Prisioneira do seu coração

Mariah Galveia

 


   Oi Meninas! Estou muito feliz de estar de volta, podendo contar outra história pra vocês! Então vamos logo ao blá, blá, blá de sempre pra que vocês possam começar a ler logo...
   Antes de tudo devo dizer que algumas de vocês vão adorar esse conto e outras vão detestar... Adorando ou detestando, deixem-me saber!

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ADVERTÊNCIA:

*Você está a ponto de ler um romance lésbico com cenas de sexo gráfico entre mulheres adultas. É meu dever avisar que essa leitura não é recomendada a menores de idade! Mas eu sei que vocês menores, vão ler mesmo assim. Mas saibam que nem eu e nem as donas do site nos responsabilizamos.

*Esse texto contém palavrão, claro, imagino que mulheres criminosas dentro de um presídio xingam muito!

ENREDO: Roma é uma pessoa doce, incapaz de fazer mal a quem quer que seja. Ela se vê sendo condenada por um crime que não cometeu. No presídio passa a ser assediada pela mais perigosa presa.

AGRADECIMENTO: A minha amada, idolatrada, salve, salve, mulher, Juliana.

*Por todas as vezes que não me sentia inspirada em continuar esse conto, você me incentivava dizendo que estava bom.

*Por ouvir minhas ladainhas incansavelmente, e olha que sei ser chata quando falo numa coisa só todo o tempo! (você será canonizada, amor!)

*Por não se importar em ser acordada de madrugada só pra ler pacientemente uma cena qualquer que eu tinha escrito.

*Por me ajudar a por minhas idéias em ordem e ainda acrescentar as suas em cima. (foi realmente de grande ajuda!)

*E por último, mas não menos importante, por seguir sempre me inspirando cada vez mais... (principalmente nas cenas de sexo!) hahahaha...

MAIS AGRADECIMENTO: A Aline Reis, minha querida amiga, que conheci através dos meus contos, e leitora.

* Por ter me ajudado, mesmo via msn, com o nome de uma personagem, eu já estava ficando louca tentando encontrar um nome espanhol que fosse bonito e interessante ao mesmo tempo.

DEDICATÓRIA: Para Juliana, com todo o meu amor.

 

 

Prólogo

 


    Quero contar pra vocês a história da minha vida. Por onde começo a contar essa história? Bem... Toda história começa do inicio, então:
   Meu nome é Roma Dias da Silva, nasci há vinte anos, filha de mãe solteira e pai desconhecido. Minha mãe, quando não estava bêbada, era muito doce.
   Algumas pessoas dizem que sou muito bonita, mas me acho bem normal: Não sou alta, mas tenho tudo no lugar, tenho os cabelos loiros e naturais, não tenho dinheiro pra salão de beleza. E se tem algo que realmente gosto em mim são meus olhos, são verdes de um tom claro.
   Há dois anos me formei no segundo grau, sempre fui muito estudiosa, mesmo tendo que trabalhar desde os quatorze anos, para ajudar nas despesas de casa. Já fui quase tudo esse tempo todo, frentista de posto de gasolina, garçonete, faxineira, e atualmente trabalho como vendedora numa loja de roupa, e, diga-se de passagem, é o melhor trabalho que consegui, pois agora posso trabalhar em tempo integral. Meu sonho sempre foi poder ir para a universidade, gostaria de fazer história e ser professora, infelizmente me faltam meios financeiros, mas sei que ainda consigo passar no vestibular para uma faculdade pública.
   Sou noiva há oito meses do Edvaldo, meu vizinho, dizem que ele é bonito, concordo plenamente, mas não foi a beleza dele que me cativou e sim o caráter. Ed é uma pessoa muito bondosa e honesta, além de ser muito estudioso, minha mãe, em seus momentos de sobriedade sempre me dizia que ele era o homem certo pra mim, que eu podia me apoiar e confiar nele. Ed sempre esteve por perto nos momento em que mais precisei.
   Agora que minha mãe morreu, vítima de um atropelamento, fiquei totalmente sozinha no mundo, só tenho o Ed.
   Fui morar, desde então, numa pensão e meu noivo me ajuda a pagar o quartinho que alugo.
   Minha vida nunca foi fácil, estou acostumada a batalhar para sobreviver, mas sou uma pessoa feliz. Eu havia planejado tudo nos mínimos detalhes: Continuaria a trabalhar na loja, me casaria com Edvaldo assim que ele se formasse em matemática, faltava menos de um ano. Com ele trabalhando eu poderia arrumar um emprego de meio período novamente e me concentrar em entrar numa faculdade pública. Eu só não sabia que minha vida daria um giro completo...
   


--- Roma, querida! --- a voz da Dona Ammália, dona da pensão que eu morava tirou minha atenção da TV --- Hoje é terça-feira, se não me engano são as terças e quintas que seu noivo vem lhe ver, não é?
--- Isso mesmo, Dona Amália, ele já devve estar chegando. --- voltei minha atenção para a TV.
   Estava dando noticiário, mas a novela começaria em breve e eu torcia para que Edvaldo chegasse após o término do capitulo da novela. Ele trabalhava a tarde e a noite como peão de obra, mas era sempre alternado, por isso tinha as terças e quintas a noite de folga, que era quando vinha me ver. Além dos domingos, é claro, quando saíamos para tomar sorvete, ou ir ao cinema quando sobrava dinheiro.
   Estávamos na sala de estar da pensão, que não era muito grande, havia duas salas, a de refeições e a de TV, uma ampla cozinha, banheiro e no andar superior cinco quartos pequenos.
   A porta da frente foi aberta dando passagem a Renato, um hóspede da pensão:
--- Boa noite! --- disse para Dona Amállia e veio em minha direção --- Boa noite, doçura! --- ai como eu oodiava ele! Como se atrevia a me olhar dessa forma sabendo que sou noiva?!
--- Boa noite. --- respondi secamente, querendo que ele percebesse que eu não o suportava.
   Cinco minutos depois de investidas falidas, Renato desistiu de me assediar e subiu para seu quarto. Ele era um sacana safado, tinha 23 anos e vivia à custa do dinheiro que a mãe lhe mandava todo mês. Ele sempre dizia a ela por telefone que estava a procura de emprego, eu sei, porque já ouvi suas conversas com ela por telefone.
   De vez em quando esse sujeito aparece com roupa nova e todo perfumado, Dona Amália me disse que acha que ele é um gigolô, e que não se importa, desde que ele pague o aluguel em dia.
   O telefone tocou e Dona Amália foi atender, fiquei novamente sozinha na sala, satisfeita, pois não tinha voz me atrapalhando ouvir a TV.
--- Notícias de última hora! --- a voz do repórter na TV me chamou atenção --- Acabamos de saber que a mafiosa mais poderosa da Europa foi presa no Brasil, na cidade de São Paulo. --- na tela apareceu imagens da mafiosa --- A espanhola Bela Fatal, como é conhecida, por sua beleza e por sua fama de perigosa, acaba de ser levada para a penitenciária feminina do Rio de Janeiro.
   Fiquei pasma com a reportagem, eu sabia que Bela Fatal era uma criminosa procurada pela a polícia da Espanha até aqui, mas não sabia que ela era tão... Linda! Na TV mostrava a imagem dela, parecia ser uma mulher alta, corpo atlético, cabelos negros e longos e uns olhos num tom de azul que não pensei ser possível existir!
--- Bela Fatal... Não poderia ter um noome melhor!
   Como pode ser tão bonita e criminosa? Que maluquice é isso que estou pensando? Acaso as mulheres bonitas não podem ser feias? Desde quando reparo em mulheres bonitas? Não reparo mesmo! Só que essa era... Mais que bonita... Era realmente bela, estonteante, enigmática... E com certeza perigosa!
--- Não me admira que consiga aplicar ggolpes milionários, com essa beleza toda, aposto que enfeitiça todo mundo com todos esses atrativos a seu favor!
--- Está falando comigo, Roma? --- Donaa Amália perguntou do telefone
--- Não Dona Amália, estou falando soziinha mesmo!
   Eu sempre falo sozinha... Dizem que é coisa de gente doida... Bom, se era, talvez eu fosse doida, porque faço isso desde criancinha.
   Voltei minha atenção para a reportagem:
--- Bela Fatal --- o repórter continuavva falando --- foi presa em flagrante pelo assassinato de Maurício Lopez, de 45 anos. Mesmo sabendo que a espanhola é uma poderosa da máfia de seu país, nada ainda foi provado contra ela. Estima-se que seu grupo tenha eliminado mais de 200 pessoas em menos de dois anos. Pega em flagrante, Bela Fatal deve ser condenada a pelo menos 20 anos de cadeia.
--- Rominha, meu amor! --- Edvaldo cheggou me chamando, estava entrando pela porta principal da pensão, parei de olhar a TV e fui até ele.
--- Oi Ed! --- nos abraçamos e trocamoss um selinho --- Entra, vem sentar na sala comigo, está quase na hora da novela!
--- Mas Rominha, vim namorar e não ver TV!
   Já fui logo o puxando para o sofá, eu adorava aquela novela, depois que acabasse eu daria atenção a ele.
   


   Uma hora e meia depois, Edvaldo e eu estávamos indo para a varanda.
--- Até que enfim aquele tormento acaboou! --- ele falava fingindo raiva, mas eu sabia que era brincadeira
--- Não fala mal da minha novela preferrida! --- apontei o dedo pra ele, fingindo estar ameaçando, e ri também.
--- Eu estava mesmo com muita saudade dde você, Rominha. --- ele me abraçou e me puxou para um beijo
   Deixei-me ser beijada. Era um beijo terno e carinhoso. As mãos de Ed permaneciam imóveis em minha cintura. Não passávamos dos limites, por imposição minha. Desde o começo do nosso namoro eu disse a ele que certas intimidades só depois do casamento. Ele entendia e respeitava meu posicionamento.
   Eu sabia que ele não era mias virgem, mas eu gostava de ser e permaneceria até a última hora. Evitaria vários transtornos como gravidez... Eu tinha um ótimo exemplo em casa, minha mãe engravidou de mim aos 15 anos de idade, meu pai a abandonou e olha só a vida que tivemos! Além do que eu não era uma qualquer.
--- Eu te amo tanto, Rominha! --- ele ttinha a voz embargada pela emoção
--- Eu amo você também, Ed. --- ele eraa a única pessoa que eu tinha --- Mas agora preciso dormir para trabalhar amanhã cedo.
--- Sim, claro --- ele me respondeu ---- Vou pra casa --- Me deu um estalinho --- Dorme com os anjos e sonha comigo!<
--- Vou sonhar sim! --- sorri pra ele ee entrei
   Pouco tempo depois eu estava em minha cama, pensando em nosso casamento, com a Kitinete que alugaríamos. Ele formado, com um trabalho melhor e eu poderia enfim cursar uma faculdade. A vida seria boa... Adormeci sorrindo.

 


Capítulo 1

 


  Seis meses depois

 


  Engraçado como o dia que marcou o fim da minha liberdade estava perfeito, era um domingo ensolarado e quase sem nuvens. Fazia calor, mas não muito, era perfeito para se fazer um passeio pela praça e tomar um sorvete. E foi o que eu fiz.
   Edvaldo, meu noivo, passou umas quatro horas da tarde na pensão para me apanhar.
--- Pronta para tomar o maior sorvete dde todos? --- ele era muito divertido!   
--- Prontíssima! --- o abracei --- De cchocolate com cobertura de leite condensado! --- isso sim é que era vida! Que delícia!
--- Então vamos!
   Pegamos o ônibus e vinte minutos depois estávamos numa sorveteria movimentada no centro da cidade. Tomamos sorvete, depois Ed me comprou pipoca. Eu sempre fui comilona, adoro comer! Tenho que agradecer a Deus por eu não engordar nem um só grão! Meu corpo era todo no lugar certo, não que eu ficasse reparando, mas as pessoas diziam.
   Algum tempo depois voltamos para a pensão. Ao descermos do ônibus vimos um movimento estranho.
--- Olha, é a polícia! --- disse pra Eddvaldo --- Mas o que a polícia estará fazendo na pensão? --- de repente um pensamento me assustou --- Será que aconteceu alguma coisa comm a Dona Amália?
--- Só tem um jeito de saber: Vamos loggo lá ver. --- ele disse e mais que rapidamente caminhamos em direção a pensão
   Entramos, e ouvimos quando Dona Amália estava discutindo com um policial:
--- Eu não tenho nada com isso! --- elaa dizia quase aos gritos
   Ao notar nossa presença, um policial veio até nós:
--- Você é Roma Dias da Silva? --- ele perguntou me olhando estranhamente
--- Sim, eu mesma, por quê? --- agora eeu estava nervosa de verdade, a última vez que alguém me fez essa pergunta foi pra dar a notícia do falecimento de minha mãe --- Aconteceu alguma coisa, Senhor policial?
--- A senhora está presa, pega em flagrrante.
--- Presa? --- perguntei apavorada sem entender --- Mas por quê? Pega em flagrante pelo que?
--- Recebemos uma denuncia --- ele me rrespondeu com um olhar acusador --- Encontramos 100 gramas de cocaína em suas coisas.
--- O que? --- eu não estava acreditanddo --- Mas isso é impossível!
   Um policial me algemava e eu estava paralisada. Não pode ser!
--- Sou inocente! --- eu estava desespeerada
--- É o que todos dizem. --- ele ainda ousava debochar de mim
   Senti-me sendo puxada para fora da pensão, lá fora tinha muita gente aglomerada olhando... Olhando-me sendo presa! Sendo levada para o camburão!
   Meu noivo estava desesperado e dizia coisas que chegavam aos meus ouvidos, mas não faziam o menor sentido. Dona Amália estava branca, e me olhava como se eu realmente fosse culpada.
   Colocaram-me dentro do camburão, na parte traseira, ao menos eu ser pequena servia para algo, eu cabia ali e ainda sobrava...
   O carro já estava em marcha quando ainda pude ouvir o grito de meu noivo, que corria atrás da gente:
--- Roma! Vou arrumar um advogado pra vvocê! --- acho que ele estava chorando --- Vou te tirar de lá!

 

   O que aconteceu a seguir? Foram os piores dias de minha vida! Passei por um verdadeiro inferno!
   Não tínhamos dinheiro para pagar um advogado, por mais que Edvaldo quisesse, suas finanças não permitiam. O governo providenciou um advogado do Estado pra mim, o Dr. Figueira. Era um homem calvo de meia-idade, muito simpático e o mais importante: acreditava em minha inocência. O difícil seria provar.
   Passei os três meses seguintes numa cela apertada com mais oito mulheres. Tinha de tudo, mas a maioria era de prostituta, que vinham, passavam uma noite, ou duas e eram liberadas.
 Aprendi que se eu não me metesse com ninguém, ninguém se meteria comigo.
   Não tinha cama, dormíamos no chão mesmo, em colchões improvisados e amontoadas uma em cima da outra.
   Todas as pessoas que se diziam minhas amigas me viraram a cara e isso me dói muito. Eu só recebia duas visitas, a de Edvaldo e do meu advogado, ele estava mesmo empenhado em ganhar minha causa e parecia ser bem competente.
--- Culpada! --- a voz da juíza proferiindo a pena me tirou de minhas lembranças do dia fatídico que me trouxe a julgamento hoje. Já fazia três meses...   
Ouviu-se um murmurinho, a juíza bateu o martelo em sinal de acalmar o pessoal e continuou com a sentença:
--- A ré Roma Dias da Silva foi declaraada culpada por tráfico de drogas e será condenada a pena de 2 anos de reclusão na penitenciaria feminina do Estado.
  Naquele momento eu não tive reação nenhuma, foi como se dentro de mim não houvesse mais alma.
--- Ela está em choque! --- ouvi um griito, parecia ser do meu advogado --- Chamem uma ambulância! --- ele grittava mais alto ainda
   Acordei minutos depois deitada numa maca. Eu havia desmaiado e nem me recordava. Onde eu estava?
--- Meu Deus! --- falei sobressaltada ---- dois anos!
--- Acalme-se Roma... --- era meu advoggado --- Vamos recorrer e provar sua inocência. E conseguirei que a transfiram para outra penitenciária.
--- Não, por favor! --- pedi a ele --- Já que fui condenada, quero ficar na penitenciária do Estado mesmo.
--- Mas é uma prisão de presas perigosaas! Algumas das presas mais perigosas do país estão encarceradas lá!
--- Não importa! Dentro do estado será mais fácil de meu noivo poder me visitar!
--- Tudo bem, assim será. É o mínimo quue posso fazer por você. --- ele passou a mão pela cabeça e tentou amenizar minha dor --- E também tem mulheres não tão perigosas lá...
   Dois guardas ao me virem sentar na maca se aproximaram.
--- Dr. Figueira, precisamos levar a réé para a penitenciaria, já que ela acordou.
   Vi-me sendo arrastada pelos dois fortes policiais, me colocaram dentro de um camburão, cada um se sentou a um lado, me deixando ao meio. Só então me dei conta que estava algemada.
--- Meu Deus!
--- Deus não está aqui agora moça. --- disse o policial da direita rindo as minhas custas
   Eu e essa minha mania de falar sozinha.

                                        

--- Seus pertences ficarão guardados num armário e lhe serão devolvidos no dia em que for solta. --- uma guarda tratou de me dizer mecanicamente enquanto eu retirava o que tinha.  
   Eu estava trajando um conjunto de saia e blusa azul claro, muito elegante, mas nada sofisticado, por ordem do meu advogado, afinal eu precisava apresentar uma boa aparência no tribunal... Mas parece que a roupa não ajudou em nada... Eu não tinha muito pertences comigo agora, além da roupa estava com uma pulseirinha que ganhei de Edvaldo no meu aniversario, banhado a ouro e um par de brincos de coraçõezinhos, que fazia o conjunto. Um celular da nokia, que eu usava mais para poder trabalhar e nada mais me sobravam. Precisei vestir um uniforme num tom de laranja “berrante”, um conjunto de calça e camisa e por dentro uma camiseta branca, um pouco decotada e justa, mas a camisa laranja com botões na frente tratava de tapar a de baixo. Abotoei até o último botão. Recebi dela mais duas mudas de roupa, se tratava de outro uniforme idêntico e uma camisola comprida e branca.   
--- É por aqui --- a guarda me levava ppelo braço até uma cela --- Aqui temos regras muito severas, horários para dormir, comer, acordar, enfim, tudo é planejado nos mínimos detalhes e qualquer desobediência será castigada. --- enquanto me levava até o cubículo que seria minha casa pelos próximos dois anos, a guarda tratava de me explicar como as coisas funcionavam no presídio --- Às sete da manhã é hora de levantar, depois do café você irá trabalhar na função que lhe for designada.
--- Trabalhar? --- perguntei admirada, mas contente, qualquer trabalho ajudaria a passar o tempo
--- Sim, na cozinha, lavanderia, enfermmaria... Amanhã saberá onde deverá se apresentar.
   Viramos uma esquina e dei de cara com várias celas, eram fechadas com portões de ferro onde apenas tinha uma pequena abertura na altura da cabeça, não dava pra ver muito lá dentro. Notei que em algumas daquelas pequenas aberturas estavam tapadas com pedaços de pano, como se fossem cortinas.
--- O café da manhã é as sete e dez em ponto. --- continuou a me explicar --- O almoço é servido todos os dias pontualmente as onze da manhã, o jantar as sete da noite e às dez horas é hora de dormir. Fui clara?
--- Si-Sim...
--- A tarde, após o trabalho, poderá fiicar no pátio para tomar banho de sol.
   Ela parou de caminhar, se posicionou de frente a uma cela e tirou do bolso um molho de chaves. Eu gelei. O portão de ferro foi aberto e me senti empurrada para dentro. Antes que eu pudesse me virar ouvi o som oco do ferro batendo atrás de mim. Mais que depressa girei o corpo. Se eu sofresse de claustrofobia estaria agora tendo um ataque, certamente. Dei um passo a frente e agarrei com força a grade que havia na abertura, não maior que quarenta centímetros, porém suficientes para ver lá fora, ao menos as celas da frente e o corredor. Numa tentativa desesperada e incoerente forcei o portão, mas claro, estava trancado! As lágrimas escorriam soltas em meu rosto. Acabou. Minha vida tinha acabado. Resolvi enfrentar a realidade, me virei e pela primeira vez olhei para dentro da minha cela. Estava tudo muito bagunçado: havia duas partes pequenas e estreitas de cimento que serviriam de cama e em cima de cada uma delas um colchão fino, cada um de um lado distinto da parede. Havia também um pequeno sanitário, uma pia, e uma pequena mesa que era improvisada como armário e despensa. Sentada numa das camas estava um moça de mais ou menos uns 40 anos, com os cabelos tingidos de loiro de um tom muito claro, com quase um palmo de raiz crescida, tinha a aparência de ser boa gente e me sorria com certa doçura no olhar.
   Quando me vi ali dentro meu coração se apertou de tal forma, que pensei que o ar me fosse faltar, meu corpo passou a pesar muito mais do que pesava realmente. Meus pés pareciam não poder suportar muito tempo mais em pé. Caí sentada na beirada de uma cama. Baixei a cabeça e comecei a chorar. Chorei como nunca em minha vida. Eu não era mesmo de chorar muito, a vida não havia sido boa comigo, então eu simplesmente seguia em frente.
--- Não fique assim. --- levantei a cabbeça e me deparei com minha colega de cela --- Eu sei que vai parecer sem sentido agora o que vou dizer, mas é a verdade: com o tempo você se acostuma.
--- Nunca me acostumarei a isso.
--- Agora me sinto mais em casa do que em minha própria casa..
--- A-A quanto tempo você está aqui? ---- gaguejei duvidando se realmente queria saber a resposta
--- Oito anos mês que vem.
--- Oh meu Deus! --- recomecei a chorarr
--- Ei! --- ela se levantou e se sentouu na cama onde eu estava --- Não chore mais... Terá dor de cabeça! --- acariciou meu cabelo com carinho quase maternal --- Tudo bem... Sei que você precisa de um tempo pra assimilar sua nova situação... --- ela se levantou e voltou a se sentar na outra cama --- Quando estiver mais calma e quiser conversar... Saiba que tem uma amiga.
   Eu não estava em condições de manter um diálogo nesse momento e minha nova amiga pareceu entender, ao menos algo bom... Quer dizer, algo não tão ruim...
   Mantemos-nos em silêncio, eu por precisar e ela por respeitar meu momento depressivo, perdi a noção do tempo. Decidi que já que teria que passar férias forçadas nesse lugar, faria o possível pra que fosse o menos insuportável possível. Olhei pra minha companheira de cela, havia se portado com simpatia e até mesmo com carinho e me dei conta de que nem ao menos havia lhe perguntado o nome.
--- Qual é o seu nome?
   Ela me olhou com algo de sobressalto, por certo não esperava que eu resolvesse puxar assunto tão logo.
--- Joana --- respondeu sorrindo, era uum sorriso sincero, nesse momento soube que seríamos grandes amigas --- E o seu?
--- Roma. --- respondi simplesmente
> --- Roma? --- ela riu novamente, dessa vez por achar graça --- Desculpe! --- pediu sinceramente --- É que é... ÉÉ...
--- Estranho --- completei a frase pra ela sem demonstrar irritação, que de fato não sentia, depois de anos sendo alvo de brincadeiras de mau gosto, você aprende a não se importar mais --- Engraçado --- disse eu --- Ridículo.
--- Ah! Não é ridículo! Mas esquisito ee engraçado com certeza! --- riu novamente
--- Minha mãe era uma faxineira adolesccente. Um dia lendo uma revista de telenovela, ela achou fotos de atrizes famosas na Itália. Passou a ser sua obsessão e sonho de consumo conhecer o país. --- suspirei --- Me deu esse nome porque achava que era chique e queria que eu fosse chique como as atrizes nas fotos.
   Joana estava pra me fazer outra pergunta quando ouvimos um sinal muito alto e agudo.
--- É hora do jantar. --- Joana tratou de me explicar --- A qualquer momento uma guarda virá abrir nossa cela para que possamos ir ao refeitório.

 


   Dito e feito. Uma guarda abriu o portão nos livrando temporariamente do cubículo. Reparei que outras muitas guardas abriam outras celas, dando passagem para mulheres de todos os aspectos e idades. Mulheres que seriam como vizinhas para mim.
   Joana, muito afável, me guiava até o local onde é servida a comida, sempre me explicando coisas e me dizendo palavras de consolo.
  Dentro do refeitório era uma falação alta e um pouco irritante. Algumas estavam rindo, outras fazendo queda de braços e outras estavam caladas como que absortas num mundo particular.
   Na delegacia, fazíamos as refeições dentro da cela mesmo, só saíamos para usar o sanitário.
--- Vamos pra fila --- Joana me puxou ppelo braço
   Quando chegou minha vez de ser servida, me surpreendi. Sempre achei que comida de prisão fosse como de hospital, insossa e grotesca. Mas me deparei com um bom feijão com arroz, macarrão e carne seca. A mim era o suficiente, sempre fui simples e pobre, e esse cardápio sem dúvida me agradava.
--- Vem Roma, vamos nos sentar.
   O local era amplo e tinha cinco mesas gigantescas de ferro presa ao chão, as cadeiras também eram presas ao chão, por medidas de segurança, com certeza, nunca se sabe quando vai haver uma arranca rabo, com direito a cadeiradas, entre as presas mais perigosas do país.
   Fomos com a bandeja na mão para uma mesa ao centro onde havia dois lugares lado a lado. Sentamos e começamos a comer. O sabor era ainda melhor do que a aparência. E eu estava faminta.
--- Passa sua bandeja pra mim agora novvata! --- me sobressaltei no instante em que ouvi essa voz grave e melodiosa atrás de mim, uma frase foi suficiente pra meus pelos eriçarem de medo. Virei-me na direção da dona da voz
--- O que? --- eu realmente não havia eentendido, apenas sabia que era alvo de implicância de uma presa de uma penitenciaria de segurança máxima.
--- Você é surda ou o que? --- respondeeu impaciente --- Quero a sua bandeja!
--- Mas você tem a sua! --- que mulher mais bonita! Foi o primeiro pensamento que passou pela minha cabeça, pensamento totalmente fora de propósito aliás, pois aquela mulher bonita estava querendo comer a minha comida
--- Mas acontece que eu quero a sua banndeja! --- ela sorriu e nesse instante eu pude perceber que quando ela sorria dessa forma não poderia ser algo bom, tive mais medo ainda, ela era... era... Intimidante! Também com essa expressão de mau humor e com toda essa altura! Tão ou mais alta que um homem!
--- Mas se você comer a minha comida euu vou ficar com fome --- tentei ser racional .
   Nesse instante ela olhou dentro dos meus olhos... Não pode ser! A reconheci! Era ela! Bela Fatal! Lembram-se quando eu disse que não imaginava que um tom de azul desses podia existir? Pessoalmente esse tom de azul consegue ser ainda mais intenso...
--- Isso é problema seu, loirinha! --- ela me respondeu me tirando do transe e pegou minha bandeja me olhando com ar triunfante, senti um murmurinho e alguns risos pelo ambiente. Eu sabia que não era pela comida, era por diversão, ela queria somente se divertir as minhas custas porque eu era novata.
   Quando ela ia se afastando eu parei frente a ela e derrubei-lhe a bandeja. O ambiente antes cacofônico de burburinhos se emudeceu como que por encanto.
--- Oh meu Deus! --- a voz alarmada de Joana chegou aos meus ouvidos
--- Se eu não vou comer a minha comida,, então ninguém vai! --- me ouvi dizer sem acreditar, finginndo uma coragem que eu não tinha, mas eu não queria ser do tipo que abaixa a cabeça e atende a ordens de outras presas, senão isso se tornaria uma constante e seria pior ainda de conviver nesse lugar. Não cederia, precisava encarar.
   Ela me puxou pelo braço tão forte que não pude conter um gemido de dor,
--- Quem você pensa que é pra falar commigo nesse tom e desobedecer minhas ordens? --- ela perguntava irada, com uma mão ela ainda me atava com força e com a mão livre se fechou em punho fechado bem diante do meu rosto. Eu sabia que ela iria me socar com força, sabia que não poderia fazer nada, ela era muito mais alta e muito mais forte que eu. Fechei meus olhos esperando a dor... Mas para o meu espanto o que senti foi uma carícia, sua mão era quente e áspera. Abri os olhos e encontrei seus olhos tão intensamente azuis nos meus. Era um olhar enigmático e intenso.
--- Não vou fazer estrago nesse seu rosstinho lindo... Você vai pagar o que fez, mas de outro jeito... --- riu daquele jeito que eu não gostava nada e saiu, me deixando ali em pé, feito uma criança boba. Eu estava tremendo.
--- Que circo é esse aqui? --- uma guarrda que acabava de chegar e presenciou o fim da movimentação perguntava irritada.
--- Não é nada não! --- Joana prontamennte respondeu --- Roma deixou cair a bandeja dela... Nada mais...
--- Suas mãos estão furadas, novata? ---- a guarda riu com descaso --- Como castigo dormirá sem comer!    Joana me puxou para a cela. Eu estava atônita demais com o ocorrido pra reagir a qualquer coisa. Sentamos-nos na cama.
--- Roma! Você está louca! --- ela estaava visivelmente nervosa --- Logo no primeiro dia arrumou desaveença com essa daí!
--- Fiz muito mal?
--- Mal? Foi muito mais que mal! Foi.... Foi... Não tem nem palavras pra definir o que você fez! --- ela passava a mão pelos cabelos --- Você peitou simplesmente a manda-chuva do presídio! --- fez uma pausa e respirou fundo tentando se acalmar, em vão --- Oh amiga! Tenho medo por você! É certo que ela irá se vingar!  Não perdoa ninguém.
--- Ela é Bela Fatal, a mafiosa famosa da TV, não é? --- eu já sabia, mas queria confirmar.
--- Em carne, osso e crueldade.
--- Estou perdida! O que faço agora? --- Não sei... Talvez você deva pedir ddesculpas e... Talvez ela não...
--- Talvez ela não?
--- Amiga, vou ser sincera com você: Beela Fatal está condenada a mais anos do que pode viver e para ela não importa matar um a mais ou a menos...
--- O que quer dizer com isso?
--- Bem... É...
--- Diga!
--- Desde que ela entrou aqui, já matouu duas detentas que se meteram em seu caminho ou se intrometeram em seus assuntos particulares.
--- Oh Meu Deus! Ela vai me matar!
   Eu não dormi mais de duas horas essa noite, passei o tempo entre pesadelos e rolar na cama suando, feito uma criança assustada, sozinha sem a mãe. E era como eu estava: assustada e sozinha. Tantas mulheres no presídio e eu fui arrumar confusão justo com a bandida mor do país, talvez de toda a Europa.

Capítulo 2


--- Roma --- uma voz muito distante me chamava, preciso acordar desse sonho ruim, vou estar em minha caminha quentinha e feliz --- Roma, acorde! O sinal já soou!
--- Joana? --- Abri os olhos e vi minhaa companheira de cela me chamando um tanto quanto apreensiva. Oh Senhor! É tudo verdade! Estou presa!
--- Amiga, temos dez minutos para estarr sentadas a mesa no refeitório. Se nos atrasarmos seremos castigadas.
   Nem é preciso dizer que o simples som da palavra: “castigadas”, me fez pular da cama em menos de dois segundos, principalmente se o castigo era ficar sem comer! Já basta ter sido privada do jantar. A uma altura dessas, me sentia mais que faminta! Lavei meu rosto, troquei minha camisola cinza pelo uniforme laranja, aliás, horroroso, escovei meus dentes e lá fomos nós. Nunca em minha vida inteira fiquei pronta tão rápido.
   Seguimos com passos apertados para o refeitório. Uma vez lá dentro, entramos na fila e fomos servidas.
--- Roma... --- o tom de voz de Joana nnão me agradava em nada --- Não olhe agora, mas a Bela Fatal já te viu e acho que ela está vindo em nossa direção.
--- Aí meu Deus! Preciso sair daqui! ---- dei meia volta, mas Joana me segurou pelo braço delicadamente.
--- Está louca? Não há como sair daqui agora! As guardas não permitirão! Precisa se sentar e comer.
--- Mas o que faço se ela vier?
--- Ela já está vindo, abaixe a cabeça pra tudo o que ela disser!
   Como se eu pudesse fazer diferente! Nem em um milhão de anos me atreverei a desafiar Bela Fatal novamente.
   Tive coragem de olhar pra Bela Fatal pela primeira vez desde que entrei no refeitório, ela vinha em minha direção e meu coração pareceu que ia saltar pela boca, meu corpo praticamente tremia, mas eu não queria que ela percebesse a dimensão exata do meu medo. Ela usava a camisa laranja de uniforme aberta na frente, não havia abotoado os botões e a camiseta branca justa por baixo estava totalmente à mostra. Os cabelos estavam soltos. Seus olhos pareciam pegar fogo quando me olhavam. O estranho é que ela passou por mim sem nem ao menos me olhar. Seguiu em outra direção.
--- Ufa! Roma... Por hora você se safouu! --- Joana também estava nervosa --- Vamos nos sentar e comer logo.
   Sentamos-nos e me esforcei a comer, embora tivesse fome, sabia que nem uma migalha de pão passaria por minha garganta nesse momento. Vi de soslaio que Bela Fatal sentou duas mesas depois da minha, num canto a esquerda, de onde tinha uma visão privilegiada do meu assento.
--- Joana! --- falei baixinho para minhha amiga --- ela está me olhando! Estou com medo!
--- Já percebi... Depois que acabarmos teremos que sair sem que ela perceba, assim você poderá ir para a cozinha trabalhar. Estará bem enquanto estiver por lá. Se ofereça para ficar trabalhando até as seis, é o horário do banho. Após o banho irão nos trancafiar na cela novamente até as sete da noite, que é a hora do jantar.   
    Assenti e, sem me dar conta, olhei de novo em direção a Bela Fatal. Gelei, meu coração parou, ela estava me olhando com aquele sorrisinho descaradamente perigoso. No segundo seguinte ela me piscou um olho e alargou o sorriso. Desviei o olhar rapidamente e abaixei a cabeça.
--- Vai ser difícil sair daqui sem que ela perceba --- reconheci aturdida --- Sinto que ela está me vigiando, espperando a hora exata pra dar o bote.
   Joana não disse nada, ela sabia que eu estava certa e não tinha coragem de me confirmar ou de me mentir dizendo que tudo ficaria bem.
   Assim que acabamos o desjejum, nos levantamos e rapidamente saímos do refeitório. Uma vez lá fora, senti que estava a salvo, ao menos por mais um par de horas.
--- Buenos días! --- ledo engano! Uma vvoz grave se fez ouvir atrás de mim, eu estanquei onde estava, sabia que era melhor correr, mas minhas pernas não obedeciam, dizem que isso se chama pânico. Como eu fiquei muda ela insistiu:
--- Bom dia, rubita! --- agora seu tom era mais áspero --- Começo a pensar que você é realmente surda!
--- Bom dia. --- respondi finalmente mee virando e a olhando nos olhos.
--- Onde você pensa que está indo, rubiita? --- cruzou os braços ao me indagar, ficando mais ameaçadora ainda.
--- Eu... Eu... --- não consegui responnder, porque eu não sabia se deveria dizer a verdade ou não.
--- Ela tem trabalho agora na cozinha ee a estão esperando, Bela Fatal! --- Como eu não conseguia nem dizer nadda, Joana disse por mim.
--- Por acaso eu perguntei pra você, suua idiota? --- Bela Fatal pegou Joana pelo colarinho da camisa e a levantava no alto, os olhos de minha amiga eram só terror --- Eres rubia? --- apertou a gola mais ainda a deixando sem ar. --- Você é loira?
--- Desculpe! --- Joana tentava falar ccom a respiração ofegante --- Não pretendia...
--- Perguntei se você é loira! O que háá com vocês? Surto de surdez contagiosa, é?
--- Sou morena. --- Joana respondeu apaavorada.
--- Pois eu perguntei pra loira! Cai foora daqui sua idiotazinha! --- dizendo isso, Bela Fatal jogou Joana no chão --- Não se meta entre a rubita e eu, ou vai se arrepender.
   Aquilo não era uma ameaça somente, era uma promessa. Joana não era burra pra continuar ali, com passos mais rápidos do que suas pernas podiam, correu dali, me deixando sozinha com aquele monstro de beleza exótica. Beleza exótica? Que hora mais inapropriada pra pensar isso!
--- Agora, rubita, somos você e eu. ---- disse calmamente --- Qual é seu nome?
--- Roma. --- uma assassina educada?! PPrimeiro fazia questão de perguntar o nome das vítimas antes de massacrá-las! Estupendo! Tudo que eu precisava para um ótimo início de manhã!
--- Roma? Esse é o seu nome?
--- Sim. Me chamo Roma.
--- Então, Roma, quer dizer que você esstava indo para a cozinha?
--- Si-Sim... --- gaguejei --- Hoje commeço meu primeiro dia de trabalho lá. Vou ajudar com o almoço.
--- Vou te dizer onde você vai começar seu primeiro dia de trabalho: no meu quarto!
--- E... A que você se refere? --- pergguntei apreensiva sem entender onde ela queria chegar --- Quer que eu faxine seu quarto pra você?
--- Temos contas a acertar... Você me ddeve! E vai pagar!
--- Por favor, não me mate! Eu faxino ssua cela direitinho! Deixarei ela brilhando! --- eu precisava apelar! --- Já até trabalhei de faxineira! Mas não me mate! Por favor!
--- Matar você? Hahahahaha... --- ela rria como se tivesse ouvido um disparate, como se nunca em sua vida tivesse feito mal a uma mosca sequer --- Nem morte e nem faxina...
   Bela Fatal emudeceu repentinamente e me olhou de cima a baixo com um olhar, que confesso, me afetou de uma forma que não sei nem como explicar. Deixou-me tensa, de um jeito que nunca tinha estado antes e entendi finalmente o que ela queria de mim.
--- Não matarei você! Tenho algo melhorr em mente. Hahahaha...
--- Preciso ir --- tentei escapar esperrtamente --- Estão me esperando, a essa altura já deram minha falta. Virão a minha procura!
--- Vá rubita! Vá para a cozinha. Trabaalhe agora e esteja em sua cela exatamente as sete e vinte da noite, irei te fazer uma visitinha.
--- Mas...
--- E não se atreva a não estar a minhaa espera.

 


   Trabalhei com afinco durante toda a manhã, me esmerava em minhas tarefas, queria esquecer o que me aguardava a noite. Sabia que o jeito que Bela Fatal havia escolhido para me punir seria com sexo. Eu estava muito nervosa. Sempre soube que algumas mulheres presas se tornavam amantes de outra e sabia também inclusive, que algumas detentas poderosas e fortes, forçavam outras detentas, mais fracas e desprotegidas, a irem para a cama com elas. E dois mais dois é igual a: Roma será violentada essa noite por Bela Fatal. Sim, era isso o que aconteceria comigo dentro de horas. O que fazer? Precisava de ajuda! Eu tinha que contar para alguém, de preferência para a diretora do presídio!
   Na hora do almoço fui dispensada, no caminho para o refeitório cruzei com uma guarda.
--- Guarda, preciso falar uma coisa! --- Diga logo novata!
--- Estou sendo ameaçada e assediada poor uma presa. Preciso falar com a diretora do presídio!
--- E quem está te ameaçando? --- me peerguntou mostrando interesse.
--- Bela Fatal.
--- Hahahahaha... --- ela ria sarcasticcamente, me deixando roxa de tanta raiva.
--- Você não entendeu o que eu disse? AA presa mais perigosa está me perseguindo, pretende me violentar essa noite!
--- Claro que entendi... Entendi perfeiitamente... Agora quem tem que entender é você! O que Bela Fatal quer, Bela Fatal consegue.
--- O que? --- eu estava incrédula --- Vocês não vão fazer nada?
--- Não temos como fazer nada menina! DDê a ela o que ela quer e será melhor pra você. Se você for contra, ela fará o que quer do mesmo jeito.
--- Isso não pode estar acontecendo! Euu exijo falar com a diretora do presídio!
--- Você não é ninguém para exigir nadaa aqui, novata! Você não tem idéia de como as coisas funcionam em um presídio! Vá para o refeitório antes que eu te mande para a solitária por desacato a autoridade!
   Você não tem idéia de como as coisas funcionam em um presídio! As palavras dela não saiam de minha mente. Não, eu não tinha a menor idéia de como as coisas funcionavam em um presídio, mas começava a perceber que não seria fácil me livrar de Bela Fatal.  
   Ao entrar no refeitório, busquei Joana com os olhos, a encontrei numa mesa perto da parede. Entrei na fila, ergui minha bandeja para receber a refeição e fui me sentar ao lado dela.
--- Roma! Você está bem? --- Joana tinhha os olhos vermelhos e inchados, provavelmente passara um tempo chorando.
--- Tudo bem, Joana, fique calma! Eu esstou bem.
--- O que aquela desalmada te fez? --- Joana segurou meu rosto com as duas mãos e corria meu corpo com os olhos numa tentativa de encontrar qualquer indício de que eu tivesse apanhado --- Ela te bateu? Me diz!
--- Não, ela não encostou nenhum dedo eem mim! --- ela respirou mais facilmente ao ouvir e digerir minha última frase --- Ainda...
--- Ainda? Como assim? --- o ritmo resppiratório de Joana voltou a se alterar.
--- Ela... Ela...
--- Me diz, Roma! Estou nervosa por voccê! Por nós duas!
--- Joana, eu contei a uma guarda que aando sofrendo ameaças por parte de Bela Fatal, mas...
--- Você ficou maluca?! --- me perguntoou nervosa cortando o resto do que eu estava contando --- Nunca volte a acusar Bela Fatal de qualquer coisa pra ninguém! Muito menos pra uma guarda!
--- Ora, porque não?
--- Porque todas elas são compradas! Voocê esqueceu quem Bela Fatal é? Pois vou refrescar sua memória: Bela Fatal é uma mafiosa espanhola poderosa, ela está presa, mas ainda assim controla todo um império lá fora! Ela é multimilionária e sabemos que só está por aqui de passagem enquanto seus comparsas armam um plano pra tirar ela daqui!
--- Oh meu Deus! Todas as guardas são ccompradas?
--- Todas têm medo dela e aceitam propiina, nem sempre por ganância, mas por não terem que lidar com as conseqüências de ir contra os caprichos da toda poderosa!
--- E a diretora sabe disso?
--- Não sei... Quem sabe? Eu não confioo nem mesmo na minha sombra aqui dentro. Todos sabem que se não dançarem no ritmo ditado por ela, quando ela sair daqui irá se vingar de todos...
--- Agora entendo porque a guarda ria dde mim... --- dessa forma eu sabia que chegar até a diretora do presídio seria muito mais complicado do que pensei e mesmo se eu conseguisse, talvez ela estivesse metida nesse rolo todo --- Nunca vou conseguir escapar dela!
--- Eu pensei que a uma altura dessas, talvez, você já estivesse morta, Roma! --- me abraçou carinhosamente --- Fico feliz que esteja aqui, inteira.
--- Estou inteira... Por enquanto... Ella disse que terei que pagar pelo que fiz de alguma forma e que sete e vinte da noite irá me pegar na cela.
--- E o que ela pretende com isso?
--- Ela quer... --- eu estava sem graçaa, com vergonha e tensa ao mesmo tempo, não era uma mistura muito boa para ajudar alguém a terminar uma frase, abaixei a cabeça e soube que minha amiga tinha entendido tudo.
--- Oh Roma! --- ela se animou --- Ela quer se deitar com você! --- Espera aí! Pára tudo! Porque Joana estava feliz com isso? --- Sim, é o que ela quer. Mas porque você está comemorando? Não te entendo, Joana!
--- Roma! Você não vê?
--- O que há pra ser visto? --- eu reallmente não alcançava a linha de raciocínio de minha amiga.
--- A sua salvação! Roma, essa é a sua salvação! Bela Fatal não irá matar você!
--- Não me matará, mas me violentará! <
--- Não! Não tem que ser a força, Roma!! Faça o que ela quer.
--- Joana, eu realmente não estou te enntendendo!
--- Roma, preste atenção no que vou lhee dizer: Se Bela Fatal quer se deitar com você, então ela irá se deitar com você. Queira você ou não.
--- Eu não tenho escolha, não é mesmo?<
--- Não amiga, você não tem escolha. ---- segurou em minha mão, como querendo me passar força --- Será melhor assim, ela vai ter o que quer e depois de saciar o desejo logo vai enjoar de você e vai te deixar em paz! Então sairá pelo presídio a procura de outra vítima.
--- Será? Será que Bela Fatal vai me deeixar em paz mesmo? Como tem tanta certeza?
--- Porque ela já fez isso antes, com aa Vanessa, é uma detenta na ala oeste, Bela Fatal infernizou essa garota e a levou pra cama, depois de ter gozado virou e dormiu, nunca mais encheu o saco da menina.
--- Mas Joana... Não posso simplesmentee ir pra cama com ela só por que ela quer!
--- Eu sei, você não é lésbica, mas pennsa pelo lado bom: Bela Fatal é a mulher mais bonita que tem aqui dentro, quiçá a mais bonita lá de fora também... E ela sempre toma banho com sabão. Poderia ser pior... Poderia ser uma velha feia e gorda! E fedorenta!
--- Joana, a questão não é essa! Quer ddizer, não sou lésbica e sendo bonita ou feia tanto faz, a questão é que tenho um noivo lá fora!
--- Disse bem: lá fora! --- ela segurouu minhas mãos com as dela --- Amiga, aqui dentro será diferente.... E além do mais seu noivo não precisa saber o que se passa aqui.
--- Joana... --- como falar isso com a vergonha que eu estava? Bem, eu iria falar falando, de uma vez só para não perder a coragem --- Sou virgem!
--- O que? --- essa expressão de increddulidade é que me incomodava mais cada vez que eu dizia isso, mas era a pura verdade --- Roma! Quantos anos você tem?
--- Tenho 20 anos e sou virgem. --- porrque ela insistia em bater na mesma tecla se tínhamos assuntos mais urgentes a resolver? Bem, talvez porque minha virgindade tinha tudo a ver com o assunto urgente em questão, verdade? Verdade! --- E pára de me olhar assim! Virgindade não é doença!

Capítulo 3

 

Eram três horas da tarde, eu havia sido dispensada da cozinha, ofereci meus serviços na tentativa de passar o mais o tempo possível sem ter que ficar perto de Bela Fatal, mas não precisavam mais de mim. Fui obrigada a ir para um pátio bem grande, onde tinha uma quadra e algumas jogavam basquete. O time se dividia em: presas com uniforme completo, calça e camisa laranja e o outro time em calça laranja e camiseta branca, aquela que todas usam por baixo.

Joana e eu nos sentamos na arquibancada e ficamos a olhar sem muito interesse as mulheres se distraindo na quadra, dando tudo de si.

--- Não podemos mesmo voltar pra nossa cela? --- perguntei esperançosa.

--- Não. Está na hora do nosso banho de sol, é aqui que passamos boa parte da tarde.

--- A única coisa que eu queria fazer agora é deitar e chorar.

--- Não chore, Roma, pense no que eu te disse. Será melhor assim. Seja boazinha com Bela Fatal, faça tudo que ela te mandar na cama.

--- Estarei traindo Edvaldo, meu noivo.

--- Mas estará salvando sua pele.

Mas estará salvando sua pele. Sim, era verdade, estaria salvando minha pele. Mas a que custo? Nesse instante me arrependi de nunca ter cedido às investidas de Edvaldo. Se alguém merecia tirar minha virgindade, esse alguém era ele, mas acontece que nunca me senti preparada ou verdadeiramente com vontade. Agora iria pagar por ter sido tão puritana!

--- Roma! Olha quem entrou no time! Seu algoz! --- me disse apontando para a quadra a nossa frente.

--- Que ótima hora você tirou pra brincar, Joana!

Percebendo a gafe ela nada me disse.

De onde estávamos sentadas, tínhamos uma visão mais que privilegiada da quadra, quando Joana me mostrou quem estava entrando no jogo, vi com riqueza de detalhes Bela Fatal tirando a camisa laranja e jogando num banco perto da linha divisória fora do campo. Estava no time de calça laranja com camiseta branca, os cabelos estavam soltos. Ela começou a se mover como uma leoa, não perdia um ponto, era arremessadora mais potente do time. A cada façanha sua, as mulheres que jogavam com ela e as que estavam assistindo, gritavam seu apelido com vigor. Gritavam seu apelido? A gora me dava conta de que não sabia como essa morena alta que estava invadindo minha vida se chamava. Bela Fatal não poderia ser seu nome de batismo... Era seu nome de guerra!

--- Joana, qual é o nome de batismo de Bela Fatal?

--- Nome de batismo? --- ela parou pra pensar --- Não sei... E não é que eu tenha me esquecido, eu realmente nunca soube. E, pra ser sincera, acho que nenhuma das outras presas sabe. Até na mídia só a tratavam por Bela Fatal.

Bela Fatal. Esse nome impunha respeito. Era compreensível o motivo pelo qual ela gostava que a chamassem pelo apelido.

A morena se movia com agilidade, se valendo de sua altura ergueu a bola no ar, e a jogou em direção a cesta. Comecei a notar em como seus braços são fortes e musculosos! Quase ao mesmo tempo em que esse pensamento me passou pela cabeça ela fez mais um ponto. Mais uma vez ela conseguiu mirar e acertar.

Passei a reparar o corpo de Bela Fatal com mais atenção, tinha um rosto realmente fenomenal e um corpo forte, atlético, poderia ser miss, ou lutadora de boxe... Que combinação mais estranha! Só eu mesma pra pensar uma coisa dessas! Mas... Era verdade, era tão bonita quanto era forte. E ela me queria... Por quê?

--- Por quê? --- era a voz de Joana me tirando do transe em que me encontrava --- Porque o que, amiga?

--- Eu perguntei alto, foi isso?

--- Sim...

--- Eu estava tentando entender o porquê dela me querer... Por quê? Porque justo eu?

--- Você está brincando?!

--- Pareço estar brincando? --- não, eu não estava brincando, estava muito séria até.

--- Roma, você é linda!

--- Eu sou baixinha!

--- Seu corpo é perfeito! Seus olhos são verdes, seu rosto é...

--- Tudo bem aduladora! Já chega!

--- Roma, qualquer uma aqui poderia te querer... Qualquer uma.

 

 

 

 

A madrugada se fez presente. Eu já havia tomado banho as seis junto com outras presas no vestiário, já havia jantado as sete, já havia deitado numa tentativa vã de acalmar meus nervos e agora estava sentada em minha cama, de camisola, na companhia de minha amiga Joana, a espera de Bela Fatal.

O que eu estava sentindo não cabia numa só palavra. Era um misto de medo, apreensão, nervosismo e ansiedade.

--- Calma, Roma. --- Joana segurava em minha mão numa tentativa inútil de me acalmar --- Vai dar tudo certo!

Nesse instante o portão foi aberto por uma guarda, atrás dela surgiu Bela Fatal. Chegou a hora.

Ela entrou como se estivéssemos num hotel, onde ela era a dona e a guarda não passasse de uma camareira. Veio em minha direção, mas olhou pra Joana ao invés de olhar pra mim.

--- O que está olhando sua idiota?

Joana se levantou com toda a dignidade que podia.

--- Perdão, Bela Fatal --- Joana estava nervosa falando com ela e mostrava respeito --- Não estou olhando nada! Juro!

---Odete --- Bela Fatal me pegou pelo braço direito, era um aperto forte, mas não chegava a ser dolorido. Chamou a guarda que prontamente a atendeu --- Nos leve até a sala reservada para visitas íntimas. Quando eu acabar eu chamo.

Saímos da cela e a guarda a trancou. O olhar de Joana me passava coragem para o que estava prestes a fazer.

Chegamos a tal sala de visitas íntimas. Quando entramos e olhei fiquei perplexa...

--- Oh Meu Deus! --- exclamei ao me dar conto de que tudo realmente iria acontecer, não tinha mais escapatória. Ali estávamos, frente a uma cama de casal para termos sexo.

Eu nem ao menos sabia que esse tipo de ambiente existia em presídio! Presas recebendo visitas de seus homens para terem sexo! Claro que sim... Pois o único móvel existente no local era uma cama de casal, simples, porém bem arrumada e parecia limpa, com lençóis brancos...

A carcereira saiu do local e trancou a porta, levando a chave com ela, me deixando sozinha com Bela Fatal, totalmente a sua mercê. Além do fato de estarmos trancadas, ela era muito mais forte que eu, poderia me fazer o que quisesse e eu nem ao menos teria chance de me defender.

--- Ah rubita... --- ela, avançava em minha direção calmamente com aquele sorrisinho que era mau sinal --- Estou morrendo de tesão por você desde cedo...

Eu me afastei e bati as costas na parede, eu estava visivelmente apavorada.

--- Não precisa ter medo... Sou boa de cama. Não vou decepcionar uma menina tão linda como você.

Ela me puxou para os seus braços com um movimento só, firme. Manteve-me presa junto a ela e tive que dobrar o pescoço para olhá-la nos olhos por causa de nossa diferença de altura. Ela começou a passar as mãos pelo meu corpo de uma maneira possessiva e ousada. Meu noivo nunca tinha me tocado assim!

--- Quero sentir o gosto da sua boca.

Antes que eu pudesse protestar ela tomou minha boca com a dela, segurando minha nuca com uma mão enquanto a outra apalpava meio seio direito. Minhas pernas estavam tremendo, ela me beijava de uma forma doce... Era delicioso... Eu esperava tudo, menos esse doce nos lábios dela, acho que inconscientemente pensei que por ela ser uma pessoa má, também teria um beijo áspero como sua alma. Ela aprofundou o beijo, sua língua se enroscava na minha exigindo retorno, e eu dava, não por medo, mas por simplesmente não poder resistir. Edvaldo nunca me beijou desse jeito, com essa entrega, com essa paixão... Talvez porque eu mesma nunca houvesse permitido... Mas com Bela Fatal era impossível dizer o que ela podia ou não fazer comigo, ela estava se sentindo minha dona e tomava minha boca com a sua com tanta naturalidade como se sempre tivéssemos feito isso.

--- Onde você aprendeu a beijar assim, menina? --- ela me perguntou com os olhos faiscando de desejo e de despeito por alguém já ter me tocado antes dela --- Me diz! Quantas bocas já provaram da sua? Me diz! --- a voz dela soava rouca de fúria e tesão.

--- Só beijei duas pessoas até hoje.

--- Mentira! --- ela me puxou e me apertou mais em seus braços --- Uma menina tão gostosa como você já deve ter tido inúmeros casos!

--- Eu juro! É verdade! --- eu só havia beijado meu noivo e antes dele um rapazinho que estudava comigo.

Ela não respondeu, simplesmente desceu as mãos pelas minhas pernas, acariciou minhas coxas e apertou meu bumbum por baixo da camisola.

--- Ah... --- ela gemeu mal podendo se controlar --- Deliciosa...

Quase desmaiei quando senti a mão dela entre minhas pernas me tocando sobre minha calcinha.

--- Posso sentir que embaixo do pano você está molhada...

Molhada? Eu estou molhada?

Ela olhou dentro dos meus olhos, o mar azul do misterioso olhar dela invadiu o verde do meu olhar, enquanto continuava a sentir sua mão me tocando entre as pernas. Track. Era o som da minha calcinha sendo rasgada.

Qual era mesmo a pergunta anterior? Se eu estou molhada? Oh sim... Eu estou definitivamente molhada.

--- Quero beber você todinha --- ela disse ao meu ouvido, gemendo de tanto tesão que sentia, eu estava conseguindo não fazer ruído, seria extremamente indigno de minha parte. Ser forçada a me deitar com essa mulher e ainda por cima gostar das carícias dela! Nunca! Ela morreria sem saber!

Ela era muito forte e me empurrava com força para a cama, eu não tinha como reagir, lembrei-me então que deveria tentar impedi-la, por minha honra! Meu noivo não merecia isso! Eu não merecia isso!

--- Bela Fatal, por favor! Pára! --- eu implorava --- Por favor! Não posso!

--- Oye! Quietinha rubita! --- ela me calou com a boca e me beijou --- Só quero ouvir sua voz se for gemendo...

Ela puxou minha camisola e arrancou ela de mim, me deixando agora totalmente nua. Pôs-se a beijar meu corpo, mordia, lambia, acariciava...

--- Bela Fatal você não entende! --- eu estava desesperada, ela iria me possuir! Eu ia perder a virgindade com uma mulher! E ainda por cima a força! --- Eu sou virgem! --- contei na esperança que ela pusesse a mão na consciência e me deixasse em paz.

--- Virgem? --- ah não! Era aquele sorrisinho de novo enfeitando os lábios dela! --- Jura? --- ela se posicionou entre minhas pernas ---Oh, rubita! Mas o prêmio não podia ser melhor! --- ela ainda estava se gabando!

Não tinha mais jeito. Aconteceria de todas as formas. Ela baixou a cabeça e beijou meu umbigo, foi descendo mais traçando o caminho com sua língua quente e macia. Quase desfaleci quando senti que ela estava intrometendo a língua dentro de mim. Agarrei o lençol da cama com força. Eu estava sentindo uma coisa que jamais imaginei ser possível e não queria que ela soubesse que eu estava gostando. Ela fazia movimentos circulares em meu clitóris, eu estava ficando quase louca de tão bom que era... Então comecei a sentir algo mais intenso ainda, ainda mais gostoso.

--- Ah... Ah... Ah... --- não pude evitar de gemer ao sentir isso.Eu estava tremendo, tendo convulsões de tão bom que era. Meu Deus! Eu tinha gozado na boca dessa mulher cruel!

--- Como você é deliciosa menina! --- ela dizia com a cabeça ainda entre minhas pernas, me olhando com aquele jeito sedutor que só ela tinha, passando a língua no canto da boca pra não perder nada do meu néctar.

Eu estava morta de vergonha, não tinha forças para encará-la, fechei os olhos com força na esperança de que ela fosse finalmente embora, mas pra minha surpresa senti o peso do corpo dela sobre o meu, ainda entre minhas pernas, ela estava beijando, mordendo, sugando meus seios e pescoço. Parece que o desejo dela ainda não tinha sido saciado.

--- Sinta o seu gosto em minha boca --- então ela me beijou e eu pude sentir o pouco que restava do meu gozo na boca dela. O beijo foi longo e molhado, e eu me entreguei totalmente, não havia forma de me conter, não mais.

Ela pôs a mão direita no meu sexo e...

--- Não! --- me ouvi gritar --- Não quero! --- Ela me deu um tapa bem dado no rosto, que ódio!

--- Você não tem querer rubita!

--- Você me bateu!

--- Você mereceu! Fique boazinha comigo Roma, ou não respondo por meus atos.

--- Já não teve o suficiente? --- perguntei irritada, mas ao mesmo tempo excitada, nem o tapa que ela havia me dado conseguiu aplacar o tesão que eu estava sentindo, e o pior é que eu sabia que ela sabia --- Não está saciada?

--- O suficiente? Hahahaha... --- ela riu com gosto, ainda na mesma posição --- Saciada? --- segurou meu rosto com uma das mãos, firme, porém não estava me machucando --- Um banquete desses é digno de ser provado todas as iguarias... De todas as formas possíveis. Você é muito gostosa, rubita. Vai ter o que merece por ser tão deliciosa assim.

Então ela voltou a me beijar com fúria, mas ainda assim seu beijo era deleitoso. Suas mãos percorriam minhas coxas e me senti puxada pelos quadris de encontro ao sexo dela, minhas pernas estavam abertas e ela estava no meio.

--- O que você vai fazer comigo agora?

Ela me olhou nos olhos e recolocou a mão direita em meu sexo.

--- Vou enfiar meus dedos em você. --- ela disse roucamente.

No instante em que ela afundava os dedos em minha entrada, senti uma sensação maravilhosa... Gostosa... Mas no segundo depois doeu muito.

--- Ai! Ai! --- eu estava gritando de dor.

--- Isso, Roma! Grita! Geme! Quero ouvir o que você está sentindo!

Ela me penetrava com força, enfiava e tirava, alternando os dedos em fora e dentro de mim. Já estava ficando bom de novo, então por puro instinto passei a mexer os quadris de encontro aos dedos dela. Foi assim até que gozei novamente, tentando abafar meus próprios gemidos com as mãos.

Bem, agora acho que acabou.

--- Roma, eu estou encharcada, você me deixou assim e agora vai dar um jeito nisso!

É, pelo visto não pararia por aí não... Ela me pegou pelos cabelos e me levou até o sexo dela.

--- Me chupa, rubita! E bem gostoso que quero gozar na sua boca!

Eu não sabia exatamente o que fazer, mas tentei imitar o que ela havia feito em mim. Meti minha língua dentro do sexo de Bela Fatal e fiquei fazendo movimentos ligeiros e macios, alternando com lento e forte.

--- Ah... Ah... Vai Roma... Assim... Ai que delícia...

E pelo visto eu estava fazendo do jeito correto. Mal esse pensamento passou pela minha cabeça e senti sua mão agarrando minha cabeça com força pelos cabelos, e a empurrava mais e mais para o centro do prazer dela.

--- Ah... Vou gozar... Ah... Vou... Ah...

Senti o corpo dela estremecer, segurei as coxas dela pra tentar mantê-la no lugar pra que eu pudesse continuar a penetra-la com minha língua, mas ela estava gozando tão forte que simplesmente não podia mais conter o próprio corpo parado.

--- Bebe tudo Roma! --- ela havia gozado e estava escorrendo entre as pernas --- Bebe meu gozo todo e engole.

Mais que rapidamente obedeci as ordens dela e suguei o que restava do néctar em seu sexo e engoli, tinha um gosto agridoce, cheirava muito bem, ela estava exalando aquele perfume maravilhoso. Nunca em minha vida havia provado algo tão libidinoso e maravilhoso. Foi... Sensacional.

Ela parecia estar mais calma, sua respiração tinha voltado ao normal.

--- Pra uma mulher que diz ser virgem você mandou muito bem. --- disse ela se levantando, tratando de se enfiar em seu uniforme.

Eu estava extasiada, cansada e inconsolavelmente triste. Mesclagem estranha de sentimentos não é? Pois é...

Minha vergonha me fez despertar para minha nudez, levantei rápido e peguei minha camisola, vesti o mais rápido que pude.

--- Olha só! Hahahaha... --- do que ela está rindo? --- Sangue! --- olhei para o ponto de visão dela e vi pequenas manchas de sangue no lençol branco. Era a prova definitiva que eu dizia mesmo a verdade --- Não é que você era mesmo virgem?! HHahahaha...

--- Eu estava dizendo a verdade.

--- Hum... --- ela pegou uma navalha do bolso da calça dela e cortou o pedaço do lençol onde continha o sangue. Onde ela tinha arrumado aquela navalha? --- Meu troféu! --- dobrou o pedacinho de lençol cortado e guardou no bolso juntamente com a navalha --- Vou pendurar na grade da minha cela! Quero que todas as mulheres vejam isso.

--- Por favor, não faz isso! É humilhante! --- eu não estava acreditando que isso estava acontecendo!

--- Cale a boca, rubita! Não te perguntei nada! --- ela nem ao mesmo olhou na minha cara pra falar, estava abotoando os botões da camisa, ao terminar olhou pro chão como se procurasse algo --- Isso me pertence! --- abaixou e pegou minha calcinha rasggada e enfiou também no bolso.

Eu nada disse, estava claro que a ela não importava nada que eu pensasse. Eu não queria implorar mais por um gesto de demonstração de caráter dela, mesmo porque já estava mais que provado que isso era algo que lhe faltava. Se ela quisesse pendurar minha vergonha e minha peça intima na grade da cela dela, como exemplo para as outras presas, pois que fizesse! Eu não iria me humilhar mais do que já estava fazendo.

--- Odete! --- ela batia na grade e no portão --- Venha já me tirar daqui. --- a carcereira prontamente abriu o portão para que Bela Fatal pudesse sair.

Sentei-me em minha cama, a mesma em que instantes atrás sustentou nossos corpos suados. Recomecei a chorar. Se por um lado – eu tinha que reconhecer – Bela Fatal havia me proporcionado o momento mais bonito e delicioso de minha vida, por outro também havia me apresentado uma dor que eu ainda não havia experimentado.

Segundos depois, Odete voltou pra me buscar, me segurando por um braço me conduzia até minha cela. Eu caminhava mecanicamente, sentia um leve incomodo entre minhas pernas.

--- Ah... --- sufoquei um gemido de angústia ao avistar aquilo, mas minha inquietação não passou desapercebido pela carcereira

--- Hahahaha... --- a desgraçada ria da minha desgraça --- Bela Fatal é mesmo uma sortuda! Hahahaha...

Além de tudo, Bela Fatal precisava realmente pendurar minha vergonha na sua cela para que todas as outras vissem?! Como uma bandeira!

Enquanto passávamos pelas celas, vozes, sussurros e risadinhas chegavam até meus ouvidos. Eu caminhava olhando para o chão, não queria olhar nos olhos de ninguém, não queria ver mais nada, mas podia sentir os olhares curiosos em cima de mim, embora não me dignasse a olhá-las nos olhos. Minha vergonha estava estampada em minha face.

--- Vadia! Hahaha... --- Uma das presas gritou quando passei em frente sua cela.

--- Loira gostosa! --- uma outra gritou --- Hoje foi Bela Fatal, amanhã será minha vez! Hahahah... --- Meu Deus! Quero morrer!

Finalmente cheguei até a cela, sempre escoltada por Odete. A carcereira tirou do bolso um molho de chaves e abriu minha cela, entrei e em silêncio sentei-me em minha cama.

Eu não olhei nos olhos de Joana, nem mesmo ergui minha cabeça, não saberia o que dizer ou o que contar. Ela me pareceu ainda mais nervosa que eu, mas venceu a tensão e se sentou ao meu lado, segurando minhas mãos com as dela. Ficamos em silêncio por alguns minutos, nem sei precisar exatamente quanto, só sei que foi tempo suficiente pra que eu pudesse me preparar para discernir o que ela deveria saber ou não. Eu não precisava de ninguém me achando uma vadia. Já bastava eu mesma.

--- Roma... --- ela se dispôs a começar a conversa, timidamente --- Sei que você não deve estar em seu melhor momento agora... Mas... Acho que você devia botar pra fora o que está sentindo... Será bom.

--- Joana... Não há nada pra dizer. --- eu realmente não podia dizer que tinha gostado! Que ódio de mim mesma! --- Ela veio, me fez dela e quando se sentiu saciada foi embora.

--- Mas... --- minha amiga não desistia, queria tirar algo mais de mim, e eu imaginava que ela não estava convencida que eu não tinha mais nada a dizer.

--- Joana, eu realmente estou cansada. --- melhor dar fim a conversa de uma vez antes que ela insista e eu acabe confessando meu pecado --- Melhor que a gente vá dormir agora.

--- Tudo bem --- ela assentiu contrariada, mas pareceu entender que eu precisava mesmo descansar --- Mas se precisar desabafar saiba que tem uma amiga que está bem aqui --- apontou a cama ao lado --- Na cama vizinha a sua, pronta pra te escutar e ajudar.

--- Eu sei, Joana, acredite. Você é uma amiga muito boa, mas não tenho nada mais a dizer --- me deitei e puxei o lençol disponível pra me tapar --- Boa noite, Joana.

--- Boa noite, Roma.

 

 Capitulo 4

 
   No dia seguinte fomos para o refeitório e ao entrar a avistei em pé em frente a uma das mesas ali dispostas, estava falando e gesticulando para outras três detentas, todas riam divertidas em um tom alto, chamando a atenção das outras.
   Senti repentinamente todos os olhares sobre mim, haviam percebido minha presença no ambiente, não só Bela Fatal e suas companheiras de conversa, mas todas as demais mulheres que ali estavam. Um burburinho mesclado com risinhos entravam em meus ouvidos e eu podia distinguir alguns sons, uns me cantando e outra me chamando de nomes que tenho vergonha de dizer. Todas sabiam. Todas, sem exceção. Que vergonha!
   Baixei o olhar e me forcei a andar para a fila, meus olhos estavam lacrimejantes.
--- Fica assim não, Roma. --- Joana, seempre amável...
--- Como não ficar assim se sou a fofocca do dia!
--- Com o tempo elas esquecem! Bela Fattal já teve o que queria e vai arrumar outra pra infernizar.
   Eu tratei de comer rapidamente, queria sair dali o mais depressa possível. Após terminar me encaminhei para a cozinha. Por sorte me mandaram descascar cebola, minhas lágrimas corriam livres por minha face, e nada parecia capaz de aplacar essa dor e humilhação que eu estava sentindo.
   Na hora do banho de sol, sentei-me com Joana novamente na arquibancada. Como que por atender minhas preces, Bela Fatal não estava à vista.
--- Oi delícia! --- me deparei com uma mulher muito alta e ruiva, com os cabelos curtos e arrepiados, ostentava um piercing no nariz e me olhando como se eu fosse um bolo de chocolate e ela uma criança faminta --- Vou te fazer companhia, sou Rita.
--- Não precisa! --- me apressei em ressponder --- Joana está comigo, ela me faz companhia.
--- Não me refiro a esse tipo de compannhia --- disse chegando bem perto e tocando meu rosto com a mão numa carícia que me ardeu as faces de ódio --- Tenho planos pra esse seu corpinho lindo...
   Minhas faces coraram de ódio e vergonha, aliás esses dois sentimentos haviam se tornado uma constante dentro do meu peito desde que entrei nesse inferno de presídio. Num ímpeto de coragem saí correndo em direção a minha cela, deixando a ruiva odiosa falando sozinha.
   Minutos depois Joana chegou, ofegante:
--- Roma! --- ela estava mais nervosa qque ofegante --- Roma, sua maluca! Você não podia ter deixado Rita lá! Agora ela deve estar irada!
--- Francamente Joana, que idéia você ffaz de mim? --- quem estava irada era eu --- Não sou prostituta! E nunca mais serei a putinha dessas presas malditas! Nunca, ouviu bem? Nunca!
--- E o que você fará para se livrar deelas? Não tem jeito!
--- Só fiz o que Bela Fatal pediu porquue pensei que me livraria e não seria mais incomodada, mas agora vejo que não... Se não for com Bela Fatal, será com outra... Não posso viver assim. Não posso.  

 

   Dois dias depois eu estava na companhia de minha amiga Joana no refeitório, almoçando, parece que ter ido pra cama com Bela Fatal surtiu o efeito desejado, ela não havia mais me incomodado, pra ser franca, ela nem ao menos tinha voltado a olhar na minha cara... E não sei por que, mas de alguma forma isso me incomodava... Mas, por quê? Não sei mesmo.
   O meu problema agora era com a ruiva, acho que se chama Rita... Ela estava me assediando, mas não tinha poder suficiente para me levar para a sala de visitas íntimas, então não passava de cantadas baratas e ameaças. Quando eu a via, corria. E sempre funcionava, ela não se importava em ir atrás de mim, acho que era por que sabia que não poderia passar disso.
--- Roma! --- será que ouvi direito? Esssa voz é de quem penso que é? --- Surda! Agora confirmei! --- continuou a voz num tom sarcástico.
   Girei meu pescoço para confirmar a imagem que minha mente já previa. Bela Fatal estava parada atrás de mim. Levantei-me para ver o que ela queria. Nem é preciso dizer que a uma altura dessas todo o refeitório estava de olho na gente, mudas, ouvidos aguçados.
--- Bela Fatal, que você quer?
--- Você. --- ela é sempre tão direta....
--- Pois saiba que não terá novamente. --- eu sabia onde estava me metendo e que talvez não saísse viva dali, mas já não me importava. Viver como uma qualquer não me agradava em nada.
--- Ah, não quer? Hahaha... E quem dissse que você tem querer?
   Todo o presídio estava rindo alto, gargalhando, melhor dizendo. Essa tática de lhe dizer que simplesmente não queria não funcionou, como eu já previa, então eu tentaria algo que mexeria com o brio dela:
--- Sabe, Bela Fatal --- elevei o tom dde voz propositalmente, eu queria que minhas palavras chegasse aos ouvidos até da presa sentada na última cadeira da última fileira --- Eu fiquei decepcionada com você...
   Ela fez uma cara de quem não estava entendendo nada, mas ainda se mantinha calada, então continuei:
--- Pensei que a incrível Bela Fatal tiivesse um desempenho melhor na cama...
--- O que?! --- ela estava branca! Golaaço! Estava funcionando! --- Do que você está falando rubita?!
--- Isso mesmo que você ouviu! Se você fosse, digamos: uma expert nas artes sexuais, eu ficaria contente em voltar a freqüentar a sala de visitas íntimas... Mas... Francamente Bela Fatalzinha... Não rola mais!
   Todo o refeitório agora ria com força, e Bela Fatal estava como que em estado de choque, por certo nunca havia passado por uma situação dessas. Joana em sua cadeira parecia que ia desmaiar, estava convencida de que dessa noite eu não passava.
   A expressão de Bela Fatal mostrava o quão possessa ela estava com a situação na qual eu a tinha colocado. A olhei bem nos olhos, e para meu espanto ela sorriu. De novo aquele sorriso maléfico.
--- Rubita mentirosa! --- sua voz era uum sussurro --- Eu sei bem o quanto você aproveitou desse meu corpinho naquela cama. --- ela agora parecia estar se divertindo.
--- Vai me matar? --- resolvi perguntarr e acabar de vez com aquilo.
--- Hahahaha...
   Piscou pra mim e saiu assim, rindo e sem me dizer nenhuma palavra. Não que precisasse, aquele tipo de sorriso me dizia muito mais.

 


   A hora do banho era sempre um martírio a parte, ficar nua na frente de assassinas, seqüestradoras, golpistas e bandidas em geral nunca havia sido meu sonho de infância. Era um cômodo amplo, com dez boxes apertados e em apenas um havia porta, os outros estavam quebrados e eu não podia me dar ao luxo de esperar o boxe com porta desocupar para eu tomar banho, visto que só tínhamos dez minutos dispostos para isso. A água era sempre fria, e eu sempre odiei água fria. Eu podia ser pobre, mas água quente era algo de que eu não me privava. O sabonete também era comunitário, algumas presas tinham seus próprios produtos de higiene, presente da família, ou conseguiam por meios ilícitos. Eu tinha certeza de que quando o domingo chegasse e Edvaldo viesse me visitar, traria coisas assim para mim, mas por enquanto eu tinha que usar tudo do presídio mesmo.
 --- Oi meninas! --- Bela Fatal?! O que ela está fazendo aqui? Esse horário está reservado para o banho das primeiras cinco celas da ala C e Bela Fatal fica na ala A! --- Vim fazer uma visitinha!
   Eu estava nua dentro do terceiro box contando da porta por onde ela entrou. Droga! Ela não pode me ver... Então virei de costas e torci pra passar despercebida por ela.
--- Hum... Olha o que temos aqui! Hahahhaha... --- ah não! Ela me descobriu! Resolvi me virar e agüentar a provocação, que sabia que seria pesada, talvez ela me batesse até eu desmaiar, ou morrer, ou sei lá... Mas eu não estava com medo.  
--- Estou tomando banho Bela Fatal.
> --- Mesmo? Hahahaha... Você pode ser suurda rubita, mas eu não sou cega! Hahahah... --- eu já disse que odeio que debochem de mim?
   Eu fiz menção se sair do box, estava me sentindo mais frágil nua, precisava me vestir, mas ela tratou de me segurar pelo braço
--- Onde pensa que vai?
--- Vou me vestir, já acabei meu banho..
   Ela me puxou do boxe, nua, e seguiu me puxando em direção ao único box com porta, mas é claro: estava ocupado.
--- Sai já daí! --- ela gritou batendo na porta
   A mulher que estava dentro ao reconhecer a dona da voz se apressou em correr dali, liberando o pequeno espaço para que ela me jogasse ali dentro e entrasse junto, fechando a porta.
--- O que significa isso, Bela Fatal?    A resposta que obtive foi a boca dela contra a minha, forçando a entrada com sua língua, eu não permiti, mas ela não desistiu, passou a acariciar meu corpo molhado com uma mão enquanto a outra me agarrava pela nuca. Abaixou a boca e sugou um seio meu e gemi sem me dar conta, ela então forçou uma das pernas entre as minhas dando espaço então para que seus dedos encontrassem espaço para adentrar em minha carne macia e molhada, não só pela água do chuveiro, diga-se de passagem... Nesse momento ela voltou a procurar minha boca e não pude mais me conter: cedi.
--- Ah... Ah... --- gemi quando os dedoos dela por fim entraram em mim...
--- Geme rubita! Assim...
--- Ah... Ah... --- essa era a minha reesposta.
   Deixei-a fazer comigo o que quis, ali mesmo, dentro do box, com todas aquelas mulheres lá fora e ouvindo tudo.   
   Todas aquelas mulheres lá fora ouvindo tudo? Meu Deus! Porque a gente só se importa com o som que faz depois de gozar?
--- Hahahah... --- ah não! Mais um probblema. Bela Fatal estava rindo daquele jeito de novo! Será que ela não sabe rir de outra forma? --- Foi bom pra você, rubita?
   Ela abriu a porta do box e saiu, parando do lado de fora e me puxou, eu estava nua, marcada pelo sexo que havia feito e me sentindo com mais vergonha do que nunca em toda a minha vida. Eu estava sendo vista por uma platéia de várias presas, sorridentes e divertidas, umas poucas me olhavam com pena e outras com desaprovação.
--- Agora, rubita --- Bela Fatal dizia ainda me segurando --- Diz na frente de todas essas mulheres: Quem é ruim de sexo?
   Plac! Foi o som do tapa que eu dei nela, pra logo após sair correndo, rubra de ódio, vergonha e indignação. Será que Bela Fatal não sabia despertar mais nada nas pessoas além disso? Ou era só comigo?   
--- Volta aqui, rubita! --- ai não! Elaa ta vindo atrás de mim!
   Apertei meus passos, mas ela me alcançou mesmo assim, pudera, olha só como as pernas dela são compridas!
   Senti um puxão e estanquei, esperando meu castigo, que certamente viria a seguir.
--- Vai, pode bater! --- eu disse aos ggritos, francamente toda essa situação já estava me enervando --- Vai Bela Fatal! Me bate logo, me mata, ou qualquer coisa que você pretenda fazer e acaba logo com isso!
--- A única coisa que pretendo fazer coom você é te comer! --- me disse isso me puxando para seus braços. Minhas pernas amoleceram... Droga! Mil vezes droga! Mas eu não iria ceder... Não outra vez! --- Você ainda não disse quem tem desemmpenho ruim na cama, Roma!
--- E nem vou dizer! --- olhei em voltaa e muitas presas já haviam se aglomerado em volta de nós duas, assistindo o circo armado --- Me solta Bela Fatal!
--- Não sem antes você dizer! --- ela nnão iria mesmo me soltar, eu sabia --- Diga, Roma!
--- Nunca!
--- Pois nem precisa! Seus gemidos enloouquecidos falaram por si só! --- e ela riu triunfante, pisando no pouco que restava do meu orgulho próprio.
   As mulheres a nossa volta ao ouvirem esse comentário se puseram a rir e urrar. Agora sim não sobrava mais nada do meu orgulho... Nada!
--- Eu não sou sapatão! --- gritei maiss alto ainda, desejando que minhas palavras transpusessem o som das risadas --- Tenho um noivo lá fora e o amo! Vamos nos casar!
--- Sim... Lá fora, mas aqui você é minnha, Roma.
--- Jamais! Não sou prostitua! --- foi minha última cartada --- Eu tenho nojo de você Bela Fatal! Nojo! Asco! Sabe o que é isso, Bela Fatal? Pois então te explico: Não suporto quando você me toca e só de pensar tenho calafrios! --- era mesmo preciso mentir.
   Assisti de camarote a mudança súbita na expressão dela: antes um olhar apaixonado, defendendo sua causa, tentando me fazer confessar que gostei e agora essa expressão fria nesses olhos tão azuis... Fiquei com medo.
--- Pois não te toco nunca mais! --- ella me disse isso olhando nos meus olhos, com uma fúria contida e frieza no tom de voz, e me soltou.
   Quase cai pra trás quando seus braços deixaram de me apertar contra seu corpo. E dessa vez foi ela quem me virou as costas e saiu, me deixando ali, plantada de pé, querendo poder me transformar em avestruz pra poder enterrar a cabeça na terra e nunca mais retirar.

 

Capítulo 5

 

Os dias passaram e a semana fechava minha primeira semana presa. Um inferno!

Bela Fatal havia cumprido a palavra, não tentou mais nada comigo, na verdade desde aquele dia não mais me olhava na cara, nem mesmo em minha direção... Era como se eu nem estivesse ali... Acho que as paredes recebem mais atenção dela do que eu.

Mas quem se importa? Está bem! Eu me importo! Mas por quê? Não sei... Não sei mesmo. Só sei que preciso pensar em outra coisa, como por exemplo, no dia seguinte, que era domingo e com certeza Edvaldo viria me visitar.

Edvaldo... Meu noivo que amo... Amo? Não... Nunca o amei de verdade. Acho que eu sempre tive medo de ficar sozinha na vida e sinto confiança nele, era um rapaz estudioso, trabalhava no armazém do seu Joaquim, eu poderia ter uma vida direita com ele.

--- Roma! --- Joana estava entrando na cela, e se sentou ao meu lado na cama --- Carta pra mim! É da minha mãe!

--- Que ótimo Jô! --- era bom ver minha amiga feliz --- Você precisa de privacidade pra ler?

--- Hum... --- ela exitou em responder --- Se você não se importar... Acho que prefiro ficar sozinha mesmo...

--- Sem problemas, amiga! --- peguei um livro, dei um beijo na bochecha dela e sai da cela, rumo ao pátio.

Ainda bem que essa carta chegou no horário do banho de sol, assim posso deixá-la mais a vontade.

Sentei no gramado de frente para a academia, por sorte Bela Fatal não estava por lá. Comecei a ler o meu livro.

--- Atrapalho, delicinha? --- ah não! A ruiva novamente! Ninguém merece!

--- Atrapalha sim, Rita! --- me apressei em responder, mas não adiantou, porque ela se sentou ao meu lado.

--- O que você está lendo? --- ela fingia interesse no meu livro.

--- Dom Quixote, de Cervantes.

--- Você é uma menina culta --- ela ergueu a mão e roçou os dedos no meu rosto --- Culta e bonita... Combinação explosiva!

Nesse momento Bela Fatal passou e pela primeira vez em dias nossos olhares se cruzaram. Era o exato instante em que a ruiva me acariciou a face, mas não pude definir o que ela pensou disso, pois sua expressão não dizia nada. Mas o que importa o que Bela Fatal pensa?

--- Você é muito gostosinha, menina! --- a ruiva cortou meu pensamento, ela me olhava de cima a baixo --- E agora que Bela Fatal não ter quer mais, podemos...

--- Não podemos nada! --- cortei a frase dela e me levantei com raiva --- Pare de me assediar ou...

--- Ou o que, delicinha? Hahahah --- ela ainda estava rindo! Que abuso! --- Não pode fazer nadinha... Quem vai te defender? Seu noivo que esta lá fora? Hahaha...

Ai que ódio! Essa ruiva conseguia ser mais ordinária do que Bela Fatal! Saí andando com pressa, em direção a minha cela.

--- Droga! Mil vezes droga! --- blasfemei ao cruzar o portão da minha cela.

--- Nossa, Roma, o que aconteceu? --- Joana me perguntou espantada com meu comportamento.

--- Rita, aquela ruiva odiosa! --- eu queria esganá-la --- Ela está me assediando! Não sei mais o que fazer para mantê-la longe!

--- Ih amiga... Livrou-se de uma e agora arrumou outra!

--- Nem me fale! --- me dei conta de que algo me faltava --- Droga! Esqueci meu livro lá no gramado! Saí tão irritada com pressa que nem me dei conta. Vou até lá pegá-lo e já volto.

--- Quer que eu vá pra você?

--- Não precisa... Curta sua carta, ela não deve estar mais lá. E se estiver eu volto e aí sim te peço pra ir.

Como eu previa a ruiva não estava mais lá. Depois do fora que eu dei nela, deve ter ido dormir. Peguei meu livro e dei meia volta, mas quando avistei a entrada do corredor que levava a minha cela dei de cara com Bela Fatal. Girei meu corpo novamente e fui direção ao sanitário do pátio. Entrei por um corredor, virei à esquerda e novamente a esquerda. Eu já havia memorizado quase todo o prédio. Entrei no sanitário, estava vazio. Lavei meu rosto e meus pulsos acelerados. Porque todo o meu corpo acelerava diante dela? Será que é medo? Quem eu quero enganar! É puro desejo... Droga, mil vezes droga!

--- Oi Delicinha! --- se você acha que quando está ruim não pode piorar... É porque você não tem imaginação o suficiente! A ruiva estava de novo atrás de mim!--- Sentiu minha falta?

--- Na verdade não. --- disse e me preparei para sair, era perigoso ficar ali sozinha com ela e eu sabia.

--- Que pena que você não sente o mesmo por mim...

Eu estava começando a ficar com medo, algo no olhar dela me dizia o que ela estava prestes a fazer... E agora? O que faço? Ela está barrando a entrada e é mais forte que eu.

--- Meu corpo está queimando de vontade do seu, menina! --- ela começou a se aproximar de mim, me segurou forte pelo bumbum, desceu a mão pelo meu corpo e se pôs a beijar e lamber meu pescoço.

--- Me solta! Me solta! --- eu estava desesperada! Comecei a gritar o mais alto que podia na esperança de ser ouvida --- Socorro!

--- Plac! --- ela me estapeou com força!

--- Ai! --- gritei de dor agora, minha face estava marcada, com certeza, pela violência do tapa.

--- Cala a boca sua vadia! Ou eu mato você! Colabora comigo!

Eu resolvi ficar quieta, não queria morrer. O que vocês fariam numa situação dessas? Por certo o mesmo que eu.

Agora ela beijava meus seios por cima do meu uniforme, e me apertava de encontro ao corpo dela.

--- Tire suas patas imundas de cima da minha mulher! --- essa voz! Nunca pensei que sentiria tanta felicidade com a presença de Bela Fatal!

A ruiva estancou, dura e lívida, feito um bichinho acuado.

--- Bela Fatal, eu não sabia que ela era sua! --- a ruiva tentava se explicar --- Você mesma disse que não a tocaria mais!

--- Pois mudei de idéia! --- Bela Fatal a puxou e a jogou longe --- Se eu pegar você só olhando pra Roma, eu juro que te mato! --- o tom de voz dela era frio e impunha medo e respeito.

--- Claro! Não olho mais! --- a ruiva mal respondeu e saiu correndo.

Suspirei aliviada... Para logo em seguida voltar a alterar meus batimentos cardíacos, me dei conta de que estava sozinha com Bela Fatal naquele banheiro distante e o jeito que ela me olhava não era nada animador, tampouco simpático.

--- E você, sua piranha! --- é, parece que todos tiraram o dia pra me xingar! --- Veio se enfiar nesse banheiro com aquela imunda! Não quer que eu a toque, mas ela pode!

--- Não é nada disso! --- eu não devia explicações a ela, mas minha indignação me fez dizer a verdade --- Ela me seguiu até aqui!

--- Oh, claro! E você estava apreciando muito, pelo que pude ver!

--- Eu não estava apreciando nada! Será que não deu pra perceber que ela estava tentando me estuprar?

--- Claro... Ela tentava e você gostava!

--- Eu não estava gostando!

--- Mas estava quietinha, deixando ela fazer!

--- É claro que fiquei quieta! Quando gritei por socorro ela ameaçou me matar! E ela nem chegou a fazer nada.

--- Como não? Estava beijando seus peitos! --- nesse instante ela me puxou e acariciou meu seio com a mão que restava --- Esses peitos me pertencem!

Me julguem, me xinguem, me batam na cara, mas tenho que dizer que não pude resistir a aquele toque, a aquele abraço... Ela me puxou pela nuca e enfiou a língua dentro da minha boca... Amoleci totalmente... Era boa demais essa sensação...

O beijo foi se aprofundando, se tornando mais intenso. Era Bela Fatal agora quem passava a mão pelo meu corpo... Era bom...

--- Espera aí! --- me lembrei repentinamente que meu corpo não é bagunça! --- Quem você pensa que é pra passar a mão em mim assim desse jeito?

--- Hahahah... --- aquele jeito de sorrir não era boa coisa... --- Sou sua dona aqui dentro! E você vai pertencer a mim quando eu tiver vontade e eu estou com vontade agora!

--- Não! --- eu gritei, mas sabia que era em vão. Precisava agir. E rápido, antes que ela me tomasse ali --- Tudo bem, Bela Fatal! Eu também quero fazer isso, mas me solta, deixe que eu me dispa primeiro, não preciso que você estrague meu uniforme!

Ela me olhou espantada, mas se afastou parecendo acreditar no que eu dizia.

--- Vamos lá, rubita! --- ela se animou com a perspectiva de me ver nua novamente --- Deixe-me vê-la como veio ao mundo!

Levei meus dedos trêmulos aos botões da camisa laranja e lentamente fui desabotoando um por um... Quando vi que Bela Fatal havia se afastado o suficiente para me observar melhor, calculei o tempo que eu levaria pra chegar com alguma vantagem até a porta. Sabendo que meu plano poderia funcionar, me pus a correr feito louca. E consegui. Cheguei a minha cela esbaforida e suando.

--- Deus, Roma! --- Joana ria de minha expressão --- A caso está correndo do diabo?

--- Não... Pior! Estou correndo de Bela Fatal!

Ao ouvir isso Joana se sobressaltou.

--- Então ela virá a seu encalço!

Nesse momento uma guarda apareceu:

--- Está na hora de trancar a cela.

--- Ufa! --- ri de puro nervosismo --- Nunca pensei que fosse apreciar ouvir isso! Coisas estranhas aconteceram o dia todo!

Bela Fatal apareceu no momento em que a guarda trancafiava Joana e eu.

--- Odete! Abra a cela! --- Bela Fatal estava... Frustrada?

--- Não posso Bela Fatal... Sinto muito --- a guarda respondia Bela Fatal quase que com reverência --- Já é hora de fechar.

--- Então reserve a sala de visitas íntimas pra mais tarde.

--- Hoje não dá... --- havia certo desconcerto na voz de Odete, como se temesse dizer a Bela Fatal que não poderia satisfazer seus caprichos.

--- O que está me dizendo, sua guarda idiota?

--- A sala está reservada para limpeza, amanhã é domingo e será usada, precisa estar limpa.

--- Então reserve para amanhã!

--- Amanhã muito menos... Muitos casais marcados... Mas segunda estará disponível...

--- Ah! --- ela bufou de raiva e indignação.

--- Bela Fatal... Você precisa ir para sua cela agora. A guarda responsável por sua ala deve estar te procurando.

Odete disse isso e saiu, claro que ela não queria ficar para presenciar a reação e Bela Fatal.

--- É rubita... --- ela encostou o rosto na grade --- Parece que grades nos separam. Mas não por muito tempo!

 

 

 

 

Domingo, pé de cachimbo... Dia de visitas! Dia de visitas? Oh meu Deus! Edvaldo virá me visitar!

Levantei, lavei meu rosto, escovei os dentes e rumei para o refeitório com Joana.

Avistei Bela Fatal de longe, ela me piscou um olho e eu fingi que não vi. Pouco tempo depois reparei que ela havia levantado e deixou o prato em cima da mesa, nem se deu ao trabalho de recolher e levar de volta a cozinha.

--- Viu só como Bela Fatal nunca recolhe seu prato? --- perguntei pra Joana.

--- Claro, seu eu fosse poderosa como ela também não recolheria!

--- Sempre foi assim?

--- Desde que ela entrou aqui. Desde então manda em tudo e em todos, mas eu já havia te dito isso antes.

--- Sim, mas eu não sabia que... Bem, na verdade não tinha reparado que ela nem mesmo recolhia seu próprio prato.

--- Bela Fatal tem muitas regalias... --- Joana me confidenciava --- Ela também não limpa sua cela, tem presas que servem de faxineiras pra ela.

--- E a troco de quê? Propina ou medo de perder a vida, como eu que me entreguei pra ela?

--- Não sei se ganham com isso... Mas ao menos não perdem. Não perdem a vida... Mas isso é o que dizem... Assim como você se entregou pra ela por medo, muita gente faz coisas pelo mesmo motivo.

--- E é mesmo verdade que ela tem faxineiras ou só boato?

--- Nunca estive na ala dela, nem nunca passei em frente a ala A. Por isso não posso saber, não conheço a cela de Bela Fatal.

--- Eis aí mais uma coisa que eu queria saber: Porque ela tem livre acesso a nossa ala e nós não podemos passar pra dela? Aliás, não só pra dela, como pra nenhuma outra! Estou convencida que a direção do presídio está recebendo propina!

--- Que bom que você acordou.

--- Como fui ingênua em pedir ajuda pra guarda.

Joana não respondeu, apenas moveu a cabeça em sinal afirmativo.

Terminei meu desjejum, me levantei calada e absorta em meus pensamentos e estava voltando para minha cela quando Joana me chamou de volta.

--- Roma, você não tem que ir ajudar na cozinha domingo, tem? --- Joana me perguntou

--- Não, aos domingos estou liberada.

--- Que bom! Vamos para o pátio então, enquanto esperamos para recebermos nossas visitas! --- minha amiga estava feliz, receberia a visita de seu namorado, iriam para a sala de visitas íntimas, ela havia me confidenciado ontem a noite.

--- Ah... Jô, melhor não... --- eu não queria ver Bela Fatal e ela deve ter ido lá pra fora --- Vá você para o pátio e espere seu namorado, eu preciso ajeitar umas coisas na cela, está uma bagunça e...

--- Você está com medo de Bela Fatal?

--- Não é isso... Não sei se é medo. Só não quero vê-la, preciso estar bem para receber meu noivo, não quero que ele me veja abatida.

--- Quer que eu fique na cela com você te fazendo companhia?

--- Não precisa, Jô. Eu estou bem, de verdade.

--- Certo. --- ela se convenceu que não adiantava tentar me convencer --- Então qualquer coisa já sabe onde eestou.

Continuei meu caminho até minha cela, estava aberta e ficaria assim o dia todo, domingo tínhamos liberdade pra transitar entre nossas alas, o pátio e o sanitário do pátio, aquele escondido onde coisas me aconteceram ontem.

Entrei na minha cela e dei de cara com um par de olhos azuis tão intensos que parei onde estava, sem reação. Ela levantou e chegou bem perto de mim, mas sem me tocar:

--- Estava te esperando, rubita! --- sua voz grava e melodiosa tinha um tom divertido.

--- Me esperando pra quê? --- perguntei, embora soubesse o que ela queria comigo.

--- Pra isso! --- deu um passo à frente, me puxou e me beijou.

Era um beijo desses que tonteia e não sei precisar o tempo exato que durou, mas era intenso e apaixonado, molhado, sensual... Suas mãos corriam pelo meu corpo, apalpavam meus seios, apertavam meu bumbum, enquanto sua língua exigia a minha cada vez com mais audácia dentro de minha boca.

--- Hum-hum! --- ouvi um pigarreio atrás de nós e senti sua boca se afastar da minha com má vontade.

--- Joder! --- Bela Fatal estava visivelmente irritava pela interrupção da guarda --- O que é Odete!

--- Perdão, Bela Fatal --- a guarda respondeu temerosa --- Mas tenho ordens para levar Roma até o pátio, ela tem visita.

--- Maldita guarda! --- ela me soltou e deu um soco no portão de ferro com muita força, fazendo um barulho ensurdecedor.

--- Perdão, Bela Fatal! Só cumpro ordens!

Ela nem ao menos olhou na direção da guarda, apenas chegou perto de mim mais uma vez e tentando controlar sua respiração alterada:

--- Escuta aqui, rubita... --- soava como uma ameaça --- Eu estou em ponto de bala faz tempo, meu corpo anseia o seu e não costumo negar nada pro meu corpo. Você vai ser minha ainda hoje! --- e saiu da cela enraivecida.

--- Roma --- a guarda me chamava --- Vamos pro pátio, você tem visita.

--- Sim, vamos.

Eu caminhava automaticamente, Bela Fatal mexia muito comigo, e aquele beijo? Meu Deus, como posso resistir a ela? Eu nunca deixei meu noivo me tocar assim... Não que eu dê permissão pra ela me tocar, ela é que se apropria do meu corpo como se fosse dona de fato. E não era? Sim, era! Ao menos ali dentro, eu querendo ou não...

O pátio estava mais cheio do que de costume, muito mais alvoroçado, pessoas diferentes, homens, mulheres e até algumas crianças estavam visitando suas amigas e parentas. Algumas presas eram tias, mães, irmãs, filhas... E eu era apenas noiva. Noiva de Edvaldo.

--- Procure por sua visita, deve estar por ai --- a guarda falou e se afastou.

Procurei de um lado e de outro, até que vi um rapaz alto, loiro com olhos cor de mel, sentado na grama, em baixo de uma árvore, era meu noivo. Havia ao lado dele uma cesta, por certo era comida. Assim que me avistou ele levantou-se e veio correndo em minha direção:

--- Roma! Meu amor! --- a voz dele era cheia de emoção.

Nos abraçamos fortemente e ao nos soltarmos fomos nos sentar onde ele estava anteriormente.

--- Eu estava com muita saudade Rominha!

--- Eu também, Ed. --- meu tom seco me surpreendeu --- Você está tão bem, mais bonito. --- resolvi tentar corrigir minha falha com elogios.

--- Estou? Mas eu emagreci dois quilos só essa semana, amor. --- o tom de voz dele era aflito --- Fico tão preocupado com você aqui dentro!

--- Não precisa, Ed... Eu estou bem. --- eu nunca iria contar a ele que não era mais virgem! Nunca!

--- Sinto muito sua falta, Rominha --- ele se pôs a cariciar meu cabelo --- Das nossas noites de terça e quintaa namorando na varanda... --- ele se inclinou para me beijar.

Não pude deixar de sentir um carinho por ele e deixei ser conduzida para receber o beijo que ele queria me dar.

Notaram o que eu disse? O beijo que ele queria me dar... Acaso eu não queria também?

Nossos lábios se tocaram e a mão dele continuava acariciando meu cabelo. Ao menos eu não podia dizer que ele não era carinhoso... Mas não pude deixar de comparar... A boca dele não era macia, e a barba raspada me raspava o rosto, uma sensação ruim... O cheiro de homem... Deus! Como eu nunca notei isso antes! Droga, mil vezes droga! Eu gosto de mulher! Oh! Pior ainda! Eu gosto de Bela Fatal!

--- Rominha, o que foi? --- ele não entendia nada --- Você parou o beijo de repente... Fiz algo de errado?

--- Não é isso, Ed... --- o que eu ia dizer? Que acabo de descobrir que não gosto de barba, bigode, pênis?! Mesmo sem ter provado de um... E pra ser totalmente honesta, nem quero! --- É claro! É isso!

--- É isso o que, Rominha? --- ele estava mais perdido do que cego em tiroteio.

--- Nada não... Pensei alto. --- É isso! Não gosto de homem, e por isso nunca quis ir pra cama com ele! Só pode ser. Não tem outra explicação!

--- Rominha, você está muito estranha, mas não posso culpá-la, você deve estar passando por uma grande barra!

--- Sim, é isso sim, Ed... Liga não.

--- Olha, trouxe algo pra aliviar a tensão --- me disse destapando a cesta.

--- Bolo de chocolate com cobertura! --- agora eu estava feliz! --- Eu amo bolo de chocolate com cobertura!

--- Eu sei! --- ele riu feliz por me fazer feliz --- Comprei na padaria do Manuel, a esposa dele sabe fazer doces deliciosos.

Comemos bolo e ficamos de papo, ele me contou como estavam nossos poucos amigos, nem tão amigos assim, se nem vieram me visitar... Também não podia culpá-los, achavam que eu era culpada por um crime. Agora eu era mal vista na sociedade, se eu não provasse minha inocência seria pra sempre assim.

--- Também te trouxe sabonete e xampu.

--- Ai que maravilha! --- não teria mais que usar o comunitário... É anti-higiênico!

O abracei por esse gesto de atenção comigo e dei-lhe um beijo na bochecha.

--- Só mereço um beijinho na bochecha? --- ele perguntou sorrindo.

--- Não, seu bobo! --- agora eu sabia que não o amava, mas ele era a única coisa que eu tinha na vida! Era minha família, praticamente... --- Vai ganhar um beijo de verdade! --- eu não estava pronta pra me desfazer dele... Chamem-me de egoísta! Sei que estou sendo, mas tentem entender minha situação...

Cheguei próximo a ele e o beijei com carinho na boca, mas não passava de afeição... Não havia desejo, ânsia, fome... Não lembrava em nada os beijos que troquei com Bela Fatal...

--- Hola rubita... --- Pensando no diabo...

Paramos o beijo de imediato.

--- Eis que aparece o rabo! --- completei meu pensamento em voz alta, sem perceber, aliás, coisa que tenho feito em demasia nos últimos tempos, mas não me culpem! A presença de Bela Fatal é que me deixa assim, nervosa e transtornada!

Levantei-me rapidamente, sabia que e a presença dela ali significava uma coisa: Encrenca!

Bela Fatal bem próxima a mim, ergueu a mão e acariciou meu rosto, passou o polegar pela minha boca e desceu aqueles olhos tão azuis com desejo pelo meu corpo, demorando um pouco mais nos meus seios...

--- Estou com saudade do seu corpo no meu, Roma... --- e me beijou na boca, escandalizando visitantes que presenciavam a cena e principalmente Edvaldo, que assistia tudo passivamente.

A essa altura ela já passeava a mão por todo meu corpo, como de costume. A pergunta é: Porque diabos eu estava correspondendo?

Então num súbito recobrar de consciência, interrompi o beijo e tentei afastá-la de mim com toda a força que eu tinha, mas ela estava atada ao meu corpo, devido o tesão que a consumia. Então Edvaldo, saindo do transe, resolver tomar uma atitude:

--- O que está acontecendo aqui? --- ele estava mais magoado que nervoso.

--- Nada! --- eu gritei e por fim ela me soltou --- Não está acontecendo nada, Ed!

--- É sempre assim quando nossos corpos se tocam... --- ela dizia aquilo olhando somente pra mim, nos meus olhos --- Sempre essa explosão de desejo e tesão! --- desgraçada!

Sem mais palavras Bela Fatal piscou pra mim, deu meia volta e foi embora. Perfeito! Veio, criou o caos e agora me deixa sozinha pra resolver! Que inferno!

--- Olha, Ed... Eu juro que nada está acontecendo!

--- E o que foi aquilo? O que foi aquele beijo? Por Deus, Roma! Essa mulher te apalpou todinha! Não tem um só pedacinho do seu corpo que ela não tenha passado a mão!

--- Ah, também não exagera! --- se ele soubesse... --- Acontece que essa mulher me odeia! E ela vive me perseguindo, e fez isso só pra você terminar comigo, foi isso!

--- E porque ela te odeia?

--- Bem... Por que... Por que... Ora, não sei!

--- Ela não te odeia, ela te deseja! E porque ela disse que está com saudade do seu corpo no dela, que historia é essa? Você deixa ela te tocar, Roma?

--- É mentira dela, Edvaldo! Ela nunca me tocou! --- meu Deus, minha alma não tinha mais salvação!

--- Jura pra mim, Roma? Essa mulher nunca te tocou?

--- Juro.

 

Capitulo 6

 

Duas horas depois eu estava sentada em minha cama, morrendo de ódio, quando Joana aparece feliz da vida e até mais corada... Claro! Depois do que ela e o namorado estavam fazendo! Não pude evitar sorrir para ela.

--- E então? Como foi a visita? --- perguntei me esforçando para parecer feliz.

--- Foi... --- fez um suspense --- Quente! Hahahaha...

--- Que bom! --- mas minha cara de alegria não foi convincente.

--- Roma... Aconteceu algo? Você e seu noivo brigaram?

--- Sim... Não...

--- Sim ou não?

--- Bela Fatal apareceu lá!

--- Não! E o que aconteceu?

Contei pra ela o ocorrido, o que a deixou escandalizada e apavorada.

--- Agora fica nesse estado em que se encontra por mais duas horas e ficará como estou agora. --- disse pra ela alcançar o estado em que eu me encontrava.

--- Roma, como você e Edvaldo estão agora?

--- Ele acreditou no que eu disse. --- eu estava triste, quase a beira das lágrimas --- Imagina! Eu, virgem, namoro ele há anos e sempre fui reticente quanto a intimidades e deixaria justo uma mulher me tocar?!

--- Mas se ele souber a verdade terminará com você!

--- É isso que me preocupa... Se Bela Fatal fez isso hoje, fará domingo que vem e no outro e no outro... Como poderei recebê-lo aqui dessa forma? Ele vai descobrir e me achará um lixo! Aí vai me abandonar e voltarei a estar sozinha no mundo!

Um barulho nos chamou a atenção, era Odete, a guarda da nossa ala:

--- Roma, preciso que pegue suas coisas e venha comigo.

--- Ir com você? --- o que estava acontecendo? --- Mas pra onde?

--- Você será trocada de cela!

--- Mas por quê? --- eu estava aflita, olhei pra minha amiga e vi o mesmo no olhar dela --- Eu não quero ir para outra cela!

--- Acontece que você não tem querer detenta! --- falou com pouco caso e olhou em volta --- Se eu fosse você dava graças a Deus! Irá para um lugar infinitamente melhor do que essa pocilga que vocês habitam!

--- Lugar melhor? --- perguntei, acaso eu iria morrer?

--- Você irá para a cela de Bela Fatal. 

Peguei minhas poucas coisas, só havia mesmo meus dois pares de uniforme, minhas duas camisolas, algumas calcinhas, escova de dentes e dois livros novos que Ed havia me trazido hoje mais cedo.

Caminhei atrás de Odete pelos corredores até que percebi que estava sendo levada para outra ala.

--- Bela Fatal pertence à ala A, não é mesmo? --- perguntei.

--- Isso mesmo.

--- E porque estou sendo transferira para a ala A?

--- Não faça perguntas, detenta! --- ela me respondeu áspera.

Chegamos a escadaria e seguimos para o terceiro pavimento, depois de virar vários corredores paramos em frente a um enorme portão de ferro. A uma altura dessas, eu já estava perdida, nunca havia estado ali.

--- Lia, essa é a Roma Dias da Silva --- Odete falava pra Lia, que eu percebi ser uma das guardas responsável pela ala A --- Ela irá para a cela da Bela Fatal.

Ao dizer isso, Lia me olhou de cima a baixo com um sorrisinho debochado nos lábios.

--- Então essa é a putinha da mafiosa? --- Lia falou sorrindo ainda.

--- Essa mesma. --- Odete respondeu sério, com ar de poucos amigos --- Mas a mafiosa não vai gostar de te ver fazendo piada da mulher dela.

Parece que essas palavras soaram ameaçadoras aos ouvidos de Lia, pois no mesmo instante ela ficou séria e até meio desconcertada. Incrível o poder que a simples menção do nome de Bela Fatal exerce nas pessoas...

Uma vez dentro do corredor da ala A, fui levada por um longo corredor. Passei reparando tudo ao redor, era difícil acreditar que eu estava no mesmo presídio. Era tão distinto! O corredor era limpo e tinha as paredes pintadas. Em cada cela havia um portão de ferro, mas não tinha abertura alguma. Perguntei-me por onde o ar passava pra chegar até essas celas.

Fui conduzida por Lia até o fim do corredor. Ela parou em frente ao último portão e bateu delicadamente:

--- Toc Toc --- esperou um momento, como não obteve resposta resolveu se anunciar verbalmente --- Bela Fatal, trouxa sua nova companheira de cela! Vou abrir o portão.

Eu ouvia e não acreditava no que estava acontecendo! A guarda estava pedindo permissão para entrar na cela de uma presa?!

Lia abriu o portão, deu um passo e adentrou no cômodo me puxando pelo braço.

--- Até que enfim, sua imprestável! --- Bela Fatal encostada numa parede muito branca se mexeu e veio até nós --- Que demora! Da próxima vez não serei compreensiva.

--- Desculpe, Bela Fatal, mas... Foi culpa de Odete! Foi ela quem demorou pra trazer sua mulher!

--- Vá embora daqui sua idiota! --- Bela Fatal gritou com a guarda, que saiu apressadamente trancando a cela.

Olhei em volta e fiquei apavorada com o que via... Aquilo não parecia em nada com uma cela! Ao menos não se parecia em nada com as celas em que eu já estive... Mais parecia um quarto de hotel: Uma cama de verdade e de casal estava centralizada no cômodo e dois criados mudos ao lado, uma escrivaninha com um lap top em cima, vários papéis empilhados, livros enfileirados numa estante, uma mesinha com duas cadeiras e um pequeno armário de duas portas ao canto.

Descobri logo por onde passava o ar da cela, tinha uma janela! Com grades, mas era uma janela... E com cortinas! E não era só isso! Também tinha uma estante com TV e um aparelho de DVD de frente pra cama.

Havia ainda uma porta, será que dava pra onde?

--- Essa porta dá para o banheiro. --- Bela Fatal me disse como se lesse meus pensamentos, na verdade ela apenas havia notado meu olhar inquisidor sobre a porta e tratou de explicar.

Bela Fatal abriu a porta e fez um gesto me convidando a chegar próximo a porta para ver o que se escondia atrás dela. Fui olhar. Era mesmo um banheiro, bem pequeno, mas limpo e cheirando a limpeza. Tinha um box pequeno, um sanitário e uma pia sobre um pequeno armário.

Depois de já ter olhado e satisfeito minha curiosidade, voltei para perto do portão, onde me sentia mais segura.

Mas eu não conseguia deixar de admirar o lugar:

--- Mas esse lugar é mesmo ótimo! --- melhor até mesmo do quartinho que eu morava na pensão da Dona Amália.

--- Uma das vantagens de se ter um terceiro grau. --- e riu como se tivesse dito uma piada --- Eu sempre disse que quando eu fosse presa, ao menos teria direito a uma cela especial.

--- E você é formada em que?

--- Administração. --- girou os olhos e disse com ar enfadado --- Alguém tinha que cuidar do meu patrrimônio milionário... Quem melhor que eu mesma?

--- Você deve saber do que fala... Mas e eu?

--- Mas e você o que, rubita?

--- Onde me encaixo nisso tudo? Eu nunca sequer pisei na calçada de uma universidade! Porque fui transferida para uma cela especial?

--- Porque eu quis assim.

--- Verdade? --- não podia ser! Bastava ela mandar e todos obedeciam? Estou bege! --- Uma vez me disseram: O que Bela Fatal quer, Bela Fatal consegue! Agora sei que é verdade.

--- E sabe o que quero agora, rubita?

Aquele olhar em mim me dizia claramente o que ela queria... Os sinais de perigo soavam em minha mente e fui caminhando pra trás, até bater com as costas na parede.

--- Quiero hacerte el amor, rubita.

--- O que?

--- Quero fazer amor com você. Eu disse que você seria minha ainda hoje...

--- Não posso! Não posso trair Edvaldo!

--- Então ainda não se livrou daquele seu namorado baboso? --- ela perguntou debochada.

--- Porque você é sempre tão irritante?

Ela veio até mim, me pegou num abraço forte:

--- Não me culpe por ter ciúmes daquele imbecil! --- ela me segurava com força --- Joder! Eu o vi beijando sua boca! --- ela então passou o dorso da mão em minha boca, como que limpando. --- Sua boca é só minha, rubita!

Senti sua boca colar na minha com voracidade, com um desejo louco e senti algo quente entre minhas pernas... Edvaldo nunca me fez sentir isso! A língua de Bela Fatal invadia minha boca com impetuosidade, enquanto suas mãos se aventuravam por minhas curvas.

--- Ah... Rubita... Você me deixa louca de tesão!

Num movimento ágil, ela me jogou na cama e arrancou minhas roupas. Quando me vi já estava nua e totalmente a sua mercê, pronta pra satisfazer as necessidades dela.

--- Por Dios, que guapa eres! Me estoy hambrienta de ti…

Eu não entendia o que ela estava dizendo, mas o som daquelas palavras na voz grave dela me excitou ao extremo, mas eu realmente não queria servir de prostituta para Bela Fatal.

--- Eu não quero! Me solta! --- gritei.

--- Ah, não quer não? --- ela então enfiou a mão dentro da minha calcinha e passou a acariciar meu clitóris já duro de tanta vontade, não pude mais resistir. Entreguei-me e deixei-a fazer o que quisesse.

Algumas horas depois estávamos deitadas e abraçadas. Ela me acariciava o cabelo. Era tão estranho... Tudo isso é tão surreal!

--- Não virão nos chamar para ir jantar hoje? --- perguntei, pois estava com fome.

--- Não.

--- Mas por quê? Estamos de castigo?

Ela sorriu docemente, e esse gesto me assustou, nunca a vi sorrir dessa forma.

--- Você tem fome? --- me perguntou ainda acariciando meu cabelo.

--- Muita.

--- Não virão nos chamar pra jantar porque vamos jantar aqui mesmo.

--- Como assim? --- sentei na cama, assustada.

--- Pedi que trouxessem a comida aqui, achei que estaríamos um pouco cansadas depois de tanta ação na cama...

Ela deu um sorrisinho safado e eu corei. Abaixei minha cabeça e vi meus seios nus, havia me esquecido que estava sem roupa! Puxei lençol e me cobri rapidamente, gesto que não passou despercebido por Bela Fatal.

--- O que está a esconder rubita? --- ela ria ainda mais de uma forma encantadora. Juro por Deus que se vocês vissem um sorriso desses se sentiriam tão perdidas quanto eu! --- Já vi tudo... Seus seis são perfeitos... Eres muy hermosa, rubita! Estas siempre tan atractiva...

Levantei-me e me vesti. Não era bom ficar nua na presença de Bela Fatal. Mesmo depois de tudo...

--- Quer tomar um banho? --- ela me perguntou sinalizando a porta do banheiro.

--- Posso?

--- Claro, agora esse lugar é tão seu quanto meu...

Fui direção ao banheiro, ótimo, não tinha tranca! Mas porque haveria de ter tranca num banheiro de uma cela? Teria que me despir mesmo.

--- Vamos, Roma! --- falei baixinho pra mim --- Não é como se ela nunca tivesse visto antes!

Tirei a roupa e entrei no box, abri o chuveiro e tive uma grata surpresa:

--- Água quente! --- eu adorava tomar banho quente!

--- Também adoro água quente... --- Bela Fatal, nua, entrou no box e me abraçou, começamos a nos beijar instantaneamente... Reparem que eu disse: “começamos a nos beijar” e não “ela começou a me beijar”. Porque eu também quis o beijo, o contato, o carinho... E também o sexo que fizemos novamente ali dentro do box.

Eu já sabia que gostava de mulher... Que inclusive gostava de Bela Fatal e que agora dividia uma cama de casal com ela. Como seria dali pra frente? Boa pergunta! Embora eu não saiba a resposta. Alguma de vocês se arrisca em uma opinião?

 No dia seguinte, Lia, a guarda, veio nos chamar pra irmos para o refeitório, já era quase sete da manhã e estávamos exaustas, de tanto fazer amor de madrugada.

Quando estávamos prontas, a guarda abriu o portão e saímos. Bela Fatal pegou minha mão como se fossemos um casal de namorados comuns, desses que agente vê nas pracinhas nos fins de semana, desses que Edvaldo e eu fomos... Fomos? Não somos mais? Eu penso cada coisa ultimamente... O que eu não queria pensar era em como seria quando ele viesse me visitar no próximo domingo... Mas eu tinha seis dias pra pensar no que fazer.

Entramos no refeitório ainda de mãos dadas, eu estava com vergonha, mas orgulhosa ao mesmo tempo. Sabem como é isso? Vou explicar: Eu tinha vergonha por estar com uma mulher, e por estar sendo a “putinha” dela, como algumas insistem em dizer. E estava orgulhosa porque ela é a mulher mais linda que já vi na vida e afinal, ela é poderosa! Quem quer estar contra ela e não com ela?

Não deu outra! Como eu já previa, ao entrarmos no refeitório de mãos dadas, todas olharam em nossa direção... Com certeza todas já sabiam que eu havia sido transferida para a cela de Bela Fatal... Sabe como é: Presídio é igual a uma pequena cidade, todo mundo sabe de tudo!

Apesar de todos os olhares estarem voltados para nós, ninguém se atrevia a tecer nenhum comentário... Afinal, Bela Fatal era perigosa e temida.

Vi Joana sentada sozinha no lado esquerdo na mesa do meio, soltei minha mão de Bela Fatal e já estava indo ao encontro de minha amiga, precisava conversar com ela e dizer que eu estava bem, por certo ela estava preocupada.

--- Onde você pensa que vai? --- senti a mão de Bela Fatal me puxando.

--- Quero conversar com Joana, minha amiga.

--- A partir de hoje você se senta comigo e com minhas amigas.

Obedeci. Que queriam que eu fizesse? Ela estava sendo amável nas ultimas horas, mas é melhor não contrariar. Nunca se sabe quando ela vai explodir!

Tomei o café da manhã ali mesmo, mas olhava pra Joana e de longe mesmo tentava lhe dizer com os olhos que tudo estava bem... Que era pra ela ficar tranqüila, mas não sei se ela me entendeu.

Após terminar me levantei, fazendo com que Bela Fatal se levantasse instantaneamente:

--- Que mania é esse que você tem de pensar que manda em você mesma e em seus passos! Joder rubita! Joder! --- ela se alterou... Viram? Explodiu!

--- Já acabei meu café, preciso ir para a cozinha ajudar no almoço.

--- Mulher minha não trabalha!

--- Mas...

--- Mas nada! Vamos para o pátio. Quero me exercitar.

 Chegamos ao pátio e ela foi para a academia, eu fiquei sentada na grama só observando. Como ela impunha respeito a todas. Como todas tinham medo e admiração por ela ao mesmo tempo... Inclusive eu.

Ela estava distraída, deitada num banco cumprido e erguendo 50 quilos de peso nos braços. Ela estava ainda mais bonita... Havia tirado a camisa laranja e estava só de calça e de camiseta branca, que deixava a mostra seus braços musculosos. Estava toda suada, os cabelos grudados na testa, e cada vez que levantava o peso, os músculos se contraiam ficando ainda mais visíveis e fascinantes, e seu rosto mostrava uma expressão da força que estava fazendo... Parecia uma careta... Mas também parecia com a expressão que ela tinha quando gozava em mim... Ah... Senti um tesão forte... Desviei meu olhar.

Vi que Joana estava sentada na arquibancada, sozinha, assistindo algumas presas jogando, resolvi ir até lá.

--- Oi, Joana... --- cumprimentei assim que me sentei ao seu lado.

--- Oi Roma... --- tinha algo no tom de voz dela... Estava estranha.

--- Queria ter tomado café da manhã com você, mas...

--- Tudo bem, Roma, não preciso de explicações! --- ela estava definitivamente estranha! --- Agora você faz parte do grupo especial do presídio e deve fazer suas refeições com elas! Quem sou eu para pedir sua atenção?!

--- Que é isso, Jô! Nós somos amigas!

--- Somos ainda? Tem certeza, Roma?

--- Mas claro! Porque não haveríamos de ser?

--- Não sei... Pensei que agora que as coisas mudaram pra você...

--- Pois pensou errado! Eu adoro você, Joana!

--- Desculpa amiga! --- ela estava emocionada --- Tive medo de que você não gostasse mais de mim depois de desfrutar das regalias de Bela Fatal! --- me abraçou.

--- Eu sempre vou gostar de você, Jô!

--- Que cena mais tocante! --- fiquei tensa e dura ainda abraçada a Joana, Bela Fatal não poderia ter chegado em pior hora, aposto que entendeu tudo errado!

--- Oi! --- eu disse sem graça, o que só aumentava meu ar de culpa e pior: culpa de nada! --- Não é o que você está pensando... --- sorri sem graça, nervosa.

Ela cruzou os braços e rangia o maxilar:

--- E o que eu estou pensando?

--- Que Joana e eu... Mas não é verdade! Juro!

--- É! Eu tenho namorado! --- Joana se arriscou a dizer.

Ela pegou Joana pelo colarinho da camisa laranja e a jogou longe:

--- Nunca mais chegue perto da minha mulher!

Joana saiu correndo e eu explodi com Bela Fatal;

--- Olha aqui, você pode se achar o máximo, a toda poderosa, a rainha da cocada preta! Mas não tenho que ficar aqui aturando seus ataques de ciúme e suas mudanças repentinas de humor!

Fechei os olhos e esperei a reação dela... Que com certeza seria ainda mais explosiva que a minha. Abri os olhos. E ela estava séria e parecendo desconcertada... Han? Era isso mesmo?

--- Não vai dizer nada? --- arrisquei perguntar.

--- Vamos pra nossa cela. --- disse num tom que indicava que eu deveria mesmo fazer o que ela mandava.

 

Capítulo 7

 

  Fomos para a cela, mas Lia não a trancou, ainda era hora de estarmos no pátio.
--- Vou tomar um banho. --- seu tom eraa impessoal.  
   Não respondi, acho que ela está brava comigo.
--- Trim - Trim!
 --- Que som é esse? Você tem um celular aqui, Bela Fatal?
   Ela saiu do banheiro, nua, cabelos molhados cobrindo as costas.
--- Sí! --- ela atendeu o celular --- SSí, lo sé... Tengo los nombres de las personas… Eso mismo! No… No quiero ahora! --- Eu não entendia o que ela estava falando --- Pero tienes que tener la  huida lista para pronto! --- deu aquele sorrisinho… --- Captas? Bueno! Muy bueno! Así me gusta! Hasta luego. --- desligou o celular.
--- Não sabia que podia ter celular aquui!
--- E não pode.
--- Mas...
--- Será um segredinho nosso!
--- Tudo bem... Não sei sobre o que voccê estava falando mesmo... Não entendi uma palavra sequer!
--- Hahaha... Um dia te ensinarei espannhol.
--- É... Parece que teremos muito tempoo para isso... Vou passar os próximos dois anos presa aqui. E você, quanto tempo mais?
--- Eu? --- aquela expressão de novo ---- Vou sair em breve!
--- Mas...
--- Está com fome, rubita? --- ela corttou o que seria uma pergunta.
--- Sim, estou. --- melhor não insistirr... Mas o que ela queria dizer com: “Vou sair em breve”?    
--- Gosta de pizza?
--- Muito! Pena que não podemos ter umaa...
   Ela pegou o celular novamente e fez uma chamada. Esperei quieta. Com quem ela falaria dessa vez?
--- Lia, preciso de uma pizza gigante dde frango com milho verde. Muito milho verde!
--- E coca-cola! --- gritei entusiasmadda quando percebi o que ela estava fazendo.
--- E dois litros de coca-cola bem gelaada. Você tem 20 minutos.
   Vinte minutos depois chegava pizza e refrigerante, tal e qual ela havia pedido.
--- Incrível! --- tive que rir --- Hahaahah... Você é mesmo respeitada por aqui!
--- Eu faço o que posso!
   Olhamos uma pra cara da outra:
--- Hahahaha... --- começamos a rir junntas.
   Ela serviu dois pedaços, um pra mim e outro pra ela, encheu nossos copos e nos sentamos à mesa, uma de frente pra outra.
--- Porque está aqui, rubita?
--- Sou inocente.
--- O velho clichê... --- não vi debochhe em sua expressão --- Mas no seu caso acredito.
--- E por quê?
--- Porque você é pura. Tem uma alma booa, incapaz de fazer mal a quem quer que seja.
--- E como você pode saber tudo isso? CConhece-me há pouco...
--- Sou boa em estudar perfis psicológiicos das pessoas... Não seria quem sou hoje se não fosse capaz de desvendar a alma humana. Mas você ainda não me disse por qual crime foi condenada.
--- Tráfico de drogas.
--- Oye! Rubita, pegou pesado, hein! --- Alguém colocou nas minhas coisas! --- E você não tem idéia de quem pode tter sido e por quê?
--- Acho que eu sei quem foi. Um dos hóóspedes da pensão, Renato, revistaram ele, mas ele estava limpo...
--- Entendo.
--- Bem... Nem preciso perguntar por quue você está aqui... Todo o país sabe o motivo...
--- É... Matei aquele desgraçado e com razão! Mas ele era um cretino maior que eu! Se eu não o matasse ele mataria a garotinha...
--- A garotinha?
--- Essa parte ninguém comenta, não é? Aquele safado ia matar uma menina. Odeio que matem crianças!
--- Então você o matou para salvá-la! --- Foi... Eu não seria estúpida o sufiiciente para matar em público, sabendo que seria presa em flagrante.
--- Mas foi em defesa da garotinha! Nãoo poderiam ter te condenado por isso!
--- O caso é que ninguém quer saber se eu estava certa ou errada... Sou uma mafiosa, rubita... E sou boa... Muito boa nisso. Até hoje ninguém me pegou nessa... Embora saibam, ninguém prova... Só estavam esperando um deslize meu... Acho até que essa parada toda da garotinha foi armado... Pois tinham até tiras no prédio, não tive tempo nem de fugir. --- ela fez uma pausa --- Já acabou de comer?
--- Já.
--- Então vamos para a cama. --- me olhhou de um jeito que me arrepiou os pêlos do corpo --- Agora estou com fome é de você, rubita!

 


   Os dias seguintes foram bem parecidos... Não dá pra inovar muito dentro de um presídio...
   Passei a jogar vôlei no time de Bela Fatal, fazíamos parte do time sem camisa laranja, sempre ganhávamos, não graças aos meus esforços.
   Bela Fatal fazia tudo o que eu pedia, me arrumava doces, biscoitos, e até lingerie nova... Bem... Isso era pra uso dela... Sem comentários!
   Também me conseguia vários livros, agora eu tinha lido os que sempre quis ler e não encontrava na biblioteca pública que eu era sócia. E ela sempre recebe aquelas ligações misteriosas, fala o tempo todo em espanhol, eu nunca entendo o que é. Ela fala sempre muito rápido. Não dá mesmo pra saber!
   Ela fazia questão de me agradar em tudo, quase nunca era ríspida comigo, como era com os outros, estava sempre me fazendo carinho... Quando não estávamos fazendo amor, melhor: “haciendo el amor”, como ela sempre dizia, estávamos conversando sobre minha vida. Sim, sobre minha vida somente, ela nunca fala dela... É uma pessoa muito fechada.
   Ela ainda não deixa eu me aproximar de Joana... Tem ciúmes... Será que ela pensa que fomos amantes? Melhor nem perguntar isso a ela. Vai que piora a situação pra minha amiga!
   Bela Fatal tem muitos defeitos, mas descobri que sabe ser uma pessoa doce.
   Vocês devem estar se perguntando por que essa mudança brusca no meu comportamento... A resposta é muito simples: É assim que se sobrevive num presídio. Percebi que Bela Fatal não é mais minha atacante, mas sim minha protetora... Ela não permite que ninguém me faça mal.
   Essa semana com ela fez-me sentir viva como não me sinto desde criança, quando minha mãe, sóbria, me levava pra andar na roda gigante. Bela Fatal era tão... Apaixonante! Oh meu Deus! Estou me apaixonando por ela? Droga, mil vezes droga!
   E agora o que faço? Sim, por que gostar é uma coisa e se apaixonar é duas vezes mais grave!

 


   Estávamos no fim da primeira partida e eu já estava suando em bicas e cansada... Não estou acostumada a me exercitar assim!
--- Bela Fatal, preciso parar! --- ela me olhava de cima a baixo e ria do meu estado de esgotamento.
--- Tudo bem, vá se sentar na arquibanccada e assista como é que se ganha uma partida!
--- Joana está sentada na arquibancada.... --- havia avistado ela há pouco, precisava conversar com ela, muitos pensamentos loucos me passavam pela cabeça... --- Posso conversar um pouco com ela? --- ela estava pensando, com cara de mau humor --- Ora, por favor!
--- Tudo bem... Uma conversinha só não vai matar ninguém.
--- Ótimo! --- dei um beijo na bochechaa dela como agradecimento, e surpreendi-a e a mim mesmo com o feito. Onde eu estava com a cabeça quando fiz aquilo? Eu sabia muito bem onde estava.. Na paixão insensata que eu sentia por ela! E na vontade latente que eu tinha de beijá-la a todo instante! Isso ainda vai me enlouquecer!
   Fui direção a Joana e sentei-me ao lado dela:
--- Oi! --- minha amiga vendo minha aprroximação se levantou e ia sair de perto, com medo, claro.
--- Hei! Jô! Tudo bem... Ela deixou. ---- a chamei de volta.
--- Não quero ser morta por conversar ccom você!
--- Não será! Acalme-se. Já disse que eela deixou!
--- Jura? --- sorriu com felicidade e eexcitação --- Terei minha amiga de volta?!
--- É isso aí, garota! --- eu também esstava feliz por poder voltar a conversar com Joana.
--- Então conta: como vai a vida nova?<
--- Estranha...
--- Imagino, não deve ser fácil conviveer com uma Bela... Fatal.
--- Não é isso! Ela é muito legal comiggo.
--- Legal?
--- É... Ela me quer na cama dela e porr isso satisfaz meus caprichos, me arruma livros e doces... Coisas assim.
--- Então qual é o motivo dessa ruga noo meio da sua testa?
--- Edvaldo.
--- Agora entendo.
--- Não acho justo o que estou fazendo com ele, Jô!
--- Mas... Você não tem escolha, Roma! Precisa continuar dançando conforme a musica, sabe que será bom pra você contar com a proteção de Bela Fatal!
--- A questão não é mais essa!
--- O que você quer dizer com isso?
> --- Joana... --- fiz uma pausa, não queeria dizer de uma forma que chocasse minha amiga --- Tenho passado todo o tempo com Bela Fatal... E ela tem sido muito atenciosa comigo e...
--- E? --- ela estava ansiosa pra saberr, é... Não tinha mesmo forma mais fácil de dizer isso.
--- Me apaixonei por ela.
--- Jesus, Maria, José!
--- Entende agora a extensão do meu prooblema?
--- Você precisa terminar tudo com Edvaaldo então, amiga!
--- Não posso!
--- E porque não?
--- Porque ele me ama de verdade! É a úúnica pessoa que me resta nessa vida, Jô! E também não quero que ele sofra.
--- Mas você ama Bela Fatal!
--- Mas ela só quer sexo comigo. Nunca me levará a sério. Não vou terminar com ele.
--- E como você evitará um confronto enntre os dois?
--- Vou dizer a ele que não venha mais aqui. Vou inventar alguma coisa, não sei...
--- E como fará isso sem que ela saiba??
   Foi quando uma louca idéia surgiu em minha mente, como um letreiro luminoso:
--- Já sei como!    &nbssp;                
   

 

Algumas horas depois estávamos em nossa cela, Bela Fatal e eu.
--- O que você está lendo, rubita? --- na verdade eu não lia, apenas segurava o livro em frente aos meus olhos enquanto pensava num meio de evitar o confronto entre Bela Fatal e meu noivo.
--- Estou lendo: “O código da Vince”. --- Hum... Você tem muito bom gosto. Voou tomar banho, quer vir?
--- Não, depois eu vou, quero terminar esse capítulo.
--- Tudo bem...
   Ela acreditou no que eu dizia e foi para o banheiro, ouvi o chuveiro abrir e a água cair. Levantei-me rápido e sem fazer nenhum barulho, peguei o celular dela e disquei o número de Edvaldo. Segundos depois ele atendeu:
--- Alô?
--- Ed! Sou eu, Roma!
--- Meu amor! Deixaram você ligar do prresídio?
--- Escuta, não há tempo para explicaçõões. Não venha me ver mais aqui!
--- Porque não?
--- Não discuta comigo. Quando eu sair daqui a gente se casa, e quando der eu te ligo, mas não venha me visitar nunca mais!
   O chuveiro desligou, precisava me despedir:
--- Te amo, tchau.
   E desliguei o aparelho, apaguei a chamada e o colocou onde estava anteriormente.
   Ela surgiu no cômodo:
--- Rubita, amanhã aquele pato do seu nnoivo virá vê-la. --- senti um frio no estômago de nervosso --- Quero que termine com ele! --- mas tenho que admitir que ela fica ainda mais fascinante ditando ordens apenas enrolada numa toalha, com os cabelos molhados caindo pelos ombros.
--- Ele não virá me ver mais.
--- Não? --- ela me olhou surpreendida..
--- Quando você me beijou na semana passsada, ele terminou comigo. --- acredite, por favor!
--- Ótimo, algo a menos pra eu me preoccupar. --- uau! Deu certo! Ela acreditou!

 

 

   Meu domingo estava sendo tranqüilo, Bela Fatal estava se exercitando e eu precisava satisfazer minha necessidades fisiológicas.
--- Bela Fatal! --- a chamei --- Precisso fazer xixi!
--- Tudo bem, vá!
   Levantei e segui até o banheiro do pátio. Fui lavar minhas mãos quando me dei conta de que não estava sozinha.
--- Ora, ora... O que temos por aqui? ---- ah não! Estou perdida!
   A ruiva me olhava de cima abaixo, havia mais que desejo em seu olhar... Defini como ódio.
--- Onde está sua protetora agora, heinn, loirinha?
--- Ela vai dar minha falta e virá me pprocurar, Rita! Não seja estúpida!
--- Mentira! Eu ouvi quando você pediu a ela pra vir ao banheiro. Precisa pedir a ela até pra fazer xixi? Hahahaha --- foi se aproximando --- Só quero ver o que será de você assim que sua protetora fugir do presídio! Hahahaha...
--- Fugir? --- como assim fugir? Deixarr-me sozinha ali, desprotegida?
--- Não sabe que ela fugirá? Sua mulherr não te conta os planos dela, loirinha?
--- Ela não vai fugir!
--- Acaso pensa que ela é do tipo que ffica presa? Bela Fatal é uma mafiosa poderosa, além de ser milionária! Pode comprar todo esse país se quiser!
   Agora que parei pra pensar, deve ser mesmo verdade! Bela Fatal iria fugir! É por isso que me disse que sairá em breve!
   Rita se aproveitou do estado de confusão em que eu me encontrava e chegou perto de mim e me puxou. Começou a me agarrar, tentava me beijar enfiando sua língua dentro de minha boca, puxou minha calça para baixo e desceu junto minha calcinha, tudo muito rápido.
--- Eu vou ter você, loira!
   Ela então se colocou entre minhas pernas. Fechei os olhos e esperei, mas parei de senti-la sobre mim.
--- Você vai ter é o que merece, perra del infierno! --- essa voz, Bela Fatal!
   Abri os olhos e vi Bela Fatal sentada em cima dela, uma perna de cada lado, batendo com força, tirando sangue do nariz, esmurrando mesmo. Bela Fatal urrava de ódio e satisfação e a ruiva gritava de dor. Resolvi interferir antes que Bela Fatal a matasse.
--- Bela, pára! Por favor! Ela já aprenndeu a lição!
   Ela não me ouvia, sua raiva desenfreada a fazia golpear a ruiva ainda mais e com mais força. Eu sabia que o próximo golpe seria fatal. Precisava pará-la!
--- Por favor! Não a mate! Por favor!    Ela então parou, ainda sobre Rita, respirou fundo e finalmente se levantou.
--- Certo, essa cachorra já teve o que merecia... Não vai esquecer dessa surra enquanto estiver respirando.
   Embora eu ache que ela não passará muito mais tempo respirando...

 


   Por insistência minha, Bela Fatal foi até a enfermaria avisar que a ruiva estava ferida no banheiro do pátio, mas antes havia me deixado em nossa cela, sentada numa cadeira. Eu estava meio que tremendo, sei lá... Também pudera! Quase fui estuprada! Eu sei que no fim das contas Bela Fatal também me teve à força no inicio, mas ainda assim foi diferente... Não me perguntem por quê! Talvez porque ela é... Irresistível?
   Um barulho na porta. Ela acaba de chegar, tem um semblante tenso:
--- Você está bem? --- Bela Fatal me peerguntava, havia preocupação em sua voz --- Diz pra mim, Roma! --- parecia aflita também e passava as mãos pelo meu rosto num gesto impaciente e carinhoso.
--- Está tudo bem comigo, Bela Fatal.... --- tratei de acalmá-la --- Ela nunca mais vai fazer isso comiggo. --- lembrei do que a ruiva havia dito sobre Bela Fatal fugir e me abandonar a própria sorte e a mercê da vingança das não-adoradoras da mafiosa --- Enquanto você estiver por perto, tudo estará bem comigo.
   Ela me abraçou bem forte e me senti protegida, como se nada no mundo fosse capaz de me afetar nunca mais.
--- Você vai estar sempre comigo? --- pperguntei e prendi a respiração enquanto esperava a resposta. Sentia-me como uma paciente esperando o médico dar o diagnóstico, talvez fatal.
--- Eu estarei com você sempre, Roma. --- Mas a ruiva disse que você vai fugiir! --- uma lágrima teimosa corria livre por minha face.
--- É verdade.
   Essas palavras soaram como uma sentença de morte pra mim. E eu sabia que não era apenas pelo fato de ficar sozinha entre presas perigosas loucas para por as mãos em mim, mas porque não podia perdê-la. O sentimento que passei a nutrir por ela estava crescendo a cada minuto, se tornando maior do que o próprio amor. Como eu iria viver sem ela?
   A lágrima antes tímida, cedeu lugar a um pranto barulhento e dolorido. Perdi a vergonha e me pus a chorar agarrada a ela como uma criança desorientada.
--- Roma! --- ela segurou meu rosto enttre as mãos, enfiou a mão direita no bolso da calça laranja, tirou um lenço e secou minhas lágrimas --- Porque está chorando, mi cariño?
--- Porque você vai embora e me deixar aqui! --- eu estava soluçando! Juro por Deus!
--- Quem disse que vou te deixar aqui?<
   Alarme em minha mente! Será que entendi o que acho que entendi?
--- Como assim não vai me deixar aqui?<
--- Você vai comigo! --- sorriu --- Vammos fugir juntas!
   Fiquei muda. Catatônica. Era muita emoção para uma pessoa só. E eu não esperava isso!
   Como eu não falava nada ela falou no meu lugar:
--- Não vai dizer nada, Roma?
--- Nem sei o que dizer! Só que...
--- Só que?
--- Estou muito feliz! --- pulei nos brraços dela e a apertei forte, como quem teme que algo precioso lhe escape pelos braços --- Eu nem ao menos sabia que você ia fugir! Quanto mais que nós íamos fugir!
--- Tudo está preparado há um bom tempoo. Só foi uma questão de te incluir nos meus planos.
--- E quando você decidiu me levar?
> --- Desde nossa primeira noite nessa ceela.
   A menção dessa noite me deixou triste de repente... Era um lembrete de que eu não passava de um corpo atraente. Que não represento mais do que prazer pra ela. Como eu queria que ela me amasse!
--- Que carinha é essa, rubita? Acabo dde dizer que vamos sair dessa pocilga e você fica triste?
--- Não é isso...
--- Então me diga o que é!
--- Não é nada. --- decidi ocultar meuss sentimentos. Ela não tinha que saber.
--- Claro que tem algo aí! Ninguém ficaa com essa expressão de desolamento por nada!
--- É que me lembrei de repente que serremos fugitivas e isso me deixa nesse estado de tristeza.
   Nossa! Não sabia que eu era tão boa mentirosa!
--- Não será tão difícil assim... Não nno meu mundo. Sou uma pessoa provida de ótimas idéias e o mais importante: Dinheiro! Milhões! Hahahaha...
   Como deve ser a vida e o mundo de uma pessoa com todo esse poder aquisitivo? É algo tão distante do meu próprio mundo e estilo de vida que nem sou capaz de imaginar... Só sei mesmo o que vejo na TV e nas revistas.
--- Nem sei quanto é isso! Não tenho neem noção.
--- Não, você não tem noção... E tem meenos noção ainda de que quando se tem essa fortuna, se tem tudo... E se compra tudo... Inclusive pessoas. --- me beijou --- Mas chega desse assunto, vamos tomar um banho quente e cama! --- sorriu sensualmente --- Quero me aproveitar desse seu lindo corpinho antes de dormir.

 

Capítulo 8

 


   Mais tarde... Muito mais tarde... Estávamos nuas, satisfeitas, abraçadas na cama. Bela Fatal estava de barriga pra cima. Elegi o tórax dela como meu travesseiro. Era o melhor lugar do mundo para se estar. O cheiro dela, a respiração... Aquele sobe e desce suave... Os cabelos negros dela espalhados pelo lençol. Eu podia ver o brilho do azul intenso daqueles olhos mesmo sem iluminação.
   Ela estava acariciando meu cabelo, num gostoso cafuné. Que delícia! Aposto que todas vocês queriam estar no meu lugar agora! Porém, tirem o olhar de cobiça sobre Bela Fatal, porque ela é minha! Minha? A quem quero enganar? Ela não é minha e nunca será...
   Mesmo assim, mesmo sabendo que ela não me pertencia, eu me sentia bem, feliz e em paz em seus braços. Eu tinha que dizer isso a ela:
--- É engraçado... --- comecei a falar..
--- O que é engraçado?
--- Estou sentindo uma paz como não sinnto há muito... Há uma aura de proteção e aconchego em você...
--- Hahaha... Isso realmente é inédito pra mim! Hahahaha... Todos dizem exatamente o contrário! Hahahaha...
--- Não, é sério! Quando estou com vocêê sinto que os problemas se dissipam. É tão gostosa essa sensação... Relaxante...
--- Pois relaxada é a ultima coisa que me sinto quando estou com você, rubita gostosa!
--- Mas eu estou falando mesmo sério! ---- fingi indignação e sorri pra ela, que em resposta me puxou para que ficasse mais próxima.
--- Hahaha... Eu sei! Eu sei!
--- Nada te deixa nesse estado de paz eentorpecedora?
--- Não. Não sou viciada em nenhum tipoo de droga.
   Levantei minha cabeça, a olhei nos olhos e dei um tapinha em seu ombro.  
--- Ah, vamos! --- voltei a deitar minhha cabeça em seu tórax ---Deve ter algo que a faça sentir-se bem!
--- Quer saber mesmo o que é, rubita? <
--- Estou ansiosa!
--- Pois bem: Eu também me sinto muito bem quando estou com você, Roma. É por isso que vou te levar comigo. --- beijou minha cabeça e continuou a acariciar-me --- Posso não ser viciada em nenhum tipo de droga, mas não posso dizer o mesmo sobre você.
   Precisar de mim, do meu corpo, pode não ser o mesmo que estar apaixonada, mas já é alguma coisa. Eu não esperava esse tipo de resposta, pegou-me totalmente desprevenida. Meu coração batia tão forte!
--- Bela Fatal...
--- Paloma.
--- O que?
--- Paloma... É o meu nome. --- levanteei a cabeça e ela sorriu para mim --- Pode me chamar de Paloma.
   Vocês não têm como imaginar o que aquela revelação causou em mim. Incrível como uma coisa tão simples como dizer o nome de batismo podia ser tão importante.
--- Paloma. --- eu saboreei o nome em mminha boca --- Paloma... É um nome lindo! Paloma...Paloma... Paloma...
--- Oye, rubita! Chega!
--- É que estou surpresa!
--- Por eu ter dito como me chamo?
--- Também! Mas é mais por que pensei qque você tinha um nome horrível como: Xiscrofomoalda ou... Palmira ou... Astrogilda ou...
--- Vaya... E porque eu teria um nome ttão estapafúrdio como esses?
--- Pensei que se alguém esconde o nomee é porque consegue ter um nome ainda pior que... Roma!
--- Hahahaha...
--- Não é pra rir! Quando eu era criançça adorava dizer que me chamava Aline, ou Vanessa ou Fernanda... --- sorri ao recordar --- Odiava meu nome! Hoje acostumei simplesmente... Mas porque você não gosta do seu?
--- Só acho que “Paloma” não combina coomigo.
--- Ora, porque não? É um nome lindo, vvocê é linda também. Melhor combinação, não há!
--- Não é pelo som, rubita, mas pelo siignificado...
--- E o que significa?
--- “Paloma” quer dizer “pomba” em espaanhol.
--- Hahahaha... --- eu tive que rir! ---- Hahahaha... É realmente não combina mesmo! Aquelas avezinhas tão brancas e imaculadas...
--- Está vendo só? Eu não iria muito loonge em minha carreira com um nome desses! Pomba lembra paz. E paz não é comigo. --- percebi certo pesar nessa última frase dela.
--- Ainda assim acho que não deveria essconder esse nome de ninguém.
--- Não escondo meu nome, rubita! Apenaas gosto de ser conhecida por meu apelido. E depois, Bela Fatal já se tornou uma identidade e por tanto passa a ser um nome. Um nome de guerra.
--- Sim, como Alexia Star. É o nome de guerra de um travesti que conheço, ele ganha a vida nas noites, fazendo programa. Mas é uma boa pessoa.
--- Sim... Como Alexia Star. --- ela cooncordou --- A diferença está apenas nos números, mi cariño... Nos números...
--- Mas eu prefiro Paloma!
--- Sim, mas Bela Fatal impõe respeito e medo.
--- Continuo preferindo Paloma!
--- Vamos dormir, rubita! Chega de convversa!
--- Paloma?
--- Hum?
--- O que é “rubita”?
--- “Rubita” quer dizer “loirinha” em eespanhol.
--- Paloma?
--- Hum?
--- Quando vamos fugir?
--- Breve. Quando chegar a hora você saaberá.
--- Paloma?
--- Hum?
--- Boa noite.
--- Boa noite, rubita
   ... Dois segundos de silêncio...
--- Paloma?
--- Que foi agora, rubita? --- embora aa pergunta devesse parecer áspera, o tom de voz dela era bem doce.
--- Não é nada... É que gosto de te chaamar de Paloma...
--- Pois então eu tenho uma ótima idéiaa: Durma agora e me chame de Paloma amanhã.
--- Está bem.
   ...Um segundo de silêncio...
--- Paloma?
   Ouvi um longo suspiro:
--- Hum?!
--- Tenha bons sonhos!
--- Terei, assim que você calar essa booquinha tão linda que você tem, rubita del infierno!
   Momentos depois, finalmente adormeci. Acho que vocês já suspeitam quem protagonizou meus sonhos essa noite... Acertaram! Ela mesma! A dona dos olhos mais lindos que já vi e também do meu coração: Paloma! Ah... Paloma... Que nome tão lindo!

 

 

--- Joder! --- Paloma estava resmungando --- Odeio acordar cedo! Definitivamente não nasci pra essa vida de presidiária!
   Lia estava batendo no portão, pedindo que levantássemos e em menos de dez minutos estivéssemos no refeitório para o café da manhã.
--- Você não nasceu para que te digam oo que deve fazer... A que horas deve acordar... --- reconheci que ela estava com a razão.
--- Quando a gente sair daqui, vou te mmostrar o que é viver, rubita!
   Acho que eu realmente não sei o que é viver. Minha vida têm sido trabalho e estudo, e quando enfim pensei que as coisas começariam a mudar, vim parar num presídio!
   Adentramos no refeitório de mãos dadas como havíamos feito desde que passamos a dividir a cela especial de Bel... Digo... De Paloma.
   Sentamo-nos no lugar de costume e dessa vez Joana pôde se sentar ao meu lado, sem que Paloma se opusesse.
--- Paloma, depois de comermos eu estavva pensando em ir ler um pouco na sombra daquela árvore lá no pátio...
--- Paloma? --- uma amiga de Paloma esttava atônita com a menção do nome --- Quem é Paloma?
--- Eu sou Paloma. --- ela respondeu siimplesmente --- Mas só pra minha rubita --- piscou o olho pra mim --- Pra você e pra qualquer outra, sou Bela Fatal.
--- Sim, claro, Bela Fatal... --- a moçça respondeu rapidamente e sem graça.
   O dia estava sendo tranqüilo. Eu estava assistindo as mulheres jogarem da arquibancada, era final de tarde.
   Paloma tinha a graça de uma felina e uma agilidade espantosa, marcava pontos como quem come pão com manteiga. E cada ponto que fazia, olhava pra mim e me mandava um beijo. Quem via a cena pensava que éramos um casal de anos e anos de namoro, ou casamento... Nem sequer nos meus mais loucos sonhos eu poderia prever que justo num presídio encontraria o amor de minha vida, muito menos que esse alguém seria uma mulher. Não uma mulher comum, mas uma mafiosa poderosa... E era justamente isso que me incomodava. Eu tenho que confessar que tenho medo dela, não do que ela possa fazer a mim, mas aos outros... Não gosto nada de saber que quem ela é. Vai contra todos os meus princípios. Nós fugiremos juntas sim, mas como será dali por diante? Eu não conseguiria viver esse estilo de vida bandida. Não... Definitivamente isso não era pra mim!
   Pergunto-me se ficaremos juntas quando sairmos daqui ou ela apenas está se compadecendo de mim e resolveu me levar junto para que eu não sofra sozinha na mão daquelas odiosas do presídio? Não... Paloma não é do tipo que se compadece... E também não é do tipo que se apaixona...
   Eu tinha que me lembrar a cada momento que ela era uma assassina! O problema é que o sorriso dela tinha aquele poder de me fazer esquecer qualquer falha no caráter dela!
   Paloma saiu do jogo e veio se sentar ao meu lado na arquibancada:
--- Rubita... Sei que você gosta muito da sua amiga Joana, parece que ela é importante pra você.
--- É verdade, Joana é uma grande amigaa. Gosto muito dela.
--- Pois então antes de nos recolhermoss em nossa cela hoje a noite, dê um abraço bem apertado em sua amiga.
--- Porque está me dizendo isso, Palomaa?
--- Porque nós não vamos amanhecer nessse lugar.
--- Vamos fugir hoje à noite?
--- Sim, de madrugada.
   Ela se levantou e voltou para o jogo, me deixando ali sozinha com meus pensamentos... Que eram muitos... Confusos e contraditórios... Minha cabeça estava dando voltas.
   

 

   Pouco antes das dez horas, fui até minha antiga cela, na ala C. Joana estava deitada na cama, lendo uma carta.
--- Oi Jô. --- cumprimentei para chamarr-lhe a atenção.
--- Oi Roma! --- ela abriu um sorriso aao me ver--- Recebi mais uma carta do meu namorado!
--- Vocês se amam muito...
--- Muito! Muito mesmo! --- ela não se continha de satisfação.
--- Tenho uma inveja boa do amor de voccês...
--- Hahahaha Inveja boa? --- ela estavaa achando graça da minha colocação --- Como é isso, Roma? Pensei que todass as invejas fossem ruins!
--- Mas a minha é boa! --- tive que sorrrir pra ela --- Vou explicar: Tenho inveja do amor de vocês porque queria ser amada assim também por quem amo, mas ao mesmo tempo não quero que você perca isso, só queria ter também.
--- Aí seríamos duas sortudas apaixonaddas! Hahahah...
--- É... Seríamos... --- falei triste ---- Mas não tenho tanta sorte como você, Joana...
--- Como não tem? Você é a protegida daa manda chuva do presido! E ela te trata muito bem! Te da tudo o que você quer e ainda te deixa a chamar pelo nome de batismo!
--- Não posso reclamar do tratamento deela para comigo, Jô... Mas sei que é só por sexo... Não tenho mais nenhuma serventia a ela...
--- Tem certeza? Às vezes a pego te olhhando de uma forma diferente...
--- É desejo.
--- A mim não pareceu apensa desejo...<
--- Não poderia ser outra coisa, Joana.... Paloma não é do tipo de pessoa que se casa e tem filhos e vive feliz para sempre. Ela é do tipo ação. Tenho medo de me ferir nessa historia toda... Mais ainda que já estou, porque sei que ela vai me esquecer, mais cedo ou mais tarde... Uma menina mais bonita e com o corpo mais atraente que o meu vai surgir na vida dela, e ela vai me descartar facilmente.
--- Nossa Roma! Você se acha tão pouco assim?
--- Não me entenda mal, Joana... Não é que eu me ache pouca coisa... Tenho o meu valor. Mas acho que Paloma é areia demais pro meu caminhãozinho... Entende?
--- Entendo.
--- Bem, chega de conversa, só vim aquii te desejar boa noite e te dar um abraço.
   Não dei tempo dela protestar e dei-lhe um abraço bem apertado.
--- Nossa! Assim eu fico mal acostumadaa! Vou querer abraços todas as noites!
--- Te desejo sorte na vida, amiga. ---- a soltei e olhei em seus olhos, me controlando para não chorar --- E que quando você sair daqui, se case com seu namorado e seja mais que feliz. Você merece.
--- Porque está me dizendo essas coisass, Roma?
--- Ora, vejam só! --- tive que rir praa descontrair e convencê-la de que não tinha motivo nenhum em especial por eu estar dizendo aquilo --- Eu venho aqui, te abraço de graça, te digo coisas bonitas e você ainda reclama! Pois sim!
--- Hahahaha... --- agora ela é quem esstava rindo --- Desculpa amiga! Saiba que lhe desejo o mesmo. Vou rezar para que Bela Fatal aprenda a te amar como você a ela.
--- Obrigada. Por tudo. Agora preciso mmesmo ir, antes que Lia venha pessoalmente atrás de mim.
   Virei as costas e senti as lágrimas queimarem meu rosto. Não é fácil se despedir de alguém que você gosta muito, alguém que te acolheu sem querer saber qual era seu crime, sem querer saber quem você foi lá fora... Alguém que lhe estendeu a mão sem pedir nada em troca.
   Cheguei a minha cela aos prantos. Paloma não tardou em vir me abraçar:
--- Não chore, rubita.
--- Nunca mais vou ver minha amiga de nnovo, não é?
--- A vida da voltas, rubita. E tudo é possível. Mas por um bom tempo, não a verá novamente... Agora enxugue essas lágrimas, temos que nos preparar para a fuga.
   O celular dela tocou:
--- Sí! --- ela atendeu ainda abraçada a mim --- Todo listo? Cierto.
   Desligou o aparelho.
--- Era sobre a fuga?
--- Sim, está tudo pronto. Vamos sair ddaqui dentro de duas horas, quando todas estarão dormindo, menos alvoroço, menos risco de morte para elas.
   Gelei ao ouvir a palavra “morte”.

 

Capítulo 9


--- Vamos! --- Paloma pegou seu celularr e o pôs no bolso, tinha um olhar decidido. Não restava dúvida que havia chegado a hora de partirmos. E minha vida mudaria, mais ainda...
--- Como assim vamos? --- por onde ela queria passar --- Acaso sabe voar? Estamos no 3º andar!
--- Quem disse que vamos sair pela janeela? Não com essas grades grossas! Eu é que não vou cerrar! Além do que faz muito barulho! Todas perceberiam!
--- E por onde mais seria?
--- Que tal... Pela porta!
--- Porque eu ainda não me acostumei coom isso?
Paloma simplesmente levou a mão ao bolso e pegou uma grande e prateada chave.
--- A chave do portão! --- falei abismaada.
--- Não... É a chave da catedral de Nottre Dame! --- rosnou, aquele velho rosno habitual dela --- Claro que é a chave do portão, Roma!
--- Mas como é que você tem a chave do portão? --- eu não estava acreditando nisso! Tudo bem que ela era a líder da prisão, mas ter a chave! Isso ia além da minha compreensão.
--- Simples. Tenho dinheiro. --- está eexplicado. Claro, por que eu não pensei nisso antes? Estou tão lerda de pensamento! A prisão não está fazendo bem para minha saúde mental, não! Definitivamente --- Vamos, não temos tempo a perder. --- E nós vamos simplesmente abrir o poortão e sair pela porta da frente, assim, como se estivéssemos aqui apenas... De férias?! E agora resolvemos voltar as nossas vidas de antes?!
--- Roma, que idéia mais estapafúrdia éé essa! Sou louca, não suicida! Vamos sair pelo pátio!
Agora que eu não entendia mesmo nada! O que essa mulher louca estava tramando? Melhor não contrariar... Loucos não se contrariam... Pode ser perigoso!
Paloma abriu o portão e saímos, assim, sem mais e nem menos. Lia, a guarda, estava sentada numa cadeira perto do segundo portão.
--- O que vamos fazer agora?
--- Está se referindo a Lia? Desde quanndo essa babosa é problema?
--- Não só ela, mas o portão atrás delaa! Acaso essa chave que você tem é uma chave-mestra?
--- Não. Não tenho a chave do segundo pportão. --- e disse assim na maior tranqüilidade, como se estivéssemos indo fazer um piquenique na praça e não fugindo de um presídio!
--- Mas... Como vamos passar por ela enntão?
Ela não me respondeu, mas sorriu daquela forma... Fazia tempo que eu não a via sorrindo assim.
Ela segurou em meu braço e me puxou com confiança, de encontro a Lia, que dormia sentada em sua cadeira, alheia a nossa aproximação.
Chegamos bem próximas a ela e eu fiz o mínimo barulho possível para não acordá-la.
--- Ham-ham! --- Paloma pigarreou! Não acredito que ela estava pigarreando e eu tentando não chamar atenção!
--- O que você está fazendo? --- pergunntei baixinho --- Vai acordá-la!
--- A idéia é essa, rubita. --- olhou ppra Lia novamente --- Acorde, Lia! Já! Tenho pressa!
--- Bela Fatal! --- ela levantou de suaa cadeira sobressaltada --- Você está fora da cela!
--- Ah, você reparou, é? --- isso não éé hora pra fazer piada! Mas quem diria isso a Paloma? --- E reparou sozinha! Pensei que eu teria que te contar! --- fungou irritada --- Abra essa cela, Lia, queremos sair!
--- Mas não posso! Vou perder meu empreego!
--- Isso é problema seu! Anda, me passaa a chave!
--- Não posso!
Paloma girou os olhos e pôs as mãos no bolso, retirou uma pistola grande e prata, nunca tinha visto uma na vida e nem sabia que ela tinha uma! Muito menos que estava em seu bolso!
--- Porque eu sempre tenho que apelar? Seria mais fácil pra nós duas se você colaborasse, Lia!
--- Não, espera! --- Lia ergueu as mãoss em sinal de rendição, estava pálida e apavorada, tive pena dela --- Eu abro o portão!
--- Hum... Garota esperta. Agora, abra já esse portão que não quero mais olhar essa sua cara feia nem mais um minuto!
Lia, com as mãos trêmulas, tratava de abrir o portão, depois de alguns segundos conseguiu. Passamos por ele e Paloma a pegou pelo braço e apontou a arma nas costas dela:
--- Você virá conosco, Lia. Não precisoo que você chame a segurança e complique ainda mais a minha vida. E nem um pio ou eu mato você sem exitar!
Descemos a escada, rumo ao pátio, Paloma na frente, segurando Lia pelo braço com a arma apontada nas costas dela e eu atrás.
Chegamos ao pátio e tudo que eu via era um monte de nada vezes nada, igual a nada.
Eu não sabia exatamente o que aconteceria a seguir, mas eu podia prever que se tratava de um plano mais que perfeito, Paloma não é mulher para falhas.
--- Paloma... O que você pretende? --- perguntei --- Não estou vendo nada além de moscas e pássaros noturnos.
--- Estamos esperando o nosso pássaro nnoturno --- disse isso dando ênfase ao “nosso”.
--- O que? --- cada minuto isso se tornnava ainda mais confuso pra mim!
Paloma nem se preocupou em responder minha pergunta, ao invés disso, voltou sua atenção para a guarda, que ainda mantinha presa por uma mão.
--- Ajoelhe-se na minha frente, Lia! ---- ela ordenou num tom que deixava claro que qualquer desobediência seria fatal
Lia, mais que rapidamente, fez o que ela havia mandado.
--- Agora abaixe a cabeça ou te mandareei para uma visita a Deus!
A guarda abaixou a cabeça e acho que começou a rezar, porque dizia coisas bem baixinhas e muito rápidas.
Paloma pegou o celular e fez uma ligação:
--- Estoy lista y en el hogar para el rrescate. Venga ahora mismo! ---alguém falava algo do outro lado da linha e ela balançou a cabeça e sorriu assentindo --- Muy bueno! --- e desligou o aparelho.

 


Minutos depois um som alto e forte se fez ouvir em cima de nossas cabeças. Olhei pro alto e me assustei. Um helicóptero!
--- Paloma! Descobriram-nos! É a políciia! --- tudo estava dando certo até agora! A polícia aparecer não estava nos planos!
Agora mesmo é que as coisas ficariam ruins... Dobrariam minha pena! Droga, mil vezes droga! Olhei pra Paloma com tristeza e uma lágrima rolou sobre meu rosto, parece que o sonho acabou... Mas ela estava acenando para a polícia no helicóptero?
--- Porque está acenando para a políciaa? --- perguntei confusa --- Vamos correr de volta para nossa ceela!
--- Quem disse que é a polícia, Roma? Agora eu estava entendendo tudo! Deus! Como posso ser tão ingênua aos 20 anos de idade?! Fico até com vergonha de ser tão boba...
O helicóptero foi baixando, mas não pousou.
--- Vem Roma, agora!
Nesse momento, sirenes começaram a soar alto, e policiais e guardas corriam em nossa direção:
--- Parem ou eu atiro! --- uma das poliiciais gritou.
--- Anda Roma! --- Paloma me gritava ---- Vem!
Eu estava em estado de choque, parada, sem reação. Senti que meus pés foram erguidos do chão e que meu corpo parecia flutuar. Calma! Não fiquem nervosas! Não levei um tiro não! Foi Paloma que me pegou nos braços e me carregou até o helicóptero e com a ajuda dos dois homens me vi sendo posta ali dentro. Foi tudo muito rápido. Paloma estava dentro também, e todos falavam em espanhol e muito rápido. Além do meu estado de nervosismo e tensão, eu não sabia o idioma, ou seja: Era mesmo impossível poder entender.
Esfreguei os olhos e olhei em volta. Oh meu Deus!
--- Oh meu Deus! --- pulei como um feliino assustado no colo de Paloma --- Tenho medo de altura!
Paloma me abraçou forte.
--- Acalme-se Roma... Você está segura agora. Tudo vai ficar bem.
Eu olhei pela janela novamente e as imagens foram ficando pretas...

 


Abri os olhos. Está tudo rodando...
--- Onde estou? --- perguntei torpementte, me sentia fraca, esquisita.
Apurei a visão, eu estava sozinha no ambiente, a parede era azul marinho, bem masculino, decoração em dourado e de muito bom gosto... Nunca estive num lugar tão sofisticado.
De repente um pânico tomou conta de mim quando me dei conta do que havia acontecido e pior: Paloma não estava ali comigo! Será que ela me abandonou a própria sorte?
--- Paloma? --- arrisquei chama-la, comm a voz trêmula --- Paloma?
A porta foi aberta por uma mulher de meia idade, usando um uniforme azul bem claro adentrou no recinto:
--- Estas despierta, niña! Puedo ayudarr en algo?
Que ótimo! Ela também só fala espanhol! Tudo que eu precisava!
--- Você fala português? --- perguntei já imaginando que a resposta seria negativa.
--- No. --- ela respondeu --- Y tu? Habblas español?
--- Não... Você viu Paloma?
--- Paloma, sí! --- ela pode até não teer entendido minha pergunta pelas palavras que usei, mas a simples menção do nome “Paloma” fez os olhos dela brilharem --- Soy su empleada. Soy la ama de chaves de esta habitación.
--- O que? --- que será que ela dizia? --- Onde estou?
Ela me olhava com uma cara de quem não entendia nada. Perfeito.
Levantei-me. Só então notei que eu estava toda dormente... Sentei-me na cama e notei que eu estava nua sob os lençóis. Meu rosto corou rapidamente.
--- Onde estão minhas roupas? --- perguuntei para mim mesma... Eu sabia que ela não me entenderia.
--- El que? --- a mulher pensou que eu falava com ela.
Como que para nos tirar dessa sinuca de bicos, a porta foi aberta dando passagem a uma mulher alta, morena, olhos de um azul intenso, dona de um corpo escultural. Trajava um vestido negro justo, meia-calça preta e um salto alto também preto com pequenos e elegantes detalhes em diamantes. Os cabelos estavam escovados e no rosto alguma maquiagem. O batom era num tom quente, mas elegante. Meu queixo caiu! Nunca a vi desse modo! Sim! Ela era “a” Bela Fatal, pois estava vestida para matar! Matar de amor! Quem poderia resistir a essa mulher? Aposto que vocês também não resistiriam!
--- Paloma! --- exclamei extasiada. Se eu já estava apaixonada por ela, agora mesmo que eu estava de quatro! Babando!
--- Parece que já se conheceram! --- ella sorriu para nós.
--- Sim, nos conhecemos. --- respondi ssem graça --- Mas estamos tendo uma pequena... Falha em nossa comunicação!
--- Hahahaha... --- que sorriso mais liindo! Que dentes tão brancos e perfeitos! Lembrei-me de fechar a boca --- Pudera! Guadalupe não fala português! Hahahaha...
--- É... Já tinha percebido...
--- Mas você também não fala espanhol!
--- Isso eu também já tinha percebido!<
Não sei por que, mas fiquei num mau humor repentino. Talvez porque estava nua e sem saber o porquê, ou porque minha vida estava de cabeça pra baixo, ou porque eu era uma foragida da polícia, ou talvez porque eu acordei e ela não estava ao meu lado...
--- Lupe trabalha comigo há anos, é de minha inteira confiança.
Nessa hora uma segunda empregada entrou no aposento, sorridente:
--- Pediu pra me chamar, Dona Paloma? ---- até que enfim alguém que fala minha língua!
Paloma virou para mulher e falou num tom de quem ordenava, mas era doce ao mesmo tempo. Estranha combinação.
--- Vá pegar algo para Roma vestir, as coisas dela estão no guarda-roupa no quarto de hóspedes. Deixei uma sacola em especial sobre a cama. Traga aqui.
Quarto de hospedes? Eu não ficaria no quarto dela? Não ousei perguntar. Apenas olhei para meus pés e fiquei a olhá-los como se de repente eles fossem a coisa mais importante da minha vida.
--- Tomei a liberdade de providenciar aalgumas peças de vestuário pra você.
É verdade. Só agora percebi que eu não tinha nada, além do uniforme do presídio... Não era mesmo conveniente uma fugitiva ficar andando por ai com o uniforme do presídio!
--- Paloma... Onde estamos?
--- Na Grécia.
--- O que? --- como assim na Grécia? ---- Você quer dizer: Grécia, o país?!
--- Isso mesmo.
--- Mas como... ? Mas quando... ?
--- Você não tem medo de altura, Roma. Você tem verdadeiro pânico. Nunca tinha visto alguém desmaiar de medo assim antes.
--- Deve ser porque você não tem medo dde nada...
--- Você se impressionaria! --- sorriu --- Você desenvolveu uma crise de pânico em pleno ar. Por sorte Miguel, um dos homens que nos resgataram, é médico, ele te sedou. Tínhamos remédios e equipamentos médicos à bordo para o caso de alguém ser ferido na fuga... Não dava pra fazer um trajeto de horas e horas com alguém em pânico... Você ficou melhor dormindo.
--- Não está dizendo que viemos parar aaqui de helicóptero, está?
--- Não! Hahahaha... Viemos num jato paarticular, o helicóptero nos deixou no aeroporto, a polícia ainda não tinha chegado lá.
--- Nossa! Você estava mesmo preparada pra tudo!
--- Digamos que meus homens são competeentes. Do contrário não trabalhariam para mim.
--- Será que vão nos encontrar aqui? --- Sem chance. Estamos muito bem esconndias.
De repente me senti tonta de novo, pus a mão na testa e voltei a me sentar.
--- Não acredito que estive sedada por tantas horas!
--- Na verdade, Roma, já estamos aqui hhá quase dois dias.
--- Dois dias? Eu dormi dois dias?
--- Foi sim...
--- Acho que preciso mesmo me vestir. ---- falei um pouco constrangida.
A empregada voltou ao cômodo que estávamos com uma sacola na mão e me entregou. Olhei dentro. Havia uma saia branca e uma blusa verde. Era tudo muito bonito e fino. Havia também uma sandália com um saltinho bem pequeno também verde. Peguei tudo e coloquei a sacola de lado.
--- Deixe-nos a sós. --- disse Paloma ppara as empregas.
As serviçais saíram fechando a porta. Ao nos ver sozinhas, Paloma pegou a sacola que eu havia deixado e a estendeu para mim:
--- Tem mais uma coisinha aqui dentro, Roma.
Peguei a sacola surpresa, eu realmente não tinha visto o que mais tinha dentro da sacola. O que quer que fosse estava embrulhado num pacotinho bem pequeno. Abri e corei instantaneamente. Era uma calcinha preta, rendada. Não era uma simples calcinha preta rendada, era de marca, devia ser caríssima. O salário de um mês inteiro do meu antigo trabalho de vendedora não pagaria a peça íntima. E se eu não tinha dado conta que ela estava no pacote, não me culpem! Pois a calcinha é mínima!
--- É mu-muito bonita --- gaguejei de nnervoso --- Mas é bem pequena...
--- Fio dental pra ser mais exata!
--- Exatamente. Não estou acostumada a usar peças íntimas desse estilo. Além de ser cara é...
--- Pequena? --- perguntou de uma formaa que eriçou todos meus pêlos, senti um tesão de repente.
--- É... É bem pequena...
--- Pois pode tratar de se acostumar. SSeu corpo é lindo e perfeito e você vai ficar ainda mais gostosa dentro dela. --- me olhou de cima a baixo, cruzou os braços --- Vista Roma. Vista pra mim, agora.
Eu tirei o lençol que cobria o meu corpo e o pus de lado. Fiquei totalmente nua. Peguei a calcinha novamente e vesti. Ela me olhava quase que babando literalmente... Eu sabia que ela estava faminta do meu corpo e que me faria dela ali mesmo.
--- Eu sabia que ficaria perfeito! --- disse me devorando com os olhos e chegou bem próxima a mim --- Agora que você vestiu.... --- me agarrou --- ...Vou adorar tirar!
--- Trac! --- esse som que eu conhecia bem: Barulho de calcinha sendo rasgada!
--- Paloma! Você pagou uma pequena forttuna nessa calcinha só pra poder rasgar?
--- Não... Eu paguei uma pequena fortunna nessa calcinha só pelo prazer de vê-la em você, contrastando com sua pele alva...
--- Pois agora não verá mais! Está estrragada...
--- De onde veio essa, tem muito mais.... --- beijou meu pescoço --- Fiz questão de escolher pessoalmente essas peças íntimas... Agora você só vai vestir seda, rubita. Só pra mim!
Ela capturou meus lábios num beijo molhado, eu estava nua novamente, então ela me pôs de volta na cama, abriu minhas pernas:
--- Preciso sentir seu cheiro de fêmea!! --- cheirou meu sexo --- Joder, rubita! Que delícia!
Eu já estava louca de tesão, meu clitóris estava inchado e latejando de tanta vontade.
--- Você quer, rubita? --- me perguntouu.
--- Si-sim... --- disse com dificuldadee, sem ar.
--- Então pede! Pede que eu faço o que você quiser, rubita! Pede!
--- Enfia sua língua em mim!
--- Implora!
--- Por favor! Enfia sua língua em mim!! Por favor!
Paloma enfiou sua língua em mim me dando toda a satisfação que só ela conseguia me dar. Gemi, gritei e por fim gozei.
Ela subiu pelo meu corpo, lambeu meus seios e mordeu o biquinho.
--- Quero te dar prazer, Paloma.
--- Então implora!
--- Por favor! Deixa eu te chupar! Por favor!
Ela abriu as pernas, pegou minha cabeça e levou até seu sexo já encharcado.
--- Chupa! Faz bem direitinho! Quero goozar na sua boca, rubita!
Comecei a chupar aquele néctar maravilhoso. Nada no mundo tinha um gosto melhor do que a satisfação da mulher que você ama escorrendo em sua boca. Um tempo depois ela tremeu o corpo todo, estava gozando.
--- Engole tudo, rubita! Tudinho! Não ddeixa sobrar nem uma gota!
E eu obedeci. Não sei precisar o tempo que ficamos lá, fazendo amor, só sei que quando

 por fim paramos, percebi que estava com muita fome!

 

Capítulo 10


  Vesti-me e fomos para a sala de jantar. Fui reparando tudo pelo caminho. Parecia ser uma casa bem ampla, uma mansão para ser exata.
--- Essa casa é sua?
--- Não. Essa casa foi alugada no nome de um fantasma.
--- E quanto tempo vamos ficar aqui? --- O tempo que for preciso.
   Sentamos-nos a mesa. Logo uma empregada uniformizada veio nos servir. A comida era muito diferente do arroz com feijão que estou acostumada, mas nunca comi nada tão gostoso na vida! Ou eu realmente estava faminta!
   Logo após a mesma empregada veio trazer a sobremesa, parecia sorvete com uma calda vermelha em cima... Mas eu não tenho certeza.
  O celular de Paloma tocou, aquele mesmo celular que ela usava na prisão:
--- Que estranho. --- ela falou franzinndo o cenho --- É alguém do Brasil! Ninguém além dos meus homens tem esse número! --- atendeu --- Quem fala?
   Paloma ouviu a resposta e alterou a expressão facial drasticamente:
--- Esse celular pertence a Bela Fatal,, que vem a ser a voz que vos fala, Sr. Edvaldo --- o tom era de deboche --- E sua noivinha está aqui comigo, sim. --- Ela me olhou de uma forma penetrante e intimidadora, tive medo.
   Estou bege! Não acredito que ela está falando com Edvaldo! Mas como...? Claro! Eu havia ligado pra ele do celular dela e agora que fugi ele deve estar muito preocupado! Só pode ser!
--- Saiba que sua noivinha é uma puta ggananciosa e está trepando comigo para meter a mãos na minha grana!  --- ela arremessou o aparelho celular longe, bateu numa parede e estilhaçou no chão.
   Se antes eu a temia, agora meu medo dobrou de tamanho. Paloma se levantou e eu também. Ela parou em frente a mim:
--- Então você terminou com ele, não é mesmo, Roma? --- sorriu, mas era puro deboche e resssentimento.
--- Me desculpe. --- o que mais eu podiia dizer? Eu menti pra ela e por egoísmo!
--- Sua puta! --- ela abriu a mão e me deu um tapa na cara.
--- Ai! --- gemi de dor, minha face esttava ardendo e quente onde ela bateu.
--- O que você pretende, Roma! Brincou comigo esse tempo todo! Usou-me para sair da cadeia!
--- Não é verdade! Eu nem sabia que voccê ia fugir!
--- Oye, muito conveniente! Todas as prresas sabiam! Nunca foi segredo pra ninguém que cedo ou tarde eu sairia daquele lugar!! E foi você mesma quem me disse isso!
--- Eu juro que só soube quando a ruivaa me disse.
--- Bem que eu achei estranho. --- ela estava muito irritada --- Antes não queria se deitar comigo e agora abre as pernas sorrindo! Eu sou muito burra mesmo de ter me apaixonado por uma mulherzinha do seu tipo!
   Deletei tudo o que ela havia falado antes, as ofensas, as palavras feias... Meu cérebro só processava a ultima frase: “Ter me apaixonado pro você.”
--- O que você disse? --- eu tinha que confirmar isso, mas ela estava histérica.
--- Você me usou esse tempo todo, Roma!!
--- Não, depois disso!
--- Que sou burra!
--- Não, logo após isso!
--- Aonde você quer chegar, Roma?
--- Você disse que se apaixonou por mimm ou eu fantasiei essa parte?
--- Eu me apaixonei por você, Roma. Mass eu vou te esquecer!
--- Não! Por favor! --- num impulso, mee atirei nos braços dela e a abracei, com muita força --- Eu te amo, Paloma! Eu te amo! Eu te amo!
   Senti o corpo dela endurecer de tensão. Ela emudeceu como que por encanto.
--- Você o que? --- ela perguntou sem mme olhar.
--- Eu amo você, Paloma.
   Ela então me afastou de seu corpo e me empurrou para longe do corpo dela. Quase cai pra trás.
--- Isso é mais um truque, Roma? Saiba que na escola onde você cursa, eu dou aula!
--- Eu nunca amei ninguém assim, eu jurro!  O que eu sinto por você é diferente de tudo o que já senti antes...
--- Mentirosa!
--- Eu juro!
--- Se é verdade, porque você não me diisse antes?
--- Porque nunca pensei que você pudessse estar interessada no meu coração... Só no meu corpo.
--- No início sim, mas eu me apaixonei por você. Será que você não viu isso?
--- Você também não disse!
--- E precisava? Eu fazia tudo por vocêê! Te dava regalias, mandava te trazer doces, livros! --- ela suspirou --- Roma, nunca fiz isso por ninguém! Eu até te trouxe comigo pra Grécia!
--- Pensei que você estava me trazendo por sexo e que quando se cansasse de mim iria me descartar!
--- Eu não preciso trazer uma mulher doo presídio pra ter sexo! Tem milhões dando sopa por ai! Eu te trouxe porque sabia que não saberia viver sem você!
--- Me perdoa pela mentira.
--- Joder, Roma! Se você me ama, porquee mentiu pra mim então?
--- No dia que liguei pra Edvaldo, pediindo pra ele não aparecer mais pra me visitar, eu disse a ele que seria melhor pra nós dois, mas que não podia explicar. --- olhei no olhos dela tentando captar o efeito de minhas palavras --- Quando eu fiz isso eu não sabia que fugiríamos juntas. Eu pensei que você me dispensaria logo que aparecesse outra detenta mais bonita... Tive medo de ficar sozinha no mundo. Edvaldo era a única pessoa que eu tinha!
--- Chega! Não quero ouvir esse nome ouutra vez! Nunca mais, entendeu? --- ela tinha alterado mais ainda a vozz --- Nunca mais!
--- Desculpa, não falo mais nele.
--- Você vai ligar pra aquele idiota aggora mesmo e terminar tudo!
   Paloma pegou um outro aparelho que havia dentro de uma gaveta e o estendeu para mim.
--- Liga pra aquele imbecil, mas não diiga onde estamos.
   Peguei o celular da mão dela e liguei. Poucos segundos depois ele atendeu:
--- Alô? --- a voz dele estava aflita, talvez pela conversa que tivera a pouco com Paloma.
--- Ed... Sou eu, Roma. --- eu estava eextremamente sem graça em ter que terminar com ele por telefone.
   Eu sabia que Paloma tinha razão, mas ele era uma boa pessoa e merecia mais que isso. Eu queria estar dizendo isso pessoalmente e olhando nos olhos dele. Mas a culpa disso tudo é minha. Se eu tivesse terminado com ele ainda no presídio...
--- Rominha! Graças a Deus! O que aquella bandida fez com você?
--- Nada, Edvaldo, ela não me fez nada..
--- Onde você está?
--- Não posso dizer.
--- Como não?
--- Olha, Ed... --- não tinha jeito fáccil de dizer aquilo. Melhor falar tudo de uma só vez e acabar logo com isso --- Eu só liguei pra terminar nosso noivado. Não vou voltar pra casa.
--- O que? Como assim? O que você está dizendo?
--- Desculpa, Ed. Quero que seja muito feliz, Adeus.
   Desliguei o celular e me surpreendi comigo mesma. Por incrível que pareça eu não estava me sentindo mal, mas aliviada...
--- Pronto --- falei --- Está feito.    Paloma veio até mim, me puxou e tomou minha boca com a dela. Foi um beijo intenso, gostoso, molhado, profundo.
--- Muito bem --- falou assim que parouu o beijo e me soltou --- Mas eu estou muito magoada com sua mentira, não posso ficar perto de você nesse momento. --- e saiu da sala de jantar, me deixando ali, sozinha.
   Que mulher mais difícil de se agradar! Ela não queria que eu terminasse com ele? Pois eu terminei e na frente dela! Que mais ela queria? Está bem! Eu assumo que a culpa é minha e que eu não deveria ter mentido. Mas vocês hão de convir comigo que eu não tinha garantia nenhuma de que nosso romance fosse dar em alguma coisa concreta! Muito pelo contrário! Droga, mil vezes droga!
   Mas ela me ama! Ela me ama e isso é o que importa! Paloma me ama!


 


Duas horas depois eu já tinha tomado banho, num quarto qualquer que encontrei, comido um docinho que achei na geladeira e já havia assistido TV, embora não tivesse a menor graça, eu não entendia Grego!
   Achei que já era hora de procurá-la, pois a essa altura já devia estar menos tensa e brava comigo.
   Rodei toda a propriedade atrás dela, mas foi em vão. Descobri que ela não se encontrava na residência.
   Em minha busca, encontrei um jardim enorme, tinha um amplo gramado e uma piscina. Umas mesinhas de madeira pintada de branco e azul e uma espreguiçadeira ornamentavam a vista. Achei o lugar agradável e aconchegante, resolvi sentar na beira da piscina. Eu esperaria ela chegar e falaria com ela novamente, precisava explicar de novo porque eu menti, dizer novamente o amor que sinto. E agora que sei que ela sente por mesmo por mim, nada vai nos impedir de ficar juntas.
--- Roma...--- a voz dela atrás de mim me fez estremecer, e dessa vez não foi de medo, mas de emoção, senti sua mão tocando meu ombro com doçura.
  Virei-me e olhei em seus olhos e o que vi foi amor.
---Precisamos conversar, Paloma ---faleei antes que ela dissesse qualquer outra coisa --- Preciso te dizer umas coisas...
--- Não, Roma --- ela me interrompeu coom uma expressão firme --- Quem tem que falar sou eu! --- ela respirou fundo e sentou ao meu lado --- Eu errei com você, Roma. --- passou as mãos pelo cabelo --- Saí pra dar uma volta, pôr meus pensamentos em ordem. --- fez outra pausa, fungou e continuou --- Não fui decente com você, aliás, não costumo ser decente com ninguém. Sempre ajo em função do meu próprio beneficio. Te obriguei a ir pra cama comigo, te assediei, impliquei com você até não poder mais. Mas quando eu comecei a fazer coisas por você... Coisas simples como arrumar livros pra você ler... Nesse momento eu percebi que eu estava ferrada! Quer dizer... Eu vi que me apaixonei por você.
   Percebi que ela estava se esforçando pra se expressar da melhor maneira. Vocês já devem ter reparado que Paloma não é muito de falar de sua vida, muito menos sobre seus sentimentos... Eu não tenho como explicar pra vocês com palavras o que eu estava sentindo nesse momento.
--- Eu também me apaixonei, Paloma.
> --- Como eu podia exigir que você se deesfizesse da única pessoa que te sobrou na vida, por uma pessoa como eu?
--- Isso ficou no passado, Paloma! Podeemos construir uma nova história! Sem Edvaldo, sem cadeia, sem nada que nos atrapalhe!
   Ela me abraçou, nos levantamos e começamos a nos beijar. O clima ficou quente...
--- Vamos pra cama, Roma! Preciso ter vvocê agora!
   Paloma pegou em minha mão e me levou até um quarto que eu ainda não tinha entrado. Era mais bonito que os outros.
   Amamos-nos ali mais uma vez, selando o nosso amor.   
   Fomos jantar mais tarde e logo voltamos para o quarto... Não dava vontade de fazer mais nada, além de estarmos uma nos braços da outra. É como se o mundo tivesse acabado e se resumisse a apenas nós duas e nossa cama.   
   

 

Os dias que se seguiram foram os mais longos de minha vida. Paloma me levou para conhecer Atenas, que era um lugar belíssimo. Fomos a shows, a restaurantes, a bares noturnos e fomos dançar! Eu adoro dançar! E Paloma se mostrou uma exímia dançarina. O problema é que eu nunca conseguia conversar com mais ninguém além de Paloma, pois eu não falo inglês, e grego muito menos!
   Uma noite, ela me levou ao Clube Português. Era um lugar muito bonito, imenso, onde tinha um pequeno cassino, danceteria, restaurante, piscina e quadras de vários tipos de esportes, além de contar com lindos e gigantescos jardins. Era um lugar freqüentado por pessoas que falavam a língua portuguesa, um ponto de encontro para essas pessoas que vinham viver ou passear na Grécia.
   Estávamos na pista de dança quando Paloma reconheceu alguém:
--- Paulo! --- ela o chamou.
   Era um homem notavelmente rico e elegante, na casa dos 50 anos e calvo.
--- Não acredito! --- ele tinha um sotaaque carregado --- Paloma! Quanto tempo você não aparece por aqui!
--- Pois é... --- ela respondeu a ele ---- Quem é vivo...
--- E quem é essa loira linda com você?? --- o olhar dele pra cima de mim era de gula.
--- Essa já tem dona! --- Paloma responndeu passando a mão possessivamente em mina cintura --- Portanto pode tratar de tirar o olho dela!
--- Já tirei! --- ele sorriu sem graça --- Mas me dêem licença, preciso supervisionar o lugar... Sabem como é... Um lugar desse tamanho da muito trabalho e ando sem empregados o suficiente. Faltam-me pessoas fluentes na língua portuguesa por aqui. Preciso de no mínimo mais três pessoas pra me tirar desse sufoco!
--- Entendo... --- Paloma respondeu ---- Pode ir! Mas mais tarde tomaremos uma bebidinha, hein!
--- Com certeza! --- ele deu dois beijiinhos nela e em mim e sumiu entre os dançarinos ma pista de dança.
   Dançamos muito e conversamos mais ainda com pessoas que nunca vi na vida, mas estava contente por poder conversar em português novamente, embora a maioria não fosse brasileira. Havia sotaques diferentes e isso me divertia.
--- Vamos ver o sol nascer? --- Paloma me convidou.
   Sentamos-nos num banquinho de madeira, no jardim e ficamos abraçadas, admirando a noite, até que as estrelas e lua cedessem lugar aos primeiro raios alaranjados do sol.
--- Eu nunca vi o sol nascendo! --- conntei a ela com pesar --- Sempre tinha que acordar cedo para trabalhar no dia seguinte.
--- Nunca? Pois então perdeu um dos maiis belos espetáculos do mundo!
--- Quero fazer isso de novo algum dia..
--- Faremos, rubita! --- me beijou na ttesta --- Faremos muitas e muitas vezes.
--- Obrigada por me proporcionar um doss momentos mais lindos de minha vida.
--- Não há de que.
   Começamos a rir.

 

 Capítulo 11


O dia seguinte foi calmo, passeamos a tarde inteira e a noite ficamos na cama, pra variar.
Já era tarde da noite, estávamos abraçadas, eu acariciava o rosto e o cabelo de Paloma, quando ela se levantou e foi rumo ao closet.
--- Preciso resolver um assunto agora, Roma. --- disse começando a se vestir.
--- Ah não! Vai me deixar aqui sozinha?? --- provoquei- a fazendo beicinho e mostrando meus seios --- Vai?
--- Joder! Não faz assim comigo, rubitaa! Tem piedade!
--- Mas porque você tem que ir?
--- Rubita, preciso fazer algo importannte.
--- Você vai voltar logo?
--- Tão logo possa, prometo tentar ser breve.
Paloma, já vestida, abriu a porta e saiu. O que era tão importante? Talvez depois ela me conte.
--- Vou assistir TV. --- falei pra mim mesma.
Pouquíssimo tempo depois a TV estava desligada e eu entediada.
--- Porque todas as pessoas do planeta não falam a mesma língua? --- não dava mesmo pra assistir TV em ggrego! --- Droga! Mil vezes droga!
Levantei, vesti um robe que estava sobre uma poltrona e saí do quarto. Melhor ir até a cozinha ver o que tem de bom na geladeira...
--- Um lanchinho não faz mal a ninguém!! --- sorri comigo mesma diante de minha idéia brilhante de atacar a geladeira.
Já na cozinha, encontrei um pacote de biscoito no armário, tinha um aspecto maravilhoso. Não perdi tempo! Abri o pacote e em poucos minutos já tinha devorado metade do pacote.
--- Hum! Que delicia!
Fechei o pacote, tomei água e comecei a subir a escada, mas parei no segundo degrau. Ouvi vozes. E parecia que vinha de uma porta perto da sala de jantar. Será que era Paloma? Claro que era! Estávamos só nós duas na casa! Eu sabia que a dependência de empregados era independente da casa, então... Só restava ela mesma... Mas com quem estaria conversando? Estaria no celular?
De repente me deu uma curiosidade tão grande... Num impulso desci os dois degraus e fui me escorar na porta do local que eu ouvia vozes, com os ouvidos aguçados.
--- Não vou tolerar esse tipo de comporrtamento! --- a voz grave e melodiosa era inquestionavelmente de Paloma.
--- Ai! --- um grito agudo de... Dor! ---- Ai! Por favor, não me mate Bela Fatal! --- Meu Deus! O que estava acontecendo ali dentro?
--- Então me diz, onde está o pacote? ---- a voz dela novamente, dessa vez soou ainda mais grave que de costume.
--- Eu juro que não sei! --- o homem faalava quase aos soluços, pelo timbre de voz dava pra perceber que estava assustado.
--- Eu vou perguntar duas vezes e cada resposta errada você perde uma orelha... --- estremeci ao ouvir isso --- Onde está o pacote?
--- Eu... Eu... --- o homem estava chorrando --- Eu juro por todos os Deuses que não sei!
Ouvi um barulho estranho e não soube definir o que era e então um grito longo que demonstrava uma dor absurda:
--- Ai! --- era o homem gritando de novvo, comecei a tremer, percebi que meu conto de fadas tinha sido construído em bases de areia... Areia movediça que estava caindo e me sugando junto com Paloma pra dentro de toda essa lama.
--- Hahahaha... --- a risada de Paloma soou alto atrás da porta, ela parecia estar se divertindo! --- Então... Quer manter ao menos uma orelha ou vai continuar a mentir?
--- Tudo bem, eu falo! --- o homem resppondeu quase aos gritos de desespero.
--- Bueno! Diz-me onde está o pacote! ---- Paloma perguntou novamente com a voz agora calma, mas eu sabia que era fingimento, por dentro devia estar fervendo de ódio.
--- Está dentro de um poço numa fazendaa nos arredores de Nova Friburgo, no Brasil. Você sabe onde é!
--- Gracias! --- ouvi ela responder amaavelmente.
--- Ai! --- o que é isso agora? --- Ai!! --- porque ele estava gritando de dor se tinha dito o que ela queria ouvir? --- Ai!
O som cessou por completo.
--- Porque você o matou, Bela Fatal? Elle te contou onde está o pacote! --- ouvi uma terceira voz masculina, me dei conta que Paloma não estava sozinha naquela sala com o homem, agora morto.
--- Porque eu quis! E não te devo satissfações! --- ela disse para o segundo homem, ameaçadoramente --- Agora é sua vez! Já sei que os caras estão sabendo do caso todo.
--- Não falei nada! --- ele respondeu aagoniado, por certo temeroso de ter o mesmo final de seu amigo morto instantes antes.
--- Saiba que por muito menos eu me livvrei de seu amigo. Não ouse me desafiar!
--- A culpa não foi minha, Bela Fatal! Juro! --- era o homem falando e parecia temê-la.
Então ela estava atuando de Bela Fatal novamente! Não, ela não atuava! Ela incorporava! Ela era!
--- Sim, não foi culpa sua! Agora só faalta me dizer que a secretária eletrônica criou vida e contou o plano para eles! Hahahaha... Hazme rir!
--- Foi o Vilela! Ele chegou na hora! TTenho certeza que foi ele quem telefonou para os caras!
--- E o que espera para eliminar o Vileela?
“Eliminar o Vilela”? Ela estava falando de... Matar novamente?!
--- Estou esperando ordens suas, Bela FFatal!
--- Você é mesmo um bundão! --- ela parrecia muito irritada --- Tem minha ordem! Mate-o! --- meus oouvidos ouviam, mas meu coração não queria absorver! --- E quero o serviço pra essa madrugada. Quero que ele amanheça com bichos sobre o corpo! Hahahahaha...
--- Sim, Bela Fatal --- o homem concorddava --- Assim será.
--- E se livre desse corpo!
Saí correndo dali! Lágrimas escorriam pelo meu rosto. Que espécie de monstro Paloma é? Não, essa não é Paloma, essa é Bela Fatal! E por acaso não são a mesma pessoa? Claro que são! Como sou ingênua! O que pensei? Que a assassina dentro dela iria hibernar enquanto a gente brincava de casinha? Acho que esqueci quem ela era quando me apaixonei. Mas não posso viver assim! Não posso viver com uma pessoa assim! Vai contra todos os meus principio morais! Matar é muito grave! Eu sei que ela já matou antes, mas entre saber e testemunhar há uma diferença gritante!
--- O que faço agora? O que faço? --- eentrei em desespero.
Corri para o quarto e me vesti. Eu já sabia o que deveria fazer: Ir embora!
--- Está vestida, rubita? --- a voz della soou em minhas costas, ela me abraçou por trás e uma mão apalpou o meu bumbum --- Pensei que me esperaria pronta pra outra... --- como uma pessoa tão fria pode estar tão quente?
--- Me solta, Paloma! --- me desvencilhhei dos braços dela e a encarei --- Vou embora daqui.
--- Por acaso hoje é o dia nacional da piada e eu me esqueci?
--- Não é piada, Paloma. Estou afirmanddo que vou embora dessa casa e de sua vida e vou mesmo.
--- Você está ficando louca?
--- Eu ouvi sua conversa com aqueles hoomems.
A expressão dela era inalterável, parecia uma estatua de mármore.
--- E? --- sua expressão era indecifrávvel.
--- Não estou preparada pra dividir a vvida com alguém que executa pessoas por prazer.
--- Não costumo misturar prazer com neggócios, Roma. --- ela estava muito séria --- Esse homem precisou morrer... Por negócios.
--- A louca é você! Quem você pensa quee é? Deus?
--- Não vem com esse papo furado pra ciima de mim, Roma! Você me conheceu num presídio, lembra-se? Você sabe muito bem quem eu sou!
--- Quem eu sou! --- repeti as palavrass dela --- Sei quem você é, mas meu amor por você me cegou! --- eu tentava controlar o tom da minha voz, para não gritar, mas estava difícil --- Você é Bela Fatal, uma mafiosa perigosa e cruel e têm orgulho disso, não é mesmo?
--- É, sou uma pessoa com ego alto.
> --- Não posso conviver com essa imundicce!
--- Não posso parar minha vida pra que você se sinta bem, Roma! Olha o drama!
--- Ótimo, não pare sua vida! Eu vou emmbora daqui!
--- Vai é? --- riu com cinismo --- E poosso saber pra onde uma estrangeira fugitiva da polícia, em um país estranho, onde não conhece o idioma, vai no meio da noite?
Boa pergunta! Pra onde eu iria? Minha ira não me deixou pensar nesse pequeno grande detalhe. Mas eu estava determinada. Sempre me virei pra sobreviver e dessa vez não seria diferente.
--- Vou pra qualquer lugar pra não ter que ficar aqui com você! --- eu estava possessa com o comportameento dela! Eu queria que ela me dissesse que eu ouvi errado, que ela estava arrependida, ou qualquer outra desculpa esfarrapada, qualquer coisa! Tudo, menos aquilo! Ela age como se fosse a coisa mais natural do mundo!
--- Se você se for daqui, Roma --- ela falava autoritária --- Saiba que nunca mais, escuta bem, nunca mais olho na sua cara novamente!
--- Você não me da outra opção. --- virrei as costas e fui em direção a porta.
--- Vai sair com a roupa do corpo, Romaa?
--- Não quero nada de você! É sujo! Temm sangue demais no seu dinheiro, Paloma e não quero beber dele junto com você.
Eu já estava alcançando a escada quando ela me segurou firme.
--- Você não vai a lugar algum, sua malluca! Não a deixarei sair daqui!
--- Não vê que tenho nojo de você!
Ela me puxou pelo braço e me levou de volta para o quarto. Trancou a porta e pôs a chave no bolso:
--- Agora você pode dormir se quiser, oou pode ficar ai, em pé, com essa cara de quem comeu e não gostou. Pouco me importa!
--- Me da já essa chave, Paloma!
--- Vem pegar! Vem! --- ela me desafiavva --- Vem pegar!
Eu parti pra cima dela com tudo, em vão, pois a força dela é bem maior que a minha. Ela então se aproveitando a situação se apoderou de minha boca com fúria mesclada a desejo.
Comecei a pensar no alfabeto de trás pra

frente... A língua dela invadiu minha boca com paixão... Não estava funcionando! Pensei em freiras velhas de calcinha... As mãos dela percorrendo cada centímetro do meu corpo. Droga! Mil vezes droga!
--- Pare de lutar contra o desejo que tte invade, rubita!
--- Não quero você! Me solta!
--- Mas eu quero você!
--- Vai me obrigar de novo?
--- Vou te fazer amor! Vou te possuir dde todas as formas e se pra isso eu tiver que te obrigar, pode apostar que vou sim!
--- Eu odeio você! Odeio! --- quando a gente pensa que as pessoas mudam, as pessoas vêm pra nos provar que estamos erradas. Pau que nasce torto... Morre torto! --- Assassina! --- ela continuou a me tocar --- Estupradora! --- me jogou na cama e deitou sobre mim.
--- Você sabe bem que isso não é tecniccamente um estupro, rubita... --- disse sensualmente ao meu ouvido, me deixando trêmula de desejo.
O que eu podia responder? Ela estava certa. Eu posso não querer me entregar, mas meu corpo não sabe disso...

 

 

Depois do sexo que fizemos, virei pro lado e dormi, não tinha mesmo jeito, eu não poderia sair no meio da noite sem destino, sem lenço e documento... Mas isso não queria dizer que eu estivesse desistindo de ir embora, apenas que eu estava adiando para uma hora mais oportuna.
Hora que não tardou a chegar...
Quando acordei, Paloma já havia levantado, me vesti e para minha surpresa descobri que a porta estava destrancada. Arrumei umas poucas roupas em uma bolsa e desci. Encontrei Lupi onde queria encontrar: no jardim. Ali Paloma não ouviria o que eu queria falar com ela.
--- Lupi --- a chamei --- Preciso dólarr. --- Será que ela me entendeu ?
--- Sí! --- ela pareceu entender --- Quuieres hoy? Cuanto?
--- Não sei... O que puder me emprestarr... Prometo que te pago!
--- Después del almuerzo. --- isso eu eentendi! Depois do almoço ela me emprestaria.
Fui para a sala de jantar, a encontrei sentada à mesa comendo um tipo esquisito de pão.
--- Bom dia, rubita. --- ela me cumprimmentou aparentemente bem humorada --- Espero que esteja se sentindo melhor depois da noite que tivemos ontem... --- sorriu com malícia e me piscou um olho.
Eu desviei o olhar e me sentei frente a ela. Servi-me de um pedaço de bolo e despejei suco no meu copo. Comi em silêncio e ela nada fez para quebrar. Assim que acabei de comer resolvi que chegou a hora de dizer a ela minha decisão.
--- Vou embora dessa casa, Paloma.
--- De novo essa ladainha?!
--- Não é ladainha e não estou brincanddo.
--- Roma, eu realmente não estou com huumor para conversar sobre isso!
--- Não estou te pedindo dessa vez, Palloma, estou te informando que vou embora.
--- E vai pra onde? --- me perguntou coom desdém, como quem não acredita.
--- Isso é problema meu.
--- Tudo bem! --- colocou o copo de succo sobre a mesa entornando um pouco, estava irritada e me olhou nos olhos --- Se quer ir embora, pois que vá! --- se levantou --- Não dou dois dias pra você voltar com o rabo entre as pernas me implorando clemência!
Levantei-me e a olhei dentro dos olhos, dessa vez ela não estava me assustando, pois era ela a que parecia assustada.
--- Isso não vai acontecer, Paloma. ---- girei o corpo e sai da sala de jantar.
Depois de pegar o dinheiro emprestado com Lupi, sai da casa, e nem vi sinal de Paloma.
Minha pequena bolsa, algo de dinheiro americano, que Lupe me emprestou e um pedaço de papel com o endereço do clube para Portugueses me acompanhavam.
Andei pelo extenso jardim frente a residência e saí pelo portão. Desci uma enorme ladeira e cheguei a uma rua movimentada, não tardei muito a divisar o que deveria ser um táxi. Fiz sinal e o motorista parou o veículo, entrei e entreguei para ele o papel com o endereço. Ele assentiu com a cabeça e pôs o carro em movimento.
Alguns minutos depois chegávamos em frente a um estabelecimento que pude reconhecer como o clube Português que Paloma me trouxe aquela noite. Paguei a corrida com dólares e desci do carro.
Um homem alto e forte estava na portaria:
--- Oi, sou Roma --- resolvi cumprimenttar e me apresentar, eu sabia que ele falava português como todos os outros empregados do clube --- Sou brasileira e vim pela vaga de emprego.
--- Sim, entre. --- abriu o portão pra mim --- Siga pelo jardim e vire a esquerda. O escritório do Senhor Paulo fica numa casa amarela. No segundo andar você encontra o presidente do clube, ele está entrevistando candidatas pessoalmente.
--- Obrigada, Senhor.
Entrei e segui o caminho indicado por ele. Uma vez dentro do gabinete do presidente me senti nervosa e ansiosa. Dependia desse emprego pra não virar uma mendiga num país onde nem sabia falar o idioma... O que seria de mim se não desse certo?
Uma secretária me mandou entrar no enorme gabinete do presidente.
--- Vim pelo anuncio do emprego --- fallei firme.
Eu tinha experiência em procurar emprego e por mais insegura ou temerosa que estivesse, eu sabia bem disfarçar e me mostrar uma pessoa capaz e confiável.
--- Sente-se Senhorita... --- ele tinhaa um sotaque português.
--- Roma. Meu nome é Roma.
--- E pelo seu jeito de falar é brasileeira....
--- Isso mesmo. --- Paulo não me reconhheceu!
--- E o que faz aqui na Grécia?
--- Vim tentar melhorar de vida. --- euu precisava mentir! Vocês entendem, não é? Já que ele não se lembrava quem eu era, melhor não saber mesmo!
--- Tem alguma experiência na área? Ondde está seu currículo?
--- Senhor, já fui de tudo um pouco nesssa vida, não há nada que eu não dê conta, se me contratar eu juro que serei uma empregada dedicada e exemplar. --- parei e respirei --- Não terá queixas de mim!
--- Mas você não me mostrou ainda seu ccurrículo.
--- Desculpe, esqueci de trazer... Que cabeça a minha! --- definitivamente eu devia tentar a carreira de atriz!
--- Hum... --- ele estava indeciso --- Olha, Roma... Realmente estamos afogados em trabalho aqui e me falta pessoal... Preciso mesmo de pessoa fluentes em português para atender os fregueses.
Será que ele iria me contratar? Prendi a respiração.
--- Façamos o seguinte: Você fica para uma experiência de uma semana.
Quase pulei de alegria quando ouvi isso! Mas me contive, não era bom ele perceber meu desespero.
--- Garanto que o Senhor não se arrepennderá!
--- Se der certo te contrato. O salárioo é pouco, mas temos a vantagem de oferecer um quartinho para nossos funcionários e nossa dependência de empregados é aqui mesmo no clube. Dessa foram não precisará gastar com condução nem pra ir e nem pra vir. Pode ficar lá se quiser.
--- Se eu quero? Mas é tudo que eu maiss preciso! Quando começo?
--- Agora mesmo.
--- Perfeito!

 

Capítulo 12


Os dias passaram depressa e no final da semana fui contratada oficialmente. Durante a semana, eu trabalhava das oito da manhã até as dez da noite e, nos finais de semana, meu expediente começava as três da tarde e findava quando o clube fechasse e isso dependia dos clientes resolverem voltar para suas casas. Nas quartas-feiras eu folgava o dia inteiro. Era um trabalho cansativo, mas ter comida e um teto pra dormir amenizava a situação. Eu era encarregada de servir o restaurante do clube. Às vezes eu ajudava na cozinha e outras eu preparava bebidas. Até que essa era uma parte boa, melhor que trabalhar nos sanitários.
O quartinho que eu ocupava não cabia mais que uma cama de solteiro e um pequeno armário de duas portas. Havia uma pequena janela de madeira numa parede.
Minhas noites, depois do trabalho, passaram a ser tristes demais. Eu não conseguia conter minha saudade de Paloma, que vinha em forma de lágrimas. Mas eu sabia que precisava ser forte e agüentar a dor que a ausência dela em minha vida me causava. Ela era uma pessoa má e eu não poderia ser cúmplice de seus negócios escusos e crimes calculados a sangue frio. Minha vida estava de cabeça pra baixo... Talvez fosse mesmo melhor ter ficado na prisão, ao menos eu sabia que um dia teria minha vida de volta, mas agora... Agora toda a chance que eu tinha de me reerguer havia acabado de vez. Eu não poderia voltar ao Brasil como fugitiva, sabia que pereceria nas mãos das presas inimigas de Paloma e também minha pena dobraria... E eu não queria pagar por um crime que não cometi! Não é justo!
Um dia eu estava atrás do balcão, atendendo um senhor muito elegante quando a vi passar. Engasguei.
--- O que ela está fazendo aqui no Clubbe? --- me perguntei baixinho sem acreditar.
Ela estava ainda mais bela do que nunca. Usava um biquíni vermelho, que fazia contraste com sua pele morena e uma tanga estampada cobrindo a parte de baixo, embora as coxas grossas estivessem à mostra. Uau! Esqueci de respirar!
--- É pra hoje, rapariga! --- o senhor com sotaque português chamou minha atenção, descontente pela minha demora em atendê-lo --- Quero um suco de laranja!
--- Sim, sim! Já está saindo, Senhor! Fiz o suco de laranja e quando voltei a olhar ela tinha sumido. Foi como uma aparição, uma miragem no deserto para meus olhos sedentos da imagem magnífica de Paloma.
--- Roma --- Alberto, o chefe responsávvel pelo setor onde eu trabalhava me chamou.
--- Oi, Alberto. --- respondi --- Preciisa de alguma coisa?
Ele era um jovem brasileiro, como eu, boa pessoa, em pouco tempo nos tornamos amigos.
--- Leve esse pedido para a piscina ---- me entregou um papel.
--- Mas eu não trabalho nas piscinas.... Tem muita gente aqui no restaurante, se eu sair...
--- Eu sei, mas recebi ordens para que você fosse levar esse pedido pra lá.
--- Tudo bem.
Peguei o papel, olhei o pedido: Um uísque com gelo, um suco de laranja e uma salada de atum para a mesa 02. Tratei de arrumar tudo numa bandeja e comecei a levar, irritada. Como se não bastasse eu fazer o meu trabalho no meu setor, eu ainda tinha que fazer em outro setor. Aposto que algum empregado faltou na parte das piscinas e eu estou tendo que cobrir!
Chegando lá, procurei onde deveria estar a mesa 02 pela ordem. Era uma área enorme, tinham duas grandes piscinas, uma para adultos e outra para crianças. Comecei a andar entre as mesas e as pessoas que iam e vinham em trajes de banho. Por fim, encontrei a mesa 02, mas estava vazia. Resolvi deixar o pedido ali mesmo sobre a mesa e esperar até que o dono do pedido aparecesse.
--- Até que enfim trouxe meu uísque! ---- aquela voz grave e melodiosa que conheço bem! Meu Deus! Era ela! O pedido era pra ela!
Derrubei a bandeja de susto.
--- Sua desastrada! --- ela gritou comiigo, chamando a atenção dos outros clientes do clube --- Olha só o que você fez! Sua estúpida!
Abaixei para pegar os cacos, ainda sem poder olhá-la. Eu não acreditava que ela estava me humilhando dessa forma na frente de meio clube depois de tudo que vivemos juntas!
--- Calma, amor! --- uma voz feminina ee diferente da de Paloma soou melosa.
Olhei pra cima pra ver quem se tratava. Era uma loira muito alta e linda, dessas que parecem artistas de cinema. Ela estava pendurada no ombro de Paloma de um jeito que não gostei nada! Pelo sotaque não era brasileira, era portuguesa.
--- Amor, é só uma empregada! --- olhouu pra mim com ar de superioridade e afetação --- Vá buscar outro uísque para minha morena linda e outro suco pra mim e não se esqueça de minha salada de atum!
Levantei, e encarei Paloma pela primeira vez, ela me olhava séria, mas reconheci em seus olhos um deboche típico dela. Que ódio senti nesse momento!
Voltei para a cozinha do restaurante, prepararei outro pedido idêntico ao que eu derrubei e dessa vez preparada, com as mãos firmes, voltei. Coloquei os copos e a salada sobre a mesa, ambas mulheres se encontravam sentadas. A loira acariciava o rosto de Paloma com posse. Tive que me esforçar pra não jogar o suco em cima dela! Mas me controlei, não podia perder esse emprego de jeito nenhum! Não tinha pra onde ir.
--- Desejam mais alguma coisa? --- pergguntei contendo minha raiva.
--- Suma já daqui empregadinha! --- Palloma proferiu essas palavras com asco.
Senti-me mais humilhada ainda. Tudo bem que eu era pobre, mas isso não dá o direito de que me usem de saco de pancadas.
Abri a boca para falar algo a altura, mas me calei. Eu não iria perder o emprego por causa de uma pessoa como Paloma! Essa mulher não merece nem uma gota de lágrima minha! E pensar que choro todas as noites pensando nela! E como se não bastasse o mau trato, ela ainda fingiu que nunca me viu mais gorda! Claro! Não precisa mais de mim! Já arrumou outra distração! Essa loira deve estar lhe satisfazendo na cama!
Mais que rapidamente voltei para a ala do restaurante que eu trabalhava, fritando de ódio.
--- Nossa, Roma, que foi? --- Alberto mme perguntou --- Pegou um cliente chato?
--- Mais que chato! Inoportuno!
--- Mas você sempre tira de letra essess probleminhas.
--- É... Sempre tiro de letra... --- meeu tom não convencia nem a mim mesma.

 


Não a vi mais nesse dia, era uma sexta-feira, sinal de que amanhã poderia acordar tarde e eu estava realmente precisando descansar. Tanto de corpo, quanto de mente.
Mas o sábado chegou e acordei cedo. Não conseguia mais conciliar o sono. Virei para um lado e logo depois para o outro. Meu coração não conseguia esquecer a visão daquela loira pendurada em Paloma e em como a própria Paloma fingiu não me conhecer e ainda me tratou daquele jeito!
--- Parece até que voltamos aos velhos tempos da prisão onde ela me maltratava...
Levantei e fui ler um livro pra tentar esquecer. Alberto também gostava de ler e sempre me emprestava um de seus vários livros. O que eu estava lendo era um livro de Paulo Coelho. Ainda bem que o livro era muito bom, pois consegui esquecer meus tormentos, mesmo que temporariamente... Quando dei por mim já era hora do almoço, eu não precisaria vestir o uniforme agora, pois ainda faltava umas horas para que meu expediente começasse. Fui almoçar no restaurante principal, aquele mesmo onde eu trabalho. Os empregados tinham livre acesso ao restaurante e a outras partes do clube nas horas vagas desde que não estivessem usando o uniforme. A comida era cara, mas para nós saía de graça, fazia parte do pagamento do emprego.
O restaurante sempre estava mais cheio nos fins de semana e hoje não seria diferente, mas ainda havia uma mesa desocupada.
--- Roma! --- Alberto chegou me cumprimmentando --- Vamos nos servir e sentar naquela mesa vazia
Servimos-nos na cozinha mesmo e fomos nos sentar à mesa.
--- Então, gostou do livro que te empreestei? --- me perguntou assim que sentamos.
--- Nossa, Alberto! Você tem um ótimo ggosto pra livros! Estou amando! Obrigada pelo empréstimo, prometo devolve-lo inteiro.
--- Imagina, Roma! --- ele me respondeuu educado como sempre --- Pode ficar com o livro o tempo que quiser... E você sabe que tenho outros. Quando você terminar de ler esse, te emprestarei mais.
Conversávamos animadamente sobre as personagens do livro e consequentemente sobre o autor. Eu me divertia conversando com Alberto, ele é um rapaz simpático e educado, me lembrava Edvaldo... Como estaria Edvaldo agora?
Continuávamos a almoçar e conversar animadamente quando meus olhos deram no azul inconfundível dos olhos de Paloma. Ela estava vindo em minha direção e de mãos dadas com aquela loira. Como tinha tanta cara de pau assim?
--- Só o que faltava, Melissa. --- Palooma falava com a loira. Então a lambisgóia se chama Melissa... --- Não tem mais uma única mesa nesse restaurante e essa empregadinha ocupando lugar!
Eu não acreditei que estava ouvindo aquilo!
--- Levante-se estúpida! --- o tom delaa era duro.
Alberto não gostou do tom de Paloma e se levantou mostrando uma irritação contida.
--- Senhora, já estamos saindo --- faloou tentando amenizar o clima tenso.
--- Ah... --- ela lançou a ele um olharr cheio de cólera --- Parece que a empregadinha já arrumou um bobo da corte para defendê-la aqui também! --- e ainda estava debochando de mim! --- Mas olha que esperta você é!
Isso já era demais! Levantei-me e a encarei.
--- Como pude me enganar tanto com vocêê, Paloma! Posou de mulher apaixonada pra mim e na verdade só queria sexo!
--- Amor... --- a loira a olhou assustaada --- Você conhece essa empregada?
--- Você se enganou comigo, Roma? --- PPaloma ignorou a pergunta da loira e me olhou com raiva e se pôs a gargalhar com deboche --- Hahahaha... Não me faça rir! Pois eu não me enganei em nada com você! Conheço bem seu tipo! Sabia que você era uma puta desde o princípio, dessas que usa as pessoas para conseguir subir na vida!
--- Você não sabe o que está dizendo, PPaloma!
--- Não sei? --- olhou pra Alberto e dee volta pra mim --- Vejo que você já arrumou um otário pra te bancar na vida! Foi assim que conseguiu esse emprego, Roma? Foi pra cama com Paulo ou com esse homem pra conseguir esse emprego?
--- Eu... Eu... --- eu não conseguia faalar! Estava embasbacada com as acusações que ela estava me fazendo.
--- Como você caiu de produção Roma! ---- ela continuava me agredindo verbalmente --- Comigo sua vida era mais fácil! Eu te comia, mas você não precisava trabalhar! Puta burra!
Isso foi à gota da água para o meu copo gigante transbordar de vez! Sem pensar, ergui a mão e dei um tapa nela com toda a força que eu tinha. Ela nem moveu o rosto e nem gemeu. Foi como se eu não tivesse nem encostado no rosto dela!
--- Espero que tenha pra onde ir quandoo for despejada daqui, Roma. --- ela falava com uma calma irritante --- Estou indo agora mesmo falar com Paulo para que te despeça por te me agredido.
--- Não! --- isso não podia acontecer! Parece que a vida adora me colocar na situação de precisar de Paloma pra algo, sempre! --- Por favor, Paloma! Isso não!
Não me restava mais nada. Eu tinha que implorar. Esqueci do meu orgulho e implorei. Com certeza virar mendiga nas ruas de Atenas seria um destino pior!
--- Não dê ouvidos a ela, Paloma --- a loira falou arrogante --- Ela te deu um tapa, isso é um abuso!
--- Senhoras, por favor --- Alberto fallou parecendo nervoso, mas seu tom era brando --- Podemos resolver isso, por favor.
--- Cale a boca, rapaz! --- Paloma faloou --- E saia já daqui!
Ele não viu outra alternativa, o cliente sempre tem razão e se ele não quisesse perder o próprio emprego, era melhor se mandar da cena.
--- Isso amor! --- a loira exultou --- Coloque esses empregadinhos em seus devidos lugares!
--- Vá embora você também Melissa! --- o tom de Paloma era seco.
--- Mas amor... --- Melissa não queria deixar Paloma sozinha comigo.
--- Já! --- Paloma gritou com ela
Melissa saiu mesmo contrariada. Paloma olhou pra mim e sorriu... Aquele famoso sorriso ameaçador...
--- O que faço com você, Roma? Denuncioo-te por agressão para o seu chefe ou...
--- Por favor, Paloma! --- eu supliqueii.
--- Não vou te fazer perder o emprego.... Mas você vai me pagar pelo tapa! Vai fazer o que melhor sabe fazer, sua putinha! Vai abrir essas pernas e dar pra mim! Onde é seu quarto?
Eu fiquei muda de ódio.
--- Fale! Ou quer perder o emprego?
> --- Me segue.
Eu estava mesmo me transformando no que ela me chamava. Eu merecia ser chamada de puta. Estava agora mesmo agindo como uma. Mas eu tinha escolha?

 

Capítulo 13

A levei até o meu quarto e tranquei a porta. Ela se sentou em minha cama e cruzou as pernas.
--- Fica de frente pra mim, Roma. --- PPaloma usou um tom autoritário, mas sexy ao mesmo tempo.
Eu obedeci, mas ainda sem entender o que exatamente ela queria.
--- Agora desabotoe sua blusa, bem devaagarzinho. --- continuou a ordenar.
Eu desabotoei com as mãos trêmulas, não sei se de raiva ou de desejo. Talvez os dois...
--- Agora abaixe sua calcinha. Bem devaagar... Quero ver todo o movimento.
Comecei a descer minha calcinha vagarosamente.
--- Ah... --- ela gemia excitada com a visão do meu sexo nu --- Deliciosa... --- levantou e me puxou --- Senti faltaa do seu cheiro, rubita...
Começamos a nos beijar e nossas mãos já passeavam sem reservas por nossos corpos quentes e famintos um do outro. Por mais irritada que eu tivesse com a situação, estava sendo impossível agir de outra maneira que não fosse me entregar a Paloma. Eu a amo com todas as minhas forças e meu corpo anseia o dela com uma voracidade espantosa.
Paloma me soltou e deu dois passos para trás, tirou a própria roupa:
--- Deita na cama e abra as pernas. Deitei na cama, sem saber exatamente o que ela faria... Como ela faria...
Então ela subiu em cima de mim e se posicionou com as pernas abertas sobre minha boca:
--- Me chupa! --- me disse roucamente ---- Bem gostoso, rubita. Do jeito que só você sabe fazer...
Comecei a sugar todo o mel que essa mulher sensual tem pra me dar. Paloma começou a rebolar freneticamente na minha boca e não demorou muito a gozar, gemendo gostosamente, de um jeito que me arrepiava.
Eu sentia o meu desejo escorrer entre minhas pernas.
--- Agora vou provar do seu gosto! --- me disse já me puxando e me virando na cama.
Ela se debruçou em cima de mim e enfiou três dedos em minha abertura. Sem perceber eu já estava empurrando minhas cadeiras contra os dedos dela.
--- Ah... Ah... --- eu gemia sem percebber --- Ah...
--- Isso rubita! Geme pra mim!
Momentos depois quem sentia a onda de prazer total invadir corpo e coração era eu.
Ficamos nessa vadiagem por mais alguns momentos.
-- Você sabe fazer isso muito bem, rubiita! --- disse se vestindo --- Devia se profissionalizar.
--- Não estou trabalhando, estou sendo coagida e chantageada a agir dessa forma e você sabe.
--- Sei que você é uma aproveitadora. --- Como me arrependo de ter deixado o Edvaldo por você. Ele sim é uma pessoa que vale a pena, é honesto e decente! Muito diferente da bandida assassina que você é!
Se era pra ofender, eu também sabia, embora ache que minhas palavras não a magoariam em nada.
--- Honesto? Decente? Hahahaha...
--- Pára de rir assim dele! Você não teem moral pra isso!
--- Vamos ver se ele é tão honesto e deecente assim.
--- Do que você está falando, sua loucaa?
--- Agora não tenho tempo pra isso. Tennho compromissos urgentes.
Ela saiu do quarto e eu vesti meu uniforme, já estava na hora do meu expediente.
Cheguei ao restaurante e estava mais abarrotado de gente do que antes. Ainda bem que não eram as mesmas pessoas da hora do almoço, senão eu morreria de vergonha!
--- Roma! --- Alberto me chamou --- Pello visto você conseguiu segurar seu emprego!
Impressão minha ou ele estava sendo sarcástico?
--- Sabe que posso.. --- ele passou a mmão em meu braço, numa carícia íntima --- Melhorar sua situação nesse clube... Quem sabe te subir de posição! --- não acredito que ele esteja fazendo isso!
--- Nunca mais olhe na minha cara Alberrto! --- eu queria gritar, mas falei baixo.
--- Já vi que você é daquelas que se faazem de santas, mas por trás são umas verdadeiras capetinhas!
Saí de perto dele para não começar mais uma discussão. Ele parecia ser uma pessoa boa! Eu sempre me engano com as pessoas!

 


No domingo à noite, eu estava limpando o balcão. Era de madrugada e pouquíssimas pessoas restavam no clube.
Eu não a tinha visto, mas sentia a presença dela. Ergui os olhos a procura e avistei Paloma ao longe. Fez-me um sinal com o dedo indicador, queria que eu fosse até ela. Achei melhor ir antes que ela criasse outra confusão:
--- Só vim aqui pra dizer que não possoo... --- que não posso trepar? --- Não posso falar com você agora, Paloma, caso não tenha reparado estou trabalhando!
--- Não estou interessada em seus serviiços íntimos, Roma! Só vim lhe entregar isso! --- me entregou um envelope grosso.
--- O que é isso? --- peguei o envelopee da mão dela, sem entender.
--- É a decência e moral do seu ex noivvinho, Edvaldo! Aconselho que se sente pra não cair.
Abri e olhei. Acabei sentando mesmo. Era um dossiê sobre Edvaldo. Ele tinha passagens pela polícia como traficante de drogas.
--- Meu Deus! Isso não é possível! Vocêê armou tudo isso!
--- Não armei nada, menina! As fotos moostram por si só!
Eram fotos da ficha criminal dele.
--- Pode muito bem ser uma montagem! Nãão entendo de informática, mas sei que elas existem!
--- Deixe de ser tão estúpida! O que euu ganharia com isso?
--- Não pode ser! --- comecei a chorar..
Vocês entenderam a mesma coisa que eu? A droga era de Edvaldo e como ninguém desconfiava dele, não se importaram em investigá-lo...
--- Ele... Ele... --- eu não conseguia terminar a frase.
--- Isso mesmo. Esse safado do Edvaldo deixou você ser presa no lugar dele, por um crime que ele cometeu!
Eu só chorava.
--- Posso acionar meus advogados para qque entrem com a reabertura do seu processo pedindo sua soltura. Posso conseguir que você seja inocentada e indenizada, Roma. Vou por esse cretino atrás das grades!
--- E a troco de que? --- olhei nos olhhos dela --- Sei que não sairá de graça! Diga-me o que você quer para me ajudar?
--- Quero você pra mim, Roma. Tentei tee tirar do meu pensamento, mas não consigo!
--- Não! Não acredito que você está usaando algo dessa importância pra me chantagear! --- minha raiva se intensificou e minha voz estava alterada --- Não preciso de sua ajuda agora que sei que Edvaldo é o culpado! Só preciso pedir que mexam na ficha criminal dele!
--- Já ouviu dizer que muito ajuda quemm não atrapalha?
--- O que quer dizer com isso? Vai me aatrapalhar conseguir me livrar desse processo se eu não aceitar suas condições?
--- Garota esperta! Posso fazer com quee nunca encontrem nadinha que o incriminem...
--- Você é mesmo louca! --- eu queria bbater nela!
--- Te ajudo e de quebra não atrapalho sob minhas condições... Pensa direitinho... Se você aceitar, te levo de volta para o Brasil.
--- Como me leva de volta para o Brasill? E quanto ao seu crime? Se você voltar será caçada!
--- Roma, já devia saber que não sou muulher que dorme no ponto... Enquanto você brincava de empregadinha nesse clube eu voltei ao Brasil e consegui provar que matei aquele homem em defesa da menininha. Se eu não o tivesse matado, ela teria uma morte certa.
--- Fácil assim?
--- Digamos que não foi difícil comprarr um juiz, embora eu realmente tenha matado aquele cretino para salvar a garota.
--- Tudo pra você é tão fácil....
--- E pode ser pra você também, Roma.... É só ficar comigo!
--- Você quer me comprar Paloma, não enntendo! Eu fui sua por amor, por vontade própria! Fugi com você por saber que não conseguiria viver longe da mulher que amo.
--- Sim, você fugiu comigo e agora fugiiu de mim! Que amor é esse que você diz sentir?
--- Eu não fugi de você, Paloma! Eu fuggi da Bela Fatal! Tenho medo desse seu lado obscuro... Sinto que não posso conviver com sua personalidade louca e assassina! Não posso!
--- Acho que você não tem muitas opçõess, Roma! Você pode voltar ao Brasil, como minha mulher, e será vista como uma inocente injustiçada, ou pode passar o resto da vida fugindo da polícia! --- sorriu triunfante --- O que preferee?
Respirei fundo. Ela tinha razão, eu realmente não tinha muitas opções.
--- Eu volto com você pro Brasil, como sua mulher.

 


3 meses depois

 

Minhas mãos suavam frias e meu corpo tremia um pouco. Sentia-me extremamente apreensiva. Eu estava sentada novamente no banco dos réus, ao lado de Edvaldo.
Paloma colocou a minha disposição uns dos melhores advogados do país, o Doutor Fontoura. Ele conseguiu que Edvaldo e eu fossemos julgados juntos, isso me beneficiaria, segundo ele.
--- Fique de pé a ré Roma Dias da Silvaa --- a voz da juíza me gelou.
Olhei nos olhos de Paloma, ela nada disse, mas seu olhar me dava força e de algum jeito me passava a mensagem que tudo daria certo. Levantei-me para ouvir o veredicto.
--- A ré Roma Dias da Silva... --- as ppróximas palavras da juíza me absolveriam ou me condenariam a uma pena dobrada pela fuga --- ... Foi considerada pelo júri aqui presente como inocente, sendo liberada da pena de dois anos de reclusão e terá direito a uma indenização de 50 mil reais por perdas e danos morais, pelo tempo que passou na penitenciária do Estado.
Meu coração parecia querer saltar pela boca! A felicidade que eu estava sentindo era muito forte!
--- Que fique de pé o réu Edvaldo Lima Andrade.
Olhei pra Edvaldo com toda a decepção que eu sentia. Desde que voltei ao Brasil ainda não o tinha visto.
--- O júri o considera culpado por tráffico de drogas e o condena a uma pena de dois anos de reclusão na penitenciária masculina do Estado. Também culpado por omissão de culpa e por esse crime a pena foi de mais 8 meses de reclusão.
--- Não tinha como não conseguirmos, Rooma --- meu advogado me abraçou --- E esse seu ex-noivo pagará pelo que lhe fez.


Paloma e eu saímos do tribunal e fomos pra nossa casa, uma mansão em estilo neoclássico de quatro andares. Há quase uma semana chegamos da Grécia e vivemos aqui. Nossa relação não é nada convencional, embora estejamos morando juntas, não somos exatamente o que se espera de um casal...
Ainda a amo, mas não concordo com seu estilo de vida. Vejo homens saindo e entrando do escritório particular dela no primeiro piso e me dói saber que tipo de ligação ela mantêm com essas pessoas. São todos mafiosos cruéis e assassinos e todos obedecem às ordens de Paloma.
Fazemos amor todas as noites, mas não consigo lhe dar mais do que isso... Paloma me procura, me provoca e meu corpo reage imediatamente e não consigo resistir, então me entrego e ela me toma.
Se a noite pareço uma mulher apaixonada na cama, durante o dia sinto dificuldade em dizer mais do que duas palavras a ela. Já ela fazia de tudo para me agradar, parecia estar disposta a me dobrar. Inventava mil maneiras de quebrar o gelo que eu impus ao nosso relacionamento.
--- Roma, que tal se a gente jantar forra pra comemorarmos nossa vitória? --- ela me perguntou sorrindo amistosammente.
Estávamos sentadas numa das várias salas de estar que a mansão possuía.
--- Não estou com vontade. --- respondii secamente --- Tenho sono, vou dormir. --- me levantei pronta pra deixar a sala.
--- Mas vai dormir sem jantar? --- sua voz era ansiosa.
Ela realmente queria minha companhia, eu via em seu olhar.
--- Estou sem fome. --- me retirei da ssala.
Mas minha vida não era tão fácil assim. Eu tinha que posar de mulherzinha para os amigos dela em reuniões e festas de negócios. Sempre trajando uma roupa elegante de forma que eu parecesse gostosa e burra o suficiente para merecer o cargo de mulher de Bela Fatal.
Ela adorava desfilar comigo por todos os lugares e fazia questão de me tocar possessivamente mostrando a todos que eu tinha dona. Por conta disso ninguém se dignava a me dar mais que um olhar.
Eu sabia que tinha que ser sempre educada com todos aqueles assassinos e a vontade que eu tinha era de sair correndo! Mas precisava manter a pose. Pensam que é fácil ser mulher de mafiosa?

 

Capítulo 14

 --- Hahahaha! --- ele ria satisfeito e ligou o celular. --- Chefe, tudo certo! Estou com a putinha! --- olhou pra mim, babando ---Ela é bem gostosa, hein! Quando a Bela Fatal souber que estamos com ela, vai pirar! Hahahaha...
Oh Meu Deus! Eu estava sendo seqüestrada! Dentro do carro havia mais dois homens e o motorista. Não havia como eu fugir! Não havia maneira! Puseram um capuz em minha cabeça pra que eu não visse nada.
Um bom tempo depois, me vi num lugar que parecia o interior de um prédio em construção abandonado. O homem me entregou para um quarto homem que lá estava, parecia ser o tal chefe deles. Ele meu segurou forte pelo braço.
--- Vamos fazer uma ligação, Loirinha? Hahahahaah... --- o chefe que me segurava falou.
Ele pegou o celular novamente e discou:
--- Alô? Bela Fatal! Tenho uma coisinhaa linda e loira aqui comigo e temo que sua putinha não continuará respirando por muito mais tempo se você não me der o que quero! Troco sua putinha por 6 milhões de dólares na mão! Estou te esperando na rua dos Pinheiros num prédio em construção em frente ao posto de gasolina. Suba para o quarto andar e venha sozinha --- silêncio, o homem parecia satisfeito com o que ouvia do outro lado da linha. --- Você têm duas horas! Ou sua loirinha morre!
Meu Deus! Esses homens querem me trocar por toda essa quantia! São 6 milhões de dólares! Nem sei o quanto se compra com isso... Nem posso imaginar! Mas... Será que eu valho 6 milhões para Paloma? Será que ela vai me trocar por um preço tão alto?
Um dos homens abriu uma tampa no chão:
--- Vamos pôr ela no esconderijo, pra qque não fuja!
O chefe me jogou lá dentro.
--- Não! --- gritei apavorada.
Lá dentro estava escuro, não dava pra ver nada. Uma luz foi acesa de repente e pude ver onde estava. Era um buraco pequeno, mas suficiente alto pra que eu pudesse ficar de pé. Havia um colchão no chão. Sinal de que tudo estava preparado para a chegada do refém. Para a minha chegada! Droga! Mil vezes droga!
--- Não quero morrer! --- comecei a choorar baixinho.
Analisando friamente a situação, eu não precisaria me desesperar, pois sabia dentro do meu coração que não importa a quantia, Paloma viria me resgatar. Sim, ela viria. Comecei a temer então a reação dos homens quando ela aparecesse... Será que eles manteriam a palavra e fariam a troca sem maiores problemas? Ou será que eles pagariam o dinheiro e ainda matariam nós duas? Não quero que Paloma morra por minha causa!
Eles estavam exatamente sobre minha cabeça e eu podia ouvir cada palavra que eles diziam.
--- Espero que o plano dê mesmo certo. Bela Fatal é muito esperta! Deve estar tramando algo!
--- Não, ela virá sozinha. Não tem periigo, ela sabe que se não fizer como queremos, a loirinha morre! Além do mais, somos quatro e ela é uma só.
Eu percebi nervosismo nos passos e vozes deles. Não restava dúvida que tinham medo de Bela Fatal. Percebi que esse era o grande golpe da vida deles e fariam de tudo para que desse certo. Ouvi que eles pretendiam fugir com o dinheiro para o exterior ainda hoje, iriam para a Suíça.
Eu já estava sentada no colchão há um bom tempo, quando ouvi um som característico dos passos de Paloma ecoando acima de minha cabeça:
--- Onde está minha mulher?
Pude identificar na hora o tom que Paloma estava usando, já tinha falado dessa forma comigo por diversas vezes na prisão. Era um tom que soava firme e forte e quem fosse alvo dessa voz combinado com o olhar que ela devia estar usando agora, devia estar se borrando de medo.
--- Onde está a grana? --- ouvi o chefee perguntar.
--- Qual é? --- ela se mostrou irritadaa --- Já fui revistada lá fora, estou desarmada e sozinha, tenho a grana aqui, mas exijo minha mulher primeiro, quero vê-la.
--- Você não está em condições de exigiir nada!
--- Hahahaha... --- ela estava rindo ---- Pensei que você soubesse fazer negócio melhor, mas vejo que é um moleque! Não vai conseguir me intimidar!
--- Só que somos quatro e você uma só!<
--- Ledo engano, meu querido! Meus homeens estão sabendo onde estou nesse preciso momento e se eu não voltar dentro de 10 minutos para meu carro com Roma, eles invadirão o local! --- pude ouvir o som de sua risada debochada ecoar alto no ambiente --- Portanto --- ela continuou, cínica --- Sugiro que entregue minha mulher aggora mesmo e pegue a porra do dinheiro!
--- Paloma! --- comecei a gritar --- Esstou aqui em baixo! Aqui! Paloma!
Eu estava aliviada, sabia que ela não me deixaria ali e que viria me socorrer.
A tampa foi aberta e um homem me puxou para fora, segurou uma arma na minha cabeça:
--- Pra trás Bela Fatal ou ela morre! ---- ele gritou nervoso.
Eu nunca senti tanto medo na vida! É uma sensação angustiante demais! Olhei nos olhos de Paloma, e apenas eu pude entender que ela estava apavorada com a idéia de me ver morta, mas mantinha um porte de quem sabe que está tudo sob controle.
--- Solte a Roma! --- Paloma falava callma, queria convencer os homens que não estava nervosa com o fato de estar vendo a mulher que ama com uma arma na cabeça.
--- Deixe o pacote com a grana aí em ciima dessa mesa! --- o chefe falou apontando uma mesa no canto do lado direito.
Ela fez o que ele pediu, foi até a tal mesa e colocou a maleta com os 6 milhões.
--- Agora solte minha mulher! --- ela oolhou pra ele ameaçadoramente.
--- Manolo!--- o homem que me segurava chamou outro --- Conte a grana e veja se está tudo em ordem. --- virou pra ela --- Vou logo avisando que se tiver menos do que pedi, meto uma bala agora na cabeça dessa loira!
Manolo abriu a maleta e um tempo depois fez um gesto afirmativo com a cabeça.
--- Hahahaha... --- o chefe que me seguurava gargalhava --- Muito bom, Bela Fatal! Eu estava mesmo certo quando percebi a influencia que essa piranha loira exerce em você! Hahahaha...
--- Chega de conversa! --- Paloma o intterrompeu --- Você já tem os 6 milhões! Agora solte a Roma pra que possamos ir embora!
--- Não tão cedo... --- ele ficou muitoo sério de repente --- Você matou meu pai, Bale Fatal! Lemmbra-se?
--- Seu pai? Eu nem sei quem é seu pai!!
--- Claro que não sabe! Suas vítimas nãão têm nome, não é verdade? São apenas empecilhos que você tira do seu caminho e meu pai foi apenas mais um dos tantos de que você se livrou!
--- Olha aqui, eu já paguei o seu preçoo e quero minha mulher!
--- Eu sofri muito com a perda --- ele continuou falando --- Meu pai era um homem bom! Agora você vai sofrer a perda de quem mais ama também!
Apontou a arma pra minha cabeça e destravou o gatilho.

 


Dizem que quando a gente está para morrer, a vida passa toda em nossa mente, como num filme. Mas a única coisa em que eu conseguia pensar era em Paloma. A única imagem em minha mente era aquele par de olhos tão azuis que eu amava.
Fechei os olhos à espera do tiro fatal que tiraria minha vida... Que tiraria Paloma de mim pra sempre. Mas a única coisa que ouvi foi um estalado oco parecendo um soco e fui jogada para o chão. Não sei como, Paloma estava em cima do homem e os outros três homens lutavam contra ela agora. Nunca pensei que ela fosse tão forte!
--- Corre Roma! Corre! --- ela gritou ppra mim.
Mas eu simplesmente não podia deixá-la ali, sozinha, eles iriam matá-la! Eu não tinha mais nada na minha vida. Mais ninguém! E se era pra viver sem Paloma, melhor ficar e morrer com ela.
Um dos homens então se aproveitou desse meu “momento reflexão” e me agarrou novamente. O cara com a arma apontou para mim enquanto Paloma lutava com ele para desviar a arma para o chão. Ele conseguiu apontar a arma pra mim novamente e de repente tudo ficou preto. Mergulhei na escuridão.

 


Abri os olhos, confusa. Tudo estava embaçado, meu corpo fraco, sentia uma letargia...
--- Roma! Meu amor! Você acordou! --- uuma voz emocionada falava e lágrimas caiam pelo meu rosto, mas não eram minhas, eram de Paloma.
--- Onde estou? --- perguntei confusa, parece que isso já aconteceu antes...
--- Está num hospital.
Agora me lembro de tudo... Do seqüestro, da luta, do tiro!
--- Levei um tiro, não foi?
--- Foi sim, no abdômen, mas você já fooi operada e a bala removida, está tudo bem agora! Você vai ficar boa, meu amor!
--- Sinto dor...
--- Vou chamar a enfermeira para que tee dê mais remédio.
Ela saiu apressada e voltou pouco tempo depois com uma senhora toda vestido de branco.
--- Bom dia, Dona Roma! --- a enfermeirra me cumprimentou sorridente --- Sou Eliane, estou cuidando de você desde que chegou. Você é muito forte, menina! Fico contente em ver que está se recuperando!
--- Mas estou com muita dor. --- falei resmungando.
--- Sei, sua mulher me disse você está com dor, mas é normal, vou te dar um remedinho para que você volte a dormir.
--- Quando poderei ir para casa? --- seempre odiei hospital!
--- Ah... Pensei que estava gostando dee nossa hospitalidade!
--- Não é isso enfermeira, é que não goosto de hospitais... Prefiro ir pra casa...
--- Mais uma semana e poderá voltar, prrometo!
Isso não era lá muito animador! Uma semana!
--- Não faz essa carinha, Roma! --- Palloma falou e segurou minha mão --- É um milagre você estar aqui agora!!
--- É verdade Roma, você teve muita sorrte! E também tem sorte em ter a Senhora Paloma ao seu lado. Ela está aqui há dois dias, não dormiu desde então para tomar conta de você! Eu insisti, disse que não era preciso, que você ficaria sob cuidados especiais, mas ela não quis!
Olhei pra Paloma e vi lágrimas em seus olhos, senti algo se apertar dentro de mim, não estou acostumada a ver a grande Bela Fatal chorar. Mas essa não era a mafiosa, era apenas Paloma, a mulher que eu amo e que sou plenamente correspondida. Senti-me tão feliz em saber do cuidado que ela estava tendo comigo que nem me lembrei mais da dor ou do tempo que teria que ficar no hospital, nada mais tinha importância!
--- Bem, o remédio foi aplicado no soroo. --- a enfermeira falou enquanto dava os últimos retoques nos aparelhos ligados em mim, que eu nem sei para que servem --- As deixo agora, qualquer coisa é só chamar!
A enfermeira saiu e eu olhei pra Paloma:
--- Obrigada, Paloma.
--- Pelo que?
--- Por tudo. Por ter ficado aqui comiggo.
--- Não me agradeça, é tudo culpa minhaa!
Os olhos dela continuavam marejados, notei que também haviam olheiras profundas, nunca antes a tinha visto nesse estado, nem quando estávamos presas. Paloma sempre foi a imagem de força e vitalidade e agora mais parecia uma velha bonequinha de pano, sem vida, triste, acabada.
--- Se eu não tivesse a vida que tenho você não correria risco --- continuou com o discurso, estava emocionada --- Não teria sido seqüestrada e não levaria um tiro que quase te matou!
Ela começou a chorar copiosamente.
--- Me perdoa, Roma!
Por mais que eu quisesse responder que a única coisa que eu queria era tê-la comigo pra sempre, que não importava se ela fosse bandida ou não, não consegui... Meus olhos foram fechando... O sono se apoderou de mim e adormeci profundamente.


--- Hoje é o grande dia! --- Paloma fallou emocionada.
Estava parada na porta do quarto do hospital com balões coloridos e sorria de uma maneira única, era a personificação da felicidade:
--- Vamos pra casa, Roma! O médico te ddeu alta!
Finalmente iríamos voltar pra casa!
--- Nem acredito! Estou louca pra sair logo daqui!
Durante essa semana no hospital, Paloma me paparicou e me mimou de todos os jeitos possíveis e imaginários. Trazia-me coisas gostosas pra comer quando o médico deixava, e assistia TV comigo. Conversávamos sobre tudo, me contou coisas da infância e juventude dela e queria saber tudo sobre mim também. Incrível como que em uma semana ficamos mais íntimas do que todo esse tempo que estivemos juntas no presídio, na Grécia e até mesmo em casa, aqui no Brasil.
O caminho para nossa casa foi curto, pois o hospital ficava no bairro onde residíamos.
Ao chegarmos, ela abriu a porta e ouvimos gritos:
--- Surpresa!
Não acreditei! Ali, diante de mim estava Joana, minha amiga do presídio, lembram dela? E também Dona Amália, dona da pensão onde eu residia!
A sala de estar estava toda enfeitada com balões coloridos e um enorme cartaz pregado na parede que dizia: “Bem-vinda de volta à vida, Roma! Nós te amamos!”
Abracei as duas feliz da vida.
--- Jô! Você foi solta! --- dei um abraaço apertado na minha amiga.
--- Estou na condicional por bom comporrtamento!
--- Dona Amália! Fico muito contente emm vê-la! --- a abracei também.
--- Roma... --- ela pareceu estar sem ggraça --- Peço desculpas por ter duvidado de você e de sua honestidade...
--- Tudo bem, isso ficou no passado. Eu não queria ficar tocando em feridas abertas e remoer o passado. O que passou, passou. Agora é bola pra frente que atrás vem gente!
Tinha uma enorme mesa com coisas gostosas pra comer. A tarde foi maravilhosa, conversamos muito, inclusive Paloma se mostrava amigável com todas, coisa rara de se ver.
No início da noite, nossas duas convidadas foram embora. Paloma notou que eu estava cansada e arrumou um jeito de me por pra descansar:
--- Vamos, vou te dar um banho, meu amoor, você deve estar cansada.
Era tão lindo ela me chamar de “meu amor”.
--- Estou um pouco cansada sim... --- rreconheci.
Ela me deu um banho e passava a mão em mim, fiquei excitada...
--- Ah... --- gemi, não pude evitar. --- Roma! --- ela sorriu --- Amor, só eestou te dando um banho... Não estou tentando te deixar com vontade... --- continuou lavando minha barriga.
--- Mas já deixou... Ah...
--- Amor, você saiu hoje do hospital....--- tirou a mão de mim --Não é recomendável.
--- Mas estou com muito tesão... --- peeguei a mão dela e pus de volta no meu corpo --- E já faz tanto tempo que nós não...
--- Tenho medo de te machucar... --- a mão estava parada sobre minha barriga.
--- Então faz devagarzinho... --- entãoo a mão dela desceu mais um pouco e começou a se mover... Dentro de mim.
Foi lindo de ver! Paloma sempre tão intensa e inflamada, agora me fazia amor com cuidado e delicadeza, como se eu fosse uma pequena flor que ela tivesse medo de amassar.
Uma hora depois estávamos na cama, deitadas e prontas para dormir.
--- Queria passar a noite inteirinha tee olhando... --- ela me disse passando o dedo pelo meu nariz --- Pena que tenho que levantar cedo.
--- E por quê? --- não sei se queria a resposta, nem sei por que perguntei! Acho que tenho tino para sofredora!
--- Tenho umas coisas a fazer...
“Coisas a fazer”? Quando Paloma tinha coisas a fazer era sinal de que estava envolvida com negócios sujos novamente. Não gostei do que ouvi, mas não estava com fôlego e nem disposição pra discutir. Vivi uma semana maravilhosa, mesmo convalescendo no hospital e a tarde de hoje foi mais que especial, mas o sonho que almejei de ter uma vida normal e honesta acabou de terminar. Paloma voltaria a ser Bela Fatal, a mesma assassina cruel e sem piedade de sempre.
--- Vou ficar muito tempo sozinha? --- perguntei contrariada.
--- Contratei a enfermeira Eliane pra aajudar você em tudo.
Uma enfermeira? Só o que me faltava! Agora entendo menos ainda! No hospital não desgrudava de mim e em casa contrata outra pessoa pra me cuidar? Droga! Mil vezes droga!
--- Tudo bem, vamos dormir. --- responddi mal humorada.
Virei-me e dormi. Minha cabeça estava já rodando e o cansaço venceu a irritação.
No dia seguinte levantei cedo e Paloma já não estava na cama.
--- Será que nunca vamos coincidir de aacordarmos juntas? --- me perguntei --- Até parece que não dormimos na mesmma cama todas as noites!
Levantei e fui para o banheiro. Mas eu estava cheia de pontos, realmente não dava pra tomar banho sozinha, ainda... A cirurgia era recente, sete dias.
Ouvi uma batida na porta. Será que era a enfermeira?
--- Quem é?
--- Dona Roma! --- uma voz feminina chaamou.
Dona Roma? Tive que rir! Não é engraçado? Agora aonde vou é um tal de: Senhorita, Senhora, Dona... É... Ser rica tem dessas coisas!
--- Entre, a porta está aberta! --- griitei e me sentei numa poltrona confortável perto da cama, sentia fisgadas novamente, era só respirar...
--- Bom dia! Que prazer em vê-la tão beem --- Eliane era uma mulher de uns 40 anos, risonha e loira, usava um óculos fundo de garrafa e parecia ser bem simpática --- Sua mulher me contratou para cuidá-la e ajudá-la no que for preciso, me recomendou que você não pode fazer força e nem tomar banho sozinha. E me deu uma lista com os remédios e os horários...
--- Nossa... --- suspirei --- Acaso Palloma vai pra outro planeta? Parece, pois te disse com detalhes tudo que é pra fazer! --- fiquei indignada!
Pela expressão facial, Eliane demonstrou notar meu desapontamento.
--- Não fique triste assim, querida. ---- seu tom era doce --- Provavelmente a Dona Paloma tem assuntos importantes pra resolver.
--- Sim, assuntos mais importantes que eu, como sempre estou em segundo lugar na vida dela.
--- Não diga isso! Ela te ama! A Dona PPaloma se dedicou com afinco em sua recuperação no hospital, mas ela deve estar com trabalho atrasado.
--- Sei...
Será que Eliane sabe que tipo de “trabalho” Paloma tinha?
--- Que tal se eu te ajudar com um banhho pra começar o dia?
--- Tudo bem, era o que eu tentava fazeer antes de você chegar.
Eu sabia que estava sendo grossa com Eliane, ela não tinha culpa de Paloma ter me abandonado para cuidar de seus... Aff!

 

Capítulo 15

 
Paloma chegou só de noite, isso quer dizer que almocei sozinha, passei a tarde falando sozinha e estava a ponto de jantar sozinha.
--- Oi meu amor! --- me deu um beijo naa testa e se sentou à mesa. --- Ainda bem que cheguei a tempo para jantar com você!
--- É... Chegou. --- meu tom expressavaa o desânimo que eu estava sentindo.
--- E como foi seu dia? Eliane te tratoou direitinho?
--- Sim.
Eu não estava a fim de falar, queria puni-la com minha frieza para que ela sentisse a mágoa que plantou em meu coração.
--- Fiz uma coisa hoje. --- me disse annimada.
--- Olha, Paloma, me poupe de suas coissas e histórias! --- levantei da mesa irritada --- Não estou com vontade de saber o que você tanto faz fora de casa! Não me interessa suas reuniões com os chefões da máfia mundial e muito menos quantas pessoas você mandou exterminar hoje!
--- Mas o que tenho pra te dizer é impoortante, Roma. --- ela falou calma, inalterável.
Odeio quando ela faz isso! Eu grito, esperneio e ela permanece calma, passiva, como se eu nada tivesse dito! Prefiro quando ela reage...
--- Não importa! Não quero saber! --- ggritei totalmente alterada.
Abandonei a mesa de vez e rumei para a escada, ela passou o dia fora, estragou meu dia e agora conseguiu estragar o meu apetite!
--- Eu me aposentei. --- a voz dela sooou forte e impactante, parei no primeiro degrau da escada e me virei pra ela.
Será que ela queria dizer o que eu acho que ela quis dizer?
--- O que você quer dizer com: “Me apossentei”? --- dessa vez eu realmente queria saber a resposta.
--- Bom, geralmente quando alguém se apposenta, significa que parou de trabalhar.
--- Então você...
--- Parei com tudo.
Voltei e parei em frente a ela, com o coração a mil e o corpo tremendo.
--- Como foi isso?
--- Roma, vem aqui --- ela pegou em minnha mão e me levou para a sala de estar principal, ajeitou as almofadas para que eu me sentasse e não sentisse dor no local da cirurgia e se sentou também --- Desde o primeiro momento em que te vi, soube que estava ferrada e que minha vida não valia um centavo furado sem você. Nada do que eu tenho importa mais se eu não tiver a mulher que amo.
--- Mas você...
--- Não, fique quietinha ao menos uma vvez, rubita e me escuta! --- ela passou a mão pelo cabelo, adorava quando ela fazia isso, ficava ainda mais linda, se é que era possível --- Percebi que mesmo com toda a minha fortuna, serei triste se não puder te fazer feliz. E se o que faço não te faz feliz então prefiro não fazer mais...
Alguém ai tem remédio para o coração? Acho que vou enfartar agora! Não posso acreditar que estou ouvindo isso! É a coisa mais linda que já me disseram! É a coisa mais importante que já fizeram por mim! Eu não esperava e por isso não sei o que dizer...
--- Quando você levou o tiro --- ela coontinuou a falar --- Pensei que tinha te perdido pra sempre. A única coisa que eu queria era morrer junto, mas graças a Deus você esta bem e eu só consigo pensar que a culpa foi minha. Você quase morreu e a culpa foi toda minha!
--- Não foi você quem atirou em mim, Paaloma!
--- Mas se você não estivesse ligada a uma pessoa como eu... --- fungou --- O caso é que não posso mais levar essa vida sabendo que posso voltar a te prejudicar, e te deixar ir embora está fora de cogitação, então não tive outra alternativa a não ser me desligar da máfia.
Comecei a chorar, muito.
--- Nada nesse mundo é mais importante do que seu bem estar, sua segurança, meu amor, nada.
--- Você desistiu da máfia por mim?
> --- Sim, por você. Porque eu te amo. --- Eu também te amo!
Joguei-me nos braços dela
--- Ai! Meus pontos! --- a felicidade éé tanta que esqueci da cirurgia!
--- Cuidado meu amor, vem abraçar devaggarzinho...
--- Então hoje --- ela continuava sua eexplicação, mas não me soltava --- Convoquei uma reunião com meus homens e expliquei a situação. Rompi ligações com todos.
--- Fácil assim?
--- Sou a chefe e minha vontade é lei. Mas pra facilitar as coisas pro meu lado, resolvi passar meu cargo para um companheiro, dessa forma o grupo não se sentiu ofendido com meu rompimento e sim embevecido.
Ficamos juntinhas, abraçadas por um longo tempo, eu não conseguia parar de chorar. Estava feliz demais.
--- Eu estava pensando em recomeçar umaa nova vida --- ela segurou meu queixo e falava entusiasmada --- Uma nova vida longe daqui! Vamos nos reinventar! O que acha?
--- Isso seria demais!
--- Quem sabe poderíamos ir pra... Romaa!
--- Oi?
--- Roma!
--- O que?
--- Não Roma você! --- se pôs a gargalhhar --- Hahahaha... Roma, a cidade italiana!
--- Jura?! --- me empolguei mais ainda..
--- Claro! Já pensou? Roma em Roma? Hahhahaha...
--- Não tem graça, Paloma! --- dei um bbeliscão nela fingindo raiva --- Prefiro pensar em: Paloma e Roma em Roma!
--- Pensei muito Roma, quero corrigir uuns erros, pôr minha vida na linha.
--- O que pretende fazer?
--- Quero doar uma boa parte de minha ffortuna para instituições de crianças carentes.
--- Você o que? --- preciso de um belisscão! É um sonho com certeza! Mas não quero acordar nunca mais!
--- Sei que você gastou muito dinheiro com isso desde que te dei uma conta no banco.
Então ela sabia! E porque então nunca me disse nada?
--- Eu não sabia que você sabia...
--- Eu sei de tudo, sempre. Eu também ssabia que você tinha arrumado emprego no Clube Português. Por isso passei a freqüentá-lo com assiduidade, não foi coincidência...
--- Como sabia? --- agora eu não estavaa entendendo nada!
--- Sabe o dinheiro que Lupe te empresttou? Aquele dinheiro era meu.
--- Como assim?
--- Logo após você ter ido pedir o emprréstimo, ela veio até mim e me contou.
--- Então porque você emprestou?
--- Eu queria dar linha pra você se enfforcar. Tinha certeza que você não arrumaria emprego nenhum num país estranho sem saber falar o idioma, e pensei que você ao não encontrar nada, voltaria correndo pra mim. Mas aí você arrumou...
--- Mas você não parecia muito preocupaada comigo! Nem estava lá quando saí daquela casa.
--- Eu queria que você pensasse exatameente isso, assim nem passaria pela cabeça que eu pudesse estar te seguindo.
--- Você me seguiu? --- estou bege!
> --- Por todo o trajeto. Vi quando você pegou um táxi e foi parar na porta do Clube Português. Entrei logo depois de você. Minutos depois a vi saindo do escritório de Paulo, os dois sorriam, ele logo te contratou e pensei que...
--- Você pensou que eu tinha me ofereciido a ele para conseguir o emprego...
--- Fiquei com muito ciúme, Roma! Perdooa-me, por favor!
--- Sim... Ficou com ciúmes de mim, mass isso não a impediu de arrumar aquela loira pra te satisfazer!
--- Melissa? Hahahaha... Melissa não paassa de uma tonta que usei pra te enciumar também!
--- Usou e abusou, aposto! Tenho certezza que foi pra cama com ela!
--- Não fui! Juro que não! Eu só queriaa mesmo te irritar!
---Paloma, não quero mais pensar nisso.... Quero esquecer o que nos fez sofrer.
--- Se depender de mim, sofrimento seráá algo instinto em sua vida.
--- Em nossas vidas. --- completei.
> --- Vou viver agora com o único intuitoo de te fazer sorrir. Tudo o que você sofreu na sua vida quem te recompensará serei eu. Vou te dar tanto amor que você vai se viciar em mim.
--- Paloma... Desce dessa nuvem! Eu nãoo vou me viciar em você!
--- O que você quer dizer com isso? ---- ela ficou branca e fez uma carinha de tristeza que deu peninha de ver! Tão linda!
--- Eu já sou viciada em você, sua bobaa! --- ela soltou a respiração, aliviada com minha resposta --- Eu te amo!
--- Eu te amo mais! --- me disse me beiijando.
--- Não.... Eu amo mais! --- respondi eentre um beijo e outro.
--- Eu amo mais!
--- Sou eu que amo mais!
--- Eu!
--- Eu!
--- Sou eu, rubita!
O beijo tornou-se intenso e despertou um forte tesão em mim.
--- Paloma, melhor parar ou meus pontoss se romperão...
--- Joder! --- resmungou --- Não vejo aa hora de você tirar esses pontos!
--- Paloma?
--- Hum?
--- O que será de nossas vidas agora? --- Vamos pra Roma! --- respondeu sorriidente, aquele tipo de sorriso que iluminava todo o local, por mais escuro que o ambiente estivesse. Paloma sempre teve esse poder.
--- Vamos pra Roma! --- Claro que eu irria! Alguém em sã consciência recusaria um convite dessa mulher? --- Com você eu vou até para o inferno!
--- Não precisamos descer tanto --- morrdiscava meu pescoço --- E quero é subir --- passava a língua em minha orelha --- Direto para o céu --- beijava minha boca --- Nossa cama ta lá em cima --- disse sussurrando eroticamente --- Vamos para o céu da nossa cama, rubita!
--- Paloma, não podemos! Meus pontos! --- Joder!




Fim




Epílogo




Cinco anos depois...




O que é felicidade? Descobri que felicidade são momentos, instantes... Quase todos me foram proporcionados por Paloma. Tudo de bom em minha vida veio concentrado numa única pessoa. Como se fosse um pacote: Leve Paloma e a felicidade é de graça! Meu Deus... O tempo passa e eu continuo pensando besteiras!
Querem saber o que nos aconteceu nesses últimos anos? Pois eu vou contar:
Os anos que se seguiram foram os mais lindos da minha vida. Nós nos mudamos pra Roma, cidade italiana, temos uma bela casa de frente para o mar.
Nós assistimos o pôr-do-sol todos os dias da sacada do nosso quarto, recostadas numa poltrona de balanço almofadada. De vez em quando Paloma me leva café da manhã na cama, e às vezes eu dispenso a cozinheira e faço o almoço com meu tempero particular que ela tanto adora.
Pela primeira vez na vida pude entender o significado da palavra “família”. Paloma e eu somos uma família. Não importa aonde vamos ou estamos, se estivermos juntas tudo estará perfeito. Não importa se estamos tristes ou felizes, saudáveis ou enfermas, se estivermos juntas tudo estará na mais completa paz.
Eu sempre quis trabalhar, mas Paloma nunca permitiu, com todos esses anos ainda morre de ciúmes de mim. Não houve conversa, nem apelos que conseguisse convencê-la a me deixar ter uma vida profissional. Eu sempre achei que um dia a venceria pelo cansaço, mas ela me deu uma bela volta... Foi há uns meses.
Eu sempre quis ser mãe, mas Paloma não gosta muito da idéia, e já tem tempo que eu peço para que ao menos a gente tente conhecer uma criança, pra ver se nos identificamos com alguma a ponto de adotar. Lembro-me como se fosse ontem...
--- Paloma, não custa tentar! --- eu jáá estava quase apelando.
--- Roma, isso não vai dar certo! Eu nãão tenho jeito com crianças. Elas fedem, gritam o tempo todo e dão muito trabalho!
--- Hahahaha... --- não pude deixar de rir da colocação dela --- Se a gente cuidar elas não vão feder!
--- E quanto aos gritos? --- ela realmeente estava disposta a me dissuadir de minha idéia
--- Crianças são crianças, e nós as eduucaremos.
--- E o trabalho que elas dão, Roma? Nãão me sinto preparada pra ser mãe!
Nesse momento eu fui até ela e peguei em sua mão:
--- Meu amor, olha pra mim. --- seus ollhos azuis encontraram os meus --- Não há como saber ser mãe sem ter sido antes... Essas coisas a gente só aprende fazendo... Eu sei que não será fácil, mas nós temos estrutura tanto financeira como emocional para amar e cuidar de uma criança. Então porque não?
--- Filho é pra vida toda, adoção é irrrevogável, Roma!
--- Eu sei, e nós não vamos dar um passso tão sério desse sem ter certeza absoluta que estamos fazendo a coisa certa, mas primeiro precisamos nos informar, visitar orfanatos, conhecer crianças.
--- Tudo bem... Eu aceito conhecer essaas crianças... Mas com uma condição. --- sorriu com o canto da boca... Sinall mais que claro de perigo.
--- Não estou gostando do seu tom, Palooma.
--- Quer saber a condição ou não?
--- Diz.
--- Você terá que desistir de uma vez ppor todas dessa idéia absurda de trabalhar fora.
--- Não é absurda!
--- Claro que é! Somos milionárias, porrtanto não precisa trabalhar fora! Você já ajuda suas instituições e eu não reclamo, pelo contrário, eu apoio, mas não te quero fora de casa mais tempo que isso. --- segurou em meus ombros e me olhou nos olhos --- Podemos adotar uma criança, mas você terá que desistir de trabalhar. --- me disse isso com aquela habitual calma irritante.
--- Isso é chantagem! --- gritei exaspeerada.
--- Não meu amor, isso é uma troca. ---- sorriu --- Uma mãe tem que cuidar da criança, ficar em casa com ela.
--- Que coisa mais machista, Paloma! ---- eu estava mesmo ficando irritada --- Eu sei que você não tem essa mente tão... Retrógrada, só está tentando me manipular pra que eu satisfaça mais um capricho seu! --- passei as mãos pelos cabelos num gesto de impaciência --- Eu quero trabalhar fora, Paloma! --- É pegar ou largar. Adotar uma criannça, ou trabalhar fora de casa.
Eu não tinha muito que pensar.
--- Eu desisto de trabalhar fora de cassa.
E assim ela conseguiu que eu abrisse mão de um possível futuro profissional.
Agora estamos num avião com destino ao Brasil, com um grande propósito: Adotar uma criança brasileira. Quero muito um bebê, não importa cor ou sexo, mas tem que ser bem pequenininho. Quero ver seus primeiros passos, suas primeiras palavras, essas coisas que as mães têm tanto orgulho em contar anos depois com o filho já crescido e quase sempre na frente dos amigos, fazendo o filho morrer de vergonha... Esses momentos devem ser mágicos na vida de uma mulher.



--- Paloma, pára! --- senti uma mão acaariciando minha coxa, avião não é o melhor lugar pra receber carícias tão íntimas...
--- Vaya, rubita! Será que não posso pôôr a mão na coxa da minha mulher?
--- Mas estamos em publico, Paloma! ---- sussurrei
Mas pedir nunca funciona com Paloma, a mão não só continuou em minha coxa, como subiu para dentro de minha saia.
--- Paloma --- senti dedos no meu centrro --- Por favor! --- minha voz era um sussurro. Já estava me sentindo nervosa e excitada --- Pára com isso!
--- Você sabe que eu estou com muita voontade, rubita...
--- E não da pra esperar até a gente chhegar ao hotel?
--- Não da não. E se não quiser que sejja aqui, vá até o banheiro e me espera lá, vou em seguida.
--- Não, Paloma! Não quero fazer isso ddentro de um avião! Você sabe que não superei totalmente o medo de altura!
--- Vá para o banheiro, rubita, não me faça perder a paciência...
Olhei pra ela com ar enfadado e ela me devolveu um olhar suplicante:
--- Você sabe que eu preciso ter você aagora, rubita!
--- Tudo bem --- cedi, mesmo porque eu já estava com vontade também, e esperar até chegar ao hotel seria mesmo um suplicio.
Levantei-me e fui para o banheiro, um cubículo que me dava náuseas.... Fechei a porta, lavei o rosto, as mãos e...
--- Demorei? --- Paloma me perguntou feechando a porta atrás de si e trancando
--- Você sabe que todas as pessoas dessse avião sabem o que vamos fazer aqui, não é?
--- Sei que elas estão morrendo de inveeja! --- me agarrou --- Agora vem minha rubita, quero ter você!
Nosso beijo começou a ser profundo e sensual, as mãos passeavam por meu corpo, apertaram meu traseiro e subiram até meus seios, esqueci completamente de onde estávamos, a única coisa que eu tinha consciência era das mãos de Paloma em mim e meu desejo latente entre minhas pernas se fazendo notar cada vez maior e com mais umidade.
Senti meu corpo ser girado até que eu ficasse de frente para o espelho, tendo Palmo às minhas costas.
--- Te quero por trás! --- sentenciou ccomo seria meu prazer.
Abaixou minha calcinha e levantou minha saia, acariciando minhas coxas, bumbum e meu sexo molhado.
--- Ah... --- a única coisa que eu podiia fazer era gemer diante desse contato, desde a primeira vez.
A cena era linda de se ver, pelo espelho eu podia ver Paloma mordendo meu pescoço, beijando meus ombros e lambendo minha orelha, até que nossos olhos se encontraram no instante em que sento dois dedos entrando em mim.
--- Ah... Paloma... Eu te amo...
--- Ama, é? --- sua voz soava rouca de desejo --- Se ama, então empurra contra meus dedos... Quero sentir você mexendo...
Comecei a empurrar e os movimentos em pouco tempo se tornaram frenéticos, nos levando a um estado de êxtase.
Virei de frente pra ela e recebi um abraço mais que apertado. Segundos depois ela me afastou do contato, me encostou na parede e se afastou, só o suficiente para abrir o zíper de sua calça preta.
--- Me chupa, rubita!
Só conseguimos sair do banheiro muitos minutos depois.



Três semanas depois já estávamos estabelecidas em uma mansão num bairro nobre, se estávamos dispostas a conhecer uma criança e adotá-la, deveríamos ter residência fixa. E tínhamos conhecimento que esse tipo de processo é demorado. Mas temos planos de voltar para a Itália logo após a adoção. Por isso mesmo mantemos nossa mansão.
Hoje é o primeiro dia que vamos visitar um orfanato. Estamos agendadas para as duas da tarde.
--- Estou bem? --- perguntei a Paloma.<
--- Você está perfeita, Roma. Fique traanqüila, a assistente social vai gostar de nossa aparência.
--- Paloma, somos ex-presidiárias e léssbicas.
--- E o que tem isso a ver? Nossas fichhas estão limpas e tem quase seis anos que o primeiro casal gay brasileiro adotou junto uma criança. Graças a eles e a outros que os seguiram, hoje já podemos ir juntas ao orfanato e adotar um criança e registrar como filho de nós duas.
--- Mas ainda assim... --- eu estava caarente e insegura, com medo de ser rejeitada pela assistente logo em nossa primeira entrevista.
--- Amor --- me segurou pelos ombros e me beijou --- Vai dar tudo certo.
Incrível o poder que essa mulher tem de me acalmar. Quando ela me olha nos olhos eu vejo sua alma e posso sentir que o que ela diz é certo. E se ela disse que tudo dará certo, é porque dará.




Uma hora se passou e estamos aqui sentadas na sala da assistente social.
--- Senhora Roma, a fila de espera por um bebê saudável geralmente leva anos.
--- Tanto assim? --- eu não quero esperrar anos para ter um filho!
--- Muitos casais querem adotar, mas toodos querem crianças de até dois anos, por isso a espera é longa. --- ela remexeu uns papéis e estendeu uma folha para nós --- Vocês, como candidatas a adotarem, terão que preencher uma ficha com seus dados e o tipo de criança que desejam adotar, como cor, sexo e idade.
Não acredito! Meu sonho de ter um filho estava ruindo... Anos até poder dar todo o amor que eu posso dar a uma criança?
--- Doutora Alice --- Paloma falou --- Não há nada que possamos fazer para agilizar o processo de adoção?
--- Paloma! --- a repreendei, não acreddito que Paloma estava tentando comprar a assistente social!
--- Não entendo o que você quer dizer ccom isso, Senhora Paloma.
--- Paloma, por favor! --- implorei parra ela se conter.
--- Doutora Alice, eu perguntei se não há nada, nada mesmo que possamos fazer para agilizar o processo de adoção de um bebê. Fui clara?
--- Senhora Paloma, agora estou com o ttempo curto, mas agradeceria se a Senhora pudesse retornar a me procurar --- tirou um cartão da bolsa e entregou a Paloma --- Me encontrará nesse número, e poderemos voltar a falar sobre o assunto.
--- Assim está melhor. --- Paloma satissfeita levantou sorrindo e me puxou --- Foi um prazer conhecê-la, Senhora AAlice.
Saímos da sala dela e fomos para um pátio grande, sentei num banquinho de madeira pintado de verde.
Paloma se sentou ao meu lado;
--- Porque você fez isso? --- disparei possessa de raiva.
--- Porque eu quero te fazer feliz, doeeu meu coração de ver a carinha que você fez quando ela disse que leva anos para se conseguir adotar um bebê. --- o tom dela abrandou meu coração e minha raiva evaporou como que por encanto. Mas isso não me impediria de repreendê-la
--- Mas Paloma, há muitas pessoas na liista, não seria justo com essas pessoas!
--- Roma, nós podemos ser melhores mãess pra esse bebê que qualquer pessoa, temos uma ótima estrutura familiar econômica!
--- Isso é errado, Paloma! Não quero asssim! Pensei que você havia parado com essa mania de comprar pessoas!
--- Você prefere esperar anos?
--- Prefiro fazer a cosia certa. E se ppra isso tiver que esperar anos pra ter o nosso bebê...
--- Sempre podemos ter o nosso...
--- Já discutimos sobre essa possibiliddade, Paloma e você sabe o que eu penso a respeito. Há muitas crianças abandonadas, sozinhas nesse mundo, esperando uma família para serem felizes, para terem um a oportunidade na vida. Não precisamos pôr mais uma criança no mundo sendo que existem tantas com a esperança de um dia serem amadas por uma mãe... Nós podemos ser as mãe para uma dessas muitas crianças;
--- Certo. Então a gente espera alguns anos e quando chegar nossa vez a gente adota. --- enfim concordou comigo.
Entrelaçamos nossas mãos e ela continuou a falar:
--- Desculpa por tentar comprar a assisstente social. Foi por amor.
--- Eu sei, não tem problema. Só vamos deixar as coisas seguir seu curso normalmente... Vamos pra casa.
Levantamos-nos de mãos dadas, prontas pra voltar a nossa casa. Passamos por um outro pátio menor quando uma bola passou raspando na minha cabeça e foi parar no interior do orfanato, quebrando o vidro da janela.
--- Ah não! --- uma voz infantil gritouu --- Vou ser castigada de novo!
Era uma menina negra, com cabelos muito cacheados e longos, preso numa trança e olhos grandes e marrons, parecia ter uns sete ou oito anos.
--- Isabel, você quebrou o vidro de novvo! --- o garotinho falou --- A madre vai te pôr no castigo! --- o garotinho saiu correndo, por certo estava temendo ser castigado por tabela.
Paloma foi até a menina.
--- Ei, garota! Você se machucou?
--- Não. Eu estou bem!
--- Só não podemos dizer o mesmo do viddro, não é? --- Paloma ironizou.
Nesse momento uma freira apareceu com cara de poucos amigos, com a bola na mão:
--- Letícia! Aposto com todos os santoss que foi você quem voltou a quebrar o vidro da janela!
--- Irmã Alice, foi sem querer! Eu juroo! Só estávamos jogando...
--- Não foi sem querer coisa nenhuma, mmenina insolente! Eu sei que você tem o demônio no corpo! Sei que deve ter feio de propósito! Sua vândala!
--- Dobre a língua antes de falar uma iinverdade contra uma criança na minha frente. --- Paloma falou, seus olhos azuis estavam brilhando de ódio, o maxilar dela estava estalando, sinal de que estava tentando conter sua fúria.
--- Mas essa menina é uma...
--- Eu vi perfeitamente que foi um aciddente. --- Paloma cortou a frase da Irmã.
--- Até pode ter sido, mas essa menina vai ficar de castigo, e agora, quem vai pagar esse vidro?
--- Eu pago o vidro e ela não vai para o castigo coisa nenhuma por um acidente.
--- Mas... --- ela tentou argumentar, mmas Paloma a olhou com expressão de ódio e a irmã teve medo --- Eu vou jogar essa bola no lixo! --- E saiu do pátio chispando, nos deixxando sozinhas com a criança. --- Eu vou jogar essa bola no lixo! --- Puxa, obrigada! --- a menininha corrreu e abraçou as pernas de Paloma, muito alta e ela pequena demais.
--- De nada, pequena. --- Paro meu espaanto, Paloma se abaixou e ficou na mesma altura que a garotinha --- Então seu nome é Letícia?
--- É sim, Letícia significa alegria, ee eu sou uma menina muito alegre!
--- Letícia, você tem que ter mais cuiddado com essa bola.
--- Eu sei, mas eu gosto tanto de jogarr futebol... Eu não gosto de brincar de boneca como as outras meninas e as irmãs não gostam, dizem que pareço um moleque, sempre brigam comigo!
--- Você gosta de futebol?
--- Adoro! Eu sou a atacante! --- dissee dando pulinhos.
--- Hahaha... --- Paloma achou graça ---- Disso não temos a menor duvida!
--- Eu gosto de treinar bastante, um diia eu vou jogar na seleção do Brasil!
--- É mesmo? Bem, força de vontade vocêê já tem e isso é o principal.
--- É, mas agora não tenho mais a bola pra treinar... --- falou triste que deu pena.
--- Vamos fazer o seguinte, eu vou te ttrazer outra bola amanhã. --- até eu fiquei surpreendida!
--- Jura! --- começou a pular --- Uhuhuuhu!!! --- abraçou Paloma com tanta força e deu-lhe um beijou estalado na bochecha --- Muito obrigada!
Eu estava olhando a cena como que hipnotizada, era algo inverossímil que Paloma pudesse se dar bem com uma criança. Não quis me intrometer na conversa delas para não quebrar a magia, mas já era hora de eu me apresentar para a garotinha que conseguiu roubar um sorriso da minha séria Paloma.
--- Oi Letícia! --- cumprimentei ---- MMeu nome é Roma.
--- Roma, igual a capital da Itália paíís?
--- Nossa, como você é espertinha! É iggualzinho.
--- Aprendi outro dia na televisão. ---- respondeu satisfeita --- Seu nome quer dizer que você é do país?
--- Não nasci lá, mas moro lá.
--- Puxa! Você conhece outro país! Mas isso é muito legal!Eu vi uma vez na televisão e sempre tive vontade de ir até lá... Deve ser muito bonito! --- engraçado, mas ela me lembrou minha mãe... Sinto muita falta dela.
--- Quando nos comportamos direito podeemos ver televisão até às nove da noite, é super legal!
A garota parecia uma tagarela, não conseguia parar de falar.
--- E quantos anos você tem, Letícia? --- Tenho sete, mas vou fazer oito mês que vem.
--- Você é muito bonita, sabia?
--- Você está me achando bonita porque estou usando uniforme. Tem que ver quando eu uso meu vestido de missa! É vermelho e rodado e tem umas fitinhas brancas com lacinhos!
Passamos um tempo conversando com a menina e fomos embora com a promessa de retornar no dia seguinte com a bola.
--- Você sorriu para a menina, gostou ddela, não foi? ---- já estávamos no carro e resolvi comentar.
--- Ela me fez lembrar a mim mesma nesssa idade, sempre metida em confusão. Todos me culpavam e castigavam, sem se preocupar com meus sentimentos, ou se a culpa era realmente minha... Ou se tinha sido só um acidente...
Nesse exato momento percebo que essa garotinha entrou em nossa vida pra ficar.
Comecei a rever meus conceitos. Porque eu me sentiria menos mãe se a criança fosse mais velha? Isso não faz sentido! O que importa a idade quando eu tenho tanto amor pra dar? Posso ser mãe de qualquer criança. Percebo agora que não preciso esperar anos por um bebê que nem nascido está, se tem uma garotinha no presente esperando por uma família que a ame e a dê uma vida digna, que a cuide. Nós podemos fazer isso!
--- Nós podemos fazer isso! --- sorri eexultante.
--- Está passando pela sua cabeça o messmo que está passando na minha? --- me perguntou sorrindo.
--- A resposta é sim.




Sete anos depois





--- Ah não! Esse vestido nunca vai entrrar no meio corpinho! --- uma afetada Letícia falava.
--- Hahahaha... --- Paloma se divertia com a situação --- Mas, filha, quando criança você adorava um vestido vermelho de lacinhos e fitinhas brancas! Hahahaha...
--- Ah mãe, isso não conta! Para de peggar no meu pé! Quando a gente é criança faz coisas estúpidas como ter um vestido horroroso de fitinhas!
Estávamos as três no shopping, já havíamos dado uma passadinha no lugar preferido de Letícia e Paloma: O Bob´s! Com direito a batata frita e milk-shake de chocolate!
--- Mas Letícia --- resolvi interferir --- É a sua festa de quinze anos! É um momento único na vida de uma mocinha. Você tem que usar um lindo vestido!
--- Sem essa mãe! Não vou usar vestido mesmo! E pra ser sincera estou a ponto de usar meu uniforme do time de futebol do clube!
--- Não! --- eu não iria permitir isso!! --- Também não precisa disso! Compra outra roupa mais a seu estilo e pronto.
--- É, Roma, deixa a menina! --- Palomaa partiu em defesa, entendi a cabeça de Letícia perfeitamente, como se fosse realmente sua mãe biológica,embora depois de um tempo, parece mesmo que Letícia veio da gente, como se tivesse nascido de nossas entranhas.
--- É! --- Letícia ficou feliz --- Vou usar uma calça preta, e uma blusa branca de botão bem fashion!
--- Vai ser a menina mais linda do munddo inteiro! --- Paloma falou a abraçando.
Essa coisa coruja já era rotina em nossa vida, Letícia chegou há alguns anos e iluminou nossas vidas para sempre. Paloma tinha razão: Filho é pra sempre, o amor que sentimos por nossa filha é um sentimento tão forte que nem a morte será capaz de anular. Por ela, seriamos capazes de matar e morrer.
Trim-Trim! Um celular estava chamando:
--- Alô? --- Letícia atendeu --- Oi amiiga! Estou aqui no shopping com minhas mães. --- esperou o que a outra pessoa falou --- Estou indo pra aí! Tchau, Beijos! – desligou o aparelho e se virou pra gente --- Mães, vou ao clube.
--- Mas filha! --- falei --- A gente iaa comprar sua roupa para a festa!
--- Calma, ainda temos um mês pela frennte... Outro dia a gente volta!
Deu-nos beijos e saiu. Tanto Paloma, tanto eu ficamos decepcionadas, era uma alegria sair com nossa filha, fazer um programinha as três juntas, como a família unida e feliz que somos.
--- Ela prefere as amigas a nós... --- sentenciei
--- Rubita, nós criamos os filhos para o mundo. É o natural da vida...
--- Mas Paloma, ela adorava sair com a gente!
--- Amor, ela ainda gosta!
--- Mas antes passávamos o dia juntas ee agora as amigas a chamam e ela vai sem pestanejar!
--- Mas ela esta crescendo! Um dia vai se casar e mudar...
--- Não! --- eu não podia imaginar nosssa vida sem nossa filha
--- Hahahaha... Rubita, você esta sofreendo da síndrome de ninho vazio! Hahahaah..
--- Não ria, Paloma!
--- Mas você faz uma carinha tão lindinnha quando fica nervosinha! Hahaha... Está me dando uma vontade louca de ter beijar!
Paloma me abraçou e já ia encostar a boca dela na minha:
--- Pára, Paloma. Já que estamos aqui vvamos aproveitar para ir naquela loja que eu adoro. Quero comprar um lingerie novo.
--- Oye, lingerie! --- sorriu safada ---- hum... E vai usar essa noite pra mim, rubita!
--- Vou sim... --- sorri maliciosa.
>


--- Quero a conjunto preto com rendinhaa vermelha --- pedi o conjunto escolhido para a vendedora da loja.
--- Oye, rubita! Você vai me matar com essa calcinha pequena!
--- Foi você quem me ensinou a gostar ddesse tipo de peça..
--- Lembra a primeira vez que você vesttiu uma desse tamanhozinho? Hahahaha... Ficou vermelha de vergonha! Hahahah
--- Eu nunca tinha visto uma peça íntimma tão pequena!
A vendedora voltou com o lingerie na mão, nos tirando de nossos devaneios felizes.
--- Aqui está, Senhora.
Peguei o conjunto e fui para o provador. Tirei minha roupa, minhas próprias peças íntimas e vesti o da loja.
Já vestida, me olhei no espelho. O tempo alterou traços do meu corpo, agora tenho o cabelo num corte curto e moderno, o tom de loiro está mais claro, e já não tenho o corpo de uma menina, de 20 anos, mas o de uma mulher de 32 anos.
Passei os últimos 12 anos de minha vida ao lado da mulher que amo. E a felicidade me fez muito bem, ainda conservo aquele meu doce olhar da juventude.
--- Oyem rubita! --- Paloma pôs a cabeçça dentro do provador --- Você está fabulosa!
Paloma entrou por completo na cabine e me puxou.
--- Paloma! Vou usar pra você em casa, mas aqui não!
--- Não agüento esperar até chegar a caasa, amor!
--- Não...
Minhas palavras foram sufocadas por uma língua quente e sensual adentrando em minha boca me deixando tonta de tanto desejo, alterando meus sentidos...
--- Eu te amo! ---- me dizia entre um bbeijo e outro --- Te amo demais rubita!
--- Eu também te amo, Paloma!
Meu sutiã foi arrancado, a boca de Paloma mordia e sugava meus seios, desceu até meu sexo e arrancou a calcinha:
--- Paloma, não! É da loja!
--- A gente compa! Vale a pensa cada ceentavinho...
Abriu minhas pernas e passou a me sugar, fazendo uma massagem gostosa no meu clitóris, enfiou dois dedos no meu sexo, molhado e latejante de vontade de sentir o êxtase nos braços de minha Bela Paloma...
--- Ah... Vai amor! --- eu gemia enlouqquecidamente --- Mais fundo! Ah... Ah...
--- O que está acontecendo aqui? --- Ohh meu Deus! Pegaram-nos em flagrante!
Uma vendedora tinha aberto a porta do provador e várias pessoas estavam do lado de fora olhando horrorizadas pra gente! Imaginem a cena: Eu em pé e Paloma de joelhos com a cabeça entre minhas pernas e dois dedos em meu sexo! Droga, mil vezes droga!
--- Chamem a segurança! --- uma mulher gritou.
Mais que rapidamente começamos a nos ajeitar, ao menos Paloma estava vestida, eu estava completamente nua.
--- O que vocês estão olhando?! --- Palloma gritou quando percebeu que alguns olhares pararam no meu corpo --- Não tem mais nada pra ver aqui!
As pessoas começaram a dispersar.
Alguns guardas entraram na loja fazendo ainda mais alvoroço:
--- Isso é atentado ao pudor! --- um guuarda gritou --- Vou levá-las para a delegacia! Terão que responder por seus atos!
--- Tira a mão da minha mulher! --- Palloma gritou para o guarda que já estava me algemando.
---Vamos para a delegacia! Vocês serão presas!
--- Presas?! --- já vi esse filme antess --- Hahahaha... --- comecei a rir descontroladamente, sem conseguir parar.
A expressão séria de Paloma foi cedendo lugar a um riso também impossível de conter:
--- Hahahaha...
--- O que é tão engraçado, Senhoras? ---- o guarda não entendia.
--- A vida, seu guarda, é uma ironia. ---- respondi ainda sorrindo.
--- Roma, acho que teremos que terminarr o que começamos na cela da cadeia...
--- É... Temos prática nisso!
--- Hahahaha...
--- Hahahaha...
Estalamos num outro riso incontrolável.
A história da minha vida não acaba por aqui, mas a continuação eu conto outro dia...

FIM

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