Disclamers:
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Almas Gêmeas
Por
Paula
[email protected]
Quem não
espera um dia também encontrar a sua...
(espero um dia encontrar
a minha)
Era uma noite linda, o céu estava cheio de estrelas
e, entre elas, brilhava uma grande bola prateada.
Priscila acabara
de sair de seu escritório de advocacia com sua secretária Deyse.
Despediram-se e seguiram caminhos opostos. Priscila seguiu para o estacionamento
onde estava seu carro. Era uma mulher de beleza rara. Corpo atlético
em seus 1,79 de altura, pele morena de sol, olhos de um azul intenso, e longos
cabelos escuros.
Antes de entrar em seu carro olhou para o céu
e disse para si mesma.
- A noite está tão linda! Vou
parar em algum lugar para beber algo.
Raramente ia á casa de
alguém ou alguém a sua.
Era início de fim de
semana e os bares estavam começando a encher. Priscila gostou de um deles.
Parecia ser um lugar gostoso para se beber algo, era todo em madeira tinha várias
mesas forradas com toalhas vermelhas e, ao fundo do bar, um balcão com
alguns bancos altos. Perto da entrada, em um pequeno palco, um rapaz cantava
acompanhado de um teclado. Sua voz era suave, gostosa de se ouvir.
"Gostei! Vou voltar aqui outras vezes", escolheu uma mesa perto do
músico.
Relaxou seu corpo e pediu um chopp ao garçom.
Pegou alguns papeis em sua pasta e começou a lê-los. O tempo passou
e ela nem se deu conta. Quando olhou para o relógio viu que já
era hora de ir embora, o bar já estava com suas mesas quase todas ocupadas.
Procurou o garçom com os olhos para pedir a conta. Mas não foi
o garçom que eles encontraram e sim um par de olhos verdes lhe observando
com muita intensidade em uma mesa próxima a sua.
Era uma jovem
loira com um rosto lindo, cabelos picotados a altura dos ombros, corte que lhe
caía muito bem. Seus olhos ficaram assim por alguns segundos que, para
Priscila, pareceram horas. Alguém chamou a jovem que desviou seu olhar.
O garçom surgiu e perguntou à Priscila:
- Deseja algo
mais senhora?
- Mais um chopp - resolveu ficar mais um pouco, aquela
garota tinha chamado sua atenção. Ela estava com um casal tão
jovem quanto ela, eles conversavam e sorriam. Priscila ficou por mais algum
tempo observando-a. A garota tinha um sorriso lindo. Desviou sua atenção
por alguns instantes para guardar seus papéis e, quando os olhou novamente,
lá só estava o rapaz.
Pediu a conta, estava um pouco
cansada, seu dia tinha sido agitado. Levantou-se e foi ao banheiro. Quando abriu
a porta, seu coração deu um pulo, ela estava ali à sua
frente. Elas se observaram de cima a baixo.
A jovem usava uma blusa
preta sem mangas colada ao corpo e uma calça jeans justa que ia até
o chão, o que cobria quase que por completo seu sapato. Dava para perceber
que por baixo daquelas peças, havia um corpo muito bem trabalhado.
Priscila estava com uma blusa branca de seda de mangas curtas com botões
na frente, tinha dois botões abertos, o que deixava todo seu colo á
mostra, uma calça cinza escuro de um tecido macio, sapatos e cinto do
mesmo tom que a calça.
- Amanda! Vamos. - disse a amiga puxando-a
delicadamente pelo braço e, lá fora, perguntando - Você
a conhece?
- Não, pelo menos desta vida! - Não sabia
porque falou aquilo. Voltaram para a mesa.
Priscila voltou do banheiro,
pagou sua conta e se encaminhou para a saída do bar. O rapaz olhou para
ela com ar de admiração e disse, com um sorriso nos lábios:
- Que monumento de mulher! É uma dessa que mamãe quer para
nora.
Amanda sorri do comentário do amigo e fica observando
aquela mulher desaparecer.
--
O fim de semana transcorria tranqüilamente. Priscila
dava sua corrida de sempre, ouvindo música em seu walkman. Ela corria
quase todos os dias antes de ir trabalhar.
Enquanto arrumava seu apartamento,
a imagem do rosto de Amanda vinha à sua mente e ela pensou: "Amanda,
este é o seu nome!".
Tentando tirar aquela imagem de sua
mente, pegou uma cerveja na geladeira e foi para o computador colocar alguns
dados de seus clientes, ali ficando por horas.
Amanda morava com seus pais e um irmão mais novo numa
casa de dois andares, em um bairro com uma boa vizinhança. Trabalhava
em uma empresa como analista de sistemas. Na parte da tarde, fazia trabalhos
particulares instalando e resolvendo vários tipos de problemas em computadores.
Ela não conseguia esquecer aquela mulher do bar. Lembrava-se que
quando a avistou entrando no bar, seu coração dera um salto como
se já se conhecessem e, por mas que quisesse, não conseguira desviar
seus olhos dela. Perguntou para si mesma: "Quem será ela? Provavelmente
nunca saberei!"
--
Os dias passaram. Priscila estava diferente, parecia estar
sempre a procura de algo ou alguém, sentia que estava faltando algo em
sua vida, começou a sentir um enorme vazio dentro de si.
Em
seu escritório, sua secretária a acordou de seus pensamentos.
- Doutora Priscila, o computador pifou. Temos que chamar alguém
para ver qual é o problema.
- Você conhece alguém?
- perguntou voltando á realidade
- Ótimo! Faça isso. Não podemos ficar sem o computador.
Vou ao fórum e não volto mais hoje.
- Tudo bem, pode
ir tranqüila - A secretaria de Priscila era uma senhora de meia idade muito
simpática e eficiente, elas tinham uma boa relação.
No dia seguinte, Priscila deu sua corrida, tomou um banho e foi para o
escritório. Deyse já estava em frente ao computador, ela se admirou.
- Bom dia Deyse! O computador já está bom?
- Bom
dia! Sim a jovem veio consertá-lo ontem mesmo.
- A jovem? -
perguntou com ar de admiração.
- Sim! - respondeu Deyse
com um sorriso - o técnico é uma moça muito bonita e inteligente,
ela veio no final da tarde. Deixei a nota com o valor do serviço em sua
mesa.
- Legal! Vamos trabalhar que o dever nos chama - e entrou em
sua sala.
O fim de semana chegou. Priscila resolveu, após o
final do expediente, voltar ao mesmo bar onde conheceu Amanda. O lugar estava
com poucas pessoas, ainda era cedo. Foi para o balcão, sentou-se e pediu
uma bebida ao barman. Ficou observando o músico que começou a
cantar. A letra da música chamou sua atenção. Ela absorveu
dentro de si cada palavra.
"Diga espelho
meu
Minha alma gêmea onde andara
Parte do meu ser.
Meu pedaço
de luar.
O que fazer de mim
Se anoiteceu.
Quem vai me entender.
Quem vai fazer minhas vontades
A minha outra metade
Só podia
ser você
O que a vida fez
Já
não da mais pra dividir
Onde quer que vá
Eu vou tentar
te descobrir
Sozinha eu não serei
Escolhi você pra ser
meu par
Brincar com a lei da gravidade
A minha outra metade
Que
me ensine a voar.
Meus segredos e desejos
Você sabe no olhar
Decifrar tudo que sinto
Fomos feitos um pro
outro
Não me canso de esperar.
Alma gêmea vem
No meu corpo e o teu lugar
Alma gêmea vem
Que se cumpra eu e você
Vê se me da felicidade
Que eu te ensino a viver.
Michael
Sulivan e Paulo Massadas
Lembrou-se do seu tempo de faculdade, quando seus colegas
lhe contaram a história das "Almas gêmeas" - um ser de
duas cabeças, quatro braços e quatro pernas que foi separado em
duas partes contra sua vontade e por isso vivia à procura de sua outra
metade, sua alma gêmea.
Seu olhar estava fixo na entrada do
bar. Várias pessoas já tinham entrado, restavam poucas mesas vazias.
Priscila estava pensando em ir embora quando Amanda surgiu com a mesma garota
da vez anterior, foram até o músico que acabara de cantar e lhe
beijaram o rosto. Priscila, quieta em seu canto, deu um gole em sua bebida olhando
para Amanda. "Você esta mexendo tanto com a minha mente, por que
não consigo esquecer seus lindos olhos verdes? Que feitiço você
lançou em mim?"
Amanda olhou a sua volta como se procurasse
algo. Ficou com ar de tristeza ao não encontrar o que procurava. Priscila,
observando-a, pensou "Será que ela está a minha procura?
Que bobagem ela não deve nem se lembrar mais de mim"
--
Passara-se algum tempo, o bar já estava cheio. Amanda
conversava com a amiga e sorriu. Priscila se perguntava quem seria aquela amiga,
elas pareciam se dar muito bem. Sentiu dentro de si um sentimento que nunca
sentira daquela forma por outra pessoa "CIÚME."
O
músico começou a cantar a mesma música que ela ouviu quando
chegou.
Amanda parecia estar longe dali. Ela adorava aquela música.
Seus olhos começaram a vagar pelas mesas do bar a procura de um lindo
par de olhos azuis que ela não conseguia esquecer. "Gostaria tanto
de rever aqueles olhos novamente"
Foi quando ela os encontrou
olhando para ela do fundo do bar. Ficaram se olhando, ouvindo cada palavra.
De repente, Amanda sentiu uma mão em seu ombro, era o Artur que sorriu
e disse, beijando as duas:
- Olá, meninas! Demorei mais cheguei!
Priscila desviou seu olhar, pensou em uma forma de aproximar-se dela. Mas
sabia que se esperasse ela ir ao banheiro, a amiga com certeza ira junto. Então
decidiu ir embora "Tenho que tirá-la de minha mente".
Amanda ficou olhando para a saída do bar triste e desconsolada. Afinal,
o que estava acontecendo com ela? Quem era aquela mulher que nem ao menos o
nome sabia para mexer tanto assim com ela? Precisava tirá-la de seus
pensamentos. Voltou-se para seus amigos e começou a prestar atenção
ao que eles falavam.
--
Duas semanas se passaram e ao fim de mais um dia de trabalho,
Priscila estava em casa descansando. Resolveu navegar um pouco na internet.
Encontrou um programa novo e tentou instalá-lo mas, de repente, ele deu
pane e travou. Ela tentou de todas formas que sabia dar um jeito, mas não
conseguiu.
- Mas que droga! É como diz o ditado, ás vezes
o barato sai caro - resmungou para si mesma desligando o computador.
No dia seguinte, em seu escritório, falou com sua
secretária:
- Bom dia, Deyse! Você poderia por favor ligar
para a jovem que consertou o computador, e marcar uma hora em que ela possa
ir lá em casa? Meu computador pifou.
- Ligarei agora mesmo.
Poucos instantes depois, Deyse surgiu em frente à sua mesa
lhe perguntando:
- Que horas a senhora pode recebê-la em sua
casa?
- Hoje?
- Sim. Ela disse que, dependendo do horário,
irá ainda hoje após o expediente.
- Após as seis
estarei em casa.
- Ok! - Deyse se retirou.
--
Priscila acabara de sair do banho, estava de short e camiseta
secando seus cabelos em frente ao espelho quando o interfone tocou. Já
eram sete e meia, ela achava que a moça nem iria mais aquela noite ver
seu computador. Correu para atender e a mandou subir.
Quando abriu
a porta, seu coração disparou tão forte que chegou a doer.
Em pé à sua frente estava aquela linda garota de olhos verdes
Amanda, quando viu aquela mulher ali para diante de si ,quase desmaiou
de susto. Elas ficaram se olhando em silêncio. Amanda achou melhor falar
algo. Sorriu e disse:
- Boa noite! Desculpe a hora, mas não
deu para vir mais cedo.
Priscila rapidamente saiu da frente da porta
e a convidou a entrar.
- Não tem problema, entre por favor!
- estendeu a mão se apresentando - muitoo prazer, Priscila.
-
Amanda!
Elas apertaram as mãos e sentiram naquele toque uma
o calor da outra. Internamente seus corpos se arrepiaram.
- Venha,
vou levá-la até o computador - seguiu em direção
a um dos quartos, tinha feito dele uma espécie de biblioteca.
Amanda a seguiu pensando "Finalmente sei seu nome: Priscila. Lindo nome,
assim como ela".
Priscila ligou o computador e contou como acontecera
o problema, Amanda sentou-se, pegou algumas coisas em sua mochila. Esforçava-se
para se concentrar em seu trabalho. Priscila estava em pé ao seu lado
exalando um cheiro delicioso de sabonete.
- Vou demorar um pouco.
Se quiser, pode continuar o que estava fazendo - falou sem tirar os olhos do
computador.
- Estava tomando banho, ia preparar o jantar.
- Se precisar de algo, eu a chamo.
Priscila sorriu e disse:
- Daqui a pouco eu volto - e foi para a cozinha. Lá ela colocou a mão
em seu peito e sentiu seu coração batendo em um ritmo acelerado.
Ela fugira de Amanda, mas o destino a colocou dentro de sua casa. Começou
a preparar o jantar. Abriu uma garrafa de vinho, precisava beber algo para acalmar
seu coração.
Passado algum tempo, Amanda levantou-se
e foi até a cozinha. Priscila estava de costas e não a viu se
aproximar. Amanda ficou na porta olhando aquela mulher linda, que estava mexendo
com seu corpo e sua mente de uma forma incrível. Isto a deixava desnorteada
e sem saber o que fazer.
- Doutora Priscila, a senhora...
- Por favor, me chame de Priscila e de vvocê afinal, não sou tão
mais velha que você - disse virando-se para ela
- Claro que
não! Eu quis apenas respeitá-la.
- Eu sei, e o computador
como está ?
- Coloquei alguns programas novos, mas demora um
pouco para entrar, tenho que esperar. Você perdeu a maioria do que estava
armazenado nele, tem alguma cópia?
- Tenho sim, no computador
do escritório. Por isto que eu coloco tudo lá e aqui.
As duas sorriram
- Inteligente você, hein!? - disse Amanda.
- Faço o que posso, aceita um pouco de vinho? - percebeu que
ela fica indecisa e acrescentou - não se preocupe, sei que um pouco sobre
vinho. Não vai atrapalhar seu trabalho - lhe entregou uma taça
.
Amanda aproveitou para saber um pouco mais a seu respeito.
- Obrigada. A internet e ótima, mas tambbém é cheia de armadilhas,
quantas pessoas mexem no computador?
- Uma!
- Não é
casada?
- Não, moro sozinha - resolveu jogar para saber um
pouco mais sobre Amanda - seu namorado, o músico do bar, canta muito
bem.
Amanda deu um lindo sorriso e disse olhando dentro daquele céu
azul:
- Então você se lembra que já nos encontramos
antes?
- Sim, você estava acompanhada de um casal.
-
Ele não é meu namorado, se bem que ele é um ótimo
rapaz. Se não fosse meu irmão, quem sabe? Quanto ao casal, são
apenas amigos, não são casados. Melhor eu voltar para o meu trabalho
- voltou para a sala. Algum tempo depoiss Priscila se aproximou.
- Você
já jantou? - perguntou.
- Não. Pronto, acabei! Vou lhe
mostrar o que fiz. Eu lhe deixarei meu telefone. Caso volte a dar algum problema,
você me liga.
- Gostaria de jantar comigo? Já é
um pouco tarde e até você chegar em sua casa...
- Obrigada,
mais não quero incomodar.
- Eu janto só todas as noites,
ao menos hoje eu teria uma companhia.
Amanda sentiu um pouco de tristeza
em sua voz e respondeu com carinho.
- Tá bom, eu janto com você.
Posso ir ao banheiro lavar as mãos?
- Não sei se vai
gostar da minha comida.
- Se não estiver boa prometo lhe dizer
- disse sorrindo
Enquanto jantaavam, Amanda contou um pouco de seu trabalho.
- Eu realmente gosto do que faço, me da prazer. É um desafio
vencido, cada problema que eu consigo resolver. E você? Gosta do seu trabalho?
- Na maioria das vezes sim.
Amanda, acabando o jantar se levantou.
- O jantar estava ótimo, mas preciso ir. Já é muito
tarde.
- Você tem carro? - perguntou Priscila preocupada.
- Tenho - pegou suas coisas e se encaminhou para a porta. Priscila lhe
entregou um cheque, abriu a porta e lhe estendeu a mão.
- Foi
um prazer conhecê-la, Amanda.
- Também foi um prazer conhecê-la
- apertou sua mão e mais uma vez seus coorpos se arrepiaram. Amanda sentiu-se
triste por estarem se despedindo, virou-se para ir embora. Priscila pensou rapidamente
em uma maneira de revê-la novamente e a chamou:
- Amanda! Posso
lhe pedir um favor?
- Claro! - disse voltando.
- Seu irmão
cantou uma música linda. Não sei dizer quem canta, fala sobre
almas gêmeas. Você poderia ver com ele se me arrumaria a letra ou
o nome do cantor?
- Falarei com ele - Era uma das musicas preferidas
de Amanda que achou melhor não lhe contar, pois sabia que só assim
a veria novamente.
Priscila entrou rapidamente dentro de casa, voltou
e lhe entrega um cartão.
- Este é meu telefone. Quando
souber ligue-me ou peça para ele me ligar. Tchau.
Assim se despediram.
Priscila foi deitar-se e dormiu como um anjo. Sonhou que estava cavalgando sobre
uma linda planície com Amanda abraçada às suas costas.
--
Amanda em sua casa sonhava que estavam ela e Priscila em
um lago. As duas nuas tomando banho à luz da lua em uma época
muito distante. Em seus olhos, se via muito amor.
Priscila acordou
e foi correr. Estava feliz. No trabalho, Deyse brincou com ela:
- Doutora
Priscila, a senhora está tão alegre! Ganhou na mega sena?
- Não, apenas estou me sentindo mais viva do que me sentia antes.
Três dias depois, Priscila chegou em seu escritório após
ter defendido um cliente e ganho a causa.
- Chegou uma encomenda para
a senhora - Deyse lhe entregou uma pequena caixa.
- Obrigada. - em
sua sala, colocou suas coisas sobre a mesa e abriu a caixa. Dentro tinha um
CD e um bilhete "Que você encontre o que procura. Amanda." O
CD era uma coletânea com várias músicas antigas de uma cantora.
Entre elas, estava a que ela queria.
--
Amanda precisava pensar. Sua cabeça estava um verdadeiro
turbilhão de emoções. Quase todas as noites sonhava com
Priscila, sempre em uma outra época. Em seus olhos, ela sempre via amor,
desejo, paixão. Isto de certa forma a assustava pois era exatamente o
que ela estava sentido por Priscila, amor. Um amor tão forte que a assustava.
Tinha visto Priscila apenas algumas vezes mas era como se a conhecesse há
muito tempo. Achou melhor se afastar por algum tempo e não procurá-la.
Assim, lhe enviou o CD pelo correio com aquele bilhete dentro. Ela realmente
estava procurando respostas para o que estava acontecendo.
--
Priscila entrou em sua casa e foi direto para o aparelho
de som colocar o CD. Ela não entendia porque Amanda o enviara em vez
de levá-lo pessoalmente. Achou melhor não ligar para agradecer
o presente. Talvez ela ligasse para lhe explicar o porque de ter feito aquilo.
A cantora tinha uma voz excelente. Quando ouviu a música em sua
voz ela se tornou mais linda ainda, sentia algo dentro dela despertar. Como
era possível sentir tantas emoções por uma pessoa que conhecia
há tão pouco tempo?
Com estes pensamentos, adormeceu,
e mais uma vez sonhou estar deitada com Amanda em seus braços, sobre
uma manta ao lado de uma fogueira fazendo amor.
Acordou assustada.
O dia já havia amanhecido.
Naquela manhã Priscila correu
como nunca correra antes, parecia querer alcançar algo que insistia em
fugir do seu alcance.
--
A semana passou e Amanda não deu sinal de vida. Priscila
sentiu uma vontade louca de falar com ela novamente e não resistindo
mais ligou para sua casa.
- Por favor, poderia falar com Amanda?
- Ela não se encontra.
- Ela vai à noite ouvir o
irmão cantar?
- Há, sim! Com certeza, quer deixar algum
recado?
- Não, muito obrigada - e desligou.
Quando
a noite chegou, Priscila tomou um banho quente demorado, se perfumou, colocou
uma calça de couro preta colada ao seu corpo, sapatos fechados de salto
pretos, um cinto da mesma cor, uma blusa que combinava com a cor de seus olhos
e um decote bem ousado. Por cima jogou um lindo casaco de couro preto. Ela realmente
estava linda e bem diferente do seu dia a dia no trabalho.
Quando chegou ao bar Amanda já estava lá com
seus amigos de sempre. Quando a viu entrando sentiu seu coração
bater descompassado, ela estava mais linda ainda aquela noite, suas barreiras
foram todas por água abaixo e sem pensar duas vezes se levantou e a convidou
para sentar-se com ela e seus amigos.
- Priscila! Sente-se aqui conosco
- deu um sorriso que derreteu o coração de Priscila, mostrou uma
cadeira vazia à sua frente. Artur, vendo aquele avião à
sua frente, se levantou e, com um sorriso, disse:
- Será um
prazer tê-la conosco, por favor, sente-se.
Amanda os apresentou.
- Arthur, Carla esta é Priscila.
- Pelo que vejo agora
vocês já se conhecem nesta vida - Carla disse com um sorriso não
muito amistoso.
- Como? - perguntou Artur sem entender nada.
- Dias desses nos cruzamos no banheiro, eu perguntei a Amanda se a conhecia,
ela me disse "Não, ao menos nesta vida."
- Mas agora
nos conhecemos!
- De onde? - perguntou Carla curiosa.
Priscila
respondeu antes de Amanda.
- Do meu escritório, ela foi lá
verificar um problema em meu computador. - olhou para Amanda, que entendeu.
- Ela tem um escritório de advocacia - e para mudar de assunto perguntou
a Priscila - o que vai beber?
- Chopp! - o garçom se aproximou
e fizeram o pedido. O irmão de Amanda deu um intervalo, aproximou-se
da mesa e perguntou com
um sorriso:
- Quem é esta linda
mulher sentada á frente de minha irmã?
- Priscila, este
é meu irmão Leonardo. - ele a beijou no rosto.
- É
sempre um prazer conhecer uma linda mulher.
Priscila sorriu, gostou
do rapaz. Ele era parecido com a irmã, mas seus olhos eram castanhos.
- Obrigada.
- Bem... Vou voltar para meu trabalho. O teclado me
espera, com licença.
Eles conversaram sobre seus trabalhos,
cada um contando um pouco do que fazia. Carla era a única na mesa que
não parecia muito contente com a presença de Priscila. Leonardo
começou a cantar a musica preferida delas. "Diga espelho meu, minha
alma gêmea onde andará..." Priscila olhou para Amanda e se
levantou.
- Com licença, vou ao banheiro.
Amanda esperou
um pouco e disse:
- Vou ao banheiro também, já volto.
Priscila estava lavando as mãos, na realidade ela estava fazendo
hora até a música acabar. Olhou Amanda, que estava muito bonita.
Seu estilo de se vestir a agradava muito. Ela sabia realçar a beleza
de seu corpo em suas roupas.
- Queria lhe agradecer pelo presente.
Estou procurando minhas respostas, você já encontrou as suas?
Antes que Amanda respondesse, Carla entrou falando.
- Olá,
meninas! Vim me juntar a vocês.
Voltaram para a mesa. Priscila
ficou mais um pouco. Seus olhos sempre se cruzando com os de Amanda.
- Tenho que ir embora. - disse Priscila colocando a mão no bolso.
- Esta é por minha conta, na próxima você paga - interrompeu
Artur.
- Obrigada. Tchau - acenou para Leonardo e foi embora.
Amanda não resistiu. Levantou-se dizendo:
- Esqueci de falar
uma coisa para Priscila. Já volto.
Fora do bar, ela a chamou.
- Priscila!
- Oi! - voltou-se para ela.
- Você
está com muita pressa?
- Por que?
- Queria te chamar
para beber algo comigo em outro lugar.
- E seus amigos? - Priscila
se sentiu feliz com o convite.
- Não se preocupe. Você
está de carro?
- Estou!
- Me deixa em casa depois?
Quando venho aqui quase sempre deixo meu carro com o meu irmão e volto
para casa com Arthur e
Carla. Ele sai muito tarde, eu fico preocupada.
- Tudo bem. Eu te deixo em casa! - Sorriu, a coisa que ela mais queria
agora era ficar por mais algum tempo em sua companhia .
Amanda entrou no
bar e foi falar com Carla e Arthur.
- Pessoal, não vou voltar
com vocês. Entreguem a chave do meu carro ao Léo e digam a ele
que saí com a Priscila. Ela vai me deixar em casa.
- Para onde
você vai? - Carla perguntou com certa aspereza na voz.
- Dar
uma volta. Tchau!
Lá fora:
- Vamos, onde esta seu
carro?
- Aqui perto - chegando perto de seu carro Priscila reparou
em um tipo mal encarado olhando as duas - O carro é aquele verde escuro,
vá pelo outro lado.
Amanda foi para o lado do carona. O mal
encarado se aproximou pelo lado de Priscila.
- Olá, belezas.
Carro bonito!
- Obrigada, também acho - disse Priscila séria,
olhando para ele.
- Que tal darmos uma voltinha os três?
- Se eu fosse você ficaria onde esta.
- Porque? - perguntou
aproximando-se com um sorriso cínico - Vai me bater?
Priscila
colocou a mão rapidamente atrás de suas costas, retirou uma pistola
e a segurou com as duas mãos. Apontou para a cabeça dele e disse
com cinismo:
- Não! Eu não estou a fim de sujar minha
roupa, mas posso estourar seus miolos.
O malandro saiu em disparada
sumindo em uma esquina. Priscila abriu a porta do carro, guardou a arma e disse
para Amanda, que estava de queixo caído com a cena que acabara de assistir:
- Entre, realmente é melhor seu irmão voltar para casa de
carro - vendo a cara de assustada de Amanda, sorriu - Não se preocupe.
Eu tenho porte de arma e posso lhe garantir que sei usá-la. Não
se esqueça que sou advogada criminalista. Convivo com pessoas desse tipo.
Vamos aonde?
- Você escolhe! - Sorriu mais calma, sabia que
com Priscila estava segura.
Priscila escolheu um restaurante chamado
Pizzaiolo. Era bem reservado, tinha pouca luminosidade. Na maioria das mesas
só tinham casais, a maioria dois homens ou duas mulheres. Eles pareciam
estar cada um em seu próprio mundo, alheios ao que se passava ao redor.
Amanda adorou o lugar. Ficaram uma de frente para a outra, pediram algo para
beber ao garçom.
- Adorei o lugar. É muito aconchegante.
Vem sempre aqui?
- Estive aqui só duas vezes algum tempo atrás.
Aqui não e lugar para se vir só. As pessoas à sua volta
se sentiriam sendo observados.
Amanda sentiu um pouco de tristeza na
voz de Priscila. Ela parecia ser uma pessoa muito só. Para mudar de assunto,
lhe perguntou:
- O que a fez querer ser advogada?
- As injustiças
da vida. O mais forte querendo sempre se dar bem em cima do mais fraco. Não
viu aquele cretino na saída do bar.
Pensou que éramos duas
mulheres, sexo frágil, que iria se dar bem às nossas custas. Quando
eu era mais jovem, vinha da faculdade e dois homens tentaram me agarrar. Escapei
por pura sorte. Daquele dia em diante aprendi a me defender. Fiz defesa pessoal,
entre outras coisas.
- Seus pais, sua família, onde estão?
- Minha mãe mora em outro estado com meu irmão e minha irmã
que são mais jovens que eu. Meu pai já faleceu.
- Não
sente saudade deles?
- Sinto! Mas também sinto que o mundo deles
é um e o meu é outro.
- É qual seria o seu mundo?
- Digamos apenas que meus sonhos e desejos não são iguais
a os que eles imaginaram para mim. E por falar nisso, porque você me enviou
o CD pelo correio?
- Andei muito ocupada estes dias e não tive
e tempo de levar pessoalmente - Era mentira e Priscila sabia, mais preferiu
não insistir.
- Agora me fale um pouco de você. Sua amiga
Carla não foi muito com a minha cara.
- Ela sente um pouco
de ciúme dos amigos. Não se preocupe. Depois ela se acostuma com
você. Moro com meus pais e meu irmão Leonardo, nos damos todos
bem na medida do possível. Trabalho como analista de sistemas e no fim
do dia faço trabalhos particulares como o que fiz para você. -
Seus olhares se fixaram e ficaram em silêncio. O azul querendo descobrir
os mistérios das profundezas daquele oceano verde. E o verde querendo
descobrir os segredos daquele imenso céu azul.
- Amanda, você
acredita em almas gêmeas? - perguntou Priscila - Que dois seres possam
se amar tanto, que até em outras vidas eles se procurem até se
encontrarem, tornando-se assim um só novamente?
- Sim, acredito!
O ser humano para mim é na realidade duas pessoas que se tornam uma só.
Para dividir seus temores, seus amores, suas dores e alegrias. Ninguém
quer viver só. Você que viver sempre só? Eu acredito que
não, você não gostaria de encontrar sua alma gêmea,
sua outra metade? Alguém com quem você possa dividir todos os seus
momentos, sejam eles bons ou ruins? Eu espero um dia encontrar a minha.
O garçom se aproximou trazendo bebida. O tempo passava e elas nem
sentiam .
- Falei demais? Sou assim mesmo, um pouco tagarela - disse
Amanda.
Priscila olhou para os lábios de Amanda com uma vontade
louca de beijá-los. Coloca sua mão sobre a dela e disse com carinho:
- Você não falou demais! Eu também espero um dia encontrar
a minha outra metade.
Amanda sentiu o calor da mão de Priscila
sobre a sua. Olhou para o relógio e retirou sua mão.
- Tenho que ir embora.
Priscilla pensou "será porque segurei
sua mão tempo demais?"
- Se meu irmão chegar primeiro
que eu em casa meus pais ficaram preocupados. Afinal, meu irmão só
te conheceu hoje.
Priscila sentiu um alívio e disse:
- Tudo bem, eu entendo - chamou o garçomm e pediu a conta - vocês
pagaram lá, eu pago aqui.
No caminho para a casa de Amanda elas
quase não falaram. Queriam curtir uma a presença da outra mais
um pouco. Chegando lá se despediram.
- Adorei a noite
- Eu também! - beijou Priscila no rosto - posso te ligar?
-
Quando quiser! - respondeu com um sorriso.
--
No meio da semana, Amanda ligou para Priscila. Estava com
saudades dela. Desistiu de lutar contra e se entregou às suas emoções.
- Priscila?
- Sim! - reconheceu a voz de Amanda e sorriu
feliz. Estava deitada no sofá vendo TV, retirou o som do aparelho - Oi,
Amanda!
- Oi. Liguei pra saber se você já tem algum compromisso
para este fim de semana. Queria te convidar para sairmos
- Infelizmente
tenho um assunto a resolver.
- Tudo bem, fica para outra vez - disse
Amanda com voz triste
Priscila pensou um pouco e teve uma idéia.
Estava louca para ver Amanda novamente e não iria perde aquela oportunidade
- Gosta do campo, de respirar ar puro, pisar na grama?
- Gosto
muito, eu adoro o verde!
- Que tal sábado você ir comigo
ao lugar que vou. É um pouco distante mais sei que você vai gostar.
- Não quero te atrapalhar.
- Se achasse que você
iria atrapalhar não te convidaria
- Então tudo bem!
- É um pouco longe. Tem algum problema se voltarmos no domingo?
- Não! Nenhum problema. Sábado no final da manhã eu
chego aí.
- Tudo bem! Estarei te esperando. Tchau.
- Tchau.
A idéia de ficarem junntas um final de semana agradou
a ambas.
--
Na sexta feira á tarde, Carla ligou para Amanda.
- Vamos sair á noite?
- Hoje não dá, Carla!
- Porque? Vai sair com sua "nova" amiguinha?
- Não!
Só não estou a fim de sair hoje. Vou ficar em casa. Depois agente
se fala. Tchau!
--
Na manhã seguinte Amanda deu uma força para
sua mãe nos afazeres da casa e se mandou para o apartamento de Priscila.
- Oi - disse Priscila ao abrir a porta.
- Oi - Amanda lhe beijou
a face.
Priscila vendo que ela não tinha nada nas mãos
perguntou um pouco triste.
- Desistiu do passeio?
- Não!
Porque?
- Você não trouxe roupas.
- Estão
lá embaixo no carro - falou sorrindo.
- Iremos no meu carro,
deixe o seu aqui na minha vaga. Vamos? - pegou suas coisas e saíram.
No elevador, perguntou à Amanda.
- Quer ir deixar o carro com
seu irmão?
- Não é preciso. Meu pai irá
emprestar o dele. Além do mais, é um pouco arriscado deixar meu
carro um fim de semana inteiro com ele.
Priscila sorriu entendo o que
ela quiria dizer.
- Para onde iremos?
- Não se preocupe.
Você vai gostar do lugar, se não prometo trazê-la de volta
hoje mesmo.
--
Pegaram a estrada. Deram uma parada no meio do caminho para
irem ao banheiro e comerem algo.
- Quer almoçar? - Priscila
perguntou.
- Não! Só um suco e um sanduíche. -
fez cara de curiosa - Você não vai me dizer para onde estamos indo?
- Hum hum, é surpresa!. - sorriu e balançou a cabeça
para um lado e para o outro.
Após quase três horas de
viajem, saíram da rodovia principal, pegaram uma estrada secundária
e uma outra de chão por mais uns 3 Km.
Amanda começou
a avistar uma casa bem grande e, à sua volta, vários chalés
pequeno, porém lindos. Priscila ultrapassou os portões da fazenda
estacionou o carro ao lado de vários outros. Olhou para Amanda e perguntou:
- Gostou do lugar?
- É lindo! - disse com um sorriso radiante.
Desceu do carro e olhou à sua volta.
- Espere um momento que
já volto - Priscila se afastou em direção à casa
central.
Amanda observou melhor o lugar. A casa maior tinha dois andares,
era toda de alvenaria pintada de branco, com portas e janelas de madeira. Os
dois andares eram rodeados por varandas com algumas cadeiras espalhadas para
quem quisesse descansar olhando a paisagem.
Os chalés eram todos
de madeira. Tinha uma porta e uma janela, com várias plantas em sua frente.
Realmente eram lindos, pareciam casas de boneca. Um pouco mais distante, tinha
outra casa de um único andar. Era um restaurante. Viu lá ao longe
algumas pessoas andando a cavalo, e muito verde em todas as direções.
Priscila a chamou.
- Amanda! Venha. Vamos guardar nossas coisas para
eu lhe mostrar melhor o lugar.
Amanda se surpreendeu, pois deram a
volta por trás da casa e tinha mais chalés. Eram colados, um de
costas para o outro e a visão dali era melhor. Podiam ver várias
baías e cercados para os cavalos. Do outro lado do restaurante, um pequeno
lago.
Entraram em um dos chalés. Tinha um armário de
duas portas embutido na parede ao lado da porta do banheiro, uma pequena mesa
com duas cadeiras, uma TV na parede. E por fim uma cama de casal. Priscila apontou
para ela e disse:
- Me desculpe quanto à cama. Quando liguei
para fazer a reserva todos com duas camas já estavam reservados.
- Não se preocupe com isso - pensou "na hora de dormi penso
em algo para não agarrá-la" - Como descobriu este lugar?
- sentou-se na cama.
- O dono éé meu cliente. Eu tinha que trazer
alguns documentos importantes. Ele está fora do país. Já
os entreguei à esposa dele. Agora estou livre. Vamos dar uma volta?
- Vamos
E saíram do chalé.
- Amanda,
você sabe andar a cavalo?
- Mais ou menos! Um vizinho meu tem
um pequeno sitio, lá tem um cavalo. Já o montei algumas vezes.
- Então vamos ver se encontramos um cavalo bem mansinho para você.
Foram em direção às baías. Um senhor que
cuidava dos animais arrumou um preto chamado BELEZA para Priscila e outro malhado
de marrom e branco, seu nome era MALHADO, para Amanda.
- É,
este combina mais comigo.
Ficaram o resto da tarde andando á
cavalo. A parte da fazenda onde elas estavam era uma reserva florestal e dava
para ouvir os pássaros cantando. Deram uma parada em um riacho onde molharam
seus rostos e deixaram os cavalos beberem um pouco de água. Cruzaram
com algumas pessoas, adultos e crianças, uns caminhando, outros cavalgando.
- Eu não imaginava que você, morando em apartamento, totalmente
urbana, cavalgasse tão bem! - disse admirando Priscila, que parecia já
ter nascido sobre um cavalo.
- Sempre fui fascinada por cavalos e sempre
que posso monto um. É melhor voltarmos. Você não está
acostumada a andar tanto tempo assim a cavalo. Mais tarde pode sentir dores
no corpo.
Devolveram os animais.
- Estou louca por um banho.
- disse Amanda.
- Eu também.
No chalé:
- Quem vai tomar banho primeiro,
você ou eu? - já tinha retirado o tênis e a meia.
Antes que Priscila pudesse responder, seu celular tocou. Viu de quem era a ligação
mas não atendeu. Esperou parar de tocar e o desligou olhando para Amanda
e pensando "Digamos que até segunda feira eu não existo para
mais ninguém além de você".
- Pode ir primeiro.
- Obrigada
Entrou no banheiro e começou a retirar sua
roupa. Quando saiu do banho, não encontrou Priscila. Ela tinha ido à
recepção pedir algumas informações.
Amanda
estava usando uma bermuda e uma blusa de alça sentada vendo TV quando
ela voltou.
- Você está cansada?
- Não!
Porque?
- Tem uma cidadezinha aqui perto que dizem ser uma gracinha.
A maioria das pessoas que se hospedam aqui vão lá para conhecê-la.
Vamos dar uma ida até lá também?
- Vamos sim!
Talvez encontre algo para dar de presente à minha mãe. O aniversario
dela é semana que vem.
- Vou tomar banho e em seguida iremos
Após o banho vestiu uma bermuda e uma blusa de algodão,
calçou o tênis e saíram.
Alguns minutos dirigindo e elas chegaram na cidade. Realmente
a cidadezinha parecia ter parado no tempo. Tinha uma enorme igreja pintada de
azul e branco no centro da praça. Tudo ali parecia limpo e bem cuidado.
As casas com portas e janelas de madeira, cada uma com suas próprias
cores fortes, uma azul outra amarela... Algumas lojas vendiam artesanatos e
alimentos típicos da região. Tinha também um pequeno restaurante.
Elas decidiram jantar no restaurante do hotel fazenda. Deram mais
umas voltas. Amanda pediu:
- Vamos voltar naquelas lojas de artesanato.
Quero ver se encontro o presente da minha mãe?
Em uma das lojas
uma peça pendurada na parede chamou a atenção de Amanda.
Era uma espécie de tela toda feita de cordas coloridas trançadas
em uma única régua de madeira com alguns desenhos e um nó
de marinheiro. Era lindo. Quando ia pagar, viu um pequeno cavalo preto talhado
em madeira. Cabia na palma de sua mão. Lembrava o cavalo que Priscila
tinha montado aquela tarde. Viu que ela estava um pouco distante olhando outras
coisas e mandou embrulhá-lo rapidamente.
Priscila, quando viu
Amanda com aquele pacote enorme embaixo do braço, sorriu e disse:
- Nossa! Você comprou metade da loja.
- Minha mamãe
merece! - respondeu com um sorriso travesso. Um casal de hóspedes da
pousada cruzou com elas.
- Olá!
- Oi!
-
Vamos embora? Estou com fome - falou Amanda ouvindo seu próprio estômago
roncando.
Elas estavam tão felizes por estarem juntas que esqueceram
que não tinham comido quase nada o dia inteiro.
Estacionaram
o carro e foram direto para o restaurante que era bem arejado e espaçoso.
A comida era self-service com vários tipos de pratos e saladas.
"Que bom não preciso esperar" pensou Amanda pegando um prato
e se servindo. Elas colocaram praticamente as mesmas coisas em seus pratos.
- Temos gostos parecidos - comentou Amanda olhando seus pratos.
Sentaram-se em uma mesa com vista para o lago e, olhando a escuridão
lá fora, suas mentes pensaram a mesma coisa: "Está chegando
á hora de irmos dormir. Tenho que me controlar, não posso estragar
tudo"
- Que tal tomarmos um vinho? - perguntou Amanda quebrando
o silêncio.
- Ótima idéia! Tem preferência
por qual?
- Será que aqui tem daquele que bebemos em sua casa?
Priscila perguntou ao garçom. Ele disse que sim e trouxe uma garrafa.
- Vamos brindar à quê? - Priscila levantou sua taça.
- Ao dia de hoje!
- Você gostou realmente?
- Sim! Foi um dos melhores dias que já mme lembro ter tido, e agradeço
isto a você.
- Obrigada.
Acabaram de comer. O garçom
retirou seus pratos. Amanda estava bebendo seu vinho, disse:
- Priscila,
vamos dividir todas as despesas, certo?
- Não senhora! Fui eu
que a convidei.
- Isto não é justo. Se não me
deixar pagar nada, vou me sentir mal?
- Está bem! Você
paga o jantar - disse Priscila sorrindo ao ver a cara de criança embirada
de Amanda.
- Melhorou! - sorriu - por hoje está bom. Amanhã
será outro dia. E já que o jantar é por minha conta, aceitas
tomar outro vinho?
- Aceito.
O vinho estava fazendo um efeito
gostoso em seus corpos, dando uma sensação de relaxamento. Estavam
começando a sentir o efeito do dia movimentado que tiveram. Ficaram conversando
até que Amanda bebeu o ultimo gole de vinho e disse:
- Vamos
dormir. Estou com o corpo um pouco dolorido
- Vamos sim! Eu também
estou exausta.
--
No chalé:
- Vou tomar um banho rápido.
- disse Amanda entrando no Box com um shhort e uma blusa na mão. Priscila
estava escovando seus dentes.
- De que lado da cama você quer
dormir? - perguntou Amanda ao sair do Box.
- Tanto faz - respondeu
entrando no Box.
Quando Priscila entrou no quarto, encontrou Amanda
dormindo, deitada de bruços abraçada ao travesseiro. "Você
é linda! Obrigada por me fazer sentir viva e feliz ao seu lado",
pensou olhando com amor para ela. Pega um lençol e a cobriu. Apagou as
luzes e se deitou ao seu lado adormecendo logo em seguida. O vinho tinha dado
o efeito que elas queriam, SONO.
Amanda acordou de madrugada assustada.
Se levantou devagar acendeu a luz do banheiro. Sentou-se em uma das cadeiras,
tomou um copo de água e ficou observando Priscila dormir "Meu Deus.
Sou louca por essa mulher, como é possível em tão pouco
tempo me apaixonar desta maneira por ela". Uma mexa de cabelos cobria parte
de seu rosto. Amanda teve uma vontade irresistível de ir até lá
e retirá-la de onde estava. Foi até a cama, sentou ao seu lado
e levou sua mão ao rosto de Priscila retirando a mexa e podendo assim
olhá-la melhor. Sua pele estava quente. Com a ponta do dedo, fez suavemente
o contorno do rosto parando nos lábios.
- Nunca quis tanto algo
nesta vida como quero você. - falou baixinho retirando sua mão.
Deitou-se de costas fechando seus olhos na tentativa de controlar suas
emoções e seus desejos.
- Não, por favor, não
me deixe - Priscila estava sonhando.
Abraçou Amanda e a puxou
para perto. Amanda, com medo de acordá-la, não se mexeu. E assim
sentindo o calor do corpo de Priscila junto ao seu volta a dormir.
Pela manhã bem cedo Priscila acordou e percebeu que estava abraçada
à Amanda. Retirou seu braço devagar para não acordá-la.
Foi até o banheiro para escovar os dentes e percebeu a luz acessa.
"Eu deixei esta luz apagada". Com a escova na boca foi para o quarto
e ficou olhando Amanda.
- Preciso falar com ela. Tenho que lhe dizer
o quanto a quero. Tem que ser hoje, talvez não tenha outra chance como
esta para lhe falar.
Resolveu dar uma volta. Quando voltou Amanda
estava sentada, assistindo TV.
- Bom dia! Dormiu bem?
- Muito
bem! E você?
- Também! Vai querer andar a cavalo hoje?
- Prefiro não abusar da sorte. Ontem cavalguei bastante. Prefiro
não arriscar ter que trabalhar amanhã com o corpo dolorido. Mas
adoraria caminhar por aí mais tarde.
Durante o café
da manhã Amanda percebeu que Priscila evitava olhar em seus olhos. Ficou
quase todo o tempo observando duas crianças que brincavam próximo
ao lago.
- O que você tem? Está chateada com alguma coisa?
- Claro que não! - falou sem desviar os olhos das crianças
e pensando "Se ela não aceitar meu amor e quiser só minha
amizade, o que farei?" Levantou - Termine seu café com calma, estou
com um pouco de dor de cabeça. Vou tomar um comprimido.
--
No quarto, tomou o remédio, sentou-se na cama, esticou
suas pernas e encostou suas costas e cabeça nos travesseiros. Cruzou
os braços e fechou os olhos. Em sua mente, começou a ouvir a música
que tanto gosta. A presença de Amanda lhe transmitia paz. Sentia ser
ela sua outra metade. A parte que a completava.
Amanda entrou, sentou-se
ao seu lado e falou com ar preocupado:
- Priscila, fale para mim qual
o problema.
- Eu estava me lembrando de minha música preferida.
- abriu os olhos.
- Alma Gêmea??
- Sim!
- Vou
te contar uma coisa. Esta sempre foi uma das minhas músicas preferidas.
Priscila olhou para ela sem entender.
- Então você
sabia de quem era a musica quando eu te pedi para falar com seu irmão?
- Sabia!
- E porque não me deu o nome naquele momento?
- Porque eu queria uma desculpa para te encontrar novamente!
-
Mas você me enviou o CD pelo correio. Se bem que eu não acreditei
naquela desculpa de estar muito ocupada.
- Minha cabeça estava
um pouco confusa, você sonhava com quem esta noite? Era comigo?
- Porque a pergunta? Fiz ou falei algo dde errado? - lançou um olhar preocupado
para Amanda.
- Não! Só me abraçou, puxou meu corpo
para perto do seu e me pediu para não deixá-la.
"Nossa
eu fiz isto?" Tinha sonhado com Amanda lhe dizendo adeus e desaparecendo
no ar. Estendera sua mão para segurá-la mas era tarde, ela já
havia sumido "Tem que ser agora. É tudo ou nada". Ficou de
pé e, andando de um lado para outro, falou:
- Amanda, você
sabe o quanto eu gosto e aprecio sua amizade. Por nada deste mundo eu a magoaria
ou machucaria por querer. Mas ao te conhecer algo dentro de mim que estava adormecido
despertou. Você revirou completamente a minha mente.
- Priscila,
sente-se aqui por favor. - pediu para ela sentar ao seu lado na cama - O que
eu despertei dentro de você?
- Sentimentos!
- Que sentimentos?
- seus olhos estavam fixos um no outro.<
- Paz, medo, ciúme,
amor. Eu me apaixonei por você desde o primeiro momento em que nossos
olhares se encontraram naquele bar. Daquele momento em diante eu não
consegui mais tirar você do meu pensamento. Me sentia como se já
a conhecesse de algum lugar. Me perdoe se de alguma forma magoei você
ontem à noite.
Amanda ficou de pé em frente à
Priscila, colocou uma de suas pernas entre as dela, segurou seu rosto e olhando
em seus olhos disse:
- Você acha que me abraçar, me pedir
para ficar ao seu lado é motivo para me magoar? Sabe porque não
te levei o CD pessoalmente? Porque você começou a mexer comigo.
Não conseguia parar de pensar em você. Minha cabeça ficou
um verdadeiro turbilhão. Achei melhor me afastar, colocar meus pensamentos
em ordem e encontrar minhas respostas, mas quando você apareceu no bar,
tão linda, toda a minha resistência foi por água a baixo.
Esta madrugada quando você me abraçou e me pediu em sonho para
não deixá-la, tive plena certeza que era ali ao lado da mulher
que amava que eu queria ficar pelo resto de minha existência. Eu te amo,
Priscila. Você é a minha parte perdida que eu finalmente encontrei.
Priscila levantou-se, abraçou Amanda sentindo o pulsar de seu coração
junto ao seu e disse:
- Você não imagina o quanto eu sonhei
e esperei por este momento. Ter você assim em meus braços. Eu te
amo, Amanda.
Seus lábios se uniram em um beijo suave. Mas a
medida que suas bocas e línguas iam se conhecendo, foi ficando mais intenso.
Quando seus lábios se afastaram Priscila estava se sentindo mais viva
que nunca e disse:
- Antes de te conhecer eu me sentia triste, só.
Então você entrou em minha vida e me trouxe a alegria, o amor que
até então não conhecia. Ás vezes sonho com nós
duas em um outro mundo, uma outra época.
Amanda, admirada com
o que acabara de ouvir, disse:
- Eu também tenho sonhos parecidos.
Neles estamos sempre juntas de uma forma ou de outra dizendo o quanto nos amamos.
Priscila então teve mais que certeza. Elas não se encontraram
por puro acaso nesta vida e sim porque assim o destino quis. Só pedia
a ele que agora se encarregasse de as manter sempre juntas.
- Deixe-me
mostrar para você o quanto eu a amo? - Priscila falou baixinho em seu
ouvido retirando sua blusa e abrindo o botão e o zíper da bermuda
de Amanda fazendo-a escorregar para seus pés. Ela estava só de
calcinha em seus braços - Como você tem a pele quente e macia -
suas mãos acariciava suas costas nuas
Amanda queria sentir
seus corpos nus unidos em um só. Priscila já havia retirado sua
própria blusa, Amanda abriu sua bermuda introduziu sua mão dentro
de sua calcinha sentindo o quanto Priscila assim como ela estava encharcada
de desejo. Amanda a deitou sobre a cama retirando o restante de suas roupas
e cobriu o corpo de Priscila com o seu. Falava baixinho, mordendo e deslizando
com carinho sua língua em sua orelha.
- Farei você se
sentir amada como ninguém jamais o fez. - seus lábios encontram
os de Priscila e os beijaram com paixão. Priscila girou seus corpos ficando
agora ela sobre Amanda.
- E eu a farei se sentir amada como nunca
fiz a mais ninguém, porque nunca amei alguém como amo você.
- voltou a beijá-la. Agora não era mais preciso dizer nada, apenas
mostrarem seu amor se amando da maneira mais intensa que elas poderiam. E assim
fizeram até adormecerem.
--
Acordaram na hora do almoço.
- Nossa, acabamos
dormindo - disse Amanda lhe dando um beijo. O estômago de Priscila roncou
alto. Amanda riu.
- É melhor irmos almoçar. Você
não tomou o café da manhã direito. Sua dor de cabeça
já passou?
- Por completo! Vamos almoçar sim, mas antes
só mais um beijinho - a abraçou puxando-a para cima de seu corpo.
Meia hora depois estavam almoçando.
- Posso te fazer uma
pergunta? - disse Priscila.
- Quantas quiser
- O que Carla
representa para você?
- É uma boa amiga, nos conhecemos
há alguns anos.
- E você para ela?
- A mesma
coisa, porque a pergunta?
- Vocês nunca tiveram nada além
de amizade?
- Não! Eu a vejo como uma irmã.
- Mas não é assim que ela vê você. É imppossível
que não tenha percebido isto.
- Para não magoá-la
faço de conta que não percebo. Vamos esquecer este assunto, quero
dar uma caminhada por aí com você antes de irmos embora.
--
No final da tarde pegaram a estrada de volta. Na garagem
do prédio:
- Você vai subir um pouco?
- Acho
melhor não - olhou para o relógio. Priscila fez cara de triste
- está bem, só um pouquinho.
- Pode deixar seu carro
aí, tenho direito a duas vagas. Depois eu desço e abro a garagem
para você.
Amanda pegou o pequeno embrulho ao entrarem no apartamento
e o entregou a Priscila.
- Para você não esquecer este
fim de semana.
- Nada jamais me fará esquecer este fim de semana
- abriu o presente e, ao ver o que era, sorriu - é lindo. Parece com
aquele que montei.
- Foi exatamente o que achei. Sempre que olhar para
ele lembre-se que não esta só, existe alguém que te ama
muito.
- Obrigada, meu amor - beijou-a suavemente nos lábios.
Segurou sua mão e foi atá onde estava o computador. Colocou o
cavalo sobre a mesa.
- Foi graças a ele que pude te conhecer
melhor. Amanda, posso te pedir uma coisa para encerramos nosso fim de semana
maravilhoso?
- O que você quer, me peça e eu farei! -
abraçou-a.
- Tome um banho comigo. Será rápido.
Assim, quando chegar em casa é só você se deitar e dormir
pensando em mim.
Amanda sorriu e disse maliciosamente:
- Esfregarei
suas costas.
Nuas, entraram no Box. Jorrou uma deliciosa água
gelada do chuveiro molhando seus corpos. Amanda pegou o sabonete e começou
a passar nas costas de Priscila levando suas mãos para seus seios, sua
barriga. Chegando em seus pêlos, os acariciou. Priscila virou-se de frente
para ela. Seus olhos brilhavam. Pegou o sabonete da mão de Amanda e o
esfregou entre suas mãos.
Colocou-o no lugar, ficou deslizando sua
mão cheia de espuma em seu tórax, pescoço. A outra massageava
suas costas. Em seus olhos se lia a palavra DESEJO. Amanda sentia-se como se
estivesse fazendo amor pela maneira que Priscila a olhava. Seus lábios
a convidavam para um beijo. Uniu sua boca à de Priscila que ficou maravilhada
com a intensidade do beijo de Amanda. Ela a estava dominando por completo. Deixou-se
ser dominada. Aquela mulher poderia fazer o que quisesse com ela.
Amanda
encostou-a na parede do Box, segurou os seios de Priscila e levou sua boca até
eles. Estavam mais que rígidos. Após se deliciar ali continuou
descendo bebendo a água que escorria de seu corpo. Priscila, de olhos
fechados com as mãos sobre os ombros de Amanda, se deliciava com o toque
da sua boca em sua pele molhada.
Amanda encontrou o que procurava.
Passou sua língua entre os pêlos de Priscila e pela primeira vez
sentiu seu gosto. Ela estremeceu ao toque, apertou sos ombros de Amanda e murmurou:
- Amanda...
- Quer que eu pare?
Em resposta, Priscila
colocou as mãos entre seus cabelos e levou sua boca de volta para onde
estava.
- Se você parar eu morro - sentia-se toda molhada porém
sua maior umidade não vinha da água do chuveiro e sim da língua
de Amanda que estava explorando todo seu íntimo. Contraiu seu quadril
contra o rosto da amada e soltou um grito abafado de prazer.
Amanda se
deliciou sentido o líquido quente em sua boca. Levantou-se e a olhou
com um sorriso safado. Os olhos de Priscila brilhavam.
- Te amo -
disse Priscila a beijando e sentindo seu próprio gosto.
Na garagem,
se despediram.
--
Durante a semana conversaram por telefone.
- Oi,
estou com saudades - disse Amanda com carinho.
- Mais que eu, divido!
- Quer vir à festa da minha mãe no sábado?
- Quero sim! Quando vou te ver?
> - Amanhã às oito horas
estarei aí!
- Te esperarei para jantarmos juntas.
- Certo. Um beijo. Tchau.
Seu pai entrou na sala.
- Oi, papai!
- Olá, filha!
--
Na hora marcada, estava na porta de Priscila.
- Que pontualidade!
- Para te vver cada segundo conta. - lhe deu um
beijo.
- Está com fome?
- Muita! - olhou com malícia
para a boca de Priscila.
- Venha, vamos jantar - sorriu e segurou
sua mão levando-a para a mesa.
- Só vou poder te ver
agora sábado lá em casa.
- Tem certeza que quer que eu
vá?
- Tenho! Quero que conheça as pessoas com quem convivo.
Não se preocupe, o Léo estará lá. Ele gostou de
você.
- Também gostei dele, o que devo levar para sua
mãe?
- Não se preocupe com isso!
Acabaram de
jantar e foram para a sala.
- E agora? Já passou sua fome?
- De você, não! - ficaram no sofá namorando gostoso
até Amanda ir embora.
Na sexta feira, após o expediente,
Priscila foi ao shopping procurar algo para dar de presente à dona Dalva.
Passando por uma vitrine, viu um lindo anel em ouro. Parecia uma aliança.
Ele era todo envolto com pedras. Entrou na loja e escolheu um pingente em forma
de anjo como presente para a mãe de Amanda.
Em sua casa, Amanda
estava ansiosa com a chegada de Priscila. Quase todos os convidados já
haviam chegado.
- Amanda, Priscila não vem? - Léo perguntou.
- Ela já deve estar chegando! - pouco tempo depois viu o carro
parando em frente à sua casa.
- Era por causa dela que você
estava tão ansiosa? - perguntou Carla ao ver quem acabara de chegar.
- Por favor, Carla, seja simpática. Ela é convidada minha
e do Léo. Além do mais, é uma pessoa legal.
-
E por acaso eu não sou?
- Eu não quis dizer o contrario,
não distorça as coisas que falo - foi ao encontro de Priscila.
- Você demorou!
- Dei um tempo para a maioria dos convidados
chegarem, assim notarão menos a minha presença.
- Venha
vou lhe apresentar minha mãe.
Passaram por um corredor lateral
até a parte de trás da casa. Era bastante grande. Tinha uma pequena
piscina, uma parte coberta onde se encontrava uma churrasqueira de tijolos,
uma cozinha e um banheiro. Havia várias mesas espalhadas. A maioria já
ocupada. Amanda foi ate sua mãe.
- Mamãe, esta é
uma amiga minha e do Léo, Priscila.
- Muito prazer, dona Dalva,
e parabéns.
- Obrigada! Os amigos de meus filhos são
sempre bem vindos. - sorriu e apertou a mão de Priscila.
- Trouxe
uma lembrança para senhora. Espero que goste.
- É lindo!
Vou usá-lo agora mesmo - prendeu o anjinho em sua blusa.- Filha, ofereça
algo para sua amiga beber. Sinta-se em sua casa.
- Vamos tomar uma
cerveja. Você está querendo conquistar minha mãe também,
não é? - brincou com ela.
- Quem sabe... - Priscila sorriu
- Onde esta seu irmão?
- Por aíí, daqui à pouco
ele aparece! A Carla e o Arthur estão ali - apontou para uma mesa - Vamos
nos sentar com eles?
- Oi Priscila, que surpresa agradável.
- Oi Arthur, e você Carla, tudo bem?
- Tudo - virou-se para Amanda
- vamos pegar umas cervejas? - saiu levaando Amanda pelo braço
- Acho que ela não vai muito com a minhaa cara.
- Carla é
assim mesmo. Sempre que arrumamos novos amigos ela demonstra ciúme. Com
Amanda é pior ainda. Elas são muito
amigas - falou isto olhando
as duas se afastarem.
- Você não me falou que a convidaria
- Carla fala com ar de ciúme
-- Não vi motivo para precisar
lhe dizer.
Leonardo viu Priscila e foi até ela.
-
Finalmente encontrei você novamente.
- Oi Léo - beijou-o
no rosto.
- Faça companhia a ela, volto já - Arthur saiu.
- A casa de vocês é muito bonita. Olhando lá de fora
não parece ser tão grande.
- Isto é bom, chama
menos a atenção dos ladrões. Amanda me contou que você
a levou a um lugar lindo. E vocês se divertiram
bastante.
Priscila olhou para ele um pouco admirada por ele saber.
- Não
se admire. Eu e Amanda, além de irmãos, somos amigos. Só
quero vê-la feliz.
- Vejo que não me enganei quando achei
você um cara legal.
- Já conheceu nossos pais?
- Só sua mãe. É uma senhora muito simpáttica e bonita.
- Vou lhe apresentar meu pai. - chamou-o. Ele estava ali perto - papai,
quero que conheça uma amiga minha e de Amanda. Priscila.
- Muito
prazer, Luciano - apertou firme sua mão - sua mãe que não
me ouça filho, mas você é muito bonita - sorriu.
- Concordo com o senhor. Ela é linda.
- Luciano! - alguém
chamou.
- Bom... Sei que você está em boas mãos.
Com licença, vou ver o que querem de mim.
- Você é
parecido com ele.
- Só na aparência, no restante puxei a minha
mãe.
- E Amanda? - perguntou olhando para ela que estava voltando.
- Puxou a ele na aparência e no gênio.
- Isto é
bom ou ruim?
- Você irá descobri! - sorriu.
Amanda
colocou as cervejas sobre a mesa.
- Léo, você poderia
ir lá dentro salvar a Carla. Dona Ieda está enchendo a paciência
dela.
- Claro! Afinal, sou um cavalheiro - e foi ao socorro de Carla
- Então já conhece toda minha família. O que achou
dela?
- Seus pais são simpáticos e seu irmão um
bom amigo - riu - quanto a você, depois eu digo. Léo sabe sobre
nós duas?
- Sabe, sempre fomos sincero um com o outro. Por sermos
só nos dois aqui em casa somos muito apegados um ao outro.
Carla chegou.
- Valeu ter pedido ao Léo para me socorrer. Adoro
minha mãe mas quando ela resolve pegar no meu pé.
- Qual
foi o motivo desta vez?
- Arthur, ela quer que eu namore com ele "minha
filha ele é um rapaz tão bom, igual a ele tem poucos".
- Pensei que vocês fossem namorados. - disse Priscila.
- Não somos! E nunca seremos - respondeuu com raiva.
Priscila
resolveu provocá-la mais um pouco.
- Talvez o Léo combine
mais com você?
- Gosto do Léo como de um irmão!
- Então gosta de Amanda também como se fosse sua irmã?
- olhou dentro dos olhos de Carla.
- Isto é um interrogatório,
Doutora? - encarou o olhar de Priscila
- Não! Apenas uma pergunta.
Amanda, vendo que a conversa não iria acabar bem, ia interferir.
Mas Arthur apareceu na hora certa com algumas cervejas na mão e em seguida
Léo. "Graças a Deus", ela pensou.
- Que tal
pegarmos uma praia amanhã? - Carla sugeriu desafiando Priscila.
- Ótima idéia! Em que praia iremos? - disse Léo olhando
para Priscila - você irá também, não é?
- Claro! Adoro uma praia.
Amanda abaixou a cabeça e riu.
O tiro de Carla tinha saído pela culatra.
--
Faziam 4 meses que elas estavam juntas. Certa noite, Amanda
foi ao apartamento de Priscila. Ela ainda não havia chegado do trabalho.
Ficou lá embaixo por um bom tempo esperando. Quando finalmente Priscila
chegou já estava um pouco chateada. Subiram.
- Puxa, estou
te esperando há mais de uma hora. Seu celular está desligado?
- Me desculpe, surgiu um imprevisto e onde estava não podia atender
o celular. Esqueci de religá-lo. Venha cá, me dê um beijo.
Disfarça essa cara - pediu lhe abraçando com carinho.
- Claro, não foi...- antes que termina-se a frase a boca de Priscila
cobriu a sua, ela se esqueceu da raiva e correspondeu o beijo.
- Essa
cara combina mais com você - sorriu, foi até uma gaveta, pegou
um chaveiro e lhe entregou - tome. Fique com elas. Assim, quando vier aqui e
eu não estiver, não precisa ficar lá embaixo me esperando.
- Obrigada pela confiança.
- O que eu tenho de mais importe
já e seu.
--
Os dias se passaram. Amanda sempre que podia fazia uma surpresa
para Priscila. Preparava seu jantar ou simplesmente deixava uma rosa em seu
travesseiro, sempre acompanhado de um bilhete. "Te Amo", "Sempre
Sua"...
Estes gestos faziam com que o amor delas aumentasse cada
dia mais. Se é que isto era possível.
Amanda precisava
conversar com Priscila. Deitou no sofá para esperá-la e pegou
no sono.
Priscila chegou e ficou observando ela dormi por algum tempo.
"Você e linda, se te perder acho que morrerei" e beijou seus
lábios. Amanda abriu seus olhos.
- Oi meu amor.
- Oi!
- sentou-se - preciso falar com você.
- Algum problema? - perguntou
preocupada.
- Preciso fazer uma viajem a serviço. Será
bom para mim e ainda me ofereceram uma grana extra. Não pude recusar.
- Quantos dias ficara fora?
- No máximo dez dias.
- Ficarei morrendo de saudades. Não se ppreocupe, afinal é seu
trabalho. Às vezes também tenho que viajar a trabalho. Viaja quando?
- Depois de amanhã.
- Vai ficar comigo hoje ou vai para
sua casa?
- Vou ficar. Falei com meus pais que iria colocar algumas
coisas em dia para a viajem na casa de uma amiga do serviço.
- Então vamos tomar um banho e jantarmoss. Estou com fome.
Após
o banho vestiram short e camiseta e foram para a cozinha. Na geladeira tinha
um pouco de comida já pronta. Jantaram. escovaram os dentes e se deitaram.
Ambas estavam cansadas, adormeceram rapidamente.
Priscila acordou de
madrugada. Sentido o calor do corpo de Amanda uma onda de desejo a invadiu.
Apertou-a mais forte entre seus braços e falou baixinho:
- Te
amo tanto...
- Também te amo muito - Amanda tinha acordado.
Seus corpos estavam em chamas. Era sempre assim. Bastava sentirem uma o
toque da outra. Priscila procurou os lábios de seu amor e lembrando-se
que ficaria vários dias sem sentí-los, junto ao seu os beijou
com paixão. Fizeram amor com gosto de saudade.
--
Amanda viajou. Estava louca de vontade de ver e sentir Priscila
novamente. Ficou feliz ao saber que seu trabalho ficaria pronto antes do previsto.
Decidiu fazer uma surpresa e não avisar de sua chegada antecipada.
O interfone de Priscila toca.
- Quem é?
- Sou
eu, Pâmela!
- Quem? - perguntou não acreditando no que
ouvia.
- Pâmela, sua irmã.
- Suba!
Abriu a porta. Ela era um pouco mais baixa. Seus cabelos longos estavam pintados
de loiro, seus olhos eram quase verde.
- O que faz aqui? Porque não
me ligou?
Pâmela sorriu abrindo os braços e dizendo:
- Não vai dar um abraço na sua irmã caçula?
Priscila a abraçou com carinho e fechou a porta.
- Está
tudo bem com mamãe?
- Sim. Estão todos bem. Vim com um
grupo da faculdade. Queria te fazer uma surpresa. Mamãe está com
saudades. Faz um bom tempo que você não liga para ela. O Ramon
também. Sabe que ele idolatra você.
- Ele sempre foi apegado
a mim. Tive uma idéia, vamos ligar para eles agora.
Conversaram
bastante e Priscila prometeu à sua mãe e ao seu irmão que
na primeira oportunidade que tivesse, iria lá.
- Posso ficar
aqui com você? O pessoal está hospedado em um hotel. Se tiver algum
problema vou para lá.
- Claro que pode ficar comigo. Vai ficar
quanto tempo?
- Só três dias
- Fiz o outro quarto
de biblioteca. Terá que dormir em um sofá cama que tem lá
ou comigo em meu quarto.
- Prefiro com você. Assim lembraremos
nossa infância. Amanhã cedo tenho que me reunir com meu grupo.
Iremos assistir uma palestra muito importante. Foi para isto que viemos.
Priscila ficou feliz com a presença de sua irmã. Sem contar
que isto a fazia esquecer um pouco a saudade que estava sentido de Amanda.
Priscila trabalhou o dia inteiro e Pâmela ficou o dia todo no hospital.
Estava cursando a faculdade de medicina. As duas estavam exaustas. Resolveram
dormir cedo para aproveitarem o dia. Priscila iria lhe mostrar a cidade.
--
Amanda voltou da viajem, tomou um banho e foi para a casa
de Priscila. Já era um pouco tarde mas não tinha problema pois
no dia seguinte elas não iriam trabalhar. Entrou sem fazer barulho e
foi até o quarto. Tinha um abajur ligado. Pâmela não gostava
de escuro.
Ficou paralisada de pé na porta quando viu deitada
ao lado da mulher a quem deu seu coração, outra mulher jovem e
linda. Ficou ali por alguns instantes, sua mente pensava mil coisas e em nenhuma
delas entendia o porque de Priscila ter feito aquilo com ela. Virou as costas
e foi embora do quarto. Lágrimas rolavam em seu rosto. Deixou as chaves
ao lado do cavalo que lhe dera de presente. Não iria mais precisar delas.
Queria dormir, apagar de sua mente aquela imagem. Em casa, desligou seu celular
e o jogou em uma gaveta.
- Bom dia, Dona
Dalva. Poderia falar com Amanda?
- Olá, Priscila. Ela ainda
esta dormindo.
- Poderia por favor pedir a ela para ligar para mim
assim que acordar.
- Darei seu recado.
- Obrigada. - e desligou.
- Bom dia! Mana. - Pâmela apareceu na sala.
Tinha prometido
a sua irmã que lhe mostraria a cidade e não poderia faltar com
a promessa.
Amanda acordou quase na hora do almoço. Sua mãe
lhe deu o recado. "Então ela já achou as chaves."
Ficou o dia todo inquieta, tentando entender porque alguém que dizia
lhe amar tanto agiria daquela forma. Sentiu que iria morrer tamanha a dor que
estava sentindo. "Tenho que ouvir de sua boca o porque de ter me traído
desta forma".
Não agüentando mais, foi a sua procura.
Tocou o interfone. Ela não estava em casa. "Vou esperá-la".
Foi para o outro lado da rua. Já havia escurecido quando viu o carro
de Priscila entrando na garagem com a mulher da noite passada ao seu lado. "Porque
fez isto comigo? Eu não merecia, preciso conversar com alguém."
Ligou para Carla.
- Carla pode se encontrar comigo?
- Claro!
O que você tem? Sua voz está esquisita?
- Te encontro
no bar.
Priscila estava desesperada por dentro. Amanda não deu
noticias o dia todo. Só Deus sabia o que estava se passando em sua cabeça.
Precisava encontrá-la. Tentou seu celular, continuava desligado.
- Pâmela, vamos a um bar ótimo que conheço ouvir um
pouco de música. Vou te apresentar o músico. Ele é um gato.
- Primeiro vou tomar um banho e trocar de roupa.
- Também
vou.
Carla encontrou Amanda triste bebendo.
- O que você
tem? Não era para você estar viajando?
- Por azar ou sorte,
não sei, terminei antes do prazo.
- Ela aprontou alguma com
você não foi?
- Você me trairia?
- Amanda,
sabe o que sinto por você. Me dê uma chance de lhe mostrar, prometo
que não se arrependerá.
- Ficaria comigo mesmo sabendo
que meu coração e de outra?
- Eu farei com que você
a esqueça.
- É o que mais queria neste momento, esquecê-la.
Priscila e Pâmela chegaram. Priscila ficou feliz ao ver que Amanda
estava lá. Não gostou muito de ver Carla ao seu lado.
- Vou lhe apresenta uma amiga, é irmã doo musico - pára
em frente a Amanda que a olha com muita tristeza.
- Amanda, esta é
minha irmã Pâmela.
- Olá!
- Sua irmã?
- perguntou boquiaberta.
- Sim!! Eu tenho dois irmãos mais novos
esqueceu? Podemos nos sentar com vocês?
- Claro! - tentou se
recuperar da surpresa. - Pâmela, esta é Carla.
- Você
não é muito parecida com sua irmã. - disse Carla com uma
falsa simpatia.
- Ela puxou ao nosso pai. Inclusive esses lindos olhos
azuis que só ela tem.
Priscila lançou um olhar nada amistoso
para Carla. Léo se aproximou.
- Pâmela, este é
Leonardo, um excelente musico. - apresentou-os.
- Muito prazer! É
mana, realmente, ele é um gato.
- Tão linda e gentil
quanto a irmã. Vou cantar uma música especialmente para você.
Amanda estava tão envergonhada pelo que pensou de Priscila que não
tirava os olhos de cima dela.
- Vou ao banheiro. Onde fica?
- Levo você lá - disse Amanda.
> - Porque não deixa
Amanda em paz ela, não é para você - Carla falou com raiva
- Olha, Carla, dizem que conselho se fosse bom não era dado era
vendido. Mesmo assim vou te dar um. Não se meta entre eu e Amanda, pois
com certeza quem ira sair machucada será você.
- Ela
está arrasada com o que você fez.
- Eu não fiz
nada e agora ela sabe disso. Quando é que vai entender que ela gosta
de você apenas como amiga.
- Os sentimentos podem mudar. Eu não
vou desistir. Quando ela cair na real eu estarei por perto para ajudá-la.
- Detesto dialogar com pessoas burra como você.
No bar:
- Pode ir na frente. Estou um pouco enjoada. Léo vai cantar para
você. Vou lavar meu rosto e irei em seguida.
- Amanda está
um pouco enjoada. Disse que já viria.
- Vou ver o que ela tem.
- Carla ia levantar.
- Por favvor, faça companhia a minha irmã.
Deixe que eu irei - Priscila lançou um olhar secante para ela
No banheiro:
- Você está
passando mal?
- Já passou. Acho que bebi um pouco rápido
demais.
- Quer dizer então que você achou que eu estava
te traindo com outra?
- O que você pensaria se ao entrar em meu
quarto desse de cara com outra mulher dormindo ao meu lado sem saber quem ela
era.
Eu sabendo que você iria ficar vários dias fora.
Os olhos de Priscila brilharam de raiva.
- Você está
insinuando que eu sabendo que você estaria viajando colocaria outra mulher
em minha cama? É este o tipo de pessoa que acha que sou? Acho que me
enganei a seu respeito. Infelizmente vou ter que concordar com a Carla. Não
sou a pessoa certa para você. É melhor pararmos por aqui antes
que... - alguém entrou. Priscila saiu.
"Droga! Como pude
lhe dizer tanta besteira, tenho que lhe pedi desculpas." Voltou para a
mesa. Priscila a ignorou por completo. Pâmela simpatizou com Amanda. Conversaram
bastante até ela dizer:
- Priscila, podemos ir agora? Amanda,
foi um prazer conhecer você e o gato do seu irmão. Se um dia for
a minha cidade, me procure. Tchau, Carla.
Priscila diz com certa magoa
na voz:
- Bom fim de noite para as duas.
- Obrigada. - Carla
sorriu achando que tinha ganho a batalha.
- Vamos embora também
- Amanda falou vendo Priscila indo emborra - não estou muito legal. Te
deixo em casa.
- Não é preciso. Estou com o carro de
minha mãe.
Em seu quarto Amanda pegou seu celular.
Priscila estava se despindo pensando: "O que ela estará fazendo
agora? Só espero que não se deixe levar pela conversa daquela
cretina da Carla". O toque do telefone a chamou para a realidade.
"Só pode ser ela". Pegou o celular, entrou no banheiro e fechou
a porta.
- Alô!
- Priscila, por favor, não
desligue.
- O que você quer?
- Te pedir desculpas. Me
perdoe, falei aquelas coisas sem pensar.
Priscila ficou preocupada,
ela estava chorando.
- Onde você está?
- Em meu
quarto.
- E a Carla?
- Na casa dela. Eu não quero
nada com ela, é você que amo. Diga que me perdoa. Não suportarei
ficar sem você.
- Vá descansar. Amanhã conversaremos.
Venha aqui lá pelas duas da tarde.
- Priscila...
-
Que foi?
- Eu te amo - desligou.
"Graças a Deus
ela esta em casa longe da Carla. Posso dormi tranqüila"
--
Pâmela retornou para sua cidade.
Amanda chegou, Priscila abriu a porta e, sem dizer uma única palavra,
foi sentar-se no sofá.
- Pâmela já foi? - sentou
ao seu lado.
- Já.Viajou cedo.
- Podemos conversar
com calma - segura sua mão - ontem não quis ofendê-la.
- Não foi o que me pareceu.
- Ficamos dias sem nos vermos,
nos tocarmos - passou a mão de Priscila com carinho em seu rosto - você
não imagina o quanto senti sua falta, de seu toque em minha pele - acaricia
o rosto de Priscila - parece que faz anos que não sinto o gosto de seus
beijos.
O que preciso fazer para ter você novamente? Diga-me e eu
farei.
- Como posso me dar por inteira a uma pessoa que na primeira
vez que nos distanciamos por alguns dias me julga ser capaz de traí-la.
Você nem me procurou para saber o que realmente estava acontecendo.
- Procurei sim. Queria saber o porque de você ter feito aquilo comigo.
Fiquei lá embaixo por horas. Quando finalmente chegou, estava com Pâmela
ao seu lado. Fui embora arrasada. Não deixe que este mal entendido nos
afaste uma da outra. Eu te amo e preciso de você.
Uma lágrima
saiu dos olhos de Amanda.
- Não chore - Priscila secou sua lágrima.
Apoiou a cabeça dela em seu ombro e a abraçou - me prometa que
não tirará mas conclusões apresadas sem antes me perguntar.
- Juro que não farei mas isto
- Esqueceu tudo que lhe
falei aquele dia na fazenda? Que jamais a magoaria?
- Nunca esquecerei
aqueles dias. Está gravado em minha mente para sempre - levantou sua
cabeça e a olhou - posso te pedi uma coisa?
- O que?
- Um beijo.
Atendeu o pedido seem demora, matando assim a saudade que
ambas estavam sentido. Ficaram ali namorando, trocando beijos ardentes e deliciosas
carícias.
- Vamos jantar fora - queria lhe dar um presente -
não estou a fim de fazer comida.
- Se quiser, eu faço.
- Não é necessário. Vamos ao Pizzaiolo, que tal?
- Ótima idéia! - adorava aquele restaurante.
Priscila
escolheu uma mesa em um canto. Ali ela podia sentar ao lado de Amanda. O sofá
corria por toda a parede, passando por três mesas e fazendo a curva em
L onde elas estavam.
- Se lembra da primeira vez que estivemos aqui?
Você segurou minha mão com carinho.
- Assim - repetiu
o gesto - Amanda, eu a trouxe aqui porque quero te da uma coisa que comprei
há algum tempo. Acho que este é o
momento certo. Assim, quando
não estivermos próximas uma da outra, poderá olhar para
ela e lembrar que eu estou com você estejamos onde estivermos.
Colocou uma pequena caixa em sua mão. Continha dois anéis idênticos.
- São lindos!
Priscila pegou um e colocou no dedo
da mão direita de Amanda.
- Use como prova do meu amor por você.
Só me sinto completamente viva quando estou ao seu lado. Espero um dia
trocá-lo para sua mão esquerda.
Amanda fez o mesmo com
Priscila.
- Nós duas somos assim como estes anéis. Feitas
da mesma forma, uma só pessoa, meu corpo faz parte do seu, meu coração,
tudo em mim faz parte de você. Um dia com certeza o usaremos em nossa
mão esquerda - se beijaram selando aquela jura.
--
Carla ligou para saber de Amanda.
- Dona Dalva, posso falar com Amanda?
- Pensei que ela estava
aí com você!
- Tudo bem! Já sei onde ela está
- e desligou.
"Será que Ammanda foi atrás de Priscila?
Eu a amo e farei de tudo para ela esquecer aquela mulher".
No
dia seguinte, Carla foi a casa da amiga.
- Te liguei ontem. Você
não estava. Queria falar com você
- Sobre o que? - Amanda
estava arrumando seu quarto. Carla se irritou com sua falta de atenção.
- Você poderia ao menos me dar um pouco de sua atenção
Amanda parou o que estava fazendo e olhou para ela.
- Ontem foi
procurá-la, não foi?
- Fui! Por que?
- Você
tinha dito que queria esquecê-la. Porque não me da uma chance?
- Carla, entenda bem uma coisa: nunca quis magoá-la. Você
é uma pessoa de quem gosto muito, mas apenas como uma boa amiga
ou até mesmo uma irmã. Procure outra pessoa legal que mereça
estes sentimentos que você diz ter por mim. Eu nada posso te dar além
de minha amizade. Me perdoe. Estou apenas sendo sincera com você.
Carla foi embora triste.
--
Uns dois meses depois Dona Dalva percebeu
que Carla quase não ia mas à sua casa. Enquanto sua filha quase
não parava em casa.
- Amanda, o que houve com Carla? Ela quase
não vem mais aqui. Vocês brigaram?
- Não, mamãe.
Ela deve estar de namorado novo.
- Você a tem visto?
- Tenho sim - mentiu para a mãe. Fazia vvários dias que não
a via.
- E você? Por que quase não pára mais em
casa? Aonde vai tanto quase todas noites? Está namorando alguém?
- Não se preocupe, mamãe. Não estou saindo com ninguém
que tenha uma reputação duvidosa.
- Não entendo
vocês meninas. Arthur, é um excelente rapaz e tem uma queda por
Carla. No entanto, ela não quer nada com ele.
- Se tem uma coisa
em nossas vidas que não controlamos é nossos sentimentos. Quando
a gente menos o espera nos prega uma peça.
- Por que diz isto?
Está gostando de algum rapaz?
- Não, mamãe! Não
estou gostando de nenhum rapaz! - pensava: "E sim amando loucamente uma
mulher".
Dona Ieda ligou para Dona Dalva. Conversam por um bom
tempo e, ao terminar o papo, perguntou:
- Carla está aí?
Gostaria de falar com ela.
- Vou chamá-la
- Dona Dalva,
tudo bem? - perguntou Carla.
- Tudo, nunca mais veio aqui.
- Amanda trocou minha amizade pela de Prriscila.
- Não sabia
que elas se viam com tanta freqüência.
- Amanda não
sai de seu apartamento. Quase não a vejo mais. É uma pena, gosto
de Amanda como se fosse minha irmã.
- Priscila é uma
boa moça mas não acho que seja amizade para minha filha.
- Ela mora sozinha, não tem namorado e ddurante o tempo que a conheço
nunca a vi em companhia de um homem.
- Mais tarde vou ter uma conversa
com Amanda. Quando tiver tempo, dê um pulinho aqui.
- Prometo que irei.
À
noite, no quarto de Amanda:
- Quero conversar com você, filha.
- Aconteceu alguma coisa mamãe?
- Não. Quero saber
o que anda acontecendo com você
- Como assim?
- Tem
ido com freqüência ao apartamento de Priscila?
- Ela é
uma ótima pessoa. Não vejo nada de mais em freqüentar sua
casa.
- Me falaram que ela mora sozinha e que nunca foi vista com nenhum
namorado, isto é verdade?
- Quem foi que andou te contando estas
coisas a respeito de Priscila?
- Isto não vem ao caso. Gostaria
que parasse de ir à casa dela.
- Olhe mamãe, eu não
vou deixar que fofocas estraguem minha amizade com Priscila.
- E a
Carla? Por que não voltam a ser como eram antes? Ela gosta de você
como se fosse sua irmã.
Amanda entendeu tudo "Aquela imbecil
da Carla vai se ver comigo"
- Foi Carla quem andou colocando idéias
na cabeça da senhora não foi?
- Minha filha, ela se preocupa
com você. Só quer seu bem.
- Sei muito bem qual é
o bem que ela me quer.
Quando Léo chegou Amanda foi conversou
com ele
- Ela extrapolou todos os limites com isto. Vou lhe dar um
esporro - Léo ficou furioso - mamãe agora vai pegar no teu pé.
- E se isto cai nos ouvidos de papai?
- Ele vai morrer dizendo
que é tudo invenção. Certas coisas ele prefere ignorar
para não se aborrecer. Você sabe disso.
Amanda apareceu
no apartamento de Priscila cheia de raiva.
- Que cara é essa?
- Você não imagina o que a aquela cretina da Carla fez!
- Acalme-se e me conte.
- Ela praticamente contou para minha mãe
que nós duas temos um caso.
- Sabia que uma hora ela iria aprontar
alguma. Ela ama você. Acha que colocando sua mãe contra mim vai
conseguir nos separar.
- Não vou perdoar o que ela fez jamais.
Para mim nossa amizade acabou.
Realmente daquele dia em diante, cada
noite que Amanda dormia fora era um inferno.
- Onde você dormiu?
Estava com Priscila? Já falei que não quero você andando
com ela.
- Acho que sou crescida o suficiente para saber onde e com
quem devo andar.
Leonardo foi fazer sua última apresentação
no bar. Ele iria tentar carreira como cantor. Estava gravando um CD. Convidou
todos os
amigos para sua despedida. Amanda e Priscila estavam lá.
- Não estou agüentando mais. Minha mãe está
insuportável tudo graças aquela infeliz da Carla.
- Ela
acabou de entrar. Não brigue com ela. Deixe-a comigo. Vou lhe dar uma
lição que ela nunca mais vai esquecer.
- Olá,
Meninas! Tudo bem? - sorriu - posso me sentar com vocês?
Amanda
ia dizer que não mas Priscila apertou sua não.
- Claro!
- E aí? Como andam as coisas entre vocês?
-
Tudo ótimo! A propósito, queria te agradecer por ter contado para
Dona Dalva que eu e Amanda temos um caso.
- Como assim agradecer?
- Graças ao que você fez - segurou a mão de Amanda
retirou seu anel e o recolocou em sua outra mão - vimos que não
precisamos
esconder mas nada e resolvemos morar juntas - olhou para Amanda
- não é, meu amor?
- É sim - soorriu, Priscila
tinha dado um tapa na cara de Carla sem mexer um único dedo.
Arthur chegou.
- Nossa! Que silêncio! Só porque cheguei?
- ele brincou.
- Deixa de ser bbobo e senta aí - antes que Carla
fala-se alguma asneira se antecipou - Arthur, o que acha da idéia de
eu e Priscila dividirmos um apartamento?
- Acho legal! Você já
é bem crescidinha, auto-suficiente e será uma ótima companhia.
Chega uma hora na vida da gente em que temos que jogar a mochila nas costas
e sair debaixo da asa da mãe. Se você acha que chegou sua hora,
vai fundo.
- Obrigada pela força, amigão - andou um beijo
para ele.
Carla estava calada, arrasada. Percebeu naquele momento que
tinha perdido o carinho e a amizade de Amanda.
- Vou ao banheiro -
Amanda cutucou Priscila por baixo da mesa.
- Vou com você.
--
No banheiro:
- O que você
falou lá fora é verdade? Quer que eu vá morar com você?
- É o que mais quero! Você aceita?
Em resposta, trocou
o anel de Priscila de mão e lhe deu um beijo.
- Amanhã
falarei com minha mãe. Vou pedir ao Léo para me dar uma força
e que Deus me ajude.
Léo deu seu apoio
- Podem contar
comigo. Estarei ao seu lado.
No dia seguinte, após chegar do
trabalho, Amanda e Léo, que estava à sua espera, foram falar com
a mãe.
- Mamã,e Amanda quer falar com a senhora.
- E desde quando ela precisa de intermediário
para conversar comigo?
- Vou sair de casa!
- De onde tirou
esta idéia. Por que quer sair de casa?
- Olhe, mamãe,
amo todos vocês mas preciso viver a minha vida!
- E para onde
pretende ir? Espero que não seja para onde estou pensando.
-
Vou dividir um apartamento com Priscila.
- Está pensando em
largar sua família para morar com ela? E seu pai, o que vai dizer?
Léo tentou amenizar:
- Sei que a senhora arrumara uma maneira
de contar para ele.
- Não acredito que você em vez de
estar tentado colocar um pouco de juízo na cabeça de sua irmã,
a esta ajudando nesta loucura.
- Ela está apenas querendo ser
independente.
- Esta loucura não dará certo.
- Ela só saberá se tentar mamãe.
- Obrigada - Amanda abraçou a mãe.
Ligou para Priscila
- Oi meu amor, já falou com sua mãe?
- Já. Ela vai falar com meu pai, mas já me decidi. No fim
de semana estarei aí com você definitivamente.
- Aguardarei
ansiosa. Vou reservar lugar para suas coisas. Me diga, o que vai trazer além
de suas roupas?
--
Na casa de Amada:
- Luciano,
nossa filha decidiu sair de casa. Vai dividir um apartamento com a amiga advogada
dela e do Léo. Tentei falar com ela
mas não teve jeito. Já
esta decidida. Disse que 26 anos é uma idade mais que suficiente para
aprender a se virar sozinha.
- A vida é assim. A gente cria
os filhos com todo amor e carinho, eles crescem e nos abandonam na primeira
chance que tem - falou com tristeza - se é isto que ela quer, nada podemos
fazer para impedí-la.
Amanda se mudou no sábado pela
manhã. No domingo deram um almoço para comemorar e ao mesmo tempo
agradecer aos amigos Arthur e Leo, que estava namorando firme uma garota muito
legal.
Arthur havia percebido a algum tempo que elas eram mais que
amigas porém isto não fazia a menor diferença para ele.
Gostava das duas da mesma forma.
--
Passaram-se dois anos. Elas continuavam
juntas e mais unidas que nunca. Priscila tinha aumentado seu escritório.
Trabalhava com venda de imóveis também. Trabalhava bastante mas
sempre tinha tempo para dar amor e carinho à Amanda.
--
Amanda estava parada no sinal, quando
ele abriu arrancou com seu carro. Um outro veículo que vinha em alta
velocidade avançou o sinal e bateu em seu carro.
Léo
ligou para Priscila:
- Onde você está?
- Chegando
em casa.
- Me espere aí.
Ao abrir a porta e ver a cara
dele, ela teve um mau pressentimento.
- Aconteceu alguma coisa?
- Sim, com Amanda.
- O que aconteceu com ela? Onde ela está?
Diga-me por favor.
- Dois homens assaltaram um banco e na fuga avançaram
o sinal e bateram no carro dela. Ela está no hospital nada bem. Quebrou
um braço e bateu com a cabeça, estava sem cinto de segurança.
- Vamos para lá agora - Priscila se desesperou.
No quarto
do hospital Dona Dalva estava sentada ao lado de Amanda.
- Como ela
está? - aproximou-se fazendo um carinho em seu rosto e beijando sua testa.
- Os médicos disseram que só nos resta esperar. Todos os
órgãos internos estão em perfeito estado mas a pancada
na cabeça foi muito forte - vendo o medo e a dor estampada na face de
Priscila ela compreendeu que aquela mulher realmente amava sua filha - fique
com ela vou tomar um café.
- Vou com a senhora - Léo
foi com a mãe
Amanda parecia estar dormindo. Tinha um monte
de aparelhos à sua volta, Priscila sentou e segurou sua mão. Não
conseguindo mais se contern chorou.
- Amanda, sei que você esta
me ouvindo. Por favor, lute! Vença este desafio que a vida está
te dando. Não me deixe só pois não saberei mais como viver
se ao abrir meus olhos todas as manhãs não vê-la ao eu meu
lado.
- Sabe filho, hoje realmente eu vi o quanto Priscila ama sua
irmã.
- Mãe, quem somos nós para julgar? A vida
nos impõe certas coisas e temos que aprender a viver com elas. De uma
coisa a senhora
pode ter certeza, o amor delas é mais forte e limpo
que o de muitos casais que conhecemos. Elas se entendem, se compreendem e acima
de tudo se respeitam. Não gaste seu tempo pensando que perdeu uma filha
e sim que ganhou outra. Eu vejo Priscila como uma irmã. A senhora não
sabe o bem que ela faz a Amanda. Durante o tempo que elas estão juntas
a senhora a viu triste ou chateada?
--
Amanda estava inconsciente a cinco dias
e durante este tempo Dona Dalva via o quanto Priscila era carinhosa e meiga
com sua filha. Passou a tratá-la com carinho, entendendo um pouco melhor
a relação das duas.
Amanda abriu os olhos e viu sua mãe
ao seu lado.
- Filha! Graças a Deus você despertou! Vou
chamar o médico.
- Mamãe, onde esta Priscila?
- Daqui a pouco ela estará aqui. Prometoo a você. - ligou para ela
- Priscila, venha para cá. Ela acordou e quer te vê -
falou radiante.
- Estou indo agora mesmo! - "Obrigado meu Deus
por devolvê-la para mim".
Priscila chegou ao quarto.
- Olá, filha! Entre, vou ligar para Luciano e Arthur e já
volto.
Amanda não entendeu a maneira carinhosa como sua mãe
a tratou.
- Acho que perdi alguma coisa. Minha mãe te chamando
de "minha filha"...
- Nestes dias que passamos juntas ao
seu lado ela percebeu o quanto você é importante para mim. E sua
cabeça como está?
- Doendo um pouco.
- Não
sabe o susto que me deu e o que passei estes dias.
- Pensou que iria
se ver livre de mim? Lembra quando te falei que não a deixaria só?
Sou uma mulher que cumpro minhas promessas - brincou.
- Ainda bem.
Dois dias depois Amanda voltou para casa. Dona Dalva finalmente conheceu
o lugar onde sua filha morava.
- É muito bonito. Não
imaginava que fosse assim - Amanda e Priscila se olharam e sorriram - vou ficar
só mais um pouco. Não quero
incomodar vocês.
- Pode ficar o tempo que quiser. Depois eu levo a senhora em casa. - disse Priscila.
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Amanda foi retirar o gesso do braço
e a seguradora tinha lhe dado outro carro. Ela estava louca para dirigí-lo.
- Vamos dar uma volta. Quero te mostrar uma coisa - disse Priscila lhe
entregando as chaves do carro - dirija você. Sei que está louca
para fazer isto, e o carro é seu.
- Você sabe que tudo
que é meu também é seu?
Dirigiu por uns 30 minutos
seguindo o percurso que Priscila lhe indicava.
- Estamos indo aonde?
- Ver o sítio de uma cliente. É uma senhora viúva
que não tem mais como cuidar dele. Por isso o colocou à venda.
Está um pouco abandonado mas é muito bonito.
O sítio
tinha um muro alto com um portão de madeira. Lá dentro tinham
várias árvores frutíferas, uma casa e uma piscina.
- O que acha?
- Está um pouco abandonado, mas é
bonito.
- Que acha de comprarmos ele?
- Seria um sonho. Tem
certeza que conseguiremos pagar?
- Já fiz um acordo com a proprietária.
Ela não está precisando de todo o dinheiro de uma só vez
- a abraçou - que tal colocarmos o nome de ALMAS GÊMEAS?
- Lindo nome - colocou os braços em votaa de seu pescoço - que
tal me dar o primeiro beijo em nosso novo ninho de amor.
- O primeiro
de muitos outros
Não
gosto da palavra fim porque para mim a estória não termina aqui
O resto deixo a cargo da imaginação de vocês