Aqui estou sentada em sua sala incapaz
de acreditar, olho tudo o que me rodeia e penso em ti caminhando por ali,
andando entre aqueles móveis ou sentando-te a meu lado no sofá...
deus meu, como vou apresentar-me... entrarás por esta porta esperando
ver Eduardo ou Eddy, ou como se chame, e de repente inesperadamente
e sem avisar vê a mim... não, a impressão pode ser muito
forte, será melhor que eu saia e te espere no carro e quando a ver
entrar, saio e volto tocar a campainha... sim, definitivamente será
muito melhor assim...
Não, acho que não,
melhor ficar aqui sentadinha ouvi umas chaves e uns passos pelo corredor...
creio que vou desmaiar, está aqui!, espero não
me pare o coração agora mesmo vai dar-me algo, nem sequer
te avisei de minha visita, estás falando mas não ouço
nem uma palavra, fiquei completamente surda num só segundo, unicamente
duas coisas ainda posso fazer: olhar-te e tremer.
- Já voltei Eddy, , Sandra
só trás coisas pesada ainda bem que moro perto... olha isto,
é o que me trouxe minha irmã da Itália... é
bonita? ainda não sei onde gua....
O som da porcelana rompendo-se em
mil pedaços ao chocar com o solo inundou a casa estava ocorrendo,
nossos olhares se cruzavam pela primeira vez, só que o dela transmitia
medo no princípio e uma grande surpresa depois, durante um
momento que durou uma eternidade nenhuma das duas pronunciou nenhuma palavra
ocupadas como iríamos reagir..
- Como entr...?... não...
não pode ser -.
- Oi Eli... sou... eu -.
- Leila? -.
- Eu mesma -.
- Leila... ¡Lei!... como...
-.
- Calma não forcei a porta
nem sou uma aparição, toquei a campainha e saiu seu
amigo... depois de dizer-lhe quem era sua cara foi quase igual à
sua... e me disse que poderia te esperar aqui.
- E ele onde está..? -.
- Se foi -.
O silêncio voltou a reinar,
nenhuma sabia o que dizer nem que fazer.
- Me Perdoa... é que... não
te esperava -.
- Eu compreendo, eu teria sua mesma
expressão se de repente te encontrasse na sala de minha casa -.
- Quer algo... para beber?... creio
que está me fazendo falta -.
- De beber?... um.. copo de água
estaria bem -.
- Você não bebe bebidas
alcoólicas....
- Nem eu -.
- Agora mesmo vou buscar... não
sei nem quem sou -.
Aqui estou sem poder esperar um
segundo mais, não agüento a vontades de abraçar-te e
agora mais do que nunca, já sei como é mais linda do que nas
fotos, seu olhar é bem mais profundo ainda que te imaginava
um pouco mais alta, é preciosa... um sonho... um anjo... e estou
morrendo de vontade de dizer que a amo, agora que está diante de
mim, em carne e osso, te quero mais ainda e te desejo tanto
que chega a doer.
- Perdão por ter demorado
tanto é que... compreende que eu precisava de um momento para
respirar ... foi um impacto vê-la aqui -.
- Eu sei e desculpa...
sinto por aparecer assim sem avisar é que não podia... duas
semanas... seria uma eternidade, precisava te ver...
Está sentada a meu lado incapaz
de olhar-me, sei que quer dizer algo mas as palavras não saem como
a minha ainda que não sei se será pela mesma causa, quem sabe
esperava algo mais do que eu, talvez as fotos que te enviei mostravam mais
do que sou realmente, talvez tenhas desencantado. Olha-me e ao encontrar
meus olhos rapidamente volta a baixar a vista, está nervosa tanto
ou mais do que eu, não deixa de apertar as mãos... seria um
começo... levo as minhas até as delas mas de repente se levantou.
- Vou... vou na varanda... creio
que preciso ar -.
Agora sou eu que demora em
reagir, vejo-te saindo para pegar ar e decido que não peguei um horrível
avião e dirigi por uma hora para ficar aqui na sala completamente
imóvel, não senhor.
Levantei e sai atrás dela,
estava com os braços apoiados no muro olhando para a frente, admiro
seu cabelo loiro iluminado pela lua e se movendo pela ligeira brisa, meus
olhos percorrem suas costas, sua cintura e a vontade me tiram a capacidade
de pensar, fico atrás dela e ponho minhas mãos sobre teus
ombros, notei que respirou fundo mas não se afasta nem dize nada.
Levo as mãos devagar, com calma acaricio tuas costas até descansar
em tua cintura que pouco a pouco vou rodeando até abraçar-te
e colar meu corpo ao seu,sinto o seu também contra meu.
- Quero que faça parte de
minha vida, Eli, estou aqui para ficar contigo... se me aceitar -.
Se afasta de mim e pega minha
mão, e me leva para dentro até entrar no quarto que
sem dúvida é seu dormitório, não sei como é
pois eu só vejo a cama e ela, por fim posso ver o que há em
seu olhar que fincas em mim, amor, desejo, olha-me com a mesma intensidade
com que eu o faço.
Já não há como
parar, já não posso esperar nem um segundo mais, acercou-me
mais a ti e com as duas mãos suavemente acaricio seu
rosto e vejo-te fechar os olhos esperando o ansiado e tantas vezes sonhado
primeiro beijo, nossos lábios se roçam suavemente, com cada
contato se apertam mais e mais até terminar num apaixonado e profundo
beijo, no que te entrego meu coração.
- Lei... -.
Sua doce voz me chama e mil
borboletas percorrem meu corpo uma vez mais.
- Te amo -.
- Eu também te amo -.
- Não... não posso
acreditar que esteja aqui... Leila
- Eu sei.. Eli... -
- Não posso agüentar
mais -.
Minha mente não assimila
a realidade, uma realidade que tinha imaginado mil vezes, em meus sonhos
nunca imaginei que a paixão era tão grande, acaricia-me e
beijas como se não existisse um manhã, como se o mundo fosse
terminar agora, possuis-me com ânsia devorando-me a alma e fazendo-me
mais e mais tua, meu coração bate a seu ritmo e meu corpo
já não me pertence, é completamente seu.
- Deus meu... como te amo, Eli -.
- E eu a ti -.
Descansamos recuperando o alento
e sua cabeça repousa em meu peito.
- Não é incrível
tudo isto -.
- Foi um sonho -.
- Me refiro a tudo -.
- A tudo? -.
- A forma em que nos conhecemos...
foi pura casualidade -.
- Eu que o digas... sabe?,
jamais me equivoquei com o número de Elisa só
aquela vez -.
- E por duas vezes te liguei,...
é como se alguém nos tivesse ajudado... apareceste num momento
em que tinha perdido toda esperança de encontrar alguém
com quem compartilhar minha vida -.
- Eu, no entanto, nunca tive essa
inquietude... sabe? -.
- Ah sei?... -.
- ¡Aaaay!...¡não
faça isso!... por favor... ¡paaaaraaa!... -.
- Isso para que aprendas...me diz
uma coisa... sabe trocar a roda de um carro? -.
- Qual o motivo disso? -.
- Responda...
- Sim... por que? -.
- Quando aprendeu? -.
- Uma vez precisei trocar e um homem
parou para me ajudar
- E onde ia? -.
- Não me lembro -.
- Mentiroooosa... escuta bem, não
quero que volte a fazer algo assim, me ouviu? -.
- Algo assim?, como? -.
- Não quero que dirija como
uma louca só para me ver...
- Como sabe disto? -.
- Eu sei muitas coisas, ia me ver
no aeroporto, não é? -.
- Sim, mas... espera um momento...
eu sabia que conhecia seu amigo de algum lugar -.
- meu amigo? -.
- Sim, o Eddy, Eduardo .. ouve,
ele só é um amigo, ? -.
- Claro que sim, ele não
faz meu tipo, talvez ...
- cala-te! -.
- Faz-me calar -.
Uma vez mais o sonho se fez realidade
e nos amamos sem pressa conhecendo-nos a cada nova carícia, memorizando
cada parte de ti e cada reação que sentia, saboreando cada
nova sensação que nos envolvia, entreguei-me a ti sem complexos
sem pedir nada em troca apaixonei-me profundamente, a presentiei com o
amor em seu mais puro significado, um amor que já não podia
esperar nem um minuto mais.
FIM