O Amor Mora ao Lado
A.L..Benner
�2003
Disclaimers:
Esta
� minha fan fiction. A primeira que me aventurei timidamente a colocar
�no papel�, (muito) depois de ser presenteada com a descoberta de Xena e Gab,
e tamb�m de conhecer o mundo das talentosas bardas que celebram com perfei��o
o amor entre mulheres, no estilo alt/uber.
Portanto, � isso: considerem
tudo que lerem de minha autoria como uma celebra��o a esse amor.
Gosto particularmente do estilo uber, por isso escrevi esta primeira fic nesse
estilo. Mas para quem prefere as pr�prias Xena e Gabrielle em aventuras
que v�o muito al�m de uma grande amizade, tenho textos sobre este
tema tamb�m, que estou revisando e ser�o publicados na medida
do poss�vel.
Uma pequena orienta��o aos leitores: esta
� uma hist�ria pequena; curta, eu diria. E est� ambientada
na Austr�lia, pa�s que admiro muito. Nada contra o Brasil; apenas
achei que o ambiente �estrangeiro� se encaixava melhor ao que eu queria escrever.
Escolhi Tonwood, uma cidadezinha do interior de Queensland (cuja capital �
Brisbane), a mais ou menos 400 km a oeste de Cairns. Chillagoe � uma
cidade pr�xima, um pouco maior. Se quiser se localizar, � s�
arranjar um mapa detalhado.
� claro que aqui cabe aquele aviso b�sico:
se voc� � menor de dezoito anos, onde mora � proibida a
leitura desse tipo de texto ou se o fato de conter cenas de sexo entre duas
mulheres n�o lhe agrada, n�o o leia, pois a autora e a pessoa
que mant�m o site n�o se responsabilizam se voc� n�o
cumprir essas determina��es. Procure textos que se encaixem melhor
ao seu caso.
Tamb�m � bom esclarecer que a autora, em momento
algum pretende descumprir regras de copy right internacionais em rela��o
�s personagens citadas acima, conhecid�ssimas em uma s�rie
de TV. Essas personagens pertencem � USA Studios/Renaissance Pictures.
J� as personagens que aparecem no texto t�m v�rias semelhan�as
com elas, ficando apenas nisso, pois s�o cria��o da autora
do texto, que as det�m sob regras de direitos autorais.
Se quiser
me enviar sua opini�o, cr�ticas, sugest�es para novas fics
ou qualquer outro coment�rio, vou agradecer muito pelo feedback, afinal,
s� assim saberei se o que escrevo est� agradando. Meu e-mail:
[email protected]
Diane acordou assustada com o estrondo na garagem vizinha. Mesmo
com a mente sonolenta, achou estranho aquele movimento todo num domingo de manh�
e lembrou-se que a casa ao lado estava vazia h� muito tempo. Sentou-se
na cama para ver o rel�gio na cabeceira oposta e s� ent�o
se deu conta que Jeff ressonava ao seu lado. Olhando para ele, lembrou do quanto
andava frustrada com aquele relacionamento e deu um suspiro de resigna��o.
Jeff era seu namorado h� mais de tr�s anos, gostava
dele e dormiam juntos todos os finais de semana, mas sempre que transavam, Diane
sentia um vazio, parecendo que lhe faltava envolvimento, paix�o mesmo.
E ela sabia que n�o era culpa dele. H� muito que ela duvidava
que o amasse verdadeiramente.
O rel�gio marcava 7:50 da manh� daquele domingo
e uma voz feminina na casa ao lado chamou a aten��o dela:
� Rapazes, tomem cuidado com essa mesa, certo?
A voz soou alta e grave, mas Diane n�o se deteve nisso,
ficando irritada por ter sido acordada t�o cedo no seu �nico dia
de descanso.
�Algu�m resolveu se mudar logo hoje e me acordar a essa
hora�.� ela pensou, impaciente. E jogando sua parte do cobertor sobre Jeff,
saiu da cama certa de que n�o dormiria mais. Sabia que ele n�o
acordaria t�o cedo, apesar do barulho, e resolveu que tomaria o caf�
sozinha, como acontecia na maioria das vezes em que ele estava em sua casa.
Jeff praticamente desmaiava depois de ficar satisfeito com aquelas sess�es
de sexo mal-feito e s� acordava perto do meio-dia seguinte. Ela foi para
o banheiro com o hobby no ombro, e sentiu o peso do dia que come�ava
mal, reconhecendo que sua raiva n�o era s� por causa do barulho
da nova vizinha.
�������
O aroma do caf� fresco ficando pronto animou-a. O dia
estava radiante e Diane n�o era uma mulher do tipo que se deixava desanimar
facilmente. Pensou em cuidar um pouco do jardim; mexer em suas plantas ajudaria
muito.
Ela j� estava terminando o caf� quando outro barulho,
agora de algo feito de ferro sendo arrastado sobre uma superf�cie de
metal a fez arrepiar at� a raiz dos cabelos. Tinha verdadeiro horror
�quele tipo de ru�do.
Sentindo o sangue ferver com a tremenda falta de educa��o
�quela hora da manh�, enfiou a cabe�a pela janela da cozinha
e j� ia dizer umas verdades para aquele pessoal, quando se deparou com
sua nova vizinha.
A mulher estava parada perto do caminh�o de mudan�as
estacionado ao lado da casa. Era bastante alta e as pernas longas estavam moldadas
por uma cal�a jeans. O colo atraente e os ombros largos estavam �
mostra por uma camiseta justa, branca e de al�as. Os cabelos lisos e
negros passavam bastante dos ombros e os olhos... eram de um azul incr�vel.
Agitando os bra�os torneados, ela tentava orientar os carregadores de
sua mudan�a, visivelmente inexperientes.
Diane inevitavelmente pensou no quanto ela era bonita, mas o
barulho seco de algo caindo dentro do caminh�o tirou-lhe a aten��o.
� Ei! Voc�s v�o acabar com a minha estante! � a
mo�a falou, j� impaciente. E vendo Diane na janela, abriu-lhe
um sorriso hesitante, cumprimentando-a:
� Bom dia! Espero n�o estar incomodando com o barulho.
Acho que o pessoal que contratei �... sem muita tradi��o
no mercado. � ela desculpou-se sem jeito; e indo at� a janela, estendeu
a m�o para Diane, apresentando-se:
� Meu nome � Kathleen. Kathleen Ryan.
Diane tamb�m lhe estendeu a m�o, esquecendo a irrita��o
pelo barulho.
� Ah... eu sou Diane Markinson. � respondeu.
� Seremos vizinhas. Comprei esta casa e estou me instalando na
cidade. Sou veterin�ria.
�Meu Deus! Ela � linda!� � Kathleen pensou, enquanto
seus olhos gravavam cada detalhe daquele rosto emoldurado de louro.
� Ent�o seja bem-vinda, Kathleen! � Diane falou, simpatizando
imediatamente com ela. � Estamos mesmo precisando de uma veterin�ria
na cidade.
� Obrigada. � ela respondeu, sorrindo e tentando n�o olhar
muito para ela, com medo de que fosse percebida. � Bem, vou continuar com isso.
Acho que vai me tomar o dia todo. At� mais.
� At�.
�������
Quando Kathleen se afastou, Diane voltou para dentro.
O ronco de Jeff vindo do quarto a fez suspirar.
�Como eu suporto isso?� � perguntou-se; e tirando a mesa do caf�,
foi at� a garagem. Queria distrair-se. Sua pick-up precisava de um banho
urgente, mas preferiu mexer no jardim enquanto o sol ainda estava fraco; depois
lavaria o carro. Arrastando a caixa de jardinagem para fora, ela entreteve-se
com suas plantas por algum tempo, ouvindo os barulhos constantes da mudan�a.
�������
Enquanto isso na casa ao lado, com as pernas bambas,
Kathleen deixou-se cair no sof� que os carregadores tinham colocado num
canto da sala. A vis�o de Diane a deixara completamente sem palavras
e ela correra para dentro com a primeira desculpa que lhe veio � cabe�a.
�Aquela mulher � linda!� � pensou, ainda sem f�lego. �Os olhos,
os cabelos... a m�o delicada e macia! N�o consigo acreditar que
serei vizinha de um anjo como ela!�
Ela ficou um bom tempo deitada no sof�, reconhecendo que
estava encantada e lembrando que poucas mulheres a fizeram estremecer daquela
maneira; e nunca apenas em v�-las pela primeira vez. J� havia namorado
mulheres lindas, mas Diane era absolutamente deslumbrante, e tinha algo especial
nela; n�o poderia compara-la a ningu�m que conhecera.
Mas Kathleen n�o queria encrenca. Havia se mudado de Brisbane
justamente por querer tranq�ilidade. �Ela deve ser casada ou ter namorado.�
� pensou. �Numa cidade pequena como essa, duvido que n�o tenha. Ainda
mais uma mulher maravilhosa como ela.� � N�o, ela n�o �
gay, Kathleen. E voc� ter� de se contentar em ser apenas a vizinha
dela. � murmurou para si pr�pria.
Com esse pensamento, ela levantou-se e olhou para a sala que
tinha para arrumar. Lembrou-se que agora estava vivendo numa cidade muito diferente
e tentou afastar a imagem de Diane de sua cabe�a. Precisava se dedicar
� cl�nica que viera abrir; era nova na cidade, teria muito trabalho
pela frente, e investir em algu�m que nem era gay como ela n�o
seria um bom neg�cio naquele momento.
�������
Perto das dez horas, Diane ouviu o caminh�o arrancar
e ir embora. J� tinha terminado com as plantas e precisava de outro banho.
Lembrou-se da pick-up, mas a id�ia de lavar um carro grande como aquele
antes do almo�o n�o a animou em nada. Ao entrar no quarto, viu
Jeff mexer-se na cama. Ela n�o quis acord�-lo e tomou um banho
r�pido, indo de novo para a cozinha. Pela janela, viu o movimento de
Kathleen atrav�s da janela dela, tentando arrastar uma estante sozinha.
�Aquela estante � pesada demais, mesmo para ela.� � Diane
pensou. E sem pensar, foi at� a casa.
� Ei, Kathleen? � chamou.
� Quem �? � a outra perguntou de dentro da casa.
� Sou eu, Diane. Posso entrar?
Sentindo o cora��o saltar, Kathleen ficou surpresa
com a visita, mas ao mesmo tempo repreendeu-se intimamente por se sentir daquele
jeito com uma mulher que mal conhecia. �Kathleen, v� com calma! Apaixonar-se
agora vai ser um problema!� � pensou, sentindo o rosto ficar vermelho.
� Claro! Entre, Diane.
� Essa estante � muito grande para voc� arrastar
sozinha. Quer ajuda? � Diane ofereceu, chegando na sala entulhada de m�veis.
� Sem d�vida! Empurre desse lado a�. � ela respondeu,
tentando disfar�ar o quanto estava perturbada com a presen�a dela.
Empurrando juntas, colocaram a estante no lugar, e enquanto faziam
isso, Kathleen n�o conseguiu deixar de reparar disfar�adamente
em Diane. Ela n�o era muito alta, mas era magra e delicada, com os cabelos
louros cortados de um jeito que ficava perfeito nela; e um corpo maravilhoso
tamb�m; que Kathleen come�ou a desejar como nunca.
Podia sentir que estava se apaixonando; o que nunca lhe acontecera
assim t�o imediatamente ao conhecer algu�m e que era totalmente
o contr�rio do que tinha planejado. Ela repreendeu-se de novo, afinal
conhecia Diane h� apenas duas horas. Estava se sentindo rid�cula
como uma adolescente e desviou os olhos dela.
�������
Diane acabou ficando por ali e ajudou Kathleen a arrumar
os outros m�veis tamb�m. Quando viram j� era quase meio
dia.
� Est� na hora do almo�o, Kathleen. Voc�
ainda tem muita coisa para arrumar, inclusive a cozinha. Venha almo�ar
na minha casa, assim pode continuar depois.
� Oh, n�o � necess�rio, Diane. � ela respondeu,
encabulada com o convite. � Eu me viro por aqui mesmo.
� De jeito nenhum! At� voc� encontrar o que vai
cozinhar j� ser�o tr�s da tarde. Venha. Num instante preparamos
tudo.
Kathleen acabou cedendo. N�o teria mesmo como cozinhar
com tudo desarrumado e pedir alguma comida pronta numa cidade que conhecia pouco
seria complicado. Ela seguiu Diane at� a casa dela e come�aram
a preparar o almo�o.
�������
Diane estava sentindo uma afinidade in�dita com
sua nova vizinha. Isso era raro nela. Geralmente era reservada com todo mundo
que conhecia, mas com Kathleen estava sendo diferente.
Parecia que se conheciam h� anos e j� estava muito
� vontade com ela. Kathleen lhe inspirava confian�a, por algum
motivo desconhecido. Parecia que era uma pessoa incapaz de mentir. E era detalhista,
observadora e atenciosa. Percebeu isso em pequenos gestos dela, como quando
perguntou se gostava de salsa para temperar as batatas e depois a viu colocando
o tempero quando as preparou, meia hora depois. Essas eram tr�s coisas
que Diane valorizava muito nas pessoas que faziam parte da sua vida, mas que
ultimamente s� estava encontrando em amigos e agora em vizinhos.
Jeff estava longe de lhe oferecer qualquer uma dessas qualidades.
�������
Estavam conversando animadamente quando Kathleen ouviu
um arrastar de chinelos. Olhando em dire��o ao ru�do, viu
um homem de uns trinta anos, com o rosto amassado pelo travesseiro e que precisava
cuidar melhor da pr�pria apar�ncia, apesar de n�o ser propriamente
feio.
� Ah, Kathleen, este � Jeff, meu namorado. Jeff, esta
� Kathleen Ryan, minha nova vizinha.
Diane apresentou-o mais por obriga��o, e sem saber
por qu�, estava desejando que ele s� tivesse acordado no fim da
tarde. Estranhamente, viu-se querendo que ficassem apenas ela e Kathleen para
o almo�o.
Kathleen mal conseguiu disfar�ar a decep��o.
Suas suspeitas estavam certas: Diane tinha um namorado. Sentiu a frustra��o
tomar conta dela enquanto apertava a m�o dele.
� Ol�, Jeff. Como vai?
�Deve ser um sujeito med�ocre.� � ela deduziu � �Tem um
aperto de m�o sem firmeza.� � Seja bem-vinda, Kathleen. Vou bem, apenas
com sono. � ele brincou; e sem beijar Diane, perguntou-lhe se tinha caf�.
�������
Kathleen notou que Diane n�o parecia mais t�o
� vontade quanto estava antes dele aparecer. Ela n�o fez quest�o
alguma de demonstrar carinho com ele enquanto estava l�. Algo nela delatava
uma certa impaci�ncia com o namorado.
Ela pensou no que poderia ser. Eles n�o pareciam um casal
apaixonado, e a cada minuto que ficava junto deles, tinha mais certeza de que
Diane n�o estava feliz. E percebeu que Jeff tamb�m n�o
era nada carinhoso. Nem delicado. Era um tipo bronco igual � maioria
que circulava pelo interior da Austr�lia.
O que salvou o almo�o foi a conversa animada que elas
conseguiram continuar, apesar da presen�a quase muda do rapaz. Quando
terminaram, ela ajudou Diane a lavar os pratos e prometeu retribuir o almo�o
quando estivesse devidamente instalada e voltou para sua arruma��o.
Kathleen n�o queria, mas estava se encantando por Diane.
N�o queria, mas pegou-se v�rias vezes olhando para os pequenos
p�los louros da nuca dela; para o contorno perfeito dos l�bios,
pensando no quanto seria delicioso beija-los; para o verde brilhante daqueles
olhos que a deixavam entorpecida.
O melhor que tinha a fazer era voltar para sua mudan�a,
antes que um dos dois percebesse algo.
�������
No final da tarde, Kathleen viu Diane lavando sua pick-up.
Apenas acenou para ela, pois viu Jeff do outro lado do carro e n�o estava
com vontade de ficar perto dele. Adoraria ir at� l� e ajuda-la,
mas com aquele sujeito por perto, n�o dava.
Depois do jantar que ela preparou na cozinha j� arrumada,
sentou-se no sof� e tentou assistir um pouco de tv, mas tivera a p�ssima
id�ia de colocar o aparelho perto da janela e atrav�s dela via
Diane de vez em quando. A bela imagem loura prendia-lhe a aten��o
mesmo quando n�o estava vis�vel.
Kathleen n�o era uma mulher que se deixava levar por qualquer
emo��o e apaixonar-se, para ela, era algo s�rio. E a cada
vez que Diane passava pela janela, ela sentia que sua vizinha estava exercendo
uma influ�ncia bem maior sobre ela do que se permitiria normalmente ao
conhecer algu�m.
Enquanto subia para seu quarto, pegou-se desejando estar l�
com ela. Ou poder convida-la para tomar um vinho, como desculpa para retribuir
o almo�o.
�V� dormir, Kathleen!� � ela repreendeu-se. �Seus ataques
adolescentes est�o passando da conta! Amanh� sua nova vida come�a
e voc� n�o ter� chance alguma com Diane.� Com esse pensamento
ela apagou a luz, tentando inutilmente apagar tamb�m a imagem de Diane
de seus pensamentos.
�������
No dia seguinte, ela levantou-se e n�o viu qualquer
movimento na casa ao lado. N�o sabia no que Diane trabalhava, mas devia
ser algo que a fazia acordar bem cedo. Tomou um caf� refor�ado
como gostava de fazer e foi at� a imobili�ria que lhe vendera
a casa e que tamb�m ficara de alugar um pr�dio para sua cl�nica.
O corretor levou-a at� o centro da pequena Tonwood e pediu
que ela parasse o carro ao lado de uma pick-up vermelha que ela reconheceu imediatamente
como sendo a de Diane.
Todos na cidade pareciam ter pick-ups, e isso era explicado pela
grande quantidade de fazendas de gado da regi�o. Ela mesma tinha a sua
por causa da cl�nica, j� que n�o seria muito pr�tico
transportar c�es e gatos num carro comum. Olhando para a de Diane, pensou
onde ela estaria, ou se trabalharia por ali.
O rapaz a conduziu para o pr�dio ao lado de um supermercado;
ou melhor, de um pequeno mercado, onde se lia o nome mais que apropriado: Little
Market. Sua cl�nica seria vizinha de um mercado.
�At� que n�o ser� mal.� � pensou. � �S�
espero que o dono n�o cause problemas.� Ela gostou imediatamente do lugar:
tinha v�rias salas, com espa�o para a sala de consultas, de vacinas,
um escrit�rio e mais no fundo do pr�dio, um lugar para a interna��o
dos bichos.
� Gostei muito, Clark. Mas vou precisar fazer pequenas modifica��es
l� no fundo, onde vou colocar a parte de interna��o e cirurgia.
Tudo bem?
� Claro, Srta. Ryan. Vamos colocar tudo no contrato e n�o
haver� problemas.
� E quanto ao dono desse mercado aqui do lado? N�o vai
criar problemas por causa dos meus bichos?
� A Srta. Markinson? Oh, n�o, ela n�o lhe causar�
problemas! Duvido que haja uma vizinha melhor do que ela!
�Tenho certeza de que n�o h�!� � Kathleen concordou
silenciosamente, pasma em saber que Diane era dona do mercado vizinho de sua
futura cl�nica.
�Ent�o � por isso que ela sai t�o cedo!
Um mercado precisa de frutas e legumes frescos que t�m de ser abastecidos
logo de manh�! E eu fazendo o maior barulho num domingo; justo o dia
que ela tem para descansar.�
Depois de instrui-la a voltar na imobili�ria para providenciar
o contrato, Clark se despediu dizendo que visitaria um outro cliente ali perto.
Kathleen ficou parada na cal�ada, pensando na coincid�ncia de ser
vizinha de Diane duas vezes. Fazia apenas um dia que a conhecera e sentia que
j� estava envolvida mais do que queria admitir.
Apaixonar-se assim, t�o imediatamente, estava deixando-a
completamente sem defesa. A pick-up ainda estava ali e isso significava que
ela estava no mercado. E Kathleen sentiu vontade de v�-la. N�o
teria nada de mais ir at� l� e contar que seriam vizinhas de novo.
Era uma maneira de se aproximar, de poder ficar perto dela por uns minutos.
Entrou no pequeno estabelecimento e reconheceu imediatamente
o mesmo toque de organiza��o que viu na casa dela. Diane conseguia
colocar um pouco de sua personalidade at� mesmo nas prateleiras de seu
mercado.
� Por favor, eu gostaria de falar com a Srta. Markinson. � Kathleen
se dirigiu � mo�a que estava num dos caixas.
� Ela est� no escrit�rio. Pode ir at� l�.
A porta fica ao lado do balc�o de frios. � a funcion�ria instruiu
com gentileza.
� Obrigada.
Kathleen foi at� onde ela indicou e bateu na porta, sem
obter resposta. Um outro funcion�rio passou por ela e disse que poderia
entrar. Ao abrir a porta, ela deparou-se com um pequeno corredor, onde divis�rias
formavam algumas salas. Uma delas tinha uma meia parede de vidro e p�de
ver um rapaz do outro lado fazendo contas numa calculadora. Reconheceu algo
nele imediatamente, al�m da grande semelhan�a com Diane: ele era
gay, sem d�vida. E devia ser irm�o de Diane, para ser t�o
parecido com ela. N�o era afetado em absolutamente nada, mas Kathleen
sabia reconhecer algu�m como ela, fosse homem ou mulher.
Ele era t�o bonito quanto Diane e sorriu para Kathleen,
vindo at� a porta para atende-la, mostrando que a simpatia era herdada
na fam�lia.
� Posso ajuda-la? Quer falar com algu�m?
� Sim, com a Srta. Markinson. Sou Kathleen Ryan. Acabei de me
mudar para a casa ao lado da dela.
� Oh, muito prazer, Srta. Ryan. Sou Richard Markinson, irm�o
de Diane. � ele cumprimentou-a com um sorriso maior ainda, enquanto parecia
t�-la reconhecido tamb�m.
� �, n�o h� como disfar�ar que voc�s
s�o irm�os. � Kathleen respondeu, apertando a m�o dele.
� E pode me chamar somente de Kathleen.
� Claro, claro! Venha, vou leva-la at� a sala de Diane.
Ela vai ficar contente em v�-la aqui no nosso mercado.
Ele a conduziu para uma das portas do pequeno corredor. Diane
estava l� dentro, atr�s de um computador para onde olhava atrav�s
dos �culos que Kathleen n�o sabia que ela usava. V�-la com
eles na ponta do nariz s� fez com que se encantasse mais ainda.
� Kathleen! Que surpresa! Como me descobriu aqui? � ela levantou-se,
indo ao seu encontro e estranhamente se sentindo transtornada com aquela visita
t�o inesperada. Nunca sentira aquilo e achou mais estranho ainda quando
percebeu suas m�os ficaram geladas de repente.
�O que est� acontecendo comigo?� � perguntou-se enquanto
tentava entender aquelas sensa��es desconhecidas.
� Por outra feliz coincid�ncia. � Kathleen respondeu. �
Seremos vizinhas duas vezes: acabei de alugar o pr�dio aqui ao lado para
montar minha cl�nica.
� Oh, mas isso � �timo! Sente-se. Richard, pe�a
para Sara nos trazer um caf�, por favor. � ela pediu, aproveitando para
desviar os olhos de sua visita.
� J� estou indo. � ele respondeu e fechou a porta atr�s
de si.
� Mas que bom, Kathleen. � ela falou, inexplicavelmente mais
feliz por saber que ela seria sua vizinha de novo. - Espero que d� tudo
certo com sua cl�nica. Como eu lhe disse, est�vamos precisando
de um veterin�rio. N�o temos nenhum na cidade e quando precis�vamos,
t�nhamos de ir at� Chillagoe. E os fazendeiros tinham que buscar
um por l� toda vez que algum animal precisasse de cuidados mais complexos.
� Isso foi uma das coisas que me fizeram vir para c� quando
escolhi a cidade para morar. � Kathleen respondeu, tentando n�o fixar
seu olhar naquele verde hipnotizante dos olhos � sua frente.
� Ent�o voc� pesquisou v�rios lugares antes
de se mudar?
� Sim. Eu sou de Brisbane. Trabalhava num hospital veterin�rio,
mas achei melhor abrir minha pr�pria cl�nica e uma cidade calma
como essa � perfeita para isso.
A funcion�ria trouxe o caf� e elas conversaram
por mais um tempo. Kathleen n�o tinha conseguido definir o motivo das
m�os de Diane estarem geladas quando a cumprimentou, mas sabia que o
motivo �das suas� estarem �congeladas� e seu cora��o parecendo
que sairia do peito era a proximidade daquela mulher.
Kathleen tentou imaginar como se aproximaria dela. Diane n�o
era gay. Alguma coisa no seu namoro estava errada, mas isso n�o significava
que poderia se interessar por ela.
Conversaram mais um pouco e Kathleen se levantou dizendo que
precisava ir at� a imobili�ria. E precisava mesmo. Mas precisava
com mais urg�ncia ainda sair dali, para Diane n�o perceber que
n�o conseguia tirar os olhos dela.
�Droga, Kathleen! Voc� est� apaixonada! Isso n�o
podia acontecer.� � ela condenou-se, saindo para a rua depois de ter conhecido
todo o mercado a convite de Diane. Entrou na pick-up e ficou um tempo sentada,
tentando respirar normalmente de novo. Olhando pelo retrovisor, ainda p�de
ver quando Diane recebeu uma entrega na porta do mercado. Estava linda, apesar
de estar vestindo um jeans velho.
Ligando o carro, Kathleen foi para a imobili�ria. Tinha
de resolver sua vida, e ficar pensando em algu�m inalcan��vel
n�o adiantaria muito.
�������
Enquanto isso, de volta em sua sala, Diane tentava a
todo custo entender o que se passara com ela quando Kathleen entrou e a cumprimentou.
Ainda podia sentir a maciez da m�o dela na sua. E a intensidade daqueles
olhos azuis quando seus olhares se cruzaram durante a conversa. A cada vez que
se lembrava deles, sentia um frio no est�mago. E lhe parecia que Kathleen
olhava-a de uma forma diferente.
Ela n�o era uma mulher ing�nua a ponto de ignorar
completamente o que aquilo estava significando. Estava em Tonwood, vivera a
vida toda ali, mas tinha Richard. E quando na adolesc�ncia dele, tivera
de entender que seu irm�o era gay, que amaria outros homens durante a
vida e n�o mulheres, foi que aprendera a dar import�ncia ao amor
que as pessoas poderiam oferecer e n�o ao tipo de sexo que faziam.
�Mas como pode ser isso? � perguntou-se. Kathleen � uma
mulher lind�ssima, mas... eu n�o sou gay! Ali�s, nem ela
deve ser!� E automaticamente pensou em Jeff e no quanto estava sentindo uma
verdadeira repulsa por ele nos �ltimos tempos. �N�o, isso n�o
tem nada a ver. S� estou insatisfeita com a falta de aten��o
dele. N�o estamos bem na cama, mas isso n�o significa que vou
passar a desejar mulheres, ora essa!�
Rejeitando aquele pensamento, ela olhou para o recibo das dez
caixas de legumes que acabara de receber e decidiu esquecer aquilo tudo. O trabalho
ajudaria, como sempre acontecia.
�������
Os dias passaram e Kathleen ficou completamente envolvida
na montagem de sua cl�nica, obrigando-se a pensar o menos poss�vel
em Diane. Mas o problema era que via-a v�rias vezes por dia, o que n�o
ajudava muito em sua inten��o.
Em poucas semanas a cl�nica ficou pronta e ela providenciou
que as pessoas da cidade ficassem sabendo que agora tinham uma veterin�ria
por ali e come�ou a trabalhar. Numa cidade pequena isso foi uma novidade
e logo v�rias senhoras e seus respectivos �lulus� viraram seus clientes.
Os fazendeiros de gado da regi�o tamb�m ficaram
sabendo que n�o precisariam se deslocar quil�metros em busca de
um veterin�rio e em uma semana ela j� estava trazendo ao mundo
alguns bezerros que se recusavam a nascer.
Diane a ajudou nisso de certa forma, pois todos a conheciam e
ao saberem que a nova veterin�ria tamb�m era vizinha dela, pareceram
confiar mais no seu trabalho. �Aquele comportamento t�pico de cidade
pequena.� � Kathleen lembrava, divertindo-se quando algu�m chegava perguntando
se era ali que estava atendendo a nova veterin�ria, �vizinha de Diane
Markinson�.
�������
Era uma sexta-feira e Kathleen preparou-se para ver
novamente o carro de Jeff estacionar na casa ao lado e ficar todo o final de
semana. Com a repeti��o daquela cena, ela teve de reconhecer que
seu ci�me por Diane estar com Jeff a estava torturando mais do que conseguia
evitar. E daquela vez decidira sair, pois n�o queria estar t�o
perto de Diane e inevitavelmente imaginar o que estaria acontecendo. Sabia que
era uma fuga boba, mas decidira que seria assim.
Escolheu ir ao cinema e depois jantar qualquer coisa. Ainda n�o
conhecia muita gente na cidade e n�o se importava em sair sozinha.
J� estava pronta, descendo as escadas para procurar as
chaves da pick-up, e achou estranho n�o ter ouvido o carro chegar ainda.
Ao sair, viu Diane andando no jardim. Tinha ido buscar a correspond�ncia,
pois estava com v�rias cartas e envelopes na m�o.
Kathleen olhou para a garagem ainda aberta e o carro de Jeff
n�o estava ali. �Talvez ele n�o venha hoje.� � ela pensou esperan�osa,
sentindo uma vontade imensa de convidar Diane para jantar.
J� tinha fechado a porta, sua roupa era do tipo que se
usa para sair e estava chegando perto de Diane. Ela saberia que estava saindo
e teria de dizer alguma coisa. Lembrou-se que prometera convida-la para jantar
em retribui��o ao almo�o e arriscou:
� Oi, Diane.
� Oh, oi, Kathleen! � ela olhou-a surpresa, pois estava distra�da
com uma das cartas que tinha nas m�os.
� Estou indo ao cinema. Quer vir comigo?
Surpresa com o convite, Diane olhou-a por um instante, durante
o qual Kathleen se arrependeu de ter falado, achando que ela n�o aceitaria.
� Ah... sim! Quero ir com voc�! � ela decidiu-se, determinada.
� Voc� me espera trocar de roupa?
Sem disfar�ar a alegria que sentiu, Kathleen s�
teve uma resposta: � Claro que espero!
�������
Kathleen esperou-a na sala enquanto se arrumava, tentando
acalmar seu cora��o disparado. J� estava amando Diane;
n�o podia mais negar, por mais que quisesse ou achasse coerente. Durante
aquelas semanas todas tinha tentado afastar qualquer sentimento por ela, mas
sabia que tinha apenas perdido tempo. Diane era encantadora demais, e todas
as vezes que se encontraram s� serviram para fazer Kathleen se apaixonar
ainda mais.
�������
Em poucos minutos ela estava de volta; linda num vestido
de um tecido leve, pr�prio para aqueles dias de ver�o.
� Bem, Srta. Markinson, estou convidando-a oficialmente para
ir ao cinema e depois jantar comigo. - Kathleen falou em tom divertido, tentando
disfar�ar o quanto estava nervosa. - Estou lhe devendo isso desde o dia
em que me recebeu em sua casa quando me mudei.
� Mas Kathleen...
� Oh, n�o! N�o aceito recusas. E tamb�m
ainda n�o comemorei a inaugura��o da minha cl�nica.
Ent�o podemos jantar pelos dois motivos.
� Est� bem, ent�o. � ela aceitou, sorrindo.
�������
Enquanto via Kathleen dirigindo at� o centro
da cidade, Diane sentiu de novo aquela sensa��o de bem-estar ao
lado dela, como aconteceu nas v�rias vezes em que se encontraram durante
aquelas �ltimas semanas. Toda vez que a via, sentia o al�vio de
quem esperava por algu�m muito querido e que chegava depois de muito
tempo ausente. Adorava quando Kathleen lhe sorria e seus olhos pareciam acaricia-la
como um veludo macio. Depois do que sentira na visita que ela lhe fizera no
mercado, sentia cada vez mais necessidade em v�-la ou falar com ela.
Sentia vagamente que aquilo tudo estava se transformando em atra��o,
mas recusava-se a considerar essa possibilidade. Se fosse gay, tinha certeza
que saberia lidar com isso como Richard soube, mas n�o sabia nada de
Kathleen e preferia t�-la como amiga a n�o t�-la de nenhuma
forma. Seu medo era por ela.
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Foram ao cinema, e Kathleen percebeu o olhar curioso
das pessoas ao v�-las juntas. Ou melhor: ao ver Diane sem Jeff. Todos
se conheciam em Tonwood e alguns chegaram a perguntar por ele, ao que ela limitou-se
a responder que estava bem.
A vontade de Kathleen era perguntar tamb�m; saber porque
ele n�o aparecera como fazia normalmente, mas achou melhor deixar que
Diane comentasse naturalmente. Ainda n�o tinha tanta intimidade com ela
a ponto de perguntar-lhe isso. Quando sa�ram, Kathleen deixou a escolha
do restaurante para ela.
� Voc� gosta de massas? � Diane perguntou, antes de escolher
o lugar onde iriam.
� De todos os tipos. � ela respondeu.
� Ent�o vamos ao Guiuseppe. � o melhor lugar para
se comer massas aqui em Tonwood.
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O restaurante era pequeno, sendo apenas um anexo de
um grande bar, com mesas de bilhar e muito barulho, que uma porta estrat�gica
ajudava a diminuir. Estava cheio, mas o dono logo conseguiu uma mesa para elas
num canto discreto do sal�o. E quando Kathleen ouviu o jovem dono do
restaurante dizendo a Diane que Richard estava chegando para jantarem, ela percebeu
porque conseguiram uma mesa t�o r�pido. O rapaz devia ser o namorado
do irm�o dela, e Kathleen entendeu que eles eram amigos, o que era um
bom sinal, pois demonstrava que pelo menos preconceito Diane n�o tinha.
�������
Elas conversaram animadamente durante o jantar. Diane
estava rindo e se divertindo como h� muito n�o acontecia. S�
tinha bons momentos assim quando saiam somente ela e Richard para jantar.
Kathleen n�o conseguia ainda acreditar que estava ali,
jantando com a mais linda mulher que j� conhecera. Estava feliz e apaixonada;
tinha de admitir. Diane a encantava; era doce e ao mesmo tempo forte, determinada.
E Kathleen s� queria perpetuar aquele momento t�o precioso. Ela
ia levantando sua ta�a para propor um brinde quando viu Jeff entrando
no restaurante com mais dois rapazes e vir ao encontro da mesa delas.
� Estava bom demais para ser verdade! � ela murmurou para si
mesma, n�o conseguindo segurar a frustra��o.
� O que? Desculpe, Kathleen, n�o entendi. � por sorte
Diane n�o ouvira o murm�rio.
� Ahh, seu namorado... est� chegando. � Kathleen respondeu,
disfar�ando.
� N�o somos mais namorados... desde ontem � Diane respondeu
rapidamente; e percebeu que fez isso porque n�o queria que Kathleen pensasse
que ela ainda estava com Jeff. Surpresa com a declara��o, Kathleen
a muito custo conseguiu disfar�ar sua satisfa��o, enquanto
via Jeff passar pela mesa delas e apenas cumprimenta-las com um sorriso sem
gra�a e ir para o outro lado, no bar.
� Ah, mas logo ele vem procura-la e voc�s de entendem novamente.
� disse, tentando ser natural.
�Afinal, uma �amiga� diria isso.� � pensou.
Com o olhar entristecido, Diane acabou confessando num impulso:
� Mesmo que ele venha, n�o vamos reatar. Eu n�o
quero mais. Se eu o amasse, n�o estaria me sentido assim. Ontem eu apenas
dei fim a uma situa��o que j� estava insustent�vel
h� muito tempo. N�o est�vamos bem. N�o �
ele que eu quero. Quando percebeu, j� tinha falado. Sentindo o rosto
queimar, ela tentou explicar-se:
� Oh, Kathleen! Me esculpe! Eu n�o devia estar falando
dessas coisas para voc�... Mas ao olhar para Kathleen, seus olhos se fixaram
nos dela e aquele gelo no est�mago invadiu-a novamente. Ela n�o
disse nada, mas aquele azul era capaz de falar quase tudo. Falava de um sentimento
completamente novo e que ela come�ava a descobrir naquele exato momento.
Diane sentiu o ch�o fugir de seus p�s. Seus olhos
estavam presos aos da mulher � sua frente. Ela n�o sabia o que
dizer ou o que fazer e um arrepio de desejo percorreu seu �ntimo quando
sentiu a m�o dela tocar a sua.
�C�us, o que est� acontecendo comigo?� � pensou.
Incr�dula com o que estava acontecendo, Kathleen s�
voltou a perceber o ambiente que as cercava apenas quando gar�om passou
por elas e perguntou se queriam mais alguma coisa. Instintivamente tinha colocado
sua m�o sobre a de Diane, e retirou-a num impulso.
� N�o, obrigada. � ela respondeu, sentindo que ficava
vermelha.
O gar�om se afastou e quando Kathleen olhou novamente
para Diane, sentiu o calor dos olhos dela sobre sua pele. Sem jeito, ela tentou
desviar o olhar, mas conseguiu apenas mergulhar mais ainda naquele verde brilhante.
� Diane, desculpe, eu... � ela come�ou a dizer, mas foi
interrompida.
Nesse instante Richard chegou na mesa e tirou-as daquele encantamento.
Ele percebeu que tinha atrapalhado algo, mas preferiu fazer de conta que n�o
tinha percebido nada de diferente em sua irm� e em sua acompanhante.
Tinha notado que Kathleen era gay, mas n�o estava entendendo o que Diane
estava fazendo ali com ela; sem Jeff. N�o quis interpretar a situa��o
antecipadamente, pois sabia que Diane lhe contaria tudo depois e pensou no que
dizer para poder sair dali o quanto antes.
� Ora, que bom encontra-las aqui! Vim para jantar com Leo. Voc�
o viu, Diane? � ele falou, enquanto cumprimentava Kathleen com um sorriso e
arranjava uma desculpa para sair dali o mais r�pido poss�vel.
Constrangida com a chegada do irm�o, ela olhou o sal�o
� procura do rapaz; e com grande al�vio encontrou-o atr�s
do caixa, para onde apontou, chamando a aten��o de Richard.
� Ele est� no caixa, querido.
� Ent�o vou at� l�. Terminem o jantar. At�
mais.
Enquanto ele se afastava, viu que Jeff estava indo embora com
seus amigos, saindo pelo outro lado do sal�o.
Ao olhar para Kathleen novamente, teve de admitir o que estava
acontecendo. Via nos olhos dela. E sentia tamb�m; no nervosismo tr�mulo
de suas pr�prias m�os, no cora��o descontrolado
que lhe saltava no peito.
Aprendera com Richard a n�o ter medo da homossexualidade.
Ele sempre lhe dizia que n�o entendia porque as pessoas temiam isso como
se fosse uma amea�a. E ela concordava com ele.
Lembrou-se que ele sempre brincava com ela dizendo que precisava
se apaixonar por uma mulher. Richard fazia isso toda vez que desabafava com
ele sobre Jeff e acabava fazendo-a rir com a id�ia. Lembrou-se tamb�m
que chegara a dizer a ele uma vez, que se um dia se descobrisse apaixonada por
uma mulher, n�o entraria em parafuso e seria feliz de qualquer maneira.
Mas agora estava diante de uma mulher deslumbrante, que estava
fazendo-a pensar em como seria beija-la e n�o sabia o que fazer. Nunca
tinha pensado que a brincadeira do irm�o pudesse virar realidade. Olhava
para Kathleen e percebia que algo tinha mudado: n�o a via mais como uma
mulher comum, sua amiga ou vizinha. Olhava para ela como sempre olhou para os
homens, quando se sentia atra�da por eles.
� Voc� quer ir para casa? � a voz de Kathleen a tirou daqueles
pensamentos, pegando-a de surpresa.
� Sim, podemos ir. � foi o que ela conseguiu responder.
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No carro, Kathleen olhou para ela um pouco hesitante.
Naquelas semanas que passaram depois que conhecera Diane, nunca vira nela qualquer
sinal que pudesse faze-la acreditar que teria uma chance. Sabia reconhecer quando
uma mulher a olhava com desejo; e estava vendo isso nos olhos de Diane pela
primeira vez. Tinha muito medo de envolver-se e depois v�-la mudar de
id�ia. Esse era seu medo: envolver-se com uma mulher hetero que a queria
apenas para uma aventura gay.
Mas Diane n�o lhe parecia mais hetero. Estava diferente.
Depois do que aconteceu no restaurante, Kathleen conseguia ver nela um toque
muito peculiar, imposs�vel de se ver numa mulher heterossexual pelo simples
fato dela ser desprovida dele. Percebeu ent�o que n�o adiantava
agir como se nada estivesse acontecendo. Eram adultas; e se acaso Diane lhe
dissesse n�o, teria que lidar com isso e seguir sua vida. Pensando nisso,
arriscou o convite:
� Diane, tenho um vinho em casa. Eu gostaria que voc� o
tomasse comigo. O que acha?
� Acho que vou aceitar seu convite. � Diane respondeu com um
sorriso t�mido.
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Kathleen colocou a pick-up na garagem e entraram. Na
cozinha, ela pegou um balde com gelo, o vinho e duas ta�as. Foi para
a sala sentindo o cora��o descompassado e ao ver Diane parada
diante da lareira, de costas para ela, a vontade que teve foi de largar aquela
garrafa e abra�a-la longamente.
Ela colocou a garrafa dentro do balde e mesmo com o barulho,
Diane n�o se virou. Achando estranho, Kathleen aproximou-se e instintivamente
tocou o ombro dela, vendo embevecida, a pele nua arrepiar-se sob sua m�o.
Virando-se de repente, Diane ficou bem perto dela. Muito perto.
O suficiente at� para Kathleen sentir-lhe o calor do corpo.
Olhando-a nos olhos, Diane engoliu em seco. Queria beija-la.
Queria muito beija-la. A proximidade dela estava mexendo com seus sentidos,
que pareciam agu�ados e em alerta. E ela n�o resistiu ao fato
de estarem t�o perto: olhando primeiro para os l�bios de Kathleen
j� bem perto dos seus e depois para os olhos dela, Diane enla�ou-a
pelo pesco�o, entrando no abra�o dela e entregando-se ao beijo
que tanto desejava. � Kathleen...
Os bra�os de Kathleen a rodearam, trazendo-a para junto
do seu corpo que j� queimava de desejo. Suas bocas se encontraram com
avidez, querendo compensar o desejo refreado.
As l�nguas se exploraram num beijo que acendeu nelas todo
desejo imagin�vel. Diane colou-se naquele corpo esguio e sentiu o interior
de suas pernas pulsar como h� muito n�o sentia. Quando Kathleen
a puxou para o sof�, beijando-a com um ardor desconhecido para ela, percebeu
uma umidade intensa e quente deixa-la completamente molhada.
Sentindo o corpo dela sobre o seu, Diane n�o aguentou
mais e pediu a ela o que mais queria naquele momento:
� Kathleen... eu a quero!
Olhando-a e sentindo o desejo latejar em seu �ntimo, Kathleen
pela primeira vez na vida, n�o sabia o que fazer. Ainda n�o conseguia
acreditar que tinha Diane nos bra�os.
� Diane, eu... eu nem sei direito o que fazer! Estou pasma com
o que est� acontecendo!
� Voc� nunca... como eu... ?
� N�o, n�o � isso, querida. � ela enterneceu-se
com a ingenuidade de Diane. � Estou pasma por voc�... me querer! Por voc�
me desejar! Eu queria muito, mas n�o acreditava que isso seria poss�vel
um dia.
� Por que eu tinha um namorado? Pois n�o se preocupe;
acabei de descobrir porque n�o era feliz! � ela respondeu, com um sorriso
nos l�bios que fez Kathleen abandonar todas as suas incertezas.
Ela levantou Diane nos bra�os e carregou-a para seu quarto.
O vinho ficou esquecido na mesa da sala.
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Elas despiram-se lentamente, beijando-se e enroscando-se;
o desejo invadindo seus corpos, deixando-as enlouquecidas de paix�o.
Diane deixou-se explorar pelas m�os experientes de Kathleen;
e quando sentiu os dedos dela entrarem devagar em seu sexo molhado, mexendo
lentamente, seu corpo retesou-se e ela naturalmente permitiu que Kathleen a
penetrasse, sentindo os dedos dela deslizarem naquela umidade. Louca de desejo,
ela agarrou-se a Kathleen, deixando seu corpo sentir todo prazer que aquelas
m�os sabiam lhe dar.
Descendo a boca pelo pesco�o macio, Kathleen foi deslizando
os l�bios lentamente at� a curva perfeita dos seios e sentiu na
l�ngua os bicos endurecidos de desejo. Sentia o movimento dos quadris
de Diane e percebia que ela queria mais. Aquele corpo sob o seu estava tomado
do mais puro desejo. Descendo mais a boca, ela chegou aos primeiros p�los
alourados.
Quando com a l�ngua, Kathleen percorreu devagar a virilha
lisa, Diane sentiu seu �ntimo se contrair involuntariamente.
Kathleen puxou-a mais para si e tomou-a na boca, enlouquecendo
com o gosto dela. Diane estava completamente molhada e isso deixava-a entorpecida.
Sua vontade era deliciar-se sem pressa, mas o desejo a levava a fazer o contr�rio.
Sugando-a com uma avidez quase incontida, percebeu que Diane explodiria em sua
boca a qualquer momento. Fazendo sua l�ngua entrar nela, Kathleen sentiu
o corpo dela entrar num espasmo e sugou-a com mais vontade, fazendo-a gozar
enlouquecida, entre ondas cont�nuas de prazer.
Diane n�o podia acreditar: seu corpo estremecia, invadido
por um prazer desconhecido que vinha da boca de Kathleen em seu sexo. Sentia
a l�ngua dela prolongando seu prazer e isso a deixava louca. Estava fazendo
amor com uma mulher! Estava apaixonada e seu corpo mostrava isso naquele tremor
cont�nuo que ela quis prolongar mergulhando os dedos nos cabelos de Kathleen
e puxando-a mais ainda para seu �ntimo.
Sentindo aquela onda de prazer prolongar-se no que parecia um
tempo infinito, Diane deu-se a Kathleen por completo, deixando que ela a explorasse;
que a boca dela a fizesse sentir-se no c�u!
Subindo o corpo, Kathleen deitou-se sobre Diane, juntando as
respira��es alteradas em uma s� e beijando-a com paix�o.
Ela ainda estava em fogo, enla�ando-se em Kathleen com os olhos faiscando
de desejo.
�������
Olhando-a ainda cheia de desejo insaciado, Kathleen
esperou que ela se acalmasse, e tomando-lhe a m�o, delicadamente conduziu-a
ao seu sexo encharcado, que Diane penetrou hesitante, mas com vontade. Seus
corpo tremia levemente, tanto era o desejo que Diane despertava nela.
Sua vontade era que Diane a sugasse, mas os dedos dela, seguindo
o ritmo de seus quadris e movendo-se cada vez mais r�pido em sua carne
excitada levou-a ao auge da excita��o. Sentindo o tremor de prazer
que se aproximava, Kathleen n�o conseguiu se conter por muito tempo.
Olhando Diane com paix�o, ela s� conseguiu murmurar:
� Mais r�pido, querida... eu vou... ohh, Diane!
Apertando-se contra a coxa dela, Kathleen sentiu aquela onda
de prazer tirar-lhe o f�lego. Seu corpo inteiro encheu-se com um calor
prolongado e intenso, at� que ela n�o controlou mais os pr�prios
m�sculos e caiu inerte sobre Diane.
�������
De olhos fechados e abra�ada a Kathleen, Diane
apenas permitia-se sentir o cheiro da pele dela. Aquela mulher lhe despertara
todo o amor que sempre sonhara encontrar. Agora sabia o que era fazer amor com
paix�o e entregar-se completamente. Lembrou-se de Richard e da pequena
previs�o que ele formulou um dia, fazendo-a rir com a �impossibilidade�.
� Do que est� rindo, amor? � Kathleen quis saber, ficando
curiosa ao v�-la rir baixinho.
� De uma coisa que Richard me disse h� muito tempo atr�s
e que eu jamais imaginava que virasse realidade. � Diane respondeu, levantando
a cabe�a e olhando-a com adora��o.
� E o que foi que ele lhe disse?
� Que eu deveria me apaixonar por uma mulher. Que assim eu seria
muito mais feliz do que namorando homens.
� E isso virou realidade? � Kathleen perguntou, ainda com uma
ponta de receio.
� A mais doce realidade que eu poderia desejar! Voc� despertou
em mim todo o amor que eu sempre quis ter, Kathleen. Eu achava que o que eu
tinha era o m�ximo que me estava reservado; que n�o era poss�vel
ter mais. Mas voc� apareceu numa manh� de domingo e eu comecei
a me apaixonar sem saber! Eu sempre ria quando Richard me falava isso, porque
n�o me imaginava amando uma mulher.
Olhando-a, Kathleen n�o conseguia acreditar que al�m
de tudo, Diane n�o estava com medo daqueles sentimentos. Qualquer mulher
na situa��o dela estaria cheia de conflitos, mas ela estava apenas
achando engra�ado o fato do irm�o ter previsto sua recente homossexualidade.
� Mas, Diane... eu sempre fui gay. A vida toda namorei mulheres,
mas voc� n�o. E est� apenas achando tudo isso engra�ado?!
� Kathleen, Richard � gay. Perdemos nossos pais num acidente
quando eu tinha dezoito anos e ele doze. A adolesc�ncia dele veio em seguida
e com ela esse fato ineg�vel. E n�s somos de Tonwood! Aqui as
pessoas sabem tudo sobre todos. �ramos apenas os dois, e eu era o �nico
apoio dele. E ele me ensinou que ser gay n�o � defeito; n�o
diminui ningu�m. Sempre o admirei muito por isso. Aprendi que o preconceito
� uma das maiores maldades que podemos fazer contra nosso semelhante.
Nunca tive medo da homossexualidade. S� n�o pensava que eu tamb�m
era assim.
Olhando-a cheia de amor, Kathleen n�o conseguia acreditar
no que ouvia e apenas beijou-a. Tinha nos bra�os a mulher mais ador�vel
que poderia existir. Esperava que depois de tudo ela entrasse em conflito e
se passasse um bom tempo at� que aceitasse sua nova condi��o,
mas o que estava diante dela eram os olhos verdes mais apaixonados e sem qualquer
medo que j� vira.
�������
Sentindo a paix�o tomar conta delas novamente,
Kathleen beijou-a com mais intensidade, sentiu suas costas se arrepiarem enquanto
as m�os de Diane deslizaram por elas e suas pernas se enroscavam de novo,
fazendo seus sexos excitados se encontrarem num �nico calor molhado.
Diane sentiu seu desejo se reacender completamente. Kathleen
tinha a capacidade de despertar-lhe tudo que nunca sentira antes apenas tocando
sua pele. Queria aprender tudo; queria dar a ela o mesmo prazer que ela lhe
dera. Ainda n�o conhecia o gosto de Kathleen, mas a vontade de toma-la
em sua boca j� afastava qualquer receio de n�o saber faze-lo.
Da primeira vez tinha feito como Kathleen lhe mostrara que queria e agora sua
vontade era de sentir os seios endurecidos em sua boca; explorar demoradamente
aquele corpo feminino que agora era seu.
Descendo a boca �vida pelo corpo excitado de Kathleen,
ela chegou ao tri�ngulo escuro de p�los macios e o perfume que veio
deles a fez sentir uma dor leve entre as pernas, fazendo seu sexo contrair-se
de desejo. E Kathleen deixou-se explorar, percebendo a vontade natural de Diane
em conhec�-la pela primeira vez.
Passando a l�ngua devagar por aquela maciez escura, Diane
esperava apenas por um consentimento, ainda receosa por talvez n�o saber
fazer. E ele veio, quando Kathleen abriu-lhe gentilmente as pernas, oferecendo
seu sexo em fogo que ela tomou em sua boca com avidez.
Aquele gosto unicamente feminino invadiu-a, deixando-a enlouquecida
enquanto explorava com desejo incontido aquela carne macia. Detendo-se no pequeno
ponto excitado, sugou-o com vontade, percebendo Kathleen agarrando-se a ela
com loucura, contraindo-se em sua boca, invadida por longas ondas de prazer.
Ela conduziu Kathleen a um orgasmo intenso, sentindo em sua boca
o tremor forte que invadia o corpo de sua mulher e sugando avidamente todo aquele
deleite.
�������
Mas antes que se desse conta, sentiu Kathleen rolando
sobre ela e fazendo-a ficar embaixo do seu corpo ainda tr�mulo, descendo
a l�ngua por seu abd�men reto e invadindo-a numa pressa cheia de
desejo, explorando seu sexo e fazendo-a contorcer-se quando tomou-a na boca.
Ela apenas teve tempo de agarrar-se novamente aos cabelos escuros,
sentindo a l�ngua dela circundar com delicadeza cada cent�metro
do seu sexo. Diane queimava de desejo, trazendo a boca de Kathleen o quanto
podia para si.
Quando sentiu a press�o dos l�bios dela sugando-a
com for�a, percebeu uma explos�o descontrolar-se dentro de seu
�ntimo e entregou-se completamente, sentindo aquela onda invadi-la e
deixa-la quase sem sentidos por alguns segundos.
�������
Abra�adas em sil�ncio, elas olhavam-se
com amor. Sentiam seus cora��es deliciosamente invadidos por uma
paix�o intensa, que as levava muito al�m do simples desejo. N�o
era algo que passaria, ou que duraria pouco. Era algo que podia ser sentido,
tocado. E se olhasse mais de perto, poderia at� ser visto no brilho intenso
daqueles olhares apaixonados.
Tinham descoberto um amor muito desejado, mas absolutamente inesperado.
Descobriram que o amor estava bem perto, bem ao lado.
FIM*
*Por enquanto, considere que acabou mesmo; mas talvez esta hist�ria
continue.