A Sonâmbula
Rikka
Declaração
Esta fanfiction foi feita pura e simplesmente como forma de entretenimento, não tendo nenhuma intenção de ferir quaisquer direitos autorais.Como sempre, é inspirada na sérieXWP,que pertencem a MCA/universal eRenassaince picture,studios USA.OPS!!!Se você é menor,sua religião ou o lugar onde você vive não permitem que leia sobre amor e sexo entre mulheres é melhor dar o fora enquanto é tempo!
Mirelle acariciou os negros cabelos do bebê de oito meses que estava no berço,enquanto uma lágrima triste e solitária escorria pelo seu rosto,fitava os olhos verdes da irmãzinha que lhe estendia os braços, indiferente á tristeza da irmã mais velha.Com o bebê no colo,olhou desolada á sua volta,onde tudo estava em desordem:caixas e caixas espalhadas em todas as direções.Apenas o berço e um enorme colchão no chão do quarto,davam a impressão que morava alguém naquele apartamento.
Se alguma pessoa lhe dissesse que sua vida mudaria tanto em tão pouco tempo,com certeza ela riria,com toda irreverência dos seus vinte e um anos.Mas mudara, e drasticamente.Há menos de uma semana,ela,a mãe e irmã,viviam num pequeno apartamento na região central de São Paulo,no bairro do Bexiga,e agora estavam num amplo e caro apartamento no jardim América,bairro paulistano de alto poder aquisitivo.
O apartamento do Bexiga, fora vendido um pouco antes do jovem,rico e louro namorado de sua mãe ter alugado aquele onde ela se encontrava agora.Embora triste,Mirelle sentiu-se obrigada a pensar em quanto tempo ela e a irmã viveria com o dinheiro da venda do apartamento,já que o valor não passava de sessenta mil,tinha que mudar o mais rápido possível,pois não havia jeito de manter-se naquele requintado lugar.Artista plástica e artesã,sua mãe,vivia de sua arte,numa vida que oscilava entre bares,festas,boates,venda de quadros,feirinhas culturais e outros tempos de dificuldade,quando muitas vezes tinham que recorrer aos velhos amigos com empréstimos para se agüentar até que a situação melhorasse.
Diferente de sua mãe,Mirelle,dedicava-se aos estudos,à prática de esportes,a gastronomia,preparando pratos deliciosos que "devorava"com o mesmo prazer que os preparava.Gostava de dormir cedo.Estava no último ano de educação física.Apesar de suas diferenças,mãe e filha,se davam muito bem. Fisicamente as duas eram quase iguais:louras,olhos profundamente verdes,não passavam de 1,60 de altura,muitas vezes,eram consideradas irmãs,devido á pouca diferença de idade entre as duas,apenas dezessete anos.Quando algumas vezes,Mirelle lançava um olhar de censura em direção á sua mãe,era comum ouvi-la dizer:
__Ih,lá vem a GESTAPO!__E ambas caiam na risada.Mirelle pensou como sua mãe havia conhecido e se envolvido com o rapaz,pai de sua irmã,que agora encontrava-se em seus braços.Carnaval,a mãe tinha ido desfilar numa famosa escola de samba em São Paulo e não satisfeita com isso,se programara para desfilar também no Rio de Janeiro e lá encontrou –o,bonito,jovem e rico,desfilando na mesma escola.O que parecia ser um "affair"de carnaval,deu como resultado a pequena Gabrielle que nascera em novembro do mesmo ano.
O rapaz ficou encantado com a idéia de ser pai,dando toda atenção, carinho e assistência financeira à nova namorada.Visitava-a sempre que estava no Brasil,pois, segundo ele,tinha que tratar dos negócios da família em várias parte do mundo, sua irmã,a primogênita,que mandava e desmandava em tudo e todos da família, era bem capaz de deixa-lo na miséria, só pelo prazer de vê-lo rastejando.Na verdade,ele era filho do segundo casamento do pai de sua meio- irmã e como a fortuna era do lado da mãe dela,ele não tinha exatamente um patrimônio seu,vivendo basicamente do que ganhava com o seu trabalho, e que não era pouco.A irmã insistia para que todos morassem na mesma casa.Sendo assim,ele podia viver uma vida despreocupada sem nenhuma dificuldade.Tendo sido criado na Grécia até os dezessete anos,simplesmente ficou encantado quando mudaram para o Brasil.Todo ano, desde que mudara para São Paulo,desfilava nas escolas do Rio de Janeiro,o que sempre provocara graves brigas entre os irmãos.
O bebê começou a chorar alto, tirando Mirelle de suas recordações,ela também sentiu vontade de chorar pois lembrou-se que a mãe havia morrido há apenas três dias,recordou a cerimônia de cremação, encheu-se de tristeza,nunca mais ouviria a risada descontraída e escandalosa de sua mãe.Agora,lá estava ela, naquele grande apartamento, com uma criancinha nos braços e sem saber o que fazer da vida.Dentro de duas semanas as aulas recomeçariam,tinha que mudar outra vez,encontrar uma creche para a irmã,continuar indo á noite dar aula numa academia,onde recebia pouquíssimo,uma vez que ainda não era formada.Balançando suavemente Gabrielle nos braços,dirigiu-se para a cozinha.As recordações não paravam de brotar em sua cabeça, lágrimas caiam abundantes em seu rosto.Não se permitia soluçar,para não assustar a irmã.
O acidente com sua mãe e o namorado dela,havia sido terrível,a lancha onde se encontravam,chocou-se com uma outra embarcação que vinha em sentido contrário,explodindo em seguida,atirando as quatro pessoas que lá se encontravam,na água,não muito longe da praia do Félix,em Ubatuba.O socorro veio rápido,mas, três cadáveres foram tirados da água e o único sobrevivente estava em estado gravíssimo num hospital.Era justamente o namorado da mãe de Mirelle.Graças aos antigos vizinhos,a quem pediu ajuda,a garota resolver tudo com certa facilidade,preferindo cremar a mãe,ao invés de fazer um enterro mais tradicional.
Enquanto dava mamadeira para a pequena irmã, ficou imaginando de quem ela herdara aqueles cabelos tão escuros,uma vez que ambos os pais eram louros.Passava das dez horas da manhã quando resolveu levar Gabrielle para `a casa de uma amiga e visitar Thalus,o namorado de sua mãe,no hospital.Fez o trajeto entre sua casa e da amiga,no velho carro que usava para ir para a faculdade, em pouco mais de vinte minutos.Mesmo sabendo que Gabrielle seria bem cuidada,deixou-a com um horrível sentimento de angústia, afinal,agora,ela era tudo que possuía no mundo.O hospital onde Thalus estava internado,ficava na mesma região e como era sábado,chegou facilmente ao local.Dirigiu-se á recepção para obter informações do paciente e nem sequer reparou na alta figura de cabelos negros passando há poucos centímetros dela.Ao ouvir o nome do paciente,pronunciado pela jovem loura que estava no balcão,a moça alta,que havia parado não muito longe dali,virou-se em sua direção,tocando-lhe o ombro,a jovem virou-se rapidamente e deu de cara com um frio par de olhos azuis .A recepcionista não teve tempo de abrir a boca,]pois,a moça de longos cabelos escuros,falou friamente:
__Meu irmão
acabou de morrer!__Mirelle sentiu que o coração falhava uma batida,odiando
profundamente aquela mulher insuportável que estava á sua frente.Sem
saber o que fazer,saiu correndo com os olhos cheios de lágrimas, entrou
no carro,inclinou-se sobre a barra de direção,caindo num choro
convulsivo.Saiu ás cegas do hospital,parando há apenas um quarteirão
da rua onde tinha deixado Gabrielle.Tentando se acalmar,ligou para a amiga avisando-a
do ocorrido.Ao chegar á casa dela foi acolhida de forma carinhosa,não
apenas por sua amiga mas por todos da casa,passando o resto do dia com eles.Protelou
o Maximo que pode a volta para casa,mas quando o sol começava a sumir
no céu,pegou a irmã e fez o caminho de volta.A pequena Gabrielle,sentada
em sua cadeira no banco de trás,dava gritinhos alegres,batendo palminhas,sem
ao menos poder imaginar o que tinha acontecido aos seus pais.Mirelle sentiu
inveja da irmã.Quando chegaram em casa,lembrou-se da tia de sua irmã,
finalmente descobrira porque o bebê tinha aquele cabelo negro.Mal tinha
acomodado a pequena em seu berço,quando o interfone tocou:
__Dona Mirelle,aqui tem uma moça querendo falar com a senhora,o nome
dela é Penélope,é irmã do "seu"Thalus...__Mirelle
pensou em não atendê-la,em não deixa-la subir,sentiu um
enorme medo e não pode explicar aquele sentimento...Pensou em descer,mas
deixar,a irmã ainda que por tão pouco tempo sozinha enchia-a de
pavor.
__Pode mandar subir ...__Um frio percorreu sua espinha.Poucos minutos depois,a alta morena estava em frente á sua porta,nem foi preciso tocar a campainha, Mirelle,encontrava-se de porta semi-aberta esperando-a.Não obstante um certo ar de tristeza que assomava-lhe os olhos,a moça mais alta, não se absteve de dar uma olhada profunda e carregada de desejo em direção a moça que abria-lhe a porta.Ambas ficaram num silêncio constrangedor,a pequena figura,recostada na porta,não a convidou para entrar,os segundos,passaram com se fossem horas...
__Posso entrar?
__Desculpe, é claro...__Disse a garota de olhos verdes,afastando-se da porta.Mentalmente estava cruzando os dedos para que o bebê continuasse dormindo,não queria que a outra soubesse de sua existência.__As duas ficaram paradas na sala,a linda morena,olhou a confusão que reinava ali,não havia sequer um lugar apropriado para sentar.Penélope, num gesto rápido e despojado sentou-se sobre uma almofada que estava no chão,sendo seguida pela surpresa Mirelle,que sentiu vontade de rir, pois aquilo em nada combinava com a elegante mulher que estava á sua frente.Mal se acomodou na almofada,pôs-se a falar,tentando não ser muito grosseira com a sua visitante:
__Não tenho a menor idéia do que você quer comigo...
__Você sabe, quando aconteceu o acidente, meu irmão estava com alguns amigos na lancha,eu pensei que uma das mulheres que estava lá,fosse sua namorada.Mas hoje pela manhã,ele me deu esse endereço e falou para eu cuidar da filha dele...Gabrielle,eu ouvi o porteiro chamando você de Mirelle,e há menos que meu irmão tenha sido seu pai antes dos dez anos,creio que deve ter um bebê,seu e do meu irmão,em algum lugar por aqui...
A loura ouviu tudo de boca aberta,tomada pela surpresa,agradeceu aos deuses por a sua interlocutora pensar que a pequena Gabrielle era sua filha!Assim não corria risco de ter que disputar a guarda da criança.Sentiu um arrepio só de pensar na possibilidade.Como se adivinhasse que estavam falando dela,o bebê começou a chorar repentinamente,chamando a atenção das duas moças que estavam na sala.A menor delas,deu um salto,dirigindo-se para o quarto,sendo seguida sem nenhuma cerimônia pela moça mais alta."Pequena traidora"__Pensou Mirelle,tirando a irmã do berço.Penélope reconheceu na criança,muitos dos suas próprias características.E com um pequeno demônio fluindo de dentro dela falou:
__Muitas garotas fazem, o que você fez ,ter um bebê,para assegurar uma vida mais interessante...__Mirelle não conseguia acreditar no que estava ouvindo,apertou fortemente Gabrielle nos braços e, rangendo os dentes,falou ríspida:
__Vá embora !__ A outra garota não se moveu do lugar,por longos segundos,olhou fixamente para a boca de Mirelle,e numa atitude inusitada,simplesmente inclinou-se em direção a ela, aprisionando-lhe os lábios num beijo abrasador.Pega de forma inesperada,a jovem loura ficou sem ação.O beijo foi interrompido,pois o bebê como se estivesse defendendo sua irmã,puxou fortemente o cabelo da tia,que largou a garota loura com um gemido,encaminhando-se em seguida para a porta.Antes de sair,voltou-se, e, com um sorrisinho diabólico nos lábios acrescentou:
__Parece que meu irmãozinho tinha bom gosto para "algumas coisas"...__Mirelle atirou um ursinho de borracha com violência,em direção á Penélope,que se livrou torcendo levemente o corpo para um lado,enquanto encaminhava-se para fora do apartamento.
__Vá para
o inverno!!!__Gritou a moça com o bebê no colo.A semanas seguinte
foi muito intensa,com tantas coisa para resolver,Mirelle não teve tempo
de se entregar á tristeza,procurou uma kit no centro da cidade para comprar,dando
graças a Deus por sua mãe ter colocado o dinheiro delas numa contas
conjunta.O lugar era tão pequeno,que seria forçada á vender
ou doar quase tudo que possuía no outro apartamento.Enquanto empacotava
as suas coisa e as de sua irmã,pensou que na realidade a mudança
tinha sido a parte mais fácil,difícil mesmo tinha sido,atender
noite após noite os telefonemas de Penélope que insistia em encontra-la,sendo
prontamente repelida pela garota de cabelos dourados.Não encontrando
nenhuma forma convincente de fazer a outra jovem encontrar-se com ela,Penélope,efetivamente,
lançou mão dos recursos que possuía,avisando-a de que o
apartamento seria devolvido em breve.Mirelle que a essa altura ,efetuara a compra
da kit,simplesmente gargalhou do outro lado:
__Ah,ah,ah,ah!!!È todo seu,vá se danar!!__Bateu o telefone com
força,sem dizer mais nada.Naquela noite, o telefone tocou incontáveis
vezes,sendo por fim arrancado da tomada.Mas aquele não foi exatamente
o fim,o telefone continuou tocando invariavelmente todas as noites e às
vezes também pelas manhãs,mas deixou sistematicamente de ser atendido.No
dia da mudança,Mirelle olhou o potinho com as cinzas de sua mãe,acomodando-o
dentro de uma caixa,no próximo fim de semana,iria dar um destino á
elas,lembrou da musica de Raul seixas de quem a mãe gostava tanto:"Que
minhas cinzas alimentem a erva,e que a erva alimente outro homem como eu."Mudaram-se
então, naquela manhã ensolarada,com o som de Raul Seixas ecoando
em sua cabeça.A kit ficava na rua Guaianases e boa parte dos moradores
era formada por travestis,drags e afins,o que parecia contribuir em muito para
o alto astral do prédio,havia sempre uma música alegre em algum
lugar.Mirelle pouco encontrava com seus novos vizinhos,quando isso ocorria,geralmente
de manhã,bem cedo,ela se dirigia para a faculdade,"elas",estavam
voltando de alguma balada.Todos que encontravam-na no elevador, com a pequena
Gabriele ficavam encantados com o bebê,e esta,retribuía os afagos
com animados gritinhos.Três semanas haviam se passado desde a mudança
do outro apartamento,o que elas estavam agora era muito pequeno,porém
tinha uma vantagem gigantesca:não ter os inconvenientes telefonemas de
Penélope.Certa noite, ao chegar em casa,Mirelle olhou-se admirada no
grande espelho da sala,estava muito magra,o cabelo louro e curto estava sem
brilho,levantou a blusa observando as costelas aparecendo sob a pele.Dirigiu-se
até o banheiro,pesando-se na balança que havia ali."6 kg"__pensou
alarmada.Voltou para a sala onde tinha deixado a irmã no chão
e com se essa pudesse compreender o que ela dizia falou:
__È, Gabyzinha,Não vai ser fácil para nós duas...__E acrescentou em pensamento:"Acordar uma hora antes,leva-la na creche,ir para a faculdade, pegá-la de novo ao fim do dia ,deixá-la com uma amiga até às onze,quando voltava da academia...."Percebia,agora, o quanto sua vida mudara.
__Ufa!!__Disse sentando-se pesadamente sobre uma almofada.O cansaço era tão intenso que o dia seguinte,encontrou-a dormindo no mesmo lugar onde sentara e se não fosse a irmã engatinhando pela sala,poderia ter dormido muito mais.
__Oh,oh...Perdemos a hora,meu anjo,você deveria ter me acordado!__Olhou para o relógio e vendo que passava das oito,desistiu de ir para a faculdade,preparou o café para ambas,saindo em seguida para dar uma volta nas redondezas.Sentada no carrinho,Gabrielle,olhava tudo com grande curiosidade,enquanto sua irmã mais velha,guiava o carrinho em direção á sala São Paulo,na tentativa de pegar ingressos para ver uma apresentação da orquestra sinfônica no sabádo.Andando distraída pelas ruas do centro,Mirelle,não percebeu o carro aproximando-se em alta velocidade,parando de forma abrupta há pouco milímetros de seu corpo.Tudo o que viu antes de cair,foi um par de olhos azuis fitando-a de forma atônita.Tanto o motorista,quanto a elegante mulher que estava sentada ao seu lado desceram do carro com as feições totalmente transtornadas.Inclinaram-se sobre o carrinho do bebê e vendo que estava tudo bem,dirigiram os olhos para a moça que nesse momento já encontrava-se em pé,com uma expressão enfurecida no rosto.O incidente provocou transtorno no trânsito,estridentes sons de buzinas ecoaram pelo ar,a morena alta insistiu para que a loura entrasse no carro.Brava, a loura retrucou:
__Nem pensar,você quase me mata,pior,ao bebê também,por acaso anda me perseguindo,sua louca???Mais de 10 milhões de pessoas nessa cidade,e justo você....__Sentindo uma nova vertigem,segurou-se no braço da mulher mais alta para apoiar-se,sendo imediatamente envolvida pela segurança dos braços da outra que prontamente a segurou.Penélope pediu para o motorista, por o bebê no carro,enquanto,delicadamente ,ela se encarregava de Mirelle.Motoristas irritadíssimos passaram por eles,em alta velocidade,enquanto palavrões ecoavam pelo ar.
__A senhora acha que devemos levá-la ao hospital?__Perguntou o aflito motorista.
__Vamos levá-la para casa e lá chamamos o médico.Eu penso que assim é melhor...__E olhando para o rosto da moça loura que estava ao seu lado acrescentou:__Se ela não tentar pular do carro em movimento!
Observando que apesar de pálida,a pequena garota,embora silenciosa, mantinha-se acordada,Penélope dedicou sua atenção criancinha que também estava sentada no banco do carro e começara a chorar.O motorista, antes de arrancar rumo á casa de sua patroa,percebeu a semelhança entre as duas e comentou:
__Nossa!Parece filha da senhora,só que tem os olhos verdes!
__Eu sei que parece incrível,mas ela é minha sobrinha...__Menos de meia hora depois, encontravam-se em frente à maravilhosa casa,onde Penélope morava.Sentindo-se fraca,sem forças para lutar,Mirelle simplesmente deixou-se conduzir pelo motorista para o interior da rica mansão,enquanto via sua irmãzinha ser "transportada" nos braços da morena alta de olhos azuis.Estranhamente,não protestou nem mesmo quando guiaram-na para um quarto, fazendo-a deitar-se numa ampla cama.Todo cansaço do mundo abateu-se sobre ela,os últimos dias,as correrias, a morte da mãe,a morte de Thalus,que além de namorado de sua mãe, era também um grande amigo seu.Fechou os olhos,entregando-se nos braços de Morfeu.Tentou em vão abrir os olhos quando percebeu que alguém tirava com cuidado suas roupas,por um momento sentiu o leve roçar de lábios macios nos seus,as asas de uma borboleta não seria mais sutil,com os olhos esgazeados de sono,afundou lenta e suavemente num céu azul,que entreviu antes de adormecer completamente.Na manhã seguinte,acordou em pânico.Procurando desesperadamente por sua irmã,saltou da cama,olhando o relógio de pulso."Onze horas"__Pensou horrorizada,pelos seus cálculos dormira quase vinte e quatro horas seguidas!!!Saiu apressadamente do quarto,encontrou uma escada,por onde desceu,ouviu vozes que vinda de fora ,tentou descobrir como chegar atéelas.Uma larga porta lateral,livrou-a da angústia de não encontrar pessoas a quem fazer perguntas.A cena que se descortinou diante dos seus olhos,encheu-a de confusos sentimento:ciúmes e alívio.Penélope estava brincando alegremente com Gabrielle na piscina.quando avistou-a, entregou o bebê para uma moça uniformizada,e num salto, estava fora da água,em frações de segundos encontrava-se parada, diante da pequena loura,que não entendeu direito porque ficou constrangida diante daquele biquine usado por Penélope,conseguindo apenas balbuciar:
__O,o be,bebê...
__Não se preocupe,ela é maravilhosa..tá tudo bem!E você?__Disse pousando uma mão no ombro de Mirelle,que assustada com aquele toque,afastou-se.
__Onde estão minhas roupas?Preciso voltar para casa...__Falou olhando a larga blusa de pijama que estava usando.
__Você não está nada bem, tanto é que dormiu muitas horas seguidas...
__Tá,tá,já sei,mas agora,eu quero ir embora....__Sem perceber,mirou os lábios carnudos de sua interlocutora,que ao perceber o olhar,sentiu um arrepio percorrer-lhe todo o corpo."Acordei louca ?"__Refletiu moça de dourados cabelos, enquanto desviava o olhar.Com a respiração levemente ofegante,a dona dos longos e negros cabelos,argumnetou:
__Fique mais um pouco,até o almoço,prometo que vou te levar em casa.__E erguendo uma sobrancelha ao mesmo tempo que erguia uma mão,falou:
__Prometo!__Mirelle pensou em não aceitar o convite,lembrou-se das acusações da outra,dos telefonemas,alguma coisa estava errada,muito errada,mas uma vozinha que ela desconhecia,sussurrou para que ficasse.E ela ficou.Mas recusou-se veementemente ficar longe da sua irmã,"resgatando-a" dos braços da mulher uniformizada.De volta para o quarto,colocou a criança ,enrolada numa toalha,sobre a cama,enquanto vestia as roupas do dia anterior.Um momento,uma fração,um segundo,tempo suficiente para vestir a blusa e ouvir o som abafado de Gabrielle caindo da cama,correu para o lado da criança e viu horrorizada, uma grande quantidade de sangue,escorrendo-lhe pelo rosto,pois a menina ao cair,batera a testa em um celular que estava caído no chão, ao pé da cama.Sabia por conhecimento que ferimentos na cabeça,ainda que pequenos, costumavam sangrar muito,isso,porém não foi consolo para sua dor ao ver a pequena naquela situação,segurando-a nos braços,dirigiu-se ao banheiro,lavando em seguida o ferimento,fez compressão com uma gaze e só então pediu ajuda à Penélope,pois seria necessário dar pontos na testa da criançaGabrielle,foi praticamente arrebatada das mãos de sua irmã mais velha,que recebeu um severo olhar de reprovação.Indignada e nervosa com a situação,simplesmente gritou:
__Vá se ferrar,eu
não tive culpa!!__Segurando firmemente o bebê no colo,Penélope,chamou
o motorista e num gesto extremamente estúpido,empurrou a garota menor
para dentro do carro,com uma das mãos,mantendo a outra em volta de Gabrielle.Pararam
na porta de um grande e bem equipado hospital,onde,após a sutura,foram
realizados vários exame, apenas para atestar o excelente estado de saúde
da pequena paciente.Não querendo estressar o bebê,Mirelle,cruzou
os braços quando viu a tia da menina,pegá-la de volta,seguindo-as
muda enquanto se dirigiam para o estacionamento.O trajeto,só não
foi feito em absoluto silêncio,porque,Gabrielle incomodada com o curativo
e os dentes,chorou durante boa parte da volta para a mansão.Só
depois de ter ido para os braços de Mirelle,conseguiu dormir.Ao entrar
pelo imponente portão a pequena jovem de cabeça dourada ,beijou
o cabelo negros da irmã e uma lágrima longa deslizou pelo seu
rosto,não deixou,entretanto,que a mulher, sentada ao seu lado, percebesse.Uma
mamadeira foi pedida por Penélope,pelo celular, antes mesmo que o carro
chegasse em frente ao portão, sendo entregue na sala tão logo
as três entraram.Ainda dormindo,mas alimentada Gabrielle foi novamente
levada ao quarto,onde ficou sob o olhar vigilante de uma das várias empregadas
da casa.Assim que a menina acordasse,Mirelle tinha a intenção
de voltar para casa. Deixou a irmã no quarto e desceu para tomar um pouco
de ar no jardim,sendo interceptada por uma Penélope de olhar zangado
que praticamente a arrastou para a biblioteca.Apesar dos incontáveis
protestos e das tentativas de se livrar das mãos que a agarravam,não
obteve êxito.
__Aqui no Brasil,agressão é crime,cárcere privado também,sua
estúpida! Se voltar a encostar de novo um dedo em mim,juro que vou usar
um golpe de" I ki do" em você!!__Falou a loura, fulminando a
morena com os olhos cor de esmeralda.Surpresa,Penélope ficou por um instante
desarmada,mas, rápida,partiu para o ataque:
__Você é uma surpresa atrás da outra,deve ser por isso que meu irmãozinho,foi capaz de sair de casa.Com uma tigresa como você por perto,seria capaz de fazer qualquer coisa...Qualquer loucura...__Enquanto proferia essas palavras,aproximou-se perigosamente de Mirelle,que sem notar foi recuando e viu-se encostada numa estante recoberta de livros.
__Aposto que você adorava quando ele te tocava, com toda essa chama...!__E sem dar qualquer chance de fuga para a outra, a apossou-se dos lábios dela com um misto de desejo e raiva.Embora,Mirelle, usasse as duas mãos para empurrar Penélope,esta não afastava-se um milímetro de sua boca,sugando,devorando, invadindo-a.Uma mão segurava firme a cabeça de Mirelle,numa inútel tentativa de fazê-la ficar parada e a outra acariciava-lhe as costas.Os incontáveis esforços da garota menor para se soltar,pareciam excitar a alta morena além do limite que podia suportar.Os olhos de esmeraldas faiscavam de raiva,mas aos poucos foi perdendo a resistência para o corpo insinuante da morena,rendendo-se ao calor exigente daqueles lábios que buscavam os seus,não mais com fúria, mas numa carícia interminável.Com as pernas trêmulas,Mirelle,participou ativamente do beijo,e,surpresa,sentiu-se empurrada para longe,por uma Penélope furiosa:
__È esse seu joguinho?Foi assim que deu em cima do meu irmão?__Uma não menos furiosa e atônita Mirelle respondeu:__Mas...foi você que...eu não tenho que ouvir isso!__Saiu batendo a porta com força enquanto, irrritadíssima,pensava, que nunca diria que Gabrielle era sua irmã.Aquele certamente não era seu melhor dia,ao pé da escadas,sentiu que tudo girava ao seu redor e novamente,mergulhou numa enorme,confortável e fofa nuvem de algodão.Foi prontamente socorrida por Penélope,que estava logo atrás dela e não obstante a raiva de poucos minutos antes,carregou-a pessoalmente para o quarto nos braços.Embora preocupada,não deixou de pensar:"Se as coisas continuam assim,é melhor ter um doutor em casa."O médico foi chamado,detectando uma possível anemia e excesso de cansaço,receitou repouso,comidas apropriadas,e quando soube da morte da mãe da garota,muito carinho.A primeira providência tomada, foi servir um almoço,pois Mirelle,não tinha sequer tomado café da manhã,com tudo que acontecera com sua irmã,esquecera-se completamente,o que era um fato muito raro.Passou parte da tarde descansando,saindo do quarto no final do dia para ficar no jardim,mal tinha colocado o pé no local,uma das empregadas ,aproximou-se perguntado se queria alguma coisa,era a governanta:
__Quero minha ir...Meu bebê.
__Dona Penélope saiu com o bebê,pediu para avisar que volta logo.__A moça sentou-se numa espreguiçadeira,sem forças para protestar e ali ficou entretida com a leitura de um livro de poesia de Fernando pessoa,ou melhor do seu alter ego,Alberto Caeiro:"Passa uma borboleta por diante de mim,e pela primeira vez no universo,eu reparo que as borboletas não têm cor nem movimento..."Parou de ler,distraindo-se vendo um resto de sol brincando na água da piscina,acordou com uma mãozinha puxando-lhe o cabelo,para sua alegria Gaby estava de volta e para sua maior alegria não estava nos braços da "megera",abusada e gostosa,ops!antipática da Penélope.As luzes do jardim estavam agora,acesas,consultando o relógio de pulso,percebeu que passava das sete horas e a temperatura,daquele mês de agosto,que ainda era bem fria,causou-lhe um prolongado arrepio.Erguendo a irmã nos braços,seguiu em direção a casa.Entrou no quarto,tendo cuidado dessa vez, de não afastar os olhos da pequena Gabrielle.Estava confusa,embora zangada com a atitude de Penélope,não conseguia esquecer o que houvera na biblioteca entre elas,um arrepio percorreu-lhe o corpo,ao lembrar da boca quente da outra moça apossando-se da sua,exigindo,tomando,e de como correspondeu ao beijo da garota de longos cabelos negros.
Não tinha
sido aquela, a primeira vez que beijara uma mulher,aos dezessete anos,envolvera-se
com uma amiga de colégio,mantendo um romance com ela que durou cerca
de dois anos,terminado inesperadamente,quando a outra menina mudou-se para o
Canadá.Embora tenham mantido algum contato e se feito promessas,as coisa
foram esfriando e a última notícia que teve de sua ex-namorada,é
que além dela estar muito bem no curso de teatro que fora fazer,tinha
arranjado um novo amor por quem estava loucamente apaixonada.Não houve
choro,nem noites mal dormidas,nem saudades sem fim,apenas um certo vazio,mas,Mirelle
já estava na faculdade e a vida acadêmica era tão ativa,
que quase não sobrava tempo para se dedicar ás lembranças,
há um ano estava sozinha.De caráter sossegado e romântico,na
verdade pensava em encontrar uma pessoa,que fosse o grande amor de sua vida
e não apenas casos passageiros.Nas raras vezes em que foi com as amigas
pela noite,era muito assediada,mas acabava recusando os convites para encontros,preferindo
dançar.
__Ah,se eu tivesse esse corpinho...__Diziam as amigas,debochando.Só agora
percebera que Gabrielle estava usando roupas diferentes daquelas com as quais
saíra de casa,tinha sido isso,então, que Penélope fez durante
sua saída.Abrindo o armário,encontrou uma infinidade de pacotes
de fraldas.Segurando a irmã novamente no colo,preparou-se para partir,mas
antes,verificou se a carteira que colocara no bolso da calça pela manhã
permanecia lá,antes mesmo que seus dedos tocassem a maçaneta,
a porta foi aberta.
__Tô indo embora.__Anunciou a loura.
__Preciso que me escute um instante...Você está fraca,o médico recomendou repouso,não posso permitir que saia por aí com um bebê,sozinha...A casa é enorme,se minha presença incomoda tanto você,ocupe uma ala onde não precisa encontrar comigo,até segunda,consigo uma babá para minha sobrinha,enquanto isso, além de nós duas,coloco alguém á sua disposição para ajudá-la.Pelo menos uma semana...__Penélope falou sem desviar os olhos do bonito rosto da moça menor.Mirelle sentiu uma imensa vontade de mandar a outra moça para o inferno,mas controlou-se,estava cansada,meio perdida e desolada com os últimos acontecimentos de sua vida.O cérebro deu uma ordem,mas a boca recusou-se a segui-la e apenas gaguejou:
__Pre..ci..so de rou..pas.__Penélope saiu do quarto sem dizer nada,em pouco tempo, á solícita governanta retornou com várias roupas do tamanho certo para Mirelle,que admirada,perguntou de onde viera tudo aquilo,apesar de sentir-se uma idiota,com a pergunta, pois era óbvio que todas roupas a sua frente foram recentemente adquiridas.
__Eu sou uma prisioneira aqui?__Perguntou sem se conter.
__Uma convidada,senhorita!__Respondeu,a governanta,para em seguida pedir licença e se retirar.Sem saber o que fazer,Mirelle permaneceu no quarto com Gabrielle e aproveitou para tomar banho,estavam saindo do banheiro,quando bateram á porta,o estômago da moça loura roncou alto como se adivinhasse que logo ali estava um suculento jantar,e também comida própria para bebê.Ainda que sentisse muita fome naquele momento,alimentou primeiro a irmã,o que não era nada fácil,pois esta pulava e girava a cabeça em todas as direções, antes de aceitar a comida.Mal terminou e já fechava os olhos sonolenta,acomodada entre altos travesseiros,adormeceu.Finalmente,Mirelle pode se deliciar com o apetitoso jantar.Terminado o jantar,dedicou vários minutos á escovação dos dentes e do cabelo e finalmente quando se deu por satisfeita,deitou-se ao lado da irmã,pegou livro que estava no criado mudo, lendo-o enquanto bocejava.
As pálpebras,fecharam-se lentamente,as mãos soltaram o livro,a cabeça tombou suavemente para um lado,estava dormindo.Passava de meia noite,a luz do abajur iluminava parte do quarto,e quando a pequena jovem levantou,sua sombra disforme foi projetada na parede,porém isso, não chamou-lhe a atenção,seguiu para aporta,os pés descalços ,tocavam o tapete macio sem se dar conta,caminhou em direção à escada.Desceu alguns degraus deparando com a alta figura que estava subindo,olharam-se em silêncio,um silêncio profundo,Mirelle desceu mais um degrau,postando-se a poucos centímetros de Penélope,segurou-lhe o rosto, dando-lhe um beijo abrasador,no começo foi apenas um roçar de lábios,leves mordidas,a língua fazendo o contorno dos lábios carnudos,sugando,as línguas se enroscando,um longo,quente e interminável beijo,prontamente correspondido.Surpreendida,a moça de alta estatura,entregou-se a magia do momento,sem questionamentos,sem perguntas.Mãos desejosas se buscavam em carícias cada vez mais ousadas,os beijos descendo,da boca para o pescoço,fazendo e refazendo caminhos e trilhas,deixando rastros de desejos,de paixões.Quando os gemidos e os suspiros aumentaram de intensidade,foram para o quarto de Penélope e lá se entregaram á uma tórrida noite de amor.Excitada com o inesperado comportamento de Mirelle na cama,Penélope,entregou-se sem reserva á boca sequiosa da mulher menor,respondendo a cada gesto dela, numa sintonia perfeita como se cada uma soubesse exatamente o que a outra desejava.Ficaram horas se amando,esquecidas de tudo que não fosse aquele momento de entrega,de beijos quentes e bocas úmidas que se buscavam,exigindo respostas.Quando finalmente adormeceram,Mirelle,manteve um braço possessivamente envolvendo a cintura de Penélope.Um raio de sol,naquela manhã de agosto, entrou atrevido pela fresta da janela,cruzando o espaço para cair sobre o rosto de uma moça deitada.De olhos fechados,ela,tateou o lugar ao seu lado encontrando-o vazio,sentou-se na cama,agora já bem desperta.Olhou ao redor,a noite passada não tinha sido fruto de sua imaginação,acontecerara.Lembrou-se da boca da garota loura em seus seios, em suas coxas,em seu sexo.As mãos investigando,desvendando todos os mistérios e todos os caminhos a serem percorridos.
Uma mistura de sentimentos tomou conta da morena:"O que fazer com tanto desejo e atração que sentia pela mulher do seu irmão,morto há tão pouco tempo?"__Afundou a cabeça no travesseiro sem saber o que eu fazer.Acostumada a tomar grandes decisões no mundo empresarial,respondendo pelo pleno desenvolvimento de um conglomerado de empresas transnacionas,Penélope jamais teve qualquer problema,para resolver situações conflituosas e tão pouco era dadas a pudores com relação ás mulheres com as quais saia.Porque então, sentia-se totalmente desarmada diante da pequena loura,sem saber que direção seguir?"Pequeno demônio"__Pensou ,mordendo os lábios,ao lembrar,dos prazeres vividos na madrugada anterior.Seu espírito empreendedor não permitiu que continuasse deitada,de um salto,estava em pé,recolheu as roupas espalhadas pelo chão,Tomou banho,vestindo-se em seguida.Sentia urgência de encontrar Mirelle.Na verdade não sabia se a beijaria loucamente ou se a esganaria,pois acreditava fielmente que a atitude da outra garota não passava de uma artimanha de sua parte para obter algum tipo de lucro.
Com esses pensamentos,dirigiu-se
para o quarto a fim de encontrá-la.Não obteve êxito, pois
o quarto estava vazio,antes de sair do local,olhou atentamente pela janela,vendo
lá fora, a cabeleira loura luzindo sob o sol da manhã.Alarmada,Penélope
deu-se conta que não era somente desejo o que sentia pela garota que,
alheia aos seus sentimento,tomava sol à beira da piscina,enquanto brincava
com sua filha.Dona de uma ansiedade sem par desceu a escada pulando os degraus
de dois em dois.Nos poucos minutos que levou para cruzar a distância até
o jardim,Penélope podia imaginar qualquer coisa,menos ser recebida pela
frieza dos olhos verdes.Cumprimentou a dona dos olhos de esmeralda,fitando-a
diretamente no rosto,buscando algum indício,das loucuras vividas na noite
anterior e tudo que pode notar foi um certo brilho de raiva naqueles olhos cintilantes.
__Você disse que se eu ficasse,não precisaria encontrá-la
toda hora...__Um balde de água fria não faria melhor efeito,
__E não precisa mesmo, pode ficar à vontade!__Os olhos azuis faiscaram
de raiva,enquanto a bela morena saia rapidamente do jardim em direção
à casa.
Mirelle arrependeu-se de ter tratado de forma tão rude a sua anfitriã,afinal,a casa era dela,mas também não queria pedir desculpas.Aquela morena tinha algo que mexia intensamente com ela,deixando-a sempre com os nervos à flor da pele!A manhã de domingo,passou tranqüilamente e antes do meio dia,um berço foi entregue e colocado no quarto onde Mirelly dormia com Gabrielle.Como fora prometido por Penélope,colocaram uma gorda e alegre copeira para ajudar com os cuidados do bebê.A estudante,aproveitou os momentos de folga para andar pela casa.Sentindo-se uma grande invasora,percorreu,salas,salões,jardim de inverno,até encontrar uma sala de ginástica com aparelhos de últimas geração,deliciada,olhos brilhando de interesse e,esquecida de que não deveria fazer grandes esforços,gastou parte da tarde experimentando-os.Ao final,cansada mas feliz,foi em busca da irmã,encontrando-a numa salinha juntamente com a babá.O resto do dia transcorreu de forma amena,e mesmo quando a noite chegou,não havia na casa sinais de Penélope.Como na noite anterior, o jantar foi servido no quarto,dessa vez,Gabrielle foi banhada pela babá,que em seguida deu-lhe o jantar,mas Mirelle insistiu que ela, colocaria a criança no berço.Tão logo a irmã adormeceu,tratou de tomar banho,ao voltar para o quarto ,estava pronta para deitar-se,pegou o mesmo livro da noite passada,e lentamente,deixou-se embalar pela leitura.Não tardou muito,as letras começaram a bailar diante dos seus olhos,e antes mesmo que a lua deslizasse muito longe pelo céu, as pálpebras pesadas fecharam completamente.
Penélope passara
o dia num clube de golfe,tentando divertir-se com alguns amigos,mas impaciente,
acabara deixando-os após o meio dia,indo ao seu escritório para
tentar se recompor e fugir da lourinha:
__Que droga!!Com tanta mulher por aí,fui me interessar justamente por
uma menina maluca que me enlouquece na cama,e no dia seguinte nem olha na minha
cara!__ficou no escritório até às dez,quando se dispôs
a voltar para casa.Passando antes num elegante restaurante onde fez um leve
jantar e bebeu algumas taças de vinho.Colocou o carro na garagem,e ao
invés de entrar em casa,resolveu nadar na piscina como costumava fazer
em algumas noites,principalmente em noites como aquela ,com a temperatura elevada.Tirou
as roupas e com uma cambalhota espetacular,atirou-se na água.Com braçadas
ritmadas,nadou durante algum tempo, preparando-se para atravessar a piscina
outra vez,ergueu os olhos e viu á sua frente, Mirelle.O inesperado encontro
desequilibrou a nadadora que submergiu,voltando á tona em seguida,levemente
engasgada.Não conseguia enxergar claramente as feições
da loura,mas podia perceber que os olhos estavam semi-cerrados, o que lhe dava
um ar sensual.Olhos azuis fitavam enfeitiçados para aquela figura miúda
á sua frente e quando esta aproximou-se estendendo-lhe as mãos,em
segundos estava ao seu lado,e dessa vez,ela,começou o beijo.A boca da
morena procurou a da mulher menor com desejo,puxando-a para perto,os braços
e lábios impondo pressão, não permitindo que a outra se
afastasse.
Mãos hábeis,desfizeram-se rápido da diáfana blusinha do pijama,a cabeça mergulhando sequiosa em direções aos seios da loura,a boca entretida nos rosados bicos,mordiscando,sugando lambendo-os com luxúria e êxtase, ficou perdida ali, sem pressa de se afastar.As respirações tornavam-se cada vez mais ofegantes,livre da parte superior do pijama,não demorou muito para a parte debaixo ter o mesmo destino,o gramado.Beijando a moça menor continuamente,Penélope pegou um roupão de cima de uma espreguiçadeira,estendendo-o no chão,onde delicadamente, mas com firmeza,deitou Mirelle,deitando-se sobre ela.Excitada com o movimento dos quadris da garota aprisionada sob seu corpo,a moça de longos cabelos negros arfava de tanto desejo,havia urgência em cada gesto, em cada movimento,e antes mesmo que se desse conta, sua boca encontrava-se no centro do sexo de sua parceira,que mantinha as pernas em seus ombros,deixando-se ver inteira,exalando atrativos odores.Ficaram um longo tempo assim,e quando Penélope,incursionou pelas profundezas,pelos recônditos de Mirelle ,penetrando-a fundo,gemidos enlouquecidos escapavam de sua garganta,enquanto seu corpo explodia em espasmos orgástico.Vendo o efeito que sua carícias,produzia em sua amante,Penélope ficou encantada ao vê-la lamber sensualmente os próprio dedos antes de penetra-la,produzindo um efeito enlouquecedor na alta morena de olhos azuis,que entregou-se não apenas á boca, mas, as mãos e dedos prodigiosos de Mirelle.Um longo tempo depois foram para o quarto da dona da casa,onde continuaram,incansáveis,ate quase o dia amanhecer.Dormiram,abraçadas."O dia que se repete,"foi nisso que Penélope pensou quando abriu os olhos e viu ao seu lado,a cama vazia.Muito irritada,pulou da cama,vestiu apressadamente um roupão e seguiu para o quarto de Mirelle,chamou a babá para que cuidasse de Gabrielle,ao entrar no quarto,notou o desalinho do cabelo da moça adormecida, mas o bebê estava acordado,e foi levado para outro recinto pela babá.Só então,Penélope,aproximou-se da cama despertando a garota com um profundo beijo.Meio atordoada e sonolenta,"a bela adormecida",empurrou a moça alta com força:
__EH!QUE È ISSO?Me larga!__Disse tentando se desvencilhar de sua oponente.Olhos azuis fitaram olhos de esmeraldas,sem poder acreditar no que acontecia.
__Se você está tentando me deixar louca,pode ter certeza que está quase conseguindo!__Com o nervosismo,o leve sotaque grego de Penélope,ficava mas acentuado, acabou misturando um pouco as duas línguas.
__È você
que quer me deixar louca,pensa que pode me prender aqui e ficar me agarrando
á qualquer hora?Eu vou embora agora!__Ao pular da cama,percebeu que estava
totalmente nua,constrangendo-se diante do olhar carregado de desejo da outra
moça,Mirelle,puxou um lençol para cobrir-se,essa atitude,mexeu
com o já alterado humor da morena,que provocativa,retrucou:
__Como se tivesse aí, alguma coisa que eu já não tenha
visto!__Furiosa girou sobre os calcanhares e saiu do quarto.Em menos de uma
hora,a garota loura estava pronta para partir,pôs a roupa com a qual estava
vestida ao sair de casa no sábado,pegou a irmã e fez o mesmo com
ela.Ao descer para a sala,deparou-se com uma elegante mulher,esperando-a:
__Bom dia!__Disse estendendo a mão__Meu nome é Rose,eu sou secretária
pessoal de dona Penélope e ela me pediu para eu acompanhar você
em qualquer coisa que precisasse...
__Obrigada, de verdade Rose,mas não estou precisando de nada...Tô indo embora p’ra minha casa...__Enquanto falava encaminhou-se para a porta,antes porém que a alcançasse,teve o caminho interceptado pela alta e formosa mulher que apareceu repentinamente vindo em sentido contrário.Aproximando da garota menor,pegou o bebê com delicadeza entregando-o para a secretaria.Mirelle viu-se empurrada para a biblioteca pela fortes mãos de Penélope,abriu a boca e os braços para protestar,mas bastou um olhar para os profundos olhos azuis para perceber que não ia adiantar nada.A porta foi fechada com violência e Mirelle,viu-se novamente prisioneira entre os braços da morena e a parede.Fechou os olhos,virando a cabeça para um lado,relutando para receber um beijo que não veio:
__Precisamos conversar...
__Outra vez?Parece
que nossas conversas se resumem em você tentar me agarrar...__A morena
não retirava as mãos apoiadas de cada lado da cabeça de
Mirelle,o que as deixavam muito próximas.
__Por que você faz esse joguinho,ein,Mirelle?Ontem á noite não
significou nada p’rá você?E antes também,é tudo diversão?È
tudo farra?Não bastou meu irmão,agora quer se divertir ás
minhas custas?__Os olhos verdes abriram-se admirados sem entender todas aquelas
acusações, sons desconexos eram emitidos de sua garganta:
__Mas..eu...eu...Não sei do que você está falando...__percebendo
que a jovem menor falava a verdade,Penélope retirou os braços
deixando-a livre,seu rosto apresentava agora uma variação de cor
que ia do vermelho para o pálido:
__Você é sonâmbula!?
__ Que eu saiba,não.__Um silêncio incômodo,caiu sobre as
duas garotas__Tenho que ir...
__Por favor,Mirelle,fique até se recuperar...Eu fico fora,vou para um
apartamento que eu tenho perto do escritório,prometo...
__Isso não é certo,não é justo com você,deixar sua casa para que eu possa ficar.
__Eu tenho responsabilidades com Gabrielle,fique,pelo menos por ela...
__Eu tenho a faculdade,meu trabalho na academia...
__O médico lhe deu atestado de dez dias,não precisa ir a nenhum desses lugares antes disso,só tem que levar o atestado,e isso,minha secretaria pode muito bem fazer.Bom, eu não posso ficar mais,tenho que trabalhar,estou atrasadíssima!!Mas se você vai mesmo,deixe pelo menos que o motorista as leve.__E sem ouvir a resposta, saiu apressada do recinto.
Sozinha na biblioteca,Mirelle
fez incontáveis conjecturas a cerca das palavras que ouvira."Seria
possível,que devido ao stress,andasse pela casa no meio da noite, provocando
e se envolvendo sexualmente com Penélope?"Inconformada com a idéia,
saiu correndo atrás, da morena,alcançando-a na garagem,esta, ao
vê-la aproximar-se,abaixou o vidro da parte traseira do automóvel
onde estava,erguendo uma sobrancelha,parando subitamente,Mirelle encostou a
cabeça dourada no carro e falou ansiosa:
__Eu não agarrei você no meio da noite!!__Com um sorrisinho sarcástico,Penélope,fez
sinal para que o motorista partisse e não disse nada.Aquela era de fato,uma
situação muito constrangedora,sentindo-se envergonhada,a moça
de pequena estatura,recostou-se numa coluna,com as mãos no rosto,queria
ir embora,mas sentia-se sem coragem de enfrentar toda correria que passara nas
últimas semanas.Pensando na irmã,resolveu ficar,esperava que Penélope
cumprisse a promessa de não aparecer,embora achasse aquela situação
muito desconfortável.
Acostumada a ter seu tempo sempre ocupado,Mirelle estranhou muitíssimo aquela semana,pois havia sempre alguém disposta em ajudá-la em tudo que precisasse.Naquela semana,recuperou-se bem,readquirindo o brilho do cabelo,e um leve rubor que lhe recobria o rosto.Nadava, andava pelo jardim,exercitava-se moderadamente na sala de ginástica.Na terça-feira pela manhã,uma babá,mal saída da adolescência,começou a trabalhar na casa,deixando Mirelle com um enorme tempo livre.
Uma única dúvida rondava a cabeça dela,será que enquanto dormia,sai no meio da noite atacando mulheres indefesas pela casa?Imaginou-se uma Mirelle-Drácula e caiu na gargalhada.A semana passou sem que soubesse qualquer notícia da dona da casa,podia perceber pela forma como tudo era conduzido,que havia ali, a interferência direta dela.
No domingo,foi visitar
os amigos do Bexiga,aproveitando para passar no seu apartamento,uma vez lá
dentro,não quis mais voltar para a casa de Penélope.Não
querendo deixar o motorista esperando-a inutilmente,desceu para comunicar sua
decisão:
__Dona Mirelle,minha patroa me deu ordem para levá-la para casa dela.
__Ela sabia que ia passear?
__Bem...Eu sou empregado...recebo ordens...__Disse o motorista ansioso.Contrariada,Mirelle resolveu voltar,mas passava das dez da noite,quando entrou no carro que rumou para a mansão de Penélope Papas Araújo.A casa encontrava-se na penumbra e bem silenciosa,não fosse um quase inaudível som de uma música vindo de alguma parte do piso superior.Quando o carro estacionou na garagem,Gabrielle estava completamente adormecida.Com a irmã,nos braços subiu lentamente as escadas que as conduziriam ao quarto.Deitando a irmã,iniciou o ritual noturno:tomar banho,escovar dentes,escovar o cabelo e finalmente,deitar,pegar um livro e em poucos minutos...adormecer.
São Paulo á meia noite,brilha distante,o luar,uma moça solitária seu destino,só sonhar...Os pés tocaram o chão sem sequer perceber a maciez do tapete,a dona dos magníficos olhos verdes,encaminhou-se para a porta,cruzou a grande sala,dirigindo-se para outra ala da casa,seguindo a música que continuava tocando baixinho.A maçaneta,girou,a moça de profundos olhos azuis,deitada na cama,tinha um copo de bebida entre as mãos que cintilava sob a luz da lâmpada.A loura aproximou-se,enfiando um dedo dentro do copo,molhando com o líquido,os carnudos lábios de Penélope,para em seguida lambê-los com luxúria.Por um momento, a garota de olhos azuis pensou em resistir,mas, ao sentir a língua macia penetrando a sua boca,esqueceu-se de tudo e correspondeu apaixonadamente ao beijo que recebia.
Dessa vez,Mirelle torturava a linda morena com gestos lentos,prometendo e retardando os prazeres que queria dar,deixando-a completamente enlouquecida de desejo.Em retribuição,a morena ,tocava-a intimamente,sentindo que ia ter uma explosão á qualquer momento pelo simples fato de ter aquela garota entre seus braços.A noite foi povoada de entrega e de gozos,de carícias sem fim e de pernas entrelaçadas,de beijos intermináveis e mãos atrevidas.Um longo tempo depois,descansando com a loura apoiada em seu ombro,Penélope sentiu-se uma ogra, recriminou-se intimamente por estar vivendo aquele momento.Mas Mirelle moveu seu corpo bem torneado,começando á beijá-la novamente e ela se perdeu mais uma vez no mar encantador que eram aqueles olhos verdes.Na manhã seguinte,prevendo que a loura não mais se encontrava naquele quarto,procurou-a com as mãos,antes mesmo de abrir os olhos,para mais uma vez se decepcionar.Olhou o relógio no criado-mudo:sete horas.Era a segunda vez que levantava atrasada em uma semana e tudo por causa daquela lourinha maravilhosa!Sempre fora considerada uma "viciada"em trabalho,desde muito jovem,aprendera com o avô por parte da mãe,como líder com a administração das muitas empresas da família,e quando este morreu há dez anos,o pai dela que era brasileiro,insistiu para que mudassem para o Brasil.Na época,Penélope não passava de vinte e um anos,mas já se destacava no comando das empresas,inovando e diversificando sua área de atuação.Instalaram-se no Brasil,impondo uma política arrojada nos negócios,ganhando praticamente todas as concorrências nos setores onde atuavam.Olhando-se no espelho,voltou a pensar em Mirelle,o que fazer com aquela garota que mexia tanto com ela,rejeitava-a quando acordada e no meio da noite entregava-se com tanta paixão?Com esse pensamento,saiu para trabalhar,sem coragem de enfrentar a outra ,moça que com certeza, ainda estava dormindo.
Mirelle pulou na cama assustada,estava sonhando que fazia amor com a morena alta,que não via há mais de uma semana,tinha a nítida impressão de estar ouvindo os gemidos da moça de olhos azuis nos seus ouvidos,sentindo suas mãos passeando pelo seu corpo,penetrando-a com movimentos ritimados...Suspirou longamente,sentindo seu sexo úmido.O resto do dia,passou com uma incrível sensação de bem –estar,cuidou da irmã,fez ginástica ,tomou sol.Não conseguindo esquecer o "sonho,"sentiu-se forçada a pensar no caso de sonambulismo.O pior, é que embora brigasse sempre com Penélope,ao pensar no que poderia ter acontecido,não sentia nenhum tipo de rejeição,muito pelo contrário com o passar dos dias,sentira-se mesmo atraída pela exuberante figura,embora,muitas vezes,se recusasse a admitir.Se ela povoava seus sonhos ou sua realidade, não sabia,o que sabia é que ela era uma mulher linda,atraente,e que estava despertando nela ,sentimentos nunca antes sentido por outra pessoa.
Terminado o almoço e sabendo que no dia seguinte teria que retomar suas atividades,preparou-se para partir,antes porém, de fazê-lo,telefonou para Penélope,na intenção de comunicar sua decisão.Os olhos azuis fitavam através da janela do carro,a paisagem que se descortinava á sua frente:Prédios elegantíssimos,jardins bem cuidados,e pensou no contraste da cidade onde morava,nas graves diferenças sócio-econômicas desse país onde vivia agora,mas o pensamento foi interrompido pelo toque do telefone.
Antes de atendê-lo,olhou com o canto dos olhos para a mulher que estava sentada ao seu lado,tinha sido uma visita inoportuna,justo na hora do almoço e como não dava sinal de ir embora,acabou oferecendo carona até um certo restaurante onde ela iria almoçar com o namorado.Na verdade, aquela mulher a enfadava,tiveram um breve envolvimento,após se conhecerem numa festa do lançamento de uma famosa revista,onde ela aparecia na capa,e só.Mas a elegante mulher,tentava de todas as maneiras,manter um romance com Penélope,que detestava aquele ar artificial que ela possuía.Atendeu o telefone e reconhecendo a voz de Mirelle,sentiu um arrepio percorrendo-lhe o corpo.Ao saber que a teimosa lourinha,estava indo embora,tentou convencê-la ficar de todas as maneiras e vendo que nunca a venceria numa discussão,tentou usar Gabrielle com o desculpa e nem assim a loura cedeu,como se não bastasse a situação,a mulher que estava sentada ao seu lado,pediu com voz melosa,em alto e bom som,sendo ouvida do outro lado do telefone:
__Amorzinho,ligue
outra hora...__Mirelle,fitou estática o telefone,com os olhos verdes
arregalados,desligou imediatamente,constrangida.
__Penélope está transando com uma mulher,em algum lugar dessa
cidade!!__Falou em voz alta,sem se conter.Imaginar que a dona dos lindos olhos
azuis,pudesse estar naquele momento nos braços de alguém,mexeu
profundamente com ela.
Antes de voltar para o apartamento,passou na academia para avisar que retomaria suas funções no dia seguinte.A dona da academia,embora simpática, comunicou-lhe que fora forçada a colocar outra no lugar e assim que surgisse uma nova oportunidade,com certeza a chamaria de volta.Desolada, abandonou o local.
Voltar para casa
significou ter que enfrentar a realidade,precisava com urgência conseguir
algo para fazer,pois o pouco dinheiro que sobrara da compra da "kitchenet"não
duraria para sempre.Passou a tarde recebendo visitas, tão logo descobriram
que elas estavam no prédio,a grande maioria dos vizinhos queriam ver
as bonequinhas como as vezes,as irmãs eram chamadas.Quando Gabrielle
finalmente adormeceu,Passava das dez e Mirelle pode, em fim, pensar na morena
que de repente invadira seus pensamento de forma avassaladora.Quando a campainha
tocou pela enésima vez,assustou-se:
__Ah,não...È tão tarde! vou acordar às seis...__Pensou
em não atender,fingir que estava dormindo,mas quem estava lá fora
continuou e ela resolveu atender.Surpresa, viu a morena vestida num maravilhoso
casaco de couro,com uma camiseta por baixo com desenhos que lembravam uma armadura,parecida
com uma usada por uma heroína de um seriado chamado "xena"que
passava na televisão.Inexplicavelmente seu coração falhou
uma batida,abriu a porta deixando-a passar.A moça alta,olhando para o
lugar tão pequeno,sentiu-se deslocada.Olhando-se longamente,podiam sentir
um silêncio eletrizante dominando a pequena sala:
__Pensei que estivesse muito ocupada...__Penélope não entendeu o sarcasmo da outra.
__Wow!Parece que se recuperou bem!Mas eu não vim aqui brigar com você,quero que volte para casa...
__Minha casa é aqui!!__Disse com veemência.
__Talvez você não se importe,mas Gabrielle tem o direito de ter uma vida diferente,dessa aqui.
__Escute aqui,dona
Penélope Papas de Araújo,você vem na minha casa, no meio
da noite, me ofender???
__Por favor,Mirelle,você ainda é uma estudante,tem um mundo de
coisas para fazer e sozinha,como espera dar conta de tudo?__Penélope
falava enquanto encaminhava-se para mais perto da jovem loura.Ao perceber a
aproximação,essa deu um passo para trás,os rostos ficaram
muito próximos,"não, vai começar tudo de novo!"Pensou,entretanto,
a morena afastou-se sem tocar nela,o que lhe despertou um enorme sentimento
de frustração.
__Parece que não tem nada que convença você...Então,
ao invés de levar sua filha para a creche,meu motorista vem aqui buscá-la
e no final do dia traz de volta...
__Isso não vai dar certo,já pensou, um Carrão desses parado
aqui na rua toda noite?Parece que você esquece que vivemos numa metrópolis!Você
veio sozinha?__Perguntou Mirelle demonstrando preocupação com
a segurança da moça de casaco de couro.Penélope que estava
sentada,levantou-se,novamente aproximando-se da loura:
__A única pessoa no mundo que mexe com a minha segurança ,é você!__Confessou com os olhos flamejando de paixão e dessa vez apossou-se dos lábios de Mirelle num beijo arrasador,que derrubou toda e qualquer defesa que pudesse existir por parte da mulher menor.Mirelle lembrou-se da voz que ouvira no telefone e com as duas mãos empurrou Penélope,mas essa era mais forte,e a manteve prisioneira em seus braços.O beijo se prolongou indefinidamente,e quando foi gradativamente correspondido por Mirelle,as duas se entregaram completamente aos mais loucos desejos,e não tinham mais como retornar.As roupas,foram uma á uma, encontrando seu destino no chão, desordenadamente.
__Você está me deixando tão molhada,sente...Olhos azuis falava,guiando a mão da loura por entre sua pernas em direção ao seu sexo.A noite ficou repleta de gemidos e carícias,explodindo em gozos.Era muito tarde quando as duas saíram do tapete da pequena sala e deitaram-se lado a lado para dormir numa cama que havia no quarto.Dormiram abraçadas,acordando no dia seguinte com o choro de Gabrielle.A primeira coisa que Mirelle lembrou foi da voz sensual,que ouvira no telefone,olhando brava para a morena que permaneceu deitada:
__O que você é afinal,uma máquina de fazer sexo??
__Pelo que eu me
lembro muito bem,eu não fiz nada sozinha!Vai ser sempre assim?Todo dia
uma briga?Seu problema,Mirelle é que você não consegue admitir
que sente por mim a mesma atração que eu sinto por você!__Disse
a moça de negros cabelos,sem querer contar para a outra os verdadeiros
sentimentos que sentia por ela.Olhou o relógio na cabeceira da cama,acrescentando:__Você
perdeu a hora da faculdade.__Com a irmã no colo,a moça loura seguiu
para a minúscula cozinha,indo preparar o café da manhã
e interrompendo a discussão.Foi seguida pela morena que recolheu a própria
roupa,começando a se vestir,observando com um olhar desejoso para a garota
que estava usando apenas uma velha camiseta.Ainda segurando o bebê,Mirelle
retornou para a sala:
__Eu quero que você vá embora...
__Você está sendo muito infantil,será que não dá
pra gente falara só uma vez como adulto?
__O que é ser adulto pra você,é sair á tarde com uma e á noite com outra?CIAO!!
__Pelos deuses!Do que está falando,se eu não soubesse que você me odeia quando está acordada,eu diria que está com ciúmes!!
__Ah,ah,ah,ciúmes,eu?De você?Com certeza eu estava dormindo ontem quando você chegou aqui...__Aborrecida com as palavras de Mirelle,Penélope saiu batendo a porta com força.Mesmo sabendo que chegaria atrasada na faculdade,a estudante,não desistiu de ir ao campus,para tanto,acomodou a irmã no banco traseiro como de costume,prendendo-a de forma adequada,e em seguida ocupou o banco do motorista.Em frações de segundo um rapaz,aproximou-se e com uma arma em punho,abriu a porta do carro,sentando-se ao lado de Mirelle.Um segundo rapaz,sentou-se no banco de trás ao lado do bebê,o que fez o sangue da loura congelar nas veias.Os dois falavam de forma desconexa, o que denotava que estavam drogados.Tentando se manter calma ,a estudante dirigiu o carro para longe do local,obedecendo as ordens dos marginais.Olhando pelo retrovisor,percebeu duas coisas:Uma,que a irmã adormecera,outra,que uma moto parecia segui-los.O medo começou a adquirir ares de pânico.Não mais conseguia pensar com clareza,obedecia e seguia todo caminhos que lhe era indicado.O tempo parecia interminável.Mirelle não soube precisar quanto tempo rodaram pela cidade,passava por lugares que nunca tinha ido antes,regiões de uma mesma cidade,tão grande,que a maioria só conhece seu "pedaço."Pararam finalmente num desmanche de automóveis,há vários quilômetros do centro da cidade.
Arrancada bruscamente
do seu assento,a estudante viu-se agarrada pelo rapaz que sentara ao seu lado
durante todo o percurso:
__Olha que coisinha mais gostosa que nós temos aqui!__Disse,acariciando
os seios de Mirelle,o outro que havia descido do carro e afastado-se um tanto
para examinar o local,como procurando alguém,gritou de longe:
__Espera aí,que quero participar da festa também!!__Nesse instante,
Mirelle ergueu os olhos verdes e viu Penélope com uma calota na mão,não
muito distante dali,sem pensar,atingiu o bandido que a segurava com uma forte
cotovelada no estômago,agachando-se em seguida,ao mesmo tempo,em que o"chacram",OPS!A
calota era atirada atingindo-o em cheio no queixo que caiu desacordado.Com o
barulho,o bandido que havia se afastado,retornou, grogue pela droga,não
percebeu uma figura cruzar o solo com três perfeitos saltos mortais,parando
á sua frente e desferindo-lhe um golpe certeiro que o deixou desmaiado.Petrificada,
a pequena loura,sem compreender o que estava vendo perguntou:
__Co...como,fez isso?
__Dez anos de ginástica
olímpica na Grécia,só parei de fazer por fiquei grande
demais pra isso.
__E o soco???
__Bom,esse, foi pra eles aprenderem a não mexer com minha família!!!__Um forte rubor cobriu o rosto de Mirelle e os olhos verdes adquiriram um tom mais profundo.
Voltaram para o carro,e encontraram a pequena Gabrielle,dormindo,totalmente indiferente aos problemas que ocorreram lá fora.
Os marginais foram amarrados com fios elétricos encontrados no local,enquanto aguardavam a polícia.As duas moças compareceram a delegacia para prestar queixa acompanhadas do advogado da magnata,chamando a atenção da imprensa,nacional e internacional,por se tratar de uma pessoa importante no cenário empresarial.Apesar de toda confusão e ainda muito abalada com a situação,Mirelle decidiu ir para a aula à tarde,mas foi convencida ,dessa vez, em deixar Gabrielle aos cuidados da babá,contratada por Penélope.
No fim do dia foi obrigada,a passar na casa da morena,para pegar sua irmã.Uma vez identificada,teve acesso liberado e entrou com o velho carro na garagem,descendo em seguida,para dar de cara com Penélope.Ao vislumbrar a alta figura,sentiu uma emoção forte,tão forte, que o ar parecia ter fugido dos seus pulmões,ao vê-la ali, na sua frente,compreendeu que o que sentia por aquela garota era muito do que uma simples atração,mas como admitir isso,se desconfiava que tudo o que a morena sentia por ela não passava de um insaciável desejo?Os olhos azuis brilharam ao ver a pequena loura descendo do carro,caminhou lentamente em sua direção,olhando-se profundamente,não conseguiam desviar o olhar uma da outra.Próximas, beijaram-se intensamente,um longo tempo e muitos afagos depois,Mirelle falou:
__preciso falar uma coisa p’rá você...
__Que me ama?__Perguntou
esperançosa,Penélope.
__Também,é que Gabrielle não é minha filha,é
minha irmã.
__QUE???Todo esse
tempo mentiu p’rá mim?Me deixou maltratà-la,chamando-a de oportunista?
__Foi você que fez toda confusão!Eu fiquei com medo que tentasse
pegar a guarda de Gabrielle, por isso fiquei quieta.Minha mãe, e não
eu,tinha um caso com seu irmão.__Os olhos de Penélope demonstravam,toda
a surpresa que estava sentindo e toda emoção,também!Rodopiou
com Mirelle entre os braços:
__Eu sei que parece excesso de pudor,mas eu odiava me sentir tão apaixonada e atraída pela mulher do meu irmão,mas quando você aparecia no meio da noite tão deliciosamente encantadora,eu não conseguia resistir...__Erguendo uma sobrancelha,com ar diabólico,acrescentou:__Onde você aprendeu tudo aquilo?
__Como eu vou saber? Tava dormindo__Disse Mirelle caindo na risada.Parou de rir,ficando séria de repente,beijou os lábios da mulher mais alta e falou:
__Te amo Penélope,mas
sou muito ciumenta e não vou aceitar dividi-la com mais ninguém,portanto,e
melhor você resolver seus casinhos por aí,antes que a gente comece
alguma coisa!
__Do que você está falando?Desde que te conheci,não enxergo
mais ninguém na frente!
__Ah,é?Quem era aquela que chamou você de "amorzinho",quando
eu liguei ontem?
__Será que eu nunca vou ganhar uma discussão com você?Há muito tempo,eu saí algumas vezes com aquela mulher,e só.Ela apareceu no escritório na hora em que eu estava saindo para o almoço,não tive como me livrar dela,só dei uma carona até um famoso restaurante onde ela ia se encontrar com o novo namorado.Além do mais,ela chama todo mundo de amorzinho.__Disse mergulhando no infinito mar que eram os olhos de Mirelle.Sabiam que tinha uma imensidão de coisas para conversar,e decisões para tomar mas,naquele momento tudo o que importava,era a descoberta dos sentimentos que sentiam uma pela outra,e poder confessar sem medo,deixava em ambas uma incrível sensação de felicidade.De mãos dadas,foram ao encontro de Gabrielle que estava brincando com a babá no quarto,ficando com ela até o momento em que adormeceu.Sozinhas,as duas garotas amaram-se intensamente até quase o nascer do dia, fazendo-se as mais lindas promessas de amor eterno,quando as últimas estrelas da noite,teimavam em brilhar no céu.
FIM
RYKKA/[email protected]