A Irmandade
Por Drica Pereira
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PARTE 01
Ela sentiu que havia algo diferente no lugar, desde
o primeiro momento que atravessara a porta. Era como se a escurid�o pairasse,
n�o sabia definir, mas sabia que estava l�. Algo que ela sabia
nunca ter experimentado.
Sally � m�dica, e era a primeira vez que entrava no hospital Memorial para come�ar seu treinamento em resid�ncia. Terminara o curso de medicina no m�s anterior e, pela primeira vez em seus trinta anos, sa�a de casa. Deixara seus pais e sua cidade natal Columbia, na costa leste e partira para Boise, costa oeste dos Estados Unidos. Al�m de muito inteligente e sagaz, era dotada de uma beleza not�vel, refletida no alto dos seus quase um metro e oitenta de altura, longos cabelos negros e v�vidos olhos azuis. A decis�o de partir para morar e trabalhar do outro lado do pa�s havia deixado a todos, fam�lia e amigos, surpresos. Seus pais n�o entendiam os motivos de t�o estranha atitude, tendo em vista que in�meras e boas chances surgiram ao t�rmino do curso, mas havia optado por ir para um hospital distante e menos conceituado, al�m de ter que viver com um sal�rio bem menor do que receberia se permanecesse na Carolina do Sul.
O fato era que Sally n�o era uma mulher comum. As coisas em sua vida come�aram a mudar quando fizera quinze anos. Ap�s o baile de fim de ano na escola, preparava-se para retornar em uma carona com os garotos da universidade local, um deles namorado de sua melhor amiga, June. Antes de sair, enquanto seus amigos a aguardavam no carro, ouvira nitidamente uma voz firme, mas ao mesmo tempo meiga:
�N�o v� com eles, Sally�
O susto a fizera parar e olhar em redor, vendo t�o somente as pessoas ao longe conversando e se divertindo sem prestar-lhe muita aten��o. Dera de ombros e j� se encaminhava rumo � sa�da quando a mesma voz novamente a fez parar:
�Sally, n�o v� com eles. Obede�a.�
-Mas o que � isso?! Que brincadeira � essa?! Seja quem for n�o vai gostar quando eu descobrir... - n�o p�de terminar a frase:
�N�o � brincadeira. Estou aqui para te proteger.�
-Aqui??? Mas aqui onde?? Quem � voc�??
�Voc� pode me considerar o seu protetor.�
-Ai meu Deus, eu t� ficando louca! Estou ouvindo vozes! S� pode ser loucura da minha cabe�a...
�N�o � loucura, apenas v� e diga que n�o ir� com eles.�
Apesar do inusitado da situa��o, Sally passou a sentir uma enorme paz dentro de si, como que a acalm�-la e a confirmar-lhe que deveras n�o poderia ir naquele carro. Ao imaginar-se com seus amigos a caminho de casa, uma sensa��o horr�vel lhe sobrevinha, como que a gelar suas costas at� o alto da nuca. Mesmo sem entender direito o que acontecia, decidira obedecer.
-Olha pessoal, eu sei que parece loucura, mas � melhor a gente n�o ir agora pra casa.
-Como assim, Sally? - disse-lhe June.
-� que...bom...eu n�o sei explicar direito mas algo me diz que � melhor a gente deixar esse carro a� e pedir vir nos buscar, sei l�...
-Mas que loucura agora � essa, Sal? - perguntara-lhe rindo Stuart, motorista do carro e namorado de June.
-Olha, pode parecer estranho, mas quando estava vindo pra c� eu ouvi claramente uma voz me dizendo pra n�o ir nesse carro e...
Sally nem teve tempo de terminar a frase, tamanho o estardalha�o provocado pelas gargalhadas que tomavam conta de todos.
-Ah, ah, ah, ah, hey June, o que voc� deu pra Sal beber?
-Quem batizou o coquetel? Se eu soubesse tinha entrado nessa festa pra tomar um pouco, ah, ah, ah, ah...
-N�o � proibido beber na festa do colegial???
-EU N�O BEBI !- disse-lhes irada - pois muito bem, agora � que eu n�o vou com voc�s mesmo! Vou ligar para meu pai, ele vem me buscar! June, voc� vai ou fica?
-Sinto muito, amiga. Mas essa est�ria de ouvir uma voz... - disse enquanto sorria, controlando-se para n�o gargalhar - deixa de brincadeira, vai! Vem, vamos pra casa...
-Pois muito bem - disse entredentes - voc�s n�o acreditam em mim? Podem ir, eu n�o me importo.
Saiu e voltou para a festa, de onde ligaria para casa.
Na manh� do dia seguinte, Sally a mesa do caf� da manh� ao lado de seus pais, Marcy e Jonnathan, e de sua irm� mais velha, Jocellyn, pensava na estranha experi�ncia da noite passada quando o telefone toca:
-Eu atendo! - gritou Marcy - Al�?
-(...)
-Bom dia, Sra. Marshall.
-(...)
-O qu�???
-(...)
-Oh, meu Deus!
-O que foi mam�e? - assustou-se Sally.
-O que aconteceu? - todos a mesa perguntavam.
-(...)
-Est� bem...est� bem...eu...n�s iremos sim...obrigada, Sra. Marshall.
Ao desligar o telefone Marcy estava l�vida e procurava amparar-se, enquanto todos a uma correm para ampara-la.
-O que aconteceu querida? - perguntou-lhe Jonnathan - Jocellyn pega um copo de �gua para sua m�e...
-Uma trag�dia. Ontem a noite, aconteceu um acidente horr�vel, oh, meu Deus... - Marcy n�o cont�m as l�grimas.
-Acidente? Com quem? Fala m�e! - desespera-se Sally.
-June, filha. E seus amigos. Eles estavam voltando pra casa ap�s o baile e n�o se sabe como o carro em que eles vinham chocou-se com um poste...
-Oh, c�us! Onde eles est�o, m�e? - Sally gritava nervosa.
-Mortos, filha. Todos eles...est�o mortos.
Foi a �ltima coisa que Sally pode ouvir antes de suas vistas escurecerem e ela perder totalmente os sentidos. Ap�s esse acontecimento, passara ent�o a ouvir constantemente a mesma voz que a livrara da morte. A princ�pio temia por n�o saber ao certo o que acontecia com ela, e por mais que tentasse contar a algu�m em busca de ajuda, encontrava apenas desconfian�a e ceticismo. Diante da sua insist�ncia em afirmar ouvir uma voz que a protegia e orientava, sua m�e cogitou lev�-la a um m�dico psiquiatra, o que a fez definitivamente calar-se sobre o assunto com ela e com qualquer outra pessoa, visto que alguns j� a rotulavam como vidente, m�dium, feiticeira e outras alcunhas que nem mesmo entendia. Com o tempo, acostumara-se a ouvir o que passou a chamar de seu �guardi�o� e, por vezes, mantinha pequenos di�logos com seu protetor. Ao longo dos anos, dedicara-se ao estudo das mais variadas religi�es na tentativa de entender o fen�meno que corria ocorria consigo, j� que seu guardi�o nunca lhe esclarecia sobre quem ele era realmente, ou o que a fazia ouvi-lo. Tornara-se ent�o o que ela dizia ser uma �pessoa espiritualizada� , sem contudo professar uma religi�o espec�fica. Aos seus amigos, justificava algumas das escolhas como �intui��o�, mas nunca deixava de seguir os conselhos de seu protetor.
O fato de estar agora t�o longe de casa devia-se unicamente a essa determina��o. Ap�s a sua formatura, seu guardi�o havia dito-lhe que, se quisesse encontrar a verdadeira felicidade, deveria partir para Boise, Idaho, e trabalhar no hospital Memorial, onde uma nova e significativa vida a aguardava. N�o tinha id�ia de que os fatos que ocorreriam ali transformariam para sempre o curso de sua vida. A escurid�o sinistra que sentira no esp�rito ao chegar parecia espreit�-la e de repente a envolveria em uma s�rie de acontecimentos que testariam no limite m�ximo as suas for�as e a sua f�.
O primeiro teste viria logo. Sally j� estava h� cerca de dois meses no hospital. Numa noite, enquanto trabalhava no Setor de Emerg�ncia (SE), por volta das tr�s da madrugada, trouxeram um homem aparentando ter trinta anos. Quando viu o corpo dele todo machucado e estra�alhado, Sally recuou de pavor. Antes de ser m�dica, ela j� havia trabalhado como enfermeira em hospitais da sua cidade natal, contudo nada do que j� vira poderia ser comparado ao que via naquela noite. Mesmo na correria com os colegas de trabalho para salvar a vida do jovem, ela n�o conseguia parar de pensar �como isto p�de acontecer? Quem teria feito tal coisa?�. Era �bvio que ele havia sido torturado. O seu corpo estava parcialmente sem pele, in�meros eram os ferimentos de queimadura, cortes, chicotadas e o mais terr�vel: buracos nas palmas das m�os causados pela introdu��o de ferros nela. Ele estava inconsciente e em choque profundo. Depois dos cuidados m�dicos e de transferi-lo para UTI, Sally procurou os policiais que o trouxeram, mas eles n�o tinham muito a dizer, a n�o ser que parecia tratar-se de um caso de seq�estro. Acharam-no desmaiado e o primeiro pensamento fora de que estivesse morto. Apenas puderam saber tratar-se de um l�der religioso local chamado Bob Svensson, e os detalhes do seu mart�rio apenas ele, se sobrevivesse, poderia relatar. Todos no SE voltaram �s suas tarefas como se nada de anormal tivesse acontecido. Particularmente, ningu�m parecia surpreso pela condi��o do paciente e Sally, novamente, sentiu aquela esmagadora atmosfera. Estava preocupada, mas a despeito das circunst�ncias, o trabalho a esperava.
Nos primeiros meses no Memorial, Sally pode constatar mais uma vez o quanto era importante a presen�a do seu protetor em sua vida. Uma noite, muito tarde, enquanto examinava cansada o que havia na geladeira, ouviu a conhecida voz:
�Verifique qual � o ant�doto de Pavulon, j� que voc� esqueceu disso.�
-Agora? Mas eu estou faminta e...
�Agora!�
Ela estava completamente exausta, f�sica e emocionalmente. Havia trabalhado quase ininterruptamente desde as sete horas da manh� e h� v�rias semanas n�o tirava folga, al�m de dispor de pouco tempo de repouso. Mas a experi�ncia de tantos anos havia sedimentado em Sally o h�bito de obedi�ncia quase instant�nea a qualquer sugest�o de seu guardi�o. Ela fechou a porta do refrigerador e foi a estante onde estavam seus livros de medicina. Pavulon � um rem�dio utilizado diariamente em cirurgias nos hospitais. Ele � ministrado diretamente nas veias do paciente e causa completa paralisia dos m�sculos em segundos e o efeito dura cerca de uma hora, a n�o ser que a dosagem seja repetida. � usado em cirurgias para evitar espasmos e assim minimizar danos aos m�sculos durante o procedimento, no entanto, durante o uso do Pavulon, o anestesista usa um dispositivo especial para fazer o paciente respirar. O ant�doto � a piridostigmina, uma subst�ncia tamb�m injetada nas veias que reverte de forma quase instant�nea a paralisia. Quando Sally fechou o livro de farmacologia, seu protetor falou-lhe novamente, dessa vez com urg�ncia:
�Agora volte ao hospital, porque algu�m est� nesse exato momento come�ando a injetar Pavulon nas veias de Elaine, sua paciente.�
Sally apanhou as chaves do carro e lan�ou-se � porta. Morava a cerca de dois minutos do hospital e foi correndo pelas escadarias at� o quarto de Elaine. Com efeito, quando chegou encontrou-a azul pela falta de oxig�nio. Ela acionou o c�digo de emerg�ncia e as enfermeiras vieram com o carrinho de procedimentos. O m�dico que ficara respons�vel por Elaine aquela noite, Dr. Jerry, estava no andar de baixo, no setor de emerg�ncia, e ao ouvir o n�mero do quarto sendo anunciado pelo sistema de som, percebeu que se tratava de um paciente sob sua responsabilidade. Correu para o local e no momento que chegou, Sally e os outros m�dicos da equipe encarregada haviam colocado um tubo pela garganta de Elaine e estavam usando um aparelho chamado Bolsa de Ambu para faz�-la respirar.
-O que est� acontecendo? - foi a pergunta de Jerry.
-Eu n�o sei - respondeu Sally - encontrei Elaine azul, sem respirar. Ela ainda n�o est� respirando.
-Posso ver isto, mas por qu�? - Jerry correu a m�o pelo cabelo, frustrado - nunca vi nada igual! � uma coisa atr�ss da outra...
-Olha, Jerry, eu sei que parece loucura, mas Elaine parar de respirar...parece exatamente como um paciente sob o efeito de Pavulon ou algo similar. Por que n�o testamos usar um pouco de piridostigmina?
-Diabos! Como � que Pavulon iria parar nas veias de Elaine?
-Eu n�o sei, Jerry. Mas o que temos a perder? A piridostigmina n�o ir� fazer mal a ela e se funcionar, teremos uma resposta.
-Sim, mas teremos tamb�m muito mais perguntas! Est� bem, o que temos a perder? Vamos tentar - disse sacudindo os ombros.
Todos no quarto aguardavam com a respira��o presa enquanto Jerry lentamente injetava a droga na veia de Elaine. Em poucos segundos ela come�ou a mover-se e a respirar por conta pr�pria. L�grimas come�aram a correr pelo seu rosto, mas ela n�o podia falar por causa do tubo em sua garganta. Express�es de choque estavam na face de todos os m�dicos e enfermeiras. Como o Pavulon foi parar nas veias de Elaine? Rapidamente, um a um, eles foram saindo do quarto, n�o desejando estar envolvidos na situa��o. Se qualquer um deles fosse interrogado acerca do assunto, negariam que jamais tivesse ocorrido. Jerry olhou para Sally:
-Voc� estava certa! Eu acho que h� muita coisa obscura nesse hospital. E digo mais, eu n�o quero saber o que est� acontecendo! Apenas quero retirar Elaine daqui, vou transferi-la para a UTI esta noite e retirar o tubo pela manh�. O que eu gostaria de saber � o que devo escrever na ficha dela para que isso n�o soe como uma completa loucura.
Resmungando baixinho e sacudindo a cabe�a, Jerry deixou o quarto. Sally curvou-se e alisou os cabelos de Elaine:
-Est� tudo bem, querida. Eu lamento que voc� tenha tido que passar por essa experi�ncia horr�vel. Voc� conseguiu ver quem colocou aquilo em suas veias?
Elaine disse que n�o com a cabe�a. Sally suspirou. O que de fato havia naquele hospital? Haveria algum assassino agindo pelos corredores? Lembrou-se dos muitos epis�dios ocorridos em que v�rios pacientes paravam de respirar sem haver um motivo explic�vel e tinham que ser colocados em uma m�quina que respirasse por eles. Tudo era muito estranho, e agora o seu guardi�o havia lhe revelado o que poderia ser uma explica��o.
Ap�s seis meses, novamente Sally estava trabalhando na UTI. O jovem l�der religioso que atendera no setor de emerg�ncia finalmente se recuperou a ponto de poder conversar. Ela acompanhava o progresso dele bem de perto, ia v�-lo constantemente e acabaram por tornarem-se amigos. Enfim, em uma noite em que Sally estava de plant�o, Bob resolvera contar o que de fato ocorrera com ele.
-Devido a uma circunst�ncia casual, acabei conhecendo uma jovem que, muito deprimida, pensava em suic�dio. Como religioso, passei ent�o a aconselh�-la e tentava dissuadi-la da id�ia de matar-se. Um dia, contou-me exatamente o motivo do seu desespero: ela fazia parte de uma grande comunidade que se auto intitula de A Irmandade...
-A Irmandade?
-Sim. Um grupo de pessoas que se dizem subordinadas a um ser chamado Grande Mestre. Eles se dividem em grupos locais denominados �assembl�ias�, que variam em quantidade de membros, podendo chegar a milhares. Formam um grupo altamente secreto, n�o guardam qualquer documento escrito...
-Sei...
-Nas reuni�es usam nomes falsos, para que ao se encontrarem nas ruas, n�o reconhe�am uns aos outros pelos nomes verdadeiros.
-E o motivo de tanto segredo?
-Muitos dos membros da Irmandade s�o assassinos frios e sanguin�rios, extremamente habilidosos.
-Ent�o eles s�o o que afinal, um grupo de assassinos de aluguel ou formam uma m�fia, � isso?
-N�o. � muito mais do que isso. Na verdade, o Grande Mestre que eles seguem n�o � uma pessoa comum, quero dizer, n�o � um ser de carne e osso, humano, entende?
-N�o, e � bom voc� me explicar porque eu t� achando tudo muito confuso...
-Incr�veis atrocidades s�o cometidas por eles como sacrif�cios humanos, que em sua maioria s�o de beb�s nascidos de casais membros da organiza��o. Todos os cuidados e at� o parto s�o realizados por m�dicos e enfermeiras dentro da Irmandade, assim a m�e nunca � vista, a crian�a n�o � registrada e nem a sua morte � vista. Entre os sacrificados est�o tamb�m os que est�o sob disciplina ou s�o volunt�rios. A jovem que conheci pensava em suic�dio justamente por Ter sido obrigada a entregar o seu beb� para ser sacrificado...
-Agora chega! Desculpe, Bob, mas essa est�ria � absurda! Se, e eu disse SE, por um momento sequer eu acreditar no que voc� est� me dizendo, estamos diante de um caso grav�ssimo que precisa imediatamente ser levado a pol�cia...
-N�o adianta! N�o existem provas do que eu estou falando al�m do testemunho de antigos membros, e mesmo alguns policiais fazem parte da Irmandade e a protegem.
-Eis a quest�o! N�o existem provas, Bob. Por isso mesmo eu prefiro, me desculpe meu amigo, mas eu prefiro que tudo isso seja um grande equ�voco da sua parte. Se eles s�o assim t�o secretos, praticam rituais de sacrif�cio, seguem a um ser que n�o � humano e sabe-se l� o que voc� acha que ele seja, como voc� pode ter certeza de que a est�ria que essa jovem te contou � verdade? Certamente o problema dela era psiqui�trico.
-Eu sei que � dif�cil de acreditar, Sally. Mas porque voc� acha que eu vim para nesse hospital? Eles fizeram isso comigo quando descobriram as minhas atividades. Al�m dessa jovem que tentara o suic�dio, outra pessoas vieram a mim trazidas por ela em busca de orienta��o e aux�lio, ajudei muitos a abandonar a Irmandade e fugirem em seguran�a. Outros permanecem na cidade, mas lutam para n�o serem pegos. Passei a incomod�-los oferecendo ajuda aos que queriam sair e isso os motivou a virem contra mim. Eu iria ser sacrificado ao Grande Mestre e s� n�o estou morto porque quando estavam prestes a me crucificar, um dos membros gritou que algu�m do lado de fora vira algo suspeito e chamara os policiais. Eles tem acesso ao r�dio da pol�cia e monitoram todas as chamadas. Neste momento eu desmaiei e s� acordei aqui, neste hospital.
Como nunca ouvira falar em tal coisa, Sally estava at�nita. Seria essa a explica��o para a sensa��o que tivera ao chegar ao hospital a primeira vez?
-Olha, Bob, eu acho que voc� deve contar a pol�cia o que fizeram com voc�. Consegue identificar algum dos autores?
-N�o. Estavam todos usando uma t�nica negra com capuz e m�scaras no rosto. Voc� n�o acredita no que eu falei sobre A Irmandade n�o �? Pois fique sabendo que aqui mesmo, nesse hospital existem muitos m�dicos e enfermeiras que fazem parte dela. S� n�o tenho como provar e por isso n�o posso apont�-los. Mas recomendo que tome cuidado, eu mesmo corro perigo aqui e acredito que s� estou vivo por causa do seu zelo di�rio.
-Bom, de qualquer forma eu vou tomar cuidado. Mas quanto a essa est�ria toda...eu prefiro acreditar que tudo n�o passa de um equ�voco.
-Tudo bem Sally, eu entendo.
-Eu volto mais tarde, ok?
Sally caminhava pensativa pelos corredores do hospital. Jamais imaginara que um dia pudesse ouvir uma coisa daquelas. Sacrif�cios humanos, seres que n�o s�o humanos, tudo mais parecia roteiro de filme de horror. Mas era ineg�vel que muitos fatos estranhos ocorriam naquele lugar. V�rias noites em que estava de plant�o ficava respons�vel por pacientes em estado grave e notara que muitas mortes ocorriam sem explica��o. Alguns, depois de estabilizados, sem qualquer explica��o aparente, pioravam o quadro cl�nico. Quando n�o era o cora��o que de repente parava, era a respira��o que cessava. Apesar de todos os esfor�os para salv�-los, muitos morriam rapidamente. O que ocorrera com Elaine e o Pavulon talvez fosse uma explica��o, algu�m estaria cometendo assassinato pelos corredores do hospital. Mas um outro que problema intrigava Sally eram as freq��ncias dos casos de, como s�o chamados na medicina, �Psicose Aguda da UTI�. Os pacientes em estado cr�tico transferidos a UTI ficam l� por um determinado tempo com as luzes acesas 24 horas, os monitores ligados, sem janelas e sob o stress da doen�a. Nessas condi��es, um consider�vel percentual fica desorientado e come�a a ter alucina��es. Coincidentemente, no Memorial a incid�ncia das �Psicoses da UTI� era muit�ssimo superior ao que j� presenciara em outros hospitais. Em uma conversa com alguns pacientes para saber o que eles viam exatamente, ficara surpresa com o fato de que quase todos diziam ver uma figura que definiam como um �dem�nio� que estava ali para mat�-los e o descreviam de modo igualmente semelhante.
Perdida em seus pensamentos, Sally � trazida de volta pela conhecida voz do seu protetor.
�Volte e deixe Bob contar-lhe tudo que sabe�.
Seu cora��o acelerou.
-Ent�o o que ele diz � verdade? - sussurrou
N�o houve resposta. Como de costume, Sally obedeceu e retornou ao encontro de Bob para ouvi-lo melhor. Estava nervosa e preocupada, esperava profundamente que aquilo tudo fosse fantasia, mas o fato de seu protetor Ter-lhe orientado a dar ouvidos �quilo tudo a fizera apreensiva.
-Muito bem, Bob. Eu agora quero detalhes, me conte tudo que voc� sabe sobre essa tal de Irmandade.
-Sally! - disse surpreso - mas o que te fez mudar de id�ia?
-Nada demais. S� andei pensando e gostaria de saber mais, afinal, se voc� estiver certo, o que est� acontecendo aqui � mais do que temer�rio. � preciso fazer algo.
-Foi o que tentei fazer. Alguma coisa que pudesse ajudar as pessoas que fazem parte dessa monstruosidade a abandonar suas pr�ticas abomin�veis...
-E ent�o?
-O que eu sei � que as pessoas que se achegam a Irmandade assinam um pacto de sangue, um contrato de obedi�ncia, com esse ser que chamam de Grande Mestre...
-Quem � esse Grande Mestre?
-Os antigos membros que conheci dizem ser ele um ser espiritual que por vezes se materializa e � dotado de grande poder. Poder esse que ele transfere para seus seguidores fi�is ou para aqueles que lhe sacrificam uma vida. Essas pessoas tornam-se capazes de atos inimagin�veis, como produzir doen�as e at� mesmo a morte sem ter o m�nimo contato com suas v�timas, movimentar objetos sem o uso das m�os, realizar fa�anhas fora do corpo, coisas sobrenaturais. Esse Grande Mestre intitula-se o senhor de todo poder e exige adora��o divina de seus seguidores, que o v�em realmente como um deus. Os membros da Irmandade est�o em todos os lugares, na pol�cia, no governo, homens e mulheres de neg�cio, e, como j� havia dito, m�dicos e enfermeiras em muitos hospitais com o intuito de levar pacientes graves a morte como um sacrif�cio ao seu Grande Mestre em busca de mais poder.
-Nossa... - disse Sally enquanto esfregava a nuca com uma das m�os - se isso tudo for mesmo verdade, Bob, se essas pessoas s�o t�o poderosas assim, como det�-los?
-N�o podemos det�-los porque eles est�o protegidos pelo anonimato e pela falta de provas, mas sabemos que eles est�o por a� e a nossa arma � tentar convencer o maior n�mero poss�vel a deixar para tr�s essa organiza��o. Os seus poderes n�o s�o invenc�veis como parece, � poss�vel resistir se soubermos lutar convenientemente.
-Racionalmente falando, Bob, o que voc� est� me dizendo � que n�o podemos fazer nada! Quanto a essa coisa toda de seres e poderes espirituais, eu confesso que � inusitado pra mim. Eu acredito em formas evolu�das de exist�ncia, mas da� a acreditar que eles s�o capazes de conferir superpoderes as pessoas...
-Eu sei que � dif�cil acreditar, mas � real, Sally. Talvez n�o possamos colocar ningu�m atr�s das grades mas se passarmos a estar mais atentos, podemos impedir que algumas vidas inocentes se percam nas m�os desses assassinos e ao mesmo tempo podemos, quem sabe, faz�-los abandonar essa comunidade. A �nica coisa que eu te pe�o � que preste aten��o. Talvez possa ajud�-los bem mais do que pensa. Lute ao lado dos seus pacientes contra os ataques do qual s�o v�timas.
-Mas como eu faria isso?
-Una-se a eles com a sua for�a. Basta que voc� resista ao lado deles pela vida, ajude-os a irradiar a for�a de sua vontade interior. N�o se preocupe, eu sei que voc� tem ao seu lado algu�m que vai te ensinar tudo que precisa saber, posso sentir uma for�a poderosa ao seu redor, uma for�a do bem, ao contr�rio da for�a que cerca os membros da Irmandade.
Profundamente preocupada com a situa��o, Sally buscava entender o que realmente estava acontecendo. Nos dias que se seguiram a conversa que tivera com Bob, passara a receber constantes orienta��es vindas do seu protetor. Ora ensinava-lhe a orar e meditar, ora ouvia-lhe em sonhos, onde explicava-lhe coisas acerca do livre-arb�trio como uma caracter�stica humana e at� onde o mundo espiritual poderia interferir na vida das pessoas. Foram semanas de um estranho treinamento cujos ensinamentos seriam postos em pr�tica brevemente.
Anna era uma senhora que em suas muitas visitas ao hospital estivera sob os cuidados de Sally. A m�dica via nela caracter�sticas que a identificavam com sua m�e e acabaram tornando-se muito amigas. Elas verdadeiramente se amavam muito. Em uma determinada noite, Anna chegou ao hospital muito doente e Sally a transferiu para a UTI. Na manh� do dia seguinte, dentro da rotina normal de trabalho, ela foi ver os pacientes e as enfermeiras disseram que Anna estava tendo alucina��es. Sally assustou-se porque conhecia sua paciente muito bem, sabia que ela era uma pessoa equilibrada e n�o se entregaria ao p�nico facilmente. No exato momento em que entrou no quarto Anna estava chorando.
-O que est� acontecendo Anna?
-Sally, se voc� n�o me tirar daqui uma enfermeira, creio que o nome dela � Kate, ela poder� me matar essa noite!
-Mat�-la?! Mas o que aconteceu?!
-Durante a madrugada, eu estava um pouco sonolenta, acho que por causa dos medicamentos, n�o sei, sentia-me um pouco fraca, quando ela esteve aqui e disse-me que n�o era necess�rio que eu lutasse para viver porque poderia facilmente reencarnar em uma vida melhor, disse que invocaria as �entidades espirituais� para levar-me para essa �maravilhosa vida�. Enfim, ela imp�s as m�os sobre mim falando palavras em uma l�ngua estranha no que me pareceu uma esp�cie de ritual. Uma sensa��o horr�vel passou a me dominar, parecia que algo muito poderoso sugava a minha vida. Sally, se o mesmo acontecer de novo eu morrerei, pois estou muito debilitada para lutar.
Sally estava estarrecida! Conhecia Anna o suficiente para saber que ela n�o estava mentindo e nem estava louca. A enfermeira de quem ela falava era uma senhora agrad�vel, atraente e extremamente competente. Al�m de organizada e inteligente, ela sempre mostrava preocupar-se com o bem estar dos pacientes. Era respeitada pelos m�dicos e enfermeiras, apesar de no conceito de Sally era ser um tanto carrancuda. Sem provas, seria imposs�vel conversar com quem quer que fosse e Anna estava em estado t�o grave que n�o poderia sair da UTI aquele dia. S� havia uma coisa a fazer: dirigiu-se a capela do hospital e p�s-se a orar e meditar. Passaria a noite ao lado de Anna, j� que n�o estaria de plant�o. Essa decis�o mudaria para sempre a vida de Sally.
PARTE 02
Quando assentou-se ao lado da cama de Anna, Sally n�o esperava que algo realmente fosse acontecer. Entretanto, ao passar das horas, sentiu uma opress�o terr�vel, como nunca antes houvera sentido. Kate, a enfermeira encarregada da UTI, n�o entrou no quarto durante toda a madrugada. Em dado momento, Sally sentia vir contra ela um incr�vel e invis�vel poder, como se uma m�o gigantesca tentasse esmaga-la contra o ch�o e uma for�a indecifr�vel tentasse sugar toda a vida em seu corpo. Ela tentava entender racionalmente a situa��o, repetindo para si mesma que tudo era fruto da sua imagina��o, que estaria sugestionada pelo que ouvira do jovem l�der religioso e pelo que a pr�pria Anna lhe contara, mas nada disso a ajudou. Sentia-se t�o fraca que n�o conseguia nem mesmo permanecer assentada. Anna sentia o mesmo e assim, de m�os dadas e sem fazer barulho, passaram a noite em uma batalha intensa pelas suas vidas. Apesar de tudo, o dia amanhecera e Anna estava segura. Sally retirou-a da UTI pela manh�. Ainda enquanto se recuperava da noite anterior e pensando acerca de quem ou o que teria provocado o que sentira, Sally v�-se diante de outra revela��o.
Jean, uma das enfermeiras, com um semblante assustado e urgente, procurara Sally no alojamento.
-Doutora Brown, ser� que podemos conversar por uns instantes?
-Claro, Jean. O que deseja?
Ap�s certificar-se de que estariam a s�s, Jean continuou.
-Soube o que aconteceu com sua paciente, a senhora Anna Moore, ela mesma me contou, antes de voc� ir v�-la ontem...
-E ent�o?
-Creio que o fato de voc� ter passado essa noite ao seu lado foi por ela Ter-lhe contado o que a enfermeira Kate lhe fizera, n�o foi?
-E se for?
-Doutora, tudo que ela lhe falou � verdade, mas por favor, ningu�m pode saber que estive contando-lhe isso.
-Muito bem. Mas o que voc� quer dizer exatamente?
-Pode parecer loucura, mas � a mais pura verdade, doutora. Existe uma comunidade aqui nos arredores e Kate faz parte dela...
-Que comunidade?
-S�o chamados A Irmandade, e Kate tenta a algum tempo levar-me a fazer parte dela. Estive em algumas reuni�es bem estranhas, em locais desertos que n�o sei onde ficam, n�o nos deixam saber. Fizeram-me assinar uma esp�cie de contrato com meu sangue, onde eu teria que passar a adorar e obedecer ao l�der da organiza��o, que chamam de Grande Mestre. � medida que o tempo foi passando, comecei a ter medo do que via e estou tentando me afastar, mas depois do que aconteceu com Bob...sei que eles n�o ir�o deixar que eu saia, por isso estou secretamente me preparando para fugir desse lugar.
-Como assim Jean? O que acontece nessas reuni�es?
-Rituais de todo tipo, com o intuito de se adquirir poder atrav�s da adora��o a esse Grande Mestre. Eu nunca o vi, mas sei que � muit�ssimo poderoso, lidera uma esp�cie de seres espirituais que podem habitar o corpo de seus adoradores e dar-lhes imenso poder, tornando-os capazes de fazer coisas inimagin�veis. Esses eu j� vi se materializarem em algumas reuni�es e s�o terrivelmente assustadores. Ouvi tamb�m que, por vezes, alguns sacrif�cios humanos s�o feitos a esse Mestre, mas nunca vi nada desse tipo. O fato � que Kate considera ser seu minist�rio escalar-se para cuidar dos pacientes mais graves na UTI e dessa forma, tentar dissuadi-los da vida. Com ou sem o consentimento deles, invoca o que ela chama de "entidades superiores" para virem e leva-los a morte.
-Mas por qu�? Em que essas mortes s�o �teis a ela ou a essa comunidade?
-Parece que essas pessoas s�o oferecidas ao Grande Mestre em sacrif�cio em troca de mais poder. Doutora, eu jamais poderia falar sobre isso com algu�m, Kate ocupa uma posi��o de respeito aqui no hospital e ningu�m iria acreditar em mim.
-E por qu� est� me contando ent�o?
-Vi o que fez pela senhora Moore. Sinceramente, tinha como certa a morte dela depois do que Kate havia feito, mas acredito que gra�as a sua ajuda, ela conseguiu sobreviver. Estou te contando porque acho que voc� pode ajudar muitos outros da mesma forma. N�o sei o que fez, mas seja o que for, deu certo, al�m de mostrar o quanto voc� � corajosa. Coragem que me falta e por isso logo, logo estarei bem longe daqui.
Toda a narrativa de Jean confirmava o que Bob dissera a Sally e essa descoberta finalmente deu-lhe a determina��o que precisava: iria guerrear ativamente contra Kate e os outros membros dessa comunidade que atuavam no hospital. Seguindo o conselho de seu protetor, todas as manh�s antes de ir trabalhar, entregava-se a um longo momento de ora��o e medita��o, buscava sabedoria e revestimento espiritual para lidar com o que encontrasse e diariamente, antes de deixar o hospital, caminhava pela UTI e outras alas e tranq�ilamente, mas de forma aud�vel, lutava contra a presen�a de qualquer tipo de for�a que ali estivesse com o intuito de provocar ou acelerar a morte de algum paciente. Nas muitas noites em que estava de plant�o, era chamada a UTI ou a uma das alas para ver um paciente que estava sofrendo piora em seu estado cl�nico. Quando os procedimentos de praxe n�o surtiam efeito ou quando sentia a presen�a esmagadora que sentira na UTI com Anna, usava de outros artif�cios. Foram muitas as vezes em que, assentada ao lado do paciente durante alguns momentos ou por toda uma noite em suas folgas, lutava silenciosamente em uma batalha espiritual pela vida daquela pessoa.
O fato � que, ap�s alguns meses, o n�mero de casos ligados a "Psicose da UTI", pioras repentinas e �bitos s�bitos haviam diminu�dos sensivelmente. Naturalmente nem Kate nem os outros membros da Irmandade tinham prazer nas atividades de Sally e por isso a batalha j� estava declarada. Uma batalha que envolveria uma personagem cuja vida fora profundamente transformada a oito anos atr�s em uma cidade pr�xima.
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Chris nascera em uma fam�lia muito pobre. O casamento de seus pais era bastante conturbado, marcado por conflitos di�rios entre um homem que acreditava ser um dom de Deus para as mulheres e uma mulher que n�o se conformava com a pobreza em que vivia. Ainda na maternidade, seu pai parou aos p�s do leito onde sua m�e a amamentava e disse-lhe que desejaria que aquela crian�a tivesse morrido. Enfim, ela atirou um vaso contra ele.
Ap�s alguns anos, sua m�e casou-se novamente e sua vida melhorou um pouco. No entanto, os anos na escola secund�ria n�o foram os melhores da sua vida. N�o era das mais populares, tinha pouqu�ssimos amigos e alguns colegas zombavam da sua pequena estatura. Nessa �poca conhecera Sandy no grupo da mocidade de uma igreja e tornaram-se amigas. Estudavam na mesma escola e passaram a estar juntas para estudar. Sandy era muito bonita, possu�a uma situa��o financeira muito boa, vestia-se bem e era muito popular. Chris acreditava que, por causa da grande diferen�a entre elas, Sandy era sua amiga muito mais por pena do que por qualquer outro sentimento. Durante as f�rias escolares do ver�o, Sandy fez um convite que mudaria para sempre o rumo da vida da jovem Chris.
-Olha, eu sei que voc� � triste e solit�ria e acho que sei onde voce pode encontrar ajuda. A igreja que freq�entamos n�o se importa de verdade com voc�, mas se quiser, podemos ir a um acampamento de jovens do grupo que eu e minha fam�lia fazemos parte.
Sandy falara sobre o acampamento e descrevera-o como um lugar onde ela poderia ser aceita, reconhecida e amada. L� seria capaz de desenvolver talentos especiais que iriam torn�-la importante e famosa, ou quem sabe rica, al�m de poder ter tudo o que desejasse.
No acampamento, levaram-na primeiramente a um sal�o onde ficaram um tempo a fim de se sentisse a vontade. O lugar possu�a muitas instala��es: museus, bibliotecas, salas de jogos, salas de gin�stica e alguns lugares onde eram praticadas algumas artes esot�ricas. Ap�s alguns dias freq�entando e conhecendo o local, Sandy levara Chris a um enorme galp�o situado aos fundos da propriedade. Como o sol estava se pondo, todo o local ficava escuro, exceto pelas treze velas negras cuidadosamente dispostas ao ch�o na parte da frente do recinto, que formavam sombras medonhas. Essas sombras eram das treze figuras assentadas cada uma atr�s de uma vela. Eram treze mulheres, vestidas igualmente com t�nicas longas e brancas. Tinham tamb�m capuzes cobrindo suas cabe�as e estavam coma s pernas cruzadas sobre o ch�o limp�ssimo, as costas eretas, os bra�os cruzados sobre o peito, olhando fixamente e totalmente concentradas para as velas que mediam cerca de setenta cent�metros de altura por oito cent�metros de espessura. N�o faziam movimentos, exceto pelos l�bios que entoavam cantos e zumbidos cont�nuos. Havia naquele lugar um poder que, ao mesmo tempo que a sustava, a fascinava. Nas noites que se seguiram, iriam assistir a mesma cerim�nia realizada pelo grupo que ficou sabendo chamar-se "M�es da Luz". Diziam-lhe que poderia ter grandeza e usufruir do poder para conseguir o que quisesse, que tudo aquilo vinha de um deus verdadeiro que chamavam de Grande Mestre e ensinaram-na a cantar e fazer preces a esse ser.
No �ltimo dia do acampamento, quando preparava-se para ir embora, Sandy dissera-lhe que conversara com as "M�es da Luz" e estas ofereciam a oportunidade de Chris tornar-se especialmente dotada, oferendo para isso treinamento especial para ela. Para tanto, o sacerdote e a sacerdotisa superiores queriam falar-lhe no templo antes da partida. L� chegando, os sacerdotes comunicaram-lhe que ela havia sido escolhida para tornar-se membro do que chamaram de A Irmandade, bastando que para isso assinasse um pacto de sangue com o Grande Mestre na cerim�nia que aconteceria na noite seguinte.
-E o que h� nesse pacto?
-Nele voc� entregar� o seu corpo, alma e esp�rito ao nosso Grande Mestre em gratid�o as muitas b�n��os vindas dele.
-Sob nenhuma hip�tese assinaria um pacto como esse! � exaltou-se Chris
-Voc� n�o tem escolha!
-V� para o inferno! Voc�s s�o todos uns esquisitos e eu n�o farei isso!
Imediatamente, um dos membros da Irmandade a agarrou pelo pulso, puxando-o para tr�s com for�a.
-Ajoelhe-se e pe�a perd�o a sacerdotisa pelo seu desrespeito ou vou bater em voc� at� que o fa�a!
-Ent�o v� em frente! Comece! N�o me curvarei diante de mulher alguma!
Ele atirou-se sobre ela e no primeiro agarro a jogou com for�a no templo. Chris acordou horas depois em uma cela completamente escura. Na porta havia uma pequena janela de modo que pudesse ser vigiada. N�o a deixaram dormir pelas cerca de 24 horas em que ficou l� dentro. Permanecera tamb�m sem alimento e �gua. Diziam-lhe entre outras coisas que se n�o assinasse o pacto eles a torturariam e matariam sua fam�lia, que j� estava sendo observada. Na noite seguinte, levaram-na a uma sala, onde algumas mulheres a deram banho e a vestiram com uma t�nica branca que chegava ao ch�o, amarrada � cintura por um cord�o igualmente branco. Nela havia um capuz e mangas longas que n�o tinham enfeites. As mulheres disseram-lhe para n�o lutar e tentar impedir o seu destino, pois receberia maravilhosas b�n��os como resultado da entrega ao Grande Mestre.
Levaram-na a um local semelhante a um grande armaz�m, n�o tinha janelas e os fundos era de madeira, parecia constru�do em uma fazenda, havia feno no ch�o e o lugar era bastante isolado. Estava iluminado apenas por algumas velas que tremulavam nas paredes, arranjadas em grupos de tr�s: uma preta, uma vermelha e outra branca. Estavam presentes cerca de duzentas a trezentas pessoas assentadas em bancos planos de madeira, virados para a frente da constru��o, onde estava uma plataforma iluminada por tochas. Apesar do medo e cansa�o, sentia uma comovente excita��o enquanto o tremendo poder invis�vel do lugar parecia reagir dentro de si. Um incenso queimava e enchia o lugar com um ardor que rapidamente a fizera sentir-se um pouco tonta. Ap�s algum tempo, alguns sininhos come�aram a tocar e na plataforma surgiram ambos os sacerdotes vestindo t�nicas id�nticas e descal�os, tendo �s m�os uma esp�cie de cetro, medindo cerca de um metro. Haviam guardas fortemente armados dentro e fora do recinto. Dois deles levaram-na ao altar, onde fora apresentada pelo sacerdote como um novo membro ansiosa para congregar.
-Irm�os e irm�s, trazemos a voc�s essa filha, irm� Coragem, que est� aqui porque pediu para tornar-se uma de n�s, e agora, diante de todos, assinar� o pacto de sangue e compromisso com o Grande Mestre.
Em seguida, deram-lhe uma faca para que cortasse o dedo. Como se recusara, um dos guardas deu-lhe uma violenta chicotada, fazendo-a contorcer-se de dor. Com um movimento r�pido de m�o, a sacerdotisa fez sinal para que o guarda parasse e disse em um tom de desd�m:
-Existem meios mais eficazes de mostrar-lhe o seu erro.
Ela e o sacerdote tomaram lugares opostos em um enorme pentagrama desenhado no ch�o no meio do altar, dentro de um c�rculo. Havia tamb�m velas pretas em cada ponta da estrela. Com um simples movimento de m�o, a sacerdotisa acendeu cada vela sem toc�-las e come�ou a entoar um encantamento, marcado pelo badalar de pequenos sinos. Repentinamente, o pentagrama ficou invis�vel sob uma cortina de fuma�a e uma ofuscante luz. Uma figura gigantesca surgiu no centro do c�rculo. Parecia ter cerca de dois metros e meio de altura e sua pele parecia ser totalmente revestida por uma coura�a. Olhou para Chris de um jeito amea�ador, movendo-se para frente e para tr�s. A sacerdotisa olhou-a.
-Se voc� n�o assinar o pacto, ele ir� tortur�-la at� te matar.
Chris estava apavorada. Nunca sentira tanto medo e jamais imaginara ver algo semelhante. Ao mesmo tempo desejava ardentemente o poder demonstrado pela sacerdotisa, estava determinada a ser t�o poderosa quanto ela. Ao consentir em assinar o pacto, duas mulheres vieram e colocaram uma t�nica preta sobre a branca que vestia. Ap�s cortar o pr�prio dedo, mergulhou uma pena no sangue e assinou uma folha escrita em um idioma estranho. Ao terminar de faze-lo, foi envolvida em uma descarga el�trica que come�ou do alto da cabe�a at� a planta dos p�s, t�o forte que ca�ra nocauteada no ch�o. Ao tentar levantar-se, notou que a sacerdotisa estava fazendo um novo encantamento, onde fizera surgir um outro ser que afirmava a Chris ser o enviado para estar a seu servi�o. Desmaiara em meio a agonia, s� acordando enquanto era carregada de volta para o furg�o. Estava t�o exausta e confusa pela falta de sono, comida, �gua e pelos maus tratos que n�o podia compreender o sentido exato de tudo que acontecera.
Ao chegar em casa, estava certa de que era uma das pessoas mais poderosas da terra. Sabia possuir uma for�a fora do comum e pensava que nada nem ningu�m poderia destru�-la. Passados um m�s ap�s a assinatura do pacto, Chris recebera um chamado para um encontro com a sacerdotisa local, o que na Irmandade era uma grande honra. Grace era uma senhora idosa e muito bonita. Ocupara a posi��o de sacerdotisa durante muitos anos e chegara o momento de treinar uma nova substituta.
-Voc� foi escolhida pelo Grande Mestre para ser treinada e tornar-se uma sacerdotisa superior, isto �, se for qualificada para isso.
Chris achara estranho tal chamado, al�m de jovem, era novo membro. Imaginava o que isso representaria, pois no fundo n�o era e nem seria algu�m para destrui��o. Amava a vida e n�o conseguia imaginar-se machucando algu�m.
-Acho que sei porque ele a escolheu � disse a mulher como se tivesse lido seus pensamentos � voc� emana um poder e uma for�a natural, n�o � uma pessoa qualquer, nasceu para ser uma guerreira e desta vez ir� lutar do lado certo.
Apesar de n�o entender muito bem o que queriam dizer aquelas palavras resolveu obedecer, afinal, n�o haveria escolha.
Nos anos que se seguiram, passou a receber treinamento especial pelo menos uma vez por semana. Aprendera a evocar a presen�a de alguns seres espirituais, que se materializavam e eram usados em seu favor. Aprendera a projetar-se fora do corpo e usar o poder que a acompanhava nessas condi��es e fora treinada em algumas lutas marciais. Tornou-se expert no manuseio de facas, tchacos, espadas, rev�lveres, arco e flecha, estrela e outras armas orientais. Financeiramente, sua vida dera uma verdadeira guinada. Sob a orienta��o de alguns membros, passara a investir em a��es e outras aplica��es que fizeram o dinheiro que recebera da pr�pria organiza��o multiplicar-se assustadoramente. Deixara definitivamente para tr�s o conv�vio com a fam�lia e passara a morar sozinha em uma bel�ssima casa.
O primeiro encontro com o Grande Mestre aconteceu pouco antes da cerim�nia que a tornaria uma sacerdotisa superior. Ele veio at� ela em um corpo f�sico, aparentava calma e irradiava uma certa luz e muito poder. Dissera-lhe que seria necess�rio um sacrif�cio de sangue para sua purifica��o. Chris ficara assustada, sabia da exist�ncia de rituais semelhantes onde vidas humanas eram oferecidas e odiava aquilo. De certa forma, ficara um pouco aliviada ao saber que o que seria sacrificado era um animal, mas durante o per�odo em que permanecera na Irmandade, in�meras vezes era castigada com dores e enfermidades inexplic�veis por se recusar terminantemente a participar ou presidir como sacerdotisa um ritual dessa categoria.
Em seu novo posto na Irmandade, sua rotina passou a ser dividida entre celebrar pactos com novos membros recrutados nas escolas ainda jovens, presidir cerim�nias de adora��o ao Grande Mestre e combater os opositores dentro e fora da organiza��o. In�meras vezes usava seus poderes para disciplinar os que tentavam rebelar-se contra sua autoridade ou para atormentar a vida de pessoas na cidade que de alguma maneira incomodavam algum membro. Era sua obriga��o tamb�m impedir que quem quer que fosse deixasse a Irmandade. O castigo para essa atitude era a morte, se poss�vel em um ritual de sacrif�cio. Para impedir que algu�m pensasse em tal atitude e a obrigasse a matar, impunha uma disciplina baseada no terror e nas amea�as constantes a seus liderados, corroboradas por muitas demonstra��es de poder.
Oito anos ap�s o seu ingresso na Irmandade, Chris tornara-se a mais poderosa sacerdotisa que j� houvera naquela regi�o. Seus poderes eram superiores aos de qualquer outro membro, tornara-se intoc�vel e todos a temiam. Uma noite, o Grande Mestre a procurara em sua casa muito furioso, dizendo que no seu "hospital especial" havia uma m�dica que se julgava muito esperta e atrevera-se a interferir no trabalho dos membros da organiza��o naquela institui��o. Ordenou-lhe que dirigisse um esfor�o nacional, com todos os membros mais poderosos espalhados pelo pa�s, na inten��o de destru�-la. Segundo ele, n�o importava o que tivesse que ser feito, a jovem m�dica deveria ser morta o mais r�pido poss�vel. Chris n�o gostara nem um pouco da ordem que recebera e muito a contragosto ligou para Kate, enfermeira l�der da Irmandade naquele hospital e repassara-lhe a incumb�ncia de organizar a a��o. Durante v�rios meses, pouco pensava na tarefa, exceto quando tinha que fazer, periodicamente, alguns rituais a pedido de Kate.
Na cidade de Boise, a 70 km dali, a batalha se intensificara no hospital. Sally, a despeito dos bons resultados obtidos com os pacientes, a cada dia sentia-se mais e mais fraca, at� que, a certa altura, encontrava-se extremamente debilitada. Sob os cuidados de um dos m�dicos chefe do Memorial, fizera uma avalia��o profunda do seu estado, que envolvia v�rios especialistas, at� que chegaram a um diagn�stico: sofria de uma grave doen�a neuromuscular que a condenava a poucos meses de vida. Perguntaram-na ent�o se queria ficar internada ou ir para casa e ela ent�o, muito mais triste pelas vidas que deixaria de ajudar do que pelo seu estado, decidira ir para casa, onde contaria com a presen�a de sua m�e que viera de Columbia ao saber que a filha n�o andava bem.
No agonizante m�s que se seguiu, a doen�a de Sally progrediu assustadoramente, a ponto de deixa-la t�o fraca que j� n�o conseguia andar e nem mesmo levantar-se da cama. Noite ap�s noite as dores a impediam de dormir e ela j� se acostumava a id�ia de que sua vida chegaria a um fim brevemente. Um dia, Bob, o jovem l�der religioso que conhecera no Memorial, veio visita-la.
-Isto pode parecer loucura, Sally, mas eu estou certo de que o que est� acontecendo com voc� � uma ataque espiritual provocado pelos membros da Irmandade, como resultado do seu trabalho no hospital.
De repente Sally entendeu! Por que ela n�o associara a sua condi��o a batalha que travara no memorial pela vida dos enfermos? Bob continuou:
-N�o tenho d�vidas de que a sua doen�a � resultado direto de algum tipo de encantamento enviado pelos membros dessa comunidade e o que precisamos agora � unir nossas for�as para venc�-los. Voc� tem lutado pela vida daquelas pessoas no hospital e agora da mesma forma chegou a hora de lutar pela sua. Se a sua doen�a for de origem espiritual, n�s conseguiremos venc�-la.
Apesar de todo esfor�o empregado pelo amigo e por outros companheiros que ele trazia para ajud�-lo, no final daquela semana Sally estava quase inconsciente. Ela lutava pouco, pois no fundo do cora��o pensava em n�o viver. A voz do seu protetor enfim a fizera despertar.
"N�o � o momento de voc� partir, Sally. Ainda h� muitas pessoas que precisam de voc�. Lute e resista ao mal, recuse-se a aceitar qualquer enfermidade ou morte trazida por ele. Se voc� quiser viver, Bob e os outros ser�o capazes de te ajudar".
Finalmente, com muitas l�grimas, mas no firme prop�sito de atender ao seu guardi�o, come�ou a resistir a sua doen�a e a lutar pela vida. Os m�sculos de Sally estavam muito fracos e foram tr�s meses de intensa batalha. No entanto, para surpresa de todos os m�dicos, ela sarou por completo. Dessa forma, retornara ao Memorial para terminar o seu treinamento, sem saber do encontro que brevemente ocorreria entre ela e Chris, a pessoa respons�vel pelo ataque que quase a matara.
PARTE 03
Passados alguns meses ap�s a ordem que recebera do grande mestre, Chris � surpreendida por um telefonema da enfermeira Kate:
-Lembra-se da m�dica contra quem organizamos o ataque?
-Sim, lembro.
-Bom, h� quatro meses ela deixou o hospital quase morta, mas acaba de retornar para trabalhar, e o que � pior, completamente curada!
-Como isso pode ter acontecido?!
-Voc� n�o sabe?
-O que voc� acha que pode ter sido?
-Bem, presumo que algu�m tenha nos barrado atrav�s de ora��es.
-� isso mesmo � foi a resposta curta que deu para encerar a conversa.
Chris estava confusa e ao mesmo tempo euf�rica com o que havia acontecido. Pela primeira vez percebera que o poder que possu�a podia ser vencido por algo ainda maior que aquela m�dica aparentava ter. isso significaria ent�o que existia uma remota possibilidade de deixar tudo e sobreviver, visto que um ataque t�o poderoso quanto o que sofrera aquela mulher era at� ent�o imposs�vel de ser vencido por quem quer que fosse. Que poder era aquele que a deixara imune a for�a maligna do Grande Mestre?
Enfim, o acontecimento que presenciaria iria culminar na sua firme convic��o em deixar definitivamente a Irmandade. Fora pessoalmente informada pelo grande Mestre que aconteceria uma cerim�nia important�ssima e que n�o haveria escolha, deveria ir, pois era convidada especial para a ocasi�o.
A reuni�o aconteceu em um celeiro enorme e isolado, reformado de forma rudimentar para o momento. O n�mero de pessoas presentes chegava a quase duas mil pessoas, sendo que a maioria j� havia feito uso de drogas antes da chegada e a todas fora dado doses de bebidas alco�licas contendo narc�tico. Como sempre, Chris as rejeitava, os membros de n�vel mais alto nunca compartilhava de bebidas com drogas e menosprezavam aqueles que as consumiam.
Naquela noite, n�o tinha a menor id�ia do que estava para acontecer ao entrar no celeiro, mas p�de reconhecer que ali estavam presentes sacerdotes e sacerdotisas, al�m de muitos membros das mais diversas assembl�ias espalhadas pelo pa�s, o que significava um evento importante. No fim do celeiro, havia uma plataforma atravessada e por cima dela um trono de ouro puro para o Grande Mestre. A multid�o ficou em sil�ncio absoluto quando ele materializou-se, podia ouvir-se o barulho de um alfinete cair no ch�o. Era um sil�ncio de temor. Por fim, Chris p�de ter a exata no��o do que aconteceria ali ao ver surgir na porta lateral um homem sendo conduzido gritando e esperneando para a plataforma. O choque e o horror apoderaram-se dela, assim como o vazio e o desespero. Em todos esses anos que fizera parte da Irmandade, sofrera in�meros castigos dolorosos por se recusar terminantemente a oferecer sacrif�cios humanos em sua assembl�ia, da mesma forma que n�o comparecia a nenhum desses rituais em qualquer outro lugar. Tentara ir embora mas o Grande Mestre, �nico com poder suficiente para det�-la, a obrigou a ficar, deixando-a paralisada, de forma que n�o conseguia mover-se do lugar onde estava. Assistira ent�o, em estado de choque, quando o jovem homem foi brutalmente torturado e pregado em uma estaca de madeira, sob berros, agonia e s�plicas. O Grande Mestre estava na forma de sempre, vestido de branco, contudo seus olhos cintilavam vermelhos como uma chama de fogo e mexia com a cabe�a para frente e para tr�s, soltando uivos e uma horrenda e estridente gargalhada, at� que, por fim, partira.
Chris voltou para casa decidida a n�o mais permanecer na Irmandade, ainda que isso custasse-lhe a vida. O que acontecera era demais para ela, que no fundo acabara envolvendo-se com tudo aquilo contra sua vontade e jamais poderia suportar a id�ia de participar de um ritual de tortura e morte.
Naquela mesma noite o Grande Mestre veio falar-lhe. Antes por�m que ele lhe dissesse qualquer coisa, Chris o repeliu:
-Quero que voc� v� embora daqui, agora! Nunca mais irei te obedecer e a partir de hoje n�o fa�o mais parte do seu s�quito de assassinos!
-Que diabos voc� pensa que est� fazendo?
-Estou te deixando!
-Voc� n�o pode faz�-lo.
-N�o posso faz�-lo?! Eu j� o fiz!
-Voc� me deve obedi�ncia, n�o pode anular o pacto!
-Prefiro morrer a continuar servindo a seus prop�sitos, voc� s� me ofereceu mentiras e destrui��o.
-Mentiras e destrui��o? E quanto a todo poder e dinheiro que fiz voc� adquirir?
-Dane-se tudo que me deu! Eu n�o quero mais nada que venha de voc�, bem como n�o ter� mais nada que venha de mim!
-Tola! Voc� tomou a decis�o errada e eu vou te provar isso, de forma lenta e dolorosa.
Ao dizer tais palavras, o Grande Mestre desaparecera, deixando Chris totalmente desolada. Sabia ter tomado a decis�o correta, mas ao mesmo tempo tinha a exata no��o do que significava tal atitude. Em seus muitos anos de Irmandade, presenciara o que o poder daquele ser misterioso era capaz de fazer. Imaginava que certamente morreria, talvez at� em uma daquelas cerim�nias de sacrif�cios, onde por vezes alguns membros rebeldes eram punidos, situa��o em que ela se encontrava agora, rebeldia e revolta. Mesmo assim estava decidida: morreria se fosse o caso, mas n�o voltaria atr�s.
Apesar da firme decis�o e toda sua luta contra o grande mestre, ele fora bem sucedido em faz�-la doente. Dias depois, Chris caminhava pela rua quando uma dor aguda a fizera desmaiar. Acordou momentos depois no hospital local sentindo fortes dores abdominais que intensificavam-se a cada instante. Os dias que se seguiram foram de muitos exames at� constatarem que n�o havia nada de errado com ela, a despeito do seu estado f�sico que mostrava-se cada fez mais debilitado. Diante das dificuldades em seu caso, os m�dicos decidiram transferi-la para o Hospital Memorial, da vizinha cidade de Boise, dotado de maiores recursos e onde talvez fosse poss�vel diagnosticar a sua enfermidade.
Chegando ao Memorial, Chris deixou a ambul�ncia direto para o setor de emerg�ncia (SE), e como n�o conhecia nenhum dos m�dicos, ficaria aos cuidados da m�dica de plant�o naquela noite. Estava desesperadamente doente, sentia dores fort�ssimas, al�m da solid�o e do medo. Foi nessas circunst�ncias, deitada de modo desconfort�vel em uma sala da emerg�ncia, que Sally entrou na sua vida.
Ao tomar conhecimento da chegada de mais uma paciente, Sally deixou o alojamento onde se encontrava e seguiu rumo ao SE. Estava cansada e um tanto impaciente em virtude das duras batalhas que enfrentava diariamente naquele hospital, quando a voz do seu guardi�o a fizera mais atenta:
"Hoje voc� estar� diante do prop�sito que a trouxe a esse lugar"
-Est� bem, n�o adianta perguntar o que isso quer dizer porque voc� n�o vai me explicar, n�o �?
Novamente, n�o houve resposta.
-�, eu sabia. O que ser� dessa vez?
Chegando ao SE, a enfermeira encarregada pusera-lhe a par da chegada de uma mulher vinda do hospital da cidade vizinha reclamando de fortes dores. Sua press�o estava alta, estava um tanto debilitada, mas os in�meros exames que a acompanhavam n�o identificavam qualquer doen�a. Ap�s uma r�pida an�lise em toda documenta��o, Sally dirigiu-se ao seu leito. N�o sabia explicar porqu�, mas a medida que se aproximava, sentia todo o cansa�o e impaci�ncia que a acometiam dissipando-se em uma nuvem de ternura e paz.
Ao chegar, encontrara uma jovem que, mesmo parecendo dormir, permitia ver o quanto seria bonita. Possu�a uma tez alva, fei��es meigas que a encantaram, e cabelos curtos e loiros que pareciam dar-lhe um ar ainda mais jovial. Um tanto confusa, Sally sentia o seu cora��o bater um pouco mais forte a medida que admirava aquela figura, sentia como se houvesse ali em derredor um poderoso im� que a atra�a �quela jovem e, ainda sem entender porqu�, dera-se conta do quanto sua vida era solit�ria e, de certa forma, vazia. Ap�s alguns instantes, em um impulso incontrol�vel, percorrera com a m�o em uma car�cia os loiros cabelos de sua paciente.
Chris abriu os olhos surpresa. Primeiro porque a car�cia que sentira em seus cabelos n�o s� a fizera despertar, mas tamb�m, de forma incompreens�vel, havia feito seu cora��o bater mais r�pido. Segundo porque via-se diante do mais magn�fico par de olhos azuis que j� vira. Contemplava uma medica lind�ssima, de rosto marcante e anguloso, jovem, e mais do que isso, sentia que dela irradiava algo que, mesmo n�o podendo tocar, sabia ser bastante forte.
Sally sentiu um leve tremor enquanto admirava os belos olhos verdes daquela jovem, que a deixavam ainda mais bonita. P�s as m�os em seu jaleco desconcertada:
-Boa-noite, desculpe t�-la acordado. Eu sou a Dra. Sally Brown.
-Sem problemas � respondeu em um fio de voz.
-Como est� se sentindo, Srta. Morisson ?
-Me chame de Chris.
-Chris. Ent�o, como se sente?
"N�o saberia explicar, doutora, a sua presen�a deixou tudo ainda mais confuso pra mim " � pensou Chris.
Seus olhos cruzavam-se de forma meiga em um instante que mostrava-se cada vez mais longo. Enfim, Sally, ainda desconcertada, repetiu a pergunta suavemente:
-Chris, como se sente?
-Fraca, e com dores por todo corpo.
Sally passara ent�o a conversar com a jovem sobre seu estado em uma anamnese cuidadosa. Nenhuma informa��o colhida pela m�dica p�de ajud�-la muito a identificar a causa dos problemas que aquela paciente apresentava e, diante do seu estado, decidira interna-la para uma an�lise mais especializada.
Em casa no dia seguinte, Sally tentava dormir por algumas horas para recuperar-se do estressante plant�o da noite anterior. Apesar da tentativa, n�o conseguia pregar os olhos, seus pensamentos estavam em polvorosa. A imagem daquela jovem que chegara durante o seu plant�o n�o sa�a da sua cabe�a, havia decorado cada detalhe daquele rosto que mostrava-se t�o meigo e bonito, e, ao lembrar-se dela, um sorriso brotava-lhe naturalmente nos l�bios.
"Mas o que ser� que est� acontecendo comigo? Por que essa garota n�o me sai do pensamento? Ela � t�o linda, meiga. Parecia t�o fr�gil naquele leito...C�us, eu devo estar louca! Ainda mais essa agora! Devo estar muito carente, s� pode ser isso. Tamb�m, desde que cheguei aqui n�o me envolvi com ningu�m, apesar de ter conhecido alguns rapazes interessantes...mas logo uma mulher mexer comigo dessa forma??? Que eu me lembre isso nunca aconteceu antes...bom, talvez n�o seja nada disso, eu devo ter ficado penalizada com a situa��o dela, talvez...seja l� o que for, acho melhor eu manter dist�ncia. Tudo que eu menos preciso agora � esse tipo de situa��o a me encher o ju�zo! Dr. Takeuchi ir� cuidar dela, e eu vou acompanhar tudo de longe" .
Durante a manh� no hospital, Chris recebera a visita do Dr. Natan Takeuchi, que dizia-lhe ser o m�dico designado para cuidar do seu caso. Para seu total desapontamento, a bela m�dica que a atendera na noite anterior e que n�o lhe sa�a dos pensamentos n�o seria sua m�dica titular, havia designado um outro profissional que estaria sob sua autoridade, mas Chris n�o gostou nem um pouco dele. Do mesmo modo, Dr. Natan n�o simpatizara nem um pouco com a paciente, n�o acreditava que ela estivesse doente e sentindo as dores que dizia sentir. No segundo dia ap�s sua chegada, Sally veio finalmente falar-lhe.
-Bom-dia, Chris.
Novamente, o clima entre elas era quase palp�vel, no entanto, a m�dica mostrava-se mais segura e distante. Chris por sua vez, com a chegada daquela linda mulher, sentia-se subitamente melhor e admitia para si mesmo :
"Que loucura! Como ela mexe comigo! Eu nunca senti isso por ningu�m, e eu mal a conhe�o...eu nunca acreditei em amor a primeira vista, mas o que ela me faz sentir ...eu acho que estou amando..."
Tal constata��o fez surgir um sorriso luminoso em sua face, diante do qual Sally quase perde as estribeiras do seu alto controle.
"C�us! Que sorriso lindo!"
Pigarreando para retomar as coordenadas de suas id�ias, a m�dica enfim falou:
-Chris, como se sente hoje?
-Um pouco melhor. Na verdade eu tenho alternado momentos de melhora com outros de muita agonia.
-Entendo. N�s temos analisado todos os exames que foram feitos no outro hospital e n�o conseguimos achar nada de anormal, por isso vamos ter que refazer alguns e incluir novos exames. Isso levar� tempo e durante esse per�odo, voc� dever� permanecer internada.
-Que bom! � disse alegremente.
Ao perceber a express�o um pouco confusa da m�dica, rapidamente emendou:
-Quer dizer, que bom que estou aqui...pra ver se eu consigo me livrar dessa dores de uma vez por todas...- disse gesticulando nervosamente.
-Bem, o Dr. Takeuchi � jovem mas � muito profissional, e eu vou estar por perto para qualquer necessidade, o.k.?
Sally virava-se na inten��o de deixar o quarto quando sentiu a m�o de Chris segurar a sua:
-Doutora Brown!
Aquele toque fizera uma descarga el�trica percorrer o corpo da aparentemente fria Sally. Voltara-se para sua paciente e, aproximando-se do seu leito, permaneciam de m�os dadas e, quase imperceptivelmente, acariciava com o polegar o dorso da pequena m�o da jovem loira. Olhavam-se intensamente, ent�o Chris continuou:
-Eu...eu gostaria que voc� fosse minha m�dica titular...
-Por que? � disse em um tom mais baixo que o normal.
-Eu me sinto melhor quando voc� vem me ver � Chris sentira imediatamente o seu rosto corar. "N�o acredito que tive coragem de dizer isso! ".
Sally sentiu o seu cora��o bater descontroladamente.
"Por Deus, controle-se Sally. Mas o que ser� que ela quis me dizer com isso?"
-Desculpe, Chris, mas eu n�o estou entendendo...
-Ah, eu.. eu n�o sei explicar. Bem de qualquer forma, o Dr. Takeuchi n�o simpatizou muito comigo e...
-N�o simpatizou com voc�? � perguntou levantando uma sobrancelha, deixando Chris ainda mais encantada com o jeito da m�dica.
-� ele.. ele n�o acredita em mim quando digo que sinto dores, acho que pensa que estou inventando tudo isso, n�o sei...
-N�o se preocupe � disse, dessa vez acariciando o bra�o de sua paciente em um gesto amoroso � eu vou estar sempre por perto.
-Promete que vem me ver todos os dias? � falou de forma manhosa.
-Prometo! � respondeu sorrindo � mas agora eu preciso ir.
-Est� bem.
Ao sair do quarto, Sally recostou-se em uma das paredes do corredor e respirou fundo fechando os olhos.
"Mas o que � que est� acontecendo comigo? Isso � rid�culo, eu n�o posso ficar assim toda vez que encontrar essa garota! Ser� que ela sente o mesmo que eu? Ela disse que a minha presen�a a faz sentir-se melhor, me olha de um jeito t�o envolvente...ser�? Ah, bobagem! Claro que n�o! Quantos pacientes j� me disseram isso, principalmente os que ajudei na luta contra a Irmandade...talvez esse seja o caso dela, uma doen�a misteriosa, com sintomas e sem causa...se for isso, ent�o esta explicado porque ela se sente bem ao meu lado. "
Sally respirou fundo e um pouco tristonha, retomou sua rotina di�ria.
Por sua vez, Chris, ao ver-se sozinha, pensava no que acontecera de repente em sua vida. Deixara para tr�s uma organiza��o poderosa e vingativa, que certamente n�o a deixaria viver muito mais tempo, tanto que tinha certeza que sua enfermidade era obra do Grande mestre, n�o tinha amigos em quem pudesse confiar, vivia as turras com a m�e, mal conhecia o pai, enfim, sentia-se mais s� do que nunca, e o mais incr�vel era que, no meio desse turbilh�o, pensava estar amando uma m�dica que mal conhecia e que, apesar de todo zelo e carinho que demonstrava, parecia n�o sentir o mesmo que ela. Era s� o que faltava para engrossar o caldo de complica��es em que mergulhara. Em toda sua vida nunca amara algu�m de verdade, tivera um caso breve com um membro da Irmandade mas, desde que fora pra cama a primeira vez com uma mulher, nunca mais envolvera-se com homem algum. Sua libido voltara-se inteiramente para as mulheres e sempre que tinha necessidade, buscava alguma que a interessasse para passar uma ou v�rias noites consigo. Em virtude do seu poder e prest�gio, muitas garotas viviam tentando ser a escolhida da vez, na inten��o de alcan�ar algum privil�gio especial na organiza��o ou em busca de prote��o. O fato � que nunca confiara em algu�m, sabia que muitas a queriam por interesse e seu cora��o n�o conhecia o amor. Parecia enfim que tudo havia mudado, n�o sabia definir muito bem a natureza do seu sentimento, mas a simples presen�a daquela m�dica ao seu lado era o suficiente para faz�-la sentir-se feliz de uma maneira tal que nunca antes, em seus vinte e quatro anos de vida, pudera sentir-se. Mas o que faria para t�-la? Como faz�-la saber dos seus sentimentos sem assust�-la? Ser� que teria alguma chance com a bela doutora Sally? Acreditar que sim a enchia de coragem para lutar contra a irmandade e por sua vida, mas ao pensar que n�o, sentia-se desfalecer e at� desejar que todo aquele sofrimento tivesse um fim com a sua morte.
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A interna��o de Chris durou seis semanas. Foram realizados todos os exames poss�veis e mesmo assim nada foi detectado. Sally sentia-se um pouco frustrada pois, a medida que uma sucess�o de testes negativos chegavam as suas m�os, resolvera lutar anonimamente contra um poss�vel ataque espiritual que sua paciente poderia estar sofrendo, mas n�o obtivera resultado. Chris por sua vez, pensava em contar � m�dica a real natureza da sua doen�a, mas sentia-se envergonhada em ter que admitir o seu envolvimento com uma organiza��o do g�nero da Irmandade. Agora que estavam cada vez mais pr�ximas, tal revela��o poderia fazer com que Sally n�o a visse com bons olhos ou mesmo achar que ela era louca. Afinal, poucos dos que de alguma forma tomavam conhecimento das atividades da organiza��o acreditavam ser realmente poss�vel que tudo fosse verdade, que um ser sobrenatural pudesse existir e comandar uma legi�o de adoradores �vidos por poder e prest�gio, capazes de algumas das mais terr�veis atrocidades. Os dias que passara no hospital serviram para sedimentar ainda mais o sentimento que Chris nutria pela bela doutora que conhecera. Conversavam longamente todos os dias e acabara descobrindo que ela, al�m de n�o ser casada, n�o estava envolvida com algu�m, o que a deixou radiante e esperan�osa.
Sally, por sua vez, ainda n�o via as demonstra��es expl�citas de carinho e apre�o por parte da sua paciente como uma rec�proca ao que sentia por ela. Sabia estar apaixonada por algu�m que agora conhecia mais um pouco e isso a deixava confusa e um pouco aborrecida. Em suas muitas conversas com Chris, pudera descobrir poucas coisas, como o p�ssimo relacionamento dela com os pais e alguns meio-irm�os que pouco conhecia, que possu�a uma situa��o financeira est�vel gra�as a alguns investimentos em bolsa e, o melhor de tudo, n�o estava envolvida com qualquer pessoa, fato que j� notara pela total aus�ncia de visitas em todo o per�odo em que esteve internada, situa��o que havia deixado Sally um tanto intrigada. Ser� que uma pessoa aparentemente t�o meiga, inteligente e linda n�o possu�a algum amigo ou algu�m que se importasse?
N�o obstante o fato de que seu quadro cl�nico apresentava apenas uma leve melhora ante as condi��es iniciais em que chegara, todos os m�dicos envolvidos no caso conclu�ram que Chris n�o estava doente, apesar de Sally n�o estar em paz com o diagn�stico. Contudo , n�o havia outra coisa a fazer a n�o ser dar-lhe alta, fato que deixara ambas visivelmente entristecidas.
Dois dias depois Chris estava de volta. Reclamava das mesmas dores, que dessa vez viera de forma mais aguda e sua situa��o era realmente complicada. Sally estava de plant�o e ficaria respons�vel por ela at� que o residente retornasse no dia seguinte. Sabia que Chris falava a verdade, mas n�o conseguia identificar a doen�a e suas perguntas soavam como um desafio: o que de fato estaria acontecendo? Por que n�o conseguia descobrir a causa daquilo tudo? Ser� que estava fazendo algo errado?
Fizera o pedido de interna��o e decidira deixar o caso aos cuidados do residente e de outro especialista, na tentativa de manter-se a dist�ncia e evitar maiores envolvimentos com aquela jovem. N�o se conformava com o que sentia, n�o acreditava que pudesse ser correspondida e estava furiosa por n�o ter o controle de toda essa situa��o.
Desta vez no entanto, as coisas seriam diferentes. A not�cia de que Chris havia deixado a Irmandade j� havia se espalhado e aquele que conseguisse mata-la seria recompensado pelo Grande Mestre. Passara ent�o a ser alvo de uma intensa ca�ada e os m�dicos e enfermeiros membros da organiza��o que trabalhavam no Memorial investiriam intensamente contra ela. Passaria o tempo todo em uma luta invis�vel pela vida e como era mais forte do que todos eles, certamente venceria os ataques facilmente. O que n�o sabia era que quanto mais usasse os poderes que adquirira na Irmandade, mais o Grande Mestre encontrava acesso a sua vida e a enfermidade enviada por ele piorava. Naturalmente, n�o contara nada a Sally, n�o acreditava que ela entenderia e estava imensamente entristecida pelo fato de, mais uma vez, ela ter se recusado a ser sua m�dica.
"Muito bem, Dra. Brown. Vamos ver por quanto tempo voc� ainda conseguir� fugir de mim. Voc� vai ser minha m�dica, custe o que custar".
No dia seguinte, quando o especialista veio v�-la, imediatamente o reconhecera: era um poderoso membro da Irmandade de uma assembl�ia nas redondezas. Chris nunca gostara dele por sua crueldade e ambi��o e deliberadamente, come�ou a lutar contra ele com seus poderes espirituais. De fato, ele ficou t�o ferido fisicamente que n�o conseguiu trabalhar durante tr�s dias. Fora necess�rio apenas uma semana para que ele a odiasse e a temesse aponto de n�o mais querer v�-la. Era precisamente o que ela queria. J� o residente era uma outra quest�o, n�o era membro da Irmandade, n�o possu�a qualquer poder e nem sequer tinha qualquer tipo de conhecimento dessa ordem. No primeiro contato, n�o gostara dele, mas pelas regras do programa de treinamento, ela tinha sido destinada aos seus cuidados. Seus encontros com a Dra. Sally eram cada vez mais raros, ela claramente a estava evitando e isso era inaceit�vel para Chris, al�m de deixa-la ainda mais impaciente e nervosa.
A vida do jovem residente tornara-se um inferno desde que come�ou a cuidar da estranha paciente. Chris projetava-se espiritualmente at� o apartamento dele, em um fen�meno conhecido como biloca��o ou viagem astral, e com uma caneta de tinta marcante, escrevia mensagens aterradoras na parede e assinava com seu nome embaixo. Fazia voar objetos pela casa e por vezes sacudia a geladeira fazendo estragar toda a comida. Cada vez que ele chamava algu�m para ver as mensagens, Chris as limpava antes que o convidado pudesse chegar. Rapidamente ele aprendeu que n�o poderia dizer a ningu�m o que acontecia e ficou t�o temeroso que, em duas semanas, desistiu do seu caso.
Sally estava confusa. No fim da primeira semana em que internara Chris, o especialista viera procura-la e disse n�o se importar com o que fosse feito a sua paciente, pois ele estava lavando as m�os e n�o a veria mais. Menos de uma semana depois, o residente viera dizer-lhe que n�o se importava com as conseq��ncias, mas n�o iria cuidar mais dela. Sally estava paralisada! N�o sabia o que fazer com Chris, tentava manter-se distante, ma sabia que algum ponto obscuro estava interferindo em toda est�ria. Finalmente, decidira cuidar pessoalmente do seu caso e tentaria a todo custo esclarecer o que realmente estaria acontecendo.
-Bom-dia, Chris. Vim para dizer-lhe que a partir de hoje eu cuidarei pessoalmente do seu caso.
"Grande! Sabia que conseguiria. Agora voc� n�o me escapa, doutora."
-Mas e quanto aos outros m�dicos? � perguntou com uma cara inocente.
-Hummm � disse tentando analisar a express�o de sua paciente � eles, por algum motivo que eu n�o sei explicar, n�o querem mais cuidar do seu caso. Esperava que voc� me dissesse o por qu�.
-Eu?! Mas porque eu saberia, Dra. Brown?
-N�o sei, mas se houver algo errado, eu vou descobrir.
-N�o h� nada errado, doutora. A n�o ser pelo fato de que eu preciso de voc�...
Ante a express�o um tanto surpresa da m�dica, Chris emendou:
-Quer dizer, da sua compet�ncia...da sua ajuda pra eu me ver livre dessa afli��o toda.
-Entendo...
Em casa, Sally estava entregue aos pensamentos sobre o que estava vivendo. Desde que conhecera Chris, sentia-se imensamente s�, e cada dia que passava, ao contr�rio do que planejara, desejava mais e mais estar com aquela misteriosa jovem. Desejava conhec�-la melhor, mas sentia que havia um segredo bem guardado na sua vida e isso a deixava intrigada. Por vezes imaginava que seus sentimentos eram correspondidos, a maneira com que se olhavam, o clima entre elas, as coisas que por vezes ela dizia. Outras vezes, achava que tudo n�o passava de um engano, Chris estava doente, sem um diagn�stico preciso e por isso estaria fragilizada, o que motivava o seu comportamento carinhoso. N�o se considerava uma pessoa inexperiente, mas era exatamente assim que se sentia, como uma adolescente insegura diante do seu primeiro amor. Sally despertou dos seus pensamentos ao ouvir a conhecida voz:
"Voc� ainda n�o conversou com Chris sobre o profundo envolvimento dela com a Irmandade".
Parte das suas suspeitas ent�o se esclareciam.
-� isso, s� pode ser! Ela era um deles e esse era o mist�rio em sua vida! Essa era a causa da sua doen�a, por isso n�o havia diagn�stico. Mas como poderia ser? Ela parecia t�o meiga, t�o sens�vel, como poderia estar envolvida em uma organiza��o de fan�ticos assassinos como a Irmandade? Mas talvez ela estivesse querendo deixar tudo e esse venha a ser o motivo do seu sofrimento com essa estranha enfermidade. Seja o que for, eu vou tirar isso a limpo agora!
Sally chegou ao hospital e rumou decididamente ao quarto de Chris.
-Dra. Brown! Nossa, eu n�o esperava a sua visita, que surpresa, o que a traz aqui?
Ao ser recepcionada pelo lindo sorriso de sua paciente, a m�dica por um instante viu as suas defesas novamente ru�rem. Em um esfor�o colossal, tentava manter-se fria.
-Vim conversar com voc� sobre algo que ainda n�o discutimos.
-O que �?
-� sobre seu profundo envolvimento com a Irmandade.
Chris empalidecera. Pasmada, ala ficou im�vel olhando a m�dica durante todo um minuto.
-Como voc� sabe sobre isso?
-Chris, eu preciso saber a verdade. Se voc� n�o confiar em mim, eu n�o vou poder te ajudar em mais nada. Escuta, eu tenho trabalhado a muito tempo nesse hospital ajudando pacientes que aqui chegam e s�o v�timas de mol�stias criadas por entidades espirituais, outros s�o membros castigados por alguma desobedi�ncia ou mesmo alguns inocentes em estado grave que s�o v�timas de m�dicos e enfermeiras que aqui trabalham e tentam lev�-los a morte como um sacrif�cio ao Grande Mestre. Eu sei bem mais sobre essa organiza��o do que voc� imagina e se quer saber, minha luta contra eles quase me levou a morte.
Chris estava chocada.
-Oh! C�us, ent�o � voc�, a m�dica...que horror, o que foi que eu fiz...- Chris levara as m�os ao rosto e desabara em l�grimas.
-Ei, calma, calma, eu estou aqui para ajuda-la Chris...mas isso depende de voc� � Sally embalava a jovem em seus bra�os.
-Eu preciso que voc� me perdoe, Dra Brown. � disse entre solu�os.
-Sally, pode me chamar de Sally, meu bem. � falara mansamente. As l�grimas sentidas da sua paciente havia lan�ado por terra toda resist�ncia que a m�dica ainda tentava manter. Ao sentir que ela estava mais calma, prosseguiu:
-Chris, vamos conversar est� bem? Deixe-me ajuda-la, por favor...
Chris estava um tanto deslocada mas a sua confian�a e amor para com a m�dica aumentava mais e mais a cada dia. N�o poderia esconder-lhe mais nada e decidira contar-lhe tudo sobre a sua vida, desde o come�o quando fora levada a envolver-se na organiza��o at� a sua decis�o em deixar tudo. Sally ouvia atenta a longa narrativa e passou ent�o a saber de detalhes que s� algu�m do alto escal�o como uma sacerdotisa superior poderia saber. Os poderes e o alcance da Irmandade eram maiores do que supunha e o que ouvia era quase inacredit�vel. Chris afirmava existir in�meras assembl�ias espalhadas pelo pa�s que contava com a participa��o de muitos homens e mulheres p�blicos e importantes, al�m de cantores e artistas famosos. Os membros mais poderosos eram capazes, entre outras coisas, de separarem-se temporariamente de seus corpos f�sicos e usavam esse artif�cio para perseguir algum desafeto, feri-lo ou leva-lo a morte em um acidente ou "suic�dio", dizia ser capaz de enviar doen�as para afligirem outras pessoas e que havia feito isso com a pr�pria m�dica, atendendo a um pedido pessoal do Grande Mestre. Sally ficara um tanto chocada por estar diante da pessoa que quase a matara com uma doen�a grave e dolorosa, mas vendo todo o constrangimento e sincero arrependimento daquela linda jovem, fizera quest�o de deixar claro que n�o s� a compreendia, como tamb�m a perdoava. Seu amor falava mais alto e n�o conseguiria sequer imaginar-se com raiva ou ressentimento daquela agora t�o fr�gil criatura. No entanto, Sally assumiu um ar c�tico e ao mesmo tempo preocupado quando Chris come�ara a falar de algo inusitado. Segundo ela, o Grande Mestre possu�a um ex�rcito particular para a pr�tica de terror e disciplina entre os membros da Irmandade e que era a causa de maior temor entre os que sabiam da sua exist�ncia, geralmente os membros mais graduados. Acontece que Chris afirmava ser esse ex�rcito formado por seres chamados de lobisomens e vampiros.
-�pa, �pa, �pa, espere a�! Essa agora n�o! Olha, acreditar em entidades espirituais que se materializam, viagem astral, um Grande Mestre que se acha um deus, tudo isso deu trabalho mas tudo bem, eu acredito. Agora, Chris, voc� n�o pode sequer estar cogitando que eu vou acreditar que lobisomens e vampiros existem! A� j� � demais pra mim, pequena.
Para sua decep��o, Chris permanecera s�ria e sua express�o denotava que n�o se tratava de alguma brincadeira ou piada. A jovem loira suspirou e prosseguiu:
-Eu sei que � dif�cil acreditar mas deixe eu explicar, na verdade, tentar explicar, porque eu nem mesmo sei como tudo isso � poss�vel. Os vampiros e lobisomens s�o conhecidos como lendas h� muito tempo, s�o in�meros livros, filmes e est�rias fantasiosas, que quase todo mundo acredita que eles s�o criaturas simuladas em uma mente f�rtil, e que tudo que � dito sobre eles � inexato. Acontece que tudo isso � parte de um plano milenar para fazer com que as pessoas, ao ouvirem algu�m dizer que eles existem, reajam assim como voc� reagiu, achando imposs�vel que algo dessa natureza possa ser verdadeiro. Qual a melhor forma de fazer com que algo caia em descr�dito? Ridicularizando-o! Sally, essas criaturas existem, eu mesma as vi! Mas deixe-me definir o que quero dizer com lobisomens e vampiros.
-Muito bem � disse Sally meio zonza � explique melhor isso tudo.
-Em primeiro lugar, � dito que se uma pessoa for mordida por um lobisomem, ela se tornar� um deles. Isso � fantasia! Um lobisomem � um ser humano como outro qualquer mas dotado do poder sobrenatural de transformar a sua forma f�sica em algo parecido com o que vemos nos filmes, s� que muito mais horripilante. Esse poder vem de uma entidade espiritual poderos�ssima que � convidada a morar dentro deles em um pacto t�o aterrador quanto o que fazemos com o Grande Mestre. Acredite em mim, se algum deles chegar perto o suficiente de alguma pessoa para mord�-la, o m�nimo que far�o ser� rasg�-la ao meio. Eu conhe�o pessoalmente alguns homens que fizeram essa pacto, j� os vi transformarem-se e posso garantir: � assustador! Al�m do horror que a sua apar�ncia transmite, eles ainda s�o dotados de uma for�a espiritual e f�sica al�m de tudo que eu j� vi. Todos na Irmandade os temem, s�o usados como espias pelo Grande Mestre e est�o sempre presente nas reuni�es dos sacerdotes e l�deres locais para vigiarem seus comportamentos, por isso eu os conhe�o. Outra crendice acerca dos lobisomens diz respeito ao fato de eles s� se transformarem em animais apenas � noite e quando � lua cheia. Posso afirmar que isso n�o � verdade. Quanto aos vampiros, s�o pessoas aparentemente normais, mas que se alimenta do sangue dos sacrif�cios oferecidos ao Grande Mestre e isso tamb�m lhes confere grande poder e for�a, s�o quase t�o imbat�veis quanto os lobisomens, existem em maior n�mero e � s�. O que mais se diz sobre eles � lenda, n�o possuem caninos salientes, a n�o ser alguns que fazem quest�o de t�-los, mas para isso v�o a consult�rios dent�rios e l� pedem a transforma��o a algum profissional, no entanto fazem isso por pura est�tica, porque n�o o utilizam para sugar o sangue de suas v�timas como nos filmes. Para isso, eles recorrem a tradicional faca para mat�-los ou as vezes a v�tima � mantida viva e seu sangue � bebido pelos pulsos at� que morra. Todas as outras coisas que se diz por a� como dormir em caix�es, avers�o a luz do dia, virarem morcegos, viverem eternamente, tudo isso � bobagem. Uma bala qualquer pode matar tanto um lobisomem quanto um vampiro, dif�cil, quase imposs�vel, � acertar o tiro!
Sally estava quase gritando por socorro. Toda aquela est�ria a deixou totalmente zonza e o pior de tudo era que a seriedade e o tom sincero com que Chris narrava tudo aquilo n�o deixava margens a d�vidas.
-Vampiros e lobisomens, oh, c�us! � disse enquanto desabava em uma poltrona � era s� em que eu faltava acreditar!
-Eu sei que � dif�cil...eu n�o vou ficar chateada se voc� n�o acreditar em mim. No seu lugar eu tamb�m acharia tudo isso uma grande loucura...
-Ah, Chris...eu n�o penso em duvidar de voc�. Mas eu preciso de um tempo para digerir essa coisa toda. De qualquer forma, a nossa batalha ser� bem maior e mais dif�cil do que eu imaginava...
PARTE 04
Ap�s horas de conversa e alguns esclarecimentos, Sally e Chris decidiram definir uma estrat�gia de luta contra a doen�a que afligia a jovem paciente. Chris acabara admitindo ter usado seus poderes para afastar os m�dicos inicialmente respons�veis pelo seu tratamento.
-Voc� o que?!
-Sally, o especialista que me enviou � um membro da Irmandade, eu n�o poderia estar sob seus cuidados, ele acabaria me matando. Quanto ao residente...bem, ele n�o simpatizou comigo tamb�m...eu admito que exagerei, mas eu queria que voc� cuidasse de mim...
-Exagerou?! Voc� ultrapassou todos os limites, isso sim � Sally estava t�o indignada que n�o atentou a �ltima frase da jovem � pobre Jimmi, Chris voc� foi muito inconseq�ente, imagina se o garoto faz alguma bobagem por conta dos atos?
-Desculpe � falou em um fio de voz abaixando a cabe�a envergonhada.
Mas uma vez Sally via sua irrita��o se dissipar diante do jeito meigo e suave da sua paciente. Era imposs�vel manter-se por muito tempo na defensiva diante daquela garota e isso j� incomodava a sempre t�o segura m�dica.
-Tudo bem � disse mais calma � o que eu quero dizer Chris, � que se voc� quiser se desligar de uma vez por todas da Irmandade, n�o pode mais continuar usando seus poderes. Voc� precisa abrir m�o de tudo que venha deles, ou do contr�rio, eles ainda ter�o influ�ncia sobre voc�. Talvez seja por isso que ainda est� doente.
-Como assim?
-Olha, eu acredito que os esp�ritos podem realmente interferir em nossas vidas muito mais do que podemos imaginar. No entanto, tudo ocorre em fun��o da sintonia que oferecemos, bem como o conte�do moral que carregamos. O que eu quero dizer � que esp�rito algum ir� induzir que fa�amos algo se em n�s n�o tivermos a semente do que ele nos sugere fazer. Voc� precisa resgatar a sua identidade, Chris. Quem realmente quer ser: a poderosa sacerdotisa capaz de ter um s�quito de subalternos aos seus p�s ou uma jovem que vive de maneira simples mas em paz consigo mesmo e com o mundo?
-A segunda op��o, sem d�vida.
-Ent�o aja como tal! Abra m�o do que quer que tenha recebido do Grande Mestre, do que julgue bom ou ruim, n�o importa. Rejeite o que ele te deu e reconstrua o seu interior e sua vida nas novas bases que acha correta. Se voc� agir assim, a� ele n�o ter� direito legal sobre voc�, sobre sua vida.
-Eu n�o sei bem como eu fa�o isso, Sally. S�o tantos anos...
-A partir de hoje eu vou estar inteiramente ao seu lado, Chris. N�s vamos lutar juntas e quando voc� se perder, eu estarei l� para te mostrar o caminho, confie em mim.
-Eu confio, obrigada! � Chris sorriu de uma maneira t�o luminosa, que pareceu a Sally que o quarto havia sido invadido pela luz do dia.
Os dias que se seguiram foram intensamente trabalhosos para ambas. Sally cercava sua paciente com os profissionais de sua inteira confian�a e deixava a enfermeira Jean vigiando os passos de Kate, para que ela n�o se aproximasse de Chris. Nos momentos em que n�o estava trabalhando, rapidamente ia em casa a fim de recompor-se em um descanso calculado e imediatamente retornava ao Memorial para estar junto a sua protegida. Apesar da rotina estafante, estava adorando a companhia di�ria de Chris e era poss�vel ver a sua significativa melhora.
Por sua vez, Chris imaginava o quanto era bem-aventurada por ter Sally em sua vida daquela forma. Sentia-se mais forte e determinada do que nunca e estava aprendendo a depender de si mesma para conquistar o que quisesse. Para que sua felicidade fosse completa, restava apenas descobrir se a m�dica compartilhava do mesmo amor que sentia por ela, e para isso buscava um meio eficaz de descobrir sem assustar a sua presa. Duas semanas e meia depois, para alegria de ambas, Chris aparentava estar totalmente curada. N�o sentia mais dores, estava forte e disposta e deixaria o hospital.
Ap�s ter dado alta a Chris, Sally continuou a v�-la como paciente durante um m�s. Ela dizia que durante todo esse per�odo n�o recebera qualquer tipo de ataque por parte da Irmandade e j� cogitava a possibilidade deles a terem esquecido. Foi quando a organiza��o "soltou a bomba". Uma noite, Chris foi procurar Sally no hospital completamente desolada.
-Sally, precisamos conversar � disse nervosa.
-Calma, Chris. Vem comigo, acho que sei porque voc� est� assim � disse igualmente preocupada.
-Sabe?
-Talvez. Vem, vamos ao alojamento onde poderemos conversar melhor.
Ao chegarem, Sally trancou a porta e esperou o que a outra tinha a dizer.
-Eu recebi uma carta, aqui est�.
Na carta, a Irmandade dizia que ela estava proibida de ver ou falar com a m�dica, que deveria arrepender-se e voltar para a organiza��o e servir ao Grande Mestre, do contr�rio, ela seria sacrificada no pr�ximo "Black Sabbath" .
-O que vem a ser o "Black Sabbath" , Chris?
-Uma cerim�nia especial de sacrif�cios e culto ao Grande Mestre, no fim, tudo acaba em orgia, bebedeira e drogas. O pr�ximo ser� daqui a duas semanas...
-Sei...bem, eles tamb�m mandaram uma carta para mim tamb�m.
-Pr� voc�?! O que dizia?
-Descrevia detalhadamente todas as minhas atividades nas �ltimas semanas, inclusive cada item comprado no supermercado, sabem meu nome e endere�o e diziam que se eu visse ou falasse com voc� eles iriam me raptar e sacrificar.
-Oh, c�us! � Chris desabou sobre a cama aterrorizada ante a possibilidade de Sally vir a ser sacrificada � o que vamos fazer? Talvez seja melhor voc� se afastar de mim Sally, eu n�o suportaria v�-la nas m�os deles, eu...
-Calma, Chris, n�s precisamos pensar. Eu confesso que estou um pouco assustada mas n�s n�o podemos nos precipitar. Deve haver uma sa�da, e ainda temos quinze dias at� o pr�ximo "Black Sabbath" . vamos pensar em algo, eles n�o v�o conseguir nos pegar, eu tenho certeza.
Sally falara isso, mas no fundo estava com medo. J� sabia que os membros da Irmandade se empenham em cumprir as suas amea�as, lembrara do jovem religioso, hoje seu amigo, que havia sido torturado quase at� a morte e estava certa de que o mesmo aconteceria a ambas se colocassem as m�os nelas.
Em casa na manh� seguinte, Sally n�o conseguia descansar. Estava angustiada, n�o sabia o que fazer e o desespero amea�ava invadir-lhe ao imaginar ambas sendo torturadas pela Irmandade. Ap�s horas de intensa agonia, o seu protetor fez-se ouvir:
"Voc� deve traze-la para morar aqui"
-O que?! Traze-la pra c�? Mas em que isso ajudaria?!
"Se n�o a trouxer, ela cometer� suic�dio para te proteger"
-Suic�dio?! Oh, n�o...eu n�o posso permitir...mas traze-la pra c� iria direcionar todos os ataques a minha pr�pria casa, como ir�amos venc�-los dessa forma?
"O que eu tenho sido para voc� durante todos esses anos?"
-Meu protetor...agora entendo.
Sally passara ent�o a imaginar a presen�a de Chris em sua casa e a ang�stia ainda lhe assomava.
-Oh, c�us, agora eu estou diante de outro problema! Voc� sabe o que eu sinto por ela, como � que eu vou ficar vendo-a aqui todos os dias? J� tem sido dif�cil me segurar sem isso, como � que eu vou fazer agora? Eu preciso me preparar, eu n�o quero que meus sentimentos a assuste...por favor, s� me diga se eu tenho alguma chance, ela sente por mim o mesmo que eu sinto por ela? Existe alguma possibilidade de ela vir a gostar de mim, como mulher?
O seu protetor n�o lhe deu resposta.
-Sabia que voc� n�o iria responder...
Subitamente por�m, Sally lembrou-se de coisas passadas que ouviu de seu guardi�o e que na �poca n�o fizeram sentido.
-Espera a�! Em Columbia voc� me disse que eu deveria vir pra c�, pra essa arapuca, se eu quisesse encontrar a verdadeira felicidade...ela � minha felicidade! Antes de conhec�-la eu me lembro que voc� disse que naquele dia eu estaria diante do prop�sito que me trouxe a esse lugar, ou seja, da minha felicidade. � isso! � ela, por ela voc� me trouxe pra c�!
Sally estava radiante. Esquecera todas as amea�as e o perigo que corria, s� a possibilidade de Chris ama-la e ser sua a fazia encher-se de coragem e sentir-se capaz de enfrentar um ex�rcito de lobisomens, vampiros, entidades espirituais, o que fosse!
-Eu vou descansar um pouco e ainda hoje irei busc�-la!
Ap�s ter dormido por algumas horas, Sally preparava-se para sair. Iria at� a casa de Chris, convid�-la para morar com ela como recomendara seu protetor. Prestes a entrar no carro, seu celular toca em uma chamada vinda do memorial.
-Dra. Brown, a sua paciente, Sra. Glenn Miller, entrou em crise e est� sendo encaminhada a sala de cirurgia. O Dr. Jerry Covey quer saber se deseja estar presente.
-Eu estou indo para a� !
"Droga, logo agora! Mas tudo bem, vou ligar para ela e pedir para me encontrar daqui a uma hora no hospital"
Ap�s certificar-se do estado de sua paciente, Sally deixara-a aos cuidados da equipe comandada pelo Dr. Jerry na sala de cirurgia. Permaneceria no hospital por mais algumas horas e aguardaria not�cias. Uma hora e meia depois, Chris chegara ao hospital atendendo ao chamado da m�dica. Seguiram ent�o rumo a sala onde funcionava o consult�rio de Sally. O nervosismo era not�rio.
-Chris, bom eu...quer dizer...�, na verdade eu achei que talvez...se for poss�vel � claro, depende de voc�. Pode parecer loucura, mas...eu estive pensando...
-Calma, Sally! Eu estou ficando confusa, o que quer dizer? Aconteceu alguma coisa?
-Ah, n�o, n�o...� que , n�o me leve a mal, mas diante de tudo o que n�s j� sabemos, as amea�as, os ataques...talvez seja melhor voc� vir morar comigo at� que possamos encontrar um jeito de nos livrar disso tudo. Eu n�o me preocuparia tanto com voc� e nem voc� comigo, estar�amos juntas e quem sabe poder�amos enfrent�-los de alguma forma...eu tenho certeza que estaremos seguras se ficarmos juntas.
Chris estava um pouco atordoada e ao mesmo tempo emocionada, seu cora��o perdera o tom do seu compasso ante a id�ia de estar ao lado daquela mulher, mas o medo de que algo pudesse acontecer a m�dica por sua causa era por si s� uma tortura, e a deixou receosa.
-Sally...eu tenho medo que algo possa acontecer com voc�...eu n�o me perdoaria...
-Chris, eu compartilho do mesmo medo com rela��o a n�s duas...mas eu tenho certeza que n�s saberemos encontrar um jeito de n�o permitir que o pior aconte�a...
-Oh, Sally � l�grimas rolavam sob sua face � eu n�o sei o que dizer...
-Aceito, seria uma boa resposta.
-Estar ao seu lado � tudo que eu mais quero � disse jogando-se em seus bra�os.
Sally estava inebriada. N�o s� pelo abra�o profundo e carregado de amor, mas tamb�m pelas palavras que ouvira. Envolvia a jovem loira emocionada, acariciando suas costas enquanto Chris entrela�ava os dedos em seus cabelos negros, aspirando o odor agrad�vel que deles advinha. Tal proximidade, as car�cias, o perfume, fizeram com que ambas sentissem sua intimidade arder em brasa e pulsar de desejo. Com as respira��es descontroladas, separaram-se lentamente e os seus olhos mutuamente miravam a proximidade dos l�bios, que cada vez era menor, at� que...
-Doutora Sally Brown, compare�a a sala de cirurgia do segundo andar... Doutora Sally Brown, compare�a a sala de cirurgia do segundo andar � Anunciou o sistema de som do hospital.
O susto as fizeram separar-se subitamente.
-Ah, desculpe...eu...eu...- disse a desajeitadamente a m�dica apontando a porta.
-N�o, eu...tu-tudo bem, eu entendo, claro...
-�, eu preciso ir...uma emerg�ncia... voc� pode se mudar ainda hoje se quiser...
-�timo! Eu vou ent�o para casa, arrumar o que puder e volto...
-Eu vou te dar o meu endere�o, eu estarei l� te esperando.
Sally seguia para a sala de cirurgia com um enorme sorriso nos l�bios e deixara para tr�s uma Chris igualmente sorridente.
"o que foi aquilo?!" � pensava enquanto se preparava para ver sua paciente.
Sally morava em uma casa simples mas muito confort�vel. Eram dois quartos amplos com banheiro no pavimento superior, um gabinete repleto de livros, uma cozinha bem equipada e uma sala aconchegante com lareira no pavimento inferior, tendo aos fundos uma pequena �rea arborizada. Estava radiante a espera de Chris, especialmente depois do que acontecera no hospital entre elas. Refazia cada detalhe da cena em seus pensamentos e imaginava como teria sido aquele beijo, visivelmente desejado por ambas. Agora sentia-se muito mais segura em tentar revelar a Chris os seus sentimentos, e uma onda de intensa alegria a invadia s� de pensar que ela poderia corresponder aos seus desejos. N�o sabia muito bem como faria, mas n�o perderia a menor oportunidade que surgisse para expor o seu amor e tentaria de todas as formas fazer com que ela tamb�m a desejasse.
Chris chegara no final do dia com uma express�o extremamente triste.
-Mas o que houve? Por que voc� est� assim?
-Ah, Sally, eu...antes de vir pra c� eu passei no banco, eu planejava retirar o m�ximo de dinheiro que conseguisse e iria propor a voc� que fug�ssemos daqui e tent�ssemos recome�ar a vida em outro lugar. Mas para meu total desespero, eu n�o tenho mais nada! Algu�m conseguiu sacar tudo que eu possu�a. Eu ainda tentei fazer um esc�ndalo, ameacei processa-los, mas para minha surpresa, a funcion�ria que trabalha no caixa jurou que eu estive l� hoje pela manh� e saquei todo o dinheiro. Disse ainda que eu havia ligado ontem e programado o resgate de todos os t�tulos de investimento que possu�a...
-Mas como isso � poss�vel???
-Quando a funcion�ria falou o que tinha acontecido, desisti de brigar e fui embora, lamentando pelo "esquecimento". O que aconteceu � muito simples, algu�m da Irmandade esteve l� em meu lugar e fez tudo isso. N�o � dif�cil para eles descobrir os meus c�digos secretos ou falsificar a minha assinatura.
-Mas e quanto a funcion�ria ter te reconhecido? Voc� n�o esteve l�!
-Realmente, n�o estive, mas para algu�m mais poderoso n�o deve ter sido dif�cil fazer com que a funcion�ria pensasse estar me vendo. As c�meras de seguran�a certamente mostrariam outra pessoa, mas eu tenho certeza que elas falharam no momento em que essa pessoa entrou no banco. Isso � f�cil de conseguir tamb�m.
-Meu Deus! Cada dia que passa eu fico mais e mais surpresa! At� onde v�o os poderes dessa organiza��o, Chris?
-Muito al�m do que possamos imaginar, Sally... sabe, quando a enfermeira Kate me ligou e disse que o ataque que organizamos contra voc� havia falhado, eu fiquei t�o surpresa que pensei imediatamente em vir te conhecer. Pela primeira vez eu estava diante de um poder capaz de vencer o nosso e isso era algo in�dito pra mim! Hoje eu sei que � poss�vel gra�as a voc� e agora entendo porque o Grande Mestre ficara t�o furioso. Ao contr�rio do que ele tenta ensinar aos seus liderados, � poss�vel venc�-lo, basta saber como. Eu s� preciso agora acreditar que, da mesma forma que conseguimos super�-lo quando ficamos curadas, possamos tamb�m vencer o seu s�quito de adoradores com suas amea�as. As vezes as pessoas de carne e osso s�o muito mais perigosas e destruidoras do que qualquer ser espiritual!
-Bom, n�s vamos encontrar uma sa�da. E, ao contr�rio do que voc� planejou, talvez fugir n�o seja a melhor op��o ainda. Al�m do mais, o dinheiro que voc� tinha foi adquirido gra�as ao seu envolvimento com a Irmandade e portanto ele n�o seria bem-vindo. Seria um elo entre voc� e eles que ainda permaneceria e isso seria perigoso.
-Tem raz�o, eu n�o havia pensado nisso.
-De qualquer forma, ainda temos um certo tempo antes que eles tentem cumprir essa amea�a de seq�estro...eu n�o ganho muito, mas � o suficiente para n�s duas...
-Sally, eu n�o vou me sentir bem vivendo as suas custas...eu vou conseguir um emprego e...
-Eu sei que vai, querida. Mas tudo ao seu tempo, est� bem? No momento a nossa prioridade � nos mantermos vivas! Vem, eu vou te levar at� o seu quarto, depois jantamos.
A noite transcorreu calma em um clima de m�tua admira��o. Passaram horas conversando e toda tens�o provocada pelos �ltimos acontecimentos ficara esquecida. Sally pensava no quanto a presen�a daquela pequena loira a fazia feliz e a enchia de um sentimento de completude t�o intenso que ela j� sabia: a partir daquele instante, seria capaz de proteg�-la com a sua pr�pria vida se preciso fosse.
Por outro lado, Chris sentia-se livre e em paz. O amor pela bela m�dica trouxe a sua vida um significado que nunca houvera e estar ali, ao lado dela, representava o resultado de uma busca que para ela sempre fora inconsciente, mas naquele momento se descortinava como sendo o real sentido da usa exist�ncia.
Na manh� do dia seguinte, Chris acordara cedo e preparava um maravilhoso caf� da manh� com o que encontrara na cozinha. Enfeitara a mesa com algumas flores colhidas no quintal e estava diante da pia limpando um pouco da bagun�a que fizera quando ouviu a voz rouca e marcante:
-Bom-dia! Nossa, que cheiro bom!
Ao virar-se, Chris deparou-se com uma vis�o que a deixou paralisada. Sally caminhava em sua dire��o com um andar lento e macio, gingando como um felino que mirava a sua presa. Usava um min�sculo shorts e uma camiseta regata just�ssima que marcavam um corpo escultural, al�m de um olhar penetrante no rosto anguloso que a deixava magn�fica. Chris estava hipnotizada. Percebera que seu rosto estava vermelho pelo calor que passara a sentir na pele. Em um fio de voz e com muito custo, conseguira dizer:
-Bom-dia.
Virou-se abruptamente para a pia, deixando Sally com um sorriso vitorioso no rosto.
-Dormiu bem? � perguntou a m�dica.
"Ah, doutora...voc� est� me provocando...ela n�o me conhece...quando eu te pegar de jeito, voc� vai ver do que eu sou capaz...mas o que � que ela pensa? Que eu sou de ferro? Eu vou acabar fazendo uma loucura agora mesmo..."
-Chris?
-H�?! � disse virando-se novamente.
-Eu perguntei se dormiu bem?
-Ah, sim...um pouco...acho que � o costume. Voc� n�o vai trabalhar hoje?
-Vou sim, daqui a pouco. Na verdade eu estou atrasada, mas esse cheirinho acabou me fazendo descer antes que eu pudesse me arrumar...a mesa est� linda! Voc� vai acabar me acostumando mal...
-Imagina...voc� merece! At� muito mais se quer saber...
-Chris, voc� sabe, o hospital fica a menos de dois minutos daqui, qualquer problema n�o hesite em me procurar. Pode ligar tamb�m se quiser, eu virei imediatamente.
-N�o se preocupe, eu ficarei bem. Mas uma vez obrigada por tudo que voc� tem feito por mim...
-N�o precisa agradecer, eu n�o poderia fazer diferente.
-Voc� vai almo�ar em casa?
-Normalmente eu almo�o no hospital, mas se voc� quiser companhia eu venho almo�ar em casa...
-Quero sim! Se n�o for atrapalhar o seu trabalho, � claro...
-N�o vai atrapalhar em nada! Eu virei ent�o, ser� um prazer. Pelo caf� da manh� eu j� pude perceber que a troca vai ser vantajosa...
No caminho para o hospital, Sally mal cabia em si de felicidade.
"Eu sabia! Agora eu tenho certeza! A cara que ela fez...ah, Chris, se voc� soubesse o quanto eu tive que me segurar para n�o voar em cima de voc� ali mesmo na cozinha...mas eu preciso ter calma, eu n�o quero assust�-la... eu n�o sei como ela est� lidando com esse sentimento, vai que ela n�o gostaria de se envolver com uma mulher, esteja tentando n�o ceder...mas isso eu n�o vou deixar! No que depender de mim, ela n�o vai ter sossego!
Em casa, Chris pensava no que aconteceu.
"Ser� que ela fez isso de prop�sito? Me provocar daquele jeito...muito bem doutora, dessa vez voc� me pegou de surpresa, mas na pr�xima...eu tenho certeza que ela viu meu embara�o, mas isso n�o vai ficar assim, eu tamb�m sei usar das mesmas armas..."
No hospital, Sally estava as voltas com mais uma batalha contra a Irmandade. Peter era um homem se trinta e cinco anos que a uma semana havia dado entrada no Memorial vindo de uma cidade das redondezas, onde estivera hospitalizado por alguns dias. Ele adoecera de repente e atingia n�veis alt�ssimos de febre. Os m�dicos que cuidavam dele foram incapazes de descobrir a causa da doen�a, nem tampouco Sally havia conseguido algum resultado ao examin�-lo. Uma bateria de testes estava sendo feita e a m�dica j� imaginava que ele poderia estar sendo v�tima de mais um dos ataques da Irmandade. Dois dias antes, encontrara o hospital em polvorosa por conta do estranho paciente. Repentinamente ele saltou da cama declarando que deixaria o hospital naquele momento, porque se n�o o fizesse seria morto. Nada que dissessem os m�dicos o fazia mudar de id�ia e o conflito se estendia, at� que o Dr. Jerry entrou no quarto afirmando haver conseguido uma ordem impedindo sua sa�da pelo menos nas pr�ximas 72 horas. Ao ouvi-lo, Peter imediatamente rodopiou e caiu na cama, fixando o olhar no teto e murmurando palavras incoerentes. J� era o terceiro dia em que permanecia assim e sua condi��o f�sica se deteriorava.
Antes de ir v�-lo, em sua costumeira medita��o matinal na capela, Sally ouvira a voz do seu protetor.
"Peter � um sacerdote superior de uma cidade pr�xima e sua doen�a � fruto de uma disciplina do Grande Mestre. O seu desejo era deixar o hospital porque esta sendo atacado por David"
Sally enfim entendera! Dr. David Mason era o especialista que cuidara de Chris e que ela j� sabia pertencer a organiza��o. O que Sally n�o entendia era o porque do ataque a Peter. Qual o interesse do Dr. Mason na morte de algu�m que estava sendo disciplinado? Diante das suas d�vidas, o seu protetor prosseguiu:
"David agora � um sacerdote superior. Dois sacerdotes jamais ficam juntos no mesmo territ�rio a n�o ser por m�tuo consentimento, caso contr�rio, entram em uma batalha at� a morte. Vou ajud�-la com Peter."
Dessa forma, Sally foi at� o quarto onde Peter estava e , ap�s certificar-se de que estava sozinha, fechou a porta. Tentava fazer com que ele respondesse mas n�o conseguia, ele continuava com os murm�rios incoerentes. Impondo as m�o sobre ele, Sally falou com autoridade:
-O que quer que esteja atacando a mente desse homem, eu ordeno que pare! Deixem agora mesmo de afligi-lo!
O resultado foi tremendo. No mesmo instante os murm�rios de Peter cessaram e ele voltou-se para a m�dica completamente l�cido:
-Bom-dia. Voc� quer alguma coisa?
Sally estava surpresa. Ainda n�o havia feito nada semelhante e nem imaginava que pudesse faz�-lo. Ouviu ent�o o seu protetor mais uma vez:
"Eu disse que iria ajuda-la. Eu j� te capacitei para fazer muito mais, n�o se surpreenda"
-Sim Peter, voc� precisa entender que sua �nica esperan�a � deixar a Irmandade. A sua perman�ncia trar� apenas destrui��o a voc� e a outros.
Ele a olhou, fingindo estar surpreso.
-Quem � voc�?! Voc� est� louca? N�o sei do que est� falando!
-Ah, sabe sim!
-V� embora! Eu n�o tenho nada o que deixar!
-Assim seja, j� que essa � a sua vontade.
Algumas horas depois, Peter voltara a ficar muito doente. O cora��o falhava e os pulm�es haviam sofrido infiltra��o. Estava muito perto da morte e Sally voltara a proceder como anteriormente.
-Peter, voc� est� morrendo, n�o est� vendo? Voc� n�o v� que talvez seja a hora de dar um basta em tudo isso?
-Sim...talvez voc� tenha raz�o.
-Voc� se lembra do que eu te falei algumas horas atr�s?
-Sim, lembro muito bem. Voc� estava certa. Sou um sacerdote superior e queria sair daqui porque sabia que David poderia me matar.
-Peter, � preciso que entenda que � poss�vel deixar a Irmandade. Os ataques que voc� vem sofrendo podem ser barrados se voc� renunciar o poder que adquiriu, o pacto que fez e resistir a influ�ncia dos seres espirituais que tentam algo contra voc�. Eu conhe�o pessoas que poder�o te ajudar se quiser.
-Sim, mas eu acho que n�o me deixar�o faz�-lo.
-Por que?
-Porque o Grande Mestre est� aqui � dizendo isso, moveu a m�o em dire��o ao lado oposto da cama. Sally n�o p�de ver nada, mas o seu esp�rito sentia a presen�a esmagadora dele.
-N�o, ele n�o poder� fazer nada contra voc�! Apenas o rejeite, rejeite qualquer poder que venha dele.
-S� o fato de voc� ser louca o bastante para ter vindo at� aqui correr esse risco j� � o bastante para eu acreditar em voc�.
Assim, com l�grimas nos olhos, virou para o outro lado da cama e dirigindo-se ao ser que ali estava, disse-lhe:
-N�o o servirei mais, aconte�a o que acontecer.
Sob orienta��o do seu guardi�o, Sally o tranq�ilizou e disse-lhe que a partir daquele momento ele estaria protegido contra os ataques vindos n�o s� do Grande Mestre, mas tamb�m de David. Garantiu-lhe que, assim que se recuperasse, ele poderia encontrar abrigo com alguns amigos que o ajudariam a esconder-se dos membros da Irmandade que desejassem sequestr�-lo.
Passadas duas horas, sua press�o arterial se estabilizou e ele n�o precisou mais de medicamentos para controla-la. Estava visivelmente melhor e Sally o deixou enquanto ia para casa almo�ar.
PARTE 05
Passava um pouco das treze quando Chris finalmente ouviu o barulho do carro de Sally chegando � garagem. Usava um vestido esvoa�ante mas muito curto e com um decote generoso, com a pretens�o de atrair os olhares da m�dica e confirmar-lhe todas as suspeitas. Se ela realmente a desejasse, n�o iria perder a chance de t�-la em seus bra�os.
"Muito bem doutora Brown, vamos ver quem vai ficar ruborizada agora...� a minha vez de jogar e ver o seu embara�o" � pensou com um sorriso nos l�bios.
Sentou-se displicentemente no sof� da sala, fingindo ler uma revista e deixando � mostra o m�ximo que pode das suas pernas cruzadas. Sally entrou em casa. A vis�o daquela mulher em trajes t�o generosos realmente a impactaram.
"Nossa, ser� que todas as vezes que eu chegar em casa terei uma vis�o como essa..."
-Ol�! � disse a m�dica enquanto a fitava com um olhar penetrante que percorria gulosamente todo seu corpo.
-Oh, Sally. Que bom que chegou! Pelo visto teve muito trabalho essa manh�...- disse levantando-se.
"Deu certo! Meu Deus, que olhar essa mulher tem...s� faltava agora eu ficar vermelha...se controle Chris...se controle..."
Sally veio lentamente caminhando em dire��o a pequena loira, o olhar um pouco apertado que a deixava ainda mais sensual. Por mais que quisesse, n�o conseguia conter-se, desejava mais do que tudo beijar aquela mulher, acariciar aqueles seios que estavam quase a mostra, tinha certeza que ela tamb�m a queria.
Chris estava cada vez mais vermelha, suas m�os suavam, as pernas tremiam, mal conseguia engolir a saliva.
"C�us, me olhando desse jeito...se ela chegar perto eu n�o vou ag�entar...oh, ela vem vindo, Sally, o que pensa que est� fazendo? Dane-se, eu vou beij�-la agora, custe o que custar..."
Triiiiiim...Triiiiiim - o barulho do telefone fez Sally parar e recuar. Voltara-se para atend�-lo enquanto Chris desabava no sof� respirando fundo na tentativa de recuperar o controle.
-Al�.
-Dra. Brown?
-Sim. Quem �?
-Sabemos o que fez. Ousou nos desafiar abrigando em sua casa uma traidora. Saiba que seu dia j� est� marcado, n�o teremos piedade. Voc�s ser�o o nosso sacrif�cio ao Grande Mestre...
-Escuta aqui seu...
Click. A liga��o foi encerrada abruptamente.
-Covarde! N�o teve coragem de ouvir, esse...
-O que houve?
-Algu�m fazendo amea�as. Eles j� sabem que est� aqui, mas n�o se preocupe. Duvido que consigam vir pega-la.
-Deuses! Mas o que te d� tanta certeza e seguran�a?
-Um amigo, que me protege. Mas n�o me pergunte quem ele � porque nem eu mesma sei. Apenas o ou�o e devo minha vida a ele. � uma longa hist�ria...
-Ent�o � isso! Desde que te conheci eu sinto irradiar ao seu redor uma atmosfera diferente, algo poderoso mas que transmite paz e amor, diferente de tudo que eu j� senti...
-Hoje a noite quando eu voltar do Memorial te conto mais a respeito disso, mas agora vamos almo�ar e esquecer esses loucos que querem nos assustar. Eu preciso voltar para ver um paciente importante.
Durante o almo�o, Sally contou a Chris toda experi�ncia que tivera pela manh� com Peter e como seu protetor a ajudara.
-Nossa! Bem, � prov�vel que eu o conhe�a mas pelo nome n�o consigo identificar, pois na Irmandade quase todos se conhecem por nomes falsos. O que fez � realmente incr�vel. Esse seu protetor � muito poderoso...
-� sim, mas a sua for�a para que possa se manifestar, depende da nossa concord�ncia. Ele n�o age sozinho, se Peter n�o quisesse deixar a Irmandade e renunciar o que dela recebera, n�o poderia ter feito nada. Acredito que da mesma forma funcione a influ�ncia do Grande Mestre sobre seus seguidores.
-� verdade. Ele precisa da nossa concord�ncia para manifestar a sua maldade atrav�s de n�s, por isso � poss�vel venc�-lo. Mas ele seduz os seus asseclas com poder e riqueza, e isso o torna o que ele �. No entanto, eu acredito que haja muitos que querem deixa-lo mas n�o sabem como, quando se est� l� dentro, o que se aprende � que n�o h� como escapar, e os horrores que vemos acabam por nos convencer disso...
-� por isso que � importante que alguns dos que deixam a organiza��o permane�am nas suas cidades s�os e salvos. Isso servir� como prova para outros de que � poss�vel deixar tudo e sobreviver. N�s s� precisamos mesmo � nos livrar das tentativas de seq�estro e assassinato que vir�o contra n�s e para isso estou contando mais uma vez com a ajuda do meu protetor, n�o para mim, mas tamb�m para todos os outros...eu s� desejo saber se isso vai ser poss�vel...bom, voc� acha que estar� bem ficando aqui sozinha?
-Estarei sim, n�o se preocupe. Mas de qualquer forma ficarei atenta, qualquer coisa eu entro em contato...
-Est� bem, at� a noite ent�o...
No caminho para o hospital, Sally pensava:
"Hoje eu tive a certeza que vai ser dif�cil ter essa pequena em minha casa e me segurar...eu quase a beijei hoje, e pelo estado que ela ficou ela mais uma vez queria esse beijo...talvez hoje a noite..."
Em casa, Chris igualmente pensava:
"Mas eu sou mesmo uma tonta, armei o circo pra ver a doutora embara�ada e eu que tremi por inteiro...tamb�m, diante de um olhar daquele, mas que mulher linda!...C�us, eu pensei que fosse desmaiar...bom, mas ela me quer, isso � certo! Ela n�o tirou os olhos do meu decote durante todo o almo�o...hum, se ela n�o tivesse que voltar para o hospital...mas hoje a noite, quem sabe..."
Chris ainda estava as voltas com o jantar quando Sally chegou.
-Ol�!
-Oi, voc� chegou cedo! Eu ainda n�o terminei o jantar...
-Humm, que cheiro bom...na verdade eu resolvi deixar o hospital um pouco mais cedo hoje, eu estou muuuuito cansada! Preciso de pelo menos meia hora de um bom banho pra come�ar a relaxar...
-Ent�o vai. Eu j� estou terminando aqui, em seguida vou tomar banho tamb�m e depois jantamos.
Enquanto relaxava na banheira, Sally pensava em Chris.
"Que inusitado isso! Eu apaixonada por uma mulher! Mas o que mais me surpreende � a minha falta de jeito com ela. Quem diria...ser� que eu vou assust�-la se eu disser na lata o que sinto? Acho que n�o...� evidente que ela me quer, j� deu pra perceber. Mas...na lata, assim, n�o sei se vou conseguir...bom, se ela der uma deixa, a� eu vou aproveitar..."
Perdida em seus pensamentos, Sally demorou bem mais do que previra. Ao descer, encontrou Chris bebericando um pouco de vinho na sala.
Ao ver a bela figura da m�dica descendo as escadas, a pequena h�spede viu-se nocauteada pela beleza e pelo perfume que dela exalava.
"Deuses...essa mulher me faz perder o equil�brio...j� esqueci tudo que ensaiei pra dizer...� coragem, cad� voc�?"
-Desculpe a demora, acabei me distraindo...
-Tudo bem...quer um pouco de vinho?
-Sim, mas vamos logo jantar? Eu estou morrendo de fome!
-Eu tamb�m, vamos.
Durante o jantar, Sally passou a contar como o seu protetor entrara em sua vida e tudo que ele tinha feito ao longo de todos esses anos. Ela ouvia tudo atentamente e por vezes ficava surpresa diante do relato acerca das in�meras vezes em que ele livrara a m�dica da morte. Ao ouvir o que motivou sua vinda a Idaho, Chris sentira seu cora��o acelerar levemente.
-Ele disse a voc� que encontraria a sua felicidade aqui?! Bom, at� agora voc� tem achado � muito trabalho e dificuldade, e para completar, uma amea�a de morte...o que acha que ele quis dizer com isso? Ser� que ele se referia a algu�m que...bem...talvez voc� venha a conhecer algu�m por quem ir� se apaixonar e ent�o...� sondava Chris.
"� agora, seja o que Deus quiser..." � pensou Sally
-� exatamente isso, Chris... eu tenho certeza porque foi o que ac...
Um barulho alto e agudo, seguido pelo som de pneus se arrastando no asfalto as fizeram assustar e instintivamente jogarem-se no ch�o.
-O que foi isso???? � perguntou Chris muito assustada.
-Calma! Fique abaixada! Eu vou tentar ver o que �.
Ap�s arrastar-se um pouco pelo ch�o, Sally p�de perceber que algu�m havia atirado uma enorme pedra contra a sua vidra�a. Ao certificar-se de que n�o havia mais perigo, finalmente disse:
-Tudo bem, pode levantar. Algum engra�adinho atirou uma pedra contra a janela...
Alguns vizinhos estavam em suas portas, ao que Sally gritou:
-Algum v�ndalo atirou uma pedra contra a minha vidra�a, mas est� tudo bem!
Aos poucos, um a um foi retornando para dentro de casa.
-Foram eles! � disse Chris desabando no sof�. Estava desolada. � � tudo culpa minha...
-Ei! N�o diga isso!
-Mas � verdade Sally! N�o fosse por mim voc� estaria bem e ...
-Chris � disse-lhe sentando ao seu lado � o que eu n�o te disse foi que eu trouxe voc� pra c� porque o meu protetor me disse para faz�-lo. E mais uma vez ele acertou! Est� sendo �timo ter voc� aqui, a despeito de tudo isso...
-Verdade?
-� sim...eu...eu..."� agora, vou falar"...eu..."vamos l�, coragem sua boba"...bom eu...Chris eu a... "mas como � que eu vou dizer isso assim, ela ainda est� tremendo"...a-acho que n�s dever�amos tentar dormir, � tarde...a gente acabou conversando bastante e...
-�, eu sei, voc� tem que ir trabalhar amanh� cedo, n�?
-�...pois �... "eu sou uma idiota! Idiota! Est�pida!"
-Bem...boa-noite, ent�o...eu vou subir e tentar dormir...
-Est� bem. Eu vou dar um jeito nessa bagun�a e vou procurar dormir um pouco tamb�m...
Chris estava em seu quarto andando de um lado para o outro a pelo menos meia hora.
"Mas que coisa! Ser� que toda vez vai ser assim...eu fiz tantos planos para essa noite...mas tinha que dar errado!"
No quarto em frente, Sally revirava-se na cama.
"Droga! Ser� que eu deveria ter dito tudo a ela? Mas naquela situa��o...ah, eu estou enlouquecendo com tudo isso...j� sei que n�o vou conseguir pregar os olhos essa noite...e se eu fosse l�, bater na porta do quarto dela? N�o, n�o...a essa altura ela j� deve estar at� roncando..."
Ap�s ter sentado e levantado da cama dezenas de vezes, Chris tomou uma decis�o:
-Dane-se! Eu vou agora bater na porta do quarto dela e dizer que a amo! Chega de rodeios! Quero ver se ela vai ter coragem de dizer que n�o sente o mesmo por mim!
Chris correu at� o closet e vestiu uma lingerie extremamente sensual. Ao voltar, enquanto dirigia-se � porta, mal teve tempo de desviar do jarro de flores que enfeitava seu criado mudo e fora arremessado contra ela, passando a cent�metros do seu rosto e indo espatifar-se ruidosamente contra a parede. Imediatamente correu.
Ao ouvir o barulho que vinha do outro quarto, Sally deu um salto da cama e ao abrir a porta, deparou-se com Chris que entrou correndo e falando:
-Tem algu�m no meu quarto!
Em segundos, Sally fechou a porta do seu quarto a chave.
-N�o adianta � disse Chris assustada � quem quer que esteja l� vai entrar aqui mesmo com a porta fechada!
-Mas como??
Antes que a m�dica pudesse terminar a pergunta, Chris ca�ra de joelhos torcendo o corpo para tr�s e levando as m�os ao pesco�o. Estava claramente sendo sufocada mas Sally n�o conseguia ver nada al�m da pequena loira, que j� ficava azul e estava prestes a desmaiar.
-Chris! Chris! O que est� havendo?! Chris, fala comigo! Chris! � gritava Sally
Ouviu ent�o a voz do seu protetor:
"Veja e reaja, n�o tenha medo!"
Ap�s ouvi-lo, subitamente seus olhos puderam ver o contorno brilhante de uma figura feminina que, com as duas m�os no pesco�o de Chris, tentava mat�-la. Sem pestanejar, atirou-se contra ela com tal �mpeto e for�a que a fez recuar. Em um segundo movimento, arremessou a estranha figura com viol�ncia contra a parede e p�de ouvi-la gemer pela dor provocada com o impacto. Em uma fra��o de segundos, desapareceu. Voltando-se para Chris, a encontrou respirando com dificuldade.
-Calma, Chris...devagar, est� conseguindo respirar?
-Agora sim � falou em um fio de voz.
-N�s precisamos ir para o hospital, verificar o dano a sua laringe.
Seguiram rumo ao hospital apressadamente. Sally estava atordoada.
-Ainda bem que o plantonista � o Jerry e ele n�o � dado a muitas perguntas, qualquer outro e n�s poder�amos estar encrencadas...como � que eu ia explicar o que aconteceu? Certamente pensariam que foi eu quem tentou mat�-la!
Ap�s deixar Chris com o Dr. Jerry para alguns exames, Sally dirigiu-se at� a sua sala. Tremia da cabe�a aos p�s e ainda estava apavorada. Sentou-se, e, apoiando os cotovelos em suas coxas, levou as m�os ao rosto e suspirou.
"Mas que diabos foi aquilo??? Estou tremendo at� agora! S� pode ser loucura tudo isso...parecia uma cena de filme de terror, que pesadelo! Quem iria acreditar em uma coisa dessas? Quem era aquela mulher?"
Ap�s ser examinada, Chris e o Dr. Jerry foram ao encontro de Sally.
-Podemos conversar um minuto em particular � disse o Dr. Jerry a Sally.
-Claro. Querida, me espere aqui, eu j� volta est� bem?
Chris concordou com um aceno enquanto os m�dicos deixavam a sala rumo ao corredor do hospital.
-Sally, que raio de coisa foi que aconteceu? Essa garota foi estrangulada e pela les�o na laringe, por pouco n�o morreu!
-Jerry, eu n�o saberia explicar, mas acredite em mim, n�o podemos ir � pol�cia.
-Mais um dos seus mist�rios! Muito bem, eu n�o me importo mesmo, desde que n�o me comprometa.
-N�o se preocupe quanto a isso, eu garanto que voc� n�o ser� envolvido.
-Est� bem, vou esquecer o que houve � disse dando de ombros e deixando-a.
Ao voltar para o consult�rio, Sally encontrou Chris deitada sobre o div� que havia na sala.
-Voc� ainda vai ficar uns dias com uma certa dificuldade para falar, mas n�o se preocupe, depois tudo voltar� ao normal, � porque houve uma pequena les�o na sua laringe, mas nada grave.
-T� � sua voz soava como um sopro.
-Quanto menos voc� falar, melhor. Agora vamos para casa descansar um pouco.
Passava das tr�s quando chegaram em casa. Sally sentia o corpo todo doer pelo impacto emocional causado por toda aquela situa��o. Nunca imaginou que um dia pudesse viver algo parecido, esperaria Chris melhorar para tentar esclarecer o que realmente teria acontecido. Quem era aquela mulher? Como ela conseguiu tal proeza?
-Bem, eu vou tentar descansar um pouco. Daqui a algumas horas eu tenho que voltar para o hospital.
-Sally � sussurou Chris
-Sim?
-Posso dormir no seu quarto? Eu n�o queira ficar sozinha porque a ...
-N�o precisa explicar, voc� n�o deve falar para que possa se recuperar logo. � claro que pode...vamos.
Imediatamente ap�s deitarem-se, Chris atirou-se nos bra�os de Sally, deitando sobre seu ombro. A m�dica afagava-lhe os cabelos e a envolvia com carinho, fazendo-a sentir-se segura. Em poucos minutos a loira adormeceu. Sally, no entanto, n�o conseguia pregar os olhos. Por volta das sete, levantou-se e seguiu para o hospital, deixando sua h�spede dormindo. Estava um pouco receosa em deix�-la sozinha depois de tudo, mas n�o podia deixar de ir trabalhar. Mas uma vez confiaria em seu protetor para mant�-las s�s e salvas.
Ao retornar para casa na hora do almo�o, Sally encontrou Chris bem melhor. Sua voz estava bem mais aud�vel e restavam apenas algumas marcas no pesco�o que levariam alguns dias para sumirem.
-Ol�! Vejo que est� bem melhor!
-Estou sim! Quase 100%.
-Bom! Enquanto almo�amos, gostaria que tentasse me explicar o que de fato aconteceu ontem a noite, eu s� pude entender um pouco o que acontecia porque o meu protetor me fez ver que havia algu�m ali, te sufocando...
Chris suspirou.
-Eu sinto muito mais uma vez. Voc� me trouxe pra c� agora todos os ataques est�o concentrados contra a sua casa...
-Hey, j� disse que n�o deve se preocupar. Eu quis traz�-la pra c� e n�o me arrependo, est� bem? Muito pelo contr�rio, n�o sei como voc� enfrentaria isso sozinha.
-�...eu devo minha vida a voc�. Quem esteve aqui ontem foi uma jovem chamada Madeleine, eu mesma a treinei...pude v�-la quando voc� a arremessou contra a parede...
-Mas como isso � poss�vel? Voc� j� havia me falado dessa capacidade de realizar viagens fora do corpo, mas n�o pensei que pudesse agir dessa forma...
Chris falou devagar e pausadamente:
-Normalmente, n�o. Teoricamente, qualquer pessoa � potencialmente capaz de deixar o corpo e ir a algum lugar, mas para fazer o que Madeleine fez � preciso algo mais, e � a� que o Grande Mestre entra. Ele nos d� a capacidade para realizar tais fa�anhas com o nosso corpo espiritual como se no corpo f�sico estiv�ssemos. Dessa forma � poss�vel fazer o que ela fez ou movimentar objetos, atirar vasos e at� mesmo matar usando uma faca dispon�vel no local. Parece loucura, mas � poss�vel sim. Depende unicamente do grau de envolvimento que se tenha com o mundo espiritual, com os que nos possibilita faz�-lo.
-Isso � dif�cil de entender...
-Nem tanto Sally. Voc� n�o podia ver o que estava acontecendo at� que o seu protetor abriu os seus olhos e te deu o poder de tocar e ferir um corpo espiritual. � mais ou menos assim que funciona, um ser mais evolu�do serve de elo, de ponte, para que possamos fazer tais proezas. � isso que atrai tantos a Irmandade, o poder, o fato de tornarem-se capaz de atos que a maioria das pessoas n�o podem fazer. Se eu estivesse fazendo uso dos poderes que adquiri na Irmandade, facilmente a teria vencido, mas hoje eu sei que, assim como existem elos espirituais que nos capacitam a fazer o mal, existem tamb�m os que nos capacitam a fazer o bem, com o mesmo poder e for�a. Voc� � mesmo privilegiada por ter algu�m assim, como seu protetor...
-�...na verdade ele me escolheu, e eu nem sei ao certo porque...
-Acredito que existam mais pessoas assim como voc�, que contam com uma ajuda especial de um ser evolu�do. Eu penso que todas elas t�m alguma miss�o a cumprir e eu acho que a sua � ajudar as pessoas que como eu queiram deixar a Irmandade ou que sejam v�timas dela, como os pacientes do hospital.
-Talvez...o fato � que eu j� me envolvi com isso at� o pesco�o e, como j� disse, n�o me arrependo. Contar com a ajuda do meu protetor s� me torna ainda mais determinada.
De volta ao hospital, Sally mergulhou na sua rotina di�ria de trabalho, dessa vez sem maiores complica��es. No in�cio da noite, apesar de ter dormido um pouco no hospital, estava exausta e decidiu ir para casa. S� retornaria ao Memorial para o plant�o na madrugada do dia seguinte e o fato de que finalmente passaria um dia inteiro ao lado de Chris a deixara animada. Dessa vez as coisas seriam diferentes. V�-la dormindo em seus bra�os na noite passada, sentir o seu cheiro, o calor do seu corpo, tudo isso havia lhe dado a coragem e a determina��o que precisava para declarar o seu amor. N�o conseguia imaginar-se deitando novamente naquela cama sem a presen�a daquele corpo junto ao seu.
"N�o importa o que aconte�a, hoje eu direi tudo que est� engasgado desde que a conheci, e se tudo der certo..." � um sorriso iluminou a sua face ao pensar em tudo de bom que poderia acontecer aquela noite.
Em casa, Chris esmerava-se na produ��o do jantar. Estava disposta a terminar o que tentara fazer na noite anterior antes de ser atacada. Iria declarar o seu amor �quela m�dica maravilhosa em grande estilo. Enfeitara a casa com algumas flores, deixara o ambiente a meia luz e a mesa do jantar perfeitamente disposta a luz de velas. Certamente iria surpreend�-la. Tomou um banho prolongado e colocou um vestido de al�as finas da cor dos seus olhos que se ajustava perfeitamente ao seu corpo. Estava lindamente sexy e seria imposs�vel para a bela doutora resistir aos seus encantos. Aquela noite, sem d�vida, seria delas.
Sally chegou em casa no instante em que Chris descia as escadas para espera-la. Ao estacionar, estranhou a penumbra na casa e entrou um tanto apreensiva. Abriu a porta apressadamente e avistou a sua h�spede em p�, pr�ximo a entrada. Ao V�-la, deteve-se paralisada por alguns segundos, o perfume que enchia a sala a atingiu em cheio como um cruzado de direita, ela estava literalmente zonza.
"Por todos os deuses! Ela est� linda!"
Passando rapidamente os olhos em vista pela casa, Sally disse-lhe:
-Uau! Nossa...Chris, eu...puxa!
-Caaaaalma, doutora Brown � sua voz ainda um pouco rouca a deixou ainda mais sensual � vem, eu vou servir-lhe um pouco de vinho pra voc� relaxar.
Tomando-a pela m�o, guiou uma estupefata m�dica at� a sala onde a garrafa de vinho as esperava.
-Ah, Chris...eu...deixe-me tomar um banho...voc� est� t�o linda...eu estou cheirando a hospital � Sally devorava Chris com os olhos.
-Depois, Sally. Essa noite eu n�o vou deixar que nada, nem ningu�m atrapalhe os meus planos...e isso inclui n�o perder voc� de vista � disse enquanto empurrava a j� tr�mula m�dica sobre o sof�.
-�? E quais s�o os seus planos? � sua voz estava sensualmente mais rouca do que o normal.
Chris sentou-se o mais pr�ximo que p�de a seu lado no sof� e rodeou o pesco�o da m�dica com um dos bra�os, enquanto acariciava com a outra m�o o seu rosto, mantendo-o a pouqu�ssimos cent�metros do seu pr�prio rosto. Mirando os seus l�bios, finalmente disse em um sussurro rouco de excita��o:
-Eu quero voc�, Sally.
Sally a abra�ou com paix�o e seus l�bios uniram-se em um estreito contato. Ao sentirem o ro�ar dos seios contra a pele, naturalmente suas bocas se entreabrem buscado sugar cada uma os l�bios da outra. Totalmente entregues a paix�o, suas l�nguas se entrela�am e movem-se de forma ritmada para dentro e para fora, fazendo ambas estremecerem. Chris deixa escapar um gemido, o que faz com que Sally sinta uma onda de calor subir desde o interior das coxas e invadir todo o seu corpo. Parando para tomar f�lego, ela geme enquanto Chris a beija e suga, deixando um rastro molhado por seu pesco�o e orelha. Entrela�ando os dedos em seus cabelos, sussurra:
-Oh, Chris...
Sally percorria com a m�o toda a extens�o do corpo da jovem loira, desde sua coxa at� os seios endurecidos, fazendo-a gemer ainda mais:
-Ah, Sally...meu amor...Ohhh...
Chris levantou-se tomando a m�dica pelas m�os:
-Vem...vamos subir... � disse ofegante.
-T�, mas eu realmente preciso tomar um banho antes, meu amor � respondeu-lhe igualmente excitada.
-Eu espero voc� na cama.
Enquanto Sally tomava banho, Chris retirou o vestido e deitou-se inteiramente nua. Ao sair do banho, Sally viu a sua excita��o multiplicar-se em uma fra��o de segundos diante da vis�o daquela mulher em sua cama. Veio caminhando em sua dire��o deixando cair a toalha que cobria o seu corpo n�. Ao v�-la desnuda, Chris imediatamente tentou engolir a saliva, mas foi em v�o. Sua boca estava seca e ela desejou desesperadamente mais um beijo �mido, n�o s� em seus l�bios, mas a percorrer todo o seu corpo.
Sally deitou-se na cama e beijaram-se, a princ�pio ternamente. No entanto, o fogo da paix�o as consome, fazendo-as aumentar a intensidade do contato e rolar pela cama. Em uma fala que mais pareceu um gemido, Sally diz:
-Eu n�o tenho experi�ncia com mulheres...
Chris excitou-se sobremaneira ao ouvir-lhe dizer isso. Com uma entona��o selvagem e suplicante, respondeu:
-Ah, Sally, n�o se preocupe...apenas deixe-me fazer com voc� tudo que eu tenho vontade...
-Fa�a o que quiser de mim, meu amor...eu sou toda sua... � sussurrou em seu ouvido.
Entregando-se a vol�pia do desejo, Chris percorre com beijos o corpo da sua amante at� deter-se em seus maravilhosos seios endurecidos de desejo. Demora-se lambendo e sugando os mamilos eretos, fazendo a m�dica gemer intensamente:
-Oooooh, Chris...amor...aaaah...
Chris percorre pouco apouco a pele ardente e macia fazendo-a estremecer, at� chegar ao seu sexo. Instintivamente, Sally abre generosamente as pernas, convidando-a a mergulhar seus l�bios no local que se descortina. Chris ajoelha-se, e segurando uma das pernas de sua companheira, beija seus tornozelos e sobe lentamente pela parte interna da sua coxa at� alcan�ar seu p�bis. Com delicadeza, abre com a m�o os l�bios que envolvem a vulva, deixando a mostra o seu interior quente e �mido. Percorre a regi�o com a ponta da l�ngua de modo suave, contornando-o de cima a baixo, passando levemente sobre seu clit�ris sem lamb�-lo. Sally geme e se contorce, agarrando-se a cama e levantando os quadris na busca pela boca que a estava enlouquecendo:
-Aaaaaah, Chris...Chris...asssssim...oooooh...huuuum...
Chris passa a lamber-lhe o clit�ris sem levantar a l�ngua, exercendo press�o e fazendo-o vibrar, para cima e para baixo. Ora mudava o ritmo e a for�a, ora umedecia-o com a sua saliva quente para sopra-lo em seguida.
Sally aumentava os movimentos ascendentes dos quadris e todo o seu corpo come�a a vibra, dando sinais de que uma explos�o de gozo se aproxima. Chris agora mant�m a sua boca encaixada sobre o sexo da m�dica, sugando-o agora com for�a, fazendo-o emitir sons em um beijo er�tico que as excita cada vez mais.
Sally sente uma onda de prazer subir por sobre o seu corpo fazendo-a sacudir em espasmos descontrolados e gritar:
-Aaaaaaah... Chriiiiiis...aaaaaah
Desaba sobre a cama ofegante. Chris n�o se det�m diante do gozo da sua mulher. Volta a percorrer o seu corpo com beijos, chup�es e lambidas at� mergulhar novamente em seus seios. Estende a m�o at� alcan�ar o sexo pulsante da m�dica e abre-o inteiramente at� encaixarem-se perfeitamente. Sally cruza suas pernas por sobre as costas de Chris aumentando o contato, e ambas ent�o movem-se vigorosamente em um vai e vem de quadris que as fazia aprofundar a escorregadia uni�o. A intensa umidade provocada pela excita��o novamente provoca um barulho envolvente que as deixavam cada vez mais selvagens. Sally arranha as costas de Chris, morde-lhe e suga-lhe o ombro at� que sente vir mais uma vez o formigamento que lhe percorre e corpo e antecede uma onda de choques, que a fazem estremecer e gritar sem controle. Chris por sua vez, se deliciava contemplando a express�o de prazer no rosto de sua amada e , ao v�-la explodir em mais um novo orgasmo, n�o se cont�m e mergulha em um gozo intenso e prolongado.
-Sally, Sally, aaaaaaah...aaaaah...Sssssallyyyyy
Ap�s um tempo, Chris deitou-se ofegante ao lado da bela morena com um sorriso de satisfa��o no rosto. Sentia-se nas nuvens por finalmente t�-la em seus bra�os. Alguns instantes depois, confessou:
-Sally...
-Hum..
-Eu te amo!
Ao ouvi-la, a m�dica virou-se e deitou-se por sobre o corpo pequeno da loira, olhando-a nos olhos com um sorriso radiante no rosto.
-Ah, Chris! Eu tamb�m te amo! Eu te amei desde a primeira vez em que te vi l� no hospital, deitada naquela maca de olhos fechados. Foi incr�vel, era como se eu tivesse encontrado uma parte de mim que s� naquele instante eu pude perceber que faltava, entende?
-Entendo sim, meu amor � disse acariciando seu rosto � porque quando eu abri os olhos e te vi, eu senti a mesma coisa, eu senti o meu cora��o disparar e a sensa��o que eu tive era que, a partir daquele momento, eu precisaria estar sempre perto de voc� para que ele continuasse batendo, para que eu me sentisse completa. Eu venho tentando te dizer isso a tanto tempo...
-Eu tamb�m...mas eu confesso que a princ�pio eu tentei fugir...
-Eu sei...
-�, mas foi em v�o. Eu n�o conseguia tirar voc� do pensamento, mesmo estando longe, mesmo sem te ver.
Nesse instante, um barulho alto e estranho surge entre as duas.
-Isso foi o seu est�mago?! � perguntou Sally rindo.
-Oh, desculpe � disse ruborizada � eu passei o dia t�o ansiosa preparando o jantar que nem me preocupei em comer nada e agora estou realmente com muita fome!
-Tudo bem! Pra falar a verdade, eu tamb�m estou faminta. Que tal tomarmos um banho e descermos para jantar?
-Vamos sim. Se quer saber, eu tinha planejado tudo diferente essa noite...- disse sorrindo
-Como assim?
-Ah, eu iria esperar voc� chegar e passar o jantar inteiro me insinuando pra voc�, tentando te seduzir. Eu n�o ia te dar a menor chance de resistir, mas quando voc� chegou e me olhou daquele jeito...ah, a� quem n�o resistiu foi eu, por isso te ataquei daquela forma. Mulher, voc� n�o sabe o olhar que tem! As minhas pernas chegam a ficar bambas quando voc� me olha com desejo!
Sally riu.
-Ah, mas eu n�o tive culpa! Voc� estava maravilhosa. Ali�s, voc� � maravilhosa! Quando eu entrei e vi voc� daquele jeito, senti o seu perfume, nossa...foi como se uma descarga el�trica percorresse meu corpo. Se voc� n�o tivesse me atacado, mocinha, era eu quem iria te atacar. Eu n�o iria conseguir jantar com voc� daquela forma, iria ser imposs�vel me segurar.
Riram juntas e foram tomar banho. Sob o chuveiro, os beijos e as car�cias recome�am. Chris percorria o corpo escultural da m�dica alternado massagens e beijos, ao mesmo tempo em que levava suas m�os �vidas a percorrer o caminho da sua intimidade.
-Ah, Chris...meu amor...� melhor pararmos...s�rio, eu estou azul de fome...e n�s temos muito tempo, querida. Quase vinte e quatro horas s� de amor e prazer...
-Huuum, est� bem, mas s� mesmo por alguns instantes enquanto jantamos...eu ainda n�o fiz com voc� nem metade de tudo que eu quero fazer...
-Wow! Pois eu j� disse que sou toda sua...pode fazer de mim o que quiser � disse-lhe em um sussurro.
-T�, mas depois n�o vai se arrepender, hein!
-Nunca!
-� sorte!
Sally vestira-se com um roup�o de banho, enquanto Chris permaneceu enrolada em uma toalha. Desceram para jantar.
PARTE 06
O jantar transcorreu em um clima de romance e felicidade. Ap�s terminarem, resolveram bebericar um pouco de vinho no espa�oso sof� da sala, e ali novamente a paix�o reacendeu o desejo. Sally j� estava deitada, totalmente nua, tendo as pernas flexionadas e a jovem loira entre elas brincando com a ponta da l�ngua em seu umbigo. Lentamente, Chris vai descendo em suas car�cias at� ter o seu rosto alcan�ado o sexo �mido de sua amada. Morde delicadamente a regi�o inchada que circunda o clit�ris, alternando os dentes com a l�ngua e com beijos sugadores, fazendo Sally gemer.
-Huuuum, deuses...oooh, Zeus...ooh, Chris...huuuum...
Chris coloca uma almofada por baixo dos quadris da m�dica, deixando-a mais acess�vel, e passa a percorrer com a l�ngua todos os pontos que se mostram por inteiro. Come�a a descer o caminho que vai do alto, onde nasce o seu terno e carnudo clit�ris, at� chegar ao orif�cio anal, onde se det�m. Passa ent�o a umedecer com saliva a entrada do �nus, soprando em seguida, para depois estocar levemente com a l�ngua a pequena e rugosa abertura. Repete todo o percurso algumas vezes, e Sally reage movimentando os quadris em uma s�plica.
-Oh, Chris...por favor...eu...eu...preciso...aaaaah...Chriiis...eu vou gozar...
Chris sobe com a l�ngua novamente at� o clit�ris enquanto penetra a m�dica com dois dedos em movimentos �geis e ritmados. Sally passa a mover-se rapidamente, contorcendo-se e gemendo com urg�ncia.
-aaaaah...sssssim...aaaaah...amoooooor...vaaaai...aaaah...
Chris permanece deliciando-se do gosto e do cheiro de gozo da sua amante. Deita a cabe�a sobre o seu ventre por alguns instantes at� v�-la mais calma. Ap�s perceber que ela se recuperara um pouco, sobe com beijos e car�cias at� os seus seios, onde brinca com os mamilos intumescidos. Em seguida a beija com vol�pia, chupando sua l�ngua e fazendo-a sentir o pr�prio gosto em sua boca.
-Agora � sua vez, meu amor...voc� quer sentir o meu gosto? � pergunta-lhe Chris em um sussurro rouco.
-Hum, hum...sim, por favor... � gemeu Sally.
Chris ent�o sobe por seu corpo e aprisiona o rosto da m�dica entre suas pernas, pousando os joelhos de forma tal que a permitia sentar-se sobre a face da morena, mantendo uma das m�os sobre os fartos cabelos negros em um carinho especial e guiando-a at� o seu sexo:
-Vem, amor...deixa eu sentir a sua l�ngua em mim...
Ao ver o p�bis de sua amante coberto de p�los loiros na altura da sua boca, Sally passa a lamb�-lo intensamente, percorrendo com a l�ngua toda a regi�o descortinada, sugando-a por vezes e alternado car�cias com a m�o nos seios e n�degas expostas da loira, que geme intensamente:
-Assim...aaaaah...Sally...iiiissso...huuuum...mais forte amor...aaaaassim...aaaah...
O corpo de Chris se mexe em um vai e vem fren�tico, esfregando com for�a a sua umidade contra a boca da m�dica, que passa a suga-la ferozmente. Uma onda de espasmos faz o ritmo se descontrolar e ela grita:
-aaaaah...Sallyyyy...eu vou...aaaaaaah...
Ap�s o gozo, Chris repousa sobre o corpo quente da m�dica, que a envolve em um abra�o. Depois de um breve descanso, resolvem subir de volta ao quarto, onde recome�am na cama a busca pelo m�tuo prazer.
J� havia amanhecido quando ambas, exaustas do amor, se rendem ao sono. Por volta do meio-dia, Sally acorda e percebe que Chris dorme profundamente sobre seu corpo. Um sorriso de pura satisfa��o e felicidade brota em seu rosto e ela permanece ali, por mais alguns minutos, simplesmente admirando a beleza daquela mulher. Pensava no fato de que, em toda sua vida, nunca experimentara tanto prazer no sexo quanto nos momentos vividos com aquela pequena loira. Ela parecia conhecer todos os caminhos, todas as formas que a faziam delirar, um prazer que nenhum dos homens com quem se relacionou foi capaz de lhe proporcionar. Ao pensar em tudo isso, sentiu o desejo come�ar borbulhar mais uma vez em seu corpo, mas n�o queria acordar a sua companheira sem antes preparar algo para que ambas comessem, pois estava faminta e sabia que ela quando acordasse tamb�m estaria.
Muito delicadamente, desfez o contato e deixou que ela dormisse enquanto tomava banho. Desceu em seguida e preparou uma refei��o leve e saud�vel para ambas. Antes por�m de subir, Sally dirigiu-se calmamente ao quintal e sentou-se em uma mesa de piquenique que ficava sob uma �rvore enquanto comia uma ma�� e conferia suas correspond�ncias. Repentinamente, a figura de um homem tomou forma a sua frente e sentou-se do outro lado da mesa. Enquanto olhava para ele boquiaberta, Sally n�o conseguia desviar os seus olhos dos olhos que tamb�m a miravam. Eles eram como o carv�o negro e transmitiam trevas e maldade que pareciam querer traga-la. Por um instante, sentiu-se como se estivesse mergulhando nas profundezas daqueles olhos, no entanto algo a trouxe de volta, fazendo-a restabelecer-se.
-Voc� � o Grande Mestre! � exclamou.
Depois que ele acenou com a cabe�a confirmando sua exclama��o, Sally continuou:
-O que voc� quer?
-Mulher, voc� ousa me enfrentar?
-Minha vida est� empenhada nisso.
-Eu sei � disse pausadamente � mas voc� realmente OUSA me enfrentar?
Sally ficou surpresa e confusa com a repeti��o da pergunta, no entanto sentiu seu cora��o encher-se de paz e estava admirada por n�o estar sentindo medo algum:
-N�o luto contra voc� sozinha.
-Sim. Deixe-me dizer-lhe algo: um certo escrito, que para alguns � sagrado, diz que todo aquele que pretende construir uma torre, deve primeiro assentar-se, calcular a despesa e verificar se tem recursos para conclu�-la, para n�o acontecer que, tendo lan�ado os alicerces e n�o a podendo acabar, n�o venham os outros e zombem dizendo: este homem come�ou a construir e n�o p�de acabar. Da mesma forma, qual � o rei que indo combater outro, n�o se assenta primeiro e calcula se com dez mil homens poder� enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? Caso n�o possa enfrent�-lo, estando o outro ainda longe, n�o envia-lhe uma embaixada, pedindo paz? Mulher, seria melhor voc� avaliar o custo, porque eu lhe digo que posso tornar a sua vida numa agonia e ang�stia que voc� nunca pensou existir!
No fundo, Sally sabia que aquele ser falava s�rio. J� havia imaginado a possibilidade de isso tudo realmente acontecer e retrucou:
-Eu j� avaliei, de todas as maneiras, as conseq��ncias e tenho certeza que, aconte�a o que acontecer, eu estou fazendo a coisa certa. Assim, eu OUSO ir contra voc� e sim, eu me atrevo a te enfrentar. O que eu j� conquistei fazendo isso foi o suficiente para provar que eu tomei a atitude correta, e se eu tiver que recuar, n�o vai ser voc� quem vai me dizer quando.
Ficaram olho a olho durante um longo momento. Novamente Sally teve a sensa��o de que, se algo n�o a estivesse segurando, seria consumida pelo olhar horrendo e maligno daquela criatura. Depois disso, ele meneou a cabe�a e disse:
-Ent�o, que seja assim � e desapareceu.
Ainda assentada, Sally analisava a situa��o. Sentiu que havia dado um passo irrevog�vel e n�o tinha a exata no��o do que isso lhe custaria. Apenas confiava no seu protetor, no amor que sentia por Chris e no seu desejo �ntimo de ajudar as pessoas. N�o tinha id�ia de quanto tempo havia durado aquela conversa e decidiu ir ao encontro da mulher que estava em seu quarto. Sally subiu levando em uma bandeja a refei��o que havia preparado e encontrou Chris dormindo do mesmo jeito que a deixara. Ao v�-la ressonando com uma express�o serena no rosto, sentiu o cora��o encher-se de ternura e a tens�o que vivera a poucos instantes desapareceu por completo. Depositou a bandeja em um c�modo e deitou-se novamente, permanecendo quieta a admira-la at� que acordasse. Ap�s algum tempo, Chris acorda lentamente e depara-se com o bel�ssimo par de olhos azuis a contempla-la:
-Bom-dia, meu amor! � disse sorrindo.
-Bom-dia, dorminhoca! Faz tempo que levantei. Preparei alguma coisa e trouxe pra n�s...
-Hummm! Me espera que eu j� volto! � Chris levantou em um pulo e foi at� o banheiro. Voltou ap�s ter tomado banho e passaram a fazer o desjejum na cama.
-Nossa, estou morrendo de fome! � disse a jovem loira.
-Ah, eu imaginei...tamb�m, depois da maratona de ontem! Voc� acabou com todas as minhas for�as, desse jeito o Memorial vai deixar de me ter como m�dica pra me receber como paciente!
-� exagerada! � disse rindo � eu tenho certeza que voc� ag�enta! Quem mandou ser t�o deliciosa? Agora eu quero todo dia, toda hora, s� em estar perto de voc� j� fico imaginando mil coisas...
-Ah, �? O que por exemplo? � disse Sally de maneira provocante.
-Vem c�...me beija que eu te mostro...
-Voc� � mesmo insaci�vel, n�?
-Hum, hum...
Deixando a bandeja de lado, entregaram-se aos carinhos de longos e apaixonados beijos, reacendendo o fogo do desejo. Chris sugava levemente cada mil�metro do pesco�o de Sally, at� chegar ao seu ouvido, onde passeou por alguns instantes penetrando-o com a l�ngua, enquanto ouvia a respira��o de sua amada cada vez mais ofegante. Percorre ent�o os dedos pelas costas da m�dica, seguindo o caminho de sua espinha at� chegar ao in�cio da linha que separa as n�degas.
-Amor? � sussurra Chris em seu ouvido.
-Huuuum?
-Deita de bru�os... � diz ainda sussurrando.
Sally obedeceu ainda mais excitada. Ela simplesmente adorava o controle e o dom�nio que aquela pequena mulher exercia sobre ela quando estavam na cama. Chris sentou-se sobre ela e inclinando-se, esfrega lentamente os seios por toda extens�o das longas costas da m�dica, que murmura de prazer e expectativa. A excitad�ssima loira percorre em beijos cada cent�metro da sua amante, e ao acariciar suas n�degas, percebe que a morena ergue levemente o quadril para facilitar-lhe o acesso. Mantendo a car�cia, Chris sussurra em seu ouvido:
-Isso, meu amor...assim...eu quero ver voc� se entregando inteira pra mim...deixa eu fazer com voc� o que eu quiser...
-Ah, Chris... � gemeu Sally � eu deixo...fa�a de mim o que quiser...eu sou toda sua...
Chris percorre com a m�o em uma car�cia o caminho que vai do clit�ris at� a entrada do �nus, estimulando a m�dica e ao mesmo tempo lubrificando o dedo na umidade que ali encontra.
-Aaaaah, Chris...assim...huuum...eu sou sua...
A jovem loira come�a a dar pequenas estocadas com o dedo m�dio na firme entrada anal e Sally em resposta levanta ainda mais os quadris, em uma s�plica seguida de gemidos e murm�rios. Ao ver o acesso que lhe foi dado, Chris coloca-se de joelhos por tr�s e lentamente introduz o dedo no caminho estreito que se descortina, enquanto acaricia-lhe o p�bis com a outra m�o. Sally come�a a gemer mais alto com o duplo est�mulo, o que faz com que a loira continue penetrando-a mais profundamente, fazendo em seu interior movimentos quase impercept�veis que fazem a morena sentir ainda mais prazer. Sally come�a a erguer e abaixar os quadris para aumentar o contato e sente a indescrit�vel onda de prazer impacta-la, o que a fez disparar em gemidos urgentes e altos:
-Ooooh,Chris... aaaaaamor... aaaah... huuuum... mais... vem... aaaaah... eu vou ... deuses... aaaaaaah... Chrisssss... aaaah...
-Ah, Sally...eu adoro ver voc� assim...
Sally desaba ofegante.
-ooh, minhas pernas...sumiram...
Chris deita-se ao seu lado e sorri:
-Pois trate de se recuperar rapidinho, porque eu tenho algo aqui esperando por voc�... � dizendo isso, Chris pega uma das m�os de Sally e a conduz at� o seu sexo encharcado � v� como estou? S� esperando por voc�...
Sally n�o se cont�m ao ouvi-la falar de forma rouca e sensual. O calor da excita��o faz a temperatura do seu corpo subir mais uma vez e ela det�m sua m�o na pelugem loira, brincando sensualmente enquanto a beija de forma profunda, misturando as l�nguas sedentas, ora percorrendo a gengiva e os dentes, ora mordiscando os l�bios suavemente. Sally desce pelo pesco�o de Chris lambendo-o e por vezes beijando-o, ou dando-lhe leves e repetidas mordidas apenas usando os l�bios, fazendo um calafrio de prazer percorrer o corpo da loira. Em um toque lev�ssimo, det�m-se sobre os mamilos eretos com a ponta do polegar, deixando-a ainda mais suplicante:
-Oooh, Sally...huummm � Chris geme mordendo os l�bios.
Ao ouvir a rea��o de sua companheira, substitui a m�o pela boca e passa a sug�-los, descendo posteriormente at� chegar ao sexo encharcado e ansioso, passando ent�o a brincar com a l�ngua por toda a regi�o que se abre, sorvendo tamb�m o gosto maravilhoso de sua amada.
-Aaaaah, Sally...eu adoro...quando faz isssso...aaaaaaah...mais...mais...mais forte...huuuumm...aaaaaaah...
Ao senti-la preparada para o gozo, Sally substitui a boca pela m�o e introduz dois dedos no interior da loira, enquanto apoia o polegar sobre o clit�ris com a m�o espalmada. Sobe por seu corpo e encosta o seu pr�prio p�bis na coxa de Chris, que ao sentir a umidade flexiona a perna, for�ando ainda mais o contato. Sally inicia uma cavalgada ruidosa sobre a loira ao mesmo tempo em que intensifica as estocadas no c�lido interior da sua amada, ro�ando os dedos com destreza nas suas partes internas at� o fundo. Ambas gemem intensamente e se entregam a mais uma onda de prazer que as tornam cada vez mais parte uma da outra.
-Oooooh, Saaaally...eu...ooooh...te amo...te amo...te amo...aaaaaah.... � grita alucinada.
-Chriiiiis...oooooh...amor...amor...aaaaaah...
Felizes, elas passam o dia em jogos amorosos que as fazem descobrir segredos que proporcionam a ambas cada vez mais prazer. Por volta das 21 horas, ap�s paradas estrat�gicas para comerem algo ou tomarem banho juntas, Sally e Chris est�o deitadas descansando, enquanto aguardam a hora em que a m�dica deveria seguir para o hospital.
-P�xa, vai ser t�o ruim dormir aqui hoje sem voc� � disse com um jeito dengoso.
-Oh, amor, eu sei...eu detesto ter que deixar voc� aqui sozinha... sabe que eu fico l� o tempo todo pensando em voc�? Eu me preocupo com a sua seguran�a, sem falar na saudade...
Sally imaginava se deveria contar-lhe sobre o inusitado encontro que tivera com o Grande Mestre durante o dia. Decidiu adiar a conversa para n�o deixar a jovem loira preocupada ou temerosa.
-Hum, eu sei meu amor...mas n�o se preocupe, eu vou ficar bem... quer dizer, se voc� tivesse aqui � claro que ia ser melhor...mas n�o d�, n�?
-N�o, mas � por pouco tempo. Eu vou tentar me desligar dos plant�es e ficar trabalhando apenas durante o dia, afinal de contas, agora eu sou uma mulher casada, n�o posso deixar minha esposa dormir sozinha...
-Ai, meu amor...jura que voc� me quer mesmo aqui, como sua esposa?!
-Eu n�o conseguiria mais viver longe de voc�, Chris. Eu te amo e quero dividir tudo com voc�...se voc� quiser � claro...eu n�o estou te pressionando, eu sei que ainda � cedo e...
-Sally � disse calando-a com dois dedos em seus l�bios � voc� � a minha vida! Tudo que eu mais quero � ficar do seu lado...pra sempre...
Emocionadas, trocaram beijos ternos e apaixonados, selando uma uni�o que sem d�vida seria imposs�vel de se desfazer... n�o s� nessa, mas em todos as outras vidas que venham a viver. Por volta das 22:00, Sally foi para o hospital e deixou Chris em casa. Assim que viu a m�dica sair, deitou-se e dormiu profundamente. No caminho, Sally pensava:
"Nossa, esse plant�o vai ser duro, meu corpo todo d�i...mas valeu a pena! Que mulher! Ela � bem experiente...sabe fazer cada coisa...certamente j� deve ter tido muitas mulheres...quem nessa organiza��o maluca que ela fazia parte n�o ia querer ir pra cama com uma sacerdotisa poderosa e ainda por cima linda...humpf! n�o gosto nem de imaginar...quem quiser que se atreva...ela agora � s� minha e ai de quem chegar perto!"
A madrugada no Memorial transcorreu calmamente. Desde que cuidara de Peter, Sally n�o tivera mais nenhum paciente com ind�cios de que pudesse estar sendo v�tima de algum ataque da Irmandade. Vigiava atentamente os doentes da UTI e j� era not�rio a todos que o n�mero de mortes s�bitas diminu�ra sensivelmente. A enfermeira Kate nunca dirigiu-se a Sally com qualquer coment�rio sobre o assunto, mas ambas sabiam que travavam uma guerra silenciosa em lados opostos. Peter, ap�s recuperar-se, seria levado por Bob para que ficasse sob seus cuidados at� que as amea�as contra sua vida pudessem ser vencidas de alguma forma. O esquema de prote��o variava caso a caso, alguns deixavam a cidade ou o estado, outros permaneciam escondidos, outros, por conta dos compromissos profissionais, eram obrigados a permanecer vivendo abertamente, corriam muitos riscos, mas mesmo assim encontravam ajuda com todos os outros, em uma grande rede de auto-prote��o que estava se formando nas redondezas. O fato � que, por algum motivo que ningu�m sabia ao certo, desde que Sally e Bob uniram for�as contra a Irmandade, os que deixaram a organiza��o e contava com a ajuda deles n�o haviam sofrido qualquer dano, fato que j� estava ganhando repercuss�o e atraindo mais e mais desertores.
PARTE 07
Na manh� do dia seguinte, logo bem cedo, Sally estava novamente em casa. Encontrou Chris ainda dormindo e ap�s tomar banho, deitou-se ao seu lado. Logo ambas estavam abra�adas e dormiam profundamente.
Desta vez, Chris acordou primeiro que a m�dica, e ao v�-la ressonando, desceu e entregou-se aos preparativos da refei��o que ambas fariam. Por volta das treze horas, almo�avam juntas do lado de fora, no mesmo lugar onde no dia anterior Sally tivera o inusitado encontro com o misterioso ser a quem chamavam Grande Mestre. Seu semblante tornou-se s�rio e preocupado enquanto pensava se deveria ou n�o contar a Chris o que tinha acontecido. N�o queria assusta-la, mas ao mesmo tempo pensava se n�o deveria deixa-la a par do real tamanho das amea�as que pairavam sobre ambas.
-O que foi? - a pergunta de Chris a tirou dos seus ppensamentos.
-Hum? Nada... por que?
-Voc� est� com uma express�o preocupada...aconteceu alguma coisa no hospital?
-N�o, n�o aconteceu nada. Essa madrugada eu estava justamente pensando no vento de calmaria que tem soprado por l�...
-Mas ent�o o que foi? � alguma coisa com rela��o a n�s duas? Voc� se arrependeu de alguma coisa?
-N�o! Imagina amor... isso jamais vai acontecer, eu te amo como nunca amei e nunca vou amar outra pessoa em toda minha vida!
-Meu amor, se � assim ent�o se abre comigo... me conte o que est� te deixando preocupada... eu quero poder te ajudar, se puder.
-Eu sei querida... eu na verdade n�o te contei antes porque n�o queria que se preocupasse, mas voc� realmente tem que saber...
-O que houve?
-Esse ser, a quem voc�s chamam de Grande Mestre...
-O que tem ele?
-Ele veio falar comigo, ontem...
-O que??!!! Oh, meu Deus! Ele...ele...
-Calma, meu amor! N�o aconteceu nada comigo, voc� n�o est� me vendo aqui, inteirinha na sua frente?
-Eu sei Sally, mas ele aparecer pra voc�...isso � in�dito que eu saiba!! Mesmo alguns membros da Irmandade nunca o viram de perto... o que ele queria com voc�? C�us ele � muito poderoso, eu tenho medo que aconte�a algo com voc�... se ele atrever-se a ...
-Meu amor - interrompeu Sally segurando as m�os geeladas da loira - n�o vai acontecer nada comigo. Ele n�o se atreveu a nada, apenas veio me amea�ar.
-Por todos os deuses... - disse suspirando.
-N�o precisamos teme-lo, Chris. Realmente ele � muito poderoso e isso eu pude sentir s� de olhar em seus olhos...foi uma sensa��o horr�vel, tenho certeza que se n�o tivesse quem me protegesse naquele momento ele teria me destru�do apenas com o olhar, tamanho o �dio que sentia contra mim.
-Como podemos venc�-lo Sally? - perguntou uma desolada Chris.
-O que eu posso te dizer � que meu protetor ir� ajudar a equilibrar essa luta, meu amor. Eu n�o sei o que vamos enfrentar daqui pra frente, mas eu tenho certeza que seja o que for, n�o ir� nos destruir. Ele n�o pode fazer nada diretamente contra mim, contra n�s, sen�o j� teria feito, sem d�vida. Temos que enfrentar sim seus seguidores, mas n�s somos capazes de venc�-los. Quando chegar o momento n�s vamos poder contar com uma ajuda toda especial n�o s� do meu protetor, agora nosso protetor, mas tamb�m dos nossos amigos.
-Ah, Sally, eu te amo tanto...eu n�o existo sem voc�, sabia?
-Que bom ouvir isso, meu amor...
Beijaram-se com a calorosa urg�ncia dos amantes eternos, com a sede insaci�vel que sente todo aquele que bebe da fonte do amor, com a vol�pia sagrada dos que veneram uma alma que n�o � a sua, e rezam o ter�o da paix�o sobre um leito imaculado.
No dia seguinte pela manh�, Sally estava de volta ao hospital e trabalhava
normalmente em sua rotina di�ria com os muitos pacientes que estavam
sob seus cuidados. Sentia-se feliz, disposta e muito mais motivada do que sempre
fora na luta contra os m�dicos e enfermeiras daquele hospital que militavam
na Irmandade, tudo por causa da presen�a de uma linda e fogosa loira
em sua vida. Por volta das dez horas, enquanto saboreava um caf� no refeit�rio
que ficava no quinto andar, seguia pensando em todas as loucuras que vivia enquanto
fazia amor com aquela mulher. Um sorriso bobo nascia em seu rosto a medida que
lembrava dos momentos maravilhosos vividos e no quanto Chris era insaci�vel.
Era incr�vel como ela conseguia ter tantos orgasmos e t�o rapidamente
estar pronta para mais uma vez come�ar tudo de novo, sempre com algo
diferente que a deixava louca. Amava tudo aquilo e sabia que aquela pequena
loira era para ela agora como um v�cio, n�o conseguia imaginar-se
um dia sequer sem t�-la em seus bra�os. Perdida em seus devaneios,
Sally foi trazida de volta pela voz urgente de seu protetor:
� Volte pra casa agora!�
Sally deu um pulo da cadeira deixando-a cair para tr�s e correu como nunca pelo corredor at� alcan�ar o elevador. Ao perceber que ele demoraria, desceu as escadas t�o rapidamente que quase acaba caindo. Sabia que a urg�ncia na voz do seu guardi�o era sin�nimo de perigo e certamente algo de muito grave poderia estar acontecendo com Chris naquele instante. Em menos de cinco minutos estava em casa, abriu a porta abruptamente e deparou-se com sua companheira prestes a ligar aparelho de som da sala.
-Nossa! Amor, chegou cedo! Eu acabei de chegar tamb�m, fui comprar esse Cd, veja se voc� gosta dessa m�sica, eu estava pensando em...
�N�o ligue o som!� - foi o aviso que Sally ouviu.
-N�o!!!! - gritou a m�dica.
-Aaaaai, que susto!!!! O que foi?!
-N�o ligue o som! - respondeu ainda um pouco ofegante, enquanto se encaminhava at� a loira. Envolveu-a em um abra�o enquanto recuperava o f�lego.
-Ah, meu amor, que bom que nada aconteceu com voc�...
-Mas como assim... ser� que d� pra explicar o que houve?
-N�o sei ao certo, alguma coisa com o aparelho... eu vou verificar.
Sally cautelosamente examinava o som. Em dado momento arrastou cuidadosamente o aparelho e percebeu na parte de tr�s um artefato estranho, semelhante a um bast�o de dinamite.
-Uma bomba incendi�ria!!! - exclamou Chris.
-Voc� sabe tirar isso da�?
-Sim, n�s aprendemos a fabric�-las na Irmandade. Nossa, certamente algu�m me seguiu e ao ver que comprei um Cd deve ter mandado algu�m coloc�-la a�... eles n�o brincam mesmo Sally, eu preciso estar mais atenta...
Delicadamente, Chris retirou a tomada da parede e com cuidado desconectou os fios do artefato. Colocou a bomba em uma caixa para livrar-se dela mais tarde, enquanto Sally com um suspiro de al�vio desabava no sof�.
-Foi por pouco!
-mas como voc� soube? Ah, j� sei... o seu protetor n�o foi?
-Nosso protetor, meu bem! Foi ele sim...mais uma vez...eu n�o sei o que eu faria se tivesse acontecido algo com voc�...
-Oh, meu amor - disse sentando-se ao seu lado e a abra�ando - o que seria de mim sem voc�? Eu vou estar mais atenta a partir de agora...
-Eu tive tanto medo...
-Eu estou bem amor... gra�as ao nosso protetor...gra�as a voc�.
-Vou ficar aqui com voc� matando a saudade, ap�s o almo�o eu volto pra o hospital...
-Maravilha! Que tal a gente matar essa saudade l� em cima? - disse sensualmente.
-Ah...n�o sei... agora? Acho que n�o... - disse tentando provoc�-la.
-Voc� n�o me quer?! - perguntou com uma voz surpresa e chorosa.
-Claro que sim sua boba - disse rindo - antes de vir pra c� eu estava justamente pensando em como estou viciada em voc�...
-�timo! - disse levantando-se com um largo sorriiso - ent�o vem que eu estou a seu inteiro dispor para saciar o seu v�cio... e vou tamb�m saciar o meu tamb�m...
O tempo passou e a Sexta-feira, v�spera do �Black Sabbath� havia chegado.
Sally estava em casa e aguardava a chegada do amigo Bob, que passaria o final
de semana com elas e traria um casal de ex-integrantes da Irmandade, tudo para
impedir qualquer ataque da organiza��o. Durante o caf�
da manh�, Chris mostrava-se um tanto apreensiva:
-Sally, voc� realmente n�o acha que dever�amos sair da cidade? Poder�amos nos abrigar em algum lugar longe daqui, n�o sei...
-Eu s�
faria isso se ele me ordenasse, Chris. Ele n�o se manifestou sobre o
assunto ent�o eu acho que n�o temos o que temer. Al�m do
mais Bob estar� aqui e trar� refor�os para nos ajudar.
-Bem, a sua confian�a me deixa um pouco mais tranq�ila.
-Meu amor, o meu protetor n�o chegou a me dizer nada mas eu sinto que n�s n�o vamos passar a vida toda vivendo dessa maneira...eu sei que vai chegar o dia em que ele nos dir� que � hora de partirmos para que a gente possa viver em paz o nosso amor, sem medo, ansiedade ou amea�as... eu s� acho que antes � necess�rio que por meio da nossa luta e vit�ria essas pessoas vejam que � poss�vel mudar e eles mesmos se empenhem em ajudar seus antigos companheiros. Sabia que alguns ex-membros uniram-se a Bob e hoje s�o importantes aliados nessa luta?
-Sim...e eu imaginava que isso fosse acontecer...existe muita gente na Irmandade que no fundo odeia aquilo tudo.
-Pois �...vamos ficar at� quando for a hora e ensin�-los a depois se haverem sozinhos. N�o sei quanto tempo isso vai levar mas n�o ser� muito...depois partimos para algum lugar que voc� queira ir.
-Los Angeles?
-Se voc� quiser...
-Eu adoro Los Angeles... ou n�s poder�amos ir para o Hava�, que tal?
-Qualquer lugar do mundo, amor, desde que seja com voc�...
-Oooh, te amo, sabia? - disse beijando a m�dica com carinho.
Antes do meio-dia Bob tocava a campainha.
-Ol� Bob! - recebeu-o Sally abra�ando o amigo.
-Oi querida, como v�o as coisas?
-At� agora tudo bem, nada de anormal.
-�timo! Bem, esses s�o os amigos de quem lhe falei, Sam e Rose.
-Muito prazer, sejam bem-vindos e sintam-se a vontade...ah, e obrigado por virem nos ajudar.
-Imagina - respondeu Sam - � um prazer estar aquii. Desde que deixei a Irmandade com a ajuda de Bob h� alguns anos tudo que mais quero � poder retribuir ajudando outras pessoas a fazerem o mesmo.
-Que bom!
Neste momento, Chris chega a sala e � apresentada ao casal rec�m-chegado.
-Chris, meu amor, Bob voc� j� conhece, estes s�o Sam e Rose, ex-integrantes da Irmandade que est�o aqui para nos ajudar.
-Muito prazer e obrigada por terem vindo!
-Sem problemas, eu estava justamente dizendo a Sally o quanto desejo ajudar outras pessoas a terem a chance que eu tive de recome�ar. E saiba que quando eu soube que voc� havia deixado a Irmandade eu fiquei muito feliz!
-Verdade? Voc� me conhecia?
-Sim, de vista. Pude v�-la em algumas celebra��es e eu posso imaginar o quanto a sa�da de uma pessoa como voc� deve ter enfurecido o Grande Mestre.
-Sem d�vida...
-N�o se preocupe, eles podem at� tentar, mas acho muito dif�cil que consigam fazer algo contra voc�s, esta casa est� muito bem protegida, e n�o � porque estamos aqui...
-Como assim Sam? - perguntou Sally.
-Eu pude sentir ao chegarmos que uma for�a muito poderosa envolve essa casa, como um escudo que parece repelir o mal...duvido muito que algu�m da Irmandade consiga sequer chegar perto desse lugar - concluiu Sam olhando em volta.
Realmente o clima na casa era de tudo, menos de medo ou apreens�o. Passaram o dia conversando, jogando cartas, rindo e ouvindo m�sica. A noite, Bob e Sam revezavam-se em uma vig�lia para garantir que ningu�m se aproximaria da casa. Na manh� seguinte, o grupo conversava tranq�ilamente na �rea externa.
-�, eu estou surpresa...n�o esperava que a Organiza��o nem sequer tentasse cumprir a amea�a que nos fizeram - disse Chris.
-Bom, o dia � hoje, devemos ficar atentos, nunca se sabe o que eles podem estar planejando - emendou Sally.
-Eles n�o ir�o tentar nada - disse Sam rindo.
-Mas o que te d� tanta certeza, Sam?
-Podemos sentir, Chris - respondeu Rose - essa casa conta com uma prote��o especial...para que a Irmandade pudesse levar voc�s daqui seria necess�rio um ataque muito bem coordenado, onde um grupo viria em seus corpos espirituais para domin�-las e facilitar o acesso dos outros de forma tranq�ila para levarem-nas...seria a �nica forma, j� que n�o seq�estraram voc�s antes.
-�, mas eles n�o puderam vir - completou Sam - apesar de terem tentado, porque como eu disse quando cheguei ontem, a casa est� cercada por uma aura que impede a aproxima��o de algu�m mal intencionado. Na verdade eu s� n�o entendo porque eles n�o a levaram enquanto ia para o hospital, seria mais f�cil, sem d�vida, como aconteceu com Bob.
-�, mas no meu caso devo admitir que a culpa foi toda minha...sabia que n�o deveria sair aquele dia mas mesmo assim resolvi arriscar...por um lado foi proveitoso, pois pude conhecer Sally e conquistar uma poderosa aliada - disse Bob sorrindo.
-� meu amigo, mas eu sob nenhuma hip�tese deixo de seguir a risca uma recomenda��o do meu protetor - afirmou a m�dica.
-Sally, h� algo que eu quero que pense a respeito - disse-lhe Bob.
-O que?
-Existe uma propriedade, pr�xima a minha, cujo dono me disse que deseja vender pois pretende morar em outro estado, enfim, � uma casa grande, em uma �rea igualmente ampla e conta com um bom galp�o anexo que era usado como celeiro e poderia abrigar alguns dos muitos que vem deixando a Irmandade...eu confesso que minha casa j� est� ficando pequena e todos os meus recursos j� est�o empenhados nessa causa, sen�o eu mesmo a compraria, por isso gostaria que pensasse a respeito, mas sei que n�o far� nada sem a pr�via aquiesc�ncia do seu protetor.
-� verdade... o que voc� acha amor?
-Bem... � uma decis�o importante e arriscada, mas como voc� eu confio no julgamento do seu protetor.
-Nosso - disse Sally olhando-a ternamente e acariciando sua m�o.
-�...nosso - sorriu Chris.
O fim de semana transcorreu calmamente, sem maiores transtornos ou amea�as. Domingo os convidados deixaram a casa e Sally viu-se novamente a s�s com Chris.
-Viu s�? Vivas e felizes...nada de sacrif�cios. Seq�estros, �Black Sabbath�... - disse sorrindo.
-� - igualmente sorria Chris - s�s e salvass... eles devem estar se roendo.
-Que tal um banho juntas... agora que estamos s�s podemos fazer umas brincadeirinhas... - disse sussurrando ao ouvido de Chris eenquanto a abra�ava.
-Huuuum,,, vou adorar isso... sobe e me espera que eu vou fechar tudo aqui, t�?
-T� bom.
Sally est� imersa na banheira sob a �gua morna e espumosa de olhos
fechados. Chris entra silenciosamente e senta-se nua a beira, olhando-a em um
gesto de clara admira��o. A m�dica abre os olhos e percebe
o desejo estampado na face da loira. Convidativamente, abre as pernas deixando
a mostra seu sexo, que come�a a palpitar antecipando-se ao contato. Chris
passa a m�o por um rastro de espuma e com um dedo percorre toda regi�o
coberta de pelos negros, detendo-se um pouco no clit�ris e depois penetrando
levemente a vagina, como se desenhasse um percurso. Sentindo o prazer do toque,
Sally eleva os quadris indicando onde anseia as car�cias. Chris entra
na �gua e a m�dica senta-se sobre ela, que a beija percorrendo
os l�bios pelo seu pesco�o e seios, enquanto com a m�o
acaricia suas n�degas devagar, lubrificado o dedo em espuma e estocando
levemente o anel rosado e �mido do �nus de Sally, que inicialmente
abre-se timidamente e em seguida palpita pelo calor do car�cia.
-Huuuuum, Chris... - geme a m�dica.
Sally a beija vorazmente e passa a acariciar o corpo da jovem loira com intensidade e desejo. O ritmo e o movimento de cada toque aumentam cada vez mais, deixando-as mais e mais excitadas. Chris levanta-se erguendo consigo a m�dica e sussurra com a voz rouca e urgente :
-Vem ... vamos pra cama...eu quero sentir o calor da sua l�ngua em mim.
Sally sente um tremor de excita��o percorrer-lhe o corpo e rapidamente conduz a pequena loira at� o quarto, atirando-a sobre a cama. Deita-se sobre ela e passa a percorrer-lhe o corpo com beijos sugadores, brincando com a l�ngua em cada local por onde passa, fazendo-a gemer.
-Ooooh, Sally... assssim... oooh, eu te amo tanto...
Sally mant�m as m�os acariciando os seios intumescidos da loira enquanto desce em dire��o ao seu sexo, que pulsa de desejo e ansiedade. Percorre com a l�ngua cada parte que se descortina, sorvendo com vontade cada gota de excita��o que dele transborda.
-Aaaaaah, amor...isso...mais forte...vai...assim...ooooh
Chris movimenta os quadris em uma s�plica e Sally, mantendo a car�cia com a l�ngua, a penetra com dois dedos em estocadas profundas e ritmadas, movimentando-os habilmente ao redor das paredes internas da loira.
-Ooooooh... Sally...aaaaah, assim... oooooh...ooooooh... eu vou...
Chris grita agarrando-se aos cabelos da m�dica, sentindo o corpo sacudir-se involuntariamente em espasmos de prazer. Desaba sobre a cama enquanto Sally sobe por seu corpo e a beija apaixonadamente.
-Ah, Chris, eu te amo tanto...
-Eu tamb�m meu amor... te amo e te quero mais que tudo.
Ap�s recuperar um pouco o f�lego, Chris coloca-se por sobre a m�dica e percorre em beijos o seu rosto, enquanto come�a uma car�cia lenta em seus seios, percorrendo o c�rculo das aur�olas e pousando a ponta de cada um dos dedos nos mamilos intumescidos, como se dedilhasse um instrumento delicado. Sally entreabre um pouco mais as pernas em um convite mudo, ao qual Chris reage colocando-se entre elas, encaixando seus sexos e iniciando um movimento ritmado que faz ambas gemerem. Ao sentir a proximidade do gozo, a loira interrompe os movimentos e sussurra para a m�dica:
-Oh... amor...vira...
Sally prontamente obedece e Chris percorre mil�metro a mil�metro todo o seu corpo, em beijos sugadores e ro�ando sua pele desde o pesco�o at� os tornozelos.
-Vem aqui! - Chris guia a m�dica colocando-a de joeelhos sobre o ch�o com o tronco apoiado sobre a cama.
Envolvendo-a por tr�s, a loira inicia uma car�cia em seus seios com uma das m�os, enquanto com a outra percorre toda extens�o do seu sexo at� a entrada do �nus, ao mesmo tempo em que sussurra o desejo que sente em seu ouvido.
-Ooooh, Chris... eu sou sua meu amor... faz de mim o que quiser...
Ao senti-la ansiosa, Chris penetra o dedo indicador na estreita abertura que imediatamente o envolve apertadamente. Movimenta-se lenta e ritmadamente no interior da m�dica que sente em ondas quentes e longas um gozo que parece n�o ter fim, mas que pouco a pouco vai se tornando mais e mais fraco at� converter-se em um pl�cido remanso.
Na manh� seguinte enquanto trabalhava Sally mais uma vez ouviu a voz do seu protetor:
�Lembra-se do que Bob falou-lhe acerca da propriedade que estaria a venda?�
-Sim.
�Voc� deve adquiri-la. N�o se preocupe, ningu�m ir� compr�-la at� que voc� reuna condi��es de fazer uma oferta. Devo adverti-la que l� o seu trabalho se multiplicar�, os riscos tamb�m, mas nunca esque�a que a protegerei�.
Sally suspirou pesadamente, pois sabia o que significava aquele pedido. Iria envolver-se ainda mais profundamente na luta contra a Irmandade e imaginava o quanto isso poderia ser desgastante e perigoso, especialmente ap�s as amea�as que recebera pessoalmente do Grande Mestre. Contudo n�o poderia recuar, por mais que desejasse estar bem longe de tudo aquilo vivendo o amor que sentia por Chris, a salvo de todas aquelas amea�as que sempre traziam uma certa tens�o. Naquele mesmo dia procuraria Bob e come�aria a preparar-se para a mudan�a.
Dois dias depois, Sally p�de perceber o quanto o fato de terem sobrevivido
a um �Black Sabbath� surtiu efeito sobre a Irmandade. Durante � tarde,
um homem de meia idade, �tima apar�ncia e muito educado procurou
o Memorial alegando estar sentido fortes dores por todo corpo e desejando ser
atendido pela Dra. Brown. Ao ver-se a s�s com a m�dica, revelou
o verdadeiro motivo da visita.
-Ent�o, Sr. Lanois , onde sente dores?
-Na verdade n�o sinto nada Dra. Brown. Inventei tudo isso para que pudesse falar-lhe em particular sem chamar aten��o.
-Falar comigo? - admirou-se Sally.
-Sim. Eu fa�o parte da Irmandade h� doze anos e sou membro do alto conselho da organiza��o.
Sally p�s-se na defensiva imaginando que o estranho paciente estivesse ali para tentar algo contra ela ou amea��-la mais uma vez. Ele, percebendo a tens�o no semblante da m�dica, completou:
-N�o precisa se preocupar, n�o vim enfrent�-la, mas pedir a sua ajuda.
-Minha ajuda? - disse Sally ainda desconfiada.<
-Sim. O fato de terem conseguido deter o nosso ataque nos fez perceber que existe um poder ainda maior do que o que h� na irmandade e que o Grande Mestre n�o � invenc�vel. Deixe-me contar-lhe o que aconteceu de fato. Hav�amos planejado seq�estr�-la na sexta-feira, v�spera do �Black Sabbath� enquanto estivesse a caminho daqui, do hospital, e um outro grupo se encarregaria de levar Chris. Como voc� n�o veio trabalhar, decidimos que ir�amos todos durante a madrugada empreender um ataque organizado a sua casa. Eu mesmo, juntamente com mais quatro pessoas, iria em meu corpo espiritual para imobiliz�-las e facilitar a entrada de um outro grupo que as levaria. Acontece que nossos ve�culos sequer puderam chegar perto da sua casa, a uma certa dist�ncia eles deixaram de funcionar inexplicavelmente, e posso garantir que n�o havia um s� problema mec�nico que justificasse o que estava acontecendo. Decidimos mesmo assim prosseguir com o plano e fomos ent�o como combinado em nossos corpos espirituais, no entanto ao chegarmos, pude contemplar algo que jamais me esquecerei...
-O que viu?
-Um ex�rcito, do que me pareceram homens, vestiam uma esp�cie de t�nica branca cujo brilho nos ofuscava os olhos, eram extremamente altos e fortes, colocavam-se lado a lado, ombro a ombro, ao redor de toda propriedade, de forma que nada, nem ningu�m poderiam passar por eles. Eu fiquei estupefato diante do que via, no entanto, alguns tentaram passar por eles e ao chegarem perto foram violentamente arremessados para tr�s sem sequer terem sido tocados. Uma for�a poderos�ssima flu�a deles e era imposs�vel aproximar-se. Em dado momento, um dos seres virou-se para mim e disse-me: �Richard, por que ainda resiste? N�o v� que h� uma sa�da? Procure-a e ela ir� ajud�-lo� - nesse momento, Richard interrompe a sua narrativa e tenta deter as l�grimas que rolam por sua face.
Sally estava emocionada. N�o somente pelo fato de estar diante de mais algu�m que buscava socorro, mas tamb�m por saber o quanto era aben�oada pela prote��o vinda de um ser que nem mesmo sabia definir quem era. Sentia-se privilegiada e amada por ele, um amor que via estender-se a cada uma das pessoas que eram estimuladas a deixarem a Irmandade e retomarem suas vidas longe do mal.
-Dra. Brown h� anos tenho pensado no quanto gostaria de n�o estar mais envolvido nisso, mas nunca havia visto uma sa�da que n�o fosse a morte. Tenho mulher e duas filhas, que est�o crescendo em meio a tudo isso e eu n�o sei como livr�-las dele. Tenho mais alguns amigos que desejam tanto quanto eu encontrar um meio de viver em paz e sem medo. Por favor, doutora, ajude-nos. Leve-nos at� seu mestre, mostre-nos como adquirir esse poder e essa prote��o.
-Sr. Lanois, o mestre em quest�o � a sua consci�ncia, ela � quem te d� a melhor dire��o, ela � que � o seu socorro. Se quiserem deixar a irmandade, devem faz�-lo sem receios, o que eu farei � dar-lhes abrigo com um amigo se voc�s precisarem se esconder por algum tempo. Posso te garantir que se renunciarem o poder que lhes foi dado para que fa�am o que � o mal e nocivo, nada nem ningu�m poder� obrig�-lo a agir de forma que voc� n�o queira. Se temem serem seq�estrados e mortos, podem encontrar abrigo, como eu disse, e tamb�m bons conselhos para que possam aprender a usar o que venham a possuir de seu para o bem.
Richard chorava copiosamente. A real possibilidade de ver-se livre era um sonho que jamais pensou ser poss�vel realizar. Ainda entre solu�os disse:
-O que devemos fazer doutora?
-Apenas renuncie o que saiba ter vindo do Grande Mestre, abra m�o do poder que ele te deu. Reuna sua fam�lia se achar necess�rio e v� para esse endere�o, eu avisarei da sua chegada. O mesmo vale para seus amigos tamb�m. No mais, encontrar� respostas nos conselhos que receber� dos que l� estiverem.
-Obrigado Dra. Brown, farei isso ainda hoje. Nunca poderei esquecer a vis�o que tive diante da sua casa. A voz que falou comigo era t�o terna, t�o cheia de amor e ao mesmo tempo t�o poderosa que naquele momento senti-me incapaz de fazer mal a quem quer que fosse, ainda que me custasse a vida.
-Fico feliz por voc�. N�o se preocupe, vai dar tudo certo, ver� que pode contar com pessoas que est�o dispostas a ajud�-lo e que em troca s� querem a sua determina��o em mudar de vida.
Em casa, Sally contava a Chris o encontro que tivera com o Sr. Lanois.
-Nossa! Sabe que eu gostaria de v�-los? Esses seres que protegeram a nossa casa... as vis�es que tive do mundo espiritual n�o foram muito boas, ficaria feliz em contemplar seres que emanassem bondade e amor, exatamente o contr�rio do que emana o Grande Mestre e os que com ele agem - disse a loira.
-�, deve ter sido uma vis�o e tanto!
-Desde que eu entrei na Irmandade at� hoje, acredito que n�s sejamos os �nicos casos conhecidos de pessoas que conseguiram escapar inc�lumes a uma amea�a desse tipo... at� conhecer voc� n�o imaginava que pudesse existir o outro lado sabe? Seres que agem de maneira exatamente oposta ao Grande Mestre.
-Sei sim... at� conhecer Bob nem imaginava que pudessem existir �lados�.
-Pois �, mas sabemos que existem. No mundo espiritual existem for�as que trabalham para o bem e outras para o mal, mas elas nunca agem sozinhas, � necess�rio que haja um meio, um canal, para que venham a fluir. Cada ser humano � ou pode ser um canal, mas quando se est� na Irmandade, aprende-se depressa que n�o existe for�a maior capaz de deter o poder do Grande Mestre e somos todos seus escravos. O que vemos l� acaba por nos convencer disso...mesmo o nosso amigo Bob acabou sendo v�tima da sede de sangue dessa organiza��o e salvou-se por um milagre.
-Nem me fale...s� de lembrar o estado em que ele chegou ao Memorial eu sinto arrepios.
-� e eu acho que o fato de estarmos vivas significar� muito. Somos a prova de que � poss�vel desafiar o Grande Mestre e venc�-lo, isso sem contar os que j� deixaram a organiza��o e est�o sob a prote��o do grupo que trabalha com Bob.
-� e que logo vai poder contar conosco, s� dependemos do banco aprovar o empr�stimo e de conseguirmos vender essa casa.
-Apesar de todos os riscos que iremos correr, no fundo eu estou feliz em poder ajudar. E depois do que o Sr. Lanois viu, eu fiquei ainda mais confiante e animada - sorriu.
-Que bom meu amor, porque n�s fomos chamadas para essa miss�o e vamos cumpri-la fielmente... talvez se outras pessoas passassem tamb�m a se preocupar um pouco menos consigo e voltassem os seus cora��es para a dor e o sofrimento alheio, n�s poder�amos ter muito mais gente nessa luta. Alguns dizem que � um dom esse tipo de contato com o mundo espiritual, mas eu acho que o amor e o interesse pelo pr�ximo � que faz com que tudo aconte�a.
FINAL
No dia seguinte, para surpresa e felicidade de todos, o Sr. Lanois mudou-se para a propriedade de Bob, levando sua esposa Theresa e suas duas filhas, al�m de mais tr�s dissidentes da organiza��o. O lugar estava repleto de ex-integrantes da Irmandade que buscavam reconstruir suas vidas. Muitos a seu tempo deixariam a cidade, outros ficariam e continuariam a luta pelos que necessitassem de ajuda. Sally mais do que nunca desejava que o quanto antes pudesse comprar a propriedade vizinha a seu amigo, para assim poder abrigar os que deixavam ou viriam a deixar a Irmandade, visto que Bob j� n�o reunia mais condi��es de abriga-los. O fato � que, de forma inexplic�vel, toda a quest�o em torno do empr�stimo banc�rio e da venda da casa resolveu-se ainda aquela semana. Em poucos dias, ambas fecharam a compra do im�vel.
O lugar era bastante amplo, possu�a uma grande �rea gramada, uma casa ampla em bom estado e um amplo galp�o lateral que com algumas reformas se transformaria em uma �tima hospedaria com capacidade para abrigar em torno de oito fam�lias. Do port�o de acesso at� a entrada da casa principal eram cerca de duzentos metros. Aos fundos algumas �rvores em um pequeno bosque, sendo toda propriedade delimitado por uma cerca viva de 1,50 de altura.
Ap�s duas semanas de intenso trabalho junto a uma grande equipe de volunt�rios na reforma do galp�o e da casa principal, Sally e Chris j� estavam instaladas.
-� uma bela propriedade � disse Chris olhando em volta da varanda da casa � mas em termos de seguran�a, n�s temos que admitir que deixa muito a desejar...
-�... eu devo concordar... esse bosque aos fundos � um prato cheio pra quem quer se esconder ou fugir... mas o esquema de seguran�a aqui ser� o mesmo que ocorre na propriedade de Bob, todas as noites uma dupla de moradores se reveza na cobertura do terreno. Mas eu confesso que se o meu protetor n�o tivesse me dito pra vir eu jamais confiaria em permanecer nesse lugar.
-Certamente! Al�m do bosque, estamos a alguns quil�metros da cidade, n�o temos vizinhos pr�ximos... sem d�vida, precisamos mais do que nunca da ajuda do nosso protetor.
-� mas n�o esque�amos que a propriedade de Bob � quase t�o grande quanto essa e at� hoje nunca foi invadida. A partir de amanh� tr�s fam�lias que est�o abrigadas por l� vir�o pra c�, entre eles o Sr. Lanois.
-Oh, Sally � disse envolvendo a m�dica pela cintura � apesar de todo perigo eu me sinto t�o feliz por estar aqui, vivendo tudo isso ao seu lado... � como se s� agora minha vida fizesse sentido.
-Eu tamb�m meu amor... s� depois que voc� entrou na minha vida � que pude perceber o quanto me faltava algo de importante, o quanto eu era vazia e incompleta.
Beijaram-se com amor e aproveitaram o restante do dia em que estariam a s�s para mais uma vez entregarem-se � paix�o e ao desejo que as unia.
Em cerca de dois meses a hospedaria estava completamente ocupada por fam�lias de dissidentes. Uma coisa no entanto intrigava Chris, a esposa do Sr. Lanois, Theresa, nunca mostrou-se muito satisfeita com as condi��es atuais de vida em que se encontrava. Apesar dela aparentar uma certa tranq�ilidade e resigna��o, algo fazia a jovem loira sentir que esses n�o eram os reais sentimentos que povoavam o cora��o daquela mulher. Uma noite, durante o jantar, comentou suas suspeitas com Sally:
-Amor, pode parecer loucura, mas n�o acho a Theresa confi�vel.
-A Theresa? Por que?
-N�o sei ao certo... � algo que eu sinto apenas... ela n�o em parece nem um pouco satisfeita por estar aqui.
-Hum... bem, ela � muito prestativa, parece estar sempre alegre, nunca a vi reclamar... voc� a ouviu dizer algo?
-N�o... � isso... quer dizer... eu n�o sei explicar, ela realmente nunca reclamou de nada, mas � algo que eu sinto toda vez que converso com ela, eu vejo uma certa aura de falsidade em torno dela.
-Sei... eu vou ficar atenta, observ�-la melhor. Vou conversar com o Richard tamb�m, sonda-lo pra saber a quantas andas o relacionamento entre eles, quem sabe ele n�o deixa escapar algo de importante?
-Faz bem.
Richard nada pode dizer que ajudasse a confirmar as suspeitas de Chris. Afirmara estar vivendo bem com sua esposa e filhas e que todos pareciam igualmente aliviados em n�o mais ter que participar dos rituais da Irmandade. A rotina na propriedade permanecia tranq�ila e sem percal�os e o que mais deixava a todos intrigados era a falta de rea��o por parte do Grande Mestre. Era como se todas as amea�as fossem falsas, como se tudo n�o passasse de um grande engano, morte, seq�estros, tortura, nada do que temiam realmente acontecera. Seis meses depois, no entanto, as coisa novamente mudariam.
O frio corredor estava mergulhado em sil�ncio, exceto pelo som delicado dos passos que ambos empreendiam rumo aos seus alojamentos no plant�o daquela madrugada. Sally sentia um peso e uma presen�a obscura no ar. Subitamente, seu colega virou-se e, agarrando-a pelo ombro com dedos firmes, fez com que ambos parassem abruptamente. O clima era tenso enquanto os dois permaneciam de p�, encarando um ao outro. Sally notou surpresa o medo estampado na face do outro m�dico.
-Sally � disse-lhe em sussurro �spero e urgente � voc� deve sair da cidade esta semana! Diga que sua m�e ficou doente, ou morreu, o que seja, mas voc� deve sair da cidade, sua vida depende disso!
-Mas Albert, do que voc� est� falando? Como assim sair da cidade? Por que eu deveria fazer isso?
-Acredite em mim, Sally, se voc� ficar, voc� morrer�. Eu n�o ouso dizer mais nada.
-Ah... entendo. Parece-me que voc� participa do conselho da Irmandade, n�o � isso? Albert, ou�a, obrigada por arriscar sua vida para me alertar, mas eu n�o irei sair daqui...
-N�o seja tola Sally! Nada poder� salv�-la se voc� ficar, dessa vez ser� diferente, acredite!
-Errado, Albert! Sei que estaremos seguros, ao contr�rio de voc�. N�o v� que est� servindo a um Ser que ir� apenas destru�-lo? Voc� n�o consideraria deix�-lo?
-N�o h� como! Ningu�m sai de l� e vive!
-Como n�o?! Chris saiu, muitos outros tamb�m!
A face de Albert endureceu-se. Uma frieza assumiu suas fei��es quando ele endireitou-se.
-Sim, mas posso assegurar que essa situa��o n�o permanecer� assim por muito tempo. Olhe para todos eles, vivendo abrigados como covardes, como criminosos. Eu tenho muita coisa investida: carreira, dinheiro, fam�lia, tudo. Eu n�o irei perder tudo isso.
-Que proveito teria se ganhasse o mundo inteiro e perdesse a sua vida? Voc� precisa ver que na realidade o Grande Mestre odeia voc� e planeja destru�-lo.
-N�o tenho tanta certeza quanto a isso! Olhe para voc� Sally, use o bom senso, voc� vai acabar perdendo tudo, todo seu prest�gio. Se voc� quisesse poderia ter uma boa carreira, at� mesmo tornar-se famosa. Eu simplesmente n�o posso entender voc�!
-Sei que n�o pode. Mas continuarei torcendo para que um dia voc� possa.
O rosto de Albert e sua voz tornaram-se g�lidos e raivosos.
-Ent�o que seja assim. Sua morte ocorrer� por escolha sua! Voc� n�o deve esquecer de foi avisada!
Com esse desabafo, virou-se e entrou apressadamente em seu alojamento. Sally suspirou. A conversa que tivera a havia abalado mais do que deixara transparecer. Sabia que Albert falava s�rio, algo terr�vel estava sendo preparado pela Irmandade e ela n�o tinha id�ia do que poderia ser, pois em nada fora alertada pelo seu protetor. Um s�bito pavor apoderou-se dela ao imaginar que algo de ruim pudesse acontecer com Chris. Iria proteg�-la com a pr�pria vida se preciso fosse, mas n�o permitira que eles a ferissem.
Sally achou melhor n�o comentar com Chris a respeito da conversa que tivera aquela madrugada no hospital. Ao chegar em casa na manh� do dia seguinte, encontrara a jovem loira desperta, fato raro de acontecer.
-Ora, ora, mas que surpresa achar voc� acordada a essa hora � disse sorrindo � o que aconteceu?
-Surpresa � o que te espera l� em cima... vem! � disse enquanto levava a m�dica para o quarto.
Ao subir, Sally deparou-se com o ambiente totalmente decorado e perfumado. P�talas de rosas estavam espalhadas por sobre a cama e ch�o, al�m de v�rios arranjos de flores dispostos de forma harm�nica.
-Uau! - disse realmente surpresa.
-Voc� merece amor � sussurrou enquanto conduzia a m�dica at� a cama � agora senta a� e aproveita!
Uma m�sica sensual encheu o lugar. Chris iniciou uma dan�a lenta e provocante, movendo e tocando cada parte do seu pr�prio corpo, despindo-se ao ritmo da m�sica em um �ntimo strip-tease. Sally estava hipnotizada. Enquanto dan�ava, Chris girava por todo o quarto, lan�ando um apelo sensual irresist�vel. Sem poder mais se conter, a m�dica aproxima-se e , embora desejasse beij�-la intensamente, det�m-se, e envolvendo-a pela cintura, giram juntas seguindo o compasso da m�sica. Sally percorre com a m�o as costas de Chris em movimentos deslizantes, sussurrando-lhe ao ouvido o quanto a ama. Desliza seus dedos por entre as pernas da loira e com a palma da m�o aberta e em concha, faz uma esp�cie de ninho onde pousa o sexo de Chris. Quase sem levantar a m�o, empurra para cima, esfregando suavemente, fazendo a loira gemer. Chris passa a esfregar todo seu corpo sinuosa e suavemente contra o corpo da m�dica, sem deixar de mover-se ao ritmo da m�sica, fazendo aumentar o desejo, instante ap�s instante. Lentamente, vai tirando as roupas da morena, pe�a por pe�a, e deixa-a deitada sobre a cama. Fazendo-lhe uma massagem combinada com car�cias, sussurra-lhe ao ouvido o seu desejo, enquanto belisca levemente um de seus mamilos. Logo sua m�o busca a abertura terna e quente entre suas pernas, fazendo-a gemer alto. Chris percorre-lhe o corpo com beijos ardentes, at� alcan�ar o sexo encharcado e ansioso da sua mulher, lambendo-o com destreza. Ao sentir a proximidade do cl�max, coloca-se por cima encaixando os sexos e movendo-se vigorosamente, levando ambas a um gozo ruidoso e urgente, que se repete por toda a manh� at� que adormecem.
Sexta-feira, duas da madrugada. O sil�ncio envolve a pequena propriedade de Sally e Chris. O sono de seus moradores segue tranquilo, embalado apenas pelo som ocasional dos animais provenientes do bosque. Do lado de fora, a conversa discreta dos dois sentinelas � interrompida pelo barulho de passos apressados.
-Ei, veja quem vem l�!
-A essa hora... o que ser� que ela quer?
-Ol� rapazes!!
-Sra. Lanois, algum problema?
-N�o, n�o se preocupem... eu n�o consigo dormir ent�o resolvi trazer algo para voc�s comerem, est�o com fome? Eu tenho aqui caf� e um pouco daquela torta de ma��!
-Oh, maravilha!
-�... obrigado, Sra. Lanois!
-Tudo bem rapazes, acho que voc�s merecem, n�o � mesmo? N�o � nada f�cil passar a noite aqui fora com esse frio... bem, eu vou voltar para dentro. Bom trabalho!
-Obrigado, Sra. Lanois � ambos disseram.
Quarenta minutos depois Theresa Lanois estava de volta a �rea externa. Dessa vez os passos apressados e decididos rumavam em dire��o ao port�o de acesso da propriedade. No meio do caminho depara-se com dois corpos estendidos adormecidos ao ch�o.
-Idiotas! Sabia que seria f�cil me livrar de voc�s.
Deixando os dois homens para tr�s, chega at� a porteira onde depara-se com uma figura alta e sinistra, que a esperava do outro lado.
-Grande Mestre! � diz caindo de joelhos.
-Levante-se mulher. Vim pessoalmente conduzir o meu ex�rcito e acabarmos de vez com esse lugar, d�-nos acesso.
-Sim, Mestre. Como moradora dessa casa eu permito a entrada de todos voc�s � disse abrindo a porteira.
A estridente e aterrorizante gargalhada do Grande Mestre ecoa pelo lugar.
Dentro da casa principal o telefone na cabeceira da cama de Sally toca insistente.
-Al�! � atendeu a m�dica sonolenta e mal humorada enquanto Chris erguia-se assustada.
-Quem ser�? � pergunta a loira.
-Sally?! Oi, desculpe ligar a essa hora...
-Oi Bob... algum problema?
-N�o sei explicar... apenas despertei com algo me dizendo pra ligar e te acordar. Parece idiota mas foi t�o claro o que senti e...
-Tudo bem Bob, eu vou verificar a casa � disse desligando.
-O que houve? � perguntou Chris
-N�o sei � disse Sally levantando-se e vestindo-se � ele acordou com vontade de nos ligar... eu vou verificar a casa.
-Eu vou com voc� � disse Chris tamb�m vestindo-se.
"V� para o alojamento, n�o saia de l� e n�o permita que ningu�m saia. Agora!"
A voz urgente do seu protetor fez Sally sobressaltar-se.
-Vamos para o alojamento, r�pido! � disse pegando as chaves do lugar e correndo.
Sa�ram da casa apressadas. Ao chegarem do lado de fora ouvem ecoar uma gargalhada sinistra. Chris sente um arrepio percorrer-lhe o corpo.
-C�us! O Grande Mestre! Sally, ele est� aqui! Oh, n�o... veja! Na porteira!
-Chris, corre!
Alcan�aram o alojamento cuja porta encontrava-se aberta, fechando-a atras de si.
-Chris, sobe e acorda todo mundo, traga todos aqui pra baixo enquanto verifico os fundos.
Em poucos instantes um pequeno tumulto estava formado na sala principal do im�vel. Todos os moradores estavam reunidos e atordoados, algumas crian�as ainda dormiam nos bra�os de suas m�es.
-O que houve?
-Que confus�o � essa?
-Por que nos acordaram?
-Calma, calma gente! � gritou Sally � invadiram a propriedade, precisamos ficar aqui e juntos. Est�o todos aqui?
-Invadiram a propriedade?
-Quem? Onde est�o?
-Vamos pedir ajuda, vou ligar para a pol�cia!
-O telefone n�o funciona!!! Algu�m tem um celular?
-Eu tenho!! Mas n�o consigo sinal...
-Sally, a Theresa, ela n�o est� aqui! E o Peter e o Fred est�o l� fora de guarda! � disse o Sr. Lanois.
-A Theresa? Onde ela foi? � perguntou Chris.
-Eu n�o sei... quando voc� me acordou eu olhei e ela simplesmente n�o estava no quarto!
De repente, uma forte batida na porta da frente assustou a todos e fez algumas crian�as acordarem. Ao todo eram quinze pessoas reunidas com uma express�o de espanto e incompreens�o. Todos recuaram ao som da pancada, mas Sally manteve-se a frente, na tentativa de defend�-los. Uma Segunda batida ainda mais violenta fez com que a porta ru�sse destro�ada. O espanto e a incompreens�o deram lugar ao horror.
Uma terr�vel criatura entrou lentamente pela porta e movia-se sobre os seus bra�os e pernas como se fossem quatro patas. O seu rosto estava deformado e parcialmente coberto por uma vasta cabeleira que se assemelhava a pelos de um animal, os dentes eram enormes como os de um urso e sa�am de sua boca de forma amea�adora. Ao chegar mais perto, ergueu-se firmando-se nas patas traseiras, voltou a cabe�a para tr�s e soltou um som terr�vel de um uivo que Sally jamais esqueceria.
As pessoas na sala estavam aterrorizadas. O poder maligno que emanava daquela criatura deixava-os paralisados. Sally sentia-se como se estivesse afogando em uma escurid�o que a envolvia inteiramente, tentava mover-se, mas como todos os que ali estavam, n�o conseguia sair do lugar e nem sequer esbo�ar uma rea��o, nem mesmo falar era poss�vel, tamanho o peso que havia tomado conta do lugar. O sil�ncio era absoluto.
Olhando diretamente nos olhos de Sally a criatura disse:
-Voc� n�o pode ir a lugar algum, n�o h� nada que possa fazer. Agora terei o prazer de rasgar a sua garganta e beber o seu sangue. Voc� j� interferiu demais em nossos planos, vou destro�a-la e n�o h� como resistir ao meu poder.
Sua voz era gutural, de um som nunca visto antes, quase incompreens�vel. Sally sentia seu corpo todo tremer e por um momento pode perceber que conseguia mover-se. Com um rosnado profundo, a criatura come�ou a caminhar em sua dire��o. O primeiro impulso que a tomou era o de correr e quando j� ia faz�-lo, p�de ouvir a voz calma e cheia de for�a do seu protetor:
" N�o corra! Ele est� tentando te amedrontar para que voc� entre em p�nico e tente fugir. Se voc� assim fizer, ele ser� capaz de te matar. Resista! "
Naquele instante, Sally sentiu uma paz e uma for�a incomum apoderar-se dela. Respirando fundo, ergueu a m�o direita na dire��o da fera que se aproximava e disse:
-Pare! Eu ordeno que pare! Servo tolo do mal! Voc� n�o pode nos tocar porque eu resisto a voc� e tenho ao meu lado uma for�a maior do que a sua!
No mesmo instante, a criatura ficou parada em suas patas traseiras, rosnando e furioso, mas incapaz de mover-se. Olhando-o diretamente em seus olhos, Sally prosseguiu:
-Eu ordeno que voc� saia do meu caminho e se v�. A hora da minha morte ainda n�o chegou. Agora v�!
Ele uivou mais uma vez e ficando novamente de quatro recuou, saindo da sala, deixando todos que o acompanhavam admirados e confusos. Eram ao todo cerca de cinco homens, todos de negro e com capuz encobrindo seus rostos, pareciam n�o saber o que fazer, quando repentinamente diante deles materializou-se a figura maligna do Grande Mestre. A atmosfera de medo e horror voltou a tomar conta do lugar. O seu olhar era como duas chamas de fogo e emanavam �dio e destrui��o. Virando-se para Sally disse-lhe furioso:
-Mulher, a sua ousadia e imprud�ncia passaram dos limites! Eu, pessoalmente, vou acabar com voc� e com seu grupinho est�pido que ousou me desafiar. E n�o pense que suas palavras de f� ir�o conseguir me deter, porque eu lhe asseguro que � necess�rio muito mais do que isso para que uma simples mortal possa me enfrentar.
Sua apar�ncia assumiu contornos horr�veis, como de um ser indefinido, e dirigiu-se firmemente em dire��o a Sally, que novamente viu-se paralisada e sem for�as.
De repente, algo o fez parar. Uma luz extremamente brilhante, de um brilho diferente de tudo que j� vira, tomou conta da sala. Mesmo com toda claridade, Sally p�de ver a sua frente uma figura extremamente alta, que estava vestido com uma esp�cie de t�nica branca bordada com fios de ouro puro e um cinto dourado, tinha ao seu lado um objeto reluzente que parecia ser uma enorme espada e usava tamb�m sand�lias douradas. O seu cabelo era de uma cor que Sally n�o podia precisar, apenas brilhava muito e ao virar-se para ela, p�de ver que seus olhos eram de um azul profundo e emanavam paz e seguran�a. Ele sorriu e Sally sentiu-se envolvida em um profundo calor e amor, ao mesmo tempo em que reconhecia a voz que durante tantos anos lhe acompanhava.
-N�o temas, nada de mal ir� acontecer nem com voc�, nem com os outros. A sua miss�o aqui chegou ao fim Sally, tu j� encontraste o teu amor e o pre�o para t�-lo ao seu lado j� foi pago quando lutaste em favor dessas pessoas. Est�s livre agora, para ir ou ficar, como queira. Eu mesmo protegerei cada um deles, e os muitos outros que ainda vir�o. Agora � chegado o momento da tua paz, ao lado de quem tu queres estar.
Virando-se para o Grande Mestre, prosseguiu:
-Quanto a ti saiba que n�o tocar�s em nenhum dos que em mim buscam aux�lio, o teu poder e a tua for�a ser� apenas para os que te temem e te seguem, e nada mais. Eu sempre terei algu�m para ensina-los a se defender e caber� a cada um a escolha acerca de qual caminho ir� seguir. Agora v�!
Furioso o Grande Mestre voltou-se para os seus seguidores:
-Saiam daqui! Mas levem a mulher que nos deixou entrar, ela ir� saciar a minha ira! � disse desaparecendo em seguida. Seus seguidores fugiram apressados, levando consigo Theresa, que gritava pedindo socorro. Sally viu desaparecer tamb�m a bela figura que a protegeu e sentiu a m�o de Chris toca-la:
-Sally, amor, o que aconteceu? Porque o Grande Mestre fugiu?
Um grande burburinho de choro das crian�as e gritos tomou conta do lugar. Todos estavam muito assustados. O Sr. Lanois ao ouvir os gritos de sua mulher correu tentando salva-la:
-Theresa! Theresa! Algu�m ajude-a!
Sally segurou o homem, que tentava seguir os raptores.
-Calma! Calma, Richard, n�o h� nada que possamos fazer. Foi escolha dela.
-N�o, n�o � chorava desesperado.
-Sr. Lanois � disse-lhe Chris � as suas filhas est�o muito assustadas, por favor, v� cuidar delas.
Ainda chorando muito, foi ter com as crian�as.
-Amor, o que aconteceu? Como voc� conseguiu vencer o Grande Mestre, porque ele foi embora daquela forma?
-Voc�s n�o viram?
-O que?
-Ele estava aqui, o meu protetor, foi ele quem expulsou aquele ser maligno daqui, ele estava bem aqui, na minha frente, voc�s n�o viram?
-N�o, n�o vimos nada, s� vimos o Grande Mestre naquela forma horr�vel vindo em sua dire��o, eu tentava mover-me e n�o conseguia, achei que voc� fosse morrer, tentei gritar, mas minha voz tamb�m n�o sa�a, nunca vivi uma ang�stia t�o terr�vel, quando pensei que era o fim, vi ele parar de repente e depois dizer aquelas coisas aos seus seguidores, mandando-os ir embora e levar a Theresa.
Sally tremia tanto que mal conseguia manter-se em p�, caindo de joelhos ao ch�o, teve uma crise de nervos.
UMA SEMANA DEPOIS
O dia estava quente, e o sol ardia fulgente em um c�u azul sem nuvens numa praia semi deserta. Sob a areia, duas belas mulheres beijam-se t�o calorosamente quanto a manh� que as envolvia.
-Nossa, amor, � mais de que perfeito poder estar aqui com voc�, em paz, na calmaria desse lugar...
-�... vir tirar umas f�rias na Am�rica do Sul foi uma id�ia maravilhosa, e esse lugar � mesmo encantador.
-Sally, agora que j� estamos longe de tudo, conte-me o que de fato voc� viu aquela noite. Era mesmo o seu protetor? como ele �? Quem ele �?
Sally suspirou e abra�ou a loira, envolvendo-a pela cintura, ficando ambas sentadas contemplando o mar.
-Era o meu protetor sim. Como ele �, � dif�cil descrever. Mas foi a mais bela vis�o que j� tive. Quanto a quem ele �, eu s� posso dizer que ele � o que chamamos de Bem, a for�a que equilibra o universo quando tudo conspira para a destrui��o. Ele tem muitos nomes, que foram dados pelas pessoas que j� o viram ou o conheceram de alguma forma, e o fato de nome�-lo acabou sendo um erro pois criou uma divis�o entre os que na verdade seguem a mesma pessoa...
-Acho que entendo o que quer dizer...
-Existe uma for�a maior que opera o bem em todo o universo, o seu nome eu n�o sei, embora haja quem o chame de Iav�, Al�, Jesus, Krishna, Buda, enfim... n�o importa... o que importa � que pra mim ele � e continuar� sendo sempre o meu protetor.
FIM