
Capítulo 4
Quando Annabell acordou o sol já não estava mais no céu. Ela percebeu que estava deitada na cama da cabine de Simitry.
-Simitry. - suspirou Annabell olhando em volta, maas sem sinal da pirata.
Preguiçosamente a loirinha se levantou da cama, vestiu suas botas e já estava prestes a sair da cabine quando ouviu vozes alteradas vindas da cabine ao lado, pela passagem semi-aberta.
- Você sempre leva tudo pelo lado pessoal, não muda nunca? – resmungou Simitry irritada.
- Certas coisas não possuem outros lados para serem levados, Simitry – retrucou Kathryn.
- Não acredito que você está discutindo isto comigo.
- E eu que você se nega a discutir.
- Kathryn, eu lhe expulsei do meu navio uma vez, posso fazer isto de novo e, acredite, desta vez não serei tão boazinha.
- Ah, mas eu acredito. Você não foi boazinha da primeira vez, nem me atrevo uma segunda.
- Eu te deixei numa ilha habi...
- À MERDA você e sua ilha habitada! Simitry você tem idéia do quanto você me machucou? Você acabou comigo, me matou por dentro de uma forma que talvez nunca entenda. Eu cheguei à ruína como pessoa e mulher, que já nem mais sou. E você ainda tem a cara de pau de falar que a maldita ilha é habitada?
Seguiu-se um silêncio, cortado por Simitry, de voz trêmula, mas em tom decidido.
- Existe um motivo pelo qual você está aqui de volta no meu navio. Espero que entenda isso e cumpra sua parte ou me arrependerei da minha decisão...
- Decisão da loirinha, não sua. Incrivelmente ela tem sim autonomia nas decisões que toma, até com relação a assuntos do Sea Phoenix. Autonomia que nunca tive.
- Boa noite Kathryn – suspirou Simitry, se dirigindo para a passagem. Resmungando do outro lado, a tempo de ouvir a porta da cabine bater quando viu um vulto louro, voou para fora. Simitry a seguiu para fora da cabine a encontrando no deck. A pirata se aproximou lentamente, ouvindo os suspiros que a loirinha dava.
- Posso saber por que a mocinha suspira tanto? – perguntou Simitry se aproximando da loirinha.
- Só estava pensando – respondeu Annabell sem olhar para a pirata.
- No que? Posso saber?
- Em nada.
- Nada? Você quer mesmo que eu acredite que você está apenas admirando as estrelas, sem nenhum propósito?
- Não, eu é que venho tentando te convencer a fazer isto, mas você não me escuta.
- Ah, Annabell! Eu...
-Deixa pra lá, ok? Eu estou sendo irracional. Nós duas estamos cansadas da noite mal dormida e...
- Annabell... – falou Simitry segurando a mão da loirinha que se virou para ela.
- Olha as estrelas Simitry, o que você está vendo?
- Annabell agora não é hora de...
- Apenas olha e me diz o que você vê!
Simitry olhou para a loirinha por uns instantes antes de se virar para o céu com um grande suspiro.
- Estou vendo o céu estrelado.
- Não tem nada de estranho neste céu estrelado?
- Não que eu esteja notando...
- Então está tudo bem parecido com o céu estrelado de sempre?
- É...
A pirata olhou para a loirinha que lhe retribuiu o olhar.
- Nós estamos andando em círculos! Pelo amor! Com o vento que andamos pegando, já deviam ter mudado pelo menos alguma maldita estrela! E o tempo em que estamos! E com tantos nortes, sul, lestes e oestes...
Simitry não podia acreditar naquilo. Ela olhou para todas as estrelas de direção que ela conhecia, olhou para todas as outras e tudo parecia indicar a mesma coisa.
- Eu. Vou. MATAR AQUELA MALDITA –falou Simitry pausadamente, entre dentes.
Antes que ela pudesse dar um passou ou que Annabell pudesse tentar impedi-la, o grito ecoou pela noite, vindo do ponto mais alto do navio.
- TERRA À VISTA!
-Isto é impossível! – falou Simitry, tomando a luneta de um pirata que observava a terra ao longe.
- Talvez tenhamos voltado à mesma ilha em que a pegamos – sugeriu Annabell.
- Não me parece a mesma, quero dizer... Dá uma olhada nisso... – falou Simitry oferecendo à Annabell a luneta.
-Nossa... Parece uma enorme mancha negra!
-Parece mesmo! Agora onde está aquela...
-Vejo que chegamos ao nosso destino.- falou Kathryn praticamente deslizando pelo deck.
-É chegamos.- confirmou Annabell um pouco envergonhada por ter duvidado dela.
-Ótimo e quando desceremos a ilha?- perguntou Kathryn olhando para a loirinha.
-Amanhã pela manhã, ou você acha que colocaria meus homens num risco desnecessário indo à noite?- perguntou Simitry sarcástica.
-Não achei que você iria querer por em risco nem seus homens, nem suas mulheres.- respondeu Kathryn sorrindo de ponta a ponta.
-Que mulheres?- perguntou Simitry confusa antes de olhar para Annabell e Kathryn- Ah!
-Caça ao tesouro sempre foi minha parte favorita de ser pirata! E a sua Annabell?- perguntou Kathryn.
-A Annabell não...
-Eu acho...
-O que? Se decidam quem vai falar primeiro. Aliás... Nem com você estou falando Simitry, perguntei pra loirinha. Não sei pra que você se meteu.
-É que...
-A Annabell nunca foi numa caça ao tesouro. Mas amanhã vai ser a primeira e tenho certeza de que ela se sairá muito bem.
-Ah... Entendo... Bom, já que é assim vou me retirar para meus aposentos! Tanto para aprontar e tão pouco tempo!- falou Kathryn parecendo muito satisfeita enquanto voltava para a cabine.
-Eu vou com vocês amanhã?- perguntou Annabell parecendo surpresa e feliz.
-Claro que vai, ou você preferia ficar?
-Eu... Achei que você ia me fazer ficar, já que não domino muito bem, as armas e...
-Você aprende com a prática. E eu sei o quanto você quer aprender tudo tão rápido. Nada como uma caça ao tesouro.
-Obrigada Simmy!- exclamou Annabell salpicando um beijo na bochecha da pirata.
-De nada. Agora anda, temos que recrutar os homens para amanhã, você vem comigo pra ver como é.
-Sim senhora!
-Menos sorriso... Mais cara de pirata brava!
-Tá! Arr!
-Essa é minha loirinha.
-É, é, é. – concordou Annabell enquanto as duas desciam para o porão.
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Já fazia um bom tempo que Annabell estava acordada, velando o sono de Simitry. Aliás, "acordada" era apelido, a verdade é que ela não havia conseguido dormir tamanha sua excitação pelo dia seguinte. Só conseguiu dar curtos cochilos, acordando de supetão (e até acordando uma assustada Simitry por tabela, algumas vezes) achando que estava atrasada. Depois de um tempo ela se decidiu por ficar acordada, esperando o dia amanhecer e velando o sono da pirata. Algo que estava ficando muito interessante, era tão bom ver como a pirata parecia tão serena quando dormia, seu rosto com uma expressão tão pacifica, seu cabelo negro espalhado pelo travesseiro, sua respiração que fazia seu peito subir e descer sob a fina camiseta branca que ela vestia. Aquele movimento parecia hipnotizar a loirinha que não tirava o olho dos seios da pirata, enquanto cedia ao formigamento de suas mãos por tocar as curvas dela. Gentilmente Annabell seguia o contorno da cintura até a lateral dos seios da pirata, passou a ponta do seu dedo indicador desde o meio do ventre até o meio dos seios da não tão adormecida Simitry, que havia acordado completamente arrepiada com os toques da loirinha.
-Bom dia.- sussurrou Annabell ao notar os olhos azuis abertos.
-Booom...- respondeu Simitry com a voz rouca.
Annabell sorriu enquanto subia seu dedo até o pescoço da pirata para depois deslizá-lo lentamente até um pouco acima de seu umbigo.
-Você é tão bonita!-suspirou Annabell mirando aqueles olhos azuis.
-E você é tão atrevida!- sorriu Simitry se arrepiando com o dedo da loirinha que subia lentamente até o meio dos seus seios.
-Você acha?- perguntou a loirinha agora hipnotizada pela boca da pirata.
-Certeza.- respondeu Simitry num sussurro, segurando o rosto da loirinha próximo ao seu.
-Sempre tão certa.- sussurrou Annabell com seus lábios roçando os da pirata.
-SIMITRY!- chamou Kathryn.
-CAPITÃ!- chamou Broc batendo na porta.
-Que o pariu...- resmungou Annabell.
-Ah puta.- resmungou Simitry observando a loira enfurecida sair da cabine em passos pesados.
-Qual o problema de vocês?- perguntou Annabell olhando feio para os piratas- Vocês têm espiado a cabine e escolhido os PIORES momentos para atrapalhar ou o que? Não conseguem fazer nada sozinhos? O que é tão importante que tem que chamar a capitã?
-Bom é que... –gaguejou um pirata próximo a loirinha.
-É o que? Eu sou uma loira prestes a ter um ataque de nervos devido ao acúmulo de TE... NSÃO! Fala logo o que é!!
-Os... Homens estão prontos, nós... Estamos esperando a capitã dá as ordens.- respondeu Broc todo encolhido.
-Ah... Claro... Eu chamo ela tá? Nem percebi que tava tarde... Eu...-gaguejou Annabell.
-Tudo bem, eu entendo que vocês deviam estar... Se preparando lá dentro. Vai lá chamar ela Annabell.- sorriu Kathryn.
-É... Eu vou mesmo.- concordou Annabell completamente envergonhada se enfiando de volta na cabine.
-E então? –perguntou Simitry curiosa com as reações da loirinha, primeiro sai furiosa e volta completamente envergonhada.
-Ah eles tão esperando as ordens.
-Ótimo! Já estou quase pronta e você?
-Vou me aprontar, pode ir na frente pra dar as ordens.
-Tem certeza? Eu posso te esperar.
-Oras, você é a capitã. Anda, daqui a pouco eu saio.
-Tá bem.- concordou Simitry dando um beijo na testa da loirinha e saindo da cabine suspirando.
Já do lado de fora, a pirata procurou com os olhos por alguém em especial.
- Tamp – chamou Simitry
- Sim, capitã? – respondeu o pirata.
- Você se lembra da Kathryn, não?
- Lembro. Ela tá de volta pra usar a bússola.
- Sabe o que faria sua capitã muito feliz?
- O quê?
- Que você colasse nela assim que chegasse na ilha, eu não acho que tenha como ela fugir, ou algo assim, mas prefiro não arriscar.
- Sim, senhora. – concordou Tamp se afastando.
- Broctus? – chamou Simitry procurando por ele. - Tudo certo para a ida?
- Tudo, já sei que piratas vão ficar no navio, e os outros estão prontos para partir.
- Ótimo, obrigada Broc.
- Minha primeira caça ao tesouro! Ah, que emoção! – exclamou Annabell, pulando tão perto da pirata que quase a assustou.
- Calma ai loirinha. Pega mal estes pulinhos serelepes – sorriu Simitry.
- Ah, é mesmo! Cara de pirata! Arr!- Falou Annabell fazendo uma espécie de careta.
-Arr. Mesmo. Anna presta atenção, quando chegarmos na ilha eu quero que você fique bem próxima de mim, não saia de perto por nada, ok?
- Está bem, está bem.
- Você está com sua espada?
- Anham
- E o revolver?
- Também
- Você lembra como...
- Simitry eu sei o que fazer com eles! E para que tanta preocupação? Eu nem vou sair do seu lado, nada vai me acontecer.
- Oras, não custa nada se prevenir, sua loirinha ingrata resmungona.
- Desculpa, estou nervosa.- falou Annabell voltando a dar pulinhos.
- Tudo bem. Mas sem pulinhos – riu Simitry, segurando a loirinha pelo braço.
- Ok! Vou para o barco.
- Espera, vem cá.
- Ah não Simitry, mais recomendações e...
Antes que Annabel pudesse falar "perguntas", ela foi abraçada por Simitry que a envolveu apertado em seus braços pelo que pareceu uma eternidade. O seu rosto deliciosamente perto dos seios da pirata acompanhando a subida e descida de sua respiração.
- Boa sorte. - suspirou Simitry em seu ouvido.>
-P... Pra você também. – gaguejou Annabell abobada. Simitry percorreu o deck em direção ao leme, subiu as escadas, se voltou para os piratas e com um olhar os calou.
- Mais uma caça ao tesouro. É com orgulho que sou capitã deste navio. Rainha dos Piratas, sua capitã e rainha, mas não sou tola. Todos nós sabemos que não faço tudo sozinha, são vocês piratas que fazem da Sea Phoenix e do nome Simitry, lendas. Que me faça andar na prancha quem aqui nunca viu um homem maduro molhar as calças ao ouvir que vocês são piratas do Sea Phoenix da Capitã Simitry. Nossa fama é mundial, somos respeitados e temidos e existe um bom motivo: somos os melhores quando se fala de pirataria, os mais perigosos, os mais destemidos e os mais ferozes. Não é, com uma exceção, nossa primeira caça ao tesouro e espero que não seja a última. Vocês sabem o que fazer: "Yer, scurry dogs! Bring us the booty so we’ll have rum and wenches. Arr!".
- Arr! – gritaram os piratas indo para os barcos.
- Ótimo discurso – falou Kathryn se aproximando da pirata.
- Uma das minhas muitas habilidades
- É, e você tem M-U-I-T-A-S
- Você está preparada, não é? Não está esquecendo a bússola?
- Não sou a exceção da primeira caça ao tesouro. Eu sei o que estou fazendo e sem dar pulinhos – respondeu Kathryn olhando para Annabell que dava pulinhos ao lado de um barco.
- Você vem comigo – resmungou Simitry puxando Kathryn pelo braço – E você também, lebre loira – completou ela puxando também a loirinha para o barco, onde Tamp já se encontrava.
Aos poucos os barcos foram descidos até o mar para uma curta e silenciosa viagem até a ilha.
- Mantenham o booty, rum e wenches fora das suas mentes agora. Todos sabemos que a ilha é amaldiçoada, mas ninguém sabe com o quê. Olhos atentos. – falou Simitry com sua espada em punho. – Kathryn, que direção?
Continua...