha que amo gatos e que tinha uma gatinha chamada Mimi.
--- Tudo bem, confesso meu crime. Mas ttenho direito a defesa!
--- Pois saiba que tudo o que disser pooderá ser usado contra você...
O que tem a dizer em sua defesa?
--- Tudo começou hoje de manhã quando aacordei e olhei a criatura
mais linda que poderia andar sobre a face do universo... Então pensei
que poderia dar-lhe algo tão lindo quanto. Lembrei-me então que
você respondeu ao questionário do Centro de Criogenia que seu bicho
preferido era gato e que amava sua gatinha chamada Mimi. Então comprei
Mimi II para você, pois ela é tão linda quanto sua nova
dona.
--- Hum... Belo discurso, ré! O júri deecide que Lucelle Francis
Roussels é... Inocente!
Riram. Lucelle enlaçou Mariana pela cintura.
--- Não mereço um beijinho?
--- Só um!
--- Só um? Está vendo Mimi II, como suaa dona é pão-duro?
--- É que estou atrasada! Arthur deve eestar me esperando há séculos
para que eu o ajude na cozinha.
--- Nada disso mocinha! Não irá mais trrabalhar nessa casa.
--- Não? Então onde?
--- Em lugar algum. Pensando bem... ---- disse com um olhar malicioso que parecia
querer devorá-la --- Agora quero que tome o seu desjejum e logo depois
iremos às compras. Você precisará de um vestido bonito.
Teremos uma festa hoje.
--- Uma festa? Ah não...
--- Não será uma festa comum, será uma anunciação.
--- Anunciação? De que?
--- De nossa união matrimonial.<
Capítulo 12
Mariana estava confusa,
mas imensamente feliz! Lucelle unir-se-ia a ela em matrimonio! Não podia
acreditar! Não podia negar que a mulher por quem estava apaixonada era
estranha. Primeiro queria unir-se a ela para logo depois fazê-la escrava.
Claro que tinha culpa que a assolava, mas ainda achava que a traição
não era motivo para tanto, mesmo sendo noivas, não achava que
Lucelle poderia exigir-lhe alguma coisa, pois não conheciam-se naquela
época o bastante para que se amassem realmente. Hoje era diferente, já
sabiam quem eram. Seus gostos, anseios, desejos. Davam-se perfeitamente bem
na cama e descobriam-se ótimas parceiras de conversas amenas. Ah! Nada
disso importa agora! O que queria era ser feliz ao lado de sua deusa de olhos
azuis.
Tomava seu café na sala de almoço e não escondia a satisfação
que sentia de Arthur.
--- Fico muito contente por vocês Senhoorita Mariana! Eu já sabia!
A Senhora Lucelle já havia me contado hoje bem cedo, pela manhã.
--- Vamos comprar um vestido para que eeu o use hoje na festa de noivado!
--- Chama-se: Festa de anunciação. --- Arthur a corrigiu
--- Que seja! Noivado, anunciação... Paassarei o resto de minha
vida ao lado de minha deusa!
--- E onde está a Senhora Lucelle agoraa?
--- Foi tomar um banho para sairmos.
Passaram quase o dia todo na rua, compraram um lindo vestido para Mariana e
um também para Lucelle. Além de peças novas de roupas para
a loura, que só possuía peças de vestuário típicos
de escravos.
Almoçaram num restaurante finíssimo, e Mariana detestou a comida.
--- Argh! Que horror!
--- Anjo, essa comida é deliciosa! Não tanto quanto você...
--- Não compare essa porcaria nojenta aa mim, Lucelle! Prefiro um belo
prato de arroz, feijão, batata-frita e bife de boi, como ensinei para
que Arthur pedisse para o chef da cozinha da mansão fazer sempre.
--- Anjo, terá que aprender a viver em 4047!
--- A viver, e não a comer...
--- E um não está contido no outro?
>
--- Não enquanto eu lembrar-me como cozzinhar a comida do meu tempo. Tem
nos pontos de venda de mantimentos, é só comprar.
Após o almoço seguiram para uma praça muito bonita, onde
ficaram por horas perdidas na conversa uma da outra, onde o assunto mais importante
eram elas mesmas e esse sentimento que estavam sentindo cada vez mais forte.
A noite chegou trazendo com ela a ansiedade do ex e futuro casal de noivas.
Lucelle estava simplesmente deslumbrante num longo vinho, muito justo, que fazia
jus a seu corpo de curvas perfeitas. Esperava ansiosa que Mariana descesse.
Quando a loura finalmente olhou-se no espelho e deu-se por satisfeita, dispensou
maquiador e cabeleireiro. Deu uma última olhada e desceu. Queria estar
perfeita para sua futura noiva.
Ao ver Mariana se aproximando dentro do vestido verde que compraram nesta tarde,
o queixo de Lucelle caiu. Uma coisa era vê-la experimentando o vestido
e outra coisa diferente era vê-la dentro do vestido penteada e maquiada.
Estava mais mulher, parecia mais velha e muito mais encantadora...
--- Anjo... Diabo... Você está encantaddoramente sedutora nesse
vestido!
--- Obrigada. Você também não está mal....
Riram... Olharam-se... Desejaram-se...
--- Pare de me olhar assim, Lucelle... Não podemos agora... Temos uma
festa em nossa comemoração! E apesar de eu não conhecer
nenhum dos convidados, faço questão de receber os cumprimentos
de todos!
--- Mas quando acabar a festa você não me escapa!
--- Promessa é divida! --- disse Marianna sorridente
Vendo que a expressão de Mariana mudou para séria, Lucelle perguntou:
--- Algum problema, anjo?
--- Lucelle, esta noite ficaremos noivaas. Permita que eu faça uso de
seu dispositivo de pulso para contar em primeira mão para Jilly! Sinto
falta dela!
--- Tudo bem. --- disse tirando o dispoositivo do próprio pulso e entregando-o
a Mariana --- O use e conte a novidade a ela e a todos da família Carreth.
Mariana começou a fazer a chamada e ao mesmo tempo alguns convidados
chegaram exigindo assim a atenção de Lucelle. O conjunto começou
a tocar, o barulho de onde estavam era ensurdecedor, não dava para falar
ao dispositivo. Mariana fez um gesto para Lucelle que entendeu que ela estava
se retirando para um lugar mais reservado por conta do som alto.
Na Terra, Jilly estava sentada em uma lanchonete famosa com amigos quando seu
dispositivo de pulso chamou. O visor piscava: “Lucelle Francis Roussels”.
--- Que estranho! --- disse Jilly --- OO que será que essa mulher que
comigo? Será que aconteceu algo com Mariana?
Resolveu atender:
--- Alô?
--- Jilly! Quanta saudade!
--- Mari! Mari é você?! --- dizia num mmisto de surpresa e felicidade
--- Ah Jilly! Como queria que estivessee aqui agora comigo!
--- Mari, tenho que contar-te uma coisaa! Sei que a Senhora Lucelle não
a permite falar comigo porque sabe que te contarei sobre Clarks...
--- Clarks? O que tem Clarks?
--- Ele...
--- Diga logo Jilly!
--- Ele foi assassinado. No mesmo dia eem que você foi para Vênus
com Lucelle.
Com a boca seca e uma repentina dor de cabeça que Mariana conseguiu se
arrastar até a cadeira mais próxima. Será que tinha entendido
bem? Clarks estava morto? E fora assassinato? Ouviu uma voz longe que a chamava
pelo nome, lembrou-se então que ainda estava se comunicando com Jilly
pelo dispositivo.
--- Mariana? Você ainda está ai? Está aa me ouvir?
--- Sim, Jilly, ainda estou aqui... Dessculpe, foi o susto...
--- Sei que não deve ser fácil pra vocêê, pois sei que nutria
um sentimento forte por ele...
--- Não! Não é isso. É que...
O flash back ficava a repetir na cabeça de Mariana insistentemente...
Lucelle os pegando quase aos beijos na primeira vez que se viram... As ameaças
dela de matar o rapaz com as próprias mãos caso ele não
se afastasse... A traição...
--- Oh meu Deus! --- disse aos prantos --- Me diga, Jilly! Quem o matou?
Mariana segurou a respiração com medo de ouvir a resposta.
--- Pois esse é o problema. Ninguém sabbe quem foi...
--- Como não sabem? Você me disse uma vvez que todos os raríssimos
crimes em 4047 tinham solução em menos de vinte e quatro horas!
--- Exatamente. A menos que... --- Jillly teve medo de falar
--- A menos que? --- perguntou Mariana impaciente
--- A menos que o governo tenha algum iinteresse em esconder o fato.
As lágrimas começaram a rolar livremente pela face triste de Mariana.
--- Tenho que desligar agora, Jilly.
Despediram-se. Mariana não chorava por Clarks, mas sim por Lucelle. Mas
não tinha forças para explicar a Jilly o motivo de sua tristeza.
--- Socorro... Parem o mundo que eu queero descer!
--- O que disse Senhorita Mariana? --- perguntou Arthur, que ao vê-la
chorando se aproximou
--- Oh! Nada, Arthur! Apenas estou emoccionada pelo dia que estou vivendo. ---
mentiu --- Com licença, preciso retocar a maquiagem.
Mariana subiu correndo as escadas que levavam até a ala de hóspedes.
Escolheu um dos onze quartos e entrou trancando a porta. Deitou-se na cama e
se pôs a chorar ainda mais.
--- Não pode ser! Lucelle é uma assassiina! Não posso unir-me
a uma assassina de sangue frio!
Lucelle estava radiante, transpirava felicidade por todos os poros. A festa
estava animada e pessoas continuavam a chegar. O conjunto tocava uma música
dançante e Lucelle se esquivava de convites que a tentavam arrastar para
a pista de dança. Hoje só tinha vontade de estar e dançar
com Mariana, seu anjo. Mas onde estava Mariana? Resolveu ir procurá-la,
mas no lugar que a deixou encontrou somente Arthur.
--- Arthur, você sabe onde está Marianaa?
--- Ela disse que estava indo retocar aa maquiagem. Relaxe, Senhora Lucelle,
a menina é como toda pós-adolescente! Deve estar insegura com
a aparência e resolveu ir arrumar-se um pouco mais. Vá aproveitar
a festa, e quando ela achar que está pronta irá juntar-se a você.
Mas Lucelle estranhou, Mariana não era do tipo insegura. Era bonita demais
e tinha plena consciência do efeito que um simples sorriso dela causava
em quem quer que seja.
Resolveu ir até o quarto, mas não a encontrou lá. Droga!
Onde ela está? Lembrou-se que a emprestara o dispositivo de pulso para
que pudesse através dele falar com Jilly. Pegou na gaveta de uma penteadeira
um outro aparelho idêntico ao que emprestara a Mariana e fez uma chamada
para o seu próprio aparelho.
--- Alô? --- respondeu uma voz chorosa<
--- Mariana! Onde está você, meu anjo?<
--- Lucelle? --- respondeu Mariana assuustada, não contava que a chamada
para o dispositivo de Lucelle fosse a própria Lucelle ---- Eu... Eu...
--- Onde está você?
--- Estou me arrumando no quarto.
--- Mariana, sei que a tecnologia está bastante avançada desde
2006, mas tornar-se transparente ainda não é uma conquista tecnológica!
--- Ah... Você está no quarto... --- nãão era uma pergunta,
mas uma constatação em voz alta
--- Sim, estou. E adivinha? Você não esstá! --- irritou-se
--- Me diga onde você está Mariana!
--- Era o que eu precisava saber.
E desligou o aparelho na cara de Mariana, seguindo para a ala de hóspedes
como quem vai pra guerra.
Abriu porta por porta pra ver em qual dos quartos estava Mariana, quando chegou
a uma que viu estar trancada bateu:
--- Abra a porta Mariana! --- gritou
--- O que está acontecendo Mariana?
>
--- Me diz você.
--- A que se refere?
--- Clarks. Esse nome te faz pensar em algo?
--- Sim, faz-me pensar na maior dor quee senti em toda a minha vida.
--- E por isso, apenas por vingança pesssoal, você o matou?
--- Jilly disse-te isso?
--- E precisava? Creio que é questão dee fazer a ligação
entre todas as evidências!
--- E esse seu rosto vermelho de choro é por causa dele? Pela morte daquele
moleque imundo?
--- Sim! --- exasperou-se --- Você não tem o direito de tirar uma
vida!
--- Eu tenho o direito de zelar pelo o que é meu!
--- Sua egoísta!
--- Egoísta? Hahahaha --- ria com desdéém --- Eu lhe ofereço
o meu nome, uma vida de luxo e riqueza e o meu amor e você depois de uma
noite de amor não pensa duas vezes em pular na cama daquele desgraçado!
--- Será sempre assim, não é? Você nuncca perderá
a oportunidade de jogar isso na minha cara.
--- Eu perdoei.
--- Mas não esqueceu!
--- Chega Mariana! --- gritou --- Chegaa! O que pretende com esse circo que armou?
Por acaso gostaria de levar flores no túmulo de seu amante? Porque é
só o que falta!
--- Túmulo? Ele não está congelado?
>
--- Não acharam o corpo a tempo... Estrragou.
--- Você matou uma pessoa! E pra sempree... Oh meu Deus!
--- Sim, matei! E matarei quantas vezess for preciso para que você seja
só minha!
--- Não pode estar falando sério...
>
--- Você ainda não entendeu, não é? Voccê é
minha! Ficará comigo querendo ou não, portanto sugiro que desçamos
agora mesmo, caso você não se lembre, tem uma festa a nossa espera.
A nossa festa de anunciação!
--- Eu não descerei!
--- Deixe de ser criança, Mariana!
--- Eu não estou sendo criança!
--- Sim, você está!
--- Tudo bem, você venceu. Eu vou desceer, eu vou sorrir e eu vou me unir
a você. Sei que estou em suas mãos e vou respeitar essa situação
a qual me encontro.
--- Ótimo! Melhor pra você. Agora vamoss descer.
As duas desceram sem trocar palavra, porém de mãos dadas. Na festa,
a aparência que passavam não podia ser de um casal mais feliz.
Mariana se comportou absolutamente bem, sorrindo e conversando com todos como
se nada houvesse acontecido.
Perto da meia noite, Lucelle pegou Mariana pela mão e a levou para o
palco, onde o conjunto tocava. Era hora de fazer a anunciação:
--- Queridos amigos, tenho algo importaante a dizer-lhes. Nesta noite tão
especial quero anunciar que vou unir-me em matrimônio a uma mulher que
encheu meu coração de vida e minha vida de luz. --- agora olhando
para Mariana --- Minha alma e a sua são uma só. Senti isso no
momento em que a vi pela primeira vez. Naquele momento eu não poderia
saber o porquê, só sabia que precisava tê-la junto a mim.
Eu a amo, Mariana.
Lucelle pôs o anel de noivado no dedo anular de Mariana, de onde nunca
deveria ter saído, pensou. Em seguida beijaram-se de leve nos lábios.
Os convidados aplaudiram, o conjunto recomeçou a tocar uma música
romântica.
A noite acabou tranquilamente, por incrível que pareça. Passava
das quatro da manhã quando estavam as duas dirigindo-se para seus dormitórios.
--- Onde você está indo, Mariana?
--- Para onde mais? Para o meu quarto!<
--- Não. A partir de hoje você dormirá comigo.
Mariana fez cara de surpresa, mas fez o que Lucelle disse calmamente.
No quarto tomaram banho e deitaram-se na cama.
--- Vem aqui perto de mim... --- disse Lucelle puxando Mariana pra junto de
si.
Fizeram amor várias vezes e depois adormeceram.
Lucelle estava feliz, sua menina não estava mostrando resistência
nem a união matrimonial e nem a ficar junto a ela.
Mariana, ao contrário estava um tanto quanto triste, talvez decepcionada,
não podia entender como Lucelle podia ser tão fria. Mas não
ousava enganar-se de novo. A desejava e sabia não ter forças para
resistir aos encantos da morena tão sensual e bela. Então resolveu
dançar conforme a música. Faria amor com ela quando tivesse vontade
e desfrutaria da riqueza dela. Mas jamais entregaria seu coração,
jamais!
Capítulo 13
No dia seguinte acordaram
com Arthur chamando:
--- Senhora Lucelle! Senhorita Mariana!! O almoço esfriará!
--- Nós desceremos, Arthur. --- disse LLucelle sonolenta
Levantaram-se e foram para a sala de almoço.
--- Mariana, onde quer passar nossa luaa-de-mel?
--- Tanto faz...
--- Que tal na lua? --- disse Lucelle ccom um risinho malicioso --- Tem melhor
lugar?
--- Que tal na frente de uma TV de holoograma?
--- Canal pornô lésbico?
--- Engraçadinha...
---Engraçada, eu? Pois bem... Quero quee nossa união seja em um
castelo na Terra. É um lugar maravilhoso, o mais lindo que já
vi até hoje!
--- Ta... --- disse Mariana parecendo sse preocupar mais com sua comida
--- Podemos fazer uma festa de três diaas. Nossa união seria no
sábado à tarde. Nossos convidados chegariam na quinta-feira e
hospedar-se-iam no castelo. O que acha, anjo?
--- Ta... --- Mariana fez cara de quem queria dizer algo --- Lucelle...
--- O que foi?
--- Gostaria muito de voltar a cursar uuma faculdade.
--- Não antes de nossa união.
--- Quem sabe um cursinho então, que nãão me exija muito? Um curso
para escritores seria ótimo...
--- Vou pensar.
--- Seriam apenas dois dias na semana, duas horas apenas...
--- Vou pensar.
--- E quando saberá?
--- Assim que eu tiver decidido você saaberá. --- disse Lucelle
impaciente
Dois dias se passaram até que Lucelle permitiu que Mariana se matriculasse
no curso para escritores que aconteceria toda terça e quinta de duas
horas da tarde até as quatro horas.
Lucelle comprou para
Mariana todo o material necessário para que pudesse aperfeiçoar
sua escrita. No primeiro dia de aula Lucelle a levou até a porta.
--- Não sou criança! Não precisa me traazer até aqui.
--- Não é criança, mas é minha noiva. AA trarei e
buscarei todos os dias.
Os dias que se seguiram estavam iguais, havia uma tensão entre elas.
Lucelle a tratava sempre bem, mas a loura não perdia oportunidade de
se portar secamente. O tempo ruim entre elas era canalizado na cama. Depois
de exaustas de tanto fazer amor, dormiam abraçadas, para recomeçarem
a não se darem bem durante todo o dia seguinte. Era uma relação
nada convencional, mas era a forma que Lucelle encontrava para mantê-la
junto a ela.
Mariana estava usando o curso para escritores como um exorcismo de toda a angústia
que sentia. Não podia aceitar amar uma assassina e escrever a fazia esquecer-se
completamente de tudo o que não estava no seu devido lugar em sua vida.
Por esse motivo se dedicava com afinco e acabou chamando a atenção
de seu professor, Omar. Era um homem com seus quarenta e cinco anos, muito bem-apanhado.
--- Muito bom trabalho, Mariana! --- diisse Omar aproximando-se dela
--- Ah! Obrigada! Eu me esforço!
--- Você tem dom. Sinto que você põe suua alma em seus textos.
Mariana estava escrevendo um conto de trinta e duas páginas sobre um
romance entre duas mulheres, que se passava em 2006. Por ter vivido naquela
época, Mariana podia descrever com exatidão todo o cenário
e costumes daquele povo antigo. É claro que sua heroína era inspirada
em Lucelle e a outra personagem principal muito se parecia com ela mesma.
--- Professor, meu sonho sempre foi me tornar uma escritora de sucesso.
--- Posso tentar ajudá-la nisso.
--- Pode? Como?
--- Posso indicar seu trabalho a uma edditora, se elas gostarem...
--- Oh! Poderá ser meu padrinho nesse eempreendimento? Que maravilha!
Mariana estava encantada com o curso e consequentemente com o seu professor,
em pouco tempo tornaram-se amigos, conversavam sobre filosofia, história
da arte e claro, sobre livros. Ele a indicava livros de autores consagrados,
que seriam interessantes aos olhos dela, escritos posteriormente à morte
de Mariana em 2006.
Lendo esses livros Mariana podia agora entender melhor o funcionamento desse
mundo, ainda novo para ela.
Essa amizade se refletia no comportamento de Mariana em casa, com Lucelle, não
mais brigavam por pouca coisa. A tratava educadamente, porém sempre seca.
Lucelle notou a mudança de Mariana e compreendeu que o que ela precisava
era de algo para se ocupar, com isso a loira gastava menos tempo pensando na
falta que sentia de seu estilo de vida em 2006 e no assassinato que Lucelle
cometera.
Em suma: Estava achando bom o efeito que o curso para escritores causava em
Mariana.
Havia levantado um dossiê sobre Omar, o professor de sua noiva, descobrira
que ele praticava o magistério há apenas oito meses, mas seu curso
era um sucesso. Ele era casado e pai de três filhos, supostamente traía
a mulher com outro homem, mas não pôde ser provado. E o mais importante:
Era um ex-agente do governo venuziano. Aparentemente inofensivo.
Omar Peress era um homem solitário, morava na mesma casa com sua esposa
apenas para manter as aparências que seu trabalho exigia. Tinha três
filhos, mas não os dava muita importância. Acreditava que mantê-los
financeiramente era o suficiente.
Há pouco mais de duas semanas uma linda jovem entrara pela porta principal
de sua escola querendo matricular-se em seu curso para escritores. Ficara encantado
com a beleza e delicadeza da moça no primeiro olhar. Mariana era linda.
Sabia que era noiva, mas sabia que ela tinha uma tristeza no olhar, e não
era apenas pelo fato dela ter acordado dois mil anos depois em circunstâncias
diferentes das quais ela estava habituada.
No momento, tinham intimidade o suficiente para que pudesse tocar nesse assunto
e era o que faria no fim do próximo encontro do grupo.
Mariana estava acabando de escrever um texto livre, que por ordem do professor
deveria conter 45 linhas, quando o horário da aula esgotou.
Os outros alunos começaram a sair e Mariana sabia que Lucelle a estaria
esperando do lado de fora.
--- Mariana! --- Omar a chamou --- Estoou preocupado com você... Vejo tristeza
em seu olhar.
--- Não se preocupe, não é nada demais..
Mariana achou interessante a sensibilidade dele em notar.
--- Pode dizer-me o que está a te aconttecer. Pra isso é que servem
os amigos!
--- Lucelle deve estar a minha espera llá fora, Omar...
--- Uma palavra! Diga-me uma palavra! ----, ele insistia precisava desvendar
o mistério dela para tentar conquistá-la
--- Assassinato. O que acha?
--- Então é isso que lhe aflige?
--- Sim, é... Você teria coragem de mattar alguém, Omar?
--- Não tenho o direito de tirar a vidaa de ninguém.
--- Você é uma pessoa boa e íntegra Omaar. Agora me perdoa
por não poder ficar aqui mais tempo...
--- Lucelle. --- concluiu ele com uma iindignação velada
--- Sim. Até terça!
--- Até...
Lucelle, como de costume, a aguardava no carro. Mariana aproximou-se e entrou.
--- Oi anjo! --- Lucelle a cumprimentouu --- Como foi a aula hoje?
--- Legal. --- respondeu simplesmente
--- Hum-hum.
--- E como vai seu professor?
--- Vai bem.
--- Você está com fome?
--- Não.
Então Lucelle desistiu de tentar manter um diálogo. Parecia que
só entendiam-se na cama, mas para a morena não era o suficiente.
Não podiam ficar assim. Precisava encontrar um modo de reconquistar sua
loirinha. A indiferença dela a estava matando por dentro, aos poucos,
devagarzinho...
Omar começava a entender que por mais que tentasse, não poderia
ter Mariana com Lucelle sempre por perto. Não podia mais viver sem aqueles
olhos verdes e aquele sorriso luminoso. Precisava tê-la! Mas não
tinha certeza dos sentimentos da loira para com a noiva. Mariana nunca chegou
a afirmar, mas podia-se dizer que estava com Lucelle contra a vontade. Não
via o brilho nos olhos comum entre as mocinhas que vão unir-se em matrimônio.
Algo estranho estava acontecer entre as duas e ele queria ser o herói
salvador da pobre mocinha.
Hoje quando Mariana tocou no tema “assassinato” algo dentro dele despertou.
Podia entender o que Mariana lhe dissera. Fora um pedido tímido, ele
tinha certeza que fora sim, um pedido. Resolveria esse impasse para ela!
Precisava encontrar um meio para tirar Lucelle do caminho e rápido.
Passou o dia inteiro se dedicando a seu plano e dormiu com isso na cabeça,
logo o poria em prática! Então a bela Mariana viria chorar a mágoa
em seus ombros.
Dois dias depois o dispositivo de pulso de Lucelle tocou:
--- Alô? --- ela atendeu a chamada
--- Senhora Lucelle? --- era uma voz maasculina
--- Sim, quem é?
--- Bom dia, Senhora Lucelle! Aqui é Ommar Peress, professor de Mariana.
--- Hum... Sei... O que deseja, Senhor Omar?
--- Preciso ter uma reunião em particullar com a Senhora. É sobre
Mariana.
--- E do que se trata?
--- Não posso adiantar nada por telefonne, Senhora Lucelle.
--- Não estou gostando disso.
--- Pode encontrar-me em minha escola ppor volta das quatro da tarde?
--- Estarei aí.
--- Peço que nada diga a Mariana.
--- Não direi. Até mais tarde.
Lucelle estava surpresa e curiosa. O que será que Omar queria dizer-lhe?
Não devia ser nada demais, talvez qualquer coisa sobre o rendimento de
Mariana. Compareceria a pequena reunião proposta por ele.
As quatro em ponto Lucelle estava a porta da escola de Omar. Estranhou que estivesse
fechada.
--- Oi, Senhora Lucelle, queira fazer oo favor de entrar. --- disse Omar abrindo-lhe
a porta
--- A escola está fechada sendo tão ceddo?
--- Na verdade tive uma pequena indispoosição e cancelei algumas
aulas.
--- Podemos remarcar nossa reunião, casso prefira...
--- Não! Quer dizer... É algo importantte, inadiável...
Mas sente-se, por favor.
Lucelle sentou-se em uma carteira que os alunos utilizavam para estudar.
--- E então, Senhor Omar, diga-me o quee tem de tão importante.
Na mansão Mariana descansava numa espreguiçadeira a beira da piscina.
--- Deseja algo para beber, Senhorita MMariana? --- perguntou Arthur --- Está
muito calor.
--- Gostaria de água sabor de rosas, Arrthur.
--- Num instante, Senhorita. --- disse preparando-se para sair e pegar o desejado
por Mariana
--- Arthur?
--- Sim? --- voltou até ela
--- Onde está Lucelle?
--- Vejo que tem alguém sentindo falta de outro alguém... ---
comentou entre sorrisos
--- Não é nada disso! Só que... Que preeciso comprar um
livro e gostaria que ela liberasse verba...
---Sim, sei... --- respondeu com cinismmo --- A Senhora Lucelle está agora
em reunião com seu professor, Omar Peress na escola.
Mariana ficou indignada e levantou-se indo em direção ao quarto,
precisava vestir-se para ir ao encontro dos dois.
--- Não acredito que Lucelle teve a auddácia de procurar Omar!
Coitadinho! Deve estar preso num emaranhado de perguntas.
Mariana vestiu-se rápido e entrou num aladinho. O programou para que
a levasse até a escola.
Sabia que Lucelle era extremamente possessiva e ciumenta, mas agora ela passara
de todos os limites! Meter-se com Clarks não era aceitável, mas
era explicável, pois a traíra com ele. Mas Omar era apenas um
amigo. A não ser que ela estivesse confundindo as coisas. E se for, que
Deus proteja Omar de uma assassina sangue-frio.
Não voltaria sequer a olhar Lucelle de novo nos olhos se ela fizer algo
a Omar.
Lucelle esperava com impaciência o que Omar tinha a lhe dizer, e ouviu
quando o viu pegar algo na gaveta de sua mesa. Era uma arma muito poderosa,
parecida com um pequeno revólver, mas tinha o poder de destruição
de uma metralhadora. Armas em 4047 quase não existiam. Só pessoas
ligadas ao governo a possuíam. Lucelle lembrou-se que Omar já
fora agente do governo no passado, embora não conseguisse entender como
ele havia conseguido permanecer com a arma após o desligamento da profissão.
--- O que está acontecendo aqui? --- quuis saber Lucelle levantando-se
Omar foi se aproximando da morena com a arma erguida. Ela levantou as mãos
para o alto em sinal de rendimento.
--- Senhora Lucelle... --- disse Omar ---- Parece que não está
mais dando as cartas do jogo...
--- Cretino! O que quer? Dinheiro?
--- Não... Quero algo muito mais valiosso... Quero Mariana!
--- Nunca! --- ela gritou
--- Eu já disse que você não está em coondições
de mandar nada aqui...
Ele se aproximou dela e continuou o discurso:
--- Senhora Lucelle, vou matá-la, mas aantes quero dizer a verdade para
que possa compreender e sofrer... Mariana pediu-me que a matasse.
O sangue fugiu da face da bela morena, estava pálida, sem ação.
Nada mais importava, nem a morte certa. A única coisa que conseguia pensar
agora era em Mariana pedindo que a matasse... E em como a amava apesar de tudo
--- Vocês são amantes? --- perguntou
Omar continuava a falar, queria que ela soubesse com riqueza de detalhes todos
os planos que tinha para quando ele e Mariana se unissem.
De repente ele sentiu um soco na mão que segurava a arma e a deixou cair,
Lucelle aproveito-se da distração do professor e lhe desferiu
um golpe. Vendo que seu plano dera certo e a arma voou ao chão, abaixou-se
mais rapidamente que ele e conseguiu pegar a arma.
Agora era Lucelle quem apontava arma em direção a ele.
--- Então, diga-me, Omar! Quem é que dáá as cartas do jogo?
Nesse mesmo instante, Mariana entrou na sala tendo ouvido as últimas
palavras de Lucelle.
Capítulo 14
Mariana via a cena, mas não queria acreditar que fosse verdade. Estava
certa, Lucelle veio para matar seu professor por puro ciúme! Fizera bem
em vir atrás de sua noiva. Poderia intervir de alguma maneira.
--- Não! --- gritou Mariana --- Não o mmate! Por favor, Lucelle!
Lucelle recusava-se a aceitar que Mariana o mandara matá-la e ainda o
estava defendendo! Teve ódio e ciúme.
--- Saia da frente, sua piranha! --- diisse Lucelle exaltada ---- Verá
seu amante morrer!
--- Ele não é meu amante! --- defendeu--se Mariana
--- Ah, não é? --- perguntava com desdéém --- Quanta consideração
vocês dois tem! Esperariam meu cadáver apodrecer para enfim irem
para a cama! Que romântico!
--- O que? Seu cadáver? --- Mariana perrguntou sem entender sobre o que
Lucelle falava --- O que você está falando?
--- Sei de toda a verdade Mariana... Seei que pediu a Omar que me matasse!
--- Eu o que? --- perguntou e virou de costas para Lucelle e de frente para
Omar --- Sobre o que ela está falando, Omar?
--- Contei a ela sobre nossa conversa ooutro dia --- respondeu Omar --- Ela sabe
que você quer vê-la morta... Assassinato.
--- Eu nunca te disse isso, seu idiota!! --- proferiu Mariana irritada --- Muito
pelo contrário!
--- Mas você me perguntou se eu teria ccoragem de matar alguém!
--- disse ele exasperado
--- Era uma pergunta retórica! Sem nenhhuma intenção oculta!
Era somente um desabafo... Estava triste porque Lucelle cometeu um assassinato
e não entendo como ela pode conviver tão bem com o fato de ter
matado uma pessoa!
Lucelle olhava de um para o outro ainda com a arma apontada para Omar. Entendeu
que tudo não passara de uma confusão criada pelas loucas fantasias
de um ex agente do governo cheio de histórias pra contar, que se negava
a ser somente um professor, cuja criatividade era surpreendente e perigosa...
--- Mariana... --- disse Lucelle emocioonada --- você não queria
ver-me morta?
--- Não poderia ver a mulher que amo moorta --- disse timidamente ---
Você devolveu-me a vida, você é a minha vida.
--- Oh Mariana! Eu a amo!
Mariana correu até os braços estendidos de Lucelle, perderam-se
num abraço extremoso e apertado. Era a primeira vez que expressavam o
amor que sentiam uma pela outra em palavras.
Dessa vez foi Omar quem se aproveitara do momento de distração
das duas e empurrou-as, fazendo com que caíssem no chão.
Sem perder tempo pegou a arma caída ao chão e apontava freneticamente
de uma para a outra.
--- Largue a arma Omar! --- pediu Mariaana --- Já sabe que confundiu-se.
Prometo que iremos embora sem problemas.
--- Não posso Mariana! --- ele gritava com ela --- Não posso permitir
que seja dessa mulher! Você gosta de mim! Sinto isso!
--- Omar, você fantasiou... Por favor, abaixe a arma!
--- Não posso permitir que essa mulher continue respirando!
Omar apontou a arma para Lucelle e começou a aproximar-se dela com os
olhos em brasa.
--- Eu vou matá-la sua maldita!
Lucelle ouviu quando ele destravou a arma, estava pronto para atirar. Sempre
ouvira que quando estamos próximos de morrer, a vida passa num segundo
a nossa frente. Mas a única coisa que ela conseguia pensar no momento
era em Mariana e nas palavras que lhe dissera há poucos momentos.
Não lamentava, apenas aceitava. Se fosse pra morrer iria com dignidade,
pois tinha o que todos passam a vida inteira procurando. E ela encontrara. Embora
só houvesse descoberto nos últimos instantes, ainda assim valeu
à pena. Faria tudo de novo, mas tudo diferente... Tudo de novo, tudo
diferente...
Um som alto se fez ouvir dentro da sala da escola do professor Omar. O isolamento
acústico, artifício comum em todo o lugar, impedia que o som do
tiro chegasse aos ouvidos de quem estivesse fora da sala em que os três
se encontravam.
Lucelle arregalou os olhos, estava vendo a face da morte à sua frente.
Omar não via mais nada. Em seu peito havia um grande buraco que sangrava
até a outra extremidade da sala.
Mariana estava de pé, seu rosto era impassível. Agora toda a sua
vida seria diferente. Havia tirado a vida de alguém. Antes de sair, lembrou-se
que certa vez vira sem querer a arma que Lucelle mantinha dentro de uma gaveta
em seu closet. Por medida de segurança apenas a pegou e guardou em sua
bolsa, mas jamais imaginara que fosse preciso usá-la realmente.
Omar jazia morto ao chão e Lucelle não podia acreditar no que
acabara de presenciar. Mariana o havia matado! E por ela!
--- Você salvou a minha vida! --- dissee admirada
--- Entre ele e você... --- e disse porr fim --- Me abraça Lucelle!
Preciso de você mais do que nunca agora!
--- Vem, meu anjo! --- estendeu-lhe os braços --- Chore, se quiser, vai
ser bom...
--- Não chorarei por um desgraçado que tentou arruinar nossa felicidade.
--- Disse bem: Tentou! Ele não conseguiiu --- disse Lucelle beijando-lhe
a testa --- Só nos uniu ainda mais.
--- E agora, Lucelle?
--- Avisaremos ao governo. --- disse nuum tom de zombaria --- Mais um crime passional...
Oh! Serei despedida!
--- Lucelle! Isso não é hora para brinccadeiras! Além do
que foi em legítima defesa!
--- Calma, anjo! Acionei meu dispositivvo de pulso para gravar toda a conversa,
sem que ele percebesse.
--- Você é um demônio! --- disse a loirra a olhando com admiração
e amor
--- E você um diabo!
--- Te amo, Lucelle.
--- Que posso eu fazer além de retribuiir?
Riram como não faziam há tempos e beijaram-se.
Fim
Epílogo
2 meses depois
A tarde estava num clima agradável, as flores deixavam um aroma especial
de alegria no ar. O sol não se fazia muito quente, porém ainda
se mantinha numa luminosidade acolhedora e a sua luz penetrava com vontade pelos
vitrais da catedral do castelo.
Lucelle estava em pé no altar ricamente ornamentado com rosas vermelhas,
trajava um sedutor vestido branco que lhe moldava o corpo e revelava parte do
colo. Sentia um misto de nervosismo e felicidade.
Os instrumentos da orquestra começaram a soar, sinal de que a noiva adentraria
a qualquer segundo pela porta da frente da catedral. Lucelle respirou fundo,
mais um segundo.
A gigantesca e imponente porta se abriu. Lá estava ela, Mariana, num
majestoso vestido branco rodado estilo princesa, típico de noivas clássicas,
com bordado em ouro amarelo e diamante.
Lucelle sentiu lágrimas quentes rolarem por sua face perante a visão
da mulher mais linda e mais magnífica que havia conhecido caminhando
pelo tapete vermelho em direção a ela.
Ambas se olhavam nos olhos, algo fora da compreensão humana as atraía
uma para a outra. Ambas sabiam que o destino delas era ficar juntas. E ambas
sabiam que nem mesmo a morte poderia separá-las.
Mariana chegou até o altar e pegou na mão estendida de sua amada
Lucelle.
--- Não tivemos tempo de estar juntas, Mari... --- disse Jilly num tom
ansioso --- Você chegou ontem e Lucelle não nos permitiu conversar!
Estavam dentro de um dos imensos quartos do castelo, onde Jilly ajudava Mariana
a se trocar para poder ir pegar o foguete que a levaria juntamente com Lucelle
a Lua, onde passariam a lua de mel.
--- É porque estávamos muito cansadas ee também ocupadas
com os detalhes da festa, Jilly! --- respondeu na defensiva
--- Olha, eu sei que ela não gosta de mmim... E sei também que
você tem algo a me dizer... Ela... Ela te forçou a essa união
matrimonial Mari!
--- Essa união matrimonial é o que de mmais importante aconteceu
em minha vida, Jilly.
--- O que aconteceu entre vocês?
--- Aconteceu o inevitável. --- responddeu sorridente --- Aconteceu o
amor. Somos almas gêmeas.
--- E como se deu isso? Você não gosta de mulher Mariana! No mínimo
ela te forçou! Ela abusou de você todo esse tempo! A fez de escrava!
--- Agora entendo que Lucelle me quis ddar uma lição. E quis me
mostrar tudo o que eu poderia ter tido caso tivesse aceitado de primeiro o que
ele estava disposta a me oferecer... Inclusive o seu amor...
--- E você a ama mesmo? --- perguntou iincrédula
--- Não poderia ser diferente....
--- Mas ela abusou de você! --- argumenntou ferozmente
--- E eu... --- riu corando violentamennte --- E eu gostei! Hahahaha... --- não
pôde mais conter o riso --- Gostei tanto do jeito que ela me tocava e
me fazia amor que eu me apaixonei. No início travava uma luta comigo
mesma, mas com o tempo fui percebendo que sentia ciúmes dela com qualquer
mulher que se aproximava com segundas intenções... Então
resolvi que não iria mais lutar contra esse sentimento.
--- Mas ela matou o Clarcks! --- responndeu irritada --- E você sabe que
o governo está encobrindo para que ela não seja trancafiada numa
cela para sempre! Consegue amar a uma assassina, Mariana?
--- Pois também sou uma assassina!
--- É diferente! Foi em legítima defesaa, Mari! Enquanto que Lucelle
o matou a sangue frio!
--- Lucelle é um demônio de olhos incriivelmente azuis, capaz de
me matar de dor ou prazer apenas num olhar... Eu lamento muito a morte de Clarcks...
Mas Lucelle é a minha vida. E eu sei que eu faria qualquer coisa que
estivesse ao meu alcance só para tê-la perto de mim... Eu aprendi
a aceitar o que ela fez para me ter.
--- Ela te enfeitiçou... --- disse balaançando a cabeça
nervosa
--- Se esse feitiço quer dizer que tereei que passar o resto de minha
vida com ela, pois que seja.
--- Feliz? --- Lucelle perguntou enquannto a abraçava por trás
--- Como poderia não estar se tenho voccê ao meu lado? --- a loira
suspirou e fixou seu olhar em um ponto do universo --- Olha como a Terra é
tão linda vista daqui! É Tão grande e azul!
Fazia duas semanas que as felizes recém unidas estavam passando à
lua de mel num hotel “todas as estrelas” na Lua. E agora se encontravam abraçadas
olhando pela janela.
--- Sim, é belíssima... --- a beijou noo rosto --- Não mais
do que você!
--- Você é suspeita pra falar! Precisammos de uma segunda opinião!
--- Não! --- respondeu nervosa --- Ningguém vai dar opinião
sobre sua beleza, Marina!
--- Hahahaha! --- a loira riu com gostoo --- Uni-me em matrimônio com uma
ciumenta incorrigível! Hahahaha... É brincadeira, sua boba!
Lucelle a virou de frente para ela e a beijou de um jeito mais que apaixonado,
era o amor puro em simples se manifestando em forma de carícias e beijos.
--- Preciso te confessar uma coisa, Marriana. --- disse carinhosa
--- O que é?
--- Antes de eu te encontrar congelada no Centro de Criogenia Sampaio... ---
passou a mão pelo cabelo num gesto de embaraço --- Eu havia sonhado
com você.
--- É... As pessoas costumam mesmo sonhhar com romances perfeitos! ---
brincou
--- Não, é sério! Eu sonhava com você, era você!
Seu rosto. Lembro-me perfeitamente. Você me chamava insistentemente como
se precisasse de mim e sempre me dizia a mesma coisa.
--- O que?
--- Você dizia: Você não está sozinha.... Você
não está sozinha...
Mariana ia dizer algo, mas se manteve calada ao perceber pela expressão
da morena que esta dizia a verdade e que começava a se emocionar. Lucelle
quebrou o silêncio:
--- Eu sonhava com você me chamando e mme dizendo isso desde que eu era
uma garotinha, mas pensava que era apenas um sonho e nada mais... Até
que te vi... Congelada... A minha espera... Então eu soube que era você...
Que era a mulher que passaria a vida inteira comigo... A mulher capaz de me
fazer amar de verdade. Eu te encontrei Mariana!
A loira passou os dedos pela face de Lucelle enxugando algumas lágrimas
que escorriam sem vergonha. A puxou carinhosamente pela cabeça, se pôs
nas pontas dos pés e beijou os olhos dela, um de cada vez.
--- Não precisa chorar nunca mais. Vocêê não está
sozinha e nunca estará. Eu estou aqui.
Abraçaram-se. Sabiam que em momentos como esse as palavras eram desnecessárias,
nada poderia ser dito, por que nenhuma palavra poderia explicar o que estavam
sentindo. Consumavam em silêncio o encontro consciente de almas gêmeas.
Agora tudo fazia sentido. Talvez fosse obra do destino, talvez fosse brincadeira
da morte.
Só sabiam que o que haveriam de ter vivido há dois mil anos teve
que esperar para acontecer agora, no futuro... Talvez fosse tudo diferente se
certo ônibus não tivesse despencado da ponte e caído no
rio, talvez pudessem ter se encontrado naquela época... Ou talvez a morte
de Mariana tenha acontecido para que pudessem se conhecer hoje... Talvez...
--- Lucelle?
--- O que foi, anjo?
--- Eu também tive um sonho essa noite.... --- disse com um sorrisinho
malicioso
--- E que sonho foi esse?
--- Eu sonhei que estava grávida.
--- Hum... Então precisamos começar a ffazer essa criança!
--- Hahaha... Hei... Eu sei bem de ondee as crianças vêm! Precisamos
de uma inseminação pra eu engravidar!
--- Precisamos... Mas vamos aquecer aquui na cama primeiro...
Lucelle pegou Mariana no colo e a levou para a cama. Ali faria mais uma vez
o amor que sentiam, que lhe escapavam por todos os poros, transpiravam esse
amor.
A lua de mel durou mais um mês até que finalmente voltaram para
Terra, onde construíram uma mansão surreal para que pudessem se
estabelecer e para Mariana ter residência fixa para voltar a cursar uma
faculdade.
Ali, muitas e muitas coisas aconteceram, mas isso é outra história...