UM FAROL NO FIM DO MUNDO
DECLARA��O
Eu detesto ter que admitir isso,mas as personagens Xena e Gabrielle n�o me pertencem,elas pertencem a MCA/universal,Renassaince picture,Studios USA.As meninas da minha hist�ria tem as mesmas caracter�sticas f�sicas que elas,e como sempre,� minha forma de demonstrar meu amor pela s�rie.OPS!!!Se voc� � menor,sua religi�o n�o permite que leia sobre amor e sexo entre mulheres � melhor navegar longe daqui!
RIKKA
Um farol no fim do mundo
Uma chuva torrencial estava despencando naquele fim de tarde, acompanhada por uma n�o menos terr�vel trovoada,o que deixava Laila,uma loura com pouco mais de 1,60cm,aflita, olhando pela janela emba�ada do farol onde morava.O mar elevava-se como se tentasse engolir a larga faixa de praia que se estendia por quil�metros.Toda a natureza estava em f�ria e parecia que o planeta ia se desintegrar naquele momento.Mas ali era apenas um pedacinho do planeta,uma min�scula cidade do litoral do Rio grande do Norte,chamada Touros.
Era ali,que Laila chegara h� cerca de tr�s anos com a firme inten��o de se dedicar � pintura e a poesia,dois amores indissoci�veis em sua vida.Um novo trov�o tirou Laila de seus desvaneios,chamando-a para a realidade.Mais uma vez,olhou para fora,sentindo que precisava sair,levantou-se subitamente como que impulsionada por uma poderosa for�a que a impelia para fora do seu abrigo e a conduzia para fora,para a tempestade.Com passos curtos,mas r�pidos,seguiu pela larga faixa de areia,como se procurasse algo,e n�o muito distante do farol,trope�ou num tronco ca�do,levantando-se depressa,continuou o seu caminho.
Mais adiante,seus p�s tocaram em algo,como j� estava escurecendo,pensou ser outro tronco,ou sarga�os.Abaixando-se para verificar,percebeu,na semi-escurid�o,que estava invadindo o dia,que aos seus p�s estava uma mulher!Dando uma r�pida olhada viu que a garota respirava,mas mantinha os olhos cerrados e n�o se mexia.
Laila pensou numa maneira de remover a mo�a de perto da �gua e leva-la para o farol,pois esta era bem maior que ela.Sob a forte tempestade,olhou para os lados procurando ajuda,e em pleno temporal,agachou-se para levantar a mo�a ca�da. Num grande esfor�o,colocou-a atravessada nos ombros.Carregando-a com muita dificuldade, parou v�rias vezes,at� cair exausta na porta do farol,ao lado da mulher desmaiada.
Laila olhou abismada para aquele rosto,agora iluminada pela luz que vinha do lampi�o,aceso no farol,n�o fazia id�ia com "ela"viera parar ali!Como se percebesse que Laila estava no fim de sua for�as,a alta mulher abriu os olhos e fez uma in�til tentativa de sentar,sendo contida pela m�os molhada da mo�a loura,que ajudou-a,levando-a em seguida para dentro do farol.
Ambas tinham um aspecto assustador:molhadas, cabelos desgrenhados,estavam tr�mulas,Laila r�pido,providenciando roupas quentes para ambas,deitando a mo�a alta em um confort�vel colch�o que havia no ch�o,cobriu-a em seguida com um edredon.
Num fog�o � lenha,onde crepitava um pouco de lenha,fez uma sopa instant�nea para as duas.Comeram em sil�ncio e nem bem terminaram, o sono j� pesava nos olhos de ambas.
�s seis horas da manh�,do dia seguinte,o sol,iluminava o c�u com grande intensidade,n�o havia quase nenhum vest�gio da forte tempestade do dia anterior,talvez uma ou outra got�culas que o sol esquecera-se de secar.Laila abriu os olhos e percebeu que adormecera ao lado da alta morena,que indiferente ao olhar da loura, ressonava profundamente.E Laila ficou ali,deitada,quieta,com medo de despertar a mo�a,cuja apar�ncia era t�o encantadoramente familiar � ela.
Quando finalmente a garota se mexeu,a loura de olhos verdes, inclinou-se em sua dire��o com o firme prop�sito de verificar se estava tudo bem e recebeu em troca um olhar vazio e distante:
__Oi,Diana__DisseLaila com um certo olhar de preocupa��o.
__Como sabe meu nome?Voc� me conhece?__Os fartos cabelos negros ca�ram sobre os olhos,enquanto falava.Tentou disfar�ar ao ver o rosto da loura coberto por uma m�scara.
__Sim,conhe�o__Retrucou a loura__N�o se lembra de mim?
A morena abriu os olhos desmesuradamente,e o azul dos seus olhos cintilaram naquele come�o de manh� iluminada:
__Por mais que eu tente,n�o consigo lembrar de voc�...
__Mas,ao menos se lembra o que estava fazendo em meio � tempestade?!
A mo�a mais alta afastou o cabelo dos olhos fechando-os em seguida numa tentativa mal-sucedida de fugir ao olhar investigativo daquela garota � sua frente.Quando tornou a abri-los,a loura continuava fitando-a com grande interesse.
__Como voc� veio parar at� aqui?
__Como voc� sabe meu nome?Eu me lembro do caiaque...Depois uma escurid�o total...De onde voc� me conhece?__Eram tantas as perguntas que Laila n�o tinha sequer chance de respond�-las.A mo�a mais alta tentou levantar-se,sem obter resultado:
__Deixe-me ajud�-la...
__Posso fazer isso sozinha__Disse teimosamente a garota de olhos azuis.Laila sentou-se ao lado dela,sem toc�-la mas estendeu-lhe uma m�o,com o firme prop�sito de ampar�-la se necess�rio.
Fitando-a silenciosamente,pensou com conhecia-a e muito,mas naquele momento,n�o sabia como agir diante da total indiferen�a que via refletida nos bonitos olhos azuis.Sabia mais do que ningu�m que estar perto daquela mulher significava perigo,um perigo que vinha acompanhado de curvas sinuosas,e beijos c�lidos.Balan�ou a cabe�a para afugentar os pensamentos,observou que ela,finalmente havia sentado na cama.
A mo�a da m�scara,apressou-se em levantar-se,dirigindo-se para o local onde usava como cozinha,ligou a cafeteira,enquanto olhava o fog�o de lenha que ficava � um canto e que era aceso,s� em alguns momentos,pois o farol era equipado com as coisa b�sicas dos tempos atuais,ou seja era intern�tico,cibern�tico,globalizado.
Outrora, cumprira seu papel de sinalizar para os navios que se aproximavam da costa Norte rio grandense,mais aos poucos tornou-se obsoleto,sendo substitu�do por outro mais moderno e de maior dimens�o,n�o muito longe dali.Cogitou-se em derrub�-lo,quando da inaugura��o do farol novo,mas alguns historiadores locais protestaram que a constru��o era muito antiga e que fazia parte da vida e da historia da cidade.O protesto foi acatado,por�m jamais se pensou em sua conserva��o,ele ficou simplesmente ali como um velho guardi�o, e quando Laila apareceu na cidadezinha com suas tintas,telas, livros de poesias e pinc�is,apaixonou-se imediatamente pela constru��o,conseguindo alug�-lo depois de uma longa conversa com o prefeito e o comprometimento de conserv�-lo.Tudo devidamente assinado e reconhecido pelas autoridades competentes.
O cheiro do caf� invadiu o ar tirando Laila dos seus pensamentos,voltou a vista para onde deixara a outra mo�a e viu que esta voltara a deitar-se.Colocou caf� com leite sem a��car,bem do jeito que ela sabia que a outra gostava e levou par ela:
__Oi...__Disse baixinho com uma incr�vel vontade de chorar
__Oi...__Disse a outra sentando-se novamente.
__Trouxe um pouco de caf�,espero que goste...__Estendeu a m�o com a caneca,que foi prontamente aceita pela morena.Bebendo um gole,levantou os olhos para a mo�a em p� � sua frente e falou:
__� exatamente como eu gosto!� muito estranho tudo que est� acontecendo...Onde eu estou?Aqui parece ser uma constru��o estranha...Eu olho para voc� e parece que a conhe�o de muito tempo,embora n�o saiba sequer seu nome...
__Aqui � um farol,onde n�s...eu moro,encontrei voc� ca�da perto daqui no meio de uma tempestade,parece que perdeu a mem�ria,descanse um pouco,quem sabe assim se recupera.Vou preparar algo para comermos.__Dizendo isso,Laila retirou-se para o outro lado.Sabendo que a mo�a que se encontrava no colch�o apreciava a comida servida no caf� da manh� das pessoas que viviam naquela cidade, Laila esmerou-se em preparar cuscuz,ovos,tapioca e tamb�m um pouco de coalhada.Arrumou tudo numa bandeja,levando em seguida � sua "visitante"que estava aguardando a comida.
Esta,comeu tudo com avidez,certamente h� horas que n�o comia algo consistente,pois a �ltima refei��o,feita no in�cio da noite do dia anterior,n�o passava de uma sopa rala,suficiente apenas para mant�-la aquecida.S� depois que comeu tudo e devolveu a bandeja,observou que estava com um confort�vel pijama curto,que lhe cabia perfeitamente.N�o sabia o que fazer ou dizer para � mi�da loura,que lutando bravamente conseguiu carrega-la at� aquele local,onde se encontrava agora.N�o que aquela garota fosse exatamente do tipo franzino,era at� bem sarada e de excelente constitui��o f�sica,mas s� de lembrar que ela teve que tir�-la da beira do mar e literalmente carrega-la nas costas,um forte sentimento de agradecimento tomou conta da alta morena.Tentou disfar�ar o olhar para aquela malha de queimados que a loura usava,sabia era usada para auxiliar em processos de cicatriza��o e embora n�o visse o que havia por tr�s daquela m�scara, de uma coisa tinha certeza:Aquela guria era linda!
__Obrigada!__entregando o copo que permanecera em suas m�os.
__N�o precisa agradecer__E pensou baixinho:"Eu jamais deixaria voc� em meio � tempestade,nem que tivesse que andar quil�metros"
__Voc� me chamou de Diana,mas eu n�o sei se esse � o meu nome...Tudo � uma horr�vel confus�o dentro de minha cabe�a!
__N�o se esforce,pode ficar o tempo que quiser descansando...eu conhe�o voc� ,e seu nome � Diana,pode andar por a� no farol, mas n�o se afaste.Vou sair e tentar descobrir o que aconteceu,quem sabe voc� se lembra enquanto eu estiver fora...
__Espere um pouco,mo�a, voc� n�o pode simplesmente me dizer: "seu nome �"Diana" e sair...Quem sou eu?__Pacientemente,Laila,voltou par o lado da jovem morena e falou:
__Seu nome � Diana e posso te assegurar que � uma pessoa muito bem-vinda nesse farol,melhorou,assim?__Desconsertada,Diana piscou os olhos incont�veis vezes,enquanto Laila,dirigia-se para a porta.
Antes de sair,voltou-se pegando uma sombrinha que estava atr�s da desta,ainda que fosse cedo,tinha que se resguardar de receber os raios solares sobre as partes queimadas.O trajeto entre o farol e a cidade foi feito em pouco menos do que quinze minutos.J� na cidade, depois de muita conversa e indaga��es, e n�o encontrando nenhuma das pessoas que acompanhavam Diana, resolveu ir ao hospital.L�, deparou-se justamente com quem menos desejava ver � sua frente:A insuport�vel,arrogante e antip�tica instrutora de mergulhoe dona da companhia de turismo local,Ana Alice.Olhando-a atentamente,viu que esta, apresentava algumas escoria��es nos bra�o.
A antipatia que sentia por aquela mo�a,al�m de n�o ser recente, n�o era infundada,e tinha origem,basicamente,pelo fato dela n�o dar tr�gua nas investidas contra Diana, mesmo sabendo do caso que esta mantinha com Laila,fato esse que era sabido e de certo modo aceito pelas pessoas daquele pequeno lugar,ainda que n�o entendessem,como dois "mulher�es"daqueles n�o gostassem de homens.Com o tempo, o fato das meninas se amarem j� n�o despertava curiosidade, nem risinhos por parte dos moradores do lugar,aceitando-as como parte de suas vidas.Tentando fingir que n�o vira Ana Alice,Laila virou-se para outra enfermaria,lembrando-se de seu primeiro encontro com Diana.Estava t�o entretida finalizando uma pintura,que levou o maior susto com o barulho de algu�m batendo na porta, errou o tra�o e praguejou,enquanto descia do alto da torre para abri-la.E l� estava aquela mo�a alta,cabelos negros esvoa�ando pelo vento,com �culos escuros e uma enorme mochila nas costas e mais alguns apetrechos nas m�os:
__Oi,t� procurando um lugar para ficar, me disseram que talvez voc� pudesse me ajudar...
__Bem,aqui n�o � uma hospedaria,nem hotel...
__Eu sei,eu sei,� s� por um tempo,at� eu me organizar...Eu trabalho com biologia marinha,trabalho para uma O.N.G.vim aqui na cidade para fazer um trabalho com os pescadores de lagosta__Disse,enquanto punha a grande mochila no ch�o.Escute,� s� por uma semana...Parece que n�o tem hot�is na cidade...Eu vim l� do sul e pensei que fosse encontrar tudo acertado,mas parece que a pessoa que organiza essa parte ficou no Rio de Janeiro e s� chega a semana que vem.
__Regra b�sica de sobreviv�ncia humana:Cuidado com estranhos!
__Ent�o,eu vou deixar de ser uma estranha agora!__Disse a alta morena erguendo uma sobrancelha bem delineada.__Meu nome � Diana!
Desarmada pelo semblante confiante de Diana,Laila estendeu a m�o aceitando cortesmente o cumprimento.
__E o meu � Laila,na fam�lia me chamam de "Lailabel"
__Aposto que o Bel � de Isabel,ou ser� de BELdade?-Falou deixando � mostra,um sorriso encantador,enquanto arqueava uma sobrancelha.
__De Mabel.__Falou sorrindo,enquanto ajudava-a a recolher a pesada mochila,levando-a em seguida para dentro.Uma vez l� dentro do farol,Diana n�o economizou elogios ao lugar. Assim come�ou a amizade das duas,que em menos de um m�s,foi indo,foi indo,at� que uma noite bem estrelada,as duas estavam olhando embevecidas o estrelado c�u norte-rio-grandense,estavam muito pr�ximas,os bra�os se tocando,numa car�cia involunt�ria,os dedos passeando,num carinho sutil nas m�os uma da outra.Diana foi surpreendida pelas palavras de Laila.
__As
vezes,tenho curiosidade de saber como � que os russos se cumprimentam,se
apenas tocam os l�bios,ou algumas vezes algu�m se aproveita e
beija o outro de verdade...__Ao proferir essas palavras,seu rosto j�
estava suficientemente perto do rosto da mo�a de negros cabelos,t�o
perto,que podia sentir o suave aroma exalado da boca da outra:
__Acho que � assim...__DisseDiana, apenas curvando a cabe�a, tocando
os l�bios da garota menor com um suave beijo.O sil�ncio tomou conta
da noite,s� os pequenos insetos foram capazes de se atrever a iniciar
uma harmoniosa sinfonia,enquanto,as duas, sem ar fitavam-se admiradas,numa cumplicidade
inesperada.E aquele, foi o come�o de uma rela��o que prometia
ser duradoura.Num farol do fim do mundo, as duas se entregaram em plena harmonia
de desejos,dias e noites de paix�es sem limites,de promessas,de juras
de amor.
Envolvida pelos pr�prios pensamentos,Laila voltou subitamente � realidade quando trope�ou numa pedra,percebendo ent�o,que as recorda��es embotaram-lhes os sentidos.Notou que se encontrava na rua,sentindo-se uma idiota,resolveu retornar para o hospital � fim de descobrir o que acontecera com Diana.
Se ela pensava que estava livre da intrag�vel Ana Alice,enganou-se completamente,pois esta, ao v�-la entrar novamente no hospital,postou-se � sua frente,com o ar petulante de sempre:
__Ops!!Ora,ora,ora,se n�o � a dama da m�scara de ferro,pensei que j� estivesse livre das ataduras...n�o � dif�cil entender porque a nossa queridinha foi embora...n�o era f�cil para ela ter que ag�entar deitar toda noite com a monstrinha!!
__Me parece que voc� com toda sua beleza,n�o conseguiu grande coisa tamb�m,vai se danar Ana Alice!Ali�s,onde est� "a queridinha" que n�o est� ao seu lado?
__Pensei que voc� pudesse me dizer...Afinal o esporte preferido dela � correr atr�s de voc�__Ana Alice nem sequer tentou dissimular a raiva que tinha da pequena garota.
__Tenha certeza de uma coisa,Ana, mesmo que eu soubesse,n�o diria...E voc�, foi atacada por algum tubar�o?__Dando o assunto por encerrado,Laila afastou-se do local.Mesmo tendo uma enorme curiosidade � respeito do que realmente teria acontecido. Como n�o conhecia nenhuma das outras pessoas envolvidas no acidente,resolveu ir at� a pequena delegacia da cidade ver se descobria algo.Uma vez na sala do delegado,de quem era muito amiga,foi informada do acidente que acontecera em meio � tempestade:
__Laila,voc� sabe como � Diana,fez uma aposta com algumas pessoas,entre elas,Ana Alice,que conseguiria vir de Natal at� aqui remando um caiaque,eu tenho certeza que se n�o fosse a inesperada tempestade,ela teria conseguido,afinal � uma remadora experiente.E agora...__Disse erguendo os bra�os em desalento.__Nos comunicamos com a guarda costeira,o corpo de bombeiros...
__Diana
est� em seguran�a,est� no farol.
__Puta merda!!E voc� fica calada a� sem dizer nada?
__Por acaso,quando voc� come�a a falar,algu�m tem chance de dizer alguma coisa?__O delegado,com um suspiro de al�vio,pegou o telefone,enviando uma r�pida mensagem,com o intuito de suspender as busca da �nica desaparecida no acidente.Ao final da a��o,fitou, com enorme sorriso no rosto a mo�a � sua frente e olhando diretamente nos olhos verdes falou:
__Vamos tomar um caf� e eu lhe conto o final...
__O final,� que Diana est� l� em casa e n�o sabe nem o pr�prio nome.Tenho que ir embora.Posso te pedir um favor bem especial?
__Quando voc� faz essa cara...quem resiste?
__Que cara?A n�o ser que voc� consiga enxergar atrav�s da m�scara...N�o fala nada para Ana Alice...
__Grande amiga que voc� �,quer me ver morto?_Todos na cidade sabiam do que a linda mergulhadora era capaz de fazer,quando zangada.
__S� por uns dois dias,quem sabe,Diana se recupera...tchau!
__Tchau!__Caminharam para lados opostos,e Laila, saindo para a claridade de quase meio dia,abriu a sombrinha.
Com passos r�pidos,a garota,afastou-se em dire��o ao farol.Para sua surpresa,ao entrar percebeu um "delicioso" cheiro de comida, queimada!Correu at� o lugar usado como cozinha e l� encontrou uma atrapalhada Diana,que n�o sabia bem o que fazer em meios �s panelas.Aquilo era bem t�pico dela,era capaz de ficar horas fazendo esportes,conversando,desenvolvendo projetos para a pesca racional da lagosta na regi�o,fazer mergulhos para demonstrar na pr�tica o que ensinava na superf�cie,enfim,m�ltiplas habilidades,mas cozinhar,n�o era uma delas.
Aproximando-se da morena,retirou-lhe a panela de suas m�os,enquanto gracejava:
__Parece que voc� esqueceu de que n�o sabe cozinhar...E a�,como est� a cabe�a?
__Doendo um pouco,mas acho que vou sobreviver.Eu preciso conversar com voc�...Quero que me diga tudo o que sabe sobre mim...__Falou de forma imperativa.
__Uh! Parece que voc� n�o perdeu sua mania de dar a �ltima palavra.E que tal esperar mais um pouco,quem sabe lembra por si mesma...
__� engra�ado,e estranho ao mesmo tempo,eu te olho e sinto uma imensa vontade de te tocar,de te abra�ar,de ficar perto de voc�,por acaso est� me escondendo algo?
__Eu,nunca!J� falei que conhe�o voc�.
__Conhece,conhece...mas em qual sentido?No b�blico?Desde que saiu que estou me atormentando,tentando desvendar o que aconteceu comigo...
__Voc� j� disse, caiu de um caiaque.Vou ver o que d� para "salvar"para o almo�o...__Disse Laila desviando o olhar.Dirigiu-se para o lado do fog�o,onde,em poucos minutos,consertou o estrago que havia sido feito.Diana ficou parada observando a agilidade da outra garota, logo estavam sentadas do lado de fora do farol,sob um toldo, onde havia uma mesa r�stica rodeada por cadeiras no mesmo estilo.
Comeram
caladas,fitando o verde mar que se descortinava � frente:
__Laila...
__Lembrou meu nome?__N�o pode conter uma nota de surpresa.
__Voc� n�o me disse?
__N�o.__O vento desalinhava o cabelo das duas, Laila fitou Diana com um olhar de seriedade,diretamente em seus olhos.N�o conseguindo segurar o olhar,esta, desviou o seu para a areia branca.
__Sim,eu menti,menti porque queria ficar com voc�.Quando � que vai entender que voc� � o amor da minha vida?__Laila levantou-se e Diana fez o mesmo,cercando-a.
__� meio dif�cil de acreditar,na primeira chance que teve foi embora...
__VOC�,me mandou embora!Se eu pudesse tomar o seu lugar naquele maldito dia do acidente,eu teria feito,e quando voc� disse que n�o me queria aqui,eu fui.Mas eu resolvi voltar,eu sempre fui uma guerreira e n�o � agora que vou mudar... Portanto,n�o adianta reclamar,que eu vou ficar!
__Ent�o, v� ficar com sua mergulhadorazinha de plant�o,que eu fico muito bem s�!Ali�s,voc� n�o sai do barco dela!!
__Aposto que se voc� tivesse um bast�o me bateria com ele__A morena emendou,sem dar folga para a pequena loura argumentar.
__87 quil�metros,de Natal at� aqui,que estava tentando fazer o qu�,se matar?E com quem voc� estava?
__Wow,Laila,n�o � t�o longe assim,d� pra fazer em quatro ou cinco horas,al�m do mais,eu nunca fugi de um bom desafio.Sem contar que j� era tempo de acabar com essa palha�ada de separa��o,tr�s meses!!Cad� a enfermeira que eu contratei pra cuidar de voc�?__Um brilho perverso bailou caprichoso nos olhos verdes:
__N�s estamos tendo um caso,quer saber?Eu preciso lhe agradecer,por t�-la colocado na minha vida.__A mo�a de longos cabelos negros aproximou-se amea�adoramente ,o que fez a loura estremecer,recuando,levemente,entretanto,n�o o suficiente para conseguir escapar dos fortes bra�os que a envolveram.E t�o pouco dos l�bios que se apossaram dos seus num beijo sequioso,devorador.Ao mesmo tempo em que a beijava,Diana envolveu a cintura de Laila.Suspendendo-a do ch�o,levou-a para dentro do farol depositando-a na cama improvisada que havia no interior dele.Conseguindo afastar os l�bios da calorosa boca de Diana,a garota,tentou desvencilhar-se da morena com um safan�o,sem lograr �xito:
__Me larga!Se voc� ousar encostar um dedo em mim,nunca mais falo com voc�!
__Minha id�ia n�o era de encostar um dedo em voc�,mas meu corpo inteiro...
__Voc� t� agindo exatamente como uma droga de marido machista,aproveitando-se que � mais forte fisicamente!__Laila argumentava com qualquer bobagem,tentando se livrar do calor que consumia seu corpo,s� de olhar aquela linda mulher � sua frente.E pior,querendo-a com tanta intensidade.Diana voltou a segur�-la em seus bra�os,prendendo-a contra o colch�o.
__Eu nunca precisei for��-la � nada Laila...__Disse com os olhos carregados de paix�o, mordendo com vol�pia os rosados l�bios entreabertos � poucos cent�metros de sua boca,sentindo contra o pr�prio rosto a m�scara usada pela sua "prisioneira."Delicada-
mente,Diana retirou a m�scara que envolvia o rosto da garota sob seu corpo,observando que havia ali,resqu�cios de suaves cicatrizes,
t�o impercept�veis que n�o justificava o uso daquele artefato.Com carinho,beijou incont�veis vezes,as delicadas marcas no rosto da
mo�a de cabelo dourado.Sentindo o desejo de tocar aquela pequena mulher percorrer-lhe o corpo, deslizou sua boca com avidez,aprisi-
onando-lhe os l�bios com paix�o.Presa pelo corpo da mo�a mais alta,Laila relutou um tempo contra a tenta��o morena,mas em pouco tempo, estava, n�o apenas correspondendo ao beijo,como desejando ardentemente que ele se prolongasse.Quando o beijo,foi encerrado por Diana,essa mantinha uma sobrancelha erguida e um risinho sarc�stico no rosto:
__Posso ficar?
__Voc� pensa que consegue tudo que quer ,n� Diana?Sua namoradinha ,deve t� louca te procurando...
__Sabe o que estraga voc�?Esse seu maldito ci�mes!Minha rela��o com Ana Alice � puramente profissional!
__Sei,sei...E isso inclui,ficar noites fora com a desculpa de orientar os pescadores de lagosta.
__Eu bem que quero lev�-la junto,mas s� de pensar em barco voc� passa mal!Mergulhar,ent�o!Ali�s n�o sei como voc� escolheu viver perto do mar se sente tanta rejei��o por ele...
__N�o preciso estar dentro dele para apreci�-lo!__Laila recolocou sua m�scara,enquanto falava__E voc� est� desviando do assunto de prop�sito!
__Pra mim chega!__Disse Diana encaminhando-se para a porta do farol__Pr� voc� � f�cil ficar aqui no seu castelinho dourado,feito Rapunzel,enquanto os outros de rasgam inteiro tentando sobreviver,recebendo dos grandes empres�rios pagamentos miser�veis em troca do seu trabalho,fazendo pesca ilegal,para mandar lagosta para o exterior,para ganhar um pouco mais...
Laila fitava Diana com olhos incr�dulos,a boca entreaberta denotava todo espanto por ouvir as duras palavras da alta garota � sua frente:
__Voc� quer dizer,que eu sou indiferente?Eu quero que voc� v� embora agora!Se pensa tudo isso de mim ,porque est� h� tanto tempo comigo?
Diana
fitou-a com um olhar arrependido,mas por mais que amasse a pequena loura,sabia
que ela vivia num mundo fantasioso,entremeado pelas cores que saiam dos seus
pinc�is, de sua vis�o po�tica e romantizada do mundo, n�o
se apercebendo das cru�is condi��es de trabalho que eram
impostas aos pescadores da regi�o.
__Desculpe...
__Agora n�o adianta nada,voc� j� falou o que pensa de mim...__Retrucou,Laila magoada.E antes que Diana tomasse qualquer atitude,saiu inesperadamente pela porta,sem olhar para tr�s.
Sozinha no farol,a morena deu um forte soco na parede,para em seguida colocar o rosto entre as m�os:
__Idiota!
Laila saiu em dire��o ao rochedo que dava nome ao lugar.Visto do mar,a grande pedra lembrava a cabe�a de um touro,escalou-a sem dificuldades. Fitando o horizonte com os verdes olhos cheios d��gua.Filha de uma fam�lia de influentes pol�ticos do Rio grande do Norte ,jamais passara por qualquer tipo de problemas financeiros,tendo inclusive feito v�rios cursos de artes no exterior,al�m de incont�veis viagens pelo mundo,falava fluentemente quatro idiomas modernos e uma l�ngua morta:o d�rico.Mas isso n�o fazia dela, uma pessoa indiferente �s necessidades,ou alheia as dificuldades da popula��o local.Diana tinha sido muito injusta com ela.
Durante as longas conversas que mantinha com o pai,havia inclusive,sugerido algumas a��es que melhoraram em muito as condi��es de vida do povo daquela pequena cidade:Como a constru��o do hospital p�blico,que se tornou um lugar de refer�ncia de atendimento,n�o apenas para os moradores da pequena cidade como tamb�m para outras cidades na circunvizi-nhan�a.Lembrou-se da igreja da cidade,constru�da em 1778,pelos portugueses,fora praticamente reconstru�da com verbas vindas do gabinete do seu pai.Laila ficou sentada um longo tempo mirando o mar � sua frente,amarrou a camiseta na cabe�a para se proteger do sol,e ,embevecida com o espet�culo que se descortinava � sua frente,perdeu-se no tempo e no vento.
O sol mergulhou lenta e suavemente na �gua do mar,uma brisa suave agitou os louros cabelos da garota sentada na rocha,a escurid�o tomou conta da praia.No momento que se preparava para partir,sentiu a forte press�o de m�os que a seguravam brutalmente.Lutando para se libertar,Laila sentiu o piso deslizar perigosamente sob seu p�s,numa tentativa desesperada,mordeu a m�o que lhe atava a boca,ouvindo um "grunido"do homem que a atacava.Solta subitamente,escorregou em dire��o � �gua,mas o baque surdo que ouviu,n�o era do seu pr�prio corpo caindo e sim do seu agressor,enquanto ela era segura por �geis m�os que a i�aram para cima,para a seguran�a de dois fortes bra�os,que a seguraram firmemente.Olhando,para baixo,Diana,viu, entre as sombras da noite, o atacante de Laila,nadar vigorosamente,saindo r�pido da �gua e sumido na obscuridade da noite que mal havia se iniciado,poderia persegui-lo,mas preferiu ficar ali,abra�ando protetoramente Laila.
Tr�mula,Laila afundou o rosto no peito de sua inesperada pro-
tetora.N�o precisou erguer os olhos para perceber de quem se tratava.
__Ufa!__disse a mo�a menor,quando finalmente parou de temer__Essa foi por pouco!Obrigada!
__Laila,voc� vive no mundo das ilus�es,n�o d� mais ficar"viajando" sozinha,distra�da por a�...
Laila afastou-se do abra�o aconchegante de Diana:
__Que �,ein,Diana?Hoje,voc� tirou o dia para fazer uma an�lise profunda do meu jeito de ser?Distra�da,indiferente...
__Uh!Nooossa!vem aqui__Disse Diana conciliadora__Me d� um beijo...
__N�o!_A mo�a respondeu emburrada.
__Eu te "salvei de um destino pior que a morte"minha donzela__Retrucou Diana piscando os olhos repetidas vezes,e fazendo biquinho com a boca,o que desencadeou uma sonora risada em Laila,quebrando o momento de ten��o entre as duas.Fitando-se s�rias,aproximaram-se lentamente uma da outra,tocando-se com desejo,com saudades,as m�os se acariciando em m�ltiplas buscas,as bocas se redescobrindo em gozos e afagos sem fim.
Deitaram-se sobre a grande pedra,e l�, sob o som das ondas quebrando na areia da praia, fizeram amor.Laila beijava e se deliciava em percorrer com a l�ngua,toda exten��o do corpo bem moldado de Diana,e esta, n�o escondia o prazer que estava sentindo ao ver a pequena e querida mulher tomando iniciativas.Desvendando-a,Laila,aprofundava os beijos,plenamente correspondidos, com a boca,com a l�ngua, alimentava-se do n�ctar e do prazer despertado na sua companheira.
Espasmos tomavam conta de seus corpos,a cada toque,a cada lambida,a cada mordida,a cada car�cia ou beijo trocado.E no come�o daquela noite, numa praia deserta,a trilha sonora j� n�o era apenas o som das ondas quebrando na beira da praia, os incontrol�veis suspiros e gemidos de prazer,em perfeita sintonia com a natureza,tocavam, harmoniosamente, a sinfonia do amor.
A lua estava alta num c�u sem nuvens,quando finalmente as duas,se deram conta do mundo que as cercava,desceram at� a praia e envolvidas,pela espuma, mais uma vez fizeram amor.Quando finalmente pararam � porta do farol,apenas Laila,entrou,pois Diana
dirigiu-se para a pequena cidade, queria descobrir o que acontecera naquela pedra,horas atr�s.Com a teimosia da mo�a loura,foi muito dif�cil convenc�-la ficar em casa,com a porta bem fechada.Diana teve que usar incont�veis argumentos pois era complicado ganhar uma discuss�o com a pequena mulher.
Caminhando atentamente por uma vereda deserta,foi,surpreendida, para a s�bita paulada que atingiu-lhe as costas,mal tinha se afastado do farol.�gil,voltou-se rapidamente para enfrentar n�o um, mais v�rios agressores que, ferozes,arremessaram-se contra ela com o firme prop�sito de derrub�-la.
Os negros cabelos brilharam sob a lua,enquanto ela rodopiava o corpo bem torneado para acertar em cheio o rosto do homem que estava mais pr�ximo.Com rapidez,firmeza e for�a,golpeou,chutou
Esmurrou,atirou ao longe,os truculentos homens que tentaram agredi-la.Pegos de surpresa,e vendo que n�o eram p�reo, para a alta mulher,correram por sua vidas para o mais longe que puderam,restando apenas um que foi fortemente agarrado por Xena,ops!Por Diana,que lhe aplicou um secreto golpe oriental,cortando-lhe o fluxo do sangue para seu c�rebro:
__Voc� vai morrer dentro de trinta segundos,se n�o me disser quem est� tentando nos matar!
Estremecendo,o homem ca�do,tentou articular palavras,mas um som sibilante,ecoou nos ouvidos de Diana e quando esta olhou-o novamente,tudo o que ouviu foi seu ultimo suspiro.Uma bala estava cravada em sua cabe�a.Sabendo que n�o havia nada que pudesse fazer,e percebendo uma sombra se deslocar,no meio do matagal,correu em persegui��o ao atirador,mas este,conseguiu sumir no meio da noite.
Afastando-se do local,do crime,Diana continuou seu caminho para a cidade,examinando,seus hematomas ainda teve senso de humor para falar em voz alta enquanto erguia uma sobrancelha:
__Nada mal para uma bi�loga marinha!__Encontrou a delegacia �s escuras,com o �nico policial de plant�o,cochilando em sua cadeira,aquela ia ser uma noite quente,pois raramente ocorriam crimes naquela regi�o.
A noite ainda guardava seus mist�rios,sob o v�u da escurid�o,quando Diana bateu forte com as m�os,na porta trancada
Do farol.Sabia ser quase imposs�vel,acordar a pequena loura.pois uma vez adormecida,nem beijo de princesa encantada,para espert�-la!Percebendo a inutilidade de seu gesto,deu um magn�fico salto,agarrando-se a parede do farol,que era cheio de reentr�ncias,
conseguindo escal�-la sem grandes dificuldades.
Uma vez,dentro da grande torre,desceu as escadas,encontrando-se com uma desperta Laila,que assustad�ssima
segurava tr�mula,uma enorme faca nas m�os:
__N�o
era mais f�cil bater na porta!?__Meneando a cabe�a e girando os
olhos,Diana tirou-lhe a faca das m�os, puxando-a de volta para o colch�o.Adormeceram
em seguida,sem perguntas,sem explica��es.
Como acontece,cerca de trezentos dias por ano,naquela regi�o,o dia seguinte
amanheceu espl�ndido e quente,encontrando as duas amantes abra�adas,
apesar do calor que fazia nas primeiras horas daquela manh�.Beijando
apaixonadamente a boca de Laila,Diana sentiu-se for�ada a comunicar os
fatos ocorridos na noite anterior
e viu os verdes olhos de sua companheira arregalarem-se diante dos arranh�es que apresentava.
__Ent�o,voc� � suspeita de ter assassinado um cara?
__N�o,Laila,algu�m est� tentando nos amedrontar de alguma maneira.N�o esque�a que voc� foi agredida na praia,quem matou o cara,poderia ter atirado em mim tamb�m,mas n�o o fez...
__Voc� falou que alguns homens lhe atacaram,como conseguiu se livrar deles?Defesa pessoal � disciplina obrigat�ria no curso de biologia marinha?
Diana n�o conseguia articular nenhuma palavra,enquanto fitava diretamente os olhos de sua companheira,embora n�o fosse do seu feitio,engoliu em seco,umedecendo o l�bios demoradamente,numa tentativa de retardar o que tinha para dizer.
__Laila, tenho umas coisinhas que eu n�o te contei...as coisas foram acontecendo entre n�s...� que...
__voc� t� querendo me dizer que anda metida em algo ilegal,� isso?__O semblante de Diana ficou alterado,assumindo uma express�o de raiva:
__Droga!Ser� que depois de tanto meses juntas,� tudo que voc� pensa de mim?
Saiu repentinamente do v�o que servia de sala,chutando um balaio que encontrou pela frente.Seguiu em dire��o ao aglomerado de casas que se enxergava ao longe.Sozinha no farol,e aborrecida com a cena que aconteceu entre as duas,Laila resolveu pegar a �gua de Diana,que costumava ficar na parte de tr�s do farol.Colocou a sela com agilidade,enquanto lembrava que andar � cavalo,fora mais uma conseq��ncia de seu envolvimento,com a bela
morena.Subiu sem dificuldades na �gua,apertando os flancos do animal,que saiu em disparada.Laila acariciou-lhe o pesco�o guian-do-a para a extensa praia,que � essa altura ,encontrava-se deserta e banhada pelo quente sol Norte rio grandense.
Ainda que aquela cavalgada estivesse lhe proporcionando imenso prazer,n�o conseguia esquecer a discuss�o com sua companheira e com esse pensamento,puxou as r�deas para retornar e procur�-la.
A enorme �gua,aceitou sem dificuldade o comando da jovem sobre o seu dorso,e como se adivinhasse a pressa para encontrar sua dona galopou com a maior velocidade,em dire��o ao farol.
Mas o animal seguiu sozinho,a mo�a montada sobre suas costas
voou pelos ares,derrubada subitamente por um la�o,certeiro,que a enla�ou pelo meio do corpo jogando-a na areia dourada.Erguida do ch�o bruscamente,n�o teve sequer tempo de ver a cara de seu agressor,pois este,segurando-a firmemente com os bra�os para tr�s enfiou-lhe um saco na cabe�a,o que dificultou-lhe a respira��o.
Sentindo-se abruptamente arrastada,percebeu que seus p�s tocavam na �gua, num �mpeto,gritou com toda for�a que sua garganta permitiu,embora desconfiasse que n�o seria ouvida.N�o foi f�cil para seu opressor mant�-la sob controle,pois mesmo tendo os bra�os atados,esperneava,se debatendo fortemente,numa in�til tentativa de se livrar.
O corpo contorceu-se de dor ao sentir a aspereza do caso do barco onde foi jogada.Percebeu que era na verdade uma jangada,embarca��o usada freq�entemente pelos pescadores locais para pescaria mesmo em alto mar.Atrav�s dos pequenos furos do saco que lhe impedia parcialmente a vis�o,notou que se afastava da costa,e o medo cresceu!
Deitada sobre a dura madeira da embarca��o,concentrou-se na corda que prendia seus pulsos,soltando-a sem muitas dificuldades.
Se n�o fosse o medo,teria at� sorrido da falta de habilidade do homem ao lidar com a corda.Desesperada,buscou um"plano B"para se livrar do impass�vel homem que conduzia a jangada.
A areia da praia era j� uma linha long�nqua,um sonho distante.Laila recusava-se aceitar que iria ser engolida e abra�ada para sempre naquela imensid�o verde do mar,sabia que suas chances de vencer aquele truculento sujeito era m�nima.Nem por isso,recusou � si mesma o direto de tentar:arrancou o inv�lucro que
lhe cobria a cabe�a e numa sucess�o de movimentos enlouquecidos
agarrou um remo que estava ao seu lado,arremessando-se em f�ria contra o condutor da jangada.
N�o percebeu o som de motores aproximando-se,nem o grito estridente que cortou o ar, o vento que soprava forte,impulsionava a pequena embarca��o mar adentro.Um estalido se fez ouvir, o mastro despencou velozmente atingindo seu oponente atirando-o no mar,e a jangada deslizava continuamente,embora sua vela,estivesse ca�da.S� ent�o viu que ao seu lado,sobre um jet sky
Estava Xena,ops!Diana.
__Pula Laila!
__Voc� t� louca??__E a jangada flutuando...
__Pula!Pula!
__Se eu morrer ,nunca mais falo com voc�!!__E num desajeitado salto,jogou-se
nas verdes �guas do mar de sua terra.De onde foi prontamente resgatada
por Diana.
N�o vendo nenhum sinal de seu agressor nas redondezas,retor-naram � praia,onde em seguran�a,puderam enfim conversar:
__Como voc� sabia onde me procurar?
__Eu estava retornado para contar as novidades,e deparei com a coitada da Arco desesperada,relinchando e indicando com a cabe�a nessa dire��o,corri at� o farol,peguei o jet,entrei na �gua e Arco foi seguindo pela praia,quando chegou no local de onde voc� foi levada,ela empacou.Segui meu instinto de guerreira...Wow! Podemos dizer que hoje foi um dia de grande sorte!!_Acrescentou beijando apaixonadamente os l�bios �midos da loura que a olhava com adora��o.Quando o beijo foi interrompido,Laila olhou encabulada para Diana:
__Por todas as vezes que salvou minha vida,eu serei sempre grata...
__Na verdade foi um ato ego�sta � meu favor,como e que eu poderia viver sem voc�,pequena irritante e desconfiada??__Olhando a mulher de longos cabelos negros � sua frente,Laila cingiu-lhe a cintura num caloroso abra�o:
__Eu te amo,Diana!
__Eu tamb�m te amo!__E sairam caminhando lentamente em dire��o ao farol, de m�os dadas,enquanto Arco,a �gua, segui-as docemente como se entendesse a magia daquele momento.
O sol forte brilhava sobre suas cabe�as,quando chegaram ao farol,tudo parecia muito calmo,dessas calmarias que antecedem as tempestades.Com passos curtos mas r�pidos,Laila subiu � parte superior do farol e para sua surpresa,viu l� do alto,Diana saindo apressada,da torre,ouviu que ela gritou algo antes de sair batendo a porta com for�a e apenas a acompanhou com o olhar enquanto ela,sumia � dist�ncia.Sem for�as para segui-la,simplesmente sentou-se de frente para seus quadros que pareciam dan�ar um bailado multicolorido.Diana tinha raz�o de ficar zangada com ela,n�o obstante o amor que sentia pela alta morena sentia que havia uma aura de mist�rio em torno dela e por essa raz�o,os ventos da desconfian�a batia sempre � porta de Laila.Envergonhada com esse sentimento,a mo�a loura levantou-se de um salto,resolvida a descobrir o que ocorrera para provocar a s�bita sa�da de sua companheira.Desceu as escadas de madeira que conduzia ao piso inferior e, mal havia tocado o �ltimo degrau,ouviu batidas na porta. Abriu-a na v� esperan�a de que fosse Diana,mas tudo que encontrou foram os olhos de um estranho.Tentou recuar,
percebendo que era tarde demais para isso,embora o homem � sua frente n�o demonstrasse inten��o de atac�-la.
__A senhora � a dona Laila?
__Por que est� querendo saber?__Perguntou desconfiada.
__� que sua namorada t� lhe esperando,perto do ancoradouro...Disse que vai mergulhar com Ana Alice e quer que a senhora v� se encontrar com ela.__Nada naquela est�ria fazia sentido para a pequena mulher parada na soleira da porta,o medo come�ou a tomar conta de seu corpo,assumindo uma forma de contra��o no seu est�mago.Pensou em bater a porta,fechando-a por dentro, mas o sujeito dera uma for�ada na situa��o e mantinha um p� discretamente plantado no meio desta.A loura tentou ganhar tempo:
__Eu n�o posso agora...
__Pois eu acho que a senhora pode sim!__Laila n�o soube explicar
mas seus olhos fixaram o objeto brilhante que surgiu em uma das m�os do homem � sua frente,e, num misto de atra��o e pavor,seguiu a dire��o indicada pela cabe�a do truculento homem.Enquanto caminhava,Laila observava o homem que ia praticamente ao seu lado sem esquecer a arma,ele era meio gordo,e com certeza,ela o venceria numa corrida,,mas o reluzente rev�lver,fazia sua chances
minguarem consideravelmente.
Num tempo que parecia intermin�vel,seguiram a dourada faixa de areia que se estendia por quil�metros,parando finalmente onde havia um pequeno grupo de pessoas,e entre elas,Laila pode ver os cabelos dourados de Ana Alice que se destacava entre os demais.
__Muito bem Teodoro!Vejo que fez direitinho o que eu mandei,vamos subir na lancha!
As quatro pessoas que formavam o grupo subiram agilmente na embarca��o,o que n�o ocorreu com a mo�a de pequena estatura,que foi praticamente arremessada para dentro,sentindo a dureza do madeira contra seu traseiro.O barulho do motor,foi ouvido em seguida,ap�s alguns minutos de silencio,a grave voz de Teodoro se fez ouvir:
__Aceita um cigarro,Ana Alice?
__Teodoro,voc� sabe que eu nunca fumo,prefiro ver a vida em todo seu esplendor glorioso,do que atrav�s de uma maldita cortina de fuma�a...__E colocando o dedo indicador inocentemente na boca,sorriu com ar mal�volo para Laila,que sentada no fundo do barco,permanecia em sil�ncio,inconformada com o que parecia ser seu destino.
__De tanto achar,Diana linda,sabia que eu nunca tinha reparado que voc� � uma gracinha?__Disse Ana Alice enquanto piscava para Laila__Vamos nos divertir,l� no fundo do mar!
Olhando al�m da linha do horizonte,a pequena figura teve vontade de revidar,mas congelou diante da faca que percorreu longitudinalmente sua face.E foi sob a mira da faca que uma hora mais tarde,pararam no meio do mar.Nem terra,nem barco � vista.Laila tentou resistir,mas al�m de seus raptores serem em maior quantidade,eram tamb�m mais fortes,e a contra gosto viu-se for�ada a usar o equipamento de mergulho,como se adivinhasse seus pensamentos,Ana Alice resmungou:
__N�o se preocupe,beldade,segundo estudos,quem morre nas profundezas do mar,tem uma morte linda,com as mais gratificantes imagens,e eu posso lhe garantir todo esse espet�culo.E dessa vez,perca as esperan�as,pois Diana n�o vir� salvar voc�.Que t� pensando?Que ela � a Xena e voc� a Gabrielle?� lourinha,parece que voc� anda vendo muito esse seriado,kkkkkkk!__Empurrou violentamente a garota menor para a �gua,pulando em seguida.
Embora pouco adaptada � vida submarinha,Laila conhecia os princ�pios b�sicos de mergulho,por isso, mesmo sendo arrastada pela ex�mia mergulhadora que estava ao seu lado,conseguiu manter ritmo na respira��o.Laila sabia que o sil�ncio,era uma das caracter�stica do fundo do mar,ent�o aquele tambor ensurdecedor era o seu,cora��o?
Se n�o fosse o pavor que tomava conta dela,talvez at� pudesse admirar os corais multicoloridos,os pequenos cardumes de peixes encantadores,TUBAR�O!O pensamento invadiu sua cabe�a e se negava a sair,olhando de soslaio para a magra mulher ao seu lado pensou:"Coitadinho dele se encontrar essa a�".N�o tinham se afastado muito do barco,Ana Alice,puxou uma corda e ap�s breve luta,conseguiu amarrar sua prisioneira num comprido arrecife,deixando-a apenas com as pernas livres.
Laila n�o soube precisar como tudo aconteceu exatamente,mas uma ondulante figura apareceu,no justo momento em que Ana Alice puxou a faca com inten��o de atingi-la,e viu abismada,Diana arremessar-se contra sua opositora,tendo que lutar n�o s� com ela mas tamb�m, contra a press�o da �gua.Naquele cen�rio,a luta adquiria aspectos surrealista,golpes eram desferidos sem muito sucesso,a luta perdurou por longos momentos,sem tr�gua,Ana Alice segurando firmemente seu punhal,tentava atingir sua oponente que se esquivava,at� que esta conseguiu desarm�-la,torcendo-lhe fortemente o bra�o.A faca deslizou em dire��o ao fundo do mar,mas teve sua trajet�ria interrompida,cravando-se na coxa da mergulhadora.Contorcendo-se de dor,a mo�a viu Diana soltar as cordas que prendiam a pequena loura,segurando-a pela cintura,enquanto,indicava com a m�o,a regi�o acima de suas cabe�as.Com um pequeno filete de sangue saindo de sua perna ferida,a mergulhadora,recuperando-se da dor e do susto, tentou ainda agredir a morena,que rapidamente afastou-se do local levando consigo sua companheira.Em poucos minutos,alcan�aram a superf�cie,e para surpresa de Laila,tr�s barco e n�o um, estava no local de onde havia sido levada.
Os poucos metros que faltavam para chegar at� o barco,foram vencidos com dificuldades pela pequena mulher,que apavorada,ao virar a cabe�a,viu,n�o apenas a figura de sua perseguidora,mas a figura de um tubar�o.Suas m�os agarraram fortemente a escada do barco,e usando toda sua for�a subiu � bordo.Diana,ao contr�rio,n�o s� continuou na �gua,com nadou vigorosamente em dire��o ao tubar�o e � Ana Alice.Ao aproximar-se deles,atingiu o animal com um fenomenal chute,deixando-o atordoado,tempo suficiente para alcan�arem a lancha,fa�anha essa dificultada pela mergulhadora que se recusava terminantemente ser"salva" por Diana,quando finalmente atingiram a embarca��o,o tubar�o conseguiu uma revanche,arremessado-se contra as duas,cravou os dentes na panturilha de Ana Alice,que dessa vez deu um terr�vel berro de dor e raiva.Foram resgatadas com rapidez.
Ainda que sangrasse muito os ferimentos n�o apresentavam gravidade e ap�s o atendimento de primeiros socorros,a mergulhadora recebeu ordem de pris�o,vinda da boca de Diana,diante do olhar admirado de Lailabel.
__Voc� est� presa,Ana Alice Pradolin,sob a acusa��o de tentativa de homic�dio,trafico de drogas e crime contra o meio ambiente.
__Eu devia ter desconfiado de voc�,e tenho que reconhecer,� boa demais no que faz,s� por curiosidade,como nos encontrou?
__Eu tenho meus m�todos,e n�o � pra voc� que vou contar...
Olhando com carinho na dire��o de Laila,percebeu que esta,virou o rosto com express�o magoada em outra dire��o,mas n�o podia resolver o caso naquele momento,por isso fez sinal para que as lanchas zarpassem.Em pouco menos de uma hora encontravam-se em terra firme,os prisioneiros seguiram para a delegacia local,acompanhados por Diana e por v�rios policiais,enquanto Laila,cabisbaixa, seguiu acompanhada por uma policial feminina at� o farol.
Ao chegar no farol,A jovem conseguiu convencer a policial que ficaria bem,mas nem um argumento foi capaz de remove-la da porta que dava acesso ao mesmo.Apesar de abalada, pelos �ltimos acontecimentos comeu um enorme sandu�che,antes de deitar-se no largo colch�o que havia no ch�o, caindo em seguida num sono agitado.
Sonhou que estava adormecida, cercada por uma intensa chama e que uma linda mulher de longos cabelos negros,com um fant�stico salto cruzava as labaredas e a beijava docemente nos l�bios.Despertou com a press�o da boca de Diana na sua.Entreabriu os olhos e a boca para falar,mas a dona dos cintilantes olhos azuis que a fitava,pousou a m�o contra a boca dela impedindo-a:
__Eu si que lhe devo um monte de explica��es e que voc� deve estar zangada comigo...Eu fa�o parte de um grupo especial que investiga crimes ambientais ligados ao contrabando de entorpecentes.E aqui tava rolando umas coisas muito graves:Ana Alice tinha um esquema de pesca ilegal de lagosta,que n�o respeitava o tempo de matura��o das lagostas,e al�m disso,boa parte dessa produ��o que � exportada para os Estados Unidos,estava recheada de coca�na.
__Ent�o mesmo sem saber,eu dei para voc� o disfarce perfeito?__Disse com ar infeliz a pequena loura ,que fitava de olhos arregalados sua interlocutora.
__O que aconteceu entre n�s,Laila foi uma coincid�ncia feliz,mas me deixou muito preocupada com sua seguran�a,por isso eu fui embora por t�o pouco,precisava tamb�m acertar algumas coisa de ordem t�cnicas.
__Ent�o entre n�s acaba aqui?Junto com o caso que voc� resolveu?__L�grimas assomaram os olhos verdes,deixando transparecer toda tristeza que havia na alma de sua dona.Envolvida repentinamente pelo calor dos bra�os de Diana,afundou o rosto em seu colo,deixando-se envolver pelo perfume emanado daquela pessoa t�o querida.
L� fora, a escurid�o invadira o dia,sem falar, Diana,inclinou sua cabe�a em dire��o � boca de sua amada,beijando-a numa �nsia desesperada,e com os l�bios ainda pr�ximos,falou baixinho:
__Isso responde � sua pergunta?Eu te amo como jamais pensei que pudesse amar algu�m no mundo...Eu sei o quanto voc� gosta dessa"torre",mas meu endere�o � do outro lado do pa�s.Eu sei que � pedir muito,mas ser� que voc�,suas poesias e seus pinc�is poderiam mudar para minha casa?__Diana falou,ajoelhando-se em frente � Laila que aquela altura, havia sa�do do colch�o e ouvia encantada as palavras da mo�a de longas pernas que estava � sua frente.
__P�ra com isso,voc� acha que vai ser f�cil se livrar de mim?Eu vou com voc� pra qualquer lugar.como diz o Toquinho,Hava�,Pequim ou Istambul...S� preciso de tempo...
__Tempo,meu amor � tudo que n�s temos,pretendo ficar com voc� para sempre,a menos que voc� n�o aceite,uma guerreira que as vezes,vai voltar para casa toda "detonada!"
__Vou pensar um minuto � esse respeito,afinal,se voc� pode viver com minhas cicatrizes,eu posso viver com as suas!Antes de viajarmos ,preciso passar na clinica para dar uma olhada no meu rosto...
__N�o tem mais nada em seu rosto,� s� se cuidar,com protetor.Ana Alice foi muito cruel empurrando voc� para cima de mim,justo na hora em que eu estava demonstrando minhas habilidades circense,soprando aquela chama,e o pior, � que disso n�o pode ser acusada,vai ficar como acidente.Se n�o fosse isso,nosso luau teria sido perfeito!Antes da mudan�a,vamos fazer um de despedida?
As duas mo�as olharam-se s�rias por um longo momento,sabiam que um novo tempo estava come�ando para ambas e sem mais se importarem com a escurid�o que invadia o dia,deram aten��o aos desejos mais �ntimos que tomava conta de seus corpos e suas almas e fizeram amor.As m�os se buscavam com cumplicidade,as bocas se descobrindo e reconhecendo sabores por onde passavam,carregadas de desejos,invadindo,tomando,plenas de vontades saciadas.
O amor,f�sico ,carnal,espiritual,entrela�ado em forma de dois corpos,que n�o se cansavam de se buscar e de atingir gozos multiplicados.Amanheceu.
Laila,olhou levemente desolada,para o farol,sentindo um aperto no peito,era hora de dizer adeus aquele que tinha sido por um bom tempo,o seu lar.Diana havia mandado para o sul sua �gua Arco,mas o farol,imposs�vel.Vendo sua namorada aproximar-se,correu em sua dire��o,e de m�os dadas ,seguiram um longo trecho de praia at� o caminho que levava � cidade.O carro que as conduziria at� o aeroporto de Parnamirim,vizinho � Natal,afastou-se rapidamente de Touros.J� distante,Laila viu o farol,recortado contra a claridade daquele dia ensolarado:"Um farol no fim do mundo..."__Olhou sua amante que permanecia calada ao seu lado,beijando-a com desejo e falou:
__Te amo Diane!
__Tamb�m te amo,Laila!__E o caminho se alargou � frente das duas...
RIKKA/[email protected]