Deya
Disclaimer: A fantasia faz parte
dessa fanfiction rom�ntica que escrevi em poucas horas, devido �
ansiedade de ver as duas personagens juntas. N�o h� nenhum tipo
de censura; mas devo alertar que, mesmo sendo uma est�ria leve e sem
contra indica��es, mostra o relacionamento entre duas mulheres
adultas. Se voc� � menor de dezoito anos, ou onde voc� mora
� proibido esse tipo de leitura, aconselho que pare por aqui; a autora,
nem a dona do site tem qualquer responsabilidade pelo n�o cumprimento
desse alerta.
No
mais, divirtam-se!
Deya
O dia estava claro,
sem nuvens, sem vento, sem nada. Nada de novo acontecia, apenas as mesmas velhas
coisas de sempre. Karol se levantou, tomou o seu banho r�pido e seguiu
para o jornal onde trabalhava. Considerada uma das melhores, tinha fama de durona
e en�rgica; n�o era de muita conversa se o assunto n�o
era trabalho. Mas, naquele dia em especial, ela estava com o humor um pouco
mais cavernoso que o habitual; se � que isso � poss�vel.
Entrou batendo
a porta; os p�s e a barra da cal�a estavam encharcados e os cabelos
atrapalhados. Parecia que ia explodir a qualquer minuto. Talvez, por esse motivo,
todos saiam do seu caminho quando ela passava.
Entrou em sua
sala, bateu a porta e jogou a bolsa na cadeira. Pegou um cigarro dentro da gaveta
da mesa, mas lembrou que havia parado de fumar h� uma semana; esse poderia
ser um dos motivos daquele stress todo.
Num acesso de
raiva, lan�ou o ma�o de cigarros pela janela e bateu violentamente
contra a mesa, fazendo com que v�rios objetos voassem pelos ares. Marcos,
seu superior e editor chefe da reda��o, veio at� a sala
saber o que estava acontecendo.
- Por Deus, Karol! O que h�
com voc�?
- N�o me venha com serm�es, Marcos! N�o
estou para conversas hoje!
- Hoje? Bondade sua. Voc� nunca est�
para conversas!
-...
- N�o tem jeito... Olha, voc�
sabe o quanto eu gosto de voc� e talvez eu seja a �nica pessoa
que n�o te veja como uma bruxa velha e rabugenta. Voc� �
bonita, inteligente, respeitada; sei que tem alguma coisa errada que voc�
n�o quer me contar, mas acho que seus problemas s�o seus problemas.
N�o pode traz�-los para a reda��o e muito menos descontar
nos seus colegas.
- Est� querendo me mandar embora, Marcos?
Se for isso fa�a logo e acabe com essa merda toda!
- Eu deveria
fazer isso mesmo; voc� tira o meu respeito quando fala comigo desse jeito.
Mas sou obrigado a reconhecer que, sem voc�, o jornal n�o teria
ido t�o longe. S� que essa semana voc� est� pior
que nos outros dias e, para a felicidade de muitos aqui, escolhi voc�
para dar uma olhada na vila de pescadores de Mali e ver que reboli�o
todo � esse que um homem me ligou contando.
- Voc� s�
pode estar brincando... N�o est�?
- N�o. Bobagem
ou n�o, � voc� quem vai fazer esse servi�o. Assim
voc� tira umas f�rias e relaxa um pouco. E n�s temos um
pouco de calma por aqui.
- N�o pode me obrigar!
- Claro
que posso; sou seu chefe, lembra? Aqui est� o nome de alguns contatos
por l�, uma reserva numa pequena e confort�vel pousada perto do
p�er. Vai ser �timo, acredite. Ou voc� vai... Ou pode arrumar
suas coisas; desse jeito voc� est� deixando todo mundo com os nervos
� flor da pele! E fim de discuss�o!
Discutir era o
que Karol Madsen fazia de melhor. Sabia usar as palavras e, juntamente �
sua forte personalidade, impunha respeito a todos. N�o gostava de receber
ordens, mas estava sujeita a isso na sua profiss�o. Marcos era um homem
bom, mas gostava de deixar bem claro que quem mandava ali era ele. E foi por
isso que Karol arrumou suas coisas a contragosto e partiu para Mali.
- Como Marcos teve a coragem de me manddar verificar uma hist�ria de pescador
louco? Ele perdeu o ju�zo! N�o acredito...
Dirigiu algumas
horas e chegou � pequena cidade. Tudo parecia muito calmo por ali. Logo
na chegada, ela viu dois comerciantes conversando; ambos a encaravam discretamente.
Seguiu em frente at� chegar a uma pequena pousada chamada...
- Secrets of the sea... Eu mere�o mesmoo.
Algu�m
veio gentilmente atend�-la.
- Boa tarde, senhorita. Deseja um
quarto?
- Por favor. Acho que Marcos Hudson havia reservado um e...
- Ah! � a senhorita Madsen! Sim, sim; seu quarto est� arrumado.
Venha, venha!
A gentileza daquela
senhora estava deixando Karol enjoada. Talvez fosse por causa da estrada cheia
de curvas; a verdade � que n�o gostava dessa forma de intimidade
com ningu�m, ou nada vivo, pelo menos.
Ambas subiram
por uma velha escada e chegaram a um quarto espa�oso no segundo andar.
Karol colocou suas coisas no ch�o e ajeitou o laptop em cima de uma mesa.
- Se estiver com fome o jantar � servido �s nove. Se preferir,
posso trazer aqui no quarto para voc�.
- N�o, pode deixar.
Vou sair e n�o sei a que horas vou voltar. Onde encontro - Karol olhou
um nome rabiscado num papel - Carl Ulrich?
A velha franziu
a testa e acabou de estender a colcha limpa na cama.
- N�o me
meteria com o velho Carl se fosse voc�; ele � meio louco. Acho
que deveria manter dist�ncia dele. Aqui � uma cidade muito tranq�ila
e n�o gostamos de confus�es. Achei que havia deixado isso bem
claro para o senhor Hudson.
- Humm... Parece que ele n�o deixou
as coisas muito claras para mim... Tudo bem; procuro sozinha.
- Humm...
Pode usar o telefone, se precisar.
A velha saiu do
quarto ainda com a cara amarrada e bateu a porta com um pouco mais de for�a
que o necess�rio.
Karol ligou imediatamente
para seu chefe.
- Certo, Marcos. Qual � o lance? Parece que
o seu "contato" n�o � muito bem visto por aqui.
- Contatos nunca s�o bem vistos, mas acho que � fonte segura.
J� falou com ele?
- Se todos forem t�o prestativos quanto
a dona da pousada, vou ter que procur�-lo sozinha.
- Sei que
voc� � capaz.
- N�o zoa, Marcos! Que coisa mais
absurda voc� arrumou dessa vez! Isso vai destruir minha carreira...
- Voc� vai destruir sua carreira se n�o der um tempo para
voc� mesma. Encare isso como umas f�rias.
- For�adas,
n�o �?
- Deixe de ser rabugenta; me disseram que a�
tem o p�r do sol mais lindo da regi�o...
- �...
Quando parar de chover, provavelmente...
-... E talvez voc� at�
conhe�a um infeliz rabugento parecido com voc�. Apesar de eu duvidar
que existam duas pessoas iguais!
- Ok; vai brincando. Se souber de
algum monstro do Lago Ness, ou serpentes marinhas, mando te avisar.
- Essa � minha garota!
Desligaram. Karol
n�o estava muito satisfeita com a conversa. Sabia que, no fundo, Marcos
a havia mandado ali porque ela o estava tirando do s�rio. N�o
pelo fato de j� terem sido casados um dia, mas o humor, ou melhor, o
mau humor dela n�o passava com nada.
Abriu a janela
do quarto e viu a chuva fina que come�ava a cair anunciando uma tempestade;
sentiu a brisa fria entrando. Pegou um casaco e decidiu sair para procurar o
tal Ulrich.
Caminhando alguns
minutos, notou que j� n�o era mais novidade na pequena cidade;
todos a olhavam e cochichavam. A maioria das pessoas era mais velha e um, ou
outro podia ser considerado jovem. Pareciam esconder alguma coisa; era o que
seu sexto sentido lhe dizia.
Caminhou at�
chegar a um bar no cais principal; entrou. Estava cheio; ali devia ser o �nico
lugar para se divertir �quela hora. Passava das oito da noite.
Sentou-se ao balc�o
e acendeu um cigarro. Algu�m veio lhe atender.
- O que vai beber?
- Cerveja.
Pergunta seca,
resposta seca. O homem atr�s do balc�o trouxe uma caneca e deixou
na frente de Karol. �, era um lugar sossegado... Ou n�o.
Naquele instante
entrou um homem velho cambaleando pelo bar. Pingava muita �gua de suas
roupas e tinha um arp�o sujo de sangue. Ele gritava como louco.
- Eu vi, enfim, eu vi! Quase pude toc�--la! Voc�s me chamaram de
louco; estou perto de conseguir a prova!
Karol apenas observava
a cena. Algu�m repreendeu o velho.
- Cala a boca, Carl; seu
velho louco! - falou o homem atr�s do balc�o.
- Acho
que est� na hora de voc� ir para casa! - outro homem rosnou.
- Voc�s s�o todos imbecis! Ignorantes! Eu vi; vejam aqui o
sangue nas minhas m�os! Vejam!
Um rapaz mais
forte que os demais, talvez o �nico jovem ali, se levantou e foi at�
o velho, pegando-o pela gola do casaco ensopado e sacudo-o violentamente.
- V� para casa, Ulrich; � o �ltimo aviso.
Nesse instante
Karol interveio. Segurou na base do pesco�o do rapaz e pressionou. Ele
largou o velho imediatamente; parecia sentir uma dor intensa onde Karol apertava.
- Acho que devia pegar algu�m do seu tamanho; ele poderia ser seu
av�! - falou ela num tom de voz calmo soltando o rapaz em seguida.
- Meu av� n�o falaria as bobagens que esse homem fala, senhorita.
- Que bobagens? - Karol olhou para o velho que recuperava o f�lego
numa cadeira.
- Venha comigo e lhe mostrarei!
- N�o
acredite nele, senhorita... - um homem sentado a alguns metros rosnou.
O rapaz segurou
o bra�o de Karol. Ela apenas o encarou com seus fuzilantes olhos azuis
e, com um movimento, se desfez dele.
- N�o encoste em mim de
novo.
Ela saiu do bar
acompanhando o velho.
- O Senhor � Carl Ulrich?
- Isso...
Mas quem � voc�?
- Meu nome �
Karol Madsen; Marcos, do Jornal "A Terra" me mandou aqui para averiguar
uma hist�ria de pescador.
- Sim; fui eu que liguei para ele.
Mas n�o � hist�ria de pescador, minha jovem. Eu vi, com
esses olhos que a terra h� de comer.
- Viu o qu�?
- Precisamos zarpar; em alto mar lhe mostrarei.
- Vou buscar minha
c�mera; me espere aqui.
O velho concordou
e acendeu um cachimbo fedorento enquanto esperava.
No bar...
- Temos que dar um jeito naquele velho enxerido...
- E agora tem
a mocinha da cidade tamb�m; o que vamos fazer?
Algu�m
sussurrou alguma coisa do fundo do bar; mas o teor de suas palavras fez com
que todos o ouvissem.
- Afundar o barco? Ficou louco, Leopold!
- Me arrume uma alternativa melhor, Pedro; me cansei desse velho.
- Deixe que a o mar cuide deles... Vem vindo uma tempestade por a�. -
falou um homem de barba branca e grossa.
- E vamos deix�-los
morrer no mar? - Pedro parecia preocupado.
Todos ficaram
alguns segundos em sil�ncio at� que algu�m entrou no bar.
Era uma bela jovem de cabelos dourados e olhos extremamente verdes. Tinha um
sorriso que parecia hipnotizar e suas palavras eram suaves.
- Deixe-os
comigo...
Antes de sair,
sorriu novamente para todos e desapareceu pela pequena porta do bar.
Alguns minutos
depois...
Ambos caminharam at� o p�er e chegaram ao barco:
Posseidon. Era uma embarca��o velha, mas bem cuidada; n�o
parecia que teriam problemas com ela. Embarcaram e zarparam sem nenhum coment�rio.
Karol achava aquilo tudo uma grande loucura, mas iria at� o fim se precisasse.
Olhou o c�u enquanto entravam oceano adentro; algumas nuvens se amontoavam
ao longe, mas ainda assim se via uma grande lua cheia.
Navegaram por
alguns minutos e Karol observava cada movimento das ondas no mar e das nuvens
no c�u, agora, todo encoberto. O velho Carl parecia concentrado para
dar import�ncia ao que ela dizia; ele estava mais preocupado em provar
que n�o era louco.
- Acho melhor voltarmos; se essa chuva piorar
pode nos trazer problemas.
- N�o me diga o que fazer, crian�a;
antes de voc� nascer eu j� pescava nesses mares!
- Claro,
mas...
- Veja!
Carl apontava
na dire��o de uma grande onda que vinha na dire��o
deles; algo parecia deslizar naquela forma��o, algo que Karol
n�o pode definir naquele momento.
- Mas o que raio �
aquil...
A grande onda
aproximou-se muito r�pido da embarca��o e a sacudiu com
for�a. Carl segurou-se para n�o ser lan�ado ao mar, mas
Karol n�o teve a mesma sorte. Uma golfada de �gua bateu em suas
costas e a jogou na �gua.
- Senhorita Madsen...!
Carl n�o
enxergava mais que um ponto debatendo-se na �gua a alguns metros do barco
e sucessivas ondas passarem assustadoramente sobre ela; parecia n�o haver
nada que pudesse fazer.
- Pelos Deuses; o que foi que eu fiz...
No p�er,
alguns pescadores esperavam a volta de Carl e Karol; sabiam que o velho deveria
voltar devido �s condi��es do tempo, mas j� estava
demorando demais.
- Aquele velho louco! Sabia que ia acabar fazendo
besteira; vai chamar aten��o para a nossa cidade...
-
Talvez eles nem voltem...
- N�o diga uma bobagem dessas, Leopold!
- Talvez fosse melhor, M�ller; n�o digo pela jovem, mas Carl
poderia nos trazer complica��es...
Ficaram ali ainda
algumas horas, mas a forte chuva os for�ou a abrigarem-se em suas casas.
Da janela de sua
casa Leopold pode ver a jovem loira que entrara no bar mais cedo. Ela estava
parada na beira do p�er; mas logo depois de um rel�mpago, desapareceu.
Naquela noite, poucos dormiram. A tempestade continuou forte por toda a
madrugada e s� pela manh� ela amenizou um pouco. Alguns homens
se juntaram novamente no p�er naquela manh� chuvosa; estavam decididos
a fazer uma busca para encontrar o velho Carl e a jovem jornalista.
- Eu falei com ela; eu a adverti sobre Carl; Leopold.
- Eu sei, Micka;
n�o � culpa sua. Volte para a pousada que avisamos se houver alguma
novidade.
- E se o chefe dela ligar?
- Diga que ela est�
dormindo, ou que n�o a viu sair. N�o queremos mais gente estranha
por aqui.
Micka, a desolada
dona da pousada, voltou para o seu servi�o deixando os desaparecidos
ao encargo daqueles homens; ou de Deus.
Leopold era um
dos mais velhos depois de Carl e tomou a iniciativa.
- N�o me
importo muito com o que tenha acontecido com o velho Ulrich; ele sabia muito
bem no que estava se metendo...
- Mas n�o podemos deixar que
aquela jovem pague pelos erros dele!
- Eu sei, Pedro; eu sei... Vamos
aproveitar que a tempestade passou e nos dividir em grupos para procur�-los.
Os ventos estavam soprando em dire��o ao continente, ent�o,
eles devem ter sido empurrados para algum lugar na costa. - ele olhou os homens
� sua volta - Pedro, Isaac e M�ller; voc�s v�o para
a encosta do gancho. Eu, Marcel e Sean vamos para a praia do farol. Nos encontramos
aqui em tr�s horas.
Todos concordaram
e partiram em dois barcos. O grupo de Leopold rodeou as encostas e chegaram
bem perto da praia, mas ali n�o havia vest�gios deles. Ficaram
atentos a qualquer sinal. O grupo de Pedro chegou at� o farol e, para
surpresa de todos, o barco de Carl estava tombado na areia.
- M�ller;
avise Leopold que encontramos o barco e vamos olhar se h� sobreviventes.
O homem obedeceu
enquanto Pedro levava seu barco o mais pr�ximo poss�vel da praia.
O mar estava calmo e chegaram � praia num pequeno bote de borracha. Quando
se aproximaram do barco avistaram Carl deitado com o rosto virado para o ch�o.
Aproximaram-se
dele; estava vivo.
- Mas e a mo�a? - perguntou M�ller.
Rodaram por toda
a parte, mas n�o localizaram Karol.
-... Mas
nessa chuva? Conhecendo Karol, ficaria surpreso se ela dissesse para onde estava
indo... Quando ela chegar pe�a para me ligar, certo?
- Certo,
senhor Hudson.
Mickaela, dona
da pousada e mulher de Leopold, encontrava-se inquieta na presen�a dos
outros pescadores.
- O que faremos agora? - Marcel estava nervoso tamb�m.
- N�o sei, meu amigo... - falou M�ller pousando a m�o
sobre seu ombro - Temos um caso de desaparecimento aqui; acho que n�o
temos outra escolha sen�o chamar a guarda costeira.
- N�O!
- interveio Leopold - N�o vamos chamar ningu�m!
- Como
n�o; ela sumiu! Precisamos de ajuda para ach�-la!
- Esperem
a�; voc�s est�o se esquecendo de uma coisa. Lembram do que
Ann disse no bar ontem � noite? "Deixe-os
comigo...".
Lembram disso? Talvez a jovem jornalista esteja na ilha; a salvo.
Todos olharam
para Leopold. Haviam se esquecido completamente da jovem loira.
- Ser�
que Arianne... - sussurrou Marcel.
- Temos que esperar; mas se algu�m
vier aqui... N�o sabemos dela.
- E quanto ao Carl?
- Ningu�m acreditaria nele; � um velho b�bado, louco e cheio
de passagens na pol�cia. Somos cidad�os de bem; ser� a
palavra dele contra a nossa.
Todos concordaram
com Leopold; ele era como um l�der e todos esperavam que ele encontrasse
solu��es para os problemas. Ele havia encontrado mais uma.
Dois dias
depois...
Karol abriu os olhos. Olhou � sua volta e n�o
reconheceu onde estava. Sua cabe�a do�a; seu corpo do�a.
Lembrava-se vagamente de ter ca�do no mar e que suportou enquanto p�de.
Depois disso era um branco total.
Levantou-se lentamente
e olhou novamente � sua volta. Era um quarto bonito, sem muito luxo,
mas com muito conforto. Havia espelhos e quadros por toda parte e uma grande
janela abr�a-se para o mar. O c�u continuava nublado e uma chuva
grossa caia incessantemente. N�o entendia onde poderia estar, ou como
havia chegado ali e, quando tentava for�ar a mem�ria, a cabe�a
do�a horrores.
- Que bom que acordou; est� dormindo h�
horas. Como se sente?
- Minha cabe�a d�i um pouco. Mas...
Quem � voc�; onde estou?
- Meu nome � Arianne;
mas pode me chamar de Ann, se preferir. Voc� est� na minha casa.
- Certo. Humm... Como fa�o para voltar para a pousada... Pousada...
Como era mesmo o nome?
- Secrets of the sea...
- Isso!
- N�o pode...
- Como � que �? - falou Karol
dando um salto da cama e parando bem perto da jovem. Ann afastou-se um pouco
e repetiu.
- Sinto muito,
senhorita Madsen; mas o barco s� vem daqui uma semana. Receio que tenha
que esperar aqui.
- Ah, n�o. Deixe-me usar o telefone; eu pe�o
um helic�ptero, sei l�.
- N�o h� telefones
nessa ilha.
- O QU�??? Que brincadeira � essa?
- Me desculpe, mas n�o h� telefone, tellevis�o, r�dio,
ou qualquer outro meio de comunica��o com o continente.
- Ent�o, me empreste um barco, um bote,, uma canoa, qualquer coisa; quero
voltar para o continente. Vou pedir demiss�o para aquele maldito do Marcos;
ele me paga! Hei; aonde voc� vai?
- Estava preparando algo para
voc� comer; deve estar com fome.
- Eu-quero-ir-embora! Deu para
entender?
- Deu. Pode ir nadando, se quiser. N�o � muito
longe; se n�o me engano s�o 40 milhas daqui at� o p�er
de Mali.
- Mas...
- Olha; por que n�o come alguma coisa
e depois conversamos. Voc� quase morreu e foi bem dif�cil traz�-la
para c�. Acho que n�o ouvi voc� me agradecendo ainda.
Karol encarou
aquela jovem com olhar serrado. "Arrogante"; pensou. S� ent�o
notou que estava nua.
- Minhas roupas! Onde est�o minhas roupas?
- Ah; estavam sujas e rasgadas. Estava esperando voc� acordar para
que escolhesse algo que lhe servisse. No arm�rio voc� vai encontrar
algumas pe�as; fique � vontade.
A jovem saiu sem
ouvir resposta. Karol enrolou-se num len�ol e foi at� o arm�rio;
roupas brancas. E s�.
- Mas o que essa
tal Ann �, afinal; m�e de santo?
Escolheu uma cal�a
e uma blusa que lhe serviram perfeitamente e saiu do quarto. Caminhou por um
corredor comprido iluminado por velas, e chegou a uma sala. L� viu uma
mesa grande com v�rios casti�ais e o que parecia ser uma bela
refei��o.
Ann entrou por
uma porta trazendo uma garrafa com �gua.
- Sente-se e sirva-se,
por favor. N�o sei se est� muito bom, mas � a primeira
visita que recebo h� anos.
- N�o deve
ser muito popular...
- Ah, n�o
� isso... A ilha n�o est� em nenhum mapa. Por causa das
fortes chuvas, que tem aqui n�o � f�cil visualiz�-la,
ou chegar at� ela. Mas... Acho que voc� poderia ser menos... Qual
� mesma a palavra?... Rabugenta; � isso. Voc� podia ser
menos rabugenta e comer um pouco; vai te fazer bem.
- Quem voc�
pensa que � para falar assim comigo?
- Al�m
de a dona da casa? Bom; acho que ser a pessoa que te tirou de uma tempestade
terr�vel tamb�m conta... Mas n�o esperava outra rea��o
de voc�.
Ann colocou uma
das m�os na cintura e fechou os olhos por segundos. Abrindo-os novamente
viu uma Karol confusa e entendeu que n�o deveria esperar desculpas e
agradecimentos dela.
- Coma direito;
voc� ficou horas no mar se debatendo. Deve estar fraca. N�o vai
demorar muito at� o barco chegar...
A jovem saiu com
o olhar baixo. Estava desapontada; pare�a esperar mais de algu�m
t�o... Linda.
Karol serviu um
prato, mas n�o tinha fome; ficou pensando nas palavras rudes com que
tratou Ann. For�ou-se a comer um pouco e levantou-se em seguida, indo
para a porta onde Ann havia entrado. Quando entrou encontrou a jovem sentada
no ch�o com uma das m�os na cintura segurando um pano. Assustou-se
ao ver havia sangue.
- O que houve?
Voc� est� ferida?
- N�o foi
nada...
- Como n�o!
Voc� est� sangrando! Vem c�; deixa eu te levar para o quarto
e dar uma olhada nisso.
Ann havia disfar�ado
bem, mas o fato era que aquele ferimento estava doendo muito.
Karol carregou-a
para o quarto onde havia dormido e a deitou na cama.
- O que houve?
- Me cortei com
meu arp�o.
- O que estava
fazendo com um arp�o?
- Ca�ando
tubar�es...
- N�o fala
mais nada; j� estou cheia dessas hist�rias de pescador. V�
se descansa um pouco; vou... Vou... Buscar �gua; isso.
Karol notou que
enquanto ela pensava no que poderia fazer, Ann adormeceu. Reparou que na cabeceira
da cama tinha um term�metro, uma vasilha com �gua e um pano.
- Droga; ela ficou
acordada o tempo todo... Mas que imbecil; sei me virar sozinha!
Karol pegou a
vasilha com o pano e levou para a cozinha. L� achou panos limpos e encheu
de �gua limpa a mesma vasilha. Voltou para o quarto e sentou-se ao lado
de Ann.
- O que est�
fazendo?
- Limpando esse
machucado. Gostaria de saber como voc� fez para se ferir com o pr�prio
arp�o!
- Disse que n�o
queria ouvir mais historias de pescador...
- Certo, certo;
deixa para l�. Humm... A prop�sito...
Ann abriu mais
os olhos e encarou Karol.
- Humm... Obrigada...
Anna sorriu e
fechou os olhos.
- Viu; n�o
� dif�cil...
Ela adormeceu
novamente; des�a vez o sono foi profundo.
Algumas horas
depois...
Ann caminhava
pela casa; Karol n�o estava no quarto; teve medo dela fazer alguma besteira.
Procurou por todos os quartos e salas; n�o havia ningu�m em casa.
Olhou pela janela, a chuva havia parado e um sol fraco brilhava por detr�s
de algumas nuvens escuras. Avistou Karol sentada na areia a alguns metros da
casa. Foi at� l�. Enquanto andava, notou que seu ferimento estava
com um curativo novo e a dor era apenas uma pontada inc�moda, superficial.
Chegou ao lado
de Karol e esticou os bra�os em dire��o ao c�u;
espregui�ando. Sorriu alto e sentou-se.
- Bonito, n�o
acha?
- Huhum...
Ann olhou Karol
nos olhos e sorriu ironicamente.
- Como voc�
pode ser assim?
- Assim como?
- Olha �
sua volta! A tranq�ilidade, sossego, a beleza... N�o aprecia essas
coisas?
- Pode ser...
Mas prefiro a cidade com carros, barulho, assaltos, comida ruim, gente ruim.
- Ah, claro; voc�
se identifica muito com tudo isso, n�o �?
- Olha; n�o
vou discutir com voc�, ok? N�o sei quem voc� �, o
que faz, como sobrevive nessa ilha sozinha longe de todo mundo. N�o questione
o meu estilo de vida...
- N�o estou
questionando nada... S� acho que existem coisas melhores para se viver.
- Voc� �
louca...
Karol se levantou
e atirou uma pedra no mar calmo � sua frente. Espregui�ou e olhou
o horizonte. Era realmente bonito, mas ela n�o tinha tempo para ficar
parando e olhando para tudo que achava bonito, diferente. A n�o ser aquela
jovem intrigante; ela tinha alguma coisa que a atra�a de um jeito estranho.
- Vem; vamos aproveitar
que parou de chover.
- N�o tenho
roupa de ban... Hei; o que est� fazendo?
- Tirando a roupa;
n�o vou nadar de roupa!
- Mas... Eu n�o
vou nadar pelada!
- Voc� �
quem sabe; eu vou...
Dizendo isso Ann
tirou a �ltima pe�a e caminhou para o mar. Karol ficou olhando
aquele corpo perfeito indo para o mar e sentiu algo queimando dentro dela.
- J� vi
tudo... N�o acredito que vou fazer isso.
Karol tamb�m
tirou sua roupa e correu para o mar. A �gua estava fria, mas n�o
insuport�vel. Tentou alcan�ar Ann, mas ela nadava muito r�pido;
como conseguia nadar t�o r�pido?
De repente se
viu sozinha naquela imensid�o. Olhou para os lados e n�o avistou
Ann em parte alguma. Mergulhou algumas vezes para ver se a encontrava; nada.
Gritou.
- Ann!! P�ra
com isso!
E quando menos
esperava viu um animal enorme saltar da �gua, fazer um meio giro no ar
e cair de novo, espalhando �gua para todos os lados. O mais impressionante
n�o era o fato de ser uma or�a de umas tr�s toneladas ali,
t�o perto; mas sim que Ann nadava segurando em suas barbatanas.
Karol ficou olhando
aquilo; n�o tinha for�as para fugir. Ficou apenas ali; at�
que Ann se aproximou.
- Quer experimentar?
- O que? Ficou
louca! Aquilo � uma or�a!
- Vem; ela n�o
vai te fazer nada.
Karol n�o
sabia por que, nem como, mas ela segurou na m�o de Ann e foi em dire��o
ao animal. O mais impressionante � que a jovem parecia conversar com
ele!
- Hei... Temos
uma convidada. N�o v� assust�-la, ok?
O animal soltou
uma bufada de �gua e sacudiu-se.
- Segure a�
- falou Ann apontando para a barbatana dorsal.
- E voc�?
Ann veio por tr�s
de Karol e, passando os bra�os em volta dela, segurou no mesmo lugar.
- Se n�o
se importa...
Karol n�o
respondeu; n�o conseguia. Aquilo era t�o surreal que achou que
fosse um sonho; deixou que rolasse o que tivesse que rolar.
Nas costas do
imponente animal, elas nadaram alguns minutos, at� que Ann avistou luzes.
- V� aquelas
luzes? � Mali... Se quiser posso lev�-la at� l�.
- Sem roupa? Voc�
� muito amiga, mesmo...
- Isso eu posso
resolver tamb�m; se voc� quiser ir embora � s� falar...
Voc� quer ir?
Karol olhou as
luzes da cidade; n�o queria voltar. N�o sabia o por qu�,
mas n�o queria. Sentia a pele molhada e suave de Ann encostando levemente
na sua, o corpo nu daquela jovem deslizando na �gua e esbarrando ao seu
a cada movimento mais brusco. Aquilo estava tirando-a do s�rio; essa
era a grande verdade!
- Importa-se se
eu ficar na ilha at� o barco retornar?
Ann sorriu e segurou
mais forte na barbatana, o que eu fez com que ela chegasse o corpo mais perto
de Karol e se encostasse levemente nela.
- Vamos voltar,
ent�o.
O grande animal,
como que atendendo a um pedido mental de Ann, virou-se e seguiu em dire��o
� ilha.
- Mas ela
n�o voltou? Est� acontecendo alguma coisa, senhorita Mickaela?
- Na... N�o;
ela apenas n�o voltou.
- Mas isso j�
tem dos dias! Estou indo para a� agora!
Micka colocou
o telefone no gancho e virou-se para Leopold.
- E agora, Leo;
o que vamos fazer? Ele est� vindo para c�!
- N�o sei...
Havia me esquecido de Marcos...
- Acho melhor
falar a verdade; n�o toda a verdade, mas podemos dizer que ela saiu com
Carl e n�o voltaram ainda.
- E se ele quiser
ir atr�s deles, M�ller?
- Nessa chuva?
N�o levaremos; nem a guarda costeira sair� nessa chuva. Ele que
espere...
- Esperar o que?
E se ela morreu na tempestade; o que vamos fazer. - Leopold estava nervoso.
- Talvez ela esteja
com Ann... Vamos nos apegar a isso, por enquanto.
Micka enxugava
algumas l�grimas com a barra do vestido e segurava forte na m�o
de Leopold.
- E as coisas
dela?
- Deixe onde est�o
e tranque o quarto. Precisamos ficar calmos agora. Quando a chuva diminuir,
tentarei ir com os outros at� a ilha; talvez Ann saiba mais do que n�s...
Micka abra�ou
o marido e suspirou.
- Que os deuses
o ou�am.
Ap�s
retornarem do longo passeio recolheram as roupas na praia e voltaram para casa.
A chuva havia recome�ado e parecia que em breve se tornaria uma tempestade
de ventos e raios como a de duas noites atr�s.
- Tome um banho;
vou preparar alguma coisa para comermos. Tenho uma garrafa de vinho em algum
lugar; vou ach�-la... Gosta de vinho?
- Gosto... Por
que est� fazendo tudo isso?
- O qu�;
sendo gentil? Desculpe, sou assim... E voc� � minha h�spede.
Novamente aquele
sorriso hipnotizante. Os olhos extremamente verdes se fechavam levemente quando
ela ria e duas covinhas apareciam. Como era lindo aquele sorriso.
- Tudo bem, senhorita
Madsen?
- Hum? Oh, sim...
- Karol saiu do transe dos olhos verdess. Em seguida foi em dire��o
ao quarto - Podia, por favor... Me chamar de Karol?
- Claro - Ann
sorriu novamente.
Pela primeira
vez desde que havia chegado � ilha, Karol sorriu. Ann observou aquele
sorriso como se fosse o primeiro e �ltimo de sua vida, como se tudo aquilo
fosse m�gica. Seguiu Karol com os olhos at� que ela sumiu no fim
do corredor. N�o conseguia parar de pensar que se tivesse chegado alguns
segundos mais tarde ela poderia estar morta. Cuidou daquela mulher por quase
dois dias at� que ela se recuperou e achou que poderia simplesmente mand�-la
embora. Mas n�o teve for�as para isso e, ao contr�rio,
convidou-a para ficar; mesmo botando seu segredo em perigo.
Quando viu Karol
no p�er conversando com o velho Carl, mesmo sob a luz fraca das lumin�rias,
p�de ver os olhos expressivos, o corpo esguio, a pele morena e os cabelos
negros como a noite. Tudo aquilo chamou muito sua aten��o e por
pouco n�o se deixou ser vista. Sabia que podia contar com o sil�ncio
do povo da cidade, mas podia dizer o mesmo dos estranhos e visitantes? Agora
que o velho Carl havia perdido o filho para o mar numa tempestade ele procurava
a quem culpar; ficara louco e podia botar tudo a perder.
Mas n�o
deixaria que Karol soubesse de nada... N�o por enquanto.
Karol procurou
o interruptor de luz por toda parte e n�o encontrou. Mas no banheiro
havia v�rias velas dispostas por todo o c�modo. Procurou, ent�o,
por f�sforos; achou numa gaveta ao lado da banheira.
- Pelo menos ela
tem f�sforos...
Acendeu as velas
e envolveu-se numa atmosfera totalmente diferente do que estava acostumada.
Encheu a banheira e entrou. Ficou ali alguns minutos pensando que ainda n�o
acreditava que aquilo tudo estava acontecendo. N�o sabia nada daquela
garota, nem daquela ilha, mas sabia que havia algo escondido, algum segredo;
podia sentir isso. Mas a jovem a envolvia de uma forma como ela nunca havia
se envolvido. Sem palavras, sem a��es; apenas o olhar dela era
suficiente para fazer derreter o gelo do seu cora��o e faz�-la
se sentir bem. N�o estava acostumada �quilo, mas estava gostando.
E isso completava as esquisitices daquela jovem e sua ilha; nunca havia sentido
nada assim por outra mulher. Pela primeira vez n�o sabia o que fazer;
a poderosa Karol Madsen estava de m�os atadas.
Alguns minutos,
depois Ann viu Karol voltando. Sentiu o perfume de sua pele, viu os cabelos
molhados deslizando pelos ombros. Os olhos pareciam mais vivos que antes e o
sorriso apareceu assim que os olhares se cruzaram.
Karol se aproximou
de Ann e sentou-se � sua frente.
- Humm... Parece
bom; o que �?
- Se te contar,
vou ter que te matar depois.
As duas riram.
- Voc� tem
um sorriso muito bonito; devia sorrir mais vezes.
- N�o gosto
de baixar minha guarda.
- Tem medo de
que; de mim?
- Deveria?
- N�o...
- N�o sei
nada sobre voc�; n�o sei como vive sozinha nessa ilha, ou se vive
aqui, de onde �, o que faz. Por que n�o tem luz na casa? Por que
n�o tem telefone, r�dio, televis�o? Quem � voc�,
afinal?
Ann viu Karol
ficar s�ria novamente. Como esconderia dela o que se passava ali?
- Acho que vou
tomar um banho... Pode servir o vinho; volto em cinco minutos.
Ela saiu sem dar
maiores explica��es e sumiu pelo corredor. Karol decidiu que se
n�o tomasse uma postura menos ofensiva n�o conseguiria descobrir
o que se passava ali.
Na pousada...
- Eu quero saber
onde ela est�! Agora!!
- Calma, senhor
Hudson; ela saiu de barco com Carl e ainda n�o voltou. Ele disse que
iam mesmo demorar...
- Demorar? J�
s�o dois dias! E essa chuva que n�o p�ra? Pode ter acontecido
alguma coisa com eles!
- Calma. Carl
� experiente e sabe o que faz; ele conhece o mar daqui melhor que qualquer
um.
- N�o me
interessa. Quero um barco para ir atr�s de Karol.
- Ningu�m
se atreveria a sair nessa chuva, senhor. Espere at� diminuir que sairemos
para procur�-los. O senhor pode voltar para a sua cidade e avisaremos
assim que...
- Ficou louco?
N�o saio daqui enquanto n�o falar com Karol!
Leopold estava
ficando nervoso com aquela discuss�o, mas tinha que se acalmar ou poderia
por tudo a perder.
- Certo, senhor
Hudson. Faremos o seguinte; o senhor fica aqui na pousada no quarto dela e assim
que parar a chuva n�s sairemos para procur�-los; voltaremos com
not�cias dela.
Marcos concordou
porque estava cansado da viagem e daquela discuss�o toda; mas estava
convencido de que algo estava errado. Pegou sua mochila no carro e foi para
o quarto de Karol; poderia ter alguma pista de onde ela foi por l� e
ele poderia descansar um pouco, tamb�m.
No hall de entrada...
- Isso n�o
vai dar certo, Leo... Se ela n�o aparecer, estamos perdidos.
- N�s,
n�o; mas Arianne est�.
- Ser�
que o pombo consegue chegar at� ela com essa chuva?
- Hei; pode ser...
V� at� a casa de Pedro e pe�a para ele enviar um pombo
para a ilha perguntando se Ann viu algum sinal da forasteira.
M�ller correu
o mais que p�de.
As duas comeram
sem dar uma palavra. Karol procurava o momento exato para introduzir uma conversa
menos ofensiva e Ann parecia evitar os olhos de Karol. O sil�ncio poderia
ter continuado por toda a noite se Karol n�o tivesse tomado a iniciativa.
- Certo... Humm...
Se eu admitir que fui grosseira voc� volta a olhar para mim?
Ann sorriu sem
olhar para nos olhos de Karol.
- Parece que voc�
est� acostumada a todos fazendo tudo o que voc� quer na hora que
voc� quer. N�o devia agir assim...
- Tudo bem, Ann;
mas coloque-se no meu lugar! N�o sei nada da sua vida e voc� s�
sabe criticar a minha! N�o posso nem me defender! O que voc� esconde?
- N�o escondo
nada...
- Esconde sim;
depois de anos de jornalismo eu consigo olhar nos olhos das pessoas e saber
se elas est�o mentindo, ou n�o... E voc� nem quer mais olhar
nos meus olhos porque j� percebeu isso!
Ann encarou Karol.
Aqueles olhos pareciam temer algo, mas n�o eram os olhos de quem oferecia
perigo.
- Voc� tamb�m
tem segredos, n�o tem?
- Tenho, mas...
- Ent�o
coloque-se voc� no meu lugar. Eu salvei sua vida; pode confiar em mim...
- � o que
voc� tem para falar por enquanto?
- Receio que sim...
- Pois bem...
Karol levantou-se
e foi para o quarto. Ann teve vontade de correr atr�s dela e contar tudo...
Contar que estava gostando dela. N�o tinha motivo para sentir o que estava
sentindo; mas, desde aquele dia no p�er, n�o conseguia parar de
pensar nela. Sabia que era errado se envolver com uma pessoa como Karol, mas
n�o podia evitar. Juntou os pratos, apagou as velas e foi para a varanda.
A chuva continuava
forte como nas noites anteriores; n�o se enxergava muito longe naquela
escurid�o, mas Ann pode ver quando uma pequena figura que voava com dificuldade
contra o vento forte se aproximou da casa.
O pequeno, por�m,
robusto pombo trazia algo preso � sua perna.
- Hei, amiguinho;
isso s�o horas para voar? O que eles querem?
A ave sacudiu
as penas molhadas e aninhou-se no colo de Ann enquanto ela lia o bilhete.
"Est�o
procurando pela mulher que saiu com Carl. Voc� a viu? N�o podemos
manter segredo se ela n�o aparecer. Mande not�cias.
Pedro
Smith"
O recado era breve,
mas mostrava a urg�ncia da situa��o. Se n�o recebessem
not�cias de Karol, talvez uma busca fosse iniciada e com certeza chegariam
at� a ilha. Ela tinha que tomar uma atitude.
Entrou e escreveu
um bilhete respondendo. Colocou de volta na perna do pequeno pombo e soltou-o;
ele era forte e ag�entaria uma viagem de volta com o vento a favor.
Observou a ave
at� que ele saiu sumiu na escurid�o. Deu uma olhada r�pida
para dentro de casa para ter certeza de que Karol n�o a observava. Tirou,
ent�o, toda a roupa e foi para o mar. Ela n�o notou que Karol
a observava pela cortina do quarto.
Karol achou aquilo
muito estranho e teve medo de que acontecesse algo com Ann naquela chuva. Correu
para a praia e tentou impedi-la de entrar na �gua; mas era tarde. Quando
chegou a beira da praia j� n�o a via mais. Ficou desesperada e
n�o sabia o que fazer. N�o podia entrar para procur�-la,
pois n�o enxergava um palmo � sua frente. Correu para a varanda
na chuva e ficou olhando para o mar; esperava v�-la voltando.
Sentiu o
sol batendo fraco em seu rosto. Karol adormecera aguardando a volta de Ann.
A chuva parara e o sol tentava se mostrar em meio �s nuvens. Olhou para
a praia e esfregou os olhos. L� estava ela; deitada nua na areia.
Pulou a grade
da varanda e correu em dire��o a Ann.
- Ann! Ann; acorde.
- segurava o rosto da jovem entre as m��os e sussurrava baixo em seus
ouvidos - Acorde; por favor...
Ann suspirou fundo,
como se tivesse feito um esfor�o enorme; parecia cansada demais para
responder.
Karol pegou-a
nos bra�os e levou-a para dentro. Colocou-a na banheira e encheu-a com
�gua morna. Passava a m�o no rosto da jovem enquanto continuava
a tentar acord�-la. O que estava acontecendo?
M�ller
entrou quase sem f�lego na pousada segurando um pequeno papel nas m�os.
- Leopold! Leopold!
Veja; ela est� na ilha! Est� viva!
- Gra�as
aos deuses... E o que Ann diz no bilhete?
- Para busc�-la
o quanto antes.
- Certo... Ent�o
vamos busc�-la.
Depois de
banh�-la e tirar toda a areia do corpo, Karol levou Ann para a cama e
cobriu-a com um len�ol fino. Ficou ali ao seu lado at� que ela
acordou algumas horas depois.
- Hei... Voc� est� bem?
- Estou...
- Que loucura foi aquela?
- Precisava resolver
umas coisas...
- Nadando nua no mar � noite? Acho que vou desistir
de te entender...
- Ficaria agradecida... O barco vem busc�-la
hoje.
- Hoje? Por que?
- Voc� disse que queria ir embora;
j� devem estar chegando...
- Mas...
As duas ouviram
o som de uma buzina ao longe. Era o barco.
Karol estava
com o mau humor visivelmente estampado no rosto; subiu no bote que levaria ela
e Leopold ao barco sem trocar uma palavra. N�o entendia por que tinha
que ir embora. O que ela tinha feito de errado? Talvez tivesse sido um pouco
rude, isso era verdade, mas n�o cometeu nada mais grave que isso. Nenhuma
pergunta foi respondida desde que chegou ali e isso a deixava profundamente
irritada.
Antes de partirem
para o barco Ann se aproximou do bote.
- N�o a
verei mais... Leve isso para se lembrar da ilha, mas guarde s� essa lembran�a
daqui. Esque�a do que viu, de quem viu... E, por favor... Me perdoe por
n�o responder suas perguntas.
Karol n�o
respondeu; apenas pegou o delicado colar da m�o de Ann e se virou para
o horizonte. N�o reparou a pedra esverdeada que tinha um brilho intenso
e estava presa ao pequeno presente; talvez porque n�o queria olhar nunca
mais na cara daquela mulher louca, ou porque algumas l�grimas come�aram
a descer por seu rosto.
O bote partiu
e chegou at� o barco. Karol e Leopold trocaram de embarca��o
e seguiram para Mali sem conversar. Era estranho estar indo embora dali t�o
cedo; esperava poder ficar mais uns dias para conhecer Ann melhor. Estava sentindo
algo forte, algo que n�o sabia explicar como aconteceu, algo que a deixava
com medo e muito triste por estar partindo.
- Karol!!
- Oi...
Marcos sorriu
e abra�ou Karol como se n�o a visse a anos.
- O que aconteceu?
Aposto que tem muito para me contar!
Karol olhou para
todos no hall da pousada e suspirou fundo.
- N�o h�
nada para contar, Marcos. N�o h� monstros no mar, nem ilhas perdidas;
nada. S� um velho louco que quase me matou.
- Mas...
- Sem "mas".
Quero ir embora; preciso voltar a trabalhar de verdade.
Marcos n�o
entendeu a rea��o de Karol, mas aceitou; n�o costumava
discutir muito com ela. Ele subiu para guardar suas roupas para irem embora.
Leopold se aproximou de Karol; agora ele estava mais calmo.
- Sinto por tudo
que aconteceu com voc�...
- N�o sinta.
- Queria fazer
um pedido, apenas...
- N�o precisa
me pedir nada; n�o vou falar. Quero esquecer que estive aqui; esquecer
de voc�s e, principalmente... - ela olhou para o horizonte al�m
da janela, mas n�o conseguiu terminar a frase.
Ela subiu as escadas
e arrumou suas coisas; tomou um banho, trocou de roupa e foi embora. Nem notou
ao passar pela pequena ponte na entrada da cidade que algu�m a observava
do mar com os olhos tristes e sem o lindo sorriso no rosto.
- N�o
entendo, Karol; como consegue ficar tantos anos sem f�rias? N�o
acha que est� na hora de uma parada? Voc� n�o � de
a�o!
- Humm...
- Ser�
que vou ter que mandar voc� numa viagem daquelas de novo?
Karol lan�ou
seu olhar congelante em Marcos e acendeu um cigarro. Havia se passado seis meses
desde que voltara de Mali. N�o teve noticias de nenhum dos moradores,
com exce��o de Carl que foi mandado para um hospital psiqui�trico
em outra cidade. Tudo parecia tranq�ilo; continuou a levar sua vida agitada,
sem tempo para olhar o c�u azul, ou as estrelas, ou o p�r do sol...
Mas se teve vontade de fazer isso algum dia, essa vontade desapareceu por completo.
Tudo voltara ao que era antes... At� agora.
O interfone tocou
em sua mesa.
- Sra. Madsen;
tem uma pessoa que insiste em falar com a senhora e diz que vai entrar mesmo
que eu n�o deixe.
- Quem �?
- Um tal de Leopold
Marchand.
Karol sentiu seu
sangue gelar; n�o queria conversa com aquele povo louco.
- Diga que estou
ocupada; que ligue depois e marque uma hora.
Mal disse isso
e ouviu gritos e pedidos de desculpa vindos do corredor. De repente, a porta
se abriu num estrondo.
- Mas o que significa
isso? - Marcos se assustou com a agressividade de Leopold.
- Senhor; tentei
cont�-lo, mas... - a secret�ria entrava esbaforida atr�s
do homem.
- N�o foi
culpa dela, senhor Hudson; mas eu precisava falar com a senhorita Madsen.
- Vou chamar a
seguran�a e...
Karol ergueu o
bra�o e impediu que seu chefe completasse a frase.
- Calma Marcos;
me deixe falar com ele. Podem nos dar licen�a?
- Tem certeza?
- Marcos encarava Leopold.
Karol apenas sorriu
de lado e pediu que sa�ssem. Em seguida acenou com a cabe�a para
que Leopold se sentasse.
- O que �
agora? Ets pousaram no seu p�er; ou o Titanic voltou dos confins do oceano?
- Se n�o
tivesse visto seu mau humor pessoalmente diria que isso foi uma piada. Mas n�o
estou aqui para isso. Precisamos de sua ajuda.
- Da minha ajuda?
Deve estar me gozando!
- N�o sou
desse tipo de pessoa, senhorita. Precisamos realmente de sua ajuda.
- N�o tenho
nada para tratar com voc�s; voc�s s�o loucos. Fiquem com
suas esquisitices longe de mim.
Karol se levantou
e abriu a porta para que ele sa�sse.
- Ann est�
morrendo, senhorita Madsen!
Aquela frase a
fez parar e lembrar de dias que queria esquecer. Instintivamente levou a m�o
ao pequeno colar que usava no pesco�o.
- Como?
- Um amigo dela
veio a n�s e disse que se n�o lev�ssemos voc� at�
ela o mais r�pido poss�vel seria tarde... N�o sabemos o
que fazer...
- Leve-a para
um hospital, homem! Pe�a ao tal amigo dela, mas n�o me meta em
mais confus�o!
- N�o podemos
lev�-la para o hospital, nem ele... Voc� n�o acreditaria
se te contasse; teria que ver por si mesma.
- O segredo de
novo; que maldito mist�rio � esse?
- Contaremos tudo,
voc� mesma ver�; mas nos ajude, por favor! Ela precisa de voc�!
Karol sentia a
pedra fria entre os dedos; nunca estivera t�o fria. Ficou preocupada;
se n�o podiam realmente lev�-la a um hospital ent�o ela
poderia estar correndo perigo de vida.
Ela pediu que
Leopold esperasse um minuto e saiu da sala. Foi at� a sala de Marcos.
- Preciso de uns dias.
- O que? Como
assim? Esse maluco aparece e voc� sai assim, sem explica��es?
O que vai fazer?
- N�o �
da sua conta!
- Pois ent�o
n�o deixo voc� sair.
- Ok... - Karol
abriu a porta e saiu; no mesmo instante voltou e replicou - Eu me demito, ent�o.
Bateu a porta
com for�a e voltou para a sua sala. No caminho, encontrou com sua secret�ria.
- Maria; junte
todas as minhas coisas e guarde-as numa caixa. - a mulher n�o respondeu;
ficou sem a��o diante daquela ordem.
Voltando �
sua sala Karol encontrou Leopold ainda angustiado.
- Vamos.
Sua voz era imperativa,
decisiva. Os dois partiram imediatamente.
Em poucas
horas, Leopold e Karol chegaram a Mali. N�o haviam conversado muito;
Karol n�o sabia ao certo se queria ficar a par das loucuras daquela cidade,
mas sentiu um medo t�o grande de perder Ann... N�o entendia porque,
mas sentia um aperto no peito por n�o ter voltado antes.
Chegaram ao p�er
e M�ller estava ao lado de Pedro e um jovem que ela n�o conhecia.
Pareciam ansiosos pela chegado dos dois.
- Gra�as
aos deuses voc� veio! Precisa voltar � ilha com �tila.
- Wow, wow; calma
a�! Quem � esse �tila; mais um dos mist�rios de
voc�s?
- N�o temos
tempo para explica��es agora; venha comigo e...
- N�o encoste
em mim, rapaz. N�o conhe�o voc� e n�o vou a lugar
algum antes de saber o que est� havendo.
Leopold olhou
para M�ller e Pedro; decidiram que era hora dela saber.
- N�o acreditaria
se te cont�ssemos...
- Experimente!
- Bom... - Leopold
limpou o pigarro da garganta - Arianne �... �...
- Fale homem!
- Karol estava irritada.
- Uma ninfa...
Karol olhou pra
aqueles homens parados � sua frente; n�o se conteve. Caiu num
riso hist�rico e nervoso.
- Certo... E o
nosso amigo aqui tamb�m � um homem-peixe, certo.
- Isso mesmo.
- o jovem concordou.
Karol ficou s�ria
novamente e encarou os tr�s.
- Escuta aqui;
que palha�ada � essa?
- N�o �
palha�ada... - M�ller virou-se desconsolado para Leopold - N�o
vai adiantar, Leo... �tila; mostre a ela.
Era quase noite,
mas isso n�o impedia que Karol visse o jovem pulando na �gua e
segundos depois saltando e exibindo uma grande calda no lugar de pernas e barbatanas
nos bra�os. Ela ficou ali olhando aquela figura nadando na sua frente
sem saber o que fazer. Segundos atr�s era um homem, agora era meio peixe!
Num salto ele
saiu da �gua e ficou de p� no p�er; as pernas apareceram
novamente e as nadadeiras dos bra�os sumiram aos poucos.
- Acredita em
mim agora, senhorita?
Karol apenas sacudiu
a cabe�a e olhou para os outros.
- Ent�o
era isso?
- N�o pod�amos
contar; eles s�o nossos amigos. Nos ajudam com a pesca, nos ensinam coisas
sobre o mar que nunca poder�amos aprender com homens comuns. Se outros
ficarem sabendo o que ser� da vida deles?
- Ent�o
Ann...
- Sim; ela �
um deles, apesar de viver mais entre n�s do que os demais. Ela �
o elo entre o mundo deles e o nosso... Mas alguma coisa est� errada com
ela. Voc� tem que ir com �tila para ajud�-lo a salv�-la.
- Cl... Claro;
eu irei...
Leopold emprestou
um bote para os dois. �tila amarrou uma corda nele e a outra ponta em
sua cintura.
- Fique abaixada;
puxarei voc� at� a ilha. Se segure!
Os dois sa�ram
em disparada. Era incr�vel como ele podia nadar r�pido.
Em menos de meia
hora, estavam na pequena ilha. A entrada da casa n�o estava bem cuidada,
as flores haviam murchado, a alegria que ela n�o soube aproveitar, desaparecida.
Tudo parecia triste, como se o lugar estivesse morrendo tamb�m. Lembrou
da pedra no colar. Retirou-o do pesco�o e notou que o brilho havia desaparecido.
Karol parou �
porta e chorou.
- O que houve
com ela?
- N�o podemos
nos envolver com humanos; n�o � seguro para n�s. Mas ela
se envolveu, se apaixonou... Uma ninfa � imortal at� experimentar
o amor de por um mortal. A vida dela est� se esvaindo, como o brilho
dessa pedra que ela te deu... N�o podemos fazer nada; mas talvez se voc�
voltar, se houver algum vest�gio de amor em seu cora��o...
Talvez...
- Chega; onde
ela est�?
- No quarto dela.
Karol enxugou
as l�grimas e correu para dentro. Apertava a pequena pedra nas m�os
como se quisesse passar toda a sua for�a para ela. Um aperto grande lhe
do�a o peito. Mas agora ela sabia o que era; era amor! O que sentiu antes
e que a deixou confusa, com medo, sem entender nada; era amor! N�o acreditou
que pudesse amar de novo, muito menos daquela maneira... Mas era amor.
Ann estava deitada
na cama com os olhos fechados. Dormia. Karol aproximou-se dela e segurou sua
m�o. Estava quente; parecia ter febre. Pegou uma toalha �mida
e passou pela testa. Ela n�o acordou; "talvez estivesse sem for�as",
pensou.
N�o sabia
ao certo o que fazer, afinal, ela era diferente, mas sabia que n�o podia
sair de perto de Ann.
Ficou ali at�
anoitecer. O c�u estava limpo depois de muitos dias de chuva. Karol colocou
a cabe�a da Ann em seu colo e, enquanto acariciava seus cabelos, segurava
sua m�o e conversava suavemente com ela.
- Quando voc�
acordar vamos passear na areia... Podemos ficar acordadas at� de manh�
e ver o sol nascer, ver as ondas quebrarem na areia, ver os p�ssaros
voando. Quero ver tudo que perdi todos esses anos... Quero ver com voc�.
Acorde; por favor. Eu... Eu te amo...
Karol fechou os
olhos e encostou sua cabe�a na parede; chorava. H� muito tempo
n�o sabia o que era aquilo; h� muito tempo n�o sabia o
que era gostar de algu�m com tanta for�a.
Ann abriu lentamente
os olhos e viu Karol. Sorriu depois de muito tempo. Sentia-se fraca demais para
levantar, mas teve for�as para pegar a m�o de Karol e leva-la
at� sua boca, onde lhe deu um suave beijo.
Karol abriu os
olhos e olhou para Ann. O sorriso e o brilho haviam voltado para aquele rosto
triste.
- Oi...
- Oi. - Karol
parecia n�o acreditar que via aqueles olhos verdes vivos e aquele sorriso
novamente.
- Voc� voltou...
- Ann falava lentamente; n�o tinha for��as.
- Voltei.
- Mas... Por que?
Karol suspirou
e olhou fundo nos olhos de Ann.
- Me disseram
que voc� n�o estava bem...
- Ah...
-... E porque
senti sua falta.
- Sentiu? - ela
sorriu.
- Huhum... Muito.
No come�o, n�o sabia o que era, mas depois que Leopold foi at�
meu escrit�rio e contou que voc� estava doente, � que vi
o quanto voc� tinha sido importante. N�o sei muito da sua vida...
- ela sorriu enquanto segurava a m�o dee Ann - e mesmo assim n�o
consegui parar de pensar em voc� nesses seis meses. Senti sua falta. Senti
falta do que poderia fazer junto com voc�.
- N�o sei
se voc� conseguiria viver comigo...
- Tamb�m
n�o sei... Mas quero tentar.
Ann levantou-se
com certo esfor�o e sentou-se na cama, olhando Karol nos olhos.
- Repete o que
voc� falou enquanto eu dormia.
-...
- Queria ouvir
de novo...
Karol segurou
o queixo de Ann com uma das m�os e puxou-a para um suave beijo. Os l�bios
se tocaram como m�gica; o calor passou de um corpo para o outro. L�grimas
sa�ram apertadas dos olhos de ambas e ao fim daquele sonho elas se abra�aram.
- Eu te amo -
sussurrou Karol ao ouvido de Ann - N�o sei explicar, mas nunca tive tanta
certeza de uma coisa como agora.
Ann apertou Karol
mais forte contra seu corpo e a beijou no rosto.
- Fica comigo...
- Nunca pensei
que algu�m me faria esse tipo de convite... Muito menos uma mulher...
Muito menos uma ninfa!
Ann sorriu e voltou
a deitar no colo de Karol. O cansa�o havia se transformado em al�vio,
a dor em alegria e a solid�o j� n�o existia mais. Ela fechou
os olhos e adormeceu sorrindo, abra�ada ao corpo quente e tr�mulo
de uma Karol fr�gil que acabava de se descobrir como algu�m que
podia amar.
FIM