Um Sonho Perfeito
Deya
Disclaimer: Voc�s v�o notar que sou meio apaixonada
com personagens e localidades europ�ias. Amo cafeterias, arte, escrever,
desenhar; cappuccino e um bom vinho s�o outras de minhas paix�es!
Por�m,
algumas cidades e lugares observados nessa fanfiction s�o fict�cios,
como a pequena cidade de Lars e as universidades mencionadas. Outras cidades,
pa�ses e localidades s�o de dom�nio p�blico.
Se voc� for menor de idade ou onde voc� mora n�o � permitido esse tipo de leitura, sugiro que pare por aqui; a autora, nem a dona do site assumem nenhum tipo de responsabilidade pelo n�o cumprimento desse alerta.
Izabelle
e Sophie s�o duas mulheres bem sucedidas que v�o colocar seu amor
� prova numa est�ria muito rom�ntica e gostosa de se ler!
Divirtam-se e sonhem junto com elas!
Deya
Conhecer Izabelle se tornou um dos acontecimentos
mais marcantes na vida de Sophie. Tudo come�ou em meados de 1998.
Sophie cursava a Faculdade de Medicina em
Bonn, na Alemanha e estava terminando a resid�ncia quando seus pais morreram
num tr�gico acidente de carro. Ela teve que reconhecer os corpos no IML;
foi uma experi�ncia extremamente traum�tica e ela decidiu que terminaria
o curso de medicina, mas n�o exerceria a profiss�o.
Quando se formou, pegou suas economias,
o dinheiro que lhe foi deixado de heran�a ap�s a morte dos pais,
algumas roupas e objetos pessoais e mudou-se para Lars, uma cidadezinha no norte
da B�lgica. Como n�o tinha mais nenhum parente com que se preocupar
n�o teve d�vidas em estabelecer uma vida nova na pequena cidade.
Construiu uma cafeteria e uma pequena casa nos fundos; o que ganhava era suficiente
para pagar suas contas e o que havia sobrado de tudo que havia levado serviria
para levar uma vida sem apertos.
Um ano depois de se mudar para Lars, Sophie
foi convidada por alguns amigos que faziam p�s-doutorado a acompanh�-los
numa viagem para conhecer outros alunos da Faculdade de Medicina de Londres.
Mesmo n�o agradando muito da id�ia, ela foi. Assistiu algumas
palestras, conheceu muita gente, mas nada de diferente do que estava acostumada.
O fato de ser gay a deixava um pouco desconfort�vel em ocasi�es
onde havia um grande n�mero de "heteros caretas"; ela achava
que encontrar algu�m interessante no meio de um bando de rec�m
formados seria imposs�vel. No �ltimo dia, por�m, todos
foram convidados pelos alunos de outra faculdade para uma festa num pub. Sophie
n�o queria ir, mas foi convencida por seus amigos, mais uma vez, mesmo
achando que seria uma grande perda de tempo.
Quando entrou no tal pub, deu de cara com
a mulher mais linda que j� tinha visto em sua vida. Seus olhos se prenderam
nos dela e s� parou de olhar quando algu�m a puxou para junto
dos outros. Sophie ainda olhou para tr�s para certificar-se que n�o
era miragem. "O que uma mulher t�o linda estava fazendo ali sozinha?",
pensou Sophie. A verdade � que n�o sabia se ela estava realmente
sozinha, mas desejou que estivesse.
Procurou saber com algu�m de quem
se tratava a figura hipnotizante que roubaria sua aten��o o resto
da noite. Descobriu que era Izabelle Lacciezzi, irm� de R�mulo
Lacciezzi, um dos anfitri�es da festa, e estava ali apenas visitando
o irm�o. Ela morava em Roma e havia conclu�do o curso de Psicologia
na Universidade Roma; incr�vel como Sophie sabia ser bem persuasiva e
arrancava qualquer informa��o de quem quer que fosse.
Mas n�o tinha como chegar perto daquela
beldade; ela estava cercada de homens maravilhosos prontos a lamber o ch�o
para ela passar. Izabelle era alta e exageradamente linda. Tinha os olhos de
um azul claro que ela nunca havia visto antes e os cabelos eram negros e chegavam
at� o meio das costas. Tinha o corpo bem definido, provavelmente, devido
a horas intermin�veis de academia. Achou que n�o teria chance
e decidiu aproveitar o resto da noite. Acabou bebendo mais do que devia e capotou
num sof� nos fundos do pub.
R�mulo pediu que Izabelle levasse
"a jovem que havia bebido demais" para onde a turma dela estava hospedada
e falou que mais tarde iria at� l� para certificar-se que estava
tudo bem.
O fato � que R�mulo n�o
parecia estar disposto a abandonar a festa para tomar conta de algu�m
que havia passado mal e Izabelle percebeu isso quando ele voltou para junto
de seus amigos e eles viraram mais uma rodada cerveja.
- Ok, tontinha; vou levar voc� para
o seu hotel e voltar para a festa... Por essa o R�mulo vai me pagar! -
resmungou.
Izabelle ouviu Sophie resmungando algo,
mas n�o compreendeu uma palavra do que ela dizia. Atravessou o pub com
a jovem debru�ada em seu ombro e levou-a at� o carro de seu irm�o.
- Acho que vou... BLAARGH!!
- PUTZ; Olha o que voc� fez!!! Esse
carro � do meu irm�o; ele vai me matar... Ei; voc� est�
bem?
Sophie n�o respondia; havia apagado.
- Ai, meu Deus...
N�o tinha outra alternativa. Os outros
colegas de Sophie estavam t�o b�bados quanto ela e n�o sairiam
daquela festa por nada. Izabelle resolveu, ent�o, levar Sophie para o
hotel onde estava hospedada; ficaria com ela at� descobrir o telefone
de algu�m da turma que estivesse s�brio o bastante para busc�-la.
Ela n�o parecia bem. Talvez a press�o
estivesse baixa; tinha um aspecto p�lido e respira��o um
pouco irregular.
Izabelle levou a jovem desmaiada para seu
quarto no hotel e colocou-a em sua cama. Colocou um pouco de sal debaixo da
l�ngua dela e esperou para ver se melhorava. Mas como tomar conta de
algu�m se voc� tamb�m est� ruim?
Naquela noite, Izabelle tamb�m havia
bebido al�m da conta; n�o tinha costume de beber e ficou um pouco
alterada, sonolenta. Deitou-se ao lado de Sophie e ficou olhando para a jovem.
O cabelo loiro ca�do atrapalhado no rosto, a pele de apar�ncia
macia e o contorno dos l�bios; era perfeita.
Alguns minutos depois, Sophie abriu os olhos
para ver onde estava. N�o identificou o lugar, mas ficou feliz ao ver
que quem estava ao seu lado era a linda mulher da festa.
As duas se encaram por alguns segundos e
Izabelle sorriu.
- Hei, dorminhoca... Se sente melhor?
- N�o sei... Minha cabe�a
est� rodando um pouco. E voc�? Parece um pouco...
- ... Chapada? Isso n�o �
privil�gio s� seu, minha cara...
Ambas sorriram e continuaram se olhando
por algum tempo, at� que adormeceram.
No outro dia, quando Izabelle acordou, havia
apenas uma pequena rosa feita com papel de ma�o de cigarros em cima do
travesseiro e um bilhete escrito �s pressas junto dela. Deu uma olhada
r�pida pelo quarto e viu que sua companhia da noite passada n�o
estava mais l�; infelizmente.
"Precisei sair correndo... Espero n�o
perder meu v�o...! Acho que fiz feio ontem � noite. De qualquer
forma, obrigada por me salvar daquele porre! Minha cabe�a ainda d�i,
mas nem tudo � perfeito, n�? Queria ter mais tempo para te conhecer
e te agradecer direito. Se vier � B�lgica algum dia, me procure
na melhor cafeteria da cidade de Lars.
Mais uma vez, obrigada...
Sophie
Ps: seus olhos s�o lindos!"
Passados alguns meses, Izabelle n�o
conseguia tirar nem o convite, nem aqueles olhos verdes da cabe�a e n�o
sabia porque; talvez o fato dela sentir atra��o por mulheres tivesse
alguma coisa a ver com tudo isso, mas ela n�o havia comentado nada com
ningu�m.
Um dia, conversando com uma de suas amigas
a respeito do que achava que estava se passando em seu cora��o,
chegou � conclus�o de que devia ir at� a B�lgica
para rever os olhos que a encararam naquela noite.
Quando chegou na pequena cidade de Lars,
n�o precisou procurar muito para achar a cafeteria mais aconchegante
e movimentada da cidade e, quando finalmente encontrou, l� estava Sophie
atr�s do balc�o atendendo algumas pessoas, sorrindo. Ela chegou
at� o balc�o e acenou para um jovem que enxugava algumas x�caras.
- Me fa�a um favor... Entregue isso
para aquela jovem. - Izabelle apontou para Sophie e o jovem sorriu, indo em
seguida entregar um bilhete escrito enquanto conversavam.
Sophie recebeu o bilhete e leu.
"Sua salvadora merece um cappuccino,
certo?"
Ela sorriu ao ler o que estava escrito e
olhou em volta; avistou Izabelle. Falou qualquer coisa com o rapaz que entregou
o bilhete e foi at� o outro lado do balc�o, onde Izabelle a esperava
sorrindo.
- Ora, ora; se n�o � minha
salvadora!
- Ainda se lembra de mim, Sophie?
- N�o esque�o um rosto com
facilidade... Izabelle Lacciezzi.
- Vejo que me conheceu antes mesmo de eu
me apresentar.
- Eu tamb�m tenho minhas habilidades...
As duas se cumprimentaram e sentaram numa
mesa no canto; tomaram alguns cappuccinos e conversaram durante muito tempo,
lembrando e rindo do que aconteceu no passado.
- Se eu estiver te atrapalhando...
- O que � isso; parece que voc�
sempre chega na hora certa.
- Humm... E isso quer dizer...?
- Achei que n�o a veria nunca mais...
- Queria me ver de novo?
- Pode apostar. Humm...Posso te fazer um
convite?
Izabelle apenas olhou para a jovem �
sua frente.
- Aceitaria jantar comigo?
- E isso seria um... Encontro?
- Depende de voc�...
Izabelle tomou o �ltimo gole do caf�
e sorriu.
- Na minha casa... Ou na sua?
As duas riram.
- Dadas �s circunst�ncias,
acho que pode ser na minha. Moro aqui atr�s da cafeteria, na casa de
cerquinha branca - Sophie consultou o rel�gio; 19:40 - Nove e meia est�
bom?
- Estarei l�.
Izabelle se despediu e saiu da cafeteria.
Sophie observou at� que ela sa�sse
e recostou-se na cadeira. O rapaz que havia atendido Izabelle veio at�
a mesa onde elas estavam sentadas e olhou para Sophie; ela sorria.
- � ela, n�o �?
- Sim...
- Ela � linda, Sophie; exatamente
como voc� falou.
Sophie levantou-se e deu um tapinha nas
costas do seu ajudante. Teria que ir para casa mais cedo e deixar tudo nas m�os
dele; tinha um jantar importante para preparar.
Nove e vinte a campainha tocou. Sophie
acabava de conferir se o assado que estava no forno n�o havia queimado
e foi abrir a porta. Izabelle estava simplesmente linda.
- Oi...
- Oi...
As duas ficaram um pouco sem gra�a;
pareciam adolescentes no primeiro encontro.
- Acho que agora � a parte em que
voc� me convida para entrar... N�o �?
- �; acho que sim.
Izabelle entrou na pequena sala e olhou
a sua volta. A casa era extremamente aconchegante e iluminada com pequenos candelabros
dispostos estrategicamente.
- Adorei sua casa... Onde posso por meu
casaco?
- Pode deixar que eu guardo para voc�.
- falou Sophie retirando o casaco deliccadamente - Quer que guarde sua bolsa
tamb�m?
- Ah, n�o � minha bolsa; �
uma garrafa de vinho branco que tomei a liberdade de comprar para a gente. Fiz
mal?
- De jeito nenhum! Vamos coloc�-la
no gelo. O jantar est� quase pronto; n�o sou muito boa na cozinha,
mas acho que voc� vai gostar...
- A julgar pelo cheiro maravilhoso, aposto
que sim! � prop�sito... Voc� est� linda.
- Voc� tamb�m... Humm... Venha,
sente-se aqui; vamos beber seu vinho enquanto fica pronto.
As duas sentaram na pequena sala e abriram
a garrafa de vinho. Izabelle bebia e olhava para Sophie; queria deixar bem claro
que alguma coisa aconteceria ali, naquela noite.
Depois do jantar, sentaram-se novamente
na sala para tomar um ch�.
- Estava delicioso, Sophie.
- Humm... Voc� s� me elogiou
at� agora; assim vou ficar mal acostumada.
- Perd�o; a sinceridade �
um de meus defeitos.
- Defeito? Mas isso n�o �
um defeito; pelo contr�rio, uma qualidade que poucos possuem. Por que
acha que � um defeito?
- Porque tenho o impulso de falar tudo que
penso...
- E... Posso saber o que voc� est�
pensando agora?
- Se te disser talvez voc� se assuste...
- Nah, pode falar!
Izabelle levantou, afastou um candelabro
que obstru�a sua passagem e, apoiando as m�os na mesa, alcan�ou
os l�bios de Sophie num suave beijo. Enquanto se sentava, Sophie ficou
olhando aquela figura maravilhosa que acabara de beij�-la.
- Era isso que voc� queria falar?
- perguntou.
- Humm... Basicamente.
Sophie sorriu e levantou-se em dire��o
a Izabelle apoiando uma das m�os na mesa. Segurou o rosto dela com a
outra m�o e beijou-a suavemente. Sentiu o um calor gostoso percorrer
seu corpo. Voltou ao seu lugar � mesa e ficou olhando Izabelle sorrindo
� sua frente.
- O que voc� fez comigo? - perguntou
Sophie.
- Beijei voc�.
- N�o; eu sei, n�o �
disso que estou falando... Desde aquele dia n�o consigo parar de pensar
em voc� e agora... Isso?
- N�o gostou?
- Claro que gostei; sonhei com isso! Mas
o que significa?
Izabelle levantou-se novamente e dessa vez
sentou-se do lado de Sophie, segurando sua m�o delicadamente.
- N�o sei o que significa, Sophie;
acho... Acho que sinto algo por voc� e simplesmente n�o pude esquecer
daquele dia; seus olhos e seu sorriso n�o saiam da minha cabe�a.
Tinha que ter certeza de que n�o era loucura.
- E o que voc� est� sentindo...
Agora?
- Quero te conhecer melhor; me apaixonei
por voc�, pelo seu sorriso, pela sua ingenuidade, mas n�o te conhe�o
direito! Preciso e quero conhecer voc�... Se voc� quiser me conhecer
tamb�m.
Sophie olhou para aquela mulher �
sua frente e perguntou se seria loucura arriscar um relacionamento com uma estranha...
"Foda-se!", pensou.
- Claro que quero! Mas voc� mora t�o
longe... Como vamos fazer?
- Vou arrumar um lugar para dormir, um emprego;
sei que parece loucura, mas n�o tem nada que me prende l� em Roma.
Posso dar aulas...
- Se voc� acha que consegue mudar
para c�, posso te ajudar. Tenho um quarto de h�spedes e voc�
pode ficar...
- Hei; vamos com calma, ok. J� estou
dando um passo bem grande; n�o quero invadir sua vida de uma vez.
As duas concordaram que seria melhor Izabelle
alugar um apartamento no centro para ambas terem seu espa�o e sua privacidade.
Em menos de dois meses, Izabelle se mudou
para Lars e conseguiu um emprego numa escola como professora e numa livraria
como pesquisadora. Ia � cafeteria de Sophie todas as quartas, sextas
e finais de semana, ou quando n�o tinha muitos trabalhos para corrigir
e avaliar.
Passados mais alguns meses de conviv�ncia,
as duas acharam que j� se conheciam o suficiente e o namoro havia ficado
s�rio.
No come�o, o povo da cidade estranhou
um pouco; duas mulheres t�o lindas, sozinhas, sem namorados. Logo compreenderam
o que se passava e tudo ficou mais claro ainda quando Izabelle se mudou para
casa de Sophie no inverno do ano 2000.
As duas se entendiam perfeitamente bem;
sentiam quando algo estava errado e sabiam o que gostavam ou n�o. Era
uma parceria perfeita, uma cumplicidade.
Izabelle deixou o trabalho na biblioteca,
ficando apenas com as aulas na escola; queria ajudar Sophie na cafeteria.
Em fevereiro de 2001, fizeram uma viagem
para a Gr�cia e se casaram na ilha de Mikonos numa cerim�nia simples,
por�m, maravilhosa. Foi perfeito.
Quando voltaram para Lars, Sophie decidiu
que ajudaria alguns amigos m�dicos em suas palestras em faculdades e
escolas p�blicas. Ela cuidaria da parte de medicina preventiva; assim
poderia rever um pouco do que havia estudado sem ter que voltar totalmente �
ativa.
Choveu como h� muito tempo n�o
se via naquela regi�o. Nuvens grossas ainda impediam os raios de sol
de chegarem at� a superf�cie e em todo o lugar havia possas enormes
que pareciam prontas a engolir quem tentasse atravess�-las. Um vento
frio n�o parava de soprar e a temperatura caiu muito; era inverno e fazia
cinco graus negativos.
Sophie ajeitou-se na cama e notou que o
lugar ao seu lado estava vazio. Olhou no rel�gio; seis da manh�.
Resmungou baixinho que n�o podia ser normal uma pessoa sair de debaixo
das cobertas naquele frio e �quela hora da manh�.
Lutando contra a pregui�a de sair
daquele ninho - era como ela chamava sua cama - ergueu os olhos e viu Izabelle
na janela enrolada em um edredon com uma x�cara fumegante entre as m�os.
- Belle; algum problema?
A linda mulher de olhos azuis olhou para
a cama e viu sua pequena amante deitada, olhando-a ternamente e com um sorriso
maravilhoso de quem acabava de acordar. O cabelo loiro cortado curto ca�a-lhe
nos olhos deixando sua cara de sono ainda mais linda.
- Creio que n�o; por que?
- Ent�o... Pelos Deuses; o que est�
fazendo a� nesse frio sozinha?
- Nada... - Izabelle fez uma breve pausa
para tomar um pouco do l�quido quente dentro da x�cara - Pensando...
Quer um pouco de chocolate? Fiz agora a pouco.
Sophie sentou-se na cama ainda enrolada
nas cobertas e olhou preocupada para Izabelle.
- A quanto tempo est� acordada, meu
amor?
- ...
- Vem, senta aqui...
Izabelle foi at� a cama e sentou-se
perto de Sophie.
- Est� pensando na minha viagem para
Frankfurt amanh�, n�o �?
- �... N�o sei se �
uma boa id�ia voc� ir sozinha para t�o longe dirigindo.
Fico angustiada s� de pensar...
Sophie puxou Izabelle para mais perto, beijou-a
e abra�ou-a forte. Os l�bios dela estavam quentes e doces por
causa do chocolate e seus olhos, muito vermelhos.
- Voc� estava chorado!
- N�o... S� n�o dormi
direito. Tive outro daqueles pesadelos terr�veis. Voc� sofreu um
acidente e...
- Shhh... P�ra com isso; foi s�
um sonho bobo. Estou aqui, estou bem, e vou ficar bem; acredite... Se te deixa
mais tranq�ila, ent�o venha comigo; voc� fica no hotel enquanto
eu fa�o minhas palestras e depois, quando tudo acabar, podemos dar umas
voltas pela cidade. O que acha?
- S�rio? N�o vou te atrapalhar?
- Voc� nunca me atrapalha, meu amor!
Izabelle abra�ou sua amante e, deixando
a x�cara em cima do criado, deitou-se novamente e enroscou-se nela como
um cachecol. Os corpos nus aqueciam-se mutuamente e n�o demorou muito
para elas dormirem novamente.
Algumas horas mais tarde, as duas tomaram
caf� e arrumaram as malas. Sophie queria deixar tudo pronto para sa�rem
cedo no dia seguinte; assim chegariam a Frankfurt antes de escurecer e ela poderia
arrumar suas coisas com calma.
Queria repassar mentalmente o que discutiria
com os alunos da faculdade para que n�o se perdesse em suas pr�prias
palavras; essas seriam suas �ltimas palestras do ano.
- Ser� que Mendel vai ficar numa
boa sozinho?
- Querida; eu fico aqui se...
- N�o, agora quero que voc�
v�! Ele sabe se virar sozinho; e s�o s� tr�s dias.
Quero voc� bem pertinho de mim o tempo todo!
- Vou estar; sempre.
As duas se beijaram e foram para a cafeteria.
Mendel, o jovem ajudante de Sophie, j�
servia v�rios clientes quando as duas entraram.
- Bom dia, Mendy; como est�o as coisas
hoje?
- Tudo tranq�ilo. Hei; voc� viaja
amanh�, certo? Por que n�o est�o em casa arrumando suas
coisas, ou descansando; � uma longa viagem.
- Eu sei; � que n�o queria
deixar voc� com o servi�o todo...
- Ora, por favor, Sophie! V�o as
duas para casa que eu cuido de tudo at� voc�s voltarem. Est�
tudo bem; n�o se preocupem... E boa vigem!
Sophie sorriu para o jovem e Izabelle a
puxou pelo bra�o.
- Acho que isso soou como uma ordem para
voc�, certo?
- �; acho melhor voltarmos para casa
mesmo... Quero conferir se peguei todas as minhas anota��es e
dar uma lida em tudo de novo.
- Podemos fazer outras coisas tamb�m...
Ambas sorriram e voltaram para casa.
As cinco da tarde Sophie estava deitada
na cama ao lado de Izabelle, que dormia tranq�ilamente; haviam feito amor
e depois adormeceram juntas. Quando Sophie acordou, achou melhor deixar sua
amante dormindo mais um pouco e foi estudar suas anota��es pela
mil�sima vez.
Algum tempo depois, ouviu Izabelle murmurando
alguma coisa; parecia estar tendo outro pesadelo. Seu corpo tremia e o suor
escorria pelo seu rosto.
Sophie colocou suas anota��es
de lado e abra�ou Izabelle carinhosamente, acordando-a devagar.
- Meu amor... Acorde; � apenas um
sonho.
Izabelle acordou assustada. Olhou para Sophie
ao seu lado e a abra�ou forte, agora deixando as l�grimas escorrerem
por seu rosto.
- O que ouve? Outro pesadelo?
- Huhum... N�o quero que v�
de carro; vamos de avi�o. S�o quatro horas de viagem e a estrada
n�o est� l� essas coisas.
- Calma, meu amor; vai ficar tudo bem. Amanh�
sairemos cedo e vamos bem devagar, curtindo a paisagem. Tudo bem...?
Izabelle parecia n�o gostar de id�ia,
mas acabou concordando com Sophie, que parecia t�o animada com as palestras.
Viajaram quatro horas at� chegarem a Frankfurt. A estrada estava bem
calma e o c�u permaneceu limpo o tempo todo.
Chegaram ao hotel onde ficariam hospedadas
e ajeitaram suas coisas.
- Viu, meu amor; s�s e salvas!
- �... Vem c� me dar um beijo,
vem...!
As duas se envolveram num caloroso beijo
e, quando parecia que ia esquentar ainda mais, o telefone tocou.
- Voc� tem mesmo que atender?
- Izabelle...! Voc� sabe que pode
ser importante...
- Sei, sei... Mas justo agora...
Sophie deu mais um beijo em Izabelle e atendeu
ao telefone.
- Sim...?
- Senhorita Sophie; a organiza��o
pediu para comunicar-lhe que ser� servido um jantar �s dezenove
horas aos palestrantes convidados. Sua presen�a � indispens�vel.
- Certo; estarei l�.
Desligando o telefone ela deitou-se na cama
ao lado de Izabelle.
- Um jantar... Que saco; detesto esses jantares
formais...
- O que � isso, meu amor; vai ser
legal. Imagine a cara de todos aqueles m�dicos quando voc� entrar
linda, maravilhosa no restaurante.
- Voc� n�o vai?
- Vou? N�o sei se seria uma boa id�ia...
O fato de estarmos juntas pode atrapalhar sua carreira
- Belle; n�s n�o estamos juntas.
N�s somos casadas! As pessoas t�m que aceitar a minha vida do jeito
que ela �... E se voc� n�o for eu n�o vou!
- Chantagem... Ok, voc� venceu.
As duas se beijaram novamente e se enroscaram
na cama; tinham algum tempo at� o jantar.
Sophie e Izabelle escolheram vestidos
de mesma cor, por�m, cada qual com sua peculiaridade. Sophie preferia
algo mais ousado, um decote mostrando o contorno perfeito dos seios sem ser
vulgar; j� Izabelle escolheu um vestido menos chamativo; era justo e
mostrava todas as suas insinuantes curvas. Os cabelos estavam presos num charmoso
coque e a maquiagem era leve. Ambas estavam de salto, mas Izabelle era visivelmente
maior que Sophie. De cima dos seus 1.78 de altura ela p�de ver que, quando
entraram no restaurante, elas viraram motivo de discuss�o em v�rias
mesas.
Seguiram para a mesa que estava reservada.
Dois m�dicos j� ocupavam seus lugares � mesma mesa. Sophie
reconheceu um deles e Izabelle percebeu que sua amada n�o gostou de ver
aquela pessoa ali.
- Ora, ora; se n�o � nossa
famosa doutora Sophie Donkervoort.
- Oi Claudia... O que faz por aqui?
- Sou convidada, assim como voc�;
vou falar sobre gravidez. E voc�; resolveu voltar a trabalhar na sua �rea
e largar aquela cafeteria?
- N�o; apenas vim atender ao pedido
de velhos amigos e fazer algumas palestras; depois vou voltar para "aquela"
cafeteria.
Izabelle apenas observava; por que Sophie
nunca havia falado daquela mulher? Preferiu n�o interferir... Ainda.
- Onde est�o seus modos, querida
- falou Claudia olhando para Izabelle -- N�o apresenta sua amiga?
- Izabelle; essa � a doutora Claudia
Couto. Claudia; essa � Izabelle Lacciezzi... Minha esposa.
O m�dico ao lado de Claudia engasgou
com o vinho que tomava e desculpou-se, sorrindo em seguida para as duas. Claudia
sorriu ironicamente para Sophie.
- Hum... Ent�o resolveu, como eles
dizem mesmo? - ela fez cara de quem se esfor�ava para lembrar de algo
- Ah, sim; sair do arm�rio?
- Tudo a seu tempo. - Sophie se controlava.
- Humm... Sei.
Nesse instante um senhor veio at�
a mesa para cumprimentar Sophie.
- Que satisfa��o t�-la
entre n�s, doutora Donkervoort. Vejo que trouxe uma convidada.
- Nunca faltaria com um pedido seu, doutor
Harold.
Sophie apresentou Izabelle ao simp�tico
m�dico e voltou a se sentar.
- Fiquem � vontade. O jantar ser�
servido em breve.
Ele se retirou e Claudia levantou-se em
seguida.
- Aposto que vai falar com Harold sobre
n�s duas... Aquela cobra...
- N�o se preocupe com ele... - o
jovem m�dico, enfim, tomou a palavra - Papai � muito compreensivo.
- Seu pai? Hanfred...?� voc�?
- Em carne e osso. Acho que n�o tive
o prazer de conhec�-la pessoalmente, doutora Donkervoort.
- Realmente nunca fomos apresentados, mas
seu pai me mostrou algumas fotos suas. Voc� n�o fazia Educa��o
F�sica na mesma �poca que eu estava na faculdade?
- �... Mas as coisas mudam. Desisti
do curso e tentei a medicina; queria ser igual meu pai.
- Se conseguir o mundo s� tem a ganhar!
Ele sorriu encabulado. Era um jovem alto
e forte; n�o tinha cara de m�dico e sim, de um grande esportista
e aventureiro. Os olhos eram muito azuis, o corpo bem definido e os cabelos
eram loiros e ca�am no rosto o tempo todo. Um charme a mais.
- Papai falou de voc� algumas vezes;
por que abandonou a medicina?
- Ah... � uma longa hist�ria
e muito triste tamb�m...
- Oh... Perd�o; n�o queria
te chatear...
- Hei... - interveio Izabelle - Calma; n�o
precisa ficar nervoso.
- Me desculpe, senhorita Lacciezzi...
- Bom; j� que agora sabemos quem
somos, podemos tentar manter uma conversa mais agrad�vel que a anterior.
- Eu aprovo! - falou Sophie descontra�da.
- Sem d�vida. - concordou o jovem
m�dico sorrindo para as duas.
Conversaram durante toda a noite e, quando
os discursos dos veteranos ficaram muito calorosos e nost�lgicos, os
tr�s deram um jeito de sumir dali. Foram para uma boate a qual Hanfred
j� conhecia. Ficaram at� tarde dan�ando, bebendo e conversando;
pela manh� voltaram para o hotel.
Hanfred acompanhou ambas at� a porta
do quarto.
- Adorei a noite, senhoritas. Creio que
a doutora Claudia se morderia de inveja se soubesse como nos divertimos!
- Pode apostar. Nos vemos no almo�o,
eu creio...
- Pode crer!
Ele despediu-se beijando a m�o das
duas e foi para o seu quarto que ficava no fim do corredor.
As duas entraram, tiraram toda a roupa e
se deitaram.
- Nunca me falou dele...
- � que n�o �ramos
chegados; eu sabia que ele existia e ele sabia de mim. N�o passava disso.
- Humm... E a doutora Claudia; o que rolou
entre voc�s?
- N�o rolou nada...
Izabelle olhou fundo nos olhos de Sophie
como se pedisse que n�o escondesse nada dela.
- Ok, ok; tivemos um breve "affair"
na faculdade, mas n�o foi nada demais.
- N�o mesmo? Acho que significou
algo; pelo menos pra voc�.
- Por que acha isso?
- Porque te conhe�o. Vi o jeito como
olhou para ela; ela te magoou, n�o foi?
"Como ela fazia isso", pensou
Sophie.
- Foi...
- Quer falar sobre isso?
- Quero... Ficamos juntas por dois meses.
Ela largou um namoro inst�vel, eu tinha mudado para sala dela. Moramos
juntas por um m�s... At� que ela pegou as coisas dela e foi embora
sem dar nenhuma explica��o. Fui saber alguns dias depois que ela
estava de rolo com uma professora da faculdade. Fazer o que, n�...
- Veja o lado bom das coisas; se estivesse
com ela n�o teria me conhecido!
- �...
As duas se abra�aram e dormiram;
estavam mortas de cansa�o.
Sophie acordou com algu�m batendo
na porta. Olhou no rel�gio; duas da tarde.
- Pelos Deuses; a palestra!
Pulou da cama enrolada no len�ol
e foi atender a porta. Era Hanfred.
- Humm... - ele ficou encabulado de v�-la
enrolado no len�ol - Desculpe, Sophie; papai pediu para ver se voc�
estava se sentindo bem depois de ontem. Ele acha que voc� esqueceu a palestra.
Come�a em meia hora.
- Eu sei, Hanfred; se n�o fosse por
voc� ia me atrasar. Vou trocar de roupa e des�o em dez minutos.
- Ok.
Ela fechou a porta e foi tomar um banho
r�pido. Izabelle ainda dormia quando ela terminou.
- Meu amor - ela chamou-a com carinho, beijando
suavemente seu rosto - preciso descer para minha palestra. Quase me esqueci.
- Hummm...? Oh... Sim... Palestra... Vem
c� deitar comigo...
- Belle, � s�rio; estou atrasada.
Durma mais um pouco; nos encontramos depois.
Ela beijou-a e saiu.
Depois de dormir mais algumas horas,
Izabelle levantou-se e pediu algo para comer. Minutos depois, algu�m
bateu � sua porta. Ela desligou a TV, colocou o prato de lado e foi atender.
- Oi...
Era Hanfred. Cada vez que o via, ele parecia
mais encabulado.
- Oi, Hanfred. Entra.
- Na... N�o; s� vim te convidar
para tomar uma cerveja enquanto Sophie est� na palestra. Ela me disse
que talvez demorasse e pediu para levar voc� para passear... Se n�o
se importar, � claro.
- �tima id�ia. Vou pegar uma
blusa.
Os dois sa�ram do hotel e Hanfred
levou-a a v�rios lugares que ele j� conhecia; museus, galerias
de arte, parques e jardins. Por �ltimo pararam numa cafeteria e sentaram-se
para beber algo.
- Sophie disse para esper�-la aqui;
ela n�o deve demorar.
- Ok. Me conta, ent�o, Hanfred; por
que desistiu do que fazia antes?
- Ah, do curso de Educa��o
F�sica? N�o estava me sentindo bem l�. As pessoas me viam
como um monte de m�sculos e nada mais.
- E hoje?
- Hoje elas me v�em como um monte
de m�sculos com um pouco de c�rebro!
Os dois riram. Ele era bem simp�tico.
- Mas deixou de fazer o que gostava por
causa do que os outros pensavam?
- No come�o, sim; mas com o tempo
fui vendo que minha paix�o era mesmo a medicina. A cada ano que passava
sentia mais e mais admira��o por meu pai e mais vontade de me
formar logo e trabalhar com ele.
- Conseguiu, pelo visto.
- �... Est� sendo �timo...
-... Mas?
- Acho que ainda falta alguma coisa; n�o
sei ao certo. Acho que queria dividir isso com algu�m, entende?
- Pode dividir comigo; sou sua mais nova
amiga.
- �; minha mais nova amiga casada.
- Ah; agora entendi. Como � que um
cara simp�tico e boa pinta como voc� est� sozinho?
- Timidez, eu acho.
- Eeeh; j� vi tudo. Mas n�o
se preocupe; quando for a hora certa voc� vai saber o que fazer, como
agir.
- Foi assim com voc�?
- Foi e hoje sou a mulher mais feliz do
mundo.
Naquele instante, Sophie chegou.
- Ok; vejo que j� s�o grandes
amigos.
- Quase. - falou Hanfred levemente corado.
- Boas novas; n�o vou ter que apresentar
minha palestra amanh�. A turma que viria de Londres n�o vai poder
comparecer. Acho que podemos voltar para casa.
- Que bom. Hei, Hanfred; voc� pode
vir conosco se quiser. - falou Izabelle com um sorriso sincero no rosto.
- � - completou Sophie - Venha conhecer
Lars e saber porque eu larguei a medicina!
- Olha, meninas; o convite � tentador,
mas tenho que ajudar meu pai com as outras palestras. Talvez, quando tudo acabar
aqui, eu possa dar uma passada por l�. Que tal?
- Perfeito! Hei, o que voc�s est�o
bebendo? - perguntou Sophie.
- Cappuccino e cerveja.
- Humm; acho que vou tomar uma cerveja.
Mais uma vez os tr�s novos amigos
ficaram conversando e planejando futuros acontecimentos at� as altas
horas da noite.
Sophie acordou com os gemidos de Izabelle.
Sua amada parecia estar tendo outro pesadelo. Ela suava e debatia-se na cama.
Sophie chamou-a.
- Hei, meu amor; acorde. Acorde.
Izabelle acordou banhada em suor. Ela tremia
e sua respira��o estava ofegante.
- O que foi desta vez?
- A mesma coisa; o acidente... Voc�...
O carro...
- Calma. - Sophie abra�ou forte sua
amada - Foi um sonho ruim, Belle; n�o se preocupe. Vamos nos arrumar,
tomar um caf� bem gostoso e partimos antes do almo�o. Assim chegamos
l� antes de escurecer. O que acha?
- Te amo...
Sophie se espantou com a for�a que
aquelas palavras sa�ram. Era como se fosse a �ltima vez que as
ouviria.
- Tamb�m te amo, meu amor; demais.
Pare de se preocupar com o que n�o precisa. Venha; vamos tomar um banho
juntas e relaxar um pouco.
Duas horas depois as duas desceram
ao restaurante para o caf�. Eram nove da manh� e Hanfred parecia
que as esperava numa mesa. Fez sinal para elas chamando-as a acompanh�-lo
no caf�.
- Bom dia, senhoritas. Dormiram bem?
- Mais ou menos.
- Por que "mais ou menos", Izabelle?
- Pesadelos, meu caro; o �pice da
Psicologia.
- Ela est� sonhando com acidentes
de carro h� v�rios dias. - completou Sophie.
- N�o entendo nada de pesadelos,
mas se n�o est� � vontade para viajar, deixe para ir amanh�;
fique mais um pouco.
Sophie olhou carinhosamente para Izabelle.
- Que tal; Belle? Quer deixar para partirmos
amanh�? Por mim tudo bem.
- Nah... N�o precisa; s�o
apenas sonhos bobos. Quero chegar em casa e cuidar das nossas coisas. Dar uma
folga para Mendel, quem sabe.
- �, coitado; havia me esquecido
dele. Tem raz�o. Mas se quiser...
- N�o se preocupe; est� tudo
bem.
Tomaram caf� enquanto conversavam
e nem notaram que algu�m se aproximava.
- J� de partida, querida? Mas faltam
dois dias de palestras ainda...
- Minha turma n�o pode vir.
- Que l�stima. Sua... Esposa apreciou
a estada?
Izabelle resolveu entrar na conversa
- Aproveitei, sim; obrigada.
- Ah; voc� fala! Que interessante.
Izabelle se levantou para dizer alguns desaforos,
mas foi contida por Sophie e Hanfred.
- Ser� que voc� poderia ser
menos inconveniente, Claudia?
- Humm... Calma; n�o vamos nos alterar.
Vim apenas tomar meu caf�. - ela sentou-se � mesa ao lado de Sophie,
o que deixou Izabelle mais irritada ainda .
- Fa�a bom proveito; est�vamos
mesmo de sa�da.
Sophie e Izabelle se levantaram; Izabelle
pegou na m�o de Sophie e conduziu-a ao hall de entrada. Hanfred tamb�m
se levantou.
- N�o me faz companhia, Han?
- Vou acompanhar minhas amigas. Com licen�a.
Ele saiu e deixou a jovem doutora de boca
aberta; com certeza ela n�o esperava essa atitude dele.
- Hei... Sophie! Belle!
Ambas se viraram para ele e sorriram.
- U�; deixou a mocr�ia sozinha?
- E deixar voc�s irem embora sem me
despedir? Voc�s deviam me conhecer melhor!
- Eu sabia que voc� viria. - falou
Izabelle sorrindo.
- Obrigado!
- Podem parar com isso, voc�s dois!
- �, olha s�; Hanfred. Ci�mes!
Os tr�s riram.
- N�o se preocupe, Sophie; o �nico
jeito de eu ganhar de voc� � na cozinha!
- Na coz... Hei; o que voc� andou
falando, sua bruxa?
- Humm... Acho melhor conversarmos sobre
isso depois...
Sophie acertou a conta do hotel e pediu
que buscassem as malas.
- Bom; acho que � isso. Adeus. -
falou Izabelle.
- Adeus, n�o; at� breve. -
concertou Hanfred.
- At� breve, meu amigo; nos vemos
por a�.
Eles se abra�aram, se despediram
e as duas entraram no carro.
- A� vamos n�s.
Tr�s horas e meia depois...
- Engra�ado; o dia estava t�o
limpo quando sa�mos. Ser� que vai chover?
- N�o sei, meu amor. Pode ser s�
neblina.
- Cuidado.
Sophie dirigia com cautela redobrada desde
que entraram numa densa neblina. Quase n�o era poss�vel ver dois
metros � frente do carro e com muita dificuldade se via os far�is
de outros autom�veis que tinham a mesma cautela em andar devagar.
Izabelle come�ou uma conversa para
passar o tempo.
- Aquela tal de Claudia n�o tem desconfi�metro?
- Acho que ela tem uma quedinha por mim...
Mas nunca vai assumir isso; � orgulhosa demais.
- E voc�; o que sente por ela?
- Eu? Nada! Indiferen�a. Ela �
uma coisa que eu quero deixar para tr�s; ela teve a chance dela e desperdi�ou.
Acho que n�o era mesmo para ficarmos juntas.
- E se ela n�o tivesse ido embora;
se n�o tivesse se envolvido com outra pessoa. O que aconteceria?
- N�o sei, Belle; que pergunta! N�o
sei o que teria acontecido, mas acho que nossos g�nios eram muito fortes
para continuarmos juntas, de qualquer forma.
- Mas eu tamb�m tenho o g�nio
forte; voc� mesma disse uma vez que sou dif�cil demais.
- �, mas n�s temos uma coisa
que eu n�o tinha com ela... Uma qu�mica que n�o d�
para explicar; um fogo que n�o se apaga nunca... E agora eu posso afirmar
que o que sinto � amor de verdade. Com ela acho que era s� paix�o.
- Humm...
- O que foi?
- Voc� me ama tanto assim?
- Mais do que voc� pode imaginar.
Est� com medo de alguma coisa? Nunca foi de ficar fazendo essas perguntas...
Est� tudo bem?
- Tudo... � que fiquei meio invocada
com aquela mocr�ia.
As duas riram e s� notaram que um
par de far�is vinha em dire��o ao carro delas quando era
tarde demais.
- Sophie; CUIDADO!!!!!
Sophie n�o teve tempo de fazer muita
coisa; apenas virou a dire��o e o carro desceu por uma ribanceira,
ficando de ponta-cabe�a v�rios metros abaixo da pista.
N�o se via nada. A neblina ainda
encobria o local e uma chuva leve come�ou a cair. Izabelle olhou para
os lados e percebeu que o carro havia parado de ponta-cabe�a. Sentia
uma dor imensa na cabe�a e no pulso direito. A vista estava nublada,
mas conseguiu ver Sophie ao seu lado. Com muita dificuldade soltou o cinto.
Chegou mais perto de Sophie e tentou acord�-la.
- Sophie... Amor; fale comigo.
N�o houve resposta. Pegou o pulso
dela e tentou sentir a pulsa��o; estava muito fraca. Desesperou-se.
- SOPHIE! Por favor, acorde!
Nenhum movimento; nada. Izabelle lembrou-se
do celular no bolso da cal�a e tentou peg�-lo. Sentiu mais uma
pontada, desta vez no ombro direito; n�o conseguia mov�-lo.
Com esfor�o, discou o n�mero
da emerg�ncia e explicou a situa��o. Disseram que estariam
ali o mais r�pido poss�vel; mas o mais r�pido talvez n�o
fosse suficiente.
- Meu amor... Ag�enta; eles est�o
chegando.
A dor era demais e Izabelle lutava para
permanecer acordada. Enfim, quando ouviu o barulho de sirenes e as luzes entregou-se
ao cansa�o e desmaiou.
A manh� estava chuvosa; o dia
estava cinza e triste. Todos os amigos compareceram ao pequeno cemit�rio
de Lars; at� mesmo a doutora Claudia.
Ap�s o enterro todos se retiraram,
com exce��o de duas pessoas.
- Venha; vou leva-l� para casa.
-...
- N�o pode ficar assim, Belle; tem
que ser forte. Me deixe...
- V� embora, Mendel; quero ficar
aqui mais um pouco.
Mendel n�o insistiu. N�o adiantaria.
A tristeza era muito grande e nem mesmo ele tinha for�as para discutir.
Deu uma �ltima olhada para o t�mulo e foi embora.
Sozinha ali, Izabelle n�o sabia o
que fazer, o que falar, o que sentir. Havia parado de chorar; parecia que havia
secado por dentro de tanto que chorou. Mas o sofrimento era incalcul�vel.
Perder algu�m assim, t�o pr�ximo, o amor da sua vida. Como
poderia acontecer tamanha tristeza? Onde estariam os deuses nos quais Sophie
tanto falava?
O mundo parecia ruir aos poucos e a vida
se esvair a cada suspiro. Izabelle sentou-se ao lado do t�mulo e colocou
a m�o sobre a terra fofa. Era o fim.
- Acabou... Voc� disse que nunca me
deixaria. Estou aqui sozinha, agora, sem voc�... Por que, meu amor? Por
que me deixou?
Ela olhava para o t�mulo na esperan�a
de ouvir uma voz falando que nada havia acabado, que tudo se resolveria em breve
e que aquilo n�o passava de um pesadelo. Mas n�o se ouviu voz
nenhuma, nada mudou.
- Como eu vou fazer para viver sem voc�,
agora? O que eu vou fazer da minha vida... O que... Ah, meu Deus; que saudade
de voc�...!
Mais uma vez Izabelle, se entregou ao choro.
Chorava alto, solu�ava e n�o ouviu quando algu�m chegou
por tr�s dela e pousou a m�o em seu ombro.
- Deixa eu te levar para casa...
A voz era familiar, mas Izabelle n�o
gostava daquela pessoa.
- V� embora; doutora... N�o
estou com �nimo para discuss�es.
- N�o vim discutir; acho que voc�
deveria sair dessa chuva. Vai acabar ficando doente e...
- Morrendo? Seria a melhor coisa a me acontecer.
Claudia pegou Izabelle pelos ombros e levantou-a
do ch�o. Estava suja de terra, molhada de chuva; um farrapo de gente
que n�o dormia h� dois dias.
- Escuta aqui. Voc� n�o �
crian�a e tem muitas coisas para cuidar agora que ela se foi. N�o
pode deixar que tudo que ela construiu se perca. Ela n�o gostaria de
te ver assim.
- O que voc� sabe de n�s? O
que voc� sabe dela? Voc� n�o � ningu�m!
- Sei muito sobre ela e o suficiente sobre
voc� para ter certeza de que n�o se entregar� assim!
Izabelle teve vontade de socar a cara daquela
mulher de olhos esverdeados que falava naquele tom imperativo, mas n�o
teve for�as. Ao contr�rio; abra�ou-a como se n�o
lhe restasse mais ningu�m e chorou.
Claudia retribuiu o abra�o e conduziu-a
ao seu carro. Hanfred observava de longe; seria um longo dia.
No dia seguinte, na casa de Izabelle...
- Vou ficar com ela hoje; pode ir embora.
- N�o confia em mim, Hanfred? Que
desconfian�a!
- N�o quero voc� perto dela.
Por enquanto estou pedindo...
- Voc� n�o amea�a ningu�m
com essa cara de bobo, Hans. Fica pelos cantos choramingando a morte da sua
queridinha e n�o pode nem tomar conta de si mesmo!
Hanfred avan�ou para cima de Claudia
e segurou seus punhos.
- N�o me provoque, mulher. N�o
sabe do que sou capaz!
Claudia se assustou um pouco com aquela
atitude, mas preferiu ir embora a fazer uma cena na frente de Izabelle. Suas
inten��es eram boas, muito boas; pelo menos para ela.
- Eu vou embora, mas vou voltar.
Claudia saiu da casa de cabe�a erguida
como se tivesse sa�do vitoriosa de mais uma batalha. Hanfred bateu a
porta assim que ela passou. Em seguida, foi at� o quarto de Izabelle.
Ela estava horr�vel; o brilho dos
olhos havia sumido, a pele estava p�lida e o olhar, vazio. Ele sentou-se
ao seu lado na cama e acariciou-lhe o cabelo.
- Queria poder fazer alguma coisa para te
tirar dessa...
- Voc� n�o pode, Han; a menos
que a traga de volta.
- Queria poder fazer...
Hanfred escondia as l�grimas. Ele
tamb�m estava com a fisionomia p�ssima; como se n�o dormisse
h� dias. Beijou Izabelle na testa e foi at� cozinha preparar algo
para ela comer; para alguma coisa Claudia parecia servir. A cozinha estava em
ordem e uma sopa de legumes j� estava pronta numa panela. Havia tamb�m
um vidro de aspirinas e outro de vitaminas; Izabelle estava fragilizada e merecia
um cuidado especial naquele momento dif�cil.
Ele pegou um pouco da sopa e levou at�
o quarto para que Izabelle comesse um pouco.
- Belle... Eu sei que voc� est�
chateada, mas precisa comer. N�o pode deixar que isso te derrubar...
- Isso? Como se refere a ela como "isso"?
- Izabelle levantou e empurrou Han, derrramando a sopa nele e no ch�o
do quarto - O que voc� acha que sabe de n�s? O que sabe sobre como
me sinto? Voc� e essa tal de Claudia; ela que n�o me apare�a
mais aqui... V� embora voc� tamb�m!
Aquilo foi a gota. Hanfred sofria tanto
quanto ela, afinal, cultivava de certa forma uma paix�o plat�nica
por Sophie.
- Como pode falar assim comigo? Acha que
n�o sofro tanto quanto voc�? Acha que � f�cil amar
uma pessoa e nunca tocar no assunto com ela? Acha que � f�cil
estar com essa pessoa num dia e no outro ir no enterro dela? Como acha que EU
estou me sentindo? H�in?
Ele desmoronou numa cadeira e n�o
conseguiu mais conter o choro; parecia uma crian�a. Izabelle sentiu uma
pena terr�vel dele e percebeu que, apesar do seu sofrimento ser enorme,
havia pessoas que tamb�m sentiam muito aquela perda. Ela abaixou-se na
frente dele e abra�ou-o.
- Me desculpe, Han... Eu... Eu... N�o
sei o que fazer! Me sinto p�ssima... Vazia...
- Eu tamb�m... Mas voc� tem
que ser forte; ela n�o gostaria de te ver assim.
Izabelle enxugou suas l�grimas e
abra�ou Hanfred novamente. N�o podia ficar daquele jeito, apesar
da dor que sentia. Tinha muita coisa para cuidar e era apenas o primeiro dia
sem sua querida Sophie ao seu lado.
A missa de s�timo dia foi linda.
Amigos de Sophie vieram de toda a cidade e muitos vieram de fora. Todos gostavam
dela e tinham algo de bom para contar a Izabelle. Aquilo acabou distraindo-a
um pouco e quebrou o clima sombrio que havia ficado desde o enterro. Mas a saudade
j� do�a muito.
Claudia n�o deixou de comparecer,
mesmo tendo que vir de Londres especialmente para aquilo. Ela tentava se aproximar
de Izabelle de todas as maneiras, mas Hanfred sempre estava por perto para evitar
um contato maior entre as duas; ele sabia das inten��es de Claudia
em rela��o �quela vi�va.
Mas nem mesmo Hanfred era perfeito e ele
n�o podia vigi�-la 24 horas. Seis meses depois da morte de Sophie,
ele teve que viajar para a Inglaterra e Claudia, sabendo disso aproveitou, a
ocasi�o para viajar at� Lars e rever Izabelle.
A noite estava chuvosa e era a desculpa
perfeita para ficar mais um pouco na cafeteria. Antes de entrar, teve o cuidado
de esvaziar dois pneus do carro que havia alugado; assim n�o teria como
ir embora e, talvez, ficasse mais que o esperado. Havia levado algumas fotografias
e usaria delas para prender a aten��o de Izabelle.
- Adorei o caf�; sabe, n�o
tomo muito caf�... Me deixa meio acesa, mas esse aqui est� muito
bom.
- Obrigada; trocamos a marca h� alguns
dias porque o outro estava com muita sujeira.
- Queria falar com voc�, mas Hanfred
n�o sa�a do seu p� na missa; acho que ele n�o gosta
muito de mim...
- Acho que Sophie tamb�m n�o
gostava...
- Tivemos nossas desaven�as no passado,
mas quem n�o tem? - ela sorriu e Izabelle notou pela primeira vez que
seu sorriso era muito bonito - Trouxe algumas fotos para te mostrar; s�o
da �poca da faculdade.
- S�rio? Onde est�o?
- Vou peg�-las mo carro.
Claudia saiu e voltou cinco minutos depois
com um �lbum nas m�os e a cara um pouco amarrada.
- Aconteceu alguma coisa? - quis saber Izabelle.
- Parece que algu�m andou brincando
com meu carro; dois pneus est�o vazios!
Izabelle levantou-se cadeira e olhou para
fora; pode ver o carro e as rodas do carro que se encostavam ao ch�o
por estarem vazios.
- Mas que sacanagem...
- N�o tem problema; eu tomo um t�xi
e amanh� mando buscarem o carro aqui.
- N�o; fique l� em casa. �
o m�nimo que posso fazer depois de terem feito isso com voc� na
porta da minha cafeteria.
- De jeito nenhum; n�o vou incomodar
mais; e depois, vi que o Hanfred chega... Ele vai ficar uma fera!
- O Hanfred n�o � meu namorado,
muito menos meu dono. Fica l� em casa; bom que eu vejo as fotos e voc�
me conta como eram as coisas naquela �poca.
- Isso quer dizer que... Sem ressentimentos?
- Sem ressentimentos. Vou fechar a cafeteria
e vamos para minha casa.
Claudia sorriu vitoriosa e acabou seu caf�.
Izabelle serviu mais um pouco de vinho
para ambas. A segunda garrafa havia acabado de acabar e o �lbum de fotografia
parecia n�o ter fim. Havia ali fotos de todo o curso e na maioria delas
Sophie aparecia, linda e sorridente.
- Voc�s foram muito pr�ximas,
n�o foram?
- �... Ficamos juntas um bom tempo...
-...At� que...? - Izabelle olhou-a
com ar interrogativo.
- At� que ela me pegou com a melhor
amiga dela na cama do meu apartamento.
- N�o acredito que voc� fez
isso!
- Nem eu... N�o me lembro direito
como aconteceu, mas naquele momento nada que eu dissesse poderia me redimir.
Aquela mulher com quem eu estava armou algum para mim e eu ca�.
- E por que eu deveria acreditar em voc�?
- Acredite em quem quiser; aquela tal Gisele
n�o prestava e conseguiu fazer com que Sophie terminasse tudo e eu ficasse
manchada por todo o campus.
- Hummm... � por isso que Sophie
tinha aquela raiva toda de voc�, n�o �?
- Acho que n�o; acho que foi porque
eu a persegui durante o resto do curso para que ela me perdoasse. Isso a deixou
um pouco irritada!
- Qualquer um ficaria! Voc� n�o
� mesmo flor que se cheire, doutora Claudia!
As duas bebiam e conversam h� horas;
os estados estavam bem alterados e as palavras saiam desinibidas. Izabelle h�
muito n�o sorria daquele jeito e aquela mulher trouxera de volta um pouco
da alegria que havia perdido h� seis meses atr�s. Mas essas recorda��es
misturadas com a bebida trouxeram � tona uma saudade devastadora; daquelas
que doem fundo e deixam as pessoas terrivelmente vulner�veis.
Izabelle come�ou a chorar e Claudia
aproveitou para aproximar-se dela.
- Calma, n�o fique assim; quantas
coisas boas voc� tem para se lembrar dela! Enquanto ela estiver no seu
cora��o, n�o ser� esquecida... - ela aproximou-se
mais e abra�ou Izabelle -...Voc� s� n�o deve fechar
seu cora��o para o resto do mundo... Deve continuar a viver...
Ela aproximou seu rosto do de Izabelle e
beijou-a suavemente. Izabelle fechou os olhos e por um segundo parecia que nada
tinha acontecido, que Sophie ainda estava ali de novo. Foi apenas um segundo
e quando ela os abriu novamente deparou-se com aqueles olhos verdes; mas n�o
eram os de sua amada. Ela afastou-se e sorriu sem jeito. Claudia tamb�m
se afastou e fingiu surpresa com o que havia acontecido.
- Humm... Me desculpe, Izabelle; n�o
sei o que me deu...
- N�o... Tudo bem... - Izabelle estava
desconsertada - Acho melhor pararmos por aqui; bebemos demais.
- Ser� que foi s� por causa
da bebida? - Claudia tentava jogar sua teia devagar.
- O que quer dizer?
- Que j� se passou muito tempo, Izabelle;
voc� deveria voltar a viver... E voc� quer voltar a viver!
- N�o sem ela!
- Esse n�o foi um beijo roubado;
voc� o queria tanto quanto eu!
- N�o � verdade! Eu... Eu...
Izabelle tentava conter as l�grimas,
mas elas saiam sem controle. Sentia-se vulner�vel, sozinha; aquele beijo
lhe trouxera o calor de volta, mas ela n�o podia se permitir isso. N�o
ainda.
- N�o posso, Claudia; ainda n�o
posso...
- Por que? N�o pode se guardar numa
casca e se esconder do resto do mundo! Voc� precisa continuar a viver!
- E voc� deveria voltar para o hotel
onde est� hospedada. Vou chamar um t�xi.
Izabelle disse isso de forma autorit�ria;
nem mesmo Claudia poderia discutir com aquele olhar g�lido lan�ado
sobre ela; a decis�o j� estiva tomada. Naquela noite, ela n�o
conseguiria mais nada de Izabelle.
Hanfred parecia perplexo. Depois de
horas de viagem, a primeira coisa que fez foi visitar Izabelle e saber como
ela estava. Ao deparar-se com Claudia no aeroporto ficou preocupado; o que ela
fazia ali? Ela n�o esbo�ava mais aquele sorriso sarc�stico
e aquele ar esnobador t�o peculiar. Isso o fez pensar que alguma coisa
havia acontecido enquanto esteve fora.
- N�o sei como aconteceu ao certo;
n�s nos beijamos e...
- Aquela vagabunda est� se aproveitando
da situa��o! Eu mato ela!
- N�o transforme minha vida numa
novela, Hanfred! Aconteceu porque est�vamos meio alteradas e eu estava
extremamente carente... Foi sem querer...
- Ela n�o tem o direito de vir aqui
e fazer isso com voc� e...
- "E" o qu�? Eu sinto falta
dela, Han; sinto falta do carinho, do prazer, das conversas � noite...
Sinto falta de algu�m ao meu lado!
- Mas essa pessoa n�o � a
doutora Claudia!
- E se for? Pelo menos por enquanto... Por
que n�o?
Hanfred sentou-se e colocou o rosto entre
as m�os; n�o acreditava que aquilo estava acontecendo. A cabe�a
de Izabelle estava confusa, s� podia ser isso.
- N�o vou falar mais nada, Belle.
Voc� decide os passos que d�. Estou te falando que esse caminho
n�o � o certo, que vem junto com sofrimento e dor e mesmo assim
voc� quer segui-lo... Paci�ncia. N�o posso tomar conta de
voc� o resto da vida, infelizmente...
- Por que est� dizendo isso?
- Vou me mudar para a Inglaterra. Fui convidado
para dar aulas numa faculdade e n�o posso perder essa oportunidade.
- Voc�... Vai embora?
- Sempre que precisar pode me chamar, ou
me visitar. Vou estar pronto a te aconselhar e te amparar, mesmo que voc�
n�o me escute...
- J� est� decidido?
Ele apenas concordou fechando olhos e suspirando
fundo. Izabelle chegou perto dele e o beijou no rosto; ele tinha sido muito
importante para ela e, de certa forma, o estava perdendo tamb�m.
- Por que isso? - ele quis saber depois
do curto e suave beijo.
- Para voc� n�o se esquecer
de mim...
Ele a abra�ou forte e saiu. N�o
queria chorar na frente dela.
Izabelle sentia como se o mundo estivesse
desabando e n�o havia ningu�m para ampar�-la. Pensou em
muitas coisas; coisas ruins, coisas que nunca passaram pela sua cabe�a
antes e agora a assustavam. Pela primeira vez sentia medo; medo de ficar sozinha.
Pegou o telefone e discou um n�mero.
"- Oi; n�o estou no momento.
Mas se deixar seu nome e telefone prometo pensar em ligar de volta! Obrigada!"
A voz de Claudia se parecia muito com a
de Sophie ao telefone e aquilo deixou Izabelle nervosa. Mesmo assim ela deixou
recado.
- Claudia... Aqui � Izabelle. Pod�amos
conversar um pouco quando voc� chegar em casa? Me ligue, por favor.
Desligou o telefone sem certeza do que estava
fazendo. Queria viver e ao mesmo tempo morrer.
Izabelle sentia a pele quente daquela
mulher encostando � sua e tentava n�o pensar em Sophie. Imposs�vel.
Claudia lembrava sua amada a cada gesto, como se fosse a mesma pessoa num corpo
diferente. Tinha praticamente as mesmas manias, os mesmos gostos e aqueles olhos
que a fascinaram tanto um dia. Como tudo aquilo estava acontecendo, ela n�o
sabia, mas se tentou fugir da dor algum dia, n�o havia conseguido. Nem
mesmo depois de um ano ao lado de Claudia.
Pela manh�, preparou o caf�
e foi at� o quarto saber se Claudia teria mesmo o plant�o naquele
final de semana; estava programando algo e n�o queria que nada nem ningu�m
a atrapalhasse.
- Vai chegar cedo hoje?
- N�o, meu amor; tenho plant�o...
Desculpe; tentei trocar, mas todos v�o estar fora.
- Tudo bem... Hanfred est� aqui e
vamos nos sentar para conversar um pouco.
- N�o gosto de voc� conversando
com ele... Sabe que ele n�o aprova o nosso relacionamento.
- Ele n�o pode mudar nada, Cau...
Ningu�m pode.
Claudia achou estranho o tom daquelas palavras,
mas n�o discutiu com Izabelle; ela estava t�o sens�vel
naqueles �ltimos dias que tentava apenas agrad�-la a todo custo.
Apenas beijou-a no rosto e levantou-se para tomar o caf�. Depois tomou
um banho r�pido e foi para o hospital.
- Quanto tempo... - Izabelle abra�ou
Hanfred com for�a e seus olhos encheram-se d'�gua - Por que fica
tanto tempo sem aparecer?
- Sabe que n�o me dou bem com a doutora
Claudia. Melhor evitar atritos desnecess�rios. Voc� est�
magra, Izabelle; n�o tem se alimentado direito?
- Acho que n�o, mas vou tomar cuidado
com isso; pode deixar.
- Voc� est� com um brilho diferente
desde a �ltima vez que a vi; aconteceu alguma coisa?
- Ainda n�o... Mas n�o quero
falar sobre isso agora; me conte como v�o as coisas em Londres. E Pam;
como est�?
- Est� tudo bem. Recebi um aumento
e outra proposta; agora sou chefe do departamento de medicina. Meu pai ficou
louco quando soube!
- Deve ser um orgulho para ele, h�in?
- �... Pam est� gr�vida
e acho que vamos nos casar m�s que vem mesmo.
- Que �timo!
- Mandarei os convites.
- "Os convites"?
- Voc� est� com ela agora e
parece feliz; n�o vou deixar que uma briga boba atrapalhe nossa amizade.
- Obrigada, Han.
- N�o posso demorar; tenho que resolver
umas coisas. Vamos dar uma volta no final de semana? Prometo n�o sair
no tapa com ela!
- Hahah! N�o vai ser preciso tanto
esfor�o; ela vai estar de plant�o amanh�. Mas n�o
sei se posso ir; tenho que arrumar algumas coisas em casa... Se mudar de id�ia
ligo para voc�.
- Espero que mude!
Os dois conversaram durante horas at�
que Izabelle teve que ajudar Mendel a atender os fregueses. Ficou ali at�
tarde, quando, finalmente, o �ltimo fregu�s foi embora.
Chegou em casa cansada e foi direto para
o chuveiro. Claudia ficaria fora at� o dia seguinte e ela teria tempo
de arrumar suas coisas sossegadas.
Fez um sandu�che de atum e foi para
a sala. Procurou no arm�rio a velha caixa onde guardou todas as fotos
de Sophie e a levou para o sof�. Enquanto comia, olhava para aquelas
imagens que nunca haviam sa�do de sua cabe�a, nem de seu cora��o.
- Como eu sinto sua falta, meu amor... Achei
que poderia colocar algu�m no seu lugar; nunca... Ser� que algum
dia vai me perdoar por isso? Queria tanto me encontra com voc� de novo...
Ela pegou um papel e rabiscou algumas palavras.
Chorou; chorou muito. A saudade a estava consumindo por dentro e estava cansada
de manter as apar�ncias; n�o queria mais aquilo. Por mais carinhosa
que Claudia fosse, por mais que tudo parecesse lindo, foi um grande engano;
um terr�vel engano.
Dobrou o papel e colocou em cima da mesa.
Acabou de comer o sandu�che, guardou as fotos e foi para o quarto.
- Izabelle! Vamos; saia da�
e vamos dar uma volta.
Hanfred chamava h� alguns minutos
e n�o ouvia nenhuma resposta. Talvez ela estivesse no banho. Mas para
seu azar Claudia estava voltando do plant�o.
- Humm... J� vou embora; s�
vim cham�-la para sair um pouco.
- P�ra, Han; chega! Somos adultos,
vamos agir como tal. N�o tenho nada contra voc�; voc� �
que n�o gosta de mim. Entre que vou cham�-la.
Hanfred concordou e entrou junto com Claudia.
Viu papel estava em cima da mesa.
- Querida?
Claudia foi at� o quarto e Hanfred
ficou na sala esperando. Olhou o bilhete em cima da mesa; estava aberto. N�o
se conteve e espiou o papel; era a letra de Izabelle e o que estava escrito
o deixou aterrorizado.
"N�o d� mais... A quem
tentamos enganar? Sinto falta da minha Sophie e n�o vejo mais raz�o
para viver sem ela. Podia ter visto isso antes, mas acho que minha tristeza
era t�o grande que perdi a coragem de tomar qualquer atitude. Amo voc�,
Claudia; de verdade, mas n�o como amava Sophie. Diga ao Hanfred que tamb�m
o amo.
Com amor,
Izabelle"
Hanfred correu at� o quarto e deparou-se
com Claudia � porta do banheiro observando a �gua que escorria
por debaixo; estava trancada.
- Izabelle!! - ela gritava - Abra a porta!
Hanfred empurrou Claudia para o lado e arrombou
a porta com um pontap�. Izabelle estava deitada submersa na banheira
cheia d'�gua. Ambos correram e a tiraram de l�; mas era tarde
demais. Hanfred sentiu seu cora��o despeda�ar. Claudia,
com o corpo frio e molhado de Izabelle em seus bra�os, tentava acreditar
no que estava acontecendo; era o fim.
- N����������O!!!!!!!!!!
- Os sinais vitais est�o forte...
- o jovem m�dico debru�ou-se sobre a caama - Pode me ouvir?
- Izabelle...
- Avisem a senhorita Lacciezzi.
O enfermeiro saiu da UTI, indo direto �
recep��o. Discou um n�mero e uma voz sonolenta atendeu.
Izabelle n�o dormia h� quase uma semana e foi para hotel em que
estava hospedada para tomar um banho e trocar as roupas. Hanfred havia apagado
no sof� e ela na cama. Acordou afoita ao ouvir o telefone.
- Sim?
- Senhorita Lacciezzi? Acho melhor vir ao
hospital; o doutor Leopold tem boas not�cias.
Izabelle deixou o telefone cair no ch�o,
o que fez com que Hanfred acordasse de vez.
- O que foi, Belle? O que foi?
Izabelle n�o respondia. Ele pegou
o fone no ch�o e conversou com o enfermeiro. Desligou o telefone e, sorrindo,
abra�ou Izabelle.
- Vamos, Belle; ela est� acordando.
Em menos de vinte minutos, Hanfred chegou
ao grande hospital de Frankfurt. Subiram correndo as escadas e procuraram o
jovem m�dico que atendera Sophie h� uma semana.
- Doutor; o que houve?
- Calma, voc�s dois! - ele pigarreou
e olhou sorridente para Izabelle e - Acho que voc�s j� podem entrar;
mas um de cada vez.
- Ela... Ela...
- Acordou a pouco; est� um pouco
zonza ainda, mas parece se lembrar do que houve e chamou por voc�, Izabelle.
- ...
- Venha comigo, sim? Por aqui.
Percorreram um longo corredor e entraram
numa sala. Num canto, ainda com alguns tubos no nariz e fios ligados pelo corpo,
Sophie descansava de olhos fechados.
- Cinco minutos; ela precisa descansar para
que possamos transferi-la para o quarto.
Izabelle sorriu, abra�ou o jovem
m�dico e o beijou na boca. Ele saiu meio sem jeito e deixou as duas a
s�s.
- Eu vi... Isso...
A voz de Sophie era fraca, mas parecia alegre
em saber que Izabelle estava ali.
- Oi, meu amor... Como se sente?
- Parece... Que um caminh�o passou...
Em cima de mim...!
- Boba... - Izabelle n�o conseguiu
conter as l�grimas e apoiou a cabe�a na cama para chorar. Sophie
ergueu um pouco o bra�o direito e acariciou os cabelos daquela mulher
que tanto amava. Ela estava viva; gra�as aos Deuses!
- Bom ver voc�... Saber que est�
bem... Que est� viva...
- Voc� se machucou muito; achei que
n�o a veria mais...
- Eu achei que n�o a veria mais...
- Tive f� que voc� acordaria...
- Voc�? F�?... Voc� deve
ter batido a cabe�a... Ser� que as coisas est�o piores
do que eu estava sonhando!
- Sonhando? Mas voc� estava em coma!
- Sonhei... Sonhei que voc� havia
se casado com a doutora Claudia seis meses depois da minha morte... - ela respirou
devagar e olhou novamente para Izabelle - ... E se suicidou um ano depois.
- Credo! Ela esteve aqui ontem para ver
se voc� estava melhor; acho que n�o chega a ser m� pessoa...-
Izabelle viu o doutor Leopold apontando para o rel�gio - Voc� tem
que descansar. Durma mais um pouco que vou estar atr�s daquela porta;
vou cuidar de voc� agora.
Sophie sorriu. Izabelle abaixou-se e tocou
suavemente seus l�bios com os dela e sorriu em seguida.
- Descanse; amanh� se sentir�
melhor.
Izabelle saiu da pequena sala e abra�ou
Hanfred, que a esperava do lado de fora.
- Vou deix�-la descansar; amanh�
falo com ela. Como ela est�?
- Parece bem, apesar dos ferimentos... Ela
est� toda machucada, Han!
Izabelle debru�ou-se no amigo e chorou.
Ele sorriu e sabia que Sophie ficaria bem apesar dos ferimentos; a maioria deles
era superficial e em pouco tempo n�o restaria nenhuma marca.
- Sophie, voc� precisa comer!
- Traga alguma coisa decente, ent�o!
- Acho que ela j� est� bem
melhor, doutor! - Izabelle reclamava com o doutor Leopold - Quando vou poder
lev�-la para casa?
- Os �ltimos exames ficam prontos
daqui a pouco; pedi urg�ncia, pois sabia que a nossa paciente est�
meio... Impaciente!
Os tr�s riram. Hanfred chegou naquele
momento e riu tamb�m.
- Certo; parece que est� tudo bem
mesmo.
- Sim; se n�o fosse por essa comida
horr�vel!
- Sophie!
- Acalme-se; assim que voc� sair daqui
vou preparar uma macarronada que aprendi durante umas palestras Mil�o.
Fica divina!
Enquanto Izabelle conversava com o doutor
Leopold a respeito de cuidados com a paciente, Hanfred abra�ou Sophie
carinhosamente e sorriu.
- Que bom que voc� est� melhor.
- ele olhou para Izabelle com carinho -- Achei que ela fosse morrer nessa �ltima
semana.
- Tive um pesadelo horr�vel... Que
voc� foi embora, que ela estava junto com a Claudia... Ela se matou...
Acordei quando isso aconteceu. Acho que o susto me deu for�as para acordar.
- Acredito que sim. Mas foi s� um
pesadelo; est� tudo bem, agora... Vai ficar tudo bem.
Izabelle voltou para o lado de Sophie acompanhada
de Leopold.
- Parece que est� tudo bem, senhorita
Donkervoort. Pode ir para casa; mas sugiro que v� de avi�o para
que tenha uma viagem mais tranq�ila.
- Pode apostar que vou de avi�o!
O doutor saiu deixando os tr�s amigos
conversando. Algu�m bateu na porta e pediu para entrar; era a voz de
Claudia.
- Enfim, acordou!
- �... Soube que esteve aqui esses
dias. Obrigada.
- Sophie; poderia ter vinda mais, mas acho
que n�o sou muito bem vista aqui...
Izabelle olhou aquela mulher com seu famoso
look iceberg e saiu do quarto, acompanhada de Hanfred.
- Eles n�o v�o mesmo com minha
cara...
- Voc� fez por merecer...
- �, talvez... - Claudia sentou-se
na cama ao lado de Sophie e pegou sua m�o; n�o tinha mais aquele
ar debochado - Fico mais aliviada agora. Quando te vi na sala de emerg�ncia
achei que n�o fosse sobreviver. Tive medo...
- Est� tudo bem; n�o esquenta.
Claudia se aproximou mais um pouco e beijou
a m�o de Sophie.
- Sabe que nunca deixei de amar voc�,
n�o �? Sabe que fiz de tudo para voltar a t�-la perto de
mim; voc� se afastou e n�o me deu espa�o para mostrar que
aqui dentro eu sou como qualquer outra pessoa. Eu sofro, choro, sinto a dor
tanto quanto qualquer um. Quando voc� me deixou, fiquei arrasada e voc�
s� quis saber de me esnobar e dizer que eu n�o prestava. Parecia
at� que voc� nunca tinha cometido erros na vida... - os olhos dela
encheram-se de l�grimas - Ainda te amo, Sophie, mas fico feliz em saber
que tem algu�m para tomar conta de voc� e dessa cabe�a dura,
sua. S� espero que voc� tenha se tornado uma pessoa mais compreensiva.
Ela beijou novamente a m�o de Sophie
e se levantou. O ar arrogante havia voltado.
- Vou embora. Voc� n�o vai
me ver mais, promessa.
- Acho que podemos parar com isso, j�
que somos adultos...
- Me chamaria de amiga algum dia, Sophie?
Sophie sorriu e estendeu a m�o para
Claudia.
- Quem sabe.
As duas sorriram e Claudia saiu, deparando-se
com Izabelle do lado de fora.
- Sabia que voc� � a pessoa
mais sortuda do mundo? S� espero que n�o desperdisse esse presente
que Deus mandou para voc�! - e seguindo pelo corredor se virou para tr�s
antes de entrar no elevador - Voc� � bem bonita, senhorita Lacciezzi;
formam um casal fascinante!
Ela entrou no elevador e foi embora.
Izabelle olhou para Hanfred; ele tamb�m
estava boquiaberto. Sem insultos? Sem agress�es? Alguma coisa havia mudado
naquela mulher.
Ambos entraram novamente no quarto. Sophie
sorria perdida em lembran�as.
- Posso perguntar o que voc�s conversaram?
- Nada de mais... Mas acho que ela n�o
� assim t�o m� pessoa.
- Tive essa impress�o a pouco. Ela
ainda te ama, Sophie...
- ...E sabe que voc� me ama mais que
tudo nesse mundo. S� espero que ela encontre algu�m como eu encontrei.
- Eu te amo...
Sophie puxou Izabelle delicadamente para
mais perto e beijou-a; um beijo caloroso, por�m suave.
- Eu tamb�m te amo e nunca vou te
deixar, nunca!
Elas se abra�aram e choraram juntas.
O pesadelo havia acabado e elas poderiam voltar �quela vida tranq�ila
que levavam em Lars. Que sonho poderia ser mais perfeito?
FIM