É AMIZADE
?
Mariah Galveia
Olá amigas leitoras! Estou
aqui com mais uma história.
Essa é uma história bonita, romântica e light e poderia
ser lida até mesmo pelas freiras do convento, embora não sei o
que alguma estaria fazendo perdida nesse site... Nem quero saber!
Acompanhe comigo a história de Lara e Evelyn, duas mulheres que se odeiam
há anos.
A impiedosa Lara Mc Gregor se vê apaixonada pela doce e inocente Evelyn
Morgan, que repudia a condição sexual de Lara e luta contra seus
próprios sentimentos.
Esse conto possui 11 capítulos e como de costume será postado
duas vezes na semana: segundas e quintas.
ATENÇÃO: Por conter algo de sexo gráfico, esse conto é
inadequado para menores de 18 anos.
Esse conto está registrado, cada frase, cada palavra e cada personagem
pertence a mim somente, sendo considerado crime o uso inapropriado deste.
Se quiser postar este conto em seu site, fale comigo antes.
Meninas, as personagens desse conto
se parecem com as presonagens protagonistas de "União Forçada",
mas na verdade não somente se parecem como são idênticas.
Porque? Bem, porque eu escrevo meus contos para sites dedicados a fãs
de um seriado televisivo, portanto as donas dos sites exigem que os contos tenham
suas protagonistas uma alta, morena com olhos azuis e a outra baixa, loira com
olhos verdes. Por isso quase sempre minhas personagens principais terão
as mesmas características físicas.
Qualquer comentário, critica ou sugestão serão aceitos.
Qualquer "adorei" ou "que asco" é melhor que nada!
Meus e-mails estão disponíveis
É amizade?
Prólogo
Charleston, 1847
A festa estava no auge, todos os cidadãos da pequena província
de Charleston estavam presentes. A animação tomava conta do local,
as estrelas estavam altas no céu e a fogueira acesa chispava ajudando
a lua cheia iluminar essa noite tão especial para todos os cidadãos.
Era o aniversário de fundação da cidade, o que dava motivo
de sobra para comemorar.
A cachaça, bebida fabricada por fazendas locais, corria no sangue da
maioria dos adultos, que dançavam uma quadrilha animada.
De longe, Lara Mc Gregor observava tudo. Não era dada a festas, mas também
não era contra, simplesmente preferia não opinar, se seus empregados
estavam felizes, isso a satisfazia, pois sabia que eles renderiam mais no trabalho
no dia seguinte.
Lara perdeu os pais numa viagem que fizeram para a Europa há três
anos, desde então se tornou uma mulher dura, até mesmo um pouco
fria. No auge da juventude, com seus 24 anos bem vividos, Lara não permitia
que a frieza entrasse também no campo de seus relacionamentos relâmpagos.
Era extremamente cortejada, tinha inúmeros pretendentes a seus pés
querendo casar com ela, não apenas pelo seu belo dote, mas por causa
de sua beleza tão incomum. Era mais alta do que a maioria das outras
mulheres, 1,80 de altura, longos cabelos negros, uma pele morena e um par de
olhos de um tom de azuis espetaculares.
Lara tinha uma natureza estranha, não era como as outras mulheres, era
forte, decidida, autoritária, sabia como ninguém comandar os peões
da fazenda de modo que eles a respeitassem e cumprissem suas ordens.
O mais estranho nessa bela mulher era que a morena não se dignava a usar
saias, vestidos e corpetes. Era vaidosa sim, mas a seu modo. Pode-se dizer que
até gaste alguns minutos diários em frente ao espelho se arrumando,
embora as roupas que julgava serem mais bonitas eram também as mais cômodas.
Calças jeans e sempre uma camisa xadrez de flanela, quentinha e confortável.
Quando a perguntavam por que usava calça ela dizia que não podia
cuidar da fazenda vestida como uma dama. Quando criança era um bichinho
estranho, mas ao se tornar uma moça passou a ser o melhor partido da
cidade, dona de uma beleza exótica e arrebatadora, também era
a mais rica, e essa combinação fazia com que as roupas nada convencionais
que usava não fossem impedimento. Todos os rapazes da região corriam
atrás dela, mas Lara só tinha olhos para as mocinhas. Em pouco
tempo ficou conhecida como a impiedosa Mc Gregor, pois seduzia mocinhas, as
tomava e rejeitava logo em seguida.
Evelyn Morgan estava mais feliz do que nunca. Felizmente seu pai estava um tanto
quanto embriagado, o que o fazia esquecer um pouco de tomar conta dela. Olhou
em volta a procura de Richard. Quando seus olhos se encontraram sentiu um leve
tremor nas pernas. Como ele era lindo!
Fez um sinal disfarçado que indicava que era para ele ir para trás
do celeiro. Saiu disfarçadamente da quadrilha que estava dançando,
olhou ao redor para se certificar que ninguém estava prestando atenção
nela e continuou rumo ao local que havia indicado para o rapazinho há
pouco.
Evelyn estava um pouco nervosa, mas ao mesmo tempo ansiosa. Nunca havia beijado
ninguém antes e sentia que estava prestes a dar esse passo importante
em sua vida, afinal todas as suas amiguinhas já haviam beijado na boca,
mas antes de Richard, ninguém a queria. Tinha plena consciência
de que não era atraente como as outras garotas, possuía um rosto
de anjo, cabelos loiros compridos, olhos verdes, mas de corpo era totalmente
desprovida. Aos treze anos de idade suas regras ainda não tinham descido,
era reta, muito magra e sem cintura. Seus seios ainda não haviam desenvolvido
e nem ao menos se notavam o quadril. De lado ou de frente parecia uma tábua.
Além do que era baixinha, media apenas 1,62 de altura.
Mas parecia que nada disso importava para Richard, o rapazinho da mesma idade
dela se encontrava totalmente apaixonado pela loirinha. Ele estava vivendo seu
primeiro amor, mas Evelyn apenas queria usá-lo para não ter que
dizer as amigas que nunca tinha beijado ninguém.
Quando chegou bem atrás do celeiro, a loirinha encontrou seu par e sorriu
para ele.
--- Richard --- chamou --- Acho que ninnguém nos viu vindo pra cá.
--- Evelyn --- disse ele com voz emotivva --- Você é tão
bonita!
A menina sorriu e corou levemente.
--- Você também é muito bonito, Rich.
--- Ah... Pode sim... --- respondeu elaa nervosa
Os dois se abraçaram e Rich aspirou o cheiro do pescoço de Evelyn.
--- Rich --- falou ela um pouco assustaada --- Pode me beijar agora, se quiser...
--- Claro que eu quero, Evelyn! --- dissse ele emocionado --- Eve, eu te amo.
--- Eu... --- ela tentou responder --- Obrigada, Rich.
Então ele a abraçou novamente e a beijou ternamente. Era mais
um roçar de lábios do que um beijo propriamente, era mais um carinho
inocente do que algo sexual.
Perdido dentro do momento mágico, nenhum dos dois percebeu passos se
aproximando.
--- Solta já essa menina, garoto!
Os dois estancaram na hora e viraram para ver quem era a dona da voz.
--- Mc Gregor! --- disse Evelyn assustaada --- Por favor não conta nada
para o meu pai! Por favor!
--- Você não tem vergonha, Evelyn Morgaan? --- Lara disse ignorando
os pedidos da menina loira --- Uma criança como você atrás
do celeiro beijando um rapaz! --- virou-se para Richard e continuou o sermão
--- E você, Richard Jackson! Trazer umaa menina para o escuro para se aproveitar
dela!
O menino abaixou a cabeça e começou a chorar.
--- Ele não estava se aproveitando de mmim! --- gritou Evelyn enfurecida
--- Ah não? --- perguntou Lara num tom cínico --- Então
agarramento agora mudou de nome? Evelyn você é só uma criança!
--- pegou no braço da loirinha e saiu aa arrastando --- Vamos agora mesmo
voltar para a festa e encontrar seu pai! Ele vai ficar sabendo disso.
Evelyn se viu arrastada pela morena até no meio da quadrilha, onde estava
seu pai.
--- Leonor? --- Lara chamou postando a menina bem em frente ao pai, ainda a
segurando pelo braço --- Encontrei sua filha atrás do celeiro
com o filho mais velho dos Jacksons, Richard Jackson.
Evelyn observou a mesclagem de susto e irritação na expressão
de seu pai. Ele estava vermelho, ela pensou que ele fosse ter um ataque, mas
ele simplesmente falou:
--- Evelyn, você está proibida de ver eesse rapaz, ou qualquer outro.
Você só tem treze anos. Estou com vergonha de você, minha
filha, não te criei para ser uma...
Sem perceber ele alterou a voz chamando a atenção de todos que
estavam a volta.
--- Pai! --- ela tentou argumentar --- Não estávamos fazendo nada
demais! Eu lhe juro!
--- Vamos embora agora dessa festa! Voccê está de castigo para o
resto de sua vida!
--- Leonor! --- disse Lara se intrometeendo na conversa --- Não a castigue
por tanto tempo... Ela é só uma criança! --- disse dando
um tapinha no bumbum de Evelyn --- Só uma criança levada! Hahahaha...
--- riu achando graça repentinamente
Quem ela pensava que era para lhe dar um sermão, lhe dar tapa no bumbum
e ainda por cima rir dela com deboche? Jamais lhe perdoaria!
Dias depois tomou uma decisão.
--- Pai, quero pedir permissão para morrar na capital com a tia Emily.
Quero estudar para ser professora.
Capítulo 1
10 anos depois
--- Full House! Hahaha! --- Lara Mc Greegor se gabava de ter ganhado a
terceira partida seguida de pôquer.
--- Como você faz isso? --- perguntou RRamon, seu velho amigo, entre irritado
e encantado
--- Eu tenho muitas habilidades, Ramon.... Outra partidinha?
Recomeçaram a jogar, embora já soubessem qual seria o resultado,
não porque Ramon era mal jogador, Lara é que era muito boa.
Foram interrompidos por Leonor Morgan, um fazendeiro vizinho a Lara, que com
o tempo havia se transformado também em um grande amigo. Leonor sentou-se
a mesa:
--- Preciso falar com você Lara.
--- Agora não dá, Leonor, estou ocupadaa tirando as calças
de Ramos --- respondeu entre risos malvados, embora divertidos
--- Mas o que tenho a falar terá que seer agora, não posso esperar.
É sobre minha filha.
--- O que tem Lila? Imagino que não sejja problema nenhum, irá
se casar com Rodolfo daqui a dois meses.
--- Não estou falando de Lila.
--- Hum... Então está falando da fedelhha da Evelyn --- respondeu
de má vontade --- O que tem ela?
--- É uma conversa confidencial. --- diisse ele olhando para Ramon
--- Tudo bem Leonor, pelo seu tom sei qque a coisa é séria. Vamos
até o balcão, preciso mesmo molhar a garganta.
Levantaram-se e foram rumo ao balcão.
--- Garçom! --- Lara chamou fazendo sinnal --- Me da uma cachaçinha
daquelas da região e outro pro meu amigo aqui! --- virando-se para Leonor
--- E então?
--- Bem, Lara... --- respondeu Leonor nnum tom indescritível --- Você
sabe que Evelyn foi morar com a tia na capital há dez anos para estudar.
E agora ela está voltando.
--- E? --- Lara perguntou num tom impacciente
--- Preciso de sua ajuda... Quero que ffique amiga dela.
--- O que? Mas porque isso agora? Você sabe que eu não fico amiga
de mulheres, eu simplesmente as seduzo, as levo pra minha cama e em seguida
me livro delas por puro tédio de repetir figura. Hahahaha... --- riu
--- Mas eu confio em você. --- disse elle sério --- Sei que não
fará mal a Evelyn. Só precisa ficar amiga dela.
--- Leonor, você tem se consultado com seu médico ultimamente?
--- Lara, isso não é hora pra piada!
--- É só uma menina... --- Leonor interrrompeu --- Sei que ela
é só uma menina e que muitos anos as separam, sei que existem
diferenças entre as duas e até mesmo algumas pendências
do passado, aliás, pendências essas que precisam ser resolvidas.
--- Leonor, acredite, meu mundo não vaii parar de girar só por
que não sou a pessoa favorita da fedelha da sua filha.
--- Lara, você melhor do que ninguém saabe de meus problemas financeiros...
Sabe que andei dando uns maus passos e preciso quitar dívidas com urgência.
Preciso de dinheiro caso contrário poderemos até mesmo perder
nossas terras. Lila irá se casar em breve, terá seu futuro garantido.
E Evelyn ficará sozinha. Tenho medo de deixá-la numa situação
difícil...
--- Pois então a case! --- disse Lara eenquanto virava o copo bebendo
o pouco que restou da cachaça
--- Não é tão simples assim! É claro quue eu espero
que Evelyn acente a cabeça dura que ela tem e se case com um bom partido...
Pensando bem, seria do meu gosto que ela se casasse com qualquer um... Realmente
não acredito que essa menina vá se casar algum dia!
--- Desculpe a franqueza, Leonor, mas nnós dois sabemos da... Digamos:
Falta de atributos físicos de Evelyn. Ela mais parece uma vara de tão
magra! Não tem seios! Não é difícil perceber o porquê
dela não ter se casado... E de não ter pretendentes correndo atrás
dela... Mas afinal, o que isso tem a ver comigo?
--- Somos vizinhos, estamos em tempos dde seca e sei que seus gados têm
sede, precisa do riacho que corta uma parte de minhas terras que tenho do meu
lado da cerca, então pensei que vender esse pedaço de terra pra
você. Assim eu arrumo dinheiro e seus gados não morrerão
de sede.
--- Sim, me parece realmente proveitosoo --- respondeu Lara num tom pensativo
--- Eu realmente estava encontrando prooblemas pra lidar com essa seca maldita...
Mas o que tem sua filha a ver com isso tudo? Por que tenho de me tornar amiga
dela? Você vende as terras e eu compro. Acabou! Não temos que meter
Evelyn no meio.
--- Acontece que Evelyn é a verdadeira herdeira. Pra vender dez por cento
que seja dessas terras precisarei da assinatura de minha filha. É o que
consta no testamento que minha mulher deixou. Não estamos falando de
um pedaço de terra qualquer, estamos falando do pedaço preferido
de terra de Evelyn.
--- Pedaço preferido?
--- Desde criancinha que a ouço falar qque queria construir uma linda
casa naquele vinhedo a beira do riacho. Ela não me permitiria vender
a ninguém. Muito menos a você. Evelyn não gosta de você
porque não a conhece bem, todos de Charleston sabemos que é uma
boa pessoa, um tanto mal humorada às vezes, mas ainda assim é
uma boa pessoa.
--- Porque você simplesmente não conta a situação
para Evelyn? Ela entenderá e assinará a autorização
de venda.
--- Não posso! Eu não posso dizer a minnha família que não
fui capaz de cuidar do patrimônio delas! Tenho vergonha, Lara! --- ele
virou o copo de cachaça e continuou parecendo desesperado --- Pensa bem,
será proveitoso para nós dois. E também será proveitoso
para Evelyn, pois é sua herança.
--- Leonor, você mesmo disse que Evelynn me detesta. A sua proposta é
tentadora, mas me soa mais como uma missão impossível.
--- Pensei que você gostasse de desafioos. --- respondeu Leonor sabiamente
--- Dê uma chance para que ela te conheeça de verdade.
--- Tudo bem. Aceito esse trato maluco,, mas se não der certo quero comprar
as terras mesmo assim.
--- Evelyn não permitirá. Trate de ficaar amiga dela. Será
para o bem das duas e também de nossas terras, afinal Evelyn é
a herdeira e com dinheiro poderei nos salvar de uma ruína certa.
--- Por onde começo?
--- Ela chegará amanhã por volta do meiio dia na Estação
de trem. Vá recebê-la e a leve pra casa. Convidamos-te para o almoço.
Assim vocês podem aproveitar o caminho e o restante da tarde para se conhecerem
melhor. Quem sabe não encontram alguma afinidade?
A resposta de Lara foi uma bufada de ar. Precisava encontrar forças para
o que estava prestes a se submeter. Agüentar a fedelha chata da Evelyn
iria atormentar-lhe profundamente a paciência. Não era mulher de
jogar e muito menos de enganar, mas realmente precisava de água para
seu gado e se Evelyn fosse a solução para os seus problemas, iria
até o fim.
Não pode ser tão difícil. É só uma menina!
Uma menina chata e voluntariosa, mas ainda sim era uma menina. Lembrou-se da
ultima vez em que se viram. Que menina mais levada!
Voltando pra casa depois de um longo período de estudos, Evelyn Morgan
ansiava poder abraçar novamente seu tão querido pai e sua adorável
irmã caçula. A viagem de trem estava sendo cansativa, já
fazia três dias desde a manhã fria em que embarcara na estação
Saint Luis para retornar a Charleston, seu verdadeiro lar.
Evelyn passou todo esse tempo se preparando na capital na casa de sua tia Emily
para ser professora, seu sonho era voltar pra sua cidadezinha natal formada
e poder lecionar para as crianças, ensiná-las a ler, escrever,
contar histórias, enfim, abrir um mundo novo pra elas.
Olhou pela janela de sua cabine, a julgar pela paisagem que estava tão
conhecida estava quase chegando em Charleston . Respirou fundo esse ar de campo,
essa grama verde molhada de chuva recente, as flores que iam passando ao vê-la
passar dentro de sua cabine no trem. Na verdade seu sonho sempre foi sair de
sua cidade natal, por ser uma cidade muito pequena, pouco tinha a oferecer em
termos de entretenimento e cultura, e ser professora era apenas mais um meio
para poder almejar o que queira. Foi com grande prazer que foi morar com sua
tia na capital, mas ultimamente uma idéia fixa não a abandonava,
descobriu que queria mesmo ser professora, e que lugar seria melhor do que Charleston?
Ao se formar, decidida Evelyn resolveu retornar para ocupar vaga de professora
deixada pela Senhora Flora, antiga professora da cidade que havia falhecido
de velhice. Era sua chance!
Alisou seu vestido verde numa tentativa vã de se recompor, estava um
tanto quanto empoeirado e amarrotado, seu cabelo estava preso num coque e fios
teimosos que escapavam do penteado austero a davam um ar de menina. Ao menos
poderia contar com a elegância do vestido que trajava, tão fino.
Tinha certeza que custara a tia Emily uma pequena fortuna, assim como todos
os outros vestidos que ela a tinha presenteado, trazia todos num grande baú,
também sapatos, chapéus.
Além de contar com a ajuda e hospitalidade de sua tia para se formar,
ela também a ensinava como uma verdadeira dama deveria se portar. Emily
sempre lhe dizia coisas como: Você deve ser vestir como uma dama! Não
destrate seus pretendentes! Faça uso do seu rostinho lindo e sorria para
os rapazes! Precisa agradar a vista dos homens para que seja a elegida de um
e possa se casar e dar-lhe filhos!
Mas essa não era bem a concepção de felicidade que Evelyn
tinha.
Teve seus pensamentos interrompidos por uma carinha bem sapeca que surgiu no
acento na frente do que estava sentada.
--- Oi moça bonita! --- dizia o pequenoo garotinho entre risos --- Você
está sozinha?
--- Oi rapazinho! Sim estou sozinha. ---- respondeu Evelyn sorrindo também
---- E você, está sozinho?
--- Claro que não estou sozinho! --- diisse ele com ar de importante ---
Sou uma criança e crianças não viajam sozinhas! Você
não sabia?
--- Hum... É que eu não tinha visto quee você era uma criança,
pensei que fosse um homem bem pequeno...
--- Tipo um anão?
--- Hahahaha... É, tipo um anão.
--- Não sou um anão, como já disse sou criança.
E você é uma moça solteira!
--- Albert! --- a mãe do garotinho chammou-lhe a atenção
--- vire-se pra frente e volte a sentarr-se!
Por um instante ele obedeceu para poucos segundos depois voltar a posição
anterior:
--- Porque você é solteira? --- ele perrguntou --- É bem
bonita, poderia ter se casado, não é como a minha tia Maggie,
ela tem uma verruga bem na ponta do nariz! Hahahaha... E é uma solteirona!
Hahahahah...
--- E como sabe que não sou casada?
>
--- Ora, moças casadas não andam por aíí sozinhas... E você
está sozinha.
--- Pense pelo lado positivo, garotinhoo, não preciso pedir permissão
a ninguém pra sair!
--- Diga! Por que não se casou?
Boa pergunta. Por quê?
--- Albert! --- a mãe do garoto voltou a chamar --- Volte já para
o seu assento! Ou ficará sem sobremesa hoje!
Mais que depressa com medo que a mãe cumprisse a ameaça, o garotinho
virou-se pra frente e se sentou.
Se vendo sozinha de novo, Evelyn se pôs a pensar novamente na pergunta
do garotinho. Porque não se casou? Ora, isso é muito fácil:
Não havia se casado porque não encontrou um partido que a fizesse
se interessar a esse ponto. Além do que aos 23 anos a única coisa
que queria era ser professora, e as professoras não se casavam, isso
era uma fato! Mulheres casadas não poderia trabalhar fora, pois tinham
o dever de ficar em casa cuidando do marido e filhos, em quanto que a professora
deveria ocupar seu tempo se dedicando com afinco a ensinar aos filhos dos outros.
Por algum motivo que nem a própria Evelyn soube definir qual, isso soava
bem cômodo para ela, não que ela usasse seu tempo para pensar nos
porquês da vida.
Mas nada disso importava agora, tinha coisas mais interessantes pra pensar como,
por exemplo, nas pessoas queridas que voltaria a rever brevemente. Seu pai,
que desde que sua mãe morreu quando contava cinco anos se convertera
em pai e mãe dela e da irmã Lila. Que saudade imensa sentia de
sua irmãzinha caçula. Era a criatura mais adorável que
conheceu na vida. Pela irmã, Evelyn era capaz de matar e morrer e a distância
entre elas a estava matando por dentro aos pouquinhos. Lembrou-se também
do rosto cansado e ao mesmo tempo terno de sua avó, viúva havia
se mudado pra casa das netas e do genro quando sua filha morreu. Quanta gente
querida essa cidade guarda, quantas lembranças.
Sua mente audaciosamente a obrigou a se lembrar de uma pessoa detestável!
Lara Mc Gregor. Que mulher odiosa! Essa não fazia a menor falta! Nem
todos esses anos longe de Charleston conseguiram apagar a imagem dessa desgraçada.
Evelyn bufou só de lembrar da imagem de Lara rindo as suas custas.
Poucos minutos depois o trem chegava a Estação de Charleston,
Evelyn olhou pela janela numa vã tentativa de encontrar o rosto conhecido
de seu pai. Era certo que ele viria buscá-la de carroça! Afinal,
a casa em que eles moravam era há mais de cinqüenta km de distância
da estação.
O trem parou e os passageiros desceram, alguns ao encontrarem seus parentes
e amigos riam, em quanto que outros choravam ao se despedirem. A vida é
mesmo engraçada, uns chegam, outros vão... E ela havia chegado.
E pra ficar. Mas onde estava seu pai?
Evelyn sentou-se no baú e ficou a espera de alguém, não
podia sair dali, pois o baú era muito pesado pra ser arrastado por uma
dama. Levantou-se irritada, estava agora batendo o pé com força
no chão, ansiosa por chegar ao casarão e tirar esse vestido quente,
esse espartilho apertado, tomar um banho decente e almoçar! Que fome!
Que cansaço!
Ao chegar na Estação
de trem, Lara parou a carroça numa sombra para que os dois cavalos não
ficassem expostos ao sol e saiu a procura de Evelyn.
Olhou ao redor, mas não encontrou nenhuma menina magrela e irritante.
Girou os olhos. Como era insuportável a idéia de ter que conviver
com aquela menininha chata, como se não bastasse ter que vir buscá-la
ela ainda resolve sumir! Será que veio mesmo?
Sorriu diante desse pensamento. Se ela desistisse de voltar a viver em Charleston,
não teria que passar por isso. Sabia que comprar a parte das terras de
seu vizinho onde se localizava o riacho seria a solução para os
seus problemas, mas o fato é que realmente aceitara essa situação
maluca, pra não dizer absurda, por amizade. Leonor era um amigo muito
querido e sabia que ele realmente precisava do dinheiro da venda das terras.
Já havia oferecido dinheiro emprestado, mas ele não aceitava,
era muito orgulhoso. Se o preço de salvar seus gados e ajudar seu amigo
a sair da enrascada em que se encontrava era ficar amiga de Evelyn Morgan...
Não conseguiu seguir com a linha de raciocínio, seus olhos estavam
cravados na direção de um belo traseiro, a boca estava seca.
--- Nossa! --- assobiou discretamente ---- Isso é que é mulher
--- disse para si mesma.
Era uma mulher dessas de parar carroças, carruagens... Estava parada
de costas para ela, dona de uma incrível cintura fina, com quadris arredondados,
cabelos loiros e lisos que lhe caiam até o meio das costas, com pequenos
e perfeitos cachos nas pontas. Ela virou de lado dando a chance de Lara estudar
seu perfil. O chapéu cobria-lhe o rosto, apenas dava pra notar um belo
narizinho bem feito, desceu o olhar, os seios eram firmes no tamanho adequado,
nem tão grande e nem pequeno. Descendo mais viu a curva que as ancas
faziam no contorno do lindo vestido verde que usava. Essa sim poderia ser considerada
uma dama. Tão linda... Pela expressão corporal, Lara notou que
ela estava um pouco ansiosa, talvez irritada. Mas o que importa o temperamento
quando se tem um belo corpo desses?
--- Ah... --- lamentou baixinho --- Nãoo poderei me dedicar a caçá-la,
Senhorita delícia, pois tenho que agüentar a fedelha da Evelyn!
Ah!
Ainda a estava olhando fascinada quando a loira virou-se de frente pra ela,
e o sorriso que emoldurava o rosto da morena sumiu como num passe de mágica,
dando lugar a uma expressão de pasmes.
--- Não pode ser! --- balbuciou a morenna num fio de voz
A loira se aproximava lentamente, com um andar sensual que deixou Lara ainda
mais petrificada.
--- Ainda tem o hábito de falar sozinhaa, Mc Gregor? --- disse Evelyn
num tom sarcástico
--- Evelyn! É você? --- disse por fim
--- Pois está falando com o lobo agorinnha... --- respondeu Lara ameaçadora
--- Pois claro que sou eu! --- disse Evvelyn irritada
--- Você está muito... Diferente.
--- Suponho que dez anos mude qualquer pessoa. Porque seria diferente comigo?
Já você está mais velha. Hahahahaha... Tem mais rugas! Hahahaha...
--- Hahahaha... --- Lara riu ironicamennte --- Muito engraçado! --- sorria
agora com o canto da boca e a olhava de uma forma intensa --- Evelyn, ninguém
reclama da minha aparência...
--- Onde está meu pai? Porque não veio buscar-me? --- a loira
perguntou impaciente desconversando
--- Não pôde vir, teve um pequeno probllema de ultima hora então
me pediu para que viesse recebê-la em seu lugar.
--- O que? Você está brincando, não é? A última
pessoa que meu pai pediria para vir receber-me é justamente você!
Ele sabe que não te suporto!
--- A recíproca é verdadeira --- responndeu com cinismo --- Agora
vamos embora logo que temos muita estrada pela frente e estou faminta! Vá
sentar-se na sombra na carroça que eu pego seu baú.
Evelyn não podia acreditar no que estava acontecendo. A última
pessoa a quem queria ver estava a ponto de escoltá-la até a casa.
O tempo não logrou apagar da memória da loira o ultimo encontro
delas. Naquele dia ela jurou que teria volta. Iria se vingar! Dessa vez seria
ela quem iria rir de Lara Mc Gregor, ou não se chamava Evelyn Morgan.
Agora sentada na carroça de Lara, a observava ao longe pegar sozinha
o baú que havia trazido da capital, não pode deixar de notar o
quanto aquela mulher morena era forte. O quanto era atlética, tão
diferente de todas as outras mulheres que conhecia... Ao mesmo tempo não
pôde reprimir a raiva que sentia por ela.
Foi quando uma idéia maluca se abrigou em sua linda cabecinha loira.
Sorriu diante desse pensamento. Olhou uma vez mais na direção
de Lara, ela estava vindo em direção à carroça,
há uns quarenta metros de distancia. Tempo mais que suficiente. Mais
do que depressa Evelyn trocou seu lugar de passageira e sentou-se no lugar da
condutora, pegou as rédeas dos cavalos e os incitou a andar, até
que corressem. Fez questão de olhar para trás e olhar para a cara
abismada de Lara, que agora havia largado o baú e corria atrás
da carroça gritando. Riu com um gosto ainda maior, enquanto a carroça
se afastava mais e mais da Estação de trem.
--- Quem ri por último ri melhor Mc Greegor! --- dizia a loira aos gritos,
gargalhando de satisfação --- Hahahaha...
Capítulo 2
Leonor se encontrava sentado numa cadeira de balanço na varanda do seu
casarão com um meio sorriso nos lábios se congratulando mentalmente
por sua esperteza. Se conseguisse que Evelyn e Lara se tornassem amigas, todos
os problemas das terras estariam resolvidos. Poderia passar dessa pra melhor
em paz.
As duas pensavam não ter nenhuma afinidade, pois ele sabia que era certo
que elas com o tempo se dariam bem. Ambas eram teimosas e audaciosas. Com a
diferença que Evelyn sabia se mostrar mais terna e amistosa, sempre viveu
cercada de amigos, podia-se dizer que era capaz de se dar bem com qualquer pessoa.
Enquanto que Lara por sua vez era um pouco mal humorada, de poucos amigos, porém
sinceros. Seus empregados peões a respeitavam não por sua beleza,
ou simpatia, mas porque ela era extremamente capaz. Comandava esses homens e
essas terras com mãos de ferro. Não admitia erros. Ninguém
ousava desafia-la por essas terras e qualquer vacilo por parte de seus empregados
era tomado como um desafio pessoal.
O som de uma carroça chegando tirou Leonor de seus devaneios, eram elas
chegando! Que saudade estava de sua primogênita!
Leonor levantou-se da cadeira de balanço e se preparou para recebê-las.
Enquanto a carroça se aproximava da casa, ele notou que era Evelyn quem
estava conduzindo a carroça de Lara. E estava sozinha!
--- Evelyn, filha! --- correu assustadoo ao encontro da loira --- O que aconteceu?
--- Que recepção calorosa! --- disse a loira num tom irônico
ao mesmo tempo que o abraçava
--- Onde está Lara?
--- Também senti sua falta, pai.
--- Evelyn, responda! Onde está Lara, eessa é a carroça
dela. O que aconteceu?
--- É bom estar em casa! E a propósito,, tenho fome!
--- Evelyn?! Responda!
--- Pai, primeiro quero ver minha irmã,, depois minha avó e quero
almoçar em paz --- disse cheia de determinação --- Depois
de matar a saudade de todos e me alimentar bem, me proponho a responder suas
questões. Agora vamos entrar.
Evelyn entrou no casarão, seguida por seu pai perplexo. Que diabos tinha
acontecido entre elas? Será que brigaram? Porque Lara permitiu que Evelyn
conduzisse sua carroça sozinha? Será mesmo que ela havia permitido?
Conhecia bem demasiadas artimanhas da filha mais velha.
--- Lila! --- Evelyn chamou a irmã quanndo a viu descer a escadaria da
sala de estar --- Minha irmãzinha! Vem aqui e me dê um abraço!
--- Eve! Senti tanto a sua falta! --- LLila não se continha de emoção
Abraçaram-se enquanto lágrimas rolavam livres pela face de ambas
--- Como você cresceu Li! --- disse a lloira se separando um pouco pra
olhar a irmã --- Está uma moça!
--- Você também está muito mudada Eve! --- respondeu Lila
por sua vez --- Tenho tantas coisas pra te contar! Quer ver meu vestido de noiva?
--- Onde está a minha neta linda! --- cchamou uma velha senhora que entrou
na sala nesse momento
--- Vovó! --- Evelyn abraçou a idosa ---- Quanto falta me fez vovó!
--- Fiz um almoço especial pra você, quuerida, tem fome?
--- Muita! --- a loira respondeu entre risos ---- Se eu soubesse que seria tão
mimada já teria voltado a mais tempo!
--- Querida, onde está Lara? --- a avó perguntou confusa--- Ela
não foi te buscar na Estação de trem?
--- Onde está aquele almoço prometido vvovó? --- desconversou
--- Tudo bem, primeiro a comida entra ee depois as palavras saem. Vamos para
sala de jantar --- a velha senhora respondeu sabendo que quando Evelyn não
queria dizer algo... Nada a faria falar antes de comer
Durante o almoço tudo foi maravilhoso, mais falavam do que comiam propriamente,
Evelyn falava pelos cotovelos, queria ser capaz de resumir todos esses anos
em apenas alguns minutos. Contou sobre seus estudos, sobre as manias da tia
Emily, sobre os teatros que freqüentou. Todos os outros três ocupantes
da mesa queriam exigir mais e mais a atenção dela, embora Evelyn
tivesse retornado ao lar, a saudade ainda era tanta que nada parecia abrandá-la.
Após a refeição foram todos se sentar na sala de estar.
Leonor sentou-se em sua habitual poltrona marrom de couro e acendeu seu charuto,
a avó sentou-se em sua cadeira de balanço enquanto que Evelyn
e Lila sentaram-se no sofá bege perto da lareira. Lila e sua avó
estavam fazendo bordados, ambos para o véu e a calda do vestido de noiva
de Lila.
Fez-se um silêncio de repente e um nó se formou na garganta de
Evelyn. Ela sabia que mais cedo ou mais tarde teria de explicar ao pai o que
havia acontecido com Lara, antes que ela chegasse reclamando sua carroça.
Não queria que o pai brigasse com ela... Mas pensando bem, qualquer sermão
do pai valia a pena de saber que aquela odiosa teria que andar... Andar muito
pra chegar. Talvez só chegasse ali no dia seguinte. Bem feito!
--- E então, Eve? ---o pai disse --- Esstou esperando uma explicação!
--- Bem, pai...
--- O que aconteceu entre Lara e você?<
As outras duas ocupantes da sala pararam os bordados que estavam fazendo e se
puseram a prestar atenção na conversa.
--- Pai --- Evelyn respondeu com uma caalma calculada --- A Mc Gregor teve de
ficar na Estação de trem.
--- Teve de ficar? --- ele questionou ddesconfiado --- Como assim teve de ficar?
Explica-me isso porque a minha cabeça não está atinando.
--- Ela... Eu... Bem... --- ela gaguejoou
--- Oh não, Eve! --- exclamou Leonor ---- Quando você gagueja algo
vai mal! Muito mal! Diga logo!
--- Eu a deixei lá. --- disse num só fôôlego
--- Você o que?
--- Você sabe que eu a detesto, pai! ---- levantou-se nervosa e se pos
a andar pela sala --- O que queria que eu fizesse?!
--- Esperava que fosse um pouco mais edducada! --- disse ele --- Eve, eu sei
que eu não a criei como deveria, sei que a deixei solta como gado no
pasto, você era tão pequena quando sua mãe morreu... Eu
tive pena de brigar com você, mesmo que fosse pro seu bem, pra te educar.
Quando senti que estava perdido entreguei pra Deus e pra sua tia Emily. Pensei
que ela havia logrado transformar-te em uma dama!
--- Ah, não é pra tanto, pai! --- dissee ela na defensiva --- São
só... Cinqüenta km a pé. Quase nada... Não precisa
fazer um discurso e nem nada...
--- Filha, você dessa vez conseguiu se meter em uma grande enrascada.
--- Você vai me castigar, paizinho? ---- a loirinha perguntou fazendo becinho
--- Não Eve, eu não vou castigá-la.
>
Evelyn soltou um suspiro de alívio. Cedo demais.
--- Eu disse que eu não vou castigá-la --- continuou ele frisando
o “eu” --- Mas Lara com certeza vai!
A loira sentiu um arrepio na espinha.
--- O que você quer dizer com isso, paii?
--- Ora, Evelyn, você bem sabe como Larra Mc Gregor pode se tornar quando
é passada pra trás. Pode esperar que o que é seu com certeza
está guardado. Prepare-se para quando ela bater nessa porta atrás
de você!
--- Não sei o que ela poderia fazer! ---- esbravejou ela --- De certo
não irá me bater! Então...
--- Evelyn, querida --- a avó disse ---- Eu realmente não queria
estar na sua pele. Tente não irritar muito Lara quando ela chegar aqui.
Ela é muito nervosa.
--- Ora, vocês! --- disse a loira quasee os gritos --- O que querem é
me enlouquecer! O que é isso? Um complô para afetar meu cérebro
irrecuperavelmente? --- virou para a irmã --- Vamos, Lila! Vamos para
o quarto, não quero ficar aqui ouvindo tantas besteiras!
Subiram para o quarto de Evelyn, estava limpo e bem arrumado. Era amplo, possuía
uma cama de solteiro de madeira branca bem ao centro do cômodo, além
de ter uma encantadora sacadinha.
As irmãs sentaram-se na cama e se deram as mãos.
--- Eve, você realmente não deveria terr feito isso com Lara.
--- Até você, Lila?! Mas o que é que esssa mulher tem que
deixa todos tão mexidos assim? Trêmulos! Ela é apenas uma
mulher de carne e osso como todas as outras.
--- Você não tem medo do que ela possa te fazer?
--- Vocês estão realmente brincando commigo, não?
--- Bem, uma vez quando um peão da fazeendo dela tentou vender um cavalo
por um preço maior do estabelecido para ficar com a vantagem, ela o amarrou
e o pôs a venda no mercado de pulgas por 10 cents. Teve uma vez também
que um homem tentou passar a perna nela num jogo de pôquer, ela estava
perdendo as botas e quando se deu conta que ele tinha cartas na manga... Bem...
Ela arrancou as roupas dele, derramou mel no corpo do pobre homem e o amarrou
como veio ao mundo num tronco de uma árvore repleta de formigas! E também
teve uma vez...
--- Chega Li! --- Evelyn interrompeu a irmã --- Não quero mais
ouvir nada sobre Mc Gregor! Não importa o que ela já tenha feito,
pois comigo não fará nada. Não poderá vender-me
no mercado de pulgas, papai tampouco permitiria que ela me amarrasse nua numa
árvore!
--- Eu não disse que ela faria isso comm você --- respondeu Lila
--- Bem... Não exatamente... Lara é muiito criativa!
--- Oh, como isso me consola, Lila! ---- respondeu ironicamente --- Dormirei
bem melhor essa noite, muito obrigada!
--- Desculpe, mana, só pensei que deverria saber...
--- Lila, me faz um favor? Deixa-me sozzinha, estou exausta, preciso dormir um
pouco.
Passava um pouco da
meia noite. O casarão dos Morgan encontrava-se às escuras e em
silêncio, mas a verdade era que todos os habitantes do casarão
se encontravam despertos, cada um em seus respectivos quartos. Todos fingiam
dormir, e todos esperavam pela chegada de Lara Mc Gregor. Principalmente Evelyn.
A loira dormiu um instante durante a tarde, e tentava se convencer que a sua
sesta era o verdadeiro motivo de não poder conciliar o sono agora e não
por medo ou ansiedade, ou qualquer que fosse o nome que daria ao sentimento
que se instalara em seu âmago nesse momento. Será que ela viria
mesmo? De certo que viria pegar sua carroça.
Um barulho do lado de fora do casarão fez-se ouvir. Passos na paz da
madrugada parece soar mais alto do que realmente são. Outro barulho.
Parece o ranger do portão. Seria Lara ou o cachorro da família
tinha tomado lições de como abrir portões? Quem sabe ela
só não tinha vindo pegar a carroça? Poderia ser, pois estava
tarde e o que quer que seja que ela pretenda fazer vai deixar para amanhã...
Ou não? Outro barulho. E dessa vez no vidro da janela de Evelyn, parece
uma pedrinha se chocando contra o vidro. É, já devia saber que
Lara Mc Gregor não é mulher de deixar nada para amanhã.
Outra pedra se fez ouvir ao se chocar novamente contra o vidro.
--- Evelyn!
A voz de Lara chegou aos ouvidos apavorados de Evelyn.
--- Evelyn! Desça já ou irei te buscar!!
Não tinha jeito, o melhor era enfrentar. A contra gosto e tentando controlar
a tensão que se instalara em seu corpo, Evelyn levanta de sua cama quentinha
e caminha até a porta da sacadinha, a abre e sai pra sua varandinha pessoal
no alto do segundo andar.
--- O que foi Mc Gregor? --- a loira peerguntou tentando falar baixo --- Acaso
quer acordar todo mundo? Não tem nada melhor pra fazer no meio da noite
não? Já pensou em contar carneirinhos?!
--- Desça já aqui Evelyn Morgan! Ou nãoo me responsabilizo
pelos meus atos!
Será que Evelyn ouviu risos abafados? Seriam de seu pai? Sua avó?
Ou sua irmã? Ou quem sabe dos três?
--- Pois não descerei! --- respondeu Evvelyn por fim
--- Estou subindo! --- disse a morena aameaçadora
--- Desça logo Evelyn! --- a voz de Leoonor se fez ouvir --- Pare de fugir,
minha filha! Resolvam suas pendências de uma vez!
--- Traidor! --- Evelyn sussurrou mais pra si mesma do que para o próprio
pai
--- Está bem! Descerei!
Uma vez no andar térreo, Evelyn abriu a porta da sala com a cabeça
erguida. Deparou-se com uma Lara suada, apesar do frio da noite e muito empoeirada.
Mas o que mais a chamou atenção foi o tipo de olhar que encontrou
naqueles estupendos olhos azuis, enigmático, talvez até um pouco
de diversão camuflada, e algo mais intenso, um fogo, uma chama que ardia...
O que era isso no olhar de Lara?
--- O que quer Mc Gregor?
--- Quero jantar, estou faminta --- resspondeu séria
--- Pois sinto te informar que chegou ttarde, comemos tudo no jantar! Chegou
atrasada Mc Gregor. Passe amanhã!
Evelyn tentou fechar a porta na cara da morena que ainda se encontrava ali,
mas está pôs o pé entre a porta e a soleira e adentrou na
sala de estar.
--- Ah, não tem mais comida? --- Lara pperguntou num tom de visível
diversão --- Sabe que eu soube que você cozinha muito bem...
--- Ah, nem pensar nisso! Não vou cozinnhar pra você a essa hora
da madrugada!
--- Ah, vai sim... Você me deixou a pé e me fez perder tanto o
almoço quanto o jantar, nada mais justo do que agora você cozinhar
pra mim.
Lara puxou Evelyn pelo braço e a levou até a cozinha.
--- Pois bem --- disse a morena para a loira --- Quero ovos, bacon, torradas
e café. E seja rápida.
Lara sentou-se a mesa em sinal de espera. E em sinal de resignação
Evelyn começou a pegar os utensílios domésticos que precisaria
para preparar a refeição da morena.
Nada podia fazer agora, teria de abaixar a cabeça e fazer o que ela lhe
ordenava. Como era horrível receber ordens dessa mulher! Não era
justo! Tudo o que tinha feito foi pagar a vergonha que Lara Mc Gregor a fez
passar dez anos atrás! Porque ela também não poderia esperar
mais dez anos pra pagar a brincadeira da carroça? Realmente não
era justo!
Foi quando mais uma idéia maluca surgiu em sua mente. De costas pra Lara
tentou disfarçar um sorrisinho malicioso. Ela queria jantar? Pois ela
iria jantar então!
Capítulo 3
Sentada numa cadeira com os pés confortavelmente instalados
cruzados em cima da mesa, Lara ria por dentro enquanto observava a movimentação
de Evelyn para lhe preparar o jantar. A loira estava de costas pra ela fritando
ovos. Que belo traseiro! Continuou a contemplá-la quando ela se virou
e foi até o armário pegar pão para fazer torradas. Que
seios! Lindos! Que cinturinha mais bem feita! E que quadril mais perfeitinho,
arredondado! E esses olhos tão verdes... Seria possível que estivessem
ainda mais verdes e mais brilhantes? Não... O certo é que nunca
havia reparado antes, nunca havia se perdido no verde mar desse olhar.
Realmente, Evelyn não era mais a mesma... Dez anos
foram mais do que suficientes para fazer aquela menininha magrela e sem graça
se transformar nessa mulher estupenda. Simplesmente deliciosa.
Mas infelizmente essa deliciosa e maravilhosa mulher se tratava
de Evelyn Morgan, e se por fora era essa metamorfose, por dentro ainda conservava
a alma pueril daquela menininha que havia conhecido desde que esta nasceu há
vinte e três anos.
E ainda por cima era filha de seu grande amigo, Leonor, e
tinha um trato com ele: Tentaria ficar amiga de Evelyn, ser amante estava fora
de cogitação. Pena que a dona desse corpo tenha que ser Evelyn...
Será complicado conseguir se manter relaxada perto de uma beleza dessas.
--- Está pronto --- disse Evelyn arrumaando os pratos na mesa --- Aqui
estão seus ovos fritos, seu bacon, suas torradas e seu café.
Lara estava petrificada olhando tudo aquilo. Não era
possível! Ou Evelyn cozinhava muito mal ou havia aprontado mais uma das
suas!
Os ovos estavam nadando em gordura, os pedacinhos de bacon
estavam crus, as torradas todas queimadas.
A expressão de Lara era indecifrável. Sentia
o olhar de Evelyn sobre ela, sabia que a loira estava esperando sua reação.
Saindo do transe em que estava, a morena pegou seu prato e
se serviu de cada uma das coisas que a loira a tinha preparado. Também
despejou um pouco do líquido fumegante negro em sua caneca. Tomou cuidadosamente
o café. Estava amargo, extremamente forte. Engoliu com calma e depois
comeu os ovos, as torradas, o bacon, enfim, limpou o prato.
--- Você cozinha muito bem Evelyn! --- disse a morena com falso entusiasmo
--- Co-Cozinho? --- a loira perguntou ggaguejando, com evidente assombro
--- Tudo estava delicioso --- disse se levantando --- Me convida pra jantar
outro dia. Fico com água na boca só de pensar em provar... ---
a morena a olhou de cima a baixo e de baixo a cima --- Sua comida outra vez.
Encaminharam-se para a porta da frente.
--- Até amanhã, Evelyn --- despediu-se a tocando no braço
Evelyn se esquivou do contato da mão de Lara com uma
fúria contida.
--- Espero não te ver amanhã e nem nuncca mais Mc Gregor!
--- Pois eu espero vê-la amanhã e todoss os próximos dias
de minha vida --- piscou um olho pra ela e saiu pela porta e se perdeu na escuridão
Lara pegou sua carroça e rumava para sua fazenda enquanto
não conseguia ordenar os pensamentos.
No dia seguinte pela manhã, Evelyn estava a caminho
da fazenda de Lara Mc Gregor de carroça com seu pai. Estavam indo comprar
um cavalo para ela, afinal não podia andar por aí a pé,
tudo era muito longe da fazenda em que morava.
--- Pai, tem certeza de que temos mesmoo que comprar o cavalo na fazenda de Mc
Gregor?
--- Claro que sim, Eve! --- respondeu oo pai --- Lara tem os melhores cavalos
da região, puro sangue, tem exemplares belíssimos. Quero o melhor
para a minha filha!
--- Pois o melhor pra mim seria não terr que olhar pra cara de Mc Gregor
nunca mais!
--- Um dia, quem sabe, você muda de idééia...
Essa frase soou aos ouvidos de Evelyn como uma afirmação
ao invés de uma pergunta. Não sabia explicar o porquê, mas
não gostava do tom do pai quando se referia a ela e a Lara e a possibilidade
mais do que remota de se tornarem amigas. Os deuses sabiam que isso é
impossível. Como água e azeite, não dão pra misturar.
Estavam entrando pela porteira das terras de Mc Gregor, Evelyn
reparou que tinha uma grande placa de madeira trabalhada onde se lia: "Fazenda
Arco íris".
Eram terras vizinhas as suas, sabia que era muito maiores
que as suas e que Mc Gregor possuía um grande haras, além de aproveitar
os lucros de toda a colheita de sua terra, que sabia ser muito, ou seja, ela
era uma pessoa rica.
--- Pai? Mc Gregor tem muito dinheiro....
--- Sim, ela tem. Muito mais que nós.
--- Sabe, minha filha... Lara é uma pesssoa diferente, ela gosta de ser
ela mesma, não finge pra agradar ninguém. No começo eu
achava estranho, mas agora já acostumei que ela use calças. É
uma mulher tão bonita... Se quisesse poderia se casar com o melhor partido
de todo esse país.
Sim... Era verdade... Lara era... Linda! Como não tinha
notado antes? Claro que já havia notado, mas agora parecia... Diferente.
Como se estivesse acordando de um sonho e enxergando pela primeira vez a realidade:
Lara era uma mulher mais que bonita, era estupenda, fenomenal... Toda essa ira
contra ela esse tempo todo a cegou para as qualidades físicas da morena.
Sim, qualidades físicas, porque não tinha mais nenhuma! Disso
estava certa!
Evelyn avistou Lara ao longe, cavalgando em círculos
dentro de um cercado, num lindo corcel negro.
Ao chegarem mais perto a morena notou a presença deles,
desmontou e se direcionou para receber os visitantes.
--- Bom dia Leonor! --- cumprimentou o amigo e virou-se para a loira --- Evelyn,
não me diga que veio convidar-me para o almoço! E que você
vai cozinhar?!
Como resposta a loira abaixou a cabeça inquieta, o
que não passou despercebido a Leonor.
--- Viemos comprar um cavalo para Evelyyn --- disse ele a morena
--- Tudo bem, Evelyn, sinta-se a vontadde para escolher qualquer um que queira
--- disse indicando com o mão direita oonde estavam os cavalo disponíveis
--- Gostei daquele lá --- disse apontanndo para o cavalo negro que Lara
estava montando há pouco
--- Esse cavalo não está pronto Evelyn --- respondeu com tom profissional
--- Está ainda sendo domado.
--- Mas eu quero este! E você o estava montando agora mesmo!
--- Exatamente, estou tentando domá-lo!! Escolha qualquer um outro.
Muito a contra gosto, a loira escolheu um cavalo branco, também
muito bonito.
--- Evelyn, hoje terá uma festa de conffraternização entre
meus peões e suas famílias --- Lara disse tentando fazer uma média
com a loira --- Gostaria de vir a festa? É claro que todos de sua família
estão convidados.
--- A que horas será a festa? --- Evelyyn perguntou
--- Será às sete horas da noite.
--- Ah... Desculpe Mc Gregor ---responddeu com ironia --- As sete da noite eu
costumo... Dormir.
--- Você não dorme tão cedo assim, Evellyn! --- o pai repreendeu
--- Será bom para uma moça jovem e soltteira vir a uma festa.
--- Pois realmente preciso dormir cedo,, dizem que faz bem pra pele e evita rugas...
--- Evelyn, eu não poderei vir a festa --- falou Leonor --- Tenho compromissos
na cidade vizinha, negócios. Desta forma você terá de acompanhar
sua irmã e o noivo dela. Você sabe que os dois não podem
andar sozinhos por aí antes do casamento.
--- Ótimo! --- Lara respondeu --- Estarrei a sua espera, Evelyn. E também
de sua irmã e de Rodolfo.
--- Está bem --- Evelyn respondeu a conntra gosto --- Batalha perdida.
Um dos peões chegou chamando Leonor para conversar,
ambos se afastaram um pouco deixando as duas sozinhas.
--- A batalha pode estar perdida --- disse a loira para a morena --- Mas
a guerra só está começando.
--- Te espero as sete em ponto --- dissse Lara ignorando a ameaça da mulher
mais baixa a sua frente
Evelyn se virou com intenção de ir para perto
do pai, mas Lara a segurou pelo braço e disse:
--- Evelyn... --- o tom era divertido ---- Você não tem rugas...
--- ergueu a mão e acariciou o rosto daa loira --- E sua pele é
perfeita.
Evelyn sentiu aquele olhar sobre ela de novo quando a ouviu
proferir essas palavras. E de novo não pode identificar o que era. O
que era esse olhar? Ficaram perdidas se olhando e só pararam porque Leonor
chamou Evelyn para voltar ao casarão.
Um
pouco sem graça, Lara percebeu que ainda mantinha o braço de Evelyn
preso pela sua mão e a soltou de imediato.
Viu a loira girar o corpo novamente para ir embora e dessa
vez não a impediu. Porque será que estava fazendo questão
da presença de Evelyn na festa? Seria pelo trato com Leonor ou porque
estava se apaixonando por ela? Claro que não! Que idéia mais estúpida!
Se Evelyn tinha se transformado na mulher mais linda que já tinha visto,
também conseguiu o mesmo mérito no quesito teimosia e infantilidade.
--- Porque diabos essa loira não esquecce de uma vez por todas o que aconteceu
há dez anos? --- se perguntou em voz alta
Pediu que um dos seus empregados preparasse o cavalo escolhido
por Evelyn para que ela pudesse levá-lo de uma vez. Durante esses poucos
minutos fez questão de se manter afastada da loira fingindo estar ocupada
com assuntos da fazenda, precisava se concentrar ou estragaria todo o plano
que Leonor traçara e a proximidade de Evelyn a deixava com raciocínio
lento, dizia e fazia coisas não programadas para alguém que deseja
conquistar a amizade de alguém. Porque ela a afetava tanto? Diabos!
Agora a vendo se afastar montada em seu cavalo novo, numa
cela para mulheres, que era para se sentar de lado por causa do vestido, sentia
uma coisa estranha no peito.
Desde que começara a se aventurar no mundo das paixões,
Lara sabia que só tinha um jeito de esquecer uma mulher: Levando-a para
a cama. Mas isso estava fora de questão. Evelyn era filha de seu grande
amigo e iria fazer o possível para respeitá-la, em nome da amizade.
Tratou de tentar manter a cabeça longe da loira ao
menos até a noite, até lá muitas coisas precisavam ser
feitas. Ainda tinha um longo dia de trabalho pela frente.
Era quase sete horas da noite quando Rodolfo, o noivo de sua
irmã passou para pegá-las em sua carroça. Evelyn estava
usando um vestido amarelo claro que era apertado na cintura e possuía
um decote generoso. Coisas da tia Emily, que sempre fazia questão de
dizer-lhe que devia realçar o que Deus havia lhe dado. Seria o caminho
mais fácil para o casamento. Por não querer discutir com a tia,
Evelyn aceitava todos os seus presentes, não queria fazer desfeita, além
do que realmente se sentia bonita quando bem arrumada, como estava agora. Seus
cabelos estavam soltos e lhe caía pelas costas a dando um ar ainda mais
jovial e atraente.
Ao chegar à festa, desceu da carroça em companhia
do casal de noivos e seguiram para uma mesa de madeira que estava próxima
a fogueira.
O local estava cheio de gente, homens, mulheres e crianças,
estavam numa animação só e não parava de chegar
mais gente ainda.
Havia alguns peões tocando uma canção
dançante muito agradável e sem perceber Evelyn começou
a mexer o corpo e a sorrir.
--- Quer dançar comigo, Evelyn Morgan?<
A loira olhou pra cima e se deparou com nada mais e nada menos
do que Richard! Como estava mudado! Não era mais um menininho, era um
homem feito! E muito bonito, por sinal.
Levantou-se de imediato e o cumprimentou com um aperto de
mãos.
--- Richard! Como está crescido!
--- O mesmo te digo, Evelyn... Está ainnda mais bonita do que era...
--- Hahahaha... --- divertiu-se ela ---- Como você é galante, Rich!
Nós dois sabemos que beleza era uma qualidade que eu não tinha
aos treze anos de idade! Hahahaha...
--- Não diga isso Evelyn! Você mais parrecia um anjo! E agora...
Está... Está...
--- Estou?
--- Simplesmente fenomenal!
Evelyn corou levemente e sorriu um pouco sem graça.
--- Você sempre conseguindo me deixar vvermelha...
--- E você sempre conseguindo fazer meuu coração bater forte...
Sentada sozinha num canto afastado, Lara não perdia
nenhum detalhe da festa. Não era correto afirmar que a morena fosse anti-social,
pois ela era muito extrovertida e tinha um certo tino para comandar pessoas,
para ser líder, simplesmente não gostava de estar onde tivesse
muita gente junta. O fato era que nessas ocasiões sempre acabava se irritando.
Os homens que trabalhavam para ela a respeitavam, mas isso não queria
dizer que não tentavam cortejá-la, mesmo os compromissados. Mas
Lara era totalmente avessa à idéia de casamento, gostava mesmo
era de mulheres e isso fazia com que não tivesse assuntos em comum com
as damas da sociedade, muito menos com as esposas de seus empregados. Gostava
mesmo era de conversar com Leonor e com Ramon, seus dois grandes amigos. Com
eles sentia-se à vontade para jogar conversa fora e ser ela mesma, sem
truques. O caso é que nenhum dos dois compareceu ao evento.
Dali de onde estava pôde ver com riqueza de detalhes
o momento em que Evelyn chegou à festa acompanhada da irmã e do
futuro cunhado. A viu se sentar numa mesa perto do fogo e agora observava Richard
Jackson, que agora era um dos peões de sua fazenda, se aproximar dela.
Por um motivo que não queria admitir, não estava gostando nada
do que estava vendo. Viu que ela havia se levantado para cumprimentá-lo
e agora estavam conversando.
Um filme passou em sua mente, dez anos atrás, a cena
que pegou atrás do celeiro, Evelyn beijando esse rapaz.
Num ímpeto a morena se levantou decidida.
Capítulo 4
--- O que disse? ---
Evelyn perguntou ao rapaz, um pouco assustada
--- Eu disse que você sempre consegue ffazer meu coração
bater forte --- disse ele olhando-a intensamente nos olhos --- Quer dançar
comigo?
Meu Deus! Esse era o tipo de olhar que Lara lhe dava! Só
que muito mais intenso... O que era isso? Em Richard caia como... Desejo! Será
que Lara também a olhava com desejo? Não, claro que não!
Que besteira!
Todo esse pensamento durou cerca de um segundo. Evelyn se
obrigou a responder a pergunta que seu velho... Amigo a tinha feito. O que tinha
a perder?
--- Sim Rich, quero dançar com você.
--- Não! Você não irá dançar com ele! ----
disse Lara num tom sério
--- Mc Gregor, caso não tenha reparado,, não tenho mais treze anos!
--- disse a loira num misto de surpresaa e irritação
--- Eu sei que você não tem mais treze anos, Evelyn! --- respondeu
ainda a segurando --- É impossível não reparar...
De novo aquele olhar tão intenso sobre ela. Aqueles
olhos azuis jogando com os olhos verdes da loira a estavam atormentando...
--- Então porque não me solta para que eu possa ir dançar
com Rich?
--- Porque seu querido amiguinho é o hoomem mais cafajeste que existe
por essas bandas! A única coisa que ele quer é beijar você!
--- E quem disse que talvez eu não o quueira beijar também?
--- Você quer me beijar? --- perguntou ele com os olhos brilhando se acercando
dela
--- Espera ai, Richard, eu disse talvezz --- respondeu a loira o empurrando levemente
para o lado
--- Você não pode estar falando sério! --- Lara disse incrédula
--- E porque não? Ele é bonito, ele é....
--- Pois então vá dançar com ele, depoiis vá fazer
um passeio atrás do celeiro e quem sabe depois ele não te apresenta
a esposa e os quatro filhos!
--- Esposa? Filhos? --- perguntou a loiira embasbacada
--- Anda, Richard, seja homem! Diz pra ela!
--- Evelyn... Eu...
--- Olha, não precisa dizer nada --- diisse a loira para ele --- Foi tudo
um... Mal entendido, não é verdade Richard?
--- Sim... É...
--- Então saia logo daqui e nos deixe aa sós! --- Lara disse, era
uma ordem e não um pedido
Ele saiu com a cabeça baixa de vergonha, não
teve coragem de olhar nos olhos de nenhuma das duas mulheres.
Mas nenhuma das duas o viu se afastar, ficaram se olhando
nos olhos, cada uma com um sentimento diferente.
--- Porque você fez isso, Mc Gregor?!
--- Não preciso da sua proteção! Você nnão
é a minha mãe!
--- Não, não sou sua mãe --- assentiu aa morena --- Mas
eu posso ser sua amiga.
--- Hahahaha --- deliciou-se a loira ---- Não me faça rir! Você?
Minha amiga? Hahahaha...
--- E porque não? Seria uma troca interressante... Garanto que tem muitas
coisas que podemos aprender uma com a outra.
--- Amizade não nasce do nada, Mc Gregoor!
--- Tem razão, Evelyn. Eu vou conquistaar sua confiança e a sua
amizade.
--- E porque o interesse?
--- Sou uma pessoa sozinha...
--- Não me admiro.
--- Evelyn... Dê-me uma chance de provaar pra você que posso ser
sua amiga.
--- Claro que te darei uma chance --- ddisse ela irônica --- Na minha próxima
vida você me procura.
Sem mais e sem menos a loira se afastou rapidamente sem deixar
espaço para respostas de Lara. Foi até a mesa onde estavam sentados
a irmã e seu noivo.
--- Lila, estou um pouco indisposta, appreciaria muito se fôssemos embora
agora.
--- Sim, vamos.
Rodolfo as levou para casa e em pouco tempo Evelyn já
se encontrava deitada em sua cama pronta para dormir, mas de novo não
conseguia pregar o olho. Que história mais sem pé nem cabeça
era essa de Lara querer ser sua amiga? Seria verdade que se sentia sozinha?
Pois que fosse curar a solidão com outra pessoa! Preferia fazer amizade
com um dos cactos do quintal do que com Lara Mc Gregor!
O
dia seguinte era um sábado ensolarado, era véspera do aniversário
da cidadezinha e no dia seguinte haveria um piquenique num gramado maravilhoso
ao redor de um lago bem no centro da cidade e todos os habitantes compareceriam
para as festividades. Haveria jogos, sorteios e até mesmo um leilão
de iguarias beneficente, onde as mulheres da cidade deveriam cozinhar uma comida
especial e os homens que comprassem teriam o privilégio de almoçar
com a moça que havia preparado a comida em questão.
Como os fundos do leilão iriam para um orfanato, Evelyn
fez questão de participar. Iria cozinhar um enorme leitão assado
com recheio de batatas e legumes e quem o comprasse ainda levava de brinde um
bom vinho para acompanhar que ela mesma havia feito questão de escolher.
Deu os últimos retoques no leitão e o pôs ao fogo
para assar.
Lila também estava empolgada cozinhando um pato defumado.
--- Ah... Será que Rodolfo irá gostar ddo pato que estou fazendo?
--- perguntou Lila para sua irmã
--- Isso se for Rodolfo que comprar seuu pato --- respondeu em tom de brincadeira
sabendo que a irritaria
--- Claro que será ele! Quem mais?
--- Nunca se sabe... De repente há outrros rapazes interessados em você,
Lila...
--- Se há outros rapazes interessados eem mim, tenho certeza que eles
sabem que sou comprometida e não se atreveram a dar lances no meu pato!
--- Calma, Lila! Eu só estava brincandoo... Tenho certeza de que Rodolfo
pagaria todo seu salário anual no seu pato só para almoçar
com a cozinheira. Hahahaha --- e riu divertida --- Ele é muito apaixonado
por você!
--- Pois é, Eve... Eu já tenho noivo e tenho certeza que amanhã
você arranjará pretendentes dispostos a firmar compromisso! Quem
sabe nos casaremos no mesmo dia?! Já pensou um casamento duplo?! Seria
lindo...
--- Não diga besteira, Lila... É só um leilão beneficente,
é caridade para os órfãos. Não é um concurso
para arrumar marido!
--- Leilão, concurso, seja o que for.... O homem que comprar seu leitão
estará manifestando diante da cidade inteira interesse pela sua pessoa.
--- Vamos mudar de assunto?
A contra gosto Lila não tocou mais no tema em questão.
O silêncio que pairava a cozinha foi cortado pela avó das meninas
que chegou chamando Evelyn.
--- Evelyn, tem visita pra você.
--- Visita pra mim? Quem é vovozinha?
--- Pois diga a essa mulher que estou oocupada.
--- Não está não! --- a voz de Lila se fez ouvir --- Você
já terminou de preparar seu leitão.
--- Boca grande! --- disse a loira paraa a irmã, sacando a língua
--- Se está livre do leitão não há motiivo para não
receber Lara, que é uma grande amiga de seu pai. --- disse a velha senhora
Sabendo que não adiantava protestar mais, Evelyn lavou
as mãos, enxugou no avental que usava e se encaminhou para a sala para
ver logo o que a morena queria com ela.
Ao ficarem frente a frente, Lara lhe sorriu. Não era
qualquer sorriso, era praticamente uma onda que a arrastava para o mar azul
do olhar dela, que a deixava meio fora de rota, meio tonta, meio boba.
--- Oi Evelyn!
--- Oi... --- a loira respondeu se recuuperando do efeito devastador do sorriso
da morena --- O que você quer?
--- Você é assim sempre tão acolhedora com suas visitas?
--- Não, só com as indesejadas.
--- Eu vim em paz, Evelyn...
--- Enquanto você e eu estivermos habittando o mesmo planeta paz será
apenas uma utopia e nada mais.
--- Hahahaha... --- divertiu-se a morenna --- Sempre tão espirituosa...
--- E você sempre com esse espírito de porco...
--- Porco? É... Estou sentindo cheiro dde leitão... Sua irmã
o está cozinhando para o leilão beneficente de amanhã?
--- Não, eu o estou cozinhando.
--- Você?! --- não podendo mais se contter soltou uma sonora gargalhada
--- Hahahahaha... Mas você... Quer dizeer... Você cozinha estupendamente...
Se quiser concorrer a pior cozinheira do século o titulo já é
seu! Hahahaha...
--- Muito graciosa você... --- a loira respondeu irritada --- Pois fique
sabendo que o meu leitão será disputadíssimo!
--- Claro que será disputado --- a moreena respondeu --- Há muitos
suicidas na cidade...
--- Se veio aqui me ofender pode voltarr pelo mesmo caminho --- Evelyn disse
irritada
--- Não! Evelyn, desculpe-me. --- dissee a morena aparentando estar realmente
arrependida --- Eu vim aqui como sua amiga. Podemos conversar sobre qualquer
coisa que queira --- o olhar desconfiado da loira não a intimidou ---
Sei que você é uma exímia contadora de histórias,
poderia me contar uma!
--- Pois saiba que prefiro contar históórias para as galinhas! Elas
são um público mais agradável.
--- Evelyn... --- a morena se aproximouu da loira e parou bem próxima
a ela, quase encostando --- Do que você tem medo?
--- Não seja ridícula! Não tenho medo dde nada!
--- Pois então se sente aqui e conversee comigo --- disse num tom desafiador
indicando o sofá
Mas a loira não estava disposta a ceder.
--- Não tente me manipular, Mc Gregor ---- sua voz demonstrava segurança
--- Não me confunda com um de seus peõees que obedecem cegamente
cada ordem sua por medo de perder o pescoço.
--- Não estou te dando uma ordem, Evelyyn. Estou apenas pedindo educadamente
que se sente aqui comigo para trocarmos algumas palavras.
--- Já trocamos palavras suficientes paara toda uma existência.
Agora me dê licença, vou tirar o leite da vaca.
--- Sugiro que arrume outra desculpa, jjá esta quase anoitecendo e as
vacas estão dormindo.
--- Então eu as acordarei --- disse Eveelyn levantando o nariz para falar
--- Qualquer coisa é melhor do que ficaar aqui com você.
--- Bom, isso realmente é uma pena. Eu queria mesmo poder desfrutar de
sua companhia.
--- Pois perde o seu tempo.
--- Eu nunca perco nada --- a morena diisse segura --- E não será
agora que começarei.
--- A última palavra sempre tem que serr sua, não é Mc Gregor?
--- Depende da ocasião. É claro que agoora estamos em um duelo
verbal onde tudo pode acontecer...
--- Pois então te direi quem ganha estee duelo: Sou eu, a última
palavra é minha e será: Adeus.
--- Até amanhã, Evelyn.
--- Aff! --- bufou
Irritada, Evelyn saiu da sala, deixando Lara sozinha. Foi
para o seu quarto e se trancou, não queria olhar para a cara dela nunca
mais. A odiava desde os treze anos de idade. Era um sentimento que fazia parte
do seu ser, tão vivo e preso a ela como um rim, ou um pulmão.
Nada no mundo poderia mudar isso.
No dia seguinte, no grande piquenique de aniversário
da cidade, Lara não se dava por vencida. Leonor estava certo, adorava
um desafio, principalmente um tão delicioso quanto lutar pela atenção
de Evelyn. Como essa loira é bonita! Embora tivesse temperamento de um
cavalo selvagem. Não tinha jeito, precisava domá-la como havia
feito com inúmeros cavalos de seu haras. É claro que domar Evelyn
seria muito mais agradável e sobre tudo gratificante, agora não
só pelas terras que conseguiria emprestada, mas pela própria Evelyn.
Sentada numa pedra a beira do riacho, com os longos cabelos
negros soltos bailando ao vento, trajando calça jeans, chapéu
de cawboy e uma camisa fina branca de botões na frente, olhava ao redor
a procura da loira, nem sinal dela. As pessoas em volta pareciam transpirar
felicidade, as crianças corriam para um lado e para o outro brincando
de pique e os adultos se encontravam espalhados, alguns sentados na grama sobre
toalhas de piquenique e outros dançando próximo ao palanque construído
especialmente para a data, onde havia uma banda tocando.
Momentos depois seus olhos azuis se encontraram com um belo
par de olhos verdes. Seu corpo estremeceu. Evelyn estava ainda mais bonita num
vestido de azul com fitas num tom de azul escuro e bordado branco, seus cabelos
estavam presos numa trança.
Não teve a chance de se aproximar, pois a loira se
encaminhou com Lila para o palanque onde fariam companhia as outras moças
que cozinharam as iguarias para o leilão. Sinal de que este já
iria começar.
Dito e feito. O leilão começou e o primeiro
prato a ser leiloado foi o de Lila.
--- Senhoras e Senhores --- disse a priimeira dama da cidade --- Lila Morgan
preparou para o leilão beneficente um delicioso pato defumado --- disse
ela segurando o embrulho do pato na mão --- Quem será o gentil
cavalheiro sortudo que irá almoçar com a bela Lila hoje? Podemos
dar inicio ao leilão.
--- Eu pago 10 tostões pelo pato! --- ggritou um rapaz desconhecido
--- Eu dou 20! --- gritou Rodolfo
--- 25! --- gritou um terceiro rapaz
Silêncio.
--- Alguém da mais de 30 tostões pelo ppato? --- a primeira dama
perguntava olhando em volta --- Ninguém?
Mais silêncio.
--- Vendido para o Sr. Rodolfo Bragan! --- a primeira dama deu o veredicto
Lara viu quando Lila desceu do palanque sorrindo satisfeita
por poder almoçar com o noivo.
O segundo prato a ser leiloado foi o de uma moça ruiva
muito jovenzinha.
--- Senhoras e Senhores --- recomeçou aa primeira dama --- Ruth San Claire
preparou um belo assado de bode. Podemos começar o leilão.
--- 7 tostões --- gritou um rapaz
--- 10 tostões! --- gritou outro rapaz<
--- Eu pago 20 tostões para almoçar comm a Senhorita Ruth! ---
gritou o primeiro rapaz
--- 26 tostões! --- o segundo
Novamente fez-se silêncio e a primeira dama deu a partida
por encerrada.
Agora quem se dirigia para o centro do palanque para ficar
ao lado da primeira dama era Evelyn.
Lara sentiu seu estômago se contrair.
--- Senhoras e Senhores --- disse a priimeira dama pronta pra outro leilão
--- Evelyn Morgan preparou Leitão assaddo. Vamos dar inicio ao leilão.
--- 10 tostões! --- gritou um rapaz loiiro
--- 15 tostões! --- Peter, o filho do pprefeito gritou
--- Eu pago 25 pelo leitão! --- gritou um terceiro rapaz
--- 30! --- gritou um quarto rapaz, maiis um de seus peões
Lara se perguntou onde ele iria arrumar 30 tostões
pra gastar com um almoço. O filho da mãe deveria mesmo estar apaixonado
por Evelyn, concluiu.
--- 35 tostões! --- gritou um quinto raapaz
--- 37 tostões! --- Peter gritou novameente não querendo sair da
disputa
Silêncio total.
--- Alguém da mais pelo Leitão? --- a pprimeira dama perguntou
--- 50 tostões! --- Lara se ouviu gritaar
Silêncio. Murmurinho. Muito barulho.
--- Lara Mc Gregor! Você não pode dar oo lance! --- gritou um homem
--- Não posso? Mas parece que já dei! ---- respondeu com cara de
poucos amigos
--- Mas você é mulher! --- dizia outro homem --- E mulheres não
podem dar lance no leilão!
--- E porque não? --- ela perguntou comm cinismo --- Não é
um leilão beneficente? Pois então, também quero ajudar
aos órfãos!
Evelyn que assistiu a tudo do palanque também resolveu
entrar na discussão:
--- Há outras maneiras de ajudar aos órrfãos! --- a loira
gritou irritada --- Gaste seu dinheiro na barraca de pescaria, ou na barraca
de doces, ou...
--- Já chega! --- gritou a morena impacciente cortando a frase de Evelyn
--- Se vou pagar com dinheiro é justo qque eu o gaste onde e como eu quiser.
--- virou-se para o povo --- E eu queroo comer o Leitão assado que Evelyn
Morgan cozinhou! Eu o comprei e vou comê-lo!
O prefeito da cidade quando viu a confusão se sentiu
na obrigação de resolver o problema:
--- Cidadãos de Charleston! --- dizia eele em tom de discurso --- A tradição
manda que somente os homens possam entrar no leilão de iguarias para
comprar os deliciosos pratos que nossas mulheres cozinharam com tanto gosto
para ajudar as nossas pobres criancinhas órfãs... --- fez uma
pausa, enxugou com um lenço o suor da testa e continuou --- Contudo,
nossa ilustre cidadã Lara Mc Gregor oferece sua caridosa contribuição.
--- Ah! Para de enrolar e diz logo! ---- gritou Lara
--- Não vejo outra opção a não ser pergguntar ao
pai da moça, aqui presente, a opinião dele a respeito de tudo
isso. Peço a palavra ao Senhor Leonor Morgan.
Leonor, que estava sentado numa toalha quadriculada na grama
gritou dali mesmo, sem se abalar:
--- Dinheiro é dinheiro! Dê logo o leittão para ela!
A morena sorriu e foi para perto do palanque ao encontro de
Evelyn e o leitão.
--- Não acredito que fez isso! --- a looira disse descendo do palanque
parando frente a mulher mais alta, tão próxima que teve que virar
o pescoço pra trás, devido a diferença de altura entre
elas
--- Você tinha razão. --- a morena dissse um pouco irritada ---
Seu leitão assado foi disputadíssimo.
--- Eu não sabia que você tinha tendênccias suicidas.
--- Só quando sinto uma necessidade graande de conversar com loiras baixinhas
e irritantes.
--- Eu, baixinha? Você que é alta demaiis! Mais parece um coqueiro
vestido!
--- Hei, Evelyn... Vamos parar com issoo... Comprei o leitão para compartilharmos
um almoço em paz.
--- Só tenho uma palavra pra você, Mc GGregor.
--- E qual é? --- a morena perguntou cuuriosa
--- Utopia --- disse com um sorriso triiunfante
--- Pois eu tenho duas palavras pra voccê Evelyn.
--- Diga.
--- Tenho fome.
Capítulo 5
Estenderam a toalha quadriculada, típica de piqueniques perto do rio. Puseram o leitão, os pratos, copos e o vinho que Evelyn havia trazido, de forma que ficasse arrumado e pronto para comer.
Evelyn entendia cada vez menos essa mulher. Sentada a sua frente, Lara parecia ainda mais bonita com o sol batendo em seu cabelo dando um toque azulado e dando um brilho dourado a pele da morena. Os olhos azuis dela estavam mais claros do que nunca e um meio sorriso brincava nos lábios carnudos.
O que estava acontecendo? Porque Lara Mc Gregor cismou de ser amiga dela? Começaram a comer em silêncio até que Evelyn não agüentou a curiosidade e resolveu perguntar:
--- Lara, porque você comprou meu leitão?
--- Porque eu quero almoçar com você.
--- Você enfrentou meia cidade, mudou anos de tradição... Sempre consegue tudo o que quer?
--- Geralmente --- disse a morena levando o garfo a boca
--- E o que você quer de mim?
--- Sua amizade --- respondeu sinceramente para sua própria surpresa --- Hum... Isso aqui está uma delícia! Não é que você sabe cozinhar! --- disse lhe piscando um olho
--- Por quê? Porque quer a minha amizade e não a de outra garota qualquer?
--- Por que... --- tentou pensar rápido --- Porque você chegou de outra cidade depois de passar tantos anos. De certo que tem muitas experiências novas pra contar. Gosto de pessoas vividas...
--- Pois a verdade é que não sou vivida... --- disse a loira baixando o olhar, meio triste
--- Como não? Foram dez anos morando na capital!
--- Eu não saia muito... É claro que visitei museus, óperas, teatros. Mas o fato é que eu não... Fiz nada mais do que essas saídas esporádicas e sempre acompanhadas da tia Emily.
--- Quer dizer que nunca mais chegou a beijar ninguém depois do episódio no celeiro? --- a morena a perguntou admirada
Evelyn tomou um gole do vinho em seu copo e respondeu:
--- Em outras palavras... É isso mesmo --- admitiu
--- Então o que diabos ficou fazendo na capital esse tempo todo?
--- Estudando. Preparando-me para ser a professora dessa cidade.
--- E quando começará a trabalhar?
--- Daqui a uma semana as férias acabam e começarei.
--- Então você gosta de lecionar?
--- Creio que sim, na verdade será meu primeiro emprego. Sempre foi meu sonho ensinar as crianças a ler e a escrever. E agora sei que não há melhor lugar para exercer essa profissão maravilhosa do que aqui em Charleston.
--- Eu não agüentaria um bando de crianças berrando por horas nos meus ouvidos! --- disse em tom brincalhão e se pôs a gargalhar ---Hahahaha...
--- Ossos do ofício! --- riu também --- Hahahaha...
Quem as olhasse nesse instante e as visse rindo juntas juraria que eram verdadeiras amigas de infância. Pararam de rir e sem notar perderam-se no olhar uma da outra. Emudeceram como que por encanto.
--- Você não pensa em se casar, Evelyn? Quer ser professora...
--- Quero ser independente financeiramente, além de que não quero virar um bibelô de estante. Se eu me casasse teria que ser com alguém que entendesse essa minha necessidade de me sentir útil.
--- Uau! Isso é o que eu chamo de mulher decidida! Hahahaha...
--- Hum... Devo tomar isso como um elogio?
--- Sim, deve porque é um elogio --- Lara respondeu sorrindo
--- E você, Mc Gregor? Não pensa em se casar?
--- Não.
--- E porque não?
Antes que Lara pudesse responder a pergunta de Evelyn, ouviram gritos apavorados de uma criança vindo do rio. Levantaram-se nervosas a procura do dono da voz.
--- Socorro! Socorro!
Era um garotinho que se encontrava no rio lutando para manter a cabeça a cima do nível da água. A correnteza forte o estava levando.
Mas que rapidamente Evelyn viu Lara pular na água com a postura de uma sereia. A morena nadou batendo os braços fortes, mas a essa altura a criança já havia sumido das vista delas e de toda a multidão que se aglomerava em volta do rio para ver o resgate.
Lara mergulhou e se demorava em baixo da água vários segundos.
A mãe da criança gritava e chorava sem parar, totalmente desesperada:
--- Salve meu filho! Por favor!
Evelyn estava trêmula, nunca tinha visto uma criança nesse nível de perigo antes. Correu para perto da mãe do garoto e tentou consolá-la:
--- Senhora, fique tranqüila. Tenho certeza que Lara o trará são e salvo.
Quando Lara retornou do mergulho estava com o garotinho nos braços, visivelmente desmaiado. Nadou contra a correnteza forte até a margem do rio. Uma vez fora da água pôs a criança no chão e começou a fazer boca a boca numa tentativa desesperada de salvar a vida da criança.
--- Meu filho não pode morrer! --- a mãe gritava desesperada
--- Calma, Senhora --- Evelyn tratava de tranqüiliza-la --- Dará tudo certo, a Senhora verá.
Pouco tempo depois o garoto acordou, tossiu e expeliu água pela boca. A multidão aplaudia e urrava.
A mãe apertou o filho nos braços com força e o beijava sem parar.
--- Meu filho! Você está bem, meu amor?
A criança dizia que sim balançando a cabeça.
As pessoas em volta da cena não acreditavam no que seus olhos viam. Parecia um milagre. Alguns ainda choravam pelo susto, enquanto outros sorriam felizes e diziam agradecimentos para a mais recente heroína da cidade.
Evelyn emocionada correu para perto da morena, a abraçou sem se importar que seu vestido estivesse molhando com o contato, enquanto sussurrava ao ouvido da morena:
--- Você foi maravilhosa, Lara!
Como resposta sentiu os longos braços da morena em volta do seu corpo, num contato gostoso. A morena alisava suas costas com carinho. A principio foi um abraço terno, gentil. Depois a loira sentiu um tremor no corpo de Lara. Associou a reação da morena pela roupa molhada. A soltou, mas ainda manteve uma mão sobre o braço dela.
--- Precisa trocar essa roupa --- disse para a morena com tom zeloso --- Você está com frio e pode acabar pegando um resfriado. Vá pra casa.
--- Não estou...
--- Lara! --- a interrompeu --- Nem sempre a última palavra tem que ser sua!
--- Sim, a última palavra tem que ser minha --- disse ela sorrindo afetuosa --- Você dá a ordem e eu digo tudo bem.
Sorriram uma pra outra com afeição.
Ao chegar ao seu casarão, Lara sacou a roupa molhada e tratou de preparar um banho morno para lavar a água barrenta do rio.
Sua mente estava um turbilhão de emoções. Quando abraçou Evelyn teve que admitir: Estava perdidamente apaixonada por ela. Foi incrível sentir o contato da pela da loira junto a seu corpo. O cheiro do cabelo loiro dela. O sorriso. Naquele instante o mundo parou, era como se Evelyn tivesse nascido para pertencer a ela e aquele abraço. O desejo que sentiu pela loira foi tão intenso que sentiu um tremor por todo o corpo.
Sabia que não era um simples desejo, como o que sentia pelas mulheres que costumava levar pra cama, era algo mais além, uma vontade de protegê-la, de tê-la por perto, mesmo que fosse apenas para olhá-la.
Sim, o que sentia por Evelyn era tão forte que apenas o simples ato de poder olhá-la a enchia de alegria. Agora tudo fazia sentido, claro como água. É por isso que andava fazendo questão da presença dela em todos os eventos, na festa de confraternização, no piquenique...
Meteu-se dentro da tina e sentiu que o desejo tomava conta dela mais intensamente. Lembrou do andar de Evelyn, e do balanço que as ancas dela faziam a cada passo que dava. Fechou os olhos com força para afastar a imagem de sua cabeça, mas tudo que viu foi à curva dos seios da loira, imaginou como seria tocá-los, beijá-los, sugá-los... Sem pensar pôs a mão direita entre as pernas e começou a se acariciar. Devagar. Gemeu. Pensou na boca dela na sua, fantasiou que se beijavam... Imaginou a barriga dela, o umbigo, as pernas, o traseiro descoberto, as mãos dela a tocando... Mais forte. Mais rápido.
--- Ah... Evelyn... Ah... --- gemia com loucura
Sentia que iria chegar ao clímax e massageou seu sexo mais intensamente enquanto cenas de Evelyn nua numa cama com ela reinavam em sua mente. Por fim relaxou o corpo totalmente. Sua respiração foi se acalmando. Abriu os olhos, apesar de estar dentro da tina estava com muito calor.
--- Oh diabos, Evelyn! Você vai me enlouquecer!
Lara terminou o banho e se vestiu. Era tarde, quase oito da noite. O que faria agora? Justo agora quando por fim pareciam ter se entendido... Não podia seguir bancando a amiga quando seu corpo ansiava pelo dela... Mas também não podia se afastar, não teria forças pra ficar longe de loira. O que fazer?
Foi para a cozinha e preparou algo pra comer. Embora tivesse muitos empregados, fazia questão dela mesma cozinhar suas refeições noturnas, mesmo que fosse péssima cozinheira, não gostava de ninguém perambulado por sua casa depois do anoitecer, gostava da noite e gostava da solidão que ela lhe trazia. O problema era que depois de hoje sabia que suas noites não seriam mais tão apreciadas juntamente com toda a solidão que a tomava a cada pôr do sol. A única coisa que queria agora era a presença de Evelyn junto a ela.
--- Droga! --- praguejou
Resolveu dormir pra ver se acalmava seu espírito. Amanhã seria um longo dia de trabalho. Deitou-se em sua cama enorme e confortável, mas tudo o que fez foi rolar de um lado para o outro. Desejou poder compartilhar a cama com a loira, não só pelo sexo, mas porque deveria ser maravilhosa a sensação de poder dormir com ela em seus braços, aspirando o cheiro daquele cabelo, fazer carinho.
--- O que é isso, Lara? --- perguntou a si mesma irritada --- Você nunca foi dada a romantismos!
Sabendo que não conseguiria dormir, levantou-se, vestiu uma calça jeans surrada, uma blusa de flanela xadrez e saiu rumo ao celeiro.
Abriu a baia onde se encontrava o corcel negro que Evelyn havia desejado e o puxou para fora, levando-o até o cercado. O selou e o montou. Fez movimento indicando o cavalo para ele andar, o animal empinou e relinchou feroz. Lara se segurou nas rédeas para não cair.
--- Calma... Calma garoto!
Deu tapinhas reconfortantes no pescoço do cavalo e o alisou.
--- Bom garoto...
Refez o movimento que indicava o cavalo para andar e dessa vez ele obedeceu.
Começou a correr em círculos, presos dentro do cercado. Depois de muitas voltas, a morena o impulsionou a pular o cercado, ele o fez com maestria própria de um cavalo campeão de saltos.
Galopou pela noite escura, observada apenas pelas estrelas, numa velocidade estrondosa.
--- Yah! Yah!
Incitava o cavalo a correr cada vez mais.
Inconscientemente, Lara galopou até os limites de sua fazenda com a dos Morgan. Saltou com o cavalo por cima da cerca divisória e foi amainando a cavalgada.
Uma vez dentro da propriedade dos Morgan, Lara marchou com seu cavalo silenciosamente para frente da janela de onde sabia ser a do quarto do Evelyn.
Manteve-se ali, em silêncio, ainda sobre o cavalo negro, como se esperasse uma aparição da loira na sacada, ou na janela.
A cortina do quarto de Evelyn estava entreaberta, dava pra ver algo de iluminação dentro do quarto. Será que ela ainda estava acordada? Claro que não! Já é tarde...
--- Diabos! --- praguejou baixinho --- O que eu estou fazendo aqui? --- diisse para o cavalo --- Vamos embora, garoto.
Puxou a rédea do cavalo em sentido contrário da janela de Evelyn e se preparou para ir embora. Cavalgou poucos metros, puxou as rédeas para o cavalo parar novamente e olhou pra trás, novamente para a janela de Evelyn.
--- Boa noite, meu amor. --- desejou baixinho
Estava se preparando mentalmente para ir embora quando para sua surpresa a loira apareceu na sacada de seu quarto. Seus olhos se cruzaram e por um instante foi como se o mundo tivesse parado, nada mais importava, nada mais existia, apenas elas duas.
Lara sorriu por puro instinto e recebeu de volta o mais lindo dos sorrisos que já tinha visto nos em seus trinta e quatro anos de vida. Os olhos verdes de Evelyn pareciam sorrir junto com seus lábios, sua expressão doce provocava um leve franzimento no narizinho bem feito.
Capítulo 6
Vestida numa camisola branca de tecido fino, quase transparente, que lhe chegava até os pés, Evelyn se sentou em frente sua penteadeira e se pôs a escovar seus longos cabelos loiros.
Era tarde e já deveria estar dormindo há tempos, mas havia algo dentro dela que parecia crescer a cada instante, embora nem ela mesma soubesse explicar o que exatamente.
Ao tentar analisar o que sentia, ficou satisfeita com a explicação de que estava muito feliz porque descobriu em Lara Mc Gregor uma pessoa maravilhosa, uma pessoa que ela gostaria de ter por perto o resto da vida. Como pôde passar tantos anos odiando a mulher mais corajosa e generosa que já tinha visto? Hoje a tarde durante o incidente no piquenique ninguém se dispôs a pular no rio de correntezas fortes para salvar o garotinho, apenas Lara o fez! Arriscando a própria vida! Era uma verdadeira heroína! Uma mulher admirável!
--- Ah... --- suspirou sem perceber
Evelyn sentiu calor repentinamente. Sabia que não poderia dormir com o que estava sentindo. Queria mesmo era poder conversar com Lara de novo. Desejou que o dia amanhecesse logo para que pudessem se ver.
Quando se olhou no espelho da penteadeira e se deu por satisfeita largou a escova e se levantou, mas ao invés de ir para a cama foi até a sacada tomar um ar. Estava realmente com calor.
Abriu a porta e penetrou no ar da noite. Nem a brisa fresca a estava ajudando matar o calor forte que sentia. Olhou em volta, estava muito escuro, quase não enxergava nada. Ouviu um barulho, olhando mais atentamente pôde divisar a sombra de uma figura conhecida. Sorriu com felicidade. Lá estava Lara Mc Gregor.
Fez um sinal para que ela lhe esperasse. Desceu a escadaria do casarão sorrateiramente para não acordar ninguém. Abriu a porta da sala e foi até onde estava a morena.
--- Além de falar sozinha, você também é sonâmbula, Mc Gregor? --- Evelyn disse em tom de brincadeira
A morena desceu do cavalo e a abraçou.
--- Eu não pude dormir... --- Lara respondeu um pouco envergonhadda
--- E porque não?
--- Porque fiquei com saudade de você.
Evelyn sorriu abaixando a cabeça, mas teve valor suficiente para olhá-la nos olhos e dizer:
--- Eu também senti sua falta, Mc Gregor.
--- E por isso está acordada?
--- Sim... É bom você estar aqui. Estava desejando poder conversar com você.
--- Estava?
--- Sim....
--- E por quê? --- a morena perguntou --- Porque sentiu minha falta?
--- Não sei... Eu... Eu só queria poder estar com você de novo... Quero ser sua amiga, Mc Gregor.
Lara a olhava com aquela já tão conhecida intensidade.
--- Então comece me chamando pelo meu primeiro nome --- sugeriu a morena sorrindo
--- Está certo... Lara --- disse a loira também sorrindo
--- Bem melhor!
--- Hei! --- Evelyn disse se aproximando do cavalo para acaricia-lo --- Esse aí não é aquele corcel negro que eu queria comprar?
--- Ele mesmo! --- a morena respondeu sorrindo --- Estou domando-o. Parece que ele gostou de você!
--- Ele é tão bonito! --- disse a loira encantada
--- Sim, é --- fez uma pausa e continuou --- Ele é um ótimo exemplar de quatro patas.
--- Lara --- a loira deixou de acariciar o cavalo e se pôs de frente para a morena --- Podemos nos ver amanhã?
Lara sorriu.
--- Que tal se almoçarmos juntas novamente?
--- Claro! A que horas?
--- Passo aqui pra te buscar meio dia.
--- Não precisa se incomodar, já tenho o meu cavalo, posso ir sozinha.
--- Não quero você andando sozinha por aí, pode ser perigoso.
--- Hahahaha... --- Evelyn riu com gosto --- Desculpe... Mas você sabe que não é perigoso, Lara!
--- Sempre é perigoso deixar uma moça bonita sozinha.
Evelyn corou violentamente.
--- Acha que sou bonita? --- perguntou mais para si mesma do que para a própria Lara
--- Se você é bonita? Você é simplesmente a mulher mais bonita que já vi na vida!
Agora Evelyn estava não só vermelha, mas também trêmula e não soube identificar o porquê, só que estava gostando. Como não soube o que responder se manteve quieta. Lara foi a primeira a quebrar o silêncio:
--- Não precisa ficar tímida... Por acaso não está acostumada a ouvir elogios?
--- Sim, estou. --- admitiu acanhada
--- Então por que todo esse rubor?
--- Porque nunca recebi elogios de uma mulher tão bonita como você. Acho que é por isso.
Lara acariciou com a mão direita o rosto de Evelyn.
--- Pois então se acostume, porque você tem muitas qualidades e estou disposta a elogiar cada uma delas para o resto de nossas vidas.
Evelyn sorriu.
--- Evelyn, agora tenho que ir, está muito tarde.
Montou no cavalo negro e a olhou novamente.
--- Até amanhã, Evelyn.
--- Até amanhã, Lara.
A morena foi embora num galope veloz e Evelyn a ficou olhando até que ela sumisse de sua vista.
--- Lara... Lara...
Saboreava o nome em sua boca. Como era gostoso a chamar de Lara.
Voltou para o casarão, rumo a seu quarto. Agora sim poderia dormir.
Depois de uma noite povoada de sonhos, cuja personagem era uma alta morena dona de um par de olhos incrivelmente azuis, Evelyn acordou ainda mais feliz. Levantou-se, tomou banho e vestiu um lindo vestido branco com detalhes em vermelho. Era cedo, talvez cedo demais para que a loira já estivesse de pé, mas estava ansiosa em demasia para permanecer dormindo. Mesmo sendo cedo não era a única pessoa se movimentando na casa. Sua avó acordava às cinco da manhã diariamente para preparar o desjejum para que Leonor pudesse ir trabalhar.
Evelyn desceu e tratou de arrumar algo para fazer antes que enlouquecesse de ansiedade. Não tinha fome para tomar café da manhã.
--- Porque nunca aprendi a tricotar?! --- se perguntou
--- Nunca aprendeu porque nunca foi dada a afazeres domésticos além de cozinhar --- respondeu a avó dela entrando na sala e sentando-se no sofá em que ela se encontrava --- Mas se quiser ainda posso te ensinaar.
O que tinha a perder?
--- Tudo bem.
--- Ótimo, vou pegar minha sacola de lã e agulhas.
Pouco tempo depois a idosa voltou a sentar-se com a neta trazendo com ela apetrechos para a aula que daria a neta.
--- Qual dessas cores você quer?
Ali tinhas várias cores e tons: Vermelho, amarelo, verde e inclusive a cor favorita de Evelyn: Rosa. Mas a loira acabou escolhendo um tom de azul idêntico aos olhos de Lara.
Ficaram combinadas que Dona Hilda ajudaria Evelyn a fazer um suéter. Enquanto trabalhavam conversavam:
--- Parece que as coisas entre você e Lara melhoraram.
--- Sim, nos entendemos. Descobri que Lara é uma pessoa maravilhosa. Ela é doce, gentil, corajosa...
--- Fico feliz que tenham ficado amigas.
--- Ela virá buscar-me hoje para almoçarmos juntas em sua casa.
--- Quem virá te buscar? --- Leonor que havia acabado de chegar ouviu a última frase e perguntou
--- Bom dia, pai. --- disse Evelyn --- Lara virá me buscar.
--- Que maravilha! --- disse ele feliz --- Enfim ficaram amigas?
--- Tinha razão sobre ela, papai... Depois de conversarmos um tempo vi que ser amiga dela é tudo o que eu poderia desejar.
--- E pra onde vão?
--- Vamos almoçar na fazendo dela.
--- Evelyn... --- disse ele abismado olhando para o tricô nas mãos da filha mais velha --- Você está tricotando?
--- Sim, estou. Dessa forma o tempo passa mais rápido. Acabo de descobrir uma terapia --- falou sorrindo
--- Vocês mulheres são estranhas! --- respondeu ele sorrindo também --- Bom, preciso voltar ao trabalho, só vim pegar umas ferramentas.
Realmente o tempo passou mais rápido. Quando viu que já era quase a hora de Lara chegar, a loira voltou ao espelho, alisou o vestido, colocou um par de brincos de ouro e foi para a varanda esperar.
Momentos depois a morena surgiu. Evelyn sentiu que seu coração batia mais forte. Ponderou que era devido a vontade que tinha de conversar com sua nova melhor amiga.
--- Oi Evelyn! --- a morena a cumprimentou descendo se seu cavalo --- Dormiu bem?
--- Depois que te vi dormi como um bebê. E você?
--- Divinamente... --- disse a olhando novamente com aquele olhar --- Vou selar seu cavalo para que possamos ir até minha fazenda almoçar.
Seguiram para o celeiro e Lara selou o cavalo da loira.
--- Queria montar como você, numa sela de homens. Odeio ter que cavalgar de lado.
--- Mas Eve, --- disse a morena rindo --- Não da pra montar de pernas abertass de vestido!
--- Sim, eu sei... Qualquer dia também vou por uma calça e sair por aí cavalgando de pernas abertas, só para ver como é!
--- Um dia... --- respondeu a morena para a loira --- Mas hoje irá de lado mesmo. Vamos, senão o almoço irá esfriar.
Chegaram a Fazenda de Lara, desmontaram e foram para a sala de jantar. Para o delírio de Evelyn, a mesa já estava posta e o prato principal era simplesmente o seu prato predileto.
Sentaram-se à mesa.
--- Lara, que delícia! Frango assado recheado com tomates verdes fritos! Essa é...
--- A comida que você mais gosta! --- a morena disse a cortando --- Eu sei...
--- Sabe?--- perguntou curiosa --- Como assim, sabe?
--- Digamos que um passarinho me contou. Então resolvi que esse seria o prato principal do nosso almoço. Queria te agradar.
--- Você fez isso só pra me agradar? --- perguntou a loira lhe brindando com um daqueles sorrisos encantadores que franziam nariz dela
--- Culpada! --- riu com doçura ---Vamos comer?
--- Por favor! --- riu também
Serviram-se e começaram a comer.
--- Eu não sabia que você além de ser linda, de carregar essa fazenda praticamente nas costas e de ser heroína nas horas vagas também tem dotes culinários...
--- Não tenho...
--- Não tem? Então não foi você quem preparou esse almoço?
--- Bom... De cozinha eu entendo é de comer! --- tentou não rir --- Hahahaha... --- não pôde segurar a gargalhada
--- Hahahaha... --- Evelyn gargalhou junto
Após o almoço Lara a convidou para ir conhecer um pouco mais de sua fazenda.
Caminharam a pé por dois km e chegaram num campo florido muito bonito. Sentaram-se na grama a sombra de uma enorme árvore se recostando no tronco da mesma.
--- Eve... Esse é o lugar que venho quando preciso ficar só. Aqui ninguém me encontra.
--- Esse lugar é muito bonito.
--- Sim, é bonito... Sinto uma paz cada vez que venho aqui.
--- Lara?
--- Hum?
--- Obrigada.
--- Pelo que? --- perguntou sem entender
--- Por confiar em mim me trazendo no seu lugar secreto.
--- Sempre que vinha aqui eu pensava no dia que traria alguém que fosse tão especial a ponto de mostrar esse lugar. Você é a primeira pessoa que trago aqui.
--- Sou? --- riu de novo franzindo o nariz --- É estranho...
--- O que é estranho, Eve?
--- Há poucos dias eu te odiava e agora...
--- E agora o que sente?
--- Eu gosto muito de você.
--- Eu também... --- disse a morena omitindo a amplitude de seus sentimentos pela amiga
--- Lara?
--- Hum?
--- Desculpe-me.
--- Pelo que?
--- Por ter roubado sua carroça na Estação de trem e ter te feito caminhar por muitos km a pé; por ter te deixado sem almoço e sem jantar e ainda ter cozinhado mal de propósito só pra não dar o braço a torcer... Enfim, por ter sido tão infantil todo esse tempo...
--- Não Eve, eu é que tenho que pedir desculpas. Eu não deveria ter me metido no episódio do celeiro. Você já era uma mocinha e tinha o direito de beijar o rapaz que escolhesse e eu atrapalhei tudo...
--- E me deu um tapa no bumbum! --- disse fazendo beicinho
--- Hahahaha... E ainda te dei um tapa no bumbum! Hahahha...
--- Então estamos quites?
--- Totalmente!
Ficaram em silêncio por um momento se olhando, Lara não resitiu e acariciou os cabelos da loira, que se chegou mais perto e deitou a cabeça no colo da amiga.
Lara não queria romper o contato, então do cabelo passou para o rosto. Ficou fazendo círculos pela bochecha de Evelyn, que acabou adormecendo ali, com a cabeça apoiada no colo da morena.
Lara olhava para ela em estado de encantamento, começou a passar os dedos em volta da boca de Evelyn. Aos poucos foi sentindo o sono tomar conta de seu corpo também. Adormeceu.
Duas horas depois Evelyn despertou e a primeira coisa que viu foi o rosto de Lara. Ela estava dormindo. Descobriu que estavam de mãos dadas e gostou. Levantou a cabeça do colo da morena e se sentou ao seu lado a olhando. Como podia ser tão linda? Mesmo que não se vestisse como uma dama, não importava... Nada seria capaz de tirar a beleza de Lara. Sentia um carinho tão grande por ela, uma vontade de ficar o tempo todo perto dela. Não tinha como explicar.
Sem perceber levou a mão até a face da amiga e acariciou levemente, porém foi mais que suficiente para que ela acordasse.
--- Eve... --- a morena proferiu meio sonolenta
--- Oi, Bela adormecida! --- respondeu sorrindo
Ficaram se olhando sem dizer palavra, aliás, isso já havia se tornado uma constante entre as duas. Simplesmente sabiam que há momentos em que as palavras sobram, os olharas dizem por si só.
Enquanto Lara tinha plena consciência da vontade louca que a assaltou de beijá-la, Evelyn por sua vez não fazia a menor idéia de como expressar o que estava sentindo, porque nem ao menos sabia identificar o que estava sentindo. Sua inocência não permitia.
A loira ergueu a mão novamente e acariciou a face de Lara, passando o polegar levemente pelos lábios da morena, que não se deteve e beijou a mão da loira.
Evelyn se aproximou ainda mais e beijou Lara na bochecha.
--- Nem nos meus mais loucos sonhos eu pude sequer supor que um dia estaria aqui sentada com você, apreciando a paisagem...
--- Só a paisagem?
--- Não... A companhia também... Você é tão...
--- Tão?
--- Não sei... Tão... Maravilhosa!
--- Sou é? --- sorriu --- Me lembre de sair com você mais vezes. Adoro elogios! Hahahaha...
--- Hum... Até parece que você não vive sendo elogiada por todos os lugares que passa, Lara! --- Fez uma pausa e correu o olho por ttodo o corpo da morena --- Vamos, Você é linda! Além de ser essa pessoa maravilhosa, claro.
--- Devo enumerar cada uma de suas qualidades, Eve?
--- Não! Não mesmo! --- riu --- Você sabe... São muitas as minhas qualidades e teríamos que passar o resto do dia aqui! Hahahaha... E agora tenho mesmo que ir embora. Prometi que ajudaria minha irmã com a lista de presentes para o casamento.
--- Mas já? --- perguntou desapontada
--- É... Mas o que acha de nos vermos amanhã? Posso te levar ao meu lugar preferido!
--- Claro! Passo de manhã cedo pra te pegar.
--- Está combinado!
--- Então vamos voltar à sede da Fazenda e de lá te levo em casa.
Levantaram-se e se puseram a caminhar. Evelyn estava em estado de total encantamento com a sua nova amiga. Simplesmente adorava Lara. Ainda estava com ela e já podia sentir a angústia da saudade que teria dela até que a manhã seguinte chegasse. Olhou pra ela, tão alta, tão bonita. Sem pensar pegou a mão de Lara. Continuaram a caminhar de mãos dadas, em silêncio. Evelyn se sentia segura, protegida, querida. Sorria... Era isso o que chamavam de momento feliz? De certo que era.
Após o jantar, Evelyn foi para o quarto de Lila conversar. Estavam sentadas na cama admirando as luvas imaculadamente brancas que Lila usaria em seu casamento.
--- Não são lindas? --- Lila disse erguendo as luvas no ar,, numa expressão de felicidade
--- Você será a noiva mais linda das redondezas, minha irmãzinha!
--- Ah, Eve... Como eu queria que você também se casasse!
--- Quem sabe um dia...
--- Sei que tem muitos rapazes interessados em você! Voltou tão diferente da capital, tão crescida e bonita... No dia do leilão muitos quiseram almoçar com você! O filho do prefeito, por exemplo... Ele é muito bonito.
--- Peter? Sim, ele é bonito. --- respondeu sem demonstrar interesse
--- E então? --- perguntou ansiosa
--- E então o que?
--- Permita que ele te corteje!
--- Lila... Agora não estou interessada nisso...
--- Não? E está interessada em que? Em sua nova amizade?
--- É. Minha amizade com Lara é algo que realmente me interessa.
--- Eve, você é minha irmã e amo você. --- disse séria, porém num tom carinhoso --- Mas se você continuar andando com LLara...
--- O que tem eu andar com Lara? Ela é minha amiga.
--- Eu sei que ela é apenas sua amiga, mas as pessoas são maldosas e dizem coisas que não existem por diversão.
--- Mas dizem o que? --- quis saber intrigada
--- No piquenique, quando ela comprou seu leitão... Depois as viram juntas hoje...
--- Para de enrolar e diz logo! --- impacientou-se
--- Está correndo um boato... De que você é a mais nova conquista da impiedosa Mc Gregor.
--- Sou o que? --- perguntou confusa --- Conquista?
--- Então você não sabe? --- perguntou incrédula
--- Saber o que?
--- Que Lara namora mulheres!
--- O que? --- se encontrava mais confusa do que nunca --- Quem disse isso?
--- A cidade inteira! Não é segredo pra ninguém.
--- Tem razão Lila, as pessoas são muito maldosas. Lara não é assim... Ela me contaria se fosse verdade.
--- Eve... É verdade.
--- Não é verdade! --- alterou o tom de voz --- Não fale aassim de Lara! Ela é uma pessoa boa, honesta!
--- Não estou contestando os méritos de Lara, apenas estou dizendo que você deve cortar essa amizade para que não fique mal falada como ela.
--- Saia do meu quarto Lila! Saia daqui! --- agora estava gritando --- Você só está com ciúmes porque tenho uma nova amiga e não estou dando tanta atenção pra você como antes! Saia já daqui! --- gritou apontando a porta
--- O pior cego é aquele que não quer ver... --- Lila foi direção a porta e a abriu, porém antes de sair se voltou e disse: --- Pergunta pra sua amiguinha se ela gosta de mulheres.
--- Eu jamais faria uma pergunta dessas pra Lara. É indigno!
--- Você é quem sabe... Mas depois não diga que eu não avisei.
--- Sai daqui! --- gritou jogando uma almofada na direção da irmã, que saiu antes, fazendo com que a almofada batesse na porta e caísse ao chão
Não podia ser! Simplesmente não podia ser! Lara era uma pessoa boa, não cometeria tal pecado tão execrável. Tudo bem que era a pessoa mais diferente que já havia conhecido na vida, mas não acreditava que chegasse a tanto.
Capítulo 7
--- Então esse é o seu lugar preferido, Eve? --- disse Lara olhando ao redor parecendo encantada com o que via --- Realmente aqui é lindo!
--- Isso é porque você não viu o riacho! --- começou a correr em direção a água ---Vamos!
Lara seguiu Evelyn em sua carreira até o riacho.
--- Se eu soubesse que viríamos passear na beira de um riacho teria trazido uma vara de pescar. --- Lara disse se agachando na beira da água e molhou a ponta dos dedos da mão direita
Evelyn sentou na beira, tirou o calçado e as meias, ergueu o vestido um pouco acima do joelho e mergulhou as pernas na água.
--- Ah... Que delícia! --- disse fechando os olhos ao sentir oo contato da água em suas pernas
--- Ah sim... Uma delicia... --- disse Lara olhando com desejo as peernas de Eve
Lara sentiu que o desejo tomando conta de seu corpo. Nunca tinha visto as pernas de Evelyn, imaginou mil vezes como seriam, mas não fazia idéia de como seriam ainda mais lindas. Passou o olhar das coxas para os joelhos da Loira.
--- Perfeitos! --- Lara se ouviu surpresa pronunciando em voz alta seus pensamentos
--- O que são perfeitos? --- Evelyn perguntou abrindo os olhos
--- Perfeitos? O vinhedo! O vinhedo é perfeito! Toda essa extensão de vinhas, o riacho.
--- Sim, aqui é perfeito! Eu sempre quis construir uma casa aqui. Morar aqui sempre foi o meu sonho.
Lara começou a se dar conta do que estava fazendo. Enganou-a esse tempo todo! Aproximou-se de Evelyn com o intuito de se tornar amiga dela por interesse. E acabou se apaixonando.
No fundo sabia que se realmente viesse a comprar o vinhedo, acabaria beneficiando Evelyn, pois Leonor teria como pagar suas dívidas. Claro que também sairia no lucro, se safaria de um prejuízo enorme, seus gados teriam água. O tempo estava passando e precisaria tomar uma atitude, pois nem seus gados agüentariam muito tempo e tampouco os credores de Leonor esperariam muito mais tempo. Mas não podia seguir sem lhe contar a verdade. Mas ao mesmo tempo não podia trair seu velho amigo e dizer a Evelyn que seu pai estava falido. O que fazer?
--- Evelyn, eu gostaria de comprar esse pedaço de terra.
--- Han? Por quê?
--- Porque todos os lagos que eu tinha secaram. Se eu não resolver essa situação vou acabar perdendo milhares de cabeças de gado.
--- A seca está feroz esse ano, não é?
--- Sim.
--- Se é para o bem dos pobres boizinhos e vaquinhas... E claro, os bezerrinhos... Eu vendo.
--- Vende? --- ficou atônita com a facilidade --- Eve, você vai permitir a venda do vinhedo?
--- Você precisa Lara! E... --- ficou um pouco sem graça --- Eu não sei dizer não pra você.
Uma semana depois Leonor e Lara estavam no trem que os estava trazendo de volta a Charleston. Tinham ido ao cartório da capital para oficializar a venda do vinhedo para Lara.
Leonor havia levado com ele um documento assinado por Evelyn que autorizava a venda.
--- Graças a Deus tudo deu certo! --- Leonor levantava as mãos para o céu em sinal de agradecimento --- Não tenho mais nenhuma dívida!
--- É. Deu tudo certo.
--- Lara, não precisa se sentir culpada. Seu eu não vendo as terras pra você com certeza eu iria à falência. Você sabe que é muito melhor pra Eve ficar sem o vinhedo do que sem a fazenda inteira!
--- Só acho que talvez Evelyn devesse conhecer toda a verdade.
--- Não posso! Não quero que minha filha para de sentir orgulho de mim, Lara.
--- Leonor, Evelyn é uma moça muito boa, até mesmo altruísta. Abriu mão de um sonho apenas pra me ajudar, já que ela não sabia o que estava em jogo. Tenho certeza que a reação dela seria boa...
--- Agora já está feito. Agradeço-te por tudo Lara, mas vamos esquecer esse assunto.
Lara manteve-se calada em sinal de consentimento ao pedido do amigo, mas algo dentro dela queria gritar que não estava certo, que Evelyn deveria saber de tudo. Mas o que aconteceria se ela descobrisse a armação dos dois?
--- Leonor?
--- Diga.
--- Se Evelyn descobrir o motivo de eu ter me aproximado dela, se sentirá traída.
--- Ela nunca saberá. --- disse ele veemente
--- A de abacaxi.
Evelyn estava em pé diante do quadro negro escrevendo a letra “A”. A escola se limitava em uma única sala de aula. Deveria haver uma base de vinte e cinco a trinta crianças de variadas idades, algumas dispostas a aprender e outras mais preocupadas em conversar e jogar papeizinhos.
Era o segundo dia de aula e a turma já havia se entrosado bem com sua nova professora.
A loira explicava o alfabeto com calma e paciência.
--- Você é muito mais bonita do que a Senhorita Flora! --- disse um garotinho loiro
--- É mais educada! --- concordou outro
--- E sua voz é mais suave! Parece um anjo! --- um garotinho de uns dez anos falou
--- Crianças! Assim vocês me deixam sem graça!
Ouve risos e gritinhos pela classe. Ela tentou falar, mas não consegui, aumentou um pouco o tom de voz:
--- Crianças, escutem! --- todos pararam para olhá-la --- Fico muito contente que gostem de mim, porque eu também adoro vocês. Estar aqui com vocês é um sonho que me alimenta, me impulsiona a viver. Agradeço a vocês pelo elogio e prometo que me esforçarei ao máximo para ensiná-los não só inglês e matemática, mas também a se comportarem como damas e cavalheiros. --- sorriu para eles e voltou ao quadro --- Agora vamos dar continuidade ao alfabeto. --- escreveu um “B” --- Essa é a letra B de bolo.
--- Senhorita Morgan? --- uma garotinha ruiva aparentemente dde uns sete anos a chamou --- Conte-nos uma história!
--- Certo. --- respondeu sorrindo --- Contarei se vocês prometerem prestar atenção e se fizerem depois o exercício direitinho.
Uma hora mais tarde Evelyn já havia corrigido todos os exercícios e pediu que todos se sentassem ao chão em forma de círculo e sentou-se ao centro.
--- Vou contar para vocês a história das Almas Gêmeas.
--- Senhorita Morgan, o que são almas gêmeas? --- quis saber uma menina de uns doze anos
--- Almas gêmeas são duas almas distintas que juntas formam uma só.
--- Ah! --- as crianças em coro
--- Vou contar a história para que possam entender melhor. Era uma vez, num tempo muito antigo, onde todas as pessoas tinham dois braços, duas pernas, duas cabeças e duas almas. Todos eram muito felizes porque se sentiam completas. Então um monstro muito, muito malvado ficou com inveja das pessoas e invadiu a Terra para fazer o mal.
--- E o que o monstro malvado fez? --- um garotinho perguntou
--- Bem, o monstro malvado partiu todas as pessoas ao meio. Então as pessoas passaram a ter apenas dois braços e duas pernas, uma só cabeça e consequentemente uma só alma.
--- E o que aconteceu com as pessoas? --- uma menina perguntou
--- As pessoas ficaram muito tristes, por que ficaram condenadas a passar toda a vida vagando em busca do seu outro pedaço, de sua metade.
--- E encontraram? --- um garoto perguntou
--- Algumas sim, como os papais e mamães de vocês, que se encontraram e se amam. Juntos formam um só, se completam e são felizes. E outros ainda não encontraram, mas um dia todas as almas gêmeas vão se reunir.
Pa-pa-pa-pa-pa...
Fez-se ouvir um som de palmas. Evelyn olhou ao redor. Não era nenhuma das crianças. Olhou para a porta. Sorriu. Lara estava encostada na porta batendo palmas.
--- Bravo! --- Lara disse sorrindo --- Muito bom, contadora de histórias!
Evelyn pediu licença às crianças e foi ao encontro da morena, a abraçou.
--- Que saudade! Faz dias que não nos vemos!
--- Por isso não resisti e vim te ver, mesmo sabendo que estava em horário de expediente.
--- Não tem problema. --- respondeu sorrindo --- E então, tudo certo com os tramites legais para a venda?
--- Sim, deu tudo certo.
--- Vocês demoraram muito.
--- Sabe como é... A capital fica há dias de trem daqui... Não há como chegar mais cedo... Se eu pudesse voar eu voaria pra só para poder te ver mais rápido.
--- Hahahaha... --- riu franzindo o nariz, fazendo Lara se derreter ainda mais --- Você e suas idéias malucas! Hahahaha...
--- Eu pensei o tempo todo em você, Evelyn. --- disse séria segurando o queixo da loira
--- Eu também pensei em você, Lara.
--- Te trouxe um presente!
--- Presente? --- perguntou sorrindo --- Eu adoro ganhar presente! O que é?
--- Só lhe darei se você for jantar comigo essa noite.
--- Claro!
--- Passo pra te pegar as oito em ponto.
--- Combinado.
Lara lhe beijou o rosto e foi embora deixando uma Evelyn sorridente e ansiosa para que a noite chegasse logo.
--- Ah Lara, é ótimo você estar de volta, assim poderemos conversar até nossos maxilares caírem!
--- Depois sou eu quem tem idéias malucas... --- disse brincalhona piscando um olho para Evelyn
Haviam acabado de chegar a casa sede da Fazenda de Lara e estavam em frente à lareira acesa, sentadas num sofá marrom e confortável.
Conversavam animadamente quando um barulho vindo da barriga de Evelyn chamou atenção.
--- Ops! --- a loira disse sorrindo --- Acho que o monstrinho acordou!
--- Hahahaha... Então vamos alimentá-lo antes que ele devore a nós duas!
--- Engraçadinha...
--- Não sou uma pessoa engraçada...
--- E o que temos para jantar?
--- Advinha!
--- Frango assado recheado com tomates verdes fritos!
--- Bingo!
O jantar foi demorado, pois tinham ânsia de contar tudo o que haviam feito nesses dias em que não se viram. Após terminarem finalmente, Lara se levantou e foi até o quarto voltando com um pacotinho na mão.
--- Meu presente? --- Evelyn perguntou entusiasmada --- O que é?
--- Abre...
Quando Evelyn abriu o presente não acreditou no que seus olhos viam. Era simplesmente a jóia mais linda que já tinha visto em toda a sua vida. Se tratava de um pingente de ouro em forma da letra “E” com um brilhante bem ao centro.
--- Lara! É lindíssimo! --- disse maravilhada --- Não posso aceitar!
--- Como não pode aceitar? É um presente!
--- Sim, mas pensei que era uma lembrancinha... Isso deve ter custado uma pequena fortuna...
--- Ver o seu sorriso ao ganha-lo valeu cada cents...
--- Lara... --- ficou séria de repente --- Porque faz isso por mim? Porque te importo tanto?
--- Porque você me trouxe a alegria de viver novamente. E porque você é a minha melhor amiga.
--- Sou? --- perguntou sorrindo ruborizando
--- Sim, você é.
--- Pensei que meu pai fosse o seu melhor amigo...
--- Seu pai não tem seus encantos... Agora deixe de fita e aceite logo o presente.
Evelyn a abraçou com força. Ao se soltarem ficaram por alguns segundos se olhando. Uma batida na porta as fez voltar à realidade.
--- Tenho uma surpresa pra você. Acabou de chegar.
--- Outra?
--- Nossa primeira noite juntas depois de tantos dias separadas tinha que ser especial.
--- Será que eu mereço tanto?
--- Isso e muito mais. É uma forma de agradecer por ser minha amiga.
Lara foi até a porta e a abriu, deixando passar três homens que carregavam instrumentos.
--- Músicos! Eu amo música!
Lara fez um sinal para que eles começassem a tocar. Começou a soar então na sala de estar uma melodia suave e romântica. Um dos homens se pôs a tocar, a letra falava de um amor impossível.
--- Vem, vamos dançar! --- Lara a convidou lhe estendendo a mãão
Evelyn segurou a mão da morena, que a puxou para mais perto a prendendo num abraço apertado. Lara, mais experiente começou a se mover num ritmo lento e sensual, levando a loira consigo. Lara passeava as mãos nas costas da amiga.
A loira sentia-se desfalecer nos braços de Lara, podia sentir o tremor em seus joelhos e algo quente e úmido entre suas pernas. O que era isso? Gostoso de sentir. Só Lara era capaz de fazê-la ter essa reação. Não sabia o que era, nem sabia se era bom ou ruim, apenas gostava de sentir. Tinha vontade de contar a alguém, não o fazia por medo de esse alguém julgar mal seu sentimento pela amiga. Só sabia que precisava de Lara sempre por perto, mas não tinha noção de como e nem quanto.
Enterrou a cabeça nos cabelos de Lara para tentar disfarçar o que estava sentindo, mas ao sentir o cheiro gostoso dos cabelos negros da amiga se arrependeu de chegar tão perto.
Sentiu os braços fortes da morena se aferrando mais a sua cintura, novamente aquele fogo entre suas pernas, só que dessa vez mais intenso... Mais gostoso...
Lara estava suando, dançar tão próxima a Evelyn havia se transformado em uma tortura tão deliciosa quanto cruel. Não podia continuar assim. Talvez não tivesse sido uma boa idéia. Afastou-se antes que perdesse o controle da situação e a fizesse sua ali na sala a força na frente dos músicos.
--- Evelyn, está tarde. Melhor eu te levar pra casa.
No dia seguinte Evelyn acordou cedo e foi para a escola. Ocupar a cabeça com seus alunos era tudo que precisava para esquecer um pouco de Lara. Não parava de pensar nela.
Ao final da manhã a loira deixou as crianças brincarem lá fora após ter contado uma história sobre Pinóquio.
Agora se sentia um pouco cansada, ensinar e cuidar de tantas crianças juntas ao mesmo tempo não era algo fácil, embora achasse prazeroso.
Sentou-se em sua mesa concentrada para corrigir os exercícios dos pequenos.
--- Hei... Contadora de histórias?! --- ouviu um sussurro sensual
--- Lara! --- levantou-se para recebê-la --- Que bom passou por aqui. Veio me ver?
--- Não... Vim aqui só pra analisar o tom de verde da grama do pasto aqui fora! --- respondeu com um meio sorriso
--- Engraçadinha! --- falou num tom de falsa irritação
--- Não sou...
--- Uma pessoa engraçada! --- cortou a frase da amiga remedando oo tom de voz da loira --- Já sei! Já sei!
--- É claro que vim ver você!
--- Ah... Que bom! Por um minuto você me deixou preocupada. É sempre bom saber que sou mais interessante que a grama do pasto.
--- Trouxe uma coisa pra você --- Lara disse tirando uma maça de uma bolsa de coro que levava junto ao ombro
--- Ai que delicia! --- Evelyn pegou a maça --- Vermelhinhaa!
--- Agora tenho que ir, tenho trabalho pra fazer. Quero te pegar as seis em sua casa. Estou pensando em ir ver como estão as coisas lá no vinhedo. Mandei construir umas cercas.
--- Claro. Espero-te as seis.
Lara deu-lhe um beijo no rosto e saiu pela porta.
--- Professora? --- um garoto entrou na sala tirando a loira de seus pensamentos
--- Pode falar Mathew. --- respondeu ternamente --- O que querr?
--- A Senhorita é amiga da impiedosa Mc Gregor?
--- Sim, Mathew, somos amigas. Por quê?
--- Minha mãe disse que ela é estranha.
--- Hahahaha... --- riu com gosto --- Bom, talvez sua mãe esteja certa. A palavra estranha cai bem em Lara! Hahahaha...
--- Minha mãe disse também que ela é uma aranha!
--- Aranha? Como assim? --- interessou-se
--- Ela arrasta as vítimas para sua teia e as devora!
--- Do que você está falando, Mathew?
--- Não sei, mas sempre ouço isso. Meu pai disse que ela já te arrastou pra teia dela. Como é estar numa teia, professora? Ela já te devorou? O que é isso?
--- Mathew, vai brincar lá fora.
--- Nunca ninguém me responde as coisas interessantes da vida... Ah!
--- Mathew! Vá lá pra fora agora!
Algumas horas depois estavam caminhando pelo vinhedo.
--- Eve... Você está estranha. Aconteceu alguma coisa?
--- Isso é você quem vai me dizer.
--- Do que se trata?
--- Você tem uma fama na cidade...
--- Sim, sou a impiedosa Mc Gregor.
--- E o que fez pra ganhar esse apelido?
--- O que exatamente você quer saber, Eve?
--- A verdade.
--- Eu quero ouvir a pergunta da sua boca, diretamente.
Evelyn parou de caminhar e se sentou na grama. Lara abaixou-se e sentou ao lado dela sem olhá-la.
--- Eu quero saber se você gosta de fazer.... Coisas com mulheres e não com homens.
--- Primeiro não são coisas. --- falou categórica --- Você quer saber se faço amor com mulheres.
--- Que seja! --- impacientou-se --- Faz ou não?
--- Faço.
Evelyn se levantou num rompante de raiva.
--- Você me enganou esse tempo todo!
--- Eu não te enganei coisa nenhuma! --- devolveu no mesmo tom se levantando e se postando de frente a ela
--- Porque você não me contou antes?
--- Evelyn, a cidade inteira sabe disso! Como eu poderia imaginar que você não sabia?
--- Pois eu não sabia! E se você fosse realmente minha amiga teria tido o bom senso de me dizer com quem eu estava andando!
--- O que você quer dizer com isso?
--- Que graças a você estou sendo mal vista e mal falada na cidade inteira!
--- Evelyn... --- segurou a loira pelos ombros num desesperado gesto de tentar acalmá-la
--- Não me toque! --- se soltou do contato bruscamente ---- Eu odeio você! Odeio você! Como pôde... Como pode?
--- Evelyn, me escuta!
--- Você estava tentando me arrastar pra sua teia? Estava?
--- Não. Em respeito a seu pai, meu amigo.
--- Então quer dizer que se não fosse por meu pai você teria...
--- Sim, teria.
Evelyn tirou o pingente do cordão que usava e o estendeu para que Lara pegasse.
--- Não quero nada seu! É sujo! É pecaminoso! É errado! É...
--- Chega, Evelyn! --- explodiu --- Chega! Você não tem o direito de me ofender dessa maneira. Eu confesso que sinto algo por você, mas não tentei usar nossa amizade pra me aproveitar! Caso contrário já a teria feito minha desde o momento em que fui pegá-la naquela maldita estação de trem!
Evelyn se manteve calada e Lara continuou:
--- Como pude me enganar tanto com você? Não passa de uma garotinha mimada que não enxerga um palmo diante do seu próprio narizinho bonito.
--- Eu quem me enganei com você! Pensei que fosse uma pessoa decente, honrada, de respeito!
Lara deu um tapa no rosto da loira.
--- Aí! --- gritou levando a mão ao rosto --- Você me bateu! Eu odeio você!
A morena agarrou Evelyn e a prendeu em seus braços. A respiração de ambas se acelerava a cada milésimo de segundo.
--- Eu amo você, Evelyn. --- chegou a boca bem próxima a dela e roçou seus lábios nos da loira
Evelyn fechou os olhos a espera do que viria. Sabia que o Lara pretendia e sabia também que a morena era muito mais forte e nada poderia fazer para defender-se.
--- E é por te amar --- continuou a morena --- Que eu te respeito.
Lara a soltou de supetão fazendo com que Evelyn se desequilibrasse e caísse no chão. A morena a olhou do alto e disse friamente:
--- Pensei que você fosse diferente das outras pessoas da cidade. --- suspirou tristemente --- Me enganei.
Virou as costas e foi embora deixando-a caída no chão com uma expressão desolada.
Capítulo 8
Evelyn andava em seu quarto de um lado para o outro inquieta. Muitos sentimentos passaram por ela. Raiva, nervosismo, tristeza e por último arrependimento. Por mais que achasse que Lara tivesse uma má conduta, não poderia tê-la tratado daquele jeito.
Afinal, importava mesmo quem ela levava pra cama? Algo em Evelyn doía quando pensava em Lara na cama com alguém... Por quê? Será que tinha se apegado tanto a amiga que estava com ciúmes dela levar adiante uma relação e a esquecer? Depois de tudo o que tinha dito tinha certeza de que Lara jamais lhe dirigiria a palavra novamente. Precisava se desculpar!
Sem pensar, Evelyn correu até o armário e pegou um agasalho, estava frio lá fora. Desceu as escadas em silêncio para não chamar atenção de ninguém, seu pai não permitiria que saísse uma hora dessa sozinha.
Foi até o estábulo, selou seu cavalo e galopou velozmente até a Fazenda Arco Íris. Chegando lá desmontou com pressa sem ao menos se preocupar em amarrar o animal para que não fugisse. Correu até a porta da frente e se pôs a bater com força.
--- Lara! --- gritou batendo na porta --- Lara abra a porta! Precisamos conveersar! Lara! Lara!
Será que ela não estava em casa realmente ou não queria atendê-la? Rodeou todo o casarão. Sem sinal de que alguém estivesse aí dentro. Onde será que Lara havia se metido?
--- Claro! --- sorriu --- No bar!
--- Mais uma rodada! --- Lara gritou para o garçom --- Essa é por minha conta, pessoal!
--- Lara... --- disse Ramon preocupado --- Não é melhor você parar por aí?
--- Não se atreva a me irritar, Ramon! Vim aqui pra me divertir --- olhou para uma garota loira perto do balcão --- E vou me divertir!
--- O que aconteceu? Dou minha cara à tapa se não tem Evelyn no meio... Que foi? Brigou com a nova amiguinha?
--- Bingo! --- disse virando o copo
--- E então? Irá me contar o que houve?
--- Ela descobriu que sou lésbica e não gostou nada... Rompemos.
--- Hum... Deixe-me ver se entendi: Ela descobriu que você é lésbica, mas não descobriu que ela mesma também é!
--- Exatamente.
--- Ela sabe que você está apaixonada por ela?
--- Sim.
--- E ainda não percebeu que ela mesma se apaixonou por você?
--- Não.
--- Mais que raios de menina tão inocente essa que ainda não percebeu que vocês são um casal!
--- Ramon!
--- Lara...Todos os cidadãos de Charleston sabem que vocês duas são um casal e não adianta negar. A forma como se olham, o jeito que se portam, sem falar na expressão corporal! Ainda que não tenham consumado a ato em si...
--- Eu sei! Mas ela ainda não percebeu! Como você mesmo disse, Evelyn é muito inocente.
--- E o que vai fazer agora?
--- Já disse! --- olhou novamente para a loira perto do balcão --- Vou me divertir! E não ouse tentar me impedir!
--- Hum... Já sei... --- disse ele ao notar o olhar dela devorando a menina --- Você está sentindo falta de uma mulher gostosa na sua cama... Vá em frente! Cure a dor de cotovelo ao menos por uma noite... Mas sabe que só estará tentando encontrar a sua loira no corpo dessa outra loira.
Lara lhe deu um olhar fulminante e se levantou e foi para onde estava a moça.
--- Será que posso pagar uma bebidinha? --- Lara disse num tom sensual no ouvido da loira do balcão
--- Não sei... --- a loira respondeu apreensiva --- Se quiser...
--- Ah... Pode apostar que eu quero... --- respondeu maliciosa --- Sabe que voocê é muito bonita?
--- Obrigada... --- respondeu pegando a bebida --- Sei quem você é... A impiedosa Mc Gregor.
--- E? --- perguntou arqueando uma sobrancelha sorrindo
--- E... Você é encrenca certa!
--- Acertou.
--- Preciso ir embora...
--- Não.
--- O que?
--- Eu disse não. Você não vai embora. Não sozinha...
--- Eu quero ir embora!
--- Sabe o que eu quero? Quero dar um passeio com você lá fora.
Sem dar tempo para a moça pensar, Lara a pegou pelo braço e saiu a arrastando para a porta dos fundos do bar. Do lado de fora chegou perto de umas árvores e a pressionou contra o tronco.
--- Me solta! --- a loira gritou
Mas ao invés disso, Lara capturou os lábios da bela mulher num beijo voraz. A moça não resistiu e retribuiu ao beijo, excitada.
--- Sabe o que eu vou fazer com você? --- Lara perguntou maliciosa
>--- O que? --- respondeu com dificuldade tamanho desejo que a assolava --- O que vai fazer comigo?
--- Vou devorar você... --- respondeu passando a mão pelo corpo da moça
Começaram a se beijar com desejo. Lara deu uma pausa no beijo e se afastou um pouco, porém sem solta-la, para ver se havia alguém por perto, então seus olhos paralisaram na direção a direita há uns dez metros. Não acreditava no que via. Evelyn, a estava olhando com lágrimas nos olhos e uma expressão de pavor. Quanto tempo será que estava ali? Quanto da cena ela tinha presenciado?
Preparou-se para ir até ela, mas Evelyn saiu correndo.
--- Fique aqui! – disse para a moça quando esta fez menção de segui-la
Evelyn corria veloz por entre as árvores, porém Lara tinha as pernas mais longas e consequentemente mais rápidas. A morena conseguiu alcançá-la e a segurou pelos braços.
--- Evelyn!
--- Me solta, sua despudorada!
--- Não solto não! Não solto até você me dizer o que veio fazer aqui!
--- Pois não direi!
--- Evelyn, não me faça perder a paciência! --- disse a apertando mais forte --- Diga! O que veio fazer aqui?
--- Isso não importa mais... --- disse tristemente
--- Mas é claro que importa!
--- Eu vi você agarrando aquela babosa! --- gritou enfurecida --- Maldita desonrada!
--- Sinto muito que tenha presenciado. --- disse sinceramente
--- Mentirosa! Como pode ser tão falsa?
--- Defina falsidade.
--- Ato de fingir, mentir, enganar! --- disse irritada --- É isso o que voccê faz!
--- Porque está dizendo isso, Evelyn?
--- Há poucas horas estava dizendo que sente algo por mim, que me ama! Que forma mais estranha você tem de amar...
--- Eu não menti pra você, Evelyn! Eu te amo!
--- Não me faça rir! --- disse com desdém --- Te flagrei beiijando aquela desonrada! E você estava gostando! --- gritou irritada --- Não estava? Não minta!
--- Nem passou pela minha cabeça mentir. Eu estava gostando sim.
--- Eu odeio você! Odeio você!
--- Qualquer um diria que você está com ciúmes...
--- Não diga coisas absurdas! --- disse enfurecida --- A única coisa que sinto por você é nojo... E ódio! Eu odeio você! Odeio você!
--- Já te disseram que ódio e amor caminham juntos?
--- Já te disseram que você é uma cínica mentirosa! Aposto que já te disseram milhões de vezes!
--- E eu aposto que você queria estar no lugar daquela moça comigo lá nos fundos...
--- Pois aposto que você é uma louca fugitiva do manicômio!
--- Pois aposto que você quer um beijo... --- a agarrou forte contra o corpo --- Porque mais você estaria aqui? Quer provar do meu sabor, Eve? Quer se prender em minha teia? --- sussurrou no ouvido dela --- Quer que eu te devore?
Evelyn sentiu as pernas tremerem, um arrepio correu por todo o seu corpo, sabia que estava querendo, ansiando as carícias de Lara, seus beijos, seu amor... Não podia ceder!
--- Nada seria mais repugnante que um beijo seu! --- disse olhando Lara nos olhos passando convicção, mas sabia que estava mentindo
--- Pois bem! --- a soltou --- O dia em que eu te beijar, Evelyn Morgan, será porque você me implorou!
--- Caia dessa nuvem! Isso nunca vai acontecer! Nunca! --- Evelyn saiu correndo e Lara não a seguiu dessa vez
Semanas haviam se passado e a vida continuava. Evelyn agradecia pelo fato de estar trabalhando como professora, assim teria menos tempo pra pensar em Lara. Como a odiava! Naquela noite em que esteve no bar atrás dela para se desculpar a flagrara em ação. Ficou com muita raiva de vê-la beijando aquela mulher. Havia ido pedir perdão por ter se portado mal, mas viu que a morena nem ao menos tinha ficado triste, muito pelo contrário, estava se divertindo com aquela babosa!
O pior é que pela primeira vez se dava conta da influência da morena sobre ela. Da vontade latente em seu âmago de se entregar as carícias de Lara. Dormir havia se tornado um tormento, todas as noites rolava de um lado para o outro, ansiando um contato que nem ao menos sabia como era. Queria o corpo de Lara, seus beijos, mas não sabia de que forma... Tinha medo... Medo do que estava sentindo, medo de não ter mais volta, medo de não resistir e se entregar a luxúria, ao pecado. Iria para o inferno com certeza!
Com o rumo dos seus sentimentos, tomou a decisão de fazer o possível para evitar se encontrar com Lara. Era o único meio de se assegurar que nada aconteceria.
Lara por sua vez, havia decidido esquecer da existência de Evelyn voltando à vida que levava antes: bebidas e mulheres, alternado com trabalho duro e competente. Era uma mistura aparentemente suficiente para fazer esquecer qualquer coisa, mas não era. Evelyn estava gravada em sua alma e em seu coração a ferro e a fogo.
Numa tarde após chegar da escola, Evelyn encontrou seu pai com Peter, o filho do prefeito na sala de estar.
--- Boa tarde, Senhor Peter. --- Evelyn cumprimentou o jovem rapaz estendendo sua mão --- Como está passando?
--- Muito bem, Senhorita Evelyn, obrigado. --- sorriu e beijou a mão estendida da loira --- E a Senhorita, como está?
--- Muito bem, obrigada. --- virou-se para o pai e o beijou no rosto --- Oi papai!
---Eve, minha filha --- Leonor respondeu sorridente --- Peter veio aqui para lhe fazer uma proposta. Sente-se.
Evelyn se sentou, mas algo dentro dela gritava para que saísse correndo. Podia imaginar o que estava por vir. Sabia que quando um rapaz ia visitar uma moça solteira, de certo que teria intenções para com ela. Intenções esta que não estava disposta a aceitar. Mas se manteve cortês e educada o tempo todo, ainda que não sorrisse.
--- Senhorita Evelyn --- Peter começou a falar timidamente --- Seu pai me deu permissão para vir cortejá-la.
--- Senhor Peter --- a loira respondeu calmamente --- Estou certa de que meu pai permitiu, sei que ele deseja um bom casamento para mim e agradeço que queira me ver feliz e bem casada, mas devo lembrar os dois que na minha pessoa mando eu, portanto quem deve permitir ser ou não cortejada sou eu e ninguém mais. --- levantou-se deixando os dois de boca aberta --- Com a sua licença. Estou cansada e preciso de um banho. Adeus, Peter.
--- Até breve, Senhorita. --- o rapaz se levantou sem graça
Evelyn se retirou da sala de estar e foi para seu quarto.
--- Eu disse que não seria fácil! --- disse Leonor também se pondo de pé --- Eu conheço a minha filha! Quando ela mete algo na cabeça não há uma viva alma que a faça tirar!
--- Ao menos eu tentei... --- respondeu o rapaz aparentando tristeza --- Mas creio que de certa forma a Senhorita Evelyn tem razão. Ela é quem deve dizer se posso cortejá-la ou não.
--- Dê-lhe tempo para assimilar a nova situação.
--- Está certo. Alguns dias depois pretendo retornar a sua casa, Leonor. Pretendo tentar novamente. Apaixonei-me por sua filha desde o instante em que a vi. Ela é linda!
Alguns dias depois Leonor estava na casa de Lara. Encontrava-se com um problema e toda vez que se via em apuros corria para sua grande amiga.
--- Mas tem que ser você, Lara! --- Leonor pedia com angustia --- Não ttenho outra amiga mulher! E francamente, travestir algum homem está fora de cogitação!
--- Leonor, não posso! --- respondeu veemente --- Simplesmente não dá!
--- Porque não? Qual é o problema, Lara? --- perguntou irritado --- Você é mulher e as mulheres usam saias, ora!
--- Sim, as mulheres usam saias, mas eu não!
--- Lara, tente me entender...
--- Pois se você foi homem o suficiente para levar uma moça solteira pra cama, pois que seja homem pra se casar com ela!
--- Não posso! É por isso que peço que se passe por minha noiva! Não vou me casar com Odeth!
--- Porque diabos não se casa! Ela é bonita, ela é inteligente...
--- Esse é exatamente o x da questão.
--- Oh! Não me diga que está aberta a temporada de caça as moças possuidoras de cérebros!
--- Lara! Não é hora pra fazer graça!
--- Não sou uma pessoa engraçada... --- disse rosnando
--- Beleza e inteligência é uma combinação perigosa em uma mulher... Já me bastam os problemas que tenho com Evelyn!
--- Não ponha Evelyn no meio, Leonor!
--- O caso é que... --- passou a mão na cabeça em sinal de desespero --- Lara, me ajude! Se vista como uma dama, me acompanhe a essa festa amanhã e ela desistirá de mim! Pensará que sou um enganador.
--- Não Leonor! --- respondeu séria --- Não usarei vestido!
No dia seguinte era um sábado. Leonor havia se arrumado com esmero. Trajava terno e gravata e andava ansioso de um lado ao outro da sala.
--- Papai --- disse Evelyn ---- Desse jeito você vai fazer um buraco no chão! Porque está tão ansioso... --- deu uma olhada melhor nele reparando a roupa --- E tão elegante... Aonde vai?
--- Vou a uma festa na cidade vizinha.
--- Hum... Pretende arrumar uma namorada, é?
--- Bem... Na verdade pretendo desarrumar! Se tudo der certo...
--- Desarrumar? Hahahaha... --- riu --- O que quer dizer com isso, pai?
--- Minha filha, não tenho mais idade pra casar novamente...
--- Falou o Senhor dinossauro!
--- É sério, Eve! Não posso me casar... Ainda mais com Odeth!
--- Odeth? A chata? Hahahaha... --- riu mais ainda --- Paizinho... Quem mandou arrumar sarna pra se coçar? Hahahaha...
--- Mas se meu plano der certo, me livro dessa!
--- Que plano? --- perguntou curiosa
--- Vou apresentar a Odeth minha noiva!
--- Noiva? --- riu --- Hahahaha... --- Só você mesmo pra inventar uma noivva pra se livrar de casamento! Hahahaha...
--- É, mas pode dar certo!
--- E quem espera?
--- Lara.
--- Lara? --- perguntou num fio de voz
--- Ela irá me ajudar.
O coração de Evelyn queria saltar pela boca. A simples menção do nome da morena já lhe era suficiente para fazer seu coração palpitar enlouquecidamente. O corpo tremia feito vara verde.
Então Lara iria a uma festa na cidade vizinha? Pois mesmo fingindo ser a noiva de seu pai, tinha certeza que a intenção oculta dela era ir atrás de mais mulheres! Pois de certo as da região já devem tê-la fatigado!
Os pensamentos da loira foram cortados por batidas na porta. Ela havia chegado! Ela! Tinha conseguido evitá-la ao máximo por todos esses dias e agora ela estava ali... Tão perto... Apenas uma porta as separava. Precisava sair dali! E rápido!
Evelyn já ia subindo os primeiros degraus da escada quando seu pai a chamou:
--- Eve, abra a porta, deve ser Lara! --- disse ele passando por ela na escadda --- Diga a ela que vou pegar um casaco e já volto.
Evelyn se viu numa sinuca de bicos. Sabia que tinha que abrir a porta, mas por outro lado sabia que não se sentia pronta para olhar novamente nos olhos da morena. Não depois do que tinha presenciado outra noite nos fundos do bar... E depois de ter descoberto seus próprios desejos...
Sem opção, desceu os degraus e foi até a porta. Ao abrir seu queixo caiu diante da fenomenal mulher parada diante dela. Sem dúvida era Lara... Mas era uma Lara diferente, refinada... Estupenda! Usava um vestido vermelho, justo na cintura e bem decotado. Os cabelos meio presos com um lindo adorno de brilhantes combinando com um lindo colar que lhe realçava o colo. Evelyn a olhava fascinada.
--- O que é? --- perguntou Lara --- Vai ficar me olhando o dia todo ou me deixará entrar?
--- Han? O que...que... --- gaguejou --- Entra! --- Evelyn saiu do transe emm que se encontrava, mas não podia desviar os olhos do decote da morena. Os seios dela subiam e baixavam num movimento rápido de expira e inspira.
--- A propósito... --- Lara disse entrando --- Meu rosto é mais em cima! --- sorriu triunfante
--- Se por fora parece uma dama... --- a loira respondeu desviando rapidammente o olhar dos seios de Lara --- Por dentro é a mesma insuportável de sempre!
--- Você não consegue parar de me olhar, não é mesmo? O que foi, Evelyn? Está pensando em entrar no negócio das teias?
--- Deixa de ser ridícula, Mc Gregor!
--- Achei que já havíamos superado essa coisa com meu nome... --- a olhou com ar zombeteiro
--- Apenas não estou acostumada a vê-la como uma dama! Pois claro... Requinte é algo que lhe falta! --- alterou o tom de voz
--- Olha aqui garotinha --- a segurou pelo braço --- Se por um lado me falta requinte, por outro me sobram astúcia! Eu sei o que você pretende!
--- Ah sabe? E o que eu pretendo?
--- Você tem um pacto com o demônio pra me enlouquecer! É isso!
--- Te enlouquecer nem passou pela minha cabeça...
--- Ah não? --- num movimento ágil, Lara a puxou pela cintura colando seu corpo no dela --- Mas enlouquece assim mesmo... Como ninguém nunca tinha conseguido antes...
Lara respirava no ouvido de Evelyn, roçou o nariz e a própria bochecha por toda a face da loira. Com o polegar tocou-lhe os lábios.
--- Lara...
--- Que foi? --- disse sussurrando, excitada
--- Você disse que só me beijaria se eu implorasse...
--- Sim... --- gemeu baixinho na quase tocando a boca de Evelyn
--- Pois então me solta que nem ao menos estou te pedindo! --- sorriu triunfante --- Quanto mais implorando!
Capítulo 9
Balde de água
fria! Metafórico, é claro! Mas foi assim que Lara se sentia nesse
momento: Como se um enorme balde de água fria... Fria não, Gelada!
Tivesse caído sobre sua cabeça.
Soltou Evelyn mais que rapidamente e se recompôs. Sentiu muita raiva dela
de repente.
--- Como você pode ser tão fria, Evelynn?
--- Você é uma aproveitadora Mc Gregor!! Afaste-se de mim! Não
ouse me tocar nunca mais!
--- Não é isso o que você quer! --- dissse num misto de desespero
e irritação --- Seja honesta consigo mesma ao menos uma vez!
--- Estou sendo honesta, Lara! --- a ollhou nos olhos --- Eu quero distância
de você!
--- Mentira! --- quase gritou --- Mentiira! Nós duas sabemos que você
me quer tanto quanto eu a você! Porque você está fazendo
isso com nós duas? Por quê?
--- Pare de me dizer coisas absurdas! MMude o vocabulário!
--- Eu sei o que você sente, Evelyn, nãão negue!
--- Você tem muita imaginação!
--- Deixe de ser infantil! --- a morenaa riu sarcasticamente
--- E você deixe de ser inconveniente! --- disse Evelyn om as mãos
na cintura
--- Estou pronto Lara! --- disse Leonorr, que descia a escada distraído
ajeitando a gravata, alheio ao que se passava na sala entre sua filha e sua
melhor amiga
--- Nossa conversa ainda não acabou, Evvelyn! --- disse num sussurro imperceptível
aos ouvidos de Leonor que se aproximava
--- Já podemos ir! --- disse Leonor agoora já próximo as
duas --- Então, sobre o que conversavam?
--- Vou para o meu quarto. --- disse Evvelyn desconversando, fugindo da pergunta
do pai e seguindo em direção a escada
--- Leonor, já é tarde --- Lara tomou aa mesma atitude de Evelyn:
fugir da resposta --- Se não nos apressarmos perderemos o início
da festa. Vamos logo!
No domingo após
o almoço, Evelyn estava na varanda sentada numa cadeira de balanço
feita de madeira, na companhia do pai. Esse era um dia sagrado para Lila, pois
era o dia destinado para que ela recebesse a visita de Rodolfo, seu noivo.
Estavam todos fazendo companhia para os noivos, não era uma boa conduta
uma moça de família sozinha com um rapaz, mesmo que este fosse
seu noivo.
Lila e Rodolfo estavam sentados numa cadeira namoradeira um pouco afastado dos
olhos atentos de Leonor, mas ainda assim a vista.
Evelyn estava pálida, com olheiras. A última noite não
tinha sido fácil, a visão de Lara trajada como uma dama naquele
vestido justo a tinha deixado mais que atordoada. Não podia mais fingir
pra si mesma que não sentia nada, muito menos pra Lara, que era mais
que esperta e tinha plena consciência do efeito que lhe causava. Ao rolar
de um lado pro outro na cama, se deu conto de que passasse o que passasse, fizesse
o que fizesse, estava irremediavelmente apaixonada pela Impiedosa Mc Gregor.
Mas essa não era a vida que seu pai sonhava para uma filha e também
não era a realidade que gostaria de ter. Seria muito difícil ser
motivo de piada na sociedade. Seria excomungada da igreja! Afastada do cargo
de professora! Não! Não poderia se deixar levar pelo pecado, pelos
instintos carnais! Tinha que tomar uma atitude e rápido!
Uma nuvem de poeira se formou no horizonte, sinal que alguém se aproximava.
Evelyn sentiu seu coração se apertar e bater tão forte
que ficou com medo deste lhe saltar pela garganta. Segurou com força
o braço da cadeira onde estava sentada, tentando controlar o nervosismo
e o impulso de sair correndo, mas não podia permitir que seu pai percebesse
o que estava se passando em seu coração, por isso deveria permanecer
onde estava. Apertou os olhos no intento de conseguir visualizar melhor quem
era o cavaleiro que cavalgava em direção a casa principal de sua
fazenda. Num misto de alívio e decepção, viu que não
era Lara quem se aproximava, mas Peter.
--- Boa tarde, Senhor Leonor. --- o rappaz cumprimentou, educado
--- Boa tarde Peter. --- Leonor responddeu sorridente
--- Boa tarde, Senhorita Evelyn! --- cuumprimentou um tanto quanto tímido
--- Como tem passado?
--- Boa tarde, Senhor Peter --- Evelyn respondeu cordialmente, porém
sem expressar nenhuma emoção --- Passo bem, obrigada. E o Senhor?
--- Muito bem... Melhor agora em sua prresença.
Como Evelyn não respondeu, Peter fez um gesto para Leonor com a cabeça,
indicando que precisava falar com ele.
Leonor se levantou e puxou Peter para um canto da varanda, afastado:
--- E então, Peter? --- Leonor se mostrrava simpático --- O que
o traz aqui novamente?
--- Gostaria de falar com a Senhorita EEvelyn.
--- Veio tentar novamente, rapaz? --- pperguntou sorrindo --- Tudo bem, fale
com ela, mas não tenha esperanças... Essa menina não vai
se casar nunca.
--- Evelyn vale a tentativa. Posso falaar com sua filha a sós? Por favor?
--- Claro. --- virou-se em direção a fiilha --- Evelyn? Venha até
aqui.
--- Sim paizinho. --- respondeu ela inddo direção a eles
--- Peter tem algo a lhe dizer.
--- Boa tarde, Senhorita Evelyn! Como ttem passado?
--- Boa tarde, Senhor Peter. Passo bem,, obrigada. E o Senhor?
--- Muito bem... Melhor agora. Evelyn.... Posso trocar umas palavrinhas contigo?
--- Sim.
Leonor discretamente os deixou a sós naquele canto da varanda e voltou
a se sentar na cadeira em que estava anteriormente, porém de onde estava
não perdia um movimente de Peter e Evelyn. Apurou os ouvidos para ouvir
que desculpa Evelyn daria agora para não aceitar o pedido de Peter de
cortejá-la.
Peter pegou na mão de Evelyn e começou o discurso.
--- Evelyn... Eu... --- ele estava muitto nervoso --- Sou um homem próspero,
tenho futuro na política e pretendo substituir meu pai como prefeito
dessa cidade algum dia. --- fez uma pausa, respirou e continuou --- Sei que
não me conhece, mas se me der uma chance de cortejá-la formalmente
posso provar que sou digno de sua pessoa.
--- Sim. --- respondeu séria --- pode vvir cortejar-me.
--- Po-Posso? --- perguntou pasmado, gaaguejando
--- Sim. Pode vir cortejar-me todos os domingos.
Um barulho alto soou no local. Era Leonor caindo de sua cadeira de balanço.
Finalmente chegou o
grande dia do casamento de Lila e Rodolfo. Evelyn estava no quarto com a irmã
e a avó, juntas tratavam de embelezar a noiva. Ajudaram-na com o vestido,
sapatos, brincos, véu, cabelo, e todas as outras coisas dignas de uma
noiva.
--- Você está muito linda, minha irmã! --- disse Evelyn
feliz
--- Estou muito é nervosa! --- respondeeu a noiva
--- Não precisa! Hoje é o dia mais boniito de sua vida, irá
se casar com o homem que ama!
--- Sim! Irei me casar! --- respondeu ssorridente --- E em breve será
a sua vez, Eve! Em breve poderá se casar com Peter!
--- É...
--- Um dia será primeira dama dessa ciddade!
--- Lila, hoje o casamento é seu, portaanto vamos falar apenas sobre Rodolfo
e você. Tenho certeza de que serão muito felizes!
Minutos depois Lila finalmente estava arrumada.
--- Você está pronta! --- disse a avó ---- Vamos descer logo
e ir para a igreja que o noivo te espera!
Uma grande área
da fazenda Arco Íris havia sido preparada pra recepcionar os convidados
para a festividade do evento.
Lara havia oferecido dar a festa como presente de casamento, não por
Lila, pois não eram amigas, mas por Leonor, que mesmo tendo quitado suas
dívidas se encontrava em dificuldade financeira. Leonor não tinha
dinheiro para esbanjar numa festa do porte de um casamento e como por costume
e tradição dar a festa era presente do pai da noiva, Lara não
pensou duas vezes em tirar Leonor desse problema. Os noivos aceitaram o presente
de bom grado e nem ao menos desconfiaram do real motivo, ninguém desconfiava
da real situação em que Leonor se encontrava.
Lara estava usando um conjunto de calça e blusa de seda bege, estava
realmente muito bonita. Tinha os cabelos negros meio presos.
Evelyn estava num lindo vestido de dama de honra rosa bebê, os cabelos
tinham um adorno de rosas frescas, que lhe davam um ar angelical. No entanto
os pensamentos da loira não eram tão inocentes e angelicais assim.
Sentada a mesa com sua avó, não conseguia desviar os olhos da
morena sensual. Foi obrigada a desviar o olhar quando sentia a presença
de Peter atrás dela, segurando seus ombros até ficar frente a
ela, tapando a visão do ser que mais amava... Era um sonho... E nada
mais... Não poderia ser nada mais.
Não podia mais suportar a distancia entre elas, tudo era muito duro e
difícil sem sua amiga. E como sentia a falta dela... Mais do que qualquer
pessoa... Tinha aceitado o compromisso com Peter para que pudesse se dar uma
chance de esquecer, de mudar seu destino. Queria ser uma pessoa normal e pra
isso precisava distância de Lara.
--- Evelyn, me concede a honra dessa daança?
--- Claro, Peter. --- levantou com um ssorriso amarelo
Ele a conduziu para o centro da pista de dança improvisado num grande
tapete vermelho.
Evelyn já havia tomado sua decisão, mas ali, dançando nos
braços dele, soube que não importava o que fizesse, pois nada
iria mudar o que sentia... Precisava inverter essa situação...
Precisava senti-la para si... Como queria conhecer o beijo de Lara... Como seria
a sensação de ser tocada por ela?
Evelyn se aproveitou da posição privilegiada, estar no centro
da festa para observar Lara mais atentamente. Viu com riqueza de detalhes quando
uma ruiva se aproximou da morena. Sentiu seus músculos tensos. Lá
estava o objeto do seu amor e desejo conversando com aquela ruiva muito bonita.
Pareciam ter muita intimidade.
--- Que foi, Evelyn? --- Peter perguntoou preocupado --- Você está
se sentindo bem?
--- Ah... Eh... Sim! Estou ótima!
Ele não pareceu satisfeito com a resposta, mas Evelyn não se importou
e voltou a olhar na direção de onde saber estar Lara. Mas não
as encontrou mais onde estavam. Droga! Pra onde teriam ido? Pois que se danem
as duas! Que se dane Lara e sua vida libertina! Lara a estava deixando louca!
Num minuto a queria distante para dois segundos depois a desejar com mais urgência
do que nunca. O que estava acontecendo? Que loucura é essa?! Firme-se
em seu propósito de esquecê-la! Firme-se em seu propósito!
--- Firme-se em seu propósito! --- Evellyn disse para si mesma seus pensamentos
em voz alta sem perceber
--- Que propósito, Evelyn?
--- Propósito? Eu disse isso?
--- Sim, disse... A que se refere?
--- Ah... Nada demais... Pensava em vozz alta...
Todas aquelas perguntas que não estava disposta a responder... Todos
aqueles pensamentos que não estava pronta para aceitar... Tudo rodando
numa velocidade estrondosa em sua mente a deixaram nauseada.
--- Peter... Na verdade acho que realmeente não estou bem...
--- Que posso fazer para ajudá-la?
--- Nada! Vou a casa principal da fazennda molhar meu rosto com água gelada,
creio que é o suficiente... Não se preocupe, logo estarei melhor.
--- Te acompanho...
--- Não! Sou sua noiva! Não sua irmã siiamesa!
Evelyn saiu sem ao menos olhar pra trás sem se importar se deixava seu
noivo sem graça. Seu estado de espírito não dava espaço
para que se importasse.
Lara estava bastante
chateada e triste, não conseguia aceitar o fato de perder Evelyn para
sempre. Não conseguia entender como ela preferia viver uma mentira a
se unir à pessoa que amava apenas por serem duas mulheres. A sociedade
condenava, pois que a sociedade fosse ao diabo! Não entendia como podiam
condenar o amor. Sendo assim, o que fariam com o ódio?
Agora estava encostada numa pilastra da varanda olhando sua amada nos braços
do boca-aberta do filho do prefeito. Não era justo!
Sentiu uma mão reconfortante em seus ombros. Era Lavínia, sua
prima escocesa. Havia vindo visitá-la como fazia anualmente, sempre passava
dois ou três meses. Ambas eram sozinhas, órfãs e filhas
únicas, e por isso haviam desenvolvido um relacionamento intimo e fraterno
digno de verdadeiras irmãs.
Lavínia era uma mulher de trinta anos, muito bonita, alta, ruiva com
profundos olhos azuis, mas não tão claros e brilhantes como os
da prima.
Tinham um relacionamento de confiança e respeito, de modo que o mundo
de Lara nunca havia sido segredo para ruiva.
Lavínia adorava a prima e sempre ficava ao seu lado, e nesses últimos
dias não estava sendo diferente. Lara estava sofrendo profundamente com
o compromisso que Evelyn firmara com Peter. Havia sabido do ocorrido pela boca
de Leonor e teve que fazer um esforço sobre-humano para esconder do amigo
o estado de tristeza que aquela noticia a tinha deixado.
Quando Lavínia viu que a loira dançava com o rapaz e que Lara
estava quase chorando ao vê-los dançar, resolveu se aproximar para
tentar amenizar a tristeza estampada na alma de sua querida e estimada prima.
Chegou por trás e pôs a mão em seus ombros, até que
se sentou ao lado dela.
--- Oi... --- cumprimentou --- Posso saaber o que a mulher mais linda da festa
está fazendo aqui sozinha?
--- A mulher mais linda da festa está nnos braços do boca-aberta
do Peter!
--- Lara... Sei que é difícil, mas vocêê precisa superar
isso. Ela escolheu ficar com ele e você não pode fazer nada. Precisa
respeitar a vontade de Evelyn.
--- Não da pra superar, já tentei de tuudo e nada funcionou...
--- Vem! --- levantou e estendeu a mão para ela --- Vamos sair daqui!
Você não tem que ficar vendo essa cena romântica entre eles...
Lara aceitou a mão estendida e se deixou ser puxada para o interior de
sua residência
--- Preciso fazer xixi! --- disse Lavínnia fazendo uma expressão
cômica
--- Vá ao banheiro. Vou até a cozinha vver se está tudo
sob controle com as cozinheiras que contratei.
Lavinia entrou no banheiro. Enquanto Lara seguiu para a cozinha.
Evelyn adentrou no
casarão de Lara com a intenção de ir até o lavabo
que sabia existir próximo a sala de jantar, já o havia usado quando
anteriormente nas vezes em que estivera com Lara almoçando e jantando...
Um sorriso tímido se fez aparecer no rosto da loira com a lembrança
desses dias tão felizes que passaram juntas.
Encostou-se na porta do lavabo a espera de que o ocupante saísse para
que pudesse entrar e seus olhos se posaram na grande escadaria contígua
a sala de jantar. Embora nunca tivesse estado lá em cima, sabia que certamente
a escadaria a levaria ao quarto de Lara. Sentiu uma enorme curiosidade de conhecer
o que guardava o santuário pessoal do ser que idolatrava. Olhou paro
os lados à procura de alguém a vista. Ninguém, ótimo!
Subiu com cautela, e se viu numa sala magnificamente decorada, havia um comprido
corredor à direita, adentrou nele e ficou se perguntando qual das portas
daria no quarto da morena.
Teve a desejada resposta quando viu uma porta enorme, de carvalho bem ao fim
do corredor que havia uma plaqueta com o nome de Lara ornamentado com um arco-íris,
era o mesmo desenho que havia na placa da fazenda de Lara. Sentiu um frio na
barriga. Atrás dessa porta estaria o lugar onde ela dormia, acordava,
sonhava, onde guardava seus pertences mais íntimos.
Atravessou a distância que a separava da porta que a mostraria os segredos
de sua amada morena, abriu e entrou.
O primeiro dos seus cinco sentidos que se manifestou foi o olfato. O cheiro
forte de rosas encheu suas narinas do seu delicioso perfume e seu coração
de saudade.
Aproximou-se da cama, abaixou e passou a mão pelo lençol numa
carícia como se fosse o corpo de Lara. Tinha plena consciência
de que estava praticando invasão de privacidade, mas a ânsia de
se apoderar de tudo o que era parte de Lara era mais forte. Queria conhecer
seus segredos, penetrar em seu mundo, desvendar sua alma.
Caminhou até a penteadeira e sentou-se numa cadeira de frente para o
espelho, tinha ali uma pequena gavetinha. Não agüentou a tentação
e a abriu. Encontrou um pequeno álbum de fotos antigo. Fotos de Lara
criança.
--- Você é muito linda desde que era umm bebê! --- disse encantada
olhando a foto ---Oh! Que coisinha mais fofa! Tão doce... Esses seus
lindos olhos azuis resplandecendo a inocência própria das crianças...
E agora que você é uma mulher, tem esse jeito de me olhar que parece
querer me devorar...
--- Não parece, Eve... --- a voz de Larra que acabava de entrar no quarto
se fez ouvir --- Meu olhar te devora de fato.
Evelyn se sobressaltou deixando o álbum cair ao chão.
--- Lara! --- estava visivelmente sem ggraça --- Eu... Eu me perdi!
--- Se perdeu? Hahahaha... --- riu com sarcasmo --- E parece que veio se encontrar
aqui em meu quarto!
--- Não é nada disso que você está penssando!
--- E será que você sabe o que eu estouu pensando? --- foi se aproximando
dela, lentamente, como um tigre que se aproxima da presa acuada
--- Fique longe de mim! --- disse nervoosa --- Eu vi você com aquela ruiva!
Aposto que ela sabe o que é uma teia!
--- Lavínia? Hahahaha... --- divertiu-sse --- A ruiva em questão
é minha prima Lavínia! Não tenho nada com ela, Evelyn!
--- Não? --- sorriu feliz--- Nadinha?
Evelyn permaneceu em silêncio e seus olhos estavam marejados. Lara então
continuou o discurso:
--- Eve... Nós vamos ser felizes juntass! --- Lara sabia que precisava
convencer a essa teimosa que foram feitas uma pra outra ---Diabos Evelyn! ---
bufou --- Será que você ainda não vê o que todos os
cidadãos de Charleston já viram?
Lara a olhava num misto de ternura e desespero, e Evelyn percebeu que a hora
tinha chegado, o destino assim mostrou quando Lara entrou pela porta a flagrando
mexendo em suas coisas. Não podia mais lutar contra a correnteza que
a levava direto para os braços da morena, não a Impiedosa Mc Gregor,
mas a sua Lara, a doce Lara que conhecia bem e que era sua melhor amiga. Reuniu
toda a coragem que possuía, guardou o álbum de volta na gaveta
e se levantou.
--- Lara... --- se aproximou --- Você ttem razão, não podemos
mais ficar assim... Não agüento mais ficar longe de você.
Sinto sua falta... --- como Lara nada disse Evelyn gritou --- Fale alguma coisa!
Lara sentiu que desfaleceria a qualquer momento, não acreditava no que
tinha ouvido. Um êxtase profundo se apoderou de todo o seu ser.
--- Três palavras. --- disse a morena ssorrindo, caminhando devagar em
direção a ela --- Eu... --- chegou perto e a abraçou ---
Te... --- encostou a boca no ouvido dela --- Amo.
Evelyn estremeceu.
--- Eu também te amo, Lara! Sinto sua ffalta... Não consigo conviver
com a sua ausência!
--- Ausência determinada por você.
--- Eu sei! --- disse chorando --- Eu ssei! Mas pretendo corrigir isso.
--- Meu amor, não chore! --- enxugou ass lágrimas da loira ---
Não há mais motivos.
--- Fui cruel com você, Lara, te humilhhei, te ofendi... E tudo por não
poder entender o que eu mesma sentia e por repelir meus próprios sentimentos...
--- Tudo bem, meu amor, está tudo bem aagora...
--- Lara... Posso te pedir uma coisa?
--- Quero um beijo...
Lara a olhou nos olhos com aquele olhar e se aproximou da face de Evelyn e lhe
deu um beijo estalado na bochecha.
--- Lara!
--- O que foi? --- riu divertida --- Nãão gostou do meu beijo?
--- Você sabe que sim. Mas... --- o tomm avermelhado que surgiu no rosto
de Evelyn indicar o quanto estava tímida no momento ---Quero um beijo...
Mas na boca.
Lara sorriu e puxou Evelyn de volta para o abraço, a pegou pela cintura
e a apertou enquanto a olhava daquele modo tão conhecido e já
adorado. Desceu o olhar para a boca da loira e entreabriu os lábios com
desejo.Tocou a boca de Evelyn com a sua com uma delicadeza impressionante. Enfiou
sua língua dentro da boca da loira e se pôs a massagear a língua
de Evelyn com a sua. O desejo era muito intenso. Gemeu. Aprofundou mais o beijo
a apertando com loucura contra si. Deveria se frear se não quisesse acabar
forçando-a a se entregar totalmente. Com dificuldade a soltou.
--- Essa foi a coisa mais linda que já me aconteceu em toda a minha vida...
--- disse Evelyn suspirando
--- Eve... Essa foi a coisa mais intenssa que já senti em toda a minha
vida! --- disse Lara tentando controlar o desejo que a assaltou por completo
--- É sempre assim? --- a loira pergunttou com inocência
--- Sempre assim? Como?
--- É sempre assim tão gostoso?
--- Não... Foi a primeira vez que sentii algo tão forte...
--- E o que vamos fazer agora?
--- Você vai descer, vai encontrar o booca-aberta do Peter e vai terminar
tudo com ele. --- suspirou indignada --- Soube de fonte segura que ele pretende
pedir sua mão em casamento hoje durante a festa.
--- Eu... Lara, eu juro que não sabia qque ele iria pedir minha mão
hoje! Eu jamais aceitaria me casar com ele, Lara! Acredite! Todo foi pra tentar
te esquecer, mas entendi que não há nada que eu possa fazer a
respeito.
--- Você nem pode imaginar o quanto me faz feliz ouvir isso, Eve! Não
há maior sofrimento que te ver nos braços de outra pessoa!
--- Eu vou falar com ele agora mesmo. EE o que você vai fazer?
--- Eu vou ter uma conversa com seu paii.
--- O que dirá a ele?
--- Toda a verdade. Ele merece saber tuudo, não posso mentir para o meu
amigo.
--- Tudo bem.
--- Te espero aqui em cima em uma hora..
--- Só se você me der mais um desses beeijos...
--- Um, dois, três... Quantos quiser!/font>
--- Leonor, preciso
conversar com você. --- Lara o puxou para uma mesa afastada
--- Porque será que quando você fala coom esse tom não é
boa coisa?
--- Ao contrário. É a melhor coisa que poderia ter me acontecido.
--- Estou curioso.
--- É sobre Evelyn... É um assunto compplexo.
--- O que tem minha filha? --- perguntoou interessado
--- Vou ser franca, Leonor. --- fez umaa pausa e continuou --- Me apaixonei por
ela.
--- Sim... Você se apaixonou por ela. ---- virou o copo --- E ela por você.
--- O que? --- perguntou perplexa --- VVocê sabia esse tempo todo?
--- Não só eu como toda a cidade...
>
--- Não acredito nisso! --- estava perpplexa --- Eu sabia que havia comentários
por aí, mas nunca imaginei que você soubesse! Pensei que quando
chegasse aos seus ouvidos me contaria, me pediria explicação,
afastaria Evelyn de mim... Qualquer reação! Ou todas!
--- Lara, eu sabia muito antes de toda essa história ir parar na boca
de todos os cidadãos de Charleston. Somos amigos há anos e eu
te conheço, sei o que se passa no seu coração... E também
sei o que minha filha sente... Não sou idiota!
--- Então porque não me disse nada?
>
--- Por um motivo muito simples: Sou eggoísta! Queria que Evelyn se casasse
com um homem distinto, de boa família... Quem melhor que o filho do prefeito?
Sem ofensas!
--- Você não pode ser tão mesquinho!
--- Não está mais.
--- Han? --- murmurou sem entender
--- Nos entendemos, Leonor. Vamos ser ffelizes juntas.
--- Sinceramente esse não era o caminhoo que eu queria que minha filha
seguisse, mas se vocês decidiram assim, assim será. Dou minha benção.
--- Fácil assim? --- Lara não acreditavva --- Leonor, pensei que
você fosse gritar, espernear, sei lá!
--- E quem disse que é fácil? A verdadee é que estou esse
tempo todo pensando em como seria quando Evelyn descobrisse que os sentimentos
dela por você vão mais além da amizade.
--- Ela vai terminar tudo com Peter.
melhor amiga felizes finalmente depois de tanto sofrer.
--- Obrigada. Sua aceitação é muito impportante pra mim.
Ainda bem que nos entendemos!
--- Se entenderam, não é? Vocês são duaas cabeças
duras! --- riu também
--- E pensar que me aproximei dela com a intenção de me tornar
amiga apenas para convencê-la a consentir com a venda do vinhedo! Hahahaha...
--- riu sentindo a tensão a abandonandoo
--- Lara... --- Leonor se pôs sério de repente
--- Hum?
--- Cuide de minha filha. --- fez uma ppausa --- Quando eu morrer...
--- Esse assunto mórbido de novo! --- ccortou a frase dele
--- É serio, Lara! Eu já disse que andeei pensando esses últimos
dias... Descobri que você é a pessoa ideal pra tomar conta dela.
Peter é um frouxo! Você tem pulso firme e saberá manter
Evelyn a rédeas curtas.
Uma lágrima tímida desceu pela face de Lara e sumiu pelo queixo.
--- Promete, Lara? --- segurou na mão ddela --- Promete que tomará
conta de minha filha?
--- Prometo, Leonor.
O momento dos dois
amigos foi quebrado com um repentino movimento no palco. Era Peter.
---Senhoras e Senhores, peço a atenção de vocês!
--- Peter no alto do palco montado paraa os músicos, batia com um garfo
numa taça para chamar atenção --- Gostaria de chamar aqui
perto de mim, minha querida Evelyn.
Evelyn se emudeceu ao se ouvir sendo chamada ao palco por Peter. Não
tinha escolha, não o deixaria com cara de bobo diante de toda a cidade.
Caminhou até o rapaz com passos incertos, sabendo que era o centro das
atenções de todos presentes na festa.
Ao chegar bem próxima, ele pegou na mão da loira e se ajoelhou,
tirando de dentro do bolso uma caixinha com um anel de noivado.
--- Senhorita Evelyn Morgan, peço perannte todos aqui presentes, nossos
amigos, a sua mão em casamento e nada nesse mundo me faria mais feliz.
--- o rapaz fez a pausa típica antes dee fazer a pergunta fatal --- Quer
se casar comigo?
Ouvi burburinhos e alguns assovios de incentivo e por fim todos calaram-se para
que pudessem ouvir a decisão de Evelyn.
--- Peter... Eu... --- estava trêmula ee com os olhos vermelhos de chorar,
as lágrimas corriam soltas por sua face --- Eu... Eu aceito me casar
com você.
Então ele tirou o anel da caixinha e o pôs no dedo da loira.
Capítulo 10
Lara arregalou os olhos, sentiu o
coração parar. O que estava acontecendo? Levantou-se soltando
fogo pelas ventas, irada. Foi até onde estava Evelyn e Peter.
--- Vem comigo, Evelyn! --- ordenou comm os olhos soltando faíscas
--- Não posso, Lara. Vou dançar com meuu noivo.
Lara a pegou pelo braço e saiu a arrastando sem se importar com os espectadores
a sua volta. Peter foi atrás.
--- Parado, rapaz! Não ouse nos seguir ou sentirá o peso das conseqüências!
--- Você não me amedronta Impiedosa Mc Gregor! Sou o filho do prefeito!
--- Você é só um garotinho estúpido quee eu ficaria
feliz em espancar! --- Lara disse num tom que não deixava dúvida
quanto a sua ira --- Agora ponha o rabo entre as pernas e cai fora daqui!
--- Não sem minha noiva! --- o rapaz reespondeu determinado
Lara rápida como um raio o nocauteou sem dar tempo para se esquivar.
Ele ficou caído ao chão, desmaiado, com o nariz sangrando.
--- Sua noiva não! --- disse ela olhanddo para o rapaz inconsciente ao
chão --- Minha noiva! --- cuspiu nele
Lara levou Evelyn para dentro do casarão.
--- O que foi aquela ceninha romântica lá fora? --- Lara gritou
furiosa
--- Parece que acabo de ficar noiva. ---- disse cinicamente estendendo a mão
direita para olhar a aliança com solitário de brilhante no dedo
anular
Lara agarrou a mão dela, pegou a aliança e a jogou longe.
--- Não faça isso, Lara! --- gritou irrritada --- Você não
tem direito de...
--- Você ficou maluca? Acaso fez um paccto com o diabo para me enlouquecer,
ou coisa parecida?
--- As pessoas têm o direito de mudar dde opinião!
Lara a agarrou pelos ombros e a olhava ameaçadoramente.
--- Porque você fez isso?
--- Eu sei de tudo Lara!
--- Tudo o que?
--- Eu ouvi você dizendo ao meu pai quee se aproximou de mim apenas por
motivos escusos.
--- O que? --- ficou perturbada --- Quaando? Onde? Diz!
--- Eu fiquei curiosa pra saber como voocê contaria a ele sobre nós...
Então me escondi atrás da moita e ouvi quando você disse
que só se aproximou de mim para me fazer assinar um papel!
--- Isso foi no início, Evelyn! --- resspondeu desesperada --- Eu realmente
me apaixonei por você!
--- Oh... É mesmo! Está dizendo isso peelo que agora? O que mais
eu tenho que você queira me tirar? Além da minha calcinha, claro!
--- gritou --- Pilantra!
--- Confesso que te enganei a principioo... ---Lara disse calmamente
--- Não sou Cristo para dar a cara pra bater duas vezes... Vou me casar
com Peter e dar a ele muitos filhos!
Lara a esbofeteou.
--- Nunca! Não permitirei!
Evelyn levou a mão a face vermelha pelo tapa e a olhou com raiva:
--- Você não pode fazer nada para me immpedir! Você não
tem moral pra isso! Não se atreva a se meter em minha vida novamente,
Lara Mc Gregor!
--- Você me ama, Evelyn!
--- O amor é cego, surdo, mudo e burro!! E eu não quero isso pra
mim! Eu abnego esse sentimento e o enterro hoje, aqui e agora.
--- Pois eu me recuso a renunciar a nóss!
--- Problema seu!
--- Eu te juro, Evelyn Morgan, que vocêê não irá se casar
com ninguém a não ser comigo!
--- Veremos! --- girou e saiu com passaadas mais ligeiras que pôde
Eram altas horas da madrugada, Evelyn foi acordada pelo som de pedrinhas se
chocando contra sua janela.
--- Lara... --- concluiu sonolenta
Levantou-se e foi até a sacada. A morena estava ainda mais linda, como
podia ser possível que uma pessoa ficasse mais estonteante e enigmática
a cada vez que se viam?
--- Vá embora, Lara! --- disse baixo, pporém firme --- Não
temos mais nada a conversar!
--- Temos sim, Evelyn! Venha já até aquui!
--- Pode gritar o quanto quiser que eu não desço!
--- Tudo bem... Eu vou subir! --- dissee sorrindo com cinismo
Lara subiu numa árvore próxima a janela da loira e escalou um
galho que daria na sacada onde Evelyn se encontrava. Pulou na sacada com uma
agilidade felina.
--- Você é louca? --- Evelyn perguntou ao vê-la adentrar
em sua sacada
--- Sempre fui.
--- O que você quer aqui?
--- Primeiro eu quero um beijo.
A morena puxou a loira com facilidade e aprendeu em seus braços ao tempo
que se apossava da boca dela. Foi um beijo molhado, sensual. Quando Lara a soltou,
Evelyn teve que se segurar nos braços da morena para não cair.
Evelyn deu um tapa na face de Lara com toda a força que tinha. Porém
a força era pouca e a morena nem mesmo se moveu.
--- Uh... Um tapa!--- disse Lara com deescaso --- Sempre soube que você
era selvagem, Eve... Deve ser ainda melhor numa cama... --- lambeu os lábios
e a olhou de cima a baixo
--- Você não tem o direito de chegar aqqui me beijando sem minha
permissão!
--- Ah, não tenho não? --- sorriu com oo canto da boca --- Então
veja isso!
Lara a puxou novamente para seus braços e a beijou ainda com mais fervor
do que da vez anterior, se é que era possível.
--- Será que eu não deixei bem claro hooje à tarde na festa
que vou me casar com o Peter?
--- E será que eu não deixei bem claro que eu não vou permitir?
--- Como pode ter tanta certeza? --- Evvelyn perguntou com as mãos na
cintura
--- Você me ama, eu te amo e dois mais dois sempre deu quatro.
--- Eu menti pra você, Lara.
--- Em relação a que?
--- Eu nunca te amei. Eu não sou como vvocê, não gosto de
mulher.
--- Evelyn... Eu já te disse que nunca perdi uma partida de pôquer?
--- Eu não estou blefando, Lara! Eu nunnca amei você! Nunca!
--- Sim, você me ama!
--- Hahahaha... --- riu cínica, mas eraa uma risada forçada ---
Eu brinquei com você esse tempo todo! Eu sempre gostei do Peter!
--- Mentira!
--- Verdade! O que você poderia me dar?? Já ele... Serei a futura
primeira dama dessa cidade e terei filhos... Você pode fazer isso por
mim, Lara? Eu acho que não... Portanto... Deixa-me em paz para me casar
com quem eu quiser!
Lara sentiu lágrimas quentes rolarem por sua face. Não podia suportar
as palavras de Evelyn.
--- É isso mesmo o que você quer, Evelyyn? --- enxugou uma lágrima
--- Olhe nos meus olhos e me diga que qquer que eu saia de sua vida pra sempre.
Evelyn a olhou nos olhos:
--- Eu quero que você saia da minha vidda pra sempre, Lara.
Lara reuniu o pouco de dignidade que lhe sobrara e saltou da sacada direto no
chão. Montou em seu cavalo e sai num galope veloz.
--- Tem certeza que é isso
o que você quer, minha filha?
--- Sim, pai. Vou me casar com Peter. OO casamento é amanhã e meu
vestido já está pronto.
--- O tempo passou tão rápido... Parecee que o casamento de Lila
foi ontem... E amanhã...
--- Amanhã é o meu casamento.
--- Eve, preciso te contar algo.
--- Sobre o que?
--- A culpa é toda minha. Eu pedi a Larra para se aproximar de você,
para ficar sua amiga pra que você concordasse com a venda do vinhedo.
--- O que? Pai... Por quê?
--- Porque eu sou um covarde egoísta!
--- Não, minha filha... Eu tive problemmas... Financeiros... E eu precisava
de dinheiro para quitar algumas dívidas. Eu sabia que Lara tinha problemas
com a seca e seria bom negócio pra nós dois se ela comprasse as
terras. Mas eu sabia que você a detestava e não permitiria a venda.
--- E porque você não me contou antes, pai? Se eu soubesse da sua
situação teria aceitado a venda, mesmo que fosse pra Lara!
--- Acontece que eu tive vergonha...
--- Você não pode se casar com Peter, mminha filha. Eu nunca vou
poder me perdoar por ter separado vocês duas!
--- Não posso fazer isso, pai! O casameento é amanhã! Está
tudo pronto... Tenho pena de Peter pai... Não posso fazê-lo passar
tamanha vergonha diante de toda a cidade... Agora é tarde.
Evelyn precisava dormir cedo para
estar descansada para o seu casamento no dia seguinte, mas dormir não
era algo que estava conseguindo fazer, aliás, não conseguia fazer
desde que Lara entrou em sua vida.
Agora sabia que Lara não era tão culpada assim, e mesmo que fosse
o amor que sentia por ela era tão imenso que jamais a poderia tirar de
seu coração. Amanhã seria o dia mais triste de sua vida,
o dia em que selaria para sempre a sua separação da mulher que
amava. Pertenceria a Peter, seria sua esposa e jamais voltaria a saborear os
deliciosos beijos de Lara...
Amanhã seria dele, mas antes precisava se entregar para a única
pessoa que amou e que amaria em toda a sua vida.
Tomou uma decisão, se vestiu e saiu pela madrugada. Não se surpreendeu
ao ver que Lara estava sentada num tronco em frente a sua janela. Foi ao seu
encontro. Ela estava muito séria.
--- Lara... O que faz aqui?
--- Vim te entregar seu presente de cassamento. Estava tomando coragem pra te
chamar.
--- Presente? De casamento? --- pergunttou embasbacada
--- Sim. --- disse ao tempo em que lhe entregava um papel
--- O que é isso?
--- A escritura do seu vinhedo. Está noo seu nome.
--- O que?
--- Há duas semanas fui a capital e traansferi para você.
--- O que? Por quê?
--- Porque é seu. Eu só precisava empreestado por uns tempos...
A seca já acabou e meus gados sobreviveram...
--- Mas você pagou um preço alto por essse pedaço de terra,
Lara!
--- Eu só queria ajudar Leonor, ele é uum grande amigo, é
muito estimado.
--- Não posso aceitar...
--- É seu. Pegue o papel ou não, está nno seu nome.
--- O que eu posso dizer?
--- Não diga nada, Eve... Só quero que seja feliz. Mesmo que não
me ame... Mesmo que não seja minha.
--- Lara... --- decidiu omitir seu senttimento para que a morena não sofresse
ainda mais--- Amanhã eu me caso, e nunca mais poderei te tocar ou permitir
que você faça... Mas hoje eu quero me dar a você.
Lara permaneceu em silêncio.
--- Me leve pra sua casa, Lara e me façça sua essa noite.
Capítulo 11
Lara a levou em seu cavalo, foram
em silêncio por todo o trajeto devido a intensa tensão sexual que
pairava entre as duas. Ao chegarem a Fazenda Arco Íris, foram direto
para o quarto de Lara.
--- Eve... Por quê...
--- Sem perguntas, Lara... Apenas me faaça sua. Amanhã já
não poderá mais.
Lara pegou Evelyn no colo e a levou até a cama. A beijou e começou
a desabotoar-lhe o vestido. Deixou-a nua e tirou as próprias roupas.
Pôs-se entre as pernas de Evelyn e começou a beijá-la, no
pescoço, desceu para a barriga, até que pôs a cabeça
entre as pernas dela.
Evelyn estava sentindo um desejo intenso e quase desmaiou quando viu que Lara
se posicionou entre suas pernas, mas não entendia o que ela faria.
--- Lara... O que você vai fazer?
--- Vou te amar, meu amor... --- responndeu roca de tanto desejo --- Agora abra
bem as pernas, Eve.
Evelyn obedeceu e a morena mais que depressa se apossou do sexo da loira. O
perfume era delicioso, queria se embriagar naquele vale quentinho e molhado.
Lambeu com vontade e ternura ao mesmo tempo e quase teve um orgasmo espontâneo
quando enfiou a língua dentro de Evelyn.
--- Ah... Lara... Ah... --- Evelyn gemiia e se contorcia de prazer
Lara fazia movimentos dentro dela com maestria, ao sentir que ela chegaria ao
clímax, se aprofundou ainda mais e fez mais rápido. Não
demorou dez segundos e Evelyn atingiu o êxtase do ato.
--- Lara... Lara... O que foi isso? ---- perguntou arfante
Lara subiu pelo corpo da loira deixando rastros de pequenos e delicados beijos,
porém suficientes para fazer a chama do corpo de Evelyn se inflamar novamente.
Tudo era novo e excitante demais.
--- Estamos só começando... --- Lara diisse num sussurro sensual
A morena começou a acariciar o sexo de Evelyn com a mão direita,
levou dois dedos a boca de Evelyn.
--- Chupa meus dedos. --- ordenou
A loira não entendeu, mas fez o que ela mandou.
--- Eve... Amor... Vai doer um pouquinhho... Mas eu preciso... Não posso
mais controlar minha vontade de você!
Lara encostou os dedos umedecidos pela boca da própria Evelyn na entrada
da loira e empurrou para dentro. Sentiu o véu da virgindade de Eve se
romper em seus dedos.
--- Ai... --- Evelyn gemeu, provavelmennte de dor e cravou as unhas nas costas
de Lara, a rasgando
--- Agüenta Eve... Mais um pouco.... Jáá vai ficar gostoso...
Lara enfiava e tirava, enfiava e tirava... Ficou movimentando os dedos gentilmente
dentro de Evelyn, enquanto que seu polegar massageava o clitóris da loira.
A morena sem poder mais se controlar, passou a esfregar seu sexo encharcado
na coxa esquerda de sua amante.
O único som que se ouvia na noite eram os grilos, as corujas e os gemidos
altos de Lara e Evelyn.
Pela expressão de deleite, Evelyn mostrava já estar apreciando
os movimentos de vai e vem dentro dela, gemia com força no ouvido de
Lara, que cada vez mais excitada se esfregava na perna dela. As duas sabiam
que estavam próximas do momento mágico do orgasmo. Gozaram juntas.
Ficaram abraçadas, respirando com dificuldade.
--- Eve... Quero sua língua dentro de mmim.
Evelyn sentiu um arrepio gostoso percorrer seu corpo com aquele pedido. Mais
que depressa desceu pelo corpo de Lara e meteu a língua dentro dela.
Sentir o gosto de sua amada era delicioso, inexplicável. Lara movimentava
o quadril junto com o vai e vem da língua de Evelyn e gemia alto e gostoso.
--- Ah... Eve... Não para... Ah... Maiss fundo...
Lara gozou inundando a boca de Evelyn do seu líquido delicioso.
--- Pelos Deuses Lara! --- Eve dizia exxtasiada --- Que gosto é esse?!
É simplesmente delicioso!
Eve... Venha até aqui... Quero o gosto de sua boca na minha!
Beijaram-se com paixão e loucura, apertavam seus corpos um contra o outro
com fúria, como se quisessem se fundir uma na outra. E na verdade queriam.
A madrugada rasgava a noite, já haviam feito amor de diversas maneiras,
mas nada parecia poder aplacar o desejo que as consumia.
--- Te quero por trás, Eve!
Lara girou o corpo da loira na cama com um movimento ágil, posicionou
Evelyn de bumbum pra cima e subiu sobre ela. Chupou um dedo e afundou no ânus
da loira. Teve medo de machucá-la, mas Evelyn por puro instinto passou
a se mover de encontro ao dedo de Lara. Com a mão que lhe sobrava massageava
o clitóris de sua amante. Pouco tempo depois chegaram ao ponto mais alto
do momento. Juntas.
Exaustas e felizes, adormeceram abraçadas.
Quando Lara acordou no amanhecer, Evelyn não estava mais lá. No
lençol branco havia uma pequena mancha de sangue. O sangue que confirmava
que a noite não tinha sido um sonho. Eve tinha sido sua. Havia deixado
suas marcas na mulher que ama pra sempre.
Os sinos soavam no alto da torre
da pequena igreja de Charleston, todos os moradores da pequena cidadezinha do
interior se encontravam sentados nos bancos enfeitados com flores amarelas para
a celebração. Menos Lara Mc Gregor.
A morena alta dona de intensos olhos azuis olhava pela janelinha lateral da
igreja. Os músicos começaram a tocar Ave Maria e o coração
de Lara batia dentro do peito como se quisesse sair pela boca. Chegou a hora!
Tudo ou nada!
Será mesmo que a noite que passaram fazendo amor não havia representado
nada para Evelyn?!
O tapete vermelho estava estendido e sobre ele uma mulher loira, baixinha, de
olhos verdes. Lá estava a mulher que amava caminhando rumo ao altar...
Rumo ao casamento com aquele desgraçado! Ali estava toda a sua felicidade
indo embora, Evelyn não a amava! Amava o imbecil do Peter!
Mas não podia permitir que se casasse com ele! Não podia permitir
que a mulher que amava pertencesse a outra pessoa! Precisava tomar uma atitude!
E rápido!
O casamento seria uma cerimônia
simples, e por insistência de Evelyn não haveria comemoração.
Peter já se encontrava em frente ao altar a espera de sua noiva. Evelyn
chegou à igreja de carruagem. Seu vestido era imaculadamente branco,
embora imaculada era a última coisa que Evelyn se sentia depois da noite
anterior, não havia um só detalhezinho de seu corpo que Lara não
houvesse tocado.
A marcha nupcial estava soando. Chegou a hora. Caminhava a passos lentos, típico
das noivas. Peter estava no altar sorridente, olhando para ela. Tentou sorrir,
mas não conseguiu. Continuava a caminhar em passos lentos, queria prolongar
ao máximo o momento, os últimos minutos que tinha de liberdade.
Olhou para um lado, sorriu cortesmente para todos os convidados. Olhou para
o outro lado, como previa: Lara não veio mesmo! Talvez fosse melhor,
não conseguiria se entregar a outro na presença da única
pessoa que amou na vida e sabia que amaria para sempre.
Evelyn continuou a caminhar e chegou até ele finalmente. Até os
braços de Peter. Para sempre. Era sua sentença. Estava acabado.
--- Irmãos e irmãos --- o padre começouu a falar dando inicio
a celebração --- Estamos hoje aqui reunidos para celebrar o casamento
de Peter e Evelyn.
Evelyn respirou fundo. Peter a olhou e sorriu docemente. O padre continuou com
a celebração:
--- Se há alguém aqui presente que tenhha algo contra esse casamento
--- dizia o padre --- Fale agora ou calle-se para sempre!
--- Eu tenho algo contra! --- ouviu-se um grito familiar
Todos os olhos nesse instante se voltaram para a porta da igreja.
Evelyn via e não acreditava! Lara era mesmo louca para invadir seu casamento
desse jeito e tentar impedir que se casasse!
--- Lara! --- a loira gritou --- O que você está fazendo?
--- Vim pegar a mulher que amo! --- dissse indo em direção a ela
--- Se você não for minha, Evelyn, não será de mais
ninguém! --- estendeu a mão para ela --- Vem comigo, Eve. ---
Lara pediu com um olhar suplicante
--- Não posso Lara! --- a loira estava tremendo, mas conseguiu passar
firmeza no que disse
Lara sem mais nem menos pegou Evelyn no colo e levou para fora da igreja. Os
convidados estavam atônitos demais para poder reagir. Evelyn estava atônita
demais para poder reagir.
--- Você não pode levar minha noiva! ---- gritou Peter
--- Tente me impedir! --- a morena grittou de volta
Uma vez fora da igreja, Lara pôs Evelyn em cima do corcel negro, montou
e saiu a galopes rápidos. Estava fugindo, levando consigo a mulher que
amava.
Não demorou em ouvir som de cavalgada atrás delas. Era o resgate,
por certo.
--- Corre, garoto! --- dizia ao cavalo --- Corre! --- o cavalo, como se tivesse
entendido, passou a galopar ainda mais rápido
--- Pára Lara! --- a loira dizia ainda presa entre os braços da
morena --- Vamos conversar como pessoas civilizadas! Podemos resolver isso,
Lara!
--- Eu já resolvi tudo, Eve! --- responndeu decidida
--- Porque você acha que pode resolver tudo pelas pessoas?
--- Quando as pessoas fazem coisas idiootas não me sobra opção!
--- E o que você decidiu?
--- Vai descobrir logo.
--- Para onde você está me levando, Larra?
--- Para a nossa casa --- pelo tom que respondeu, mostrava claramente que havia
dado por encerrada a discussão
Chegaram a fazenda Arco-Íris,
os peões que lá estavam as olhavam como se vissem fantasmas, afinal
não era todos os dias em que se via uma linda mulher levando consigo
presa em seus braços uma noiva, em seu cavalo negro.
--- O que estão olhando?! --- gritou irrritada --- Voltem já para
o trabalho!
Lara desceu do cavalo com Evelyn nos braços. Entrou no casarão
a levando consigo:
--- Enfim sós! --- Lara disse com sarcaasmo, e a pôs no chão
--- Porque você está fazendo isso, Laraa? Você me fez passar
vergonha diante de todos na cidade! Fez o Peter passar vergonha!
--- Porque eu amo você e você me ama, llogo devemos ficar juntas!
E que se dane o Peter! Quero mais é que ele morra!
--- Você sabe que vão bater aqui atrás de mim.
--- Pois perderão a viagem, daqui ninguuém te tira. --- disse determinada
--- Você é minha, Evelyn! E se você tenntar voltar com aquele
imbecil do Peter, eu juro que conto pra cidade inteira que você foi minha
na véspera do seu casamento! E homem nenhum há de querer desposar
uma mulher não virgem!
--- Você seria mesmo capaz disso, Lara??
A morena abaixou a cabeça, respirou fundo, e por fim tomou coragem de
olhar Evelyn nos olhos:
--- Seria, Evelyn. --- estava visivelmeente alterada agora --- Para ter você
só pra mim eu seria capaz disso e de muito mais... Portanto te peço
que não me obrigue a tomar uma atitude ainda mais drástica.
--- Então suponho que não tenho escolhaa... --- Evelyn estava digerindo
tudo aquilo enquanto falava --- Tenho?
--- Não. --- admitiu --- Você não tem eescolha.
--- E como será agora, Lara?
--- Você vai se mudar pra cá, amanhã maando alguém
ir pegar suas coisas. --- se aproximou e a acariciou na face --- Eu vou te fazer
feliz, Evelyn.
Evelyn começou a chorar.
--- Não fique triste meu amor!
Lara a abraçou.
--- Me perdoa, meu amor. --- Lara pediaa acariciando o rosto dela --- Me perdoa
por ter te arrancado da igreja daquela maneira, mas não podia permitir
que tirassem você de mim... Você é minha vida! --- respirou
fundo e continuou --- Eu sei que você não me ama, que não
gosta de mulher, mas...
--- Eu menti! --- Evelyn a cortou
--- Mentiu?
--- Eu amo você, Lara. Só não podia dizzer a verdade uma
vez que já havia me comprometido com Peter. --- Lara estava em silêncio
--- Diz alguma coisa!
Lara não disse nada, mas a beijou. Foi um beijo longo e sensual, cheio
de promessas.
Batidas foram ouvidas na porta do casarão.
--- São eles! --- Evelyn interrompeu o beijo, lágrimas escorriam
livremente por todo o seu rosto --- Vieram me buscar!
--- Mas antes... --- Lara foi até um arrmário e pegou um rifle
--- Terão que passar por cima de mim!
--- Você seqüestrou Evelyn! --- Peter ggritou ---Devolva ela!
--- Atiro em qualquer um que se atreva a passar do primeiro degrau da minha
varanda!
Cinco homens estavam ali: Peter, o prefeito, que era o pai do noivo, dois capangas
dele e Leonor.
--- Lara, me deixe passar! --- pediu Leeonor
--- Tudo bem, passe.
Leonor entrou na casa da amiga e se pôs ao lado dela na porta da frente.
--- Agora sumam daqui seus ordinários! --- Lara disse aos homens
--- Devolva minha noiva sua maldita léssbica! --- gritou Peter enfurecido
--- Sua noiva? Hahahaha... --- riu sarccasticamente --- Minha mulher! --- disse
frisando o “minha”
--- Eu vou entrar e pegar Evelyn! Vou llevá-la para igreja e casar-me
com ela!
--- Se você der mais um passinho morre seu desgraçado! Não
me dê ainda mais motivos pra fazer o que eu estou louquinha pra fazer!
--- rosnou --- Agora suma daqui! --- e atirou pro alto numa tentativa de assustá-los
para dissuadi-los da idéia de tirarem Evelyn dali
Mas não pareceu assustar a Peter, que realmente estava disposto a tudo
para levar Evelyn consigo.
Leonor ao ver que Lara acabaria por fim metendo uma bala na cabeça de
Peter, resolveu se meter diretamente na encrenca.
--- Escutem todos! --- gritou chamando a atenção dos demais ---
Todos brigam por minha filha, mas a única que pode decidir essa questão
é a própria Evelyn!
--- Ótimo! --- disse Peter --- Chame Evvelyn! Ela irá querer voltar
comigo para a igreja!
Evelyn ouviu um tiro e ficou lívida.
O que teria acontecido? Será que Lara havia ferido alguém?
--- Evelyn, filha! --- Leonor entrou naa sala a tirando de seus pensamentos ---
Como você está? --- perguntou preocupado, a abraçando
--- Eu... Eu estou bem, pai.
--- Minha filha, Peter está ai fora espperando uma resposta sua. Você
precisa esclarecer a ele e a Lara o que você quer da sua vida.
--- Tudo bem, pai. Eu vou lá fora.
Mesmo tremendo, Evelyn teve valor suficiente para ir ao encontro de Peter e
Lara.
Ao avistar Evelyn surgindo pela porta principal, Peter não se deteve
mais, subiu os degraus e chegou perto dela.
--- Evelyn, venha comigo! --- disse elee nervoso --- Vamos para a igreja nos
casar! O padre nos espera!
--- Tire suas mãos imundas dela, seu immbecil! --- disse Lara irritada
com a ousadia do rapaz e apontou o rifle pra ele novamente
Leonor, ao ver o que Lara faria, prontamente pôs a mão na arma
e a forçou para baixo.
--- Lara, acalme-se! --- disse Leonor nnum intuito de fazer com que ela raciocinasse
--- Tudo se resolverá, mas para que issso aconteça, Evelyn precisa
conversar com Peter.
Lara pareceu cair em si e baixou a arma completamente:
--- Tudo bem, conversem, mas que seja rrápido.
Peter não ouvia nada que Lara falava, só prestava atenção
na loira a sua frente:
--- Evelyn! --- disse ele já aos prantoos --- Vem comigo!
--- Peter... Me perdoa, mas... --- ele respondeu apreensiva
--- Mas o que? --- ele a interrompeu neervoso --- Mas o que Evelyn?
--- Mas... Não posso...
--- Pára com isso Evelyn! Vamos pra igrreja agora mesmo! --- ele a interrompeu
sem querer ouvir o que ela tinha a dizer
--- Peter, me escuta! --- ela gritou ---- Não posso e não vou me
casar com você! --- abaixou o tom de voz --- Me perdoa.
--- Essa mulher enfeitiçou você também,, Evelyn! Ela é
uma vagabunda que se deita com qualquer uma! E você não passa de
mais uma distração nas mãos dela! --- ele estava exasperado
--- Ela se cansará de você, Evelyn, commo fez com todas as outras!
Vem comigo!
--- Não. Não irei, Peter. Vou ficar aquui com Lara. Não
sou mais uma na cama dela, ela me ama e eu a ela.
--- Você está louca?
--- Nunca estive mais lúcida em toda a minha vida. Não posso viver
minha vida em função dos outros, não posso me anular para
agradar ninguém. Não vou sofrer e levar ao sofrimento a Lara,
que é a pessoa que mais amo na vida, para que a sociedade se sinta melhor.
--- Você será uma chacota na cidade Eveelyn Morgan! --- ele agora
a amaldiçoava
--- Eu sei, mas só o fato de viver com a mulher que amo me dá
forças para suportar qualquer por menores que apareceram pela frente.
--- Isso não vai ficar assim Evelyn! ---- ele fez menção
de segura-la
--- Ela já disse tudo Peter! --- Leonorr interviu --- Agora, por favor,
vá embora.
--- Vocês humilharam a mim e ao meu fillho! --- foi a vez do prefeito se
pronunciar --- Farei com que sejam expulsos da cidade por propagarem a pouca
vergonha!
--- Essa coisa de “propagar a pouca verrgonha” você entende, não
é, Senhor prefeito? --- disse Lara sorrindo de um jeito sarcástico
--- Pois saiba que se fizer qualquer cooisa que prejudique a família Morgan
eu me encarregarei pessoalmente de levar ao governador um dossiê sobre
seus recentes casos amorosos fora do casamento.
O prefeito empalideceu e agora tossia como se estivesse à beira da morte.
--- E se o Senhor prefeito não continuaar a se portar corretamente com
a família Morgan --- a morena continuou com a ameaça --- Irei
parar de contribuir com os donativos da prefeitura, além de fechar meu
haras nessa cidade e abrir em outra!
As palavras de Lara caíram como um raio devastador na cabeça do
prefeito. Os donativos de Lara praticamente mantinham a cidade de pé
e o haras dela era grande o suficiente para empregar mais da metade dos cidadãos,
se ela o fechasse, teria o grande problema de desemprego, e não conseguiria
se eleger nunca mais em sua vida!
--- Vamos embora Peter! --- disse o preefeito num tom autoritário
--- Mas pai! --- ele choramingou como uuma criança mimada
--- Já disse: Vamos embora Peter! Evelyyn já decidiu! --- virou-se
pra Lara e falou --- Peço perdão Senhorita Mc Gregor, a família
Morgan continuará a ser tratada cordialmente por todos os cidadãos
da cidade.
Em resposta, Lara deu um sorrisinho sacana ao prefeito e passou o braço
ao redor da cintura de Evelyn. Agora ela lhe pertencia oficialmente.
Assim que todos foram embora, Lara,
Evelyn e Leonor entraram de volta a sala principal do casarão de Lara.
--- Olha... --- Leonor dizia, um tanto quanto sem jeito --- Não vai ser
fácil pra vocês duas...
--- Mais difícil seria ter que passar oo resto da vida sem Lara, papai...
--- Evelyn dizia com lágrimas nos olhoss --- Eu já sabia disso
e fico agradecida pelo fato da mulher que amo ser uma louca ousada! --- olhou
para Lara --- Obrigada por ter me salvado de uma vida sem graça e triste.
--- Eu é quem tenho que agradecer, meu amor --- Lara respondeu passando
os dedos pelos cabelos da loira, num gesto carinhoso e protetor --- Te agradecer
por você ter me tornado uma pessoa melhor, mais feliz. Minha vida não
tinha a menor graça sem você... Eu tinha meus casinhos por aí,
mas me sentia vazia.
--- Que momento lindo! Mas será que dá pra começarem a
melação depois que eu me for! --- Leonor disse em tom brincalhão
chamando a atenção delas
--- Han-han --- Lara limpou a garganta sem graça de seu amigo estar presenciando
uma cena íntima entre Evelyn e ela --- Desculpe, Leonor.
--- Tenho que lembrar a vocês duas... ---- ele continuou com o que tinha
a dizer --- ...Que a cidade vai trata-las mal. Que vocês vão sofrer
preconceito.
--- Não vamos não. --- Lara disse segurra
--- E como você pode afirmar isso com ttanta certeza, Lara? --- Leonor
perguntou --- Digo isso porque há diferença entre ser lésbica
e todos saberem e ser lésbica e casada pra todo mundo ver. Parece...
Provocação.
--- Leonor, fica tranqüilo --- Lara conntinuava convicta --- Vai dar tudo
certo.
--- Tem certeza? --- Evelyn perguntou
--- E porquê?
--- Porque eu sou a pessoa mais rica deessa cidade, porque eu dou emprego a eles
e porque eles são uns aduladores.
--- Desejo toda a sorte e felicidade doo mundo a vocês. --- Leonor disse
contento o choro --- Eu amo você, minha filha. --- olhou para Lara ---
E amo você, minha melhor amiga.
--- Nós também te amamos! --- as duas rresponderam em uníssono
--- Bem... --- Lara começou a falar ---- Já temos a noiva, que
tal agora termos um casamento?
--- Casamento?
Evelyn não entendeu e Leonor girou os olhos, ele conhecia bem as loucuras
que saíam da cabeça de sua amiga.
--- Claro! Casamento! --- ela respondeuu sorrindo e feliz --- Vamos preparar
um grande churrasco, vamos matar dez bois e servir o maior banquete que essa
região já viu! E vamos trocar alianças!
--- Mas... Mas... Lara... Não sei...
>
--- Não é isso.
--- Pois então do que tem medo?
--- Tem razão, vamos ser felizes e comppartilhar nossa felicidade com
nossos amigos. E se alguém não vier, é porque não
merece estar entre nós.
--- Isso! --- Lara saltou de alegria ---- Vou mandar Ramon agilizar tudo agora
mesmo!
A madrugada estava cedendo lugar ao amanhecer, mas enquanto ainda havia dança,
comes e bebes, ninguém parecia querer arredar o pé da Fazenda
Arco –Íris, que estava sendo sede para a maior festança que os
cidadãos de Charleston já haviam presenciado.
Em alguns olhares podia se ver apoio e em outros nem tanto, mas não se
atreviam a dizer. O certo é que com ou sem apoio, as duas estavam mais
felizes do que nunca e certas de que a vida seria mais que perfeita se estivessem
juntas.
Fim
Epílogo
Um mês depois
O sol estava alto no céu, o dia estava iluminado e azul, quase não
havia nuvens, era um dia em que as pessoas se dedicavam a passear pela praça
da cidade, nadar no grande lago, ou simplesmente se sentar na grama verde para
admirar toda aquela beleza. No entanto, com todas essas maravilhas disponíveis
em tão curto espaço, duas mulheres, uma loira e outra morena,
pareciam alheias a tudo o que não fosse a cama que dividiam e desfrutavam
incontáveis horas de prazer.
--- Lara... Pára um pouquinho! Estou caansada demais! --- a loira pedia
se esforçando pra respirar
--- Tudo bem. Recreio!
--- Estou louca pra fazer nossa viagem pra África! Sempre ouvi histórias
maravilhosas sobre o local, mas nunca imaginei que um dia eu poderia mesmo chegar
até lá!
--- Podemos viajar todo o mundo se vocêê quiser...
--- Quero ir pra qualquer lugar se vocêê estiver comigo, amor. --- disse
a beijando ternamente
--- É pra compensar o fato de você ter sido afastada do cargo de
professora... Quero fazer todas as suas vontades... Realizar todos os seus desejos...
--- Ah! Adoro ser mimada! --- riram junntas
--- Pois é o que pretendo fazer pra semmpre! --- disse acariciando o cabelo
da loira --- E também você não precisa trabalhar!
--- Mas eu gosto de me sentir útil e voocê sabe disso!
--- Pode se sentir útil cuidando de mimm!
--- Hahahaha... Tão desprotegida você!<
--- Muito... Hahahaha... Não sei cozinhhar direito... Não consigo
dormir sozinha... Preciso de carinho constante... --- disse com voz melosa
--- Lara... --- mudou o tom pra sério ---- Não precisa se preocupar
com o meu bem estar. Não precisa fazer coisas só pra me compensar...
Ter você ao meu lado é tudo o que eu preciso pra ser feliz e nada
mais.
--- Hum... Não preciso fazer nada pra ccompensar, é?
--- Ah! Também não vamos exagerar! Vocêê pode fazer algumas
coisinhas...
--- Hum... Sei... Algumas coisinhas...<
--- É! Café na cama, por exemplo... Masssagem...
--- Só isso?
--- E a viagem pra áfrica também!
--- Agora acabaram os itens da lista? ---- Lara perguntou divertida
--- Acho que sim!
--- Acha é?
--- Tem mais uma coisinha! --- disse saapeca
--- Só mais uma?
--- Na verdade são duas!
--- Que duas coisinhas?
--- A primeira é que quero pro resto dee nossas vidas ao dormir, que seus
olhos sejam a última coisa que eu veja. E a segunda é que ao acordar,
quero que seus olhos sejam a primeira coisa que eu veja.
--- Eu já falei o quanto eu te amo? ---- Lara perguntou com um olhar de
apaixonada
--- Não nas últimas duas horas!
--- Eu te amo tanto que sou capaz de maatar e morrer por você... Eu te
amo tanto que fazer suas vontades e satisfazer a mim mesma... Eu te amo tanto
que sou egoísta o suficiente para arrumar meios de te fazer sorrir apenas
para poder contemplar o brilho do seu rosto de felicidade... Eu te amo tanto
que as palavras me faltam, pois nem uma delas é capaz de expressar com
exatidão todo esse sentimento que tenho aqui --- pôs a mão
no peito --- Por você...
Se beijaram com carinho, mas foi o suficiente para que o desejo dentro delas
voltasse a se inflamar. O beijo agora era dado com ânsia, quase que com
desespero. Amaram-se novamente, como fariam o resto de suas vidas.
Essa história acaba aqui, mas o amor entre Lara e Evelyn se renova, cresce
e se reinventa a cada dia que passa.
Bom, meninas... Então é isso... Infelizmente tudo um dia tem um
fim, mas espero que Lara e Evelyn deixem saudades...
Saibam que construi essa história com muito carinho pensando em vocês.
Nota de Agradecimento:
* Agradeço a você, Ju, amor da minha vida, que me apóia
incondicionalmente, que me inspira e me incentiva a sempre ir adiante.
* Agradeço a vocês, leitoras, por suas palavras sempre tão
bonitas, que tocam minha alma e me dão vontade de continuar a escrever
cada vez mais e melhor. Obrigada por terem, dedicado uma parte do tempo de vocês
para acompanharem as aventuras de Lara e Evelyn. Agradeço pelos e-mails
carinhosos e pelos altos papos que batemos pelo msn.
Já sabem onde me encontrar: