Dois corações, Uma alma
 
Primeiro dia de aula, muita gente no campus da faculdade sorrindo, reencontrando os amigos. Em alguns rostos notava-se o desespero em encontrar a sala, temendo serem pegos por veteranos. O dia estava animador, primeiro dia de aula, sem chuva, um calor intenso ajudava a imaginar o banho de piscina que a refrescou durante as férias.
Eduarda estava cursando o 3º ano de faculdade e nunca se sentira tão ansiosa para reencontrar seus amigos e não era só isso, sentia algo, mas não sabia dizer o que era, algo lhe dizia que seu primeiro dia de aula traria boas surpresas.
 
Márcia: - Nossa, o que você fez nas férias? Está tão mudada.......corte de cabelo novo?
 
Duda: - Bem, passei minhas férias numa rede, lendo um bom livro......e meu cabelo, só está mais comprido. Como foi de viagem?- pergunta a Amanda.
 
Amanda: - Tenho muita coisa prá contar, trouxe fotos.....aaahhhh!!! Encontrei o paraíso. Garanto que nas próximas férias voltarei prá lá e você Duda, Irá comigo. A Nova Zelândia é ....puxa....FANTÁSTICA!!!!
 
Duda: - Se você pagar, com certeza irei.- olhando para o relógio- Vamos entrar, a aula está quase começando.
 
Novidades não faltavam, a classe estava cheia, e cada vez mais enchia de gente, e como sempre,....uma barulheira sem fim. Álbuns de fotografia rodavam toda a sala, ninguém notou o professor entrando.
 
Prof.: - Bem pessoal, não quero cortar a graça de vocês, mas temos que conversar antes de iniciarmos a primeira aula. Por favor, sentem-se e silêncio!
 
Duda: - Parece que esse professor não será moleza!!!
 
Márcia: - Você sempre diz isso, e na maioria das vezes é moleza.....prá você!!!
 
As aulas seguem, e como na maioria das vezes....monótonas. No intervalo da segunda aula deu tempo para comer um lanchinho e relaxar um pouco para a ultima aula.
Duda fica espantada ao ver uma mulher passando por ela no corredor......Espantada? Bem, não era a palavra certa. A sensação de já conhecê-la acaba deixando a jovem um pouco calada, que se esforça para lembrar de onde a conhecia.
 
Amanda: - Duda, você está bem? Não fala nada!
 
Duda: - Estou sim, só estou......pensando.
 
Amanda: - Venha, vamos entrar.
 
Naquela zona toda, a jovem não consegue desviar, nem por um instante, sua atenção da professora que colocava os livros na mesa. Já havia sentido aquilo antes, logo que chegara na faculdade, e agora entendia a razão. A estranha sensação de conhecê-la era tão forte que não parava de pensar em onde havia encontrado aquela mulher.
 
Prof.a.: - Pessoal!!!- todos sentados prestam atenção- Este semestre será um pouco corrido, temos muita matéria para dar em um curto tempo, portanto teremos muitos trabalhos que os ajudarão nas notas....
 
A partir daí Duda não conseguia prestar atenção em mais nada do que diziam. A professora, em uma breve pausa, olhou em seus olhos e sorriu.- “Pelos deuses!!”- aquele sorriso, ela conhecia aquele sorriso - “Mas de onde?”
Aquela havia sido mais uma aula de apresentação, assim seria a semana toda. Terminando a aula, Duda levantou-se, mas não conseguiu sair do lugar, apenas observava aquela mulher de cabelos longos, lisos e louros, 1,68m, passando por ela. Respirou fundo para ver se lembrava do perfume que a prof.a. Lucila usava. Nada lhe puxava a memória, apenas aquele sorriso.
 
Amanda: - Duda, o que há com você? Conhece a professora?
 
Márcia: - Amanda, não percebeu que ela não te ouviu. Ela está estranha, será que foi algo que ela comeu?
 
Amanda: - Espere que eu darei um jeito.- empurrando-a, ela força a amiga a acordar. - Está no Mundo da Lua?
 
Duda: - Hã! Sim.....quero dizer, não! Vocês já tiveram a sensação de conhecer alguém que nunca viu na vida?......É como se a conhecesse a muito tempo. - pensa.
 
Márcia: - Então essa é a razão de estar viajando.....nunca vi você assim, parecia em transe.
 
6hs e o dia ainda estava claro, tinha uma brisa fria, mas ainda era possível sentir o calor do Sol na pele.
 
Amanda: - Nós vamos ao bar relaxar um pouco, você vem com a gente?
 
Duda: - A oferta é boa, mas hoje preciso ir mais cedo prá casa. Amanhã a gente se vê!! Tchau meninas!!!
 
Márcia: - Não viaja muito pra não cair por aí, hein!!! Hahaha!!!!Tchau!! - as amigas seguem em direções contrárias - Que loucura, nunca vi alguém agir dessa forma só porque pensa que conhece alguém. É estranho ela agir assim.
 
Amanda: - Não acho que seja motivo para nos preocupar - e observando a amiga indo embora - Ela está apenas ainda em ritmo de férias, nada demais...
 
Enquanto caminhava até o ponto de ônibus, Eduarda não parava de pensar, até achou a prof.a. parecida com uma atriz, mas não era daí que vinha aquela sensação e sabia que não conseguiria pensar em outra coisa até descobrir.
Na sala dos professores todos se ajeitavam para irem embora.
 
Como foi a aula? Eles a deixaram falar?
 
Lucila: - Sabe como é primeiro dia de aula. É tanta coisa para por em dia que eles nem percebem que você entrou na sala.
 
Sei sim!!!
 
Lucila: - Mas havia uma aluna que não parava de olhar prá mim.....como se ela quisesse me dizer algo.
 
Francis: - Hum, isso está me parecendo outra coisa!!!
 
Lucila: - Não seja tolo. Tive a impressão de...... é como se eu a conhecesse, mas nunca a vi antes.- e pensando consigo mesma - É estranho e ao mesmo tempo bom!
 
Dante: - Você vai querer carona Lucila? Meu carro está no estacionamento e...
 
Lucila: - Obrigada! Meu carro já voltou do concerto. Até amanhã, preciso terminar minha aula de amanhã. Tchau!!!
 
O trânsito dizia tudo....não iria chegar tão cedo em casa. Duda odiava pegar ônibus naquele horário, sempre lotado e nunca conseguia um lugar para sentar-se, ainda bem que hoje ela estava com sorte e logo encontrou onde sentar. Uma fina chuva começou a cair e imediatamente todos fecharam as janelas abafando ainda mais o ar. Prevendo que passaria mal a jovem resolve deixar a sua aberta.
Ainda faltava muito para chegar em casa, mas isso não seria problema, ainda mais porque o sorriso não saia da cabeça, e o fato de não lembrar de onde o conhecia, a incomodava demais.
 
Lucila: - AH!!! Que bom chegar em casa!!!
 
Colocando a bolsa na mesa, Lucila dirigi-se até o quarto, preparando-se para um gostoso banho morno. Seu apartamento não era muito grande, apenas um dormitório, já que morava sozinha. Sala grande, ótima para receber os amigos, tinha três ambientes e uma vista para o jardim do prédio, que por sinal era bem cuidado. Quando a janela ficava aberta era possível sentir o perfume das flores ali plantadas.
O que uma boa ducha não faz, a água morna cai sobre seu corpo massageando-a, sentia relaxar cada músculo, deslizava pelo corpo levando consigo todas as preocupações do dia.
Ainda no ônibus Duda olha pela janela e vê que a garoa já havia passado, o céu estava escuro, as ruas eram iluminadas pelos faróis dos carros, era possível ver a luz das televisões nas casas através da claridade que atravessava as janelas.
Duda: - Finalmente!!! - pensou ao ver que se aproximava de casa.
 
O ônibus ainda estava cheio, e como sempre, a maioria ia descer no mesmo ponto que o seu, e assim ela esperou que todos descessem antes de se levantar. Ao sair da condução ela olha para cima observando o céu estrelado, sem uma única nuvem - Onde eu estava com a cabeça? Foi apenas um sorriso! - olhando para os dois lados, atravessa a rua a caminho de casa. Depois de um tempo.....
 
Mãe, a Duda chegou!!!
 
E assim foi a semana toda. Na Sexta todos arrumam as coisas para irem, quando entra na sala um homem de bigode mal aparado e careca pedindo para que todos se sentassem.
 
Bom, pessoal. Sei que todo mundo está cansado e com pressa, mas só tomarei alguns minutinhos. Estou aqui para comunicar que daqui a um mês faremos uma viagem de três dias até as cavernas, como matéria prática de geologia e três professores os acompanharão. Então eu deixarei um papel com o representante de classe para Ter uma idéia de quantos alunos irão, avisando que apenas o 5º semestre viajará. Terça feira passarei aqui para pegar a lista.
 
Um dos alunos levanta a mão: “E quanto nos custará?”
 
A hospedagem, as refeições e as passagens de ônibus, contando com todos da sala e os professores custará, no total,$5.500,00. Portanto será preciso saber quantos alunos irão para dar o valor exato da viagem para cada um que for, por isso preciso da confirmação de vocês até terça.- aguardando para saber se haveria mais perguntas...- Ótimo!!! Então bom fim de semana e até Terça!
 
Ao mesmo tempo todos levantam dirigindo-se à porta impedindo a passagem.
 
Amanda: - Que barato!!! Estou tão ansiosa. Esperem-me, só vou assinar a lista
 
Márcia: - Pera aí!! Vou junto.
 
Depois de assinarem a lista, as três descem as escadas do prédio para irem embora.
 
Márcia: - Ai!!! Mal espero viajar, faz um tempão que não faço um programa diferente. - observando a professora Lucila subindo - Oi, profe! Parece que ficaremos um bom tempo juntas...está ansiosa?
 
Lucila: - Será a terceira vez que irei prá lá.....
 
Amanda: - E é bonito lá?
 
Lucila: - Muito, e já aviso, preparem as cameras fotográficas. Dentro das cavernas não poderá tirar fotos, mas a paisagem do lado de fora é muito bonita, vale à pena......Você vai, Duda?
 
Duda: - Vou sim professora. Não perderei por nada.
 
Colocando a mão no ombro de Duda, Lucila se despede das meninas - Bom fim de semana prá vocês!! Até Segunda! - Ao sentir o toque em seu ombro, Eduarda percebe que algo estranho percorre todo seu corpo, tão intenso, jamais sentira antes. Sem pensar ela pronuncia um nome:
 
Gabrielle! - seus olhos brilham...Aquele nome chama a atenção de lucila que automaticamente encontra os olhos da jovem, como se aquele nome não fosse estranho.
 
Márcia: - Igualmente, até Segunda!! Duda, você vem?
 
Duda: - Podem ir, esqueci minha....blusa. Até Segunda!
 
Durante alguns minutos as duas ficam paradas, no meio do corredor, olhando uma para outra, sem dizer uma única palavra, até que...
 
Lucila: - Hum....Gabrielle.....Você a conhece?
 
Duda: - Não, mas é como se eu precisasse encontrá-la.......que estranho, nem ao menos sei porque disse isso.- e após notar a reação da professora ela faz a mesma pergunta - E Você?
 
Lucila: - Também não. Pelos deuses, o que é isso? Meu coração está acelerado só por causa de um nome!
 
Duda: - Perdão, o que disse?
 
Lucila: - Que meu coração está...
 
Duda: - Não, antes? Você gosta de mitologia?
 
Lucila: - Ah!! Gosto sim. Conheço muitas histórias.
 
Ainda observando fixamente o intenso verde dos olhos de Lucila, Duda ainda pergunta - Em carma e almas gêmeas, acredita nisso também?
 
Lucila: - Sim. Sei que a minha está por aí, e espero encontrá-la um dia.
 
Duda: - Então você deve conhecer a história das almas gêmeas, não é?!
 
Lucila: - Ah!!! - suspira - Me fascina, duas pessoas se buscando para reunir-se em uma só.
 
Duda: - Também acho bonita, só não me agrada a idéia de que um dia existiram pessoas com quatro braços e duas faces - neste exato momento as duas silenciam-se e se entreolham como se já tivessem tido aquela conversa antes. - Pode parecer loucura o que vou dizer, mas tenho a sensação de que já nos conhecemos a muito tempo - diz Duda pensativa.
 
Lucila: - Sabe que tenho essa mesma impressão. Talvez seja verdade - olhando para o relógio, Lucila se apressa - Nossa!! Já está tarde, preciso ir. Semana que vem nos encontramos...bom fim de semana!!!
 
Duda: - Com certeza!!! Bom fim de semana!!! .....Gabrielle - sussurra
 
Lucila: - Gabrielle!! - diz com um brilho nos olhos e sorrindo em resposta a Eduarda.
 
Era estranho a força que aquele nome exercia sobre elas, só ainda não sabiam por quê? A fria brisa anunciava uma longa noite gelada, na manhã seguinte entravam pela janela os raios de Sol e o canto dos pássaros dava boas vindas ao belo dia de Sábado.
Lucila levantara cedo preparando-se para seu passeio matinal após um bom e reforçado café-da-manhã. Talvez, quem sabe mais tarde, iria dar uma volta no parque aproveitar o dia.
Ainda embaixo dos cobertores, Eduarda não conseguia criar coragem para levantar. O conforto de sua cama a convencia permanecer deitada por um pouco mais de tempo, olhando para o teto. Não demorou muito até entrar em seu quarto.
Abrindo as cortinas da janela, permitindo que os raios do Sol entrem, sua mãe pede para acordar:- Hora de levantar!! Olhe como o dia está bonito, não vá disperdiçá-lo ficando deitada o dia todo........Vamos!!! - diz puxando o cobertor - Levante-se que daremos uma voltinha e você precisa passear com o cachorro, você sabe muito bem que sua irmã não consegue segurá-la.
 
Duda: - Já estou indo, mãe! Prometo não demorar....muito.- e olhando para o teto, ainda deitada começa a contar - 1...2...3...
 
A mamãe pediu....
 
Duda: - Já sei, já sei....estou levantando. Puxa, hoje ela foi rápida! - levantando da cama, escova os dentes e lava o rosto com água fria para espantar a preguiça.
 
Depois de dar uma espiada pela janela, vendo o belo dia, Duda se anima preparando-se para um longo dia....de descanso. A mesa já estava posta, comeu uma salada de frutas, pegou a coleira e foi passear com o cãozinho, aproveitar o dia.
No meio do caminho encontrou alguns amigos que também estavam indo em direção a uma praça perto dali, de bicicleta.
 
Duda: - Não imaginava que vocês poderiam acordar tão cedo, apenas para andar de bicicleta!
 
Marcos: - Olhe prá você!!! Nós é que não acreditamos, passeando a essa hora! Como anda a faculdade?
 
Duda: - Primeira semana, sabe como é! Conhecendo os novos e velhos professores, mas já deu prá sentir que este semestre não será moleza. Hoje o dia está tão bom que seria ótimo não falarmos em estudos, hoje quero descansar!!!!
 
Marcos: - Concordo! Nos encontramos na praça!!
 
Marcos, Flávio e Lígia eram seus vizinhos, moravam na rua de cima e se conheciam a 5 anos, eram bons amigos. Inspirando fundo Duda diz: - AH!!! Raiza, hoje é o nosso dia. Venha!!! Vamos andar.
Passaram-se horas e Duda só se deu conta depois que olhou para o relógio e viu que estava na hora do almoço. Despediu-se apressada dos amigos, prevendo a bronca que tomaria ao chegar em casa tão tarde. - Até mais tarde!! A gente se encontra depois.
Chegando na porta de casa era possível sentir o cheiro bom de comida que infestava o ar. O cãozinho, ofegante, foi direto tomar água e descansar num lugar fresco. A jovem, apreensiva, prepara-se para a bronca.
 
Até que enfim!!!! Até onde você foi levar a Raiza para demorar tanto?- pergunta a irmã mais nova.
 
Duda: - Oi, mãe! Desculpe não avisar, mas encontrei com meus amigos na praça e perdi a hora.
 
Mãe: - Tudo bem! Vá lavar as mãos para almoçar.....afinal não é a primeira vez que você se esquece da hora.
 
A tarde esfriou um pouco, a brisa fria e a neblina que caia no fim da tarde previa a gélida noite, ótima para passar debaixo de quentes cobertores, saboreando um copo de chocolate e assistindo a um bom filme.
O dia seguinte não estava diferente, o friozinho da manhã desanimava qualquer um e o tempo não mudaria tão cedo. Lucila, que não era de levantar tarde, naquele dia resolveu ficar um pouco mais na cama quente e aconchegante, era possível ouvir o barulho do vento quando passava pelo vão da porta.
A ansiedade da viagem era maior que o desanimo, Duda passara a manhã toda pensando no que levaria para o passeio, deixando preparada a bagagem. Quase perto da hora do almoço, o telefone toca.
 
Marcos: - Olá, Duda! É o Marcos. Você quer sair hoje à noite? Eu e mais alguns amigos iremos a uma disco, tá afim de ir conosco?
 
Duda: - Podem contar comigo! A que horas vocês vão?
 
Marcos: - Sairemos às sete para passear um pouco, depois iremos prá lá. É nova, inaugurou ontem e o pessoal andou dizendo que vale à pena. Se quiser eu passo ai para te pegar.
Duda: - Legal!!! Então até daqui a pouco..........Vai ser bom sair um pouco de casa - diz desligando o telefone - Preciso respirar outros ares, quem sabe eu acorde.
 
Mãe: - Ih, filha!!! Deu prá falar sozinha agora é!??
 
A garoa fina que começara logo cedo permaneceu o dia todo, sem dar descanso. Cada minuto parecia demorar horas, a todo momento Duda olhava impaciente para o relógio, ansiosa para que chegasse logo a hora de sair. Ela não era muito de se enfeitar, tomou um banho quente, secou e arrumou o cabelo e perfumou-se. Gostava de roupas confortáveis, então vestiu uma calça, uma camisa, que ganhou de sua tia a pouco tempo, e uma blusa de lã. Estava simples, confortável e bem vestida, afinal ela iria passar a noite toda dançando.
A buzina mal tocou e Duda já havia saído apressada: - Mãe, já estou indo. Voltarei por volta das 4 horas, prometo que ligo. Beijo!!! - ao fundo, bem baixo, era possível ouvir sua mãe: - Cuidado!!!! - mas com a pressa, ela nem notou.
Depois de passarem num restaurante, o pessoal foi para a discoteca. Os garotos já estavam fazendo suas apostas...- Essa noite vou faturar 5 garotas, pode escrever!!! - Logo na entrada tinha muita gente, dava para ouvir, do lado de fora, a música que tocava. Era um empurrando o outro para entrar...
 
Puxa!!! O pessoal aqui é bem animado! - diz Marcos gritando por causa da música muito alta que tocava lá dentro.
 
Duda: - Ainda bem!!! - diz puxando o pessoal para a pista - Hoje não quero perder nada! Vamos sacudir, espantar o tédio.
 
Como era grande!!! As luzes piscavam tão rápido que deixavam qualquer um tonto, o ritmo da música esquentava a noite, espantando o frio. Depois de muito dançar, Duda resolve parar um pouco e tomar algo. Notara que todos os meninos já haviam saído para suas “caçadas”. Após encontrar uma mesa, Marcos aparece: - Já cansou? Acho que também vou beber algo.
Duda nem havia notado seu amigo chegar, mesmo um pouco escuro, seu olhar estava em outro lugar. Seus olhos azuis fitavam aqueles olhos verdes por uns instantes e flashs passavam em sua cabeça, como estranhas lembranças de momentos que passara com aquela pessoa dos olhos que mais pareciam esmeraldas de tão lindos e verdes.
 
Marcos: - Duda, está acordada?
 
Duda: - Ah! .....sim, estou sim.
 
Marcos: - De olho em alguém, não é?
 
Duda: - Imagine!!! - quando volta a olhar novamente, não encontra mais ninguém, e tentando mudar de assunto... - O pessoal não se cansa!!!
 
Marcos: - É!!! - responde com um sutil sorriso e Eduarda desvia o olhar como se não entendesse o recado.
Naquela noite as imagens iam e vinham sem aviso. Sem conhecer o verdadeiro dono, bastou aqueles olhos verdes para despertar os estranhos flashs. Quase na hora de irem, Duda resolve beber algo mais antes de partir.
 
Por favor!! Uma garrafa de água. - ao ouvir aquela voz, a jovem vira-se e encontra com os mesmos verdes que havia visto antes e fica surpresa ao descobrir que pertenciam a Lucila, sua professora.
 
As duas ficaram ali paradas, em frente ao caixa, sem pronunciarem uma só palavra, fitando-se por uns instantes, até que Luan, um dos amigos de Marcos, a chama para ir. Ainda calada, mas sem tirar os olhos de Lucila, ela paga a conta e sorri, despedindo-se.
 
***No estacionamento....
 
Hah!! Eu disse que ficaria com 5 garotas. Cara, que máximo!!!!
Sem essa!!! Você só conta mentiras, eu vi, você ficou com uma garota a noite toda, só no amasso.
Luan: - E ai pessoal!!! Topam um barzinho?
 
Duda: - Eu preciso ir. Avisei minha mãe que chegaria 4 horas.
 
Marcos: - Prá mim chega!!! Eu te levo prá casa, Duda.
 
Luan: - Então até mais prá vocês dois!!!! Nós só iremos mais tarde. Depois a gente se fala!!!
 
Marcos: - Olhem lá......sem abusar....e cuidado!!!
 
Lígia: - Pode deixar.....paizão!!!
 
Os garotos se afastam e Duda entra no carro. - “Gostou do passeio, Du?” - “Bem que eu estava precisando. O convite chegou em boa hora”. - “Bem, sempre que quiser, estarei aqui. Agora é ir prá casa que amanhã, que dizer, hoje, teremos aula....sorte nossa ser à tarde!”
A rua estava calma, iluminada pelos postes de luzes, voltaram em silencio. A música que tocava no rádio os mantinham concentrados na estrada. Às vezes Duda voltava a ver os flashs, que não sabia ao certo o que significavam. Sempre via duas mulheres sentadas ao redor de uma fogueira. A mais velha, a guerreira, afiava sua espada, sempre observando a jovem arrumando os cobertores para descansar após um dia de batalha e caminhadas.
Em uma das vezes, Eduarda conseguiu ouvir um nome: - “Gabrielle!”- imediatamente ela pensou em Lucila. - “ Será que...? Imagine.....só pode ser sono.”- pensou consigo .Não demorou muito e Marcos já chegara em sua casa. - “Está entregue!!”
 
Duda: - Obrigada!!! Fico te devendo uma.
 
Entrando em casa, tomando cuidado para não fazer muito barulho, Duda sobe as escadas e aliviada, troca de roupa e deita na cama que sua mãe havia deixado pronta para quando chegasse. Deitada na cama, olhando para o teto, lembra-se dos olhos verdes que encontrara naquela noite, sorrindo e cansada logo pega no sono dos anjos.
Acordada logo cedo e bem disposta é possível ver seus olhos brilhando novamente: “Estava mesmo precisando relaxar, agora sim, estou pronta.......pronta para mais uma semana de batalha.” Passou Segunda, Terça, Quarta e Amanda e Márcia notaram a mudança da amiga: “O que será que ela tomou?......Também quero.”
 
Amanda: - Quem diria que uma única noite de dança a deixaria tão....empolgada? - diz achando graça da atitude da amiga.
 
Márcia: - Vou comprar algo para comer, aproveitar que ainda temos um tempinho antes da última aula.
 
Um pouco mais sossegada, Eduarda se põe a escrever até as amigas chegarem, dobrando o papel colocando-o no bolso. Mal se passam 5 minutos e pontualmente a professora chega na sala, colocando os livros na mesa, ajeitando o retroprojetor, para dar início à aula. Imediatamente todos sentam-se em silêncio, acredite se quiser, não havia um aluno que não gostasse da aula de Lucila, ela era capaz de transformar o assunto mais complicado na coisa mais simples possível, assim a aula fluía bem e quase sempre sobrava um tempinho para uma discussão .
Seis horas não havia mais ninguém na classe, apenas a professora arrumando suas coisas para sair. No meio da sala, Lucila encontra um papel, o apanha do chão para saber a quem pertencia, talvez o dono aparecesse. Curiosa com o que havia escrito, mesmo sabendo o erro que cometia, Lucila abre e lê:
 
“Já cruzei com tantas pessoas e algumas achei que pudessem ser o que procurava. Encontrei alguém, mas acreditar que um dia existirá algo, parece ilusão. Seu sorriso e seu olhar me invadem, é como se ela pudesse enxergar minha alma. Em sua presença meus medos desaparecem, sua luz me invade, fazendo parte de mim. Mesmo negando, não poderei fazer parte disso, pode ser apenas ilusão, mas também pode não ser. A necessidade de sua voz, seu olhar, seu sorriso, parece não ter fim, é como se sua luz, seu ser, fosse a cura para o meu caminho de incertezas. Meu consolo é saber que a encontrarei mais vezes....como minha professora. Talvez eu já tenha encontrado minha alma gêmea e devido às circunstâncias, não pudemos estar juntas.
 
Eduarda
L/G”
 
Quando terminou, Lucila encontra Eduarda esperando sentada, observando-a.
 
Lucila: - Desculpe-me a curiosidade........acho que isso pertence a você! - entrega o papel.
 
Duda: - Imagine! São apenas....bobagens que escrevo, nada demais!! - ainda observando Lucila, tentando descobrir o que ela havia achado do bilhete.
 
Lucila, ainda sem jeito....: - Posso fazer uma pergunta?.....Quem é?......Gabrielle?
 
Duda: - Bem......depois de encontrar você, no fim de semana passado, andei tendo umas visões. No começo me assustavam, mas sinto que estou começando a compreendê-las.
 
Lucila: - E o que você vê? - pergunta apreensiva e interessada.
 
Duda: - Duas mulheres ao redor de uma fogueira, uma guerreira, enquanto afia sua espada, observa atentamente a jovem ao seu lado....
 
Neste momento Lucila, espantada ao descobrir que tinhas as mesmas visões na qual não dava muita importância, até aquele momento, interrompe a jovem, completando:
“....arrumando os cobertores para descansar após o dia de lutas e caminhada.” Em êxtase, Eduarda, com um sorriso no rosto, aproxima-se da professora que encontrava-se surpresa com que acabara de dizer.
 
Duda: - Como pode ser possível? Em uma das visões, pude ouvir a guerreira chamando pela jovem: “Gabrielle”. Pelos deuses!!!! Aquele olhar......era o seu.
 
Lucila: - Eu também ouvi, uma única vez, o nome da guerreira......era “Xena”.
 
Ao ouvir o que Lucila disse, Duda não mais possuía controle sobre si mesma, suas mãos tremiam e sua respiração acelerava a cada instante, até Lucila segurar suas mãos tentando acalmá-la. Ambas começam a entender o significado daquele nome: “Gabrielle”, e das visões. A partir desse dia as duas ficaram mais próximas, a amizade crescia a cada dia que passava, mas não se esqueciam que ainda eram “professora” e “aluna”.
Um mês passou e finalmente chega o dia da tão esperada viagem. 6 horas da manhã já estavam todos prontos para partirem, a maioria ainda estava dormindo em pé, alguns se apoiavam nas malas, outros na parede, a espera do ônibus que havia se atrasado. Exatamente 3 horas foi o tempo que levou para chegarem até a pousada, que por sinal parecia ser bem aconchegante.
Depois de arrumarem as coisas, se ajeitarem nos quartos e do almoço, um pessoal se organizou para conhecer o lugar. Lucila convida Duda para uma caminhada: - “Quero que você conheça um lugar.” Atravessaram colinas admirando a paisagem, árvores bem verdes, as flores dos campos, o céu azul, transmitiam tanta tranqüilidade e paz. Como aquele lugar era bom, tão bom que perderam a hora. Sentadas na grama verde da colina mais alta, ficam a admirar a bela paisagem do pôr-do-sol no horizonte, que coloria todo o céu de laranja, dando boas vindas às duas.
 
Lucila: - Olhe, não é maravilhoso? Quantas vezes nó pudemos contemplar tamanha beleza!!! - fechando os olhos, Lucila inspirando fundo, continua - Sinta! Até o perfume das flores muda com o pôr-do-sol!
 
Perto dali existia um lago e Duda, sem pensar, segura a mão de Lucila e a conduz em direção a ele. A brisa, que por ali passava, acaricia seus cabelos e fechando os olhos era possível ouvir o som do vento que ali passeava.
Duda: - Ah!! Quem dera se eu pudesse sempre fazer isso!
 
Lucila: - Realmente, aqui é muito bonito. Desde a última viagem, sempre procurei vir prá cá para pensar e relaxar um pouco....é tão calmo, tão gostoso!
 
Duda: - Veja, até a água é cristalina. É possível ver as pedras no fundo do lago.
 
As duas se pões a observar seus reflexos na água - “Engraçado, não é a primeira vez que fazemos isso juntas.” - Duda vira-se para Lucila, segura suas mãos, voltando a observar suas imagens refletidas no lago.
 
***Neste mesmo dia, mas a muitos anos atrás....
 
Na margem do rio, Xena e Gabrielle ficam observando seus reflexos:
 
Xena: - Gabby, não sei de onde você tira tanta imaginação para contar histórias, só olhando para nossos reflexos.
 
Gabrielle: - Não é uma simples história, Xena. É a nossa história, nosso futuro....acredite ou não, você não se virá livre de mim tão cedo.
 
Xena: - É o que espero! - virando-se para Gabby, Xena, segurando sua mão, diz: “- Encontrei em você minha luz, o bem, a paz. Juntas buscamos nossos caminhos, com você aprendi que o amor não vem apenas do coração, também vem da alma. Sei que assim estaremos juntas, na vida e até mesmo na morte, Gabrielle.”
 
***Na pousada.....
 
Lucila: - Em que está pensando? - pergunta a Duda que está sentada na cama, pensativa, olhando para sua agenda.
 
Duda: - Estou pensando como terminar a história que estou escrevendo.
 
Sentando na cama, ao lado da amiga, Lucila sugere: “- Não termine!”
 
Como assim?
 
As histórias nunca terminam, são como......o verdadeiro amor. - aquelas palavras tomaram conta da jovem, que segurando as macias mãos de Lucila, beija seu rosto: “Como o amor que vem do coração e da alma.”
 
Juntas....sempre!!!
 
***....
 
De mãos dadas, Xena e Gabrielle partem para mais um dia em busca de seus caminhos, juntas.....
 
 
SEMPRE 
 

Uber   Home

 
 

 

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