O Segredo

Deya

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Disclaimer: A fantasia faz parte dessa fanfiction rom�ntica que escrevi em poucas horas, devido � ansiedade de ver as duas personagens juntas. N�o h� nenhum tipo de censura; mas devo alertar que, mesmo sendo uma est�ria leve e sem contra indica��es, mostra o relacionamento entre duas mulheres adultas. Se voc� � menor de dezoito anos, ou onde voc� mora � proibido esse tipo de leitura, aconselho que pare por aqui; a autora, nem a dona do site tem qualquer responsabilidade pelo n�o cumprimento desse alerta.
 

No mais, divirtam-se!

Deya
 

O dia estava claro, sem nuvens, sem vento, sem nada. Nada de novo acontecia, apenas as mesmas velhas coisas de sempre. Karol se levantou, tomou o seu banho r�pido e seguiu para o jornal onde trabalhava. Considerada uma das melhores, tinha fama de durona e en�rgica; n�o era de muita conversa se o assunto n�o era trabalho. Mas, naquele dia em especial, ela estava com o humor um pouco mais cavernoso que o habitual; se � que isso � poss�vel.

Entrou batendo a porta; os p�s e a barra da cal�a estavam encharcados e os cabelos atrapalhados. Parecia que ia explodir a qualquer minuto. Talvez, por esse motivo, todos saiam do seu caminho quando ela passava.

Entrou em sua sala, bateu a porta e jogou a bolsa na cadeira. Pegou um cigarro dentro da gaveta da mesa, mas lembrou que havia parado de fumar h� uma semana; esse poderia ser um dos motivos daquele stress todo.

Num acesso de raiva, lan�ou o ma�o de cigarros pela janela e bateu violentamente contra a mesa, fazendo com que v�rios objetos voassem pelos ares. Marcos, seu superior e editor chefe da reda��o, veio at� a sala saber o que estava acontecendo.

- Por Deus, Karol! O que h� com voc�?

- N�o me venha com serm�es, Marcos! N�o estou para conversas hoje!

- Hoje? Bondade sua. Voc� nunca est� para conversas!

-...

- N�o tem jeito... Olha, voc� sabe o quanto eu gosto de voc� e talvez eu seja a �nica pessoa que n�o te veja como uma bruxa velha e rabugenta. Voc� � bonita, inteligente, respeitada; sei que tem alguma coisa errada que voc� n�o quer me contar, mas acho que seus problemas s�o seus problemas. N�o pode traz�-los para a reda��o e muito menos descontar nos seus colegas.

- Est� querendo me mandar embora, Marcos? Se for isso fa�a logo e acabe com essa merda toda!

- Eu deveria fazer isso mesmo; voc� tira o meu respeito quando fala comigo desse jeito. Mas sou obrigado a reconhecer que, sem voc�, o jornal n�o teria ido t�o longe. S� que essa semana voc� est� pior que nos outros dias e, para a felicidade de muitos aqui, escolhi voc� para dar uma olhada na vila de pescadores de Mali e ver que reboli�o todo � esse que um homem me ligou contando.

- Voc� s� pode estar brincando... N�o est�?

- N�o. Bobagem ou n�o, � voc� quem vai fazer esse servi�o. Assim voc� tira umas f�rias e relaxa um pouco. E n�s temos um pouco de calma por aqui.

- N�o pode me obrigar!

- Claro que posso; sou seu chefe, lembra? Aqui est� o nome de alguns contatos por l�, uma reserva numa pequena e confort�vel pousada perto do p�er. Vai ser �timo, acredite. Ou voc� vai... Ou pode arrumar suas coisas; desse jeito voc� est� deixando todo mundo com os nervos � flor da pele! E fim de discuss�o!

Discutir era o que Karol Madsen fazia de melhor. Sabia usar as palavras e, juntamente � sua forte personalidade, impunha respeito a todos. N�o gostava de receber ordens, mas estava sujeita a isso na sua profiss�o. Marcos era um homem bom, mas gostava de deixar bem claro que quem mandava ali era ele. E foi por isso que Karol arrumou suas coisas a contragosto e partiu para Mali.

- Como Marcos teve a coragem de me manddar verificar uma hist�ria de pescador louco? Ele perdeu o ju�zo! N�o acredito...


Dirigiu algumas horas e chegou � pequena cidade. Tudo parecia muito calmo por ali. Logo na chegada, ela viu dois comerciantes conversando; ambos a encaravam discretamente. Seguiu em frente at� chegar a uma pequena pousada chamada...

- Secrets of the sea... Eu mere�o mesmoo.

Algu�m veio gentilmente atend�-la.

- Boa tarde, senhorita. Deseja um quarto?

- Por favor. Acho que Marcos Hudson havia reservado um e...

- Ah! � a senhorita Madsen! Sim, sim; seu quarto est� arrumado. Venha, venha!

A gentileza daquela senhora estava deixando Karol enjoada. Talvez fosse por causa da estrada cheia de curvas; a verdade � que n�o gostava dessa forma de intimidade com ningu�m, ou nada vivo, pelo menos.

Ambas subiram por uma velha escada e chegaram a um quarto espa�oso no segundo andar. Karol colocou suas coisas no ch�o e ajeitou o laptop em cima de uma mesa.

- Se estiver com fome o jantar � servido �s nove. Se preferir, posso trazer aqui no quarto para voc�.

- N�o, pode deixar. Vou sair e n�o sei a que horas vou voltar. Onde encontro - Karol olhou um nome rabiscado num papel - Carl Ulrich?

A velha franziu a testa e acabou de estender a colcha limpa na cama.

- N�o me meteria com o velho Carl se fosse voc�; ele � meio louco. Acho que deveria manter dist�ncia dele. Aqui � uma cidade muito tranq�ila e n�o gostamos de confus�es. Achei que havia deixado isso bem claro para o senhor Hudson.

- Humm... Parece que ele n�o deixou as coisas muito claras para mim... Tudo bem; procuro sozinha.

- Humm... Pode usar o telefone, se precisar.

A velha saiu do quarto ainda com a cara amarrada e bateu a porta com um pouco mais de for�a que o necess�rio.

Karol ligou imediatamente para seu chefe.

- Certo, Marcos. Qual � o lance? Parece que o seu "contato" n�o � muito bem visto por aqui.

- Contatos nunca s�o bem vistos, mas acho que � fonte segura. J� falou com ele?

- Se todos forem t�o prestativos quanto a dona da pousada, vou ter que procur�-lo sozinha.

- Sei que voc� � capaz.

- N�o zoa, Marcos! Que coisa mais absurda voc� arrumou dessa vez! Isso vai destruir minha carreira...

- Voc� vai destruir sua carreira se n�o der um tempo para voc� mesma. Encare isso como umas f�rias.

- For�adas, n�o �?

- Deixe de ser rabugenta; me disseram que a� tem o p�r do sol mais lindo da regi�o...

- �... Quando parar de chover, provavelmente...

-... E talvez voc� at� conhe�a um infeliz rabugento parecido com voc�. Apesar de eu duvidar que existam duas pessoas iguais!

- Ok; vai brincando. Se souber de algum monstro do Lago Ness, ou serpentes marinhas, mando te avisar.

- Essa � minha garota!

Desligaram. Karol n�o estava muito satisfeita com a conversa. Sabia que, no fundo, Marcos a havia mandado ali porque ela o estava tirando do s�rio. N�o pelo fato de j� terem sido casados um dia, mas o humor, ou melhor, o mau humor dela n�o passava com nada.

Abriu a janela do quarto e viu a chuva fina que come�ava a cair anunciando uma tempestade; sentiu a brisa fria entrando. Pegou um casaco e decidiu sair para procurar o tal Ulrich.

Caminhando alguns minutos, notou que j� n�o era mais novidade na pequena cidade; todos a olhavam e cochichavam. A maioria das pessoas era mais velha e um, ou outro podia ser considerado jovem. Pareciam esconder alguma coisa; era o que seu sexto sentido lhe dizia.

Caminhou at� chegar a um bar no cais principal; entrou. Estava cheio; ali devia ser o �nico lugar para se divertir �quela hora. Passava das oito da noite.

Sentou-se ao balc�o e acendeu um cigarro. Algu�m veio lhe atender.

- O que vai beber?

- Cerveja.

Pergunta seca, resposta seca. O homem atr�s do balc�o trouxe uma caneca e deixou na frente de Karol. �, era um lugar sossegado... Ou n�o.

Naquele instante entrou um homem velho cambaleando pelo bar. Pingava muita �gua de suas roupas e tinha um arp�o sujo de sangue. Ele gritava como louco.

- Eu vi, enfim, eu vi! Quase pude toc�--la! Voc�s me chamaram de louco; estou perto de conseguir a prova!

Karol apenas observava a cena. Algu�m repreendeu o velho.

- Cala a boca, Carl; seu velho louco! - falou o homem atr�s do balc�o.

- Acho que est� na hora de voc� ir para casa! - outro homem rosnou.

- Voc�s s�o todos imbecis! Ignorantes! Eu vi; vejam aqui o sangue nas minhas m�os! Vejam!

Um rapaz mais forte que os demais, talvez o �nico jovem ali, se levantou e foi at� o velho, pegando-o pela gola do casaco ensopado e sacudo-o violentamente.

- V� para casa, Ulrich; � o �ltimo aviso.

Nesse instante Karol interveio. Segurou na base do pesco�o do rapaz e pressionou. Ele largou o velho imediatamente; parecia sentir uma dor intensa onde Karol apertava.

- Acho que devia pegar algu�m do seu tamanho; ele poderia ser seu av�! - falou ela num tom de voz calmo soltando o rapaz em seguida.

- Meu av� n�o falaria as bobagens que esse homem fala, senhorita.

- Que bobagens? - Karol olhou para o velho que recuperava o f�lego numa cadeira.

- Venha comigo e lhe mostrarei!

- N�o acredite nele, senhorita... - um homem sentado a alguns metros rosnou.

O rapaz segurou o bra�o de Karol. Ela apenas o encarou com seus fuzilantes olhos azuis e, com um movimento, se desfez dele.

- N�o encoste em mim de novo.

Ela saiu do bar acompanhando o velho.

- O Senhor � Carl Ulrich?

- Isso... Mas quem � voc�?
 

- Meu nome � Karol Madsen; Marcos, do Jornal "A Terra" me mandou aqui para averiguar uma hist�ria de pescador.

- Sim; fui eu que liguei para ele. Mas n�o � hist�ria de pescador, minha jovem. Eu vi, com esses olhos que a terra h� de comer.

- Viu o qu�?

- Precisamos zarpar; em alto mar lhe mostrarei.

- Vou buscar minha c�mera; me espere aqui.

O velho concordou e acendeu um cachimbo fedorento enquanto esperava.


No bar...

- Temos que dar um jeito naquele velho enxerido...

- E agora tem a mocinha da cidade tamb�m; o que vamos fazer?

Algu�m sussurrou alguma coisa do fundo do bar; mas o teor de suas palavras fez com que todos o ouvissem.

- Afundar o barco? Ficou louco, Leopold!

- Me arrume uma alternativa melhor, Pedro; me cansei desse velho.

- Deixe que a o mar cuide deles... Vem vindo uma tempestade por a�. - falou um homem de barba branca e grossa.

- E vamos deix�-los morrer no mar? - Pedro parecia preocupado.

Todos ficaram alguns segundos em sil�ncio at� que algu�m entrou no bar. Era uma bela jovem de cabelos dourados e olhos extremamente verdes. Tinha um sorriso que parecia hipnotizar e suas palavras eram suaves.

- Deixe-os comigo...

Antes de sair, sorriu novamente para todos e desapareceu pela pequena porta do bar.


Alguns minutos depois...

Ambos caminharam at� o p�er e chegaram ao barco: Posseidon. Era uma embarca��o velha, mas bem cuidada; n�o parecia que teriam problemas com ela. Embarcaram e zarparam sem nenhum coment�rio. Karol achava aquilo tudo uma grande loucura, mas iria at� o fim se precisasse. Olhou o c�u enquanto entravam oceano adentro; algumas nuvens se amontoavam ao longe, mas ainda assim se via uma grande lua cheia.

Navegaram por alguns minutos e Karol observava cada movimento das ondas no mar e das nuvens no c�u, agora, todo encoberto. O velho Carl parecia concentrado para dar import�ncia ao que ela dizia; ele estava mais preocupado em provar que n�o era louco.

- Acho melhor voltarmos; se essa chuva piorar pode nos trazer problemas.

- N�o me diga o que fazer, crian�a; antes de voc� nascer eu j� pescava nesses mares!

- Claro, mas...

- Veja!

Carl apontava na dire��o de uma grande onda que vinha na dire��o deles; algo parecia deslizar naquela forma��o, algo que Karol n�o pode definir naquele momento.

- Mas o que raio � aquil...

A grande onda aproximou-se muito r�pido da embarca��o e a sacudiu com for�a. Carl segurou-se para n�o ser lan�ado ao mar, mas Karol n�o teve a mesma sorte. Uma golfada de �gua bateu em suas costas e a jogou na �gua.

- Senhorita Madsen...!

Carl n�o enxergava mais que um ponto debatendo-se na �gua a alguns metros do barco e sucessivas ondas passarem assustadoramente sobre ela; parecia n�o haver nada que pudesse fazer.

- Pelos Deuses; o que foi que eu fiz...


No p�er, alguns pescadores esperavam a volta de Carl e Karol; sabiam que o velho deveria voltar devido �s condi��es do tempo, mas j� estava demorando demais.

- Aquele velho louco! Sabia que ia acabar fazendo besteira; vai chamar aten��o para a nossa cidade...

- Talvez eles nem voltem...

- N�o diga uma bobagem dessas, Leopold!

- Talvez fosse melhor, M�ller; n�o digo pela jovem, mas Carl poderia nos trazer complica��es...

Ficaram ali ainda algumas horas, mas a forte chuva os for�ou a abrigarem-se em suas casas.

Da janela de sua casa Leopold pode ver a jovem loira que entrara no bar mais cedo. Ela estava parada na beira do p�er; mas logo depois de um rel�mpago, desapareceu.

Naquela noite, poucos dormiram. A tempestade continuou forte por toda a madrugada e s� pela manh� ela amenizou um pouco. Alguns homens se juntaram novamente no p�er naquela manh� chuvosa; estavam decididos a fazer uma busca para encontrar o velho Carl e a jovem jornalista.

- Eu falei com ela; eu a adverti sobre Carl; Leopold.

- Eu sei, Micka; n�o � culpa sua. Volte para a pousada que avisamos se houver alguma novidade.

- E se o chefe dela ligar?

- Diga que ela est� dormindo, ou que n�o a viu sair. N�o queremos mais gente estranha por aqui.

Micka, a desolada dona da pousada, voltou para o seu servi�o deixando os desaparecidos ao encargo daqueles homens; ou de Deus.

Leopold era um dos mais velhos depois de Carl e tomou a iniciativa.

- N�o me importo muito com o que tenha acontecido com o velho Ulrich; ele sabia muito bem no que estava se metendo...

- Mas n�o podemos deixar que aquela jovem pague pelos erros dele!

- Eu sei, Pedro; eu sei... Vamos aproveitar que a tempestade passou e nos dividir em grupos para procur�-los. Os ventos estavam soprando em dire��o ao continente, ent�o, eles devem ter sido empurrados para algum lugar na costa. - ele olhou os homens � sua volta - Pedro, Isaac e M�ller; voc�s v�o para a encosta do gancho. Eu, Marcel e Sean vamos para a praia do farol. Nos encontramos aqui em tr�s horas.

Todos concordaram e partiram em dois barcos. O grupo de Leopold rodeou as encostas e chegaram bem perto da praia, mas ali n�o havia vest�gios deles. Ficaram atentos a qualquer sinal. O grupo de Pedro chegou at� o farol e, para surpresa de todos, o barco de Carl estava tombado na areia.

- M�ller; avise Leopold que encontramos o barco e vamos olhar se h� sobreviventes.

O homem obedeceu enquanto Pedro levava seu barco o mais pr�ximo poss�vel da praia. O mar estava calmo e chegaram � praia num pequeno bote de borracha. Quando se aproximaram do barco avistaram Carl deitado com o rosto virado para o ch�o.

Aproximaram-se dele; estava vivo.

- Mas e a mo�a? - perguntou M�ller.

Rodaram por toda a parte, mas n�o localizaram Karol.


-... Mas nessa chuva? Conhecendo Karol, ficaria surpreso se ela dissesse para onde estava indo... Quando ela chegar pe�a para me ligar, certo?

- Certo, senhor Hudson.

Mickaela, dona da pousada e mulher de Leopold, encontrava-se inquieta na presen�a dos outros pescadores.

- O que faremos agora? - Marcel estava nervoso tamb�m.

- N�o sei, meu amigo... - falou M�ller pousando a m�o sobre seu ombro - Temos um caso de desaparecimento aqui; acho que n�o temos outra escolha sen�o chamar a guarda costeira.

- N�O! - interveio Leopold - N�o vamos chamar ningu�m!

- Como n�o; ela sumiu! Precisamos de ajuda para ach�-la!

- Esperem a�; voc�s est�o se esquecendo de uma coisa. Lembram do que Ann disse no bar ontem � noite? "Deixe-os
comigo...". Lembram disso? Talvez a jovem jornalista esteja na ilha; a salvo.

Todos olharam para Leopold. Haviam se esquecido completamente da jovem loira.

- Ser� que Arianne... - sussurrou Marcel.

- Temos que esperar; mas se algu�m vier aqui... N�o sabemos dela.

- E quanto ao Carl?

- Ningu�m acreditaria nele; � um velho b�bado, louco e cheio de passagens na pol�cia. Somos cidad�os de bem; ser� a palavra dele contra a nossa.

Todos concordaram com Leopold; ele era como um l�der e todos esperavam que ele encontrasse solu��es para os problemas. Ele havia encontrado mais uma.


Dois dias depois...

Karol abriu os olhos. Olhou � sua volta e n�o reconheceu onde estava. Sua cabe�a do�a; seu corpo do�a. Lembrava-se vagamente de ter ca�do no mar e que suportou enquanto p�de. Depois disso era um branco total.

Levantou-se lentamente e olhou novamente � sua volta. Era um quarto bonito, sem muito luxo, mas com muito conforto. Havia espelhos e quadros por toda parte e uma grande janela abr�a-se para o mar. O c�u continuava nublado e uma chuva grossa caia incessantemente. N�o entendia onde poderia estar, ou como havia chegado ali e, quando tentava for�ar a mem�ria, a cabe�a do�a horrores.

- Que bom que acordou; est� dormindo h� horas. Como se sente?

- Minha cabe�a d�i um pouco. Mas... Quem � voc�; onde estou?

- Meu nome � Arianne; mas pode me chamar de Ann, se preferir. Voc� est� na minha casa.

- Certo. Humm... Como fa�o para voltar para a pousada... Pousada... Como era mesmo o nome?

- Secrets of the sea...

- Isso!

- N�o pode...

- Como � que �? - falou Karol dando um salto da cama e parando bem perto da jovem. Ann afastou-se um pouco e repetiu.
 

- Sinto muito, senhorita Madsen; mas o barco s� vem daqui uma semana. Receio que tenha que esperar aqui.

- Ah, n�o. Deixe-me usar o telefone; eu pe�o um helic�ptero, sei l�.

- N�o h� telefones nessa ilha.

- O QU�??? Que brincadeira � essa?

- Me desculpe, mas n�o h� telefone, tellevis�o, r�dio, ou qualquer outro meio de comunica��o com o continente.

- Ent�o, me empreste um barco, um bote,, uma canoa, qualquer coisa; quero voltar para o continente. Vou pedir demiss�o para aquele maldito do Marcos; ele me paga! Hei; aonde voc� vai?

- Estava preparando algo para voc� comer; deve estar com fome.

- Eu-quero-ir-embora! Deu para entender?

- Deu. Pode ir nadando, se quiser. N�o � muito longe; se n�o me engano s�o 40 milhas daqui at� o p�er de Mali.

- Mas...

- Olha; por que n�o come alguma coisa e depois conversamos. Voc� quase morreu e foi bem dif�cil traz�-la para c�. Acho que n�o ouvi voc� me agradecendo ainda.

Karol encarou aquela jovem com olhar serrado. "Arrogante"; pensou. S� ent�o notou que estava nua.

- Minhas roupas! Onde est�o minhas roupas?

- Ah; estavam sujas e rasgadas. Estava esperando voc� acordar para que escolhesse algo que lhe servisse. No arm�rio voc� vai encontrar algumas pe�as; fique � vontade.

A jovem saiu sem ouvir resposta. Karol enrolou-se num len�ol e foi at� o arm�rio; roupas brancas. E s�.
 

- Mas o que essa tal Ann �, afinal; m�e de santo?

Escolheu uma cal�a e uma blusa que lhe serviram perfeitamente e saiu do quarto. Caminhou por um corredor comprido iluminado por velas, e chegou a uma sala. L� viu uma mesa grande com v�rios casti�ais e o que parecia ser uma bela refei��o.

Ann entrou por uma porta trazendo uma garrafa com �gua.
 

- Sente-se e sirva-se, por favor. N�o sei se est� muito bom, mas � a primeira visita que recebo h� anos.
 

- N�o deve ser muito popular...
 

- Ah, n�o � isso... A ilha n�o est� em nenhum mapa. Por causa das fortes chuvas, que tem aqui n�o � f�cil visualiz�-la, ou chegar at� ela. Mas... Acho que voc� poderia ser menos... Qual � mesma a palavra?... Rabugenta; � isso. Voc� podia ser menos rabugenta e comer um pouco; vai te fazer bem.
 

- Quem voc� pensa que � para falar assim comigo?
 

- Al�m de a dona da casa? Bom; acho que ser a pessoa que te tirou de uma tempestade terr�vel tamb�m conta... Mas n�o esperava outra rea��o de voc�.

Ann colocou uma das m�os na cintura e fechou os olhos por segundos. Abrindo-os novamente viu uma Karol confusa e entendeu que n�o deveria esperar desculpas e agradecimentos dela.
 

- Coma direito; voc� ficou horas no mar se debatendo. Deve estar fraca. N�o vai demorar muito at� o barco chegar...

A jovem saiu com o olhar baixo. Estava desapontada; pare�a esperar mais de algu�m t�o... Linda.

Karol serviu um prato, mas n�o tinha fome; ficou pensando nas palavras rudes com que tratou Ann. For�ou-se a comer um pouco e levantou-se em seguida, indo para a porta onde Ann havia entrado. Quando entrou encontrou a jovem sentada no ch�o com uma das m�os na cintura segurando um pano. Assustou-se ao ver havia sangue.
 

- O que houve? Voc� est� ferida?
 

- N�o foi nada...
 

- Como n�o! Voc� est� sangrando! Vem c�; deixa eu te levar para o quarto e dar uma olhada nisso.

Ann havia disfar�ado bem, mas o fato era que aquele ferimento estava doendo muito.

Karol carregou-a para o quarto onde havia dormido e a deitou na cama.
 

- O que houve?
 

- Me cortei com meu arp�o.
 

- O que estava fazendo com um arp�o?
 

- Ca�ando tubar�es...
 

- N�o fala mais nada; j� estou cheia dessas hist�rias de pescador. V� se descansa um pouco; vou... Vou... Buscar �gua; isso.

Karol notou que enquanto ela pensava no que poderia fazer, Ann adormeceu. Reparou que na cabeceira da cama tinha um term�metro, uma vasilha com �gua e um pano.
 

- Droga; ela ficou acordada o tempo todo... Mas que imbecil; sei me virar sozinha!

Karol pegou a vasilha com o pano e levou para a cozinha. L� achou panos limpos e encheu de �gua limpa a mesma vasilha. Voltou para o quarto e sentou-se ao lado de Ann.
 

- O que est� fazendo?
 

- Limpando esse machucado. Gostaria de saber como voc� fez para se ferir com o pr�prio arp�o!
 

- Disse que n�o queria ouvir mais historias de pescador...
 

- Certo, certo; deixa para l�. Humm... A prop�sito...

Ann abriu mais os olhos e encarou Karol.
 

- Humm... Obrigada...

Anna sorriu e fechou os olhos.
 

- Viu; n�o � dif�cil...

Ela adormeceu novamente; des�a vez o sono foi profundo.


Algumas horas depois...
 

Ann caminhava pela casa; Karol n�o estava no quarto; teve medo dela fazer alguma besteira. Procurou por todos os quartos e salas; n�o havia ningu�m em casa. Olhou pela janela, a chuva havia parado e um sol fraco brilhava por detr�s de algumas nuvens escuras. Avistou Karol sentada na areia a alguns metros da casa. Foi at� l�. Enquanto andava, notou que seu ferimento estava com um curativo novo e a dor era apenas uma pontada inc�moda, superficial.

Chegou ao lado de Karol e esticou os bra�os em dire��o ao c�u; espregui�ando. Sorriu alto e sentou-se.
 

- Bonito, n�o acha?
 

- Huhum...

Ann olhou Karol nos olhos e sorriu ironicamente.
 

- Como voc� pode ser assim?
 

- Assim como?
 

- Olha � sua volta! A tranq�ilidade, sossego, a beleza... N�o aprecia essas coisas?
 

- Pode ser... Mas prefiro a cidade com carros, barulho, assaltos, comida ruim, gente ruim.
 

- Ah, claro; voc� se identifica muito com tudo isso, n�o �?
 

- Olha; n�o vou discutir com voc�, ok? N�o sei quem voc� �, o que faz, como sobrevive nessa ilha sozinha longe de todo mundo. N�o questione o meu estilo de vida...
 

- N�o estou questionando nada... S� acho que existem coisas melhores para se viver.
 

- Voc� � louca...

Karol se levantou e atirou uma pedra no mar calmo � sua frente. Espregui�ou e olhou o horizonte. Era realmente bonito, mas ela n�o tinha tempo para ficar parando e olhando para tudo que achava bonito, diferente. A n�o ser aquela jovem intrigante; ela tinha alguma coisa que a atra�a de um jeito estranho.
 

- Vem; vamos aproveitar que parou de chover.
 

- N�o tenho roupa de ban... Hei; o que est� fazendo?
 

- Tirando a roupa; n�o vou nadar de roupa!
 

- Mas... Eu n�o vou nadar pelada!
 

- Voc� � quem sabe; eu vou...

Dizendo isso Ann tirou a �ltima pe�a e caminhou para o mar. Karol ficou olhando aquele corpo perfeito indo para o mar e sentiu algo queimando dentro dela.
 

- J� vi tudo... N�o acredito que vou fazer isso.

Karol tamb�m tirou sua roupa e correu para o mar. A �gua estava fria, mas n�o insuport�vel. Tentou alcan�ar Ann, mas ela nadava muito r�pido; como conseguia nadar t�o r�pido?

De repente se viu sozinha naquela imensid�o. Olhou para os lados e n�o avistou Ann em parte alguma. Mergulhou algumas vezes para ver se a encontrava; nada. Gritou.
 

- Ann!! P�ra com isso!

E quando menos esperava viu um animal enorme saltar da �gua, fazer um meio giro no ar e cair de novo, espalhando �gua para todos os lados. O mais impressionante n�o era o fato de ser uma or�a de umas tr�s toneladas ali, t�o perto; mas sim que Ann nadava segurando em suas barbatanas.

Karol ficou olhando aquilo; n�o tinha for�as para fugir. Ficou apenas ali; at� que Ann se aproximou.
 

- Quer experimentar?
 

- O que? Ficou louca! Aquilo � uma or�a!
 

- Vem; ela n�o vai te fazer nada.

Karol n�o sabia por que, nem como, mas ela segurou na m�o de Ann e foi em dire��o ao animal. O mais impressionante � que a jovem parecia conversar com ele!
 

- Hei... Temos uma convidada. N�o v� assust�-la, ok?

O animal soltou uma bufada de �gua e sacudiu-se.
 

- Segure a� - falou Ann apontando para a barbatana dorsal.
 

- E voc�?

Ann veio por tr�s de Karol e, passando os bra�os em volta dela, segurou no mesmo lugar.
 

- Se n�o se importa...

Karol n�o respondeu; n�o conseguia. Aquilo era t�o surreal que achou que fosse um sonho; deixou que rolasse o que tivesse que rolar.

Nas costas do imponente animal, elas nadaram alguns minutos, at� que Ann avistou luzes.
 

- V� aquelas luzes? � Mali... Se quiser posso lev�-la at� l�.
 

- Sem roupa? Voc� � muito amiga, mesmo...
 

- Isso eu posso resolver tamb�m; se voc� quiser ir embora � s� falar... Voc� quer ir?

Karol olhou as luzes da cidade; n�o queria voltar. N�o sabia o por qu�, mas n�o queria. Sentia a pele molhada e suave de Ann encostando levemente na sua, o corpo nu daquela jovem deslizando na �gua e esbarrando ao seu a cada movimento mais brusco. Aquilo estava tirando-a do s�rio; essa era a grande verdade!
 

- Importa-se se eu ficar na ilha at� o barco retornar?

Ann sorriu e segurou mais forte na barbatana, o que eu fez com que ela chegasse o corpo mais perto de Karol e se encostasse levemente nela.
 

- Vamos voltar, ent�o.

O grande animal, como que atendendo a um pedido mental de Ann, virou-se e seguiu em dire��o � ilha.


- Mas ela n�o voltou? Est� acontecendo alguma coisa, senhorita Mickaela?
 

- Na... N�o; ela apenas n�o voltou.
 

- Mas isso j� tem dos dias! Estou indo para a� agora!

Micka colocou o telefone no gancho e virou-se para Leopold.
 

- E agora, Leo; o que vamos fazer? Ele est� vindo para c�!
 

- N�o sei... Havia me esquecido de Marcos...
 

- Acho melhor falar a verdade; n�o toda a verdade, mas podemos dizer que ela saiu com Carl e n�o voltaram ainda.
 

- E se ele quiser ir atr�s deles, M�ller?
 

- Nessa chuva? N�o levaremos; nem a guarda costeira sair� nessa chuva. Ele que espere...
 

- Esperar o que? E se ela morreu na tempestade; o que vamos fazer. - Leopold estava nervoso.
 

- Talvez ela esteja com Ann... Vamos nos apegar a isso, por enquanto.

Micka enxugava algumas l�grimas com a barra do vestido e segurava forte na m�o de Leopold.
 

- E as coisas dela?
 

- Deixe onde est�o e tranque o quarto. Precisamos ficar calmos agora. Quando a chuva diminuir, tentarei ir com os outros at� a ilha; talvez Ann saiba mais do que n�s...

Micka abra�ou o marido e suspirou.
 

- Que os deuses o ou�am.


Ap�s retornarem do longo passeio recolheram as roupas na praia e voltaram para casa. A chuva havia recome�ado e parecia que em breve se tornaria uma tempestade de ventos e raios como a de duas noites atr�s.
 

- Tome um banho; vou preparar alguma coisa para comermos. Tenho uma garrafa de vinho em algum lugar; vou ach�-la... Gosta de vinho?
 

- Gosto... Por que est� fazendo tudo isso?
 

- O qu�; sendo gentil? Desculpe, sou assim... E voc� � minha h�spede.

Novamente aquele sorriso hipnotizante. Os olhos extremamente verdes se fechavam levemente quando ela ria e duas covinhas apareciam. Como era lindo aquele sorriso.
 

- Tudo bem, senhorita Madsen?
 

- Hum? Oh, sim... - Karol saiu do transe dos olhos verdess. Em seguida foi em dire��o ao quarto - Podia, por favor... Me chamar de Karol?
 

- Claro - Ann sorriu novamente.

Pela primeira vez desde que havia chegado � ilha, Karol sorriu. Ann observou aquele sorriso como se fosse o primeiro e �ltimo de sua vida, como se tudo aquilo fosse m�gica. Seguiu Karol com os olhos at� que ela sumiu no fim do corredor. N�o conseguia parar de pensar que se tivesse chegado alguns segundos mais tarde ela poderia estar morta. Cuidou daquela mulher por quase dois dias at� que ela se recuperou e achou que poderia simplesmente mand�-la embora. Mas n�o teve for�as para isso e, ao contr�rio, convidou-a para ficar; mesmo botando seu segredo em perigo.

Quando viu Karol no p�er conversando com o velho Carl, mesmo sob a luz fraca das lumin�rias, p�de ver os olhos expressivos, o corpo esguio, a pele morena e os cabelos negros como a noite. Tudo aquilo chamou muito sua aten��o e por pouco n�o se deixou ser vista. Sabia que podia contar com o sil�ncio do povo da cidade, mas podia dizer o mesmo dos estranhos e visitantes? Agora que o velho Carl havia perdido o filho para o mar numa tempestade ele procurava a quem culpar; ficara louco e podia botar tudo a perder.

Mas n�o deixaria que Karol soubesse de nada... N�o por enquanto.
 

Karol procurou o interruptor de luz por toda parte e n�o encontrou. Mas no banheiro havia v�rias velas dispostas por todo o c�modo. Procurou, ent�o, por f�sforos; achou numa gaveta ao lado da banheira.
 

- Pelo menos ela tem f�sforos...

Acendeu as velas e envolveu-se numa atmosfera totalmente diferente do que estava acostumada. Encheu a banheira e entrou. Ficou ali alguns minutos pensando que ainda n�o acreditava que aquilo tudo estava acontecendo. N�o sabia nada daquela garota, nem daquela ilha, mas sabia que havia algo escondido, algum segredo; podia sentir isso. Mas a jovem a envolvia de uma forma como ela nunca havia se envolvido. Sem palavras, sem a��es; apenas o olhar dela era suficiente para fazer derreter o gelo do seu cora��o e faz�-la se sentir bem. N�o estava acostumada �quilo, mas estava gostando. E isso completava as esquisitices daquela jovem e sua ilha; nunca havia sentido nada assim por outra mulher. Pela primeira vez n�o sabia o que fazer; a poderosa Karol Madsen estava de m�os atadas.

Alguns minutos, depois Ann viu Karol voltando. Sentiu o perfume de sua pele, viu os cabelos molhados deslizando pelos ombros. Os olhos pareciam mais vivos que antes e o sorriso apareceu assim que os olhares se cruzaram.

Karol se aproximou de Ann e sentou-se � sua frente.
 

- Humm... Parece bom; o que �?
 

- Se te contar, vou ter que te matar depois.

As duas riram.
 

- Voc� tem um sorriso muito bonito; devia sorrir mais vezes.
 

- N�o gosto de baixar minha guarda.
 

- Tem medo de que; de mim?
 

- Deveria?
 

- N�o...
 

- N�o sei nada sobre voc�; n�o sei como vive sozinha nessa ilha, ou se vive aqui, de onde �, o que faz. Por que n�o tem luz na casa? Por que n�o tem telefone, r�dio, televis�o? Quem � voc�, afinal?

Ann viu Karol ficar s�ria novamente. Como esconderia dela o que se passava ali?
 

- Acho que vou tomar um banho... Pode servir o vinho; volto em cinco minutos.

Ela saiu sem dar maiores explica��es e sumiu pelo corredor. Karol decidiu que se n�o tomasse uma postura menos ofensiva n�o conseguiria descobrir o que se passava ali.


Na pousada...
 

- Eu quero saber onde ela est�! Agora!!
 

- Calma, senhor Hudson; ela saiu de barco com Carl e ainda n�o voltou. Ele disse que iam mesmo demorar...
 

- Demorar? J� s�o dois dias! E essa chuva que n�o p�ra? Pode ter acontecido alguma coisa com eles!
 

- Calma. Carl � experiente e sabe o que faz; ele conhece o mar daqui melhor que qualquer um.
 

- N�o me interessa. Quero um barco para ir atr�s de Karol.
 

- Ningu�m se atreveria a sair nessa chuva, senhor. Espere at� diminuir que sairemos para procur�-los. O senhor pode voltar para a sua cidade e avisaremos assim que...
 

- Ficou louco? N�o saio daqui enquanto n�o falar com Karol!

Leopold estava ficando nervoso com aquela discuss�o, mas tinha que se acalmar ou poderia por tudo a perder.
 

- Certo, senhor Hudson. Faremos o seguinte; o senhor fica aqui na pousada no quarto dela e assim que parar a chuva n�s sairemos para procur�-los; voltaremos com not�cias dela.

Marcos concordou porque estava cansado da viagem e daquela discuss�o toda; mas estava convencido de que algo estava errado. Pegou sua mochila no carro e foi para o quarto de Karol; poderia ter alguma pista de onde ela foi por l� e ele poderia descansar um pouco, tamb�m.

No hall de entrada...
 

- Isso n�o vai dar certo, Leo... Se ela n�o aparecer, estamos perdidos.
 

- N�s, n�o; mas Arianne est�.
 

- Ser� que o pombo consegue chegar at� ela com essa chuva?
 

- Hei; pode ser... V� at� a casa de Pedro e pe�a para ele enviar um pombo para a ilha perguntando se Ann viu algum sinal da forasteira.

M�ller correu o mais que p�de.


As duas comeram sem dar uma palavra. Karol procurava o momento exato para introduzir uma conversa menos ofensiva e Ann parecia evitar os olhos de Karol. O sil�ncio poderia ter continuado por toda a noite se Karol n�o tivesse tomado a iniciativa.
 

- Certo... Humm... Se eu admitir que fui grosseira voc� volta a olhar para mim?

Ann sorriu sem olhar para nos olhos de Karol.
 

- Parece que voc� est� acostumada a todos fazendo tudo o que voc� quer na hora que voc� quer. N�o devia agir assim...
 

- Tudo bem, Ann; mas coloque-se no meu lugar! N�o sei nada da sua vida e voc� s� sabe criticar a minha! N�o posso nem me defender! O que voc� esconde?
 

- N�o escondo nada...
 

- Esconde sim; depois de anos de jornalismo eu consigo olhar nos olhos das pessoas e saber se elas est�o mentindo, ou n�o... E voc� nem quer mais olhar nos meus olhos porque j� percebeu isso!

Ann encarou Karol. Aqueles olhos pareciam temer algo, mas n�o eram os olhos de quem oferecia perigo.
 

- Voc� tamb�m tem segredos, n�o tem?
 

- Tenho, mas...
 

- Ent�o coloque-se voc� no meu lugar. Eu salvei sua vida; pode confiar em mim...
 

- � o que voc� tem para falar por enquanto?
 

- Receio que sim...
 

- Pois bem...

Karol levantou-se e foi para o quarto. Ann teve vontade de correr atr�s dela e contar tudo... Contar que estava gostando dela. N�o tinha motivo para sentir o que estava sentindo; mas, desde aquele dia no p�er, n�o conseguia parar de pensar nela. Sabia que era errado se envolver com uma pessoa como Karol, mas n�o podia evitar. Juntou os pratos, apagou as velas e foi para a varanda.

A chuva continuava forte como nas noites anteriores; n�o se enxergava muito longe naquela escurid�o, mas Ann pode ver quando uma pequena figura que voava com dificuldade contra o vento forte se aproximou da casa.

O pequeno, por�m, robusto pombo trazia algo preso � sua perna.
 

- Hei, amiguinho; isso s�o horas para voar? O que eles querem?

A ave sacudiu as penas molhadas e aninhou-se no colo de Ann enquanto ela lia o bilhete.

"Est�o procurando pela mulher que saiu com Carl. Voc� a viu? N�o podemos manter segredo se ela n�o aparecer. Mande not�cias.
Pedro Smith"

O recado era breve, mas mostrava a urg�ncia da situa��o. Se n�o recebessem not�cias de Karol, talvez uma busca fosse iniciada e com certeza chegariam at� a ilha. Ela tinha que tomar uma atitude.

Entrou e escreveu um bilhete respondendo. Colocou de volta na perna do pequeno pombo e soltou-o; ele era forte e ag�entaria uma viagem de volta com o vento a favor.
 

Observou a ave at� que ele saiu sumiu na escurid�o. Deu uma olhada r�pida para dentro de casa para ter certeza de que Karol n�o a observava. Tirou, ent�o, toda a roupa e foi para o mar. Ela n�o notou que Karol a observava pela cortina do quarto.

Karol achou aquilo muito estranho e teve medo de que acontecesse algo com Ann naquela chuva. Correu para a praia e tentou impedi-la de entrar na �gua; mas era tarde. Quando chegou a beira da praia j� n�o a via mais. Ficou desesperada e n�o sabia o que fazer. N�o podia entrar para procur�-la, pois n�o enxergava um palmo � sua frente. Correu para a varanda na chuva e ficou olhando para o mar; esperava v�-la voltando.


Sentiu o sol batendo fraco em seu rosto. Karol adormecera aguardando a volta de Ann. A chuva parara e o sol tentava se mostrar em meio �s nuvens. Olhou para a praia e esfregou os olhos. L� estava ela; deitada nua na areia.

Pulou a grade da varanda e correu em dire��o a Ann.
 

- Ann! Ann; acorde. - segurava o rosto da jovem entre as m��os e sussurrava baixo em seus ouvidos - Acorde; por favor...

Ann suspirou fundo, como se tivesse feito um esfor�o enorme; parecia cansada demais para responder.

Karol pegou-a nos bra�os e levou-a para dentro. Colocou-a na banheira e encheu-a com �gua morna. Passava a m�o no rosto da jovem enquanto continuava a tentar acord�-la. O que estava acontecendo?


M�ller entrou quase sem f�lego na pousada segurando um pequeno papel nas m�os.
 

- Leopold! Leopold! Veja; ela est� na ilha! Est� viva!
 

- Gra�as aos deuses... E o que Ann diz no bilhete?
 

- Para busc�-la o quanto antes.

- Certo... Ent�o vamos busc�-la.


Depois de banh�-la e tirar toda a areia do corpo, Karol levou Ann para a cama e cobriu-a com um len�ol fino. Ficou ali ao seu lado at� que ela acordou algumas horas depois.

- Hei... Voc� est� bem?

- Estou...

- Que loucura foi aquela?

- Precisava resolver umas coisas...

- Nadando nua no mar � noite? Acho que vou desistir de te entender...

- Ficaria agradecida... O barco vem busc�-la hoje.

- Hoje? Por que?

- Voc� disse que queria ir embora; j� devem estar chegando...
 

- Mas...

As duas ouviram o som de uma buzina ao longe. Era o barco.


Karol estava com o mau humor visivelmente estampado no rosto; subiu no bote que levaria ela e Leopold ao barco sem trocar uma palavra. N�o entendia por que tinha que ir embora. O que ela tinha feito de errado? Talvez tivesse sido um pouco rude, isso era verdade, mas n�o cometeu nada mais grave que isso. Nenhuma pergunta foi respondida desde que chegou ali e isso a deixava profundamente irritada.

Antes de partirem para o barco Ann se aproximou do bote.
 

- N�o a verei mais... Leve isso para se lembrar da ilha, mas guarde s� essa lembran�a daqui. Esque�a do que viu, de quem viu... E, por favor... Me perdoe por n�o responder suas perguntas.

Karol n�o respondeu; apenas pegou o delicado colar da m�o de Ann e se virou para o horizonte. N�o reparou a pedra esverdeada que tinha um brilho intenso e estava presa ao pequeno presente; talvez porque n�o queria olhar nunca mais na cara daquela mulher louca, ou porque algumas l�grimas come�aram a descer por seu rosto.

O bote partiu e chegou at� o barco. Karol e Leopold trocaram de embarca��o e seguiram para Mali sem conversar. Era estranho estar indo embora dali t�o cedo; esperava poder ficar mais uns dias para conhecer Ann melhor. Estava sentindo algo forte, algo que n�o sabia explicar como aconteceu, algo que a deixava com medo e muito triste por estar partindo.


- Karol!!
 

- Oi...

Marcos sorriu e abra�ou Karol como se n�o a visse a anos.
 

- O que aconteceu? Aposto que tem muito para me contar!

Karol olhou para todos no hall da pousada e suspirou fundo.
 

- N�o h� nada para contar, Marcos. N�o h� monstros no mar, nem ilhas perdidas; nada. S� um velho louco que quase me matou.
 

- Mas...
 

- Sem "mas". Quero ir embora; preciso voltar a trabalhar de verdade.
 

Marcos n�o entendeu a rea��o de Karol, mas aceitou; n�o costumava discutir muito com ela. Ele subiu para guardar suas roupas para irem embora. Leopold se aproximou de Karol; agora ele estava mais calmo.
 

- Sinto por tudo que aconteceu com voc�...
 

- N�o sinta.
 

- Queria fazer um pedido, apenas...
 

- N�o precisa me pedir nada; n�o vou falar. Quero esquecer que estive aqui; esquecer de voc�s e, principalmente... - ela olhou para o horizonte al�m da janela, mas n�o conseguiu terminar a frase.

Ela subiu as escadas e arrumou suas coisas; tomou um banho, trocou de roupa e foi embora. Nem notou ao passar pela pequena ponte na entrada da cidade que algu�m a observava do mar com os olhos tristes e sem o lindo sorriso no rosto.


- N�o entendo, Karol; como consegue ficar tantos anos sem f�rias? N�o acha que est� na hora de uma parada? Voc� n�o � de a�o!
 

- Humm...
 

- Ser� que vou ter que mandar voc� numa viagem daquelas de novo?

Karol lan�ou seu olhar congelante em Marcos e acendeu um cigarro. Havia se passado seis meses desde que voltara de Mali. N�o teve noticias de nenhum dos moradores, com exce��o de Carl que foi mandado para um hospital psiqui�trico em outra cidade. Tudo parecia tranq�ilo; continuou a levar sua vida agitada, sem tempo para olhar o c�u azul, ou as estrelas, ou o p�r do sol... Mas se teve vontade de fazer isso algum dia, essa vontade desapareceu por completo. Tudo voltara ao que era antes... At� agora.

O interfone tocou em sua mesa.
 

- Sra. Madsen; tem uma pessoa que insiste em falar com a senhora e diz que vai entrar mesmo que eu n�o deixe.
 

- Quem �?
 

- Um tal de Leopold Marchand.

Karol sentiu seu sangue gelar; n�o queria conversa com aquele povo louco.
 

- Diga que estou ocupada; que ligue depois e marque uma hora.

Mal disse isso e ouviu gritos e pedidos de desculpa vindos do corredor. De repente, a porta se abriu num estrondo.
 

- Mas o que significa isso? - Marcos se assustou com a agressividade de Leopold.
 

- Senhor; tentei cont�-lo, mas... - a secret�ria entrava esbaforida atr�s do homem.
 

- N�o foi culpa dela, senhor Hudson; mas eu precisava falar com a senhorita Madsen.
 

- Vou chamar a seguran�a e...

Karol ergueu o bra�o e impediu que seu chefe completasse a frase.
 

- Calma Marcos; me deixe falar com ele. Podem nos dar licen�a?
 

- Tem certeza? - Marcos encarava Leopold.

Karol apenas sorriu de lado e pediu que sa�ssem. Em seguida acenou com a cabe�a para que Leopold se sentasse.
 

- O que � agora? Ets pousaram no seu p�er; ou o Titanic voltou dos confins do oceano?
 

- Se n�o tivesse visto seu mau humor pessoalmente diria que isso foi uma piada. Mas n�o estou aqui para isso. Precisamos de sua ajuda.
 

- Da minha ajuda? Deve estar me gozando!
 

- N�o sou desse tipo de pessoa, senhorita. Precisamos realmente de sua ajuda.
 

- N�o tenho nada para tratar com voc�s; voc�s s�o loucos. Fiquem com suas esquisitices longe de mim.

Karol se levantou e abriu a porta para que ele sa�sse.
 

- Ann est� morrendo, senhorita Madsen!

Aquela frase a fez parar e lembrar de dias que queria esquecer. Instintivamente levou a m�o ao pequeno colar que usava no pesco�o.
 

- Como?
 

- Um amigo dela veio a n�s e disse que se n�o lev�ssemos voc� at� ela o mais r�pido poss�vel seria tarde... N�o sabemos o que fazer...
 

- Leve-a para um hospital, homem! Pe�a ao tal amigo dela, mas n�o me meta em mais confus�o!
 

- N�o podemos lev�-la para o hospital, nem ele... Voc� n�o acreditaria se te contasse; teria que ver por si mesma.
 

- O segredo de novo; que maldito mist�rio � esse?
 

- Contaremos tudo, voc� mesma ver�; mas nos ajude, por favor! Ela precisa de voc�!

Karol sentia a pedra fria entre os dedos; nunca estivera t�o fria. Ficou preocupada; se n�o podiam realmente lev�-la a um hospital ent�o ela poderia estar correndo perigo de vida.

Ela pediu que Leopold esperasse um minuto e saiu da sala. Foi at� a sala de Marcos.
- Preciso de uns dias.
 

- O que? Como assim? Esse maluco aparece e voc� sai assim, sem explica��es? O que vai fazer?
 

- N�o � da sua conta!
 

- Pois ent�o n�o deixo voc� sair.
 

- Ok... - Karol abriu a porta e saiu; no mesmo instante voltou e replicou - Eu me demito, ent�o.

Bateu a porta com for�a e voltou para a sua sala. No caminho, encontrou com sua secret�ria.
 

- Maria; junte todas as minhas coisas e guarde-as numa caixa. - a mulher n�o respondeu; ficou sem a��o diante daquela ordem.

Voltando � sua sala Karol encontrou Leopold ainda angustiado.
 

- Vamos.

Sua voz era imperativa, decisiva. Os dois partiram imediatamente.


Em poucas horas, Leopold e Karol chegaram a Mali. N�o haviam conversado muito; Karol n�o sabia ao certo se queria ficar a par das loucuras daquela cidade, mas sentiu um medo t�o grande de perder Ann... N�o entendia porque, mas sentia um aperto no peito por n�o ter voltado antes.

Chegaram ao p�er e M�ller estava ao lado de Pedro e um jovem que ela n�o conhecia. Pareciam ansiosos pela chegado dos dois.
 

- Gra�as aos deuses voc� veio! Precisa voltar � ilha com �tila.
 

- Wow, wow; calma a�! Quem � esse �tila; mais um dos mist�rios de voc�s?
 

- N�o temos tempo para explica��es agora; venha comigo e...
 

- N�o encoste em mim, rapaz. N�o conhe�o voc� e n�o vou a lugar algum antes de saber o que est� havendo.

Leopold olhou para M�ller e Pedro; decidiram que era hora dela saber.
 

- N�o acreditaria se te cont�ssemos...
 

- Experimente!
 

- Bom... - Leopold limpou o pigarro da garganta - Arianne �... �...
 

- Fale homem! - Karol estava irritada.
 

- Uma ninfa...

Karol olhou pra aqueles homens parados � sua frente; n�o se conteve. Caiu num riso hist�rico e nervoso.
 

- Certo... E o nosso amigo aqui tamb�m � um homem-peixe, certo.
 

- Isso mesmo. - o jovem concordou.

Karol ficou s�ria novamente e encarou os tr�s.
 

- Escuta aqui; que palha�ada � essa?
 

- N�o � palha�ada... - M�ller virou-se desconsolado para Leopold - N�o vai adiantar, Leo... �tila; mostre a ela.

Era quase noite, mas isso n�o impedia que Karol visse o jovem pulando na �gua e segundos depois saltando e exibindo uma grande calda no lugar de pernas e barbatanas nos bra�os. Ela ficou ali olhando aquela figura nadando na sua frente sem saber o que fazer. Segundos atr�s era um homem, agora era meio peixe!

Num salto ele saiu da �gua e ficou de p� no p�er; as pernas apareceram novamente e as nadadeiras dos bra�os sumiram aos poucos.
 

- Acredita em mim agora, senhorita?

Karol apenas sacudiu a cabe�a e olhou para os outros.
 

- Ent�o era isso?
 

- N�o pod�amos contar; eles s�o nossos amigos. Nos ajudam com a pesca, nos ensinam coisas sobre o mar que nunca poder�amos aprender com homens comuns. Se outros ficarem sabendo o que ser� da vida deles?
 

- Ent�o Ann...
 

- Sim; ela � um deles, apesar de viver mais entre n�s do que os demais. Ela � o elo entre o mundo deles e o nosso... Mas alguma coisa est� errada com ela. Voc� tem que ir com �tila para ajud�-lo a salv�-la.
 

- Cl... Claro; eu irei...

Leopold emprestou um bote para os dois. �tila amarrou uma corda nele e a outra ponta em sua cintura.
 

- Fique abaixada; puxarei voc� at� a ilha. Se segure!

Os dois sa�ram em disparada. Era incr�vel como ele podia nadar r�pido.

Em menos de meia hora, estavam na pequena ilha. A entrada da casa n�o estava bem cuidada, as flores haviam murchado, a alegria que ela n�o soube aproveitar, desaparecida. Tudo parecia triste, como se o lugar estivesse morrendo tamb�m. Lembrou da pedra no colar. Retirou-o do pesco�o e notou que o brilho havia desaparecido.

Karol parou � porta e chorou.
 

- O que houve com ela?
 

- N�o podemos nos envolver com humanos; n�o � seguro para n�s. Mas ela se envolveu, se apaixonou... Uma ninfa � imortal at� experimentar o amor de por um mortal. A vida dela est� se esvaindo, como o brilho dessa pedra que ela te deu... N�o podemos fazer nada; mas talvez se voc� voltar, se houver algum vest�gio de amor em seu cora��o... Talvez...
 

- Chega; onde ela est�?
 

- No quarto dela.

Karol enxugou as l�grimas e correu para dentro. Apertava a pequena pedra nas m�os como se quisesse passar toda a sua for�a para ela. Um aperto grande lhe do�a o peito. Mas agora ela sabia o que era; era amor! O que sentiu antes e que a deixou confusa, com medo, sem entender nada; era amor! N�o acreditou que pudesse amar de novo, muito menos daquela maneira... Mas era amor.

Ann estava deitada na cama com os olhos fechados. Dormia. Karol aproximou-se dela e segurou sua m�o. Estava quente; parecia ter febre. Pegou uma toalha �mida e passou pela testa. Ela n�o acordou; "talvez estivesse sem for�as", pensou.

N�o sabia ao certo o que fazer, afinal, ela era diferente, mas sabia que n�o podia sair de perto de Ann.

Ficou ali at� anoitecer. O c�u estava limpo depois de muitos dias de chuva. Karol colocou a cabe�a da Ann em seu colo e, enquanto acariciava seus cabelos, segurava sua m�o e conversava suavemente com ela.
 

- Quando voc� acordar vamos passear na areia... Podemos ficar acordadas at� de manh� e ver o sol nascer, ver as ondas quebrarem na areia, ver os p�ssaros voando. Quero ver tudo que perdi todos esses anos... Quero ver com voc�. Acorde; por favor. Eu... Eu te amo...

Karol fechou os olhos e encostou sua cabe�a na parede; chorava. H� muito tempo n�o sabia o que era aquilo; h� muito tempo n�o sabia o que era gostar de algu�m com tanta for�a.

Ann abriu lentamente os olhos e viu Karol. Sorriu depois de muito tempo. Sentia-se fraca demais para levantar, mas teve for�as para pegar a m�o de Karol e leva-la at� sua boca, onde lhe deu um suave beijo.

Karol abriu os olhos e olhou para Ann. O sorriso e o brilho haviam voltado para aquele rosto triste.
 

- Oi...
 

- Oi. - Karol parecia n�o acreditar que via aqueles olhos verdes vivos e aquele sorriso novamente.
 

- Voc� voltou... - Ann falava lentamente; n�o tinha for��as.
 

- Voltei.
 

- Mas... Por que?

Karol suspirou e olhou fundo nos olhos de Ann.
 

- Me disseram que voc� n�o estava bem...
 

- Ah...
 

-... E porque senti sua falta.
 

- Sentiu? - ela sorriu.
 

- Huhum... Muito. No come�o, n�o sabia o que era, mas depois que Leopold foi at� meu escrit�rio e contou que voc� estava doente, � que vi o quanto voc� tinha sido importante. N�o sei muito da sua vida... - ela sorriu enquanto segurava a m�o dee Ann - e mesmo assim n�o consegui parar de pensar em voc� nesses seis meses. Senti sua falta. Senti falta do que poderia fazer junto com voc�.
 

- N�o sei se voc� conseguiria viver comigo...
 

- Tamb�m n�o sei... Mas quero tentar.

Ann levantou-se com certo esfor�o e sentou-se na cama, olhando Karol nos olhos.
 

- Repete o que voc� falou enquanto eu dormia.
 

-...
 

- Queria ouvir de novo...

Karol segurou o queixo de Ann com uma das m�os e puxou-a para um suave beijo. Os l�bios se tocaram como m�gica; o calor passou de um corpo para o outro. L�grimas sa�ram apertadas dos olhos de ambas e ao fim daquele sonho elas se abra�aram.
 

- Eu te amo - sussurrou Karol ao ouvido de Ann - N�o sei explicar, mas nunca tive tanta certeza de uma coisa como agora.

Ann apertou Karol mais forte contra seu corpo e a beijou no rosto.
 

- Fica comigo...
 

- Nunca pensei que algu�m me faria esse tipo de convite... Muito menos uma mulher... Muito menos uma ninfa!

Ann sorriu e voltou a deitar no colo de Karol. O cansa�o havia se transformado em al�vio, a dor em alegria e a solid�o j� n�o existia mais. Ela fechou os olhos e adormeceu sorrindo, abra�ada ao corpo quente e tr�mulo de uma Karol fr�gil que acabava de se descobrir como algu�m que podia amar.

 

FIM

  

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