Uma vez sempre
Deya
Se voc� gostou me fala,
me escreve e se n�o gostou tamb�m. Pode soltar o verbo, �
assim que a gente melhora! Meu e-mala � [email protected]
Ningu�m disse que seria f�cil chegar naquela cidade sozinha e encarar o mundo. Sem fam�lia, sem amigos, nada parecia ser t�o infeliz quanto a vida de Leo, uma adolescente de 18 anos que procurava se encontrar em meio �quela selva de pedra.
Afinal, n�o � todo dia que uma garota � colocada para fora de casa por suas prefer�ncias sexuais. N�o teve como argumentar, nem com quem conversar. Todos lhe viraram as costas e a colocaram para fora de suas vidas. Mas como podiam fazer isso com uma filha t�o am�vel, inteligente, esfor�ada. Nada disso contava mais, afinal? Provavelmente n�o; o preconceito cega as pessoas.
Mas mudando para um plano mais recente e menos dolorido, Leo acabou encontrando o lugar ideal para morar. Ficava perto da faculdade, que ela havia passado em primeiro lugar no vestibular, e de onde arrumara um emprego de meio hor�rio, que seria para suprir suas necessidades. Claro que apenas isso n�o serviria para viver decentemente, mas havia ainda a heran�a deixada por sua av�, talvez a �nica pessoa que poderia respeit�-la hoje. Parecia que a velha senhora Moira tinha previsto esse desfecho para sua neta. Ao menos ela estivera do lado da jovem, mesmo que por tr�s da cortina.
O mundo agora era s� dela e ningu�m poderia interferir. Ningu�m... At� aquele dia, quando tudo come�ou...
1� Parte.
Leo bateu a campainha tr�s vezes e ouviu quando algu�m veio resmungando dos fundos da casa.
- N�o pode esperar?? J� vai!
��timo�, pensou, �Olha o que eu fui arrumar...�
Alguns minutos depois uma senhora veio abrir a porta. Aparentava ter seus oitenta anos bem vividos, mas parecia guardar muito rancor da vida, como mostravam todas as rugas que tornavam seu rosto fechado e mal-humorado.
- Ah, at� que enfim chegou, menina! J� ia passar sua vaga para outra pessoa. Onde est�o o resto de suas coisas?
- N�o tenho muita coisa, senhora Watts...
- Melhor assim; quanto menos coisas, menos bagun�a. J� basta a confus�o daquela depravada na minha garagem. Se n�o fosse minha bis-neta j� a teria colocado para fora! Venha, venha... Deixe lhe mostrar seu quarto. J� estou atrasada, vou acabar perdendo trem!
- Certo... - Leo entrou ressabiada, olhando para todos os lados analisando a pequena casa - Mas a senhora vai viajar? Quanto tempo?
- Menina mais curiosa, deuses!! Estou voltando para minha cidade para morrer em paz! Ser� que uma velha n�o tem esse direito?
- A senhora n�o vai morrer agora, est� t�o bem...
- Ai, menina, menina... Quem me dera voc� fosse minha neta... Venha, voc� vai ficar com meu quarto. Acho que voc� vai cuidar dele melhor do que aquela pervertida.
Passaram por uma pequena sala e seguiram por um corredor cheio de fotos de uma fam�lia que parecia ter sido esquecida no tempo. Leo notou um rosto triste no meio de todos aqueles. Uma menina de olhos azuis que olhava o nada, que parecia ter um fogo nos olhos, mas n�o queria mostrar. Aparentava seus 17 anos, mas a foto parecia antiga. �Eu poderia te fazer sorrir, menina�, pensou a jovem enquanto seguia a velha senhora.
Com passos arrastados elas chegaram a um quarto grande que mais lembrava um escrit�rio. Cheio de livros empilhados pelos cantos, quadros empoeirados nas paredes e um arm�rio que parecia ser da �poca do descobrimento.
- Sei que est� um pouco sujo, mas uma velha como eu n�o pode, nem consegue mais fazer esse tipo de servi�o.
- Pode deixar que eu dou um jeito, senhora Watts. Mas e todos esses livros; a senhora vai lev�-los?
- Lev�-los? Hahahaha! N�o, minha filha. Para onde eu vou h� espa�o apenas para a minha velhice e eu. Vou do�-los, dar para algu�m. Eles s�o a minha vida, ou pelo menos foram um dia...
A jovem teve de conter as l�grimas ao ouvir a velha se desfazer do que parecia sua �nica riqueza.
- Deixe-me ficar com eles. Prometo que tomo conta!
A velha olhou bem para a jovem, como se a analisasse. Em seguida sorriu.
- Ser� que temos aqui uma barda?
- Barda...?
- Na Gr�cia Antiga os grandes contadores de historias eram conhecidos como bardos. Tinham verdadeira paix�o pelo que liam, pelo que contavam e sempre tinham uma historia nova na ponta da l�ngua.
- Ah! Sou eu mesma! Adoro escrever, contar historias, inventar historias.
- Que os Deuses te conservem, minha filha. - e apontando para os livros sorriu novamente - S�o seus, todos eles. Os que n�o lhe agradarem voc� pode do�-los para alguma escola. Mas fa�a bom uso deles, crian�a.
A senhora abra�ou Leo carinhosamente e saiu. A jovem a seguiu e foram at� a cozinha.
- Aqui tem tudo que voc� precisa. N�o deixe que minha neta a aborre�a. Fique longe dela que ela n�o a incomodar�. - a velha olhou no rel�gio e soltou um grito - Deuses, meu trem! - e virando-se para Leo deu as ultimas instru��es - Cuide-se. N�o deixe a vida passar, n��o deixe de fazer nada na sua vida para se arrepender depois. � melhor se arrepender de ter feito! Hahahahah!
Leo sorriu e apertou a m�o da velha agradecendo os conselhos. N�o sabia porque ela havia dado-os para ela, mas eram bem vindos.
- Pode deixar que eu vou guardar seus conselhos comigo, mas... - ela ficou apreensiva em perguntar - Por que n�o os d� � sua neta?
- Anne? Ela nunca ouviria uma palavra vinda de mim! - ela caminhou at� a sala, onde estavam duas pequenas bolsas com seus pertences para a viagem. Provavelmente j� tinha despachado o resto anteriormente - E n�o deixe que ela a assuste. Ela � t�o fr�gil quanto eu e voc�, acredite.
A senhora Watts pegou suas coisas e foi para a cal�ada. Leo a ajudou com as malas. N�o conhecia nada daquela mulher, mas viu que, com certeza, sentiria sua falta. Estranho isso...
Em poucos minutos passou um t�xi e levou a velha para seu destino; a morte. Ser� que ela dizia isso por ter vivido tudo, ou por que a vida a havia castigado tanto que ela cansara de tudo aquilo? E a tal neta, Anne; onde estaria? Leo ouviu algum barulho nos fundo da casa, onde provavelmente ficava a garagem, mas ser� que era poss�vel algu�m ser t�o insens�vel a ponto de nem despedir de sua pr�pria av�? N�o conhecia Anne, mas j� havia tomado uma certa antipatia da garota. Seria ela a garota da foto? Descobriria mais tarde. Ela entrou e foi para o quarto. Tinha muita coisa para arrumar e as f�rias eram o tempo de que precisaria para colocar sua vida em ordem.
Come�ou pelo arm�rio. Fedia naftalina, teria de dar um jeito nele. Abriu as janelas, acendeu um incenso, ligou o pequeno som que trouxera na mochila. Tocava um blues meloso que ela adorava, achava que combinava com sua melancolia. Achou que precisaria de algumas coisas para limpeza e foi at� a cozinha. Realmente, l� tinha tudo que precisava. Encontrou lustra moveis, panos limpos e materiais de limpeza. Voltando para o quarto, transformou o velho arm�rio centen�rio em novo e quanto ao cheiro, nada que umas bolinhas perfumadas n�o resolvessem.
O mais dif�cil seria o que fazer com os livros. Eles n�o caberiam no arm�rio e a estante estava quebrada. Teria de consert�-la. Mais uma vez encontrou tudo que precisava na cozinha e p�s-se a trabalhar.
Demorou um dia inteiro, mas o quarto ficou habit�vel. Sentou-se � escrivaninha e olhou em volta. Tudo limpo, arrumado, cheiroso... E ela se sentindo um lixo, cansada. Uma chuveirada e uma boa dormida resolveriam tudo. E para seu conforto o banheiro ficava no pr�prio quarto, uma su�te.
Tinha uma pequena banheira que serviria plenamente �s suas necessidades e uma ducha ao lado, rodeada por um box fosco. Tirou a roupa e entrou na banheira, recostando-se na borda. Relaxou, fechou os olhos e cochilou. Teria dormido por horas se n�o fosse interrompida por um barulho estranho vindo do quintal e algu�m xingando alto.
Secou-se e vestiu uma cal�a jeans, camiseta e t�nis. Foi em dire��o � confus�o. Provavelmente a neta, �desnaturada�.
Ao chegar ao quintal, que era bem grande, deparou-se com uma cena interessante. Uma jovem estava deitada embaixo de um velho Mustang preto mexendo em qualquer coisa. Suas roupas estavam bem sujas, mas isso n�o impedia que Leo visse os contornos perfeitos daquele corpo. A jovem suspirou e sorriu. �Oi garota da foto!�, pensou.
- Oi... - falou quase num sussurro.
Uma mulher saiu de debaixo do carro limpando as m�os num pano t�o sujo quanto elas. Seu rosto tamb�m estava sujo, mas era perfeito. N�o como um anjo, n�o. Definitivamente aquela mulher poderia ser qualquer coisa, menos um anjo. E aqueles olhos azuis...
As duas se olharam alguns segundos, pareciam se analisar. Leo n�o sabia como come�ar a conversa. Nem precisou.
- Voc� deve ser a tal menina que minha av� falou. O pagamento � feito todo quinto dia �til. Se for problema para voc� tem que me avisar antes.
- Ah, ta... Humm... Meu nome � Leandra, mas pode me chamar de Leo. Voc� deve ser Anne... Certo?
- Ela j� deve ter feito minha caveira para voc�... - a mulher procurou com os olhos alguma coisa no ch�o e quando achou, abaixou-se para pegar, deitando-se novamente embaixo do carro - N�o posso conversar agora, Leo. Amanh� respondo qualquer duvida sua e...
Naquele instante o macaco que segurava o carro cedeu e o autom�vel bateu de rasp�o na cabe�a de Anne.
Leo, rapidamente, recolocou a pe�a no lugar e ergueu o carro. Em seguida puxou Anne dali e deitou-a em seu colo. Sangrava um pouco e estava inconsciente.
- Hei, acorda... - falou quase num sussurro. O rosto daquela mulher era perfeito, lindo. Os cabelos negros se esparramaram pelo ch�o e aquela imobilidade tempor�ria proporcionou a Leo um de seus melhores momentos naquele dia. Poder ficar ali olhando aquela beldade morena, cuidar dela. Mais uma vez ela estava arrumando confus�o, com certeza.
Poucos minutos depois Anne abriu os olhos e deparou-se com uma imensid�o verde. A express�o de Leo era de preocupa��o. Talvez fosse a primeira pessoa a se preocupar com ela h� anos. Isso a fez sorrir involuntariamente e aquele sorriso era fant�stico.
A mulher se levantou devagar e levou a m�o � testa. Do�a, mas n�o era nada t�o insuport�vel. Ela olhou para o carro e viu que algu�m tinha subido o macaco novamente. Olhou em seguida para Leo e viu as m�os sujas da jovem.
- Humm... Obrigada. Achei que estava bem firme depois que caiu da �ltima vez.
- Tudo bem. Humm... Quanto ao dinheiro, vou te passar o aluguel pela manh�, s� preciso ir ao banco porque...
- Quinto dia �til. N�o precisa ser antes.
- � que sen�o eu gasto... Voc� est� bem? Est� sangrando ainda... Posso dar uma olhada?
- Est� tudo bem...
- N�o vou machuc�-la...
Anne afastou-se de Leo tapando o ferimento com a m�o. De repente tomou uma posi��o agressiva e seu semblante mudou nitidamente. �Durona, hein?!�, pensou Leo.
- N�o � nada. Presta aten��o. Tenho algumas regras aqui: n�o gosto de barulho, zoeira, confus�o, ok? - Leo afirmou que sim com a cabe�a, sem deixar de se preocupar com o corte - Sem namorados para dormir em casa; motel existe para isso. E por �ltimo, a garagem est� fora dos limites por onde voc� pode andar, ok. Ande por a� tudo, fa�a o que quiser dentro das regras, mas n�o venha mais aqui. Fui clara? - Leo, novamente afirmou com a cabe�a, agora um pouco menos preocupada com o ferimento e mais com seu pr�prio ego - Bom. Agora v� cuidar da sua vida que eu tenho mais o que fazer aqui.
Dizendo isso a mulher voltou para debaixo do carro, n�o antes de certificar-se que dessa vez n�o cairia de novo. Leo saiu andando em dire��o a casa e n�o notou que Anne a acompanhou com os olhos at� que sumisse na porta da cozinha.
Aqueles dias foram tranq�ilos. Anne quase n�o ficou em casa e Leo podia desfrutar dos livros deixados pela senhora Watts embaixo de uma pequena �rvore no quintal. N�o contava que justo naquele dia e naquela hora a dona do �mau humor� resolveria voltar.
- Acho que voc� esqueceu as regras...
- Regras? Ah, claro, n�o vir no quintal... Bom, estou longe da sua garagem, nem olhei para ela. Estou apenas lendo e isso n�o vai...
- Vai sim! Se quiser continuar nessa casa � melhor fazer como eu mando!
Anne entrou pela porta da cozinha bufando, parecia que aquela mulher ia explodir. Leo n�o disse mais nenhuma palavra. Juntou suas coisas e foi para seu quarto. O que n�o entendia era como uma pessoa t�o linda podia ser t�o amarga.
N�o dava para ficar ali daquele jeito, n�o com aquela louca de tend�ncias militares dando ordens de como se portar dentro de casa. Estava decidida, iria se aproximar dela, quebrar aquela carapa�a e mostrar que aquela pessoa n�o era feita de gelo. N�o desistiria sem lutar!
Dois meses depois de se mudar para a casa da senhora Watts, tudo o que Leo conseguiu da �Miss Ice Cube� foi um �fa�a menos barulho quando chegar de madrugada!�. Sutil.
Mas numa noite fria e chuvosa Anne chegou em casa e n�o ouviu nenhum barulho. A cozinha estava arrumada, alguma comida descansava no forno ainda quente, mas nem sinal de Leo. A jovem gostava de ficar acordada at� tarde lendo na sala, j� que n�o podia ficar no quintal.
Anne pensou que a jovem pudesse ter ido embora e sentiu uma pontada de tristeza que n�o soube explicar, mas no minuto seguinte ouviu barulho vindo do quarto e tudo sumiu como fuma�a. Pensou em ir direto para seu quarto, mas ouviu uma tosse persistente vinda do quarto de Leo. N�o resistiu e chegou mais perto. A jovem conversava com algu�m ao celular.
- Porque continua me tratando assim? N�o te fiz nada! N�o custa trazer para mim... Sou sua filha, pelos deuses!
No minuto seguinte o celular foi colocado no criado e Leo jogou seu corpo na cama. Parecia cansada. Anne n�o pudera ouvir direito de que se tratava a conversa, mas era com algu�m da fam�lia. Tamb�m n�o podia ver direito de onde estava, ent�o, decidiu entrar e saber se estava tudo bem.
Leo assustou-se ao ver a figura de Anne entrando assim, sem bater, mas n�o tinha for�as para brigar.
- O que eu fiz agora?
Anne chegou um pouco mais perto e notou que a jovem transpirava bastante e mesmo assim tremia de frio.
- Voc� est� bem?
- E isso faria alguma diferen�a?
Anne fechou a cara e saiu do quarto sem mais nenhuma palavra. Leo recostou-se e preferiu que ningu�m a incomodasse mais naquela noite, muito menos aquela mulher.
Por volta das duas da manh� Anne acordou com alguns gemidos. Foi at� o quarto de Leo e a jovem estava delirando de febre.
- Merda, como eu fui deixar...
Pegou um term�metro para ver a quantas andava a febre da jovem, mas n�o precisava medir para ver que estava queimando acima dos 39.8�C.
- Putz! Hei, Leo. Acorde... Acorde!
A jovem n�o respondia. Estava entrando em convuls�o. Anne achou que n�o chegaria a tempo no hospital se Leo entrasse em choque. Correu at� a cozinha, buscou todas as formas de gelo que encontrou e sacos pl�sticos. Colocou os cubos de gelos dentro dos sacos e em seguida tirou toda a roupa de Leo, deixando-a apenas com as pe�as intimas. Nem conseguiu reparar no corpo perfeito da jovem, tamanha era sua preocupa��o.
Colocou o gelo debaixo das axilas e da virilha. Buscou um antit�rmico para tentar diminuir a febre. Tinha que acordar Leo.
- Leo, chega. Acorde, vamos, acorde!
Leo abriu os olhos devagar. Sentia frio, muito frio e a primeira rea��o que teve foi a de se levantar e abra�ar Anne. Delirava.
- N�o quero morrer, Carol. N�o me deixe morrer!
- Calma, Leo. Sou eu, Anne.
A jovem n�o falava coisa com coisa e Anne s� pode abra��-la e sentir o corpo quente da jovem junto ao seu. Aos poucos a agita��o foi baixando e Leo aquietou-se. N�o acordou direito, apenas o suficiente para que Anne a fizesse tomar o antit�rmico.
Duas horas mais tarde a febre tinha baixado e Anne achou que poderia ir embora. Antes de sair olhou para tr�s para certificar-se que a jovem ficaria bem. N�o tinha mais com o que se preocupar. Antes de sair, porem, ouviu Leo sussurrar um �obrigada�, o que a fez sorrir involuntariamente.
N�o fechou a porta, apenas recostou e foi para seu quarto. N�o dormiu naquela noite. De hora em hora ia at� o quarto para ver se a febre n�o havia voltado. L� pelas oito da manh� acabou cochilando na poltrona do quarto de Leo. Estava exausta.
Leo abriu os olhos. Sua cabe�a do�a horrores e seu corpo tamb�m. Perecia que tinha passado uma noite inteira se acabando numa boate. Mas com certeza n�o fora isso que acontecera. Ao olhar para o lado sorriu. Esfregou as m�os nos olhos, pois achou que estivesse sonhando. �O que Anne estava fazendo ali?�, pensou. Tentou se levantar, mas o corpo estava fraco. Sua garganta ainda do�a muito e come�ou a tossir de novo. Tentou abafar para n�o acordar Anne, mas foi em v�o.
- Voc� est� melhor?
- Depende do que voc� considera melhor.... O que aconteceu aqui ontem?
- Humm... Voc� estava entrando em convuls�o e eu... Bem, eu te ajudei... Vou preparar algo para voc� comer. Deve estar se sentindo p�ssima.
- Na verdade estou. Ali�s, acho que ainda estou delirando...
- N�o brinque comigo, ok? Voc� poderia ter morrido ontem. N�o saia da�.
Ela parecia falar s�rio. At� parecia se preocupar.
- �Capaz�!
Leo se levantou e trocou de roupa. Ainda sentia um pouco de frio, mas n�o parecia estar com muita febre.
Foi at� a cozinha para comer alguma coisa e deparou-se com Anne fazendo ovos mexidos e sandu�ches.
- Tem muitas habilidades, senhorita Anne?
- Tenho... Achei que tinha falado para voc� ficar na cama...
- N�o gosto muito de regras, voc� j� notou isso. - disse a jovem sentando-se na pequena mesa no centro da cozinha.
- �... Como est�? - Anne colocou um copo de suco em frentte a Leo - Voc� parecia bom mal ontem.
- Melhor... Obrigada...
As duas se encararam. Aquela era a primeira vez que se olhavam sem inten��o m�tua de se matarem. Analisaram-se e sorriram sem gra�a.
- Sem problemas. Humm... Desculpa, mas acabei ouvindo uma conversa sua ao telefone... Voc� brigou com seus pais?
- �... Mais ou menos isso... Importa se n�o falarmos disso agora?
Anne sacudiu a cabe�a afirmando que n�o e voltou a fazer os ovos. Sentia o olhar de Leo em suas costas, como se a jovem ainda a olhasse esperando que ela dissesse mais alguma coisa. Sem se virar continuou a conversa.
- Tem antit�rmicos no arm�rio do meu banheiro. Pode pegar...
- Obrigada (O que � isso, uma aproxima��o segura?). Voc� passou a noite l� comigo?
- �... Bom, fiquei com medo de voc� sentir mal e... n�o quero confus�o para o meu lado, entende.
- Entendo... - Leo serviu uma colher de ovos mexidos e mais suco - Desculpa te dar trabalho, mas tive que ficar at� mais tarde na faculdade para fazer uma pesquisa na internet. Acabei tomando aquela chuva toda.
Anne arrumava as lou�as na pia e n�o havia se virado ainda para Leo. Quando acabou enxugou as m�os e virou-se finalmente.
- Bom, preciso ir. Tenho uma aula... Quer dizer, tenho mais o que fazer do que ficar batendo papo... - ela tomou um copo de suco e caminhou em dire��o � porta de sa�da. Antes de sair virou-se discretamente e olhou de lado para tr�s - Tem um computador no escrit�rio... Poode usa-lo.
Sem falar mais nada continuou seu caminho. Leo ficou olhando para o espa�o por onde Anne havia passado, como que hipnotizada. �Puxa, dei um baita susto nela!�, pensou.
Acabou de tomar seu caf� e apressou-se a tomar um banho e se arrumar para ir trabalhar. O dono do caf� onde trabalhava era paciente, mas tudo tem seu limite.
2� Parte.
O dia estava escuro, o sol escondido e um vento g�lido castigava o rosto de quem se aventurava nas ruas. Leo, mais uma vez, se juntava aos volunt�rios que cuidava dos desabrigados. Quando n�o estava no caf� trabalhando, ou na faculdade estudando, ela ajudava associa��es filantr�picas. E num dia, quando distribu�a agasalhos num abrigo, viu uma figura conhecida. Sorriu da casualidade e foi na dire��o dela.
- Ser� que estou delirando... De novo?
- Leo? O que faz aqui? - perguntou uma Anne incr�dula.
- Acho que o mesmo que voc�. Mas vindo de voc� isso me assusta. Voc� est� bem?
- Sem ironia, ok? J� estou de sa�da.
- Espere! O que voc� faz aqui?
- S� vim deixar umas blusas.
- Humm... S� isso?
Anne consentiu com a cabe�a. Nesse instante um menino de aproximadamente sete anos puxou a barra da cal�a de Anne.
- Senhorita Hudson... Quando devemos entregar a li��o?
Anne olhou para a pequena figura e respondeu qualquer coisa, sorrindo. Quando se virou para Leo ela tamb�m sorria.
- O que foi?
- S� trazendo agasalhos...? Ok, n�o precisa mentir para mim. N�o vou contar para ningu�m que voc� tem seus deslizes como ser humano. Mas vai ter um pre�o...
Anne levantou uma sobrancelha, como sempre fazia quando estava intrigada com alguma coisa.
- E quanto isso iria me custar?
- Um cappuccino. Hoje, �s 23h, no Petit Gatto Caf�.
As duas se encararam. Mas Anne n�o tinha escolha. Fora pega de surpresa.
- Estarei l�.
Leo acompanhou Anne at� a sa�da com os olhos. Era uma figura extremamente atraente e, pelo visto, n�o era assim t�o m� pessoa. N�o mesmo.
O rel�gio marcava 23 horas em ponto. Anne esperava impaciente, como se n�o gostasse de estar ali a espera de algu�m. Foi quando Leo chegou. Estava linda. Cal�a jeans clara, blusa de gola rol� escura e um sobretudo bege claro por cima. Os olhos pareciam ainda mais verdes e os cabelos estavam atrapalhados por causa do vento. Linda. At� mesmo Anne teve de admitir. Respirou fundo quando sentiu um frio estranho na barriga e tentou n�o demonstrar seu desconforto.
Leo olhou pelo caf� e avistou Anne nos fundos. Sorriu e foi at� ela.
- Est� com medo de que algu�m a veja aqui, senhorita Hudson?
- N�o me chame assim...
- Ah, claro, me desculpe. Apenas seus alunos a chamam assim, n�o � mesmo?
- Andou pesquisando sobre mim?
- Mais ou menos. Fiquei curiosa, s� isso. N�o sabia que era professora... D� aulas de que?
- Dava aulas de matem�tica, n�o dou mais. Estou s� dando uma for�a para aqueles garotos.
- Muito digno de sua parte. E onde lecionava?
- Na Universidade da Carolina do Norte...
- S�rio?! Porque nunca me contou?
- Nunca conversamos...
- � verdade... E uma pena. Voc� n�o me parece t�o m� pessoa agora.
- Agora?
- �... Com todas aquelas regras, sei l�... Me pareceu mais chata do que realmente �.
- Desculpa. � que n�o gosto que mexam nas minhas coisas...
- Que tal se voc� �pedir�, ao inv�s de �mandar�?
- Quem sabe... - Anne acenou para o gar�om e pediu dois cappuccinos - Ent�o... Voc� trabalha aqui?
- �. N�o � grande coisa, mas me ajuda a pagar o aluguel e a comprar o que preciso para a faculdade.
- E como paga sua faculdade?
- N�o pago... Ganhei uma bolsa integral, por causa das minhas notas.
- Quer dizer que voc� gosta de estudar, ent�o...?
- Gosto, muito. - o gar�om trouxe os cappuccinos. Leo tomou um gole e fitou a x�cara na mesa - Sua av� me deu os livros dela... Voc� n�o se importa, n�o �?
Anne tomou um gole do seu cappuccino e olhou Leo. A jovem parecia encabulada e aquela carinha t�mida lembrava a de um anjo. Anne nunca havia olhado para uma mulher da forma que estava olhando para Leo, analisando, prestando aten��o nos detalhes. A dobrinha no nariz quando ela ria, no cabelo caindo na testa e sendo tirado delicadamente. Achou aquilo estranho, mas n�o conseguia parar, n�o queria, esse era o ponto. Estava gostando.
- N�o se preocupe com isso. Fico feliz que ela tenha encontrado algu�m como voc� para ficar com eles. Ela guardava esses livros como rel�quias. Cuide bem deles.
- Vou cuidar. - mais um gole e, agora, a conversa come�ava a se soltar um pouco mais - Mas... Al�m de fazer sua boa a��o da semana, voc� trabalha com o que?
- Sou mec�nica.
- Mec�nica?
- Sim, algum problema?
- N�o, � que... Bom, voc� � formada e tal... Por que n�o d� aulas na faculdade?
- N�o acha meu emprego digno?
- Que mania de distorcer as informa��es, senhorita Hudson!
- E que mania a sua de querer saber mais do que deve, senhorita... humm...
- Di Simoni, Leandra Di Simoni.
- Humm... Italiana.
- Por parte de pai.
Anne tomou mais um gole do seu caf� e olhou as horas. Para quem se encontrava pela primeira vez, j� estavam ali h� quase uma hora. Parecia suficiente. Mas ela n�o queria ir embora. E o dia seguinte era s�bado, n�o teria que levantar cedo, nem Leo. Mas nunca tinha ficado tanto tempo conversando com algu�m que mal conhecia. N�o, tinha que ir embora, tinha que...
- Quer comer alguma coisa? (de onde veio isso?) - perguntou Anne.
O convite pegou Leo de surpresa e ela se engasgou com o caf�. Limpou a boca com as costas da m�o e sorriu. N�o esperava por aquilo.
- Bom... O que voc� sugere?
- Vou te levar no melhor sandu�che da cidade!
- Ok, vamos ver, ent�o.
Pagaram a conta e sa�ram. Na porta, do outro lado da rua estava o velho Mustang estacionado. As duas entraram no carro e o ronco do motor afinado rugiu na noite fria.
Alguns minutos mais tarde Anne parou em frente a uma barraquinha numa pracinha. Havia ainda algumas pessoas ali comendo, conversando, se divertindo.
- Humm... Est� cheio...
- Cheio? Tem meia d�zia de pessoas ali, Anne! Agora fiquei curiosa! N�o vai me fazer ficar com vontade... E meu est�mago j� est� roncando!
Anne sorriu de lado. N�o gostava de ir ao Lino�s Burguer quando tinha muita gente e seis pessoas, para ela, era muita gente. Gostava de ficar sozinha, comer tranq�ila e, no m�ximo, conversar algo com Lino.
- Vamos.
Chegaram perto de um senhor de apar�ncia jovem, sorriso largo, barriga farta. Ria para todos e servia um cachorro-quente extremamente cheiroso quando as duas se aproximaram. Ele sorriu ao ver Anne e achou estranho ela estar acompanhada.
- Minha amiga Anne. Chegou cedo hoje!
- �. Vim trazer... - se perguntou se poderia chamar Leo dee amiga - ... Essa � Leo. Foi ela que minha av� colocou na casa no lugar da Julie.
- Ser� que ela � menos bagunceira que Julie? Hehehe!
- � sim, muito menos... Ent�o, fa�a seu filme! Leo est� com fome.
- � mesmo, minha jovem? Pois vou fazer um especial da casa para voc�. Quero ver se consegue comer. Se conseguir n�o precisa pagar.
- O senhor � quem sabe!
Os tr�s sorriram. Lino p�s-se a fazer o sandu�che, que foi ficando cada vez maior. Agora Leo entendia o porqu� da oferta. Mas aquilo n�o seria problema para ela.
- Aqui est�... Bom apetite.
Leo sentou-se numa mesinha com o mega sandu�che � sua frente e come�ou a comer. Anne ficou perto de Lino conversando qualquer coisa, comendo um simples cachorro-quente e quando olhou novamente para Leo o sandu�che havia sumido, havia apenas farelos no prato. Ela olhou para Lino e sorriu maldosa.
- Dan�ou!
Eles riram. Anne ficou observando enquanto Leo arrumava a bagun�a que havia feito em cima mesa. Assustou-se quando seu olhar cruzou com o da jovem. Virou-se rapidamente para o lado tentando esconder o rosto vermelho de vergonha. Nunca havia sentido vergonha de qualquer coisa. Sempre foi uma mulher forte, sempre teve que se virar sozinha e aprendeu muito com isso. Nada a intimidava, mas aquela jovem...
- Me desculpe pela bagun�a, senhor Lino. Acho que arrumei mais ou menos.
- N�o se preocupe, Leo. Nunca vi uma pessoa t�o pequena comer tanto!
Leo corou. N�o gostava muito que as pessoas falassem da sua altura. Ela tinha outras qualidades mais interessantes. Tudo bem que ao lado de Anne se sentia uma an�, mas tentava ignorar esse fato. Suspirou e sorriu; Lino n�o havia falado por mal.
- Com certeza a altura n�o � uma das minhas qualidades...
- Nem precisa. Com esses olhos e essa simpatia, tamanho n�o quer dizer nada!
Leo sorriu e percebeu que Anne tamb�m sorria, mesmo a outra estando quase de costas. Sentiu-se bem sabendo que Anne a achava simp�tica... Ser� que tamb�m a achava bonita? Ser�... ?
Depois de mais de uma hora de conversa Leo se sentia exausta. Bocejava de minuto em minuto e Anne n�o pode deixar de notar que a jovem queria ir embora.
- Vamos embora. J� est� tarde.
- N�o precisa ir, eu pego um t�xi e...
- Voc� veio comigo, volta comigo.
Leo n�o discutiu. Anne n�o era o tipo de pessoa para se argumentar. Ou as coisas eram do jeito dela, ou eram do jeito dela!
Despediram-se de Lino e entraram no velho Mustang. A volta foi silenciosa. Um sil�ncio incomodo. Leo queria dizer algo, mas n�o sabia o que. E Anne parecia pronta a dizer qualquer coisa, mas as palavras n�o saiam de sua boca.
E assim, minutos depois, chegaram em casa. Anne sentou-se na sala e ligou o som baixinho. Serviu-se de um copo de whisky e sentou-se no sof� macio, fechando os olhos e deliciando-se com a m�sica cl�ssica que sa�a das caixas.
Leo foi para seu quarto. Ouviu a m�sica vindo da sala minutos depois. Era suave e tocava quase num sussurro de t�o baixa que seu ouvia dali onde ela estava. Mesmo assim arriscou um palpite. Bach, ou Bethoven. �Anne tinha bom gosto�, pensou. Colocou seu pijama e um moletom por cima, estava um pouco frio.
Foi pelo corredor at� a porta da sala e ficou ouvindo a melodia. N�o queria atrapalhar o sossego de Anne, que estava com os olhos fechados e acompanhava a m�sica com movimentos discretos da cabe�a. Leo ficou observando-a, analisando. Era linda, realmente uma deusa grega. Os cabelos negros agora descansavam espalhados pelo encosto do sof� e o rosto de express�o t�o s�ria agora estava mais relaxado.
Leo tentou passar desapercebida para a cozinha, mas trope�ou no fio do som e caiu de cara no ch�o, fazendo um tremendo barulho. Levantou-se correndo e levou a m�o ao nariz. As l�grimas escorriam de seus olhos sem ela notar. Anne assustou-se um pouco com o barulho, mas n�o se moveu. Apenas abriu os olhos.
- Voc� est� bem?
- Estou... - Leo tentava esconder o choro.
A jovem saiu em dire��o ao banheiro do corredor, o sangue escorria por seus dedos. Anne n�o se moveu, n�o queria demonstrar tanta preocupa��o. Mas lembrar daqueles olhos cheios de l�grimas...
Bateu � porta do banheiro suavemente.
- Abra, Leo. Deixa eu ver.
- Estou bem.
- Pode ter quebrado e vai ter que ir para o hospital.
Leo abriu a porta. Seus olhos ainda lacrimejavam e o nariz sangrava.
Anne chegou mais perto de Leo e levantou seu rosto com as m�os. Olhou mais de perto. N�o parecia quebrado, estava tudo no lugar ainda.
- Vai ficar inchado, mas n�o est� quebrado. Lave bem e levante a cabe�a para parar de sangrar. Vou buscar gelo. - e antes de sair perguntou - O aconteceu?
- Tropecei no fio... N�o queria te incomodar.
As l�grimas ainda rolavam e Anne n�o pode deixar de sorrir. Leo parecia t�o fr�gil ali, em suas m�os. E olh�-la de perto era t�o interessante, n�o tinha vontade de soltar. Sentia vontade de...
- Ok... - disse soltando o rosto de Leo de repente, sentindo seu rosto corando - Vou... Humm... Na cozinha... Buscar o gelo...
Leo notou que ela parecia sem gra�a e como ficava linda quando isso acontecia. Esqueceu por alguns segundos a dor aguda que sentia no nariz e sorriu. Em seguida fez o que Anne pediu. Lavou bem o nariz e levantou a cabe�a. Foi andando para a sala com a cabe�a para o alto. A dor n�o passava, parecia que come�ava a se espalhar pela cabe�a e pelo pesco�o.
E de t�o distra�da que estava ao caminhar para a sala, n�o viu Anne vindo, tamb�m distra�da. Trombaram-se. Leo olhou para Anne com os olhos enchendo novamente de l�grimas. O nariz come�ara a sangrar novamente.
- Desculpe! N�o te vi! N�o falei para voc� fiar l�?
- �D�o�...
Se a dor n�o estivesse incomodando tanto a situa��o seria hil�ria.
- Meu Deus... Voltou a sangrar. R�pido, vem para o banheiro de novo.
Leo seguiu Anne at� o banheiro, onde lavou novamente o nariz. Anne limpou em volta do rosto com uma toalha. Suas m�os estavam tr�mulas.
- Humm... Deixei o gelo cair no corredor. Venha se deitar no sof� e tentar manter essa cabe�a para cima.
Leo apenas concordou. Estava ficando cansada daquilo tudo. E sua cabe�a agora estava estourando. Seria uma noite terr�vel.
Anne abriu os olhos e sentiu uma pontada de dor no pesco�o. Dormira sentada no sof� com a cabe�a recostada para tr�s. Mas o que mais a impressionou foi o fato de Leo estar com a cabe�a em seu colo. A bolsa de gelo estava ca�da no ch�o e a m�o das duas estavam entrela�adas. Ela sentiu o calor da m�o da jovem, a maciez da pele. O rosto estava um pouco inchado ainda, mas com mais um dia voltaria ao normal.
Passou a m�o livre nos cabelos atrapalhados de Leo. Como eram macios. Sorriu sem entender o porqu� daquela atra��o, mas era isso que sentia pela jovem. Atra��o. Pelo jeito simples, pelos gestos mais simples, pela simpatia, pelo poder de conseguir desarm�-la apenas com um sorriso. E isso era muito novo para Anne, que nunca se envolvera com mulheres antes.
Sentiu seu rosto novamente em chamas quando percebeu que seus olhos encontravam com os de Leo novamente. As duas se olhavam e dessa vez Anne n�o fugiu. N�o conseguiu se soltar daquele la�o. N�o teve outra rea��o, ent�o sorriu, ainda passando a m�o nos cabelos da jovem.
- Como se sente?
- Acho que � seu karma acordar me perguntando isso...
Risos.
- �... Acho que apagamos...
- Acha? Bom, eu tenho certeza. Nunca dormi t�o bem. E voc�?
- Acho que estou sem pesco�o...
- Coitada!!! - Leo se levantou e empurrou Anne, de modo que ficou entre ela e o sof�, nas costas - Deixa eu fazer uma massagem.
- N�o precisa... - Anne mudou de id�ia no momento que sentiu as m�os de Leo em seu pesco�o. Aquilo parecia um sonho. O toque... - Mais para cima, Leo... A�! Ai...
- Nossa, acho que deu um n� aqui... Por que n�o toma um banho de banheira l� no meu quarto?
- Humm... Pode ser. Mas como voc� est�?
- Com um pouco de dor de cabe�a ainda, mas bem melhor que ontem a noite - e a massagem continuava - Acho que vou tomar um analg�sico... QQuer tomar caf�?
- Hum? - Anne estava totalmente distra�da - Caf�? Aah! Caf�, claro.
- Vou preparar alguma coisa para comermos enquanto voc� toma um banho.
- Eu ajudo...
- N�o. Relaxa l� na banheira, sen�o seu pesco�o n�o melhora. - e a jovem levantou-se e foi para a cozinha.
Anne n�o discutiu, pela primeira vez. Levantou, muito a contra gosto, diga-se de passagem, e foi para o quarto de Leo. Ficou impressionada como a jovem havia arrumado tudo ali dentro. Aquilo n�o ficava organizado h� anos. Viu os livros na estante, agora arrumada, o velho ba� recostado na parede todo envernizado, quase novo. O arm�rio brilhava e o cheiro de coisa velha havia sumido. Definitivamente Leo fez muito bem �quele lugar. E o cheiro dela estava em toda parte.
Tentou tirar aqueles pensamentos da cabe�a, apesar de ser muito dif�cil, e foi para o seu banheiro. Uma ducha seria melhor para esfriar aquele fogo dentro dela.
Leo entendia muito bem o que era aquilo que ela estava sentindo. Atra��o, tes�o, talvez paix�o. Anne despertava tudo isso e muito mais quando estava por perto. A simples presen�a era suficiente para deixar o cora��o de Leo aos pulos. Ficava imaginando como seria o corpo de Anne por baixo daquelas roupas que mostravam discretamente suas curvas. Tinha vontade de toc�-la, de beijar aquela boca, mas n�o podia. N�o at� ter certeza de que Anne sentia exatamente o mesmo.
Acabava de preparar o caf� quando Anne entrou na cozinha, alguns minutos depois.
- J�?
- �... Uma ducha r�pida resolveu meu problema. Tomei um analg�sico. Obrigada pela massagem.
- Sem problema. Olha, preparei ovos, suco, caf�, panquecas e uma calda de morango. N�o sei do que voc� gosta...
- Est� �timo. Vamos comer.
As duas sentaram-se � mesa e comeram. As panquecas com a calda de morango estavam divinas e Anne repetiu duas vezes. O caf� tamb�m estava bom. Ficaram ali alguns minutos, o sil�ncio mais uma vez incomodando ambas. Anne se levantou de repente e parou na frente de Leo.
- Quer... Quer dar um passeio? N�o est� chovendo e a manh� parece agrad�vel. Pod�amos ir ao parque na entrada da cidade...
Leo olhou s�ria para Anne. Parecia dif�cil para aquela mulher dizer aquelas coisas, expressar o que sentia. Parecia ter medo. Tinha inveja da for�a que ela mostrava, mas �s vezes sentia pena. Sorriu, enfim, quebrando o clima tenso.
- Claro. Vou tomar um banho. Podemos levar algumas coisas e fazer um pic-nic mais tarde.
- �, podemos.
Leo se levantou e foi para o quarto. Anne a acompanhou como os olhos. �Detesto pic-nics�, pensou.
Uma hora depois estavam no parque. Ficava no outro extremo da cidade e parece que todos tiveram a mesma id�ia: sair de casa e aproveitar o dia de sol. Por isso o parque estava cheio. Varias pessoas estendiam toalhas quadriculadas na grama, outras estavam deitadas pregui�osas, absorvendo aquele calor gostoso, outros liam qualquer coisa encostados em �rvores, ou em almofadas.
Anne olhou tudo aquilo e suspirou.
- N�o consegue disfar�ar, n�o �?
- H�n? O que?
- Que voc� n�o gosta desse tipo de programa.
- Claro que gosto...
- N�o, n�o gosta. Por que quis vir aqui?
- Porque achei que voc� gostaria...
- Eu? �, eu gosto, mas voc� vai fazer algo que n�o gosta s� para me agradar?
- Hum... Bem... � bom sair da toca de vez em quando...
Leo aproximou-se de Anne.
- N�o precisa fazer isso se n�o quiser, Anny...
Anne sorriu. H� muito tempo n�o a chamavam assim.
- N�o se preocupe. Se eu estiver me divertindo muito voc� me amarra em alguma �rvore!
As duas riram e sa�ram a procura de um bom lugar para estender a toalha. Acharam uma sombra embaixo de uma �rvore pequena, onde as ra�zes eram profundas e n�o faziam eleva��es na grama. Estenderam a toalha ali e sentaram-se.
- Quer cappuccino?
- Voc� fez cappuccino? - perguntou Leo incr�dula./p>
- Fiz, por que?
- Nada... Quero sim, por favor.
Anne serviu uma caneca do caf� ainda quente para Leo e para si. Estava realmente bom.
- Me conte mais de voc�, Leo. - Anne viu a cara de espanto de Leo e tentou concertar - N�o quero ser indiscreta, desculpe...
- N�o tem problema... - Leo deu mais uma golada no caf� e resspirou fundo - Briguei com a minha fam�lia, quer dizer, eles brigaram comigo. A� sa� de casa. Claro, se eu n�o tivesse ganhado a bolsa nessa faculdade daqui e a heran�a de minha av�, n�o sei o que faria.
- Posso te perguntar por que voc� saiu de casa?
- Pode... Bom, resumindo, foi porque as pessoas daquela casa n�o me respeitavam mais. Quando acaba o respeito � o fim para mim. N�o deu mais.
- Nossa. Mas voc� n�o foi um pouco radical?
- Fui, mas precisava fazer isso.
Leo olhou � sua volta. Todas aquelas crian�as brincando, se divertindo. Sentia falta dos pais, dos irm�os. A irm� mais velha, L�via, aceitou com relut�ncia a op��o sexual de Leo, mas com o casal de g�meos mais novos n�o teve a mesma sorte. Leonardo e Larissa mostraram nojo, avers�o e pediram que nunca mais se falassem na vida. Aquilo foi um choque, mas poderia ser arranjado, claro.
Sacudiu a cabe�a para se desfazer daqueles pensamentos e sorveu mais um gole do delicioso cappuccino.
- O que quer fazer agora?
- N�o sei... Ler um livro, eu acho... O sol est� um pouco forte para sair andando...
Leo viu a cara de felicidade de Anne por n�o obrig�-la a sair no meio daquele monte de gente.
-... E voc� morreria se algu�m esbarrasse em voc�, ou algo do tipo!
- Engra�adinha...
- Por que n�o aproveita e tira um cochilo? Quando sentir fome te chamo para a gente comer alguma coisa.
Anne concordou. Estava mesmo cansada. N�o havia dormido muito bem, mas n�o falara com Leo para n�o chate�-la. Procurou algum lugar para se encostar, mas n�o encontrou.
- O que foi? - quis saber Leo notando o desconforto de Anne.
- Esqueci de trazer algo para encostar e essa �rvore parece n�o ter ra�zes! Que merda...
Leo estava recostada numa �rvore. Sorriu apontando seu colo.
- Pode se deitar aqui enquanto leio.
Sem receio, Anne deitou a cabe�a no colo de Leo. Esticou as pernas e por um instante esqueceu que seu pesco�o estava lhe matando de dor. N�o demorou muito at� sentir seus olhos pesados. Dormiu.
Leo tentava ler, mas aquela mulher deitada em sua perna estava tirando sua concentra��o. Colocou o livro de lado e passou a m�o nos cabelos de Anne. sentiu um arrepio na nuca, um frio na barriga, coisas passaram por sua cabe�a. Queria deitar-se ali do lado daquela mulher, abra��-la, beij�-la, fazer amor com ela... �Como seria fazer amor com Anne?�, pensou.
N�o estava ag�entando mais. Aquilo tudo parecia uma grande tortura. N�o poder dizer o que sentia por medo. Precisa descobrir se Anne tinha algu�m e se os sinais que ela via eram verdadeiros, que a mulher tamb�m estava atra�da por ela tamb�m. N�o demoraria a descobrir, prometeu a si mesma.
Ficou ali mexendo nos cabelos de Anne at� que tamb�m cochilou recostada na �rvore.
Anne abriu os olhos, seu pesco�o parecia pior. Sentiu um peso sobre seu peito. Leo repousava a m�o sobre ele e dormia tranq�ila. Ela chegou a uma conclus�o: precisava saber se Leo tinha algu�m, se tinha um namorado... Ou uma namorada. J� havia notado os olhares, o carinho, mas achava que era coisa da sua cabe�a, afinal, nunca se apaixonara por uma mulher antes.
Fechou novamente os olhos e espregui�ou, fazendo com que Leo acordasse e tirasse a m�o de seu peito, evitando mais uma situa��o constrangedora.
- Nossa, dormi. Desculpa.
- N�o tem problema. Vamos comer algo... Ou prefere comer em casa? Sei fazer um macarr�o napolitano muito bom.
- Ai... Assim voc� me pega pelo est�mago... Hei! Voc� est� fugindo do nosso pic-nic!
- Humm... Voc� notou?
- Voc� n�o consegue mesmo ser discreta... - Leo levantou-se e estendeu a m�o para ajudar Anne a se erguer - Vamos. Quero s� ver esse macarr�o como �!
Elas se levantaram e foram para casa.
- Nossa, realmente voc� teve a manha! Ficou divino!
- Morar sozinha tem suas vantagens...
- Mas e sua av�? Ela n�o cozinhava? Voc�s n�o se davam bem, n�o �?
- �... Ela n�o batia muito comigo porque me achava parecida demais com minha m�e. E ela n�o gostava da minha m�e...
- Ela era m�e do seu pai, ent�o?
- Sim...
- Acho que voc�s n�o se deram oportunidade para se entenderem. A senhora Watts n�o me pareceu assim t�o m�.
- Isso porque voc� n�o convivia com ela!
As duas riram. Tomavam j� uma segunda garrafa de vinho e Leo n�o conseguia evitar de olhar para Anne. Quando os olhos se encontraram ela corou e desviou o olhar, finalmente.
- Humm, bom... Voc� n�o pensa em retomar as aulas? Digo, voltar a lecionar?
- N�o.
- Mas por que n�o?
- Voc� � muito curiosa, Leo!
- E voc� � muito fechada! Devia se abrir mais, conversar. N�o mordo, n�o ofere�o perigo, ainda mais tonta como estou...
- Cuide da sua vida e deixe que eu cuido da minha, ok?
- N�o precisa ser grosseira! S� queria conversar...
Leo levantou-se e andou em dire��o ao quarto. Antes de sumir no corredor ainda virou-se para tr�s e encontrou os olhos tristes de Anne a observ�-la.
- Obrigada pelo jantar...
Segundos depois a porta do quarto bateu com for�a. Anne se sentiu p�ssima, mas n�o podia fazer mais nada.
- Merda! Mas por que ela tinha que se intrometer na minha vida?! N�o � da conta dela, nem de ningu�m... Merda! Merda! Merda!
Anne sorveu o �ltimo gole de vinho e foi se deitar. Do seu quarto pode ouvir a m�sica triste que vinha do quarto de Leo.
�Like the desert
Waiting
for the rain
Like a school kid
Waiting for the spring
I'm just sittin'
here
Waiting for you
To come on home
And turn me on ��
Teve vontade de se levantar e ir at� l� para pedir desculpas, mas ela nunca tinha feito isso. Nunca tinha pedido desculpas para algu�m que tivesse magoado... Na verdade, nunca se importou de magoar algu�m.
Sentou-se na cama inquieta. Seus p�s pareciam for��-la a se levantar, seus m�sculos come�avam a doer devido � tens�o. Aquilo a estava irritando profundamente.
- Que merda � essa...?
Levantou-se e caminhou na dire��o do quarto de Leo. Suas m�os suavam, seu cora��o estava a mil. Sentia-se uma adolescente, mais uma vez e isso a fez lembrar do passado. Um passado escondido de todos, onde uma professora jovem e respeitada no meio acad�mico acabou se envolvendo com um aluno e colocado tudo a perder em sua vida.
Ela parou � porta do quarto e continuou ouvindo a m�sica.
��My hi-fi is waiting
for a new tune
My glass is waiting for some fresh ice-cubes
I'm just
sittin' here
Waiting for you
To come on home
And turn me on
Turn me on�
Sentia-se tentada a abrir a porta e pedir desculpas, de deitar-se ali com Leo, de beij�-la�
- O que foi?
Leo abriu a porta t�o r�pido que Anne n�o teve tempo de disfar�ar. Corou levemente e respirou fundo para tentar sair daquela situa��o.
- Ʌ Hummm� Bom, vim pedir desculpa por ter te tratado mal�
Leo encarou-a. N�o, n�o era s� isso, dava para ver nos olhos dela que n�o.
- Certo.
- S� isso? �Certo�?
- Quer um pr�mio por descer do seu pedestal e vir se desculpar? Sinto muito, Anne, n�o vou fazer isso.
Anne corou novamente, agora de raiva. N�o acreditava que tinha ido at� ali se desculpar e, talvez� N�o, aquilo tudo era rid�culo demais.
- Ok.
Vou as costas para Leo e voltou para o seu quarto, de se ouviu uma porta fechando violentamente.
- Idiota! Insens�vel! - Leo andava pelo quarto em c�rculos - Como ela pode ser t�o est�pida e n�o ver que eu gosto dela, que s� quero conversar! Que mulher mais burra!
Em seu quarto Anne dava socos violentos na parede. Parou quando viu sangue escorrendo de suas m�os.
- Sou uma est�pida, mesmo. E eu achando que ela queria algo comigo� Onde fui arrumar isso? Merda!! - mais um soco na parede fez salpicar ssangue pelo ch�o - � isso que eu levo por me envolver com os outros, com estranhos! Chega, para mim chega! - mais um soco, mais sangue no ch�o.
Com as m�os inchadas e doloridas Anne sentou-se no ch�o e sentiu uma l�grima descer por seu rosto. Ela enxugou-a e pegou uma faixa na gaveta do arm�rio, enrolando as m�os machucadas. Em seguida pegou sua jaqueta e as chaves do carro.
Caminhou apressada em dire��o ao quarto de Leo decidida a resolver aquela situa��o, decidida a por um ponto final naquilo tudo. Dizer que estava apaixonada, que queria aquela boca, aquele corpo, mesmo sem entender porque.
Abriu bruscamente a porta do quarto, Leo estava deitada lendo. A indiferen�a da jovem com a situa��o deixou-a mais irritada com aquilo tudo. Sentiu o sangue ferver, sentiu raiva, uma raiva que ela sabia que quando surgia n�o podia controlar. Tentou ainda dar meia volta, mas Leo a interrompeu.
- Veio se desculpar novamente, senhorita Hudson?
- Voc� � muito prepotente, garota. N�o, n�o vim me desculpar. Vim pedir para voc� sair da minha casa amanh�, ou o mais breve poss�vel.
- Pode deixar.
Leo falou aquilo de impulso. Na verdade apavorou-se tanto que n�o teve outra resposta para dar. Minutos depois ouviu o motor do Mustang roncando pela rua e desaparecendo aos poucos.
Anne acordou tarde. Sua cabe�a do�a e rodava. Sentiu cheiro de v�mito na roupa e no quarto. Olhou a sua volta, pelo menos n�o tinha nada no ch�o. Sentou-se na cama e sentiu o mundo rodar. Tinha tomado o maior porre de sua vida, provavelmente. Nunca bebera tanto... Nunca bebera por causa de uma mulher. Aquela situa��o estava ficando cada vez mais pat�tica.
Foi at� o banheiro, tomou um demorado banho e escovou os dentes. Quando voltou para o quarto sentiu-se melhor. Abriu as janelas para que entrasse um pouco de ar puro. Lembrou-se que tinha que terminar um carro para dali a dois dias e n�o tinha feito muita coisa. Passou a m�o no rosto cansado e fitou o vazio.
Foi at� a cozinha comer alguma coisa, sentia o est�mago colado nas costas, al�m da secura na boca.
Fez algumas torradas, suco e pegou uma gel�ia na geladeira. Naquele hor�rio Leo j� devia ter sa�do para trabalhar e n�o teria problema de encontr�-la zanzando pela casa. Tinha que pedir desculpas novamente. Como � que as coisas mudaram de rumo ao ponto dela mandar a jovem embora?
- Essa menina est� virando minha cabe�a do avesso!
Comeu at� se fartar e foi verificar se Leo realmente j� havia sa�do. Para sua surpresa sim, ela havia sa�do. Para sua tristeza, definitivamente.
O quarto estava vazio e arrumado. Os livros estavam colocados em ordem na estante, com exce��o, talvez, de um ou dois. As janelas fechadas, o banheiro limpo e nada em cima da pia, ou nos arm�rios. As roupas de cama dobradas e empilhadas em cima da cama. E em cima do travesseiro algumas notas com um recado:
�O dinheiro do aluguel est� a�. Qualquer coisa que precisar, estarei no caf�.
Leo�.
- N�o acredito�
3� Parte.
Leo estava servindo alguns estudantes, pareciam ser seus colegas, devido a sua descontra��o com eles. J� havia sa�do da casa de Anne h� alguns dias, mas arrumar um lugar para ficar era outro assunto. Pelo pre�o que ela pagava n�o conseguiria nada perto da cafeteria, ou da faculdade. O dono do lugar acabou deixando que Leo dormisse nos fundo do estabelecimento at� arrumar um lugar para ficar, mas era pequeno, desconfort�vel e empoeirado. �Ser� que ag�entar as grosserias da senhorita Hudson n�o era melhor?�, se questionava desde ent�o. E o pior de tudo foi n�o ver mais o rosto de Anne todos os dias. Com a dist�ncia teve certeza, estava apaixonada por aquela mulher.
Estava dormindo mal nos �ltimos dias e isso a fez pensar que, quando viu Anne entrando pela porta, aquilo fosse uma miragem. Mas quando a outra veio em sua dire��o teve certeza de que era bem real.
- Podemos conversar?
- Estou trabalhando.
- Eu espero.
- Vou demorar. Voc� n�o tem que trabalhar tamb�m?
- N�o importa, eu espero.
Anne sentou-se na mesma mesa que sentaram muitos dias atr�s e tiveram uma conversa agrad�vel, como h� muito tempo ela n�o tinha com algu�m desconhecido. Pediu um cappuccino e ficou ali observando Leo servir os clientes, tentando n�o demonstrar que n�o tirava os olhos da jovem. Reparou que v�rias vezes ela chegava perto de uma mesa onde uma turma conversava animada. Seus anos de professora lhe diziam que eram estudantes, provavelmente amigos de Leo. Tentou se distrair com uma revista para o tempo passar mais r�pido. Mas o rel�gio pareceu parar e aquela espera, eterna.
Na mesa mais adiante algu�m chamou Leo.
- O que foi Sonia?
- N�o sei se � viagem minha, mas aquela mulher est� te seguindo com os olhos desde que chegou.
- Ah� � a Anne.
- Anne? Aquilo tudo � a Anne? Putamerda!
- Pois � Ela disse que quer conversar. Imagino que veio pedir desculpa mais uma vez, mas duvido que me pe�a para voltar.
- Relaxa. Acho que ela gosta de voc�. Ningu�m fica assim se n�o for paix�o� Ou �dio, claro.
- Acho que ela n�o me odeia, sei l� Vou esperar. De qualquer forma avisa o pessoal que n�o sei se vou � festa hoje a noite. Dependendo do teor da conversa vou dormir.
- Ai, Leo. Nem vem. N�o vai deixar ela te fazer ficar assim, vai?
- N�o� N�o sei.
Leo se afastou e foi atender outras mesas. Anne mais uma vez a seguiu com os olhos, sem mover um m�sculo.
Duas horas depois�
- Pronto. Agora vou encarar a fera. - falou Leo � amiga que se preparava para sair.
- N�o fala assim. Aposto que ela n�o � fera nada!
- Humm... Depois te conto o que aconteceu.
- Vou esperar ansiosa, viu?
Sonia n�o chegava a ser uma graaaande amiga, mas sabia da op��o sexual de Leo e aceitava tranq�ilamente. N�o conseguia entender porque isso era motivo de tanto alvoro�o. Desde que Leo entrara na faculdade ela tinha ficado do seu lado, mas ainda assim n�o podia cham�-la de melhor amiga.
Despediu-se dos demais colegas e acenou para Anne esperar mais uns segundos. Em seguida sumiu por uma porta atr�s do balc�o e voltou minutos depois de roupa trocada. Foi na dire��o de Anne e suspirou fundo quando sentou � mesa. Queria ouvir tanta coisa ali, naquela noite, e tinha tanto medo de ouvir outras.
Pediu a outro gar�om que lhes trouxesse dois chops e quase tomou o seu de uma s� vez.
- Pronto. - limpou uma gota que escorreu pelo queixo - Agora sou toda sua.
- Toda... Minha..?
Ambas coraram. J� era hora de pararem com aquela idiotice. Algu�m tinha que por um ponto final. Anne tomou f�lego, mas sua voz parecia sumir para dentro.
- Gosto de voc�, Leo...
A frase saiu como um sussurro. Mesmo assim Leo fingiu que n�o ouviu, erguendo as sobrancelhas.
- O que voc� disse?
- Voc� me ouviu...
- N�o, n�o ouvi... Voc� sussurrou.
Anne tomou um gole de seu chopp e olhou Leo nos olhos.
- Quer que eu me humilhe? � isso?
- N�o, quero que fale alto para eu ouvir.
- Voc� me ouviu!
- Nem voc� se ouviu dizendo isso, Anny! Pelos Deuses, de que tem medo? De mim? Do que sente? Ou do fato de eu ser uma mulher?
A cafeteria j� esvaziara �quela hora, mas um ou outro cliente que ainda esvaziava suas x�caras percebeu a tens�o entre as duas. Foi como se dissessem que �o bar estava fechando�. De repente todos se levantaram, pagaram suas contas e foram embora. E o lugar agora se encontrava quase deserto, a n�o ser pelo gerente e os gar�ons, que olhavam a cena intrigados.
- Qual o problema, Anny...?
Anne sentia seu sangue ferver. Tinha vontade de voar no pesco�o daquela jovem, mas a d�vida entre estrangul�-la e beij�-la a estava sufocando. Queria dizer mil coisas, conversar mil coisas, mas n�o sabia como. Dera um primeiro passo t�o dif�cil e, simplesmente, n�o sabia como continuar. Sempre soube se cuidar, sempre soube se virar, mas naquela ocasi�o era t�o diferente. E saber que outras pessoas as observavam n�o a deixava mais tranq�ila. Mesmo assim n�o tirou os olhos da jovem.
Leo olhava Anne nos olhos, n�o podia perd�-la de vista naquele momento, sen�o, tudo se perderia. N�o podia deix�-la sair e simplesmente e embora. N�o podia... Mas deixou.
Anne se levantou, colocou o dinheiro da conta em cima da mesa e saiu. Era o fim.
Leo saiu correndo atr�s de Anne e a viu entrando no velho Mustang. Chamou, gritou, pediu. Ela n�o ouviu, ou fingiu que n�o ouviu. O motor roncou na noite e as l�grimas desceram no rosto de Leo. O que ela n�o sabia � que Anne tamb�m chorava h� alguns metros dali dentro de seu carro.
Dois meses mais tarde e Leo teve not�cias de que Anne havia viajado, n�o sabia para onde. Voltou �quela casa algumas vezes, mas n�o encontrou ningu�m. Parecia deserta com a exce��o do velho Mustang parado na garagem. Achou estranho, j� que Anne n�o deixava aquele carro por nada. Ningu�m, nenhum vizinho sabia dizer para onde ela tinha ido. Mas sabia que j� tinha mais de duas semanas que ela havia sa�do.
Decidiu esperar. N�o tinha muito que fazer mesmo. As provas estavam chegando e aproveitou o pouco tempo que tinha para estudar, tentando tirar a morena de p�lidos olhos azuis de sua cabe�a. Isso era, talvez, mais dif�cil que resolver um problema de f�sica qu�ntica, mas tinha que tentar.
As provas vieram, os trabalhos finais e, finalmente, mais um semestre acabou. Leo se sentia esgotada. Ao final do �ltimo dia voltou para a cafeteria e pediu ao gerente que a liberasse s� naquela noite. Sua fisionomia devia estar t�o deprimente que ele nem discutiu. Ela foi para os fundos do estabelecimento, onde ainda estava ficando, e se jogou na cama do jeito que estava. N�o queria ver ningu�m, ouvir nada, sentir nada. Queria dormir e tentar acordar nova no dia seguinte. Mas n�o queria sonhar. Em seus sonhos via Anne chegando por tr�s e a envolvendo num abra�o forte, beijando-a em seguida. In�meras vezes acordou chorando sozinha naquele pequeno quarto, sem ter ningu�m para conversar. Sentia falta da companhia de Anne, mesmo que tivesse passado t�o poucos momentos ao seu lado. Mas esses momentos foram especiais, como quando a teve em seus bra�os pela primeira vez no dia em que chegou, ou quando se machucou e a outra cuidou dela pacientemente.
Fechou os olhos e n�o pode evitar que as l�grimas fugissem rebeldes de seus olhos. N�o sairia nunca mais daquele quarto, ficaria ali eternamente at� secar, at� morrer. Talvez conseguisse ficar pelo menos at� o dia seguinte se o celular n�o tivesse tocado.
Olhou o n�mero, n�o reconheceu. Mas o prefixo n�o lhe era estranho.
- Al�... - disse sonolenta.
- Senhorita Di Simoni? A senhora pediu para ligar se ela voltasse... Achei que estava um pouco tarde, mas a senhora disse que n�o importava a hora...
Leo deu um pulo na cama e acendeu as luzes. Reconheceu a voz. Era do vizinho de Anne.
- Senhor Walter? N�o tem problema! Ela chegou agora?
- Sim, acabou de chegar, mas pegou aquele ferro velho dela e saiu de novo. Mas deixou as malas na varanda.
Leo agradeceu carinhosamente e desligou. Sua cabe�a do�a um pouco, mas nada a seguraria ali naquele momento. Tinha que falar, tinha que resolver de uma vez. Se n�o falasse o que estava sentindo acabaria se consumindo em sua pr�pria agonia.
Trocou de roupa r�pido e saiu pela porta dos fundos, que dava num pequeno jardim atr�s da cafeteria onde ningu�m a notou. Correu o mais que pode. Nem pensou em pegar um �nibus. Cortou caminho por ruelas e avenidas escuras. Esqueceu-se totalmente do perigo, precisa ver Anne urgente.
Meia hora mais tarde chegou � casa de Anne. Ela parecia n�o ter voltado ainda. Bateu � porta, chamou. Os vizinhos mandaram que ela se calasse; ela se calou. N�o gostava de esc�ndalos. Anne voltaria uma hora, com certeza, e ela ficaria ali esperando.
Anne olhou o rel�gio, duas da manh�. Estava cansada, precisava dormir um pouco. Os �ltimos dias haviam sido terr�veis e talvez algumas horas de sono ininterrupto a fizesse esquecer um pouco a dor. Mas o fato de n�o existir mais uma senhora Watts a perturbava de todas as maneiras. Achava que tinha sido negligente, que devia ter cuidado mais da av�, que devia ter feito um milh�o de coisas. Agora se sentia sozinha, totalmente sozinha, como nunca pensou que se sentiria. Perdera a �ltima pessoa da fam�lia que se importava com ela, afinal, a senhora Watts deixou a casa para a �nica neta que conhecera, apesar de todos os desentendimentos. E pior, tamb�m perdera Leo. N�o a procurara, n�o a avisara de nada. Talvez ela pudesse estar ali agora, talvez as coisas tivessem sido diferentes, suportar a dor seria mais f�cil... Talvez.
Desceu do carro e fechou a velha garagem. Procurou a chave do quintal e n�o encontrou. Provavelmente caiu no carro, mas n�o tinha �nimo para procurar. Dirigiu-se � porta da frente sonolenta e desanimada. E depois de muitos dias um sorriso brotou em seu rosto. Recostada no banco da varanda estava Leo, adormecida. Parecia um sono profundo e desconfort�vel, mas aparentemente inabal�vel. Pensou em ficar olhando a jovem em seu sono tranq�ilo, mas o frio e o cansa�o a fizeram perceber que n�o ag�entaria ficar ali muito tempo.
Chegou perto de Leo e a pegou no colo. A jovem acordou, por�m, sem sobressaltos.
- Est� frio aqui fora, vamos entrar.
Leo concordou com um sorriso sonolento e aconchegou-se nos bra�os de Anne. Aquilo parecia um sonho e n�o queria acordar.
4� Parte.
Leo sentiu que algu�m a envolvia. Abriu os olhos devagar e notou que estava aconchegada nos bra�os de Anne, ambas deitadas no sof� cobertas por uma manta. Se fizera frio � noite n�o se lembrava, mas estava quente naquele momento.
N�o fez men��o de sair. N�o se mexeu. N�o queria acordar Anne e acabar com aquele momento, aquele sonho. Acariciou o bra�o da outra suavemente e viu a pele se arrepiar. Sorriu. Ela estava acordada. �Bom dia...�, falou uma voz sonolenta atr�s dela. Sentiu que Anne ia se levantar e apertou os bra�os da mulher contra seu corpo.
- N�o... Fique.
Anne n�o se esfor�ou para tentar sair dali, n�o queria. Chegou exausta na noite anterior, mas n�o dormiu assim que deitou Leo no sof�. Queria estar ali com ela, deitar ao seu lado, abra��-la. E o fez. E quando o cansa�o tomou conta de seu corpo, finalmente, ela se entregou a um sono sem sonhos. Mas o sonho j� havia se tornado realidade. Ficou ali a noite toda e s� acordara agora, onze da manh�.
- Acho que dormimos demais... - Leo falou baixo.
- �... - (incr�vel como as palavras resolvem desaparecer nas horas mais absurdas!), pensou Anne - Humm... Dormiu bem?
- Como um anjo... - e, se levantando delicadamente, Leo se virou de frente para Anne - Queria te ver. Acho que algumas coisas ficaram mal explicadas naquela noite e...
N�o teve tempo de continuar. Um beijo a interrompeu. Um beijo suave, por�m quente. Um beijo de sonhos, de noites sem dormir, de dias de espera absoluta.
Os l�bios se separaram, ambas se olharam. Sorriam sem querer. Anne passou a m�o nos cabelos de Leo e parou uma delas em seu rosto.
- Como precisei de voc� aqui comigo...
- Por que n�o me chamou? Eu viria voando!
- Tive medo...
- Medo, Anny? De mim?
- De perder a �ltima pessoa que me restou...
Leo viu os olhos tristes de Anne. Agora estava reparando nas olheiras profundas que a mulher carregava no rosto. Sentiu um aperto no cora��o e n�o precisou ser dito mais nada para ela saber o que tinha acontecido.
- Quando foi?
- H� duas semanas. Fiquei por l� para cuidar das coisas dela e resolver outras com advogados. Ela deixou a casa para mim, Leo... Depois do jeito que a tratei...
- Mas ela sabia que voc� a amava, Anny. N�o fique assim. - Leo abra�ou Anne forte e sentiu a tens�o da outra ao conter o choro - N�o sinta vergonha de chorar perto de mim.
- N�o sinto... Sinto vergonha de mim.
- Isso n�o vai adiantar. - Leo se levantou puxando Anne pela m�oo - Tome um banho que vou preparar alguma coisa para voc� comer. Como voc� emagreceu! E essas olheiras... Me deixa cuidar de voc� um pouco?
Anne sorriu e foi para o chuveiro. N�o demorou mais que dez minutos. N�o queria perder Leo de vista mais uma vez, nem por um segundo.
- Por que foi embora?
- Porque voc� mandou.
- N�o falei s�rio!
- �... Imaginei, mas tamb�m tenho orgulho, Anny, assim como voc�... Um orgulho besta que nos afastou esse tempo todo. Tive que jogar ele para o alto porque, simplesmente n�o ag�entava mais ficar sem te ver e...
- Estou apaixonada por voc�, Leo.
Leo sorriu. Era isso que queria ter ouvido naquela noite em que Anne foi embora. S� isso.
- Repete...
Anne sorriu e chegou mais perto de Leo, envolvendo-a num abra�o carinhoso e quente.
- Estou apaixonada por voc�. N�o sei como aconteceu, mas percebi que longe de voc� falta alguma coisa. Preciso de voc�...
Leo abra�ou Anne e beijou-a entre l�grimas. As m�os percorriam o corpo firme de curvas perfeitas. Podia sentir os m�sculos rijos por baixo da roupa e viu quando os pelos da nuca de Anne se arrepiaram. O beijo se tornou mais quente, s� aquele contato j� n�o era suficiente. Elas queriam mais.
- Vem comigo. - falou Anne num sussurro. Leo obedeceu e as duas foram em dire��o ao quarto de Anne aos beijos.
No quarto Anne empurrou a mala que estava em cima da cama para o ch�o, algumas roupas tamb�m, e deitou Leo delicadamente. Come�ou a despi-la imaginando como seria aquele corpo nu. J� estivera cara a cara com aquelas curvas, mas devido �s circunst�ncias n�o dera aten��o. Como podia ter feito isso!?
Anne tirou sem pressa a roupa da jovem, observando cada detalhe daquele corpo, cada express�o naquele olhar. Leo sorria e tentava deixar Anne � vontade com a situa��o. Sentia as m�os tr�mulas da mulher � sua frente e isso a excitava ainda mais.
Leo puxou a camisa de Anne, retirando-a com certo esfor�o e deparou-se com o abd�men forte e os seios firmes daquela mulher. Acariciou-os e ouviu um suspiro de prazer vindo de Anne. Sorriu.
- Faz amor comigo, Anne.
Anne sorriu e beijou Leo com vontade. N�o sabia ao certo o que fazer, mas queria, muito. Desfez-se, ent�o, do restante da sua roupa ficando tamb�m nua em cima de Leo. Sentia aquela pele quente ro�ando a sua. Sentiu um frio estranho na barriga e um arrepio agudo percorreu seu corpo. A sensa��o n�o era nova, mas naquela ocasi�o parecia totalmente diferente. Acariciou os seios da jovem em suas m�os e, em seguida, baixou o corpo para apanhar aqueles l�bios nos seus num beijo apaixonado. Enquanto beijava, percorreu o corpo de Leo com uma das m�os procurando algo instintivamente. Chegou ao meio das pernas da jovem e sentiu a umidade quente. E s� de ver a rea��o de Leo ao encostar naquele ponto, percebeu que estava fazendo a coisa certa.
Leo se mexia embaixo de Anne esperando que a mulher conclu�sse o que tanto desejava. N�o demorou muito at� sentir-se sendo penetrada delicadamente por Anne. Soltou um gemido contido de prazer e agarrou-se �s costas de Anne. Os movimentos de ambas pareciam sincronizados, os corpos se encaixavam perfeitamente. Anne mexia dentro de Leo num vai e vem delicado que foi aos poucos aumentando seu ritmo, tornando aquela dan�a mais forte e sensual. Beijou a jovem nos l�bios mais uma vez e sentiu em sua m�o o orgasmo forte apertando-a. Sorriu. L�grimas sa�ram de seus olhos. Nunca pensou que pudesse ser t�o bom sentir o prazer vindo de outra mulher.
Saiu lentamente de Leo com suavidade, sentindo pequenos espasmos apertarem seus dedos. Sentia o cheiro da jovem no ar e gostou daquilo. Deitou-se ao lado dela na cama e puxou-a para deitar-se recostada em seu peito. Sorriu e suspirou alto.
- O que foi? - quis saber a jovem.
- � que... Nunca me senti assim antes, sabe? Completa.
- Voc� ainda n�o est� completa...
Dizendo isso Leo rolou seu corpo para cima de Anne e come�ou a beij�-la com furor. Seu cora��o estava a mil, sentia alguns m�sculos retesando de tes�o. N�o queria machucar Anne, mas queria estar dentro dela com urg�ncia. Necessitava daquele corpo a dias.
- Eu quero voc�, Anne...
- Voc� me tem agora.... E sempre... - concluiu Anne com certa dificuldade, a respira��o ofegante.
Leo beijou e acariciou o corpo quente de Anne, fazendo com que ela gemesse baixo em seus ouvidos. As m�os percorriam aquele corpo t�o desejado numa explora��o sensual. Parou por alguns segundos e admirou aqueles p�lidos olhos azuis; pareciam estar em �xtase. Enquanto olhava Anne nos olhos deslizou seu corpo para entre as pernas da mulher e come�ou a beij�-la com vol�pia, sugando com for�a o pequeno ponto de prazer.
Anne sentia-se como nunca antes havia sentido. Percorria uma energia por seu corpo que a deixava extremamente excitada e aqueles olhos verdes olhando para ela enquanto a beijava aumentava ainda mais seu desejo de alcan�ar o prazer m�ximo. Mexia o corpo lentamente, queria desfrutar cada momento intensamente. Leo olhou para ela novamente, dessa vez sorrindo, e moveu a m�o para onde sua boca estava. Anne sentiu quando algo a invadiu intensamente e achou que fosse desfalecer naquele momento.
Leo chegou com seu rosto perto do de Anne e continuou olhando-a.
- Olhe para mim... Fique olhando para mim.
Anne n�o conseguia responder, mas Leo sabia que ela havia entendido.
Os movimentos se intensificaram. Anne sentia o corpo de Leo colado ao seu, o suor mais uma vez banhando ambas, a respira��o intensa. Uma sensa��o que n�o sentia h� muito tempo come�ou a crescer dentro dela e, alguns segundos depois, uma onda de prazer atravessou seu corpo, fazendo-a erguer-se um pouco da cama para poder ag�entar todo aquele prazer. Um orgasmo forte tirou todas as for�as daquela mulher e ela deixou seu corpo cair exausto. N�o conseguia se mover, mas sentiu quando Leo saiu de dentro dela e cruzou os bra�os em cima do seu peito, olhando-a mais uma vez.
- Voc� est� bem? - quis saber a jovem.
- Estou...
Anne puxou Leo num abra�o envolvente, apaixonado. Entregou-se totalmente �quele romance, n�o tinha mais o que temer. Beijou a jovem suavemente e deitou-a ao seu lado.
- Eu te amo, Leo... - sussurrou de olhos fechados e um sorriso bobo nos l�bios.
- �? E que sorriso � esse?
- H� muito tempo n�o sabia o que era paz...
- E o que �?
- Voc�...
As duas se beijaram novamente e se abra�aram. Minutos depois se entregaram ao sono e ao cansa�o.
FIM