O PRIMEIRO DIA DA PRIMAVERA
A. L. Benner
10/02/04
Disclaimers
Sobre
a hist�ria: essa
fanfiction (estilo alt/uber) foi ambientada em Auckland, maior cidade da Nova
Zel�ndia, terra da nossa querida Lucy Lawless.
Criei
o texto envolvendo duas velejadoras, porque, entre outros motivos, Auckland
� considerada �The City of Sails� (A Cidade das Velas), pois �
de l� a maior concentra��o de barcos (e � claro,
de velejadores) por habitante do mundo!
Minha
vontade era ter escrito mais sobre iatismo, descrever o esporte, mais acabei
usando-o apenas como pano de fundo para a fanfiction, j� que n�o
conhe�o praticamente nada sobre o assunto e n�o quis dar algum
fora.
Coloquei
apenas algumas express�es ligadas ao esporte, mas n�o me arrisquei
al�m disso. Se algu�m que conhece esse esporte mais a fundo ler
o texto, por favor, desconsidere algum eventual erro ou informa��o
errada que eu tenha colocado.
Gloss�rio:
As
refer�ncias geogr�ficas s�o verdadeiras, pois os lugares
citados existem em Auckland e arredores.
A
refer�ncia a marcas n�o tem qualquer inten��o de
propaganda e sim de ilustra��o do texto.
O
nome �Aotea� significa �Grande Terra� em maori, a l�ngua do povo nativo
da Nova Zel�ndia, e era assim que eles chamavam as duas ilhas antes dos
ingleses chegarem.
Avisos: esta fic cont�m
cenas de sexo expl�cito entre duas mulheres adultas. Se voc� �
menor de 18 anos, n�o aceita esse tipo de amor ou se onde mora �
proibida a leitura desse tipo de texto, por favor n�o continue.
Minha
sugest�o � que voc� procure textos que estejam de acordo
com seu gosto e possibilidades, pois a autora e a pessoa que mant�m o
site n�o se responsabilizar�o se voc� continuar.
Agora,
se voc� n�o tem nenhuma restri��o descrita acima,
ent�o meu desejo � que se divirta muito com meu texto!
Esse
texto est� protegido por direitos autorais e n�o infringe qualquer
direito que os Studios USA/Renaissance det�m sobre o seriado XWP. As
personagens que aparecem aqui t�m semelhan�as f�sicas e
pessoais com as personagens principais do seriado Xena Warrior Princess, mas
essas semelhan�as ficam por aqui, pois a autora n�o visa qualquer
lucro na publica��o desse texto.
Agradecimentos: **A inspira��o
em escrever vem de uma pessoa que tem import�ncia essencial na minha vida.
A ELA eu agrade�o pelo incentivo e pelo amor que me faz melhor a cada
dia que passa!**
Agrade�o
tamb�m � amiga Leth Cross, autora de grande talento, que tem me ajudado
muito com seus textos e tradu��es excelentes.
����???
Laureen
olhou para a lista de inscritos na competi��o que tinha nas m�os
e teve certeza de que aquele, definitivamente, n�o seria o seu dia. Seria
a �ltima regata importante antes do inverno come�ar e enfrentar
os ventos gelados que j� sopravam do sul mais a presen�a insuport�vel
de Samantha Durban eram o suficiente para tirar-lhe o pouco humor que tinha.
Relendo
a lista, ela tentou engolir a informa��o. Considerava-a sua inimiga
h� bastante tempo e a simples id�ia de estar de novo pr�xima
� velejadora deixava-a enjoada. Todas as vezes que se aproximava uma
nova competi��o era aquilo. A presen�a dela perturbava
Laureen, deixando-a tensa e alterada.
Mas
isso tudo tinha um motivo; a �nica coisa que era capaz de tirar o brilho
daqueles belos olhos azuis.
Sam
Durban tornara-se seu pior pesadelo desde que participaram de uma regata em
Sidney, havia mais de quatro anos e ela lhe tirara seu �nico irm�o
num acidente durante as competi��es.
Lembrou-se
da dor de ver quando o barco de Samantha simplesmente �passou por cima� de Mark.
Desde ent�o, aquele acidente n�o lhe sa�a um minuto sequer
da mente; e a cada vez que pensava nele, sentia mais raiva de Samantha e a certeza
de que ela n�o desviara seu barco a tempo pelo mais absoluto prop�sito,
resultando naquela trag�dia.
Ela
ficara sozinha desde ent�o, pois seus pais haviam morrido oito anos antes
do acidente com Mark.
Amassando
com for�a o papel, Laureen jogou-o na lixeira presa ao p� da pequena
mesa que usava tanto para suas refei��es, quanto para ler os mapas
das competi��es de que participava pelo mundo todo. Ela trincou
os dentes, cheia de raiva, contraindo o rosto moreno e marcadamente anguloso.
Elas
nunca tinham sido amigas; Laureen a conhecia pouco e a raiva pelo que acontecera
s� fez transformar-se no mais puro �dio.
A
comiss�o que investigou o acidente inocentou-a, mas Laureen nunca havia
acreditado, apesar dela alegar que n�o teve tempo para manobrar e desviar
de Mark. Tinha certeza de que ela seria capaz de fazer qualquer coisa para que
seu barco chegasse em primeiro lugar. E sabia tamb�m que se ela tivesse
feito uma manobra para desviar de Mark, teria perdido sua posi��o.
No
restrito mundo dos velejadores, o que corria a respeito dela se resumia ao seu
apelido: Furac�o Louro. A imprensa especializada em iatismo e todos os
competidores sabiam de quem se tratava quando ouviam esse nome.
Ela
era a competidora mais ferrenha de que se tinha not�cia. Era talentosa;
quanto a isso n�o havia d�vidas, mas seu gosto por �massacrar�
qualquer iatista que tentasse se colocar na sua frente era bem conhecido. Laureen
era a �nica que conseguia venc�-la.
Curiosamente
Samantha nunca atacara Laureen. Ela havia apenas se defendido na ocasi�o
do acidente, e a inimizade delas era vis�vel apenas pelas manifesta��es
de Laureen. Nas competi��es de que participavam, se Laureen a
vencesse, ela simplesmente n�o se pronunciava.
As
duas velejadoras tinham apenas um fato em comum: ambas eram gays e o mundo todo
sabia disso. Eram atletas conhecidas e seus nomes se alternavam com freq��ncia
nos primeiros lugares do circuito mundial de iatismo.
Mas
at� isso acirrava a inimizade que Laureen sentia pela bela velejadora
loura, j� que Samantha fazia de sua vida amorosa uma fonte de not�cias
para tabl�ides especializados em esc�ndalos, deixando-se fotografar
com suas muitas namoradas.
Laureen
levava uma vida completamente oposta a isso, mas de uma forma indireta, acabava
sendo um pouco v�tima do comportamento de Samantha, pois seu desafeto
por ela n�o era nenhum segredo.
Tentando
conseguir mais esc�ndalos para suas p�ginas, n�o era raro
os mesmos jornais que se deliciavam com os romances nada discretos dela, de
tempos em tempos, procurarem Laureen para novamente levantarem o assunto do
acidente com seu irm�o e a suposta culpa de sua inimiga. Mas a cada vez
que algum rep�rter a procurava, sua f�ria crescia, fazendo-a desprezar
mais ainda a figura loura que a perseguia.
Frustrada,
Laureen lembrou-se da festa que seria oferecida a todos os iatistas naquela
noite e para a qual recebera o convite junto com a lista de competidores. Mesmo
contra sua vontade e natureza caseira, ela teria de ir, j� que todos
os patrocinadores do evento cobravam isso de seus patrocinados. Era praticamente
uma obriga��o contratual � qual ningu�m conseguiria
fugir; nem mesmo ela.
Deixando
o interior estreito do Aotea, foi sentar-se perto do leme. Gostava de sentir
o leve balan�ar de seu veleiro quando ele estava ancorado.
O
fim de uma das �ltimas tardes de outono se aproximava da marina de Bayswafer
e ela guardou alguns cabos antes de deixar o barco e ir para casa. Sabia que
encontraria v�rios recados de Joan, j� que n�o havia ligado
o celular durante todo o dia, mas n�o tinha vontade de ver a namorada
naquela noite. Poderia lev�-la � festa, mas sua vontade era ir
sozinha e livrar-se daquele ambiente o quanto antes.
Elas
estavam tendo um momento ruim no namoro e Laureen n�o sabia explicar
o que era; apenas n�o sentia vontade de estar com Joan nos �ltimos
tempos. Andava culpando por isso, o fato de que a morte de Mark lhe torturava
mais e mais, apesar dos anos que a tornavam cada vez mais distante.
Ela
j� admitia que poderia n�o estar mais t�o apaixonada como
antes; e isso deixou-a triste, pois quando come�ou o namoro, desejou
sinceramente que ficassem juntas por muito tempo. Sorriu com pesar ao lembrar
que ultimamente estava preferindo abrir uma garrafa de vinho e perder-se nas
lembran�as de quando Mark era vivo do que ir ao apartamento de Joan.
Nunca fora de beber, mas tinha uma vaga consci�ncia de que isso estava
se tornando um h�bito freq�ente demais.
Ela
chegou � imensa mans�o da fam�lia em Devonport, onde morava
sozinha pensando no que diria para Joan quando ela ligasse e deu de cara com
a bolsa dela sobre uma poltrona do living. Sabendo o que aquilo significava,
suspirou.
�Ela
deve estar cozinhando para mim.� � pensou, sentindo a culpa invadi-la.
Foi
at� a cozinha e viu que tinha acertado: Joan abriu-lhe um sorriso, enquanto
arrumava a mesa para o jantar.
� Oi,
amor! Resolvi preparar algo para voc� comer quando chegasse.
� Obrigada,
Jo. � Laureen foi at� ela e abra�ou-a, tentando em v�o,
dissipar a culpa que sentia pelo que havia pensado poucos minutos atr�s.
Ela era sua companheira, respeitava-a muito. O problema era ela, n�o
a namorada. Sentia-se covarde e impotente diante dela. Sabia que precisavam
conversar, mas sua tristeza n�o permitia. Joan j� havia tentado
v�rias vezes, mas ela n�o encontrava o momento certo para isso,
preferindo adiar mais e mais.
� Quer
comer?
A
pergunta tirou-a de seus pensamentos.
� Oh,
claro! Estou com fome.
Antes
de se sentar, ela foi at� pequena prateleira de vinhos que tinha na sala
de jantar e pegou uma garrafa, abrindo-a e servindo uma ta�a para si
e outra para Joan. Dois minutos depois sua ta�a j� estava vazia,
enquanto a de Joan nem sequer fora tocada. Ao pegar a garrafa para se servir
novamente, a voz da namorada chamou-lhe a aten��o para o que fazia:
� Laureen,
voc� tem bebido com muita freq��ncia ultimamente. Secou uma
ta�a em minutos!
� Ora,
Jo! N�o vai querer me controlar agora, n�o �? � respondeu,
com o tom de voz mostrando uma impaci�ncia fora do comum nela.
� N�o
quero control�-la; quero apenas que esteja s�bria para conversarmos.
Laureen
olhou-a e reconheceu uma centelha de tristeza nos olhos castanhos. Joan n�o
era idiota; sabia que algo estava errado entre elas; sabia at� que n�o
se amavam mais da mesma maneira.
Ela
sabia que aquilo n�o podia mais se arrastar indefinidamente e que se
machucariam de forma irrevers�vel se n�o parasse de se esconder
atr�s de desculpas.
� Desculpe,
Jo. Sei que quer conversar, mas...
� Eu
sei, voc� est� adiando isso h� tempos. Mas n�o podemos
continuar dessa maneira. Estou fazendo tudo que posso, esperando que voc�
descubra o que aconteceu conosco... e porque n�o me ama mais. � Joan
retrucou com firmeza.
� Jo,
eu... n�o � isso... � Laureen n�o conseguia encara-la.
� Ent�o
o que �? � Joan exclamou, j� alterada. � N�o namoramos
mais; voc� desliga o celular durante todo o dia e � noite sou eu
quem a procura. Nem consigo lembrar a �ltima vez que me ligou ou que
sa�mos para jantar. Nada mudou na sua vida: continua ganhando a maioria
das competi��es das quais participa. Sua carreira n�o poderia
estar melhor; mas faz meses que vejo voc� se afastar silenciosamente de
mim, preferindo ficar bebendo sozinha ao inv�s de nos encontrarmos. Perdi
a conta de todas as vezes que tentei conversar, Laureen! N�o quero mais
isso, entendeu? N�o quero viver sem amor! N�o foi para isso que
me apaixonei por voc�!
Quando
viu, Joan estava de p�, com as m�os espalmadas sobre a mesa. Seus
bra�os tremiam e Laureen viu que ela se controlava para n�o chorar.
Levantando-se
e contornando a mesa, ela abra�ou a mulher por quem um dia havia se apaixonado.
N�o sabia explicar o que acontecera com seu amor; n�o sabia se
explicar com Joan; apenas n�o queria que ela sofresse. Apertou-a contra
si, desejando sentir de novo tudo que um dia j� sentira por ela, mas
n�o conseguiu. Pediu perd�o baixinho, com Joan chorando em seu
ombro.
����???
Ela
chegou � festa muito tempo depois de ter come�ado. Se n�o
fosse aquela maldita obriga��o com os patrocinadores, teria mandado
tudo �s favas. Sentia-se um frangalho de gente depois da conversa com
Joan. E o pior era saber que tudo tinha acontecido por sua pr�pria culpa.
�O
que h� com voc�, Laureen? � ela perguntou-se pela en�sima
vez, ao entrar no imenso sal�o onde muitos de seus colegas circulavam.
� Poderia estar encarando essa festa idiota com Joan ao seu lado. E ela faria
isso com todo prazer; apenas para ajudar a poupar-lhe mais aborrecimentos. O
que lhe falta afinal?�
Sentia
a cabe�a doer e ao primeiro gar�om que viu passar com uma bandeja
repleta de ta�as de champagne, serviu-se de uma. Caminhou devagar entre
as pequenas rodas de conversa que se formavam no sal�o, cumprimentando
amigos e conhecidos. O pior era ter de sorrir for�adamente, enquanto
seu cora��o queria apenas o aconchego de sua casa. Viu de longe
uma silhueta loura e imediatamente mudou de dire��o. Aquilo a
chateou mais ainda. Sentiu o rosto queimar de raiva apenas com a vis�o
de Samantha.
Percebeu
seu est�mago doer por causa do champagne e a irrita��o por
ver a outra velejadora s� fez isso piorar. N�o queria finalizar
aquele dia p�ssimo com um encontro com sua inimiga, mas se pudesse, iria
at� ela e despejaria todo o champagne de sua ta�a pelo decote
adentro que ela ostentava.
�Incr�vel
como ela me irrita!� � Laureen remoeu, deixando a ta�a vazia sobre uma
mesa e pegando outra da bandeja de um gar�om que passava. Com um suspiro
resignado, continuou conversando com seus conhecidos.
Apesar
de quase todos a conhecerem, sua presen�a alta e esguia dentro do vestido
de noite em tons prateados chamava a aten��o de homens e mulheres.
Os cabelos escuros lhe acariciavam as costas nuas e os olhos inacreditavelmente
azuis eram como �m�s que prendiam o olhar de qualquer um que a
olhasse. Laureen era uma mulher deslumbrante em todos os sentidos, e apesar
dos homens saberem de suas prefer�ncias, nunca deixavam de cortej�-la,
mesmo tendo consci�ncia de que suas tentativas eram in�teis. Era
como um desafio para eles. Ela ria sempre disso, divertindo-se, pois eram todos
seus amigos de iatismo, na maioria. �s vezes, um ou outro desconhecido
fazia suas tentativas, mas ela sempre os fazia perceber que n�o conseguiria
nada.
Caminhou
mais um pouco e viu Tom e Susan Brant, seus mais queridos amigos conversando
com alguns dos patrocinadores mais chatos. Como teria mesmo de suport�-los
por alguns minutos, aproveitou a presen�a dos amigos e aproximou-se.
� Ora,
vejam s�! � festejou Tom. � Achei que n�o ter�amos o privil�gio
de desfrutarmos desses lindos olhos azuis esta noite!
� Susan
n�o vai gostar disso! � ela respondeu enquanto abra�ava-o carinhosamente.
� N�o
se preocupe, Laureen, depois eu me entendo com ele. � Susan respondeu, sorrindo
para ela.
� E
ainda est� desacompanhada! Os deuses ouviram minhas preces! � Tom ainda
brincou mais uma vez, enquanto puxava-a para dentro da roda.
Ela
cumprimentou a todos e p�de sentir mais uma vez os v�rios olhares
cobi�osos que se lan�aram sobre ela. Estava acostumada �quilo,
mas naquela noite, seu �ltimo fio de paci�ncia j� tinha
se esva�do. Esperou alguns minutos e num pedido silencioso, olhou para
Susan, suplicante.
Sua
amiga entendeu como sempre, e interrompendo descaradamente a conversa em que
um esnobe executivo da ind�stria eletr�nica insistia em prender
Laureen, convidou-a para ir ao toilette, alegando que precisava retocar o batom.
� Voc�
me deve essa! � Susan retrucou ao entrarem no banheiro.
� E
pagarei o que voc� quiser, minha querida! Eu j� n�o estava
suportando o cara! Daria qualquer coisa para n�o ter vindo a esta festa.
� O
que houve, Laureen? Voc� est� abatida como nunca a vi!
� Eu
e Joan tivemos uma conversa dif�cil agora h� pouco. � ela respondeu
com os olhos baixos e tristes.
� Voc�s...
brigaram?
Foi
mais do que isso, Su. Acho que n�o soube valorizar a grande companheira
que eu tinha...
� Oh,
sinto muito! O que houve?
� Eu...
eu deixei de am�-la... foi isso.
� Laureen!
Isso n�o � culpa sua, querida! O que voc� poderia fazer
se o amor acabou?
� Talvez
eu pudesse ter cuidado melhor dele. � respondeu. � Sinto uma tristeza imensa
desde a morte de Mark. N�o consigo me livrar disso e nem interessar por
nada. Nem mesmo pela mulher que me amava!
� Laureen...
� Susan se aproximou, colocando a m�o no ombro dela. � ...voc�
acabou de dar a resposta: ela te amava; voc� n�o! N�o pode
se culpar por n�o gostar dela como antes! Se voc� foi honesta com
ela, n�o deve ficar a�, se culpando!
� Eu
sei. Mas continuo me sentindo p�ssima. N�o queria t�-la
magoado.
Balan�ando
a cabe�a, Susan sorriu para sua amiga e puxou-a para fora do banheiro
que come�ava a ficar cheio. Levou-a at� o imenso terra�o
e sentaram-se numa mesa; ali poderiam conversar em paz.
� Tom
vai sentir sua falta.
� Ele
se vira. � Susan respondeu enquanto pegava duas ta�as de champagne que
um gar�om gentilmente lhe servia. � N�o vou deix�-la sozinha.
� Obrigada!
� Laureen respondeu, enternecida com a atitude da amiga.
� Por
nada. Mas n�o quero v�-la assim. J� que est� aqui
tem de se divertir. � e dizendo isso, colocou a outra ta�a na m�o
de Laureen.
Ela
olhou a ta�a e algo lhe disse para n�o beber mais, mas o brinde
inocente que Susan esperava com sua ta�a na m�o foi o suficiente
para faz�-la deixar o pensamento de lado.
� Assim
voc� j� est� querendo demais! � ela exclamou, tomando um
gole. � Isso n�o acontece com Sam Durban a menos de 20 milhas n�uticas
de dist�ncia!
� Ora,
Laureen! N�o v� me dizer que ainda se deixa incomodar pela presen�a
dela?
� O
que ela fez com Mark n�o � apenas um inc�modo! � ela respondeu,
estreitando os olhos.
� N�o
acredito que ainda pensa nisso! Mark se foi e n�o h� como traze-lo
de volta. J� ficou provado que n�o foi culpa dela.
� Sei
que foi culpa dela! � Laureen estreitou de novo os olhos, cheia de raiva.
� Laureen,
ou�a-me! Voc� est� enterrando sua vida nisso! Acabou de
perder Joan; o que mais vai perder por causa dessa hist�ria?
Ela
virou o que restava do champagne e fez sinal para que o gar�om lhe trouxesse
outra ta�a. Olhou para Susan e teve de segurar o n� que lhe subiu
� garganta.
� Se
pelo menos eu pudesse provar que ela foi culpada... � falou como para si pr�pria.
Susan
olhou-a com pesar. Tinha que tirar sua amiga daquela obsess�o. Laureen
estava deixando sua vida se afundar num inconformismo absurdo, pois se Samantha
fosse mesmo culpada, a comiss�o que investigara o acidente teria encontrado
essa culpa. Mas Laureen parecia se agarrar � id�ia de que ela
era culpada, n�o importando o que dissessem.
Susan
sabia que a velejadora tinha fama de competidora ferrenha, mas vira a fita do
acidente in�meras vezes e sua experi�ncia com iatismo lhe dizia
que Sam era inocente mesmo. Mas nunca se atrevera a dizer isso a Laureen, temendo
que sua raiva se virasse contra ela. Agora estava vendo sua amiga beirando a
depress�o por causa de algo que n�o tinha mais volta e sentia
que precisava fazer alguma coisa.
Suspirando
o ar um tanto frio da noite, Susan decidiu falar o que pensava:
� Laureen,
sei que posso at� perder sua amizade pelo que vou falar, mas n�o
posso virar-lhe as costas e deixar que afunde sua vida nessa amargura toda.
Pessoalmente, n�o acredito que Sam seja culpada pelo acidente...
O
azul dos olhos de Laureen escureceu automaticamente. Susan viu-a apertar a ta�a
que tinha na m�o at� quase faze-la despeda�ar-se. Sentiu
um frio percorrer-lhe a espinha pelo que viu, mas percebeu que teria de ir adiante.
� Como
tem coragem de me dizer que acredita nela? Jamais me repita isso! � Laureen
esbravejou, levantando-se.
Susan
foi mais r�pida do que ela, segurando-a pelo bra�o e fazendo-a
sentar-se de volta, j� que um leve efeito do �lcool come�ava
a aparecer e deixou-a menos �gil.
� Desculpe
querida, mas voc� vai me ouvir. � Susan respondeu com firmeza. � Se voc�
quer viver inconformada com o que aconteceu a seu irm�o, ningu�m
poder� fazer nada por voc�, mais isso n�o vai adiantar.
Voc� � uma mulher bel�ssima e talentosa e parece que o fato
de ser uma das melhores velejadoras do mundo n�o lhe importa tanto. Se
parasse para pensar, chegaria � conclus�o de que Mark jamais a
perdoaria voc� se destru�sse sua vida e sua carreira por causa
dessa obsess�o em culpar Sam Durban pelo acidente dele; e mais ainda
se deixasse de amar e n�o se permitisse mais ser amada porque est�
mergulhando de cabe�a numa depress�o que est� tornando-a
uma pessoa amarga, coisa que voc� nunca foi!
Enquanto
Susan falava, a express�o de Laureen foi endurecendo como se tivesse
sentindo uma dor aguda e contra a qual n�o podia lutar. Levantou-se num
sil�ncio pesado e pegou abruptamente a pequena bolsa prateada que fazia
conjunto com o vestido, virando as costas para Susan num gesto repleto de raiva.
Andou rapidamente em dire��o ao sal�o, deixando Susan falando
sozinha.
Susan
olhou-a enquanto ela se afastava rapidamente em passos nervosos e sentiu-se
desolada: n�o estava conseguindo ajudar sua amiga. Aquela atitude infantil
dela tinha sido a prova disso. Levantou-se ent�o e foi procurar Tom.
Eles teriam que pensar em algo juntos.
����???
Embalada
pelas v�rias ta�as de champagne que j� tinha tomado e pela
necessidade urgente de fugir de qualquer coisa ou pessoa que lhe lembrasse suas
atitudes nos �ltimos tempos, Laureen foi para a pista de dan�a.
No
sal�o anexo ao jantar, que j� havia terminado, viu alguns conhecidos,
mas come�ou a dan�ar sozinha. Ficou ali um tempo que ela n�o
saberia precisar; sabia apenas que ficou muito tempo. A m�sica alta e
contagiante envolvia-a e ela perdeu a conta do quanto j� tinha bebido.
Muito
tempo depois, percebeu que a pista j� estava quase vazia. Tentando manter-se
de p�, foi at� o balc�o das bebidas e perguntou as horas
ao gar�om.
� Cinco
da manh�. � ele respondeu calmamente.
� Nossa!
Preciso ir para casa. � Laureen balbuciou, sem conseguir focar direito a �imagem�
com quem conversava.
Com
dificuldade, ela chegou � recep��o por onde havia entrado
na festa e pediu seu carro ao manobrista. O rapaz olhou-a apreensivo, percebendo
o estado dela.
� Srta.
Clark, n�o seria melhor ir para casa de t�xi e...
Ele
sequer teve tempo de terminar a frase, tamanho foi o olhar g�lido que
recebeu, precedendo a resposta seca e mal-educada:
� Sei
cuidar de mim, garoto! N�o preciso de seus conselhos. Traga meu carro!
A
voz grave de Laureen soou bem mais alta do que seria necess�rio, chamando
a aten��o de um grupo de pessoas que tamb�m esperavam seus
carros. V�rias riram, vendo seu estado; mas uma delas se manteve silenciosa.
Apenas os cintilantes olhos verdes acompanharam cada movimento de Laureen.
Um
dos homens do grupo foi al�m das risadas:
� Olhe
s�, Samantha, o estado lastim�vel de sua velha inimiga! �
um prato cheio para voc�, v�-la assim, n�o?
Olhando
s�ria para o homem, Samantha respondeu seca e imediatamente:
� N�o,
n�o �, Peter! N�o tenho prazer algum em v�-la assim!
� foi a resposta que ele ouviu at�nito.
� Mas
eu pensei...
� Pensou
errado. Nunca me considerei inimiga dela. Nossa disputa, para mim, �
apenas no mar.
Impaciente,
Samantha procurou com o olhar a cumplicidade de seu amigo Jean Dirrot. Ele estava
de p� ao seu lado e conhecia Laureen por ter trabalhado na equipe dela
por alguns anos. Nos olhos dele, Sam encontrou a confirma��o de
que aquela goza��o era injusta.
N�o
satisfeito, o homem continuou alfinetando:
� Ora,
mas que mudan�a! O que ter� acontecido com nosso temido Furac�o
Louro?
� Voc�
e os seus colegas jornalistas resolveram me chamar assim, mas sabem que detesto.
Fui e continuo sendo uma atleta vencedora, nada mais que isso. � foi a resposta
mais seca ainda que ela devolveu ao rapaz.
Meio
sem gra�a, ele ficou em sil�ncio, mas as outras pessoas do grupo
riram de novo, e Samantha preferiu ficar calada. �quela hora da manh�,
n�o estava disposta a discutir. Sua aten��o estava voltada
para outra coisa: nunca vira Laureen Clark daquele jeito. Sabia o que a bela
morena pensava dela, mas com o passar dos anos havia deixado de se importar
com o fato. No in�cio sofrera muito, principalmente at� que as
investiga��es terminassem e ela fosse inocentada.
Como
velejadora experiente, sabia que tinha feito o poss�vel para desviar
do rapaz quando ele ca�ra acidentalmente no mar, � frente de seu
barco, mas a saraivada de acusa��es, vindas principalmente da
irm� dele tinham-na deixado profundamente abalada.
Mas
ningu�m, absolutamente ningu�m ficara sabendo o quanto ela sofrera.
Nem mesmo sua namorada na �poca. Ser acusada pela morte de algu�m
foi o que de pior poderia ter-lhe acontecido, mas ela ag�entou sozinha.
N�o chegou a ter raiva de Laureen, pois no fundo entendia a dor que ela
estava sentindo, mas por seu car�ter lutador, jamais deixou que qualquer
pessoa soubesse que estava sofrendo; e a conseq��ncia maior foi a
imprensa refor�ar sua imagem de frieza.
Sua
vida n�o era um exemplo a ser seguido; ela bem sabia disso. N�o
fazia a menor quest�o de esconder suas namoradas e o quanto gostava de
se divertir com elas. Nunca se envolvia, n�o levando nenhuma a s�rio;
e se divertia ao ver a imprensa correndo atr�s de alguma foto dela e
de suas belas companhias para apimentar suas capas de revista.
Mas
agora, diante dos seus amigos se divertindo com a figura que no imagin�rio
deles e do resto do mundo era sua inimiga, seu pensamento era um s�:
ela estava b�bada e correndo o risco de dirigir naquele estado. Por algum
motivo inexplicado, pressentiu algo de muito ruim em rela��o �quele
carro escuro que o manobrista deixava nas m�os de Laureen Clark.
Ela
viu Laureen sair aos trancos e n�o pensou um minuto quando viu seu pr�prio
carro sendo estacionado ao seu lado. O manobrista mal teve tempo de fechar a
porta e ela arrancou, deixando seu grupo de amigos pasmos com o �preciso ir�
que os fez engolir sem entenderem nada.
Sem
saber direito porque estava fazendo aquilo, Samantha come�ou a seguir
um pouco de longe o carro de Laureen. Viu que ela dirigia de forma desorientada.
E corria demais.
�quela
hora da manh�, a estrada de Tamaki Drive na sa�da de Mission Bay,
onde a festa tinha acontecido, estava praticamente vazia, mas o perigo estava
justamente nisso: os poucos carros com os quais cruzavam tamb�m eram
dirigidos por motoristas irrespons�veis, que, ou corriam demais, ou tamb�m
tinham bebido muito, como Laureen.
Samantha
pressentia que alguma coisa aconteceria. Era assim todas as vezes que seu cora��o
disparava sem explica��o.
Ela
mal acabou de pensar nisso e viu o carro de Laureen perder o controle e rodar
v�rias vezes � frente do seu, batendo com viol�ncia na encosta
rochosa que fazia limite com a estrada.
A
cena congelou-se em sua mente: o carro espatifando-se contra a rocha e os peda�os
voando pela estrada. O desespero tomou conta dela. Suas pernas tremiam e o cora��o
bateu-lhe na garganta num grito de desespero.
� N�o!!!
O
grito soou pela estrada deserta, misturando-se ao barulho dos pneus se arrastando
no asfalto quando ela freou o carro.
Deixando
os far�is iluminando o carro de Laureen, correu o mais r�pido
que p�de e ao chegar no carro, viu atrav�s do p�ra-brisa
despeda�ado, que ela estava debru�ada sobre o volante, desacordada.
O carro estava encostado na rocha pelo lado do motorista e n�o havia
como tira-la dali por aquele lado. A porta do passageiro estava deslocada, e
numa primeira tentativa, Samantha n�o conseguiu abri-la. O vidro da janela
estava quebrado e ela conseguiu passar o bra�o e destravar a porta, mas
mesmo assim, teve de fazer uma for�a sobre-humana para abri-la.
Conseguindo
entrar no carro, a primeira coisa que fez foi tomar o pulso de Laureen. Estava
fraco. E ela respirava com dificuldade.
Tentando
tirar os cabelos que lhe cobriam o rosto, Samantha tocou-lhe a cabe�a
e percebeu um grande corte que lhe inundava o rosto de sangue. O bra�o
esquerdo de Laureen estava quebrado um pouco abaixo do cotovelo e a fratura
expunha um dos ossos num rio de sangue.
Com
dificuldade, Samantha engoliu a dor que sentiu ao ver aquela cena. Ela sabia
que teria de agir r�pido se quisesse salvar Laureen. Tinha experi�ncia
suficiente em salvamentos para saber que se ligasse para o socorro, Laureen
perderia sangue demais at� que chegasse.
Numa
decis�o arriscada, ela voou at� o porta-malas de seu carro e tirou
uma grande caixa de primeiros-socorros que tinha planejado levar para seu barco
no dia seguinte. Agradeceu aos c�us por tamanha sorte ao abrir a caixa
e ver que tinha colocado nela um colar cervical e uma prancha de imobiliza��o
dobr�vel.
Ela
sabia que n�o conseguiria colocar Laureen e todo seu tamanho sobre aquela
prancha. Teria de parar um carro e pedir ajuda, mas at� que isso acontecesse,
colocou cuidadosamente o colar em Laureen para proteger-lhe a coluna e fez um
torniquete para estancar a hemorragia do bra�o fraturado.
Quando
tentava verificar o pulso de Laureen mais uma vez, ela ouviu o barulho de um
carro que se aproximava. Saindo do carro �s pressas, correu para o meio
da estrada, na tentativa de conseguir ajuda.
O
motorista parou imediatamente ao perceber que e tratava de um acidente. Do carro
desceram j� em desespero, Tom e Susan Brant.
� Meu
Deus! � o carro de Laureen! � Susan gritou, desnorteada.
Tom
correu at� Samantha, que gritava para que ele a ajudasse a tirar Laureen
de dentro do carro.
� Ajude-me
a tir�-la do carro!
� H�
quanto tempo aconteceu? � Tom perguntou, entrando no carro e puxando Laureen
para fora.
� Foi
h� poucos minutos. � Samantha respondeu aflita. � Eu estava logo atr�s
dela e vi quando perdeu o controle e rodou. Puxe-a com cuidado!
� Ela
bebeu demais! � Tom lamentou-se, enquanto a colocava na prancha.
Samantha
imobilizou Laureen com destreza e rapidez, sob os olhos admirados e amedrontados
do casal.
� Seu
carro � maior que o meu. � Samantha observou. � Rebata o banco de tr�s
para que ela caiba melhor.
Ele
obedeceu e os tr�s carregaram o corpo desmaiado de Laureen at�
a van. Por sorte, n�o estavam muito longe do Hospital Saint Andrew, em
Mission Bay. Tom dirigiu para l� o mais r�pido que p�de,
com Samantha seguindo-os de perto. Do celular ela ligou para a emerg�ncia
do hospital e quando chegaram, j� havia m�dicos e enfermeiros
prontos para socorrerem Laureen.
����???
A
tomografia mostrou que o corte na cabe�a n�o tinha sido s�rio
al�m dos muitos pontos que precisou para ser fechado. Mas a cirurgia
para corrigir a fratura no bra�o esquerdo demorou algumas horas.
Nesse
tempo Samantha esperou ansiosamente na sala de espera do hospital. Ainda sentia
uma ang�stia enorme pelo que havia acontecido e precisava saber se Laureen
ficaria bem.
Ainda
n�o conseguia assimilar direito porque se sentia daquela forma, mas n�o
era capaz de virar as costas e ir embora. Pensava em Laureen sem parar; e parecia
que se algo lhe acontecesse, n�o seria capaz de suportar. Era uma dor
de perda iminente, como se fossem ligadas de alguma forma.
Samantha
sentia sua cabe�a rodar com tantos e t�o confusos pensamentos.
Percebia os olhares interrogativos de Tom e Susan sobre ela, como se n�o
entendessem porque ela continuava ali. Na verdade, nem ela mesma sabia a resposta.
Tinha salvado a vida de Laureen e poderia estar em casa e se interar do que
aconteceria depois pelos jornais, mas estava ali.
A
imagem de Laureen sangrando e respirando fracamente n�o lhe sa�a
do pensamento; e seu cora��o se apertava numa ang�stia
at� ent�o desconhecida para ela. Entendia perfeitamente os olhares
de estranhamento dos amigos de Laureen.
�Como
Peter e todas as outras pessoas, os Brant tamb�m devem achar que odeio
Laureen. Na verdade eu n�o deveria mesmo estar aqui. Por que me importar?
Ela nunca poupou suas farpas contra mim... sempre arranjou um jeito de me culpar
por aquele acidente.� � ela concluiu.
Na
verdade, Samantha tentava ser racional e fazer o que todos esperavam dela; mas
algo em seu cora��o n�o a deixava sair dali. Parecia presa
ao ch�o do hospital; im�vel e ansiosa. Queria ver Laureen; ter
certeza de que estava bem. Sua cabe�a ainda repetia exaustivamente as
cenas do acidente, como se quisesse parar a fita no ponto antes do carro rodar
e evitar toda aquela dor a Laureen.
Sentada
numa cadeira da sala de espera, a jovem velejadora recusava-se a acreditar que
estava se importando com a mulher tida como sua maior inimiga; mesmo que nunca
a tivesse considerado dessa forma. Nunca chegaram a ter alguma amizade antes
do acidente em Sidney, mas Samantha se lembrava de ter conversado amigavelmente
com Laureen algumas vezes, e de t�-la achado linda.
Numa
abstra��o mais do que fora do comum para ela, pegou-se pensando
com carinho em Laureen; desejando conservar com ela de forma amig�vel.
A
voz de Tom Brant tirou-a de seu devaneio e ela nem teve tempo de se irritar
com o que tinha pensado, pois ele trazia not�cias da cirurgia. Durante
o tempo que ficaram ali, tinha conversado como casal apenas sobre o acidente,
pois n�o tinha amizade com eles e ainda sentia os olhares de interroga��o
de ambos.
� Samantha,
voc� deve estar esperando por not�cias de Laureen... � Tom falou.
� Sim,
estou. � ela respondeu, ficando vermelha como se tivesse fazendo algo errado.
� Bem...
ela est� bem agora. O ortopedista que a operou disse que ela n�o
demora a acordar e poderemos v�-la rapidamente.
Samantha
olhou para ele e Susan. Ia dizer que iria para casa e ligaria depois, mas, mais
uma vez n�o conseguiu. Algo ligava-a a Laureen. Tinha que v�-la;
nem que ela a expulsasse do quarto!
Susan
percebeu a indecis�o dela e se adiantou:
� Creio
que poder� esperar mais um pouco, n�o, Samantha? Afinal, voc�
salvou a vida de Laureen!
� �,
talvez eu possa ficar... � ela balbuciou.
Ela
n�o sabia o que pensar. N�o se reconhecia; sempre fora uma mulher
decidida, en�rgica. E n�o era de se importar com ningu�m;
mas com Laureen... precisava senti-la viva de novo... n�o poderia perd�-la...
Esse
pensamento enfureceu-a:
�Voc�
deve estar enlouquecendo, Sam Durban! Desde quando ela foi sua para n�o
poder perd�-la? O que est� acontecendo com voc�?�
Querendo
encontrar algo que a ocupasse e afastar aquelas id�ias, ela deixou os
Brant na sala de espera e foi at� a lanchonete do hospital. Ficou l�
por um tempo, tentando entender o que se passava em seu cora��o.
Lembrou-se de ter visto Laureen v�rias vezes durante a noite; primeiro
conversando com Susan, depois dan�ando e bebendo na pista de dan�a.
�Ela
deve estar com algum problema, pois nunca soube que ela bebesse assim.� � concluiu.
A
gar�onete trouxe os caf�s que havia pedido e ela afastou aqueles
pensamentos o quanto p�de.
Chegando
� sala de espera, ofereceu os caf�s que trouxera ao casal. Susan
olhou-a agradecida:
� Obrigada,
Samantha. Est�vamos mesmo precisando!
� �
que est� mesmo na hora do caf�. � ela respondeu, olhando a claridade
da manh� que h� muito j� entrava pela janela.
Aquela
atitude de Samantha, como todas as outras at� ent�o, s�
fez surpreender mais ainda a Tom e Susan. Eles nunca imaginaram que ela ficaria
ali at� poder ver Laureen. Quando a viram sentar-se na sala de espera
depois que a cirurgia come�ara, eles entreolharam-se boquiabertos, pois
achavam que ela iria embora assim que a emerg�ncia atendesse Laureen.
Susan
olhou para seu marido; que lhe devolveu o mesmo olhar surpreso por detr�s
do copo de caf� fumegante. Ela n�o sabia porque Sam Durban se arriscaria a entrar no
quarto de Laureen quando ela acordasse, mas sinceramente estava achando que
aquela atitude teria um bom resultado para Laureen, porque talvez ela precisasse
de um �baque� como aquele para entender que aquela sua obsess�o estava
indo longe demais.
����???
Quase
meia hora depois, o m�dico que fez a cirurgia em Laureen veio at�
eles, informando que ela estava acordando e que poderiam v�-la.
� Voc�s
n�o poder�o ficar muito tempo, pois ela ainda est� sonolenta
e deve dormir um pouco mais. � ele informou.
� Podemos
entrar todos juntos, doutor? � Samantha perguntou, ainda receosa se devia fazer
aquilo ou n�o.
� Ah,
sim, podem. Desde que n�o demorem. � ele repetiu.
Os
tr�s seguiram pelo corredor do hospital at� chegarem ao quarto
indicado pelo m�dico. Tom e Susan entraram, e Samantha ficou um pouco
mais atr�s.
Uma
enfermeira acrescentou um medicamento no soro que corria para o bra�o
direito de Laureen, e saiu em seguida.
Laureen
sorriu sonolenta ao ver o casal de amigos.
� Ol�!
� Susan disse, chegando perto da cama. � Voc� nos deu um susto enorme!
� Tom...
Susan... desculpem... como aconteceu tudo isso? � Laureen balbuciou, ainda um
pouco sob efeito da anestesia.
� Voc�
bebeu a noite toda, Laurie. Seu carro rodou na estrada de Tamaki Drive. Se n�o
fosse Samantha estar logo atr�s de voc�...
� Samantha?
Ela me socorreu?
� Sim!
Chegamos logo depois, porque sa�mos quase ao mesmo tempo da festa, mas
ela j� havia socorrido voc�. S� ajudamos a traz�-la
at� aqui!
� E
onde est� ela, Susan? Eu gostaria de v�-la...
� Estou
aqui, Laureen.
Samantha
estava logo atr�s de Tom e chegou perto da cama alta. Quando viu de perto
aqueles olhos azuis, sentiu um turbilh�o de sentimentos formar-se dentro
de si. Seu cora��o disparou de uma maneira inexplic�vel,
sentindo al�vio e encantamento, ansiedade e alegria.
Sob
o olhar at�nito das tr�s pessoas ali presentes, Laureen tomou a
m�o de Samantha com a sua:
� Oi,
Samantha. � um prazer conhecer a mulher que salvou minha vida!
Susan,
Tom e Samantha ficaram parados por um momento. Apenas entreolharam-se espantados,
sem conseguir assimilar completamente o que tinham acabado de ouvir.
Laureen
olhava os tr�s, tamb�m sem entender o que acontecia.
� O
que foi? � ela perguntou. � Parece que viram um fantasma!
� N�o,
n�o � isso, Laureen... � Susan engasgou, sem saber o que falar.
� O
que �, ent�o? O que o m�dico disse? Voc�s est�o
me escondendo alguma coisa...
� Querida,
n�o � nada disso. Voc� est� bem. Foi apenas o bra�o
quebrado e o corte na cabe�a, fora alguns arranh�es e hematomas.
� Ent�o
o que foi? Est�o todos com um ar de espanto...
� �
que... voc� conhece Samantha... � Tom tentava achar um jeito de falar.
� Sim.
Acabei de conhec�-la e estou muito grata a ela por...
� Laureen,
voc� a conhece h� v�rios anos! � ele completou, temeroso
do que aquilo poderia significar.
� Como?!
� agora a surpresa era dela.
� Sim,
Laureen. Nos conhecemos h� pelo menos cinco anos. � Samantha confirmou.
� Mas
como? Eu... n�o entendo...
� Acho
melhor falarmos com o m�dico, Samantha. A pancada na cabe�a foi
forte. Pode ter sido isso. � Susan lembrou.
� Mas
Susan, ela nos reconheceu... s� n�o lembra de Samantha! Ou voc�
n�o se lembra de mais alguma coisa? � Tom perguntou a ela.
� Bem
eu... Lembro-me de ter discutido com Joan... de ter ido contrariada �
festa e encontrado voc�s. Lembro-me de ter dan�ado sozinha por
um bom tempo e... s�. Depois disso, n�o sei...
� Voc�
lembra que � velejadora? � Susan perguntou.
� Sim.
Sou velejadora.
� E
que Samantha tamb�m �? � foi a vez de Tom perguntar.
� Ela
tamb�m?
Os
tr�s entreolharam-se de novo.
� Vamos
falar com o m�dico. � Susan concluiu.
����???
Susan
ficou no quarto com Laureen enquanto Tom e Samantha procuraram pelo m�dico.
Eles perguntaram � enfermeira onde o encontraria e ela os levou at�
uma sala no segundo andar do hospital. Depois de um tempo esperando, eles viram
o m�dico chegar.
� Doutor,
achamos que Laureen perdeu parcialmente a mem�ria. � Tom falou.
� Voc�s
notaram alguma diferen�a nela? � o m�dico perguntou.
� Sim,
ela reconhece a mim e � minha esposa, mas n�o sabe quem �
Samantha. � Tom explicou.
� Bem,
ela bebeu antes do acidente e bateu forte com a cabe�a. Isso pode causar
uma perda tempor�ria de alguns aspectos da mem�ria. � o m�dico
analisou. � Acho melhor chamar um neurologista para examin�-la. Geralmente
isso acontece em rela��o a fatos ou pessoas que t�m alguma
import�ncia muito grande na vida do paciente. Algo muito ruim, ou mesmo
muito bom pode desaparecer da mem�ria temporariamente. N�o a forcem
a se lembrar. Isso pode ser prejudicial. Esperem pela avalia��o
do neurologista.
O
m�dico foi com eles at� o setor de neurologia do hospital e lhes
apresentou um neurologista. Quando lhe contaram o caso, ele quis ver Laureen.
����???
De
novo na sala de espera, os tr�s conversavam com o Dr. David Atkins. A
visita j� tinha terminado e Laureen tinha voltado a dormir sob o efeito
dos sedativos.
Susan
torcia as m�os em nervosismo:
� Doutor,
ela pode n�o se lembrar dessa parte da vida nunca mais?
� Eu
acho pouco prov�vel. � o m�dico respondeu. � Essas perdas parciais
de mem�ria por leves traumas de cr�nio geralmente s�o tempor�rias.
Pode voltar ao normal amanh�, bem como pode demorar meses para que isso
aconte�a. Voc�s ter�o de ter paci�ncia e esperar.
Como ela n�o se lembra especificamente de voc�, Srta. Durban, creio
que deveria conviver com ela de forma natural durante a recupera��o.
Evitem jornais, fotografias... essas coisas. Deixem que ela descubra tudo �de
novo� por si mesma.
� Mas,
doutor... n�s... Laureen e eu n�o somos amigas... � Samantha gaguejou,
sem gra�a por ter de dizer isso a ele.
� Eu
sei, Srta. Durban. Costumo ler as not�cias de iatismo.
A
declara��o do m�dico deixou-a ainda mais sem jeito.
� Mas
se n�o conviver com ela, o processo pode demorar mais do que deveria.
E se ela souber de tudo por outras fontes, pode haver algum trauma psicol�gico.
� ele sentenciou. � Tentem imaginar que algo nunca existiu na sua vida e depois
�aparece� de repente. Isso � a perda de mem�ria. O que a pessoa
n�o lembra, simplesmente n�o existe para ela. Se passar a existir
de repente, pode causar danos. N�o deixem que e imprensa saiba disso,
sen�o tudo se complicar� na recupera��o de Laureen.
� Mas,
doutor, e se ela se lembrar �de repente� que n�o somos amigas? Isso n�o
pode ser traum�tico tamb�m, ainda mais se eu estiver por perto?
� Sam perguntou.
� Bem,
penso que se ela souber por amigos ou jornais que foi voc� quem a salvou,
se sentir agradecida e s� depois se lembrar que n�o s�o
amigas, isso poder� ser pior. N�o conte tudo, mas tamb�m
n�o minta para ela. Se ela perguntar de eram amigas, diga que n�o,
mas sem detalhar. E vamos deixar o tempo agir.
Samantha
estremeceu enquanto o m�dico se afastava. Sua cabe�a e seu cora��o
eram um emaranhado de sentimentos opostos. Sentia uma alegria enorme por saber
que conviveria com Laureen. Por saber que �teria� de conviver com ela. Mas n�o
sabia porque se sentia daquela forma e tentava lutar contra aquelas sensa��es.
Envolvera-se naquilo sem querer e sentia que n�o poderia sair; �n�o
queria� sair.
Ela
olhou para o casal � sua frente e viu nos olhos de ambos um pedido silencioso.
Ainda sem saber porque e seguindo o que seu cora��o lhe dizia,
ela respondeu:
� Eu
estarei com ela. N�o me perguntem porque, mas estarei. Ajudarei no que
for preciso.
Tom
e Susan entreolharam-se aliviados.
����???
Como
os Brant e Samantha foram as �nicas testemunhas do acidente, e Tom providenciou
o reboque do carro de Laureen com um amigo dono de um guincho, a imprensa n�o
ficou sabendo do ocorrido. Tudo no hospital foi feito de maneira a que permanecesse
assim.
Laureen
ficou internada por alguns dias e a �nica pessoa al�m deles a
saber do acontecido foi Joan. Susan ligou para ela e avisou do acidente ainda
naquela manh�. A hist�ria dela e de Laureen ainda estava muito
recente; e Joan ainda estava visivelmente magoada com a separa��o.
Mesmo assim n�o deixou de se preocupar com Laureen e muito menos deixou
de visit�-la.
No
dia seguinte ao acidente, ela apareceu para ver Laureen, que j� estava
ficando mais tempo acordada. Mas sua surpresa foi estar conversando com Laureen
e ver Samantha Durban entrar no quarto. Ela s� conseguiu olhar interrogativamente
para Susan, que tamb�m estava ali.
� Foi
Samantha quem salvou Laureen. Ela viu o acidente e a socorreu ainda nos primeiros
minutos. � Susan respondeu � pergunta silenciosa de Joan.
Joan
olhou para Samantha e cumprimentou-a, ainda espantada. Viu Laureen sorrir para
ela amigavelmente e entendeu menos ainda a situa��o.
Susan
esperou alguns minutos e quando p�de, puxou-a para um lado do quarto,
explicando a situa��o:
� N�o
fique espantada, Joan. Laureen n�o se lembra de nada que se refira a
ela. � ela explicou em voz baixa, enquanto observava as duas velejadoras conversando.
� Ent�o
a perda de mem�ria que voc� mencionou era essa? � Joan ainda n�o
conseguia assimilar a situa��o.
� Sim.
Laureen simplesmente ignora que conhece Sam Durban.
� Essa
� muito boa! Logo de quem ela foi se esquecer!
� Pois
�! Eu e Tom tamb�m ficamos pasmos. E o m�dico pediu que
Samantha conviva com ela naturalmente at� que a mem�ria volte.
� E
por que ela faria isso? Laureen a odeia! Vive dizendo o que pensa a respeito
dela; e n�o s�o coisas nada boas. � Joan retrucou.
� N�s
sabemos. E � claro que Sam tamb�m sabe. Para lhe ser franca Joan,
estou incr�dula at� agora! Por algum motivo que acho que nem ela
pr�pria saiba, Sam Durban n�o arredou o p� daqui desde
o acidente! Nem parece aquele �Furac�o Louro� que todos vemos nos jornais.
Eu e Tom pensamos que ela deixaria Laureen na emerg�ncia do hospital e
n�o a ver�amos at� a pr�xima regata, mas... ela
ficou! E disse que vai ajudar!
� Estranho...
� Joan respondeu pensativa. � Ela est� arriscando a pele ao ficar aqui.
Se Laureen recobrar a mem�ria a qualquer hora, vai mat�-la apenas
com o olhar...
� �...
nem quero estar perto para ver! � Susan respondeu.
� Acho
que vou embora, Susan. J� fiquei o suficiente.
� Espere
mais um pouco, Joan. E voc�s? N�o tem mais jeito? � Susan perguntou,
vendo o olhar triste e com uma ponta de ci�mes de Joan.
� N�o,
n�o tem. � ela respondeu, visivelmente segurando um n� na garganta.
� Laureen n�o me ama mais e n�o se pode amar sozinho, n�o
� mesmo?
� �...
voc� tem raz�o... � Susan olhou-a com pesar. Joan despediu-se de
todos no quarto, deixando seu olhar demorar-se um pouco mais sobre Laureen.
O amor dela pela velejadora ainda era evidente; n�o conseguia disfar�ar.
Mas ela sabia que o brilho daqueles belos olhos azuis n�o era mais dela.
O melhor era visitar Laureen como amiga e tentar sofrer o menos poss�vel
com aquela constata��o.
Do
outro lado da cama, um outro par de olhos tamb�m se demorava sobre Laureen.
Eles ainda n�o sabiam direito o que faziam ali, naquela situa��o
inusitada. Apenas obedeciam a um cora��o que lhes dava a ordem
de ficar. Esse cora��o tamb�m se questionava do porqu�
daquilo tudo, mas de t�o preso que estava �quele encantamento,
os protestos de sua d�bil raz�o ficavam cada vez mais longe; cada
vez mais inaud�veis.
Samantha
conversava com Laureen e sequer lembrava-se de que o mundo as considerava inimigas.
E menos ainda de que �Laureen� a considerava sua inimiga.
� Sabe,
Samantha, � estranho pensar que n�o me lembro de voc�, mas
a sensa��o de conhec�-la est� presente. � Laureen
comentou, tirando Sam de seus pensamentos. � S� n�o consigo �resgatar�
as imagens... Talvez... se voc� me falasse sobre nossa amizade, sobre
nossa conviv�ncia... isso poderia ajudar, eu acho.
� Bem,
Laureen... o m�dico disse para deixarmos que sua mem�ria volte
normalmente, sem for�ar... e tem uma coisa tamb�m: n�o
somos amigas... � Samantha respondeu � pergunta, completamente sem gra�a.
� Oh!
Eu pensava que f�ssemos. � foi a vez de Laureen ficar sem gra�a.
Para
al�vio das duas, Susan interrompeu a conversa com uma pergunta qualquer
e come�aram outro assunto.
Mas
o pensamento de Laureen se fixou naquele fato. Sentia a jovem loura t�o
pr�xima de si que n�o conseguia imaginar que n�o eram amigas.
Era horr�vel n�o ter uma parte da pr�pria vida para lembrar.
Ela
sentia dores no bra�o operado e os sedativos a deixavam sonolenta, mas
queria conversar mais com Samantha. Dentro dela havia quase que uma necessidade
disso. Aquela mo�a loura, que todos diziam que ela conhecia, era fascinante.
N�o apenas pelo fato de n�o se lembrar dela, mas pelo brilho intenso
no olhar.
Por
diversas vezes sentira vontade de toc�-la; e n�o resistira �
tenta��o de fechar os olhos e sentir-lhe o perfume sofisticado
e de bom gosto. Apesar do seu estado, ela sabia que estava se sentindo atra�da
por Samantha. Era ineg�vel.
Nos
dias que se seguiram, Laureen esperou com ansiedade por cada visita de Samantha.
Sentia uma leveza inexplic�vel quando ela entrava no quarto, sempre trazendo
algumas flores que colocava num vaso ao lado da cama. Aos olhos de Laureen,
desfilava uma criatura doce e ao mesmo tempo intensa. Ela era forte, sem d�vida.
E a for�a dela atra�a Laureen de uma forma diferente e imposs�vel
de ser ignorada.
A
pedido de Laureen, ela falava das competi��es de iatismo, de como
estavam os preparativos para �ltima regata do outono, de como estava
o mar naqueles dias.
E
falava com aquele ardor t�pico dos apaixonados pelo que fazem. Os l�bios
dela se abriam facilmente em sorrisos espont�neos, fazendo pequenas e
encantadoras ruguinhas no nariz. Estavam estabelecendo uma afinidade in�dita,
conversando sobre tudo, enquanto as visitas de Samantha ficavam cada vez mais
longas.
Laureen
se encantava cada vez mais. Para ela, a jovem loura existia h� apenas
alguns dias, mas em seu �ntimo sentia uma liga��o completa
com ela; uma liga��o que j� durava muito, muito tempo.
Alguns
dias se passaram e logo Laureen teve alta. E durante esses dias o envolvimento
entre elas ficou maior a cada minuto que passaram juntas.
No
dia da alta Samantha estava em casa, apreensiva. N�o sabia se poderia
visit�-la na mans�o dos Clark e j� sentia falta dela. Seu
cora��o estava do avesso por causa da mulher que sempre a odiara.
N�o sabia mais como agir; estava apaixonada! Queria Laureen; queria-a
com tanta for�a que seu sentimento parecia n�o se limitar ao seu
pr�prio corpo. Sentia vontade de beij�-la toda vez que ela lhe
sorria e aqueles olhos azuis se estreitavam, tomando involuntariamente um ar
felino.
�Sam,
isso � loucura! Quando ela se lembrar de tudo... � ela tentava ponderar
para si mesma�.
Ela
decidiu ent�o, sair para velejar em treinamento novamente, como vinha
fazendo quase todas as manh�s e tentar pensar racionalmente naquilo tudo.
Com
a destreza de sempre, ela tirou seu veleiro da marina de Westhaven e conduziu-o
rumo ao golfo de Hauraki.
Apesar
dos ventos gelados que vinham do sul, anunciando o inverno, o mar estava calmo,
e ela acabou velejando at� o final da tarde; sozinha.
Mais
tarde, ao chegar de volta � marina, viu Susan Brant esperando-a.
� Ol�,
Susan! Est� tudo bem com Laureen? � ela gritou de longe, pensando que
Laureen tivesse tido alguma complica��o.
� N�o
se preocupe! Ela est� bem. � Susan gritou, parada no p�er.
� Espere
que vou ancorar! � Samantha pediu.
Ela
levou o veleiro com habilidade at� o p�er e saltou para fora dele,
levando consigo o cabo que o prenderia com seguran�a.
Ainda
ofegando pelo esfor�o, ela foi at� Susan.
� Laureen
pediu-me que viesse saber do seu sumi�o. � Susan falou.
� Sumi�o?
Eu n�o sumi! � ela respondeu, espantada.
� �
que j� � quase noite e voc� n�o apareceu hoje. Ela
teve alta.
� Eu
sei, Susan... mas... fiquei sem saber se deveria ir � casa dela...
� Por
qu�? � Susan perguntou meio surpresa, mas j� sabendo a resposta.
� Porque
eu... eu nunca fui � casa dela, Susan! Nem sei onde fica. E Laureen nem
sabe disso! N�o sei mais como agir! Tenho medo de que ela se lembre de
tudo e...
� ...
e substitua o amor que est� nascendo entre voc�s pelo antigo �dio
que sentia?
A
pergunta foi como um baque para Samantha. Ela sentiu seu rosto queimar e as
palavras sumiram-lhe da boca. N�o sabia o que responder �quela
constata��o mais do que evidente da amiga de Laureen.
� Susan,
eu...
� Eu
sei, Sam. Voc� nem sabe como tudo isso foi acontecer. E acredite: eu e
Tom tamb�m estamos muito surpresos. Mas est� mais do que claro
que voc�s se apaixonaram!
� Mas
Susan, ela me odeia! Acha que matei seu irm�o! Nunca vai me amar; se
ela tamb�m est� apaixonada como eu, � pela Samantha que
conheceu h� alguns dias e n�o pela verdadeira Samantha da qual
ela, a qualquer momento vai se lembrar!
� E
o que voc� pretende fazer? Deixar que esse �dio idiota separe voc�s
duas? Eu j� havia conversado com Laureen sobre isso antes dela se embebedar
naquela festa, Sam. A morte de Mark estava virando uma obsess�o para
ela. Voc� foi inocentada e eu acredito nisso, mas ela precisa culpar algu�m
pela perda que n�o aceita e esse algu�m s� poderia ser
voc�. Desde que voc�s come�aram a conviver, vi uma nova Laureen
nascendo. Ou melhor, renascendo, porque at� Mark morrer ela nunca havia
ficado assim, deprimida e cada vez mais solit�ria; escondendo-se atr�s
de porres como esse que quase a matou!
� Ela
come�ou a beber h� muito tempo? � Sam quis saber.
� Pelo
que conseguimos perceber, h� alguns meses a freq��ncia aumentou,
mas a depress�o e infelicidade j� tomam conta dela faz muito tempo.
Laureen nunca foi de beber. Sabemos que estava fazendo isso para tentar esquecer
o que mais lhe deixa angustiada.
Samantha
ficou em sil�ncio, sentindo um aperto no peito, como se tivesse perdendo
algo que nem havia sido seu ainda.
� Sam,
por favor... se voc� a ama de verdade, n�o desista dela! Fa�a-a
feliz! � o que ela precisa! � Susan pediu, suplicante.
Samantha
ficou parada, olhando Susan. Aquilo tudo era mais do que irreal, era absurdo!
� N�o,
Susan. � ela
falou, com os olhos cheios de tristeza. � N�o vou me iludir. Farei a
minha parte; ajudarei na recupera��o dela. Mas assim que ela recobrar
a mem�ria, vou cair fora porque n�o quero sentir o �dio
faiscando naqueles olhos.
����???
Samantha
bateu a porta do carro e olhou a fachada da imensa casa.
�O
que vim fazer aqui, meu Deus?.� � ela suspirou antes de tocar a campainha e
ver, surpresa, que a pr�pria Laureen viera receb�-la.
� Voc�
n�o deveria estar descansando? � Sam perguntou.
� Eu
j� estou bem. � Laureen respondeu, olhando-a nos olhos.
Samantha
tentou desviar os olhos, sem muito sucesso.
Laureen
estendeu-lhe a m�o e puxou-a gentilmente para a grande escada que come�ava
logo ap�s o hall de entrada. Sam podia sentir os olhos dela cheios de
desejo percorrendo seu corpo.
� Eu
pedi ao meu mordomo que arrumasse a mesa para o ch� no meu quarto. Voc�
me acompanha? � Laureen convidou.
A
pergunta tirou Samantha de seus pensamentos.
� Ohh...
sim... claro, Laureen! � ela respondeu surpresa e sem entender muito bem como
aquilo estava acontecendo.
� Ent�o
venha comigo!
O
quarto era enorme e parecia estar � meia-luz. Samantha mal viu a mesa
posta na saleta anexa. N�o teve tempo. Laureen puxou-a contra si, prendendo-a
entre ela e a parede. A respira��o dela era profunda e o bra�o
s�o que a segurava era forte e delicado ao mesmo tempo. Sam sentiu uma
onda quente envolv�-la. N�o conseguia pensar direito; s�
sentia o corpo tremer de leve �quele contato. A boca de Laureen estava
quase colada � sua e ela sentia a necessidade urgente de deixar-se beijar
por ela.
� Eu
a quero, Sam... � Laureen falou baixinho, quase como uma s�plica.
� Laureen,
querida...
Numa
entrega absoluta, elas se beijaram. Ela percebia cada parte daqueles l�bios
macios e quentes. Sentia a l�ngua insinuando-se devagar, tomando a sua
e sugando-a com deleite. Enterrando suas m�os nos cabelos negros, percebia
a maciez de cada fio; o pesco�o delicado.
Ela
agarrou-se a Laureen, trazendo-a para si o mais que podia. Queira que aquele
corpo se fundisse ao seu; apenas tomou cuidado para n�o lhe machucar
o bra�o operado. O quadril de Laureen veio de encontrou ao seu, apertando-se
contra ela e abrindo o caminho convidativo entre suas pernas.
� Ohh,
Laureen... eu quis isso todos esses dias... � Sam conseguiu dizer.
� Eu
sei querida... eu tamb�m queria muito... � os olhos de Laureen cintilavam
de desejo.
Suas
respira��es se misturavam, alteradas, profundas. O perfume de
Laureen instigava ainda mais o desejo de Samantha. Sentiu as pernas fraquejarem
quando ela desceu a boca por seu pesco�o, deixando para tr�s um
rastro de pele arrepiada.
Quando
chegou ao v�o de sua blusa, Laureen parou um pouco. Levantando o rosto,
ela olhou para Sam e ela soube que tinha acabado de se entregar completamente
�queles olhos enlouquecedores.
Samantha
sentiu-se puxada devagar atrav�s do quarto, rodopiando numa dan�a
lenta em que Laureen parecia envolv�-la com o pr�prio corpo. Ela
levou-a at� a cama e antes de se deitarem, foi desabotoando devagar a
blusa de Sam, apenas com a m�o livre. Ajoelhada sobre a cama, Sam deixou-se
despir, sentindo os l�bios de Laureen percorrerem cada parte de seu corpo
que ela ia deixando nua.
A
jovem loura s� percebeu os l�bios atrevidos que lhe invadiram
o sexo molhado e latejante. N�o teve tempo de pensar. A boca de Laureen
j� sugava seu interior com paix�o. A l�ngua dura for�ava-se
dentro dela e Samantha empurrava seus quadris na dire��o daquela
fonte de prazer. Numa entrega completa, ela deu-se a Laureen. Numa dan�a
fren�tica em buscar do prazer, ela abriu suas pernas �quela boca,
enroscando as m�os nos cabelos escuros, querendo que Laureen arrancasse
dela todo gozo que pudesse.
Numa
onda de tremor, ela percebeu Laureen sugando seu centro inchado, agora mais
devagar, pausadamente, como quem saboreava sua ess�ncia sem pressa. Sam
percebeu o movimento ritmado dos l�bios, a dor aguda e ao mesmo tempo
deliciosa que a fez contrair-se em �xtase surgindo em seu centro; cada
toque que a l�ngua de Laureen fazia nos l�bios intumescidos e
molhados. Ela n�o se conteve mais e a explos�o iminente invadiu-lhe
o sexo ansioso por aquele prazer, fazendo-a gritar em gozo.
� Oh,
Laureen!!
����???
Num
sobressalto repentino, Samantha levantou-se da cama, sentindo cora��o
disparado e o suor que lhe cobria o rosto.
Sem rumo sobre a pr�pria cama, ela percebeu devagar o que
tinha acontecido. Lembrou-se que depois de prometer a Susan que visitaria Laureen
no come�o da noite, fora para casa e deitara-se pensativa em seu quarto.
Estava cansada e acabara cochilando um pouco, sonhando que fazia amor com Laureen!
� Meu
Deus! Eu sonhei tudo aquilo!
Ao
levantar, ela deu-se conta do quanto o sonho havia sido �real�. O interior de
suas pernas ainda palpitava. Num gesto desolado, passou os dedos tr�mulos
pelo cabelo levemente molhado de suor que lhe ca�a at� a nuca.
Levantou-se da cama e foi at� o banheiro. Diante do espelho, ela olhou-se
espantada:
� Sam
Durban... voc� definitivamente enlouqueceu!
����???
Ap�s
tocar duas vezes, o telefone na mans�o Clark foi atendido por uma voz
masculina e educada. O velho Jonathan, mordomo da fam�lia h� mais
de tr�s d�cadas n�o se surpreendeu ao ouvir do outro lado
da linha que quem queria falar com a senhorita Laureen, era ningu�m menos
que Samantha Durban. 0 casal Brant j� havia conversado com ele e explicado
a situa��o. Eles eram amigos de sua querida Laureen h�
muito tempo e ele jamais se recusaria a ajudar na recupera��o
dela.
Na
verdade ele ainda n�o tinha entendido exatamente o significado daquilo
tudo, mas como sempre fora discreto em tudo que se relacionava � sua
patroa, n�o contestaria.
Ele
transferiu a linha para o quarto de Laureen:
� Senhorita
Clark, � Samantha Durban. Ela deseja lhe falar.
� Jonathan,
faz anos que lhe pe�o para n�o me chamar de senhorita. � Laureen
protestou brincando.
� Sinto
muito, senh... �... Laureen.
� Tudo
bem, querido. � ela riu do embara�o do velho mordomo. � Pode passar a
liga��o.
� Al�,
Samantha?
� Oi,
Laureen! Desculpe ligar a esta hora... eu... � Sam gaguejou ao telefone, n�o
conseguindo tirar o sonho de sua cabe�a.
� Oh,
n�o se preocupe! Eu achei que voc� viria me ver hoje.
� �...
� que eu fiquei no mar at� quase o anoitecer e n�o pude
ir v�-la. Acabou ficando tarde.
� Se
foi por esse motivo eu a perd�o! � Laureen respondeu. � Eu bem que gostaria
de velejar um pouco. Esses dias todos longe do mar est�o sendo p�ssimos!
� Acho
que voc� iria gostar mesmo. Est� perfeito para velejar; apesar
das correntes frias que j� est�o chegando. Hoje contornei a Rangitoto
Island.
Elas
conversaram por quase uma hora. Samantha sentia-se cada vez mais envolvida por
aquela voz grave e sedutora que soava ao telefone como se quisesse lev�-la
ao c�u.
Naquela
noite ela achou melhor n�o ir at� a casa de Laureen. N�o
depois daquele sonho! Tinha certeza de que n�o conseguiria esconder dela
o quanto estava se apaixonando. Bastaria que Laureen a olhasse para perceber.
Conversaram pelo telefone e isso foi o suficiente para aquele dia.
N�o
houve outra maneira e no dia seguinte, Sam teve de ir at� a mans�o
dos Clark, sen�o Laureen desconfiaria.
Laureen
a recebeu no living. Seu interesse por Samantha aumentava a cada vez que a via
e a �nsia por lembrar-se das coisas que se relacionavam a ela deixavam-na
aflita.
A
atra��o entre elas era evidente. Os olhares n�o conseguiam
mentir ou disfar�ar, fazendo-as perder o rumo da conserva por v�rias
vezes. Eram adultas e experientes, mas diante daquele sentimento diferente de
tudo que j� haviam conhecido, as duas mulheres pareciam adolescentes.
O
m�dico havia dito que Laureen poderia fazer qualquer atividade, desde
que isso n�o inclu�sse esfor�os de qualquer natureza e
Sam convidou-a para um passeio em seu veleiro, mesmo estando receosa de que
ela se lembrasse de tudo em pleno mar e que a situa��o a deixasse
literalmente encurralada.
Combinaram
o passeio para a tarde do dia seguinte. Ela sabia que a marina estaria praticamente
vazia e a possibilidade de algum outro velejador v�-las juntas seria remota.
Qualquer olhar ou coment�rio poderia fazer com que Laureen percebesse
que havia alguma diferen�a entre elas. E isso a iatista n�o queria
que acontecesse. Pelo menos n�o antes da hora.
����???
Ajudando
Laureen a descer do carro no estacionamento da marina, Samantha pensou no que
seus amigos diriam se a vissem naquela cena. Provavelmente achariam que ela
enlouquecera. N�o que ela tivesse alimentado entre eles a inimizade que
a outra velejadora nunca escondeu sentir por ela, mas tudo o que a imprensa
divulgava sempre deixava uma marca; mesmo nas pessoas que mais a conheciam.
J�
se alguma ex-namorada a visse, talvez tivesse chegado o momento de se arrepender
de ter vivido tantos affairs descompromissados. Ao contr�rio dela, Laureen
era discret�ssima em seus poucos relacionamentos e Samantha pegou-se
querendo n�o decepciona-la nisso.
Ela
nem bem tinha fechado a porta do carro atr�s de Laureen e viu o cenho
da velejadora franzir e olhou em dire��o ao que havia provocado
aquela rea��o: caminhando com seu ar petulante e vindo em dire��o
�s duas estava Kerry McLoan, uma tenista conhecida, e com quem Samantha
estivera envolvida at� poucos dias antes da festa dos iatistas.
E
ela mal teve tempo de admitir o arrependimento no qual pensara h� poucos
segundos antes de Kerry soltar sua primeira flecha de veneno:
� Ora,
ora... se n�o � minha querida Sam Durban! E com Laureen Clark?
Meu Deus! Milagres acontecem mesmo! E eu que n�o acreditava...
� Ol�,
Kerry. � Sam cortou, seca e s�ria, vendo que Laureen franzia ainda mais
as sobrancelhas diante do coment�rio.
� Minha
querida, n�o fique brava comigo! Eu vim at� aqui para... conversarmos
um pouco. � a outra continuou com a provoca��o. � Laureen deve
saber o quanto voc� � predadora. Afinal, ela deve ler os jornais!
E o que houve com voc�, Laureen? � ela mudou inocentemente de assunto
ao ver que j� havia feito o estrago desejado.
� Um
pequeno acidente dom�stico. � Laureen respondeu, estreitando perigosamente
os olhos azuis em dire��o a ela.
� Oh,
que pena! Eu sinto muito...
� Foi
�timo ver voc�, Kerry. At� mais. � Samantha interrompeu
a conversa, puxando gentilmente Laureen pelo bra�o em dire��o
ao p�er. Sabia que se n�o sa�sse dali o quanto antes, Kerry
ainda seria capaz de piorar as coisas.
Sem
gra�a com o fora inesperado, j� que sua vontade era alfinetar
ainda mais a mulher que havia lhe dispensado sem mais explica��es,
Kerry emudeceu e ficou vendo as duas se afastarem. Sentiu o ci�me por
Samantha espetar-lhe as entranhas. Ainda n�o tinha admitido ser chutada
e o orgulho ferido levou um n� de raiva incontida at� sua garganta.
� Essa...
essa ordin�ria vai pagar pelo que me fez! � explodiu ela entre dentes,
voltando para o seu carro. � Se ela pensa que vai me dispensar como faz com
as outras e sair ilesa, est� enganada!
����???
Apesar
da aproxima��o do inverno, o tempo estava calmo e o veleiro deslizou
tranq�ilo para mar aberto.
Sentir
de novo o ar marinho depois de quase tr�s semanas longe do mar fez com
que Laureen esquecesse por alguns momentos aquele embate no estacionamento da
marina.
��
�bvio que Samantha esteve envolvida com a tal Kerry. � pensou, sentindo
um certo inc�modo com a constata��o. � Mas o que ela quis
dizer com� milagres �?�
No
meio do veleiro, manobrando as velas com as escotas, Sam observava Laureen disfar�adamente.
Ela estava pensativa desde que entrara no barco e Sam sabia que o motivo era
a insinua��o que Kerry fizera. Sabia tamb�m que ela faria
perguntas; e que n�o tinha certeza do que responder.
Por
alguns instantes ela se permitiu admirar o quanto aquela mulher era linda. Os
cabelos negros e longos pareciam feitos para serem acariciados pela brisa do
mar. Mesmo quieta perto do leme e com o bra�o imobilizado no gesso, o
corpo alto e esguio acompanhava o movimento do barco sobre as ondas.
�Ela
� do mar, sem d�vida!� � Sam constatou enternecida.
Querendo
ser discreta e inexplicavelmente confiando em Samantha, Laureen resolveu esperar
at� que ela comentasse o acontecido no estacionamento. Mesmo sabendo
que aquilo tinha constrangido a jovem, ela tinha certeza de que haveria uma
explica��o por parte dela.
Na
verdade Laureen n�o conseguia tirar os olhos de Samantha. A proximidade
dela perturbava-a o tempo todo. O sorriso doce com o qual ela lhe presenteava
toda vez que seus olhares se cruzavam era a maior prova disso. E apesar do vento
constante, Laureen conseguia sentir o perfume dela toda vez que Sam ficava na
sua dire��o para manobrar as velas.
As
m�os fortes puxando adri�as atra�am os olhos de Laureen
tanto quanto o colo bel�ssimo que aparecia na abertura da jaqueta de
nylon que protegia a pele clara do vento e do sol.
Rumando
o veleiro para o norte, em dire��o a Bay of Islands, Samantha
travou o leme. Sabia que poderiam velejar assim livremente por algum tempo.
Abaixando-se para passar pela �ltima vela, ela chegou perto de Laureen,
que havia sentado na popa do barco.
� Quer
ir at� a proa? � convidou.
� Claro.
Desviando-se
das cordas com cuidado, j� que s� podia contar com um bra�o,
Laureen foi at� a proa. Em seu �ntimo, o cora��o
saltava: a m�o protetora de Sam em suas costas a aquecia e a congelava
ao mesmo tempo. Sabia que o coment�rio de Kerry n�o tinha sido
apenas maldoso e que havia alguma coisa por tr�s dele, mas aquele contato
fazia-a esquecer qualquer coisa que n�o fosse a sensa��o
de �xtase que provocava.
A
voz de Sam trouxe-a de volta:
� Eu
travei as velas para ficar livre um pouco.
� Voc�
� livre? � Laureen disparou sem aviso, surpresa com as pr�prias
palavras.
A
pergunta inesperada surpreendeu Samantha.
� O
que... quer dizer... � ela gaguejou.
� Desculpe
perguntar assim t�o diretamente, mas... me pareceu que voc� e Kerry
tiveram algum envolvimento e que... ela sabe algo sobre n�s...
Elas
estavam bem juntas, de p� na pequena proa do veleiro; o vento misturava
os cabelos louros com os negros numa proximidade envolvente.
Samantha
teve vontade de dizer tudo naquele momento, mas n�o conseguiu. Num �mpeto,
levou a m�o �s mechas escuras que esvoa�avam pela pele
macia a poucos cent�metros da sua. Seus olhos percebiam o azul intenso
na sua frente, que a devorava de desejo; os l�bios entreabertos, ainda
com a pergunta a bailar por eles.
� Laureen,
eu...
� Na
verdade eu n�o me importo com o que j� houve entre n�s.
� ela interrompeu.
� N�o
diga isso... voc� n�o sabe... n�o se lembra...
� S�
me importo com o que poder� acontecer, Sam! Seja o que for! Desde que
vi voc� ao meu lado no hospital, n�o consegui parar de pensar em
n�s!
� Laureen,
� muito s�rio! Quando se lembrar...
� Quando
eu me lembrar, tenho certeza de que saberei o que fazer com as lembran�as.
� Laureen a interrompeu de novo, levando a m�o at� o rosto de
Samantha num pedido mudo.
Ela
s� conseguiu sentir o toque em seu rosto e fechar os olhos. Sabia que
estava sendo irrespons�vel com seus sentimentos e com os de Laureen,
mas n�o conseguia ignorar o que sentia ao ser tocada por ela.
Levando
os l�bios at� a m�o que a acariciava, deixou que seu cora��o
falasse mais alto e dali seguiu para a boca � sua frente.
Toda
a maciez que se lembrava de ter sentido no sonho n�o chegava aos p�s
das sensa��es que aquele beijo provocaram nela. Sentia a l�ngua
doce e invasora ir de encontro � sua; o bra�o torneado puxando-a
de encontro �quele corpo tenso de desejo, encostando-se no seu e incendiando-o.
As
duas mulheres percebiam em seus corpos colados, juntos naquele pequeno espa�o,
o quanto se queriam. Envolvidas num abra�o que parecia uni-las a ponto
de sentirem que eram uma s�, elas ficaram ali na proa por um longo tempo,
deixando o vento cerc�-las enquanto o veleiro cortava as ondas.
O
fim da tarde ficou frio demais e Samantha levou Laureen at� a pequena
poltrona perto do leme. Ela sentou-se e aconchegou a mulher mais alta em seus
bra�os, sentindo o calor dela em seu peito. N�o sabia no que aquilo
tudo ia dar, mas tinha certeza que sua vida seria outra depois daquele passeio.
Sempre
se envolvia com outras mulheres de forma superficial, mantendo-as longe de seu
cora��o. Havia preferido focar sua vida nas competi��es
e criara uma imagem de competidora fria e calculista que se estendeu para sua
vida pessoal. Acostumara-se a envolvimentos r�pidos, baseados em sexo
e conquista, mas diante de Laureen sentia-se uma adolescente descobrindo o amor.
At�
aquele momento tinha sido dif�cil para Laureen se conter. Samantha significa
alguma coisa em sua vida que ela n�o sabia, mas tinha uma certeza plena
em seu cora��o de que esse significado, fosse o que fosse, n�o
seria maior do que o amor que estava sentindo. Estava apaixonada por ela. Era
estranho admitir isso, mas era assim que se sentia.
Estava inacreditavelmente tranq�ila,
encostada no peito dela. Tinha a sensa��o de estar saindo de uma
tempestade e chegando a um lugar onde os tormentos dos quais n�o se lembrava;
mas tinha uma vaga sensa��o do quanto eram pesados, n�o
a atingiriam mais.
����???
O
sol fraco espalhava seus �ltimos raios alaranjados quando chegaram de
volta ao p�er. O frio noturno se anunciava atrav�s do tecido fino
das jaquetas que usavam e Samantha quis levar Laureen para casa o quanto antes.
Ao
descerem do barco ela percebeu um brilho discreto no alto de um pequeno pr�dio
ao lado da marina, mas era longe e ela n�o deu import�ncia. Olhando
para Laureen sentada ao seu lado no carro, percebeu que ela estava cansada.
Apesar do passeio ter sido tranq�ilo, ela ainda n�o podia se esfor�ar
tanto.
Com
carinho, tocou os cabelos desalinhados pelo vento:
� Vou
levar voc� para casa, querida.
Laureen
olhou para ela e naqueles olhos azuis, Samantha viu que n�o estava sozinha
no que sentia. Pela primeira vez em sua vida, sentiu que amava e era amada de
verdade.
� Voc�
n�o est� pensando em me deixar em casa e ir embora, est�?
� Laureen perguntou, beijando de leve os dedos longos em seu rosto.
� N�o
sei...
� Por
favor, querida! Quero dormir abra�ada a voc�...
� O
problema � que... � Sam gaguejou, rindo de seus pr�prios pensamentos.
� Que
problema?
� O
problema � o seu bra�o...
� Ah,
meu amor! Meu bra�o n�o � problema!
� Ah,
� sim! � Sam respondeu zombando. � Vai ser dific�limo me comportar
ao seu lado...
� N�o
precisa se comportar... � Laureen argumentou, vindo beij�-la com um ar
de mal�cia.
� Claro
que preciso! E voc� tamb�m!
Chegando
mais perto, Laureen beijou-a, cheia de paix�o. Dentro do carro apertado,
aquele desejo todo era dif�cil de controlar.
� Oh,
meu Deus! Parece t�o irreal isso tudo! � Samantha exclamou, com os l�bios
ainda colados � boca de Laureen.
� Porque
irreal, meu amor?
� Por
que voc� est� me oferecendo um amor que desconhe�o. Nunca
me apaixonei assim, Laureen! Sempre me envolvia superficialmente com todas as
mulheres que tive. Fui at� leviana, deixando que todo mundo soubesse
com quem eu estava saindo; deixando minha vida ser revirada pelos tabl�ides!
� �
disso que voc� tem medo que eu saiba, que eu me lembre? N�o �
muito louv�vel, mas...
� N�o,
meu amor, n�o � disso que tenho medo. � muito mais que
isso... e agora que tenho voc�, n�o quero perd�-la por nada!
� Voc�
n�o vai me perder. Seja o que for, saberei enfrentar.
� Espero
que sim... � Samantha exclamou com os olhos cintilando de paix�o e esperan�a.
����???
Na
cama de Laureen elas se beijaram com amor at� adormecerem. Ela estava
cansada e era melhor n�o fazerem amor por causa do bra�o dela.
Isso foi praticamente imposs�vel de controlar, tanto era o desejo de
se amarem, mas s� o fato de estarem juntas as preenchia por completo.
Na
manh� seguinte, Laureen acordou sob os beijos apaixonados de sua velejadora.
Olhava-a e sentia que seu mundo estaria inteiro dali em diante. N�o lhe
faltava nada estando ao lado dela.
Ela
ligou para Jonathan na copa e pediu que ele servisse o caf� da manh�
na sala anexa ao seu quarto.
� Quer
tomar um banho? � ela perguntou, abra�ada a Samantha.
� S�
se for com voc�. � a loura respondeu, apoiando a cabe�a numa das
m�os.
� Ent�o
venha!
No
chuveiro Laureen tinha de proteger o bra�o engessado da �gua,
mas o corpo perfeito e nu de Samantha enroscado ao seu foi imposs�vel
de resistir. J� tinha sido dif�cil demais dormirem juntas e n�o
terem se amado.
O
box de vidro foi emba�ando aos poucos com o vapor quente que as envolvia.
Numa loucura de desejo, elas se esfregavam num encontro molhado de p�los
macios. As pernas musculosas de Laureen tomaram seu lugar no meio do sexo pulsante
da jovem loura e ela sentiu-se contrair mais ainda quando a m�o forte
encontrou seus p�los e seu interior sedento de prazer.
� Querida,
n�o podemos... voc� ainda est� fraca... � Sam tentou falar.
� N�o
estou fraca, amor... n�o para te amar!
Entrando
mais na carne lisa e quente, Laureen sentiu sua mulher contraindo-se contra
seus dedos, que deslizaram devagar, fazendo a respira��o dela
parar por um momento. Ela deliciou-se naquelas sensa��es, sentindo
Samantha vindo de encontro aos seus dedos.
� Oh,
Laurie, penetre-me, querida... por favor!
Com
a paix�o queimando suas peles juntas e molhadas, Laureen enfiou os dedos
longos no v�o quente de Samantha, entrando e saindo num ritmo cada vez
mais r�pido. A jovem sentiu-se possuir pelo prazer e abriu mais as pernas.
O gozo crescia dentro dela enquanto os dedos da bela morena mexiam-se vigorosos.
Mas
sem aviso, Laureen afastou-a da �gua que ca�a e abaixou-se, tirando
os dedos e no lugar deles, penetrou-a com a l�ngua dura, sedenta do perfume
feminino que emanava do centro de Samantha.
Tomando
os cabelos negros e molhados em suas m�os, Sam jogou-se ao encontro do
prazer que explodia entre suas pernas, gozando e pulsando na boca de Laureen.
Ela
levantou-se e cobriu seu amor de beijos, dificultando ainda mais a respira��o
ofegante que Samantha tentava controlar.
Antes
que Laureen percebesse, Sam j� a arrastava para fora do box, levando-a
para o meio dos len��is ainda desarrumados. Os corpos molhados
rolaram na cama e foi a vez de Laureen se dar completamente � mulher
que amava.
Sam
beijou-a lentamente, sorvendo cada gota de �gua que salpicava o corpo
moreno. Os bicos duros e excitados de seus seios acariciavam a pele de Laureen,
fazendo-a gemer de prazer enquanto descia seus l�bios lentamente pelo
pesco�o e colo dela. Com a ponta da l�ngua, fez o caminho que
passava pelo abd�men reto, parando demoradamente em alguns lugares, mordendo
com vol�pia.
Laureen
agarrou-se aos cabelos molhados que acariciaram suas coxas, enquanto sentia
a l�ngua de sua amante abrindo seu sexo embebido em prazer.
Samantha
sugou o �ntimo de sua mulher como quem bebe um licor dos deuses. As coxas
longas estavam tensas, mas mostravam-lhe o centro inchado, pedindo para ser
sugado ainda mais. Ela pegou-o com for�a entre os l�bios e sentiu
o quanto estava duro e o quanto Laureen estava pr�xima do gozo com o
grito abafado que soltou.
� Oh,
meu amor, assim... fa�a assim... n�o pare...
Abra�ando
Laureen por baixo das pernas, Sam trouxe-a mais para si, fazendo-a sua no orgasmo
que fez sacudir aquele corpo maravilhoso. Mergulhou sua boca no n�ctar
quente que vinha de dentro dela, enquanto os espasmos de prazer vinham em ondas
intermin�veis.
� Sam!
Estou gozando, querida, ohh...
����???
Espalhadas
sobre a cama ainda meio molhada pela �gua do banho, elas ficaram contemplando
uma � outra. Nenhuma das duas havia se apaixonado tanto quanto estavam
agora.
Laureen
estava embevecida pelo amor que sentia e que via no reflexo verde dos olhos
de Samantha.
� Sam?
� O
que foi, amor? � ela respondeu, levantando a cabe�a do colo de Laureen
e apoiando-a com uma das m�os.
� Amo
voc�!
Samantha
sentiu um fio de gelo correr por suas veias e fazer seu cora��o
disparar feito louco. N�o esperava que Laureen falasse de sentimentos
t�o cedo, mas sua alegria em ouvir aquela frase foi tanta que fechou
os olhos por um momento, saboreando toda aquela felicidade repentina em sua
vida.
Recusou-se
a pensar que tudo aquilo acabaria no momento em que Laureen se lembrasse do
passado. Queria ter o amor dela mesmo que fosse por pouco tempo. Naquele instante,
resolveu que ela mesma contaria a Laureen tudo que acontecera em suas vidas
antes daquela festa. Sabia dos conselhos m�dicos, mas n�o mentiria
para a mulher que amava. Laureen poderia odi�-la pelo que tinha acontecido
no passado, mas nunca por engan�-la escondendo a verdade.
Laureen
ficou olhando-a um pouco apreensiva, com medo de ter se precipitado.
� Sam...?
Ela
abriu os olhos e beijou Laureen apaixonadamente.
� Eu
tamb�m amo voc�, querida! Amo tanto...
Laureen
sorriu e puxou-a para si.
� Nossa!
Achei que tinha falado demais e assustado voc�!
� N�o,
n�o � isso. Mas precisamos conversar. Voc� precisa saber
de muitas coisas...
Nesse
instante, o som discreto da campainha que Jonathan usava para avisar Laureen
de que o caf� j� estava servido na saleta ao lado do quarto interrompeu
Samantha.
A
dona da casa espregui�ou-se e levantou, beijando-a com carinho.
� Venha
tomar o caf� da manh�, meu amor. Depois conversamos.
� Est�
bem. � ela respondeu, um pouco frustrada, pois sabia que isso adiaria a conversa
e n�o queria esperar mais.
Elas
vestiram robes e foram para a saleta. Laureen estranhou ao ver Jonathan parado
na porta. Ele sempre servia o caf� e sa�a imediatamente, ainda
mais sabendo que ela estava acompanhada.
� Jonathan,
o que houve?
� Senhorita
Clark... bem... n�o tenho uma boa not�cia.
Uma
sobrancelha negra levantou-se, interrogativa:
� �
sobre algu�m que conhe�o?
� Na
verdade � sobre voc� e a senhorita Durban. � ele explicou, constrangido.
� Sobre
n�s?! � Laureen exclamou, olhando para Samantha sem entender.
� Est�
aqui... nos jornais. � o mordomo falou, estendendo um tabl�ide para sua
patroa e pedindo licen�a para sair.
Laureen
pegou o jornal e sentou-se. Samantha ficou de p� perto dela para ler
a not�cia:
�Velejadoras
inimigas agora est�o apaixonadas.�
As
letras enormes eram acompanhadas de duas fotos delas no estacionamento da marina,
juntas dentro do carro. Em uma delas, elas se beijavam.
� Oh,
meu Deus! � Laureen exclamou, pasma.
� Maldita
Kerry! - Sam exclamou, estremecendo dos p�s � cabe�a. Num
rel�mpago, ela lembrou-se do brilho que tinha visto no alto do pr�dio
ao lado do estacionamento. Com certeza Kerry teria dado a dica ao jornal que
as flagrara. � Era a lente de algum fot�grafo refletindo os raios de
sol! � ela explodiu, fechando o punho para segurar a raiva.
� Do
que est� falando, Sam? � Laureen n�o estava entendendo.
� Eles
tiraram essas fotos ontem, Laurie! Quando fomos para o estacionamento da marina,
me lembro de ter visto um brilho met�lico no alto de um pr�dio
pr�ximo. Era a lente de algum fot�grafo! Eu deveria ter percebido
antes! J� fui v�tima desse tipo de reportagem. E tenho certeza
que foi Kerry quem avisou a eles sobre n�s.
� Voc�
n�o teve culpa, querida. Mas o que eles quiserem dizer com �inimigas�?
Samantha
gelou de novo. Tinha chegado a hora de conversar.
Ela
encheu os pulm�es de ar na tentativa de conseguir alguma for�a
e come�ou a falar:
� Bem,
Laureen. Era sobre isso que eu queria ter conversado com voc� antes do
caf�.
� N�o
consigo imaginar em que poder�amos ser inimigas! � ela riu, entrela�ando
seus dedos nos de Samantha.
� Na
verdade em nada. N�o para mim; mas para voc� somos inimigas.
� Como...
para mim?! � ela perguntou, incr�dula.
� Querida,
voc� n�o se lembra, mas nos conhecemos h� uns cinco anos.
Nunca fomos amigas , mas quase sempre nos revezamos nos primeiros lugares de
qualquer competi��o de iatismo. H� quatro anos atr�s
um fato muito triste e a forma como voc� o encarou nos deu essa fama.
� O
que aconteceu?
� Ainda
n�o se lembra, mesmo eu falando isso? � Sam perguntou com esperan�a.
� N�o!
� Meu
Deus, Laureen! � t�o dif�cil para mim, falar disso para
voc�! Seu m�dico me deu ordem para esperar que voc� se lembrasse,
mas diante desse jornal e do fato de estarmos apaixonadas n�o h�
mais como esperar!
Ela
levantou-se e andou pelo quarto tentando dissipar o nervosismo.
Laureen
foi at� ela e abra�ou-a. Sentia-se p�ssima por n�o
se lembrar de algo t�o importante. E a cada frase de Samantha, parecia-lhe
que isso as afastaria.
� Fale,
Sam. Seja o que for, terei de enfrentar.
Samantha
engoliu em seco.
� Est�
bem. Sente-se aqui comigo. � ela pediu, puxando a morena at� a mesa.
� Laurie, h� quatro anos atr�s, eu participava de uma regata em
Sidney. Voc� tamb�m participava e na sua equipe estava o seu irm�o
Mark.
Samantha
viu que mesmo ao ouvir o nome do irm�o ela ainda n�o se lembrava
de nada.
� Eu
tenho um irm�o? � ela gaguejou incr�dula com aquela informa��o.
� Voc�
n�o tem mais, querida.
� Oh!
Como n�o? Ele...
� Sim,
ele morreu. Mark sofreu um acidente naquela regata. Ele caiu no mar na frente
de um barco que vinha logo atr�s.
� Oh,
meu Deus! � Laureen levantou-se completamente desnorteada com a informa��o.
Sentiu o quarto rodar e procurou o apoio de Sam para n�o cair.
� Calma,
calma! Voc� precisa deitar-se um pouco.
� N�o,
n�o. Estou bem. Por favor continue. � ela pediu.
Sam
levou-a de volta � cadeira e abra�ou-a. Seu cora��o
estava aos trancos, mas tinha de falar. Dali em diante tudo dependeria de Laureen
e n�o dela.
� Est�
bem. � ela limpou a garganta. � O barco que vinha atr�s estava muito
pr�ximo e n�o p�de desviar a tempo quando Mark caiu. A prova
estava sendo televisionada ao vivo e o mundo todo viu o seu desespero quando
ele caiu. A imprensa sensacionalista explorou o fato o quanto p�de. E
voc�... voc� acusou o condutor do barco. Chamou-o de assassino na
tv. � Sam completou, com uma tristeza pesada no olhar.
� Mas
como eu fiz isso? Era verdade? Ele era culpado mesmo?
� N�o,
n�o era. A comiss�o que investigou o acidente provou que n�o
havia mesmo tempo de desviar o barco.
� E
eu acusei uma pessoa injustamente?
� Laureen...
� ela respirou fundo para falar. � Voc� ainda acusa. Apesar do tempo que
j� faz, voc� n�o aceita isso. Para voc� o condutor
do barco � culpado pela morte do seu irm�o.
� Mas...
isso � injusto! Sei disso como sei que estou viva! Como esse cara deve
se sentir comigo n�o acreditando nele?!
� Ela
se sente p�ssima. � Sam deu o �ltimo lance.
� Ela?!
� os olhos azuis se arregalaram.
� Laureen...
� ela engoliu em seco e se esfor�ou para falar. � Quem conduzia aquele
barco era eu.
� Mas...
oh meu Deus!
Laureen
levou as m�os ao rosto e viu tudo passar diante de seus olhos: a largada
da regata, Mark de p�, segurando uma das velas, os dois barcos lutando
pelo primeiro lugar, a manobra inesperada e a queda de seu irm�o na �gua.
O grito que deu ao v�-lo cair soou de novo em seus ouvidos e ela levou
as m�os aos ouvidos, sentindo pontadas ininterruptas, como se seu c�rebro
fosse explodir.
Quando
abriu os olhos, viu Sam diante dela. A cena do acidente desapareceu de sua mente
e ela se lembrou da festa, de t�-la visto de longe, da conversa com Susan,
da bebedeira e de que corria demais com o carro. Levantando-se abruptamente,
ela olhou para Samantha como se tivesse vendo um fantasma. Esfregava as t�mporas
num desespero incontrol�vel.
Sua
respira��o estava alterada e ela s� pensava no que tinha
acontecido depois do acidente: as visitas de Samantha no hospital, o passeio
no veleiro, a noite anterior, o banho em que tinham se amado tanto e... o seu
amor por ela.
A
sala come�ou a rodar e ela s� sentiu que algu�m a segurava.
Ouviu bem longe os gritos que chamavam por ajuda.
Ela
havia desmaiado.
����???
Quando
acordou no hospital, Laureen percebeu algumas vozes � sua volta. Ao abrir
os olhos, viu o rosto familiar do neurologista que tinha atendido-a depois do
acidente. Ela sentiu um sono sem controle; e antes de fechar os olhos de novo,
conseguiu pensar que devia estar sedada.
Mais
um tempo depois ela abriu os olhos de novo, mas dessa vez quem viu foi Samantha,
sentada numa poltrona pr�xima. Ela n�o percebeu que Laureen a
olhava; estava pensativa, olhando pela janela; o rosto contra�do numa
express�o de dor e preocupa��o.
Laureen
n�o sabia explicar o que sentiu ao v�-la ali. Era uma enxurrada
de sentimentos contr�rios, de �dio e amor, raiva e paix�o.
Sua cabe�a repetia um emaranhado de imagens do acidente de Mark e do
dela; os momentos de amor com Samantha e as vezes que a acusara de assassina
nos jornais. Ela come�ou a chorar. A garganta estava sufocada com aquela
dor; as l�grimas correndo grossas pelo rosto largo.
Samantha
levantou-se e percebeu que ela estava acordada. Chegou perto da cama devagar
e viu o rosto molhado pelas l�grimas.
� Laurie...
� ela chamou, sentindo o cora��o apertado, diminu�do em
seu peito.
Laureen
virou o rosto para o outro lado, sem responder.
� Laurie...
por favor... � Sam repetiu, angustiada.
� Por
favor, v� embora... � ela pediu. N�o conseguia olhar para a jovem
parada ao lado da cama. Se pudesse, sairia correndo dali; para um lugar onde
n�o visse ningu�m, onde pudesse esconder sua dor.
Samantha
j� esperava por aquela rea��o. A ang�stia em seu
cora��o transformou-se em um choro silencioso e cheio de tristeza.
Ela afastou-se sem falar nada. Fechou a porta lentamente e saiu.
����???
Ao
chegar em sua casa, ela ainda teve de enfrentar alguns rep�rteres de
tabl�ides que a esperavam. Ela passou rapidamente pelo port�o,
s� parando para dizer ao porteiro que n�o deixasse ningu�m
entrar.
Deitada
em sua cama por horas, Samantha chorou at� dormir um sono agitado e cheio
de pesadelos. A perda de Laureen era demais para ela.
����???
Ainda
no hospital, Laureen tamb�m tinha seu cora��o despeda�ado
de tristeza e contradi��es. N�o admitia que amava Sam,
mas sentia a dor de n�o t�-la ao seu lado.
Sua
amiga Susan chegou bem na hora em que o m�dico lhe dava alta e pedia
que evitasse emo��es fortes at� se recuperar melhor.
Susan
j� adivinhara o que havia acontecido s� de saber que ela tinha
perdido os sentidos. Levou-a para o carro e teve a confirma��o
nos olhos tristes e avermelhados da velejadora.
� Voc�s
conversaram? � Susan perguntou, cautelosa.
� Sim.
� Quer
falar sobre isso, Laurie?
Ela
respirou fundo e jogou a cabe�a no encosto do banco.
� Eu
n�o sei, Su! Estou... desnorteada, incr�dula, enfurecida! Tudo
que voc� imaginar. � desabafou.
� Eu
sei, minha querida.
� Nunca
pensei que isso pudesse acontecer comigo!
� N�o
sei se � uma boa hora para falar sobre esse ponto do assunto, Laureen,
mas acho que esse sofrimento todo n�o � necess�rio.
� Como
n�o, Susan!? Sofri um acidente, perdi a mem�ria; por causa disso
me envolvi com a mulher que mais odeio e voc� acha que isso tudo n�o
� necess�rio!? � Laureen respondeu, exasperada, os olhos cintilando
de raiva.
� Voc�
sabe bem do que estou falando... � Susan olhou-a firme, na inten��o
de faz�-la enxergar a realidade.
� Voc�
tem raz�o, Susan! N�o � mesmo uma boa hora para falarmos
nisso. Nunca ser�; posso lhe garantir! Sam Durban foi uma pe�a
que minha perda de mem�ria me pregou, nada mais que isso.
� Acho
que n�o foi bem a sua mem�ria quem lhe pregou essa pe�a.
� a amiga murmurou.
Distra�da
com seus pr�prios pensamentos, Laureen n�o ouviu o coment�rio
de Susan. Sentia uma raiva enorme de si mesma:
�Como
fui me envolver com ela?! Como pude?!�
����???
Os
jornais continuaram a explorar o assunto do envolvimento delas por mais uma
semana. Como nenhuma das duas velejadoras deu qualquer explica��o,
a not�cia perdeu a import�ncia e logo apareceram outras mais escandalizantes
para serem publicadas.
Para
Samantha foi pior, pois al�m dos jornais, alguns amigos tamb�m
quiseram explica��es; e a eles ela n�o podia negar o que
havia acontecido. Mesmo porque, precisava dividir com algu�m o seu sofrimento
por ter perdido Laureen.
Sua
�nica alegria eram as tardes em que sa�a para velejar e seu querido
amigo Jean Dirrot acompanhava-a. A tristeza dela era evidente no olhar apagado,
e ele ficava preocupado se ela sa�a sozinha para velejar. Ele tamb�m
foi um grande apoio para Samantha. Ouvia-a falar de Laureen com toda paci�ncia,
tentando ajuda-la a sair daquele marasmo.
Ele
conhecia Laureen por ter feito parte da equipe dela alguns anos atr�s.
No fundo sabia que a velejadora tinha uma grande m�goa da perda do irm�o
e que precisava colocar a culpa em algu�m pela perda que n�o aceitava.
Sabia tamb�m da grande mulher que Laureen era, e por isso tinha esperan�a
de que elas se entendessem.
�Laureen
s� precisa deixar de ser teimosa.� � ele pensou, olhando Sam parada na
proa do veleiro, enquanto rumavam para a marina de Westhaven ap�s velejarem
v�rias horas.
� Vamos
l�, Sam! Voc� n�o pode ficar assim! � ele tentou anima-la,
aproximando-se e esfregando o bra�o dela com carinho.
Ela
olhou para ele com um sorriso sem gra�a e suspirou.
� N�o
consigo ficar sem ela, Jean! Isso est� doendo tanto...
� Eu
imagino, querida. Mas voc� n�o pode fazer nada. Deixe que ela fique
com seu �dio. Existem montes de mulheres lind�ssimas que adorariam
estar no lugar dela. � ele tentou aconselhar.
� �,
mas elas n�o est�o. Hoje vejo o quanto estava sendo f�til
com a vida que levava. Se eu juntar tudo que tive com todas essas mulheres,
todo esse tempo; n�o terei metade do que tive com Laureen em um m�s.
� Sei
que ela � maravilhosa, Sam. J� fiz parte da equipe dela, lembra?
� Ela
nunca foi namoradeira, n�o �? � ela perguntou com um tom de admira��o
na voz.
� N�o.
Eu conheci apenas as duas �ltimas namoradas dela. E isso foi no per�odo
de tr�s anos em que fiquei na equipe. Elas raramente apareciam no p�er
quando est�vamos em treinamento e se a imprensa assediasse para uma entrevista,
Laureen sempre dava um jeito de escapar levando a namorada com ela e protegendo-a
dos jornalistas.
� �...
eu, ao contr�rio, sempre me diverti com isso! � Sam reconheceu. � Deixei
minha vida exposta achando que isso me manteria ocupada o suficiente para n�o
me apaixonar. Isso s� fez com que Laureen me odiasse ainda mais porque
a fez ter certeza de que eu era imprest�vel.
� Ora,
tamb�m n�o � assim...
� Oh,
� sim, Jean! Quer coisa pior? Ela tem certeza da minha culpa pela morte
de Mark e eu sou uma l�sbica que adora mostrar suas farras nos jornais!
O que mais ela poderia odiar em mim? Meus olhos verdes? � ela brincou com amargura.
� Tudo
bem, tudo bem! Agora venha me ajudar com o stoper e esque�a isso, ok?
����???
Os
tr�s meses de um inverno rigoroso se passaram devagar, e Laureen se recusava
a falar sobre o assunto com quem quer que fosse. Susan at� tentou algumas
vezes, mas sem sucesso. Ela via com pesar sua amiga afundar-se na tristeza e
de novo nos vinhos, depois que os rem�dios para o bra�o foram
suspensos.
Laureen
n�o chegava a se embebedar, e tamb�m n�o bebeu mais quando
ia dirigir, mas Susan percebia que ela usava o fato de beber sozinha como uma
fuga, para tentar encobrir a falta que sentia de Samantha.
Ela
se recuperou bem da cirurgia e a fisioterapia intensa ajudou na volta ao veleiro.
No come�o foram apenas algumas sa�das at� a orla de Browns
Bay. Por vezes ela tamb�m saiu como passageira no barco de Tom e Susan,
apenas para se distrair um pouco.
Ela
tentou infinitas vezes, todos os dias e at� mesmo em seus sonhos, mas
o �dio n�o conseguiu superar o amor que sentia por Samantha. No
in�cio, quando se lembrou de tudo, obrigou-se a pensar que dali a pouco
tempo tudo estaria como sempre fora, mas o cora��o enganou-a,
dizendo-lhe a toda hora que queria Samantha; que n�o poderia viver sem
ela.
A
contradi��o de sentimentos e vontades deixava-a insone, torturada
todas as noites com longas horas de um sono cheio de sonhos com a jovem loura.
Ela acordava muitas vezes sobressaltada, o corpo tremendo de desejo. Muitas
vezes ela chorou sentada na cama, lutando contra o que sentia e queria, sem
admitir o amor que lhe tirava o sono.
Ela
tentava a todo custo pensar somente nos treinamentos para poder voltar o quanto
antes �s competi��es. Apesar do bra�o j�
estar bom, levaria tempo at� chegar � sua velha forma e poder
competir de igual para igual com as outras velejadoras. Teria tamb�m
de encontrar novos patroc�nios j� que as competi��es
de ver�o come�ariam em poucos meses.
Essa
era a parte de ser velejadora que ela mais detestava, apesar de quase sempre
ter gozado de certos privil�gios para conseguir patroc�nio, por
causa de sua larga lista de vit�rias e de ter bons amigos que investiam
em patroc�nio esportivo.
Foi
pensando nisso que ela entrou em seu escrit�rio e na agenda de telefones,
escolheu o n�mero do diretor de uma renomada relojoaria su��a,
conhecida no mundo todo por seus rel�gios esportivos. Ele era um iatista
amador, mas
apaixonado pelo esporte, grande amigo de sua fam�lia e sempre fizera
quest�o de financiar os projetos de Laureen.
A
secret�ria a conhecia e ficou visivelmente feliz ao atend�-la:
� Srta.
Clark! Que bom saber que voltar� a competir! Imagino que gostaria de
marcar uma hora com o Sr. Anderson.
� Sim,
Marge, eu gostaria. Talvez ele esteja de bom humor e resolva me patrocinar de
novo. � ela acrescentou, num bom humor raro ultimamente.
� Tenho
certeza que sim, Srta. Clark! Que tal amanh�, �s 17:00 h?
� Seria
�timo! Estarei a�. Obrigada, Marge!
� Disponha,
Srta.
No
dia seguinte o tempo estava chuvoso e Laureen resolveu deixar o treinamento
de lado. Preferiu ficar na sala de gin�stica e fortalecer mais ainda
o bra�o.
Susan
apareceu e almo�ou com ela. Recusou propositalmente a ta�a de
vinho que Laureen lhe ofereceu, no intuito de faz�-la entender que deveria
parar com aquilo.
� N�o,
obrigada, Laurie. N�o quero beber agora. E voc� tamb�m n�o
deveria.
� Ok,
ok, Susan! J� entendi! � ela respondeu com contrariedade, colocando a
ta�a de volta na mesa.
� E
n�o fa�a essa cara! Voc� j� deveria ter aprendido
a li��o!
Num
suspiro de impot�ncia, ela olhou para Susan com tristeza, depois baixou
os olhos de novo.
� Sabe,
Su, sei que n�o deveria, mas me sinto bem. Parece que toda essa tens�o
que me cerca vinte e quatro horas se esvai um pouco quando tomo um vinho.
� Essa
tens�o tem um nome... � Susan revolveu cutucar.
� Tem,
mas voc� sabe que n�o quero falar nisso! � ela respondeu, endurecendo
o olhar imediatamente.
� Deveria.
Voc�s se amam e est�o separadas por... por... sei l� o qu�!
J� nem sei mais o motivo que faz com que voc� se recuse a aceitar
isso!
� Hoje
� tarde vou ao escrit�rio do meu amigo George Anderson, da Tissot.
Voc� acha que ainda consigo patroc�nio para a temporada de ver�o?
� Laureen atravessou, ignorando completamente o coment�rio e mudando
de assunto sem se importar com o que Susan pensaria.
Susan
bufou, frustrada de novo. Ela segurou-se para n�o ir at� a outra
cadeira e sacudir sua amiga at� faz�-la acordar para a verdade
que lhe balan�ava diante dos olhos. Mas ela processou imediatamente a
informa��o que Laureen acabara de lhe dar e isso fez uma id�ia
maluca brotar em sua mente. Saber onde Laureen estaria no fim do dia era tudo
que ela precisava. E tamb�m de um pouco de sorte para Samantha n�o
ter sa�do para velejar naquela tarde.
����???
Samantha
se enxugava ainda no banheiro quando o telefone do seu quarto tocou. Sua governanta
anunciava que do outro lado da linha Susan Brant queria falar com ela.
Ela
e Susan tinha conversado por telefone h� pouco mais de uma semana, mas
o pensamento de Sam foi imediatamente para Laureen, temendo que algo tivesse
acontecido a ela.
� Al�,
Susan? Sim, sou eu. O que houve? � ela atendeu um pouco assustada.
� N�o
se preocupe, Sam! Est� tudo bem. Eu apenas queria conversar um pouco
com voc�.
� Bem,
desculpe. � que eu
pensei... bom deixe para l�. Com v�o voc�
e Tom?
� Estamos
bem, querida. Eu estou ligando porque estive com Laureen hoje no almo�o.
Do
outro lado da linha, um sil�ncio curto fez Susan ter certeza de que teria
mesmo de fazer alguma coisa para tirar suas duas amigas daquela situa��o.
� Ahh...
e ela est� bem? � Sam conseguiu perguntar enfim.
� Fisicamente
est�.
� Fisicamente?
� �,
Sam! Ela se recuperou bem e at� j� voltou a treinar. Mas sente
sua falta mais do que tudo na vida. S� que n�o admite isso.
� Pessoalmente
duvido muito disso, Susan. � ela respondeu com amargura na voz.
� Pois
n�o duvide, Sam! S� me diga o que vai fazer hoje � tarde!
����???
Laureen
estacionou o carro em meio ao jardim bem cuidado que recepcionava os visitantes
da relojoaria.
Marge
recebeu-a e logo ela entrou para a sala do seu velho amigo.
� George,
como vai? � ela falou estendendo a m�o para ele.
� Muito
bem, minha querida! Ent�o quer dizer que est� voltando �
ativa? � ele perguntou puxando-a para dentro de seu abra�o quase esmagador.
� Oh,
sim! E com toda vontade!
� Fico
muito feliz por isso, minha filha! Voc� sempre foi uma vencedora e senti
sua falta nas competi��es.
� Obrigada.
� E
o seu patroc�nio ficou esperando a sua volta.
� Como
esperando? � ela perguntou surpresa.
� Voc�
deve ter percebido que meu logotipo n�o estava em nenhuma vela nas �ltimas
regatas, n�o?
� Bom,
� verdade! � ela recordou as disputas que assistiu pela tv.
� Pois
ent�o! N�o patrocinei ningu�m at� voc� poder
voltar a ostentar meus rel�gios nas suas velas vencedoras! � ele exclamou
passando a m�o pelo cabelo grisalho.
� Oh,
George, eu n�o imaginava... fico extremamente grata por isso!
O
velho senhor deu a volta em sua mesa e foi at� ela. Tomando-lhe ambas
as m�os ele beijou-as enquanto a olhava com admira��o.
� Minha
querida! Fui amigo do seu pai e considero voc� como minha filha; mais
ainda depois que ele e sua m�e se foram, voc� sabe disso! O patroc�nio
da Tissot n�o � nada mais que o reconhecimento ao seu talento!
Ela
abra�ou seu amigo, cheia de agradecimento. Os olhos azuis cintilando
de alegria pelo reconhecimento. Tinha muita sorte em ter um patrocinador exclusivo,
pois no mundo do marketing esportivo, pessoas ou empresas que estavam dispostos
a colocar seu dinheiro em um atleta, al�m de raros, eram, muitas vezes,
a pr�pria figura do interesse e da arrog�ncia.
Ele
fez quest�o de que ela o acompanhasse em um caf�, enquanto lhe
perguntava detalhes do que planejava para a pr�xima competi��o.
Conversaram por mais de quarenta minutos, com Laureen cheia de entusiasmo, contando
de sua recupera��o e dos treinos.
Quando
ela voltou ao estacionamento, viu que o tempo estava fechando e uma chuva fina
j� ca�a ao norte da cidade. Ela tinha planejado algumas compras,
mas resolveu ir para casa, pois detestava dirigir na chuva.
Ao
entrar em casa, uma chuva forte come�ou a cair e ela viu no rel�gio
do hall que eram quase sete da noite. Tirou seu casaco enquanto pensava que
uma ta�a de vinho antes do jantar lhe cairia bem e chamou por Jonathan:
� Jonathan?
Poderia abrir um vinho para mim?
� Talvez
voc� prefira deixar o vinho para depois...
A
voz conhecida entrou em seus ouvidos e a fez gelar de cima a baixo. Mais dois
passos e ela viu Samantha Durban de p�, encostada num dos pilares da
sala de visitas. A boca seca s� n�o foi mais torturante que o
tremor que tomou conta dela. Seu cora��o se descontrolou completamente
e por um segundo ela n�o soube o que dizer.
� O
que voc� est� fazendo na minha casa? � ela finalmente conseguiu
falar, depois de vacilar por um momento que lhe pareceu uma eternidade.
� Quero
falar com voc�, Laureen. � Samantha respondeu, esperando qualquer rea��o
por ter literalmente invadido a casa.
� Onde
est� Jonathan? Como ele a deixou entrar? � a voz de Laureen j�
mostrava a raiva que seus olhos faiscavam.
� Ele
n�o tem culpa de nada. Foi Susan quem veio at� aqui e me deixou
entrar.
A
raiva de Laureen beirou a c�lera quando ela ouviu isso. Lembrou-se que
tinha dito a Susan que sairia � tarde e que ela deveria ter usado sua
aus�ncia para trazer Samantha at� ali. Sua cabe�a rodava
e a proximidade daquela mulher n�o permitia que pensasse direito. Viu
o cabelo macio agora um pouco mais longo que h� tr�s meses, a pele
clara coberta de pequenos p�los louros, os olhos intensos que n�o
conseguiam desgrudar dos seus.
� Saia
da minha casa, Samantha! � ela gritou, tentando afastar o desejo que aquela
imagem a fez sentir de novo.
� N�o
sairei enquanto n�o conversar civilizadamente comigo e me dizer, olhando
nos meus olhos, que n�o me ama e que definitivamente n�o me quer
na sua vida. � Sam retrucou, indo at� onde Laureen estava e ficando a
poucos passos dela.
� Eu
amo voc� e n�o aceito que esse �dio nos separe. � ela continuou.
� Pensei em voc� todos os minutos desses meses todos! Chorei todas as
noites e mudei minha vida por sua causa! Quando me apaixonei por voc�,
vi o quanto estava sendo idiota deixando minha vida ir para os tabl�ides
todas as semanas. Percebi que fazia isso para me proteger, para evitar me envolver
com algu�m a ponto de me apaixonar! Voc� me fez ver o quanto eu
era f�til e tola! Encontrei o amor de verdade na do�ura dos seus
olhos, na sinceridade do seu cora��o porque sei que a �verdadeira�
Laureen tamb�m se apaixonou por mim! Quando voc� me atacava pelos
jornais, me acusando de uma morte que n�o provoquei, cheguei a ficar
com �dio de voc�, mas nunca disse isso a ningu�m. E quando
vi, tinha socorrido voc� em um acidente e entrei na sua vida de uma maneira
que n�o daria mais para voltar atr�s. Amei e amo voc� porque
sei o quanto seu cora��o � capaz de amar tamb�m,
Laureen! Em seus bra�os passei os melhores momentos da minha vida at�
hoje!
Ela
parou por um momento e viu que Laureen estava
congelada na sua frente; os olhos tinham uma express�o
indecifr�vel.
O
corpo de Samantha tremia e ela baixou os olhos numa derrota exausta. Tinha feito
tudo que podia; dito tudo o que sentia e Laureen estava simplesmente parada
diante dela, sem dizer nada. Uma l�grima grossa correu em seu rosto vermelho
e ela quis sair dali.
� Bem,
eu... acho melhor ir embora. � ela conseguiu dizer, tentando deter as l�grimas
de tristeza que insistiam em rolar dos seus olhos.
Ao
dizer isso, ela pegou a chave do carro sobre o aparador e saiu, fechando a porta
pesada atr�s de si e deixando a chuva intensa lhe ferir o rosto.
Quando
o som da porta batendo chegou aos ouvidos de Laureen, um estalo trouxe-a para
a realidade e tudo o que ela conseguiu entender foi que amava Samantha desesperadamente
e que n�o poderia perd�-la. Os �ltimos quatro anos de sua
vida lhe passaram diante dos olhos, num filme triste, recheado de m�goa,
raiva e inconformismo.
Ela
percebeu que se quisesse ser feliz, teria de deixar tudo isso no passado.
Um
segundo depois ela estava em frente � mans�o, debaixo da chuva
que ca�a sem piedade e viu Samantha entrar no carro estacionado a alguns
metros.
Num
desespero sobre-humano, ela correu at� a porta do carro, e antes que
Samantha a fechasse, ajoelhou-se diante dela e segurou o bra�o molhado
num pedido que jamais se imaginara fazendo:
� Sam,
n�o v� embora! Por favor, me perdoe! Eu amo voc� mais que
tudo!
N�o
foi preciso mais do que isso. Os cabelos e roupas encharcadas envolveram-se
num abra�o apaixonado de entrega absoluta. As bocas encontraram-se numa
urg�ncia torturante; o desejo pulsando nos corpos ansiosos por amor.
Laureen
beijou aqueles l�bios com ansiedade, deixando depois sua boca explorar
o rosto e o pesco�o molhados, enquanto balbuciava palavras desconexas
de paix�o.
� Perd�o,
querida! Perd�o! Eu a amo... eu a quero!
Samantha
se agarrava nos cabelos encharcados, sentindo a chuva chicotear sua pele sem
se importar. Queria apenas sentir os bra�os de sua amada � sua
volta, envolvendo-a com for�a.
� N�o
me pe�a perd�o, Laurie, apenas me ame... para sempre!
����???
Louca
de excita��o e beijando cada parte do corpo moreno que ficava
� mostra depois que ela tirava cada pe�a de roupa molhada, Samantha
s� desejava sentir de novo na boca, o gosto da mulher que tanto amava.
Loucas
de tes�o em cima da cama de Laureen, elas se entregavam ao doce sabor
do desejo sendo saciado.
Elas
rolaram pela cama se excitando mais e mais. As m�os ousadas explorando
cada detalhe dos seios duros, dos corpos arrepiados.
Os
dedos de Sam abriram o espa�o escondido entre os p�los curtos,
encontrando a umidade quente da excita��o que ela via estampada
nos olhos de Laureen. Com fome daquele sexo, ela entrou com os dedos e sentiu
a resist�ncia natural se fechando em volta deles, fazendo com que seu
pr�prio centro se contra�sse de desejo.
Laureen
contorceu-se ao sentir a penetra��o, mas queria mais; queria ser
tomada de amor; queria aqueles dedos entrando e saindo do seu corpo, explorando-a
e lhe dando prazer.
� Mais
forte, querida... mais! � ela pediu.
Entre
as pernas de sua mulher, Sam j� arremetia contra o sexo molhado, sentindo
as m�os dela em suas costas, puxando-a mais para dentro. Seu pr�prio
sexo empurrava sua m�o ao encontro do v�o molhado que ela penetrava
com gosto. Laureen mordia-lhe o ombro, torturada pelo prazer que chegava entre
suas pernas.
� Chupe-me,
Sam... por favor!
Sem
tirar os dedos da carne inchada, ela desceu o corpo e tomou na boca o pequeno
ponto excitado e sugou tudo que sua boca conseguiu, fazendo Laureen gozar imediatamente,
enlouquecida pelo prazer que lhe tomava o corpo inteiro.
Sem
nem ao menos esperar que o corpo dela parasse de tremer, Laureen puxou Samantha
para cima, beijando e mordiscando cada parte do corpo que passava por sua boca,
at� que o sexo latejante de sua velejadora revelou-se aberto diante de
seus olhos.
Sentada
sobre o peito de Laureen, Sam deixou-se sugar toda, sentindo a l�ngua
dela entrar-lhe na carne, preenchendo-a enquanto os l�bios experientes
da morena lhe massageavam o clit duro e louco por prazer.
Ela
segurou-se como p�de no encosto da cama, mexendo-se naquela boca em busca
do gozo que ela sentia surgir em seu ponto mais �ntimo.
Quando
Laureen a penetrou com um dedo enquanto continuava a chup�-la sem parar,
ela acelerou o movimento nos quadris sensuais, cavalgando com pressa o dedo
que se fundia nela, gozando vezes seguidas.
� Oh,
Laurie... meu amor....
����???
O
brilho t�mido do sol encontrou-as dormindo exaustas e abra�adas
uma � outra.
Laureen
acordou pouco depois e ficou olhando seu amor adormecida em seus bra�os,
sentindo seu cora��o preenchido e feliz por n�o t�-la
perdido.
Sam
abriu os olhos um tempo depois, e recebeu como bom-dia, o mais lindo sorriso
que j� tinha visto. Ela s� se aconchegou mais ainda nos bra�os
de sua amada e dormiu mais um pouco, feliz e apaixonada.
����???
Mais
tarde naquele dia, elas se lembraram que estavam no primeiro dia da primavera.
O c�u l�mpido e azul encontrou-as velejando, abra�adas
na pequena proa do veleiro de Samantha, onde tudo tinha come�ado.
Parecia
que aquele dia era um c�mplice no amor das duas: nenhum sinal de chuva
ou tempo pesado, nenhuma tarde cinza e nebulosa a entristecer as pessoas. Apenas
um dia radiante de primavera, prometendo no revoar das gaivotas que acompanhavam
o barco, que o amor reinaria nesta e em todas as outras esta��es
que viriam.
F
I M
P.S.: Meninas, por
favor, escrevam dizendo o que acharam;
seja uma cr�tica, um elogio
ou sugest�o. S� assim poderei saber
se voc�s est�o
gostando ou n�o!
E-mail para: mailto:[email protected]
Obrigada sempre!
A.
L. Benner
10/02/04