NEM UM MINUTO MAIS
Nira 

niraff [email protected]

Tradução de Fernanda
r[email protected]

 

Não pude suportar por mais tempo e espero  que me perdoes, é impossível para mim seguir tão longe de ti, sei que combinamos nos encontrar em duas semanas  mas o amor que sinto é mais forte do que eu mesma e de  qualquer de minhas decisões. Não sei qual será tua reação, se vai se zangar ou se alegrarás, se me abraçarás  forte como eu desejo fazê-lo ou simplesmente me deixarás passar sem saber que fazer, se seu coração se porá a cem por hora ou  parará inesperadamente durante um segundo, se saberás quem sou ou se poderei ver em teus olhos o que os teus poderás ver nos meus não sei sequer se quererás vê-lo.
Nunca gostei de viajar de aviões e, no entanto, aqui estou por  vontade própria e não estou presa ao cinto  como sempre viajo os ponteiros de meu relógio  se movem  lentamente e a tua imagem, sou incapaz de concentrar-me em nada que não sejas tu, não me importa as pessoas que me rodeia, não sei se o avião está cheio ou se há muitos assentos vazios, nada disso me importa.
Todo meu mundo é você seu sorriso  é capaz de abrir minha alma em pedaços para que seu olhar penetre nela e dar-te tudo de mim, tudo o que tenho e tudo o que me fazes sentir, como queria que soubesse como sofre meu coração quando ouço tua doce voz pronunciar meu nome, a revolução que provocas em cada um de meus sentidos.
Desejo te ver na minha frente contemplar seu rosto, admirar seu corpo, acariciar tua pele, abraçar-te com todas minhas forças, beijar-te até ficarmos sem lábios, conhecer-te como ninguém... amar-te e entregar-me a ti sem explicações, unir-nos num só coração que não se separará jamais.
Por fim aterrizamos e uma vez mais a impaciência se apodera de mim, pego o carro que aluguei e por fim estou no caminho que me leva  para ti. O coração me anima a apertar o acelerador mas a cabeça me pede calma, meus nervos poderiam trair-me, ligo o  rádio e procuro uma emissora, encontro uma balada, é em inglês e jamais  tinha ouvido mas para mim foi uma música quase celestial. Desde que te conheci só escuto baladas, música lenta, algo que jamais fazia, provocas em mim reações que nunca tinha tido.
Levarei uma hora até chegar a sua casa e penso em como apresentar-me, tocarei a campainha, abrirás a porta e direi... e direi..., sorrio pois a minha mente voltam as recordações, da maneira em que te conheci não pôde ser simples casualidade, de alguma forma estávamos predestinadas a algo ou alguém precipitou esse encontro que por nós mesmas nunca parecia chegar.
Essa noite estava cheia de tudo, tinha ficado com Elisa e como de costume chegava tarde, conheço-a faz dez anos e jamais foi pontual, não o foi nem em seu nascimento, não obstante, demorou dez meses para nascer e não nove como todo mundo, no entanto, essa noite já estava esperando-a já fazia uma hora  sozinha na frente do restaurante, sem pensar mais procurei um telefone publico e liguei para ela.
- Alô? -.
- Eli? -.
- Sim -.
-O que ainda está fazendo aí?, estou a uma hora te esperando! -.
- Perdão? -.
- ¡Quer sair já!?, com certeza já perdemos a reserva! -.
- Se já está a uma hora esperando acho que a perdeu, tudo depende do lugar que está reservado -.
- Quer deixar de tolices e mover a bunda até aqui?!!! -.
- O faria mas é que esta bunda além de estar cansada não a conhece -.
Rio só de pensar em minha cara nesse momento, uma mistura de surpresa, estranheza e vergonha, fiquei pálida, não só a voz era muito parecida à de Elisa e também se chamava igual, não sabia que pensar, se estava brincando comigo ou se era para valer não eras a Elisa que eu conhecia, desculpei-me como pude voltar a rediscar o número.
- Elisa? -.
- Eu mesma -.
- É a Eli que conheço ou me equivoquei outra vez? -.
- Acho que sou a mesma dona da bunda de antes -.
- Deus meu, sinto muito, não sei o que está acontecendo com este telefone, .. me desculpa, novamente.
- Deve estar muito irritada a essas alturas entendo-a, não é para menos está a uma hora esperando-a .
- É que não sei o que fica fazendo  sempre chega tarde e depois dá as desculpas  mais tontas do mundo, preferiria que me dissesse que ia chegar mais tarde e  não caçoar de  minha inteligência com tantas tolices -.
- Por que não entra e janta sozinha mesmo? -.
- Acho que não, detesto comer sozinha num restaurante, é algo deprimente... ai, perdão, desculpa... além de te incomodar outra vez ainda por cima te conto minha vida -.
- Não importa mulher, ao menos pode  desabafar com alguém, está ligando de um telefone publico? -.
- Sim -.
- Está enricando mais a telefônica? -.
-  temo que sim, nunca controlo minhas ligações em casa sempre acabo gastando mais que posso, comigo a telefônica  fica mais rica -.
- Contigo e com todos, enganam-nos como a tontos, ainda por cima  nunca te devolvem.
E assim decorreu nossa primeira conversa, apenas recordo  que conversamos mais um pouco e tive a sensação de  que acabava de suceder algo em minha vida, sentia que podia falar contigo do que fosse e o que nunca te disse é que segui pondo moedas até que fiquei sem moedas justo no momento em que minha amiga Elisa apareceu, a culpada de que, aconteça o que acontecer, sempre agradecerei sua paciência.
Despedi-me com a idéia amarga de não voltar a escutar sua voz, como podia ligar de novo , que desculpa poderia dar  que não te assustasse?, agora  rio de mim mesma  estava ficando  louca de tanto pensar em como encontrar algum motivo para ligar, sem que duvidaste, de minha sinceridade ela acabou pedindo meu  número de telefone, queria devolver-me o telefonema, assim sem mais explicação. A partir daí começamos a conversar todos os dias, fomo-nos conhecendo um pouco mais a cada conversa.
Não sabia como eras e sei perfeitamente que a voz podia enganar muitíssimo, apaixonas-te pelo tom de sua voz, pela forma de falar e quando se tornou  a  dona de seu coração o que sentias se converte numa absurda ilusão. Não queria que passasse isso contigo, uma e outra vez   repetia a si mesma que não sabia nada de ti, conhecia cada detalhe de tua vida de teus próprios lábios e no entanto não conhecia absolutamente nada sobre tua pessoa.
O dia em que me disseste que tinhas que te ir a outro país por seu trabalho,meu mundo caiu, estava completamente decidida a convidar-te para jantar e assim conhecer-nos pessoalmente,ia convidar nesta mesma tarde e não tive um minuto livre. O vôo saía numa hora e também nunca soube disto  pendurei o telefone peguei o carro e saí correndo a rumo do aeroporto, tinhas-se descrito tantas vezes que estava segura de reconhecer-te mas o destino decidiu que esse não era o momento de ver-nos e tive um leve acidente que me roubou o tempo justo para chegar tarde, seu avião já tinha decolado.
Sinto um formigamento no estômago quando penso que vou ver-te , só falta meia hora para que nossos olhares se cruzem pela primeira vez e meus nervos não deixam de recordar-me, aperto o volante e contemplo a brilhante lua que me acompanha, será que já será muito tarde, calculei mal o tempo, estarei em sua casa lá pelas 10 da noite,  hoje é sexta-feira e possivelmente não deva estar em casa... seguro que olharás e ao ver-me do outro lado da porta não se atreverás a abrir  .. e dirás, ¡deus meu, está aqui!,  está louca?, já são dez da noite !
- Sim? -.
- Oi, sou eu -.
- Eli?... aconteceu algo?, está bem? -.
- Sim -.
- Ouve, sei que te disse que poderias chamar-me quando quisesses mas são...  três da manhã!, tem certeza que está bem? -.
- Já são três horas?, sinto muito  não achei que fora tão tarde -.
- Vai, desembucha -.
- Como? -.
- É óbvio que algo está acontecendo, me conta.
- É que... -.
- Que?, sabes de sobra que podes contar-me o que seja, eu te conto tudo... é o trabalho, tua família? -.
- Não consigo dormir, não faço mais do que dar voltas na cama -.
- Por que? -.
- Não  sei -.
- Claro que  sabe -.
- Estou nervosa -.
- O que está te deixando nervosa?, porque está enrolando tanto para dizer? -.
- É difícil... -.
- Eli -.
- Não sei como dizer.
- Eli... conheci alguém? -.
- Suponho que pode começar assim -.
-  está apaixonada?
- Acho que sim.
- Mas o que está te atormentando? -.
- Não sei, tenho receio de sofrer -.
- Falaste com ele? -.
- Ele?, Leila sabes bem que sou gay -.
- Eu sei, era para ver se me escutava,  bem? -.
- Não sei como dizer, tenho medo que não queira falar mais comigo.
- Porque por acaso não esta  em seu juízo perfeito...
-  pensa isso? -.
- Claro que sim, acordaste-me no melhor dos meus sonhos que tive ultimamente, às três da manhã e aqui sigo falando contigo, não?, e estou vendo sua foto na cabana do lago -.
- Ainda a tens? -.
- Não lhe disse?, é minha foto de cabeceira... Eli  ainda está aí? -.
- Sim, estou aqui -.
- Ah... ficou calada -.
- Te agrada essa foto? -.
- Claro, estás muito linda e me encanta seu sorriso, já te disse -.
- Sei que só se apaixonou por uma mulher em tua vida mas... -.
- Sim? -.
- Acho que poderias voltar a apaixonar-te? -.
- Por uma mulher? -.
- Sim -.
- Suponho... não  sei... mas pelo que te conheço, me conta -.
- Já te contei o que me passa -.
-  apaixonaste-te e não pode dormir pensando nela mas não me disseste quem é e por que tens tanto medo -.
- É uma amiga minha e apreço muito sua amizade... não suportaria perdê-la -.
- Isso é o que tanto te preocupa?, a possibilidade de perdê-la é o que te tira o sonho? -.
- Isso e a vontade de tê-la -.
- Se apaixonou mesmo...
- Sim -.
- E como é? -.
-  não a conheço...
- Não  entendo, é amiga sua e não conheces a conhece? -.
- É isso...
- ... por que queria saber se eu poderia voltar a apaixonar-me por uma mulher? -.
- Por... por nada...  é só por curiosidade -.
- Sabe qual é a qualidade que mais me agrada em ti? -.
- Qual? -.
- Sua sinceridade, sempre foste sincera e sempre disse o que pensava, desde nossa primeira conversa -.
- Por que me diz  isso? -.
- O que está me escondendo? -.
- Eu... eu... não me agrada mentir não quero fazer...
- Pois não  faça, diga-me a verdade -.
- Tenho medo de dizer.
- Vou, te ajudar, eu também não fui sincera... a resposta é sim -.
- Como? -.
- Seria perfeitamente capaz de apaixonar-me por uma mulher, e mais, estou completamente segura disto-.
- Está apaixonada por alguém? -.
- E tu? -.
- Sim, já  disse -.
- Por quem? -.
- Por . uma amiga -.
- Como se chama? -.
- Se chama... -.
- Diga, Eli, não tenha medo, não tens por que -.
- Não me odeies por isto, Lei -.
- Nunca poderia te odiar, diga -.
-  Acho que me apaixonei...  estou...apaixonada por você.
- Acha?, eu no entanto estou completamente segura -.
- Como? -.
- Estou apaixonada por você Eli, e não tem remédio -.
- Por que não me disse? -.
- Pela mesma razão que não falou para mim.
- Não sei... não sei o que fazer -.
- Eli, temos que nos ver -.
- E como fazemos?, estamos muito longe -.
-  uma hora de avião e outra de carro até chegar aqui... é que  tenho calculado -.
- Preciso de mais tempo, Lei -.
- Mais tempo?, para que? -.
- Para clarear minhas idéias, não sei, parece-me precipitado -.
- Quem sabe seja um pouco, só faz dois meses que nos conhecemos -.
- Tudo bem  nos vemos em duas semanas?, eu posso ir para lá -.
- Eu também sei onde encontrar-te -.
Jamais poderei esquecer nossa última conversa quando declarou seu amor e eu também, falamos a verdade que nossos corações já não podiam ocultar, essa noite a telefônica faturou com nós duas, não sei quanto tempo estivemos falando contando nossas intimidades, tudo aquilo que habitava há algum tempo em nossas almas e que nos aprisionava, essa noite me apaixonei mais por ti e quando desliguei o telefone foi quando  decidi. Nem sequer pensei, a primeira hora da manhã já estava na agência de viagem e o primeiro avião que pude conseguir uma passagem saía às oito da noite,  tempo demais para ficar sem ti, acho que estou louca.
O dia inteiro  passei sonhando acordada, com tua pele, seu rosto, seus lábios, em como fazer-te minha, sentir seu corpo colado ao meu, estreitar-te entre meus braços e perder-me em ti até que ninguém pudesse encontrar-me.
Tudo é diferente agora, a valentia que me acompanhou durante todo o caminho desapareceu de repente, sem avisar me deixou sozinha em frente a sua casa e de tua porta. Estou completamente paralisada, sei que deveria seguir adiante sem pensar e no entanto não deixo de pensar , penso em sua reação, se vai ficar brava ou decepcionada. Respirei profundamente e soltei o ar devagar tentando tranqüilizar-me, fica calma , não cheguei até aqui para ir-me sem falar com ela. Fui até a tua porta e meu dedo tremulo luta para apertar o botão de sua campainha.
O som se perde no interior, sei que estas aí pois há uma luz acesa em sua janela e comecei a  escutar uns passos que se dirigem para mim, o meu coração bate a cem por hora, a porta se abre e deixo de respirar ao saber quem vai abrir...
- Oi, que desejava? -.
Um homem alto e moreno me olha com a mesma surpresa com que eu lhe olho , quase não me saem as palavras.
- Boa noite, a  Elisa Mello mora aqui? -.
- Sim, saiu  mas volta logo... quem é você?, não te conheço -.
- Sou... me chamo Leila... sou uma amiga dela -.
- Leila? -.
- Sim, Leila Menescal -.
- Você é  Leila Menescal?, isso não pode ser, não podes ser a mesma pessoa, deverias estar em... -.
- Sim, sei .quem sabe deveria voltar mais tarde -.
- São  dez e meia da noite -.
- É melhor eu voltar amanhã...
- Para onde vai?, podes esperá-la aqui dentro, deve estar para chegar -.
- Não quero incomodar...
- Incomodar?, ai senhor, por mim não se preocupe já vou dormir espera ela aqui...
- Sozinha? -.
- Sim, tem medo de ficar sozinha?, entra... acho  que vai dar-lhe um susto de morte -.
- Por isso, não quero assustá-la -.
- Entra e não se fala mais nisso... , pode esperá-la aqui, eu já vou...  chamo-me Eduardo pode chamar-me de Eddy, todos chamam.
- Eu sou... -.
- Já  sei, calma, tudo sairá bem, tchau... foste muito valente ao vir -.
- Obrigada
- Sorte -.
Aqui estou sentada em sua sala incapaz de acreditar, olho tudo o que me rodeia e penso em ti caminhando por ali, andando entre aqueles móveis ou sentando-te a meu lado no sofá... deus meu, como vou apresentar-me... entrarás por esta porta esperando ver Eduardo ou  Eddy, ou como se chame, e de repente inesperadamente e sem avisar vê a mim... não, a impressão pode ser muito forte, será melhor que eu saia e te espere no carro e quando a ver entrar, saio e volto  tocar a campainha... sim, definitivamente será muito melhor assim...
Não, acho que não, melhor ficar aqui sentadinha ouvi umas chaves e uns passos pelo corredor... creio que vou desmaiar, está aqui!,  espero  não  me pare o coração agora mesmo vai dar-me algo, nem sequer te avisei  de minha visita, estás falando mas não ouço nem uma palavra, fiquei completamente surda num só segundo, unicamente duas coisas ainda posso fazer: olhar-te e tremer.
- Já voltei Eddy, , Sandra só trás coisas pesada ainda bem que moro perto... olha isto, é o que me trouxe minha irmã da Itália... é bonita? ainda não sei onde gua....
O som da porcelana rompendo-se em mil pedaços ao chocar com o solo inundou a casa estava ocorrendo, nossos olhares se cruzavam pela primeira vez, só que o dela transmitia medo no  princípio e uma grande surpresa depois, durante um momento que durou uma eternidade nenhuma das duas pronunciou nenhuma palavra ocupadas como iríamos reagir..
- Como  entr...?... não... não pode ser -.
- Oi Eli... sou... eu -.
- Leila? -.
- Eu mesma -.
- Leila... ¡Lei!... como... -.
- Calma não forcei a porta nem sou uma aparição, toquei a campainha e  saiu seu amigo... depois de dizer-lhe quem era sua cara foi quase igual à sua... e me disse que poderia te esperar aqui.
- E ele onde está..? -.
- Se foi -.
O silêncio voltou a reinar, nenhuma sabia o que dizer nem que fazer.
- Me Perdoa... é que... não te esperava -.
- Eu compreendo, eu teria sua mesma expressão se de repente te encontrasse na sala de minha casa -.
- Quer algo... para beber?... creio que está me fazendo falta -.
- De beber?... um.. copo de água estaria bem -.
- Você não bebe bebidas alcoólicas....
- Nem eu -.
- Agora mesmo vou buscar... não sei nem quem sou -.
Aqui estou sem poder esperar um segundo mais, não agüento a vontades de abraçar-te e agora mais do que nunca, já sei como é mais linda do que nas fotos, seu olhar  é bem mais profundo ainda que te imaginava um pouco mais alta, é preciosa... um sonho... um anjo... e estou morrendo de vontade de dizer que a amo, agora que está diante de mim, em carne e osso, te quero  mais  ainda e te desejo tanto que chega a doer.
- Perdão por ter demorado  tanto é que... compreende que eu  precisava de um momento para  respirar ... foi um impacto vê-la  aqui -.
- Eu  sei e  desculpa... sinto por aparecer assim sem avisar é que não podia... duas semanas... seria uma eternidade, precisava te ver...
Está sentada a meu lado incapaz de olhar-me, sei que quer dizer algo mas as palavras não saem como a minha ainda que não sei se será pela mesma causa, quem sabe esperava algo mais do que eu, talvez as fotos que te enviei mostravam mais do que sou realmente, talvez  tenhas desencantado. Olha-me e ao encontrar meus olhos rapidamente volta a baixar a vista, está nervosa tanto ou mais do que eu, não deixa de apertar as mãos... seria um começo... levo as minhas até as delas mas de repente se levantou.
- Vou... vou na varanda... creio que preciso ar -.
Agora sou eu  que demora em reagir, vejo-te saindo para pegar ar e decido que não peguei um horrível avião e dirigi por uma hora para ficar aqui na sala completamente imóvel, não senhor.
Levantei e sai atrás dela, estava com os braços apoiados no muro olhando para a frente, admiro seu cabelo loiro iluminado pela lua e se movendo pela ligeira brisa, meus olhos percorrem suas costas, sua cintura e a vontade me tiram a capacidade de pensar, fico atrás dela e ponho minhas mãos sobre teus ombros, notei que respirou fundo mas não se afasta nem dize nada. Levo as mãos devagar, com calma acaricio tuas costas até descansar em tua cintura que pouco a pouco vou rodeando até abraçar-te e colar meu corpo ao seu,sinto o seu também  contra meu.
- Quero que faça parte de minha vida, Eli, estou aqui para ficar contigo... se me aceitar -.
Se afasta de mim e  pega minha mão, e me leva para dentro  até entrar no quarto que sem dúvida é seu dormitório, não sei como é pois eu só vejo a cama e ela, por fim posso ver o que há em seu olhar que fincas em mim, amor, desejo, olha-me com a mesma intensidade com que eu o faço.
Já não há como parar, já não posso esperar nem um segundo mais, acercou-me mais a ti e com as duas mãos  suavemente  acaricio seu rosto e vejo-te fechar os olhos esperando o ansiado e tantas vezes sonhado primeiro beijo, nossos lábios se roçam suavemente, com cada contato se apertam mais e mais até terminar num apaixonado e profundo beijo, no que te entrego meu coração.
- Lei... -.
Sua doce voz  me chama e mil borboletas percorrem meu corpo uma vez mais.
- Te amo -.
- Eu também te amo -.
- Não... não posso acreditar que esteja aqui... Leila
- Eu sei.. Eli... -
- Não posso agüentar mais -.
Minha mente não assimila a realidade, uma realidade que tinha imaginado mil vezes, em meus sonhos  nunca imaginei que a paixão era tão grande, acaricia-me e beijas como se não existisse um manhã, como se o mundo fosse terminar agora, possuis-me com ânsia devorando-me a alma e fazendo-me mais e mais tua, meu coração bate a seu ritmo e meu corpo já não me pertence, é completamente seu.
- Deus meu... como te amo, Eli -.
- E eu a ti -.
Descansamos recuperando o alento e sua cabeça repousa em meu peito.
- Não é incrível tudo isto -.
- Foi um sonho -.
- Me refiro a tudo -.
- A tudo? -.
- A forma em que nos conhecemos... foi pura casualidade -.
- Eu  que o digas... sabe?, jamais me equivoquei  com o número de Elisa   só aquela vez -.
- E por duas vezes te liguei,... é como se alguém nos tivesse ajudado... apareceste num momento em que tinha perdido toda esperança de encontrar  alguém com quem compartilhar minha vida -.
- Eu, no entanto, nunca tive essa inquietude...  sabe? -.
- Ah sei?... -.
- ¡Aaaay!...¡não  faça isso!... por favor... ¡paaaaraaa!... -.
- Isso para que aprendas...me diz uma coisa... sabe  trocar  a roda de um carro? -.
- Qual o motivo disso? -.
- Responda...
- Sim... por que? -.
- Quando aprendeu? -.
- Uma vez precisei trocar e um homem parou  para me ajudar
- E onde ia? -.
- Não me lembro -.
- Mentiroooosa... escuta bem, não quero que volte a fazer algo assim, me ouviu? -.
- Algo assim?, como? -.
- Não quero que dirija como uma louca só para me ver...
- Como sabe disto? -.
- Eu sei muitas coisas, ia me ver no aeroporto, não é? -.
- Sim, mas... espera um momento... eu  sabia que conhecia  seu amigo de algum lugar -.
-  meu amigo? -.
- Sim, o Eddy, Eduardo .. ouve, ele só é um amigo, ? -.
- Claro que sim,  ele não faz meu tipo, talvez ...
- cala-te! -.
- Faz-me calar -.
Uma vez mais o sonho se fez realidade e nos amamos sem pressa conhecendo-nos a cada nova carícia, memorizando cada parte de ti e cada reação que sentia, saboreando cada nova sensação que nos envolvia, entreguei-me a ti sem complexos sem pedir nada em troca apaixonei-me profundamente, a presentiei com o  amor em seu mais puro significado, um amor que já não podia esperar nem um minuto mais.
FIM
 

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