União Forçada

Mariah Galveia

Capítulo 7

 

 A oportunidade que Mariana esperava não tardou a chegar. No dia seguinte, logo pela manhã Lucelle havia saído para resolver algo com o governo. Talvez estivesse trabalhando. Não sabia exatamente, o certo é que iria com certeza demorar a voltar.

Subiu até o quarto de Lucelle e procurou até encontrar dinheiro o suficiente para se manter por semanas, talvez até pagar a passagem de volta ao planeta azul.

Desceu para o jardim principal e ficou a fingir que regava as plantas enquanto vigiava disfarçadamente o caminho que dava para o portão da saída.

Ao ver que a passagem estava liberada correu até o portão.

--- Trancado! Ótimo! --- resmungou

Olhou pra cima. O muro além de ser muito alto também era eletrificado. Por Vênus ser um planeta ainda em fase de exploração, seus habitantes eram em sua maioria pobres. E pobreza gera criminalidade. Ou seja, uma mansão como essa precisava de toda proteção possível.

E agora? O que fazer?

Aquela mansão mais parecia um presídio. Só havia uma maneira de sair de lá: pedindo que o porteiro abrisse. Mas ele não deixaria uma escrava sair, deixaria? Um sorriso de repente iluminou o rosto de Mariana.

--- Isso deve funcionar! --- disse a loura caminhando até a instalação do porteiro

 

--- Oi... --- disse uma voz melosa e sedutora

Stuar estava trabalhando há horas sem parar para descansar. Era um homem baixinho e gordo com cara de bobo. Trabalhava como porteiro há mais de ano na mansão da poderosa Lucelle Francis. Sempre a achara bonita demais, mas a desgraçada nunca nem lhe olhara na cara, sempre o tratando como lixo. Tinha certeza e que se ela o visse na rua não o reconheceria. E como era gostosa... Nunca, jamais teria a chance de ter uma mulher assim... Agora, olhando para a dona da voz sedutora que o cumprimentava se encontrava perplexo. Todo esse pensamento durou cerca de um milésimo de segundo. Respondeu ao cumprimento mais que rapidamente:

--- Oi! Que-quem é você? --- gaguejou

--- Sou nova aqui, você não deve me conhecer.

--- Agora estou lembrado! Abri o portão para vocês ontem. Você veio com a senhora Lucelle. Deve ser a esposa dela.

--- Ah? Ah sim! Sou! --- Mariana agradeceu silenciosamente pela confusão do porteiro --- Mas sabe, Senhor ... --- chegou bem perto, parou de frente pra ele, o segurou pela gravata e leu o nome no crachá --- Stuar... Estou um pouco cansada dessa vida que levo... Quero... --- disse o olhando nos olhos --- Emoções diferentes! Se é que me enttende.

Se ele entendia? Claro que entendia! Não aceitava nunca que duas mulheres tão bonitas estivessem juntas sem sentir falta de um macho! Sabia que tinha algo errado nesses relacionamentos e a prova estava parada de pé em frente a ele: Uma mulher sedenta por sexo com um macho!

--- Entendo perfeitamente o que você quer. --- disse ele com um olhar de quem vai pular em cima dela a qualquer momento

--- Mas sabe, Senhor Stuar, creio que um cavalheiro como você merece coisa melhor do que um simples sexo aqui, nesse lugar sem conforto... Sabe como é... Precisamos de um lugar melhor para nos divertirmos.

Ao ouvir isso, Stuar sentiu-se importante, nunca na vida o trataram com tamanha consideração.

--- E o que sugere, boneca?

--- Abra o portão para que eu possa ir a um lugar que conheço para reservar uma hora pra nós dois...

Ele ficou todo animadinho:

--- Mas não demore, boneca! --- disse apertando o botão para que o portão se abrisse

--- Não me demoro, gostosão!

 

Uma vez na rua, Mariana entrou em uma condução que, ao contrário da Terra não era de graça. Pagou. Quando pensou estar longe o suficiente da mansão de Lucelle desceu. Entrou numa loja que vendia aparelhos eletrônicos. Achou que o melhor que deveria fazer era comprar um dispositivo de pulso, pois Lucelle confiscara o seu. E depois se tivesse um dispositivo poderia falar com a Senhora Roseis.

--- Olá. Em que posso ser útil? --- perguntou a vendedora da loja se aproximando.

--- Oi. Gostaria de comprar um dispositivo de pulso, por favor.

--- Quer ver os modelos? Tem preferência por alguma cor em especial?

--- Não, tanto faz. Esse aqui mesmo está bom. --- disse Mariana apontando para a vitrine

--- Vai pagar...

--- Com dinheiro. --- apressou-se em responder

--- Documentos, por favor.

--- Documentos? Mas eu já disse que pagarei com dinheiro.

--- Desculpe senhorita, mas não posso lhe vender um aparelho desses sem que se registre antes. Preciso de documentos.

Droga! Não pensara nisso! O que tinha foi a Senhora Roseis que a havia presenteado ainda no Centro de Criogenia. Com certeza devia estar registrado no nome dela.

--- Bom, então fica pra outra hora. Esqueci meus documentos em casa.

--- Estarei às ordens quando voltar, senhorita. Tenha um bom dia e volte sempre.

 

Mariana saiu da loja irritada. Deveria procurar um lugar pra passar a noite. Um hotel, ou algo assim, mas que fosse barato, E principalmente que a aceitasse sem que precisasse mostrar documentos. Deveria poupar o dinheiro para voltar a planeta Terra e livrar-se de uma vez por todas daquele demônio de olhos azuis!

Não tardou a encontrar um lugar para ficar. Era uma espelunca barata, mas dava pra passar a noite e ainda teria direito ao jantar.

Entrou no quarto que iria ocupar, olhou em volta. Talvez o quarto destinado a serviçais que havia dormido na mansão de Lucelle fosse mais agradável que ali. Mas ao menos não teria que ouvir as besteiras e ameaças disparadas por Tamy e nem agüentar as repetidas humilhações que Lucelle a fazia passar.

Resolveu tomar um banho, estava suada. Ótimo, o chuveiro era frio. Como odiava água fria! Lavou-se, vestiu-se e saiu do banheiro.

--- Divertiu-se muito brincando de fuga, Mariana?

Mariana quase desmaiou quando a viu sentada na cama com as pernas cruzadas com um olhar sarcástico.

--- Lucelle! --- foi a única coisa que conseguiu dizer

--- E então, quer ser castigada aqui mesmo ou quer esperar até chegar a casa?

Como não houve resposta, Lucelle continuou a falar:

--- Vem até aqui Mariana.

E ela foi. Lucelle pegou Mariana e a fez deitar em suas pernas com o bumbum pra cima. Puxou a roupa da loura pra baixo de forma que as nádegas alvas ficassem nuas. Ergueu as mãos espalmadas e bateu por diversas vezes até que ficasse vermelho.

--- Aiiiiii! Aiiiiii! Pare! Está doendo! --- pedia Mariana

--- Se você quer se comportar como criança, pois será como criança que será tratada!

Dizendo isso parou de bater. Mariana se levantou num pulo e ajeitou novamente as roupas.

--- Como criança ou como escrava? --- gritou Mariana

--- Como o que eu quiser que você seja. Você pertence a mim! E vou lhe avisando Mariana, não ouse fugir outra vez, ou conhecerá um lado meu mais negro a qual você nunca sonhou!

--- Hahahahahaha --- Mariana ria irônica --- Está me dizendo que você consegue sser mais malvada? Hahahahahahaha...

--- Vamos embora desse lugar imundo. Meu carro está lá fora.

Lucelle dirigia o carro muda. Mariana estava sentada na poltrona ao lado de Lucelle.

--- Como você sabia? --- indagou Mariana a morena

--- Como eu sabia o que? --- perguntou Lucelle inocente

--- Como você sabia onde eu estava?

--- Simples, você tem um chip dentro de você.

--- O que?

--- Pedi que o Dr. Fannesi o colocasse. Portanto, meu bem, sei exatamente o local onde você se encontra sempre.

--- Eu não acredito que além de tudo você ainda tenha feito isso! Eu seria sua esposa!

--- Não foi com essa intenção Mariana. Você sabe que tenho um trabalho perigoso, portanto é sensato que minha esposa tenha um chip pra que eu possa sempre saber se está bem e segura.

--- Sua escrava.

--- O que?

--- Você disse sua esposa. Sou sua escrava.

--- Sim, minha escrava. --- a voz de Lucelle soou triste

--- O que irá fazer comigo, senhora?

--- Vou te domar.

 

Nada mais disseram durante o percurso. Ao chegarem Arthur veio recebê-las:

--- Ah senhorita Mariana! Que bom que está bem! Quer alguma coisa? Talvez um refrigerante? Uma sopa?

--- Sim, Arthur, dê uma sopa a Mariana. --- disse Lucelle --- Aposto que ela está faminta.

Entraram, Lucelle subiu ao seu quarto e Mariana se encaminhou com Arthur para a cozinha. Enquanto a loura saboreava a sopa os dois conversavam:

--- Menina, fez mal em fugir. --- disse Arthur em tom de preocupação --- Poderia ter te acontecido algo de feio!

--- Agradeço a sua preocupação Arthur ---respondeu Mariana sinceramente --- Mas nada me aconteceu e no mais o que de pior poderia ter me acontecido do que estar aqui, presa por uma mulher que me odeia?

--- Não diga isso Mariana... A Senhora Lucelle não a odeia! Pelo contrário!

--- Pois se não me odiasse não estaria me tratando assim.

--- Reconheço que ela está agindo com você de uma forma dura, mas sei também que toda ação provoca uma reação.

--- Por acaso insinua que a culpa de tudo isso que está acontecendo é minha, Arthur? Por acaso acha que eu estou gostando de ter acordado num mundo completamente diferente do qual estava acostumada e ser obrigada a me casar com uma mulher sem ao menos conhecê-la e simplesmente por discordar da opinião da Senhora Poderosa Lucelle ainda ser feita de escrava?

--- Não foi isso que eu disse, menina. --- defendeu-se o velho mordomo --- Apenas disse que você não deveria tê-la traído. Se isso não tivesse acontecido, tudo hoje estaria bem.

--- Mas eu estava confusa! Eu nunca me senti atraída por mulheres. E quando soube que seria obrigada a passar o resto da vida como esposa de uma, pirei! Ainda mais uma mulher mais velha sendo que sou uma pós-adolescente...

Lucelle que estava chegando ao local ouviu sem intenção as duas últimas frases pronunciadas por Mariana. Desistiu de ir até a cozinha. Resolveu sair para ver se a irritação passava.

Mas os dois que nem imaginavam o que tinha acabado de acontecer continuavam a conversa:

--- Sei que estava confusa menina... Mas isso foi antes, não é mesmo?

--- Onde você pretende chegar Arthur?

--- Só Lucelle parece não notar a forma que você a olha.

--- Não sei o que anda a me acontecer...

--- Pois eu sei! Chama-se: Paixão. Está apaixonada por sua dona, Senhorita Mariana.

As palavras de Arthur penetraram em sua alma como um punhal. Sabia o tempo todo dessa verdade, mas não queria, não podia admitir! Começou a chorar.

--- Não chore menina, não foi minha intenção.

--- O que adianta admitir meus sentimentos agora Arthur? É tarde demais...

--- Sua pouca idade a cega para o que está diante de ti.

--- O que você quer dizer com isso?

--- Porque não tenta reconquistá-la? --- respondeu Arthur espertamente com outra pergunta

--- E como eu faria isso?

--- A Senhorita deve saber melhor do que eu...

Mariana corou. Baixou o olhar. Teve seus pensamentos interrompidos pelo toque estridente do dispositivo de pulso de Arthur, que o atendeu com rapidez:

--- Alô? ... Sim, senhora Lucelle... Tudo será preparado à seu gosto. Tchau.

Desligou o aparelho e disse para Mariana:

--- Parece que teremos uma festa esta noite.

 

Capítulo 8

  

O que aconteceu a seguir foi uma verdadeira superprodução. Arthur havia contratado uma equipe especializada em decoração, buffet, som, e todo o resto que se precisa para que uma festa seja um sucesso.

Em pouco mais de cinco horas tudo estava na mais perfeita ordem. A festa seria a beira da piscina com motivos tropicais. Havia uma mesa gigante com frutas de todos os tipos picadas e decoradas em variadas formas de flores. Outra mesa com todas as especiarias da culinária da antiga civilização havaiana. Dentro da enorme piscina tinham vários e pequenos recipientes especiais com fogo ardendo em chamas. Um conjunto musical tocava músicas havaianas antigas e animadas e os primeiros convidados estavam começando a chegar usando roupas de banho.

Mariana trajava uma fantasia idêntica a de Tamy e de Tinahy: Saiote de palha, e um top feito com côco, ornamentado com flores tropicais e multicoloridas, de modo a servirem as mesas. Era exatamente o que estava fazendo quando viu Lucelle chegar deslumbrante com o corpo perfeito à mostra num biquíni azul claro da cor dos olhos dela e por cima uma mini-saia floral que pouco tinha a esconder. Seus olhos se encontraram. Lucelle veio em sua direção a fitando nos olhos. Seu coração disparou. Como ela está linda! Mas Lucelle passou direto por ela, seguindo em frente.

Quando Mariana virou-se para ver onde Lucelle estava indo ficou vermelha de ódio. A viu cumprimentar Esmirna com um beijo leve nos lábios, igual ao que dera naquela última noite na pista de dança da nave que as trouxera a Vênus.

--- Filha de uma...

--- Você não está aqui pra vigiar a Senhora Lucelle, lourinha! ---falava Tamy --- Desça dessa nnuvem sua idiota! Ela não é pra você.

--- E por acaso ela é pra você? --- perguntou Mariana alterando a voz

--- Não sou uma sonhadora como você, sei que jamais passarei da cama dela. --- e disse apontando em direção a Lucelle e Esmirna --- Vê aquela morena que está com ela? É com moças assim que ela se unirá em matrimônio.

--- Cale a boca sua venenosa! Você tem inveja porque Lucelle me deseja e me quer, enquanto você se arrasta aos pés dela e em troca só recebe ordens para que limpe ou lave algo para ela!

As palavras de Mariana parecem ter surtido o efeito desejado em Tamy, pois ela afastou-se imediatamente sem nada dizer.

Mariana olhou novamente para a direção onde estavam Lucelle e Esmirna, que se danem as duas!

Tratou de voltar a servir mesas, assim poderia tirar aquele demônio de olhos azuis da cabeça. Por possuir uma beleza exótica, e olhos num tom de verde muito brilhantes,muitos homens e mulheres a tratavam com uma excessiva gentileza. A cantavam, faziam convites. Obviamente supunham que a loura fosse uma empregada comum e não uma escrava.

 

 

Lucelle dançava com Esmirna de um jeito sensual. A provocava numa tentativa de punir Mariana pelas palavras que a ouviu dizer para Arthur à tarde na cozinha.

Esmirna era toda sorrisos, estava realmente muito bonita num biquíni verde e short da mesma cor que realçava a beleza natural de seu corpo. Mas Lucelle só tinha olhos para Mariana. Não a perdia de vista nem um só segundo. Quando via que a loura a olhava, dava um jeito de tocar de uma forma insinuante em Esmirna.

Toda vez que Mariana olhava para Lucelle ela estava com as mãos em cima de Esmirna. Pois provaria que era mais interessante do que essa filhinha de papai! Mesmo sendo uma escrava!

Começou a receber elogios e cantadas de seus admiradores com sorrisos. Sorria o tempo todo. Mas sua atenção estava voltada para Lucelle... E a tonta da Esmirna pendurada nela.

Lucelle viu que Mariana estava flertando descaradamente com seus convidados.

--- Piranha! --- resmungou

--- O que disse? --- perguntou Esmirna assustada

--- Aranha! --- respondeu Lucelle as pressas --- Tem uma aranha ali no chão.<

--- Onde? --- Esmirna olhou na direção indicada por Lucelle a procura

--- Foi embora. --- mentiu --- Deve ter se assustado com toda essa gente...

Lucelle olhou de volta para Mariana, ela estava com uma bandeja na mão servindo dois rapazes e ria animadamente de algo que um deles dizia. Lucelle então pegou Esmirna nos braços e a beijou. Foi um beijo mecânico e sem emoção.

Mariana deixou a bandeja cair quando viu Lucelle aos beijos com Esmirna. Milhões de coisas passaram pela cabeça dela em uma fração de segundos, mas a única reação que teve foi puxar o rapaz a sua frente e beijá-lo também.

O rapaz surpreso, porém satisfeito por beijar uma moça tão bonita, apertou Mariana num abraço.

--- Sua piranhazinha barata! --- disse Lucelle que ao ver a cena foi até onde estava o casal, que aos beijos não a viram se aproximar

Esmirna confusa correu atrás de Lucelle para ver onde ela estava indo com tanta fúria.

Lucelle agarrou Mariana pelo braço com força, a puxou e lhe deu um tapa no rosto. Mais um pra coleção.

--- Me solta! --- gritou Mariana fazendo força para soltar seu braço da mão de Lucelle que apertava com força

--- Não solto! O que pensa que está fazendo, sua vadia?!

--- O que penso que estou fazendo? --- disse rindo com sarcasmo --- Será que não deu pra perceber? Pois estou me divertindo. Igualzinho a você!

--- Pois vai divertir-se muito mais agora!

Dizendo isso Lucelle a puxou com força e esmagou os lábios de Mariana com tanta força que chegou a doer. Mordeu o lábio inferior de Mariana até sangrar. Era mais que um beijo de paixão, era um beijo de castigo, violento, sensual.

Quando se soltaram ambas estavam ofegantes. Lucelle fez um esforço para se recompor e disse:

--- Pra te provar que faço muito melhor que qualquer homem. Mariana sentiu seu rosto arder de ódio com essas palavras. As bofetadas que sempre recebia doíam menos. Foi um insulto. Ultrajante. Humilhante. Fora usada uma vez mais, apenas por puro capricho daquela mulher. Lucelle apenas quis vingar-se da traição e provar que era melhor que qualquer homem, como ela mesma havia dito.

--- Eu odeio você! Odeio você! --- Foi a resposta que Mariana deu

A loura ficara tão chocada com o ato de Lucelle que mais nada conseguia dizer, o ar e as palavras lhe faltavam, só sabia que precisava sair dali, da presença daquela mulher a qualquer custo. Saiu correndo sem esperar resposta da morena ao que acabara de dizer-lhe.

Os dois rapazes que ali estavam antes com Mariana, inclusive o que a estava beijando decidiram em mudo acordo que o melhor era sair sem nenhuma palavra. Irritada como estava, a anfitriã da festa, poderia fazer-lhes algum mal. Conheciam bem a fama e o poder dela.

Esmirna ficou estagnada. Perplexa. Não entendia e não tentava entender.

Tamy que estava por perto e viu quando Lucelle agarrou Mariana, se pôs a chorar de ódio e inveja.

O barraco só não atingiu maiores proporções porque a música que o conjunto tocava estava muito alta.

A única coisa que Lucelle queria fazer era ir atrás de Mariana. Não sabia se a bateria mais ou se a abraçaria com força. Só sabia que nenhuma das atitudes seria apropriada, resolveu então conter seu impulso. Até mesmo porque precisava dar algum tipo de explicação para Esmirna. Não era justo para com a moça tudo o que havia presenciado, mas também não poderia ficar enganando-a só para usá-la para mostrar a Mariana que não precisava dela. O que era uma mentira deslavada.

--- Esmirna... --- começou Lucelle a falar como meio de amenizar as coisas

--- Não, Lucelle. Não quero saber de nada. --- disse Esmirna cortando a frase que Lucelle estava pronta pra dizer --- Saiba que te perdôo por qualquer coisa que esteja acontecendo e que se unir-se a mim em matrimônio terá tempo livre para suas escapadas com as serviçais. Serei uma esposa compreensiva.

Lucelle ouviu aquele pequeno discurso totalmente chocada. Nunca havia visto alguém tão disposto a unir-se a ela a qualquer custo! Inacreditável!

--- Esmirna, dê-me licença por um momento. Preciso respirar um pouco. --- adivinhando que Esmirna se ofereceria para ir junto acrescentou: --- Sozinha!

Lucelle rodeou o jardim que saía da área da piscina, entrou na mansão pela entrada lateral, estava indo em direção a seu escritório. Lá teria um pouco da paz que precisava. As paredes tinham isolamento acústico, portanto o som da festa não penetraria. Já dentro do escritório sentou-se em um sofá amplo e bege.

Lembrou-se de sua primeira união matrimonial. Na época ambos tinham vinte e dois anos e o fervor da juventude os fizera acreditar que o que sentiam era amor. Nos primeiros meses podia se dizer que eram felizes, de um jeito diferente, mas ainda assim felizes. Porém o tempo trouxe o desentendimento. Rufeu se tornara extremamente egoísta, além de ter diversas amantes. Lucelle por sua vez se mantinha passiva, as traições do marido não a afetavam, o trabalho a completava. Entrara aquele ano para o governo. Fazia parte de uma nova linha de espiões altamente treinados e Lucelle vinha se destacando, o que a fazia passar meses inteiros fora de casa, fora até mesmo do planeta. A união durou quatro anos inteiros. Rufeu não entendia porque uma mulher tão bonita precisava trabalhar, mas a verdade é que o trabalho além de ser excitante, coisa que não tinha em casa, a mantinha fora da presença do marido.

Nos últimos anos, solteira, Lucelle vinha tendo relações de curto prazo. Não se envolvia. Não era uma ação planejada, o fato é que nesse tempo todo nenhum homem ou mulher a havia tocado dessa forma. Como Mariana fez...

O que sentia por Mariana era algo diferente. Muito mais que simples desejo, muito mais que amor. Sentia-se ligada a ela de uma forma que não poderia explicar. Se acreditasse em vidas passadas teria certeza de que viveram juntas. Mas tudo o que planejara para elas deu errado. Mariana não a queria. Estava muito mais interessada em rapazes do que nela. Não perdia a oportunidade de flertar com eles. Só a lembrança do beijo que presenciara dava vontade de quebrar a cara do indivíduo. Pensar em Mariana na cama com aquele moleque imundo então, era algo inadmissível.

Bateu o punho fechado com força na mesa a sua frente. O ciúme que sentia da loura a faziam tratá-la com frieza e maldade calculadas. Mas de uma coisa tinha certeza: Não abriria mão dela de jeito nenhum! E se ela não quis ser esposa, paciência, a teria como escrava então... Mas sempre por perto... Como poderia viver sem aqueles olhos verdes tão perfeitos? Sem o perfume dos cabelos louros cor de trigo? Sem aquele corpo perfeito junto ao seu? Sem aqueles beijos deliciosos? Sem aquela teimosia tão habitual de quando erguia o rosto, empinava o nariz e punha a mão na cintura cheia de autoridade? Não podia revelar, mas se encantava cada vez que Mariana a ousava desafiar, pois todos tinham medo dela, mas a menina era corajosa, e isso era de se admirar.

Momentos depois Lucelle recomposta, levantou-se:

--- Há uma festa a minha espera! E por essa noite, Mariana, irei esquecer-te!

 

Capítulo 9


   Mariana estava trancada em seu quarto. Não chorava, pois a raiva que sentia era tão forte que não permitia. Sua cabeça estava a mil... Sentia falta de seus pais, dos amigos, e até de Mimi, sua gatinha de estimação. A vida era estranha. Todos os que a amavam a perderam pelas mãos da morte. E agora quem experimentava esse sofrimento pela mesma perda era ela... Todos que amava estavam mortos há muito tempo. Estava sozinha...
   Tudo poderia ter sido diferente se aquele acidente não tivesse acontecido...
   Foi num dia de muita chuva. Eram oito horas da manhã, estava saindo para a faculdade. Cursava o segundo período de Filosofia, mas seu sonho sempre foi tornar-se uma escritora famosa. Até tinha alguns rabiscos que permitia que alguns amigos e professores os lessem.   
   Mariana tinha o hábito de ir para a faculdade dirigindo seu próprio carro, mas naquele dia como a chuva era intensa, seu pai pediu-lhe que fosse de táxi. Já na calçada do casarão que morava, pois vinha de uma família abastada de dinheiro, não pôde encontrar algum táxi que a levasse a tempo de chegar para a segunda aula, pois a primeira já tinha perdido, perdeu a hora, por não dormir mais que duas horas a noite. Ficou acordada estudando para uma prova que teria na última aula.
   Entrou no primeiro ônibus que passou com destino próximo a sua faculdade. Passou pela roleta e sentou-se num assento na parte da frente, à esquerda.
   Alguns minutos depois seu celular tocou, era uma amiga lhe chamando para ir a uma festa:
--- Vamos Mariana! --- disse a tal amigga pelo celular --- Você tem que ir! O Roberto vai estar lá!
--- Hum amiga... Essa parte você não mee falou! --- completou empolgada --- Se ele vai estar lá... Faz o seguinnte: Tenho prova na última aula, então quando eu acabar te ligo e você vai comigo ao shopping! Essa ocasião merece um vestido novo!
   Despediram-se. E Mariana ficou a pensar na festa que iria, no vestido que compraria e no Roberto...
   Foi tirada de seus pensamentos por um barulho alto, o ônibus estava esquisito, tremia... Tremia muito! Olhou pra frente e o motorista estava em pé, tentando manter a direção a qualquer custo. Gritos! Muitos gritos!
--- Ah meu Deus! Vamos bater!
   Mariana viu quando o ônibus bateu na mureta de proteção do lado direito da ponte e capotou para o lado esquerdo. As pessoas que estavam do lado direito foram jogadas em cima dela, sentiu dor, depois foi a vez de ela ser jogada para o outro lado do ônibus, num giro, tudo muito rápido. Sentiu quando o ônibus bateu na mureta de proteção do lado direito a rompendo.  O ônibus estava caindo, até que bateu na água e afundava. Mariana estava muito machucada. Não podia fazer muitos movimentos. A água estava entrando, escura, barrenta... Sabia que ia morrer. Pensou em como era jovem... E o quanto era injusto... E em seus pais...
   Então algo veio em sua direção. Duro. Apagou.
   A próxima coisa que viu foi a enfermeira Juns sorrindo para ela, pedindo que abrisse os olhos, no Centro de Criogenia Sampaio.
   Perdida em devaneios e saudade adormeceu.


   Enquanto Mariana dormia profundamente, Lucelle dançava freneticamente. A festa estava no auge. Todos pareciam estar felizes, felizes demais até, sinal de que o álcool já estava fazendo efeito. A morena não era exceção, muito pelo contrário. Queria beber e beber mais ainda do que sempre. Tomar um porre pra lavar a alma e esquecer que certa garotinha petulante de cabelos dourados existia.
   A única pessoa que parecia não encaixar-se no tumulto alegre dos dançarinos bêbados era Esmirna. Estava achando tudo muito chato, nunca fora de beber e muito menos de dançar. Não que pertencesse à categoria das certinhas, passava longe até. Sua grande paixão era a vida boa que levava. Tinha um pai influente que conhecia a poderosa Lucelle Francis Roussels. Sempre a quisera conhecer, sempre a admirava, não só pela beleza exuberante, mas também pelo fato de Lucelle ser uma mulher poderosa. Era mais que rica e poderia proporcionar-lhe uma vida ainda melhor do que a que tinha ao lado do pai. Ou seja: Beleza mais poder igual a perfeição! E era isso o que Lucelle representava pra ela. Perfeição. Além do que seria invejada pelas amigas desfilando por aí com alguém tão famosa e poderosa quanto Lucelle.
   Esmirna não se importava com os casos que a morena estivesse tendo ou viesse a ter, desde que se unisse a ela. Mas desejava também ser levada para a cama daquela deusa de olhos azuis.
   Agora a vendo ali, dançando sem nem sequer importar-se com ela, a enchia de raiva e sono. Resolveu chegar perto pra ver no que dava:
--- Lucelle querida, não conheço o seu quarto. Quer mostrar-me?
--- Agora? --- perguntou sem nem ao mennos parar de dançar --- Mas estou dançando!
--- Você poderá continuar a dançar, asssim que voltarmos.
--- Está bem, vamos.  
   Seguiram rumo ao quarto de Lucelle. Dentro do quarto Esmirna abraçou Lucelle e a beijou.
--- Vamos para a cama Lucelle! Faça-me sua! Possua-me!
   Lucelle correspondeu ao beijo e deixou-se ser puxada e jogada na cama. Esmirna deitou-se por cima dela, arrancou-lhe a saia com cuidado para que não rasgasse, era uma saia muito bonita e seria uma pena, pensou. O melhor seria levantar-se e retirar a própria roupa com cuidado também. E assim o fez. Retirou o short e o biquíni.
   Teve uma surpresa desagradável ao olhar para Lucelle deitada na cama, nua e dormindo como um bebê.
--- Que maravilha! ---ironizou      Deitou-se ao lado dela.
--- Posso deitar-me na cama e levar a ffama...
   Pensando nisso também dormiu.


   Naquele mesmo momento no planeta vizinha eram quatro horas da tarde.
--- Mãe, ainda não entendo porque a Sennhora Lucelle não nos deixa falar com a Mariana! O dispositivo de pulso dela sempre se encontra desligado... O que anda a acontecer com essas duas?
--- Nada de mais Jilly! --- respondeu aa Senhora Roseis --- Apenas estão dando um tempo longe para se entenderem.
--- Mas você tem falado com alguma das duas ao menos? Tem algo que não quer contar a mim e a Kessy?
--- Menina, quantas perguntas! Não sei mais que vocês! Lucelle é dona de Mariana e tem o direito de fazer com ela o que bem entender. Nada posso fazer para ajudar. Vocês sabem o que Mariana aprontou! Se ela tivesse seguido meus conselhos...
--- Mas mãe!
--- Chega Jilly! E não adianta tentar ffalar com Mariana.  Lucelle não acha que você seja a companhia mais indicada para ela, a culpa foi sua dela ter conhecido esse rapaz, o Clarks.
--- Má companhia, eu? --- indignou-se JJilly --- Pois essa Senhora Lucelle sabe muito bem que qualquer garota de nossa idade age de forma semelhante! Bem... Talvez não saiba, sendo ela uma velha!
--- Jilly! Onde está a educação que lhee dei? E Lucelle não é nenhuma velha, tem apenas trinta e dois anos.
--- Posso garantir mãe, que Mariana farria da mesma forma se acontecesse de novo! Não tive a oportunidade de conversar com ela a respeito do acontecido, mas sinto que ela estava apenas confusa e tentava se descobrir. É natural!
 --- Paremos de falar sobre isso, por favor!
    A Senhora Roseis não queria mais tocar no assunto, mas não conseguia parar de pensar em Mariana, sua querida filha postiça. Será que estava bem? Claro que estava! Lucelle é completamente apaixonada pela menina e há de está-la tratando bem... Mesmo que esteja profundamente magoada. Lucelle a dissera que daria uma lição em Mariana pra que a loura aprendesse a dar valor a vida que a morena queria dar-lhe.  
   Não podia dizer que concordava integralmente com isso, mas se esse era o caminho para que se entendessem. O que poderia fazer?  
   Sentia muita falta da menina e queria poder conversar com ela, mas Lucelle sempre negava o pedido. Pois bem, respeitaria a decisão da dona de Mariana.


   Mariana acordou, tomou banho e vestiu-se. Encaminhou-se para a cozinha a fim de tomar o desjejum.
--- Bom dia Senhorita Mariana! Como dorrmiu? --- perguntou Arthur sorridente
--- Muito mal, só pra variar...
--- Espero que esteja melhor agora.
> --- Não muito. --- sorriu sem graça ---- Desculpe Arthur, sei que tenho sido desagradável. Sei que quer o meu bem e...
--- E?
--- E o bem da Senhora Lucelle. Mas inffelizmente a visão que você tem de nós duas é romântica demais. É uma visão distorcida. Nós duas não nos damos bem, não conseguimos nem ao menos trocar duas palavras sem nos ofendermos, em suma: O quão mais longe ficarmos uma da outra melhor.
--- O que aconteceu ontem na festa Senhhorita Mariana?
--- Beijei um rapaz.
--- Você o que?
--- Mas ela beijou a tal da Esmirna priimeiro!
--- Então suponho que tenha beijado o rrapaz por vingança...
--- Que seja! O fato é que ela agarrou--me, agrediu-me e beijou-me na frente de meia festa e como se não bastasse disse-me que foi para provar que ela beija melhor que qualquer homem!
--- E depois?
--- Depois corri para o meu quarto e trranquei-me. Chorei até dormir e agora estou aqui de pé, conversando com você.
--- E Lucelle?
--- Não sei dela. Deve ter aproveitado melhor a festa em minha ausência, sem ter que vigiar-me pra ver se beijo ou não rapazes.
--- Pois as duas estão com ciúmes!
--- Não é ciúme!
--- Sim, sim. Depois conversaremos a reespeito, agora, tome o seu café e venha ajudar-me com a programação de distribuição de tarefas para os serviçais, por favor.


   Por volta de uma hora da tarde, Lucelle ainda não havia descido. A mesa de almoço já estava posta.
--- Mariana? --- chamou Arthur --- Façaa-me um favor?
--- Sim, claro Arthur. O que devo fazerr?
--- Vá chamar a Senhora Lucelle para o almoço. Tenho ordens expressas para que não a deixe perder o almoço, mesmo que tenha que acorda-la. É um costume, mas acontece que o comunicador está com defeito e alguém terá de ir até lá em cima. Você é mais nova... Suas pernas não doem como as minhas... E são quatro andares que separam a sala de almoço do quarto dela...
--- Arthur! Na minha época isso era connhecido como chantagem emocional!
--- Não morrerá só de ir acordá-la!
> --- Não quero olhar pra cara daquela muulher nunca mais!
--- Sabe que é impossível. E leve um coopo de água, pois ela irá acordar sedenta por causa do álcool que deve ter ingerido ontem na festa.
--- Tudo bem. Eu vou, mas por você!
>    E Mariana foi. Levando consigo um copo de água na mão e incertezas no coração. Deixando pra trás Arthur com um disfarçado sorrisinho bem humorado, sem saber que seu plano levaria Mariana a ver Lucelle em circunstâncias não esperadas.

 

Mariana subiu os lances de escada devagar, quase que parando, seu coração queria saltar de dentro do peito. As mãos estavam frias e suando.
Parou em frente a porta que levaria ao hall particular do quarto de dormir de Lucelle. Bateu duas vezes, como não obteve resposta resolveu entrar.
Caminhou com passos tímidos até a entrada da ampla ante-sala.
--- Senhora Lucelle?
Nenhuma resposta. Insistiu:
--- Senhora Lucelle? Arthur pediu que vviesse chamá-la para o almoço. Está acordada?
Ao andar um pouco mais, Mariana viu algo que a fez sufocar. O ar não entrava, não saía... Queria morrer de novo! Lucelle se encontrava dormindo na cama com Esmira. Ambas estavam nuas!
Sem poder conter sua fúria chegou perto da cama e arremessou toda a água que continha no copo em suas mãos em cima das duas, que acordaram assustadas.
--- Bom dia, Senhora Lucelle! Espero quue tenha dormido bem! --- gritou com ironia frisando o “dormindo”
Lucelle sem entender bem o que tinha acontecido perguntou:
--- Mas o que está acontecendo aqui? --- Espero que a água tenha aplacado suua sede! Deseja que eu lhe traga mais alguma coisa, Senhora? Talvez mais um pouco de rum, ou uma ruiva sedenta por sexo, ou talvez mais sexo casual com qualquer uma vadia que esteja louca pra pular na sua cama?
--- Que escravazinha mais petulante esssa sua, Lucelle! --- disse Esmirna sonolenta, mas atenta
Lucelle levantou-se da cama completamente nua e parou de frente para Mariana, que teve que levantar a cabeça para olhá-la, tamanha diferença de altura entre as duas e respondeu:
--- Quero sim, quero uma loira baixinhaa com um corpo fenomenal que tenha uns olhos verdes brilhantes com calda de chantili em cima.
--- Pois está em falta! --- esbravejou Mariana
--- Oh! Mesmo? --- ironizou --- Mas tennho certeza de que pra mim terá uma exceção.
--- Engana-se!
--- Ei! --- chamou Esmirna --- Estou aqqui! Não acho que seja corre...
--- Cale a boca! --- Lucelle e Mariana a interromperam ao mesmo tempo
--- Pois não fico aqui nem mais um minuuto! --- disse Esmirna pegando suas vestimentas e se retirando do quarto, furiosa
--- Pois eu também não ficarei! --- dissse Mariana girando os calcanhares, pronta para retirar-se
Lucelle, no entanto, foi mais rápida e valendo-se de sua força a puxou para trás pelos braços e a girou de volta até que ficasse na posição anterior, uma de frente pra outra.
Mariana estava desconcertada com a nudez de Lucelle, agora sem a presença de Esmira, tudo parecia mais perigoso. Juntou toda a coragem que tinha e a olhou nos olhos, desafiadoramente e proferiu uma frase educada, porém num tom audaciosamente irônico.
--- Nada mais tenho a fazer aqui, se nãão se importa, Senhora, vou retirar-me!
--- Pois me importo. --- respondeu calmmamente --- Você molhou-me escrava.
--- Apenas a acordei como Arthur pediu--me que fizesse.
--- Arthur não a pediu que jogasse águaa em mim!
--- Sinto muito. Nada posso fazer agoraa.
--- Oh sim... Você pode! --- disse a moorena com um sorrisinho malicioso pairando em sua face
--- Não farei na...
--- Cale-se, escrava! Fará o que eu quiiser que faça. Molhou-me e receberá o troco.
--- Não entendo aonde quer chegar... --- Pois entenderá.
Dito isso, Lucelle pegou Mariana pelo braço a puxando de encontro ao banheiro. Lá dentro abriu o chuveiro ainda a segurando e a pôs embaixo da água que caía fria e abundante.
--- Aaaa --- gritava Mariana --- Eu odeeio água fria!
Tentou sair, mas Lucelle a segurava pelos braços não permitindo que desse sequer um passo.
--- Talvez a água fria abrande esse seuu temperamento.
Mariana parou de debater-se, Lucelle a soltou. A morena a olhava com um meio sorriso.
--- O que foi? Será que já não se diverrtiu o suficiente às minhas custas? --- perguntou Mariana irritada --- Porque está me olhando assim?
--- Porque você fica ainda mais linda aassim toda molhada e... Irritada.
A vestimenta de Mariana feita de um tecido fino e branco encontrava-se totalmente transparente. Lucelle agora a fitava de um jeito mais intenso, era um olhar cheio de cobiça, que fez com que Mariana sentisse algo queimar-lhe entre as pernas.
A morena soltou um gemido de tesão e entrou no box, agarrou Mariana arrancando-lhe as roupas. A prendeu com os braços e disse:
--- Você tem a beleza de um anjo e o jeeito de um diabo!
--- E você tem a beleza de uma deusa e o jeito do rei de todos os demônios!
--- Vou fazer-te minha Marina.
Lucelle a beijou com paixão e a loira retribuiu apertando-a nos braços como se estivesse perdida no oceano e a morena fosse a tábua da salvação.
Sentiu-se ser pega nos braços de sua forte dona e deixou-se ser carregada até a cama. Sabia o que aconteceria e ansiava por isso. A queria como nunca quis ninguém, a desejava como nunca ousou pensar ser possível.
Lucelle a pôs na cama com cuidado e deitou-se em cima dela.
--- Você é linda, menina... Você é só mminha Mariana... Diga que é só minha... Quero ouvir. Diga!
--- Sou só sua... Só sua...
Lucelle a beijou no pescoço, nos ombros, desceu para os seios. Mariana gemia enlouquecidamente, arranhando as costas da morena, que notou que ela estava preparada para recebê-la e a penetrou com três dedos. Mariana gemeu mais alto ainda.
--- Diga meu nome... --- ordenava Lucellle enquanto levava Mariana ao céu
--- Diga!
--- Ah... Lucelle... Ah...Lucelle... --- Está gostoso assim?
--- Sim... Ah... Ah...
--- Diga!
--- Sim... Está... Delicioso... Ah... Lucelle delirava com as palavras de Mariana, mais excitada ficava. Momentos depois sentiu que Mariana havia gozado.
Mas Lucelle a queria mais uma vez.
--- Fique de quatro!
--- O que? --- perguntou Mariana sem enntender
--- Fique de quatro! Agora!
Mariana ajoelhou-se na cama e virou para que ficasse na posição indicada.
Uma vez nessa posição, Lucelle a cercou por trás, encostando seu sexo nas ancas de Mariana, que gemeu a esse contato. A morena começou a acariciá-la por trás com as mãos. Mariana mesmo estando excitada ficou tensa.
--- O que vai fazer? --- perguntou afliita
--- Quero tê-la de todas as formas posssíveis...
--- Não! Por favor, não!
Lucelle enfiou o dedo no próprio sexo para que ficasse umedecido.
--- Sinta como estou molhada...
E pôs o dedo médio na entrada do ânus da loura. Forçou a entrada, devagar. Mariana gemeu.
--- Ah! Lucelle, pára! Está doendo!
> --- Mais um pouco...
E continuou a penetração até que Mariana acostumou-se com o intruso em lugar tão íntimo.
--- Mexa Mariana! Mexa! --- ordenava Luucelle
--- Não consigo...
--- Mexa... Vai... Deliciosa...
Mariana começou a mexer os quadris devagar, depois com mais força, mais rápido, cada vez mais rápido. Gemia com loucura fazendo Lucelle quase desfalecer de tanto tesão.
Um tempo depois Mariana gemeu mais alto e tremeu o corpo. Lucelle soube nesse instante que sua loura havia atingido o ponto mais alto do prazer.
Mariana caiu no colchão sentindo-se mole. Sua respiração era ofegante.
Uma mancha de sangue destacava-se sobre o lençol imaculadamente branco.
--- Você está bem, anjo? --- perguntou Lucelle preocupada, deitando-se sobre ela
--- Sim... --- respondeu a menina respiirando com dificuldade
Uma palavra. Resposta mais que suficiente para que Lucelle a virasse de frente para que pudessem voltar a fazer amor.
Deitada sobre ela, Lucelle subiu sobre sua coxa esquerda e ficou a se esfregar até gozar. Mariana começou a mexer a perna para ajudá-la. A morena teve orgasmos múltiplos e caiu deitada sobre a menina.
--- Senhora? --- Mariana a chamou
--- Hum? --- respondeu ainda deitada soobre ela, com a cabeça enterrada em seus cabelos
--- Seu almoço esfriou.
Em resposta Lucelle riu com gosto.
--- Então terei que comer outra coisa.... --- disse erguendo a cabeça e a olhando daquele modo que ela já conhecia bem
--- Sirva-se, Senhora.
Duas horas se passaram até que a fome vencesse a vontade que tinham de ficar ali, recebendo e se dando prazer.
--- Ah! Eu deveria ter estocado mantimeentos aqui no quarto! --- bufou Lucelle --- Precisamos descer pra repor as enerrgias.
Levantaram-se, vestiram-se e desceram sem nada dizer. Quando chegaram ao primeiro pavimento Mariana precipitou-se para a cozinha. Lucelle a seguiu.
Na cozinha estavam Arthur e Tamy, que olhava para Lucelle com desejo e para Mariana com ciúme e inveja.
--- Sente-se a mesa na sala de almoço qque já irei servi-la, Senhora. --- disse Mariana movimentando-se para pegar a comida e coloca-la para esquentar.
--- Não. Tamy fará isso.
Mariana ficou petrificada com a ordem e Tamy mostrou-se exultante.
--- Farei o que quiser, Senhora! --- diisse Tamy insinuante ---Qualquer coisa que queira...
Vendo o que provocara sem intenção, Lucelle apressou-se em dizer o que pretendia:
--- Sim, Tamy, quero que esquente a commida e sirva na sala de almoço. E você Mariana, me fará companhia.
--- Ela o que? --- perguntou uma incréddula Tamy
--- Isso mesmo. Mariana almoçará comigoo.
--- Mas ela é uma escrava! --- desesperrou-se Tamy --- E escravas não almoçam

a mesa com seus donos!
--- Cale-se insolente! Não lhe devo sattisfações. --- e virando-se para Mariana disse: --- Venha comigo, deve estar tão faminta quanto eu.

 

Capítulo 11

 


Lucelle sentou-se a cabeceira da mesa, tendo direcionado antes Mariana para que se sentasse a seu lado direito.
Tamy começou a servi-las com um olhar triste e resignado.
--- Esse vinho é uma iguaria, Mariana. Prove um pouco, tenho certeza de que gostará.
--- Não bebo, Senhora.
--- Só desta vez... --- pediu docementee ---E não me chame mais de Senhora.
--- Então devo chamá-la de que? De demôônio? Ou de rainha dos demônios?
--- Hahahahaha --- Lucelle deliciou-se com a espontaneidade de sua loirinha. Estava com o melhor dos humores --- Pode começar chamando-me de Lucelle...
--- Já me disse isso uma vez... Lucellee.
--- Sim, mas agora será diferente.
--- E por quê?
--- Pressentimento, talvez.
--- Não sabia que era dada a esse tipo de crendice...
--- E não sou, mas acontece que você faaz-me fazer e dizer coisas estranhas... Anjo... Diabo... Mas conte-me, o que você fazia em 2006? Sei que cursava o segundo período de Filosofia.
--- E como sabe?
--- Eu sei de tudo. --- disse fingindo um tom sério, arqueando a sobrancelha esquerda
--- Hum... Aposto que leu toda a minha ficha no Centro de Criogenia.
--- Culpada! --- disse Lucelle rindo Conversaram todo o almoço, como nunca fizeram antes. Pela primeira vez puderam desfrutar da companhia uma da outra sem que o clima tenso pairasse sobre elas. Estavam como se fossem amigas há tempos. Riam, enquanto Mariana contava divertidas histórias da época em que vivia no passado, sob o olhar contente de Arthur.


Após o almoço Lucelle recebeu uma chamada do governo saiu apressada.
Mariana passou o resto do dia ajudando Arthur a organizar a agenda de afazeres dos serviçais como lhe havia prometido mais cedo.
O relógio apontava três horas da manhã quando Lucelle retornou a mansão e Mariana já estava em seu quarto dormindo profundamente.
Lucelle dirigiu-se para o seu próprio quarto, tomou banho e deitou-se em sua cama numa vã tentativa de dormir.
Resolveu levantar-se e por fim no problema que não lhe deixava pegar no sono: A ausência do corpo de Mariana junto ao seu!
Foi até o quarto da menina e bateu na porta:
--- Mariana! Abra a porta!
Mariana acordou sobressaltada com as batidas insistentes em sua porta. Ouviu a voz de Lucelle e levantou-se num pulo e abriu a porta:
--- Lucelle?
--- Oi... Posso entrar?
--- A casa é sua...
--- Não perguntei de quem é a casa, perrguntei se posso entrar. Posso entrar?
--- Sim, pode.
Lucelle entrou. Olhou ao redor.
--- Aqui é tão pequeno... E sua cama é muito estreita... Venha! Vamos para minha cama.
--- Pelo amor de Deus, mulher! Passam ddas três da manhã!
--- Não, tudo bem... Pode vir tranqüilaa, só preciso de você ao meu lado para que eu possa dormir...
--- Hahahahaha...
--- O que foi? Porque está rindo, Mariaana?
--- A poderosa Lucelle Francis Rousselss passou a ter medo de ficar sozinha no escuro?
--- Não. A poderosa Lucelle Francis Rouussels passou a ter medo de ficar sozinha sem você. Venha, não seja desobediente, Mariana, vamos!
Mariana fez menção de pegar seu travesseiro.
--- Não, Mariana, deixe-o aí. Tenho inúúmeros travesseiros lá em cima. Escolherá um à seu gosto.
No quarto, Lucelle deitou-se de costas e puxou Mariana para o seu colo. Esta ficou parcialmente em cima da mulher mais velha. O travesseiro que escolheu foi o tórax de Lucelle.


Na manhã seguinte Mariana acordou espreguiçando-se, abriu os olhos e não a encontrou em nenhum lugar a vista. Resolveu chamar:
--- Lucelle? Lucelle?
Sem resposta. Olhou para o relógio no criado mudo. Dez e meia! Já deveria estar ajudando Arthur na cozinha há horas! Levantou-se apressada. Estava a se vestir quando ouviu um barulho esquisito, que mais parecia um filhote de passarinho. Será que havia algum ali no quarto? Que estranho! Já vestida começou a procurar. Encontrou perto da cama uma caixa cor-de-rosa cheia de furos com um envelope também cor-de-rosa com seu nome escrito nela. Abriu, viu que algo pequenino e branco se movia ali dentro.
--- Um gatinho! --- sorriu com satisfaçção e alegria --- Como você é lindo!
Olhando com mais cuidado descobriu que era fêmea. Dentro da caixa continha outro papel com a seguinte escritura: “ Meu nome é Mimi II ”
--- Ah! Que doce você é Mimi II! Meu noome é Mariana, serei sua mãezinha. Prometo amar e cuidar de você!
Lembrando-se que tinha afazeres, Mariana correu em direção a cozinha levando sua mais nova amiguinha consigo.
Descendo a escadaria com pressa e distraída com a gatinha, Mariana trombou com Lucelle que estava subindo, que a segurou para que não caísse.
--- Calma menina! Não há ninguém na forrca para ser retirado! --- disse sorrindo
--- Lucelle! Isso é obra sua? --- dissee erguendo a gatinha
--- Sim.
Lucelle achou que fosse cair pra trás. Recebeu o mais lindo dos sorrisos, era todo especial, do tipo que fazia Mariana franzir o nariz. Linda! Nunca a tinha visto sorrir assim... Era a visão de um anjo perfeito.
Recuperando-se do efeito devastador que um simples sorriso de Mariana causara nela, comentou:
--- Estava passando em frente a um pet--shop e por acaso vi esse bichano e pensei que ele gostaria de fazer-lhe companhia...
--- Mentira!
--- O que?
--- Mentira sua Lucelle! Não foi por accaso. Está escrito em minha ficha que amo gatos e que tinha uma gatinha chamada Mimi.
--- Tudo bem, confesso meu crime. Mas ttenho direito a defesa!
--- Pois saiba que tudo o que disser pooderá ser usado contra você... O que tem a dizer em sua defesa?
--- Tudo começou hoje de manhã quando aacordei e olhei a criatura mais linda que poderia andar sobre a face do universo... Então pensei que poderia dar-lhe algo tão lindo quanto. Lembrei-me então que você respondeu ao questionário do Centro de Criogenia que seu bicho preferido era gato e que amava sua gatinha chamada Mimi. Então comprei Mimi II para você, pois ela é tão linda quanto sua nova dona.
--- Hum... Belo discurso, ré! O júri deecide que Lucelle Francis Roussels é... Inocente!
Riram. Lucelle enlaçou Mariana pela cintura.
--- Não mereço um beijinho?
--- Só um!
--- Só um? Está vendo Mimi II, como suaa dona é pão-duro?
--- É que estou atrasada! Arthur deve eestar me esperando há séculos para que eu o ajude na cozinha.
--- Nada disso mocinha! Não irá mais trrabalhar nessa casa.
--- Não? Então onde?
--- Em lugar algum. Pensando bem... ---- disse com um olhar malicioso que parecia querer devorá-la --- Agora quero que tome o seu desjejum e logo depois iremos às compras. Você precisará de um vestido bonito. Teremos uma festa hoje.
--- Uma festa? Ah não...
--- Não será uma festa comum, será uma anunciação.
--- Anunciação? De que?
--- De nossa união matrimonial.
<

 

Capítulo 12

Mariana estava confusa, mas imensamente feliz! Lucelle unir-se-ia a ela em matrimonio! Não podia acreditar! Não podia negar que a mulher por quem estava apaixonada era estranha. Primeiro queria unir-se a ela para logo depois fazê-la escrava. Claro que tinha culpa que a assolava, mas ainda achava que a traição não era motivo para tanto, mesmo sendo noivas, não achava que Lucelle poderia exigir-lhe alguma coisa, pois não conheciam-se naquela época o bastante para que se amassem realmente. Hoje era diferente, já sabiam quem eram. Seus gostos, anseios, desejos. Davam-se perfeitamente bem na cama e descobriam-se ótimas parceiras de conversas amenas. Ah! Nada disso importa agora! O que queria era ser feliz ao lado de sua deusa de olhos azuis.
Tomava seu café na sala de almoço e não escondia a satisfação que sentia de Arthur.
--- Fico muito contente por vocês Senhoorita Mariana! Eu já sabia! A Senhora Lucelle já havia me contado hoje bem cedo, pela manhã.
--- Vamos comprar um vestido para que eeu o use hoje na festa de noivado!
--- Chama-se: Festa de anunciação. --- Arthur a corrigiu
--- Que seja! Noivado, anunciação... Paassarei o resto de minha vida ao lado de minha deusa!
--- E onde está a Senhora Lucelle agoraa?
--- Foi tomar um banho para sairmos. --- Pois então trate de comer logo tudoo o que lhe preparei.


Passaram quase o dia todo na rua, compraram um lindo vestido para Mariana e um também para Lucelle. Além de peças novas de roupas para a loura, que só possuía peças de vestuário típicos de escravos.
Almoçaram num restaurante finíssimo, e Mariana detestou a comida.
--- Argh! Que horror!
--- Anjo, essa comida é deliciosa! Não tanto quanto você...
--- Não compare essa porcaria nojenta aa mim, Lucelle! Prefiro um belo prato de arroz, feijão, batata-frita e bife de boi, como ensinei para que Arthur pedisse para o chef da cozinha da mansão fazer sempre.
--- Anjo, terá que aprender a viver em 4047!
--- A viver, e não a comer...
--- E um não está contido no outro?
> --- Não enquanto eu lembrar-me como cozzinhar a comida do meu tempo. Tem nos pontos de venda de mantimentos, é só comprar.
Após o almoço seguiram para uma praça muito bonita, onde ficaram por horas perdidas na conversa uma da outra, onde o assunto mais importante eram elas mesmas e esse sentimento que estavam sentindo cada vez mais forte.
A noite chegou trazendo com ela a ansiedade do ex e futuro casal de noivas. Lucelle estava simplesmente deslumbrante num longo vinho, muito justo, que fazia jus a seu corpo de curvas perfeitas. Esperava ansiosa que Mariana descesse.
Quando a loura finalmente olhou-se no espelho e deu-se por satisfeita, dispensou maquiador e cabeleireiro. Deu uma última olhada e desceu. Queria estar perfeita para sua futura noiva.
Ao ver Mariana se aproximando dentro do vestido verde que compraram nesta tarde, o queixo de Lucelle caiu. Uma coisa era vê-la experimentando o vestido e outra coisa diferente era vê-la dentro do vestido penteada e maquiada. Estava mais mulher, parecia mais velha e muito mais encantadora...
--- Anjo... Diabo... Você está encantaddoramente sedutora nesse vestido!
--- Obrigada. Você também não está mal....
Riram... Olharam-se... Desejaram-se...
--- Pare de me olhar assim, Lucelle... Não podemos agora... Temos uma festa em nossa comemoração! E apesar de eu não conhecer nenhum dos convidados, faço questão de receber os cumprimentos de todos!
--- Mas quando acabar a festa você não me escapa!
--- Promessa é divida! --- disse Marianna sorridente
Vendo que a expressão de Mariana mudou para séria, Lucelle perguntou:
--- Algum problema, anjo?
--- Lucelle, esta noite ficaremos noivaas. Permita que eu faça uso de seu dispositivo de pulso para contar em primeira mão para Jilly! Sinto falta dela!
--- Tudo bem. --- disse tirando o dispoositivo do próprio pulso e entregando-o a Mariana --- O use e conte a novidade a ela e a todos da família Carreth.
Mariana começou a fazer a chamada e ao mesmo tempo alguns convidados chegaram exigindo assim a atenção de Lucelle. O conjunto começou a tocar, o barulho de onde estavam era ensurdecedor, não dava para falar ao dispositivo. Mariana fez um gesto para Lucelle que entendeu que ela estava se retirando para um lugar mais reservado por conta do som alto.
Na Terra, Jilly estava sentada em uma lanchonete famosa com amigos quando seu dispositivo de pulso chamou. O visor piscava: “Lucelle Francis Roussels”.
--- Que estranho! --- disse Jilly --- OO que será que essa mulher que comigo? Será que aconteceu algo com Mariana?
Resolveu atender:
--- Alô?
--- Jilly! Quanta saudade!
--- Mari! Mari é você?! --- dizia num mmisto de surpresa e felicidade
--- Ah Jilly! Como queria que estivessee aqui agora comigo!
--- Mari, tenho que contar-te uma coisaa! Sei que a Senhora Lucelle não a permite falar comigo porque sabe que te contarei sobre Clarks...
--- Clarks? O que tem Clarks?
--- Ele...
--- Diga logo Jilly!
--- Ele foi assassinado. No mesmo dia eem que você foi para Vênus com Lucelle.


Com a boca seca e uma repentina dor de cabeça que Mariana conseguiu se arrastar até a cadeira mais próxima. Será que tinha entendido bem? Clarks estava morto? E fora assassinato? Ouviu uma voz longe que a chamava pelo nome, lembrou-se então que ainda estava se comunicando com Jilly pelo dispositivo.
--- Mariana? Você ainda está ai? Está aa me ouvir?
--- Sim, Jilly, ainda estou aqui... Dessculpe, foi o susto...
--- Sei que não deve ser fácil pra vocêê, pois sei que nutria um sentimento forte por ele...
--- Não! Não é isso. É que...
O flash back ficava a repetir na cabeça de Mariana insistentemente... Lucelle os pegando quase aos beijos na primeira vez que se viram... As ameaças dela de matar o rapaz com as próprias mãos caso ele não se afastasse... A traição...
--- Oh meu Deus! --- disse aos prantos --- Me diga, Jilly! Quem o matou?
Mariana segurou a respiração com medo de ouvir a resposta.
--- Pois esse é o problema. Ninguém sabbe quem foi...
--- Como não sabem? Você me disse uma vvez que todos os raríssimos crimes em 4047 tinham solução em menos de vinte e quatro horas!
--- Exatamente. A menos que... --- Jillly teve medo de falar
--- A menos que? --- perguntou Mariana impaciente
--- A menos que o governo tenha algum iinteresse em esconder o fato.
As lágrimas começaram a rolar livremente pela face triste de Mariana.
--- Tenho que desligar agora, Jilly. --- Não chore, Mari! Ele era bonito, maas nem tanto...
Despediram-se. Mariana não chorava por Clarks, mas sim por Lucelle. Mas não tinha forças para explicar a Jilly o motivo de sua tristeza.
--- Socorro... Parem o mundo que eu queero descer!
--- O que disse Senhorita Mariana? --- perguntou Arthur, que ao vê-la chorando se aproximou
--- Oh! Nada, Arthur! Apenas estou emoccionada pelo dia que estou vivendo. --- mentiu --- Com licença, preciso retocar a maquiagem.
Mariana subiu correndo as escadas que levavam até a ala de hóspedes. Escolheu um dos onze quartos e entrou trancando a porta. Deitou-se na cama e se pôs a chorar ainda mais.
--- Não pode ser! Lucelle é uma assassiina! Não posso unir-me a uma assassina de sangue frio!


Lucelle estava radiante, transpirava felicidade por todos os poros. A festa estava animada e pessoas continuavam a chegar. O conjunto tocava uma música dançante e Lucelle se esquivava de convites que a tentavam arrastar para a pista de dança. Hoje só tinha vontade de estar e dançar com Mariana, seu anjo. Mas onde estava Mariana? Resolveu ir procurá-la, mas no lugar que a deixou encontrou somente Arthur.
--- Arthur, você sabe onde está Marianaa?
--- Ela disse que estava indo retocar aa maquiagem. Relaxe, Senhora Lucelle, a menina é como toda pós-adolescente! Deve estar insegura com a aparência e resolveu ir arrumar-se um pouco mais. Vá aproveitar a festa, e quando ela achar que está pronta irá juntar-se a você.
Mas Lucelle estranhou, Mariana não era do tipo insegura. Era bonita demais e tinha plena consciência do efeito que um simples sorriso dela causava em quem quer que seja.
Resolveu ir até o quarto, mas não a encontrou lá. Droga! Onde ela está? Lembrou-se que a emprestara o dispositivo de pulso para que pudesse através dele falar com Jilly. Pegou na gaveta de uma penteadeira um outro aparelho idêntico ao que emprestara a Mariana e fez uma chamada para o seu próprio aparelho.
--- Alô? --- respondeu uma voz chorosa<
--- Mariana! Onde está você, meu anjo?<
--- Lucelle? --- respondeu Mariana assuustada, não contava que a chamada para o dispositivo de Lucelle fosse a própria Lucelle ---- Eu... Eu...
--- Onde está você?
--- Estou me arrumando no quarto.
--- Mariana, sei que a tecnologia está bastante avançada desde 2006, mas tornar-se transparente ainda não é uma conquista tecnológica!
--- Ah... Você está no quarto... --- nãão era uma pergunta, mas uma constatação em voz alta
--- Sim, estou. E adivinha? Você não esstá! --- irritou-se --- Me diga onde você está Mariana! --- Estou em um dos quartos de hóspedess.
--- Era o que eu precisava saber.
E desligou o aparelho na cara de Mariana, seguindo para a ala de hóspedes como quem vai pra guerra.
Abriu porta por porta pra ver em qual dos quartos estava Mariana, quando chegou a uma que viu estar trancada bateu:
--- Abra a porta Mariana! --- gritou Ela abriu e Lucelle entrou.
--- O que está acontecendo Mariana?
> --- Me diz você.
--- A que se refere?
--- Clarks. Esse nome te faz pensar em algo?
--- Sim, faz-me pensar na maior dor quee senti em toda a minha vida.
--- E por isso, apenas por vingança pesssoal, você o matou?
--- Jilly disse-te isso?
--- E precisava? Creio que é questão dee fazer a ligação entre todas as evidências!
--- E esse seu rosto vermelho de choro é por causa dele? Pela morte daquele moleque imundo?
--- Sim! --- exasperou-se --- Você não tem o direito de tirar uma vida!
--- Eu tenho o direito de zelar pelo o que é meu!
--- Sua egoísta!
--- Egoísta? Hahahaha --- ria com desdéém --- Eu lhe ofereço o meu nome, uma vida de luxo e riqueza e o meu amor e você depois de uma noite de amor não pensa duas vezes em pular na cama daquele desgraçado!
--- Será sempre assim, não é? Você nuncca perderá a oportunidade de jogar isso na minha cara.
--- Eu perdoei.
--- Mas não esqueceu!
--- Chega Mariana! --- gritou --- Chegaa! O que pretende com esse circo que armou? Por acaso gostaria de levar flores no túmulo de seu amante? Porque é só o que falta!
--- Túmulo? Ele não está congelado?
> --- Não acharam o corpo a tempo... Estrragou.
--- Você matou uma pessoa! E pra sempree... Oh meu Deus!
--- Sim, matei! E matarei quantas vezess for preciso para que você seja só minha!
--- Não pode estar falando sério...
> --- Você ainda não entendeu, não é? Voccê é minha! Ficará comigo querendo ou não, portanto sugiro que desçamos agora mesmo, caso você não se lembre, tem uma festa a nossa espera. A nossa festa de anunciação!
--- Eu não descerei!
--- Deixe de ser criança, Mariana!
--- Eu não estou sendo criança!
--- Sim, você está!
--- Tudo bem, você venceu. Eu vou desceer, eu vou sorrir e eu vou me unir a você. Sei que estou em suas mãos e vou respeitar essa situação a qual me encontro.
--- Ótimo! Melhor pra você. Agora vamoss descer.
As duas desceram sem trocar palavra, porém de mãos dadas. Na festa, a aparência que passavam não podia ser de um casal mais feliz. Mariana se comportou absolutamente bem, sorrindo e conversando com todos como se nada houvesse acontecido.
Perto da meia noite, Lucelle pegou Mariana pela mão e a levou para o palco, onde o conjunto tocava. Era hora de fazer a anunciação:
--- Queridos amigos, tenho algo importaante a dizer-lhes. Nesta noite tão especial quero anunciar que vou unir-me em matrimônio a uma mulher que encheu meu coração de vida e minha vida de luz. --- agora olhando para Mariana --- Minha alma e a sua são uma só. Senti isso no momento em que a vi pela primeira vez. Naquele momento eu não poderia saber o porquê, só sabia que precisava tê-la junto a mim. Eu a amo, Mariana.
Lucelle pôs o anel de noivado no dedo anular de Mariana, de onde nunca deveria ter saído, pensou. Em seguida beijaram-se de leve nos lábios.
Os convidados aplaudiram, o conjunto recomeçou a tocar uma música romântica.
A noite acabou tranquilamente, por incrível que pareça. Passava das quatro da manhã quando estavam as duas dirigindo-se para seus dormitórios.
--- Onde você está indo, Mariana?
--- Para onde mais? Para o meu quarto!<
--- Não. A partir de hoje você dormirá comigo.
Mariana fez cara de surpresa, mas fez o que Lucelle disse calmamente.
No quarto tomaram banho e deitaram-se na cama.
--- Vem aqui perto de mim... --- disse Lucelle puxando Mariana pra junto de si.
Fizeram amor várias vezes e depois adormeceram.
Lucelle estava feliz, sua menina não estava mostrando resistência nem a união matrimonial e nem a ficar junto a ela.
Mariana, ao contrário estava um tanto quanto triste, talvez decepcionada, não podia entender como Lucelle podia ser tão fria. Mas não ousava enganar-se de novo. A desejava e sabia não ter forças para resistir aos encantos da morena tão sensual e bela. Então resolveu dançar conforme a música. Faria amor com ela quando tivesse vontade e desfrutaria da riqueza dela. Mas jamais entregaria seu coração, jamais!

 

Capítulo 13

 

No dia seguinte acordaram com Arthur chamando:
--- Senhora Lucelle! Senhorita Mariana!! O almoço esfriará!
--- Nós desceremos, Arthur. --- disse LLucelle sonolenta
Levantaram-se e foram para a sala de almoço.
--- Mariana, onde quer passar nossa luaa-de-mel?
--- Tanto faz...
--- Que tal na lua? --- disse Lucelle ccom um risinho malicioso --- Tem melhor lugar?
--- Que tal na frente de uma TV de holoograma?
--- Canal pornô lésbico?
--- Engraçadinha...
---Engraçada, eu? Pois bem... Quero quee nossa união seja em um castelo na Terra. É um lugar maravilhoso, o mais lindo que já vi até hoje!
--- Ta... --- disse Mariana parecendo sse preocupar mais com sua comida
--- Podemos fazer uma festa de três diaas. Nossa união seria no sábado à tarde. Nossos convidados chegariam na quinta-feira e hospedar-se-iam no castelo. O que acha, anjo?
--- Ta... --- Mariana fez cara de quem queria dizer algo --- Lucelle...
--- O que foi?
--- Gostaria muito de voltar a cursar uuma faculdade.
--- Não antes de nossa união.
--- Quem sabe um cursinho então, que nãão me exija muito? Um curso para escritores seria ótimo...
--- Vou pensar.
--- Seriam apenas dois dias na semana, duas horas apenas...
--- Vou pensar.
--- E quando saberá?
--- Assim que eu tiver decidido você saaberá. --- disse Lucelle impaciente


Dois dias se passaram até que Lucelle permitiu que Mariana se matriculasse no curso para escritores que aconteceria toda terça e quinta de duas horas da tarde até as quatro horas.

Lucelle comprou para Mariana todo o material necessário para que pudesse aperfeiçoar sua escrita. No primeiro dia de aula Lucelle a levou até a porta.
--- Não sou criança! Não precisa me traazer até aqui.
--- Não é criança, mas é minha noiva. AA trarei e buscarei todos os dias.
Os dias que se seguiram estavam iguais, havia uma tensão entre elas. Lucelle a tratava sempre bem, mas a loura não perdia oportunidade de se portar secamente. O tempo ruim entre elas era canalizado na cama. Depois de exaustas de tanto fazer amor, dormiam abraçadas, para recomeçarem a não se darem bem durante todo o dia seguinte. Era uma relação nada convencional, mas era a forma que Lucelle encontrava para mantê-la junto a ela.
Mariana estava usando o curso para escritores como um exorcismo de toda a angústia que sentia. Não podia aceitar amar uma assassina e escrever a fazia esquecer-se completamente de tudo o que não estava no seu devido lugar em sua vida.
Por esse motivo se dedicava com afinco e acabou chamando a atenção de seu professor, Omar. Era um homem com seus quarenta e cinco anos, muito bem-apanhado.
--- Muito bom trabalho, Mariana! --- diisse Omar aproximando-se dela
--- Ah! Obrigada! Eu me esforço!
--- Você tem dom. Sinto que você põe suua alma em seus textos.
Mariana estava escrevendo um conto de trinta e duas páginas sobre um romance entre duas mulheres, que se passava em 2006. Por ter vivido naquela época, Mariana podia descrever com exatidão todo o cenário e costumes daquele povo antigo. É claro que sua heroína era inspirada em Lucelle e a outra personagem principal muito se parecia com ela mesma.
--- Professor, meu sonho sempre foi me tornar uma escritora de sucesso.
--- Posso tentar ajudá-la nisso.
--- Pode? Como?
--- Posso indicar seu trabalho a uma edditora, se elas gostarem...
--- Oh! Poderá ser meu padrinho nesse eempreendimento? Que maravilha!
Mariana estava encantada com o curso e consequentemente com o seu professor, em pouco tempo tornaram-se amigos, conversavam sobre filosofia, história da arte e claro, sobre livros. Ele a indicava livros de autores consagrados, que seriam interessantes aos olhos dela, escritos posteriormente à morte de Mariana em 2006.
Lendo esses livros Mariana podia agora entender melhor o funcionamento desse mundo, ainda novo para ela.
Essa amizade se refletia no comportamento de Mariana em casa, com Lucelle, não mais brigavam por pouca coisa. A tratava educadamente, porém sempre seca.
Lucelle notou a mudança de Mariana e compreendeu que o que ela precisava era de algo para se ocupar, com isso a loira gastava menos tempo pensando na falta que sentia de seu estilo de vida em 2006 e no assassinato que Lucelle cometera.
Em suma: Estava achando bom o efeito que o curso para escritores causava em Mariana.
Havia levantado um dossiê sobre Omar, o professor de sua noiva, descobrira que ele praticava o magistério há apenas oito meses, mas seu curso era um sucesso. Ele era casado e pai de três filhos, supostamente traía a mulher com outro homem, mas não pôde ser provado. E o mais importante: Era um ex-agente do governo venuziano. Aparentemente inofensivo.
Omar Peress era um homem solitário, morava na mesma casa com sua esposa apenas para manter as aparências que seu trabalho exigia. Tinha três filhos, mas não os dava muita importância. Acreditava que mantê-los financeiramente era o suficiente.
Há pouco mais de duas semanas uma linda jovem entrara pela porta principal de sua escola querendo matricular-se em seu curso para escritores. Ficara encantado com a beleza e delicadeza da moça no primeiro olhar. Mariana era linda.
Sabia que era noiva, mas sabia que ela tinha uma tristeza no olhar, e não era apenas pelo fato dela ter acordado dois mil anos depois em circunstâncias diferentes das quais ela estava habituada.
No momento, tinham intimidade o suficiente para que pudesse tocar nesse assunto e era o que faria no fim do próximo encontro do grupo.


Mariana estava acabando de escrever um texto livre, que por ordem do professor deveria conter 45 linhas, quando o horário da aula esgotou.
Os outros alunos começaram a sair e Mariana sabia que Lucelle a estaria esperando do lado de fora.
--- Mariana! --- Omar a chamou --- Estoou preocupado com você... Vejo tristeza em seu olhar.
--- Não se preocupe, não é nada demais..
Mariana achou interessante a sensibilidade dele em notar.
--- Pode dizer-me o que está a te aconttecer. Pra isso é que servem os amigos!
--- Lucelle deve estar a minha espera llá fora, Omar...
--- Uma palavra! Diga-me uma palavra! ----, ele insistia precisava desvendar o mistério dela para tentar conquistá-la
--- Assassinato. O que acha?
--- Então é isso que lhe aflige?
--- Sim, é... Você teria coragem de mattar alguém, Omar?
--- Não tenho o direito de tirar a vidaa de ninguém.
--- Você é uma pessoa boa e íntegra Omaar. Agora me perdoa por não poder ficar aqui mais tempo...
--- Lucelle. --- concluiu ele com uma iindignação velada
--- Sim. Até terça!
--- Até...
Lucelle, como de costume, a aguardava no carro. Mariana aproximou-se e entrou.
--- Oi anjo! --- Lucelle a cumprimentouu --- Como foi a aula hoje?
--- Legal. --- respondeu simplesmente --- Legal... Ah sim... Gíria que quer ddizer que a aula foi boa, certo?
--- Hum-hum.
--- E como vai seu professor?
--- Vai bem.
--- Você está com fome?
--- Não.
Então Lucelle desistiu de tentar manter um diálogo. Parecia que só entendiam-se na cama, mas para a morena não era o suficiente. Não podiam ficar assim. Precisava encontrar um modo de reconquistar sua loirinha. A indiferença dela a estava matando por dentro, aos poucos, devagarzinho...


Omar começava a entender que por mais que tentasse, não poderia ter Mariana com Lucelle sempre por perto. Não podia mais viver sem aqueles olhos verdes e aquele sorriso luminoso. Precisava tê-la! Mas não tinha certeza dos sentimentos da loira para com a noiva. Mariana nunca chegou a afirmar, mas podia-se dizer que estava com Lucelle contra a vontade. Não via o brilho nos olhos comum entre as mocinhas que vão unir-se em matrimônio.
Algo estranho estava acontecer entre as duas e ele queria ser o herói salvador da pobre mocinha.
Hoje quando Mariana tocou no tema “assassinato” algo dentro dele despertou. Podia entender o que Mariana lhe dissera. Fora um pedido tímido, ele tinha certeza que fora sim, um pedido. Resolveria esse impasse para ela!
Precisava encontrar um meio para tirar Lucelle do caminho e rápido.
Passou o dia inteiro se dedicando a seu plano e dormiu com isso na cabeça, logo o poria em prática! Então a bela Mariana viria chorar a mágoa em seus ombros.
Dois dias depois o dispositivo de pulso de Lucelle tocou:
--- Alô? --- ela atendeu a chamada
--- Senhora Lucelle? --- era uma voz maasculina
--- Sim, quem é?
--- Bom dia, Senhora Lucelle! Aqui é Ommar Peress, professor de Mariana.
--- Hum... Sei... O que deseja, Senhor Omar?
--- Preciso ter uma reunião em particullar com a Senhora. É sobre Mariana.
--- E do que se trata?
--- Não posso adiantar nada por telefonne, Senhora Lucelle.
--- Não estou gostando disso.
--- Pode encontrar-me em minha escola ppor volta das quatro da tarde?
--- Estarei aí.
--- Peço que nada diga a Mariana.
--- Não direi. Até mais tarde.
Lucelle estava surpresa e curiosa. O que será que Omar queria dizer-lhe? Não devia ser nada demais, talvez qualquer coisa sobre o rendimento de Mariana. Compareceria a pequena reunião proposta por ele.
As quatro em ponto Lucelle estava a porta da escola de Omar. Estranhou que estivesse fechada.
--- Oi, Senhora Lucelle, queira fazer oo favor de entrar. --- disse Omar abrindo-lhe a porta
--- A escola está fechada sendo tão ceddo?
--- Na verdade tive uma pequena indispoosição e cancelei algumas aulas.
--- Podemos remarcar nossa reunião, casso prefira...
--- Não! Quer dizer... É algo importantte, inadiável... Mas sente-se, por favor.
Lucelle sentou-se em uma carteira que os alunos utilizavam para estudar.
--- E então, Senhor Omar, diga-me o quee tem de tão importante.


Na mansão Mariana descansava numa espreguiçadeira a beira da piscina.
--- Deseja algo para beber, Senhorita MMariana? --- perguntou Arthur --- Está muito calor.
--- Gostaria de água sabor de rosas, Arrthur.
--- Num instante, Senhorita. --- disse preparando-se para sair e pegar o desejado por Mariana
--- Arthur?
--- Sim? --- voltou até ela
--- Onde está Lucelle?
--- Vejo que tem alguém sentindo falta de outro alguém... --- comentou entre sorrisos
--- Não é nada disso! Só que... Que preeciso comprar um livro e gostaria que ela liberasse verba...
---Sim, sei... --- respondeu com cinismmo --- A Senhora Lucelle está agora em reunião com seu professor, Omar Peress na escola.
Mariana ficou indignada e levantou-se indo em direção ao quarto, precisava vestir-se para ir ao encontro dos dois.
--- Não acredito que Lucelle teve a auddácia de procurar Omar! Coitadinho! Deve estar preso num emaranhado de perguntas.
Mariana vestiu-se rápido e entrou num aladinho. O programou para que a levasse até a escola.
Sabia que Lucelle era extremamente possessiva e ciumenta, mas agora ela passara de todos os limites! Meter-se com Clarks não era aceitável, mas era explicável, pois a traíra com ele. Mas Omar era apenas um amigo. A não ser que ela estivesse confundindo as coisas. E se for, que Deus proteja Omar de uma assassina sangue-frio.
Não voltaria sequer a olhar Lucelle de novo nos olhos se ela fizer algo a Omar.


Lucelle esperava com impaciência o que Omar tinha a lhe dizer, e ouviu quando o viu pegar algo na gaveta de sua mesa. Era uma arma muito poderosa, parecida com um pequeno revólver, mas tinha o poder de destruição de uma metralhadora. Armas em 4047 quase não existiam. Só pessoas ligadas ao governo a possuíam. Lucelle lembrou-se que Omar já fora agente do governo no passado, embora não conseguisse entender como ele havia conseguido permanecer com a arma após o desligamento da profissão.
--- O que está acontecendo aqui? --- quuis saber Lucelle levantando-se
Omar foi se aproximando da morena com a arma erguida. Ela levantou as mãos para o alto em sinal de rendimento.
--- Senhora Lucelle... --- disse Omar ---- Parece que não está mais dando as cartas do jogo...
--- Cretino! O que quer? Dinheiro?
--- Não... Quero algo muito mais valiosso... Quero Mariana!
--- Nunca! --- ela gritou
--- Eu já disse que você não está em coondições de mandar nada aqui...
Ele se aproximou dela e continuou o discurso:
--- Senhora Lucelle, vou matá-la, mas aantes quero dizer a verdade para que possa compreender e sofrer... Mariana pediu-me que a matasse.
O sangue fugiu da face da bela morena, estava pálida, sem ação. Nada mais importava, nem a morte certa. A única coisa que conseguia pensar agora era em Mariana pedindo que a matasse... E em como a amava apesar de tudo
--- Vocês são amantes? --- perguntou --- Ainda não... Mas não tardará a aconntecer... E saiba que darei sumiço em seu corpo. Não poderá ser congelada e consequentemente trazida de volta à vida.
Omar continuava a falar, queria que ela soubesse com riqueza de detalhes todos os planos que tinha para quando ele e Mariana se unissem.
De repente ele sentiu um soco na mão que segurava a arma e a deixou cair, Lucelle aproveito-se da distração do professor e lhe desferiu um golpe. Vendo que seu plano dera certo e a arma voou ao chão, abaixou-se mais rapidamente que ele e conseguiu pegar a arma.
Agora era Lucelle quem apontava arma em direção a ele.
--- Então, diga-me, Omar! Quem é que dáá as cartas do jogo?
Nesse mesmo instante, Mariana entrou na sala tendo ouvido as últimas palavras de Lucelle.

 

Capítulo 14


Mariana via a cena, mas não queria acreditar que fosse verdade. Estava certa, Lucelle veio para matar seu professor por puro ciúme! Fizera bem em vir atrás de sua noiva. Poderia intervir de alguma maneira.
--- Não! --- gritou Mariana --- Não o mmate! Por favor, Lucelle!
Lucelle recusava-se a aceitar que Mariana o mandara matá-la e ainda o estava defendendo! Teve ódio e ciúme.
--- Saia da frente, sua piranha! --- diisse Lucelle exaltada ---- Verá seu amante morrer!
--- Ele não é meu amante! --- defendeu--se Mariana
--- Ah, não é? --- perguntava com desdéém --- Quanta consideração vocês dois tem! Esperariam meu cadáver apodrecer para enfim irem para a cama! Que romântico!
--- O que? Seu cadáver? --- Mariana perrguntou sem entender sobre o que Lucelle falava --- O que você está falando?
--- Sei de toda a verdade Mariana... Seei que pediu a Omar que me matasse!
--- Eu o que? --- perguntou e virou de costas para Lucelle e de frente para Omar --- Sobre o que ela está falando, Omar?
--- Contei a ela sobre nossa conversa ooutro dia --- respondeu Omar --- Ela sabe que você quer vê-la morta... Assassinato.
--- Eu nunca te disse isso, seu idiota!! --- proferiu Mariana irritada --- Muito pelo contrário!
--- Mas você me perguntou se eu teria ccoragem de matar alguém! --- disse ele exasperado
--- Era uma pergunta retórica! Sem nenhhuma intenção oculta! Era somente um desabafo... Estava triste porque Lucelle cometeu um assassinato e não entendo como ela pode conviver tão bem com o fato de ter matado uma pessoa!
Lucelle olhava de um para o outro ainda com a arma apontada para Omar. Entendeu que tudo não passara de uma confusão criada pelas loucas fantasias de um ex agente do governo cheio de histórias pra contar, que se negava a ser somente um professor, cuja criatividade era surpreendente e perigosa...
--- Mariana... --- disse Lucelle emocioonada --- você não queria ver-me morta?
--- Não poderia ver a mulher que amo moorta --- disse timidamente --- Você devolveu-me a vida, você é a minha vida.
--- Oh Mariana! Eu a amo!
Mariana correu até os braços estendidos de Lucelle, perderam-se num abraço extremoso e apertado. Era a primeira vez que expressavam o amor que sentiam uma pela outra em palavras.
Dessa vez foi Omar quem se aproveitara do momento de distração das duas e empurrou-as, fazendo com que caíssem no chão.
Sem perder tempo pegou a arma caída ao chão e apontava freneticamente de uma para a outra.
--- Largue a arma Omar! --- pediu Mariaana --- Já sabe que confundiu-se. Prometo que iremos embora sem problemas.
--- Não posso Mariana! --- ele gritava com ela --- Não posso permitir que seja dessa mulher! Você gosta de mim! Sinto isso!
--- Omar, você fantasiou... Por favor, abaixe a arma!
--- Não posso permitir que essa mulher continue respirando!
Omar apontou a arma para Lucelle e começou a aproximar-se dela com os olhos em brasa.
--- Eu vou matá-la sua maldita!
Lucelle ouviu quando ele destravou a arma, estava pronto para atirar. Sempre ouvira que quando estamos próximos de morrer, a vida passa num segundo a nossa frente. Mas a única coisa que ela conseguia pensar no momento era em Mariana e nas palavras que lhe dissera há poucos momentos.
Não lamentava, apenas aceitava. Se fosse pra morrer iria com dignidade, pois tinha o que todos passam a vida inteira procurando. E ela encontrara. Embora só houvesse descoberto nos últimos instantes, ainda assim valeu à pena. Faria tudo de novo, mas tudo diferente... Tudo de novo, tudo diferente...


Um som alto se fez ouvir dentro da sala da escola do professor Omar. O isolamento acústico, artifício comum em todo o lugar, impedia que o som do tiro chegasse aos ouvidos de quem estivesse fora da sala em que os três se encontravam.
Lucelle arregalou os olhos, estava vendo a face da morte à sua frente.
Omar não via mais nada. Em seu peito havia um grande buraco que sangrava até a outra extremidade da sala.
Mariana estava de pé, seu rosto era impassível. Agora toda a sua vida seria diferente. Havia tirado a vida de alguém. Antes de sair, lembrou-se que certa vez vira sem querer a arma que Lucelle mantinha dentro de uma gaveta em seu closet. Por medida de segurança apenas a pegou e guardou em sua bolsa, mas jamais imaginara que fosse preciso usá-la realmente.
Omar jazia morto ao chão e Lucelle não podia acreditar no que acabara de presenciar. Mariana o havia matado! E por ela!
--- Você salvou a minha vida! --- dissee admirada
--- Entre ele e você... --- e disse porr fim --- Me abraça Lucelle! Preciso de você mais do que nunca agora!
--- Vem, meu anjo! --- estendeu-lhe os braços --- Chore, se quiser, vai ser bom...
--- Não chorarei por um desgraçado que tentou arruinar nossa felicidade.
--- Disse bem: Tentou! Ele não conseguiiu --- disse Lucelle beijando-lhe a testa --- Só nos uniu ainda mais.
--- E agora, Lucelle?
--- Avisaremos ao governo. --- disse nuum tom de zombaria --- Mais um crime passional... Oh! Serei despedida!
--- Lucelle! Isso não é hora para brinccadeiras! Além do que foi em legítima defesa!
--- Calma, anjo! Acionei meu dispositivvo de pulso para gravar toda a conversa, sem que ele percebesse.
--- Você é um demônio! --- disse a loirra a olhando com admiração e amor
--- E você um diabo!
--- Te amo, Lucelle.
--- Que posso eu fazer além de retribuiir?
Riram como não faziam há tempos e beijaram-se.






Fim



Epílogo




2 meses depois




A tarde estava num clima agradável, as flores deixavam um aroma especial de alegria no ar. O sol não se fazia muito quente, porém ainda se mantinha numa luminosidade acolhedora e a sua luz penetrava com vontade pelos vitrais da catedral do castelo.
Lucelle estava em pé no altar ricamente ornamentado com rosas vermelhas, trajava um sedutor vestido branco que lhe moldava o corpo e revelava parte do colo. Sentia um misto de nervosismo e felicidade.
Os instrumentos da orquestra começaram a soar, sinal de que a noiva adentraria a qualquer segundo pela porta da frente da catedral. Lucelle respirou fundo, mais um segundo.
A gigantesca e imponente porta se abriu. Lá estava ela, Mariana, num majestoso vestido branco rodado estilo princesa, típico de noivas clássicas, com bordado em ouro amarelo e diamante.
Lucelle sentiu lágrimas quentes rolarem por sua face perante a visão da mulher mais linda e mais magnífica que havia conhecido caminhando pelo tapete vermelho em direção a ela.
Ambas se olhavam nos olhos, algo fora da compreensão humana as atraía uma para a outra. Ambas sabiam que o destino delas era ficar juntas. E ambas sabiam que nem mesmo a morte poderia separá-las.
Mariana chegou até o altar e pegou na mão estendida de sua amada Lucelle.



--- Não tivemos tempo de estar juntas, Mari... --- disse Jilly num tom ansioso --- Você chegou ontem e Lucelle não nos permitiu conversar!
Estavam dentro de um dos imensos quartos do castelo, onde Jilly ajudava Mariana a se trocar para poder ir pegar o foguete que a levaria juntamente com Lucelle a Lua, onde passariam a lua de mel.
--- É porque estávamos muito cansadas ee também ocupadas com os detalhes da festa, Jilly! --- respondeu na defensiva
--- Olha, eu sei que ela não gosta de mmim... E sei também que você tem algo a me dizer... Ela... Ela te forçou a essa união matrimonial Mari!
--- Essa união matrimonial é o que de mmais importante aconteceu em minha vida, Jilly.
--- O que aconteceu entre vocês?
--- Aconteceu o inevitável. --- responddeu sorridente --- Aconteceu o amor. Somos almas gêmeas.
--- E como se deu isso? Você não gosta de mulher Mariana! No mínimo ela te forçou! Ela abusou de você todo esse tempo! A fez de escrava!
--- Agora entendo que Lucelle me quis ddar uma lição. E quis me mostrar tudo o que eu poderia ter tido caso tivesse aceitado de primeiro o que ele estava disposta a me oferecer... Inclusive o seu amor...
--- E você a ama mesmo? --- perguntou iincrédula
--- Não poderia ser diferente....
--- Mas ela abusou de você! --- argumenntou ferozmente
--- E eu... --- riu corando violentamennte --- E eu gostei! Hahahaha... --- não pôde mais conter o riso --- Gostei tanto do jeito que ela me tocava e me fazia amor que eu me apaixonei. No início travava uma luta comigo mesma, mas com o tempo fui percebendo que sentia ciúmes dela com qualquer mulher que se aproximava com segundas intenções... Então resolvi que não iria mais lutar contra esse sentimento.
--- Mas ela matou o Clarcks! --- responndeu irritada --- E você sabe que o governo está encobrindo para que ela não seja trancafiada numa cela para sempre! Consegue amar a uma assassina, Mariana?
--- Pois também sou uma assassina!
--- É diferente! Foi em legítima defesaa, Mari! Enquanto que Lucelle o matou a sangue frio!
--- Lucelle é um demônio de olhos incriivelmente azuis, capaz de me matar de dor ou prazer apenas num olhar... Eu lamento muito a morte de Clarcks... Mas Lucelle é a minha vida. E eu sei que eu faria qualquer coisa que estivesse ao meu alcance só para tê-la perto de mim... Eu aprendi a aceitar o que ela fez para me ter.
--- Ela te enfeitiçou... --- disse balaançando a cabeça nervosa
--- Se esse feitiço quer dizer que tereei que passar o resto de minha vida com ela, pois que seja.



--- Feliz? --- Lucelle perguntou enquannto a abraçava por trás
--- Como poderia não estar se tenho voccê ao meu lado? --- a loira suspirou e fixou seu olhar em um ponto do universo --- Olha como a Terra é tão linda vista daqui! É Tão grande e azul!
Fazia duas semanas que as felizes recém unidas estavam passando à lua de mel num hotel “todas as estrelas” na Lua. E agora se encontravam abraçadas olhando pela janela.
--- Sim, é belíssima... --- a beijou noo rosto --- Não mais do que você!
--- Você é suspeita pra falar! Precisammos de uma segunda opinião!
--- Não! --- respondeu nervosa --- Ningguém vai dar opinião sobre sua beleza, Marina!
--- Hahahaha! --- a loira riu com gostoo --- Uni-me em matrimônio com uma ciumenta incorrigível! Hahahaha... É brincadeira, sua boba!
Lucelle a virou de frente para ela e a beijou de um jeito mais que apaixonado, era o amor puro em simples se manifestando em forma de carícias e beijos.
--- Preciso te confessar uma coisa, Marriana. --- disse carinhosa
--- O que é?
--- Antes de eu te encontrar congelada no Centro de Criogenia Sampaio... --- passou a mão pelo cabelo num gesto de embaraço --- Eu havia sonhado com você.
--- É... As pessoas costumam mesmo sonhhar com romances perfeitos! --- brincou
--- Não, é sério! Eu sonhava com você, era você! Seu rosto. Lembro-me perfeitamente. Você me chamava insistentemente como se precisasse de mim e sempre me dizia a mesma coisa.
--- O que?
--- Você dizia: Você não está sozinha.... Você não está sozinha...
Mariana ia dizer algo, mas se manteve calada ao perceber pela expressão da morena que esta dizia a verdade e que começava a se emocionar. Lucelle quebrou o silêncio:
--- Eu sonhava com você me chamando e mme dizendo isso desde que eu era uma garotinha, mas pensava que era apenas um sonho e nada mais... Até que te vi... Congelada... A minha espera... Então eu soube que era você... Que era a mulher que passaria a vida inteira comigo... A mulher capaz de me fazer amar de verdade. Eu te encontrei Mariana!
A loira passou os dedos pela face de Lucelle enxugando algumas lágrimas que escorriam sem vergonha. A puxou carinhosamente pela cabeça, se pôs nas pontas dos pés e beijou os olhos dela, um de cada vez.
--- Não precisa chorar nunca mais. Vocêê não está sozinha e nunca estará. Eu estou aqui.
Abraçaram-se. Sabiam que em momentos como esse as palavras eram desnecessárias, nada poderia ser dito, por que nenhuma palavra poderia explicar o que estavam sentindo. Consumavam em silêncio o encontro consciente de almas gêmeas. Agora tudo fazia sentido. Talvez fosse obra do destino, talvez fosse brincadeira da morte.
Só sabiam que o que haveriam de ter vivido há dois mil anos teve que esperar para acontecer agora, no futuro... Talvez fosse tudo diferente se certo ônibus não tivesse despencado da ponte e caído no rio, talvez pudessem ter se encontrado naquela época... Ou talvez a morte de Mariana tenha acontecido para que pudessem se conhecer hoje... Talvez...
--- Lucelle?
--- O que foi, anjo?
--- Eu também tive um sonho essa noite.... --- disse com um sorrisinho malicioso
--- E que sonho foi esse?
--- Eu sonhei que estava grávida.
--- Hum... Então precisamos começar a ffazer essa criança!
--- Hahaha... Hei... Eu sei bem de ondee as crianças vêm! Precisamos de uma inseminação pra eu engravidar!
--- Precisamos... Mas vamos aquecer aquui na cama primeiro...
Lucelle pegou Mariana no colo e a levou para a cama. Ali faria mais uma vez o amor que sentiam, que lhe escapavam por todos os poros, transpiravam esse amor.
A lua de mel durou mais um mês até que finalmente voltaram para Terra, onde construíram uma mansão surreal para que pudessem se estabelecer e para Mariana ter residência fixa para voltar a cursar uma faculdade.
Ali, muitas e muitas coisas aconteceram, mas isso é outra história...

 

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