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- Sophie
era admirada por seus colegas por ser jovem, extremamente competente e além
de tudo, linda e educada. Seus olhos verdes chamavam muita atenção
e seus cabelos loiros e compridos lhe davam um charme a mais. Era perfeita.
Perfeita demais para qualquer um. Talvez por isso estivesse sozinha aos
28 anos.
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- Ela
chegou na faculdade um pouco atrasada. Não era costume de acontecer,
mas seu carro havia demorado a pegar e ela não pode fazer nada, a
não ser esperar que ele esquentasse. O frio fora de época
junto com um vento gélido a deixava um pouco irritada, principalmente
por não ter um cobertor de orelha lhe esperando após as aulas.
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- O
dia transcorreu como de costume, a não ser por um aluno, ou outro
comparecendo a sua sala com a desculpa de duvida em algum assunto apenas
para vê-la. Mas era sexta feira e estava planejando um final de semana
calmo, descansar um pouco. A não ser por aquele convite...
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- -
Sophie, qual é? Vai ficar em casa justo na sexta a noite? Vamos agitar!
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- -
Pamela... Essa palavra só me lembra milkshake de flocos com calda
de chocolate.
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- -
Olha, acho que você deveria ir nessa festa, vai ter muita gente legal,
bonita... Quem sabe você conhece alguém...
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- -
Hah, essa é boa... Alunos não se envolvem com professoras,
Pam. Só você mesmo para ficar de papo comigo.
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- -
Porque eu gosto de você, sua chata! Você me deve essa, vai..
Por favor...?
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-
- Pamela
era uma das melhores alunas do curso de Sophie. Não tinha como dizer
não para alguém tão aplicado.
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- -
Ok, Pam, você venceu, não vou mais rejeitar seus convites.
Onde é a tal festa?
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- -
No "After Night". Vai rolar um som muito maneiro a noite toda.
Você vai se divertir. Te pego em casa as dez, ok?
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-
- Sophie
apenas acenou com a cabeça e voltou a corrigir suas provas. Que dia...
E que idéia foi aquela de aceitar ir a tal festa? As vezes ela fazia
as coisas meio de supetão para depois se arrepender profundamente.
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- Ficou
na faculdade até as nove e meia e não se deu conta da hora.
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- -
Droga, não vou estar pronta as dez...
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- Resolveu
ligar para Pam e avisar que era melhor deixarem para outro dia. A amiga
ficou chateada, mas aceitou.
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- Quando
finalmente conseguiu acabar de corrigir as provas, juntou suas coisas e
foi para casa. Estava cansada, mas algo a incomodava. Tomou um banho demorado
e se esticou na cama. Seu pescoço doía e seus dedos também.
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- Olhou
no relógio, quinze para meia noite. Não conseguia dormir e
não entendia porque. Estava cansada, havia trabalhado o dia todo,
ficado em pé...
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- -
Droga,...
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- A
verdade é que ela sentia falta de se sentir viva, de ficar perto
de outras pessoas. Foi um tempo bom aquele quando ela estudou naquela mesma
faculdade.
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- -
Merda. Não acredito que vou fazer isso.
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-
-
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- Meia
hora depois Sophie estava na porta do After Night. O lugar estava lotado
e, como Pam havia falado, havia muita gente bonita esperando para entrar.
Ela entrou na fila e ficou esperando a vez de entrar. Mas a fila não
andava e já passava da uma da manhã. "Que idéia
mais idiota...", pensou.
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- Quando
já ia desistindo alguém veio em sua direção
e parou à sua frente. Parecia ser um dos seguranças e ela
o olhou com certa desconfiança. Ele, por sua vez, olhou-a de cima
em baixo e sorriu.
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- -
Boa noite. Queira me acompanhar, sim?
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- Não
sabia porque, mas seguiu aquele homem que mais parecia um armário.
Ele a conduziu para o início da fila e retirou a corrente da porta
para que ela pudesse entrar.
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- -
Não entendi, por que eu vou passar na frente de todo mundo?
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- -
A senhorita é nova aqui, certo? Aproveite a noite.
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-
- Não
entendeu, mas ficar ali fora naquele frio, em pé e sozinha é
que ela não queria. Sorriu para ele e foi envolvida pelas luzes da
boate.
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- Há
muito tempo não ia ali, há muitos anos, aliás. Na época
de faculdade ela costumava freqüentar aquele lugar que naquela época
tinha um nome diferente. Foi um tempo meio louco, de curtição
total, de loucuras de adolescentes. Mas foi um tempo bom.
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- Lá
dentro a musica batia alta, as luzes deixavam as pessoas com aparências
estranhas e dava a impressão de que aquele mundo ali era uma realidade
alternativa, que as pessoas ali não eram reais e que nada que acontecia
ali poderia influenciar o mundo lá fora... Quase nada.
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- De
repente um grito.
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- -
Sophie!!!! Você veio!!
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- Pamela
voou no pescoço de sua amiga e lhe deu um forte abraço, como
se não a visse há anos.
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- -
Não acredito que você veio! Que bom! Deixa eu te apresentar
uns amigos.
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-
- Pamela
puxou Sophie pelo braço e a levou até um grupinho que era,
no mínimo, muito estranho. Dois rapazes altos vestindo sobretudos
e com os cabelos arrumados com gel, bem estilo Matrix e uma mulher alta,
de cabelos loiros e compridos vestindo uma roupa de couro que mostrava todas
as suas curvas. Bem sinistra.
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- -
Olha quem veio, turma. Essa é minha amiga Sophie. – eles sorriram
para ela – Sophie, esses são meus amigos, Giuseppe e Enzo, os gêmeos
italianos, e essa moça aqui é a Lorena, minha melhor amiga.
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- -
Prazer em conhece-los.
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- Os
gêmeos sorriram novamente, enquanto Lorena examinava Sophie da cabeça
aos pés. Ela era uma moça bonita e com um corpo que só
despertava inveja em Sophie porque o dela não deixava a desejar.
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- Eles
se divertiram a noite toda e Sophie não acreditou quando olhou no
relógio e viu que já era quase seis horas da manhã.
Sua cabeça já estava rodando a algum tempo e agora começava
a doer. Como a boate já estava menos cheia ela foi até o banheiro
para jogar uma água no rosto. Definitivamente, ela não estava
bem.
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- Entrou
no banheiro e sentiu que se estivesse ocupado ela iria fazer uma lambança
no chão mesmo. Empurrou com o pé a primeira porta que viu
entreaberta e foi a conta de abaixar no vaso e deixar lá todas as
tequilas que havia virado junto com Pam e seus amigos. Agora sua cabeça
doía com vontade e não conseguia enxergar mais nada por causa
das lágrimas que se juntavam.
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- Ficou
ali encostada no vaso e rezando para que o chão se abrisse e a levasse
para qualquer lugar que não fosse ali. Mas não foi o que aconteceu.
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- Naquele
instante alguém tocou seu ombro. Não conseguiu identificar
quem era, mas naquele momento jurou que era um anjo que estava ali ao seu
lado. Aqueles olhos azuis, aquele corpo, aquela voz... Sorriu e tentou ficar
de pé, em vão.
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- -
Você não está bem, está? – perguntou aquela figura
maravilhosa a sua frente.
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- -
Estou simm... Eu acho... – e mais uma golfada de vômito foi de encontro
a água do vaso – Desculpe... Acho que passei da conta...
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- -
Acha, né.. Vem, deixa eu te ajudar. Com quem você está?
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- -
Com quem... Não sei.. Ah, com um pessoal esquisito.. Com a Pam!
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- -
Humm... Sei quem é a Pam, mas acho que ela já foi embora.
Vou chamar um táxi para você ir para casa.
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- -
Não, eu vim de carro... Pode deixar – um tropeço e Sophie
foi parar no colo do ‘anjo’ -... Desculpe...
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- -
Humm... Vou te deixar em casa.
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- Mais
alguns instantes de discussão serviram para ‘o anjo’ perceber que
Sophie estava pior do que parecia. Alguém tinha dado algo para ela
beber que não havia batido muito bem e que provavelmente iria proporcionar
um final semana de dores de cabeça inesquecível.
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- Com
muito custo ‘o anjo’ descobriu qual o carro e o endereço de Sophie.
Não tinha o costume de levar estranhos em casa, mas a garota estava
mal e não poderia deixa-la ali daquele jeito.
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- Às
duas horas da tarde o telefone tocou. Sophie acordou achando que a campainha
estava dentro de sua cabeça. Atendeu sem abrir os olhos.
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Alooo...
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- -
Nooooossa, que voz é essa?
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- Ok.
Era Pam. Talvez ela pudesse esclarecer o que havia acontecido. As imagens
passavam em sua cabeça em flashes e ela não conseguia ligar
uma cena à outra. O que havia acontecido?
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Oi, Pam...
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- -
Acho que você exagerou ontem, héin? Não era bem isso
que eu tinha em mente. Agora você vai ter que maneirar, garota!
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- -
Pam... O que aconteceu ontem? – enquanto falava ela levantou e viu que estava
com sua camisola de flanela da Minnie. Não se lembrava de ter trocado
de roupa – Não lembro de nada que aconteceu ontem depois das duas
da manhã.
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- -
É... Você tomou todas, dançou com os gêmeos, comigo
e até com a Lorena... Ela ficou amarradona em você.
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- -
Fala pra ela que sem chance, ok? – nesse instante Sophie parou e quase deixou
o telefone cair no chão, perdeu a voz e deixou Pam falando sozinha
no telefone.
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Sophie? Sophie, o que houve?
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- Sophie
foi passou pela sala sem fazer barulho e foi até a cozinha, encostando
a porta em seguida.
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- -
Pam, tem alguém deitado no meu sofá!!
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- -
Como assim ‘alguém’? Quem?
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- -
Sei lá! – Sophie espiou pela porta e viu que a pessoa estava acordando
– Ai, deuses, é uma mulher e está acordando. Será que
vou ser assaltada?
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- -
Deve ser a pessoa que foi te levar em casa... Mas não sabia que tinha
dormido aí...
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- -
Hei, pode parar! Ela tá no sofá, eu não tenho nada
com isso... Depois te ligo, quero saber o que aconteceu.
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- -
Ok, se cuida.
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- Sophie
desligou o telefone e pegou um remédio para dor de cabeça
no armário da cozinha. E como doía a porcaria da cabeça...
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- Depois
de tomar o comprimido, respirou fundo e foi até a sala. Não
se lembrava de como havia chegado ali e tudo mais, mas não esqueceu
aqueles olhos azuis.
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- -
Oi...
-
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- A
mulher olhou para ela e esfregou os olhos.
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- -
Olha só, você consegue ficar de pé agora...
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- -
Sem sarcasmo, por favor... Humm... Obrigada por ter me trazido em casa...
Apesar de eu não me lembrar de muita coisa...
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- -
É.. Acho que seus amigos te deram algo bem legal para beber...
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- -
Não rolou nada... Eu é que não estou acostumada a beber,
passei do meu limite.
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- -
Humm, ok. Fiquei por aqui porque você pediu. E eu estava muito cansada
para voltar a pé para a boate. Meu carro ficou lá.
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Me desculpe pelo transtorno... Deuses, como estou envergonhada...
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- -
Pára com isso. Todo mundo tem seu dia de porre. Só devia tomar
cuidado com quem anda. Aquela Lorena não é flor que se cheire...
– ela arrumou os cabelos com as mãos e se levantou do sofá;
como era alta! – Agora também estou melhor, vou embora. A gente se
esbarra, só espero que em condições melhores que a
de ontem.
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- Sophie
sorriu encabulada e foi até a porta.
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- -
Não quer ficar e comer alguma coisa?
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- -
Não, meu estomago não está muito bem... Vou para casa
dormir mais um pouco. Se cuida.
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-
- A
mulher apertou a mão de Sophie e saiu pela porta.
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- Sophie
ficou observando aquela mulher andando pela rua até que não
pode distinguir mais que um pequeno vulto. Mas aqueles olhos nunca mais
sairiam de sua cabeça. E nem mesmo soube o nome dela.
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-
- Angel
era uma mulher de personalidade forte e seus olhos azuis de safira eram
extremamente penetrantes e impunham respeito. Seu corpo era esculpido pelos
anos de kung fu e tai chi que ela praticava todos os dias sem exceção.
A não ser por aquele sábado, aquele sábado louco.
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-
- Chegou
na boate uma hora depois de sair da casa de Sophie. Resolveu ir à
pé para ver se acordava e melhorava um pouco da ressaca da noite
anterior. Queria colocar algumas idéias no lugar também. Não
era todo dia que uma loira maravilhosa como aquela caia em seus braços.
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- Chegando
lá encontrou Ronald, o dono do After Night.
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Hei, para onde a senhorita foi ontem?
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- -
Não acreditaria se eu te contasse...
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Pois experimente.
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- -
Ok... Do começo... Ontem estava curtindo a festa numa boa e de manhã,
quando fui ao banheiro, tinha uma garota passando mau. Fui ajudá-la
e ela caiu em cima de mim. Achei que era zuação, mas ela estava
ruim mesmo...
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- -
Ai... Não quero nem saber como acabou...
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Cala a boca! Aí, acabei levando ela para casa, não podia deixar
ela voltar dirigindo e os amigos dela já tinham ido embora. Mas quando
nós chegamos lá é que aconteceu um lance engraçado.
Ajudei ela a escovar os dentes e a trocar de roupa. Juro, na melhor das
boas intenções! Coloquei ela na cama, mas nos desequilibramos
e eu caí em cima dela. Não sei por que ela fez aquilo, mas
ela me beijou! Ela me beijou! Tem noção do que é isso?
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Ai, deuses... Lá vem...
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To falando sério, Rony, não fiz nada, não tive intenção
de nada! Não quero me envolver de novo, não quero conhecer
ninguém mais do que uma noite de sexo bem feito e nada mais, mas...
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Mas...?
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- -
Não sei, aquele beijo mexeu comigo... – ela encarou o homem e voou
na gola da blusa dele – Se você contar isso para alguém eu
te mato!
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Hei, hei, calma aí garota! Acho que sou o único que é
seu amigo aqui, relaxa. Só que você vai acabar entrando numa
fria de novo... O que mais aconteceu?
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Nada! Ela adormeceu e quando tentei sair ela me abraçou. Dormi ali
com ela até por volta do meio dia, quando ela finalmente se mexeu
e virou para o outro lado. Saí de fininho e me deitei na sala, tava
um caco, cara, cansada. Quase não dormi direito... Ela é tão
linda, tão frágil... Quem é ela, você sabe?
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- -
Humm... Ela estava com quem?
-
- -
Com uma amiga da Lorena.
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- -
Iiih, péssimo. Essa menina não é boa bisca. Mas eu
sei quem é, sim. A Lorena tava toda doida para o lado dela, até
colocou um doce no copo da moça para ver se ela endoidava de vez
e ficava mais fácil de agarrar. Ela dá aula de Filosofia na
faculdade, se chama Sophie.
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- -
Sophie... – falou Angie num suspiro - Queria só saber como você
sabe disso tudo.
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- -
Ossos do ofício, minha cara. Eu sou o dono desse lugar, ou não?
Mandei colocar ela para dentro quando a coitadinha tava lá fora morrendo
de frio no fim da fila. Gosto de ter gente bonita aqui dentro, você
sabe disso.
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- -
Sei...
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